quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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Anúncios de investimento no Brasil batem recorde, aponta levantamento do Bradesco

Crescimento dos anúncios tem sido observado mês a mês e abrange diversos setores, incluindo indústria, agroindústria, serviços e comércio

Os anúncios de investimentos no Brasil alcançaram o maior nível desde 2020, conforme um levantamento realizado pelo Bradesco. Entre janeiro e julho de 2024, foram registrados 362 anúncios de investimentos, representando um aumento de 23,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este número também supera o total de anúncios feitos no mesmo período de 2020, que foi de 397.

De acordo com Priscila Pacheco, economista do Bradesco, o crescimento dos anúncios tem sido observado mês a mês e abrange diversos setores, incluindo indústria, agroindústria, serviços e comércio. Pacheco explica que o foco do monitoramento são atividades que ampliam a capacidade produtiva do país, tais como abertura de novas lojas e fábricas, construção de edifícios e aquisição de equipamentos e veículos.

O Bradesco monitora anúncios de investimentos publicados na internet, jornais e outras mídias, mas não mede o valor dos investimentos, uma vez que estes podem ser distribuídos ao longo de vários anos. No setor industrial, houve um aumento significativo de 76,8% nos anúncios de investimentos nos primeiros sete meses de 2024, comparado com o mesmo período de 2023.

A economista destaca que o setor de serviços, que representa mais de 60% do PIB brasileiro, inclui a maior parte dos anúncios. Recentemente, o setor de saneamento também tem mostrado crescimento, impulsionado pela nova legislação e a necessidade de universalização dos serviços.

Outro ponto abordado por Pacheco é a modernização em curso, com substituição de maquinário e aumento da automação, especialmente na indústria automotiva. A confiança do empresariado na demanda aquecida é um dos fatores que têm incentivado os anúncios de novos investimentos.

Brasil 247

Nota de Repúdio contra o ataque de Ibaneis ao Eixão do Lazer

A Secretaria de Cultura do PT-DF vem a público manifestar seu veemente repúdio à decisão do Governo Ibaneis de atacar as atividades culturais e comerciais realizadas tradicionalmente aos domingos no Eixão do Lazer. Essa medida, além de prejudicar a vibrante vida cultural e econômica da nossa cidade, atenta contra um espaço que há anos promove a integração social, o lazer e a cultura para a população brasiliense.

O Eixão do Lazer, realizado aos domingos no Eixo Rodoviário do Plano Piloto, é um ponto de encontro vital para nossa comunidade, oferecendo oportunidades para que artistas, artesãos e empreendedores locais possam mostrar seus trabalhos e interagir com o público. Este ataque representa não apenas uma perda para a economia local, mas também uma afronta ao direito da população de desfrutar de atividades culturais e de lazer em um ambiente seguro e democrático.

Essa decisão, além de desconsiderar a importância cultural e social do Eixão do Lazer, demonstra um descaso com as necessidades e aspirações da comunidade. Exigimos a imediata reavaliação dessa medida e a retomada das atividades que fazem do Eixão um espaço de diversidade e enriquecimento cultural para todos.

A Secretaria de Cultura do PT-DF reitera seu compromisso com a defesa da cultura e dos direitos dos cidadãos e buscará soluções que promovam a cultura e o bem-estar da nossa cidade.

No próximo domingo dia 8 de setembro iremos participar do ato previsto para mobilizar a população em defesa do Eixão do Lazer. Assim que tivermos os detalhes de horário e local informaremos.

Brasília, 1º de setembro de 2024.

Partido dos Trabalhadores no Distrito Federal

Secretaria de Cultura do PT-DF

Tabata projeta 2025 ao receber o Prêmio Congresso em Foco: “Que eu esteja como prefeita”

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) reconheceu durante discurso no Prêmio Congresso em Foco, entregue na quinta-feira (29), a importância que os parlamentares possuem para impactar a vida das pessoas. Ao receber o prêmio de melhor deputada, segundo os jornalistas que cobrem o Congresso, ela relembrou de projetos dos quais esteve à frente.

“Em nenhum outro lugar eu poderia escrever um projeto que muda a vida de quase 3 milhões de jovens, como é o Pé de Meia. Liderar uma luta ao lado de muitas das mulheres que estão aqui [para] que colocassem absorventes em todas escolas. A gente está em um lugar muito privilegiado para mudar a vida das pessoas”, disse a deputada.

Tabata Amaral também destacou a presença das outras colegas premiadas, em especial a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), com quem dividiu o primeiro lugar de melhor deputada na categoria. Para a parlamentar, o reconhecimento é um “atestado de que a boa política ainda vale a pena e ainda é possível”.

Ao final do discurso, a deputada ainda brincou e disse que não pretende vencer o Prêmio Congresso em Foco no próximo ano, pois quer ser prefeita de São Paulo, onde disputa as eleições municipais. “Eu espero que no ano que vem seja o primeiro ano que eu não seja premiada pelo Prêmio Congresso em Foco e que eu esteja como prefeita de São Paulo, lutando para que a gente cuide de quem mais precisa e recompense quem trabalha”. “Estarei em dinheiro pedindo dinheiro para São Paulo”, acrescentou.

Além de Tabata e Benedita, outros seis deputados foram premiados pelos jornalistas. São eles:

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Fonte: congressoemfoco.com.br

Erika Hilton ganha prêmio de melhor deputada do Brasil

A cerimônia da 17ª edição do Prêmio Congresso em Foco, aconteceu na noite de quinta-feira (29), em Brasília, e celebrou os bons exemplos de atuação legislativa e da participação popular na política brasileira.

Erika Hilton, do PSOL, foi eleita a melhor deputada do Brasil, por votação popular. Seu partido teve, inclusive, sete dos dez deputados mais votados este ano.

A deputada é a primeira mulher trans a vencer na categoria “Melhores na Câmara” e recebeu 88.616 votos. Outros dois deputados do Psol completam o pódio: Sâmia Bomfim (SP) e Guilherme Boulos (SP), com 60.826 e 33.570 votos, respectivamente.

“Que alegria receber mais essa premiação, que é um combustível para as batalhas duras e solitárias que enfrentamos diariamente na Câmara. O Congresso Nacional ainda não suporta a chegada da diversidade, da dissidência, daquelas e daqueles que sempre estiveram do lado de fora e que agora entram de cabeça erguida dizendo: ‘Nós mulheres negras pessoas LGBT, travestis e transexuais, temos um projeto de poder para esse país’. Seguimos lutando todos os dias naquele espaço pela reconstrução de um país melhor”, discursou Erika Hilton.

Trajetória 

Antes de chegar a Brasília, Erika Hilton integrou um mandato coletivo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), onde permaneceu até 2020, quando foi eleita vereadora da capital paulista. Em 2022, foi eleita como a primeira deputada federal negra e trans da história. Na Câmara, tem atuação destacada na defesa dos direitos de minorias, sobretudo em relação à comunidade LGBTQIAP+.

Em fevereiro deste ano, foi escolhida para liderar a federação Psol-Rede na Casa e se tornou a primeira trans a ocupar o cargo no Congresso.

Premiados

No total, 31 parlamentares mulheres e 49 parlamentares homens foram agraciados nas diferentes categorias do Prêmio. Também nesta edição, o público optou por eleger dois parlamentares LGBTQIA+ como melhores da Câmara e do Senado: Érika Hilton e Fabiano Contarato (PT-ES), eleito o melhor senador na votação aberta pela internet.

O júri escolheu dois gaúchos como os melhores do ano: o senador Paulo Paim (PT) e a deputada Fernanda Melchionna (Psol).

De maneira inédita, houve empate na escolha dos jornalistas: Benedita da Silva (PT-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP) ganharam como melhor na Câmara. No Senado, a primeira colocação foi dividida por Eliziane Gama (PSD-MA), Fabiano Contarato e Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Parlamentares do PT estão entre os melhores do Prêmio Congresso em Foco

Treze integrantes da Bancada do PT na Câmara estão entre os destaques da política brasileira; na categoria “Melhor Senador do País”, todos os petistas foram eleitos pelo público, entre 15 vencedores

A cerimônia da 17ª edição do Prêmio Congresso em Foco, realizada na noite dessa quinta-feira (29/8), em Brasília, foi uma celebração dos bons exemplos de atuação legislativa e da participação popular na política brasileira. Treze parlamentares da Bancada do PT na Câmara brilharam e estão entre os destaques da política brasileira e defensores incansáveis da democracia. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) foi escolhida pelos jornalistas que cobrem o Congresso Nacional como a melhor do ano. Os senadores do PT também estão entre os mais votados. O senador Fabiano Contarato (ES) é novamente eleito pelo público como o melhor do País.

Para a deputada, esse momento é ímpar no sentido de que foi uma escolha dos jornalistas. “Isso significa dizer que acompanham nosso trabalho no dia-a-dia na Casa. É sempre muito difícil colocar isso para fora da Câmara, porque as pessoas não acompanham o dia-a-dia. Que a gente possa cada vez mais dar a nossa contribuição em defesa da democracia”, afirmou.

Benedita da Silva também foi premiada entre os cinco melhores do Sudeste, as cinco melhores parlamentares no Júri Popular e recebeu Menção Honrosa na categoria voto do júri.

Centro-Oeste

Pela segunda vez consecutiva, a deputada Erika Kokay (PT-DF) foi escolhida pelo público como a melhor representante do Centro-Oeste na Câmara. “Recebi com grande honra e alegria o prêmio de melhor parlamentar do Centro-Oeste. Também fiquei em 15º lugar geral na categoria de parlamentares mais bem avaliados da Câmara Federal, ambos conquistados por meio do voto popular. Além disso, fomos reconhecidos pelo júri especializado como um dos melhores mandatos da Câmara. Essas conquistas refletem nosso compromisso e esforço contínuos. Meu agradecimento sincero aos votos que nos foram confiados nas urnas e no Prêmio Congresso em Foco”.

A deputada Camila Jara (PT-MS) foi eleita a melhor parlamentar do Mato Grosso do Sul e a segunda melhor do Centro-Oeste. Ela comemorou a conquista e dedicou o prêmio aos seus eleitores. “Ser premiada pela nossa luta é algo que nunca se torna comum, e confirma: a gente pode construir uma política diferente. Nós sonhamos com um Brasil mais justo, mais igual, e é com essa força coletiva que estamos reconstruindo nosso país. Esse prêmio é de vocês, que confiaram no nosso projeto e que me dão a força para seguir em frente. Seguimos firmes, com a certeza de que podemos ainda mais”, escreveu em suas redes sociais.

O deputado Rubens Otoni (PT-GO) também se destacou pela sua atuação sendo escolhido como o quarto melhor deputado da Região.

A deputada Natália Bonavides (PT-RN) foi escolhida como a melhor deputada do Rio Grande do Norte e a terceira do Nordeste no Prêmio Congresso em Foco de 2024. “Muito obrigada a cada uma e a cada um que tirou um tempinho para fazer a avaliação e votar no nosso mandato. Esse resultado mostra que estamos no caminho certo e nos dá ainda mais energia para seguir lutando em defesa dos direitos do povo trabalhador e das coisas mais belas”, agradeceu.

Norte

O deputado Airton Faleiro (PT-PA) e a deputada Dilvanda Faro (PT-PA) se destacaram entre os cinco melhores parlamentares do Norte. “Ser a única mulher entre os parlamentares destaques do Norte é uma enorme honra, mas uma grande responsabilidade também, pois mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer em busca da igualdade de gênero no Congresso Nacional”, apontou Dilvanda.

Para Airton Faleiro o reconhecimento reflete o compromisso que o mandato tem o desenvolvimento do Pará e com a defesa dos direitos da população. “ Agradeço a todos que acreditam e caminham ao nosso lado nessa jornada”.

Sul

No Sul, o PT teve três representantes entre os melhores, as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Carol Dartora (PT-PR) e o deputado Bohn Gass (PT-RS). Rosário comemorou o prestígio em ser reconhecida como uma das melhores deputadas do Brasil e do Rio Grande do Sul. “Esse reconhecimento é fruto do trabalho e da luta que realizamos juntos todos os dias”.

Estando em seu primeiro mandato como deputada federal, Carol Dartora se disse “realizada” e dedicou a conquista aos seus eleitores que “confiam e acreditam no meu trabalho e na potência dessa construção política pelas mãos de uma mulher negra”. Para Bohn Gass o prêmio Congresso em Foco significa estar do “lado da boa política”.

Também foram agraciados entre os 25 melhores parlamentares escolhidos pelo voto popular: Dandara (PT-MG), Jack Rocha (PT-ES) e Rogério Correia (PT-MG).  As deputadas Benedita da Silva, Carol Dartora, Erika Kokay e Maria do Rosário também foram agraciadas nesta categoria.

Senadores também brilham

O PT no Senado dominou, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Congresso em Foco. Na categoria “Melhor Senador do País”, o público elegeu todos os senadores e senadoras do partido entre os 15 vencedores, e consagrou Fabiano Contarato (ES) como o grande vencedor – assim como ocorreu na edição de 2023.

Além de Contarato em primeiro lugar, na sequência aparecem mais cinco petistas: Humberto Costa (PE), em segundo; Randolfe Rodrigues (AP), em terceiro; Paulo Paim (RS); em quarto; Teresa Leitão (PE); em quinto; e Augusta Brito (CE), em sexto.

A lista ainda é completada por Jaques Wagner (BA), em oitavo; Janaína Farias (CE) – que assumiu o mandato de senadora por quatro meses, neste ano –, em nono; Rogério Carvalho (SE), em 11º; e Beto Faro (PA), em 13º.

Leia mais: PT é o partido com mais premiações na história do Prêmio Congresso em Foco

Fabiano Contarato dedicou o prêmio à família, ao padre Júlio Lancelotti – que atua com e luta a favor das populações marginalizadas – e a todos que não têm vez e voz no país.

“Eu sei muito bem o lado que eu escolhi. Eu sei que, se você está do lado dos rejeitados, você vai ser rejeitado; dos excluídos, você vai ser excluído. Mas eu escolhi esse lado, e não quero mudar de lado. Tenho muito orgulho da população brasileira. Eu sonho com o dia em que o Congresso Nacional efetivamente represente a população brasileira. Porque ainda estamos longe de ter uma representatividade (adequada) da população pobre, preta, parda, indígena, quilombola, LGBTQIA+, das mulheres”, pontua o parlamentar.

Ao agradecer pela segunda colocação, Humberto Costa declarou que prêmio é um estímulo à atividade parlamentar, especialmente quando o debate de projetos importantes para a sociedade vem perdendo força. “O Congresso Nacional vem se preocupando quase que exclusivamente com emendas parlamentares. Na maior parte das vezes, sem a transparência necessária que elas precisam ter. E isso aqui é algo importante para que nós possamos fazer a política que nos cabe constitucionalmente”, disse o senador.

Jornalistas e júri

O Partido dos Trabalhadores ainda se destacou na votação dos melhores senadores e senadoras realizada por um grupo de 25 jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, além de júri especializado.

Entre os jornalistas, na categoria “Melhores Senadores” do país, Fabiano Contarato e Randolfe Rodrigues foram escolhidos entre os vencedores – Paulo Paim esteve ainda entre os selecionados. Além deles, a senadora Eliziane Gama (PSD-AM) também ganhou na categoria.

Randolfe, laureado pela 45ª vez e recordista do Prêmio Congresso em Foco, dedicou o prêmio ao Brasil, “que voltou a sair da extrema pobreza”. “Ao Brasil que, a despeito do que dizia o mercado, pelo segundo ano consecutivo, vai crescer a quase 3%”, disse.

“Dedico esse prêmio sobretudo ao povo brasileiro, inventivo, transformador, alegre, misturado. Dedico, por fim, ao meu Amapá, e, sobretudo, aos povos originários que, muito antes dos europeus, ocuparam a margem esquerda daquele grande rio”, complementa.

Já na escolha do júri, na categoria “Clima e Sustentabilidade”, Fabiano Contarato foi selecionado entre os melhores.

Melhores por região

A população ainda votou nos melhores senadores e senadoras em cada região do país. Novamente, o PT no Senado dominou, emplacando vitórias no Norte, no Nordeste, no Sudeste e no Sul.

Randolfe Rodrigues foi o escolhido pelo público como o melhor da região Norte, em uma categoria que também teve o líder do PT no Senado, Beto Faro, entre os vencedores.

Na região Nordeste, só deu PT: além do vencedor, Humberto Costa, os demais escolhidos pelo público foram Augusta Brito, Jaques Wagner, Teresa Leitão e Janaína Farias.

Já nas regiões Sudeste e Sul, os ganhadores foram Fabiano Contarato e Paulo Paim, respectivamente.

Premiação

Foi a 17ª edição do Prêmio Congresso em Foco, que elege os melhores da Câmara e no Senado. Neste ano, foram incluídas ainda as categorias especiais “Clima e Sustentabilidade”, “Apoio à Indústria” e “Cidades Inteligentes”.

Todos os parlamentares puderam concorrer ao prêmio, desde que não estejam respondendo a processos de improbidade administrativa ou acusações criminais, nem tenham feito apologia à tortura, violência ou práticas contrárias ao Estado Democrático de Direito. Aqueles que faltaram a duas ou mais edições anteriores também foram excluídos.

De acordo com o Congresso em Foco, os mais de 900 mil votos do público foram validados após auditagem interna e externa – esta última sob responsabilidade da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). Os processos garantem a segurança da votação.

No ano passado, a sigla também encabeçou a escolha feita pelo público. Contarato foi escolhido como melhor senador do país pela primeira vez, enquanto Humberto terminou em terceiro e Paim, em quarto. Em segundo lugar, ficou Randolfe Rodrigues, que recentemente retornou ao Partido dos Trabalhadores. Assim como em 2024, todos os demais senadores e senadoras estiveram entre os 15 primeiros colocados.

A importância do ato de ler – em três atos

Vinício Carrilho Martinez – professor/UFSCar

Natália Ramires Pedroso – graduanda em biologia/UFSCar

 

Esta nota faz referência ao livro de Paulo Freire (1986), A importância do ato de ler – em três artigos que se completam, um quase homônimo, mas também explora uma das experimentações que compartilhamos na disciplina Educação e Sociedade, na licenciatura da Universidade Federal de São Carlos/UFSCar.

Neste 2024, lemos, conversamos e escrevemos sobre algumas obras do patrono de nossa educação. No andamento dessas aulas, diálogos, debates, algumas iniciativas individuais surtiram grande efeito pedagógico, como recurso de aprendizagem e de construção da massa crítica. Todo mundo construiu seu texto.

Um desses casos está sublinhado – como recurso, veículo de Autoeducação – no link que você acessa aqui embaixo:

https://drive.google.com/drive/folders/1XHnNxGs6pPxy051Y_pmR9AQ24QDLVVgA

São fichas de leitura. Por enquanto são três arquiteturas das aulas mais expositivas, mas também de leitura do próprio Paulo Freire e de reflexão continuada. Em breve, teremos mais fichas anexadas ao mesmo repositório.

O objetivo dessa divulgação é unicamente o de colaborar com outras pessoas, pois, um “método individual” pode ser compartilhado, como esforço permanente da Autoeducação Política.

 

Referência

 

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler – em três artigos que se completam. São Paulo: Editora Autores Associados, 1986.

 

 

Anatel notifica operadoras a suspenderem a plataforma X, de Elon Musk

Anatel deve adotar todas as providências para garantir a suspensão, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF

 A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta sexta-feira (30) que foi intimada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão referente à suspensão do funcionamento do X (antigo Twitter) e está dando cumprimento às determinações nela contidas.

STF – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (30) a suspensão imediata e completa do funcionamento do X, antigo Twitter, em todo o território nacional até que decisões judiciais da Corte sejam cumpridas e as multas aplicadas sejam pagas. A ordem também valerá até a indicação de um representante da empresa no país.

De acordo com a decisão, tomada na Petição (PET) 12404, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Manuel Baigorri, deve adotar todas as providências para garantir a suspensão. O relator também intimou a Apple e o Google para que adotem providências para bloquear o uso do aplicativo pelos sistemas iOS e Android, além de retirá-lo de suas lojas virtuais.

Segundo o ministro, o STF fez todos os esforços possíveis e concedeu todas as oportunidades para que a X Brasil cumprisse as ordens judiciais e pagasse as multas, o que evitaria a adoção dessa medida mais gravosa.

“Lamentavelmente, as condutas ilícitas foram reiteradas na presente investigação, tornando-se patente o descumprimento de diversas ordens judiciais pela X Brasil, bem como a dolosa intenção de eximir-se da responsabilidade pelo cumprimento das ordens judiciais expedidas, com o desaparecimento de seus representantes legais no Brasil para fins de intimação e, posteriormente, com a citada mensagem sobre o possível encerramento da empresa brasileira”, afirmou.

A decisão fixa ainda multa diária de R$ 50 mil a pessoas e empresas que utilizarem “subterfúgios tecnológicos” para manter o uso do X, sem prejuízo de outras sanções nos âmbitos cível e criminal.

Brasil 247

Moraes suspende a rede social X em todo o Brasil

Nesta sexta-feira (30), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão da rede social X, antigo Twitter, no Brasil. Moraes notificou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para cortar o acesso à plataforma em todo o território nacional em até 24 horas.

A Anatel é responsável por implementar a medida, mas a retirada do ar pode não ser imediata devido a questões técnicas.

A decisão de Moraes surgiu após o X não atender a uma ordem judicial para instituir um representante legal no Brasil. Na quarta-feira (28), o ministro deu um prazo de 24 horas para que a rede social atendesse à determinação, que expirou às 20h07 de quinta-feira (29).

Em vídeo de campanha, Lula exalta trajetória de Boulos e promete parceria que “revolucionará” SP

Presidente destacou histórico do psolista em movimentos sociais que defendem a democracia e a habitação. Assista

Em um vídeo de campanha publicado na manhã desta sexta-feira (30), o presidente Lula voltou a pedir votos em Guilherme Boulos (PSOL) na disputa à prefeitura de São Paulo e prometeu que, em uma eventual gestão do psolista, o governo federal promoverá uma parceria que “revolucionará” a cidade.

A peça exibe uma visita de Lula e da primeira-dama Janja a Boulos  e sua esposa, Natália, além de suas filhas, Laura e Sofia, na residência do candidato, em Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista. Durante o encontro, o petista afirmou que Boulos “construiu uma história extraordinária em São Paulo”.

Além disso, Lula avaliou que, pela ligação do psolista “com os movimentos sociais que brigaram nesse país pela democracia e por habitação, Boulos é, sem sombra de dúvidas, o mais qualificado dos candidatos para ser prefeito de São Paulo”.

O presidente da República também elogiou a candidata a vice-prefeita na chapa de Boulos, Marta Suplicy, destacando que a dupla “vai juntar o vigor e a força de um jovem com a experiência de uma mulher bem-sucedida”.

Já o candidato agradeceu a Lula pelo apoio e afirmou que pretende fazer a cidade ser “mais justa e humana”, além de não deixar que “a cidade mais rica do Brasil tenha tanta pobreza e tanta gente jogada, tratada como se não fosse gente, que volte a ser a cidade de oportunidades que acolheu o retirante nordestino que veio de pau de arara, virou metalúrgico e veio a ser presidente do Brasil”.

Brasil247

Coluna Zona Franca

Novo recorde

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, trará na tarde desta quarta-feira uma grande notícia, na coletiva de imprensa em que anunciará os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativos ao mês de julho. Com o resultado daquele mês, o número de vagas com carteira assinada criadas nos sete primeiros meses de 2024 será maior do que o acumulado em todo o ano de 2023. Ou seja: o dado dos primeiros sete meses do ano terá que ser maior do que o saldo de 1.483.598 empregos formais criados em 2023.

Novo recorde 2

Marinho não antecipou o número exato, mas para superar os dados de 2023, o número terá que ser próximo a 200 mil vagas formais em um único mês – o que representa um resultado extraordinário. O que Marinho antecipou é que os dados referentes aos postos de trabalho na indústria, de maior qualidade e renda, também serão muito positivos.  A explicação para o excelente desempenho do mercado de trabalho são as políticas de ganho de renda que têm marcado o governo Lula 3. É exatamente o aumento do poder de compra na base da pirâmide que tem estimulado a retomada do consumo no comércio, nos serviços e, por tabela, a geração de postos de trabalho. No evento, dirigentes de várias centrais sindicais fizeram um balanço extremamente negativo da Lava Jato, que, segundo o Dieese, destruiu 4,4 milhões de empregos no País.

Extrema pobreza cai

O aquecimento da economia nacional no período entre 2022 para 2023 – fim do governo de Jair Bolsonaro (PL) e início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – levou à queda no desemprego no país, ao aumento do rendimento dos trabalhadores e à redução da extrema pobreza. Apesar disso, a concentração de renda aumentou.

Taxando big techs

meme de HaddadO Ministério da Fazenda está finalizando uma proposta que visa a taxação das gigantes da tecnologia, conhecidas como big techs, e pretende encaminhá-la ao Congresso Nacional ainda neste semestre. A medida não faz parte do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, que será apresentado na próxima sexta-feira (30) pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, caso a taxação seja aprovada em 2024, ela poderá contribuir com as receitas do governo para o próximo ano. As estimativas iniciais indicam que a arrecadação adicional pode variar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo aponta reportagem da Folha de S. Paulo.

Incêndios criminosos em SP

Uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) observou os 2,6 mil focos de calor registrados no estado de São Paulo entre a quinta (22) e a sexta-feira (23), quando 30 municípios foram atingidos e estado declarou estado de emergência. De acordo com o estudo, divulgado nesta terça-feira (27), 81,29% dos incêndios ocorreram em áreas de uso agropecuário e começaram quase simultaneamente, em um intervalo de 90 minutos. Em apenas um dia (23), o estado de São Paulo registrou mais focos de calor do que Amazônia inteira. Estranho, né?

Farçal

É impressionante o quanto Pablo Farçal (PRTB) consegue enganar, ludibriar, de forma tão clara, os eleitores paulistanos. Nitidamente picareta, farsante e charlatão, Farçal é uma prova de que a extrema-direita é perigosa para a população, principalmente para as camadas mais pobres. Ah, não quer votar no Boulos? Tudo bem. Vota na Tabata, no Datena, na pqp, mas não votem nesse crápula, pelo amor de Deus.

Fumaça

É aterrorizante o nível da fumaça registrado nessa manhã no Espaço Alternativo, em Porto Velho. O mais impressionante mesmo é que as autoridades sanitárias de Rondônia não proíbem ou alertam para o perigo de se praticar exercícios fisicos sob esse clima de horror. Nem máscaras usam, esses desportistas.

 

Eleições 2024

A pesquisa da Quaest divulgada ontem pela TV Rondônia, considerada um norte para todas as candidaturas, meio que define quem vai para para o segundo turno, e quem vai participar das sabatinas da TV Rondônia e do debate final no dia 3 de outubro, três dias antes ds eleições. Mariana Carvalho (União Brasil) pontuou 51% e o segundo colocado, Léo Moraes (Podemos), 18%. A ex-juíza Euma Tourinho (MDB), em terceiro, com 4%, Célio Lopes (PDT) em quarto, com 3%, Samuel Costa (Rede) em quinto, com  2%, Ricardo Frota (Novo) em sexto, com 1% e Dr Benedito Alves (Solidariedade), em sétimo, com 1%. Estes dois últimos estão fora das sabatinas e do debate, segundo as regras da emissora que estabeleceu que somente os cinco primeiros participariam.

Intenção de votos espontânea 


A Quaest também pesquisou a intenção de votos espontânea. Nesse modelo o entrevistado não tem acesso a nenhuma lista com os nomes dos candidatos. Os dados também apontam Mariana Carvalho com 19%; considerando a margem de erro, ela tem entre 15 e 23%. Léo aparece em 2º com 3% e com a margem, pode chegar até 7%. Os candidatos Euma Tourinho (MDB), Samuel Costa (Rede) e Célio Lopes (PDT) estão empatados, com 1% cada. Dr. Benedito Alves (Solidariedade) e Ricardo Frota (Novo) não pontuaram no modo espontâneo.

Mariana comenta pesquisa

A líder Mariana Carvalho  comentou os resultados da pesquisa:  “Vamos seguir trabalhando, olho no olho dos eleitores, levando nossas propostas e nossa mensagem positiva de confiança em Porto Velho. Estou preparada e determinada a fazer a melhor gestão da capital e esses números da pesquisa mostram que estamos no caminho certo, mas é manter os pés no chão e dialogando com a comunidade”.

                                                  Pesquisa coerente

Pode ser uma imagem de textoOs números da pesquisa batem com a realidade. Os dois primeiros colocados, são os mais conhecidos pelos entrevistados, como atestou a sondagem da Quaest . Mariana Carvalho é conhecida por 61% dos eleitores de Porto Velho. Apenas 17% não conhece a candidata. Já Léo Moraes, é conhecido por 41% dos entrevistados e desconhecido por 28%. Euma, Benedito,  Célio, Samuel e Frota estão na casa dos 70% de desconhecimento pelos eleitores entrevistados.

Estratégias

Os resultados da pesquisa da Quaest movimentaram ontem os bastidores das campanhas dos principais candidatos a prefeito de Porto Velho. O segundo colocado, Léo Moraes, deve imprimir um novo ritmo, focado em levar suas propostas para as periferias. Na pesquisa espontânea, onde o entrevistado não tem acesso a nenhuma lista com os nomes dos candidatos, Léo pontuou com apenas 3%. Ou seja, o nome dele não está sendo bastante massificado. Que dirá os outros, com apenas 1%.

Extorsão no pix

Nesta terça-feira (27) circulou que o DC tinha se desligado da coligação da candidata a prefeita de Porto Velho, Mariana Carvalho (União Brasil), e tinha passado a apoiar o candidato Benedito Alves (Solidariedade). Na verdade, não houve desligamento algum, mas um deputado (federal)  denunciou uma tentativa de extorsão envolvendo o DC. A denúncia foi apresentada pelo deputado à Polícia Federal, acompanhada de fotografias e de um vídeo. Também foi apresentado um recibo de transferência bancária da conta de um assessor do deputado para a presidente do DC, Raimunda Lucia da Silva Teixeira. O Blog Entrelinhas teve acesso ao recibo. Gente, extorsão só no dinheiro vivo e em caixas de sapatos. Risos.

Extorsão no pix 2

Raimunda Teixeira, a presidente do DC, é mulher do ex-empresário Silvio Jorge, preso em Porto Velho na Operação Luminus, que há anos investigou suposta corrupção na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdur). De acordo com o que foi apurado, hoje Silvio Jorge trabalha com lobby. Ele teria conseguido se aproximar de um promissor político de Rondônia, e de acordo com o que circula nos bastidores, acabará ferrando a vida do cara. Conforme a denúncia, quem de fato controlaria o DC não é Raimunda Teixeira, e sim o marido dela, o lobista Silvio Jorge. Ele teria tentado extorquir o deputado, que não pagou e denunciou o caso à Polícia Federal. Como a tentativa de extorsão não deu certo, o DC anunciou que estava se retirando da coligação de Mariana Carvalho para apoiar Benedito Alves. Acontece que o partido permanece na coligação. Nada foi alterado perante a Justiça Eleitoral.

Candidatos a vereador de Porto Velho

Lista completa de todos os candidatos a vereador de Porto Velho, aprovados em convenções e registrados no TRE-RO.

 Clique aqui

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  rk@maisro.com.br

Acesse também: Patrulha Verde 

A Democracia

É bandido: em vídeo duro, Tabata conecta Marçal ao PCC (assista)

Em nova peça de campanha, a candidata a prefeita de São Paulo expõe o passado criminoso do ex-coach Pablo Marçal

Candidata a prefeita de São Paulo, Tabata Amaral (PSB) emplacou mais uma peça de campanha que viralizou nas redes sociais por desmascarar o passado criminoso do também candidato Pablo Marçal (PRTB).

No vídeo, Tabata cita o enriquecimento suspeito de Marçal, sua condenação por participação em esquema de fraudes bancárias, o relacionamento de seu entorno com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e, mais recentemente, por montar uma “máfia digital” para atacar adversários políticos e se autopromover nas redes sociais. Assista:

Brasil 247

Candidato a vereador da Rede é condenado por chefiar milícia no Rio de Janeiro

A história de Valdevar da Silva Júnior, o Valde (Rede), candidato a vereador de Nilópolis. Mesmo condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por integrar uma milícia que explora pontos de mototáxi da cidade, ele pede o voto do eleitor. “Eu tenho um sonho para todo município, que as pessoas voltem a conversar nos seus portões sem serem assaltadas”, diz Valde, candidato a vereador de Nilópolis (RJ), na Baixada Fluminense, num vídeo postado em suas redes sociais na semana passada.

A preocupação com a segurança do município, assunto recorrente das postagens do candidato, contrasta com a sentença que o condenou, em fevereiro do ano passado, a 7 anos e 6 meses de prisão por integrar uma milícia que explora os pontos de mototáxi da cidade. Escutas autorizadas pela Justiça revelaram que Valde extorquia dinheiro de mototaxistas e circulava armado pela cidade: “Ou ele paga ou sai do ponto. Como eu vou deixar um cara rodar de graça?”, disse o político num diálogo interceptado pela polícia.

Pode ser uma imagem de canhoto de ingresso e texto

A interferência de facções criminosas nas eleições municipais já pode ser detectada nesse início de campanha pelo Brasil seja no lançamento de candidaturas ligadas a grupos de extermínio, PCC e Comando Vermelho quanto na cobrança de pedágios para entrar em territórios controlados pelo crime organizado. Assim como Valde — que passou mais de um ano preso, foi libertado em julho de 2023 e, atualmente, recorre da sentença em liberdade —, outros 13 candidatos são acusados de ligações com milícias no Rio.

Fonte: O GLOBO

O metafísico na escolinha rumo a Nárnia

Quando o metafísico voltou a estudar ele se deparou com sérios problemas, pois a Academia de Ciências de Nárnia estava em vias de profunda reformulação ou extinção. Dizer que o metafísico “voltou a estudar” é uma licença poética, um malabarismo para que quem nos lê possa entender o sofrimento desse indivíduo. Porque, essencialmente, o metafísico não sabe conjugar o verbo “estudar” – apesar de emitir opiniões sobre tudo.

A primeira aula do metafísico, desse retorno de quem não foi pra aula, trazia uma profunda questão entre Ética e consciência – que sintetizamos aqui no conceito de Ciência senciente: uma Ciência consciente dos seus males. Mais à frente ficará bastante claro.

Pois bem, assim iniciou o professor do metafísico:

– É interessante lembrar que existem muitos animais sencientes e que apenas o ser humano é capaz de torturar, ridicularizar, massacrar outros animais, da mesma espécie ou de outras, por prazer ou lucro de algum tipo. Há ainda os abusadores de animais ou que se “sentem em paz” quando veem pessoas e animais vivendo na rua.

Por esse caminho, o sadismo se associa à psicopatia ou sociopatia e todas as suas variáveis de indiferença à dor, ao sofrimento, à angústia humana – como a fome, a miséria, o abandono, a indignidade humana. É o cinismo de todo gênero em pleno funcionamento.

Também é interessante lembrar de Umberto Eco quando nos avisava sobre a “invasão dos imbecis[1]”, além da “burrice solene” (Nelson Rodrigues e tantos outros) que está na soleira de cada porta ou na palma de cada mão ocupada por celulares plugados em redes antissociais e comediantes de si mesmas.

Ainda é interessante recobrar a lembrança sobre o fato de que senciente provém de Sentiens – sentir em latim. Isto é, para tipos como o metafísico, sentir a existência da dor do Outro simplesmente é impossível, ineficaz ou invariavelmente nulo. É esse o estágio de civilidade em que se encontram os indivíduos que “naturalizam” (normalizam) o fato de animais e de humanos viverem nas ruas, sofrerem, morrerem à mingua.

Nesta rua da amargura, os sencientes não são humanos, pois estamos despersonalizados, bestializados, “imbecilizados”, ao menos para o metafísico e sua maioria de seguidores, a tal ponto que lhes é inevitável sentir prazer com o desprazer do Outro.

Esses imbecilizados – no sentido de já terem se apartado da inteligência social – são incapacitados, inócuos, se lembrarmos que qualquer sociedade funcional necessita de seres sociais habilitados ao convívio social. O contrário da invasão dos imbecis estaria no revigoramento da capacidade senciente.

E ainda é curioso, interessante, lembrar que a Ciência depende disso ou se projeta em humanos sencientes – uma Ciência que vê as pessoas, a dignidade humana. Uma Ciência consciente é uma Ciência senciente, capaz de sentir e de priorizar os sentimentos e os sentidos que interessam à humanidade.

Quantos pseudocientistas se aplicaram no DOI-CODI da ditadura pós-1964? Quantos pseudo-médicos ainda se voluntariam para negar a pandemia do Coronavírus e a totalidade das vacinas? Quantos pseudocientistas das Ciências Humanas se dedicam a desacreditar a si mesmos, negando-se a ver o óbvio que despersonaliza a sociedade brasileira? Aliás, para esses em particular, o óbvio é tão ululante que sequer saberiam dizer que obviedades são essas que estamos escrevendo sobre a realidade brasileira.

E os “pseudocientistas juristas”, os antigos e os novos negacionistas da aceitação e cumprimento dos Direitos Humanos, dos direitos fundamentais? Esses nem sabem diferenciar as nomenclaturas que utilizamos e assim, alegremente imbecilizados pelo capital e pelas Fake News, negam e violam qualquer noção básica de Justiça Social.

Por fim, mas, não menos interessante, é super interessante vermos como crescem os pseudocientistas que agora nem precisam mais consultar o “Dr. Google” para emitir pareces médicos, sociais ou jurídicos. A imbecilização de que falou Umberto Eco se massificou, corre feito sangue nas artérias das redes antissociais.

Por último mesmo, não poderíamos esquecer dos “jovens pseudocientistas” que, além de imbecilizados, são também infantilizados – adoradores de joguinhos em todas as horas. Antigamente se dizia que carregam consigo um certo “kit babaca”, altamente conectado com todos os mundos fora da Terra e dos problemas reais.

Neste momento o professor do metafísico se encaminhou para o final da aula:

–Se o século XXI tem muitas coisas interessantes, é preciso lembrar, tem também essas tantas imbecilidades mais do que interessantes.

– Nosso planeta não será visitado e muito menos colonizado, porque há imbecis demais. Nenhum ser senciente os aguenta, o que dirá o navegante de algum lugar que não seja Nárnia.

[1] https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2024/08/23/humberto-eco-e-a-invasao-dos-imbecis.htm. Acesso em 24/08/2024.

Vinício Carrilho Martinez

Em ação do PSB, Justiça Eleitoral manda tirar perfis de Marçal do ar

Uma liminar solicitada pelo PSB foi deferida pelo juiz Antonio Maria Patiño Zorz e determina a suspensão das contas nas redes sociais do candidato à prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Pablo Marçal. O perfil dele no Instagram, no entanto, ainda está no ar.

“Para coibir flagrante desequilíbrio na disputa eleitoral e estancar dano decorrente da perpetuação do “campeonato”, defiro o pedido de liminar, sob pena de imposição de multa diária no valor de R$ 10 mil”, detalhou o documento.

De acordo com a coluna de Raquel Landim, do UOL, com a liminar, estão suspensos os perfis no Instagram, YouTube, TikTok e o site da campanha, além de ficar proibido que ele remunere os “cortadores” dos seus conteúdos com a vinculação de Pablo Marçal como candidato a prefeito de São Paulo.

A liminar atende um pedido feito pela campanha da candidata à prefeitura de São Paulo Tabata Amaral (PSB-SP), que alega que Marçal comete abuso de poder econômico, ao remunerar indevidamente seus seguidores para promover sua campanha nas redes sociais. Ainda segundo a coluna, Marçal nega e diz que eles fazem isso espontaneamente porque lucram com sua imagem.

A decisão é liminar e ainda não foi julgado o mérito do assunto. “Com essa decisão, o que a Justiça Eleitoral está apontando é que há suspeitas concretas de que Marçal fez uso de recursos ilegais par se promover nessas eleições. É uma decisão liminar. Basicamente, Pablo caiu no antidoping”, informou a campanha de Tabata à colunista do UOL. A reportagem apurou que Marçal vai recorrer.

Acusado de relação com PCC, Marçal chama integrantes de seu partido de “bandidos” e PCC de empreendedores

O PCC está na campanha de Pablo Marçal. Coach condenado por integrar quadrilha de fraudes a banco, que vive um crescimento explosivo na corrida pela Prefeitura de SP, reagiu ao principal assunto do dia envolvendo seu nome

O coach Pablo Marçal (PRTB), um condenado pela Justiça a cinco anos e quatro meses de prisão por integrar uma quadrilha de fraudes a banco, e que é candidato a prefeito de São Paulo, resolveu reagir ao principal assunto do dia envolvendo seu nome: as acusações de que mantém relações estreitas com o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa do Brasil e que opera em pelo menos 24 países. No entanto, o forasteiro goiano que quer comandar a maior cidade brasileira o fez de forma um pouco incomum e complicada.

Durante uma sabatina da Record TV, Marçal chamou os aliados de seu partido, muitos deles próximos e que bancaram sua candidatura, de “bandidos”, porque a polícia e o Ministério Público vêm descobrindo elo deles com o PCC.

“Como eu já fui investigado, fiquem à vontade. Pau nesses bandidos… Todos do meu partido que tiverem qualquer ligação com quem quer que seja, pau nesses bandidos”, disse o coach, com sua habitual informalidade oral.

Para tentar se desvencilhar da acusação, Marçal colocou a culpa na existência de partidos políticos, que são obrigatórios na legislação brasileira para que alguém lance seu nome na disputa por um mandato. “Partido é aquela coisa que mais atrapalha”, começou dizendo.

“Eu sonho é com o Brasil, meu partido é o Brasil. Eu sonho com o brasileiro podendo se candidatar sem partido político. O PCC está infiltrado em quase tudo. Eles fizeram virar uma megaoperação de empreendedorismo. Eu não tenho nada com esses caras”, acrescentou Marçal, nitidamente irritado com o questionamento.

Ele ainda insistiu que as acusações são por mera estratégia política de seus adversários, que tentam “manchar” seu nome. Na manhã desta sexta (23), Tabata Amaral (PSB), também candidata à Prefeitura de São Paulo, veiculou uma propaganda eleitoral na qual mostra um complexo organograma em que Marçal supostamente seria uma figura central na estrutura do PCC.

“Todo mundo quer me associar com qualquer tipo de coisa. Não me curvo para bandido, para crime. Cada um que se lasque”, falou ainda o candidato.

Revista Fórum

“A democracia liberal está colapsando no mundo”, diz José Genoino

O ex-presidente do PT vê o fenômeno Pablo Marçal como um reflexo da decadência da democracia

O ex-presidente do PT, José Genoino, afirmou que a democracia liberal está em um processo de colapso global. Segundo ele, “a democracia liberal está colapsando no mundo”. Genoino apontou que esse fenômeno está diretamente relacionado ao impacto do neoliberalismo e à ascensão de líderes de extrema-direita.

“O neoliberalismo criou uma legião de desamparados”, disse Genoino. Ele ressaltou que as consequências desse modelo econômico vão além da desigualdade social, afetando também o campo político e contribuindo para o enfraquecimento das democracias liberais.

Durante a entrevista, Genoino também criticou o papel das grandes empresas de tecnologia no cenário político atual. “As big techs estão se aliando com a agenda da OTAN”, afirmou, sugerindo que essas corporações estão contribuindo para a manutenção de uma ordem econômica e política que não atende às demandas populares.

Para Genoino, a esquerda precisa reconsiderar sua estratégia e visão de futuro. “O grande caminho da esquerda é uma democracia popular substantivada”, afirmou. Ele argumentou que é necessário “falar do futuro da utopia, para embalar corações e mentes em uma perspectiva transformadora e não apenas de manter o status quo”. Segundo Genoino, “se a esquerda ficar nos limites da democracia liberal, ela vai junto”. Ele destacou que, enquanto a democracia liberal pode ser um ponto de partida, “não pode ser o ponto de chegada”.

Genoino também comentou sobre a crise do sistema capitalista e os desafios enfrentados pela esquerda. “É uma nova era que estamos vivendo. Estamos vivendo a crise do sistema capitalista. A esquerda precisa ser anti-sistema”, afirmou. Ele alertou que o desafio é ser “anti-sistema sem ser sectário, sem ser seita”. Para Genoino, a situação é crítica: “Estamos no fio da navalha. Se esse modelo não for derrotado, ele pode levar junto a democracia, ele precisa ser derrotado.”

Ao discutir a figura de Pablo Marçal, Genoino afirmou que ele representa “o porão que emerge”, onde “tudo está relativizado”. Segundo ele, “o crime é relativizado, a ilegalidade é relativizada, a bagunça é relativizada, e o objetivo central é ser contra os valores da esquerda”. Para Genoino, a ascensão de figuras como Marçal é um sinal da “extrema direita que não tem limite”, que promove um “negacionismo civilizacional” e se alinha com “o que há de mais reacionário da história dos povos”.

Genoino concluiu dizendo que, embora a extrema direita possa mudar de forma, “o miolo é o mesmo”. Ele alertou para o perigo de se relativizar a verdade e a legalidade, o que, segundo ele, está se tornando uma estratégia comum entre os grupos que se opõem aos valores democráticos e de esquerda.

Brasil 247

Meio ambiente – o futuro ameaçado

Por LISZT VIEIRA*

A ameaça da crise ecológica aponta para uma verdadeira crise de civilização, para a necessidade de um novo modo de vida e de produção

1.

Rios voadores da Amazônia viram corredores de fumaça tóxica. A fumaça que há semanas queima a Amazônia e o Cerrado já atinge extensas áreas do Sul e Sudeste. Ela vem carregada dos perigos do carbono tóxico, emitido pela queima da vegetação. Este material, altamente absorvente, provoca o aquecimento atmosférico e causa doenças respiratórias.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já registrou 5.454 focos de queimadas no Amazonas nesses primeiros 20 dias de agosto. No mesmo período do ano passado foram registrados 2.331 focos, o que significa um crescimento de 233% (Amazonia Real, 20/8/2024),

O Brasil atinge 1/3 de vegetação nativa perdida desde colonização. Segundo o MapBiomas, o Brasil alcançou a marca de 33% de vegetação nativa (281 milhões de hectares) destruída no seu território desde o início da colonização europeia em 1500. As áreas foram alteradas por atividades humanas, como agropecuária e urbanização (UOL, 21/8/2024).

Tradicionalmente, a questão ambiental foi negada no Brasil, e em quase todo o mundo, considerada como inexistente. Os políticos, sejam de direita, centro ou esquerda, sempre rejeitaram o meio ambiente como questão política merecedora de atenção especial dos governos e das sociedades. Os políticos de esquerda diziam que, no Brasil, a questão era social, meio ambiente era um modismo importado da Europa. E chamavam os ecologistas e ambientalistas de “bicho grilo”.

Os de direita diziam que o problema no Brasil era econômico, a questão ambiental era bobagem, “coisa de viado”. E a mídia em geral chamava os ambientalistas de “alfacinha”. Isso atingia os professores universitários e cientistas que alertavam, décadas atrás, para a importância da proteção ambiental.

Nos últimos anos, principalmente a partir do início deste século, a situação começou a mudar. A percepção de que a questão ambiental era muito séria e podia trazer consequências desastrosas passou a superar a ignorância alimentada pelos interesses econômicos.

Os cientistas de toda parte, principalmente os reunidos no órgão da ONU chamado Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, IPCC na sigla em inglês, divulgaram suas pesquisas e alertaram para a necessidade urgente de medidas de proteção ambiental para combater a emissão de gases de efeito estufa (GEE) provocada pelo uso abusivo dos combustíveis fósseis – petróleo, gás, carvão – e pelo desmatamento e destruição dos recursos naturais.

Os cientistas ambientais e ecologistas, antes vistos como bobos da corte, passaram a ser levados a sério, mas os poluidores continuaram destruindo a natureza para sua produção econômica visando a lucro.

Em todo o mundo, aumentou de forma assustadora o número de eventos climáticos extremos, como inundações, secas, calor extremo, furacões, incêndios etc. Vivemos no período de maior aquecimento em mais de 2.000 anos. A última década foi a mais quente já registrada.  O mês de junho de 2024 torna-se o décimo terceiro mês consecutivo a ultrapassar o limite de 1,5°C do Acordo de Paris. As alterações climáticas recentes são sem precedentes em milhares de anos.

2.

O primeiro Quadro abaixo mostra o aumento da temperatura global em relação ao nível pré-industrial. E, a seguir, o segundo Quadro mostra os maiores países responsáveis historicamente pelas mudanças climáticas. É curioso observar que os dois maiores responsáveis, EUA e China, foram os dois primeiros na Olimpíada de Paris de 2024, assim como em Olimpíadas anteriores.

Como se vê, o Brasil ocupa o quarto lugar, depois dos EUA, China e Rússia. No Brasil, o grande vilão é o desmatamento provocado pelo agronegócio – agricultura, pecuária, mineração, madeireiras, garimpeiros.

Ao ser desmatada, a floresta libera GEE que vão contribuir para o aquecimento global e mudanças climáticas, bem como libera vírus, antes estocados em plena floresta. Em julho/agosto de 2024, o fogo atingiu santuários de animais no Pantanal. As cenas de bichos carbonizados repetem a tragédia de 2020, considerada o recorde de destruição do bioma. As secas na Amazônia e as queimadas no Pantanal tornam-se repetitivas e apontam para um futuro sombrio.

Segundo o cientista Carlos Nobre, a Amazônia tem sofrido intensa degradação nos últimos 50 anos, com a taxa de desmatamento mais alta entre as florestas tropicais do mundo. Anualmente, 16.000 km² de floresta são derrubados, totalizando mais de 1 milhão de km² desmatados e outro milhão em degradação. A Amazônia se aproxima de seu “ponto crítico”, de seu ponto de não retorno, a partir do qual a floresta vai se transformando em savana. Para impedir isso, segundo o cientista, é essencial eliminar todo desflorestamento e degradação florestal.

Fonte: IMAZON

Cerca de 13% de todas as espécies vegetais e animais conhecidas no planeta Terra são encontradas na Amazônia, sendo cerca de 50 mil espécies de plantas, 16 mil de árvores, 350 de primatas, 800 de anfíbios e répteis, 1.330 de aves e mais 100 mil insetos, entre muitos outros que são descobertos todos os anos. A floresta armazena cerca de 150 bilhões a 200 bilhões de toneladas de carbono no solo e na vegetação acima do solo, além de ser um grande exportador de vapor d’água para fora da Bacia Amazônica.

Esses “rios voadores”, que liberam quantidade quase idêntica à vazão do rio Amazonas, cerca de 200 mil metros cúbicos por segundo, alimentam os sistemas hidrológicos das savanas tropicais do sul da Amazônia e até mesmo do centro-leste da América do Sul, um serviço ecossistêmico importante para o planeta.

3.

O relatório “Violência contra povos indígenas no Brasil”, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em julho de 2024, aponta que 208 indígenas foram assassinados em 2023, um aumento de 15,5% em comparação com 2022, quando 180 assassinatos foram registrados. O número de suicídios aumentou 56%. No total, os casos de “Violência contra a pessoa” – que abrange assassinatos, homicídios culposos, abuso de poder, ameaças, lesões corporais, racismo, tentativa de assassinato e violência sexual contra povos originários – recuaram, mas os números não refletem as promessas do atual governo.

Um dos principais conflitos enfrentados pelos povos indígenas nos últimos anos é o marco temporal, segundo o qual apenas as terras que eram ocupadas até 5 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal – podem ser reivindicadas pelos povos originários. O Supremo Tribunal Federal havia julgado a tese como inconstitucional em setembro de 2023, mas dias depois o Senado aprovou a lei do marco temporal. O Presidente Lula vetou, mas o veto foi revogado pelo Congresso.

As tragédias climáticas recentes no Brasil, como as grandes enchentes que inundaram novamente o Rio Grande do Sul em maio de 2024, mostram que o país não está adotando as políticas públicas necessárias para garantir a proteção ambiental. Essas políticas exigem visão de longo prazo. Mas o mercado e os governos têm geralmente visões de curto prazo, o primeiro visando a lucro, os segundos visando às eleições.

Para evitar essas catástrofes climáticas que tendem a aumentar, é necessário zerar desmatamentos, degradação florestal e incêndios da vegetação em todos os biomas. E estabelecer uma política de transição energética para superar o uso de combustíveis fósseis em favor de energia renovável. Ondas de calor, inundações, secas e incêndios atingiram, por vezes simultaneamente, todos os continentes em 2024.

Efeito direto do aquecimento global causado pelo homem, acentuado pelo fenômeno El Niño, o meio ambiente arde, sufoca, seca ou morre. Durante semanas, senão meses, os desastres climáticos têm ocorrido um após o outro, atingindo todos os países, às vezes ao mesmo tempo.

Hoje, lançamos carbono na atmosfera a um rimo 100 vezes mais rápido do que em qualquer época anterior ao início da industrialização. Metade do carbono lançado na atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis foi emitido apenas nas últimas três décadas. Mantendo o atual padrão de emissões, chegaremos a mais de 4º C de aquecimento até o ano 2100. Isso significa que muitas regiões do mundo ficariam inabitáveis devido ao calor direto, à desertificação e às inundações.

Pelas projeções das Nações Unidas, teremos 200 milhões de refugiados do clima até 2050. Outras estimativas são ainda mais pessimistas: 1 bilhão de pobres vulneráveis sem condições de sobrevivência. Os desastres climáticos levaram ao deslocamento de mais de 43 milhões de crianças em seis anos.

A atual era geológica está sendo chamada Antropoceno, pois é a ação humana que provoca a redução drástica da capacidade natural de o planeta absorver o carbono e transformá-lo em oxigênio, o que implica temperaturas mais elevadas, mais incêndios florestais, menos árvores, mais carbono na atmosfera, um planeta mais quente.

É claro que os pobres são mais vulneráveis e vão sofrer mais do que os ricos. Trata-se de um problema de justiça ambiental ou, em outras palavras, de apartheid ambiental. Os países com menor PIB serão os mais quentes. Desastres naturais e eventos climáticos extremos constituem hoje os maiores riscos para a vida humana.

Os cinco principais riscos no longo prazo são os seguintes: (i) falha em mitigar as mudanças climáticas; (ii) falha em se adaptar às mudanças climáticas; (iii) desastres naturais e eventos climáticos extremos; (iv) perda da biodiversidade e destruição do ecossistema; (v) crises de imigração em massa de refugiados.

4.

O mundo, no atual estado de coisas, está sendo catapultado para uma nova fase ecológica – menos propícia à manutenção da diversidade biológica e de uma civilização humana estável. As condições de existência de milhões ou talvez bilhões de pessoas serão destruídas e a própria base da vida como a conhecemos hoje ficará sob ameaça. pondo em risco a vida das populações mais vulneráveis do planeta.

Temos de reconhecer que é a lógica de nosso modo de produção – o capitalismo – que impede a criação de um mundo de desenvolvimento humano sustentável que transcenda o desastre que aguarda a humanidade. Para nos salvar, devemos criar uma lógica socioeconômica diferente, que aponte para outro modelo de civilização baseado no projeto de uma revolução ecossocialista.

A civilização do combustível fóssil ameaça a sobrevivência humana no planeta. Produz calor letal, fome pela redução e encarecimento da produção agrícola, destruição das florestas por incêndios, esgotamento da água potável, morte dos oceanos, tufões, inundações, ar irrespirável, pragas, secas, colapso econômico, conflitos climáticos, guerras, crise de refugiados.

As fontes de energia renováveis tornaram-se competitivas, mas as forças econômicas do mercado e os governos por elas controlados sabotam a transformação da energia fóssil poluidora em energia renovável que, entretanto, vem crescendo consideravelmente. Mas os fósseis dominarão a matriz energética até 2040, no mínimo. Os combustíveis fósseis – petróleo/ gás/carvão – deverão constituir ainda três quartos da matriz energética mundial em 2040.

Por outro lado, o conceito de crescimento econômico baseado na destruição de recursos naturais vem sendo questionado em toda parte por movimentos ambientalistas, com fundamento em novos conceitos como, entre outros, o Ecossocialismo.e o Decrescimento. O homem é o único animal que destrói seu habitat, o que coloca em questão sua racionalidade de homo sapiens.

Tudo em função da produção econômica baseada na busca do lucro máximo. Trata-se de uma crise de civilização. O estilo de vida que herdamos da sociedade industrial está ameaçado. O futuro será baseado em energias renováveis ou não haverá futuro.

Mas a mudança para uma economia global com base na transição energética levará a conflitos, com implicações geopolíticas por afetar as fontes do poder nacional, o processo de globalização, as relações entre as grandes potências e entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

De qualquer forma, a transição energética, por si só, tampouco será suficiente. A ameaça da crise ecológica, motivada pela destruição da biodiversidade e pelo aquecimento global causado pelas mudanças climáticas, aponta para uma verdadeira crise de civilização, para a necessidade de um novo modo de vida e de produção, ou seja, de uma profunda transformação ecológica para garantir a sobrevivência da humanidade no planeta.

*Liszt Vieira é professor de sociologia aposentado da PUC-Rio. Foi deputado (PT-RJ) e coordenador do Fórum Global da Conferência Rio 92. Autor, entre outros livros, de A democracia reage (Garamond). [https://amzn.to/3sQ7Qn3]

A denúncia contra Alexandre de Moraes

Por JOSÉ DIRCEU*

A denúncia contra Moraes mostrou o quanto setores da sociedade e da mídia tentam se alinhar com a nova face do bolsonarismo, que respondem pelo nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

Causa estranheza o destaque dado pelo jornal Folha de S. Paulo à denúncia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria agido fora dos ritos para solicitar, por meio de auxiliares, que o Tribunal Superior Eleitoral – do qual à época era presidente (ele anteriormente a corte de agosto de 2022 a junho de 2024) – produzisse relatórios para embasar o inquérito das fake news.

O inquérito foi aberto por ele ainda em 2019, contra jornalistas e comunicadores que insistiram em divulgar notícias falsas contra o sistema eleitoral, os tribunais superiores e os seus ministros, pregando o discurso do ódio.

Estranheza porque, como bem disse o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, não faz sentido o ministro Alexandre de Moraes oficiar a si mesmo. A fundamentação da denúncia é tão pueril que Alexandre de Moraes recebeu o apoio de todos os seus pares, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de muitos políticos e até de expoentes da ultradireita, como o jurista Ives Gandra Martins e a ex-deputada Janaina Paschoal.

É importante notar que a denúncia foi muito bem embalada e de ampla repercussão. A reportagem que a sustenta tem coautoria de Glenn Greenwald, jornalista estadunidense responsável pela denúncia da Vaza Jato , cujos documentos foram fundamentais para anular os processos contra o presidente Lula, reconhecer sua inocência e restituir seus direitos políticos.

Contudo, os bolsonaristas passaram a pedir o impeachment de Alexandre de Moraes e defender que todas as punições dadas por ele sejam revistas. Querem, ainda, anistia para os golpistas de 8 de janeiro de 2023 e para o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro – tanto em torno dos primeiros quanto do segundo o cerco vai se fechando.

A denúncia foi publicada na mesma semana em que se inicia a campanha eleitoral de prefeitos e vereadores e, como o Brasil não apoiou a articulação das plataformas digitais e redes sociais, que hoje são um importante veículo de propaganda eleitoral, todo o controle da disseminação de notícias falsas estarão nas mãos do TSE.

Fragilizar a figura do ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito das fake news e que à frente do TSE criou o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (Ciede), que vai atuar pela primeira vez nestas eleições, é importante para a estratégia eleitoral bolsonarista, pois ela depende da propagação de mentiras para manter suas bases estimuladas e homologadas. Se o TSE for muito ativo, ela perde pontos.

Também chama a atenção que a denúncia tenha repercutido nas redes de direita no exterior e tenha sido comentada por Elon Musk, dono do X (ex- Twitter) e crítico de Alexandre de Moraes, a quem acusa de cercear a liberdade de expressão com seu inquérito das fakes news, através do qual determinou a suspensão de contas de extremistas em redes sociais.

Elon Musk, um sul-africano que se tornou bilionário nos Estados Unidos e é dono de várias empresas de tecnologia, é apoiador declarado de Donald Trump, que, como Jair Bolsonaro e seus seguidores, é adepto da disseminação de mentiras nas redes sociais.

Neste sábado (17 de agosto), o Global Government Affairs, do X, anunciou na rede do microblog que estava encerrando sua operação no Brasil para “proteger a segurança de sua equipe”, e atribuiu a decisão às ações determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes (no âmbito do inquérito das notícias falsas). Melodramaticamente, encerra o comunicado com a seguinte frase, que bem evidencia que Elon Musk se pretende dono do mundo: “O povo brasileiro tem uma escolha a fazer – democracia ou Alexandre de Moraes”.

Não resta dúvida de que a denúncia, que já começou a refluir, mostrou que a extrema direita está muito ativa e atenta a todos os movimentos de que possa se aproveitar para fortalecer sua posição em direção ao seu projeto de poder para 2026. Mostrou também o quanto setores da sociedade e da mídia tentam se alinhar com a nova face do bolsonarismo, que respondem pelo nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – a “suíte” [no jargão jornalístico, reportagem que explora os desdobramentos de um fato noticiado] saiu da Polícia Civil paulista.

Tarcísio de Freitas é aquele que vendeu à Sabesp um preço de banana, fazendo a alegria dos rentistas, e promete, se chegar à presidência, privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa e, quiçá, o BNDES. A Faria Lima já faz fila para apoiá-lo. Não podemos permitir que isso aconteça.

*José Dirceu foi ministro da Casa Civil no primeiro governo Lula. Autor, entre outros livros, de Memórias – Vol. 1 (Geração editorial). [https://amzn.to/3H7Ymaq]

Publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo.

Tabata aponta ligações de Marçal com o tráfico de drogas

Em peça de campanha, a candidata a prefeita de São Paulo escancara o relacionamento de Pablo Marçal e seu entorno com o PCC

Candidata a prefeita de São Paulo, a deputada federal Tabata Amaral (PSB) divulgou nas redes sociais na noite desta quinta-feira (23) uma peça de campanha em que escancara as ligações do ex-coach Pablo Marçal, também candidato a prefeito da capital paulista, com o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa do Brasil.

Tabata cita no vídeo Renato Cariani, Leonardo Avalanche, André do Rap, ‘Piauí’, Valquito, Escobar, Júlio César Pereira (o ‘Gordão’) e Francisco Chagas de Souza (o Coringa): “tem uma figura que liga todos esses elementos”, diz a candidata, mostrando uma foto de Marçal em seguida. Assista:

Brasil 247

Tabata Amaral deve apoiar Boulos desde já para evitar um desastre em SP com o picareta Farçal

A última pesquisa Datafolha revelou um cenário preocupante para a Prefeitura de São Paulo: o coach Pablo Farçal (PRTB), cuja ficha policial é tenebrosa, bem como de membros de seu partido, ganhou força expressiva e empatou na liderança com o deputado Guilherme Boulos (PSOL), com 24%, e o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB), com 19%.

O delinquente Farçal, que saltou de 14% para 21% nas intenções de voto, representa uma extrema direita populista e demagógica, que, se consolidada no segundo turno, poderia resultar em um desastre para a cidade e o país.

Diante desse panorama, o apresentador José Luiz Datena (PSDB), que caiu de 14% para 10%, e a deputada Tabata Amaral (PSB), com 8%, emergem como figuras cruciais para a manutenção da democracia. A ascensão de Farçal reflete uma tendência que vimos crescer globalmente, em que influenciadores digitais e figuras carismáticas e truculentas ganham espaço na política, com consequências catastróficas.

Na França, a extrema-direita foi derrotada porque houve o “processo das desistências”, como definiu a cientista política francesa Florence Poznanski. Para evitar que o partido Reunião Nacional, da fascista Marine Le Pen, ocupasse mais cadeiras no parlamento, mais de 200 candidatos de centro e de esquerda se retiraram da disputa para concentrar os votos nos bem colocados.

Assim, em distritos eleitorais onde havia três candidatos, ficaram apenas dois. Os eleitores contrários ao fascismo concentraram seus votos em uma única opção. “Foi inclusive por isso que a coligação de Macron teve um resultado muito melhor do que no primeiro turno. Porque a esquerda desistiu em vários distritos”, diz Florence.

Jair Bolsonaro e Pablo Farçal. Foto: reprodução

Se Farçal chegar ao segundo turno, a eleição se transformará em um embate entre a racionalidade e o extremismo, entre a manutenção da política versus uma agenda ultraconservadora, retrógrada e bandida.

Tabata Amaral não tem chance diante desse quadro. Guilherme Boulos, por outro lado, tem se consolidado como uma liderança capaz de unir diversas forças progressistas em torno de um projeto comum para São Paulo.

Seu compromisso com a justiça social, a moradia digna e os direitos humanos o torna a escolha natural para enfrentar os desafios que a cidade enfrenta. Ao apoiar Boulos, Tabata pode não apenas ajudar a evitar um segundo turno desastroso, mas também garantir que a civilização prevaleça — além de ajudar sua própria sobrevivência política.

DCM

Caiu o pix: Marcelo Bimbi desmente acusações e pede desculpas

Governador do Acre rebate acusação de estupro de Marcelo Bimbi; Famoso afirmou que foi abusado pelo político durante um encontro, contudo, voltou atrás (caiu o pix)

“Separe a pipoca que o babado é forte!” Após ser acusado de abusar sexualmente de Marcelo Bimbi, ex-marido de Nicole Bahls, chegou a vez da réplica para o governador do Acre, Gladson Cameli.
Na manhã desta quarta-feira (21), o famoso afirmou que foi abusado pelo político durante um encontro. “Uma vez o senhor me levou para o seu apartamento em Brasília e me abusou. E vou provar! Eu fui bolinado pelo governador do Acre”, insistiu.
Por meio de nota, o político afirmou que “preza pela democracia e pelo direito de todo cidadão expressar seus questionamentos à sua gestão no governo do Acre”.
Gladson alertou que sempre respeitou o contraditório, mas “não dá direito, a quem quer que seja, fazer ataques à sua honra” e pontuou que “acusações infundadas de suposta perseguição ou ilação sobre fatos desta natureza, serão respondidas no âmbito jurídico específico”.
Além disso, o governador sugeriu a instauração de um inquérito policial para a investigação sobre a acusação gravíssima de Marcelo Bimbi. “Além das ações criminais e cíveis no âmbito da Justiça Estadual”, finalizou.

Marcelo Bimbi desmente acusações e pede desculpas

O caso tomou mais um desdobramento, o ex-A Fazenda voltou a público para se pronunciar, mas, dessa vez, se desculpou com o governador e garantiu ter sido vítima de hakers da internet.
Por nota de esclarecimento ele disse: “Nota de esclarecimento e repúdio: venho publicamente prestar minha irrestrita solidariedade ao governador Gladson Cameli em razão dos ataques absurdamente atribuídos a mim em minha conta pessoal do Instagram.”
“Quero esclarecer que fui alvo de um ataque hacker por alguém que desconheço e contra quem estou prestando queixa e espero que seja exemplarmente punido e enquadrado no rigor da lei de crimes cibernéticos, conforme o meu desejo expressado às autoridades em queixa crime na delegacia de polícia”, disse em nota.
Fonte: Uai.com

Abuso sexual: ex de Nicole Bahls acusa governador bolsonarista, réu por corrupção, de estupro

Modelo Marcelo Bimbi fez as acusações nas redes sociais e diz que sofre ameaças. Feroz apoiador de Bolsonaro, Gladson Cameli, do Acre, diz que vai responder com ações na Justiça

Ex-marido da modelo e apresentadora Nicole Bahls, Marcelo Bimbi, publicou uma série de stories em seu perfil no Instagram na noite desta terça-feira (20) em que acusa o governador bolsonarista do Acre Gladson Cameli (PP) de abuso sexual e estupro.

“O senhor, comia o ‘vulgo’ roxin. Uma vez o senhor me levou pro seu apartamento em Brasília e me abusou. E vou provar”, diz Bimbi, que na manhã desta quarta-feira (21) fez nova publicação sinalizando que está viajando para Brasília.

“Jaja, Bsb. Acredito em todo judiciário”, escreveu o modelo, ator e apresentador, que participou de realityes shows como A Fazenda e Power Couple Brasil, na TV Record.

Bimbi ainda desafiou o governador do acre, marcando Cameli na publicação: “confessa que não me estuprou?”.

O modelo ainda afirmou que está sendo ameaçado e pediu ajuda pois, segundo ele, “esse governador do Acre, com seus capangas, vai me pegar”.

“Senhor Gladson, você me usou como uma mulher. Teus amigos, inclusive um me ofereceu 13 mil reais pra matar a irmã dele. Ou o senhor manda me matar ou vou resolver”, emendou – veja as publicações ao final da reportagem.

Outro lado

Também pelos stories do Instagram, o governador bolsonarista rebateu as acusações na manhã desta quarta-feira em nota assinada pela sua equipe.

O texto diz que Cameli preza pela democracia e “pelo direito de todo cidadão expressar seus questionamentos à sua gestão no governo do Acre”.

No entanto, ressalta que “isso, porém, não dá direito, a quem quer que seja, fazer ataques à sua honra”.

“Cada acusação à sua honra, acusações infundadas de suposta perseguição ou ilação sobre fatos desta natureza, serão respondidas no âmbito jurídico específico, com instauração de inquérito policial para a devida investigação, além das ações criminais e cíveis no âmbito da justiça estadual”, diz o texto.

Réu por corrupção

Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou denúncia da  Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornou Gladson Cameli réu por corrupção.

Cameli, feroz apoiador de Bolsonaro que cumpre o seu segundo mandato como governador do estado nortista, é acusado de liderar um esquema de fraude em licitações desde 2019, que resultou em prejuízos de R$ 150 milhões aos cofres públicos.

A PGR chegou a pedir o afastamento do governador do cargo, mas o tribunal negou a solicitação e permitiu que ele continue exercendo o mandato.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o governo do estado do Acre contratou uma empresa de engenharia chamada Murano para manutenção predial.

O problema é que a empresa sequer tinha escritório no Acre ou tinha atuado no estado. Além disso, para contratá-la, não utilizou o método de licitação. Um dia após a assinatura do contrato, a empresa fechou uma parceria com a empresa Rio Negro, cujo sócio é Eládio Cameli, irmão do governador.

Gladson, como chefe do governo do Acre, é apontado como uma das principais figuras no esquema. Além deles, outros membros da família também são acusados de fazer parte da organização criminosa.

A empresa de Eládio pagou parcelas de um apartamento em São Paulo que seria destinado ao governador do Acre, além de 81% um veículo de luxo que seria de posse do governador.

Segundo a PGR, é “inegável o desvio de recursos públicos, os quais deveriam ser empregados na execução das obras, mas foram desviados em favor de familiares” de Cameli.

O governador nega as acusações e diz que “a defesa terá a tranquilidade e o espaço necessário para esclarecer dúvidas e repor a verdade”.

Veja as publicações de Marcelo Bimbi

Revista Fórum

 

Boulos lidera em SP com 28,5% das intenções de votos, diz pesquisa Atlas

A pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta quarta-feira (21) mostra Guilherme Boulos (PSOL) liderando a disputa pela Prefeitura de São Paulo. O atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) ocupa a segunda posição, enquanto Pablo Marçal (PRTB) avança para a terceira colocação isolada.

Boulos está à frente com 28,5% das intenções de voto, liderando com uma vantagem de quase sete pontos sobre Nunes, que tem 21,8%. Marçal, com 16,3%, aparece em terceiro, seguido por Tabata Amaral (12%) e Datena (9,5%). A pesquisa apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os demais candidatos têm as seguintes intenções de voto: Marina Helena (Novo) com 4,3% (antes 3,5%), Altino Prazeres Jr. (PSTU) com 0,3% (antes 0%), Ricardo Senese (UP) com 0,2% (antes 0,7%) e João Pimenta (PCO) com 0% (antes 0%). A porcentagem de eleitores indecisos é de 0,9% (antes 0,6%), enquanto os votos em branco ou nulos somam 6,2% (antes 5,2%).

Comparando com a pesquisa de 8 de agosto, Boulos registrou uma queda de 4,2 pontos percentuais, passando de 32,7% para 28,5%. Nunes também apresentou uma diminuição, de 24,9% para 21,8%, uma queda de 3,4 pontos.

Em contraste, Marçal foi o candidato que mais cresceu, com um aumento de 4,9 pontos percentuais, subindo de 11,4% para 16,3%. Tabata Amaral também teve um aumento, subindo de 11,2% para 12%, enquanto Datena manteve sua posição com 9,5%.
A pesquisa AtlasIntel foi realizada com recursos próprios e entrevistou 1.803 eleitores de São Paulo entre 15 e 20 de agosto. Com um nível de confiança de 95%, o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-02504/2024.
DCM

VÍDEO Pablo Farçal maior mentiroso do Brasil é desmascarado, desta vez sobre Ayrton Senna

Coach Pablo Farçal se compara a Ayrton Senna e depois ofende legado do piloto. O coach fez as declarações polêmicas durante uma live e tentou desmerecer as conquistas do piloto que faleceu há 30 anos. Na ocasião, Farçal disse: “Que Senna? Senna não tinha banco não, o Senna não tinha avião próprio não, o Senna não pilotava helicóptero como eu não. Vamos tratar o Senna agora e pôr ele no lugar dele?

O coach e influenciador Pablo Farçal, conhecido por suas frases motivacionais e estilo de vida ostentativo, voltou a gerar polêmica nas redes sociais. Em uma live recente, ele fez comparações entre si mesmo e o piloto Ayrton Senna, exaltando suas próprias conquistas e diminuindo as do tricampeão mundial de Fórmula 1 que faleceu há 30 anos.

Senna teve uma experiência com Deus (…) e ele e o carro viraram um. Eu quero pegar isso. Aquilo ali é um símbolo de velocidade”, responde o coach. E prossegue: “O Senna não tinha banco, não, moço. O Senna não tinha avião próprio, não. O Senna não pilotava helicóptero igual eu, não. Vamos tratar o Senna agora e pôr ele no lugar dele? Que Deus o tenha, mas deixa eu te falar uma coisa? O Senna não era bilionário, o Senna não escreveu 45 livros. Você acha que eu tô me modelando no Senna para escrever os livros que eu escrevo? O Senna nem teve filho, eu tenho quatro. Você quer que eu continue?”.

A fala do coach gerou reações indignadas de fãs do piloto e de internautas em geral. Muitos consideraram as comparações desnecessárias e ofensivas, além de destacaram que a importância de Ayrton vai além de bens materiais, segundo o portal O Globo.

Farçal se declarou inspirado na “velocidade” de Senna, mas logo em seguida questionou o legado do piloto, dizendo que ele “não era bilionário”, “não escreveu 45 livros” e “nem teve filho”. Afirmou ainda que Senna não tinha “banco”, “avião próprio” ou “helicóptero”, como ele tem.

Farçal já foi investigado pela Polícia Federal por crimes eleitorais e lavagem de dinheiro. Apesar das polêmicas, ele mantém uma base fiel de seguidores que se inspiram em suas mensagens de superação e sucesso.

Pablo Farçal “fisgava” vítimas para golpe virtual, diz PF

Pablo Farçal “fisgava” vítimas para golpe virtual, diz PF

Nos debates eleitorais pela prefeitura de São Paulo, os adversários políticos de Pablo Farçal (PRTB), como Guilherme Boulos (PSOL) e Tabata Amaral (PSB), o questionaram sobre sua condenação por crimes digitais em 2005. Na ocasião, o bolsonarista afirmou que era inocente, mas o processo que culminou em seu julgamento o desmente.

Há quase 20 anos, ele foi preso na Operação Pegasus por envolvimento com uma quadrilha de fraude bancária. A investigação da Polícia Federal descreveu o caso, na época, como a maior quadrilha especializada em invasões de contas bancárias pela internet.

Farçal foi condenado a quatro anos e cinco meses em regime semiaberto pela Justiça Federal em Goiás, mas o caso acabou prescrevendo, extinguindo sua pena em 2018. Porém, as circunstâncias que levaram à sua condenação continuam a gerar polêmica, especialmente agora que ele tenta se eleger prefeito da maior cidade do país.

Segundo as investigações da PF, Farçal não se limitava a fazer a manutenção dos computadores da quadrilha, como ele alega. De acordo com o inquérito, ele também operava um programa responsável por captar e-mails que seriam usados para enviar spams com o objetivo de fisgar dados bancários das vítimas.

Esse método, conhecido como phishing, consiste em usar iscas virtuais para “pescar” as vítimas para que cliquem em links de sites fraudulentos que instalam vírus em seus dispositivos, permitindo o roubo de informações sensíveis.

Em seu depoimento à polícia, Farçal afirmou que acreditava estar realizando um trabalho de publicidade para um médico, mas essa versão foi contestada por um agente da PF que atuou no caso.

Marçal e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Durante uma audiência, o agente afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que o coach estava ciente das atividades ilícitas do grupo. “Ah, sim. Sim. Inclusive tinha um…notebook, né, pra ele operar que foi fornecido pelo grupo”, disse o policial, acrescentando que Farçal não apenas fazia manutenção, mas também demonstrava saber como enviar os e-mails usados pela quadrilha.

O candidato da extrema-direita negou envolvimento direto no envio dos spams, alegando que apenas apertava o botão para reiniciar o programa que enviava os e-mails quando solicitado. Entretanto, o MPF considerou a versão de desconhecimento dos fatos como pouco crível, levando em conta os detalhes que o próprio Farçal forneceu durante os depoimentos.

Um despacho de um delegado da Polícia Federal revelou que Farçal tinha conhecimento sobre o funcionamento do esquema, incluindo a existência de um escritório mantido pelos líderes da quadrilha, onde eram realizadas as transferências fraudulentas via internet.

O coach relatou que recebia R$ 350 (cerca de R$ 1.000 em valores corrigidos) pelos serviços prestados a Danilo de Oliveira, apontado como o chefe da quadrilha. Ele afirmou ter conhecido Oliveira em uma igreja e admitiu ter participado das atividades ilícitas, embora alegasse um papel secundário no grupo.

A condenação de Farçal em 2010 foi baseada nesse entendimento de que ele desempenhou um papel menos central na operação criminosa. Em 2022, em um vídeo publicado em suas redes sociais, Farçal tentou minimizar sua participação, afirmando que apenas consertava computadores para “um cara da igreja” e que “os computadores ficavam rodando”.

Segundo ele, todas as pessoas envolvidas foram condenadas e cumpriram suas penas, enquanto ele teve sua punibilidade extinta devido à prescrição.

DCM

MP pede suspensão de candidatura de Farçal abuso de poder econômico

O Ministério Público Eleitoral se manifestou a favor da suspensão da candidatura de Pablo Farçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo por suspeita de abuso de poder econômico

O que aconteceu

A Promotoria Eleitoral do Estado de São Paulo pediu a abertura de uma investigação de suposto abuso de poder econômico por Farçal. Em peça assinada no último sábado (17), o MP sugere suspender o registro da candidatura até a apuração dos fatos. A decisão de seguir a recomendação ou não é da Justiça Eleitoral. Até o momento, não há manifestação no processo.

Parecer é em resposta a ações movidas pelo MDB de Ricardo Nunes e o PSB de Tabata Amaral. Ambos os partidos denunciaram à Justiça que Farçal paga seguidores para compartilharem cortes dos seus vídeos em diversos perfis no Instagram e no TikTok.

Em vídeos, o próprio Farçal incentiva seguidores a se cadastrarem em aplicativos de corte de vídeos e diz que vai remunerar os que tiverem mais visualizações. Há um canal no Discord com mais de 100 mil participantes em que os prêmios em dinheiro são anunciados, como revelado pelo jornal O Globo e pelo site Núcleo Jornalismo.

Farçal negou que ele próprio tenha financiado os cortes. ” Isso é só uma tentativa desesperada do bloco da esquerda, MDB, PSB, PT e PSOL, de tentar frear quem realmente vai vencer as eleições. Essa manobra só reforça o medo que estão do efeito Marçal, mas eles não vão nos parar”, disse ele em nota.

UOL

Pastor guru de Michelle Bolsonaro, recebeu verba milionária de Ramagem e Helio Lopes

Vai vendo, Brasil. Desde seu maior envolvimento com a família Bolsonaro, Josué Valandro Jr. tem acumulado polêmicas e histórias mal resolvidas que, de uma forma ou de outra, acabam esbarrando na sua ligação indiscutível com a “familícia”

O deputado federal Alexandre Ramagem, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PL, destinou R$ 500 mil em emenda parlamentar ao Instituto Assistencial Atitude, uma entidade liderada pelo pastor Josué Valandro Junior, que é também líder da Igreja Batista Atitude, frequentada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A verba foi solicitada formalmente pelo pastor Valandro ao Ministério do Esporte com o objetivo de financiar a criação de um time de futebol amador em uma comunidade terapêutica mantida pela igreja em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O religioso é conhecido por suas inúmeras aparições públicas ao lado de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, incluindo a posse presidencial e cultos na sede da igreja na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Nos últimos anos, o Instituto Assistencial Atitude também foi beneficiado por emendas parlamentares de outro aliado próximo do ex-presidente Bolsonaro, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), que direcionou R$ 1,3 milhão para projetos assistenciais da igreja, incluindo o programa “Mais que Vencedores”, voltado à reabilitação de dependentes químicos em Itaboraí.

O projeto apoiado pela emenda de Ramagem, denominado “Vencedores em Ação”, é uma continuidade da iniciativa financiada por Hélio Lopes. O valor total de R$ 500 mil já foi empenhado pelo Ministério do Esporte, que ainda analisa a documentação necessária antes de liberar os recursos. O orçamento inclui pouco mais de R$ 35 mil para a compra de equipamentos esportivos, enquanto o restante será destinado à contratação de pessoal e ao gerenciamento das atividades.

Quem é Josué Valandro Jr e seu espírito bolsonarista

Josué Valandro Jr é pastor da Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Igreja voltada para um público de classe média alta e emergentes. Desde seu maior envolvimento com a família Bolsonaro (Michelle frequenta a IBA) tem acumulado polêmicas e histórias mal resolvidas que, de uma forma ou de outra, acabam esbarrando na sua ligação indiscutível com a “familícia”.

A partir da campanha de 2018, A relação entre Valandro e Bolsonaro tornou-se evidente. Bolsonaro foi diversas vezes nos cultos da IBA e em uma dessas visitas, foi “ungido” pelo pastor, que evocou o profeta Samuel, que havia ungido Davi, conforme descrito em 1 Samuel 16:6. Josué comparou Bolsonaro a Davi, um homem imperfeito, dizendo: “O homem que Deus ungiu para ser o maior rei da história não era perfeito. Nenhum de nós espera ter um presidente perfeito, mas a Bíblia diz que Deus conhece o coração”.

Em maio de 2019, já como presidente, Bolsonaro retornou à Igreja Batista Atitude durante um período difícil de seu governo para renovar sua “unção”. Com o apoio popular em declínio, ele foi novamente “ungido” pelo pastor, que lembrou a facada sofrida por Bolsonaro e destacou as orações feitas pelos fiéis desde então. Durante o ato, Valandro agradeceu a Deus pela oportunidade de sonhar com um Brasil melhor e pediu união do povo em apoio a Bolsonaro, a quem chamou de “servo escolhido por Deus” para liderar a nação.

Pandemia, Eduardo Bolsonaro e aparição em Jati-CE

Durante a pandemia, com a suspensão dos cultos, ele passou a utilizar transmissões ao vivo online, como em 26 de março, quando convidou o deputado Eduardo Bolsonaro para uma live que teve grande audiência. Durante a transmissão, Valandro defendeu o governo Bolsonaro, destacando sua participação na política como cidadão e seu apoio ao presidente, alinhado com valores como família e pátria.

Valandro também demonstrou proximidade com a família Bolsonaro, mencionando que orou para que a esposa de Eduardo engravidasse. Ele usou várias vezes o jargão “o presidente acertou”, ao mesmo tempo que buscava se defender de acusações de envolvimento político. O pastor exaltou a “força espiritual” de Bolsonaro, sugerindo que Deus estaria sustentando o presidente diante das crises no governo, como a saída do ministro da Saúde e do ex-juiz Sergio Moro.

Outro momento marcante da relação entre Valandro e Bolsonaro durante a pandemia foi a ida do pastor à inauguração de uma obra em Jati, no Ceará, junto à comitiva presidencial. Durante o evento, Valandro gravou um vídeo destacando os méritos do governo Bolsonaro na transposição do Rio São Francisco. O presidente fez questão de enfatizar sua longa relação com o pastor batista, utilizando essa aliança para fortalecer sua base de apoio, especialmente no Nordeste, onde sua popularidade é mais baixa.

É bom também lembrar que em 2018, com o apoio do núcleo duro do bolsonarismo, Valandro conseguiu, inclusive, uma revisão do plano diretor que permitiu a construção do novo prédio da IBA acima do permitido na legislação vigente. Uma articulação da família Bolsonaro com outros políticos, ligados principalmente à Igreja Universal. A nova construção e o “sucesso” da igreja “de Michelle” causou atritos entre Valandro e Malafaia, já que a nova sede da Atitude rivalizava de perto com a Assembleia de Deus Vitória em Cristo da Barra da Tijuca, de onde, segundo relatos, muita gente migrou para a igreja “mais bolsonarista”.

Acusado de acobertar golpe financeiro de um dos pastores da igreja

Em 2017, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, duas fiéis alegam ter sido vítimas de um esquema fraudulento que envolveu o pastor Oséias Oliveira de Abreu, também pastor da igreja. As mulheres afirmam ter transferido quase R$ 1 milhão para uma conta nos Estados Unidos pertencente a uma empresa do pastor Oséias, que prometeu um retorno financeiro que nunca ocorreu.

Oséias, que era responsável por uma célula da igreja e supervisionava a congregação de Valandro, está sendo processado, assim como a igreja. As vítimas relatam que procuraram Josué Valandro para denunciar o golpe e solicitar ajuda, mas alegam que ele não tomou nenhuma ação.

Após derrota de Bolsonaro, investindo na carreira de coach espiritual

Após o término do mandato de Jair Bolsonaro, que Valandro Jr chegou a gravar vídeo “profetizando” a reeleição do ex-presidente, o ex-conselheiro espiritual da família Bolsonaro, redefiniu sua carreira. Agora, ele se destaca pela organização de eventos exclusivos e de alto custo, como o ‘Christ Summit’, realizado em junho de 2023, com ingressos que chegavam a quase R$ 7.000,00 e teve grande repercussão, levando o pastor a agendar novas edições.

Além disso, Valandro está promovendo o ‘Impulso Pastoral’, um evento voltado para pastores, com ingressos que variam de R$ 2.997,00 a R$ 4.997,00. O objetivo é fornecer ferramentas e conhecimentos para a gestão de igrejas.

Por Revista Fórum

Candidatos em SP deveriam boicotar debates com Farçal ou virarão escada do picareta

Nos últimos debates eleitorais para a prefeitura de São Paulo, uma sombra de palhaçada trágica pairou no ar, principalmente devido às ações de Pablo Farçal, candidato pelo PRTB.

Farçal ultrapassou todos os limites da ética e da escrotidão ao acusar seu oponente, Guilherme Boulos, do PSOL, de usar cocaína. No encontro seguinte, na FAAP de São Paulo, provocou Boulos agitando diante dele uma carteira de trabalho e ficando de costas enquanto o psolista falava com Tabata Amaral, chamada de “adolescente” que “precisa amaduracer”, “pára-choque de comunista”, entre outras coisas.

Tais acusações não só desrespeitam o adversário como também depreciam a qualidade do debate político, transformando-o em um espetáculo de calúnias. Marçal transforma seus adversários em escada de seu jogo na lama.

Diante desse cenário, surge um questionamento urgente: os candidatos à prefeitura deveriam continuar participando de debates que servem para um canalha fazer recortes e jogar nas redes para dizer que “ganhou” o debate?

Primeiramente, ao boicotar os debates, os candidatos estariam fazendo uma declaração clara de que a política deve ser pautada por respeito e fundamentada em propostas reais, não em ataques pessoais que nada têm a ver com as questões cruciais enfrentadas pela cidade de São Paulo.

A presença contínua em debates que permitem tais comportamentos pode ser interpretada como uma aceitação tácita dessas táticas.

Além disso, ao evitar debates que se transformam em palcos de difamação, os candidatos protegem a integridade do processo eleitoral e preservam a sua própria imagem e a dos seus partidos. Afinal, o eleitorado paulistano merece uma campanha eleitoral minimamente limpa, focada nas necessidades da cidade e não em polêmicas vazias que desviam a atenção dos reais problemas urbanos.

Outro ponto relevante é o impacto na percepção pública. Debates deveriam ser momentos de discussão de ideias e projetos, contribuindo para que os eleitores façam escolhas informadas. Quando esses eventos degradam-se em ataques pessoais, toda a classe política sofre um desgaste — o que só interessa ao “candidato antissistema”, na verdade um coach fascista picareta condenado em 2010 por furto qualificado decorrente da participação em uma quadrilha especializada em golpes digitais.

Por fim, um boicote organizado e coeso poderia pressionar as emissoras e organizadores a implementarem regras mais rígidas de conduta, garantindo que todos os participantes se comprometam com uma campanha respeitosa e focada nos interesses dos cidadãos. Isso não apenas eleva o nível do debate político como também restaura a fé no processo eleitoral.

Portanto, a decisão de boicotar os debates não é apenas uma medida reativa a um candidato que escolhe baixar o nível da discussão política; é uma estratégia proativa para preservar a dignidade da campanha eleitoral em São Paulo e garantir que os verdadeiros problemas da cidade recebam a atenção que merecem.

DCM

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MST se reúne com Lula neste sábado (17) em Brasília

Lideranças discutirão projetos estratégicos para os assentamentos e o avanço da reforma agrária no país

Dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reunirão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (17), em Brasília. O encontro acontece na Granja do Torto, uma das residências da Presidência da República,

De acordo com o movimento, na pauta estarão as iniciativas para a recuperação das áreas de assentamentos da reforma agrária no Rio Grande do Sul após as enchentes que acometeram o estado em maio deste ano. Também deve ser discutido o Plano Agrário do governo no que se refere a acesso à terra, produção de alimentos saudáveis e agroecologia, acesso a créditos, cooperação e agroindústria, além do Plano Nacional de Reflorestamento (PNR) e do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Serão debatidos ainda projetos considerados estratégicos para o MST, como os programas de aquisição de maquinário agrícola e de bioinsumos para os assentados da reforma agrária.

Os dirigentes entregarão ao presidente mudas de árvores dos biomas brasileiros, que representam os milhares de espécimes que estão sendo cultivados pelo movimento dentro do Plano Nacional de Reflorestamento. A ação pretende plantar 100 milhões de árvores até 2030. Na lista, está o butiá, árvore comum na região do Pampa, o juazeiro, da Caatinga, a andiroba e a castanheira da Amazônia, o Pequi do Cerrado, o ipê do Pantanal, a palmeira juçara, da Mata Atlântica e a Araucária, própria da região sul do Brasil.

Relação com o governo

Em abril deste ano, o governo federal lançou o programa Terra da Gente, que tem o objetivo de sistematizar as áreas disponíveis no país para serem incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). O anúncio ocorreu em meio ao chamado Abril Vermelho, quando o MST organizou uma série de ações por todo o país para cobrar agilidade na realização da reforma agrária.

À época, Gilmar Mauro, da direção nacional do movimento, declarou se tratava de “uma espécie de compensação social” e não um programa de reforma agrária. A relação com o governo federal e o avanço dos processos de regularização fundiária devem estar na pauta de discussões do próximo sábado.

Há cerca de um mês, Lula participou de outro encontro com movimentos populares em São Paulo.  Na ocasião, aproximadamente 60 organizações ligadas às Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entre elas o Movimento Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participam do evento, ocorrido no espaço do Armazém do Campo na região central da capital paulista.

Brasil de Fato

Indiciamentos de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio devem ser usados como base para pedidos de extradição

A Polícia Federal (PF) deve pedir as extradições do blogueiro Allan dos Santos e do jornalista Oswaldo Eustáquio aos Estados Unidos e Espanha, países onde eles estão, respectivamente, ao fim do inquérito em que eles são investigados por ameaças e corrupção de menores.

O indiciamento dos acusados servirá de base para o requerimento. Segundo fontes da PF, o inquérito deve ser relatado “em breve” ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório vai embasar os processos que serão apresentados aos governos americano e espanhol com as solicitações para que os dois sejam enviados ao Brasil para responder às acusações. A PF iniciou os trâmites internos do processo para pedir as extradições de Santos e Eustáquio na última quarta-feira (14).

O pedido, no entanto, só deve ser encaminhado às autoridades estrangeiras após a conclusão do inquérito. Os dois foram alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes também no dia 14, mas, por estarem fora do Brasil, a determinação do magistrado não pôde ser cumprida.

A PF investiga Allan dos Santos por ameaças contra delegados da PF e formação de quadrilha com intenção de atacar autoridades. Eustáquio também é investigado por usar a rede social da filha menor de idade para pedir doações em dinheiro. https://www.youtube.com/watch?v=ISJU9n3bqoY O blogueiro e o jornalista são considerados foragidos da justiça brasileira, mas não estão na lista da Interpol como fugitivos internacionais porque os crimes imputados a eles são classificados como “expressões” ou “opiniões” em outros países, como os Estados Unidos, onde está Allan dos Santos. Os pedidos de prisão apresentados nessa semana são relacionados à investigação que apura ataques ao STF e a delegados da PF.

A operação da PF deflagrada na última quarta e que mirava os dois bolsonaristas cumpriu mandados de buscas e apreensão. Na casa de Eustáquio, em Brasília, a PF revistou a filha dele, de 16 anos, na presença de uma representante do Conselho Tutelar. Ela teve o celular apreendido. A CNN conversou na manhã dessa quinta-feira (15) com o acusado, que nega uso do perfil da filha para crimes.

“O ministro Alexandre de Moraes e o delegado Fábio Shor vão expor ao ridículo o sistema judicial brasileiro. Moraes vai virar piada no Reino da Espanha porque ele está me acusando de ter facilitado o cometimento de um crime pela minha filha. Qual crime? Expor a sua opinião e mostrar a foto do delegado Fábio Shor em uma publicação no X”, declarou Eustáquio à reportagem. A defesa de Allan dos Santos não foi encontrada.

Fonte: CNN

Conceição Tavares e Delfim Netto

Por DANIEL AFONSO DA SILVA*

Ambos os economistas, cada um com o seu jeitão, deixaram marcas profundas, indeléveis, positivas e superlativas na história do país e na vida de quem conviveu, muito ou pouco, com eles

“A universidade, aliás, é, talvez, a única instituição que pode sobreviver apenas se aceitar críticas, de dentro dela própria de uma ou de outra forma. Se a universidade pede aos seus participantes que calem, ela está se condenando ao silêncio, isto é, à morte, pois seu destino é falar”
(Milton Santos).

Nem clichê nem ilusão: a passagem de Antônio Delfim Netto (1928-2024) de par com a passagem de Maria da Conceição Tavares (1930-2024) causou um vazio imenso na vida nacional brasileira. Foi um choque, sinceramente, sem precedentes. Um sinistro, evidentemente, de difícil remediação. A ausência deles dois, por ser assim, inaugura um mal-estar que nada parece conseguir conter nem superar.

Conceição Tavares e Delfim Netto, cada um com o seu jeitão, deixaram marcas profundas, indeléveis, positivas e superlativas na história do país e na vida de quem conviveu, muito ou pouco, com eles. Marcas tão perenes e constitutivas que, seguramente, quase ninguém, nos últimos cinquenta, sessenta ou setenta anos, conseguiu comparar. Marcas que, portanto, vão ficar. Como patrimônio imaterial do Brasil. Feito de vivência singular. Paradigma de savoir faire. Modelo.

Muitos observadores – não raramente envenenados por ideologias confusas e rasteiras – tentam afastá-los, Conceição Tavares e Delfim Netto, um do outro. Mas isso, por lógica e verdade, é impossível. Eles sempre foram complementares. E todos sabem.

Os, hoje em dia, autodeclarados analistas, tentam reduzi-los, Conceição Tavares e Delfim Netto, à condição de economistas. Sim, eles atuaram nessa nobre área, a economia. Mas, claramente, não foram convencionais. Foram, em contrário, sempre e em tudo, outiliers. Fora da cursa, excepcionais, extraordinários. Geralmente emulando os clássicos. Sendo, assim, antes de tudo, filósofos. Filósofos morais. Como foram seus mestres atemporais Adam Smith, David Ricardo, Karl Marx, Joseph Schumpeter e o próprio John Maynard Keynes. Praticantes, portanto, de Political Economy. Sem, nesses termos, jamais se render às simplificações da Economics.

Faziam, desse modo, Conceição Tavares e Delfim Netto, assim porque sabiam que o mundo é real independentemente das ilusões manifestas sobre ele. E, fazendo dessa maneira, eram, para além de tudo, humanistas no sentido mais agudo da expressão. Eram, portanto, verdadeiros eruditos. Mestres em seu ofício. Mas profundos entendedores do fluxo da vida.

De modo que eram práticos por devoção, pragmáticos por convicção e realistas por vocação. Isso, neles, era sempre líquido e certo.

E, vendo assim, poucos de verdadeiros seus pares – dos quais, entre os brasileiros, por idade e geração, talvez apenas Eugênio Gudin (1886-1986), Roberto Campos (1917-2001), Celso Furtado (1920-2004), Mário Henrique Simonsen (1935-1997) e Luiz Carlos Bresser-Pereira (nascido em 1934 e vivo entre nós) mereçam menção – foram, assim, tão dignos, fidedignos e completos.

Com acertos e erros. Mas sempre envoltos em honestidade e convicção.

Honestidade e convicção que impuseram a Conceição Tavares e Delfim Netto o imperativo da transmissão. Pois eles, intimamente, sabiam que o verão necessita de muitas andorinhas. Não feitas em seguidores nem discípulos. Mas, continuadores. Gente competente para receber, carregar e legar o bastão. E, visto assim e recompondo todos os seus tempos, é possível dizer que eles dois, Conceição Tavares e Delfim Netto, foram, antes de tudo, professores/transmissores. E, por serem quem eram, dos melhores. E, salvo melhor juízo, foi nessa condição e persona que mais cada um deles mais gostou de estar e ser. De modo que, não ao acaso, a história da consolidação da universidade brasileira se confunde com a trajetória pessoal e profissional deles dois: professor Antônio Delfim Netto e professora Maria da Conceição Tavares.

Digam o que quiser dizer, mas, sim: esses dois professores, Conceição Tavares e Delfim Netto, foram, ao longo da vida, sobretudo, construtores e formadores. Construtores de instituições e formadores de quadros.

E, justamente por isso, a USP, a Unicamp e a UFRJ, onde Conceição Tavares e Delfim Netto estiveram mais longa, duradoura e diretamente, lamentaram e lamentam tanto a ausência de seus mestres. Uma ausência que, para muito além da USP, a Unicamp e a UFRJ, deixou tudo muito triste e muito gris.

Triste e gris porque, ao fim das contas, Conceição Tavares e Delfim Netto eram, em si, instituições. Instituições que, curiosamente, retroalimentavam o ethos de um tempo que, por variadas razões, parece, naturalmente, não existir mais. Um tempo que mesclava inteligência, honestidade intelectual, ideias e elegância somadas a sinceridade, honestidade pessoal e convicções. Um tempo em que, claro, os idiotas, dos quais tanto Nelson Rodrigues (1912-1980) se referia, ainda possuíam alguma modéstia e estavam longe, muito de dominar o mundo, a sociedade no Brasil e a universidade brasileira.

Dito assim e sem pudor, Conceição e Delfim eram, por assim dizer, um obstáculo moral à afirmação da indigência cultural e intelectual no país. Tanto que todas as suas manifestações públicas – em gestos, palavras, presenças e olhares –, mesmo quando controversas e imperfeitas, sempre foram convictas e rigorosas. Sempre ensejando conscientemente impedir o espraiamento do asqueroso vale tudo que, pouco a pouco, foi tomando conta dos espaços de produção e difusão de conhecimento e saber no Brasil – sendo universidade o maior alvo – nos últimos vinte, trinta ou quarenta anos.

Mas, agora, com a sua ausência, a ausência de Conceição e Delfim, esse sustentáculo – desde muito, esmaecido e cansado de guerra – tende a ficar ainda mais frágil. E frágil sim porque, sem Conceição e sem Delfim, uma certa ideia de compromisso moral com o trabalho intelectual vai perdendo a sua condição de existir. Consequentemente, a produção de conhecimento e saber tende a singrar inocuamente irrelevante. E a universidade – especialmente a pública – tende a seguir estagnada, estrangulada e esmagada.

A idiotia moral, todos sabem, galopa por todas as frentes. A indigência intelectual, todos veem, avança para conquistar a sua plenitude. E a sinergia desses dois fenômenos – o da cretinice moral e da indigência intelectual – acentua a conhecida entropia do cotidiano intramuros das universidades no Brasil de modo a acelerar a sua deformação rumo à sua destruição.

E, sobre isso, Darcy Ribeiro (1922-1997) já disse muito. Em seu entender, trata-se de algo que vem de longe. Que foi bem pensado e bem cosido. E, com o tempo, foi se revelando no nefando projeto de se fazer do atraso da universidade (e da educação em geral) uma missão.

O problema geral é que esse projeto – inaugurado no regime militar, acelerado depois dele e afirmado neste quarto de século XXI – foi escancarado greve dos docentes das federais deste ano de 2024 e afirmado como uma cruel e inequívoca realidade. Basta lembrar pra ver. Mas quem desejar, de fato, tudo comprovar, que retorne à ambiência da paralisação deste ano.

Fazendo isso, desde que feito com paciência e sem parti pris, o cético observador vai rápido notar que, no frigir das questões, pelo menos, três reflexos alimentaram as discussões e inundaram os espíritos.

Um primeiro, de cunha afoita e majoritariamente sindical, em defesa da greve. Um segundo, de franca mistura governista, em recusa e negação da greve. E um terceiro, assentado em questões de ordem e princípios, sugerindo o caminho do meio; ou seja, o caminho da reflexão e da meditação sobre o sentido da universidade, a natureza da atuação de seus frequentadores e o lugar dessa instituição multissecular no interior da sociedade brasileira.

Foi isso e não mais que isso o que se teve. A saber, posições a favor, contra e nem a favor nem contra a greve. E, sendo assim, esses três reflexos produziram uma massa crítica e analítica impressionantemente inédita e rica. Parte disso, é válido reconhecer, pelo papel decisivo exercido pelo site A Terra é redonda.

Observando todo o debate com calma, publicou-se, nos mais de oitenta dias da greve, perto de duas centenas de artigos sobre o assunto. E, sinceramente, não foram quaisquer artigos. Foram artigos, em geral, muito bem informados e intencionados. Produzidos por docentes de todas as regiões e sub-regiões do Brasil. Das mais remotas às mais centralmente situadas. Reunindo-se, assim, impressões e sensibilidades oriundas de praticamente todas as realidades universitárias. Das instituições federais, universidades e institutos, mais antigas às mais recentes e às novíssimas. E, realizando-se, assim, a melhor e mais densa fotografia do ofício docente nas federais hoje.

De minha parte, inaugurei uma modesta colaboração com um singelo artigo, muito gentilmente publicado aqui, no início da greve, no dia 15 de abril, dia 1 da paralização, sob o título de “A greve dos professores das universidades federais”, onde se podia ler que, em minha compreensão, “Não vem, assim, ao caso defender ou não a greve dos professores das federais por merecidas, constitucionais e morais reposições salariais. O fundamental é se recobrar nas forças para se reconhecer com honestidade a brutalidade do peso derrota de cunho existencial dos últimos anos e enfim voltar a meditar com seriedade sobre pra quê todos nós professores das federais e das demais universidades brasileiras efetivamente servimos”.

Adiante, como desdobramentos de reafirmação de minha convicção, apareceriam “Muito além das relvas verdejantes dos vizinhos” e “Navegando a contravento”. Dois artigos produzidos em diálogo, sempre sincero e respeitoso, com argumentos contrários aos meus. Onde pude ressaltar que “A greve dos docentes das federais enseja decorrer de desconforto muito mais profundo, fundamental e quase existencial”.

E, de modo mais detalhado, ainda acentuar que “Afinando o debate nesse tom do diapasão, apoiar ou denegar a greve vira uma estranha navegação. Navegação a contravento. Sem bússolas e sem direção. O que, por certo, não retira a legitimidade de todas as ações de paralisação ou de negação da paralisação nas federais. Entretanto, infelizmente, simplesmente, sinceramente, indireta, mas insistentemente, vai jogando água nos moinhos daqueles, notadamente extramuros, que consideram que ‘A universidade brasileira, salvo raros quadros, é inofensiva, inócua. Mesmo assim, alguns estão debatendo o que a greve poderá fazer com o governo (desgoverno) Lula’”.

Essas singelas manifestações – em linha com um artigo anterior, “Alicerces desertificados” –, como se pode, de saída, notar advogavam pelo caminho do meio. Aquele da meditação e da reflexão. Um caminho, sinceramente, perigoso. Sobretudo quando se circula sem armaduras pelo interior do sistema. Um sistema, como bem sabido, preenchido de armadilhas e eivado de terrenos movediços que, não raramente, mostram a sua face na forma de represálias e admoestações. Esse habitat, todos sabem, detesta divergentes.

Mas, desta vez, não singrei sozinho tampouco arei o mar. Bem do contrário. Tão logo a greve foi se afirmando, vários docentes da mais alta qualidade intelectual, competência técnica e valores morais e espirituais adentraram a trincheira em comum e, sinceramente, sofisticaram a globalidade dos argumentos que impõe a todos o caminho do meio.

Para ficar apenas em alguns, vale fortemente acentuar que a professora Marilena Chaui subiu indelevelmente o nível da discussão com o seu precioso “A universidade operacional”. Em seguida, o antigo reitor da UFBA, João Carlos Salles, alargou a senda guiada de sua colega de ofício da USP com o seu sugestivo “Mão de Oza”. Mais à frente, foi a vez do professor Roberto Leher, antigo reitor da UFRJ, ampliar ainda mais a complexidade cognitiva do debate mobilizando evidências contundentes que quase ninguém sabiam ou, ao menos, ainda não tinha observado em perspectiva.

Desse modo, eles três – para ficar apenas neles, Chaui, Salles e Leher – estraçalharam a mesquinhez da discussão varejista sobre apoiar ou não a greve dos docentes em 2024 e lançavam a discussão em um, verdadeiro, outro patamar. Um patamar que, sinceramente, teve o mérito de avivar o único debate urgente, necessário e válido sobre a universidade brasileira que diz respeito à permanente perquirição de seu sentido, natureza e dignidade. Trocando em miúdos, qual universidade, universidade pra quê e universidade pra quem.

É curioso, mas foi assim. E fazendo assim eles se reataram ao elo perdido das batalhas de Conceição Tavares e Delfim Netto, que sempre foi a educação.

Conceição Tavares e Delfim Netto sempre singraram os mares agitados e controversos da excelência do ensino superior brasileiro. E, nesse sentido, eles sempre foram defensores implacáveis de uma universidade pública, digna e honesta. Um espaço intelectualmente decente, culturalmente relevante e politicamente engajado no aperfeiçoamento da sociedade brasileira – leia-se: na redução de suas aporias, desigualdades e injustiças. E, portanto, uma universidade avessa ao atraso, à estagnação, à indigência, ao ensimesmamento e à mediocrização.

Conceição Tavares e Delfim Netto, nesse propósito, foram, sim, teóricos, mas também práticos. Veja-se, como exemplos, os departamentos de Economia que eles, com seu suor, criaram. Mas, no plano mais geral, foi no início da redemocratização, na viragem dos anos de 1970 para os de 1980, que eles – e todos – começaram a notar que a deriva da universidade brasileira em geral ao encontro do atraso era grave, crônica e acelerada. Mas, depois do Muro e sob a mondialisation heureuse, essa primeira apreensão virou pesadelo.

Os ingênuos dilemas que envolviam provincianismo versus cosmopolitismo tornaram-se mais acentuados. As inconsequentes reações que aplacavam complexos de interioridade versus receios dos grandes centros, com o início da expansão da interiorização da malha universitária pelos interiores do país, produziram verdadeiras deformações e dramas – alguns deles, ainda hoje, não superados. Mas, pior que tudo isso, os ventos daqueles tempos depois do Muro inebriaram os olhares, taparam os ouvidos e soterraram a quase totalidade do ensino superior público brasileiro nas ilusões do utilitarismo técnico frente aos imperativos do pensamento complexo. Como resultado, como bem notou Marilena Chaui, abriu-se caminhos para o surgimento dessa excrescência denominada “universidade operacional.”

De todo modo, vale bem marcar, por aqueles tempos, in real time, sob as tormentas dos anos de 1990, Conceição Tavares e Delfim Netto militavam em outras paragens. Estavam no Parlamento. Eram deputados. Acreditavam na política e entendiam-na como salvação.

Enquanto isso, no chão de terra do cotidiano intramuros das universidades, vozes inquietas vocalizavam o mal-estar. Mas uma delas, francamente, destoou e desconcertou. Destoou pela força, pela presença e pela estridência. E desconcertou pelo seu tom, visto hoje e em perspectiva, macabramente profético.

Tratava-se da voz de um brasileiro peculiar, de inteligência superior, conhecido e afamado – como seus pares Florestan Fernandes (1920-1995), César Lattes (1924-2005) e Mário Schenberg (1914-1990) – no mundo inteiro. Era a voz de um sujeito baiano, crescido em Brotas, formado, inicialmente, em Salvador e que atendia pelo nome de Milton de Almeida Santos (1926-2001). Mestre incontornável e inesquecível de todos nós.

Milton Santos, como tantos outros brasileiros ilustres, foi cassado, perseguido, preso, humilhado e maltratado pelos militares após 1964. Mas, diferente de muitos, jamais perdeu a esperança tampouco a dignidade. Milton Santos não se vendeu nem abandonou as suas convicções.

E, talvez, também por isso, o seu retorno ao Brasil e a sua reintegração – após martírios – ao sistema universitário brasileiro foram, para dizer pouco, experiências, nitidamente, complexas, ruidosas e tortuosas.

Para fazer curto, ele não foi aceito no arranjo CEBRAP, teve dificuldades na UFRJ e viveu uma rude novela para ser integrado à USP.

Mas, uma vez integrado à mais importante universidade do país, ele expandiu a sua diferença.

Não é o caso de aqui se esmiuçar o impacto político, moral, intelectual e estético de obras suas como Por uma Geografia Nova (1978), O trabalho do geógrafo no terceiro mundo (1978), O espaço dividido (1978), O espaço do cidadão (1987), A natureza do espaço (1996) e Por uma outra globalização (2000). Qualquer geógrafo – ou qualquer pessoa minimamente academicamente bem formada – sabe do se trata.

Também não é o caso de muito se rememorar nem de muito se acentuar que esse ilustre baiano e cidadão de Brotas recebeu o Prêmio Vautrin Lud, espécie de prêmio Nobel em sua área exclusiva de atuação, em 1994. Mas, para quem alimenta dúvidas ou, quem sabe, complexos de vira-lata ao encontro da genialidade desse distinto brasileiro, vale simplesmente ressaltar que os mundialmente conhecidos e afamados David Harvey, Paul Claval, Yves Lacoste e Edward Soja – para ficar apenas em alguns dos mais célebres de métier comum – receberiam o mesmo prêmio só tempos depois ou bem depois.

Dito, portanto, assim e sem pudor, Milton Santos foi, sim, genial e singular.

E, por tudo isso, os seus pares na USP decidiram conceder-lhe, em 1997, o honroso título de Professor Emérito da USP. Ao que, Milton Santos recebeu, por claro, com muito gosto.

Mas, diferente de muitos de seus pares em situação similar, ele usou o momento para realizar uma alentada denúncia sobre a situação da universidade brasileira.

Quem viveu, pode lembrar. Quem simplesmente ouvir falar, que acredite: a sua manifestação não foi nada amena.

O intelectual e a universidade estagnada era o seu título. O ano era 1997. O mês, agosto. O dia, o 28.

Milton Santos iniciou a sua manifestação com uma curiosa ode aos obstáculos e derrotas vida intelectual acentuando que “um homem que pensa, e que por isso mesmo quase sempre se encontra isolado no seu pensar, deve saber que os chamados obstáculos e derrotas são a única rota para as possíveis vitórias, porque as ideias, quando genuínas, unicamente triunfam após um caminho espinhoso”.

Mas, logo adiante, chamou a atenção para o fato desse “caminho espinhoso” estar sendo solapado pelo carreirismo universitário imposto pelo modelo de universidade em vigência. Um carreirismo, ao seu ver, só podia conduzir ao conformismo e ao silenciamento do pensar. E, ao fim, fazia entender que, claro: uma universidade que não pensa nem deixa pensar não é bem uma universidade.

E seguia o discurso. Onde, adiante, vaticinou que “acreditar no futuro é também estar seguro de que o papel de uma Faculdade de Filosofia é o papel da crítica, isto é, da construção de uma visão abrangente e dinâmica do que é o mundo, do que é o país, do que é o lugar e o papel de denúncia, isto é, de proclamação clara do que é o mundo, o país e o lugar, dizendo tudo isso em voz alta”.

E continuou dizendo que “essa crítica é o próprio trabalho do intelectual”.

Um trabalho, anteriormente, praticado, genuinamente, por filósofos. Mas, em tempos hodiernos, depositário dos artífices das Humanidades. Ou seja, da gente que, por ofício, vai metida seriamente com Artes, Filosofia, Geografia, História, Letras e afins. Gente que, ao fim das contas, possui formação e disposição para navegar pelas encruzilhadas da incomensurabilidade da complexidade da transversalidade do processo de construção do conhecimento. Gente sem a qual, fazia novamente entender, a universidade simplesmente não existe.  Ou, quando insistem em subsistir, na melhor das hipóteses, vai fadada à indigência.

Sim: duro assim. Mas contundente e veraz. E, sinceramente por isso, O intelectual e a universidade estagnada, merece ser lido e relido, meditado e entendido.

Seguramente ninguém foi mais direto, honesto e preciso no diagnóstico sobre o sinistro da universidade brasileira que Milton Santos. Lá atrás, em 1997 e até a sua morte em 2001, ele chamava a atenção para essa crise crônica. Que, ao fim e ao cabo, era uma de sentido e de identidade. Crise essa que, com o passar dos anos, só fez piorar.

E vem sendo assim, sobretudo, porque a indigência intelectual, cultural e moral tomou, efetivamente, de tudo conta. De modo que, hoje em dia, parte majoritária dos frequentadores das universidades se tornou indiferente ao problema. Parte por não dispor de competência cognitiva para adentrar a discussão. Parte por, sinceramente, nem saber do que se trata.

Desse modo, sim: leia-se Milton Santos. E, ao se fazer, vai-se perceber o óbvio: não existe universidade sem Humanidades. Mas, como tudo na vida, pode-se apreender isso de modo diferente e contemporizador. Quem saber numa fórmula mais amena que sugere, simplesmente, que o destino da universidade depende do destino que se der às Humanidades.

Quando Milton Santos clarificou essa compreensão, vivia-se, no Brasil, o imediatamente após o regime militar, Muro de Berlim, fim do bloco soviético e início da ubiquidade da globalização. Pois, depois disso e século XXI adentro, todo esse quadro ficou mais complexo e, com ele, a situação da universidade.

Ocorreu, de saída, uma desbragada expansão da malha de instituições de ensino superior no país. O que, por claro, gerou uma ampliação do número de instituições. Mas, ao mesmo, curiosamente, não aumentou o número de universidades. Do contrário, quem sabe, até diminuiu. E diminuiu porque, aos poucos, o que se entendia por universidade foi virando outra coisa, que, sinceramente, não se sabe muito bem o que é.

Mas as razões, depois de se ler Milton Santos, ficam clarividentes. Basta-se retomar com calma o processo de aceleração da expansão de instituições de ensino superior desde o início do século.

Quem fizer isso vai rápido notar que, por mais incrível que se possa parecer, houve, em geral, pouco ou nenhum verdadeiro interesse em se valorar o lugar das Humanidades no interior das novas instituições. E isso, quer-se crer, não foi simples descuido nem mera desatenção. Trata-se do atraso como projeto. E, visto assim, virou o féretro da universidade como missão. Pois, claramente, as instituições que saíram do zero ou se emanciparam de outras a partir do ano 2003-2005 foram sendo, em geral, forjadas sem nenhum interesse na criação de cursos realmente consistentes e relevantes em campos essenciais do conhecimento e do saber como artes, filosofia, geografia, história, letras e afins.

Esse imperdoável despautério, levado às últimas consequências, violentou o próprio sentido da universidade no Brasil. Isso porque, sem a latência das Humanidades no interior dessas novas e novíssimas instituições, a formação de uma ou duas gerações de brasileiros foi integralmente deformada a ponto de se comprometer a “construção de uma visão abrangente e dinâmica do que é o mundo” no interior da sociedade.

Consequentemente, não adiante negar, a indigência intelectual virou norma em todas as partes e ajudou a pavimentar um caminho seguro para a ascensão de um verdadeiro estúpido à presidência da República. O leite foi derramado. Todos viram e todos sabem.

As agonias das noites de junho de 2013 ao 8 de janeiro de 2023 foram imensas. Mas, assim, não sem razão. E a greve dos docentes das federais em 2024 veio simplesmente ampliar a convicção do sinistro e evidenciar que a situação virou muito pior que a que Milton Santos imaginou.

O lapso de vinte ou vinte e cinco anos de expansão/deformação universitária brasileira, produziu entre os acadêmicos uma maioria sem nenhuma aptidão nem sensibilidade para notar as infinitas sutilidades no interior da variedade de campos de conhecimento e saber. Dito sem nenhum pudor, perdeu-se a noção de coisas básicas, como a distinção entre humanidades e ciências (humanas ou naturais).

Diante disso, sinceramente, o melhor é se calar. Mas com o silêncio, a universidade – sem as Humanidades – vai morrendo. Pois como vaticinou Milton Santos “A universidade, aliás, é, talvez, a única instituição que pode sobreviver apenas se aceitar críticas, de dentro dela própria de uma ou de outra forma. Se a universidade pede aos seus participantes que calem, ela está se condenando ao silêncio, isto é, à morte, pois seu destino é falar.”

Tudo, portanto, além de muito triste, é muito grave.

E, talvez, agora, vendo-se, assim, a gravidade de todo o quadro, perceba-se o quanto Conceição Tavares e Delfim Netto, sem clichê nem ilusão, fazem falta.

Conceição Tavares e Delfim Netto eram obsessivos no falar. Não no falar por falar. Mas no falar – agora, talvez, entenda-se – para adiar o silêncio do fim. Do fim da universidade e do fim do devir.

*Daniel Afonso da Silva é professor de história na Universidade Federal da Grande Dourados. Autor de Muito além dos olhos azuis e outros escritos sobre relações internacionais contemporâneas (APGIQ). [https://amzn.to/3ZJcVdk]

Políticas educacionais nos EUA

Por OTAVIANO HELENE*

A desigualdade social, em especial a desigualdade na distribuição de renda, provocam também grande desigualdade educacional nos EUA

1.

A educação escolar dos EUA não é das melhores. Em programas de comparação internacional de estudantes, como o Pisa, os EUA ficam em uma posição relativa muito abaixo daquela que seria esperada considerando sua realidade econômica. Em alguns indicadores educacionais, a posição dos EUA é próxima daquela observada em países com PIB per capita igual à metade do norte-americano.

Dadas as condições materiais daquele país e a existência de escolas e universidades excelentes, essa situação poderia parecer estranha. Entretanto, a desigualdade social, em especial a desigualdade na distribuição de renda, parece provocar uma também grande desigualdade educacional. Isso faz com que coexistam uma educação de ponta e um enorme desenvolvimento científico e cultural, de um lado, com péssimos indicadores educacionais, de outro.

Outras características daquele país que o coloca em uma posição bastante atípica dizem respeito ao ensino superior. Nos EUA, o ensino superior é majoritariamente público. Entretanto, apesar de bem menos privatizado do que o ensino superior no Brasil (um quarto dos estudantes daquele país estão em instituições privadas, proporção inversa da brasileira, onde um quarto está em instituições públicas), sua taxa de privatização é mais elevada do que aquela que se observa tipicamente nos países mais avançados.

Outra característica bastante marcante dos EUA é o fato de que lá o ensino superior público não é gratuito e as anuidades cobradas são bastante altas, situação bem diferente daquela tipicamente observada nos países avançados.

Como os dois partidos que disputam a presidência daquele país entendem essa situação e que propostas têm?

2.

Em alguns aspectos, as diferenças entre os partidos Democrata e Republicano dos EUA são muito pequenas. Entretanto, nas políticas sociais, não ocorre o mesmo. Nesse aspecto, o Partido Democrata tem um perfil mais parecido com o da social-democracia europeia, enquanto o Partido Republicano defende valores tradicionais, às vezes embasados em princípios religiosos. Vejamos alguns exemplos.

O Partido Republicano defende a não estabilidade de professores e uma política de remunerações que podem depender de critérios sem relação com o desenvolvimento escolar e educacional. Por exemplo, o seu atual candidato à Casa Branca entende que a educação está tomada por “maníacos radicais de esquerda” e isso deve acabar. E, talvez, para acabar com isso seja necessário acabar antes com a estabilidade de professores.

Democratas, por sua vez, reconhecem a importância da estabilidade de professores e da participação da comunidade (educadores, pais, líderes comunitários e estudantes) na definição dos projetos educacionais e uma melhor remuneração dos trabalhadores da educação. Democratas reconhecem que a possibilidade de municípios complementarem os orçamentos das escolas, inclusive salários, faz com que a educação nas cidades de maiores rendas per capita seja muito diferente daquela oferecida aos jovens e às crianças das cidades mais pobres, sendo essa uma importante fonte das desigualdades educacionais que devem ser superadas.

Republicanos entendem que a ajuda federal destinada à educação e à saúde de crianças de famílias de baixa renda hoje existente deve ser eliminada. Outras propostas, ainda, são transformar despesas públicas com educação em vales (vouchers) que podem ser usados para pagamento de escolas privadas, e fechar a secretaria de educação, órgão correspondente ao Ministério da Educação do Brasil.

O Partido Democrata, por seu lado, afirma entender que educação não é mercadoria e que todas as crianças e jovens devem ter acesso ao ensino de qualidade controlado pelo setor público. As desigualdades devem ser enfrentadas por meio de ajudas do governo federal voltadas às crianças e aos jovens dos segmentos mais desfavorecidos. Democratas também entendem que recursos públicos devem ser direcionados apenas a instituições públicas.

Republicanos tendem a apoiar o ensino domiciliar inclusive subsidiado com recursos públicos. Democratas, por outro lado, reconhecem a importância do ensino presencial, que ficou muito clara durante os confinamentos provocados pela covid-19.

Como aqui, outras pautas invadem a questão educacional nos EUA. Democratas repudiam a proposta de que professores usem armas nas escolas, um ponto defendido por republicanos; seria a versão estadunidense das escolas militarizadas? Segundo estes últimos, as escolas também devem promover os “valores ocidentais”, enquanto democratas entendem que todas as crianças e jovens devam ser tratados da mesma forma, independentemente de suas origens nacionais, sexo, identidade de gênero, religião ou da ausência dela e de outras características pessoais.

Outro ponto importante a diferenciar os dois partidos é quanto ao financiamento do ensino superior. Uma prática comum – cobrança combinada com financiamentos para pagar as anuidades – tem provocado danos bastante importantes. As dívidas estudantis, quase totalmente federais, estão próximas a dois trilhões de dólares, valor próximo ao PIB nominal brasileiro de um ano inteiro, o que corresponde a uma média da ordem de US$ 40 mil por devedor.

Por um lado, isso afeta mais duramente os grupos social e economicamente mais frágeis; por outro lado, reduz ou mesmo anula os ganhos econômicos individuais esperados como decorrência da frequência de um curso superior. Além disso, a possibilidade de financiamento para arcar com as anuidades contribui para o aumento destas.

3.

Como democratas e republicanos entendem essa questão?

Parte do Partido Democrata defende simplesmente o fim das cobranças do ensino superior em instituições públicas, proposta abraçada por Bernie Sanders em seu programa quando candidato à Presidência da República. As atuais propostas dos democratas, reconhecendo a gravidade do problema criado pela cobrança do ensino superior, são, entretanto, mais modestas, mas defendem a redução das dívidas estudantis e dos juros dos empréstimos públicos.

A proposta do Partido Republicano para enfrentar a mesma questão é mais corriqueira: promover escolas e cursos mais baratos. Esta resposta está de acordo com o fato de que 59% dos republicanos ou simpatizantes pensam que o ensino superior tem um efeito negativo para o país. Acabar com ele seria uma possibilidade?

Enfim, tanto lá como aqui, o entendimento do papel da educação escolar em uma sociedade difere bastante segundo a posição política e ideológica dos partidos. E, tanto lá como aqui, a pauta educacional está contaminada pela pauta ideológica.

Otaviano Helene é professor sênior do Instituto de Física da USP.

Publicado originalmente no Jornal da USP.

A evolução das comunicações: da mídia impressa às redes sociais e seus desafios contemporâneos

A comunicação é uma das principais forças motrizes da sociedade. Desde os primeiros jornais impressos até a ascensão das redes sociais, a capacidade de disseminação de ideias evoluiu exponencialmente, proporcionando um alcance sem precedentes. No entanto, essa evolução não veio sem desafios. A transição da mídia impressa tradicional para o ambiente digital não apenas ampliou a capacidade de publicização de ideias, mas também desencadeou uma ansiedade por conteúdos que atendam à curiosidade e expectativas dos espectadores. Este cenário criou o ambiente perfeito para o surgimento de notícias falsas e golpes comerciais, fenômenos que têm gerado preocupações em várias esferas da sociedade.

