quinta-feira, setembro 3, 2026
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Toffoli suspende Renan Santos em debates, propaganda na TV e veta verbas do fundo eleitoral

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a propaganda eleitoral da chapa de Renan Santos, do Missão, em perfis de redes sociais que não foram informados à Justiça Eleitoral. A decisão, tomada no domingo (30) e divulgada nesta segunda (31), também bloqueou repasses do Fundo Eleitoral e a participação da candidatura em debates de rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.

A medida alcança Renan Santos e o candidato a vice-presidente Aroldo Medina. Toffoli é o relator do pedido de registro da chapa e já havia adiado o julgamento da candidatura no fim de semana por indícios de irregularidades na indicação das contas usadas para propaganda digital.

O ministro apontou uma “omissão estratégica” dos candidatos ao demorarem a apresentar todas as redes sociais utilizadas pela campanha. A legislação exige que postulantes informem, no pedido de registro, as contas que pretendem usar para divulgar conteúdo eleitoral.

Renan e Medina enviaram à Corte documentos com 18 contas em redes sociais em 19 de agosto. No pedido de registro apresentado no dia 7, porém, a chapa havia informado somente uma conta na rede X e um site.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Andressa Anholete/STF

Toffoli aponta risco ao controle da propaganda digital

Para o relator, a entrega tardia das informações não equivale a uma simples correção documental. “Cabe, então, explicitar que a omissão estratégica da informação sobre as redes sociais, fundante de toda a legitimidade da campanha digital a ser desenvolvida, denota, por si, descompromisso com aqueles bens jurídicos”, afirmou.

Toffoli avaliou que o candidato que omite perfis de campanha e apresenta os dados depois do prazo desvia a finalidade da regra eleitoral. A norma busca permitir a fiscalização pública e legal das contas que impulsionam ou distribuem conteúdo em nome das candidaturas.

O ministro afirmou que redes não declaradas podem se beneficiar de “algoritmos opacos” e escapar do controle previsto para a disputa. “Dissimulam-se como usuários comuns, transitando à margem do espaço legítimo de disputa no ambiente digital”, escreveu.

Na decisão, Toffoli destacou que a campanha dura cerca de 45 dias e que as redes sociais permitem a divulgação contínua de conteúdo para um número elevado de usuários. Renan Santos cumpriu agenda em São Paulo nesta segunda-feira (31) e convocou uma coletiva de imprensa para a tarde, mas ainda não havia se pronunciado publicamente sobre a suspensão.

DCM

Hang é investigado por assédio eleitoral após discurso defendendo escala 6×1

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma Notícia de Fato para investigar uma possível prática de assédio eleitoral após receber uma gravação de Luciano Hang, dono da Havan e apoiador de Jair Bolsonaro, falando a funcionários da rede sobre a proposta de fim da escala 6×1. O encontro ocorreu em uma loja de Caldas Novas, em Goiás.

No vídeo, Hang afirma que a mudança na jornada elevaria os custos trabalhistas, reduziria o poder de compra dos empregados e os levaria a procurar outra fonte de renda. Ao atacar a proposta, ele a chama de “estelionato eleitoral” e associa o debate à disputa pelo voto dos trabalhadores nas eleições de outubro.

O MPT tomou conhecimento da gravação na segunda-feira (31) e determinou a abertura do procedimento. O órgão informou que a apuração ainda está na fase inicial e não divulgou outros elementos sobre o caso.

Em sua fala, o empresário calcula que o custo de mão de obra da Havan poderia subir 15% se a proposta avançar. “Se você ganhar a mesma coisa e os produtos vão subir 10 a 15%, vocês vão ter um poder de compra menor”, disse aos trabalhadores.

 

Hang disse que empregados teriam de buscar outra ocupação

Hang afirmou que os funcionários teriam de procurar “outro emprego” caso não pudessem trabalhar mais de cinco dias por semana na empresa. Ele também mencionou a hipótese de um “subemprego”, sem registro em carteira e sem direitos como 13º salário e férias.

A fala ocorreu às vésperas da votação, nesta quarta-feira (02), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso. A medida integra as bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

A defesa de Hang não respondeu ao pedido de manifestação. A Havan e o empresário já enfrentaram decisões da Justiça do Trabalho por episódios ligados à influência política sobre empregados durante as eleições de 2018.

Em janeiro de 2024, a Justiça do Trabalho de Santa Catarina condenou Hang e a Havan por assédio eleitoral naquele episódio e fixou R$ 1 milhão por dano moral coletivo, além de R$ 1 mil para cada empregado que tinha vínculo com a empresa até 1º de outubro de 2018. Mais recentemente, em fevereiro de 2025, a Havan recorreu de uma condenação que determinou indenização de R$ 5.960 a uma funcionária de uma unidade em Jacareí, no interior paulista.

DCM

Posfácio Ciência com consciência 

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Ao longo deste livreto, buscou-se discutir algumas das principais reflexões desenvolvidas por Edgar Morin em Ciência com Consciência, obra originalmente publicada em 1990 e posteriormente revisitada em diferentes edições. O percurso aqui realizado procurou ir além de uma simples revisão de conceitos, buscando compreender a ciência como uma atividade profundamente humana, histórica e social, não apenas o conhecimento pelo conhecimento, mas como uma aventura humana, atravessada por escolhas, valores, responsabilidades e consequências.

Reside aí uma das maiores contribuições da obra. Ao questionar a fragmentação do conhecimento, a excessiva especialização dos saberes e a pretensão de neutralidade frequentemente associada ao discurso científico, Morin nos convida a reconhecer que a ciência não se desenvolve à margem da cultura, da política ou da ética. Ciência e sociedade não ocupam territórios distintos; influenciam-se mutuamente, em uma relação contínua de construção, transformação e reinvenção. Nesse sentido, a obra ultrapassa os limites de uma reflexão estritamente epistemológica para propor uma atitude de vigilância crítica sobre os modos pelos quais produzimos, organizamos e utilizamos o conhecimento.

Ao longo das discussões aqui apresentadas, procurou-se destacar justamente essa defesa de uma ciência capaz de refletir sobre si mesma. Não uma ciência sacralizada ou convertida em dogma, mas consciente de seus limites, de suas incertezas e de seus impactos. Em um mundo marcado por problemas cada vez mais complexos e interdependentes, tal perspectiva permanece não apenas relevante, mas necessária.

Após essa breve retomada, parece oportuno compartilhar também algo sobre o próprio processo de elaboração deste livreto. Afinal, assim como a ciência descrita por Morin, este texto também foi construído em movimento, entre leituras, revisões, diálogos e dúvidas. À medida que os capítulos eram produzidos, versões preliminares foram sendo compartilhadas para leitura e discussão, permitindo avaliar não apenas a consistência das interpretações apresentadas, mas sobretudo a clareza do texto e sua capacidade de comunicar ideias complexas a leitores em diferentes estágios de formação.

Tal preocupação surgiu de uma inquietação simples: quantas vezes trabalhos acadêmicos de grande relevância tornam-se inacessíveis justamente pela linguagem que utilizam? Não porque lhes falte qualidade, mas porque acabam aprisionados em uma verdadeira selva de letras, que dificultam sua circulação para além dos espaços especializados. Tornar um texto epistemologicamente rigoroso mais acessível sem reduzir sua complexidade revelou-se um desafio constante ao longo deste percurso.

Durante uma dessas leituras preliminares surgiu um comentário despretensioso: “a ciência vai transparecendo na linguagem”. A observação foi breve, quase casual, mas permaneceu ecoando, talvez por sintetizar algo que o próprio Morin procurou demonstrar em sua obra: a ciência não existe separada dos sujeitos que a produzem. Ela aparece nas palavras que escolhemos, nas perguntas que formulamos, nos silêncios que preservamos e até mesmo na maneira como organizamos nossos pensamentos. A consciência, nesse sentido, não se restringe aos conteúdos científicos, mas atravessa a própria forma de pensar e de habitar o mundo.

Esta experiência esteve diretamente vinculada à disciplina Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS 001), ofertada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) durante o primeiro semestre de 2026. Ao longo da disciplina, diferentes autores e perspectivas foram mobilizados para discutir as múltiplas relações entre ciência, tecnologia e sociedade.

A leitura da obra desenvolveu-se por meio de seminários e discussões semanais que possibilitaram o diálogo entre as proposições de Morin e outros referenciais estudados ao longo do curso. Mais do que um exercício individual, tratou-se de uma construção compartilhada de interpretações, inquietações e descobertas. Por essa razão, gosto de pensar este livreto como uma obra feita a muitas mãos. O autor do livreto costuma dizer que alguns trabalhos são escritos “a quatro mãos”, quando elaborados por duas pessoas, ou “a seis mãos”, quando construídos por três autores. Este, porém, escapa a qualquer cálculo preciso. Embora a escrita tenha partido de um único autor, suas páginas carregam contribuições de vários diálogos e reflexões compartilhadas ao longo do percurso.

Considerando os aspectos para além do racional, como acontece com muitas experiências intelectuais, a elaboração deste livreto acabou encontrando também a dimensão afetiva. Sua conclusão coincidiu com um momento marcante: o falecimento de Edgar Morin, em maio de 2026. Durante os meses que antecederam esse acontecimento, sua obra esteve presente em leituras, debates e conversas que frequentemente ultrapassavam os limites da sala de aula. Entre cafés, refeições, chocolates e momentos cotidianos, Morin tornou-se uma companhia constante. Por alguns meses, suas ideias passaram a habitar o cotidiano daqueles que se dispuseram a percorrer suas páginas, para pessoas que nem mesmo o conheciam.

A coincidência temporal entre o encerramento desta leitura coletiva e a despedida de seu autor convida à reflexão sobre a permanência das obras para além da existência daqueles que as escreveram. Embora a morte marque o término físico de uma vida, ela não encerra necessariamente os diálogos que um pensamento é capaz de suscitar. Pelo contrário, algumas ideias permanecem vivas justamente porque continuam produzindo questionamentos.

