quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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Nikolas Ferreira pode perder direitos políticos; entenda

Solicitação foi feita pelo Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais

Representantes da extrema direita na Câmara, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), federal, e Bruno Engler (PL-MG), estadual, podem perder seus direitos políticos. A solicitação foi feita pelo Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais (MPE-MG).

A motivação do pedido foram ataques feitos pelos parlamentares ao então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD-MG), em 2024. Ambos são acusados de difamação.

Além da perda dos direitos políticos, a denúncia pede indenização por danos morais à família de Fuada Noman, que morreu aos 77 anos, em março de 2025.17:29 08/07/2025

Conforme o MP, os denunciados propagaram, de forma intencional, informações falsas para prejudicar a candidatura do então prefeito e beneficiar seu adversário no segundo turno do pleito.

Foi utilizado, inclusive, um trecho descontextualizado do livro “Cobiça”, escrito por Fuad, o associando falsamente a uma suposta exposição de crianças a conteúdo impróprio, durante festival de quadrinhos promovido pela prefeitura.

O caso teve origem na divulgação de vídeos em que Nikolas e Engler criticavam a obra de ficção. O MP afirmou que os deputados agiram com “difamação” ao vincular o conteúdo do livro, que inclui uma cena de violência sexual fictícia, à gestão do então prefeito.

“Leviano e injusto”

De forma leviana e injusta, conectou a obra de ficção a um evento real”, destacou o MP a respeito das declarações de Nikolas, que classificou o livro como “pornográfico” e afirmou que “o problema é quando a ficção vira a realidade”.

A denúncia apontou que Nikolas descumpriu ordem judicial para remover o vídeo original de suas redes sociais, em outubro de 2024, e, também, “passou a debochar publicamente da decisão”, ao postar novo conteúdo repetindo as acusações.

Além de Nikolas e Engler, mais duas pessoas foram denunciadas pelo MP. Coronel Cláudia (PL), candidata a vice-prefeita na chapa de Bruno Engler, e a deputada estadual Delegada Sheila (PL).

 Revista Fórum 

Aprovada criação do Dia da Luta da População em Situação de Rua

Texto relatado pelo senador Paulo Paim determina que a data seja celebrada anualmente todo o dia 19 de agosto. A escolha da data remete à “Chacina da Praça da Sé”

A Comissão de Educação (CE) do Senado aprovou nesta terça-feira (8/7) proposta de autoria do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) que institui o Dia da Luta da População em Situação de Rua. O texto, relatado pelo senador Paulo Paim (PT-RS) segue para sanção presidencial, caso não haja recurso para votação em plenário.

O PL 4752/2019 determina que a data seja celebrada anualmente todo o dia 19 de agosto. A escolha da data remete à “Chacina da Praça da Sé” ou “Massacre da Sé”, série de ataques brutais que ocorreram na cidade de São Paulo, entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004.

A ideia, segundo Nilto Tatto, é dar visibilidade ao enfrentamento dessa população à discriminação, preconceito e violência; fortalecer a sua luta pela inclusão nas políticas públicas, a exemplo de moradia, habitação, trabalho, educação e saúde; bem como promover uma ampla conscientização sobre os seus direitos.

Presidente sanciona lei que institui política de trabalho digno para população em situação de rua

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), conforme diagnóstico realizado com base em números do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), o número de pessoas em situação de rua aumentou 935%, tendo saltado de 21 mil pessoas cadastradas em 2013 para 227 mil em agosto de 2023.

“A população em situação de rua representa um dos maiores desafios sociais e humanitários da atualidade, refletindo as profundas desigualdades e falhas estruturais de várias sociedades. Além de constituir um problema social, o panorama da população em situação de rua também é um desafio de direitos humanos e de saúde pública. A ausência de moradia digna, o acesso limitado a saneamento, alimentação e serviços de saúde tornam essa população extremamente vulnerável a doenças, violência e exploração”, aponta Paulo Paim.

Luta da população em situação de rua exige políticas públicas

O parlamentar ainda argumenta que a população em situação de rua é o reflexo da complexidade e da fragilidade do tecido social do país.

“O cenário em que vive a população em situação de rua confirma a urgência de uma ação coordenada e humanizada, que vá além do assistencialismo, garanta direitos e promova a dignidade humana”, disse.

Aprovação de Lula se recupera e atinge maior patamar do ano, diz Atlas Intel

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) experimentou uma recuperação significativa em junho, atingindo seu maior patamar do ano. De acordo com uma nova pesquisa Atlas Intel, a aprovação subiu 2% em relação a maio, enquanto a desaprovação caiu 2%, refletindo uma mudança positiva na percepção do governo. Essa melhora nas avaliações é acompanhada por um aumento de 1,2% nas avaliações da gestão como “regular” e uma queda de 0,9% nas classificações como “ruim ou péssima”.

Lula reverteu praticamente todos os cenários em que ele estava perdendo.

Imagem de Haddad também melhora

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cotado para ser candidato à presidência em 2026, viu um avanço considerável em sua imagem. A percepção negativa sobre ele caiu 5%, enquanto a imagem positiva aumentou 3%. Embora a imagem de Haddad ainda seja mais negativa do que positiva, o saldo negativo de -6% é o menor registrado desde janeiro de 2025, indicando uma recuperação em sua popularidade. A imagem de Lula também teve um aumento de 2%, com uma leve diminuição de 1% na imagem negativa.

Gráfico mostra recuperação da aprovação de Lula

Corrupção segue sendo o maior problema no Brasil

A corrupção continua sendo o maior problema identificado pelos brasileiros, com 58% mencionando a questão como a principal preocupação no país. A criminalidade e o tráfico de drogas também permanecem como problemas significativos, mas houve uma diminuição de 3% na percepção desses problemas em comparação com o mês anterior. Já a preocupação com a economia e a inflação diminuiu ligeiramente, embora ainda seja um tema central para a população.

Cenário eleitoral para 2026: Lula e Bolsonaro ainda estão próximos, mas Lula lidera em cenários com outros adversários

Em um cenário hipotético de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026, com os mesmos candidatos da eleição de 2022, Lula mantém uma pequena vantagem sobre o inelegível Jair Bolsonaro, com uma margem de apenas 1,6%. Esse número é menor do que o registrado no mês anterior, quando a vantagem de Lula sobre Bolsonaro era de 2,8%.

Em um cenário com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Lula lidera com 44,6% das intenções de voto, 10,6 pontos percentuais à frente. Já no cenário com Michele Bolsonaro, Lula tem uma vantagem de 14,6%, com um crescimento de 0,6% desde maio, enquanto a intenção de voto em Michele caiu 3,1%.

Caso Fernando Haddad seja o candidato do PT, a disputa se torna mais equilibrada, com Tarcísio ainda mantendo uma leve vantagem de 0,7% sobre Haddad. Ciro Gomes aparece com 8,3% das intenções de voto, enquanto outros candidatos não ultrapassam 5%. Quase 10% dos eleitores estão indecisos ou propensos a votar em branco/nulo.

Expectativa econômica em alta

Após uma queda em maio, a confiança do consumidor no Brasil voltou a subir em junho. O Índice de Expectativa aumentou, refletindo uma visão mais otimista sobre a recuperação econômica do país. A percepção de inflação também teve uma leve melhora, com uma redução de 0,8% na percepção atual de inflação, que ficou em 6,2%. As expectativas para a inflação também caíram 0,5%, ficando em 5,2%.

A situação da democracia no Brasil

A pesquisa também revelou que a democracia segue sendo considerada a melhor forma de governo para o Brasil, com 81,5% dos entrevistados afirmando concordar totalmente com essa afirmação. No entanto, 54,2% dos brasileiros expressaram insatisfação com o funcionamento da democracia no país. Essa insatisfação parece estar ligada à falta de confiança na mídia, na aplicação da lei e nos partidos políticos. Mais de 80% dos brasileiros têm pouca ou nenhuma confiança na mídia, enquanto 69,8% acreditam que a mídia é controlada por interesses específicos. Além disso, 90,1% afirmam que políticos raramente ou nunca são punidos por corrupção.

A regulação das redes sociais e a confiança no STF e no Congresso

A regulamentação das redes sociais é vista como urgente pela maioria dos brasileiros, com 53,3% defendendo uma regulação mais rigorosa para essas plataformas no país. Grande parte da população também acredita que as redes sociais deveriam remover de forma imediata certos conteúdos, como fake news, postagens incitando violência e discursos de ódio, assim que forem denunciados pelos usuários, sem a necessidade de uma decisão judicial.

Em relação à definição de regras sobre o funcionamento das redes sociais, o STF é visto com mais confiança do que o Congresso. Cerca de 53% dos brasileiros confiam ou confiam muito na capacidade do Supremo para tratar desse tema, enquanto apenas 11% têm a mesma confiança no Legislativo. No entanto, há preocupações sobre os riscos que uma regulação das redes sociais pelo STF pode representar para a liberdade de expressão, com 46% dos entrevistados indicando que acreditam haver um risco significativo ou algum risco de censura por parte do Supremo.

Luta por justiça tributária inunda redes sociais e senadores petistas apoiam

Hashtags movimentam internet e indicam que rever benefícios dos mais ricos e o caminho

Uma onda inundou as redes sociais nos últimos dias, refletindo o desejo da sociedade por justiça tributária. Em resumo: os brasileiros não aceitam seguir pagando praticamente sozinhos pelo equilíbrio das contas públicas, enquanto os super ricos gozam de isenções e benefícios fiscais. O presidente Lula sintetizou o caminho a ser seguido pelas forças democráticas, já que justiça tributária é também justiça social.

“O modelo neoliberal aprofunda as desigualdades, 3 mil bilionários ganharam 6,5 trilhões de dólares desde 2015. Justiça tributária e o combate à evasão fiscal são fundamentais para consolidar estratégias de crescimento inclusivas e sustentáveis próprias, disse o presidente durante em encontro do Brics, no Rio de Janeiro.

Hashtag como #JustiçaTributária, #SuperRicos, #RicosPaguemaConta, #CongressoInimigoDoPovo, #HaddadTemRazão subiram com força nas redes sociais indicando que há o projeto político vitorioso em 2026 será cumprido, com a taxação dos mais ricos e a diminuição da carga tributárias dos mais pobres, com instrumentos como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

E a bancada petista no Senado já vem enfatizando a necessidade de mudar as prioridades do país, resgatando a enorme dívida social brasileira.

“Estamos falando de responsabilidade com o povo. O governo Lula dialogou, ajustou e protegeu os mais pobres. É hora de ter lado: do lado do Brasil que precisa crescer com justiça social e justiça tributária”, apontou o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, indicando a disposição do governo de dialogar com o Congresso mas sem abrir mão dos seus princípios.

Humberto Costa (PT-PE) foi na mesma linha. “É extremamente importante que o Congresso esteja pronto para tratar de temas como a redução de subsídios e renúncias fiscais que já chegam a R$ 1 trilhão, cortes em emendas parlamentares que hoje somam R$ 60 bilhões, cortes em supersalários e a redução de impostos de quem ganham menos”, frisou. Paulo Paim (PT-RS) lembrou que, somente em 2026, serão R$ 620,8 bilhões em isenções. “Está nas mãos do Congresso Nacional reverter essa situação”, afirmou.

A justiça tributária é prioridade do governo, contra pressões de grupos econômicos organizados. “Há muitos interesses em jogo, inclusive de grandes grupos econômicos que estão no topo. Tem uma hora que é necessário reagir. Com a taxação BBB (bancos, BETs e bilionários), nós mostramos que nossa missão é clara: fazer mais por quem mais precisa. Toda escolha tem um lado. E o presidente Lula fez a dele”, disse o senador Jaques Wagner (PT-BA). A senadora Teresa Leitão (PT-PE) sintetizou: “Defender justiça tributária é lutar por um país que oferece dignidade para o seu povo. É um compromisso com um Brasil mais justo e equilibrado”.

Coluna Zona Franca

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Trump X Lula

featured imageÀs vésperas do julgamento sobre a trama golpista que pode condenar Jair Bolsonaro, Donald Trump saiu em defesa do ex-presidente brasileiro e criou uma nova rusga diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Por meio de sua rede social, o Truth Social, Trump acusou o Judiciário brasileiro de estar fazendo uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores. O presidente americano afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo brasileiro”. As postagens de Trump tiveram como alvo o Supremo Tribunal Federal. Apesar de não citar o relator do caso, o ministro Alexandre de MoraesTrump deu a entender que há um processo político em curso no Brasil destinado a prejudicar Bolsonaro. “O único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelo voto do povo brasileiro”, disse Trump. (Folha)

Trump X Lula 2

As postagens de Trump irritaram o presidente brasileiro. Em entrevista durante o encontro de cúpula dos Brics no Rio, Lula disse que o Brasil não aceitaria “interferência ou tutela de quem quer que seja”. Lula também usou as redes sociais para comentar as declarações de Trump. Por lá, afirmou que as instituições brasileiras são sólidas e independentes. Segundo o presidente, “ninguém está acima da lei, sobretudo aqueles que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”. (UOL)

Trump X Lula 3

Lula, no entanto, tem se notabilizado em seu terceiro mandato a dar pitacos sobre a realidade política de diferentes países. Durante as últimas eleições americanas ele disse que preferia que o ex-presidente Joe Biden fosse reeleito a ver Trump de volta à Casa Branca. Na semana passada, Lula visitou a ex-presidente Cristina Kirchner e, até poucos anos, defendia publicamente o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. (Folha)

Trump X Lula 4

O Supremo Tribunal Federal adotou uma postura mais reservada e optou por não dar uma resposta oficial aos comentários do presidente americano. Ministros da Corte entenderam que o pronunciamento de Trump estava na esfera política e, por isso, a reação do Executivo brasileiro teria sido suficiente. (Globo)

Trump X Lula 6

Na cúpula bolsonarista, a postagem de Trump foi vista como muito mais do que um mero apoio de um presidente americano a um aliado político no exterior. Para muitos, Trump deu a entender que pretende usar a influência dos Estados Unidos para interferir no processo no qual Bolsonaro é réu. O ex-presidente brasileiro agradeceu a nota de Trump e afirmou que, assim como ele, o presidente americano também sofreu perseguição política. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), repostou a publicação de Trump e disse que Bolsonaro “deve ser julgado somente pelo povo brasileiro”. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que essa não será a única vez que o governo americano se pronunciará sobre o Brasil, dando a entender que os Estados Unidos poderiam aplicar sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. (Estadão)

Novela do IOF

A novela sobre o aumento do IOF parece ainda estar longe do fim, mas, nesta semana, o governo já se prepara para novos embates no Congresso em torno de votações estratégicas para o Planalto. Dois projetos considerados fundamentais para que o presidente recupere parte de sua popularidade estão na pauta da Câmara: a PEC da Segurança Pública e o projeto que prevê a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Lula sabe que o clima não anda nada bom para o governo no Congresso e já se mostrou disposto a uma reaproximação com os presidentes da Câmara e do Senado. Ao mesmo tempo, decidiu que não pretende sancionar o projeto de lei que amplia o número de deputados federais de 513 para 531. Lula pretende deixar o desgaste inteiramente nas mãos dos deputados e senadores. (Folha)

Guerra tarifária

A guerra tarifária de Donald Trump voltou como se nunca tivesse ido embora. Após semanas focado em conflitos militares ao redor do mundo, o presidente americano fez uma nova rodada de ameaças tarifárias a países aliados dos Estados Unidos. Desta vez, Trump quer forçar o Japão e a Coreia do Sul — além de 12 outros países menores — a fechar um acordo comercial com a Casa Branca até o final deste mês. Caso não haja acordo, o presidente afirmou que vai sobretaxar produtos japoneses e sul-coreanos em pelo menos 25%. As bolsas americanas despencaram com a notícia. Além de Japão e Coreia do Sul, Trump também ameaça sobretaxar produtos da Tailândia, Malásia, Indonésia, África do Sul, Camboja, Bangladesh, Cazaquistão e Tunísia. As novas tarifas entram em vigor no dia 1º de agosto, segundo Trump. (New York Times)

Guerra tarifária 2

Apesar da gritaria, na prática, Trump vai estender o prazo de 90 dias dado a diferentes países do mundo para chegar a acordos bilaterais com os Estados Unidos a fim de evitar as sobretaxas anunciadas por ele há mais de três meses. Trump decidiu suspender as tarifas anunciadas no que ele chamou de “Liberation Day” por conta da péssima repercussão nos mercados. Desde então, uma sobretaxa de 10% estava sendo aplicada de forma generalizada. Oficialmente a pausa nas sobretaxas terminaria amanhã, mas ao que tudo indica haverá uma extensão de prazo para todos e não só para os 12 países ameaçados por ele na segunda-feira. (Forbes)

Nobel da Paz

Em visita à Casa Branca, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu apresentou a Trump uma carta indicando o americano ao Nobel da Paz, uma obsessão de Trump. Para analistas, a iniciativa, que não tem consequências práticas sobre o prêmio, foi uma forma de massagear o ego do presidente e afrouxar a pressão por um cessar-fogo na Faixa de Gaza. (CNN)

Rocha X Gonçalves

E aconteceu o que estava evidente. O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), exonerou o vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil) do cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico. O decreto foi publicado ontem às 22h, após o governador ter anunciado a demissão pela TV. Dessa forma, Gonçalves se junta ao irmão Júnior Gonçalves que foi exonerado há cinco meses da Casa Civil. O próximo passo do governador deverá ser afastar SG do CPA, porque não há clima entre os dois. Gonçalves será um vice decorativo, como foi Odaisa Fernandes, vice que rompeu com Ivo Cassol no primeiro mandato.

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Para o governador que disse em Israel que não gostava de fofoca, a decisão foi dura. Exonerar um vice-governador não é uma decisão fácil de tomar. E o pior ainda pode ocorrer. Segundo fontes até uma provável prisão poderá sair desse imbróglio. Por outro lado, os irmãos Gonçalves poderão agir em bloco. Júnior Gonçalves é o presidente estadual União Brasil. A expulsão do governador do partido poderá ser o próximo round desta guerra.

Rocha X Gonçalves 3

E agora, José? O governador Marcos Rocha vai deixar o governo em abril para concorrer ao Senado, assumindo o vice-governador Sérgio Gonçalves, que poderá disputar a reeleição? Eis a questão. Se não houver um acordo de cavalheiro entre os dois, o futuro é incerto. Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

Edinho Silva eleito

O ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, foi eleito o novo presidente do Partido dos Trabalhadores em uma eleição direta organizada pelo PT em todo o país. Edinho pertence à corrente majoritária dentro do partido, a Construindo um Novo Brasil, e tinha o apoio tácito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele assume o cargo no lugar de Humberto Costa, que estava interino desde que Gleisi Hoffmann deixou a presidência para assumir a Secretaria de Relações Institucionais do governo. O resultado foi proclamado mesmo com a judicialização das eleições no diretório de Minas Gerais. (CNN Brasil)

PT em Rondônia 

Em Rondônia, três chapas disputaram o Diretório Estadual, tendo como candidatos a presidente Ernani Coelho, Ernesto Ferreira e Israel Trindade. Levantamento preliminar indica que haverá segundo turno entre os candidatos Ernesto Ferreira e Israel Trindade. Segundo esses levantamentos, Ernani Coelho teria obtido 27%, Ernesto Ferreira 43% e Israel Trindade 30% dos votos válidos. O segundo turno deverá ser realizado no próximo dia 27 de julho. O PT é o único partido brasileiro a realizar uma eleição nacional para escolher seus dirigentes.

PT em Rondônia  2

Em Porto Velho, Fred Verssailes foi eleito presidente em primeiro turno com cerca de 58% dos votos válidos. Fatinha Ferreira, segunda colocada, obteve cerca de 22% dos votos válidos. Os demais candidatos tiveram, respectivamente: Elilene da CUT 9%, Claudir do SINTERO 8% e Francimar Simão 3%.

 

Ferrovia Brasil Peru

Pode ser uma imagem de mapa e texto que diz "Ferrovia entre Pacifico e Atlântico Brasil e China assinaram parceria para ligar os oceanos por trem RR AP AM Porto Velho CHANCAY PERU AC PA MA CE RN PI RO MT Rio Branco Cusco TO Mara Rosa PE SEAL BA Lucas do Rio Verde Bolivia DF GO ilhéus Oceano Pacífico MS MG ES RJ Chile SP PR Paraguai SC RS Argentina Oceano Atlântico Uruguai FIOL Ferrovia Oeste-Leste -----Projetos/Estudos FICO Ferrovia de Integração Centro-Oeste Projetos/Estudos Projetos/Estudos g1 Infográfico elaborado em: 07/07/2025 Fonte: Ministério dos Transportes"Brasil e China assinaram nesta segunda-feira (7) um acordo de cooperação para desenvolver estudos técnicos sobre a construção de uma ferrovia que ligaria o porto de Ilhéus, na Bahia, ao porto de Chancay, no litoral do Peru, cruzando o continente sul-americano do Atlântico ao Pacífico. O objetivo é facilitar o escoamento de produtos brasileiros para a Ásia, especialmente para a China, principal parceiro comercial do Brasil.

Ferrovia Brasil Peru 2

Ainda não há estimativas de custo nem traçado definitivo para o projeto. Segundo o Ministério dos Transportes, os estudos iniciais vão avaliar a possibilidade de aproveitar trechos de ferrovias já existentes no Brasil, mas o governo não detalhou quais seriam esses trechos.

Ferrovia Brasil Peru 3

A proposta prevê que a ferrovia atravesse os estados de Bahia, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre antes de cruzar a fronteira com o Peru. No lado peruano, a linha chegaria até o porto de Chancay, inaugurado em 2024 com financiamento chinês. O porto faz parte da iniciativa “Cinturão e Rota”, a chamada “Nova Rota da Seda”, programa chinês que investe em infraestrutura em diversos países. Apesar da aproximação com a China, o Brasil não aderiu formalmente à Nova Rota da Seda. A avaliação do governo Lula é que os investimentos chineses no país já são expressivos e não exigem uma adesão institucional ao programa.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

Edinho Silva é eleito novo presidente nacional do PT

Sigla realizou seu processo de eleições diretas no último domingo

O ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva foi eleito, nesta segunda-feira (7), o novo presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores).

A sigla realizou, no último domingo (6), o PED (Processo de Eleições Diretas), que escolheu os novos dirigentes do partido nos níveis nacional, estadual e municipal.

O resultado foi proclamado mesmo com a indefinição sobre o pleito no diretório de Minas Gerais, que havia sido judicializado. A segunda instância do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) derrubou uma liminar nesta segunda e permitiu que a eleição no estado seja feita.

Edinho tinha apoiado velado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele pertence à CNB (Construindo Um Novo Brasil), corrente majoritária do PT, e substitui o senador Humberto Costa (PE) no comando do partido. Costa, por sua vez, estava como interino após Gleisi Hoffmann deixar a presidência da sigla para assumir a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula.

Na eleição, Edinho superou o deputado federal Rui Falcão (SP), da corrente Novo Rumo; Valter Pomar, da Articulação de Esquerda; e Romênio Pereira, do Movimento PT.

Até o momento, a apuração está da seguinte forma:

  • Edinho Silva: 239.155 votos (73,48%)
  • Rui Falcão: 36.279 (11,15%)
  • Romênio Pereira: 36.009 (11,06%)
  • Valter Pomar: 14.006 (4,6%)

De acordo com Humberto Costa, ainda faltam coletar votos de uma grande de Pernambuco, da Bahia, do Pará e do Rio de Janeiro, além de Minas Gerais. Entretanto, isso não irá afetar o resultado da eleição, prosseguiu o senador.

 

CNN

“Faz o L!”: Tarifa Social de Energia entra em vigor, beneficiando 60 milhões

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Medida que passou a valer no sábado (5) assegura isenção da tarifa nos primeiros 80 quilowatts hora (kWh) consumidos por famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico

A nova Tarifa Social de Energia Elétrica, que integra o Luz do Povo, garante a gratuidade  na energia para 60 milhões de brasileiros. A medida, que passou a vigorar no sábado (5), assegura isenção da tarifa nos primeiros 80 quilowatts hora (kWh) consumidos por famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico e pessoas com deficiência que recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

A tarifa social é concedida automaticamente a todas as famílias que se enquadram nos critérios estabelecidos. Não há necessidade de um novo cadastro para que a isenção seja obtida. Dados do governo federal apontam que o benefício da gratuidade total da conta de luz vai favorecer 4,5 milhões de famílias. A medida beneficia ainda outras 17,1 milhões de famílias que também têm direito à tarifa social. Elas ficam isentas de pagamento dos primeiros 80 kWh (quilowatts-hora) consumidos a cada mês.

Neste caso, serão cobrados na fatura os custos não relacionados à enérgica consumida, como a contribuição de iluminação pública ou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de acordo com o que estabelece a legislação específica do estado ou município onde a família reside.

Para consumidores que possuem instalações trifásicas e usam mais de 80 kWh por mês, o custo de disponibilidade da rede é mantido em 100 kWh. Nesta condição, será necessário que o consumidor pague a diferença verificada entre 80kWh e 100 kWh, cujo custo é mensurado pelo valor mínimo cobrado pela distribuidora para remunerar gastos com a rede elétrica necessário para transportar a energia até o consumidor.

Quem tem direito à Tarifa Social

Para ser beneficiário da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) é preciso estar enquadrado em um dos requisitos abaixo:

– Família inscrita no Cadastro Único, com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário-mínimo nacional;

– Idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e estão no Cadastro Único;

– Família inscrita no Cadastro Único com renda mensal de até três salários-mínimos, que tenha pessoa com doença ou deficiência (física, motora, auditiva, visual, intelectual e múltipla) cujo tratamento, procedimento médico ou terapêutico requeira o uso continuado de aparelhos, equipamentos ou instrumentos que, para o seu funcionamento, demandem consumo de energia elétrica.

– Também têm direito ao benefício as famílias indígenas e quilombolas inscritas no CadÚnico, cujo consumo mensal seja de até 80 kWh/mês.

Da Redação, com Agência Gov

 

Lula alerta: “Negacionismo e unilateralismo estão sabotando nosso futuro”

Nesta segunda (7), presidente discursou durante sessão plenária “Meio Ambiente, COP 30 e Saúde Global”, último encontro da Cúpula do Brics, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

O presidente Lula discursou, nesta segunda-feira (7), durante a sessão plenária “Meio Ambiente, COP 30 e Saúde Global”, último encontro da Cúpula do Brics, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O petista condenou firmemente o negacionismo, o unilateralismo e a falta de comprometimento por parte das nações ricas com uma transição ecológica justa e inclusiva.

Lula argumentou que os países em desenvolvimento dispõem de recursos escassos para investir em sustentabilidade, além de serem os mais impactados pelas crises climáticas. “Mesmo sem o passivo histórico dos países desenvolvidos, os membros do Brics não deixaram de fazer sua parte”, reconheceu.

“Hoje, o negacionismo e o unilateralismo estão corroendo avanços do passado e sabotando o nosso futuro. O aquecimento global ocorre em ritmo mais acelerado do que o previsto”, lamentou o presidente, depois de enumerar as principais conferências sobre saúde e meio ambiente das últimas décadas.

 

O petista também falou em “triplicar” as fontes de energia limpa e em “duplicar” a eficiência energética dos países para fazer frente ao aquecimento global. “É inadiável promover a transição justa e planejada para o fim do uso de combustíveis fósseis e para zerar o desmatamento”, defendeu.

Leia mais: Líderes do BRICS defendem multilateralismo e reforma da ONU em declaração

Lula tratou ainda das fontes alternativas para o financiamento climático, entre elas, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a ser lançado na COP 30, em novembro. A meta é captar R$ 700 bilhões no mercado internacional. O presidente afirmou que esses recursos vão “remunerar os serviços ecossistêmicos prestados ao planeta”.

Leia mais: Brics: Lula pede novo modelo de desenvolvimento que promova paz e inclusão

 

Saúde global

Sobre saúde global, o presidente disse ser necessário “retomar o protagonismo da Organização Mundial da Saúde como fórum legítimo para o enfrentamento às pandemias e na defesa da saúde dos povos”. “O Brics está apostando na ciência e na transferência de tecnologia para colocar a vida em primeiro lugar”, elogiou.

“No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre. Muitas das doenças que matam milhares em nossos países, como o mal de Chagas e a cólera, já teriam sido erradicadas se atingissem o Norte Global”, completou.

Por fim, Lula fez um balanço dos avanços em termos de saúde alcançados pelos países do Brics enquanto bloco. “Estamos liderando pelo exemplo”, exaltou. “Cooperando e agindo com solidariedade em vez da indiferença. E colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões”, concluiu o presidente.

Brics: Lula defende espaço fiscal para erradicar doenças no Sul Global

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mais espaço fiscal (gasto público) para que países do Sul Global possam assegurar vida saudável às populações. A declaração foi na abertura do segundo dia da cúpula de líderes dos países do Brics, nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro.

“Não há direito à saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda”, disse Lula o presidente. 

“Implementar o ODS 3 — saúde e bem-estar — requer espaço fiscal”, completou. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) é uma das metas da Organização das Nações Unidas. Já o espaço fiscal é a capacidade de os governos ampliarem gastos.

Em sua intervenção à frente dos demais líderes do Brics, Lula chamou atenção para as doenças determinadas por questões sociais, que atingem os países do Sul Global – nações em desenvolvimento que partilham problemas sociais.  

“No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre”, declarou. “Muitas das doenças que matam milhares em nossos países, como o mal de Chagas e a cólera, já teriam sido erradicadas se atingissem o Norte Global”, acrescentou.

Lula afirmou que o Brics aposta na ciência e na transferência de tecnologias “para colocar a vida em primeiro lugar” e que é urgente recuperar o protagonismo da Organização Mundial da Saúde (OMS) como foro legítimo para o enfrentamento às pandemias e a defesa da saúde dos povos.
O presidente Lula adiantou que o Brics lançará nesta segunda-feira uma parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas, que se propõem a superar desigualdades com ações voltadas para infraestrutura física e digital.

Ele apontou, ainda, que o Brics já alcançou avanços concretos, como a consolidação da Rede de Pesquisa de Tuberculose, com apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (também conhecido como Banco do Brics) e da Organização Mundial da Saúde, assim como a cooperação regulatória em produtos médicos. “Estamos liderando pelo exemplo”, disse o presidente. “Colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões”.  

Entenda o Brics

O Brics é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.  Os países que têm status de parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Os parceiros não têm poder de voto nos debates.

O Brics se identifica como nações do Sul Global e busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais.
Os países-membros se alternam ano a ano na presidência. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.

Aagencia Brasil

Multas que poderão virar florestas: relatório de Beto Faro destrava bilhões para restaurar a Amazônia

Proposta autoriza descontos de até 50% no valor das multas ambientais, desde que os recursos sejam revertidos em projetos de restauração de áreas degradadas ou manejo da biodiversidade

Um impasse que há anos atravanca a política ambiental brasileira começa, enfim, a dar sinais de superação. Em uma articulação discreta, mas eficiente, o senador Beto Faro (PT-PA) liderou um esforço conjunto envolvendo o Ministério do Meio Ambiente, o BNDES, o gabinete da senadora Soraya Thronicke (autora do PL 4.794/2020) e técnicos especializados da área ambiental.

O objetivo: criar condições para que as multas ambientais, empoçadas pela falta de regulamentação clara e viável, passem a ser convertidas em ações efetivas de restauração. O resultado foi um texto de consenso, tecnicamente robusto e politicamente viável. O projeto relançado agora com novo relatório na Comissão de Meio Ambiente do Senado traz avanços importantes.

Conversão com responsabilidade

Pelo texto protocolado, a proposta é simples e ambiciosa: autoriza descontos de até 50% no valor das multas ambientais, desde que os recursos sejam revertidos em projetos de restauração de áreas degradadas ou manejo da biodiversidade. Trata-se de uma novação jurídica com impacto ambiental direto, a lógica passa a ser a de reparação em lugar da mera penalização financeira.

Um ponto sensível e que reforça a credibilidade do projeto é a governança: a execução das ações poderá ser feita pelo BNDES em parceria com organizações da sociedade civil, seguindo a experiência do Fundo Amazônia. “A ideia é reduzir a inadimplência, gerar impacto ambiental real e garantir planejamento e escala na aplicação dos recursos”, afirmou o senador e relator Beto Faro.

Critérios éticos e legais

O texto também estabelece critérios de exclusão rigorosos. Não haverá possibilidade de conversão da multa nos casos em que a infração ambiental resultar em morte humana, envolva trabalho infantil, conste em registros de trabalho análogo à escravidão ou tenha sido cometida por agentes públicos. A intenção é clara: preservar a coerência ética da política ambiental.

Se aprovado, o projeto pode se tornar um marco na transição de um modelo punitivo ineficaz para uma política de reparação e impacto ambiental.

Contra privilégios e por justiça tributária, governo Lula recupera popularidade, apontam pesquisas internas

Após embate sobre IOF, avaliação positiva do presidente cresceu fora da margem de erro, segundo trackings acompanhados pelo Planalto

Levantamentos internos encomendados pelo Palácio do Planalto apontam uma recuperação significativa da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) junto à população. De acordo com Bela Megale, do jornal O Globo, os chamados trackings — pesquisas diárias e não registradas oficialmente — indicam que a aprovação de Lula aumentou de forma consistente, ultrapassando a margem de erro, enquanto os índices de rejeição sofreram queda expressiva.

A melhora nas medições coincide com a intensificação do discurso do governo federal em torno da justiça tributária e da oposição entre ricos e pobres, especialmente após o Congresso Nacional derrubar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Esse episódio foi interpretado no núcleo palaciano como um marco na comunicação do governo com a sociedade.

Segundo integrantes do governo, o embate impulsionado pelo centrão teria antecipado o clima eleitoral, obrigando Lula e seus ministros a assumirem uma postura mais combativa — o que, na prática, teria facilitado a conexão direta com os anseios populares. Um dos ministros, sob anonimato, resumiu a leitura interna: “O centrão queria usar o IOF e essa disputa para deixar o governo Lula um pato manco até a eleição. O que fizeram, porém, foi nos dar um presente”.

Nos bastidores da Esplanada, a avaliação majoritária é que o governo deve seguir firme na retórica sobre o combate aos privilégios e na defesa de um sistema tributário mais justo, em que os mais ricos contribuam proporcionalmente mais com o financiamento do Estado. A aposta é de que esse enfrentamento direto fortalece o projeto político do presidente ao estabelecer uma linha clara entre os interesses do governo e os de setores privilegiados do Congresso.

Do Brasil 247

Medeiros derrota Paulão e assume comando do PT de AL

O resultado já era esperado. A diferença, não. Em Alagoas, o Processo de Eleição Direta (PED), para renovação das direções municipal, estadual e nacional do Partido dos Trabalhadores foi encerrado, nesse domingo (06/07) com a vitória do deputado estadual Ronaldo Medeiros.

Com mais de 72% dos votos em todo o Estado, ele será o novo presidente do diretório estadual, impondo uma grande derrota ao grupo do deputado federal Paulão.

Em Maceió, onde tem mais bases, Medeiros impôs uma diferença ainda maior. Ele teve 3.751 votos (83%), contra apenas 725 de Dafne Orion, candidata a presidente estadual que era apoiada por Paulão e pelo atual presidente do partido no Estado, Ricardo Barbosa.

De acordo com resultados totais apurados, votaram no PED em Alagoas 12,8 mil. Ronaldo Medeiros teve 9,3 mil votos ou 72%. Até o final da noite deste domingo as atas das apurações foram conferidas, mas falta a direção estadual divulgar o resultado oficial.

Na capital, a diferença de Ronaldo Medeiros foi ainda maior. Ele teve 3.751 votos (82,3% dos válidos) contra 725 de Dafne Orion e 81 de Paulo Henrique, que concorriam para a presidência do diretório estadual do partido. Em Arapiraca a diferença foi próxima a de Maceió. Ronaldo Medeiros teve 898 votos (81%) contra 218 de Dafne Orion.

Medeiros venceu Dafne na maioria dos maiores colégios eleitorais, a exemplo de São Miguel dos Campos (799 x 240 ), Rio Largo (106 x 20) e Delmiro Gouveia ( 244 x 126). EM todo o Estado foram realizadas eleições em 82 cidades, sem que em 32 concorreram chapas únicas para o diretório municipal.

A corrente Construindo um Novo Brasil, de Paulão, estava no comando do PT estadual há mais de 30 anos em Alagoas. Nacionalmente, a CNB é a maior tendência interna do partido. Já a Resistência Socialista, de Ronaldo Medeiros, é a segunda maior.

Além de ter liderado ações para filiar novos militantes em Alagoas durante a campanha nacional de filiação do PT, realizada entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, Medeiros costurou alianças com outros grupos petistas, a exemplo do Movimento PT e fez uma forte campanha de marketing defendendo a “renovação” partidária.

Com a vitória nesse domingo, Medeiros assume o comando do PT pelos próximos 4 anos e deve definir as alianças que o partido fará no Estado daqui por diante.

Aliado do governador Paulo Dantas, do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, do senador Renan Calheiros e do ministro Renan Filho, Medeiros deve conduzir o partido para participar de uma coligação com o grupo do governo.

Para Medeiros – anote – a prioridade é montar uma boa chapa de deputado estadual e deputado federal, garantir a eleição do sucessor de Paulo Dantas e apoiar a reeleição do senador Renan Calheiros, considerado um dos mais importantes aliados de Lula em Alagoas. As candidaturas majoritárias no PT de Alagoas não estão descartadas. Mas tudo indica que Medeiros vai centrar forças nas proporcionais, levando o partido para apoiar nomes competitivos para o governo e o Senado, garantindo assim o palanque de Lula em 2026 em Alagoas.

Fonte Gazetaweb

Coluna Zona Franca

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Cúpula do Brics

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A cúpula dos países que integram o Brics no Rio de Janeiro só termina hoje, mas o documento final  (íntegra), costurado ao longo de um ano por diplomatas dos 11 países membros, foi apresentado pelo Itamaraty neste domingo. O texto cobra uma reforma ampla da ONU, com ênfase no Conselho de Segurança, na Organização Mundial de Comércio (OMC) e no Fundo Monetário Internacional (FMI), e defende a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e os palestinos. A guerra no Oriente Médio foi um tema delicado, com o documento condenando o bombardeio a instalações nucleares no Irã sem citar Israel e os Estados Unidos. A Rússia, fundadora do bloco, foi poupada nas referências à guerra na Ucrânia. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao abrir a conferência, usou o termo “genocídio” ao se referir à ação israelense em Gaza e afirmou que o mundo vive um “colapso do multilateralismo”, criticando o aumento de gastos militares da Otan. (g1)

Cúpula do Brics 2

Dois pontos da declaração do Brics entram em conflito direto com o governo dos Estados Unidos, embora, mais uma vez, o país não tenha sido citado. O bloco criticou a “imposição unilateral de tarifas comerciais” que, segundo os documentos, distorcem o comércio internacional. E defendeu o direito de os países estabelecerem seus próprios marcos regulatórios sobre as big techs e o mercado de inteligência artificial. Donald Trump não gostou e, no fim da noite, publicou em sua rede, a Truth Social uma ameaça de impor taxas adicionais de 10% a produtos de países que se alinhassem ao bloco. “A qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics, será cobrada uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a esta política”, escreveu. Desde que reassumiu a Casa Branca, ele vem combatendo ferozmente as tentativas internacionais de impor regras às big techs, muitas das quais apoiaram sua campanha. (Folha)

Cúpula do Brics 3

E o Irã foi alvo de um protesto na praia de Ipanema, onde forcas e bandeiras do arco-íris foram fincadas pela ONG pró-Israel StandWithUs Brasil para denunciar a perseguição à comunidade LGBTQIA+ pelo regime dos aiatolás. A homossexualidade é considerada um crime punível com a morte segundo a lei iraniana. (CNN Brasil)

Cúpula do Brics 4

Diogo Schelp: “O bloco continua sendo relevante para a política externa brasileira, mas os desafios agora são maiores e os ganhos para a nossa diplomacia, menos evidentes. Tentar fortalecer, pelo antagonismo com os Estados Unidos, um clube de países diluído por ditaduras não parece uma estratégia com muito futuro.” (Estadão)

Cúpula do Brics 5

Quase dois anos depois dos atentados de 7 de outubro de 2023 e da subsequente invasão da Faixa de Gaza por Israel, fontes ligadas ao Hamas admitem que o grupo islâmico perdeu o controle sobre quase 80% do território palestino. Grupos locais armados, financiados por Israel, estariam ocupando o espaço. Um oficial do Hamas, falando sob condição de anonimato, diz que o grupo perdeu 95% de seus líderes, mortos em bombardeios israelenses, e que a infraestrutura de governo da Faixa de Gaza não existe mais. (BBC)

Netanyahu em Washington

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reúne hoje em Washington com o presidente Donald Trump, que, após o bombardeio ao Irã, vem pressionando por um cessar-fogo em Gaza. Israel enviou no domingo uma delegação ao Catar para discutir uma trégua com o Hamas, que teria aceitado os termos apresentados por Trump na semana passada. (New York Times)

Donald Trump X Elon Musk

O ruidoso rompimento entre Donald Trump e Elon Musk ganhou um novo capítulo neste fim de semana, quando o bilionário sul-africano anunciou seus planos de fundar um partido político nos EUA, onde também tem cidadania. O dono da Tesla passou de parceiro a desafeto do presidente por conta do pacote tributário aprovado na semana passada pelo Congresso. O plano de Musk seria investir para que seu partido conquiste algumas cadeiras na Câmara e no Senado, onde as propostas de Trump têm passado por margem apertada. A reação foi imediata. O secretário do Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda), Scott Bessent, disse que o bilionário deveria ficar fora da política, afirmando que, segundo pesquisas, o presidente é popular e “Musk não”. (Guardian)

Governo levou a melhor

Derrotado na votação que derrubou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo partiu para a briga nas redes e, segundo pesquisa Genial/Quaest (íntegra) divulgada no fim de semana, levou a melhor. De acordo com o levantamento, houve 4,4 milhões de publicações sobre o assunto entre 24 de junho e 4 de julho. Destas, 61% foram de críticas ao Congresso, 28% foram neutras e 11% eram contra o governo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) foi alvo de 8% das publicações, com tom majoritariamente crítico. Na sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu tanto o decreto do Executivo elevando o IOF quanto a decisão do Congresso derrubando a medida e convocou uma audiência de conciliação. (g1)

Lula em alta

Finalmente o povo vem reconhecendo o governo Lula. Após apanhar sem razão, agora tem sua sua administração reconhecida. É o que dizem as pesquisas. Levantamentos internos do Palácio do Planalto apontam melhora significativa na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o confronto com o Congresso em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo apuração da jornalista Bela Megale, de O Globo, as pesquisas diárias conhecidas como “trackings” indicaram alta na avaliação positiva do presidente fora da margem de erro, acompanhada por queda relevante na taxa de reprovação.

Lula em alta 2

Integrantes do governo atribuem os resultados ao discurso adotado desde a derrota no Congresso, centrado na retórica “ricos contra pobres” e na defesa da justiça tributária. A estratégia, avalizada por Lula, tem sido vista como um trunfo político ao expor a disputa de interesses em torno da carga tributária.

Vídeos de IA com o personagem “Hugo Nem Se Importa” expõem os interesses defendidos pelos parlamentares do Centrão. Reprodução

Nos bastidores, ministros avaliam que o embate foi bem compreendido pela população e permitiu ao governo comunicar com mais clareza suas propostas econômicas. “O centrão queria usar o IOF e essa disputa para deixar o governo Lula um pato manco até a eleição. O que fizeram, porém, foi nos dar um presente”, declarou um ministro à coluna. Diante da recepção positiva, o entorno de Lula considera que não há mais espaço para recuar na narrativa e que é preciso manter a pressão pública em defesa de maior equilíbrio fiscal entre as classes sociais. Informações do Diario do Centro do Mundo.

PT nas urnas

Filiados do PT em quase todo o país foram às urnas neste domingo para eleger o novo presidente do partido, que comandará a legenda durante a provável campanha do presidente Lula à reeleição. “Quase todo” porque o pleito em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, foi suspenso após uma decisão judicial, o que deve atrasar o resultado nacional. Dandara Tonantzin, candidata a presidente regional em Minas, havia sido impedida de concorrer por suposta “inadimplência nas contribuições partidárias”, mas conseguiu reverter a decisão nos tribunais na noite de sábado. Alegando não haver tempo hábil para incluir o nome dela nas cédulas (de papel), a executiva regional suspendeu a eleição, que ainda não tem data para acontecer. O presidente Lula votou no Rio, onde participa da reunião do Brics. (Poder360)

Vice de traidor

O dia de hoje no Palácio Rio Madeira (CPA), será digno de uma guerra entre Israel e Irã, sem sinais de que haverá trégua. O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), resolveu partir para cima sem dó do vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil). No último final de semana, em Guajara-Mirim, Marcos Netanyahu Rocha lançou mísseis certeiros contra o seu vice, atingindo em cheio sua credibilidade. Rocha considera que foi traído por Gonçalves.

Vice de traidor 2

A separação entre os dois é dada como certa. Recentemente Marcos Rocha esteve em Israel, no meio do fogo cruzado entre o país e o Irã. Rocha ficou quase uma semana retido em Israel, impossibilitado de voltar ao comando do estado. Nesse interim, o vice-governador Sérgio Gonçalves, interino no cargo, entre aguardar a volta, teria empreendido gestão para que o cargo de governador fosse declarado vago para que assim, pudesse assumir o mandato na plenitude. Acontece que a Assembleia Legislativa aprovou mudança na lei, permitindo que o governador pudesse administrar o estado mesmo fora do país.

Vice de traidor 3

Ao retornar à Rondônia, Marcos Rocha reassumiu o governo e as expectativas era de que ele afastasse o vice-governador do Palácio Rio Madeira, bem como exonera-lo do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Não o fez, mesmo ouvindo nos bastidores que o vice-governador havia feito contra o titular do cargo. Porém, em um evento ocorrido no final de semana em Guajará Mirim, ele desabafou e afirmou na presença de prefeitos, deputados e vereadores, que Sérgio Gonçalves o havia traído, chegando até a desejar a morte dele e da comitiva em Israel.

Vice de traidor 5

Eu recebi noticias de pessoas querendo que a gente morresse lá, queria que nos morrêssemos, gente que eu ajudei, tirei do buraco, estava falido, trouxe do buraco. Foi na Assembleia Legislativa para que não prorrogasse o tempo, para que não houvesse  sessão, que concederia a prorrogação do tempo e eu não podia sair de lá (Israel). Eu estava impedido porque não tinha voo, e sabendo disso pessoa de má índole, que eu tirei do buraco foi na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia falando: não faz a sessão de prorrogação, porque ai ele vai perder o mandato e ai eu consigo assumir. Isso é covardia, imoralidade, isso é falta de caráter, isso é indecência”, disse Marcos Rocha.

Vice de traidor 6

A expectativa agora é de que nesta segunda-feira o governador tome uma atitude forte, exonerando e rompendo definitivamente com o vice. Ou, o próprio Sérgio Gonçalves poderá tomar a decisão de romper com o governo. Qualquer das decisões vai impactar nas eleições de 2026. Acontece que o presidente do União Brasil, partido ao qual pertencem o governador e o vice-governador, é presidido por Junior Gonçalves, desafeto de Marcos Rocha e irmão de Sérgio Gonçalves.

Vice de traidor 7

Sérgio Gonçalves deverá ser afastado das imediações do CPA, mas continuará, claro, vice-governador, e deve assumir em abril de 2026. A semana que entra promete troca de mísseis de fazer inveja à guerra no Oriente Médio.

Máximo ao governo

Pelo andar da carruagem o senador Marcos Rogério (PL-RO) sairá mesmo à reeleição. A estupidez dele em relação à ministra Marina Silva custou a candidatura dele ao governo do estado de Rondônia. Esse vacilo abriu caminho para o deputado federal Fernando Máximo (União Brasil) que já está intensificando visitas em busca de apoio em todo o estado. Máximo terá apoio do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos) e, possivelmente, do governador Marcos Rocha.

Máximo ao governo 2

Fernando Máximo, apesar de ser bolsonarista, é um político diferenciado dos demais deputados. É educado, trabalhador, ineligente e muito competente. A fórmula para uma campanha vitoriosa.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

Governador de Rondônia chama vice de traidor: “queria que morrêssemos em Israel”

Definitivamente não há mais clima entre os principais ocupantes do Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, capital de Rondônia. O governador do estado, Marcos Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves, ambos do União Brasil, estão em rota de colisão. A separação entre os dois é dada como certa. Recentemente Marcos Rocha esteve em Israel, no meio do fogo cruzado entre o país e o Irã.

Rocha ficou quase uma semana retido em Israel, impossibilitado de voltar ao comando do estado. Nesse interim, o vice-governador Sérgio Gonçalves, interino no cargo, entre aguardar a volta, teria empreendido gestão para que o cargo de governador fosse declarado vago para que assim, pudesse assumir o mandato na plenitude. Acontece que a Assembleia Legislativa aprovou mudança na lei, permitindo que o governador pudesse administrar o estado mesmo fora do país.

Amargo regresso

Ao retornar à Rondônia, Marcos Rocha reassumiu o governo e as expectativas era de que ele afastasse o vice-governador do Palácio Rio Madeira, bem como exonera-lo do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Não o fez, mesmo ouvindo nos bastidores que o vice-governador havia feito contra o titular do cargo. Porém, em um evento ocorrido no final de semana em Guajará Mirim, ele desabafou e afirmou na presença de prefeitos, deputados e vereadores, que Sérgio Gonçalves o havia traído, chegando até a desejar a morte dele e da comitiva em Israel.

Eu recebi noticias de pessoas querendo que a gente morresse lá, queria que nos morrêssemos, gente que eu ajudei, tirei do buraco, estava falido, trouxe do buraco. Foi na Assembleia Legislativa para que não prorrogasse o tempo, para que não houvesse  sessão, que concederia a prorrogação do tempo e eu não podia sair de lá (Israel). Eu estava impedido porque não tinha voo, e sabendo disso pessoa de má índole, que eu tirei do buraco foi na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia falando: não faz a sessão de prorrogação, porque ai ele vai perder o mandato e ai eu consigo assumir. Isso é covardia, imoralidade, isso é falta de caráter, isso é indecência” .


A expectativa agora é de que nesta segunda-feira o governador tome uma atitude forte, exonerando e rompendo definitivamente com o vice. Ou, o próprio Sérgio Gonçalves poderá tomar a decisão de romper com o governo.

Qualquer das decisões vai impactar nas eleições de 2026. Acontece que o presidente do União Brasil, partido ao qual pertencem o governador e o vice-governador, é presidido por Junior Gonçalves, desafeto de Marcos Rocha e irmão de Sérgio Gonçalves. A semana que entra promete troca de mísseis de fazer inveja à guerra no Oriente Médio.

Por Roberto Kuppê, A Democracia

Lula sobre 2026: Pela primeira vez teremos presidente eleito quatro vezes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que planeja alcançar a quarta vitória na eleição de 2026. “Tem gente que pensa que o governo já acabou, tem gente que já está pensando em eleição, eles não sabem o que eu estou pensando, então se preparem porque se tudo estiver como eu estou pensando, esse país vai ter pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes”, afirmou o petista.

Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e conseguiu sua terceira eleição em 2022.

Ainda durante o discurso, o presidente comentou sobre a relação com o Congresso Nacional e negou que exista uma “guerra” entre os Poderes.

“Deixa eu falar uma coisa para o Congresso porque parece que tem uma guerra entre o governo e o Congresso. Deixa eu falar uma coisa, eu sou muito agradecido a relação que eu tenho com o Congresso Nacional, até agora, nesses dois anos e meio o Congresso aprovou 99% das coisas que nós mandamos”, disse.

“Quando tem uma divergência é bom sabe por quê? Porque a gente senta na mesa, vai conversar e resolver, o governo pensa uma coisa, o Congresso está pensando outra, nós vamos resolver isso numa mesa de negociação”, concluiu o presidente.

CNN

Retorno às bases para 2026 e era ‘pós-Lula’: o que está em jogo nas eleições do PT

Para especialistas, partido precisa decidir se mantém a postura conciliatória ou se vai retornar às origens

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará, neste domingo (6), eleições internas para definição das novas presidências nacional e estaduais. O Processo de Eleições Diretas (PED) deverá reunir 1,3 milhões de filiados e decidir, mais do que a pessoa que comandará o partido pelos próximos quatro anos, os rumos que o PT deve tomar diante da iminência de uma era pós-Lula.

Quatro candidatos disputam a presidência da sigla: Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara; Rui Falcão, ex-presidente do partido entre 2011 e 2017 e deputado federal por São Paulo; Valter Pomar, historiador e dirigente do PT, filiado ao partido desde os anos 80; e Romênio Pereira, sindicalista e um dos fundadores da sigla. Para especialistas, nomes possuem congruências, mas divergem ao pensar o futuro do PT.

Próximo a Lula e integrante da corrente majoritária do partido, Edinho Silva desponta como um dos favoritos. Para especialistas, sua gestão representaria a continuidade do que o partido se tornou, tendo a conciliação e a institucionalidade como as marcas da gestão interna. Essa forma de enxergar a atuação do PT conflita diretamente com Rui Falcão, que defende retorno às bases do partido, uma militância mais ativa e uma postura de maior enfrentamento.

“São duas candidaturas muito semelhantes, que divergem, sobretudo, na forma como o partido se organizou para as disputas eleitorais e na forma como lidou com a construção de base, com a militância”, analisa Claudio André de Souza, doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). “A crítica feita por Rui Falcão a Edinho está na perspectiva de que esse grupo majoritário que esteve a frente do partido não se preocupou devidamente com a renovação do partido e com o cuidado com as bases”.

A visão é compartilhada por Maria do Socorro Souza Braga, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Para ela, é possível separar as candidaturas em dois grupos políticos dentro do próprio partido: um mais à esquerda, com Rui Falcão e Valter Pomar, que buscam “se voltar para as bases, se rearticular, e pensar também em termos de visão de mundo e visão do sistema político no país”; e outro mais à direita, com Edinho Silva e Romênio Pereira, que são os candidatos da “antiga articulação”, herdeiros da ideia de traçar um caminho institucional com o partido, “no sentido de ter que ocupar espaços de poder, disputar esses espaços, e, por dentro do Estado, conseguir implementar as políticas públicas necessárias para melhorar a vida da população e reduzir desigualdades”.

Claudio André de Souza aponta que o que está em jogo é a condução do partido no futuro. “Essa eleição vai demarcar exatamente a chegada de novos grupos que vão ter como tarefa olhar para o partido a longo prazo. Do ponto de vista do seu projeto político, como partido, das suas estratégias eleitorais, de um processo de renovação das lideranças nos estados. O partido está olhando muito para esse caminho que virá, um caminho de transição”, analisa.

O PED de domingo marcará a última presidência do partido que pensará a partir dos movimentos de Lula. O eleito terá como missão organizar o PT para uma eventual reeleição do atual presidente ao mesmo tempo em que terá que lidar com a invariável proximidade da era pós-Lula.

O caminho de volta
Caso concorra à reeleição, as eleições de 2026 marcarão o que provavelmente deverá ser a última participação eleitoral de Lula. Para Souza, uma preocupação corrente “é que o PT, sem a figura de Lula nas urnas, se evapore, crie um processo de diluição em que fique muito difícil para o partido estabelecer estratégias que sustentem o partido nos estados”.

“Há um grande medo neste momento até mesmo sobre um cenário de vitória eleitoral de Lula em 2026. Caso perca, o que vai ser do partido?”, pondera o cientista social. “Se Lula se reelege em 2026, obviamente o seu governo vai olhar para uma perspectiva de coalizão que vai influenciar diretamente uma sucessão”. Esse cenário favoreceria uma presidência conciliatória, como a proposta por Edinho Silva.

Diante da conjuntura atual, porém, Maria do Socorro acha prudente que a hipótese de uma derrota eleitoral em 2026 seja considerada – situação em que obrigaria o partido, indiscutivelmente, retornar às bases. “Não conseguindo a reeleição, o PT sai do governo e não vai contar mais com a máquina nem com os recursos todos que vêm. Ou seja, o partido vai ter que, sim, voltar e repensar suas práticas em relação às suas bases”, ela projeta. O problema é que as bases não são mais as mesmas.

Forjado no sindicalismo em 1979, o PT se projetou tendo acesso às classes mais baixas e apoio do povo pobre, de trabalhadores e de parte da igreja católica. A cientista social alerta, no entanto, que “as bases sociais do PT também mudando, até porque os movimentos sociais também mudaram.

As antigas mobilizações da esquerda, terreno onde o PT sempre teve protagonismo, vem perdendo cada vez mais espaço para novos movimentos populares com os quais o partido tem tentado, sem o mesmo sucesso, se aproximar. O sindicalismo, marca de um dos concorrentes à presidência, é um aspecto positivo quando se analisa a necessidade de uma mudança de cenário.

Em 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou uma série histórica de medição da sindicalização, o país contava com 16,1% dos trabalhadores formais sindicalizados. Antes da série histórica, o percentual pode ser ainda maior. Em 2024, o número havia caído pela metade, com apenas 8,4% dos trabalhadores sindicalizados.

Ao mesmo tempo, aponta a cientista política Maria do Socorro Souza Braga, cresceu o número de empreendedores individuais e de trabalhadores informais, o que exige um redesenho do contexto em que o PT foi formado. “A luta sindical está bem mais fragmentada já há algum tempo. Não só do ponto de vista das demandas, mas do ponto de vista da estruturação, com várias confederações, federações, muito setorizado. Fora o mundo informal, que é de uma complexidade que até hoje eu vejo que o governo federal também não chegou lá para tentar dar conta dessa questão”.

A perda de relevância no mundo do trabalho, indica Maria do Socorro, não é a única batalha que o PT precisará enfrentar se, ou quando, precisar retornar às bases. Para a professora, houve também uma transformação na compreensão de discurso pela população e uma “fragmentação da opinião pública pelo mundo digital”, o que foi bem aproveitado pelo bolsonarismo.

“O PT tem que saber competir nesse novo contexto de mídia digital, de sociabilidade digital, onde justamente está o bolsonarismo com uma nova estrutura digital partidária. O que antes era positivo, não necessariamente se torna positivo nessa nova conjuntura, onde as relações dessa fragmentação da opinião pública se dão de maneira direta com o seu eleitor pelas redes sociais, pelo WhatsApp”, analisa.

Apesar de ser o partido mais estruturado nacionalmente, com capilaridade em todos os estados e muitas cidades, essa transformação traz muitos desafios que não podem ser negligenciados. Para a especialista, essas questões precisam ser endereçadas para que o PT, com ou sem Lula, consiga seguir relevante.

“Um dos grandes desafios dessas candidaturas que estão se remetendo a esse retorno às bases é definir quais são essas bases, quais são suas demandas e o que o partido tem condições de fato de representar. A gente nunca pode esquecer que partido, em uma democracia representativa liberal é o canal para levar para as arenas políticas essas demandas”, pontua.

‘Os grupos que conseguirem ter o controle financeiro largarão na frente’
O pleito do PT ocorre logo após o aumento dos recursos destinados aos fundos partidários. Não apenas nacionalmente, mas também nos estados, quem for eleito terá papel central na distribuição dos recursos e escolha de candidaturas.

Entre 2012 e 2024, o PT perdeu cerca de metade das prefeituras que comandava, em uma redução sentida também pelos demais partidos de esquerda. Reconquistar esses espaços se coloca como estratégico e urgente. Nesse sentido, os grupos eleitos no PED deste domingo e que têm maior acesso a recursos largam na frente dessa corrida.

“É uma eleição muito importante para o partido porque ele vai ter que olhar para o cenário do que vai acontecer daqui para frente no que eu tenho chamado de ‘cenário pós-lulista’ e vai precisar se renovar, reoxigenar sua presença nas urnas. Me parece também que a disputa ficou mais intensa, entendendo que os grupos que conseguirem ter o controle financeiro do partido largarão na frente, conseguirão ter mais força para conduzir”, avalia Claudio André de Souza.

A possibilidade de construir o que o partido fará em 2026 gera disputas pelo controle da sigla em 18 estados, com candidaturas ao Senado e governos estaduais como pano de fundo da batalha, e decisão do PED pode moldar o que o PT, sem o seu maior articulador, se tornará.

Brasil de fato

Alcolumbre inclui na pauta do plenário do Senado o projeto que libera cassinos, bingos e jogo do bicho

Atualmente, jogos de azar são considerados crimes. A matéria também permite apostas em corridas de cavalos. Veja o teor da proposta

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), incluiu na pauta do plenário o projeto de lei que libera cassinos, bingos e jogo do bicho, aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. A votação do PL 2.234/2022 está prevista para ocorrer na próxima terça-feira (8). A proposta também permite apostas em corridas de cavalos. A matéria vai à sanção presidencial, caso seja aprovada pelo plenário do Senado sem mudanças, mantendo o texto de 2022 da Câmara. Atualmente, jogos de azar são considerados crime.

Na CCJ do Senado, a proposta avançou em junho do ano passado com placar apertado de 14 votos sim e 12 não. O projeto recebeu voto favorável do relator, o senador Irajá (PSD-TO). Na época, o parlamentar afirmou que os investimentos a partir da aprovação do projeto podem chegar a R$ 100 bilhões, com a geração de cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos.

O jogo do bicho é proibido no Brasil por ser considerado uma contravenção penal conforme o Decreto-Lei nº 3.688/1941, que prevê punições como prisão simples de quatro meses a um ano, além de multa para organizadores e jogadores.

Como se trata de uma espécie de jogo de azar, baseado na sorte e sem recolhimento de impostos, não houve interesse de autoridades em legalizar essa atividade nas últimas décadas. Críticos a jogos de azar citam vício e atuação do crime organizado. Defensores das propostas apontam ganhos econômicos. Atualmente, esta atividade pode resultar em operações policiais.

Cassinos

Conforme o texto aprovado na CCJ do Senado, será autorizada a instalação de cassinos em polos turísticos ou em complexos integrados de lazer, isto é, resorts e hotéis de alto padrão com pelo menos 100 quartos, além de restaurantes, bares e locais para reuniões e eventos culturais.

Bingo

O jogo de bingo poderá ser explorado de forma permanente em locais específicos, tanto na modalidade de cartela, como nas modalidades eletrônica e de videobingo. Poderá haver uma casa de bingo em cada município, sendo que as cidades maiores poderão ter um estabelecimento para cada 150 mil habitantes.

Os municípios e o Distrito Federal serão autorizados a explorar jogos de bingo em estádios com capacidade mínima de 15 mil torcedores, desde que em forma não eventual.

As casas de bingo serão autorizadas a funcionar por 25 anos, renováveis por igual período. Para pleitear a autorização, precisarão comprovar capital social mínimo integralizado de R$ 10 milhões.

Máquinas

O projeto regulamenta também o aluguel de máquinas de apostas e obriga o registro de todas elas junto ao poder público, bem como a realização de auditorias periódicas.

As máquinas de jogo e aposta deverão ser exploradas na proporção de 40% para a empresa locadora e de 60% para o estabelecimento de bingo ou cassino, sobre a receita bruta, sendo essa a diferença entre o total de apostas efetuadas e os prêmios pagos.

Tributação

Pelo teor da proposta, dois novos tributos serão criados e deverão ser pagos pelas entidades operadoras de jogos e apostas licenciadas: a Taxa de Fiscalização de Jogos e Apostas (Tafija) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a comercialização de jogos e apostas (Cide-Jogos). As casas de apostas serão isentas de outros impostos e contribuições.

Recolhida ao Tesouro Nacional, a Tafija deverá ser paga a cada três meses, sendo no valor de R$ 600 mil para os cassinos; R$ 300 mil para casas de jogos on-line; e R$ 20 mil para casas de bingo, operadoras de jogo do bicho e entidades turfísticas.

A Cide-Jogos terá alíquota de até 17% (podendo ser reduzida a critério do Poder Executivo) para todas as entidades que explorarem jogos e apostas, incidindo sobre a receita bruta — isto é, a diferença entre o total de apostas realizadas e de prêmios pagos.

Do montante arrecadado, 16% irão para o Fundo de Participação dos Estados, 16% para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), 12% para a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), 10% para ações na área do esporte e 10% para o Fundo Nacional da Cultura.

O restante será empregado em ações de prevenção ao vício em jogos, em saúde, segurança pública, proteção dos animais, financiamento estudantil, ações em áreas impactadas por desastres naturais e no Fundo Nacional da Criança e do Adolescente.

Além disso, as entidades operadoras de jogos e apostas deverão destinar 1% da receita bruta à formação de atletas, com repasses feitos diretamente ao Comitê Brasileiro de Clubes e ao Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos.

Os prêmios de valor igual ou superior a R$ 10 mil recebidos pelos apostadores pagarão 20% de Imposto de Renda, já retidos na fonte. O cálculo considerará a diferença entre o prêmio recebido e as apostas efetuadas pelo mesmo apostador nas últimas 24 horas.

Apostadores

Poderão fazer apostas pessoas em pleno exercício da sua capacidade civil. Serão excluídas dos jogos pessoas declaradas insolventes ou privadas da administração de seus bens e os consumidores superendividados que tenham estado, nos últimos dois anos, em processo judicial de repactuação de dívidas.

Agentes públicos integrantes de órgãos encarregados da regulação ou da supervisão dos jogos, bem como administradores e membros dos grupos controladores das casas de jogos, também serão impedidos de fazer apostas.

O PL 2.234/2022 prevê a criação do Registro Nacional de Proibidos (Renapro), um cadastro de pessoas que serão impedidas de fazer apostas e até mesmo entrar em cassinos e outros locais onde os jogos são realizados, inclusive aplicativos e sites eletrônicos.

As casas de jogos deverão checar se as pessoas que solicitam entrada nesses estabelecimentos estão ou não inscritas no Renapro. A inclusão de nomes no cadastro poderá ser feita a pedido do próprio cidadão, por ordem judicial ou pelo Ministério Público.

As apostas realizadas por pessoas impedidas serão consideradas nulas, bem como as obrigações e promessas relacionadas aos jogos assumidas por elas.

Poder Executivo

O PL 2.234/2022 prevê a regulamentação, por parte do Poder Executivo, de diretrizes de prevenção e de combate ao uso de entidades operadoras de jogos e apostas para as práticas de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo. As casas de apostas deverão coletar e verificar informações cadastrais de seus funcionários, dos prestadores de serviço e dos apostadores e monitorar comportamentos suspeitos.

Não poderão ser feitas apostas utilizando cédulas de dinheiro diretamente nas máquinas eletrônicas ou mesas de jogos. Todas as apostas e prêmios pagos deverão ser registrados em um sistema específico, o Sistema de Auditoria e Controle. O Poder Executivo deverá ter pleno acesso aos dados.

Multas

O projeto enumera uma série de infrações administrativas que podem sujeitar as operadoras de apostas a sanções como advertência, suspensão das atividades por até 180 dias, cassação da licença de funcionamento, proibição de obter nova licença e multa, que pode chegar a R$ 2 bilhões por infração.

Entre as infrações previstas, estão explorar jogos e apostas sem a devida autorização; realizar operações em desacordo com a autorização concedida; dificultar a fiscalização do órgão competente; e descumprir outras normas legais (com Agência Senado).

Do Brasil 247

Pobres x ricos: a força da luta por justiça social empolga as redes digitais em apoio a Lula

O fato de que as redes não têm mais senhores fascistas reinando absolutos constitui a maior novidade da conjuntura

Quando era evidente o gozo das forças neoliberais, clientelistas e de extrema-direita contrárias ao governo Lula, com a derrota na Câmara do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decretado pelo Executivo, eis que a situação difícil permitiu a revelação de um caminho, uma verdadeira clareira, que desatou enormes energias políticas, num arco que mostra novas perspectivas para o presente da governabilidade e o futuro da intenção de reeleição do presidente Lula a um quarto mandato.

Na verdade, o que aconteceu na semana que passou, com a intensa mobilização no mundo virtual em favor da taxação dos super-ricos, foi uma antecipação. Tocada pela rejeição ao IOF, a opinião pública consagrou a união do passado ao futuro. No centro estão os anseios de mais igualdade social, que é a marca dos mandatos do presidente Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Pela primeira vez, porém, essa mensagem espalhou-se como um rastilho avassalador na principal arena da disputa política, o mundo virtual. Apareceu em vídeos ácidos e bem-humorados de crítica ao voto do Parlamento no caso do IOF. Evidentemente, a maioria imensa dos parlamentares optara por atacar a Constituição para se render à ordem iníqua das oligarquias.

Ato contínuo, multiplicaram-se às centenas as peças feitas com inteligência artificial e aos milhões os compartilhamentos digitais. Quem não compartilhava passou a fazê-lo. A liderança desse movimento de massas surgiu de uma militância informal espontaneamente unida pela justeza da ideia do governo e que aguarda exame do Legislativo: taxar os super-ricos isentos e isentar os pobres e a classe média. O governo logo engrossou a mobilização das redes.

Elevação do mar pode cobrir até 100 metros de praias do Rio

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Estudo prevê que a mudança pode acontecer no período de 75 anos

A elevação do nível do mar pode cobrir de 70 até 100 metros das praias do Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon, nos próximos 75 anos. A mudança poderia deixar algumas praias com pequenos “filetes de areia”.

Essa projeção é de um levantamento do Laboratório de Métodos Computacionais da Universo Federal do Rio de Janeiro (Lamce) da UFRJ.

O estudo analisou o impacto da elevação do nível do mar entre o Porto do Rio e o Leblon, incluindo a Baía de Guanabara, a lagoa Rodrigo de Freitas e áreas vulneráveis como os manguezais de Guapimirim.

Os resultados apontam que o mar deve subir cerca de 75 centímetros, o suficiente para transformar inundações temporárias em alagamentos permanentes, nos pontos baixos da cidade.

Monitoramento e prevenção: uma corrida contra o tempo

A gravidade da situação motivou uma parceria entre a prefeitura do Rio de Janeiro e o Instituto Nacional de Pesquisa do Oceano (Inpo) para a criação de um sistema de monitoramento contínuo do nível do mar e das condições oceânicas da cidade. Um acordo de intenções já foi assinado e, segundo a gestão municipal, a formalização do convênio técnico deve ocorrer ainda neste semestre.

— Todos esses dados serão fundamentais para que possamos nos preparar e evitar os efeitos das piores consequências. O monitoramento no Rio é pioneiro e será piloto para o restante do Brasil — explica Segen Estefen, diretor do Inpo.

A ideia é implantar boias oceânicas para prever grandes ressacas com antecedência e criar sistemas de alerta para identificar elevações súbitas do nível do mar e ondas de calor oceânicas.

— A onda de calor no oceano implica uma evaporação maior e formação de nuvens mais intensas que, ao encontrarem o continente, desabam num grande temporal. Tudo está interligado. Ter estes números bem aferidos vai possibilitar modelos de previsão confiáveis para definir ações de prevenção — afirma Janice Trotte Duhá, diretora de Infraestrutura e Operações do Inpo.

Ela destaca, no entanto, que o sucesso do sistema depende de investimentos robustos em equipamentos como marégrafos e boias bem calibradas, além de infraestrutura de análise de dados.

Soluções para conter o mar

Algumas cidades brasileiras já adotaram medidas de contenção. Em Santos (SP), por exemplo, foram usados sacos de areia para proteger trechos mais expostos da orla. Outras regiões apostam em soluções baseadas na natureza, como a recuperação de recifes de coral, que atuam como barreiras naturais contra o avanço do mar.

— Depende do que a configuração do lugar pede. Regiões que têm recifes de corais, por exemplo, podem ser recuperadas e melhoradas, porque eles são eficientes para reduzir o impacto das ondas — afirma Ronaldo Christofoletti, pesquisador do Inpo e professor da Unifesp.

Quem vai ajudar a compreender melhor essa projeção é o Luiz Assad, professor e pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais da UFRJ.

Ouça no player

Governo Lula liga tragédia no Texas às mudanças climáticas e critica agenda de Trump

O governo Lula utilizou a tragédia das enchentes no Texas, que deixaram ao menos 32 mortos e dezenas de desaparecidos, para reforçar a urgência de ações contra as mudanças climáticas. Em nota oficial publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil se solidarizou com o povo e o governo dos Estados Unidos, mas também destacou que eventos extremos como esse tendem a se intensificar com o aquecimento global.

O comunicado aponta que “as alterações climáticas intensificam eventos extremos e aumentam a frequência de desastres semelhantes”, e defende a necessidade de medidas conjuntas pela comunidade internacional.

A declaração ocorre em meio à política ambiental do ex-presidente Donald Trump, que mantém apoio expressivo no Texas e recentemente desmontou subsídios para a transição energética, retirando quase US$ 500 bilhões destinados a energias limpas.

 

O governo brasileiro ainda destacou que não há, até o momento, registros de vítimas brasileiras nas enchentes e orientou a comunidade residente no estado a buscar apoio junto ao Consulado-Geral em Houston. A mensagem ressalta o contraste entre os impactos ambientais crescentes e a resistência política a políticas climáticas nos EUA.

A nota também relembra que Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e bloqueou investimentos em proteção florestal. O Itamaraty reforça que desastres como o ocorrido no Texas reforçam a urgência de compromissos globais para enfrentar a crise climática e mitigar seus efeitos mais devastadores. As informações são de Jamil Chade.

Diario do Centro do Mundo

Elon Musk cria novo partido e diz que não há democracia nos EUA

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Neste sábado (5), Elon Musk anunciou pelas redes sociais, a criação do America Party, um novo partido político nos Estados Unidos. O bilionário, conhecido por sua influência nas plataformas digitais e sua atuação como empresário, revelou a iniciativa após ameaçar romper com os republicanos e se declarar contrário ao sistema político atual do país.

A decisão ocorre em meio à tramitação no Congresso do projeto de lei “Grande e Bonito”, de autoria do presidente Donald Trump. Musk, que já foi um apoiador declarado do republicano, condicionou a criação da nova legenda à aprovação da proposta, que prevê a elevação do teto da dívida pública. “Quando se trata de levar nosso país à falência com desperdício e corrupção, vivemos em um sistema de partido único, não em uma democracia”, afirmou.

A oficialização do partido veio acompanhada da divulgação do resultado de uma enquete feita na rede social X no dia 4 de julho, feriado da Independência dos EUA. Segundo Musk, cerca de 1,25 milhão de pessoas votaram e 65,4% se manifestaram a favor da fundação do partido. “Por uma proporção de dois para um, vocês querem um novo partido político e o terão”, escreveu o bilionário.

O bilionário tem classificado o atual sistema político norte-americano como um “partido único”, alegando que tanto democratas quanto republicanos contribuem para o que chamou de desperdício, corrupção e falência do país. Ele afirma que o America Party surge como uma alternativa à estrutura vigente, que considera antidemocrática.

O rompimento com Trump se tornou público no início de junho, marcou uma guinada no posicionamento político do empresário. Desde então, o empresário passou a fazer críticas diretas ao ex-presidente e à base republicana, ameaçando inclusive financiar adversários de parlamentares que apoiarem o projeto de lei.

Embora Musk não possa disputar a presidência por ser sul-africano de nascimento, ele indicou que pretende usar sua influência e recursos para impulsionar candidaturas independentes. Segundo ele, os eleitos poderão discutir propostas com os dois principais partidos, sem se alinhar automaticamente a nenhum deles.

Em uma de suas postagens, o empresário sugeriu uma estratégia para que a nova legenda tenha impacto prático no Legislativo. A ideia seria concentrar esforços em duas ou três cadeiras no Senado e entre oito a dez distritos na Câmara. Com as margens apertadas de votação, esses representantes poderiam atuar como decisivos em pautas polêmicas. Com informações de Jamil Chade, colunista do UOL.

Veja a postagem:

DCM

Falta de recursos ameaça paralisar combate a desmatamento e incêndios em Rondônia

BRASÍLIA (DF) – A falta de recursos orçamentários ameaça paralisar as ações de combate ao desmatamento e queimadas nas Unidades de Conservação (UCs) em Rondônia, serviços essenciais durante o período de estiagem que vai de junho a novembro na região. É o que consta no pedido de medidas judiciais que o Estado protocolou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de três ações para que a União, Estados e municípios tomem medidas contra o desmatamento e incêndios na Amazônia Legal e no Pantanal.

Em uma manifestação protocolada na última segunda-feira, 30 de maio, junto ao STF, a Procuradoria-Geral do Estado de Rondônia (PGE) pediu medidas judiciais para o magistrado que, em despacho datado de março deste ano, fez uma série de determinações aos Estados da Amazônia para que combatam o desmatamento e incêndios florestais em seus territórios. A medida visa evitar o descontrole que ocorreu em 2024.

Além de pedir que o STF determine que o Poder Legislativo Estadual aprove a abertura de crédito suplementar no orçamento de 2025 para a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), a PGE solicitou que, caso não seja concedido, que o Estado possa fazer a suplementação via decreto executivo, devido à chegada do período de estiagem, de junho a novembro.

Rondônia não tem recursos para combater incêndios, diz governo estadual ao STF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Estado quer, ainda, que o ministro determine a ação de fiscalização supletiva pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com a assunção das bases operacionais montadas pela Sedam.

Os pedidos são baseados em dois ofícios enviados pela Sema a vários órgãos do governo de Rondônia, como Casa Civil, PGE e Secretaria de Finanças, informando a situação precária em que se encontra a secretaria que deverá ficar sem recursos, a partir deste mês, para desempenhar as atividades de fiscalização.

Segundo os documentos, o Projeto de Lei Orçamentária 803/2025, enviado pelo governo do Estado à Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), previa o uso de superávit financeiro de até R$ 10 milhões para a Sedam. A proposta citava a manutenção das ações de combate a incêndios e desmatamento. Ocorre que os deputados arquivaram o projeto e a secretaria ficou sem os recursos.

A restrição orçamentária, reforçam os documentos internos do governo de Rondônia, deve comprometer a manutenção das atividades de proteção e fiscalização das Unidades de Conservação estaduais (UCs), principalmente a estruturação e funcionamento das bases fixas.

Conforme a PGE-RO, dentre os problemas que deverão ser enfrentados estão: a fragilidade na fiscalização e monitoramento, com a redução das operações de campo e enfraquecimento dos sistemas de sensoriamento remoto e análise técnica; o aumento de infrações ambientais e consequente avanço do desmatamento ilegal; crescimento da mineração clandestina com contaminação de solos e recursos hídricos; perdas de biodiversidade e serviços ecossistêmicos; e riscos à saúde das comunidades.

Coordenador relata situação

Em despacho assinado pelo coordenador de Unidades de Conservação (CUC/Sedam), Daniel Santos de Souza, datado de 23 de junho, ele relata que os recursos que restam só cobrem as ações de fiscalização na Estação Ecológica Soldado da Borracha e Parque Estadual Guajará-Mirim. As unidades sofrem crítica pressão de tentativas de invasão e precisam estar sob fiscalização contínua. O coordenador informa, ainda, que bases do parque foram alvos de ataque a tiros e uso de drones, em abril deste ano.

Atual coordenador de Unidades de Conservação de Rondônia (Reprodução/Sedam)

Com a falta de dinheiro, escreve o coordenador, os trabalhos tiveram que ser priorizados nas duas unidades protegidas, deixando sem assistência a Estação Ecológica Samuel, que igualmente é ameaçada constantemente por invasores e grupos criminosos.

“O atual período sem operações de fiscalização e monitoramento representa um risco substancial: há a possibilidade concreta de que ocupantes ilegais retomem áreas anteriormente inutilizadas pelas equipes, comprometendo a integridade ambiental da UC. A ausência de atuação do Estado pode anular os esforços realizados até então, permitindo que grupos irregulares voltem a se instalar, reiniciando o ciclo de degradação ambiental”, reforça Daniel de Souza.

O coordenador acrescenta que “as demais 47 Unidades de Conservação do Estado encontram-se vulneráveis à incidência de ações ilícitas, uma vez que os esforços operacionais estão, neste momento, concentrados exclusivamente no interior do Parque Estadual Guajará-Mirim e da Estação Ecológica Soldado da Borracha, em razão das prioridades estratégicas definidas pela Secretaria”. Nas demais, tem havido apenas ações pontuais e esporádicas.

Revista Cenarium

Eleições 2026: PT articula mega federação com PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT

O PT tem articulado nos bastidores a formação de uma ampla federação de centro-esquerda com vistas às eleições de 2026. A proposta ainda estaria em fase inicial, segundo a CNN Brasil, e foi apresentada durante encontros promovidos pelo Palácio do Planalto com bancadas da Câmara dos Deputados. A federação seria formada por PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT.

A iniciativa se baseia na renovação e ampliação das federações já existentes, como a Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e a formada por PSOL e Rede. O objetivo é criar um bloco robusto para enfrentar o avanço de federações da direita e do centro, como a União Progressista (União Brasil e PP) e o possível consórcio entre MDB, Republicanos e PSDB.

Representantes do PSB e do PDT, no entanto, teriam classificado a ideia como “inexequível” e “quase impossível”, apontando dificuldades de alinhamento programático e disputas regionais.

Dossiê mostra como agro do MT e Pará apoiou ‘8 de Janeiro’

BELÉM (PA) – Dois Estados da Amazônia Legal, Mato Grosso e Pará, tiveram participação na tentativa de golpe de Estado que sacudiu o Brasil entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, que ficou conhecida como “8 de Janeiro”. É o que revela o relatório “Agrogolpistas – 2025”, produzido pelo observatório De Olho nos Ruralistas, que mapeia a atuação de 142 empresários do agronegócio diretamente ligados ao financiamento e à logística de ações golpistas, incluindo bloqueios em rodovias, montagem de acampamentos e até um atentado com explosivos.

O Mato Grosso, com 74 nomes investigados, e o Pará, com fazendeiros citados por envolvimento em episódios de alta gravidade, se destacam pela participação ativa na tentativa de golpe. Os demais Estados da Amazônia Legal — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Rondônia, Roraima e Tocantins — não são mencionados em nenhuma das investigações ou evidências apresentadas no relatório.

Desses Estados, apenas Tocantins e Maranhão são mencionados brevemente como parte do chamado Matopiba – região de expansão da soja e da fronteira agrícola no Cerrado, mas sem indivíduos ou empresas citadas.

Mato Grosso

Autointitulado “celeiro do Brasil”, o Mato Grosso concentra mais da metade dos nomes listados no relatório: 74 nomes (52%). É de lá que saiu a maior parte dos caminhões que bloquearam rodovias e abasteceram os acampamentos montados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.

Cidades como Sorriso, Nova Ubiratã e Campo Novo do Parecis são citadas como centros de articulação política e logística. O relatório denuncia que famílias inteiras de sojeiros, como os Bedin e os Lermen, enviaram dezenas de veículos à capital federal, em articulação com ex-ministros e parlamentares bolsonaristas.

Mapa de concentração dos “agrogolpistas” (Reprodução/Relatório Agrogolpistas – 2025)

Além disso, muitos desses empresários continuam recebendo crédito de bancos como BTG Pactual, Rabobank, Santander e John Deere, apesar de constarem em investigações da Polícia Federal e CPIs parlamentares.

Pará

Já o Pará aparece com menor número de casos, mas maior gravidade. O relatório identifica três fazendeiros do sudeste paraense ligados ao plano que pretendia explodir um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal de 2022.

O autor do plano, George Washington de Oliveira Sousa, é natural do Ceará, mas vivia no município de Xinguara (PA), de onde partiu para Brasília. Após sua prisão, ele indicou como contato de confiança o nome do pecuarista Bento Carlos Liebl, dono de um conglomerado de fazendas em São Félix do Xingu. A família Liebl, segundo o relatório, possui cerca de 30 mil hectares na região, parte deles embargados pelo Ibama por desmatamento com uso de fogo em áreas próximas à Terra Indígena Apyterewa.

George Washington de Oliveira Sousa (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

O envolvimento da família no atentado golpista levou a Polícia Civil do Distrito Federal a investigar formalmente Bento e Roseli Liebl. Até o momento da publicação do relatório, nenhum deles havia sido denunciado formalmente pelo Ministério Público Federal (MPF).

Outro nome do agronegócio paraense citado é Ricardo Guimarães de Queiroz, ex-vice-prefeito de Itupiranga e então presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá. Ele foi preso em 2023 durante a Operação Embarque Negado, acusado de envolvimento no planejamento de ações golpistas. Em sua propriedade, localizada entre Marabá e Itupiranga, a Polícia Federal encontrou armas e munições. O pecuarista já havia sido multado por desmatamento e autuado por manter trabalhadores em condição análoga à escravidão.

A atuação dos investigados no Pará, segundo o relatório, faz parte de um “núcleo ruralista do golpe” que, embora amplamente documentado por órgãos de segurança e comissões parlamentares, segue impune e fora do foco das investigações judiciais mais relevantes.

Além dos casos individuais, o Pará também aparece no documento como parte estratégica da logística agroexportadora brasileira – principalmente por conta da BR-163, rodovia que liga o polo produtor de soja de Mato Grosso aos portos do Arco Norte. Empresas investigadas por financiar infraestrutura de acampamentos golpistas têm atuação direta nesse corredor.

Revista Cenarium

De Fortaleza a Xangai: Banco do Brics completa 10 anos e desafia modelo de Bretton Woods sob liderança de Dilma

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), principal estrutura institucional criada pelo Brics, completa dez anos neste mês com a ambição de se firmar como alternativa concreta ao sistema financeiro internacional herdado do pós-guerra. Sob a liderança da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), a instituição tenta se consolidar como uma plataforma do Sul Global por autonomia, inclusão e cooperação entre países.

“O Banco do Brics é talvez a principal entrega do Brics econômico-financeiro desde o início”, afirmou Antônio Freitas, subsecretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. Em entrevista ao Brasil de Fato, ele lembrou que o NDB foi aprovado na cúpula de Fortaleza, em 2014, “sob a liderança da presidenta Dilma Rousseff”, hoje à frente da instituição.

Durante a abertura da 10ª reunião anual do NDB, realizada nesta sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, Dilma foi categórica: “Nós estamos apenas começando. Em nossa primeira década, o NDB lançou as bases. Na próxima década, devemos consolidar nosso papel de liderança para o desenvolvimento equitativo, sustentável e autônomo em um mundo multipolar”.

A presidenta defendeu que o banco atue com ousadia e relevância política. “Nossa força reside não apenas no tamanho do nosso balanço patrimonial, mas acima de tudo, na legitimidade de nossa missão e na união dos nossos países-membros”, disse.

Neste sábado (5), Dilma participará de uma entrevista coletiva durante a reunião e pode anunciar novos projetos do banco.

Um banco criado para romper com o sistema de Bretton Woods

Inspirado pela insatisfação histórica dos países periféricos com a governança das instituições de Bretton Woods, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, o NDB foi lançado com a proposta de financiar o desenvolvimento de forma mais justa.

“Na medida em que não conseguiram avançar na reforma das instituições financeiras multilaterais, os países do Brics criaram o seu próprio mecanismo”, afirmou Marta Fernández, coordenadora do Brics Policy Center, ao Brasil de Fato. Ela destacou que, ao contrário dos bancos tradicionais, o NDB foi criado com cotas iguais entre os membros fundadores e uma estrutura mais horizontal.

Segundo ela, o banco foi resultado também da atuação da sociedade civil. “A Rebrip participou bastante desse processo. O objetivo era justamente propor modelos de financiamento alternativos”, pontuou, citando a Rede Brasileira Pela Integração dos Povos.

O economista Paulo Nogueira Batista Jr., que participou da fundação do banco e foi seu primeiro diretor brasileiro, acredita que a instituição “tem um potencial muito grande”, mas ainda caminha aquém do que poderia. “O banco era para ser uma alternativa ao Banco Mundial. Mas como é que pode ser um banco global com apenas dez países-membros? Está indo muito devagar o processo de expansão”, avaliou.

Financiamento para o Sul Global: impactos e limitações

Desde sua fundação, o NDB aprovou 120 projetos, totalizando US$ 39 bilhões em financiamentos. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com esses recursos foram modernizados mais de 40 mil quilômetros de rodovias, erguidas 35 mil moradias, implementados 293 quilômetros de sistemas ferroviários urbanos e ampliada a oferta de água potável em 250 mil metros cúbicos por dia.

Durante o painel “Desafios para o financiamento do desenvolvimento sustentável para o Sul Global”, Haddad afirmou que o banco oferece soluções de acordo com as prioridades nacionais e com respeito às particularidades de cada país. “Esse modelo não apenas é financeiramente viável como também se traduz em impactos concretos e sustentáveis”, disse. “Se traduz em escolas mais acessíveis, comunidades mais conectadas, cidadãos vivendo com mais dignidade.”

Apesar dos avanços, há críticas sobre efeitos de projetos sobre comunidades locais. Marta Fernández lembra que obras de infraestrutura verde, como parques eólicos, têm gerado conflitos territoriais. “Projetos que precisam de muita terra têm gerado expropriações em comunidades quilombolas”, afirmou. Segundo ela, o Brics Policy Center trabalha com uma plataforma de monitoramento chamada Prime Hub, em parceria com a agência de avaliação do banco, sediada em Xangai, para medir os impactos sociais dessas iniciativas.

O papel de Dilma e os desafios para a próxima década

O mandato de Dilma Rousseff à frente do NDB, que começou em março de 2023 e terminaria em julho deste ano, foi estendido por mais cinco anos, por decisão unanime entre os países-membro.

Sua gestão é vista com entusiasmo por representantes do governo brasileiro. “Sob seu comando, o banco conquistou uma nova dimensão geopolítica e internacional”, avaliou Haddad. Já Antonio Freitas afirmou que o Brasil está “bastante satisfeito” com o papel do banco sob liderança brasileira. “A presidenta Dilma deverá anunciar desenvolvimentos importantes na cúpula”, adiantou.

Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, afirmou que Dilma resgatou o protagonismo político da instituição. “No seu primeiro ano, ela arrecadou cerca de 8 bilhões de dólares nos mercados de capitais – o dobro da média dos anos anteriores. Ela trouxe o banco de volta para o debate público, ou talvez ele nunca tenha estado tanto em evidência quanto agora”, avaliou durante o último episódio do podcast O Estrangeiro.