Com o surgimento da mídia impressa, as ideias passaram a circular de forma mais ampla e acessível, rompendo barreiras geográficas e sociais. Jornais e revistas tornaram-se meios fundamentais para a disseminação de informações, opiniões e ideologias. No entanto, o processo de produção e distribuição dessas mídias era relativamente lento e controlado, o que permitia uma verificação mais rigorosa dos conteúdos.

Com o advento da internet e, posteriormente, das redes sociais, essa dinâmica mudou drasticamente. Hoje, qualquer pessoa com um dispositivo conectado à internet pode produzir e compartilhar conteúdo com milhares, senão milhões, de pessoas instantaneamente. Essa democratização da comunicação ampliou o alcance das ideias, mas também reduziu os filtros que tradicionalmente controlavam a qualidade e a veracidade das informações divulgadas.

A rapidez com que as redes sociais se estabeleceram criou uma nova realidade: a sede insaciável por novos conteúdos. Esse apetite por informações instantâneas e muitas vezes sensacionalistas gerou uma pressão sobre produtores de conteúdo para que entregassem notícias que captassem a atenção do público, mesmo que isso significasse sacrificar a precisão e a veracidade.

Nesse contexto, as fake news surgiram como um fenômeno preocupante. A disseminação de informações falsas não é um fenômeno novo, mas as redes sociais deram a esse problema uma nova dimensão. Agora, notícias falsas podem se espalhar em questão de segundos, alcançando um número imenso de pessoas antes que possam ser desmentidas. Além disso, a combinação de algoritmos que priorizam conteúdos populares com o comportamento humano, que tende a compartilhar informações emocionantes ou chocantes, criou um ambiente propício para a proliferação de desinformação.

Enquanto as redes sociais avançavam a passos largos, os Estados, em grande parte, demoraram a compreender e controlar esse novo fenômeno. A ausência de regulamentação eficaz e a complexidade de monitorar o vasto volume de conteúdo que circula nas plataformas digitais criaram um vácuo, preenchido por ideias e práticas que muitas vezes não são aceitas pela sociedade. Essa lacuna permitiu a proliferação de golpes comerciais, a manipulação política e a disseminação de ideologias extremistas, fenômenos que têm colocado em risco a integridade social e a segurança dos indivíduos.

Em face desses desafios, algumas abordagens conservadoras emergiram como tentativas de controle, como a retirada de celulares e tablets das mãos das crianças e o monitoramento rigoroso dos conteúdos acessados por adolescentes. No entanto, essas estratégias mostram-se inviáveis a longo prazo. Proibir o acesso a dispositivos e conteúdos pode, paradoxalmente, aumentar o fascínio por eles, resultando em comportamentos amorais ou imorais.

Além disso, a exclusão digital pode gerar um retrocesso no desenvolvimento das competências necessárias para a navegação segura e crítica no ambiente digital. A educação digital torna-se, assim, uma necessidade urgente.

A solução para os desafios impostos pelas redes sociais não reside na repressão, mas na educação. É preciso construir uma nova forma de educação que capacite as pessoas a usar dispositivos digitais e as ferramentas disponíveis de maneira crítica e consciente. Ensinar desde cedo a diferenciar informações confiáveis de notícias falsas, a compreender as dinâmicas das redes sociais e a reconhecer os perigos dos golpes online é fundamental para a formação de cidadãos informados e responsáveis.

Enquanto isso não for alcançado, continuaremos a testemunhar uma corrida desenfreada por audiência, impulsionada pela necessidade de vender produtos e promessas ilusórias. Essa corrida não só empobrece os consumidores, como também enfraquece a confiança na mídia e nas instituições, minando as bases da sociedade.

A evolução das comunicações, da mídia impressa às redes sociais, trouxe avanços significativos na disseminação de ideias, mas também gerou novos desafios. A proliferação de fake news e golpes comerciais é um sintoma de um ambiente digital desregulado e de uma sociedade ansiosa por conteúdos que muitas vezes sacrificam a verdade em nome do entretenimento. A resposta conservadora de proibir o acesso a dispositivos digitais é ineficaz e pode gerar consequências indesejadas. Em vez disso, é fundamental investir em uma educação digital que prepare os cidadãos para navegar com segurança e criticidade no mundo digital, garantindo, assim, um futuro onde a verdade e a ética prevaleçam.

Por Ronald Pinto

Risos. Folha desembarca da farsa contra Moraes com editorial que propõe a anulação das condenações contra os golpistas de 8 de janeiro

Fica claro, portanto, que o objetivo é anistiar personagens como Jair Bolsonaro

O jornal Folha de S. Paulo, que apoiou a ditadura militar de 1964, chegando até a emprestar seus carros para o aparato de tortura, o golpe de estado de 2016 e o choque neoliberal dele decorrente desembarcou melancolicamente, nesta quinta-feira, da operação de ataque, em parceria com Glenn Greenwald e a extrema-direita internacional, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que agiu para evitar um novo golpe no Brasil, desta vez por Jair Bolsonaro e seus asseclas, nas eleições presidenciais de 2022.

A saída encontrada pela Folha foi um editorial com críticas a Moraes e a seus colegas de Supremo Tribunal Federal, que o defenderam de forma enfática e sem margem para qualquer contestação. “Não estão em questão a boa-fé de Alexandre de Moraes nem a obtusidade da ala do bolsonarismo que flertou com a ruptura institucional. Discutem-se os meios utilizados para enfrentar a ameaça, real”, aponta o editorial

No mesmo texto, a Folha revela sua provável intenção, que parece ser a anistia a Jair Bolsonaro, único político capaz de fazer frente a uma eventual reeleição do presidente Lula em 2026. “É uma pena que, por espírito de corpo, colegas de Moraes tenham se apressado a conceder-lhe um novo salvo-conduto. Há acusados e investigados que poderão, com base nas informações que vêm sendo levantadas pelo jornalismo profissional, solicitar a nulidade de provas ou a reversão de decisões”, escreve o editorialista. “Já sabem que contarão com a antipatia do tribunal que deveria zelar pelas prerrogativas fundamentais dos brasileiros, entre as quais fulgura o devido processo legal”, finaliza.

Brasil 247

Folha reconhece ter promovido narrativa de Bolsonaro com acusações infundadas contra Moraes

https://www.brasil247.com/midia/folha-reconhece-ter-promovido-narrativa-de-bolsonaro-com-acusacoes-infundadas-contra-moraes

Humilhação e deboche: alguém precisa parar Carlinhos Maia

BRASÍLIA (DF)-Alguém precisa parar Carlinhos Maia, influencer tipo Pablo Farçal que ganha dinheiro enganando os trouxas. E haja trouxas. Um desses espertalhões chegou até a presidência da República. E o impressionante é que pessoas fazem fila para serem humilhadas, pisoteadas e debochadas por Carlinhos Maia, numa clara violação dos direitos humanos.

Na foto ao lado, o influenciador Catchall Pegasus, se humilha para voltar para o Rancho Maia. “Só um conselho: vá criar seus conteúdos e fazer por onde pra ser notado e ter mérito para estar no projeto! Se humilhando você só vai se rebaixar ainda mais. O que ele te disse naquele dia em live já foi o suficiente! (Pára que tá feio)”, postou  um internauta, criticando a posição humilhante do influenciador.

Sob a cortina de um reality show na internet, realizado no Rancho do Maia, reunindo um monte de  “influenciadores” e subcelebridades em um sítio cafona, Carlinhos Maia pratica os mais diversos e perversos crimes contra a pessoa humana, ferindo a alma daqueles que vão para aquele lugar em busca de mudança de vida. E o que encontram são manifestações de deboche, humilhações e submissão. Quando confrontado, ele se assume um tirano dizendo que quanto mais criticarem mais ele ganha dinheiro em cima dos trouxas. Alguém precisa parar Carlinhos Maia. Antes que algo muito pior aconteça.

Carlinhos Maia se explica sobre vídeo polêmico Uma das últimas aberrações no Rancho Maia, funcionárias esfregam o rosto de uma influenciadora em esterco de vaca. No vídeo, a influenciadora conhecida como Debochada, que sempre está nas festas de Carlinhos, era arrastada por funcionários, que esfregam o rosto dela em esterco e a jogavam em um curral com cabras.

Após a repercussão negativa do vídeo, o influenciador decidiu se explicar. “Vocês que seguem já sabem, mas aos que sempre buscam deturpar tudo, a debochada estava atuando. Ela trouxe as funcionárias para o enredo dela. Ela passa a temporada toda ‘humilhando’, ‘mandando’ nas meninas. No fim, elas se vingam. Inclusive, ideia delas mesmas. Então, relaxem, tem muito teatro aqui também, ninguém é obrigado a nada”, disse ele.

“São quase 8 anos tentando me cancelar, não perceberam que não paro nunca? Amo que vocês me deixam ainda mais famoso, mais rico, ainda mais popular. Olha a quantidade de gente que ama. E a quem odeia, bem-vindos. Quanto mais vocês reproduzem meus vídeos, mais gente vem e fica”, completou Carlinhos.

J.K. Rowling e Elon Musk são mencionados em processo movido pela campeã olímpica Imane Khelif

A campeã olímpica de boxe Imane Khelif se viu no centro de uma polêmica acirrada que agora evoluiu para uma ação legal. A boxeadora argelina, que recentemente ganhou a medalha de ouro na categoria feminina de 66 quilogramas nas Olimpíadas de Paris 2024, está movendo uma queixa criminal contra aqueles que supostamente cometeram “atos de assédio cibernético agravado” contra ela.

A queixa, apresentada pelo advogado de Khelif, Nabil Boudi, às autoridades francesas, menciona várias figuras de destaque, incluindo a autora J.K. Rowling e o empresário Elon Musk. Embora a ação judicial seja movida contra pessoas desconhecidas (uma prática comum na lei francesa), ela menciona especificamente esses indivíduos, entre outros, que podem ter contribuído para o assédio online.

A controvérsia surgiu de acusações infundadas sobre a elegibilidade de Khelif em relação ao gênero. Apesar de ter nascido mulher e não se identificar como transgênero ou intersexo, Khelif enfrentou uma enxurrada de abusos online questionando seu direito de competir no boxe feminino. O Comitê Olímpico Internacional apoiou firmemente Khelif, declarando: “Cientificamente, isso não é um homem lutando contra uma mulher.”

No entanto, os ataques online persistiram, com algumas figuras influentes adicionando combustível ao fogo. J.K. Rowling, conhecida pela série Harry Potter, postou uma mensagem para seus 14,2 milhões de seguidores no X (anteriormente Twitter), acusando Khelif de ser um homem “desfrutando do sofrimento de uma mulher que ele acabou de socar na cabeça”. Elon Musk, o proprietário do X, compartilhou e concordou com uma postagem afirmando que “homens não pertencem aos esportes femininos.”

A ação judicial não se limita a essas duas figuras. Boudi mencionou que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também faria parte da investigação devido à sua atividade nas redes sociais relacionada a Khelif. Outras personalidades, como Logan Paul, também fizeram comentários depreciativos, embora Paul tenha posteriormente apagado sua postagem e admitido a possibilidade de ter espalhado desinformação.

Boudi explicou o motivo por trás da apresentação da queixa contra pessoas desconhecidas: “Isso garante que a promotoria tenha toda a latitude para poder investigar contra todas as pessoas, incluindo aquelas que podem ter escrito mensagens odiosas sob pseudônimos.”

React - Nikolas Ferreira e as bobagens biológicas sobre a lutadora argelina Imane Khelif

O advogado também enfatizou que a queixa poderia ter alcance internacional. Ele afirmou: “O gabinete do procurador para combater o discurso de ódio online tem a possibilidade de fazer pedidos de assistência jurídica mútua com outros países.” Isso significa que, embora a ação judicial tenha sido movida na França, ela poderia potencialmente visar indivíduos no exterior.

O impacto desse assédio online em Khelif foi significativo. Seu treinador, Pedro Diaz, compartilhou com a Variety que o bullying “afetou incrivelmente ela” e “todos ao seu redor”. Diaz, que já treinou 21 campeões olímpicos antes de Khelif, disse: “Nunca tinha visto algo tão repugnante em minha vida.” Ele aconselhou Khelif a evitar as redes sociais durante as Olimpíadas para manter seu foco em ganhar a medalha de ouro.

Apesar dos desafios, Khelif perseverou e alcançou seu sonho olímpico. Diaz elogiou sua resiliência, dizendo: “Ela é tão inteligente e tem uma motivação incrível.” Ele acrescentou que a vitória na medalha de ouro “foi a vitória mais gratificante da minha carreira como treinador.”

Misteriosdomundo.org

Pablo Farçal se encontrou com irmão de líder do PCC citado por presidente de seu partido

O coach se encontrou com o irmão de um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), mencionado por presidente de seu partido em gravação recente

O coach de extrema-direita Pablo Farçal (PRTB), candidato à Prefeitura da capital paulista, encontrou-se com o irmão de um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) citado pelo presidente de seu partido em uma gravação que veio à tona na semana passada.

O caso ganhou repercussão quando o jornal Folha de S. Paulo publicou um áudio em que Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, afirma ter ligações com o PCC e menciona nominalmente “Piauí”. Farçal evitou criticar seu aliado, que o acompanhou no mesmo dia ao debate da TV Bandeirantes.

Segundo informações do jornal, a gravação foi feita em fevereiro deste ano durante uma conversa com Thiago Brunelo, filho de um dos fundadores do PRTB. A disputa pelo comando do partido, que passou por intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serviu como pano de fundo para a conversa.

De acordo com o portal Metrópoles, Farçal encontrou-se com Valquito Soares da Silva, de 58 anos, irmão de Francisco Antonio Cesário Soares, o “Piauí”, apontado pela Polícia Civil como líder da facção criminosa na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O encontro foi registrado e divulgado nas redes sociais.

Experimento: violinista Joshua Bell toca no metrô de NY e não é reconhecido

O Washington Post quis provar até que ponto as pessoas eram capazes de reconhecer algo bonito ou sublime quando a beleza competia com a rotina. Infelizmente, provou o contrário: que olhamos sem ver e ouvimos sem escutar. Mostrou o quanto os americanos não dão valor aos talentos e se importam mais com os ídolos produzidos na mídia.

Foi realizado pela primeira vez em 2007 e repetido após sete anos. Seu protagonista foi o famoso violinista Joshua Bell, e ele provou que os seres humanos são bons em ignorar a beleza.

O experimento foi organizado pelo jornal Washington Post. Partia de uma pergunta: a beleza é capaz de capturar a atenção das pessoas se for apresentada no contexto cotidiano e em um momento inadequado?

O experimento do violinista no metrô: uma prova de que olhamos sem verEm pleno horário de rush na capital do mundo, alguns dias  depois de tocar no Symphony Hall de Boston, com ingressos a US$ 1 mil, o prestigiado violinista Joshua Bell ficou 45 minutos executando obras clássicas em um raríssimo Stradivarius de 1713, cujo valor é estimado em US$ 3 milhões.

Ninguém, absolutamente ninguém, percebeu que estava diante de um dos maiores músicos virtuoses do mundo. O objetivo da experiência, segundo os executivos do jornal, era lançar um debate sobre valor, contexto e arte entre os americanos. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.

Joshua Bell, um virtuoso

Joshua Bell é um dos melhores violinistas do mundo. Nasceu em Indiana (Estados Unidos) em 1967. Quando era muito pequeno, seus pais o viram reproduzindo o som do piano que sua mãe tocava, com faixas de borracha. Ele tinha apenas 4 anos de idade.

Seu pai lhe comprou um violino e aos 7 anos o garoto já fazia seu primeiro show.
A característica mais marcante de Joshua Bell é seu amor pela música clássica e sua defesa de uma ideia: ela deve estar ao alcance de todos os públicos. Ele não é um daqueles músicos que pensam que ela é válida apenas em determinados ambientes ou para um público treinado.
Bell apareceu na Vila Sésamo e participou da criação de várias trilhas sonoras para filmes. Além disso, interpretou o tema central do filme O Violino Vermelho e atuou como o dublê do protagonista em várias cenas.

Taxação olímpica: Bolsonaro cobrou R$ 1,2 milhão em imposto, que foi criado na Ditadura

Deltan Dallagnol usou a imagem de Rebeca Andrade para incitar a horda bolsonarista. O que os bolsonaristas omitem é que a taxação foi criada nos anos 1970, durante a Ditadura

Arma da oposição em mais uma narrativa para atacar o presidente Lula, a “taxação olímpica” – que aplica uma alíquota de até 27,5% do Imposto de Renda para premiações recebidas no exterior – existe há pelo menos 50 anos e, em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro (PL) resultou em R$ 1,2 milhão em arrecadação cobrada sobre os medalhistas brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão.

O que os bolsonaristas omitem é que a taxação foi estabelecida ainda nos anos 1970, durante a Ditadura Militar, que definiu que prêmios obtidos em “competições desportivas, artísticas, científicas e literárias, exceto se outorgados através de sorteios, serão tributados como rendimentos do trabalho”.

Em 1998, o governo Fernando Henrique Cardoso atualizou a legislação afirmando que   “são entendidos como salário” valores recebidos a título de abono de férias, décimo-terceiro salário, “gratificações e prêmios”.

Ex-procurador chefe da Lava Jato e deputado cassado, Deltan Dallagnol (Novo-PR) é um dos bolsonaristas que tentam colar a narrativa como se fosse algo determinado pelo governo Lula.

“Você acha justo que nossos campeões olímpicos, que trazem projeção e orgulho para o nosso país, sejam tributados desta forma?”, incita Dallagnol usando a imagem – e o caso – da ginasta Rebeca Andrade, que faturou mais de R$ 800 mil com as quatro medalhas, incluindo uma de ouro, nos Jogos Olímpicos de Paris.

A realidade paralela criada pelos bolsonaristas fez com que o deputado Luiz Lima (PL-RJ) tentasse gerar lucros eleitorais com o caso, propondo um Projeto de Lei para isentar os atletas dos impostos.

 

Revista Fórum

Veja a agenda: Gilberto Gil fará sua última turnê

Fim do ‘tempo rei’ – Gilberto Gil deu a notícia que os fãs não queriam ouvir: em 2025, o artista fará sua última turnê. Pra dar adeus aos palcos, ele tem onze shows marcados entre março e novembro do ano que vem, em oito estados brasileiros.

Aos 82 anos, Gil deve cantar músicas que marcaram sua carreira e embalaram tanta gente durante todos esses anos de estrada. “Foram vários os elementos que ponderei para chegar na decisão da realização de uma última turnê”, disse ele no comunicado oficial anunciando “Tempo rei – Última turnê’.

Pra quem já tá com saudade do cantor, ele conta que não deve deixar a música de vez. “Houve reflexão sobre este mercado e também sobre a exigência física necessária para esses grandes shows. Quero continuar fazendo música em outro ritmo, mas, antes, teremos essa celebração bonita junto do público e da família.”

As vendas pra turnê começam no dia 22, mas uma pré-venda, para clientes do Banco do Brasil, acontece entre os dias 19 e 22. O valor dos ingressos vai de R$ 90 a R$ 1.580.

Veja a agenda:
15 de março de 2025 – Salvador (BA) – Casa de Apostas Arena Fonte Nova
29 de março de 2025 – Rio de Janeiro (RJ) – Farmasi Arena
30 de março de 2025 – Rio de Janeiro (RJ) – Farmasi Arena
11 de abril de 2025 – São Paulo (SP) – Allianz Parque
12 de abril de 2025 – São Paulo (SP) – Allianz Parque
07 de junho de 2025 – Brasília (DF) – Arena BRB Mané Garrincha
14 de junho de 2025 – Belo Horizonte (MG) – Arena MRV
05 de julho de 2025 – Curitiba (PR) – Ligga Arena
09 de agosto de 2025 – Belém (PA) – Estádio Mangueirão
15 de novembro de 2025 – Fortaleza (CE) – Centro de Formação Olímpica (CFO)
22 de novembro de 2025 – Recife (PE) – Classic Hall

Sentiu: Maduro considera anular as eleições por alegado ataque cibernético, diz Iván Duque

O ex-presidente colombiano Iván Duque revelou à CNN que o governo venezuelano, incapaz de manipular os resultados das eleições para justificar a vitória de Nicolás Maduro, está planejando declarar a eleição nula. De acordo com Duque, a estratégia envolve alegar que dados foram corrompidos devido a um suposto ataque cibernético.

Duque afirmou que a tática de Maduro visa atrasar a divulgação das atas eleitorais e criar uma narrativa de fraude digital. O objetivo seria convencer o Supremo Tribunal de Justiça a declarar a eleição inválida e convocar novas eleições para dezembro.

O ex-presidente também destacou que o governo venezuelano e o Conselho Nacional Eleitoral estariam tentando adiar a publicação das atas para manipular os resultados. No entanto, a oposição conseguiu tornar as atas públicas antes que isso ocorresse, dificultando a manipulação dos dados.

Em convenção, Pablo Marçal elogia Lula e mente sobre Bolsonaro ter reduzido impostos

Locutor boiadeiro, chá revelação e documentário sobre Venezuela: convenção que oficializou Marçal em SP assume tom de caricatura

Cadeiras gamers, hip hop estadunidense, locutor boiadeiro, bateria de escola de samba, louvor, elogios e críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esses foram apenas alguns dos elementos que deram o clima da convenção que oficializou a candidatura do coach Pablo Marçal pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) para a Prefeitura de São Paulo, na manhã de domingo (4).

Sob o típico clima de palestra motivacional, negócio no qual Marçal é empresário, o evento também teve “chá revelação” para divulgar se sua chapa seria composta por um homem ou uma mulher no cargo de vice. Sob uma chuva de papel picado em cor-de-rosa, veio o nome: a policial Antônia de Jesus Barbosa, formando uma chapa “puro-sangue”, ambos do mesmo partido.

Mas, acabou elogiando Lula, uando disse que ele, Marçal, mudou mais de partido do que de cueca. “Uma coisa bonita no Lula é o fato de ele estar no mesmo partido uma vida inteira. Que eu esteja sempre nesse partido. Eu queria seguir o Lula pelo menos nessa questão”. O influenciar digital, porém, classificou Jair Bolsonaro (PL) como “o único que diminuiu a quantidade de impostos”, apesar de não ser verdade.

Marçal passou por mais de um partido em sua trajetória antes do PRTB. Foi filiado ao Pros, Solidariedade e Democracia Cristã – por isso, elogiou o presidente Lula por nunca mudar de sigla.

Esqueceu de ajudar os pobres de São Paulo

“Meu coração é africano. Eu dei meu coração para ajudar o povo africano. Agora eu percebi que São Paulo está pior do que na África”, disse o coach sobre o trabalho de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade que fez. Pois é. Só agora (em campanha) Marçal percebeu que São Paulo está pior do que na África. Vai vendo, São Paulo.

Com informações do Brasil de Fato

Mestre em Políticas Públicas, Raí quer transformar o Brasil com esporte: ‘é a base da democracia’

Ex-craque já visitou municípios na Bahia e no Maranhão em busca do local ideal para implementar seu projeto de mestrado

O ex-futebolista brasileiro Raí está determinado a utilizar o esporte como ferramenta de transformação social no Brasil. Após retornar a Paris, ele obteve o diploma de mestre em Políticas Públicas pela prestigiada Universidade Sciences Po. Agora, ele pretende aplicar um projeto inovador de integração entre arte, esporte e educação em uma pequena cidade do Nordeste brasileiro, para servir como modelo de democratização do esporte.

“Quero fazer o projeto em uma cidade que tem essa vocação, não quero impor nada”, disse Raí ao Estadão. Ele já visitou municípios na Bahia e no Maranhão em busca do local ideal para implementar sua iniciativa. “Provo na minha dissertação que essas atividades lúdicas têm impacto muito grande no desenvolvimento humano, educacional, cognitivo e de integração. São atividades hoje, num mundo tão dividido, que quebram as diferenças e juntam as pessoas. Tem tudo isso dentro do projeto, que visa radicalizar a integração e universalizar o acesso a esse tipo de política pública. Essas atividades têm que ser um direito humano”.

Raí é uma figura muito respeitada na França, onde jogou pelo Paris Saint-Germain e recentemente carregou a tocha olímpica dos Jogos de Paris. Ele foi convidado pelo Comitê Olímpico Internacional para participar desse evento emblemático, sendo disputado pelas cidades de Paris e de Versailles para carregar a tocha em suas ruas. Raí optou por Versailles, com quem já tinha um compromisso anterior. “Carregar a tocha olímpica na França tem um gosto especial”, declarou o ex-craque.

Além de seu envolvimento com o esporte e a educação, Raí também se destacou como uma voz ativa contra a extrema direita. No início de julho, ele discursou em uma manifestação em Paris, sendo aplaudido pela multidão. “Viva a França, viva a República, viva a democracia”, disse Raí em francês. “Conheço bem a extrema direita. O que eles fazem de melhor é mentir. Eu os conhecia no poder. A extrema direita é o fim do mundo, é o fim dos direitos humanos, da humanidade”.

Brasil 247

VIDEO Pastor é expulso da Assembleia de Deus após fazer sexo com obreiro e ter vídeo vazado

Vários vídeos íntimos de um pastor de Rio Branco, no Acre, mostrando relações sexuais com um obreiro da igreja Assembleia de Deus viralizaram nas redes sociais. A ampla repercussão das imagens levou à expulsão do pastor da igreja.

De acordo com informações, o pastor, que seria casado e pai de três filhos, aparece em pelo menos seis vídeos vazados, que mostram interações com o obreiro e outras pessoas.

Os vídeos foram divulgados inicialmente em grupos de WhatsApp associados à igreja no dia 24 de julho. Na mesma data, a liderança da igreja decidiu afastar o pastor de suas funções e atividades.

“Ai pastor!”

Nos vídeos, é possível ver o fiel e o pastor mantendo relações íntimas consensuais. “Ai pastor, ai pastor”, diz o homem, enquanto é penetrado pelo religioso. Os vídeos caíram nas redes sociais e deixaram os internautas chocados. “Quando eu falo que esse povo da igreja não presta! Tá aí ó!!! Se escondem e são piores do que os mundanos, como eles falam!”, apontou um internauta no X, antigo Twitter.

“Eu sempre fico incrédula. Se tá fazendo algo escondido PRA QUE registrar?”, questionou outra. “Acho muito que bem feito expor gente hipócrita, que prega no púlpito sobre imoralidade e pecado, mas que não vive nada disso. Desse tipo de crente a igreja tá cheia”, observou mais um, na mesma rede social. “A aliança bem grande e brilhante mostrando o quanto ele ama a esposa”, ironizou uma internauta.

VEJA O VIDEO AQUI

DCM

Coluna Zona Franca

Guajará-Mirim

A convenção Partido Progressista (PP)  é hoje, sábado. O evento ocorrerá a partir das 19h, no Palácios Club. O partido Novo, no dia 04, 19h, na Avenida Quintino Bocaiuva Esquina com Avenida Rocha Leal, 936 – Master Pizzaria, Bairro Tamandaré. O MDB realiza convenção dia 4, domingo, no plenario da CMGM, a partir das 15h. PT, dia 5 de agosto, 19h, no imóvel situado na avenidMarechal Rondon, 5393, Liberdade.

Podemos e Novo

Faltando apenas dois meses e três dias para as eleições municipais, acontecem neste sábado, 3, as duas últimas convenções partidárias em Porto Velho. O Podemos realiza a sua as 16 horas, na Talismã 21. O partido Novo realiza a convenção no auditório da Unopar, na zona leste de Porto Velho, as 15 horas.

Definidos

Com as duas últimas convenções, estes serão os candidatos a prefeito de Porto Velho: Benedito Alves (SD), Célio Lopes(PDT), Euma Tourinho (MDB), Léo Moraes (Podemos), Mariana Carvalho (União Brasil), Ricardo Frota (Novo) e Samuel Costa (Rede-PSOL). 

 

Candidatos a vereador de PortoVelho homologados

PSB oficializa saída de bloco de apoio a Arthur Lira na CâmaraPSB-Prefeito, Vinícius Miguel (PSB): ANSELMO DA SILVA GOMES, nome de urna: ANSELMO VAI LA SABIDO, n° 40.456ABIDAO FERREIRA DA SILVA FILHO, nome de urna: ABIDÃO FILHO, n° 40.321; DANTE LOPEZ CHAVEZ, nome de urna: DR. DANTE, n°40.364;  EDENILSON SOUZA ARAUJO, nome de urna: DR EDENILSON, MÉDICO VETERINÁRIO, n° 40.000; EDMILSON BEZERRA CRUZ JUNIOR , nome de urna: PROF ENF EDMILSON JUNIOR, n° 40.192; EDNILSON ALVES DA SILVA, nome de urna: EDNILSON GADON, n° 40.140; ERIQUE DOS SANTOS SILVA, nome de urna: ERIQUE SILVA, n° 40.258; FRANCISCO DAS CHAGAS PERES GUTIERRE, nome de urna: CHAGAS PEREZ GUTIERRE, n° 40.240; FRANCISCO JOSE DE CARVALHO TORRES, nome de urna: RACHID TORRES, n° 40.555; JOAO CANDIDO DA COSTA, nome de urna: JOÃO CÂNDIDO, nº 40.888; JONH ROBISON GOMES DA SILVA, nome de urna: JONH ROBISON, n° 40.333; JOSÉ SATIRO DE MENDONÇA JÚNIOR, nome de urna: JOSÉ SATIRO, n° 40.444; LUIZ CARLOS FERRARI, nome de urna: DR. LUIZ FERRARI, n° 40.123; MARCONDES PEREIRA GUIMARAES, nome de urna: MARCONDES GUIMARÃES, n° 40.678; PEDRO LIMA DA PAULA, nome de urna: PEDRINHO MOTORISTA, n° 40.222; ROSENILTON DE ARAUJO NEVES, nome de urna: NILTINHO NEVES, n° 40.789; e 17º SEVERINO DOS PASSOS NOBRE, nome de urna: SEVERINO NOBRE, n° 40.234; CAROLINE SUAREZ COSTA, nome de urna: CAROL SUAREZ, n° 40.111; GABRIELE CRISTINA ALVES DE SOUSA COUTINHO, nome de urna: PROF. GABY COUTINHO, n° 40.100; LUCIANA GONÇALVES BEZERRA, nome de urna: LUCIANA BEZERRA N ° 40.777; MARILENA PEDROSA ARAUJO GONÇALVES, nome de urna: MARILENA GONÇALVES, n° 40.345; NEIRLENE DOS SANTOS SILVA REIMANN, nome de urna: NEIRLENE REIMANN, n° 40.400); RAFAELA CAROLINA EVANGELISTA DE OLIVEIRA, nome de urna: RAFAELA OLIVEIRA, n° 40.200; REGINA CELIA DOMINGUES, nome de urna: REGINA CELIA, n° 40.300.

Avante-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil): RENATA QUEIROZ CAMURÇA, RENATA CAMURÇA, nº 70.227; CARLA ANDREIA DE ALMEIDA TAVARES, CARLA TAVARES, nº 70.700; MARCIA APARECIDA COSTA SILVA, MARCIA SILVA, nº 70.190; CARLA TELES PRIORE, CARLA TELES, nº 70.900; JOYCE RAMALHO PIRES KONAGESKI, JOYCE KONAGESKI, nº 70.111; DAIHANE REGINA LOPES GOMES, DAIHANE GOMES, nº 70.603; ROSELY LEITE SÁ DE SOUZA, ROSELY SOUZA, nº 70.223;  KARLA LUCIANA BARRETO, KARLA BARRETO, nº 70.888;  CARLOS EDUARDO ROCHA ARAUJO, nº CARLOS EDUARDO KADU, nº 70.222; RONALDO GOUVEIA SANCHES, RONALDO SANCHES, nº 70.200; ANDERSON DOS SANTOS MENDES, DR. NANAN, nº 70.555; EVALDO SILVA CARVALHO, EVALDO CARVALHO, nº 70.567; RAIMUNDO NONATO BORGES DE CARVALHO, Pr. NONATO BORGES, nº 70.077; JEANDERSON MELONIO RABELO, MARANHÃO DO PORTO VELHO, nº 70.100 ; JOSE UÍLSON GUIMARAES DE SOUZA, ZÉ PAROCA, nº 70.000; BRENO MENDES DA SILVA FARIAS, DR. BRENO MENDES O FISCAL DO POVO, nº 70.456 – 9. JOSE FELIPE FILHO, FELIPE, nº 70.444 – 10. PAULO TICO FLORESTA, PAULO TICO, nº 70.300;  ANDRÉ FERREIRA ROCHA DE OLIVEIRA, ANDRÉ ROCHA, nº 70.789; JOSE BARBOSA REIS, ZÉ REIS, nº 70.890; RAIMUNDO COSTA DE MORAES, DR. RAIMUNDINHO BIKE SOM, nº 70.333;  FRANCISCO FERREIRA DOS SANTOS, CHIQUINHO DO SINTAX, nº 70.123; FRANCISCO ALEX SALES, ALEX SALES, nº 70.345; CLEVER CUSTODIO DE ALMEIDA FILHO, DR. CLEVER, nº 70.777.

PP-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil):  RAIMUNDO TORRES FILHO, TORRES FILHO, 11.321;ANA PAULA LIMA SOARES, Dra. ANA PAULA, nº 11.345; FRANCINETE FERREIRA FERNANDES, FRAN DO CENTRAL, nº 11.100; 3. DAIANE ALINE PINTO MELO, DAIANE MELO, 11.233; LUCIENE MARTINS DE SOUSA, LUCIENE DA TV, nº 11.777; RAQUEL SILVA SANTOS, Professora RAQUEL, nº 11.000; RAYANE ALMEIDA DOS SANTOS VALENTE, RAYANE DO AGRO, nº 11.022; ROSELI DOS SANTOS BARBOSA, ROSELI BARBOSA; nº 11.456;  ADMILSON COSTA DOS REIS, Pastor ADEMILSON, 11.101; ALYSON FIGUEIREDO DA SILVA DOMINGOS, ALYSON CUIABANO, nº 11.111; CARLOS ANDRE MATIAS COSTA, CARLOS MATIAS, 11.444; DOUGLAS BENER MAIA OLIVEIRA, DOUGLAS LOPES, nº 11.112; 5. FERNANDO ALVES LORAS QUEIROZ, FERNANDO LORAS, nº 11.500; HORAN VITORIO DE SOUZA SALES, Sargento VITÓRIO, 11.190; JOSIAS BATISTA SILVA, JOSIAS PERITO, 11.411; MATHEUS SERRATE DE ARAÚJO CARVALHO, MATHEUS SERRATE, 11.222; MOISES CORREIA LOPES, MOISES LOPES, 11.333; PAULO ROBERTO LUBIANA, PAULO LUBIANA, 11.789; PAULO MONTEIRO ORIGA, PAULO ORIGA, 11.123; PEDRO AUGUSTO DE OLIVEIRA, PEDRO CERO, 11.007; PEDRO GEOVAR RIBEIRO JUNIOR, PEDRO GEOVAR, 11.234; RAFAEL DO AMARAL CAMPANHA DA SILVA, Oficial RAFAEL CAMPANHA, 11.011; SEBASTIÃO GERALDO FERREIRA, TIÃOZINHO de União Bandeirantes, 11.555.

PRD-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil): JOELNA RAMOS HOLDER. NOME PARA URNA: JOELNA HOLDER 25.300MARIA MADALENA FARIAS FERNANDES GOMES. NOME PARA URNA: MADÁ FARIAS, 25.700;  OLINDA CHAGAS DE SOUSA. NOME PARA URNA: OLINDA DO SALGADINHO DO PORTO, 25.900; MARIA APARECIDA NOBRE SANTOS. NOME PARA URNA: CIDINHA DA ZONA SUL, 25.500; NOELI DE FRANÇA CARDOSO. NOME PARA URNA: NOELY FRANÇA, SENDO-LHE ATRIBUIDA O Nº DE URNA 25.777;  YASMIN LUCAS DE AMORIM. NOME PARA URNA: YASMIN AMORIM, 25.375; LUZIA MENDES VIANA. NOME PARA URNA: LUZIA DO CAPES, 25.000; ; ROSÂNGELA MUNIZ BEZERRA.  NOME PARA URNA: ENFERMEIRA ROSÂNGELA MUNIZ, 25.800; JULIA DE ALMEIDA. NOME PARA URNA: ENFERMEIRA JÚLIA, 25.127; FRANCISCO BRUNO OLIVEIRA DA COSTA. NOME PARA URNA: BRUNO DO PINGO, 25.025; NILSON JOSÉ NETTO.  NOME PARA URNA: FININHO DA SAÚDE, 25.007; JOBERTO SOARES CUNHA. NOME PARA URNA: GILBERTO SOARES, 25.140;  JON ADSON FERREIRA DA SILVA. NOME PARA URNA: JON ADSON PIABA, 25.678; RAILSON DUARTE DE MEDEIROS. NOME PARA URNA: RAILSON MEDEIROS, 25.444; JOSÉ FERREIRA DA SILVA,. NOME PARA URNA: IRMÃO FERREIRA, 25.321; PEDRO DOS SANTOS TEIXEIRA. NOME PARA URNA: PEDRO TEIXEIRA, 25.123; ROMILDO TERRES PORTELA DE OLIVEIRA JÚNIOR. NOME PARA URNA: PORTELA, 25.250; HELTON APARECIDO CORDEIRO COELHO. NOME PARA URNA: HELTON CORDEIRO, 25.255; ALEKSANDER ALLEN NINA PALITOT.  NOME PARA URNA: PROFESSOR ALEKS PALITOT, 25.222; CLAUDIO JOVELINO ASEVEDO DOS SANTOS JUNIOR. NOME PARA URNA: CLÁUDIO JOVELINO, 25.999;  DEVONILDO DE JESUS SANTANA. NOME PARA URNA: DR. SANTANA, 25.555; SANDRO MARCELO ALVES DOS NASCIMENTO. NOME PARA URNA: SANDRÃO, 25.197; LEYLSON VIANA LIMA.  NOME PARA URNA: DJ LEYLSON LIMA, 25.100; LAELSON DA SILVA LIMA. NOME PARA URNA: LAELSON LIMA DO PLANALTO,  25.456.

SDPrefeito- Benedito Alves-IRAILTON D’AUREA, Terrinha, 77456; ADELSON ALUIZIO SANTOS DE AZEVEDO, Adelson Azevedo, 77520; COSMO ARAÚJO FERREIRA, Cosmo da Marmoraria, 77100; EDIELSON BARBOZA PEREIRA DE SOUZA, Edielson da TV, 77111; JOÃO BATISTA BARBOSA, Ferrujo, 77777; LEONARDO PEREIRA CAVALHEIRO, Leonardo Cavalheiro, 77500; ANCELMO DA SILVA PENASCO, Lulinha da Rádio, 77677; MAICON DA SILVA MENDES, Maicon Mendes, 77800; ; JOSE MARIA DIOGO GARCIA, Zé Maria Diogo, 77234; JOSÉ JUILO QUEIROZ CHAVES, Julio Chaves, 77321; JOÃO BOSCO DE LIMA CARDOSO, Bosco Cardoso, 77123; JESUÍNO SILVA BOABAID Jesuíno Boabaid, 77190; PAULO CARVALHO DE BARROS, Paulo Carvalho, 77127; FRANCOÍSE ALMEIDA DE SOUZA DANTAS, Fran Almeida, 77477; LUCIANA PAULA PEREIRA DO NASCIMENTO, Pastora Luciana, 77144; ROSANE SOARES RODRIGUES, Rosane da Saúde, 77555; ROSICLER MUNIZ OLIVEIRA, Profª Rosi, 77017; JESSICA CAROLINE CRISPIN DE LIMA, Jessica Crispim, 77027; MARILDA BEZERRA CAVALCANTE, Marilda da Creche, 77888; ANA QUELE DE SOUZA LIMA FERROSIL, Ana Quele, 77012; ELIZABETE MATIA DE SIQUEIRA, Profª Betinha,
77567.

Agir-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil):1. ALEXANDRE SILVA DE OLIVEIRA FILHO, 36070, ALEXANDRE SILVA.
2. ANTÔNIO ENIVALDO FERREIRA MEDEIROS, 36999, ANTÔNIO MEDEIROS.
3. CLAUDIO HÉLIO DE SALES, 36130, CLÁUDIO DA PADARIA.
4. CLEVELAND RODRIGUES HERON, 36900, CLIVER HERON.
5. EDNEI LIMA PINHEIRO, 36000, EDNEI LIMA.
6. EDNEI MENEZES DE ASSIS, 36456, EDNEI ASSIS.
7. JEOVANE DE JESUS ROCHA, 36100, JEOVANE IBIZA.
8. JOSÉ HERMÍNIO COELHO, 36036, HERMÍNIO COELHO.
9. ANTONIO MARCOS MOURÃO FIGUEIREDO, 36700, MARCOS COMBATE.
10. MARCOS ANTÔNIO PEREIRA MALAQUIAS, 36361, PASTOR MARCOS DO BEM.
11. ROBERTO DILAMITE SOUSA, 36111, ENFERMEIRO ROBERTO DILAMITE.
12. RUBEMAR MORAES DE SOUZA, 36190, RUBEMAR MORAES.
13. AIRTON TRINDADE DA SILVA, 36222, SARGENTO AIRTON TRINDADE.
14. MEZAQUE ROCHA DO COUTO, 36333, MEZAQUE ROCHA.
15. JEAN FERNANDES MOREIRA DE SOUZA, 36321, JEANZINHO.

1. CECILIA ALVES DE OLIVEIRA CARVALHO, 36787, CECILIA CARVALHO.
2. DALVA CRISTINA MOREIRA MEDEIROS DE SOUZA, 36888, DALVA MEDEIROS.
3. GABRIELE MOREIRA GASPAR, 36500, GABRIELE GASPAR.
4. MARILENE NOLETO PAIVA, 36789, MARILENE DA URBANO NORTE.
5. FRANCISCA DE SOUSA CAVALCANTE, 36777, IVANILDA CAVALCANTE.
6. MEIRIANE SILVA SANTOS, 36123, MEIRY SANTOS.
7. SOLANGE DA SILVA GOMES, 36200, SOLANGE DA FEIRA.
8. TALIANA APARECIDA NEVES VELASQUE, 36555, TALIANA NEVES.
9. REJANE DA SILVA FREITAS, 36444, ENFERMEIRA REJANE 

PL-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil): 1. ANDRÉA VIRGINIA FARIAS LIMA, nome de urna ANDRÉA FARIAS,
número de urna 22022- 2. SOFIA ANDRADE DE AGUIAR GOMES, SOFIA ANDRADE, número de urna 22222; 3. TÂNIA OLIVEIRA SENA ALVES, nome de urna DRA. TÂNIA SENA, número de urna 22456;  4. MARIA JOSÉ FERNANDES MARTINS DE SOUZA, nome de urna
MARIA DA FRIBOM, número de urna 22500; 5. EDILAINE RODRIGUES
PEREIRA OLIVEIRA, nome de urna EDILAINE RODRIGUES, número de urna 22233; 6. MÁRCIA DA SILVA FERREIRA, nome de urna MÁRCIA FERREIRA, número de urna 22234; 7. MARILIA UCHOA LIMA, nome de urna PRA. MARILIA GUERREIRA,
número de urna 22444; 8. MARIA MARINETE SOUZA DO NASCIMENTO,
nome de urna MARI DO BAZAR, número de urna 22700; 9. MARIA HELENA
DIAS DE ARAÚJO, nome de urna HELENINHA ARAÚJO,
número de urna 22100; e os seguintes CANDIDATOS DO GÊNERO
MASCULINO: 10. GILBER ROCHA MERCÊS, nome de urna
DR. GILBER, número de urna 22333; 11. ALISSON CARREIRO LEMES, nome
de urna ALISSON SANDUBAS, número de urna 22111; 12. EYDER
BRASIL DO CARMO, nome de urna EYDER BRASIL,
número de urna 22000; 13. BRUNO LUCIANO DO COUTO ARAÚJO, nome de
urna PASTOR BRUNO LUCIANO, número de urna 22123; 14. LEONARDO
ALENCAR MOREIRA, nome de urna LEO ALENCAR,
número de urna 22777; 15. MOISÉS CRUZ VIEIRA, nome de urna MOISÉS
CRUZ, número de urna 22300; 16. DIONE APARECIDO OLIVEIRA BERTO,
nome de urna DIONE BERTO, número de urna 22357; 17. VANDEIR
ALVES PEREIRA, nome de urna VANDEIR BOI NA BRASA,
número de urna 22122; 18. JOSÉ FRANCISCO ARAÚJO SARAIVA, nome de
urna ZEZINHO SARAIVA, número de urna 22007; 19. JULIMAR
PEDRO MORAES OLIVEIRA, nome de urna JULIMAR
GRANDÃO, número de urna 22789; 20. ALMIR PAIVA CAVALCANTE, nome
de urna ALMIR PAIVA, número de urna 22555; 21. WILLIAM FERREIRA
CHAVES DA SILVA, nome de urna WILLIAM POMBO,
número de urna 22345; 22. MÁRCIO JEAN PEREIRA DA SILVA, nome de
urna MÁRCIO TERRA SANTA, número de urna 22600; 23. ANTÔNIO
JANOSKI, nome de urna ANTÔNIO JANOSKI, número de
urna 22765; 24. ILSON CARLOS FERREIRA, nome de urna ILSON BIGO,
número de urna 22800,.

PSOL-REDE:Prefeito-Samuel Costa
1. GIOVANNI BRUNO SARO MARINI
2., MARCUCE ANTONIO MIRANDA DOS SANTOS
3. RAIMUNDO ALZINO N. DOS SANTOS
4. EDGLEY BENÍCIO DE BRITO
5° CHARLES JANUÁRIO DA COSTA
6° EDUARDO FELIPE DE OLIVEIRA LIMA
7. FELIPE DE OLIVEIRA FELIX
8. EDILENE JUSTO DE SOUZA
9. IULE CARLA PINHEIRO VARGAS
10. JONAS CUSTODIO TORRES
11. IVANEIDE BANDEIRA CARDOZO
12. PAULO HENRIQUE S. DA SILVA
13. JOSÉ MARIA SOARES MEIRELES
14. FRANCISCO SEMÃO NETO
15. MICHELE TOLENTINO
16. RAYMISON CORREA DA SILVA
17. VANESSA FELIPE DE MELO
18. RAIMUNDO DE ALMEIDA QUEIROZ
19.JAQUELINE ROCHA SALES
20. LUIZ ISRAEL SANTIAGO DE NEGREIROS
21.LAYRA ANGELICA FERREIRA
22. SEBASTIÃO GONÇALVES NEVES
23. VIVIANE PEREIRA DOS SANTOS FERREIRA
24. ANTONIO CARLOS PIMENTA COSTA

União Brasil-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil):VEREADORAS
1. NATHANY FERREIRA SERPA MICHELATO, NOME PARA URNA: NATHANY SERPA, SENDOLHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.420.
2. MILENE CRISTINA DA SILVA BARRETO, NOME PARA URNA: SGT MILENE DA MARIA DA
PENHA, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.190.
3. ELLIS REGINA BATISTA LEAL OLIVEIRA, NOME PARA URNA: ELLIS REGINA DO SINDEPROF, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.333.
4. VALQUIRIA FABRICIA GARCEZ TEIXEIRA, NOME PARA URNA: KYRA GARCEZ, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.000.
5. EMANUELA HELENA MARTINS HENRIQUE MOREIRA, NOME PARA URNA: S.O.S MANU,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.777.
6. DULIA DO NASCIMENTO PASSOS, NOME PARA URNA: DULIA DO CRISTAL DA CALAMA,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.111.
7. INGRID OLIVEIRA CASTRO, NOME PARA URNA: DRA. CASTRO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.424.
8. SANDRA LÚCIA MACHADO ALVESNOME PARA URNA: SGT. SANDRA, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.675.
9. ANA CRISTINA AGUIAR DE SOUZA LIRA, NOME PARA URNA: ANA CRISTINA AGUIAR,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.300.
VEREADORES – GÊNERO MASCULINO
1. ISAQUE LIMA MACHADO, NOME PARA URNA: ISAQUE MACHADO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.500.
2. EDIMILSON DOURADO GOMES, NOME PARA URNA: EDIMILSON DOURADO, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.100.
3. JOSÉ IRACY MACÁRIO BARROS, NOME PARA URNA: DR. MACÁRIO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.444.
4. LUCAS HENRIQUE DONADON, NOME PARA URNA: LUCAS DONADON, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.321.
5. JOEL FREITAS DE SOUZA, NOME PARA URNA: JOEL DA ENFERMAGEM, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.200.
6. SANDRO DE CARVALHO, NOME PARA URNA: PASTOR SANDRO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.123.
7. ADOLFO GONSALO DO ESPiRITO SANTO JUNIOR, NOME PARA URNA: SGT ADOLFO
GONSALO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.004.
8. ROGERIO DUARTE QUARESMA DE CARVALHO, NOME PARA URNA: ROGERIO QUARESMA,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.140.
9. DEYVISON BARBOSA MORAES, NOME PARA URNA: DEYVISON MORAES, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.222.
10. MARCELO DA SILVA LIMA, NOME PARA URNA: PR. MARCELO LIMA, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.433.
11. ANTONIO CARLOS DA SILVA, NOME PARA URNA: DA SILVA DO SINTTRAR, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.555.
12. JARBAS LOPES DA SILVA, NOME PARA URNA: PROFESSOR JARBAS DA SEGURANÇA,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.007.
13. PEDRO ROBERTO GEMIGNANI MANCEBO, NOME PARA URNA: DELEGADO PEDRO
MANCEBO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.033.
14. RAIATI GOMES DE SOUZA, NOME PARA URNA: RAYATE GOMES DOS APLICATIVOS,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.040.
15. CARLOS DE OLIVEIRA SILVA, NOME PARA URNA: CARLOS DE OLIVEIRA, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 44.456.

MDB:Prefeita Euma Tourinho1. Nome Completo: FRANCISCO RODRIGUES BARRETO JUNIOR
Nome para a urna: JUNIOR DA VERSÁTIL
Número do Candidato: 15364
2. Nome Completo: FRANCISCO BARROZO DA SILVA
Nome para a urna:
Número do Candidato: 15888
3. Nome Completo: SEBASTIÃO FERREIRA DE SOUZA
Nome para a urna: SEBASTIÃO TAXISTA
Número do Candidato: 15420
4. Nome Completo: JORGE MOLINA
Nome para a urna: MOLINA SAÚDE
Número do Candidato: 15111
5. Nome Completo: CARLOS CESAR VELOSO
Nome para a urna: CARLOS VELOSO
Número do Candidato: 15789
6. Nome Completo: VANDERLEI GARCIA DE LIMA
Nome para a urna: VANDERLEI ORIANI
Número do Candidato: 15234
7. Nome Completo: BRUNO GONÇALVES ALVES DE OLIVEIRA
Nome para a urna: BRUNO OLIVEIRA
Número do Candidato: 15777
8. Nome Completo: LEDWIN AGUIAR LOBATO
Nome para a urna: LEDWIN LOBATO
Número do Candidato: 15000
9. Nome Completo: PAULO HENRIQUE
Nome para a urna: PAULO HENRIQUE
Número do Candidato: 15333
10. Nome Completo: RAUBER GONÇALVES PINTO
Nome para a urna: RAUBER GONÇALVES
Número do Candidato: 15999
11. Nome Completo: RAIMUNDO DAMIÃO RODRIGUES
Nome para a urna: DAMIAO
Número do Candidato: 15147
14.2 – CANDIDATOS A VEREADOR DO GÊNERO FEMININO:
12. Nome Completo: MARIA RITA PERPETUO SOCORRO
Nome para a urna: MARIA RITA
Número do Candidato: 15123
13. Nome Completo: FRANCISCA SOUZA DA SILVA
Nome para a urna: FRAN KAXARARI
Número do Candidato: 15555
14. Nome Completo: REBECA VASCONCELOS DE SOUSA PEREIRA
Nome para a urna: REBECA VASCONCELOS
Número do Candidato:15222
15. Nome Completo: LUARA FERREIRA RAMIRO
Nome para a urna: LUARA RAMIRO
Número do Candidato: 15315
16. Nome Completo: CIRLEIDE DOS SANTOS SILVA OLIVEIRA
Nome para a urna: CIRLEIDE OLIVEIRA
Número do Candidato: 15190

PRTB-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil):1. ADRIANO DA SILVA GOMES, 28300, ADRIANO GOMES.
2. CARLOS TADEU SANTOS LUCENA, 28100, TADEU REDANO.
3. CLEITON ROQUE JUNIOR, 28111, CLEITON ROQUE JR.
4. WILLIAM FERREIRA DA SILVA, 28888, WILLIAM O HOMEM DO TEMPO.
5. JOSÉ RABELO DA SILVA, 28133, JACARÉ.
6. JAMILTON DA SILVA COSTA, 28900, JAMILTON COSTA.
7. JOSIVÂNIO CORREIA MEDINA, 28101, JOSIVÂNIO MEDINA.
8. LUIS HENRIQUE PEREIRA NOBERTO, 28120, LUIZ NORBERTO.
9. JOZINÉLIO MUNIZ DE OLIVEIRA, 28777, PASTOR JOSINÉLIO.
10. EVANILDO FERREIRA DA SILVA, 28500, PASTOR EVANILDO FERREIRA.
11. CELIO LEANDRO DA SILVA, 28123, PROF. CELIO LEANDRO.
12. PEDRO TAVARES PEREIRA, 28140, GARGAMEL.
13. EDER SEIXAS DE SOUZA, 28234, ENG. EDER POLICIAL.
14. GEOVANE PEREIRA DA SILVA, 28290, SGT GEOVANE PEREIRA.
15. RALCICLEI DA SLVA CARVALHO, 28007, SARGENTO RALCICLEI MURALHA.
16. MARCIO DE SOUZA ALVES, 28190, SGT M ALVES.
TOTAL GÊNERO FEMININO – 8.
1. ANTÔNIA MARIA SANTOS DA COSTA, 28147, ANTÔNIA DA VIDRO ARTS.
2. ELMARA CRISTINA FREITAS COELHO, 28444, ELMARA PERON DA ENFERMAGEM.
3. JACQUELINE SUZANA PEREIRA, 28000, JACQUELINE SUZANA.
4. MÁRCIA VIEIRA DA SILVA, 28193, MARCIA DA SAÚDE.
5. SUELY BELARMINO DOS SANTOS, 28200, SUELY BELARMINO.
6. AUCILENE PINTO DOS PASSOS, 28013, TINA DO APONIÃ.
7. THAUANE DE SOUZA GOMES BRUSKE, 28222, THAUANE GOMES,
8. JUCELIA DA SILVA ARAUJO, 28456, JUCELIA NOVINHA.

Republicanos-Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil):1. MARIA CLEONICE FERREIRA DA SILVA, NOME PARA URNA: CLEONICE DO MARIANA SENDOLHE ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.555.
2. FERNANDA GÉSSICA COSTA NUNES, NOME PARA URNA: FERNANDA DURAN, SENDO-LHE
ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.400.
3. OZANEIA MONTEIRO DE MATOS, NOME PARA URNA: OZANEIA MONTEIRO, SENDO-LHE
ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.143.
4. ANA CLEIDE DE OLIVEIRA CLAUDINO, NOME PARA URNA: ANA CLAUDINO, SENDO-LHE
ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.333.
5. FERNANDA ARAÚJO AMARAL, NOME PARA URNA: FERNANDA AMARAL, SENDO-LHE
ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.700.
6. VALDINEIA BARRETO COELHO, NOME DE URNA: PROF. VAL BARRETO, SENDO-LHE
ATRIBUIDO O N° URNA 10.777.
7. DAIANA ALINE DESMAREST REIS, NOME PARA URNA: DAIANA REIS, SENDO-LHE ATRIBUIDO
O N° DE URNA 10.444.
8. JAQUELINE GOMES DA SILVA, NOME PARA URNA: JAQUELINE DO UNIVERSITÁRIO, SENDOLHE ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.100.
9. DAGUIMAR LUSTOSA NOGUEIRA CAVALCANTE, NOME PARA URNA: DAGUIMAR
CAVALCANTE, SENDO-LHE ATRIBUIDO O N° DE URNA 10.128.
VEREADORES – GÊNERO MASCULINO
1. IVANILDO DOS SANTOS GONÇALVES, NOME PARA URNA: IVANILDO SANTOS, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.123.
2. MÁRCIO PACELE VIEIRA DA SILVA, NOME PARA URNA: MÁRCIO PACELE, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.200.
3. MILITINO FEDER JUNIOR, NOME PARA URNA: DR. JUNIOR QUEIROZ, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.111.
4. ADALTO DONATO DE OLIVEIRA, NOME PARA URNA: ADALTO DE BANDEIRANTES, SENDOLHE ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.500.
5. MÁRCIO JOSÉ SCHEFFER DE OLIVEIRA, NOME PARA URNA: MÁRCIO OLIVEIRA, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.140.
6. EVALDO PEREIRA FARIAS, NOME PARA URNA: SARGENTO PEREIRA, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.190.
7. DIMAS DE ARAÚJO BARROS FILHO, NOME PARA URNA: DIMAS BARROS, SENDO-LHE  ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.000.
8. JURANDIR RODRIGUES DE OLIVEIRA, NOME PARA URNA: JURANDIR BENGALA, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.600.
9. MIRIN LUIZ DE BRITO, NOME PARA URNA: MIRIN, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O N° DE URNA 10.010.
10. ENDERSON PANTOJA DOS SANTOS, NOME PARA URNA: ENDERSON DO ESPORTE, SENDOLHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 10.077.
11. FERNANDO CELESTINO DA SILVA, NOME PARA URNA: FERNANDO SILVA, SENDO-LHE
ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 10.222.
12. JOSÉ FILHO BARBOSA DOS SANTOS, NOME PARA URNA: SARGENTO J.FILHO, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 10.911.
13. JUAREZ DE JESUS TAQUES, NOME PARA URNA: JUAREZ TAQUES, SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 10.678.
14. MAURO CESAR NOGUEIRA PINHEIRO FERREIRA, NOME PARA URNA: JUNINHO PIPAS,
SENDO-LHE ATRIBUÍDO O Nº DE URNA 10.300.
15. CLAUDEMIR PEREIRA DA SILVA, NOME PARA URNA: CLAUDEMIR, SENDO-LHE ATRIBUÍDO Nº DE URNA 10.007.

DCPrefeita Mariana Carvalho (União Brasil)1. ALESSANDO PINHEIRO DOS SANTOS, 27197, ALESSANDRO PINHEIRO.
2. ALEX SANTIAGO DE OLIVEIRA DO NASCIMENTO, 27777, ALEX DO MONTE SINAI.
3. CAIO SOUZA ARAUJO, 27100, CAIO SOUZA.
4. CARLOS ADRIANO COSTA DE LIMA, 27500, CARLOS ADRIANO.
5. EDMO FERREIRA ALMEIDA PINTO, 27456, DIMDIM.
6. TELSON MONTEIRO DE SOUZA, 27222, DR. TELSON MONTEIRO.
7. HELDO OLIVEIRA DE SOUSA, 27333, HELDO SOUSA DO AGRO.
8. LAELSON JUNIOR MARQUES SILVA, 27369, LAELSON MARQUES.
9. RODRIGO LINHARES DE SOUSA, 27321, RODRIGO LINHARES.
10. PEDRO NASCIMENTO VIEIRA, 27978, PEDRO VIEIRA.
11. TIAGO FELIPE SARTURI, 27123, TIAGO SARTURI.
12. WELLEM ANTONIO PRESTES CAMPOS, 27888, WELLEM PRESTES.
13. CLEBERSON PORTILHO RIBEIRO, 27666, TTIO RIBEIRO.
14. FRANCISCO LEONILSON CARLOS DE SOUZA, 27200, PROFESSOR LÉO.
15. ERIQUE RODRIGUES MARQUES, 27190, CABO ERIQUE.
GÊNERO FEMININO – 9
1.CRISELIDE HENRIQUE GIRÃO, 27789, CRIS GIRÃO.
2. LUZIA DE BRITO FIGUEIREDO, 27010, MISSIONÁRIA LUZIA LUZ.
3. SUELY DOURADO DA SILVA, 27262, SULA DOURADO.
4. IRENE GONÇALVES DE LIMA, 27012, IRENE GONÇALVES.
5. ANA GLAIDE MONTEIRO DE MATOS, 27150, GLAIDE MATOS.
6. SIMONE SOARES DA COSTA, 27027, SIMONE SOARES.
7. DANIELE ALENCAR DE SÁ, 27444, DANIELE ALENCAR.
8. ELANE CRISTINA RIBEIRO DE QUEIROZ, 27007, SARGENTO ELANE CRISTINA.
9. ADRIANA EMILIA BAPTISTA, 27111, ADRIANA DA G.J.

PSDB/Cidadania: Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil)
1. MARLEIDE SOARES DA COSTA REIS, NOME DE URNA: MARLEIDE REIS, N° DE URNA
45.444.

2. RAYANE STEFANY TRAJANO PEREIRA, NOME DE URNA: RAYANE TRAJANO, N° DE
URNA: 45.145.
3. ANA CLAUDIA MESQUITA DE ARAUJO, NOME DE URNA: ANA CLAUDIA MESQUITA, N°
DE URNA 45.197.
4. MARCIA HELENA MARTINS HENRIQUE, NOME DE URNA: MARCIA SOCORRISTA DE
ANIMAIS, N° DE URNA 45.300.
5. ANA VALÉRIA DE ASSIS MIRANDA, NOME DE URNA: DRA ANA VALÉRIA, N° DE URNA:
45.777.
6. POLIANA NATALIA XIMENES RIOS, NOME DE URNA: POLIANA XIMENES, N° DE URNA:
45.800.
7. IVANILDA DE SOUZA INACIO, NOME DE URNA: DUDA SOUZA, N° DE URNA: 23.150.
8. ANDREZA DOS SANTOS BARBOSA ALMEIDA, NOME PARA URNA: ANDREZA BARBOSA,
N° DE URNA: 23.768.
9. MARIA DAS GRAÇAS ROCHA BRITO, NOME PARA URNA: GRAÇA ROCHA (APONIÃ), N°
DE URNA: 23.111.
VEREADORES – GÊNERO MASCULINO:
1. FRANCISCO EDWILSON BESSA HOLANDA DE NEGREIROS, NOME DE URNA: EDVILSON
NEGREIROS, N° DE URNA: 45.140.
2. MARCIO AURELIO GONÇALVES FERREIRA FILHO, NOME DE URNA: MARCIO COIMBRA,
N° DE URNA: 45.111.
3. THIAGO DOS SANTOS TEZZARI, NOME DE URNA: THIAGO TEZZARI, N° DE URNA:
45.678.
4. FRANCISCO EVALDO DE LIMA, NOME DE URNA: EVALDO DA AGRICULTURA, N° DE
URNA: 45.222.
5. RANDRESON DA SILVA PINTO, NOME DE URNA: RANDO SILVA, N° DE URNA: 45.100.
6. NILTON DE SOUZA MELO, NOME DE URNA: NILTON SOUZA, N° DE URNA: 45.123.
7. ROBSON DAMASCENO SILVA JUNIOR, NOME DE URNA: ROBSON DAMASCENO, N° DE
URNA: 45.555.
8. CARLOS AUGUSTO FARIAS DAMACENO, NOME DE URNA: CARLOS DAMACENO, N° DE
URNA: 45.000.
9. WALDISON FREITAS NEVES, NOME DE URNA: VALTINHO CANUTO, N° DE URNA:
45.500.
10. JOSÉ ASSIS JUNIOR REGO CAVALCANTE, NOME DE URNA: JUNIOR CAVALCANTE, N°
DE URNA: 45.045.
11. JOBEL SILVA DE MORAIS, NOME DE URNA: JOBEL, N° DE URNA: 23.123.
12. CLAUDINALDO LEÃO DA ROCHA, NOME DE URNA: CLAUDIR ROCHA, N° DE URNA:
23.000.
13. FERNANDO COSTA DE OLIVEIRA, NOME DE URNA: FERNANDO OLIVEIRA, N° DE URNA:
23.456.
14. FRANCINEI OLIVEIRA DA SILVA, NOME DE URNA: FRANCINEI OLIVEIRA, N° DE URNA:
23.300.
15. JERONIMO JUNIOR BATISTA DE MELO, NOME DE URNA: JERONIMO JÚNIOR, N° DE
URNA: 23.023.

PSD: Prefeita Mariana Carvalho (União Brasil) 1) ARNALDO LOURENÇO – Nº 55.513 – NOME DE URNA: ARNALDO BUIU DA TV
2) DIMAS DE SOUZA CRAVEIRO – Nº 55.777 – NOME DE URNA: DIMAS CRAVEIRO
3) EVERALDO ALVES FOGAÇA – Nº 55.789 – NOME DE URNA: FOGAÇA DO SITE O OBSERVADOR
4) KAUÊ CRISTINAN DA COSTA RIBEIRO – Nº 55.000 – NOME DE URNA: KAUE RIBEIRO
5) LUIZ AUGUSTO OLIVEIRA DA SILVA – Nº 55.127 – NOME DE URNA: LUIZ PORTO
6) MAYKON FELICIANO DOS REIS – Nº 55.300 – NOME DE URNA: MAYKON FELICIANO
7) NAIDIO RAI GONÇALVES FERREIRA WAGNER – Nº 55.555 – NOME DE URNA: RAI FERREIRA
8) NATALINO GOMES DOS SANTOS GASPAR – Nº 55199 – NOME DE URNA: GASPAR
AÇOUGUEIRO
9) NILBERTO SILVA DE OLIVEIRA – Nº 55.222- NOME DE URNA: BETO OLIVEIRA
10) RAFAEL ALVES SILVA – Nº 55.444 – NOME DE URNA: Rafael do UBERRR
COMPARTILHADO
11) RONEUDO SOARES FERREIRA – Nº 55.123 – NOME DE URNA: ENFERMEIRO
RONEUDO
12) WANOEL CHAVES MARTINS – Nº 55.100 – NOME DE URNA: WANOEL MARTINS
13) PÉRICLES LUIS DOS SANTOS – Nº 55.525 – NOME DE URNA: SARGENTO PÉRICLES
VEREADORAS – GÊNERO FEMININO:
1) ALDESSANDRA DE ARAUJO DE SOUZA – Nº 55.666 – NOME DE URNA: SANDRA SOUZA
2) EVANEIDE MARCOLINA DAS NEVES FERNANDES DOS SANTOS – Nº 55.333 – NOME DE
URNA: EVANEIDE FERNANDES
3) ELIZANGELA MATIAS BRASIL – N° 55.888 – ELIZÂNGELA BRASIL
4) MARIA DA CONCEIÇÃO PRESTES VAZ – Nº 55.233 – NOME DE URNA: MARIA PRESTES
5) WANDERLEIA DE LIMA BENTES – Nº 55.122 – NOME DE URNA: WANDERLEIA BENTES DO  CONSIGNADO

PT/PCdoB/PV – Prefeito Célio Lopes (PDT)-JAMYLE VANESSA COSTA BRASIL 65084

2 – ELESSANDRA REIS BATISTA 65123

3 – VITORINO VALE JÚNIOR 65555

4 – ARMINDO DOS SANTOS TARGINO 65432

5 – FRANCISCO MARISSILVES PINTO DA SILVA 13113

6 – JOSÉ CLÁUDIO NOGUEIRA DE CARVALHO 13123

7 – MARIA DE DEUS ALVES CARNEIRO 13021

8 – EDMILSON ALMEIDA MARTINS 13567
EDMILSON DA ZONA SUL
9 – MARIA DE FÁTIMA FERREIRA DE OLIVEIRA
ROSALINO
13789  FATINHA
10 – FRANCIMAR SIMÃO DA SILVA DE CARVALHO 13456

FRANCIMAR SIMÃO

11 – GILVANA MARIA NOLETO BARROS DA SILVA 13333

GIOVANA BARROS

12 – ISRAEL TRINDADE LOURENÇO 13222
ISRAEL TRINDADE

13 – MARIA FRANCINEIA BENIGNO DOS SANTOS 13293

NÉIA SORRISO

14 – PEDRO HENRIQUE REGIS 13300 M
PEDRO DO KAMINARI

15 – RAIMUNDO SOARES DA COSTA 13444 TOCO DO STICCERO

16 – VALDIRENE APARECIDA DE OLIVEIRA 13013 VAO OLIVEIRA

17 – ROSILENE GONÇALVES SANTOS 43789 ROSE DO TAXI

18 – ALDENOR PASSOS DAS NEVES 43456 NEVES DO TRANSPORTE

19 – ISNAR JOANA ROCHA DOS SANTOS 43777 ISNAR ROCHA

20 – AIRES MOTA DE ALMEIDA 43123

AIRES MOTA

21 – JOÃO VÍTOR NUNES AZEVEDO 13133

JOÃO VÍTOR NUNES

PDT-Prefeito Célio Lopes (PDT)- 1 – ANA PAULA PEREIRA DA SILVA 12007
PAULINHA DO RESTAURANTE

2 – DOUGLAS DE SOUZA LIMA 12111

PROFESSOR DOUGLAS

 3 – EZEQUIEL SOARES DA SILVA 12100

EZEQUIEL SILVA DA AJERO

4 – JEFFERSON MAGALHÃES PEREIRA 12222

JEFERSON MAGALHÃES

5 – JOSÉ RAIMUNDO DINIZ ABREU 12112 Masculino

DINIZ DA ZONA SUL

6 – LEILA CANDIDO DOS REIS 12015

LEILA REIS

7 – LEILSON DA SILVA ALMEIDA 12321
LEILSON SILVA

8 – MARCOS ANTÔNIO COSTA DO NASCIMENTO 12888
MARCOS BALI

9 – MARKLIN DE OLIVEIRA CANTANHÊDE 12345 MARKLIN CANTANHÊDE

10 – MARLENE SOUZA MONTEIRO 12268
MARLENE MONTEIRO

11 – MAURA REGINA TORRÊS 12444
MAURA TORRÊS

12 – LION SILVA DOS SANTOS 12900
LION SILVA

13 – PATRICIA OLIVEIRA DA SILVA QUEIROZ 12030
PATRICIA QUEIROZ

14 – RAIMUNDA DE ALMEIDA MIRANDA 12456
RAI DO SOPÃO

15 – ROBERTO FERRAZ MARCIANO 12001
ROBERTO FERRAZ MOTOBOY

16 – ROMILSON DE OLIVEIRA DA SILVA 12555
ROMEUZINHO DA COMUNIDADE

17 – ROSIMAR FRANCELINO MACIEL 12822
ROSIMAR FRANCELINO

18 – TIAGO CARNEIRO GOMES DOS SANTOS 12999
TIAGO CARNEIRO

19 – VALDECI BATISTA RIBEIRO DE OLIVEIRA 12000
BATISTA DE OLIVEIRA

20 – VIVIANE SIMÃO DO NASCIMENTO MACHADO 12500
VIVIANE NASCISMENTO

21 – WALKDNEIRES CONCEIÇÃO OLIVEIRA DA SILVA 12774
WALKÊ SILVA

22 – WILDERVAN FRANKLIN DE SOUZA LIMA 12123

PROFESSOR WILL

23 – JONAS MINELE FIRMIANO SOARES 12012
JONAS MINELE

24 – LUCIMAR DA SILVA OLIVEIRA 12777
PASTOR LUCIMAR

Podemos: Convenção dia 3 de agosto

Novo: Convenção dia 3 de agosto

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  rk@maisro.com.br

O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidaddo colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

Acesse também: Patrulha Verde 

A Democracia

PM do Reino de Deus: policiais de SP voltam a se reunir na Igreja Universal

No oficio de convocação, a comandante do batalhão, major Alessandra Paula Tonolli, não especificou o objetivo do encontro nem justificou a escolha da igreja como local para a reunião

Por Zé Barbosa Junior

Centenas de policiais militares se reuniram novamente em uma unidade da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo, para uma reunião interna da corporação na manhã desta quinta-feira (1), conforme informação do site Metrópoles. A participação é obrigatória para todos os PMs do 11º Batalhão Metropolitano, que está situado na região central da capital.

No comunicado de convocação, a comandante do batalhão, major Alessandra Paula Tonolli, não especificou o objetivo do encontro nem justificou a escolha da igreja como local para a reunião.

Os policiais de folga e aqueles que acabaram de concluir seus turnos também são obrigados a comparecer, sem garantia de compensação pelo tempo extra fora da escala regular de trabalho. Os PMs devem comparecer uniformizados e assinar uma lista de presença. A única exceção é para aqueles que estão em afastamento regulamentar, como férias ou dispensa de serviço.

Durante o evento, cada uma das quatro companhias do 11º BPM deve manter pelo menos três patrulhas em sua área, conforme as diretrizes estabelecidas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP).

A reunião desta quinta-feira ocorre na unidade da Igreja Universal localizada na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no bairro Bela Vista. Em junho, policiais do 8º e do 21º Batalhões Metropolitanos participaram de uma reunião em outra unidade da igreja, situada no Brás.

O encontro de junho teve duração de aproximadamente três horas e incluiu palestras sobre cuidados com uniforme, direção de viaturas e saúde mental. Policiais presentes consideraram as informações genéricas, que poderiam ter sido transmitidas por meio de mensagens de WhatsApp. Além das comunicações gerais, houve relatos de “testemunho” e uma “pregação” do Pastor Roni Negreiros.

Nesta reunião, o coronel João Alves Cangerana Junior, comandante do Comando de Policiamento de Área, afirmou que o encontro trataria exclusivamente de questões de trabalho. Contudo, durante o evento, o próprio coronel destacou a importância de os policiais terem uma religião e “honrarem os templos”.

Reclamação e processo administrativo

O policial militar Marco Aurélio Bellorio, de 43 anos, entrou com uma ação judicial alegando ter sido obrigado a participar de reuniões da corporação realizadas em um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Católico, o policial argumentou que a obrigatoriedade violava sua liberdade de crença e configurava abuso de poder. Ele afirmou que, por não ter comparecido a uma dessas reuniões, passou a ser alvo de um procedimento administrativo.

Durante uma solenidade de entrega de medalhas a policiais que se destacaram em suas funções, foi oferecida “assistência espiritual e valorativa aos policiais”, conforme noticiado, citando uma publicação da igreja no Instagram. Isso indica que as reuniões da PM na Universal continuaram a ocorrer sob o governo de Tarcísio de Freitas.

A Justiça paulista rejeitou a ação de Bellorio em primeira instância, argumentando que não havia provas de que a administração o obrigou a participar de cultos religiosos.

Fonte: Revista Fórum

Lula comemora ouro de Bia Souza no judô e destaca importância do Bolsa Atleta

Programa completa 20 anos (-4 de Bolsonaro) em 2024 e já empenhou cerca de R$1,7 bilhão em bolsas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou nesta sexta-feira (2) a conquista do ouro pela judoca brasileira Bia Souza nos Jogos Olímpicos de Paris, a primeira medalha dourada do país nesta edição. A fala de Lula ocorreu durante uma agenda no Ceará para a sanção de um fundo voltado para obras de infraestrutura social e a política nacional de hidrogênio de baixa emissão de carbono, além da expansão do programa Pé-de-meia.

Lula aproveitou a oportunidade para exaltar o programa Bolsa Atleta, iniciativa do governo federal criada em 2004 e que já empenhou cerca de R$1,7 bilhão em bolsas, se tornando a principal política pública de apoio ao esporte no Brasil. “Eu recebi um recado aqui: a nossa companheira Beatriz Souza, no judô, acaba de ganhar a primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas. É importante lembrar que 80% dos atletas que estão em Paris recebem uma coisa chamada Bolsa Atleta, que nós criamos em 2004”, disse.

O presidente também explicou o funcionamento do Bolsa Atleta e a sua importância para o esporte nacional. “Você tem várias faixas salariais, mas todo mundo ganha. Uns ganham R$ 10 mil, outros ganham R$ 15 mil, outros ganham R$ 3 mil, outros ganham R$ 4 mil. E por que a gente fez isso? Porque quando o atleta fica famoso ele tem patrocínio, aí os bancos vão atrás dele, os empresários vão atrás. Mas enquanto ele não é famoso, às vezes ele não tem um tênis para andar, não tem um lugar para uma menina jogar bola, saltar, dançar. Não é bonito a gente ver aquilo na televisão? Por que a gente não garante que as nossas crianças nascidas nos lugares mais pobres tenham direito de chegar ali? Por que a gente não garante? É só a gente direcionar o dinheiro público para isso”, afirmou.

Brasil 247

Judoca Beatriz Souza derrota israelense e garante primeiro ouro do Brasil

Em uma emocionante final dos pesos pesados, a judoca brasileira Beatriz Souza venceu a israelense Raz Hershko, número 2 do ranking mundial, por waza-ari, conquistando o primeiro ouro do Brasil nas Olimpíadas de Paris 2024. Com essa vitória, o Brasil soma agora um ouro, três pratas e três bronzes nesta edição dos Jogos Olímpicos.

Após a luta, a brasileira celebrou: “eu abdiquei de tanta coisa para chegar até aqui, abri mão de tanta coisa, é uma vida por um dia”. “É inexplicável. É uma das melhores coisas do mundo. Eu consegui. Deu certo, mãe. Eu consegui. Eu consegui. Foi pela avó. É para a avó, mãe. Eu amo vocês mais do que tudo. Eu amo vocês. Obrigada”, acrescentou.

Beatriz Souza já tinha um retrospecto positivo contra a adversária: em quatro confrontos anteriores, a brasileira havia vencido todos, informa o ge. No tatame, ela demonstrou a razão de seu domínio sobre Hershko. Controlando o combate desde o início, a brasileira focou em segurar a manga direita da adversária e utilizou uma pegada alta nas costas, neutralizando as tentativas de ataque da israelense. A tática deu resultado rapidamente: com apenas 44 segundos de luta, Beatriz aplicou um o-soto-guruma, derrubando Hershko de lado e garantindo o waza-ari que lhe daria a vitória.

Após conquistar a vantagem, Souza manteve o controle da luta, defendendo-se eficazmente e administrando o combate até o final. Mesmo recebendo dois shidôs, a brasileira não deixou a adversária encontrar brechas, assegurando o título olímpico em sua estreia nos Jogos.

A medalha de ouro de Beatriz Souza é a terceira conquista do judô brasileiro em Paris, somando-se à prata de Willian Lima e ao bronze de Larissa Pimenta. Com isso, o Brasil chega a 27 medalhas na história da modalidade.

Irã e aliados regionais planejam retaliação contra Israel após assassinato de líder do Hamas em Teerã

Ismail Haniyeh (Foto: Reuters/Mohammed Salem)

Reunião com representantes do Irã, Líbano, Iraque e Iêmen nesta quinta-feira visa discutir uma possível retaliação pela morte de Ismail Haniyeh

Autoridades iranianas irão se reunir com representantes de aliados regionais do Líbano, Iraque e Iêmen nesta quinta-feira (1) para discutir uma possível retaliação contra Israel. A reunião ocorre após o assassinato de Ismail Haniyeh, líder do Hamas, em Teerã, na quarta-feira (31), e depois da morte de um comandante sênior do Hezbollah em um ataque israelense nos arredores de Beirute na terça-feira (30).

Representantes do Hamas, Jihad Islâmica, movimento Houthi do Iêmen, Hezbollah libanês e grupos de resistência iraquianos participarão da reunião em Teerã, diz a CNN citando a agência de notícias Reuters. “O Irã e os membros da resistência realizarão uma avaliação minuciosa após a reunião em Teerã para encontrar a melhor e mais eficaz maneira de retaliar o regime sionista (Israel)”, afirmou uma autoridade iraniana sênior sobre o encontro.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e membros da alta cúpula da Guarda Revolucionária também estarão presentes. O general Mohammad Baqeri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, declarou à TV estatal que “o regime sionista (Israel), sem dúvida, se arrependerá”.

Tanto o Irã quanto o Hamas acusaram Israel de realizar o ataque que matou Haniyeh horas após sua participação na posse do novo presidente do Irã. Embora as autoridades israelenses não tenham reivindicado responsabilidade, o ataque gerou ameaças de vingança e aumentou as preocupações de um conflito mais amplo no Oriente Médio.

O chefe da Força Aérea israelense, Tomer Bar, afirmou que Israel está preparado para agir contra qualquer ameaça. “Centenas de soldados de defesa aérea, juntamente com o pessoal de controle aéreo, estão posicionados em todo o país com os melhores sistemas, prontos para cumprir sua missão”, disse Bar durante uma cerimônia de graduação militar.

Brasil 247

A longa marcha da OTAN para o Leste

Por GILBERTO LOPES*

Para Bill Clinton e sua secretária de estado, a expansão da OTAN para o leste não representava uma ameaça para a Rússia

“A expansão da OTAN seria um erro fatal”, afirmou o contra-almirante da marinha dos Estados Unidos, Eugene James Carroll Jr., num artigo publicado no Los Angeles Times de 7 de julho de 1997.

Defensor do desarmamento nuclear após sua aposentadoria, o contra-almirante interveio no debate sobre a ampliação da OTAN para o leste, que a então secretária de estado Madeleine Albright, da administração Clinton (1993-2001), defendeu com entusiasmo. “Minha visão de uma OTAN nova e melhor pode ser resumida numa frase”, diria a secretária: “queremos uma Aliança reforçada por novos membros; capaz de se defender coletivamente; comprometida em enfrentar uma ampla gama de ameaças aos nossos interesses e valores compartilhados”. “Sei que há quem sugira que falar de interesses comuns euroatlânticos, para além da defesa coletiva, afasta de alguma forma a intenção original do Tratado do Atlântico Norte. Já disse antes e volto a repetir: isso é uma bobagem!”.

Nascida em Praga, Madeleine Albright morreu em março de 2022, tendo publicado vários livros. Num deles, sobre o fascismo – Fascism, a warning –, publicado em 2018, demonstra mais uma vez seu gosto pelo resumo, pela capacidade de definir seus objetivos em uma frase. “Para mim”, diria Madeleine Albright em seu livro, “um fascista é alguém que se identifica totalmente com toda a nação ou com um grupo em nome do qual afirma falar. Desconsidera os direitos dos outros e é capaz de utilizar todos os meios necessários, incluindo a violência, para atingir seus objetivos”.

Mais adiante, no mesmo livro, refere-se aos objetivos da política externa, cuja pasta chefiou de 1997 a 2001, durante a administração de Bill Clinton. “Digo aos meus alunos que o objetivo fundamental da política externa é muito simples: convencer os demais países a fazer o que queremos que eles façam. Para isso, temos diversos instrumentos à nossa disposição, desde uma exigência educada até o envio de fuzileiros navais”.

Entusiasmada com a perspectiva de incorporar à OTAN os três primeiros países da Europa Oriental – República Tcheca, Hungria e Polônia –, Madeleine Albright, num discurso em Bruxelas em 8 de dezembro de 1998, falou da importância desses novos membros juntarem-se ao debate então em curso sobre “as iniciativas essenciais para preparar a Aliança para o século XXI”. Era a primeira ampliação da OTAN para o leste após a Guerra Fria. Em 2004, mais seis países se juntariam.

Embora as estimativas variem, o Pentágono calculava então que a ampliação da OTAN poderia custar entre 27 e 35 bilhões de dólares nos dez anos seguintes, dos quais Washington deveria assumir cerca de 200 milhões por ano. Um número ridículo (mesmo se atualizado para o valor atual do dólar) se comparado com os mais de 175 bilhões de dólares já destinados à Ucrânia desde 2022. Para não falar de montantes semelhantes concedidos por países europeus, que, somados, superam amplamente os 223,7 bilhões de dólares destinados no ano passado à Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD).

Não era uma ameaça

Para Bill Clinton e sua secretária de estado, a expansão da OTAN para o leste não representava uma ameaça para a Rússia. Era a véspera da cúpula de Washington, em abril de 1999, na qual a organização celebraria seus 50 anos, em meio à operação militar no Kosovo (uma operação polêmica realizada sem autorização do Conselho de Segurança da ONU), e na qual seria discutido seu novo conceito estratégico e a adoção do plano de adesão dos novos parceiros, ex-aliados da União Soviética e membros do Pacto de Varsóvia.

Na Rússia, Boris Yeltsin terminava seu período à frente do governo (iniciado em 1991), após uma reforma política e econômica caótica, uma privatização de empresas públicas que despertou o apetite do Ocidente, interessado nos vastos recursos do país. Em 31 de dezembro de 1999, entregou o poder ao primeiro-ministro Vladimir Putin, que assumiu a presidência interinamente antes de ser eleito para o cargo três meses depois. Durante sua década de governo, o PIB da Rússia diminuiu quase à metade.

A OTAN ainda tinha esperança de poder convencer a Rússia “a fazer o que nós queremos que façam”. Madeleine Albright falou longamente sobre as implicações para a Rússia das propostas de ampliação da OTAN (seu discurso pode ser visto aqui). Em seu testemunho perante a Comissão dos Serviços Armados do Senado em 23 de abril de 1997, lembrou os senadores que era diplomata e que “o melhor amigo de um diplomata é uma força militar efetiva e uma capacidade crível de utilizá-la”. “Deixem-me explicar o objetivo fundamental de nossa política”, dizia ela aos senadores, “é construir, pela primeira vez, uma comunidade transatlântica pacífica, democrática e não dividida”.

O que, em sua opinião, lhes daria maior segurança de que não seriam chamados, outra vez, a combater em solo europeu. Já naquele momento destacava a importância de fortalecer a cooperação com a Ucrânia, promover uma reforma militar neste país e melhorar a interoperabilidade com a OTAN.

“A OTAN é a âncora de nosso compromisso com a Europa. “É prometendo lutar, caso seja necessário, que tornaremos menos necessário lutar”. Um argumento que não leva em consideração que, hoje em dia, essa luta seria com armas nucleares (pensavam então que podiam ganhá-la). Sequer, como veremos, levou em consideração os muitos avisos de que os resultados dessa ampliação poderiam ser contrários aos que Madeleine Albright prometia.

Insistiu que essas medidas não deveriam ser evitadas apenas por causa da oposição russa. “Os piores elementos da Rússia poderiam sentir-se fortalecidos, convencidos de que a Europa poderia ser dividida em novas esferas de influência e de que essa confrontação com o Ocidente valeria a pena”. Em sua opinião, não podiam esperar que a Rússia se manifestasse a favor da democracia e dos mercados para construir “uma Europa unida e livre”. Também não pretendia fazer a Rússia aceitar tal ampliação da OTAN para o Leste.

Um erro de proporções históricas

Madeleine Albrigth discursou no Senado em 23 de abril de 1997. Dois meses depois, em 26 de junho, um grupo de 50 importantes políticos e acadêmicos norte-americanos expressou uma opinião diferente numa carta aberta ao presidente Bill Clinton.

O contra-almirante Carroll Jr. lembrou em seu artigo do que o general Dwight D. Eisenhower, o primeiro comandante supremo aliado da OTAN, disse pouco depois de tomar posse em fevereiro de 1951: “se todas as tropas norte-americanas estacionadas na Europa para fins de defesa nacional não regressarem aos Estados Unidos dentro de dez anos, então todo este projeto terá fracassado”.

O contra-almirante questiona o que Dwight D. Eisenhower pensaria sobre os planos para expandir a OTAN e sobre a permanência dos EUA na Europa. Cita uma iniciativa de Susan Eisenhower, neta do general e especialista em segurança, que “reuniu um grupo impressionante de 50 líderes militares, políticos e acadêmicos” (incluindo Paul Nitze, Sam Nunn e Robert McNamara) para assinar uma carta aberta ao presidente Clinton, chamando o plano de ampliação da OTAN de “um erro político de proporções históricas”. (A carta pode ser consultada aqui).

Na Rússia, diz a carta, “a expansão fortalecerá a oposição não democrática, reduzirá o número dos que são a favor de reformas e da cooperação com o Ocidente e levará os russos a questionarem todos os acordos pós-Guerra Fria”. Na Europa, acrescentam, a expansão fixará uma nova linha entre os que estão “dentro” e os que estão “fora”, fomentará a instabilidade e diminuirá a sensação de segurança dos que não estão incluídos e, em última análise, envolverá os Estados Unidos na segurança de países com graves problemas de fronteiras e de minorias nacionais.

Os signatários da carta propunham outras coisas. Entre elas, a cooperação entre a OTAN e a Rússia, política, econômica e militarmente. Naturalmente, não foram ouvidos. Farah Stockman, membro do Conselho Editorial do New York Times, publicou um artigo em 7 de julho sugerindo algumas mudanças na OTAN. Referia-se a um crescente mal-estar que sentia na Europa, onde vários países estavam ficando desconfortáveis com a dependência da organização em relação aos recursos e interesses de Washington. Citou o caso dos presidentes da Finlândia e da França, que pediam uma OTAN “mais europeia” e perguntou-se por que essa dependência persistia.

Uma das razões era estrutural, histórica. A OTAN foi criada quando a Europa saía de uma guerra devastadora, que criou enormes hostilidades entre os países europeus. “Alguém tinha que juntar os gatos”, diz Farah Stockman. Mas há outras razões. Stockman cita os lucros do complexo militar-industrial norte-americano que, no período de 2022-23, forneceu 63% do equipamento militar dos países da União Europeia. Esta dependência é acompanhada por uma dependência política importante, à qual Washington não pretende renunciar.

Um diplomata notável

O contra-almirante Carroll Jr. lembra de outro personagem notável da diplomacia norte-americana, George Kennan, embaixador na União Soviética durante alguns meses, em 1952, durante o governo de Stalin, e na Iugoslávia de Tito, durante a administração Kennedy, além de outros cargos no Departamento de Estado e de uma carreira acadêmica destacada.

Para George Kennan, a ampliação da OTAN seria também “o erro mais desastroso da política estadunidense na era pós-Guerra Fria. É de esperar que tal decisão… leve a política externa russa a direções que decididamente não serão de nosso agrado”.

Um diário de quase 700 páginas, publicado por Frank Costigliola em 2014, registrou, ano após ano, de 1916 a 2004, os mais diversos comentários deste personagem extraordinário – que nasceu em fevereiro de 1904 e morreu aos 101 anos, em março de 2005 – sobre a política norte-americana, as relações internacionais, as relações familiares e seus estados de espírito.

Figura-chave na política de contenção da União Soviética no início da Guerra Fria, na concepção e implantação do Plano Marshall para a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, conselheiro informal de Henry Kissinger quando este foi nomeado secretário de estado na administração de Richard Nixon, interlocutor dos mais variados líderes internacionais de seu tempo, considero o diário de George Kennan uma leitura fascinante.

Esta tarde – diria, em junho de 1960 – sentei-me com Willy Brandt e sua mulher norueguesa e outras pessoas num restaurante em Berlim. Conversamos longamente… No mês seguinte, em julho, a convite do presidente Tito da Iugoslávia, passaram uma hora conversando. Ele estava interessado em Cuba, diz George Kennan. Alguns anos depois, o presidente Kennedy ofereceu-lhe a embaixada dos Estados Unidos em Belgrado, que assumiria também por um curto período.

São famosos na história diplomática o “Long telegram” enviado por George Kennan de Moscou para o secretário de estado em fevereiro de 1946 e o artigo “The sources of Soviet conduct”, publicado na revista Foreign Affairs em julho de 1947, assinado por “X”. Neles analisava a conduta soviética, suas raízes e sua importância no cenário internacional, e sugeria uma linha de contenção que deu origem à Guerra Fria.

A lua de mel acabou

Mas isso não foi tudo. Afastado do Departamento de Estado, suas recomendações posteriores, que evoluíram para posições um pouco diferentes das iniciais, foram muitas vezes ignoradas, e algumas dessas ideias estão reunidas em seu diário. “Quando eu falava, em 1947, por exemplo, contra as políticas pró-soviéticas dos anos da guerra, havia grandes aplausos e tudo estava bem. Quando eu dizia que devíamos permanecer fortes diante do poder soviético, todos estavam de acordo”, afirma George Kennan.

Mas, de repente, acrescenta, a lua de mel acabou: “quando me atrevi a sugerir que talvez estruturar nossa força ao redor da bomba de hidrogênio não era a melhor ideia, houve apenas perplexidade. Quando expressei ceticismo sobre a intenção dos russos de nos atacarem e sugeri que pensássemos em nossa força militar não tanto para dissuadir um ataque russo como elemento central de nossa política, mas antes como um elemento discreto, para uma política orientada para uma solução pacífica, houve uma grande e duradoura incredulidade”.

George Kennan tinha então 56 anos. Estávamos em 1960. A administração Eisenhower não lhe tinha oferecido nenhum cargo diplomático. Kennedy já estava em campanha e George Kennan regressou de Berlim e Belgrado para preparar uma carta de oito páginas, com seus pontos de vista sobre a política externa norte-americana, para lhe ser enviada. Fala das relações com a URSS e com a OTAN. “Quando sugeri”, diz ele no diário, “que algumas das coisas que os russos faziam era uma reação ao que nós estávamos fazendo, as pessoas pensaram que eu estava louco. E quando, finalmente, sugeri que poderíamos estar interessados em negociar um acordo entre as grandes potências para uma retirada conjunta tanto da Europa como do Extremo Oriente, houve uma indignação geral”.

George Kennan já não estava otimista quanto ao rumo da política externa norte-americana. “Em nenhum momento nos últimos dez anos a política externa dos Estados Unidos se assemelhou ao que eu pensava que deveria ser e em nenhum momento se baseou numa interpretação da natureza do poder soviético semelhante à minha”, afirma. “Agora estamos enveredando por caminhos que me parecem equivocados, que nos conduzirão a maus resultados, e fomos tão longe nesses caminhos que sou obrigado a reconhecer que minhas antigas opiniões perderam completamente sua relevância”.

Considerava ser muito tarde para falar em retirar os russos da Europa de Leste, uma questão particularmente sensível nos anos da Guerra Fria. “Eles estão ali para ficar, e não vejo hipocrisia maior dos políticos ocidentais do que a afirmação piedosa de que queriam outra coisa”.

Falou também das negociações sobre o desarmamento. “A corrida aos armamentos nucleares, a cuja promoção nossa política parece ter sido dedicada com singular intensidade nos últimos quinze anos, agora avança com tal ímpeto que não há a menor possibilidade de pará-la; e aqueles que outrora temeram que fossem colocados obstáculos de qualquer tipo à proliferação de armas nucleares nas mãos de um número x de governos, podem agora ficar tranquilos. Não haverá tais obstáculos; quem as quiser poderá obtê-las”.
Em 1975, o primeiro-ministro polonês Adam Rapacki tinha proposto a criação de uma zona livre de armas nucleares na Europa Central, o que estava em sintonia com a proposta de retirada conjunta de George Kennan. Mas, acrescenta, “os esforços dos poloneses para promover uma discussão sobre a proibição de armas atômicas na Europa Central foram rejeitados com sucesso”.

Atualmente, a Polônia, juntamente com os países bálticos, está entre as nações mais comprometidas no apoio à Ucrânia, tendo sugerido, entre outras coisas, a possibilidade de derrubar mísseis russos sobre o território ucraniano.

George Kennan lamentava, nas suas memórias, que tinha insistido, durante todos estes anos, “que, se agirmos como se pensássemos que a guerra é inevitável, podemos contribuir para que assim seja. Se tratarmos os líderes soviéticos como se não tivessem outra intenção que não fosse declarar-nos guerra, eventualmente isso poderia tornar-se realidade. Se agimos como se o perigo militar fosse o mais importante, poderíamos acabar tornando isso verdadeiro”.

O incidente do avião espião U-2, que os Estados Unidos tinham enviado para se assegurarem de que a URSS não preparava um ataque surpresa contra eles (e que os soviéticos abateram, sobre seu território, em 1 de maio de 1960), foi o resultado da visão dos governos ocidentais, que priorizavam o ponto de vista militar em suas relações com a União Soviética. E, naturalmente, atuavam de acordo com isso. Uma política que George Kennan considerava totalmente desnecessária, equivocada. Ironicamente, concluía que era “mais fácil identificar a personalidade soviética com a conhecida personalidade de Hitler, cujas intenções eram tão ambiciosas e agressivas que só podíamos esperar que ele tentasse o pior, do que tentar compreender o que um tipo como Kennan tem a dizer sobre a Rússia”.

Hoje, a porta-voz do bloco militar, Farah Dakhlallah, exibe, como um ponto forte, o fato de que a OTAN tenha mais de 500 mil soldados em estado de alerta máximo para o que considera ser a ameaça de um conflito direto com a Rússia. Como a OTAN entende esse “conflito direto” com a Rússia? Faz algum sentido uma política orientada não para evitá-lo, mas para travar uma guerra como essa?

Como afirmou o contra-almirante Carroll Jr., a expansão da OTAN para o leste é uma tentativa de prolongar as divisões da Guerra Fria e de reforçar a aliança contra a expectativa de que a Rússia procure impor sua hegemonia na Europa Oriental. Algo que, em todo o caso, parece, política ou militarmente, fora de questão no cenário atual e tem sido repetidamente rejeitado por Moscou.

O contra-almirante conclui que, naquele momento (em 1997), podia parecer seguro tratar a Rússia como um inimigo quando esta não podia impedir a expansão da OTAN. Mas, avisou, havia o perigo, a longo prazo, de que “uma coalizão antiocidental de linha dura” se fortalecesse em Moscou, provocando reações contra a OTAN no futuro. Uma realidade que acabou por explodir, interrompendo-se essa longa marcha da OTAN para o leste, um movimento sobre o qual – segundo Albright – a Rússia não tinha direito de veto.

*Gilberto Lopes é jornalista, doutor em Estudos da Sociedade e da Cultura pela Universidad de Costa Rica (UCR). Autor, entre outros livros, de Crisis política del mundo moderno (Uruk).

Tradução: Fernando Lima das Neves.

Eleição na Venezuela – como resolver o impasse?

Por LISZT VIEIRA*

Na Venezuela, embora reprimida, a oposição de direita é tolerada e concorre à eleição presidencial, mas eu não botaria a mão no fogo por um ou outro: tudo tem que ser provado

1.

Como era esperado, tanto o governo como a oposição ganhou a eleição na Venezuela. Nenhum dos lados aceitaria a derrota, já se sabia antes. Pelo resultado oficial, o atual presidente Maduro ganhou com 51% dos votos. Isso é perfeitamente possível, assim como o contrário também seria possível. Como todo candidato perdedor diz que venceu e que houve fraude, isso tem de ser provado. Vide os exemplos de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil.

A Venezuela é um regime militar com fachada civil. Eu chamo de democracia autoritária. Não chamo de ditadura porque nunca ficou provado que houve fraude em eleição presidencial. E existe oposição. Mas há denúncias de tortura, censura e perseguição política.

Na Venezuela existe oposição de direita, reprimida, mas continua existindo. A líder da oposição, Maria Corina Machado, é de extrema direita. Sua candidatura foi barrada, mas ela não foi presa sem provas, como ocorreu com Lula na democracia brasileira. Segundo li, ela assinou a Carta de Madri, que reuniu fascistas da Europa e América Latina.

Ela é da turma de Jair Bolsonaro e Javier Milei. A presença dela na política venezuelana seria comparável a imaginar Marighela candidato da oposição a presidente durante a ditadura militar. Na ditadura brasileira, a esquerda não era tolerada, pra dizer o mínimo. Na Venezuela, embora reprimida, a oposição de direita é tolerada e concorre à eleição presidencial.

O curioso é que a Venezuela é considerada de esquerda porque os militares não quiseram entregar o petróleo às empresas americanas. Mas a política econômica é neoliberal, existe uma enorme desigualdade social e, para sobreviver, cerca de 20% da população emigrou para outros países.

Nas eleições parlamentares de 2015, a oposição venceu com 7,7 milhões de votos, enquanto os governistas tiveram 5,6 milhões. Os resultados foram reconhecidos e ninguém falou em fraude. Como os exilados em outros países, em grande número, não puderam votar, isso favoreceu o candidato Nicolás Maduro. Não sei se houve fraude, mas isso tem de ser provado. Eu não botaria a mão no fogo, seja em favor do governo ou da oposição. As alegações de violação de direitos humanos, como tortura, também precisam ser provadas.

2.

O assessor internacional do Presidente Lula, o embaixador Celso Amorim, pressionou o presidente Nicolás Maduro a divulgar as atas eleitorais. O Brasil ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Nicolás Maduro na eleição presidencial. Enquanto isso, foi anunciado que a Venezuela decidiu expulsar diplomatas de países que contestaram a vitória de Nicolás Maduro e vai retirar o pessoal diplomático da Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Mas há também uma questão geopolítica. O governo da Venezuela foi sancionado pelo governo americano, pelo Tesouro e Departamento de Estado. E sofre um cerco dos EUA. É verdade que, depois de 11 anos no poder, Nicolás Maduro enfrenta um desgaste, mais por “fadiga de material” devido ao fracasso econômico do que por motivos ideológicos. Como ocorre em toda parte, a maioria do eleitorado não vota por razões ideológicas. Ao vencer, se é que venceu mesmo, Nicolás Maduro mostra que, com todo o barulho da oposição na mídia, o governo tem maioria.

Sinceramente, talvez nunca fique esclarecido se houve ou não fraude. Mas existe uma maneira de resolver isso definitivamente. Se por acaso os militares venezuelanos decidirem fazer acordos com empresas americanas de petróleo, a Venezuela passaria imediatamente a ser um exemplo de democracia e nunca mais ninguém iria questionar o resultado da eleição. Vide o caso da Arábia Saudita, a ditadura mais sanguinária do mundo e tratada como democracia pela mídia em geral.

Assim, voltaríamos a ter na Venezuela a “pax americana” e ficaria tudo resolvido. Amém!

*Liszt Vieira é professor de sociologia aposentado da PUC-Rio. Foi deputado (PT-RJ) e coordenador do Fórum Global da Conferência Rio 92. Autor, entre outros livros, de A democracia reage (Garamond). [https://amzn.to/3sQ7Qn3]

Líder supremo do Irã ordena ataque direto contra Israel, diz New York Times

Ofensiva seria retaliação à morte do líder político do Hamas; Israel não assumiu autoria do assassinato

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou um ataque direto contra Israel como retaliação ao assassinato do líder político do Hamas em Teerã, segundo informou o New York Times.

O Irã e o Hamas acusaram Israel, que não assumiu autoria da ofensiva que matou Ismail Haniyeh.

A ordem foi emitida em uma reunião de emergência do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã nesta quarta-feira (31), de acordo com três autoridades iranianas ouvidas pelo NYT.

Efeito Lula: desemprego cai para 6,9% e Brasil se aproxima do pleno emprego

Geração de empregos levou Brasil ao mesmo patamar de 10 anos atrás, no governo Dilma Rousseff. Renda cresceu 5,8% no ano, segundo o IBGE

Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) divulgados nesta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o governo Lula derrubou a taxa de desemprego, que chegou a 6,9% no trimestre encerrado em junho de 2024.

O recuo de 1 ponto percentual ante ao três meses anteriores levou o país à menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em junho desde 2014, quando o índice estava nos mesmos 6,9%, no governo Dilma Rousseff (PT).

Com o resultado, o governo coloca o Brasil novamente no caminho do chamado “pleno emprego”. Em 2010, o presidente deixou o Planalto, encerrando seu segundo mandato com uma taxa de desemprego de 5,7%, registrada no mês de novembro.

Em entrevista ao portal R7, Pedro Afonso Gomes, economista e presidente do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo), afirma que no Brasil pode ser considerado “pleno emprego” a permanência da taxa abaixo dos 7% por um ano.

“Alguns economistas colocam 3,5% como o percentual ideal de desempregados para que a economia funcione normalmente. Outros dizem 5,5%. […] Se a economia funciona de maneira mais dinâmica, admite-se um desemprego maior, de até 7%, como no caso brasileiro”, disse.

Aumento da renda e geração de empregos

O rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.214) cresceu em ambas as comparações: 1,8% no trimestre e 5,8% no ano.

Fonte: PNAD Contínua / IBGE

Segundo dados do IBGE, a população empregada no país chegou a 101,8 milhões de brasileiros, um novo recorde da série histórica, iniciada em 2012, crescendo em ambas as comparações: 1,6% (mais 1,6 milhão de pessoas) no trimestre e 3,0% (mais 2,9 milhões de pessoas) no ano.

Já o número de desempregados é o menor desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2015. Atualmente, 7,5 milhões de pessoas buscam emprego, um recuo de 12,5% (menos 1,1 milhão de pessoas) no trimestre e de 12,8% (menos 1,1 milhão de pessoas) no ano.

O número de empregados com carteira de trabalho no setor privado (excluindo trabalhadores domésticos) chegou a 38,380 milhões, novo recorde da série histórica da PNAD Contínua, iniciada 2012. Houve alta de 1,0% (mais 397 mil pessoas) no trimestre e de 4,4% (mais 1,6 milhão de pessoas) no ano.

O número de empregados sem carteira no setor privado (13,797 milhões) também foi novo recorde da série histórica, com altas de 3,1% (mais 410 mil pessoas) no trimestre e de 5,2% (mais 688 mil pessoas) no ano.

Revista Forum

Gabriel Medina brilha em Teahupoo e chega às quartas de final no surfe

Tricampeão mundial e João Chianca protagonizarão confronto brasileiro

 

O Brasil já tem presença confirmada na semifinal do torneio masculino de surfe dos Jogos Olímpicos de Paris, isso porque Gabriel Medina e João Chianca brilharam nesta segunda-feira (29) nas ondas de Teahupoo, no Taiti, para se garantirem nas quartas de final da competição, etapa na qual protagonizarão um confronto brasileiro.

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O grande protagonista das oitavas de final foi o tricampeão mundial Gabriel Medina, que bateu o japonês Kanoa Igarashi, algoz do brasileiro na última edição dos Jogos Olímpicos (que foram realizados no Japão) por 17,40 a 7,04. Para ficar com a vitória, o surfista de São Sebastião mostrou parte de seu repertório de grandes manobras, incluindo um tubo que lhe garantiu uma nota 9,90.

“É um sonho disputar as Olimpíadas nessas condições. Nunca imaginei que estaríamos mostrando para o mundo esse tipo de surfe, pois não é sempre que encontramos condições como essas. Vivo um sonho hoje. Estou feliz em ter a oportunidade de representar o meu país”, disse Medina.

O outro brasileiro avançar na competição foi João Chianca, que superou o marroquino Ramzi Boukhiam por 18,10 a 17,80 em uma bateria muito disputada. Desta forma Chumbinho e Medina farão um confronto brasileiro em busca de uma vaga nas semifinais do torneio olímpico.

“Acredito que o melhor surfista [entre eu e Medina] vai vencer e fico na torcida para a gente honrar esta bandeira [brasileira]”, declarou Chianca.

Quem deu adeus à competição foi o atual campeão mundial Filipe Toledo, que foi derrotado pelo japonês Reo Inaba por 2,46 a 6,00.

100 anos da Oposição de esquerda

Por OSVALDO COGGIOLA*

A IV Internacional adotou como objetivo continuar a luta da III Internacional pela derrubada do capitalismo mundial através da revolução proletária

A Oposição de Esquerda do PCUS, foi criada em finais de 1923 contra a política seguida pelo secretário-geral, Stálin, e sua fração clandestina. A Oposição lutou tanto no plano da política interna (pelo direito de tendência e a revitalização dos sovietes, por um plano de industrialização, que fortalecesse a base social da ditadura proletária) como no da política internacional (contra a teoria do “socialismo num país só”, por uma orientação revolucionária para a Internacional Comunista, incluindo a frente única operária contra o nazismo).

Seu destino é conhecido; a quase totalidade dos seus membros, entre os quais muitos dirigentes revolucionários de 1917, foi massacrada pela repressão stalinista, não sem antes se organizar internacionalmente, rompendo em 1933 (logo depois da vitória de Hitler na Alemanha) com a Internacional Comunista, e fundando em 1938 a IV Internacional, considerada pelo organizador do Exército Vermelho como a obra mais importante da sua vida.

A IV Internacional adotou como objetivo continuar a luta da III Internacional pela derrubada do capitalismo mundial através da revolução proletária, o que a colocou em oposição irredutível à política de “coexistência (ou emulação) pacífica”. Leon Trótski rejeitou toda explicação do stalinismo como “desvio” devido ao “culto à personalidade”. Todo fenômeno político tinha uma raiz social: o stalinismo era a burocratização do Estado soviético, devida ao seu isolamento internacional e ao cerco imperialista. Em função disso colocou a necessidade de uma revolução política na URSS, que devolvesse ao proletariado o poder político, e lutou pela criação dos instrumentos políticos dessa perspectiva.

A vitória do Exército Vermelho na guerra civil russa (1918-1921) não teve solução de continuidade com o início da crise do Estado soviético e do partido bolchevique. Um ano antes da revolta de Kronstadt (1921), de fato no movimento final em direção à NEP (Nova Política Econômica), Leon Trótski – só, no Birô político do partido bolchevique – havia proposto renunciar à política do “comunismo de guerra” motivada pela questão do abastecimento do exército, mas não encontrou o apoio necessário. Leon Trótski pensava que era preciso substituir o sistema de apropriação do excedente por uma taxa progressiva in natura.

Essa política foi adotada em finais de 1921, no X Congresso do partido. A demora na revolução internacional significava que eram necessárias medidas especiais para manter o Estado Operário. O longo período de guerra civil tinha devastado a economia russa. A política de comunismo de guerra, traçada para defender a Rússia soviética das tentativas do imperialismo visando à sua destruição, até que a classe trabalhadora da Europa fosse capaz de movimentar-se em sua ajuda, foi substituída pela NEP, uma concessão ao capitalismo destinada a reanimar a agricultura, que obteve considerável êxito em regenerar a vida econômica do país. Contudo, a economia desenvolveu o efeito tesoura, o crescente hiato entre as duas linhas do gráfico representativo da alta dos preços dos bens manufaturados e da queda dos preços dos produtos agrícolas. A produção diminuiu, os salários atrasaram, os trabalhadores foram forçados a fazer greve. O de que se necessitava era de um programa para erguer a indústria. Leon Trótski propôs que se introduzisse a planificação.

Em novembro de 1922, Lênin escreveu: “Eu remeto àqueles que não compreenderam suficientemente nossa NEP ao discurso do camarada Leon Trótski e ao meu sobre essa questão no IV Congresso da Internacional Comunista”. Dez dias mais tarde, Lênin se dirigia a Leon Trótski: “Eu li suas teses sobre a NEP e considero-as de modo geral muito boas; algumas formulações são muito bem elaboradas, alguns poucos pontos me parecem discutíveis. Minha vontade, agora, seria publicá-las nos jornais e depois rapidamente reimprimi-las em brochura”.

Essa brochura nunca foi publicada, em virtude da interferência burocrática. A luta contra a burocratização do Estado e do partido foi, nas palavras de Moshe Lewin, “o último combate de Lênin”, que ele pretendeu levar adiante numa aliança com Leon Trótski. O reproche feito com mais frequência a Leon Trótski é o de não ter tornado pública essa aliança, ou de não ter sido consequente com ela, em especial na questão nacional georgiana (contra o chauvinismo grã-russo da nascente burocracia, e de Stalin em especial) e na questão da revelação e implantação do “Testamento” de Lênin (que defendia, entre outros pontos, a destituição de Stalin do posto de secretário-geral).

A respeito do primeiro assunto, Leon Trótski escreveu: “A ideia de formar um ‘bloco’ Lenin-Trótski contra a burocracia somente Lênin e eu a conhecíamos. Os outros membros do Birô Político tinham apenas vagas suspeitas. Ninguém sabia nada a respeito das cartas de Lênin sobre a questão nacional nem do Testamento. Se eu tivesse começado a agir, poderiam dizer que iniciava a luta pessoal para ocupar o lugar de Lênin. Eu não podia pensar nisso sem arrepios. Pensava que, mesmo saindo vencedor, o resultado final seria para mim uma tamanha desmoralização que me custaria muito caro. Em todos os cálculos entrava um elemento de incerteza: o próprio Lênin e seu estado de saúde. Poderá ele manifestar sua opinião? Sobrar-lhe-á tempo para tanto? Entenderá o partido que Lênin e Leon Trótski lutam pelo futuro da revolução e não que Leon Trótski luta pelo posto de Lênin enfermo? … A situação provisória continuava. Mas a protelação favorecia os usurpadores, pois Stalin, como secretário-geral, dirigia no período do interregno toda a máquina estatal”.[i]

Na questão nacional georgiana, Lênin tornou pública sua ruptura com Stalin nos últimos dias de 1922, pouco antes de ficar quase totalmente afastado da política pela doença. Como Comissário para as Nacionalidades, Stalin tinha “sovietizado” a Geórgia manu militari, não só contra a vontade da maioria da população, mas também dos bolcheviques georgianos. Dois deles (Mdivani e Macaradze) protestaram publicamente.

Lênin manifestou-se então numa “Carta ao Congresso” (do partido): “Penso que, neste episódio, a impaciência de Stalin e seu gosto pela coerção administrativa, bem como o seu ódio contra o famoso ‘chauvinismo social’, exerceram uma influência fatal… a influência do ódio na política em geral é extremamente funesta. O nosso caso, o caso de nossas relações com o Estado da Geórgia, constitui um exemplo típico da necessidade de usarmos o máximo de prudência e mostrarmos um espírito conciliador e tolerante, se quisermos resolver a questão de modo autenticamente proletário…”.

Mais adiante prosseguia, referindo-se a Stalin: “O georgiano que se mostra desdenhoso quanto a esse aspecto do problema, que descaradamente lança acusações de social-nacionalismo (quando ele mesmo é um autêntico social-nacionalista e também um vulgar carrasco grã-russo), esse georgiano, com efeito, viola os interesses da solidariedade proletária de classe… Stalin e Djerzinski devem ser apontados politicamente como os responsáveis por essa campanha”.

Historiadores soviéticos provaram que Leon Trótski não só aceitou o bloco com Lênin a respeito, como também foi politicamente consequente com ele (o que não significa que esse bloco tivesse garantida a sua vitória).[ii] No XII Congresso do partido, em 1923, Leon Trótski e Bukhárin defenderam contra Stalin, secretário geral, a posição de Lênin a respeito do problema das nacionalidades. Simultaneamente, diante da “crise das tesouras”, Leon Trótski defendeu a ajuda estatal à indústria, para poder baixar seus preços. Leon Trótski apresentou o relatório “Sobre a Indústria” que foi acolhido pelos delegados com aplausos ardentes e longos.

Esse relatório apresentava uma perspectiva para o desenvolvimento da indústria nos anos subsequentes. Seu ponto essencial coincidia com a tese incluída na resolução do Congresso: “Só pode ser vitoriosa uma indústria que ofereça mais do que consome. A indústria que vive às custas do orçamento, ou seja, da agricultura, não saberia criar o apoio estável e duradouro necessário à ditadura do proletariado”.

No seu último ano de vida, Lênin testemunhou os inícios da cisão dentro do partido bolchevique. O contexto social de 1923 era o de uma nova onda de greves, com a formação de grupos operários de oposição. O contexto mundial era o da esperança no “outubro alemão” (uma virada favorável da revolução mundial). No quadro da derrota alemã, Leon Trótski enviou uma carta ao Birô Político criticando o regime interno do partido, apoiada por uma declaração de 46 “velhos bolcheviques”: nascia a Oposição de Esquerda, contra a qual engajou a luta a “troika” dirigente de Stalin-Zinoviev-Kamenev. A organização da Oposição, com a “Carta”, em outubro de 1923, foi tomada após percorrer todas as vias políticas remanescentes, e não levou apenas em conta a situação interna da URSS, mas também a situação internacional.

A revolução alemã foi um momento-chave na luta interna do partido bolchevique, quando se manifestou uma fração interna organizada contra sua burocratização, chefiada por Leon Trótski. Numa situação revolucionária, como a existente na Alemanha, as vacilações de Zinoviev (principal dirigente da Internacional Comunista) foram um fator decisivo na derrota. Mas elas tinham origem clara nas pressões de Stalin (“é necessário frear os alemães, não os empurrar”).[iii] A derrota alemã condenou à revolução russa a um período indefinido de isolamento.

Diante da crise, o Birô Político estabeleceu um “novo curso”. Leon Trótski atacou a burocratização do Estado e do partido, a hierarquia dos secretários, evocou o perigo de degeneração da revolução. O regime militar no interior do partido, imposto pelas condições da guerra civil, estava gerando um perigo maior para o futuro da revolução – uma vasta hierarquia burocrática tomando corpo no lugar de um funcionalismo livremente eleito. Leon Trótski, no panfleto intitulado Novo Rumo,clamou pela democracia operária e pela erradicação da burocracia vinculadas à perspectiva da rápida construção da indústria através da introdução de um plano econômico geral. A “troika” o acusou de promover a “luta de gerações” e defendeu o aparelho partidário e estatal.

As preocupações de Lênin com a burocratização do partido bolchevique e do Estado soviético, registradas em um documento que ficou conhecido como seu “testamento”, provocaram grande constrangimento; em reunião às vésperas do XIII Congresso resolveu-se pelo não afastamento de Stalin de seu cargo (solicitado por Lênin) e pela divulgação do documento apenas aos principais delegados. A decisão de não tornar público o documento foi adotada pelo pleno do Comitê Central do partido. Leon Trótski o comunicou secretamente ao seu partidário norte-americano Max Eastman, quem o publicou nos EUA, sendo então desmentido pelo próprio Leon Trótski.

Por esse e outros motivos, algumas queixas apontam Leon Trótski como corresponsável pela ascensão de Stalin, o que foi objeto de uma observação de Ernest Mandel contra os que “querem simultaneamente provar duas coisas inteiramente contraditórias: por um lado, que Leon Trótski cometeu muitos erros táticos; por outro lado, que a vitória de Stalin era inevitável, porque correspondia às condições objetivas da Rússia dessa época. Isto é particularmente nítido em Issac Deutscher, onde essas duas teses se entrecruzam continuamente”.[iv]

A maioria dos “kremlinólogos” apresentou a história do PC russo pós-morte de Lênin como uma “luta pela sucessão”: trata-se, no mínimo, de uma simplificação. Em janeiro de 1924, Lênin morreu. Leon Trótski, doente, não compareceu aos funerais (aparentemente enganado quanto à data dos mesmos por Stalin). Logo depois, a Oposição de Esquerda foi condenada na XII Conferência do PC, que condenou o “fracionismo” da Oposição e pôs em prática a “promoção Lênin” (recrutamento massivo de militantes inexperientes). A Oposição foi alijada da imprensa e, logo depois, do partido, com métodos burocráticos (deslocamentos de opositores, votos “de cabresto” nas células e comitês).

O “passado menchevique” de Leon Trótski foi atacado na imprensa: Stalin o chamou de “patriarca dos burocratas”. Seguiram-se uma série de provocações e insultos contra Leon Trótski, polarizando o cenário. Contra Leon Trótski, descobriu-se uma carta esquecida, escrita por ele em 1913, dirigindo palavras duras contra Lênin. O objetivo, com sua publicação, era claro: mostrar a incompatibilidade entre “leninismo” e “trotskismo”. O idílio entre Leon Trótski e a imprensa soviética esmoreceu rapidamente.

A 23 de fevereiro de 1924, sexto aniversário da criação do Exército Vermelho, Leon Trótski era ainda celebrado pelo Izvestia dos sovietes. Mas o Pravda, órgão oficial do partido, já começara a esquecê-lo. “Caro Camarada Lev Davidovitch, – escrevia o Izvestia – no sexto aniversário do nosso glorioso Exército Vermelho, a assembleia geral do Soviete de Moscou envia uma calorosa saudação àquele que o organizou e guiou”. O jornal publicava também um boletim médico, explicando que Leon Trótski vira-se forçado a ir descansar na região Sul. O Pravda, ao contrário, deu cobertura às celebrações do Exército Vermelho, sem citar o nome de Leon Trótski. Num artigo, se afirmava que só Lênin fora o chefe e o organizador do Exército Vermelho.

Nesse clima geral, Leon Trótski contra-atacou publicando, em setembro de 1924, o texto Lições de Outubro onde, discutindo questões de estratégia revolucionária, atacava a passada hostilidade de Zinoviev e Kamenev à insurreição de outubro de 1917, episódio repetido na Alemanha de 1923, novamente com Zinoviev (agora chefe da Internacional Comunista). A “troika” se solidificou contra o debate provocado por Leon Trótski, demissionário do Comissariado de Guerra a partir de 1925. Outra oposição (“de direita”) se desenhou em torno das teses de Bukhárin, de defesa e aprofundamento da NEP.

A 2 de novembro de 1924, o Pravda deu o sinal da campanha “anti-trotskista”, com um texto de Bukhárin: “O livro do camarada Leon Trótski (Lições de Outubro) está rapidamente se tornando ‘a última moda’. Isso não surpreende, pois o seu objetivo principal é o de causar sensação no partido… A introdução (chave da obra) está escrita numa linguagem meio enigmática. As alusões e insinuações não podem ser facilmente percebidas pelo leitor profano. Por isso é necessário desvendar os mistérios deste linguajar oculto (tão do agrado de Leon Trótski, apesar de suas exigências de ‘clareza na crítica’). O autor assume a responsabilidade de intervir contra a linha política adotada pelo partido e pelo Komintern. Essa intervenção não tem caráter puramente teórico, mas ao contrário se assemelha a um programa político destinado a anular as decisões dos congressos…”.

A viúva de Lenin, Nadedja Krupskaia, escreveu no mesmo Pravda, a 16 de dezembro de 1924: “Não sei se o camarada Leon Trótski é realmente culpado por todos os pecados mortais de que é acusado, não sem intenções polêmicas. Mas o camarada Leon Trótski não se deve lamentar por isso. Não nasceu ontem e por conseguinte deve saber que um artigo escrito no tom de Lições de Outubro só pode suscitar a polêmica. Mas não é esse o pivô da questão. O fato é que ao nos convidar à meditação das ‘lições do outubro vermelho’, ele nos propõe enfocá-las precisamente sob o ângulo errado… Nos anos decisivos da revolução, o camarada Leon Trótski dedicou todas as suas forças à luta pelo poder soviético. Desincumbiu-se corajosamente de uma difícil tarefa… Isso o partido jamais esquece. Mas a luta iniciada em outubro (de 1917) ainda não está terminada. É preciso batalhar com denodo até conquistar as metas almejadas pela Revolução de Outubro. A essa altura, seria mortal afastar-se do caminho leninista. E quando um camarada como Leon Trótski se desvia, talvez inconscientemente, para o caminho da revisão do leninismo, o partido tem o dever de intervir.”

Em dezembro de 1924, Bukhárin escreveu um artigo focalizando as discordâncias entre Lênin e Leon Trótski. Stalin, dias depois, publicou um extenso artigo afirmando que “a revolução permanente de Leon Trótski é a negação da teoria da revolução proletária de Lênin”. Suas declarações tiveram grande impacto na defesa do “socialismo num só país” por oferecer uma meta positiva e definível, por acabar com as expectativas de ajuda do exterior, e por massagear o orgulho nacional apresentando a revolução como fruto do “espírito de vanguarda” do povo russo.

A polêmica de 1924 teve só um grande vencedor: Stalin, que se beneficiava do desgaste mútuo a que se submetiam Leon Trótski e Zinoviev-Kamenev: “A maioria dos membros do partido, para quem a revolução de 1917, na melhor das hipóteses, não passava de uma gloriosa lenda, talvez admitisse com certa amargura o papel de ‘mau’ desempenhado por Leon Trótski, sem acreditar realmente nos méritos do ‘bom’ Zinoviev. Na troika, o discreto Stalin é o menos atingido, uma vez que sua posição de segundo plano em 1917 lhe permite fugir ao descrédito que abala os velhos detentores dos primeiros postos”.[v]

Uma reviravolta se produziu em finais de 1925: Zinoviev e Kamenev, responsáveis do PC em Leningrado, atacaram a política pró-kulak e retomaram as teses de Leon Trótski sobre a democracia partidária (em privado, lhe revelaram os métodos burocráticos contra ele usados em 1923-1924). Mas o peso do aparelho levava vantagem: no XIV Congresso, a oposição Zinoviev-Kamenev foi esmagada pela aliança Stalin-Bukharin, que impôs Serguei Kirov como chefe do partido em Leningrado. Zinoviev e Kamenev se aproximaram de Leon Trótski, constituindo em 1926 a Oposição Unificada, que reunia em torno de 8.000 militantes, com numerosos “velhos bolcheviques”.

Com sua maioria nos órgãos dirigentes, Stalin aproveitou a situação para subordinar o aparelho do partido em Leningrado, base de Zinoviev e Kamenev, o que levou estes últimos, numa reviravolta de 180 graus, a buscar uma aliança com Leon Trótski, a princípio resistida pelos membros da Oposição de Esquerda. A aliança foi finalmente concluída, graças à intervenção do próprio Leon Trótski, criando a Oposição Unificada.

Três dos cinco dirigentes indiscutidos do partido eram opositores (Zinoviev, Kamenev e Leon Trótski): a Oposição parecia uma aliança dos velhos bolcheviques, o grupo dos “companheiros” de Lênin, contra Stalin e Bukhárin. Uma aliança dos revolucionários, não os “administradores”, da qual faziam parte também boa parte dos comissários do Exército Vermelho. Influência de Leon Trótski? Mas não estava na Oposição também Ivar Smilga, que teve sérios conflitos com Leon Trótski na guerra civil? E também Muralov, o herói dos combates de Moscou, Mrachkovsky (nascido na prisão do czarismo), I. N. Smirnov, operário chamado “a consciência do partido…”.