Talvez resida aí uma das maiores contribuições de Ciência com Consciência. Em um mundo atravessado por transformações tecnológicas aceleradas e por disputas em torno da produção e da legitimidade do conhecimento, as reflexões propostas por Morin mantêm sua capacidade de provocar questionamentos e estimular novas formas de compreender a relação entre ciência, sociedade e humanidade.

Nesse contexto, a defesa de uma ciência dotada de consciência permanece como um convite à reflexão crítica, à responsabilidade coletiva e ao compromisso com formas mais integradas e humanas de compreender e transformar realidades. Afinal, a humanidade não se constituiu apenas por sua capacidade de criar ferramentas ou desenvolver técnicas, mas também pela possibilidade de refletir sobre suas próprias criações, reconhecer seus limites e assumir responsabilidade por suas consequências, como uma grande simbiose. Talvez seja justamente essa consciência, em constante construção, que continue representando um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores potencialidades das gerações presentes e futuras.

 

Ester Dias da Silva Batista – bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

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Laranjas ou bananas – qual é a preferência do cientista?

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@viníciocarrilhomartinez

“A cada escolha uma renúncia. Isso é vida” (Charlie Brown).
Isso é fato. Como 2 e 2 são 4.
Afinal, se somos capazes de escolher entre laranjas e bananas, mesmo gostando de ambas, é sinal claro de que entendemos as diferenças básicas entre as duas frutas. Por exemplo, a laranja é uma fruta cítrica e pode não fazer bem a todos.
Porém, seja qual for a escolha, laranjas ou bananas, há resultados e é preciso viver com isso. Bons ou maus.
Todo e qualquer resultado é consequência das nossas escolhas, e sobre isso não gostamos de passar.
Assim, se com a ciência não pode ser diferente, porque as escolhas dos cientistas segue a mesma lógica simples das coisas (laranjas ou bananas?), como falar de ciência sem consequência, sem resultado?
Não faz sentido – e mesmo que tal cientista não goste de laranjas ou de bananas, suas escolhas irão impor renúncias.
Por isso, sem saber das consequências, não há consciência e entendimento de como as coisas funcionam. Neste caso, o empreendimento científico pode ocorrer sem que saiba adequadamente (até de olhos vendados) o que é uma laranja e o que é uma banana. E isso não seria caótico, seria desastroso.
Desse modo, sem saber disso, das próprias regras do jogo, aquelas regras que definiram na nossa infância, é impossível saber qual é o objeto: laranjas ou bananas?
Aqui, é possível arriscar duas perguntas simples: Se não sabemos qual é o nosso objetivo, como é que faremos escolhas minimamente racionais, lógicas? Como pode haver objetivo se não temos clareza do objeto – é laranja ou banana?
Ou seja, sem consciência do que move nossas escolhas, do que se escolhe, porque se aceita outras renúncias, e depois sobre como se age a partir das escolhas (um “saber reconhecer as consequências”), não há sequer sentido no objeto – esse objeto que sempre advirá desse jogo da vida, entre escolhas e renúncias.
Sem conhecer o objeto, sem domínio dos objetivos (consequências), resta um saber vazio, sem controle das suas funções e dos significados básicos.
É um saber sem poder.
Especialmente porque não se sabe o que pode acontecer.
Portanto, sem consciência (das consequências = conhecimento do objeto) não há ciência.
Essa capacidade de jogar a partir das regras do jogo, ter consciência mínima do que fazemos – em função do que escolhemos entre bananas ou laranjas, se essas escolhas nos fazem bem ou mal –, resulta em outra capacidade: a avaliação das escolhas feitas e das suas consequências.
Isso é parte essencial da vida adulta e é claro que não se exige das crianças a mesma visão de mundo.
Mas, então, será que temos consciência das consequências das nossas escolhas (dos nossos atos)?
Se sim, podemos pensar em termos de uma “consciência da consciência”.
Mas, será que todos que se aplicam à ciência têm essa consciência acerca da sua própria consciência?
No limite das nossas vidas, estamos sempre escolhendo entre laranjas e bananas – especialmente para que não haja confusão entre alhos (atos) e bugalhos (consequências).
Entre o bem e o Mal haverá uma dialética forçada pelo imponderado, inesperado, que vem do caos.
Assim como há o mal que vem para o bem e um inferno poluído de boas intenções, “há ciências e ciências”.
Mas, esse é outro assunto.
Primeiro precisamos saber com alguma precisão o que diferencia a laranja da banana.
Nem sempre a salada de frutas é uma opção e, mesmo que seja, talvez alguém ainda tenha que retirar a laranja ou a banana…

Bolsonaristas tentam impedir votação do fim da escala 6×1 no Senado

Presidente Lula firmou com Motta e Alcolumbre acordo para votação da ‘taxa das blusinhas’, da regulamentação dos minerais críticos e do Redata, além da PEC da Segurança

Parlamentares de oposição ao presidente Lula (PT) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam articular uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A iniciativa visa impedir que o Congresso Nacional avance na votação de propostas defendidas pelo governo federal, segundo o jornal O Globo

A movimentação oposicionista ocorre às vésperas do último esforço concentrado de votações antes do pleito. Na quarta-feira (26), Lula, Motta e Alcolumbre fecharam um acordo abrangente para destravar iniciativas prioritárias para o Palácio do Planalto. Em resposta, a bancada bolsonarista busca agendar um encontro com os chefes das duas Casas Legislativas na próxima semana para tentar conter os avanços das matérias.

“Vamos falar com os presidentes na semana que vem”, afirmou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ).

O acordo entre governo e cúpula do Congresso

No acerto firmado entre o Executivo e os presidentes da Câmara e do Senado, ficou definido que a Medida Provisória que encerra a chamada “taxa das blusinhas” terá toda a sua tramitação concluída no Congresso na próxima semana.

Além disso, os líderes selaram pacto para levar ao plenário do Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração de minerais críticos e a proposta que cria o Redata, o plano nacional de incentivos voltado ao setor de centros de dados (data centers).

No tocante às duas propostas de maior impacto popular — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública, que reforça a atuação da União no setor —, o entendimento firmado prevê a análise dos relatórios na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem compromisso imediato de votação em plenário.

Estratégias da oposição contra as PECs

O foco principal dos parlamentares de oposição é barrar o andamento das duas PECs. Evitando o confronto direto contra o mérito das matérias por conta do apelo popular das pautas, os oposicionistas sustentam a tese de que os temas são complexos e não deveriam ser analisados de forma célere durante o período eleitoral.

O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ponderou após a reunião com o presidente Lula que as duas propostas “merecem, sim, o debate, o diálogo, a discussão e a deliberação”, sem cravar prazos de votação em plenário.

Para alterar o escopo das propostas, senadores aliados de Flávio Bolsonaro já formalizaram diversas emendas:

  • PEC do Fim da Escala 6×1: O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) apresentou emenda que replica o texto alternativo de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Pelo texto sugerido, a redução da jornada e a compensação de horários seriam flexibilizadas por meio de convenção coletiva.
  • PEC da Segurança: A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs alteração para fortalecer a autonomia dos estados, sugerindo descentralizar a legislação penal para permitir que os governos estaduais legislem sobre direito penal e processual no combate ao crime organizado.

Além de apresentar emendas, parlamentares bolsonaristas avaliam destacar trechos das propostas para votação em separado no plenário.

Posição dos relatores e peso eleitoral

Mesmo com as pressões da oposição, os relatores designados na CCJ do Senado — o senador Omar Aziz (PSD-AM) para a PEC da Escala 6×1 e o senador Rogério Carvalho (PT-SE) para a PEC da Segurança — declararam que pretendem manter integralmente os textos aprovados na Câmara dos Deputados. A medida visa conter mudanças regimentais que forçariam o retorno das matérias à análise dos deputados.

Tanto a reforma na escala de trabalho quanto o novo modelo de segurança pública são constantemente destacados pelo presidente Lula em seus compromissos públicos. A PEC do fim do 6×1 é vista como um importante ativo junto aos trabalhadores, enquanto a PEC da Segurança é apontada pelo governo federal como a resposta institucional necessária ao enfrentamento das facções criminosas.

Do Brasil 247

Lula mantém liderança na pesquisa BTG/Nexus, com 41%, contra 37% de Flávio Bolsonaro

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na disputa pela Presidência da República, segundo nova rodada da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (24). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL).

Os números indicam estabilidade de Lula em relação à rodada anterior do levantamento. O presidente permanece com os mesmos 41%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou um ponto para cima, de 36% para 37%. Com isso, a diferença entre os dois principais candidatos passou de cinco para quatro pontos percentuais.

A pesquisa reforça também a forte concentração da disputa presidencial em torno das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. Somados, os dois alcançam 78% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto nenhum dos demais candidatos supera a marca de 5%.

Caiado aparece em terceiro lugar

Ronaldo Caiado (PSD) aparece na terceira posição, com 5%, um ponto percentual acima da rodada anterior. Renan Santos (Missão) tem 3%, após recuar um ponto, mesmo percentual registrado por Romeu Zema (Novo), que também perdeu um ponto.

Augusto Cury (Avante) aparece com 2%, um ponto acima do levantamento anterior, enquanto Samara Martins (UP) registra 1%, mantendo seu percentual.

Os eleitores que dizem votar em nenhum candidato, branco ou nulo representam 5% da amostra. Outros 3% não souberam ou não responderam.

O levantamento mostra, portanto, uma corrida fortemente polarizada. Lula e Flávio Bolsonaro ocupam um patamar muito distante dos demais concorrentes, enquanto as candidaturas alternativas continuam sem demonstrar, até o momento, capacidade de romper a barreira de um dígito.

Na espontânea, Lula abre sete pontos

A liderança de Lula fica mais ampla quando os entrevistados são questionados sobre sua preferência sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados.

Na pesquisa espontânea, Lula registra 38% das intenções de voto, mantendo o mesmo percentual da rodada anterior. Flávio Bolsonaro aparece com 31%, dois pontos acima da pesquisa passada.

Assim, mesmo com o avanço do candidato do PL, Lula conserva uma vantagem de sete pontos percentuais na espontânea, modalidade considerada relevante para medir o grau de consolidação das candidaturas na memória do eleitor.