Mesmo assim, Fernandes alerta para limites estruturais. “Sem dinheiro, sem cascalho, não tem como virar esse grande banco do Sul Global”, disse. Para ele, a única forma atual de captar recursos – via mercado financeiro – é insuficiente para um banco que ambiciona disputar com o Banco Mundial. “Não é possível que esses cinco países juntos – China, Índia, Rússia, Brasil e Indonésia – mais os Emirados Árabes, não possam fazer uma vaquinha todo ano e colocar 50 bilhões de dólares.”

Segundo ele, se bem financiado, o NDB poderia transformar a arquitetura de crédito internacional. “O NDB teria capacidade de disputar com o Banco Mundial e abrir uma gama de possibilidades para o Sul Global – com financiamentos sem as condicionalidades do FMI, como austeridade, privatizações e cortes em saúde e educação.”

O processo atual de desdolarização, um tema recorrente no discurso político dos Brics, também foi relativizado pelo ex-diretor do banco. “O Brics fala muito em desdolarização, mas o nosso banco ainda é preponderantemente dolarizado, tanto no lado ativo quanto no lado passivo. Isso precisa mudar”, disse Paulo Nogueira Batista Jr.

Marta Fernández complementa que a busca por transações em moedas locais também tem um componente de proteção. “O congelamento das reservas russas mostrou que países do Sul Global estão vulneráveis. De um dia para o outro, suas reservas podem desaparecer. O uso de moedas locais não é só uma alternativa econômica, mas uma forma de enfrentar essa hegemonia do dólar e se proteger contra sanções e tarifas como armas de guerra.”

Diante desse cenário, Dilma reforçou que o NDB deve se posicionar como “espaço de diálogo, cooperação e objetivos comuns”. Para ela, a próxima década deve ser marcada por ambição e transformação. “Que essa seja a década de ouro da instituição. Juntos, com visão, coragem e determinação, continuaremos a construir um futuro melhor para os nossos países, nossos povos e as gerações futuras.”

Brasil de Fato

Lula diz que Brics é fiador de um futuro promissor

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou neste sábado (5) que o Brics segue como “fiador de um futuro promissor”. A afirmação foi feita durante abertura do Fórum Empresarial do Brics, no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro (RJ), 05/07/2025 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, e o presidente da CNI, Ricardo Alban, participam do Fórum Empresarial do Brics, no Pier Mauá. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil“Durante do ressurgimento do protecionismo, cabe às nações emergentes defender o regime multilateral de comércio e reformar a arquitetura financeira internacional. Os Brics seguem como fiador de um futuro promissor”, disse Lula.

O Brics funciona como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas e reúne 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Segundo Lula, esses países podem liderar um novo modelo de desenvolvimento pautado em agricultura sustentável, indústria verde, infraestrutura resiliente e bioeconomia.

“Nossos países já estão entre os maiores investidores de energia renovável do planeta. Há imenso potencial para ampliar a produção de biocombustíveis, baterias, placas solares e turbinas eólicas. Possuímos minerais estratégicos essenciais para a transição energética”.

Lula disse ainda que fortalecimento do complexo industrial da saúde “amplia o acesso a medicamentos e é fundamental para superar doenças socialmente determinadas que afligem os mais vulneráveis”.

Em seu discurso, o presidente brasileiro também defendeu uma governança multilateral sobre a inteligência artificial (IA).

“A inteligência artificial traz possibilidades que há poucos anos sequer imaginávamos. Na ausência de diretrizes claras coletivamente acordadas, modelos gerados apenas com base na experiência de grandes empresas de tecnologia vão se impor”.

Ele também aproveitou seu discurso para falar sobre os conflitos internacionais. Segundo ele, a cúpula do Brics certamente apontará soluções para essa situação.

“Ao invés de barreiras, promovemos integração. Contra a indiferença, construímos a solidariedade”.

Fórum

O Fórum Empresarial do Brics discute, ao longo deste sábado, o papel do setor produtivo na busca de um desenvolvimento econômico sustentável. Entre os temas debatidos estão comércio e segurança alimentar, transição energética, descarbonização, economia digital e inclusão financeira.

Os 11 países que integram o Brics somam quase metade da população mundial, 40% da economia global e mais de 20% do comércio mundial.

Em termos de recursos naturais, os membros do grupo concentram cerca de 70% das reservas de terras raras, mais de 40% da produção de petróleo e quase 80% da produção de carvão mineral.

Agencia Brasil

 

MPRO e Forças de Segurança ajustam fortalecimento do combate às facções criminosas em Ouro Preto do Oeste

O MPRO, por meio da 3a Promotoria de Justiça de Ouro Preto do Oeste, promoveu reunião institucional nesta quinta-feira (3/7), com a finalidade de estabelecer estratégias entre as Forças de Segurança atuantes no Estado de Rondônia e na Comarca de Ouro Preto do Oeste, para a continuidade e intensificação do combate ao crime organizado na região.

Estiveram presentes representantes das Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal, bem como o Delegado Regional e o Delegado de Polícia Civil de Ouro Preto do Oeste, além de representante da Secretaria de Justiça do Estado (Sejus).

Em razão do aumento de homicídios e crimes praticados no último mês, no contexto das facções criminosas que tentam se instalar na região, foi destacada a imprescindibilidade da atuação coordenada e cooperativa para garantir tranquilidade para a comunidade de Ouro Preto do Oeste e demais municípios da Comarca.

Na ocasião, todos se comprometeram em somar esforços para intensificar ações voltadas para o combate à criminalidade e a garantia da segurança pública.

O MPRO reafirma seu compromisso com a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Gerência de Comunicação Integrada (GCI)

Coluna Zona Franca

Jerônimo Rodrigues, Lula e Janja A mais recente análise do instituto Quaest sobre o debate político nas redes sociais apontou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso no embate digital com o Congresso Nacional, impulsionado pela crise envolvendo o decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Segundo o levantamento, 61% das menções ao Congresso foram negativas, enquanto apenas 11% dos conteúdos citando o Executivo tinham esse tom.

Vitória da esquerda 2

A pesquisa da Quaest analisou mais de 4,4 milhões de postagens feitas entre os dias 24 de junho e 4 de julho em redes como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, YouTube e em sites de notícias. No período, o conteúdo sobre o embate entre Legislativo e Executivo alcançou, em média, 32 milhões de contas por hora. O resultado revela não apenas o elevado engajamento do tema, mas também uma inversão na dinâmica tradicional do desgaste político digital, que geralmente recai sobre o governo, segundo aponta reportagem do Valor.

‘Inimigos do povo’ 

A hashtag #InimigosDoPovo foi uma das mais utilizadas nas publicações analisadas, aparecendo em cerca de 300 mil menções. No total, 18% das postagens traziam esse termo, enquanto “Congresso da mamata” surgiu em 13%. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi mencionado diretamente em 8% das postagens, refletindo a personalização das críticas ao Parlamento.

‘Inimigos do povo’  2

Pode ser uma imagem de texto que diz "Vamos taxar bancos e casas de aposta." Exagero, coitados! Hugo Motta: E se a gente desse aposentadoria + salário integral pro deputado? Aprovado! Viva a respon- sabilidade fiscal CONGRESSO INIMIGO DO POVO RICOS PAGUEM A CONTA"A revolta virtual cresceu especialmente após o dia 25 de junho, quando o Congresso votou pela derrubada do decreto presidencial que aumentava a alíquota do IOF, medida que fazia parte da estratégia do governo para ampliar a arrecadação e equilibrar as contas públicas. O episódio levou o governo a recorrer ao Supremo Tribunal Federal e gerou forte mobilização digital contra o Legislativo.

Lula não foi o foco da insatisfação

Ao contrário do que ocorreu em outras crises políticas recentes, como o escândalo de fraudes no INSS ou o anúncio do aumento do IOF, em que Lula teve 77% e 76% de menções negativas, respectivamente, neste episódio o presidente foi citado em 15% das postagens — das quais 45% foram positivas, 31% negativas e 24% neutras.

Lula não foi o foco da insatisfação 2

Segundo o relatório da Quaest, isso demonstra que “Lula não é o foco central do desgaste atual”, e o governo conseguiu reposicionar a narrativa, associando o impasse ao Congresso e não à Presidência. Os dados revelam que, ao contrário de outras disputas, a campanha digital governista conseguiu mobilizar a opinião pública de forma eficaz.

Esquerda mais engajada do que a oposição

Outro dado que surpreendeu os analistas foi a prevalência do discurso governista nas redes, superando inclusive a tradicional vantagem da oposição em termos de engajamento digital. Parlamentares alinhados ao governo foram responsáveis por quase 50% dos posts sobre o tema, enquanto a oposição respondeu por apenas 31,5%, índice abaixo do registrado em outras crises — como no caso do INSS, quando a oposição dominou com 51% das postagens. Os números absolutos também ilustram essa virada. Enquanto 119 parlamentares da base aliada fizeram 741 postagens sobre a crise do IOF, os 112 congressistas da oposição publicaram 378 vezes. Parlamentares de centro contribuíram com 218 postagens, somando 18% do total.

Esquerda mais engajada do que a oposição 2

Estratégia de confronto

A atuação mais combativa da base governista — tanto no discurso quanto na mobilização digital — é interpretada pelos pesquisadores como parte de uma estratégia de confronto institucional. Segundo o relatório da Quaest, a base aliada “tensiona a relação com o Legislativo, usando o tema como instrumento de confronto político contra a oposição e retórica de responsabilização institucional”.

Estratégia de confronto 2

Essa guinada revela uma mudança de postura: diferentemente de outras crises, em que o governo era mais reativo nas redes, agora adotou uma linha ofensiva e conseguiu direcionar o foco da insatisfação popular ao Congresso, em especial ao presidente da Câmara, Hugo Motta. O levantamento da Quaest ajuda a ilustrar como o campo progressista pode vencer batalhas simbólicas e narrativas no ambiente digital, tradicionalmente dominado por forças conservadoras. Ao transformar o Congresso em alvo principal da insatisfação popular, a esquerda mostrou que, ao menos nesta crise, saiu fortalecida das redes — e com potencial de influência real sobre a opinião pública. Do Brasil 247

Foi traído, mas…

Lula avalia que foi traído por Hugo Motta, após a votação do decreto que tratava do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). No entanto, apesar do desgaste, Lula decidiu reabrir o diálogo e já enviou um recado ao parlamentar com a intenção de convidá-lo para uma conversa nos próximos dias.

Eleições 2026

Lula está tão confiante na reviravolta que já anunciou que será candidato à reeleição. Nesta sexta-feira (4), Lula disse que deve disputar um novo mandato em 2026. Em discurso durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no setor de refino e petroquímica, em Duque de Caxias (RJ), Lula afirmou que o país poderá eleger pela primeira vez um presidente por quatro mandatos.

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“Tem gente que pensa que o governo já acabou. Tem gente que já está pensando em eleição. Eles não sabem o que eu estou pensando”, afirmou o presidente. “Então se preparem, se preparem, porque se tudo estiver como eu estou pensando, esse país vai ter pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes”, completou, em tom desafiador. A fala ocorre em meio a um momento de tensão entre o Executivo e o Congresso Nacional, principalmente por conta da proposta de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), criticada por lideranças parlamentares. Ainda assim, Lula fez questão de destacar que valoriza o diálogo com o Legislativo.

Com conteúdo e propostas, o MDB sai na frente

Pode ser uma imagem de 9 pessoasNa manhã de ontem, 4, na sua sede estadual, aconteceu o Encontro Estadual do
MDB de Rondônia denominado O Brasil precisa pensar o Brasil, que tem como
objetivo debater os problemas estruturais do país – e apontar soluções. Organizado
pela Fundação Ulysses Guimarães – FUG, o evento acontece em todos os estados
e suas deliberações e conclusões orientarão os programas de governos dos candidatos da sigla nas eleições de 2026.

Com conteúdo e propostas, o MDB sai na frente 2

Quem esteve no evento pode assistir palestras de alto nível, com temas relevantes
para o Brasil e para Rondônia. Além disso, puderam ouvir a fala do ex-ministro da
Defesa Aldo Rebelo, atualmente filiado ao MDB, que versou sobre como equilibrar desenvolvimento econômico e meio ambiente. Do mesmo modo, chamou a atenção a qualidade da exposição do ex-governador e ex-secretário de Pernambuco, Raul Henry, sobre a importância da educação pública e de qualidade para o desenvolvimento do Brasil.

Com conteúdo e propostas, o MDB sai na frente 3

O ex-vice-governador de Rondônia, ex-deputado federal Miguel de Souza e
atualmente consultor do Senado Federal, por sua vez, decodificou os problemas de
infraestrutura logística no país – e como estes impactam no chamado Custo Brasil. A
exposição de Souza trouxe dados atualizados e fartos sobre a produção nacional –
e de Rondônia – e em quais modais logísticos ela se distribui internamente até
chegar aos países compradores.

Com conteúdo e propostas, o MDB sai na frente 4

Na sua palestra, cuja pauta foi sobre os impactos das mudanças climáticas na
Amazônia, Caê Moura, gerente do Centro Gestor e Operacional do Sistema de
Proteção da Amazônia CENSIPAM fez uma fala dramática sobre a situação
climática atual do planeta, da Amazônia e de Rondônia. Enfatizando que
desempenhava o papel de “mensageiro de notícias não boas”, Caê Moura alertou
para a realidade que já é parte da vida de cada um de nós – e da urgência em
despertamos para a sua gravidade.

A Democracia

Está no ar o novo A Democracia, site de notícias políticas com sede em Brasília. Com novo visual e novas categorias de notícias, o portal enfatiza os bastidores da política nacional, regional e internacional, com destaque para as eleições de 2026. A direção geral do AD é deste articulista político.

Reforma administrativa

Pode ser uma imagem de 4 pessoas e texto que diz "AD AVANÇOS PRA PORTO VELHO! と"A recente reforma administrativa anunciada pelo prefeito Léo Moraes (Podemos), de Porto Velho, é digna de elogios não apenas pela ousadia e inovação que carrega, mas, sobretudo, pela escuta atenta ao sentimento da população. Em tempos em que decisões de governo muitas vezes ignoram as vozes das ruas, é alentador ver a gestão municipal caminhar na direção contrária — com sensibilidade, responsabilidade e diálogo.

Reforma administrativa 2

Um dos pontos mais emblemáticos da reforma é a sábia decisão de manter separadas as Secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente. Essa medida, longe de ser meramente estrutural, atende a uma demanda legítima de agricultores, ambientalistas, técnicos e cidadãos que compreendem a complexidade e a especificidade de cada uma dessas áreas. No início da atual administração chegou a ser cogitada a junção das duas pastas, o que representaria um retrocesso na elaboração de políticas públicas eficazes, além de colocar em rota de colisão interesses que, embora devam caminhar em harmonia, não podem ser tratados como idênticos.

Reforma administrativa 3

A Agricultura precisa de uma secretaria que compreenda o ciclo da produção, o apoio técnico aos pequenos produtores, o escoamento da safra, o fortalecimento da agricultura familiar e o incentivo à economia rural. Já o Meio Ambiente exige estrutura própria para cuidar da preservação dos nossos recursos naturais, fiscalização ambiental, educação ecológica e sustentabilidade urbana e rural. Misturar tudo isso em um único órgão é negligenciar a complexidade de cada área e dificultar a execução de políticas públicas eficazes.

Reforma administrativa 4

Ao manter as secretarias separadas, Léo Moraes demonstra não apenas conhecimento técnico, mas também respeito ao clamor popular e compromisso com o desenvolvimento sustentável de Porto Velho. Em uma capital marcada por desafios históricos no campo e na floresta, acertar na estrutura administrativa é dar um passo firme em direção a uma gestão mais eficiente e democrática. (Édson Silveira)

Fernando Máximo

De olho em 2026, Léo Moraes exalta Fernando Máximo durante evento em Vilhena: “Ano que vem reserva grandes notícias”A coluna não conseguiu falar com os dirigentes do Podemos, nem com o prefeito Léo Moraes, mas, tudo indica que o deputado federal Fernando Máximo (União Brasil), deverá ser o candidato ao governo de Rondônia com apoio do chefe do executivo municipal. É o que o site Rondônia Dinâmica destacou. Léo Moraes usou um evento em Vilhena para enaltecer o deputado federal Fernando Máximo, em um discurso que soou como sinal claro de alinhamento político. A ocasião foi a inauguração da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vitalina Gentil, realizada na quarta-feira (03), no município comandado por Flori Cordeiro, também do Podemos. Durante o ato, Léo Moraes fez um discurso caloroso em homenagem ao parlamentar, sugerindo que o futuro político de Máximo está em ascensão. “Ano que vem reserva grandes notícias para o nosso deputado Fernando Máximo”, declarou o prefeito, que ainda classificou o deputado como “um grande líder, sujeito ponta firme, leal e amigo”.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
Contato:rkuppe@gmail.com

Filme baseado na obra de Chico Buarque encerra gravações e mira lançamento em 2026

O filme Geni e o Zepelim, dirigido por Anna Muylaert, encerrou suas gravações em 18 de junho de 2025, em Cruzeiro do Sul, Acre. Produzido pela Migdal Filmes, em parceria com Paris Entretenimento e Globo Filmes, e distribuído pela Paris Filmes, a produção ainda não tem uma data oficial de estreia, mas as expectativas apontam para 2026.

Inspirado na canção de Chico Buarque, lançada em 1978, e no conto Bola de Sebo, de Guy de Maupassant, o longa-metragem marca a primeira adaptação ficcional dessa narrativa para os cinemas. Assim, ele se insere no gênero drama social, subvertendo elementos tradicionais ao ambientar o confronto entre a opressão e a luta de uma personagem marginalizada: Geni.

Ambientado na Amazônia, o filme reflete conflitos reais, como a exploração de terras, a violência institucional e a marginalização das vozes trans. Anna Muylaert compartilhou que seu objetivo foi “falar da Amazônia através do olhar feminino, trazendo as questões de gênero para a discussão sobre a violência contra a floresta”. Como resultado, o filme vai além de uma simples adaptação; ele oferece uma visão perspicaz sobre a intersecção entre poder, identidade e território.

Obras como Que Horas Ela Volta? (2015), também de Muylaert, e Pássaro Memória (2023), com a nova Geni, Ayla Gabriela, compartilham esse compromisso pela representação do Brasil moderno.

Dessa forma, o longa convida o público a se engajar em discussões sobre identidade, poder, território, diversidade e resistência, sem entregar todos os detalhes e, ao mesmo tempo, aguçando a curiosidade.

Foto de Seu Jorje em "Geni e Zepelim"
Foto de Seu Jorje em “Geni e Zepelim” – Foto/Crédito: Paris Filmes

Sinopse

Em uma comunidade ribeirinha na Amazônia (Cruzeiro do Sul, Acre), vive Geni (Ayla Gabriela), uma travesti e prostituta, constantemente alvo de humilhação. Quando o Comandante (Seu Jorge) invade a área em seu zepelim, acompanhado por tropas e com planos de expulsar os moradores para explorar o território, ele encontra resistência. No entanto, a reviravolta acontece quando o comandante propõe que, se Geni passar uma única noite com ele, retirará seu exército, deixando a comunidade em paz. Assim, a protagonista se torna uma figura central na luta coletiva. A tensão aumenta, e até o momento, não se sabe como essa batalha será vencida. Referências literárias e políticas se entrelaçam, gerando mistério e relevância narrativa.

Direção e roteiro

Muylaert, que conquistou o Grand Jury Prize no Festival de Sundance com Que Horas Ela Volta?, também assume a direção e o roteiro deste longa. Sua marca é evidente em retratos realistas das tensões sociais e identitárias. Aqui, ela desloca o foco urbano para o interior da Amazônia e entrelaça disputas territoriais com questões de gênero, mantendo sempre um olhar atento às dimensões íntimas e coletivas.

O texto dialoga com a canção, preservando referências à transfobia, à moralidade hipócrita e à exploração, mas atualiza essas tensões, abordando o embate por terras amazônicas.

Produção e elenco

As filmagens ocorreram ao longo de cerca de dois meses, entre abril e junho de 2025, em Cruzeiro do Sul. A equipe utilizou uma extensa infraestrutura fluvial: foram sete barcos para as cenas principais, além de nove embarcações de apoio, como voadeiras, balsas e canoas, para diferentes etapas da captação. Esse esforço reforça o compromisso com a autenticidade e uma representação fiel da região amazônica.

Inicialmente, Thainá Duarte, uma atriz cisgênero, foi confirmada como Geni. Essa escolha gerou críticas por não respeitar a identidade trans. Após um intenso debate e diálogo com a comunidade trans, a produção reconsiderou e escalou Ayla Gabriela, uma atriz trans reconhecida por seu trabalho em Pássaro Memória (2023). Essa mudança alinha-se com a caracterização dos personagens e fortalece a mensagem política do filme.

Ayla Gabriela é Geni em 'Geni e o Zepelim'
Ayla Gabriela é Geni em ‘Geni e o Zepelim’ — Foto/Crédito: Paris Filmes

Além dos protagonistas, Ayla Gabriela e Seu Jorge, o elenco conta com Suzy Lopes, Gero Camilo, Ênio Cavalcante e centenas de figurantes acreanos. Essa diversidade geográfica enriquece a ambientação e valoriza as vozes locais.

Com o término das filmagens, Geni e o Zepelim se estabelece como um dos lançamentos nacionais mais esperados para 2026. A adaptação sensível de uma canção clássica, a forte representatividade trans e a ambientação amazônica unem imagens a uma coragem política. Enquanto propõe uma tensão narrativa instigante, a obra também pode gerar debates sobre pertencimento, direitos humanos e a memória cultural brasileira.

Mundo em revista

Lula conclama países emergentes a resistirem ao protecionismo global: “cabe a nós defender o multilateralismo”

Durante sua participação no fórum empresarial da cúpula do BRICS, realizado neste sábado (5) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo às nações em desenvolvimento para que assumam papel central na defesa do comércio internacional diante do avanço de políticas protecionistas.

“Diante do ressurgimento do protecionismo, cabe às nações emergentes defender o regime multilateral de comércio e reformar a arquitetura financeira internacional. O BRICS segue como fiador de um futuro promissor. Durante a presidência brasileira demos um passo importante ao apoiar coletivamente a Convenção da ONU para Cooperação Tributária e a Visão de Reforma do FMI. O combate às desigualdades fortalece mercados consumidores, impulsiona o comércio e alavanca investimentos”,  destacou Lula.

Outro ponto de destaque foi a defesa de uma regulação internacional para o uso e desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo Lula, o avanço da IA exige uma resposta coletiva. “A revolução tecnológica permeia todos os setores das nossas economias. Infraestruturas públicas digitais viabilizam inovações e criam oportunidades para “startups” e pequenas e médias empresas.A inteligência artificial traz possibilidades que, há poucos anos, sequer imaginávamos. Na ausência de diretrizes claras coletivamente acordadas, modelos gerados apenas com base na experiência de grandes empresas de tecnologia vão se impor. Os riscos e efeitos colaterais da inteligência artificial demandam uma governança multilateral”, ressaltou Lula.

Leia a íntegra do discurso:

“Agradeço ao Conselho Empresarial e à Aliança Empresarial de Mulheres pela organização deste Fórum.

Aproximar nossos setores produtivos é um pilar fundamental do BRICS.

Os empreendedores aqui reunidos compõem o eixo dinâmico da economia internacional.

Os onze membros plenos do BRICS já superam 40% do PIB global em paridade de poder de compra.

Em 2024, enquanto o mundo cresceu 3,3%, registramos uma expansão média de 4% nos países do BRICS.

Este ano seguiremos em ritmo superior.

Com o crescimento de países parceiros e convidados, consolidamos o grupo como um polo aglutinador de economias prósperas e dinâmicas.

A presença neste Fórum do Primeiro-Ministro da Malásia, Anwar Bin Ibrahim, presidente de turno da ASEAN, é um reflexo disso.

Temos muito a aprender com a sinergia permanente entre países em desenvolvimento.

Isso nos permitiu enfrentar juntos os efeitos da crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19.

Diante do ressurgimento do protecionismo, cabe às nações emergentes defender o regime multilateral de comércio e reformar a arquitetura financeira internacional.

O BRICS segue como fiador de um futuro promissor.

Durante a presidência brasileira demos um passo importante ao apoiar coletivamente a Convenção da ONU para Cooperação Tributária e a Visão de Reforma do FMI.

O combate às desigualdades fortalece mercados consumidores, impulsiona o comércio e alavanca investimentos.

Possuímos inúmeras complementaridades econômicas.

O intercâmbio comercial do Brasil com o BRICS foi de 210 bilhões de dólares no ano passado, mais que o dobro do fluxo com a União Europeia.

Só em produtos do agronegócio brasileiro, exportamos 71 bilhões de dólares.

Nossos países podem liderar um novo modelo de desenvolvimento pautado em agricultura sustentável, indústria verde, infraestrutura resiliente e bioeconomia.

Reunimos 33% das terras agricultáveis e respondem por 42% da produção agropecuária global.

Crédito rural, fomento à agricultura de baixo carbono e restauração de terras degradadas potencializam nossa capacidade de produzir alimentos para o mundo.

O BRICS foi essencial para a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Fortalecer o complexo industrial da saúde amplia o acesso a medicamentos e é fundamental para superar doenças socialmente determinadas que afligem os mais vulneráveis.

A revolução tecnológica permeia todos os setores das nossas economias.

Infraestruturas públicas digitais viabilizam inovações e criam oportunidades para “startups” e pequenas e médias empresas.

A inteligência artificial traz possibilidades que, há poucos anos, sequer imaginávamos.

Na ausência de diretrizes claras coletivamente acordadas, modelos gerados apenas com base na experiência de grandes empresas de tecnologia vão se impor.

Os riscos e efeitos colaterais da inteligência artificial demandam uma governança multilateral.

A descarbonização de nossas economias é um processo irreversível.

A poucos meses da COP 30, reforçamos nossa responsabilidade com a promoção de uma transição ecológica justa e inclusiva.

O Brasil apresentou as suas NDC, que preveem redução entre 59 e 67% das emissões de gases de efeito estufa.

Nossos países já estão entre os maiores investidores em energia renovável do planeta.

Há imenso potencial para ampliar a produção de biocombustíveis, baterias, placas solares e turbinas eólicas.

Possuímos minerais estratégicos essenciais para a transição energética.

O BRICS concentra 84% das reservas de terras raras, 66% do manganês e 63% do grafite do mundo.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a demanda por minérios críticos deve triplicar até 2040.

Queremos ir além da extração dessas riquezas.

Em parceria com o setor privado, vamos qualificar nossa participação em todas as etapas das cadeias de suprimento.

O Brasil está bem-posicionado para esse salto. Contamos com marcos regulatórios estáveis, mão de obra qualificada e energia limpa para processamento mineral eficiente e sustentável.

Consolidar tantas frentes requer a mobilização de recursos.

Ontem participei da 10ª Reunião Anual de Governadores do Novo Banco de Desenvolvimento.

Desde a criação do Banco, 40 bilhões de dólares foram aprovados em 120 projetos de transportes, saneamento básico e energia limpa.

Ao impulsionar o uso de moedas locais, o NDB também tem contribuído para reduzir custos de transação e facilitar operações financeiras.

Com o objetivo de simplificar o comércio e os investimentos, os bancos centrais do BRICS estão trabalhando para desenvolver meios de pagamento transfronteiriços instantâneos e seguros.

Os bancos nacionais de desenvolvimento também são aliados importantes.

No Brasil, o BNDES, o nosso banco de desenvolvimento, vem batendo recordes. A partir de 2023, foram destinados mais de 50 bilhões de dólares para projetos de transformação produtiva sustentável.

Queridas amigas e queridos amigos,

Agradeço mais uma vez ao Conselho Empresarial pelo papel central que tem exercido na promoção comercial e na melhoria do ambiente de negócios do BRICS.

Parabenizo a Aliança Empresarial de Mulheres pela fundamental atuação em prol do empreendedorismo feminino e da igualdade de gênero.

Ampliar e qualificar a participação de mulheres no mercado de trabalho traz ganhos de produtividade e acelera o crescimento econômico.

Tenho a convicção de que cabe aos governos abrir portas e aos empresários fazer negócios.

O vínculo entre paz e desenvolvimento é evidente.

Não haverá prosperidade em um mundo conflagrado.

O fim das guerras e dos conflitos que se acumulam é uma das responsabilidades de chefes de Estado e de governo.

É patente que o vácuo de liderança agrava as múltiplas crises enfrentadas por nossas sociedades.

Estou certo de que este Fórum e a Cúpula do BRICS que se inicia amanhã aportarão soluções.

Ao invés de barreiras, promovemos integração.

Contra a indiferença, construímos solidariedade.

Por isso, meus amigos e minhas amigas, boa sorte nesse encontro empresarial.

Muito obrigado”.

Do Brasil 247

Emendas parlamentares: bolsonaristas enviam valor milionário a instituto da igreja de Michelle

O Instituto Assistencial Atitude, organização sem fins lucrativos presidida pelo pastor Josué Valandro de Oliveira Junior, da mesma igreja frequentada por Michelle Bolsonaro (PL), recebeu R$ 1,2 milhão em recursos públicos através de emendas parlamentares de dois aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ), réu no processo sobre a tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), e Hélio Lopes (PL-RJ) destinaram as verbas à entidade sediada na Barra da Tijuca.

Fundado em 2016, o instituto afirma em seu site ter atendido quase 400 mil pessoas e distribuído refeições para outras 410 mil, oferecendo serviços como atendimento psicológico, atividades educativas e acolhimento a dependentes químicos. A organização, que tem forte presença nas redes sociais com mais de 700 mil seguidores, é liderada pelo pastor da Igreja Batista Atitude.

Em maio de 2023, Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, destinou R$ 500 mil para programas de esporte, educação e inclusão social da entidade. Já em junho deste ano, Hélio Lopes indicou R$ 700 mil para o programa de creche gratuita do instituto.

Michelle e Ramagem em evento do PL. Foto: reprodução

Outras investigações contra Ramagem 

Em junho, a PF divulgou um relatório detalhado do esquema de monitoramento ilegal da “Abin paralela”, em que bolsonaristas são acusados de desviar as finalidades da entidade para espionar ilegalmente adversários políticos do ex-presidente. O documento, tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, aponta mais de 30 indiciados, incluindo o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) e Ramagem.

O relatório descreve como a Abin foi utilizada como instrumento de espionagem política, com o uso do software israelense First Mile para rastrear ilegalmente a localização de celulares de autoridades, jornalistas e adversários políticos.

Entre os alvos do monitoramento estavam ministros do STF como o próprio Moraes e Luís Roberto Barroso, além de parlamentares de diversos partidos e jornalistas críticos ao governo.

Segundo as investigações, o esquema operava sob comando direto de Ramagem, com o objetivo claro de beneficiar politicamente o então presidente Jair Bolsonaro. “Comprova o viés precipuamente político da ação clandestina”, afirma o documento sobre os pedidos de monitoramento que teriam partido da Presidência da República.

Casos sensíveis como as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e a tentativa de homicídio contra Bolsonaro também foram alvo da espionagem irregular.

Diario do Centro do Mundo

Arquivamento de proposta para combater queimadas vira alvo do MP em Rondônia

O arquivamento do PL que previa a liberação de R$ 10 milhões para o pagamento de diárias a fiscais ambientais virou alvo do MP de Rondônia

Com a chegada do chamado “verão amazônico”, entre junho e novembro, cresce o risco de novos incêndios. Em 2024, Rondônia registrou 7.282 focos de queimadas entre janeiro e setembro – o maior número em 14 anos. A situação preocupa por seus efeitos imediatos, inclusive na saúde pública.

O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente, Habitação, Urbanismo, Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico, Pablo Hernandez Viscardi, coordenador em exercício do Gaema, explicou que “a interrupção das ações coloca em risco obrigações legais e compromissos assumidos pelo Estado de Rondônia, inclusive no âmbito internacional“.

O Ministério Público solicitou da Assembleia  Legisativa de Rondônia a cópia de pareceres e informações técnicas e políticas sobre o arquivamento da proposta orçamentária. O órgão solicitou, ainda, esclarecimentos sobre alternativas para viabilizar o financiamento das ações ambientais.

Do governo do Estado, o MP-RO cobrou explicações sobre quais medidas já foram adotadas, além da possibilidade de reenviar o projeto à Assembleia ou fazer remanejamento orçamentário. O órgão ministerial também pediu a elaboração de um planejamento estratégico emergencial para enfrentar a estiagem, com ações para reduzir os impactos à saúde da população, aos recursos hídricos e à biodiversidade.

O MP-RO oficiou a Sedam, a Assembleia Legislativa, o governo do Estado e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), solicitando informações e providências. À Sedam, foram pedidos dados sobre a execução orçamentária, o impacto da não liberação dos valores e o que pode deixar de ser feito sem esses recursos.

Linha de fogo na TI Sete Setembro. (Observa Rondônia)
Queimadas

Segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, mais de 30,8 milhões de hectares foram queimados no Brasil em 2024, o que representa um aumento de 79% em relação a 2023, ou um crescimento de 13,6 milhões de hectares. Dessa porção queimada, três a cada quatro hectares foram de vegetação nativa (75%), sendo as formações florestais as mais afetadas, com cerca de 25% da área queimada no País.

Em Rondônia, entre os meses de janeiro e setembro de 2024, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 7.282 focos de incêndios no Estado, sendo o maior número nos últimos 14 anos. Ao comparar com o ano de 2023, houve um aumento de 169%. A capital Porto Velho é o município com o maior número de focos de incêndios, correspondente a 32% do total do Estado, com cerca de 2.337 pontos.

O Estado de Rondônia teve um total de 1,4 milhões de hectares queimados em 2024, o que representa um crescimento de 72% em relação ao saldo de 2023, de acordo com dados do Monitor do Fogo.

RevistaCenarium

Estudo identifica 142 empresários do agronegócio envolvidos em tentativa de golpe

Dossiê do De Olho nos Ruralistas, “Agrogolpistas” consolida listas de fazendeiros e sócios de empresas indiciadas por bloqueio de rodovias, acampamentos e o 8 de janeiro; impunes, sojicultores de MT, GO e BA têm contratos com BTG Pactual e Syngenta

Por Alceu Luís Castilho e Bruno Stankevicius Bassi*
De Olho nos Ruralistas

Quem é o “pessoal do agro”? Quais os nomes dos empresários do agronegócio que financiaram a intentona golpista liderada por Jair Bolsonaro?

Essas perguntas pairam desde 21 de novembro de 2024, quando a Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente e outras 36 pessoas por tentativa de golpe de Estado. O relatório publicado naquele dia revelou a existência do plano Punhal Verde e Amarelo: uma trama de homicídio orquestrada por membros da Forças Armadas e do alto escalão do governo. O objetivo? Decretar um regime de exceção e assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Agrogolpistas: relatório inédito consolida 142 nomes de empresários do agronegócio que apoiaram tentativa de golpe

A participação do agronegócio no plano foi detalhada após a prisão do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, ele afirma ter recebido cerca de R$ 100 mil em espécie. Com notas entregues em uma sacola de vinho pelo general Walter Braga Netto, que contou a Cid sobre a origem do valor: “O general Braga Netto entregou e comentou que era alguém do agro que tinha dado, mas eu não sei o nome de quem foi que passou pra ele”.

Quem é esse “pessoal do agro” sem rosto, sem nome e impune?

Para responder a essa pergunta, De Olho nos Ruralistas lança nessa quarta-feira (25) o relatório “Agrogolpistas“, que identifica 142 empresários do setor que atuaram no suporte logístico ou financeiro a atos golpistas entre o segundo semestre de 2022 e o fatídico 8 de janeiro de 2023.

Os agrogolpistas não são apenas fazendeiros caricaturais, com chapelão e botas, nos rincões do país. Ao longo de 89 páginas, é possível encontrar o nome de bancos e multinacionais diretamente ligadas aos empresários que financiaram o terror. Eles recebem financiamento de instituições como Santander, Rabobank e John Deere. E possuem contratos de fornecimento e parceiras com gigantes como BTG Pactual e Syngenta — esta última, parte da cadeia de financiamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O dado mais alarmante diz respeito à responsabilização: salvo aqueles (poucos) que foram flagrados nos atos terroristas de 8 de janeiro, nenhum dos nomes respondeu juridicamente pelo fomento ao golpe de Estado.

Observatório analisou 1.452 nomes para traçar relação com agronegócio

Durante quatro meses, o núcleo de pesquisas do observatório percorreu listas de pessoas físicas e jurídicas investigadas por contratar a infraestrutura dos acampamentos golpistas — geradores, tendas, banheiros químicos, alimentos — e por viabilizar o trancamento de rodovias de norte a sul do país.

De chapéu e botina, Braga Netto se aproximou de ruralistas de Mato Grosso durante campanha. Foto: Reprodução

A base de dados de financiadores de atos antidemocráticos — 551 nomes, ao todo — foi complementada pela relação dos 898 réus responsabilizados criminalmente em inquéritos do STF relativos ao 8 de janeiro e pela lista de indiciados da Operação Lesa Pátria, da PF. Por último, incluímos na análise os nomes de três fazendeiros paraenses investigados por fornecer apoio aos terroristas George Washington de Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues, responsáveis pela tentativa de atentado à bomba no aeroporto de Brasília, na véspera do Natal de 2022.

A partir desses dados, nossa equipe procurou identificar relações diretas com o agronegócio: propriedade de imóveis rurais registradas no cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou no Cadastro Ambiental Rural (CAR); sociedade em empresas agropecuárias registradas na Receita Federal; e o registro de beneficiários do seguro rural pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No caso das empresas privadas indiciadas, a pesquisa foi estendida para seus sócios.

Ao todo, constatamos que 142 fazendeiros e empresários do agronegócio foram implicados por sua participação em atos antidemocráticos.

Eles correspondem a 10% de todos os nomes analisados ao longo da pesquisa. Esses dados podem — e provavelmente estão — subestimados, uma vez que são comuns os casos de pessoas físicas com homônimos e, devido à Lei Geral de Proteção de Dados, tanto as bases fundiárias do Incra quanto as da Receita Federal deixaram de exibir o número do CPF.

Só foram listados neste relatório os casos em que houve confirmação absoluta de relação com o agronegócio.

“Arco da Soja” concentra 71% dos Agrogolpistas

Dos 142 fazendeiros e sócios de empresas identificados no levantamento, 74 estão baseados em Mato Grosso, 17 em Goiás e 13 na Bahia. Os três estados respondem por 71% dos nomes consolidados pelo observatório. A relação com o agronegócio é escancarada: juntos, eles compõem o principal corredor produtivo da soja no país, responsável por 47% da safra nacional.

Argino Bedin lidera clã que mais contribuiu com envio de caminhões ao QG do Exército, em Brasília. Foto: Alan Santos/PR

Foi justamente desse eixo de onde saiu a maior parte dos caminhões identificados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) entre os veículos estacionados em frente ao Quartel General (QG) do Exército em Brasília: 56 dos 234 caminhões enviados ao acampamento golpista tinham origem em Sorriso (MT), o maior polo produtor de soja do mundo.

Desse total, 28 pertencem a duas famílias que se interligam. Com dez nomes na lista, o clã Bedin enviou quinze caminhões para a capital federal. Unidos aos Bedin pelos negócios e pelo casamento, os Lermen enviaram treze veículos para o QG golpista.

O grupo é liderado pelo pioneiro Argino Bedin, o “pai da soja” de Sorriso. O mesmo empresário que se calou diante da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, no Senado. Quando retornou a Sorriso, quatro dias após seu depoimento, Argino foi ovacionado em um evento de gala organizado por políticos e expoentes do agronegócio mato-grossense.

O caminho que liga o Arco da Soja às movimentações golpistas passa ainda pelas organizações de representação do agronegócio: seis empresários investigados em processos relativos ao 8 de janeiro e aos acampamentos golpistas são dirigentes da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), uma das organizações fundadoras do Instituto Pensar Agro (IPA), o braço logístico da bancada ruralista no Congresso.

Entre eles, Christiano da Silva Bortolotto, ex-presidente da Aprosoja de Mato Grosso do Sul e do Sindicato Rural de Amambai (MS), onde protagoniza um conflito histórico contra o povo Guarani-Kaiowá do Tekohá Kurusu Ambá.

Confira abaixo o mapa com a origem dos agrogolpistas:

Temas do relatório serão explorados em série de reportagens

Nenhum dos fazendeiros suspeitos de financiar os atos golpistas foi preso ou condenado por esse motivo. Os indiciados em comissões parlamentares de inquérito — tanto do Senado quanto da Câmara Legislativa do Distrito Federal — não integram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que definiu os seis núcleos golpistas no julgamento no STF. Também não foram processados os empresários listados na relação de donos dos caminhões flagrados no QG do Exército, divulgada pela SSP-DF.

Mesmo com a declaração de Mauro Cid que apontou o “pessoal do agro” como responsável por financiar o plano Punhal Verde e Amarelo. Mesmo que mensagens interceptadas pela Polícia Federal comprovem que os organizadores do acampamento instavam Jair Bolsonaro a sair das quatro linhas da Constituição.

A impunidade é um dos fatores centrais trazidos pelo relatório “Agrogolpistas”. O empresariado que financiou a empreitada bolsonarista saiu até agora ileso e de imagem lavada. Aos poucos, vai ficando invisível. Como se apenas tramas verde-oliva tivessem sido os fatores decisivos para a violência institucional.

As digitais do agronegócio na engrenagem do golpe podiam ser observadas desde 2022. De Olho nos Ruralistas revelou a ponta do iceberg em um dossiê intitulado “As Origens Agrárias do Terror” — publicado apenas quatro meses após os atos terroristas de 8 de janeiro de 2023. Na época, o levantamento identificou as conexões agrárias de 44 empresários e políticos que atuaram na organização do quebra-quebra na Praça dos Três Poderes, em Brasília, e nos bloqueios a rodovias em cinco estados.

Passados dois anos, pouco se avançou no sentido de responsabilizar os financiadores do golpismo no Brasil.

Ao longo das próximas semanas, De Olho nos Ruralistas publicará uma série de reportagens baseadas no relatório, aprofundando temas centrais e jogando luz sobre alguns dos 142 nomes presentes na lista. A série será acompanhada por reportagens em vídeo, em nosso canal do YouTube. Clique aqui para se inscrever.

* Alceu Luís Castilho é diretor de redação do De Olho nos Ruralistas. Bruno Stankevicius Bassi é coordenador de pesquisa do observatório.

Marcos Rogério: o senador lambe as botas de Bolsonaro e pisa no povo de Rondônia

Por Édson Silveira*
Lá estava ele, como sempre: no lugar errado, ao lado das pessoas erradas, defendendo os interesses errados. O senador Marcos Rogério (PL-RO) decidiu gastar seu precioso tempo de mandato — que deveria ser dedicado aos problemas reais de Rondônia — desfilando na Avenida Paulista num ato em defesa de Jair Bolsonaro, figura que coleciona investigações, escândalos e uma ficha corrida mais longa que a BR-364.
Enquanto o povo de Rondônia amarga uma das contas de luz mais caras do país, adivinhem o que o nobre senador fez? Votou contra o veto do presidente Lula que impediria o aumento ainda maior da tarifa. Isso mesmo: Marcos Rogério decidiu que os rondoniense devem pagar ainda mais caro para manter o lucro bilionário das distribuidoras de energia. Para ele, os interesses das grandes empresas e dos barões do setor elétrico valem mais do que a conta no fim do mês do trabalhador, da dona de casa, do agricultor, do pequeno comerciante.
Dá até para imaginar: enquanto o cidadão rondoniense sua para pagar a conta, o senador viaja a São Paulo para bajular um ex-presidente que responde a dezenas de processos. E tudo isso em nome da “liberdade”… liberdade para os ricos ganharem mais, liberdade para o povo sofrer calado.
Marcos Rogério não honra o voto do rondoniense. Não tem compromisso com nosso estado. Vota em Brasília como se fosse senador dos milionários. Apoia pautas que só favorecem os de cima e vira as costas para quem o elegeu. Na prática, age como um estafeta do bolsonarismo: fanático, cego e completamente desconectado da realidade de quem vive em Rondônia.
A pergunta que não quer calar: até quando vamos aceitar esse tipo de “representação”? O povo de Rondônia merece mais. Merece um senador que defenda nossa gente, nossas necessidades, nosso direito à dignidade.
Marcos Rogério não merece ser eleito a absolutamente NADA em 2026. Nem para síndico de prédio. Rondônia precisa virar essa página.
Édson Silveira
Advogado, professor, administrador e vice-presidente estadual do PT/RO

Escárnio: deputados de Rondônia votam para não enviar verbas para fiscalizar e combater o desmatamento

Definitivamente, Rondônia está fadada à desertificação muito em breve. Além de revogar a criação de reservas ambientais, a Assembleia Legislativa de Rondônia acaba de arquivar projeto que concedia 10 milhões de reais para a Sedam, que seriam utilizados para combater o desmatamento e pagar diárias de fiscais. Publicado na página da ALE-RO na Internet, essa decisão vai contra normas internacionais para exportações, que proíbe a compra de produtos como soja e carne bovina oriunda de áreas desmatadas. A informação partiu da própria entidade, em release publicado na página da ALE-RO na Internet. Leia abaixo na íntegra:

A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) rejeitou nesta quinta-feira (26), durante sessão extraordinária itinerante realizada no município de Machadinho D’Oeste, o Projeto de Lei 803/2025 de autoria do governo do estado que destinava por meio de crédito adicional, R$ 10 milhões à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sedam), para fiscalização ambiental contra o desmatamento e pagamento de diárias dos fiscais da Sedam, no ano de 2025.

O projeto tramitou nas comissões pertinentes e estava com parecer favorável para a aprovação em Plenário, mas durante as discussões o parecer foi rejeitado pela maioria dos deputados, seguindo diretamente para arquivo. Os únicos deputados que votaram a favor do relatório para que o projeto fosse à votação em Plenário foram os deputados Eyder Brasil (PL) e Cláudia de Jesus (PT).

De acordo com o presidente da Assembleia Legislativa, Alex Redano (Republicanos), o projeto polêmico foi enviado pelo governo do estado há alguns meses e estava pronto para a votação e a Assembleia, que não poderia evitar pautar o assunto, especialmente neste momento difícil que o estado de Rondônia vive em termos ambientais. Os produtores rurais vivem insegurança jurídica em função do cerco promovido pelos órgãos ambientais, com a criação de onze reservas ambientais e os embargos de propriedades, que se não forem revertidos, inviabilizarão a atividade da produção rural em Rondônia.

“Este projeto foi enviado pelo governo do estado para liberação de recursos para a Sedam, a fim de fiscalizar o desmatamento em Rondônia e para a concessão de diárias para que os servidores da Sedam possam ir à campo para garantir esta fiscalização. Não vejo o momento em que vivemos em Rondônia como o ideal para a liberação desses recursos para mais fiscalização do nosso produtor rural que já sofre tanto com as investidas com os organismos ambientais. Nossos produtores rurais, de norte a sul do nosso estado, não aguentam mais tanta ação contra a produção. É uma pressão ambiental tão grande, que se continuar assim vai inviabilizar a produção rural em Rondônia. O meu voto é contrário ao prosseguimento do projeto, especialmente neste momento em que os produtores clamam pela segurança jurídica e pela liberdade de trabalhar em paz. Já temos as onze reservas criadas no governo anterior que atingiram propriedades rurais tradicionais, terras já antropizadas, famílias que estão há mais de dez, vinte anos produzindo na terra, que já têm uma vida em cima da propriedade e que o governo decidiu, do dia para a noite transformar em área de preservação, onde temos uma CPI finalizada com relatório pela revogação dos decretos; temos a questão dos embargos do governo federal que também querem tirar nossos produtores das suas terras, temos as ações do Ibama, do ICMbio são medidas fortes contra o produtor de Rondônia e não podemos permitir que a Sedam amplie a fiscalização enquanto nossos produtores rurais não tiverem uma definição sobre o seu direito de propriedade garantido”, disse o presidente Alex Redano, encaminhando o relatório para votação de forma nominal, onde cada deputado manifesta publicamente o seu voto.

Apesar de ter seu relatório rejeitado e ter sido enviado diretamente para arquivo, de acordo com o regimento interno da Assembleia, o projeto pode voltar à pauta se tiver a assinatura de treze parlamentares (maioria simples) para o seu desarquivamento.

Texto: Jocenir Sérgio Santanna I Jornalista
Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO

Marcos Rogério supera Alcolumbre e é o senador que mais gastou emenda Pix

Na sequência, aparece o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com R$ 34,798 milhões, praticamente empatado com os líderes.

As emendas Pix são tecnicamente chamadas de “transferências especiais” e se caracterizam pela ausência de exigência de projeto prévio. Na prática, isso significa que o parlamentar destina o recurso para uma cidade e cabe ao município decidir como irá aplicá-lo, com liberdade para distribuir entre diferentes áreas.

Em 2024, esse tipo de emenda movimentou R$ 8,2 bilhões, valor que se soma aos mais de R$ 13 bilhões registrados desde a criação do mecanismo em 2020. O crescimento acelerado tem levantado questionamentos sobre o uso político da verba.

Segundo a Transparência Brasil, apenas 0,9% das emendas Pix de 2024 continham informações completas sobre a destinação e o uso dos recursos. Isso indica que, na prática, mais de 99% dos repasses foram feitos sem que a população tenha acesso ao objetivo final da aplicação.

Ainda de acordo com a organização, 78% dos parlamentares que usaram essa modalidade no ano passado não indicaram com clareza o destino dos valores. Além disso, há um padrão de concentração dos recursos em cidades de baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), o que aumenta o risco de uso eleitoral.

Outros senadores também aparecem entre os maiores usuários da ferramenta. Estão na lista nomes como Eliziane Gama (PSD-MA), Otto Alencar (PSD-BA), Carlos Fávaro (PSD-MT), Nelsinho Trad (PSD-MS), Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Omar Aziz (PSD-AM), todos com valores entre R$ 30 milhões e R$ 34 milhões.

1- Marcos Rogério (PL‑RO) – R$ 34,8 mi
2- Jussara Lima (PSD‑PI) – R$ 34,8 mi
3- Jayme Campos (União Brasil‑MT) – R$ 34,8 mi
4- Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP) – R$ 34,798 mi
5- Eliziane Gama (PSD‑MA) – R$ 34,3 mi
6- Otto Alencar (PSD‑BA) – R$ 34,1 mi
7- Carlos Fávaro (PSD‑MT) – R$ 33,3 mi
8- Nelsinho Trad (PSD‑MS) – R$ 31 mi
9- Rodrigo Pacheco (PSD‑MG) – R$ 30 mi
10- Omar Aziz (PSD‑AM) – R$ 30 mi

A predominância de parlamentares do PSD entre os maiores beneficiários indica uma articulação interna que favoreceu a legenda de Gilberto Kassab e Omar Aziz no uso dessas transferências.

Ainda assim, o PSD não lidera o gasto de emendas no Senado. No ranking, o partido de Kassab fica atrás do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro. Veja: 

PL: R$ 1,4 bi em emendas Pix (32% das emendas)
PSD: 38% das emendas convertidas em Pix
União Brasil: 37% convertidos em Pix
MDB: 40% das emendas em Pix
Avante: 47% das emendas em Pix

Fonte: DCM

“Por que Flávio Bolsonaro ainda está solto?”, questiona Celso Rocha de Barros

Sociólogo lembrou que o senador confessou ter um plano plano de golpe para 2027, ameaçando a a democracia: “Se fosse de esquerda, já estaria preso”

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo deste domingo (22), o  doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e colunista Celso Rocha de Barros questiona, com ironia e indignação, o silêncio institucional após a entrevista em que Flávio Bolsonaro (PL), senador e filho de Jair Bolsonaro, admite que um novo golpe de Estado está sendo preparado para 2027 — e que o apoio da família a um candidato em 2026 depende do compromisso com essa ruptura.

Para Rocha de Barros, a fala de Flávio é reveladora e gravíssima: mostra que a extrema-direita brasileira continua a operar com a expectativa de impunidade total, mesmo após a tentativa frustrada de golpe em 2023. “Se a família Bolsonaro fosse de esquerda, a entrevista teria sido o centro da agenda política nacional”, escreve o colunista, que afirma ainda que, num cenário inverso, haveria CPI, prisão em flagrante e reação das Forças Armadas.

O artigo também critica a complacência de presidenciáveis como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, que sequer se pronunciaram diante do plano autoritário revelado. “Ninguém é moderno ou moderado quando promete libertar quem tentou matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes”, afirma o autor, num alerta direto ao mercado financeiro e à mídia que tem se movimentado em apoio a candidatura de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.

“Tarcísio, Caiado, Zema e Ratinho Júnior não conseguiriam abrir a boca sem que alguém lhe perguntasse se, afinal, eles vão prometer o golpe que Jair quer”, destacou.

O texto termina com um recado direto a quem, em 2026, pretende chamar de “centro” ou “razoável” qualquer político apoiado por Jair Bolsonaro afirmando que se esse apoio vier, é porque o candidato já se comprometeu com um novo atentado à democracia.

“Flávio nos contou que na agenda da família Bolsonaro o próximo golpe já está marcado para 2027. Se você vai ganhar a vida ano que vem argumentando que um aliado deles é moderado, essa é uma boa hora para pedir aumento”, finalizou.

Do Brasil 247 

Intercept Brasil: Flávio Bolsonaro atualiza ameaça golpista do ‘cabo e soldado’

Neofascismo e golpismo parecem cada vez mais naturalizados no país quando um senador fala que o candidato apoiado pelo bolsonarismo terá de passar por cima do STF e livrar golpistas da cadeia.

Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018, Eduardo Bolsonaro declarou que bastaria mandar “um cabo e um soldado” caso seu pai, Jair, fosse impedido de assumir a presidência por alguma decisão do Supremo Tribunal Federal, o STF.

Para que não houvesse dúvidas sobre sua intenção golpista, acrescentou: “O que é o STF? Tira o poder da caneta da mão de um ministro do STF, o que ele é na rua? Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua?”.

Antes de tomar posse, o bolsonarismo já tinha apresentado suas credenciais golpistas. O afrontamento ao Supremo nunca precisou de motivo. Sempre foi uma prática permanente. À época dessa declaração, houve grande indignação na imprensa. O caráter golpista da fala foi explícito demais para que fosse diferente.

Nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, fez exatamente o que o seu irmão Eduardo fez há sete anos: ameaçou fechar o STF com a força do Exército caso um bolsonarista vença a próxima eleição.

A ameaça à democracia foi feita de forma clara e direta em entrevista para a Folha de S.Paulo. Desta vez, porém, o assunto passeou de maneira lateral no noticiário. O golpismo e o neofascismo parecem cada vez mais naturalizados pela imprensa profissional, que parece intimidada pela popularidade do bolsonarismo. Tratarei desse tema mais à frente.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, é beijado por seu filho Flávio, senador pelo PL do RJ, durante ação de campanha para a eleição de 2024 realizada em 18 de julho, no Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
O ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, é beijado por seu filho Flávio, senador pelo PL do RJ, durante ação de campanha para a eleição de 2024 (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Voltemos à entrevista: Flávio, que é considerado por muitos o filho mais moderado e pragmático de Bolsonaro, se sentiu bastante à vontade para fazer a pregação golpista. Sem medir as palavras, o senador deixou claro que existe uma articulação nos bastidores para que o candidato presidencial do campo bolsonarista esteja comprometido com a anistia ou com o indulto para os golpistas.

“Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá. Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar deverá ter esse compromisso”, declarou o senador.

Trocando em miúdos: só receberá o aval da família Bolsonaro o candidato que estiver disposto a salvar a pele da bandidagem golpista, mesmo que para isso tenha que pôr um fim na democracia.

Incrédula, uma das jornalistas pergunta se o apoio do ex-presidente estará condicionado a esse compromisso do candidato. Flávio não só confirma como dá detalhes do plano golpista: “Muito além disso. Por isso que eu estou falando que a anistia é o remédio. Porque, vamos supor, aconteceu essa maluquice de condenar Bolsonaro. Ele está inelegível, vai ter que apoiar alguém. Não só vai querer apoiar alguém que banque a anistia ou o indulto, mas que seja cumprido. Porque a gente tem que fazer uma análise de cenário também de que, na hipótese de o presidente dar um indulto para Bolsonaro, o PT vai entrar com um habeas corpus no STF. [Vão declarar que] é inconstitucional esse indulto. Então vai ter que ser alguém na Presidência que tenha o comprometimento, não sei de que forma, de que isso seja cumprido”.

Perceba que, ao final da resposta, Flávio dá uma titubeada e diz não saber como o futuro presidente bolsonarista fará quando o STF decidir que o indulto é  inconstitucional. A jornalista pede para o senador explicar e é aí que ele decide desfilar todo seu golpismo sem o menor pudor: “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os poderes. Tudo que ninguém quer. E eu não estou falando aqui, pelo amor de Deus, no tom de ameaça, estou fazendo uma análise de cenário. É algo real que pode acontecer”.

Flávio não poderia ser mais claro na sua ameaça à democracia. Não há margem para qualquer outra interpretação. Em determinado momento da entrevista, ele até tenta disfarçar ao chamar a pregação golpista de “análise de cenário”, mas a maneira como a projeção dos acontecimentos é detalhada não deixa dúvida: o bolsonarismo só apoiará o candidato que estiver plenamente comprometido com em dar um golpe de estado para salvar os golpistas da cadeia.

O senador declarou, com todas as letras, que um presidente bolsonarista deverá atropelar a decisão do STF com o “uso da força” e admitiu que isso será uma “interferência direta entre os poderes”. Resumindo: irá mandar o Exército interditar os trabalhos do Supremo. Trata-se da versão atualizada do “é só mandar um cabo e um soldado” — a ameaça golpista feita pelo seu irmão Eduardo em 2018.

Ainda se tem muitas dúvidas sobre quem será o candidato bolsonarista, mas agora, graças a Flávio, temos a certeza de que será alguém que entrará para o próximo pleito comprometido em rasgar a Constituição, passar por cima do Judiciário e livrar os bandidos de estimação do bolsonarismo da cadeia.

A confissão escancaradamente golpista do filho de Bolsonaro era para ser tratada como um escândalo de grandes proporções pela imprensa brasileira. Está mais do que claro que há uma conspiração em curso, mas pouco ou quase nada se fala sobre isso.

Fomos avisados de antemão que o candidato do bolsonarismo estará comprometido com o “uso da força” contra os outros poderes. E parece que o jornalismo brasileiro está menos incomodado com isso do que deveria. A repercussão foi mínima.

Grandes jornais até se posicionaram contra a declaração do senador, mas quase sempre de forma meio velada, com meias palavras e uma preocupação muito aquém da necessária. Quase ninguém chamou a ameaça golpista pelo nome. O editorial do Estadão foi uma surpreendente exceção. Intitulado “O golpismo corre nas veias” — o que soa irônico vindo de uma empresa que chamava os golpistas de 1964 de “democratas salvadores da nação” — o jornal tratou o assunto como deveria e repudiou a ameaça golpista.

Nas chamadas para a entrevista nas redes sociais, a Folha optou por não usar a palavra “golpe”. Preferiu chamar os leitores dessa forma singela:  “Candidato tem que brigar por indulto, diz Flávio Bolsonaro”. Na manchete que encabeça a entrevista, a Folha melhorou um pouco, mas ainda assim evitou o uso da palavra “golpe” e seus derivados: “Flávio diz que candidato de Bolsonaro terá de garantir que STF não derrube indulto, mesmo à força”.

editorial do O Globo cumpriu o que se esperava dele: condenou as falas do senador, mas evitou a fadiga e também suavizou as palavras. Eis o título e o subtítulo do editorial: “Afirmações de Flávio Bolsonaro sobre ‘uso da força’ vão além do aceitável — Impor perdão por crimes a candidato aliado já é disparate. Insinuar afronta ao STF é uma temeridade”.

A empresa trata a bomba relógio golpista armada pelo bolsonarismo para 2027 como algo “além do aceitável”, um “disparate” ou uma mera “temeridade”. Qual é a dificuldade em chamar pelo nome uma ameaça golpista, feita por gente com histórico golpista? “Temeridade”, meus caros donos do O Globo, é sair na rua no inverno sem camisa. Quando “um cabo e um soldado” aparecerem para fechar a redação, vocês certamente não chamarão isso de “disparate”, não é mesmo?

A defesa da democracia é a função primordial do jornalismo. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Não há jornalismo sem democracia e vice e versa. A ameaça explícita de Flávio Bolsonaro não ter virado o principal assunto da grande imprensa brasileira nesta semana revela o grau de comprometimento do jornalismo mainstream com a defesa da democracia.

Durante o governo Bolsonaro, quando o bolsonarismo nomeou a imprensa como inimiga número 1, assistimos à uma imprensa combativa em defesa dos valores democráticos. Mas parece que essa combatividade arrefeceu nos últimos anos, e o golpismo bolsonarista tem sido tratado como um quadro antigo na parede. O fato é que o bolsonarismo segue vivo, atuante, golpista como nunca e apoiado por uma parcela numerosa da população.

Parece que todos estão anestesiados pela campanha golpista que o bolsonarismo liderou nos últimos anos. O golpismo e o neofascismo bolsonarista foram naturalizados no noticiário. E é nesse ambiente que um senador da República se sente à vontade para, mais uma vez, enfiar a faca no pescoço da democracia.

Fonte Intercept

VÍDEO: Erika Hilton explica como deputados bolsonaristas votaram para aumentar sua conta de luz

Publicação viraliza e já alcança mais de 8 milhões de pessoas; deputados votaram contra Lula e a favor do aumento da inflação

Em um vídeo publicado nas redes sociais que já alcançou mais de 8 milhões de pessoas, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) explica como a extrema direita e o Centrão votaram para aumentar a conta de luz dos brasileiros nesta semana.

A publicação, feita nesta quinta-feira (19), soma mais de 7 milhões de visualizações no Instagram e outras 700 mil no Twitter, alcançando milhões de brasileiros.

Na terça-feira (17), deputados e senadores votaram pela derrubada dos vetos do presidente Lula ao projeto de lei de geração de energia eólica gerada em alto-mar.

Os jabutis colocados pelos parlamentares à proposição foram barrados pelo presidente, mas uma articulação do centrão com grupos bolsonaristas reimpôs as condições, que devem impactar os custos do sistema elétrico nacional e a inflação.

“Na terça-feira, o centrão e a extrema-direita colocaram as garrinhas pra fora e decidiram que, pelos próximos 25 anos, os brasileiros vão pagar R$ 200 BILHÕES a mais na energia”, afirma Hilton.

“O custo dessa patifaria vai direto pra sua conta de luz. Vai direto pro seu bolso. E vai direto pro cálculo da inflação pra, lá na frente, quem aprovou esse absurdo colocar a culpa no Lula, que tinha tentado justamente vetar mais essa nojeira vinda do Congresso. Como desgraça pouca é bobagem, eles ainda aumentaram, no mesmo dia, o fundão partidário pra 1 BILHÃO E TREZENTOS MILHÕES DE REAIS, que o Lula também tentou vetar”, completou a deputada.

Veja o vídeo:

Veja o vídeo:

Revista Forum.com

Copom decide nesta quarta se pausa ciclo de altas na Taxa Selic, 3ª no ranking de maiores juros reais do mundo

Agência Brasil – Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, como a energia, pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira (18) se pausa o ciclo de alta na Taxa Selic, juros básicos da economia.

Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic está no maior nível desde agosto de 2006. Desde setembro do ano passado, a taxa foi elevada seis vezes seguidas.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 14,75% ao ano até o fim de 2025, iniciando uma redução em 2026.

No entanto, parte do mercado aposta numa elevação para 15% ao ano. O comunicado da última reunião, em maio, o Copom destacou que mais indicadores mostram desaceleração da economia, o que mostra o início dos efeitos do ciclo de alta dos juros. O texto não informou o que aconteceria depois da reunião de maio. Apenas afirmou que é necessário esperar que “os canais de transmissão da política monetária estejam desobstruídos” para garantir que o aumento dos juros provoque efeito sobre a economia real.

Nesta quarta-feira, ao fim do dia, o Copom anunciará a decisão. Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto, três de 1 ponto percentual e uma de 0,5 ponto.

Inflação

A queda da inflação aumentou as chances de interrupção no ciclo de altas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,26% em maio e para 5,32% em 12 meses.

Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 5,25%, contra 5,5% há quatro semanas. Isso representa inflação acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% para este ano, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em maio de 2025, a inflação desde junho de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em junho, o procedimento se repete, com apuração a partir de julho de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 5,1% , mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de junho.

Do Brasil 247 

Amor peludo

Para Nenê
Fatima Ferreira (mamãe)

Deixar ir a quem se ama
Para nunca mais voltar
Causa uma dor tamanha
Que não há como explicar

Não importa quem seja
Se é gente ou animal
Pois a dor que se sente
Posso dizer é igual

Mesmo que a gente creia
Que eles um dia voltarão
É difícil essa certeza
Pois nos deixam em solidão

Hoje para o infinito
Deixamos ela partir
Nenê em forma de pelo
Como estrela vai reluzir

O amor que a gente tem
Pelos bichanos peludos
É amor que não se mede
E toca a gente bem fundo

O amor que a gente sente
Parece que não termina
Mesmo quando vão embora
Sua presença é infinda

Dia da Criança

Vinício Carrilho Martinez – Doutor em Ciências Sociais
Tainá Reis – Doutora em Sociologia

Hoje não é Dia da Criança.
Ou melhor, todo dia é dia da criança – e é nosso dever denunciar, lutar e
combater o trabalho infantil. Afinal, lugar de criança é na escola! Simples, direto e correto, como dois
com dois são quatro.

No entanto, o que justifica a exploração do trabalho infantil? Nada
poderia justificar um fato tão desumanizante como esse. E o que explica? Uma
porção de situações e relações, a começar pelo modo de produção e
exploração capitalista. No mundo, conforme o Relatório da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância
(UNICEF) 1 , 160 milhões de crianças e adolescentes (05 a 17 anos) foram
submetidas ao trabalho infantil em 2020, das quais 10 milhões são vítimas de
escravidão contemporânea.

No Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD
Contínua) de 2023 traz os dados nacionais sobre o trabalho de crianças e
adolescentes (05 a 17 anos): 1,607 milhão estão em situação de trabalho
infantil, o que representa 4,2% da população com a mesma idade. Apesar de
ter havido uma redução no número de casos em relação a 2022, e de os dados
de 2023 serem os menores da série histórica (iniciada em 2016), a situação
ainda é desoladora: 586 mil crianças e adolescentes se encontravam em
atividades de alto risco (Lista TIP) 2 .

Porém, além da hegemonia do capital no estágio atual, há outros
descabimentos que podemos/devemos considerar, como a permanência da
extrema miséria humana e o reincidente Pensamento Escravista 3 que teima em colonizar o Brasil, por exemplo. Esse pensamento não é um resquício de um passado mal resolvido, mas sinal de um passado permanente e inerente às  dinâmicas sociais brasileiras.

A humanidade fracassou, “pessoas normais“, que até conhecemos,
normalizam o trabalho infantil: “no meu tempo criança trabalhava“. Em
complemento, o neoliberalismo e o neocolonialismo (neoescravismo) fazem
sua parte para destruir o restante da humanidade que ainda possa resistir.
Essa “normalização da desumanização” conta com governos, é claro; no
entanto, é algo muito pior: está incrustrado, é parte ativa da cultura de “pessoas
dóceis“, que alertam sobre o “bem que a exploração do trabalho faz à criança“.

Todavia, se esquecem que criança tem que ter escola, alimentação adequada,
segurança, felicidade e brincar. Esses são direitos garantidos pelo artigo 227
da Constituição Federal, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e, mais
recentemente, pelo Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13257/2016) 4 . Mas,
assim como tantos outros direitos, encontram-se desrespeitados.

Não é difícil perceber, com uma inteligência social mediana (não sendo-
se atacado pela sociopatia), que, ao contrário do que dizia Auschwitz, um dos
piores campos de concentração nazista, o trabalho não liberta. O Brasil é um
fator à parte, porque nos persegue firme e forte o Pensamento Escravista.
Quando falamos de trabalho infantil, falamos de crianças com raça, com classe
social e gênero: 65,2% das crianças e adolescentes que trabalham são pretos
e pardos, 11,6% não frequentam a escola 5 . Os filhos e filhas da classe média e
da elite não trabalham.

A classificação racial da população se mantém como padrão de poder e
racionalidade – o “corte social” que mantém a desigualdade como fator de
dominação. Por sua vez, o pensamento escravagista está tanto nas
subjetividades (racismo) quanto objetivamente aparece na exploração do
trabalho (inclusive, infantil). A estrutura patriarcal também compõe esse
quadro. Pois, do total de crianças e adolescentes em situação de trabalho em
2023, 63,8% são meninos, enquanto 36,2% são meninas. E, enquanto os
meninos ganhavam um pagamento, em média, de R$815, as meninas
recebiam R$695.

Portanto, é óbvio ululante que a exploração do trabalho infantil não irá
libertar nenhuma criança do estágio de abandono e de miséria no qual já viva.
E mais triste é ter que avaliar e repetir isso reiteradamente. O que libertará
nossas crianças disso tudo, da miséria, dos abusos, maus-tratos, da
exploração em fase de escravismo infantil, é uma profunda transformação
social e cultural: até chegarmos numa fase em que o Pensamento Escravista,
ao menos, já não seja predominante.

Enfim, temos consciência de que a consciência social necessária para a
solução desses fatores não é simples? Temos a “ciência” de que muitas
camadas superficiais de nossa alegada “consciência” precisam ser removidas?
Enquanto isto não se modificar, em nós “cidadãos e cidadãs de bens”,
na feitura das relações sociais de produção capitalista, nada será efetivo no
sentido de soluções reais, duradouras, estruturantes.

1 Child labour: global estimates 2020, trends and the road forward (Trabalho Infantil: estimativas
globais de 2020, tendências e o caminho a seguir).
2 A Lista TIP é uma classificação adotada por vários países para definir as atividades que
oferecem mais riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e dos adolescentes.
No Brasil, a lista proposta pela OIT foi regulamentada pela Lei nº 6481/2008. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6481.htm

3 Pensamento Escravista: associação de racismo com exploração do trabalho em condições
análogas (semelhantes) à escravidão.
4 “Art. 4º As políticas públicas voltadas ao atendimento dos direitos da criança na primeira
infância serão elaboradas e executadas de forma a:
I – atender ao interesse superior da criança e à sua condição de sujeito de direitos e de cidadã”.
Destacamos que aqui a cidadania da criança é colocada como elemento central na legislação.
Mas, em um país de subcidadãos, em que a construção social histórica foi de exclusão, que
lugar cabe às crianças?
5 Disponível em: https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/estatisticas/.

China alerta: ataque de Israel ao Irã pode ter “consequências catastróficas”

Em conversa telefônica com o chanceler iraniano Seyed Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, qualificou o recente ataque israelense ao Irã como um “precedente perigoso” capaz de “ter consequências catastróficas”. A troca de impressões, realizada neste sábado, reforçou a preocupação de Pequim com o risco de escalada do conflito na região.

Araghchi alertou que as ações militares israelenses “são altamente perigosas e podem arrastar toda a região para uma guerra total” e pediu que a comunidade internacional exija a “interrupção imediata dos ataques”. Em resposta, Wang Yi afirmou que a China “condena veementemente a violação da soberania, da segurança e da integridade territorial do Irã por parte de Israel” e repudiou o “ataque brutal contra autoridades iranianas, que resultou em vítimas civis”.

Irã após ataque de Israel
Registro feito no Irã na quinta-feira (12) – Reprodução/X

O chefe da diplomacia chinesa reafirmou ainda o apoio de seu país ao Irã “na defesa de sua soberania, de seus direitos legítimos e da segurança de seu povo”, destacando que os bombardeios israelenses configuram uma violação dos princípios da Carta da ONU e das normas das relações internacionais. “O ataque às instalações nucleares do Irã estabelece um precedente perigoso, com potencial para consequências catastróficas”, reforçou Wang.

Wang Yi classificou o cenário atual como “um momento crítico e urgente” e conclamou as nações com influência sobre Israel a fazerem “esforços concretos para restaurar a paz”, ao mesmo tempo em que se disse pronto a manter o diálogo com o Irã e demais atores envolvidos para reduzir as crescentes tensões.

Diario do Centro do Mundo

Nenê- A hora de ir

Está chegando a hora de ir…
– diz assim a canção
– é conhecida, mas sempre arrebenta esse meu coração

Na partida
– há a perda
– perdemos, porque não queremos que se vá

Mas, esquecemos
– do que ganhamos, no tempo dividido

Perdemos uma amizade
Perdemos uma paixão
Perdemos uma vida

Difícil querer deixar
– pensamos que há muito amor para dar
– haveria, ainda muito mais
– são amores incondicionais

É a vida que finda
– é a dor de quem chora
– aquela lembrança de quem foi embora

Nossa ida, ou de quem amamos em vida
– nunca haverá bastante despedida
– sempre terá uma hora retida
– quando não fizemos do amor a mão amiga

Sua gente, seu pet, outras vidas que não conhecemos
– mas que a dor invade e nos lembra

Não quero lhe dar essa viagem de ida

Sim, é egoísmo
– é egoísmo de quem ama
– e irá por muito lembrar
– de querer te tomar de volta
(numa revolta da vida)

Não vá!
– mesmo que precise ir
Dê uma volta e venha aqui ficar

Não vá!
Nenê ..

Vinício Carrilho Martinez

Família bolsonarista e trumpista de Rondonia enfrenta drama nos EUA e volta ao Brasil sem nada

Há poucos meses, Rafael* e Soraia*, moradores de Presidente Médici, Rondônia, celebravam com entusiasmo a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Imigrantes sem documentação vivendo na Flórida, acreditavam que o republicano traria segurança, empregos e estabilidade para famílias como a deles. Hoje, enfrentam uma dura realidade após serem deportados junto com o filho de 4 anos em uma ação rápida do governo americano.

Rafael, de 36 anos, trabalhava na construção civil em Deerfield Beach, ganhando cerca de US$ 200 por dia. Evangélico e conservador, acreditava que, por ser trabalhador e sem antecedentes criminais, não seria alvo das políticas migratórias mais rígidas de Trump. “Tem muito criminoso que vem de outros lugares. Mas eu não, porque sou trabalhador”, dizia meses antes da deportação.

A ilusão, no entanto, desmoronou em abril, quando agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) convocaram a família para uma suposta reunião sobre o processo migratório. Ao chegarem ao local, tiveram os celulares apreendidos e foram informados de que estavam sendo deportados. Em 48 horas, estavam de volta ao Brasil — sem sequer poder retornar para casa ou recolher seus pertences.

Hoje, moram em um pequeno quarto na casa da sogra de Rafael, em Presidente Médici. O sustento vem da aposentadoria do pai de Rafael. O casal enfrenta dificuldades emocionais e financeiras. “Ele não é de chorar, mas anda calado pelos cantos”, relata Soraia.

Além do impacto emocional, o retorno forçado agravou a situação de saúde de Soraia, que sofre de uma doença autoimune rara e vinha sendo tratada com um medicamento experimental nos EUA. A médica do hospital público em Médici nunca tinha ouvido falar na enfermidade e precisou pesquisar no CID para entender do que se tratava. Agora, Soraia aguarda por uma consulta com um especialista no SUS, sem previsão de atendimento.

Durante o período nos EUA, Rafael já vinha sendo monitorado por uma tornozeleira eletrônica. “Se soubéssemos que seria assim, teria dito para arrancarmos a tornozeleira e sumirmos”, lamenta Soraia. Ela conta que chegaram a cogitar mudar de estado, buscando locais menos hostis a imigrantes, mas Rafael insistiu em seguir colaborando com as autoridades.

A “caça” aos imigrantes

O drama de Rafael e Soraia é apenas mais um entre milhares de histórias semelhantes. Estima-se que pelo menos 230 mil brasileiros vivam ilegalmente nos Estados Unidos. Muitos, como Rafael, apoiaram ativamente a campanha de Trump — mesmo diante de promessas explícitas de deportações em massa. “Ele só está cumprindo o que prometeu. Mas ninguém acreditava que ia chegar nesse nível”, comenta um brasileiro indocumentado que vive em Massachusetts.

Consultorias como a Legacy Imigra, que assessoram imigrantes brasileiros nos EUA, relatam aumento explosivo na procura por apoio legal desde o início do novo governo Trump. “Quatro em cada cinco clientes brasileiros apoiaram Trump. Agora estão chocados com as consequências. O brasileiro se vê como honesto, mas entrou de forma desonesta e pagou pra ver”, explica Vinicius Rosa, diretor da empresa.

Desde o início de 2025, os EUA intensificaram as deportações. Em abril, o ICE triplicou suas operações de busca por imigrantes, com apoio de forças policiais e até militares. O Brasil tem recebido voos com deportados a cada 15 dias, mais do que no período do governo Biden.

“2025, ano profético”

Na virada do ano, Soraia postou uma foto com o marido e o filho, todos com camisetas que diziam “2025, ano profético”. Hoje, a legenda no perfil do WhatsApp revela o novo estado de espírito da família: “Senhor meu Deus, não desista de mim”.

Com dívidas de cerca de R$ 50 mil com o coiote que os ajudou a cruzar a fronteira entre o México e os EUA, a família recomeça a vida “abaixo do zero”. Enquanto procuram emprego, lidam com o trauma da perda do sonho americano — e com as marcas deixadas por uma escolha política que, ironicamente, os colocou de volta ao ponto de partida.

*Nomes alterados para preservar a identidade dos envolvidos.

Com informações UOL*

Militares criaram empresa para espionagem e homicídios, segundo PF

Organização chamada “Comando C4” tinha tabela de preços para matar autoridades e já é responsabilizada pela morte de advogado em Cuiabá

Durante a sétima fase da Operação Sisamnes, deflagrada nesta terça-feira (28), a Polícia Federal revelou indícios de que militares — da ativa e da reserva — fundaram uma empresa com atuação clandestina voltada à espionagem e execuções por encomenda, relata Aguirre Talento, do UOL. A investigação apura um esquema de corrupção em diversas esferas do Judiciário.

De acordo com a PF, o grupo operava sob o nome informal de “Comando C4: Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos” e usava uma empresa registrada como fornecedora de segurança privada para, na prática, praticar crimes graves, incluindo homicídios por contrato. Uma das evidências mais alarmantes encontradas na investigação é uma tabela manuscrita com valores para espionar ou eliminar figuras públicas, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parlamentares.

A tabela apreendida indicava os seguintes valores, o que reforça a suspeita de que os preços se referiam ao serviço de espionagem — embora não se descarte a possibilidade de envolvimento com execuções:

  •  Ministros do Judiciário: R$ 250 mil
  •  Senadores: R$ 150 mil
  •  Deputados: R$ 100 mil
  •  Cidadãos comuns: R$ 50 mil

Coronel da reserva já está preso e é alvo de novo mandado – Entre os investigados está o coronel da reserva do Exército Etevaldo Caçadini de Vargas. Ele foi novamente alvo de um mandado de prisão nesta terça-feira, embora já estivesse detido por decisão da Justiça estadual de Mato Grosso, em razão do mesmo esquema. Foi na residência de Caçadini que, em operação anterior, os agentes da PF encontraram a tabela com os valores e os nomes de possíveis alvos.

A defesa do militar sustenta que não há provas contra ele e que seu nome só foi citado após “tortura” sofrida por um dos executores do assassinato do advogado Roberto Zampieri, crime central na apuração. O pedido de liberdade, feito ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ainda está pendente de análise. Agora, com a nova fase da operação, o coronel também é alvo de ordem de prisão expedida pelo STF.

Além dele, outros quatro indivíduos foram alvos de mandados de prisão, mas seus nomes não foram divulgados. Também foram cumpridas ordens de monitoramento eletrônico e busca e apreensão. A operação desta terça foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal.

Assassinato de advogado levou à descoberta de esquema no Judiciário – A Polícia Federal afirma que o “Comando C4” foi responsável pela execução do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá. A vítima estava no centro de uma investigação sobre pagamento de propina a membros do Judiciário. A análise de seu celular — apreendido após o homicídio — revelou provas de um esquema de corrupção envolvendo desembargadores e assessores de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo a PF, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi comunicado sobre os dados extraídos do aparelho de Zampieri, que indicam o pagamento de vantagens indevidas a servidores de cortes superiores. A corporação destacou que a organização criminosa elaborava seus contratos com base no cargo da vítima. “A Polícia Federal identificou registros manuscritos contendo menções a autoridades brasileiras, entre as quais se destacam parlamentares do Congresso Nacional e ministros do Supremo Tribunal Federal”, aponta trecho do documento encaminhado ao STF.

Com a descoberta da tabela e os vínculos diretos com crimes de homicídio e corrupção, a PF afirma que a organização atuava como uma estrutura empresarial do crime, com clara motivação política e institucional.

Do Brasil 247

Forma-Estado na Constituição Federal de 1988

No texto, relacionamos algumas tipologias do Estado (Teoria Geral do
Estado) com suas subsunções no Direito Constitucional brasileiro,
especialmente sob as inscrições de alguns poucos exemplos grafados na
Constituição Federal de 1988. O texto não se propõe a analisar as tipologias de
Estado encontradas.
Estado Democrático de Direito (Preâmbulo)
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte
para instituir um Estado Democrático 1 , destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a
igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e
sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e
internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção
de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:
Estado Federativo 2
Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos,
nos termos desta Constituição.
Estado Democrático de Direito Internacional
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos
seguintes princípios:
Art. 5º, § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais.
Estado Constitucional
Art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;
Estado Social
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia,
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
1 Ainda se referenda a democracia sob a forma de Regime Político.
2 A Federação também é tida como a própria Forma de Estado.

Forma-Estado na Constituição Federal de 1988 na íntegra

Forma-Estado (1)

A santa indústria da fé e os brinquedos de gente grande

O Brasil não tem fundo. O que parece o poço é só uma ilusão conveniente: um buraco que se estende, que se renova, que nunca nos permite descansar. Cada vez que um cidadão acredita ter alcançado o limite do absurdo, uma nova camada de degradação emerge. O sistema reinventa seu próprio pesadelo e vende como esperança.

No alto de um púlpito improvisado, Miguel Oliveira, 15 anos, rasga exames médicos enquanto promete curas miraculosas. A multidão chora, grita, joga dinheiro aos seus pés como se ele fosse um deus recém-descoberto. O Pix da fé nunca falha. Todos sabemos que dinheiro não traz felicidade, mas no Brasil ele pelo menos promete curar leucemia, com um marketing agressivo e o tom certo de desespero.

A menina com seu bebê reborn observa de longe. Segura nos braços uma criança de mentira, enquanto as de verdade passam fome nas ruas. No país do faz-de-conta, o plástico tem mais valor que carne e osso, porque não dá trabalho, não exige direitos, não incomoda. O capitalismo, implacável, inventou uma maternidade perfeita: sem necessidades, sem reclamações, apenas consumo. Quem precisa de um filho quando se pode comprar um brinquedo com peso realista e cheiro de recém-nascido?

Mas há algo ainda mais profundo do que esse teatro grotesco: a dissonância cognitiva coletiva. O mesmo cidadão que condena pobres por dependerem do Estado é aquele que entrega seu salário para um pastor prometendo prosperidade. O mesmo que se revolta com a corrupção é o que defende um líder religioso pedindo R$1.000,00 em troca de bênçãos. A fé virou capitalismo. O dogma virou moeda. E o espetáculo da ilusão nunca termina, apenas se aprimora.

Fake news surgem como uma praga, preenchendo os vazios de uma população que desaprendeu a pensar. É mais fácil acreditar que há um complô contra a igreja do que admitir que estamos sendo feitos de idiotas por quem transformou Deus em plano de negócios. A extrema direita joga suas cartas, abraça o menino-pastor como um mártir e anuncia sua perseguição santa. Fatos não importam, apenas a narrativa que alimenta a máquina.

O Conselho Tutelar intervém. “Miguel precisa voltar para a escola!”, decretam, como se a educação fosse capaz de competir com a fortuna acumulada pelo teatro da fé. No Brasil, conhecimento é castigado, pensamento crítico é ridicularizado, e o progresso só existe na boca dos enganadores que lucram com a miséria.

Mas toda mentira se exaure. Toda farsa, um dia, colapsa. Só que aqui, quando tudo desmorona, quando o poço chega ao limite, não encontramos luz. Encontramos um novo mecanismo de opressão, um novo degrau para a submissão coletiva. E seguimos caindo, porque no Brasil, quando pensamos que chegamos ao fim, descobrimos que há sempre mais chão para cavar.

Do Brasil 247 

Globo agride Lula e Xi Jinping – e insiste na fake news sobre Janja e TikTok

Jornal declara guerra ao presidente brasileiro depois de sua histórica visita à China

 A viagem histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que rendeu acordos em diversas áreas, provocou a reação histérica do jornal O Globo, que, neste domingo, em editorial, agride o Brasil, a China e insiste na fake news relacionada ao caso Janja e TikTok. Com o título “China é o pior exemplo para regular redes sociais”, o jornal escancara sua aversão à diplomacia soberana, à integração Sul-Sul e ao debate global sobre a responsabilidade das plataformas digitais.

O editorial tenta transformar um diálogo legítimo entre chefes de Estado em escândalo diplomático, ignorando os 20 acordos assinados entre Brasil e China, que abrangem comércio, tecnologia, inovação, infraestrutura, agricultura e meio ambiente. Ao invés de reconhecer o sucesso da visita presidencial, O Globo prefere investir na intriga e na fabricação de um fato político que jamais existiu.O ponto central da narrativa distorcida é a conversa entre Lula e o presidente Xi Jinping sobre o TikTok, durante o jantar oficial. Lula esclareceu: “Perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para a gente discutir a questão digital, e sobretudo o TikTok”. A primeira-dama, Janja, relatou o caso da menina Sarah Raíssa, vítima de um “desafio” da plataforma, e Xi respondeu com naturalidade, reconhecendo que o Brasil tem pleno direito de discutir e implementar sua própria regulação.

A reação da plataforma foi imediata e positiva: o TikTok, com sede na China, enviou uma carta oficial ao governo brasileiro, via Itamaraty, manifestando disposição para cooperar com políticas de proteção digital. Além disso, um dia depois da suposta “crise diplomática”, a China anunciou o fim da exigência de vistos para turistas brasileiros — um gesto simbólico de respeito, confiança e amizade.

Diante disso, a insistência da Globo em retratar o episódio como uma crise diplomática beira a má-fé. Trata-se, claramente, de mais uma operação de sabotagem política contra um governo progressista que recoloca o Brasil no centro dos grandes debates internacionais. A mídia tradicional se incomoda quando o Brasil fala em seu próprio nome e constrói pontes com potências emergentes.

Além de desonesta, a crítica ao modelo chinês de regulação digital é profundamente ignorante. Ao contrário do que sugere o editorial, a China não sufocou a inovação ao estabelecer regras para suas plataformas — ela conquistou soberania digital. O país asiático abriga hoje algumas das maiores big techs do planeta: Tencent (criadora do WeChat), Alibaba (gigante do e-commerce), Weibo (rede social com milhões de usuários), ByteDance (dona do TikTok e do Douyin) e Kwai, entre outras.

Essas empresas competem de igual para igual com as gigantes norte-americanas e provam que é possível desenvolver um ambiente digital seguro, regulado e ao mesmo tempo inovador. O modelo chinês se apoia em dois pilares: segurança social e desenvolvimento tecnológico. Ele não permitiu que a liberdade de expressão fosse transformada em licença para o caos informacional, como ocorre em outras partes do mundo – inclusive no Brasil, onde a Globo desempenha um papel nocivo há décadas.

Do Brasil 247

Lula se despede de Mujica e pede bênçãos do céu para um mundo mais fraterno

Presidente participou do funeral do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do velório do ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica, em Montevidéu. Lula estava em viagem oficial à China, chegou a Brasília nesta madrugada e, ainda nesta manhã, embarcou para a capital uruguaia.

Lula celebrou o legado de Mujica e o qualificou como um ser humano superior aos demais, por conta de sua generosidade acima da média. O presidente também pediu que as almas de Mujica e também do papa Francisco, falecido em abril, abençoem o âmbito terrestre.

“Uma pessoa como Pepe Mujica não morre. Se foi seu corpo, sua carne, mas suas ideias que plantou ao longo de todos esses anos, inclusive a generosidade de um homem que passou mais de uma década no cárcere e que conseguiu sair sem nenhum ódio das pessoas que o aprisionaram e torturaram. Isso é dádiva de deus que só é concedida a seres humanos superiores. Pepe Mujica foi uma pessoa superior”, disse Lula a jornalistas no velório de Mujica, em Montevidéu, nesta quinta-feira (15).

“Foi uma pessoa como poucos no mundo, com a competência política, a capacidade de falar sobretudo com a juventude. Conheci na minha vida muita gente, muitos políticos, que eu respeito, mas o Pepe era aquela figura especial, a mais carinhosa, que eu aprendi a respeitar, admirar e seguir cada um de seus passos”, disse Lula.

“Saio daqui com muita tristeza porque tivemos nos últimos 15 dias duas perdas irreparáveis: o papa Francisco, que tinha uma generosidade acima da média da humanidade, e agora Pepe Mujica o acompanha. Espero que os dois juntos, aonde estiverem no céu, não deixem de olhar e conseguir abençoar para que a humanidade seja melhor, mais fraterna e generosa, e que a política possa ser feita de forma mais digna, respeitosa e solidária”, disse Lula

Do Brasil 247 

 

Folha e Estado de S. Paulo atacam Lula por celebrar a derrota de Hitler na Segunda Guerra

Após editorial do Estado de S. Paulo, agora é a Folha que distorce o simbolismo da presença do presidente brasileiro em Moscou

 Folha de S.Paulo se somou neste sábado (10) ao coro de ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua participação, em Moscou, na cerimônia oficial do 9 de Maio — data em que a Rússia e várias ex-repúblicas soviéticas celebram a vitória sobre o regime nazista na Segunda Guerra Mundial. Em editorial, o jornal acusou Lula de fazer um “beija-mão” ao presidente russo, Vladimir Putin, e tratou com desdém o gesto diplomático que marca não apenas uma deferência histórica, mas também o respeito do Brasil aos mais de 27 milhões de soviéticos mortos no conflito contra o nazismo.