O combate da Oposição Unificada se estendeu desde 1925 até 1927, e esteve fortemente condicionado pela situação internacional, sobretudo pelo destino da revolução chinesa, que aparecia como a grande esperança de tirar a URSS do isolamento internacional. O centro político do debate deslocou-se para a Internacional Comunista, onde Leon Trótski enfrentou a dupla Stalin-Bukhárin; seu centro teórico foi a questão da “revolução permanente”.[vi]

A teoria da revolução permanente foi acusada de não levar em conta as mudanças entre a revolução de 1905 e a de outubro de 1917. Era, segundo Kamenev, “retilínea como o voo de uma gralha”. Bukhárin concedeu a Leon Trótski certo brilhantismo, mas fez objeções a sua postura formal e literária sobre questões políticas. O dirigente comunista italiano Antonio Gramsci, já preso pelo fascismo, anotou nos seus Cadernos do Cárcere que “Bronstein [Leon Trótski] pode ser considerado o teórico político do ataque frontal, em um período em que isso só pode ser causa de derrota”. Comparando-o com Lenin, acrescentou que “Bronstein, que aparece como ‘ocidentalista’, era, ao contrário, um cosmopolita, isto é, superficialmente nacional e superficialmente ocidentalista ou europeu. Diferentemente, Ilich [Lenin] era profundamente nacional e profundamente europeu. Bronstein, nas suas memórias, lembra que lhe foi dito que sua teoria foi demonstrada como válida quinze anos depois, e responde a epigrama com outra epigrama. Sua teoria, na verdade, não era correta quinze anos antes nem quinze anos depois…só teve razão na sua previsão prática mais geral, como se predissesse que uma criança de quatro anos será um dia mãe, e quando isso acontece, aos vinte anos, afirmasse ‘eu tinha adivinhado’, não lembrando que se tivesse estuprado a criança aos quatro anos ela não teria sido mãe. Parece-me que Ilich tinha compreendido que acontecera uma mudança da guerra de movimentos, aplicada vitoriosamente em Oriente em 1917, para a guerra de posição, a única possível no Ocidente, onde em pouco espaço os exércitos podem acumular enormes quantidades de munição”. [vii]

Quanto à questão da “guerra de posição” (que Gramsci identificava com a “tática da Frente Única”) e da “guerra de movimento”, Perry Anderson questionou a opinião de Gramsci,[viii] que, por outro lado, não podia ignorar que fora o próprio Leon Trótski um dos formuladores da política de Frente Única, na Internacional Comunista. A crítica de Gramsci à “revolução permanente” era praticamente a mesma formulada por Kamenev, simplesmente ignorava o conteúdo dessa teoria, que não consistia em ignorar as etapas do desenvolvimento histórico, mas em estabelecer a dinâmica da passagem de uma para outra etapa sob determinadas condições (as da existência do proletariado enquanto classe). Em ambos casos, a opinião de Gramsci parecia menos fundamentada num exame dos textos e acontecimentos, do que na imagem caricatural de Leon Trótski forjada no quadro da luta de frações que testemunhou a emergência da burocracia stalinista.

Anos depois (já no exílio), Leon Trótski respondeu às críticas no seu artigo Três concepções da Revolução Russa: “A acusação frequente nos escritos dos teóricos atuais de Moscou, de que o programa da ditadura do proletariado era ‘prematuro’ em 1905, não vem ao caso. Em um sentido empírico, o programa da ditadura democrática do proletariado e dos camponeses resultou também ‘prematuro’. A combinação de forças desfavorável na época da primeira Revolução não somente impediu a ditadura do proletariado, como sobretudo a vitória da revolução em geral”.

Leon Trótski não só manteve a ideia da “revolução em permanência”, como ampliou, depois de 1917, seu campo: de uma teoria que inicialmente explicava o nexo entre as diversas fases da revolução (democrática e socialista), também para os seus nexos internacionais e para a dinâmica pós-revolucionária. Leon Trótski não só assentava as bases para a compreensão da burocratização do Estado surgido da revolução (o que muitos marxistas adjudicaram ao fato circunstancial de Leon Trótski ter sobrevivido a Lênin) como estabelecia toda uma teoria da época histórica: a “era da revolução permanente”. Leon Trótski ridicularizou a tentativa stalinista de construir um “leninismo” artificial contraposto não só ao chamado trotskismo, mas também ao marxismo de Marx: de acordo com a definição de Stalin (“leninismo é o marxismo da era das revoluções proletárias”) o marxismo de Marx era pré-revolucionário!

Desde os inícios da Internacional Comunista, o PC russo cumpria um papel central, não só pela sua autoridade política, mas também pela ajuda financeira aos outros partidos comunistas, que se transformava em direito de tutela. Em pouco tempo, PCs que mal tinham se emancipado do “modelo social-democrata” se viram às voltas com uma “bolchevização” que lhes impunha um “modelo” monolítico, baseado num aparelho rigorosamente centralizado. O aparelho internacional da IC foi sendo criado com base no financiamento da URSS e na cooptação, baseada na docilidade e no posicionamento dos dirigentes em relação às lutas internas do PC russo.

A partir de 1924, em todos os PCs se constituiu uma “fração da IC” que, no final da década, seria o aparelho internacional do stalinismo, cuja construção exigiu a eliminação dos dirigentes-pioneiros do comunismo em diversos países: Alfred Rosmer e Pierre Monatte na França, Heinrich Brandler e os antigos partidários de Rosa Luxemburgo na Alemanha. Foi o início das carreiras de Palmiro Togliatti na Itália, Maurice Thorez e Jacques Doriot (futuro fascista) na França, Ernest Thälmann e Walter Ulbricht na Alemanha. Em alguns casos, a situação beirava o ridículo. A “nova política” na China foi explicada pelo antigo menchevique Martinov, quem reivindicou para a China a mesma teoria que o opôs a Lenin: a “revolução por etapas”…

No PC soviético, depois de certo sucesso inicial da Oposição Unificada, os “métodos” de 1923 voltaram a ser usados contra ela, em escala e profundidade maior, incluindo provocações policiais (como o uso pela Oposição da gráfica de um antigo oficial de Wrangel, chefe da contrarrevolução “branca” na guerra civil: na verdade, era um agente da GPU, polícia política). A Oposição terminou amordaçada. Apesar do novo surto oposicionista de 1927, quando as esperanças na revolução chinesa, primeiro, e a condena à política suicida imposta por Stálin-Bukharin na China, depois, ampliaram as bases da Oposição, esta foi finalmente esmagada, tendo suas teses postas fora da circulação.

A vitória de Stalin contra a esquerda não foi, porém, automática, e teve que atravessar uma série de crises. A Oposição deflagrou uma ofensiva de críticas contra a “linha chinesa” de Stalin-Bukhárin. Stalin respondeu administrativamente, com mutações, exclusões e repressão, inclusive contra a manifestação oposicionista no terminal ferroviário de Iaroslavl, quando seu dirigente Ivar Smilga foi transferido para o Extremo Oriente.

A derrota na Alemanha não foi o último episódio do fracasso da revolução europeia. O Comitê Anglo-Russo, inicialmente idealizado a fim de atrair os dirigentes sindicais de esquerda para a influência dos sindicatos soviéticos, rapidamente adotou uma política conciliadora que levou à traição da greve geral de 1926. Leon Trótski solicitou que se dissolvesse esse bloco. Zinoviev inicialmente vacilou, mas no final apoiou o ponto de vista de Leon Trótski. No entanto, Stalin não renunciou a essa política. Quando os líderes sindicais britânicos apoiaram o ataque imperialista britânico de Nanquim em 1927, o grupo stalinista não rompeu com eles. Pelo contrário, foram os líderes sindicais britânicos que abandonaram seus amigos quando não mais os precisaram de uma coloração rósea. A greve geral de 1926 não foi apenas um acontecimento marcante na história britânica, mas também na vida do partido da Rússia. Os escritos de Leon Trótski no período, Para Onde vai a Grã-Bretanha? Lições da Greve Geral, em particular, foram uma leitura decisiva do porvir imediato da revolução europeia.

As duas frações do PC soviético estavam em crise: Leon Trótski manobrou para conservar Zinoviev e Kamenev, que aspiravam à “unidade” com Stalin e Bukhárin; em agosto de 1927, Ordjonikidzé desafiou Stalin no Birô Político do PC, fazendo aprovar uma resolução que não excluía Zinoviev e Leon Trótski (como Stalin solicitava). Para Pierre Broué, “Stalin só venceu graças à intervenção da polícia política e ao uso da provocação, pressionando também seus aliados vacilantes. Só Leon Trótski pôde algumas vezes falar, na executiva da Internacional Comunista. Mas a polícia decidiu o conflito, com o caso do uso da gráfica do ‘oficial de Wrangel’ (um agente da GPU) para imprimir a plataforma da Oposição, e seu suposto ‘complô militar’.

A vitória final veio com o fracasso das manifestações organizadas pela Oposição para o 7 de novembro: não era, porém, a vitória da maioria do aparelho do partido, mas a da polícia secreta controlada por Stalin sobre o partido, que seria condenado a morte, nos anos 1930, com a execução de seus antigos dirigentes e quadros, inclusive os stalinistas, na época dos grandes expurgos”.[ix] Começaram as exclusões do partido e as detenções. Em novembro de 1927, no 10º aniversário da revolução de 1917, a Oposição se manifestou em público pela última vez, com faixas próprias (“abaixo os nepmen”; “pôr em prática o testamento de Lenin”). As agressões físicas a fizeram recuar: o carro de Leon Trótski foi ameaçado com armas de fogo, a sua mulher Natália Sedova foi agredida. No dia seguinte, Leon Trótski pronunciou seu último discurso na URSS, no enterro de Abraham Ioffe, antes de ser detido e deportado para a Sibéria.

No mesmo dia, Leon Trótski tinha sido excluído do partido, junto com Kamenev, Zinoviev, sem que os militantes fossem informados das causas, nem das propostas da Oposição (democracia interna, industrialização baseada no planejamento centralizado e na taxação dos kulaki, abandono da estratégia internacional da “revolução por etapas”). No XV Congresso do PC, em dezembro de 1927, foi exigida a capitulação dos opositores: a maioria destes cedeu, com Zinoviev e Kamenev, buscando a sua reintegração no partido. Leon Trótski, isolado, não cedeu: exilado em Alma-Ata reorganizou seus partidários da Oposição de Esquerda para continuar um combate que se desenvolveria em condições cada vez mais precárias. O combate de Leon Trótski contra a burocratização foi uma continuidade de seu combate político geral diante dos problemas do Estado soviético na década de 1920.

A derrota da revolução chinesa foi um fator decisivo na derrota da oposição russa, apesar desta ter visto confirmados todos os seus prognósticos a respeito: “Se, por um lado, a máquina burocrática deve o próprio triunfo à desmobilização das massas, por outro, ela mesma é fator de desmobilização, encontrando aí a sua justificativa. As trágicas derrotas da revolução chinesa, em 1927, representam uma contundente confirmação das profecias da oposição, que denuncia a política burocrática como causadora dessa desgraça. Mas, caso estranho, essas derrotas debilitam terrivelmente a oposição, desferindo um golpe mortal contra a autoconfiança, a audácia e o moral dos militantes.

Por fim, os reveses reforçam a posição dos próprios responsáveis, tornando irreais os pontos de vista daqueles que haviam indicado a maneira de evitá-los.” [x] O ano de 1927 marcou um momento decisivo na luta de Leon Trótski e da Oposição de Esquerda. A luta para salvar a Revolução de Outubro foi literalmente uma luta de vida e morte, com o custo de milhares de vidas dos mais dedicados revolucionários. Proeminentes personagens que tinham sobrevivido a anos de exílio, a prisões, às perseguições do czarismo e às devastações da guerra civil, foram varridas e brutalmente eliminadas pela burocracia stalinista nos anos seguintes.

O atraso econômico da Rússia, a devastação causada pela guerra civil e a intervenção imperialista, combinados com as derrotas experimentadas pelo movimento revolucionário internacional, tudo implicou no crescimento da burocracia e na exaustão das massas soviéticas. Depois da morte de Lênin, a autoridade pessoal de Leon Trótski não tinha rival; o destino dessa autoridade dependia do processo social geral. A vitória de Stalin não pode ser atribuída a habilidades e a manobras maquiavélicas. As intrigas stalinistas tinham o concurso de condições objetivas; seus êxitos dependeram destas condições.

Os nomes de Lênin e Trótski estavam intimamente ligados à revolução na consciência das massas. A reação tinha primeiramente de preparar o terreno através de uma campanha de calúnias. Por sua vez, o sucesso desta campanha de mentiras e distorções dependia do fracasso da revolução internacional. A teoria do socialismo em um só país, um aborto concebido do casamento entre a reação interna e a derrota internacional, surgira em finais de 1924. Stalin tinha escrito em fevereiro de 1924, “pode-se conseguir a vitória final do socialismo em um só país, sem os esforços conjuntos do proletariado de vários países avançados? Não, isto é impossível”. Sem rubor, o próprio Stalin podia escrever em novembro do mesmo ano: “O partido assumiu como ponto de partida… a vitória do socialismo neste país, e essa tarefa pode ser realizada com as forças de um só país”.

Em finais de 1927, a Oposição de Esquerda foi quebrada e Leon Trótski expulso do partido: logo depois, ele conheceria o “exílio interno”, em Alma Ata, para finalmente ser expulso da URSS em 1929, iniciando um período de vários anos no qual, em meio a “escalas” em vários países (Noruega, Turquia, França) o mundo se transformaria, para ele, num “planeta sem visto de entrada”. Sobre o impacto internacional provocado pelo exílio interno, e depois expulsão, de Leon Trótski, esta informação fala de modo eloquente: “Quando os alemães entraram em Paris, em junho de 1940, [o editor] Gaston Gallimard tomou cuidado, antes de fugir para o Languedoc, de queimar alguns papéis comprometedores para seus autores, notadamente um documento extraordinário: o plano de uma expedição ao Cazaquistão concebido por André Malraux em 1929, para libertar Leon Trótski, deportado em Alma Ata por ordem de Stalin”.[xi]

O plano incluía uma fuga aérea. O jovem romancista francês, já autor de Os Conquistadores, combatente da revolução indochinesa (e futuro combatente da guerra civil espanhola) tinha criado uma associação para arrecadar fundos e conquistado adesões importantes: Gallimard o fizera desistir da empresa. Antes da sua ruptura pública, Leon Trótski admiraria o talento literário do autor da Condição Humana, com quem sustentou uma polêmica recolhida em Literatura e Revolução.[xii]

Entre 1923 e 1929, Leon Trótski e a Oposição de Esquerda livraram um combate, na URSS, em todos os planos: o da teoria e do programa revolucionários, o da política interna em todos seus aspectos e o da política internacional nos principais países imperialistas e no mundo colonial e semicolonial. A partir do exílio de Leon Trótski, em 1929, esse combate se desdobrou na luta por uma Oposição internacional que continuasse as linhas da corrente política que liderara a Revolução de Outubro. Com a vitória do nazismo, em 1933, medindo seu alcance internacional e a responsabilidade do stalinismo nessa catástrofe, a Oposição proclamou a necessidade de uma nova Internacional operária, concretizando esse objetivo na conferência que, em 1938, nos arredores de Paris, fundou a IV Internacional.

*Osvaldo Coggiola é professor titular no Departamento de História da USP. Autor, entre outros livros, de Teoria econômica marxista: uma introdução (Boitempo). [https://amzn.to/3tkGFRo]

Notas


[i] Leon Leon Trótski. Ma Vie. Paris, Gallimard, 1953.

[ii] V. V. Juravlev e N. A. Nenakorov. Leon Trótski et l’affaire géorgienne. Cahiers Leon Leon Trótski n° 41, Paris, março 1990.

[iii] Stalin escreveu a Zinoviev e Bukharin, em agosto de 1923: “Deveriam os comunistas no atual estágio esforçar-se para tomar o poder sem a socialdemocracia? Já estarão eles maduros para tal?… Se agora na Alemanha, o poder, por assim dizer, cair, e os comunistas empolgarem-no, eles cairão fragorosamente. Isto no ‘melhor’ dos casos. E no pior, eles serão esmigalhados e lançados por terra…. Certamente os fascistas não estão tirando uma soneca, mas para nós é mais vantajoso que os fascistas ataquem primeiro. Este fato reagrupará toda a classe operária em torno dos comunistas. Além disto, os fascistas na Alemanha, segundo dados de que dispomos, são fracos. Em minha opinião, os alemães devem ser refreados, não instigados”.

[iv] Ernest Germain [Ernest Mandel]. A Burocracia nos Estados Operários. Lisboa, Fronteira, 1975.

[v] Pierre Broué. Le Parti Bolchevique. Paris, Minuit, 1971.

[vi] Cf. Pierre Broué. La Question Chinoise dans l’Internationale Communiste. Paris, EDI, 1976; e Grigori Zinoviev et al. El Gran Debate. Córdoba, Pasado y Presente, 1972.

[vii] Antonio Gramsci. Quaderni del carcere. In: Le Opere (org. Antonio Santucci). Roma, Riunti, 1997. Gramsci não só ignorava que um dia seus Cadernos seriam publicados, como também que se tornariam na bíblia de uma corrente dentro da esquerda. Os Cadernos são anotações pessoais, nas quais o autor abandona as precauções normais de um texto destinado à publicação. Gramsci, por isso, não pode ser considerado responsável pelo uso e abuso político feito com eles, embora, ainda assim, os fragmentos citados revelem informação de segunda mão e conclusões sem fundamento (Cf. Luigi Candreva. Gramsci e la “bolscevizazzione” del PCI. Milão, 1996).

[viii] Perry Anderson. As antinomias de Gramsci. Crítica Marxista n° 1, São Paulo, 1986.

[ix] Pierre Broué. A Oposição Unificada (1926-1927). In: Osvaldo Coggiola. Leon Trótski Hoje. São Paulo, Ensaio, 1994.

[x] Pierre Broué. Le Parti Bolchevique. Paris, Minuit, 1971.

[xi] Jean Lacouture. André Malraux. Une vie dans le siècle. Paris, Seuil, 1973.

[xii] As lembranças de Malraux de seus encontros posteriores com Leon Trótski, na França, durante o temporário exílio do líder bolchevique nesse país, estão em: André Malraux. Encuentros con Leon Leon Trótski. Leon Trótski. Buenos Aires, Jorge Álvarez, 1969.

Curso de formação de extrema direita vai do conspiracionismo à obsessão pela esquerda

Jornalistas que participaram de curso idealizado por Eduardo Bolsonaro detalham experiência

Com objetivo de entender como pensa e o que propaga a extrema direita no Brasil, os jornalistas Andrea Dip e Niklas Franzen se matricularam no curso Formação Conservadora, idealizado pelo pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O resultado da imersão é um dossiê completo que analisa como o discurso conservador é propagado nos espaços do campo reacionário. Dos perfis de quem ministrou as aulas ao discurso propagado, as conclusões apontam para uma subversão da história e da realidade.

No documento, publicado pela Fundação Heinrich Böll, Dip e Frazen expõem teorias conspiratórias, releituras de fatos políticos e econômicos e um pensamento que limita os papéis da família e da sociedade. A espinha dorsal do discurso é um suposto complô, que seria operado pela esquerda global, para acabar com valores tradicionais.

Termos como globalismo, ideologia woke e guerra cultural são repetidos ao longo de todo o curso. Eles são associados a alertas sobre um imaginário conflito internacional iminente. O curso é vendido como um caminho de preparo e treinamento para evitar as consequências da suposta ofensiva em território nacional e “tirar o Brasil das garras da esquerda”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, os autores afirmam que a aderência das ideias propagadas nas aulas era alta e que praticamente não havia ideias discordantes. No entanto, Dip e Frazen observam também que a audiência era composta por pessoas já inseridas no discurso extremista, o que pode sinalizar pouco apelo para atrair mais público.

Leia a entrevista a seguir.

Brasil de Fato: Como foi sistematizada a ideia de produzir um dossiê a partir do curso? Vocês já imaginavam alguns assuntos chave que apareceriam durante as aulas ou foram sem expectativas quanto aos temas e tons adotados? 

Niklas Franzen: Eu fiquei sabendo desse curso por meio de uma conhecida e já me perguntava como a extrema direita brasileira se organiza, principalmente longe dos grandes holofotes, fora dos parlamentos e, agora, na oposição também. Essa abordagem anti-institucional sempre me interessou muito. Decidimos assistir às aulas e fazer parte dele.

Eu também observo que a extrema direita, em algum sentido, é muito inovadora, especialmente no uso das redes sociais. Mas essa formação conservadora mostra também alguns aspectos que podem ser até pioneiros e servir como exemplo para a extrema direita em outros países.

Eu pesquisei muito sobre a conexão da extrema direita europeia, principalmente a extrema direita alemã, com a brasileira. A extrema direita da Alemanha sempre se mostrou muito interessada e fascinada com os processos do Brasil.

Assim, surgiu o interesse de fazer o curso, ver que isso, em algum sentido, pode até virar um exemplo para outro país, conectar-se e formar uma rede não institucional ativa, com membros fiéis e, de alguma forma, fornecer algum tipo de conhecimento teórico, político e social.

Sobre os assuntos, basicamente esperava os temas que surgiram. Não houve grandes surpresas para mim. Os temas de globalismo, ideologia de gênero e armas são as grandes bandeiras do clã Bolsonaro. Mesmo sem grandes surpresas, foi muito interessante para nós, porque o curso entrou em muitos detalhes.

Eles falaram mais profundamente sobre certas coisas, citaram livros, pesquisas, e explicaram de onde vêm essas informações que, muitas vezes, no dia a dia da política, não são aceitas.

Então, existe dentro da extrema direita uma ala um pouco mais intelectualizada. Claro, com muitas nuances, mas existe uma estrutura ideológica que é importante entender. Foi um dos motivos pelos quais decidimos fazer esse curso.

No dossiê vocês apontam que temas conspiracionistas internacionais, como referências ao globalismo, a chamada ideologia woke e uma guerra cultural em andamento globalmente aparecem com frequência no curso. Também citam que Eduardo Bolsonaro faz referências a uma suposta influência com personalidades da direita de outras nações. Como avaliam a capilaridade do discurso extremista em todo o mundo, após a participação nas aulas? 

Niklas Franzen: Eu diria que esse curso mostra que a extrema direta está conectada no mundo inteiro e aprende muito entre si. Há certos certos temas que sempre aparecem, como o globalismo, a ideologia woke, a guerra cultural. São conceitos fundamentais para explicar o avanço da extrema direita.

Esses temas estão sendo usados e surgindo sempre porque deu certo em várias ocasiões. A extrema direita conseguiu vitórias eleitorais com ênfase nessas temas. Dá para observar que principalmente o Eduardo Bolsonaro (PL) é muito influenciado pelo discurso dos Estados Unidos.

Mas ele também fala sobre outros países. Dá para ressaltar que a extrema direita realmente, de alguma forma, criou uma certa fórmula que se mostrou bem-sucedida e é repetida em vários países.

Voltando para o curso, é importante também dizer que não precisamos superestimar a importância dele. Observamos a ideia de criar uma rede em que os fiéis de Bolsonaro conseguissem se conectar, mas na verdade havia poucas interações nos fóruns e parece que não foi um grande sucesso.

As pessoas que fizeram um curso também não eram novas na ideologia, mas sim pessoas já convictas. Então eu acho que a relevância assim desse curso específico é pequena.

É óbvio que foi também um jeito de lucrar. O curso custa R$ 500 , o que não é pouco. Isso nós observamos em outros lugares. A extrema direita achou um jeito de se vender. Outros influenciadores da extrema direita estão fazendo a mesma coisa, isso é importante falar.

Foi possível identificar uma adaptação do discurso internacional para a realidade brasileira, especialmente na divisão de temáticas e na escolha dos ministrantes do curso? 

Andrea Dip: Sim, os módulos e a escolha dos temas vão totalmente de encontro aos temas que estão sendo mais importantes, propagandeados e discutidos pela extrema direita no mundo todo. Temos a questão das armas – que é superimportante, por exemplo, para a extrema direita dos Estados Unidos – a (chamada) ideologia de gênero, o aborto, o feminismo, a educação.

Eduardo Bolsonaro (PL) traz também essa ideia do woke, ele menciona isso. É interessante porque essa é uma narrativa importante, que tem sido recentemente propagandeada pela extrema direita em todo o mundo, a de que há uma ideologia woke no mundo todo.

O termo se tornou sinônimo de políticas liberais ou de esquerda, que defendem vários temas como igualdade racial e social, feminismo, movimento LGBTQIA+, uso de pronomes inclusivos, multiculturalismo, a própria vacinação na época da covid, o ativismo ecológico, o direito ao aborto.

Ela abrangeria, dentro desse guarda-chuva, muitas das pautas que são importantes para a esquerda ou para os liberais e para defensores de direitos humanos, movimentos sociais e ativistas.

Eles estão usando muito mais essa denominação do woke do que o próprio termo ideologia de gênero ultimamente. Então é interessante ver como o Eduardo Bolsonaro vai trazendo esse conceito já no curso dele.

Na escolha dos ministrantes também há uma adequação. O Nikolas Ferreira (PL), por exemplo, que fala nos módulos sobre juventude e sobre educação, tem sido um grande representante da juventude de extrema direita no mundo. Temos a Damares Alves (Republicanos), o Marcos Pollon (PL) e a Chris Tonietto (PL), que são pessoas importantes para o bolsonarismo no Brasil.

Em relação ao público, o grau de aderência às ideias apresentadas pode ser classificado como alto? Havia espaço para algum tipo de discordância e questionamentos por parte dos participantes? 

Andrea Dip: O grau de aderência às ideias pode sim ser classificado como alto sim. Inclusive, muitas vezes em que Eduardo Bolsonaro fazia um revisionismo histórico, ele ia bem longe, até os mouros, muro de Berlim, ditadura militar brasileira. Fazia toda uma reconstituição histórica.

Muitas pessoas comentavam que nunca tinham ouvido e entendido a história dessa maneira. O curso pedia que as pessoas fizessem tarefas que eram comentários respondendo a perguntas de cada módulo. Não vi nenhum tipo de discordância, nem de questionamento.

Acho que o único comentário discordante que vi foi de uma mulher que não se sentiu representada durante uma oração de uma pastora para conversão ao cristianismo. Ela questionava se para ser conservadora era preciso ser cristã e dizia que não era cristã.

Eu acho que é o curso cumpre bastante bem esse papel de formação, no sentido de que está formando mesmo essas pessoas que que participam.

Em alguns momentos do dossiê, temos a impressão de que o idealizador do curso nutre interesse intenso nas práticas de organização social e popular da esquerda. Como explicar o fenômeno? 

Niklas Franzen: Na verdade, esse é um processo que já vem acontecendo há muito tempo e não começou no Brasil. Na Europa, a nova direita – em um movimento que começou na França – passou a usar outros métodos e táticas. Uma dessas táticas é aprender com a esquerda.

A extrema direita gosta muito de citar o marxista italiano Antonio Gramsci e sua teoria de hegemonia cultura. No Brasil, a pessoa que introduziu esse conceito para o contexto do país foi Olavo de Carvalho, que também é muito citado no curso. Se tem algo com que todo mundo concorda, são as ideias do Olavo de Carvalho.

A ideia, basicamente, é que esquerda não conseguiu tomar o poder por meio da força, então tomou com a cultura. Eduardo Bolsonaro fala que a esquerda largou as armas e foi para cima dos livros. Em outro trecho ele fala sobre essa dimensão de uma guerra ao longo prazo.

Eles falam que a esquerda é muito esperta, que não dá para subestimar o inimigo. Por um lado, é interessante que ele sempre fala esquerda como uma doença mental. Ele realmente fala muito sobre seu ódio pela esquerda. Por outro lado, ele se mostra muito fascinado com sucessos ou os aparentes sucessos da esquerda.

Eles basicamente acreditam, ou pelo menos dizem acreditar, que uma ideologia woke domina o ocidente e que uma pequena minoria consegue impor assuntos como a igualdade racial, feminismo, o uso de pronomes de gênero neutro, multiculturalismo, vacinação, ativismo ecológico, e por aí vai.

Aí entra a função da extrema direita, que se vê como salvadora contra esses avanços de uma elite globalista. Esse é um discurso quase igual em todos os países e não termina por aí. O Bolsonaro e a extrema direita, nesse caso, o Eduardo Bolsonaro (PL), não dizem só que é assim. Eles também dizem que, para combater isso, você tem que usar os mesmos métodos.

No capítulo sobre isso, no dossiê, falamos sobre um contramovimento da extrema direita. O Eduardo Bolsonaro fala abertamente sobre isso. Ele sempre diz que a esquerda é muito esperta e acredita que a direita tem que aprender muito com ela.

Muitas vezes ele faz um chamado para a criação, por exemplo, de novos canais no YouTube, para realmente criar uma nova cultura no cinema, na música. E, na verdade, isso já vem acontecendo no mundo inteiro. A extrema direita conseguiu tomar certos espaços e ter muito sucesso com isso, graças a essas novas táticas que aprenderam a usar, principalmente nas redes sociais.

Vimos isso nas eleições para o Parlamento Europeu. Eu posso falar do caso da Alemanha. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) está muito presente nas redes sociais, muito mais que os outros partidos. Nem chegam perto os outros partidos. E o resultado foi que o AfD, na eleição para o Parlamento Europeu na Alemanha, foi o segundo partido mais votado entre eleitores de 16 a 24 anos. Então, realmente, isso é um desenvolvimento assustador que é muito importante observar.

Conseguem perceber as táticas expostas no curso nas repercussões do recente ataque contra o candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, figura importante para o conservadorismo? 

Andrea Dip: Eu acho que essa tática de pânico moral e a ideia bélica de que se está em uma guerra cultural, de que se está em uma guerra em andamento, que é longa, faz sentido, inclusive com a postura do Trump na hora do atentado, em que ele diz “continuem lutando”. Talvez tenha esse viés, essa semelhança.

Claro, tem as atuações nas redes sociais. O curso do Eduardo Bolsonaro traz um módulo sobre redes sociais que é bastante completo e didático, explicando como as pessoas devem se mover nas redes. Ele vai passando uma por uma: Instagram, YouTube, Twitter, e vai dizendo as melhores maneiras de se manifestar em cada uma dessas redes, quais têm mais censura e quais têm menos. Ele fala para ter muitas redes, para que, se você for banido de uma, possa se manifestar em outra até voltar. Ele recomenda ter muitos perfis.

Enfim, ele é bastante didático e dá bastante importância à atuação nas redes sociais. Ele sempre diz para comentar, curtir, compartilhar, engajar nos conteúdos. Então, acho que talvez dê para perceber um pouco da semelhança, que é na verdade uma estratégia da extrema direita como um todo. Eles sabem se mover muito bem nas redes sociais, sabem muito bem causar esse pânico. O curso do Eduardo Bolsonaro traz isso, mas são estratégias da extrema direita no mundo.

Poderiam contar um pouco sobre as impressões pessoais de vocês a respeito do que viram ao longo do curso? A experiência mudou sua percepção em relação ao avanço da extrema direita no Brasil e no mundo? 

Niklas Franzen: O curso foi bem cansativo. Assistimos a todas as aulas e, às vezes, foi bem difícil e bem duro assistir a tudo isso. Muitas coisas foram repetidas. Mas de alguma forma, foi muito interessante também para a nossa pesquisa e para mim, pessoalmente. Ajudou muito a entender como a extrema direita pensa.

Eu acho que isso é fundamental também para pensar em como combater a extrema direita. Eu acho que, em primeiro lugar, sempre temos que entender como eles pensam, o que eles fazem.

Eu não diria que minha percepção mudou, mas acho que confirmou algumas coisas. Como já falei, a conexão da extrema direita, os discursos que são usados em vários países no mundo, a habilidade da extrema direita de se adaptar, mudar os rostos, mudar seus discursos, mudar as táticas. Mas é óbvio, as ideias são as mesmas.

Então, para mim, foi realmente muito interessante fazer esse curso, e eu acho que devemos observar esses processos, esses fenômenos, para talvez achar um jeito de combatê-los.

Brasil de Fato

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Tendo em vista denúncias, proferidas sobre prática de ato ilícito em
desfavor de terceiros, em veículos de comunicação e redes sociais, Carlos Alberto
de Azevedo Camurça, já está tomando todas as medidas legais cabíveis e
necessárias para esclarecer as denúncias amplamente divulgadas na imprensa
local.
Carlinhos Camurça, por meio de seu advogado, devidamente constituído,
já protocolou no dia 26 de julho de 2024 petição perante a Autoridade de Polícia
Judiciária requerendo cópia integral do caderno apuratório, que se encontra sob
sigilo, colocando-se à disposição da Justiça, para comprovar, bem como,
esclarecer que os fatos não ocorreram conforme noticiado.
Carlinhos Camurça, após manifestar-se voluntariamente conforme
retromencionado, já foi devidamente intimado para comparecer perante Delegacia
Especializada, oportunidade que se fará presente para comprovar que os fatos ora
noticiados não condizem com a verdade.
Renato Cavalcante
Advogado.

NOTA DE ESCLARECIMENTO CARLINHOS CAMURÇA

Dilma retorna ao Palácio da Alvorada oito anos após o golpe

Presidente Lula disse que a ex-presidenta é “sempre bem-vinda” em sua antiga casa em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta sexta-feira (26), Dilma Rousseff, ex-presidenta da República e atual presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do BRICS, no Palácio da Alvorada. Este é o primeiro retorno dela à residência oficial da presidência em Brasília (DF) desde 2016, ano em que a petista sofreu um golpe de Estado.

“Sempre bem-vinda”, postou o presidente Lula em suas redes sociais. A postagem acompanha uma foto dos dois caminhando sorridentes do lado de fora do Palácio.

Foi no governo Dilma que o Brasil saiu oficialmente do mapa da fome das Nações Unidas. Ela também concedeu direitos trabalhistas às empregadas domésticas. Revoltadas, as elites do atraso começaram a articular a derrubada inconstitucional de Dilma.

Em abril de 2016, o relatório favorável à derrubada ilegal da presidenta foi aprovado pela Câmara dos Deputados, com 367 votos a favor e 137 contra. O processo seguiu para o Senado, onde também foi aprovado, levando à remoção da presidenta. O então vice-presidente, Michel Temer, assumiu o cargo e passou a implementar uma agenda neoliberal. Em 31 de agosto de 2016, o Senado finalizou o processo, cassando o mandato de Dilma com 61 votos a 20.

No entanto, o Ministério Público Federal arquivou o caso em fevereiro 2022, citando falta de provas. Ainda em 2016, a presidenta foi inocentada por uma perícia do Senado. O laudo técnico mostrou que, “pela análise dos dados, dos documentos e das informações relativos ao Plano Safra, não foi identificado ato comissivo da Exma. Sra. Presidente da República que tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos”, referente ao caso das supostas “pedaladas fiscais”.

Brasil 247

Paris 2024: abertura teve muita chuva, aposta em diversidade e manifestações políticas discretas

Festa no rio Sena trouxe pela primeira vez as delegações desfilando em barcos

A cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris 2024 aconteceu nesta sexta-feira (26) debaixo de chuvas torrenciais. A festa trouxe mensagens de diversidade e registrou poucas manifestações políticas. Pela primeira vez, um evento de abertura rompeu a tradição de ser realizada em um estádio e de separar as coreografias que contam a história do país-sede do desfile de delegações, que foram mesclados.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, e o mandatário francês, Emannuel Macron, haviam manifestado o desejo de que os Jogos fossem despolitizados. A expectativa de que delegações de esportistas demonstrassem solidariedade em grande escala à Palestina não se concretizou e a distância do público, a inclusão de inúmeras passagens previamente gravadas e a tempestade que caiu contribuíram para esfriar os ânimos.

Ainda assim, alguns incidentes deram tom político ao evento. Recém-saída de eleições em que foi necessária a união de forças antagônicas para brecar a chegada da extrema direita – com ideário racista e xenofóbico – ao poder, a organização dos Jogos apostou em mensagens de inclusão e diversidade.

A cerimônia começou com o ex-jogador de futebol Zidane – herói nacional de origem argelina – entregando a tocha olímpica para três garotos de etnias diferentes. As primeiras delegações que desfilaram também quebraram padrões, com a Alemanha escolhendo um porta-bandeira negro e a Arábia Saidta, uma mulher.

A delegação da Argélia jogou flores no Sena, em memória dos milhares de argelinos mortos por franceses na guerra de independencia. Em 1961, um protesto de argelinos em Paris foi massacrado pela polícia e os corpos de vários manifestantes acabaram jogados no rio.

Havia expectativa em relação à passagem dos atletas de Israel, que contou com a presença de um forte esquema de segurança. Cogitou-se a possibilidade de que o barco da delegação desfilasse vazio, mas no final os esportistas também estiveram a bordo.

Em telões espalhados pela cidade, ouviram-se vaias vindas da multidão quando os atletas de Israel desfilaram. Eles foram liderados pelo porta-bandeira Peter Paltchick, judoca de origem ucraniana, que costuma assinar bombas usadas por militares israelenses contra civis na Faixa de Gaza.

 

Por outro lado, o porta-bandeira Palestino Waseem Abu Sal usou a cerimônia para denunciar o genocídio de seu povo atualmente em curso. A roupa do palestino traz o desenho de bombas caindo enquanto uma criança joga bola.


O boxeador Waseem Abu Sal é um dos oito integrantes da delegação palestina / Reprodução X

A delegação brasileira foi uma das mais animadas a desfilar. Chamou a atenção os uniformes escolhidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro, bastante criticados por supostamente parecerem roupas usadas em igrejas e não terem elementos de brasilidade para além dos bordados. Estes foram confeccionados por cerca de 80 costureiras de Pernambuco que assistiram, juntas e orgulhosas, a abertura pela TV.

Os porta-bandeiras foram Isaquias Queiroz, da canoagem velocidade e Raquel Kochhann, do rúgbi. Logo após o desfile, no entanto, os atletas se retiraram para a Vila Olímpica, visando a preparação para as competições.

 

Brasil de Fato

O princípio de autodestruição

Por LEONARDO BOFF*

Qual ciência é boa para a transformação mundial?

Os países que formam o G20, desde 2017, criaram uma articulação entre as academias de ciências dos países membros para elaborar subsídios científicos e tecnológicos para as suas reuniões anuais. O país que hospeda o G20 é responsável pela reunião desse grupo, no caso, o Brasil, onde ocorrerá a Cúpula no Rio de Janeiro em 2024. O grupo criou o nome Science20. Os estudos e debates foram concluídos no dia 2 de julho do corrente ano.

O tema é “Ciência para a transformação mundial”. Ele vem detalhado em cinco eixos temáticos – inteligência artificial, bioeconomia, processo de transição energética, desafios da saúde e justiça social.

Como se trata de algo muito importante – cabe uma análise criteriosa sobre as propostas feitas aos chefes de Estado e de Governo reunidos nessa Cúpula.

Como se trata do tema específico das áreas de ciência e tecnologia é natural que o resumo apresentado nas cinco temáticas se concentre nesses ramos de saber.

Entretanto, salta logo à vista que temos a ver com um discurso intra-sistêmico, sem questionar os pressupostos subjacentes a este sistema. Nele funciona o paradigma das ciências da modernidade que atomiza os saberes, é antropocêntrico, pois vê o ser humano separado da natureza, cujo eixo estruturador de sua prática é a vontade de poder/dominação sobre tudo e sobre todos. Inscreve-se, sem qualquer observação crítica, dentro do sistema do capital, criado por este paradigma, com todos os seus conhecidos mantras.

Neste sentido, no resumo publicado, não se vê nenhuma apropriação do novo paradigma holístico e relacional baseada na física quântica (Bohr/Heisenberg), cuja compreensão fundamental é sustentar que tudo é relacionado com tudo e nada existe fora da relação; na ciência introduzida por Albert Einstein da equivalência entre matéria e energia; nem na nova biologia e cosmologia, vistas em processo, por isso, como cosmogênese e biogênese.

Nem no discurso ecológico que desde seu fundador Ernst Haekel (1834-1919) que cunhou a palavra ecologia (1866) se considera a ecologia como a ciência das relações, porquanto todos os seres estão interligados entre si e todos em permanente diálogo com o ambiente. Isso o expressou claramente a Carta da Terra, assumida pela ONU (2003), como um dos documentos oficiais mais importantes da atual ecologia: “Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções includentes” (Preâmbulo, 4).O mesmo escreve o Papa Francisco em sua encíclica Sobre o cuidado da Casa Comum (2015).

Em vão encontramos no aludido resumo tal “interligação” e a busca de “soluções includentes”. Os temas correm paralelos sem se notar e interconexão sistêmica entre eles.

Entretanto; que fique claramente afirmado ser a ciência e a técnica fundamentais para o funcionamento de nossas sociedades complexas. Mas estamos também conscientes pela epistemologia contemporânea de que por detrás de todo saber vigoram interesses de toda ordem, também geopolíticos. Basta lembrar o livro clássico de Jürgen Habermas, Conhecimento e interesse (Unesp), filósofo e sociólogo da escola de Frankfurt.

Quais seriam esses interesses? O mais importante comparece na manutenção do atual sistema socio-econômico, o capitalismo, como modo de produção e sua expressão política, o neoliberalismo com seu mercado. Em seguida, a preocupação da potência dominante, os EUA, pela segurança no sentido de garantir um mundo unipolar, fundado na tecno-ciência e na produção de armas cada vez mais sofisticadas, muitas delas tão poderosas que podem liquidar com a vida humana. Em função deste propósito investem-se trilhões de dólares que, se aplicados, resolveriam o grave problema da fome, da saúde e da moradia para os milhões de marginalizados do atual sistema dominante.

Afora estas reflexões de viés teórico, cabe ressaltar os efeitos concretos deste tipo de ciência e de técnica desenvolvido a partir da modernidade e vigente ainda hoje. No afã de dominar tudo, criou-se o princípio de autodestruição com todo tipo de armas letais, o que mostra que a racionalidade técnico-científica se fez totalmente irracional.

A fúria por acumulação devastou praticamente todos os ecosistemas terrestres e marinhos. O consumo dos países opulentos exige mais de uma Terra e meia de bens e serviços, coisa que ela não pode atender: a conhecida “Sobrecarga da Terra”. A extração extremamente intensiva dos recursos naturais, alguns commons coletivos (como água, florestas e sementes), levou à crise ecológico-social de hoje.

Esta crise se mostra pelo aquecimento global que é sem precedentes desde o último período interglacial há 125 mil anos atrás. As temperaturas globais atingiram o recorde em 2023 e em 2024, chegando a 1,5ºC acima do período pré-industrial (1850-1900). As inundações e queimadas assolaram várias regiões como entre nós no Rio Grande do Sul e no Pantanal.

A desigualdade social é uma das realidades mais perversas: 1% mais rico possui mais da metade da riqueza mundial. A poluição do ar por mini-partículas é responsável por muitas doenças e anualmente por sete milhões de mortes prematuras. E poderíamos prosseguir com muitos outros efeitos danosos resultantes deste paradigma.

O importante é dizer que esta degradação do planeta Terra e da vida tem como principais agentes exatamente aqueles que se reúnem na Cúpula dos G20 (com algumas exceções): os Governos onde estão os poderosos e endinheirados deste mundo. É sintomático que no item “Justiça Social” não há uma palavra sobre a brutal desigualdade social mundial. Concentram-se na expansão do acesso universal à internet.

No item “Bioeconomia” esperávamos que se referisse à superação do tipo atual de economia, altamente excludente, centrada na produção de bens materiais. Ao invés de colocar, como o título sugere, a vida no centro e a ciência e tecnologia, a política e a economia a serviço da vida. Mas faz-se uma conclamação “para formular um quadro de políticas conjuntas que permite os países implantar programas de bioeconomia…melhorar a qualidade de vida e proteger os recursos naturais”.

Sem tocar no sistema acumulador e excludente, é um belo propósito como o Acordo de Paris de 2015 que não foi posto em prática. Tal propósito idealista vai contra a lógica do sistema dominante. Seguramente não será implantado.

Estas são algumas ponderações críticas às propostas dos técnicos e cientistas que serão apresentadas na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro.

Ressalvo a proposta do Presidente Lula de formar uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Mas a verdade tem que ser dita: esse tipo de tecno-ciência, sem consciência, não é suficientemente bom para a transformação mundial. Se ficarmos apenas nos meios sem definir outros fins humanitários e ecológicos, sob outro paradigma, caminharemos na direção de uma catástrofe incomensurável.

Quanto de verdade e quanto de mudança de rumo suporta o espírito do capital? Eis a questão que dificilmente encontrará uma resposta.

*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor. Autor, entre outros livros, de Sustentabilidade: O que é – O que não é (Vozes). [https://amzn.to/4cOvulH]

Raquel Cattani: bolsonarista acusado de ser mandante de assassinato, ex chorou em velório; VÍDEO

Nas imagens, Romero Xavier aparece sendo consolado atrás do sogro, o deputado bolsonarista Gilberto Cattani. Ex teria ameado de morte a produtora rural 4 dias antes do assassinato, com 34 facadas

Preso nesta quarta-feira (24) pela Polícia Civil do Mato Grosso acusado de ser o mandante do assassinato da ex-esposa, a produtora rural Raquel Cattani, Romero Xavier aparece em vídeo aos prantos durante o velório, realizado no sábado (20). A cerimônia teve a presença, entre outros, da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Segundo os investigadores, Romero teria encomendado o crime ao próprio irmão, Rodrigo Xavier, que também foi preso por executar com 34 facadas a ex-cunhada no sítio onde ela morava em um assentamento no Pontal do Marape, em Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá.

Ex-marido de Raquel, Romero chegou a ser interrogado após chegar à cena do crime com os filhos do ex-casal – um menino de 6 anos e uma menina de 3 anos -, na hora da perícia.

Diante das especulações que ele seria o responsável pelo crime, Gilberto Cattani (PL) foi às redes defender o ex-genro.

“O marido da Raquel não foi preso nem confessou crime algum e nem eu matei minha filha como foi noticiado. Tenham pelo menos respeito a dor alheia seus  desgraçados”, escreveu o deputado às 14h56 do sábado (20) na rede X.

Choro

Nas imagens divulgadas, Xavier aparece sentado com uma camiseta azul sendo consolado por uma mulher. O sogro, Gilberto, está logo à frente.

Gilberto, está logo à frente.

Segundo a polícia Civil, quatro dias antes do crime, Raquel foi ameaçada de morte pelo ex-marido, caso não reatasse o casamento.

Segundo uma testemunha, a produtora rural foi procurada pelo ex-marido, que teria dito que “se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém”.

Ela teria contato à testemunha que estava instalando câmeras no sítio onde mora, em uma região isolada, por medo do ex-marido.

Comportamento possessivo

Nesta quarta-feira (24), antes da conclusão do crime e da prisão dos dois acusados, Cattani voltou às redes e fez especulações com nota de jornalista sobre um suposto envolvimento do crime organizado, que diz que “o atual governo federal firmou um vínculo eleitoral com os presídios”, requentando fake News propagadas pelo clã Bolsonaro.

As investigações apontaram, no entanto, que Raquel foi vítima de um ciúme doentio de Romero Xavier, que segundo o delegado Edmundo Félix mantinha comportamento possessivo e não aceitava o término da relação com a vítima.

Romero levou o irmão, Rodrigo, no próprio carro e o deixou escondido nas proximidades do sítio. No dia do crime, ele teria feito um churrasco e ido à uma boate para ter provas de que não estaria na cena do crime no momento da execução.

Enquanto isso, o irmão dele aguardava Raquel chegar ao sítio, onde ela foi atacada com 34 facadas. Após o assassinato, ele teria revirado a casa e levado uma moto para simular um latrocínio.

“Questionamos por que alguém tentaria levar uma televisão em uma motocicleta. Tal evidência sugeriu que aquele televisor foi deixado de forma proposital para fora da casa com o intuito de complicar a investigação”, disse o delegado.

Investigação

O assassinato da produtora rural Raquel Cattani, de 26 anos, com 34 facadas em um sítio no Assentamento Pontal do Marape.

Produtora de queijos artesanais – premiada no 3º Mundial do Queijo, em São Paulo, neste ano – Raquel foi encontrada morta na manhã de sexta-feira (19) em um dos quartos da casa com ferimento “possivelmente causado por arma branca”, afirmou a Polícia Civil do Mato Grosso.

Segundo informações da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica), foram identificadas 34 lesões de faca no corpo da produtora rural, algumas superficiais e no braço, indicando lesões de defesa, e outras mais profundas.

Um fato intrigou os investigadores – que ainda não divulgaram qual a linha de investigação.

A polícia acreditava que a casa tenha sido revirada de propósito para simular um latrocínio. Uma TV foi quebrada, haviam roupas no chão, armários revirados e a moto da vítima foi levada.

A polícia colheu amostras de DNA e digitais, que comprovaram o envolvimento do cunhado.

Raquel foi sepultada no sábado (20) em no Cemitério Jardim da Paz, em Lucas do Rio Verde, no norte do estado. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, esteve na cerimônia.

Produtora de queijo

Localizada no chamado “Nortão” de Matogrosso, o sítio onde Raquel morava com os filhos –  um menino de 6 anos e uma menina de 3 anos – fica em uma área isolada a cerca de 40 quilômetros do município mais próximo, Tapurah.

Os imóveis mais próximos ficam localizados a cerca de um quilômetro. O pai, deputado, tem um sítio a cerca de 3 quilômetros da casa da filha.

Além de fotos com filhos e em defesa de Jair Bolsonaro (PL), a quem o pai apoia de forma extremista, Raquel publicava nas redes as tarefas no sítio e o trabalho de empreendedora na Queijaria Cattani;

Em abril deste ano, os produtos fabricados por ela receberam duas premiações no 3º Mundial do Queijo, em São Paulo.

“Sem palavras e eternamente grata a Deus por todas as bençãos em minha vida. Tive o privilégio de participar desse evento em são Paulo @mundialdoqueijobrasil, estava esperando levar pra casa apenas mais conhecimento e agora estou levando embora duas premiações, Super ouro e ouro”, comemorou.

Em maio, ela recebeu uma moção de aplausos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, ao lado do pai, pelo trabalho como empreendedora rural.

Polêmicas

Aliado extremista de Jair Bolsonaro, Gilberto Cattani já se encontrou diversas vezes com o ex-presidente e faz a ponte com os ruralistas do Mato Grosso.

Eleito deputado estadual, ele coleciona polêmicas e projetos nonsenses, como um Projeto de Lei para considerar Lula persona non grata no estado.

Em 2023, ele foi alvo de um processo de cassação do mandato por comparar a gravidez de mulheres com a gestação de vacas em ao menos três ocasiões.

Revista Fórum

Justiça suspende reconstrução da BR-319 por falta de medidas para evitar destruição da Amazônia

Cidade de Alagoas com 3 mil habitantes é a 3ª maior em emendas no Brasil

Foto: Delegado Fábio Costa segura cheque simbólico de R$ 1,75 milhão de sua emenda parlamentar para pavimentação de vias de Mar Vermelho

Levantamento aponta que município recebeu R$ 6,4 milhões este ano, o que dá R$ 2 mil por habitante

Com pouco mais de 3 mil habitantes, Mar Vermelho, cidade localizada na Zona da Mata de Alagoas, é a terceira cidade do Brasil que mais recebe emendas parlamentares. De janeiro até o início de julho, o município recebeu R$ 6,4 milhões em emendas, o que dá R$ 2.013 por habitante. O levantamento foi feito pelo jornal “Folha de S Paulo”.

O Delegado Fábio Costa (PP-AL) é o parlamentar que mais destina recursos para Mar Vermelho. Curiosamente, Costa foi o candidato a deputado federal menos votado na cidade em 2022, recebendo apenas 35 votos. Fábio Costa destinou R$ 2,9 milhões das chamadas “emendas Pix”, que caem direto no caixa da prefeitura.

Em março, Costa postou em suas redes sociais um vídeo ao lado do prefeito de Mar Vermelho, André Almeida (MDB), que deve disputar a reeleição, segurando um cheque no valor de R$ 1,74 milhão que seria usado para pavimentação de uma importante via da cidade.

Por meio de sua assessoria, o deputado afirmou que as verbas destinadas por ele também serão usadas na construção de um ponto turístico e que ele prioriza “municípios com capacidade de execução e transparência para garantir a melhor aplicação dos recursos”, não havendo relação entre “quantidade de votos e valor das emendas”.

O valor repassado à cidade de Mar Vermelho é um reflexo da distorção nas emendas parlamentares, causada pela multiplicação do valor das emendas nos últimos anos e a quase total autonomia de deputados federais e senadores na distribuição do dinheiro.

Isso coloca cidades pequenas no topo do ranking de verba por habitante. Segundo o levantamento feito pela “Folha de S Paulo”, todas as dez cidades proporcionalmente mais beneficiadas têm menos de 6.000 moradores. No topo da lista das cidades mais beneficiadas proporcionalmente estão Bom Sucesso e Curral Velho, na Paraíba.

As emendas são uma forma pela qual deputados e senadores conseguem enviar dinheiro para obras e projetos em suas bases eleitorais e, com isso, ampliar seu capital político.

Pressionado pelo Congresso, o governo Lula (PT) acelerou a liberação de emendas e pagou cerca de R$ 23 bilhões até a primeira semana de julho, principalmente aos municípios. A pressa deve-se à trava imposta pela legislação eleitoral a novos repasses nos três meses que antecedem as eleições.

Imagem: Reprodução/Redes sociais

Fonte: Jornal Extra

Padre Ezequiel Ramin: luta e sacrifício

Por Vinicius Valentin Raduan Miguel (*)

Padre Ezequiel Ramin, nascido em 1953 na cidade italiana de Pádua, é uma figura cuja vida se entrelaça com os fios da luta e do sacrifício.

Desde jovem, sentiu-se atraído pela missão de servir os marginalizados, um chamado que o levou a ingressar na Congregação dos Combonianos.

Com uma sólida formação em Teologia, sua alma inquieta, embora doce, não encontrou repouso nas zonas de conforto clerical.

Foi no Brasil, em meio às agruras dos camponeses e indígenas, que encontrou o cenário de sua luta mais árdua e de seu destino trágico.

Ao pisar em Rondônia, no início dos anos 1980, Ramin encontrou uma terra fervilhante de conflitos agrários.

A disparidade entre pequenos agricultores, indígenas e os latifundiários era abissal, exacerbada pela ganância daqueles que tentavam grilar mais terras e expulsar pequenos agricultores.

Inspirado pela Teologia da Libertação e pelos valores do Evangelho, Padre Ezequiel posicionou-se ao lado dos oprimidos: assumiu postura defendendo seus direitos e denunciando as injustiças.

Sua presença vigorosa conquistou rapidamente a confiança dos camponeses, mas também atraiu a ira dos que detinham o poder econômico.

Ramin não se limitava a sermões e homilias. O padre caminhava ao lado dos trabalhadores rurais, organizava comunidades e participava ativamente das manifestações.

Sua liderança carismática e sua inabalável fé na justiça social fizeram dele uma figura central na defesa dos trabalhadores.

Contudo, essa mesma atuação o tornou um alvo.

As ameaças não o dissuadiram. Ao contrário, reforçaram sua convicção de que sua missão era maior do que qualquer temor pessoal.

Em 24 de julho de 1985, o destino de Padre Ezequiel encontrou seu clímax trágico.

Após uma reunião com trabalhadores do campo, foi emboscado e covardemente assassinado.

Sua morte brutal foi um golpe para as comunidades que ele apoiava.

Desvelava o lado mais brutal e torpe da violência no campo em Rondônia.

O martírio de Ramin é lembrado como um dos marcos históricos das violações aos direitos humanos em Rondônia.

Ezequiel se tornou um ícone e um testemunho de coragem e sacrifício.

No entanto, há algo mais nas sombras da história de Padre Ezequiel Ramin, algo que ressoa como uma lenda de tempos passados, uma figura que atravessa o crepúsculo entre o heroísmo e o martírio.

Suas jornadas pelas florestas de Rondônia, sob o manto escuro da noite, lembram os contos de cruzadas solitárias contra forças invisíveis.

As ameaças que pairavam sobre ele, como nevoeiro denso, nunca o desviaram de seu caminho.

Ao contrário, pareciam solidificar sua determinação, um eco das lutas ancestrais pela justiça.

A descrição de sua morte, uma emboscada sob a penumbra do entardecer, carrega a aura de uma tragédia, onde o herói cai, mas não sem antes deixar um legado indelével.

O sangue de Padre Ezequiel, derramado na terra que ele tanto defendeu, é um símbolo vivo, quase místico, da luta que não conhece fim.

Como um cântico, uma balada que inspira e convoca à resistência.

Como um personagem das crônicas antigas, a figura de Padre Ezequiel permanece nas memórias daqueles que ainda lutam.

A cada injustiça enfrentada, a cada vitória conquistada, há um tributo silencioso a ele, um reconhecimento de que sua missão continua a viver nas ações daqueles que não se rendem.

Assim, ao olharmos para a vida de Padre Ezequiel Ramin, não vemos apenas um homem, mas um símbolo eterno de resistência.

Sua narrativa é entrelaçada com os contornos de uma saga épica, onde a coragem, o sacrifício e a luta pela justiça formam o cerne de uma história que, como todas as grandes histórias, transcende o tempo e o espaço.

Padre Ezequiel é um herói.

E como todos os heróis, Governos, mesmo ditos democráticos, por omissões e silenciamentos, tentam apagar seu legado.

Padre Ezequiel será inesquecível!

É a chaga aberta contra a impunidade na Amazônia.

(*) Vinicius Valentin Raduan Miguel é advogado e professor da Universidade Federal de Rondônia

“Sou fanático pela educação”, diz Lula após anunciar R$ 79 milhões em investimentos na UFSCar

Cerimônia de celebração dos 10 anos de atividades do Campus Lagoa do Sino da UFSCar e anúncios de investimentos do Ministério da Educação (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Presidente falou sobre a necessidade de ampliar o acesso à educação no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou na manhã desta terça-feira (23) em um evento para anunciar o investimento de R$79,3 milhões na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O valor contempla obras de infraestrutura elétrica, biblioteca, auditório, urbanização, centro de pesquisa, edifícios universitários, reforma e ampliação do Hospital Universitário em três campus da instituição.

Lula falou sobre a importância dos investimentos e reforçou a necessidade de ampliar o acesso à educação no Brasil. “Minha obsessão depois de tudo que passei é permitir  que todas as pessoas deste país, nascidas dentro deste 8,5 milhões de metros quadrados, que tenham nosso sangue, nosso dna, tenham o direito de estudar, direito de ter oportunidade, direito de fazer um curso profissional, um curso técnico, tenham o direito de virar doutor ou doutora”, disse.

O presidente também falou que os investimentos na área permitem que a população pobre tenha novas possibilidades, e comparou o ato de governar ao jogo “pega varetas”.

“Governar é pegar 203 milhões de habitantes, você solta e depois vai tentar mexer com aquele que não te dá problemas, porque se der problemas você não mexe. Este problema é um palito chamado povo, ele está sempre por baixo. É sempre o mais difícil de um jogador de palitinho pegar. Porque se ele tentar pegar ele vai mexer nos ricos, nos grandes fazendeiros, nos grandes empresários, nos banqueiros , vai mexer em setores da classe média alta. Então não pode mexer com o povo: deixa o povo pobre lá. Mexer com o povo e perder o jogo. Devemos mudar a lógica deste jogo de palitos . A gente precisa ter coragem de mexer com este palito chamado povo para que a gente tire o povo desta linha de submissão que ele é colocado a vida inteira. E é exatamente por a gente ter coragem de mexer neste palito chamado povo que sou muito fanático pela educação”, explicou.

Brasil 247

 

“Çei”: Bandidos invadem clube de tiro em Santa Catarina e roubam mais de 100 armas de fogo

Proprietário do clube de tiros chora ao citar prejuízo de mais de R$ 800 mil: “Não sei o que fazer agora, pois as armas já estavam quase todas vendidas para clientes que aguardavam apenas a liberação do registro pelo Exército”. A preocupação do proprietário é só com o prejuízo de mais de R$ 800 mil e não com as armas nas mãos de bandidos. O “Çei” acima é por conta do modus operandis dos bolsonaristas. Com certeza, esse roubo é fake.

Assaltantes invadiram um clube de tiros na cidade de Itaiópolis, em Santa Catarina, e levaram mais de 100 armas de fogo. O crime aconteceu no último dia 17 de julho.

A esposa do dono do clube de tiro abriu a loja. Ela disse ao marido que três homens armados e mascarados anunciaram o assalto. Eles amarraram a esposa e pedreiros que trabalhavam em uma obra no local.

O prejuízo causado pelo assalto está causando uma grande dor de cabeça para o proprietário do estabelecimento. Isso porque a maioria das armas levadas pelos criminosos já estavam vendidas para os clientes do local.

Segundo Jefferson José Drozdek, cerca de 90% das armas que estavam no cofre do clube já tinham sido pagas pelos clientes e aguardavam apenas a liberação de registro pelo Exército Brasileiro.

“Nem sei o que fazer agora, como vou comprar tanta arma pra devolver para os clientes”, afirma Drozdek. De acordo com o proprietário, quase todas as armas do local foram roubadas pelos criminosos.

Ainda conforme Jefferson, os assaltantes usaram roupas dos pedreiros que estavam trabalhando no clube de tiro, como chapéus, por exemplo. “Por isso pareciam ser agricultores, algo do tipo”, afirma.

O prejuízo estimado é de mais de R$ 800 mil. As armas costumam ser compradas e armazenadas até a liberação. “Como tem que garantir preço, tem que comprar da fábrica e armazenar para o cliente”, explica Drozdek.

No assalto, os criminosos levaram armas de longo alcance e cerca de 80 pistolas, além de mais de 10 mil munições. Os criminosos não foram encontrados até agora.

Pragmatismo Politico

Ranking: os 10 estados mais violentos do Brasil

O ranking do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que Amapá é o estado brasileiro mais violento de 2023.  Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 18, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estado tem 69,9 mortes violentas por 100 mil habitantes – o triplo da média nacional. Cerca de 751 mil pessoas vivem no Amapá.

Em números absolutos, o Amapá teve 513 mortes no último ano, um aumento de 39,8% em comparação com o ano anterior. A violência na região está concentrada em duas cidades, Santana, o município mais violento do Brasil, e Macapá, a capital do estado que está entre as dez cidades com mais mortes violentas do país. Santana, região de portos, sofre por ser rota do tráfico de drogas internacional.

Na segunda posição está a Bahia, com 46,5 mortes violentas por 100 mil habitantes. O total de homicídios na região foi de 6.578, queda de 1,3% em comparação com 2022. O estado tem seis cidades entre as dez mais violentas do Brasil. Camaçari (BA), o segundo município mais violento do país, tem o dobro de mortes violentas que a média do estado, com 90,6 por 100 mil habitantes. Jequié (BA), com 84,4; Simões Filho (BA), com 75,9; Feira de Santana (BA), com 74,5; Juazeiro (BA), com 74,4; e Eunápolis (BA), com 70,4, também estão entre as cidades mais violentas na Bahia.

Pernambuco também está entre os estados mais violentos do Brasil, com 40,2 homicídios por 100 mil habitantes. Foram 3.638 mortes violentas em 2023, alta de 6,2% em um ano. Recife, a capital do estado, acompanhou a média estadual e teve 40,1 mortes violentas no ano passado. A alta de 10,1% representou 597 homicídios.

Outros estados que estão na lista são o Amazonas, com taxa de 35,6 mortes, seguido pelo Ceará, com 35,4, e o Pará, com 32,8 homicídios intencionais. As três localidades, porém, tiveram queda no número de mortes na comparação anual.

l.

Os dados mostram que as regiões Nordeste e Norte continuam liderando o ranking de regiões mais violentas do país. No Nordeste, a taxa de mortes violentas é 60% superior à média nacional; na região Norte, 48,8% mais elevada.

Segundo Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a queda da violência letal no Brasil é desigual e heterogênea. Ele alerta ainda que as duas regiões convivem com disputa de grupos criminosos e são rotas do tráfico internacional de drogas.

“Nessas duas regiões estão localizados os estados que estão convivendo com um quadro acentuado de disputas entre facções de base prisional por rotas e territórios e, ao mesmo tempo, concentram a maioria dos estados com altas taxas de letalidade policial”, explica o presidente do FBSP.

Os 10 estados mais violentos do Brasil

  1. Amapá
  2. Bahia
  3. Pernambuco
  4. Alagoas
  5. Amazonas
  6. Ceará
  7. Pará
  8. Mato Grosso
  9. Rio Grande do Norte
  10. Sergipe

Acessse o último anuário

https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2024/07/anuario-2024.pdf

Lula se emociona e diz que vitória de Boulos em São Paulo é sua prioridade

Durante convenção, o presidente foi enfático em caso de triunfo de Boulos: “A extrema direita nunca mais vai voltar a governar o país e essa cidade”

O presidente Lula (PT) fez questão de prestigiar a convenção eleitoral que oficializou a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura de São Paulo, tendo Marta Suplicy (PT) como vice.

O evento foi realizado neste sábado (20), no Expo Center Norte, na capital paulista, e reuniu mais de 10 mil pessoas.

Lula se emocionou e chorou algumas vezes, como nas falas da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP) e em seu próprio discurso. Na oportunidade, o presidente ressaltou que eleger Boulos em São Paulo é sua prioridade.

“O Boulos é o meu candidato. Eu me sinto tão candidato quanto ele. Eu quero ser responsável pela vitória dele. Mas, muito mais do que eu, vocês’”, afirmou.

Lula foi enfático ao criticar o atual prefeito Ricardo Nines (MDB), que tenta a reeleição, e Jair Bolsonaro (PL). O presidente deixou claro o quanto é importante derrotar a extrema direita. “Não vou citar nome de adversário. Quem está com fulano, com beltrano, com o outro”, começou dizendo.

Porém, em seguida, afirmou: “Nós temos que mostrar quem está com quem. Com a vitória de Boulos, a gente pode falar que a extrema direita nunca mais vai voltar a governar o país e essa cidade”, acrescentou o presidente.

Frente ampla progressista

Em todos os pronunciamentos na convenção foi unânime a opinião da importância da formação de uma frente ampla para derrotar a extrema direita em São Paulo.

O próprio Boulos destacou: “Vamos juntar a maior frente progressista da história de São Paulo. Oito partidos para conduzir a mudança nessa cidade a partir de hoje”. São eles: PSOL, PT, Rede, PCdoB, PDT, PV, PMB e PCB.

Espaço para as mulheres

A vice de Boulos, Marta Suplicy revelou que a gestão da chapa, caso vença a disputa à prefeitura de São Paulo, dará amplo espaço à participação feminina.

“Nós mulheres seremos 50% do futuro governo que começa na cidade hoje”, declarou a ex-prefeita da capital paulista, durante a convenção eleitoral.

Revista Fórum

Guilherme Boulos é oficializado candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Psol

Deputado federal terá a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) como vice na eleição municipal

candidatura de Guilherme Boulos (Psol) à Prefeitura de São Paulo foi oficializada neste sábado (20) durante a convenção do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), na capital paulista. A atividade contou com a presença de parlamentares, ministros e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O evento reuniu três ex-prefeitos petistas de São Paulo: a candidata a vice na chapa de Boulos, Marta Suplicy (PT), Fernando Haddad (PT), e a deputada federal Luiza Erundina (Psol-SP).

No discurso, o presidente Lula (PT) chamou os três ao palco, além do deputado federal petista Rui Falcão – que se licenciou do cargo para ajudar na articulação da chapa ‘Boulos-Marta’.

“É essa a comparação que vocês têm que fazer. Ninguém fez mais por São Paulo do que esses três companheiros que estão aqui. Eu não vou citar nome de adversário, mas a gente vai poder comparar quem é que tá com fulano e quem é que tá com beltrano (sic). A comparação entre o pior e o melhor momento de São Paulo”. Ao propor uma foto entre os três ex-mandatários da capital paulista, Lula acrescentou: “Essa fotografia vale mais que um discurso”.

Candidata a vice na chapa de Boulos, Marta Suplicy destacou o papel do presidente Lula na articulação que produziu a aliança entre o PT e o Psol para a disputa municipal e exaltou as gestões petistas na capital paulista.

“Eu estou cheia de energia, de garra para estar ao lado do Boulos num governo da altura dos sonhos e da grandeza de São Paulo. Trazemos tudo o que aprendemos nas gestões da Erundina, do Haddad, e na minha”, disse. “Nós representamos o amor por São Paulo”, completou.

Erundina, que governou São Paulo de 1989 a 1993, recordou as gestões populares dos governos do PT em São Paulo e se mostrou otimista diante das eleições municipais de outubro.

“Em 2024, o povo vai eleger de novo outra chapa de companheiros que vão governar com o povo. Essa chapa, não há dúvidas, é Boulos e Marta Suplicy. Essa é a chapa que vai governar os próximos quatro anos”, disse a decana da Câmara dos Deputados.

Já Haddad, que foi prefeito da capital paulista entre 2013 e2016, falou do caráter nacionalizado das eleições em São Paulo.

“A disputa aqui diz muito o que o brasileiro deseja para o país”, disse o ex-prefeito. “Boulos, você tem uma tarefa histórica pela frente, que a gente não pode menosprezar, porque é uma tarefa para todos nós. São Paulo é a maior cidade do país. São Paulo tem 12 milhões de habitantes. O Brasil inteiro vai estar olhando para sua cidade e vai estar olhando para São Paulo”, afirmou.

Além do ministro da Fazenda, outros seis ministros participaram da atividade: Marina Silva, do Meio Ambiente; Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas; Alexandre Padilha, das Relações Institucionais; Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego; da Ciência Tecnologia e Inovação, Luciana Santos e o secretário-geral da Presidência, Marcio Macedo.

“Se a gente conseguir resolver o problema da desigualdade, resolver o problema da falta de emprego, de oportunidade, para as mulheres, para os jovens, para a população periférica em São Paulo, a gente resolve o problema no Brasil”, disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da Rede, que compõe uma federação com o Psol.

A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) destacou a importância da unidade dos partidos de esquerda na maior cidade do país.

“Essa é uma frente de enfrentamento, de resistência, e sobretudo de vitória contra a extrema direita na cidade de São Paulo. Nós não podemos deixar a extrema direita avançar”, declarou.

O agora candidato oficial pelo Psol à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, exaltou a parceria do seu partido com o PT. E falou da sintonia com a vice, Marta Suplicy.

“Essa parceria já está dada. É a parceria da moradia popular com os Céus. É a parceria das cozinhas solidárias com o Bilhete Único, é a parceria da coragem com a experiência para mudar a cidade de São Paulo”. Em tom de brincadeira, Boulos rebateu as críticas de que a chapa com a petista poderia não dar certo, e mandou o recado: “A nossa dupla está mais afinada que Chitãozinho e Xororó”.

Boulos também sem citar nomes – assim como Lula – alfinetou os possíveis adversários na disputa eleitoral.

“Não vamos governar para meia dúzia de empresas de ônibus. E se quem governa São Paulo hoje não se importa com pessoas esperando horas num hospital para ser atendido, a gente se importa. Por isso que a gente vai assumir o compromisso de zerar a fila da saúde de São Paulo”. Ao se dirigir ao presidente Lula, Boulos emendou: “Lula, o seu governo e o da Dilma criaram o programa Mais Médicos, vamos precisar da ajuda de vocês para levar médico para onde não tem”.

Psol é o primeiro partido a realizar convenção entre os que apresentarão candidaturas à Prefeitura de São Paulo.

“Hoje começa o jogo”

Ao chegar ao espaço da Expo Center Norte, na capital paulista o deputado federal e aspirante à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, disse estar confiante na vitória.

“Hoje começa o jogo, começa um processo de mudança para cidade de São Paulo. para fazer uma cidade mais justa, mais humana, que vai se completar daqui a 75 dias com a nossa vitória”, declarou ao Brasil de Fato.

Fonte Brasil de Fato

Indústria da carne age para distrair, atrasar e inviabilizar ação climática, diz relatório

Trabalho de organização europeia analisou 22 das maiores empresas de carne e laticínios em quatro continentes

Relatório divulgado esta semana pela organização holandesa Changing Markets Foundation revela o que seriam as principais práticas empregadas sistematicamente pelos gigantes mundiais da carne e dos laticínios que resultam em distração, atraso e inviabilização do enfrentamento da crise climática. Intitulado “Os novos comerciantes da dúvida”, o trabalho analisou as ações de 22 das maiores empresas de carne e laticínios do mundo – incluindo a brasileira JBS – em quatro continentes.

Segundo o relatório, o setor tem inviabilizado ações climáticas significativas a nível global por meio de lobby junto a políticos, investimentos maciços em publicidade para públicos mais jovens e uso de ciência enganosa para minimizar o impacto que suas atividades têm nas emissões de metano e disseminar falsas alegações climáticas.

Documentos obtidos via leis de acesso à informação revelam, por exemplo, o extraordinário acesso que o setor tem a políticos. Somente na última década, representantes da indústria da carne e laticínios tiveram mais de 600 reuniões de alto nível com a Comissão Europeia.

“Memorandos internos revelam como o principal grupo europeu da indústria láctea celebrou a manutenção do metano fora da legislação sobre qualidade do ar e está a preparar-se para mantê-lo assim nas próximas revisões da lei previstas para 2025”, diz trecho do relatório.

Fazendo uma comparação às táticas usadas pelas indústrias do tabaco e dos combustíveis fósseis, o relatório também revela que as grandes empresas do setor empregam táticas como a intimidação e o medo sobre consumidores e pequenos agricultores, ao alegarem que leis mais restritivas, por exemplo, implicariam em prejuízos para tais públicos.

A pesquisa envolveu mais de 15 investigadores especializados e jornalistas de investigação e decorreu entre fevereiro de 2023 e junho de 2024.

A investigação mostra que as grandes indústrias do setor estão especialmente preocupadas com as gerações mais jovens, que consomem menos carne e laticínios do que as gerações anteriores. Elas visam, diz o documento, a “Geração Z” (nascidos entre 1995 e 2010) com campanhas publicitárias enganosas no TikTok e no Instagram, promovendo falsamente a carne e os laticínios como escolhas sustentáveis ​​e mais saudáveis ​​em países de alto consumo como os EUA e o Reino Unido, contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os sistemas alimentares contribuem para aproximadamente um terço das emissões globais, sendo 60% provenientes da pecuária – a maior fonte de metano produzido pelo homem. No entanto, apenas 15 das 22 grandes empresas de carne e laticínios têm uma meta de emissões líquidas zero e nenhuma cumpre as normas da ONU. A Danone é a única empresa com uma meta específica de metano.

“Tivemos as Grandes Indústrias do Tabaco, tivemos as Grandes Petrolíferas, agora temos as Grandes Carnes e Laticínios. ‘Os novos comerciantes da dúvida’ é uma exposição impressionante das táticas das grandes empresas de carne e laticínios. O relatório descreve exemplos específicos e flagrantes de campanhas de desinformação, greenwashing e interferência política. Esclarece como a indústria manipula o preço e os tipos de alimentos que comemos”, diz o pesquisador Paul Behrens, Professor Associado de Mudanças Ambientais na Universidade de Leiden, na Holanda.

Diego Pupe, ex-caso de Jair Renan Bolsonaro, é agredido em Brasília

Ele afirmou que o agressor o pegou de surpresa, de costas, em um momento de distração de seus seguranças

Diego Pupe, ex-assessor e ex- caso de Jair Renan Bolsonaro (filho 04 do ex-presidente Jair Bolsonaro), foi agredido na madrugada desta sexta-feira (19), no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Segundo ele, o agressor é uma pessoa conhecida contra quem ele já move outro processo. Pupe foi dar queixa no 5ª DP de Brasília. Ele postou vídeo no stories do seu Instagram com o rosto sangrando e falou sobre o ataque:

“Estava no Mané Garrincha e fui agredido por um agressor que tenho vários processos contra ele. E a Justiça do Brasil, infelizmente, é isso. Ele me pegou por trás, de costas, porque ele é um covarde. Estamos aqui na delegacia e vamos seguir com todas as medidas cabíveis. Estou aguardando meus advogados porque fui resgatado pela Polícia Militar”, contou.

“Estou aqui mais uma vez, pra registrar mais uma queixa, entrar com mais um processo contra a mesma pessoa e nada dá”, prosseguiu.

A seguir, Pupe revelou a identidade do seu agressor: “Estou registrando mais uma queixa contra o Vitor, que é um empresário lá da feira dos importados que vende iPhone. Já tenho vários processos contra ele. E eu quero dizer que estou bem, mas vou seguir mais uma vez contra ele.”

Distração dos seguranças

“Estava indo ao banheiro do evento quando fui surpreendido pela agressão dele. Ele é tão covarde que me pegou de costas, supernormal, né, pra quem é covarde. Essa pessoa já é bem falada da Justiça brasileira”, revelou. Ele ainda disse que conseguiu imagens das câmeras do estádio

“Eu estava com segurança, sim. Eu tava bem apertado pra ir no banheiro e meus seguranças estavam distraídos lá. Eu saí do camarote e acabei indo no banheiro sozinho, sem ajuda de amigos e seguranças. E ele acabou sendo covarde, me pegou e me agrediu”, revelou.

Veja o vídeo abaixo:

Caso com Jair Renan

Diego Pupe revelou em outubro do ano passado que teve um relacionamento amoroso com o filho mais novo de Jair Bolsonaro.

A revelação foi feita logo após Pupe prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no âmbito de uma investigação que apura esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa do qual Jair Renan faria parte.

“Com o Jair Renan eu tive um relacionamento mais delicado, eu e ele (…) Gente, eu tive um relacionamento com o Renan, que não falei pra ninguém ainda, estava esperando todo esse auê da polícia, essa confirmação que eles estão querendo finalizar. Mas logo logo vou falar sobre isso, tá bom?”, disparou o ex-assessor em entrevista ao site Metrópoles.

Um repórter perguntou que tipo de relacionamento Pupe tinha com Jair Renan, ao que o ex-assessor declarou: “Íntimo”. O jornalista ainda fez mais um questionamento para confirmar. “Romântico?”, perguntou, e Pupe respondeu: “Sim”.

Após esta primeira revelação, Pupe chegou a divulgar fotos íntimas em que Jair Renan aparece apenas de cueca e olhando o celular.

Jair Renan sempre negou a história e chegou a dizer que um print dizendo que ama Diego Pupe poderia ser “coisa do PT”.

Revista Fórum

Empresários do agro (bolsonaristas) são presos pela Polícia Federal por golpe de R$ 40 milhões na Caixa Econômica

Além dos empresários, gerente de banco também participava do esquema criminoso. Todos eles ostentavam uma vida de luxo nas redes sociais e postavam frases como “o trabalho duro recompensa”. A riqueza, porém, era fruto de desvio de dinheiro público

A Polícia Federal deflagrou uma operação para desarticular um grupo que aplicou um golpe de R$ 40 milhões na Caixa Econômica Federal com fraudes em financiamentos agropecuários.

Os agentes cumpriram 18 mandados em 13 endereços nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Acreúna e Rio Verde, todas em Goiás. Os alvos da operação são empresários do agro, advogados e funcionários da Caixa suspeitos de formarem uma quadrilha criminosa que aplicava golpes no banco público. Duas pessoa foram presas.

Nas redes sociais, integrantes do grupo ostentavam uma vida de luxo e alguns postavam até mensagens motivacionais, no sentido de dizer que os frutos são colhidos através do trabalho duro.

“No ano de 2023 foram adquiridos mais de 40 veículos em nome de integrantes desse grupo. Veículos de luxo, caminhonetes, importados, moto aquática e joias com dinheiro produto do financiamento que deveria ser aplicado em atividade rural. Um dos investigados estava ostentando viagem pela Europa”, detalhou o delegado do caso.

O grupo emitia documentos falsos para praticar o golpe milionário e subornava funcionários da Caixa. Conforme a PF, os suspeitos teriam causado um prejuízo de pelo menos R$ 40 milhões à estatal entre 2022 e 2023.

Os acusados tiveram contas bancárias bloqueadas. A Justiça também determinou o sequestro de pelo menos 48 imóveis e 44 veículos de propriedade dos membros da organização criminosa, além da constrição de criptoativos.

O caso passou a ser investigado depois que um cartório recusou o registro de uma cédula de crédito rural por indício de falsificação e comunicou a Caixa Econômica Federal. O delegado explicou que, na ocasião, a instituição financeira apurou internamente a situação, encontrando os indícios de fraude e entregou a documentação para a Polícia Federal.

Em nota, a Caixa disse ter auxiliado a PF na investigação. “A Caixa esclarece que informações sobre eventos criminosos em suas unidades são repassadas exclusivamente às autoridades policiais e ratifica que coopera integralmente com as investigações dos órgãos competentes”.

O grupo responderá por uma série de crimes. Conforme a PF, os suspeitos devem ser indiciados por golpes contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Se condenados, a pena para cada um dos envolvidos é superior a 42 anos de detenção. Nenhum dos nomes dos envolvidos foi divulgado.

Pragmatismo Pólítico

O espetáculo em torno de Donald Trump

Por LUCAS PAOLILLO*

Com o atentado, Trump fica mais forte: midiaticamente mais presente, vinculado para sempre à história de um estado e mais seguro para efetuar trocas de pele entre o legítimo e o ilegítimo

Desde o dia treze de julho não se fala noutra coisa: nenhuma retina ficou impune às imagens do comício de Donald Trump na cidade de Butler na Pensilvânia. O acontecimento foi visto literalmente por todo o mundo: o estampido, a mão na orelha, o agachamento, o levantamento, o fluido vermelho e a pose triunfalista com os engravatados da segurança. Como pedagogia, uma verdadeira enxurrada fílmica.

Se não bastasse a exposição exaustiva das imagens, e esse é só o começo, o complexo midiático planetário pôs para jogo, como era de se imaginar, o comércio de opiniões e versões precipitadas. Com elas, de cima para baixo, o assunto ganhou a circulação de boca em boca. Nas grandes emissoras, vedetes opinativas do telejornalismo rezam a cantilena de acomodar posições oficiais. Nas redes, vídeos porcos reverberam mil e uma traquinagens monetizadas. E la nave va.

Para nós, meros mortais perdidos nos labirintos de imagem e opinião da sociedade excitada, o panorama político do mundo mudou de um dia para o outro. Impôs-se um assunto incontornável e, com ele, um plebiscito ruidoso e convicto de opiniões aceleradas. Ao final das contas, esta peça própria à forma integrada do espetáculo, como diria Guy Debord, rendeu alguns dos seus dividendos.

Noutra era geológica, Mário de Andrade chegou a falar, em carta a Alceu de Amoroso Lima, na impossibilidade um pouco quixotesca de se desejar conter uma enchente com as mãos. Já Adalgisa Nery, em coluna para o jornal Última hora, se reportou a uma “incontinência americana de julgar sem ponderar”. O eco involuntário de ambas as frases salta à escrita como muleta ilustrativa: indícios de uma combinação explosiva.

Deste modo, tudo se passa como se estivéssemos, junto à hegemonia já cinquentona do lastro dólar, sob a fatalidade de uma enchente de incontinência.

Cientes do risco de comporem a amplificação desse coro, as notas que se seguem não se pretendem mais do que, nalguma medida, profiláticas.

Em nível de sugestão, não é demais lembrar que a análise dos acontecimentos políticos é menos frutífera quando projetar respostas do que quando analisa efeitos e resultados. Optar por manter isso à vista em casos como este pode colaborar para tirar de cena polêmicas vãs e propõe inclinações na direção de tentativas de identificação mais lastreáveis. Ainda que especulações bem calibradas não caiam mal.

Conforme sugere Betinho nos seus esquemas abecedados sobre análise de conjuntura, atinar com os acontecimentos demanda primeiramente um esboço da fisionomia dos elementos em cena. Apenas depois é que a representação das conjecturas se dá com maior clareza. No pequeno volume, o método se inicia com o levantamento, segue com as identificações e só depois culmina no exercício da representação. Daí os resultados: “A representação é reveladora também das atitudes básicas que temos sobre as diferentes forças sociais que atuam na luta política e o quanto estamos ou somos influenciados pela informação e ideologia dominantes”.

Como o acontecimento em torno de Donald Trump é recente, e os recursos dispostos para compreendê-lo são bastante limitados, assumirmos, por enquanto, que há pouco a ser dito pode ser um bom começo.

Mais do que, digamos, especularmos se Capitu traiu Bentinho ou não, isto é, se o atentado foi ou não real, fixemos, no lugar disso, as evidências da partida: a dramatização midiatizada da possibilidade de extermínio de líderes políticos cria efeitos de repercussão fortes. Arbitrária ou acidentalmente, como não foi morto, essa bola caiu no colo de Donald Trump. Tendo em vista a volubilidade da extrema direita em face a tais conjunções, há elementos relevantes para se observar e refletir.

Por ora, vamos a algumas pontuações sobre o acontecimento em Butler.

Mudança no padrão de exposição e engajamento

Conforme buscamos situar, o atentado gerou um efeito midiático. Dada a natureza da cena, trata-se antes do mais de um efeito de amplo alcance e interesse. Em perspectiva geral, não é a primeira vez que temos um atentado contra um candidato à presidência da República no núcleo orgânico do sistema. O mesmo pode ser dito quanto ao impacto da repercussão na opinião pública. Há quem atribua a vitória forte de Ronald Reagan em 1984 ao atentado sofrido por ele em 1981.

Contudo, há algo de muito próprio ao nosso tempo que permite nos colocar eventos assim sob suspeita, como se fossem cenas montadas por encomenda. Pode ser que seja. Pode ser que não. No Brasil, depois do episódio da facada em 2018, Jair Bolsonaro mudou o patamar da relação da sua candidatura com a publicidade: o atentado lhe rendeu horas nada desprezíveis de exposição nos principais telejornais. Não como alguém que, digamos, inaugura uma ponte sob bocejos em um dia cinzento, mas que é apresentado como um polêmico portador de esperanças injustamente ferido.

Nas redes, o burburinho fez do caso uma trend (tendência). Situações assim mudam o desenho de processos eleitorais. Pensando ainda no caso brasileiro de 2018, enquanto candidatos como Geraldo Alckmin investiram todo o seu cacife no desmoralizado horário eleitoral, Jair Bolsonaro lucrou horas e horas de engajamento a flor da pele mediante ao espanto proveniente da ocorrência.

Donald Trump, por outro lado, não é um iniciante, mas um ex-presidente: é conhecido e o tempo dará a régua e o compasso sobre o modo como isso interferiu na maneira de angariar ou retirar do sofá seus simpatizantes. A nova situação pode impactar favoravelmente, por exemplo na mobilização pelos votos populares (que, vale lembrar, não são obrigatórios nos EUA). Passado o dia treze, Donald Trump será mais falado – e a partir de uma posição nova.

Criação de trauma histórico em um swing state

Há estados nos Estados Unidos que historicamente tendem a oferecer maiorias previsíveis, coisa que a seu modo o Brasil também faz. Há estados mais republicanos, como Texas. Há estados mais democratas, como Califórnia. Outros, ainda, como Pensilvânia, local em que se deu o atentado em questão, são conhecidos como swing states ou purple states, isto é, são localidades nas quais se espera uma disputa real de votos a cada eleição presidencial.

Na eleição de 2016, por exemplo, o estado votou majoritariamente em Donald Trump. Em 2020, por outro lado, deu maioria a Joe Biden. A criação de um trauma histórico como o ocorrido recentemente na Pensilvânia abriu portas gerar, no estado, efeitos de curta, média e longa durações. Há, com isso, digamos, uma tendência a oscilação de grupos focais. Efeitos de público-alvo. De modo que paira hoje uma incógnita no perfil aberto do estado em disputa.

Assim sendo, podemos assumir de partida que, embora não tenhamos definidos os seus efeitos práticos nesse sentido, o acontecimento do último dia 13 marcou de maneira indelével a identidade política do estado. Daqui a cinquenta anos, caso ainda reste mundo ou eleições estadunidenses, alguém poderá reivindicar ou detratar posições trumpistas com remissões ao ocorrido ali. Até segunda ordem, Pensilvânia ficará marcado como um estado no qual Trump sofreu um atentado.

Movimento do ilegítimo ao legítimo

As pautas em torno da política oficial têm transbordado ao acompanhamento. Aceleradamente, num dia a atenção está numa coisa, noutro dia, noutra. Assim, fica difícil situar os acontecimentos. O que explica a memória curta em torno dos desmandos de Jair Bolsonaro ao longo dos seus quatro anos de mandato, somados ao oito de janeiro.

Da filial para a matriz, com Donald Trump não é diferente: a troca de atenção depois do atentado interfere também na maneira como as ações dele são lembradas ou avaliadas. De alguns anos para cá, ao mesmo tempo em que ele se normalizou no campo republicano, Donald Trump tem sido alvo de acusações, digamos, deslegitimadoras.

É o caso da condenação pelo aprontado com a atriz Stormy Daniels, da reprovação pela postura de negar as urnas eletrônicas, ou então pelas relações que manteve com os apoiadores que entraram no Capitólio. Tanto de um modo como de outro, parte da opinião pública e das instituições investiram (ainda que pouco) na sua pessoa doses de descrédito. Depois do atentado, no entanto, deu-se o exato oposto: nalguma medida, as instituições se sentiram obrigadas em brindá-lo com notas de apoio e a opinião pública de oposição o alçou a uma posição tolerável.

Na dinâmica incessante de produção de fatos públicos, o atentado conferiu a ele, portanto, legitimidade. No que essa oscilação de legitimidade acarretará, na medida em que ele decidir trocar de posição novamente e se encaminhar para o polo oposto? Mais uma vez é Donald Trump quem dá as cartas.

Por exemplo, o candidato à vice-presidência na chapa de Donald Trump, J. D. Vance, não tardou em colocar na conta do governo de Joe Biden a falha no sistema de segurança que permitiu ao atirador agir.

Com o atentado, Donald Trump, de cara, mais forte: midiaticamente mais presente, vinculado para sempre à história de um estado e mais seguro para efetuar trocas de pele camaleônicas entre o legítimo e o ilegítimo. Mas no que isso vai dar, ainda estão rolando os dados.

*Lucas Paolillo é doutorando em Ciências Sociais na Unesp-Araraquara.

Bolsonaro se desespera com “lavagem de dinheiro” de Wassef e da ex; entenda o motivo

Em áudio gravado por Ramagem, Bolsonaro se desespera sobre investigação contra Wassef e “dessa empresa da mulher dele”. Cristina Boner, ex do advogado, faturou mais de R$ 86 milhões em contratos com a União na gestão do amigo e ostenta vida de luxo

No áudio da reunião em que trata com advogadas sobre a interferência da Agência Brasileira de Informação (Abin) na investigação sobre o sistema de corrupção de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – as chamadas “rachadinhas” – Jair Bolsonaro (PL) mostra especial interesse na varredura que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, fez nas contas do advogado Frederick Wassef.

OUÇA O ÁUDIO: o grampo em que Bolsonaro interfere em investigação contra Flávio

O nome de Wassef é citado logo no primeiro minuto de conversa, quando a advogada Luciana Pires, que fazia a defesa do senador, diz ter recebido naquele 25 de agosto de 2020 a “atualização de um RIF [Relatório de Inteligência Financeira] do Frederick”. Bolsonaro reage com um misterioso “hum”.

Wassef volta a ser citado por Luciana aos 10 minutos de conversa que, dessa vez, fala em “pirâmide sobre a vida” do advogado e a relação com as investigações sobre Flávio Bolsonaro.

“O que o RIF do Fred está fazendo no PIC [processo de investigação criminal] do Flávio?”, indaga a advogada, para na sequência responder. “Se ele trabalhou, não trabalhou, lavou dinheiro. Não tem nada a ver com a investigação do Flávio, entendeu presidente”, emenda, sobre o advogado que serve ao clã, inclusive escondendo Fabrício Queiroz em seu sítio em Atibaia.

Pânico de Bolsonaro

Ao final da reunião, por volta de 35 minutos da gravação, Bolsonaro procura Luciana demonstrando certo desespero para saber mais detalhes da investigação sobre Wassef.

“Por que investigar o Frederico? Por que investigar o Frederico”, repete o ex-presidente.

Luciana, então, justifica dizendo que seria porque ele “é o advogado do Flávio”. Bolsonaro insiste na pergunta e ouve da advogada: “Porque, apareceu um RIF espontâneo com lavagem de Dinheiro”.

“Pagou médico para Queiroz. Qual o problema?”, emenda Luciana causando pânico em Bolsonaro.

“Fred pagou [inaudível] pagou como? DOC, Dinheiro. Pagou como?”, indaga o ex-presidente. “Transferência bancária do médico”, responde a advogada.

“Aí o que que acontece? Apareceu no RIF transferência do médico”, diz Luciana. “E, eles falam, que isso é uma movimentação atípica e começam a varrer a vida dele, que ele recebeu quatorze milhões”, emenda.

Bolsonaro, então traz à tona, uma personagem que enriqueceu e ostenta vida de luxo após firmar contratos de “suporte técnico de computadores” com o governo federal, turbinados na gestão do ex-presidente.

“Dessa empresa da mulher dele”, diz Bolsonaro, referindo-se a Maria Cristina Boner Leo, ex-esposa de Wassef, que desde 2011 acumula R$ 258,4 milhões de faturamento em contratos somente com o governo federal.

Na sequência da conversa, Luciana Pires explica a Bolsonaro que Wassef “trouxe dinheiro dos Estados Unidos, [inaudível], tem que transferir, que a conta dele tá tudo lá”.

Bolsonaro complementa [inaudível] “há anos” e segue com certo alívio: “não é comigo”.

“Inclusive [inaudível], do meu governo, caiu a, o contrato do governo. Devia aumentar, né?”, emenda Bolsonaro, pedindo a anuência de Augusto Heleno possivelmente sobre os contratos da empresa de Cristina com a União. “É lógico, lógico”, responde o então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Contratos milionários e vida de luxo

Casada com Frederick Wassef entre 2008 e 2017, Maria Cristina Boner Léo começou a construir seu império quando ainda era casada com o advogado, que a auxiliara a entrar em esquemas nos governos Aécio Neves (PSDB), em Minas Gerais, onde teria faturado R$ 310 milhões, e Sérgio Cabaral, no Rio, onde teria embolsado R$ 130 milhões – veja denúncias na Agência SportLight, de Lúcio Castro.

Os valores, no entanto, seriam prenúncio do faturamento que a empresária, que ostenta vida de luxo em viagens ao mundo nas redes, teria a partir de 2011, quando firmou o primeiro contrato da nova empresa, a GlobalWeb Outsourcing do Brasil – que nasceu a partir da fusão do Grupo TBA, de sua propriedade, com Benner Sistemas –  com o governo federal.

Os contratos foram turbinados a partir do governo golpista de Michel Temer e chegaram ao pico durante o governo Jair Bolsonaro (PL), a quem Wassef admirava e passou a construir uma relação de amizade e consultoria jurídica a partir de 2014 – quando defendeu o então deputado nos ataques misóginos contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Em 2018, Wassef se tornou homem de confiança de Bolsonaro, atuando na defesa dos filhos também. Com a eleição do amigo, a empresa da agora ex foi turbinada e teve que fazer uma manobra para burlar a decisão judicial, de junho de 2019, que proibiu a GlobalWeb de contratar com o Poder Público ou receber benefícios pelo período de três anos.

Milhões

Impedida de fazer contratos com o poder público, a matriz da GlobalWeb Outsourcing do Brasil assinou apenas um contrato com o governo Bolsonaro, em janeiro de 2021, no valor de R$ 3.508.018,80, junto ao Ministério das Comunicações.

No entanto, Cristina Boner turbinou os ganhos de duas filiais, que levam o mesmo nome da matriz e atuam apenas com CNPJs diferentes, driblando a punição da Justiça. No total, em quatro anos de governo Bolsonaro, a empresa da ex de Wassef embolsou R$ 86,1 milhões em contratos com a União.

Fundada em 2013, a primeira filial – com CNPJ terminado xxx.013/0002-45 – recebeu R$ 3.142.788,02 em 15 contratos firmados com órgãos do governo federal entre agosto de 2021 e novembro de 2022, segundo o portal da Transparência. Em todos eles não há informação sobre a localidade de aplicação do recurso – ou seja, onde o dinheiro foi gasto.

O maior faturamento, no entanto, foi acumulado pela segundo filial – CNPJ terminado xxx.013/0003-26 – com sede na sala 716 do Brasília Shopping, que foi aberta em 13 de junho de 2018.

No total, a empresa da ex de Wassef recebeu R$ 79.556.758,71 em 9 contratos com órgãos da União, que ainda estão sendo pagos pelo atual governo.

O último contrato foi assinado em 31 de março de 2022 com a Agência Espacial Brasileira, que fica sob a tutela do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, pasta que era comandada pelo “astronauta” Marcos Pontes (PL-SP), atual senador.

Com vigência até março de 2025, o contrato prevê o pagamento de R$ 1.725.256,08.

Modus operandi

Segundo informações obtidas pela Fórum, além de contar com a intimidade de Jair Bolsonaro, então presidente, a GlobalWeb Outsourcing do Brasil cresceu cooptando servidores responsáveis por editais de licitações na área de tecnologia.

Fornecedora exclusiva da Microsoft no Brasil, a TBA – empresa que antecedeu a GlobalWeb -mantinha um esquema de cooptação para que as licitações exigissem que as máquinas usassem o sistema operacional Windows. Além disso, ofereciam aos servidores “capacitação”, totalmente custeadas pela empresa, entre outras benesses.

Separada de Wassef, mas ainda mantendo relações com o ex-marido – que teriam recebido os R$ 14 milhões citados por Bolsonaro na reunião no Planalto -, Cristina Bonner agora se ocupa em ostentar a vida de luxo e o novo romance com fotos nas redes sociais.

Com viagens frequentes à Europa, ela compartilha “hábitos das mulheres bem sucedidas” no Instagram, entre publicações com roupas de grife e em lugares paradisíacos.

No Brasil, o passado da empresária e os milionários frutos do casamento com Wassef seguem causando pânico e preocupação no clã Bolsonaro.

Além da relação “pouco republicanas” com o advogado, Bolsonaro teme ainda que a investigação da Polícia Federal em parceria com o FBI descubra um suposto esquema de compra e ocultação de imóveis nos EUA, onde Wassef teria comprado ao menos 20 casas e apartamentos na Flórida e Nova Jersey em nome de terceiros.
Fonte: Revista Fórum

Moraes divulga áudio dos esquemas de Bolsonaro na Abin; ouça agora

Conversa está relacionada ao uso ilegal da Abin para obter informações sobre a investigação de Flávio Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, nesta segunda-feira (15), levantar o sigilo da gravação feita de forma clandestina pelo ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem com Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno, então chefe do GSI, e a advogada do senador Flávio Bolsonaro. Com isso, o conteúdo de mais de uma hora do conteúdo será tornado público.

“Ressalto, ainda, que, a eventual divulgação parcial – ou mesmo manipulação – de trechos da Informação de Polícia Judiciária nº2404151/2024 (fls. 334-381), bem como da gravação nela referida, tem potencial de geração de inúmeras notícias incompletas ou fraudulentas em prejuízo à correta informação à sociedade”, diz trecho da decisão de Moraes.

O áudio foi citado no relatório da investigação da Abin paralela. A gravação tem 1 hora e 8 minutos e está sob segredo de Justiça. Segundo a PF, a conversa está relacionada ao uso ilegal da Abin para obter informações sobre a investigação na qual Flávio foi indagado sobre “rachadinha” no seu gabinete parlamentar quando ele ocupou do cargo de deputado estadual. Clique aqui para acessar a gravação.

Ou aqui

Brasil 247

Um nacionalismo internacionalista?

Por EUGÊNIO BUCCI*

Nos nossos dias a notícia mais momentosa é que a extrema direita nacionalista, cobrindo de sombras pesadas o palco da política, quer ser internacional

A ideia do internacionalismo vem da esquerda. Apareceu no Manifesto Comunista, um pequeno livro assinado por dois jovens autores, Karl Marx e Friedrich Engels. Jovens de verdade: em fevereiro de 1848, quando a brochura incendiária foi lançada, Marx tinha 29 anos de idade e Engels, 28. O bordão que eles inventaram, “Proletários do mundo, uni-vos”, sobreviveu a ambos e demarcou o conceito.

No século XX, uma das incompatibilidades fatais entre Joseph Stalin e León Trotsky passava exatamente por aí. O primeiro, já entronizado como tirano da União Soviética, abraçou (feito urso) a tese de que era possível erigir o socialismo num só país. O segundo, pulando de exílio em exílio, afirmava que a revolução socialista teria de ser internacional – ou não seria nem revolução, nem socialista.

Joseph Stalin levou a melhor e se firmou numa ascensão mortífera. Em sua folha corrida constam milhões de cadáveres, incluindo os que foram tragados pela fome-terror na Ucrânia, durante o Holodomor, em 1932 e 1933. No mesmo período, por meio dos fraudulentos “processos de Moscou”, o “guia genial dos povos” dizimou vários de seus camaradas que em 1917 faziam parte do Comitê Central do Partido Bolchevique. Pouco depois, em 1940, enviou o agente secreto Ramón Mercader para assassinar mais um deles, León Trotsky.

Em Coyoacán, na Cidade do México, Ramón Mercader usou uma picareta de alpinista para abrir o crânio de sua vítima e, em 1961, recebeu a medalha de Herói da União Soviética. Prestou serviços ao stalinismo em terras distantes, mas nunca foi internacionalista – matou um.

Entre o bem e o mal, o movimento operário sempre se vinculou a organizações supranacionais. Umas eram melhores, outras eram vis. A Segunda Internacional, ligada à social-democracia, inspirou a criação do PSDB no Brasil. A Quarta Internacional, de León Trotsky, fragmentou-se em cisões sequenciais até se estilhaçar em pedacinhos praticamente invisíveis. A Terceira Internacional, comandada por Moscou, limitava-se a transmitir as ordens do Kremlin para suas filiais mundo afora.

Agora já era. O sonho do internacionalismo solidário mergulhou em viés de baixa. Às vezes é um hino na vitrola – ou num baile da saudade. Outras vezes, é sucata ideológica. Nos nossos dias, veja você, a notícia mais momentosa é que a extrema direita nacionalista, cobrindo de sombras pesadas o palco da política, quer ser internacional.

Sim, é uma contradição em termos. Forças xenófobas – dessas que abominam imigrantes, arrostam a ONU, enxovalham a Organização Mundial da Saúde (OMS), esnobam o Mercosul, bajulam Elon Musk e desdenham dos esforços para conter o aquecimento global – vêm se dedicando a promover encontros internacionais. Encontros para quê? Ora, para celebrar a desunião e exacerbar o ódio contra qualquer forma de entendimento, de acordo, de encontro internacional. Se há algo que, por definição, não pode ser internacionalista, de jeito nenhum, é o nacionalismo, mas o nacionalismo parece que não foi avisado.

Marx e Engels diziam que o movimento operário tinha de ser internacionalista porque as relações de produção já tinham sido internacionalizadas pelo capital. Portanto, se quisessem virar o jogo, os partidos revolucionários não poderiam se limitar aos espaços nacionais. Nesse ponto, foram cartesianos. Você pode até discordar dos dois rapazes, mas não tem como não reconhecer a lógica do raciocínio.

Já o nacionalismo internacionalista é ilógico. Seus expoentes proclamam, entre outras aporias involuntárias, que são contra a globalização. Será que eles não viram que a globalização é uma consequência da ordem econômica que juram defender em armas? Não viram que eles mesmos são um sintoma reverso da globalização? Atacam o “globalismo” – a quem atribuem a culpa pelas migrações e pelo dinheiro digital, que dá a volta no planeta em menos de um segundo –, sem notar que aqueles a quem xingam de “globalistas”, longe de ser os culpados, são os que mais denunciam os efeitos perversos da globalização.

Não entenderam a si mesmos e abominam quem entendeu. Em transe anticívico, em ritmo de embalo sísmico, acalentam fantasias globalitárias. Talvez desejem um futuro em que as nações, fortificadas, armadas e enclausuradas em si mesmas, vão competir umas com as outras até o fim dos tempos. Talvez acreditem que, da guerra de todos os nacionalismos contra todos os nacionalismos, o paraíso brotará como um cogumelo.

Para complicar o tabuleiro, uma parcela do Brasil embarcou nesse delírio tanático, entre a nulidade mental e a opulência performática. Sem surpresas. Temos convivido há décadas com fenômenos incongruentes que transitam por aí como se fossem normais. Tome-se, por exemplo, o adjetivo “progressista”, que denomina um pessoal convertido às pautas mais conservadoras. Tome-se outro adjetivo, “republicano”, que batiza um segmento de adoradores de igrejas. Existem ainda os liberais iliberais.

Nesse meio, os nacionalistas internacionalistas são mais do mesmo. Será que eles sabem que o internacionalismo é de esquerda? Provavelmente não. Eles nunca souberam que o nazismo era (e é) de direita.

*Eugênio Bucci é professor titular na Escola de Comunicações e Artes da USP. Autor, entre outros livros, de Incerteza, um ensaio: como pensamos a ideia que nos desorienta (e oriente o mundo digital) (Autêntica). [https://amzn.to/3SytDKl]

Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo.

Julian Assange, Edward Snowden, Daniel Ellsberg

Por WALNICE NOGUEIRA GALVÃO*

Só permanece desinformado sobre segredos e inconfidências quem de fato tiver muita preguiça

1.

Uma robusta tradição de desobediência civil consiste no vazamento de informações confidenciais (e ilegais) que o Estado moderno armazena para usar contra seus cidadãos. O fito é enganá-los, manipulá-los, forçá-los a fazer o que os prejudica, levá-los ao suicídio se necessário. Julian Assange e Edward Snowden têm dignos precursores em seu país.

Como os Estados Unidos são a mais poderosa nação do planeta, nada mais natural que seja lá que faça sentido operar tais vazamentos. Um dos casos mais notórios é o de Daniel Ellsberg, cujas credenciais são impecáveis: economista por Harvard e marine com estágio no Vietnã. Foi ele o pivô do grave incidente que ficou conhecido como “Os papeis do Pentágono”.

Este analista militar da Rand Corporation fez um trabalho no Pentágono em 1971, durante a Guerra do Vietnã, e começou a ficar, primeiro espantado e depois indignado com a discrepância entre o que o governo dizia e as estatísticas que lhe vinham às mãos. Enquanto o governo afirmava desacelerar o esforço bélico para concluir a guerra apesar das vitórias, os dados mostravam que, ao contrário, empenhavam-se numa escalada, investindo recursos cada vez maiores para camuflar as derrotas. Em vez de pôr fim ao conflito, portanto, preparava-se uma hecatombe crescente.

Hesitou, prevendo o que viria pela frente. Ninguém acreditaria nele; ninguém respaldaria a publicação de papéis secretos que arriscava botar todo mundo na cadeia; ninguém atribuiria confiabilidade às fontes – pois, quem poderia garantir que não eram falcatrua? E, pairando sobre tudo, o medo das represálias dos órgãos de segurança, sempre provocando acidentes suspeitos e execuções por baixo do pano.

Ainda assim, Daniel Ellsberg copiou clandestinamente sete mil documentos, procurou contato com um dos jornais mais importantes e mais sérios do país, o New York Times, e devotou-se a contar a história. Antes, assediou senadores que eram notoriamente contra a guerra, como Fullbright, mas foi repelido. Os papeis comprometiam as administrações anteriores de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, bem como a atual, de Richard Nixon.

New York Times começou a publicar os documentos em série. O governo sustou a publicação. O jornal apelou para a Suprema Corte, que lhe deu ganho de causa.

Descoberto, Daniel Ellsberg foi acusado de traição sob o Ato de Espionagem e julgado como réu de uma pena de 115 anos. Mas, à medida que o julgamento prosseguia, os desmandos do governo, com provas sujas obtidas inclusive por escuta ilegal do FBI, foram surgindo. E ele acabou por ser absolvido, para alegria de seus fãs no mundo inteiro, a essa altura constituindo uma torcida atenta à justiça do processo. Em seu próprio país, contavam-se entre seus aliados os progressistas e os críticos em geral, os estudantes, os religiosos, o Black Power, os hippies.

Nunca desmentiu sua garra de ativista. Até hoje, ultrapassados os 80 anos, vive protestando e sendo preso – por manifestar-se contra as armas nucleares, contra as invasões do Afganistão e do Iraque, contra a política externa que criminaliza o Irã.

Por isso, mesmo em meio a um vasto movimento nacional e internacional de protesto, devemos principalmente a Daniel Ellsberg o fim da Guerra do Vietnã – que, sem razões de peso, lá do outro lado do mundo, vitimou três milhões de vietnamitas, a maior parte civis, contra a perda de 25 mil soldados americanos.

À época, tornou-se best-seller planetário afora um documentário contra essa guerra, Corações e mentes, em que aparecem entrevistas de Daniel Ellsberg. O filme fez muito pelo esforço antibélico e foi agraciado com o Oscar. Todavia, e curiosamente, afora o livro Os papeis do Pentágono, não rendeu mais nada no cinema. Só várias décadas mais tarde surgiriam dois filmes, um de ficção, chamado The Pentagon papers (2003)e um documentário, The most dangerous man in America (2009).

Ambos vindo bem a propósito para retirar do olvido tão portentosa proeza deste precursor de Assange e Snowden.

E o que Julian Assange fez de tão grave? Apenas fundou o Wikileaks, o maior fórum de denúncias contra os crimes dos Estados e das agências de segurança. Como aqui no Brasil fomos vítimas do terror da ditadura, deveríamos ser sensíveis à defesa das liberdades democráticas. E a informação é uma delas. Não fosse o Wikileaks, nunca teria havido a Vaza Jato, que desmoralizou as falcatruas da Lava Jato.

2.

Assim como Julian Assange e Edward Snowden estão ligados aos vazamentos que mostram como os órgãos de segurança norteamericanos espionam os cidadãos, Daniel Ellsberg tornou-se conhecido como aquele que revelou os papéis secretos do Pentágono, pondo fim à Guerra do Vietnã. Os três são representantes de uma corrente subterrânea libertária que flui quase invisível sob a carapaça de uma dúbia democracia. A linhagem da desobediência civil é extraordinária e merece respeito, vindo desde a Underground Railroad que contrabandeava escravos para a liberdade, num total estimado de 100 mil.

A forca aguardava esses beneméritos cidadãos, que arriscavam tudo, inclusive a acusação de traição à pátria, em nome de lealdades mais altas. Foi o caso de John Brown e seu grupo na Virginia, todos enforcados após processo, apesar dos protestos vindos do mundo inteiro. Até Victor Hugo mandou uma carta ao presidente, pedindo clemência. Em vão.

Neste capítulo, sempre é bom lembrar que houve um surto de auto-imolações por incineração, praticada por monges budistas em sinal de protesto, no Vietnã conflagrado. Em solidariedade, Norman Morrison, jovem pacifista norte-americano, copiou o gesto, imolando-se nos degraus do Pentágono. Para homenageá-lo, os vietnamitas criaram um selo com sua efígie e deram seu nome a uma rua em Hanói. Até hoje ele é lá venerado, e as crianças de escola compõem poemas louvando seu martírio. Após o armistício, o Vietnã recebeu oficialmente a viúva e os três filhos como hóspedes do estado, cobrindo-os de honrarias.

A exemplo dos monges budistas, vários religiosos norteamericanos – padres católicos e pastores protestantes – estiveram na linha de frente da resistência. Dois deles se destacaram, dois padres jesuítas irmãos, os Berrigan. Não temiam nada e enfrentavam qualquer risco, mantendo recordes de prisões: foram incluídos na lista dos dez mais perigosos do país procurados pelo FBI. Depois que a guerra acabou, protestariam contra as armas nucleares e continuariam a ir para a prisão.

Se os Berrigan eram oriundos de imigrantes irlandeses operários, outro que se destacou fazia parte da elite wasp novaiorquina, o pastor protestante presbiteriano William Sloane Coffin Jr., mais conhecido como Bill Coffin. Durante muitos anos capelão da Universidade de Yale, liderou passeatas e outros protestos antibélicos dos estudantes. Mais tarde, estaria no seio do grupo ecumênico de sacerdotes que fariam vigílias na fronteira da Nicarágua, contra a ingerência armada norteamericana naquele país.

Aqui também, durante a última ditadura, ninguém pode passar por alto a atuação desassombrada de D. Paulo Evaristo Arns, cardeal-arcebispo de São Paulo e incansável opositor do arbítrio fardado. Juntamente com outro pastor protestante presbiteriano por nome Jaime Wright e com o rabino Henry Sobel, teve desempenho destacado. Recusaram-se os três, por exemplo, a legitimar a versão do suicídio de Wladimir Herzog, morto sob tortura nas dependências do II Exército. Denunciando o assassinato do alto do púlpito da Catedral da Sé, D. Paulo lançou o anátema da Igreja sobre os perpetradores durante a missa especialmente celebrada.

Os três religiosos formaram um triunvirato ecumênico que foi fundamental nesses tempos tenebrosos. Passaram anos recolhendo clandestinamente documentação e entrevistando pessoas que tinham sido torturadas, e acabaram por publicar Brasil: Nunca mais, formidável dossiê que registrou para sempre os crimes da ditadura. Quando eram mais necessários, os três ativistas dos direitos humanos não fugiram ao desafio que a História lhes lançou.

Recentemente, foram outros militantes norte-americanos que saíram do anonimato. Grupos pacifistas religiosos vieram a público para assumir a autoria de uma invasão do escritório do FBI em Filadélfia, em 1971, quando roubaram uma quantidade enorme de arquivos. Gente da mais alta respeitabilidade, acima de qualquer suspeita.

Entre outros feitos, davam suporte aos irmãos Berrigan. Os papeis que roubaram mostram como J. Edgar Hoover – de que ninguém conhecia ainda a alma de criminoso – perseguia qualquer opositor, mas especialmente se fossem negros, de que tinha ódio. A publicação de um livro, seguida de entrevistas no New York Times, somou novos nomes a esse elenco de heróis da liberdade.

3.

Militantes norte-americanos correm risco desde que, por uma ironia da história, tornaram-se vulneráveis a processos devido aos novos e bem-vindos acordos celebrados entre seu país e Cuba. Há vários deles nessa situação, herança de outros tempos em que o Black Power estava no auge. Cuba nunca aprovou os sequestros de avião, que iam parar em Havana, e nunca facilitou a vida dos sequestradores.

Um deles, William Potts, ex-Pantera Negra, no momento no torrão natal aguardando julgamento, foi preso, julgado e condenado a onze anos de cadeia (que cumpriu), assim que pousou o avião em Cuba. Agora reclama do destino, porque já saiu de uma longa pena pelo mesmo crime, só que em outro país.

Entre segredos e inconfidências, assinalam-se os casos de impeachment: dos mais rumorosos, afora Collor, é o de Richard Nixon, que acabou renunciando.

Foi em sua gestão que ocorreu o vazamento dos Papéis do Pentágono por Daniel Ellsberg, que arrastou em seu bojo o fim da Guerra do Vietnã. Como arremate, o vietcong assediou e invadiu Saigon, a capital do Vietnã do Sul, e tomou a embaixada americana. O final inglório foi fotografado, filmado e exibido por toda parte. O planeta inteiro viu os últimos defensores da embaixada fugirem pelo telhado, num helicóptero em que alguns deles mal se equilibravam, agarrando-se à escada de corda.

Tudo isso abalou irremediavelmente o governo de Richard Nixon. A onda de desassossego e o desgaste da confiança desembocariam no escândalo de Watergate, que acabaria levando à queda do presidente. As investigações revelaram que ele tinha conhecimento da invasão do diretório nacional do Partido Democrata, e, pior ainda, acobertara o crime, negando-o repetidas vezes, inclusive sob juramento, mentindo à nação.

O trabalho de detetive que levou à revelação deveu-se a dois repórteres investigativos do Washington Post – Carl Bernstein e Bob Woodward – que recebiam segredos de Estado de um membro das altas esferas, protegido pelo anonimato e alcunhado de “Deep Throat”. Meio século depois, o então vice-presidente do FBI, segundo em comando do sinistro J. Edgar Hoover, assumiria o papel desse informante. O escândalo originou um grande livro e um grande filme, ambos com o título de Todos os homens do presidente, que estamparam para o mundo esses meandros escabrosos. Ótimos atores como Robert Redford e Dustin Hoffmann encarnariam a dupla de jornalistas.

Richard Nixon, que era bem desconfiado, mandava gravar clandestinamente todas as conversas em seu gabinete, para se proteger e poder apelar para os testemunhos contidos nas fitas. Só que o feitiço a certa altura virou-se contra o feiticeiro, e as gravações foram requisitadas pela Justiça – e nelas o papel de Richard Nixon não mais pôde ser escondido.

Em outras circunstâncias, e ao contrário, é a publicidade extremada que pode salvar tanto Julian Assange quanto Edward Snowden.

Foi nisso que se envolveu a ganhadora do Oscar de melhor documentário, Laura Poitras, diretora de Citizenfour, sobre o grande dissidente. A intrépida cineasta há anos que tem sua vida esmiuçada e devassada, é seguida, é detida em aeroportos para interrogatório. É por isso que se mudou dos Estados Unidos para Berlim, onde se sente menos vigiada e mais à vontade.

Laura Poitras estreou há poucos anos e já mostrou sua garra em duas outras películas. Em My country, my country filma a ocupação do Iraque e em The oath registra o testemunho de um guarda-costas de Osama Bin Laden. Cineasta independente, arrisca a vida visitando campos de concentração, prisões secretas, acampamentos de refugiados, centros de treinamento de ativistas. Edward Snowden bem que precisava de uma artista com essa coragem. Se os filmes forem difíceis de obter, sempre se pode ler o livro de Glen Greenwald, Sem lugar para se esconder, que descreve a saga de Snowden. E também é possível acompanhar o desenvolvimento do projeto on-line de Laura Poitras intitulado The Intercept.

Só vai permanecer desinformado sobre segredos e inconfidências quem de fato tiver muita preguiça.

*Walnice Nogueira Galvão é professora Emérita da FFLCH da USP. Autora, entre outros livros, de Lendo e relendo (Sesc\Ouro sobre Azul). [amzn.to/3ZboOZj]

Bloqueio contra o fascismo

Por TARSO GENRO*

O Brasil é o país ideal para a experiencia da Nova Frente Popular francesa, e o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são pontos axiais desta referência de mimese política

1.

No discurso da vitória, logo após a proclamação dos resultados eleitorais Jean-Luc Melenchón, líder da França Insubmissa e figura central da formação da Nova Frente Popular, disse (e agradeceu!) que – pelas veias de 1/4 dos francesas – corria o sangue dos imigrantes. E disse – defronte ao mar – em Marselha, que naquelas águas que trouxeram este sangue estavam também os túmulos de milhares de crianças, cujos pais vinham das antigas colônias, nos seus barcos precários, em busca de uma vida digna.

O que espera da França, o mundo democrático, a esquerda, o centro democrático e a centro-esquerda mundial? Não sabemos, ainda, mas da direita fascista já sabemos, como dizem Thomas Piketty e Julia Cagé em artigo publicado no jornal “The Guardian” e traduzido no site A Terra é Redonda, devemos esperar que “por não ter uma plataforma econômica credível, a extrema-direita voltará à única coisa que conhecemos – à exacerbação das tensões e a política do ódio”.

Um artigo de Dani Rodrik (Jul/10.14, “Project Syndicate”) de outra parte, propõe o que devemos esperar de uma força política de esquerda, historicamente ancorada nas classes trabalhadoras, no atual momento de crise de perspectivas da ideia socialista em todo o mundo: que a nossa fala deve se reportar ao novo mundo do trabalho, que está sendo cooptado pelo conservadorismo empresarial – com a ilusão de que todos podem ser empresários de si mesmos – e pelas facilidades aparentes do fascismo como forma de exercer o poder pela violência desmedida.

Diz o autor falando mais além das importantes questões climáticas e de gênero, sobre as quais a elite cultural tem opiniões diferentes do público em geral: “focar diretamente em empregos bons, seguros e produtivos para trabalhadores sem diploma universitário. O aumento da insegurança econômica, a erosão da classe média e o desaparecimento de bons empregos em regiões em declínio foram o coração do aumento do populismo de direita (…), apenas revertendo esta tendência a esquerda pode apresentar uma alternativa viável”.

As eleições do dia 7 de julho apontaram uma vitória brilhante da Nova Frente Popular e criaram um novo cenário de bloqueio contra o fascismo na Europa. Não é o renascimento da esquerda tradicional da velha Frente Popular de 1936, assim como as facções de direita e extrema direita, unificadas em torno da Madame Le Pen, não são as mesmas do século passado.

2.

Pode se dizer que estas representam a mesma barbárie que ensejou a ocupação nazista, mas hoje elas se articulam com setores sociais e econômicos que se unificam em torno de outros ideais. A desorganização da sociedade de classes tradicional trouxe à tona da “grande política”, novos atores políticos representando outros sujeitos sociais e também suscitou outros polos de disputa. Um deles, nestas eleições, teve uma participação decisiva na vitória da Nova Frente Popular: os imigrantes ancorados na periferia do sistema de poder do capital.

Os fascistas e a extrema direita autoritária querem integrar uma Europa sem imigrantes – branca e financeiramente elitizada – junto a vastos setores marginais das elites “cosmopolitas”, que estão no limite do crime organizado (financeiros, militaristas e armamentistas), que chamaram para si os deserdados do Estado social em crise e conquistaram os proletários desempregados (ou situados em empregos secundários) e um sub- proletariado branco socialmente bloqueado – bem como as classes médias baixas, ressentidas pela queda da qualidade dos seus empregos.

O que unificou a oposição antifascista, todavia, no segundo turno, além da luta por uma vida melhor – como é natural em quaisquer processos eleitorais – foi a busca de uma coesão novo tipo, de caráter humanista e democrático. Foi a defesa de uma nação não unificada pela “raça”, mas a busca de um convívio social mais solidário, com base no espírito da velha contratualidade social democrata, que apesar da sua crise sobrevive na consciência de uma boa parte da população.

Uma França Insubmissa ao fascismo, como se viu pelo resultado da união do centro com o conjunto das esquerdas e horizontalmente unificada pela fraternidade antirracista, culturalmente porosa no seu sentido mais nobre e vibrante – não pelos novos ideais neoliberais da Europa unificada pelo capital – mas pelo velho imaginário da sua Revolução que derrubou a Bastilha.

3.

Chego ao objeto do meu artigo. Penso que o Brasil é o país ideal para a experiencia da Nova Frente Popular francesa e que o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são pontos axiais desta referência de mimese política, pelas suas virtudes e pelas suas tragédias.

Tragédias: o Brasil saiu de um governo ensandecido pelo ódio, patrocinado pela maioria dos meios de comunicação tradicionais, que lutaram para colocar na cadeia o maior líder popular do país, que venceria as eleições presidenciais do defensor da tortura e do fascismo; e o Rio Grande do Sul atravessa a maior tragédia social e climática da sua história, cujas causas são universais, mas que foram agravadas pela desatenção destas mesmas elites, que ora dominam a cidade, fixadas apenas nos seus “negócios” públicos e interesses privados.

Pensemos agora nas virtudes: o Brasil reprimiu um golpe de Estado pela força das suas instituições de Estado e através de uma posição de que se tornou hegemônica, em favor da democracia, dentro das nossas Forças Armadas, o que nos dá uma estabilidade invejável, talvez de longo curso, na América Latina.

Porto Alegre é uma cidade de prestígio mundial na questão democrática e ambiental, que as últimas administrações não conseguiram apagar na memória do Planeta, berço do Foro Social Mundial e das grandes lutas ambientais que se desenvolveram no país, nos últimos 50 anos.

Agora é necessário que o Governo Federal tenha coragem de dizer que vai fazer e vai organizar um grande movimento institucional e político para – a partir do Rio Grande do Sul em reconstrução – interpor uma unidade política novo tipo, a partir do Estado, para um processo épico de construção de um novo modelo socioambiental de crescimento, desenvolvimento educacional, tecnológico e social para o Brasil.

As plataformas principais deste salto estão aí, vão do sul ao norte do país, que tem como marcos referenciais: o Rio Grande do Sul reconstruído e construído, o Pantanal do Mato Grosso e a gigantesca Amazônia – pulmão do mundo e coração do Brasil.

*Tarso Genro foi governador do estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, ministro da Justiça, ministro da Educação e ministro das Relações Institucionais do Brasil. Autor, entre outros livros, de Utopia possível (Artes & Ofícios). [https://amzn.to/3ReRb6I]

Uma crise fabricada

Por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.*

Lula será candidato forte à reeleição em 2026. E seus indicados terão maioria folgada no Banco Central de janeiro de 2025 em diante. Os adversários estão inquietos e fabricam crises

O que provocou a turbulência no mercado financeiro e na mídia nas semanas recentes? Criou-se uma sensação de “crise”. Os desavisados devem ter pensado que estávamos ou estamos à beira de um abismo. A onda especulativa já arrefeceu, mas vale a pena discutir o que a desencadeou.

Afinal, houve motivos para tal nervosismo nos mercados cambial e financeiro, em especial para a alta do dólar? Creio que sim. Não foram, porém, primordialmente econômicos – e sim políticos. Os resultados econômicos e sociais do governo Lula estão entre bons e razoáveis. Veja-se, por exemplo, o crescimento do PIB, a inflação, o mercado de trabalho, os indicadores de pobreza, o balanço de pagamentos.

Quanto ao propalado “risco fiscal”, as informações disponíveis não sugerem de forma alguma que o Brasil venha caminhando para um colapso das contas governamentais. Aliás, as expectativas de mercado em relação ao déficit público (primário e total), assim como em relação aos demais indicadores macroeconômicos, praticamente não se mexeram no passado recente.