Renan Santos aparece com 2%, após recuar um ponto. Ronaldo Caiado também registra 2%, mantendo-se estável, e Romeu Zema chega a 2%, um ponto acima da rodada anterior. Outros candidatos, somados, recebem 4% das citações.

Brancos, nulos ou eleitores que espontaneamente dizem não escolher nenhum candidato representam 6%. O percentual de entrevistados que ainda não sabem ou não responderam é de 15%, dois pontos abaixo da rodada anterior.

Lula demonstra estabilidade

A nova rodada indica sobretudo estabilidade do presidente na corrida eleitoral. Lula mantém exatamente os mesmos percentuais tanto na pesquisa estimulada, com 41%, quanto na espontânea, com 38%.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, registra crescimento numérico nas duas modalidades: passa de 36% para 37% na estimulada e de 29% para 31% na espontânea.

Na rodada anterior do BTG/Nexus, divulgada em 17 de agosto, Lula tinha 41% e Flávio Bolsonaro, 36%, enquanto Caiado aparecia com 5%, Renan Santos com 4% e Zema com 4%.

A sequência dos levantamentos mostra que a eleição presidencial segue estruturada em torno dos dois principais polos, mas Lula permanece à frente. A capacidade dos demais candidatos de conquistar espaço entre os eleitores será um dos fatores decisivos para determinar a dinâmica da campanha até o primeiro turno.

“Minha conversa com o Trump é muito civilizada, mas o segundo escalão toma atitudes impensáveis”, diz Lula

Ao detalhar os bastidores da recente interlocução diplomática com a Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o tom pragmático e respeitoso mantido no diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista exclusiva à Record, o mandatário brasileiro fez questão de diferenciar a postura do líder norte-americano da conduta adotada pela burocracia e pelos assessores de Washington, aos quais atribuiu decisões desproporcionais e ruídos desnecessários na relação bilateral.

O contraste entre a cúpula e a assessoria

Lula relatou ter conversado por cerca de 1 hora e 20 minutos com Donald Trump para tratar de temas cruciais da pauta econômica e geopolítica, incluindo barreiras tarifárias, minerais críticos e cooperação contra o crime organizado. Segundo o presidente brasileiro, o entendimento no nível presidencial foi produtivo e imediato, contrastando com as ações tomadas pelos escalões inferiores:

“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu às vezes tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas depois o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. E aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, nas coisas do Brasil.”

O presidente enfatizou que a soberania nacional é inegociável e rechaçou qualquer tentativa de tutela ou imposição externa.

Reação ao tarifaço e argumentos infundados

Durante a conversa com o presidente norte-americano, Lula contestou diretamente os pretextos utilizados por setores do governo dos Estados Unidos para justificar a imposição de tarifas contra as exportações brasileiras:

  • Sustentabilidade Comprovada: O mandatário apontou a redução histórica nos índices de desmatamento no Brasil, rebatendo alegações infundadas sobre a política ambiental do país.
  • Direitos Trabalhistas: Lula refutou categoricamente narrativas de que o comércio brasileiro estaria vinculado a práticas abusivas de trabalho, ressaltando sua trajetória histórica na defesa dos direitos trabalhistas.
  • Canais Diretos: Como resultado imediato da ligação com Trump, os canais de comércio exterior de ambos os governos foram acionados para uma rodada técnica de negociações, buscando reverter entraves e distorções tarifárias.

Minerais críticos: fim do modelo colonial de exportação

Além das questões tarifárias, Lula apresentou a Washington uma proposta estratégica para a exploração de terras raras e minerais críticos, estabelecendo uma clara linha vermelha: o Brasil não aceitará atuar como mero exportador de matéria-prima bruta.

“Nós entregamos um documento por escrito. Estamos dispostos a trabalhar na questão da exploração de minérios críticos e terras raras, só que desta vez a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celulares, baterias elétricas e semicondutores.”

Com essa diretriz, o presidente reiterou que a relação com os Estados Unidos deve ser orientada pelo respeito mútuo, pelo desenvolvimento industrial compartilhado e pela afirmação altiva dos interesses estratégicos do Brasil no cenário global.

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Brasil247

Ideologia da Opressão – a negação do pensamento inclusivo

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@viniciocarrilhomartinez

A ideologia tem muitos significados, e um deles se confirma como um pensamento intrusivo e inconclusivo. Como intruso, esse pensamento vem sendo depositado há séculos; ou é admitido, aceito pacificamente, como pensamento egoísta.

É um pensamento inconclusivo porque nunca se fecha em torno do que efetivamente interessa à “verdade dos fatos”; sempre girando em torno de si, consegue emitir alguma claridade, entretanto, é sempre insuficiente para iluminar os “sentidos dos fatos”.

O pensamento do oprimido[1], neste cenário, também é ideológico, ou seja, intrusivo (importado do opressor) e inconclusivo – ao menos inicialmente –, porque quase nunca põe a si no centro dos problemas que são de todos. Consegue-se compartilhar os dilemas, mas, sem se organizar e expandir os efeitos comuns à intrusão e opressão.

O pensamento do oprimido, quando se põe nesse circuito, círculo vicioso, gira em torno de si, aparece isolado ou pouco conectado aos problemas e dilemas de tantos outros indivíduos afetados pelo mesmo pensamento ideológico: intrusivo e inconclusivo.

Trata-se de um pensamento importado, porém, não é apenas isso, aleatório e externo a si, pois, é importado de quem traz a opressão. É um pensamento inconclusivo porque raramente chega à raiz dos fatos, das origens e das maquinações da opressão. É um pensamento que não se conclui, girando em círculos cada vez menores e sem que se veja qualquer ponto de partida (denúncia) ou de chegada (superação).

A descompressão, então, passa necessariamente por entendermos essa primeira dinâmica, esse primeiro elo do ciclo que leva à negação do sujeito e das condições reais da opressão. É claro que estamos tratando de um aspecto do pensamento, da subjetividade do indivíduo num estágio inicial e também inercial: o círculo de intrusões e de incompletudes e de como é recebido e reproduzido pelo oprimido. As condições materiais em que se encontra o ser oprimido, as décadas ou séculos de opressão, a materialidade de sua vida concreta, compõem a outra contraparte.

Hoje, nos deteremos a esse tipo específico de pensamento obstruído (também obliterado), circundante, aprisionado, redundante – pensamento circular, mas sem circular. Por ser intrusivo e inconclusivo, esse pensamento sinaliza o limite do ser restrito, do “ser menos do que si”. Não é que não se some, apenas que se soma numa conta que pouco sobressai ao zero.

Não é que não se sonhe, o fato é que não se sonha fora da circunscrição negadora de si. Não é que não se projete, apenas não se projeta para além do círculo vicioso em si. Não é que não se navegue, só não é navegante para além do que está ali. É um pensamento reprimido, comprimido e pouco complexo.

Também é conhecido como senso comum, uma vez que não se alcança nenhum senso que se manifeste de maneira incomum. O juízo dos fatos, da realidade, não é seu. O senso comum não vê como suas limitações não são incomuns, celulares, mas sim coletivas, difundidas entre outros seres negados pelos pensamentos intrusivos da opressão. O senso comum não se vê preso ao círculo da negação e da exclusão.

Por isso, o pensamento intrusivo é um pensamento negado – ao oprimido; também por isso, o pensamento inconclusivo é um pensamento reduzido – ao círculo do oprimido. Portanto, jamais será, dentro desse círculo de negação, um pensamento inclusivo.

O pensamento inclusivo é aquele que se desvencilhou da condição concêntrica da opressão e da negação. Por óbvio, o pensamento inclusivo é aquele capaz de incluir a quem sempre esteve excluído e, assim, se inclui no processo comum de desobstrução e descompressão. Quem inclui, por certo, já está incluído.

O pensamento inclusivo é próprio da capacidade do “ser mais”. No entanto, como vimos, não é um pensamento isolado, concêntrico, uma vez que se inclui no mesmo processo que desobstrui a exclusão dos demais. O pensamento inclusivo, por definição, é um pensamento coletivizado, expansivo, capaz de romper o círculo impostor do pensamento intrusivo.

Desse modo, o pensamento inclusivo, além de humanizador, é dotado de um saber especial, emancipador, e, assim, é conflitante ao pensamento intrusivo. É este o saber militante.

É um saber que, como outro qualquer que mereça essa denominação, sendo liberto dos limites impostores, é militante a fim de que muitos outros e outras participem de sua construção – enquanto saber que é de interesse de todos. É um saber liberto – sendo liberto da ideologia que infesta o pensamento intrusivo.

O saber militante é exportador. É o saber que se exporta para além dos casos incomuns, das condições incomuns, do senso comum, importando-se prioritariamente com o que há de comum na opressão, exclusão, negação; ocupando-se, basicamente, com os meios de desopressão, inclusão e Emancipação, este saber só pode ser militante e emancipador.

O pensamento intrusivo é simples. O pensamento inclusivo é complexo. O pensamento intrusivo é concêntrico: “não sai de si”. O pensamento inclusivo é expansivo: “faz de si o Outro”. E é daí que vem a súmula do saber militante: é um saber conclusivo acerca existência da opressão e é expansivo quanto à urgência da Emancipação.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

“Mas, você só dá aula?”: a invisibilização do trabalho docente

Por Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCAR

 Não é incomum que, ao recordar a trajetória escolar, uma pessoa mencione um professor ou uma professora que marcou sua vida, incentivando-a, acolhendo suas dificuldades ou acreditando em suas possibilidades. Essas memórias evidenciam uma dimensão importante do trabalho docente: seu caráter humano e formativo. Ao mesmo tempo, revelam que o ambiente escolar é socialmente construído, não se restringindo a uma sala de aula situada em um prédio, mas constituindo-se a partir dos sujeitos que nele estão inseridos. Por tal razão, a educação envolve relações, estruturas e sujeitos.

Se a escola é constituída por essa rede de interações, há também um trabalho que a sustenta e que ultrapassa aquilo que é imediatamente visível. A aula, embora seja uma das expressões mais evidentes do trabalho docente, constitui apenas parte de um conjunto mais amplo de atividades necessárias ao processo educativo. Planejar, estudar, elaborar materiais, corrigir atividades e avaliações, acompanhar estudantes, participar de reuniões, dialogar com as famílias e mediar conflitos são ações que integram esse trabalho, ainda que muitas vezes permaneçam fora daquilo que socialmente se reconhece como “dar aula”.