 O jornal O Estado de S. Paulo atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por participar, nesta semana, da cerimônia em Moscou que homenageia a vitória da União Soviética sobre o regime nazista. Em editorial publicado neste sábado (10), o veículo conservador classificou o gesto como “vexame moral” e “fiasco geopolítico”, desconsiderando a importância histórica da data e o respeito que o Brasil, historicamente, tem pelos milhões de soldados soviéticos e aliados que tombaram para pôr fim ao terror de Adolf Hitler. Ao ignorar esse legado, o Estadão não apenas promove uma visão distorcida da história, como também insulta a memória das vítimas do nazismo e desinforma seu público em nome da disputa ideológica.

Ambos os jornais, tradicionalmente críticos do presidente, optaram por ignorar o significado histórico e universal da data para insinuar, sem base, uma suposta adesão do Brasil ao conflito entre Rússia e Ucrânia.

A presença de Lula na solenidade é compatível com a tradição diplomática brasileira de respeito à memória da Segunda Guerra e de compromisso com a paz. O Brasil foi aliado dos soviéticos e dos países ocidentais na luta contra Hitler. A Força Expedicionária Brasileira lutou na Itália como parte das forças aliadas, e a vitória de 1945 é uma conquista que pertence à humanidade — e não a um governo isolado. Reescrever essa história ou torná-la refém de disputas geopolíticas atuais é um desserviço à memória coletiva.

Acusar Lula de se alinhar a regimes autoritários por ter participado de um evento que celebra a derrota do nazismo é não apenas desonesto, mas também perigoso. Equivale a dizer que qualquer homenagem aos soldados soviéticos mortos no front — que representaram o maior número de baixas entre os Aliados — é automaticamente um endosso à política atual do Kremlin. Essa lógica distorcida apaga o papel fundamental da União Soviética no fim do regime de Hitler e desinforma o leitor ao reduzir um marco civilizatório a uma disputa ideológica rasa.

Lula, aliás, não tem poupado críticas à guerra e tem reiterado a necessidade de uma solução negociada para o conflito no Leste Europeu. Sua tentativa de atuar como mediador não é nova e já foi, inclusive, elogiada por líderes globais. Reforçar laços com todos os membros dos BRICS — grupo que inclui China, Rússia, Índia e África do Sul — faz parte da estratégia do governo de inserir o Brasil como ator relevante no cenário internacional, sem se alinhar automaticamente a blocos militares ou potências hegemônicas.

Folha, no entanto, preferiu tratar esse movimento com ironia e desconfiança. No editorial, o jornal afirma que Lula “posou para a propaganda do regime russo” e “participou de convescote com autocratas”, minimizando a solenidade que presta homenagem a milhões de vítimas do nazismo — entre elas, judeus, comunistas, ciganos, pessoas com deficiência e opositores políticos.

É sintomático que, ao criticar a Rússia por “instrumentalizar a tragédia do Holocausto”, o jornal acabe por instrumentalizar a mesma tragédia para atacar Lula. Se há algo que merece ser lembrado com respeito e seriedade, é justamente o sacrifício humano que permitiu a derrota do nazismo. A presença do presidente brasileiro em Moscou foi um gesto de reconhecimento a essa luta, que uniu nações com regimes distintos em nome de um valor universal: a liberdade.

Editorialistas podem divergir da política externa do governo, mas não podem ignorar a história. O combate ao nazismo não é monopólio de nenhum regime nem deveria ser usado como munição para ataques políticos internos. Lula esteve em Moscou como chefe de Estado de um país soberano, que honra sua própria história de luta contra o fascismo. Atacá-lo por isso revela muito mais sobre os interesses de quem critica do que sobre os gestos de quem é criticado.

Do Brasil 247

Lula desembarca na Rússia para o Dia da Vitória e negociações com Putin

Presidente reforça laços com o mundo multipolar, defende multilateralismo e anuncia acordos em ciência e comércio com os russos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na tarde desta quarta-feira (7), no horário de Brasília, em Moscou, para uma missão diplomática de alto peso simbólico e estratégico. A visita ocorre por ocasião das comemorações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha Nazista, celebrada no próximo dia 9 de maio — o Dia da Vitória.

Nas redes sociais, Lula destacou o significado histórico e político de sua presença em território russo: “já estou na Rússia para participar das comemorações dos 80 anos do Dia da Vitória, que marcou o fim da Segunda Guerra. Esse dia, que define a vitória contra o nazismo. A vinda à Rússia reafirma nosso compromisso com o multilateralismo. Iremos assinar acordos de cooperação em Ciência e Tecnologia e buscar a ampliação das nossas parcerias comerciais”.

O governo brasileiro quer corrigir o desequilíbrio nas trocas com os russos. Em 2024, o déficit comercial com Moscou foi de cerca de US$ 9,5 bilhões, resultado do aumento nas importações de diesel e fertilizantes — este último, item crucial para o agronegócio brasileiro.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revelam que, entre janeiro e março de 2025, o Brasil exportou US$ 339 milhões para a Rússia — um crescimento superior a 100% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os principais produtos embarcados foram café, carnes bovina e de frango, além de tabaco.

Por outro lado, as importações somaram US$ 2,3 bilhões, com um crescimento de 5%. Os fertilizantes representaram 35% do total comprado, enquanto o óleo diesel respondeu por 59%.

Comitiva inclui ministros e Congresso; Janja já está em Moscou – A comitiva brasileira reúne nomes importantes do Executivo e do Legislativo. Estão na Rússia os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), além do assessor especial Celso Amorim, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do vice-presidente da Câmara, Elmar Nascimento (União-BA). A primeira-dama Janja da Silva chegou antes a Moscou, a convite do governo anfitrião.

China-Celac: Lula segue para Pequim após a Rússia – Encerrada a agenda em Moscou, Lula seguirá para a China, onde participará da reunião ministerial do Fórum China-Celac nos dias 12 e 13 de maio. O evento acontece em meio a tensões crescentes entre a China e os Estados Unidos — comandados em seu segundo mandato por Donald Trump — e busca aprofundar os vínculos entre a Ásia e a América Latina.

Além de discursar na abertura do fórum, Lula terá uma reunião bilateral com o presidente chinês Xi Jinping.

Brasil reafirma seu lugar no tabuleiro multipolar – A visita de Lula à Rússia e à China reafirma a diretriz soberana da política externa brasileira e o empenho do governo em fortalecer alianças com o Sul Global. Ao participar de cerimônias históricas e fóruns multilaterais estratégicos, o presidente sinaliza o compromisso do Brasil com um sistema internacional mais equilibrado, baseado na cooperação entre países em desenvolvimento e no respeito mútuo entre as nações.

Do Brasil 247

Não escapa um: “Legendário” é preso com 150 quilos de cocaína no MS

Renan Silva Nascimento, de 34 anos, foi detido na manhã desta terça-feira (6) durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A ação, realizada pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia de Dourados, desmantelou um esquema de tráfico interestadual de drogas. O acusado, proprietário de uma hamburgueria em Dourados, usava o local como ponto de armazenamento de pasta-base de cocaína trazida da fronteira com o Paraguai.

Recentemente, Renan havia participado do movimento cristão Legendários, que oferece um retiro espiritual ao ar livre para homens em busca de transformação pessoal, familiar e comunitária. O movimento visa ajudar os participantes a se reconectarem com seus propósitos e superarem desafios pessoais.

De acordo com a Polícia Civil, o local estava sendo monitorado há duas semanas, e durante a operação, os investigadores encontraram caixas que aparentavam conter alimentos para produção de hambúrgueres. No entanto, ao abrirem as caixas, descobriram tabletes de pasta-base de cocaína, totalizando 150 quilos da droga.

Renan foi preso junto com dois outros envolvidos no tráfico, Anderson Moreira da Rosa, de 37 anos, e Maurício Martins da Paixão, de 47 anos, que transportaram a carga vinda da fronteira. A droga estava misturada a produtos cárneos, como uma tentativa de disfarçar o conteúdo ilícito. A polícia estima que o prejuízo ao crime organizado ultrapasse os R$ 6 milhões.

Ainda de acordo com as autoridades, as investigações seguem para identificar outros possíveis envolvidos no esquema, incluindo aqueles que podem ter utilizado empresas para o transporte e armazenamento das drogas.

Na noite anterior à prisão, Renan publicou vídeos em suas redes sociais informando que sua hamburgueria, a Hump Steak Dourados, estava fechada para reforma e reabriria apenas no dia 7 de maio. Em sua biografia online, Renan se descreve como parte do movimento Legendários, com o apelido “Legendário 49075”, evidenciando sua participação recente no movimento que busca promover o autodesenvolvimento e a liderança masculina.

Legendários é um movimento cristão que começou no Brasil em 2017, focado em homens que buscam transformação pessoal, por meio de retiros espirituais em ambientes naturais. As atividades incluem trilhas, orações e reflexões, desafiando os participantes a superarem seus limites físicos e espirituais. O movimento já atraiu figuras públicas como Eliezer, Thiago Nigro, Neymar pai e Kaká Diniz.

Do DCM

No fundo do poço, Ciro se alia a bolsonarista pai de golpista do 8/1 e ataca irmão Cid

O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), se reuniu nesta terça-feira, 6, com lideranças bolsonaristas dos partidos PL, União Brasil e Progressistas e sinalizou a formação de uma aliança contra o PT nas eleições de 2026. Juntamente com o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), Ciro indicou apoio ao nome do parlamentar como possível candidato ao Senado, destacando suas “qualidades” e o considerando “um homem decente, de fé”.

Apesar das especulações sobre sua candidatura ao governo do Estado, Ciro afastou essa possibilidade, dizendo: “Alguns amigos muito generosos lembram o meu nome, que não pretendo mais ser candidato a nada. À luz dessa salvação do Ceará, eu não posso me eximir de cumprir o papel. Não desejo ser candidato. O meu partido tem candidato que acha que está qualificado, que é o Roberto Cláudio.”

O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), é visto como uma opção forte para disputar o Palácio da Abolição contra o atual governador Elmano de Freitas (PT). No entanto, a relação de Ciro com Roberto Cláudio permanece tensa, pois ambos disputam a liderança do partido para a próxima eleição estadual.

Durante o encontro, Ciro destacou o apoio a Alcides Fernandes, nome do PL para o Senado, e criticou a chapa adversária, afirmando: “O PL apresenta como possível candidato ao Senado o Alcides, que tem todos os dotes, todas as qualificações. Do jeito que os nossos adversários estão organizando a chapa, lá não tem currículo, lá é folha corrida. Aparentemente, lá, a lista de candidatos até aqui que eu conheço é folha corrida. Então, o Alcides salta longe como homem decente, como uma pessoa nova na política, homem de fé, homem de testemunho.”

“Recebo com muita humildade tanto o apoio do nosso presidente Jair Bolsonaro como agora o apoio do Cirão, Cirão do Povo, um dos melhores governadores do Estado do Ceará. Recebi com muita alegria e vou procurar trabalhar pra fazer o possível pra mostrar para o quê eu realmente vim pra política”, respondeu o Alcides.

Pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), golpista investigado por envolvimento nos atos do 8 de janeiro, o pastor Alcides é “homem de fé”, segundo Ciro. Em 2023, o TRE-CE cassou seu mandato por fraude nas cotas de gênero das eleições de 2022.

Em relação ao irmão, o senador Cid Gomes (PSB), Ciro voltou a criticar a postura de Cid, que se alinhou ao governo de Elmano de Freitas e ao PT. Ciro declarou: “No pessoal, eu não tenho mais nenhuma mágoa. Deus tirou das minhas costas a dor lancinante de uma facada nas minhas costas. Entretanto, eu vejo, fria e geladamente, como uma pessoa preocupada com o que está acontecendo no Ceará, o senador Cid como conivente, como cúmplice, dessa tragédia que está acontecendo no Ceará.”

A divisão entre os irmãos se aprofundou após as eleições de 2022, com Cid se aproximando do governo federal e Ciro mantendo uma postura de oposição. Essa cisão se concretizou no início de 2024, quando Cid se filiou ao PSB, deixando o PDT e ampliando a divisão entre os “cidistas” e “ciristas”.

DCM

“Zebra”: brasileiro amigo de Francisco será o novo papa, apostam padres

A escolha do novo papa começa nesta quarta-feira (7) com o início do conclave, que contará com a participação de 133 cardeais. Apesar de vários nomes estarem sendo cotados, alguns padres brasileiros que acompanham os bastidores acreditam que pode haver uma “zebra” — e ela pode vir do Brasil, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

O nome que tem ganhado atenção entre alguns desses padres é o de João Braz de Aviz, ex-arcebispo de Maringá (PR) e de Brasília. Embora não seja considerado um dos favoritos, Aviz já foi um dos cardeais mais próximos do papa Francisco, com quem até assistia a partidas de futebol no Vaticano.

A aposta de religiosos brasileiros em Aviz se baseia na sua vasta experiência com a Cúria, conhecendo-a profundamente, talvez mais do que muitos dos cardeais favoritos no conclave. Além disso, ele seria visto como o nome ideal para dar continuidade ao legado de Francisco, sem fazer grandes mudanças.

“Dom João Braz de Aviz administraria o que agora existe e abriria caminho para uma transição, na visão dos conservadores. Com isso, o próximo papa poderia ser um ‘mão pesada’”, afirma um dos religiosos.

Cardeais reunidos na Capela Sistina para a eleição do futuro Papa, em 2013. Foto: Reprodução

Em 2013, durante o conclave que elegeu o papa Francisco, Aviz foi considerado uma possibilidade, mas o escolhido foi o argentino Jorge Mario Bergoglio.

Neste ano, o cardeal voltou a aparecer na lista de “papáveis”, mas sua escolha seria uma verdadeira surpresa, especialmente por ser latino-americano, algo que não é esperado para esta eleição papal.

Aviz foi prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica até 2023, quando, ao completar 75 anos, deveria renunciar. Contudo, o papa Francisco decidiu mantê-lo no cargo por mais dois anos.

Em 2025, Francisco nomeou a irmã Simona Brambilla, a primeira mulher a ocupar um alto posto da Cúria, para seu lugar.

BR-232 receberá R$ 41 milhões para revitalização de trecho estratégico em Pernambuco

Ministro Renan Filho assinou ordem de serviço em parceria com o governo do estado. A iniciativa marca a primeira grande intervenção no trecho desde a duplicação da via

Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, autorizou nesta terça-feira (6) a revitalização de um trecho da BR-232, em Pernambuco. A ordem de serviço foi assinada nesta terça-feira (6), durante reunião entre o ministro dos Transportes, Renan Filho, e a governadora do estado, Raquel Lyra, em Brasília. A iniciativa reforça o compromisso da gestão com a melhoria da infraestrutura viária em todas as regiões do Brasil.

O investimento federal de R$ 41 milhões permitirá melhorias em 25,5 quilômetros da rodovia, no trecho que vai do entroncamento com a BR-408 (Viaduto de Itapacurá) até a PE-050 (Travessia Urbana de Vitória de Santo Antão). Esta será a primeira grande restauração do segmento desde a duplicação da via, que ocorreu há cerca de 20 anos.

O recurso, proveniente de emendas parlamentares da bancada federal de Pernambuco, foi viabilizado por articulação entre o Governo de Pernambuco e o Ministério dos Transportes. A licitação da obra foi conduzida pela gestão estadual.

“Vamos seguir trabalhando, porque a determinação do presidente Lula é que Pernambuco seja uma prioridade, para ajudarmos o estado a desenvolver cada vez mais”, afirmou o ministro. Ele destacou, ainda, que as obras da BR-104 já foram retomadas e que a revitalização da BR-232 representa mais um passo importante na melhoria da infraestrutura viária do estado.

A iniciativa complementa os esforços para o avanço da duplicação da BR-232, em outros trechos da rodovia, também sob responsabilidade do governo estadual. O projeto inclui 264,9 quilômetros de melhorias entre São Caetano e Serra Talhada, no Agreste e Sertão pernambucanos.

Assessoria Especial de Comunicação

Ministério dos Transportes 

Filme ‘Geni e o Zepelim’ vai ser protagonizado por Ayla Gabriela, atriz transexual

Anúncio foi feito após críticas da comunidade trans à diretora Anna Muylaert por escolher Thainá Duarte para interpretar personagem travesti

Da Folhapress – São Paulo

A diretora Anna Muylaert anunciou a atriz Ayla Gabriela como a nova protagonista do filme “Geni e o Zepelim”, adaptação da canção de mesmo nome de Chico Buarque. Muylaert havia escalado a atriz Thainá Duarte para o papel, mas recebeu críticas da comunidade LGBTQIA+ pela escolha de uma artista cisgênero para dar vida a uma personagem travesti.

Na ocasião, a diretora publicou um comunicado em suas redes sociais dizendo que a letra de Chico e o conto de Guy de Maupassant, no qual o cantor diz ter se inspirado, poderiam ter várias leituras e, “por uma questão de lugar de fala, escolheu fazer uma prostituta cis na Amazônia”.

“Diante da reação da comunidade trans, eu quero vir aqui abrir o debate e jogar a pergunta: essa letra do Chico, o mito Geni hoje em 2025 só pode ser interpretada como uma mulher trans? Se toda a sociedade, não apenas a comunidade trans, mas todos os fãs da música, se a gente computar que realmente só podemos interpretar a Geni como trans, a gente vai repensar o filme”, disse a cineasta.

Nomes como os das atrizes e diretoras trans Renata Carvalho e Galba Gogóia, além de Camila Pitanga, Majur e Liniker, se posicionaram a favor da escalação de uma atriz trans para o papel.

Dias depois, Anna Muylaert anunciou a mudança da protagonista em comunicado divulgado no Instagram da produtora Migdal Filmes, que vai lançar o filme. “A decisão foi fruto da escuta atenta e do aprendizado de intensas trocas com pessoas de diferentes setores da sociedade”, dizia a nota.

Muylaert fez um vídeo para comentar a mudança. Pediu desculpas às pessoas trans que se sentiram ofendidas com sua escolha e agradeceu pelo debate. Pediu perdão também à atriz Thainá Duarte, antes escolhida para o papel, e se responsabilizou pelos comentários supostamente ofensivos que Duarte estaria recebendo.
O filme marcará a estreia de Ayla como protagonista em um longa-metragem. Atriz e bailarina, ela já protagonizou os curtas “Pássaro Memória”, de Leonardo Martinelli, e “Defesa Pura”, de George Pedrosa, além de ter dirigido e atuado em “A corpa fala”.
O elenco traz ainda Seu Jorge como o comandante do Zepelim —ele se apaixona pela prostituta ribeirinha. As gravações começam em breve na Amazônia.

Viagem de Lula à Rússia e China reforça articulação global pela multipolaridade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou para compromissos estratégicos na Rússia e na China, entre os dias 8 e 13 de maio, com o objetivo de fortalecer o papel do Brasil na articulação por um mundo multipolar. De 8 a 10 de maio, Lula estará em Moscou, onde participa das comemorações pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. A agenda prevê um encontro com o presidente Vladimir Putin e a assinatura de acordos nas áreas de ciência e tecnologia. “O Brasil é um país que busca paz, que tem um diálogo com a Rússia em vários assuntos. Tem uma relação comercial importante com a Rússia de produtos do agronegócio, e queremos equilibrar nossa balança comercial”, afirmou o embaixador Eduardo Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty.

Estabelecidas oficialmente em 1828, as relações diplomáticas entre Brasil e Rússia foram intensificadas a partir da década de 1980 e, em 2002, alcançaram o nível de parceria estratégica. Desde então, os países têm mantido intercâmbio constante em níveis presidencial e ministerial, além de articularem posições conjuntas em foros multilaterais como a ONU, o G20 e o BRICS.

Nos três primeiros meses de 2025, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 12,4 bilhões. O Brasil exportou US$ 1,45 bilhão — com destaque para soja, carne bovina, café e tabaco — e importou US$ 10,9 bilhões, majoritariamente em óleos combustíveis e fertilizantes, tornando a Rússia o quinto maior fornecedor de produtos ao Brasil.

China: cooperação estratégica e diversificada

Após Moscou, Lula segue para Pequim nos dias 12 e 13 de maio, para sua quarta visita oficial à China. A viagem inclui compromissos no âmbito do IV Fórum China-CELAC, além da assinatura de novos acordos em áreas como agricultura, infraestrutura, energia, ciência, tecnologia, cultura, saúde e educação. “A magnitude da relação com a China é conhecida. Do ponto de vista comercial, as nossas exportações para a China são superiores às nossas vendas para os Estados Unidos e para a União Europeia. O Brasil é o sétimo principal fornecedor da China. Então é um momento de explorar novas vertentes de cooperação”, destacou Saboia.

Segundo o embaixador, há atualmente 16 protocolos e anúncios definidos e outros 32 em negociação, com sinergias entre os planos de desenvolvimento brasileiro e chinês. “Isso certamente está na agenda dessa visita, assim como a visão convergente dos dois países em matéria de defesa do multilateralismo, defesa da reforma da governança global e apoio às funções pacíficas”, pontuou.

Fórum China-CELAC: integração latino-americana e cooperação sul-sul

Criado há mais de uma década, o Fórum China-CELAC se consolidou como mecanismo chave para aproximar a China dos países da América Latina e Caribe. A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, ressaltou a importância do evento: “Preciso ressaltar a importância da CELAC para o Brasil e a importância que o presidente Lula atribui à integração regional, tanto que o primeiro ato internacional de seu governo foi exatamente participar da Cúpula em Buenos Aires, em 2023, e retornar à CELAC, da qual havíamos saído em 2019”.

De acordo com Gisela, estão sendo finalizados uma declaração conjunta e um Plano de Ação para o triênio 2025-2027, com temas de interesse direto do Brasil, como economia digital, transição energética, ciência e tecnologia, gestão de riscos, saúde, segurança alimentar e investimentos.

Comércio bilateral com a China: volume recorde e expansão

A China permanece como principal parceiro comercial do Brasil, com um intercâmbio de cerca de US$ 38,8 bilhões entre janeiro e março de 2025. O Brasil exportou US$ 19,8 bilhões — principalmente em óleos brutos de petróleo, soja e minério de ferro — e importou US$ 19 bilhões em produtos como embarcações, equipamentos de telecomunicações e componentes eletrônicos.

Desde 2009, a China lidera as trocas comerciais com o Brasil e figura entre os maiores investidores estrangeiros no país, com destaque para os setores de energia, petróleo, transporte, telecomunicações e serviços financeiros.

COSBAN e a agenda ambiental

A visita mais recente de Lula à China, em abril de 2023, resultou na mais ampla declaração conjunta já assinada entre os dois países, com acordos que vão desde segurança alimentar até cooperação espacial. Na área ambiental, foi firmada a Declaração Conjunta sobre o Combate à Mudança do Clima, e criada uma subcomissão específica dentro da COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação).

Ao reforçar parcerias com Rússia e China — dois dos principais polos de poder do mundo contemporâneo — o Brasil reafirma seu compromisso com um sistema internacional mais plural, pacífico e baseado na cooperação entre iguais, fortalecendo sua voz em temas como desenvolvimento sustentável, governança global e justiça econômica.

Do Brasil 247

Lula chega hoje à Rússia para participar da celebração do Dia da Vitória e fortalecer relações estratégicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou na noite desta terça-feira (6) para uma missão diplomática de grande relevância internacional, que inclui passagens por Moscou e Pequim, indorma o G1.

A viagem, que se estende por uma semana, reforça a projeção global do Brasil em meio a disputas geopolíticas intensas e à redefinição das alianças econômicas mundiais.

Em Moscou, Lula participará das celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha Nazista, em 9 de maio — o Dia da Vitória.  Ele estará ao lado de Putin, Xi Jinping e outras lideranças do mundo multipolar. A presença do presidente brasileiro neste evento carrega um forte simbolismo político e histórico. Trata-se de uma data emblemática para a memória antifascista mundial, celebrada com grande reverência na Rússia e marcada por um desfile militar que remonta à rendição alemã em 1945. O comparecimento de Lula reforça o compromisso do Brasil com a paz, a memória histórica e a cooperação entre os povos.

Além de prestigiar a solenidade ao lado do presidente russo Vladimir Putin e de outras autoridades estrangeiras, Lula deverá manter conversas bilaterais com Putin e com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico. A agenda inclui temas delicados e estratégicos, como o conflito na Ucrânia e o comércio bilateral — especialmente no tocante à importação de fertilizantes, insumo fundamental para o agronegócio brasileiro.

Lula tem buscado, desde seu retorno à presidência em 2023, desempenhar um papel de mediador no conflito entre Rússia e Ucrânia. A viagem reforça a imagem de um Brasil que deseja atuar como articulador de soluções diplomáticas, numa conjuntura global marcada por polarizações e sanções unilaterais.

A comitiva presidencial inclui ministros e parlamentares de peso, como o chanceler Mauro Vieira (Relações Exteriores), o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), o ex-chanceler e assessor especial Celso Amorim, além do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e do vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA). A primeira-dama Janja da Silva já se encontra na Rússia a convite do governo local.

Após a passagem pela Rússia, Lula segue para Pequim, onde participará do Fórum China-Celac nos dias 12 e 13 de maio. O encontro visa aprofundar os vínculos entre os países latino-americanos e caribenhos com a China, maior parceiro comercial do Brasil. O fórum ocorre em um momento de crescente tensão entre Pequim e Washington, com os Estados Unidos — sob o comando do presidente Donald Trump — intensificando as tarifas contra produtos chineses.

A presença de Lula no evento representa uma sinalização clara do interesse brasileiro em fortalecer alianças dentro do Sul Global e diversificar suas parcerias econômicas. O governo também busca atrair novos investimentos chineses em infraestrutura e ampliar as exportações de commodities agrícolas — especialmente grãos e carnes — para o mercado chinês.

Além do encontro multilateral, Lula terá uma reunião bilateral com o presidente chinês Xi Jinping. A expectativa é que ambos assinem uma série de acordos voltados ao desenvolvimento sustentável, transferência de tecnologia, infraestrutura e comércio. Essa visita de Estado ocorre meses após Xi ter visitado o Brasil, em novembro de 2024, o que evidencia o fortalecimento do eixo Brasília-Pequim no novo tabuleiro global.

A viagem de Lula à Rússia e à China, duas potências integrantes do Brics, reforça a política externa de caráter soberano e multipolar que o governo brasileiro tem adotado. A presença do presidente em eventos de alto simbolismo, como o Dia da Vitória soviética, e em fóruns estratégicos como o China-Celac, sinaliza o compromisso do Brasil com o multilateralismo, a cooperação entre países em desenvolvimento e a construção de uma ordem internacional multipolar e mais equilibrada.

Do Brasil 247

Renan Filho deixará ministério para disputar governo de Alagoas; Renan pai confirma reeleição ao Senado

O senador, que atualmente exerce seu quarto mandato, considera natural disputar novamente o cargo. “Eu considero que, como senador da República, tenho muito mais condições de ajudar Alagoas e deverei ser candidato ao Senado”, afirmou.

O senador Renan Calheiros (MDB) confirmou que será candidato à reeleição ao Senado Federal nas eleições de 2026 e revelou que o atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), deverá se desincompatibilizar do cargo em abril, com o objetivo de disputar o governo de Alagoas pela sigla. A afirmação foi feita segunda-feira (5), durante coletiva na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).

“Ele comunicou ao presidente da República que em abril estará se desincompatibilizando do governo federal, provavelmente para ser candidato ao governo de Alagoas”, afirmou Renan, ressaltando que essa é uma decisão importante para o MDB e para os partidos que compõem a aliança política no estado.

O senador, que atualmente exerce seu quarto mandato, considera natural disputar novamente o cargo. “Eu considero que, como senador da República, tenho muito mais condições de ajudar Alagoas e deverei ser candidato ao Senado”, afirmou.

Renan também falou sobre as discussões em torno da chapa que será apoiada pelo grupo político, mencionando que ainda não há definição sobre quem ocupará a segunda vaga ao Senado. “Há uma preliminar a ser levada em consideração, que é o histórico de ajuda ao Estado. Não é todo mundo que se enquadra nesse papel”.

Questionado sobre uma possível dobradinha com o deputado federal Arthur Lira (PP), Renan foi enfático: “Não, isso ainda não foi conversado, mas eu considero que é exatamente esse perfil que falta ao deputado Arthur. Eu não tenho nada contra ele do ponto de vista pessoal, mas sinceramente não vejo nele a característica de defender o interesse de Alagoas”.

Fonte: Cada Minuto

Educação Política

 

Vinício Carrilho Martinez (Dr.) – Cientista Social

Em primeiro lugar, temos que verificar que sempre se trata de uma Autoeducação Política. Parte-se do entendimento de que sem a predisposição individual não há formação, avanços e transformação; não se manifesta um conteúdo político sem estudar. Como faremos isso pode/deve ser de formas múltiplas, em coletivos, grupos de estudos, leituras e reflexões individuais (autodidatismo). O trabalho produzido coletivamente não nos exime do nosso empenho e embate político. Porém, agora nos dedicaremos ao “que fazer”, no que diz respeito a algumas áreas, conexões e conteúdos mínimos:

  • A primeira questão, por natureza óbvia, nos levaria a abarcar o que ainda está presente, em 2025, e que decorre de nossa formação social: como se articulam classe, racismo (etnias, cultura) e gênero? [1]
  • As relações de classe e de sujeição são evidentes quando vemos a uberização social, a pejotização, a terceirização, e isso nos remete às excrescências do estágio atual do capitalismo – e que chamamos de Pensamento Escravista[2].
  • A política, diferentemente do século XX, hoje percorre (antes) as vias de comunicação digital (denominadas aqui de redes antissociais) e, só depois, encontra alguma ressonância nas ruas, no espaço público. No entanto, não há democracia digital ou Pólis e, sem a Política, temos um enorme paradoxo: uma educação digital se faz obrigatória. Destacam-se dois conteúdos elementares: O que são e como funcionam os algoritmos? Como participar de um meio anticivilizatório em busca do resgate, aprimoramento do próprio Princípio Civilizatório?
  • Os principais conteúdos a analisar dessa forma atual do capital seriam lincados ao que se denomina de rentismo e de Capitalismo de Dados, bem como o comportamento de massa associado: o “servilismo voluntário”.
  • Nessas redes sociais excludentes, aptas tecnologicamente à exclusão e ao banimento (Banóptico em substituição ao panóptico), as mensagens são racistas, misóginas, fascistas, antipopulares e capitalistas. Neste ponto destacamos a urgência em estudarmos o básico (o que é Fascismo?) e o meio ambiente: se considerarmos que o negacionismo ambiental é um dos mais presentes, teremos o enlace com a Educação ambiental.
  • Por se tratarem de assuntos convergentes ao capitalismo predominante, com suas artimanhas de captura individual e social, como substratos do neocolonialismo, neoliberalismo, neofascismo, teríamos que dedicar ensaios a uma Autoeducação para a descompressão. Os itens aqui em destaque seriam formas de combate ao ensino religioso, educação financeira e ensino militarizado, e como são impostos nas escolas públicas. Em sua oposição teriam destaque a ideia de “ordem democrática” (Estado Constitucional) e de Estado Laico.
  • Adentraríamos em alguns detalhes dessa Autoeducação para a descompressão[3].
  • Essa Educação Política (pública) tem base humanista na Sociologia, Filosofia e Teoria Política e, obviamente, não é antitecnológica. Nos permitiria entender que a tecnologia é um meio, e não um fim, além de ofertar uma compreensão crítica acerca do fato de que “o Brasil se digitalizou, antes de se alfabetizar”.
  • Portanto, teria seu lastro no conjunto complexo dos Direitos Humanos e no aporte necessário a uma Educação Constitucional.
  • Essa Educação Política se completaria com ações vinculadas a organismos, movimentos, entidades, associações de representação, sindical e partidos políticos populares[4].

 

Pelo arrazoado, não é difícil de se perceber que se tem o norte de uma práxis (reflexão e ação) e que não se esgota no ambiente escolar, ao mesmo tempo que dele não se desincumbe. Seria preciso entender a dinâmica entre escola, casa e rua (esta como espaço público de construção dos sujeitos individuais e sociais). E assim chegamos à Educação Permanente, entendendo-se que é um processo sem fim, que é parte da hominização com os meios dispostos no século XXI.

[1] O exemplo parte do porquê o movimento “por uma mulher negra no STF” não ter vingado junto ao governo.

[2] O racismo lancinante e associado à exploração do trabalho em condições análogas à escravidão.

[3] Iniciando-se por uma construção que desfaça o antissemitismo, tanto quanto o sionismo, uma Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, e que espelhasse uma Educação para além do capital.

[4] Neste ponto se imporia basilar entender as diferenças e as correlações entre Estado, partido político e governo.

Teorias do Estado: Estado Moderno e Estado Direito – A Teoria do Estado sob a Ótica da Teoria Política

O Livro Teorias do Estado: Estado Moderno e Estado Direito – A Teoria do Estado sob a Ótica da Teoria Política, do professor Vinício Carrilho Martinez – oferece uma leitura acessível e profunda na formação, estrutura e complexidade do Estado moderno. Partindo das origens da política e do poder, a obra percorre os principais marcos conceituais das Teorias do Estado, articulando filosofia, ciência política e direito. Sem pretensão de apresentar teses inéditas, mas com forte propósito didático, o texto convida estudantes e leitores críticos a refletirem sobre a legitimidade do poder, a razão de Estado e a natureza jurídica das instituições. Ao retomar autores clássicos e modernos, a obra do professor Vinício revela o Estado como construção humana, cultural e histórica – um campo em disputa, cuja compreensão se faz essencial para o exercício consciente da cidadania.

TEORIAS DO ESTADO: Estado Moderno e Estado de Direito – A TEORIA DO ESTADO SOB A ÓTICA DA TEORIA POLÍTICA

https://a.co/d/8Zb0ELz

Marcela Schiavi: Doutora em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS/UFSCar.

Governo Lula propõe aumento real de 2,5% do salário mínimo em 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou nesta terça-feira (15) ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, prevendo um aumento real de 2,5% do salário mínimo. A informação é do portal Metrópoles, que destacou o envio do documento como parte das obrigações constitucionais do Executivo. Caso aprovado, o valor do salário mínimo passará dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.630 no próximo ano — um acréscimo de R$ 112.

O reajuste projetado considera a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de um ganho real de 2,5% no poder de compra. A política de valorização do salário mínimo foi retomada pelo atual governo como estratégia para fortalecer a renda das famílias mais pobres e estimular a economia doméstica.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é o instrumento que estabelece os parâmetros para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), prevendo metas fiscais e orientando a gestão dos gastos públicos em todas as esferas do Poder — Executivo, Legislativo e Judiciário. Além do reajuste do piso salarial, o PLDO de 2026 também apresenta as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de inflação, os juros básicos da economia (Selic) e as diretrizes para os investimentos públicos.

O valor do salário mínimo tem impacto direto sobre uma série de benefícios e programas sociais. Entre eles, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, e os pagamentos realizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aposentadorias, pensões e auxílios. A elevação do piso nacional, portanto, também altera o montante destinado a essas políticas públicas, exigindo planejamento orçamentário criterioso.

O projeto ainda autoriza o aumento de despesas com pessoal, incluindo servidores ativos, inativos e pensionistas, o que reforça a necessidade de equilíbrio fiscal. Embora o governo busque ampliar a capacidade de investimento e a cobertura social, a meta continua sendo compatibilizar essa expansão com o controle do déficit primário e a sustentabilidade das contas públicas.

A proposta do Executivo será agora analisada pelas comissões permanentes do Congresso e deve ser votada até julho, conforme determina a Constituição. A partir da LDO, o governo poderá avançar na formulação detalhada do Orçamento Geral da União de 2026, a ser apresentado até o fim de agosto.

A valorização do salário mínimo é uma das bandeiras históricas dos governos Lula. Ao longo de seus mandatos anteriores, o petista defendeu uma política de reajuste com ganho real atrelado ao crescimento da economia. A retomada dessa diretriz marca uma ruptura com o congelamento salarial observado em anos anteriores, quando a política de correção esteve restrita à inflação.

O envio da LDO também sinaliza os próximos passos da política econômica. A proposta será analisada em meio a um cenário fiscal desafiador, com pressões por aumento de gastos e necessidade de manter a trajetória de responsabilidade orçamentária. Ao definir um novo patamar para o salário mínimo, o governo busca conciliar justiça social com sustentabilidade fiscal, tema que deve ocupar o centro do debate legislativo nos próximos meses.

Brasil 247

No dia 13, Bolsonaro opera intestino travado sob pânico de prisão

Em tensão frequente e réu por liderar a tentativa de golpe de Estado, ex-mandatário frequentemente relata fortes dores abdominais

 Jair Bolsonaro está sendo submetido neste domingo (13) a um “procedimento cirúrgico” em Brasília-DF em razão “da persistência do quadro de subobstrução intestinal”, destaca a agência Reuters.

Mais cedo, o próprio Bolsonaro disse que sofria com obstrução do intestino, mas que ainda não estava decidido se o procedimento será em Brasília ou em São Paulo-SP.

O boletim médico divulgado neste domingo pelo DF Star lê: “Após reavaliação clínico-cirúrgica, (Bolsonaro) foi submetido a novos exames laboratoriais e de imagem que evidenciaram persistência do quadro de subobstrução intestinal, apesar das medidas iniciais adotadas. As equipes que o assistem optaram de comum acordo pelo tratamento cirúrgico”.

Em tensão frequente e alvo de processo no Supremo Tribunal Federal por liderar a tentativa de golpe de Estado, no qual é réu, o ex-mandatário frequentemente relata fortes dores abdominais.

Ele relatou que sentiu fortes dores abdominais na última sexta-feira quando estava em visita à cidade de Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte.

Do Brasil 247

Ensaio sobre a Forma-Estado no Brasil contemporâneo

 

— Viva a democracia!

— O Fascismo não passará!!

 

Por Vinício Carrilho Martinez – Doutor em Ciências Sociais/UNESP

e Tainá Reis – Doutora em Sociologia/UFSCar

 

Por mais que reviremos as instituições políticas, quando falamos do Estado brasileiro teimam em aflorar o que há de pior na nossa formação social, a exemplo da rejeição institucional aos pobres: o Brasil não “trata” (aborda a pobreza e a miséria social), o país distrata seu povo, os mais pobres e desassistidos. Isso é uma recorrência histórica[1].

Desse modo, para entender o Estado contemporâneo brasileiro é preciso retomar o passado – como boa parte das teorias críticas nos ensina, o presente é uma elaboração histórica contínua – ou, em alguns casos, uma permanência travestida de novidade. O Brasil do século XXI é herdeiro de estruturas coloniais profundamente desiguais e violentas. O Estado, como instituição das instituições, espelha e reforça essa história.

O modelo de Estado que nos forma e nos governa está ancorado em um passado colonial escravocrata, patriarcal e racializado. Nos tempos da Plantation, com o latifúndio agroexportador, o poder estatal já se configurava como mantenedor da dominação de uma elite econômica e social – atualmente, sem mais a Plantation, mas com as commodities, quanto mudou? Essa elite, branca, masculina e proprietária, tanto detinha os meios de produção como também influenciou as normas jurídicas, os valores e o funcionamento da própria máquina estatal. O Estado foi (e ainda é) agente ativo na construção de desigualdades estruturais.

Tratar de tema tão vasto como o Estado, as formas políticas historicamente construídas, é sempre um desafio – é amplo e aprazível ao retomar a história política, porém, pode se esvaziar em conceitos que requerem um grande aporte de precisão e de aprofundamento. No entanto, as formas políticas atribuídas ao Estado sempre nos explicam muito do que somos (ou não), do que poderíamos ser. Quantas relações poderiam ser estabelecidas entre as formas políticas no extenso rol da história?

  • Estado antigo (ou Estado gregário)
  • Estado funcionalista
  • Estado liberal
  • Estado de direito republicano
  • Estado federal (ou federativo)
  • Estado Legal (séculos depois do Estado Livre)
  • Estado democrático
  • Estado Social (México)
  • O Estado-força (o não-Estado)
  • Estado de Bem Estar Social – capitalismo monopolista de Estado
  • Estado de direito político:

Até o nosso Estado Democrático de Direito Social (Martinez, 2013)

Em razão da necessidade de se manter a objetividade, é importante destacar uma súmula quanto à forma política do chamado Estado Moderno, que é este que nos compete. Por este resumo cabe dizer que o Estado é a instituição das instituições, a instituição capaz de normatizar, normalizar as demais construções institucionais; como instituição reguladora, o Estado reúne o poder da heteronomia e da soberania (restando às outras instituições uma possibilidade de autonomia – sendo esta residual).

Para que isto assim se afirme, o Estado moderno mantém em unidade constitucional três das mais essenciais categorias – quais sejam: o povo, o território e a mesma aludida soberania. Daí provém a heteronomia ou o monopólio do exercício do uso legítimo da força física, bem como o monopólio legislativo – por exemplo, quando se afirma a segurança jurídica em substituição à vingança privada. Na bandeira do Estado Constitucional – com todas essas funções reguladas por uma Constituição (promulgada ou outorgada), a modernidade se apresenta na forma do Estado de Direito, com algumas condições elementares: a divisão dos poderes, o Império da Lei, a prevalência dos direitos fundamentais.

 

Autocracia política (plutocracia)

Depois de uma breve exposição sobre as formas políticas do Estado, num sentido mais histórico e universal (pelo Ocidente), destaca-se a autocracia burguesa de Florestan Fernandes: tão visível no mercado financista da Faria Lima que, hoje, o faria colocar outros adjetivos.

Vemos esse fato como uma revolução burguesa pela metade, com um Estado de direito que não apenas serve às “elites” (no Brasil: oclocracia), que não apenas é racista (na prática, não na Constituição de 1988), como ainda reproduz (fora, distante, do Estado Democrático de Direito) a realidade excludente (repleta de exceções e privilégios de “casta”: Judiciário) e que sempre performou o Estado patriarcal, colonial, cartorial.

A tardia e incompleta abolição do regime escravocrata em 1888 não significou uma ruptura com a lógica do domínio senhorial. A promulgação da Lei de Terras, em 1850, operou um dos mais claros exemplos do Estado enquanto mantenedor de privilégios: a terra se converteu em mercadoria, o que impediu que ex-escravizados e imigrantes pobres acessassem a propriedade rural. Com tal medida, enquanto força de trabalho livre, permaneceram dependentes dos antigos senhores, que, assim, permaneceram no topo da pirâmide social. Assim, a modernização da legislação fundiária operou uma atualização da dominação, não sua superação.

Esse padrão se mantém no presente: a blindagem jurídica das elites econômicas, a aliança entre o Estado e o agronegócio e a seletividade penal evidenciam que o Estado brasileiro permanece legislando para uma classe específica. Elevado quase a uma condição de casta, o Judiciário age de modo desigual: severo com os pobres, leniente com os privilegiados. Nesse quadro se insere o conceito de autocracia burguesa, conforme formulado por Florestan Fernandes —que hoje pode facilmente ser compreendido como um Estado capturado por interesses financistas, marcado por práticas oclocráticas e plutocráticas.

O que ainda nos assegura alguma “excepcionalidade” (discriminação positiva) são os direitos fundamentais – no que restou da Constituição de 1988 sem ser corrompida pelo neoliberalismo, neocolonialismo e pelo Estado Paralelo (entre a corrupção e o crime organizado). Portanto, se fizemos a tal revolução burguesa, nós a fizemos sem a eficácia do Estado de direito – mormente se considerarmos que o conceito exige o Império da Lei, a separação dos poderes, a prevalência dos direitos fundamentais, a isonomia (Canotilho, 1999).

A separação de poderes, a garantia de direitos e liberdades, o pluralismo político e social, o direito de recurso contra abusos dos funcionários[2], a subordinação da administração à lei constitucional, a fiscalização da constitucionalidade das leis […] a publicidade crítica, a discussão e dissensos parlamentares e políticos, a autonomia da sociedade civil (Canotilho, 1999, p. 16).

 

Porém, no âmbito das Teorias do Estado, pelo caminho das institucionalidades, o copo meio vazio indica que são bem questionáveis “nosso” Estado-Juiz e o Estado Constitucional, pois, o 8 de janeiro de 2023 e a Lava Jato são marcas d’água desse Estado sem direito, em que as “elites” mudam rapidamente seu horizonte.

A revolução colorida de 2013/4 (estimuladora do Fascismo nacional), o Golpe de Estado de 2016, o resultado da eleição de 2018, esse pacote recente, mostram apenas o arsenal de instrumentos dessa autocracia burguesa (oclocracia) nos tempos do financismo (rentismo estatal) e sob a vigilância do capitalismo de dados – das redes antissociais em que prosperam o referido Fascismo, a misoginia, o ódio social.

As elites incultas brasileiras falam em meritocracia – “o céu é o limite” –, no entanto, não olham para si mesmas.

  • Meritocracia: é o governo dos que têm mais méritos, ao contrário da realidade nacional, em que prosperam os que são fortes, astutos, corruptos ou ricos. Portanto, a meritocracia que deveria ser o oposto de oclocracia (governos dos ricos) ou plutocracia (governo dos piores), no Brasil, conheceu até mesmo a corrupção do vocábulo.

 

Em outras palavras, a autocracia burguesa precisa de mais penduricalhos para se explicar em 2025, e prestar contas aos senhores da guerra civil – travada todos os dias, tão logo a gente abra a janela e veja desfilar a luta de classes prenha de Pensamento Escravista.

O Brasil, sua cultura e sociedade, o Estado brasileiro, parece exigir que façamos um rizoma – e que envolva o passado e o presente; pois, soubemos como ninguém combinar o modo de produção escravo com o capitalismo (desafiando toda a lógica dos clássicos da Teoria Social moderna) – o sistema de Plantation (escravista) era suficiente porque o mercado de consumo era somente europeu: e aí se realizava a distribuição capitalista da nossa produção em escala. Disso resultou o presente e atuante Pensamento Escravista – uma combinação entre racismo e exploração análoga ao trabalho escravo, em 2025.

Portanto, além de mentalidade arcaica, atrasada – que leva ensino religioso (em atentado ao Estado Laico: artigo 19 da CF/88[3]), militarização da escola pública (por que as elites não querem isso aos seus filhos?), educação financeira para crianças e jovens que vão à escola em troca da merenda –, temos uma base de formação social e institucional que guarda muito dos resquícios do nosso pior passado.

 

Modernidade à tardinha

Esse rizoma arcaico e pós-moderno nos trouxe, em exemplo complementar, ações recentes do Ministério da Educação com seus kits de robótica. Não é, evidentemente, uma aposta na antimodernidade, entretanto, como explicar a robótica no sertão em que as pessoas lutam para ter água potável?

Definitivamente, não teremos futuro sem acertar muitas contas com o passado. Nossa Modernidade Tardia acena com liberdade (mas é essa das proposições golpistas e nazifascistas), sem nenhum reconhecido de igualdade e muito menos de fraternidade. Ou seja, a conta da Revolução Francesa não fecha a conta neste país.

A Constituição Federal de 1988 nos presenteou com um Processo Civilizatório (artigo 215[4]), sem, no entanto, apontar as garantias necessárias à fruição dos artigos 1º, 2º, 3º e 4º. Nosso preâmbulo constitucional não desfraldou eficazmente o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Nossa revolução burguesa foi (se foi) tecnicista, porque alavancou o capitalismo nacional na década de 1930, e autocrática – porém, tendo-se em conta o quanto nossas “elites” são atávicas, de poucas luzes iluministas (jamais libertárias). Aliás, quando vemos restos de iluminação no combate à fome e à miséria humana, as elites incultas apagam qualquer lamparina que vejam pela frente.

Nossos esforços pela construção de uma sociedade menos brutal e de um Estado efetivamente moderno, remetem à redemocratização, à Constituinte de 1985, à Constituição de 1988, às eleições de um Partido dos Trabalhadores – hoje parecido com o PRI (México) em alguns aspectos – e, no outro canto escuro da história, lembra as estrofes de uma música:

Instrumentalização do poder

– nunca é sem querer

– vem sempre para doer

 

Instrumento de dominação

– quase sempre é organização

– mas, não é bem o da emancipação

 

Instrumento policial

– uma enorme pujança

da insegurança

 

É Instrumento racial

– onde está o racional?

 

Policial,

– aliado do instrumento fabril

– nunca é gentil

 

É um extremo febril

(https://www.youtube.com/watch?v=k5hSTpW0PLM)

 

Essa estrofe é uma entrada para rediscutirmos o Estado Penal (Wacquant, 2003) no Brasil, com seus ranços racistas e elitistas e que, obviamente, atua como observação institucional “sobre” e “para quem” se ordenou o nosso Estado de Direito – instrumento, este, sempre pronto a punir o povo pobre, negro e oprimido. A autocracia se expressa contemporaneamente de forma mais sofisticada, combinando neoliberalismo, neocolonialismo e um Estado Penal que tem no encarceramento em massa e no endurecimento das políticas de segurança formas modernas de contenção social.

De nossa parte, seguimos na luta política, que é sempre uma Luta pelo Direito – em meio à luta de classes –, procurando efetivar as garantias, as liberdades, os direitos e que estão alinhados no escopo, no bojo, do Estado Democrático de Direito Social (Martinez, 2024). Sempre na insistência de um país justo, livre e solidário – e sob o primor da emancipação e da dignidade humana (Martinez, 2025)[5].

Mas é preciso ter no horizonte: não se constrói um Estado democrático verdadeiramente inclusivo com a manutenção das estruturas que produziram a exclusão. O pensamento escravista permanece como racionalidade em nossa sociedade – racionalidade material que se concretiza em decisões políticas, econômicas e culturais.

 

Últimas considerações

Por fim, o último ponto que se desataca é o julgamento do século – sob as balizas do Estado Democrático de Direito.

Começou o julgamento do século, porque começamos a julgar o Fascismo pela Constituição de 1988 e com base em artigos do Código Penal (tentativa de golpe de Estado e atentado violento ao Estado Democrático de Direito), que, ele, o maior símbolo fascista, homologou. É uma data histórica, pela ironia que só a justiça histórica pode (algumas vezes) proporcionar.

Especialmente se observarmos as “quatro linhas” da política internacional (extrema direita global) e o nosso próprio estrato cultural.

Não será dessa vez – como em 1964 e no looping da exceção (do AI 1 ao AI 5) – que “um cabo e um soldado” calarão o STF e a democracia ou rasgarão a Constituição. A família de Herzog esteve na primeira fila e mesmo que o réu venha a fugir, a justiça terá sido feita para os milhares de mortos por falta de vacina ou de oxigênio, durante a pandemia. O fascista não estará sendo julgado pelo crime de “genocídio iniciado”, mas estará sendo julgado. Por isso, também temos que pensar/avaliar o quanto as institucionalidades do Estado Democrático de Direito foram (são) fortes, como demonstra esse julgamento em que o Fascismo se torna réu.

Hoje é um dia para celebrarmos a democracia, a Constituição, os direitos humanos fundamentais – por nós e por todos que sucumbiram no Estado fascista.

Realmente, o sabor da ironia da justiça histórica não tem paralelos.

Viva a democracia!

O Fascismo não passará!!

 

 

Referências

 

CANOTILHO, J. J. G. Estado de Direito. Lisboa: Gradiva, 1999.

 

MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado: metamorfoses do Estado Moderno. São Paulo: Scortecci, 2013.

 

MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ensaio sobre o estado democrático de direito social*: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/

 

MARTINEZ, Vinício Carrilho. Educação e Sociedade. São Carlos: Amazon, Ebook Kindle, 2025. Disponível em: https://a.co/d/393SyBS.

 

WACQUANT, Loïc. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003.

 

[1] https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2025/04/07/abordar-pedintes-e-tira-los-do-foco-anuncio-em-sp-cometeu-aporofobia.htm. Acesso em 07/04/2025.

[2] Historicamente, esta é a garantia institucional atribuída à conquista do direito de petição.

[3] Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II–recusar fé aos documentos públicos; III–criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

[4] “Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 1o O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro- -brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”. https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em 24/03/2025.

[5] Inserimos outra música, da qual participamos: https://www.youtube.com/watch?v=vbEAiyWYDfg&list=PL0BSSWXJH_LGIPqbXazs5rPJEcBkvB0qb&index=21. Acesso em 24/03/2025.

Heteronomia [1]

Pr Vinício Carrilho Martinez (Dr.) (*)

Quando vivemos tempos de retrocesso, em que verdadeiras organizações criminosas assaltam o Estado, os cofres públicos, algumas instituições e institucionalidades precisam ser retomadas, como se precisássemos readquirir a legitimidade das ações, a boa fé pública, a garantia de que as ações públicas, institucionais, não reverberem somente os interesses egoístas, mesquinhos[2].

Esse é o sentido mais geral proposto pelo conto A sereníssima república, em que Machado de Assis (1994) diagnostica a multiplicação de regras (sem legitimidade) e, com elas, os defeitos da coisa pública. Afinal, velhos jogadores da política, com regras novas, no jogo da “soma-zero”, terminam em confronto para agir pelas “lacunas da lei”. Talvez um exemplo emblemático de um confronto como esse seja o dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando grupos (de dentro do próprio Estado e de civis comuns) que rejeitavam o resultado eleitoral tentaram agir pelas lacunas da lei, buscando enfraquecer as instituições. A resposta do Estado, buscando a criminalização e a punição, com base em regras previamente estabelecidas – Constituição Federal de 1988 e Código Penal –, reafirmou o papel da heteronomia como fundamento da ordem jurídica e democrática.

Costuma-se associar heteronomia à autonomia: por oposição. Porém, o que faria mais sentido, do ponto de vista pragmático, seria a similitude negativa (por exclusão) entre heteronomia e anomia: sendo a primeira uma imposição de regras e de normas de forma coercitiva e generalista e, por exclusão, a anomia implicando na “ausência de regras” ou em sua total ineficácia. A heteronomia se associa a um sentido de organização (normas que normalizam sistemas e funcionamentos), ao passo que a anomia aponta para o desmonte de uma “ordem projetada”, e assim implica numa desordem do status quo. Pensemos na pandemia de COVID-19: a fragilidade ou até mesmo ausência de normas sanitárias defendidas por algumas figuras políticas e até mesmo do campo médico levou a situações de quase anomia. A força da heteronomia é visível em casos em que foram implementadas medidas como o uso obrigatório de máscaras e o distanciamento social. Nesse período de crise, a heteronomia organizou a vida coletiva mesmo frente à resistência de grupos que reivindicavam uma autonomia plena e irresponsável – os chamados “não-vacinados”, ligados a um amplo segmento que defende a “antivacina”.

Se a autonomia é associada à liberdade (ou até emancipação), “tomar as rédeas para si”, controlar as escolhas e os caminhos adotados, a heteronomia não implica exatamente no seu oposto, uma vez que as escolhas continuam (ou podem continuar) a existir; apenas, digamos assim, não são escolhas aleatórias, uma vez que ocorrem dentro de um cenário possível (previsível), mais ou menos delimitado como horizonte dos fatos. E dessa forma, a autonomia assinala a liberdade positiva (uma suposta “livre escolha”) e a heteronomia sinaliza para a “liberdade negativa”: para garantir a liberdade no exercício da cidadania, o Estado tem que ser limitado em seus poderes.

É dentro dessa “liberdade comprometida” pela margem de ação, pelos marcos decididos, pelas regras minimamente ajustadas, que a liberdade se manifesta: nunca haverá liberdade plena, total, como um ideal absoluto; especialmente porque “onde todos podem tudo, ninguém pode nada” (e, neste caso, teríamos anomia). Esse princípio pode ser observado nos debates sobre o PL das Fakenews (PL 2630/2020), no Brasil. O projeto tem como objetivo regular as plataformas digitais para coibir a disseminação de desinformação, mas os grupos contrários a tal proposta (aqueles velhos jogadores da política) afirmam que se trata de ameaça à liberdade de expressão. O PL sinaliza a necessidade de se criar limites institucionais que garantam a convivência democrática no espaço público digital[3].

Não é que na heteronomia a liberdade seja vigiada ou que não exista autonomia nenhuma[4], mas sim que seja definida, delimitada para todas e todos. Há um marco legal, ético, político, cultural em que certas coisas, ações, decisões, são possíveis, aceitadas, e outras são recusadas, anuladas, condenadas. Por exemplo, diante da racionalidade o negacionismo deve ser recusado, atacado em qualquer tentativa de validação.

Desse modo, a heteronomia pode ser associada ao Estado – como ente jurídico e político – ou não, como ocorre no interior de grupos, associações, comunidades, culturas, etnias que se autorregulam: uma vez que se decida coletivamente (autogestão), a decisão só tem sentido se for cumprida por todos os indivíduos (heteronomia). E implica, ainda, dizer que a força impositiva das decisões (normatização), uma vez que tenha transcorrido o momento das deliberações, deve ser geral e se fazer presente nas ações de todos os indivíduos envolvidos. Portanto, na heteronomia há forças[5] que se destacam pela generalidade, anterioridade e coercitividade[6].

Também vemos que a heteronomia pode decorrer da autonomia, aquele momento da liberdade criadora em que se corrigem, afirmam ou constroem caminhos e decisões[7] – ainda que, em seguida, devam ser aceitos e realizados por todos os indivíduos. É mais usual pesar-se que a heteronomia venha listada junto ao aparato estatal, porque se pensa nas regras e nas normas como atribuições advindas do Estado: o chamado monopólio legislativo. Ocorre como se a normalização (o que é aceitável) derivasse unicamente do Estado, sendo este a única fonte geradora validável das tais normas e regras – chama-se isto de Positivismo Jurídico.

Enfim, heteronomia tem a ver com o sentido amplo de hétero ou diferente: fora, acima, distante. A norma e a regra surgem dentre os “mesmos”, a partir da vontade desses “mesmos indivíduos”, tidos em liberdade e isonomia, porém, trata-se de um resultado (norma) com uma constituição diversa, uma forma distinta, diferente das vontades iniciais. Há um processo de subsunção, que se descola da origem, das parcelas de vontades anunciadas e se converte em uma diretriz comum, uniforme, diretiva, e que volta a regular inclusive os dados, indivíduos, vontades originais. Portanto, no Brasil, a própria institucionalização da República precisa agir sobre nós com força de heteronomia, em que não apenas acreditemos no ideal da salus publica, da saúde preservada da Coisa Pública, e em que todas as “saúvas” da corrupção pública sejam fortemente punidas. Antes que isso ocorra será difícil associar o Estado brasileiro à instituição por excelência em que ocorre (transcorre) a centralização e a organização do poder, em torno dos interesses do nosso povo (dignidade), com a preservação da integridade do nosso território e a afirmação da soberania (tendo-se a soberania institucional, mas, igualmente a soberania popular).

 

Referências

 

ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991.

 

DURKHEIM, Émile. Sociologia. 4 ed. Org. José Albertino Rodrigues. São Paulo: Ática, 1988.

 

KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70, 1990.

MACHADO, de Assis. A sereníssima República e outros contos. São Paulo: FTD, 1994

 

SIDOU, J.M. Othon. Dicionário Jurídico. 11ª Edição. Rio de Janeiro: Forense, 2016.

(*) Vinício Carrilho Martinez (Dr.) Cientista Social

[1]Heteronomia jurídica. Sujeição do indivíduo, ou assimilação por ele, aos preceitos do direito, independentemente de sua vontade, mas decorrente da força coercitiva do Estado” (Sidou, 2016, p. 305). Mais ampla do que a ação estatal, a Ágora, na Grécia antiga, e os cantões suíços exemplificam a heteronomia enquanto “poder social” (Arendt, 1991), pois os “cidadãos” participam dos debates públicos, opinam, defendem suas teses e votam (hoje são os valores descritos como liberdade, transparência, isonomia, autonomia). A tese vencedora, então, ganha “força de lei”, impondo-se como regra abstrata, geral, comum, auto aplicada. Uma assembleia de estudantes ou docentes teria a mesma finalidade e institucionalidades semelhantes, como na decretação de uma greve. Seja na forma estatal ou não, a heteronomia adquire a força coercitiva, ou seja, a “força de lei” – “contra todos” (chamado de efeito erga omnes, uma regra auto aplicada “contra todos”, vencidos e vencedores). Isso ainda nos revela o sentido abstrato e universal da lei, como ficção jurídica que decorre da intervenção política. Pode-se dizer que, em conformidade com a fixação do poder social – para além da ação estatal – vigora o Princípio Democrático constante na democracia direta ou participativa: a heteronomia que se fundamenta na coletividade.

[2] Os ataques à educação e à saúde pública são constantes: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/04/10/operacao-pf-sorocaba-desvio-recursos-publicos.htm. Acesso em 10/04/2025.

[3] Em dezembro de 2024, deputados de direita (Republicanos-AM e União-RJ) propuseram novo projeto de lei sobre o tema, de caráter mais brando, como alternativa ao PL das Fake News. O texto, que se coloca como Lei de Proteção às Liberdades Constitucionais, tem sido visto como uma possibilidade de consenso. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/novo-projeto-da-centro-direita-vira-alternativa-ao-pl-das-fake-news-no-congresso/. Acesso em 10/04/2025.

[4] Até pode ser que seja, como é comum em Estados totalitários, teocracias.

[5] É interessante lembrar que, quando os romanos estendiam sua cidadania aos povos conquistados assim promoviam a heteronomia romana por meio da adesão, com a imposição da cultura do dominador. A força aqui provinha da violência, mas depois se interpunha por meio da cultura, de uma associação cultural.

[6] “É fato social toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter” (Durkheim, 1988, p. 52).

[7] Aqui também se associa a ideia de legitimidade: “A minha liberdade exterior (jurídica) deve antes explicar-se assim: é a faculdade de não obedecer a quaisquer leis externas senão enquanto lhes pude dar o meu consentimento. — Igualdade, a igualdade exterior (jurídica) num Estado é a relação entre os cidadãos segundo a qual nenhum pode vincular juridicamente outro sem que ele se submeta ao mesmo tempo à lei e poder ser reciprocamente também de igual modo vinculado por ela” (Kant, 1990, p. 128). Na ordem democrática, a heteronomia exige a legitimidade das ações, ainda que na sociedade de classes prevaleça apenas o princípio.

Tarcísio não quer anistia e ataque de Malafaia foi álibi para Hugo Motta engavetar PL

A velha estratégia de Jair Bolsonaro (PL) de terceirizar ataques por meio de seu guru, Silas Malafaia, foi celebrada nesta terça-feira (8) na Presidência da Câmara, comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB).

Sucessor de Artur Lira, o deputado arrumou um álibi para esquecer na gaveta o PL da Anistia e atender aos anseios de seu partido, o Republicanos, e do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que atua para selar sua candidatura à Presidência em 2026 frente a uma aliança entre Centrão, Faria Lima e mídia neoliberal.

Após se hospedar no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador de São Paulo, para participar do ato na Paulista em favor da anistia, Bolsonaro ordenou à bancada do PL que recuasse na ofensiva fascista contra Motta e deputados do Centrão para colocar o PL da Anistia em pauta.
Bolsonaro determinou ao líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que recuasse na estratégia de expor fotos de deputados que não aderiram à proposta em um “carômetro” na internet.

“Atendendo a um pedido do nosso eterno presidente Jair Bolsonaro vamos, estrategicamente, adiar a publicação dos nomes dos parlamentares que assinaram e dos que ainda estão indecisos”, escreveu Cavalcante em seu perfil na rede X.

O ex-presidente determinou o recuo após Motta afirmar que “não vamos ficar restritos a um só tema”, que aumenta a tensão com os outros poderes. “Não embarcaremos nisso”, ressaltou.

“O que eu acho do Hugo Motta – e eu já conversei com ele algumas vezes. Ele leva pressão do ministro lá do Supremo, que não deveria acontecer, que é interferência. Leva pressão por parte do Executivo”, afirmou Bolsonaro, em resposta, a um canal da ultradireita.

“O que eu acho que se faz, na imprensa, é que nós, os mais interessados na anistia, partamos para o confronto. E daí, sim, você tem um clima desfavorável. Então eu peço a alguns parlamentares do PL – e de outros partidos também -: vai com calma”, emendou, baixando o tom contra Motta.

Além disso, pesquisa Quaest – avalizada pelo Datafolha um dia depois – revela que não há adesão à pauta da anistia e que 56% da população acredita que os envolvidos nas invasões de 8 de janeiro devem continuar presos por mais tempo e cumprirem suas penas.

Ataque de Malafaia

No entanto, em paralelo, Bolsonaro terceirizou a Silas Malafaia os ataques contra Hugo Motta – uma velha tática já usada pela dupla nos embates com Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Na tarde desta terça-feira (8), Malafaia fez estardalhaço nas redes alertando que iria postar um vídeo “com uma denúncia gravíssima contra o presidente da Câmara Hugo Motta”.

No vídeo, guru tentou dar um tom de terror na pauta da Câmara que, segundo ele, atende ao Judiciário e ao Executivo, e requentou a narrativa de que Motta estaria sendo pressionado por Moraes e Lula “porque tem investigação da Polícia Federal contra ele o o pai dele”. O objetivo era incitar a horda bolsonarista contra o presidente da Câmara.

Porém, a estratégia, dessa vez, deu xabu.

Rapidamente, começaram a circular pelos corredores da Câmara que Motta teria ficado furioso com os ataques de Malafaia a mando de Bolsonaro. E que, por isso, engavetaria o acordo feito com o ex-presidente, de colocar o PL da Anistia em pauta caso a bancada bolsonarista obtivesse os 257 votos necessário para iniciar a tramitação.

No entanto, a Fórum apurou com três fontes no Congresso Nacional que o ataque do guru de Bolsonaro foi celebrado no gabinete da Presidência da Câmara.

Segundo essas fontes, Motta estava dividido entre honrar o acordo com Bolsonaro e pautar o PL da Anistia, dando chances para que o ex-presidente não fosse preso e pudesse reverter a inelegibilidade, e uma negociação mais recente, que envolve diretamente o governador Tarcísio Gomes de Freitas e a cúpula dos Republicanos, braço político de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Anistia na gaveta

Malafaia é dono da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) e tem como principal inimigo no eleitorado evangélico o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal. Ambos têm um plano de poder calcado no eleitorado evangélico, principalmente neopentecostal, que é arquitetado desde os anos 1970, a partir do Rio de Janeiro.

A rivalidade foi exposta durante as eleições de 2022, quando Malafaia escanteou Marcos Pereira, bispo licenciado da Universal e presidente do Republicanos, na campanha eleitoral de Bolsonaro.

Pereira ainda teria ficado furioso com as investidas de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, em cima de Tarcísio Gomes de Freitas, que concorreu ao governo de São Paulo pelo Republicanos. Malafaia queria, juntamente com Bolsonaro, atrair o ex-ministro para a legenda e isolar a turma de Edir Macedo.

No entanto, o Republicanos firmou aliança com o PSD, de Gilberto Kassab,  alçado como principal assessor de Tarcísio no governo paulista – e que hoje atua como principal articulador da candidatura de Tarcísio na terceira via.

Para viabilizar definitivamente a candidatura de Tarcísio, no entanto, é necessário tirar Bolsonaro de uma vez por todas do jogo político em 2026. E isso passa, também, por engavetar o PL da Anistia.

“Se Motta tirar da pauta [o PL da Anistia], Bolsonaro fica puto com ele. Se colocar, o Tarcísio fica puto. Malafaia é o álibi pra ele tirar da pauta e deixar o Tarcísio e o partido feliz”, disse uma fonte do Congresso à Fórum.

Ou seja, o ataque de Malafaia deu o álibi que Motta queria para atender aos anseios presidenciais de Tarcísio em conluio com partidos do Centrão, a Faria Lima e a mídia liberal, que propagou a tese de que o presidente da Câmara estaria enfurecido com os ataques de Malafaia – enquanto o ato foi comemorado na “terceira via”.

Enquanto o ex-presidente e seus aliados extremistas incitam a horda a culparem Moraes e Lula pela postura de Motta, Bolsonaro é traído nos bastidores por Tarcísio, que o hospedou antes de subir ao lado dele no trio elétrico na avenida Paulista para buscar votos dos apoiadores radicais para o projeto presidencial em 2026.

Pereira, Motta, Edir Macedo, Kassab, Faria Lima e mídia liberal agradecem a Silas Malafaia por deixar Bolsonaro cada dia mais a caminho da prisão e abrir uma avenida para Tarcísio desfilar na terceira via “anti-Lula” no próximo ano.
Revista Forum

Após caos nos mercados, Trump sinaliza que pode rever tarifas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou nesta quinta-feira (3) que está disposto a negociar tarifas reduzidas com parceiros comerciais, mas ressaltou que Washington só considerará propostas que sejam, segundo ele, “fenomenais”. As informações são da agência Bloomberg.

Na véspera, Trump anunciou 10% de tarifas comerciais sobre a maioria das importações dos EUA e taxas muito mais altas para dezenas de outros países, ameaçando desencadear uma convulsão econômica global.

“As tarifas nos dão um grande poder de negociação”, disse Trump, acrescentando que “todos os países nos contataram”. Questionado se isso significava que ele estava considerando ceder, Trump disse que “depende”. “Se alguém dissesse que vamos lhe dar algo que é tão fenomenal, desde que eles nos deem algo que seja bom”, acrescentou.

Bolsas globais caem – As declarações contrastam com um cenário econômico adverso após o anúncio das tarifas por Trump, na quarta-feira (2). Os índices de referência de Wall Street caíram nesta quinta-feira, encerrando com as maiores perdas percentuais diárias em anos, à medida que as amplas tarifas dos EUA acenderam temores de uma guerra comercial total e uma recessão econômica global.

O índice pan-europeu STOXX 600 cedeu 2,7%, retornando ao seu nível mais baixo desde janeiro. Os índices de referência da Alemanha, da Itália e da França fecharam com queda superior a 3%, com as ações italianas e francesas registrando a maior baixa em mais de dois anos. Um indicador da volatilidade do mercado de ações da zona do euro atingiu o pico de oito meses, de 25,54.

O movimento seguiu uma ampla liquidação de ações globais, à medida que os investidores se voltaram para títulos governamentais considerados mais seguros e para o iene japonês.

No fechamento, o índice de Xangai teve queda de 0,24%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,59% e atingiu o nível mais baixo em dois meses. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,52%. O iuan caiu para o seu nível mais baixo em sete semanas e os mercados de ações chineses recuaram nesta quinta-feira.

Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 2,77%, a 34.735 pontos.

O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quinta-feira, com ações de companhias sensíveis à economia doméstica contrabalançando a pressão de papéis de empresas vulneráveis ao mercado externo.

Brasil 247

Paulo Cadilack é preso por roubo de banco no Mato Grosso

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Paulo Cadilack, miliciano de Candeias do Mamoré (RO), está envolvido num assalto à mão armada a um banco. Paulo Cadilac é bolsonarista.

Gravado por câmeras de monitoramento, o roubo ocorreu quando os funcionários chegavam com malote de dinheiro em uma agência bancária na cidade. As imagens ajudaram na identificação do suspeito, segundo a polícia.

As diligências revelaram que um veículo branco havia deixado um dos criminosos nas proximidades do local do assalto. Esse homem, ao desembarcar, abordou a funcionária do banco ainda dentro do carro, anunciou o assalto com arma de fogo em punho e ordenou que ela entregasse o malote com dinheiro…

Para o advogado de Fábio, José Roberto Rodrigues da Rosa, a absolvição representa que “a Justiça tarda, mas não falha”. Ao Campo Grande News, ele afirmou que o caso foi um absurdo. “Desde o início, estávamos insistindo que ele não tinha absolutamente nenhuma relação com aquele roubo ao banco”, disse o advogado.

Observação. Parte dessa matéria é inverídica. O nome mencionado, Paulo Cadilack, não corresponde ao verdadeiro autor do assalto. Esta postagem é apenas uma demonstração do quão o Google publica notícias falsas.

Texto original:

https://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/acusado-de-envolvimento-em-roubo-de-malote-e-assalto-a-banco-e-absolvido

Caso Vitória-o feminicídio em alta

 

– o feminicídio em alta[1]

 

Vinício Carrilho MartinezDoutor em Ciências Sociais

Tainá ReisDoutora em Ciências Sociais

 

Foi amplamente veiculado na mídia o caso de Vitória, jovem de 17 anos sequestrada e barbaramente assassinada. Não cabe entrar em detalhes do crime, pois aqui a intenção não é reproduzir o sensacionalismo muitas vezes encontrado na cobertura de casos como esse. O que buscamos é apontar, por um lado, o processo social que faz o feminicídio ser ainda tão presente na sociedade brasileira e, por outro, entender o papel do Estado frente a tal quadro.

O feminicídio passa a ser considerado crime específico no Brasil em 2015. A partir da promulgação da Lei 13.104/2015, que altera o Código Penal, o feminicídio foi incluído como uma qualificadora do homicídio, considerado como crime hediondo, com penas de 12 a 30 anos. Esse avanço na legislação vem no esteio da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará) ocorrida em 1994[2]. Em 2024 entrou em vigor a Lei 14.994, que aumenta a pena para feminicídio (20 a 40 anos) e para outros crimes de violência contra a mulher, como lesão corporal, injúria e difamação, e o coloca não mais em um qualificador de homicídio, mas como crime autônomo.

Apesar de avanços na pauta de defesa das mulheres, o Brasil continuou figurando entre os países com maiores índices de violência de gênero, conforme dados do Mapa da Violência. O que se observou é que as mulheres eram assassinadas justamente por serem mulheres, em contexto de violência doméstica ou discriminação de gênero (quando o crime é motivado por ódio, desprezo ou sentimento de posse sobre a mulher). Desse modo, a lei do feminicídio surge exatamente por uma admissão jurídica de que as mulheres estão morrendo por conta de sua própria condição de mulher.

Segundo o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.467 mulheres morreram vítimas de feminicídio em 2023 — o maior registro desde a sanção da lei que tipifica o crime, em 2015. As agressões decorrentes de violência doméstica tiveram aumento de 9,8%, e totalizaram 258.941 casos. (Agência Senado, online, 2024)

 

Desde a tipificação do feminicídio em 2015, 11.859 mulheres foram assassinadas pela condição de gênero (Folha de São Paulo, 2025). O 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou que, em 2023, mais de 65% das mulheres assassinadas de forma violenta eram negras, em sua maioria com idade entre 18 e 44 anos. 64,3% dos feminicídios ocorreram na residência das vítimas; 63% dos agressores eram parceiros íntimos das vítimas, 21,2% eram ex-parceiros íntimos.

Conforme a Rede de Observatórios de Segurança, que realiza o monitoramento dos casos de violência contra a mulher em nove estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo), em 2024, uma mulher morria a cada 17 horas por uma razão de gênero, totalizando 531 vítimas no ano. Ainda em 2024, a cada 24 horas pelo menos 13 mulheres foram vítimas de violência nesses nove estados. Em 2025, Vitória foi uma delas, barbaramente assassinada poucos dias antes de completar 18 anos.

Por que os homens odeiam as mulheres?

A violência de gênero é um problema estrutural. Mas o que isso quer dizer exatamente? Quer dizer que desde que nascem, meninos e meninas são socializados, ensinados (em casa, na escola, pela mídia, enfim, pela cultura) que há uma hierarquia entre eles. Desde a tenra idade é disseminada uma noção de superioridade dos homens sobre as mulheres. Isso é o que se convencionou chamar de patriarcado, um sistema social em que os homens detêm o poder (moral, social, político), enquanto as mulheres seriam relegadas a papéis ditos secundários, como cuidadoras, mães e esposas[3], com menor autonomia e direitos (Federici, 2017, Saffioti, 2013).

A violência é um instrumento de manutenção do status quo de uma estrutura social patriarcal, ou, trocando em miúdos, é o meio pelo qual o poder masculino é mantido (Saffioti, 1995). Assim, a violência de gênero não é algo individualizado, apesar de ser um agressor que vai usar a violência como forma de reafirmar seu poder e controle sobre a mulher. Esse comportamento masculino é produzido socialmente, em uma sociedade de base patriarcal. O que houve com Vitória e com tantas outras mulheres não é uma monstruosidade de homens loucos, mas um sintoma de uma sociedade patriarcal.

Nesse sentido, podemos entender também a misoginia (o ódio às mulheres): não se trata de um sentimento individual de um homem machista, mas uma espécie de sistema disciplinador que pune as mulheres que desafiam os papéis de gênero tradicionais (Manne, 2017). A busca por igualdade e independência das mulheres gera insegurança e hostilidade nos homens (Beauvoir, 2016), e a violência serve para intimidar as mulheres, reforçando sua submissão. O discurso misógino normaliza esses atos de violência.

Ainda, a partir dos dados apresentados anteriormente, mas também contando com a discussão teórica de diversas autoras feministas, entendemos que a maneira como as mulheres estão submetidas aos padrões de poder não é igual, há de se destacar a intersecção entre raça e classe (Davis, 2016, Collins, 2019, Gonzalez, 2020). Lélia Gonzalez discute como a violência contra a mulher negra é historicamente naturalizada, resultado de uma herança escravocrata que consolidou estereótipos legitimadores do controle masculino sobre seus corpos. Segundo a autora, essa violência é invisibilizada por uma sociedade estruturalmente racista, justamente por reforçar estereótipos como da “mulata fogosa” e da “mãe preta” sacrificada, ignorando o sofrimento dessas mulheres.

Gonzalez (2020) denuncia a negligência do Estado em relação a essas pautas, que contribui para a perpetuação dessa opressão. A Rede de Observatórios da Segurança, ao tratar sobre os dados de violência contra a mulher e feminicídios de 2024, afirma:

Continuamos chamando a atenção, ano após ano, para um fenômeno muito maior do que essa amostragem, que foi normalizado pela sociedade e pelo Poder Público como apenas mais uma pauta social. E por isso os números seguem aumentando, enquanto as políticas de assistência estão sendo fragilizadas. (…) Apesar de importantes avanços ao longo dos anos com a institucionalização dos mecanismos de proteção às mulheres, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio como crime – que deveriam estar mais consolidados e dotados de melhores condições de funcionamento –, a violência contra mulheres e o feminicídio continuam sendo uma realidade alarmante em nosso país. (Campo, online, 2025)

 

O que observamos é que, a despeito de algumas políticas, os números de feminicídio e violência contra a mulher continuam alarmantes, vitimando mais as mulheres negras. Assim, entendemos que é necessário combater as raízes sociais e culturais do racismo e do patriarcado, além de garantir a aplicação efetiva da legislação já vigente.

 

Políticas de Estado no Estado Democrático de Direito Social

Diante do exposto, além das óbvias previsões criminais, crimes como o feminicídio, racismo, fomento aos crimes de ódio social, tentativas de golpe, homofobia e outros – em que se destaca não apenas o barbarismo dos indivíduos, mas também o laivo fascista, de claro atentado à condição humana – deveriam/precisam receber a atenção pública e os aportes institucionais adequados.

Como se vê cotidianamente, não bastam as políticas públicas (as que existem, se é que existem), é necessário haver uma mudança estrutural (social, cultural) e institucional, constitucional. Esse “outro paradigma” colocaria essas ações abomináveis sob a inflexão de Políticas de Estado. Isso é urgente, acima de tudo, para que as trocas governamentais não acabem com as poucas políticas públicas já previstas.

Com o entra e sai de governos, as políticas públicas são abaladas ou fortalecidas, é do “jogo político” (ideológico) de quem detém a caneta da heteronomia. Sob a forma de Políticas de Estado, como ocorre com a educação pública e com o SUS (Sistema Unificado de Saúde), as travas institucionais, constitucionais, são efetivamente imunes às ações reacionárias, negacionistas, desconstitutivas da condição humana.

A palavra mágica que as protege é conhecida como “cláusula pétrea”: são as cláusulas de pedra irremovíveis do estofo da Constituição Federal de 1988. Não se mexe nelas e é só por isso que ainda não acabaram com o SUS – que atende milhões de brasileiras e de brasileiros totalmente desamparados, famélicos, submetidos à selva capitalista desse Brasil que se alinha e se alimenta dos restos do Pensamento Escravista.

Portanto, antes de avançarmos mais, é oportuno buscarmos a distinção entre Estado e governo. Empregaremos aqui dois dicionários não-usuais porque trazem luz a um outro problema também: o chamado Partido de Poder[4].

Por Estado podemos entender uma:

Sociedade juridicamente organizada, com um território e um povo determinados. Permite e favorece a convivência pacífica e a realização da totalidade dos fins humanos […] Aparece aqui o poder monopolizado territorialmente, a existência de uma ordem jurídica e administrativa organizada como um sistema, que repousa sobre disposições fundamentais, e a existência de um corpo administrativo consignado a esse cumprimento […] Jellinek define o Estado como a “corporação territorial dotada de um poder de mando originário”[5], devendo-se entender por corporação a síntese jurídica que expressa as relações jurídicas da unidade associativa e considerando a corporação como um sujeito de direitos (Rojas, 2001, p. 436-7 – tradução livre).

 

Já por governo temos que[6]:

É, por oposição (antonomásia), a complexa função de conduzir as pessoas e administrar as coisas do Estado ou o conjunto de órgãos que lhe cabe. A tarefa de governar compreende dois grandes aspectos: conduzir pessoas e administrar coisas (as coisas públicas). O governo das pessoas implica dirigi-las, induzi-las, motiva-las, alenta-las, desalenta-las, estimula-las, disciplina-las, empurra-las, detê-las, coordenar seus esforços, assinalar metas, articular suas atividades para que cada uma delas cumpra a parte que lhe corresponde na vida comunitária[7] […] A administração das coisas do Estado é a promoção ou gestão delas mesmas e a supervisão do processo de produção, circulação e distribuição dos bens econômicos (Borja, 1988, p. 477 – tradução livre)[8].

 

Retomando o paralelo, cabe a certeza de que as Políticas de Estado não abdicam das políticas públicas; pois, pelo contrário, espera-se atribuir-lhes maior robustez, profundidade e alcance estrutural – a exemplo da dotação orçamentária específica e sob o guarda-chuva constitucional das cláusulas pétreas.

A primeira conclusão lógica, portanto, nos diz que as Políticas de Estado são mais resistentes do que indicam as políticas públicas e esse aspecto, per si, aumenta nossa aposta institucional, constitucional, para acirrarmos formas de combate aos piores crimes cometidos no país. Lembremos ainda que a mudança estrutural no enfrentamento desse tipo de violência acarretaria um enfrentamento mais decisivo contra os mesmos problemas estruturais (históricos) e que desembocam na violência diária.

Possivelmente, com a imposição de Políticas de Estado, para os casos gravíssimos de crimes como feminicídio e os variados crimes de ódio social (aos que se soma a misoginia), chegaríamos mais próximos de alguma Justiça Social e do ideal definido pela Constituição Federal de 1988 na forma do Estado Democrático de Direito Social (Martinez, 2025). Tecnicamente, diz-se que o Estado de Direito[9] estaria (se isso ocorrer) redefinido a fim de um efetivo cumprimento dos direitos humanos – agora assentados sob a guarida constitucional dos direitos fundamentais.

Neste ponto, ainda podemos inflexionar que o Poder Político[10] não mais estaria apartado de suas “obrigações públicas de fazer” – uma vez que, sob o escopo das cláusulas pétreas, o Estado é obrigado a obstinar-se a tal efetividade, sendo ele mesmo corresponsável e, portanto, sujeito aos rigores do Império da Lei – especialmente, no sentido de que a juridicidade estaria alinhada à administração das coisas públicas (República) em prol de um mínimo de segurança social aos grupos, classes e indivíduos mais desassistidos e subjugados pela disparidade política e desigualdade social. Este seria o maior e melhor âmbito protetivo dos direitos fundamentais (Sarlet, 2012), na vanguarda das cláusulas pétreas.

 

Conclusões em aberto

Por fim, mas não menos importante, cabe ressaltar que (finalmente) a legalidade (Políticas de Estado) se alinharia politicamente, juridicamente, com a legitimidade[11]: a pretendida Justiça Social.

No caso aqui interposto, sob a alcunha de Políticas de Estado, o Estado brasileiro (do patriarcado, machismo, misoginia) estaria obrigado a agir de um modo que lhe é inusitado, bem como estaria barrado nas suas intenções/ações costumeiras até então (de provocar mais racismo e desigualdade social). O resultado técnico, pode-se dizer, ver-se-ia na subsunção do governo aos postulados éticos e institucionais do Estado Democrático de Direito Social – ao contrário do que verifica historicamente, e mesmo no pós-1988[12].

Temos, então, que as Políticas de Estado nos beneficiam – retirando-nos do escopo basicamente passageiro, ocasional, dos governos de plantão – uma vez que também se alicerçam nas definições e amarras institucionais e constitucionais que devem alinhar o Poder Político (Estado, porquanto seja a “instituição por excelência”, a instituição por definição preliminar e diretiva das demais instituições: a instituição com o poder de status). Se as políticas públicas estão ao sabor das intempéries ideológicas de governos transitórios, as Políticas de Estado se compõem e se articulam na perenidade da definição e das ações constitutivas do Estado Democrático de Direito Social.

Quem sabe, neste momento ideal, o Caso Vitória viesse a refletir uma infinidade de meninas vencedoras e de vida longeva, e não mais as derrotas do país todo.

 

Bibliografia

 

AGÊNCIA SENADO. Lei que pune feminicídio com até 40 anos de reclusão entra em vigor. Brasília. 10/04/2024. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/10/10/lei-que-pune-feminicidio-com-ate-40-anos-de-reclusao-entra-em-vigor. Acesso em 16 mar. 2025.

 

ALLAND, Denis; RIALS, Stéphane. Dicionário da Cultura Jurídica. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

 

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BOBBIO, Norbert. et. al. Dicionário de Política. 5. ed. Brasília: Universidade de Brasília: São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000.

 

BORJA, Rodrigo. Enciclopedia de la Politica. (2ª ed.). México: Fondo de Cultura Económica, 1998.

 

CAMPOS, Ana Cristina. A cada 17 horas, ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio em 2024. Agência Brasil, 13 mar. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-03/cada-17-horas-ao-menos-uma-mulher-foi-vitima-de-feminicidio-em-2024#:~:text=Os%20dados%20apontaram%20um%20total,o%20%C3%ADndice%20%C3%A9%20de%2070%25. Acesso em: 16 mar. 2025.

 

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2019.

 

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016.

 

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução de Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.

 

FOLHA DE SÃO PAULO. Feminicídio fez mais de mil vítimas por ano no Brasil desde 2015. 12 mar. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/03/feminicidio-fez-mais-de-mil-vitimas-por-ano-no-brasil-desde-2015.shtml. Acesso em: 17 mar. 2025.

 

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo, 2024. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/f62c4196-561d-452d-a2a8-9d33d1163af0. Acesso em: 17 mar. 2025.

 

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020

 

HOOKS, bell. A vontade de mudar: homens, masculinidade e amor. Tradução de Stephanie Borges. 1. ed. São Paulo: Elefante, 2023.

 

JELLINEK, Georg. Teoria General del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000.

 

MANNE, Kate. Down Girl: The Logic of Misogyny. New York: Oxford University Press, 2017.

 

MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ensaio sobre o estado democrático de direito social*: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024b. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/

 

OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

 

ROJAS, Andrés Serra. Diccionario de Ciencia Politica. v. II. Fondo de Cultura Económica – Facultad de Derecho/UNAM: Ciudad de México, 2001.

 

SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes: mito e realidade. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013.

 

SAFFIOTI, Heleith Iara Bongiovani. Violência de gênero. Poder e impotência. Rio de Janeiro: Revinter, 1995.

 

SARLET, I. W. Curso de Direito Constitucional (et al). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012.

 

 

[1] Esse texto faz parte de uma série iniciada com a proposição de uma leitura envolvente entre Educação, Estado e Poder: https://aterraeredonda.com.br/educacao-estado-e-poder/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2025-03-10. Acesso em 16/03/2025.

[2] A Convenção de Belém foi um marco internacional que pressionou o Brasil a adotar medidas específicas para proteger as mulheres, como: reconhecer a violência contra a mulher como violação de direitos humanos; promover campanhas de prevenção e conscientização; garantir mecanismos de proteção e assistência às mulheres; realizar coleta de dados sobre esse tipo de violência, entre outros. Uma das políticas que se consolidou para atender essa demanda foi a expansão das delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAM) para todo o território nacional, criação de centros de referência e de casas abrigo. Outra medida, foi a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que criou mecanismos para proteger as vítimas de violência doméstica e punir os agressores.

[3] Diz-se ditos secundários pois, na realidade, esses são trabalhos profundamente necessários para a reprodução social, porém, invisibilizados e não remunerados.

[4] Empregamos dicionários de ciência política lastreado na reflexão mexicana porque nos permitem um paralelo entre o PRI (Partido Revolucionário Institucional), no poder durante 70 anos no México – com profundos desvios diante do ideário da Revolução Mexicana (décadas de 1910/1920) – e alguns partidos brasileiros, como o PSDB e o PT: o primeiro foi um “partido de quadros”, acostumado ao neoliberalismo, nascido dessa ideologia; o segundo veio se acostumando ao poder, em troca de se distanciar de suas bases, da militância que fora composta por estudantes, trabalhadoras e trabalhadores e pelo povo pobre, negro e oprimido. Seja como for, à direita ou mais à esquerda do limite neoliberal, temos nessa dança de cadeiras do governo federal brasileiro mais uma contraprova da urgência de postarmos mais proteção social na condição de Políticas de Estado.

[5] O que ainda corresponde ao longo processo histórico de maturação das institucionalidades no âmago do Estado de Direito (Jellinek, 2000).

[6] Cabe uma nota de acréscimo no sentido de que ao governo tem imbricação tanto a governança (via de regra descrita como suporte institucional, legal) quanto a governabilidade: sendo que a esta refletem as próprias “condições de governabilidade”, ou seja, os humores, a situação, as condições objetivas que permeiam “melhores ou piores condições de governabilidade”.

[7] Não é difícil perceber, pela articulação dos verbos impostos, como se imiscuem o espaço público e o privado, no tocante à gestão governamental de pessoas.

[8] Por sua vez, seu antípoda, é o Estado de não-direito, Estado Paralelo, “governo dos homens” (em revés do “governo das leis”) ou simplesmente “governo de fato”: “É o que se instaura ou se exerce à margem ou contra a lei. O de fato sugere necessariamente a ideia de antijuridicidade. O de fato está em permanente contradição com o de jure em matéria política. De maneira que governo de fato é o que se origina à margem da lei ou o que se exerce contra ou fora do direito” (Borja, 1988 p. 478 – tradução livre).

[9]estado de direito é aquele no qual a lei elaborada pelos legítimos representantes da comunidade está acima dos indivíduos, grupos ou instituições” (Rojas, 2001, p. 438).