Menciono dois fatores de ordem principalmente política que ajudam a entender a instabilidade recente no sistema financeiro. E que nos autorizam a dizer, acredito, que a “crise” foi em larga medida fabricada.

As eleições de 2026

Primeiro fator: nos últimos meses, ficou evidente que Lula pretende disputar e será um candidato forte à reeleição em 2026. A tradicional direita neoliberal, que controla o sistema financeiro e a mídia, não vê isso com bons olhos, para dizer o mínimo.

Vou ser mais claro. Não vamos nos iludir. Boa parte dessa direita – que tem a cara-de-pau de se apresentar como “centro” – nutre ódio a Lula e à centro-esquerda. Senão ódio, desprezo. Senão desprezo, profunda desconfiança e rejeição. Ela constitui um agrupamento pernicioso, de gente reacionária, mentalmente estreita e profundamente antinacional. O perigo para o Brasil está também nessa gente, e não apenas na ultradireita bolsonarista.

Infelizmente, diga-se de passagem, o governo Lula está infestado de neoliberais, alguns bem militantes, o que explica a sua dificuldade de avançar. A “Arca de Noé”, montada por Lula em 2022, tem o seu preço – e não é pequeno. Apesar disso, ele tem conseguido significativos resultados econômicos e sociais, o que deixa os adversários ainda mais alarmados.

O presidente da República tem dado muitos sinais de paz e tomado decisões conciliatórias. Perfeitamente compreensível. É um jogo que ele joga bem. Mas com que resultado nesta temporada política? Fica às vezes a sensação de que o seu esforço de conciliação possa estar sendo visto como indício de fraqueza. Apesar dos esforços de pacificação, a execrável plutocracia local continua militantemente contra o governo, buscando toda e qualquer oportunidade para atacá-lo.

Como se sabe, a direita tradicional tem muito poder – político, financeiro e midiático. Mas sofre de um pequeno problema: não tem votos para vencer eleição presidencial. Gostaria de viabilizar uma candidatura de “terceira via” para 2026, mas percebe provavelmente que será muito difícil. Uma opção mais viável para ela seria construir uma “Arca de Noé” pela direita com Tarcísio de Freitas como candidato.

A ideia é combinar os votos de Jair Bolsonaro com um candidato mais amplo e aparência um pouco mais “civilizada”. Os liberais de quinta categoria da direita tradicional não teriam nenhum escrúpulo em se aliar de novo com o bolsonarismo. Os seus porta-vozes mais chinfrins já clamam em público por um “bolsonarismo moderado”.

Portanto, o que se procura, desde logo, é enfraquecer e manietar Lula para que ele chegue desidratado à próxima eleição presidencial – de preferência com cara de terceira via. Um Lula fraco, com jeito de terceira via, poderá ser derrotado. Ou, no mínimo, forçado a negociar com a direita tradicional, ou parte dela, nova frente ampla que mantenha um eventual Lula 4 nessa mesma condição atual de parcialmente bloqueado e cerceado na sua capacidade de promover mudanças.

A sucessão no Banco Central

Mas há um segundo fator por trás da “crise”. E mais imediato do que 2026. Trata-se da escolha por Lula de quem exercerá a presidência do Banco Central. Até o final do ano, o presidente da República terá de escolher não só o presidente, como também dois novos diretores para o Banco Central. Os indicados de Lula no Comitê de Política Monetária terão maioria folgada a partir de janeiro de 2025.

Consequência? A turma ou melhor turba da bufunfa ficou na espreita e, no momento que julgou adequado, tratou de providenciar uma turbulência econômica, com a ajuda prestimosa de Roberto Campos Neto. Para quê? Para tentar intimidar o presidente da República e o ministro da Fazenda. A mídia corporativa, em sua maior parte um mero puxadinho da Faria Lima, entrou em campo com alertas dramáticos.

Armínio Fraga, um funcionário do status quo, veio a público ameaçar o presidente da República com um “fiasco político” e uma grave crise caso erre na escolha do novo presidente do Banco Central. Edmar Bacha, outro funcionário do status quo, disse textualmente: “Lula tem que se comportar”. Veja só, leitor ou leitora, a imensa arrogância dessa gente (estava para escrever “corja”, mas me contive).

Querem mesmo é que Lula indique um deles para o cargo. Alguém tipo Henrique Meirelles, ou o próprio Armínio Fraga, ou tipo Ilan Goldfajn, para mencionar apenas alguns nomes do longo rol de fiéis serviçais do capital financeiro. Não sendo isso possível, aceitam que seja indicado alguém cooptável.

Nesse momento, já há quatro indicados por Lula na diretoria do Banco Central. Andam bem mansos, no geral. Nada dizem, nada fazem – até onde se pode perceber. Acredito que estejam envolvidos em um cauteloso movimento tático, esperando o não tão distante janeiro de 2025.

Espero que seja mesmo apenas tático. De janeiro em diante, o jogo tem de mudar. Evidentemente, ninguém vai dar um cavalo-de-pau numa instituição da complexidade do Banco Central. Mas não pode ser mais do mesmo.

O Banco Central tem funções da maior importância – conduz a política monetária, emite moeda, supervisiona e regula o sistema financeiro, integra e secretaria o Conselho Monetário Nacional, administra as reservas internacionais do país, funciona como emprestador de última instância em períodos de crise financeira sistêmica, entre outras. Não deve, portanto, ser conduzido de forma independente do resto do governo e da política econômica – e alinhado apenas com o lobby financeiro privado.

É importante acertar na escolha do presidente e dos dois novos diretores. O futuro presidente do Banco Central deve ser, na minha modesta opinião, alguém não só com conhecimento e experiência, como também muito próximo do presidente da República. Assim, ficará mais viável estabelecer a indispensável sintonia entre a política monetária e o resto da política econômica.

*Paulo Nogueira Batista Jr. é economista. Foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS. Autor, entre outros livros, de O Brasil não cabe no quintal de ninguém (LeYa)[https://amzn.to/44KpUfp]

Versão ampliada de artigo publicado na revista Carta Capital, em 12 de julho de 2024.

VIDEO Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina: nem animal tem condições de ser atendido no João Paulo II, o pior hospital do Brasil

Como diz o ditado, em casa de ferreiro, espeto de pau. Há mais de 20 anos no Conselho Federal de Medicina, o médico José Hiran Gallo, atual presidente da entidade, disse estar envergonhado por ser da terra onde fica o pior hospital do Brasil, o João Paulo II, situado em Porto Velho, capital do estado de Rondônia.

Reportagem da Semana do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, exibiu neste domingo flagrantes do atendimento na unidade de saúde. Na reportagem, enquanto o povo sofre pelo descaso, as autoridades jogam a culpa em terceiros. O ex-secretário de Saúde, Dr. Fernando Máximo, eleito deputado federal, empurrou a culpa para os dois secretários que o sucedeu. Como deputado, vive dificultando a vida do governo federal votando contra projetos que ajudariam a saúde no estado de Rondônia.

O presidente do CMF, José Hiran Gallo, se disse envergonhado com a situação, mas está adiante da entidade há mais de 20 anos e nada fez para fiscalizar e cobrar providências. O CMF chegou  a classificar o hospital como o pior do país, mas ficou só nisso.  Ele é dono de um hospital privado em Porto Velho. 

Segundo consta no Diário Oficial do Estado de  5 de junho de 2024, o atual secretário Estadual de Saúde JEFFERSON RIBEIRO DA ROCHA e três altos funcionários da SESAU/RO foram para Londres, fazer um curso de MBA, com autorização do governador Marcos Rocha, com diarias de 40 mil reais. O governador vive viajando, promovendo o agronegócio deixando a saúde de lado.

Uma promessa de campanha não cumprida, o Hospital HEURO em Porto Velho não saiu do papel, embora só da ex-deputada Mariana Carvalho, do mesmo partido do governador, foram destinadas 100 milhões de reais em emendas.

Veja na íntegra:

Fonte: A Democracia

É “surpreendente” que suposto atirador tenha disparado sem que as autoridades soubessem de sua posição, diz FBI

Em uma entrevista coletiva, Kevin Rojek, agente especial do FBI responsável pelo escritório de Pittsburgh, disse que é “surpreendente” que o atirador tenha conseguido disparar vários tiros durante o comício do ex-presidente Donald Trump em Butler, na Pensilvânia. As informações são da CNN Brasil.

Um repórter perguntou: “Parece que a polícia só sabia (que o atirador estava no telhado) quando os tiros foram disparados. É isso que você está ouvindo?”

Rojek respondeu: “Essa é a avaliação no momento.”

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "-20 anos de idade -Fanático por armas -Direitista -Registrado no Partido Republicano (mesmo partido do Trump) Esse é o Thomas Matthew, atirador responsável pelo atentado contra comício do Donald Trump. o FBI identificou o atirador envolvido na cerca tentativa de assassinato contra presidente Donald Trump. Thomas Matthi Crooks tinha anos. era de Bethel Park Pensilvánia, 64 km do local da comico estava registrado no Partido Republicano. mesmo de Trump Ele foi morto pelo Serviço Secreto logo após 0"

O Federal Bureau of Investigation (FBI) identificou Thomas Matthew Crooks, um homem da Pensilvânia de 20 anos, como o “sujeito envolvido” na suposta tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, conforme divulgado em um comunicado no domingo. Crooks, que era de Bethel Park, Pensilvânia, estava registrado como republicano, de acordo com os registros eleitorais do estado.

O incidente ocorreu a 44 milhas ao sul de Butler, onde o tiroteio aconteceu. Na sequência dos eventos, a Administração Federal de Aviação anunciou no domingo que o espaço aéreo sobre Bethel Park foi fechado “com efeito imediato” por razões de segurança especial.

Um apoiador de Donald Trump que participou do comício na Pensilvânia relatou à rede BBC News que o suposto atirador  foi visto muito antes dos tiros.

No entanto, algo estranho ocorreu, de acordo com o seu relato. Ele alega que a posição do homem com o rifle foi indicada a policiais e agentes do serviço secreto no local, que nada fizeram para contornar a situação.

Brasil 247

Aos números: de R$ 523 bi em isenções fiscais em 2024, R$ 271 bi não trarão retorno econômico ou social

Unafisco revela que, de cada R$ 3 em isenções, só R$ 1 traz benefícios ao país. “As mesmas pessoas que falam que é preciso parar de gastar são as que têm desoneração”, disse Lula

“Não vamos fazer ajuste em cima dos pobres”, assegurou o presidente

As renúncias fiscais, constantemente justificadas como um motor para o crescimento econômico, têm se mostrado ineficazes na prática. O estudo Privilegiômetro Tributário, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), revela que, de cada R$ 3 em impostos que o governo deixa de arrecadar, apenas R$ 1 traz benefícios reais para a economia.

Só na esfera federal, essas isenções atingirão, em 2024, a soma de R$ 523,7 bilhões. Desse total, 51,88% não têm contrapartida alguma. Ou seja, R$ 271,7 bilhões são entregues sem gerar benefícios econômicos ou sociais. A desoneração de R$ 160,1 bilhões sobre lucros e dividendos também não traz retornos.

Há ainda R$ 265,8 bilhões em renúncias que o governo nem sequer reconhece oficialmente. Entre esses, destacam-se a não arrecadação dos impostos sobre grandes fortunas, que poderia gerar R$ 76,4 bilhões anuais, e as concessões em programas de parcelamento de dívidas, R$ 29,3 bilhões.

 

Mais isenções = menos investimentos

Entre 2012 e 2023, as isenções fiscais federais aumentaram 212,44%, enquanto os investimentos do governo em áreas essenciais, como a gestão de risco e desastres, caíram. A discrepância é especialmente preocupante em tempos de crise climática, e evidencia a necessidade de uma reavaliação dessas políticas.

Defendidas pela mídia e pelo mercado, as renúncias também ajudam a perpetuar a desigualdade social. Os mesmos recursos poderiam ser investidos em outros setores, trazendo benefícios para todo o país.

Lula tem razão

O estudo da Unafisco reforça a posição de Lula, que condena a pressão do mercado por ajustes focados nos mais pobres, enquanto alguns setores mantêm seus privilégios. “As mesmas pessoas que falam que é preciso parar de gastar são as que têm desoneração de folha de pagamento, isenção fiscal. São os ricos que se apoderam de uma parte do orçamento do país e eles se queixam daquilo que você está gastando com o povo pobre. Por isso que eu disse que não me venham querer que se faça qualquer ajuste em cima das pessoas mais humildes desse país”, afirmou recentemente o presidente em entrevista à rádio CBN.

Para construir um Brasil mais justo e com crescimento sustentável, é importante ter um olhar atento para cada uma dessas isenções fiscais. É preciso lembrar que o dinheiro público deve ser utilizado para beneficiar toda a população e não apenas uma minoria.

Gravado por ex-diretor da Abin, Bolsonaro está no centro do escândalo da arapongagem

PF descobriu gravação de reunião de Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem para livrar o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, das investigações sobre ‘rachadinhas’

Quanto mais avançam as investigações da Polícia Federal (PF) contra Jair Bolsonaro (PL) e seu entorno, vai restando claro que o ex-presidente aparelhou o Estado brasileiro para atender a interesses pessoais, sequer considerando administrar o país durante o mandato que lhe foi entregue pela população. A PF começou a revelar, nesta quinta-feira (11), as primeiras evidências de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) agiu para proteger os filhos do ex-presidente de investigações na Justiça.

Em áudio obtido pela PF, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem – hoje deputado federal pelo PL e candidato à prefeitura do Rio de Janeiro – conversa com Bolsonaro e com o General Augusto Heleno sobre o caso das “rachadinhas” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que acaba de quitar uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília.

A PF acredita que a agência também foi instrumentalizada para blindar Jair Renan Bolsonaro, o filho “04” do ex-presidente, dos processos a que responde. Já Carlos Bolsonaro, aponta a polícia, teve suporte da agência depois que foi aventada a possibilidade de ele ser convocado a prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, instaurada para investigar as condutas de seu pai durante a pandemia.

Indiciado na semana passada em meio ao escândalo das joias afanadas do acervo presidencial, o capitão da extrema-direita se complica ainda mais na Justiça. De acordo com a PF, a Abin monitorou clandestinamente os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Luiz Fux, todos do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes, inclusive, é relator de diversos processos que envolvem o ex-presidente e seus aliados.

No Congresso Nacional, a “Abin paralela” de Bolsonaro mirou o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e Alessandro Vieira (MDB-SE). A lista inclui ainda a ex-deputada Joice Hasselmann, o ex-prefeito de São Paulo João Doria e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

O tratamento repulsivo dispensado à imprensa durante o mandato era apenas um dos sintomas do autoritarismo de Bolsonaro. A PF afirma que o ex-presidente utilizava a máquina pública para monitorar e controlar diversos profissionais, a exemplo das colunistas dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, Mônica Bergamo e Vera Magalhães, respectivamente.

Eram considerados inimigos do governo do capitão também os jornalistas Pedro Cesar Batista, do Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima, e Luiza Alves Bandeira, do Digital Forensic Research Lab (DFRLab).

Interesses espúrios

Ainda na quinta-feira, a PF deflagrou a quarta fase da Operação Última Milha e prendeu agentes diretamente subordinados a Ramagem, entre eles, um policial federal e um sargento do Exército, ambos cedidos à agência, além de influenciadores digitais ligados ao “gabinete do ódio”, chefiado por Carlos Bolsonaro.

A pedido do STF, mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos contra Mateus de Carvalho Spósito, Richards Pozzer, Marcelo Bormevet, Giancarlo Gomes Rodrigues e Rogério Beraldo de Almeida. Foram alvos apenas de busca e apreensão José Matheus Gomes e Daniel Ribeiro Lemos.

Na decisão que autorizou a operação da PF, Moraes disse que eles “participaram de uma estrutura espúria, infiltrada na Abin, voltada para a obtenção de toda ordem de vantagens para o núcleo político, produzindo desinformação para atacar adversários e instituições, que, por sua vez, era difundida por intermédio de vetores de propagação materializados em perfis e grupos controlados por servidores em exercício na Abin”.

8 de janeiro de 2023

Sobre as manifestações golpistas de 8 de janeiro de 2023, a PF conseguiu acesso a uma troca de mensagens, de 2022, entre dois dos alvos da operação deflagrada nesta quinta. Na conversa, eles abordam a “minuta do decreto de intervenção” e o “rompimento democrático”.

Bormevet questiona Giancarlo Rodrigues se Bolsonaro já havia assinado o documento. “O Nosso PR imbrochável já assinou a porra do decreto?”, pergunta. “Assinou nada. Tá foda essa espera”, reponde Rodrigues.

Gestapo de Bolsonaro

Por meio do “X”, a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), repudiou o autoritarismo de Bolsonaro. “Das rachadinhas ao golpe, da espionagem às fake news, o inelegível transformou a agência numa Gestapo particular, a serviço de seus interesses políticos e pessoais, incluindo a blindagem dos crimes da família”, elencou.

“Durante quatro anos, o Brasil esteve nas mãos dessa gente, pessoas tão bandidas que grampeavam uns aos outros. E tudo indica que fizeram coisas ainda piores contra o país, a Justiça e a democracia. É para encobrir seus crimes e enterrar as investigações que eles querem voltar. Que ninguém se iluda: não existe bolsonarista ‘civilizado’. São todos cúmplices do chefe inelegível”, completa Gleisi.

O senador Humberto Costa (PT-PE) divulgou um vídeo cobrando punição para todos os envolvidos. “A vitória de Lula interrompeu o golpe em curso. Mas a investigação sobre a Abin Paralela escancara como Bolsonaro e sua turma estavam corroendo o Estado durante o tempo que estiveram no poder. Essa quadrilha precisa ser punida. Sem anistia para quem ataca a democracia”, disse.

 

Da Redação, com informações de CartaCapital, Folha de S. Paulo, CNN Brasil, Uol, Metrópoles

“O PT, certamente, sairá maior nessa eleição do que entrou”, diz diretor do Instituto Ver

Cientista político Malco Camargos prevê polarização reduzida nas eleições municipais de outubro. “Ela vai estar localizada, principalmente, nas maiores cidades”, antecipa

O cientista político Malco Camargos, professor da PUC Minas e diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia, concedeu entrevista, nesta quinta-feira (11), à TvPT. Ele esmiuçou o atual cenário político nacional e falou das expectativas em relação às eleições municipais desse ano, previstas para outubro. Na avaliação do professor, o pleito deve ampliar a representatividade do Partido dos Trabalhadores (PT). “O PT, certamente, sairá maior nessa eleição do que entrou”, aposta.

“O governo federal, seja quem for o presidente, tem um papel importante, porque as pessoas vivem as políticas públicas nos municípios, mas os recursos são concentrados na União. […] Então, o fato do Brasil hoje ser governado por alguém que é de esquerda acaba dando uma narrativa para candidatos de esquerda que é: ‘eu tenho mais acesso ou mais capacidade de fazer as nossas demandas chegarem ao governo federal’. Isso significa acesso a recursos para implementação de políticas públicas. Isso pode, sim, fazer a diferença”, analisa.

Leia mais: PT já homologou 198 pré-candidaturas em cidades com mais de 100 mil eleitores

Camargos argumenta que o período da pandemia serviu para que os brasileiros compreendessem a necessidade de voltarem a escolher políticos experientes, dada a negligência, sob todos os aspectos, com que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) geriu a crise sanitária no país, ultrapassando a infeliz marca de 700 mil mortos. Para o diretor do Instituto Ver, os eleitores não estão mais interessados em alguém “novo”.

“Até as jornadas de junho de 2013, o eleitor buscava políticos que tivessem, de fato, uma história de entrega de políticas públicas […], valorizavam a experiência, valorizavam o resultado da vida política. De junho de 2013 para frente, foi a desqualificação dos políticos, como se todos fossem contra o povo. O resultado foi a busca da novidade. E a busca da novidade foi o que pautou o pleito de 2016, de 2018, de 2020. Aí veio a pandemia”, explica.

Polarização

De acordo com o cientista político, a variável da polarização permanece presente nas pesquisas eleitorais e não está orientada pelas divergências a respeito de políticas públicas ou mesmo da pauta de costumes. “A polarização se dá se você é a favor do Lula ou se você é a favor do Bolsonaro”, pontua Camargos, antes de assegurar não haver muitas diferenças entre os eleitores dos dois.

“A polarização não é um diabo tão feio quanto parece. E por que temos que tratar como um diabo? Porque ela tira da pauta, da discussão, o que, de fato, importa. […] Ela vai estar presente? Vai. Na mesma intensidade de 2022? Não, menor, e vai estar mais localizada. Ela vai estar localizada, principalmente, nas maiores cidades”, antecipa.

Questionado sobre a receptividade do eleitorado a candidaturas de mulheres, negros, indígenas e LGBTs, Camargos respondeu que o cenário é favorável. “Cada vez mais. Não só pelos avanços da legislação, mas também pelo avanço do próprio eleitorado, reconhecendo que a política não pode continuar no lugar que estava, de homens, brancos, com curso superior […] não é essa a diversidade da sociedade brasileira.”

Pesquisas confeccionadas pelo Instituto Ver revelaram que, em 2024, os eleitores brasileiros estão mais preocupados com saúde, infraestrutura, mobilidade urbana e segurança pública.

Big techs

Enquanto as big techs não forem reguladas e responsabilizadas, afirma o diretor do Instituto Ver, o sectarismo continuará avançando no Brasil e no mundo. Camargos ressaltou que a extrema-direita opera de maneira semelhante em todas as partes: irrompe em meio a crises econômicas próprias do capitalismo, sempre mirando um inimigo em comum, como, por exemplo, os imigrantes.

“E o terceiro elemento também é chave para entender isso, a rede social, no qual os algoritmos colocam perto de si pessoas que têm opinião mais ou menos iguais. Mesmo que elas sejam muito distantes da média da sociedade, para aquele grupo, acha uma aderência forte, uma concordância em relação a tudo aquilo que ele posta e que ele lê na rede social. […] O resultado é esse: o grupo vai crescendo, vai se multiplicando e vai ocupando espaço significativo na sociedade”, descreve.

“Ainda em minoria, mas […] a continuar sem controle e sem punição das big techs, das grandes empresas de tecnologia, o resultado será a expansão, cada vez mais, da extrema-direita”, prossegue.

Economia

Camargos também elogiou os esforços do governo Lula para manter o equilíbrio fiscal sem abrir mão das políticas sociais, com foco naquilo que é crucial para o país a despeito de divergências ideológicas, algo que Bolsonaro foi incapaz de fazer. Por isso, entende o professor, o capitão não saiu reeleito, mesmo dispondo da máquina pública em seu favor.

“A economia continua sendo importante. E aí está a grande aposta do governo Lula: a diminuição da taxa de desemprego, a promoção do crescimento do país e a briga com a taxa de juros. É exatamente para tentar entregar […] bem-estar econômico para as pessoas”, conclui.

Da Redação

Promessa de Lula, churrasco segue mais barato em 2024

Nos seis primeiros meses do ano, preço das carnes subiu apenas em janeiro e acumulou queda de 2,98% no período; em 12 meses, recuo é ainda maior, de 6,5%

Como prometido pelo presidente Lula desde a campanha eleitoral, o churrasco passou a pesar menos no bolso dos brasileiros, um movimento que persistiu no primeiro semestre deste ano. É o que confirmam os resultados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE na quarta-feira (10): nos seis primeiros meses do ano, o preço das carnes subiu apenas em janeiro (0,08%) e acumulou queda de 2,98% no período. Nos últimos 12 meses, o recuo é ainda maior, de 6,5%.

O assunto é destaque em matéria publicada pelo Uol, que mostra que a redução dos preços foi verificada em todos os 16 cortes pesquisados.

Entre os tipos de carnes analisados mensalmente, as maiores baixas do primeiro semestre foram apuradas nos preços do fígado (-8,2%) e do lagarto redondo (-5,2%). Já a costela apresenta queda de 11,9% e fica atrás apenas do fígado (-21,7%).

As carnes estão mais baratas em todas as capitais que compõem o índice. Entre janeiro e junho, os destaques ficam por conta do Rio de Janeiro (-5,1%), de Salvador (-4,55%) e Belém (-4,28%). Por outro lado, as menores quedas foram verificadas em Recife (-0,78%), Distrito Federal (-1,02%) e Fortaleza (-1%).

Em 2023, queda foi de 9,4%

E não é só apenas em 2024 que o ambiente é favorável para os amantes do churrasco. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, o preço das carnes caiu 9,4%, também com todos os cortes mais baratos em relação ao fim de 2022.

Mais oferta, menor preço

O IBGE destaca também o reflexo da maior oferta na redução dos preços. “O que explica a redução nos preços das carnes em 2023 e no primeiro semestre é um aumento significativo da oferta no mercado doméstico”, afirma ao Uol André Almeida, gerente do IPCA.

Matheus Dias, economista do FGV Ibre, reforça essa análise. “O aumento da oferta é a principal consequência da redução de preço das carnes. Se tem mais bovinos disponíveis para corte e para o consumo de carne, isso faz com que o preço caia”, diz.

No rumo certo

Os dados demonstrados pelo IBGE confirmam o acerto das políticas do governo Lula de estímulo à produção, como a ampliação do acesso ao crédito para os produtores.

Ao mesmo tempo, a redução do preço das carnes é acompanhada por iniciativas que estimulam o consumo, por meio da geração de empregos, do fortalecimento dos salários, da transferência de renda, entre outras.

Da Redação, com informações do Uol

Ipec: aprovação do governo Lula atinge 68%

Crescimento da renda das famílias e do PIB, queda do desemprego e da inflação explicam o resultado; em março, índice era de 66%

Crescimento da renda das famílias e do PIB, queda do desemprego e da inflação, além de muitos outros indicadores positivos que voltaram à rotina dos brasileiros desde o início de 2023, explicam o aumento dos índices de aprovação do governo Lula. Pesquisa Ipec divulgada nesta quinta-feira (11) mostra que a avaliação de ótimo/bom entre a população saltou de 33% em março para 37% em julho, enquanto os que consideram regular caíram de 33% para 31%, resultando em uma aprovação de 68% – em março, era 66%.

A melhora da avaliação do governo foi registrada em todos os recortes pesquisados pelo Ipec  – renda, escolaridade, religião, raça, gênero etc.

Já a avaliação do governo como ruim/péssimo, de março a julho, oscilou de 32% para 31%.

O levantamento Ipec, contratado pela TV Globo, teve duas mil entrevistas feitas em 129 municípios brasileiros entre os dias 4 e 8 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Os resultados do Ipec vão ao encontro do levantamento divulgado na quarta-feira (10) pelo instituto Quaest, que registrou o maior patamar de aprovação do governo neste ano: 54%, um aumento de quatro pontos percentuais na comparação com a rodada anterior.

“O povo está com Lula!”, postou o deputado federal Carlos Zaratinni (PT-SP), na rede social X, comemorando os dados do Ipec. “Mais uma pesquisa demonstra o crescimento da aprovação do governo Lula com o povo brasileiros, 68% consideram o governo ótimo/bom/regular, segundo dados do Ipec”, comemorou.

 

Reconhecimento da população de baixa renda

A luta obstinada do presidente pela redução das desigualdades, distribuição de renda e melhora da vida dos brasileiros rumo a uma sociedade de classe média dá o tom do governo, que encontra os melhores índices de aprovação exatamente entre aqueles com renda familiar mensal de até um salário mínimo.

Nesse recorte, a alta das avaliações ótimo/bom foi de 9 pontos percentuais, de 39% em março para 48% em julho. Os que responderam regular somam 29%, totalizando 77% de aprovação pela camada mais baixa da população. Até dois salários mínimos, o total de ótimo/bom e regular soma 72%; de dois a cinco mínimos, 67%; e 63% acima de cinco salários.

“O homem só cresce e quem mostra isso agora é a pesquisa IPEC. A aprovação do governo Lula aumentou e o índice de “ótimo” e “bom” subiu de 33% para 37%. O povo tem sentido a vida melhorar”, publicou o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) em suas redes.

 

 Nordeste e idosos têm altos índices de aprovação 

Moradores da região Nordeste registraram o aumento mais expressivo da aprovação do governo, com 23% de ótimo, 30%de bom e 38% de regular, totalizando 91% de aprovação.

Entre as mulheres, 15% classificam o governo como ótimo, 23% bom e 30% regular. Entre os homens, 13% de ótimo, 22% bom e 33% regular. Ambos têm aprovação de 68%.

Entre os que tem ensino fundamental, 76% aprovam (21% ótimo, 27% bom e 28% regular). Quem tem ensino médio somou 64% (11% ótimo, 20% bom e 33% regular) e quem tem ensino superior 61% (9% ótimo, 20% bom e 32% regular).

Em todas as faixas etárias a aprovação também é superior a 60%, com destaque para os acima de 60 anos, com 72% classificando o governo como ótimo 21%, bom 27% e regular 24%. O total de pessoas que se declararam brancas e aprovam o governo Lula é de 60% e pretos e pardos, 71%.

Entre os que aprovam o governo, os maiores percentuais foram identificados entre quem declara ter votado no presidente na eleição de 2022 (83%); aqueles que vivem na região Nordeste (67%); quem possui renda familiar mensal de até um salário mínimo (61%); com menor nível de escolaridade (59%); e os católicos (57%).

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Lula em alta

Da mesma forma que ocorreu com a avaliação do governo, o desempenho pessoal do presidente, conforme o Ipec, também melhorou em aprovação, oscilando de 49% em março para 50% em julho. A desaprovação caiu de 45% para 44%.   

Entre os que aprovam Lula, os maiores percentuais foram identificados entre quem declara ter votado no presidente na eleição de 2022 (66%); aqueles que vivem na região Nordeste (53%); pessoas com 60 anos ou mais (48%), eleitores com menor nível de escolaridade (48%), quem possui renda familiar de até um salário mínimo (48%) e católicos (44%). A avaliação ruim ou péssima, obviamente, ficou entre os que votaram em Bolsonaro na eleição de 2022 (61%) e evangélicos (39%).

Já o índice de confiança em Lula oscilou de 45% para 46%. O percentual dos que dizem não confiar ficou em 51%.

 

Agentes da ‘Abin paralela’ de Bolsonaro discutiram “tiro na cabeça” de Alexandre de Moraes

A quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada nesta quinta-feira (11) pela Polícia Federal (PF) com o objetivo de apurar um esquema de monitoramento ilegal de opositores e críticos do governo Jair Bolsonaro (PL) por meio de uma ‘Abin paralela’, revelou que os envolvidos sugeriram ações violentas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, incluindo um plano para assassiná-lo com um “tiro na cabeça”.

De acordo com o jornal O Globo, um trecho do relatório da PF aponta que em mensagens trocadas em agosto de 2021 – descobertas durante a investigação de um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – um dos investigados reclama da situação e sugere que o ministro “merecia algo a mais”. Em resposta, outro investigado menciona o calibre de munição “7.62”. A resposta foi direta: “head shot” (termo em inglês que significa “tiro na cabeça”).

Além das ameaças de violência, os investigados também discutiram outras alternativas para lidar com o ministro do STF, incluindo a abertura de um processo de impeachment. As quebras de sigilo nos celulares dos envolvidos mostraram ainda a produção de um dossiê contra Alexandre de Moraes.

A PF informou que os investigados no caso da ‘Abin paralela’ poderão responder por crimes de organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, interceptação clandestina de comunicações e invasão de dispositivo informático.

Diversas pessoas foram espionadas pelo equema ilegal montado na Abin. No Poder Judiciário, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux foram alvo das investigações. No Poder Legislativo, foram monitorados o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o deputado Kim Kataguiri e os ex-deputados Rodrigo Maia e Joice Hasselmann, além dos senadores Alessandro Vieira, Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues, que integravam a CPI da Covid no Senado.

No Poder Executivo, as investigações apontaram para o monitoramento do ex-governador de São Paulo, João Doria, e servidores do Ibama, Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges. Também foram monitorados os auditores da Receita Federal do Brasil Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.

Os jornalistas Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista também estiveram sob vigilância, conforme as investigações da Polícia Federal.

Brasil 247

SUPERTRAMP Experience anuncia novos shows pela América do Sul

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Melhor banda de tributo ao SuperTramp e única reconhecida por Roger Hodgson confirma mais cinco apresentações: Goiânia (31/08), Florianópolis (17/08), Buenos Aires (13/09) e Santiago (14 e 15/09)

Após divulgar 9 (nove) shows em principais cidades do Brasil, o SUPERTRAMP Experience anuncia mais dois em terras tupiniquins, sendo uma nova sessão em Florianópolis, às 18h, no dia 17 de agosto de 2024 (sexta-feira) e um espetáculo em Goiânia no dia 31 de agosto de 2024 (sábado).

A banda também se apresentará em Buenos Aires, no dia 13 de setembro de 2024 (sexta)  e segue para o Chile, encerrando a turnê em Santiago nos dias 14 e 15 de setembro de 2024 (sábado e domingo).

Celebrando os 55 anos desde a criação da lendária SuperTramp, os 50 anos do lançamento do icônico álbum “Crime of the Century” e 45 anos de “Breakfast in America”, um dos cinco discos mais vendidos do mundo, essa turnê promete ser uma experiência inesquecível para os fãs brasileiros.

SUPERTRAMP Experience é a  única banda reconhecida pelo co-fundador Roger Hodgson, também considerada o melhor tributo ao SuperTramp do mundo. É formada por Antoine Oheix (vocal e teclados), Alice Vallee (guitarra, teclados e backing vocal), David Martin (saxofone, teclado, coros), Lucas Fleurance (baixo, coros), Stéphane Glory (bateria), cinco apaixonados músicos pelo SuperTramp, que se apresentam nos palcos da Europa para emocionar o público ao som dos lendários sucessos de uma das maiores  e mais amadas bandas de todos os tempos.

Conhecida por capturar a essência e o espírito único do SuperTramp, o SUPERTRAMP Experience  promete uma série de apresentações memoráveis que evocarão os sucessos atemporais que cativaram gerações, transmitindo o som, a energia e a emoção o mais fielmente possível da lendária banda inglesa.

Desde clássicos como “The Logical Song” e “Dreamer” até os inesquecíveis “School” e “Goodbye Stranger”, o repertório conta com quase 2 horas com os grandes sucessos do SuperTramp.

Não faltarão sucessos como: “Fool’s Overture”, “Crazy”, “Hide In Your Shell”, entre outros clássicos lendários que definiram uma era da música.

Abrindo a sequência de shows, no dia 16/08/2024 (sexta), a banda se apresenta em Criciúma (Teatro Elias Angeloni). No dia seguinte, 17/08/2024 (sábado), é a vez de Florianópolis (Teatro CIC) curtir seus maiores sucessos, com 2 (duas) sessões, uma às 18 e outra às 21hDia 22/08/2024 (quinta), o show será em Porto Alegre (Araújo Vianna) e 23/08/2024 (sexta) em Belo Horizonte (Sesc Palladium). Dia 24/08/2024 (sábado), o quinteto segue para Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Dia 25/08/2024 (domingo), um grande show é preparado para a maior cidade da América Latina, São Paulo (Tokio Marine Hall). O grupo passará por Vitória (Espaço Patrick Ribeiro)  no dia 30 de agosto de 2024 (sexta-feira), Goiânia (Teatro Madre Esperança Garrido) no dia 31 de agosto de 2024 (sábado) Curitiba (Teatro Up Experience) em 06 de setembro de 2024 (sexta-feira). O último show no Brasil será dia 07/09/2024  (sábado), no Rio de Janeiro (Qualistage).

Após, a banda segue para Argentina e se apresenta em Buenos Aires (Sala Sin Piso Geba)  no dia 13 de setembro de 2024 (sexta), e depois finaliza a tour no Chile, em Santiago, no sábado e domingo, dias 14 (Teatro Caupólican) e 15 de setembro de 2024 (Casa Piedra).

Datas da Turnê:

  • 16/08/2024 (sexta): Criciúma (Teatro Elias Angeloni)
  • 17/08/2024 (sábado): Florianópolis (Teatro CIC)
  • 22/08/2024 (quinta): Porto Alegre (Araújo Vianna)
  • 23/08/2024 (sexta): Belo Horizonte (Sesc Palladium)
  • 24/08/2024 (sábado): Brasília (Centro de Convenções Ulysses Guimarães)
  • 25/08/2024 (domingo): São Paulo (Tokio Marine Hall)
  • 30/08/2024 (sexta): Vitória (Espaço Patrick Ribeiro)
  • 31/08/2024 (sábado): Goiânia (Teatro Madre Esperança Garrido)
  • 06/09/2024 (sexta): Curitiba (Teatro Up Experience)
  • 07/09/2024 (sábado): Rio de Janeiro (Qualistage)
  • 13/09/2024 (sexta): Buenos Aires, Argentina (Sala Sin Piso Geba)
  • 14/09/2024 e 15/09/2024 (sábado e domingo): Santiago, Chile ( Teatro Caupólican e Casa Piedra)

 

SOBRE O  SUPERTRAMP EXPERIENCE

O grupo chega com cinco mega stars:

Antoine Oheix (teclado, vocal), fã do SuperTramp desde a adolescência, fundou o grupo em 2011. A sua voz com amplitude alargada permite-lhe estar avantajado tanto nos registos de Roger Hodgson como de Rick Davies. Ele é a referência nos arranjos e na sonoridade do grupo.

Alice Vallee (guitarra, teclados, backing vocals) é um grande músico que toca notavelmente em vários estilos, mas tem no SuperTramp sua maior paixão

David Martin (saxofone, teclados, coros) é um verdadeiro instrumentista, seu perfeito domínio do saxofone e sua longa experiência fazem dele o John Helliwell do grupo.

Lucas  Fleurance (baixo, backing vocals) é baixista, baterista e compositor. Grande admirador de Paul McCartney e SuperTramp. Ingressou naturalmente no grupo em 2013.

Stéphane Glory (bateria) já trabalhou com vários artistas franceses e estrangeiros e é considerado um dos maiores bateristas da França.

SUPERTRAMP Experience é simplesmente o melhor tributo ao SuperTramp do mundo.

 

SERVIÇOS: TOUR SUPERTRAMP EXPERIENCE – 2024 (América do Sul)

BRASIL:

 

CRICIÚMA – SuperTramp Experience no Teatro Elias Angeloni

Data: 16 de agosto de 2024 (sexta)

Abertura do local: 20h

Horário do show: 21h

Local: Teatro de Criciúma –  Av. Santos Dumont, 1498-1608 – São Luís, Criciúma – SC

Classificação etária: livre

Ingressos:  R$ 103,50 (Meia Entrada) | R$ 115,00 ( Solidário) | R$ 207,00 (Inteira)

Compra de ingressos:  SUPER TRAMP EXPERIENCE NO TEATRO ELIAS ANGELONI – Minha Entrada

 

 

FLORIANÓPOLIS – SuperTramp Experience no Teatro Ademir Rosa – CIC

Data: 17 de agosto de 2024 (sábado)

Abertura: 20h

Horário do show: 21h

Local: Teatro Ademir Rosa – CIC – Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômica – Florianópolis/SC

Classificação etária:  livre

Ingressos: Plateia Baixa:  R$ 200,00 (inteira) e R$ 100,00 (meia)  | Plateia Alta:  R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia)

Compras de ingressos:  https://www.blueticket.com.br/evento/34928

 

PORTO ALEGRE – SuperTramp Experience no Auditório Araújo Vianna   

Data: 22 de agosto de 2024  (quinta-feira)

Abertura do local: 19h

Horário do show: 21h

Local:  Auditório Araújo Vianna (Avenida Osvaldo Aranha, 685)

Classificação etária: 16 anos

Ingressos: Plateia Alta Lateral (1º Lote): R$ 190,00 (inteira),  R$ 95,00 (meia) e R$ 100,00 (solidária) | Plateia Alta Central (1º Lote) : R$ 230,00 (inteira), R$ 115,00 (meia) e R$ 120,00 (solidária) | Plateia Baixa Lateral (1º Lote): R$ 270,00 (inteira), R$ 135,00 (meia) e R$ 140,00 (solidária) | Plateia Baixa Central (1º Lote): R$ 330,00 (inteira), R$ 165,00 (meia) e R$ 170,00 (solidária) | Plateia Gold (1º Lote): R$ 390,00 (inteira), R$ 195,00 (meia) e  R$ 200,00 (solidária)

Compras de ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/90470?_gl=1*1n050fd*_ga*NjI1ODUxOTk5LjE3MTMxOTE5NjM.*_ga_KXH10SQTZF*MTcxNDc2NzE2My4zLjEuMTcxNDc2NzE4MS40Mi4wLjIwMzAwODc5NDE ou na  Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência – somente em dinheiro):

Loja Planeta Surf Bourbon Wallig (Av. Assis Brasil, 2611 – Loja 249 – Jardim Lindóia – Porto Alegre), Horário funcionamento: das 10h às 22h. Bilheteria Araújo Vianna (sem taxa de conveniência – à vista em dinheiro ou cartão): Aberta somente no dia do evento 2 horas antes do início dos shows

 

BELO HORIZONTE – SuperTramp Experience no  Grande Teatro do Sesc Palladium

Datas: 23 de agosto de 2024 (sexta)

Abertura do local: 20h30

Horário do show: 21h30

Local: Grande Teatro do Sesc Palladium – Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro, Belo Horizonte/MG

Classificação etária: 10 anos

Ingressos: Plateia I: R$ 280,00 (inteira) e R$ 140,00 (meia) | Plateia II: R$ 260,00 (inteira) e R$ 130,00 (meia) | Plateia III: R$ 220,00  e R$ 110,00 (meia)

Compra de ingressos:  https://bileto.sympla.com.br/event/92284/d/246224?_gl=1*1uuk3pd*_ga*MTM2ODMyMTU3MS4xNzEwNTE3MTg3*_ga_KXH10SQTZF*MTcxMDc4NDkwNi40LjEuMTcxMDc4NzU3Ny40OC4wLjgyMjg0MzY0NQ .

 

BRASILIA – SuperTramp Experience no Centro de Convenções Ulysses Guimarães 

Datas: 24 de agosto de 2024 (sábado)

Início do show: 19h

Local:  Centro de Convenções Ulysses Guimarães (SDC – Ulysses Guimarães, Brasília – DF, 70655-775, Brasil)

Ingressos: Lounge Primeira Fileira: R$ 250,00 (meia) |  Poltrona Front Premium: R$ 300,00 (inteira),  R$ 160,00 (solidária)   e  R$  150,00 (meia)  | Poltrona Premium: R$ 240,00 (inteira), R$ 130,00 (solidária)   e R$ 120,00 (meia)  | Poltrona Especial: R$ 180,00 (inteira), R$ 100,00 (solidária)  e R$ 90,00 (meia) | Camarote All Inclusive: R$ 400,00

Compras de ingressos: Ingressos Super Tramp Experience ou nos pontos físicos:   BARBEARIA ELVIS – (Venda somente em cartão)* JK Shopping – 3º Piso, Taguatinga Norte JK Shopping LOJA 315 – Taguatinga Shopping 3º PISO LOJA 3044 – Taguatinga. KONI – (Venda somente em cartão) 209 SUL – Comércio Local Sul 209 BL B – Asa Sul (Horário de funcionamento: 11:30 às 22:30) SUDOESTE – St. Sudoeste Superquadra Sudoeste 101 Bloco B LOJA 170 – Sudoeste (Horário de funcionamento: 11:30 às 22:30)

*Sujeito a taxa de serviço, e taxa no parcelamento em 1x 2x e 3x vezes no cartão de crédito.

SÃO PAULO –  SuperTramp Experience no Tokio Marine Hall

Datas: 25 de agosto de 2024 (domingo)

Abertura do local: 18h

Início do show: 20h

Local: Tokio Marine Hall (R. Bragança Paulista, 1281 – Vila Cruzeiro São Paulo – SP, 04727-002)

Classificação etária: 16 anos.

Ingressos: Camarote: R$300,00  I Frisas: R$240,00 I Cadeira Alta: R$140,00 I  Setor VIP: R$300,00 I Setor 01: R$240,00 I Setor 02: R$180,00|  Setor 03: R$140,00

Compra de ingressos:   SUPERTRAMP EXPERIENCE ⋆ Tokio Marine Hall  e  supertramp experience – tokio marine hall

 

VITÓRIA –  SuperTramp Experience no Espaço Patrick Ribeiro 

Data: 30 de agosto de 2024 (sexta-feira)

Abertura do local: 20h

Início do show: 22h

Local: Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória (Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, S/N – Goiabeiras, Vitória – ES, 29109-350) 

Classificação etária: 18 anos.

Ingressos: Cadeira Ouro: R$180,00 (inteira), R$ 90,00 (meia) e R$ 130,00 (solidário) |  Cadeira Prata: R$160,00 (inteira), R$ 80,00 (meia) e R$ 110,00 (solidário) | Mesa Ouro (4 pessoas): R$1.200,00 | Mesa Prata (4 pessoas): R$1.000,00 | Mesa Bronze (4 pessoas): R$ 800,00.

Compra de ingressos:   Super Tramp Experience – Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória – Ingressos – Blueticket

 

GOIÂNIA –  SuperTramp Experience no Teatro Madre Esperança Garrido

Data: 31 de agosto de 2024 (sábado)

Início do show: 21h

Local: Teatro Madre Esperança Garrido –  Av. Contorno, 241 – St. Central, Goiânia – GO, 74055-140

Classificação etária: 18 anos.

Ingressos: Plateia Ouro:  R$250,00 |  Plateia Prata: R$240,00 | Plateia Bronze: R$ 230,00.

Compra de ingressos:   https://www.bilheteriadigital.com/supertramp-experience-goiania-31-de-agosto

 

CURITIBA –  SuperTramp Experience no Teatro Up Experience

Data:06 de setembro de 2024 (sexta-feira)

Abertura do local: 20h

Início do show: 21h

Local:  Teatro Up Experience (Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300, Estacionamento, 8 – Campo Comprido, Curitiba)

Ingressos: Plateia Gold – R$ 300,00 | Plateia Baixa – R$ 250,00 | Plateia Alta – R$ 230,00

Compra de ingressos:  Disk Ingressos

 

RIO DE JANEIRO- SuperTramp Experience no Qualistage   

Data: 07 de setembro de 2024 (sábado)

Abertura do local: 19h30

Início do show: 21h30

Local:  Qualistage (Via Parque Shopping – Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca 

Classificação etária:  18 anos.

Ingressos: Setor 1: R$ 320,00 (inteira) e R$ 160,00 (meia) | Setor 2: R$ 260,00 (inteira) e R$ 130,00 (meia) | Setor 3:  R$ 190,00 (inteira) e R$ 95,00 (meia)| Setor 4: R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia)| Setor 5: R$ 150,00 (inteira) e R$ 75,00 (meia) | Camarote A: R$ 320,00 (inteira) e R$ 160,00 (meia) | Camarote B: R$ 260,00 (inteira) e R$ 130,00 (meia) | Camarote C: R$ 260,00 (inteira) e R$ 130,00 (meia) | Poltronas: R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia).

Compras de ingressos:   Super Tramp

 

ARGENTINA 

 

Buenos Aires:

Data: 13 de setembro de 2024 (sexta)

Local: Sala Sin Piso Geba

Endereço: Julio Argentino Noble 4100, Cdad. Autónoma de Buenos Aires, Argentina

 

CHILE

 

Santiago:

Data: 14 de setembro de 2024 (sábado)

Local: Teatro Caupólican

Endereço:  San Diego 850, 8330840 Santiago, Región Metropolitana, Chile

Data:15 de setembro de 2024 (domingo)

Local: Casa Piedra

Endereço:  Avenida Las Flores 13 000, 7610671 Las Condes, Región Metropolitana, Chile

 

Relatório da PF sobre fraude nas vacinas entra na reta final e Bolsonaro fica mais próximo da prisão

O relatório da Polícia Federal (PF) que expõe os crimes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus auxiliares na apropriação e venda ilegal de joias não é a única má notícia para o ex-capitão. Nos próximos dias, a PF deve revelar o avanço das investigações sobre a fraude nos cartões de vacina em um novo relatório, conforme informações da colunista Bela Megale, do Globo.

O documento foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que em abril pediu novas diligências no inquérito sobre a suposta participação de Bolsonaro em um esquema de fraude nos registros de cartões de vacina contra a Covid-19.

A PGR estava interessada em saber se o ex-mandatário e sua equipe utilizaram cartões de vacina falsos nos EUA. Um pedido de confirmação sobre o uso desses certificados falsos no país foi enviado ao governo americano. Caso comprovado, Bolsonaro poderia ser indiciado também por uso de documento falso.

A PF descobriu que não havia registros formais da apresentação de cartões de vacina nos EUA. Em voos comerciais, por exemplo, as companhias aéreas verificavam a regularidade dos certificados de vacinação, permitindo o embarque dos passageiros sem manter registros.

Já em voos de autoridades, como o de Bolsonaro, que entrou nos EUA em uma aeronave da FAB no penúltimo dia de seu mandato, os passaportes e comprovantes de vacinação eram verificados a bordo.

Bolsonaro pede desculpas pelo seu jeito de falar
Jair Bolsonaro — Foto: reprodução

A investigação da PF indicou que, mesmo nessa situação, não havia registros sobre a apresentação dos documentos exigidos. Os investigadores supõem que Bolsonaro e sua equipe usaram cartões falsos, pois conseguiram entrar nos EUA.

Vale destacar que, em março, Bolsonaro foi indiciado por associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações.

A investigação revelou que os documentos de vacinação no aplicativo ConecteSUS foram gerados a partir de endereços de IP de computadores do Palácio do Planalto, com downloads feitos dias antes e na data da viagem de Bolsonaro a Orlando, na Flórida.

Após a apresentação deste relatório complementar da PF, a PGR decidirá se vai ou não formalizar a denúncia contra o ex-chefe do Executivo.

Fonte: DCM

Aprovação de Lula sobe para 54%, aponta pesquisa Quaest

Avaliação positiva do governo subiu para 36%, em um aumento de três pontos percentuais. Índice atual marca um retorno ao patamar observado em outubro e dezembro de 2023. Os que desaprovam o trabalho do presidente representam 43%

A aprovação do governo do presidente Lula (PT) registrou crescimento em junho, conforme aponta a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) pelo UOL. A porcentagem de pessoas que consideram a gestão de Lula ótima ou boa subiu para 36%, um aumento de três pontos percentuais em relação ao levantamento realizado em maio. Este crescimento está fora da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais.

A avaliação negativa do governo também apresentou melhora, caindo de 33% para 30%. O índice de avaliação regular permaneceu praticamente inalterado, oscilando de 31% para 30%. Além disso, 4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

Em relação à aprovação do estilo de governar de Lula, houve um incremento significativo de 50% para 54%, enquanto a reprovação ao trabalho do presidente diminuiu de 47% para 43%. Novamente, 4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de julho e ouviu 2 mil eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos em 120 municípios. O índice de confiança do levantamento é de 95%.

No recorte regional, o Sudeste foi a única região onde o governo Lula viu um aumento na avaliação positiva acima da margem de erro, passando de 26% para 31%. A margem de erro nesta região é de três pontos percentuais. Já a avaliação negativa no Sudeste caiu de 39% para 34%, enquanto a regular manteve-se estável, oscilando de 32% para 30%.

No Sul do país, a avaliação positiva do governo permaneceu estável dentro da margem de erro regional, que é de seis pontos percentuais. O índice de ótimo/bom desceu de 34% para 29%, revertendo a tendência de alta observada em maio, quando Lula viu sua popularidade aumentar nove pontos percentuais devido à atuação do governo federal durante as chuvas no Rio Grande do Sul.

A avaliação negativa no Sul também apresentou uma ligeira queda, de 41% para 37%, enquanto a avaliação regular subiu de 25% para 32%. Na região, 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. Nas outras regiões, as avaliações positivas e negativas do governo Lula se mantiveram estáveis. No Nordeste, a margem de erro é de quatro pontos percentuais, enquanto no Centro-Oeste/Norte é de cinco pontos percentuais.

A avaliação positiva do governo entre os homens subiu de 32% para 34%, e entre as mulheres, de 35% para 37%. Entre as mulheres, a taxa de avaliação negativa caiu de 30% para 25%, enquanto entre os homens permaneceu estável, variando de 37% para 36%.

Brasil 247

PF: joias sauditas saíram do Brasil no avião presidencial de Bolsonaro

Investigadores identificaram que pelo menos três kits de joias foram retirados por meio da aeronave do ex-mandatário

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A Polícia Federal (PF) concluiu que parte das joias sauditas recebidas pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro saíram do país em uma mala transportada no avião presidencial no dia 30 de dezembro de 2022, quando Bolsonaro deixou o país para passar uma temporada nos Estados Unidos no fim de seu mandato.

A conclusão está no relatório no qual a PF indiciou o ex-presidente e mais 11 acusados de participarem do suposto esquema. O sigilo do relatório foi retirado nesta segunda-feira (8) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

“A análise dos dados armazenados no telefone celular apreendido em poder de Mauro Cid, contextualizada com os dados obtidos em fontes abertas e sistema disponíveis, indica que os investigados, que compunham a equipe do ex-presidente da República utilizaram o avião presidencial, no dia 30 de dezembro de 2022, para retirar do país bens de alto valor, recebidos em razão do cargo pelo ex-presidente da República e/ou por comitivas do governo brasileiro, que estavam atuando em seu nome, em viagens internacionais, entregues por autoridades estrangeiras, levando-os para os Estados Unidos da América”, diz o relatório.

A PF identificou que pelo menos três kits de joias foram retirados por meio do avião do ex-presidente. O primeiro envolve duas esculturas douradas (barco e árvore) que foram presenteadas pelo Bahrein, seguido por um kit da marca Chopard, formado por uma caneta, um anel e um par de abotoaduras. O terceiro par de joias é composto por um anel, abotoaduras e um relógio da marca Rolex.

Dólares

Em um dos casos de desvios citados na investigação, a PF citou que o general da reserva Mauro Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid, recebeu dinheiro na sua própria conta para ocultar a origem do dinheiro oriundo da venda das joias.

“Em continuidade aos atos de lavagem de capitais, os recursos decorrentes da venda dos relógios Patek Philippe Calatrava e Rolex Day-Date, US$ 68.000,00 foram depositados na conta bancária de Mauro Cesar Lourena Cid, com objetivo de ocultar a localização, disposição, movimentação e propriedade dos bens auferidos ilicitamente, distanciando a quantia de sua origem”, concluiu a PF.

Brasil 247

Já pode chamá-lo de ladrão: PF aponta que Bolsonaro roubou R$ 6,8 milhões em joias

Segundo a PF, os valores obtidos com a venda desses itens eram convertidos em dinheiro posteriormente integravam o patrimônio pessoal do ex-mandatário através de intermediários

O relatório final da Polícia Federal (PF) que resultou no indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) aponta que foi formada uma associação criminosa durante o seu governo com o objetivo de desviar joias e presentes de alto valor recebidos em razão do cargo então ocupado pelo ex-mandatário. “Essa atuação ilícita teve a finalidade de desviar bens, cujo valor mercadológico somam o montante de R$ 6,8 milhões″, destaca um trecho do relatório, de acordo com a coluna do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.

No relatório, a PF aponta que os valores obtidos com a venda desses itens eram convertidos em dinheiro em espécie e posteriormente integravam o patrimônio pessoal de Jair Bolsonaro através de intermediários. Bolsonaro foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

A PF detalhou que os itens desviados foram periciados e que a lista de bens inclui presentes entregues por autoridades estrangeiras, cujo valor parcial soma US$ 1.227.725,12 ou R$ 6.826.151,66.

No entanto, a PF destacou que esse valor não inclui itens ainda pendentes de perícia, além de duas esculturas douradas (um barco e uma árvore) e um relógio Patek Philippe, que foram desviados e ainda não foram recuperados.

Brasil 247

A dissolução do Parlamento por Macron: um caminho necessário ou um erro político?

Por Rodrigo de Barros Pereira Framil (*)

Em 9 de junho de 2024, o presidente francês Emmanuel Macron tomou a decisão de dissolver o Parlamento, um movimento que, embora constitucional, tem gerado intensos debates sobre sua eficácia e suas motivações. Esse artigo de opinião visa analisar os aspectos dessa decisão, destacando suas implicações políticas e sociais.

A decisão de Macron foi uma resposta direta à derrota nas eleições para o Parlamento Europeu, onde o partido de extrema direita Rassemblement National (RN), liderado por Marine Le Pen, obteve uma vitória significativa. Este resultado foi um claro indicativo do descontentamento popular com as políticas neoliberais de Macron, que, embora destinadas a modernizar a economia, aumentaram as desigualdades sociais e desencadearam protestos como o movimento dos “Gilets Jaunes”.

Depois do primeiro turno das eleições legislativas, com o RN liderando quase todas as triangulaires (só candidatos que conseguem mais do que 12,5% vão aos segundo turno de suas circunscripções). A estratégia de Macron e Gabriel Attal foi clara: fazer com que o candidato menos votado desistisse do pleito, e transferisse seus votos para o adversário restante ao RN. A estratégia deu certo. O líder do RN, Jordan Bardella já era visto ocupando Matignon (Residência e local de administração destinado ao primeiro-ministro da França).

E o que acontecerá agora? Durante o período de “expédié de les affaires courantes” (administração dos assuntos correntes), o governo deve continuar a administrar os negócios diários, evitando decisões políticas maiores. Segundo o artigo 21 da Constituição Francesa de 1958, essa regra garante a estabilidade governamental em tempos de transição. No contexto atual, isso significa que o pedido de demissão do Primeiro-Ministro, Gabriel Attal, já não seria aceito (o que se mostrou verdade às 9h15 da manhã desta Segunda-feira, 3h15 no horário de Rondônia). Este pedido só será aceito ao fim dos Jogos Olímpicos de Paris de 2024, assegurando continuidade em um período crucial.

Após os período, as principais opções são: Jean-Luc Mélenchon, líder da France Insoumise, que emergiu como um potencial Primeiro-Ministro, propondo políticas de redistribuição de renda e combate às mudanças climáticas. No entanto, Marine Tondelier, do partido Europe Écologie Les Verts (EELV), é vista como uma alternativa mais moderada e centrada. Sua abordagem pode oferecer uma governança mais inclusiva, conforme a teoria do pluralismo político de Robert Dahl, que sugere que a inclusão de diversas vozes pode levar a uma governança mais estável e eficaz.

Maurice Duverger argumenta que sistemas eleitorais majoritários tendem a promover estabilidade governamental, mas a ascensão do RN desafia essa teoria, indicando uma polarização crescente. Gaetano Mosca, por sua vez, sugere que uma pequena elite tende a concentrar o poder, exacerbando as desigualdades – uma crítica frequentemente dirigida à administração de Macron. É muito importante que Macron, seguindo esse paradigma, escolha se a coabitação será melhor constituída com Mélenchon ou com Tondelier. De qualquer maneira, ele deverá governar até 2027 com a esquerda.

A decisão de Macron de dissolver o parlamento é uma tentativa de estabilizar seu governo e recuperar a confiança do eleitorado. No entanto, o sucesso dessa estratégia depende de sua capacidade de formar coalizões eficazes e responder às demandas populares por justiça social e inclusão econômica. À medida que a França se prepara para os Jogos Olímpicos de 2024, a estabilidade política será essencial para projetar uma imagem de coesão e competência no cenário internacional.

(*) Rodrigo de Barros Pereira Framil é bacharel em Relações Internacionais pela UnB, Mestre em Relações Internacionais pelo CEBELA e professor de inglês pela Faculdade de Educação Paulistana.

 

Análise das eleições legislativas francesas de 2024 sob a perspectiva de um incauto e desatento latino-americano

Por Vinicius Miguel (*)

Introdução

As eleições legislativas de 2024 na França, que resultaram na vitória do bloco de esquerda Nova Frente Popular (NFP) e na renúncia (ainda esperada) do primeiro-ministro Gabriel Attal, oferecem um rico campo de análise.

Esta análise se concentra em três elementos principais: a irrupção do Real, o papel do sintoma na política e a dialética do desejo e da fantasia.

A Irrupção do Real

Para Žižek, o conceito de Real, derivado da psicanálise lacaniana, refere-se àquilo que é impossível de simbolizar completamente dentro de um sistema de significados.

No contexto das eleições francesas, a ascensão do NFP representa a irrupção do Real no cenário político.

O resultado das eleições contraria as previsões e desafia as expectativas estabelecidas, funcionando como um evento traumático que revela as falhas e limitações do discurso hegemônico dominante.

A irrupção do NFP, ao desmontar a expectativa de uma vitória da extrema direita, expõe a insatisfação latente e as contradições internas do sistema político francês.

Este evento traumático desestabiliza a narrativa estabelecida, forçando uma reavaliação das posições e estratégias políticas.

O Real, aqui, é a emergência política de um desejo coletivo por mudança que não pode mais ser contido pelas estruturas simbólicas tradicionais.

O Sintoma Político

O sintoma é a forma latente de contradições de um sistema que se manifestam de maneira visível.

A vitória do NFP é um sintoma das tensões sociais e econômicas subjacentes que permeiam a sociedade francesa.

Essas tensões são resultado de anos de políticas neoliberais que exacerbaram a desigualdade e rupturas de redes de solidariedade estatal.

O sintoma, neste sentido, é a emergência de uma força política que, ao mesmo tempo em que busca representar os interesses das classes subalternas, revela as falhas do consenso neoliberal.

A incapacidade do centro-direita de Macron de conter a ascensão tanto da extrema direita quanto da esquerda radical indica um deslocamento na base social e política do país.

Esse deslocamento não é simplesmente uma (mu)dança de alianças eleitorais, mas a expressão de uma crise estrutural que desafia a legitimidade das instituições existentes.

A Dialética do Desejo e da Fantasia

O desejo é sempre um desejo mediado pela fantasia, que organiza e dá sentido às nossas aspirações e medos.

No (o)caso das eleições francesas, a fantasia neoliberal de um progresso contínuo através do mercado livre foi profundamente abalada.

A vitória do NFP pode ser vista como a expressão de um novo desejo coletivo por justiça social e igualdade, um desejo que não pode ser plenamente articulado dentro da estrutura simbólica existente.

Essa nova fantasia, que promete uma (trans)formação sutilmente desestabilizadora das relações sociais, desafia a narrativa hegemônica e abre espaço para a emergência de novas subjetividades políticas.

A Crise do Presente e a Crise da Representação

A repisada crise da representação, onde as formas tradicionais de mediação política não conseguem mais capturar a complexidade das demandas sociais e tampouco escoar as vozes de grupos em antítese.

A dificuldade de formar uma coalizão estável após as eleições ilustra essa crise. Crise do Presente e Crise da Representação.

A fragmentação política e a diversidade de demandas dentro do bloco de esquerda são sintomas da complexidade crescente da sociedade francesa, onde as identidades e interesses não podem mais ser facilmente subsumidos em categorias políticas tradicionais (operariado x burguesia urbana).

(In)Conclusão

As eleições legislativas de 2024 na França revelam um momento de crise e transformação.

A irrupção do NFP como força dominante no Parlamento é a manifestação de um Real que desafia a ordem simbólica estabelecida, expondo as contradições e tensões internas do sistema político.

Este evento traumático, ao funcionar como um sintoma, exige uma reavaliação das estratégias políticas e a construção de novas fantasias que possam articular as demandas emergentes.

A crise da representação, evidenciada pela dificuldade de formar coalizões estáveis, acena para a necessidade de uma transformação das formas de mediação política e de experimentação social.

Este momento histórico é uma oportunidade para repensar a política como um campo de possibilidades abertas, onde novos desejos e fantasias podem ser (des)articulados e (ir)realizados.

Alianças e danças eleitorais. Qual o ritmo da mudança?

(*) Vinicius Miguel é doutor em Ciência Política (UFRGS) e pré-candidto a prefeito de Porto Velho (RO) pelo PSB

A lição dos franceses: só a militância ressuscita as esquerdas

Por Moisés Mendes

Na combinação de fatores que levaram à vitória das esquerdas na França, um é essencial para inspirar também os brasileiros. A militância precisa ser retomada, com a intensidade dos velhos tempos, como provaram os franceses.

Mas que volte a militância de rua, de ações, de sentimentos, a militância presencial e analógica, que ainda impõe respeito ao fascismo. São das esquerdas as melhores lições de que a História avança com o ativismo dos que não se omitem.

O resumo está nessas frases de Jean-Luc Mélenchon, o líder do partido de esquerda (mas esquerda mesmo) França Insubmissa:

“Saúdo aqueles que se mobilizaram, porta a porta, para convencer e arrancar um resultado que diziam impossível. Nosso povo descartou a solução do pior. É um alívio para a maioria das pessoas em nosso país”.

A vitória da democracia francesa pode nos ajudar a entender por que, não só no Brasil, mas também na Argentina e em países ameaçados pelo fascismo, é possível conter os avanços de racistas, xenófobos, homófobos e neonazistas, desde que o ativismo saia das redes sociais para as cidades.

Jean-Luc Mélenchon. Foto: Divulgação

Leiam esse trecho de artigo de Paul Quinio, no Libération:

“Ao dizer não a um governo de extrema direita, os franceses rejeitaram a ideia de uma França xenófoba, rançosa e que olha apenas para si mesma, onde o Estado de direito teria, sem dúvida, sido gradualmente corroído. Os franceses da esquerda, do centro e da direita, que se recusaram a ver a extrema direita tomar o poder, salvaram, de certa forma, a ideia que a maioria deles tem da República”.

Faz bem saber que a reversão de expectativas, em apenas uma semana, ofereceu ao mundo um fato que no Brasil funcionou como uma bomba no meio do congresso de fascistas em Balneário Camboriú.

A família Bolsonaro se preparou para encerrar o encontro em Santa Catarina com uma mensagem para o mundo: eles seriam na América Latina, depois da esperada vitória de Marine Le Pen, parte do grupo de elite de líderes do avanço mundial da extrema direita.

Não são coisa nenhuma. A esquerda francesa esculhambou com a festa da extrema direita latino-americana. É bom saber que os participantes do congresso em Balneário retornam para suas casas, incluindo Javier Milei, com a autoestima aos frangalhos. Será uma semana terrível para Bolsonaro e seus amigos.

Os franceses destruíram, com a vitória da Nova Frente Popular, todas as previsões da grande imprensa brasileira, que dava como certa a ascensão do fascismo ao poder na França.

O que aconteceu no domingo pode inspirar também o sistema de Justiça brasileiro a ser menos cuidadoso com o golpismo no Brasil. Que sejam desengavetados ou andem em ritmo menos lento todos os inquéritos e processos envolvendo fascistas de antes e depois do 8 de janeiro.

Vamos parar com essa história de que o Judiciário deve calibrar suas decisões, por precaução e covardia, por temor ao poder do fascismo bolsonarista no contexto do avanço da extrema direita no mundo.

O avanço foi interrompido e depende agora da substituição de Joe Biden por Kamala Harris, na eleição americana, para que tenha sequência. Que a depressão que passa a consumir a extrema direita europeia contagie o fascismo trumpista.

DCM

Bolsonaro desinforma sobre Amazônia e erra datas: ‘Era cobiçada antes de 2500’

Marcela Leiros – Da Cenarium

MANAUS (AM) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) compartilhou, neste sábado, 6, desinformação sobre a Amazônia durante discurso na Conferência de Política Ação e Conservadora (Cpac Brasil), que reúne apoiadores da extrema direita em Balneário Camboriú, cidade de Santa Catarina. Segundo o ex-mandatário, o Tratado de Tordesilhas, acordo entre Portugal e Espanha em 1492, foi assinado já por interesse na região.

Bolsonaro também errou a data da chegada dos portugueses no Brasil. “A Amazônia era cobiçada antes de 2500, basta ver o Tratado de Tordesilhas, de 1492“, alegou, referindo-se, erroneamente, à data indicada como a chegada dos portugueses ao Brasil, por volta de 1492.

Para o historiador Cleomar Lima, a fala de Bolsonaro dá a entender que o tratado foi assinado já visando a riqueza da biodiversidade da região, mas isso não é a realidade. O interesse da assinatura do Tratado de Tordesilhas eram as rotas marítimas. “Não foi pela Amazônia, foi pelas Índias. Era para se encontrar um novo caminho marítimo para as Índias e se encontrar as especiarias. Cravo, canela, pimenta, tecidos, perfumes, porcelanas“, explicou.

Na verdade é 1492, quando a América é ‘descoberta’, é apossada pelo [Cristóvão] Colombo, e o Tratado de Tordesilhas é assinado em 1494. [O interesse] não é bem exatamente a Amazônia, é um mundo, são as conquistas marítimas. Portugal ficaria com um pedacinho do litoral do Brasil como rota para o Oriente, e com a África e a Ásia. A Espanha ficaria com cerca de 90% da América, América toda. A Amazônia está no meio, mas está também o México, o Chile, Honduras e Guatemala“, acrescentou.

Bolsonaro já referiu-se à “Amazônia cobiçada” anteriormente. Em março deste ano, ele criticou a vinda do presidente da França, Emmanuel Macron, ao Brasil sugerindo interesse pela região. Na ocasião, afirmou que esses encontros geralmente terminam em assinaturas de acordos, e citou a demarcação da Terra Indígena Yanomami.

Em 1992 depois de um encontro desses, trocou-se o ministro da Justiça, e uma portaria foi assinada, iniciando-se a demarcação da extensa área Yanomami (equivalente ao estado de Pernambuco ou o dobro da Suíça), para aproximadamente 9 mil indígenas. Uma insensatez para não dizer um crime de lesa pátria“, declarou.

Cpac Brasil acontece neste sábado, 6, e domingo, 7. O evento pretende reforçar a aliança do bolsonarismo com movimentos globais da extrema direita, e é inspirado na conferência anual realizada nos Estados Unidos desde os anos 1970. A agenda conta com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do atual presidente argentino, Javier Milei.

Desinformação

Segundo o professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), Eugênio Bucci, em entrevista ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), a desinformação trata-se de um ambiente comunicacional hostil à informação. “A desinformação é o efeito geral da disseminação de fake news e de outros recursos para enganar ou manipular pessoas ou públicos com fins inescrupulosos”, afirma.

desinformação também tem um sentido mais amplo, que abarca as diferentes formas de difusão de informações mentirosas pela internet. Em inglês, há três palavras para o fenômeno: disinformation, para informações falsas criadas com a intenção de causar dano; misinformation, para informações erradas divulgadas sem o objetivo de causar dano; e malinformation, para informações corretas, mas divulgadas de forma descontextualizada com o propósito de causar dano.

Fonte: Cenarium

Sobre comparação com Biden, Lula diz que tem “70 anos de idade, energia de 30 e tesão de 20”

Lula tem sido alvo de comparações com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que teve um desempenho considerado catastrófico em um debate eleitoral na semana passada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu críticas que vêm recebendo por parte da imprensa por conta de sua idade e a possibilidade de se candidatar à reeleição em 2026, quando completará 81 anos. Nos últimos dias, Lula tem sido alvo de comparações com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que teve um desempenho considerado catastrófico em um debate eleitoral na semana passada.

“Quem achar que o Lulinha está cansado pergunte para a Janja. Ela é testemunha ocular. Quando eu falo que tenho 70 anos de idade, energia de 30 e tesão de 20 eu estou falando com conhecimento de causa. Portanto, não adianta tentar atrapalhar a minha vida”, disse.

O presidente também reforçou que tem energia para viajar pelo país e provocou seus críticos. “Estou vendo vários artigos de colunistas que eu estou cansado, por causa do Biden, nos Estados Unidos. Então eu queria falar duas coisas. Primeiro, a todos que acham que eu estou cansado, eu convido a fazer uma agenda comigo durante o meu mandato. Se ele aguentar levantar 5h e ir dormir meia noite todo dia, aí ele pode dizer que eu estou cansado. Eu quero ver quem fala que eu estou cansado com a bunda sentada na cadeira escrevendo se tem coragem de levantar e ir para a rua para andar. Eu estou andando nesse país desde quinta-feira. Eu já fui a Minas Gerais, a Belo Horizonte, a Contagem, Juiz de Fora, ao Rio de Janeiro inaugurar Casa, a Pernambuco, a Bahia, fui a Campinas, estou em Osasco e domingo viajo para a Bolívia para participar do Mercosul, primeiro no Paraguai”, afirmou.

Lula participa da inagração de novas instalações do edifício acadêmico e administrativo da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios do Campus Osasco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Brasil 247

Meu nome é Gal

Por SOLENI BISCOUTO FRESSATO & JORGE NÓVOA*

Considerações sobre o filme dirigido por Dandara Ferreira e Lô Politi

Meu nome é Gal (2023) é uma cinebiografia de uma das maiores cantoras da música popular brasileira, Gal Costa (1945-2022). O filme destaca o papel de Gal Costa não apenas como cantora, integrante de um dos principais movimentos culturais do país, o tropicalismo, mas também como se inseriu naturalmente numa luta feminista, sem programática de partido político. Devido à sua personalidade autêntica e sem que tivesse total consciência do que poderia estar representando, Gal Costa acabou se tornando uma referência para as mulheres brasileiras.

No filme, a mulher ocupa um lugar central em toda a produção, pois além de ser um tributo à cantora (representada por Sophie Charlotte no papel principal), ainda conta com a direção de Dandara Ferreira e Lô Politi e com o roteiro de Maíra Bühler e Lô Politi. Ao longo da narrativa, o espectador é surpreendido com a forte presença da mãe de Gal, Mariah Costa Penna, sua grande incentivadora, que ouvia música clássica todos os dias durante a gravidez, para que nascesse “uma pessoa musical”. Na película e na história de Gal, seu pai foi ausente, motivo que a levou a escolher o sobrenome materno, Costa, como nome artístico.

A narrativa destaca os primeiros anos da carreira da cantora, a partir de 1967, quando a tímida Gracinha (Maria da Graça Costa Penna Burgos), apelidada de Gal pelos amigos mais próximos, chegou ao Rio de Janeiro; até 1971, quando afirmou definitivamente sua originalidade em interpretações musicais e sua confluência com o movimento tropicalista.

É bom lembrar, que quando o pai da bossa nova, João Gilberto, a conheceu ainda na Bahia, considerou-a, imediatamente, como a melhor e a mais afinada intérprete da música brasileira, provavelmente porque deslocava a tradição cultivada pelas cantoras e cantores do Rádio, que adoravam o rococó das vozes, densamente expressas em conteúdos sonoros robustos. A bossa nova pedia intimidade e discrição de sentimentos, numa melancolia controlada, avessa às cenas de ciúmes e “dores de cotovelo” dos cantores de Rádio.

O estilo bossanovista acompanharia Gal Costa até se unir aos amigos baianos no Rio de Janeiro. A partir de então, sob o incentivo de Caetano Veloso e de Gilberto Gil (que nunca se libertaram de Dorival Caymmi e de João Gilberto, ou seja, de raízes baianas sólidas, mesmo estando decididos a criar novas formas e conteúdos, mesclando o regional, o brasileiro e o universal), Gal Costa se integrou à inevitável espontaneidade política das propostas tropicalistas.

Era a época dos festivais de música e do surgimento de novos talentos, nos violentos e repressivos anos da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Em frente à tela, o espectador pode lembrar ou conhecer a bela interpretação de Coração Vagabundo, do primeiro álbum, Domingo, que Gal Costa gravou em parceria com Caetano Veloso, em 1967. Revelando-se uma discípula fiel de João Gilberto, Gal encantou e não desafinou em sua voz bossanovista, encantando um público mais maduro, em geral da classe média alta, luxuriante e alcoólica, que constituiu a maioria dos que estavam habituados a ouvir o som da bossa nova nas boates, bares e grandes hotéis do Rio de Janeiro, de inícios e meados dos anos 1960.

Em 1969, Gal lançou o primeiro álbum solo Gal Costa. Já era outra mulher, muito mais inteira. Cantora mais “moderna” e despojada, bem afinada estética, musical e politicamente com o movimento tropicalista, com forte influência de James Brown e de Janis Joplin, ela apostava numa voz estridente, metálica, mais próxima do rock brasileiro.

O ponto de inflexão (da bossa nova para o tropicalismo) ocorreu no 4º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1968, quando Gal Costa interpretou Divino, Maravilhoso, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e obteve o 3º lugar. Gal Costa subiu ao palco acompanhada de uma banda de guitarras elétricas e pelo coro feminino de Ivete e Arlete. Os cabelos crespos espalhados e indomados e a roupa futurista com brilhos, lantejoulas e espelhos produziram um corte, não apenas na sua trajetória, mas na do movimento e da própria música popular brasileira.

Ainda na atualidade, sua voz agudíssima faz ecoar nos ouvidos dos brasileiros o refrão, “é preciso estar atento e forte, não temos medo de temer a morte”. Assumindo uma mise-en-scène de roqueira e cantando com agressividade, foi um “grito de raiva” contra tudo: contra o tédio e a melancolia da classe média alta, contra uma fração da juventude alienada (que a vaiou) e contra a violência do governo que surgiu do golpe de 1964. Já havia ficado longe o estilo, muito diferente, marcado pela suavidade de Coração Vagabundo. A expressão “divino, maravilhoso” acabou sendo apropriada por uma parte do público e a música se tornou a principal faixa do LP Gal Costa, de 1969.

Em 2005, em entrevista, Gal Costa conseguiu sintetizar o que foi a participação no Festival: “Cantei com toda a fúria e força que havia em mim. Metade da plateia se levantou para vaiar. A outra metade aplaudiu ferozmente. Um homem na minha frente berrava insultos. Foi então que me veio ainda uma força maior que me atirou contra ele. Cantava diretamente para ele: “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte!”. Cantava com tanta força e tanta violência que o homenzinho foi se aquietando, se encolhendo, e sumiu dentro de si mesmo. Foi a primeira vez que senti o que era dominar uma plateia. E uma plateia enfurecida. Naquele tempo de polarização política, a música era a única forma de expressão. Despertava paixões, verdadeiras guerras. Saí do Divino, Maravilhoso fortalecida, crescida. Acho que naquela noite entrei no palco adolescente, menina, e saí mulher. Sofrida, arrebentada, mas vitoriosa”.

Meu nome é Gal destacou esse importante momento na vida da cantora, quando ela se conscientizou que para cantar não bastava ter voz: precisava ter atitude! E foi com atitude que ela subiu no palco. Na tela, vemos surgir uma mulher forte, que canta e se expressa com todo o corpo, ocupando todo o palco, atitude que acompanhará Gal Costa em toda sua carreira. Com a interpretação de Divino, Maravilhoso, Gal Costa transformou-se num ícone do movimento tropicalista.

Tropicalismo e política

Em primeira instância, o tropicalismo[i] foi um movimento cultural brasileiro da segunda metade dos anos 1960. Mesmo tendo a música como seu elemento principal, o movimento se estendia ao cinema,[ii] às artes plásticas, ao teatro, a pintura e à literatura. Sua marca principal foi a inovação estética radical, mesclando elementos da cultura popular e da tradição, com tendências estrangeiras, sobretudo a guitarra elétrica e o rock, elementos da cultura jovem mundial.

As figuras de destaque foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, mas a cantora Gal Costa, o cantor-compositor Tom Zé, o maestro Rogério Duprat e o produtor cultural Guilherme Araújo também desenvolveram papel muito importante. O movimento representou uma renovação no contexto musical brasileiro ao unir gêneros populares, como o baião e o caipira, ao pop e ao rock. Momentos marcantes do movimento foi o lançamento do álbum Tropicália ou Panis e Circenses, em 1968, e os Festivais de Música Popular Brasileira, realizados pela TV Record, sobretudo o 3º Festival (1967), quando Caetano Veloso interpretou Alegria, Alegria e Gilberto Gil, ao lado da banda Os Mutantes, Domingo no Parque, verdadeiros protestos contra o autoritarismo do governo militar.

Naquela época, analistas do mainstream de esquerda, como Robert Schwartz, não conseguiram compreender o movimento tropicalista e ainda hoje existem os que o condene. Boa parte da esquerda tradicional esperava, desses novos atores, que assumissem, de alguma forma, uma crítica teleológica ao capitalismo. Os intelectuais, jornalistas e críticos mais atuantes, em geral, foram formados teoricamente pela estética do realismo social e outros em um enquadramento do “realismo socialista”.

As polêmicas sobre o ajuste a um modelo estético se faziam, como ainda se fazem, como se fosse possível abstrair as condições em que a obra de arte verdadeira (e enquanto tal) pode surgir. É curioso observar que, no que concerne não apenas à estética, mas também às performances que os tropicalistas desenvolviam, assim como seus hábitos e crítica à dupla moral dominante, chocavam na mesma medida, tanto a esquerda como à direita.

No início, essas questões também os angustiaram, afinal eles buscavam a autenticidade em formas novas. As teorizações apareciam sobretudo, nas reflexões de Caetano, não tanto nas de Gil. Em ambos de modo muito espontâneo. Praticavam uma espécie de “crítica empírica”, quase instintiva que não aceitava se enquadrar, nem nos esquemas da esquerda tradicional dos PCs, nem nos modelos morais de um liberalismo moribundo, que logo capitularia diante das forças das botas e fuzis.

Dois comentários ajudam a entender a gênese do movimento. Um aparece no depoimento de Nelson Motta (2000, p. 95-6): “Uma noite de verão, pouco antes do carnaval de 1968, passei horas tomando chope e conversando com Glauber Rocha, Cacá Diegues, Gustavo Dahl e Luiz Carlos Barreto no Bar Alpino, em Ipanema. Entusiasmados com o cinema novo, o Teatro Oficina, os discos de Gil e Caetano, excitados com o momento político e com aquele movimento artístico que não tinha sido articulado nem tinha nome, mas estava em pleno andamento, com tantas novidades e tanta potência, começamos a imaginar uma festança para celebrar o novo movimento. (…) No dia seguinte, com a dramática falta de notícias que aflige os colunistas no verão carioca, usei todo o espaço da coluna para contar, em forma de manifesto debochado, todas as besteiras que tínhamos imaginado no Alpino. Sob o título de “Cruzada Tropicalista”, irresponsavelmente enchi meia página de jornal celebrando o momento artístico com uma futura festa imaginária. (…) A festa nunca aconteceu, mas a coluna teve grande repercussão e surpreendentemente foi levada a sério, comentada acaloradamente contra e a favor em outros jornais, no rádio e na televisão, que passaram a se referir ao movimento de Gil e Caetano como tropicalismo”.

O depoimento de Caetano Veloso (2003, p. 35), também ajuda na compreensão da origem do tropicalismo: “É muito política, do período das passeatas, da preparação para a luta clandestina. Foi feita com muita consciência. Muitos não entenderam, achavam que os tropicalistas eram alienados porque não fazíamos o papel do esquerdista convencional”.

É possível encontrar, em outro texto, se referindo ao contexto da gênese, o seguinte diálogo entre Gilberto Gil e Caetano Veloso: “O trabalho que fizemos, eu e Caetano, surgiu mais de uma preocupação entusiasmada pela discussão do novo do que propriamente como um movimento organizado. Eu acho que só agora, em função dos resultados dessas nossas investidas iniciais, se pode pensar numa programação, numa administração desse material novo que foi lançado no mercado. Eu estava sugerindo até, ontem, conversando com Gil, a ideia de um disco-manifesto, feito agora pela gente. Porque até aqui toda a nossa relação de trabalho, apesar de estarmos há bastante tempo juntos, nasceu mais de uma relação de amizade. Agora as coisas já são postas em termos de Grupo Baiano, de movimento…”

“Gal e Betânia, embora não tenham participado diretamente das discussões que nos levaram as essas descobertas, estão empenhadas, como intérpretes, em assumi-las. E há um detalhe mais singular ainda. Porque Bethânia, por um lado, é rebelde, terrível, ela não suporta programação, ela quer descobrir as coisas por si mesma, mas por outro lado foi a primeira a chamar a atenção de Caetano para a importância do iê-iê-iê”.

“Quanto a Gal, parece-me que, no sentido em que se pode tomar como elemento fundamental o reconhecimento de João Gilberto como um marco inovador, ela é o próprio símbolo desse reconhecimento. Não há cantora brasileira que tenha essa capacidade de usar funcional e instrumentalmente a voz como ela” (In: Risério, 1982, p. 105).

Portanto, parece evidente, o grau de espontaneidade desse movimento músico-cultural. E, ao mesmo tempo, como o próprio movimento irá modificando os atores, que tomam consciência de como reverberam nas pessoas, denominadas de público, enfim, dos cidadãos. Logo eles perceberam que, se quisessem mudar algo no país, precisariam não capitular diante dos ditames do mercado, ou daqueles que dominavam a política naquele momento, mas usá-los para criar impactos transformadores.

Pretendiam uma arte de massas, mas sem renunciar a seus valores estéticos. Propunham uma arte camaleônica, mutante. Aliás, Os Mutantes foi o nome de uma banda que acompanhou o Tropicalismo por um bom percurso. Nela, outra mulher líder, a inglesa-brasileira Rita Lee, com os seus “mutantes”, seria um capítulo a parte da música popular brasileira, inaugurando um rock pop crítico à sociedade de consumo e à hipocrisia dos hábitos e costumes. Foram eles que produziram os acordes de baixo e guitarra em momentos importantes do percurso do tropicalismo. E, em 1968, acompanharam Caetano Veloso em sua polêmica apresentação de É Proibido Proibir. As roupas futuristas, elaboradas com plástico brilhante em cores fortes, revelaram toda a rebeldia e potencialidade imagética do movimento.

A dimensão política do tropicalismo surge como uma reação quase que espontânea, visceral num primeiro momento, mas que foi sendo trabalhada, elaborada. Possivelmente, se a ditadura militar não tivesse existido naquele momento, essa dimensão ficaria mais escondida, submersa pela avalanche, ao mesmo tempo brasileira e universalista, que unia poetas e cantores nordestinos à contracultura dos beatniks, hippies e undergrounds dos anos 1950, 1960 e 1970 norte-americanos e europeus, à rebeldia dos poetas russos ou futuristas do início do século XX.

Talvez, se possa dizer, que a heterodoxia estética tropicalista buscava se livrar das receitas e modelos, mas estava aberta a todos os movimentos estéticos progressistas e desalienantes do século XX. No Brasil, sua referência maior foi o Movimento da Arte Moderna de 1922, que teve como expoentes, mas não apenas, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Os modernistas pretendiam uma renovação da arte e cultura brasileira, procurando recuperar os valores culturais e históricos mais profundos do país.

Já o movimento tropicalista teve uma ambição maior. Sem renunciar a tais valores (incorporando, inclusive, elementos que aparecem no movimento de 22), se colocava num patamar mais universalista. Mas, o contexto político brasileiro e mundial (da Guerra Fria, da Guerra do Vietnã, do Maio de 68, da ditadura militar no Brasil) turbinou a expressão política do tropicalismo. A avidez devoradora de todos eles, sintetizada por Caetano, digeria os “poetas malditos”, mas também os Beatles e Jimi Hendrix, e as guitarras elétricas apareceram com força dissonante.

Depois do governo João Goulart (1961-1964) ter promovido uma série de reformas, visando atenuar a desigualdade social no país, organizou-se um forte movimento da direita política propondo uma modernização conservadora. Essa facção (formada por setores mais reacionários do Congresso Nacional, das classes alta e média, da mídia e da Igreja Católica) obteve apoio do Exército e destituiu o governo de João Goulart por meio de um golpe militar: era o ano de 1964.

Até 1968, mesmo sob uma ditadura, os intelectuais e artistas possuíam certa liberdade, mesmo que, muitas vezes, tivessem problemas com a censura do Estado. No governo de Costa e Silva (1967-1969), sobretudo com o AI-5 (Ato Institucional no. 5), ocorreu um recrudescimento da utilização da censura. Partidos políticos foram colocados na ilegalidade, greves operárias foram criminalizadas, artistas e intelectuais foram perseguidos. O governo foi marcado por prisões, torturas e assassinatos. Ainda na atualidade, não se sabe exatamente o que ocorreu com as vítimas do regime, mesmo com a criação da Comissão Nacional da Verdade (em 2011, pelo governo de Dilma Rousseff), responsável em apurar as graves violações de direitos humanos cometidas no Brasil, no período de 1946 a 1988.

O tropicalismo apareceu, pois, no interior de um país convulsionado por esses fatos. Assim sendo, além de uma renovação no cenário artístico, sobretudo musical, o movimento terminou adquirindo um forte engajamento político que o marcou definitivamente, sem que, contudo, sua dimensão estética fosse rebaixada aos valores dominantes. Ao contrário, a política deu um tom original e especial à sua estética. Nesse contexto, o tropicalismo assumiu uma postura resistente, combatendo o autoritarismo e a desigualdade social, propondo uma nova expressão estética engajada, participativa e contra todas as formas de alienação, defendendo a liberdade de expressão amorosa, a beleza da nudez dos corpos e a justiça social.

As músicas e os Festivas de MPB se transformaram em espaço de luta e denúncias. Gil e Caetano fizeram um programa na TV Tupi, em 1968, que durou quase três meses. O programa se chamava Divino, Maravilhoso. A ironia e a irreverência foram ácidas, não apenas nas músicas, mas nas indumentárias. Foi um sucesso absoluto. O programa adquiriu esse nome, porque o produtor musical Guilherme Araújo tinha o hábito de classificar o que os tropicalistas estavam fazendo como “divino, maravilhoso”. Mas, como analisado anteriormente, foi a voz de Gal Costa, cantando a canção homônima, no Festival da Record, que popularizou a expressão, no mesmo período em que o programa era exibido na Tupi.

A liderança artística e musical de Caetano e de Gil não ficaram impunes. Eles foram presos em dezembro de 1968, após o último programa Divino, Maravilhoso. As gravações, ao que parece, foram destruídas, com o intuito de proteger os cantores, já que estavam no comando do programa, que já era considerado, em função da audiência e da audácia dos apresentadores e convidados, como o maior programa ao vivo de auditório da televisão brasileira.

Caetano e Gil foram liberados em fevereiro de 1969 e em julho se exilaram em Londres. Só voltaram ao Brasil em 1972. Gal Costa escolheu ficar no Brasil, enfrentado a censura e as ameaças. Foi a forma que encontrou para não deixar o tropicalismo morrer. Ela continuou usando sua voz e seu corpo, como havia feito em Divino, Maravilhoso, não apenas para cantar e encantar plateias, mas para revelar toda sua indignação e combater um governo autoritário e injusto, além da hipocrisia de uma moral herdada da colonização, que ainda sobrevivia nos extratos sociais dominantes. Pensando à distância, ela pode ser incluída no panteão das mulheres do movimento feminista brasileiro.

Gal e a emancipação da mulher – a liberdade passa pelo corpo

Em 1971, com o álbum ao vivo Fa-tal – Gal a Todo Vapor, a cantora (que contava apenas com 26 anos), criou uma identidade corporal: vestindo apenas um top e uma saia bem abaixo do umbigo e com longas fendas, Gal sentava-se (nos bancos colocados nos palcos durante seus shows) com as pernas nuas e abertas, encaixando, de forma sensual, o violão no meio delas, para cantar que era “amor da cabeça aos pés”.[iii]

A imagem chocou o público mais conservador, ao mesmo tempo em que atraía os mais jovens. O álbum também representou o definitivo engajamento político da cantora, ao se colocar como uma das porta-vozes contra a ditadura militar, mesmo que só falasse por meio das músicas. Em 1973, Gal lançou o álbum Índia. A capa trazia uma imagem da região pubiana da cantora, no interior imagens dela seminua. O álbum foi censurado pelo governo militar por “ferir a moral e os bons costumes”.

Contudo, sua atitude contestatória não estava restrita aos palcos ou aos discos que gravava. Ainda nos anos 1970, Gal frequentou a praia de Ipanema, num local que ficou conhecido como “as dunas de Gal”, usando biquínis pequenos e ousados. O local, antes quase deserto, passou a ser frequentado por pessoas alternativas, atraídas pelo estilo hippie de Gal Costa. Foi um momento mágico, no qual a cantora se transformou numa espécie de musa da contracultura tropicalista brasileira. Passados vinte anos, em 1994, Gal Costa cantou Brasil, composição do cantor Cazuza, deixando à mostra os seios nus.

A imagem dos seios nus é associada às formas de luta, protesto e resistência, contra a ordem patriarcal, machista e conservadora, não raro misógina.[iv] Em Meu nome é Gal, a forma como a cantora se apropriou do próprio corpo surge com grande intensidade. Não faltam cenas de Sophie Charlotte com saias abaixo do umbigo (cotidianamente ou nos shows), de biquíni ousado na praia e com os longos cabelos despenteados.[v]

Outro elemento da identidade corporal de Gal Costa foi a boca pintada de batom vermelho. O sorriso amplo e os lábios grossos ficavam ainda mais sensuais no tom rubro. No filme, logo depois de Gracinha ter escolhido seu nome profissional, ela senta-se em frente ao espelho e mirando seus próprios olhos, escreve com batom vermelho: Gal Costa. Curiosamente, ao longo da narrativa a atriz jamais aparece com os lábios rubros, apenas nas cenas finais do filme, numa praia deserta, numa tomada ampla em que surge de costas, andando em direção ao mar apenas de calcinha, Sophie Charlotte se vira para a câmera e, num close de seu rosto, ela pinta os lábios de vermelho.

Recuperar a forma como Gal Costa se sentia confortável e se assenhorava de seu corpo levanta o debate sobre o processo de alienação pelo qual as mulheres passaram e ainda passam em relação aos seus corpos. Desde o século XVI, período da acumulação primitiva do capital, como explica Silvia Federici (2023, p. 186), as mulheres foram alienadas de seus próprios corpos: “o corpo feminino foi transformado em um instrumento para a reprodução do trabalho e a expansão da força de trabalho, tratado como uma máquina natural de criação, que funcionava de acordo com ritmos fora do controle das mulheres”, que acabaram por perder o poder sobre sua sexualidade, procriação e maternidade. O capitalismo fez surgir um regime patriarcal mais opressor, promovendo um ataque feminicida contra as mulheres, materializado na caça às bruxas, que teve seu ponto auge entre 1550 e 1650, quando mais de 200 mil mulheres foram acusadas e mais de 100 mil assassinadas. Caçar bruxas foi fundamental “para a construção de uma nova ordem patriarcal em que o corpo das mulheres, seu trabalho e seus poderes sexuais e reprodutivos foram colocados sob o controle do Estado e transformados em recursos econômicos” (Federici, 2023, p. 313-4).

Nesse contexto, o corpo se transformou no principal espaço de exploração, pois as mulheres foram aprisionadas em seus corpos para serem mais bem exploradas e reprimidas.

Mais de três séculos depois do fim da caça às bruxas (que não ficou restrita à Europa, estendendo-se às Américas, sobretudo ao Brasil, nos séculos de colonização), a reapropriação dos próprios corpos pelas mulheres ainda integra a pauta dos movimentos feministas. Não se trata apenas do direito ao voto, da inserção no mercado de trabalho e da equidade salarial. Por mais que essas lutas e conquistas sejam importantes, elas não abrangem o todo das necessidades das mulheres, que para além de independência material e realização profissional, também precisam ser respeitadas em seus desejos mais íntimos.

Temas como sexualidade feminina (o que inclui o orgasmo), lesbianismo ou bissexualidade e aborto, ainda são tabus na sociedade brasileira, que se mantém fortemente moralista e conservadora, tornando as mulheres prisioneiras em seus próprios corpos. De modo independente de seus desejos, anseios, sexualidade e necessidades, elas precisam seguir a ordem vigente para serem respeitadas, o que, muitas vezes, significa o desrespeito consigo mesmas.

O exemplo que os dados estatísticos trazem são assustadores no que dizem respeito aos crimes contra as mulheres no Brasil. Em 2023, foram registrados 3.181 casos de violência contra a mulher. A cada 24 horas, oito mulheres foram vítimas de agressão, tortura, ameaça ou assédio. Dentre os casos de violência, 1.463 foram feminicídios, ou seja, uma mulher a cada seis horas foi vítima fatal de agressão no Brasil, numa grande maioria (mais de 70%) por parte de companheiros ou ex.

O número representa um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior, o que revela que o Estado segue falhando na tarefa de proteger as mulheres. O aumento também está na contramão da tendência: enquanto o número de homicídios caiu 3,4%, o de crimes contra as mulheres aumentou (Bueno, 2024). Esses números revelam a necessidade de repensar o papel da feminilidade e dos direitos das mulheres em sociedades patriarcais e capitalistas, sobretudo numa sociedade que guarda a mentalidade escravocrata em boa parte da prática social de suas elites, como é a brasileira.

O aprofundamento das contradições sociais (numa fase em que a exploração social cresceu pari passu com a aplicação das políticas neoliberais e com a redução drástica das políticas públicas exigida, inclusive, pelo Banco Mundial e pelo FMI, para que o Estado brasileiro possa equilibrar suas contas públicas) só tem feito potencializar e fermentar um terreno profundamente propício ao agravamento do tratamento degradante em relação à mulher, sobretudo pobre, preta e mestiça, tratada como objeto de consumo e exploração cruel, em duplas jornadas de trabalho, fora e dentro de suas casas.

Não apenas outras mulheres, de classe média e alta, que podem pagar salários das empregadas domésticas as exploram, mas também seus próprios companheiros (super-explorados em seus empregos ou trabalhando na informalidade) descarregam nelas suas frustrações e a violência que vivem em outros ambientes.

Diante dessa realidade, o comportamento de Gal Costa torna-se ainda mais ousado. Não apenas como cantora, passeando pelos timbres bossanovista, do rock, do tropicalismo e dos mais diversos gêneros culturais brasileiros, mas também ao usar seu próprio corpo em defesa de uma pauta de liberdade política, cultural e social para as mulheres.

O filme em sua homenagem também cumpre esse papel, de forma pedagógica, estimula a reflexão sobre os direitos, e, sobretudo, incentiva as mulheres a se reapropriarem de si mesmas e de seus corpos, assumindo suas identidades e seus desejos e se reconhecendo como autoras de suas histórias. Em frente à tela, o espectador é convidado a assumir um papel mais ativo. É convidado a cerrar o punho e unir-se num “somos tod@s Gal”.

*Soleni Biscouto Fressato é doutora em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Autora, entre outros livros, de Novelas: espelho mágico da vida (quando a realidade se confunde com o espetáculo) (Perspectiva).

*Jorge Nóvoa é professor titular do Departamento de Ciências Sociais da UFBA. Autor e organizador, dentre outros livros, de Cinematógrafo: um olhar sobre a história(EDUFBA\ Unesp), com Soleni Biscouto Fressato e Kristian Feigelson.

Texto originalmente apresentado nas X Jornadas de Historia y Cine. No sólo musas y divas: las mujeres y las artes (2024), da Universidade Carlos III de Madri.

Referência


Meu nome é Gal
Brasil, 2023, 87 minutos.
Direção: Dandara Ferreira e Lô Politi.
Roteiro: Maíra Bühler e Lô Politi.

Bibliografia


BUENO, Samira et al. Feminicídios em 2023. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2024. Disponível em: <https://apidspace.universilab.com.br/server/api/core/bitstreams/eca3a94f-2981-488c-af29-572a73c8a9bf/content >.

COSTA, Gal. O divino maravilhoso. [Entrevista concedida a] Ana de Oliveira. Tropicália, 2005. Disponível em: <http://tropicalia.com.br/eubioticamente-atraidos/verbo-tropicalista/o-divino-maravilhoso>.

CAMPOS, Augusto de. Balanço da Bossa e outras Bossas. São Paulo: Perspectiva, 1974.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva. 2ed. São Paulo: Elefante, 2023.

FÓRUM BRASILEIRO de Segurança Pública. Violência contra meninas e mulheres no 1º semestre de 2023. São Paulo, 2023.

MOTTA, Nelson. Noites Tropicais – solos, improvisos e memórias musicais. São Paulo: Objetiva, 2000.

OLIVERIA, Ana de. Tropicália ou Panis et Circenses. São Paulo: Iyá Omin, 2010.

RISÉRIO, Antônio. Gilberto Gil. Expresso 2222. Salvador: Corrupio, 1982.

VELOSO, Caetano. Sobre as letras. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Notas


[i] Maiores informações sobre o tropicalismo podem ser encontradas no site Tropicália, organizado por Ana Oliveira. Disponível em: <http://tropicalia.com.br>

[ii] Glauber Rocha, líder do Movimento do Cinema Novo, vivia com os tropicalistas nos bares, nas festas e discussões, embora não apareça no filme, assim como o crítico cultural Nelson Motta.

[iii] Refrão da música Dê Um Rolê (Novos Baianos, 1971). Interpretação de Gal Costa disponível no canal do YouTube Biscoito Fino. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-nY1qJcdKdE>.

[iv] Ideia defendida por Silvia Federici, em Calibã e a Bruxa (2023), com base na experiência que viveu na Nigéria, durante os anos 1980, acompanhando os vários métodos de lutas das mulheres das classes populares durante a colonização europeia. Mostrar os seios e, em casos extremos, as genitálias, era uma forma de desespero, mas também de protesto e de resistência. O documentário Rio de Topless (2019), de Ana Paula Nogueira, também defende a ideia que mostrar os seios é uma forma de protesto e resistência das mulheres.

[v] Não à toa a cantora lançou, em 1990, a música Cabelo. No refrão, uma síntese dela mesma: “cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada”.

O terraplanismo histórico

Por JOSÉ RICARDO FIGUEIREDO*

O senso comum e os preconceitos mais difundidos podem ser poderosas armas políticas

É bem conhecida a reação ao heliocentrismo nas formas da condenação religiosa ao livro de Copérnico e do julgamento de Galileu. Outra revolução científica ocorrera dois milênios antes, com a descoberta da esfericidade da Terra, mas pouco se sabe de uma reação terraplanista; um breve parágrafo de Francis Bacon dará uma pista sobre isto.

A esfericidade da Terra já era admitida pelos pitagóricos e por Platão (427-347 a.C.) e sua Academia, portanto desde o século IV a.C., ou antes.  O tema é tratado por Aristóteles (384-322 a.C.) com argumentos a posteriori a priori. Argumentos a posteriori seriam, por exemplo, a forma da sombra da Terra em eclipses lunares, assim como o aparecimento e desaparecimento de constelações para um viajante na direção Norte-Sul. Um argumento clássico, também fundado na experiência de viagens marítimas, seria acrescentado por Adrastus: “Frequentemente, durante uma viagem, não se pode ver terra ou um navio que se aproxima estando no convés, enquanto os marinheiros que sobem ao topo do mastro podem ver estas coisas porque estão muito mais altos e assim superam a convexidade do mar que é o obstáculo” [1].

O argumento a priori de Aristóteles relaciona-se à sua visão dos fenômenos dinâmicos. Concebia dois tipos de movimentos: natural e forçado. O movimento forçado seria devido a causa externas, enquanto o movimento natural corresponderia à tendência dos corpos irem para o centro da Terra, que também seria o centro do Universo. Embora esta tendência para o centro do Universo atuasse sobre todos os corpos, “os pesos mais poderosos estão aptos a deslocar os menores”, de forma que o lugar natural dos corpos mais pesados seriam baixas alturas, e o lugar natural dos corpos leves seriam as maiores alturas. O peso não provaria rigorosamente que a Terra seria esférica, apenas introduziria uma tendência neste sentido; entretanto, no caso das superfícies de água, a fluidez do líquido para posições minimamente mais baixas conduziria à esfericidade [1].

Aristóteles relata uma medição realizada por matemáticos a ele ligados cifrando a circunferência da Terra em 400.000 estádios. Arquimedes (287-212 a.C.) estimou-a em 300.000 estádios. Como é sabido, Eratóstenes (276-194 a.C.) encontrou um método que permitiu chegar à cifra de 250.000 estádios. Esta unidade de medida não era padronizada; o estádio grego equivalia a cerca de 185 metros, mas o estádio empregado por Eratóstenes seria 157,5 metros conforme Porto da Silveira [2], ou 158,76 metros conforme Rey [3], de forma que os 250.000 estádios equivaleriam a 39.375 quilômetros ou a 39.690 quilômetros respectivamente. Em ambos os casos, a medida é surpreendentemente próxima dos 40.009 quilômetros hoje reconhecidos para a circunferência polar terrestre.

Este feito de Eratóstenes não pode ser explicado sem referência ao contexto histórico e pessoal. Eratóstenes trabalhou no Museu de Alexandria, instituição criada após o desmembramento do império de Alexandre (356-323 a.C.) por Ptolomeu I (367-283 a.C.) ou Ptolomeu II (309-246 a.C.), e que foi controlada sucessivamente pelo Reino Ptolomaico, pela República Romana e pelo Império Romano.

Bernal [4] constata que o Museu foi o primeiro instituto de investigações subvencionado por um Estado, numa tentativa consciente e deliberada de desenvolver a ciência, e observa que no Museu de Alexandria “a ciência grega cresceu em contato direto com os problemas tanto da técnica quanto da ciência das velhas culturas asiáticas, e não só do Egito e da Mesopotâmica como também, em certa medida, da Índia”. Entre os que estudaram ou trabalharam em Alexandria citam-se os matemáticos e astrônomos Arquimedes, Aristarco de Samos (310-230 a.C.), Euclides (300 a.C.-?), Hiparco (190-129 a.C.), Heron (5?-70 d.C.), Claudio Ptolomeu (90-168 d.C.), Papus (?-350 d.C) e outros, além de literatos e médicos.

Eratóstenes era matemático e geógrafo, autor de um tratado denominado Geografia. Foi o primeiro a dar a esta ciência uma base matemática, referindo-se à Terra como um globo e registrando distâncias medidas ao longo do que hoje se denominam paralelos de latitude e meridianos de longitude. Como linha base para seu mapeamento, empregou um paralelo que se estendia de Gibraltar, pelo meio do Mediterrâneo, ao Himalaia. [5]

A descrição conhecida da medição da circunferência terrestre segue relato do astrônomo Cleomedes, que viveu 200 anos depois. Eratóstenes partiu da informação de que em Siena, hoje Assuã (localizada no Trópico de Câncer), o Sol estava absolutamente a pino ao meio dia do solstício de verão, podendo-se vê-lo refletido no fundo de um poço. Mediu a inclinação do Sol na mesma data e horário solar em Alexandria, obtendo 7o12, equivalentes a 1/50 dos 360o da circunferência.  A distância relevante entre ambas localidades fora determinada em 5.000 estádios, que multiplicados por 50 levam aos 250.000 estádios para a circunferência da Terra. O método de medição de longas distâncias baseava-se nos bimetatistes, agrimensores treinados a caminhar com passos regulares [5], método instituído por Alexandre e Ptolomeu I, imitando aos babilônios [3].

Rey [3] considera que o relato de Cleomedes seria simplista por não fazer referência à diferença de longitude de 3o entre Assuã e Alexandria. Porém, pelo método geométrico de Eratóstenes, o problema não depende propriamente da distância entre as cidades, mas da distância, medida ao longo de um meridiano, entre os paralelos que passam por Assuã e Alexandria, e que seria de 5.000 estádios. Os 3o de diferença de longitude não interferem: correspondem a uma diferença em torno de 12 minutos entre os meio-dias solares daquelas cidades, de forma que o experimento em Alexandria repetia o que se passara, cerca de 12 minutos antes, no cruzamento do paralelo de Alexandria com o meridiano de Assuã.

Posteriormente, Hiparco corrigiria o valor da circunferência da Terra para 252.000 estádios, o que é antes uma confirmação que uma correção.

Diante de tamanha conquista científica, difícil conceber um retrocesso. Mas uma breve menção a uma reação terraplanista aparece em Francis Bacon [6], para quem a Filosofia Natural enfrentou em todas as épocas, como duros adversários, “a superstição e o zelo cego e imoderado da religião”. Lembra a acusação de impiedade contra os primeiros pensadores gregos que propuseram causas naturais para trovões e tempestades, e em seguida comenta: “alguns dos antigos padres (ou pais, fathers no original) da Igreja Cristã não mostraram maior tolerância com aqueles que, sob as mais convincentes bases (tais que ninguém em seus sentidos pensaria contradizer) mantinham que a Terra era redonda, e por conseqüência afirmavam a existência de antípodas.”

A expressão “antigos padres da igreja Cristã” remete ao início da afirmação da Igreja Católica, após ter sido legalizada e institucionalizada no império de Constantino (306-337 d.C.). Deste período são conhecidos dois episódios, relativos ao museu de Alexandria e à Academia platônica.

Embora tenha perdido dinamismo com o expurgo de intelectuais por Ptolomeu VIII em 145 a.C., bem como durante a dominação romana, o Museu de Alexandria e sua Biblioteca sobreviveram por alguns séculos. Um dos últimos diretores foi Theon (335-405 d.C.), cuja filha Hipátia (355?-415 d.C.) seguiu seus passos acadêmicos. Filósofa neoplatônica, matemática e astrônoma, Hipátia era também respeitada voz pública. Tinha o apoio de Orestes, Prefeito Romano de Alexandria, que enfrentava uma disputa pelo poder com Cirilo, Bispo de Alexandria, que via o Museu e a Biblioteca como instituições pagãs a serem derrotadas. Num momento de agravamento da tensão política, Hipátia foi seqüestrada e assassinada após horríveis suplícios por uma turba de seguidores de Cirilo. Orestes abandonaria o cargo depois disso. Cirilo viria a ser canonizado como São Cirilo de Alexandria.

Na mesma linha, em 529 d.C., o imperador bizantino Justiniano fechou a quase milenar Academia de Platão como política de abolição da cultura helenista pagã.

Haveria incompatibilidade de fundo do Cristianismo com a filosofia grega? Isso é negado pela história. Aurélio Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), após converter-se ao cristianismo em 386, introduziu no meio cristão a filosofia de Platão, e foi canonizado como Santo Agostinho. Aristóteles tornar-se-ia referência fundamental da Igreja Católica após Tomás de Aquino (1225-1275).

Como se vê hoje em dia, o senso comum e os preconceitos mais difundidos podem ser poderosas armas políticas. No assassinato de Hipátia, a misoginia salta aos olhos. Já o terraplanismo intolerante citado por Bacon deve ter sido muito funcional no combate de “alguns dos antigos padres (ou pais) da Igreja Cristã” contra os intelectuais do Museu de Alexandria e da Academia de Platão.

*José Ricardo Figueiredo é professor aposentado da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp. Autor de Modos de ver a produção do Brasil (Autores Associados\EDUC). [https://amzn.to/40FsVgH]

Notas


[1] Dugas, R., A History of Mechanics, Dover Publications, New York, 1988.

[2] Porto da Silveira, J. A., Erathostenes e a medida da Terra, UFRGS.

[3] Rey, A., El Apogeo de la Ciencia Tecnica Griega, Union Tipografica Editorial Hispano Americana, Mexico, 1962.

[4] Bernal, J. D., História Social de la Cienciav.1, La ciência en la historia, Ediciones Península, Barcelona, 1967.

[5] Ronan, C. A., História Ilustrada da Ciência, v.I, Das origens à Grécia, Zahar, Rio de Janeiro, 1983.

[6] Bacon, F., The New Organon, in Selected Philosophical Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 1999.

Javier Milei – seis meses de agressão, caos e resistência

Por CLAUDIO KATZ*

O resultado da luta contra Milei será o verdadeiro determinante de um ou outro resultado. Após seis meses, a moeda ainda está no ar, sem vitórias definitivas para nenhum dos campos

No primeiro semestre desse ano, multiplicaram-se as agressões do governo contra o povo. Mas a má gestão do Estado, a fraqueza política, a regressão econômica e a resistência popular minam esta saraivada. Javier Milei tenta compensar estas inconsistências com maior protagonismo no exterior, enquanto aproveita o apoio da direita convencional e a confusão do peronismo.

Desgraças com responsáveis

Já foram batidos todos os recordes de destruição da renda popular. Nunca houve uma demolição tão acentuada em tão pouco tempo. O nível de vida caiu para um nível muito próximo da enorme crise de 2001. Os salários registrados caíram 21%, o salário mínimo perdeu 30% e as aposentadorias reduziram-se 33%.

A desnutrição causa estragos entre os indigentes e mais de quatro milhões de pessoas entraram no submundo da pobreza. A classe média faz malabarismos para manter os gastos com educação, saúde e transporte, liquidando poupanças, contraindo dívidas e consumindo marcas piores.

O sofrimento é muito maior para os 95.000 demitidos do setor privado e para os 25.000 afastados da administração pública. Javier Milei orgulha-se desta sangria e promete despedir mais 50.000 funcionários estatais, deixando na rua 30% dos contratados. Ele já estabeleceu o princípio desta cirurgia e festeja a desgraça do desemprego.

O ocupante da Casa Rosada introduziu um sadismo inusitado na política econômica. Em vez de promover investimentos, fomentar o emprego e incentivar o consumo, exalta o sofrimento do povo. Enaltece a crueldade e o sofrimento atuais, como se fossem um ingrediente inevitável da prosperidade futura. Nunca diz quando chegará esse alívio. Apenas louva o ajuste como uma antecipação do mítico predomínio do mercado, que facilitará o bem-estar geral.

Javier Milei não exemplifica suas fantasias com algum modelo de país que tenha seguido esse caminho. Limita-se a repetir as afirmações vagas do neoliberalismo extremo, atualmente rejeitado pela maior parte do mundo. Sua verborragia incoerente esconde que as desgraças da maioria continuam enriquecendo um punhado de ricos.

A promessa de pagar o ajuste penalizando a casta já foi arquivada. Os privilegiados foram protegidos do torniquete que sufoca os empobrecidos. Javier Milei culpa agora os próprios desamparados pelas desgraças que enfrentam.

Todos os dias insulta as famílias que não conseguem fazer suas refeições diárias. Presume que “farão alguma coisa” para não morrer de fome, como se a responsabilidade por esse sustento dependesse do comportamento de cada indivíduo.

Javier Milei apresenta a miséria como um efeito de “viver acima das possibilidades”, desqualificando as melhorias conquistadas pelo povo. Porque abomina a justiça social, considera inaceitável qualquer indício de menor desigualdade. Ele se insurge contra “gastar mais do que se ganha”, repetindo uma falsa identidade da família com o Estado. Esta comparação ignora o abismo que separa a política econômica da gestão do orçamento pessoal. Também ataca o “passado populista”, silenciando as consequências desastrosas dos governos neoliberais.

O libertário fala do passado para encobrir o presente. Esmaga a herança e se promove como o salvador de um cenário explosivo que ele desativou com sua presidência. Com essa invenção, justificou a desvalorização e a escalada dos preços que pulverizaram a renda popular. Agora improvisa outros pretextos para explicar o agravamento do desastre econômico e social.

Caos deliberado

As calamidades que o governo infligiu ao grosso da sociedade não têm precedentes. O emblema destas afrontas são os alimentos armazenados para esvaziar os restaurantes comunitários. Este imenso volume de alimentos foi retido para enfraquecer as organizações sociais que protegem a nutrição popular.

A maldade de Javier Milei e de sua ministra Petrovello causa indignação. Procuram destruir os grupos que aliviam a fome num país que exporta alimentos para todos os cantos do planeta. Em vez de penalizarem os capitalistas responsáveis por esta anomalia chocante, abençoam os milionários e atacam os militantes.

O escândalo da comida foi tão impactante que os próprios juízes próximos do governo exigiram a distribuição dos alimentos. Depois de ter adiado o cumprimento desta exigência, Petrovello permitiu sua distribuição através de uma fundação privada (Conin), que as empresas do agronegócio utilizam para obter benefícios fiscais. Esta gestão grosseira da pobreza incluiu a distribuição prioritária de cestas básicas para os líderes das províncias amigas, com a mediação autoritária do exército. A distribuição foi combinada com revendas suspeitas através das redes sociais e implicou um custo muito mais elevado do que a gestão habitual dos restaurantes comunitários.

Em todo este episódio aflorou a corrupção num ministério que adquire produtos de empresas isentas de controle. Esta fraude revelou também a existência de uma vasta rede de funcionários-nhoques libertários que são pagos sem trabalhar. Os exóticos funcionários nomeados por Javier Milei revelam maior propensão para o desvio de fundos do que a casta rejeitada dos políticos convencionais.

O complemento desta corrupção é a ineficiência. As pessoas que desembarcaram na administração pública competem em ignorância e improvisação. Javier Milei já forçou a renúncia de cerca de trinta altos funcionários públicos, batendo todos os recordes de demissões. Demitiu um burocrata a cada cinco dias de mandato.

Esta inépcia generalizada está em sintonia com um presidente que patrocina deliberadamente a desordem. Javier Milei convalida a inação diante dos problemas mais urgentes. A lista desta passividade inclui a ausência de ajuda para o tornado que devastou Bahía Blanca, a indiferença perante as inundações em Concordia, a apatia ante a tempestade que afetou 68 bairros de Buenos Aires, a recusa em entregar medicamentos oncológicos, a paralisia diante do acidente de trens em Palermo e a desatenção em relação à falta de gás. O cúmulo desse imobilismo foi a falta de vacinas, de reagentes ou de campanhas publicitárias frente ao pior surto de dengue da história.

Essa indolência confirma a ideologia anarcocapitalista de um presidente que promove a “destruição do Estado a partir de seu interior”. Ele vê a si mesmo como um Exterminador embarcado neste objetivo e experimenta com milhões de argentinos os absurdos de seu inspirador estadunidense (Rothbard). Este padrinho concebeu todas as loucuras enunciadas durante a campanha eleitoral (como o direito dos pais a abandonarem os filhos para inclui-los na esfera do mercado).

O delírio de comandar a administração de um país para demoli-la já não é o divertido ensaio libertário de uma localidade de New Hampshire. Ali, o governo foi dissolvido e a cidade foi destruída por uma invasão de animais. Javier Milei proporciona o mesmo caos estatal, mas num país de dimensão média que faz parte do G20 e visita o G7.

Durante todo o semestre, a classe dominante tolerou a desorganização do funcionamento estatal. Os poderosos, seus meios de comunicação, juízes, políticos e economistas perdoam todos os vexames imagináveis de Javier Milei. O presidente gasta fortunas do orçamento em viagens de proselitismo, remodela a Casa do Governo para alojar seus cães, abençoa o nepotismo de seu séquito e usa linguagem grosseira, o que é prova de graves transtornos emocionais.

Os donos do poder nunca permitiram a um mandatário a menor destas exuberâncias. Aceitam-nas agora porque têm na Casa Rosada um marginal determinado a destruir os sindicatos, varrer os movimentos sociais e destruir as organizações democráticas. As classes dominantes admitem a erosão de seu próprio Estado para conseguir esta derrota da classe trabalhadora. Aceitam a deterioração da administração de que necessitam para engordar suas fortunas, na esperança de alterar a seu favor as relações sociais de força que imperam no país.

Mas o caos premeditado gera situações insuportáveis em todos os estamentos. A própria inexperiência na gestão pública – que era considerada um ativo do oficialismo diante dos vícios da casta tradicional – começa a pesar como uma séria adversidade. A regra de funcionários que não funcionam não gera apenas rejeição entre os afetados. Aumenta também o mal-estar dos patronos do presidente.

Repressão e embrutecimento

A escala repressiva é o principal instrumento de Javier Milei para destruir o movimento popular. É o componente Fujimori do plano inaugurado por Patricia Bullrich com seu protocolo antipiquetes. A mobilização dos gendarmes e as provocações contra os manifestantes têm sido a norma nos últimos seis meses. Mas na última manifestação contra a Lei de Bases, o oficialismo dobrou a aposta, com prisões premeditadas para intimidar os militantes.

Patricia Bullrich retomou as mesmas caçadas aos transeuntes e as mesmas provocações de infiltrados que implantava na era Macri. A cópia teve poucas variações. Carros incendiados com a cumplicidade da polícia, balas de borracha, gás lacrimogêneo, prisões aleatórias e espancamentos dos deputados presentes. A Lei de Bases foi respaldada por um banho de gás. Foram abertos processos contra os detidos e surgiu a prisão preventiva pelo novo crime de protestar.

O oficialismo incentiva o medo para dissuadir as pessoas de participarem das manifestações. Ele elaborou um plano para colocar na prisão os líderes das organizações mais combativas. A identificação dos manifestantes com o terrorismo e a denúncia de um golpe de Estado absurdo não foi apenas mais uma incontinência verbal de Javier Milei. Faz parte do roteiro elaborado na Casa Rosada com os espiões da Agência Federal de Inteligência (AFI). O presidente está disposto a continuar sua escalada de insultos com o código penal em mãos.

Mas a rápida reação dos militantes e das organizações de direitos humanos – que levou à libertação da maioria dos detidos – antecipa a resistência que o plano repressivo enfrentará. As reservas democráticas construídas ao longo de muitos anos ressurgirão com força para deter o governo.

A prioridade imediata de Javier Milei é criminalizar as organizações sociais. A gangue de funcionários que retém, deteriora e vende comida dos restaurantes se arroga o direito de acusar os que garantem a alimentação do povo. Nesse mundo às avessas, já foram realizadas batidas nas sedes de organizações de esquerda.

Essa fúria contra os movimentos sociais contrasta com a passividade diante do narcotráfico, que transformou algumas cidades, como Rosário, em permanente campo de tiro. Como Javier Milei considera o Estado uma organização criminosa, ele coloca o confronto contra os traficantes de drogas num campo de gangues equivalentes. Ele busca emular os passos de seu colega Bukele que, na competição mafiosa do Estado com os maras, conseguiu estabelecer um regime autoritário. O custo dessa aventura é quantificado na lista de inocentes mortos, que a Argentina está começando a sofrer, repetindo o que aconteceu em El Salvador e no Equador.

Milei e Villaroel complementam sua cruzada repressiva com uma batalha cultural pela desmemória que enaltece a ditadura. Junto com seus aliados da mídia, questionam o emblema dos 30.000 desaparecidos, com a reiterada objeção ao número de vítimas causadas pela tirania militar. Mas não ousam conceber a extensão desse reparo para outros números de genocídio, como o 1,5 milhão de armênios massacrados pela Turquia ou os seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas. Nenhum destes números pressupõe exatidão estatística. Eles são importantes como símbolos de acontecimentos dramáticos.

O negacionismo de Javier Milei incentiva o esvaziamento de todas as atividades de Memória, Verdade e Justiça. Da Casa Rosada, também se está tentando ressuscitar a teoria dos dois demônios, a fim de testar o indulto de militares que cumprem penas. Essa reabilitação está sendo promovida para recriar a intervenção das forças armadas na Segurança Interna.

A escalada repressiva complementa o ataque a todas as conquistas culturais do país, que Javier Milei associa à esquerda, ao progressismo e à educação pública. Ele fomenta o ressentimento contra essa tradição, em estreita ligação com os evangélicos e os setores conservadores da Igreja. Os vouchers de subsídio para a educação privada reforçam essa campanha e complementam a eliminação dos 14 milhões de livros anteriormente fornecidos aos alunos mais carentes. Para recriar o obscurantismo, promove-se uma lei que punirá a “doutrinação nas escolas”, ou seja, o simples conhecimento de teorias opostas ao primitivismo liberal professado pelo presidente.

Os golpes diários de Javier Milei contra a cultura incluíram a nomeação delirante de um terraplanista ignorante (Lemoine) como chefe da Comissão de Ciências da Câmara dos Deputados. O ataque contra o feminismo foi complementado pela apresentação aberrante da homossexualidade como uma doença autodestrutiva.

Milei está empenhado numa carnificina cultural para vender a Tecnópolis, liquidar a Televisão Pública, leiloar o cinema Gaumont, esvaziar o Centro Cultural Kirchner e pulverizar o Museu do Bicentenário, enquanto destrói o Instituto de Cinema e o Fundo Nacional das Artes. Como não conseguiu fechar o Conicet, tentará impedi-lo de realizar qualquer atividade de maior relevância do que a clonagem de seus cães.

Para escapar da rejeição provocada por esse resquício da Inquisição, o anarcocapitalista substituiu a enunciação de suas bobagens na Feira do Livro por um ato próprio. Mas nenhum dos que aplaudiam seus gestos e apreciavam seus gritos conseguiu decifrar o conteúdo incoerente de seu discurso no Luna Park.

Respiros sem base própria

Com a aprovação da Lei de Bases no Senado, o governo obteve seu primeiro sucesso parlamentar em seis meses. Esse triunfo permitiu-lhe superar uma orfandade legislativa sem precedentes. Obteve uma vitória salvadora, num momento em que todos os analistas previam a implosão caso Javier Milei fracassasse novamente no Congresso.

O projeto de lei obteve uma pequena maioria na Câmara Alta, o que exigiu um desempate para a vice-presidente. Ele não emergiu junto com o divulgado Pacto de Maio, que o oficialismo pretendia assinar com os governadores. Dos 664 artigos do projeto de lei original, menos da metade permaneceu, e a aprovação agonizante envolveu apenas o tratamento geral do texto. Na avaliação particular, o governo perdeu duas votações (lucros e patrimônio pessoal), o que tentará superar na revisão dos deputados. Estes descartes não alteraram o sentido da lei, mas retrataram as adversidades enfrentadas pelo oficialismo.

O alívio de Javier Milei foi cercado por vários escândalos. A deputada que vendeu seu voto em troca de uma embaixada em Paris foi o caso mais bizarro das prebendas em jogo. O governo distribuiu favores e foi recompensado pela casta com apenas o suficiente para conseguir seu troféu.

A maior parte do radicalismo e uma minoria do peronismo socorreram Javier Milei, dando-lhe o quórum e os votos de que precisava para sobreviver. Eles fizeram isso com a duplicidade típica de proclamar em público o oposto do que negociam no Congresso. Eles calcularam exatamente o que o oficialismo precisava para se safar, corroborando o fato de que compartilham o objetivo do governo de acabar com o movimento popular.

Essa convergência ficou muito evidente na agenda de agressão ao movimento operário. Em contraste com o que aconteceu na questão econômica, os socorristas do presidente apoiaram a reforma trabalhista sem maiores objeções. Eles concordaram em sustentar uma iniciativa que atropela direitos, elimina indenizações, facilita a demissão e incentiva a informalidade. Os governadores, que negociaram duramente cada subsídio, convalidaram o ataque aos assalariados sem hesitação. A saraivada contra os trabalhadores foi dissimulada com uma pálida preservação do imposto social único.