A educação não se resume à aula, tampouco sua responsabilidade pode ser atribuída exclusivamente àqueles que ensinam. Educar envolve uma rede de sujeitos, instituições e relações que ultrapassa os limites físicos da escola, aproximando-se da ideia expressa no conhecido provérbio africano: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Famílias, comunidade, Estado e demais instituições participam, ainda que de formas distintas, das condições nas quais crianças e jovens aprendem, convivem e se desenvolvem. A responsabilidade pela educação pode ser compreendida também como uma responsabilidade social, uma vez que a vida em sociedade pressupõe determinadas formas de compromisso diante do outro, especialmente em situações que envolvem proteção e garantia de direitos.

Em situações de violência ou acidentes, por exemplo, a obrigação de agir torna-se uma responsabilidade conjunta daqueles que estão presentes, exigindo a interrupção da agressão e a busca por auxílio (MARTINEZ; BATISTA, 2026)[1]. Embora a situação não se refira diretamente ao contexto educacional, essa reflexão permite deslocar a questão: se a vida em sociedade produz responsabilidades diante do outro, a formação de crianças e jovens poderia ser compreendida como uma tarefa restrita àqueles que ocupam profissionalmente o espaço escolar?

É nesse ponto que se evidencia uma das contradições centrais da educação contemporânea: sua responsabilidade é construída coletivamente, mas sua cobrança tende a ser individualizada. O professor torna-se, muitas vezes, o sujeito mais imediatamente responsabilizado pelos resultados da aprendizagem, pelo comportamento dos estudantes, pela participação das famílias e até mesmo por problemas que ultrapassam os limites de sua atuação profissional. Questões sociais, estruturais e institucionais acabam sendo deslocadas para aquele que está diante da turma, como se a sua presença em sala de aula fosse suficiente para responder pela complexidade do processo educativo.

A própria forma de distribuir responsabilidades no campo educacional revela que a educação não é uma prática neutra. Em Paulo Freire, a educação é inseparável de sua dimensão política: ensinar e aprender envolvem formas de compreender o mundo e possibilidades de intervenção sobre ele. Pensar a educação como prática política significa reconhecer que aquilo que se ensina, como se ensina, quem pode falar, quem é ouvido e quais conhecimentos são legitimados não são questões meramente técnicas, mas atravessadas por relações de poder. A escola, nesse sentido, não apenas transmite conhecimentos; também participa da produção de determinadas formas de compreender e ocupar o mundo.

Se a educação é uma prática política, ela também pode constituir-se como espaço de questionamento e transformação da realidade. Em Freire (2023, p. 42 – 43)[2], a compreensão da opressão e a busca pela libertação passam pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela, em um processo no qual os próprios sujeitos se constituem como agentes de sua transformação. Nesse sentido, a educação pode ultrapassar a reprodução de conhecimentos e formas de organização já estabelecidas, possibilitando aos sujeitos reconhecer, questionar e transformar as condições nas quais estão inseridos.

A política, compreendida como dimensão da própria condição humana, não se restringe ao domínio do “político profissional”, mas envolve o “fazer-se política” dos próprios sujeitos. A educação, enquanto prática política, pode assumir um caráter transgressor, justamente por possibilitar aos sujeitos questionar criticamente e participar de sua transformação. A educação, enquanto prática política, pode assumir um caráter transgressor, justamente por possibilitar aos sujeitos questionar criticamente e participar de sua transformação. Nesse sentido, em diálogo com a afirmação de Martinez (2026)[3], de que “a apropriação da política é a sua deturpação”, a educação pode ser compreendida, a partir de hooks (2017)[4], como espaço de participação e de transgressão.

A questão da responsabilidade na educação, portanto, não está simplesmente na existência de conflitos, dificuldades ou desorganização no interior da escola, porém, na forma desigual como as responsabilidades pelo processo educativo são distribuídas. Quando a educação é reconhecida discursivamente como responsabilidade de todos, mas seus problemas são atribuídos individualmente a professores e professoras, estudantes ou famílias, produz-se uma contradição que contribui para a invisibilização do trabalho e para a desvalorização daqueles que o realizam. Todos são chamados a falar sobre educação, mas poucos são efetivamente convocados a assumir, coletivamente, as condições necessárias para produzi-la.

[1] MARTINEZ, Vinicio Carrilho; BATISTA, Ester Dias da Silva. Educação e sociedade – sociedade, Estado e capital. Cadernos Panópsis, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.22017951. Disponível em: https://panopsis.com.br/index.php/ojs/article/view/22/23. Acesso em: 23 ago. 2026.

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 85. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3]MARTINEZ, Vinício Carrilho. O homem é o único animal social sensível à política. A Democracia, 22 ago. 2026. Disponível em: https://ademocracia.com.br/2026/08/22/o-homem-e-o-unico-animal-social-sensivel-a-politica/. Acesso em: 23 ago. 2026.

[4] HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017.

O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL SOCIAL SENSÍVEL À POLÍTICA

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Fichamento comentado

Pedagogia do Oprimido

Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar

@viniciocarrilhomartinez

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

A consciência é a consciência da consciência

Paulo Freire

O principal objetivo desse texto é visualizar algumas passagens do livro Pedagogia do Oprimido que nos enderecem à ideia da Emancipação – e não somente à Liberdade e à Autonomia. Temos duas premissas que se conectam: (i) A Autonomia é individual e a Emancipação é humana e processual; (ii) O Homem é o único animal social sensível à política. Desconsiderando-se, no fichamento, os perigos da Inteligência Artificial (IA) à condição humana, na fase final do processo de hominização o Homo Sapiens – sobretudo, no Neolítico – é a conclusão da síntese entre sociabilidade e politicidade. Nesse escopo, nossa compreensão tem por base a lógica de que se trata de Emancipação social[1], enquanto a Autonomia pode estar restrita ao âmbito individual; uma condição que visualizamos nesta outra afirmação: Autonomia sem auditoria é autocracia. Neste sentido amplo da Emancipação social, também podemos entender a afirmação de Paulo Freire de que “consciência é a consciência da consciência”. Ou seja, entre objetividades (condições materiais de vida) e subjetividades (o “ser mais”, em Paulo Freire), há Emancipação social quando se tem consciência de que “consciência é a consciência da consciência” e, assim, a práxis é efetiva. O fichamento segue uma perspectiva das Ciências Sociais e não da Pedagogia, mais especificamente de uma Sociologia Política da Educação[2].

Tese I: A Autonomia é individual e a Emancipação é humana e processual

       “Ao se instalarem na quase, senão trágica, descoberta do seu pouco saber de si, se fazem problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas respostas os levam a novas perguntas” (Freire, 2022, p. 39).

  • Comentário do professor: Trata-se da primeira consciência, do primeiro estágio, quando “acordamos” com um entendimento novo, diferente, muito mais claro, sobre nós mesmos. Assim nos colocamos problemas fundamentais: “Quem sou eu, o que estou fazendo!?”. Certamente, esse questionamento levará a outros, como: “Diante de tais fatos, o que posso fazer?”. “Fazer-se problema”, sem dúvida, é parte inaugural do “fazer-se política” – e que, resumidamente, entendemos como o Processo Civilizatório (hominização) em que o ser isolado na incompreensão de si se torna social, por força da necessidade, e em sequência se organiza para decidir. A política está presente nesses dois atos, na organização e na capacidade de decidir. O “fazer-se política” é a expressão do zoon politikón. O Homem é o único animal social sensível à política. É essa compreensão da ontologia que começa a se avolumar no indivíduo oprimido, pois, não se trata de casos isolados, mas sim do andamento da longa história de formação da Humanidade. “Fazer-se política”, então, é também ver-se como parte da história humana. Portanto, o conhecimento político é essencial ao esforço da Emancipação social (humana).

       “Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos” (Freire, 2022, p. 41).

  • Comentário do professor: Se o “ser mais” é o espectro ou conjunto social que unifica a Liberdade, a Autonomia e a Emancipação, a sua distorção é tudo o que provém do “ser menos”. Desse modo, é partindo-se do “ser menos” (a realidade em si, as coisas como são) que se vai agir em razão do “ser mais”. A negação da negação é uma afirmação (menos com menos, nos dará um ser mais).

 

      “Só o poder que nasça da debilidade dos oprimidos será suficientemente forte para libertar a ambos” (Freire, 2022, p. 41).

  • Comentário do professor: Como se mede o poder, a força, a energia social dispendida por um movimento social, radical, com profunda consciência de si, trazendo-se visibilidade, aptidão e disposição para agir? Como se mede a capacidade da transformação total quando são milhões que se põem em marcha não somente para denunciar, mas, sim, para exigir e praticar a transformação do status quo opressor? Não há outra força (reacionária) que segure a força revolucionária. Veja-se a Revolução Francesa, a Revolução Mexicana, a Revolução Russa, a Revolução Chinesa. Num sentido cultural, podemos ver a luta antirracista, antimachista, a cultura Wolke e os fluxo dos direitos civis.

 

      “Quem melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? […] Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegaram pelo acaso, mas pela práxis de sua busca: pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela” (Freire, 2022, p. 42-43).

  • Comentário do professor: A consciência não segue um receituário médico à espera de um especialista, de um “profissional da política”, a nos dizer o que devemos ou não pensar e fazer. A Política (Polis) é a própria condição humana; portanto, quem terá maior consciência – no andamento do processo de libertação e de afirmação – do que quem se vê atado/a aos grilhões da negação? É quando o “ser menos” (oprimido/a) ganha consciência e força na luta política para “ser mais” (afirmativo em sua omnilateralidade). A Política é o palco do humano-genérico e não reduto de interesses privados do “político profissional”. Aliás, a corrupção política começa na adulteração interpretativa do seu vocabulário. Quando o chamado “político profissional” toma a política para si, apropriando-se, em conclusão lógica, estará nos desapropriando da condição humana, que é o “fazer-se política”. Portanto, a apropriação da política é a sua deturpação.