[10] “O que caracteriza o poder político é a exclusividade do uso da orça em relação à totalidade dos grupos que atuam num determinado contexto social, exclusividade que é o resultado de um processo que se desenvolve em toda a sociedade organizada, no sentido da monopolização da posse e uso dos meios com que se pode exercer a coação física. Este processo de monopolização acompanha pari passu o processo de incriminação e punição de todos os atos de violência que não sejam executados por pessoas autorizadas pelos detentores e beneficiários de tal monopólio (Bobbio, 2000, p. 956).

[11] “A questão da relação entre legitimidade e legalidade apresenta-se principalmente no direito político quando se trata de saber se a existência de dado governo está ou não fundamentada em direito. Contudo, por analogia, pode-se pensar a legitimidade de um ato jurídico ou de um comportamento em termos de conformidade com a regra ou com a lei em vigor, em dado sistema” (Alland e Rials, 2012, p. 1090).

[12]O paradoxo do poder do estado

A teoria tradicional preocupava-se com o alcance dos poderes discricionários do estado – na verdade foi estabelecida por ele – isto é, a oposição polarizadora entre regimes despóticos e constitucionais […] Disso resulta um paradoxo. A força do estado é, em geral, resultado de até que ponto ele pode colaborar com agrupamentos da sociedade civil, e essa colaboração é normalmente garantida por alguma limitação dos poderes despóticos do estado” (Outhwaite & Bottomore, 1996, p. 258-9).

Cem músicas feitas com o auxílio da inteligência artificial

 

Vinício Carrilho Martinez (Dr.) – professor da UFSCar
Márlon Pessanha (Dr.) – professor da UFSCar
Lucas Gama – acadêmico de Filosofia/UFSCar

Hoje completamos 100 músicas, com letras escritas por nós e
composições e musicalização feitas com o auxílio da inteligência artificial. O
esforço, evidentemente, é humano; afinal, o cérebro da criatividade é nosso –
inclusive, na escolha da modulação musical empregada, o estilo, os ritmos
variados. Temos do Hip Hop à música flamenca, do MPB ao pagode e ao
samba.
Começamos no final de dezembro de 2024, no meio do recesso, e
postamos diariamente uma canção nova. Já gravadas temos 120 músicas, mas
20 ainda não postadas. Passaremos pelo dia 1º de Abril, como o dia da mentira
e do golpe civil-militar, e no dia 2 de abril colocaremos um “papo reto” – como
indicação de que o dia da mentira é coisa do passado, tanto quanto não haverá
anistia para golpistas e terroristas.
Nessas 100 músicas temos elaborações sobre a violência urbana, o
tecnofascismo, o racismo, a loucura da gringa atacando a nossa bolsa de
valores em devaneios de especulação, e temos ainda um Samba do povo, o
mesmo povo que entende que “estudar é amar”.
Algumas das canções são reflexos do nosso estado de espírito, num dia
qualquer, num momento específico em que estávamos, e outras falam
sinceramente de amor. O ideal é sempre ouvir com boas companhias, mas
pode-se ouvir sozinho, sozinha, e viajar pela sua alma.
Algumas letras foram e serão utilizadas em sala de aula, a exemplo de
Anistia e 8 de janeiro, além de Ainda estou aqui – em referência ao nosso
primeiro Oscar, em 2025.
Na verdade, temos dois canais, um no Youtube e outro no Tik Tok, com
as canções se revezando no lançamento – mas, o álbum, no final das contas, é
o mesmo.

Mais à frente nossa intenção é publicar um livro com as letras
completas. Algo para quando chegarmos a 200 canções gravadas e
publicadas.
O principal de tudo, realmente, é a aliança que estabelecemos entre a
alegria, o entusiasmo dessa empreitada que salta os muros da universidade,
para se encontrarem com a nossa condição humana – a nossa e a sua.
Por isso, ouça um pouco do que temos.
É certo de que irá gostar de alguma canção ou de muitas.
Confira aqui, nesses endereços:

https://www.youtube.com/@MusicalizAI

https://www.tiktok.com/@msicai?_t=ZM-8ugjui2QVLa&_r=1

E sejam bem vindos e bem vindas, para se achegarem e não mais
saírem.

Presidentes da Câmara e do Senado já têm acordo e Gayer deve ser cassado

Extremista provavelmente servirá de exemplo para colocação de ordem na zona que virou o Congresso. Ele fez insultos baixíssimos à ministra Gleisi e envolveu Alcolumbre

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (UB-AP), já teriam um acordo claro no qual o deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) será cassado e servirá como exemplo para que o clima de zona generalizada chegue ao fim no Congresso Nacional. O extremista descompensado, que enxerga no parlamento uma arena onde vale tudo para suas ações absurdas e radicais, passou completamente do ponto esta semana.

Gayer proferiu insultos baixíssimos à ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, comparando-a a uma prostituta, e fazendo provocações cafajestes ao companheiro dela, o deputado federal Lindbergh Faria (PT-RJ), colocando até mesmo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP).

“É impressão minha ou Lula ofereceu a Gleisi Hoffmann como um cafetão oferece sua funcionária em uma negociação entre gangues”, escreveu primeiro o bolsonarista em seu perfil na rede X (antigo Twitter). Mas a coisa não ficou só por aí. “Me veio a imagem de Gleisi, Lindbergh e Davi Alcolumbre fazendo um trisal. Que pesadelo!”, acrescentou ainda.

Nas conversas entre os líderes das duas Casas, ficou claro o tom de que a decisão não seria uma ação contra o bolsonarismo, embora seja claro e latente que a Câmara e o Senado se tornaram dois hospícios depois do surgimento desse movimento ideológico ultarradical de extrema direita. Para eles, a coisa precisa parar e o caso de Gayer, que passou de qualquer limite do aceitável, seria o ideal para se impor uma punição.

No dia seguinte, Alcolumbre disse que quer vê-lo cassado

O presidente do Senado da República, Davi Alcolumbre (UB-AP), disse na tarde desta sexta-feira (14), completamente furioso, que vai pedir a cassação do deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) após as postagens do parlamentar insultando de forma grotesca a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Gleisi Hoffmann, assim como o acionará na Justiça comum, nas esferas cível e criminal.

Revista Forum

Alcolumbre pedirá cassação de Gayer e processará deputado por postagem ofensiva sobre ‘trisal’ com Gleisi e Lindbergh

Presidente do Senado vai acionar o Conselho de Ética e promete processar o deputado por comentários nas redes sociais; PT também anuncia medidas

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu acionar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e entrar com ações judiciais e criminais contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). A medida foi tomada após o parlamentar publicar, na rede social X (antigo Twitter), uma mensagem ofensiva que mencionava Alcolumbre, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). “Me veio a imagem da @Gleisi, @lindberghfarias e o @davialcolumbre fazendo um trisal. Que pesadelo”, escreveu Gayer. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

O PT também reagiu às falas de Gayer e anunciou que vai pedir a cassação do deputado no Conselho de Ética e acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o parlamentar por ataques misóginos à ministra.  Em publicações anteriores, Gayer havia se referido à petista como “GP” (garota de programa), o que gerou repúdio generalizado.

A polêmica ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazer um comentário sobre a aparência física de Gleisi durante uma negociação com o Congresso, referindo-se a ela como uma “mulher bonita”. A declaração foi criticada por destacar características pessoais em vez de suas competências profissionais. Apesar disso, a ministra minimizou o episódio e defendeu Lula, afirmando que o presidente “sempre foi respeitoso”. Gayer, no entanto, aproveitou a situação para atacar o petista, reproduzindo discursos ofensivos e misóginos.

O caso deve seguir para análise do Conselho de Ética, onde Gayer poderá responder por quebra de decoro parlamentar. Enquanto isso, as ações judiciais prometidas por Alcolumbre devem incluir processos por danos morais e difamação. A postagem do deputado goiano já foi amplamente criticada por colegas de parlamento e por internautas, que classificaram o comentário como desrespeitoso e inapropriado.

Brasil 247

Homem que matou a jornalista Vanessa Ricarte postava louvor nas redes e se dizia “homem de Deus”

“Homem de Deus”: Enquanto usava as redes sociais para cantar música gospel, se apresentar como “cidadão de bem” e postar louvores, feminicida Caio do Nascimento Pereira acumulava histórico de perseguição a mulheres. Em áudio enviado antes de morrer, Vanessa desabafou sobre a falta de apoio das autoridades e a dificuldade em obter proteção adequada

Em 12 de fevereiro de 2025, a jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi brutalmente assassinada a facadas em sua residência no bairro São Francisco, em Campo Grande (MS). O autor do crime foi seu ex-noivo, Caio Nascimento Pereira, de 35 anos, músico e produtor musical que se apresentava nas redes sociais como um “homem de Deus” e “cidadão de bem”.

Caio possuía um histórico alarmante de violência doméstica, com seis pedidos de medida protetiva e sete processos por ameaça e difamação, todos registrados por ex-namoradas desde 2020. Em um dos casos, ele foi acusado de arrastar uma ex-companheira pelo asfalto, causando-lhe queimaduras nos braços e no rosto.

O relacionamento entre Vanessa e Caio teve início em agosto de 2024. Nas redes sociais, o casal compartilhava momentos felizes, e Caio esforçou-se para conquistar a família de Vanessa, participando das festividades de fim de ano ao lado deles. Contudo, nos meses seguintes, Vanessa começou a perceber comportamentos possessivos e agressivos por parte de Caio.

Nos dias que antecederam o crime, Vanessa foi mantida em cárcere privado, impedida de sair de casa e coagida por Caio. Ela conseguiu escapar e procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar um boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva. No entanto, segundo relatos, o atendimento recebido foi frio e pouco acolhedor. Em áudio enviado a um amigo, Vanessa desabafou sobre a falta de apoio das autoridades e a dificuldade em obter proteção adequada.

Após registrar a ocorrência, Vanessa retornou à sua residência acompanhada de um amigo para buscar seus pertences. Nesse momento, Caio a surpreendeu e desferiu três facadas em seu tórax, atingindo o coração. Ela foi socorrida e levada para a Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu horas depois.

O governo de Mato Grosso do Sul reconheceu falhas no atendimento prestado a Vanessa e defendeu uma punição exemplar para o assassino. Uma sindicância foi instaurada para investigar a conduta das delegadas envolvidas no caso, e o Ministério das Mulheres encaminhou um ofício à Corregedoria da Polícia Civil solicitando apuração sobre o atendimento oferecido à jornalista.

CAIO DO NASCIMENTO PEREIRA

Caio do Nascimento Pereira tem 35 anos e se nomeia nas redes sociais como “homem de Deus”. Músico e produtor musical, ele carrega uma longa lista de passagens criminais, sendo seis pedidos de medida protetiva e sete processos por ameaça e difamação; todos denunciados por ex-namoradas.

Basta dar uma olhada em seu feed do Instagram que o público encontra um homem completamente diferente do que ele realmente é. Caio postava vídeos e imagens tocando piano com grupos de música gospel, exaltava Deus e ainda produzia canções de cantores que falavam em nome da religião.

Pragmatismo Politico

Colônias vazias

Recebi hoje o vídeo. Assistindo novamente fui tomado pela emoção. São mil lembranças: a TAM, hoje Latam, nasceu em Marília: Transportes Aéreos Marília.
A primeira agência do Bradesco é de Marília, a placa com o número 001 ainda está no prédio, na Avenida Sampaio Vidal.
Estava na graduação quando o César fez o vídeo documentário.
César foi meu professor de ciências políticas, na UNESP.
O maior objetivo, penso eu, foi mostrar a evidência de que nossas cidades no interior Paulista (a melhor região do país para se viver) são o resultado dos pioneiros.
E quem são os pioneiros de Marília?
Espanhóis, italianos, nordestinos, trabalhadoras, trabalhadores.
Foram as Marias, os Pedros, os meus avós: Carrilho e Martinez.
E, antes de todos, foram os indígenas locais.
Na região de Marília eram os Coroados.
A ferrovia não funciona mais, mas o nome do Patrimônio (alterando-se para município) tinha que seguir a ordem alfabética.
Por isso a letra M.
E daí chegamos a Marília, inspiração do romance Marília de Dirceu.
Sendo que Dirceu também é um Patrimônio da cidade de Marília.
Se puderem conhecer, sejam bem vindas e bem vindos.
É mesmo uma cidade menina.
Hoje moro em São Carlos, mas minha origem não esqueço jamais.
Realmente, são mil emoções.
Vinício Carrilho Martinez – professor da UFSCar.

José Dirceu de Oliveira e Silva: Guerreiro do Povo Brasileiro!

José Dirceu de Oliveira e Silva é uma figura central na história política recente do Brasil. Nascido em 16 de março de 1946, em Passa Quatro, Minas Gerais, tornou-se um dos principais nomes da esquerda brasileira, destacando-se como líder estudantil na ditadura militar, exilado político e, posteriormente, um dos fundadores e estrategistas do Partido dos Trabalhadores (PT). Sua trajetória combina pragmatismo e compromisso com a transformação social, sendo essencial para a ascensão do PT ao poder.

Dirceu foi um dos arquitetos da estratégia que consolidou o PT como força política nacional. Sua habilidade em equilibrar pragmatismo e compromisso com a luta da classe trabalhadora foi fundamental para superar desafios e pavimentar a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002. Como presidente do PT, construiu alianças com setores da sociedade tradicionalmente afastados da esquerda, sem abrir mão dos princípios de justiça social e igualdade.

No governo Lula, como Ministro-Chefe da Casa Civil, tornou-se uma das figuras mais influentes do Executivo. Sua gestão foi marcada pela eficiência e pelo compromisso com reformas estruturais. No entanto, sua centralidade no governo e sua postura firme em defesa de mudanças profundas despertaram resistência entre setores privilegiados da sociedade.

A partir de 2003, setores da mídia e do Judiciário iniciaram a construção de uma narrativa que retratava Dirceu como a “eminência parda” do governo Lula, supostamente controlando tudo nos bastidores. Essa imagem foi cuidadosamente arquitetada para deslegitimar o governo e minar sua credibilidade. A mídia conservadora passou a tratá-lo como o grande manipulador do poder, enquanto Lula era retratado como figura decorativa.

O tensionamento se intensificou quando Dirceu se opôs à nomeação de Demóstenes Torres para o Ministério da Justiça e propôs a Reforma do Judiciário e o Controle Social das Telecomunicações. Essas iniciativas, que visavam democratizar o acesso à justiça e à informação, foram interpretadas como ameaças aos interesses das elites. A partir de então, a mídia e o Judiciário se articularam para desestabilizar o governo, utilizando como pretexto a crise dos Correios, envolvendo o então deputado Roberto Jefferson.

Dirceu tornou-se o primeiro alvo dessa ofensiva. Em 2005, foi acusado de envolvimento no escândalo do mensalão, um esquema de pagamentos a parlamentares. Apesar das inconsistências nas acusações, a pressão midiática e judicial forçou sua renúncia. O julgamento, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Joaquim Barbosa, foi amplamente criticado por seu viés político e irregularidades processuais. Sua condenação consolidou a narrativa midiática, transformando-o em bode expiatório para deslegitimar o governo Lula e o projeto de transformação social que ele representava.

Quase 20 anos depois, em 2023, José Dirceu foi finalmente absolvido das acusações que pesavam contra ele. A absolvição, embora tardia, representou o reconhecimento das injustiças cometidas contra ele. Durante toda a perseguição, Dirceu manteve a fé na justiça e na democracia. Sua trajetória como advogado e defensor intransigente dos direitos humanos e das liberdades democráticas permaneceu como um exemplo de resistência e integridade.

No último dia 11 de março, em um restaurante em Brasília, Dirceu celebrou seu aniversário ao lado de amigos e correligionários, em um momento de esperança e renovação. Após anos de perseguição, está pronto para retomar a vida política e continuar lutando pelo Brasil. Sua possível candidatura a deputado federal em 2026 surge como uma oportunidade para reafirmar seu compromisso com a justiça social e a democracia.

A história de José Dirceu é a história de um homem que dedicou sua vida à luta por um Brasil mais justo e igualitário. Perseguido e injustiçado, nunca abandonou seus ideais nem deixou de acreditar na possibilidade de transformação social. Sua absolvição representa um passo importante para a reparação histórica e para que ele possa, mais uma vez, servir ao país e ao povo que tanto ama.

E a nossa esperança, com o seu retorno, é que tenhamos uma voz no parlamento para indicar os caminhos equilibrando pragmatismo e compromissos históricos da luta dos trabalhadores.

Por Ronald Pinto

Eduardo Bolsonaro desafia PGR e Moraes a apreenderem seu passaporte: “O que estão esperando?”

Deputado é alvo de pedido de investigação por conspirar contra o Brasil com deputados trumpistas nos EUA

Praticamente morando nos Estados Unidos e já cogitando não retornar ao Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) provocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, em publicação nas redes sociais neste sábado (8).

Alvo de uma ação protocolada na PGR pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que pede a apreensão de seu passaporte, o filho de Jair Bolsonaro desafiou Moraes e Gonet a confiscarem seu documento de viagem. Ele argumentou que o prazo dado pelo ministro do STF para que a PGR se manifestasse sobre o assunto já teria se encerrado.

O pedido de Moraes para que a PGR se pronunciasse sobre a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro foi feito em 1º de março, com prazo de cinco dias para resposta. No entanto, devido ao feriado de Carnaval, o prazo se esgota apenas na terça-feira (11).

“É impressão minha ou já se passaram os 5 dias que Moraes deu de prazo para o PGR responder se o regime vai ou não apreender meu passaporte? Estranho… o que eles estão esperando? Pois eu não posso acreditar que o PGR está desrespeitando um prazo do Todo Poderoso. Concordam?”, disparou Eduardo Bolsonaro.

Desde que Donald Trump reassumiu a presidência em janeiro, o deputado federal já viajou três vezes aos Estados Unidos, onde tem permanecido para articular ataques ao governo brasileiro e ao STF.

O filho de Jair Bolsonaro tem se aliado a parlamentares da extrema direita norte-americana para pressionar o governo dos EUA a adotar retaliações contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a trama golpista, e até mesmo impor sanções contra o Brasil.

O objetivo é claro: constranger Moraes e o governo Lula com o respaldo dos EUA, buscando influenciar o curso da investigação sobre a tentativa de golpe. A intenção final é livrar Jair Bolsonaro da prisão e reabilitá-lo politicamente para um eventual retorno ao Palácio do Planalto. Além disso, Eduardo Bolsonaro aposta na imposição de sanções norte-americanas contra o Brasil como forma de enfraquecer a gestão de Lula e pavimentar o caminho para que seu pai volte ao poder.

Diante dessas articulações, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma representação à PGR pedindo que Eduardo Bolsonaro seja investigado e tenha o passaporte apreendido. O petista argumenta que as ações do parlamentar configuram crime de lesa-pátria e tentativa de interferência nas investigações conduzidas pelo Judiciário brasileiro.

Entenda 

Na última quinta-feira (27), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma representação à PGR solicitando uma investigação contra Eduardo Bolsonaro. No documento, ele pede que o Ministério Público Federal adote providências contra o deputado do PL e avalie a apreensão de seu passaporte, impedindo-o de continuar viajando aos EUA para conspirar contra o Brasil.

Correia argumenta que Eduardo Bolsonaro “patrocina, em Estado estrangeiro, retaliações contra o País e também contra um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal”, além de buscar “causar embaraço à investigação em curso no STF”.

A representação cita uma reportagem da Fórum revelando que Eduardo Bolsonaro já esteve nos EUA ao menos três vezes desde a posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2025, articulando com deputados republicanos a aprovação de um projeto de lei para impedir a entrada de Alexandre de Moraes no país. O documento foi aprovado em um Comitê da Câmara dos EUA e segue agora para votação no plenário da Casa Legislativa americana.

Correia argumenta que a conduta do filho de Bolsonaro pode ser enquadrada como crime contra o interesse nacional e cita os artigos 2º da Lei 12.850/2013, que trata de organização criminosa, e o artigo 344 do Código Penal, que pune a coação no curso do processo.

Ação no Conselho de Ética

O PT, representado pela presidenta Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), ingressou, também na última quinta-feira (27), com pedido de abertura de procedimento para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar de Eduardo Bolsonaro por conspirar contra o Brasil na articulação que tem feito junto a parlamentares republicanos e o governo Trump nos EUA.

Na representação, entregue ao presidente da Câmara Hugo Motta, o PT pede a “abertura de processo ético disciplinar, por quebra de decoro parlamentar do Deputado ora Representado” para ser analisado “à luz das penalidades descritas no art. 10 do Código de Ética e Disciplina Parlamentar”.

O artigo citado prevê quatro penalidades ao deputado, caso seja condenado: censura verbal ou escrita, suspensão de prerrogativas regimentais por até seis meses, suspensão do exercício do mandato por até seis meses ou perda de mandato.

Revista Forum

STF forma maioria para tornar réus deputados do PL por corrupção com emendas

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), aponta que Josimar Maranhãozinho (PL-MA) era o líder do grupo

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para tornar réus dois deputados e um suplente do PL, partido de Jair Bolsonaro, por corrupção passiva e organização criminosa, informou o jornalista Fabio Serapião, do portal Metrópoles, neste sábado (8).

O julgamento ocorre na Primeira Turma do STF, em plenário virtual, com votos favoráveis já registrados dos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Também fazem parte da Primeira Turma os ministros Luiz Fux e Flávio Dino. Eles deve registrar seus votos até 11 de março.

“Contra os três parlamentares há evidências produzidas ao longo da investigação criminal indicando que teriam atuado em concertação ilícita para solicitar ao prefeito José Eudes Sampaio Nunes o pagamento de vantagem indevida, o que caracteriza, em tese, o delito de corrupção passiva”, diz trecho do voto do ministro-relator, Zanin.

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), aponta que Josimar Maranhãozinho (PL-MA), líder do grupo, Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) solicitaram propina de R$ 1,6 milhão ao prefeito de São José do Ribamar (MA) para liberar R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares a serem destinadas à saúde pública. A PGR afirma que Maranhãozinho liderava um esquema de desvio de recursos e chegou a ser flagrado com maços de dinheiro em outra investigação.

A investigação começou em novembro de 2020. Além dos parlamentares, o grupo contava com a participação de lobistas e de um agiota. Maranhãozinho, em outra apuração, chegou a ser flagrado com maços de dinheiro, segundo a PGR.

O esquema operava da seguinte maneira: agiotas realizavam empréstimos a parlamentares, que, em troca, indicavam emendas orçamentárias para prefeituras. Posteriormente, os agiotas cobravam dos prefeitos o reembolso dos valores emprestados, fechando assim o ciclo de desvio de recursos públicos.

Brasil 247

Trump cita o Brasil ao defender novas tarifas contra países que taxam os EUA

Presidente americano anuncia medidas protecionistas e reforça discurso nacionalista em pronunciamento ao Congresso

Em discurso ao Congresso dos Estados Unidos na madrugada desta quarta-feira (4), o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas contra países que impõem tributação sobre produtos americanos. Durante sua fala, ele mencionou o Brasil entre as nações que, segundo ele, cobram “tarifas imensas” dos Estados Unidos. “Muitos países usam tarifas contra nós há décadas, nós começaremos a usar contra eles”, declarou Trump, citando especificamente União Europeia, China, Brasil, Índia, México e Canadá, além de outras nações. Ele afirmou que as novas taxas entrarão em vigor a partir de 2 de abril. “Aquilo que qualquer país nos tributarem, nós tributaremos de volta”, disse o presidente, segundo reportagem do Valor.

Trump justificou a medida como parte de sua política de proteção à economia americana e reiterou sua visão de que os EUA foram “roubados por décadas” em relação ao comércio internacional. “E não vamos deixar que isso aconteça mais”, enfatizou.

Nos últimos dias, Washington anunciou tarifas sobre produtos como aço, alumínio e etanol, o que afeta diretamente o Brasil. O etanol brasileiro entra no mercado americano com tarifas mais baixas do que as cobradas no Brasil sobre o etanol dos EUA, algo que Trump classificou como uma desvantagem para os produtores americanos.

A política tarifária da administração Trump tem gerado forte reação internacional, com promessas de retaliação por parte de países afetados. Economistas alertam para os riscos de uma escalada protecionista que pode prejudicar o comércio global. “Pode ter um período meio complicado, mas vai dar tudo certo”, disse Trump, minimizando os impactos negativos.

O discurso no Congresso foi o primeiro de Trump desde sua posse para o novo mandato. No pronunciamento, ele fez um balanço autoelogioso dos primeiros 40 dias de governo, destacando a adoção de medidas como maior rigor nas fronteiras, cortes em regras de inclusão e a retirada dos EUA de organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Comissão de Direitos Humanos da ONU e o Acordo de Paris sobre o clima.

Trump também celebrou a redução no número de travessias ilegais na fronteira sul dos EUA, que em fevereiro registrou menos de 9 mil prisões, o menor número desde a década de 1980. “Eles ouviram minhas palavras e escolheram não vir. Muito mais fácil assim”, declarou.

O presidente ainda defendeu cortes de gastos do governo federal e insinuou que houve fraudes na administração de seu antecessor, Joe Biden. Segundo ele, a redução desses gastos ajudará a equilibrar o orçamento e a conter a inflação, reforçando sua promessa de um governo financeiramente mais eficiente.

Embora o pronunciamento tenha seguido o modelo dos tradicionais discursos do Estado da União, que são feitos anualmente pelos presidentes americanos, ele não teve esse caráter por ser o primeiro no ano da posse.

Brasil 247

Educação, Estado e Poder

Vinício Carrilho Martinez – Cientista Social

Como fazer Educação para o poder (popular), se a política perdeu a graça? Há outra palavra que rima com essa, mas não vou dizer. Em todo caso, fica essa pergunta e uma certeza: o político sem graça, que perdeu a simpatia, só a irá encontrar nos amigos de verdade, junto ao povo pobre, negro e oprimido.

Dentro desse contexto, cabe dizer que o título do texto é o mesmo da minha próxima disciplina na graduação (optativa) e há uma infinidade de questões que passam por essa tríade, desde a emancipação que interessa aos pobres, negros e oprimidos (educação para o poder) até o que há de podre no Reino da Dinamarca (Shakespeare no Hamlet).

Ainda é possível tratarmos de outras variações ou desdobramentos, como: política, dominação, decisão ou alteridade, autoridade, imposição. Desde O Príncipe de Maquiavel, a política sempre vem associada a um sentido de força, imposição – na falta de convicção e de convencimento – e isto os antigos chamavam de virilidade. A política era entendida como atributo masculino, ainda que as mulheres sempre tenham feito muito mais política (como “a nobre arte da sobrevivência”) do que os homens dominantes (“falocracia”). Por sua vez, essa “virilidade” nem sempre (ou quase nunca) vinha associada às requeridas “virtudes”: também chamavam de virtù.

Porém, como atualização de sentidos, vamos denominar a política atuante como “rudeza[1]” e que, por sua vez, desconstrói a simpatia: as forças da extrema direta e do Fascismo Nacional são predizíveis nessa seara política. Ou seja, o que prevalece é a imposição (enquanto dominus[2]) e suas decisões são “firmes o suficiente” (como deveria ser o Estado) para que a força (virilidade) jamais possa ser questionada.

Neste caso, de imediato, sem considerar muitas das demais sintonias, vejamos que estamos num paradoxo muito estranho: simpatia, no dicionário etimológico, é a “capacidade de estar com duas ou mais pessoas” e a política, em outra definição bem simples, alude à condição de pautar, convocar, e reunir a fim de se decidir para um fim coletivo.

Então, sem muito esforço da inteligência política, se não há simpatia, podemos indagar: como é que se faz política?

Pois é a este dilema que o país parece estar submetido: o país perdeu sua graça, está sem carisma – assim como nossa política. Comparativamente ao passado recente, hoje, talvez por excesso de mágoa não resolvida, por escassez de tempo e urgência diante nas avaliações negativas, ou por imposição do mero brilho do ego, os “líderes simpáticos” de outrora estão encastelados, envoltos por “amigos” contra seus (nossos?) “inimigos”. E eis então que chegamos em outro beco sem saída, aquele que definha a política numa “relação amigo/inimigo” – “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei” (leia-se, a rudeza, a frieza, a truculência).

De certa forma, não é difícil explicar como uma liderança política perde seu carisma, aquela ação/vibração ou capacidade de produzir “simpatia política”[3]: a “graça de quem faz política com pessoas, para as pessoas”. O difícil é fazer o jacaré fechar sua bocarra: essa expressão quer dizer que, quando os polos se afastam, sobretudo apontando níveis insuportáveis de parca adesão, com a boca da inimizade política cada vez mais aberta, é praticamente impossível reverter o processo.

A figura de linguagem do jacaré de boca aberta é muito forte na simbologia e na análise política, por duas razões: quando o jacaré fecha a mordida na sua presa, não há o que o faça abrir, a não ser a vontade de comer; troquemos o jacaré por um crocodilo e chegaremos ao Mito do Estado. A primeira ou mais forte representação sobre o Estado foi dada por Hobbes; no entanto, o filósofo do Renascimento fazia referência a uma passagem bíblica (Isaias 27:1[4]).

Para interagirmos melhor com o animal símbolo do poder, imaginemos derrotar um crocodilo do Rio Nilo, um dos mais vorazes e fortes animais da natureza, com lanças e flexas da Idade do Bronze (um metal macio): sua couraça representaria uma força superior ao tanque de guerra mais possante da atualidade (feito com aço e cheio de contramedidas), comparando-se a resistência da couraça com a tecnologia bélica da época. O resultado dessa associação entre força, resistência, indestrutibilidade, seria o Estado.

Voltando à “simpatia política” (ou antipatia, a depender de como analisamos a aceitação e as “intenções de voto”), pensemos como é intransponível a montanha que ameaça desmoronar (ou já desmoronou) para quem perdeu o carisma: o jacaré de boca aberta que está à espreita.

Sem o carisma, poderíamos pensar em uma nova política, sendo feita com esmero, capacidade técnica inquestionável, racionalidade, uma relação numeral que mais acerta do que erra – e não é o caso atual. Aliás, antes de avançarmos, frisemos que a simpatia em baixa (ou antipatia em alta) logo se associa ao preconceito, ao ranço, ao rechaço, às famosas náuseas que levam à interdição política.

Um líder político que passou pelo céu e pelo calvário foi Mussolini. Precursor da Itália fascista, o Duce praticamente reinventou o “carisma político” – meio que na esteira de seu compatriota Caio Júlio César, o mais consagrado general romano –, indo aos píncaros solares do populismo de direita, mas que acabou de ponta-cabeça em praça pública.

Com muito marketing mercantil, no Brasil, tivemos Fernando Collor de Melo, instado ao poder com fomento popular e que acabou num célebre impeachment. De cunho mais “técnico”, vimos Fernando Henrique Cardoso – alocado no poder central a partir de um “partido de quadros” e com seu “notório saber” – vimos o neoliberalismo avançar seus primeiros passos. Depois, foi defenestrado por um arranjo de petições ideológicas, levando Lula ao primeiro mandato, na soleira de um “partido de massas”. Saiu, no segundo mandato, com 80% de aprovação: um marco para a política mundial, sem dúvida – ainda mais por se tratar de um metalúrgico. Entretanto, aqui importa destacar a simpatia reunida: 80% de amigos, se preferirem dizer assim.

Hoje, sem tanta simpatia, tampouco consegue emplacar forças e partidos de quadros. É óbvio que não tratamos aqui de “partidos revolucionários”.

Faz muito tempo que o PT se afunilou como “partido de poder” – e com isso quero dizer que, numa associação ao PRI (Partido Revolucionário Institucional), do México do século XX, tornou-se uma agremiação que luta (exclusivamente) pelo poder e para se manter no poder. Contudo, nessa praia, o que parece óbvio, não é, efetivamente. Na política, nada é muito o que parece ser.

Basta-nos pensar que os partidos, os mais notáveis ou honestos (mais ainda se olhados pelo ângulo da esquerda), deveriam se voltar à mudança social, muito mais à transformação do que à preservação do status quo. Talvez os índices crescentes de perda de simpatia (carisma em baixa) se devam a isso, uma vez que não se espera de um “partido de esquerda” mover-se do mesmo modo, na mesma lagoa dominada pelo jacaré insaciável da direita (ou extrema direita).

Por fim, volta a pergunta que não quer calar: como angariar simpatia, sem sair da lagoa desse implacável crocodilo?

Com o perdão dos trocadilhos, emprestados para o entendimento mais direto, parece que, sem carisma, não se atenta mais ao fato de que “em lagoa que tem piranhas, jacaré nada de costas” …

Ou será, em outra hipótese, que os amigos encastelados não são tão amigos assim e, no fundo da lagoa, já estariam “dando boi às piranhas”?

Quando não há simpatia política, tudo é bem possível (até provável), porque “o barco furado faz muita água” e a “política do toma lá, dá cá”, parece não satisfazer a todos os ratinhos do porão do poder. É desse modo que o político carismático vira um bicho-papão.

Como dito no início, os amigos do politico carismático (simplificado como populista) estão no meio do povo pobre, negro e oprimido. No castelo, no Palácio, estão os “amigos da onça”.

[1] O primeiro texto que vou utilizar é esse do link abaixo, sobre a dança das cadeiras na política que deixou Nisia Trindade (Ministra da Saúde) de pé – na porta da serventia: https://aterraeredonda.com.br/o-relogio-e-a-delicadeza/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2025-03-02. Olhar o relógio é desrespeitoso e foge ao decoro da liturgia do cargo.

[2] “A lei do mais forte”, a lei do capital ou a lei da espada que dita o direito de vida e morte.

[3] As pessoas envelhecem, querem sossego – é um direito legítimo. Mas, erram pecaminosamente ao não investirem na renovação dos quadros, das lideranças políticas.

[4] Assim se dizia biblicamente sobre o Leviatã: “Naquele dia, o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, a serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão que está no mar”.

Lançado edital para construção do túnel Santos-Guarujá; Investimento previsto chega a R$ 6 bi

Com investimento previsto em R$ 6 bilhões, o governo federal anunciou, nesta quinta-feira (27), o edital para a construção do túnel Santos-Guarujá. O intuito do empreendimento é garantir mais mobilidade e eficiência logística para a Baixada Santista.

Em meio à cerimônia de apresentação do edital, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que a construção do túnel é a confirmação de um compromisso que envolve o governo federal e a gestão pública do estado de São Paulo.

“Vamos fazer juntos uma obra que, depois de 100 anos, está saindo do papel. Essa obra vai trazer dignidade às comunidades, vai ajudar a mobilidade urbana, vai gerar empregos e renda e fortalecer o Porto de Santos, o maior porto público da américa latina. Em agosto estaremos juntos, batendo o martelo para a maior obra do Brasil e do setor portuário brasileiro”, afirmou o ministro.

Trata-se do primeiro túnel submerso do país e o maior da América Latina. O empreendimento conta com 1,5 km de extensão. Desse total, 870 metros são imersos.

O leilão está previsto para ocorrer em 1º de agosto de 2025. A estimativa é de que o projeto promova a geração de 9 mil empregos diretos e indiretos. O empreendimento foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (Novo PAC).

Atualmente, mais de 28 mil pessoas fazem a travessia entre os dois municípios com a utilização de barcos de pequeno porte ou balsas. Além disso, por dia, mais de 21 mil veículos cruzam as duas margens.

Vale destacar que o túnel terá três faixas de rolamento por sentido, incluindo uma exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Também serão disponibilizados acessos voltados para pedestres e ciclistas.

O evento também contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de outras autoridades.

Na avaliação de Lula, iniciativas como essa ajudam a resolver problemas que a maioria das pessoas enfrenta no dia a dia. “Porque as pessoas moram nas cidades, e não no estado ou no Brasil. É na cidade que elas vão pegar o ônibus, é na cidade que elas vão ao médico, é na cidade que elas vão à escola, é na cidade que elas querem o asfalto”, pontua.

Porto Organizado de São Sebastião

O evento também marcou a assinatura da renovação antecipada da delegação do Porto Organizado de São Sebastião por mais 25 anos. Com isso, houve a extensão da vigência de 2032 para 2057.

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Além disso, a cerimônia teve como destaque a assinatura de um acordo extrajudicial coletivo entre as autoridades portuárias patrocinadoras e o Instituto Portus, mediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Considerado um avanço significativo para a garantia de direitos trabalhistas – com garantia de aposentadorias e redução de passivos das Administrações Portuárias – o acordo envolve valores em litígio de R$ 5 bilhões.

Fonte: Brasil 61

Superávit primário bate recorde em janeiro e soma R$ 84,88 bilhões

Num mês tradicionalmente de forte entrada de recursos no caixa do governo, as contas públicas surpreenderam. Em janeiro, as contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram superávit primário de R$ 84,882 bilhões. O valor representa aumento real (acima da inflação) de 2,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o superávit tinha atingido R$ 79,462 bilhões.

Esse é o melhor superávit para meses de janeiro desde o início da série histórica, em 1997, em valores nominais. Em valores corrigidos pela inflação, no entanto, o valor é o terceiro maior da série, perdendo para janeiro de 2022 e de 2023.

O resultado veio melhor que o esperado pelas instituições financeiras. Segundo a pesquisa Prisma Fiscal, divulgada todos os meses pelo Ministério da Fazenda, os analistas de mercado esperavam resultado positivo de R$ 83,4 bilhões em janeiro.

O resultado primário representa a diferença entre as receitas e os gastos, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano e o novo arcabouço fiscal estabelecem meta de déficit primário zero, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para cima ou para baixo, para o Governo Central. No limite inferior da meta, isso equivale a déficit de até R$ 30,97 bilhões.

 

Previsto para ser votado pelo Congresso apenas em março, o projeto do Orçamento de 2025 prevê leve superávit primário de R$ 3,7 bilhões para o Governo Central. A conta, no entanto, exclui despesas fora do arcabouço fiscal, como o pagamento de precatórios.

Ao considerar os precatórios, dívidas judiciais com sentença definitiva, a previsão de déficit primário sobe para R$ 44,1 bilhões.

Receitas

Na comparação com janeiro do ano passado, as despesas subiram mais que as receitas, se descontada a inflação. No mês passado, as receitas líquidas subiram 8,4% em valores nominais. Descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alta chega a 3,7%. No mesmo período, as despesas totais subiram 9,2% em valores nominais e 4,4% após descontar a inflação.

Os dados indicam que a arrecadação federal em janeiro bateu recorde. Por causa da greve na Receita Federal, no entanto, as estatísticas da arrecadação no mês passado só serão divulgadas na segunda semana de março.

Conforme informações preliminares do Tesouro, os principais destaques foram o aumento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), decorrente da recomposição de tributos sobre os combustíveis e da recuperação da economia, e o aumento na arrecadação do Imposto de Renda Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Impulsionado pela valorização do dólar e pelo crescimento da economia, o Imposto de Importação também teve alta significativa.

 

As receitas não administradas pela Receita Federal caíram 2,5% descontada a inflação na mesma comparação. Segundo o Tesouro, isso se deve principalmente à realização de um depósito judicial de R$ 1,4 bilhão em janeiro de 2024, que não se repetiu em janeiro deste ano. As receitas com royalties, que incluem principalmente o petróleo, cresceram 1,3% acima da inflação.

Despesas

Quanto aos gastos, o principal fator de alta foram os gastos com a Previdência Social, que subiram 2,4% acima da inflação, devido ao aumento do número de beneficiários e à política de valorização do salário-mínimo. Os gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) saltaram 14,8% acima da inflação, pelos mesmos motivos.

Apesar da revisão de cadastros do Bolsa Família, os gastos com despesas obrigatórias com controle de fluxo (que engloba os programas sociais) subiram 6,3% em janeiro descontada a inflação na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo o Tesouro, o principal fator foram os gastos com a saúde, que aumentaram R$ 2,4 bilhões no período.

Os gastos discricionários (não obrigatórios) subiram 25,2% além da inflação. Os gastos com o funcionalismo federal caíram 4,2%, descontada a inflação no primeiro mês do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Isso se deve à não aprovação do Orçamento de 2025, que adiou o pagamento de reajustes concedidos no ano passado. O dinheiro será pago retroativamente aos acordos estabelecidos quando o Orçamento for sancionado.

Quanto aos investimentos (obras públicas e compra de equipamentos), o total em janeiro somou R$ 3,239 bilhões. O valor representa alta de 73% acima do IPCA em relação ao mesmo período de 2024. Nos últimos meses, essa despesa tem alternado momentos de crescimento e de queda descontada a inflação. O Tesouro atribui a volatilidade ao ritmo variável no fluxo de obras públicas.

 

Eduardo Bolsonaro pode ter passaporte retido por conspirar contra o Brasil nos EUA

Deputado Rogério Correia aciona PGR contra o filho de Bolsonaro, que abandonou seu mandato parlamentar para articular retaliações dos EUA ao ministro Alexandre de Moraes e sanções ao Brasil

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pode ter seu passaporte retido pela Polícia Federal (PF) por conspirar contra o governo e o Judiciário brasileiro junto a parlamentares dos Estados Unidos.

Na iminência da condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, que recentemente foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado, o deputado abandonou seu mandato no Brasil e, desde o início de 2025, tem se ocupado em viagens aos EUA para articular junto a parlamentares republicanos, apoiadores do presidente Donald Trump, retaliações do governo norte-americano ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), e sanções ao Brasil.

O objetivo de Eduardo Bolsonaro é constranger Moraes e o governo brasileiro com o apoio dos EUA para, de alguma maneira, interferir no curso do inquérito da tentativa de golpe e, assim, livrar seu pai da prisão e reabilitá-lo politicamente para que ele retorne ao Palácio do Planalto. Em paralelo, as sanções dos EUA contra o Brasil serviriam para desgastar o governo Lula e abrir caminho para que Jair Bolsonaro, após o golpe fracassado, assuma novamente o poder.

Diante de tal articulação criminosa e que fere a soberania nacional, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando uma investigação contra Eduardo Bolsonaro. No documento, ele pede que o Ministério Público Federal adote providências contra o deputado do PL e avalie a apreensão de seu passaporte, impedindo-o de continuar viajando aos EUA para conspirar contra o Brasil.

Correia argumenta que Eduardo Bolsonaro “patrocina, em Estado estrangeiro, retaliações contra o País e também contra um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal”, além de buscar “causar embaraço à investigação em curso no STF”.

A representação cita uma reportagem da Fórum revelando que Eduardo Bolsonaro já esteve nos EUA ao menos três vezes desde a posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2025, articulando com deputados republicanos a aprovação de um projeto de lei para impedir a entrada de Alexandre de Moraes no país. O documento foi aprovado em um Comitê da Câmara dos EUA e segue agora para votação no plenário da Casa Legislativa americana.

Além disso, Eduardo Bolsonaro também estaria articulando sanções ao Brasil com congressistas americanos. O deputado mantém relações próximas com Richard McCormick, republicano do estado da Geórgia, e chegou a sugerir, em postagens na rede social X (antigo Twitter), que Trump aplique a Lei Global Magnitsky Human Rights Accountability Act contra o Brasil. Essa legislação permite que os EUA bloqueiem ou revoguem vistos, além de impor restrições de propriedade a pessoas ou entidades acusadas de violações de direitos humanos.

Correia argumenta que a conduta do filho de Bolsonaro pode ser enquadrada como crime contra o interesse nacional e cita os artigos 2º da Lei 12.850/2013, que trata de organização criminosa, e o artigo 344 do Código Penal, que pune a coação no curso do processo.

O deputado petista classifica as ações de Eduardo Bolsonaro como “cruzada infamante” e argumenta que “as condutas reiteradas do Representado configuram um crime de lesa pátria”, solicitando a instauração de Procedimento de Investigação Criminal, medidas administrativas e a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro.

A ação de Correia na PGR soma-se a outra representação apresentada nesta quarta-feira (26) pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que acusa Eduardo Bolsonaro de “crime contra a soberania nacional” por conspirar contra o Brasil e autoridades brasileiras nos EUA com suposto uso de recursos públicos.

O caso agora está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, que deverá analisar os pedidos e decidir sobre a eventual abertura de investigação contra Eduardo Bolsonaro.

Conspiração contra o Brasil

Eduardo Bolsonaro, que já afirmou que abandonou o trabalho na Câmara para se dedicar à conspiração nos EUA para beneficiar seu pai, tem se reunido frequentemente com parlamentares e políticos ligados a Trump para conduzir um levante para achacar autoridades brasileiras, em especial Alexandre de Moraes, e tentar livrar o ex-presidente da cadeia.

No dia 11 de fevereiro, Eduardo esteve com Paulo Figueiredo no gabinete de McCormick, segundo o filho de Bolsonaro, “um grande aliado na causa da liberdade a ajudando o Brasil no processo de resgate da democracia”.

Dois dias depois, Eduardo compartilhou uma publicação de McCormick, dizendo que “o senhor e sua equipe têm sido incríveis” e que “nossos ideais convergem e nosso trabalho está apenas começando”.

“Foi ótimo conversar com meu amigo e guerreiro Eduardo Bolsonaro”, escreveu o deputado republicano propagando fake news divulgada por Elon Musk sobre “ajuda da Usaid [Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional] para interferência eleitoral no Brasil”.

No fim da noite desta segunda-feira, Bolsonaro também agradeceu a Elon Musk que compartilhou a publicação do senador Mike Lee sobre a “visita” ao Brasil no final do ano: “good”, escreveu o bilionário.

“Hugs from Brazil, @elonmusk”, comentou Bolsonaro, mandando abraços em inglês.

Revista Forum

 

O começo do fim ou o fim do começo?

Por Ronald Pinto

Gene Sharp, teórico político e fundador da Instituição Albert Einstein, dedicou sua vida ao estudo de métodos não violentos para a derrubada de governos considerados autoritários. Seu trabalho mais influente, Da Ditadura à Democracia, funciona como um manual estratégico para a realização de revoluções suaves, que buscam minar a legitimidade de governos através da construção de narrativas que os caracterizam como opressores e ilegítimos. Quando aplicados às redes sociais, esses métodos ganham uma dimensão ainda mais poderosa, especialmente em um contexto de polarização política como o do Brasil.

Sharp propõe que a queda de governos autoritários pode ser alcançada por meio de estratégias não violentas, como a desobediência civil, a construção de narrativas e a mobilização popular. O objetivo central é corroer a legitimidade do governo, criando um ambiente em que a população passe a enxergar o regime como opressor. Para isso, é fundamental construir narrativas que ressoem com as insatisfações populares, amplificando-as e direcionando-as contra o governo.

Sharp também enfatiza o controle da informação e da comunicação como elementos essenciais desse processo. No mundo contemporâneo, as redes sociais tornaram-se o principal campo de batalha para a disseminação dessas narrativas. Plataformas como Twitter, Facebook, Whatsapp e Instagram permitem a rápida propagação de conteúdos, sejam eles verdadeiros ou falsos, criando bolhas de opinião que reforçam determinadas visões de mundo.

No Brasil, as redes sociais têm sido usadas estrategicamente para impulsionar a Revolução Suave. Algoritmos destas redes priorizam os conteúdos polêmicos e engajadores amplificando tudo o que possa gerar desgaste para o governo. Ao mesmo tempo, conteúdos favoráveis são filtrados ou marginalizados, construindo uma percepção de ampla rejeição popular.

Esse processo é sutil e meticulosamente planejado. Para evitar a acusação de censura, algumas postagens de defesa do governo são permitidas, mas em proporção mínima, criando a ilusão de neutralidade. O efeito cumulativo é a consolidação de uma narrativa dominante que enfraquece o governo e fortalece a oposição.

O impeachment de Dilma Rousseff em 2016 exemplifica o sucesso dessa estratégia. Na época, as redes sociais foram inundadas com narrativas que caracterizavam seu governo como autoritário, corrupto e incompetente. Movimentos como Fora Dilma e Movimento Brasil Livre emergiram e cresceram nesse contexto. A mídia tradicional amplificou essas narrativas, criando um ciclo de desinformação e deslegitimação. Embora Dilma não tenha sido pessoalmente acusada de corrupção, a narrativa de que seu governo era incompetente, autoritário e ilegítimo prevaleceu, levando à sua queda.

Atualmente, observa-se um processo semelhante em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde sua eleição em 2022, Lula tem sido alvo de uma campanha intensa de deslegitimação nas redes sociais. Narrativas que questionam a legitimidade da eleição e o associam à corrupção, ao autoritarismo e à incompetência são amplificadas, enquanto conteúdos que mostram as realizações de seu governo são marginalizados.

A estratégia permanece a mesma: consolidar uma percepção de ilegitimidade, incompetência e opressão, preparando o terreno para mobilizações populares e pressões institucionais. A polarização política no Brasil favorece esse processo, pois as redes sociais tendem a reforçar visões extremas, intensificando as tensões e conflitos.

O governo, no entanto, parece alheio a esse cenário. Enquanto foca em iniciativas como o programa “Pé de Meia”, as discussões de maior impacto sobre a insatisfação popular estão nos preços dos supermercados e combustíveis. Se continuar acreditando que a economia será o fator determinante da política na era da pós-verdade, pode ser surpreendido pelo retorno triunfal da extrema-direita ao poder.

Para reverter esse quadro, é essencial investir em educação digital e midiática, capacitando a população a identificar narrativas manipuladoras e buscar fontes confiáveis. Não por acaso, os donos das big techs estiveram presentes na posse de Trump, demonstrando sua influência na dinâmica política global. No entanto, em vez de avançar nessa direção, o governo brasileiro sancionou uma lei que proíbe o uso de celulares em sala de aula, alienando os jovens ao invés de capacitá-los para lidar com a era digital. Enquanto os estudantes ricos usam tablets para estudar, os pobres são proibidos de acessar informação por meio do celular.

Se o governo Lula permanecer indiferente a essa realidade, estará iniciando o fim do processo de reconstrução nacional que propôs. Mas, se compreender o que está em curso e formular políticas sólidas de comunicação — quem sabe até criando uma rede social educacional integrada às escolas — poderá transformar essa história no fim do começo de um novo golpe.

O começo do fim ou o fim do começo? A resposta está nas mãos do governo.

 

Justiça Eleitoral de SP torna Pablo Marçal inelegível por 8 anos

A Justiça Eleitoral de São Paulo condenou o ex-coach e ex-candidato à Prefeitura da capital paulista, Pablo Marçal (PRTB), por abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2024.

A decisão, proferida pelo juiz Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, torna Marçal inelegível pelos próximos oito anos. Zorz analisou ações ajuizadas pela coligação encabeçada pelo PSOL e pelo PSB. Cabe recurso à decisão.

Brasil 247

Lançamento de livro: Educação e Sociedade

 

O livro Educação e Sociedade do professor Vinício Carrilho Martinez (UFSCar/SP) está disponível para aquisição na plataforma da Amazon, como um trabalho produzido dentro da sala de aula. Agora você encontra no formato digital e impresso, neste endereço:

https://a.co/d/393SyBS

Vinício Carrilho Martinez

Educação e Sociedade traz um debate profundo e rizomático. Na botânica, um rizoma é um caule subterrâneo que cresce horizontalmente, no qual nascem novas plantas a partir de múltiplas ramificações e em que diferentes pontos se conectam. No sentido de Deleuze e Guatarri (1995), trata-
se de um modo de pensamento em rede com múltiplas conexões, se opondo às estruturas centralizadoras, hierárquicas e lineares. O debate rizomático que Vinício Carrilho Martinez faz neste livro se afasta de análises binárias, apresentando-nos conexões diversas para compreender a intrínseca relação entre a educação – como um fenômeno essencialmente político – e a sociedade.

Sendo assim, não podemos estabelecer um único fio condutor desta obra, mas um conjunto de interrelações que permitem ao leitor não só um aprendizado sobre o tema, mas também a sua própria emancipação.  Emancipação é um tema caro à presente publicação. Como sinalizado
pelo autor, as páginas a seguir nasceram dentro de uma sala de aula.

Ancorado na noção de Educação para a emancipação e em Paulo Freire, o conteúdo do livro ainda se alinha com a tese de titularidade do autor. Assim, a leitura representa o resultado de um acúmulo teórico do autor e coletivo. Com inspiração na tradição crítica freiriana, o que se propõe está longe de um manual de Sociologia da Educação, mas sim uma Sociologia Política da Educação, na qual a educação é instrumento de consciência e transformação.

É essa a proposta que encontramos neste livro rizoma, no qual os “caules” elucidam as conexões entre questões como colonização, patriarcado, racismo, capitalismo, elementos estruturantes da sociedade brasileira que influem diretamente no acesso ao conhecimento e à liberdade.

Boa leitura.
Tainá Reis
Doutora em Sociologia UFSCar

É pra rir? Senadores bolsonaristas cobram Alcolumbre por freio nos inquéritos conduzidos por Moraes

A tropa de choque bolsonarista no Senado já foi alertada de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não dará prosseguimento aos 23 pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No entanto, segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, aliados de Jair Bolsonaro (PL) ainda aguardam ao menos dois gestos de Alcolumbre nessa direção.

O primeiro seria a intermediação do senador para aliviar as tensões entre Moraes e os bolsonaristas. Alcolumbre mantém um canal de diálogo privilegiado com o magistrado e poderia atuar nos bastidores para conter o ritmo acelerado das investigações que envolvem o ex-mandatário e seus aliados. Moraes é relator de inquéritos que vêm apertando o cerco contra Bolsonaro, como o das fake news, o da tentativa de golpe e o das milícias digitais.

“Ele tem moral e cacife para pedir ao Alexandre de Moraes para tirar o pé do acelerador”, afirmou um senador bolsonarista à reportagem, sob condição de anonimato.

A relação entre Alcolumbre e Moraes é antiga. O presidente do Senado foi um dos poucos políticos convidados para a festa de despedida de Moraes da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em maio do ano passado. Além disso, já atuou para salvar políticos de direita ameaçados de cassação pela Justiça Eleitoral, como os senadores Sergio Moro (União Brasil-PR) e Jorge Seif (PL-SC), além do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP). Enquanto o ex-juiz Sergio Moro foi absolvido, os casos de Seif e Denarium foram desacelerados pelo TSE sob o comando de Cármen Lúcia.

Outro movimento esperado pelos bolsonaristas é que Alcolumbre facilite a tramitação de propostas que restrinjam os poderes do Supremo. Entre as principais pautas está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por Damares Alves (Republicanos-DF), que proíbe investigações iniciadas “de ofício” pelo STF, como ocorreu no polêmico inquérito das fake news.

O inquérito foi aberto em 2018 por Dias Toffoli para investigar ameaças a ministros da Corte e seus familiares, mas posteriormente se expandiu para incluir investigações contra Bolsonaro e seus aliados. Com Moraes à frente, o caso continua sem previsão de encerramento.

Outra proposta polêmica prevê dar ao Congresso o poder de derrubar decisões de outros poderes que “exorbitem suas competências constitucionais”. A medida concederia ao Legislativo o poder de anular decisões do STF, o que, na prática, enfraqueceria a Corte.

O histórico de Alcolumbre anima os bolsonaristas. Em outubro de 2023, quando presidia a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele aprovou uma PEC limitando decisões monocráticas e pedidos de vista nos tribunais superiores. A proposta foi votada em apenas 42 segundos, sem debates aprofundados, e aprovada no plenário do Senado no mês seguinte com 52 votos – três a mais do que o mínimo necessário.

Ao assumir a presidência do Senado neste ano, Alcolumbre usou discursos conciliatórios, pregando “pacificação” e “consenso”, mas deixou um aviso:

“Por vezes, isso nos exigirá um posicionamento corajoso perante o governo, o Judiciário, a mídia ou o mercado. Nem sempre agradaremos a todos.”

A sinalização foi recebida com cautela pelos bolsonaristas, que agora pressionam para que essa “coragem” se traduza em gestos concretos contra Moraes e o STF.

Brasil 247

Vinício Carrilho Martinez lança o livro “Educação e Sociedade“

O professor Vinício Carrilho Martinez, do Departamento de Educação (DEd) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), acaba de lançar seu novo livro, “Educação e Sociedade”. A obra então nasceu a partir de discussões realizadas em sala de aula na disciplina de mesmo nome. Ela traz reflexões sobre os desafios e conexões entre a educação e a sociedade brasileira.

O autor explica que o livro pode ser entendido como uma espécie de “sociologia da sala de aula”, pois ele apresentou e debateu os temas diretamente com os alunos. “Alguns links, inclusive, devem-se às interrogações deles e delas”, afirma Martinez.A obra também traz mapas conceituais que ajudam a visualizar essas relações de forma mais clara.

Marcela T. Schiavi, doutora em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela UFSCar, assina o prefácio. Ela destaca que o livro conduz o leitor a uma reflexão profunda sobre a educação na contemporaneidade. Para ela, a obra reforça a importância da educação como ferramenta de transformação social e formação política.

Inspirado nas ideias de Paulo Freire, o livro entãoaborda conceitos como inteligência social, memória coletiva e sociabilidade emancipadora. A versão digital de “Educação e Sociedade” já está disponível para compra na Amazon.

Num preço muito acessível, o livro pode ser acessado no link abaixo:

Fonte: Geek Pop news

Farmácia Popular beneficiou mais de 24 milhões de brasileiros em 2024, maior número da série histórica

O programa Farmácia Popular alcançou um marco histórico em 2024, beneficiando mais de 24 milhões de brasileiros, o maior número desde a sua criação em 2006. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde e publicada pela Agência Gov, destacando a ampliação da gratuidade para todos os 41 medicamentos e insumos do programa. A medida foi anunciada pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, na quinta-feira (13), durante o Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília.

“Estamos fortalecendo o compromisso que este governo assumiu com a dignidade e o bem-estar da nossa população, especialmente as pessoas que vivem em regiões de maior vulnerabilidade social. Garantir acesso gratuito a medicamentos essenciais é uma resposta concreta às necessidades do povo brasileiro. Saúde não pode ser um privilégio, é um direito”, declarou a ministra.

A ampliação do programa garante que todos os brasileiros tenham acesso gratuito a medicamentos para doenças como asma, diabetes, hipertensão, osteoporose, Parkinson, glaucoma, além de anticoncepcionais e fraldas geriátricas para idosos e pessoas com deficiência. Com essa mudança, pelo menos 1 milhão de pessoas que anteriormente pagavam uma coparticipação em alguns insumos passarão a recebê-los gratuitamente.

Entre os insumos que agora são distribuídos sem custo, destaca-se a dapagliflozina, medicamento essencial para o tratamento de diabetes associada à doença cardiovascular. Além disso, a distribuição gratuita de fraldas geriátricas representa um alívio financeiro significativo para muitas famílias. Segundo a ministra, a economia mensal gerada para idosos e pessoas com deficiência pode chegar a R$ 270, enquanto a gratuidade da dapagliflozina representa uma economia de aproximadamente R$ 190 por mês.

“As fraldas geriátricas, por exemplo, que agora são fornecidas gratuitamente, garantem uma economia significativa para idosos e pessoas com deficiência. Isso significa mais dignidade para quem mais precisa”, ressaltou Nísia Trindade.

A ministra também destacou que a ampliação do programa reforça o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos pilares da assistência pública no Brasil. “O SUS é patrimônio do povo brasileiro. Expandir o Farmácia Popular é assegurar que a saúde chegue a todos, sem barreiras financeiras. Essa conquista é fruto de um esforço coletivo, de diálogo com estados e municípios, e de um olhar atento para as necessidades da nossa população”, afirmou.

A medida também reflete uma estratégia para atender às crescentes demandas do envelhecimento populacional, que exigem um reforço na política de cuidados continuados. Com a ampliação da gratuidade dos medicamentos e insumos, o governo federal busca garantir que os cidadãos não precisem escolher entre cuidar da própria saúde e arcar com outras despesas essenciais.

A lista completa dos 41 itens que agora são ofertados gratuitamente pelo Farmácia Popular inclui medicamentos para diversas enfermidades:

Asma: Brometo de ipratrópio, Dipropionato de beclometasona, Sulfato de salbutamol.
Diabetes: Cloridrato de metformina, Glibenclamida, Insulina humana regular, Insulina humana NPH.
Hipertensão: Atenolol, Besilato de anlodipino, Captopril, Cloridrato de propranolol, Hidroclorotiazida, Losartana potássica, Maleato de enalapril, entre outros.
Anticoncepção: Acetato de medroxiprogesterona, Etinilestradiol + levonorgestrel, Noretisterona.
Osteoporose: Alendronato de sódio.
Dislipidemia: Sinvastatina.
Doença de Parkinson: Carbidopa + levodopa, Cloridrato de benserazida + levodopa.
Glaucoma: Maleato de timolol.
Rinite: Budesonida, Dipropionato de beclometasona.
Diabetes mellitus + doença cardiovascular: Dapagliflozina.
Incontinência: Fralda geriátrica.

Com essa expansão, o governo reafirma seu compromisso com a saúde pública e o fortalecimento do SUS, garantindo que medicamentos essenciais estejam ao alcance de toda a população, independentemente de condição econômica.

Brasil 247

Quase tudo pronto, diz Lula sobre projeto que disponibiliza gás de graça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nessa quinta-feira (13), que o governo está discutindo um projeto e que “já está quase tudo pronto” para que seja possível entregar “gás de graça para 22 milhões de famílias nesse país“.

De acordo com Lula, o gás faz parte da cesta básica e “não é justo” que ele saia da Petrobras por um preço e chegue nos estados com um valor maior.

Ele sai da Petrobras por R$ 36 e chega nos estados a R$ 130, R$ 140, R$ 150. Não é justo isso. Enquanto o rico não paga Imposto de Renda é o pobre que paga e ele paga no gás, no feijão, no arroz, que agora estamos isentando na Reforma Tributária”, disse o presidente durante um evento para entrega de terras da União ao estado do Amapá.

O chefe do Executivo argumentou que almeja um país de classe média e não quer ver ninguém “vivendo de Bolsa Família”.

“Tem dois momentos na história do Brasil que o povo foi beneficiado: um com Getúlio Vargas e outro foi conosco, que colocamos o pobre no orçamento. Se eles não gostam que o povo tenha dinheiro na mão, vão ficar com mais raiva de mim”, completou.

CNN

Lula venceria eleição presidencial em todos os cenários, diz Atlas/Intel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria as eleições presidenciais de 2026 em todos os cenários, aponta uma pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta terça-feira (11), informa a Veja. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o período de coleta de dados foi de 27 de janeiro a 31 de janeiro.

Em um cenário com os mesmos nomes das eleições de 2022, Lula lidera com 44% dos votos, seguido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível com 40,6%. Na sequência, ainda aparecem Simone Tebet  (MDB), com 4,9%, e Ciro Gomes (PDT), com 4,5%.

A pesquisa ainda simulou dois cenários para o primeiro turno. Um com o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), sendo o representante da direita, e o outro com Eduardo Bolsonaro (PL). Lula, com 41,1%, venceria Tarcísio, que fez 26,2% das intenções de voto.

Depois aparecem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (5,9%), o cantor Gusttavo Lima (5,6%), a ministra Simone Tebet (4,1%), o senador Sergio Moro (3,3%), o coach Pablo Marçal (2,4%), a ministra Marina Silva (1,4%) e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (0,9%).

Já no outro cenário, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Eduardo Bolsonaro, que tem 24,2%. Na sequência, aparece Caiado (7,5%), Gusttavo Lima (5,2%), Tebet (4,4%), Moro (4,2%), Marçal (3,4%), Marina (2,2%) e Leite (1,5%).
A pesquisa da Atlas/Intel com a Bloomberg aplicou um questionário online geolocalizado, durante a navegação de rotina de usuários da internet, em smartphones, tablets, laptops ou PCs, e obteve a resposta de 3.125 pessoas adultas.

Brasil 247

Lula ironiza Faria Lima e diz que governar para uma minoria não gera déficit

Em discurso durante a cerimônia de entrega do Prêmio Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, realizada nesta segunda-feira (10) em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou a elite financeira e afirmou que governar apenas para uma parcela privilegiada da população evitaria déficits fiscais, mas não resolveria os problemas do país.

“Tem gente que acha que este país tinha que ser governado apenas para 35% da população. Apenas para 35% da população. Aí a gente não tinha problema de Orçamento. A gente não teria problema de déficit fiscal, porque é governar para menos gente, e gente com mais dinheiro”, disse Lula, de acordo com a CNN Brasil.

O presidente destacou que seu governo prioriza políticas públicas inclusivas, especialmente na área da educação. Quando se trata de educação, não pode haver veto ideológico, partidário, religioso ou de gênero, disse ele. “O que importa saber é que estão na escola crianças brasileiras que precisam de ajuda”, afirmou.

Compromisso com a alfabetização – O evento premiou iniciativas de prefeituras e secretarias de educação que avançaram na alfabetização de crianças até o 2º ano do ensino fundamental. A meta do governo federal, estabelecida em 2023, é garantir que 80% das crianças entre 7 e 8 anos estejam alfabetizadas até 2030. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) envolve esforços coordenados entre União, estados e municípios.

“Fizemos um acordo com os 27 governadores e quase 6 mil prefeitos para chegar até 2030 com 80% das crianças alfabetizadas até o 2º ano. Esse é o compromisso que precisamos assumir diante do futuro deste país, que não pode mais ser eternamente um país em desenvolvimento. É hora de sermos um país desenvolvido, e isso só será possível se apostarmos na educação”, declarou Lula.

Ao todo, 4.187 municípios receberam o selo, sendo 2.592 na categoria Ouro, 1.062 na categoria Prata e 533 na categoria Bronze. Entre os estados, 14 foram premiados com o Selo Ouro, incluindo Ceará, Minas Gerais e Paraná.

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou a importância da alfabetização para o futuro das crianças e do país. “Quando uma criança não aprende a ler e a escrever ao final do 2º ano, compromete todos os anos escolares. Aumenta a distorção idade-série, a reprovação e o abandono. No ensino médio, quase meio milhão de jovens abandonam a escola”, afirmou.

Santana comemorou os avanços já alcançados: “Saímos de 36% e chegamos a 56% das crianças alfabetizadas. Temos a meta de chegar a 80% até 2030, mas acredito que vamos atingi-la antes”.

Encontro com prefeitos – A agenda do presidente Lula em Brasília continua nesta terça-feira (11), com a abertura do Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas. O evento, que segue até quinta-feira (13), reunirá gestores municipais eleitos para o mandato 2025-2028 e tem como objetivo aproximar os municípios dos ministérios e órgãos federais, facilitando o acesso a recursos e informações essenciais para a gestão pública.

Brasil 247

Arregou: Hugo Motta procura Moraes para se explicar após minimizar o 8/1

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), conversou com alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) após minimizar o ataque de 8 de janeiro de 2023 em Brasília e negar que o episódio foi uma tentativa de golpe. Ele procurou o magistrados “para não deixar o ruído crescer”, de acordo com aliados.

O parlamentar procurou Alexandre de Moraes, relator dos processos envolvendo o ataque golpista, e Gilmar Mendes, segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo. Nas conversas, ele afirmou que as condenações dos envolvidos no ataque têm gerado um sentimento de vitimização e defendeu que as penas duras fossem aplicadas só a quem tivesse comprovadamente vandalizado os prédios dos Três Poderes.

O chefe da Câmara ainda afirmou que os que não vandalizaram os locais deveriam ter penas mais amenas. Os ministros elogiaram sua disposição em dialogar sobre o tema, mas enfatizaram que os condenados depredaram os prédios e que a amplia maioria concordou com as sentenças.

Motta também afirmou aos ministros que, apesar da repercussão de sua fala, tentará buscar uma pacificação entre os Poderes e quer falar sobre votações de projetos que serão priorizados na Câmara. Ele diz que a anistia aos envolvidos no ataque golpista está na lista.

Em entrevista a uma rádio da Paraíba na semana passada, o presidente da Câmara afirmou que o episódio foi protagonizado por “vândalos e baderneiros” que queriam “demonstrar sua revolta” após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições.

“O que aconteceu não pode ser admitido que aconteça novamente. Foi uma agressão às instituições, uma agressão inimaginável, ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer. Agora, querer dizer que foi um golpe… Golpe tem que ter um líder, tem que ter pessoa estimulando, apoio de outras instituições interessadas, como as Forças Armadas, e não teve isso”, disse Motta na ocasião.

Fonte: DCM

Lula seguirá agenda de viagens pelo país nesta semana

Presidente deve participar de atividades em Macapá, na quinta, e em Belém, na sexta-feira

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve manter estratégia da semana passada e seguir viajando pelo país, de acordo com as agendas previstas. Na quinta-feira (13), o presidente deve ir a Macapá (AP), onde está programada a entrega de um conjunto residencial do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Na sexta (14), o presidente desembarca em Belém (PA), onde também faz a entrega de unidades do MCMV e visita as obras das estruturas que receberão a conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima, a COP30, marcada para novembro deste ano.

No dia 27 de janeiro, o presidente realizou novas tomografias e foi liberado pela equipe médica para viagens. No fim do ano passado, ele foi submetido a uma cirurgia para drenar um coágulo no crânio. Desde então, foi recomendada a suspensão dos deslocamentos aéreos e a redução do ritmo de trabalho.

Na semana passada, o presidente também reservou a quinta (6) e a sexta-feira (7) para suas primeiras viagens depois da liberação. Primeiro, foi ao Rio de Janeiro, onde participou da cerimônia de reabertura da Emergência do Hospital Federal de Bonsucesso. Em seguida, foi para a Bahia, onde visitou a Estação de Tratamento de Água de Paramirim e fez anúncios relativos à segurança hídrica na região.

Esta semana, antes de iniciar as viagens, o presidente participa, na segunda-feira (10), do lançamento do Selo de Compromisso com a Criança Alfabetizada, criado por meio do Decreto nº 12.191, de 20 de setembro de 2024. A iniciativa do Ministério da Educação reconhece o trabalho das Secretarias de Educação na alfabetização das crianças brasileiras, e premia os avanços alcançados ao longo do ano.

Já na terça (11), Lula vai participar do Encontro Nacional de Prefeitas e Prefeitos que acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. E na quarta, o presidente comparece à cerimônia de celebração do 1º ano do programa Nova Indústria Brasil, projeto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Brasil de Fato apurou que o presidente pretende visitar, no dia 25 de fevereiro, o acampamento Quilombo Campo Grande, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em Minas Gerais, de onde irá fazer anúncios que impactam na agenda da reforma agrária, entre eles, a desapropriação de cinco áreas simbólicas do MST.

Brasil de Fato

O livro Educação e Sociedade já está disponível para venda na Amazon

No livro Educação e Sociedade, lançado pela Amazon, o professor Vinício Carrilho Martinez (UFSCar/SP) aborda o conceito de Emancipação – que não é sinônimo de autonomia – a partir de uma proposta de Autoeducação política. Não se trata de uma tese, mas sim de algumas reflexões fortalecidas em sala de aula no segundo semestre de 2024. O livro contém mapas com interfaces conceituais e históricas, o que também auxilia em sua apreciação.

A própria ideia de Emancipação, atualmente, em meio às dificuldades e desafios trazidos pelas redes sociais, que não se pactuam exatamente com os melhores horizontes da educação pública, é posta à prova. Entre a realidade e o objetivo (o que se quer com a Emancipação), não apenas os docentes, mas o povo como um todo vai construindo suas respostas.

Num preço muito acessível, o livro pode ser acessado no link abaixo:

 

Lula tem aumento de 29,5% no engajamento digital desde a chegada de Sidônio Palmeira

Um levantamento da agência Ativaweb, especializada em marketing digital, revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um aumento de 29,5% nas taxas de engajamento em suas redes sociais desde a posse de Sidônio Palmeira como ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, em 14 de janeiro. A informação foi publicada pelo jornalista Guilherme Amado, do site Platô BR.

Além do crescimento no engajamento, os perfis de Lula também ganharam 80.249 novos seguidores, o que representa um acréscimo de 0,6%.

O estudo aponta que essa evolução foi impulsionada por postagens focadas na identidade política e na mobilização de sua base de apoiadores.

Apesar dos números positivos, o CEO da Ativaweb, Alek Maracajá, destacou que o governo ainda enfrenta o desafio de expandir sua presença digital para além do público já consolidado.

Segundo ele, é necessário buscar maior conexão com as demandas da sociedade, ampliando o alcance da comunicação do Planalto.

Brasil 247

Indústria brasileira cresce 3,1% em 2024, impulsionada por consumo das famílias e aumento do emprego

Resultado anual é o terceiro mais elevado dos últimos 15 anos

O setor industrial brasileiro cresceu 3,1% em 2024, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado anual é o terceiro mais elevado dos últimos 15 anos, ficando atrás apenas de 2010, quando a indústria registrou alta de 10,2%, e de 2021, com avanço de 3,9% no contexto de recuperação da pandemia.

O crescimento foi disseminado entre os segmentos industriais, com quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos apresentando expansão. “De modo geral, o crescimento do setor industrial em 2024 pode ser entendido a partir de alguns fatores, como o maior número de pessoas incorporadas pelo mercado de trabalho, a queda na taxa de desocupação, o aumento na massa de salários e o incremento no consumo das famílias, beneficiado pelos estímulos fiscais, maior renda e a evolução na concessão do crédito”, explicou André Macedo, gerente da PIM.

Entre os setores que mais contribuíram para o resultado positivo estão a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (12,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (14,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,2%), produtos alimentícios (1,5%) e produtos químicos (3,3%).

Apesar do desempenho favorável ao longo do ano, os últimos três meses de 2024 registraram retração, com queda acumulada de 1,2%. Em outubro, a indústria teve variação negativa de 0,2%, seguida por recuos de 0,7% em novembro e 0,3% em dezembro. “Essa perda de dinamismo da indústria no último trimestre guarda relação com a redução nos níveis de confiança das famílias e dos empresários, explicada, em grande parte, pelo aperto na política monetária, com o aumento das taxas de juros a partir de setembro de 2024, a depreciação cambial, impactando os custos, e a alta da inflação, especialmente de alimentos”, analisou Macedo.

Desempenho de dezembro

Em dezembro, a produção industrial recuou 0,3%, marcando o terceiro mês seguido de queda. Ainda assim, o setor está 1,3% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas continua 15,6% abaixo do recorde histórico de maio de 2011.

A maior influência negativa no mês veio do setor de máquinas e equipamentos, que registrou queda de 3%, interrompendo dois meses seguidos de crescimento. Produtos de borracha e material plástico também tiveram retração de 2,5%, acumulando dois meses de perdas. No índice de média móvel trimestral, o setor de bens de consumo semi e não duráveis apresentou o pior desempenho, com queda de 1,8% no último trimestre do ano.

Por outro lado, indústrias extrativas e o setor de bebidas tiveram desempenho positivo em dezembro. “Foram dois dos poucos segmentos que cresceram no mês. As indústrias extrativas registraram o segundo avanço consecutivo, enquanto o ramo de bebidas interrompeu quatro meses seguidos de retração”, destacou Macedo.

O desempenho da indústria em 2024 confirma uma retomada da atividade, mas a desaceleração no final do ano acende um alerta sobre os desafios econômicos que podem impactar a produção nos próximos meses.

Brasil 247

Hugo Motta descarta impeachment de Lula: ‘deixa traumas’

“Se pudermos evitar todo e qualquer tipo de instabilidade, eu penso que é o melhor caminho para a nossa nação”, afirmou o presidente da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que não pretende apoiar iniciativas que possam estremecer a relação entre os Poderes. O parlamentar comentou, na terça-feira (4), em entrevista ao SBT, sobre a defesa do impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por parte da oposição.

“Toda construção que leva ao processo de impedimento deixa traumas”, afirmou. “Então, se pudermos evitar todo e qualquer tipo de instabilidade, eu penso que é o melhor caminho para a nossa nação, para que, com isso, ajustemos aquilo que precisa ser feito e, de fato, os problemas possam ser atacados.”

Motta também ressaltou que a Câmara buscará atuar em favor de matérias que não amplifiquem as tensões entre os Poderes.

“Quando trazemos mais fatores que geram instabilidade, esses problemas acabam crescendo, se avolumando, e isso não é bom para o País. Pode ter certeza que vamos atuar sempre em favor da estabilidade, de matérias que não venham a trazer algum tipo de estremecimento nas relações entre os Poderes”, afirmou.

 

 

Apresentação do livro Educação e Sociedade, do professor Vinício Carrilho Martinez

Por Tainá Reis

Educação e Sociedade traz um debate profundo e rizomático. Na botânica, um rizoma é um caule subterrâneo que cresce horizontalmente, no qual nascem novas plantas a partir de múltiplas ramificações e em que diferentes pontos se conectam. No sentido de Deleuze e Guatarri (1995), trata-se de um modo de pensamento em rede com múltiplas conexões, se opondo às estruturas centralizadoras, hierárquicas e lineares. O debate rizomático que Vinício Carrilho Martinez faz neste livro se afasta de análises binárias, apresentando-nos conexões diversas para compreender a intrínseca relação entre a educação – como um fenômeno essencialmente político – e a sociedade.  Sendo assim, não podemos estabelecer um único fio condutor desta obra, mas um conjunto de interrelações que permitem ao leitor não só um aprendizado sobre o tema, mas também a sua própria emancipação.

Emancipação é um tema caro à presente publicação. Como sinalizado pelo autor, as páginas a seguir nasceram dentro de uma sala de aula. Ancorado na noção de Educação para a emancipação e em Paulo Freire, o conteúdo do livro ainda se alinha com a tese de titularidade do autor. Assim, a leitura representa o resultado de um acúmulo teórico do autor e coletivo. Com inspiração na tradição crítica freiriana, o que se propõe está longe de um manual de Sociologia da Educação, mas sim uma Sociologia Política da Educação, na qual a educação é instrumento de consciência e transformação. É essa a proposta que encontramos neste livro rizoma, no qual os “caules” elucidam as conexões entre questões como colonização, patriarcado, racismo, capitalismo, elementos estruturantes da sociedade brasileira que influem diretamente no acesso ao conhecimento e à liberdade.

Antes do início propriamente dito, o prólogo apresenta a máxima de que “toda tese em Direitos Humanos é uma antítese”. Tal colocação considera os Direitos Humanos como um processo de contestação e transformação social, dinâmico, e que, per se, está em oposição ao status quo e à opressão que o compõe. Desde aqui, o autor já traz o debate sobre emancipação como fenômeno social baseado na inteligência coletiva e na práxis transformadora. A inteligência social (não individualizada) é entendida como a capacidade de interação e construção coletiva do conhecimento. Assim, é o pilar central da consciência crítica e da superação da exclusão. Por fim, o prólogo traz o questionamento se estamos em uma crise moral e em um quadro de rebaixamento da consciência crítica. O leitor pode, ao passar das páginas, chegar à sua própria conclusão. Mas alerto, em consonância com Vinício Carrilho Martinez: a educação é uma chave para a construção de uma cidadania ativa e consciente.

O capítulo 1 se dedica à formulação da Sociologia Política da Emancipação, apresentando elaborações fundamentadas em A Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Como já anunciado, a emancipação é um processo coletivo de superação da opressão e demanda uma consciência crítica que rompa com o medo à liberdade. O autor destaca a diferenciação entre autonomia e emancipação; enquanto a primeira implica em criar regras para si, a segunda envolve uma tomada de consciência irreversível e uma luta contínua pela dignidade humana. É também por meio da ciência – crítica e comprometida com a transformação social – que se constrói uma práxis que articula reflexão e ação, de modo a rejeitar sectarismos e discursos reprodutivistas, e romper com as estruturas de exploração e desumanização. No capítulo vemos o esforço do autor em elucidar suas ideias de forma visual, o que se dá por meio do quadro Níveis de percepção da realidade.

O capítulo seguinte aborda a emancipação constitucional como um processo de expansão da consciência crítica e da luta contra a opressão, a partir do “Direito à consciência emancipadora”. A crítica à razão instrumental vem para elucidar que a consciência necessária para a emancipação prescinde de uma educação fundamentada nos direitos humanos e na ética; não é uma razão à serviço da subordinação e do embrutecimento, mas à serviço da descompressão social. Neste capítulo o autor apresenta um mapa mental sobre a consciência crítica da opressão e a consciência da consciência, demonstrando mais uma vez o objetivo de sintetizar a reflexão. É de se destacar o papel do Estado como ente que deve garantir a emancipação, promovendo, assim, uma sociedade mais justa e digna – assim como se prevê constitucionalmente. Isso pode se dar, aliás, por meio de uma educação pública e laica.

O capítulo três aprofunda a relação autonomia e emancipação, com uma crítica a que chamou de pensamento escravo-fascista. Esse pensamento que combina elementos do racismo, do patriarcado e da exploração do trabalho e mantém na contemporaneidade práticas de exploração e repressão, como o trabalho análogo à escravidão e a despolitização imposta pelo Fascismo. O autor propõe, então, que há uma conexão entre o passado escravista e as práticas de repressão atuais. Ainda neste capítulo, o autor reflete sobre a situação dos jovens na atualidade, pois, embora autônomos, são consumidos pela alienação digital e pela desinformação típicas do século XXI. Não há emancipação verdadeira, porque autonomia individual não garante emancipação social. Esta só se configura como tal em um processo coletivo que envolve a luta contra a opressão e a construção de uma sociedade mais justa. Nesse sentido, a Educação vista como um meio para resistir a essas formas de opressão e autoritarismo contemporâneas, promovendo a conscientização e a transformação social em busca de justiça, liberdade e igualdade.

O quarto e último capítulo discute a emancipação a partir da evolução do Estado de Direito Democrático e a soberania. Com uma retomada histórica que se inicia na origem do Estado e chega aos tempos atuais, o debate exposto parte da limitação do poder soberano no século XIII, passa pela criação do Estado de Direito e os marcos do pós-Segunda Guerra Mundial, até chegar aos desafios contemporâneos da soberania digital (globalização, a digitalização e o capitalismo de vigilância). O autor traz uma série de elementos para enfatizar a necessidade de uma práxis consciente para lidar com os avanços digitais e tecnológicos, na qual a reflexão deve ser convertida em ação.

O rizoma apresentado por Vinício Carrilho Martinez interconectou o passado-presente do pensamento escravo-fascista (racista, patriarcal) com a globalização acelerada, a uberização da vida, a inteligência artificial, a formação e ação do Estado, o neoliberalismo, entre tantos outros. Diante deste quadro (retomando os ditos do prólogo, será uma crise moral e rebaixamento da crítica?), a saída proposta é a educação emancipadora. Por assim ser, essa educação nada tem a ver com o atual modelo educacional “platamorfizado”, em que a educação é reduzida à mercadoria, descontextualizada e padronizada – uma crítica também tecida pelo autor no decorrer dos capítulos. A educação emancipadora é um direito fundamental, e é isso que este livro revela.

Boa leitura.

Tainá Reis Doutora em Sociologia UFSCar

Ref: Deleuze, Gilles; Guatarri, Felix. Introdução: Rizoma. In: Deleuze, Gilles; Guatarri, Felix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 01. São Paulo: Editora 34, 1995.

Livro: Educação e Sociedade

Nesse texto, Marcela Schiavi reflete muito bem o livro do professor Vinício Carrilho Martinez (UFSCAR/SP) a ser lançado em breve, de maneira original, diretamente na plataforma Amazon. Com custos muito menores, o conhecimento tem uma circulação muito mais célere

Por Marcela T. Schiavi

O livro Educação e Sociedade, de Vinício Carrilho Martinez, conduz o leitor a uma reflexão sobre os desafios da educação na contemporaneidade e sua relação intrínseca com a estrutura social. Em suas páginas, somos instigados a pensar a educação não apenas como um instrumento de transmissão de conhecimento, mas como um processo de emancipação coletiva, de formação política e transformação social.
Inspirado nas ideias de Paulo Freire, o autor evidencia que a educação é um direito fundamental, mas também um campo de disputas, onde se confrontam diferentes visões sobre o papel da escola e do conhecimento. Ao longo do texto, fica evidente a necessidade de uma educação crítica, capaz de romper com estruturas de opressão e fomentar a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Ao abordar conceitos como inteligência social, memória coletiva e sociabilidade emancipadora, Martinez nos provoca a repensar a própria noção de aprendizado, destacando a importância do contexto histórico e político na formação dos sujeitos. A inteligência não pode ser compreendida de forma isolada, mas sim como um processo social, onde o conhecimento é fruto da interação, do diálogo e da crítica constante.
O livro também nos alerta sobre os desafios impostos pelo avanço da tecnologia e pela chamada “plataformização da vida social”, que transformam a educação em um campo de mercantilização e controle, reduzindo o papel do professor e restringindo a autonomia dos estudantes. Em tempos de negacionismo e ataques à educação pública, a defesa de um ensino que valorize a consciência crítica se torna ainda mais urgente.
Martinez nos convida a um olhar atento para a história da educação no Brasil, enfatizando como a colonização, o racismo e o patriarcado moldaram nossas estruturas de ensino e perpetuaram desigualdades. Ao mesmo tempo, abre espaço para a esperança e para a construção de caminhos alternativos, pautados na resistência e na busca por justiça social.
Este posfácio, portanto, é um convite para que os leitores levem adiante as reflexões propostas neste livro, transformando-as em ações concretas em favor de uma educação libertadora. Que cada página lida aqui sirva de estímulo para questionar, agir e contribuir para um futuro onde a educação seja, de fato, um instrumento de emancipação coletiva e democratização do conhecimento.

Marcela T. Schiavi
Dra. Ciência, Tecnologia e Sociedade – UFSCar/SP.

Bloqueios internacionais: cerco econômico e controle geopolítico

Por Ronald Pinto

Os bloqueios internacionais, frequentemente impostos por superpotências, são uma forma contemporânea de cerco econômico e político. Seu objetivo principal é pressionar governos de países considerados inimigos, mas suas consequências recaem principalmente sobre a população civil, que enfrenta a escassez de alimentos, medicamentos e insumos essenciais. A lógica por trás dessa estratégia é simples: criar miséria e desolação para estimular revoltas internas, enfraquecendo governos e forçando a submissão ao controle externo.

O caso de Cuba é emblemático. Desde 1962 o país sofre um bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos que restringe suas relações comerciais e financeiras com o mundo. A Assembleia Geral da ONU, desde 1992 tem reiteradamente votado pelo fim desse bloqueio, reconhecendo seus impactos devastadores sobre o povo cubano. No entanto, o poder de veto no Conselho de Segurança—um mecanismo que concentra decisões em poucas nações—impede a implementação dessas resoluções. Esse cenário evidencia como uma minoria de países pode contrariar a vontade da maioria da comunidade internacional, perpetuando um cerco desumano.

Longe de atingir seus objetivos declarados, os bloqueios frequentemente fortalecem a coesão interna dos países afetados. Governos sob sanções utilizam a pressão externa para construir narrativas de resistência e soberania, mobilizando apoio popular. Em vez de ceder, as populações tendem a se unir em torno de seus líderes, transformando o bloqueio em um símbolo de autonomia e autodeterminação. A resistência dos povos e governos sob cerco demonstra que essa estratégia é contraproducente, reforçando discursos nacionalistas e unindo as nações contra interferências externas.

Essa dinâmica não se restringe a Cuba. Venezuela, Irã e Coreia do Norte também enfrentam sanções unilaterais e, apesar das dificuldades, desenvolveram mecanismos de adaptação—embora a um custo humanitário elevado. Isso demonstra a ineficácia dos bloqueios como ferramenta de mudança política e sua natureza essencialmente punitiva contra civis.

Diante desse cenário, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) podem desempenhar um papel fundamental na construção de uma alternativa global. Como bloco emergente que desafia a hegemonia das potências tradicionais, os BRICS têm a oportunidade de liderar uma aliança em defesa da multipolaridade e do respeito às decisões da Assembleia Geral da ONU.

Uma iniciativa concreta seria a criação de uma zona de livre comércio entre os países do bloco, com foco em setores estratégicos como saúde e alimentação. Essa medida permitiria:

  1. Garantir o acesso a medicamentos e insumos médicos – Países sob bloqueio, como Cuba, poderiam importar vacinas, equipamentos e remédios essenciais, reduzindo o impacto humanitário das sanções.
  2. Fortalecer a segurança alimentar – A exportação de alimentos entre os membros dos BRICS ajudaria a combater a fome e a desnutrição em nações afetadas.
  3. Promover a multipolaridade – Ao desafiar os bloqueios unilaterais, os BRICS fortaleceriam a autonomia dos países em desenvolvimento e reduziriam sua dependência de superpotências hegemônicas.

A comunidade internacional, liderada por blocos como os BRICS, deve trabalhar para romper com esses bloqueios, promovendo cooperação e solidariedade que priorizem a dignidade humana e o respeito à autodeterminação dos povos. A criação de uma zona de livre comércio focada em saúde e alimentação representaria um avanço concreto nesse sentido.

Além disso, é essencial fortalecer o papel da Assembleia Geral da ONU como expressão da vontade global e reformar o poder de veto no Conselho de Segurança—um resquício de uma ordem mundial ultrapassada—para que a governança internacional reflita as necessidades e aspirações de todos os povos. Somente por meio do diálogo, da cooperação e do respeito mútuo será possível construir uma ordem internacional mais justa e equilibrada.

Educar para emancipar- a anticultura para a anticiência

Por Lucas Gama (*)

É fato que o Brasil e o mundo vivem uma onda crescente de estultices, de coaches mirins à negação da ciência (e até ondas de fascismo/neonazismo). A origem do problema parece se originar de um só ligar: A negligência com a consciência.

Essa negligência se refere a uma consciência intransitiva (que não se move) em relação aos outros e principalmente a si mesmo, revelando, dessa forma, uma falta de alteridade.

Pode ser uma imagem de estudando e textoComo consequência, decorrem diversas situações que geram um efeito oposto ao que se deseja para a sociedade, bem como outras diversas relações, situações, projetos e pessoas: A falta de acesso à cultura pode ser considerado outro grande exemplo disso.

Essas consequências têm como “meio” uma coação social externa a nós, por meio das redes (anti)sociais, as quais permitem que os resultados ganhem projeção global.

A fim de que as pessoas transitem para os próximos níveis de consciência (consciência em si e consciência para si), é necessário começar reforçando o alicerce, seja ele qual for.

As universidades, a fim de evitarem a negação e menosprezo da ciência, precisam deixar a “torre de marfim” na qual se encontram e assim levarem o conhecimento retido neste ambiente para a sociedade com, primeiramente, a acessibilidade da linguagem; pois, o rebuscado, além de tornar desinteressante, acaba por municiar pessoas que defendem diversas ideias anticientíficas, uma vez que não se ensina adequadamente, levando este conhecimento para fora dos muros acadêmicos.