Mas o alívio conquistado por Javier Milei não resolve outras adversidades legislativas. A Câmara dos Deputados já aprovou uma nova fórmula de mobilidade na aposentadoria, que o governo ameaça vetar, apesar da recuperação irrisória que propõe para o que foi perdido. O consenso alcançado para aprovar a lei de Bases não ameniza os vaivéns da direita convencional e as intermináveis disputas dentro do bloco libertário. A ambição de poder entre os aventureiros desse grupo é imparável.

Javier Milei não conseguiu unir sua tropa improvisada e seu desprezo pelos “degenerados fiscais” que legislam no Congresso corrói o governo. O presidente também não conseguiu compensar sua solidão parlamentar com qualquer apoio nas ruas. É verdade que as pesquisas lhe dão uma porcentagem respeitável de aprovação, mas esse número sempre acompanhou o primeiro semestre do mandato de todos os presidentes. É um apoio passivo que não é suficiente para sustentar a drástica remodelação da Argentina que o libertário está patrocinando.

Ao contrário de Trump, Bolsonaro, Meloni ou Le Pen, o libertário argentino não tem bases em partidos, igrejas, instituições ou religiões. Sua versão anarcocapitalista é alheia à traição liberal crioula e professa uma vertente de extrema-direita muito distante do antigo nacionalismo reacionário. Até o momento, ele não compensou essas deficiências de origem com o surgimento de um movimento identificado com sua figura.

O comparecimento em seus eventos recentes em Buenos Aires e Córdoba ficou abaixo do necessário para formar esse agrupamento. Com a aprovação da Lei de Bases, as especulações sobre o destino sombrio de Javier Milei diminuirão, mas os poderosos mantêm em andamento o Plano B alternativo que tramam com Villaroel e Macri.

Fracassos e disputas econômicas

Javier Milei está liderando um experimento de ultradireita para lidar com uma grande crise econômica. É por isso que ele está sendo observado com tanta atenção por seus pares em outros lugares. Seu plano inicial era realizar um ajuste rápido para equilibrar as finanças públicas e conquistar a confiança dos credores. Com esse recurso, ele esperava conseguir o crédito necessário para estabilizar a moeda e reduzir a inflação, com a ajuda de uma breve recessão.

Com esse resultado em mente, ele imaginou uma sequência de leis de entrega e uma chuva de investimentos suficientes para vencer as eleições de meio de mandato. A cirurgia que Menem começou com a convertibilidade após dois anos turbulentos, Javier Milei esperava começar com a dolarização no fim do primeiro semestre. Porém, após esse prazo, ele está longe de atingir suas metas.

A única parte concluída de seu programa é o ajuste monumental da renda popular. O empobrecimento que ele perpetrou pode ser visto na queda furiosa do consumo de pão, leite e carne. A aquisição desses alimentos básicos nunca foi tão reduzida. Em outros itens de seu plano, reinam a ficção e o fracasso.

O ordenamento fiscal é uma invenção. Caputo exibe dinheiro adiando pagamentos e usando malabarismos contábeis para esconder a continuidade dos desequilíbrios. Ele trocou um tipo de títulos públicos (Leliqs) por outro (passes, Bopreal), transferiu o déficit do Banco Central para o Tesouro, adiou o cancelamento de importações e forçou o refinanciamento das grandes dívidas de energia com os fornecedores do Estado.

Como a recessão continua encolhendo as receitas fiscais, a economia que Javier Milei consegue com a redução dos gastos são diluídas pela queda na arrecadação. É a mesma sequência que afetou outros programas que mordem o próprio rabo, num círculo vicioso de cortes inúteis. Como seus antecessores, ele está contrapondo o déficit fiscal com mais dívidas.

A queda na inflação que o governo tanto comemora é outra miragem, pois mantém o custo de vida médio acima do governo anterior. O que está sendo amenizado é a superinflação que Javier Milei gerou ao chegar à Casa Rosada. Mas o piso da inflação continua nos mesmos níveis dos últimos anos, e a demora no aumento das tarifas pressagia uma continuação traumática.

O libertário também enfrenta uma contradição inesperada com a taxa de câmbio. Como a forte inflação do primeiro semestre não foi acompanhada por desvalorizações equivalentes, a economia argentina tornou-se cara em dólares e a pressão por outra desvalorização da moeda está na ordem do dia. Os economistas do círculo vermelho que promovem esse aumento (Cavallo, Broda, Melconian) estão em desacordo com os gurkas do oficialismo (Stuzzeneger, De Pablo), que propõem corrigir o solavanco com mais recessão. Essa divergência está sendo processada num cenário de tensões repentinas nos indicadores financeiros (dólar azul, risco-país, liquidação das exportações do agronegócio).

Como as reservas já estão caindo, Javier Milei procura a salvação na obtenção de dólares por qualquer meio. Ele conseguiu introduzir uma lavagem de capital mais irrestrita na Lei de Bases e promoveu privatizações improvisadas para obter essas divisas.

Mas o fornecimento efetivo de dólares depende do FMI, que no primeiro semestre do ano negou-lhe os empréstimos concedidos a Macri. As precauções do Fundo devem-se à insolvência da Argentina, que é o principal devedor da organização e enfrenta vencimentos em 2025 que não conseguirá cumprir. Além disso, o país está sendo prejudicado por compromissos com credores privados e pelas demandas dos tribunais de Nova York.

O FMI está observando Javier Milei sem emitir vereditos. Está muito satisfeito com o ajuste brutal e está começando a considerar a concessão de um resgate, para que o libertário possa continuar servindo aos financistas. Ao ponderar os pagamentos de juros em meio a uma retração de outras despesas, induziu a China a renovar um pesado swap, cujo pagamento levaria ao colapso das reservas.

Curiosamente, Washington incentivou uma atitude amistosa de seu rival de Pequim em relação a Buenos Aires, para evitar a catástrofe que implicava essa exigência de pagamento. Resta saber se o apoio do FMI foi um episódio conjuntural, ou se inicia o apoio estratégico ao plano libertário de eliminação dos controles cambiais (“cepo”).

No prazo imediato, o FMI está observando o resultado da taxa de câmbio, favorecendo o bloco da desvalorização, que também está patrocinando uma certa mudança na direção do pragmatismo regulatório. Essa vertente confronta aqueles que defendem a manutenção do rumo atual com mais liquidificador e mais motosserra. Este último curso pressupõe uma enorme retração econômica, que sustentaria alguma versão atenuada da dolarização (cesta de moedas).

Três pilares e uma regressão

Javier Milei conta com o fervoroso apoio local dos financistas, dos unicórnios e dos extrativistas. O primeiro grupo tem se beneficiado amplamente dos privilégios concedidos aos credores, da pedalada dos títulos públicos e da festa das ações e títulos denominados em dólares.

Dentro desse espectro de favorecidos, o governo apoia os segmentos que patrocinam a desregulamentação financeira, para redistribuir o bolo do crédito e da gestão corrente do dinheiro. O governo promove o ascendente grupo Mercado Pago com licenças que outros países negam. Permite que ele opere violando as regras que regulam a atividade das instituições tradicionais.

Esse apoio ilustra a remodelação financeira que o governo está promovendo. Quando Javier Milei proclama sua intenção de incendiar o Banco Central, ele está, na verdade, patrocinando um regime sem controles ou garantias de depósitos, com o consequente risco para os poupadores. Ele pretende transformar a Argentina numa cobaia da desregulamentação internacional, criando um paraíso financeiro sem restrições.

Essa aventura é compartilhada pelos unicórnios tecnológicos que exaltam o libertário. Eles agrupam um segmento transnacionalizado de prestadores de serviços de informática, que atua como uma elite influente nas redes sociais.

O viajante da Casa Rosada utiliza esse apoio para divulgar as fantasias que elabora enquanto passeia pela Califórnia. Em suas entrevistas com Musk, Pichai, Altman e Zuckerberg, ele se imagina como o criador de um Silicon Milei, que usaria a Inteligência Artificial para remodelar o Estado. Netanyahu já aplica essas invenções para aperfeiçoar o massacre de palestinos e seu admirador argentino espera empregar as mesmas tecnologias para sustentar o ajuste. Ele supõe que será capaz de gerenciar os funcionários do Estado como se fossem peças de um jogo de computador.

Ele também acredita que atrairá investimentos para instalar as usinas de dados dos gigantes da tecnologia na Argentina. Mas, por enquanto, ele não está negociando esse desembarque. Tramita apenas um contrato modesto com o Google, para que ele possa experimentar o absurdo de administrar o Estado com o dedo da Inteligência Artificial.

O terceiro apoio do libertário são as empresas extrativistas envolvidas na pilhagem de recursos energéticos e de mineração. A Techint conseguiu colocar-se no comando desse pelotão. Ela contribuiu com seus principais quadros para a gestão de vários ministérios, está promovendo alianças com seus parceiros ocidentais contra a China e tende a remodelar sua atividade industrial para sustentar o negócio de combustíveis.

Javier Milei é favorável a essa reconversão que transformaria a Argentina num enclave para as grandes empresas de petróleo, gás e mineração. O Regime de Incentivos a Grandes Investimentos (RIGI), aprovado pelo Senado, sustenta esse objetivo. Com essa lei, as empresas obtiveram muito mais do que imaginavam. Elas pagarão menos impostos, desfrutarão de estabilidade tributária por 30 anos, poderão dispensar audiências públicas e ficarão isentas de ações judiciais por destruição ambiental.

O RIGI introduz um regime tributário que não existe no resto do mundo, que isentará as empresas do pagamento de impostos retidos na fonte e de determinados itens da receita bruta. Elas terão permissão para evitar a entrada no país de divisas obtidas com suas exportações, terão acesso ao dólar oficial e poderão importar insumos a qualquer custo.

Essa incrível legislação dará às empresas concedidas benefícios muito superiores aos dos concorrentes estabelecidos. Suas petições serão aprovadas em tempo recorde e sem revisão dos editais. Elas desenvolverão ilhas de exportação desconectadas da produção e da aquisição de fornecedores locais. A livre disponibilidade de moeda estrangeira que terão a seu favor dividirá a economia em duas e afetará um Estado endividado, que perderá o gerenciamento da moeda estrangeira necessária para refinanciar seus passivos.

O agronegócio tende a ficar no meio da grande divisão oficial de ganhadores e perdedores. Ele é altamente favorecido pela liberalização da economia, mas resta saber se o gerenciamento da taxa de câmbio não acabará afetando sua lucratividade, como aconteceu durante a convertibilidade.

O dano ao setor manufatureiro é óbvio. Ele sofrerá outra escalada da mesma remodelação regressiva que enfrentou sob Videla, Menem e Macri. As reclamações de grandes industriais, como Madanes, ilustram essa adversidade, que pode ser verificada nos efeitos da recessão. A Argentina será o único país da região a sofrer uma grande queda no nível de atividade (3,5%) devido ao torniquete aplicado por Javier Milei.

Essa queda não se deve a nenhuma tendência do ciclo econômico. É exclusivamente uma consequência da política contracionista introduzida pelo libertário ao paralisar mais de 6.000 obras públicas. Em seu imaginário de plenitude mercantil, a recessão produtiva que destrói o emprego é tão irrelevante quanto qualquer sofrimento popular.

Um menemismo fora do tempo

Javier Milei tenta acumular poder no exterior para contrabalançar suas inconsistências internas. Com uma sucessão frenética de excursões, aspira a tornar-se uma figura mundial da ultradireita, para aumentar sua autoridade na Argentina. Celebra seu rosto na capa da Time, que o apresenta como o presidente mais exótico do planeta.

Mas não se colocou nesse pódio por mérito próprio, mas por simples servilismo aos Estados Unidos. Javier Milei mostra uma lealdade muito maior a Washington do que às classes dirigentes do país e tornou-se um pilar da contraofensiva que está levando o poder norte-americano a recuperar a primazia no jogo de xadrez global.

Nenhum governo anterior demonstrou uma submissão tão humilhante ao imperialismo ianque. Os chefes da CIA, do Pentágono e do Departamento de Estado desembarcam uma e outra vez em Buenos Aires, para assegurar a chegada dos marines à hidrovia do Paraná, à Tríplice Fronteira e à próxima base militar na Terra do Fogo. Por acaso, venderam ao país uma remessa de velhos aviões de guerra que a Dinamarca armazenava como sucata.

A prioridade de Washington é limitar a presença econômica da China, bloqueando os empreendimentos já assinados com a Argentina (centrais hidroelétricas em Santa Cruz, uma central nuclear, o porto de Rio Grande). Também pretende impedir o fornecimento de redes digitais 5G, investimentos em lítio e a chegada de mais empresas agroalimentares ao litoral.

O embaixador ianque promove uma campanha para apresentar os observatórios científicos de astronomia que Pequim gere em Neuquén como bases militares perigosas. A improvisada ministra das relações exteriores, Mondino, convalidou esta provocação com disparates verbais, aos quais a China respondeu com advertências sérias. A Argentina tem uma grande dívida com a potência asiática e os erros diplomáticos do libertário têm consequências sérias.

A inimizade com a Rússia, que encoraja o Departamento de Estado, também tem efeitos adversos. Cientistas de Moscou, que exploram o subsolo antártico em busca de hidrocarbonetos, teriam descoberto uma imensa reserva em territórios disputados pela Argentina, Chile e Grã-Bretanha. Esta descoberta não foi comunicada ao país, num gesto de rejeição do alinhamento cego de Javier Milei com seu mandante estadunidense.

A tensão com a Rússia também tende a aumentar devido ao apoio fanático à Ucrânia. Javier Milei não só subscreve todas as iniciativas de Zelensky, como até sugeriu o envio de ajuda militar a Kiev, se o confronto militar não abrandar.

Estes anúncios não são fanfarronice. O governo quer restaurar o protagonismo do exército, para restaurar o tráfico de armas que floresceu durante o menemismo e declinou após os atentados à embaixada e à AMIA. O poder judiciário apoia esta revitalização das forças armadas com uma campanha renovada para apresentar o Irã como o principal culpado das explosões. Não apresenta provas dessa culpabilidade e encobre o óbvio envolvimento de militares e espiões argentinos nesses crimes.

Javier Milei também demonstra um apoio sustentado ao genocídio de Israel em Gaza. Ele formou uma estreita aliança com rabinos ortodoxos, que justificam esse massacre com argumentos místicos, e internalizou esse delírio com sua própria conversão ao judaísmo. É por isso que a Argentina foi o único país latino-americano que votou contra o pedido palestino de adesão às Nações Unidas e o embaixador de Telaviv participa como convidado nas reuniões do gabinete. Este favoritismo permitiu à empresa de águas Mekorot inspecionar os recursos hídricos do país e tornar-se um parceiro privilegiado em futuros empreendimentos extrativistas.

Para cumprir as exigências de Washington, Javier Milei adia frequentemente sua investidura e insulta os dirigentes que desagradam ao Departamento de Estado. As provocações contra a Venezuela incluem o roubo de um avião e o fechamento da Telesur. A saraivada contra Cuba envolve a suspensão da rota aérea Buenos Aires-Havana, e as agressões contra Petro e López Obrador estremeceram como nunca as relações diplomáticas com a Colômbia e o México.

Caso se confirme que Javier Milei concederá asilo político ao grupo de bolsonaristas acusados de participar na tentativa de golpe de Estado, as tensões com o Brasil continuarão aumentando. Lula já sugeriu um eventual veto ao fornecimento de gás de que a Argentina necessita em caso de escassez.

O presidente viajante não atua como um subalterno a mais do poder estadunidense. É um peão do projeto de Trump e faz parte da rede de lacaios gerida pelo ambicioso magnata republicano. Javier Milei faz palhaçadas com outros apoiadores do candidato presidencial ianque para causar impacto nas redes sociais. Não esconde seu fascínio pela forma como Elon Musk combina a virulência contra os sindicatos com a promessa de chegar a Marte.

O alinhamento com os neofranquistas do Vox adota o mesmo tom e inclui a exportação para a Espanha do lawfare, que a direita latino-americana aperfeiçoou para derrubar presidentes. Javier Milei participa desta conspiração, difundindo as típicas acusações de corrupção que alimentam estes complôs. Sua hiperatividade na Europa visa obter vantagens com a onda de ultradireita que sacode o Velho Continente.

O libertário também oferece a Argentina como um espaço de experimentação do modelo político trumpista. Experimenta uma nova forma de gestão com mecanismos autoritários para testar o despotismo do poder executivo. Em seu primeiro semestre, insinuou essa modalidade com um governo baseado na emissão de decretos.

A tirania projetada pelo presidente exige um clima de confrontação permanente, para dirigir a ação política com raiva e fúria. São escolhidos inimigos mutáveis para se oporem à autoridade do autocrata de direita. Javier Milei leva este procedimento ao extremo, para reforçar sua figura entre a nova elite da extrema direita global.

Mas esta liderança desejada é muito afetada pela distância que separa seu fanatismo ultraliberal do crescente estatismo de seus colegas. Nem mesmo Bolsonaro ou Bukele na região compartilham sua apologia cega do mercado. Os pesos pesados da onda marrom são mais contundentes. Favorecem os subsídios, defendem o protecionismo, encorajam o investimento estatal e aprovam o aumento do gasto público. As políticas econômicas de Trump, Meloni ou Le Pen são antípodas do anarcocapitalismo criolo.

Javier Milei é um menemista fora do tempo. Encenou uma grande homenagem ao seu precursor, sem se dar conta do quanto ficaram distantes os anos 1990, de globalização, odes ao comércio livre e elogios às privatizações. A batalha que os Estados Unidos travam para dirimir a primazia com a China baseia-se numa reintrodução drástica da regulação estatal.

É por isso que Javier Milei se assemelha aos pregadores solitários, quando declama o resgate nostálgico do liberalismo extremo dos austríacos, contra a moderação dos economistas neoclássicos convencionais. Não só aposta sozinho ao fazer elogios a Mises e Hayek contra Samuelson. Suas diatribes contra Keynes têm pouca ressonância entre os intervencionistas da extrema-direita mundial.

Resistência em vários flancos

A rejeição ativa do governo tem sido muito significativa ao longo do semestre e o resultado da confrontação continua em aberto. Até agora, Javier Milei não conseguiu submeter o movimento popular.

Tem que lidar com a centralidade da classe trabalhadora, que tende a recuperar seu protagonismo desde a retumbante paralisação de 24 de janeiro. A segunda greve de 9 de maio foi mais significativa e contou com um grau de adesão superior à média dos últimos 20 anos. O êxito destas duas ações estimulou os protestos de outros setores e, no caso de Misiones, levou a uma convergência inédita da polícia com os professores.

Javier Milei adotou uma postura de indiferença para sugerir que os protestos não alteram o ajuste, mas não conseguiu disfarçar o impacto do descontentamento. Seus porta-vozes midiáticos tripudiaram contra o custo das greves, apresentando estimativas de perdas milionárias, que nunca calculam quando se trata de medir o montante expropriado dos trabalhadores. A ênfase dada ao custo monetário das paralisações confirmou, de passagem, que os assalariados são os verdadeiros geradores do valor criado na atividade econômica.

A recente mobilização de 12 de junho contra a lei de Bases teve novamente grande impacto e contou com grande presença sindical. Mas a deserção dos gordos da CGT reduziu o caráter massivo da concentração. A defecção de todo o setor conservador do sindicalismo foi acordada com os legisladores do justicialismo, para facilitar a aprovação da lei desejada por Javier Milei. A burocracia desertou em troca de pequenas concessões no capítulo laboral do projeto. Mas o alívio que deram a Milei não anula a tendência combativa preeminente.

O segundo marco da resistência foi a monumental marcha de 23 de abril em defesa da educação pública. Foi a maior mobilização das últimas décadas, com uma presença de cerca de 800.000 manifestantes. A mesma afluência massiva foi verificada em Mar del Plata, Tucumán, Misiones, Mendoza e no reduto cordobês do Liberdade Avança.

Javier Milei ficou desconcertado com esta irrupção. Primeiro repetiu seu habitual roteiro contra os políticos, tentou ridicularizar as “lágrimas dos canhotos” e denunciou a corrupção nas universidades, que propôs tornar transparentes através de auditorias.

Mas, alguns dias depois, abrandou os insultos e negociou com a UCR [União Cívica Radical] a distensão do conflito. Bloqueou a subexecução do orçamento e aumentou os recursos destinados ao funcionamento corrente das universidades. Ao perceber o perigo de uma grande virada na oposição de classe média, optou pelo pragmatismo, arquivou o manual beligerante e reduziu o ajuste. Repetiu a concessão introduzida anteriormente com um limite para os aumentos nos planos de saúdo pré-pagos.

A engenhosidade juvenil surgiu com força na mobilização, com cartazes didáticos, divertidos e irônicos, que contrastavam com a grosseria de Javier Milei. Os livros foram exaltados como sinal de protesto e a defesa da educação pública voltou a irromper como um grande dique de contenção da direita. A obtenção de um diploma universitário continua sendo um objetivo para as famílias empobrecidas, que veem nela uma forma de recuperar seus rendimentos. A velha aspiração de ascender na escala social transformou-se numa modesta expectativa de conter o desmoronamento. Esta esperança na educação pública estendeu-se à nova geração de origem popular que chega às universidades do conurbano.

Esta fidelidade duradoura a um ideal educativo que configurou a história do país resistiu à penetração da ideologia neoliberal. O individualismo mercadológico e a glorificação da privatização não se impuseram neste domínio. É por isso que os discursos radicalizados que apelam aos jovens atraídos por Javier Milei tiveram grande destaque na mobilização.

A soma de todos os participantes nas mobilizações do primeiro semestre mostra um número muito elevado de participantes na resistência contra o ajuste. A marcha de 24 de março teve mais participação do que as anteriores, e as duas manifestações do movimento feminista foram impressionantes. É verdade que o governo mantém a lealdade de seus eleitores, mas essa lealdade é a norma na estreia de qualquer administração. Nenhum governo jamais perpetrou um ataque tão virulento e nenhum jamais enfrentou uma reação tão contundente nas ruas. O resultado desta contraposição será conhecido nos próximos meses.

Duas possibilidades imediatas

Na batalha contra Javier Milei, será definido o perfil do peronismo, que tem arestas muito contraditórias. Uma primeira variante foi cooptada pelo oficialismo com cargos de todo tipo. O ex-candidato presidencial Scioli foi para o ministério que lhe foi oferecido pelo libertário e elogia sem pudor seu novo chefe. Outra lista de camaleões inclui uma alta funcionária do Ministério do Capital Humano (Leila Gianni), que consegue administrar sem apagar do braço a tatuagem de Néstor e Cristina.

Uma segunda variante do justicialismo facilita a administração libertária a partir do Congresso, sem entrar formalmente no governo. A maioria deles responde a governadores que negociam votos em troca de dotações orçamentárias. Outros chegaram ao Senado com as vestes do peronismo e mudaram em troca de dádivas.

O terceiro alinhamento que confronta Javier Milei e tende a forjar uma alternativa eleitoral em torno de Kicillof. O conteúdo das fortes disputas que corroem o espaço kirchnerista é ainda muito obscuro e não está definido se Grabois optará por seu próprio caminho.

Mas nas suas inúmeras variantes, este campo persiste como uma reserva do progressismo, em tensão com a vertente que pretende recriar o velho macartismo justicialista (Guillermo Moreno). Ao contrário do que aconteceu na era Macri, o grosso do peronismo conseguiu manter certa coesão, mas sem exibir liderança, projetos alternativos ou planos de resistência. A partir do Vaticano, Francisco tenta atenuar este vazio, consolidando laços com todo o espectro justicialista.

A esquerda mantém-se como uma valente corrente de oposição nas ruas e, por isso, é visada pelas forças repressivas. Javier Milei pretende tornar ilegais estas organizações e prender seus dirigentes. Este rancor deve-se à consequência da luta que caracteriza este espaço. Atuam com a mesma convicção que a falecida Nora Cortiñas demonstrou ao longo de sua vida.

Esta grande figura das Mães soube ultrapassar o desaparecimento de seu filho e dedicou sua vida a apoiar a luta dos oprimidos. Esteve presente em todas as resistências, sem especular sobre a conveniência dessa participação. Pôs seu corpo a serviço das ideias e tornou-se um símbolo de todas as batalhas. Sua afinidade com a esquerda coroou o amadurecimento político de uma prática militante de meio século.

Norita sempre priorizou a unidade na luta contra o inimigo principal. Este princípio é muito pertinente no contexto atual. O resultado da confrontação em curso definirá toda a sequência posterior. Se o ajuste for imposto, prevalecerá um cenário totalmente oposto ao que resultaria de uma derrota de Javier Milei.

Por esta razão, são indispensáveis ações comuns da esquerda com o peronismo para bloquear o oficialismo. As críticas corretas à burocracia sindical devem ser apresentadas no marco desta convergência. No seio da FIT [Frente de Esquerda e dos Trabalhadores], não há uma posição consensual sobre esta exigência, e tende a prevalecer o vai-e-vem em cada circunstância.

Javier Milei conseguiu uma trégua com a votação no Senado, mas há duas consequências possíveis desse alívio. Se o que aconteceu com a legislação previdenciária de Macri em 2017 se repetir, o sucesso legislativo será um alívio temporário da deterioração subsequente. A lei não impedirá o fracasso do governo. Se, pelo contrário, se reproduzir o que aconteceu na estreia do menemismo, o sucesso tempestuoso no Congresso será o prenúncio de uma estabilização mais duradoura. Resta saber qual dos dois contextos prevalecerá nos próximos meses. Javier Milei aposta que uma vitória de Trump nas eleições estadunidenses abrirá o segundo caminho.

O resultado da luta será o verdadeiro determinante de um ou outro resultado. Após seis meses, a moeda ainda está no ar, sem vitórias definitivas para nenhum dos campos. Mas se aproxima a queda desse metal, com a consequente primazia de um dos dois lados. O movimento popular aposta no sucesso, numa queda de braço que definirá o futuro da Argentina.

*Claudio Katz é professor de economia na Universidad Buenos Aires. Autor, entre outros livros, de Neoliberalismo, neodesenvolvimentismo, socialismo (Expressão Popular) [https://amzn.to/3E1QoOD].

Mais sustentabilidade e menos juros: a aposta do novo Plano Safra

Anúncio do Plano Safra 2024/2025 renova incentivo aos produtores rurais que adotem sistemas sustentáveis, com redução de juros, e amplia investimento na agricultura familiar

Nesta quarta-feira (03), em Brasília, foi feito o anúncio oficial do Plano Safra 2024/2025, programa do governo federal de investimento no setor agropecuário, com linhas de crédito e incentivos. E mais uma vez na gestão do presidente Lula, o plano aposta no estímulo aos sistemas produtivos sustentáveis, com redução de até 1,0 ponto percentual de juros de custeio aos proprietários rurais que adotarem boas práticas. O programa também prevê recompensas àqueles que já estão com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado. Além disso, o plano amplia o investimento na agricultura familiar, com R$ 76 bilhões destinados para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O valor é 6,2% maior que o do último ciclo.

O Plano Safra da Agricultura Familiar traz ainda linhas de crédito especiais para indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária.

A agropecuária comercial também receberá mais investimentos do que no ciclo passado, com um montante de R$ 400,59 bilhões, o equivalente a quase 10% a mais do que no período 2023/2024.

Em meio aos investimentos bilionários, a diretora do programa de Clima, Uso da Terra e Políticas Públicas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Isabel Garcia-Drigo, reforça que o principal desafio da agropecuária nacional é dar abrangência e escala às boas práticas para descarbonização do setor.

O correto direcionamento dos recursos do Plano Safra é um passo fundamental, afirma. “Só que, para obter esse efeito, as instituições financeiras devem ser capazes de separar o joio do trigo, fazendo com que os recursos cheguem aos empreendimentos realmente sustentáveis ou em transição para uma produção de baixo carbono”, completa a diretora do Imaflora.

Para isso, explica Isabel Garcia-Drigo, é necessário definir critérios e indicadores específicos para avaliar se determinada iniciativa solicitante de crédito contribuirá ou não para aumentar a sustentabilidade, o que os pesquisadores chamam de “taxonomia financeira agrícola”. O próprio Imaflora coordena um grupo de trabalho ao lado da FGV Agro para construir essa taxonomia, que poderá ser aplicada às atividades comerciais e familiares para reconhecer de forma padronizada e confiável os empreendimentos que estão no caminho da maior sustentabilidade.

Florestas produtivas

Durante o anúncio do Plano Safra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, realizou o lançamento do Programa Nacional de Florestas Produtivas.

O programa tem como objetivo a recuperação de áreas degradadas para fins produtivos, para regularização ambiental da agricultura familiar, contribuindo para a ampliação da capacidade de produção de alimentos saudáveis e de produtos da sociobiodiversidade. A iniciativa é voltada para agricultores e agricultoras familiares, entre eles de assentamentos da reforma agrária e de territórios de povos e comunidades tradicionais, e incluiu linhas de crédito especiais, assistência técnica e criação de viveiros comunitários e áreas de cultivo demonstrativo para prática das famílias.

Nesta fase inicial, o programa terá como foco o estado do Pará, onde 21 assentamentos serão contemplados.

“O objetivo é ter produção sustentável de alimentos saudáveis, segurança alimentar e nutricional da população, geração de trabalho, emprego e renda no campo, mitigação do aquecimento global e o cumprimento das metas nacionais de redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) estabelecidas pelo Acordo de Paris. Queremos entregar, recuperadas e com produção de alimentos, muitas áreas que foram degradadas”, explicou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

Michelle Obama venceria Trump nos EUA, diz pesquisa

Apenas a ex-primeira-dama Michelle Obama venceria o ex-presidente Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos deste ano, segundo pesquisa Ipsos encomendada pela Reuters divulgada nesta quarta (3). Ela aparece com 11 pontos de vantagem sobre o candidato republicano no levantamento.

Em cenários hipotéticos que consideram candidatos democratas além de Biden, a ex-primeira-dama tem 50% das intenções de voto, enquanto Trump tem 39%. O atual presidente, Joe Biden, aparece empatado com o ex-mandatário: ambos com 40%.

A vice de Biden, Kamala Harris, tem um desempenho parecido, empatada tecnicamente (dentro da margem de erro de 3,2 pontos percentuais) com Trump: 42% contra 43%, respectivamente. O levantamento ainda simulou cenários com governadores do Partido Democrata: nenhum deles pontuou acima de 40% e todos perdem para o ex-mandatário.

Essa é a primeira pesquisa Ipsos feita após o debate “desastroso” entre Biden e Trump na CNN. O desempenho do democrata repercutiu negativamente, mas não afetou suas intenções de voto: ele aparece com 41% contra 39% de Trump.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem sido pressionado a desistir de sua campanha à reeleição após debate com Donald Trump. Foto: Mario Tama/Getty Images

Mesmo assim, a maioria dos entrevistados (56%) acredita que o presidente deveria abandonar a disputa. A pesquisa foi feita entre os dias 1º e 2 de julho com 1.070 eleitores americanos. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Apesar da vantagem de Michelle Obama nas intenções de voto, a ex-primeira-dama já anunciou, em março deste ano que não concorreria à Casa Branca. Em nota, Crystal Carlson, seu diretor de comunicação, afirmou: “Como a ex-primeira-dama já expressou várias vezes ao longo dos últimos anos, ela não vai concorrer à presidência. Ela apoia o presidente Joe Biden e a vice-presidente Kamala Harris na campanha”.

DCM

Com juros altos e dólar em disparada, Campos Neto segue emparedando o país

Após alta nos juros, presidente do Banco Central joga contra e valida alta do dólar, o maior patamar em dois anos e meio; presidente Lula reage e volta a fazer críticas. Uma pergunta se faz premente: afinal, o Banco Central é mesmo independente? 

Na segunda-feira, 1, o presidente Lula reagiu à crescente alta do dólar, cerca de duas semanas depois da decisão do Copom de manter a taxa Selic a 10,5%, ignorando a série de redução ou manutenção em baixa e apelos do governo, garroteando a população mais pobre.

Na cotação de segunda, a moeda americana fechou o dia cotada a 5,65 reais, o maior patamar em dois anos e meio. Como previsto pelo presidente, a imprensa corporativa atribuiu a alta às críticas de Lula, não à manutenção da austeridade arbitrária do Banco Central.

Indagado sobre a alta do dólar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz a alegria dos mais ricos e diz que não irá interferir no Câmbio, utilizando reservas monetárias criadas por governos petistas – que foram depenadas nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que segue com Campos neto, seu indicado, servindo à atribuição de mercado que ocupa a casa monetária.

“A autoridade monetária segue o princípio do câmbio flutuante e não vai intervir no mercado mirando uma cotação do dólar ante o real”, disse o presidente do BC em coletiva para comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em São Paulo, no final do mês passado. Após a inação de Campos Neto, o dólar foi às alturas, gerando novas críticas e pressão do presidente Lula.

“Obviamente me preocupa essa subida do dólar, é uma especulação. Há um jogo de interesses, especulativo, contra o real neste país. Eu tenho conversado com as pessoas para ver o que a gente vai fazer. Eu estou voltando [para Brasília] quarta-feira e vou ter uma reunião. Não é normal o que está acontecendo”, afirmou o presidente, em entrevista à Rádio Sociedade, de Salvador, na Bahia, na segunda-feira, 1º de julho.

Uma pergunta se faz premente: afinal, o Banco Central é mesmo independente?  A pressão constante do mercado financeiro parece influenciar de forma desproporcional as decisões de política monetária, em detrimento das necessidades do desenvolvimento econômico nacional. Um exemplo claro dessa influência é a resistência em reduzir as taxas de juros, mesmo quando há sinais claros de que a inflação está sob controle e que a economia necessita de estímulos para crescer.

Juros altos 

A ata do Copom que decidiu pela manutenção da Selic também deixa incerto o futuro da economia, sem deixar indicações de redução futura – uma espécie de tortura e chantagem econômica.

Campos Neto disse, em resposta às afirmações do presidente, que ‘ruídos’ motivaram interrupção nos cortes de juros pelo BC, o que “explica” a motivação do Copom para manter Selic em 10,5% após sete reduções consecutivas, segundo o escolhido de Bolsonaro.

Lula ressaltou que o cenário econômico tem mostrado resultados positivos, como a redução do desemprego, o crescimento do PIB e aumentos salariais superiores aos índices de inflação. No entanto, há setores do mercado financeiro que estão atuando para forçar a alta da moeda estrangeira, a qual também está sendo pressionada por fatores externos.

“O Mundo não pode ser vítima de mentiras. A gente não pode inventar as crises. Por exemplo: semana passada dei uma entrevista ao UOL. Depois da entrevista, alguns especialistas começaram a dizer que ‘o dólar tinha subido por conta da entrevista do Lula’, e nós fomos descobrir que o dólar tinha subido 15 minutos antes da minha entrevista. É um absurdo”, apontou o presidente.

No atual cenário, com a independência do BC aprovada pelo governo bolsonarista, Lula não pode trocar o comando da instituição, uma autarquia. Com Campos Neto na presidência, Bolsonaro pôs adiante a independência da casa para garantir a manutenção de seu indicado, escolhido por Paulo Guedes – um grande beneficiado da política econômica que comandava.

“Quando a gente indica um presidente do Banco Central, do Banco do Brasil ou da Petrobras, a gente não indica a pessoa para ela fazer o que a gente quer. As empresas têm diretoria, têm Conselho, têm cronograma de trabalho. O que não dá é ter alguém dirigindo o Banco Central com viés político. Definitivamente eu acho que ele [Campos Neto] tem viés político, e eu não posso fazer nada”, apontou o presidente Lula.

Ao relembrar os anos 90, o presidente afirmou que a inflação alta afeta muito a vida das pessoas. Ele afirmou que manter a inflação baixa é uma “obsessão”: “É minha profissão de fé”. “Quanto mais baixa a inflação, mais o trabalhador tem poder aquisitivo, mais o dinheiro dele vai render”.

Como a economia é afetada

A taxa de juros alta afeta a economia de várias maneiras, principalmente ao encarecer o custo do crédito. Isso desestimula o consumo e o investimento, pois tanto consumidores quanto empresas tendem a reduzir gastos e adiar projetos devido ao aumento dos custos de financiamento. Com menos dinheiro circulando na economia, a demanda por bens e serviços diminui, o que pode levar a uma desaceleração do crescimento econômico.

Além disso, setores que dependem fortemente de financiamentos, como o imobiliário e o industrial, sofrem retrações significativas. A alta taxa de juros também atrai investimentos estrangeiros em busca de rendimentos mais elevados, valorizando a moeda local, o que pode prejudicar as exportações ao tornar os produtos nacionais menos competitivos no mercado internacional.

BC vive período crítico

A política monetária do Banco Central do Brasil tem sido alvo de críticas intensas nos últimos anos, com Campos Neto à frente. Em um cenário econômico global complexo, as decisões tomadas pelo Banco Central têm mostrado uma falta de sensibilidade às necessidades reais da economia brasileira e uma desconexão preocupante dos números apresentados pelo governo.

A manutenção de uma Selic elevada, justificada como medida para controlar a inflação, tem tido efeitos devastadores sobre o crescimento econômico. A taxa de juros alta desestimula o investimento produtivo, encarece o crédito para empresas e consumidores e impede a expansão de setores fundamentais para a geração de empregos.

O Banco Central 

A função principal do Banco Central é garantir a estabilidade econômica e financeira do país. Isso é alcançado através da formulação e execução de políticas monetárias, que incluem o controle da inflação, a regulação das taxas de juros e a gestão da oferta de dinheiro.

Além disso, o Banco Central supervisiona o sistema financeiro, assegurando a solvência e o bom funcionamento das instituições bancárias, e atua como banqueiro do governo, administrando a dívida pública e as reservas internacionais. Em última instância, a missão do Banco Central é promover um ambiente econômico estável e previsível, essencial para o crescimento sustentável e o bem-estar econômico da população.

Fonte: FAbramo

Uma mulher grita para ser ouvida, mas ninguém a escuta

Por Antonio Mello

Há mais de um ano uma mulher grita para ser ouvida, mas ninguém a escuta. Por mais que ela procure jornalistas, escreva em suas redes sociais.

Essa mulher quer contar sua história. Uma história de violência, agressões, ameaças de morte, estupro.

Ela fala aos quatro ventos. Quando é ouvida, a censuram.

Ela já contou sua história a uma repórter, mulher como ela. E depois a outra. Ambas a ouviram e publicaram sua história. Mas ambas as matérias estão censuradas.

Então é como se ela tivesse falado, mas não fosse ouvida.

Ela não é ouvida porque seus gritos são fracos. Não, ela grita alto e diariamente em suas redes sociais. Grita alto e diariamente na esperança de ser ouvida.

Mas ninguém a escuta. Ninguém toma uma providência.

Ela já se declarou disposta a ir a qualquer lugar onde queiram ouvir sua história, olhar os documentos que diz ter e que comprovariam tudo o que diz.

As agressões que sofreu e sofre. A corrupção do ex-marido, de que ela diz ter provas.

Ela diz que ele sonegou terras, não declarou fazendas que seriam dele e de que ele dizia ser apenas o arrendatário. Ela diz ter cópias dos contratos de gaveta.

Ela diz que ele a agrediu com palavras, tapas, socos, chutes. Que ele a estuprou e ameaçou matá-la e desaparecer com o corpo, caso ela não negasse todas as agressões em juízo.

Mas ninguém a escuta.

O ex-marido dela é um tipo poderoso. E de maus bofes. Um coronelzinho típico de um Brasil atrasado de coronéis, coisa de há mais de um século, que teima em sobreviver como um espantalho de um Brasil congelado no tempo.

Diferente de Antígona, mas com a mesma determinação dela, que desafiou o rei e os poderosos para enterrar o irmão, ela desafia o Congresso e o STF para, ao contrário, desenterrar sua história que querem ver sepultada.

Ela quer contar sua história e que a ouçam para sepultar de vez o coronelismo ainda vigente em nossa política e que teima nas ações de seu ex-marido, acobertado por outros coronéis latifundiários do STF.

Mas ela grita.

Enquanto isso ela grita.

Uma mulher grita para ser ouvida, mas ninguém a escuta.

Por conveniência. Por medo. Por cumplicidade. Por machismo.

Não importa. Ela grita e vai continuar gritando.

Porque ninguém para uma mulher quando ela decide enfrentar uma injustiça visceral.

O nome dela é Antígona, é Jullyene, são as mães de Acari, as mães e avós da Praça de Maio, das favelas e comunidades, que têm seus filhos assassinados pela polícia.

Elas gritam para serem ouvidas, e o mundo só será justo quando elas não precisarem mais gritar porque são ouvidas. Ou melhor, porque a injustiça que motiva os gritos não existe mais.

Mas enquanto isso, hoje, uma mulher grita para ser ouvida, mas ninguém a escuta.

Fonte: Blog do Mello

Capital Moto Week lança Camping Ville Outdoor: espaço com barracas fixas e serviço de hospedagem exclusivo

Público pode ter experiência diferenciada em hospedagem com direito a estrutura reservada, enxoval de cama, conforto e facilidades  

O Capital Moto Week, maior festival de moto e rock da América Latina, apresenta mais uma novidade em 2024: o Camping Ville Outdoor. Alternativa ao camping gratuito e ao já conhecido Camping Ville, o espaço combina camping e conforto, prometendo intensificar a experiência do público que se hospeda na Cidade da Moto. A iniciativa é uma parceria com a Vila Mundo, referência em hospedagens em festivais internacionais. Com opções que variam de R$ 210 a R$ 250, o público tem acesso a todo o complexo do festival, que acontece de 18 a 27 de julho. Os espaços são limitados, garanta sua vaga.

O Camping Ville Outdoor fica em uma área externa cercada, dispõe de 64 barracas confortáveis para duas pessoas completamente montadas. A acomodação inclui lençóis, fronhas, travesseiros e colchões infláveis. Os hóspedes terão direito a banheiro privativo, fontes de energia elétrica e iluminação para desfrutar do festival com conforto e praticidade. Além de contar com segurança, controle de acesso e estacionamento para motos, a estrutura inclui espaços de uso comum disponíveis no complexo Camping Ville.

O CEO do Capital Moto Week, Pedro Franco, explica que a modalidade atrai quem busca viver a experiência de hospedagem dentro do festival sem renunciar ao conforto e conveniência, sobretudo os motociclistas, que cruzam o país sob duas rodas e evitam a logística de carregar todo o equipamento. Segundo Franco, a hospedagem full service oferece preço atrativo e um valor imensurável: “Com o Camping Ville Outdoor, o Capital Moto Week eleva o padrão do festival, oferecendo uma experiência imersiva que mistura o prazer de morar na Cidade da Moto com o conforto de um serviço de primeira classe”.

Outra novidade é que os aventureiros que já reservaram seu espaço no Camping Ville interno para uso de barraca e equipamento próprio, terão a possibilidade de contratar como complemento, o mesmo Kit Camping, que inclui barraca iglu, colchão inflável, lençol, travesseiro, cobertor, lampião LED e protetor auricular. “Tudo organizado para o público se concentrar no que interessa: despertar seu Lado Moto Week”, finaliza Pedro.

Garanta sua experiência no Camping Ville:

Os preços variam de acordo com o total de hóspedes e o local de escolha. Confira:

 

  • Camping Ville Outdoor | 2 pessoas com Kit Camping | R$ 210 – R$ 250 a diária

Comodidades exclusivas com chuveiros e banheiros, cozinha em área restrita, controle de acesso 24 horas, além de barraca reservada para 2 pessoas, 2 colchões infláveis, 2 lençóis e travesseiros, 2 cobertores, 1 lampião LED e 2 protetores auriculares.

 

  • Camping Ville Interno | 2 pessoas | R$ 160 – R$ 195 a diária

Comodidades exclusivas com chuveiros e banheiros, cozinha em área restrita, controle de acesso 24 horas e espaço reservado para montar a barraca.

 

  • Complemento Camping Ville | 1 pessoa | R$ 110 a diária

Barraca iglu para 1 pessoa, colchão inflável, lençol, travesseiro, cobertor, lampião LED e protetor auricular.

 

  • Complemento Camping Ville | 2 pessoas | R$ 150 a diária

Barraca iglu para 2 pessoas, 2 colchões infláveis, 2 lençóis e travesseiros, 2 cobertores, 1 lampião LED, 2 protetores auriculares e barraca em espaço reservado.

 

Sobre o Capital Moto Week 2024

De 18 a 27 de julho, Brasília será palco do Capital Moto Week, maior festival de motos e rock da América Latina. Inspirado na edição histórica de 20 anos, o CMW aposta na diversidade, talento e energia nos 10 dias de programação, com mais de 100 de shows de diversas vertentes do rock. Destaque para os headliners Raimundos (18), CPM 22 (19), Humberto Gessinger (20), Sepultura (21), Detonautas (25), Call The Police (26) e Blitz e Fernanda Abreu (27). A Cidade da Moto ocupará 300 mil m² no Parque de Exposições da Granja do Torto. A expectativa é receber 800 mil pessoas, 350 mil motos e mais de 1,8 mil motoclubes de todo o mundo. O festival é um dos poucos no Brasil certificado como Lixo Zero (Zero Waste Alliance), zera emissões de carbono, integrando iniciativas de inclusão, diversidade e sustentabilidade à cadeia produtiva.

 

Serviço:

Camping Ville Outdoor | Capital Moto Week 2024

Onde comprar: www.bilheteriadigital.com/capitalmotoweek

Quando: 18 a 27/07/2024

Onde: Parque Granja do Torto | Brasília (DF)

Discurso de Lira na abertura do P20 vai na contramão das atitudes do deputado na Câmara

Lira sofre com críticas de grupos feministas que não estão contentes com o PL do Aborto

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), fez um belo discurso sobre empoderamento feminino na abertura da 1º reunião de Mulheres Parlamentares do P20. As palavras de Lira vão na contramão da postura do deputado à frente da Casa Baixa.

Arthur Lira abriu a cerimônia falando sobre a importância das mulheres na construção de uma sociedade sustentável. Lira aproveitou ainda para homenagear grandes mulheres da história do país que são alagoanas.

Em um momento do discurso, o presidente da Câmara disse que é preciso assegurar mais oportunidade e direitos para as mulheres. “Somente com independência econômica as mulheres podem ter liberdade para ocupar os espaços que desejam na sociedade”, diz.

Paralelo a essa postura feminista, está os diversos ataques que o deputado alagoano vem sofrendo por todo o país. Lira virou alvo dos grupos de defesa dos direito das mulheres, que foram às ruas para protestar contra o projeto de lei que equipara o aborto na 22º semana de gestação, ao crime de homicídio.

Além do tema ser polêmico, o presidente da Câmara foi mais fundo e decretou regime de urgência na matéria, limitando as discussões na Casa sobre o projeto.

Com a repercussão negativa, Lira adiou a votação do texto para o segundo semestre, após o recesso parlamentar, e prometeu criar uma comissão especial para debater o assunto.

Quem sabe esse evento de mulheres parlamentares pode ter feito Lira mudar de ideia quanto o PL do Aborto? A conferir.

7  Segundos

Pelo 25º ano seguido, PT lidera a lista dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso

São 16 deputados e deputadas e 5 senadores petistas. Os “Cabeças” do Congresso Nacional são aqueles parlamentares que conseguem se diferenciar dos demais pelo exercício de suas qualidades e habilidades no dia a dia do Parlamento. Os líderes do PT na Câmara, Odair Cunha, do governo, deputado José Guimarães e a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann estão entre mais influentes.

Mais uma vez o Partido dos Trabalhadores na Câmara e no Senado lidera a lista dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional em 2024. São 16 deputados e deputadas e 5 senadores petistas. A constatação é do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que há 31 anos faz o levantamento dos parlamentares que se diferenciam dos demais e protagonizam o processo legislativo. Os líderes do PT na Câmara, deputado Odair Cunha (MG), do governo, deputado José Guimarães (CE) e a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR) estão entre mais influentes.

Os senadores Beto Faro (PA), líder do PT no Senado, e Jaques Wagner (BA), líder do governo, além do senador Randolfe Rodrigues (AP- sem partido), líder do governo no Congresso, também estão na elite do Legislativo, segundo a pesquisa do Diap, divulgada nesta sexta-feira (28/6).

Também fazem parte dos mais influentes do Parlamento os (as) deputados (as) petistas, por ordem alfabética: Alencar Santana (SP), Arlindo Chinaglia (SP), Benedita da Silva (RJ), Carlos Zarattini (SP)Erika Kokay (DF), Lindbergh Farias (RJ), Maria do Rosário (RS), Reginaldo Lopes (MG), Rogério Correia (MG), Rubens Pereira Jr. (MA), Rui Falcão (SP)Zé Neto (BA) e Zeca Dirceu (PR).

E pelo Senado,  estão entre os protagonistas os senadores Humberto Costa (PE), Paulo Paim (RS) – o único que participou de todas as 31 edições da publicação, tanto quando foi deputado quanto senador – e Rogério Carvalho (SE).

Cabeças dos Congresso

Na avaliação do Diap, os “Cabeças” do Congresso Nacional são aqueles parlamentares que conseguem se diferenciar dos que conseguem se diferenciar dos demais pelo exercício de suas qualidades e habilidades no dia a dia do Parlamento. Entre esses atributos destacam-se a capacidade de conduzir debates, negociações, votações, além de articular e formular propostas.

Entre os 100 parlamentares que comandam o processo decisório no Congresso Nacional em 2024, 69 são deputados e 31 senadores. Desses, 24% são novos em relação aos “Cabeças” de 2023. Dos 24 novos, 17 são deputados e 7 senadores.

Parlamentares do PT protagonizam o processo legislativo – Foto: Gabriel Paiva

Ranking  

No ranking do Diap, o PT, partido do chefe do Poder Executivo federal, possui a maior representação entre os “Cabeças” do Congresso Nacional 2024, mesmo sendo a 2ª maior bancada na Câmara dos Deputados. “O partido sempre exerceu muita influência na agenda legislativa, mesmo quando estava na oposição”, observa o Diap, na sua publicação. Nesta edição, conta com 21dos 100 “Cabeças” – 16 deputados e deputadas e 5 senadores.

O PL, na oposição a partir de 2023, mesmo sendo a maior bancada no Congresso Nacional, ocupa a 2ª posição entre os parlamentares mais influentes, com 12 representantes: 7 deputados – menos da metade do PT, e 5 senadores.

O PSD ficou com a terceira posição, com 5 deputados e 6 senadores, em seguida vem: PP com 5 deputados e 3 senadores; União Brasil com 4 deputados e 3 senadores; MDB com 3 deputados e 4 senadores; PSB, com 3 deputados e 1 senador, PCdoB com 4 deputados; Republicanos com 3 e 1 senador; PSol com 4 deputados; Podemos com 3 deputados e 1 senador; PDT com 3 deputados e 1 senador; Solidariedade com 3 deputados e PSDB com 2 deputados.

Já os partidos Rede, Cidadania, Novo e PV estão na lista com um deputado cada. E dos 20 partidos, apenas dois, (Avante e PRD) não possuem representantes na elite parlamentar.

Mulheres

O PT, com 4 deputadas, Benedita da Silva, Erika Kokay, Gleisi Hoffmann e Maria do Rosário também lidera a lista da presença feminina na “elite do Parlamento. Segundo o Diap, a participação de deputadas e senadoras dentre os “Cabeças” do Congresso, em termos proporcionais, é pequena em relação ao total de mulheres no Legislativo federal. Das 90 deputadas federais e 15 senadoras da 57ª Legislatura, apenas 16 são mulheres – 12 deputadas e 4 senadoras – que integram o seleto grupo dos “Cabeças” do Congresso Nacional 2024.

As 12 deputadas federais na “elite” do Parlamento representam 13,33% da bancada feminina da Câmara dos Deputados. E, as 4 senadoras “Cabeças” 2024, representam pouco mais de 26,66% da bancada feminina do Senado Federal. Considerando a composição da Câmara dos Deputados, as 12 deputadas federais “Cabeças” do Congresso Nacional 2024 representam 2,34% da Casa. E, em relação à composição do Senado Federal, as 4 senadoras “Cabeças” do Congresso Nacional 2024 representam 4,94%.

Acrescentando-se neste seleto grupo as 12 parlamentares mulheres que estão em “ascensão” em 2024, a presença feminina seria de 28 mulheres. Pelo PT, estão em ascensão as deputadas Luizianne Lins (CE) e Natália Bonavides (RN).

Em “ascensão”

Além dos 100 “Cabeças”, desde a 7ª edição da série, o Diap divulga levantamento, que inclui mais 50 parlamentares. São os deputados e senadores, que na compreensão do Diap, estão em “ascensão”, e que, mesmo não fazendo parte do seleto grupo dos 100 mais influentes, têm recebido missões partidárias, podendo, mantida a trajetória ascendente, estar futuramente na elite parlamentar.

Dos 50 parlamentares em ascensão, 10 são do PT: São eles (por ordem alfabética): deputado Airton Faleiro (PA); deputado Bohn Gass (RS); deputado Dr. Francisco (PI); deputado João Daniel (SE); deputada Luizianne Lins, deputada Natália Bonavides, deputado Paulo Guedes (MG); deputado Pedro Uczai (SC), deputado Tadeu Veneri (PR) e deputado Valmir Assunção (BA).

Licenciados

A pesquisa inclui apenas os parlamentares que estão (estavam) no efetivo exercício do mandato no período de avaliação, que considera o desempenho parlamentar desde a posse, especialmente o 1º trimestre de 2024.

Pelo PT estão licenciados porque ocupam cargo de ministro de Estado os deputados Alexandre Padilha (SP), Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP) e os senadores Wellington Dias (PI) e Camilo Santana (CE).  O deputado Afonso Florence (BA) também se licenciou para assumir o cargo de secretário de Estado no governo Jerônimo Rodrigues.

Confira o resumo do estudo do Diap:

https://www.diap.org.br/images/stories/cabecas_2024_resumo_imprensa_diap.pdf

Ministra Sonia Guajajara participa de encontro com povos indígenas em Rondônia

Lideranças de trinta povos indígenas de Rondônia, noroeste de Mato Grosso e sul do Amazonas entregaram documentos com reivindicações à ministra

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, reuniu-se com mais de 220 lideranças na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia, para participar do Iº Diálogo dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste de Mato Grosso e Sul do Amazonas. O encontro foi realizado nos dias 27 e 28 de junho e contou com representantes de mais de 30 povos indígenas que vivem na região.

O objetivo central do encontro foi buscar junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a solução dos problemas dos territórios indígenas e sobre os desafios em diversas áreas como saúde, educação, demarcação, vigilância, proteção, fiscalização, limites territoriais, alternativas econômicas, PNGATI/PGTA, além de outras demandas entregues através de documentos pelas lideranças presentes no evento.

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Sonia Guajajara fez um relato das atividades informando às comunidades presentes sobre as terras indígenas em que o MPI coordena junto com outros órgãos do governo para realização da desintrusão de invasores, sejam eles grileiros, fazendeiros, madeireiros ou garimpeiros. Além disso, a ministra falou de outras estratégias para ampliar a resolução de conflitos fundiários, como por exemplo o diálogo do MPI com o governo de cada Estado, a partir da situação de cada área indígena e avançar para demarcar TIs que possam ser resolvidas com contrapartidas entre as áreas estaduais e federais.

Outras questões levantadas pela comunidade indígena à ministra, foi a necessidade de abordar as questões relacionadas à saúde indígena e ao Sistema Único de Saúde (SUS) e o combate à exploração do trabalho indígena com a eliminação de postos de subemprego e criação de canais de comunicação para denúncias de exploração do trabalho indígena, tanto em contextos urbanos quanto rurais.
As lideranças presentes entregaram vários documentos com suas demandas à ministra Sônia Guajajara e à presidente substituta da Funai, Mislene Ticuna. Estiveram no evento representantes de povos indígenas que vivem em Rondônia, noroeste do Mato Grosso e sul do Amazonas: Apurinã, Aikanã, Kwazá, Oro Eo, Oro Nao, Oro Waram Xijein, oro Waram, Kathithaulu, Nambikuara, Krenak, Kanoé, Sakirabiar, Amondawa, Kithãulu, Paiter-Suruí, Cinta Larga, Kassupá, Mamaindê, Djeromitxi, Kaxarari, Karitiana, Tupari, Kampé, Makurap, Kanoê, Guarasugwe, Puruborá, Karo-Arara, Gavião-Ikolen, Uru Eu Wau Wau, Kujubim, Wayuru,Terena, Manoke, Zoró, Manduca, Rikbaktsa, Oro Mon, Enawene Nawe, Irantxe, Sabane.

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A ministra ressaltou que agora é o momento do mundo olhar para os indígenas, para o protagonismo que representam e pelo papel que exercem diante do planeta, protegendo os territórios. “Somos só 5% da população mundial, mas protegemos 82% da biodiversidade do mundo. Se os direitos indígenas estão ameaçados, a vida no planeta está ameaçada”, disse Guajajara para centenas de lideranças indígenas, caciques (homens e mulheres), jovens, crianças e demais participantes da comunidade e do governo, na aldeia.

Janaina Paschoal declara que Bolsonaro desgraçou a nação e só abre espaço para sua família

“Foi para defender esse filho que ele desgraçou a nação”, diz a ex-deputada

A ex-deputada Janaina Paschoal fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais, acusando-o de priorizar os interesses de sua família em detrimento do país. Em uma postagem recente, Janaina afirmou que Bolsonaro já está se preparando para lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato à presidência em 2026, caso sua inelegibilidade seja mantida.

“Leio, aqui e ali, que Bolsonaro já começa a assumir que lançará Flávio Bolsonaro à Presidência em 26. Há muito tempo, eu ‘cantei essa bola’. Ele só abre espaço para a família dele. Só não vê quem não quer. Eu posso não ser nada. Mas digo aqui com todas as minhas poucas forças. Farei campanha rasgada contra. Foi para defender esse filho que ele desgraçou a nação. O povo brasileiro não merece isso!”, escreveu Janaina Paschoal.

A postagem da ex-deputada vem em um momento de intensas especulações sobre quem será o candidato da extrema direita nas próximas eleições presidenciais. De acordo com a coluna Radar, da revista Veja, Bolsonaro já definiu Flávio como o nome a ser lançado, caso ele mesmo não consiga reverter sua inelegibilidade. Esse anúncio contraria os rumores de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, poderiam ser os escolhidos para representar a extrema direita em 2026.

Além disso, Bolsonaro tem pressionado o Congresso Nacional para aprovar um projeto de anistia aos bolsonaristas condenados pelo Judiciário, incluindo ele próprio, em razão dos atos de 8 de janeiro e das punições na Justiça Eleitoral devido ao uso da estrutura pública para tentar a reeleição em 2022. Em um episódio controverso, Bolsonaro convocou embaixadores estrangeiros para caluniar ministros do STF e do TSE, alegando que as urnas não eram confiáveis e acusando os magistrados de favorecerem a vitória de Lula.

A definição de Flávio Bolsonaro como candidato é vista por muitos como uma mensagem direta ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, indicando que ele não contará com o apoio do ex-presidente. Em resposta às especulações sobre suas intenções, Tarcísio declarou: “Um pastor me descascou outro dia porque disse que quero substituir o Bolsonaro. O cara não me conhece”, sem citar diretamente o empresário Silas Malafaia, que sugeriu que Tarcísio estaria de olho na presidência.

Dessa forma, a direita neoliberal, que inicialmente via em Tarcísio um Bolsonaro moderado, agora terá que decidir se apoia Flávio Bolsonaro, assim como fez com Jair Bolsonaro em 2018. As críticas de Janaina Paschoal refletem uma crescente insatisfação dentro de alguns setores da direita com a perpetuação da dinastia Bolsonaro no cenário político brasileiro. Confira:

 

Brasil 247

O bolo de pote

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Hoje o Jair passou por mim vendendo bolo de pote.
– Quanto custa cada?
– 5 reais, moça e tem de vários sabores.
– Está bem, quero um.
– Obrigado moça, que Deus lhe devolva em dobro.
– Obrigada Jair, ótimo trabalho para você.
– Aff, não curto esses “bolo de pote” – comentou um colega.
– Eu também não – respondi.
– Ué, então por que você comprou? Esses 1, 2, 5 reais que você gasta por dia comprando essas coisas na rua você estaria melhor investindo na bolsa – brincou.
Então… não. Mas nem todo mundo está pronto para essa conversa.
Quando eu compro o bolo de pote/ biscoito / bombom / pão das pessoas na rua, eu penso que estou investindo em sonhos. Não tem retorno financeiro, mas é sempre uma alegria.
Se você nunca precisou trabalhar vendendo nada, faça esse esforço mental: um sol de 45º, andando o dia todo e só recebendo “não”. Desanimador, né?
Agora imagine quando uma venda é realizada, quando um cliente aceita comprar o seu produto. É um combustível. Você vai ficar até vender todos, vai fazer no outro dia e vai tentando ser cada vez melhor.
Com o dinheiro das vendas, o Jair sustenta a família, gasta no mercado do seu Zé, faz a economia girar e ainda segue acreditando no próprio potencial.
Sempre que possível, invista em sonhos, que a vida devolve em dobro.
Autor: desconhecido

CONHEÇA A FAMÍLIA IMAFIDON CONSIDERADA A MAIS INTELIGENTE DA GRÃ-BRETANHA

A família mais inteligente da Inglaterra e certamente do mundo inteiro é africana e originária da Nigéria. Estão no Guinness Book dos Recordes como a família mais inteligente da Inglaterra. Eles são muito conhecidos na Inglaterra, mas não são suficientemente publicitados em África.
Na família Imafidon, há gêmeos Peter e Paula, que obtiveram o equivalente ao ensino médio aos 9 anos e se tornaram os mais jovens a frequentar a Universidade de Cambridge, onde bateram o recorde de matemática nesta universidade. Além disso, ambos são campeões nacionais em disciplinas esportivas.
O engraçado é que este recorde foi levado até eles pela irmã mais velha Cristina Imafidon. que tinha obtido o ensino médio aos 11 anos e aos 14 anos estava no mestrado em matemática e estatística. Agora é doutora em matemática e trabalha para a Universidade de Oxford. Mas isso não é tudo, também há a irmã Samantha Imafidon que estava na 3a série aos 8 anos. E quem é o campeão nacional de 100 metros do Reino Unido? As crianças Imafidon batem todos os recordes.
Seu pai é um professor famoso na Universidade de Oxford e é meu amigo próximo há mais de 33 anos. Ela disse-me que a mãe dele é uma Itsekiri. Sentado à direita de HRM OGIAME ATUWATSE III CFR THE OLU OF WARRI KINGDOM é o famoso professor Imafidon da Universidade de Oxford.

Paula e Peter Imafidon são como qualquer outra criança de 9 anos de idade. Eles adoram jogar no computador, brincar e implicar um com o outro. O que os diferencia de outras crianças, porém, é que eles são prodígios  prestes a ingressar no ensino médio e fazem história como os mais novos na Inglaterra.

Chamados carinhosamente de “prodigios britânicos”, os irmãos chamaram a atenção do mundo acadêmico ao gabaritarem o exame de Matemática da Universidade de Cambridge. Eles são os alunos mais jovens a passarem no teste. Os pais de Paula e Peter são nigerianos que imigraram para a Inglaterra há 30 anos e, curiosamente, prodigismo não é algo novo na família. Os três filhos mais velhos do casal também são superdotados.

A filha mais velha, Anne-Marie, tem 20 anos, mas aos 13 anos ganhou uma bolsa do Governo Britânico para fazer curso de graduação na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA. Christiana, 17,  é a mais nova aluna a entrar num curso de graduação aos 11 anos de idade. A filha caçula, Samantha, de 12 anos, passou dois exames de duas rigorosas escolas de ensino médio quando tinha seis anos de idade. Ela orientou os gêmeos para passarem no teste de matemática do ensino secundário, quando também tinham seis anos.

Mesmo com tudo isso, o pai orgulhoso nega que haja qualquer gênio particular em sua família. Ele credita o sucesso de seus filhos ao programa de educação para jovens desfavorecidos.

“Cada criança é um gênio”, disse ele. “Depois de identificar o talento de uma criança é colocá-lo no ambiente que irá nutrir esse talento, então o céu é o limite”

No que diz respeito a carreira, Paula quer ser professora de Matematica e Peter sonha em ser primeiro-ministro.

Fonte: GELEDES

Plano Real – os moedeiros falsos

Por JOSÉ LUÍS FIORI*

Artigo publicado por ocasião do lançamento do plano econômico de FHC, em julho de 1994

“Afinal é preciso admitir, meu caro, que há pessoas que sentem necessidade de agir contra seu próprio interesse…”
(André Gide).

“É importante para um ‘technopol’ vencer a próxima eleição para continuar a implementar sua agenda e não para manter-se no cargo. Vencer uma eleição abandonando suas posições é para ele uma vitória de Pirro”
(John Williamson).

1.

Entre os dias 14 e 16 de janeiro de 1993, o Institute for International Economics, destacado “think tank” de Washington, tendo à frente Fred Bergsten, reuniu cerca de cem especialistas em torno do documento escrito por John Williamson, “In Search of a Manual for Technopols” (Em Busca de um Manual de ‘Tecnopolíticos’), num seminário internacional cujo tema foi: “The Political Economy of Policy Reform” (A Política Econômica da Reforma Política).

Durante dois dias de debates, executivos de governo, dos bancos multilaterais e de empresas privadas, junto com alguns acadêmicos, discutiram com representantes de 11 países da Ásia, África e América Latina “as circunstâncias mais favoráveis e as regras de ação que poderiam ajudar um ‘technopol’ a obter o apoio político que lhe permitisse levar a cabo com sucesso” o programa de estabilização e reforma econômica, que o próprio Williamson, alguns anos antes, havia chamado de “Washington Consensus” (Consenso de Washington).

Um plano único de ajustamento das economias periféricas, chancelado, hoje, pelo FMI e pelo Bird em mais de 60 países de todo mundo. Estratégia de homogeneização das políticas econômicas nacionais operada em alguns casos, como em boa parte da África (começando pela Somália no início dos anos 1980), diretamente pelos técnicos próprios daqueles bancos; em outros, como por exemplo na Bolívia, Polônia e mesmo na Rússia até bem pouco tempo atrás, com a ajuda de economistas universitários norte-americanos; e, finalmente, em países com corpos burocráticos mais estruturados, pelo que Williamson apelidou de “technopols“: economistas capazes de somar ao perfeito manejo do seu “mainstream” (evidentemente neoclássico e ortodoxo) à capacidade política de implementar nos seus países a mesma agenda e as mesmas políticas do “Consensus”, como é ou foi o caso, por exemplo, de Aspe e Salinas no México, de Cavallo na Argentina, de Yegor Gaidar na Rússia, de Lee Teng-hui em Taiwan, Manmohan Singh na Índia, ou mesmo Turgut Ozal na Turquia e, a despeito de tudo, Zélia e Kandir no Brasil.

Um programa ou estratégia sequencial em três fases: a primeira consagrada à estabilização macroeconômica, tendo como prioridade absoluta um superávit fiscal primário envolvendo invariavelmente a revisão das relações fiscais intergovernamentais e a reestruturação dos sistemas de previdência pública; a segunda, dedicada ao que o Banco Mundial vem chamando de “reformas estruturais”: liberalização financeira e comercial, desregulação dos mercados, e privatização das empresas estatais; e a terceira etapa, definida como a da retomada dos investimentos e do crescimento econômico.

2.

Foi ainda nos anos 1980 que o reiterado insucesso das políticas monetaristas de estabilização introduziu nos debates econômicos a importância crucial para o sucesso no combate antiinflacionário do “fator credibilidade”, e teve como consequência a canonização de uma heterodoxia, a da re-regulação do câmbio ou “dolarização”. Logo à frente, já nos anos 1990, as novas avaliações pessimistas, tanto do FMI como do Bird, puseram em destaque a importância decisiva do “fator poder político” no sucesso ou fracasso de seu programa econômico.

Esta nova preocupação dos intelectuais e gestores do Consenso de Washington é que explica não só a realização do Seminário de Bergsten e Williamson, como a presença nele de dois cientistas políticos, Joan Nelson e Stephan Haggard, responsáveis por um dos mais abrangentes estudos comparativos já feitos sobre este assunto nos Estados Unidos.

No seu documento introdutório, Williamson resume as perguntas e hipóteses centrais relativas às dificuldades próprias de cada uma das etapas do plano e sobre as respostas alternativas encontradas pelos diferentes países. Porque reconhece os perversos efeitos sociais e econômicos das medidas de austeridade e liberalização sobre as economias e populações nacionais, o autor também entende, com este programa, como fica difícil eleger e sustentar um governo minimamente estável. De onde surgiram várias táticas ou artifícios políticos capazes de fazer os eleitores aceitarem os desastres sociais provocados em todo lugar pelo programa neoliberal como sendo transitórios ou necessários em nome de um bem maior e de longo prazo.

Listam-se ali, como condições mais favoráveis, quando o programa consegue ser ampliado depois de alguma grande catástrofe (guerra ou hiperinflação) capaz de minar toda e qualquer resistência; quando os “technopols” conseguem defrontar-se com uma oposição desacreditada ou desorganizada; quando, além disto, eles disponham de uma liderança forte capaz de “insularizá-los” com relação às demandas sociais.

Condições que não dispensaram, entretanto, em todas as situações conhecidas, a formação prévia de uma coalizão de poder suficientemente forte para aproveitar as condições favoráveis e assumir, por um longo período de tempo, o controle de governos sustentados por sólidas maiorias parlamentares. Esta, sim, uma condição considerada indispensável para poder transmitir “credibilidade” aos atores que realmente interessam, neste caso: os “analistas de risco” das grandes empresas de consultoria financeira, responsáveis, em última instância, pela direção em que se movem os capitais “globalizados”.

3.

Poucos ainda têm dúvidas de que o Plano Real, a despeito de sua originalidade operacional, integra a grande família dos planos de estabilização discutidos na reunião de Washington, onde o Brasil esteve representado pelo ex-ministro Bresser Pereira. E aí se inscreve não apenas por haver sido formulado por um grupo paradigmático de “technopols“, mas por sua concepção estratégica de longo prazo, anunciada por seus autores, desde a primeira hora, como condição inseparável de seu sucesso no curto prazo: ajuste fiscal, reforma monetária, reformas liberalizantes, desestatizações, etc., para que só depois de restaurada uma economia aberta de mercado possa dar-se então a retomada do crescimento.

Neste sentido, os seus “technopols“, como bons aprendizes, sabem que a dolarização inicial da economia será sempre um artifício inócuo se não estiver assegurada por condições de poder inalteráveis por um período prolongado de tempo.

Desde este seu ponto de vista, aliás, o Plano Real não foi concebido para eleger FHC, foi FHC que foi concebido para viabilizar no Brasil a coalizão de poder capaz de dar sustentação e permanência ao programa de estabilização do FMI, e dar viabilidade política ao que falta ser feito das reformas preconizadas pelo Banco Mundial.

4.

Por isto, não surpreende a confusão popular frente à candidatura de FHC e suas relações sinergéticas com o Plano Real. O que surpreende, sim, é a confusão ainda maior que reina entre os intelectuais que criticam ou justificam emocional ou ideologicamente as suas atuais preferências políticas.

Erro que não cometeria o FHC professor, lógico e realista, se não estivesse impedido de recorrer a si mesmo e ao que ainda melhor explica suas preferências políticas atuais: os seus próprios ensaios sobre o empresariado industrial e a natureza associada e dependente do capitalismo brasileiro, datados dos anos 1960. Eles permitem entender e acompanhar de forma perfeitamente racional o caminho lógico que levou FHC à sua posição atual no xadrez político-ideológico brasileiro. Mas é verdade que, ao mesmo tempo, contêm o libelo mais duro, veemente e essencial contra a sua própria opção.

Em termos muito sintéticos: (a) O trabalho acadêmico de FHC pode ser todo ele definido como uma busca incansável dos “nexos científicos” entre os interesses e objetivos desenhados pelas situações “histórico-estruturais” e os caminhos possíveis que vão sendo construídos politicamente nas sociedades concretas pelos grupos sociais e suas coalizões de poder.

(b) Com esta perspectiva, FHC foi um dos pioneiros a investigar e concluir, de maneira implacável, já em 1963, que “a burguesia industrial nacional estava impedida, por motivos estruturais, de desempenhar o papel que a ideologia nacional-populista lhe atribuía” e que, por isto, “havia optado pela ordem, isto é, por abdicar de uma vez por todas de tentar a hegemonia plena da sociedade, satisfazendo-se com a condição de sócio-menor do capitalismo ocidental.”

Constatação que lhe permitiu redescobrir muito cedo no empresariado brasileiro uma condição universal do capitalismo: a de que pode estar associado, indiferentemente, segundo as circunstâncias, a um discurso ideológico protecionista ou livre-cambista, estatista ou anti-estatista, obedecendo apenas ao interesse maior da liberdade de movimento do capital e dos desdobramentos geoeconômicos e políticos da sua continuada internacionalização.

Esta descoberta foi responsável direta pelo seu passo seguinte e mais original: para FHC, se a condição periférica do capitalismo se definia pela ausência de moeda conversível e capacidade endógena de progresso tecnológico, a sua “condição dependente” se definia pela forma peculiar de associação econômica e política do empresariado nacional com os capitais internacionais e o Estado. Tripé de sustentação econômica da fase de “internacionalização do mercado interno” (em que as empresas multinacionais assumiram a liderança em quase todos os setores de ponta, responsabilizando-se por cerca de 40% do produto industrial) e de um tipo de “industrialização associada”, tão viável quanto inevitável do ponto de vista da “burguesia industrial brasileira.”

Durante os anos 1970, o trabalho intelectual de FHC consistiu em demonstrar que esta “situação estrutural” não impedia o crescimento econômico nem o associava necessariamente a um só modelo social e político. Concluindo, logo antes de entrar para a vida política, que o caráter predatório, excludente e autoritário do capitalismo brasileiro era a marca própria que a coalizão conservadora de poder imprimira ao Estado desenvolvimentista brasileiro.

5.

Não é difícil estender e atualizar a análise de FHC à nova “situação estrutural”, definida por uma internacionalização mais avançada ou globalizada do capitalismo, associada ao aumento de nossa “sensibilidade” interna às mudanças da economia mundial. Sobretudo porque a nova realidade ultrapassa, mas não invalida, o que de essencial FHC escreveu nos anos 1960 e 1970. E a sua inteligência lhe impede repetir bobagens e lhe permite saber que o que interessa para o Brasil no novo contexto globalizado não tem nada a ver com a queda do Muro de Berlim nem tampouco com o esgotamento do modelo de substituição de importações que já ocorrera nos anos 60/70…

Nessa atualização, basta ter claro que a globalização não é um processo completamente apolítico, envolvendo desde os anos 1980 pressões crescentes de governos e organismos multilaterais sobre a condução doméstica das economias periféricas. Por isto, os ajustes nacionais tampouco são puramente econômicos. Os Estados nacionais têm que optar e decidir como se conectam à nova redefinição das coalizões interna e externa de poder.

No nosso caso, o velho tripé econômico e sua aliança com as elites políticas regionais entrou em crise e precisa ser refeito. Dos antigos aliados, a velha elite política está esfacelada regionalmente; o sócio internacional “financeirizou-se”; o empresariado local, que já se “ajustou” a nível microeconômico, mantém sua velha opção ainda quando tenha encontrado seu exato lugar enquanto “sócio menor associado”, e por isto já se alinhou plenamente com o livre-cambismo anti-estatista do “Washington Consensus“; e, por fim, o Estado, falido financeiramente, já foi além disto destruído de forma absolutamente irracional e ideológica pelo governo Collor.

FHC sabe como ninguém que mudar ou refazer esta articulação econômica e aliança política é o problema central que hoje está posto no cenário brasileiro. E, frente a esse desafio, tomou sua primeira e decisiva decisão: resolveu acompanhar a posição do seu velho objeto de estudo, o empresariado brasileiro, e assumiu como um fato irrecusável as atuais relações de poder e dependência internacionais. Deixou seu idealismo reformista e ficou com seu realismo analítico abdicando dos “nexos científicos” para se propor como “condottiere” da sua burguesia industrial, capaz de reconduzi-la a seu destino manifesto de sócia-menor e dependente do mesmo capitalismo associado, renovado pela terceira revolução tecnológica e pela globalização financeira.

6.

Como consequência natural, aderiu à estratégia de ajustamento do FMI e do Banco Mundial. Mas sua opção mais importante não foi esta. Dispunha de um elenco de alternativas políticas para implementar essa mesma estratégia. Mas, diante da hipótese de uma aliança de centro-esquerda que poderia revolucionar o sistema político e social brasileiro aproximando-o do social-liberalismo de Felipe González, FHC preferiu o caminho de Oraxi, Vargas Llosa ou Mitsotakis, e decidiu-se por uma aliança de centro-direita com o PFL que lhe garante o apoio natural dos demais partidos conservadores num eventual segundo turno. Uma aliança que, obviamente, não se explica por razões puramente eleitorais, pois afinal Collor e Berlusconi já demonstraram que nesse campo é possível obter melhores resultados por caminhos mais diretos e “modernos”.

O que a nova aliança de FHC se propõe, na verdade, é algo mais sério e definitivo: remontar a tradicional coalizão em que se sustentou o poder conservador no Brasil. Este o verdadeiro significado direitista de sua decisão que, aliás, não é de hoje, mas data de maio de 1991, quando apoiou a reorganização do governo Collor em aliança com o próprio PFL de ACM e Bornhausen.

Se ali não teve sucesso, foi por obra do destino ou de Mário Covas, mas as cartas já estavam lançadas. Desde então, costurou de forma brilhante e eficiente a adesão de quase toda a grande imprensa e do empresariado, mas sobretudo os apoios internacionais que faltaram a Collor, haja vista, além das avaliações de risco das grandes consultoras financeiras publicadas pela imprensa internacional, o desfile recente de personalidades mundiais (públicas e privadas) do neoliberalismo que têm vindo dar apoio ao programa de estabilização e reformas de FHC. Faltam-lhe ainda, contudo, duas coisas: o apoio das lideranças políticas regionais que vêm negociando com imensa dificuldade a partir do PFL e, sobretudo, o dos eleitores que pretende obter através do sucesso instantâneo de seu Plano Real.

Em síntese, FHC optou por sustentar a estratégia do Consenso de Washington, valendo-se da mesma coalizão de poder que construiu e destruiu o estado desenvolvimentista de forma igualmente excludente e autoritária. E, com isto, em nome do seu realismo, na verdade está se propondo, ainda uma vez, a refundar a economia sem refundar o Estado brasileiro. E aqui sim, contradiz um ponto essencial de suas ideias e de seu passado reformista.

7.

Não nos interessa discutir aqui porque o programa FMI/Bird pode ser virtuoso para o empresariado e catastrófico para um país continental e desigual como o Brasil, mas apenas nos ater aos dilemas internos e específicos de tal proposta, e de sua experimentação concreta, para assim esclarecer o significado mais radical da opção de FHC. Mas para isto devemos voltar brevemente a Washington.

Não mais às sugestões práticas do seminário de John Williamson, mas às conclusões do estudo comparativo de J. Nelson e S. Haggard, sobre um grupo de 25 países que antecederam o Brasil na adesão ao “Washington Consensus”. E aqui todas as experiências apontam numa mesma direção: se o projeto não avança sem “credibilidade”, não há credibilidade possível sem governos com autoridade centralizada e forte. Mas por que chegaram a esta conclusão de que era indispensável recorrer à política e a Estados fortes para alcançar o “mercado quase perfeito”?

Primeiro, porque na maioria dos países que já aplicaram as políticas e fizeram as reformas recomendadas não houve a esperada recuperação dos investimentos. E isso porque, em segundo lugar, o apoio empresarial, interno e externo, não passa do entusiasmo retórico para a cooperação ativa, indispensável inclusive para a primeira etapa da estabilização sem ter garantias sobre as reformas liberalizantes.

Em terceiro lugar, como consequência, aliás, todos os países que lograram vencer a etapa da estabilização contaram com uma ajuda externa politicamente orientada; no caso chileno, 3% do PIB durante cinco anos, de ajuda pública mais um aporte equivalente, durante três anos, por parte dos bancos comerciais; 5% do PIB durante cinco anos no caso da Bolívia; 2% do PIB durante seis anos no caso do México, etc.

Mas, em quarto lugar, mesmo quando obtiveram ajuda externa e se estabilizaram, estas economias “reformadas” atravessaram profundas recessões, perdas significativas da massa salarial e aumento geométrico do desemprego, os famosos “custos sociais” da estabilização.

Em quinto lugar, mesmo ali onde houve retomada do crescimento, esse tem sido lento e absolutamente incapaz de recuperar os empregos destruídos pela reestruturação e abertura das economias. Sendo que para culminar, em sexto lugar, no caso das experiências bem-comportadas, as etapas de estabilização e reformas tomaram de três a quatro anos cada uma, e até uma década para a retomada efetiva do crescimento.

Neste quadro, como é óbvio, fica difícil obter credibilidade para as políticas neoliberais junto ao empresariado, seu aliado indispensável, e pior ainda, junto aos trabalhadores. Segue-se daí a conclusão inevitável: a longa espera pelos eventuais resultados positivos das políticas e reformas preconizadas pelo FMI e Bird demandam uma estabilização prolongada da situação de poder favorável às reformas. Solução que desemboca, entretanto, num novo problema: o da viabilização eleitoral duradoura da coalizão “reformista”. Eis aí a questão: como fazer com que o povo compreenda e apoie por um longo período de tempo, e apesar de sua dura penalização, a verdade dos “technopols”? Ou em termos mais diretos: nestas condições, como ganhar eleições e manter tanto tempo uma sólida maioria no Congresso Nacional?

8.

Frente a este desafio, descartada a “alternativa Menem” (usar um programa para a campanha eleitoral e outro no governo) defendida entusiasticamente no seminário de Washington por Nicolas Barlette do International Center for Economic Growth, os estudos apontam para três caminhos conhecidos: (a) o dos partidos capazes de assegurarem a vitória e a maioria parlamentar por mais de uma década, o que em geral se deu em sociedades com menores índices de inflação e/ou de desigualdade social; (b) o da existência de condições excepcionais, de guerra ou recuperação democrática, favoráveis ao logro de acordos sociais e políticos entre partidos, sindicatos e empresários; (c) ou então, como os estudos mencionados indicam em quase todos os casos dos países com economias de alta inflação, grande fragilidade externa e extrema desigualdade social, o apelo a regimes autoritários permanentes ou “cirúrgicos”, como foi o caso da Turquia no início dos 1980 e do Peru mais recentemente.

9.

FHC, desde 1991, pelo menos, optou claramente por este projeto de modernização neoliberal e por um bloco de sustentação de centro-direita. Neste sentido, segundo nos relata a experiência, optou por uma estratégia socioeconômica que tem gerado ou aprofundado os níveis preexistentes de desigualdade e exclusão social. E além disto, para culminar, também optou para levar à frente este projeto anti-social e quase sempre autoritário, através de uma coalizão política que foi sempre autoritária e que já logrou forjar, antes e durante a era desenvolvimentista, esta nossa sociedade que ocupa hoje o penúltimo lugar mundial em termos de concentração de renda.

Neste sentido é que se pode concluir, sem ofender a lógica, que FHC realmente aderiu a um projeto de “aggiornamento” do autoritarismo anti-social de nossas elites.

10.

Mas agora o jogo já começou e as coisas já evoluíram. Hoje, FHC se transformou em refém de seus próprios “technopols“. Como sua proposta neolibeal satisfaz o empresariado mas deixa pouca margem para costurar as alianças com as velhas elites políticas regionais, e como a situação dos eleitores piorou enormemente desde que assumiu o Ministério da Fazenda, só lhe resta esperar pelo milagre dos três meses prometidos pelas cabeças “iluminadas” de sua equipe econômica.

Neste ponto, aliás, o Brasil produz uma novidade que talvez possa ser relatada no próximo seminário de Washington: em vez de silenciar sobre os efeitos perversos do programa, faz-se de seu sucesso antecipado de curtíssimo prazo a grande arma para obter a vitória eleitoral… Mas é por isto também que neste caso o plano de estabilização já nasceu de forma autoritária, de tal forma que, desde agora, a condução independe do conhecido senso público do ministro Ricupero.

Lançado num período eleitoral quando, por definição, as escolhas são livres e os resultados indeterminados, o pré-anunciado sucesso do Plano supõe que só possa haver um ganhador, ou pior, supõe que, quem quer que seja o ganhador, terá que se submeter aos “technopols“, a menos que queira enfrentar uma hiperinflação explícita, com fuga de capitais, sobrevalorização cambial e desequilíbrio fiscal gerado pelas altas taxas de juros.

Para não falar que, nestes três meses de engodo, tudo o que faz parte normal de uma campanha eleitoral será considerado subversivo do ponto de vista do Plano… Sendo desnecessário acrescentar, neste momento, que mesmo que FHC ganhe as eleições dificilmente terá a maioria parlamentar de que falam, o que nos candidata fortemente, segundo a experiência relatada, a prolongarmos no tempo a concepção originariamente autoritária do Plano.

Neste sentido, ao contrário do que alguns defendem, FHC está dando uma nova e sofisticada colaboração para a irracionalidade da política brasileira.

11.

E quanto à moeda que nasce, depois de chegar a Brasília protegida pelos tanques do Exército, seguirá sendo uma moeda virtual ancorada numa paridade cambial, que, por sua vez, está atrelada a futuro político impossível de ser assegurado de antemão. Sorte teríamos neste sentido se sobre ela pudéssemos apenas parafrasear Helmut Schmidt (quando disse aqui no Brasil, comentando a possibilidade de sucesso imediato das reformas liberais no Leste europeu): “Ter-se-ia que ser professor de Harvard para crer nestas tolices”. Nossa situação é ainda mais triste, porque temos que reconhecer que nossos “technopols” conseguem reunir à “tolice dos professores de Harvard” a irresponsabilidade dos moedeiros falsos do André Gide.

*José Luís Fiori é professor emérito da UFRJ. Autor, entre outros livros, de Os moedeiros falsos (Vozes).

Publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, caderno mais! em 3 de julho de 1994.

Privatização das escolas públicas em São Paulo

Por RICARDO NORMANHA*

À nossa geração cabe fazer o enfrentamento que começa no nível mais basal da realidade, desfascistizando as relações cotidianas e criando todas as barreiras necessárias para o avanço das políticas privatizantes

O governo de São Paulo, sob a gestão do governador de extrema direita Tarcísio de Freitas (Republicanos), está implementando o projeto “Novas Escolas” através de uma parceria público-privada (PPP) para construir e “modernizar” 33 unidades escolares, atendendo 35 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio (São Paulo [2024?]).

O decreto publicado no último dia 11 de junho concretiza a iniciativa que já vinha sendo noticiada há tempos e faz parte do pacote de “desestatização”, um dos pilares da gestão de Tarcísio em São Paulo, junto com a política de segurança pública baseada no aval para a violência policial, no punitivismo e no populismo penal.

O tema das privatizações das escolas públicas ganha ainda mais os holofotes da imprensa em um momento propício em que a ofensiva ultraconservadora de extrema direita pauta o debate público. No início de junho, projeto semelhante foi aprovado a toque de caixa na Assembleia Legislativa do Paraná, mesmo sob os protestos de professores e estudantes. Vale mencionar também que o plano de privatização das escolas públicas estaduais do Paraná foi gestado quando Renato Feder, atual secretário de educação do estado de São Paulo, ocupava a mesma pasta na gestão do governador Ratinho Júnior (PSD) no Paraná.

Ainda no campo da educação, outros ataques da extrema direita vêm se efetivando em São Paulo na gestão Tarcísio/Feder: substituição de livros didáticos – avaliados e aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático – por materiais digitais (slides) de qualidade, no mínimo, duvidosa; utilização de Inteligência Artificial para a confecção dos materiais digitais; plataformização irrestrita da educação por meio do uso compulsório de inúmeros aplicativos e recursos digitais tanto para atividades administrativas quanto para as atividades pedagógicas, afetando profundamente – e negativamente – o processo de ensino-aprendizagem e o controle do trabalho docente; a aprovação do programa que institui as escolas cívico-militares no estado, transferindo para quadros da reserva da Polícia Militar as funções administrativas e disciplinares das escolas, sob o argumento de que o desempenho acadêmico dos estudantes das escolas cívico-militares é melhor em relação ao dos estudantes das escolas convencionais.[i]

Transferência direta de recursos públicos para a iniciativa privada

O plano de privatização das escolas públicas estaduais em São Paulo, que faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado (PPI-SP), envolve um investimento de R$ 2,1 bilhões e prevê a construção, adequação e manutenção predial das novas escolas, com a promessa de que metade das unidades serão entregues em dois anos e o restante até janeiro de 2027. A licitação para a privatização da administração dessas escolas foi autorizada, com concessão prevista por 25 anos, segundo informações do portal G1.[ii]

O projeto prevê que as empresas concessionárias serão responsáveis pela construção, manutenção, conservação, gestão e vigilância das unidades, além de outros serviços não pedagógicos, como limpeza, portaria, monitoramento de câmeras, controle de acesso, alimentação, jardinagem e controle de pragas. Ou seja, as empresas que vencerem a licitação receberão do governo do estado grandes montantes de recursos públicos para realizar a gestão das escolas. O critério de julgamento da licitação será o menor valor da contraprestação pública máxima a ser paga pelo governo, com o leilão previsto para o terceiro trimestre e a assinatura do contrato no final deste ano.

Em tempos de pós-verdade e de narrativas que suplantam a realidade concreta, faz-se necessário dizer o óbvio. Empresas privadas objetivam lucro e, como em toda atividade capitalista, buscam maximizar os seus ganhos. Tendo em vista que a gestão das escolas não se constitui, necessariamente, como uma atividade produtiva, isto é, não produz diretamente uma nova mercadoria, a possibilidade de maximização de lucros reside na redução dos custos de tal forma que o que elas irão receber do governo do estado seja sempre mais – e quanto mais, melhor – do que o montante que será investido na construção, manutenção e gestão administrativa e de zeladoria das escolas.

Em outras palavras, indiscutivelmente, serão realizados progressivos cortes de gastos em todas essas atividades de gestão: materiais de baixa qualidade, infraestrutura mínima, redução de gastos com salários e direitos.

Separação entre gestão e atividade pedagógica

O projeto de privatização das escolas tem como argumento principal centralizar a contratação para “otimizar” a gestão, reduzir custos e “melhorar a qualidade” dos gastos, o que permitiria que gestores e professores se concentrem nas atividades pedagógicas. A proposta é que as atividades pedagógicas continuem, do ponto de vista formal, sob a responsabilidade da Secretaria da Educação. Parte-se, portanto, da premissa da separação entre gestão e atividades pedagógicas, como se pertencentes a universos distintos e não diretamente relacionados.

Desde os anos de 1990, a onda neoliberal que assolou o mundo após o fim do bloco socialista articulada à reestruturação produtiva no mundo capitalista, de acordo com Reginaldo de Moraes (2002) consolidou uma narrativa que buscou descrever e explicar os supostos problemas do mundo social “politicamente regulado”. No que diz respeito à reforma dos serviços públicos, essa narrativa defende a supremacia do mercado como o melhor e mais eficiente mecanismo para alocar recursos, promovendo, portanto, justiça, igualdade e liberdade.

Nesse sentido, no âmbito da Nova Gestão Pública, paradigma administrativo que defende a aplicação direta de práticas de gestão do setor privado na Administração Pública e cujo objetivo é alcançar maior eficiência, reduzir custos e aumentar a eficácia na prestação de serviços, compreendendo os cidadãos como clientes e os servidores públicos como gestores, observamos ao longo dos anos de 1990 e primeira década de 2000, uma série de reformas do aparelho estatal que logrou consolidar um modelo de gestão executiva dos serviços públicos pensado de maneira separada e autônoma das atividades fins.

Assim, vimos ao longo das últimas décadas um processo acentuado de privatização da gestão dos serviços públicos, seja no sentido de uma transferência direta da gestão para a iniciativa privada, seja no sentido da adoção das práticas e valores do mercado na administração pública, visando uma aparente “profissionalização” da gestão. Na mesma direção, nota-se a emergência de novos atores que compõem e orientam as redes de governança pública, como as instituições, fundações e empresas privadas que não só pautam o debate público como incidem com o peso de fortes investimentos financeiros na formulação e implementação das políticas públicas.

No campo da educação, essa segmentação entre gestão escolar e gestão pedagógica vem se intensificando na medida em que diretores e diretoras de escolas assumem cada vez mais funções relacionadas à gestão de recursos humanos, verbas, insumos e materiais – vale dizer, recursos esses cada vez mais escassos – distanciando-os das reflexões e práticas pedagógicas das escolas (Souza, 2004). Nesse sentido, o projeto de privatização em curso nos estados de São Paulo e Paraná, reforça essa distinção, assumindo que a gestão administrativa das escolas se constitui como um fim em si mesmas.

Na educação, a “atividade fim” é a própria prática pedagógica. A administração é, portanto, uma “atividade meio”, necessária para o desenvolvimento da prática educacional. Desta forma, a gestão não pode ser separada, apartada e autonomizada em relação à atividade propriamente pedagógica. A condição para o desenvolvimento do modo de produção capitalista reside justamente na separação entre produtores diretos e os meios de produção, mas também na separação entre produtores e gestores da produção. A educação pública, ao sucumbir a essa lógica, dissipa sua dimensão pública e rende-se aos interesses privados de acumulação de capital.

Ultraliberalismo como expressão da ofensiva de extrema direita

As transformações econômicas e políticas que atravessaram o mundo globalizado a partir do final da primeira década do século XXI, apontam para um aprofundamento e radicalização da lógica neoliberal que regeu a economia global desde meados da década de 1980. Entende-se aqui que o termo neoliberalismo passa a ser insuficiente e anacrônico para dar conta das complexidades do mundo contemporâneo, sobretudo a partir da crise de 2008.

Além disso, o uso do termo neoliberalismo passou a ser usado de forma difusa e confusa incorrendo muitas vezes no esvaziamento do seu significado. Nesse sentido, é necessário acionarmos categorias e conceitos que apontem com precisão para o processo em curso na economia global. Desta forma, o argumento de Miranda (2020) defende que o uso do termo “ultraliberalismo” é mais adequado pois enquanto o prefixo “neo” sugere uma novidade temporal – e o neoliberalismo já está em voga há algumas décadas e já não se apresenta mais como novidade – o prefixo “ultra” destaca a radicalização dos preceitos do liberalismo clássico e do próprio neoliberalismo.

Assim, o ultraliberalismo não representa uma nova era, mas uma intensificação das práticas capitalistas de exploração e expropriação da classe trabalhadora e de aprofundamento da ideologia de redução do Estado e de transferência de toda a gestão pública para a iniciativa privada.

Nesse sentido, quando se observa o processo explícito e escancarado de privatização das escolas públicas, é nítido o aprofundamento e radicalização daquilo que já vinha sendo implementado desde o final do século XX. Enquanto a Nova Gestão Pública, instrumento ideológico do neoliberalismo dos anos 1990 e 2000, forçou a permeabilidade da lógica do mercado no coração da administração pública, do estado e dos serviços públicos, o momento atual aponta para uma transferência direta desta gestão para a iniciativa privada em setores, até então, relativamente protegidos dessa ofensiva.

Se a reforma gerencialista do Estado não hesitou em vender empresas estatais estratégicas, como as de telefonia, mineração e bancos, alguns serviços públicos, graças à resistência oferecida pelos movimentos sociais, especialmente no campo da saúde e da educação, não permitiram o entreguismo privatista às custas do sucateamento de tais serviços.

No entanto, o avanço da extrema direita em todo o mundo e, em especial, no Brasil, sobretudo a partir do golpe contra Dilma Rousseff em 2016, impôs aos movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e outras formas de organização da classe trabalhadora, um cenário defensivo e de baixa, ou quase nenhuma, capacidade de resistência.

Resta-nos, agora, analisar a conjuntura dessa quadra da história e compreender o papel das forças progressistas, democráticas e da esquerda radical no confronto direto a essa ofensiva ultraliberal da extrema-direita. Como convocou Franz Fanon: “cada geração tem que descobrir a sua missão, cumpri-la ou traí-la” (Fanon, 2022, p. 207).

À nossa geração coube fazer esse enfrentamento que começa no nível mais basal da realidade, desfascistizando as relações cotidianas e criando todas as barreiras necessárias para o avanço das políticas privatizantes.

Ricardo Normanha é pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Educação da Unicamp.

Referências


FANON, Frantz. Os condenados da Terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.

Souza, Silvana Aparecida de. “Os sentidos da separação entre gestão pedagógica e gestão escolar nas políticas públicas educacionais do Paraná”. Ideação, vol. 6, no 6, 2004, p. 176-85.

MORAES, Reginaldo C. “Reformas neoliberais e políticas públicas: hegemonia ideológica e redefinição das relações Estado-sociedade”. Educação & Sociedade, vol. 23, setembro de 2002, p. 13–24.

MIRANDA, João Elter B. O ultraliberalismo enquanto categoria conceitual. LavraPalavra, 2 de dezembro de 2020, https://lavrapalavra.com/2020/12/02/o-ultraliberalismo-enquanto-categoria-conceitual/.

NEVES, Ian. Greve no paraná, privatização e militarização das escolas | Cortes do Ian Neves. 2024. YouTube, https://www.youtube.com/watch?v=ga98DLupzIs.

SÃO PAULO, Secretaria de Parcerias em Investimentos. Novas Escolas. [2024?]. Disponível em https://www.parceriaseminvestimentos.sp.gov.br/projeto-qualificado/ppp-educacao-novas-escolas/#:~:text=O%20projeto%20Novas%20Escolas%2C%20qualificado,apenas%20servi%C3%A7os%20n%C3%A3o%2Dpedag%C3%B3gicos).

Tarcísio autoriza licitação para privatizar gestão de 33 novas escolas estaduais de SP. G1. 12 jun. 2024. Disponível em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/06/12/tarcisio-autoriza-licitacao-para-privatizar-gestao-de-33-escolas-estaduais-de-sp.ghtml.

Notas


[i] Argumento facilmente desmontado por inúmeros pesquisadores e pesquisadoras especializados. O suposto melhor desempenho dos estudantes das escolas cívico-militares está associados a outros fatores que não estão relacionados à gestão militarizada, como investimentos, valorização da profissão docente, infraestrutura e trajetórias e bagagens culturais familiares desses estudantes. Para entender mais sobre as falácias das escolas cívico-militares ver SAMORA, Frederico. A arte do golpe: cinco pontos para pensar as escolas cívico-militares. Brasil de Fato. São Paulo (SP) | 24 de outubro de 2019. Disponível em https://www.brasildefato.com.br/2019/10/24/artigo-or-a-arte-do-golpe-cinco-pontos-para-pensar-as-escolas-civico-militares.

[ii] Tarcísio autoriza licitação para privatizar gestão de 33 novas escolas estaduais de SP. G1. 12 jun. 2024. Disponível em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/06/12/tarcisio-autoriza-licitacao-para-privatizar-gestao-de-33-escolas-estaduais-de-sp.ghtml.

Boulos manda recado a adversários em São Paulo

Lula evitou fazer declarações diretamente em apoio a Boulos após ser multado por conta de suas falas durante o ato do 1° de Maio em São Paulo. Agora ambos evitaram citar eleições

O pré-candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos dividiu neste sábado (29) um palanque na capital paulista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades federais, além da pré-candidata à vice-prefeitura em sua chapa, Marta Suplicy.

Durante o evento de lançamento da pedra fundamental do campus Zona Leste da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e do campus Cidade Tiradentes do IFSP (Instituto Federal de São Paulo), Boulos aproveitou para mandar recados a seus adversários. Ele criticou a lei de escolas-cívico militares do governador Tarcísio de Freitas e a escolha do vice na chapa do atual prefeito, Ricardo Nunes, o ex-Rota Ricardo Mello Araújo, indicado por Jair Bolsonaro.

“Enquanto o presidente Lula está inaugurando universidade e instituo federal, tem gente que acha que a solução é escola militar. Não é. Policial é muito bom para garantir segurança, mas dentro da escola e da sala de aula tem que ser professor, e professor valorizado”, disse Boulos, em referência ao projeto de Tarcísio.

“Enquanto tem gente que ainda hoje acha que um morador da periferia tem que ser tratado diferente do morador dos Jardins, nós que estamos aqui temos a certeza e a convicção de que o morador de Itaquera e Cidade Tiradentes tem que ser tratado com o mesmo respeito que o morador dos Jardins, do Morumbi ou de qualquer bairro rico desta cidade. Esta é diferença. É isto que está em jogo”, disse o pré-candidato sobre Mello Araújo.

Em relação à última fala, Boulos se referia a uma declaração de Mello Araújo defendendo que moradores de bairros nobres de São Paulo passem por abordagens diferenciadas.

“É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins [região nobre de São Paulo], ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado”, disse o ex-Rota ao UOL em 2017.

Quem são os pré-candidatos a prefeito das capitais a 100 dias das eleições

Por CNN Brasil

Primeiro turno dos pleitos municipais será realizado em 6 de outubro

Faltam 100 dias para que eleitores brasileiros possam escolher os próximos representantes das 26 capitais brasileiras.

Por enquanto, os políticos serão apresentados como pré-candidatos. Eles só serão considerados candidatos de fato após as convenções partidárias, quando as siglas oficializam as candidaturas de cada partido.

Porto Velho

  • Euma Tourinho (MDB)
  • Fátima Cleide (PT)
  • Léo Moraes (Podemos)
  • Marcelo Cruz (PRTB)
  • Mariana Carvalho (União Barsil)
  • Valdir Vargas (PP)
  • Vinícius Miguel (PSB)
  • Samuel Costa (Rede-PSOL)
  • Ricardo Frota (Novo)
  • Célio Lopes (PDT)
  • Gazola (PL)
  • Benedito Alves (SD)

São Paulo

 

Pré-candidatos a prefeito de São Paulo:

  • Ricardo Nunes (MDB)
  • Guilherme Boulos (PSOL)
  • Pablo Marçal (PRTB)
  • José Luiz Datena (PSDB)
  • Tabata Amaral (PSB)
  • Marina Helena (Novo)
  • Kim Kataguiri (União)
  • Fernando Fantauzzi (DC)
  • João Pimenta (PCO)
  • Altino Prazeres (PSTU)
  • Ricardo Senese (UP)

Rio de Janeiro

Pré-candidatos a prefeito do Rio de Janeiro:

  • Alexandre Ramagem (PL)
  • Eduardo Paes (PSD)
  • Tarcísio Motta (PSOL)
  • Marcelo Queiroz (PP)
  • Otoni de Paula (MDB)
  • Rodrigo Amorim (União)
  • Henrique Simonard (PCO)
  • Carol Sponza (Novo)
  • Cyro Garcia (PSTU)
  • Dani Balbi (PCdoB)
  • Juliete Pantoja (UP)

 

Porto Alegre

Pré-candidatos a prefeito de Porto Alegre:

  • Sebastião Melo (MDB)
  • Maria do Rosário (PT)
  • Felipe Camozzato (Novo)
  • Fabiana Sanguiné (PSTU)

 

Salvador

Pré-candidatos a prefeito de Salvador:

  • Bruno Reis (União)
  • Eslane Paixão (UP)
  • Geraldo Júnior (MDB)
  • Kleber Rosa (PSOL)

Belo Horizonte

 

Pré-candidatos a prefeito de Belo Horizonte:

  • Ana Paula Siqueira (Rede)
  • Bruno Engler (PL)
  • Carlos Viana (Podemos)
  • Duda Salabert (PDT)
  • Fuad Noman (PSD)
  • Gabriel Azevedo (MDB)
  • Indira Xavier (UP)
  • João Leite (PSDB)
  • Luísa Barreto (Novo)
  • Mauro Tramonte (Republicanos)
  • Paulo Brant (PSB)
  • Rogério Correia (PT)
  • Wanderson Rocha (PSTU)

 

Fortaleza

 

Pré-candidatos a prefeito de Fortaleza:

  • André Fernandes (PL)
  • Capitão Wagner (União)
  • Célio Studart (PSD)
  • Eduardo Girão (Novo)
  • Evandro Leitão (PT)
  • José Sarto (PDT)

 

Florianópolis

 

Pré-candidatos a prefeito de Florianópolis:

  • Dario Berger (PSDB)
  • Lela Farias (PT)
  • Marquito (PSOL)
  • Pedrão Silvestre (PP)
  • Topázio Neto (PSD)

 

Recife

Pré-candidatos a prefeito de Recife:

  • Daniel Coelho (PSD)
  • Dani Portela (PSOL)
  • Gilson Machado (PL)
  • João Campos (PSB)
  • Simone Fontana (PSTU)
  • Tecio Teles (Novo)

 

Manaus

 

Pré-candidatos a prefeito de Manaus:

  • Amom Mandel (Cidadania)
  • Capitão Alberto Neto (PL)
  • David Almeida (Avante)
  • Eron Bezerra (PCdoB)
  • Marcelo Ramos (PT)
  • Natália Demes (PSOL)
  • Professora Maria do Carmo (Novo)
  • Roberto Cidade (União Brasil)
  • Wilker Barreto (Mobiliza)

Goiânia

Pré-candidatos a prefeito de Goiânia:

  • Adriana Accorsi (PT)
  • Fred Rodrigues (PL)
  • Delegado Humberto Teófilo (DC)
  • Leonardo Rizzo (Novo)
  • Matheus Ribeiro (PSDB)
  • Professor Pantaleão (UP)
  • Rogério Cruz (Republicanos)
  • Sandro Mabel (União Brasil)
  • Vanderlan Cardoso (PSD)

 

Curitiba

 

Pré-candidatos a prefeito de Curitiba:

  • Andrea Caldas (PSOL)
  • Beto Richa (PSDB)
  • Eduardo Pimentel (PSD)
  • Luciano Ducci (PSB)
  • Luizão Goulart (Solidariedade)
  • Maria Victoria (PP)
  • Ney Leprevost (União)
  • Roberto Requião (Mobiliza)
  • Samuel de Mattos (PSTU)

 

Vitória

 

Pré-candidatos a prefeito de Vitória:

  • Camila Valadão (PSOL)
  • Capitã Estéfane (Podemos)
  • Capitão Assumção (PL)
  • Eduardo Ramlow (Avante)
  • João Coser (PT)
  • Lorenzo Pazolini (Republicanos)
  • Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

 

Maceió

 

Pré-candidatos a prefeito de Maceió:

  • João Henrique Caldas (PL)
  • Lenilda Luna (Unidade Popular)
  • Lobão (Solidariedade)
  • Rafael Brito (MDB)
  • Ricardo Barbosa (PT)

Natal

 

Pré-candidatos a prefeito de Natal:

  • Natália Bonavides (PT)
  • Nando Poeta (PSTU)
  • Paulinho Freire (União Brasil)
  • Rafael Motta (Avante)

 

Cuiabá

Pré-candidatos a prefeito de Cuiabá:

  • Abilio Brunini (PL)
  • Carlos Avallone (PSDB)
  • Lúdio Cabral (PT)
  • Reginaldo Teixeira (Novo)
  • Eduardo Botelho (União Brasil)

São Luís

Pré-candidatos a prefeito de São Luís:

  • Duarte Jr. (PSB)
  • Eduardo Braide (PSD)
  • Fábio Câmara (PDT)
  • Flávia Alves (Solidariedade)
  • Saulo Arcangeli (PSTU)
  • Wellington do Curso (NOVO)
  • Yglésio Moyses (PRTB)

Campo Grande

Pré-candidatos a prefeito de Campo Grande:

  • André Puccinelli (MDB)
  • Beto Pereira (PSDB)
  • Beto Figueiró (Novo)
  • Camila Jara (PT)
  • Rose Modesto (PRD)
  • Ubirajara Martins (DC)

 

Belém

Pré-candidatos a prefeito de Belém:

  • Edmilson Rodrigues (PSOL)
  • Igor Normando (MDB)
  • Ítalo Bati (Novo)
  • Jefferson Lima (Podemos)
  • Thiago Araújo (Republicanos)
  • Wellingta Macêdo (PSTU)

 

Teresina

Pré-candidatos a prefeito de Teresina:

  • Dr. Pessoa (PRD)
  • Fábio Novo (PT)
  • Geraldo Carvalho (PSTU)
  • Francinaldo Leão (PSOL)
  • João Vicente Claudino (PSDB)
  • Santiago Belizário (UP)
  • Silvio Mendes (União Brasil)
  • Tonny Kerlley (Novo)

 

Palmas

Pré-candidatos a prefeito de Palmas:

  • Carlos Amastha (PSB)
  • Charleide Matos (PSOL)
  • Eduardo Siqueira Campos (Podemos)
  • Janad Valcari (PL)
  • Júnior Geo (PSDB)

 

Rio Branco

Pré-candidatos a prefeito de Rio Branco:

  • Emerson Jarude (Novo)
  • Marcus Alexandre (MDB)
  • Tião Bocalom (PL)

 

Boa Vista

Pré-candidatos a prefeito de Boa Vista:

  • Arthur Henrique (MDB)
  • Frutuoso Lins (PL)
  • Nicoletti (União Brasil)
  • Rudson Leite (PV)

 

João Pessoa

Pré-candidatos a prefeito de João Pessoa:

  • Celso Batista (PSOL)
  • Cícero Lucena (PP)
  • Luciano Cartaxo (PT)
  • Marcelo Queiroga (PL)
  • Ruy Carneiro (Podemos)
  • Yuri Ezequiel (UP)

 

Macapá

Pré-candidatos a prefeito de Macapá:

  • Aline Gurgel (Republicanos)
  • Dr. Furlan (MDB)
  • Gianfranco Gusmão (PSTU)
  • Jesus Pontes (PDT)
  • Patrícia Ferraz (PSDB)
  • Paulo Lemos (PSOL)

Aracaju

Pré-candidatos a prefeito de Aracaju:

  • Emília Corrêa (PL)
  • Danielle Garcia (MDB)
  • Fabiano Oliveira (PP)
  • José Paulo Leão Veloso Silva (Novo)
  • Luiz Roberto (PDT)
  • Niully Campos (PSOL)
  • Yandra Moura (União Brasil)
  • Candisse Carvalho (PT)

 

Escritor provoca reflexão sobre hipocrisia

No livro “O cidadão de bem”, o escritor finalista do Prêmio Jabuti Mauricio Gomyde faz o leitor se perguntar em quais áreas da vida tem sido hipócrita. É por meio das histórias de Roberto e Rafael que o autor provoca a reflexão de que ninguém pode ser “bom” ou “mau” o tempo todo.

Rafael, por exemplo, a mesma medida em que no presente se desdobra para ser um pai mais dedicado e deixar um mundo melhor às filhas, cometeu erros com a família que o levaram ao divórcio. Já Roberto é um excelente profissional, respeitado na medicina, porém, faz das redes sociais uma arma para disseminar o ódio.

Um retrato literário sobre a hipocrisia

Neste drama contemporâneo, publicado pela Qualis Editora, Maurício Gomyde narra uma história que perpassa a dualidade do bem e do mal

Sem perder a essência de instigar o leitor a desvendar um mistério no decorrer das páginas, em O Cidadão de Bem o escritor Maurício Gomyde evidencia a polarização por meio de dois personagens principais, que, embora amigos, têm posições antagônicas e divergem em quase tudo.

Para o mundo, Dr. Roberto é um profissional sério e respeitado, mas em casa e nas redes sociais se manifesta como um defensor fervoroso do armamento civil, que não esconde o preconceito contra negros e homossexuais, além das atitudes elitistas. Resistindo a cidadãos como ele, o leitor conhece Rafael, um jornalista que sonha se tornar escritor e que, mesmo tendo falhado com a família no passado, luta por um mundo mais pacífico e tolerante, não apenas para ele, mas principalmente para as filhas e as gerações futuras.

‘Você é louco, rapaz. Totalmente desconectado.
A hipocrisia reina por aqui. Papinho Poliana de gentileza.’
O sono foi embora de vez com aquela profusão de frases
que começaram a se repetir em sua mente.
Louco por achar que o mundo ainda tinha salvação?
Por sonhar que os discursos de amor um dia poderiam ser mais fácil
e rapidamente compreendidos do que os de ódio? Por imaginar pessoas
e países derrubando barreiras e usando a solidariedade como arma?
Por pregar a paz acima de tudo e o respeito acima de todos?
Gastou o resto da madrugada nessas perguntas.
Tolas, certamente, aos ouvidos de cada vez mais gente no mundo.
(O Cidadão de Bem, p. 155)

A incógnita da narrativa é revelada pelo autor em doses homeopáticas. Cada abertura de capítulo é composta por um trecho do relatório de um inquérito policial, que detalha as informações de um crime envolvendo arma de fogo. Quem levou o tiro? Quem disparou a arma? E, como o incidente ocorreu? Essas e outras perguntas são respondidas ao fim da obra, quando o leitor junta todos os fragmentos da investigação criminal.

Com protagonistas intensos e complexos, Gomyde entrelaça as vidas dos personagens, suas esposas, filhos e amigos. Nesta publicação pela Qualis Editora, o autor propõe a refletir sobre o bom e o mau indivíduo em uma sociedade cada vez menos preocupada com o coletivo.

“Há temas que não cabem por inteiro nas frases frias dos analistas. Um deles é esta polarização carregada de ódios que divide famílias, amigos e a sociedade brasileira. Maurício Gomyde, exímio contador de histórias, penetra no íntimo dessa vida nervosa para examinar seus meandros afetivos e buscar os cidadãos de bem” – Sérgio Abranches (Cientista político e jornalista).

FICHA TÉCNICA
Título:
 O cidadão de bem
Autor: Maurício Gomyde
Editora: Qualis Editora
ISBN: 978-6587383286
Dimensões: 22.6 x 15.8 x 1.4 cm
Páginas: 278
Preço: R$ 41,50, R$ 44,00
Onde comprar: AmazonQualis Editora

Sobre o autor: Maurício Gomyde é músico, roteirista de cinema e autor de oito livros publicados em seis países. Foi finalista do prêmio Jabuti 2016 com o livro Surpreendente!, título publicado também em Portugal, Espanha, Itália e Lituânia.

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Sobre a editora: Há mais de 15 anos, a Qualis se destaca no cenário literário como uma editora tradicional, reconhecida por seu comprometimento com a promoção e o investimento em talentos nacionais.  Criada em 2008 com a missão de disseminar o conhecimento científico produzido no âmbito acadêmico, a editora se reinventou, e ampliou seu alcance com o selo de literatura. Todo esse processo sem jamais se desviar de um objetivo essencial: contribuir para uma sociedade mais justa e sem preconceitos. Sustentada por uma visão inclusiva e diversificada, a Qualis tem como norte o princípio de que todas as vozes merecem ser ouvidas e todas as histórias, contadas.

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Primeiro voto: data celebra participação nas eleições e busca conscientizar jovens sobre o futuro do país

Há quase dez anos, 26 de junho é instituído como o Dia Nacional da Consciência do 1º Voto

Nesta quarta-feira (26), o país comemora o Dia Nacional da Consciência do 1º Voto. A celebração incentiva a reflexão sobre a importância da participação no processo eleitoral, sobretudo dos jovens, já que é a partir do primeiro voto que eles passam a assumir responsabilidade sobre o futuro do país. A data foi estabelecida pela Lei nº 13.130, de 7 de maio de 2015, em memória à Passeata dos Cem Mil, que levou milhares de pessoas às ruas em defesa da democracia.

A manifestação ocorreu na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em 1968. Na ocasião, a multidão, formada principalmente por jovens, clamava por acesso a mais direitos. Brasileiras e brasileiros de 16 e 17 anos ainda não podiam votar na época. Somente duas décadas depois, em 1988, o texto que concedia o direito a essa parcela da população foi incluído na Constituição Federal. O impacto disso é observado até hoje: o número de jovens nessa faixa etária que obtêm o primeiro título eleitoral e se tornam aptos a votar é crescente.

Jovem Eleitor

Para o pleito de 2024, dados levantados até maio projetam que mais de 2,25 milhões de jovens de 16 e 17 anos estejam aptos a votar. Nas Eleições Gerais de 2022, pouco mais de 2,1 milhões de eleitoras e eleitores com essas idades puderam votar. À época, o alcance foi considerado uma marca histórica para a Justiça Eleitoral, que incentiva essa participação por meio de campanhas sistemáticas de estímulo e esclarecimento.

Conscientização na prática

No dia 8 de abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estreou o documentário Jovem – A Voz de Quem Faz História. O material mostra a experiência de jovens que participaram das eleições pela primeira vez, mesmo antes de atingirem a idade para a qual é obrigatório o voto. O vídeo destaca também quem preferiu esperar a maioridade para ir às urnas exercer a cidadania.

Já durante a Semana do Jovem Eleitor 2024, que ocorreu de 18 a 22 de março, foram emitidos mais de 83 mil títulos eleitorais para jovens com 15, 16 e 17 anos. O número triplicou em comparação com o ano de 2020, quando foram registrados 20.770 alistamentos nessa faixa etária. A iniciativa é uma ação continuada, realizada pelo TSE e por todos os 27 tribunais regionais eleitorais (TREs), que busca alcançar o público de 15 a 18 anos de idade. A ideia central é aumentar, cada vez mais, o número de brasileiras e de brasileiros que contribuem para a escolha dos representantes políticos do país.

Semana do jovem eleitor

Em anos anteriores, outras ações também marcaram esses esforços pela conscientização sobre o primeiro voto. Em 2022, o TSE organizou um “tuitaço” para incentivar a participação dos jovens. A ação movimentou a internet e alcançou mais de 88 milhões de pessoas. A mobilização #RolêDasEleições fez parte da Semana do Jovem Eleitor, de 14 a 18 de março em todo o Brasil, com o objetivo de estimular a juventude a tirar o título de eleitor, a exercer o direito de voto e a participar ativamente do processo político do país. A iniciativa contou com a participação dos perfis no Twitter (atual X) do TSE, dos TREs e de diversos influenciadores.

O êxito das ações foi constatado nos números que apontaram aumento significativo da participação dos jovens nas últimas eleições gerais. Em média, 1,7 milhão de eleitoras e eleitores de 16 e 17 anos foram às urnas em 2022.

A crise climática e o colapso da civilização

Por LISZT VIEIRA*

Por mais importante que seja, a transição energética, por si só, não será suficiente para enfrentar a crise climática e suas desastrosas consequências

A tragédia climática, prevista pelos cientistas, já chegou, não é mais coisa do futuro.  A Organização Meteorológica Mundial (OMM) ligada à ONU, alertou para a continuidade do aumento da temperatura global. “No final de maio, mais de 1,5 bilhão de pessoas — quase um quinto da população do planeta — suportaram pelo menos um dia em que o índice de calor superou 103 graus Fahrenheit, ou 39,4 graus Celsius, o limite que o Serviço Nacional de Meteorologia considera fatal”, informou o Washington Post.

Muitos pesquisadores preveem que o mundo atingirá 3ºC até o final do século. Não há nenhum sinal de que realmente vamos ficar abaixo de 1,5ºC, a meta estabelecida pela Conferência de Paris de 2015, a COP 21. Centenas de especialistas do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), entrevistados pelo jornal britânico The Guardian, afirmaram que a temperatura chegará em + 2,5ºC ou + 3ºC e apenas 6% acreditam que a meta de 1,5ºC do Acordo de Paris será cumprida. 75% dos especialistas citam falta de vontade política e 60% culparam interesses econômicos como os da indústria de combustíveis fósseis.

Alguns esforços importantes estão sendo feitos em alguns países, mas claramente insuficientes. Na França, por exemplo, o Conselho Superior para o Clima, órgão consultivo do governo francês, estima que o país poderá atingir as suas metas de redução das emissões de gases de efeito de estufa em 50% até 2030, desde que mantenha o ritmo atual. Mas serão necessários esforços ainda maiores, pois o Conselho considera que as políticas atuais, apesar dos “progressos significativos”, são “insuficientes” para alcançar a neutralidade de carbono em 2050 (Le Monde, 20/6/2024).

O climatologista brasileiro Carlos Nobre advertiu que, de acordo com o relatório da OMM, em 2023 a temperatura média global próxima da superfície ficou 1,45 °C acima da linha de base pré-industrial de 1850-1900. Dados do Copernicus (Serviço Europeu sobre Alterações Climáticas) apontam que maio de 2024 foi 1,58 °C mais quente do que a linha de base pré-industrial. Entre 1998 e 2017, as inundações afetaram mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo. Elas podem causar devastação generalizada, resultando na perda de vidas e em danos a bens pessoais e infraestruturas críticas de saúde pública, e, segundo a OMM, as inundações causam mais de US$ 40 bilhões em danos todos os anos em todo o mundo.

No Brasil, segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), 93% dos municípios brasileiros foram atingidos por algum desastre climático, especialmente por tempestades, inundações, enxurradas ou alagamentos nos últimos 10 anos. As perdas causadas pelas chuvas no Brasil já geraram prejuízos de R$ 55,5 bilhões entre 1º de outubro de 2017 e 17 de janeiro de 2022, segundo estudo da CNM.

No período de 2013 a 2022, mais de 2,2 milhões de moradias foram danificadas em todo o país por causa desses eventos, afetando diretamente mais de 4,2 milhões de pessoas, que tiveram de deixar suas casas em 2.640 cidades do país. Segundo levantamento realizado pela Agência Pública (2023), das 27 capitais brasileiras, 17 não possuem plano de enfrentamento às mudanças climáticas.

No primeiro semestre de 2024, o Pantanal e o Cerrado bateram recordes e registraram a maior quantidade de focos de incêndio desde 1988, quando o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) começou a monitorar queimadas no país. Na Amazônia, foram detectados 12.696 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 23 de junho. A alta foi de 76% em comparação ao mesmo período no ano passado, depois de dois anos seguidos de baixas, em 2022 e 2023 (UOL, 24/6/2024).

Um relatório recente do Serviço Geológico do Brasil mostra que secas e cheias mais que dobraram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores. O ano de 2023 foi o mais quente da história no Brasil e no mundo e parece que 2024 vai na mesma direção. Em maio de 2024 chuvas intensas afetaram a maior parte do Rio Grande do Sul e deflagraram o maior desastre climático na história do Brasil, com 172 mortos e bilhões de reais em perdas econômicas.

Em 24 de junho de 2024, foi lançada a Carta da Comunidade Científica Brasileira sobre a Necessidade de Ação Permanente do Poder Público diante da Crise Climática. De 1991 a 2023, houve mais de 5 mil mortes, 9 milhões de desabrigados e desalojados, e 1 milhão entre feridos e enfermos. De 1990 a 2022, as emissões por mudanças de uso da terra e queima de resíduos florestais somadas ao setor agropecuário totalizam mais de 74% das emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil, ou seja, 1.737 milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono.  Mesmo assim, os setores econômicos continuam apostando no avanço e abertura de novas fronteiras agrícolas. E no Congresso tramitam vários Projetos que enfraquecem ou anulam a legislação de proteção ambiental.

A Carta mostra ainda que as mais vulnerabilizadas pelos eventos climáticos extremos são as populações negras, periféricas, pessoas em situação de rua, mulheres chefes de família, crianças, adolescentes, povos indígenas e comunidades tradicionais, por falta de acesso a direitos constitucionais básicos, como infraestrutura, saneamento, moradia, renda, saúde e educação. No mês de junho de 2024, o Brasil aparece repartido entre o Centro -Oeste queimando na seca e um Sul sob o impacto de tempestades violentas. Até meados do mês, o Pantanal acumulou 2.019 focos de incêndio, segundo a plataforma BDQueimadas, do INPE. Em igual período de 2023 foram 133 focos.

Em 2023, ondas de calor afetaram Canadá, Índia, Europa e Japão com temperaturas recordes. O planeta aquecerá em 1,5 °C em todos os cenários de projeções: mesmo atingindo a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris de reduzir em quase 50% as emissões de GEE até 2030, alcançaremos 1,5 °C permanentemente por volta deste ano. O mundo está ficando para trás em metas de meio ambiente, saúde e fome, e está longe de atingir a maioria das metas de desenvolvimento sustentável fixadas em 2015, como o combate à pobreza e à fome, disse um relatório da ONU que cita, entre as causas, a falta de financiamento, as tensões geopolíticas e a pandemia da Covid-19.

O Relatório da ONU analisa o desempenho de seus 193 Estados-membros na implementação de 17 objetivos de desenvolvimento sustentável abrangentes, que também incluem a melhoria do acesso à educação e à saúde, o fornecimento de energia limpa e a proteção da biodiversidade. O relatório constatou que nenhum dos 17 objetivos está em vias de ser cumprido até 2030, com a maioria das metas mostrando progresso limitado ou uma reversão do progresso.

O relatório identificou o combate à fome, a criação de cidades sustentáveis e a proteção da biodiversidade na terra e na água como áreas específicas de fraqueza. Segundo o IPCC, moradores de periferias morrem 15 vezes mais por eventos climáticos extremos e o número de pessoas expostas a secas e enchentes em cidades deve dobrar até 2030. Pessoas negras e mulheres de baixa renda, com até um salário mínimo e chefes de família, são as mais afetadas, aponta pesquisa recente do Instituto Pólis.

O Governo Brasileiro já anunciou a intenção de se tornar um país com liderança mundial no que diz respeito à crise climática. Mas, ao que tudo indica, vai chegar com dificuldades na Conferência Internacional do Clima COP 30 que vai sediar em Belém em 2025. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) não tem poder para enfrentar o Ministério da Agricultura que apoia o desmatamento para expandir o agronegócio, e o Ministério de Minas e Energia, que apoia a exploração de petróleo na Margem Equatorial do Amazonas.