 

       “Muitos dos oprimidos que, direta ou indiretamente, participaram da revolução, marcados pelos velhos mitos da estrutura anterior, pretendem fazer da revolução a sua revolução privada. Perdura neles, de certo modo, a sombra testemunhal do opressor antigo” (Freire, 2022, p. 45).

  • Comentário do professor: Muitos, movidos pelo desejo de vingança, vendetta – uma consciência incompleta, quase primitiva –, podem permanecer limitados no sentido da “ação pela ação”, sem análise ou reflexão necessária e, desse modo, os oprimidos de ontem podem se tornar os opressores de amanhã.

 

      “Um dos elementos básicos na mediação opressores-oprimidos é a prescrição. Toda prescrição é a imposição da opressão de uma consciência a outra. Daí o sentido alienador das prescrições que transformam a consciência recebedora no que viemos chamando de consciência “hospedeira” da consciência opressora. Por isso, o comportamento dos oprimidos é um comportamento prescrito. Faz-se à base de pautas estranhas a eles – as pautas dos opressores” (Freire, 2022, p. 46 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Toda organização social conhecida na história da Humanidade – e, muito provavelmente, toda formação social que ainda surgirá também – tem (teve) um tipo de dominação (controle social). a questão sempre foi sabermos de qual tipo de dominação estamos tratando, se é justa e legítima ou, ao contrário, se é opressora e abusiva. A dominação que se presta a oprimir (a prescrição da dor) nós a chamaremos, no sentido do antigo Direito Romano, de dominus. É sob o ideal da desarticulação dos efeitos do dominus, contrato de posse e propriedade de alguém (como coisa), que estamos falando da proscrição da prescrição.

 

       “Ninguém tem liberdade para ser livre; pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem” (Freire, 2022, p. 46).

  • Comentário do professor: O mesmo raciocínio se aplica ao Direito, afinal, se tivéssemos a fruição das condições essenciais à Liberdade, à Autonomia e à Emancipação, o Direito não teria que ser promulgado, declarado. Pensemos na punição a quem pratica o crime hediondo da exploração do trabalho em condições análogas à escravidão. A Constituição assim define esse crime hediondo porque isso ocorre na realidade de milhares de pessoas – ou milhões, se pensarmos a uberização do trabalho, mais amplamente, como negação dos direitos básicos ao Mundo do Trabalho. Do mesmo modo, defende-se as regras do jogo democrático porque a democracia é sempre ameaçada – e é preciso conhecer as regras para poder participar e defender o jogo e os participantes: qualquer jogo tem regras a serem seguidas. Em suma, a liberdade só se faz concreta com o “ser mais”, ninguém é liberto sendo menos.

 

      “Daí a necessidade que se impõe de superar a situação opressora. Isso implica o reconhecimento crítico, a ‘razão’ desta situação, para que, através de uma ação transformadora que incida sobre ela, se instaure uma outra, que possibilite aquela busca do ser mais” (Freire, 2022, p.46).

  • Comentário do professor: Neste momento da consciência, já amplamente política – no sentido de se buscar meios de afirmação, da tomada de decisões, enquanto encaminhamento de outra práxis (reflexão e ação) –, a crítica social se faz presente quanto ao organograma de poder prescrito para as classes sociais (“razão desta situação”) e, por meio dessa crítica que tende a ser avassaladora, a transformação social mais profunda tende a ocorrer. É oportuno destacar que consciência e práxis caminham em reto sentido, não são um duplo e, por isso, ambas devem ser radicais, indo à raiz dos fatos, dos problemas mais contundentes das “coisas como são”. A revolução é razão (consciente, engendrada, articulada) do “ser mais” – tendo-se que o “ser menos” é o indivíduo alienado (de si), oprimido, subalternizado. No Brasil, pode-se dizer que o Pensamento escravista tenha se perpetuado na opressão do povo negro, pobre e oprimido. Entendendo-se o Pensamento escravista como a somatória entre racismo e exploração do trabalho mantido em condições análogas à escravidão.

 

      “Descobrem que, não sendo livres, não chegam a ser autenticamente” (Freire, 2022, p. 47).

  • Comentário do professor: Sem a Liberdade, sem opções, meios de escolhas e de afirmação, por óbvio, não podem ser senão aquilo que os meios de exclusão/negação lhes determinaram ser. Refere-se à dialética do senhor-servo (escravo).

 

      “Sua luta se trava entre serem eles mesmos ou serem duplos” (Freire, 2022, p. 47-48).

  • Comentário do professor: Quem são eles mesmos? São oprimidos/as que descobriram o peso da opressão, da negação, das prescrições excludentes dos significados da vida sem Liberdade, Autonomia e Emancipação. Por que seriam indivíduos duplos? Porque ainda não encontram condições para serem o que o “ser mais”, colocando-se entre a sociedade organizada pelo capital, pelo poder do senhorio, das classes dominantes (o próprio não-ser), e são apenas o que “conseguem ser” diante da prescrição da negação (o “ser menos”).

 

      “Entre seguirem prescrições ou terem opções. Entre serem espectadores ou atores” (Freire, 2022, p. 48).

  • Comentário do professor: trata-se das prescrições do status quo, das imposições de senhorio, como oprimidos, sem direitos, garantias, possibilidades, opções. Diante desse quadro, ter a “consciência em si”, e que é o primeiro estágio da “lucidez” – quem se é, como se vive, o que encontra disponível para si –, é essencial para se dirigir as ações, mudar o enfoque no que se refere ao como “se vinha sendo, fazendo até então”. Portanto, é a passagem da consciência e da ação, para quem quer definir-se enquanto espectador/a (sobrevivente) ou ator social efetivo/a.

 

      “A libertação, por isso, é um parto. E um parto doloroso. O homem que nasce parto é um homem novo que só é viável na e pela superação da contradição opressores-oprimidos, que é a libertação de todos” (Freire, 2022, p.48 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: O Homem novo é praticamente um degrau afirmativo no evolutivo processo civilizatório e não se verá essa transformação de maneira passiva, contemplativa, como mera aquiescência. É necessário que se interponham e se integrem a consciência profunda e o agir radical. Esse Homem político é, quase, um Homem antropológico, uma vez que seria a primeira vez que esses seres seriam libertos, colocando-se mais próximos da condição humana. Seria o Homo sapiens liberto e politizado, visto como ser social pleno de significado. Porém, o parto dolorido virá com a ressignificação.

 

      “É preciso, enfatizemos, que se entreguem à práxis libertadora” (Freire, 2022, p.49).

  • Comentário do professor: Trata-se da força política descomprimida, da regra histórica que se viu mobilizar para a ação, desde, por exemplo, a revolta dos escravos na Roma antiga liderada por Spartacus. Diante da brutal opressão restam dois caminhos: encolher-se diminutamente enquanto ser ou organizar-se para a luta política emancipatória. Ou humanizar-se pela práxis, pela política organizada, ou se ajustar à negação, tal qual uma “abdução social”.

 

      “A solidariedade, exigindo de quem se solidariza que ‘assuma’ a situação de com quem se solidarizou, é uma atitude radical” (Freire, 2022, p.49).

  • Comentário do professor: Ninguém poderá ocupar o “lugar de fala” do oprimido/a, isso está pacificado. O que se requer, além disso, é que quem tomou (para si) consciência da negação de outrem se coloque ao seu lado como ator social que faz a política da libertação e da afirmação. Ao nos repostarmos ao lado de outrem (violentado/a na condição de “ser mais”), agindo em sua função, na descompressão de outrem, nos colocamos no “lugar do Outro”, isto é, vemos a Humanidade, por meio da Alteridade. E isto é profundamente radical, revolucionário, pois, em outro exemplo, “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”.

 

Tese II: O Homem é o único animal social sensível à política

 

      “Roubados na sua palavra, por isto no seu trabalho comprado, que significa a sua pessoa vendida” (Freire, 2022, p.50).

  • Comentário do professor: Fazer a si, enquanto se pratica o fazimento de outrem. “Fazer-se política”, fazer-se na/pela política, fazer-se humano enquanto se faz política; fazer a si, humanizar-se, enquanto se faz a política; fazer-se enquanto se faz. Fazer a si, enquanto se é atuante no cenário político em que o Outro também é feito. Por isso, A Emancipação é inerente à condição humana, assim como é resultante do “fazer-se política”, no bojo do milenar e contínuo processo de hominização, e não sendo pacífico é resultado de forças contraditórias, opostas, excludentes. A questão é: A consciência possível em determinada época, em um contexto delimitado, será determinante ao “ser mais” ou ao “ser menos”? A resposta a essa questão é o resultado final da luta política.

 

      “Da mesma forma como é em uma situação concreta – a da opressão – que se instaura a contradição opressor-oprimidos, a superação desta contradição só se pode verificar objetivamente também” (Freire, 2022, p.50).

  • Comentário do professor: É uma constatação histórica. Nunca houve uma transformação societal aguda sem que as condições, os meios, as contradições sistêmicas não fossem convulsionadas na sua infraestrutura: historicamente, implica em dizer que a revolução deve se opor às condições materiais de vida em que os meios de produção e de opressão se mantiveram até então.

 

      “Não se pode pensar em objetividade sem subjetividade. Não há uma sem a outra, que não podem ser dicotomizadas” (Freire, 2022, p.50).

  • Comentário do professor: Por uma constatação lógica, óbvia, se as condições materiais de opressão, os grilhões, já não existem ou estão sendo convulsionados pela imposição de forças decisivas da libertação, isso implica em dizer que está em curso um processo de autoafirmação: objetividade e subjetividade.

 

      “A realidade social, objetiva, que não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, também não se transforma por acaso. Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na ‘inversão da práxis’, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens” (Freire, 2022, p.51).

  • Comentário do professor: A tarefa histórica é a da libertação do jugo opressor, é a tarefa histórica de homens e mulheres que se querem como seres livres e, sendo livres, não veem os demais de modo não-livre. Novamente, impõe-se a regra de ouro do “fazer-se política”, pois, em se fazendo, se faz à imagem do Outro. A realidade não é imaginária, é objetiva, e ainda que possa ser ilusória.