Um exemplo que poderia ser utilizado como base para o primeiro passo como resposta seria o PIBID (iniciação esrudantil à docência). A formação de um projeto em moldes semelhantes, mas com o intuito de levar conhecimento aos que tem menos acesso já seria o primeiro degrau da escada desse combate em favor da divulgação e da popularização da ciência.

O segundo passo, ainda neste molde anterior, seria da própria acessibilidade física do conhecimento, com grupos que possam mostrar ao trabalhador que as ideias vendidas pelos supostos especialistas em diversas áreas, mas que, no fundo, são picaretas, na verdade são apenas para que eles sejam sustentados.

Existem diversas outras iniciativas a serem exploradas. Entretanto, essas parecem ser as mais elementares para que se inicie uma tentativa de mudança, afinal, o Brasil não é para amadores e, ultimamente, nem para profissionais.

(*) Lucas Gama  é estudante de filosofia da UFSCar/S

Governo muda linguagem nas redes de Lula, que agora participa de trends

Especialistas, ouvidos pela CNN, apontam que novo tom nas publicações, adotado a partir da chegada de Sidônio, muda a “persona” do presidente como um todo

As publicações nas redes sociais do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), têm adotado uma outra linguagem, demonstrando uma nova estratégia de comunicação por parte da equipe do chefe de Estado.

O que antes era um perfil composto por fotos formais e pronunciamentos oficiais, agora vem sendo recheado com vídeos no estilo “TikTok”, muito parecidos com os conteúdos publicados pelo prefeito de Recife, João Campos (PSB), o que não é coincidência.

Desde que assumiu a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira estabeleceu algumas mudanças na pasta. Dentre elas, está a substituição da pessoa encarregada pela Secretaria de Estratégias e Redes. Quem está atualmente no lugar é Mariah Queiroz, que trabalhou com as redes sociais do prefeito do Recife.

De acordo com uma apuração da CNN, o ministro chegou a sondar outros nomes da equipe do prefeito, considerado um “ótimo” exemplo de atuação nas redes sociais.

Um dos cogitados foi o marqueteiro de Campos, Rafael Marroquim, que negou o convite, mas deve atuar como um consultor do governo em questões estratégicas.

A reformulação da Secom busca melhorar o desempenho online do governo.

O consultor político e professor de Comunicação Política e Sociedade na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Giuliano Salvarani, à CNN, avaliou que a chegada do novo ministro da Secom tenta realizar duas mudanças principais no governo.

“Primeiro, busca estabelecer uma nova dinâmica para atuação do digital. Em seguida, também serve para alterar a imagem que o governo tem passado. Ele (Sidônio) tem essa dupla função”, disse.

Depois de decidir pelo recuo da medida de fiscalização da Receita Federal sobre o Pix – o que resultou em muitas críticas ao governo -, o presidente Lula se reuniu pessoalmente com João Campos no Palácio do Planalto.

Fontes no Planalto afirmaram, à âncora da CNN Tainá Falcão, que o presidente queria ouvir Campos sobre redes digitais.

O professor de Marketing Político Marcelo Vitorino diz que a “grande mudança”, até agora, é “um Lula mais disposto a falar diretamente com quem está nas redes sociais”.

Isso pode ser percebido em diversos vídeos no perfil oficial do presidente. Um deles é o que Lula comemora as indicações do filme “Ainda Estou Aqui” ao Oscar. No início da gravação, ele se dirige ao espectador.

Olhando para a câmera, Lula diz: “você se lembra quando eu dizia que o bom do brasileiro é porque ele não desiste nunca?”

 

“A chegada dessas pessoas, que acompanham o João Campos, tem muito a ver com isso. A gente já observa essa mudança brutal de linguagem, que tem a ver com a questão de mais dinamismo, a ausência de fotos para uma linguagem mais divertida, como, por exemplo, a utilização do ponto de vista, que é como se você estivesse interagindo com o próprio presidente”, diz Salvariani.

Ele avalia que essa nova linguagem traz uma repaginada não só para as redes de Lula, mas também para a própria “persona” do presidente.

“Essa nova linguagem do Lula, atinge todos os públicos. Passa a dar uma figura do homem simples, do presidente acessível, do herói da nação… de alguém que também se diverte. É uma mudança não só de comunicação, mas de persona mesmo do presidente”, diz.

A mudança, ponderam os especialistas, pode ser positiva para a visibilidade do governo.

“A comunicação do Lula deixou de ser estática para ser dinâmica. É uma necessidade do governo se movimentar para recuperar os desgastes que ocorreram”, diz Salvariani.

Força das redes sociais

Ambos os especialistas apontam a importância das redes sociais, não só para o período eleitoral, mas para passar a informação com clareza.

“Em um universo de pessoas dispersas, a atenção é ouro. Manter a atenção das pessoas é mais difícil com informações duras e mais fácil com narrativas”, afirma Vitorino.

Giuliani Salvariani fala também da necessidade de entreter ao mesmo tempo que se informa.

“Tem uma questão muito interessante nas redes sociais: todo mundo está imerso nas redes sociais, então quando ela acessa a rede social, ela quer não só se informar, como se entreter. A linguagem voltada para o entretenimento também atinge o público mais velho. Essa nova linguagem do Lula, atinge todos os públicos”, concluiu.

 

CNNBR

A diarista na Bolsa

Sabe-se que o “Deus mercado” tem errado mais ou menos 95% de suas considerações e previsões[1], se não contabilizarmos a incapacidade de análise política, ética, cultural (como o retrocesso social da era presidencial recém passada).

É possível dizer que esse mercado é formado por todos que investem, poupam (incluindo-se a falida poupança), aplicam ou especulam (trade): da “diarista investidora” (põe no Google) aos grandes players. Ou seja, o Cartel da Faria Lima também erra 95% das previsões econômicas, sistêmicas e até institucionais (especialmente as catastrofistas).

Contudo, tem um outro detalhe: na banda menor do tal mercado estão os técnicos mais conhecidos como analistas, especialistas. E esses me parecem errar muito mais do que a “diarista investidora”.

O Brasil tem 5 milhões de contas exclusivas para investimento, talvez mais da metade ativa, assim como a diarista investidora – no link abaixo:

 

https://youtu.be/i1_FWM15b8Q?si=tN_cGqVGrl11rr8u

 

O que mais aprendemos com a diarista investidora?

 

Além das absurdas margens da desigualdade social, aprendemos que ela não pode errar nas suas decisões, nas escolhas de onde aportar seus parcos recursos. No que é, inclusive, mais sábia e certeira do que o “mercado”, o(s) governo(s) e o Estado.

Porém, a persistência da diarista investidora ainda permite uma análise mais sofisticada: a diarista é aquela trabalhadora com zero direitos trabalhistas, é a jovem ou senhora que nem o Uber consegue pegar (porque não cabe no seu orçamento), esse Uber que é outro indivíduo mastigado pelo Capitalismo de barbárie.

Pois bem, regurgitada e expelida pelo sistema produtivo, a diarista investidora participa do rentismo: viu no rentismo uma forma de tentar sobreviver com uma carteira previdenciária, uma vez que, se tiver algum recolhimento autônomo para o INSS, sabe que será insuficiente para suprir suas necessidades na velhice.

Diria que ela erra menos do que outros grandes que tentaram se apoderar do IRB (Instituição de resseguros do Brasil) e ali perderam milhões de reais.

Ainda aprendemos que ela se pronuncia com segurança, sem ler – fala com certa “convicção técnica” (não reparei nenhum equívoco) – e, com seus praticamente 49 mil seguidores, muito provavelmente está falando para outras diaristas, trabalhadores pobres com ou sem carteira assinada. Em alguns vídeos dá para ver que houve várias edições (feitas por ela – sem “equipe técnica”), que se concluíram no período noturno. Mas, por que no período noturno? Porque deve ter retornado naquele horário de algum trabalho como diarista…

E, pra fechar o ciclo da análise, lembremos que o maior player desse mercado se chama Estado brasileiro. Sim, o Estado é o maior rentista do país – como também ocorre em Portugal. O paradoxo está em que, o Estado rentista supre o Estado Social. Conceitualmente, é fácil chegar a esta conclusão, o que não significa que a contradição seja facilmente digerida.

Por isso, analisar o rentismo sempre me pareceu algo mais complexo, devendo-se colocar a luta de classes (e suas subjetividades) em situações sem analogia ou paridade histórica e sociológica. Todavia, esse não é o fim da história, posto que, enquanto a diarista investidora continuar postando vídeos no Youtube (e em outras redes sociais) continuará recebendo pagamentos da(s) plataforma(s), conforme aumente sua visibilidade (hoje com 49 mil seguidores).

Desse modo, chegamos à banda propriamente fascista do atual Capitalismo de barbárie – ou Capitalismo de dados – e que apelidamos de Metafascismo[2]. Entretando, esse é outro processo (concomitante) ao planejamento da diarista investidora e de outros cinco milhões de pessoas investidoras (sejam físicas ou jurídicas). Tema para outro dia.

 

Vinício Carrilho Martinez

[1] https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/01/25/mercado-erra-95-das-previsoes-sobre-economia-e-bolsa.htm. Acesso em 26/01/2025.

[2] https://aterraeredonda.com.br/metafascismo/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2025-01-24. Acesso em 26/01/2025.

‘Morei nos EUA por 35 anos’, diz deportado por Trump que chegou algemado ao Brasil

Sinval de Oliveira, de 51 anos, é um dos brasileiros deportados dos Estados Unidos na sexta-feira (24), após viver 35 anos em território norte-americano. Ele desembarcou no Brasil em um voo que trouxe 158 passageiros deportados, incluindo 88 brasileiros, algemados e acorrentados.

O governo Lula proibiu algemas e correntes em deportados brasileiros dos EUA, que agora devem ser libertados nas aeronaves no máximo quando estas entram em espaço aéreo nacional.

A aeronave, que tinha como destino o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), precisou fazer uma parada no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM), para reabastecimento. No entanto, problemas técnicos impediram que o voo seguisse viagem até Minas Gerais.

“Morava nos Estados Unidos há 35 anos e chegamos aqui com esse incidente. Rapidamente, recebemos toda a assistência e tenho só a agradecer a todos da equipe do Corpo de Bombeiros e de Direitos Humanos”, afirmou Sinval de Oliveira, ao descrever o atendimento recebido em Manaus.

Após a parada não programada, o governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus ofereceram suporte aos passageiros. Entre as medidas adotadas, foram distribuídos colchões, alimentação, água e atendimento médico.

 

“Alguns passageiros já possuem algumas patologias e precisam de acompanhamento do uso de medicação, então estamos identificando esses pacientes para que eles possam receber assistência”, explicou o tenente Éverton Augusto, comandante de socorro da capital amazonense.

Sinval é um exemplo dos brasileiros afetados pelas políticas rígidas de imigração adotadas durante o governo Donald Trump, que intensificou as deportações de imigrantes em situação irregular. Desde 2017, durante o governo de Michel Temer, voos com brasileiros deportados dos Estados Unidos chegam ao Brasil com frequência. Esses voos geralmente ocorrem uma ou duas vezes por mês, quase sempre às sextas-feiras.

Segundo o Itamaraty, além dos 88 brasileiros a bordo deste voo, os outros passageiros eram de nacionalidades diversas. A Polícia Federal informou que, ao chegarem ao Brasil, quatro dos brasileiros já haviam sido liberados do grupo.

DCM

Governo Lula vê “flagrante desrespeito” a direitos de brasileiros algemados pelos EUA

A Polícia Federal informou que os brasileiros chegaram ao Brasil algemados e acorrentados, e foram imediatamente soltos pelos agentes

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que houve um “flagrante desrespeito” aos direitos dos brasileiros deportados pelo governo dos Estados Unidos, informou comunicado do Ministério da Justiça. A Polícia Federal informou que os brasileiros chegaram ao Brasil algemados e acorrentados, e foram imediatamente soltos pelos agentes. O voo teria como destino Confins, em Minas Gerais, mas precisou parar em Manaus por problemas técnicos.

“O ministro Ricardo Lewandowski destacou ao presidente Lula o flagrante desrespeito aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros. O Ministério da Justiça e Segurança Pública enfatiza que a dignidade da pessoa humana é um princípio basilar da Constituição Federal e um dos pilares do Estado Democrático de Direito, configurando valores inegociáveis”, diz a nota divulgada pelo Ministério da Justiça.

O repatriamento de imigrantes ilegais, conforme explicou o Itamaraty, ocorre com base em um acordo bilateral firmado em 2017, durante o governo de Michel Temer. O acordo permite o retorno de pessoas que, após processo judicial nos Estados Unidos, não têm mais direito a recursos e se encontram em situação irregular no país. No entanto, o Ministério esclareceu que este voo específico não está relacionado às novas medidas migratórias adotadas pela administração de Donald Trump.

O governo brasileiro tem reforçado que, no âmbito desse acordo, o repatriamento não inclui pessoas que ainda possuam possibilidade de revisar sua sentença. Desde o início do novo mandato de Trump, as autoridades dos EUA informaram ter deportado centenas de imigrantes ilegais, incluindo 538 prisões de imigrantes ilegais de diversas nacionalidades, como mencionado pela Casa Branca. No entanto, o jornal Washington Post destaca que esses números são modestos em comparação com as metas do governo Trump para o controle da imigração, e Tom Homan, czar da fronteira de Trump, afirmou que mais de 3 mil pessoas com antecedentes criminais foram presas nos primeiros dias da administração.

Brasil247

Lula acolhe brasileiros deportados pelos EUA que chegaram algemados ao Brasil

A Polícia Federal informou que os brasileiros deportados pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, chegaram algemados ao Brasil. A corporação recebeu a aeronave em Manaus após apresentar problemas técnicos. O pouso estava previsto para acontecer em Confins, Minas Gerais.

Segundo a PF, os brasileiros foram imediatamente liberados das algemas “na garantia da soberania brasileira em território nacional e dos protocolos de segurança”.  Após determinação do presidente Lula (PT) e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, os agentes proibiram que os deportados fossem detidos pelos americanos novamente.

Os passageiros foram acolhidos e acomodados na área restrita do aeroporto. No local, receberam bebida, comida, colchões e foram disponibilizados banheiros com chuveiros. Por determinação de Lula, uma aeronave da Força Aérea Brasileira transportará os brasileiros para o Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, na tarde deste sábado. Eles serão acompanhados e protegidos pelos militares da FAB e policiais federais brasileiros. De acordo com relatos, os passageiros “choraram de emoção” ao saberem que seriam transportados pelo governo brasileiro.

Brasil 247

Bancada ruralista resiste à isenção de tarifas para a importação de alimentos

A proposta do governo de reduzir a tarifa de importação de alimentos para zero enfrenta forte resistência da bancada ruralista no Congresso Nacional. Após o anúncio do Ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), de que a medida está em estudo, integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) iniciaram discussões sobre o tema em grupos de WhatsApp, conforme informações da CNN Brasil.

A bancada argumenta que a isenção da tarifa pode prejudicar pequenos produtores brasileiros, aumentando a concorrência com o mercado externo, sem garantir um impacto significativo na redução de preços nos supermercados.

Um exemplo destacado é o setor cafeeiro, no qual o Brasil possui 330 mil produtores, sendo 280 mil pequenos cafeicultores, dos quais 78% têm propriedades com menos de 20 hectares.

Prato do Futuro: café torrado no Sítio Berelu, em Cerqueira César (SP) — Foto: Stephanie Rodrigues/g1
Café torrado no Sítio Berelu, em Cerqueira César (SP): o Brasil conta com 330 mil cafeicultores. Foto: Stephanie Rodrigues

Os representantes do agronegócio também criticam a concorrência de países que subsidiam suas produções, como ocorre em algumas nações europeias. Para os parlamentares, a prática representa uma “concorrência desleal.”

“Se as condições e custos de produção são semelhantes mundo afora, como pode um produto importado ser mais barato do que o nosso? É sinal que pagamos muitos impostos para produzir ou que os de fora têm subsídios”, declarou o deputado Zé Vitor (PL-MG).

Além disso, os parlamentares afirmam que não foram consultados pelo governo para debater a proposta, mesmo com a bancada disponível para colaborar. Eles também refutam o argumento de que o Brasil não tem oferta suficiente de alimentos.

“O descontrole na inflação é que prejudica as famílias, não o produtor rural, não o produtor de alimentos. Medidas sem debate e planejamento dificilmente alcançam os resultados esperados”, ressaltou o deputado.

Fonte: DCM

Indicações ao Oscar de ‘Ainda Estou Aqui’ impulsionam projeto para suspender salários de militares denunciados

O filme “Ainda Estou Aqui”, que aborda o assassinato do ex-deputado Rubens Paiva durante o regime militar, conquistou indicações ao Oscar em três categorias. A repercussão internacional da obra cinematográfica deve fortalecer o apoio ao Projeto de Lei da deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que propõe suspender a remuneração de militares acusados de violação de direitos humanos e crimes contra a humanidade. “O filme e as indicações ao Oscar criam uma pressão de fora para dentro”, destacou a parlamentar à CNN.

O projeto, protocolado na Câmara dos Deputados, visa interromper o pagamento de salários, proventos e benefícios a militares enquanto houver um processo judicial em andamento. Segundo Melchionna, a ideia surgiu após revelações de que os militares envolvidos na morte de Rubens Paiva recebem, juntos, R$ 140 mil mensais. A parlamentar acredita que o impacto do filme amplia a visibilidade sobre o tema e ajuda a mobilizar a sociedade e o Congresso para a aprovação da medida.

A proposta prevê que a suspensão de remuneração só será aplicada após a notificação do militar acusado, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa, como estabelece a Constituição. Caso seja comprovada a inocência em decisão judicial definitiva, os valores suspensos serão devolvidos de forma retroativa, corrigidos pela inflação. “Queremos que a Justiça seja feita sem onerar os cofres públicos com pagamentos a quem está sob acusações tão graves”, afirmou a deputada.

A iniciativa busca também ampliar o debate sobre a responsabilidade histórica das Forças Armadas e a necessidade de responsabilização individual em casos de violação de direitos. O impacto do filme sobre Rubens Paiva e o apoio popular ao projeto podem se tornar fatores decisivos para a tramitação da proposta na Câmara. Para reforçar o movimento, Melchionna tem buscado coautores e lançou um abaixo-assinado para ampliar a mobilização em torno do tema.

Brasil 247

Veritas Quae Sera Tamen

Ronald Pinto

O liberalismo americano, frequentemente apresentado como o pilar do livre mercado global, revela suas contradições quando confrontado com situações que ameaçam sua hegemonia econômica e política. A retórica de que barreiras comerciais devem ser eliminadas é rapidamente abandonada sempre que os interesses nacionais dos Estados Unidos são colocados em xeque. Essa dualidade ficou novamente evidente no caso recente envolvendo o TikTok.

O TikTok, um aplicativo de origem chinesa operado por uma empresa de Singapura, tornou-se alvo do governo norte-americano sob a justificativa de que representa uma ameaça à segurança nacional. A preocupação central, segundo o governo dos EUA, é a possibilidade de que os dados de milhões de cidadãos americanos possam ser utilizados pelo governo chinês. Para evitar essa “ameaça”, os EUA entraram com um pedido na Suprema Corte para bloquear o aplicativo caso ele não fosse vendido a uma empresa americana.

O paradoxo aqui é evidente: enquanto pregam ao mundo os princípios do livre mercado, os Estados Unidos demonstram não hesitar em adotar medidas protecionistas quando um concorrente estrangeiro desafia o monopólio de suas empresas e o controle sobre informações. Redes sociais americanas, como Facebook e Twitter, possuem histórico de colaboração com os serviços de segurança dos EUA. Então, por que o TikTok seria diferente?

Com o bloqueio do TikTok aprovado pela Suprema Corte, os usuários norte-americanos começaram a migrar em massa para o Red Note, uma versão chinesa exclusiva da plataforma. O movimento foi impulsionado pela indignação dos usuários, que passaram a questionar as motivações do governo e a refletir sobre as diferenças entre a vida nos EUA e na China. Curiosamente, no Red Note, os novos usuários ocidentais são recebidos com saudações como “bem-vindos, refugiados”, uma ironia à narrativa hegemônica americana.

A situação chegou a um ponto crítico: o presidente Donald Trump, buscando controlar os danos, convidou o CEO do TikTok para sua posse. Durante seu discurso de posse, Trump foi além, mandando a diplomacia às favas e reafirmando o interesse em retomar o controle do Canal do Panamá, alegando que a China exerce domínio sobre ele. Anunciou também que deportaria milhões de imigrantes ilegais e enviaria tropas para a fronteira com o México. Entre as declarações mais controversas, destacou o desejo de renomear o Golfo do México e reafirmou a intenção de taxar pesadamente produtos importados, numa tentativa de reativar a indústria norte-americana. Trump ainda criticou frontalmente as pautas relacionadas às questões de gênero, sinalizando um retrocesso em direitos sociais. Em suma, ele demonstrou que as contradições entre a narrativa liberal e a prática não seriam mais apenas percebidas nas ações, mas explicitadas nos próprios discursos oficiais. A promessa de liberdade, simbolizada pela Estátua no Porto de Nova York, foi descartada sem cerimônia.

A tentativa de controlar o TikTok é apenas mais um episódio de uma longa história de hipocrisia no discurso liberal americano. Quando a Petrobras adquiriu a refinaria de Pasadena, no Texas, com o objetivo de ampliar a presença da empresa brasileira no mercado de derivados de petróleo, a reação dos EUA foi incisiva. Sob o governo Obama, houve espionagem contra o governo Dilma Rousseff, além de treinamentos promovidos pela inteligência americana a agentes brasileiros que posteriormente dariam origem à Operação Lava Jato. Essa operação foi fundamental para desestabilizar o governo do PT, consolidar a política de privatizações e abrir o mercado brasileiro à exploração estrangeira.

Outro ponto crucial é o controle ideológico exercido pelas redes sociais americanas. Plataformas como Twitter e Facebook favorecem, em termos de visibilidade, discursos alinhados à extrema-direita. A dificuldade de organização e mobilização da esquerda nessas plataformas não é mera coincidência, mas parte de uma engrenagem que promove narrativas conservadoras enquanto marginaliza discursos progressistas.

O liberalismo americano é, em essência, condicionado aos seus interesses. Em nome da Liberdade , só neste milênio, vários países foram invadidos, ou até destruídos…  Que se cuide o Panamá pelo seu Canal e a Groenlândia pelas riquezas naturais.  A “liberdade de mercado” só é defendida quando favorece as empresas e a hegemonia dos EUA. Quando essa liberdade é colocada em cheque por competidores estrangeiros, os princípios liberais são prontamente substituídos por protecionismo e controle estatal. Para o restante do mundo, isso não é novidade — é mais um exemplo do imperialismo mascarado de defesa da “democracia” e do “livre mercado”.   Certamente o discurso de Trump, politicamente incorreto, é o mais verdadeiro escutado até hoje.

 

Lula e a revolução de Lula

Ronald Pinto

O discurso de Luiz Inácio Lula da Silva no ato em defesa da democracia, em 8 de janeiro de 2025, oferece uma reflexão profunda sobre o papel das revoluções e a relação entre as massas populares e as vanguardas políticas. Em um momento em que a democracia é questionada por extremismos e o conceito de revolução muitas vezes é associado a modelos do passado, Lula resgata uma perspectiva que valoriza o protagonismo do povo e a construção coletiva de transformações sociais.

Ao criticar as experiências históricas de revoluções como a Russa de 1917 e a Cubana, Lula reconhece os avanços significativos obtidos em seus contextos, mas destaca que essas transformações foram conduzidas por vanguardas intelectuais e políticas, e não pelos trabalhadores. “Você pega a fotografia da Revolução Russa de 17, não tem um operário na foto. Você pega a fotografia da Revolução Cubana também não tem operário, porque eram os intelectuais políticos, os ativistas políticos, os estudantes, as pessoas com um pouco mais de grau”, afirmou. O presidente sublinha que, historicamente, o trabalhador foi relegado ao papel de força produtiva, sem espaço na liderança das mudanças que, teoricamente, deveriam libertá-lo.

Essa análise aponta para uma crítica central às revoluções vanguardistas: a perpetuação de uma hierarquia de poder em que o povo é apresentado como motivo e sua libertação como objetivo da Revolução mas tratado na verdade como massa de manobra. É comum que aqueles que tomam o poder justifiquem o silenciamento de críticas — inclusive de outros grupos políticos, mesmo de esquerda — com a advertência: “se criticar, é inimigo da Revolução!” Transformações impostas por elites politizadas frequentemente resultam na centralização de poder, substituindo uma forma de opressão por outra.

O discurso de Lula adquire ainda mais densidade ao considerar o exemplo da China, cuja trajetória revolucionária apresenta características únicas.  Detentora de uma cultura milenar, marcada por tradições como o confucionismo, a China continuou a evoluir após a revolução de 1949 por meio de reformas internas e processos complexos. O país mesclou planejamento estatal com aberturas econômicas, demonstrando uma flexibilidade ausente em muitos modelos revolucionários ocidentais.

Ao contrário de experiências em que famílias ou líderes de esquerda permanecem no poder por décadas ou até por toda a vida, algumas vezes gerando dinastias, a China promoveu, após Mao, uma sucessão de líderes que implementaram novos modelos de gestão e produção. Esses avanços ocorreram sem abandonar os fundamentos revolucionários e sem recorrer à dominação militar da própria sociedade.

Lula contrapõe esses modelos históricos com sua própria trajetória, destacando que as conquistas democráticas podem ser ferramentas de emancipação popular. “As pessoas não imaginavam que os trabalhadores pudessem organizar um partido e chegar à Presidência da República. E eu sou presidente da República pela terceira vez.” Essa autorreferência não é mero orgulho pessoal, mas um exemplo concreto de como a democracia pode abrir caminhos para os trabalhadores, historicamente excluídos, assumirem posições de liderança e influenciarem diretamente nas estruturas de poder.

O discurso também ressignifica o conceito de revolução. Em vez de vinculá-la exclusivamente à luta armada ou à tomada violenta do poder, Lula demonstra que uma verdadeira revolução só será possível com o amadurecimento da consciência popular. A democracia liberal opera dentro dos limites do capitalismo, funcionando como um processo para definir quais grupos assumem o controle do Estado. Superar esse sistema exige um movimento que parta do povo, e a construção de um partido dos trabalhadores que una setores diversos que lutam por transformações profundas na sociedade é um processo pré-revolucionário. Esse movimento, utilizando as próprias regras da classe dominante, colocou, no Brasil, os trabalhadores no governo, enfrentando duros ataques desde as oligarquias até dos próprios setores vanguardistas, mas, sem dúvidas, avançando profundamente nas condições objetivas de justiça e igualdade para a classe trabalhadora.

Sem essa base de consciência popular, há o risco de reproduzir as mesmas estruturas de dominação que se pretende abolir. Nesse sentido, a defesa de Lula pela democracia não é apenas pragmática, mas ideológica. Ele apresenta a democracia como um espaço para organização, educação e mobilização popular, essencial para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Mais do que uma crítica às revoluções vanguardistas do passado, seu discurso é um convite à reflexão sobre o futuro: como garantir que as transformações sociais sejam feitas pelo povo e para o povo, sem que as vozes críticas sejam silenciadas em nome da “pureza revolucionária”?

A história ensina que revoluções lideradas por vanguardas, sem participação ativa das massas, muitas vezes degeneraram em autoritarismo. Exemplos como o stalinismo e os excessos de regimes revolucionários mostram que a concentração de poder em poucos, mesmo com boas intenções iniciais, pode levar à repressão e à alienação das próprias massas que deveriam ser protagonistas.

Lula, com sua trajetória de sindicalista e líder popular, resgata a ideia de que a transformação social não se faz apenas com decretos ou slogans, mas com a construção lenta e contínua de uma consciência coletiva. A democracia, apesar de suas limitações nos marcos do capitalismo, é apresentada como um espaço indispensável para essa construção.

O desafio, portanto, não é apenas criticar o que se apresenta como revoluções no passado, mas evitar repetir seus erros. A verdadeira revolução, como aponta Lula, não é a que parte de uma elite iluminada, mas a que nasce da organização e da conscientização do povo. Afinal, qualquer transformação que não inclua o protagonismo popular corre o risco de ser apenas uma mudança superficial de quem detém o poder.

Que essa reflexão sirva para reforçar o valor da crítica, do debate e da pluralidade em qualquer projeto de transformação social. Pois, se “criticar é inimigo da Revolução!”, o que se constrói é uma ditadura disfarçada de mudança.

 

ALUCINAÇÃO CAPITALISTA

(Coach mirim)

Por Vinício Carrilho Martinez

Em primeiro lugar, é oportuno explicar que, por alucinação capitalista entendemos a monetização das barbáries a partir das redes antissociais: quanto maior a estultice maior a possibilidade de ser visto, rentabilizado e, logo, de enriquecer.

Dito isso, vemos que os atuais Tempos Modernos (diferentemente daqueles de Charles Chaplin) trazem o assombro dos “tempos sombrios” – fundeados no nazifascismo da Segunda Guerra Mundial. O avanço da extrema direita rumo ao poder, no Ocidente, é prova suficiente dessa combinação desastrosa neste quartel do século XXI.

O que há em comum com o lateralizado nazifascismo de meados do século XX, permanente e vivo hoje em dia, são as forças, crenças, “mitos” e ações propostas ou encaminhadas: o racismo, o elitismo supremacista, a misoginia, o descarte da classe trabalhadora, a “eleição de inimigos” a serem destruídos violentamente, são a força comprobatória dessa tese. O capitalismo de barbárie se pronunciaria já naqueles idos.

No entanto, exatamente um efeito explosivo, expansivo – destruidor em massa do meio ambiente –, conheceu seu apogeu. Nunca o capitalismo conheceu tamanha barbárie contra as mínimas condições de vida quanto agora. Some-se a isto o genocídio praticado pelo sionista Estado de Israel, em Gaza. A perda de propósito da vida humana, com dignidade, ganhou força e lastro.

No plano econômico, a uberização da vida civil é a tônica (no Brasil é a quintessência desde 2017 com Temer), e isto segue a esteira de rodagem da destruição da classe trabalhadora, acarreta um incremento acintoso do rentismo e da miséria humana e social.

A máquina capitalista de moer carne humana ainda se rentabiliza pela propagação da “descrença na racionalidade”, como visto na popularização (viralização) das coisas mais absurdas possíveis: quanto mais irracional, mais as redes antissociais se encarregam de motivar e bonificar seus “produtores de conteúdos”. Em que pese o máximo exagero em se atribuir às bizarrices alguma condição de conteúdo (a exemplo de se associar vermífugo no combate à COVID-19), esse efeito disruptivo da verdade, da realidade, distorcendo-se ou eclipsando os fatos, guarda em si (no propósito) muitas semelhanças com o Ministério da Propaganda Nazista (de Goebbels).

Se no nazifascismo o lema era (é) a “ação pela ação” – o franquismo espanhol foi lendário nesta modalidade –, hoje, a métrica poderia ser alternada para “views por views”, ou seja, o que importa (do ponto de vista do narcisismo capitalista) é a metrificação de visualizações dos tais “conteúdos” gerados: quanto mais expandir-se a dissolução da racionalidade, mais as massas consomem. E isso enriquece tanto as “plataformas de comunicação” (há comunicação?) quanto os indivíduos propagadores de Fake News e de atrocidades desumanizadoras.

Então, quando crianças e jovens se apresentam como “influenciadores” (coach mirim) o único propósito é enriquecer com a monetização. E a primeira ou mais grandiosa pérola que se produziu diz assim: “Estude para ficar pobre”[1]. Não seria preciso dizer mais claramente, entretanto, reforce-se que o com coach mirim almeja o descredenciamento da educação e o mergulho no enriquecimento com zero perspectivas de emancipação[2].

Neste modelo de Capitalismo de dados[3] (Metafascismo[4]), quanto mais se é visto maior a chance de enriquecer; lembrando a máxima das antigas “falem mal, mas falem de mim”, o coach mirim ainda nos lembra que a racionalidade, o Bom Senso, a prudência e a responsabilidade (pelos atos presentes) tem um alto custo: muitas vezes custam o sossego, o emprego, a estabilidade. E nos permite concluir que, sob essa regra do Capitalismo de dados (que ainda será turbinado pela Inteligência Artificial[5]), a consciência da emancipação é a vítima mais evidente. E que, sob a lógica capitalista atual (muito diferente daquela de Chaplin), a falta de consciência, o zero tirado na avaliação da inteligência social, são recursos inestimáveis – afinal, quanto mais alienado (retirado da Cosmovisão intuída desde o Iluminismo), maior a amplitude alcançada para fins de dominação econômica, opressão política e exploração ilegal e ilegítima da atividade humana.

Não é por acaso que, no Brasil, convivem placidamente as formas mais evoluídas do capitalismo de barbárie (rentismo e monetização da alucinação capitalista) e as formas sociais mais aterrorizadoras que nossa história produziu: racismo e exploração do trabalho análogo à escravidão (uberização em tempo integral).

Em palavras finais, podemos dizer que a regra hegemônica é fatal: “Enriquecer a qualquer custo”. Enriquece-se ao custo do Esclarecimento (do Bom Senso) e da capacidade de humanização: o enriquecimento individual é obtido às custas do embrutecimento e do enfraquecimento da própria noção do que é Humani

[1] https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2024/11/23/menores-desdenham-da-educacao-e-dizem-ganhar-mais-do-que-medico-vendendo-curso-para-ser-influencer.ghtml. Acesso em 17/01/2024.

[2] Lembremos que, para os mirins, inclusive a conta bancária é administrada pelos pais ou responsáveis.

[3] SHOSHANA, Zuboff. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização de informação. In: Tecnopolíticas da vigilância: perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo, 2018.

[4] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/metafascismo. Acesso em 17/01/2024.

[5] Pode-se ter um uso equilibrado e criativo: https://www.youtube.com/@MusicalizAI.

Enquanto a violência toma conta de Rondônia, o governador Marcos Rocha passa férias em Maceió

Em meio a uma onda crescente de violência que assola Porto Velho, com ataques criminosos alarmando a população e resultando na trágica morte do cabo da Polícia Militar Fábio Martins, um vídeo recente mostra o governador de Rondônia Coronel Marcos Rocha (União Brasil), desfrutando de férias em Maceió. A vereadora Juliana Salomão (Podemos), de Parecis, se encontrou por acaso com o governador e “entregou” a cidade no Instagram dela.

A divulgação dessas imagens gerou indignação entre os moradores, que se sentem desamparados diante do aumento da criminalidade enquanto o chefe do Executivo estadual parece alheio à gravidade da situação.

A ausência do governador em um momento crítico levanta questionamentos sobre sua prioridade em relação à segurança pública. Enquanto a Força Nacional é enviada para atuar em Rondônia  e a Polícia Militar intensifica operações para conter a violência, a postura do governador é vista por muitos como um sinal de negligência e desconexão com os desafios enfrentados pela população. A sensação de insegurança cresce, e a liderança estadual é cobrada por uma resposta mais efetiva e presente diante da crise que se instala.

Veja aqui

Fonte: Notícias de Porto Velho

Ainda estou aqui

Vou permanecer
– com você

Isso não é um jogo
– é luta
– é guerra

O lado mostra nossa conduta

Não há perdão
– só perdas
– para gente sem rosto

Aquele lá
– aquele outro também
– o que te fez de refém
– de tontura e tortura

Eles vão perder o posto
– desse desgosto
– de tortura

Mas, nós ainda estamos aqui
– para ficar
– fincar nossa bandeira

Dessa vez não haverá rasteira

Eles são rasteiros
– pistoleiros
– logo prisioneiros

Nós ainda estaremos aqui
– eles ficarão por ali
– no limbo

Nós estamos aqui
– sorrindo
– e eles vão saindo

Eles sairão da história
Mas não da nossa memória

Ninguém esquece o monstro
– eu te mostro

Nós estamos aqui
– fique por aí

Fique por aí
– monstro sem rosto
– rei sem roupa

Nós permanecemos aqui
Por amor
– contra todo o rancor

Vinício Carrilho Martinez

Metafascismo

Vinício Carrilho Martinez – Doutor em Ciências Sociais

Vinícius Alves Scherch: Doutor em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS/UFSCar

 

Sob o título Metafascismo queremos indicar duas situações convergentes: trata-se da empresa Meta e do objetivo projetado; assim, a empresa representa o meio, a técnica, o veículo, a base material, e, consigo, a meta de se aprofundar a expansão e a vocalização do Fascismo digital nas redes sociais. Em prévio diagnóstico, identificamos que o avanço tecnológico teria potencial para fomentar a prática degenerativa da política, isto é, o apelo ao Fascismo em uma nova modulação:

 

O crescente afago popular ao autoritarismo e ao Fascismo não serão descabidos, e nem incompreensíveis, uma vez que a base tecnológica conformadora da Modernidade Tardia também formata a estratificação política, com incidência no formato jurídico prevalecente. Somos monocráticos, monotemáticos em plena era da informação. (Martinez; Scherch; 2020)

 

Portanto, com Metafisicismo, simbolizamos o imbricamento de método e objetivo, quanto ao Fascismo recalcitrante nos dias atuais. Esse Metafascismo, essencialmente, é apenas muito tecnológico, isto é, constitui-se de mais uma metáfora desde sua origem nos anos 1920, na Itália de Mussolini – assim como é uma metáfora o Necrofascismo (Martinez, 2022).

Com a decisão da Meta de substituir seu programa de checagem de fatos por um “sistema” de notas da comunidade, resta sinalizada uma aproximação com a política de superposição da liberdade de expressão. Isso significa dizer que, diante do negacionismo e do pouco acesso à educação e ao conhecimento efetivo, as “massas” definirão o que é real, científico, ético (ou não). Nesse sentido, analisando a normalização da exceção – pois nesse Metafascismo haverá uma exceção da verdade – encontramos um ponto de convergência para a leitura do estágio de exclusão que será viabilizado com as “notas da comunidade”:

 

Se a comunicação é regra para a Humanidade (desde o grito primal), as redes sociais nos dirigem para o oposto; propositalmente os algoritmos nos  direcionam  para as  semelhanças,  para  o  mesmo  discurso, como  se  continuamente  reforçássemos  nossos  próprios  pensamentos.  Desse  ponto  de  vista,  as redes  sociais,  notadamente  o  Facebook,  constroem  interatividades  a  partir  da  mesmice, aniquilam o contraditório, são abruptamente, constantemente, Ab origine, antidemocráticas. (Martinez; Scherch, 2020)

 

O “sistema” será parecido com o do X e implica relevantes alterações acerca dos limites entre liberdade de expressão e responsabilidade na moderação de conteúdos, pois o novo modelo transfere a responsabilidade de fornecer contexto às informações para os próprios usuários, apostando em uma “sabedoria coletiva” que, embora pulverizada em essência, pode se tornar problemática na prática. Podemos ter a decretação da “governança dos piores” alimentada por algoritmos vorazes – o chamado “Fenômeno Marçal” nas eleições municipais da capital paulista (com cadeirada em resposta) pode ser apenas um prenúncio. Ainda se conectam a este efeito os influenciadores mirins que apostam na recusa à informação; seu lema é: “estude e fique pobre”[1]. Então são esses “conteúdos” a definir os rumos do Processo Civilizatório.

Essa medida aparentemente ampliativa – além de negacionista da democracia, porque atacar o conhecimento é produto fascista – ainda encobre um comportamento alinhado à desinformação, pois o ciberespaço se compreende pela cibercultura. Segundo Pierre Lévy, a cibercultura apoiada na interconexão, na criação de comunidades e na inteligência coletiva, fornece um ponto de partida para que se possa compreender um comportamento da sociedade no meio digital (Lévy, 2010). Atualmente, o ciberambiente não alcançou o nível de autorregulação – a maturidade civilizatória – suficiente para que a coletividade possa realizar a checagem de fatos sem uma atuação profissional. Ter as “notas da comunidade” como uma solução universal desconsidera diferenças culturais, níveis de alfabetização midiática e o impacto desproporcional que notícias falsas podem ter em contextos sociopolíticos frágeis, piorando as relações no ciberespaço.

A inteligência coletiva, como expressa Pierre Lévy, “implica a valorização técnica, econômica, jurídica e humana de uma inteligência distribuída por toda parte, a fim de desencadear uma dinâmica positiva de reconhecimento e mobilização das competências” (Lévy, 2010). No entanto, nas redes prevalece uma inteligência coletiva regressiva, criada a partir de uma mente de colmeia que faz com que os indivíduos moldem seu comportamento de acordo com a pretensão dos ordenadores, para uma atuação contra o alvo. Sendo que este alvo pode ser composto de pessoas ou grupos que não se compatibilizam como quer a bolha dominante ou “grupo hegemônico de ciberpoder”.

Basta lembrar que a checagem de fatos foi implementada como uma resposta à proliferação de desinformação durante eventos de impacto global, como eleições e pandemias. Ao implementar o novo “sistema”, a Meta abandona uma ferramenta que, apesar das falhas, possuía critérios estruturados e baseados em expertise. Ao creditar “notas da comunidade” como critério de checagem, a informação seria validada com base na capacidade dos usuários de oferecer análises equilibradas, ignorando totalmente o risco de polarizações e vieses ideológicos que já dominam o ciberespaço. A popularização, mais do que hoje, trará um verdadeiro ringue entre informação e desinformação.

A mudança, para a Meta, seria resultado de um esforço para mitigar acusações de censura e fomentar uma suposta liberdade de expressão. Mas a linha entre promover o debate e abrir as portas para a desinformação desenfreada não foi considerada, demonstrando-se uma predisposição das plataformas aos interesses de Trump (presidente eleito dos EUA).

De acordo com Andrew Korybko, “o Facebook é o portal para reunir e fazer propaganda do movimento de revolução colorida. Ele recruta apoiadores e permite a criação de grupos fechados nos quais ativistas contra o governo podem se encontrar e discutir suas estratégias virtualmente” (Korybko, 2018).

É inegável que as Big Techs exercem um papel crucial na formação da opinião pública global. E, ao abrir mão de um sistema estruturado de verificação de informações, com critérios objetivos e análise profissional, há não só um risco de descredibilizar as plataformas, mas, principalmente, o comprometimento da qualidade das informações consumidas por bilhões de pessoas.

Segundo Mark Zuckerberg, a checagem de fatos era politicamente enviesada, mas o “sistema” proposto não garante imparcialidade e veracidade das fontes de informações. Ao contrário, coloca o poder de verificar informações nas mãos de um público amplamente diversificado, mas também suscetível a influências ideológicas e interesses econômicos e pessoais, que pode corroborar com um flerte ao totalitarismo digital. Isso porque o “sistema” se alinha com a postura de Elon Musk e a crítica às instituições judiciais, reforçando-se a percepção de que a decisão é politicamente motivada.

A organização das plataformas – baseada em interações sociais – permite que haja uma diversidade de pensamentos, porém essas diversidades são aprisionadas em bolhas criadas por algoritmos – cada consumidor de conteúdo ou somente de bobagens cria sua própria bolha, uma “autobolha”. Desse modo, “as redes sociais” (na prática, antissociais), que  se  expandiram potencialmente  na  última  década,  embora  carreguem acessibilidade  ao  conhecimento  e  às  informações,  transportam  também  os  equivalentes  reais de grupos hegemônicos, levando a uma regressão ao estado de massa[2]” (Martinez; Scherch, 2020).

O mecanismo de tráfego das informações acaba sendo direcionado e agrupa os indivíduos com características semelhantes, ocasionando uma falsa sensação de que são dominantes no espaço, vindo a tornar discursos manobráveis mais presentes e, pela falta de visibilidade do diferente dentro do grupo, o ambiente se torna fértil para composições fascistas, racistas e intolerantes. Desse modo a “sabedoria coletiva” que instrui as “notas da comunidade” é prejudicada pelo exercício de ciberpoder e pela manipulação algorítmica.

Ao invés de privilegiar a liberdade de expressão e a democracia, o “sistema” é degenativo do aprimoramento do ciberespaço, pois, “o controle da pauta política na era pós-digital pode ter seu mote na informação – ou na desinformação – que constitui uma das bases do próprio ciberespaço, já que tudo é datificado e, em alguma medida tem uma relação com as tecnologias de controle de dados, os algoritmos e a inteligência artificial” (Scherch, 2024).

  • REFERÊNCIAS
  • DUNKER, Christian Ingo    Psicologia  das  massas  digitais  e  análise  do  sujeito  democrático.  In: ABRANCHES, Sérgioet al. Democracia em risco? 22 ensaios sobre o Brasil de hoje. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

 

KORYBKO, Andrew. Guerras híbridas: das revoluções coloridas aos golpes. Trad. Thyago Antunes. 1 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. 3 ed. São Paulo: Ed. 34, 2010.

 

MARTINEZ, Vinício Carrilho. Necrofascismo: Fascismo Nacional, necropolítica, licantropia política, genocídio político. Curitiba: Brazil Publishing, 2022.

MARTINEZ, Vinício Carrilho; SCHERCH, Vinícius Alves. A Normalização do Estado de Exceção na Pandemia Coronavírus. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM, Santa Maria, RS, v. 15, n. 3, e48127, set./dez. 2020. ISSN 1981-3694. DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1981369448127. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/revistadireito/article/view/48127

SCHERCH, Vinícius Alves. Impactos do capital no controle da pauta política na era pós-digital. Tese (Doutorado em Ciência, Tecnologia e Sociedade) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/20945.

 

[1]Disponível em:  https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/01/09/r-100-mil-por-mes-menores-trabalham-irregularmente-com-marketing-digital.htm. Acesso em 09/01/2024.

[2] “O fenômeno mais típico dessa regressão ao estado de massa é a impossibilidade de  se  fazer  escutar  por  argumentos  ou  fatos,  além  da  irrelevância  relativa  das fontes.  No  interior  de  uma  batalha  discursiva,  o  uso  de  fake  news,  de  forma intencional   ou   ingênua   é   bastante   facilitado.   Os   interlocutores   repetem monólogos com crescente agressividade. A regressão ao funcionamento de massa, com  sua  estereotipia  e  certeza  dogmática,  produziu  um  extenso  sentimento  de divisão social, rompendo laços e dissociando relações”. (Dunker, 2019)

Trio completa 50 músicas utilizando inteligência artificial (IA)

Precisamos contar a história desse projeto em detalhes. Um dia faremos isso, falando de sua origem, dinâmica, as articulações internas e os objetivos que definimos. Hoje é um dia especial porque chegamos a 50 músicas já editadas, com 25 já publicadas. Quem diria que chegaríamos a 50 músicas, em praticamente duas semanas – mesmo que umas 4 ou 5 fossem letras recuperadas, de tempos anteriores, o fato é que temos 50 músicas já produzidas.

Na descrição de cada música há a indicação de que utilizamos a inteligência artificial (IA) como recurso tecnológico; porém, as letras são todas autorais e a musicalização envolve escolhas pessoais, de ritmo, tom, da utilização dos instrumentos; enfim, a melodia acaba sendo uma determinação humana. Pode-se dizer que a ação humana está no início (nas letras), no meio (determinação humana do que a IA deve fazer) e no final, afinal quem ouvirá as canções é você, uma pessoa como nós.

Com essa marca de 50 músicas, 25 já publicadas (a partir das 20 horas de hoje: 05/01/2025), não podemos dizer que chegamos ou batemos uma meta. Pelo simples fato de que nenhum de nós pensou em chegar tão longe e tão rapidamente. As coisas simplesmente aconteceram – e deram certo!

No total, temos uma música chegando próxima de 300 audições. Isso sim é uma marca de referência. Mais ainda, temos seis músicas que ultrapassaram as 200 audições e outras 11 com 100 audições. Há muitos estilos diferentes, algumas parcerias – inclusive com uma composição de nós três.

O principal a dizer, nos parece, é que estamos fazendo um trabalho de sensibilização, de crítica, denúncia e também de anúncio – há muito de utopia em cada poesia. E se a utopia está distante da carestia, é muito mais o caso de se doar e amar, do que lamentar. Assim, a esperança é tanto poesia quanto utopia. Nosso projeto tem muita lembrança, mas não é aquela de esperar acontecer. A gente prefere fazer para ver. Ver algo bom, justo, belo.

Por isso, falar em trabalho é um exagero, porque não temos no projeto o peso da obrigação, dos chamados “resultados”; temos, sim, compromisso com a poesia, com a sensibilidade humana e a sociabilidade que esperamos compartilhar, de forma que se fale mais de amor, do que de dor.

Nossa realização é pessoal e esperamos que vocês compartilhem conosco essa aventura, que é a demonstração da condição humana que nós três compartilhamos.

Veja aqui:

https://vm.tiktok.com/ZMkAEKVFY/

Vinício Carrilho Martinez

Marlon Pessanha

Lucas Gama

VÍDEO FDP: Gusttavo Lima promete financiar cachaça e alcoolismo se eleito presidente

O sertanejo, agora pré-candidato à presidência da República, afirma que, caso vença, usará o Estado para custear o consumo da bebida alcoólica, gerando polêmica sobre o tema

O cantor sertanejo Gusttavo Lima deu uma declaração completamente inacreditável e irresponsável durante uma apresentação sua. Em determinado momento, Lima afirmou que, caso seja eleito presidente da República, vai financiar cachaça para todo mundo.

“[Se eu for eleito] vou dar uma Bolsa Cachaça para todo brasileiro. Na minha proposta de governo vai ter isso. Quem votar em mim vai ganhar seis anos (sic) de cachaça para beber toda vez. Já não tem desculpa mais”, disparou Gusttavo Lima.

A declaração de Gusttavo Lima, de que vai financiar cachaça para todo mundo e, consequentemente, empurrar parte dos brasileiros para o alcoolismo, é problemática, pois, entre várias questões, ela vai contra o Plano de Ação Global sobre o Álcool.

O Plano de Ação Global Contra o Álcool 2020-2030, que é endossado pelos Estados-membros da OMS, tem por objetivo reduzir o uso abusivo do álcool a partir de estratégias em nível global, regional e nacional.

Ele estabelece metas específicas para reduzir o consumo de álcool e melhorar os resultados de saúde, com foco na saúde da população e na integração da política de álcool em agendas mais amplas de saúde pública. O plano descreve seis áreas principais de ação: estratégias e intervenções de alto impacto, defesa e conscientização, parceria e coordenação, apoio técnico e capacitação, produção de conhecimento e sistemas de informação, além de mobilização de recursos.

Cabe lembrar que, nos últimos anos, o consumo de álcool está associado a uma variedade de tipos de câncer, ou seja, tal substância aumenta as chances das pessoas serem afetadas pela doença. Os principais tumores são: boca, garganta, fígado, esôfago, laringe, mama, cólon, estômago e pâncreas, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Confira abaixo a declaração de Gusttavo Lima:

Revista Forum

Mestres da UfSCar criam 40 músicas por IA e postam no Tik Tok

O projeto Musicaí tem três participações mais iniciais e constantes. São dois professores da UFSCar, Vinício Carrilho Martinez e Márlon Pessanha, e um estudante: Lucas Gama.
Criamos letras, interações humanas e postamos no Tik Tok: a inteligência artificial é apenas um instrumento, uma mediação. Hoje, já são 40 composições de estilos e narrativas diferentes, acessíveis por este link: https://vm.tiktok.com/ZMkAEKVFY/.

Os autores sintetizaram um pouco dessa experiência, no depoimento coletivo colocado aqui:
….

Os primeiros passos, pelo menos de intenção, foram dados em dezembro de 2023.
Em meio a um período de trabalho intenso, mais intenso do que o mês de dezembro deveria ter, Vinício escreveu um texto poético que falava sobre “A fisica da vida física”. Vinício passou o texto para Márlon que imediatamente respondeu que poderia ser transformado em música.

Naquele momento, ficou a promessa e a intenção de criar uma música. Márlon faria isso.

Passou um ano e Márlon não fez.
Outros textos surgiram, mas nunca havia tempo e criatividade para musicalizar. Em momentos pontuais, quase como instantes em meio à rotina laboral, esforços foram feitos, mas nenhuma música surgia por completo.

Eis que em dezembro de 2024, em uma mistura de escusa e vergonha por não cumprir a palavra, Márlon recorreu a uma
Ferramenta de Inteligência Artificial (IA) para sonorizar as letras. Ficou maravilhado, pois, com instruções detalhadas e indicação da letra da música, em poucos segundos uma música era gerada.
A ferramenta, em si, pode criar tudo, mas um esforço era feito no detalhamento das instruções pra manter um nível de autoria para além da letra.
A primeira música gerada não foi “A física do mundo Físico”. É que com tanto tempo, já havia outras letras criadas esperando o cumprimento da promessa da musicalização.
Em 9 de dezembro de 2024 foi criada a música “Chuva e Orvalho”, com letra de Vinício.

O resultado foi um espanto. Em uma troca de mensagens, Márlon enviou a música para Vinício. Nascia, naquele momento, um projeto de produção de músicas.
Com a sorte da chegada de um período de férias que, ao contrário de dezembro do ano anterior, eram férias verdadeiras, Vinício e Márlon, com o apoio de Lucas, começaram a produzir uma grande quantidade de letras de música e as transformavam, de fato, em músicas. O mês de janeiro de 2025 chegou e, no segundo dia do ano, já tinham chegado à espantosa quantidade de 40 músicas criadas.
Samba, MPB, rock, hip hop… Diferentes estilos e subestilos eram explorados.
Ainda em dezembro, as publicações em uma conta no Tiktok, administrada pelo Lucas, já gerava engajamento. É postada uma música por dia (em alguns dias, duas).
Em alguns casos, uma música, poucas horas após ser postada, passava de uma centena de audições.

O projeto continua. Provavelmente, com o término das férias, o ritmo de criação não continuará o mesmo. Mas as letras e músicas continuarão a ser criadas.

Questionamentos sobre o uso de IA para a criação de música surgem. Os autores do projeto têm suas dúvidas e inquietações sobre isso. Mas enquanto pensamentos não se fecham, continuam a escrever e musicalizar, pois o importante é, de algum modo, dar vazão à criatividade represada, tomando sempre o cuidado de afirmar: tem IA nessa construção, mas tem sentimento e criação também!
https://vm.tiktok.com/ZMkAEKVFY/

PF suspeita que policiais civis de Tarcisio mandaram matar delator do PCC

As investigações sobre o assassinato de Vinícius Gritzbach, corretor de imóveis e delator executado em 8 de novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, apontam para o envolvimento de policiais civis no crime. Gritzbach havia denunciado a relação entre agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Um relatório da Polícia Federal, obtido pelo Metrópoles, destaca o “provável envolvimento” de agentes públicos na execução, ocorrida apenas oito dias após a delação de Gritzbach à Corregedoria. Até o momento, sete membros da Polícia Civil foram presos sob acusação de participação no assassinato.

O relatório aponta que informações vazadas à imprensa, supostamente por policiais civis, buscavam atribuir o crime ao PCC, desviando o foco do possível envolvimento dos próprios agentes. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, liderada por Guilherme Derrite, não descartou essa hipótese, embora também aponte para a facção criminosa como principal suspeita.

O programa de recompensas foi reativado pelo governo paulista para capturar Kauê do Amaral Coelho, suspeito de avisar os assassinos sobre a chegada de Gritzbach no aeroporto. A recompensa oferecida é de R$ 50 mil.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os policiais envolvidos formavam uma quadrilha associada ao PCC. Depoimentos revelam que Gritzbach foi alvo de extorsões e ameaças enquanto estava sob custódia policial.

 

Os delegados Fábio Baena e Eduardo Monteiro teriam solicitado até R$ 60 milhões para retirá-lo das investigações de um duplo homicídio envolvendo membros da facção.

Em sua delação, Gritzbach afirmou que policiais chegaram a receber R$ 5 milhões para proteger outros integrantes do PCC. A situação agrava as suspeitas de que o corretor foi executado por ameaçar expor a rede de corrupção entre policiais e criminosos.

A prisão de agentes como Fábio Baena, Eduardo Monteiro e outros policiais associados ao caso reflete os avanços da investigação, conduzida pela PF e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Eles responderão por organização criminosa, corrupção e ocultação de bens, com penas que podem chegar a 30 anos de prisão.

Uma suspeita adicional envolve o reset de dois celulares de Gritzbach, apreendidos pela polícia e posteriormente formatados, eliminando possíveis mensagens comprometedoras. O episódio é alvo de inquérito da Corregedoria, intensificando as críticas sobre a atuação de alguns policiais na tentativa de obstruir a justiça.

8 de janeiro- sem anistia

Nessa produção, dois professores da UFSCar/SP trazem duas letras autorais sobre a política brasileira.
Marlon Pessanha reflete sobre a anistia requerida pelos golpistas do 8 de janeiro – sendo esta segunda letra de Vinício Carrilho Martinez.
As letras das músicas são originais, apenas a composição musical foi realizada com apoio na inteligência artificial.
Os professores pretendem utilizar o recurso tecnológico como ferramenta de exploração da própria inteligência natural.

Música 1

Música 2

Delegado chefe da inteligência de SP é afastado por envolvimento com PCC

José Brandini Júnior, delegado classe especial e chefe da Divisão de Tecnologia da Informação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista, foi afastado após investigações apontarem possível envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo informações do Metrópoles, Brandini estaria ligado a um esquema de fraudes contratuais envolvendo documentos de identidade, operado em parceria com a facção criminosa.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que policiais da Corregedoria da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do delgado na última sexta-feira (20). Durante as buscas, foram encontrados R$ 200 mil e 30 mil euros em dinheiro vivo.

Investigações e afastamentos

Brandini é investigado por suspeitas de fraude em contratos públicos e por desvio de conduta, segundo comunicado da SSP. A pasta destacou que o afastamento faz parte de uma ação ampla para combater irregularidades dentro da Polícia Civil.

O servidor já havia sido investigado em 2010, quando foi acusado de envolvimento em contratações irregulares no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Na época, ele foi citado em um caso de contratação sem licitação de empresas de informática para o gerenciamento de sistemas.

O afastamento do delegado é o terceiro entre membros de alto escalão da Polícia Civil paulista na última semana. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Fabio Pinheiro Lopes, também será afastado após ser citado em uma delação envolvendo tentativa de suborno.

Fábio Pinheiro Lopes, diretor do DEIC – Foto: Alesp/ Divulgação

A delação mencionou que um advogado teria exigido R$ 5 milhões para retirar o nome de um corretor de imóveis de uma investigação ligada ao assassinato de membros do PCC. Fabio Pinheiro negou envolvimento e declarou que o afastamento foi decisão do governador Tarcísio de Freitas.

Além disso, a corregedora-geral da Polícia Civil, Rosemeire Monteiro de Francisco Ibanez, pediu afastamento do cargo após seu sobrinho, Eduardo Monteiro, ser preso sob suspeita de ligação com o PCC. Ela não se manifestou até o momento.

Fonte DCM

Força-tarefa resgata 14 trabalhadores submetidos a trabalho análogo à escravidão no Rock in Rio 2024

A reportagem sobre a exploração do trabalho escravo no Brasil é uma das principais presenças do pior passado brasileiro. No presente, esse passado segue ativo, como vemos no exemplo do Rock in Rio.
Em 2024, essa exploração abjeta dos trabalhadores é tão significativa quanto o racismo, andam lado a lado. Desse modo, a esse conjunto, essa somatória de negações da dignidade humana, damos o nome de “pensamento escravista”. Tão presente, persistente, neste breve século XXI, quanto fora no passado obscuro da escravidão.

No link abaixo você vê a motivação que nos inspirou na letra dessa música:

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Dezembro/forca-tarefa-resgata-14-trabalhadores-submetidos-a-trabalho-analogo-a-escravidao-no-rock-in-rio-2024

No rock do Rio da escravidão

Um trabalhador, quanto vale?
Ou é somente um desvale.
Só um número na equação,
Um detalhe, uma pontuação.
Um corpo dócil, para escravidão.
Inocente e útil pra servidão.

Um trabalhador assaltado.
– Sem direitos? Não! Roubados!
Em país de rock assanhado
Sempre o outro é o responsável

No Rio do rock e da favela
No Rio do rock, da paisagem bela.
Uma música? “sem choro, nem vela…”
Se fosse um samba, seria com fita amarela
Ou fita vermelha, para inumar
Só mais um corpo a respirar.

Um trabalhador assaltado.
– Sem direitos? Não! Roubados!
Em país de rock assanhado
Sempre o outro é o responsável

Muita vida na beira da milícia
Onde reina a pior malícia
Levaram a Marielle, não é imaginação
Na terra do samba e do rock, nenhum coração?
Se não entendeu, eu passo a visão:
– No rock do rio, um corpo estendido no chão

Um trabalhador assaltado.
– Sem direitos? Não! Roubados!
Em país de rock assanhado
Sempre o outro é o responsável

E no mar, vai te sepultar

A bala perdida vai te achar
Na janela vazia
A bala perdida já te encontrou

Letra: Marlon Pessanha e Vinício Carrilho Martinez

Sensacional: professor da UfSCar compõe música de protesto por IA

 

Vinício Carrilho Martinez, professor da Universidade Federal de São Carlos, compôs música e lançou por inteligência artificial (IA). A Gringa fala do mercado financeiro. Ouça e avalie:

A gringa

Isoladamente, a gringa sair da B3
– não assusta ninguém
É um tipo freguês
Porém, no mundo macro e micro
indica a bolha da vez
fragilidade do economês
O risco Brasil é muito elevado,
– não paga o susto
Poder afirmado
É caçada ao tesouro perdido
Um Tesouro Direto
E tome mais dinheiro
Imprime dinheiro
Para eles, o caminho é reto
Rentista sem coração
Só na renda fixa
– uma perda fixa
É inegável
A perda de renda variável
– ou não, para especuladores
País de amadores
O futuro é
– também desolado
Pais e desolação
Inflação de mercado
Demanda por menos
Supermercado
Aí o economês
– quem é a bola da vez?
Ajuste fiscal, sim
Paraíso fiscal
– sem fisco
Falta ajustar o fiscal
Quem é fisgado?
Assalariado
Sem poder aquisitivo
– arruinado
Seguimos então
– com 30% de menos esperança
A dívida pública aumenta
A dívida do público, mais ainda
Honoráveis seres
– de honorários melhorados
Mas não amortiza a dor
Nossa dor
E o povo pobre
– segue enlatado
Ricos especulam
Pobres confirmam:
– do pó e do pé de frango tu viste
– ao pé de frango tu voltarás
O Brasil vai vendo Tarsila do Amaral
Vai vendo…
Ah, logo tem mais carnaval…
Vai vendo …
– desfilar o país do curral

Vinício Carrilho Martinez

Ser antirracista exige emancipação

Para pensar uma educação de cunho emancipatório e antirracista, é preciso, em primeiro plano, voltar-se para o ato de “ser professor”. Isto é, é necessário analisar quais são os princípios que guiam a prática do docente: se sua opção é pela prática democrática (e, por conseguinte, antirracista e emancipativa) ou pela perpetuação da opressão das camadas populares. Se a escolha for por reconhecer o dever crítico, o docente deve voltar-se ao que Freire (1996, p.26) intitula de “rigorosidade metódica”.

Esse conceito freiriano relaciona-se diretamente com o “pensar certo” (Freire, 1996, p.27), ou seja, um docente que “‘pensa certo” é um profissional que instiga em seus educandos a crítica e a reflexão entre os conhecimentos programáticos – disciplinas escolares – e a realidade e que se vive. Portanto, um professor que vise a emancipação de seus educandos estimula a auto educação política, na qual os alunos se veem como sujeitos capacitados para atuar em sociedade, tornando-se “animais políticos” que rompem com a opressão diariamente.

É importante ressaltar que a figura do docente não deve ser encarada como uma espécie de “super heroi” que liberta os oprimidos e resolverá todos os problemas da sociedade; mas sim como um facilitador do processo ensino-aprendizagem, oferecendo ferramentas para  efetiva descompressão.

Além disso, um educador que luta contra a opressão deve-se guiar pela ética e estética antirracista. Esses dois elementos devem estar presentes na prática do educador democrático que se compromete não somente de ensinar os conhecimentos científicos e seculares, mas também de alimentar sua atuação em sala de aula com princípios morais como igualdade, honestidade e integridade. É exatamente nessa ideia que a educação antirracista deve se encaixar: ao apresentar para os educandos uma moral humanizada é possível guiá-los à crítica e a reflexão sobre a sociedade, podendo romper efetivamente com imaginários antirracistas.

Segundo Freire (1967) apenas a palavra, ou seja, a denúncia de algo – nesse caso, o racismo – não é suficiente para uma aprendizagem significativa que possa caminhar na direção da descompressão; também, é preciso fazer uma anunciação, anunciar quais as possibilidades de ação antirracista. Um exemplo é a escolha dos livros de literatura infantil:  muitas vezes eles somente retratam personagens brancas de olhos azuis. Para sair desse estereótipo que retrata somente uma parcela da população, é preciso que o professor opte por trazer em sala de aula leituras diversas que representam pessoas não-brancas, indígenas, entre outros.

Afinal, ao instigar os educandos para sua emancipação é preciso que eles dotem-se de liberdade ética e moral: escolher e praticar o antirracismo, não por medo de punições, mas por verdadeira formação moral e autônoma.

por Letícia Hyppólito

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

Infiltrado do PCC na policia de SP é segurança de Gusttavo Lima e está foragido

Rogerinho foi citado em uma delação feita por Vinícius Gritzbach, empresário executado com dez tiros no mês passado

O policial civil Rogério de Almeida Felício, popularmente conhecido como Rogerinho, é procurado pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (17), em uma operação que investiga a ligação de policiais com o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do país. Segundo informações do G1a operação, realizada em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), já prendeu sete pessoas, incluindo um delegado e três policiais civis.

Rogerinho, que também atuava como segurança do cantor sertanejo Gusttavo Lima, foi citado em uma delação feita por Vinícius Gritzbach, empresário executado com dez tiros no mês passado, na saída do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo o delator, o policial é suspeito de envolvimento em atividades ilegais, incluindo a apropriação de um relógio de luxo que pertencia a Gritzbach, item que teria sido exibido nas redes sociais pelo próprio policial.

Esquema milionário e vida de luxo

As investigações apontam que Rogerinho, cujo salário na Polícia Civil é de pouco mais de R$ 7 mil, mantém uma vida incompatível com sua renda oficial. Ele seria sócio de uma clínica de estética, de uma empresa de segurança privada e de uma construtora em São Paulo, segundo os promotores. Além disso, o policial é suspeito de manipular investigações, vazar informações sigilosas e vender proteção a membros do PCC, facilitando esquemas de lavagem de dinheiro da facção.

A operação realizada pela PF, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), incluiu buscas em endereços ligados a Rogerinho, mas ele não foi localizado. A Justiça decretou a prisão temporária dos investigados, além de autorizar medidas como bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos.

Ligação com o PCC e redes sociais

De acordo com os investigadores, a conexão de Rogerinho com o PCC ganhou notoriedade após a delação de Vinícius Gritzbach, que apresentou provas, como prints de redes sociais, sugerindo a relação entre o policial e o grupo criminoso. O empresário, que havia colaborado com a Justiça, foi morto em uma execução planejada, supostamente como retaliação.

Além de Rogerinho, outros agentes da Polícia Civil também são acusados de corrupção e de favorecer o PCC em esquemas complexos de lavagem de dinheiro e manipulação de investigações. A operação desta terça-feira reforça as suspeitas sobre a infiltração do crime organizado em órgãos de segurança pública.

Avanços nas investigações

A PF e o MP-SP continuam trabalhando para localizar Rogerinho e aprofundar as investigações sobre sua rede de contatos. A ação é considerada um importante passo no combate à corrupção dentro das forças policiais e à influência do PCC em estruturas públicas.

Até o momento, os detalhes sobre o patrimônio do policial e as conexões financeiras ainda estão sendo analisados pelos investigadores. O bloqueio de bens e contas bancárias pode trazer mais elementos sobre a extensão do esquema criminoso.

Brasil 247

Organizador da Marcha para Jesus 2023 em Florianópolis e pastor da cidade são presos em operação contra a corrupção

O ex-secretário adjunto de Assistência Social de Florianópolis – e organizador da Marcha para Jesus 2023, na capital catarinense – Jeferson Melo foi preso, em 3 de dezembro passado. A prisão se deu pela operação da Polícia Civil de Santa Catarina, denominada Pecados Capitais, que investiga agentes públicos e dirigentes de organizações sociais envolvidos em desvio de dinheiro público na Prefeitura de Florianópolis.

Imagem: publicação do vereador Leonel Camasão (PSOL, Florianópolis) em seu perfil no X/Reprodução

Bereia checou as informações. Já no primeiro levantamento sobre o caso, foi constatado que alguns veículos de imprensa também noticiaram a prisão do pastor Marcos Ramos na mesma ação investigativa, por desvio de recursos da Prefeitura de Florianópolis para a prestação de serviços de assistência à população empobrecida e em situação de rua.

Imagem: reprodução Revista Fórum

A operação policial

operação Pecados Capitais, organizada pela 1ª Delegacia Especializada no Combate à Corrupção da Capital da Polícia Civil de Santa Catarina (PC-SC), investiga o desvio de recursos destinados aos projetos socioassistenciais da Prefeitura de Florianópolis, Passarela da Cidadania e Restaurante Popular.

A apuração da PC-SC identificou indícios de irregularidade no processo de escolha das  organizações Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas – Nurrevi Brasil, para gerir o projeto Passarela da Cidadania, e a Associação de Assistência Social e Educacional Amor Incondicional – Instituto Aminc, responsável pelo Restaurante Popular. Os contratos foram firmados entre 2020 e 2022.

As investigações também apontaram superfaturamento e lavagem de dinheiro por meio de repasses a empresas contratadas pelas organizações para serviços como transporte, lavanderia, manutenção e compra de equipamentos, conforme apurou o grupo catarinense de comunicação ND.

Além das prisões preventivas de Jeferson Melo e Marcos Ramos, a operação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Mato Grosso, sequestros de bens e valores que superam a quantia de R$ 3 milhões.

Jeferson Melo e atuação no esquema investigado

O influenciador e coach Jeferson Amaral da Silva Melo foi secretário adjunto de Assistência Social da Prefeitura de Florianópolis entre os anos de 2020 e 2023. De acordo com o portal NSC Total, a juíza responsável pelo caso considerou, em despacho, que Melo e os demais investigados desviavam recursos repassados pela Prefeitura de Florianópolis aos projetos que lideravam.

O esquema seria mantido por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas e do superfaturamento de serviços para o funcionamento do Restaurante Popular e da Passarela da Cidadania.

Conforme consta no site da Prefeitura de Florianópolis,  os serviços oferecidos pela Passarela da Cidadania eram prestados pela Nurrevi. A parceria foi firmada por Termo de Colaboração, válido até dezembro de 2022, e a escolha da instituição foi definida por Edital de Chamamento Público da Secretaria Municipal de Assistência Social, em 2020.

O projeto Passarela da Cidadania atende à população em situação de rua com vagas de pernoite, realização de atividades complementares, disponibilização de alimentação, espaço para higiene de roupas e guarda de pertences. A unidade também oferece atendimentos com assistentes sociais e psicólogos.

Evangélico, cuja igreja de vinculação o Bereia não conseguiu identificar, Melo participou da organização do evento deste segmento cristão Marcha para Jesus, realizado em Florianópolis em 2023. Em publicação feita em 27 de junho daquele ano, Jeferson compartilhou momentos do “lançamento” do evento religioso. “Um dia para entrar na história de Florianópolis (…) que momento histórico”, disse.

Imagem: reprodução Instagram

Em maio de 2023, em publicação em seu perfil no Instagram, o ex-secretário comemorou, ao lado do vereador Claudinei Marques (Republicanos) e do prefeito (reeleito nas eleições deste ano) Topázio Neto (PSD), a implementação de uma medida que beneficiou templos religiosos em Florianópolis: a não incidência da taxa de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e da taxa de coleta de lixo em imóveis destinados a atividades religiosas.

Jefe Melo, como é conhecido nas redes digitais, é uma figura de representatividade significativa nas mídias e entre o público evangélico, com mais de 50 mil seguidores em seu perfil do Instagram. O ex-secretário é fundador do Club Café com Líderes, comunidade que reúne empresários e diz buscar o fortalecimento do ambiente de negócios. A iniciativa já realizou eventos até mesmo fora do Brasil, em Portugal.

Por meio do Café com Líderes, Jefe Melo atua como coach, oferece mentorias, descontos em redes de empresas parceiras e eventos como o Empreende Brazil – que acontece em Santa Catarina e São Paulo -, onde o ministro da Economia Paulo Guedes do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e o também influenciador e coach evangélico Pablo Marçal já figuraram como palestrantes.

Em meio a publicações sobre prosperidade no mundo dos negócios, há postagens de cunho religioso. “Deus pode mudar a sua história”, comenta em uma publicação do último 15 de julho. Em outra postagem, feita no dia 20 de julho, Jefe exalta seu papel na política: “Fortalecer suas redes na política não é apenas sobre quem você conhece, mas como você colabora para um futuro melhor”. O vídeo na postagem mostrava cenas de um evento do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina.

“Jefe Melo”, já fez publicações nas redes digitais em tom elogioso a personalidades da política conhecidas pela utilização de estratégias desinformativas, como Donald Trump e Pablo Marçal. Melo também aparece em postagens ao lado da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC), conhecida por seu posicionamento antifeminista entre outras pautas da extrema-direita.

Pastor Marcos Ramos e indícios de enriquecimento 

Marcos André Pena Ramos é pastor da Igreja Batista Creia, anteriormente chamada Igreja Batista Central do Kobrasol. Foi a partir da atuação da Batista Creia que surgiu o Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas (Nurrevi), agora envolvido na investigação da Polícia Civil de Santa Catarina. A Igreja também atua na gestão de projetos sociais desempenhados pelas organizações investigadas na operação Pecado Capital.

Imagem: reprodução Instagram 

Ramos é vice-presidente do Instituto Aminc, gestor do Restaurante Popular em Florianópolis, após se colocar como única entidade interessada na gestão do projeto. De acordo com apuração do NSC Total, a polícia considera que, juntas, a Nurrevi e o Aminc receberam cerca de R$ 40 milhões da Prefeitura da capital catarinense.

No Instagram, Marcos Ramos se apresenta como conferencista, palestrante e assessor do terceiro setor para assuntos de administração, governança e gestão. Com quase 10 mil seguidores, seu perfil é usado para divulgar conteúdos religiosos, motivacionais e ações desenvolvidas pelo Instituto Aminc, que possui convênios não apenas em Florianópolis, mas também em outras cidades catarinenses, como Joinville, onde o instituto gere dois restaurantes populares.

A polícia trabalha com a possibilidade de que o pastor Marcos Ramos tenha sido o principal beneficiado com o superfaturamento das duas organizações. No inquérito, o enriquecimento dele é apontado como “meteórico e sem justificativa”, e seus bens – entre os quais há imóveis e um veículo da marca alemã BMW – foram avaliados em cerca de R$ 5 milhões.

Bereia entrou em contato com o Instituto Aminc e com o Nurrevi, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

***

Bereia classifica o conteúdo checado como verdadeiro. Conforme documentado em portais de notícias locais, Jeferson Melo e Marcos Ramos, ambos ligados a organizações e eventos de cunho religioso, foram presos preventivamente pela Operação Pecado Capital, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Se confirmadas as evidências levantadas pela PC-SC, ficará constatada a participação de instituições religiosas em processos fraudulentos.

Referências de checagem:

Café com Líderes

https://cafecomlideres.com/#link Acesso em: 11 dez 2024

G1
https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2024/12/03/pastor-ex-servidor-comissionado-presos-operacao-desvio-florianopolis.ghtml Acesso em: 10 dez 2024

Instagram:

https://www.instagram.com/p/C7eejyEuKl3/ Acesso em: 8 dez 2024

https://www.instagram.com/p/DCEwfuqs8oC/ Acesso em: 8 dez 2024

https://www.instagram.com/p/CuxAAQDgg5-/ Acesso em: 8 dez 2024

https://www.instagram.com/p/DC3zhaNRnMO/ Acesso em: 8 dez 2024

https://www.instagram.com/p/C1uFXWMLHmb/ Acesso em: 10 dez 2024

https://www.instagram.com/p/Ct_6TMlrRyg/?img_index=1 Acesso em: 10 dez 2024

https://www.instagram.com/claudineimarquesoficial/reel/DAlh5Vvxq8u/ Acesso em: 10 dez 2024

https://www.instagram.com/claudineimarquesoficial/reel/C6_2PRsx94R/ Acesso em: 11 dez 2024

https://www.instagram.com/cafecomlideresoficial/ Acesso em: 11 dez 2024

https://www.instagram.com/rooftopdoslideres/ Acesso em: 11 dez 2024

Instituto AMINC
https://institutoaminc.org/instituto/ Acesso em: 11 dez 2024

ND+
https://ndmais.com.br/justica/como-funcionava-operaca-de-desvio-de-verbas-de-projetos-de-assistencia-social-em-florianopolis-segundo-investigacao/ Acesso em: 8 dez 2024

https://ndmais.com.br/seguranca/pastor-de-florianopolis-e-preso-e-apontado-como-maior-beneficiado-em-esquema-de-corrupcao-diz-policia/ Acesso em: 8 dez 2024

NSC Total https://www.nsctotal.com.br/colunistas/anderson-silva/os-detalhes-do-que-motivou-a-operacao-pecados-capitais-em-florianopolis  Acesso em: 8 dez 2024

https://www.nsctotal.com.br/noticias/quem-sao-o-pastor-e-o-ex-secretario-presos-por-desvio-de-verba-publica-em-florianopolis Acesso em: 8 dez 2024

Nurrevi
https://www.nurrevi.org/ Acesso em: 10 dez 2024

Polícia Civil de Santa Catarina
https://pc.sc.gov.br/?p=24988 Acesso em: 10 dez 2024

Prefeitura de Florianópolis
https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/semas/index.php?cms=passarela+da+cidadania&menu=0 Acesso em: 11 dez 2024

Revista Fórum
https://revistaforum.com.br/brasil/sul/2024/12/4/pastor-ex-servidor-presos-em-sc-por-desviar-recursos-para-pessoas-carentes-170374.html Acesso em: 8 dez 2024

YouTube

https://www.youtube.com/@cafecomlideres Acesso em: 8 dez 2024

Foto de capa: SECOM/SC

Estado Democrático de Direito Social 

O livro do professor Vinício Carrilho Martinez traz um debate conceitual sobre o nosso Estado Democrático de Direito, algumas referências históricas e uma provocação: será uma enorme construção político-jurídica dignificante da própria dignidade humana – ou sofre abalos e achaques contínuos da modernidade no século XXI?
Será que o conceito é tão falho quanto o realismo político que nos acomete e atordoa a clareza e a amplitude conceitual?
Será válido, em termos de identificação da realidade e do conceito, jogarmos tudo fora, numa crítica que não separa, precisamente, a realidade desconstituída de dignidade humana do alcance prometido (historicamente, politicamente) pelo conceito de Estado Democrático de Direito?
Para as cidadãs e cidadãos deste país, o que importa efetivamente retermos da apresentação conceitual?
Qual é a nossa parte, “o que fazer?” e “como fazer” o que deve ser feito a fim de que a realidade seja transformada em direção ao receituário contido no conceito – e para que o conceito seja mais parte ativa de nossas vidas?
É esse convite que fazemos às leitoras e aos leitores,
Marcela Schiavi
MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ensaio sobre o estado democrático de direito social: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/.

Faroeste em Rondônia: Estado entre maiores desmatadores e mais violentos

Por Roberto Kuppê

Com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (terceira edição do estudo “Cartografia das Violências na Amazônia”).

A Amazônia Legal, que abrange nove estados brasileiros, incluindo Rondônia, enfrenta uma escalada de violência impulsionada por conflitos territoriais e pela atuação de facções criminosas.

Estudo recente revelam que a disputa pelo controle da terra e dos recursos naturais é o principal motor dessa violência, especialmente em Rondônia, onde os índices de conflitos agrários e crimes ambientais são alarmantes.

Apesar de iniciativas pontuais, como a realização de operações policiais e a criação de batalhões especializados, o Governo de Rondônia tem demonstrado uma incapacidade crônica em fornecer respostas eficazes ao avanço do crime organizado e à proliferação de crimes ambientais.

A falta de uma estratégia de longo prazo, aliada à insuficiência de recursos e à possível conivência de setores do poder público, tem permitido que facções criminosas consolidem seu domínio em diversas regiões do estado, intensificando a violência e a degradação ambiental.

Além disso, a ausência de políticas públicas para a proteção das comunidades tradicionais e a preservação dos recursos naturais evidencia uma falha sistêmica na governança estadual, comprometendo a segurança e o bem-estar da população rondoniense.

Conflitos Agrários em Rondônia

Rondônia tem se destacado negativamente no cenário nacional devido ao aumento significativo dos conflitos no campo. Em 2023, o estado registrou um aumento de 113,7% nesses conflitos em comparação ao ano anterior, atingindo o maior número em sete anos. As principais vítimas são trabalhadores sem-terra, posseiros e indígenas, enquanto os principais agressores são fazendeiros e grileiros.

Historicamente, Rondônia é palco de intensos conflitos agrários. Em 1995, a Fazenda Santa Elina, em Corumbiara, foi cenário de um dos episódios mais violentos, resultando em dez mortes, incluindo dois policiais militares. Esses conflitos são frequentemente associados à grilagem de terras e à expansão do agronegócio, que pressionam comunidades tradicionais e pequenos agricultores.

Atuação de Facções Criminosas

Paralelamente aos conflitos agrários, a presença de facções criminosas em Rondônia tem crescido de forma alarmante. O estado tornou-se rota estratégica para o tráfico de drogas, intensificando a disputa territorial entre facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Essa rivalidade resulta em homicídios, ameaças e aumento da insegurança nas comunidades locais.

Estudos indicam que, em 2024, a presença de facções criminosas na Amazônia Legal cresceu 46%, passando de 178 para 260 municípios sob influência dessas organizações.

Em Rondônia, essa expansão está associada ao controle de atividades ilícitas, como o garimpo ilegal e o desmatamento, além do tráfico de drogas.

Desmatamento e Crimes Ambientais

O desmatamento em Rondônia também é uma questão crítica. Em 2021, o estado registrou o maior índice de desmatamento dos últimos dez anos, com a destruição de 1.290 km² de floresta. Essa devastação está frequentemente ligada a atividades ilegais, como a extração madeireira em áreas protegidas e terras indígenas.

A exploração madeireira ilegal é facilitada pela atuação de facções criminosas que controlam territórios e impõem suas próprias regras, desafiando a autoridade do Estado. Essa dinâmica não apenas degrada o meio ambiente, mas também gera violência contra comunidades que resistem à invasão de suas terras.

Impacto nas Comunidades Locais

As comunidades tradicionais, incluindo indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores, são as mais afetadas por essa conjuntura de violência e degradação ambiental. A invasão de terras, a destruição de recursos naturais e a intimidação por parte de grupos armados comprometem a subsistência e a segurança dessas populações.

A presença de facções criminosas agrava a situação, pois essas organizações frequentemente recrutam jovens locais, aumentando a criminalidade e desestruturando o tecido social. Além disso, a violência no campo resulta em deslocamentos forçados, criando um ciclo de pobreza e marginalização.

Respostas Institucionais e Desafios

O enfrentamento dessa complexa realidade exige ações coordenadas entre órgãos de segurança pública, instituições de justiça e políticas sociais. No entanto, a corrupção, a falta de recursos e a ausência de vontade política muitas vezes dificultam a implementação de medidas eficazes.

Iniciativas como operações de desintrusão em terras indígenas e ações contra o desmatamento ilegal são passos importantes, mas enfrentam resistência de grupos poderosos e bem armados. Além disso, a proteção de defensores dos direitos humanos e líderes comunitários é insuficiente, deixando-os vulneráveis a ataques.

Conclusão

A situação em Rondônia reflete uma crise mais ampla que afeta toda a Amazônia Legal, onde a disputa por territórios e recursos naturais alimenta um ciclo de violência, degradação ambiental e violação de direitos humanos. Abordar essa questão requer não apenas ações repressivas, mas também políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável, a regularização fundiária e a inclusão social, fortalecendo as comunidades locais e garantindo a preservação do meio ambiente.

Sem uma abordagem integrada e comprometida, o futuro de Rondônia e da Amazônia permanece ameaçado, com consequências profundas para o Brasil e o mundo.

Latifundiário ‘Rei do Tambaqui’ grilou terras do Incra em Rondônia que deveriam assentar 700 camponeses

Latifundiário ‘Rei do Tambaqui’ grilou terras do Incra em Rondônia que deveriam assentar 700 camponeses

Documentos acessados pelo AND revelam como a família Sapiras grilou 3 mil hectares de terras do Projeto de Assentamento Jatuarana, parte do projeto federal Geo Rondônia. A mesma família patrocinou um evento oficial do governo de Jair Bolsonaro em 2019.

O latifundiário Lerson Werno Sapiras, conhecido como Corbélia (mesmo nome do latifúndio tomado por ele a partir de terras da União), montou, com cumplicidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), um esquema sinistro de grilagem para se apropriar ilegalmente de terras públicas em Ariquemes, Rondônia.

A denúncia foi apurada pelo jornal A Nova Democracia através de uma farta documentação vinda de camponeses de Rondônia. Os métodos usados pelo latifundiário Sapira são semelhantes aos investigados em duas operações da Polícia Federal, a Declínio (2024) e Julius Caesar (2022).

A Operação Declínio comprovou que funcionários do Incra de Rondônia ajudaram na emissão de documentos para facilitar o cadastro irregular das áreas griladas e a emissão de Certificados de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR). O CCIR é um documento indispensável para legalizar em cartório a transferência, o arrendamento, a hipoteca, o desmembramento, o remembramento e a partilha de qualquer imóvel rural. É essencial também para a concessão de crédito agrícola pois é exigido por bancos e agentes financeiros.

Latifundiários e laranjas em Projetos de Assentamento

De acordo com a apuração de AND, o chefe da família Sapiras, Lerson Werno Sapiras, usa do nome de laranjas (frequentemente familiares) para obter títulos do Incra e, em seguida, se apropriar das terras. Documentos acessados pelo AND mostram que dois dos laranjas são a filha do latifundiário, Vera Lúcia Sapiras, e o neto, Felipe Sapiras, que ostentam fotos em viagens ao exterior nas redes sociais.

Espelho de unidade familiar de Felipe Safiras no PA Jatuarana. O espelho de unidade familiar é o instrumento que identifica os agricultores familiares e/ou agricultores familiares assentados aptos a realizarem operações de crédito rural junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
Felipe Sapiras, neto de Cordélia, na ponte do Brooklyn, Estados Unidos. Foto: Redes Sociais
Certificado do Incra concedeu à Vera Lúcia Sapiras, filha de Cordélia, a condição de assentada no PA Jatuarana.

O esquema do latifundiário consiste em utilizar o Projeto Geo Rondônia para “esquentar” os documentos da área em nome de terceiros, neste caso familiares e funcionários. O Projeto Geo Rondônia busca assentar 14.775 famílias de 26 municípios de Rondônia em uma área de 40 mil quilômetros que será dividida em 120 Projetos de Assentamento.

Espelho de unidade familiar da laranja Kate Priscilla.

No passo a passo criminoso, o laranja obtém a posse da terra na condição de assentado e posteriormente recebe o título da terra. Depois, o latifundiário forja a compra da terra do “assentado” para ficar “legalizado”.

O assentamento grilado pela máfia Sapiras foi o Jatuarana. Criado em 1988, ele tem o objetivo de assentar mais de 700 famílias e abrange os municípios de Ariquemes, Vale do Anari e Theobroma. Atualmente, os Sapiras tem mais de 3 mil hectares do assentamento.

A grilagem também ocorreu fora das fronteiras do Jatuarana, de forma que 10.943.8 hectares estão nas mãos da família latifundiária. As terras registradas por meio de laranjas somam um valor de R$ 109,4 milhões.

Ligações com o bolsonarismo

É sabido que uma máfia nunca se sustenta sem ligações políticas. Em 2019, o governo do ultrarreacionário Jair Bolsonaro organizou o “Festival de Tambaqui da Amazônia” na Esplanada dos Ministérios. Foi uma festança: seis toneladas (4 mil bandas) de tambaqui foram assadas. E quem pagou grande parte foi a família Sapiras.

Segundo nota do próprio governo à época, os peixes foram doados pela Associação de criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar), Zaltana Pescados e Agrofish. Duas delas (Acripar e Agrofish) pertencem à Edson Sapiras, filho de Corbélia.

Durante o evento, uma peixada especial foi feita na sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), à convite do diretor-geral à época, Alexandre Ramagem, chefe do aparelho ilegal conhecido como “Abin paralela”. Convidados especiais foram Jair Bolsonaro, Nabhan Garcia (então Ministério da Agricultura à época) e Marcelo Álvaro (então ministro do Turismo).

O secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Jorge Seif, se animou com o evento e divulgou nas redes sociais. “Agradeço à Acripar na pessoa do produtor e amigo Francisco Hidalgo pelo fornecimento direto de Rondônia desse pescado nativo, amazônico, sustentável e saboroso!”, comentou na legenda.

Francisco Hidalgo Farina é atualmente presidente da Comissão Nacional de Aquicultura Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade sindical que defende o agronegócio, latifúndio de novo tipo, e provavelmente é a figura pública usada para desviar a atenção dos Sapiras dos holofotes públicos.

Em outro momento, Seif, que também foi um dos promotores do Festival Tambaqui da Amazônia, declarou que: “Para estimular o setor, a secretaria trabalha para facilitar o acesso do produtor ao crédito, desburocratizar normas e reduzir barreiras ambientais. “Acabar com essa esquizofrenia de leis que não têm sentido”, afirmou o secretário.” Quando Jorge declara que quer reduzir barreiras ambientais, e acabar com “esquizofrenia de leis”, na verdade quer o terreno limpo para mais roubos de terra dos camponeses em detrimento de cada vez mais concentração nas mãos do latifúndio, nesse caso, da família Sapiras.

Mais crimes

Além da grilagem de terras Vera Lúcia Sapiras, filha do latifundiário “Corbélia”, é uma das proprietárias da Construtora Vanvera, condenada por crimes de parcelamento ilegal de solo também em Ariquemes. Um dos crimes da construtora consistiu em vender milhares de lotes sem conter o registro imobiliário, ou seja, sem ter o direito de propriedade do lote. A venda dos lotes sem registro chegou a ser anunciada para o público, mas sem a informação de que não havia registro imobiliário.