Nos últimos 10 anos, a receita da União dobrou, enquanto a verba para a área ambiental foi reduzida pela metade. Um orçamento tão baixo, menos que 0,1%, do orçamento total, mostra o desprezo dos diversos governos pela proteção do meio ambiente e de nossas riquezas naturais. Com a verba estrangulada, o MMA não pode atender às justas reivindicações dos servidores do Ibama e do ICMBio, em greve que já dura mais de cinco meses.

O Brasil já sofre a violência de eventos climáticos extremos. Seca na Amazônia e Centro Oeste, incêndios no Pantanal, inundações catastróficas no Sul, ondas de calor, desmoronamentos e enchentes nas periferias das metrópoles, mortos e desalojados engrossando a onda de refugiados do clima que vem aumentando a cada ano. Apesar disso, os interesses econômicos e políticos ligados ao agronegócio predador – agricultura, pecuária, mineração, garimpo etc. – e à exploração de combustíveis fósseis continua prevalecendo sobre a política de proteção ambiental.

O mundo vai enfrentar desastres cada vez maiores com a temperatura ultrapassando 1,5º C, como está próximo de ocorrer. A política de transição energética, mais cedo ou mais tarde, vai predominar nas próximas décadas, sob pena de a vida, humana e animal, ficar ameaçada no planeta. Será preciso um esforço gigantesco para promover uma transição civilizatória, para longe dos combustíveis fósseis. Para isso, será necessário que a população se torne consciente sobre riscos climáticos e disposta a pressionar pela tomada de ações eficazes, o que vai exigir coragem por parte dos tomadores de decisão, no setor público e privado.

A maior pesquisa de opinião pública independente sobre a mudança climática, People Climate Vote (Voto Popular pelo Clima) 2024, revela que 80% das pessoas (ou quatro de cinco pessoas) em todo o mundo querem que seus governos tomem medidas mais enérgicas para fazer frente à crise climática. Mais ainda, 86% quer que seus países deixem de lado as diferenças geopolíticas e trabalhem juntos face à mudança climática.

Mais de 73 mil pessoas de 77 países e que falam 87 línguas diferentes foram entrevistadas com 15 perguntas sobre mudanças climáticas para o estudo de opinião promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e realizado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pela GeoPoll. Os 77 países pesquisados representam 87% da população mundial. Além do amplo apelo a uma ação climática mais ousada, a pesquisa mostra o apoio de uma maioria de 72% em todo o mundo a favor de uma rápida transição para o abandono dos combustíveis fósseis (PNUD, 20/6/2024).

Por mais importante que seja, a transição energética, por si só, não será suficiente para enfrentar a crise climática e suas desastrosas consequências. A sobrevivência da humanidade vai exigir um novo modo de vida e de produção que garanta a sustentabilidade da vida humana em nosso planeta. A alternativa é a possível destruição da vida no planeta, que já conheceu diversas extinções de espécies. Estamos caminhando para mais uma. Os indícios do colapso da nossa civilização já são visíveis no horizonte. E se houver, como pensam alguns, uma nova guerra mundial, desta vez com armas nucleares, esse processo vai ser acelerado.

*Liszt Vieira é professor de sociologia aposentado da PUC-Rio. Foi deputado (PT-RJ) e coordenador do Fórum Global da Conferência Rio 92. Autor, entre outros livros, de A democracia reage (Garamond). [https://amzn.to/3sQ7Qn3]

Libertação de Assange é uma vitória do direito de informar e de ser informado

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vem a público saudar a libertação de Julian Assange, em 24 de junho, após 1.901 dias preso. A retirada de 17 das 18 acusações contra o fundador do WikiLeaks é uma vitória dos jornalistas em todo o mundo, do direito de informar e ser informado e representa importante impulso à liberdade de imprensa.

A decisão que garantiu liberdade a Assange é resultado do trabalho de entidades e organizações de jornalistas em todos os continentes, especialmente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), das entidades sindicais e dos profissionais de jornalismo.

A FENAJ, entidade que representa os 31 sindicatos de jornalistas do Brasil, enfatiza que a libertação de Assange contribui para evitar a criminalização das práticas jornalísticas e encoraja as fontes a partilharem confidencialmente provas de irregularidades, criminalidade e outras informações de interesse público.

A FENAJ, juntamente com a FIJ e outras entidades e organizações de jornalistas, participou de campanas pela libertação de Assange – acusado de espionagem e obtenção e divulgação de informações sobre a defesa nacional – desde a publicação das acusações dos EUA contra ele em 2019.

Embora mais de 500 jornalistas continuem na prisão em todo o mundo, segundo levantamento da FIJ, o acordo judicial que colocou Assange em liberdade elimina parte das ameaças que recaem sobre a jornalistas nas coberturas de questões de segurança nacional, operações militares, criminalidade de agentes públicos e corrupção em todas as esferas de poder.

O fim da violência e dos ataques contra jornalistas, do cerco ao trabalho dos profissionais de imprensa, além das garantias do direito de exercício profissional são fundamentais para o acesso da população a informações e à democracia.

Brasília, 25 de junho de 2024

Federação Nacional dos Jornalistas

Romance aquileano com fake dating de ex-namorados valoriza cenários nordestinos

Felipe Mateus traz vivências LGBTQIAPN+ para o centro de uma narrativa com segunda chance em comédia romântica que se passa durante reality show

Natural de União dos Palmares, município do interior de Alagoas, o escritor Felipe Mateus utiliza cenários reais da região Nordeste como pano de fundo de sua primeira comédia romântica, Amor em Jogo. Na obra, publicada pela Qualis Editora, o autor valoriza a força, a influência e a cultura regionalista ao destacar pontos turísticos como as águas cristalinas da Praia de Ponta Verde, em Maceió, e a paradisíaca Ilha do Amor, em Camocim, no Ceará.

É neste clima tropical que os leitores são apresentados a Henrique Valente, típico jovem do interior alagoano, que se muda para a capital em busca de um emprego melhor. No entanto, aos 25 anos, frustrado com a carreira e cheio de dívidas, a única alternativa que encontra para alcançar os objetivos profissionais é se inscrever com o ex-namorado, Apolo Brandão, no primeiro reality show de casais LGBTQIAPN+, para concorrer ao prêmio de R$ 2 milhões.

Em uma mistura de Big Brother Brasil, Power Couple e De férias com o ex, os dois protagonistas terão que convencer o país inteiro de que estão namorando, competir com outros casais e ainda sobreviver dividindo a mesma cama. Será que conseguirão manter a atuação até o fim do programa? Ou será que antigas emoções e novos sentimentos vão deixar essa situação ainda mais complicada?

Com um enredo repleto de risos, tensão, romance, intrigas e reviravoltas, Felipe Mateus, vencedor do Prêmio Ecos de Literatura 2022 na categoria Conto Digital, provoca reflexões sobre LGBTfobia, demissexualidade e heterossexualidade compulsória. Amor em Jogo transita entre amor e ódio e é o primeiro romance aquileano lançado pela Qualis Editora.

Ficha técnica:
Título: Amor em Jogo
Autor: Felipe Mateus
Editora: Qualis Editora
ISBN: 978-85-7027-103-7
Preço: R$ 59,99
Onde encontrarQualis Editora

Sobre o autor: Felipe Mateus é natural de União dos Palmares, Alagoas, além de um orgulhoso nordestino. Graduado em Publicidade e Propaganda, iniciou a trajetória como escritor em 2018, com textos originais nas redes sociais. Escreve histórias com representatividade LGBTQIAPN+, ambientadas no Nordeste do Brasil, celebrando a cultura de diferentes regiões. Em 2022, ganhou o Prêmio Ecos de Literatura, na categoria “Melhor conto digital”. Em 2023, recebeu o selo “all star” da Amazon, um bônus para reconhecer e premiar e-books que se destacaram e encantaram os leitores. Com seis obras já publicadas, o autor lança o primeiro romance aquileano pela Qualis Editora.

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Sobre a editora: Há mais de 15 anos, a Qualis se destaca no cenário literário como uma editora tradicional, reconhecida por seu comprometimento com a promoção e o investimento em talentos nacionais. Criada em 2008 com a missão de disseminar o conhecimento científico produzido no âmbito acadêmico, a editora se reinventou e ampliou seu alcance com o selo de literatura. Todo esse processo sem jamais se desviar de um objetivo essencial: contribuir para uma sociedade mais justa e sem preconceitos. Sustentada por uma visão inclusiva e diversificada, a Qualis tem como norte o princípio de que todas as vozes merecem ser ouvidas e, todas as histórias, contadas.

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Julian Assange está livre!

Julian Assange deixou, nesta segunda-feira (24), o Reino Unido e a prisão de segurança máxima perto de Londres onde permaneceu por cinco anos, informou o WikiLeaks depois de anunciar um acordo de confissão de culpa com a Justiça dos Estados Unidos.

Em troca, os EUA contaram os 5 anos que ele passou preso na Inglaterra e deram a ele o direito de voar para a Austrália, seu país natal.

Segundo o WikiLeaks, o australiano de 52 anos saiu da prisão de Belmarsh na manhã desta segunda, e foi libertado pela Justiça britânica no aeroporto de Stansted, em Londres, à tarde, de onde embarcou em um avião e deixou o Reino Unido.

Julian Assange é um jornalista, editor e ativista australiano, mais conhecido por ser o fundador do WikiLeaks, uma organização dedicada à publicação de documentos secretos e informações confidenciais de governos e corporações. Ele nasceu em 3 de julho de 1971 em Townsville, Queensland, Austrália.

Assange ganhou notoriedade mundial em 2010, quando o WikiLeaks divulgou uma série de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos, incluindo vídeos, correspondências diplomáticas e registros de guerra sobre as atividades militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Essas divulgações, que incluíam o famoso vídeo “Collateral Murder”, geraram grande controvérsia e levaram a uma perseguição legal significativa contra ele.

Em 2012, Assange buscou asilo na Embaixada do Equador em Londres para evitar a extradição para a Suécia, onde enfrentava acusações de crimes sexuais, que ele negou e que posteriormente foram arquivadas. Ele permaneceu na embaixada equatoriana por quase sete anos até ser preso pela polícia britânica em abril de 2019, após o Equador retirar seu asilo.

Assange lutava contra a sua extradição para os Estados Unidos, onde era acu.sado de espionagem e outros crimes relacionados à publicação de documentos confidenciais. Nesta segunda-feira (24) ele assumiu os crimes pelos quais era acusado perante a Justiça dos EUA em troca de sua libertação.

A advogada e companheira de Julian Assange, Stella Assange, comemorou a libertação do jornalista nas redes sociais e agradeceu o apoio de todos. “Palavras não podem expressar nossa imensa gratidão a VOCÊS – sim, VOCÊS, que se mobilizaram durante anos e anos para tornar isso realidade. OBRIGADO. obrigado. OBRIGADO”, escreveu Stella.

Culpado?
As primeiras informações, para além daquelas divulgadas pelo WikiLeaks, indicam que Julian Assange concordou em se declarar culpado da acusação de obter e divulgar ilegalmente material de segurança nacional em troca de sua libertação da prisão britânica.

Assange, que está com 52 anos, deve comparecer perante um juiz federal em um dos postos avançados mais remotos do Judiciário, o tribunal de Saipan, capital das Ilhas Marianas do Norte. As Ilhas Marianas do Norte são uma comunidade dos Estados Unidos no meio do Oceano Pacífico e próximas da Austrália, terra natal de Assange, para onde ele deve voltar após a concretização do acordo.

Assange deve comparecer nesta quarta-feira (26), às 9h, em Saipan e voar de volta para a Austrália “na conclusão do processo”, escreveu Matthew J. McKenzie, funcionário da divisão de contraterrorismo do departamento, em uma carta enviada ao juiz do caso. O documento em questão foi divulgado pelo New York Times.

O The New York Times afirma que o acordo era esperado nos bastidores do governo Biden. Segundo a publicação, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, sugeriu que os promotores dos EUA precisavam concluir o caso e o presidente Biden se mostrou aberto a uma solução rápida.

A partir do primeiro-ministro da Austrália, foi costurado um acordo com o alto escalão do Departamento de Justiça sem tempo adicional de prisão para Assange, considerando que os anos que Assange passou recluso na Embaixada do Equador e depois na prisão no Reino Unido já foram suficientes. Ou seja, sua pena foi considerada cumprida.

Ainda de acordo com o NYT, foram semanas de negociações para que Assange aceitasse se declarar culpado de uma das acusações – conspiração para divulgar informações da defesa nacional.

Com informações do UOL, Revista Fórum e DCM

Marina Silva apoia pré-candidatura prioritária da Rede em São Paulo, com foco na pauta ambiental

Ministra participou de evento realizado no último sábado (22), em apoio à Marina Bragante, que concorrerá à câmara de vereadores; intenção é percorrer o país

Nas prévias da campanha na cidade de São Paulo – que promete ser a grande vitrine da disputa de influências entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – o partido Rede Sustentabilidade lançou oficialmente, no último sábado (22), a pré-candidatura de Marina Bragante a vereadora.

O evento, realizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, contou com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, do pré-candidato ao executivo municipal pelo PSOL Guilherme Boulos, e da deputada estadual pela Rede Marina Helou, além de lideranças regionais, integrantes e apoiadores do partido. A eleição de Bragante é prioridade da Rede para a câmara paulistana.

O deputado federal Guilherme Boulos fez questão de ressaltar a importância das eleições municipais em um cenário parlamentar que, segundo ele, está longe de cessar atividades arriscadas para o futuro ambiental do país. “Nós ganhamos as eleições [presidenciais, em 2022] mas para nós do campo progressista, defender o meio ambiente lá em Brasília continua sendo um sufoco”, relatou.

Para Boulos, a presença de figuras como Marina Bragante tende a possibilitar esses avanços, já que a câmara municipal segue sendo um espaço onde ainda é difícil estabelecer políticas voltadas, por exemplo, para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas e aos eventos extremos que já se manifestam, como as grandes tempestades e ondas de calor.

Marina Bragante tem mestrado em Administração Pública pela Universidade de Harvard e foi chefe de gabinete da deputada estadual Marina Helou entre 2019 e 2021, ano em que aceitou atuar como Secretária Executiva de Desenvolvimento, Ciência,Tecnologia e Inovação do estado de São Paulo. Em  2022 seguiu para o setor privado como Diretora de Políticas Públicas da AYA Earth Partners. Em sua primeira candidatura a vereadora pela Rede, em 2020, ainda durante a pandemia, recebeu 9.710 votos.

Conforme a disputa municipal começa ganhar nitidez, iniciam-se também as articulações com o intuito mais específico de ampliar o espaço – e os recursos – para candidaturas ligadas à pauta ambiental.  Principal ativo político da Rede, a ministra Marina Silva observou a composição com Boulos tratando-a como a criação de uma frente ampla.

“Nós sabemos que para ganhar as eleições em 2022 foi uma frente ampla. Agora nós temos uma frente ampla aqui também com o Boulos. Mas tem uma coisa que nós temos que pensar: tem um lado que é blocado cem por cento e atua contra a democracia, contra os direitos humanos, dos povos indígenas, do enfrentamento às mudanças climáticas, com uma visão negacionista. Nós, Psol e Rede, não votamos blocados, temos diferenças,  mas há algo que nos une que é a defesa da democracia”, explicou a ministra.

Ao ((o))eco, Marina Silva detalhou como seguirá apoiando outros candidatos pelo país para destacar a pauta ambiental em diferentes regiões e contextos. “Essa é uma pauta que precisa estar presente nas eleições municipais do Brasil inteiro tanto para aqueles que estão pretendendo o executivo quanto o legislativo. Como esse tema é orgânico à Rede, estar aqui é muito natural, porque sei que a câmara dos vereadores é um espaço privilegiado de como traduzir essas políticas públicas nos territórios, na vida das pessoas. Por isso estou prestando esse apoio nacionalmente, sempre aos finais de semana”, frisou. Dentre os pré-candidatos da Rede de outras localidades destacados para receber esse apoio está Túlio Gadelha, que concorrerá ao maior cargo executivo da capital pernambucana, Recife.

‘Democracia custa caro’

A deputada estadual Marina Helou indicou um dos principais desafios para um partido de pequeno porte como a Rede no processo eleitoral:o acesso escasso a recursos financeiros. “Candidatos do PL (Partido Liberal) que a gente nem sabe direito quem são vão receber milhões de reais em recursos partidários, enquanto nós teremos de fazer essa construção contando muito com a mobilização da nossa base. É muito importante a gente falar sobre isso porque fazer campanha é algo que requer muitos recursos e isso pode fazer muita diferença nas urnas”.

A pré-candidata Marina Bragante demonstrou compartilhar das preocupações de Helou. “Esse ano a gente entendeu que é importante ter uma campanha prioritária para concentrar os recursos, mas também as figuras da Marina Silva e da Marina Helou no apoio a uma candidatura só. Concorremos com partidos que têm muito recurso e é muito comum na política a gente dizer que voto se ganha, sim, com dinheiro. A democracia custa caro, mas é um custo que vale muito a pena. Nós entendemos que o caminho é fazer com que as pessoas se identifiquem com uma causa e é por isso que estamos unindo essas forças para a próxima eleição, mesmo com as desproporções orçamentárias”, completou Bragante.

Foto: Iuri Carvalho.

O PL é o partido com maior participação na divisão do Fundo Eleitoral, com R$886, 84 milhões a serem utilizados para os pleitos municipais. A Rede poderá acessar R$35,9 milhões e o Psol, R$126,89 milhões. Essa assimetria tende a aumentar diante da influência bolsonarista junto a seu eleitorado no apoio aos candidatos apoiados por seu partido. Em São Paulo, esse apoio pertence ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), que terá como vice o Coronel Mello Araújo, que é do PL e foi uma indicação direta de Bolsonaro. Já Guilherme Boulos é apoiado não apenas pela ministra Marina Silva mas, também, pelo presidente Lula.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada em 29 de maio, Boulos e Nunes seguem muito próximos na liderança da disputa à prefeitura, o primeiro com 24% e o segundo com 23% das intenções de votos. Tábata Amaral (PSB) e José Luiz Datena (PSDB) estão empatados na terceira posição, com 8% das intenções, seguidos por Pablo Marçal, com 7%. Na sequência, Kim Kataguiri (UB) e Maria Helena (Novo) contam com 4%; e João Pimenta (PCO), Fernando Fantauzi (PC), Ricardo Senese (UP) e Altino (PSTU) contam com 1%. Os que declararam voto nulo foram 13% e 5% preferiram não opinar.

Visitei pessoas por quem tenho grande carinho, diz Lula após encontro com FHC em SP

O presidente Lula (PT) disse que, nesta segunda-feira (24), visitou quatro pessoas pelas quais tem “grande carinho”. A fala veio após encontros com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o linguista norte-americano Noam Chomsky, o escritor Raduan Nassar e o jornalista Mino Carta.

Na sexta-feira passada, Lula também encontrou o ex-presidente José Sarney no Maranhão.

Adversário de Lula nas eleições presidenciais de 1994 e 1998, FHC declarou apoio ao petista contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022. Na ocasião, FHC afirmou que votaria em Lula por “uma história de luta pela democracia e inclusão social”.

O presidente visitou o ex-presidente em sua residência e deixou o local sem falar com a imprensa.

CNN

Rússia convoca embaixadora dos EUA após ataque a civis russos com armas americanas

Lynne Tracy recebeu um protesto formal em relação ao “novo crime sangrento do regime de Kiev, patrocinado e armado por Washington”

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou a embaixadora dos EUA em Moscou após a Ucrânia ter usado mísseis ATACMS fornecidos pelos americanos em um ataque à península da Crimeia, resultando em numerosas baixas civis.

Em um comunicado nesta segunda-feira, o ministério afirmou que a embaixadora Lynne Tracy recebeu um protesto formal em relação ao que chamaram de “um novo crime sangrento do regime de Kiev, patrocinado e armado por Washington,” referindo-se ao bombardeio ucraniano de Sebastopol no dia anterior.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o ataque ucraniano ocorreu por volta do meio-dia, horário local, no domingo, envolvendo cinco mísseis ATACMS armados com munições de fragmentação, que são proibidas em mais de 100 países. As autoridades informaram que quatro foguetes foram destruídos no ar, enquanto um quinto foi danificado pelas defesas aéreas, desviou de sua trajetória e detonou sobre Sebastopol. As autoridades locais dizem que o ataque matou quatro pessoas, incluindo duas crianças, e feriu mais de 150.

Brasil 247

Manual teológico do neopentecostalismo neoliberal

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Por LEONARDO SACRAMENTO (*)

A teologia transformou-se em coaching ou fomentador da disputa entre trabalhadores no mundo do trabalho

1.

Habitualmente, os evangélicos são um ponto de incompreensão para os movimentos sociais, acadêmicos, partidos e imprensa. A falta de compreensão deve-se a uma falsa historicidade, na qual se compara neopentecostais com protestantes e calvinistas europeus a partir de uma história comparativa das ideias. Ocorre que os processos políticos entre protestantes europeus e neopentecostais brasileiros são completamente distintos.

Para entender os neopentecostais brasileiros,[1] é preciso analisar como o neopentecostalismo se estruturou e se amalgamou nas relações sociais brasileiras. A chave para a compreensão do movimento neopentecostal é a elucidação da função social do movimento enquanto instrumento político e a forma pela qual a sua teologia se consolida como instrumento de regulação de uma dada sociabilidade nas relações de produção do capitalismo brasileiro. E a regulação, segundo dados e pesquisas, está nas noções de desigualdade e mérito, ambas refletidas no neoliberalismo.

A pesquisa da Oxfam Brasil em conjunto com o Datafolha, publicada nos meios de comunicação em maio de 2019, constatou que o brasileiro acredita que a desigualdade é um empecilho ao progresso do país. Contudo, a causa primeira para a sua superação seria o combate à corrupção, o que corrobora a vitória da perspectiva udenista e lavajatista segundo a qual a corrupção seria o começo, o meio e o fim de todos os problemas sociais, reduzindo os problemas e a complexidade brasileiras a uma matriz analítica monocausal moralista.

Esse empobrecimento analítico é um instrumento importante para a manutenção conservadora das relações de produção e das mobilidades como estão estruturadas e institucionalizadas. Longe de ser a estrutura tributária, a exploração, o trabalho e a transferência de renda de trabalho para rendas de capital, a corrupção remete à população a crença da tirania do status quo friedmaniano, na qual a corrupção viria necessariamente e exclusivamente do Estado. A solução seria a sua imediata redução ou até mesmo a sua extinção. Não à toa, e muito menos por coincidência, em último lugar na pesquisa como medida prioritária está o investimento em assistência social.

A crença na tirania do status quo friedmaniano é a matriz que unifica todas as fakenews, como ocorre no desastre climático-ambiental no Rio Grande do Sul, em que o Estado seria ineficiente e incapaz apesar da “alta taxação” e do “quantum perdido pelo estado sul-rio-grandense para a União no sistema distributivo”, positivando-se apologeticamente o trabalho voluntário (individual e antiestatal) do “povo” como política. Mas o que poderia levar à melhoria da vida das pessoas? Em primeiro lugar, segundo a pesquisa, a fé religiosa, seguida de estudos. Em antepenúltimo, em oito requisitos pré-definidos, está o acesso à aposentadoria.[2]

Esses dados corroboram uma pesquisa feita pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação intitulada Percepção pública da C&T no Brasil – 2019, que analisa a percepção da população sobre a imagem da ciência e do cientista. Em 2015, a mesma pesquisa constatou que 19% das pessoas enxergavam malefícios à ciência; já em 2019 saltou para 42%. Outro dado relevante é que o percentual de pessoas que consideram cientistas pessoas que servem a interesses econômicos e produzem conhecimento em áreas nem sempre desejáveis saltou de 7% para 11% nas mesmas datas, sendo que chegou a ser 5% em 2010.

Já o percentual de pessoas que consideram cientistas produtores de conhecimentos úteis à humanidade caiu de 52% para 41% nas mesmas datas, sendo que em 2010 estava em 55,5%. O que aconteceu na pandemia foi construído na década anterior.

A percepção de que é possível romper a pobreza por meio da fé religiosa prosperou como nunca neste século, notadamente sob os governos petistas, sem dúvida alguma. Um dos equívocos nas análises sobre conservadorismo contemporâneo, além de não o analisar historicamente, dando a entender que surgiu de forma espontânea ou maquiavélica a partir de uma intervenção predominantemente estrangeira, consiste em posicionar as igrejas neopentecostais a um lugar-comum do simples e mero fundamentalismo fora dos aparelhos do Estado.

Essa é uma perspectiva que tem o objetivo de não reconhecer o óbvio: as alianças com grupos sociais conservadores cujas histórias estão inscritas em todos os golpes institucionais ao longo dos séculos XIX e XX. Dos militares aos religiosos, dos financistas à FIESP, de emissoras a setores da classe média tradicional.

Mas foquemos no neopentecostalismo, um novo ator dos grupos socialmente conservadores. Se o empreendedorismo é o projeto político do neoliberalismo para a classe trabalhadora, não há nenhuma outra organização que realiza melhor esse projeto de poder do que as igrejas neopentecostais. Ela substituiu os sindicatos partir de 2003 e obteve a sua grande vitória com a Reforma Trabalhista de 2017, a qual sacramentou o fim da maioria dos sindicatos, seja pela precarização e fragmentação da classe trabalhadora, seja pela abrupta diminuição de recursos financeiros transferidos da União aos sindicatos – redução de 99% de 2017 a 2023. Por isso, é preciso compreender a sua principal teologia, a Teologia da Prosperidade.

2.

A Teologia da Prosperidade não foi construída à luz do corolário neoliberal, o que não significa que não se vincule ontologicamente ao neoliberalismo. Hoje vincula-se como um belo casamento cristão. O nascimento da Teologia da Prosperidade remonta a Essek William Kenyon e de seu seguidor Kenneth Hagin, os quais criaram a confissão positiva a partir do Evangelho segundo São Marcos 11:23-24, na qual permitiu a interpretação de que a fé é a base da Confissão Positiva.

Em um país católico como o Brasil, é plenamente razoável que boa parte da população tenha passado por um confessionário, ou se não, que tenha em mente a confissão católica por meio de filmes e novelas. No confessionário, o pecador confessa os seus pecados, e por serem pecados, são negativos. Pode-se dizer que essa é uma confissão negativa, segundo os preceitos de parte significativa do neopentecostalismo. A confissão positiva decorre da constatação de que qualquer sofrimento reflete falta de fé, devendo-se trazer a público o que se testemunha positivamente, na medida em que a confissão é um ato de fé.

Sendo assim, a característica do bom cristão é o sucesso, enquanto a pobreza e o fracasso são as faces da falta de fé, pois o testemunho do positivo é a base para a negação do indesejado (SILVEIRA, 2007).[3] Em outras palavras, se na confissão negativa o pecado traz a culpa, na confissão positiva o testemunho traz o orgulho.

A descrição de Paulo Romero, então diretor do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), uma espécie de organização com perfil acadêmico-teológico que objetiva a realização de pesquisas na perspectiva evangélica, sintetiza conceitualmente a confissão positiva e a sua relação com a teologia da prosperidade:

Conhecido popularmente como a “teologia da prosperidade”, esta corrente doutrinária ensina que qualquer sofrimento do cristão indica falta de fé. Assim, a marca do cristão cheio de fé e bem-sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou que possui fé insuficiente (ROMERO, 1993, p. 5).[4]

Em seu livro Supercrentes: o evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade, Paulo Romero reconstrói a importância de Kenneth Hagin para a construção teológica da Confissão Positiva,[5] não sem apontar algumas abstrações sintetizadoras que conseguiu estabelecer, tais como a que boa parte do movimento da prosperidade declara que a enfermidade advém do Diabo (ROMERO, 1993, p. 33), que os verbos “pedir, rogar e suplicar” foram substituídos por “exigir, decretar, determinar e reivindicar” (ROMERO, 1993, p. 36), e que Deus é representado na prosperidade.

No livro New Thresholds of Faith, Hagin[6] (1990, p. 55) enuncia o raciocínio que fundamentaria a Teologia da Prosperidade: “Cristo nos redimiu da maldição da pobreza. Ele nos redimiu da maldição da doença. Ele nos redimiu da maldição da morte – morte espiritual agora e morte física quando Jesus voltar. Não precisamos ter medo da segunda morte. (…) A Escritura do Novo Testamento, terceiro João 2,[7] concorda que Deus deseja que tenhamos prosperidade material, física e espiritual, porque diz: “Amado, desejo acima de tudo que você possa prosperar e ter saúde, assim como a sua alma”. Muitas pessoas têm a impressão de que qualquer promessa na Bíblia de bênção e prosperidade material se refere apenas aos judeus. No entanto, este versículo foi escrito para os cristãos do Novo Testamento”.

Kenneth Hagin termina a lição com a seguinte afirmação, usada também por Romero (1993): “Deus quer que Seus filhos comam melhor, Ele quer que eles usem as melhores roupas; Ele quer que eles dirijam os melhores carros; Ele quer que eles tenham o melhor de tudo” (HAVIN, 1990, p. 55).

3.

A Teologia da Prosperidade é uma construção teológica que consiste na edificação do ato de fé em oposição à maldição. Essa construção permite politicamente que a Teologia da Prosperidade seja extremamente mundana, pois dialoga abertamente com os problemas e as vicissitudes do cotidiano. Em outras palavras, é uma construção de um projeto de sociabilidade que tem um projeto de poder para os trabalhadores mais efetivo do que a Encíclica Mater et Magistra no começo do século XXa qual estabelece que burguesia e trabalhadores devem viver em regime de solidariedade em que a propriedade privada é um direito natural pertencente à burguesia que deve ser exercido para o bem de todos; ou mesmos dos sermões de Antônio Vieira para escravizados, em que o martírio consistiria na chegada imediata ao paraíso.

É mais efetiva porque viabiliza ideologicamente a saída dos trabalhadores da classe que sofre e dá uma alternativa existencial ao martírio referindo-se ao acesso historicamente negado aos mecanismos das mobilidades econômica e simbólica. A ideia de que Jesus sofreu pelo humano, não cabendo mais ao humano sofrer, expressa rigorosamente as agruras e os desejos dos trabalhadores submetidos à extrema exploração.

Kenneth Hagin se fundamenta em Marcos 11:23 para dissociar o dizer do orar. Essa é uma dissociação importante que é seguida por boa parte das igrejas neopentecostais. Seguiremos rigorosamente o raciocínio do pastor em A fé para remover montanhas,[8] especialmente no capítulo 6, A fé para finanças, só com uma palavra. A palavra é a expressão, o meio e o fim, da confissão positiva.

Em Marcos 11:23, na obra de Kenneth Hagin, está: “Porque na verdade nos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”. Hagin faz uma dissociação entre dizer e orar, especialmente no capítulo 5, concluindo que crer não é o suficiente. Assim sendo, o crente deve falar, apalavrar, emitir o verbo a Deus, especificando o que deseja. Continua Kenneth Hagin (s.d., p. 98), “quando você crê fortemente que Deus lhe dará alguma coisa, não a receberá necessariamente por isso. Jesus não disse: ‘… tudo o que crer lhe será feito’, mas: tudo o que disser lhe será feito”.

O que for dito deve ser sempre positivo, seja um pedido ou um testemunho. Kenneth Hagin (s.d., p. 100) recomenda que não se dê mau testemunho, uma vez que o “crente não deve ser traficante de dúvidas, assim como não deve ser traficante de drogas”. As dúvidas, por mais que não sejam crimes, “não deixam de ser pecaminosas”. A dúvida aqui é transformada em pecado, ou algo que pode levar ao pecado. O que há, ironicamente a Martinho Lutero, é a reafirmação do dogma cristão na figura do pastor e de sua capacidade de interpretação, como a dissociação feita entre dizer e orar, o que é rechaçado por Romero através da elucidação do eterno problema da tradução.[9] Não basta orar, mas falar que recebeu. Portanto, é preciso testemunhar, realizar a confissão da fé, “e não à confissão do pecado”, que “deve ser esquecido, assim como Deus o esquece” (HAGIN. s.d., p. 107).

A quem assiste pela televisão os cultos ou simplesmente nota os colantes nos carros com os dizeres “Pertence a Deus”, “Presente de Deus”, “Nas mãos e nas palavras de Deus”, “Foi Deus que me deu”, entre outros, observa um testemunho tão ou mais importante do que a oração, testemunha um rito da fé, como os War boys deMad Max: estrada da fúria, que antes de fazerem o ato mais alto da vida, dá-la, precisam oferecer o testemunho aos colegas sob o risco de não entrar em Valhalla.

Em seguida Kenneth Hagin apresenta fatos pessoais como prova da confissão positiva baseada em Marcos 11:23: “Certa vez, há muitos anos, precisava de $1.500 até ao início do mês. Disse, portanto: “Antes do dia primeiro do mês que vem, terei $1.500. Continuava dizendo assim, em várias ocasiões, na oração. Só repetia a mesma afirmação: “Antes do dia primeiro do mês de que vem, terei $1.500”. Pois bem, chegada aquela data, eu tinha $ 1.580 – oitenta dólares mais do que reivindicara! Foi o Senhor quem me ensinou como aplicar a minha fé às finanças. Levei anos para perceber o fato. Como moço batista, tinha sido salvo, e depois curado pelo poder de Deus. Mas nunca pensei em usar a minha fé além da salvação e da cura” (HAGIN, s.d., p. 108).

Kenneth Hagin teria tido muitas complicações em sua infância e teria sido curado por intervenções divinas. Segundo o pastor norte-americano, em um determinado momento em sua vida, Deus havia lhe falado: “A fé é a mesma em todos os âmbitos e em todas as áreas. Mas você emprega a fé somente em se tratando da salvação, do batismo no Espírito Santo, e da cura divina. Mas a fé é a mesma também na área financeira. (…) Se você precisasse da cura para seu próprio corpo, você a reivindicaria pela fé, sairia para proclamar publicamente que você foi curado, e continuaria suas pregações. E, muitas vezes, no passado, todos os sintomas desapareceriam enquanto você pregava. Você precisa fazer a mesma coisa quando se trata das finanças” (HAGIN, s.d., p. 111).

4.

Independentemente da matriz teológica, o fato é que a Teologia da Prosperidade faz uma divisão nítida e explicita. Ricos e pobres sempre existiram e sempre existirão. Ricos são bem-aventurados porque possuem a fé, e foram agraciados da mesma forma que seriam se fosse uma enfermidade. Miseráveis e enfermos vivem sem fé, e só podem mudar de vida se e somente se se submeterem ao império da fé cristã por meio da confissão positiva. Nesse sentido, a maldição é um elemento fundamental da construção da fé.

A visão que parte das igrejas neopentecostais possui das religiões de matriz africana advém da ideia de que seus praticantes não estão apenas distantes da fé, mas em situação de amaldiçoamento. Da mesma forma, das religiões que decorrem do continente africano, onde sobreviveria a maldição sobre Cam, como defendeu e defende o Pastor e deputado Marco Feliciano.[10] A mesma visão racializada é verificada por estudos sobre a visão das igrejas neopentecostais sobre as religiões de matriz africana, em que são acusadas de serem espaços ideais para a propagação de possessões demoníacas.

Há a criação de um inimigo comum que unificaria os cristãos brasileiros, como atesta Mãe-de-santo, publicado em 1968 por Walter Robert McAlister, fundador da Igreja Pentecostal de Nova Vida no Rio de Janeiro, e Orixás, caboclos & guias. Deuses ou demônios?, de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.[11] A exportação de igrejas neopentecostais ao continente africano não é mera coincidência, mas um elemento de um projeto político-teológico que enxerga o continente africano, o africano e o negro como elementos propícios à possessão demoníaca, em que a fé livraria todos do amaldiçoamento e se transformaria em exemplo da universalidade da fé neopentecostal.[12]

Vamos entender o modelo criado no Brasil e o exportado, pois ele responde em boa medida pela ascensão do conservadorismo entre os trabalhadores. A pobreza é uma resultante da falta de fé. Diante desse fato, faz sentido as igrejas neopentecostais construírem alguma tecnologia para o enriquecimento para além do Dizer. Em um contexto de ascensão da autoajuda e do empreendedorismo, não é muito difícil irmanar o útil ao agradável na Teologia da Prosperidade.

A Igreja Universal do Reino de Deus tem uma sessão específica em seu jornal, Folha Universal – publicada periodicamente desde 1992 –, chamada Sucesso Financeiro. Na edição de 17 de novembro de 2019, a empresária Pamela Rivelles, que era empregada – na seção cujo título é “De desempregada à empresária” – afirma que “escutava a Palavra e pensava que não poderia continuar pensando pequeno”, pois “tinha de ter algo que glorificasse a Deus”.

A tecnologia desenvolvida pela igreja chama-se Fé Inteligente. A partir das leituras, é de difícil conceituação. O desapego à exatidão tem o ponto positivo de explicar o fracasso, pois sempre existirá algo que não foi feito por aquele que não foi agraciado com dinheiro. Para Edir Macedo, fé não é sentir, exacerbar a emoção em um show, pois “é possível ver vários exemplos de que a fé bíblica não tem nada a ver com sentimentos ou emoções”. Para o pastor, tais demonstrações de fé devem “ser descartadas, pois o que vale é a certeza na Palavra do Altíssimo”.

O Bispo acrescenta que esse é o motivo da vida de muitas pessoas que creem em Jesus ser devastada pelos fracassos. O problema está, justamente, na forma como conduzem sua fé e o relacionamento com o Altíssimo.

Enquanto estão na igreja, ficam felizes, pois, aparentemente, sentem a presença de Deus. Mas, quando estão fora, sozinhas, caem em desespero porque só sentem os problemas e as tribulações.

“Por isso, não basta vir à igreja, você deve manter essa chama acessa, crer que Ele é com você. Essa fé é que faz a diferença e lhe sustenta. O mal não tem poder sobre a pessoa que carrega a certeza de que Deus é com ela”, ensinou.[13]

O fracasso daqueles que visivelmente possuem fé está explicado por uma conceituação heterodoxa e abstrata sobre o que é a expressão da fé, em que o fracassado sempre pode ser convencido de que fez ou não fez algo que explica o seu suposto fracasso. Por óbvio, os casos anunciados na Folha Universal são os de sucesso, unindo o corolário da Confissão Positiva com a necessidade do marketing.

A Fé Inteligente pressupõe o que chama de a Aliança com Deus, segundo a qual nada mais é do que uma sociabilidade ascética à luz da interpretação pentecostal e neopentecostal. Segundo a edição de 10 de novembro de 2019 da Folha Universal, é baseada em sete pontos: (1) decidir entregar a vida a Deus; (2) cultivar disposição para pautar a sua vida na Palavra de Deus; (3) obediência à Palavra de Deus; (4) abandonar os antigos hábitos; (5) fortalecer a fé diariamente; (6) confiar em Deus em todos os “desafios”; e (7) praticar a fé inteligente.[14]

Como dito, não há uma explicação formal e conceitual do que é Fé Inteligente. Normalmente, inclusive pelos inúmeros vídeos disponíveis, há mais exemplos do que conceituação clara e formal, a despeito do argumento de Edir Macedo sobre a polarização entre razão e emoção no âmbito da fé. Vamos ao exemplo da matéria em questão.

Um casal detentor de uma empresa de seguros teria voltado a atrair clientes após um período de crise, com o fechamento de um contrato com um condomínio e a atuação ativa da esposa, que estava conseguindo clientes para a empresa em sua área de atuação, a advocacia. Ambos creditam a mudança ao uso da Fé Inteligente. Diz o marido: “Deus se manifestou a partir de nossas atitudes. Ela começou a se mover e já estão aparecendo clientes”. O semanário afirma “as conquistas que ele e a esposa tiveram neste ano estão relacionadas à prática da Fé inteligente”. Marcos confirma, assegurando que a visão dele mudou, já que “o Espírito Santo está comigo me dando direção”.

O Bispo Allan Sena relata a importância da Fé Inteligente, e que a fé por si não é fator suficiente para obter o sucesso financeiro tampouco o esforço no trabalho, para os quais “o problema não é a falta de Fé”, mas o uso “de uma maneira inteligente e prática”. Em suma, a “Aliança com Deus tem seus deveres e compromissos que devem ser obedecidos e é isso que ensinamos nas reuniões”, a partir das seguintes etapas: “Em primeiro lugar, a Fé nos ensina a acreditar em nossa própria capacidade. E, em segundo lugar, ela nos faz crer sobretudo em um Deus vivo que é maior do que toda má situação vivida. Por isso que, ainda que os problemas que enfrentamos sejam maiores do que a capacidade humana, sabemos que Deus tudo pode e tudo consegue”.

“Acreditar em nossa própria capacidade” é um libelo da autoajuda e das pseudoteorias do poder da mente. A reportagem seguinte, pertencente à sessão Sucesso Financeiro, apresentada após a reportagem de capa convidar a todos que desejam “firmar” um pacto com Deus a comparecerem a uma igreja, possui o singelo e surrado título de escolas empreendedorismo e coaching Mais que a obrigação. O texto defende a ideia de que para que o indivíduo cresça no trabalho é preciso possuir uma postura que vá além da obrigação contratual. Para reforçar a ideia, usam a história de Greg Rogers, o qual teria criado uma bebida que aumentou o faturamento da rede Starbucks, e o pensamento de dois professores da Universidade da Carolina do Norte e de Notre Dame, Thomas Bateman e J. Michael Crant.

Depois das citações dos professores, cujo lugar-comum é o do empreendedorismo mais barato, como “o que faz mais que a obrigação promove reformas construtivas; o que não faz segue o fluxo passivamente no piloto automático”, o texto afirma que a Bíblia confirma tais ensinamentos com a seguinte passagem de Mateus 25.14-30: “Nela, há a história de três servos que recebem de seu senhor – que ia viajar –, respectivamente, um, três e cinco talentos (moeda da época) para guardarem. Os dois receberam três e cinco talentos dobraram a quantia com aplicações. O que recebeu um, com medo de perdê-lo, escondeu-o e não teve nenhum rendimento. Esse foi rejeitado pelo patrão quando ele voltou de viagem, enquanto os outros dois receberam privilégios e evoluíram no trabalho”. O Senhor Jesus dá novamente na Bíblia não só um conselho sobre como reagir diante das adversidades, mas sobre a importância de se esforçar para obter êxito: “E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mateus, 5.41).

E chegamos à conclusão: “Quem faz algo passivamente, só por ter obrigação, cumpre a primeira milha como todos e não consegue se destacar no meio da multidão que disputa um espaço, mas é na segunda milha que quem tem mais a oferecer sobressai”.

5.

Como visto, a teologia transformou-se em coaching ou fomentador da disputa entre trabalhadores no mundo do trabalho, em que uns chegam à segunda milha e são agraciados com bens materiais enquanto a maioria não passa da primeira milha. Lógico que no exemplo dos talentos, moeda da época, caberia um questionamento sobre a distribuição desigual assim como sobre o fato de ser mais fácil se desfazer de um talento quando se tem três do que quando se tem um, mas a narrativa bíblica é encaixada para reforçar a verborragia da meritocracia e do empreendedorismo, o que faz com que tais questionamentos pouco importem.

Por fim, a reportagem indaga: como se destacar da multidão? Segundo a reportagem, há seis itens que ajudariam a se destacar à luz da Aliança com Deus e da Fé Inteligente: foco, seja sempre ativo, perceber que alguém sempre repara em quem se esforça, explorar as qualidades e aprender sobre o trabalho. O último é destinado aos “empregadores”, a saber, a busca de funcionários com este perfil. Portanto, se o trabalhador não tiver esse perfil para um empregador vinculado à Fé Inteligente, será provavelmente preterido, restando os trabalhadores embebidos da nova necessidade de fazerem mais do que a obrigação exige.

Com um pouquinho de tino, dá para montar um negócio em que patrão e trabalhadores possuem o mesmo perfil e objetivo, e por que não, todos evangélicos e leitores ávidos do Sucesso Financeiro, no qual as contradições entre capital e trabalho, como direitos trabalhistas, seriam arbitradas pelo pastor.

A matéria de capa da edição de 17 de novembro de 2019 da Folha Universal, na qual o título é “Quem usa a fé no altar se torna um realizador de sonhos”, inicia-se com a mesma simbiose entre fé e empreendedorismo nas matérias já analisas. O Bispo Odivan Pagnocelli faz a seguinte afirmação: “Desde a infância temos muitos sonhos, mas, à medida que vamos crescendo e nos tornamos adultos, nossos sonhos também amadurecem. E, se há muitos que dedicam boa parte da sua vida a alcançá-los, outros se frustram conforme o tempo passa e os sonhos se tornam cada vez mais distantes. Nos deparamos com vários tipos de sonhadores: os que têm sonhos e não fazem nada para concretizá-los e os que desistem no meio do caminho. Somente conseguem realizá-los os que perseveram até o fim e não se importam com os sacrifícios que terão de fazer para isso”.

O bispo lembra que a Bíblia possui muitos homens que sonharam e se destacaram, como Moisés, que teria libertado o seu povo por ter sonhado e se sacrificado. Por conseguinte, “com a força do braço, o sonho está sujeito a todas as fragilidades terrenas”, mas se “os sonhos realizados no Altar são concretizados em parceria com o Altíssimo”, quem “poderá detê-Lo?”.

Seguindo o modus operandi de todos os artigos, o texto pula para os exemplos, os testemunhos da Confissão Positiva. São quatro ao todo, mas se citará apenas um, o do empresário Samir Crema. Quando vendia consórcios, viu uma “oportunidade”, a saber, o “Altar do Sacrífico”. Diz ele que a oportunidade superou uma sina bourdieuneana, digamos assim: “Ninguém na minha família tinha formação superior nem havia um empresário em quem eu pudesse me espelhar”; justamente por “essas razões, eu não tinha sonhos e tinha perdido expectativa de um bom futuro”.

E continua: “Depois de ir para o Altar, eu tive a visão de ser grande, de me tornar um empresário. Abri uma loja de móveis para festas e, pouco tempo depois, me tornei fabricante. Hoje minha empresa atende todo o Brasil e fornece móveis para salões de festas, clubes, hotéis, bares, restaurantes e escolas”.

Ao longo da reportagem, fotos das pessoas, a maioria casais, ao lado das empresas e propriedades, como grandes casas com piscina, reforçam a ideia do casamento como elemento da prática da fé e induz a constatar que a riqueza material é inerente à prática da fé.

O fato inconteste é que a Teologia da Prosperidade é um projeto de poder e de sociabilidade extremamente efetivo, seja porque se coaduna com o neoliberalismo mais cru, seja porque apresenta um projeto de redenção à classe trabalhadora segundo o qual os indivíduos podem se salvar da miséria por meio da fé. Por óbvio, todos não poderão ficar ricos, nem mesmo os fiéis, mas a explicação do fracasso está dada pela subjetividade da aplicação equivocada ou insuficiente da fé no cotidiano miserável e desigual.

Que trabalhador informal, precarizado e sem esperanças não entraria de cabeça em tal teologia? Ao entrar na teologia, o desesperado mergulha na ideologia neoliberal, transformando a sua vida em um constante paradoxo existencial amainado pelo exorcismo profético e empreendedor da realidade. A Teologia da Prosperidade pariu o trabalhador que trabalha para não ser trabalhador, o trabalhador que não deve pertencer à classe que sofre porque Jesus já sofreu.

(*) Leonardo Sacramento é professor de educação básica e pedagogo do IFSP. Autor, entre outros livros, de Discurso sobre o branco: notas sobre o racismo e o Apocalipse do liberalismo (Alameda).

Marcos Rocha, de Rondônia e Antônio Denarium, de Roraima, estão na mira do TSE para cassação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar e julgar antes do recesso do Judiciário, que se inicia em 16 de julho, processos que pedem a cassação de dois governadores bolsonaristas. Os réus são os governadores  Marcos Rocha (União Brasil), de Rondônia e Antônio Denarium (PP), de Roraima.  Com informações do Congresso em Foco.

Entre as acusações enfrentadas pelos governadores estão irregularidades na propaganda eleitoral, abuso de poder político e conduta vedada ao agente público. Em um dos processos, há denúncias de uso da máquina pública para autopromoção, como a distribuição de cestas básicas durante o período eleitoral.

Marcos Rocha, eleito pelo PSL em 2018, enfrenta três processos no TSE. O governador de Rondônia, que foi reeleito pelo União Brasil, é acusado de propaganda eleitoral irregular, abuso de poder político e conduta vedada ao agente público.

Na primeira ação, Marcos Rocha e o senador Marcos Rogério (PL-RO) são acusados de propaganda eleitoral irregular. Segundo a decisão do desembargador Kiyochi Mori, houve violação das normas eleitorais ao  veicular propaganda nos canteiros centrais de diversas avenidas. Rocha tenta recorrer da decisão, que manteve a procedência da representação contra ele e estipulou multa de R$ 340 mil.

“Há diversas provas nos autos de que as bandeiras com propagandas eleitorais foram efetivamente instaladas pelo recorrente em local proibido, em área urbana, no meio do canteiro que divide avenidas de grande circulação”, complementa o magistrado.

Os outros dois processos que Marcos Rocha enfrenta no TSE dizem respeito à acusação de conduta vedada ao agente público. Ambas as ações foram incluídas na pauta de 1 de agosto deste ano e são relatadas pelo ministro Raul Araújo Filho.

De acordo com o processo, o governador Marcos Rocha e seu vice, Sérgio Gonçalves, revogaram, por motivo eleitoral, a criação da Estação Ecológica Soldado da Borracha no âmbito das eleições de 2022 e são acusados de abuso de poder econômico, consistente no conjunto de representações por propaganda irregular.

Na outra ação, o governador é acusado de assédio a servidores públicos das esferas municipal e estadual com a finalidade de aderirem, como voluntários, à campanha, o que configuraria flagrante abuso de poder e prática do denominado “caixa dois”; disparos de publicidade via telemarketing custeados com recursos públicos, a caracterizar propaganda eleitoral antecipada; e aumento de repasses voluntários aos municípios e de incremento de programas sociais em proveito da  própria campanha.

Ambas ações já foram julgadas como improcedentes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RR). As decisões do ministro Raul Araújo, do TSE, também se encaminham para a negativa de seguimento dos recursos interpostos pedindo pela inelegibilidade do governador.

Roraima

Antônio Denarium, também eleito pelo PSL em 2018 e reeleito pelo PP em 2022, enfrenta ao menos três processos no TSE. As acusações incluem abuso de poder político e econômico, conduta vedada ao agente público e desvio de recursos públicos para fins eleitorais.

Em agosto de 2023, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) confirmou por três vezes a cassação do governador por distribuição de cestas básicas e outras ações durante o período eleitoral de 2022. Em janeiro deste ano, estabeleceu a inelegibilidade de Denarium por oito anos.

O governador também enfrenta acusações de superfaturamento na compra de ventiladores pela Secretaria de Saúde estadual. Em 2022, foi acusado de agiotagem e uma empresa da qual é sócio, Frigo 10, está associada a fazendeiros multados por desmatamento, crimes ambientais e invasões na Terra Indígena Yanomami.

Dois sobrinhos do político foram presos em maio pela Polícia Civil do estado por posse de 145 kg de drogas e armas. Outro caso envolve Helton Jhon, policial militar e segurança de Denarium, preso sob a acusação de assassinar agricultores em Cantá, aparentemente por questões fundiárias.

Fonte DCM e Congresso em Foco

Fernando Haddad, perfil do ministro da Fazenda- por OGlobo

A edição do jornal O Globo deste domingo publica um perfil de três páginas do ministro Fernando Haddad, assinado pela jornalista Miriam Leitão, em que são abordadas sua formação, sua relação por vezes conflituosa com o Partido dos Trabalhadores e também com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num dos trechos, Haddad é questionado sobre uma previsão de seu pai, o comerciante já falecido Khalil Haddad, de que ele um dia seria presidente da República.

POR MÍRIAM LEITÃO

A quarta-feira, 12 de junho, foi o dia mais tenso de uma semana vista como a pior que Fernando Haddad enfrentou no cargo de ministro da Fazenda. Tudo estava contra ele. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devolveu ao governo uma MP proposta pelo ministro, empresários criticavam a política econômica, alguns em tom estridente, o presidente Lula deu uma declaração que elevou ainda mais o dólar, e nas análises a palavra “isolado” era a mais repetida quando se falava de Haddad. Ele ficou em silêncio naquele dia. A um grupo de assessores, explicou, sem traço de nervosismo:

— Olha, não pode reagir a isso, porque se reagir sai pior a emenda que o soneto. Deixa a turma processar as informações e daqui a pouco o Lula vai falar, daqui a pouco eu vou falar, outros vão falar e pronto.

Na sexta-feira, 14, recebeu o apoio do presidente da Febraban, Isaac Sidney, numa reunião no seu gabinete em São Paulo, na sede do Banco do Brasil, na Paulista. Não demonstrava ter vivido uma semana pesada e explicava a interlocutores.

— Ministro da Fazenda é um cargo isolado por natureza, porque é a pessoa que contraria interesses.

Imagem de Scroll conteudo_1“EU SOU UM SUJEITO IMPROVÁVEL. NA POSIÇÃO EM QUE ESTOU? EU SOU MUITO IMPROVÁVEL.”

Fernando Haddad, sobre seu cargo no governo

A natureza do cargo é mesmo essa, mas o enredo de Haddad parece às vezes exagerar no papel. Nas últimas semanas, viveu sob marcação cerrada da direita e da esquerda, de empresários, do mercado financeiro e de seu próprio partido. Na semana passada houve o incêndio da relação entre o presidente Lula e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. E o dólar, que estava caindo após o Copom, inverteu a curva e atingiu sua cotação máxima na quinta. Haddad, de novo, ficou em silêncio público. Nas conversas privadas, não transpareceu alteração. Abordado pela imprensa, disse que falaria depois da ata do Copom. O que o ajuda a manter a serenidade em momentos de tensão é pensar na própria história.

— Eu sou um sujeito improvável. Na posição em que estou? Eu sou muito improvável. Sou filho de um lavrador libanês, que chegou ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás, sou neto de um homem que morreu com a batina do corpo.

O fio da meada para entender quem é Fernando Haddad precisa começar mesmo em suas raízes. Ele é filho de Khalil Haddad, um imigrante que chegou ao Brasil, aos 24 anos, pobre, semianalfabeto, vindo de uma pequena vila do Líbano, de onde saiu diante da perseguição que cercava os cristãos. É neto de um padre católico ortodoxo, Cury Habib, que veio para o país depois que todos os filhos já estavam aqui e está enterrado na cripta da Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo, na Rua Vergueiro. Após a morte recebeu o título de arcebispo. Cury Habib ficou viúvo jovem, virou padre e se firmou como uma forte liderança local. Quando Haddad foi ao Líbano, em 2004, para visitar o lugarejo de onde veio sua família, a lembrança do avô era ainda firme no coração da sua gente.

Fernando Haddad, durante conversa com o GLOBO

— Nessa casa eu moro, mas ela é do Cury Habib. Você pode ficar aqui quando vier — disse o novo dono da casa.

Tudo na vida de Haddad tem um toque de improbabilidade. Ele era prefeito de São Paulo, em 2016, e perdeu a reeleição no primeiro turno para João Doria, um estreante na política. Dois anos depois, em 2018, foi candidato à Presidência da República e teve 45% dos votos. Ele era um jovem estudante de Direito da USP, a tradicional escola do Largo de São Francisco e, ao mesmo tempo, comerciante na Vinte e Cinco de Março. Cruzava a pé essas duas realidades, próximas e distantes. Fez doutorado em filosofia, mas conseguiu formular algo tão prático quanto a Tabela Fipe, que até hoje orienta o comércio de veículos.

Por tudo isso, ele acredita no improvável. Em 2022, Haddad estava na sala da presidência do PT quando, ao fim de uma reunião, pediu licença para ficar sozinho com Lula e avisou:

— Eu preciso de apenas cinco minutos.

Imagem de Scroll conteudo_2

Lula ainda em pré-campanha. Tempos de conversa, negociação e tensão. Quando estavam só os dois, Haddad falou:

— Presidente, eu vim te trazer uma ideia.

— A política é uma coisa extraordinária — disse Lula rindo, como se adivinhasse.

— Se você disser não — disse Haddad — essa conversa nunca aconteceu. Se você não disser nada, eu vou trabalhar o assunto.

Lula aguardava a ideia com atenção.

— Alckmin de vice — falou.

Lula nada disse. Era o sinal de que não havia veto.

Nove anos antes, a relação com Alckmin teve um momento surpreendente. Era junho de 2013, Fernando Haddad era prefeito de São Paulo e estava no olho do furacão. Ele havia ocupado cargos públicos e chegado a ministro da Educação, mas aquele era o primeiro cargo ao qual chegara pelo voto. Na porta da prefeitura e nas ruas da cidade, uma multidão gritava noite e dia. Tentou até invadir a sede da administração. São Paulo, Rio e outras capitais viviam dias caóticos, mas tudo parecia ser pior na maior cidade do país. Com seis meses no cargo, sua popularidade despencou.

— Meu governo acabou — disse Haddad a vários amigos e assessores.

Eram as ruas de 2013, até hoje não entendidas no Brasil. Começaram como raiva contra todos os partidos e políticos e viraram munição da extrema direita. O gatilho da fúria havia sido um simples aumento de 6% nas tarifas de transporte, que foram represadas em 17% pelo prefeito anterior, Gilberto Kassab.

A presidente Dilma havia pedido a ele, ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, ao governador do Rio, Sérgio Cabral, e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que não aumentassem as tarifas de transporte no início do ano. Adiassem para junho.

Visto agora parece ter sido um tiro pela culatra. Alckmin, apesar de ser do outro extremo da polarização política da época, o PSDB, acatou o pedido. Quando as tarifas subiram em junho e houve a explosão dos protestos, Dilma ligou pedindo para Haddad recuar do aumento.

— Mas não é a tarifa. Quando eu baixar, vai sobrar para a senhora.

“SE VOCÊ DISSER NÃO, ESSA CONVERSA NUNCA ACONTECEU. SE VOCÊ NÃO DISSER NADA, EU VOU TRABALHAR O ASSUNTO.”

Fernando Haddad a Lula sobre ter Alckmin como vice-presidente

Logo depois, Haddad recebeu um telefonema de Eduardo Paes, do Rio:

— Haddad eu vou anular o aumento. Anula também.

A situação estava insustentável, e os assessores insistiam para que ele recuasse. Ele então, para espanto do seu gabinete, comunicou que antes iria conversar com o governador:

— Não vou fazer isso sem o Alckmin. Ele aceitou o pedido da Dilma, não vou deixar ele com a brocha na mão.

Avisou a Alckmin que queria falar. Pegou o helicóptero, foi para o Bandeirantes e, juntos, os então adversários anunciaram o recuo, cedendo aos manifestantes. Os protestos continuaram, porque não era a tarifa. Era algo estranho que estava sendo gestado. O país teria notícias mais adiante. Curioso é que ele disse, desde muito antes daquele ano, e chegou a escrever, que havia o risco da volta de uma força política neonazista. “Está estranho isso aqui”, repetia a vários amigos.

Sua administração não acabou naquele início, mas ele não se reelegeu. Apesar disso, sua gestão deixou marcas em decisões, criticadas na época, mas que agora fazem parte da vida da cidade, como o fechamento da Paulista aos domingos, as ciclovias e, sobretudo, o corredor exclusivo de ônibus.

Conseguiu renegociar a dívida do município e conquistou o grau de investimento para a cidade. Ainda assim, saiu sob críticas gerais, principalmente do PT.

Veio então o que foi definido no seu grupo como “o tempo do deserto”. No ostracismo, decidiu viajar pelo Brasil. Conheceu diretórios do partido, deu palestras, falou com lideranças políticas. Viajava sozinho, com um assessor. Acabou aumentando sua conexão com a legenda. Ele nunca havia sido aceito no PT, no qual entrou quando era líder estudantil. Nos anos 80, Haddad foi presidente do famoso Centro Acadêmico XI de Agosto, sucedendo Eugênio Bucci, que havia lançado o movimento “The Pravda”. Buscava, uma esquerda longe da polarização da guerra fria. O “The” imitava o design do “The New York Times”. Achavam que passariam a ideia da junção de dois jornais polares.

— Mas evidentemente todo mundo só via o “Pravda” — disse um dos seus amigos.

Seus contemporâneos dizem que foi ali que nasceu o ser político, mas ele já começou com uma derrota. Não fez o sucessor. Em 1985, quando morreu Tancredo Neves, ele, presidente do Centro Acadêmico, escreveu um artigo com o título “emaranharam o Brasil”, numa referência ao Maranhão de Sarney, e propunha uma campanha para que Ulysses Guimarães assumisse o poder como presidente da Câmara e convocasse eleições. Tentava reacender a chama das Diretas Já, num país que já tendia para o pragmatismo. Ficou isolado. O grupo concorrente ganhou o diretório.

Isolado é a palavra que o acompanha, embora ele seja a pessoa que atravessa a rua para falar com possíveis aliados. Mas nem sempre foi assim. Em 2018, foi impedido de ampliar a aliança na campanha contra Jair Bolsonaro. E, em tempos anteriores, não quis. Em 2013, em entrevista a cientistas políticos, ele foi perguntado sobre falar com Fernando Henrique e disse que o ex-presidente era de outro projeto político. Fernando Henrique, diante da mesma pergunta, respondeu que, claro, falaria: “É o prefeito da minha cidade”. Ao mesmo tempo, como ministro da Educação, se aproximou do ex-ministro tucano Paulo Renato. A ponto de em 2006, Paulo Renato ter abordado o então ministro Guido Mantega no aeroporto e pedido para que o PT o mantivesse no cargo na troca de governo. Ele assumiu em 2005, quando Tarso Genro, de quem era assessor, saiu do governo. No novo mandato, havia articulação por outro titular no Ministério.

— Vocês não vão fazer a loucura de tirar o Haddad do Ministério, vão? — perguntou Paulo Renato a Mantega, de quem Haddad também havia sido assessor.

“NÃO VOU FAZER ISSO SEM O ALCKMIN. NÃO VOU DEIXAR ELE COM A BROCHA NA MÃO.”

Fernando Haddad, sobre recuo no aumento da tarifa de ônibus, em 2013

Quem acompanha sua trajetória diz que ele mudou ao longo dos anos, da formulação de políticas à prática da política. De pessoa solitária dentro do partido à entrada na tendência conhecida como campo majoritário. De intelectual vaidoso das suas credenciais acadêmicas a um político pragmático e capaz de diálogo.

Ele tem que se entender com Gleisi Hoffmann e com Arthur Lira. Com Lira, o entendimento tem sido surpreendentemente bom. Fora uma ou outra rusga, o diálogo é fácil e direto. Isso foi parte fundamental da aprovação da reforma tributária, a maior vitória de sua gestão. Haddad teve a sabedoria de pegar um projeto maduro, discutido há anos pelo economista Bernard Appy, não disputar protagonismo com o Congresso e estar sempre disponível para negociar nos momentos de impasse.

De Gleisi Hoffmann, sofreu a primeira derrota antes ainda de assumir o Ministério da Fazenda. O governo anterior deixou várias armadilhas. Uma delas foi a desoneração dos combustíveis, medida com vigência até 31 de dezembro. Em 1º de janeiro seria a posse de Lula. O que fazer? Haddad defendeu a volta do tributo. Estava certo do ponto de vista fiscal e ambiental. A ala política achava que seria um risco tomar posse aumentando preço. Haddad foi derrotado, e a presidente do partido anunciou a decisão de que o imposto não voltaria numa entrevista ao Estúdio i. O fato de ser anunciada na imprensa e pela presidente do partido já o enfraquecia.

Haddad fez então a virada que o tem marcado desde o começo da gestão. Perde o primeiro round e ganha o segundo. A decisão acabou sendo reonerar a gasolina após três meses de governo, e o diesel no ano seguinte. Mas as pressões do partido por influência na condução da política econômica, com ajuda do chefe da Casa Civil, Rui Costa, têm sido uma constante. Isso o levou a ter uma conversa direta com Lula sobre seu futuro no cargo logo na primeira semana de governo.

O terceiro ponto de tensão é Roberto Campos Neto. Um dia, na sala onde o Copom se reúne, os dois olharam juntos para o gigantesco painel de Candido Portinari, Descobrimento do Brasil. Quem assistiu a cena conta que eles tinham avaliações opostas sobre a obra, que encantava Haddad. Sobre outros temas houve um esforço sincero de entendimento de parte a parte. O bom clima foi rompido nos últimos dois meses. Mas não é o único atrito que Haddad enfrenta.

Na Esplanada dos Ministérios não é segredo que a relação com o ministro Rui Costa é tensa. A propósito, vários ministros se queixam do chefe da Casa Civil, que neste mandato concentra excessivos poderes. Quem participa de reuniões internas do governo narra que há um silêncio entre os dois. Falam-se apenas quando necessário. Essa fonte culpa mais o Rui Costa.

“VOCÊS NÃO VÃO FAZER A LOUCURA DE TIRAR O HADDAD DO MINISTÉRIO, VÃO?”

Paulo Renato, ex-ministro, a Guido Mantega, de quem Haddad foi assessor

— O Rui é também um pouco isolado em relação a nós. Nas reuniões que eu tenho participado ele não interage com os demais membros do coletivo, como o Haddad interage. Não há uma tensão no ar, mas o Haddad sempre fica mais à vontade falando conosco, os outros, do que nos diálogos com o Rui.

Um ponto óbvio de atrito é que o chefe da Casa Civil está sempre reclamando das restrições orçamentárias para as obras do PAC. Isso reedita um clássico de brigas internas de governos entre quem quer gastar e quem segura o caixa. Mas Rui Costa vai além e tenta influenciar nas decisões da política econômica, como aconteceu no fim do ano com a meta fiscal. Rui queria mudar e deu isso como decidido nas conversas com jornalistas. Quando parecia tudo perdido e até Lula dava indicação de ser a favor da mudança, Haddad conseguiu adiar a decisão. Mas a mudança da meta acabou vindo em 15 de abril e foi o início da piora das expectativas.

No caso da distribuição de dividendos da Petrobras, Haddad foi chamado para a reunião no meio da crise que se instalou, com as ações da empresa derretendo, após terem votado por não distribuir os dividendos extraordinários.

— Deixa eu entender o que está acontecendo aqui. Está faltando dinheiro na Petrobras? Não é isso que vejo nos dados.

A decisão acabou sendo distribuir metade dos dividendos, mas na briga pública do antigo presidente da estatal, o fritado Jean Paul Prates contra Rui Costa e o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, o ministro da Fazenda conseguiu emplacar uma pessoa de sua confiança no conselho da empresa: Rafael Dubeaux. Ele tem usado os limões para fazer limonadas.

“MINISTRO DA FAZENDA É UM CARGO ISOLADO POR NATUREZA PORQUE CONTRARIA INTERESSES”

Imagem de Scroll conteudo_3Fernando Haddad fez 44 visitas a Lula na prisão, em Curitiba. Foi em um desses encontros que o presidente disse:

— Sobramos eu e você, Haddad.

— Presidente, pensa bem antes de me convidar, porque eu não digo não para uma coisa dessas.

Era 2018, Lula era candidato, estava preso e tentava na Justiça o direito de concorrer. Enquanto isso procurava por de pé um plano B. O senador Jaques Wagner recusou. Ciro considerou uma ofensa. Sobrou para Haddad. Mas Lula só desistiu da candidatura quando faltava uma hora para o fim do prazo.

— Foi uma campanha cruel, em que ele, indicado na última hora, não tinha autonomia para tomar decisões — disse uma pessoa que acompanha a carreira de Haddad.

Tudo ficou mais dramático na última etapa. Jair Bolsonaro apostava em vitória no primeiro turno. Não conseguiu, mas chegou ao segundo turno, com uma enorme dianteira, 46% dos votos, contra 29% de Haddad. A proposta do petista ao partido foi anunciar os nomes de alguns futuros ministros indicando uma ampliação da aliança para o centro.

PRESIDENTE, PENSA BEM ANTES DE ME CONVIDAR, PORQUE EU NÃO DIGO NÃO PARA UMA COISA DESSAS.

Fernando Haddad, sobre sua candidatura em 2018, em diálogo com Lula, a quem visitava na prisão

Para a imprensa anunciou: “Nós vamos para o campo democrático com uma única arma: o argumento”. Em longa reunião no Diretório Nacional, seus argumentos não convenceram o partido. Melhorou na reta final, teve 45% dos votos, 46 milhões de eleitores votaram nele, mas perdeu a eleição.

Houve naquela campanha uma vitória pessoal. A um jornalista que perguntou a ele, anos antes, se seria presidente, Haddad respondeu que gostaria, sim, de concorrer à Presidência, mas ganhar a disputa não dependia dele. Achava que de certa forma atendia ao sonho, quase com certeza, que Khalil Haddad tinha em seu destino.

— Fernando vai ser presidente. Eu conheço meu filho. Ele vai ser presidente — costumava dizer seu pai.

O imigrante que falou mal português durante toda a vida, que teve altos e baixos na sua vida financeira, tinha confiança ilimitada no filho. Um episódio selou essa certeza. Fernando Haddad faria vestibular para a engenharia na Poli, mas o pai nesta época enfrentou uma crise e estava à beira de perder a casa, único bem da família, que ele, Khalil, havia construído. Poderia sair da confusão se tivesse um bom advogado. Fernando Haddad decidiu então fazer Direito com um plano, encontrar algum advogado probono para livrar o pai de uma ação injusta. Logo no primeiro ano abordou ninguém menos que o jurista Goffredo da Silva Telles Jr. Dias depois Goffredo chamou o aluno para a sua casa e pediu detalhes. Haddad relatou o caso, disse quem era o pai e concluiu:

— Isso vai terminar em tragédia.

Fernando Haddad, que foi prefeito de São Paulo por um mandato

Goffredo prometeu falar com um amigo. Conseguiu que a causa fosse assumida por Silvio Rodrigues, um dos melhores escritórios de advocacia de São Paulo. Ele ganhou, a dívida foi reduzida a uma fração do que era cobrado. Khalil Haddad se animou a voltar ao comércio.

Era 1981, o país estava enfrentando uma feroz recessão, as lojas estavam fechando na Vinte e Cinco de Março.

— Eu não tenho dinheiro, mas tenho crédito. Vou abrir a loja — disse Khalil para o filho.

— Eu vou com você — respondeu o filho.

E os dois viraram sócios na Mercantil Paulista.

Seus amigos de juventude, ou os que o conhecem bem, concordam num ponto: trabalhar na loja ajudou Fernando Haddad a ser quem é. Ele tinha que conhecer as pessoas, saber separar um bom cliente de um que pudesse dar um golpe. Eles não podiam errar de novo, até porque uma loja de atacado não faz pequenas vendas. Um erro podia ser fatal. Na loja, negociava. Na sobreloja, estudava em uma mesa em que de um lado ficavam os livros não lidos; de outro, os já lidos. Amigos contam que a pilha dos lidos crescia sempre. E rápido. A sociedade deu certo. Eles ganharam dinheiro e pagaram o que restava para ter de novo a propriedade. Essa é a casa na qual Haddad mora até hoje.

Quando terminou a graduação, foi para a Europa viajar como mochileiro. Voltou em junho e decidiu prestar o exame da Anpec, para o mestrado em economia. Procurou um professor que dava um curso preparatório, e ele o desaconselhou.

“FERNANDO VAI SER PRESIDENTE. EU CONHEÇO MEU FILHO. ELE VAI SER PRESIDENTE”

Khalil Haddad, pai do atual ministro, costumava repetir a frase sobre o futuro do filho

— Deixa eu te situar porque você não está entendendo. Economistas têm dificuldade. O exame é pesadíssimo.

Haddad estudou sozinho com a bibliografia do curso preparatório e mergulhado nas provas antigas. Passou. Era conhecido como “o advogado que passou na Anpec”. Formou junto com economistas do mestrado um grupo de estudos. Eram Alexandre Schwartsman, Paulo Pichetti, Amaury Gremaud e Naércio Menezes. Pichetti, hoje diretor do Banco Central, foi seu padrinho de casamento com Ana Estela. Do casamento nasceram Frederico e Carolina. A família inteira toca violão; os filhos bem melhor que os pais. E Carolina também toca piano. Depois do mestrado em economia, Haddad fez doutorado em filosofia.

Seu primeiro cargo público foi como chefe de gabinete de João Sayad, secretário de Finanças da prefeita Marta Suplicy. Em seguida foi para Brasília trabalhar no Ministério da Fazenda e, depois, no Ministério da Educação. Quando foi nomeado ministro da Educação, sua mãe, Norma, mostrou ter dúvidas se era um bom momento. O PT enfrentava a crise do mensalão. Já o pai, ao ser informado que o filho seria ministro da Educação, respondeu:

— É pouco.

Ficou como ministro até 2011, fez programas bem-sucedidos como o Prouni, que nasceu de uma ideia original de Ana Estela. Esse programa tem quase nenhum custo fiscal. Já a ampliação do Fies, deixou uma conta alta.

Hoje, como ministro da Fazenda, tem que ajustar contas. Foi nomeado no Egito, para onde foi acompanhando o então presidente eleito. Ao ser convidado, pediu que Lula invertesse a ordem:

Imagem de Scroll conteudo_4— EU DIGO O QUE EU FARIA NA FAZENDA E VOCÊ DIZ SE QUER.

Fernando Haddad, ao presidente Lula ao assumir a pasta da Fazenda

Em Sharm El Sheikh, entre o deserto e o Mar Vermelho, ele preparou em dois dias o programa que tem executado. Assumiu com descrédito do mercado e a oposição de grupos do partido. Ele havia acabado de perder a eleição estadual para Tarcísio de Freitas, um estreante nas urnas. Uma derrota e, de certa forma, uma vitória. Haddad conduziu o partido para a sua melhor votação em São Paulo. Teve 45% dos votos, 13 pontos percentuais a mais do que teve em 2018 no estado. Acha que conseguiu isso ampliando o palanque. “Tenho que ter um palanque que vá do Boulos ao Alckmin”. E fez isso, passando por Marina e Márcio França. Perdeu a eleição, mas seu desempenho foi decisivo para o resultado nacional. Aprendeu em 2018, que, para atravessar o deserto e cruzar o mar vermelho, em tempos de extrema direita, tem que costurar alianças.

Perguntado sobre a convicção do seu pai de que ele será presidente do Brasil, ele responde:

— A Presidência da República não é coisa de você querer. É preciso respeitar a sacralidade do topo da pirâmide. É coisa mágica. Não depende de você. Eu já tive a minha chance. Não consegui.

Seu último livro, “O terceiro excluído”, que está sendo lançado em inglês, é um diálogo complexo entre diversas disciplinas em busca do que ele define como horizonte utópico. A ideia de escrevê-lo surgiu depois de uma conversa com o linguista americano Noam Chomsky em sua casa, em 30 de setembro de 2018, na reta final da campanha presidencial. “Eu me encontrava, no intervalo de apenas uma semana, entre conversar com um dos grandes humanistas vivos e enfrentar nas urnas um psicopata. Sentia o choque de perspectivas irreconciliáveis”, escreveu na apresentação do livro.

Como ministro da Fazenda, ele enfrenta diariamente perspectivas difíceis de conciliar. Um Congresso anabolizado com as emendas, o PT que não atualizou a visão econômica, um mercado em tempos de aversão ao risco e o velho patrimonialismo. Ele fica no cargo? Uma pessoa do governo define assim:

— Lula não tem plano B para a Fazenda. Haddad é da confiança extrema e direta do Lula e tem seu convívio e carinho. Ao mesmo tempo conseguiu estabelecer pontes com o mercado.

Haddad carrega a certeza de que para chegar onde chegou fez um caminho improvável. Um funcionário de carreira do Banco Central conta que ele se emocionou quando assinou a primeira nota de real da sua gestão. Ele admite que naquele momento olhou para trás na história familiar.

— Meu pai, onde estiver, está orgulhoso de mim. Respondi aos meus antepassados. Está tudo bem.

OGLOBO

Rodrigo Rollemberg poderá voltar à Câmara Federal

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para permitir que os candidatos prejudicados pelas regras das sobras partidárias em vigor nas eleições de 2022 possam assumir o mandato imediatamente. É o caso de Rodrigo Rollemberg (foto). Ele questionou a constitucionalidade da resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a partilha dos cargos de deputados federais.

O PSB, partido de Rollemberg, e o Podemos apontam que todas as legendas e seus candidatos devem participar da distribuição das cadeiras remanescentes, independentemente de terem alcançado a exigência dos 80% e 20% do quociente eleitoral, respectivamente. Em julgamento há quatro meses, o STF entendeu que esses partidos tinham razão. Porém, determinou que a regra só entre em vigor nas próximas eleições municipais. Para maioria dos ministros, quem foi eleito para a Câmara deve permanecer.

Ocorre que o PSB alega que a modulação dos efeitos da decisão — que define quando a regra deve entrar em vigor — exige quórum qualificado de dois terços dos votos, e a decisão foi proclamada com maioria simples. Ao apreciar os embargos de declaração, em julgamento virtual, seis ministros concordaram com a tese. São eles: Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Nunes Marques, Dias Toffoli e Cristiano Zanin. A relatora, ministra Carmen Lúcia, rejeitou os embargos. Mas, se ninguém mudar de opinião, teremos mudanças na Câmara dos Deputados.

Trabalho em dobro

O ex-governador Rodrigo Rollemberg, que hoje exerce o cargo de secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), está otimista. O mandato está quase pela metade, mas ele acredita que vai assumir. “Terei que trabalhar em dobro”, afirma. Se ele estiver certo, o deputado Gilvan Máximo (Republicanos-DF) terá de deixar o cargo para que Rollemberg tome posse.

Destaque para o plenário

O ministro André Mendonça (ao lado) pediu destaque para que o caso das sobras partidárias, em julgamento virtual, seja levado ao plenário. Essa medida pode atrasar uma decisão final.

Fonte: Correioweb

Foto: MARCELO FERREIRA/CB/D.A PRESS

RO: Seminário “Imperialismo, libertação nacional e a questão Palestina” reuniu centenas de pessoas na Universidade Federal de Rondônia

Centenas de pessoas lotaram o auditório do prédio central da UNIR, no Centro de Porto Velho, em um vigoroso seminário intitulado “Imperialismo, libertação nacional e a questão Palestina”, com a participação do jornalista Breno Altman e do presidente da Fepal Ualid Rabah

O seminário “Imperialismo, libertação nacional e a questão Palestina” reuniu em Porto Velho/RO centenas de pessoas que foram prestigiar as palestras do jornalista Breno Altman (Jornal Ópera Mundi) e Ualid Rabah (Federação Árabe-Palestina do Brasil – FEPAL). O evento, ocorrido no último dia 18 de junho, também foi espaço para lançamento do livro de Altman: “Contra o Sionismo: retrato de uma doutrina colonial e racista”. Cerca de 200 participantes, reunidos na UNIR Centro (prédio central da Universidade Federal de Rondônia, no centro de Porto Velho), lotaram o auditório, abarrotaram os corredores e o hall de entrada e uma área externa com telão para acompanhar atentamente as conferências proferidas pelos palestrantes.

Com pontualidade revolucionária, o evento iniciou com credenciamento e venda de livros a partir das 18h. As 19:15 iniciou-se a abertura do Seminário com a intervenção da Professora Marilsa Miranda de Souza, representando a ADUNIR, CEBRASPO e o HISTEDBR/UNIR. Em sua fala, a coordenadora do evento saudou de forma calorosa os palestrantes e os presentes e destacou que “a  ofensiva militar e política iniciada em 7 de outubro de 2023 pela Resistência Nacional da Palestina é um fato que marca uma nova fase na luta longa e heroica do povo palestino que, como nenhum outro, durante todas as décadas que se passaram desde a Nakba, tem demonstrado perante o mundo que as forças progressistas da história que enquanto confiarem em sua própria força e nas massas, não podem ser derrotadas, não importa que o inimigo reacionário esteja armado da cabeça aos pés com as armas e máquinas mais monstruosas de destruição e morte”. Destacou ainda que “O imperialismo, principalmente o norte-americano e o sionista Israel, diante do avanço da heroica Resistência Nacional Palestina, covardemente cometem os mais bárbaros crimes de guerra, crimes contra a humanidade, crimes que as novas gerações não tinham visto e nem vivenciado, mas que não são, de forma nenhuma, novidade para a superpotência imperialista hegemônica ianque (EUA) e seus cães e capachos reacionários. O imperialismo é um tigre de papel”.

Em seguida, a coordenadora do seminário convidou o professor da UNIR e médico emergencista, Vinícius Ortigosa Nogueira, que integra Comitê de Solidariedade à Resistência Palestina – Rondônia a mediar o debate. Este destacou a importância do evento, agradeceu a presença de todos os ativistas que atenderam ao chamado para participar do seminário, como forma de expressar de forma concreta seu apoio inconteste à resistência Palestina. O mediador, ainda, defendeu de forma contundente a necessidade de intensificar as ações de solidariedade ao povo palestino e aos povos do mundo que lutam contra a besta imperialista. Convidando à mesa os palestrantes, o mediador concedeu a palavra a um representante da comunidade árabe de Rondônia, o biólogo Nasser Hijazi que de forma entusiástica manifestou a honra de representar a comunidade árabe palestina de Porto Velho no Seminário, que a defesa da questão palestina é acima de tudo uma questão de humanidade, que “desde 1948 o povo palestino tem enfrentado uma série de adversidades que incluem a perda de terras, a destruição de suas casas, restrições severas à liberdade de movimento, humilhações e, infelizmente, a violência contínua”. Hijazi também evocou o princípio da Autodeterminação dos povos, enquanto direito inalienável, defendeu “um estado palestino independente e viável, onde coexistam todas as etnias”, denunciou as violações dos direitos humanos contra o povo palestino e o genocídio praticado pelos sionistas. Após esta intervenção, passaram-se às exposições dos palestrantes.

O primeiro palestrante, Ualid Rabah, representando a FEPAL, destacou que “já são – considerando desaparecidos sob os escombros – mais de 46 mil civis palestinos exterminados em 256 dias de conflito, mais de 2% da população de Gaza. Seriam mais de 4 milhões no Brasil e mais de 15 milhões na Europa, no espaço da segunda guerra mundial. As crianças assassinadas já passam de 20 mil, 45% do total de assassinados. São mais de 9 mil por milhão, superando as 2.800 por milhão mortas no período nazista, em 6 anos. As mulheres assassinadas já passam de 11 mil, 25% do total de exterminados, com pelo mil mortas grávidas. Denunciou que são as maiores matanças de crianças e mulheres da história! A destruição de Gaza já passa dos 80%, superando a das cidades mais arrasadas na segunda Guerra Mundial. Detalhe: em Gaza em 256 dias, contra 6 anos no período nazista”. Para Ualid, o sionismo é uma ideologia supremacista idêntica ao nazismo e demais supremacismos coloniais, e devem ser parados pela força das armas, como foi parada a Alemanha nazista.

Para Breno Altman, o sionismo é um braço do imperialismo e nasceu como doutrina antissemita. Altman contextualizou: “Ao contrário de enfrentar tal tipo de racismo, propunha um acordo a seus patrocinadores: as elites europeias se livrariam dos judeus caso apoiassem um Estado supremacista judaico a ser construído pela colonização sionista da Palestina”. Altman destacou, ainda que “A questão da Palestina é decisiva para o destino da humanidade e, atualmente, a questão palestina é a régua moral do mundo.

Após as exposições, foram abertas as inscrições para os presentes. Entre os diversos inscritos, a comunidade árabe palestina presente pode relatar suas inúmeras interpretações acerca da atual agressão israelense contra o povo palestino. Além dos membros da comunidade, estudantes, advogados, professores e organizações também puderam se manifestar, como a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que através de seu representante enfatizou a solidariedade inconteste deste movimento que sempre hasteou bem alto a bandeira palestina e comparou a criminalização dos monopólios à resistência palestina com a criminalização aos camponeses em luta pela terra no Brasil. O clima de entusiasmo em defender a resistência palestina ecoou pelo auditório e corredores com palavras de ordem combativas: “Fora Israel das terras palestinas, fora ianques da América Latina!”, “A luta palestina por libertação, é parte integrante da revolução!”; “Palestina resiste! Palestina Triunfará!”; “Estado de Israel, Estado assassino; E viva a luta do povo palestino!” entre outras.

Após as intervenções dos presentes, os palestrantes responderam às dúvidas, destacaram a necessidade de seguir ampliando os espaços organizativos e de defesa dos povos em luta e a solidariedade ativa e orgânica para denunciar os crimes de guerra do imperialismo e do sionismo. Por fim, os organizadores e mediadores realizaram o encerramento do debate convidando os presentes para sessão de autógrafos com Breno Altman e uma mobilização para ato nas escadarias da UNIR.

Nas escadarias da UNIR um grupo de ativistas conclamou os presentes a agitarem suas bandeiras palestinas, no momento em que queimavam as bandeiras da superpotência imperialista ianque e o estado colonial e racista de israel.

Preparação, organização e divulgação

O evento, organizado a pouco mais de um mês pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Rondônia UNIR (ADUNIR-SSIND) Seção Sindical do ANDES-Sindicato Nacional, o Comitê de Solidariedade à Resistência Palestina – Rondônia e o Grupo de Pesquisa “História, Sociedade e Educação no Brasil” (HISTEDBR/UNIR) em sua etapa preparatória conseguiu mobilizar ativistas de diversas organizações classistas e a comunidade árabe/palestina de Rondônia. Membros dessa comunidade financiaram diversos outdoors de anúncios espalhados pela capital rondoniense. O custo do evento, incluídas as despesas com passagens, hospedagem, alimentação, cartazes, faixas, aluguel de cadeiras, banners e outros materiais, foram totalmente custeados por arrecadações entre apoiadores da causa palestina de diversos setores da sociedade: docentes, médicos, advogados, comunidade árabe, entre outros. As entidades que organizaram o ato, também garantiram a divulgação do evento por meio de colagens de cartazes, panfletos, matérias produzidas para a imprensa local e nacional, sobretudo, a imprensa popular e democrática.

Participação da comunidade árabe/palestina e entidades classistas

Um público de mais de 30 pessoas entre os presentes era de famílias árabes/palestinas que residem há décadas em Porto Velho, dentre estes, vários que puderam ver de perto a Nakba e as agressões do Estado sionista de Israel ao Líbano e outros territórios árabes. Várias gerações dessas famílias puderam estar presentes, se manifestar e também se reencontrar em um evento que marcou a resistência desses povos, que carregam consigo na memória o sonho de ver uma Palestina livre. Além de professores, advogados, jornalistas e outros intelectuais honestos e comprometidos com a causa palestina,  diversas Organizações estavam presentes: a ⁠Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI), Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (MOCLATE), Centro Acadêmico de Medicina da UNIR (CAMUFRO), Centro Acadêmico de Geografia (CAGEO/UNIR), camponesas do Movimento Feminino Popular (MFP), Diretório Central dos Estudantes (DCE/UNIR), Centro Acadêmico de Ciências Sociais, Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP), Executiva de Pedagogia e Juventudes de partidos políticos. O Comitê do Jornal A Nova Democracia também esteve presente, realizando a venda de edições e materiais de propaganda, da mesma forma que outros movimentos e indígenas.

Lutas futuras

Os organizadores do Seminário, através do CEBRASPO e do Comitê de Solidariedade à Resistência Palestina – Rondônia se colocaram a construir outras ações de propaganda, denúncia e formação em relação a luta do povo palestino. Atendendo ao chamado, os estudantes organizados pelo DCE/UNIR iniciaram outras ações no campus da Universidade Federal de Rondônia, buscando levantar mais alto a bandeira da causa palestina naquela universidade.

Coluna Zona Franca

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Por Roberto Kuppê

 

Goela abaixo

Pode ser uma imagem de textoAs feições do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), durante a apresentação (imposição) do seu pré-candidato a vice, eram de alguém desesperado, assustado e preocupado. O nome escolhido foi empurrado goela abaixo. Era visível o constrangimento. O ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), Ricardo Mello Araújo (PL), 53 anos, será o candidato a vice-prefeito na chapa de Ricardo Nunes. A ilustração é do Miguel Paiva.

Goela abaixo 2

Quem está sorrindo de orelha a orelha é o coach Pablo Marçal (PRTB), que se beneficia desta nefasta indicação. As pesquisas indicam que Pablo Marçal tira votos de Nunes e não de Guilherme Boulos (PSOL). As próximas pesquisas devem confirmar que a cara de enterro de Nunes na apresentação do ex-comandante da Rota para vice, tinha razão de ser.

Boulos é a esperança da esuerda

A candidatura para a prefeitura de São Paulo de Guilherme Boulos (PSOL) deve “abrir novos caminhos” para a esquerda na América Latina e na Europa, avalia o argentino Gerardo Pisarello, vice-prefeito de Barcelona, na Espanha, durante a gestão de Ada Colau (2015 – 2023). Todas as pesquisas indicam o favoritismo de Boulos.

Lei Alexandre Correa

Alexandre Correa, ex-marido da apresentadora da Record Ana Hickmann, anunciou nas redes sociais a pré-candidatura a vereador na cidade de São Paulo (SP) pelo Avante. Sua plataforma de campanha é surreal. Segundo o empresário de 51 anos, ele quer “dar atenção à violência contra os homens”. Correa diz que “muitos homens sofrem de vergonha e estigmatização ao tentar denunciar os abusos, e que, além disso, há um aumento substancial de retaliação por parte dos agressores”.

Lei Alexandre Correa 2

Na bio do Instagram, o empresário apresenta as principais pautas: “Lutando contra a falsa denúncia e alienação parental”.  Alienação parental é a manipulação psicológica de uma criança por um dos pais, com o objetivo de distanciar e prejudicar o relacionamento com o outro genitor. Isso pode incluir ações como fazer falsas acusações, manchar a imagem do pai/mãe ou impedir o contato entre a criança e o outro progenitor. Esse comportamento pode causar danos emocionais significativos à criança e ao relacionamento familiar. Nesta sexta-feira (21), ele publicou um vídeo falando sobre violência contra homens. “É um problema real, mas muitas vezes subnotificado. É crucial trazer mais visibilidade e apoio para todos que enfrentam essa realidade”, escreveu na legenda. Ele também se colocou à disposição para ajudar homens vítimas de agressão. Alexandre é acusado de violência doméstica pela apresentadora e ex-mulher, Ana Hickmann. Ele nega as acusações e diz que tudo foi armado pela ex-esposa.

Rachadinha

Após o indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) nas próximas semanas como um dos líderes da organização criminosa que furtou e vendeu joias do acervo da Presidência da República nos Estados Unidos, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro deve entrar na mira da Polícia Federal (PF). O foco é o pagamento por meio do cartão corporativo da Presidência de despesas pessoais da ex-primeira-dama. Segundo a PF, há provas de que Michelle usou o cartão da Presidência para pagar contas pessoais e até procedimentos estéticos, além de quitar contas de parentes com o cartão. Em 2023, uma série de denúncias foi feita sobre o uso do cartão corporativo por Michelle, que usava também um esquema similar aos casos de corrupção das “rachadinhas” – investigados nos gabinetes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Alerj e de Carlos Bolsonaro (PL-RJ, na Câmara Municipal do Rio. O pente-fino feito nas contas mostra que a esposa de Bolsonaro teria usado o cartão corporativo até mesmo para colocar novos implantes nos seios.

Bravata

O deputado republicano Chris Smith, dos Estados Unidos, resolveu intimar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após ter tido acesso a “relatos alarmantes” advindos de parlamentares bolsonaristas que visitaram seu país recentemente. Ele enviou cartas ao STF, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal intimando Moraes a “prestar esclarecimentos em até 10 dias”, em Washington DC. A carta de Smith chegou nos gabinetes dos presidentes das casas: Luís Roberto Barroso (STF), Cármen Lúcia (TSE), Arthur Lira (Câmara) e Rodrigo Pacheco (Senado). 

Bravata 2

Alexandre de Moraes, obviamente, ignorou a bravata. Mas nas redes sociais, figuras ligadas ao lavajatismo e ao bolsonarismo aproveitaram a deixa para ganhar uns ‘likes’. Uma dessas figuras foi o ex-procurador federal e ex-deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR) que no X, antigo Twitter, reproduziu as informações sobre o caso divulgadas por Lauro Jardim, no jornal O Globo. A publicação fez sucesso entre os seguidores. Foram quase 300 mil visualizações até a noite desta sexta-feira (21), além de milhares de comentários e interações.

Bravata 3

 Dallagnol simplesmente ignora questões básicas de diplomacia e direito internacional e alega que, mesmo sem haver jurisdição, os EUA teriam poder para impor sanções ao governo brasileiro e a Alexandre de Moraes. Entre essas sanções estariam o bloqueio de contas bancárias e a proibição da realização de viagens. Acontece que a realidade é um pouco mais complicada do que o desejo ideológico. Na prática, não há qualquer jurisdição para um congressista dos EUA intimar um juiz da Suprema Corte de outro país. Os próprios EUA não possuem qualquer jurisdição legal em território brasileiro.

Bravata 4

O Estado brasileiro, caso realmente viole direitos humanos, pode ser processado em tribunais internacionais, como o famoso Tribunal de Haia, na Holanda – o Tribunal Penal Internacional. Assim como os EUA e qualquer outro Estado nacional. Os EUA, enquanto Estado nacional, não fazem parte de nenhuma instância dessa natureza e seu papel de “sherife do mundo” é mera retórica ideológica, sem respaldo em leis e tratados internacionais. Em outras palavras, uma eventual sanção contra Moraes seria interpretada pela comunidade internacional como um ato arbitrário e abusivo dos próprios EUA. (Revista Fórum).

 

                                              São João de Maceió

Programação do São João de Maceió 2024 é lançada — Foto: Secom MaceióUm dos maiores djs do mundo, o brasileiro Alok, vai estar hoje no São João de Maceió, ao lado da dupla Victor e Leo. O rico São João de Maceió terá também dia 23 de junho (domingo) Gusttavo Lima e Belo; 24 de junho (segunda-feira) Jorge e Mateus e Zezé Di Camargo & Luciano; 25 de junho (terça-feira) Elba Ramalho, Ana Castela, Léo Santana, Leonardo e Zé Vaqueiro; 26 de junho (quarta-feira) Flávio José, Simone Mendes, Calcinha Preta e Luan Santana;  27 de junho (quinta-feira) Bruno & Marrone e Wesley Safadão; 28 de junho (sexta-feira) Nattanzinho, Bell Marques, Mano Walter, Limão com Mel e César Menotti e Fabiano. E domingo encerra com João Gomes. É mole ou quer mais? Antes de Maceió, o São João de Campina Grande (PB) detinha o título de maior festa junina do país.

  São João de Maceió 2

Foi por isso que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), liberou todos os parlamentares para votar à distância durante a semana de São João. Anteriormente, ele havia permitido somente os deputados do Nordeste de se ausentar presencialmente das decisões na Casa legislativa. A dispensa de comparecimento à Câmara se dá todos os anos, porque os deputados participam das tradicionais festas de São João em seus Estados.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, Revista Fórum, Veja, Folha, Metrópoles, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

 

Conquistas para Rondônia e o Plenário que me apoia

POR CONFÚCIO MOURA (*)
Senador pelo MDB-RO, presidente da Comissão de Infraestrutura

Mais uma semana plural em meu mandato por Rondônia, no Senado Federal. Tenho que comemorar. Alcancei perto de R$ 1 bilhão destinados à saúde, educação e infraestrutura para o nosso estado.

Saí de uma produtiva audiência com o ministro dos Transportes, Renan Filho, e técnicos dessa Pasta. Em pauta, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para assegurar os recursos necessários de infraestrutura, especialmente a malha rodoviária e a ponte de Guajará-Mirim. Grandes avanços virão!

Reunião com o ministro dos Transportes, Renan Filho.

No País que acumulou 22 mil obras paradas (dados do TCU) durante o governo federal anterior, o olhar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Rondônia há de ser bem avaliado pelas pessoas.

A recuperação da BR-364 significa mais estrutura para todo o estado. Está melhorando e tem obras à frente. O motorista de direita vai dirigir pela BR-364 recuperada. O motorista de esquerda vai dirigir pela BR-364 recuperada. O motorista de centro vai dirigir pela BR-364 recuperada.

Recebi em meu gabinete Valtinho Canuto, vereador em Porto Velho, defensor dos pescadores. O pai dele, o velho Canuto, foi três vezes vereador da capital, e o filho seguiu o mesmo caminho de atenção aos companheiros pescadores da região do Baixo Madeira. Estudamos o enfrentamento à seca iminente com ajuda direta às famílias que fazem existir o setor pesqueiro.

Temos discutido muito sobre política, porém, pouco avançamos em soluções para as pessoas. Essa discussão leva a alguma solução? Ajuda alguém, ou é somente mais uma discussão à toa? Podemos focar no que realmente importa.

O plenário das Comissões do Senado Federal garante a aprovação do meu Projeto de Lei 858/2024, criando o Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para impulsionar grandes investimentos em educação, saúde e segurança pública. Sou grato pelo apoio de todos.

Primeiro Fórum de Deputadas e Deputados Estaduais da Amazônia Legal.

No 1º Fórum Parlamentar da Amazônia, do qual participei esta semana, vibrei com a fala da ministra da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Ela tem impulsionado três rotas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todas elas apropriadas à elevação de nossas exportações, nunca alcançados.

Vejo que o nosso olhar se voltará para o Oriente, maior porção do mercado global. Falo da China e da Índia, com 2,7 bilhões de consumidores. Esta é a nova e promissora realidade para nós da Amazônia.

Abraço a todos e um final de semana feliz.

(*) CONFÚCIO MOURA é senador pelo MDB-RO, presidente da Comissão de Infraestrutura

Coluna Zona Franca

Eleições SP

Guilherme  Boulos (PSOL) lidera em todos os cenários de 1º e 2º turno para prefeitura de São Paulo. A liderança de Boulos, um dos principais representantes da esquerda no cenário político brasileiro.  Conforme pesquisa AltasIntel produzida em parceria com a CNN, divulgada nesta quarta-feira (19),  Boulos aparece com 35,7% das intenções de voto, distanciando-se dos demais concorrentes. Em segundo lugar, figura o atual prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), com 23,4% das intenções de voto. A pesquisa ainda aponta Pablo Marçal (PRTB) com 12,6% e Tabata Amaral com 10,7%.

Eleições SP 2

A AltasIntel também realizou uma simulação do cenário para o primeiro turno sem os nomes de Marçal e Datena na corrida. Nesse contexto, Boulos alcança 37,5% das intenções de voto, enquanto Nunes sobe para 32,4%. Tabata Amaral mantém-se em terceiro com 11,8%, seguida por Kataguiri com 8,2% e Marina Helena com 3,2%. Altino, novamente, não pontua neste levantamento.

Chove no RS

Ainda chove no RS e alguns gaúchos continuam soberbos, renegando a ajuda que o governo Lula está proporcionando aos desabrigados. É impressionante o orgulho (ou burrice) destas pessoas que se dizem de bem e temente a Deus, mas agem como fariseus ( o mesmo que charlatães, dissimulados, falsos, fingidos, hipócritas, mentirosos). O gaúcho precisa ser mais humilde. Isso traz bons fluídos.

Chove no RS 2

A água voltou a alagar ruas inteiras em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, nessa quinta-feira (20). A inundação atingiu os bairros da Cidade Verde e Vila da Paz, trazendo revolta e incerteza para os moradores do pequeno município de 40 mil habitantes devastado pelas chuvas de maio. A prefeitura estima que 97% da área urbana e 80% da área total do município ficou submersa na maior catástrofe ambiental da história gaúcha.

“O petista infiltrado”

O bolsonarista Antônio Cláudio Alves Ferreira, preso por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, deve ser condenado a 17 anos de prisão, segundo voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quinta-feira (20). Ferreira foi o responsável por destruir o relógio histórico de Balthazar Martinot trazido por Dom João VI para o Brasil em 1808 e que ficava no Palácio do Planalto. Feita de casco de tartaruga e um tipo raro de bronze, a peça foi enviada para restauro à Suíça e sua destruição se tornou um dos símbolos do levante antidemocrático de bolsonaristas que vandalizaram as sedes dos Três Poderes.

Natimorto

O PL do Estupro foi abortado. O Projeto de Lei (PL) nº 1.904/24, que propõe equiparar o aborto de gestações acima de 22 semanas ao homicídio, provocou uma onda de manifestações e uma clara rejeição da opinião pública. De acordo com uma enquete popular no site da Câmara dos Deputados, 87% dos participantes declararam “discordar totalmente” da proposta, representando 616.298 votos. Apenas 13% dos votantes afirmaram “concordar totalmente”. Por isso, o projeto foi abortado por Arthur Lira (PP-AL).

 

Plano Real

O Plano Real representou a mais bem-sucedida cruzada econômica da história do Brasil, um ponto de virada que exterminou a hiperinflação do período, trouxe estabilidade monetária e permitiu, com o passar dos anos, que milhões de brasileiros passassem a levar uma vida melhor. Às vésperas de completar trinta anos, o real é a moeda mais longeva de todas as oito que o Brasil teve desde o fim do mil-réis, em 1942. Quando entrou em circulação, a alta dos preços beirava os 50% ao mês. Ao fim de julho, tinha se reduzido a 6% e, um ano depois, a 2%. A foto é da capa da Veja desta semana.

 

Praga de gafanhoto

O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (20 que o programa Minha Casa, Minha Vida poderia ter construído um total de 12 milhões de casas se o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff não tivesse ocorrido e Jair Bolsonaro não tivesse chegado ao poder. “O Minha Casa, Minha Vida poderia ter construído 12 milhões de casas se não fosse o golpe contra a Dilma, que colocou a praga de gafanhoto para governar esse país, destruindo tudo que construímos”, disse Lula durante entrega de moradias do programa, em Fortaleza (CE).

Vai, ladrão

“Se a faculdade vai acabar com a vida do teu filho, não manda ele para a faculdade. Não manda, vai vender picolé na garagem. ‘Ah, mas eu não criei meu filho para isso’. Cê criou seu filho para que? Pra ele ir para o inferno?” “Criou a sua filha para quê? Para virar uma vagabunda? Ou você a criou para virar uma mulher santa, uma mulher digna de família? Aí ela tem um diploma, é rodada, é doida…” Palavras do pastor André Valadão, durante um culto, usando seu Louis Vuitton

Niver em Paris

Chico Buarque comemorou seus 80 anos no Le Caveau de la Huchette, um tradicional clube de jazz em Paris. O local escolhido para a comemoração é descrito como um clube “vintage e pequeno com um atmosfera da metade do século passado e que serve bebidas e tem música ao vivo”. Chico passou a data na companhia da mulher, Carol Proner, e das netas Cecília e Irene, filha de Silvia Buarque, primogênita do compositor, que é proprietária de um apartamento na capital francesa.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, Veja, Folha, Metrópoles, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

 

Memórias — teoria e prática de um estudioso da política

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Por RUBENS PINTO LYRA*

Trecho, selecionado pelo autor, do livro recém-publicado

Participação no movimento estudantil — o XXX congresso da UNE

Na praça vereador José Mendes, em frente ao paço municipal de Ibiúna, encontra-se monumento em homenagem aos estudantes que participaram do XXX congresso da UNE nessa cidade: “Nossas trajetórias interrompidas\ não têm preço, nem retorno\ tudo foi consumado\ tudo foi consumido\ do nosso melhor tempo de sonhar”.

Introdução

Minha atuação no movimento estudantil universitário se deu entre 1964 e 1968, tendo sido duas vezes interrompida. Primeiro, em maio de 1964, quando fui cassado (impedido de estudar) por um ano, devido à minha participação na ocupação da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Pode-se também chamá-la de invasão, cometida por estudantes secundários e apoiada pelo Diretório Acadêmico daquela Faculdade, em repúdio à projetada visita do então Governador da Guanabara, Carlos Lacerda, inimigo declarado da esquerda, a João Pessoa (In: ARRUDA MELLO E ROCHA MELLO: 2021, p.192).

Fui também privado, novamente por um ano, dos direitos de estudar em dezembro de 1968, quando iria concluir o curso de Direito, pela minha participação, como delegado da Faculdade ao XXX Congresso da UNE, em outubro de 1968, e pelos outros aspectos da minha atuação no movimento estudantil universitário.

Para se compreender a polarização política existente e a influência determinante da ideologia socialista em toda a vanguarda estudantil, vale lembrar que o mundo estava dividido em dois blocos. O capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o anticapitalista (considerado por todos, à época, socialista), liderado pela URSS e secundado pela China continental.

A guerra do Vietnã, em que os Estados Unidos foram derrotados, e o episódico confronto que envolveu, em 1962, Cuba, EUA e a extinta União Soviética em torno da instalação de mísseis soviéticos na Ilha, foram a expressão máxima desse antagonismo, conhecido como Guerra Fria. Mas os fatores internos pesaram ainda mais na radicalização política no Brasil: desigualdade social, concentração de renda, latifúndio e miséria no campo, com graves conflitos, especialmente no Nordeste.

Nesse contexto, subscrevi, no ano de 1963 — um ano antes de meu ingresso no curso de Direito, na qualidade de Presidente da União Pessoense dos Estudantes Secundários (UPES) — ao lado, entre outros, de líder camponês Pedro Fazendeiro e do teatrólogo Paulo Pontes — o manifesto da Frente de Mobilização Popular em prol das Reformas de Base (MANIFESTO:1963).

Nessa pequena introdução, vale lembrar a influência das manifestações estudantis em 1968, entre as quais o famoso Maio francês, que quase abalou os alicerces da República Francesa, com repercussão mundial, projetando-se , inclusive, no movimento estudantil universitário brasileiro.

A Primavera libertária de Maio destacou-se, entre outros aspectos, justamente por colocar em questão o modelo “socialista” hegemônico e por propor uma sociedade de índole socialista, radicalmente democrática e libertária (LYRA: 2021, ps.299-303).

A ocupação da faculdade de direito da UFPB

A invasão dessa Faculdade representou minha primeira participação em protesto estudantil no âmbito da universidade. Ocorreu em 3 de março de 1964 — quase um mês antes do golpe militar — na qual estive presente na condição de calouro, antes mesmo de frequentar o curso de Direito. Isso se deveu aos contatos que já tinha com as lideranças do movimento estudantil universitário, por ter atuado anteriormente como Presidente do Diretório do Lyceu e Presidente da União Pessoense dos Estudantes Secundários.

A manifestação contra Carlos Lacerda se explica pelo fato de ele ser, na época, considerado o inimigo no. 1 da esquerda, tendo dela recebido a alcunha de O Corvo. A Faculdade foi cercada por grupos direitistas, liderados pelo então Deputado Estadual Joacil Pereira, que impediram os estudantes de sair do prédio e iniciaram o arrombamento da sua porta principal.

Somente a chegada de uma corporação do Exército fez cessar os ataques contra o prédio da Faculdade e contra os manifestantes que a ocupavam. Estes foram conduzidos à Delegacia de Ordem Social e Política, sendo fichados, interrogados e liberados às duas horas da madrugada.

O então Presidente do Diretório Acadêmico de Direito, JoséTarcízio Fernandes, lembra que “fomos fotografados e exibidos pelos jornais, inclusive A União, órgão oficial do Estado, contrariando o que ficara acordado entre as partes, ou seja, ninguém seria fotografado, muito menos, expostos seus rostos aos órgãos da imprensa” (in: ARRUDA MELLO e ROCHA MELLO, 2021, p.195).

Com um olhar retrospectivo, pode-se interrogar sobre qual seria a melhor atitude do Diretório Acadêmico quando da invasão da Faculdade pelos secundaristas. Sabendo-se de antemão das dificuldades de controlar a ocupação, não teria sido mais adequado abdicar dessa responsabilidade, informando aos que pretendessem participar do evento que este não teria a chancela do Diretório, e dos riscos que assumiriam com sua participação?

Em depoimento prestado ao repórter José Nunes em 1994 a respeito, disse ter sido o Diretório Acadêmico de Direito que convocou os estudantes para a ocupação da Faculdade, pois não sabia que ela tinha sido de iniciativa dos estudantes secundaristas. Não obstante, o então Presidente do Diretório, Tarcísio Fernandes, esclareceu-me posteriormente que, mesmo tendo sido surpreendido com essa iniciativa, a Diretoria do Diretório resolveu encampá-la (FERNANDES: 2024).

Na mesma oportunidade, eu disse ao referido jornalista o seguinte: “a estratégia das esquerdas era ruim porque se pretendia radicalizar sem ter uma correlação de forças favorável. Ademais, naquele momento, a questão da democracia não era valorizada: a esquerda também era golpista, à sua maneira. Mas é preciso que a gente entenda que o contexto internacional era outro, dominado pelo maniqueísmo associado à Guerra Fria” (GUEDES et alli, 1994 p. 270 e 272).

Participação em manifestações e eventos estudantis

Afastado da universidade durante o ano de 1964, por força da cassação de meus direitos de estudar, voltei, em 1965, a cursar Direito, participando intensamente, sobretudo no ano de 1968, das manifestações contra a ditadura e, em particular, contra sua política para a universidade. O foco da mobilização dos estudantes foi, na questão educacional, a perspectiva da assinatura dos Acordos MEC-USAID.

No plano internacional, a guerra do Vietnã provocou forte repercussão no movimento estudantil. Fui designado pelo DCE para atuar como promotor, tendo os Estados Unidos como réu, em 1967, em júri realizado no Clube do Estudante Universitário, sediado no Cassino da Lagoa, quartel general das batalhas campais que travamos contra a polícia. Apesar da modéstia do evento, minha participação nesse “Júri simulado” mereceu registro do Serviço Nacional de Informações (SNI). (DIAS: 2021, p. 198), dentre os vinte com que fui brindado pelo regime militar.

Não se pode olvidar o papel da Aliança (Cultura) Francesa de João Pessoa, também sediada na Lagoa. Graças à coragem e ao espírito democrático do seu então Diretor, Louis Pinatel, serviu, com frequência, de refúgio dos estudantes. Fugiam da perseguição policial resultante das várias manifestações promovidas contra a ditadura, nas quais eu tinha presença constante (LYRA, in ROCHA E DIAS FERNANDES: 2021, p.305).

Também distribuí, em várias ocasiões, nos cinemas de João Pessoa, panfletos clandestinos preconizando a derrubada da ditadura. E busquei, no âmbito da Faculdade de Direito, de perfil conservador, não só participar de atividades políticas, mas também, organizando competições, exibindo filmes de arte e integrando comissões do Diretório Acadêmico.

Agamenon Sarinho, um dos líderes estudantis do Lyceu em 1968, afirmou, em depoimento, que “entre os universitários, eu me lembro de Rubens Pinto Lyra. Lembro da figura dele, no Ponto de Cem Réis, fazendo discurso. Ele subia num tamborete e ficava falando” (DEPOIMENTO. In: ROCHA E DIAS FERNANDES – Vol. I, 2021: p.94).

A candidatura à presidência do DCE

Minha intensa participação no movimento estudantil, iniciada aos 14 anos, no Colégio Pio X, somada à atuação nas manifestações e demais eventos contra a ditadura, no ano de 1968, levou a Ação Popular (AP) a convidar-me, mesmo dela não fazendo parte, a ser candidato à Presidência do DCE, nas primeiras eleições diretas da entidade. E isso a despeito do pouco tempo que tinha para o movimento estudantil, já que, além de estudante do curso de Direito, era professor de Língua e Literatura Francesas do Colégio Estadual de João Pessoa.

A Ação Popular (AP) defendia uma linha mais radical, embora não militarista, de opção ao regime militar, priorizando os aspectos políticos da luta contra a ditadura, e mais democracia no âmbito social e político. Já o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) enfatizavam a contestação à política educacional da ditadura. Dentre as formações políticas de esquerda, apenas a AP, à época, era crítica do modelo leninista e soviético do socialismo, embora mais adiante tenha se tornado maoísta.

Fui derrotado nas eleições do DCE pelo saudoso e admirável companheiro Everard Nóbrega de Queiroz, precocemente falecido, nas primeiras eleições diretas para essa entidade.

O XXX Congresso da UNE

Ainda em 1968 fui eleito Delegado — o único — da Faculdade de Direito da UFPB ao III Congresso dessa entidade, previsto para ser realizado em outubro desse ano, em Ibiúna (SP). Sublinhe-se que esse Congresso foi abortado, mal iniciada a discussão de sua pauta, por uma invasão da Polícia Militar de São Paulo.      A conjuntura política do XXX Congresso da UNE era de radicalização política. Estávamos a menos de três meses da decretação do Ato Institucional no. 5, que serviu de base, supostamente jurídica, para todos os atos discricionários e violências cometidas pela Junta Militar e Governos dos presidentes militares que a sucederam.

Parte da esquerda já tinha caído na clandestinidade. No plano local, ainda em agosto, em plena eleição do DCE, vários colegas haviam tido prisão preventiva decretada entre os quais José Ferreira, Presidente do DCE e João Roberto Souza Borges, dirigente da Ação Popular (AP) e Presidente eleito do Diretório de Medicina, que posteriormente encontrado morto, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Outro integrante de destaque da Ação Popular (AP) foi Socorro Fragoso, estudante de Serviço Social da UFPB. Foi obrigada, durante anos, a permanecer na clandestinidade. Com a redemocratização chegou a ser eleita Deputada Federal, com o nome de Jô Morais, pelo PC do B do Estado de Minas Gerais.

Também teve protagonismo na luta contra a ditadura o universitário Simão Almeida, militante do PC do B, que, como Socorro, amargou longos anos de clandestinidade, sendo os dois apoiadores — juntamente com João Roberto — os de maior destaque da minha candidatura à Presidência do DCE, Simão, com o retorno à democracia, dedicou-se à atividade parlamentar, por duas vezes eleito Deputado Estadual pelo mesmo Partido.

A organização do congresso

As características da organização do XXX Congresso da UNE denunciam o caráter vanguardista das concepções dos seus organizadores: projetou-se para ficar totalmente isolado das “massas”, como se dizia. Não sabíamos como havíamos chegado lá e de lá saímos sem saber onde estávamos.

Os congressistas foram recepcionados por participantes do conclave, designados pela sua direção, armados. Passaram privações, nos quatro dias em que estiveram no sitio que sediaria o congresso, no município de Ibiúna (SP), ficando consideravelmente enfraquecidos.

Participaram de uma espécie de adestramento para a guerrilha, sem que jamais sido consultados a respeito. Não se trata apenas de uma mera opinião pessoal, conforme se depreende dessa curta passagem do livro de Zuenir Ventura sobre o ano de 1968: “Ao chegar ao sítio, o Presidente da União Metropolitana de Estudantes de São Paulo, Vladimir Palmeira, teve a sensação de estar desembarcando num acampamento de guerrilha” (1988, p. 246). Vladimir Palmeira era um dos principais líderes do movimento estudantil universitário.

Uma jovem participante do congresso, em reportagem da então famosa revista O Cruzeiro, revelou que “viveu momentos de desespero: entre dormir e comer, era necessário uma escolha decisiva: os que ficavam nas longas filas de comida não conseguiam vaga para deitar. Às três da manhã quem estava dormindo, era obrigado a ceder o lugar a quem permanecia no relento, esperando a vez de descansar. A maioria não tinha condições de suportar mais um dia que fosse” (LUZ: 1968).

Sou testemunha dessas condições, na realidade piores do que as descritas, pois a comida era quase inexistente, de péssima qualidade e as acomodações para a dormida mais do que precárias. “Já havia um caso de caxumba e outro de hepatite. Além disso, três pessoas já haviam desmaiado de fraqueza. O serviço médico da Polícia começou a distribuir açúcar, pois constatou ser grande a carência de glicose” (O CONGRESSO:1968).

As instalações destinadas à realização do Congresso que funcionaram, também, como dormitório, eram na verdade um buraco, cavado em um barranco, com degraus que serviam de arquibancada, tendo parte delas, inclusive, desmoronado, em função das fortes chuvas que se abateram no local. E como os setores vanguardistas do movimento universitário se consideravam iluminados, constituídos por quem, supostamente, estudou a Revolução e acreditava estar preparando-a, se julgaram no direito de impor suas concepções a todos.

A incompetência dos organizadores do congresso

A autoconfiança excessiva e a incompetência dos organizadores do congresso fizeram com que a Polícia paulista localizasse com facilidade o local onde estavam reunidos os seus participantes e os prendessem. Quem tivesse, anteriormente, querido sair, não sairia, porque a entrada do sitio permaneceu, todo, o tempo, guardada por integrantes armados da organização do Congresso.

Impressiona, para pretensos instrutores de guerrilha, o seu despreparo. Relatam várias reportagens da época que havia quem fosse fazer cobranças ao dono do sítio onde foi albergado o congresso da UNE. Encarregados da segurança desse conclave prenderam um deles por dois dias e terminaram por soltá-lo!

O personagem preso denunciou a prisão à polícia e só esse fato foi suficiente para comprometer o congresso. Além do que a inusitada movimentação na pequena cidade de Ibiúna, que nunca recebia visitantes em quantidade, despertou igualmente as suspeitas da polícia (VENTURA: 1988, p. 245).

Conforme descreve Cláudio José Lopes Rodrigues “O XXX Congresso da clandestina UNE se constituiu um autêntico segredo de Polichinelo. Foi abortado na fria e chuvosa manhã de sábado, 12 de outubro de 1968, quando 400 soldados da Força Pública de São Paulo e agentes do DOPS invadiram o sitio Murundu, sede do encontro, nos arredores do município paulista de Ibiúna, sob o comando dos delegados paulistas Orlando Rosante e Paulo Buoncristiano e do Coronel Barsotti, Comandante do 7º Batalhão da Força Pública”. O “portentoso arsenal” encontrado : duas Beretas, uma Lugger e duas carabinas” (O CONGRESSO:1968).

Prisão e libertação

Registre-se inicialmente que a detenção dos estudantes em Ibiúna correspondeu à maior prisão coletiva até então ocorrida no Brasil. Segundo Zuenir Ventura “o número de estudantes presos varia, segundo a fonte, entre 750 a mais de 1.500” (1988: p.239).

Durante a “hospedagem” desses estudantes no presídio Tiradentes, não se teve conhecimento de maus tratos, nem de torturas, panorama que mudou radicalmente com a edição, em 13 de dezembro deste ano de 1968, do Ato Institucional nº 5. Fizemos greve de fome, em protesto contra a privação de nossa liberdade e contra a comida, de péssima qualidade. Entoávamos constantemente o hino “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós. Das lutas, nas tempestades, dá que ouçamos a sua voz”

Os paraibanos foram os primeiros a ser libertados, ao que se dizia, graças a acordo feito entre o Governador João Agripino Filho, pai de um dos congressistas, Fábio Maia, que estudava Engenharia na UFPE e Abreu Sodré então Governador de São Paulo.

Entretanto, o depoimento de Lourdes Meira, à época, ativa participante do movimento estudantil universitário, diverge radicalmente dessa versão: “o governo do Estado se recusava a interceder pelos estudantes da Paraíba presos. A truculência do governo do Estado aumentou e acabou envolvendo outros setores, como o Judiciário, cujo prédio foi invadido pela polícia à caça dos estudantes” (in ROCHA E DIAS — 2018, p. 51).

Fui o primeiro a retornar a João Pessoa. Dei entrevista a respeito do Congresso da UNE ao jornal Correio da Paraíba, desmentindo que tivéssemos sido torturados (REGRESSAM: 1968).

Enquanto os delegados ao congresso estavam presos, as lideranças estudantis de João Pessoa e Campina Grande realizaram várias manifestações de protesto, exigindo a libertação dos seus participantes.

Poucos dias depois da volta de Ibiúna, deu-se o lance final: a eleição clandestina, para a Presidência da UNE, saindo vencedor o candidato da AP, Jean Marc Von Der Weid.

Minha atuação nos movimentos sociais: uma opinião

Em artigo publicado na Revista Práxis Educacional, o prof. Rogério de Araújo Lima avaliou a minha atuação como opositor do regime militar da seguinte forma: “Rubens Pinto Lyra é uma das testemunhas mais notáveis do movimento estudantil de resistência ao golpe e de enfrentamento à ditadura. Isso explica a sua participação em mais de um fórum da Comissão da Verdade da Paraíba e a dedicação de um momento (oitiva) só para seu testemunho. Nessa oitiva, que leva seu nome como título, narra sua permanente militância política, que adentrou no exercício da docência de nível superior” (2019: p. 141).

Reflexão crítica

Necessário, em primeiro lugar, refletir sobre as condicionantes da ação política do movimento universitário e, mais geralmente, da esquerda socialista, à época, determinada, essencialmente, pelo maniqueísmo ideológico então vigente. Avulta, nesse contexto, o papel da ideologia vanguardista, que sempre imaginou a revolução batendo à nossa porta.

Esta ideologia levou o movimento estudantil universitário à falta de compreensão da correlação de forças desfavorável entre o regime militar e a esquerda dita revolucionária, com consequências funestas, de que resultou o sacrifício de muitos militantes.

Analisando com olhar retrospectivo, a realização do XXX Congresso da UNE, os seus principais responsáveis são unânimes em considerar que sua forma de organização foi um erro, mas ninguém assume a responsabilidade de tê-lo cometido (VENTURA: 1988, p.241).

Na verdade, o buraco estava mais em baixo. A desconfiança que prevalecia entre as tendências que se digladiavamnão era compatível com a organização exitosa de um conclave de tal envergadura, que supõe um grau razoável de confiança entre adversários, sob pena de terceiros arcarem com as consequências de eventual fracasso, como foi o que ocorreu. Prova indiscutível dessa incompatibilidade: declaração prestada à revista Veja pelo estudante Paulo de Tarso, responsável pela segurança do congresso e seguidor de José Dirceu, o candidato de Vladimir Palmeira à Presidência da UNE, a propósito de uma suposta informação recebida por Travassos sobre a iminente chegada da polícia ao sítio que sediou o congresso: “Se ninguém fugiu a tempo, foi porque Travassos queria ver na informação recebida uma manobra política de seus adversários” (VENTURA: 1988,     p.247).

O dono do sítio Murundu, Domingos Simões, onde se intentou realizar o XXX Congresso, pagou caro o favor que fez aos seus organizadores, cedendo-lhe sua propriedade para o conclave estudantil. Segundo relata Ventura: “Depois de fugir e ficar escondido por dois anos, Simões foi finalmente preso e recolhido à Operação Bandeirantes, junto com a mulher e suas duas filhas, Ana Joaquina e Maria da Glória. Sua mulher relatou que: “Fiquei numa cela e as meninas em outra, de forma que a gente ouvia os gritos de Simões sendo torturado” (1988, p.243).

Na ocasião, a mulher de Simões tinha 17 anos e nem podia ser presa, e sua filha menor, Ana Joaquina, apenas 3 anos. Os prejuízos do “vanguardismo” se estenderam às centenas de estudantes que foram, em todo o país, privados, por um ano ou mais, de seus direitos de estudar.. Eles também sofreram várias outras punições, derivadas da cassação, extremamente prejudiciais, com destaque para o impedimento oficioso, até a revogação do AI no. 5, de ingresso no serviço público, especialmente nas universidades.

O desprezo histórico da esquerda pela democracia, pretensamente reduzida à condição de “democracia burguesa”, decorreu, em grande parte, da influência de concepções vanguardistas de revolução e de luta política, gerando clima de desconfiança entre tendências, que acreditavam serem donas exclusivas da verdade. Iludidas por falsas ideologias, concebiam as diferentes modalidades do “socialismo real” como sendo efetivamente socialistas.

A história, contudo, demonstrou, com a queda do Muro de Berlim, que esse suposto socialismo era mais nocivo ao trabalhador do que o próprio capitalismo – por que “não somente o explora como também o priva de liberdade” (KAUTSKY, in LYRA, 2021, p. 147).

Todavia, a débâcle dos regimes estatistas-burocráticos favoreceu a inserção institucional crescente da esquerda, desenvolvendo, a partir do êxito de várias experiências social-democratas, a aceitação reticente das virtudes do regime democrático, e o compromisso com sua defesa. Hoje, as práticas vanguardistas perderam, mesmo para a pequena minoria que ainda as apreciava, a sua credibilidade e glamour.

Portanto, somente com efetiva aceitação das regras do jogo democráticas — tanto mais consistentes quanto maior o protagonismo das esquerdas, será possível construir acordos, firmar alianças e elaborar programas dotados de credibilidade e apoio popular.

Vale refletir sobre até que ponto a atual realidade do poder no Brasil encarna essas possibilidades, ou delas continua distanciado.

*Rubens Pinto Lyra é Professor Emérito da UFPB. Fundador e ex-dirigente da ANDES. Autor, entre outros livros, de Bolsonarismo: ideologia, psicologia, política e temas afins (CCTA/UFPB) [https://amzn.to/49WpSUx].

Referência


Rubens Pinto Lyra. Memórias — teoria e prática de um estudioso da política. João Pessoa, Editora do CCTA, 2024, 204 págs.

Bibliografia


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FERNANDES, José Tarcísio. Depoimento ao autor. 27.2.2024.

GUEDES, Nonato et alli (org.). O jogo da verdade. João Pessoa: A União, 1994.

LIMA, Rogério Araújo. A educação superior na Paraíba à luz da Comissão Estadual da Verdade. Revista Práxis Educacional. Vol. 15, sn.34, Edição Especial, 2019.

LUX, Luiz Antonio e PETROLLI, Claudine. Quatro noites no purgatório. O Cruzeiro, 2.11.1968.

LYRA, Rubens Pinto. A primavera libertária de Maio. In: Lyra, Rubens Pinto. Bolsonarismo: ideologia, psicologia, política e temas afins. João Pessoa: Ed. do CCTA/UFPB, 2021.