 

      “A práxis, porém, é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo” (Freire, 2022, p.52).

  • Comentário do professor: Não haveria melhor definição do que é “fazer-se política”: a força da práxis, da revolução que transforma o/a oprimido/a no Outro (afirmado em si, com a força da Alteridade).

 

      “Desta forma, esta superação exige a inserção crítica dos oprimidos na realidade opressora, com que, objetivando-a, simultaneamente atuam sobre ela. Por isto, inserção e ação já são a mesma coisa” (Freire, 2022, p.53).

  • Comentário do professor: Trata-se da inserção consciente na mesma realidade que, até pouco tempo, era desconhecida; trata-se de voltar para agir, exigindo-se que se supere a fase da denúncia: é ação não apenas convincente (que convence da lisura), mas, além disso, é ação que impõe reconhecimento. É o momento do “concreto-pensado”.

 

      “Quanto mais as massas populares desvelam a realidade objetiva e desafiadora sobre a qual elas devem incidir sua ação transformadora, tanto mais se ‘inserem’ nela criticamente” (Freire, 2022, p.54).

  • Comentário do professor: É o famoso “conhecer para mudar”, é o momento do encontro profícuo entre reflexão e ação, do conhecimento à práxis, da investigação à reinvenção. É a fase em que o “saber militante” se instaura com acurácia, a par da “rigorosidade metódica”. Neste caso, é a ação, a práxis, advinda do método do Materialismo Histórico-dialético (não ortodoxo).

 

      “De qualquer forma, o dever que Lukács reconhece ao partido revolucionário de ‘explicar às massas a sua ação’ coincide com a exigência que fazemos da inserção crítica das massas na sua realidade através da práxis, pelo fato de nenhuma realidade se transformar a si mesma. A pedagogia do oprimido que, no fundo, é a pedagogia dos homens empenhando-se na luta por sua libertação, tem suas raízes aí” (Freire, 2022, p.55).

  • Comentário do professor: A questão passa por definir o que é, e qual é a função da vanguarda, da direção: o movimento social de libertação atua em compasso com o partido revolucionário, nem à frente e nem muito atrás. Atua em conformidade, em que as “massas” não estejam massificadas, distantes, das lideranças e nem se sobrepondo às mesmas lideranças.

 

      “Os oprimidos hão de ser o exemplo para si mesmos, na luta por sua redenção” (Freire, 2022, p.56).

  • Comentário do professor: Quem poderá descrever melhor quem é oprimido/a e o que é a opressão? Guardadas as proporções das naturezas e dos significados específicos, trata-se de constar o óbvio, uma vez que ninguém dirá melhor o que é uma situação de racismo do que quem a sofreu, tanto quanto o PCD poderá lhe dizer com propriedade o que é a acessibilidade ou a sua restrição, negação.

 

      “No primeiro momento, por meio da mudança da percepção do mundo opressor por parte dos oprimidos; no segundo, pela expulsão dos mitos criados e desenvolvidos na estrutura opressora e que se preservam como espectros míticos, na estrutura nova que surge da transformação revolucionária” (Freire, 2022, p.57).

  • Comentário do professor: Diria que são três momentos e não apenas dois: o primeiro quando se percebe parte da realidade opressora; o segundo quando se consegue vislumbrar uma realidade de coisas não opressivas; o terceiro quando se denuncia a primeira realidade e se age para a consecução da segunda. Isso também é se afastar dos mitos: por exemplo, o Mito da cordialidade, o Mito da democracia racial (miscigenação pacífica).

 

      “Os opressores, violentando e proibindo que os outros sejam, não podem igualmente ser; os oprimidos, lutando por ser, ao retirar-lhes o poder de oprimir e de esmagar, lhes restauram a humanidade que haviam perdido no uso da opressão” (Freire, 2022, p.59).

  • Comentário do professor: Novamente, está atuando a dialética senhor-servo (escravo), uma vez que ninguém é por inteiro se depende a sua vida da ação de outrem. O senhor opressivo, neste sentido, depende muito mais do servo (escravo) do que o contrário. Na verdade, sem o senhor opressivo o servo não é mais servo, é liberto. Porém, o senhor deixa de viver enquanto tal, porque depende totalmente da servidão de outras pessoas. Sem a opressão, opressores e oprimidos deixam de ser o que são, e passam a ser o que devem ser: homens e mulheres livres.

 

      “Os oprimidos de ontem, que detêm os antigos opressores na sua ânsia de oprimir, estarão gerando, com seu ato, liberdade, na medida em que, com ele, evitam a volta do regime opressor. Um ato que proíbe a restauração deste regime não pode ser comparado com o que o cria e o mantém; não pode ser comparado com aquele através do qual alguns homens negam às maiorias o direito de ser” (Freire, 2022, p.60).

  • Comentário do professor: Historicamente, as ações por libertação foram violentas: o opressor não deixa de sê-lo (enquanto classe dominante) por vontade própria. A libertação do jugo é uma conquista da luta política, da ação humana construtora do “ser mais”. E, tal qual a mudança subjetiva de cada um(a), essa mudança objetiva, revolucionária, terá de se impor aos opressores. É a negação da negação e isso não se viu, historicamente, por meio de resultado pacífico. É a ação violenta da Libertação, Emancipação, dirigida contra as ações violentas da opressão.

 

      “É que, para eles, pessoa humana são apenas eles. Os outros, estes são ‘coisas’ […] Daí que tendam a transformar tudo o que os cerca em objetos de seu domínio. A terra, os bens, a produção, a criação dos homens, os homens mesmos, o tempo em que estão os homens, tudo se reduz a objeto de seu comando […] Daí a sua concepção estritamente materialista da existência. O dinheiro é a medida de todas as coisas. E o lucro, seu objetivo principal” […] Por isso tudo é que a humanização é uma “coisa” que possuem como direito exclusivo, como atributo herdado. A humanização é apenas sua. A dos outros, dos seus contrários, se apresenta como subversão” (Freire, 2022, p.62-63 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: É a descrição da própria prescrição, em que o dominus prescreve quem é e quem não é, impondo-se o pior resultado possível do processo de coisificação.

 

      “Se a humanização dos oprimidos é subversão, sua liberdade também o é” (Freire, 2022, p.64).

  • Comentário do professor: A lógica, como cursor consequencial, nos impõe uma sequência inevitável: a Liberdade se fará Autonomia na práxis e esta será materializada na Emancipação (global, sistêmica, completa, omnilateral). Num pensamento extremo, a Emancipação somente será completa quando se alcançar todo o humano-genérico.

 

      “…visão necrófila do mundo. Por isso é que o seu amor é um amor às avessas – um amor à morte e não à vida […] Os oprimidos, como objetos, como quase ‘coisas’, não têm finalidades. As suas, são as finalidades que lhes prescrevem os opressores” (Freire, 2022, p.64 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Como a desumanização não é unilateral, o dinheiro acaba por tomar o lugar de todas as coisas, colocando-se como a medida entre as pessoas. Esta é a linha de frente da objetificação.

 

      “Os que passam têm de assumir uma forma nova de estar sendo; já não podem atuar como atuavam; já não podem permanecer como estavam sendo” (Freire, 2022, p.66-67).

  • Comentário do professor: “Os que passam” a linha contingenciada da consciência insegura, limitada, reduzida, a uma faixa de consciência ampliada pelos reais problemas da Humanidade, é lógico, não serão mais os mesmos e nem seus pensamentos e ações serão como eram, antes disso. Ninguém será o mesmo que era, se já viu (viveu) diferente.

 

      “…ninguém se liberta sozinho…” (Freire, 2022, p.74 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Trata-se da luta política, em que a Emancipação não será construída por uma única pessoa, menos ainda por quem foi alforriado e logo se tornou amigo próximo do escravizador.

 

      “A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo” (Freire, 2022, p.93 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Além de ser um processo, portanto inconcluso, a humanização – só possível com a libertação, autoafirmação – é coincidente com a Emancipação. Não só libertação do jugo, mas construção constante da humanização, porquanto seja processo consequente da afirmação da Emancipação.

 

      “…a consciência é consciência de consciência…” (Freire, 2022, p.94 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Essa é uma das afirmações mais enigmáticas que podemos depreender do texto. Como tal, não é facilmente apreendida. Por um lado, não é difícil apelarmos para a ideia de que nem sempre – ou mais raramente – temos consciência sobre nossos atos, interesses, motivações. Com isso, também não é difícil remontar às memórias pessoais a fim de encontrarmos ações, decisões, que não foram devidamente ponderadas. De certa forma, portanto, o Princípio da Racionalidade está presente nessa argumentação – “a consciência é a consciência da consciência –, porque nos remete ao constructo da racionalidade como processo humano-genérico.

 

      “Como situação gnosiológica, em que o objeto cognoscível, em lugar de ser o término do ato cognoscente de um sujeito, é o mediatizador de sujeitos cognoscentes, educador, de um lado, educandos de outro, a educação problematizadora coloca, desde logo, a exigência da superação da contradição educador-educados. Sem esta, não é possível a relação dialógica, indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do mesmo objeto cognoscível” (Freire, 2022, p.94-95).

  • Comentário do professor: Além de se inserir a dialogicidade como eixo do processo dialético, afirma-se a superação da dicotomia, contradição, apontada pela educação bancária – e pelo Positivismo – em que sujeito e objeto são apartados entre si, diante da mesma realidade que lhes dá forma. Pois, na realidade processual, sujeito cognoscente (mais consciente de si e do entorno) e objeto cognoscível – a ser desvendado, como elo com o sujeito que lhe conhece – pertencem ao mesmo plano, ao mesmo contexto. Ninguém, nada, nesse processo de afirmação do conhecimento – e da consciência – está pairando nas nuvens ou é soterrado demais no mundo concreto.

 

      “Nenhuma ‘ordem’ opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: ‘Por quê?” (Freire, 2022, p.106).

  • Comentário do professor: “O por que?” nos traz diretamente ao porquê da situação e nos leva a questionar se não haveria um porque diferente.