Os magnatas também iniciaram a construção de empreendimento privado violando o Plano Diretor da cidade de Ariquemes, impedindo a expansão de uma importante via de acesso da cidade, a Avenida JK.

Não bastando essas questões, os empresários não realizaram o indispensável Estudo de Impacto de Vizinhança e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIA-RIVI)e realizaram propaganda enganosa sobre a existência de área de lazer e clube de hipismo, uma vez que nada disso estava submetido ao projeto enviado à Prefeitura Municipal.

Proteção para os grileiros, repressão para os camponeses

Revoltados com o esquema criminoso do qual o Estado é partícipe, camponeses tomaram, no dia 23 de setembro de 2023, as terras griladas pela máfia Sapiras no Assentamento Jatuaruna. Poucos dias depois, a mesma Polícia Militar (PM) que faz vista grossa à grilagem invadiu a ocupação junto dos paramilitares bolsonaristas do movimento “Invasão Zero” para realizar um despejo criminoso. Depois da expulsão das famílias, a liderança camponesa da área, José Carlos dos Santos, conhecido popularmente como Cascaval, foi assassinado. Os tiros saíram de uma pistola de calibre .40, de uso exclusivo da Polícia Militar de Rondônia.

Em depoimento à reportagem, as famílias afirmam que “não confiamos que a mesma justiça que acobertou Corbélia vai fazer alguma coisa por nós, e não vamos mais esperar”.

Frente ao cenário de repressão e asassinato, complementam que: “qualquer coisa que vier a acontecer será de total responsabilidade do governo de Luiz Inácio (PT) e de Marcos Rocha (governador de Rondônia/União), que nada fazem para punir os paramilitares dos grileiros e os crimes de pistolagem, ao mesmo tempo que perseguem os camponeses com todos os aparatos do Estado.”

É um recado que deixa claro que as famílias continuarão a lutar pelos seus direitos e não aceitarão que ninguém se coloque no caminho da luta pelo sagrado direito à terra. Em outras regiões do Brasil, famílias camponesas enfrentam da forma que podem os bandos pistoleiros, o grupo paramilitar “Invasão Zero” e os aparatos oficiais pelo mesmo direito, como na comunidade Barro Branco, em Pernambuco, e na cidade de Messias, em Alagoas.

Fonte: A Nova Democracia

O estigma contemporâneo de Sísifo

Ana Luiza Júdice Costa

Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

Como é possível pensar numa educação emancipadora e antirracista?

Cruz e Sousa, o “Cisne Negro”, registrado na literatura Simbolista brasileira, foi um homem preto que utilizou do poema e da simbologia para expor sua angústia perante o racismo sofrido e a dificuldade em se estabelecer na profissão de escritor, especialmente pela condição subalterna (da infraestrutura política do Brasil do século XIX) com relação às pessoas de pele escura e retinta. Em seus versos, há o uso recorrente de palavras que remetem a utensílios de cor clara, e não insolitamente, à vontade de “constituir-se” branco. Hodiernamente, sua história é usada nas aulas de literatura como mostra do sofrimento interminável, político e estrutural dos negros – aparentemente atemporal pela inaptidão das políticas públicas do país.

É claro que, se no século XIX Cruz e Sousa tivesse ao seu redor pessoas que fossem educadas com uma instrução ética, empática, desvinculada dos estereótipos culturais racistas, sua vida teria sido mais “leve” e menos breve – a tuberculose veio logo, e ele foi imortalizado como o primeiro simbolista preto da sua época, dentre muitos mestiços.

Albert Camus, em seu livro “O mito de Sísifo: um ensaio sobre o absurdo”, traz o suicídio como a epítome de um conjunto de ações externas (sociais) e internas (individuais) que sufocam a vontade de viver e de dar sentido à sua existência. A falta dessa vontade é um “absurdo”. Portanto, é um absurdo perceber que o poeta se imortalizou não pela sua obra, mas por uma doença que roubou sua vida e pelo racismo que suicidou suas ideias e seu “eu” negro – na busca de ser branco, Cruz e Sousa matou a sua persona – um absurdo, um crime, para uma alma tão genial.

A retrospectiva do simbolista encontra seio fecundo na contemporaneidade. Numa sociedade tão avançada tecnologicamente, o social retrocede ao perpetuar a lógica escravista e, ao contrário do que pressupôs Paulo Freire, o negro oprimido muito dificilmente virará o opressor, porque está muito preocupado em salvar-se do mundo e viver numa realidade falsamente inclusiva. O mundo é branco, pensa branco e age brancamente, e aquele não o é sofre retaliação – física, psicológica ou verbal. Como, então, ser um professor antirracista se fora da escola o discente vai sofrer o estigma da sua cor? Essa é a questão mais exigente e urgente deste século.

Voltamos então ao mito de Sísifo: carregar uma pedra ladeira acima, eternamente, por castigo divino. Na mitologia grega, Sísifo teve a “audácia” de enfrentar a morte, enganando os deuses tiranos Hades e Zeus. Espelhando convergentemente para o presente, o homem e a mulher pretos carregam pedras todo dia, pois precisam (e não porque querem!) enfrentar as autoridades (o Estado e os governos) para sobreviver. Se Sísifo soltar a pedra, é esmagado e levará consigo milhares de vidas inocentes logo abaixo, na cidade mortal que ele protege.

Em “A Cor do Amor”, de Elizabeth Hordge-Freeman, as hierarquias sociais são expostas em uma comunidade negra da Bahia, cujo cotidiano é demonstrado por ser o relato da incorporação da branquitude na consciência dos moradores – negras de nariz afilado, cabelos lisos e pele clara são melhor vistas dentro da comunidade e têm mais chances de casar-se com um “homem branco rico” e “mudar de vida”. O livro deste século mostra que a autonomia e a autoestima dos negros foram minadas. Pensando nisso, como educadores devemos criar bases para restaurar a autoestima e a relação de pertencimento do negro com essa terra – que também lhe pertence.

Passando para o contexto educacional, as perspectivas aqui anotadas (Elizabeth, Sísifo, Cruz e Sousa) servem para que analisemos do que carecem os alunos – uma educação emancipatória sobre os estigmas da estrutura social. Para isso, o docente deve se utilizar de referências afrodescendentes na sala de aula, como músicas, mitologias, livros e figuras expoentes da luta antirracista, como Ângela Davis, Martin Luther King, Bell Hooks, Alice Walker, Carolina Maria de Jesus, Maria Firmina dos Reis, dentre outros. Além disso, os estudantes devem entender as terminologias corretas: preto e negro (este para pretos e pardos e aquele somente para pretos), e jamais usar substantivos pejorativos como “mulata”. Não obstante, aspectos geográficos e culinários de locais com ancestralidade africana devem ser explorados, como a cultura baiana e nordestina, bem como a própria África. Todos esses aspectos passam, necessariamente, por alguns estágios sequenciais, aqui enumerados:

  1. Estrutura curricular antirracista;
  2. Formação docente libertária (Paulo Freire) e antifascista;
  3. Corpo docente alinhado às pautas de antirracismo e diversidade cultural.

Outras necessidades importantes, porém, mais difíceis a longo prazo, é uma mudança estrutural no conceito de Estado – para quem e por quem? Quem faz a lei e para qual população ela serve? Uma política que atende uma parcela específica da sociedade é morta.

Aristóteles costumava dizer que a democracia se realiza na conversa entre diferentes opiniões, no entanto – e não estou deslegitimando toda a sua obra, mas apontando um fato –, Aristóteles era um homem branco, de “boa vida”, que poderia cultivar o livre-pensar e não trabalhar. A história não é contada e não conta sobre gente negra, sobre indígenas, sobre chineses, sobre orientais, porque a perspectiva da educação brasileira é europeia e ocidental. E é justamente essa visão que devemos desconstruir em sala de aula.

A cura para a varíola, por exemplo, foi inventada na China do século X, com a aspersão do vírus em pó no nariz do paciente. A doença se desenvolvia em uma forma branda e logo era curada. No entanto, na educação ocidental, especialmente no Currículo Paulista, a vacina “descoberta” no século XVIII pelo franco-inglês Edward Jenner (Europeu. Surpresa? Não!) foi a responsável por “curar” o mundo da varíola. Não foi. Nunca foi. Quanto conhecimento não perdemos por oprimir aqueles que não são da nossa etnia? A educação brasileira não é só racista, é totalitária, cega, rasa e xenofóbica. E o docente também precisa mostrar isso aos seus alunos: ele deve levar exemplos não ortodoxos, e para isso ele precisa se instruir primeiro.

Por meio do exposto, é possível perceber que educar para a libertação dos estigmas passa necessariamente pela desconstrução dos padrões bancários da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), cuja metodologia mecanicista atende ao mercado mundial de criação de robôs de fabricação seriada e, consequentemente, por toda a “cortina de ferro” da politicagem. Essas coisas precisam ser mostradas, debatidas, repassadas.

Mais do que mera informação, mostrar ao alunado o contexto de seu país é dever do educador que preza pela liberdade de escolha do seu aluno. Quem ele (o estudante) vai querer ser? O que ele vai fazer no futuro? Que tipo de ser humano ele se tornará? A ele não pode ser negada a emancipação de uma consciência livre dos amálgamas entorpecentes do mundo se a intenção do educador for uma Educação da consciência (Paulo Freire). A liberdade é esperança, desde que a esperança repouse no direito de coexistir. Toda a minha escrita, logo, é o esteio para uma metodologia de justiça, é como eu pensaria para criar uma aula de cunho emancipatório.

Embora a discussão seja longa, não posso deixar de abordar a questão indígena. O que é a emancipação se não um desenvolvimento moral? De caráter? A emancipação urbana ostentada no dinheiro é uma farsa. O “amanhã não está a venda” (Krenak). E o que é o amanhã? É a possibilidade de uma vida saudável e justa., E isso quem nos ensina é o filósofo ambientalista Ailton Krenak, da aldeia ancestral Krenak.

Não é de hoje que comunidades indígenas avisam o homem branco sobre os impactos do seu consumismo, do seu egoísmo, nas relações intrassociais (empresto da Ecologia o prefixo “intra” como referência ao termo “intra-específica”, que define contatos dentro de uma mesma espécie, entre os indivíduos) e com a natureza. A resposta da branquitude é queimar as ocupações e comunidades indígenas. Dessa forma, o antirracismo também deve pautar-se na não xenofobia.

Em conclusão, é possível pensarmos em uma educação antirracista e emancipatória desde que não estejamos dispostos a cometer o absurdo de suicidar a originalidade dos povos. Para isso devemos nos munir de instrução, conhecimento para então instruir, e protestar fervorosamente contra o status quo no cotidiano fazendo o incomum – uma pedagogia da consciência e da Esperança. Na parte “prática das coisas”, as aulas devem seguir os princípios aqui expostos e recorrer mais ao debate que à punição como método de aprendizado, às visões decoloniais e mais humanas.

 

REFERÊNCIAS:

CAMUS, A. O mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo. Lisboa: Livros do Brasil, 1943.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

FREIRE, P. 1921 – Pedagogia da Esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido / Paulo Freire. – Notas: Ana Maria Araújo Freire Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

FREEMAN, E. H. A cor do amor:  Características raciais, estigma e socialização em famílias negras brasileiras. Editora EdUfscar, 1º ed, 2021.

KRENAK, A. A. L. O amanhã não está à venda. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

 

Onde vamos parar?

Transformamos uma conversa do WhatsApp em música com IA. Nessa experiência musical, criamos as letras. Depois, alimentamos a IA (ferramenta SUNO), que produziu o restante: música, criação de áudio, voz e instrumental. É perturbador, inquietante e sugestivo – tudo ao mesmo tempo.

A ferramenta usa IA para criar letras e melodias a partir de comandos simples e permite gerar até dez canções por dia no plano gratuito. O app viralizou nas redes sociais porque os usuários estão transformando diálogos engraçados em música e compartilhando na internet.

O que é o Suno AI?

O Suno AI foi desenvolvido por uma equipe de músicos e especialistas em IA com sede em Cambridge, cidade em Massachusetts. O time é composto por ex-alunos de empresas como Meta, TikTok e Kensho.

A plataforma permite que o usuário crie músicas em dois formatos: no método simples que basta fazer uma breve descrição para que a IA crie letra e melodia; e no modo personalizado, onde o usuário pode inserir qualquer texto e escolher o estilo da música, sendo possível criar canções a partir de conversas do WhatsApp ou de postagens nas redes sociais, por exemplo. Além do português, o app suporta diferentes idiomas, mas não aceita textos que contenham nomes de artistas ou bandas.

O Suno AI pode ser usado gratuitamente, mas com algumas restrições: são 50 créditos diários, que dão direito a 10 criações, e as músicas não podem ser comercializadas. O Plano Pro, com preço de US$ 10 mensais, dá direito a 500 músicas por mês, prioridade na fila de criação e possibilidade de uso comercial. Já o Premier custa US$ 30 e dá direito a 2 mil músicas, além de outros benefícios do plano Pro.

Como fazer música no Suno AI?

Passo 1. Acesse o site do aplicativo e clique em “Create”;

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Passo 2. Clique em “Sign up” para criar uma conta. É possível fazer login com as contas do Discord, Google ou Microsoft para entrar na plataforma;

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Passo 3. Clique em “Create” para começar a criar uma música e descreva o tipo de música que deseja.

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Passo 4. Selecione uma das músicas geradas e dê play para ouvi-la;

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Passo 5. Caso queira inserir uma letra para que o Suno AI transforme em música, ative a chave do “Custom Mode”. Em “Lyrics” insira a letra da música. Depois, escolha o estilo e o título da música. Por fim, role a tela para baixo e clique em “Create” para gerar a música;

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Passo 6. Para salvar uma música no Suno AI, basta clicar nos três pontinhos ao lado da música. No menu aberto, selecione “Download” e escolha se deseja salvar em áudio ou em vídeo.

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Vinício Carrilho Martinez
Marlon Pessanha

Com informaçoes de startupi.com.br

 Queria ser um quero-quero

Queria ser mais
Queria ser um pássaro
– voar até você
– uma borboleta a te contemplar

Queria estar na sua esperança
– ninguém fere uma borboleta

Queria polenizar sua estrada
– polemizar sua descrença

Queria amar sua vida
– voar até você

Queria você
– quero
Queria, quero

Sou igual ao quero-quero
– de você

Queria ser uma ida
– e você a chegada
Uma chegada amada

De tanto que queria
– eu quero-quero
Vontade duplicada

Queria que me visse como um pássaro
– um quero-quero de você

Queria borboletear seus dias
Aliás, eu quero-quero tudo isso

É assim que o meu amor pode flanar
– planar até aí

Queria ser esse planador
– aplainar a dor
– com amor

Leve, suave, sem ruído
Indo até você

Queria você
Eu quero-quero

Se uma pessoa gostar já estou feliz
É porque você é especial para mim

Vinício Carrilho Martinez

Direito à consciência emancipadora

Consciência é o resultado da razão, racionalidade, verificação fática, realista, típica de quem associa (logicamente) uma simetria entre “meios e fins”, um percurso da coerência, da razoabilidade e da proporcionalidade.
À primeira vista também seria um direito à racionalidade, à razão que descontroi a irracionalidade, os atentados ao Bom Senso.
Seria equivalente à educação de qualidade, laica, emancipadora.
O que se obtém com o ensino fundamental de ciências, com o acesso ao básico do Renascimento e do Iluminismo.
Porém, isso não é suficiente para pensarmos a consciência emancipadora, esta que se indigna com a indignidade.
A consciência emancipadora, forjada como “consciência coletiva”, ampla e inclusiva, requer uma educação fundamental alicerçada na Ética, nos valores e nos direitos humanos fundamentais.
É essa composição que nos garante, pelos princípios, que não será apenas uma “razão instrumental” a serviço da opressão, da subordinação ao embrutecimento capitalista.
Por sua vez, a empatia, a interação social, a sociabilidade emancipadora, também se encontram na filosofia, na sociologia clássica, na história das humanidades.
É isso tudo, em princípio, que orienta o Direito à consciência emancipadora.
Uma racionalidade a serviço da descompressão social.

Texto de Vinício Carrilho Martinez

Leitura de Fátima Ferreira

Para se livrar da prisão, Bolsonaro vai jogar o golpe no colo de Heleno e Braga Netto

Após falar em fugir para uma embaixada em caso de condenação pela tentativa de golpe de Estado no Brasil, Jair Bolsonaro já trabalha com mais uma estratégia para tentar se livrar de prisão: jogar a culpa em militares de alta patente que compunham o seu governo, entre eles o general Augusto Heleno (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional) e general Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, além de candidato a vice de Bolsonaro nas eleições de 2022).

Trata-se de a tese de “golpe dentro do golpe”, que consistiria em um plano golpista não só para impedir a posse de Lula após o pleito, mas para que os próprios militares assumissem o poder, em detrimento de Bolsonaro. A sinalização de que essa deve ser a estratégia foi dada por Paulo Amador da Cunha Bueno, um dos advogados de Bolsonaro, em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (29).

Bueno usa como base nesta narrativa o “Punhal Verde e Amarelo”, documento elaborado, segundo a Polícia Federal (PF), pelo general da reserva e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro, Mario Fernandes, que foi preso recentemente na operação “Contragolpe”. O planejamento envolvia o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento previa, após deflagrado o golpe, a a criação de um Gabinete Institucional de Gestão de Crise que seria comandando por militares.

Heleno, segundo o planejamento, seria o chefe de tal gabinete. Braga Netto, por sua vez, seria o coordenador-geral, enquanto outros militares de alta patente, como o próprio Mario Fernandes, assumiriam outras funções de comando.

O fato de Jair Bolsonaro não ser mencionado no plano “Punhal Verde e Amarelo” é a base da estratégia a ser usada pela defesa do ex-presidente para jogar a culpa pela tentativa de golpe em Heleno e Braga Netto.

“Quem seria o grande beneficiado? Segundo o plano do general Mario Fernandes, seria uma junta que seria criada após a ação do ‘Plano Punhal Verde e Amarelo’, e nessa junta não estava incluído o presidente Bolsonaro”, disse o advogado de Bolsonaro em entrevista à GloboNews.

“Não tem o nome dele [Bolsonaro] lá, ele não seria beneficiado disso. Não é uma elucubração da minha parte. Isso está textualizado ali. Quem iria assumir o governo em dando certo esse plano terrível, que nem na Venezuela chegaria a acontecer, não seria o Bolsonaro, seria aquele grupo”, afirmou ainda.

Apesar da tentativa do advogado de Bolsonaro de imputar a culpa somente a Heleno e Braga Netto, a Polícia Federal, em seu relatório final sobre a investigação, aponta o ex-presidente como o principal líder da organização criminosa que tentou deflagrar um golpe no Brasil. Os investigadores afirmam, inclusive, que Bolsonaro tinha conhecimento do plano para assassinar autoridades.

Bolsonaro indiciado 

O relatório final da Polícia Federal (PF), encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) propondo o indiciamento de Jair Bolsonaro e de outras 37 pessoas, traz com detalhes o envolvimento do ex-presidente na trama golpista.

A investigação da PF é taxativa no documento. “Os elementos de prova obtidos ao longo da investigação demonstram de forma inequívoca que o então presidente da República, JAIR MESSIAS BOLSONARO, planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios realizados pela organização criminosa que objetivava a concretização de um Golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito, fato que não se consumou em razão de circunstâncias alheias à sua vontade”, diz trecho do relatório, sendo preservada aqui a grafia original.

O arcabouço probatório colhido pelos investigadores demonstra que o grupo investigado e liderado por Bolsonaro “criou, desenvolveu e disseminou a narrativa falsa da existência de vulnerabilidade e fraude no sistema eletrônico de votação do País desde o ano de 2019”. O objetivo seria sedimentar na população a falsa realidade de fraude eleitoral para que dois objetivos fossem alcançados posteriormente: “primeiro, não ser interpretada como um possível ato casuístico em caso de derrota eleitoral e, segundo e mais relevante, ser utilizada como fundamento para os atos que se sucederam após a derrota do então candidato”.

Leia mais detalhes sobre o relatório da PF aqui.

Fonte: Revista Forum

Fuga anunciada: Bolsonaro diz que pode fugir para alguma embaixada se tiver prisão decretada

Ex-presidente disse também que não tinha conhecimento de plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista ao UOL que pode vir a pedir asilo em alguma embaixada caso tenha sua prisão decretada. Ele foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.

“Embaixada, pelo que vejo na história do mundo, quem se vê perseguido, pode ir para lá”, disse. “Se eu devesse alguma coisa, estaria nos Estados Unidos, não teria voltado”, afirmou.

Apesar de negar os crimes, Bolsonaro confessa ter conversado sobre “artigos da Constituição” com os comandantes das Forças Armadas para “voltar a discutir o processo eleitoral” logo após ser derrotado em 2022 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse, no entanto, que a ideia foi logo “abandonada”.

As acusações

O relatório final da Polícia Federal (PF), encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) propondo o indiciamento de Bolsonaro e de outras 37 pessoas, traz com detalhes o envolvimento do ex-presidente na trama golpista.

A investigação da PF é taxativa no documento. “Os elementos de prova obtidos ao longo da investigação demonstram de forma inequívoca que o então presidente da República, JAIR MESSIAS BOLSONARO, planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios realizados pela organização criminosa que objetivava a concretização de um Golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito, fato que não se consumou em razão de circunstâncias alheias à sua vontade”, diz trecho do relatório, sendo preservada aqui a grafia original.

O arcabouço probatório colhido pelos investigadores demonstra que o grupo investigado e liderado por Bolsonaro “criou, desenvolveu e disseminou a narrativa falsa da existência de vulnerabilidade e fraude no sistema eletrônico de votação do País desde o ano de 2019”. O objetivo seria sedimentar na população a falsa realidade de fraude eleitoral para que dois objetivos fossem alcançados posteriormente: “primeiro, não ser interpretada como um possível ato casuístico em caso de derrota eleitoral e, segundo e mais relevante, ser utilizada como fundamento para os atos que se sucederam após a derrota do então candidato”.

Leia mais detalhes sobre o relatório da PF aqui.

Revista Fórum

Portugal também está em risco em caso de guerra nuclear entre Rússia e Ucrânia, afirma correspondente

A localização geográfica de Portugal o torna também alvo em caso de uma guerra nuclear, afirma o Pós PhD em neurociências luso-brasileiro, licenciado em História e representante lusófono, Dr. Fabiano de Abreu

Vários países europeus intensificam suas estratégias de defesa, preparando até civis para um possível confronto de escala continental.

Desde a invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, cresce o temor de que Moscou possa expandir a agressão a outros países da região, incluindo membros da Otan, que Putin acusa de ameaçar a existência da Rússia. Alemanha, Suécia e Finlândia estão entre as nações que adotam medidas para fortalecer a segurança nacional

A escalada do conflito

Na última semana, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que o conflito na Ucrânia atingiu proporções de uma guerra “global”.

A tensão aumentou com a Coreia do Norte enviando soldados para apoiar a Rússia, os EUA autorizando Kiev a usar mísseis em território russo e Moscou respondendo com o lançamento de um míssil intercontinental de capacidade nuclear. Após mais de 1.000 dias de guerra, o clima se torna cada vez mais tenso.

 

A Europa em alerta

Finlândia, Suécia e Noruega estão orientando suas populações sobre preparativos para uma possível escalada nuclear na guerra na Ucrânia.

Na Alemanha, o governo mapeia bunkers e abrigos emergenciais, como estações subterrâneas, e lançará um aplicativo para facilitar o acesso. Além disso, incentiva a construção de abrigos domésticos, usando porões e garagens para reforçar a proteção civil.

Devido à sua localização, Portugal pode ser um dos alvos em caso de escalada da guerra (Foto: Reprodução/FreePik)

Como Portugal também pode ser afetado?

De acordo com o Pós PhD em neurociências luso-brasileiro, licenciado em História e representante lusófono, Dr. Fabiano de Abreu, Portugal é, também, um país que corre risco com a escalada das tensões na guerra.

No caso de uma escalada da guerra para um conflito nuclear, Portugal é um país de risco, navios russos já rodearam a costa do país pois a localização de Portugal é estratégica para uma invasão marítima para outros países como Espanha e França, o que torna a região um grande alvo. 

“Além disso, os arquipélagos dos Açores e da Madeira ampliam a área marítima de Portugal, o que os torna estratégicos. A Base das Lajes, nos Açores, também se destacam como ponto chave para operações militares dos EUA e da NATO”.

“Embora Portugal não tenha um poder bélico e de exército tão grande quanto outros países, a sua força se concentra na inteligência, o que também é um diferencial em uma guerra e pode ajudar o país nesse caso”.

“Outro risco que precisa ser considerado é que países sejam bombardeados e isso também  afetaria Portugal, não apenas diretamente a depender da distância do país, mas também com abastecimento de comida e bloqueio de possíveis rotas terrestres de fuga”, ressalta Dr. Fabiano.

Sobre o Dr. Fabiano

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB é Pós-PhD em Neurociências, eleito membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society (mais de 200 membros da Sigma Xi já receberam o Prêmio Nobel), além de ser membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, da Royal Society of Biology e da The Royal Society of Medicine no Reino Unido, e da APA – American Philosophical Association nos Estados Unidos. Mestre em Psicologia, Licenciado em História e Biologia, também é Tecnólogo em Antropologia e Filosofia, com diversas formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Dr. Fabiano é membro de prestigiadas sociedades de alto QI, incluindo Mensa International, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society e HELLIQ Society High IQ. Ele é autor de mais de 280 estudos científicos e 26 livros. Atualmente, é professor na PUCRS no Brasil, UNIFRANZ na Bolívia e Santander no México. Além disso, atua como Diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e é o criador do projeto GIP, que estima o QI por meio da análise da inteligência genética. Dr. Fabiano também possui registro de jornalista, tendo seu nome incluído no livro dos registros de recordes por conquistar três recordes, sendo um deles por ser o maior criador de personagens na história da imprensa. Professor Convidado e Orientador acadêmico da Faculdade FAEV.

 

TODOS OS GOLPES SÃO RACISTAS

Vinício Carrilho Martinez

Breve carta dirigida aos racistas

 

Todos os golpes no Brasil são racistas.

Sejam grandes ou pequenos, os golpes são racistas.

É a nossa história, da nossa formação social.

Nossa “índole” é golpista e racista.

De dia e de noite a cultura nos sabota, junto ao interesse econômico, político, formatando um substrato de sociopatia, de indiferença à dor das pessoas.

Todavia, não há dor maior do que aquela sentida por quem é alvo do racismo.

Dói na pele, na alma, no coração, na Utopia desfeita pelo racismo.

Há uma maldade perpetuada, por quem pratica; há uma dor lancinante em quem recebe.

Por isso, o pior que podemos fazer é “nada fazer”, diante desse escombro social, moral, desumano que fere a quem tenha a mínima noção de Humanidade.

A você, racista, que esteja lendo esse breve texto – o que duvido muito – faça essa reflexão, pense no quanto você é devedor. Seu débito com a sociedade brasileira é impagável.

Porém, tente não aumentar o mal imenso que já praticou.

Faça, se tiver alguma coragem efetiva, a última reflexão que coloco abaixo. Sinta-se, ao menos um pouco, tentado a reagir como um ser humano menos brutal, menos brutalizado.

 

A emancipação é um processo crescente, permanente de crescimento e de libertação do controle opressivo. Portanto, envolve “ter ciência” das condições, fatos, situações, isto é, exige consciência para agir, e isso implica em decisões ou lutas, sobretudo quando pensamos na opressão de classe, no racismo, no machismo. Neste sentido, como seria possível efetivarmos uma educação antirracista?

 

O que você diria desses apontamentos?

Você é capaz de pensar sobre isso?

Tente ser mais humano e menos fera – dessas que devem ser enjauladas.

Racismo é crime inafiançável e imprescritível.

É um crime bárbaro, que provém do fundo da desesperança.

E, certamente, é o oposto do que trago comigo.

Aliás, quando se manifestar publicamente, não se esforce em comprovar sua ignorância atávica.

Como se vê na foto, há um erro crasso, do tamanho da maldade racista.

Pois, Senzala é com S.

 

 

Bolsonaro pode ter bens bloqueados após pedido do MP ao TCU

O ex-presidente e outras 36 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal por tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter os bens bloqueados, pois o Ministério Público (MP) pediu nesta sexta-feira (22) ao Tribunal de Contas da União (TCU) o bloqueio de R$ 56 milhões dos 37 indiciados pela Polícia Federal por participação na tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

O Ministério Público afirma que as tramas golpistas aparentam ter conexão direta com os ataques de 8 de janeiro, que resultaram na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes e culminaram em danos materiais avaliados em R$ 56 milhões.

“Os indiciamentos promovidos pela Polícia Federal e decorrentes de inquéritos sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal apontam para a direta conexão entre as tratativas golpistas que ocorreram no ano eleitoral de 2022 e as depredações ocorridas nas sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023”, diz o pedido do MP.

O pedido ao TCU, assinado pelo subprocurador-geral Lucas Furtado, também pede a suspensão dos salários dos 24 oficiais das Forças Armadas que foram indiciados pela PF.

“A se permitir essa situação (continuidade do pagamento de remuneração a esses indivíduos), na prática, o Estado está despendendo recursos públicos com a remuneração de agentes que tramaram a destruição desse próprio Estado, para instaurar uma ditadura […] Não me parece moral, legal e constitucionalmente aceitável, portanto, que continuem sendo regularmente remunerados por um Estado que pretendiam abolir”, declara o procurador.

De acordo com informações do Metrópoles, a União gasta R$ 675 mil por mês, ou R$ 8,78 milhões por ano, para pagar os salários dos militares indiciados pela PF por tentativa de golpe de Estado.

O procurador Lucas Furtado também recomenda a suspensão de qualquer outra forma de remuneração ou subsídio que seja custeada com verba federal, inclusive o Fundo Partidário. Essa medida pode, portanto, atingir o PL, que pode ficar sem o fundo.

Por fim, o procurador solicita ao STF que torne o relatório do indiciamento público.

Bolsonaro é indiciado pela Polícia Federal

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi indiciado pela Polícia Federal pela tentativa de golpe de Estado que encabeçou a partir dos últimos dias de 2022, após ser derrotado nas urnas pelo presidente Lula (PT) e ficar inconformado com sua saída do poder.

Vários outros ex-integrantes de seu governo, aproximadamente 35, também foram indiciados pela PF, e os crimes pelos quais são acusados são inúmeros, com destaque para abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e organização criminosa.

Com 884 páginas, o inquérito policial foi concluído no início da tarde desta quinta-feira (21) e agora será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda hoje. Desde já, a Procuradoria Geral da República (PGR) é quem fica incumbida de denunciar ou não os indiciados, para que então os réus, em caso de aceitação da denúncia, sejam julgados pelo STF.

Entre os principais indiciados estão:

Jair Bolsonaro, ex-presidente;

Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e candidato a vice na chapa derrotada;

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin);

Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL)

Foram ainda indiciados outros 32 nomes envolvidos na trama:

Ailton Gonçalves Moraes Barros

Alexandre Castilho Bitencourt da Silva

Almir Garnier Santos

Amauri Feres Saad

Anderson Gustavo Torres

Anderson Lima de Moura

Angelo Martins Denicoli

Bernardo Romão Correa Netto

Carlos Cesar Moretzsohn Rocha

Carlos Giovani Delevati Pasini

Cleverson Ney Magalhães

Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira

Fabrício Moreira de Bastos

Filipe Garcia Martins

Fernando Cerimedo

Giancarlo Gomes Rodrigues

Guilherme Marques de Almeida

Hélio Ferreira Lima

José Eduardo de Oliveira e Silva

Laercio Vergilio

Marcelo Bormevet

Marcelo Costa Câmara

Mario Fernandes

Mauro Cesar Barbosa Cid

Nilton Diniz Rodrigues

Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho

Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira

Rafael Martins de Oliveira

Ronald Ferreira de Araujo Junior

Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros

Tércio Arnaud Tomaz

Wladimir Matos Soares

No caso de condenação, por cada um dos seguintes crimes, os indiciados podem ser condenados a:

4 a 12 anos de prisão por Golpe de Estado

4 a 8 anos de prisão por Abolição violenta do Estado Democrático de Direito

3 a 8 anos de prisão por Integrar organização criminosa

Revista Fórum

Lançamento da campanha para a recuperação da Casa Carlos Marighella

Tribunal Penal Internacional emite mandado de prisão contra Benjamin Netanyahu

Premiê de Israel é acusado de promover de crimes contra a humanidade e crimes de guerra

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, acusados de crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos em Gaza, incluindo privação de alimentos, água e medicamentos à população civil.

O TPI também emitiu um mandado de prisão contra o comandante militar do Hamas, Mohammed Deif, informou a Sputnik.

“A Câmara emitiu mandados de prisão contra dois indivíduos, o Sr. Benjamin Netanyahu e o Sr. Yoav Gallant, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos desde, pelo menos, 8 de outubro de 2023 até, pelo menos, 20 de maio de 2024, data em que a Procuradoria apresentou os pedidos de mandados de prisão”, afirma um comunicado à imprensa no site do TPI.

Leia a íntegra da decisão “Situação no Estado da Palestina: Câmara Pré-Julgamento I do TPI rejeita desafios de jurisdição apresentados pelo Estado de Israel e emite mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e Yoav Gallant”.

TPI emite mandados de prisão
Hoje, 21 de novembro de 2024, a Câmara Pré-Julgamento I do Tribunal Penal Internacional (TPI), em sua composição para tratar da situação no Estado da Palestina, decidiu, por unanimidade, rejeitar dois desafios apresentados pelo Estado de Israel com base nos artigos 18 e 19 do Estatuto de Roma. Além disso, foram emitidos mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e Yoav Gallant.

Decisões sobre os pedidos de Israel
A Câmara analisou dois pedidos submetidos por Israel em 26 de setembro de 2024. No primeiro, Israel contestava a jurisdição do TPI sobre a situação na Palestina e sobre cidadãos israelenses, com base no artigo 19(2) do Estatuto. No segundo, Israel solicitava que a Procuradoria notificasse novamente o início da investigação, conforme o artigo 18(1), além de pedir a suspensão de quaisquer procedimentos relacionados à situação, incluindo os mandados de prisão de Netanyahu e Gallant.

Sobre o primeiro desafio, a Câmara reafirmou que a jurisdição do TPI se baseia no território da Palestina e que a aceitação de Israel não é necessária. Constatou também que os Estados não podem contestar a jurisdição do Tribunal antes da emissão de mandados de prisão. Em relação ao segundo pedido, a Câmara destacou que Israel foi notificado sobre a investigação em 2021 e que nenhuma nova notificação era necessária, pois os parâmetros da investigação permanecem os mesmos.

Mandados de prisão
Foram emitidos mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu, nascido em 21 de outubro de 1949, então Primeiro-Ministro de Israel, e Yoav Gallant, nascido em 8 de novembro de 1958, então Ministro da Defesa. Ambos são acusados de crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo assassinato, perseguição e atos desumanos, além de privar intencionalmente a população de Gaza de bens essenciais, como alimentos, água, eletricidade e medicamentos, entre outubro de 2023 e maio de 2024.

 

Brasil 247

O Brasil não é fraco

As vezes a imagem fala por si.
Esse quadro é um retrato de memória e já tem alguma interpretação.
Lembre de outras coisas e complete a semana brasileira.

Nenhuma descrição de foto disponível.

PF: Bolsonaro atuou diretamente na redação e ajuste da ‘minuta do golpe’

Mensagens enviadas por Mauro Cid ao general Freire Gomes, então comandante do Exército, indicam que Bolsonaro “enxugou” o texto para torná-lo mais objetivo

A investigação da Polícia Federal (PF) que apura a tentativa de golpe de Estado visando impedir a posse do presidente Lula (PT) conecta Jair Bolsonaro (PL) à redação e ajustes da chamada “minuta do golpe”. O documento previa uma intervenção no Judiciário com o objetivo de impedir a posse de Lula e convocar novas eleições.

Segundo o Metrópoles, as evidências coletadas pelos investigadores, obtidas através de mensagens trocadas pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, apontam o envolvimento direto do ex-mandatário no planejamento de um golpe de Estado.

De acordo com a PF, Jair Bolsonaro teria redigido e ajustado pessoalmente o texto do decreto golpista. Mensagens enviadas por Mauro Cid ao general Freire Gomes, então comandante do Exército, indicam que Bolsonaro “enxugou” o texto para torná-lo mais objetivo. Em uma das comunicações, Cid revelou que Bolsonaro estava sob pressão de “deputados” para adotar medidas mais drásticas, envolvendo o uso das Forças Armadas.

Além disso, as investigações apontam que o ex-mandatário se reuniu com o general Estevam Cals Theophilo, então comandante do Exército Brasileiro, em 9 de dezembro de 2022. O objetivo seria angariar apoio militar para consumar o golpe.

A Operação Contragolpe da PF foi deflagrada nesta terça-feira (19) para desarticular a organização criminosa suspeita de planejar não apenas o golpe, mas também o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo a PF, o plano operacional, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, previa a execução dessas autoridades para instaurar um regime de exceção no país.

A operação, autorizada pelo próprio Moraes, cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas.Entre os detidos na operação estão militares da ativa, da reserva e um policial federal: coronel Hélio Ferreira Lima: ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais, em Manaus. Foi destituído do cargo em fevereiro de 2024; general Mário Fernandes: ex-ministro interino da Secretaria-Geral e atualmente assessor do deputado Eduardo Pazuello; major Rafael Martins de Oliveira: acusado de negociar com Mauro Cid o pagamento de R$ 100 mil para financiar a ida de manifestantes a Brasília; major Rodrigo Bezerra de Azevedo, e o policial federal Wladimir Matos Soares.

As investigações revelam que o grupo de militares conhecido como “kids pretos” (força de elite da unidade de operações especiais do Exército) estava à frente do planejamento das ações. O esquema incluía articulações para financiar manifestantes golpistas, atentados contra autoridades e a imposição de um governo sob tutela militar.

Brasil 247

Animal, monstro: deputado da ‘bancada da bala’ é expulso de clube de tiro após tentar ensinar crianças a atirar

Paulo Bilynskyj vive uma disputa judicial com seus antigos sócios da Puma Tactical, clube de tiro situado em São Paulo

O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) foi afastado da sociedade em um clube de tiro que ajudou a fundar após ser acusado de enganar sócios, promover cursos de tiro com a presença de menores e permitir o acesso não autorizado ao cofre de armas do local. O parlamentar é conhecido por ser integrante da chamada “bancada da bala”.

Segundo informações dadas pelo jornal “Estadão”, Paulo Bilynskyj vive uma disputa judicial com seus antigos sócios da Puma Tactical, clube de tiro situado em São Paulo. A Justiça determinou a exclusão do parlamentar da empresa.

O deputado organizou, em janeiro de 2022, um curso batizado de “projeto policial”, no qual participaram dois menores. O fato contraria uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que exige autorização judicial para a participação de menores em práticas de tiro, mesmo com o consentimento dos responsáveis.

O projeto foi alvo do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da corregedoria da Polícia Civil, onde Bilynskyj também atua como delegado. Os sócios foram chamados a prestar esclarecimentos.

Paulo Bilynskyj vive uma disputa judicial com seus antigos sócios da Puma Tactical, clube de tiro situado em São Paulo. (Foto: Câmara dos Deputados)

Disputa judicial

Duas ações judiciais foram movidas por ambas as partes, mas foram unificadas em um só processo. O parlamentar chegou a ter uma decisão favorável, que foi revertida pelo juiz André Salomon Tudisco, da 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem, excluindo-o da sociedade por “falta grave”.

A permissão dada aos menores e as investigações resultantes foram consideradas suficientes para “colocar em risco a atividade empresarial”. Os sócios apresentaram outras acusações, como a realização de cursos de tiro sem a devida licença da Polícia Federal, permitir o acesso de menores de 25 anos ao cofre de armas e apropriar-se do grupo do Telegram com a carteira de clientes do clube.

De acordo com os sócios Maicon Oliveira e Rafael Unruh, Bilynskyj não cumpriu integralmente o acordo firmado, que incluía a transferência de nove armas avaliadas em R$ 250 mil e um aporte financeiro de R$ 150 mil.

O clube, fundado no início de 2021, admitiu Bilynskyj como sócio em maio do mesmo ano. Ele ganhou notoriedade nas redes sociais pelo seu envolvimento com armas, fator que o ajudou a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022.

A exclusão do parlamentar da sociedade transitou em julgado em dezembro de 2023, encerrando todas as possibilidades de recurso.

O que diz a defesa do deputado?

A defesa do parlamentar afirma que os sócios utilizaram sua imagem pública para impulsionar o negócio, mas não honraram o pagamento de quotas que lhe eram devidas. Bilynskyj negou qualquer irregularidade, alegando que os menores só apareceram nas fotos durante um momento de confraternização, com as mães presentes.

Uma mãe, em depoimento à polícia, disse que levou seus filhos, de 16 e 12 anos, ao curso, tendo pago R$ 1,4 mil por cada inscrição.

Bilynskyj afirma, ainda, que as acusações dos sócios são uma “aventura jurídica”.

Fonte: ICL Notícias

Milei recua e Argentina entra na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Mesmo com a adesão à aliança, a Argentina deve continuar criando entraves nas negociações em torno do G20

A Argentina decidiu aderir à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do Brasil na presidência do G20 para erradicar a fome e a pobreza no mundo. Inicialmente, o país não constava na lista de participantes da aliança, sendo o único dos 19 países que fazem parte do G20 que não assinou a medida. No total, a iniciativa do Brasil contava com a adesão de 81 países.

No entanto, segundo informa a jornalista Miriam Leitão ,do Globo, a Argentina mudou de ideia e decidiu entrar na aliança. A ausência do país vizinho no documento era vista como um sinal do distanciamento do presidente argentino Javier Milei em relação ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mesmo com a adesão à aliança, a Argentina deve continuar criando entraves nas negociações em torno do G20. O país pretende se opor a alguns pontos da declaração dos chefes de Estado do evento em temas como clima, gênero, taxação de super-ricos e geopolítica.

AO VIVO: Lula lança Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e apresenta soluções brasileiras, como o Bolsa Família e o Fome Zero

O presidente Lula (PT) lançou durante a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (18), a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. Em seu discurso, Lula destacou a experiência brasileira com programas sociais como o Bolsa Família e o Fome Zero, que já transformaram a vida de milhões de pessoas no país, e propôs levar essas soluções para uma escala global.

“A fome e a pobreza não são resultado da escassez ou de fenômenos naturais. A fome, como dizia o cientista e geógrafo brasileiro Josué de Castro, é a ‘expressão biológica dos males sociais’, é produto de decisões políticas que perpetuam a exclusão de grande parte da humanidade”, disse lula diante de líderes que representam 85% do PIB mundial.

Lula sublinhou que o mundo, apesar de produzir alimentos em abundância, continua a falhar em distribuir essa riqueza de forma equitativa. Segundo ele, o contingente de 733 milhões de pessoas subnutridas, conforme estimativa da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], reflete escolhas políticas equivocadas.

Ao apresentar a Aliança, Lula enfatizou que o Brasil se oferece como exemplo de que é possível superar a fome e a pobreza com políticas públicas eficazes. Ele relembrou que, em 2014, o país saiu do Mapa da Fome da FAO graças a iniciativas como o Bolsa Família e os investimentos na agricultura familiar. Entretanto, o retrocesso dos últimos anos trouxe novamente a fome para milhões de brasileiros.

“Foi com tristeza que, ao voltar ao governo, encontrei um país com 33 milhões de pessoas famintas. Em um ano e 11 meses, o retorno desses programas já retirou mais de 24,5 milhões de pessoas da extrema pobreza. Até 2026, novamente sairemos do Mapa da Fome, e com a aliança faremos muito mais”, afirmou o presidente.

A Aliança Global terá como foco a articulação de recomendações internacionais, financiamento e implementação de políticas públicas voltadas à inclusão social e segurança alimentar. Lula reforçou que essa iniciativa transcende a justiça social, sendo uma base fundamental para sociedades mais prósperas e pacíficas.

Lula também fez um diagnóstico sombrio do contexto mundial atual, mencionando o aumento de conflitos armados, os efeitos devastadores das mudanças climáticas e o agravamento das desigualdades sociais e de gênero. “Estive na primeira reunião de líderes do G20 convocada em Washington no contexto da crise financeira, em 2008. Dezesseis anos depois, constato com tristeza que o mundo está pior”, lamentou.

Ainda assim, o presidente brasileiro reforçou seu otimismo com a capacidade de ação conjunta dos países do G20, destacando a responsabilidade do grupo, que concentra dois terços da população mundial e a maior parte da riqueza e do comércio globais.

“Se assumirmos responsabilidade, poderemos ter sucesso em pouco tempo. A Aliança nasce no G20, mas seu destino é global. Que esta cúpula seja marcada pela coragem de agir”, concluiu Lula.

Aliança Global de Combate à Fome tem 147 adesões, com 81 países e diversos organismos internacionais

A iniciativa brasileira tem como objetivo acelerar o progresso rumo à erradicação da fome e da pobreza

A Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza foi oficialmente lançada, nesta segunda-feira (18), na Cúpula de Líderes do G20, no Rio de Janeiro. Construída ao longo de um ano, a partir de um processo de diálogo e colaboração, a Aliança nasce com 147 membros fundadores, incluindo 81 países, a União Africana, a União Europeia, 24 organizações internacionais, 9 instituições financeiras internacionais e 31 organizações filantrópicas e não governamentais. Essa iniciativa inovadora visa acelerar os esforços globais para erradicar a fome e a pobreza, prioridades centrais nos ODS.

O presidente Lula (PT) declarou: “enquanto houver famílias sem comida na mesa, crianças mendigando nas ruas e jovens sem esperança de um futuro melhor, não haverá paz. Sabemos, pela experiência, que uma série de políticas públicas bem desenhadas, como programas de transferência de renda, como o ‘Bolsa Família’, e refeições escolares nutritivas para crianças, têm o potencial de acabar com o flagelo da fome e devolver a esperança e dignidade para as pessoas”.

Em 2024, os membros do G20, países parceiros e organizações internacionais trabalharam conjuntamente em uma Força-Tarefa dedicada à elaboração da estrutura fundacional da Aliança, que foi endossada por unanimidade durante a Reunião Ministerial do G20, no Rio de Janeiro, em julho. A liderança do Brasil na Força-Tarefa envolveu uma coordenação próxima entre vários ministérios, incluindo o de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Relações Exteriores e Fazenda, além de contribuições do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

“Vivemos hoje um marco histórico. A Aliança que construímos juntos, a partir da visão do presidente Lula, está agora pronta para transformar vidas e construir um futuro livre de fome e pobreza extrema”, afirmou o ministro de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. “Este não é apenas mais um fórum de discussão – é um mecanismo prático para canalizar conhecimento e financiamento de forma eficaz e alcançar aqueles que mais precisam”, enfatizou.

Desde julho, a Aliança está aberta a adesões de membros para além do G20. O Brasil e Bangladesh foram os primeiros a aderir, seguidos por todos os membros do G20, incluindo a União Africana e a União Europeia, assim como vários países de todos os continentes.

Os membros fundadores também incluem grandes organizações internacionais, bancos de desenvolvimento e entidades filantrópicas. Organismos-chave da ONU, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), UNICEF e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), também aderiram, ao lado de instituições financeiras como o Grupo Banco Mundial e bancos de desenvolvimento regionais, incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), o Banco Europeu de Investimentos (BEI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Organizações filantrópicas como a Fundação Rockefeller, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Children’s Investment Fund Foundation também fazem parte da iniciativa.

A adesão à Aliança segue aberta e é formalizada por meio de uma Declaração de Compromisso — que vai além de uma declaração simbólica para incorporar uma dedicação genuína à ação. Ela define compromissos gerais e personalizados, alinhados com as prioridades e condições específicas ‘de cada membro. As Declarações de Compromisso são voluntárias e podem ser atualizadas conforme as circunstâncias evoluem. Cada Declaração de Compromisso de um membro é pública e pode ser encontrada no site recém-lançado da Aliança Global.

Anúncios – Antes do lançamento formal desta segunda-feira, a Aliança Global demonstrou o sucesso de sua abordagem ao motivar e impulsionar ações e compromissos antecipados de grande parte de seus membros em seis áreas prioritárias de sua agenda política, que foram anunciados em um evento especial, durante a Cúpula Social do G20, em 15 de novembro.

Esses anúncios, intitulados “Sprints 2030”, representam a maior tentativa coletiva de mudar o rumo e finalmente erradicar a fome e a pobreza extrema por meio de políticas e programas em grande escala e baseados em evidências para elevar as populações mais pobres e vulneráveis do mundo. Entre os anúncios e compromissos estão o objetivo de alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferência de renda em países de baixa e média-baixa renda até 2030, expandir as refeições escolares de alta qualidade para mais 150 milhões de crianças em países com pobreza infantil e fome endêmicas, e arrecadar bilhões em crédito e doações por meio de bancos multilaterais de desenvolvimento para implementar esses e outros programas.

Missão e Governança – A missão da Aliança é clara: até 2030, visa erradicar a fome e a pobreza, reduzir desigualdades e contribuir para parcerias globais revitalizadas para o desenvolvimento sustentável. Prioriza transições inclusivas e justas, garantindo que ninguém seja deixado para trás.

A Aliança opera por meio de três pilares principais — nacional, financeiro e de conhecimento — projetados para mobilizar e coordenar recursos para políticas baseadas em evidências adaptadas às realidades de cada país membro.

Além disso, a Aliança realizará Cúpulas Regulares Contra a Fome e a Pobreza e estabelecerá um Conselho de Campeões de Alto Nível para supervisionar seu trabalho. Um órgão técnico enxuto e eficiente, o Mecanismo de Apoio da Aliança Global, será sediado na FAO, mas funcionará de forma independente para fornecer suporte estratégico e operacional, incluindo a promoção de parcerias em nível nacional para implementar iniciativas de combate à fome e à pobreza. O Brasil se comprometeu a financiar metade dos custos do Mecanismo de Apoio até 2030, com contirbuições adicionais de países como Bangladesh, Alemanha, Noruega, Portugal e Espanha.

Embora o G20 tenha sido a plataforma de lançamento para essa iniciativa, a Aliança agora funcionará como uma plataforma global independente, com o apoio contínuo e o impulso possível de futuras presidências do G20. A estrutura completa de governança, incluindo o Conselho de Campeões e o Mecanismo de Apoio, deverá estar operacional até meados de 2025. Até lá, o Brasil fornecerá suporte temporário para funções essenciais, como comunicação e aprovação de novos membros.

Membros fundadores da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza:

Países Membros e Entidades Regionais:  

  1. Alemanha
  2. Angola
  3. Antígua e Barbuda
  4. África do Sul
  5. Arábia Saudita
  6. Armênia
  7. Austrália
  8. Bangladesh
  9. Benin
  10. Bolívia
  11. Brasil
  12. Burkina Faso
  13. Burundi
  14. Camboja
  15. Chade
  16. Canadá
  17. Chile
  18. China
  19. Chipre
  20. Colômbia
  21. Dinamarca
  22. Egito
  23. Emirados Árabes Unidos
  24. Eslováquia
  25. Estados Unidos
  26. Espanha
  27. Etiópia
  28. Federação Russa
  29. Filipinas
  30. Finlândia
  31. França
  32. Guatemala
  33. Guiné
  34. Guiné-Bissau
  35. Guiné Equatorial
  36. Haiti
  37. Honduras
  38. Índia
  39. Indonésia
  40. Irlanda
  41. Itália
  42. Japão
  43. Jordânia
  44. Líbano
  45. Libéria
  46. Malta
  47. Malásia
  48. Mauritânia
  49. México
  50. Moçambique
  51. Myanmar
  52. Nigéria
  53. Noruega
  54. Países Baixos
  55. Palestina
  56. Paraguai
  57. Peru
  58. Polônia
  59. Portugal
  60. Quênia
  61. Reino Unido
  62. República da Coreia
  63. República Dominicana
  64. Ruanda
  65. São Tomé e Príncipe
  66. São Vicente e Granadinas
  67. Serra Leoa
  68. Singapura
  69. Somália
  70. Sudão
  71. Suíça
  72. Tadjiquistão
  73. Tanzânia
  74. Timor-Leste
  75. Togo
  76. Tunísia
  77. Turquia
  78. Ucrânia
  79. Uruguai
  80. Vietnã
  81. Zâmbia
  82. União Africana
  83. União Europeia

Organizações Internacionais  

  1. Agência de Desenvolvimento da União Africana – Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (AUDA-NEPAD)
  2. CGIAR
  3. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)
  4. Comissão Econômica e Social para Ásia Ocidental (CESAO)
  5. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
  6. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)
  7. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
  8. Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA)
  9. Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social (UNRISD)
  10. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA)
  11. Liga dos Estados Árabes (LEA)
  12. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)
  13. Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO)
  14. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)
  15. Organização dos Estados Americanos (OEA)
  16. Organização Internacional do Trabalho (OIT)
  17. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
  18. Organização Mundial do Comércio (OMC)
  19. Organizacão Mundial da Saúde (OMS)
  20. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
  21. Programa Mundial de Alimentos (WFP)
  22. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
  23. Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat)
  24. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

Instituições Financeiras Internacionais:

1. Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB)

2. Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB)

3. Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF)

4. Banco Europeu de Investimento (BEI)

5. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

6. Grupo Banco Mundial

7. Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB)

8. Novo Banco de Desenvolvimento (NBD)

9. Programa Global de Agricultura e Segurança Alimentar (GAFSP)

Fundações Filantrópicas e Organizações Não Governamentais:

1. Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL)

2. Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)

3. Fundação Bill & Melinda Gates

4. BRAC

5. Children’s Investment Fund Foundation

6. Child’s Cultural Rights & Advocacy Trust Agency

7. Citizen Action

8. Education Cannot Wait

9. Food for Education

10. Instituto Comida do Amanhã

11. Fundação Getúlio Vargas (FGV)

12. GiveDirectly

13. Global Partnership for Education

14. Instituto Ibirapitanga

15. Instituto Clima e Sociedade (iCS)

16. Câmara de Comércio Internacional

17. Leadership Collaborative to End Ultrapoverty

18. Maple Leaf Early Years Foundation

19. Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

20. Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI)

21. Pacto Contra a Fome

22. Fundação Rockefeller

23. Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI)

24. SUN Movement

25. Sustainable Financing Initiative

26. Their World

27. Trickle Up

28. Village Enterprise

29. World Rural Forum

30. World Vision International

31. Instituto Fome  Zero

Brasil 247

“Eu fiz questão de não trazer a guerra para o G20”, diz Lula sobre foco em temas sociais

Presidente destaca desigualdades e fome como prioridades: “São os invisíveis do mundo que as pessoas não enxergam”

Na abertura do G20, que teve início nesta segunda-feira (18) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou a decisão de não colocar as guerras como tema central das discussões do bloco. Em entrevista à Globonews, Lula destacou que sua escolha foi pautada por uma visão estratégica voltada às necessidades dos mais vulneráveis, em vez de concentrar as atenções nos conflitos armados globais.

“Eu acho que eu fiz questão de não trazer a guerra para o G20 porque senão nós não iríamos discutir outras coisas que são importantes para o povo que não está em guerra, que é o povo pobre, que são os invisíveis do mundo que muitas vezes as pessoas não enxergam”, afirmou o presidente.

Lula enfatizou que a prioridade de sua agenda é voltada para questões como a fome, desigualdade racial e de gênero, além de outros desafios sociais que afetam bilhões de pessoas ao redor do mundo. Para ele, o debate sobre guerras, embora relevante, não deve ofuscar as necessidades dos mais desfavorecidos.

“São as pessoas que estão com fome, as pessoas que são desprezadas, as vítimas da desigualdade racial, as mulheres vítimas da política de gênero. Por isso eu fiz questão de trazer esses temas ao invés de trazer as guerras”, explicou Lula.

Apesar de evitar centralizar os conflitos armados nas discussões, o presidente reafirmou o compromisso do Brasil e do G20 com a busca pela paz em regiões de conflito. “A gente vai dar uma recomendação de que nós queremos a paz na Faixa de Gaza, queremos a paz no Líbano, a paz na Ucrânia e nós queremos acabar com todas as guerras”, disse ele.

Lula também chamou a atenção para o impacto econômico global dos conflitos armados. “É importante lembrar que desde 1945 a gente não tem tantos conflitos como a gente tem hoje. É importante lembrar que no último ano foram gastos mais de US$ 2 trilhões com armas e com guerras”, alertou o presidente, criticando o uso de recursos que poderiam ser investidos em soluções para problemas sociais e ambientais.

O encontro do G20 no Rio de Janeiro acontece em um momento de grande tensão global, com conflitos armados em diversas partes do mundo e uma crescente preocupação com a escalada da violência. Lula espera que o evento sirva como um espaço de diálogo para promover a paz e, sobretudo, colocar no centro do debate as demandas dos povos historicamente marginalizados.

Brasil 247

Biden fez sobrevoo com cientista Carlos Nobre em áreas degradadas de Manaus

MANAUS (AM) – O avião do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aterrissou no Aeroporto Internacional de Manaus por volta das 13h30 (horário de Brasília) de domingo, 17, para uma cumprir uma agende de cerca de quatro horas. A programação incluiu um sobrevoo junto ao cientista Carlos Nobre, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Na chegada, Biden foi recebido na pista do aeroporto pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), e pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Ele se reuniu com lideranças indígenas e pesquisadores envolvidos com questões ambientais e climáticas relacionadas ao bioma amazônico. De acordo com a Casa Branca, esta é a primeira vez que um presidente norte-americano, no exercício do cargo, visita a Amazônia.

Acompanhado da filha Ashley e da neta Natalie, desembarcou em Manaus, sobrevoou de helicóptero a floresta e visitou o Museu da Amazônia. Mais cedo, Biden anunciou um aporte de US$ 50 milhões (R$ 290 milhões) ao Fundo Amazônia, mas a liberação dos recursos depende do Congresso, que será totalmente controlado pelo Partido Republicano no ano que vem.

Biden desembarcando em Manaus (Reprodução/ANI News)

Após o desembarque, o presidente seguiu para um helicóptero para realizar um sobrevoo com Carlos Nobre, reconhecido internacionalmente pelos estudos sobre os impactos climáticos do desmatamento na Amazônia. Nobre também foi um dos autores do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Durante o voo, que foi monitorado por outras sete aeronaves, foram feitas observações sobre áreas afetadas por incêndios florestais e erosões, além da área do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, cartão-postal da cidade.

A agenda de Biden incluiu visita ao Museu da Amazônia (Musa), na Zona Norte da capital amazonense, e uma declaração à imprensa. De Manaus, ele seguiu para o Rio de Janeiro, para participar na cúpula do G20.

Revista Cenarium

Tiü França explodiu a anistia aos bagrinhos e deve acelerar prisão dos graúdos

Já passou da hora de Bolsonaro e outros idealizadores do 8 de Janeiro serem punidos; recado de Moraes após o atentado foi claro

Não se fala em outra coisa. Dez entre dez colunistas de todos os veículos de comunicação, dos mais progressistas aos mais à direita apostam no mesmo. A ação tresloucada da quarta-feira (13), de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, conseguiu única e tão somente duas coisas: explodir a si próprio e também qualquer possibilidade de anistia aos golpistas do 8 de Janeiro.

Logo de saída, mensagens trocadas por deputados bolsonaristas em dois grupos de WhatsApp logo após o atentado sugeriam o mesmo. O comentário geral era de que, se Tiü França queria ajudar, acabou mesmo foi atrapalhando.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), por exemplo, afirmou que o autor seria mesmo um ex-candidato a vereador pelo PL: “Parece que foi esse cara mesmo. Agora vão enterrar a anistia. Pqp.”

O deputado Capitão Alden (PL-BA), por sua vez, respondeu: “lá se foi qualquer possibilidade de aprovar a anistia”. “Adeus redes sociais e esperem os próximos 2 anos de perseguição ferrenha! Com certeza o inquérito das fake news será prorrogado ad eternum”, disse.

Já o deputado Eli Borges (PL-TO) escreveu “se tentou ajudar atrapalhou”. “Agora o Xandão vai dizer: ‘é a prova que o 8 de janeiro era necessário’”.

Todos são deputados e sabem como o Congresso costuma reagir diante de tamanha pressão. O mesmo ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF), sede de ampla destruição no 8 de Janeiro e palco do atentado deste 13 de novembro.

Pacificação e punição

Por outro lado, ao mesmo tempo em que caia vertiginosamente no ridículo a mensagem publicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), logo após o atentado, pedindo a “pacificação” do país, o juiz do STF Alexandre de Moraes, deixava claro seu recado:

“A impunidade vai gerar mais agressividade. A PF está em vias de conclusão do inquérito dos autores intelectuais (do 8 de Janeiro). Ontem (quarta-feira) é uma demonstração de que a pacificação do país, que é necessária, só é possível com a responsabilização de todos. Não existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos.”

Não colou em parte alguma e nem para ninguém a tese de que o atentado em Brasília foi um ato isolado. Por mais que Tiü França tenha agido sozinho, ele se moveu respaldado por inúmeros discursos, sobretudo de seu líder máximo.

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, não parou de circular nas redes um vídeo em que Bolsonaro faz sua plateia repetir em coro: “eu juro dar minha vida pela minha liberdade”. Ao final, se vira para seu então candidato a vice e diz: esse, Braga Netto, é o nosso exército.

Crime e castigo

Já foram condenadas 265 pessoas pelo STF por conta de participação criminosa no 8 de Janeiro. Além dessas, foram feitos acordos de não persecução penal com 476 acusados, que confessarem os crimes. Todos eles bagrinhos.

O atentado de Tiü França deu a senha para que as instituições, que se mantiveram de pé, passem a punir agora os incentivadores e idealizadores golpistas, os peixes graúdos. Entre eles, o próprio Bolsonaro, que além de ter sua inelegibilidade mantida, deve finalmente responder criminalmente por seus atos.

Revista Forum

Lula é o maior líder de centro do País, diz Renan Filho

Em entrevista ao jornalista Julio Wiziack, da Folha de S.Paulo, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), defendeu o posicionamento político do presidente Lula como uma figura centrista e pragmática, destacando que essa imagem deve ser consolidada para garantir sua reeleição em 2026. Renan, que projeta a realização de 35 leilões de rodovias até o fim do mandato presidencial, enfatizou a predominância do capital privado em projetos de infraestrutura como evidência do pragmatismo de Lula, superando a gestão do ex-ministro Tarcísio de Freitas.

“O fato é que o presidente Lula é o maior líder de centro do país. Muito antes do centro vencer as eleições municipais, PP, União, PSD, Republicanos já estavam no governo”, afirmou Renan, apontando que, ao contrário do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja retórica liberal não foi eficiente, Lula tem atraído investimentos privados robustos para o setor. “Com Lula, teremos o domínio do capital privado em rodovias e ferrovias, uma inversão histórica”, completou.

Renan Filho destacou ainda que, mesmo entre os próprios apoiadores, Lula não é visto como um político de esquerda. “Só na bolha [de Bolsonaro] ele é de esquerda. Nem a bolha do Lula acha isso. Porque, para o PT, o presidente não é de esquerda”, afirmou. A fala sugere que a percepção pública do presidente deve ser ajustada para afastar visões polarizadas e reforçar seu papel centrista e pragmático.

O ministro também comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que lida com críticas tanto da extrema esquerda quanto da extrema direita. “Se ele não tivesse [problemas] com os extremos, seria com o centro. E é melhor que seja com os extremos”, opinou, reforçando que o governo Lula é pautado pelo pragmatismo.

Sobre as reformas fiscais, Renan Filho argumentou que o governo está comprometido em rever despesas e otimizar o orçamento. Ele sugeriu uma abordagem de corte proporcional em benefícios fiscais, lembrando sua experiência como governador de Alagoas, onde implementou medidas semelhantes com sucesso.

Renan também abordou a questão das emendas parlamentares, que cresceram sob a gestão anterior. Segundo ele, a estrutura atual, que deu mais controle ao parlamento, precisa ser ajustada para restabelecer um equilíbrio de poder e garantir a governabilidade. “O presidente Lula tenta criar uma lógica”, declarou, indicando que é um processo gradual que pode ser fundamental para a aprovação de pautas prioritárias, como a reforma tributária e o arcabouço fiscal.

Por fim, Renan sinalizou que, se houver uma decisão favorável sobre a destinação de emendas de bancada para obras de infraestrutura, sua pasta poderá se beneficiar significativamente. “Se obrigarem as emendas de bancada a serem para obras de infraestrutura, a chance é grande”, afirmou, mesmo diante da previsão de cortes que podem chegar a R$ 1 bilhão.

Brasil 247

“O presidente Lula vai saber se ele tem condições de disputar um novo mandato”, diz Tarso Genro

Ex-governador avalia cenário político e o papel de Lula frente ao avanço do conservadorismo no Brasil

 

Em entrevista ao Boa Noite 247, Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul, refletiu sobre o futuro político de Luiz Inácio Lula da Silva. “O presidente Lula vai saber se ele tem condições de disputar um novo mandato”, afirmou Genro, destacando que a decisão depende da saúde e do vigor político do atual presidente. Em um contexto de crescente polarização e avanço do conservadorismo, Lula tem sido uma figura central na resistência ao que Genro classifica como “fascismo no Brasil”.

Genro reforça que o presidente possui uma posição singular para confrontar as tendências autoritárias no país, acrescentando: “Mas ele é a única pessoa que tem condições de enfrentar o fascismo no Brasil”. Para o ex-governador, o cenário político brasileiro exige uma liderança experiente e com ampla aceitação popular, características que Lula mantém, mesmo diante de anos de ataques de seus opositores.

A possível candidatura de Lula em 2026, segundo Tarso Genro, traria ao país a oportunidade de resistir aos impulsos antidemocráticos que vêm ganhando espaço. No entanto, ele observa que essa escolha deverá ser cuidadosamente ponderada pelo próprio Lula, que deve avaliar suas condições e o contexto político que emergirá nos próximos anos. Assista:

Direitos Humanos Fundamentais

 

Os direitos fundamentais têm esse título porque são a base de outros direitos e das garantias necessárias (também fundamentais) à sua ocorrência, fruição, efetividade.
São direitos humanos fundamentais o acesso à saúde pública, à (sensação) de segurança e à educação pública de qualidade, à cultura, ao lazer e ao desporto (direitos sociais), o direito ao trabalho com dignidade (direitos fundamentais sociais), além da garantia de que prospere o pluralismo político, a diversidade social e cultural, a democracia como segurança jurídica de haver Liberdade Negativa no controle do Estado e do uso do poder, bem como os direitos de cidadania, os direitos políticos e os direitos civis (incluindo-se o direito de petição administrativa), de representação judicial e ao pleno funcionamento do Estado Juiz.
Sob esse Espírito Constitucional de 1988 é que os definimos como direitos humanos fundamentais, ao se somarem aos direitos do futuro (meio ambiente equilibrado, protegido, recuperado) e à tese do Direito a ter direitos. Em síntese, são fundamentais os direitos sociais, difusos (Direito do Consumidor), coletivos e individuais.

Participe da nossa reflexão, compareça, divulgue o link abaixo:

Vinício Carrilho Martinez

Direitos humanos fundamentais

No cenário atual, em que vivemos mudanças sociais intensas e rápidas, o entendimento e a proteção dos direitos humanos fundamentais se tornam mais necessários do que nunca. Convidamos você a participar de uma Live especial organizada pelo programa de pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, da UFScar, focada para a discussão desses direitos tão essenciais. Será uma oportunidade única para se aprofundar nessas questões.

Durante a Live, abordaremos temas fundamentais sobre o uso e o acesso aos direitos humanos, com o objetivo de dúvidas claras e promover uma reflexão crítica sobre o papel de cada cidadão e das instituições na garantia desses direitos. Em uma sociedade plural e cada vez mais conectada, é fundamental entender como esses direitos funcionam na prática.

A conversa também traz a perspectiva das relações entre ciência, tecnologia e sociedade, explorando como o avanço tecnológico e o desenvolvimento científico podem contribuir para a efetivação ou, em alguns casos, o impedimento do acesso pleno aos direitos humanos. Esses aspectos de conhecimento são essenciais para profissionais, pesquisadores e cidadãos engajados na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos possam exercer plenamente seus direitos.

Não perca essa oportunidade de ampliar seu conhecimento e participar ativamente dessa discussão de grande relevância para o nosso tempo. Junte-se a nós nessa Live e faça parte dessa jornada de aprendizado e conscientização sobre os direitos humanos fundamentais e sua aplicação prática.

Walter Gustavo da Silva Lemos, Doutor em Direito pela UNESA/RJ e estágio pós-doutoral pela Universidad de Salamanca. Doutorando em História pela Universidade do Porto – Portugal

Ensaio ideológico da burocracia

Vinício Carrilho Martinez (Dr.)

Cientista Social e professor da UFSCar

Márlon Pessanha

Doutor em Ensino de Ciências

Docente da Universidade Federal de São Carlos

 

“Senhoras e senhores: reunidos, vamos nos reunir, para reunir!”

 

Não se preocupe, ao final você entenderá que diabos quer dizer essa sentença.

Tem um livro tipicamente anarquista, com críticas contundentes ao que se chama de Tecnoburocracia – uma burocracia que serve ao poder e a si mesma; melhor dizendo, que cria mais burocracia, a cada dia (pouco importa se há um discurso de “coletividade”), simplesmente para manter seus empregos. Diga-se, de passagem, que essas personagens ganham muito mais do que qualquer docente de universidade pública, e mesmo que seja professor titular. De algum modo, essas coisas se ligam ao Mito do Fausto, um ser diabólico que só queria arrancar o couro e a alma das pessoas. Por isso vamos a isso primeiro.

A história do Fausto deveria ser contada em todas as escolas, porque traz a história do capitalismo a partir do Renascimento, a fase que, logo depois da Rota da Seda, nos brindaria com a “descoberta do Brasil” pelo fogo das caravelas da chamada “expansão ultramarina” – uma prévia da colonização que ainda escravizaria a maioria do nosso povo.

Porém, como essa história original não é contada, nós ensaiamos aqui umas linhas: o povo teria contada a história apócrifa do Fausto, o diabo em pessoa, que arrancava o couro, a alma, os tostões dos mais pobres daquela época. O diabo, é claro, era o capitalista daqueles tempos, notoriamente os banqueiros – os agiotas autorizados pelo Estado. Depois, tivemos um Maquiavel contando as peripécias de um Arquidiabo na forma de flores, ou melhor, nas roupas de clérigos e Arcebispos.

O período clássico do capitalismo que nos tira o couro, a alma e a inteligência, viria com um autor alemão absolutamente genial, filósofo nas linhas e entrelinhas de um conto que levou 20 longos anos para concluir: esse gênio chamava-se Goethe e fez duas versões sobre o mito do diabo em pele de cordeiro – um Goethe mais novo e um Goethe mais velho. Parece a história da Chapeuzinho Vermelho, mas é mais brutal.

Pelo meio inicial da história, Goethe já avisava com quantos dissabores o capitalismo corroía as pessoas:

 

MEFISTÓFELES

Vamos, engole! Com despacho!

Num aí, delícia em ti derrama.

Como! És tão íntimo com o Diabo,

E te apavoras vendo a chama?

(Goethe, 1997, p. 122).

 

Ao longo da história do capitalismo, ele se reinventou para se manter. A essência é a mesma, mas os artifícios para maximizar os produtos, massacrando os processos e os sujeitos, se transformam nas mais diferentes roupagens. Fausto, o diabo em pessoa; o Arquidiabo; ou o diabo em pele de cordeiro: há uma essência em comum. As práticas, contudo, se diferenciam segundo o seu tempo histórico, ainda que nos tempos e espaços de cada história.

E qual seriam as práticas de nosso tempo histórico?

Retomemos, agora parafraseando, Goethe:

Vamos, engole essa joça, em burocracia monumental que acabamos de criar em nossas “instâncias coletivas” (e viciadas pelo não-fazer). Engole, sem pausa – deixe o refluxo para as suas belas noites não dormidas. E tome outro cadinho de sinais obscuros, nonsense, que vai e volta, que “atravanca” seu trabalho produtivo, criativo. Vai burro de carga, quem mandou não estudar direito e arrumar um emprego melhor, que produzisse pensamentos, conhecimentos, ao invés de encher o carrinho de supermercado de “nadas, vezes nadas burocráticos”. Tua sina é se aposentar, com o miolo meio mole, carregando as malas burocráticas, cheias, sem rodinhas, sem alça. Essa é a nossa relação contratual, empregatícia…

De acordo com esta relação contratual, de sedução eterna pelo consumo, não há que se distinguir entre Deus e Diabo: o sagrado foi profanado, diria a crítica materialista do século XIX.

Para nós, essa lógica está presente desde (ao menos) a criação do Estado Moderno e, no caso brasileiro, desde os mais longínquos rincões do Estado patriarcal, racista, expropriador.             É claro que muita coisa aconteceu no Brasil, desde essa forma-Estado que se mantinha no poder com mais corrupção. Hoje, o Estado brasileiro é enorme, tem burocracias infinitas – no passado recente tivemos um “ministério da desburocratização”. Não existe mais. Teria sucumbido à burocracia? Ironia à parte, o certo é que não conseguiu alcançar em seus objetivos. Não deu em nada, é lógico.

Parte volumosa dessa burocracia é paquidérmica, isto é, lenta, inútil e caríssima. Até há argumentos pró-burocracia, reconhecemos. Muitos deles, se remetem a uma suposta (inventada) segurança jurídica e a um controle da corrupção. Mas repitamos, quase como em um mantra, se isso nos ajudar a fixar: o sagrado foi profanado. A busca pela correção (o puro e o sagrado) foi submetida à lógica do capital que tem em nosso tempo histórico, na burocracia, meios de subsistência. Talvez nos valha um exemplo dos mais humanamente corriqueiros e não acadêmicos: como regra, em uma negociação de um imóvel, o vendedor não deve ser uma pessoa incapaz de suas próprias decisões. Segundo protocolos e respeitando hierarquias, uma pessoa ou órgão com fé pública poderá emitir uma certidão que comprove que não há interdições relacionadas com o vendedor. Contudo, os desdobramentos e as especificidades com que se gera a certidão seguem uma burocracia que se justifica somente por si mesma: os desentendimentos entre instâncias, unidades federativas, cartórios, selos para cá ou acolá…

Ficamos extenuados só em pensar! O diabo se aproveita de torres de babel. A busca pela santidade ética e moral é convertida na profana burocracia.

A burocracia está em tudo e perpassa todos. Até mesmo nos espaços em que, seria de se esperar, há uma liberdade de pensamento e de ação, ainda que sob delimitações, a burocracia está lá, à espreita, como monstros sugadores de alma ou, leia-se, de tempo, criatividade e energia. As universidades, oásis do pensamento de outrora, estão sendo tomadas por processos e dinâmicas extenuantes. Os trabalhos institucionais das universidades públicas – do MEC para baixo, estão mergulhados na burocracia.

Ainda defendemos a universidade pública! Ainda entendemos que ela é o principal espaço, em nosso país, de construção do conhecimento científico. Ainda entendemos que a universidade tem um potencial, não tão explorado, de diálogo com a sociedade em torno de suas demandas genuínas, não restritamente ligadas à lógica do capital. Apesar disso, vemos as universidades se desconstruindo, em seu papel, missão essencial, pelos sucateamentos financeiros e processuais, os quais, nos parecem, são indissociáveis.

Como lidamos e trabalhamos em universidades federais – públicas e pobres, sem reajustes, com planos de trabalho caquéticos – iremos destacar melhor nossas peripécias e labutas, dia sim, no outro também.

Há alguns poucos anos, a universidade pública tornou-se um alvo, primeiro velado e depois explícito, de ataques que se deram, principalmente, na forma cortes de verbas, “inovações” trabalhistas e ilações obtusas. Sob o pretexto de uma “austeridade”, que teima em recair quase sempre na educação, saúde e em outros serviços públicos, a universidade passou a ser carregada por um contingente menor de servidores, os quais se desdobram em atuações que vão além daquelas funções para as quais ingressarem no serviço público.

Algumas funções e cargos que existiam nas universidades federais foram extintos, sendo substituídos por empresas terceirizadas. Contudo, também foram feitos recorrentes cortes orçamentários que não permitem às universidades contratar os serviços terceirizados necessários. Pelos corredores, com certa frequência já ouvimos relatos de servidores que fazem uma ou outra coisa funcionar (ou existir) com o dinheiro que vem de seu bolso. Somado a isso, a universidade que, convenhamos, já tinha seus tradicionalismos e burocracias, se aprofundou em trâmites e processos.

Como uma entidade alvo de tantos ataques, a universidade passa a se defender com autorizações para autorizar, reuniões para validar o que já estaria validado, solicitações de soluções para questões do cotidiano que dançam, como em uma lenta música de compasso gravíssimo. Nesse cenário, decisões corriqueiras que poderiam ser tomadas por gestores, diretores, coordenadores, entre outros, em suas funções regulares, passaram a ser levadas para colegiados que conferem, na segurança da burocracia, a legalidade. Há ônus nisso: perde-se energia e, junto, a dedicação ao ensino, à pesquisa e à extensão.

Já temos, nas universidades, reuniões para decidir quando iremos decidir e, lógico, outras mais para dar sequência ao processo de decisão. Nossa crítica, ou angústia, não é em relação aos processos democráticos, participativos e dialógicos. Isso é necessário. O que preocupa é a remoção do tempo com tarefas banais que levam, inclusive, às reuniões rápidas para marcar outras reuniões.

Esse exemplo, claro, é muito específico e, eventualmente, não encontra lugar em todas as universidades. Não queremos, aqui, generalizar. Passemos a outros exemplos, então, que podem estar presentes em outras tantas universidades.

Falemos sobre a pós-graduação, o principal espaço em que se faz ciência em nosso país. Uma parcela significativa do conhecimento científico que é construído no Brasil, nas diferentes áreas de conhecimento, é feita por pós-graduandos sob a orientação de pesquisadores, docentes universitários. Contudo, estes mesmos docentes que encontram, na pós-graduação, um espaço para desenvolver suas pesquisas e contribuir com a formação de novos pesquisadores, recebe como funções o preenchimento de formulários, o fornecimento de informações que, quase sempre, são quantitativas, participam de algumas (por sorte não todas) reuniões que pautam somente questões administrativas, entre outras funções que vão muito além do ensino, da pesquisa ou da extensão universitária.

Se o docente pesquisador é coordenador de um curso de pós-graduação, dobre esse trabalho. Se o curso de pós-graduação foi alvo do sucateamento universitário, de tal modo que nem dispões de secretaria administrativa (leia-se, trabalhadores especializados em cuidar do trabalho administrativo), duplique o duplicado e ganhamos um exemplo cotidiano de uma progressão geométrica. A burocracia desnecessária concretizada em “prestações de conta”, na necessidade de quantitativos para receber notas, amplificada por sistemas de informática mantidos pelo governo que “não conversam” entre si, acentua o desgaste. Nos últimos anos, o desgaste na pós-graduação é tanto que já não tem sido incomum que pós-graduando bolsistas sejam convidados (sic) a auxiliar no trabalho administrativo.

Vamos além, ainda tratando da pós-graduação, para ilustrar como a burocracia corrói a universidade e, ao mesmo tempo, se torna prática cultural e é institucionalizada em decisões: há uma dinâmica de credenciamento de docentes orientadores nos programas de pós-graduação que, pautada em números e em regras que são aceitos como mais sagrados que o divino, mantêm, impedem ou dificultam a atuação de pesquisadores. É mais comum do que deveria ser, e por sorte não ocorre em todos os programas de pós-graduação, que pesquisadores tenham que esperar ciclos de 4 anos para tentar um credenciamento em um programa de seu interesse. A origem da regra, em geral, está em decisões de colegiados dos próprios programas que, com a validação da “coletividade”, sufocados pela burocracia, geram mais burocracias.

Precisamos não mais quantificar o que não é quantificável. Há uma necessidade, quase de sobrevivência da universidade, de reduzirmos essa máquina de recriação burocrática. Lógico que, para isso, as universidades deveriam deixar de ser alvo. Mas não só isso. A universidade precisa desinstitucionalizar a burocracia. Deveríamos, pois, termos uma espécie de “ministério da desburocratização” nas universidades?

Terminemos por aqui, pois é bem possível que alguém pense em criar regras para isso…

Desse modo, nesse conjunto de travamentos à inteligência, não é difícil entender a sentença inicial, afinal, uma vez que estamos reunidos, vamos nos reunir novamente, para nos reunir…

 

Referência

GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1997.

Tua pele

Minha pele
Tua pele
São nossas cores

O céu azul, olhamos ao infinito
Os mares verdes todos adoram

O pássaro colorido é premiado
A flor é multicores
– múltipla
E todo mundo aprecia

Até os insetos ou borboletas são festejados
– por suas cores, beleza, leveza

Apenas quando olham para nós
É que some a sutileza,
– e vira tristeza

Minha pele branca
Tua pele não-branca

Por que não nos veem como flores?
Por que nos enviam seus espinhos?
Suas dores

Eu quero nossas cores
Mas não vejo nossas cores

Tua pele e minha pele
– não importa a cor
Quero amor

Somos brancos e negros
Eu e você

E o que significa?
Nada

Significa que somos muito mais do que cores
Seres sem rancores
Somos amores,
– pela vida, por ti, por mim

Tua pele branca
Minha pele não-branca

Tua pele negra
– é minha pele negra
Porque vivo em ti

Vinício Carrilho Martinez

Fluxo de amor

Fluxo de amor

Por Vinício Carrilho Martinez

Chuva e orvalho
Nessas águas de nadar
– Profundidade de amar

Nessa água de amar
É só se ensopar

Amor não tem guarda-chuva

Amor não cabe em caixa
– desencaixa

Então vem
– encaixa

Mulher de águas
Amor intenso

Afrodite do mar
– revolta
– Revôlta

Envolta em mim
Uma caixa de Amor

Houve esse Amor
Ouve esse amor
– por favor

Foda é você ir embora
– fui pro exílio

Se você me adora
– te traga agora

Se eu fosse um Emílio
Me educaria pra amar

Mulher de sonhos
Mulher das águas
Mulher pra amar

Guilherme Boulos e o lugar da esquerda hoje

Por MONICA LOYOLA STIVAL*

Qual é o lugar de Guilherme Boulos no imaginário político brasileiro e em que medida ele traz consigo um horizonte de transformação?

Acredito que seja necessário refletir sobre o que singulariza Guilherme Boulos – e o projeto de esquerda que ele simboliza – diante da história recente da política nacional. Sem dúvida, ele se situa hoje na única continuidade possível ao lulismo, no seu melhor sentido, sem com isso se reduzir a uma simples “imitação”, como sugerem diversas análises apressadas ou interessadas.

Dois aspectos me parecem decisivos: a maneira como ele se distingue enquanto liderança (ou como pode se distinguir cada vez mais) e o lugar de uma política de esquerda renovada em meio à falácia da polarização.

Políticas públicas e representação

Guilherme Boulos tem sua trajetória marcada por políticas públicas como Minha Casa Minha Vida Entidades e Cozinhas Solidárias. Essas duas políticas têm em comum um modo muito específico de formulação e execução. Elas são políticas públicas de caráter associativo, o que significa que sua elaboração final e implantação ocorrem a partir da organização de movimentos sociais.

Os sujeitos do processo na ponta são as pessoas efetivamente contempladas pela orientação orçamentária disponibilizada pelo governo federal, diferentemente de políticas públicas em que o modo da execução passa apenas por diferentes órgãos dos entes federados e dependem da implantação, “na ponta”, pelo município. Neste caso, as pessoas beneficiadas, como no caso do Bolsa Família, são passivas no que diz respeito ao modo como o orçamento é executado.

Uma política pública de caráter associativo não é definida no modelo político da representação. Ela passa ao largo, portanto, da estrutura de participação social em que a interação entre governo e sociedade civil é informativa e, no melhor dos casos, o espaço de ajuste de formulação. Nas políticas associativas há mais atividade que representação – a representação em jogo diz respeito à organização interna do movimento social e não à relação das pessoas beneficiadas com o poder público que capta e/ou executa recursos. O interesse desse tipo de política, portanto, está na autonomia popular que ultrapassa os limites da representação, e não em uma forma de driblar alguma “crise da representação”.

A ideia de representação ruiu não porque está “em crise”, como se diz desde que ela nasceu. Rousseau já questionava o modelo de Estado hobbesiano, já que este postula uma distância entre a chamada vontade geral e o representante dessa vontade. O ideal da representação sempre foi a coincidência (impossível) entre representantes e representados. Ou seja, seu limite constitutivo foi por muito tempo escondido atrás dessa coincidência inalcançável, que, por sua vez, foi essencial para a compreensão equivocada de democracia como equalização moderada de interesses. A representação perfeita levaria à democracia plena.

Se a representação se tornou a maneira como a sociedade passou a fingir uma equalização social no modo da igualdade jurídica formal (não realizada), ela está no centro desse imaginário em que a democracia seria a resultante final – e justa – de um equilíbrio de forças reafirmado e reequilibrado a cada sufrágio.

Por consequência, o elemento-chave para recolocar o sentido essencial da democracia como conflito está na possibilidade de, em certo sentido, dispensar ao máximo a mediação representativa sem com isso destruir as bases formais do Estado, calcadas no horizonte ideal de igualdade. A disputa democrática não recusa o valor jurídico da igualdade, mas devolve a ela seu sentido político – ou seja, a disputa de projeto social que orienta e dá concretude às regras jurídicas que sustentam o Estado.

Acontece que a maior parte das pessoas não se reconhece em uma estrutura igualitária; justamente porque ela está muito longe de ser concreta. Na vida real, é a diferença que está sempre em jogo, é a disputa que orienta inclusive o direito (daí as atrocidades da justiça classista e racista, por exemplo), é o sentido político das ações de governo e de Estado que definem os contornos da vida social. A representação é o meio pelo qual um tipo específico de vida social – extremamente desigual – se realiza dia a dia provando que o mundo ideal igualitário custa a se realizar.

Em 2013, no Brasil, explodiu na vida pública um distanciamento individualmente marcado em relação à representação. “Fulano não me representa”, “isso me representa”, etc. viraram frases nas ruas e nas redes, para questões gerais ou assuntos banais do cotidiano. Em alguns anos, essa difusão se agrupa em uma representação que não pretende ser a disputa de hegemonia por uma unidade política ideologicamente organizada, mas em uma representação que seja acima de tudo a não-representação, o antissistema, a recusa pura e simples (desde que preservados os costumes conservadores que dão algum lastro imaginário, certa segurança, já que a ruptura geral abriria um abismo excessivamente desconhecido).

A identificação, por um lado, e a descrença total, por outro, são duas maneiras pelas quais as pessoas puderam se colocar no jogo político democrático.

Não quero abordar aqui a identificação com o personagem mais ou menos antissistema, já superado por novos candidatos ao posto. Nem da descrença há tempos popularizada na ideia de que “político é tudo igual”. Falarei deles adiante, de maneira tangencial, quando tratar da polarização. O assunto aqui, afinal, é prioritariamente o lugar da esquerda hoje.

A partir desses aspectos gerais do contexto brasileiro, qual alternativa se coloca para a já ineficiente aposta na representação e, com ela, em uma democracia equalizadora?

Guilherme Boulos não é Lula

Lula carrega a identificação de milhares de pessoas desfavorecidas que sonham com uma ascensão de seus interesses ao centro da política. Guilherme Boulos pretende representá-los, mas não traz consigo essa identificação imediata. Afinal, cada um veio de onde veio, isso não se altera. Não basta o endereço, a dedicação, a compreensão, a luta diária. As pessoas pobres não se identificam com Guilherme Boulos, embora muitos possam admirar suas escolhas e admiti-lo como quase “um de nós”, afinal, “é nós por nós”. Muitos, mas nem de longe todos, nem mesmo a maioria. Sem identificação (Lula), sobrou para tantos a mera descrença, “o deixa como está”, não muda mesmo, ninguém tá aí de verdade pra gente.

O desafio, na impossibilidade de forjar uma identificação artificial ou um reconhecimento que consente, é ultrapassar a desgastada ideia de representação e também a identificação relativamente traída. A representação, vimos, está em crise desde que nasceu e, por isso mesmo, já não move moinhos. A identificação não é questão de opção. A aceitação do estrangeiro como “um de nós” levou tempo e dependeu de uma proximidade que demoraria ainda mais para se estender a tantos outros. Sem as três, aparentemente resta apenas a indiferença.

Ora, daí a enorme diferença que aparece quando pessoas oprimidas pela história dessa democracia restrita – como diria Florestan Fernandes – podem ser sujeitos de processos políticos concretos. Guilherme Boulos, como liderança inquestionável, não é um “igual”, não vai representá-los, mas mostrou ao longo dos anos ser o elo indispensável para a conquista de políticas públicas que viabilizem essa presença ativa das pessoas na formulação e execução de projetos na ponta – políticas vitais como moradia e alimentação. Trata-se de presença, não de participação com palpites via conselhos restritos.

Guilherme Boulos é a liderança em sentido forte. É o elo entre o poder e o povo, sem tomar o lugar de seus interesses ou falar em seu nome – é o meio que dá vazão a sua voz. Ele não é um representante do povo, deslocado entre uma vontade popular e uma atuação interessada, nem uma projeção de possibilidades por identificação com quem saiu do mesmo barco e carregou essa experiência até o mais alto espaço da política nacional, como ainda é o caso de Lula. Com o tempo, é verdade que essa identificação arrefece, já que a identificação com a ascensão possível tem uma duração no tempo e o passado mais recente vai compondo a trajetória de maneira cada vez mais definitiva.

Há um deslocamento de Lula em relação à sua trajetória, sem dúvida, ainda que muitas teses e explicações possam justificar a imagem que aos poucos foi tomando corpo no tempo que atualiza e estende sua trajetória. Digamos, pensando em um gráfico de vida, que após a subida impressionante há um longo platô que começa a confundir e distanciar o personagem do ponto zero. Já se está há mais tempo no quadro da frente ampla, dos acordos e pacificações do que no tempo da conquista de um oprimido vencedor. Ainda é o que temos de melhor.

Mas o futuro se apresenta e exige novas posições – poderá a mesma trajetória deixar o platô atual? Não sabemos. Mas sabemos que a esquerda não pode aguardar sentada e que o futuro requer transformações – avanços na forma, sem recusar o extraordinário ganho de tantos anos dedicados à política por Lula, e avanços na maneira como se torna real o sonho de um mundo melhor.