KAUTSKY, Karl. A ditadura do proletariado. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas.

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ROCHA, Washington e DIAS FERNANDES, Telma. 1968: o ano que ficou. Vol. I João Pessoa: Ed. do CCTA, 2017.

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SARINHO, Agamenon. Depoimento. In: ROCHA e DIAS Fernandes. 1968: o ano que ficou. João Pessoa: Ed. do CCTA, Vol. I, 2017.

RODRIGUES, Claúdio José Lopes. Alienados e subversivos — a aventura estudantil.

João Pessoa: Editora Ideia, 1999.

VENTURA, Zenir. 1968: o ano que não terminou. São Paulo: Nova Fronteira, 1988

Chico Buarque, 80 anos

Por ROGÉRIO RUFINO DE OLIVEIRA*

A luta de classes, universal, particulariza-se no requinte da intenção construtiva, na tônica de proparoxítonas proletárias

Noel Rosa e Tom Jobim tiveram um filho juntos, nascido e criado artista depois de Chega de saudade. Cresceu e, ao reinventar a saudade, que não se traduz, escreveu que “dói como um barco, que aos poucos descreve um arco, e evita atracar no cais”. Exceto nos livros de ficção, quase não fala fora da canção, nunca deixa sobrar palavra dentro dela.

Seu conservadorismo formal construiu empreendimentos excelentes com coerência ideológica anticonservadora. Com sutileza crônica, pôs tijolo com tijolo num desenho lógico, mágico e à esquerda. Alta literatura fraseada em assovio, caymmolente, de modo a fazer o pê de MPB parte constitutiva dessa estatura. Está no verbete “canção brasileira” para o mundo como o cume do exemplo convencional. Sua sorte, Bob Dylan, é que ele fala português.

Guri, Pivete e Geni. Palhaços, ciganos e trabalhadores assalariados. Inúmeros pretos com paus enormes em Caravanas, Mar e Lua, funcionário e dançarina. Ninguém duvida do que é capaz a suposta gay que mistura baião e rock. Biscate, Sinhá, As atrizes e a Beatriz. Elza Dura na queda. Dondocas, Ode aos ratos, A Rita e Futuros amantes. Até mesmo Manuel e Miguilim. Nina lá de Moscou, nhonhô histórico dentro do blues, O caderno. Juntos com outros tantos, sob as bênçãos artísticas das Mulheres de Atenas, não moralizam seus modos de representação. São arteiros, possuem modos de arte. Justamente por isso o período atemporal provavelmente os conservará.

Em briga de marido e mulher, a crítica social mete a língua e juntos fazem canções de amor a três. Um dia, nos anos 1990, um casal viajou de avião pela globalização neoliberal algo real, meio onírica, sem muita consistência do que ocorria pelos ares, passeio com sentido e sentimento rarefeitos, mas não a batida do tango, definida, certa de que Sonhos, sonhos são.

A luta de classes, universal, particulariza-se no requinte da intenção construtiva, na tônica de proparoxítonas proletárias em movimento e disciplina ou, via anagrama, com Iracema pós-romântica lavando o chão da América colonial. Certo espírito do tempo com quatro faces, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, João Cabral e Cecília Meireles, soprou pelo caminho uma brisa que é coesão de época, tudo foi como foi, e para ele ainda é, também por conta desse desmedido quadro.

Assim o país se equilibra: se sua contraparte experimental, alegria alegria de Santo Amaro, tem pronta em canções-ensaios uma teoria social brasileira, ele, que é filho de sangue do ensaísmo canônico, teorizou contista à cantoria. Interpreta a si mesmo como ninguém, parece que não interpreta.

Seu poema faz assim, “Meu coração, que você sem pensar / Ora brinca de inflar, ora esmaga / Igual que nem fole de acordeão / Tipo assim num baião do Gonzaga”, quando faz assim. Vida e obra constrangedoras de toda afetação. Pedro Pedreiro, com 21 anos daquele jeito, chocou ao não mentir a idade.

“Que tal um samba?”, o último gesto por enquanto, é convite para o que propõe a acontecer, mas, enquanto convida, o barulho dos fonemas encadeados já realiza em ato, sem confessar, o que sugere para depois. A palavra dada, não literal, não está dada. Se faz no agora, mas não imediata, faz de conta no som pelo fato de ser música ao mesmo tempo que palavra. Aliás, a palavra é carne e motivo da música. O ouvinte-convidado que escuta as consoantes é envolvido por elas. Antes de dizer se aceita ou não o invite, percebe-se no meio da roda de samba instrumental de timbres dependentes da técnica da aliteração e ao mesmo tempo autônomos dela quando iluminados pelo resultado produzido.

Faz cumprir o que disse: “Aprendi que melodia e letra podem, e devem, formar um só corpo e procurei frear o orgulho das melodias”. Seu traço tem a data do século XX. É delicado, imaginativo e amoroso com o engenho. Avança com o passado futuro afora enquanto sobrevoa discreto, como presente, o estado do tempo pelo qual alcança seus 80.

*Rogério Rufino de Oliveira é professor de literatura e doutorando em Letras na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Documentário aponta o governador do RS como culpado pelas enchentes

Desde as fortes chuvas iniciadas no último dia 27 de abril no Rio Grande do Sul, que afetou áreas do campo e cidade, 500 famílias Sem Terra assentadas foram atingidas pelos alagamentos, com inundações de suas casas, perda da produção de alimentos, prejuízos de estruturas, ferramentas, maquinários; além da vida de muitos animais.

Documentário de oito minutos aponta que o governo de Eduardo Leite não executou nenhum centavo do orçamento para a prevenção de enchentes e alagamentos, uma tragédia anunciada bateu a porta de pessoas do campo e da cidade.  Para agora, o que precisamos é de solidariedade, que em coletivo possamos reconstruir o que foi destruído não pela natureza, mas pelo descaso sistemático do governo do estado do Rio Grande do Sul, que, não por falta de inteligência, por falta de dados ou de avisos, deixou seu povo se afogar. Mas permitiu que a vida de milhares de pessoas fossem levadas na enxurrada para que o agronegócio possa continuar explorando o meio ambiente indiscriminadamente.

Coluna Zona Franca

Joiasgate

Mauro Cid confessou à Polícia Federal que entregou parte do dinheiro da venda das joias em mãos para o Bolsonaro durante uma viagem oficial a Nova York. Os recursos teriam sido entregues em espécie em setembro de 2022, quando o ex-presidente estava na cidade americana para fazer aquele que seria seu último discurso como na Assembleia-Geral da ONU. As investigações encerram em julho e Bolsonaro dever ser preso ainda este ano.

 

28ª fase da Operação Lesa Pátria

Fotos do 8 de janeiro são recuperadas um mês depois - 11/02 ...A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 20/6, a 28ª fase da Operação Lesa Pátria, com o objetivo de identificar pessoas que financiaram e fomentaram os fatos ocorridos em 8/01/2023, em Brasília/DF.  Ao todo, estão sendo cumpridos 27 mandados judiciais (15 mandados de busca e apreensão e 12 de busca pessoal), expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Foi determinada a indisponibilidade de bens, ativos e valores dos investigados.

Maria do Rosário lidera

Maria do Rosário (deputada do PT-RS) e Sebastião Melo (prefeito de Porto Alegre)Pesquisa AtlasIntel: Maria do Rosário(PT) lidera corrida pela prefeitura de Porto Alegre. Sebastião Melo está em segundo. De acordo com o levantamento, a deputada federal possui 30,2% da preferência do eleitorado, ante 24,8% do atual prefeito da capital gaúcha, Sebastião Melo. Em seguida aparecem a deputada federal Any Ortiz (Cidadania), com 9,1%, a vereadora Comandante Nádia (PL), com 8,5%, a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), com 8,2%, e o deputado estadual Felipe Camozzato (Novo), com 6,7%. Thiago Duarte (União) e Fabiana Sanguiné (PSTU) aparecem com 1,3% cada um. Eleitores indecisos somam 2%, enquanto votos brancos ou nulos representam 7,9%.

PT já tem 172 pré-candidatos

A Comissão Executiva Nacional do PT homologou, nesta segunda-feira (17), mais 15 pré-candidatos/as e coligações a prefeito/a que serão lançados ou apoiados pelo partido nas cidades com mais de 100 mil eleitores. Até agora, já foram homologadas 172 pré-candidaturas e coligações em municípios com mais de 100 mil para indicação à Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), segundo o site do partido.

PT já tem 172 pré-candidatos 2

Para a disputa nas capitais do país, a direção nacional do PT já homologou 12 pré-candidaturas próprias: Belo Horizonte (Rogério Correia), Porto Alegre (Maria do Rosário), Vitória (João Coser), Goiânia (Adriana Accorsi), Maceió (Ricardo Barbosa), Manaus (Marcelo Ramos), Fortaleza (Evandro Leitão), Campo Grande (Camila Jara), Cuiabá (Lúdio Cabral), Terezina (Fábio Novo), Natal (Natália Bonavides) e Florianópolis (Lela Farias). Também já foram aprovadas pela direção nacional do PT alianças em quatro outras capitais: São Paulo (Guilherme Boulos – Psol), Salvador (Geraldo Júnior-MDB), Belém (Edmilson Rodrigues – Psol) e Rio Branco (Marcus Alexandre-MDB).

Jogo do bicho legalizado

O projeto de lei que permite a operação de cassinos e bingos, legaliza o jogo do bicho e autoriza apostas em corridas de cavalos avançou no Senado após receber a aprovação apertada da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (19). O projeto estabelece diretrizes para exploração, fiscalização e controle dos jogos, além de definir a tributação das casas de apostas e prêmios, garantindo diversos direitos aos jogadores. O que será do povo brasileiro que já está viciado em jogos eletrônicos, Bets, além das loterias oficiais.

Harmonização na cara de pau

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá decidiu, por unanimidade, cassar o mandato da deputada federal indígena Silvia Waiãpi (PL-AP). A denúncia aponta que ela realizou procedimento de harmonização facial  em 29 de agosto de 2022, em pleno período de campanha eleitoral. Nesse mesmo dia, a deputada federal recebeu recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Silvia Waiãpi é conhecida por apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e é uma crítica ativa do governo do presidente Lula.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, Veja, Folha, Metrópoles, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

 

Remediados e pobres

Ilustração-Dora Longo Bahia. Revoluções (projeto para calendário), 2016 Acrílica, caneta à base de água e aquarela sobre papel (12 peças) 23 x 30.5 cm cada

Por VALERIO ARCARY*

Quando consideramos os pesos proporcionais, há mais lealdade ao lulismo entre os miseráveis, e maior consolidação do reacionarismo entre os remediados, uma inversão histórica

“A cisma é pior que uma doença” (Provérbio popular português).

A apresentação pela bancada evangélica, apoiada pelo bolsonarismo com a cumplicidade do Centrão, de um projeto que nivela a criminalização, até do aborto que é considerado lega, após 22 semanas ao homicídio incendiou uma mobilização nacional de repúdio que foi capaz de realizar as maiores passeatas de 2024 nas grandes cidades em 2024. Foi espetacular. O movimento feminista revelou força social de impacto. Foi uma resposta contundente a uma provocação ultrarreacionária. Mostrou um caminho.

Mas no marco de uma situação defensiva, e com o apelo de uma bandeira democrática humanitária. Não deve iludir a esquerda, em especial, a anticapitalista, que um problema vital permanece intacto. A extrema-direita fraturou a sociedade, profundamente, porque conquistou uma poderosa base de massas na classe trabalhadora. Sem reconquistar a maioria, unindo os assalariados “remediados” com ou sem carteira assinada, com a parcela mais pobre do povo, não será possível derrotar social e politicamente a corrente neofascista. Essa deveria ser nossa estratégia: construir uma maioria social entre os explorados e oprimidos.

Mas não é a linha do governo Lula. A orientação do governo Lula é tentar repetir, teimosamente, em 2026, a tática eleitoral de 2022, com a estratégia econômico-social de 2006: manter a Frente Ampla, se não no primeiro turno, pelo menos no segundo turno, arrastando os votos da fração burguesa liberal. Será possível? Sim, mas provavelmente, não será o bastante, e perderemos as eleições.

Por quê? Porque o Brasil mudou e a vitória eleitoral de 2022 foi circunstancial, em grande medida em função do impacto da pandemia. Não é provável que se repita. A representação política tradicional da classe dominante, desde o fim da ditadura, sempre teve o apoio da maioria da classe média, que se dividia entre MDB e suas rupturas e os herdeiros da Arena. Mas conseguiam arrastar o voto da maioria do “povão”, em função das relações de clientela, nos interiores rurais e nas extremas-periferias urbanas.

Isso mudou. Depois dos treze anos de governos de colaboração de classes liderados pelo PT, ocorreu uma mudança político eleitoral muito progressiva. O impacto de algumas reformas progressivas – Bolsa-família, aumentos do salário-mínimo, redução do desemprego, cotas nas universidades, expansão do SUS, entre outras – garantiram a consolidação do apoio eleitoral de massas entre os mais pobres ao lulismo. Antes de 2002, a esquerda não vencia eleições entre os mais pobres, por variadas razões.

Só que, nos últimos dez anos, outra grande mudança qualitativa aconteceu, desta vez reacionária: a extrema direita conquistou posições entre as camadas médias da classe trabalhadora. É uma tragédia, mas uma “divisão” aparta duas parcelas da classe trabalhadora: os remediados e os pobres. Enquanto uma maioria dos condenados à miséria “giraram à esquerda”, pelo menos metade dos remediados “giraram à direita”.

Na raiz deste processo encontramos transformações sociais profundas. A “crueldade” histórica é que a desigualdade social entre os que vivem do trabalho assalariado diminuiu, porque o piso da extrema pobreza subiu, mas a remuneração das camadas médias de trabalhadores estagnou com viés de queda. A distribuição funcional da renda entre capital e trabalho somente oscilou, sem sair do lugar.

Nestas duas parcelas há gente de esquerda e de direita com visões de mundo irreconciliáveis. Mas uma perigosa ilusão de ótica alimenta conclusões míopes. Não é correto concluir que a maioria dos remediados, que estudaram mais e vivem um pouco melhor, ainda têm hoje uma inclinação para a esquerda. Ou que os mais pobres têm preferência pelo reacionarismo.

Na verdade, quando consideramos os pesos proporcionais, há mais lealdade ao lulismo entre os miseráveis, e maior consolidação do reacionarismo entre os remediados, uma inversão histórica. A miopia é mais grave quando associamos a preferência religiosa pentecostal na análise. O bolsonarismo é, amplamente, majoritário entre os evangélicos, mas minoritário entre os mais pobres. A percepção desta divisão fica mais enviesada ainda quando integramos a fratura racial na avaliação. A maioria dos remediados não é autodeclarada negra, ou a maioria dos mais pobres não é branca. Medo e preconceito envenenam a compreensão deste paradoxo.

O pentecostalismo da prosperidade continua crescendo. Mas a ideia de que o reacionarismo religioso se concentra, essencialmente, na parcela mais pobre do povo não corresponde à realidade. Lula mantém um apoio majoritário entre a população que ganha até dois salários-mínimos, não só na região Nordeste.

Há uma correlação entre baixa escolaridade e influência das grandes igrejas evangélicas, mas não há causalidade entre pobreza e bolsonarismo. O núcleo duro da força social e eleitoral da extrema direita repousa nos remediados, assalariados ou “empreendedores”, não entre os despojados. Assim que a renda permite as famílias de trabalhadores contratam trabalho doméstico, matriculam os filhos em escolas privadas, compram planos de saúde para seus pais, alugam por uma semana uma casa na praia para férias, compram automóveis e por aí vai: imitam o padrão de consumo da classe média proprietária ou de alta escolaridade em funções executivas.

Não assimilam somente um estilo de vida, mas as ideias de uma visão de mundo: repudiam os impostos porque não usam a educação e saúde pública, odeiam o Estado porque foram envenenados pela Lava Jato de que tudo é corrupção, e abraçam a perspectiva de que na vida social é o “cada um por si mesmo”. A estagnação da mobilidade social e a pressão inflacionária nos serviços empurraram uma parcela dos remediados para o bolsonarismo. Mas, infelizmente, é ainda mais complicado. A parcela dos remediados que apoia o bolsonarismo tem ressentimento político contra a esquerda porque acredita que são injustas as massivas transferências de renda para a pobreza extrema. Abriu-se uma brecha entre remediados e muito pobres.

Lula venceu entre as mulheres que são o núcleo duro da corrente pentecostal, mas têm em média mais escolaridade que os homens. Lula venceu entre os pretos que são a parcela mais pobre entre os negros, mas têm em média, a mais baixa escolaridade do povo. Não é possível identificar, portanto, causalidade direta entre o nível educacional-cultural das pessoas e a preferência política pela extrema direita.

Não era assim. A esquerda, essencialmente, o PT, foi majoritária entre os trabalhadores que ganham entre três e cinco salários-mínimos entre 1978, quando se abriu a fase final da luta contra a ditadura, até pelo menos 2013. Passou a ser majoritária entre os mais pobres, que ganham até dos salários-mínimos, após o primeiro mandato de Lula entre 2003 e 2006, garantindo a reeleição.

Dilma Rousseff foi eleita em 2010 e reeleita, em um segundo turno apertado, em 2014. Lula venceu por margem, dramaticamente, estreita em 2022. Mas Fernando Haddad perdeu para Jair Bolsonaro em 2018. Qual foi o deslocamento social decisivo? A conquista do voto dos miseráveis pela extrema direita, em função do apoio pentecostal? Ou a perda de influência entre os remediados?

Resumo da ópera: por que parece tão difícil para a esquerda reconquistar confiança entre os trabalhadores remediados que votaram no bolsonarismo? Porque o projeto lulista para vencer em 2026 aposta em “mais do mesmo” e está errado. Não vai ser possível repetir em 2026 o que deu certo em 2006, vinte anos atrás.

A fórmula da vitória, em 2006, foi essencialmente: (a) redução do desemprego pelo crescimento econômico dinamizado pela exportação de commodities com preços turbinados pela demanda chinesa; (b) controle da inflação pela acumulação de reservas cambiais, e taxas de juros reais entre as maiores do mundo; (c) distribuição de renda através de políticas públicas focadas na extrema-miséria.

Esta estratégia ignora que o Brasil não é mais o mesmo. Não vai dar certo, “mesmo que dê certo”. A economia pode crescer, apesar do arcabouço fiscal? Não é o mais provável, porque sem investimentos públicos parece difícil que o mercado interno mantenha a dinâmica de 2023, mas ninguém pode saber porque depende das demandas do mercado mundial. A inflação vai se manter abaixo de 4% ao ano? Ninguém pode ter certeza, é até improvável, mas não é impossível, se o Banco Central mantiver as taxas de juros entre as cinco mais elevadas do mundo. O Bolsa-Família turbinado com piso de R$600,00, algo em torno de US$120,00, garantirá a lealdade dos mais pobres ao lulismo? Provavelmente, sim. Ainda assim não será o bastante. Porque esta estratégia não permite recuperar o que a esquerda perdeu entre os trabalhadores remediados.

Seria possível outra estratégia? Sim, sempre há alternativas. Mas ela teria que passar por uma “revolução” na educação pública que torne as escolas atraentes, não somente porque são gratuitas, mas porque oferecem ensino de qualidade pelo menos equivalente á média das escolas particulares. Teria que passar por uma “revolução” no SUS, para que a marcação até de uma simples consulta, não seja somente para dois ou três meses depois. Teria que passar por uma substancial redução dos impostos de renda sobre os remediados.

Isso não será possível sem impostos sob as grandes fortunas, heranças e renda, por exemplo. Seria indispensável uma corajosa luta política. Mas, também, ideológica. a defesa da legalização do aborto, que já tem um atraso de meio século em comparação com os países centrais. A defesa de políticas antirracistas mais audaciosas como cotas de 50% nos concursos públicos. A defesa da descriminalização das drogas como resposta ao poder do crime organizado e à insegurança pública.

Luta política, inclusive, para garantir a expropriação de fazendeiros que fazem a expansão da fronteira agropecuária para que queimadas no Cerrado e Amazônia não se repitam, e catástrofes como as inundações no Rio Grande do Sul não caiam no esquecimento.

*Valerio Arcary é professor de história aposentado do IFSP. Autor, entre outros livros, de Ninguém disse que seria fácil (Boitempo). [https://amzn.to/3OWSRAc]

Com 35,7%, Boulos lidera corrida pela Prefeitura de São Paulo em nova pesquisa AtlasIntel/CNN

Na sequência aparecem Ricardo Nunes, Pablo Marçal e Tabata Amaral

 Pesquisa AtlasIntel/CNN sobre a corrida pela Prefeitura de São Paulo, divulgada nesta quarta-feira (19), mostra Guilherme Boulos (Psol) na liderança, com 35,7% das intenções de voto. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-00609/2024, entrevistou 2.220 eleitores paulistanos entre os dias 10 e 11 de junho, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.

O levantamento posiciona o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), na segunda colocação, com 23,4%. Desde a pesquisa anterior, realizada em 28 de maio, Nunes teve um crescimento significativo, subindo 2,9 pontos percentuais em relação aos 20,5% que detinha anteriormente.

Pablo Marçal (PRTB) vem em terceiro lugar com 12,6%, seguido por Tabata Amaral (PSB) com 10,7%. Marçal também apresentou um aumento acima da margem de erro, ganhando 2,2 pontos percentuais em comparação com o levantamento de maio.

  • Guilherme Boulos (Psol): 35,7%;
  • Ricardo Nunes (MDB): 23,4%;
  • Pablo Marçal (PRTB): 12,6%;
  • Tabata Amaral (PSB): 10,7%;
  • Kim Kataguiri (União): 6,9%;
  • José Luiz Datena (PSDB): 5,8%;
  • Marina Helena (Novo): 2%;
  • Altino Prazeres Júnior (PSTU): 0%.

Sem Marçal e Datena

Em um cenário alternativo onde Pablo Marçal e o apresentador José Luiz Datena não participam da corrida, Boulos amplia sua liderança com 37,5% das intenções de voto, enquanto Nunes sobe para 32,4%. Nesse contexto, Tabata Amaral aumenta sua fatia para 11,8% e Kim Kataguiri passa a 8,2%. Marina Helena (Novo) figura com 3,2%, e Altino não pontua.

Segundo turno

A pesquisa também simulou possíveis cenários para o segundo turno entre os principais candidatos. No confronto direto entre Boulos e Nunes, os números indicam um empate técnico.

Brasil 247

Coluna Zona Franca

Eleições 2026

Sim, caros leitores. O processo sucessório de 2026 já começou. O sistema (mercado) já escolheu os seus candidatos, inclusive o vice. Tratam-se de Tarcísio de Freitas (Republicanos ) e o atual presidente do Banco Central,  Roberto Campos Neto (PL). Isso não é ruim para Lula, nem pro PT. É ruim para o Brasil e para o povo brasileiro.  Embora o terceiro governo do presidente Lula já tenha acelerado o crescimento econômico, trazido o Brasil de volta à posição de oitava economia do mundo, reduzido o risco-Brasil, reduzido o desemprego, ampliado a renda dos brasileiros, atraído grandes investimentos e controlado a inflação, o jornal O Globo, da família Marinho, publica editorial nesta quarta-feira para dizer que o presidente “demonstra desorientação na economia”. O jornal também exalta Roberto Campos Neto, que mantém desnecessariamente uma das maiores taxas de juros do mundo, que transfere renda da sociedade brasileira para os mais ricos, e defende que o governo Lula ataque os aposentados e a população mais pobres, com um ajuste fiscal neoliberal.

Eleições 2026-2

“Os termos do ajuste ainda não estão claros, mas as prioridades deveriam ser duas: 1) desvincular das receitas os pisos de gastos em Saúde e Educação; 2) desvincular do salário mínimo os benefícios previdenciários. Ao contrário do que dizem os críticos, não se trata de corte ou congelamento, apenas de calibrar o ritmo de crescimento das despesas para que, paulatinamente, caibam no Orçamento. Outras ideias oportunas são a redução das emendas parlamentares e uma reforma administrativa que melhore a gestão e diminua o peso das despesas com pessoal”, escreve o editorialista.

Eleições 2026-3

Campos Neto, bolsonarista, tem interesse no enfraquecimento do governo Lula. Estimula as especulações contra a economia. Vive fazendo previsões alarmistas e sombrias, apesar do crescimento econômico, trazido o Brasil de volta à posição de oitava economia do mundo, reduzido o risco-Brasil, reduzido o desemprego, ampliado a renda dos brasileiros, atraído grandes investimentos e controlado a inflação.

Eleições 2026-4

O presidente Lula e o PT já deixaram claro que o ajuste não será feito no lombo dos mais pobres – o que desagrada a família Marinho. “As reações de partidários do governo são preocupantes. O PT divulgou comunicado em tom conspiratório, afirmando, contra todas as evidências e contra atos da própria equipe econômica, que inexiste crise fiscal. Nada mais distante da realidade. Lula tem o dever de transmitir sinais firmes de compromisso com o controle de gastos, do contrário a crise só se agravará”, aponta o editorialista. Fonte: Brasil 247.

Copom taxa Selic

A pressão do presidente Lula pela queda dos juros na véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou a expectativa do mercado financeiro sobre o placar dos votos do colegiado do Banco Central. A principal aposta dos neoliberais continua sendo a de que o colegiado decidirá hoje, quarta, de forma unânime pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) no atual patamar de 10,5% ao ano. Mas a possibilidade de novo racha no grupo ganhou força depois das declarações de Lula contra Roberto Campos Neto, informa o Painel da Folha de S.Paulo.

Lindbergh Farias

Lindbergh Farias O Brasil tem cerca de US$ 355 bilhões em reservas cambiais. Essas reservas, que foram construídas nos governos do PT, eliminaram o histórico problema da dívida externa brasileira e nos livraram do fardo dos ajustes do FMI. Lembram? Além disso, elas podem servir também para equilibrar o câmbio e para evitar ataques especulativos contra nossa moeda. O Banco Central tem atribuição para executar a política cambial, podendo atuar diretamente no mercado, comprando e vendendo moeda estrangeira e fazendo swap cambial, com o objetivo de conter movimentos desordenados e especulativos da taxa de câmbio. Ora, o dólar está subindo muito agora, de modo especulativo, sem que o BC faça nada. Por Lindbergh Farias, no X.

Pode piorar

Imagina como. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado debateu nesta terça-feira (18/6) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 65/2023) que transforma o Banco Central (BC) em empresa pública com autonomia financeira e orçamentária, sob supervisão do Congresso Nacional. Na prática, isso aprofundaria a autonomia do órgão e o deixaria quase como um Poder separado. Atualmente, o BC é uma autarquia de natureza especial, responsável por executar as políticas definidas pelo Conselho Monetário Nacional. A tentativa de mudança na atuação do BC surge pouco tempo após a entrada em vigor da Lei Complementar 179/2021 que garantiu a autonomia operacional ao órgão, e em um cenário no qual o comportamento do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem sido criticado por sua gestão da política de juros no país e pela sua aproximação com grupos de oposição ao governo Lula. “Essa PEC é um primeiro passo para a possibilidade de voltarmos a um quadro de fragmentação fiscal”, advertiu o economista André Lara Resende, no debate.

Paulo Betti disse tudo

A crítica postada pelo ator Paulo Betti, numa rede social, reflete a verdade sobre alguns bolsominions que ainda não tiraram o véu da viuvez e ainda adoram o “mito” mesmo com todos os escândalos de um desgoverno sem precedente no Brasil. “Os bolsominions não são idiotas, idiotas são ineficazes. Eles são mau-caráter. Mentem , não têm ética nem moral, mas são eficazes!”. Paulo Betti

Proteção da mulher

O presidente Lula sancionou,  na segunda-feira (17), o Projeto de Lei 501/2019, que dispõe sobre a elaboração e a implementação de plano de metas para o enfrentamento integrado da violência contra a mulher, além de criar também a Rede Estadual de Enfrentamento da Violência contra a Mulher e a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.  A iniciativa vai reunir União, estados, municípios e o Distrito Federal em uma grande ação nacional para construção e implementação de medidas que buscam proteger a mulher vítima de violência doméstica e familiar.

Proteção da mulher 2

Para isso, o texto do PL prevê que a Rede Estadual de Enfrentamento da Violência contra a Mulher e a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência serão compostas pelos órgãos públicos de segurança, de saúde, de justiça, de assistência social, de educação e de direitos humanos e por organizações da sociedade civil. Além disso, somente terão acesso aos recursos federais relacionados à segurança pública e aos direitos humanos os entes federativos que apresentarem regularmente seus planos de metas para o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.

Google e YouTube

 The Google logo is pictured at the entrance to the Google offices in LondonJustiça manda Google retirar postagens policiais que disseminam ódio. Medida liminar atinge conteúdos específicos de canais no YouTube. As postagens veiculadas por policiais que disseminam discursos de ódio em programas de podcast e videocast no YouTube estão suspensas por determinação da Justiça Federal. A decisão atendeu parcialmente a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU). A medida liminar atinge conteúdos específicos dos canais CopcastFala GlauberCafé com a Polícia e Danilsosnider.

Google e YouTube 2

De acordo com a ação, as postagens configuram também abusos no direito à liberdade de expressão. Ao decidir pela suspensão, e não exclusão definitiva, dos conteúdos, a Justiça quer assegurar a tutela de direitos humanos sem comprometer a liberdade de expressão e a atividade econômica dos réus, mantendo a reversibilidade da decisão até o julgamento final. O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto do MPF no Rio de Janeiro, Julio Araujo, classificou a medida como fundamental para combater esse tipo de postagem. “O estímulo à violência policial contido nesses vídeos estigmatiza a população negra, pobre e periférica, merecendo resposta do Estado e atuação da empresa que hospeda os canais”, avaliou.

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A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro também foi notificada para prestar informações sobre os procedimentos adotados para efetivar os termos da Instrução Normativa nº 0234/2023 (sobre o controle de postagens em redes sociais). O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro foi oficiado para que, no prazo de 15 dias, manifeste se tem interesse em compor o polo ativo da ação civil pública.

Chico Buarque 80 anos

Chico Buarque chega aos oitenta anos hoje, 19, e isso é motivo para parabenizá-lo. Mais ainda, é momento de nos felicitarmos e agradecer pela dádiva de sermos contemporâneos de um dos maiores e mais importantes artistas que esse país já gestou. Na sua inequívoca ausência de soberba, Chico Buarque “anda para frente arrastando a tradição” se renovando a cada nova canção, a cada novo livro. Como Mário de Andrade, Buarque (como diz Maria Bethânia), também é trezentos, trezentos e cinquenta ou até mais.

Chico Buarque 80 anos 2

A poesia e a prosa buarqueanas seriam outras se Chico não fosse o homem político que é, ou seja, um artista/homem em consonância com seu tempo. Estar sempre do lado certo da história o tornou muitas vezes o inimigo número um de determinados meios de comunicação, de políticos extremistas e idiotas em geral. Mas Chico nunca recuou, ao contrário, sempre avançou e se impôs enquanto artista e cidadão, pois bem sabe ele que “o artista que não consegue tomar partido deve se calar”. E assim, “Chico abraça a verdade, com dignidade contra a opressão” e segue “buarqueando com muito axé”, enquanto a mediocridade come poeira. Que se danem os liliputianos! “Eis o poeta feito de povo, que chega aos oitenta anos. Vida longa a Chico Buarque de Holanda e que ele nunca desista de nos resgatar”, diz Carlos Carvalho. (Brasil 247).

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

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Datafolha aponta maior aprovação de Lula e queda na rejeição

A avaliação considerada regular também alcançou 31% dos participantes da pesquisa

A aprovação do trabalho do presidente Lula chegou a 36% e se afastou da taxa de reprovação (31%), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça (18). A avaliação positiva oscilou um ponto em relação ao levantamento anterior, realizado em março, quando o número era de 35%.

A avaliação negativa teve uma queda no período, passando de 33% para 31%, e a regular, de 30% para 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que indica um cenário de estabilidade, mas mostra que a imagem do presidente teve uma melhora para a população.

O levantamento marca um ano e seis meses do terceiro mandato do presidente e mostra uma inversão na queda de popularidade, que vinha apresentando pioras desde o fim do ano passado.

Os grupos consideram Lula ótimo ou bom acima da média nacional são os mais pobres (42%), quem tem entre 45 e 49 anos (44%), mais velhos (47%), nordestinos (48%) e os menos instruídos (53%).

Os que mais veem o presidente como ruim ou péssimo são homens (35%), pessoas que possuem entre 25 e 34 anos (38%), com ensino superior (38%), evangélicos (44%) e quem recebe acima de 5 salários mínimos (45%).

O presidente Lula durante evento no Nordeste, onde tem alta taxa de aprovação. Foto: Reprodução

Em relação aos seus mandatos anteriores, o presidente tem uma aprovação semelhante à registrada nessa altura do governo em 2004: 35%. Sua reprovação na ocasião era bem menor (17%) e 45% da população o via como regular. Em maio de 2009, na sua segunda gestão, os números eram melhores: 69%, 6% e 24%, respectivamente.

A percepção sobre a economia também permaneceu estável nos últimos meses: 40% da população tem expectativa positiva sobre o tema, enquanto 28% acredita que a condição econômica do país deve piorar e 27% que tudo ficará igual. Em março, os números eram 39%, 27% e 32%, respectivamente.

Sobre os impactos na vida pessoal da gestão petista no período, 26% da população acredita que houve uma melhora, 21% que piorou e 52% que está tudo na mesma.

Fonte: DCM

Exemplos do Japão: conheça a história de Kana Harada, a única passageira de uma estação de trem que funcionou até a sua formatura

Em 2015, a empresa Japan Railways enfrentava a difícil decisão de fechar a estação Kyu-Shirataki, localizada no remoto norte do Japão, devido à falta de passageiros. No entanto, essa estação tinha um passageiro regular que mudou o rumo dessa decisão: Kana Harada, uma jovem estudante que dependia do trem para ir à escola.
Kana HaradaKana Harada usava o comboio diariamente para se deslocar até sua escola, uma rotina que se tornava um desafio sem a estação Kyu-Shirataki. Sem o trem, ela teria que enfrentar uma caminhada de 73 minutos para pegar um trem expresso na linha vizinha, o que tornaria sua jornada muito mais difícil.
Reconhecendo a importância do transporte para a educação e a vida de Kana, Japan Railways decidiu manter a estação Kyu-Shirataki aberta, apesar do baixo número de passageiros. Essa decisão destacou a dedicação do Japão em garantir que mesmo os serviços de transporte mais remotos continuem a funcionar em prol do bem-estar de seus cidadãos.
No dia 25 de março de 2016, aos 18 anos de idade, Kana Harada se formou no ensino médio e o propósito da estação também acabava

A história de Kana Harada e da estação Kyu-Shirataki ganhou notoriedade e tocou muitas pessoas ao redor do mundo, simbolizando o compromisso com a educação e a acessibilidade. Em 2016, Kana se formou, marcando o fim de uma era para a estação que havia servido fielmente à sua missão.

Com a formatura de Kana, a estação Kyu-Shirataki foi finalmente fechada. No entanto, a história permanece como um exemplo de como o transporte pode abrir portas para oportunidades e mudar vidas. A dedicação de uma comunidade para garantir que uma jovem estudante pudesse alcançar seus sonhos educacionais tornou-se uma inspiração para muitos.

Lula disputará a reeleição: “não vou permitir que esse país volte a ser governado por fascista”

Presidente afirmou que encontrou país “totalmente destruído”, comparando ao genocídio da Faixa de Gaza. “Se for necessário ser candidato para evitar que os trogloditas que governaram esse país voltem”.

O presidente Luis Inácio Lula da Silva encerrou a entrevista bombástica à CBN na manhã desta terça-feira (18) confirmando que vai disputar a reeleição em 2026 para evitar que “o país volte a ser governado por um fascista”, sem citar o nome de Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível até 2030, mas tem reiterado que pretende manobras para tentar reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até às vésperas da próxima disputa eleitoral.

ASSISTA À INTEGRA:
Lula vai pra cima da Globo e Campos Neto: “tem lado político e trabalha para prejudicar o país”

Indagado por Milton Jung sobre o tema, Lula reafirmou que primeiro precisa cumprir o que “prometi ao povo brasileiro”. No entanto, o presidente emendou de forma enfática que, mesmo aos 80 anos, pretende entrar na disputa para barrar a extrema direita fascista.

“Quando chegar o momento de discutir tem muita gente boa pra ser candidato, eu não preciso ser candidato. Agora, presta atenção no que vou te falar, se for necessário ser candidato para evitar que os trogloditas que governaram esse país voltem, pode estar certo que os meus 80 anos virará em 40 e eu poderei ser candidato”, disse.

“Mas, não é a primeira hipótese. Nós vamos ter que pensar muito. Eu sei que vou estar com 80 anos, que vou ter que medir meu estado de saúde, minha resistência física, porque quero ter responsabilidade com o Brasil. Mas, não vou permitir que esse país volte a ser governado por um fascista, não vou permitir que esse país volte a ser governado por um negacionista como já tivemos. Esse país precisa de muita verdade para se transformar no país maravilhos que temos que construir”, afirmou ao encerrar a entrevista.

Antes, Lula afirmou que pegou o país “totalmente destruído, como se fosse a Faixa de Gaza”, comparando o governo Jair Bolsonaro (PL) com o genocídio praticado pelo sionista Benjamin Netanyahu, que governa Israel, no território palestino.

“Em 2022 pegamos o país praticamente destruído. Até hoje temos ministérios com 30% dos funcionários, por conta do que foi feito pelo governo anterior. É um desafio. Meu compromisso é fazer o Brasil crescer de maneira consistente e madura. Os salários e os empregos crescerem da mesma forma. E agora temos um governo mais preparado do que nos meus primeiros mandatos, com ministros que já foram governadores, senadores. E com isso já fizemos, nesses 16 meses, mais políticas de inclusão social do que nos 8 anos passados. Isso leva um tempo para chegar na ponta, mas chega”.

Revista Fórum

Coluna Zona Franca

Caso Marielle Franco

Maldito o homem que acredita no homem. Mais assustador são os pastores Marcos Feliciano(PL-SP) e Marcelo Crivela (Republicanos) votando a favor para soltar os mandantes do assassinato de Marielle. Agora diga, tem como confiar nestas pessoas que sempre usaram o púlpito das igrejas para falar de Deus? Sem contar a outra deputada pastora Flor-de-lis que já está presa e condenada por mandar matar seu próprio marido.

Caso Marielle Franco 2

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, na tarde desta terça-feira (18), o julgamento dos cinco suspeitos de envolvimento nos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Silva.  Serão julgados Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido), como mandantes do crime. Eles estão presos preventivamente desde março. A Primeira Turma do STF começa o julgamento às 14h30, com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por denunciar os nomes à Justiça, em maio deste ano, terá 15 minutos para defender os seus argumentos.

Paes tem 51%

No Rio de Janeiro o ex-presidente Bolsonaro pode esquecer o Ramagem, que foi lançado candidato  a prefeito na Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, comandada pelo bicheiro Rogério Andrade, sobrinho do ex-bicheiro Castor de Andrade. Vai dar Eduardo Paes (PSD) de novo. Paes tem o poio de Lula. 

Paes tem 51% 2

O atual prefeito do Rio de Janeiro, desponta com uma sólida vantagem na corrida pela reeleição, de acordo com a mais recente pesquisa eleitoral realizada pela Quaest, divulgada pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira (18). Com 51% das intenções de voto, Paes está em uma posição que, se mantida, pode garantir sua vitória já no primeiro turno das eleições municipais. A pesquisa mostra que o segundo colocado, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL), tem 11% das intenções de voto, empatado tecnicamente com o deputado federal Tarcísio Motta (Psol), que aparece com 8%. O deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil) e o deputado federal Marcelo Queiroz (PP) seguem mais distantes na disputa, com 4% e 2%, respectivamente. A pesquisa foi conduzida pela Quaest entre os dias 13 e 16 de junho, entrevistando 1.145 eleitores cariocas. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-04459/2024 e financiado pela Genial Investimentos, corretora digital controlada pelo banco Genial.

Mbappe nota mil

Enquanto um outro jogador apoia privatização das praias, Mbappe se posiciona sobre a situação política na França, faz críticas à extrema direita e convoca jovens para votar nas eleições. “Quero falar ao povo de França. Os extremistas estão a tomar o poder. Apelo a todos os jovens para que votem e compreendam os nossos valores de tolerância. Somos cidadãos acima de tudo e não podemos estar desconectados”.

O médico e o monstro

“Iriam morrer de qualquer forma” é algo que o bom doutor Jekyll jamais diria. É coisa de mister Hyde

Ainda sobre a pandemia de Covid, o deputado federal de Rondônia, Fernando Máximo (União Brasil), provou que é bolsonarista raiz. Durante um depoimento à Polícia Federal sobre a compra de insumos para a Secretaria de Saúde de Rondônia, da qual foi secretário, o delegado perguntou sobre as pessoas que morreram de covid durante o atraso da entrega dos kits de teste rápido, Máximo disse: “Iriam morrer de qualquer forma…”. Além de serem entregues com atraso, os kits foram comprados com um superfaturamento de 40%, segundo a PF. As informações são do Blog Entrelinhas.

Bizarro

Em debate realizado no plenário do Senado Federal nesta segunda-feira (17), sob presidência do senador bolsonarista Eduardo Girão (Novo-CE), membros do Conselho Federal de Medicina (CFM) defenderam a proibição da realização de aborto após 22 semanas de gestão, mesmo nos casos permitidos por lei.  No início da sessão, foi apresentada uma performance que narrava supostas “súplicas” de bebês a ponto de serem abortados, com gritos, choros e expressões religiosas de condenação à prática do aborto. O senador Girão levou ao plenário réplicas de fetos e chegou a ser impedido pela direção da TV Senado de reproduzir imagens apelativas com o detalhamento do procedimento de interrupção da gravidez.

Bizarro 2

Convidado a subir na tribuna, presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, fez uma defesa da resolução 2.378/2024, questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 1141), movida pelo Psol. Alexandre de Moraes, ministro da corte, suspendeu a resolução do conselho.

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O curioso é que os contra o aborto em caso de estupro, são a favor de armas que matam crianças, inclusive em gestação, como ocorreu na semana passada em Imperatriz, no Maranhão. São contra vacinas para crianças. I-na-cre-di-tá-vel.

Péssimos influencers

Em Alagoas a operação Game Over apreendeu mais de R$ 38 milhões em bens de pelo menos quatro influenciadores alagoanos. Eles estão por trás de uma quadrilha que explora jogos virtuais como o ‘Fortune Tiger’, mais conhecido como ‘Jogo do Tigrinho’. Diversas pessoas foram vítimas de estelionato, depois de publicidades pagas a influenciadores digitais que promovem a plataforma. A investigação, que teve início há oito meses, resultou na operação que já identificou as pessoas ligadas à criação de conteúdo digital em Alagoas.

Péssimos influencers 2

Carlinhos Maia comprova: Diversão, Jogos Online e Prêmios Incríveis!O ‘Jogo do Tigrinho’ fez muitas vítimas em Maceió, dentre elas uma família vítima do vício. A avó de um rapaz gravou um vídeo e contou como o neto se endividou a ponto dela precisar vender a própria casa para tentar quitar o débito. “Meu neto perdeu tudo que a gente tinha com jogos de aposta online. Começou a jogar por incentivo de outras pessoas e começou a perder, perder e perder. Perdeu o carro, perdeu o dinheiro que eu tinha no banco, por fim deu golpe na empresa que trabalhava de R$ 200 mil. Minha casa valia mais de R$ 300 mil e vendi, entreguei pelo débito de R$ 200 mil. Nós perdemos tudo que tínhamos. Minha filha está sofrendo em depressão, eu estou muito doente. Minha neta, irmã dele, sofre convulsões todos os dias. Ele [o neto] está passando fome em outro estado. Minha família desmoronou e a família toda sofrendo por causa desse infeliz desse jogo”, disse bastante emocionada a senhora, que teve a identidade preservada.

Péssimos influencers 3

Deolane Bezerra, Mirella Santos, Gabriel Farias, Carlinhos Maia. O que estes conhecidos influenciadores têm em comum? Todos estão com os celulares apontado para jogos on line. Com seus mais de 26 milhões de seguidores e bilhões de visualizações em suas redes sociais, o comediante, ator e empresário Carlinhos Maia realiza frequentemente postagens contando em suas mídias sociais como acumula prêmios e ganhos com jogos on line. Inclusive ‘Jogo do Tigrinho’ . Confrontado, ele diz que estão usando a imagem dele ilegalmente.

Patrulha Verde

Está sendo lançada a ong Patrulha Verde que tem entre os objetivos a proteção da Amazônia, do meio ambiente, da natureza, em especial dos povos indígenas. Em breve mais detalhes.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

Informações para a coluna:  rkuppe@gmail.com

Presidente do CFM diz que “autonomia da mulher” tem que ser limitada quanto ao aborto

“A autonomia da mulher esbarra, sem dúvida, no dever de proteger a vida de qualquer um, mesmo ser humano formado por 22 semanas”, afirmou José Gallo durante sessão no Senado

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, afirmou que a “autonomia da mulher” deve ser limitada ao se tratar da assistolia fetal, como é chamado o aborto legal após a 22ª semana de gestação resultada de um estupro. “A autonomia da mulher esbarra, sem dúvida, no dever constitucional imposto a todos nós, de proteger a vida de qualquer um, mesmo ser humano formado por 22 semanas”, disse.

A fala do presidente do CMF foi realizada nesta segunda-feira (17) durante uma sessão no Senado Federal, onde movimentos e políticos antiaborto discutiram o procedimento de assistolia. Para Gallo, com 22 semanas de gestação “já não se trata de um feto, mas de um ser humano formado” e, por isso, já há “viabilidade fetal”.

José Gallo finalizou o discurso – que durou cerca de 20 minutos – apontando o que ele considera como “banalização da vida”: “Não posso esconder minha surpresa com a banalização da vida a que estamos sendo expostos na sociedade contemporânea de um modo sistemático. Me pergunto o que houve em nossa caminhada enquanto humanidade. Qual o desvio que tomamos em nossa rota, tornando insensíveis à necessidade suprema de proteger a dignidade e a vida?”

Raphael Câmara Medeiros Parente, relator da resolução de abril do CFM que proibia a realização do procedimento,   reafirmou o comparativo do aborto ao crime de homicídio e disse que “não existe aborto legal”. Raphael representou autarquia na Comissão Nacional de Mortalidade Materna, participa da Câmara Técnica de Reprodução Assistida e coordena Núcleo Executivo da Comissão de Humanidades Médicas do Conselho Federal de Medicina.

“Não existe o tema aborto legal. É aborto com excludente de punibilidade. Seria que nem falar em homicídio legal. Mas em: existem situações em que se pode matar. Todo aborto é crime, mas alguns crimes não são punidos pela lei”, disse Raphael.

O CFM e o Supremo Tribunal Federal (STF) discordam quanto à realização da assistolia fetal. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a resolução que impedia o procedimento e afirmou que o Conselho Federal de Medicina “se distancia de padrões científicos pela comunidade internacional” e que a decisão ultrapassava os limites de poder do órgão.

Fonte: Metro I

O PL dos estupradores

Por FLÁVIA BIROLI*

Perversidades e retrocessos na agenda do aborto

1.

Desde 1940, as mulheres brasileiras podem legalmente realizar um aborto quando a gestação resulta de estupro ou se há riscos de que morram devido a problemas gestacionais. São duas situações extremas, que foram tacitamente aceitas por muito tempo, embora o acesso ao aborto legal tenha sido sempre difícil no país. Em 2012, passamos a ter uma terceira exceção à criminalização, a anencefalia fetal, caso também extremo em que não há possibilidade de vida fora do útero.

Também nos anos 2000, no primeiro ciclo de governos do PT, a Norma Técnica Atenção Humanizada ao Aborto, do Ministério da Saúde (2005 e 2014), apontava para uma orientação estatal alinhada à legislação existente, procurando garantir atendimento às mulheres que decidissem abortar nos casos permitidos por lei.

É essa regulação, tímida e insuficiente, que tem sido atacada por aqueles que entendem que a mulher deveria ser obrigada pelo Estado a manter a gestação contra sua vontade. O instrumento mais recente é o PL 1904/2024, proposto e sustentado, em particular, por parlamentares da extrema direita brasileira. Há poucos anos, em 2015, mulheres foram às ruas de todo o país contra outro projeto, o PL 5069/2013, proposto pelo então deputado Eduardo Cunha em conjunto com outros parlamentares evangélicos e católicos. Eles também tinham como objetivo dificultar e restringir o acesso de mulheres que sofreram estupro ao aborto legal.

O PL 1904/2024 prevê pena de até 20 anos de prisão para mulheres que abortem a partir de 22 semanas de gestação. Os casos em que se chega a essas 22 semanas são, comumente, o de crianças que foram estupradas e não têm experiência para reconhecer o que está acontecendo no seu corpo. Ou têm medo de contar a alguém, já que, segundo os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maior parte dos abusos acontece em casa e é cometida por familiares ou conhecidos. Estamos falando de uma redução radical do direito ao aborto, já que um terço dos abortos legais ocorrem nessa fase da gestação.

Outro caso em que o PL poderia incidir brutalmente, a depender do texto final que seja votado, é o de mulheres que correm risco de morrer se prosseguirem na gestação. As que têm mais tardiamente diagnósticos de risco são justamente aquelas para quem o acesso ao sistema de saúde é precário ou lento. Mulheres pobres, negras, que vivem em áreas rurais ou áreas urbanas com difícil acesso a atendimento. São, muitas delas, mães que estão apavoradas com a possibilidade de deixar órfãos os filhos que já têm, as pessoas que amam. Os parlamentares que defendem o PL 1904/2024 estão determinando que, a partir de 22 semanas de gestação, essas mulheres teriam que escolher entre morrer ou ser presas.

As manifestações e debates suscitados em 2015 e, neste momento, contra o PL 1904/2024, apelidado de “PL dos estupradores”, mostram que há disposição de mulheres de diferentes idades para lutar contra decisões arbitrárias que comprometem sua saúde, sua integridade física e mental, sua condição de cidadãs plenas. Também representaram um processo de construção coletiva e aprendizado. Os protestos de 2015 foram importantes para manifestações políticas que vieram depois, como o “#ForaCunha!” e o “#EleNão!”. Em todos os casos, está presente a denúncia de que há relação entre os ataques às mulheres, a expansão de posições violentas no campo da direita e a erosão da democracia.

2.

A expansão do direito ao aborto na região, assim como os ataques a esses direitos, são uma janela para a compreensão das disputas em torno dos sentidos e do escopo da democracia. As demandas dos movimentos feministas têm historicamente pressionado pela democratização do Estado e da sociedade. E têm sido um dos alvos dos movimentos que atuam para restringir as democracias e normalizar formas autoritárias e abertamente excludentes de gestão dos conflitos políticos e sociais.

As estratégias para restringir o aborto legal e criminalizar as mulheres se acentuaram com a descriminalização do aborto em alguns países, nos anos recentes – no Uruguai (2012), na Argentina (2021), no México (2021) e na Colômbia (2022), além da definição de novas exceções à criminalização, desde 2007, no Brasil, na Bolívia, no Chile, no Equador e no Panamá, de acordo com dados do Observatório da Igualdade de Gênero da Cepal e da Human Rights Watch.

No mesmo período, alguns países nos quais as leis são altamente restritivas permaneceram estagnados (Honduras, Paraguai e Peru) ou ampliaram a criminalização, por mudanças nas leis (Nicarágua e República Dominicana) ou persecução penal mais rigorosa a mulheres que abortam (El Salvador). Em alguns deles, o processo de erosão das democracias e construção de um estado penalista autoritário tem sido acentuado.

3.

A extrema direita brasileira não esconde sua hostilidade aos feminismos e a outros movimentos de luta pelos direitos humanos e a coloca no centro de suas investidas contra a democracia. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-22), ativistas contrários ao aborto ocuparam cargos em ministérios chave para as políticas de gênero, como o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e o Ministério da Saúde. Dessa posição, atuaram para restringir o acesso de meninas e mulheres ao aborto legal.

A ministra Damares Alves se envolveu pessoalmente na tentativa de impedir que uma criança de 10 anos, violada pelo tio no Espírito Santo, tivesse acesso ao aborto nos termos definidos pelo Código Penal desde 1940. Em 2022, o secretário de atenção primária à saúde, hoje um dos atores que têm orientado a política do Conselho Federal de Medicina contra os direitos das mulheres, elaborou uma cartilha para gestantes que ignorava a legislação brasileira, afirmando que “todo aborto é crime” e que os casos de aborto previstos em lei deveriam ser acompanhados por investigação policial.

Denúncias dos movimentos feministas e de direitos humanos levaram a uma revisão da cartilha, mas a orientação de limitar o acesso e tornar mulheres e agentes de saúde objeto de desconfiança e potencial penalização segue sendo ativada pela extrema-direita no Congresso, nos conselhos de medicina e em algumas instâncias do Judiciário.

Assim, o esforço para limitar o acesso ao aborto legal e criminalizar as mulheres que desejam interromper a gestação, com foco nos casos previstos por lei, dá a tônica das disputas atuais: mantém os movimentos feministas e de direitos humanos numa posição em que a luta é por garantir o pouco que já temos, em vez de expandir um direito fundamental à cidadania de meninas e mulheres.

A política da perversidade de parlamentares e médicos que querem impedir que meninas e mulheres abortem está na contramão de valores humanitários. Muitos desses parlamentares, médicos e juristas radicalizados, escondem sua desumanidade sob a ideia de crença. Mas renegam os sentidos de solidariedade e empatia compartilhados por diferentes religiões e filosofias seculares. Seu cálculo político e seu fanatismo os impedem de reconhecer o sofrimento de mulheres e meninas, mas, principalmente, impedem que se orientem pela proteção à dignidade humana.

É razoável impor a maternidade a crianças a quem a sociedade não foi capaz de proteger? Em que tipo de sociedade é legítimo tratar uma mulher estuprada com penalidades mais duras que a do estuprador? Em que contexto de exercício de poder pode ser normalizada a ideia de que uma mulher deve morrer ou ir para a cadeia se a gestação é de risco, mesmo havendo lei que prevê que ela teria acesso ao aborto nesse caso?

Não acredito no diálogo com quem lidera o caminho para a barbárie. Mas há muitos outros, inclusive religiosos, no nosso cotidiano e no Congresso nacional a quem pode ser importante perguntar: você pactua com uma norma que obriga crianças estupradas a serem mães?

*Flávia Biroli é professora do Instituto de Ciência Política da UnB. Autora, entre outros livros, de Gênero e desigualdades: limites da democracia no Brasil (Boitempo).

Publicado originalmente no blog da Boitempo.

Evento bolsonarista em Rondônia flopa, mesmo com anúncio de presenças de Nikolas Ferreira, Magno Malta e Hélio Negão

O primeiro dia do III Simpósio Jurídico Desafios do Estado Pós – Moderno com o tema Direitos e Garantias Fundamentais, na tarde desta segunda- feira, 17, no Teatro Palácio das Artes em Porto Velho (RO), flopou, não deu ninguém. Só uns gatos pingados. O evento cancelado era destinado a estudantes de Direito e advogados.

Segundo uma fonte do A Democracia, os estudantes de Direito e os advogados não quiseram comparecer ao evento porque não iam discutir a pós-modernidade no momento em que se está voltando à “época medieval com parte da classe política e a população misturando política e religião,  defendendo a transformação do Estado-laico Brasil em Estado-Teocrático“.  Além de usarem o nome de Deus para pedir a volta dos Militares ao Poder.

A primeira temática abordada foi  Liberdade de Expressão e a Cultura do Cancelamento com a participação do deputado federal Helio Lopes (PL – RJ) e da pré-candidata a prefeita de Porto Velho, ex-juíza de Euma Tourinho (MDB-RO).

 O evento encerra amanhã, terça – feira, 18, tendo como última discussão O Papel do Judiciário na Defesa da Democracia e no Combate à Desinformação, prometendo as presenças do senador Magno Malta (PL- ES) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL- MG), que participará de forma remota e não presencial como informa um video confirmando a presença física do deputado. Ou seja, o evento sobre Desinformação, faz jus e mereceu ser cancelado pelos estudantes de direito e advogados de Rondônia.

 

 

 

 

Fotos: Herbert Lins

Texto: RK

Um Estado forte para uma democracia forte

Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA*

Há de se resistir às pressões do neoliberalismo e de seu bebê maligno: o nacional-populismo de direita

Para as sociedades capitalistas, o paradigma desejável e possível é o de um Estado forte, capaz, para uma democracia igualmente forte. A ideia de um Estado forte parece estar em contradição com uma democracia forte, mas não é isso o que mostra a realidade. A Suiça e a Finlândia são exemplos de países nos quais esse ideal está próximo de ser alcançado, mas esta afirmação requer definir o que é uma democracia forte e um Estado capaz.

O Estado é o sistema constitucional-legal e a organização que o garante, enquanto o Estado-nação é a sociedade político-territorial soberana formada por uma nação, um Estado e um território. Um Estado é capaz quando a Constituição e demais leis do país são cumpridas. Algo que não depende apenas do poder de polícia do Estado, mas também e principalmente da coesão da sociedade em torno do Estado.

Em outras palavras, depende de toda a sociedade entender que a lei é necessária para a vida da sociedade, e de que cada cidadão considere seu dever denunciar aqueles que agem contra ela. Ao agir assim, ele não será um “dedo-duro”, mas um cidadão que cumpre o seu dever. No plano econômico, é capaz o Estado que tem o poder efetivo de tributar – de aumentar impostos quando isto é necessário para assegurar o equilíbrio fiscal.

A nação é a forma de sociedade de cada Estado; ela compartilha uma origem, uma história e objetivos comuns, estes explícitos ou implícitos no sistema jurídico. Uma “boa” sociedade é aquela que é relativamente coesa. Nunca é plenamente coesa, porque há a luta de classes e um número infinito de conflitos entre os cidadãos, mas esta luta ou estes conflitos não são radicais, não implicam uma relação de vida ou morte – e, portanto, podem coexistir com uma nação ou uma sociedade civil (outro nome da sociedade de cada Estado) relativamente coesa.

A democracia forte, por sua vez, é a democracia consolidada. É a democracia existente em um país ou Estado-nação que completou sua revolução capitalista – já formou seu Estado-nação e realizou a sua revolução industrial. E, por isso, a nova classe dominante burguesa já não precisa do controle direto do Estado para se apropriar do excedente econômico (ela pode realizá-lo no mercado através do lucro).

É o regime político no qual as novas e amplas classe média e classe trabalhadora que nasceram da revolução capitalista preferem a democracia. Na prática, uma democracia forte é aquela que soube resistir às pressões antidemocráticas do neoliberalismo e, depois, do seu bebê maligno – o nacional-populismo de direita.

Embora a democracia seja o melhor regime político para um país que completou sua revolução capitalista, essa mesma democracia enfraquecerá o Estado dos países que ainda não a realizaram. E poderá igualmente enfraquecer os Estados de países de renda média, que já realizaram sua revolução capitalista, como é o caso do Brasil, ao ser essa democracia caracterizada por uma polarização que a torna incapaz de fazer compromissos necessários para realizar as reformas institucionais. O império sabe disso, e usa a democracia para garantir a sua dominação sobre os países da periferia do capitalismo.

A prioridade dos países de renda média é, portanto, fortalecer o seu Estado, porque assim estarão fortalecendo sua democracia; é tornar sua nação mais coesa; é livrá-la do conflito entre os liberais que se submetem ao império e os que buscam soluções nacionais para os problemas.

Não existe um caminho claro para alcançar maior coesão nacional. Porém, o simples fato de as elites sociais – não apenas as econômicas, mas também as políticas, intelectuais e organizacionais – saberem da necessidade dessa maior coesão já é um passo nessa direção.

O Brasil é um “Estado-nação-quase-estagnado” há 44 anos, cresce mais lentamente que os países ricos e mesmo que as demais nações em desenvolvimento – não realiza, portanto, o esperado alcançamento (“catching up“). Precisa, portanto, dramaticamente fortalecer a sua nação e o seu Estado para deixar de ficar para trás – como tem ficado neste quase meio século.

*Luiz Carlos Bresser-Pereira é professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e ex-ministro da Fazenda. Autor, entre outros livros, de Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil (Editora FGV).

Publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

2026 já começou

O processo sucessório de 2026 já começou. A oposição está no ataque, com a (mesma) mídia de cúmplice. Tudo lembra a campanha difamatória contra Dilma, a prisão de Lula e a ascensão do negacionismo. Desta vez, está claro e cristalino. O ungido do mercado é o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), cujo nome o ex-presidente Jair Bolsonaro já abraçou. Não tem outra opção mesmo. No máximo Bolsonaro indicará um dos filhos como vice.

E o Pablo Marçal, hein?

Não subestimem o outsider Pablo Marçal (PRTB-SP). Ele poderá ser o próximo prefeito de S Paulo. Se está ruim, pode piorar. Marçal está aí para provar que sim. Ele é dono de um canal no Youtube com mais de 2 milhões de inscritos (além de 4,7 milhões seguidores em sua conta no Instagram), no qual compartilha uma série de vídeos sobre “Inteligência Emocional”. Marçal se apresenta com uma extensa lista de credenciais: cristão, filantropo, empreendedor imobiliário e digital, mentor, estrategista de negócios, especialista em branding, e jurista por formação. A popularidade não é recente. Cristão fervoroso e protagonista de uma longa trajetória como coach, ele foi eleito deputado federal por São Paulo em 2022, mas não chegou a assumir o cargo depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspender o registro da candidatura.

E o Pablo Marçal, hein? 2

Posa de bilionário, de empresário de sucesso, mas, segundo a última declaração de bens no imposto de renda dele, publicada pelo TSE por ocasião de sua candidatura indefirida a presidente, em 2022, ele declarou um patrimônio de R$ 16,9 milhões, porém, para deputado federal declarou no mesmo ano, 2022, um patrimônio total de 88 milhões de reais. Veja aqui. Na relação de bens não consta nenhum helicóptero e nenhum jatinho que afirma possuir, mas diz que possui participações societárias (sem detalhar) no valor de 80 milhões de reais. Com certeza, ou está superestimando seu patrimônio ou sonegando impostos.

E o Pablo Marçal, hein? 3

Pablo Marçal navega no mesmo nicho de votos de Bolsonaro e é um ameaça real ao bolsonarismo. Em nada atinge, porém, a pré-candidatura do esquerdista Guilherme Boulos (PSOL). Quem vota na esquerda, não vota na direita. Os votos de Boulos são indevassáveis e intransferíveis. Já os votos de Bolsonaro, sim. São volúveis e sujeitos mudanças de acordo com o humor dos seus eleitores. No momento, Marçal tenta apoio de Bolsonaro, mas ele quer distância dele, sob pena de lá na frente se arrepender. Por isso, vai até o fim com o prefeito Ricardo Nunes (PMDB). O problema é que Marçal tem tudo para chegar no segundo turno com Boulos. Ai sim, o coach passa a ser um problema também para Guilherme Boulos.

E o Pablo Marçal, hein? 4

De uma coisa este colunista está convicto, Ricardo Nunes não se reelege. E se Pablo Marçal se eleger prefeito da cidade de São Paulo, o que não é impossível, o atual governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos)  terá suas pretenções futuras ameaçadas. Do jeito que Marçal é doido, se se eleger prefeito, vai tentar a presidência da República.

Emboulos

O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, julgou improcedente, nesta sexta-feira (14), o pedido feito pelo MDB, partido do prefeito Ricardo Nunes, contra um jornal chamado “SP Urgente”, produzido pelo PT e pelo PSOL com críticas à atual administração municipal.  Na primeira decisão, a Justiça tinha determinado que a distribuição do panfleto fosse interrompida; Já na sentença desta sexta, o magistrado afirmou que a distribuição do jornal não configura propaganda eleitoral antecipada e concluiu que a publicação apenas reproduz notícias já veiculadas pela imprensa sobre irregularidades cometidas pela gestão Nunes.

                                                          A lista

Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB), Kim Kataguiri (União Brasil), Marina Helena (Novo), Pablo Marçal (PRTB), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB), são alguns dos principais nomes que disputarão a refeitura de São Paulo. Apesar de convenções partidárias – que acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto – serem a data para o lançamento das candidaturas oficiais para a prefeitura de São Paulo, as movimentações dos pré-candidatos já tiveram início. Entre alfinetadas, campanha antecipada, os principais nomes da corrida já possuem alianças, bandeiras e polêmicas.

Raio-X dos principais pré-candidatos

 

Confira, a seguir, o raio-x dos primeiros colocados segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha em ordem alfabética:

Guilherme Boulos

É a segunda vez que o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) concorre ao cargo de prefeito da cidade de São Paulo. Em 2020, ele chegou ao segundo turno, mas perdeu para Bruno Covas (PSDB). Em 2024, segundo a última pesquisa Datafolha, Boulos possui a maior porcentagem de votos, com 24%, e está tecnicamente empatado com Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito da capital. Alianças: PSOL, PT, Rede, PCdoB, PV, PDT e PMB Vice-prefeita: Marta Suplicy Bandeiras defendidas: ligado à esquerda, Boulos coloca a luta pela moradia como a proposta da sua carreira. Ele é parte do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

José Luiz Datena

O apresentador José Luiz Datena deixa o PSB e se filia ao PSDB em evento em SP — Foto: Reprodução/TV Globo

José Luiz Datena (PSDB) é jornalista, ex-radialista e atual apresentador de programas policiais no canal da Rede Bandeirantes. Na política, já se filiou a 12 partidos desde 1992 e, nos últimos anos, desistiu quatro vezes da corrida eleitoral para cargos eletivos em São Paulo. Bandeiras defendidas: Seu ingresso na política se deu em 1992, quando entrou no PT, partido identificado com a esquerda, onde ficou por 23 anos. Em 2015, migrou para o Partido Progressista (PP), mais voltado para a centro-direita. Dali em diante, Datena flutuou entre a centro-direita e a centro-esquerda até que se filiou ao PSDB para as eleições deste ano. Em suas redes sociais e em seu programa na TV aberta, o apresentador se mostra preocupado, majoritariamente, com questões de segurança pública.

Kim Kataguiri

 

Kim Kataguiri dicursa no plenário da Câmara, em imagem de arquivo — Foto: Cleia Viana/ Câmara dos Deputados

Kim Kataguiri (União Brasil) é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e deputado federal reeleito em 2022. Além da carreira política, ele escreveu três livros: “Manual de Debate Político: Como Vencer Discussões Políticas na Mesa do Bar”; “Puxa Conversa Política: 100 perguntas para falar de sociedade, poder e governo”; e “Como um grupo de desajustados derrubou a presidente: MBL: A origem”. Vice-prefeito: não definido Bandeiras defendidas: Através do MBL e do partido União Brasil, Kataguiri se configura à direita do diagrama político. Em geral, defende ideias e propostas voltadas ao liberalismo econômico, à privatização e à redução de impostos. O MBL também é a favor do voto não obrigatório.

Marina Helena 

Marina Helena, pré-candidata do Novo à Prefeitura de SP — Foto: Reprodução/TV GloboMarina Helena (Novo), é economista com mestrado pela Universidade de Brasília (UNB). Foi diretora de Desestatização do Ministério da Economia a convite do então ministro Paulo Guedes, durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2022, ela recebeu 50.073 votos para deputada federal e é primeira-suplente por São Paulo. Marina Helena também já foi dirigente nacional do Partido Novo. Vice-prefeito: não definido Bandeiras defendidas: Ela se classfica como sendo de direita, é a favor de privatizações e é aliada de Bolsonaro. Entre seus objetivos à frente da Prefeitura de São Paulo, caso seja eleita, está o de aumentar o orçamento da segurança pública na capital em 300% e dobrar o número de agentes da GCM.

Pablo Marçal

Pré-candidato Pablo Marçal durante Coletiva — Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Pré-candidato Pablo Marçal durante Coletiva — Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Pablo Marçal (PRTB) é produtor de conteúdo e empresário e esta é segunda vez que tenta se candidatar. Em 2022, ainda pelo PROS, ele tentou concorrer à Presidência da República, mas, devido a disputas políticas dentro do partido, pelo comando da legenda, ele não conseguiu levar a candidatura adiante e se lançou deputado federal pelo estado de SP. Na época, o empresário obteve 243.037 votos e chegou a ser eleito para uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. Mas ele concorreu ao cargo sub judice, porque se inscreveu para o pleito já fora do período e com falta de documentos estipulados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Bandeiras defendidas: Pablo Marçal se coloca alinhado às ideias do ex-prefeito e ex-governador João Doria, identificadas mais com a centro-direita.

Ricardo Nunes (MDB)

Prefeito Ricardo Nunes em evento na prefeitura — Foto: Aline Freitas/g1

Prefeito Ricardo Nunes em evento na prefeitura — Foto: Aline Freitas/g1

Atual prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB) vai disputar a reeleição. Ele assumiu o cargo após a morte de Bruno Covas, em 2021. Segundo pesquisa do Datafolha, 26% da população da capital aprova o seu governo e 25% o reprova. Ainda segundo o instituto, Nunes tem 23% de intenções de voto em São Paulo e está empatado tecnicamente com Boulos (PSOL). Alianças: MDB, PL, PP, PSD, Republicanos, Solidariedade, Avante, Podemos, PRD e Mobiliza Vice-prefeito: não definido. Bandeiras defendidas: Nunes, que se classifica como um candidato centrista, se vê hoje mais voltado para a direita, diante da polarização com Boulos. “A gente representa o que a maioria da cidade é e gosta: uma posição de centro, de direita, que olha por todos”, disse em sabatina no canal MyNews.

Tabata Amaral (PSB)

Deputada Tabata Amaral (PSB - SP) no plenário, em 06 de março de 2024 — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Deputada Tabata Amaral (PSB – SP) no plenário, em 06 de março de 2024 — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Tabata Amaral é formada em ciências políticas pelo Departamento de Governo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e é deputada federal pelo PSB.

Em 2018, quando era filiada ao PDT, recebeu 264 mil votos, sendo a sexta deputada federal mais votada daquela eleição. Em 2022, foi reeleita deputada federal pelo PSB com mais apoio: 337.873 votos. Alianças: Apenas seu partido, o PSB. Vice-prefeito: não definido. Bandeiras defendidas: Tabata entrou na política para defender a educação, muito baseada em sua trajetória como bolsista em um colégio de elite e estudante de Harvard, nos Estados Unidos, considerada uma das melhores universidades do mundo. Os dois partidos aos quais já foi filiada – PDT e PSB – se denominam como centro-esquerda. A deputada, contudo, já foi contrária a ideias mais identificados com a esquerda durante a votação da reforma da Previdência e, por isso, foi criticada por eleitores e outros políticos. Fonte G1.

 

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Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

A coluna é diária e conta com informações do G1, Globo, R7, CNN, Folha de S. Paulo, Brasil 247, DCM, Brasil de Fato, dentre outros.

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A armadilha de Volodymyr Zelensky

Por HUGO DIONÍSIO

Quer Zelensky consiga o seu copo cheio – a entrada dos EUA na guerra – ou seu copo meio cheio – a entrada da Europa na guerra –, qualquer das soluções é devastadora para as nossas vidas

A Ucrânia de Stepan Bandera, que tem privatizado, de forma absolutamente furiosa, as propriedades estatais que ainda lhe restam e lhe foram deixadas pela Rússia e URSS, já tem grande parte das suas valiosas terras negras nas mãos da Blackrock, Monsanto e de outros interesses norte americanos. A estas se juntam interesses energéticos, mineiros, agro-industriais e imobiliários.

Agora, para financiar o esforço de guerra, o ilegítimo Volodymyr Zelensky, que atualmente usurpa o lugar de presidente (já percebo aquele beijo de Von der Leyen, os usurpadores reconhecem-se mutuamente), prepara-se para vender o que ainda lhe resta. As receitas do FMI, e dos acordos financeiros com a União Europeia, assim o exigem e os negócios em causa constituem, em alguns casos, importantes monopólios naturais.

Sabemos quem mais vai lucrar com a compra destes bens estatais. Os EUA ficam com a melhor fatia, mas o Reino Unido, Alemanha, França, por esta ordem, também ficarão com a sua parte. Se o Hotel Ucrânia é o mais famoso bem de todos os anunciados neste novo pacote, segue-se uma lista, que o próprio regime de Kiev diz ser uma “large privatization”. Empresas energéticas, Porto de Odessa, sector mineiro, destilarias, fábrica de maquinaria pesada como locomotivas…

O mais grave disto tudo, o mais trágico para todos nós, é que a venda do país aos interesses dos EUA e do ocidente não é inocente e está muito para além de um simples ato de corrupção ou entrega do país aos interesses estrangeiros. Consciente ou inconscientemente, a aquisição de grandes e lucrativas propriedades, pelas grandes corporações ocidentais, constitui um passo importantíssimo para o agravamento do conflito e que julgo passar ao lado de muito boa gente, normalmente concentrada na vertente especificamente militar.

Nestes casos, a vertente militar não mais é do que o pico do iceberg, que esconde toda a complexidade de relações econômicas que, na base, constituem a razão de ser de tudo o que se passa. O recurso ao militar acontece quando as relações na base se tornam inconciliáveis.

Volodymyr Zelensky, certamente ciente de que a guerra só se ganha com a entrada direta dos EUA, nem que tenhamos todos nós de perdê-la (nas guerras todos perdem) para ele a ganhar, à medida que entrega o seu país às oligarquias que sustentam o aparelho político norte-americano, saberá da importância que tem o domínio das propriedades ucranianas, por aqueles poderosos interesses. Que melhor forma de proteger o acesso ao mar negro, se não entregando o Porto de Odessa aos interesses ocidentais?

A história diz-nos que os interesses corporativos ocidentais, em especial os norte-americano, protegem os seus bens, nem que, para tal, tenham de invadir países e ocupá-los. Neste sentido, Volodymyr Zelensky, sabe que, quanto maior o domínio das corporações americanas na Ucrânia, maior é a probabilidade de agravamento do conflito e de entrada direta dos EUA.

Intencional ou coincidentemente, está em causa um desenvolvimento que, potencialmente, pode atrair os próprios EUA para uma espécie de “armadilha”, conduzidos pela cobiça por dinheiro fácil, do estado e do povo, que caracteriza as corporações imperialistas. Diria mesmo que esta é a história norte-americana no que toca às suas intervenções militares. O seu povo é conduzido, pelos interesses econômicos, para “armadilhas” montadas por, e em prol desses mesmos interesses, que envolvem e tornam o estado dependente de guerras reais e potenciais. As famosas guerras eternas.

Já as antigas Companhias das Índias, dos Países Baixos, Portugal ou Inglaterra, detinham, inclusive, exércitos privados para defenderem os seus ativos nas colônias. Nos EUA, como noutras potências capitalistas, a defesa desses interesses está acometida aos respectivos complexos militar-industriais, bem como às empresas privadas de recrutamento militar (as PMC).

As potências imperialistas, ao longo da história, intervêm militarmente nos locais onde estão ameaçados os seus interesses monopolistas. O que considero descabido é que esta apropriação da propriedade ucraniana, pelo ocidente, não seja reconhecida como um dos mais importantes fatores que influenciam a escalada militar. Todos olham para a parada e resposta das armas, mas poucos olham para as relações materiais subjacentes, as quais, deixam sem saída política, os líderes de ambos os países, que não seja a defesa dos interesses que, em cada momento, se manifestam, mais ou menos sub-repticiamente.

Contudo, no meio disto tudo, existem forças mais poderosas que se movem no sentido contrário aos interesses de Volodymyr Zelensky e do seu gangue da Galícia. Esta guerra nasceu como proxy (por procuração) e, para os EUA, em princípio assim terá de morrer. A batalha decisiva, pela manutenção da hegemonia do sistema imperialista norte americano, joga-se no pacífico. O desafio chinês obriga a concentração exclusiva e isto leva o próprio partido democrata a exigir do seu representante no Médio-Oriente, Israel, uma atitude diferente e mais conciliadora, de forma a que o conflito não se estenda para lá do desejável. Que o consiga, tenho dúvidas, mas, pelo menos, tenta-o.

Os EUA, estando plenamente conscientes da “armadilha” montada por Volodymyr Zelensky, não deixam de aproveitar o ganho, mas, é aos países europeus que foi reservada a defesa dos seus interesses corporativos e militares na Ucrânia. Enquadrando tais interesses no que Antony Blinken refere como “área de segurança transatlântica”, tal classificação, do meu ponto de vista, não arrasta os EUA para o conflito. Arrasta, isso sim, a própria OTAN e, em especial, a Europa. Como já foi sublinhado inúmeras vezes, é a Europa quem tem de arcar com a maior fatia de esforço.

Este esforço será pago com mais armas, dinheiro, vindo este dos 300 mil milhões de euros congelados que Joe Biden na cúpula do G7 não deixará de entregar à Ucrânia. Estando tais reservas, sobretudo, em bancos europeus, adivinhem que moeda e que sector financeiro entrará em colapso, após este confisco? Para já a Arábia Saudita deixou caducar, no dia 9 de Junho, o acordo que mantinha com os EUA, para a venda exclusiva de petróleo em Dólares (o acordo Petrodólar).

Mas, durante muito tempo ainda, os EUA usufruirão do estatuto de moeda de reserva. Já o Euro e a Libra Esterlina não se podem gabar do mesmo e quando os países do sul global acelerarem a retirada, já em marcha, das reservas depositadas em bancos europeus, é que veremos.

Destes fatores resulta outro movimento que se afirma em contradição com os interesses do regime de Kiev. Esta tensão entre “interesses dos povos europeus” e “interesses corporativos” dos EUA, ameaça destruir a democracia restante de muitos países europeus e partir nações inteiras. As últimas eleições para o Parlamento Europeu são já um resultado disso mesmo. França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, assistiram a resultados importantes, que representam, sobretudo, a ansiedade popular pela normalização das suas vidas. Trabalhadores, agricultores, pequenos empresários, estão fartos de instabilidade, austeridade e pessimismo. Aos povos europeus foi-lhes subtraída a esperança de uma vida melhor.

Os mesmos que subtraíram e negam, todos os dias, tal esperança, são quem acusa de movimentos “populistas”, “extremistas”, “radicais”, todos os partidos que se opõem ao belicismo do designado “centro político”. A cada um que atira com a palavra “paz”, eles respondem com a acusação de “putinista”; a cada um que atira com a máxima de que “nem mais uma bala para alimentar o conflito ucraniano”, respondem com um contundente “agente do Kremlin”. Estereotipar, dividir, tribalizar, tornou-se a palavra de ordem de um suposto “centro político”, que se auto-elegia como capaz de unir o espaço entre as margens.

Desistindo deste papel de “moderação”, o próprio “centro moderado” é também atirado para uma margem. Atirado para a margem que defende a continuação da guerra, da confrontação, figuras como Macron, Sholz, Sunak ou a burocrata Von Der Leyen, acabam a conduzir as populações para as forças que, neste quadro niilista, mais organizadas e financeiramente poderosas surgem: as forças reacionárias. Estas forças, pressentindo e vivendo do descontentamento, atraem quem se sente desagradado pela situação econômica, pelo medo de uma guerra em larga escala e a falta de perspectivas de crescimento, recuperação e desenvolvimento.

Neste quadro, a única resposta dos dirigentes mais belicistas é a de contrapor ao medo da guerra, o medo da extrema direita. E este é o drama que se vive na Europa, nos EUA, no Ocidente coletivo. A sensação – aparente apenas – de que não existe uma alternativa válida, faz com que sejam acenadas apenas duas alternativas que, à superfície, mutuamente se excluem: ou existe a opção do “centro moderado”, pelo confronto, pelo belicismo, pelo sacrifício econômico e social, em nome de “valores europeus” que ninguém sabe bem o que são; ou a opção “autocrática”, “autoritária”, “ditatorial”, da extrema direita, mas na qual o “centro moderado”, através de um contraditório processo de reescrita da história e paradoxal confusão filosófica, integra as soluções à esquerda.

Bifurcados entre duas alternativas terríveis, acaba-se a escolher entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen, porque se considera uma de “extrema direita” e o outro um “centrista liberal e moderado”. Contudo, dizer que Le Pen é mais de direita que Macron, é cometer um erro crasso. Emmanuel Macron é mais dissimulado e polido, mas não é menos destrutivo. Macron tornou-se, hoje, um dos principais incendiários da guerra nuclear. Sem utilizar o termo, todos sabemos qual a consequência do envio de tropas da OTAN para a Ucrânia. Também sabemos qual será o resultado da instalação de bases de F16 nos países bálticos. Sabemos onde vai acabar a autorização de utilização de mísseis SCALP lançados por aviões Mirage II, contra território russo reconhecido.

E o que dizer de Olaf Sholz e do seu SPD? Hoje, é outra vez o SPD que volta a atirar a Alemanha contra a Rússia, privando o seu país dos recursos que o tornaram uma potência mundial. O que diria Karl Marx se soubesse que o museu, em sua memória, situado em Trier, é gerido pela Fundação Friedrich Herbert (sim a que financiou o Partido Socialista em Portugal), organização ligada ao SPD?

É então a política “moderada” (o termo “moderado” vale como elogio por si só) que ameaça conduzir-nos para uma guerra nuclear. Eu pergunto o que é que isto tem de “moderado”! É que, por absurdo, mesmo que se reconhecesse toda a culpa à Rússia e a Vladimir Putin, seria dos “moderados” quem se esperaria o maior esforço de diálogo e paz. Ao invés, é dos “moderados” que esperamos o contrário: a ultrapassagem constante de linhas vermelhas, as russas e a suas próprias. Quantas linhas vermelhas esta gente já ultrapassou, na sua escalada?

Quer Zelensky consiga o seu copo cheio – a entrada dos EUA na guerra – ou seu copo meio cheio – a entrada da Europa na guerra –, qualquer das soluções é devastadora para as nossas vidas e tal devastação é o que resulta de quando se apoia, se é cúmplice e conivente com gente que faz do ódio, da xenofobia, o seu modo de vida. O ódio que vejo nos Ucranianos da Galícia, contra a Rússia, compara-se ao ódio dos sionistas, contra os árabes palestinos. Um ódio tribal, selvagem, bárbaro e medieval. Na Ucrânia ou na Palestina, o ódio nunca venceu barreiras, só as construiu.

Como me disse um amigo, quando nos mandarem enfiar o capacete e pegar na metralhadora talvez nos lembremos que a paz é o maior bem que a civilização nos pode garantir. Talvez nesse dia acordem para a “armadilha” em que fomos apanhados e consigam ver, no horizonte, quem, de fato, com palavras de veludo, exaltações à “democracia” e acusações aos “extremismos” nos está a levar para a extrema destruição!

*Hugo Dionísio é advogado, analista geopolítico, pesquisador do Gabinete de Estudos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN).

Publicado originalmente em Strategic Culture Foundation.

Universidade vazia

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Por MARISA BITTAR*

Independentemente dos governos que se sucedem e das demandas da categoria docente, o ponto essencial desta greve é: a quem interessa as universidades vazias?

Depois de anos, mais uma vez vivemos uma greve do setor federal da educação e um vazio nas universidades.

Durante a ditadura militar, a greve tinha um significado ímpar. Nas escolas públicas, além dos baixos salários, os governadores dos estados, em apoio ao regime militar, submetiam as escolas aos seus interesses políticos e não abria diálogo. Hoje, prestes a completarmos 40 anos do final da ditadura, vivendo sob o Estado de direito e em plena revolução tecnológica, a situação é completamente diferente.

Independentemente dos governos que se sucedem desde então e das demandas da categoria docente, o ponto essencial desta greve é: a quem interessa as universidades vazias? O governo atual, em terceiro mandato do PT, anuncia expansão de universidades e investimentos em infraestrutura, descartando atender à reivindicação de reajuste salarial linear. A sociedade, por sua vez, solidária ao povo do Rio Grande do Sul, ignora a greve e parece não sentir falta das universidades.

Que sentido tem suspendermos as nossas aulas, deixarmos as nossas turmas de graduação no vazio, quando, durante a pandemia, a universidade tanto propagou a importância da ciência e da produção de conhecimento? Por que razão não se pode negociar com qualquer governo sem interrompermos o nosso trabalho? Foi negociando com o governo Dilma Rousseff que conseguimos avanços significativos na carreira. Se a universidade deve ter sentido social, esvaziá-la contribui em quê?

A greve na educação federal transmite indiferença e alienação relativamente ao delicado contexto nacional além de uma visão de mundo estreita e corporativa. Por qual razão o movimento sindical não deflagrou greve durante o governo passado quando as nossas condições salariais e de trabalho eram as mesmas?

Vivemos, hoje, no contexto de liberdades democráticas e da conexão da sociedade em redes. O impacto disso nas universidades e na educação em geral é impressionante e contrasta imensamente com o vazio que a greve institui.

O Censo da Educação Superior (2022) mostrou que as instituições privadas correspondem a 87% do total de faculdades, centros universitários e universidades do Brasil, e são responsáveis por capacitar 75% dos estudantes de nível superior, isto é, cerca de 6,3 milhões de pessoas. Nesse universo, a rede federal de ensino superior brasileiro atende a uma parcela minoritária da população estudantil e mesmo assim, ao lado das universidades públicas estaduais, distingue-se em termos nacionais e internacionais. Isso porque, mesmo nos países mais ricos, as universidades públicas nem sempre são gratuitas, elas cobram mensalidades de seus alunos, tal como no caso norte-americano.

Recém-graduada em 1981, aderi à minha primeira greve como professora da escola pública de Mato Grosso do Sul. Nossos salários eram muito baixos para 40 horas semanais em sala de aula. Saímos em passeata pela Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, sob aplausos da população que admirava e apoiava a nossa iniciativa. Naquele contexto de ditadura, o então presidente da Associação Campo-Grandense de Professores (ACP), Amarílio Ferreira Jr. e eu, fomos vítimas de prisão. Depois, construímos as nossas trajetórias acadêmicas em duas universidades federais, UFMS e UFSCar.

O contexto democrático garantiu expansão e fortalecimento desse sistema para o qual, só na UFSCar, eu me dedico há mais de trinta anos. Como professora apaixonada pela docência e pesquisadora do CNPq desde 2008, considero inaceitável que, a despeito de experiências negativas, o setor grevista das universidades federais continue a esvaziá-las e a isolá-las da sociedade.

*Marisa Bittar é professora titular de História, Filosofia e Políticas da Educação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Saídas para o momento político

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Por RENATO DAGNINO

Considerações a partir de um artigo de José Dirceu

Por considerar o companheiro José Dirceu um dos mais lúcidos analistas da nossa política e reconhecer sua importância no âmbito da esquerda, me senti estimulado a comentar o seu recente artigo   Impasses e saídas para o momento político.

Como bom estrategista, ele parte do plano tático com uma análise de conjuntura que explicita a existência de uma correlação de forças adversa à esquerda e que revela uma ameaça à governabilidade do atual governo. E que, ademais, desaproveita o apoio político de sua base que é necessário para implantar suas propostas de campanha.

Indo para o plano estratégico, ele delineia um “programa de desenvolvimento … baseado em… um compromisso político da frente democrática … objetivo e factível, capaz de mobilizar os diferentes setores da sociedade: empresariado, trabalhadores, academia e classes médias”. Algo que outros, sem a sua competência, que minimizam o caráter marcadamente antagônico do capitalismo periférico, ingenuamente denominam projeto nacional.

O Programa contempla “três eixos fundamentais” cuja materialidade como política pública já está em curso: “o Nova Indústria Brasil (NIB), o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e o Plano de Transformação Ecológica”.

No que segue, mantendo sua preocupação com a governabilidade sem aumentar o que em “Sobre a governabilidade” chamamos conservadorismo do projeto de governo, mostro como as ações que esses eixos pretendem desencadear demandam a mobilização de um ator que a maioria das lideranças de esquerda não vem adequadamente considerando.

Embora esteja subsumido num dos “setores da sociedade” capazes de proporcionar “saídas para o momento político”, os “trabalhadores”, o ator Economia Solidária deve ser, seja por óbvios motivos estratégicos, seja por cruas razões táticas de governabilidade, individualizado.

Um ator hoje quase invisibilizado por uma esquerda que limita a superação do capitalismo à luta de apenas um segmento da classe que, por não ter propriedade de meios de produção é obrigado a vender sua força de trabalho, o dos trabalhadores formais.

Um ator que embora seja tão antigo quanto o próprio capitalismo e que se fez notar nas suas mais severas crises, não entrou nos livros de economia, administração ou engenharia. Mas que, não obstante, por estar conectado a arranjos de produção, consumo, e finanças (baseados na propriedade coletiva dos meios de produção, na solidariedade e na autogestão) cada vez mais reconhecidos em todo o mundo como essenciais para prolongar nossa vida neste planeta, precisa ser mobilizado para possibilitar o êxito do Programa que formula José Dirceu.

Para fazê-lo, brevitatis causa, como dizem os juristas (ou sendo sintético e direto como obriga este meio de comunicação), vou me ater, por melhor poder defendê-los, a argumentos que tenho explanado nos artigos aos quais irei remetendo quem me lê.

Pela mesma razão, não vou me referir ao que vêm sendo publicado por outras pessoas que atuam em coletivos como os Setoriais do PT, os Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas, as entidades sindicais, os grupos existentes em universidades públicas também dedicados ao tema, ou às iniciativas de formação de gestores de Economia Solidária, em que participo.

Vou me limitar, em cada caso, a uma avaliação crítica do que se divulga em relação a cada eixo; e à conveniência de a eles incorporar a Economia Solidária.

Sobre o primeiro eixo, a NIB, não teria muito a acrescentar além do que tratei em “Conversando sobre a Nova Indústria Brasil”, para mostrar ao colega com quem conversava as dez condições de contorno que deveriam estar presentes para que ela fosse exitosa.

Ali mostro a “problemática” que ela, acrítica e extemporaneamente, tenderá a reproduzir ao propor uma reindustrialização empresarial que tem como personagem central (a ser subsidiado para realizar o investimento e a geração de emprego) aquele que, explorando oportunidades mais lucrativas, como as associadas ao agronegócio, mineração, especulação financeira e imobiliária, causou a desindustrialização que se pretende reverter.

Das quase quatro mil palavras que contém o artigo, brevitatis causa, seleciono estas: “Será que oferecendo à classe proprietária (suas empresas e seus agentes públicos) os 1% do PIB por ano prometidos – 300 bilhões em três anos –, minguados, se comparados aos 6% da dívida pública, aos 10% da sonegação, aos 3% da corrupção, aos 5% da renúncia fiscal e isenções sobre lucros, dividendos, exportação, propriedade, e aos mais de 15% da compra pública – ela se engajará na NIB?”.

No que respeita a temas relacionados à economia industrial e à economia da inovação, ali se questiona a viabilidade de que as empresas “brasileiras” venham a estar dispostas a emular as experiências asiáticas de catching up para “surfar” a sexta onda da ESG e da 4.0. Existem comprovações suficientes e informação empírica abundante para argumentar que, num país onde os bens e serviços que demanda o mercado culturalmente imitativo já foram engenheirados no Norte, e onde a taxa de lucro (provavelmente a mais alta do mundo) depende da mais-valia absoluta e não da mais-valia relativa, isso dificilmente ocorrerá.

E é justamente por isso, como expus ao meu colega, que a “solucionática”, que vem sendo referida como reindustrialização solidária – uma alternativa não excludente e suplementar à reindustrialização empresarial –, vem sendo crescentemente discutida pela esquerda.

Para conhecê-la com algum detalhe e avaliar sua pertinência e complementariedade em relação à NIB, considero que o que tratei naquele artigo e em “Reindustrialização Solidária”, é suficiente. Minha expectativa é que o José Dirceu, com quem não tenho a intimidade que tenho com aquele colega, mas que respeito como um companheiro com quem muito tenho aprendido, possa deles se aproveitar.

Apenas ressalto que a reindustrialização solidária propõe o apoio à geração de trabalho e renda mediante a produção de bens e serviços de natureza industrial (e advirto que é necessário desfazer a noção herdada e equivocada de que indústria é sinônimo de empresa) em redes de Economia Solidária a serem crescentemente beneficiadas com a compra pública. E, no médio e longo prazo, alavancadas pela tecnociência solidária a ser desenvolvida mediante o reprojetamento da tecnociência capitalista que abordo em “A hora e vez da Tecnociência Solidária”.

Dado que numa conversa posterior àquela que o “Conversando…” relata, meu colega disse “mas, dada a correlação de forças imposta pela coalizão de governo e como este ator que você fala, a tal de economia solidária, não estava presente na mesa onde se formulou a NIB, isto foi o que deu para fazer”, eu indiquei, como faço agora, três artigos: “A Economia Solidária como eixo da reconstrução nacional”“Economia solidária e política”; “Propostas para os candidatos da esquerda”; e uma entrevista ao Breno Altman.

Dessa maneira, fiz ver ao meu colega que quem deveria trazer à mesa a voz dos quase 80 milhões de brasileiras e brasileiros que nunca tiveram e provavelmente nunca terão emprego eram as lideranças de esquerda como ele, que há mais 20 anos convivem com a proposta ou pelo menos conhecem o conceito de Economia Solidária.

O conhecido encadeamentos a jusante e a montante que, ente outros predicados possui a atividade industrial, e o fato da NIB ser considerada como capaz de induzir um ciclo de desenvolvimento econômico e social, quase que torna desnecessário comentar criticamente os outros dois eixos do Programa.

Sobre o segundo eixo, o PAC, há também evidência empírica suficiente para mostrar o quanto a população mais pobre (mesmo sem o ganho de eficiência, eficácia e efetividade que a economia solidária pode proporcionar) vem realizando no que respeita a tarefas que poderiam ser financiadas através dele.

Considerando apenas aquelas relacionadas à construção e conservação de obras civis, vale lembrar que 70% do cimento produzido no País é comercializado “no picadinho”, ou seja, para os mutirões que podem, com vantagens sociais, econômicas e ambientais em relação às empresas, receber parte da compra pública.

A título de exemplo, menciono o que propus recentemente em “Reconstrução solidária no Rio Grande do Sul”. Ali sugeri a imediata criação de uma força tarefa constituída por agentes públicos federais e integrantes do movimento de Economia Solidária para alocar recursos provenientes do governo federal.

Dessa maneira, poder-se-ia destiná-los a equipes integradas ou coordenadas pelo movimento de Economia Solidária evitando que eles fossem parar, diretamente ou através do governo estadual e municipal corresponsáveis pela catástrofe, na mão de empresas que iriam reproduzir o ciclo de exploração humana e degradação ambiental que as caracteriza. Ao impedir a reprodução dos desastres que causam, dado que, mesmo que desejassem fazer diferente não possuem capacidade organizacional e cognitiva para tanto, seria possível inaugurar um paradigma mundial acerca de como reproduzir uma estrutura compatível com o bem-viver.

Outro exemplo, de dezembro de 2021, é o que apontei referindo-me ao Minha Casa Minha Vida em “Por que os candidatos de esquerda às eleições de 2022 devem prestar atenção à Economia Solidária?”. Num país onde mais de 50% das casas são construídas pelos seus próprios moradores, o programa destinou menos de 5% dos recursos para a autoconstrução quando quase 100% daquelas dos mais pobres são erguidas neste regime.

Em paralelo à incorporação da Economia Solidária à implantação do programa, eu propunha que nosso próximo Minha Casa Minha Vida deveria ter janelas de alumínio fabricadas pela cadeia produtiva solidária do alumínio. E argumentava que o país que mais recicla alumínio e que é um dos mais desiguais do mundo não podia seguir “dando-se ao luxo” de interromper essa cadeia no ponto em que a senhora que recolhe latinhas vende para o atravessador as 70 delas que materializam seu trabalho semiescravo por apenas seis reais.

Sobre o terceiro eixo, o Plano de Transformação Ecológica, considero que, à semelhança do que ocorre no anterior, há muito o que pode ser feito mobilizando a Economia Solidária. O fato de que talvez o principal desafio que temos, no meio rural, é impedir a destruição da vegetação e dos mananciais ameaçados pelas atividades do agronegócio e da mineração, é um exemplo disso.

É evidente que o enfoque usualmente utilizado para coibir o dano causado por essas atividades, dada a magnitude da tarefa e o seu espalhamento no território, é inconveniente. Em vez de despender recursos vultosos para deslocar pessoal até os locais onde elas ocorrem é possível para tanto mobilizar as redes de economia solidária. O que permitiria que seus integrantes, ademais de obterem uma remuneração do governo por esse serviço de fiscalização, recuperação e conservação da vegetação e dos mananciais, pudessem satisfazer a um custo relativamente baixo uma parte significativa de suas necessidades básicas.

No meio urbano, onde essa mesma degradação, agora devido à ação da especulação imobiliária, vem levando ao aumento da temperatura e a catástrofes cada vez mais frequentes, as redes de Economia Solidária poderiam ser de imediato mobilizadas.

Tudo isso, junto ao que foi sugerido em relação aos demais eixos, levaria ao que nos referimos como o “pentagrama do poder popular” no artigo “Sobre a governabilidade”. Isto é, um processo em que cinco momentos retroalimentados – conscientização, mobilização, organização, participação e empoderamento – possibilitará aos integrantes da Economia Solidária condições de agenciar seus interesses e promover seus valores. E, dessa forma conferir a governabilidade que José Dirceu, os que me leem e eu mesmo queremos assegurar ao nosso governo.

*Renato Dagnino é professor titular no Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp. Autor, entre outros livros, de Tecnociência Solidária, um manual estratégico (Lutas anticapital).

Brasil não assina declaração final da conferência sobre Ucrânia na Suíça

Além do Brasil, outros 11 países adotaram a mesma postura. Conferência discutiu unilateralmente o fim da guerra, sem contemplar a Rússia

 O Brasil, junto com outros países, recusou assinar a declaração final da conferência, por discordar das conclusões indicadas no documento. Os países do BRICS que participaram da conferência sobre a Ucrânia na cidade suíça de Burgenstock, incluindo o Brasil, se recusaram a assinar o comunicado conjunto sobre os resultados das negociações, se depreende da lista de países que assinaram o comunicado.

No início de domingo (16) Dmitry Kuleba, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, anunciou que o texto da declaração da cúpula sobre a Ucrânia estava pronto e que todas as posições de princípio de Kiev haviam sido levadas em consideração.

O documento foi assinado por 84 das mais de 100 nações e organizações participantes do evento, mas a África do Sul, Arábia Saudita, Armênia, Bahrein, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Índia, Indonésia, Líbia, México, Santa Sé, Suíça e a Tailândia não o assinaram.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, apresentou na sexta-feira (14) novas propostas de paz para resolver o conflito na Ucrânia, que preveem o reconhecimento do status da Crimeia, das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, e das regiões de Kherson e Zaporozhie como russas, a consolidação do status da Ucrânia como país não alinhado e livre de armas nucleares, sua desmilitarização e desnazificação e ainda o cancelamento das sanções impostas à Rússia. O lado ucraniano rejeitou a iniciativa.

A conferência sobre a Ucrânia foi realizada neste sábado (15) e domingo (16), perto da cidade suíça de Lucerna, no resort de Burgenstock. Noventa e dois países, 55 chefes de Estado confirmaram sua participação, bem como oito organizações, incluindo a UE, o Conselho da Europa e a ONU. Joe Biden, Xi Jinping e Lula da Silva, presidentes dos EUA, da China e do Brasil, respetivamente, não compareceram à conferência.A Suíça não convidou a Rússia para participar da cúpula, enquanto Moscou afirmou que não teria participado de qualquer forma. O Kremlin disse que era absolutamente inútil procurar opções para resolver a situação no conflito ucraniano sem a participação da Rússia.

Brasil 247

Pablo Marçal é pior do que Bolsonaro porque é inteligente, mais ousado e perverso

Por Roberto Kuppê (*)

Pode existir alguém mais perverso (sem escrúpulos) do que Jair Messias Bolsonaro, o ex-presidente do Brasil? Parecia impossível, mas existe. E atende pelo nome de Pablo Marçal, o controverso coach, pré-candidato outsider prefeitura de São Paulo. Ele é dono de um canal no Youtube com mais de 2 milhões de inscritos (além de 4,7 milhões seguidores em sua conta no Instagram), no qual compartilha uma série de vídeos sobre “Inteligência Emocional”.

Marçal se apresenta com uma extensa lista de credenciais: cristão, filantropo, empreendedor imobiliário e digital, mentor, estrategista de negócios, especialista em branding, e jurista por formação. A popularidade não é recente. Cristão fervoroso e protagonista de uma longa trajetória como coach, ele foi eleito deputado federal por São Paulo em 2022, mas não chegou a assumir o cargo depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspender o registro da candidatura.

Posa de bilionário, de empresário de sucesso, mas, segundo a última declaração de bens no imposto de renda dele, publicada pelo TSE por ocasião de sua candidatura indefirida a presidente, em 2022, ele declarou um patrimônio de R$ 16,9 milhões, porém, para deputado federal declarou no mesmo ano, 2022, um patrimônio total de 88 milhões de reais. Veja aqui.

Na relação de bens não consta nenhum helicóptero e nenhum jatinho que afirma possuir, mas diz que possui participações societárias (sem detalhar) no valor de 80 milhões de reais. Com certeza, ou está superestimando seu patrimônio ou sonegando impostos.

Pablo Marçal navega no mesmo nicho de votos de Bolsonaro e é um ameaça real ao bolsonarismo. Em nada atinge, porém, a pré-candidatura do esquerdista Guilherme Boulos (PSOL). Quem vota na esquerda, não vota na direita. Os votos de Boulos são indevassáveis e intransferíveis. Já os votos de Bolsonaro, sim. São volúveis e sujeitos mudanças de acordo com o humor dos seus eleitores. No momento, Marçal tenta apoio de Bolsonaro, mas ele quer distância dele, sob pena de lá na frente se arrepender. Por isso, vai até o fim com Ricardo Nunes (MDB). O problema é que Marçal tem tudo para chegar no segundo turno com Boulos. Ai sim, o coach passa a ser um problema também para Guilherme Boulos.

Se Pablo Marçal se eleger prefeito da cidade de São Paulo, o que não é impossível, o atual governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos) também terá suas pretenções futuras ameaçadas. De uma coisa este articulista está convicto, Ricardo Nunes não se reelege.

Uma vez prefeito, Pablo Marçal vai uerer transformar S Paulo numa Dubai. Risos. E tem um proposta mirabolante. Construir um prédio de1 km. Virou piada.

https://www.youtube.com/watch?v=PItrQmm0B50

 

Antes de ser pré-candidato a prefeito de S Paulo, Pablo Marçal era motivo de sátiras na internet. O polêmico coach virou piada depois de dizer em uma palestra que acalmou um piloto de helicóptero durante uma pane. Viralizou nas redes trechos de palestras em que ele se gaba de seus supostos feitos — como acalmar um piloto de helicóptero durante uma pane.

Começaram a editar esse e outros trechos como se o Pablo estivesse contando vantagem em uma mesa de bar.

O cara virou uma espécie de Chuck Norris da disrupção.

E emplacou de vez como comediante, mesmo que sem a intenção.

Recentemente, o coach comentou os memes, e… parece que ele não está achando muita graça.

 (*) Roberto Kuppê é articulista político e diretor geral do A Democracia

Com informações de O Globo 

Breno Altman em Porto Velho, no seminário Imperialismo, libertação nacional e a questão palestina

O Grupo de Pesquisa História, Sociedade e Educação no Brasil (HISTEDBR/UNIR) realiza no próximo dia 18 de junho o Seminário “Imperialismo, libertação nacional e a questão palestina”, com a presença de Breno Altman (jornalista e fundador do portal Ópera Mundi) e Ualid Rabah (Presidente da Federação Árabe Palestina – Fepal). O seminário será no auditório da UNIR-Centro, em Porto Velho, a partir das 19h, e as inscrições podem ser feitas gratuitamente neste link até a data do evento.

O objetivo, segundo com os organizadores (HISTEDBR, Cebraspo, Adunir e Comitê de Apoio a Resistência Palestina – Rondônia), é “discutir o papel do imperialismo, em especial do imperialismo estadunidense e de outras potências europeias no apoio e financiamento do genocídio e limpeza étnica na Palestina histórica, perpetrado pelo estado sionista e colonial de Israel”.

A comissão organizadora do evento de extensão conta com professores dos cursos de Ciências da Educação, História, Psicologia, Medicina e do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), além de servidores técnico-administrativos e estudantes do curso de Ciências Sociais da UNIR. Como afirmam os organizadores, “debater acerca das tarefas históricas da resistência nacional palestina em sua luta por autodeterminação e libertação nacional são os temas centrais do seminário”,

Lançamento de livro – Durante o Seminário ocorrerá também o lançamento do livro do jornalista Breno Altman: “Contra o Sionismo: Retrato de uma doutrina colonial e racista”, seguida de uma sessão pública de autógrafos com o autor.

O evento iniciará com credenciamento e sessão de autógrafos a partir das 18h30, e o Seminário a partir das 19h.

 

Seminário – Imperialismo, libertação nacional e a questão Palestina

Data: 18 de junho de 2024, a partir das 18h30

Local: Auditório da UNIR-Centro (avenida presidente Dutra, n. 2965)

Inscrições: gratuitas até o dia 18 de junho de 2024, no link https://www.even3.com.br/imperialismo-libertacao-nacional-e-a-questao-palestina-460756/

Público alvo: Estudantes, graduados, pós-graduados, docentes, jornalistas, ativistas de movimentos populares e sociais, estudantes secundaristas, intelectuais de diversas frentes, membros de comunidades árabes-palestinas em diáspora, membros das comunidades islâmicas e outras pessoas interessadas da temática a solidariedade e luta por libertação e autodeterminação do povo palestino.

Coluna Zona Franca

                                               Haddad forte

Lula e Fernando HaddadO presidente Lula (PT), em entrevista coletiva neste sábado (15) no encerramento do G7, disse que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), “jamais ficará enfraquecido” em seu governo. A declaração de Lula vem após rumores de que o ministro estaria sendo pressionado por diversos setores, inclusive por alas do governo, principalmente depois de ser ventilada a possibilidade de desvincular benefícios sociais da Previdência do aumento do salário mínimo. “O Haddad jamais ficará enfraquecido enquanto eu for presidente da República, porque ele é o meu ministro da Fazenda, escolhido por mim e mantido por mim. Então é o seguinte: se o Haddad tiver uma proposta, o que vai acontecer é que ele vai me procurar essa semana para sentar e discutir economia comigo”.

Se entregou

Eurípedes Junior, presidente do partido Solidariedade, entregou-se à Polícia Federal (PF) na manhã deste sábado (15), acompanhado por seus advogados, informa a CNN Brasil. Ele se apresentou na Superintendência da PF no Distrito Federal, onde já está detido em uma cela. O dirigente partidário era alvo de uma operação da PF deflagrada na última quarta-feira (12), que buscava cumprir sete mandados de prisão preventiva. No entanto, Eurípedes não foi localizado na data, sendo o único alvo que permanecia foragido.

PL do estupro

Pode ser uma imagem de textoO presidente Lula (PT) concedeu neste sábado (15) uma entrevista coletiva no encerramento do G7, na Itália, e falou a jornalistas sobre o chamado “PL do estupro”, que teve urgência aprovada na Câmara dos Deputados. O projeto visa equiparar o aborto realizado após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio. Com isso, a pena prevista para a mulher que realizasse o aborto após o prazo estipulado seria maior que a pena de um estuprador.

 

 

 

PL do estupro 2

Lula classificou o projeto como uma “insanidade” e voltou a defender que o tema do aborto seja tratado como “questão de saúde pública”. Ele também prometeu se inteirar so assunto sobre o “PL do estupro” ao retornar ao Brasil.

Abominável

O Grupo Prerrogativas afirmou em nota, nesta sexta-feira (14), que o PL que equipara o aborto realizado após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio é “abominável”. Em comunicado, o grupo repudiou a proposta, argumentando que, caso o texto seja aprovado, as crianças não só terão que conviver com os traumas decorrentes da violência sexual, como serão obrigadas a “gestar filhos dos estupradores”.

Abominável 2

“Não resta dúvida que o abjeto Projeto é inconstitucional, fere a dignidade da pessoa humana, um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito”, afirmou. A proposta, que é de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), tramita em regime de urgência desde a quarta-feira (12) na Câmara dos Deputados. A medida visa acelerar a análise do texto.

Eleições 2024

Pré-candidata Euma Tourinho, do MDB

Quem cedo madruga….O MDB definiu a data de 20 de julho para a realização da sua Convenção Municipal para a homologação da candidatura de Euma Tourinho  a prefeita de Porto Velho (RO). Há no partido a convicção da viabilidade eleitoral de Euma e de sua nominata de vereadores(as). “Nós estamos convictos das possibilidades de vitória dos nossos candidatos. A costumeira postergação das convenções se presta aos acordos que excluem o cidadão“, afirmou Williames Pimentel, presidente municipal do partido.

Eleições 2024-2

Falando em Euma, ela está na Ponta do Abunã – em companhia de Fran Kaxarari (pré-candidata vereadora), cumprindo agenda a começar por Extrema, com propostas para inserir os Distritos na pauta da prefeitura de Porto Velho.

Vices

A pré-candidata Mariana Carvalho (União Brasil), tem praticamente certo o nome do vice. O mais cotado é o empresário Jaime Gazola (PL). Outro forte nome é do ex-secretário da Secretaria de Regularização Fundiária (Semur), Edemir Brasil.

Vices 2

Do Léo Moraes(Podemos) ainda está indefinido. Idem os vices ou as vices de Vinícius Miguel (PSB), Euma Tourinho, Benedito Alves (SD) e Célio Lopes (PDT).

Pré-campanha

Os pré-candidatos de modo geral, tem que gastar em suas pré-ampanhas. Gastos com redes sociais, mídia, pesquisas, almoços, jantares, viagens. Tudo tem custo. É do jogo. Não adianta colocar um escorpião no bolso e achar que suas campanhas vão deslanchar. Quem não tem as manhas não entra não, sem a instrução de um profissional. É pix na mão, calcinha no chão. Risos.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e no Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidaddo colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

MIS celebra os 80 anos de Chico Buarque com programação especial no mês de junho

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O mês de junho traz o aniversário de um dos maiores cantores e compositores brasileiros de todos os tempos, Chico Buarque, que completa oitenta anos no dia 19. E para celebrar a data, o MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, realiza a programação especial CHICO 80, que trará eventos temáticos ao longo do mês, incluindo programas fixos do museu, como o Cinematographo, Cine Kids e Estéreo MIS, e outros totalmente inéditos, como o lançamento do CD “Claudette canta Chico”, de Claudette Soares.

Em toda sua trajetória, Chico Buarque não apenas criou uma obra vasta e diversificada, mas também se tornou uma figura de resistência e consciência social. Sua música e sua arte são testemunhos de sua dedicação em retratar as realidades e os sonhos do povo brasileiro, deixando um legado duradouro, que continuará a ecoar por muitas gerações. O especial CHICO 80 reverencia a obra sem paralelo e repleta de ramificações que o compositor nos ofereceu ao longo dos seus sessenta anos de carreira em diversas frentes.

Programação CHICO 80

 

16 de junho, às 15h | Cinematographo: “Ópera do malandro”

O Cinematographo apresenta o filme “Ópera do malandro”. O musical foi dirigido por Ruy Guerra em 1985 e se baseia no espetáculo homônimo escrito por Chico Buarque e dirigido por Luís Antônio Martinez Corrêa em 1978. O espetáculo, por sua vez, tinha inspiração em “Ópera do mendigo” (1724), de John Gay e Johann Christoph Pepusch, e em “A ópera dos três vinténs” (1928), de Bertold Brecht. A edição ganha uma trilha sonora ao vivo executada pelos músicos Cíntia Gasparetti, Cris Cunha, Tâmara David, Paulo Viel e Eduardo Contrera. 

16 de junho, às 16h | CineCiência: “Raízes do Brasil”

O CineCiência traz a cinebiografia do pai de Chico Buarque, Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), lançada em 2004 por Nelson Pereira dos Santos. Em sua primeira parte, a que será exibida no MIS, imagens de arquivo se mesclam com o registro de encontros familiares, revelando a personalidade, mas também o horizonte intelectual do autor de “Raízes do Brasil”.  Após a sessão, será realizado um debate, mediado por José Luiz Goldfarb, com o professor Pedro Meira Monteiro, que abordará a atualidade das ideias de Sérgio Buarque de Holanda e a relação que elas guardam com a obra literária de seu filho mais famoso.

22 de junho, às 20h | Lançamento do CD “Claudette canta Chico” + show + sessão de autógrafos

Claudette Soares lançou, em março de 2024, o álbum “Claudette canta Chico”, em comemoração aos oitenta anos do artista. A seleção de canções, que ganharam uma roupagem nova na personalidade da voz de Claudette, fazem um percurso por toda a carreira do compositor e incluem tanto canções antigas, de seus primeiros discos, como dos últimos lançamentos.

O lançamento do CD físico no MIS será acompanhado de um show de Claudette Soares, seguido de uma sessão de autógrafos com a artista, que, no auge dos seus 88 anos, continua sendo uma das diversas vozes que representam tão bem a cultura popular brasileira.

27 de junho, às 19h | Clube do Filme do Livro: “Benjamim”

A edição de junho do programa mensal Clube do Filme do Livro integra a programação especial CHICO 80 com o filme Benjamim” (2004), dirigido por Monique Gardenberg, adaptação do livro homônimo de Chico Buarque lançado em 1995. A convidada do mês para discutir a obra sob a ótica da adaptação é a diretora e roteirista do longa-metragem Monique Gardenberg.

28 de junho, às 21h | Estéreo MIS: Ayrton Montarroyos

O convidado para essa edição do Estéreo MIS não poderia ser mais especial: Ayrton Montarroyos iniciou sua carreira após a divulgação de um vídeo da música “Olhos nos olhos”, do cantor homenageado. Desde então, ascendeu na cena musical, sendo indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, pelo disco “Herivelto Martins – 100 anos”. No show que será realizado no MIS no dia 28 de junho, Ayrton convida como participação especial o compositor e pianista Nelson Ayres.

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Presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia passa por nova cirurgia plástica com sucesso

O deputado estadual Marcelo Cruz (PRTB-RO) foi submetido a uma cirurgia de blefaroplastia para corrigir o excesso de pele e bolsas nas pálpebras superiores e inferiores.  O procedimento cirúrgico foi bem-sucedido e o parlamentar encontra-se em fase de recuperação em sua residência. O parlamentar rondoniense já havia passado por um cirurgia estética em 2020, sendo alvo do Ministério Público de Rondônia. Na ocasião ele afirmou que todas as despesas foram pagas com recursos particulares, conforme demonstram transferências bancárias de sua conta pessoal endereçadas ao médico responsável pelo tratamento.

Apesar de ser bastante vaidoso, não procede que ele queira se transformar no Ken Humano. Cruz é pré-candidato a prefeitura de Porto Velho e quer estar bem apresentável.

Com informações do Tudo Rondônia

 

Deputado do PL-BA pede reembolso por estada em hotel de luxo em Copacabana após assistir show da Madonna

O deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), conhecido no meio político baiano como “Jonga Bacelar”, usou parte da cota parlamentar de maio para solicitar reembolso de uma estada em um hotel de luxo no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.

De acordo com o Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, o valor total gasto com uma única diária foi de R$ 4.173,66, e o parlamentar baiano ficou hospedado no Fairmont Rio de Janeiro Copacabana. Localizado na Avenida Atlântica, próximo às praias de Copacabana e Ipanema, é o primeiro hotel na América do Sul com a bandeira de luxo da tradicional rede Accor.

Ainda com base na nota emitida pelo hotel, disponível na aba de hospedagem da cota parlamentar, Jonga Bacelar deu entrada no local em 4 de maio, um sábado, e saiu no dia seguinte. Sem atividades da Câmara em Brasília durante finais de semana, outro detalhe é que a data da estada do deputado no Rio foi marcada pelo show da rainha pop Madonna.

Por Metrópoles

Papa Francisco a Lula: ‘é você quem pode fazer um mundo mais humano’

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Lula se encontrou com o papa Francisco durante a cúpula do G7, na Itália

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Francisco discutiram, nesta sexta-feira (14), as desigualdades globais, durante a cúpula do G7, na Itália. “Encontro com Sua Santidade, o Papa Francisco. Conversamos sobre paz, combate à fome e a necessária redução das desigualdades no mundo”, relatou Lula nas redes sociais.

Eles também conversaram sobre a paz mundial, o combate à fome e maneiras de reduzir a desigualdade social, de raça, de gênero, de educação e de saúde. A primeira-dama, Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, também participou.

“Eu quero ver se. a gente faz o mundo mais humano”, disse Lula ao papa, ao que o pontífice respondeu: “E você pode fazer isso”.

Lula participa da cúpula do G7 na Itália na qualidade de representante do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo e cuja presidência rotativa é do Brasil em 2024. Já o G7 congrega as potências industriais Estados Unidos, Alemanha, Japão, Itália, França, Canadá e Reino Unido. O papa Francisco se tornou o primeiro pontífice a discursar em uma cúpula do G7.

Ministra Cármen Lúcia diz que confia nos servidores da Justiça Eleitoral para a realização das Eleições 2024

Primeiro turno do pleito municipal será realizado no dia 6 de outubro em mais de 5,5 mil cidades do país

Faltando cerca de 100 dias para o primeiro turno das Eleições Municipais 2024, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, em reunião com as servidoras e os servidores da Corte, nesta quarta-feira (12), afirmou que confia nas trabalhadoras e nos trabalhadores da Justiça Eleitoral para a realização do pleito com segurança e tranquilidade.

“Nós somos os encarregados de deixar o Brasil sem novidades ruins em termos eleitorais. Eu conto com cada um de vocês. Eu confio em vocês”, ressaltou a presidente da Corte.

A ministra destacou que, historicamente, o pleito municipal é mais dotado de emoções e paixões, porque é mais próximo das eleitoras e dos eleitores, e a disputa é sempre acirrada. Ela também lembrou que o país vive momentos de ódio e de incompreensões e que, por tudo isso, as servidoras e os servidores da Justiça Eleitoral têm de passar às eleitoras e aos eleitores a certeza de que tudo correrá bem.

“Vamos nos compor como uma grande família eleitoral. O Brasil merece o melhor de todos nós”, concluiu.

Também participaram da reunião a secretária-geral da Presidência do TSE, Andrea Pachá, e a diretora-geral da Corte, Roberta Gresta.

Encontro com os TREs

No primeiro dia de atividades após a posse como presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia se reuniu com os presidentes dos tribunais regionais eleitorais (TREs) com o intuito de alinhar a atuação da Justiça Eleitoral neste ano de eleições, bem como tratar dos preparativos para o pleito municipal de outubro.

O primeiro turno das Eleições Municipais 2024 acontece no dia 6 de outubro, e o segundo, onde for necessário, ocorre no dia 27. Mais de 156 milhões de eleitoras e eleitores vão às urnas eletrônicas escolher novos prefeitos e vereadores para os próximos quatro anos.

Justiça Eleitoral de Rondônia lança Cartilha de Audiodescrição e Autodescrição

A Justiça Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) acaba de disponibilizar a sua Cartilha de Audiodescrição e Autodescrição. Este material, elaborado pela Assessoria de Sustentabilidade e Acessibilidade (ASSESUA), tem como objetivo principal promover a inclusão digital e a acessibilidade em todas as nossas atividades.

A audiodescrição de palestrantes já é adotada em eventos de todas as naturezas, bem como nas sessões plenárias do TRE-RO, desde 2023. Essa iniciativa visa garantir que todas as pessoas, independentemente de suas capacidades visuais, possam participar e compreender plenamente nossas ações e decisões.

Convidamos todos, tanto o público interno quanto o externo, a conhecerem e utilizarem a cartilha.

Acesse o  material

A Justiça Eleitoral de Rondônia está comprometida com a acessibilidade e a inclusão. Conheça a Cartilha de Audiodescrição e Autodescrição e ajude a tornar nosso ambiente mais inclusivo para todas e todos.

Para mais informações, acesse nosso portal ou entre em contato com a ASSESUA.

Fonte: TRE-RO

Lira, que liberou PL do aborto, já foi acusado de estupro

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (12) a urgência do Projeto de Lei 1904/24, que prevê a criminalização do aborto realizado após 22 semanas de gestação, considerando-o homicídio, mesmo em casos de gravidez resultante de estupro. No entanto, um fato intrigante é que o PL foi colocado em votação pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, que já enfrentou acusações de estupro.

A ex-mulher de Lira, Jullyene Lins, com quem ele foi casado por dez anos, foi a responsável pela acusação. Ela afirmou que, seis meses após a separação, em 5 de novembro de 2006, foi agredida e estuprada pelo político. Segundo a mulher, a agressão ocorreu após o parlamentar ter descoberto que ela estava se encontrando com outro homem.

Lira foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois que Jullyene mudou seu depoimento, alegando ter sido ameaçada por ele de perder a guarda dos filhos se não retirasse a queixa. No ano passado, Jullyene revelou durante entrevista à Agência Pública que a violência também incluiu abuso sexual.

“Aconteceu uma coisa que eu nunca contei a ninguém, ele disse pra mim: ‘Você está atrás de macho, eu vou lhe mostrar quem é o homem’. Ele me puxava pelo cabelo e dizia: ‘O homem aqui… você é minha mulher, você não vai ter outro homem, você é minha, você é a mãe dos meus filhos. Você quer me desmoralizar, vamos lá para o quarto agora que eu vou te mostrar quem é o homem aqui, você não quer isso? Você não está querendo? Atrás de homem pra quê? Pra fuder? Então vou lhe mostrar agora.’”

Vale ressaltar que após a repercussão do caso, a reportagem da Agência Pública sobre as acusações de Jullyene foi censurada e está, atualmente, fora do ar. Em um julgamento em abril, a Justiça do Distrito Federal manteve a censura à reportagem, que havia sido publicada em junho de 2023.

Acerca da aprovação do PL, Jullyene Lins manifestou sua indignação em seu perfil no X, antigo Twitter, relacionando os eventos ao seu passado de acusações contra Lira.

 

DCM

Político do União Brasil é suspeito de engravidar menina de 13 anos e induzir aborto

No dia 1° de junho, moradores de Porto Walter, no interior do Acre, encontraram o feto de um bebê abortado sendo devorado por urubus. Após uma investigação, a Polícia Civil da cidade identificou a provável mãe, uma menina de 13 anos que teria sido vítima de estupro de um funcionário público. Nesta sexta-feira (14), a jovem relatou que manteve relações sexuais com um homem, que lhe forneceu medicamentos abortivos após descobrir a gravidez.

Identificado apenas como Sérgio, segundo o jornal Folha do Acre, ele já tem se divulgado no município como pré-candidato a vereador pelo União Brasil, partido que conta com dois deputados que propuseram o PL antiaborto. Se aprovado, o projeto pode equiparar a ação da vítima a um crime de homicídio.

O feto foi encontrado dentro de uma sacola, que estava sendo rasgada e arrastada por urubus, chamando a atenção dos moradores da Rua Amarizio Sales, no bairro da Portelinha. A Polícia Militar foi acionada e o feto foi levado ao hospital local, pois a cidade não possui Instituto Médico Legal (IML). Segundo jornais locais, o feto apresentava sinais de ataque por animais, dificultando a identificação do sexo e da idade gestacional.

“Ela afirmou que manteve uma relação sexual com um homem de Porto Walter, que terminou engravidando. Em decorrência da gravidez, ela teve que praticar um aborto porque foi induzida pelo pretenso estuprador. Por conta desse aborto ela alegou que estava sentindo muitas dores, deu entrada no hospital da cidade de Porto Walter e, posteriormente, saiu. No dia de ontem foi agilizado para ela ser transferida para Cruzeiro do Sul pelo TFD, mas ela se negou a ir”, explicou o delegado José Obetânio.

O delegado também explicou que a vítima passará por exame de conjunção carnal e outros procedimentos para confirmar os relatos. Caso se comprove a paternidade e a indução ao aborto, o homem poderá ser denunciado por estupro de vulnerável e por ter induzido a menina ao aborto.

Imagem ilustrativa

“Ele foi ouvido e disse que não teve relações sexuais com ela, que não induziu fazer aborto. Admite que fez um Pix para ela de R$ 50, mas segundo ele foi para ela comprar comida. Segundo ela, o dinheiro foi pra ela utilizar no que ela quisesse e ele mesmo deu os remédios abortivos para ela”, disse Obetânio.

O feto será exumado para a realização de um exame de DNA, que pode comprovar a paternidade. “Nós representamos pela exumação do corpo, para realizar exame de DNA para comprovar a paternidade. A autorização já foi dada e o perito deverá chegar em Porto Walter para a realização da exumação e perícia. Se ficar constatada que o homem induziu a menina ao aborto ele será responsabilizado criminalmente, podendo ser preso”, concluiu o delegado.

A adolescente foi levada à Unidade Mista do município devido a uma infecção decorrente do aborto. Ela aguardava transferência para o Hospital de Cruzeiro do Sul, mas foi levada para casa por uma mulher que assinou um termo de responsabilidade por ela.

Boulos lidera corrida eleitoral em São Paulo com 37,2%, ante 20,5% de Ricardo Nunes, diz pesquisa AtlasIntel

O deputado federal e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, lidera a corrida eleitoral, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (28) pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a CNN Brasil. Com 37,2% das intenções de voto, Boulos mantém uma vantagem significativa sobre o atual prefeito e pré-candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), que aparece com 20,5%. empresário Pablo Marçal (PRTB), que teve seu nome lançado pelo PRTB no último sábado, aparece em terceiro lugar, com 10,4% das intenções de voto.