 

      “No processo revolucionário, a liderança não pode ser ‘bancária’, para depois deixar de sê-lo” (Freire, 2022, p. 106).

  • Comentário do professor: O processo precisa ser coerente, do começo ao fim. Se é certo que, na revolução, alguns têm de ser convencidos de sua necessidade, legitimidade – “forçar à liberdade”, como se dizia –, a política do fazer-se liberto tem que vir da práxis e não de algum receituário. A revolução social não segue cartilhas.

 

      “Os temas, em verdade, existem nos homens, em suas relações com o mundo, referidos a fatos concretos” (Freire, 2022, p. 137).

  • Comentário do professor: É bastante comum, ao menos nas Ciências Sociais não reféns do Positivismo (separação entre sujeito e objeto), a ideia de que “a pergunta traz a resposta”. Isso implica em dizer que estamos sempre imersos na realidade que nos provoca com temas e dificuldades.

 

      “Não posso investigar o pensar dos outros, referido ao mundo, se não penso. Mas, não penso autenticamente se os outros também não pensam. Simplesmente, não posso pensar pelos outros nem para os outros, nem sem os outros. A investigação do pensar do povo não pode ser feita sem o povo, mas com ele, como sujeito do seu pensar” (Freire, 2022, p. 140-141).

  • Comentário do professor: Inclusive, ou especialmente, para que as vanguardas não tenham descolamento de retina, a ponto de não mais enxergarem a cultura, o povo, a própria realidade que os dá métrica e forma. Por outro lado, é obrigatório, essencial, saber que o “pensar o povo, com o povo e para o povo” – Como diria Cícero – traz a certeza gnosiológica de que o senso comum precisa ser ultrapassado, a fim de se reconstruir como Bom Senso.

 

      “Mas, se os homens são seres do quefazer é exatamente porque seu fazer é ação e reflexão. É práxis. É transformação do mundo” (Freire, 2022, p. 167).

  • Comentário do professor: O que é o quefazer? É práxis, ação transformadora radical. É ação (consciente, fértil) e reflexão (rigorosamente metódica: sem espaços para o espontaneísmo ou o sectarismo).

 

      “O que fazer é teoria e prática” (Freire, 2022, p. 168 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: É a própria síntese da ideia de Práxis, a articulação, o vínculo inquebrável entre teoria e prática.

 

      “O que não se pode realizar, na práxis revolucionária, é a divisão absurda entre a práxis da liderança e a das massas oprimidas, de forma que a destas fosse a de apenas seguir as determinações da liderança” (Freire, 2022, p. 169).

  • Comentário do professor: Se as massas oprimidas são apenas lideradas na sua libertação, sem Autonomia, sem que sejam participantes ativas, o próprio processo de afirmação perde o seu sentido. É preciso que da consciência da opressão, por parte de quem é oprimido/a, advenha a ação política organizada para a afirmação: Emancipação.

 

      “Estamos convencidos de que o diálogo com as massas populares é uma exigência radical de toda revolução autêntica. Ela é revolução por isto” (Freire, 2022, p. 172).

  • Comentário do professor: Ninguém será mais revolucionário/a, exigente transformador da realidade opressiva, do que o/a oprimido/a. Por isso, no diálogo sobre as condições de opressão, a revolução será autêntica. Pelo viés da epistemologia política, a consciência social se fará ação política.

 

      “Se, na educação como situação gnosiológica[3], o ato cognoscente do sujeito educador (também educando) sobre o objeto cognoscível não morre, ou nele se esgota, porque, dialogicamente, se estende a outros sujeitos cognoscentes, de tal maneira que o objeto cognoscível se faz mediador da cognoscibilidade dos dois, na teoria da ação revolucionária se dá o mesmo” (Freire, 2022, p. 173).

  • Comentário do professor: Observa-se a superação imperiosa do senso comum, em transformação na forma do Bom Senso. O efeito extrator da lucidez processual faz convergirem objeto e sujeito: o objeto entendido, apreendido, e a ser transformado sucessivamente. De tal forma que, na ação revolucionária se transformem tanto o objeto (a realidade) quanto o sujeito da ação. Percebe-se que o Positivismo não é o método analítico adequando, porquanto se apartam sujeito e objeto.

 

      “É que a liderança não pode pensar sem as massas, nem para elas, mas com elas” (Freire, 2022, p. 176).

  • Comentário do professor: A melhor liderança do amanhã (visionários, utópicos no melhor sentido) é aquela que surgirá das massas, as lideranças da libertação que sabem perfeitamente o que é a opressão, por terem sido, precisamente, os oprimidos e oprimidas de ontem.

 

      “A revolução se gera nela como ser social e, por isto, na medida em que é ação cultural, não pode deixar de corresponder às potencialidades do ser social em que se gera” (Freire, 2022, p.183).

  • Comentário do professor: A ação consciente, política – diretiva, organizada – é ação cultural, sob o escopo de que a mudança radical impõe a ultrapassagem das condições de negação/opressão e, no seu revés, são construídas as bases de uma “cultura libertária”, verdadeiramente humanista.

 

      “É que todo ser se desenvolve (ou se transforma) dentro de si mesmo, no jogo de suas contradições” (Freire, 2022, p. 183 – grifo nosso).

  • Comentário do professor: Somos seres sociais incompletos, em contínuo aprendizado e transformação, quer seja de nós mesmos, quer seja do ambiente e do entorno. É em torno do Outro que cada um/a faz o melhor de si. A transformação é de dentro para fora, de baixo para cima.

[1] Estágios muito avançados da consciência, neste sentido, nós veríamos em ações como Médicos Sem Fronteira, Cruz Vermelha, Greenpeace e outros.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[3] Como teoria do conhecimento de forma irrestrita – no sentido de Educação Permanente –, a gnosiologia não se limita ao conhecimento científico (epistemologia). É a parte ativa (consciente) do que conhecer-se, para, então, reconhecer o próprio conhecimento.

Negacionismo: O cabresto que impede a visão de uma educação de qualidade e a emancipação do indivíduo

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Jonathan Martins da Silva – Licenciando em Matemática/UFSCAR

 

O presente trabalho parte da sistematização de reflexões produzidas a partir de uma atividade avaliativa, dissertativa, proposta a estudantes de graduação do curso de Matemática, elaborada com base nos conteúdos, debates e discussões desenvolvidos ao longo das aulas. A atividade teve como questão norteadora a seguinte questão: “Como a licenciatura pode corroborar com a luta política contra os processos de negação da Educação, sobretudo, se pensarmos nos ataques à ciência, à epistemologia, à cultura e ao conhecimento, além da precarização do trabalho e da uberização? Pensemos que o ideário da Educação é a constituição de sujeitos, especialmente quando se dirige à autonomia em busca da emancipação”.

A partir dessa questão, este texto toma uma das produções discentes como objeto de reflexão, buscando-se compreender os sentidos mobilizados pelo estudante em relação à temática abordada na avaliação. Nesse sentido, a produção apresentada a seguir constitui o material a partir do qual são desenvolvidas as reflexões propostas neste texto.

As redes sociais corroboram com o negacionismo criando uma bolha social para o indivíduo, a sensação de pertencimento numa certa bolha específica acarreta na disseminação de informações falsas, e essa sensação também pode levar ao idolatrismo quase religioso em figuras políticas, que usam o “conservadorismo” como máscara, pregando os “bons costumes”, costumes esses que muitas vezes tratam com desdém o rigor científico, alimentados por um algoritmo vicioso e altamente prejudicial, filtrando seu conteúdo apenas para causar conforto e cria um “cabresto” social para a verdade, onde a verdade só é verdade se me conforta. O indivíduo se isolando dessa forma nessa “armadura social tecnológica” se priva, mesmo sem saber, da sua habilidade de interpretação crítica do mundo.

Esse desfalque de indivíduos verdadeiramente “formados” para a sociedade se dá pela precarização da educação, como o exemplo de ensino do estado de São Paulo, governado pelo Tarcísio de Freitas. O novo ensino médio que o governo, na tentativa de “inovar”, usa de vários meios digitais como slides na educação – e que até podem ser um meio de democratização da informação –, no entanto, falha em encontrar fontes confiáveis, e cria um convívio de ensino vazio, onde o professor passa o conteúdo de uma forma passiva, onde não há diálogo, apenas um método “decoreba”, semelhante à educação bancária de acordo com Paulo Freire. Isso distancia-se de uma educação verdadeira onde há rigor científico, metódico, a valorização do diálogo, acessibilidade, autocrítica e coerência entre discurso e ação, e que permita uma educação de qualidade com compromisso ativo em busca da emancipação dos estudantes.

Sem essa educação, o indivíduo de classe subalterna tende à incompreensão da uberização e acaba encontrando esperanças falsas de ser um rompimento do status, que na “pejotização”, por exemplo, põe o indivíduo completamente à mercê de uma Big Tech, onde quase não há negociação, tendo-se assim um desmonte dos direitos trabalhistas. Se entregando à “inovação”, se tornando um trabalho vivo com uma ligação precária e vertical com a Big Tech, sem direitos trabalhistas, uma vítima da própria “autonomia informal”, acaba por crer que o “servilismo voluntário” é um direito da empresa, onde muitas vezes nem se sabe que ele mesmo é o produto, e que plataformas digitais são “de graça”.

A licenciatura praticada com embasamento e ideias freireanas, como a educação omnilateral, torna-se uma boa prática para combater essa precarização da educação, pautando o diálogo, o rigor científico, a acessibilidade, o embasamento humano e científico, a autocrítica e a coerência entre discurso e ação. Com esses conceitos podemos praticar a verdadeira escola, onde o indivíduo encontra ali um espaço real de formação e de colaboração como o rompimento do status quo e assim negando-se à alienação.

Desse modo, pode-se concluir que o governo e o Estado, como entidades fortes, devem garantir a cooperação em prol de uma educação omnilateral com a transposição didática e uma educação de qualidade para todos, com comprometimento total à emancipação do indivíduo e à práxis nessa era de “fetiche tecnológico“.