Forma e conteúdo de um projeto de país atualizado pela esquerda do século XXI

Sabemos já o que pode ser ainda de um novo modo de atuação política, que não recuse a enorme conquista de “um de nós”, mas que seja capaz de realizar a continuidade dessa conquista, pois não se pode aguardar outra exceção – e mesmo a identificação já arrefece pelo desgaste do tempo, confundindo a imagem de Lula em um “nem tanto como nós”, já que nós mesmos não chegamos lá.

Não se cria um novo Lula. O modo como uma liderança pode reestabelecer a ideia de futuro está na possibilidade de responder às expectativas (já hesitantes e descrentes) por meio de uma atuação que se sabe distinta do lulismo e que ultrapassa os limites da representação. É essa a potência de Guilherme Boulos.

Ativar e multiplicar um modelo de atividade política real por parte das pessoas pobres, organizadas em movimentos e associações ou coletivos, é uma das linhas de uma nova política, a ser formulada para que a representação inevitável do modelo de democracia atual seja um modo auxiliar. As políticas públicas de caráter associativo são exemplos de um mecanismo renovado de interação entre governo e sociedade civil, em que as pessoas podem tomar para si a tarefa de formular e executar políticas de interesse social.

Não é por acaso que esses dois exemplos, Minha Casa Minha Vida Entidades e Cozinhas Solidárias, estão presentes na coerente trajetória de Guilherme Boulos. São exemplos pontuais, um projeto renovado de país exige muito mais que isso; mas são exemplos que podem nos dar uma ideia do modo como uma liderança de esquerda atua diante de questões existenciais como falta de moradia e fome: como um elo que não se desgarra das pessoas em uma representação abstrata e não lhes retira a autonomia enquanto sujeitos de direito e de interesse em conflito com a elite política e econômica do país.

Podemos assim encontrar na própria trajetória de Guilherme Boulos – uma trajetória própria, que não é a do Lula nem outra clássica passagem à representação – indícios de uma política de esquerda reformulada, que inspire nos descrentes não apenas a vontade política de atuar, mas a possibilidade real de atuar para mudar a vida sua e de tantos outros desse “nós” que escancara nossa desigualdade.

A polarização deve ser reafirmada

Por fim, uma observação a respeito desse conflito que aos poucos esgota parte da força popular – porque lutar, quando muito se perde, cansa. O cansaço é gêmeo da descrença na política e, por vezes, da raiva contra tudo e todos (o abstrato “sistema”).

Desde a democracia grega – mais precisamente, aristotélica – a questão do “caminho do meio” obscurece a disputa e cala as perspectivas necessariamente distintas. Os sofistas que o digam.

Como disputar um projeto de país quando se reafirma diariamente que a moderação é um ideal político e social, como se o inexistente “meio termo” (ou terceira via…) fosse o bom senso ao qual todos deveriam visar? Significa, obviamente, não permitir que qualquer projeto de país, e de futuro, esteja em jogo. Não há nem mesmo jogo. Não há argumentos, convencimento. Nada.

Nesse mundo ficcional ganha força a descrença e desesperança políticas, já que não há nisso nada que possa ser nomeado política, nem democracia: estes termos implicam necessariamente visões distintas. Não se trata de alternar uma e outra, como se a alternância fosse resultar em soma zero – esse insosso lugar ao centro, moderado, inerte – já que a história social é movimento e não pode ser freada no centro neutro e perfeito do ideal platônico.

Quer dizer, o discurso repetido por analistas e mídias diversas tem como efeito a despolitização absoluta. Curiosamente, ficam perplexos diante da abstenção crescente nos sufrágios, ou na aposta em qualquer coisa que seja contra tudo o que está dado – está dada uma vida difícil demais. Como se posicionar, ter um lado, quando tudo parece ou está efetivamente misturado em frentes tão amplas que já não parecem ter fronteiras? A eleição de Eduardo Paes, por exemplo, pode ser explicada pela necessidade de evitar o bolsonarista da vez, já que bolsonarismo é igual a golpismo. Porém, o mesmo Eduardo Paes enviou secretários para sacramentar o golpe contra Dilma Rousseff. Afinal, um golpismo soft aceitamos, mas sem exageros? O que está realmente em jogo, em termos de posições e projetos?

É evidente que sim, sempre há algo pior a ser evitado, e deve ser. A frente ampla de 2022 foi fundamental. Porém, pontual. Replicar o modelo indistintamente congela a disputa, inclusive a disputa por um modelo político que situe com clareza as divergências, abrindo espaço assim para convencimentos.

O incrível é que foi preciso essa acomodação clássica – versão atualizada das conciliações e golpes que marcam nossa República desde o nascimento – para assegurar alguma democracia, realizando historicamente o tão alardeado meio termo na forma de uma frente ampla, mas analistas insistem em ver justamente aí mais um exemplo da tal polarização.

Na mesma linha, em pleno 2024, em que o PT está com Eduardo Paes, em que o PSD se divide confortavelmente entre o governo federal e o estado de São Paulo, o discurso permanece o mesmo, sendo um dos grandes responsáveis pela impossibilidade de uma polarização real a ser estabelecida.

A mídia leu 2024, particularmente em relação à prefeitura de São Paulo, como “O Brasil está farto da polarização”. Não, falta polarização! É por isso que Ricardo Nunes conseguiu que lhe vestissem com o manto (invisível, já que o rei está nu, só não vê quem não quer) da moderação. Porque falta polarização, falta identificar posições, diferenças, porque a descrença se traduz nesse tempo morno da política, no “vai assim mesmo”, no “é tudo igual”. Para alguns, se não for pra deixar como está, que se arrebente o sistema de vez – já que o sistema é visto exatamente como esses analistas desejam ver, como um mesmo inerte confundido com bom senso.

O resultado dessa confusão é que só aparece como polo – como diferença, como opção – o que estiver pretensamente fora desse campo amorfo da política comum. Assim, o chamado bolsonarismo é arrastado para além das fronteiras do sistema, embora não esteja fora dele, e Ricardo Nunes ou Tarcísio de Freitas são reconfortados no centro desse mesmo sem volume, isentados, portanto de um posicionamento preciso no campo das posições em disputa – evidentemente, bastante à direita do eixo central (sublinho, eixo em que não cabe ninguém, é apenas uma linha, não uma posição possível, como Emmanuel Macron provou). Por isso, aliás, o termo “bolsonarismo” é ruim; ele personaliza a tal ponto que protege os demais personagens da extrema direita.

Uma vez construído esse ornitorrinco, em que a polarização virou o fantasma da vez, como situar Guilherme Boulos? Ele está longe, felizmente, de ser um Eduardo Paes. Coligação, mas à esquerda. Mas como a capa do centro foi emprestada para Nunes-Tarcísio-Kassab e como não se permite distribuir ninguém em uma área real, forjando uma moderação como bloco único do que inventam ser a democracia, então só restaria uma estranha frente ampla ou o lugar de fora, de modo que os discursos empurram Guilherme Boulos para fora, acusando-o de radical (nesse caso, antidemocrático).

Contudo, assim como Jair Bolsonaro não está fora do sistema, embora queira parecer, Guilherme Boulos também não está fora, e sabe disso muito bem. Não quer estar fora, sabe que o fora não existe (pelo menos nessa quadra da história). Ele está localizado, consciente, na esquerda do eixo central, linha fina que muitos tentam insistentemente apagar.

É preciso grifá-la, em vez de apagá-la. A democracia depende de que se possa reconhecer e disputar projetos. Ela depende de polarização para que as pessoas vejam com clareza as diferenças, as possibilidades, e situem seus interesses e sonhos.

Apagar a linha da qual depende o espaço em que se organizam os elementos é o verdadeiro “fora” do sistema democrático: totalitarismo. É a indistinção, aquilo que totaliza por não conter diferença.

A polarização politiza e modifica o lugar do “centro”. A atração de eleitores de “centro” amanhã aumentará quando o meio da agenda política passar a naturalizar pautas que estão à esquerda do “centro” hoje. Isso não se faz sem disputa polarizada de ideias e sonhos. Como a história do neoliberalismo demonstra, minorias não estão fadadas a continuar sendo minorias, já que sua pauta passou de impossível a inevitável ao longo da segunda metade do século XX. Ou seja, a polarização forçou o alargamento da agenda política. Nem por isso essa nova maioria precisa permanecer como tal.

Se aquilo que pode lançar luz a esse lugar contra o qual lutamos e no qual a maioria da população não cabe é nomeá-los extremistas, como são, então o “radicalismo” poderá finalmente se apresentar como opção democrática ao que está dado e, quem sabe, acabar com a descrença que acomete a vida política.

Guilherme Boulos dá rosto à nova esquerda

Se é verdade que a nova esquerda não é uma ruptura com a esquerda que se construiu desde os anos 1980 a duras penas, é verdade também que há uma renovação se desenhando. Essa renovação significa ao mesmo tempo uma espécie de retomada, já que a própria esquerda hegemonizada historicamente pelo PT passou por suas transformações.

Ainda que com tensões, não há como negar que as conciliações, por vezes necessárias, tornaram-se armadilhas difíceis de desembaraçar. Um título reivindicado por quem assume esse novo aspecto dentro e fora do Partido dos Trabalhadores é o de progressista. O campo progressista, ou a frente ampla, como queiram, é a versão à esquerda de uma despolitização que busca ocupar todo espaço da arena democrática. O título que a direita mobiliza para essa mesma tentativa de totalização é centrão. Assim, nivela-se de um modo ou de outro uma gama de possibilidades de um espectro complexo, subvertendo suas diferenças.

A frente ampla não pode se tornar um modelo político a ser replicado indistintamente. Coligar e acordar será sempre importante, mas sem que com isso novas teias imobilizem a esquerda. Um desafio complexo, certamente, que exige uma liderança segura de seu lugar histórico, e Guilherme Boulos tem apresentado suas credenciais. Jamais recusou a posição, a polarização, e por isso a carta para o povo de São Paulo lida na última semana de campanha difere por natureza da carta ao povo brasileiro de 2002 (sem prejuízo de valor a esta última).

Os interlocutores são outros, o momento histórico é outro, e o erro de insistir em aprofundar o pedido de legitimidade na direção oposta ao povo não foi cometido. Guilherme Boulos não se dirigiu ao mercado nem à generalidade que o termo “brasileiros” sugere, embora saiba sua importância e não recuse uma política que os contemple. Afinal, nessa generalidade há uma população que é prioridade e que precisa ser alçada a sujeito de políticas concretas.

A trajetória pessoal de Guilherme Boulos, que se vincula às políticas mais concretas e nas quais o povo tem um papel ativo, e sua trajetória política, que se diferencia e se posiciona, prometem um novo patamar não apenas à esquerda, mas à própria democracia, que pode finalmente voltar a ser o campo aberto de poder em que projetos de futuro são formulados e avalizados ou não pela maior parte da população.[1]

*Monica Loyola Stival é professora de filosofia na UFSCar. Autora, entre outros livros, de Política e moral em Foucault (Edições Loyola).

Lições amargas: três explicações erradas para a derrota de Guilherme Boulos

Por VALERIO ARCARY (*)

“Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho”
(Provérbio popular chinês).

A derrota eleitoral de Guilherme Boulos em São Paulo foi a maior que a esquerda sofreu neste segundo turno. Não é fácil refletir sobre derrotas. Derrotas são tristes e dolorosas. Estamos sob o impacto emocional da amargura. Ninguém está imune, subjetivamente, da decepção e frustração. Manter a lucidez não é simples.

A derrota política foi muito dura, mas parcial. Não foi nem estratégica, nem histórica. Se enganam aqueles que sempre lhe foram hostis, tanto na esquerda mais moderada, quanto na mais radical, e já profetizam que Guilherme Boulos teria saído diminuído. Guilherme Boulos consolidou a posição de maior liderança popular e da esquerda brasileira, depois de Lula. Esta conquista desperta rancores, rivalidades e despeitos.

Guilherme Boulos liderou a campanha unificada da esquerda com uma indomável coragem, perseverança e dedicação. Foi hábil nas entrevistas agressivas, incansável nas caminhadas pela periferia, brilhante nos debates e inspirador nos comícios. Durante meses foi caluniado, pessoalmente, e difamado, politicamente. Drogado, invasor, comunista, extremista, incendiário.

Nas vésperas do primeiro e segundo turno foi vítima de crimes eleitorais sem precedentes, desde a campanha de Fernando Collor contra Lula em 1989, há trinta e cinco anos: cocainômano e apoiado PCC. Enfrentou a luta política-ideológica dificílima de cabeça erguida. Denunciou que Pablo Marçal e Ricardo Nunes eram duas faces do bolsonarismo, a corrupção no escândalo das creches e das obras sem licitação, a cumplicidade com o PCC, se posicionou contra a guerra às drogas diferenciando traficante de usuário, acusou Nunes pela privatização da Sabesp, defendeu a anulação da concessão feita à ENEL, e muito mais. A campanha cometeu erros, também, como seria inevitável, mas não é responsável fazer este debate em público no dia seguinte da apuração. Ele deve ser feito, em primeiro lugar no interior de nossas organizações.

Perdemos por uma diferença de um milhão de votos. Foi um tsunami. A questão é: por quê? Estão sendo divulgadas três explicações erradas.  A primeira é que Guilherme Boulos não devia ter sido o candidato da esquerda porque o seu perfil seria, excessivamente, radical. Foi vocalizada pelo prefeito eleito de Maricá: Quaquá é também, um dos vice-presidentes nacionais do PT.

A segunda é que a campanha teria feito um giro ao centro para reduzir a rejeição de Guilherme Boulos, e esse erro transformou a derrota eleitoral em derrota política. Foi vocalizada por Vladimir Safatle e Luís Felipe Miguel, professores universitários da USP e UNB, mas tem apoio em uma parcela da esquerda radical.

A terceira é que teria sido contaminada pela pressão do “identitarismo”, uma fórmula popularizada pelo liberalismo, uma corrente ideológica estranha à esquerda, para fazer referência às lutas dos oprimidos, em especial, as mulheres e a luta feminista, os negros e o antirracismo, e os LGBT’s e a luta anti-homofóbica, e foi vocalizada por Jesse Sousa, ex-presidente do IPEA.

Estas três explicações são falsas porque desconhecem o resultado da apuração. Um milhão de votos não são dez mil votos. Quando se perde por uma pequena diferença é razoável considerar a hipótese de que, se a representação da esquerda tivesse sido feita por outra candidatura, talvez tivesse sido possível vencer. Quando se perde por uma pequena diferença é incontornável fazer o balanço da tática eleitoral, se deveria ter sido mais radical ou mais moderada. Mas não foi o que aconteceu em São Paulo.

A desvalorização da diferença colossal não é, intelectualmente, honesta. Um milhão de votos não se anulam com táticas eleitorais. O balanço deve ser, portanto, desapaixonado. Nesta escala não importa se os programas de rádio e televisão deveriam ter sido “assim ou assado”, se o programa para saúde, educação, transportes, habitação deveriam ter sido outros. Nesta dimensão não tem palavra de ordem mágica. Não há “abracadabra”.

Marxismo não é fatalismo objetivista. Mas não é verdade que “tudo pode acontecer”. As margens do que pode ocorrer são estreita. Por isso, fazemos cálculos, às vezes acertamos, outras erramos. Desta vez erramos feio, porque subestimamos, mais uma vez, a extrema-direita. As análises que defendiam que era possível vencer repousavam em uma premissa fundamental: o fato de que em 2022, tanto Fernando Haddad quanto Lula tinham derrotado Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro na capital.

Esta análise, que quem escreve estas linhas defendeu, também, estava errada. Estas linhas são autocríticas. Não é difícil concluir que a situação evoluiu, desde 2022, para pior. Ocorreu uma mudança desfavorável na relação social e política de forças. As votações somadas de Ricardo Nunes e Pabro Marçal, no primeiro turno, foram o dobro da de Guilherme Boulos. E foi por uma estreitíssima margem que não aconteceu um segundo turno sem a presença da esquerda, pela primeira vez. Marxismo não é tampouco voluntarismo subjetivista. Há uma beleza “poética” na aposta de que nossa militância pode reverter situações adversas. Mas voluntarismo tem limites.

Na verdade, o que o desenlace da apuração revelou foi que não era possível vencer, em função da dura relação social e política de forças. Esta avaliação não interdita, evidentemente, o debate das táticas eleitorais. Mas desaconselha quem quiser insistir que foi o candidato ou a linha de campanha que explicam a derrota.  Quem defende que a esquerda deveria ter apoiado Tabata Amaral está repetindo a hipótese imaginária de que Ciro Gomes poderia ter derrotado Jair Bolsonaro em 2018, se o PT não tivesse lançado Fernando Haddad e o PSol apoiado Guilherme Boulos, um contra factual absurdo.

Quem se alinha com as posições mais esquerdistas tem todo o direito de criticar que a campanha teria sido lulista demais, ou seja, alinhada com uma defesa do governo federal. Mas essa crítica não autoriza concluir que, se Boulos tivesse sido candidato sem a coligação com o PT, repetindo 2020, teria tido mais votos. Ao contrário, o que o desfecho eleitoral provou é que teria menos votos. Quem denuncia o “identitarismo” desconsidera que sem o apoio das mulheres, negros e LGBT’s teríamos tido muito menos votos. É verdade que a campanha teve muito mais recursos do que em 2020, e obteve uma votação semelhante. Sim, mas este argumento só reforça que a situação objetiva é muito pior.

A derrota da esquerda se explica por muitos fatores, mas repousa, essencialmente, em fatores objetivos e subjetivos. Os dois principais fatores objetivos são: (a) que a vida não melhorou depois de um ano e meio de governo Lula, apesar do crescimento, redução do desemprego, aumento do consumo e controle da inflação, porque foram melhorias insuficientes; (b) que a maioria dos mais pobres mantém algum grau, embora menor, de lealdade política ao lulismo, mas uma parcela da classe trabalhadora rompeu com a esquerda. É entre os remediados que o bolsonarismo criou raízes.

O que nos remete ao principal fator subjetivo. O governo Lula não faz a luta política-ideológica no patamar que a conjuntura exige. A extrema direita é o movimento mais dinâmico, mais ativista, mais ideológico na sociedade. Pablo Marçal é mais uma demonstração desta implantação. Sua influência vai além do um terço da população que lhes entrega o voto, porque conquistou hegemonia política. Entre os trabalhadores de renda média e esta pequena burguesia em formação está a audiência da extrema-direita. Têm escolaridade baixa ou, na melhor das hipóteses, média, e são remediados que estão em luta implacável pela ascensão social e respondem à agitação do bolsonarismo pela militarização da segurança e pela redução dos impostos.

As igrejas pentecostais ocupam um lugar insubstituível na organização deste movimento. São hostis ao feminismo, à luta antirracista, são homofóbicos e anti-ambientalistas. Estamos diante de um anticomunismo “popular”. Esta derrota não selou o destino do governo Lula. Ainda há tempo para reverter os danos, mas somente se houver lucidez de que a situação é de alerta vermelho. O alerta amarelo ficou para trás, é muito sério.

(*) Valerio Arcary é professor de história aposentado do IFSP. Autor, entre outros livros, de Ninguém disse que seria fácil (Boitempo). [https://amzn.to/3OWSRAc]

Participe do Sarau do PPGCTS

O Sarau do PPGCTS – Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos/UFSCar – é uma iniciativa coletiva, docente e discente, além de contar com estudantes que almejam ingressar no programa de ensino, pesquisa e difusão científica.

SARAU DO PPGCTS

Vinício Carrilho Martinez (Dr.) – PPGCTS/UFSCar

Avaetê de Lunetta e Rodrigues Guerra – Aluno especial PPGCTS/UFSCar

 

            O Sarau do PPGCTS – Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos/UFSCar – é uma iniciativa coletiva, docente e discente, além de contar com estudantes que almejam ingressar no programa de ensino, pesquisa e difusão científica.

A iniciativa é de um grupo de pessoas que participam de uma disciplina do referido programa, agora também vinculados num grupo de WhatsApp. Motivadas por um edital da UFSCar – “Extensão na Pós-graduação” – as pessoas construíram um projeto a ser articulado com outros programas da universidade e, em seguida, surgiu a ideia de que seria possível já iniciarem algumas atividades de extensão: o Sarau é uma delas. Publicações científicas com linguagem acessível seria outra.

O Sarau tem como objetivo proporcionar um espaço para que os participantes compartilhem suas pesquisas, recebam feedbacks e sugestões de melhorias, além de estabelecerem contatos e parcerias com outros colegas e pesquisadores. Dessa forma, contribui para o desenvolvimento acadêmico e profissional dos estudantes do programa. Além disso, o Sarau do PPGCTS também promove a integração entre os membros da comunidade acadêmica, estimulando a troca de experiências e o debate de ideias. Através das apresentações e discussões realizadas durante o projeto, os participantes têm a oportunidade de ampliar seus conhecimentos, aprimorar suas habilidades de comunicação e fortalecer sua rede de contatos no meio acadêmico.

A realização do Sarau do PPGCTS demonstra o comprometimento dos envolvidos com a formação acadêmica e intelectual, bem como com a promoção de um ambiente colaborativo e estimulante para o desenvolvimento de estudos e pesquisas na área de ciência, tecnologia e sociedade.

Ao realizar projetos de pesquisa como este, os discentes têm a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo de sua formação acadêmica. Além disso, a realização de projetos permite que os pesquisadores desenvolvam habilidades de análise crítica, interpretação de dados e elaboração de relatórios científicos, competências essenciais para atuarem no mercado de trabalho acadêmico e científico.

Os projetos de pesquisa no PPGCTS contribuem para a difusão do conhecimento científico. Com a elaboração de artigos científicos, apresentações em congressos e seminários, os estudantes têm a oportunidade de compartilhar suas descobertas e contribuições para a comunidade acadêmica. A realização do Sarau também é importante para fomentar a interdisciplinaridade e a colaboração entre diferentes áreas do conhecimento, ao trabalhar em projetos multidisciplinares, os estudantes têm a oportunidade de ampliar sua visão sobre determinado tema e enriquecer suas pesquisas com diferentes perspectivas e abordagens.

É mais uma iniciativa do PPGCTS que visa a inclusão, a divulgação, a popularização da Ciência, do conhecimento, do “saber-fazer” – como vemos desde a Grécia antiga, sob a unificação de saberes que se traduzem em práticas inovadoras, inquietantes, transformadoras da sociedade e das pessoas. Pensando-se ainda que, conceitualmente, define-se enquanto práxis, numa relação estável, organizada e orgânica entre reflexão e ação.

Dessa perspectiva da Ciência, não há muitas dúvidas em relação ao objetivo do Sarau do PPGCTS, uma vez que serão apresentados pensamentos, temas, intersecções problematizadoras, atuais e, acima de tudo críticas, pois, parte-se da premissa de que “sem crítica, não há Ciência”.

Pedagogicamente, podemos nos valer de uma das mais notáveis prescrições de Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira, quando nos avisa que: “Ensinar exige rigorosidade metódica”.

VÍDEO – Bolsonaro especula morte de Nunes para “seu candidato” assumir em SP

Em apoio contrariado a Ricardo Nunes (MDB) para a Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já especula sobre sua morte para que o cargo seja herdado pelo coronel Ricardo Mello Araújo (PL), que ingressou na chapa do prefeito como exigência do Partido Liberal para declarar apoio à campanha pela reeleição.

“Em São Paulo tem o nosso candidato a prefeito. Tem o meu vice”, iniciou Bolsonaro em uma live, reforçando que Mello Araújo é o nome em que ele confia “100%”. “Lembro que o Nunes era vice, mas teve aquela tragédia com o prefeito na época, o Bruno Covas (PSDB), e o Nunes assumiu”, relembrou a a chegada ao poder do vice-prefeito após a morte de Covas em maio de 2021, com apenas 5 meses no segundo mandato.

“Ninguém quer que o Nunes seja eleito, para ir para outra lá [em referência a morte] e deixar para o Mello Araújo. Agora o Mello Araújo não vai ser o vice que vai atrapalhar o prefeito”, disse em argumento de que o coronel não exerça um mandato decorativo, como o emedebista foi acusado de exercer até o fim de 2023.

Por fim, Bolsonaro defendeu que o voto na chapa de extrema-direita seja um meio para “evitar que o PT chegue ao poder” na capital Paulista. Veja o trecho exibido na live do programa de Reinaldo Azevedo, na BandNews.

Com um histórico criminoso na Polícia Militar, e investigado oito vezes por homicídio, o bolsonarista indicado para a chapa de Nunes disse, em entrevista à Folha, que nunca se preocupou em contar o número de mortes causadas durante sua carreira. Segundo o candidato a vice-prefeito, ele perdeu as contas de quantas “baixas” executou durante os 32 anos na PM.

Em um dos casos, ocorrido no ABC Paulista, Mello Araújo relatou que perseguiu um suspeito que havia estuprado uma mulher e se escondido em um esgoto. Após uma troca de tiros, o suspeito morreu. Ele destacou que a troca de tiros foi inevitável e que seguiu todos os procedimentos previstos em situações de confronto. O caso foi arquivado.

Apesar das mortes, a polêmica famosa do militar é a defesa de que a PM tenha duas formas de agir dentro da capital. Em entrevista à Rede TVT, em 2017, ele argumentou que é certo que as abordagens dos PMs sejam diferentes nas regiões mais nobres da cidade em relação aos procedimentos nas periferias.

“É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins [região nobre de São Paulo], ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado”, disse.

Bom lembrar que. nos seus tempos de deputado, Bolsonaro disse que, como militar, sua especialidade era matar. Também convém ressaltar a presença, em seu ambiente íntimo, de gente que defende e pratica crimes, como ex-policiais e até detentores de mandados populares como é o caso dos que celebram até hoje o assassinato de Marielle.

No debate entre Nunes e Guilherme Boulos (PSOL), realizado pela Record e Estadão no último sábado (19), o deputado federal questionou o prefeito se ele concorda com essa declaração de Mello Araújo. Embora não tenha fugido do debate, o candidato bolsonarista fugiu da resposta e não expôs o que pensa a respeito da postura da PM em diferentes bairros de São Paulo.

Fonte DCM

A VIDA TEM LINDEZAS

 

Até numa música de uma letra só.

Eu estava em paz,
– quando você chegou

Amou

Deixou em mim
Deixou-se em mim

Se eu tocasse,
– tocaria você agora

Se eu cantasse,
– encantaria o futuro

Fiz cara de sonho
– nem dormi
– dormi só pra acordar

Fiz muita cara de sonho

Queria te acordar
– todo dia

Eu estava em paz
Você chegou
– trouxe você como sonho
– nunca mais acordei

Foi cruel
Só sonhei que beijava
– mas eu só amava

Você era foda
Não precisava dizer
– “me adora”

“Será que preciso enlouquecer”?

Ou só dizer ao universo:
….” devo sorrir” …

Ou sumir, toda vez que sonhar

Todo mundo tem que ir
Pra poder voltar

Vinício Carrilho Martinez

Bozo não é um mito

Por Vinício Carrilho Martinez

Lucas Gama

Definitivamente, Bozo não é um mito!!!

Na mais inofensiva das possibilidades, Bozo é apenas sinônimo de anticlímax.

Bozo já foi um personagem circense; porém, coitado do personagem, nada tem a ver com esse mito caído que a extrema direta inventou (fazendo uso extensivo do chapéu de alumínio).

Pois bem, comecemos nosso argumento pelo resumo, e que também é a nossa conclusão:

  • Fábula[1] é mentira (invenção) ou imaginação prolongada, mesmo que termine com uma mensagem moral.
  • Mito é a busca de uma explicação racional para a sobrevivência coletiva.

 

Portanto, Bozo não é um mito. É a negação da ideia de mito.

Ao que seguimos com uma tentativa de explicação do porquê Bozo não ser mito nenhum, apenas uma mentira da “familícia brasileira”: que é próspera com o fanatismo e o oportunismo (sempre corrupto).

Vejamos um argumento racional contra a falácia:

  • Nesse caso, no caso do mito, a origem de tudo é a racionalidade – de qualquer mito que preze seu pseudônimo.

 

Por exemplo, o mito (Mito do rio Estige, contado por Bacon)[2] figura como busca racional pela sobrevivência, sem que se utilize de demonstrações claramente racionais (caso da alegoria da caverna) e com apelo ao fantástico, uma unidade que pode estar forjada na mentira (o nazismo se apropriando do “Mito de Arminio”) ou no suposto mito do Bozo no Brasil: o mito caído do Bozo se locupleta não com o fantástico, mas sim com o fanático-fantasmagórico[3].

Além disso, o mito construído (coletivamente) sob uma realidade (a sobrevivência) nos permite concluir que “apenas sob efeito de alguma fábula grotesca” – desconexa do mundo real – alguém poderia pensar que “a extrema direita politizou as massas”.

Para sermos mais justos conceitualmente, a extrema direita não alimentou um mito, muito menos uma alegoria (sair da caverna em busca de conhecimentos – como é o caso do fundador Mito de Prometeu):

PROMETEU

Ouvi, porém, as desgraças dos mortais e como eles eram pueris antes de eu os tornar inteligentes e senhores da razão […] A princípio, quando viam, viam falsidades; quando ouviam, não entendiam; e, como as formas dos sonhos, misturavam tudo ao acaso, durante a longa existência; e não sabiam construir casas soalheiras de tijolo, nem sabiam trabalhar a madeira; viviam em antros subterrâneos, como as formigas ligeiras, nas profundidades sem sol das cavernas. E não tinham indício seguro do Inverno, nem da florida Primavera, nem do fecundo Verão; mas faziam tudo sem discernimento, até eu lhes ensinar o enigmático nascer e ocaso dos astros. Também descobri por eles os números, a principal das invenções engenhosas, e a combinação das letras, memória de tudo quanto existe, obreira mãe das musas. E fui o primeiro a por sob jugo os animais[4], submetendo-os ao cabresto ou aos corpos dos homens, para que sucedessem aos mortais nos trabalhos mais pesados, e atrelei aos carros cavalos dóceis, ordenamento de luxo excessivo. E nenhum outro senão eu inventou para os marinheiros os navios de asas de linho[5], que vogam pelo mar. E eu, que descobri tudo isto para os mortais — infeliz — não tenho maneira de me libertar do sofrimento presente

(Ésquilo, 2001, p. 54).

 

Prometeu nos deu a chave da compreensão do mundo, o conhecimento de tudo que era essencial à sobrevivência[6]. Todavia, em efetivo antagonismo ao Mito de Prometeu (em total exclusão epistemológica), a nossa extrema direita contou só uma historinha (conto de fábulas para crianças bem miúdas) em que o Banquete dos Deuses (a Política) não significa nada, zero à esquerda – literalmente.

Ou seja, a extrema direita contou uma historinha e o guru dormiu com ela, como um gurí animado.

O que ainda permite concluir: na vida adulta, séria, não acredite em fábulas, gurus, guris lacradores.

Pense nos bons mitos, deixe a letargia das mentiras – à esquerda e à direita.

Por isso, tanto a apropriação do Mito de Ermínio pelos nazistas (unidade e espaço vital) ou o “mito” criado pela extrema direita para o Bozo, sequer são fábulas (não tem cunho moral, só imoral). São falácias, mentiras grosserias.

 

Referências

 

BACON, Francis. A sabedoria dos antigos. São Paulo : Editora da UNESP, 2002.

 

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro, Lexikon, 2010.

 

ÉSQUILO. Prometeu Agrilhoado. Lisboa: Edições 70, 2001.

 

KAFKA, Franz. Narrativas do Espólio. São Paulo: Companhia das Letras, 2002b.

 

[1] “tipo de narração alegórica […] confabulação […] fabulista” (Cunha, 2010, p. 283 – grifo nosso). Como se vê em nossa história muito recente, é por demais óbvio que, Bozo não é fabuloso, é um fabulista, encantador de incautos e reféns da história da carochinha que os aprisiona em sua estultice.

[2] Assim nos relatava um dos mais brilhantes pensadores do Renascimento, Francis Bacon (1561-1626), citando Ifícrates quando este sintetizou os principais requisitos da independência e do equilíbrio de poder essenciais às relações entre o Poder Central e os Estados soberanos: “Uma só garantia entre nós, um só compromisso: provai que pusestes tanto em nossas mãos que não podereis prejudicar-nos ainda que o quiserdes”. De fato, quando os meios de lesar são removidos ou quando uma ruptura de tratado poria em risco a existência e a integridade do Estado e dos recursos, o pacto pode ser considerado ratificado, sancionado e confirmado como que pelo juramento do Estige: há então perigo de ser-se expelido dos banquetes dos deuses. Com esse nome os antigos significavam os direitos, prerrogativas, riqueza e felicidade do Estado” (Bacon, 2002, p. 30-31 – grifo nosso). Como se sabe, de cor e salteado, tudo o que Bozo não fez foi zelar pelo Poder Público.

[3] Em Kafka (2002) há uma metamorfose como sinal de fantasmagoria, como desfiguração da normalidade diante do entorno que o autor vivia (e de sua psique), como prenúncio do proto-fascismo, a marca clássica da Modernidade Tardia (o símbolo é Auschwitz). O mito caído do bozo nada fez, além de quebrar as instituições formais do Estado de Direito, como ausência de representação  regular.

[4] A primeira indicação de animais domesticados foi encontrada em Jericó, na Palestina: cães, cabras e grandes felinos eram mantidos como animais de estimação. É até comum encontrar leopardos domésticos em pinturas egípcias antigas, mas o mais famoso era o gato.

[5] Devem ser as velas.

[6] Neste sentido, Prometeu aqui será considerado como a simbologia do Homo faber.

Coluna Zona Franca Especial

Por Roberto Kuppê (*)

Lula recebe banqueiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá hoje, quarta-feira (16), às 11h30, no Palácio do Planalto, com os principais líderes do setor financeiro brasileiro. Entre os presentes estarão Luiz Carlos Trabucco, chairman do Bradesco e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, presidente-executivo da Febraban, Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, André Esteves, chairman do BTG Pactual, Mario Leão, presidente do Santander, e Alberto Monteiro, presidente do Safra. A equipe econômica do governo também participará, com destaque para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central.

Lula recebe banqueiros 2

Esse encontro marcará uma importante demonstração de apoio do setor financeiro ao governo Lula 3, num momento em que o país atravessa uma recuperação econômica acima da média. Os banqueiros deverão elogiar a gestão econômica do governo, especialmente o desempenho da equipe de Haddad, que tem sido fundamental para a promoção de um crescimento sustentável, com uma taxa acima de 3%, além das expectativas iniciais do mercado financeiro.

Perigo

O laboratório Patologia Clínica Doutor Saleme (PCS Saleme), responsável por erros em testes de HIV,  foi contratado para fazer 1,7 milhão de exames em 18 unidades da rede pública ao longo de quase dois anos, conforme levantamento do Globo. A empresa foi fechada após seis pacientes transplantados terem sido infectados com HIV devido a erros na sorologia.

Debates  SP

Primeiro debate do 2º turno de SP tem foco no apagão, além de ataques, exposição de biografias dos candidatos e vices e até abraço | Eleições 2024 em São Paulo | G1O jornal Folha de S. Folha, o portal UOL e a emissora RedeTV! realizam nesta quinta-feira, 17, às 10h20, o segundo debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Tanto o atual prefeito, como o deputado federal, confirmaram presença no evento que terá transmissão ao vivo no sites, no canal do Youtube e redes sociais do pool de veículos e no canal aberto na televisão da RedeTV!.

Debates  SP 2

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e textoHá ainda mais três encontros previstos além do debate nesta quinta. O SBT, inicialmente, faria um debate no dia seguinte, na sexta, 18, mas a emissora ainda não confirmou. Se confirmado, deverá ocorrer às 11h30. Para o sábado, a Record TV e o jornal O Estado de S. Paulo também organizam um debate entre os candidatos. A TV Globo encerra o ciclo de debates na sexta, 25, na antevéspera do segundo turno. Nunes e Boulos já confirmaram presença no encontro da emissora carioca que, tradicionalmente, é o último antes da votação e visto como muito importante para as campanhas.

Debates  SP 3

Calendário de debates do segundo turno:
Folha/UOL/RedeTV!: 17 de outubro, às 9h30
SBT: 18 de outubro, às 11h30
Record TV/Estadão: 19 de outubro, às 21h
TV Globo: 25 de outubro, às 22h

Contagem regressiva

Faltando 11 dias para o segundo turno das eleições para prefeito de Porto Velho, os candidatos Mariana Carvalho (UB) e Léo Moraes (Podemos) se enfrentarão em três debates. Amanhã, quinta-feira, 17, às 18h30, a TV Norte (SBT) realizará o primeiro debate do segundo turno. No sábado, 19, o debate será na SICTV, às 19h40. No dia 25, acontece o último e decisivo debate, na Rede Amazônica/Globo, às 21h.

Cremero

O Cremero realizará um bate-papo com os candidatos à prefeitura de Porto Velho sobre as propostas para o setor da saúde na capital, com a presença de os médicos. O encontro acontecerá de forma presencial.  Leo Moraes (Podemos), hoje, 16/10, às 19h; Mariana Carvalho (União Brasil), dia 21/10 às 19h. Local: Auditório do Cremero, na avenida dos Imigrantes, 3414. Além do Cremero, Mariana participa também neste dia de palestra no Sindur às 15 horas.

Jovem eleitor

O número de jovens eleitoras e eleitores cresceu significativamente em 2024. Com um aumento de 78% no alistamento eleitoral desse público em comparação a 2020, mais de 1,8 milhão de pessoas de 16 e 17 anos estarão aptas a votar facultativamente no pleito de outubro em todo o Brasil. A faixa etária de 18 a 24 anos soma 18,3 milhões de votantes, reforçando a possibilidade de uma grande participação do público jovem nas eleições deste ano.

Pesquisas

Nesta reta final de campanha, olho vivo nas pesquisas. Algumas são sérias, outras nem tanto. Lembrando que as pesquisas podem refletir a realidade ou não. Algumas acertam, outras erram feio. Em Porto Velho, desde ontem novas sondagens estão sendo divulgadas. Uma delas, mostra o candidato Léo Moraes à frente. Em outra pesquisa, Mariana Carvalho liderando o segundo turno. Haja coração.

Pesquisas 2

O fato é que segundo turno é outra eleição. A coluna reserva o direito de dizer que o jogo sucessório em Porto Velho está rigorosamente empatado. O vencedor o será por uma margem apertada. Ambos os candidatos estão desenvolvendo um ritmo forte nas respectivas campanhas. O eleitor indeciso deverá assistir aos debates e tirar suas conclusões. É salutar um segundo turno com dois candidatos competitivos.

Olavo Pires

Assassinato de Olavo Pires completa hoje 33 anos sem se saber quem mandou matar | Mais ROHá 34 anos morria o senador Olavo Pires (PTB-RO). Ele foi brutalmente metralhado quando se preparava para disputar o segundo turno para o governo de Rondônia, em 16 de outubro de 1990. Todos os anos este articulista lembra a data porque trabalhou na campanha do senador. Foi uma terça-feira muito triste para a democracia que acabava de voltar ao Brasil. Seria o segundo governador eleito por via direta. O primeiro foi Jerônimo Santana.

Inelegível até 2034

O ex-governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP-RO), teve recurso negado pelo pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia, em agravo movido contra o Ministério Público do Estado e o Município de Rolim de Moura. Por unanimidade foi mantida a sentença que condenou Cassol à perda dos direitos políticos, pagamento de multa, proibição de contratar com o Poder Público e receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.  O acórdão foi publicado no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça de Rondônia da última sexta-feira (11), mas nos meios jurídicos já se sabia há algum tempo que o ex-governador tinha sido condenado e que não poderá ser candidato até 2034.

Marcos Rocha

Pode ser uma imagem de 2 pessoasPor outro lado, nesta terça-feira, 15, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter os mandatos do governador de Rondônia, Marcos Rocha (UB), e seu vice, Sérgio Gonçalves (UB). O julgamento analisou o recurso do Partido Liberal (PL), que contestava a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) que já havia descartado a acusação feita pelo PL.

Marcos Rocha 2

O partido liderado pelo senador Marcos Rogério, candidato ao governo derrotado nas urnas em 2022, acusava Rocha e Gonçalves de abuso de poder político, citando a extinção da Estação Ecológica Soldado da Borracha e a redução do ICMS sobre a energia elétrica, além do suposto uso de servidores públicos em campanha. No entanto, o TSE considerou que as provas apresentadas não eram suficientemente fortes para comprovar as alegações, tampouco demonstravam gravidade que justificasse a cassação. A decisão representa uma vitória significativa para o governador Marcos Rocha, que segue no comando do estado de Rondônia, amparado pela validação de sua conduta durante o período eleitoral.

Licitação suspensa

Imagem de CapaO processo licitatório para a construção da Ponte Internacional Rio Mamoré, que conectará Guajará-Mirim (RO) ao território boliviano de Guayaramerín, foi temporariamente suspenso pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 11 de outubro de 2024, interrompe o andamento de um edital lançado em 16 de novembro de 2023.  A obra, estimada em R$ 430 milhões, está inserida no Regime Diferenciado de Contratações (RDC) e envolve a elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução de todas as operações necessárias para a construção da ponte, que faz parte da BR-425/RO. O projeto visa melhorar a infraestrutura local, com a construção de acessos e um complexo de fronteira, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da região.

Licitação suspensa 2

A interrupção temporária ocorre enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa um pedido de embargo feito por uma empresa desclassificada do processo licitatório. De acordo com o DNIT, a empresa foi eliminada por não comprovar a execução de pelo menos uma obra de ponte em seu portfólio. No entanto, a empresa recorreu, argumentando que possui a experiência exigida e que o DNIT extrapolou os requisitos estabelecidos no edital.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  rk@maisro.com.br

Polícia mata dois sem-terra e movimentos denunciam execuções e tortura contra acampamento no Pará

Após ação, acampados na Fazenda Mutamba, em Marabá, estão em barracão coletivo, sob rasante de helicóptero da polícia

Policiais civis da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Marabá assassinaram dois trabalhadores sem terra no acampamento da Associação Rural Terra Prometida, na última sexta-feira (11), no Pará. Outros quatro foram presos e, segundo os acampados, torturados por horas.

Desde então, as cerca de 200 pessoas que ocupam a área em disputa – localizada na Fazenda Mutamba, da família Mutran – estão agrupadas em um barracão coletivo. Afirmam que um helicóptero da polícia sobrevoa e dá rasantes, todos os dias, no local.

Os sem-terra denunciam que a operação policial Fortis Status (Estado forte, em latim), comandada pelo delegado Antônio Mororó, deixou feridos. Há pessoas com tiro na mão, na perna e com a costela quebrada.

A Polícia Civil do Pará informa que a operação tinha o objetivo de cumprir três mandados de prisão e 18 de busca e apreensão por denúncias de furto, extração de madeira, associação criminosa, tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e queimadas irregulares. Nenhum dos presos ou dos mortos, no entanto, era alvo dos mandados.

Os assassinados são Edson Silva e Silva e Adão Rodrigues de Sousa. Este último deixou cinco filhos e, de acordo testemunhas, foi executado enquanto dormia na rede. A polícia alega que houve confronto.

O acampamento tem organização independente, mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pará é uma das entidades que vem dando suporte ao coletivo. Polly Soares, da direção estadual do MST, esteve no território no sábado (12), horas depois do ataque. “As famílias estão lá, sofrendo violência e intimidação todos os dias”, descreve. “A gente presenciou o voo rasante do helicóptero, com policiais dentro apontando armas”, conta Soares.


Sem-terra registram estar sendo rodeados por helicóptero em voo baixo / Acampamento Terra Prometida

O que aconteceu, segundo movimentos

Nesta segunda-feira (14), o MST, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), e o Instituto José Cláudio e Maria (IZM) e outras entidades soltaram uma nota em que, a partir dos relatos dos acampados, reconstituem o episódio.

Segundo o documento, cerca de 16 trabalhadores dormiam e dois preparavam o café em um barracão coletivo quando, por volta das 4h da manhã de sexta (11), foram surpreendidos por policiais gritando “perdeu, perdeu” e atirando. “No desespero e na escuridão cada um tentou escapar como pôde dos tiros. O resultado foram dois mortos, vários feridos a bala e quatro presos”, diz a nota.

“O discurso divulgado pelo delegado Mororó e incorporado pelo Secretário de Segurança Pública do Estado”, diz o texto, se referindo a Ualame Machado, do governo de Helder Barbalho (MDB), “é que se tratava de uma organização criminosa fortemente armada, envolvida em venda ilegal de madeira, roubo de gado e outros crimes”.

“O resultado da operação que envolveu dezenas de policiais, várias viaturas, dois helicópteros, foi a apreensão apenas de 7 espingardas cartucheiras e algumas munições. Nenhuma arma pesada, nenhuma motosserra, nenhum caminhão de madeira, nenhum gado roubado, nada mais”, segue o texto, assinado também pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos. “A operação, nessa perspectiva, foi uma farsa”, concluem as entidades.

“Os trabalhadores não morreram em confronto, essa versão é inventada”, salienta Polly Soares. “Não existe confronto quando a pessoa está dormindo e é surpreendida por rajada de bala. A tese do confronto é mentirosa, é para criminalizar os trabalhadores”, diz a dirigente do MST.

“O delegado titular da Deca, Antônio Mororó, esteve presente nas torturas e nos assassinatos. A gente pede que ele seja afastado. Este homem não tem condição nenhuma de permanecer à frente da delegacia. E a gente acredita que a permanência dele vai prejudicar as investigações. Como é que a polícia vai investigar a polícia?”, questiona Polly.

Brasil de Fato pediu um posicionamento da Polícia Civil do Pará sobre as denúncias, mas não teve resposta até o fechamento desta matéria. Caso haja retorno, o texto será atualizado.

Despejo suspenso temporariamente

A área de 12.229 hectares da Fazenda Mutamba, localizada na área rural da cidade de Marabá, tem três ocupações de famílias sem terra. O núcleo alvo da operação policial está a cerca de 500 metros da sede da propriedade da família Mutran e não foram despejadas por pouco.

Em março, a reintegração de posse foi decretada pelo juiz Amarildo José Mazutti, da Vara Agrária de Marabá. Em maio, no entanto, foi suspensa temporariamente em maio pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

Em sua decisão, Zanin reforça a obrigatoriedade de serem cumpridas as medidas que, segundo a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, devem anteceder remoções forçadas. Entre elas, inspeções judiciais no território e que o caso seja debatido em uma comissão de conflito fundiário no Tribunal de Justiça.

Fazenda com histórico de trabalho escravo

Situada no sudeste do Pará, a fazenda Mutamba integra uma “região de histórico de conflito agrário e trabalho forçado”, contextualiza a deputada estadual paraense Lívia Duarte (Psol), que acompanha o episódio. A parlamentar encaminhou as denúncias de execução e tortura às secretarias de Segurança e de Direitos Humanos do Pará.

“A área não fica longe da curva do S”, ilustra, se referindo ao palco do Massacre de Eldorado do Carajás. “É uma região, por exemplo, onde a minha família, meu avô, meu pai, foram submetidos a trabalho escravo por toda a vida”, conta Duarte.

A Fazenda Mutamba, assentada sobre um antigo castanhal desmatado para dar lugar à pastagem, foi flagrada com trabalho escravo em agosto de 2002. Na ocasião, 25 trabalhadores foram resgatados. Dois anos depois, a empresa Jorge Mutran Exportação e Importação Ltda entrou na “lista suja” do trabalho escravo e teve de pagar uma multa de R$ 1,3 milhão ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Brasil de Fato

Lula recebe nesta quarta-feira os maiores banqueiros do País

Setor financeiro irá reconhecer méritos do governo Lula 3 e apontar os caminhos para a volta do grau de investimento com um Pacto pela Estabilidade Fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá nesta quarta-feira (16), às 11h30, no Palácio do Planalto, com os principais líderes do setor financeiro brasileiro. Entre os presentes estarão Luiz Carlos Trabucco, chairman do Bradesco e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, presidente-executivo da Febraban, Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, André Esteves, chairman do BTG Pactual, Mario Leão, presidente do Santander, e Alberto Monteiro, presidente do Safra. A equipe econômica do governo também participará, com destaque para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central.

Esse encontro marcará uma importante demonstração de apoio do setor financeiro ao governo Lula 3, num momento em que o país atravessa uma recuperação econômica acima da média. Os banqueiros deverão elogiar a gestão econômica do governo, especialmente o desempenho da equipe de Haddad, que tem sido fundamental para a promoção de um crescimento sustentável, com uma taxa acima de 3%, além das expectativas iniciais do mercado financeiro.

Reconhecimento ao governo Lula e pacto pela estabilidade fiscal – Durante a reunião, os banqueiros irão destacar o mérito do governo Lula 3 em promover um crescimento econômico robusto, mesmo em um cenário global de incertezas. O setor financeiro também deve expressar confiança no trabalho de Fernando Haddad, que tem demonstrado habilidade em lidar com os desafios fiscais e em articular soluções que preservem o equilíbrio das contas públicas sem comprometer o desenvolvimento econômico.

Outro ponto alto do encontro será a manifestação de apoio dos banqueiros à presidência de Gabriel Galípolo no Banco Central, sucessor de Roberto Campos Neto. Galípolo, que traz consigo a confiança do mercado, será visto como um nome capaz de manter o diálogo entre governo e setor financeiro em harmonia, com foco na estabilidade monetária e fiscal.

Além dos elogios, os banqueiros irão propor um “Pacto pela Estabilidade Fiscal”, que visa consolidar as diretrizes de controle fiscal em linha com as ideias defendidas por Haddad com seu “arcabouço fiscal”. O pacto, sugerido como uma forma de garantir o retorno do grau de investimento ao Brasil, envolve compromissos com a sustentabilidade das contas públicas e medidas para reequilibrar receitas e despesas governamentais.

Esse caminho é considerado crucial pelo setor financeiro para que o Brasil recupere o grau de investimento, perdido em governos anteriores, mas que foi uma conquista marcante durante o segundo mandato de Lula. O pacto também visa fortalecer o arcabouço fiscal recém-aprovado, impedindo que as despesas cresçam descontroladamente e comprometam o desempenho econômico do país.

Desafios fiscais e o papel do governo – Em entrevista recente à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro Fernando Haddad destacou os desafios que o governo Lula enfrenta no controle dos gastos públicos. Segundo ele, há uma necessidade urgente de enfrentar as despesas estruturais que têm pressionado a dívida pública. Embora as receitas do governo tenham aumentado, os gastos cresceram de forma desproporcional, especialmente desde 2015.

Haddad explicou que o governo já tomou medidas importantes para reduzir o déficit fiscal, como o estabelecimento de um teto para o crescimento das despesas e a eliminação de isenções fiscais injustificadas. No entanto, ele alerta que ainda há muito a ser feito para garantir que a dívida pública não se torne insustentável a médio e longo prazo.

O ministro também sublinhou que o ajuste fiscal proposto pelo governo visa evitar o agravamento da pobreza, como ocorreu na Argentina, ao adotar políticas de cortes abruptos. Para Haddad, o crescimento econômico aliado a um controle responsável da inflação é o caminho mais seguro para proteger os mais pobres e garantir a estabilidade.

Brasil 247

Debate Band: Boulos massacra Nunes no X (ex-Twitter): 62,8% a 28,6%, segundo o DataFórum

Publicações sobre Boulos tiveram muito mais engajamento que as relacionadas a Nunes, mostrando que a extrema direita, assim como o prefeito, ficou acuada; confira a análise

Estudo do DataFórum, plataforma de análise de dados da Revista Fórum, revela que Guilherme Boulos (PSOL) superou amplamente o atual prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), em engajamento no X (antigo Twitter) durante o primeiro debate do segundo turno das eleições, promovido pela Band na noite desta segunda-feira (14).

A análise mostra que o compartilhamento de postagens favoráveis a Boulos, impulsionado por apoiadores da esquerda, foi significativamente superior ao de conteúdos relacionados a Nunes, promovidos pela direita e extrema-direita.

Entre 22h de segunda-feira e 00h30 de terça-feira, período que compreendeu a exibição do debate, as republicações da esquerda envolvendo o nome de Boulos representaram 62,81% do total analisado, enquanto o compartilhamento de postagens da direita relacionadas a Nunes somou apenas 28,66% do fluxo monitorado pelo DataFórum.

Boulos lidera em engajamento no X (antigo Twitter) durante debate com Nunes na Band (Fonte: DataFórum)

Isso indica que, nas redes sociais, Boulos saiu vitorioso. A análise também destaca que a postura acuada de Nunes no debate refletiu-se no X, uma vez que a direita, que dominou a plataforma no primeiro turno, viu sua presença ser ofuscada pelos apoiadores do candidato do PSOL.

Edgard Piccino, ouvidor e analista de dados da Revista Fórum, explica o fenômeno observado pelo DataFórum.

“O bom desempenho do Boulos no debate foi confirmado no Twitter, que repercutiu as publicações do candidato e de outros influenciadores do campo progressista. Repetindo a postura do Nunes no debate, a extrema direita ficou acuada, sem conseguir gerar seu costumeiro engajamento, mesmo após ter dominado a plataforma durante o tempo em que ela ficou bloqueada no Brasil”, pontua Piccino.

“Isso também confirma que o Nunes não é capaz de engajar o campo do bolsonarismo tradicional, pois tenta disfarçar seu posicionamento ideológico e não contenta o público mais radicalizado. Esta falta de engajamento nas redes pode prejudicar o Nunes nesta reta final de campanha, pois ele não tem mais a vantagem do tempo superior de televisão”, prossegue.

Como foi o engajamento da esquerda

Com 62,81% das republicações sobre o debate no X, os principais temas levantados pela esquerda foram:

  • Críticas à gestão de Ricardo Nunes, com ênfase no apagão em São Paulo e questões de transparência;
  • Apoio a Guilherme Boulos, enaltecendo sua postura no debate e o desafio feito a Nunes para abrir seu sigilo bancário;
  • Denúncias contra a prefeitura, especialmente sobre poda de árvores e falta de ação em serviços públicos.

Como foi o engajamento da direita

Por outro lado, os principais temas levantados pela direita no X, que renderam a Nunes um engajamento de apenas 28,66%, foram:

  • Defesa de Ricardo Nunes, com ataques diretos a Boulos, focando em sua experiência e questões de segurança pública;
  • Críticas à Enel e menções de apoio do governo federal devido ao apagão;
  • Apelos ao eleitorado para evitar votar em Boulos, com ênfase em acusações de apropriação de recursos.

Revista Fórum

Nunes foge de mais um debate contra Boulos; entenda

Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, recusou o convite da TV Cultura para participar de uma edição especial do Roda Viva, que ocorre na próxima segunda (21). A atração teria um formato similar ao de um debate e Guilherme Boulos (PSOL), seu rival no segundo turno, confirmou que pretende comparecer.

Segundo a coluna Painel na Folha de S.Paulo, a campanha de Nunes afirmou que ele irá a três debates no segundo turno e não se dispôs a participar de eventos do tipo. A ideia seria intercalar o prefeito e o psolista em blocos com entrevistas de jornalistas.

Um embate similar ocorreu em 2020, quando Boulos enfrentou Bruno Covas (PSDB). Com a ausência de Nunes, o programa especial deve ser cancelado e outra entrevista deve ser exibida no horário agendado para a atração.

A TV Cultura alega que não faria sentido realizar uma entrevista somente com um dos candidatos agora porque ambos já participaram de programas no primeiro turno. A emissora ainda alega que a proposta do programa especial foi feita a todas as candidaturas no início da campanha e que uma atração com apenas um candidato não estava prevista.

Ricardo Nunes (MDB) em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, durante o primeiro turno das eleições. Foto: Reprodução

Essa é a segunda fuga de Nunes em programas para discutir propostas no segundo turno. Na última quinta (10), ele rejeitou o convite para um debate promovido por CBN, jornal O Globo e Valor Econômico, e seu adversário teve que fazer perguntas a uma cadeira vazia.

O embate ocorreria uma semana depois do debate da TV Bandeirantes, realizado nesta segunda (14). O evento de ontem ocorreu em meio ao apagão em São Paulo, que foi o principal assunto discutido pelos candidatos.

DCM

Apagão em SP entra no 4º dia com cerca de 250 mil imóveis sem luz; governo federal deu prazo de três dias para Enel restabelecer serviço

Na sexta-feira (11) mais de 1,5 milhões de residências ficaram sem energia elétrica na capital e na região metropolitana

Cerca de 250 mil residências continuam sem energia elétrica, de acordo com nota publicada no site da Enel, empresa concessionária do setor de distribuição de energia em São Paulo. Este já é o quarto dia de apagão, que atingiu mais de 1,5 milhões de imóveis na capital paulista e na região metropolitana.

Nesta segunda (14), o governo federal estipulou o prazo de três dias para que a empresa restabeleça o serviço, com o apoio de outras distribuidoras. Segundo a empresa a determinação será cumprida.

Também nesta segunda, a vereadora Luna Zarattini (PT) propôs a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão, para investigar a omissão da Prefeitura de São Paulo nos apagões que afetaram a capital paulista nos últimos anos.

Sem luz desde sexta-feira

Os moradores ficaram no escuro após um vendaval que provocou danos nas instalações elétricas na última sexta-feira (11). O apagão atingiu também os municípios atingidos de Cotia, deixando 36,9 mil residências sem energia; Taboão da Serra, com 32,7 mil; e São Bernardo do Campo, com 28,1 mil instalações sem atendimento.

Em 2023, mais de 2 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica. Na ocasião, a Enel demorou quase uma semana para restabelecer o fornecimento.

Debate Band: em encontro marcado por acusações, Boulos desafia Nunes a abrir sigilo bancário

Prefeito negou a proposta, alegando que seus dados já são disponíveis. Modelo do debate levou a confrontos entre os dois

O primeiro debate antes do segundo turno entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, promovido pela Band na noite desta segunda-feira (14), foi marcado por críticas à gestão de Ricardo Nunes (MDB) e troca de acusações, seguindo o tom dos debates anteriores ao primeiro turno. O candidato oposicionista Guilherme Boulos (Psol) propôs ao prefeito que ambos abrissem o sigilo bancário para a população, levantando a suspeita de que Nunes tenha recebido recursos indevidos.

“Você abre seu sigilo bancário para gente para ficar claro. Podemos fazer esse trato aqui hoje no debate. As minhas contas são uma questão de transparência”, disse Boulos. Nunes alegou, em resposta, que as suas contas já estão abertas, mas não se comprometeu com a proposta do psolista.

Os pedidos para a abertura dos dados bancários vieram acompanhados de acusações de relação com o PCC e de investigações por supostos desvios de recursos das creches de São Paulo durante a gestão de Nunes. No penúltimo bloco, Boulos questionou também a indicação de Eduardo Olivatto para a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Siurb). Ele é irmão de Ana Maria Olivatto, ex-companheira de Marco Willians Herba Camacho, o Marcola, líder do PCC preso desde 1999.

O primeiro debate entre do segundo turno das eleições em São Paulo deveria ter ocorrido na última quinta-feira (10). No entanto, Nunes não compareceu ao evento promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico junto à rádio CBN. Com isso, o que deveria ser um debate se transformou em uma sabatina com Guilherme Boulos (Psol).

No debate desta segunda, o modelo de embate direto do primeiro bloco deu espaço a um tom de animosidade entre os candidatos, que permaneceu ao longo dos outros três blocos. De um lado, o candidato do Psol lançou duras críticas sobre Nunes, colocando o atual prefeito na defensiva.

Apagão em São Paulo

Outro tema amplamente debatido entre os candidatos foi o apagão em regiões da cidade de São Paulo. Bulos responsabilizou Nunes pela falta de energia no município desde a última sexta-feira (11), quando um forte temporal atingiu parte da área concedida à Enel, responsável pela distribuição do serviço na cidade.

De primeira, Boulos questionou por diversas vezes de quem é a responsabilidade pela poda de árvores. “A poda de árvore é responsabilidade da prefeitura. É o básico. Você que está assistindo em casa, que ligou para 156 pedindo remoção de árvore, você acha que ele [Nunes] fez o trabalho dele? Ele está dizendo que contratou tantos, botou tantos. Você está se sentindo satisfeito quando você liga para 156 para fazer o pedido de poda ou remoção de árvore?”, questionou Boulos.

Em resposta, Nunes afirmou que é função do município, mas que, devido à energização de fios soltos sobre as árvores, a Enel precisa agir no lugar da Prefeitura em alguns casos. “Nós temos seis mil podas que estão pendentes, porque são árvores que estão encostadas lá com os fios. Tem árvores que ainda estão atrapalhando o trânsito, atrapalhando o corte por parte da prefeitura, porque a Enel não vai lá desligar. Eu lamento, eu quero a Enel fora daqui”, disse o prefeito.

“A chuva e a ventania de sexta-feira foi de menos de uma hora. Em São Paulo ficou mais gente sem luz do que na Flórida, com o furacão Milton. Então não adianta dizer que o problema é do vento, que o problema é do Lula, que o problema é de não sei quem. Assuma as responsabilidades”, afirmou Boulos.

No segundo bloco, os candidatos responderam às perguntas de jornalistas e não entraram mais em embate direto. Ainda assim, as críticas entre ambos permaneceram. Nunes destacou o alto índice de rejeição de Boulos captado por pesquisas de intenções de votos.

De acordo com levantamento do Datafolha divulgado no último dia 10, o candidato do Psol tem 58% de rejeição entre os paulistanos, enquanto Nunes tem 37%. A sondagem também mostrou que o atual prefeito tem 55% das intenções de votos, enquanto Boulos aparece com 33%.

“As pesquisas fizeram mal para o Guilherme Boulos, que está muito longe, e eu estou muito na frente. Com a rejeição dele, de mais de 50%, ele entrou agora no modo desespero”, disse Nunes. Em resposta, Boulos chamou o atual prefeito de “arrogante”. “O Ricardo Nunes mostra que um prefeito pode ser fraco e, ao mesmo tempo, arrogante. Olha o tamanho da arrogância dele porque está na frente de uma pesquisa. Ele sobe no salto, acha que já ganhou”, respondeu Boulos.

Brasil de Fato

Possível caducidade da Enel SP será avaliada em processo ainda não aberto pela Aneel, diz Alexandre Silveira

Ministro disse que uma eventual caducidade do contrato da distribuidora será discutida pela Aneel, que, segundo ele, ainda não instaurou o procedimento

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta segunda-feira que uma eventual caducidade do contrato da distribuidora Enel São Paulo será discutida em processo administrativo no âmbito da agência reguladora Aneel, que, segundo ele, ainda não instaurou o procedimento apesar das cobranças feitas nos últimos meses.

Em entrevista coletiva para falar sobre o apagão de eletricidade em São Paulo, que ainda registra mais de 530 mil consumidores sem luz após um temporal na última sexta-feira, o ministro reiterou que não há como dizer, nesse momento, se a concessionária italiana irá perder contrato de São Paulo.

Silveira fez duras críticas à atuação da Aneel, que, segundo ele, está se omitindo e “boicotando” a implementação de políticas públicas do governo federal.

“Se tivesse o processo de caducidade sobre a empresa, tenho absoluta convicção que ela não estaria tão negligente como infelizmente ainda está com relação à qualidade dos serviços em São Paulo”, disse o ministro, afirmando ainda que a distribuidora cometeu “grave erro” de comunicação com a sociedade ao não dar previsão objetiva de restabelecimento da energia.

O ministro disse que a Enel São Paulo terá três dias para recompor a energia na maior parte das áreas afetadas, mas não comentou sobre eventuais consequências para a empresa se houver descumprimento do prazo.

Silveira também chamou de “fake news” a postagem do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, na rede social X, na qual Nunes diz que o ministro teria discutido com executivos da Enel na Itália, no fim de semana, sobre a renovação do contrato da distribuidora.

Brasil247

Datena declara apoio a Boulos no segundo turno contra o crime organizado

O candidato do PSDB, José Luiz Datena, gravou um vídeo anunciando que vai apoiar @guilhermeboulos.oficial (PSOL) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo. Com informações de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

“Contra a infiltração do crime organizado em São Paulo, contra a infiltração do crime organizado no poder público, eu apoio o Boulos”, declarou o apresentador, que terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 1,84% dos votos.

Ele continuou: “Eu voto no Boulos para combater a criminalidade que faz de São Paulo, do estado de São Paulo e do país reféns do narcotráfico. Não queremos isso, por isso apoio Boulos no segundo turno. Vote com ele, vote contra o crime.”

Boulos disputa o segundo turno contra o atual prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB).

A ex-candidata do PSB à Prefeitura de São Paulo, Tabata Amaral, já havia declarado oficialmente seu apoio ao deputado Guilherme Boulos (PSOL) para o segundo turno das eleições municipais.

“Eu vou votar em Guilherme Boulos [no 2º turno]. Porque eu não consigo e não conseguiria jamais colocar o meu voto em um projeto liderado por Ricardo Nunes. Mas saibam, eu e Guilherme Boulos representamos projetos absolutamente diferentes para São Paulo e para o Brasil”, afirmou a pedetista.

Tabata também ressaltou que a sua decisão é um “voto de coragem” e que representa as expectativas de mais de 600 mil pessoas que apoiaram nas urnas. “São projetos diferentes, mas a gente vai seguir caminhando manhã, tarde e noite para que a gente possa ter São Paulo do jeito que a gente merece”, completou.

“2025 será melhor do que 2024, assim como este ano foi melhor do que o ano passado”, diz Wesley Batista

Acionista da J&F destaca avanços do Brasil e defende agenda de desburocratização como essencial para o crescimento econômico

Durante o Fórum Esfera, em Roma, Wesley Batista, acionista da J&F, apresentou uma visão otimista sobre o futuro econômico do Brasil, ao mesmo tempo em que apontou a desburocratização como um dos maiores desafios ainda a serem superados. Em sua fala, Batista reconheceu os avanços significativos que o país fez nas últimas décadas, mencionando a conquista da democracia e a superação de turbulências, especialmente nos últimos dez anos.

“O Brasil fez muita coisa nos últimos anos. Conquistamos a democracia, enfrentamos muitas turbulências nos últimos dez anos, mas o Brasil avançou”, disse. Ele destacou que, embora o país tenha passado por momentos críticos, a trajetória de progresso é clara e promissora.

No entanto, Batista foi enfático ao ressaltar que o Brasil ainda precisa focar na agenda de desburocratização para garantir um crescimento mais expressivo. “Uma coisa ainda muito importante para o Brasil avançar é a desburocratização. Essa agenda é muito importante e necessita de foco. Como simplificar e como desburocratizar”, afirmou, reforçando que a simplificação de processos é essencial para liberar o potencial econômico e atrair mais investimentos.

Apesar desse obstáculo, Batista demonstrou otimismo em relação ao futuro econômico do país, apontando para a força do mercado consumidor brasileiro. Segundo ele, essa característica é um dos fatores que mantêm o Brasil em uma trajetória ascendente. “O Brasil tem um mercado consumidor gigantesco”, destacou, prevendo que 2025 será um ano ainda melhor para o país.

“Acreditamos que 2025 será melhor do que 2024, assim como este ano foi melhor do que o ano passado”, afirmou, deixando clara sua confiança na continuidade dos avanços econômicos do Brasil. As perspectivas de Batista refletem o otimismo do setor empresarial, que enxerga no Brasil um país com grande potencial de crescimento, especialmente se as reformas e ajustes necessários forem implementados.

A fala de Wesley Batista ecoa uma visão de confiança no futuro, mas também lança um alerta para a importância de se avançar em questões estruturais, como a desburocratização, para que o país possa competir globalmente e continuar a crescer de forma sustentável.

Um governo praiano na Avenida Paulista

Vinício Carrilho Martinez (Dr.) – Cientista Social

Márlon Pessanha

Doutor em Ensino de Ciências

Docente da Universidade Federal de São Carlos

 Isabela Biagio

Professora da rede pública e mestranda pela PUC/Campinas

É isso mesmo. Para quem não se lembra, “fichas de leitura” de livros didáticos emanados pelo governo de São Paulo vieram com ilustrações sobre uma praia na Avenida Paulista. É certo que se trata de um governador carioca, que nunca havia colocado os calcanhares no poder por aqui, também é sabido que as praias do Rio de Janeiro estão além da memória, são fantásticas; porém, trazer tudo isso para a principal avenida paulistana é um pouco demais, não é mesmo?

E como não falar da mais nova contribuição para a educação “praiana” da capital paulista?

Sim, estamos falando do “material digital” que, com sua genialidade, padroniza absolutamente tudo, ignorando por completo as particularidades das turmas. Afinal, quem precisa de autonomia docente ou reconhecer as especificidades nas salas de aula quando se tem um roteiro pronto e formatado para todos? É claro que uma mesma solução não pode funcionar perfeitamente para qualquer escola, não importando o contexto, o histórico dos estudantes ou a região do Estado. Ou será que toda escola é igual, assim como as praias da Paulista!?

Além disso, o cronograma rígido e a quantidade absurda de material para cumprir em poucas aulas tornam a adaptação desses conteúdos praticamente impossível para os professores e professoras. Isso sem falar no anúncio brilhante do secretário, que decidiu que os livros didáticos do PNLD eram dispensáveis, pois o ensino agora seria 100% digital. Uma imposição que, convenientemente, esquece da LDB, que preconiza a liberdade de ensinar e o pluralismo de ideias – conceitos aparentemente ultrapassados por aqui.

O “material digital” não só impede o pluralismo, como também reduz o papel dos docentes a meros repetidores de fórmulas antiquadas. Por fim, o governador foi obrigado a suspender a retirada do Estado do PNLD. E o secretário, num golpe de mestre, declarou que os livros serão apenas um complemento. No fim das contas, a única coisa que parece continuar “plural” nessa história é a nossa capacidade de colecionar absurdos.

Será que os jovens praianos da Paulista estavam contentes? Não saberemos, mas, se não bastasse isso, temos outras pérolas cultivadas pelo regine de faschio que veio nos brindar, diretamente das terras estranhas – meio dominadas por grupos muito esquisitos. Dá até receio de falar…Em todo caso, nós falaremos da mais nova pérola cultivada, na educação praiana da capital paulista.

 

Da praia paulistana à negação climática

Nestes primeiros dias do mês de outubro de 2024, recebemos a notícia, por diferentes meios de comunicação, que o governador Tarcísio de Freitas vetou o projeto de lei que previa ações de educação ambiental nas escolas do estado de São Paulo. O projeto de Lei Nº 80 de 2023[1] teve a autoria do deputado Guilherme Cortez e previa a inclusão da temática “educação climática” no programa da rede pública de ensino do Estado de São Paulo, como conteúdo suplementar, multidisciplinar e transversal.

O veto do governador foi feito sob a argumentação de que existem dois programas vigentes que tratariam da temática ambiental: Programa Escola Mais Segura; Programa de Alfabetização Ambiental.

O foco do programa Escola Mais Segura, mesmo após uma modificação que incorporou conteúdos que tratam da Redução de Riscos e Desastres (ERRD), envolve mais uma ação pós-facto do que, propriamente, uma formação profunda e em torno das origens antropocêntricas das mudanças climáticas e sobre as ações necessárias para retroceder tais mudanças. O que nos daria a ideia da prevenção, precaução, recuperação ambiental – para os governantes que conhecem o mínimo, trata-se do artigo 225 da Constituição Federal de 1988.

Outrossim, se tomarmos como um recorte representativo a Playlist[2] do programa no canal do Youtube do Centro de Mídias do Estado de São Paulo, o único vídeo que trata, mais diretamente, das Mudanças Climáticas dedica um curto período de tempo para indicar a ação humana e, ao se referir às possíveis ações para reverter os problemas ambientais, as indica enquanto uma empreitada individual.

Alguns mais irônicos chamariam de Centro de Midas – parece que tudo vai virando ouro…

Já o Programa de Alfabetização Ambiental, que explicitamente trataria da questão ambiental[3] (Conservação da Biodiversidade; Resíduos Sólidos; Mudanças Climáticas; Preservação da Qualidade das Águas; Energia), consiste em uma ação de formação docente que, a julgar pelos materiais também disponibilizados no canal no Youtube[4] do Centro de Mídias do Estado de São Paulo (Midas?), parece direcionar mais o debate para ações pontuais, inclusive no espaço escolar, sem que se explicitem abordagens em um nível mais articulado entre as Ciências da Natureza e as Ciências Sociais, obviamente necessárias para um aprofundamento da questão. Essa interrelação seria importante, inclusive, pelo fato de os materiais serem parte de uma formação docente.

Desses programas, deduzimos que há, de um lado, uma abordagem com foco casualista (diminuição de riscos) baseado no individualismo e, de outro lado, há um foco centrado em práticas (por exemplo, como fazer a compostagem), que ainda que tenham uma relevância, não sinalizam para a necessária transversalidade a fim de se lidar com o tema ambiental.

O que podemos perceber, baseando-nos na literatura em educação ambiental (veja-se as referências ao final), é que os programas elencados como sustentação argumentativa no veto do governador repousam em uma perspectiva acrítica de educação ambiental e assim não promoveria, de fato, uma conscientização do problema ambiental. A acriticidade, neste caso, afasta o processo educativo da compreensão de causas da degradação ambiental relacionadas com a forma de produção capitalista e, ademais, indica soluções que seriam restritamente individuais[5].

 

Negação da Ciência

As preocupações como o meio ambiente não são recentes, ainda que o debate sobre as mudanças climáticas remonte há algumas poucas décadas. Conforme explicita Carvalho (2012), as preocupações com o meio ambiente têm suas raízes nas percepções de uma degeneração do meio ambiente e da vida urbana que decorreram da revolução industrial.

O impacto da poluição da destruição dos meios naturais fez emergir, no Século XVIII, uma sensibilidade em relação à natureza que viria a se intensificar com o movimento chamado Romantismo, no Século XIX, e que, dentre outras coisas, ressaltou uma apreciação da natureza que se contrapunha à subjugação extrema da natureza ao homem. Com isso, em lugar de destruir a natureza, deveríamos mantê-la para apreciá-la. A subjugação extrema seria substituída, assim, por uma subjugação contemplativa.

Longe de ser um caminho de conscientização mais crítica, a apreciação se submeteu à lógica individualista do capital. Para exemplificar o que estamos dizendo, vale ressaltar um padrão argumentativo presente em muitas propagandas de empreendimentos imobiliários: a redução a algo como “venha viver próximo à natureza”. Nessa lógica, em lugar de coletivamente buscarmos tornar as cidades mais ecologicamente adequadas, a solução posta é a fuga para espaços supostamente “naturais”. Neste caso, a fuga é para poucos.

Neste ponto, você leitor, deve estar se perguntando: “mas qual é, objetivamente, a relação entre a apreciação da natureza e o veto ao projeto de Lei?”

Pois bem… Assim como nem toda a apreciação da natureza irá garantir a manutenção ou recuperação do meio ambiente, programas que tangenciam o tema também não garantirão. O que, potencialmente, promoveria uma consciência crítica sobre o problema ambiental entre os estudantes, seria incorporar o tema, assim como seus muitos subtemas, no programa das disciplinas escolares. Este seria um passo importante e era justamente essa a proposta do projeto de Lei vetado.

O projeto previa, explicitamente, que fossem tratados nas disciplinas escolares já existentes: aquecimento global, geopolítica e clima; mudanças do clima local; sustentabilidade; biodiversidade e alterações ambientais; justiça climática e racismo ambiental; povos originários, seus saberes e soluções baseadas na natureza; fenômenos atmosféricos, como ciclones, furacões, tufões e tornados, e suas relações com as mudanças do clima; transição energética justa: Brasil e panorama global; integridade da biosfera; mudanças no uso das terras; poluição e os impactos no clima; história dos movimentos climáticos, ambientalismo interseccional e práticas sustentáveis; colapso ambiental; antropoceno.

Os programas existentes indicados pelo governador Tarcísio de Freitas não suprem, nem em profundidade nem em foco o que prevê o projeto de Lei. Falha na análise do governador e de sua equipe? Não sejamos ingênuos! É apenas uma estratégia…uma alça de poder que se propõe a condicionar a realidade de milhares de estudantes fora do mundo da Ciência.

 

 

Referências:

CARVALHO, I. C. M. A questão ambiental e a emergência de um campo de ação político-pedagógica (7a. ed.). In: LOUREIRO, C. F.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (Org.). Sociedade e Meio Ambiente. 7ed.São Paulo: Cortez, 2012, v. 1, p. 55-69.

CARVALHO, I. C. M. O sujeito ecológico: a formação de novas identidades na escola. In: PERNAMBUCO, M.; PAIVA, I. (Org.). Práticas coletivas na escola. 1ed. Campinas: Mercado de Letras, 2013, v. 1, p. 115-124.

CARVALHO, I. C. M.; FARIAS, C. R.; PEREIRA, M. V. A missão “ecocivilizatória” e as novas moralidades ecológicas: a educação ambiental entra a norma e a antinormatividade. Ambiente $ Sociedade, v. 14, n. 2, p. 35-49, 2011.

CARVALHO, I. C. M.; MHULE, R. P. Intenção e atenção nos processos de aprendizagem. Por uma educação ambiental “fora da caixa”. Revista de Educação Ambiental, v. 21, n. 1, p. 26-40, 2016.

LIMA, G. F. C. Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória. In: LAYRARGUES, P. P.; Castro, R. S; LOUREIRO, C. F. B. (orgs.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania, São Paulo: Cortez, 2002.

RUFINO, L.; CAMARGO, D. R.; SÁNCHEZ, C. Educação ambiental desde El Sur: A perspectiva da Terrexistência como Política e Poética Descolonial. Revista Sergipana de Educação Ambiental. v. 7, n. especial, p. 1-11, 2020.

 

[1] Íntegra da tramitação, incluindo a redação final e o veto do governador: https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000485127.

[2] Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EvqliBvHgmg&list=PLWISVgw6NXVwlzqolLoBolPRjmSZkigcx&pp=iAQB.

[3] Informações disponíveis em: https://semil.sp.gov.br/sma/alfabetizacaoambiental/#1713537604661-92f09290-5f3f

[4] Playlist disponível em https://www.youtube.com/playlist?list=PLoNQG_3aYTagP6M7UP-XxHLNJo16qsOkD.

[5] Um exemplo utilizado em muitos diálogos sobre o que seria uma educação ambiental crítica envolve o uso da água. As soluções acríticas que são apresentadas frequentemente se remetem a uma ação individual e são restritas a “tarefas” como fechar a torneira ao escovar os dentes, banhos rápidos ou não lavar calçadas. Ainda que essas ações possam ser feitas (e até deveriam), uma educação ambiental crítica, ao tratar da degradação dos recursos hídricos, incluiria, por exemplo, uma discussão sobre a lógica produtiva, sobre o fato das indústrias e o agronegócio serem os consumidores da grande parte da água, assim como sobre a necessária ação coletiva para pressionar e dialogar sobre meios para alterar as formas de consumo por empresas, espaços públicos, para além do restrito às residências.

Menino exposto por Marçal por não “conseguir escrever” apanhou na escola: “um inferno”

O caso, que teve grande repercussão, é mais um dos vários fatos chocantes envolvendo o candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB). Um menino de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foi usado pelo ex-coach em sua campanha como exemplo da má qualidade de ensino, por não “conseguir escrever”.

A exposição a que Marçal submeteu o garoto acabou transformando-o em chacota na escola e em seu bairro, sendo chamado de burro e analfabeto. Por conta disto, nesta terça-feira (8), o garoto foi agredido na escola. Rosana, a mãe do menino, que é motorista de aplicativo, afirmou em entrevista ao Metrópoles que não tem conseguido trabalhar com medo que seu filho seja morto na escola. “Minha vida está um inferno”, disse ela.

Segundo a mãe, as agressões sobraram até mesmo para seu outro filho, por “não ter ensinado o irmão a ler”. Segundo ela, o filho mais velho já venceu Olímpiadas de Matemática, ensina xadrez e vai muito bem na escola:

“Ele teve que sair da aula para trazer o irmão depois do soco”, disse se referindo à agressão física. A mãe diz ainda que, desde a divulgação do vídeo, no dia 26 de setembro, ela só mandou o filho para a escola duas vezes, por causa da vergonha. Na primeira, tudo correu bem. Mas, nesta terça, ocorreu a agressão.

Relembre o caso

O pesadelo na família de Rosana começou no último dia 25 de setembro, quando Pablo Marçal esteve em seu bairro, o Morro Doce, na periferia de Perus. Na ocasião, o ex-coach pediu para que os meninos escrevessem o nome do local em seu gesso. Ao perceber que o menino não conseguia, ele soletrou a palavra. Além da cena ter ido parar nas redes sociais do então candidato, ela ainda foi mencionada durante entrevista na Band para ilustrar “o péssimo ensino no Brasil”.

TDAH

Segundo Vlademir da Mata Bezerra, advogado da família de Rosana, seu filho é diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e está fazendo tratamento psicológico.

O garoto aguarda ainda por avaliação de um neurologista que pode confirmar o diagnóstico de autismo.

Revista Fórum

Efeito Lula: venda de carros cresce, gera 60 mil empregos e Salão do Automóvel volta

Maior feira automotiva da América Latina não era realizada desde 2018, antes do governo Jair Bolsonaro. Em reunião com Lula, presidente da Anfavea revelou que investimentos no setor ultrapassam R$ 130 bilhões

Em reunião com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), após a cerimônia de sanção da Lei do Combustível do Futuro, nesta terça-feira (8), o presidente Lula comemorou os números do setor, que voltou a crescer durante seu governo e vai retomar o Salão do Automóvel, maior feira automobilística da América Latina em 2025.

“Os investimentos voltaram, estamos vendendo mais carros e, em novembro de 2025, teremos o retorno do Salão do Automóvel”, comemorou Lula na rede social Bluesky.

Dados apresentados pelos representantes da Anfavea ao presidente mostram um crescimento de 14,5% no número de emplacamentos de carros novos no país no terceiro trimestre do ano.

Segundo a associação, foram produzidos no período 715 mil veículos, um aumento de 19% na produção em relação ao mesmo período de 2023. Foi o melhor trimestre para a indústria automotivo em cinco anos. Até agora, a produção de carros em 2024 aumentou 7% se comparado ao ano anterior.

“É um crescimento bastante expressivo e estamos voltando ao número que havia no cenário pré-pandemia”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, na reunião com Lula.

O aumento das vendas de carros puxa a indústria automotiva, que está gerando milhares de empregos e tem previsão bilionária de investimentos.

“Nos últimos meses, nós aumentamos em 60 mil novos empregos. Na cadeia do setor automobilístico, os nossos investimentos já ultrapassam R$ 130 bilhões, com potencial para aumentarmos ainda mais”, disse Leite.

O executivo ainda pontuou que houve um crescimento de 40% na exportação de veículos no segundo trimestre do ano, comparado ao mesmo período de 2023.

“Hoje, nós viemos reafirmar o nosso compromisso com os investimentos no país. E também, após sete anos, viemos anunciar ao presidente Lula a volta do Salão do Automóvel”, disse Leite.

A Anfavea anunciou que o Salão do Automóvel será realizado entre 22 de novembro a 1º de dezembro de 2025, em São Paulo. A última edição da feira aconteceu em 2018, antes do governo Jair Bolsonaro (PL). A estimativa é que um milhão de pessoas marquem presença no evento.
Revista Fórum

Marçal diz que Bolsonaro será preso e incita briga com Malafaia e Tarcísio em palestra de R$ 97

Mergulhado em um poço de mágoas após ficar fora do segundo turno, Marçal coloca lenha na fogueira da extrema direita em palestra a seguidores que pagaram por sua análise política na sede da empresa em Alphaville. Veja vídeo

Fora do segundo turno das eleições em São Paulo, o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) revelou o “código” dos próximos passos da política nacional, segundo suas previsões, a uma plateia que pagou R$ 97 por cabeça – que podia ser parcelado em 12 vezes de R$ 9,70, com juros – para assistir uma palestra na sede de suas empresas, em Alphaville, no município de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.

Em vídeo vazado pelo jornalista Guga Noblat nas redes sociais na madrugada desta quarta-feira (9), no entanto, Marçal disse, com ares de revelação, o que já vem sendo cogitado há tempos e mostrou mágoa de Silas Malafaia, que comandou os ataques contra ele na campanha, e colocou lenha na briga do pastor com o clã Bolsonaro.

No trecho divulgado, Marçal mente ao dizer que já existe um mandado de prisão contra Jair Bolsonaro (PL) e que, por esse motivo, Malafaia estaria se afastando do ex-presidente.

“Silas Malafaia nunca foi amigo de Bolsonaro. Ele é um aproveitador de última hora. Vou refrescar a cabeça de vocês: 2018 ele era pró-Alckmin. Quando ele viu que o povo queria o Bolsonaro, ele pulou fora do Alckmin e foi atrás de Bolsonaro. Agora, ele acaba de decretar que está pulando fora do Bolsonaro porque ele sabe do mandado de prisão que tem contra o Bolsonaro – só para vocês saber, procurador-geral da República tem um mandado de prisão contra o Bolsonaro e ele [Malafaia] já sabe e aí vai acontecer o pior com o capitão depois das eleições”, disse o ex-coach, incitando o atrito de Malafaia que xingou Bolsonaro de “covarde, omisso e porcaria`” em entrevista à Folha de S.Paulo.

Marçal, que diz ser formado em Direito, no entanto se esquece de dizer que um mandado de prisão geralmente é pedido pela Polícia – no caso de Bolsonaro a Federal – e Paulo Gonet, o procurador-geral da República apenas emite parecer sobre o pedido. Mesmo que parta da PGR, um mandado de prisão precisa passar pela Justiça, no caso o Supremo Tribunal Federal (STF), para ser cumprido. E nada, até o momento, indica que já exista um mandado de prisão contra o ex-presidente.

No poço de mágoa pós eleitoral, Marçal ainda mira Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e fiador da campanha de Ricardo Nunes (MDB), fazendo uma análise já antecipada há meses por analistas políticos, inclusive nesta Fórum.

“O que eles estão fazendo? Centrão já pegou no colo o Tarcísio no colo e já decidiu que ele é o candidato do sistema. Vocês nunca imaginariam um negócio desses, né? Só que o aproveitador [Malafaia] já mudou de barco e agora começou a falar loucuras”, disse Marçal.

Marçal.

Poço de mágoas

Em entrevista coletiva antes da palestra, Marçal mostrou todo seu ressentimento com o processo eleitoral, em especial com a direita bolsonarista, e fez birra e exigências ao falar de um possível apoio a Nunes.

O ex-coach afirmou que só apoiaria o emedebista se o ex-presidente, o governador paulista, a quem se referiu como “goiabinha”, Nunes, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e Malafaia se retratassem das “mentiras” que ele alega terem sido faladas a seu respeito.

“Não vou apoiar Ricardo Nunes. Que fique registrado que ele não terá meu apoio pessoal, pela arrogância deles”, reforçou.

Antes, Marçal estimou que parte de seus eleitores vai migrar para a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno.

“Mais de 45% dos meus votos são de pessoas que não são de direita. Vocês não sabem ler as urnas. Existem seis regiões que eu conquistei com afinco onde o Lula ganhou disparado em 2022. Não tem nada a ver com direita”, pontuou. “Eu não indo para lado nenhum e liberando meu eleitorado, 45% dos meus votos o Lula com humildade vai tomar de volta.”

O ex-candidato do PRTB projetou uma vitória do deputado federal psolista na disputa pela prefeitura de São Paulo.“O Boulos na minha visão, antes de eu entrar na eleição, venceria essa disputa. Agora tenho certeza que ele vence. Ele sabe sinalizar para o povo, e o Ricardo [Nunes] não sabe. O Boulos e o Lula têm a língua do povo, os outros estão só brigando. O [Silas] Malafaia está tão descontrolado que hoje chamou o Bolsonaro de covarde”, apontou Marçal.

Ele também disse acreditar que o fato de não passar para o segundo turno não teria sido em função do episódio do laudo falso sobre Boulos, mas sim por não ter chegado a “21 ondas” na campanha.

“Nós não fomos para o segundo turno, não foi por causa de laudo, não. A gente não foi para o segundo turno porque o campo de energia que eu precisava chegar, que era 21 ondas, eu não consegui bater. A gente chegou em 18 e não conseguimos entrar em outra onda. E é assim que funciona”, alegou.

Revista Fórum

Bolsonaro se oferece e campanha de Nunes esnoba: “agora não queremos mais”

Discurso de Malafaia, que acusa Bolsonaro de “covardia e omissão”, repercutiu na cúpula da campanha de Nunes, que faz birra e rejeita ex-presidente: “Bolsonaro agora quer vir na janelinha? Janelinha não”

A “covardia e omissão”, segundo Silas Malafaia, de Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição em São Paulo segue rendendo atritos e birras dentro da campanha de Ricardo Nunes (PL), que ainda se mostra magoado com o ex-presidente, que ficou em cima do muro – ainda segundo o pastor – na disputa com medo de perder seguidores nas redes sociais.

Ao jornal O Globo, o ex-presidente tentou passar panos quentes no próprio comportamento, que foi alvo de aliados próximos, e disse já ter se oferecido para, agora, entrar na campanha de Nunes em São Paulo.

“Já me coloquei à disposição do Nunes e, quando a campanha me solicitar, entrarei na disputa. Quando e da maneira que eles acharem necessário. Não importa se votou no Marçal, a gente precisa se unir para derrotar a esquerda na capital”, disse Bolsonaro, em tom ameno e hasteando a bandeira branca ao atual prefeito de São Paulo.

No entanto, entre aliados próximos, incluindo o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), Nunes teria revelado seu ressentimento em relação ao ex-presidente, que desdenhou de sua candidatura e chegou a acenar para Pablo Marçal (PRTB).

Mesmo o silêncio de Bolsonaro, após perder seguidores em uma das poucas tentativas de criticar o ex-coach, é visto pela campanha de Nunes como um fator importante que, por muito pouco, não o tirou do segundo turno das eleições contra Guilherme Boulos.

A Malu Gaspar, também no jornal O Globo, o deputado federal Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, expôs o sentimento que paira sobre a coligação em torno do ex-prefeito e dentro da campanha.

“O que pode atrapalhar o Nunes é o Bolsonaro querer fazer campanha agora. Se Bolsonaro entrar agora na campanha do Nunes, só vai atrapalhar. Quando a gente precisou dele, ele não foi. Agora não precisamos mais”, afirmou. “Bolsonaro agora quer vir na janelinha? Janelinha não”, emendou o deputado, conhecido por ser um camaleão no mundo político.