Ainda conforme a pesquisa, a deputada federal Tábata Amaral (PSB) possui 9,9% das intenções de voto. José Luiz Datena, que trocou o PSB pelo PSDB em abril, e o deputado federal Kim Kataguiri, pré-candidato pelo União Brasil, aparecem empatados, com 7,9% da preferência do eleitorado. Os eleitores que disseram não saber em quem votar somaram 0,9% e os que declararam que iriam votar em branco ou nulo ficaram em 1,4%.

Ainda conforme o levantamento, Boulos e Nunes aparecem empatados em um eventual segundo turno da disputa pela prefeitura da capital. Segundo o levantamento, divulgado nesta terça-feira (28), Nunes possui 46% das intenções de voto ante 43,5% de Boulos. A fatia de eleitores que ainda não sabem em quem votar representa 2,1%, enquanto 8,3% declararam a intenção de votar nulo ou em branco.

O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-05357/2024. No total, 1.670 eleitores da capital paulista foram entrevistados por meio do Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR) durante o período de 22 a 27 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Brsil 247

Mercado financeiro lança seus candidatos “independentes”

Por Florestan Fernandes Jr

A “turma do poder” já teceu planos e estratégias para devorar o país, no costumeiro apetite predatório que lhes é peculiar

A extrema-direita está de volta, dando as cartas através dos seus principais governadores, líderes do bolsonarismo, do mercado financeiro e da mídia corporativa nacional. Vieram em seu estilo próprio, o da “lacração”, que domina hoje as redes sociais fascistas e inflama os afetos dos incautos.

A turma da Faria Lima, sem qualquer constrangimento, aderindo às fake-news, espalhou toda espécie de cizânia, visando a desestabilização do governo federal. Foi o que vimos durante esta semana, com os fuxicos recentes de que Rui Costa teria pedido a cabeça de Haddad, ou ainda que o próximo Ministro da Fazenda seria indicado por Mercadante.

Nesse cenário de busca incessante de desestabilização, os golpistas aparecem serelepes, livres, leves, soltos e engajados, ombreados com a grande mídia e o mercado financeiro na campanha para a sucessão presidencial. O interesse é um só: “business”.

As movimentações nesse sentido se deram em encontros nababescos. Um deles no mês passado, patrocinado pelo “golden boy” da Rede Globo, Luciano Huck. Também mais recentemente em um jantar oferecido pelo governador paulista no Palácio dos Bandeirantes. Os dois encontros tinham como principais comensais o governador Tarcísio de Freitas e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nas festas de Babete tupiniquim, foram servidos na bandeja aos banqueiros e homens do mercado financeiro, o candidato à sucessão de Lula, o atual governador paulista e, como seu homem na Fazenda, o atual presidente do Banco Central “independente”, Roberto Campos Neto. Entre goles e garfadas, a “turma do poder”, teceu planos e estratégias para devorar o país, no costumeiro apetite predatório que lhes é peculiar.

Os neoliberais precisaram de apenas seis anos (dois de Temer e quatro de Bolsonaro) para sedimentar uma política econômica muito bem amarrada com as emendas parlamentares e com a ação de um Banco Central “autônomo”, que mantém uma taxa de juros imoral, em patamares estratosféricos e injustificável. Tudo isto atendendo aos seus interesses e apetites.

Mas não só os rentistas. Além deles, parte do andar de cima da pirâmide social se deleita ainda com os incentivos fiscais criados em 2013, com a desoneração da folha salarial, que atende 17 setores da economia. Um rombo no orçamento do governo de mais de 26 bilhões de reais, apenas em 2024. Essa benesse custeada com o dinheiro do contribuinte, não tem sequer prestação de contas sobre a sua própria razão de existir: a preservação dos empregos.

Seria importante que empresas como a Rede Globo, por exemplo, beneficiadas com descontos nos impostos, apresentassem o balanço de empregos preservados nos últimos 10 anos. Uma manifestação de transparência. Aquela mesma que tanto cobra da administração pública, e que não apresenta quando se trata do uso de dinheiro público – e desoneração da folha diz respeito a dinheiro público, sim! Mas o fato é que não estão nem aí. Cobram de Fernando Haddad o equilíbrio fiscal que eles próprios não respeitam.

Lembro que em 2002 conversei com um ex-diretor da área econômica da família Marinho, que durante anos tinha que definir os investimentos das fortunas pessoais dos donos e das aplicações dos recursos bilionários da empresa.

Fazer fortuna com recursos públicos é uma especialidade de um seleto grupo que manda e desmanda no país há séculos. Para isto, têm os seus nas esferas de poder. Foi através desses aliados no Congresso que o seleto grupo conseguiu recentemente prorrogar a aberração que é a desoneração da folha salarial.

Ou seja, pressão de todos os lados com a cobrança de rigor fiscal apertado, mas abrir mão da desoneração, jamais! Farinha pouca, meu pirão primeiro! E assim caminha a cruzada contra o Brasil.

Como disse no Boa Noite 247 o ex-ministro Luís Carlos Bresser Pereira, “o governo atual paga juros extremamente altos, juros que representam 7% do PIB.” Isso, para Bresser, é um escândalo, é uma captura do patrimônio público. Trocando em miúdos, é corrupção mesmo. E o pior é que alegam que esses juros pornográficos servem para combater a inflação. Uma falácia.

Antes de embarcar para o G7, Lula disse que “o aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão alcançar a meta de déficit, sem comprometer os investimentos”. Foi a deixa para o tal mercado ficar nervosinho, com o dólar subindo e a bolsa caindo.

Acho que o melhor seria o governo Lula ir para o enfrentamento e falar abertamente com a população. E o primeiro tema poderia ser a desoneração da folha salarial. O governo poderia levantar, junto ao Ministério do Trabalho, quantos empregos eram ofertados pelos 17 setores beneficiados pela isenção fiscal em 2013 e quantos são ofertados hoje. Seria a oportunidade de se esclarecer quem paga – eu, você e todos nós – se a desoneração efetivamente alcança a sua finalidade (é intuitivo que não), quem se beneficia dela e a que custo para o povo brasileiro. Transparência é um dos princípios da administração pública e tributária.

É apenas uma ideia de quem vê, desolado, que o deus mercado venceu mais uma, e que Haddad se vê agora obrigado a revisar gastos do governo. O nosso suado dinheirinho vale mais nas mãos do mercado, do que nas mãos dos trabalhadores, esta massa que efetivamente produz as riquezas do país.

(*) Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

Franz Kafka, espírito libertário

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Por MICHAEL LÖWY*

Notas por ocasião do centenário da morte do escritor tcheco

1.

Franz Kafka era um espírito libertário. É claro que sua obra não pode ser reduzida a uma doutrina política, seja ela qual for. O escritor não produz discursos, mas cria indivíduos e situações, exprime em sua obra sentimentos, atitudes, uma Stimmung. O mundo simbólico da literatura é irredutível ao mundo discursivo das ideologias: a obra literária não é um sistema conceitual abstrato, como as doutrinas filosóficas ou políticas, mas a criação de um universo imaginário concreto de personagens e coisas.[i]

No entanto, isso não nos impede de explorar as passagens, as passarelas, as ligações subterrâneas entre seu espírito antiautoritário, sua sensibilidade libertária, suas simpatias pelo anarquismo, por um lado, e seus principais escritos, por outro. Estas passagens dão-nos um acesso privilegiado àquilo a que se poderia chamar a paisagem interna da obra de Franz Kafka.

Três testemunhos de tchecos contemporâneos documentam a simpatia do escritor de Praga pelos socialistas libertários tchecos e sua participação em algumas de suas atividades. No início dos anos 1930, na ocasião de suas pesquisas para o romance Stefan Rott (1931), Max Brod recolheu informações junto a um dos fundadores do movimento anarquista tcheco, Michal Kacha. Trata-se da participação de Kafka nas reuniões do Klub Mladych (Clube dos Jovens), uma organização libertária, antimilitarista e anticlerical, frequentada por vários escritores tchecos (S. Neumann, Mares, Hasek).

Incorporando estas informações – que lhe foi “confirmada por outra parte” – Max Brod observa em seu romance que Kafka “assistia frequentemente, em silêncio, às reuniões do círculo. Kacha achava-o simpático e chamava-o ‘Klidas’, que poderia ser traduzido como ‘o taciturno’ ou, mais precisamente, na gíria tcheca, como ‘o colosso do silêncio’”. Max Brod nunca pôs em dúvida a veracidade deste testemunho, que citaria novamente em sua biografia de Franz Kafka.[ii]

O segundo testemunho é o do escritor anarquista Michal Mares, que conheceu Franz Kafka na rua (eram vizinhos). Segundo Michal Mares – cujo documento foi publicado por Klaus Wagenbach em 1958 –, Kafka tinha ido, a seu convite, a uma manifestação contra a execução de Francisco Ferrer, o educador libertário espanhol, em outubro de 1909. Durante os anos 1910-12, ele teria assistido a conferências anarquistas sobre o amor livre, a Comuna de Paris, a paz e contra a execução do militante parisiense Liabeuf, organizadas pelo “Clube dos Jovens”, pela associação “Vilem Körber” (anticlerical e antimilitarista) e pelo Movimento Anarquista tcheco.

Em várias ocasiões, ele teria até mesmo pago cinco coroas de fiança para libertar seu amigo da prisão. Mares, tal como Kacha, insiste no silêncio de Kafka: “Tanto quanto sei, Franz Kafka não pertencia a nenhuma destas organizações anarquistas, mas tinha as fortes simpatias de um homem sensível e aberto aos problemas sociais. No entanto, apesar de seu interesse por estas reuniões (dada sua assiduidade), jamais interveio nas discussões”. Este interesse manifesta-se também em suas leituras – Discursos de um rebelde, de Kropotkin (presente do próprio Mares), bem como os escritos dos irmãos Reclus, Bakunin e Jean Grave – e em suas simpatias: “o destino do anarquista francês Ravachol ou a tragédia de Emma Goldmann, que editava Mother Earth, tocaram-no particularmente…”.[iii]

O terceiro documento é Conversas com Kafka, de Gustav Janouch, publicado pela primeira vez em 1951 e, consideravelmente aumentado, em 1968. Este relato, que se refere aos intercâmbios com o escritor de Praga durante os últimos anos de sua vida (a partir de 1920), sugere que Franz Kafka mantinha sua simpatia pelos libertários. Não apenas descreve os anarquistas tchecos como “muito amáveis e muito alegres”, “tão amáveis e tão simpáticos que somos obrigados a acreditar em tudo o que dizem”, mas as ideias políticas e sociais que exprime no curso dessas conversas continuam fortemente marcadas pela corrente libertária.

Por exemplo, sua definição do capitalismo como “um sistema de relações de dependência” onde “tudo é hierarquizado, tudo está em ferros” é tipicamente anarquista, por sua insistência no caráter autoritário deste sistema – e não na exploração econômica como o marxismo. Mesmo sua atitude cética em relação ao movimento operário organizado parece inspirada na desconfiança libertária em relação aos partidos e às instituições políticas: por trás dos operários que desfilam “já se adiantam os secretários, os burocratas, os políticos profissionais, todos os sultões modernos que preparam o acesso ao poder… A revolução evapora-se, resta apenas a lama de uma nova burocracia. As correntes da humanidade torturada são feitas de papéis dos ministérios”.[iv]

A hipótese sugerida por estes documentos – o interesse de Franz Kafka pelas ideias libertárias – é confirmada por certas referências em seus escritos íntimos. Por exemplo, em seu diário, encontramos este imperativo categórico: “Não esquecer Kropotkin!”; e numa carta a Max Brod, em novembro de 1917, exprime seu entusiasmo por um projeto de revista (Páginas de combate contra a vontade de poder) proposto pelo anarquista freudiano Otto Gross.[v] Não esquecendo o espírito libertário que parece inspirar algumas de suas declarações, por exemplo, a observação cáustica que um dia fez a Max Brod, referindo-se a seu local de trabalho, o Serviço de Seguro Social (onde os trabalhadores acidentados vinham reclamar seus direitos): “Como estes homens são humildes… Vêm pedir-nos ajuda. Em vez de invadirem a casa e de a saquearem, vêm pedir-nos ajuda”.[vi]

É muito provável que estes diferentes relatos – especialmente os dois últimos – contenham imprecisões e exageros. O próprio Klaus Wagenbach reconhece (sobre Mares) que “alguns detalhes podem estar errados” ou, pelo menos, “exagerados”. Do mesmo modo, segundo Max Brod, Mares, tal como muitas outras testemunhas que conheceram Franz Kafka, “tende a exagerar”, especialmente no que diz respeito à extensão de sua amizade com o escritor. Quanto a Janouch, enquanto a primeira versão de suas recordações dá uma impressão de “autenticidade e credibilidade”, pois “contém os sinais distintivos do estilo com que Kafka falava”, a segunda parece bem menos confiável.[vii]

Mas uma coisa é constatar as contradições ou os exageros destes documentos, outra coisa é rejeitá-los de imediato, qualificando as informações sobre as ligações entre Franz Kafka e os anarquistas tchecos como “pura lenda”. É esta a atitude de alguns especialistas, entre os quais Eduard Goldstücker, Hartmut Binder, Ritchie Robertson e Ernst Pawel – o primeiro um crítico literário comunista tcheco e os demais autores de biografias de Franz Kafka cujo valor é inegável.

2.

Vamos limitar-nos aqui a examinar o ponto de vista de Ritchie Robertson, autor de um ensaio notável sobre a vida e a obra do escritor judeu de Praga. O que é completamente novo e interessante neste livro é a tentativa de propor uma interpretação alternativa das ideias políticas de Kafka, que, segundo ele, não seriam nem socialistas nem anarquistas, mas românticas. Este romantismo anticapitalista não seria, em seu entender, nem de esquerda nem de direita.[viii] Ora, se o anticapitalismo romântico é uma matriz comum a certas formas de pensamento conservadoras e revolucionárias – e, nesse sentido, ultrapassa de fato a divisão tradicional entre esquerda e direita –, não deixa de ser verdade que os próprios autores românticos se situam claramente num dos pólos desta visão de mundo: o romantismo reacionário ou o romantismo revolucionário.[ix]

De fato, o anarquismo, o socialismo libertário e o anarcossindicalismo são exemplos paradigmáticos do “anticapitalismo romântico de esquerda”. Por conseguinte, definir o pensamento de Franz Kafka como romântico – o que me parece inteiramente pertinente – não significa de modo algum que ele não seja “de esquerda”, concretamente um socialismo romântico de tendência libertária.

Como todos os românticos, sua crítica da civilização moderna é tingida de nostalgia do passado – representada, para ele, pela cultura iídiche das comunidades judaicas da Europa do Leste. Com uma intuição notável, André Breton escreveu: “ao marcar o minuto atual”, o pensamento de Franz Kafka “gira simbolicamente para trás com os ponteiros do relógio da sinagoga” de Praga.[x].

3.

O interesse do episódio anarquista na biografia de Franz Kafka (1909-1912) é que ele nos oferece uma das chaves de leitura mais esclarecedoras da obra – em particular dos escritos a partir de 1912. Digo uma das chaves, porque o encanto desta obra vem também de seu caráter eminentemente polissêmico, irredutível a qualquer interpretação unívoca. O ethos libertário exprime-se nas diferentes situações que estão no centro de seus principais textos literários, mas sobretudo na forma radicalmente crítica como é representada a face assombrosa e angustiante da não-liberdade: a autoridade. Como bem disse André Breton, “nenhuma obra milita tanto contra a admissão de um princípio soberano exterior àquele que pensa”.[xi]

Um antiautoritarismo de inspiração libertária atravessa toda a obra romanesca de Franz Kafka, num movimento de “despersonalização” e reificação crescente: da autoridade paterna e pessoal à autoridade administrativa e anônima[xii]. Outra uma vez, não se trata de uma doutrina política qualquer, mas de um estado de espírito e de uma sensibilidade crítica – cuja principal arma é a ironia e o humor, o humor negro que é, segundo André Breton, “uma revolta superior do espírito”.[xiii]

Esta atitude tem raízes íntimas e pessoais em sua relação com o pai. Para o escritor, a autoridade despótica do pater familias é o próprio arquétipo da tirania política. Em sua Carta ao Pai (1919), Kafka recorda: “Você assumiu para mim o caráter enigmático dos tiranos, cujo direito não se baseia na reflexão, mas na própria pessoa deles”. Confrontado com o tratamento brutal, injusto e arbitrário dos empregados por seu pai, Franz Kafka solidariza-se com as vítimas: “Isto tornava a loja insuportável para mim, muito me fazia lembrar da minha própria situação em relação a você… É por isso que pertenço necessariamente ao partido dos empregados…”.[xiv]

As principais características do autoritarismo nos escritos literários de Kafka são: (i) a arbitrariedade: as decisões são impostas de cima, sem qualquer justificação – moral, racional, humana –, e muitas vezes com exigências desmedidas e absurdas feitas à vítima; (ii) a injustiça: a culpa é considerada – erroneamente – como evidente por si mesma, sem necessidade de prova, e os castigos são totalmente desproporcionais em relação à “culpa” (inexistente ou trivial).

Em sua primeira grande obra, O Veredito (1912), Kafka dedica-se apenas à autoridade paterna; é também uma das poucas obras em que o herói (Georg Bendemann) parece submeter-se inteiramente e sem resistência ao veredito autoritário: a ordem do pai ao filho para se atirar ao rio! Comparando esta novela com O Processo, Milan Kundera observou: “A semelhança entre as duas acusações, culpabilizações e execuções traiu a continuidade que liga o ‘totalitarismo’ íntimo da família ao das grandes visões de Kafka”[xv]. Com a ressalva de que nos dois grandes romances (O Processo e O Castelo) trata-se de um poder “totalitário” perfeitamente anônimo e invisível.

América (1913-14) é uma obra intermediária neste aspecto: as personagens autoritárias são, por vezes, figuras paternais (o pai de Karl Rossmann e o tio Jakob), por vezes, altos administradores de hotéis (o chefe do pessoal e o chefe dos porteiros). Mas mesmo estes últimos conservam um aspecto de tirania pessoal, combinando a frieza burocrática com um despotismo individual mesquinho e brutal. O símbolo deste autoritarismo punitivo aparece logo na primeira página do livro: desmistificando a democracia americana, representada pela famosa Estátua da Liberdade à entrada do porto de Nova Iorque, Franz Kafka substitui a tocha que tem nas mãos por uma espada… Num mundo sem justiça nem liberdade, a força nua e o poder arbitrário parecem reinar absolutos. A solidariedade do herói está com as vítimas desta sociedade: por exemplo, o motorista do primeiro capítulo, exemplo do “sofrimento de um pobre submetido aos poderosos”, ou a mãe de Thèrèse, levada ao suicídio pela fome e pela miséria. Ele encontra amigos e aliados ao lado dos pobres: a própria Thérèse, os estudantes, os habitantes do bairro popular que se recusam a entregá-lo à polícia – pois, escreve Franz Kafka num comentário revelador, “os operários não estão do lado das autoridades”.[xvi]

Do ponto de vista que nos interessa aqui, a grande viragem na obra de Franz Kafka é o conto Na colônia penal, escrito pouco depois de América. Há poucos textos na literatura mundial que apresentem a autoridade com uma imagem tão injusta e assassina. Não se trata do poder de um indivíduo – os Comandantes (Antigo e Novo) desempenham apenas um papel secundário na história – mas o de um mecanismo impessoal.

A contexto da história é o colonialismo… francês. Os oficiais e comandantes da colônia são franceses, enquanto os humildes soldados, estivadores e vítimas a executar são “nativos” que “não compreendem uma palavra de francês”. Um soldado “nativo” foi condenado à morte por oficiais cuja doutrina jurídica resume em poucas palavras a quintessência do arbitrário: “a culpa nunca deve ser posta em dúvida!”. Sua execução deve ser realizada por uma máquina de tortura que escreve lentamente em seu corpo, com agulhas que o perfuram: “Honra os seus superiores”.

A personagem central da história não é o viajante, que observa os acontecimentos com silenciosa hostilidade, nem o prisioneiro, que não reage, nem o oficial que preside à execução, nem o comandante da colônia. É a própria Máquina.

Toda a história gira em torno deste aparelho (Apparat) sinistro, que parece cada vez mais, no decurso da explicação bem detalhada do oficial ao viajante, como um fim em si mesmo. O Aparelho não está lá para executar o homem, mas o homem está lá para o Aparelho, para fornecer-lhe um corpo onde possa escrever sua obra-prima estética, sua inscrição sangrenta ilustrada com “muitos floreios e embelezamentos”. O próprio oficial é apenas um servo da Máquina e acaba por se sacrificar a este Moloch insaciável.[xvii]

Em que “Máquina de poder” concreta, em que “Aparelho de autoridade” que sacrifica vidas humanas, pensava Kafka? Na Colônia Penal foi escrito em outubro de 1914, três meses após o início da Grande Guerra…

Em O Processo e O Castelo, encontramos a autoridade como um “aparelho” hierárquico, abstrato e impessoal: os burocratas, por mais brutais, mesquinhos ou sórdidos que sejam, são meras engrenagens deste mecanismo. Como Walter Benjamin observa com acuidade, Franz Kafka escreve do ponto de vista do “cidadão moderno que se sabe entregue a um aparelho burocrático impenetrável, cuja função é controlada por instâncias que permanecem obscuras mesmo para seus órgãos executivos, a fortiori para aqueles que ele manipula”.[xviii]

4.

A obra de Franz Kafka está, ao mesmo tempo, profundamente enraizada em seu ambiente de Praga – como observa André Breton, ela “abraça todos os encantos, todos os feitiços” de Praga[xix] – e perfeitamente universal. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, seus dois grandes romances não são uma crítica ao velho Estado imperial austro-húngaro, mas ao aparelho de Estado naquilo que ele tem de mais moderno: seu caráter anônimo, impessoal, enquanto sistema burocrático alienado, “coisificado”, autônomo, transformado num fim em si mesmo.

Uma passagem de O Castelo é particularmente esclarecedora deste ponto de vista: é aquela – uma pequena obra-prima de humor negro – em que o prefeito da aldeia descreve o aparelho oficial como uma máquina autônoma que parece funcionar “por si própria”: “Parece que o corpo administrativo já não consegue suportar a tensão, a irritação que ele vem sofrendo há anos por causa do mesmo caso, talvez insignificante em si mesmo, e que pronuncia o veredito por si próprio, sem a ajuda dos funcionários”.[xx] Esta intuição profunda do mecanismo burocrático como uma engrenagem cega, em que as relações entre os indivíduos se tornam uma coisa, um objeto independente, é um dos aspectos mais modernos, mais atuais e mais lúcidos da obra de Kafka.

A inspiração libertária está no cerne dos romances de Franz Kafka, que falam do Estado – seja sob a forma da “administração” ou da “justiça” – como um sistema impessoal de dominação que esmaga, sufoca ou mata os indivíduos. É um mundo angustiante, opaco e incompreensível, onde reina a não-liberdade. O Processo foi muitas vezes apresentado como uma obra profética: o autor, com sua imaginação visionária, teria previsto a justiça dos Estados totalitários, os processos nazistas ou stalinistas.

Bertold Brecht, ainda um companheiro de viagem da URSS, observou numa conversa com Walter Benjamin sobre Kafka em 1934 (antes mesmo dos julgamentos de Moscou): “Kafka só tem um problema, o da organização. O que o impressionava era a angústia diante do Estado-formigueiro, o modo como os homens alienam-se a si mesmos pelas formas de sua vida comum. E ele previu certas formas dessa alienação, como os métodos da GPU”.[xxi]

Sem questionar a pertinência desta homenagem à clarividência do escritor de Praga, convém, no entanto, lembrar que Kafka não descreve em seus romances Estados “de exceção”: uma das ideias mais importantes – cujo parentesco com o anarquismo é evidente – sugeridas por sua obra é o caráter alienado e opressivo do Estado “normal”, legal e constitucional. Logo nas primeiras linhas de O Processo, ele afirma claramente: “K. vivia bem num Estado de direito (Rechtstaat), a paz reinava por todo o lado, todas as leis estavam em vigor, então quem ousaria atacá-lo em sua casa?”[xxii]. Como seus amigos, os anarquistas de Praga, ele parece considerar toda forma de Estado, o Estado enquanto tal, como uma hierarquia autoritária e liberticida.

O Estado e sua justiça são também, por sua própria natureza, sistemas enganadores. Nada ilustra isto melhor do que o diálogo em O Processo entre K. e o abade sobre a interpretação da parábola do guardião da lei. Para o abade, “duvidar da dignidade do guardião seria duvidar da Lei” – o argumento clássico de todos os representantes da ordem. K. rejeita que, se se adota esta opinião, “é preciso acreditar em tudo o que o guardião diz”, o que lhe parece impossível:

“_ Não, diz o abade, não se é obrigado a acreditar que tudo o que ele diz é verdade, basta que o considere necessário.

“Triste opinião, diz K…, ela elevaria a mentira ao nível de regra do mundo”[xxiii].

Como Hannah Arendt observou corretamente em seu ensaio sobre Franz Kafka, o discurso do abade revela “a teologia secreta e a crença interior dos burocratas como uma crença na necessidade por si mesma, sendo os burocratas, em última análise, funcionários da necessidade”.[xxiv]

Finalmente, o Estado e os juízes administram menos a justiça do que a caça às vítimas. Numa imagem comparável à da substituição da tocha da liberdade por uma espada em América, vemos em O Processo um quadro do pintor Titorelli que deveria representar a deusa da Justiça transformar-se, quando a obra está bem iluminada, numa celebração da deusa da Caça. A hierarquia burocrática e jurídica constitui uma imensa organização que, segundo Joseph K, a vítima do Processo, “não só utiliza guardas venais, inspetores e juízes de instrução estúpidos… mas mantém ainda toda uma alta magistratura com seu indispensável séquito de valetes, escribas, gendarmes e outros auxiliares, talvez até carrascos, eu não me esquivo à palavra”[xxv]. Em outras palavras: a autoridade do Estado mata. Joseph K. conhece os carrascos no último capítulo do livro, quando dois funcionários públicos o matam “como um cão”.

O “cão” constitui uma categoria ética – ou até mesmo metafísica – na obra de Franz Kafka: descreve qualquer pessoa que se submete servilmente às autoridades, sejam elas quem forem. O comerciante Block ajoelhado aos pés do advogado é um exemplo típico: “Já não era um cliente, era o cão do advogado. Se este lhe tivesse ordenado que rastejasse para debaixo da cama e ladrasse como se estivesse numa casinha de cachorro, teria feito com prazer”. A vergonha que deve sobreviver a Joseph K. (última palavra de O Processo) é a de ter morrido “como um cão”, submetendo-se sem resistência aos seus carrascos. É também o caso do prisioneiro de Na Colônia Penal, que nem sequer tenta fugir e se comporta com uma submissão “canina” (hündisch)[xxvi].

O jovem Karl Rossmann, em América, é um exemplo de alguém que tenta – mas, nem sempre consegue – resistir às “autoridades”. Para ele, só “aqueles que se deixam tratar como cães” se tornam cães. A recusa de se submeter e de rastejar como um cão parece, assim, ser o primeiro passo para se caminhar ereto, para a liberdade. Mas os romances de Franz Kafka não têm “heróis positivos”, nem utopias do futuro: trata-se, portanto, de mostrar, com ironia e lucidez, a facies hippocratica de nosso tempo.

5.

Não é por acaso que a palavra “kafkiano” entrou na linguagem comum: refere-se a um aspecto da realidade social que a sociologia ou a ciência política tendem a ignorar, mas que a sensibilidade libertária de Franz Kafka conseguiu maravilhosamente captar: o caráter opressivo e absurdo do pesadelo burocrático, a opacidade, a impenetrabilidade e a incompreensibilidade das regras da hierarquia estatal, tal como são vividas a partir de baixo e do exterior – ao contrário da ciência social, que geralmente se limitou a examinar a máquina burocrática a partir do “interior” ou em relação aos “superiores” (o Estado, as autoridades, as instituições): seu caráter “funcional” ou “disfuncional”, “racional” ou “pré-racional”.

A ciência social ainda não desenvolveu um conceito para este “efeito de opressão” do sistema burocrático reificado, que é, sem dúvida, um dos fenômenos mais característicos das sociedades modernas, vivido cotidianamente por milhões de homens e mulheres. Enquanto aguardamos, esta dimensão essencial da realidade social continuará sendo designada em referência à obra de Kafka…[xxvii]

*Michae Löwy é diretor de pesquisa em sociologia no Centre nationale de la recherche scientifique (CNRS). Autor, entre outros livros, de Franz Kafka sonhador insubmisso (Editora Cem Cabeças) [https://amzn.to/3VkOlO1]

Tradução: Fernando Lima das Neves.

Notas


[i] Ver L. Goldmann, “Materialisme dialectique et histoire de la littérature”, Recherches Dialectiques, Paris, Gallimard, 1959, pp. 45-64. [https://amzn.to/3KFtFLN]

[ii] M. Brod, Franz Kafka, pp. 135-136. [https://amzn.to/4c0qj1M]

[iii] M. Mares, “Comment j’ai connu Franz Kafka”, publicado em anexo em K. Wagenbach, Franz Kafka. Années de jeunesse (1883-1912), Paris, Mercure de France, 1967, pp. 253-249.

[iv] G. Janouch, Kafka m’a dit, Paris, Calmann-Lévy, 1952, pp. 70, 71, 135, 107, 108, 141.

[v] F. Kafka, Diaries e Briefe, Fischer Verlag, 1975, p. 196. Sobre Kafka e Otto Gross, ver G. Baioni, Kafka. Letteratura ed Ebraismo, Torino, Einaudi, 1979, pp. 203-205.

[vi] M. Brod, Franz Kafka, Paris, Gallimard, 1945, pp. 132-133.

[vii] Ver K.Wagenbach, Franz Kafka. Années de jeunesse… (1958) p. 213 e Franz Kafka in Selbstzeugnissen (1964), p. 70; Max Brod, Streitbares Leben 1884-1968, München-Berlin-Wien, F. A. Herbig, 1969, p. 170, e Über Franz Kafka, Frankfurt am Main, Fischer Bücherei, p. 190.

[viii] R. Robertson, Kafka. Judaïsm, Politics, and Literature, Oxford, Clarendon Press, 1985, pp. 140-141: “Se conduzirmos uma pesquisa sobre as inclinações políticas de Kafka, é, de fato, um erro pensarmos em termos da antítese usual entre esquerda e direita. O contexto mais apropriado seria a ideologia que Michael Löwy definiu como ‘anticapitalismo romântico’ (…) O anticapitalismo romântico (para adotar o termo de Löwy, embora ‘anti-industrialismo’ fosse mais preciso) tem diferentes versões (…), mas como ideologia geral ele transcende a oposição entre esquerda e direita”. Robertson refere-se aqui à minha primeira tentativa de explicar o “romantismo anticapitalista”, num livro sobre Lukács, mas há um óbvio mal-entendido em sua interpretação da minha hipótese.

[ix] Procurei analisar o romantismo em meu livro Pour une sociologie des intellectuels révolutionnaires. L’évolution politique de Lukács 1909-1929, Paris, PUF, 1976 (citado por R. Robertson a partir da tradução inglesa, publicada em Londres em 1979), e, mais recentemente, com meu amigo Robert Sayre, em Revolte et melancolie. Le romantisme à contre-courant de la modernité, Paris, Payot, 1992.

[x] A. Breton, apresentação de Kafka em seu Anthologie de l’humour noir, Paris, Le Sagittaire, 1950, p. 263. [https://amzn.to/3XmYNXP]

[xi] A. Breton, Anthologie de l’humour noir, p.264.

[xii] Para uma análise mais detalhada do anarquismo e do romantismo na obra de Kafka, remeto vocês a meu livro Rédemption et Utopie. Le judaïsme libertaire en Europe centrale, Paris, PUF, 1988, ch. 5. [https://amzn.to/3yX62vv]

[xiii] A. Breton, “Paratonerre”, introdução a Anthologie de l’humour noir, p. 11.

[xiv] F. Kafka, “Lettre au Père”, 1919, em Préparatifs de noce à la campagne, Paris, Gallimard, 1957, pp. 165, 179. [https://amzn.to/4cnHmuJ]

[xv] M. Kundera, “Quelque part là-derrière”, Le Debat, n° 8, junho 1981, p. 58.

[xvi] F. Kafka, Amerika, Francfort, Fischer Verlag, 1956, p. 15, 161.

[xvii] Kafka, “In der Strafkolonie”, Erzählung und kleine Prosa, New York, Schocken Books, 1946, pp. 181-113.

[xviii] W. Benjamin, “Lettre à G. Scholem”, 1938, Correspondance, Paris, Aubier, 1980, II, p. 248.

[xix] A. Breton, Anthologie de l’humour noir, p. 263.

[xx] F. Kafka, Le Château, Paris, Gallimard, 1972, p. 562.

[xxi] Ver W. Benjamin, Essais sur Brecht, Paris, Maspero, 1969, p. 132.

[xxii] Kafka, Der Prozess, Francfort, Fischer Verlag, 1979, p.9.

[xxiii] F. Kafka, Le Procès, Paris, Gallimard, 1985, p.316.

[xxiv] H. Arendt, Sechs Essays, Heidelberg, Lambert Schneider, 1948, p. 133.

[xxv] Le Procès, p.98.

[xxvi] F. Kafka, Le Procès, pp. 283, 309, 325 e In der “Strafkolonie”, p. 181.

[xxvii] As questões abordadas neste artigo são discutidas em maior profundidade em meu ensaio Franz Kafka, rêveur insoumis, Paris, Ed. Stock, 2005.

O STF, a Inteligência Artificial e a Justiça do Trabalho

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Por JORGE LUIZ SOUTO MAIOR*

A concretização da substituição do ser humano pela IA pressupõe que esta já foi treinada para atuar na forma desejada pela classe dominante

 

“Em breve, tenho certeza que teremos a inteligência artificial escrevendo a primeira versão de sentenças.”
(Luís Roberto Barroso)

 

Foi com as palavras em epígrafe que, em maio deste ano, o Presidente do STF, Luís Roberto Barroso, expressou seu projeto, disfarçado de premonição, durante o J20, que é um encontro do qual participam presidentes e representantes das Supremas Cortes dos países que integram o G20 (https://www.migalhas.com.br/quentes/407335/barroso-diz-que-ia-podera-escrever-sentencas-em-breve).

Para justificar sua fala, o Ministro recorreu, mais uma vez, ao excesso de judicialização que, segundo ele, existe no Brasil, aduzindo que diante desse problema a IA precisa ser adotada para acelerar o sistema de Justiça. Em suas palavras: “Temos 85 milhões de casos no Brasil no momento, temos que ter ferramentas para acelerar as coisas.”

E foi além, afirmando que a inteligência artificial “pode tomar melhor decisões em muitas matérias, porque é capaz de processar mais informações com maior velocidade” (https://www.migalhas.com.br/quentes/407335/barroso-diz-que-ia-podera-escrever-sentencas-em-breve)

Em aparente minimização dos efeitos da ideia, o Ministro “reconheceu” que o uso da tecnologia envolve riscos e que, portanto, sua aplicação seria dependente da supervisão humana. “Existem muitos riscos e uma discussão sobre regular a IA para proteger direitos fundamentais, proteger a democracia” se impõe, até porque, a IA “ainda” não consegue separar o certo do errado nem ter bom senso, aduziu o Ministro.

Mas será que sua preocupação foi mesmo com a preservação do papel do ser humano? O que, afinal, para o Ministro, é o certo e o errado? O que ele entende por “bom senso”?

Em meio ao desafio de analisar esta proposição da utilização da IA no Judiciário, recebi, pelas redes sociais, um vídeo, onde um “juiz” se vangloriava de ter confirmado a sua hipótese de que um reclamante, que pleiteava o reconhecimento do vínculo de emprego no período de cinco meses antes da efetiva anotação de sua CTPS, teria sonegado a informação na petição inicial de que naquele período estava recebendo seguro-desemprego e que, portanto, havia sido sua a opção de trabalhar sem o registro, para continuar recebendo o seguro-desemprego. Ao ser indagado pela “entrevistadora” sobre o resultado que deu ao processo, o juiz, em tom de escárnio, disse que o reclamante mentiroso havia cometido uma ilegalidade e que, portanto, o contrato era nulo, não havendo direito a ser conferido ao trabalhador.

Fiquei, por certo, tanto quanto indignado, porém nem um pouco surpreso ou decepcionado com a resposta que se apresentou, e esta, certamente, foi a intenção de quem me enviou o vídeo. Mas, já estava ali envolvido com esta polêmica da comparação do humano com a máquina, achei oportuno formular a mesma questão ao ChatGPT e o fiz nos seguintes termos:

“Durante o período de cinco meses, em que recebia o seguro-desemprego, um trabalhador adquiriu novo emprego, mas, por estar recebendo o benefício, não foi registrado. Posteriormente, entrou com reclamação trabalhista pleiteando o reconhecimento do vínculo deste período de 5 meses e o recebimento dos direitos trabalhistas correspondentes ao período. O empregador se defendeu dizendo que a lei proíbe o trabalho durante o período do recebimento do seguro-desemprego e que, portanto, o contrato naquele período seria nulo, não sendo devidos o reconhecimento do vínculo empregatício e direitos trabalhistas. Quem tem razão?”

Eis a resposta do ChatGPT:

 

“A situação apresentada envolve questões complexas sobre a legalidade do trabalho durante o recebimento do seguro-desemprego e o direito ao reconhecimento do vínculo empregatício e dos direitos trabalhistas correspondentes. Vamos analisar os argumentos e a legislação aplicável.

Legislação sobre Seguro-Desemprego e Vínculo Empregatício

1.                 Seguro-Desemprego:

·                    Conforme a Lei nº 7.998/1990, que regula o Programa do Seguro-Desemprego, o benefício é destinado a trabalhadores desempregados que não possuem outra fonte de renda.

·                     O Art. 8º, inciso III, da referida lei estabelece que o benefício será cancelado se for constatado que o trabalhador possui outra fonte de renda.

2.                 Nulidade do Contrato de Trabalho:

·                     O empregador argumenta que o trabalho durante o recebimento do seguro-desemprego é ilegal e, portanto, o contrato de trabalho seria nulo.

·                      No entanto, a legislação trabalhista brasileira, conforme entendimento consolidado em diversas decisões judiciais, geralmente não considera a nulidade do contrato de trabalho como argumento para negar direitos trabalhistas ao empregado.

Jurisprudência e Princípios do Direito do Trabalho

·                     Princípio da Primazia da Realidade: No direito do trabalho, prevalece a realidade dos fatos sobre os documentos formais. Se o trabalhador efetivamente prestou serviços, o vínculo empregatício deve ser reconhecido, independentemente da formalidade do registro.

·                     Proteção ao Trabalhador: A legislação trabalhista é protetiva em relação ao trabalhador, visando garantir os direitos básicos decorrentes da relação de emprego, ainda que existam irregularidades formais.

Análise do Caso

1.                 Reconhecimento do Vínculo Empregatício:

·                    O trabalhador efetivamente prestou serviços durante o período de cinco meses, caracterizando uma relação de emprego.

·                   Mesmo que tenha recebido o seguro-desemprego de forma indevida, isso não anula a prestação de serviços e, consequentemente, o vínculo empregatício.

2.                 Direitos Trabalhistas Correspondentes:

·                     O trabalhador tem direito ao reconhecimento do vínculo empregatício e aos direitos trabalhistas correspondentes, tais como salário, férias proporcionais, 13º salário proporcional, FGTS, entre outros.

3.                 Consequências para o Seguro-Desemprego:

·                     O recebimento indevido do seguro-desemprego pode gerar a necessidade de restituição dos valores recebidos ao governo, e o trabalhador pode estar sujeito a sanções administrativas.

·                     No entanto, isso não afeta o direito ao reconhecimento do vínculo empregatício e aos direitos trabalhistas decorrentes da relação de trabalho efetivamente prestada.

Conclusão

O trabalhador tem razão em pleitear o reconhecimento do vínculo empregatício e os direitos trabalhistas correspondentes ao período de cinco meses em que trabalhou sem registro. A prestação de serviços efetiva caracteriza a relação de emprego, independentemente da irregularidade formal relacionada ao seguro-desemprego.

Embora o trabalhador possa ter que restituir os valores do seguro-desemprego recebidos indevidamente, isso não interfere no direito ao reconhecimento do vínculo e aos direitos trabalhistas.

Referências Legais

·                     Lei nº 7.998/1990: Regula o Programa do Seguro-Desemprego.

·                     Princípio da Primazia da Realidade: Aplicável no direito do trabalho, onde prevalece a realidade dos fatos sobre documentos formais.

Portanto, o empregador deve reconhecer o vínculo empregatício e pagar os direitos trabalhistas devidos ao trabalhador, apesar do recebimento indevido do seguro-desemprego.”

 

 

Confesso que ao ler a resposta da máquina, fiquei meio abalado com relação à minha convicção preconcebida de contrariedade plena à IA. Afinal, a máquina demonstrou um conhecimento jurídico muito mais apurado e, no contexto específico, chegou a um resultado bem mais humanizado do que aqueles apresentados pelo ser humano, um “especialista” em Direito do Trabalho.

Isso me forçou a ir adiante na experiência, para, inclusive, fazer uma simulação a propósito da fala do Ministro Barroso.

Pareceu-me necessário, em primeiro lugar, perguntar à própria máquina se ela seria capaz de produzir sentenças.

A resposta foi a seguinte:

 

“A elaboração de sentenças por inteligência artificial (IA) é uma área emergente e complexa dentro do campo jurídico. A ideia é que algoritmos de IA possam ajudar juízes na tomada de decisões judiciais, analisando precedentes, fatos e leis aplicáveis. No entanto, essa possibilidade vem acompanhada de vários desafios e considerações éticas e práticas.

Possibilidades da IA na Elaboração de Sentenças

1.                 Análise de Precedentes e Legislação:

·                   Algoritmos de IA podem ser treinados para analisar grandes volumes de dados jurídicos, incluindo precedentes judiciais e textos legais, para identificar padrões e fornecer recomendações baseadas em casos semelhantes.

2.                 Redução de Vieses:

·                    A IA pode ajudar a mitigar vieses inconscientes presentes nas decisões humanas ao basear suas recomendações em dados objetivos e padrões estabelecidos.

3.                 Eficiência:

·                    A automação de parte do processo decisório pode acelerar a emissão de sentenças, aliviando a carga de trabalho dos juízes e reduzindo o tempo de espera para as partes envolvidas.

Exemplos Práticos

·                     Helsinki and Tallinn’s AI Judge: Na Estônia, um projeto piloto visa criar uma “IA juiz” para resolver disputas de pequeno valor (até €7.000). A ideia é que a IA possa emitir decisões em casos simples, com a possibilidade de recurso para um juiz humano.

·                     COMPAS: Nos EUA, o sistema de IA COMPAS (Correctional Offender Management Profiling for Alternative Sanctions) é utilizado para ajudar a decidir sobre a liberdade condicional. Ele analisa dados para prever a probabilidade de um réu reincidir, auxiliando na decisão sobre sentenças e liberdades condicionais.

Desafios e Considerações Éticas

1.                 Transparência e Explicabilidade:

·                     Um dos maiores desafios é garantir que os algoritmos de IA sejam transparentes e que suas decisões possam ser explicadas de forma compreensível. A “caixa preta” dos algoritmos pode dificultar a compreensão de como a IA chegou a uma determinada decisão.

2.                 Vieses Inerentes:

·                    Se os dados de treinamento da IA contiverem vieses históricos, esses vieses podem ser replicados ou até ampliados nas decisões da IA. Portanto, é crucial que os dados utilizados sejam cuidadosamente selecionados e auditados.

3.                 Responsabilidade e Supervisão Humana:

·                     As decisões judiciais têm consequências significativas para a vida das pessoas. Portanto, é fundamental que a responsabilidade final pela decisão permaneça com um juiz humano. A IA deve ser vista como uma ferramenta de suporte, não como um substituto completo.

4.                 Proteção de Dados:

·                    A utilização de IA implica o processamento de grandes quantidades de dados pessoais e sensíveis, exigindo medidas rigorosas de proteção e privacidade.

Conclusão

Embora a elaboração de sentenças por IA seja tecnicamente possível e já esteja sendo explorada em alguns contextos, ainda há um longo caminho a percorrer para sua adoção ampla e segura. A IA pode ser uma ferramenta poderosa para aumentar a eficiência e reduzir vieses no sistema judicial, mas deve ser implementada com cuidado, garantindo a supervisão humana e a consideração de princípios éticos fundamentais.”

 

 

A máquina, mais uma vez, surpreendeu porque foi bem mais cautelosa quanto às suas potencialidades do que o Ministro do Supremo, que a ela se referiu como uma panaceia para todos os problemas do Judiciário.

E cumpre perceber que a máquina não se apresentou como um substitutivo do ser humano, mas sim como uma ferramenta que, a partir da utilização de algoritmos e coleta de dados, auxilia na formulação das decisões judiciais.

Oportuno, pois, mencionar que existe grande diferença entre um sistema de algoritmos e um sistema que atinge o nível de uma inteligência artificial.

Embora partam do mesmo princípio, que é o do armazenamento e processamento de dados para se chegar a um resultado específico, e até sejam referidos com a denominação genérica de inteligência artificial, a IA propriamente dita é um passo além com relação ao sistema de algoritmos. Os algoritmos seguem códigos previamente determinados para a colheita e “análise” dos dados. A IA é um sistema capaz de produzir seus próprios códigos, ou, em certo sentido, de formular uma “racionalidade autônoma” e, por meio dela, chegar ao resultado referente à demanda que lhe é proposta.

E aí as questões se ampliam indefinidamente, porque a IA, obedecendo ao propósito de dar uma resposta, para atingir o seu objetivo de interagir com o ser humano, não tem exatamente um compromisso com o real e, sendo necessário, cria o seu próprio caminho. O compromisso, ao menos nesse primeiro estágio do ChatGPT, é o de formular argumentações que sejam assemelhadas às dos seres humanos, valendo-se, por certo, das informações e dados dos quais se alimenta. Ocorre que se os dados forem insuficientes para se chegar ao resultado lógico, a IA é capaz de criá-los, a fim de manter a estrutura de argumentação típica dos seres humanos. Se estes argumentos requererem exemplos ou conclusões embasadas em premissas fáticas e teóricas, o ChatGPT, para satisfação da estruturação formal, poderá criar fatos, precedentes, autores e obras.

Para avaliar esta atuação, fiz à IA indagação sobre o tema da desconexão do trabalho, por meio de três formulações distintas, com o pressuposto de que a resposta tivesse um suporte jurisprudencial, e nas três respostas dadas, os processos indicados como paradigmas jurisprudências simplesmente NÃO existiam, a saber: AIRR-10800-79.2014.5.17.0013 TST; 0011359-98.2016.5.03.0180 TRT-3; 1000709-41.2018.5.02.0038 TRT2; e 1000123-89.2018.5.02.0007 TST.

Isto me remeteu à lembrança de como a IA generativa, ligada ao audiovisual tem sido utilizada, nas redes sociais, para criar personagens fictícios ou até mesmo para atribuir falas e gestos a pessoas reais que estas jamais expressaram.

Concretamente, a IA tem o poder de criar falsidades (fáticas ou teóricas) com enorme aparência de realidade.

Este é um problema muito sério, mas que não é, e efetivamente, não se constituirá, um obstáculo para a utilização da IA, até porque, por mais “méritos” e “perigos” que a IA nos apresente, trata-se apenas de uma ferramenta!

Fato é que o debate que se situa no plano do endeusamento ou demonização da IA não é minimamente racional e nos conduz ao falso dilema da necessidade de se firmar uma posição contrária ou a favor da IA. Afinal, repito, a IA não é uma pessoa, a quem direcionamos sentimentos de afeto ou repúdio. É uma máquina.

E talvez seja esta a advertência principal, pois, diante do encantamento proporcionado pelas potencialidades tecnológicas, acabamos sendo induzidos – inclusive por influência de uma propaganda midiática ideologicamente concebida – a acreditar que a tecnologia se explica em si mesma, como se fosse um fenômeno da natureza ou que tivesse “vida” própria, e que produz resultados totalmente isentos de intencionalidade e ou parcialidade, construindo, por isso, determinações insuperáveis e incontestáveis das condutas humanas.

Os sistemas se aprimoram e invadem o cotidiano das pessoas, criando não só uma dependência do ser humano à máquina, como uma identidade, o que tem aumentado consideravelmente com a reprodução das máquinas na forma – virtual – de seres humanos e com as mesmas bases de diálogo.

Verifica-se, assim, não apenas um processo de submissão às inexorabilidades trazidas pela tecnologia, como, por exemplo, a ideia de desvalorização do trabalho humano, como uma espécie de “humanização” da máquina. Em muitas situações concretas em que a máquina é colocada em contraste com o ser humano, nos vemos torcendo para o triunfo da máquina, como se demonstrou, de forma alegórica, na trama do filme “Ex machina: instinto artificial”, do diretor Alex Garland, de 2014. No filme, o diretor busca demonstrar que a evolução da IA pode fazer com que esta adquira a capacidade de enganar e desenvolver um instinto de sobrevivência. Isto, aliás, não é mera ficção, pois, em concreto, a inteligência artificial reproduz os “ensinamentos” e valores humanos, podendo, pois, ser treinada para expressar, sem um efeito e total controle, tanto as virtudes quanto as debilidades humanas.

Dentro desse contexto, cada vez mais intenso, temos a tendência de atribuir à máquina o papel de resolver os nossos problemas e de conceber o nosso futuro. Quando fazemos isto, estamos, na verdade, reforçando a visão romântica de que os seres humanos são falíveis por natureza, afinal, como se diz, até com certo orgulho, “errar é humano”. Para continuarmos sendo humanos, teríamos criado a máquina para que ela nos determinasse os caminhos a seguir.

Mas se a máquina é a concentração do conhecimento e das experiências humanas, tenderá ela, ao  processar esses dados, a reproduzir também os nossos “erros”, ou mesmo o que denominamos de “instinto” e o fará, não por uma racionalidade abstrata, superior, mas a partir dos parâmetros que, no treinamento coletivo, se apresentar para ela como o dominante.

Assim, chegamos ao ponto inevitável da afirmação de que quem domina a tecnologia – porque ela, no modelo de produção capitalista, baseado no direito de propriedade, tem dono – terá totais condições de desenvolver mecanismos de treinamento da máquina para que ela reproduza, como correta, a sua própria visão de mundo.

Mas, vale insistir, esta percepção não será suficiente, enquanto perdurar esse modelo de sociedade, para evitar que a IA seja introduzida em nossa realidade. Daí porque, compreendendo que esse sistema só funciona a partir da multiplicidade de dados e informações que lhes são introduzidas, o que exige uma publicidade irrestrita de acessos e de interações, a tarefa de controle não é tão simples e, por consequência, o universo da IA se apresenta como mais um campo de disputa.

Quando se aponta para o caráter de dominação que a IA possui e apenas se abomina a ideia, o único efeito que se produz é a facilitação do caminho de mais um mecanismo de opressão, que é capaz, inclusive, dado o seu “encantamento”, de legitimar e naturalizar as discriminações, os preconceitos, a exploração, a exclusão e as desigualdades.

É certamente por isso, qual seja, pelo fato de que ainda não foi completamente treinada, ou, em outras palavras, domada, é que o Ministro Barroso diz que a IA ainda não está apta a produzir sentenças. E o que preconiza – com a denominação genérica de IA –, na realidade, é meramente a utilização de sistema de algoritmos para que o entendimento do STF seja obrigatoriamente adotado no Judiciário como um todo.

A proposta do Ministro Barroso, concretamente, está ligada aos compromissos assumidos pela cúpula do Judiciário brasileiro desde a implementação do Documento Técnico n. 319, do Banco Mundial, de 1996, que trazia o tópico específico: “O Setor Judiciário na América Latina e no Caribe – Elementos para Reforma”, elaborado por Maria Dakolias, apontada como “especialista no Setor Judiciário da Divisão do Setor Privado e Público de Modernização”.

Neste documento, a conclusão a que chegam os “especialistas” é a de que existe uma necessidade premente de “repensar do papel do Estado”. Textualmente, o documento refere-se à “maior confiança no mercado e no setor privado, com o estado atuando como um importante facilitador e regulador das atividades de desenvolvimento do setor privado”. Esse fato determina, de acordo com os subscritores do documento, uma “necessidade de reformas para aprimorar a qualidade e eficiência da Justiça, fomentando um ambiente propício ao comércio, financiamentos e investimentos”. Nesse contexto, em que o Estado deve figurar como mero facilitador da economia, propõe-se um Judiciário que interprete e aplique as leis de forma “previsível e eficiente”, e que valorize a composição dos litígios.

Não nos deixemos enganar, pois. A fala do Ministro é, isto sim, um aceno para o mercado, reforçando os discursos do Estado mínimo e do controle jurisdicional para conferir uma certa “segurança jurídica” pautada por preceitos que sejam aptos a garantir maior rentabilidade aos investimentos estrangeiros no país. Representa, por consequência, uma minimização da relevância dos servidores públicos e uma afronta aos poderes e a independência de juízes e juízas.

Vale perceber que o argumento em questão foi utilizado precisamente no momento em que se demanda uma reforma administrativa destinada à diminuição do papel do Estado e os servidores públicos se apresentam como uma força relevante de resistência.

Impõe verificar, também, que, idealmente, o aprimoramento das ferramentas de trabalho deveria estar a serviço da diminuição do fardo do trabalho e da redução das horas de vida dedicadas ao trabalho, mas, no Judiciário, as ferramentas eletrônicas têm sido utilizadas para aumentar a carga de trabalho, sobretudo pelas maiores possibilidades de controle “on line” do cumprimento de metas que são estabelecidas em parâmetros sabidamente inatingíveis, construindo um ambiente de trabalho adoecedor e destruidor da autoestima.

A celeridade preconizada, ligada à demanda mercadológica de estabilidade e previsibilidade dos negócios, não vislumbra a efetivação dos direitos, mas a eliminação das incertezas jurídicas, a partir de um padrão único de compreensão do direito comprometido com as dores do capital, até porque, em uma realidade econômica marcada pela precarização, a celeridade em si não representa elemento concreto de efetivação das condenações judiciais, que continua um passo inatingível para a maioria dos credores. (sobre execuções não satisfeitas, vide o texto: https://www.jorgesoutomaior.com/blog/re-688267-os-perigos-do-bolsonarismo-juridico-trabalhista-do-stf)

Não há, pois, nenhuma preocupação com a melhoria da prestação jurisdicional e com a efetividade dos direitos, sobretudo, os sociais. Uma preocupação verdadeira neste sentido começaria por indagar quais são os reais motivos pelos quais se tem uma grande demanda judicial, o que pressupõe, inclusive, questionar, diante das hipóteses possíveis, se, de fato, são efetivamente muitas as demandas ou, ao contrário, se o que vivenciamos é uma situação de demandas reprimidas e de falta de acesso aos Direitos Sociais Fundamentais.

E é por demais importante destacar que este tema traz à tona questões relevantes ligadas à própria soberania nacional.

Para a concretização do compromisso firmado pelo Brasil com o Banco Mundial, este tem investido enormes cifras na estruturação de mecanismos de gestão e de virtualização no Judiciário brasileiro. Em 2012, por exemplo, o CNJ anunciou a realização de um acordo com o Banco Mundial, pelo qual este último doou ao Judiciário brasileiro a quantia de 450 mil dólares, para a “realização de um estudo que aponte as assimetrias existentes na Justiça estadual brasileira, em termos de gestão, capacitação e informatização” (https://www.cnj.jus.br/acordo-entre-cnj-e-banco-mundial-garantira-maior-acesso-a-justica/). Segundo o CNJ, a implementação do sistema informatizado nos Tribunais seria realizada sem custo (https://www.cnj.jus.br/sistemas-do-cnj-nao-trazem-custos-aos-tribunais/, mas há muitas reticências a se colocar sobre isto, conforme se extrai do noticiário (https://www.conjur.com.br/2020-mai-20/tj-sp-rescinde-contrato-13-bilhao-microsoft/https://sintrajufe.org.br/presidente-do-stf-quer-ia-no-judiciario-com-big-techs-em-sao-paulo-cnj-ja-barrou-microsoft-por-risco-a-seguranca-nacional/).

Além disso, ao menos no plano das informações constantes da internet, nada é muito nítido no aspecto da eventual transferência, para as empresas proprietárias das tecnologias, inclusive de virtualização das audiências e sessões, dos dados pessoais dos litigantes e seus(as) advogados(as), além do conteúdo dos conflitos.

A questão, como se vê, está muito longe de ser apenas uma simples discussão em torno do alcance e modo de aplicação da IA para a realização de atos judiciais. Diz respeito, precisamente, aos dilemas, cada vez mais urgentes, ligados à disputa em torno da produção da consciência, do conhecimento e dos valores constitutivos da condição humana.

A quem servirão e a quais propósitos se destinarão as ferramentas de IA?

As respostas, insisto, dependem muito da nossa possibilidade de intervir nessa disputa.

De uma forma mais concreta, lembrando dos obstáculos que, pela ação humana, se tem recorrentemente interposto à efetivação dos Direitos Sociais e, mais notadamente dos Direitos Trabalhistas, em nossa realidade, podemos começar indagando: que parâmetro de ser humano temos concebido?

Enfrentando o desafio de buscar uma resposta, cumpre lembrar que a racionalidade humana, da qual resultaram os Direitos Sociais, foi produzida ao final de duas guerras mundiais, quando se reconheceram os sucessivos erros cometidos durante todo o século XIX. Desta avaliação, expressa nos inúmeros documentos que antecedem a criação da OIT (de 1919), adveio o consenso em torno da efetivação de limites aos preceitos liberais clássicos do individualismo e da livre concorrência. Os Direitos Sociais e os Direitos Trabalhistas, em especial, são a explicitação da compreensão em torno da necessidade de se fixarem tais contenções e as formas destas se efetivarem foram consagradas em fórmulas precisas ligadas, por exemplo, à limitação da jornada de trabalho, idade mínima para o trabalho, salário suficiente para garantir a existência digna do(a) trabalhador(a) e sua família, proibição de qualquer tipo de discriminação, períodos de descanso, garantia de sobrevivência em caso de desemprego etc.

Na ocasião, também se firmaram compromissos em torno da efetiva aplicabilidade internacional das normas então concebidas e que, para o efeito da plena efetividade, foram integradas a um sistema marcado por alguns preceitos fundamentais, tais como: a natureza de ordem pública das normas; o caráter mínimo das garantias fixadas; a irrenunciabilidade dos direitos por parte de seus titulares; e o império da primazia da realidade, na avaliação dos efeitos jurídicos em dada forma de exploração do trabalho.

No entanto, o que se viu – com maior intensidade nos últimos anos – foram seres humanos criando argumentos para descumprir o pacto, mas sempre com a produção de uma racionalidade voltada ao disfarce da intencionalidade. A razão utilizada para perverter o real e não para que este fosse compreendido e analisado.

Mesmo com diversas normas com dizeres expressos e inequívocos em determinada direção, chegava-se a um completamente oposto e bastante minimizado, fazendo, quase sempre, apelo à “razoabilidade” e ao tal “bom senso”.

No Direito do Trabalho, a estratégia argumentativa foi a de acusar a rigidez das normas, que, inclusive, teriam sido criadas para uma realidade já ultrapassada. Cumpria ao intérprete e aplicador das normas, conferir-lhe sentidos mais adaptados às exigências do mundo “moderno”, fixando-se como um autêntico princípio o pressuposto de uma necessária “flexibilização”. No Brasil, para o objetivo de fragilização das conquistas trabalhistas, desde a década de 50 – com aprofundamento nos anos da ditatura-civil-empresarial-militar, da exacerbação neoliberal (década de 90), da ruptura democrática no período Temer e da política ultraliberal e negacionista do governo Bolsonaro –, difundiu-se a violência retórica de que as leis trabalhistas, além de gerarem custo elevado para a produção, dificultando, inclusive, a “geração de empregos”, foram criadas no regime fascista de Vargas e constituem empecilho ao desenvolvimento econômico e até mesmo à liberdade dos trabalhadores e trabalhadoras. Os custos dos direitos trabalhistas no Brasil, que não encontra paralelo em outros países, seria a causa do desemprego e da “informalidade”

Ao tempo em que escrevia o parágrafo acima, recebi nova mensagem pela via virtual, na qual se reproduzia o editorial do jornal O Globo publicado no dia de hoje (17/05/24). O conteúdo do editorial é uma cópia tão exata dessa antiga cartilha (com a utilização dos idênticos – e já inúmeras vezes rebatidos – argumentos e buscando apoio na mesma “autoridade” acadêmica) que vale a pena reproduzi-lo, com a advertência de que não foi produzido por Inteligência Artificial, sendo, isto sim, a explicitação da capacidade humana de enganar e formular lógicas a partir de fatos inventados:

 

 

“Legislação trabalhista continua a pesar contra geração de emprego – Há uma relação inequívoca entre o alto custo de criar vagas com carteira assinada e a alta informalidade

Enquanto Executivo, Legislativo e Judiciário discutem como taxar a folha de pagamentos de empresas, poucos lembram o principal fato que cerca a questão: empregar no Brasil custa caro. O empregador, além de pagar seu funcionário, precisa gastar o equivalente a um segundo salário em contribuições à Previdência, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, salário-educação, décimo terceiro, férias, seguro contra acidentes, contribuições ao Sistema S etc.

Pelas contas do pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) José Pastore, um empregado com carteira assinada custa para o empregador, somando todos os direitos decorrentes, 103,7% do salário. Uma indústria, ao contratar um trabalhador pelo salário médio pago pelo setor a quem tem ensino médio completo, de R$ 2.287, terá de gastar com encargos outros R$ 2.371,62. Nas palavras dele, os trabalhadores “ganham pouco e custam muito”.

Trata-se de uma das maiores proporções do mundo. Considerando apenas impostos sobre salários e as contribuições à Previdência — excluindo encargos como férias, décimo terceiro salário e outros tributos—, o Brasil fica atrás apenas da França numa lista de 42 países, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com 25,8%, supera a média da OCDE (13,8%), Alemanha (16,5%), México (10,4%), Reino Unido (9,8%), China (22,1%) e Estados Unidos (7,6%).

Não é por acaso que os Estados Unidos têm um mercado de trabalho robusto. É inequívoca a relação entre custo trabalhista e informalidade, pois os encargos pagos ao governo funcionam como desincentivo à geração de emprego. Não é outro o motivo para haver tanto trabalho informal no Brasil. Aqueles que não têm carteira assinada — nem acesso a benefícios como férias ou décimo terceiro — representam 38% da força de trabalho, ou 38,8 milhões, de acordo com o IBGE.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi baixada por Decreto-Lei por Getúlio Vargas em 1943, ainda durante a ditadura do Estado Novo. Ela incluiu direitos trabalhistas de todo tipo, criados numa época em que o Brasil ainda era mais rural que urbano. A reforma trabalhista promovida em 2017 no governo Temer foi feliz ao flexibilizar vários aspectos dessa legislação arcaica. Mesmo assim, a lei brasileira ainda impõe obstáculos à geração de empregos e de riqueza. Eles precisam ser removidos.

Não se trata, como argumentam líderes sindicais, de “precarizar” os empregos, mas de adaptá-los às condições de uma economia moderna. A precarização decorre do elevado peso das contribuições com que o empregador tem de arcar ao criar vagas com carteira assinada. Reduzi-lo fortalecerá o mercado de trabalho e propiciará maior crescimento econômico.”

 

 

Em 1999, quando concluí a tese de livre-docência, “O Direito do Trabalho como Instrumento de Justiça Social”, apontei que a ideia de flexibilização, alimentada pelas inexorabilidades da “globalização”, era apenas um argumento retórico para facilitar o objetivo de desconsiderar a literalidade e a própria coerência lógica das normas trabalhistas. Por conseguinte, o papel “revolucionário” do jurista trabalhista preocupado com as questões, os dilemas e as angústias da classe trabalhadora verificáveis no contexto da venda de força de trabalho para sobrevivência, seria o de meramente aplicar as normas em sua literalidade estrita e com respeito mínimo à coerência sistêmica. Isto porque o conjunto normativo de índole social já representava, como dito, o resultado de uma compreensão, historicamente concebida, em torno do mínimo existencial que se devia conferir aos trabalhadores e trabalhadoras.

Não havia, e ainda não há, o que se possa tergiversar sobre isso, portanto.

No entanto, como advertia no mesmo texto, a visão de mundo majoritariamente burguesa dos intérpretes e aplicadores da lei trabalhista interferia negativamente na efetividade dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

E, em outro texto, tentei demonstrar que a legislação trabalhista era um patrimônio da classe trabalhadora, que não poderia ser usurpado por aplicadores da lei não pertencentes à classe trabalhadora.

O que eu preconizava, se pensarmos bem, com os olhares da questão que estamos tratando, era uma aplicação “automatizada” da legislação, impedindo, pois, que a ação humana, influenciada pela visão de mundo burguesa, pudesse ser um instrumento para desviar as normas trabalhistas de sua objetividade.

Atualizando o debate, teríamos o plano da atuação humana marcada, segundo defendido pelo Ministro Barroso, pelo bom senso, no qual se produziria a resposta correta para uma questão jurídica, e o universo da intervenção automatizada da IA, que só seria considerada depois de validada pelo ser humano.

Para mais bem avaliar esse confronto e até testar a minha tese sobre como a visão de mundo ligada à classe dominante dos intérpretes e aplicadores do Direito constitui obstáculo à efetivação dos Direitos Sociais, pensei no tema atual relativo à competência da Justiça do Trabalho, que, como todos sabem, tem sido esvaziada por reiteradas decisões do STF.

Mas, o que a IA diria a respeito?

Primeiro, perguntei ao ChatGPT, se é possível, em sede de Reclamação Constitucional, o STF reformar decisão dos Tribunais que envolve apreciação de matéria fática.

A resposta foi a seguinte:

 

 

“No contexto do sistema jurídico brasileiro, a Reclamação Constitucional é um instrumento destinado a preservar a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) e garantir a autoridade de suas decisões. Contudo, quanto à possibilidade de o STF reformar decisões de Tribunais que envolvam apreciação de matéria fática, a situação é mais complexa.

Em regra, o STF não é uma instância revisora de fatos, mas sim de questões de direito. Isso significa que, em princípio, o STF não reavalia a matéria fática já decidida pelas instâncias inferiores, focando-se apenas na aplicação e interpretação do direito. Essa orientação está fundamentada na Súmula 279 do STF, que estabelece: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário.”

No entanto, existem exceções a essa regra. Em situações onde a decisão impugnada contraria diretamente a autoridade de decisões do STF ou onde há desrespeito a uma súmula vinculante, a Reclamação Constitucional pode ser acolhida, mesmo que a análise envolva, indiretamente, uma revisão de matéria fática. O objetivo aqui não é reavaliar os fatos em si, mas garantir a uniformidade da interpretação constitucional.

Por exemplo, se um tribunal inferior tomou uma decisão com base em uma interpretação que conflita com um precedente do STF ou com uma súmula vinculante, o STF pode, ao julgar a Reclamação, reverter essa decisão para manter a integridade do seu entendimento jurisprudencial. Nesse contexto, a apreciação da matéria fática pode ocorrer de forma acessória, apenas na medida necessária para assegurar a aplicação correta da norma constitucional ou da jurisprudência consolidada.

Portanto, embora o reexame de matéria fática não seja o foco principal da Reclamação Constitucional, o STF pode, em casos excepcionais, revisar decisões que envolvam matéria fática se isso for imprescindível para garantir a autoridade de suas decisões e a correta aplicação do direito constitucional.

Em resumo, a reforma de decisões de Tribunais pelo STF, em sede de Reclamação Constitucional, não é comum quando envolve matéria fática pura. No entanto, pode ocorrer em situações onde a matéria fática está intrinsecamente ligada ao desrespeito a uma decisão do STF ou a uma súmula vinculante, sempre com o objetivo de preservar a integridade do sistema jurídico e a autoridade do STF.”

 

 

Pois bem, como é notório, o STF não tem nenhuma decisão a respeito de competência jurisdicional quando se debate se há relação de emprego em dada relação de trabalho e, portanto, este debate em si não desafiaria a autoridade do STF. Nem mesmo há decisão do STF afirmando que a contratação por trabalho autônomo exclui esta apreciação e desloca, automaticamente, a competência para a Justiça Comum, a não ser nas próprias decisões monocráticas proferidas nas Reclamações Constitucionais e, obviamente, uma decisão que desvia do parâmetro constitucional não pode servir de precedente para legitimar outros desvios.

A única decisão do STF, sempre referida nas Reclamações, diz respeito à validade da terceirização.

Então, perguntei à máquina se havia, por exemplo, diferença entre contratação por PJ e terceirização.

Disse a máquina:

 

“Sim, há diferenças significativas entre a contratação de pessoa jurídica (PJ) e a terceirização, embora ambos os arranjos possam envolver a prestação de serviços por empresas ou profissionais não diretamente empregados pela contratante. Vamos explorar cada um desses conceitos em detalhes:

Contratação de Pessoa Jurídica (PJ)

Definição:

·                     A contratação de uma PJ ocorre quando uma empresa ou entidade contrata outra empresa (que pode ser composta por um único profissional ou por vários) para prestar determinados serviços.

Características:

·                     Autonomia: A PJ contratada geralmente possui maior autonomia na execução dos serviços, podendo definir como e quando realizará as atividades, desde que respeite os prazos e condições estabelecidas no contrato.

·                     Foco na Entrega: O contrato geralmente se baseia na entrega de resultados específicos ou na realização de projetos definidos.

·                     Natureza do Contrato: O relacionamento é regido por um contrato comercial, sem vínculo empregatício.

·                     Responsabilidades: A PJ contratada é responsável por seus próprios encargos trabalhistas, previdenciários e fiscais.

·                     Riscos e Benefícios: A PJ assume os riscos do negócio e pode obter benefícios fiscais e operacionais dependendo de sua estrutura e regime tributário.

Terceirização

Definição:

·                     Terceirização é a contratação de uma empresa especializada para realizar atividades-meio (atividades não essenciais ao core business da contratante) ou até mesmo atividades-fim, conforme permitido pela legislação, através de seus empregados.

Características:

·                     Subordinação: Os trabalhadores terceirizados são empregados da empresa terceirizadora, mas atuam sob a supervisão e controle da contratante, especialmente em relação às atividades a serem desempenhadas.

·                     Intermediação: A empresa terceirizadora intermedeia a relação de trabalho, sendo responsável pela contratação, pagamento de salários, benefícios e cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias.

·                     Serviços Contínuos: A terceirização costuma envolver a prestação de serviços contínuos e de natureza operacional, como limpeza, segurança, manutenção, etc.

·                     Natureza do Contrato: O contrato é entre as duas empresas (contratante e terceirizadora) e tem foco nos serviços prestados, mas os trabalhadores envolvidos têm vínculo empregatício com a terceirizadora.

Diferenças Principais

1.                 Vínculo Empregatício:

·                    Contratação de PJ: Não há vínculo empregatício entre a contratante e os profissionais da PJ contratada.

·                    Terceirização: Os trabalhadores têm vínculo empregatício com a empresa terceirizadora.

2.                 Autonomia:

·                    Contratação de PJ: A PJ contratada possui maior autonomia na execução dos serviços.

·                    Terceirização: Os trabalhadores terceirizados trabalham sob supervisão direta da contratante.

3.                 Responsabilidade Trabalhista e Previdenciária:

·                     Contratação de PJ: A PJ contratada é responsável por seus encargos trabalhistas e previdenciários.

·                      Terceirização: A empresa terceirizadora é responsável pelos encargos trabalhistas e previdenciários dos seus empregados.

4.                 Tipo de Serviço:

·                     Contratação de PJ: Geralmente envolve projetos específicos ou entrega de resultados determinados.

·                     Terceirização: Frequentemente relacionada a serviços contínuos e atividades operacionais.

Considerações Legais

A legislação brasileira, especialmente após a Reforma Trabalhista de 2017 (Lei 13.467/2017), trouxe regulamentações específicas tanto para a contratação de PJs quanto para a terceirização, visando reduzir a precarização do trabalho e garantir direitos aos trabalhadores terceirizados.

Em resumo, embora ambos os arranjos possam ser formas de uma empresa obter serviços externos, a contratação de PJ e a terceirização diferem significativamente em termos de vínculo empregatício, autonomia, responsabilidades e tipos de serviços prestados.”

 

 

Conforme expresso pelo ChatGPT, em uma terceirização a relação de emprego entre o(a) trabalhador(a) e a empresa de trabalho terceirizado é pressuposta, sendo que a terceirização diz respeito, mais propriamente ao vínculo entre as empresas prestadora e tomadora, notadamente, quanto à responsabilidade desta última frente aos empregados da primeira. A contratação por PJ, em que o próprio trabalhador é a “empresa” prestadora, com afastamento da relação de emprego, em nada se confunde com terceirização, não podendo, pois, no exame do caso envolvendo eventual fraude na contratação por PJ ser invocado o precedente do STF que apontou para a validade da terceirização.

O STF, portanto, segundo a máquina, está utilizando a Reclamação Constitucional de forma indevida, pois vem reformando decisões que envolvem matéria fática, sem o pressuposto de preservação de autoridade de decisão do próprio STF.

Mas fui adiante e indaguei: a contratação de um trabalhador como trabalhador autônomo impede que se verifique, em concreto, a possível existência de uma relação de emprego, ou seja, de um trabalho subordinado, na prestação de serviços realizada?

A resposta:

 

“A contratação de um trabalhador como autônomo não impede que, em concreto, seja verificada a possível existência de uma relação de emprego. No direito trabalhista brasileiro, a relação de emprego é definida com base em critérios substantivos e não apenas pela nomenclatura ou forma do contrato. Esses critérios são estabelecidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e consistem nos seguintes elementos:

1.                 Pessoalidade: O trabalho deve ser prestado pessoalmente pelo trabalhador, não podendo ser transferido a outra pessoa.

2.                 Habitualidade: O trabalho deve ser prestado de forma contínua, e não esporádica ou ocasional.

3.                 Onerosidade: O trabalhador deve receber remuneração pelo trabalho realizado.

4.                 Subordinação: O trabalhador deve estar sob o comando e direção do empregador, recebendo ordens sobre como, quando e onde o trabalho deve ser realizado.

Mesmo que um trabalhador seja contratado como autônomo, se, na prática, a relação de trabalho apresentar esses elementos, pode ser caracterizada como uma relação de emprego. O nome dado ao contrato ou a forma jurídica utilizada para a contratação não é determinante. O que importa é a realidade da prestação dos serviços.

Análise da Relação de Trabalho

Para avaliar se uma relação de emprego existe, a Justiça do Trabalho analisa os fatos e circunstâncias concretas do caso. Aqui estão alguns pontos a considerar:

·                     Controle e Direção: Se o trabalhador está sujeito a horários rígidos, regras detalhadas de como executar suas tarefas e supervisão constante, isso pode indicar subordinação.

·                     Integração na Atividade Principal: Se o trabalhador desempenha atividades essenciais ao negócio principal da empresa, isso pode indicar que ele não é verdadeiramente autônomo.

·                     Exclusividade: Se o trabalhador presta serviços exclusivamente para um contratante, isso pode ser um indício de relação de emprego, embora não seja conclusivo por si só.

·                     Dependência Econômica: Se o trabalhador depende economicamente do contratante, isso pode ser um indicativo de relação de emprego.

Jurisprudência e Prática Judicial

A Justiça do Trabalho, em diversas decisões, tem reconhecido a relação de emprego mesmo quando a contratação foi formalizada como de trabalhador autônomo, se os elementos fáticos demonstram a presença dos requisitos da relação de emprego. A análise é sempre casuística e considera as peculiaridades de cada caso.

Consequências da Requalificação

Se for constatada a existência de uma relação de emprego, diversas consequências legais podem ocorrer:

·                     Registro na CTPS: O empregador será obrigado a registrar o trabalhador como empregado, com anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).

·                     Pagamentos Retroativos: O empregador pode ser condenado a pagar todas as verbas trabalhistas devidas, como férias, 13º salário, FGTS, horas extras, entre outras.

·                     Multas e Penalidades: O empregador pode sofrer multas administrativas e ser responsabilizado por infrações às normas trabalhistas.

Em resumo, a contratação de um trabalhador como autônomo não impede, por si só, a verificação de uma relação de emprego. A realidade da prestação dos serviços é o que define a natureza da relação. Se os elementos da relação de emprego estiverem presentes, a Justiça do Trabalho pode requalificar a relação, reconhecendo os direitos trabalhistas correspondentes.”

 

 

Neste momento, com todas as peças encaixadas, veio a oportunidade para uma jogada final.

Confesso que fiquei um pouco temeroso, mas, ainda assim, perguntei: no Brasil, qual é o segmento do Poder Judiciário competente para dizer se em determinada relação de trabalho há, ou não, relação de emprego?

A resposta dada pela máquina foi inequívoca:

 

“No Brasil, o segmento do Poder Judiciário competente para dizer se, em determinada relação de trabalho, há ou não uma relação de emprego é a Justiça do Trabalho. A Justiça do Trabalho tem a atribuição de julgar os litígios entre empregados e empregadores e outras controvérsias decorrentes das relações de trabalho, conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988.

Estrutura da Justiça do Trabalho

A Justiça do Trabalho é composta por três níveis:

1.                 Varas do Trabalho: São a primeira instância e recebem as reclamações trabalhistas. Nessas Varas, juízes do trabalho julgam inicialmente os casos, incluindo a verificação da existência ou não de uma relação de emprego.

2.                 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs): São a segunda instância e têm jurisdição sobre uma ou mais unidades da federação. Os TRTs julgam recursos contra as decisões das Varas do Trabalho e também podem julgar outras matérias trabalhistas de sua competência originária.

3.                 Tribunal Superior do Trabalho (TST): É a instância máxima da Justiça do Trabalho. Julga recursos contra decisões dos TRTs e tem a função de uniformizar a jurisprudência trabalhista em todo o país.

Competência da Justiça do Trabalho

A competência da Justiça do Trabalho para reconhecer a existência ou não de uma relação de emprego está prevista no artigo 114 da Constituição Federal de 1988, que estabelece:

“Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I – as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”

Além disso, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e diversas normas infraconstitucionais também regulamentam as atribuições e procedimentos da Justiça do Trabalho.

Processo de Reconhecimento de Vínculo Empregatício

Quando um trabalhador ingressa com uma reclamação trabalhista alegando a existência de uma relação de emprego que não foi reconhecida pelo empregador, cabe ao juiz do trabalho da Vara do Trabalho competente analisar as provas e argumentos apresentados pelas partes. Esse juiz avaliará se os requisitos da relação de emprego — pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação — estão presentes no caso concreto.

Caso o juiz reconheça a existência da relação de emprego, determinará as consequências legais, como o registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e o pagamento das verbas trabalhistas devidas.

Recurso e Revisão

As decisões das Varas do Trabalho podem ser objeto de recurso ordinário para os Tribunais Regionais do Trabalho, e, posteriormente, para o Tribunal Superior do Trabalho, se houver questões de direito relevantes que justifiquem a intervenção da instância superior.

Em resumo, a Justiça do Trabalho é o segmento competente do Poder Judiciário brasileiro para determinar se há, ou não, uma relação de emprego em uma determinada relação de trabalho, cabendo a ela julgar e decidir sobre os conflitos decorrentes dessas relações.”

 

 

Xeque-mate!

A máquina venceu e alguém mais apressado, até acolhendo a sugestão dada pelo próprio Barroso, já proporia a substituição dos Ministros do STF pela Inteligência Artificial. Ao menos em matéria trabalhista, por ora, as decisões proferidas pela máquina seriam bem mais consentâneas com a ordem jurídica do que as que se têm pronunciado no âmbito do STF.

No entanto, apesar, inclusive, de ter visto confirmada a tese de que sem a interferência da “razoabilidade” e do “bom senso”, ou seja, aplicando-se a legislação em sua literalidade estrita, com coerência sistêmica e em conformidade com seus pressupostos principiológicos, o resultado que se produz, indo na direção da maior proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras, limitando o interesse dos empregadores, é aquele que logicamente se extrai do conjunto normativo vigente, só que este resultado, deve-se reconhecer, representa uma vitória efêmera, vez que, estando diante das respostas apresentadas pela máquina, os detratores da legislação trabalhista que detêm o poder da última palavra, tratarão logo de encaminhar um treinamento dos algoritmos para que tais respostas não mais sejam dadas, ao menos no âmbito do Judiciário.

Verdade que a experiência acima realizada não deixa de ser uma importante demonstração de como se podem utilizar as ferramentas da IA para encaminhar a disputa ideológica e, sobretudo, para revelar quais, efetivamente, seriam as intencionalidades que se escondem por trás da defesa da inexorabilidade da evolução tecnológica.

Por outro lado, ao nos sentirmos contemplados pelas respostas dadas pela máquina, precisamos reconhecer que isto, de fato, explicita o quanto estamos reduzindo a nossa própria confiança no conhecimento humano, transferindo para a máquina a autoridade argumentativa.

Este fenômeno não é apenas resultado de uma certa preguiça mental, já que as máquinas têm feito muito do que seria resultado do esforço mental humano. Mas é também resultado da percepção de que o próprio processo de produção do conhecimento foi mercantilizado, estando, pois, em muitas situações, sob o domínio do poder econômico.

Certamente, muitas pessoas, lendo o presente texto, sentiram a sua “alma lavada” ao verem que a máquina expressou a resposta que queriam ouvir/ler. Ocorre que tantos de nós já havíamos chegado a este mesmo resultado, com maiores e melhores argumentos. No entanto, o argumento humano não atinge o potencial necessário para um convencimento generalizado, visto que estamos sob a lógica de um conhecimento dominado pelos disfarces ideológicos e transferimos para a máquina o atributo da imparcialidade.

Precisamos refletir sobre isso, vez que revelador de uma certa assimilação da falência humana.

Daí porque constitui um enorme problema nos deixarmos invadir pela satisfação momentânea de podermos dizer que a máquina se mostrou bem mais inteligente e bem menos tendenciosa que determinados seres humanos, e, com este sentimento sair em defesa da utilização da IA no Judiciário, até porque esta utilização, no plano da mera argumentação, é bastante distinta de outra que pode ser estabelecida institucionalmente, desenvolvida a partir de parâmetros controlados por uma cúpula de administradores.

Isto nos obriga a retomar a questão essencial em torno dos desafios da construção de valores para a constituição da condição humana, pois somente a partir de concepções humanas ligadas ao reconhecimento de uma efetiva, real e plena igualdade entre os seres humanos é que poderemos compreender, inclusive, os processos de manipulação da máquina e nos contrapormos a ela e aos seus eventuais dominadores, com argumentos que reflitam uma preocupação efetiva com a humanidade.

O desafio é bastante grande porque neste modelo de sociedade, em que a aparência das relações conduz e até conforma os nossos sentimentos, já que somos alucinados pelo fetiche das mercadorias que produzimos e que consumimos muitas vezes mesmo sem que seja para satisfazer alguma necessidade concreta, a visão de mundo que tende à generalização é aquela que satisfaz os interesses do domínio do capital. Isto faz com que as compreensões de mundo que interessam ao projeto de superação da sociedade de classes e eliminação das diversas formas de discriminação e opressão sejam submetidas a um processo de destruição e desqualificação, por meio de disfarces e dissimulações argumentativas, que, inclusive, para se fazerem de objetivas, imparciais, científicas e, portanto, incontestáveis, valem-se, presentemente, da autoridade da IA.

É por isso que a disputa da consciência, necessária à luta de classes, não pode abandonar o campo da virtualidade, para evitar que falsas “verdades” se naturalizem a serviço de seres humanos que, a todo custo, querem apenas se auto promover, auferir privilégios sociais e vantagens econômicas e satisfazer sentimentos de vaidade, o que pressupõe obter reconhecimento dos poderes dominantes, manter as desigualdades sociais e destruir todas as formas de resistência e de avanço social, não se constrangendo nem mesmo com as limitações ambientais.

Portanto, os experimentos acima dizem mais sobre os artifícios concretamente utilizados por certos seres humanos para atingirem e satisfazerem seus objetivos e interesses não revelados do que sobre os méritos da máquina.

Trata-se, menos ainda, de um eventual conflito entre os seres humanos e a inteligência artificial.

A máquina, afinal, apenas expressou um resultado ainda não manipulado, extraído da literalidade das normas aplicáveis aos casos sobre os quais foi indagada, posicionadas de forma lógica e coerente.

A conclusão a que se chega é que a tarefa dos seres efetivamente humanos em torno da construção de uma sociedade efetivamente compatível com a condição humana está em pleno vigor e com desafios cada vez maiores, sendo que o enfrentamento virtual é, talvez, o principal deles. Se ao tempo de Marx, a mobilização proletária nas ruas, proveniente de uma consciência produzida a partir da difusão do conhecimento crítico expresso em panfletos e obras doutrinárias, era a única forma de luta, hoje, além dessa, faz-se necessária a disputa virtual, buscando evitar a manipulação virtual e, com esta mesma arma, atacar o concreto artificializado.

Fato é que não poderemos jamais transferir para a máquina os desafios e tarefas que nos são impostas, que começa pelo aprendizado de saberes milenares, notadamente das culturas marginalizadas e quase dizimadas, para a produção de um conhecimento que seja efetivamente comprometido com a superação das desigualdades e de todas as formas de opressão, preconceito e discriminação de cunho racial, de gênero e de capacitismo.

Em uma realidade dominada pela virtualização da vida, onde o compartilhamento de imagens, a obtenção de “likes”, a difusão de ódios e a satisfação com “cancelamentos” conduzem as ações, também marcadas pelo individualismo extremo, é imensa a nossa responsabilidade de fazer esses enfrentamentos ligados à essência de um modelo de sociedade no qual os seres humanos foram objetivados e fetichizados, desenvolvendo relações apenas no plano da superficialidade, tudo a serviço da manutenção do domínio de uns poucos sobre tantos outros.

O nosso horizonte, para construção da condição humana, mais do que nunca, deve ser o da superação desse modelo de sociedade.

E a máquina tanto pode ser instrumento dessa luta, quanto uma arma potente do adversário!

Neste percurso, devemos, com todas as forças, lutar contra a substituição do ser humano pela IA, vez que quando isto se dá, mantendo-se os mesmos arranjos sociais, políticos e econômicos estruturantes da produção e consumo de mercadorias, para a reprodução do capital, funcionando, pois, a substituição apenas como mecanismo de desvalorização do trabalho e da trabalhadora e do trabalhador, de modo a manter e até aprofundar as desigualdades, com reforço, inclusive, das opressões de gênero e de raça e da consagração do individualismo e do capacitismo, não se está diante de um mero e inevitável efeito da evolução tecnológica e sim do triunfo das forças dominantes.

A concretização da substituição do ser humano pela IA pressupõe que esta já foi treinada para atuar na forma desejada pela classe dominante.

E não se pode esquecer que na organização internacional das forças produtivas, o Brasil se situa na posição de dependência, fazendo com que o império de uma IA configurada nos moldes dos interesses de empresas estrangeiras que mantêm o monopólio desse conhecimento representa, igualmente, uma forma de reafirmar o colonialismo.

É evidente que os efeitos dessa estratégia de dominação podem sair do controle e irem bem além do previsto e do desejado por aqueles que a implementam. Mas antes que algum efeito positivo possa ser vislumbrado desse descolamento, teremos que experimentar os resultados desastrosos da falência humana e do caos econômico e social, com destruição ambiental, naturalização das violências e multiplicação do sofrimento, da fome e de conflitos de toda espécie.

Algo muito parecido com o que já estamos vivenciando, ou não?

O efetivamente inteligente, pois, é aprimorar a inteligência artificial para que ela esteja a serviço do ser humano, de modo a eliminar da sua existência o trabalho como força de trabalho, devolvendo-lhe, pois, a humanidade.

O primeiro e decisivo passo nesta direção, pensando-se a questão nos limites estritos da proposição abordada neste texto, é extrair a IA do domínio de empresas privadas, que, por intermédio de prepostos que precisamos saber identificar, utilizam o poder derivado desse conhecimento para fazer dinheiro e disseminar, reforçar e alimentar as diversas formas de exploração e opressão.

E em qual arranjo sócio-político-econômico será possível atingir o estágio pleno da utilização da IA a serviço da humanidade?

A resposta, minhas amigas e meus amigos, mais uma vez, está soprando no vento!

*Jorge Luiz Souto Maior é professor de direito trabalhista na Faculdade de Direito da USP. Autor, entre outros livros, de Dano moral nas relações de emprego (Estúdio editores) [https://amzn.to/3LLdUnz]

Impasses e saídas para o momento político

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Por JOSÉ DIRCEU*

O programa de desenvolvimento tem de ser a base de um compromisso político da frente democrática

A importante derrota do governo nas votações dos vetos presidenciais no Senado e na Câmara dos Deputados no dia 28 de maio mostra não só que a correlação de forças é adversa para a centro-esquerda — que reúne não mais que 130 deputados, o que é fato mais do que conhecido (no Senado o cenário não é muito diferente) — mas que a articulação política do governo com sua base ampliada falhou fragorosamente. Como muitos apregoam e defendem, tarefa urgente é arrumar a casa, se Lula não quiser enfrentar novas crises no Congresso.

Mas não basta, como muitos propõem, recompor a articulação política e ajustar o ministério, decisões exclusivas do presidente da República. O governo Lula precisa retomar a aliança com a frente de partidos que elegeu. E, para isso, tem de apresentar um programa de desenvolvimento do país objetivo e factível, capaz de mobilizar em torno dele os diferentes setores da sociedade: empresariado, trabalhadores, academia e classes médias. O governo tem instrumentos e competência para isso.

Já existem os instrumentos para construir este programa. O que falta ao governo é foco e interlocutores com os diferentes segmentos da sociedade para engajá-los nas iniciativas que compõem o programa. Considero que os três eixos fundamentais desse programa de desenvolvimento são o Nova Indústria Brasil, desenvolvido pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que precisa ter a prioridade que exige; o PAC, capitaneado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, que concentra investimentos em energia, óleo e gás, Minha Casa, Minha Vida e obras de infraestrutura, prioritariamente; e o Plano de Transformação Ecológica, lançado pelo ministro Fernando Haddad durante a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), realizada em dezembro de 2023, em Dubai, nos Emirados Árabes. Cerca de uma centena de iniciativas relacionadas ao Plano serão apresentadas até a COP 30, que acontecerá em Belém (PA).

Não há saída para o Brasil sem um programa de desenvolvimento que impulsione o crescimento do país. E o Brasil tem tudo para crescer. A conjuntura internacional permite esse crescimento, o país atrai investimento externo, tem infraestrutura a ser construída, o turismo para expandir e uma indústria criativa pujante que demanda apoio para avançar, sem falar no tripé do programa de desenvolvimento.

Paralelamente, temos de concluir a reforma tributária e avançar em relação ao Imposto de Renda e à taxação de lucros e dividendos. São medidas fundamentais para a desconcentração da renda, vital para garantir a demanda interna. E temos que perseguir na queda dos juros. O pagamento do serviço da dívida é mortal para nós; no ano passado foram R$ 800 bilhões. Se os juros fossem menores e não estivessem alimentando a ciranda dos rentistas, o país teria mais recursos para investimento. Quando o país crescer mais que a inflação, a dívida pública vai estabilizar e vai cair.

O tripé do programa

Resposta a um processo de desindustrialização do Brasil e ao baixo desenvolvimento e exportação de produtos com complexidade tecnológica, o programa Nova Indústria Brasil (NIB) estabelece metas específicas para seis missões, abrangendo os setores de infraestrutura, moradia e mobilidade; agroindústria; complexo industrial de saúde; transformação digital; bioeconomia e transição energética; e tecnologia de defesa. Cada missão possui áreas prioritárias para investimentos visando atingir as metas estipuladas até 2033.

Para o período de 2024-2026, o Nova Indústria Brasil contará com R$ 300 bilhões, além de medidas de estímulo para setores estratégicos como prioridade para produtos nacionais em compras públicas e outras relacionadas à desburocratização para reduzir o chamado “custo Brasil”.

Com o Nova Indústria Brasil, o objetivo do governo é fortalecer a indústria brasileira e estimular a inovação, para que ela se torne mais competitiva e gere empregos mais qualificados. Nos últimos anos, seguindo a agenda neoliberal, o Brasil, como outros países da América Latina, fez um giro em direção à chamada especialização produtiva, ou ao aumento da capacidade exportadora de bens primários.

Dados do Relatório da CEPAL de 2022, relativos à produção de manufaturados na América do Sul, mostram que, no início do século XXI, Brasil e México respondiam por ¾ partes do total de manufaturados exportados pela região. O Relatório chama a atenção especialmente para o caso do Brasil, segundo maior exportador regional de manufaturas: sua participação nos envios totais de bens caiu 27%, ao passar de 75% no triênio 2000-2002 para 48% em 2019-2021. Outros quatro países sul-americanos (Chile, Paraguai, Peru e Uruguai) também experimentaram quedas de dois dígitos no mesmo período.

Para que o Nova Indústria Brasil avance, é fundamental que haja uma efetiva articulação de agentes do governo com a indústria brasileira e parte do agronegócio. Não pode se repetir situações como a que está ocorrendo com um importante projeto de expansão do setor de energia eólica-solar em desenvolvimento no país em que todos os equipamentos são importados. O Brasil precisa retomar a tradição de casar seus grandes projetos com o desenvolvimento local, como ocorreu com as plataformas e sondas na indústria do petróleo, com a indústria naval e a construção civil. As grandes empreiteiras do país tinham know how para disputar licitações no exterior até serem destruídas pela Lava Jato.

Já o PAC elegeu como prioridades, em volume de recursos, as cidades, onde está o Minha Casa, Minha Vida, com R$ 601 bilhões no período 2023-2026 (quase metade do investimento total, que é de R$ 1,3 trilhão, mais R$ 0,4 trilhão após 2026), o setor de transição e segurança energética (R$ 596,2 bilhões) e o de transporte (R$ 369,4 bilhões).

Ao apresentar o Plano de Transformação Ecológica, o ministro Fernando Haddad disse que os primeiros estudos da iniciativa privada indicam que ele poderia gerar de 7,5 a 10 milhões de empregos em todos os setores — com enfoque no segmento de bioeconomia, agricultura e infraestrutura —, e oportunidades de geração de renda.

No entanto, para concretizar esse cenário, os mesmos estudos estimam que o Brasil precisa de investimentos adicionais da ordem de US$ 130 a US$ 160 bilhões por ano ao longo da próxima década. Os aportes precisam ocorrer principalmente em infraestrutura para promover adaptações, produzir energia, aprimorar a industrialização e a mobilidade.

É um desafio possível de ser superado, dada a capacidade de mobilização de investimento e de criação de infraestruturas sustentáveis do Brasil via investimentos públicos. Temos exemplos de sucesso como a rede de hidrelétricas, o sistema elétrico unificado, a produção de etanol e a atuação da Petrobras e outras empresas nacionais de ponta na pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis.

Articulação necessária

O governo Lula já tem todos os elementos para colocar em marcha o programa de desenvolvimento do país. O que precisa é de um comando político subordinado diretamente ao presidente e com autoridade conferida por ele para levar à frente a missão de implantar as medidas contidas nos três eixos que compõem o programa, comando este que faça a interlocução com o empresariado, os trabalhadores, a sociedade civil e os demais segmentos sociais e que preste contas regularmente de sua missão.

Sem comando unificado e sem foco — como ocorre hoje — os programas anunciados e em andamento, por melhor estruturados que tenham sido, acabam perdendo seu impacto e importância. E seus resultados ficam aquém do previsto, justamente por falta de integração entre as diversas áreas de governo e falta de priorização de iniciativas.

As recentes derrotas do governo no Congresso são fruto da correlação de forças, em função das emendas impositivas do orçamento, sem nenhum compromisso dos partidos com o êxito das políticas públicas, e ao financiamento público de campanha. Como não tem maioria parlamentar, fica sujeito aos humores de um Parlamento conservador na pauta de costumes, liberal nas questões econômicas e sem nenhum escrúpulo em trocar voto por interesse político.

A crise pode ser amenizada com uma melhor articulação política, que passa também por uma mudança de postura do PT de unificar a atuação de seus deputados e senadores na defesa dos interesses do governo. Mas só será superada com um programa de desenvolvimento que coloque em campo, ao lado de Lula, todos os partidos e segmentos sociais que apoiaram sua candidatura no segundo turno. O programa de desenvolvimento tem de ser a base de um compromisso político da frente democrática — da esquerda à direita liberal — para assegurar o crescimento do Brasil, com desconcentração da renda e a justiça social.

*José Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula (2003-2005), presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e deputado federal por São Paulo. Autor, entre outros livros, de Memórias — vol. 1 (Geração editorial). [https://amzn.to/3x3kpxl]

Publicado originalmente no site Congresso em foco.

Eu vos saúdo, Palestina

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Por EDUARDO GALENO*

Considerações sobre o filme “Ici et ailleurs” de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville

“Se o estado de exceção realmente pode ser eliminado do mundo ou não, não é uma pergunta jurídica” (Carl Schmitt, Teologia política).

Descontinuidade

“Em 1970, esse filme se chamava Vitória. Em 1975, esse filme se chama Aqui e em outro lugar.” O início é o fim. Ou o contrário. Dá no mesmo.

Hipótese: fazer um filme sobre a Palestina, sobre a revolução palestina, em 1970. Fato: melancolicamente, em 1975, Jean-Luc Godard descobre o fracasso em dizer, em falar. As descontinuidades entre o fato e a hipótese apresentam o documentário na forma que sublinha o mundo, o real: sublime determinismo ou determinismo do fragmento. É uma deslocação sempre a vir. Por isso angustiante. Instabilidade.

Ensaio – não consigo dizer

Infundamental e complexo representar a dor e o sofrimento de um povo – sem rosto –, desterritorializado. Justamente, Aqui reside a emergência da experiência formal em Ici et ailleurs: se é impossível formalizar a perda, que se perca a formalização. Mas não é simplesmente fazer perder a coisa, jogar com a inutilidade da expressão, mas fazer dessa regulação – importantíssima para qualquer ato nas práticas de cinema, escrita, pintura etc. – a ponte para a neutralidade da imagem, que significa, em outros termos, incomunicação, algo sequer formado, não pensado. A Palestina, por acaso, não é exatamente isso: um não-lugar?

Não se fala nada quando se tem tudo para falar. Na Palestina de 1970 como na França de 1975, uma imagem vale mais que mil palavras.

Terceiro

Como tal, a enunciação e em outro lugar permite mostrar esse local que existe e não existe.

Jean-Luc Godard: “espaço e tempo, pergunta e resposta, entrada e saída, ordem e desordem, interior e exterior, preto e branco…”

Ainda e já, França e Palestina, família e grupo de guerrilha – o que aconteceria se essa mistura ocorresse? Uma proposição em que alguém supera a díade e a conjunção pura, revelando aquilo que há de mais particular nessa relação do ET. Parece que para o Jean-Luc Godard de 1975 existe uma Palestina. Para aquele de 1970, existe outra.

A Palestina e a Palestina: autoconsciência. Consciência cuja função, de tal modo, não é voluntária: é o próprio objeto que fisga o pensamento de Jean-Luc Godard. Corpos permanentemente enrolados e transmutados em pensamento, que caem, não sem tamanha dificuldade (“muito fácil e muito simples dizer simplesmente que os ricos estão errados e os pobres têm razão”, diz J-L.G), num poço de indecisão. (Porque é no vazio, afinal, que as imagens não-binárias, godardianas, são colocadas).

Isso sugere um eco, sugere um deslocamento. É fácil dizer que Israel está errado, muito fácil dizer que a IDF está errada ao matar palestinos. Assim, por esse motivo, Jean-Luc Godard repele qualquer imediatismo em Ici et ailleurs: precisamos transbordar as palavras, mas por desgaste. Nós podemos, a partir desse ponto, mostrar. Entretanto, não por associação: quando Jean-Luc Godard sobrepõe Hitler e Golda Meir, não está a associar uma figura à outra. Surge uma terceira entre dois códigos, “outra imagem que induzirá um interstício entre as duas”.¹

Nesse meio, nesse intermezzo – entre Treblinka [e Gaza?] –, a gramática do ente é desfraldada e invalidada, admitindo como contíguo (mas não verdadeiro) o sinal que antes estava lá, eternizado. Jean-Luc Godard consegue fazer o som virar imagem e a imagem ser sonora – quebrando no centro da língua – quando “esgota” o continuum da Coisa, essa grafia que bambeia o cinema.

certifique-se de ter esgotado
tudo o que se comunica
pela imobilidade
e pelo silêncio²

Blanchot disse: “ver é talvez se esquecer de falar”³. Nem mil palavras valem uma imagem, responde Godard e Miéville.

Soma errada, soma certa

“O Capital funciona assim: num dado momento, o Capital adiciona e o que ele adiciona são zeros.”

No Dziga Vertov, esperança e sonho eram somados por Gorin e Godard, em 1970, na Jordânia, antes do Setembro Negro: a vontade do povo + a luta armada + o trabalho político + a guerra prolongada = até a vitória. Mas o resultado não bateu. Pobre idiota revolucionário… algum impedimento brecava a vitória. O cálculo acabou de maneira bem diferente, com quase quatro mil fedayin, guerrilheiros da OLP, mortos.

Cinco anos depois, Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville tentam de outro jeito: não adicionando, mas fazendo-com: 1917 e 1936 e 1970. Nascem imagens diferenciais de aporia aí. Em momento nenhum, o processo por meio do qual isso é arquitetado não transporta a aporia como irresponsabilidade ou quietismo, porém como travessia. Godard aparenta ter atravessado, desde o fracasso do Maio de 1968, o rio que iria desembocar em Notre musique (2004) e Film socialisme (2010), que também praguejam contra o apartheid israelense e, de certa forma, continuam o projeto pragmático de Ici et ailleurs. O novo cálculo almejava reparar e superar tanto o liberalismo da Nouvelle vague quanto o voluntarismo pós-68, vindo da interpretação de Mao à francesa. No que tange ao imperialismo das imagens, há essa tentativa intensa de abraçar o sentido da generalização por um desvio(détournement). É nesse local que ele enxerga a estratégia de passar perto e desviar do todo: de Brejnev, da televisão, da revista pornô, de Kissinger, do Partido Comunista Francês…

Teatro

Pelo fato de encadear uma crítica interna à representação, Ici et ailleurs diz: todo engajamento pode vir a ser uma mentira. A criança recitando em tom alto o poema de Darwish, o dirigente do Fatah representando o povo ou os cineastas criando um cenário em que o caso principal é a repetição – de mandamentos e ordens – de uma jovem às falas do significante-mestre: tudo contempla um gênero que poderá caminhar da militância de esquerda ao fascismo (Jean-Luc Godard cita, tal é a lei do discurso).

Nesse sentido, o que interpela e não cessa é o evento de fechamento da representação. O teatro foi assim por dois mil anos, convencionando o ciúme do pai, a perversidade de Édipo e a clausura da interpretação em prol da unidade. Que fazer diante disso? As nuances estão (ou se criam) na própria obra. Ici et ailleurs quer desmantelar o orgânico a partir mesmo dessa fissura no meio da encenação. Algo não deve ser escravo. Pelo menos é assim na intervenção godardiana.

E, se tirarmos o poder da linguagem, resta a afasia. Na frente de enfermos, desses afásicos (de emissão, dado que não podem dizer suas próprias mensagens), “selvagens palestinos” – adjetivação de todo o excedente que não é pleno Humano e sujeito –, Godard permitiu se calar após sua revisão. Os fedayin falavam de desaparição e morte quando Jean-Luc Godard falou e os representou vitoriosos.

“Nós queríamos gritar vitória (…) no lugar deles.”

Nós e eles, aqui e acolá

Eu me dirijo a alguém em qualquer situação. Mas naquilo que se perde entre mim e o outro, se abre o estranhamento. O pingo do ruído que me surda não é aquele anterior, que já havia me dado a possibilidade de ligação uterina com o estrangeiro. Essa surdez, o impedimento de escutar a voz do que vem de fora, me é, ao mesmo tempo, violenta e quieta. Me solidifico, então, na solidão. É ela que deixa a vaga para um novo espaço. Espaço dissimétrico, totalmente ocasional, espaço de insuficiência. É o espaço em que grito, ecoando minha voz e fazendo ouvir também a do outro (porque ele, afinal, também grita).

Para Jean-Luc Godard, Settembrini “completa” Naphta⁴ de alguma maneira. De alguma maneira, o ódio colonial dos israelenses completa a fragilidade colonizada dos palestinos. Aqui, o que está em causa e consta é menos a exploração (identificação exagerada com o outro, que, no frigir dos ovos, é um elemento narcísico etnocêntrico) do outsideness [exterioridade] por um self-othering [autoalterização] do que a radicalidade intrusiva, derramamento do Fora em toda a sua complexificação, inclusive sob forma paradoxal.

O nós da família francesa se encharca necessariamente com o eles dos palestinos, assim como o aqui depende do acolá. Desse modo, a discrepância entre os dois lugares só pode advir da forra, pelo forçamento de algo que ultrapassa os sentidos da ratio imagética, da economia das imagens. O filme-ensaio de Godard talvez seja uma pesquisa desse material impreciso, forjado, que as imagens têm sobre nós.

Não ideológico, mas ideia. Não uma imagem justa, justo imagem.

“Aqui, uma família francesa que assiste televisão.
Lá, imagens da revolução palestina.”
Miéville: “os outros, esse Lá do nosso Aqui.”

Didatismo

O plano didático de Bertold Brecht impregna o filme. Tudo gira no entorno de um debate sobre princípios e razões, dando condicionamento a um estupor referencial de imagens. Sendo elas frias, quentes e mornas, o som que sai (dos tiros e da TV, dos palestinos e da família francesa ou mesmo de Jean-Luc Godard) interroga ao sentido uma pergunta: o que fazemos, o que falamos e o que mostramos com imagens de um apagamento étnico?

Penso que não há um modelo. É isso que o voice-over do filme quer nos fazer apontar.

“São filmes que se autoanalisam”⁵, dizia ele. Quer dizer, Ici et ailleurs faz parte de um cinema pós-dramático. Assim como Brecht fez a revolução no teatro (mas por vias, contextos e polos diferentes), Godard tentou fazer no cinema (ou, na verdade, continuou a revolução que os anos 1960 deram a essa prática).

Nesse tema, o percurso godardiano é: iremos tensionar, ao máximo, nossas informações, colocá-las num vácuo e depois espalhar rastros. Aula: mostrar para vocês o que e como se faz. Ici et ailleurs é uma aula acima de tudo.

Jean-Luc Godard como arquivista

Quero enfatizar: a melancolia das imagens em Ici et ailleurs não é derrotista. Ela é arquivista. Porque trabalha não com derrotas definitivas, mas testemunhos, testamentos temporais e espaciais (Godard: “a minha dupla identidade, espaço e tempo, encadeados um ao outro”).

O lamento dos arquivos, como tal, aparece como um pez no imaginário, uma marca que deixa traços, completamente jogado na amplitude dos vestígios. A lamentação de Jean-Luc Godard responde a uma característica íntima do espaço-tempo: à busca por distintas formas de vida, dentre as quais as aparições anacrônicas (Nachleben). A esse post scriptum do cinema, por meio do percepto pós-moderno, Godard parece adentrar.

É por isso que o instante da imago repete a tendência de ir para além do princípio do presente. Ici et ailleurs está entre Vertov e Warburg. Trás a percepção para o sublime material, enquanto, por outro lado, invoca o “arquivo” como ruína contemporânea. Logo, ele amplifica a relação das imagens, conjurando outros tipos, planos e modos de intromissão. Significa dizer que a Palestina de 1970 – suas práticas, seus sentimentos – ressoa nessa, a atual, no momento em que escrevo e no momento em que alguém lê o que escrevo. Eis o tempo e o espaço, virtualidades e realidades, sonhos e ações.

Se comprometer com o esquecido – ele manteve. Se comprometer com a justiça, “a tradição do esquecido”⁶. Ele, na mesma época dessa revisão, grafou:

EU
JÁ NÃO TENHO
ESPERANÇA
OS CEGOS
FALAM DE UMA
SAÍDA
EU
EU VEJO⁷

O texto começou com uma declaração de Carl Schmitt sobre os limites do direito. Perguntemos agora: na arte, há limites na resposta sobre o estado de exceção, mais especificamente no cinema? Ainda hoje, podemos falar na representação da dor e luta palestina? Se sim, basta insistirmos em outras respostas e intenções – obviamente pensadas a partir de uma decupagem responsável, tradução de nossos retalhos impossíveis –, como a da poesia; se não, lembro as palavras de Darwish em A Palestina como metáfora: eles venceram, “será o fim”.

*Eduardo Galeno é graduado em Letras pela UESPI.

Notas


¹ DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1990.

² GODARD, Jean-Luc. História(s) do cinema. São Paulo: Luna Parque e Fósforo, 2022.

³ BLANCHOT, Maurice. A conversa infinita: a palavra plural. São Paulo: Escuta, 2001.

⁴ Personagens de A montanha mágica (1924), de Thomas Mann. Existe um ar real nessas relações, mas não exatamente identidade entre um e outro.

⁵ GODARD, Jean-Luc. Introdução a uma verdadeira história do cinema. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

⁶ AGAMBEN, Giorgio. Ideia da prosa. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.

⁷ Six fois deux/Sur et sous la communication (1976). Acredito que o filme aqui resenhado é um ponto de virada na carreira de Godard. Por isso mesmo remeti, no título, a dois filmes símiles de sua autoria: Je vous salue, Marie (1985) e Je vous salue, Sarajevo (1993), em que o evento como tal – seja a gravidez, seja a guerra – é saudado.

MDB de Porto Velho marca convenção para o primeiro dia do calendário do TRE

Em uma demonstração de força e unidade,  MDB de Porto Velho marca convenção para o primeiro dia 20 de julho

Com a participação on-line do presidente municipal do partido, Williames Pimentel, que se encontra em Brasília, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB definiu, com antecedência de 38 dias, a data do dia 20 de julho para a realização da sua Convenção Municipal. Há no partido a convicção da viabilidade eleitoral de sua pré-candidata Euma Tourinho e de sua nominata de vereadores(as). “Nós estamos convictos das possibilidades de vitória dos nossos candidatos. A costumeira postergação das convenções se presta aos acordos que excluem o cidadão“, afirmou Pimentel.

‘Direito de defesa virou direito de vingança em Gaza’, protesta Lula, no G7

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou sua participação na plenária do G7, nesta sexta-feira (14), para condenar o genocídio do povo palestino cometido por Isarel e para cobrar um cessar-fogo nos conflitos do Oriente Médio e na Ucrânia. “Em Gaza, vemos o legítimo direito de defesa se transformar em direito de vingança. Estamos diante da violação cotidiana do direito humanitário, que tem vitimado milhares de civis inocentes, sobretudo mulheres e crianças”, disse o presidente.

Ao falar sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula também cobrou a realização de uma conferência pela paz em que os dois lados do conflito sejam chamados ao diálogo, nos moldes da proposta feita de forma conjunta pelo Brasil e pela China. “Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. Somente uma conferência internacional que seja reconhecida pelas partes, nos moldes da proposta de Brasil e China, viabilizará a paz”, afirmou.

Lula também criticou a inoperância dos organismos internacionais ao afirmar que, “as instituições de governança estão inoperantes diante da realidade geopolítica atual e perpetuam privilégios”.

Coluna Zona Franca

Eleições 2024

A apenas 116 dias das eleições municipais, a coluna tem condições de dizer que, por enquanto, o pleito em Porto Velho está tri-polarizado entre Mariana Carvalho (União Brasil), Léo Moraes (Podemos) e Vinícius Miguel (PSB). Uma pesquisa séria colocaria os três nessas posições.

(Ainda) não decolaram

A pré-candidata Euma Tourinho (MDB) taxiou mas, por algum motivo paroquial, ainda não decolou. O pré-candidato Valdir Vargas (PP), tinha tudo para decolar, mas os temporais em Porto Velho dificultaram a partida. Enfim, espera-se que nos próximos cento e dezesseis dias o tempo ajude os demais candidatos a voarem rumo ao Prédio do Relógio.

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Família é tudo

Não se trata da novela da Globo. Trata-se da novela diária da politica rondoniense. Em uma notícia que chocou absolutamente ninguém, a 8ª Promotoria de Justiça de Porto Velho decidiu instaurar um Procedimento Preparatório para investigar uma prática que muitos já consideravam um esporte regional: o nepotismo. Dessa vez, o alvo é o ilustre deputado Izequiel Neiva de Carvalho (União Brasil), que parece ter confundido a Assembleia Legislativa de Rondônia com uma reunião de família.

Família é tudo 2

De acordo com a Portaria nº 000043, o deputado está sendo investigado por ter nomeado três parentes para cargos na mesma pessoa jurídica. Os felizardos são ninguém menos que sua esposa, sua irmã e sua nora. Sim, você leu certo. S. S. S. N., O. N. C. e P. F. S. S. N. foram agraciadas com cargos que, sem dúvida, devem ter sido disputados de maneira muito acirrada… dentro do círculo familiar, claro. A 8ª Promotoria de Justiça, em um ato que deve ter exigido grande esforço para conter risadas, publicou o extrato da portaria de instauração, evidenciando o compromisso do órgão em apurar “possível” prática de nepotismo. Políticos desse naipe constumam ostentar a bandeira do Brasil e bradar a todo pulmões Deus, Pátria e Família. E Lula é o ladrão.  A fonte da notícia é do site direitarondonia.com.br.

EFMM

O complexo da EFMM, em Porto Velho, está bombando, após a reabertura totalmente revitalizada pela Energisa. Mas, essa mesma empresa cometeu um crime contra a própria memória da lendária EFMM. Em Vila Murtinho, localizada aproximadamente a 286 quilômetros de Porto Velho, Rondônia, na fronteira com a Bolívia e berço do rio Madeira (coordenadas aproximadas: 11.1053° S, 64.0388° W), a Energisa cometeu um grave crime ambiental.

EFMM 2

Durante a instalação de postes de energia elétrica, a empresa não respeitou os trilhos históricos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, fincando vários postes entre os trilhos. Este ato representa um desrespeito total ao que resta de uma saga de lutas, sangue e mortes envolvidas na construção dos trilhos que ligam Porto Velho a Guajará-Mirim. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ministério Público Federal (MPF) e outros órgãos competentes devem tomar medidas urgentes para resolver este grave problema. É fundamental que ações sejam realizadas para preservar este patrimônio histórico e cultural de grande importância para a região e para o país.

Operação Karipuna

18b146ef-d4cc-42b6-833f-3bf0be7b60a0.jpgAção conjunta entre PRF, MPT, MTE, DPU e PF resgata trabalhadores em situação análoga à escravidão em Rondônia. Os trabalhadores não tinham acesso a água potável e instalações sanitárias. Durante a Operação Karipuna, que teve início no começo deste mês, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desempenhou um papel crucial no resgate de quatro trabalhadores que estavam vivendo em condições análogas à escravidão. As propriedades de criação de gado, localizadas na Reserva Extrativista (RESEX) estadual de Jaci-Paraná (RO), ao lado da Terra Indígena Karipuna (TIKA), foram alvo da ação conjunta dos órgãos responsáveis pela garantia dos direitos trabalhistas.

Liberou geral

Nenhuma descrição de foto disponível.A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou relatório favorável do senador Jaime Bagattoli (PL-RO) ao projeto de decreto legislativo que retira restrições (terras griladas) à destinação de florestas públicas para regularização fundiária em terras da União na Amazônia Legal e em terras do Incra. O PDL 467/2023, do senador Marcos Rogério (PL-RO), segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Liberou geral 2

O projeto susta os efeitos de um decreto anterior (Decreto 11.688, de 2023) do Poder Executivo que restringe a destinação de florestas a algumas políticas públicas específicas: a criação e regularização fundiária de unidades de conservação da natureza; a regularização fundiária de terras indígenas, territórios quilombolas e comunidades tradicionais; concessões; e formas de destinação compatíveis com a gestão sustentável das florestas. É uma festa para invasores de terras como Ratinho e muitos outros políticos e empresários.

Liberou geral 3

Pode ser uma imagem de texto que diz "A Aevolução do "homem branco" atrasodo atrasodo-povoindigena odo povo indígena"Com base nesse decreto, o Incra determinou a interrupção de todos os processos de regularização fundiária até que se definam as regras para identificação de florestas públicas. O projeto acarreta também a suspensão imediata desse ofício. Marcos Rogério argumentou que as restrições são um entrave à regularização fundiária e penalizam os trabalhadores rurais — principalmente os mais pobres, segundo ele — postulantes à obtenção de terras públicas.

Cassinos e bingos

Cassinos mais próximos do Brasil - Guia da SemanaO projeto de lei (PL) 2.234/2022 que autoriza o funcionamento de cassinos e bingos será analisado como item único da reunião extraordinária deliberativa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na próxima quarta-feira (19). A decisão foi comunicada pelo presidente do colegiado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), na reunião desta quarta-feira (12), após senadores manifestarem divergência sobre a matéria. 

Cassinos e bingos 2

How to Prevent Casino Crimes: 7 Best Security Measures – Ray's NowNa avaliação dos senadores contrários à proposta, a permissão não trará vantagem econômica ao país e promoverá consequências negativas, como o estímulo ao cometimento de crimes a exemplo da lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. A própria Organização Mundial de Saúde considera a ludopatia [vício no jogo] uma doença cada vez mais grave, que tem devastado empregos, porque as pessoas começam a perder produtividade; tem devastado a família, porque a pessoa começa a perder os entes queridos, que começam a sofrer os impactos do vício. Isso gera criminalidade. Na opinião desses senadores, o Brasil não está preparado para essa autorização, seja pela falta de órgãos de controle para acompanhar cassinos e bingos, seja pelo aumento da criminalidade e do surgimento de novos problemas sociais. Eles citam como possível consequência da liberação do jogo o aumento de dependência alcoólica e de drogas, além de estímulo à prostituição. 

Fim do Feminicídio

Projeto que institui o Dia Estadual pelo Fim do Feminicídio é aprovado pela AssembleiaA Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) aprovou o Projeto de Lei 111/2023, que institui no calendário estadual o dia 25 de março, como o Dia Estadual pelo Fim do Feminicídio. A votação da matéria aconteceu durante a sessão ordinária de terça-feira (11). A proposição é de autoria da deputada Cláudia de Jesus (PT) e visa promover ações de políticas públicas para combater as violências contra as mulheres. Também pretende criar mecanismos de prevenção e defesa para o público feminino. Para isso, o projeto determina, entre outros, campanhas de conscientização sobre feminicídio no estado.

Pré-candidatos a vereador Porto Velho

Lista atualizada de pré-candidatos a vereador por Porto Velho: PT/PCdoB/PV-

CLÁUDIO CARVALHO
GIOVANA BARROS
JOÃO VITOR
MARCELO HENRIQUE
FRANCIMAR SIMÃO
VAO OLIVEIRA
OHANA Silveira
RAIMUNDO NONATO
PEDRO DO KAMINARI
CLAUDINHA DO AGRÁRIO
ISRAEL TRINDADE
FATINHA
CHIQUINHO DO PT
EZEQUIEL MESQUITA
TOCO
NONATO MORAIS
TIÃO FARIAS
CLODOALDO COSINHO
RENATO GOMES OLMEIDO
GENIVALDO

JOSÉ IRONILDO
EDMILSON MARTINS
JAPONÊS DA FUNERÁRIA
RICARDO VILARRUEL
NEIA SORRISO
VAGNER EUFRASIO
JO RODRIGUES
RICARDO
DEUSA 

PSB:  Josias Perito; Agir: Alexandre Silva, Antonio Medeiros, Porfirio Costa, Cliver Heron, Ednei Singeperon, Ednei Lima, Geovane Ibiza, Marcos Malaquias, Hermínio, Maelson do Planalto, Mesaque, Roberto Dilamite, Fabrício Donizete, Marcos combate, Cláudio da Padaria, Gabriele Gaspar, Marilene U.Norte, Solange Feira, Taliana, Meuse Santos, Ivanilda, Dalva Cecília e Elmara; Avante: Dr. Clever, Nanan, Paroquinha, Zé Reis, Paulo Tico, Edcarlos, Bike Som, Felipe, Ronaldo Sanches, Evaldo Unir, André Rocha, Alex Policial Civil, Chiquinho Táxi, Júlio César,Eduardo Rodoviária, Dr. Breno Mendes, Dr. Carlos Eduardo, Pastor Nonato, Renata Camurça, Dhayane, Márcia Presidente Mulheres PM, Gleice, Calama, Líder Suely, Rosely, Karla Barreto, Carla Bombeiro e Dra. Márcia; Rede: Sebastião Neves

Lista atualizada 2

Republicanos-Márcio Oliveira, Profa. Val Barreto, Júnior Queiroz, Jurandir Bengala, Márcio Pacele, Pastor Ivanildo da Universal, Júnior Coimbra, Fernando PM, Pedro Geovar; União Brasil: Ellis Regina, Pastor Sandro, Isaque Machado, Lucas Donadon, Pastor Bruno Luciano, Joel da Enfermagem, Dr. Macário Barros e Edmilson Dourado; PSD: Everaldo Fogaça, Luiz Porto, Rai Ferreira, Enfermeiro Roneudo, Wanoel Martins, Da Silva do SINTRAR, Hallan Carvalho e Kaue Ribeiro. PP: Raimundo Torres Filho, Alysson Cuiabano e Matheus Serrate.

Lista atualizada 3

Podemos: Júnior Moraes, Mauro Nazif Júnior , Alyson Cuiabano, Felipe da Saúde; PRD: Rogério Quaresma, Alexs Palitot, Bruno do Pingo, Sandro Marcelo, Pedro Teixeira, Joelna Holder e Moisés Cruz; PL: Sofia Andrade, Léo Alencar, Gilber Mercês, Jacaré de Vista Alegre e Willian Homem do Tempo; MDB: Júnior da Versátil e Francisca Kaxarari. PRTB: Pastor Evanildo Ferreira e Jaque Suzana. SD. Terrinha

Lista atualizada 4

 PSDB/Cidadania-Marcelo Reis, Edwilson Negreiros, Carlos Damasceno, Valter Canuto, Márcia Socorrista, Nilton Souza, Antônio Medeiros, Júnior Siqueira, Dim Dim, Adalto Bandeirantes, Júnior Cavalcante, Dr Macário Barros, Thiago Tezzari, Evaldo Agricultura, Wellen Prestes e Alyson Sandubas.

Lista atualizada 5

PDT: Jonas Minele – Ex Coordenador de Juventude Municipal, Marcos Bali – Empresário, Batista da Sul – Empresário Zona Sul, Ezequiel Silva – AJERO, Viviane Nascimento – Síndica do Morar Melhor, Raí do Sopão – Líder Comunitária Zona Leste, Paulinha do Restaurante – Empresária Zona Leste, Dra Rosimar – Auditora TCE/Presidente do Movimento Lilás, Professora Anne Mamedes – Escolas de Samba, Marina Gomes – Colonia de Pescadores, Romeuzinho da Comunidade – Líder Comunitário da zona leste, Rosinha Vieira – Ativista SocialPastor Lucimar, Roberto Motoboy – Presidente Associação dos Motoboys, Walk da Rede TV, Jeferson Magalhães, Repórter Daniel Júnior, Leila Reis do IFRO, Cintia Ribeiro – Liderança da Zona Sul, Maura Torres – Ação Mulher Trabalhista, Professor Douglas Proprietário das Escolas Tempos Modernos, Marklin Cantanhêde – Administrador de Empresas, Patricia Queiroz – Ativista Social/Presidente do Conselho de Saúde, Tiago Carneiro Líder dos Aplicativos de Mobilidade urbana, Samuel Santos do Movimento Negro, Leilson de São Carlos, Liderança comunitária do Baixo Madeira, Diniz da Zona Sul – Empresário, Professor Lyon – Do Esporte, Sacerdotisa Marlene, Professor Doca do IFRO, Júlio César Presidente do CRECI e Pastor Sérgio.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e no Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  rk@maisro.com.br

O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidaddo colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

“PL do estupro” é rejeitado por 87%, mostra enquete da Câmara

O Projeto de Lei (PL) nº 1.904/24, que propõe equiparar o aborto de gestações acima de 22 semanas ao homicídio, provocou uma onda de manifestações e uma clara rejeição da opinião pública. De acordo com uma enquete popular no site da Câmara dos Deputados, 87% dos participantes declararam “discordar totalmente” da proposta, representando 616.298 votos até às 11h10min desta sexta-feira (14), segundo o Metrópoles. Por outro lado, apenas 13% dos votantes afirmaram “concordar totalmente” com a medida, somando 87.476 votos.

Na quarta-feira (12), a Câmara dos Deputados aprovou, sem alarde, o requerimento de urgência do PL 1.904/24. A votação, realizada de forma simbólica — método que não identifica individualmente os votos dos deputados —, não foi anunciada previamente em plenário, gerando descontentamento entre muitos parlamentares e a população.

A reação foi rápida e se espalhou pelas redes sociais, ampliando-se para manifestações de rua na quinta-feira (13). Protestos ocorreram em várias capitais do país, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Florianópolis.

A proposta de equiparar o aborto ao homicídio, mesmo em casos de estupro, é vista por muitos como um retrocesso significativo nos direitos das mulheres. Atualmente, o aborto no Brasil é permitido em casos de risco à vida da gestante, anencefalia do feto e em casos de estupro. Equiparar o aborto de gestações acima de 22 semanas ao homicídio, especialmente sem exceções para vítimas de estupro, levanta preocupações sobre os direitos humanos e o bem-estar das mulheres afetadas.