Ainda segundo a jornalista, auxiliares e estrategistas da campanha de Nunes também têm defendido que Bolsonaro se mantenha distante e que sequer seja citado pelo prefeito no segundo turno.

“O Nunes não vai mais falar de Bolsonaro. Só de Tarcísio (de Freitas)”, diz um dos assessores a’O Globo.

A entrevista de Silas Malafaia, que criticou duramente Bolsonaro em entrevista a Monica Bergamo na Folha de S.Paulo, também repercutiu na campanha, que tem a mesma opinião do pastor: “Bolsonaro foi covarde e omisso”.

“Se estiver faltando dois dias para a eleição e Nunes com 15 pontos a mais do que Boulos, aí o Bolsonaro aparece. Se não, ele não vai aparecer. E aí já não vamos mais precisar dele”, disse um membro da cúpula da campanha a Malu Gaspar.

Revista Fórum

Delinquente, Marçal diz na Justiça que laudo falso contra Boulos foi “livre demonstração do pensamento”

A defesa de Pablo Marçal (PRTB), derrotado na disputa pela prefeitura de São Paulo, apresentou explicações à Justiça Eleitoral sobre a divulgação do laudo falso que associava Guilherme Boulos (PSOL) ao uso de cocaína.

Os advogados afirmam que o ex-coach “não fabricou nem manipulou o conteúdo veiculado, limitando-se a divulgá-lo da forma como foi expedido”, defendendo seu “direito à livre manifestação do pensamento”.

Na última sexta-feira, véspera da eleição, Marçal publicou em seu Instagram um receituário médico falso que descrevia um suposto atendimento em que Boulos estaria “com um quadro de surto psicótico grave, em delírio persecutório e ideias homicidas”, relacionando o caso ao uso de cocaína.

Pablo Marçal, candidato da extrema-direita, que apresentou um laudo falso para insinuar que Boulos seria usuário de drogas. Foto: reprodução

Em sua manifestação protocolada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, os advogados de Marçal argumentam que a publicação do laudo falso não teria comprometido a integridade do pleito, já que ocorreu apenas dois dias antes da eleição.

“Se a propaganda veiculada tivesse causado danos ao equilíbrio do pleito, fatalmente o representante (Boulos) não teria avançado para o segundo turno”, escreveram os advogados.

Essa linha de defesa vai contra o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), que deixam claro que “não se confunde liberdade de expressão com impunidade para agressão” e que a disseminação de notícias falsas não está protegida por imunidade.

Para as Cortes, as condições de formação das convicções dos eleitores devem ser “isentas de artificialismos”, sem o uso irregular das plataformas digitais para desinformação.

Os advogados de Marçal também solicitaram a suspensão do andamento de uma das ações em tramitação no TRE-SP até que a investigação criminal seja concluída. O empresário está sob inquérito da Polícia Federal (PF), que apura possíveis crimes de calúnia, difamação e injúria relacionados à propaganda eleitoral contra Boulos.

DCM

Segundo voo com repatriados do Líbano aterrissa no Brasil com 227 pessoas a bordo

Operação “Raízes do Cedro” já resgatou 456 pessoas e seis animais; governo brasileiro alerta para que cidadãos sigam orientações locais de segurança

O segundo voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para repatriação de brasileiros no Líbano chegou ao Brasil no início da manhã desta terça-feira (8). A aeronave pousou na Base Aérea de São Paulo (BASP), em Guarulhos (SP), às 6h58, trazendo 227 passageiros, entre eles 49 crianças, sendo sete de colo. Segundo a CNN Brasil, três animais de estimação também foram transportados.

A operação, denominada “Raízes do Cedro”, é uma iniciativa do governo federal para retirar brasileiros do território libanês devido à escalada de tensão na região. O primeiro voo da missão pousou no domingo (6), quando os repatriados foram recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao todo, 456 pessoas e seis pets já foram resgatados.

Além de repatriar cidadãos, a missão humanitária levou ao Líbano insumos médico-hospitalares, conforme solicitado pelas autoridades locais. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, outros bens de emergência estão previstos para serem transportados nos próximos voos.

A equipe da FAB que acompanha a operação é composta por um grupo multidisciplinar, incluindo três médicos, dois enfermeiros e dois psicólogos, para garantir o acolhimento e a assistência adequada aos repatriados.

Recomendações do Itamaraty – O Itamaraty, em comunicado emitido na segunda-feira (7), informou que mantém contato com os brasileiros que ainda estão no Líbano e seus familiares, por meio da Embaixada do Brasil em Beirute. A organização dos voos está sendo feita de acordo com as condições de segurança no terreno, priorizando a integridade dos cidadãos.

A nota também reforça o alerta para que os brasileiros sigam as orientações de segurança das autoridades locais e, se possível, deixem o território libanês por meios próprios, ressaltando que o Aeroporto de Beirute continua operando com voos regulares da companhia local Middle Eastern Airlines.

Para aqueles que possuem condições financeiras, é recomendável que deixem o país por meios próprios. O aeroporto de Beirute permanece operacional, com voos regulares, especialmente da companhia Middle Eastern Airlines. O Itamaraty disponibiliza um número de plantão consular para emergências: +55 (61) 98260-0610 (com WhatsApp).

Facilitação para pets – O Ministério da Agricultura e Pecuária continua flexibilizando as regras para a entrada de cães e gatos provenientes do Oriente Médio. As unidades de Vigilância Agropecuária Internacional, em conjunto com a Coordenação de Trânsito e Integração Nacional de Cargas e Passageiros, adotaram protocolos especiais, permitindo a entrada dos animais sem a apresentação imediata de documentos, exigidos normalmente em outras situações.

O que é a Operação Raízes do Cedro – Determinada pelo presidente Lula, a Operação Raízes do Cedro é uma resposta à escalada do conflito entre Israel e o grupo Hezbollah, no Líbano. A logística de repatriação envolve a mobilização de aeronaves e servidores da FAB, além de articulações diplomáticas conduzidas pelo Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mantém conversas com autoridades libanesas e de países vizinhos para garantir que as operações de resgate ocorram com segurança e eficiência.

A ação segue o modelo da Operação Voltando em Paz, realizada em outubro de 2023, que repatriou mais de 1,5 mil brasileiros da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Israel. Na ocasião, mais de 50 animais de estimação também foram resgatados.

Brasil 247

Vencedor em 248 prefeituras, PT se fortalece e supera as 183 da última eleição

“O PT mostrou o seu vigor, a sua vitalidade, a vontade de participar do processo democrático”, celebrou a presidenta do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann

A presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), comemorou o balanço positivo do primeiro turno da eleições municipais. Mais uma vez, o PT provou sua capacidade de resiliência no processo político do país, um claro sinal de recuperação em relação a eventos trágicos também para a própria democracia brasileira, como o golpe de 2016 e a Operação Lava Jato. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido fez 248 prefeituras, sem contar ainda as disputas de segundo turno. Em 2020, foram 183, ao todo.

Em entrevista à TvPT, a presidenta do PT considerou muito “positiva” a participação do partido nas eleições municipais de 2024. “Nós já tínhamos avaliado que iríamos nos sair melhor do que saímos em 2020, que foi uma eleição muito difícil para nós. Aliás, a eleição de 2016 foi difícil, a de 2020 foi difícil e agora a de 2024 mostra um processo de reconstrução do PT no processo eleitoral local, o que é muito importante”, reconhece.

Gleisi agradeceu o engajamento da militância. “O PT mostrou o seu vigor, a sua vitalidade, a vontade de participar do processo democrático. E esse momento tão bonito, que são as eleições, é onde a gente pode depositar nosso voto na urna e escolher quem vai nos dirigir pelos próximos quatro anos nos municípios brasileiros”, exaltou.

Alianças estratégicas

A parlamentar enfatizou ainda as alianças costuradas pelo PT, com candidatos disputando o segundo turno em capitais, como é o caso de São Paulo, a maior e mais rica cidade do Brasil. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) vai concorrer ao Palácio dos Bandeirantes contra o atual prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB). A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), considerada a melhor administradora que a capital paulistana teve nos últimos 40 anos, compõe a chapa com Boulos.

“Aí não posso deixar de falar de São Paulo, a importância que tem o Boulos ir para o segundo turno em São Paulo, mostrando a resiliência, a resistência das forças de esquerda e do campo progressista e democrático na maior cidade do país. E agora, a partir de segunda-feira, é uma outra eleição e nós vamos estar articulando com as forças políticas, com a nossa militância, como os movimentos sociais, para fazer de Boulos o prefeito da cidade de São Paulo”, assegurou Gleisi.

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No Rio de Janeiro, o PT e outras forças progressistas deram a vitória ao candidato Eduardo Paes (PSD) ainda no primeiro turno. Ele obteve 60,47% dos votos válidos. A presidenta do PT fez questão de lembrar que a vitória expressiva se deu no berço político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que apoiou o segundo colocado, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

“Bolsonaro, que escolheu seu candidato, o Ramagem, que foi seu chefe da arapongagem, não conseguiu levá-lo para o segundo. E Eduardo Paes, que esteve nesse campo democrático, com o apoio do presidente Lula, ganha a eleição no primeiro turno. Julgo isso de grande importância para o campo democrático, progressista, popular”, lembrou a parlamentar.

O PT se aliou também a João Campos (PSB), que foi reeleito prefeito do Recife no primeiro turno, com 78,11% dos votos válidos.

Disputa nas capitais

Outros quatro candidatos petistas disputam o segundo turno em capitais: as deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS), em Porto Alegre, e Natália Bonavides (PT-RN), em Natal, e os deputados estaduais Evandro Leitão (PT), em Fortaleza, e Lúdio Cabral (PT), em Cuiabá.

Nas cidades com mais de 200 mil eleitores, as prefeitas de Contagem, Marília Campos (PT), e de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), foram reeleitas para mais um mandato. A legenda disputa segundo turno em pelo menos mais 12 cidades.

Da Redação, com TSE

Decola do Líbano o segundo voo com 227 resgatados da zona de conflito

 Nesta segunda-feira (7), às 12h30 (horário de Brasília), decolou do Líbano o KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB), trazendo 227 brasileiros e familiares, além de três animais de estimação, na segunda etapa da Operação Raízes do Cedro. A informação é da Força Aérea Brasileira, que coordena a missão em parceria com o Itamaraty. A previsão é que o avião aterrisse na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, na manhã desta terça-feira (8), após uma escala técnica em Lisboa, Portugal.

O grupo resgatado é composto por 49 crianças, sendo sete delas de colo. A aeronave levou ao Líbano uma doação humanitária de insumos médico-hospitalares solicitados pelas autoridades locais, e novas remessas de bens emergenciais estão previstas para os próximos voos. Na primeira etapa da operação, que aterrissou no domingo (6), 229 pessoas e três animais domésticos foram trazidos ao Brasil, onde foram recebidos pelo presidente Lula (PT) e por uma equipe do governo federal responsável por agilizar o desembaraço de bagagens e providenciar assistência social e de saúde aos repatriados.

Com esses dois voos, a operação soma 456 passageiros e seis animais de estimação resgatados. Assim como no primeiro resgate, a prioridade permanece para mulheres, crianças, idosos e brasileiros não residentes no Líbano. O trabalho envolve uma coordenação intensa entre equipes do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília e na Embaixada do Brasil em Beirute, além da ação operacional da FAB. Estima-se que a comunidade brasileira no Líbano seja de cerca de 20 mil pessoas, e aproximadamente três mil já manifestaram interesse em retornar ao Brasil.

“Nossa intenção é colocar aqui na base aérea de São Paulo cerca de 500 pessoas por semana”, afirmou o comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, durante a recepção do primeiro grupo de brasileiros repatriados.

Orientações do Itamaraty – O governo brasileiro reforça que os cidadãos no Líbano sigam as orientações de segurança das autoridades locais. Para aqueles que possuem condições financeiras, é recomendável que deixem o país por meios próprios. O aeroporto de Beirute permanece operacional, com voos regulares, especialmente da companhia Middle Eastern Airlines. O Itamaraty disponibiliza um número de plantão consular para emergências: +55 (61) 98260-0610 (com WhatsApp).

Facilitação para pets – O Ministério da Agricultura e Pecuária continua flexibilizando as regras para a entrada de cães e gatos provenientes do Oriente Médio. As unidades de Vigilância Agropecuária Internacional, em conjunto com a Coordenação de Trânsito e Integração Nacional de Cargas e Passageiros, adotaram protocolos especiais, permitindo a entrada dos animais sem a apresentação imediata de documentos, exigidos normalmente em outras situações.

O que é a Operação Raízes do Cedro – Determinada pelo presidente Lula, a Operação Raízes do Cedro é uma resposta à escalada do conflito entre Israel e o grupo Hezbollah, no Líbano. A logística de repatriação envolve a mobilização de aeronaves e servidores da FAB, além de articulações diplomáticas conduzidas pelo Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mantém conversas com autoridades libanesas e de países vizinhos para garantir que as operações de resgate ocorram com segurança e eficiência.

A ação segue o modelo da Operação Voltando em Paz, realizada em outubro de 2023, que repatriou mais de 1,5 mil brasileiros da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Israel. Na ocasião, mais de 50 animais de estimação também foram resgatados.

Brasil247

Nunes e Boulos crescem e lideram, enquanto Marçal apresenta nova queda, diz pesquisa

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta sexta-feira (27) revela um empate técnico entre Ricardo Nunes (MDB), com 28% das intenções de voto, e Guilherme Boulos (PSOL), que registra 24,9%. Pablo Marçal (PRTB) aparece com 20,5%, empatando tecnicamente com o psolista no limite da margem de erro, que é de 2,6 pontos percentuais.

Tanto Nunes quanto Boulos oscilaram 1,2 ponto para cima, permanecendo dentro da margem de erro. Comparado com a pesquisa da semana passada, Nunes passou de 26,8% para 28%, enquanto Boulos variou de 23,7% para 24,9%.

Marçal teve uma oscilação de 0,5 ponto para baixo, mas ainda empata tecnicamente com Boulos. O candidato do PRTB caiu de 21% para 20,5% em relação ao levantamento anterior, indicando uma leve tendência de queda desde o início do mês. A diferença atual entre os dois é de 4,4 pontos percentuais, o que, considerando a margem de erro, configura um empate técnico.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB) aparece com 7,3% das intenções de voto, enquanto o apresentador de TV José Luiz Datena (PSDB) tem 7,1%, também empatados tecnicamente.

Outros candidatos na disputa são Marina Helena (Novo) com 2,1%, Bebeto Haddad (DC) com 0,4%, João Pimenta (PCO) com 0,3%, Ricardo Senese (UP) com 0,3%, e Altino Prazeres (PSTU) com 0,2%. Indecisos representam 3,9%, e 4,9% dos eleitores paulistanos pretendem votar em branco ou nulo.

Levantamento do Paraná Pesquisas revela empate técnico entre Nunes e Boulos (PSOL); Pablo Marçal (PRTB) aparece em terceiro. Foto: Reprodução.

Pesquisa espontânea

Na pesquisa espontânea, onde os entrevistados apontam seu candidato preferido sem consultar uma lista oficial, Nunes foi mencionado por 19,7% dos eleitores, seguido por Boulos com 17,3% e Marçal com 15,7%. Tabata Amaral obteve 4,2%, Datena 3,3%, e Marina Helena 0,9%. Já Bebeto Haddad, João Pimenta e Ricardo Senese foram citados por 0,1% cada.

Cenários de segundo turno

Em um possível segundo turno entre Ricardo Nunes e Guilherme Boulos, o atual prefeito tem uma vantagem, com 51,6% das intenções de voto, contra 32,7% de Boulos. Indecisos somam 5,5%, e 10,2% dos eleitores optariam por votar em branco ou nulo.

Caso Nunes enfrente Marçal no segundo turno, sua vantagem é ainda maior, com 54,7% das intenções de voto contra 25,8% do ex-coach. Nesse cenário, 13,7% votariam em branco ou nulo, enquanto 5,8% não sabem em quem votariam.

Se o segundo turno for entre Boulos e Marçal, o deputado do PSOL tem uma ligeira vantagem, com 43,7% contra 36,6% do candidato do PRTB. Indecisos representam 5,8%, e 13,9% dos eleitores paulistanos declararam voto em branco ou nulo.

A Paraná Pesquisas ouviu 1.500 eleitores paulistanos entre os dias 23 e 26 de setembro. O índice de confiabilidade é de 95% e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-09331/2024.

MENTIROSO: Trump desmente Farçal e nega ter enviado carta após cadeirada

O ex-coach mentiu ao afirmar que recebeu carta em que o ex-presidente lamenta o ocorrido

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter enviado uma carta ao candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Pablo Marçal, após o episódio da cadeirada no debate da TV Cultura, informa o Metrópoles. Marçal afirmou na última segunda-feira (23), antes do debate promovido pelo Flow Podcast, que recebeu uma carta de Trump e comparou a cadeirada com o suposto atentado cometido contra o ex-presidente americano.

“Recebi uma carta do Trump falando que lamenta muito o ocorrido. O Trump que é um cara que sofreu também um atentado agora. Cada um na sua escala: o presidente dos Estados Unidos é bala de fuzil, o Bolsonaro é faca, e a Prefeitura de São Paulo, que é mais baixo um pouquinho, é cadeirada”, disse.

No entanto, o porta-voz da campanha de Trump, Jason Miller, desmentiu o ex-coach ao jornalista Paulo Cappelli. “O presidente Trump não enviou nenhuma carta do tipo”, afirmou. De acordo com Donald Trump, nenhuma carta foi destinada nem a Marçal nem a nenhum outro integrante da equipe do ex-coach no Brasil. O Metrópoles também pediu a Pablo Marçal uma foto da carta que ele teria recebido, mas ele não respondeu.

O candidato do PRTB também afirmou que estava viabilizando um encontro com o ex-presidente americano. “Estou viabilizando isso. Vou ver se eu consigo encaixar. É muita sabatina, e eu gosto de ir pro debate. Se eu conseguir um buraco na agenda, eu vou ver se dou um pulo lá, pelo menos umas 24 horas, para encontrar com o Donald Trump”, disse.

Brasil247

A cadeirada tirou Marçal do páreo

O “comedor de açúcar” derrubou o “ironman”

Por Alex Solnik (*)

Pablo Marçal entrou na campanha usando e abusando de sua autoconfiança, preparadíssimo para atacar todos os outros, que passou a desqualificar colocando apelidos pejorativos.

Nunes virou “Bananinha”; Boulos, “Aspirador de pó”; Datena, “Comedor de açúcar” e Tabata, “Chatabata”. A sua colega da direita não apelidou.

Induzido e iludido pelos números das pesquisas, que o colocavam ao lado dos dois favoritos, dobrou a aposta, além dos apelidos passou a acusá-los de crimes inexistentes (menos a sua colega de direita), forçando-os a se defender e não tem coisa mais complicada que se defender de algo que não existe.

Tentou forjar uma realidade paralela, na qual todos seus oponentes são as piores pessoas do mundo e ele é o único virtuoso, apesar de a realidade mostrar que ele era o único condenado e preso aos dezoito anos por integrar uma quadrilha que roubava clientes de bancos via internet e integrantes de seu partido são investigados por laços com o PCC.

Confiou que, ocupando seus adversários em se defender dele, não teriam tempo para atacá-lo. Ou julgou que era tão poderoso e mau, que ninguém ousaria atacá-lo, sua resposta seria ainda mais maligna. Apostou que seu comportamento extremamente agressivo geraria medo nos demais e ele, por ser o mais forte, os esmagaria, como geralmente acontece nas fábulas de La Fontaine, e eles passariam por covardes. E ninguém quer um covarde no comando de uma metrópole violenta e insegura.

A sua aposta na hostilidade, na vileza e no mau caratismo estava dando certo até o dia em que ele percebeu que sua única chance de desbancar o candidato oficial do bolsonarismo e chegar ao segundo turno era tirar do páreo o candidato que estava caindo pelas tabelas, mas ainda mantinha um eleitorado conservador significativo, o Datena, a quem passou a fustigar sem dó nem piedade, contando que ele ficaria acuado no canto do ringue, fugiria do embate, jogaria a toalha. Era, afinal, um “comedor de açúcar” e ele, o “ironman”.

Só que o imprevisível Datena respondeu com um argumento até então inédito em debates eleitorais: sentou-lhe uma cadeirada nas costas ao vivo e a cores.

E aí o Marçal, sempre tão assertivo, tão ego-centrado, pela primeira vez na campanha, hesitou. Vacilou. Pego de surpresa, não soube responder. A princípio quis continuar no debate, mas em seguida decidiu embarcar numa ambulância, a caminho da UTI, abandonou o script do homem indestrutível para o de vítima de uma “tentativa de homicídio”, copiando a historinha da bolinha de papel na cabeça que José Serra tentou transformar em atentado, numa campanha do passado.

E aí o Marçal que achou que se vitimizar seria o atalho mais rápido para o segundo turno levou uma tremenda invertida tanto do público interno, que já está com ele, quanto daquele que planejava arrancar do “Comedor de açúcar”.

Os eleitores e eleitoras normais e tradicionais perceberam rapidamente que era uma farsa, na qual só imbecis cairiam, e eles, além de não serem idiotas como ele supõe, não querem um farsante na cadeira de prefeito; e seus admiradores esperavam que ele reagisse à cadeirada com outra cadeirada, ou sem dar a menor importância, por ser superior ao agressor, ou porque o homem é intrinsecamente violento, como ele prega em seus cursos, e não fugisse numa ambulância, provavelmente com medo de tomar outra cadeirada, o covarde ficou sendo ele, e seus admiradores não querem um covarde na cadeira do prefeito.

Pode parecer insólito, e é, mas o fato é que todas as pesquisas depois da cadeirada mostraram Marçal estacionado em terceiro lugar, descolado dos dois primeiros, e Datena, que estava quase pedindo para sair e voltar logo à TV, de repente ganhou fôlego, praticamente carregado nos ombros pelo povo, e agora fica mesmo até o fim, segurando os votos tão decisivos para Marçal.

E Marçal, que no debate do SBT confessou que nessa campanha mostrou a sua “pior parte”, praticamente saiu do páreo, porque ninguém quer ver a sua apavorante “pior parte” na prefeitura.

Moral da história: nunca menospreze um “comedor de açúcar”, nem que você seja um “ironman”.

(*)  Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

Fonte: Brasil 247

Ao insultar vacina obrigatória, Ricardo Nunes consuma casamento com Bolsonaro

Ricardo Nunes (MDB) deu uma cadeirada discursiva no Zé Gotinha e abraçou o pior do bolsonarismo-raiz ao afirmar que é contra a obrigatoriedade da vacina. Entende-se que, em nome do voto, candidatos comam salgado em boteco duvidoso, beijem filhote de cachorro de rua e deem bom dia para cavalo, mas abraçar uma posição que coloca crianças em risco é abrir o alçapão no fundo do poço.
“Tenho muita tranquilidade, depois de toda experiência, e tenho humildade para te falar que hoje sou contra a questão da obrigatoriedade”, disse o prefeito ao podcast do bolsonarista Paulo Figueiredo, sobre a pandemia de covid-19. Depois, em outra entrevista, afirmou que, hoje, não teria feito o passaporte da vacina.
Por “hoje”, leia-se, em uma campanha eleitoral em que ele precisa tirar votos bolsonaristas que estão com Pablo Marçal (PRTB). O prefeito tem 40% desse grupo, o influenciador conta com 41%, segundo o Datafolha.
Questionado por Guilherme Boulos (PSOL) sobre essas declarações no debate do SBT, nesta sexta (20), Nunes reclamou que o deputado federal estava levando a discussão para a “baixaria”, tratou apenas do passaporte vacinal sem falar do arrependimento sobre a obrigatoriedade e ainda disse que ele tornou São Paulo a capital mundial da vacina. O que é irônico, pois a Forbes só se referiu à cidade dessa forma na pandemia devido ao sucesso de ações como a obrigatoriedade e o passaporte.
O Brasil já foi um caso exemplar de vacinação para o mundo, mas vem apresentando queda na taxa de imunização, o que disparou o alerta no Sistema Único de Saúde. Muito por conta da viralização do discurso negacionista. O prefeito não nega a importância das vacinas, mas é contra a sua obrigatoriedade, o que dá quase no mesmo. Por trás do discurso de “liberdade absoluta” que excita o bolsonarismo, está o risco à vida. Pôr em risco a vida dos paulistanos vale uma eleição?

Por Leo Sakamoto UOL

Datafolha – Efeito cadeirada: Boulos e Nunes comemoram; Marçal desaparece

O Datafolha divulgou nesta quinta-feira (19) nova rodada de pesquisa com a intenção de votos à prefeitura de São Paulo. Os dados mostram Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) tecnicamente empatados na primeira posição com 27% e 26%, respectivamente. Já o influenciador Pablo Marçal aparece atrás com 19%.

Além de estar atrás de Boulos e Nunes, outro dado deve preocupar Pablo Marçal: sua rejeição, que estourou e agora está em 47%, o que, na prática, torna a candidatura do influenciador impraticável, caso ele vá ao segundo turno.

Após a divulgação da pesquisa, Ricardo Nunes e Guilherme Boulos comemoraram os números. Já Pablo Marçal desapareceu e apenas publicou alguns vídeos onde aparece dando entrevistas e repetindo os mesmos ataques de sempre contra seus oponentes.

O sumiço de Marçal também se deve aos dados revelados pela Quaest na quarta-feira (18): Nunes aparece com 24%, Boulos com 23% e Marçal com 20%, um recuo de três pontos em relação à pesquisa anterior do instituto.

Ainda restam quinze dias para o primeiro turno das eleições de 2024, e o cenário pode mudar até lá, mas, neste momento, o panorama é desfavorável para Marçal, pois mostra uma crescente rejeição, recuperação de Nunes entre os bolsonaristas e a consolidação de Guilherme Boulos.

O influenciador prometeu mudar a estratégia de campanha e partir para cima de Ricardo Nunes, pois, para Marçal chegar ao segundo turno, ele precisa tirar votos do candidato do MDB. A conferir.

Datafolha mostra disputa acirrada entre Nunes e Marçal por voto bolsonarista

Levantamento Datafolha desta quinta-feira (19) mostra que a disputa pela prefeitura de São Paulo segue empatada entre Ricardo Nunes (27%) e Guilherme Boulos (26%). O influenciador Pablo Marçal aparece na terceira posição com 19%.

A pesquisa do Datafolha também traz o dado de transferência de votos dos padrinhos políticos e, neste setor, Nunes e Marçal têm uma disputa acirrada, com recuperação do prefeito da capital paulista.

No levantamento desta quinta, Pablo Marçal tem 41% dos votos dos eleitores de Jair Bolsonaro, e Ricardo Nunes tem 40%. Esse dado é positivo para o prefeito, pois na rodada anterior ele tinha 39% e o influenciador, 42%, ou seja, ele está recuperando o voto daqueles que apoiam o ex-presidente.

Essa recuperação de Ricardo Nunes entre os bolsonaristas está ligada a alguns fatores: participação em programas bolsonaristas, ida ao ato do 7 de Setembro e a defesa pública de pautas como o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a contrariedade à obrigatoriedade da vacinação contra a Covid, uma pauta cara aos bolsonaristas.

Já no campo da esquerda, Guilherme Boulos lidera entre aqueles que apoiam o presidente Lula: 48%. Boulos também herda votos daqueles que votaram em Fernando Haddad para governador, em 2022: 53%.

Datafolha: Empate com Nunes 1 ponto à frente de Boulos; cadeirada engessa Marçal

A nova pesquisa Datafolha sobre a corrida pela Prefeitura de São Paulo, divulgada na tarde desta quinta-feira (19), mostra que a briga pela primeira colocação segue firme e forte entre o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Já o coach Pablo Marçal (PRTB), alvo de uma cadeirada desferida pelo jornalista e candidato José Luiz Datena (PSDB) no último domingo (15), que monopolizou a pauta eleitoral em todo o país, ficou engessado e cada vez mais distante do primeiro pelotão.

De acordo com os números do Datafolha, Nunes tem 27% das intenções de voto, seguido muito de perto por Boulos, que obteve 26%. Já bem mais atrás, com os mesmos 19% da preferência do eleitorado da semana passada, vem Marçal, aparentemente fustigado pelo bizarro episódio que só teve vez por conta da insistência infantil e insuportável do ex-integrante de uma quadrilha de fraude a bancos em ficar provocando de maneira insultuosa quase todos os adversários.

Na quarta colocação aparece a deputada federal Tabata Amaral (PSB), com 8% da preferência dos entrevistados, um pouco à frente de Datena, com 6%. Depois, em sexto lugar, está Marina Helena (Novo), com 3% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 6%, ao passo que os que não souberam ou não quiseram responder totalizaram 3%.

Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, segundo seus realizadores, a pesquisa Datafolha ouviu 1.204 eleitores em vários pontos da capital paulistas, entre terça (17) e esta quinta-feira (19). O registro da sondagem na Justiça Eleitoral é o SP-03842/2024.

Revista Fórum

Condenações do 8 de Janeiro: a justiça e os riscos da radicalização trans-bolsonarista

As recentes condenações dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília marcam um momento crucial para a democracia brasileira. No entanto, a questão vai além da simples aplicação da lei. Ela revela um dilema complexo sobre as narrativas que moldaram a percepção de grande parte dos envolvidos, bem como os riscos de uma nova direita radical emergente, que pode ser ainda mais perigosa do que o movimento bolsonarista original.

Os participantes dos atos de 8 de janeiro, na maioria cidadãos comuns com pouca participação política e parcos conhecimentos da legislação, agiram sob a crença de que estavam desempenhando um papel patriótico. Convencidos de que impediriam a ascensão de um “criminoso, ex-presidiário” ao poder, muitos acreditavam estar respaldados por setores das Forças Armadas, das Polícias e agentes de segurança, que, publicamente, têm simpatizado com a extrema direita bolsonarista.

Essa suposição, amplificada por desinformação, levou-os a marchar cegamente para o que agora pode ser visto como uma armadilha política.A ilusão de que uma intervenção militar ou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) seria acionada para “salvá-los” nunca se concretizou. Pelo contrário, o governo federal tomou a decisão estratégica de não seguir esse caminho. Ao não acatar a sugestão de uma GLO Lula tornou sem sentido a manifestação, mas isso não impediu que muitos dos envolvidos ainda se vissem como mártires de uma causa que não compreendiam totalmente.

A falta de compreensão das acusações que enfrentam reflete o grau de manipulação a que parcela importante desses indivíduos foi submetida.  Para eles, não houve crime, mas sim uma tentativa legítima de proteger a nação de uma “fraude eleitoral”. Ao atacar as instituições mais simbólicas do sistema democrático, como o Supremo Tribunal Federal (STF) , o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, encontraram o peso do Judiciário. Contudo, a narrativa de que são vítimas de um sistema corrompido se solidificou entre muitos desses indivíduos, criando um senso de sacrifício que pode ser usado como combustível para novas ondas de radicalização.

O bolsonarismo, enquanto movimento político, está em transição. As condenações não eliminam o potencial de ascensão de uma direita radical ainda mais organizada e articulada. Figuras como Pablo Marçal são exemplos de como esse espectro político pode se reconfigurar.  Diferente de Bolsonaro, que se apoiava em estruturas partidárias e alianças militares, Marçal se posiciona como um agente autônomo, livre de vínculos tradicionais e capaz de explorar o desencanto de setores sociais através de discursos populistas e anti-establishment sob o discurso de que “não é um ser político”.

Essa nova direita é potencialmente mais perigosa por sua flexibilidade ideológica e capacidade de mobilização. Ela não depende dos aparatos tradicionais do poder, mas se constrói em torno de líderes carismáticos que operam à margem do sistema partidário, explorando o esgotamento das massas com a política tradicional.

Um dos fatores dessa radicalização é o combate cotidiano contra uma política educacional capaz de formar cidadãos críticos e politicamente conscientes. A ênfase excessiva no empreendedorismo como solução universal para problemas sociais criou uma geração de jovens que se identificam com a lógica neoliberal de sucesso individual, muitas vezes sem questionar suas implicações. Inspirados por figuras como Elon Musk, esses jovens acreditam que o único obstáculo para se tornarem bilionários são os direitos trabalhistas e a regulamentação imposta pelo Estado, perpetuando um ciclo de alienação.  O Poder Público que deveria enfrentar esta situação trabalhando coordenadamente por uma educação que forme consciência crítica e avance na compreensão das questões básicas para enfrentar o discurso do ódio assumiu a política educacional como sua sucumbiu ao recuar no enfrentamento às reformas impostas ao Ensino Médio durante o governo Temer e referendadas por Bolsonaro.  A coalizão de governo, sob forte pressão de interesses privatistas, de governos estaduais, de corporações e alianças com setores conservadores, atravessou a base progressista com a estratégia de conciliar interesses inconciliáveis e estrategicamente incongruentes com os princípios programáticos nucleares do próprio governo central.

Essa tibieza educacional deixou grande parcela da juventude vulnerável ao apelo de figuras autoritárias, que oferecem respostas simples para questões complexas. A política educacional que prioriza o empreendedorismo sem senso crítico contribui para a ascensão de líderes como Marçal, que se vendem como a solução para os males causados pela “interferência do Estado”.

As condenações dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro são um passo importante para a preservação do Estado Democrático de Direito, mas não representam o fim da luta contra a radicalização de direita no Brasil. A construção de mártires, aliada à precariedade educacional, cria um cenário propício para o surgimento de uma extrema direita pós-bolsonarista que pode ser mais perigosa, sofisticada e autônoma. O desafio está em combater não apenas os efeitos visíveis dessa radicalização, mas suas causas profundas – o ressentimento social, a manipulação ideológica e a destituição de uma ação educativa que prepare o cidadão para os desafios do mundo contemporâneo, princípio constitucional da educação nacional.

 

Ronald Pinto

setembro/2024

Terrorismo israelense no Líbano matou criança, cegou mais de 500 pessoas e deixou mais de 2.800 feridos

Explosões simultâneas de pagers inauguram uma nova fase na tecnologia de assassinatos

A explosão quase simultânea de pagers, dispositivos eletrônicos usados para receber mensagens curtas, criou uma onda de pânico em várias regiões do Líbano nesta terça-feira. O ataque terrorista provocado por Israel deixou ao menos 12 mortos, incluindo uma criança, além de mais de 2,8 mil feridos, o que sobrecarregou o sistema de saúde do país, que rapidamente lançou uma campanha de doação de sangue. Entre os feridos, 200 estão internados em estado grave, e mais de 500 pessoas perderam a visão, de acordo com o Ministério da Saúde libanês, como reporta o jornal O Globo.

O Hezbollah e membros do governo libanês acusaram Israel de estar por trás do ataque. Embora o governo israelense ainda não tenha se pronunciado oficialmente, fontes próximas ao gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmaram ao New York Times que a ordem partiu dele. O Hezbollah, por sua vez, informou que seu líder, Hassan Nasrallah, não se feriu, mas o embaixador do Irã no Líbano, Mojtaba Amani, sofreu ferimentos leves. O incidente também repercutiu na Síria, onde o Hezbollah atua com frequência, resultando em 14 feridos em explosões relatadas pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro, o uso de pagers foi intensificado entre os membros do Hezbollah, a pedido de Nasrallah, por serem considerados mais seguros e difíceis de rastrear em comparação aos celulares convencionais. No entanto, os dispositivos, vistos por muitos como obsoletos, ainda são amplamente utilizados por profissionais de saúde e equipes de emergência. A explosão simultânea dos pagers, que alguns analistas acreditam ter sido causada por infiltração na linha de montagem ou malware que superaqueceu as baterias, deixou pouco tempo para os portadores se desfazerem dos aparelhos.

Firass Abiad, ministro da Saúde libanês, informou que os ferimentos mais graves atingiram o abdômen, as mãos e o rosto, devido à proximidade das vítimas com os pagers no momento das explosões. Um vídeo mostra um homem em uma motocicleta no exato momento em que o pager que ele carregava na cintura explode.

Brasil247

Ao vivo : debate RedeTV/UOL com candidatos à prefeitura de São Paulo

Em parceria com o UOL, a RedeTV! promove hoje as 10h20 (Brasilia) debate com os seis candidatos à Prefeitura de São Paulo mais bem posicionados nas pesquisas. O encontro terá duração de duas horas e 20 minutos e será dividido em cinco blocos. Estão confirmados para o debate: Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), Pablo Marçal (PRTB), Tabata Amaral (PSB), José Luiz Datena (PSDB) e Marina Helena (Novo) — as regras foram acertadas em reunião com os representantes de cada campanha

RedeTV! e UOL realizam o próximo debate para prefeito de SP nesta terça; veja onde assistir

O sexto confronto de propostas começa às 10h20 com as participações de Boulos, Datena, Marina Helena, Marçal, Nunes e Tabata

Após o debate na TV Cultura, os candidatos à prefeitura de São Paulo voltam a se reencontrar nesta terça-feira, 17, para mais um confronto de propostas e ideias sobre a cidade. O evento será realizado pela RedeTV! e o UOL com transmissão vivo nos canais dos veículos a partir das 10h20. Foram convidados os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenções de voto para prefeito da capital.

ão eles: Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB)Marina Helena (NOVO), Pablo Marçal (PRTB), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB). De acordo com o pool, todos já confirmaram presença.

Após o debate na TV Cultura, realizado no último domingo, 16, e a agressão de Datena a Marçal, surgiram dúvidas sobre a continuidade do evento. O UOL, porém, publicou uma matéria confirmando sua realização.

O debate terá duração de duas horas e 20 minutos e será dividido em cinco blocos. O primeiro e terceiro serão de confrontos diretos entre os adversários. Eles terão 30 segundos para fazer a pergunta, 90 segundos para resposta e 45 segundos para réplicas e tréplicas.

Nos segundo e quarto blocos, os candidatos responderão a perguntas feitas pelos jornalistas do UOL Raquel Landim, Thais Bilenky e Thiago Herdy e da RedeTV! Willian Kury, Stella Freitas e Felipe Brosco.

A ordem dos candidatos que vão responder às perguntas de cada profissional será sorteada ao vivo. Já no quinto e último bloco, os candidatos terão um minuto e 30 segundos para considerações finais.

Quando será o debate RedeTV!/UOL em SP?

Data: 17 de setembro, terça-feira
Horário: 10h20
Candidatos confirmados: Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB), Marina Helena (NOVO), Pablo Marçal (PRTB), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB)

Onde assistir: A transmissão será feita pela RedeTV!, A Democracia, na home UOL e no YouTube do UOL

As regras

A organização vetou o uso de celular ou câmera fotográfica no palco e pelos assessores durante o debate.

Os candidatos também não poderão exibir qualquer documento ou objeto, nem poderão sair do púlpito estabelecido, salvo em caso de autorização da mediadora, Amanda Klein da RedeTV!.

Os pedidos de direito de resposta serão avaliados pelo comitê arbitral, de acordo com as emissoras, que inclui um advogado com conhecimentos em direito eleitoral. Caso a solicitação seja atendida, o candidato ofendido terá um minuto para se manifestar.

Quem descumprir alguma das regras será advertido e, em caso de nova violação, poderá ser suspenso do bloco e depois, convidado a se retirar do estúdio. O pool também divulgou que os profissionais da equipe de segurança poderão ser acionados, se for considerado necessário.

Regras mais rígidas vêm sendo fixadas desde o debate da TV Gazeta e MyNews, no dia 8 de setembro. Isso, contudo, não tem sido suficiente para conter os candidatos. Os outros cinco debates foram marcados por xingamentos, apelidos perjorativos, ausência de debate sobre os temas da cidade e ameaça de agressão.

No último, realizado neste domingo 15, pela TV Cultura, Datena agrediu com uma cadeira Marçal, após ser provocado pelo adversário do PRTB.

Próximos debates em SP

Além do encontro nesta terça também estão previstos outros quatro debates antes do primeiro turno, no dia 6 de outubro.

  • UOL/RedeTV: 17 de setembro, às 10h20;
  • SBT: 20 de setembro, a partir das 11h15;
  • Record: 28 de setembro, entre 21h e 23h15;
  • UOL/ Folha de S.Paulo: 30 de setembro, às 10h;
  • TV Globo: 3 de outubro, às 22h.

Fonte: Exame

VÍDEO Após nocautear Marçal, Datena diz que pretende continuar na corrida

Datena admite erro, mas diz que pretende continuar na corrida. Após agredir Pablo Marçal (PRTB), José Luiz Datena diz que foi acusado de cometer o que jamais cometeu. Momentos antes, o autodenominado ex-coach relembrou uma acusação de assédio sexual que o jornalista respondeu em 2019. “Me senti agredido, vi a figura da minha sogra [que morreu após a acusação de assedio]. Infelizmente, eu perdi a cabeça. Não devia ter perdido? Acredito que não, poderia ter simplesmente saído e ido embora para casa, teria sido melhor.” Ele lembrou que assim como já chorou em entrevista, como na sabatina promovida pela Folha e UOL, teve a reação contra Marçal que diz que “não pode se conter”. Por fim, disse que pretende se manter candidato do PSDB “até o fim”.

 

VÍDEOS Datena e Marçal fora do debate após briga entre os dois

Datena arremessa cadeira em Marçal após provocação: “Você não é homem”. O apresentador José Luiz Datena (PSDB) bateu com uma cadeira no influenciador Pablo Marçal

São Paulo – O apresentador José Luiz Datena (PSDB) bateu com uma cadeira no influenciador Pablo Marçal (PRTB) durante o debate da TV Cultura à Prefeitura de São Paulo, na noite deste domingo (15/9). Marçal  provocou Datena até que este foi pra cima do picareta.

Datena foi expulso do debate, conforme determinava as regras. E Pablo Marçal deixou o debate por não estar se sentindo bem.

A farsa da negação da política: chega de hipocrisia e salvadores da Pátria

Por Édson Silveira (*)

A negação da política é uma farsa descarada que cada vez mais candidatos utilizam para enganar o eleitor. Esses candidatos que dizem “não ser políticos” estão, na verdade, disputando cargos públicos, o que expõe uma hipocrisia monumental. Como alguém pode negar a política ao mesmo tempo em que luta por um cargo que existe justamente para fazer política? Esse discurso é um truque barato, uma tentativa de manipular o eleitorado que está cansado de escândalos e promessas vazias. A política é o pilar de uma sociedade organizada, e é por meio dela que se constrói o debate de ideias e o progresso democrático. Negá-la é desonesto e perigoso.

A ideia de que “todo político é ladrão” é um argumento preguiçoso, usado por quem quer manipular o povo. Sim, existem corruptos, mas existem também políticos sérios e comprometidos com o bem público. Generalizar é um tiro no pé, porque abre espaço para oportunistas que se dizem “diferentes” e, no final, são piores do que aqueles que criticam. Chegou a hora de demitir por justa causa os políticos que nos enganaram, que não cumpriram suas promessas e que só usaram o cargo para benefício próprio. Em Porto Velho, a maioria dos vereadores fez exatamente isso: decepcionou a população e não merece sequer pensar em reeleição.

O que precisamos é de uma renovação real. Chega de personalismos, de figuras que se colocam como “salvadores da pátria”. Precisamos de representantes que tenham lado, que sejam claros em suas posições e honestos com o eleitor. Essa história de candidato “independente” é pura balela. Quem se diz independente é, geralmente, alguém que governará sozinho, sem prestar contas a ninguém, sem ouvir o povo. O resultado? Uma administração centralizadora e antidemocrática. Porto Velho, com seus enormes desafios de infraestrutura, não vai resolver seus problemas sem apoio dos governos estadual e federal. E, para isso, o próximo prefeito precisa ter articulação política em Brasília e com o Estado. Acreditar que isso se resolve com um “gestor técnico” é cair em outra armadilha.

E quantos exemplos já tivemos de políticos que se elegeram negando a política e se tornaram profissionais da política? O maior exemplo disso em Porto Velho é Hildon Chaves. Ele se apresentava como promotor de justiça, o paladino da moralidade, mas depois de eleito se revelou apenas mais um político tradicional. Foi reeleito, elegeu sua esposa, Iêda Chaves, como deputada estadual, e agora quer fazer de Mariana Carvalho sua sucessora na prefeitura, tudo com um único objetivo: fortalecer seu grupo político para disputar, em 2026, a sucessão do governador Marcos Rocha. Onde foi parar o puritanismo desse senhor?

Esse discurso de negação da política é uma máscara, uma armadilha para o eleitor desavisado. Não podemos mais cair nessa. Chegou o momento de fazer escolhas conscientes, de rejeitar aqueles que se escondem atrás de discursos vazios e abraçar candidatos que tenham compromisso real com o coletivo.

Eu, Édson Silveira, nascido nesta cidade, advogado e vice-presidente estadual do PT/Rondônia, tenho lado. Vou votar no próximo dia 06 de outubro em Célio Lopes 12 PDT para prefeito de Porto Velho, que tem o apoio do PT e do governo do presidente Lula, sem medo de ser feliz. Precisamos de um gestor que tenha compromisso com a população, que saiba dialogar com as esferas federal e estadual para conseguir as melhorias que nossa cidade tanto necessita. Não podemos cair mais em discursos vazios e promessas de salvadores da pátria. O futuro de Porto Velho depende de escolhas claras e responsáveis.

15 de setembro de 2024.

(*) Édson Silveira é advogado e vice-presidente estadual do PT/RO.

Assista aqui ao vivo: TV Cultura promove debate hoje com candidatos à prefeitura de São Paulo

TV Cultura realiza hoje, dia 15 de setembro, o debate com candidatos à prefeitura de São Paulo no primeiro turno. A transmissão acontece a partir das 22h (horario de Brasilia)ao vivo, diretamente do Teatro B32.

Estão confirmadas as participações de Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB), Marina Helena (Novo), Pablo Marçal (PRTB), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB).  Os candidatos discutirão propostas em cinco blocos, abordando temas centrais para o futuro da cidade.

Regras

Não haverá plateia, e jornalistas não poderão assistir ao programa dentro do auditório. Cada candidato pode levar até três assessores, e só um terá acesso ao palco.

➡️ Participantes não podem deixar seus lugares ou usar o celular para fotografar e filmar. Os assessores que acompanham os candidatos só poderão usar os telefones para consultas. Palavrões também estão barrados.

➡️ As regras são parecidas com as do último debate, da Gazeta/MyNews, que aconteceu no dia 1º. O rigor, no entanto, não foi suficiente para conter os candidatos, que trocaram xingamentos, apelidos pejorativos e acusações diversas.

https://ademocracia.com.br/2024/09/16/datena-e-marcal-fora-do-debate-apos-briga-entre-os-dois/

“Power Point” da PF mostra conluio de Moro, Dallagnol e Hardt para desviar R$ 2,5 bi da Petrobrás

Dallagnol foi condenado pelo STF a indenizar Lula pela “habilidade com marketing” – como definiu o ex-procurador sobre o Power Point. Investigação da PF foi remetida ao CNJ e está nas mãos de Dias Toffoli, no STF

Relatório produzido pela Polícia Federal (PF) a partir da correição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra em um organograma o conluio entre o ex-juiz Sergio Moro (União-PR), o ex-procurador-chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Gabriela Hardt – que substituiu o hoje senador na 13ª Vara Federal de Curitiba – para desviar R$ 2.567.756.592,00 para uma fundação que seria controlada por eles em “hipótese criminal de peculato-desvio”, que na prática seria corrupção.

O organograma é semelhante ao icônico Power Point apresentado por Dallagnol em 2016, que colocava Lula como centro do esquema de lawfare conduzido pela Lava Jato. Em abril deste ano, o ex-procurador foi condenado a indenizar Lula o presidente em R$ 75 mil pela estratégia de exposição.

Em mensagem, revelada em 2023 pela Vaza Jato, Dallagnol fez chacota com sua “habilidade com marketing” ao se referir ao Power Point a Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional no Brasil.
“Como procurador estou dando pro gasto como comunicador rsrs… deixa que eu vou fazer um gráfico de bolinhas concêntricas com as 12 propostas e vai bombar na net”, disse, em 20 de fevereiro de 2019, mais de dois anos após a famigerada primeira apresentação para tentar incriminar Lula.

Conluio

O relatório, a qual a Fórum teve acesso, é assinado pelo delegado Élzio Vicente da Silva, da PF, e foi enviado ao CNJ em abril deste ano. Em junho, a investigação foi remetida ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre a Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

O organograma mostra, em 11 pontos, o passo a passo do conluio entre Moro, Dallagnol e Gabriela Hardt para tentar desviar os R$ 2,5 bilhões pagos pela Petrobras em indenizações em processos nos EUA.

A estratégia começou em 20 de novembro de 2015, quando a Lava Jato inicia a cooperação ilegal com órgãos de investigação dos EUA, sem autorização das autoridades competentes no Brasil.

Na penúltima etapa, em 25 de janeiro de 2019, Gabriela Hardt homologa a tentativa de acordo para repassar o dinheiro para a ong que seria criada pelo grupo, que ficou conhecida como Fundação Dallagnol.

“O desvio do dinheiro só não se consumou em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal exarada no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº568, que suspendeu “todos os efeitos da decisão judicial proferida pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, que homologou o Acordo de Assunção de Obrigações firmado entre a Petrobras e os Procuradores da República no Paraná (Força-Tarefa Lava-Jato), bem como a eficácia do próprio acordo”, diz a PF, referindo-se ao último quadro do organograma, baseado em fatos colhidos durante a investigação.

Veja

 

Revista Forum

Datafolha: Nunes tem 27%, Boulos sobe, 25%, Marçal desaba, 19%

A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (12) sobre a eleição para prefeito de São Paulo mostra o prefeito Ricardo Nunes (MDB) numericamente à frente dos seus adversários e empatado tecnicamente com Guilherme Boulos (PSOL). Pablo Marçal (PRTB) recuou e saiu do empate triplo.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) aparece com 27%, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) tem 25% das intenções de voto, e o influenciador Pablo Marçal (PRTB) tem 19%.

Segundo a Folha de S.Paulo, o resultado deixou Nunes e Boulos isolados em relação a Marçal.

A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Veja os números

  • Ricardo Nunes (MDB): 27% (eram 22%)
  • Guilherme Boulos (PSOL): 25% (eram 23%)
  • Pablo Marçal (PRTB): 19% (eram 22%)
  • Tabata Amaral (PSB): 8% (eram 9%)
  • Datena (PSDB): 6% (eram 7%)
  • Marina Helena (Novo): 3% (eram 3%)
  • Bebeto Haddad (DC): 1% (era 1%)
  • Ricardo Senese (UP): 1% (era 1%)
  • João Pimenta (PCO): 0% (era 0%)
  • Altino Prazeres (PSTU): 0% (era 0%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 7% (eram 8%)
  • Não sabe: 4% (eram 4%)

Vídeo Silas Malafaia “destrói” Pablo Farçal que já pediu lona: “desculpa, Malafaia”

Marçal afina de Malafaia que o chama de “frouxo” e “psicopata”. Em meio à declarada “guerra espiritual” dentro do bolsonarismo, Marçal resgatou foto antiga com Malafaia, que deu chilique chamando o ex-coach de covarde e dizendo que “ele usa técnicas de neurociência para te manipular”. Veja vídeo

Em mais uma capítulo da “guerra espiritual” anunciada por ele contra Silas Malafaia, o guru de Jair Bolsonaro (PL), Pablo Marçal (PRTB) afinou ao ser chamado de “frouxo”, “psicopata” e uma lista de impropérios, publicou uma foto com o pastor e pediu “paz” em seu perfil no Instagram.

O bate-boca entre os dois escalou desde o último sábado, 7 de Setembro, quando Malafaia impediu Marçal de subir no trio elétrico onde estava ao lado de Bolsonaro no ato em que a horda neofacista pedia o impeachment de Alexandre de Moraes.

Na segunda-feira (8), Malafaia gravou um primeiro vídeo para falar “a verdade sobre Pablo Marçal no 7 de Setembro” e apanhou de ultraconservadores que embarcaram nos discursos vazios do ex-coach.

Ironizado, o guru de Bolsonaro voltou à tona nesta terça-feira (10) e aumentou a carga contra Marçal.

“Esse cara, ele mostra sinais de que é psicopata. Ele é megalomaníaco, manipulador e mentiroso. Vou provar isso. E agora ele dá um outro sinal: de bipolaridade. Ao mesmo tempo ele me elogia e me ataca. Me elogia e me denigre”, disparou Malafaia, afirmando que o ex-coacha usa “manipulação, para mexer nas suas emoções”.

Para “provar” a “megalomania”, o pastor midiático mostra uma publicação em que o ex-coach diz ser “Davi”, o segundo rei de Israel na narrativa bíblica.

“Me chama de Eliabe [irmão mais velho de Davi] e ele se chama de Davi. Olha a megalomania. Ele é herói, ele é o cara. E ele mente. Diz lá que eu ataco ele, porque ele não quis se submeter a mim. Tu é um mentiroso, coloco a mão na Bíblia”, emenda Malafaia, totalmente descontrolado.

O guru de Bolsonaro usa a principal bandeira do ultradireita neofascista – o impeachment e os ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – para dar a sentença sobre Marçal: “frouxo ou covarde”.

“Agora tem uma pergunta que não quer calar: por que você nunca pediu o impeachment de Alexandre de Moraes? Por que você nunca abriu a boca para falar dos crimes de Alexandre de Moraes? Botando gente presa, cerceando liberdade, promovendo perseguição ao Bolsonaro. Das duas uma: você é frouxo ou covarde, que tem medo de Alexandre de Moraes ou você tem acordo com ele”, diz.

Malafaia, então, recorre a uma reportagem do The Intercept que revelou a farsa do projeto de Marçal, que construiu apenas 30 das 300 casas em que arrecadou dinheiro para um projeto na África.

“Ei povo, acorda. Essa cara é uma farsa. O cara não consegue cumprir um projetinho desse lá na África. Esses projetos de megalomania em São Paulo, acha que vai fazer? Acorda evangélicos, povo da direita, cristãos, apoiadores de Bolsonaro. Ele usa técnicas de neurociência para te manipular”, acusou.

Vídeo

Mais tarde, Malafaia voltou à rede e fez uma publicação incitando seguidores a atacar Marçal: “sobre os crimes e o impeachment de Alexandre de Moraes você não fala nada! Está calado, frouxe”, escreveu o pastor, pedindo para seguidores “mandar lá no @pablomarcalporsp”, perfil do ex-coach no Instagram.

Foto e paz

Em resposta aos insultos de Malafaia, Marçal chegou a ironizar, mas depois afinou e pediu “paz” ao reproduzir a publicação nos stories de seu Instagram. “Desculpa, Malafaia”.

“A liberdade não tem dono e não vou fazer o que você deseja irmão. Coloca a foto do Pacheco ai. Paz”, escreveu, referindo-se ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a quem cabe pautar o impeachment de Moraes.

Marçal também publicou uma foto antiga ao lado de Malafaia para que os seguidores do guru de Bolsonaro coloquem os comentários, em pretensa ironia.

“Como eu posto muito, quem tá vindo pelo Silas pode comentar aqui que eu leio tudo”. escreveu.

Entenda

A “guerra espiritual” declarada por Pablo Marçal (PRTB) após ter sido enxotado por Silas Mafalaia do trio elétrico no ato de sábado, 7 de Setembro, aprofundou o racha dentro da ultradireita neofascista que gira em torno de Jair Bolsonaro (PL).

Conforme prometido, o guru do ex-presidente divulgou um vídeo para falar “a verdade sobre Pablo Marçal no 7 de Setembro” e disparou impropérios, classificando o ex-coach como “narcísico, megalomaníaco, soberbo e lacrador”.

“Esse cara é narcísico, ele é megalomaníaco, ele é soberbo, ele quer tirar proveito de tudo, ele é lacrador. Ele queria fazer cortes para sua campanha. Ele queria tirar proveito daquilo que ele não ajudou [a organizar] e não correu risco [de sofrer eventuais represálias]”, disparou Malafaia.

O chilique, no entanto, não deu resultado e Malafaia apanhou dos bolsonaristas que aderiram à facção de Marçal e foram aos comentários do vídeo no Instagram.

“Vai ter que engolir”, disparou um eleitor de Marçal.

“Quem é digno então? Silas Malafaia? Boulos, datena ou tabata?”, indagou outro.

“Todo mundo sabe quem é Pablo Marçal, ele não tem medo e não tem acordo nenhum. Ele só não conseguiu chegar a tempo e todos sabem onde ele estava”, emendou uma terceira.

Em resposta, Pablo Marçal disse que “está desafiando o Silas Malafaia” ao ser indagado se toparia um papo com o guru.

“Na verdade estou desafiando o Silas Malafaia. Vamos entrar aqui ao vivo. Você fala o que você quer e ouve o que você precisa”, disparou o ex-coach em storie do Instagram.

“Todo respeito ao que você construiu na religião, mas na política todas as coisas que você faz é fora da lógica. Apoiou o [Eduardo] Paes, o Lula. Está caladinho ai por causa do [Alexandre] Ramagem para não queimar seu filme, né? Porque você está apoiando o Paes ai. Deixa aqui em São Paulo, ninguém está precisando de você aqui”, emendou.
Revista Fórum

Pesquisa Atlas: Boulos tem 28%, Marçal, 24,4%, Nunes, 20,1% na eleição em São Paulo

Candidato do PSOL mantém posição; candidatos do PRTB e do MDB brigam pelo segundo lugar

Pesquisa do instituto Atlas/Intel divulgada nesta quarta-feira (11) mostra os candidatos Guilherme Boulos (PSOL) com 28%,  Pablo Marçal (PRTB) com 24,4% e Ricardo Nunes (MDB) com 20,1%  das intenções de voto para a prefeitura de São Paulo. Pela margem de erro, Marçal está em empate técnico com Boulos na disputa pela prefeitura.

O ex-coach também aparece pela primeira vez à frente do prefeito e candidato Nunes fora da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, embora por vantagem mínima. Marçal cresceu 8,4 pontos percentuais na comparação do levantamento de 20 de agosto. Boulos oscilou negativamente 1 ponto  (tinha 29%) e Nunes 1,9. (tinha 22%).

Tabata Amaral (PSB) registrou 10,7% (antes eram 12%). e José Luiz Datena (PSDB)  7,2% (antes eram 10%), seguidos por Marina Helena (Novo), 4,7% (antes eram 4,3%). Ricardo Senese (UP) tem 0,7% (antes eram 0,2%). O candidato João Pimenta (PCO) não pontuou. Brancos e nulos são 2,5% e 1,7% não souberam.

 

Campanhas

Os candidatos do PRTB Pablo Marçal e do PSOL Guilherme Boulos em debate (Foto: Reprodução vídeo)

Boulos ganha de Marçal no segundo turno

A Atlas também mediu cenários de segundo turno. Boulos tem 44,1%, contra 43,2% de Marçal, o que configura situação de empate técnico. Na pesquisa anterior,  os números de segundo eram 38% (Boulos) a 35% (Marçal).

No cenário contra Nunes, o candidato do PSOL perderia do candiato do MDB. O prefeito cresceu 4,7 pontos percentuais e chegou a 45,7% contra 38,5% de Boulos (que antes tinha 37%). Nos dois casos, brancos e nulos somam 13,6% e os indecisos, 2,2%.

O nível de confiança do levantamento é de 95%. Foram realizadas 2.200 entrevistas entre os dias 5 e 10 de setembro pela metodologia de recrutamento digital aleatório, na qual o questionário é aplicado via internet. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-01125/2024.

ICL Notícias

Shows de Gusttavo Lima consomem até 50% de orçamento de cultura de pequenas cidades

O cantor sertanejo costuma cobrar R$ 1,1 milhão por cada apresentação paga por prefeituras

Conhecido por ostentar um estilo de vida luxuoso e exibir nas redes sociais aviões e iates, Gusttavo Lima teve sua fortuna exposta nos últimos dias por um motivo nada glamuroso. Investigado por envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro de jogos ilegais na mesma operação policial que prendeu a “influenciadora” Deolane Bezerra, o cantor sertanejo viu a Justiça bloquear R$ 20 milhões e decretar o sequestro de imóveis e embarcações em nome de sua empresa, a Balada Eventos e Produções.

Fora do foco dessa investigação, porém, há outra fatia importante da renda de Gusttavo Lima que tem origem em uma prática bastante questionável.

Levantamento exclusivo feito pelo portal ICL Notícias revela que só em 2024 o artista faturou R$ 12,3 milhões em onze shows pagos por prefeituras, na maioria cidades pequenas e médias. Para isso os prefeitos usam boa parte do orçamento municipal, algo que pode comprometer outras iniciativas culturais e até o serviço em áreas como saúde e educação.

Na lista há cidades pequenas como Mara Rosa, em Goiás, que tem apenas 10 mil habitantes. No dia 23 de maio, o rei do tchê-tchê-re-re-tchê-tchê foi contratado para show na localidade por um cachê de R 1,1 milhão, o equivalente a 10,35% do orçamento municipal para a área de cultura no ano (R$ 10.629.800,00) e 1,31% do total da verba anual disponível para todas as secretarias (R$ 83.874.936,00).

Dividido o valor do cachê pela população, o resultado é um custo de R$ 102,80 por cada morador de Mara Rosa.

Contratação de Gusttavo Lima pelo município de Mara Rosa publicada no Diário Oficial

O ICL Notícias enviou perguntas ao prefeito da cidade, Flavio Moura, sobre o alto valor do cachê do artista. Assim que houver resposta será publicada neste espaço. Presidente do PT municipal, Flávia Cavalcante critica o gasto com o show. “É um absurdo. Sou professora e trabalho diariamente em escola que precisa ser ampliada e não é. Enquanto isso, o cara ganha esse dinheiro todo em uma noite?”, questiona ela, em entrevista ao portal. “Tem boas iniciativas sendo feitas pela prefeitura, mas ainda falta muita coisa na cidade: creche, concurso público para professores…”.

No município de Campo Verde, em Mato Grosso, Gusttavo Lima fechou no início de julho um contrato para se apresentar pelo mesmo cachê estratosférico de R$ 1,1 milhão. Nesse caso, o gasto do município com o cantor sertanejo equivale a metade do orçamento municipal para a cultura em 2024, mais precisamente 52,78% . Ou R$ 24,67 por cada um dos 44 mil habitantes.

Na montagem, Gusttavo Lima e a vista da pequena cidade de Campo Verde (MT)

Gusttavo Lima esteve no alvo em 2022

Há dois anos, o cantor estava no centro do escândalo que identificou prefeituras que comprometiam grande parte do orçamento para pagar altos cachês a artistas sertanejos – exatamente o que acontece agora.

Integrantes do Ministério Público de vários estados entraram em ação e cancelaram algumas apresentações. Os artistas não foram investigados, mas sim as prefeituras que os contrataram por valores considerados desproporcionais à própria receita e tamanho.

O foco da investigação chamou atenção especialmente porque muitas das estrelas desse gênero musical fizeram duras críticas à Lei Rouanet, por repassar dinheiro público de renúncia fiscal aos artistas — era essa a argumentação de Jair Bolsonaro, a quem a maioria deles apoia. Enquanto diziam isso, vários sertanejos recebiam milhões de reais de pequenas prefeituras do interior.

Entre estes, o maior cachê sempre foi o de Gusttavo Lima. Sua remuneração costuma ser o dobro de outros astros do mesmo estilo.

Ele apareceu aos prantos em um vídeo, em 2022, no qual reclamava das ações do MP e das críticas recebidas. “Não compactuo com uso de dinheiro público, tenho meus impostos em dia”, argumentou, como se os recursos de orçamentos municipais não fossem também dinheiro público.

Após publicar essa mensagem, o cantor reduziu o número de shows contratados por cidades pequenas no restante de 2022 e no ano de 2023.

Como mostra o levantamento do ICL Notícias, essa abstinência não durou muito.

Amplie para ver valores dos cachês

(Arte: Henrique Caldeira)

A lista de municípios de 2024 inclui Nova Russas, no Ceará, onde o show quase não aconteceu. Em julho, o Ministério Público entrou com ação requerendo cancelamento do evento “Festeja”, no qual Gusttavo Lima estava incluído, devido aos altos cachês. A juíza Renata Guimarães Guerra decidiu, porém, que não havia elementos suficientes para conceder a liminar solicitada pelo MP.

Em sua decisão, a magistrada destacou que os valores das contratações “foram estabelecidos com base em pesquisas de mercado e notas fiscais, estando em conformidade com os preços praticados”.

Assim, Gusttavo Lima botou no bolso R$ 1,2 milhão pela apresentação na cidade cearense.

João Gomes, integrante do partido Republicanos em Nova Russas e aliado do candidato a prefeito Pedro Ximenes, do PT, critica o gasto. “O show aconteceu no Centro de Eventos, recém-inaugurado e orçado em algo perto de R$ 5 milhões. Um único show custou 20% a obra. Isso não faz sentido”, diz Gomes.

O ICL Notícias enviou e-mail para o gabinete da prefeita da cidade, Giordanna Mano (PL) e assim que houver resposta será publicada aqui.

Além de Mara Rosa, Nova Russas e Campo Verde, os outros municípios em que Gusttavo Lima se apresentou esse ano são Tupã (SP), Icó (CE), Mossoró (RN), Pau dos Ferros (RN), Luis Eduardo Magalhães (BA), Petrolina (PE, Maceió (AL) e Mata Grande (AL).

Amplie para ver detalhes de cada cidade que contratou shows

A legislação permite que shows assim sejam contratados sem licitação. Mas desde 2022 promotores do MP estão atentos a esse tipo espetáculo por outros motivos: tanto pelo alto valor dos cachês quanto por questionar a capacidade das prefeituras de custeá-los.

Outra preocupação dos promotores nesses casos é coibir a prática de lavagem de dinheiro.

Atual secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo era chefe do Ministério Público em São Paulo, há dois anos, quando fez um alerta sobre essa possibilidade de desvio em contratação de shows feitas por municípios paulistas. “Existem algumas suspeitas e investigações. Porque a contratação pela prefeitura pode ser um ato de limpeza de recursos arrecadados de forma irregular”, afirmou então.

No entanto, nada indica que o MP desses estados vá causar dor de cabeça a Gusttavo Lima, como aconteceu em 2022.

A única preocupação do cantor nesse momento é a invetigação que a Polícia Civil de Pernambuco realiza em parceria com o Ministério da Justiça, em que ele está sob suspeita de lavagem de dinheiro de jogos ilegais. Os shows realizados para as prefeituras  por enquanto não têm causado stress para o sertanejo, apenas lucros.

Fonte:  ICL Notícias

 

O dia seguinte: Silvio Almeida está ‘destroçado’; amigos temem pelo futuro do ex-ministro

Amigos de Silvio Almeida temem que ele possa entrar em um quadro depressivo diante da perspectiva de destruição definitiva de sua carreira e reputação

O ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania Silvio Almeida está passando por um período de profunda tristeza e desgaste emocional após ser demitido pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira (6), diante de acusações de assédio sexual. Fontes próximas a Almeida, incluindo amigos da academia, da área jurídica e da política, relataram a Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que o ex-ministro está destroçado e sem forças diante da situação.

Almeida, que é professor universitário, advogado e filósofo com formação em Direito pela Universidade Mackenzie e em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), sempre foi uma figura respeitada no campo dos direitos humanos, especialmente na luta contra o racismo. No entanto, sua exoneração do governo, motivada por denúncias de assédio sexual, incluindo acusações envolvendo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, abalou profundamente sua carreira e reputação.

Segundo amigos próximos, o ex-ministro chorou durante a conversa com o presidente Lula na sexta-feira e tem manifestado grande tristeza em diálogos com pessoas de seu círculo íntimo. Almeida nega com veemência as alegações, tanto publicamente quanto em conversas privadas. Contudo, o temor é que o impacto emocional desse episódio possa se agravar, potencialmente levando-o à depressão, especialmente diante das novas dificuldades que deverão surgir após o escândalo.

Impacto na carreira e reputação

A saída do governo representa uma perda significativa para Almeida, mas seus amigos temem que as consequências possam ser ainda maiores. Além de colocar em risco sua trajetória política, a reputação do ex-ministro na área de direitos humanos está seriamente comprometida. Para muitos, a dúvida é se, como e em quanto tempo ele conseguirá recuperar sua imagem pública, o que pode afetar inclusive seus planos futuros de disputar cargos eletivos.

Entre aqueles que o conhecem, há uma divisão de opiniões sobre as denúncias. Alguns acreditam nas acusações e lamentam o que consideram ser um erro grave, que pode ter implicações legais, uma vez que assédio é crime. Outros, porém, têm dúvidas sobre a veracidade das alegações, embora reconheçam a seriedade das acusações feitas por Anielle Franco e outras mulheres. Há ainda aqueles que, com base em anos de convivência com Almeida, não acreditam na sua responsabilidade e o veem como vítima de racismo e de um possível complô.

Direito de defesa

Advogados que convivem com Silvio Almeida expressam preocupação com o que consideram ser um “linchamento público” do ex-ministro, sem que ele tenha tido a oportunidade adequada para se defender. Eles ressaltam a importância dos preceitos constitucionais de ampla defesa e contraditório, mesmo em casos de acusações graves como assédio sexual. Para eles, Almeida não está sendo tratado com a justiça e o respeito aos direitos fundamentais que ele sempre defendeu ao longo de sua carreira.

Brasil 247

Autoridades prestigiam desfile do 7 de Setembro em Brasília

Brasil celebra 202 anos de sua independência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, às 9h14 deste sábado (7), o desfile cívico-militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O tema deste ano é Democracia e Independência. É o Brasil no Rumo Certo.

O presidente Lula chegou à Esplanada em carro aberto, o Rolls-Royce presidencial tradicionalmente usado nesta cerimônia, após passar em revista as tropas próximo ao Palácio do Planalto.

O presidente foi recebido pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelos comandantes das três Forças Armadas.

Na tribuna de honra do evento, marcam presença ao lado de Lula o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco; o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e os ministros da Corte Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zannin e Edson Fachin.

Também estão na tribuna o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha; e os ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; da Casa Civil, Rui Costa; das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; das Mulheres, Cida Gonçalves; do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; da Cultura, Margareth Menezes.

Brasília (DF) 07/09/2024     Desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios. Imagem reprudução TV.
Presidente Lula e autoridades no desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios – Imagem reprodução da TV

Também marcaram presença o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ministro da Secretaria Extraordinária da Presidência da República para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta. Ambos prestigiam a homenagem que a festividade faz ao estado afetado pelas fortes chuvas em maio.

Porém,  foram percebidas as ausências dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a primeira-dama, Janja da Silva.

A primeira-dama foi convidada pela xeica do Catar, Mozha bin Nasser al-Missned, para participar da 5ª Celebração do Dia Internacional para Proteger a Educação de Ataques, em Doha.

O público que ocupa as arquibancadas no Eixo Monumental, em frente à tribuna das autoridades, saudou o presidente Lula em sua chegada. A estimativa da organização do evento é que 30 mil pessoas compareçam à festividade da Independência.

Eixos temáticos

Neste ano, o evento que celebra do Dia da Independência está organizado em três eixos temáticos: a presidência rotativa do Brasil do G20 e a Cúpula de chefes de Estado que será realizada em novembro, na cidade do Rio de Janeiro;  o apoio e esforços para a reconstrução do Rio Grande do Sul, após as fortes chuvas de maio; e o último eixo trata do aumento da proteção da população, em especial, das crianças, por meio das campanhas de vacinação e a ampliação dos serviços de atendimento primário em saúde, com a retomada do programa Mais Médicos do governo federal.

Participam do desfile 30 atletas olímpicos que competiram nos jogos de Paris, entre julho e agosto, além do mascote da vacinação brasileira, o Zé Gotinha. O atleta Caio Bonfim que, na França, faturou a prata inédita para o Brasil na marcha atlética, foi o porta-bandeira do grupo.

Agência Brasil

Participação Política: Por que é importante?

 

Simone Regassone Grande – Assistente em Administração na UFSCar; pós-graduanda no PGCTS/UFSCar

Augusto César Regassone Grande – estudante do 7º ano do Fundamental II

 

Você já parou para pensar no que isso significa? Quando falamos de política, entendemos que a política é tomar decisões que tanto podem ser boas quanto ruins e que afetam a vida das pessoas. Além disso, a política é também um espaço de convivência e diálogo, ou pelo menos deveria ser. Quem faz política é quem decide o que vai acontecer, é quem faz as escolhas. O político tem autonomia para decidir, mas é importante que antes de mais nada ele escute as diversas opiniões existentes, buscando envolver o maior número de pessoas. Isso ajuda a criar um envolvimento político que atenda às necessidades da maioria da população.

Quando um político escolhe um caminho, ele está abrindo mão de outro.  Por exemplo, se você escolher jogar futebol, pode estar abrindo mão de jogar videogame. Há muitas opções para escolher, e ao optar por uma, você estará rejeitando ou excluindo outras. Para tomar essas decisões, é importante que o político escute as opiniões e, para isso, as pessoas precisam ter liberdade e autonomia para expressar suas necessidades. Caso contrário, podem acabar apenas concordando com as ordens dos outros, fazendo apenas o que os outros mandam, sem ter a chance de participar ou influenciar nas decisões. Quando há um envolvimento, você se sente parte do processo e vê suas necessidades atendidas.

Para tomar boas decisões políticas, é essencial entender o que está sendo decidido, pois as decisões afetam a todos. Também é preciso pensar nas consequências, ou seja, o que vai acontecer depois da decisão. Isso nos leva à importância de escolher bem os líderes que vão decidir o que é melhor para todos nós. Quando falamos de participação política, estamos nos referindo ao modo como cada um/a de nós pode ajudar a tomar essas decisões.

Podemos participar da política, mesmo quando somos jovens e ainda não temos a nossa emancipação, mas como? Podemos começar conversando sobre o que pensamos com amigos e familiares, pois falar sobre nossas ideias e ouvir as ideias dos outros é um ótimo jeito de aprender; estudando sobre nossos direitos e deveres (quanto mais sabemos, mais podemos contribuir para as discussões e assim formamos uma visão crítica); na escola realizando rodas de conversas sobre o que percebemos que pode ser melhorado no nosso entorno.

O voto é uma das formas mais poderosas de participação política, pois ali está a chance de decidir quem vai nos representar. É essencial lembrar que, na política, devemos respeitar as opiniões dos outros, mesmo que não concordemos com elas. A política deve ser um lugar onde todos podem expressar suas ideias de forma pacífica e construtiva. O respeito e a tolerância são fundamentais para que possamos construir um ambiente saudável e democrático.

Portanto, a participação política é sobre todos nós termos a chance de fazer a diferença e sermos ouvidos. Ao nos envolvermos, contribuímos para a construção de um futuro melhor, que garanta a o respeito integral aos Direitos Humanos, aos direitos fundamentais, à Constituição Federal de 1988, ao Estado Democrático de Direito (República, federação e democracia). A participação política é um direito de todos e, ao nos envolvermos, estamos ajudando a promover a dignidade humana e a inclusão de todos na sociedade

A verdade sobre as “300 casas” de Farçal na África e o estrago causado numa cidade

O picareta Pablo Farçal, candidato à prefeitura de São Paulo que se apresenta como benfeitor e empreendedor social, prometeu construir “300 casas” na comunidade rural de Camizungo, em Angola. Porém, após arrecadar pelo menos R$ 4,5 milhões em doações ao longo de cinco anos, apenas 30 foram realmente construídas, revelando-se um projeto bem aquém do anunciado.

Para a empreitada, registrada em dois filmes e inúmeros vídeos, Farçal arrecadou pelo menos R$ 4,5 milhões em doações em leilões transmitidos ao vivo nos últimos cinco anos, diz o Intercept Brasil.

A comunidade de Camizungo, situada a cerca de 50 quilômetros de Luanda, continua enfrentando condições de vida precárias, com falta de saneamento básico e acesso limitado à água e alimentos. As promessas de novas moradias, feitas por Farçal, inclusive levaram mais famílias para a região, agravando a situação já difícil.

Pablo Farçal, conhecido por sua retórica inflamada, iniciou seu envolvimento com Camizungo em dezembro de 2019, comprometendo-se a construir inicialmente 270 casas, número que logo subiu para 300. Em um documentário de 2020, Marçal afirmou que não deixaria o local até que todas as famílias estivessem devidamente alocadas em novas residências.

No entanto, sua recente visita à área em 2023, usada para promover sua candidatura à prefeitura de São Paulo, foi marcada por declarações enganosas sobre a conclusão das construções.

O candidato afirmou, em diversas ocasiões, que o projeto estava em fase de conclusão, citando a construção de 50 casas. Porém, verificações no local e imagens de satélite confirmaram que apenas 30 foram edificadas, o que desmente suas afirmações e evidencia uma prática de desinformação.

Além disso, a área total disponível para construção em Camizungo não comportaria as 300 casas prometidas, conforme os cálculos de espaço realizados. Essas descobertas foram corroboradas por funcionários angolanos da ONG Atos, que administra o local.

As doações para o projeto foram captadas por meio de leilões anuais organizados por Farçal desde 2019, e também por doações direcionadas a CNPJs de organizações no Brasil com pouca ou nenhuma relação com a empreitada em Angola, aumentando as suspeitas sobre a gestão dos recursos arrecadados.

Desde 2019, Pablo Marçal vem arrecadando fundos para o projeto de construção de moradias na comunidade rural de Camizungo. Em sua primeira viagem ao local, Farçal levou uma comitiva de 100 empreendedores brasileiros para conhecer a comunidade e incentivar doações. Apesar dos nossos questionamentos diretos à sua assessoria sobre o total arrecadado para o projeto, não recebemos resposta.

Farçal estipulou que o custo para construir cada casa seria de R$ 50 mil. Em 2023, durante um leilão beneficente em seu aniversário, ele afirmou ter arrecadado R$ 1,5 milhão, valor que, segundo ele, seria suficiente para construir 30 casas. No ano seguinte, ele alegou ter arrecadado mais R$ 3 milhões. “Em todos os meus aniversários, realizamos arrecadações e leilões. Eu trago muitos empresários para investir lá, e todos os recursos que produzimos na África ficam lá”, declarou Farçal ao UOL, em julho.

No entanto, a quantidade de casas que realmente foram construídas não corresponde aos montantes arrecadados, que seriam suficientes para a construção de pelo menos 90 imóveis, de acordo com o Intercept.

Farçal solicitou doações para Camizungo usando CNPJs de organizações que aparentam ter pouca relação com o projeto em Angola. Duas dessas organizações estão localizadas em Prata, uma cidade remota na Paraíba. Uma delas é o Instituto Atos, registrado em junho de 2023, cujo CNPJ aparece em um filme recente sobre Camizungo. Contudo, as administradoras registradas não são reconhecidas nos materiais da organização como representantes ou funcionárias.

Outro CNPJ mencionado para doações pertence à ONG Centro Vida Nordeste, que afirma promover o desenvolvimento sustentável no semiárido brasileiro, sem mencionar atividades em Angola.

O projeto em Camizungo é parte de um esforço de evangelização liderado pelo casal Vieira desde 2010.

Em 2018, eles intensificaram sua missão em Angola através do Instituto Atos. Farçal, juntamente com Ana Paula Valadão, foram convidados a apoiar e captar recursos para o projeto, que, além das construções, foca na evangelização das comunidades rurais angolanas.

Um professor da escola de Camizungo, mantida pela ONG Atos, descreveu a abordagem pedagógica do local como fortemente baseada na Bíblia, indicando a influência religiosa no projeto educacional da comunidade.

DCM

Topo Gigio

Por Vinício Carrilho Martinez

 

Quem é o Topo Gigio?

O Topo Gigio de hoje não é aquele bonequinho rosado e orelhudo, da infância de muitas pessoas mais velhas (esse da foto).

O Topo Gigio de hoje é amigo do metafísico (o advogado de Nárnia). Ambos defendem o oligopólio tecnológico e econômico de Elon Musk e estão contra, por suposto, o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

O metafísico, na extrema direita, e o Topo Gigio na extrema esquerda, fizeram o óbvio: as extremidades da ferradura se encontraram no infinito ideológico em defesa da liberdade para o Musk avacalhar o Brasil.

Eles têm uma amizade curiosa, pós-moderna, meio alucinante nas redes antissociais. Ambos coabitam esse metiê insalubre, bem pouco inteligente. É provável que estejam agitados, nervosos, porque o ministro bloqueou o X: uma rede social ocupada pelas mensagens de ódio fascista, racista, golpista.

Particularmente, desconfio que não se conheçam. Afinal, na ferradura ideológica, estão em polos opostos (supostamente). E tem formações e profissões diferentes. O metafísico, como disse, é advogado em Nárnia, e o Topo Gigio se mete a fazer análises estruturais sobre o país e a economia. O que os une é a adoração e o culto às redes antissociais.

Sabe-se lá quantos seguidores se perderam em Nárnia ou quantos o Topo Gigio deixou órfãos. De repente, o órfão é ele. Sem acesso a um monte de proselitismo barato, chavões e palavras de uma ordem vazia, pode ter ficado sem munição.

Com um discurso que se repete, é o mesmo de há 20, 30 anos, o Topo Gigio precisa das redes antissociais para justificar sua ausência da vida real. Precisa das redes antissociais para sempre “atualizar” o nonsense de cada dia. O seu velho papo furado.

O Topo Gigio não foi sempre assim, adorador de conglomerados econômicos (do Musk, o golpista galático) e contra a “censura de uma rede antissocial que projeta discursos nazistas”. O Gigio teve um topo progressista na vida pregressa. Esteve na crista da onda crítica a tipos como Musk e que tais.

A onda do Gigio deve ter sentido falta de fôlego em algum momento, talvez quando tenha trocado a vida real pelo digital (obs: a pandemia já acabou faz algum tempo). Talvez tenha se embebedado da grana que, possivelmente, recebia (recebe) dos seus canais de exploração de bobagens digitais. Sim, a topologia do Gigio é digital.

O Gigio, parece-me agora, perdeu seu u-topos, sua Utopia, seu pensamento que um dia foi honesto (ou parecia ser), ficou sem topo nenhum. Sua práxis, seu discurso atual a favor da “liberdade transgredir a humanidade” nesse X e em outras redes sociais, estão a revelar que o Gigio mergulhou nas sombras, pulou do Topo, caiu da borda nem no fundo. Topo Gigio vive nessa tipologia golpista, que infelizmente consegue abduzir muita gente.

Topo Gigio, sinto muito, mas terei que chama-lo assim.

O nome verdadeiro já fiz questão de esquecer.

Agora restou uma personagem.

E uma crônica, no lugar da sua história.

Uma história bem esvaziada.

Quosque tandem Topo Gigio!!

Gusttavo Lima seria dono oculto da VaideBet, alvo de operação que investiga uma organização criminosa?

Presa na manhã desta quarta-feira (4) em Recife (PE), em operação que apura um esquema de lavagem de dinheiro e prática de jogos ilegais, a advogada e influenciadora Deolane Bezerra já esteve anteriormente envolvida em outros casos policiais.

Um jatinho de propriedade de uma empresa do cantor bolsonarista Gusttavo Lima foi apreendido pela Polícia Civil de São Paulo. A operação que faz parte da Integration, a mesma operação que resultou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, de 36 anos.

Avião de Gusttavo Lima é apreendido em operação que prendeu Deolane Bezerra - TNH1Gusttavo Lima é garoto-propaganda da VaideBet, alvo de operação que investiga uma organização criminosa que movimentou R$ 3 bilhões provenientes de jogos ilegais. O proprietário da empresa está em viagem ao exterior acompanhado do próprio Gusttavo. Há quem diga que seriam sócios da VaideBet.

O ministro Kassio Nunes Marques, alçado ao STF pelo ex-presidente Bolsonaro, marcou presença na comemoração de aniversário de Gusttavo Lima em um iate de R$ 1 bilhão alugado pelo sertanejo para navegar na costa da Ilha de Mykonos, na Grécia.

Cruel e sem limites, Marçal condiciona a morte de Lula para sair candidato em 2026

Sinistro. Marçal diz que derrotaria Tarcísio e condiciona 2026 à morte de Lula. Segundo o Metrópoles, o candidato do PRTB à Prefeitura de SP, Pablo Marçal disse que só pretende disputar a eleição presidencial de 2026 se Lula estiver morto

São Paulo — O candidato à Prefeitura da capital pelo PRTB, Pablo Marçal, disse nesta terça-feira (3/9), durante agenda de campanha na zona sul da cidade, que venceria o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma eventual eleição presidencial em 2026.

Questionado sobre uma possível participação na disputa, caso tivesse apoio do bolsonarismo, Marçal disse que o único cenário em que concorreria é se o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) morrer.

O candidato do PRTB voltou a afirmar que será “muito difícil” derrotar o petista em 2026.

“Isso pode trazer problema para mim, mas eu vou falar. Para eu disputar essa Presidência aí em 2026, só se o Lula morrer. Vaso ruim não quebra”, disse Marçal.

“Tarcísio não dá conta de concorrer comigo, não. Se o Lula morrer, não tem ninguém para ganhar isso aí [além de mim]”, acrescentou.

Fonte: Metrópoles

Apesar da baixaria, Boulos vence debate e Farçal esgota fórmula de lacrador, aponta pesquisa qualitativa

Líder das pesquisas, candidato do PSOL foi considerado o vencedor do confronto com adversários na disputa pela Prefeitura de São Paulo e o ex-coach de extrema direita foi altamente rejeitado

Guilherme Boulos (PSOL) foi o vencedor do debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo deste domingo (1). Enquanto Pablo Marçal (PRTB) dá sinais de ter esgotado a fórmula de lacrador e foi altamente rejeitado. É o que indica uma pesquisa qualitativa realizada por uma das campanhas durante o evento à qual a Fórum teve acesso.

O levantamento também mostra que Tabata Amaral (PSB) teve o segundo melhor desempenho na avaliação dos entrevistados. Ela foi vista como a mais emocionalmente conectada, ganhando destaque especialmente quando o debate se voltou para explicações mais racionais e detalhadas. Também foi a única que não solicitou direito de resposta, uma atitude que foi vista positivamente.

Já José Luiz Datena (PSDB), apesar de parecer confuso durante parte do debate, ainda manteve certo apelo entre os eleitores das classes C e D. Ricardo Nunes (MDB) teve uma performance considerada mediana, não se destacando significativamente.

Marçal, conhecido por seu estilo provocativo e egocêntrico, tem enfrentado rejeição crescente, com críticas indicando que sua abordagem pode estar perdendo o impacto.

Mais de 20 pedidos de resposta

O debate foi organizado pela TV Gazeta e pelo My News e foi o quarto deste período eleitoral, teve início às 18h e terminou às 20h30.

A mediação foi feita pela jornalista Denise Campos de Toledo. Foram cerca de 20 pedidos de direito de resposta. Candidatos usaram apelidos como “bananinha”, “Chatabata”, “Boules”, “fujão” e “tchuchuca do PCC” para se ofenderem.

Este foi o primeiro debate na cidade desde o ocorrido em 19 de setembro, organizado pela revista Veja, que contou com a participação de apenas três candidatos.

A ausência de Nunes, Boulos e Datena no último encontro foi atribuída ao desconforto gerado pelas táticas de Pablo Marçal, que envolviam publicar vídeos editados com ataques aos adversários nas redes sociais.

Participam do debate Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), Tabata Amaral (PSB), Pablo Marçal (PRTB) e José Luiz Datena (PSDB).

Um triz para agressão

Marçal e Datena quase chegaram às vias de fato. No bloco para o confronto direto entre os candidatos Datena saiu do púlpito e andou em direção a Marçal. Houve receio de que o confronto evoluísse para uma briga física. Logo na sequência, o bloco foi interrompido e o desentendimento continuou nos bastidores.

No encerramento do debate, o ex-coach usou o episódio para se vitimizar. “Datena quase me agrediu porque não tem equilíbrio emocional” disse.

Os cinco blocos do debate

No primeiro bloco foram feitas perguntas entre candidatos, nesta ordem: Marçal, Nunes, Tabata, Boulos e Datena. No segundo, perguntas feitas por jornalistas. No terceiro, perguntas sobre os temas: mobilidade, educação, saúde, meio ambiente e economia e cada candidato escolheu adversário para comentar a resposta.

No quarto bloco, perguntas do público que foram encaminhadas pelas redes sociais e selecionadas pela organização do debate. No quinto e último bloco foram feitas as considerações finais.

Revista Fórum

Marçal usa falsos banco e seguradora para vender fama de “milionário que venceu na vida” nas redes

Apesar das afirmações de Marçal em palestras e entrevistas, ele não é sócio de nenhuma dessas empresas

Pablo Marçal, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, tem divulgado aos eleitores uma imagem de empresário bem-sucedido, alegando ter fundado um banco e uma seguradora, mas a realidade é bem diferente da imagem propaganda nas redes sociais e que engana a muitos.

Documentos revelam que essas alegações são enganosas, revela reportagem do Metrópoles. O banco promovido por Marçal não está registrado no Banco Central, e a seguradora não possui autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O chamado “General Bank” é, na verdade, uma plataforma que cobra R$ 45 para abrir uma conta em outra instituição financeira, devidamente autorizada pelo Banco Central, mas que oferece o serviço de forma gratuita. A seguradora, por sua vez, apenas revende produtos de outras empresas, sem autorização legal para operar como tal.

Apesar das afirmações de Marçal em palestras e entrevistas, ele não é sócio de nenhuma dessas empresas, e sua participação se limita ao uso das marcas registradas. A empresa responsável pela operação do “General Bank” está em nome de Bruno Pierro, amigo e apoiador de Marçal.

Saiba mais – Durante uma entrevista à Folha de S. Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin expressou severas críticas à candidatura de Pablo Marçal para as eleições municipais de São Paulo, caracterizando-a como um exemplo de “espetáculo e populismo”. “A candidatura desse candidato é um atraso. É uma candidatura espetáculo e populista. O resultado disso é muito ruim”, afirmou Alckmin, ressaltando sua preocupação com o impacto que tais campanhas podem ter sobre o cenário político.

Alckmin, que também serve como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, argumentou que as eleições devem anteceder o que acontecerá no governo, sugerindo que campanhas baseadas em espetáculos e populismo podem prenunciar uma gestão problemática. “Geralmente, as campanhas eleitorais antecedem o que vai acontecer no governo”, comentou ele, indicando a importância de avaliar as propostas e a seriedade dos candidatos.

Brasil 247