 

 

 

 

 

Educação sem indulgência

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@viniciocarrilhomartinez

Na premissa da indignação de sua pedagogia, Paulo Freire já nos incita a mover todas as cordas e condições de nossa intuição para pensarmos uma educação sem indulgências. Sem indulgência diante de escolas cívico-militares, educação financeira (para jovens pobres), ensino religioso (no Estado Laico) e as plataformas de educação que ou eliminam docentes ou os escravizam.

Assim, novamente, nos ensina:

… a capacidade crítica, jamais “sonolenta” sempre desperta à inteligência do novo […] Não haveria cultura nem história sem inovação, sem criatividade, sem curiosidade, sem liberdade sendo exercida ou sem liberdade pela qual, sendo negada, se luta […] O que quero dizer é que, como ser humano, não devo nem posso abdicar da possibilidade que veio sendo construída, social e historicamente, em nossa experiência existencial de, intervindo no mundo, inteligi-lo e, em consequência, comunicar o inteligido. A inteligência do mundo, tão apreendida quanto produzida e a comunicação do inteligido são tarefas de sujeito, em cujo processo ele precisa e deve tornar-se cada vez mais crítico. Cada vez mais atento à rigorosidade metódica de sua curiosidade, na sua aproximação ao objeto (Freire, 2000, p. 30-31).

Vemos Paulo Freire recupera a noção elementar de que não há Ciência, conhecimento, sem crítica, pois, sem a capacidade crítica só se verifica um eterno copiar e colar. Assim, a crítica necessária, apontada para a movediça realidade, se constrói, afirma-se com a capacidade humana resiliente na sua condição curiosa e criativa. O ser humano é tanto o ser social mais adaptável, a ponto de se tornar o zoon politikón, quanto é o mais criativo – em que pese os gatos sejam extremamente curiosos.

O que no diferencia neste sentido da curiosidade é a obrigatória direção imposta pela rigorosidade metódica, ou seja, há que haver um suporte, uma concepção forte, mesmo que inicialmente, a fim de nos guiar nesta aventura – trata-se da teoria elaborada, da massa crítica também construída pela experiência e que se manifesta na clara Intuição: o Bom Senso vai assim se fortificando como filosofia da vida prática. Essa Intuição, aqui destacada, também é método: entre a liberdade, a consciência atribuída à vivência, a observação meridiana da realidade, a visão de mundo herdada e reformulada.

Igualdade e desigualdade

Uma das construções que deram base a esses pressupostos – além da isonomia, equidade, isegoria – é a distinção entre igualdade e desigualdade. O século XX viu essa discussão florescer, especialmente no pós-Segunda Grande Guerra, com a Europa devastada e a implementação do Plano Marshal de recuperação econômica – o que criaria o conhecido Welfare State.

A partir de então os princípios constitucionais foram sendo modificados, passando-se a incorporar por exemplo uma série de políticas públicas: a própria ideia de política pública deriva da Revolução Francesa, quando se criou o desenho universal da escola pública e do livro didático; porém, em meados do século XX, o significado ganhou muita amplitude.

O sentido de Constituição Social também precede, a contarmos os marcos da Constituição Mexicana, oriunda de um intenso processo de revolução e transformação social; mas, somente após a Constituição de Bom, na Alemanha de 1949, e de outras, é que o ritual da igualdade passaria a se destacar. No sentido mais específico, apontamos esse dado inclusive como desconstrução da xenofobia e punição dos crimes nazistas: a supremacia branca não mais poderia ser autorizada pela cultura e pelo próprio Estado.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 1948, seria o insumo da Constituição alemã de 1949 e do ideário global. Neste caso, atentamos para a salvaguarda de terem alistado a Democracia como um Direito Humano – artigo 21 da DUDH[1]. Agora, como igualdade, certamente que o sentido base remonta ao Iluminismo, uma vez que a pedra angular fora inscrita na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França) de 1789. Se pensarmos em termos de reciprocidade, o alcance é milenar, com destaque para o Código de Hamurabi.

A título de exemplo nacional que performa todo esse inventário da igualdade, como construção de um pensamento racional, temos o artigo 206 da CF88 – sobre igualdade e educação: “Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. Por sua vez, esse artigo se destaca, assim como a Saúde Pública (SUS – artigos 196 a 200 da CF88), pois não se anuncia apenas o direito, a possibilidade, a entrada no sistema, mas, acima de tudo, conta-nos a história de como as políticas públicas se convertem em Políticas de Estado.

Por seu turno, a desigualdade também não tem nenhuma novidade, a não ser que apontemos a extrema concentração de renda, a destruição das garantias institucionais do Mundo do Trabalho – como ocorre na uberização, pejotização – e, mesmo assim, ainda deveríamos observar os tempos sombrios da grande depressão econômica de 1929.

Na definição bastante primária da IA, a desigualdade é assim recortada:

  • A desigualdade social é a diferença no acesso a recursos, renda e direitos entre pessoas de uma mesma sociedade. Os principais tipos são a desigualdade econômica, a racial e a de gênero. Ela é medida por ferramentas como o Índice de Gini do IBGE e afeta a qualidade de vida dos grupos mais pobres e vulneráveis (Fonte: Gemini – 04/08/2026).

Não muito distante dessa concepção, ainda que em sentido oposto e afirmativo, vemos o dicionário especializado:

Por igualdade social entende-se a ideia de que as pessoas devem ser tratadas como iguais em todas as esferas institucionais[2] que afetam suas oportunidades de vida: na educação, no trabalho, nas oportunidades de consumo, no acesso aos serviços sociais, nas relações domésticas e assim por diante. Mas que significa ser tratado com igualdade? Falando de maneira ampla, houve duas respostas a essa pergunta altamente controvertida, que podemos rotular, respectivamente, de igualdade de oportunidades e igualdade de resultados (Outhwaite & Bottomore, 1996, p. 373).

 

De imediato, vê-se que as classes sociais fundamentais em antagonismo, uma luta política ferrenha pela emancipação e afirmação de uns (Proletariado) e controle social e hegemonia societal de outros (Burguesia em todas as suas intercorrências, subclasses ou frações de classe), estão fora da análise. O conceito se concentra na ideia de distribuição de renda, essencial, por óbvio, todavia, não adentra à essência da problemática.

Como afirmam Marx e Engels, no Manifesto:

A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito (Marx & Engels, 2010, p. 40 – grifo nosso).

O Manifesto foi escrito em 1848, período em que a França passava por convulsões – indo parar na Comuna de Paris, de 1871 – e novas classes sociais (Burguesia e Proletariado) se pronunciariam, afirmariam, como classes sociais hegemônicas (opostas e contrárias), agora no período pós-Revolução Industrial, estritamente a partir de 1850. O Brasil convivia com a escravidão e mal se animava a sair do sistema de plantation.

Na citação do manifesto, há inicialmente dois aspectos a serem grifados. O primeiro condiz com a visualização da luta de classes sociais: “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes”. A referência à luta de classes antecede a Vico, mas é com Marx e Engels que se afirmara enquanto base conceitual e referência instrumental de análise das sociedades modernas. O segundo ponto destaca as principais classes sociais até então conhecidas: “Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos”. E a oposição contraditória, insolúvel, entre elas.

Esta é uma leitura histórica e, então, a Burguesia e o Proletariado – na formação social capitalista do século XIX – estavam apenas se alinhando no jogo de poder. É apenas uma curiosidade, entretanto, vemos que Marx e Engels indicam a presença das classes sociais mesmo sob a égide do escravismo e do feudalismo – quiçá no mundo do Estado Antigo (“opressores e oprimidos”[3]). Depois, no bojo da 2ª Grande Guerra, Gramsci (2000) construiria o significado amplo de subalternidade[4].

Com o capitalismo em curso, a partir do século XIX, a desigualdade estrutural do sistema produtivo se imporia – contraditoriamente, antagonicamente – ao mesmo ideário de racionalização do Princípio da Igualdade, lastreado no Iluminismo e afirmado desde a Revolução Francesa. Portanto, esta poderia ser uma das conclusões iniciais dessa nossa breve apresentação conceitual.

Apêndice A

Num mapa conceitual muito básico do Manifesto, teríamos a seguinte demonstração.

Manifesto do Partido Comunista

(Marx & Engels)

“De cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo suas necessidades”

“De cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo seu trabalho”

– É uma afirmação ética, na transição socialista, que Marx chamava de primeira fase do comunismo, no qual ainda rege o direito burguês e a meritocracia em transição.

 “De cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo suas necessidades”

(no comunismo avançado)

– Olhando o futuro: prospecção

Referências

OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

DELROIO, Marcos. Gramsci e a emancipação do subalterno. S. Paulo: Editora da Unesp, 2018, p. 241-256.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Org. Carlos Nelson Coutinho). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

MARX, Karl; ENGELS, F. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010

 

[1] Artigo 21

  1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
    2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
    3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

[2] Neste sentido muito específico da “igualdade institucional” ressaltamos a afirmação do Princípio do não-retrocesso social/moral.

[3] Não será sem esse vínculo que Paulo Freire teria no Pedagogia do Oprimido seu principal escrito. Vem, obviamente, daqui sua inspiração: “Toda prescrição é a imposição da opção de uma consciência a outra […] Por isto, o comportamento dos oprimidos é um comportamento prescrito” (Freire, 1985, p. 34-35 – grifo nosso).

[4] (…) a emancipação do subalterno supõe que a unificação passe também pela emancipação cultural, pela percepção de que o econômico e o político (e o filosófico) são expressões de uma mesma realidade em movimento: a emancipação do subalterno passa pela construção de um novo bloco histórico, uma nova forma de hegemonia e, como constitutivo desse processo, de uma reforma moral e intelectual (uma revolução cultural gerada na autoeducação das massas). Eis a razão da grande importância do estudo do folclore, da religiosidade, do senso comum, das formas de organização das classes subalternas. É o socrático “Conhece-te a ti mesmo” como condição da transformação (Del Roio, 2018, p. 182).

”VOCÊ SÓ DÁ AULA?” Licenciatura para que?

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Vinicio Carrilho Martinez – Bacharel em Ciências Sociais e Professor titular da
UFSCAR
Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia e mestranda pelo
PPGCTS/UFSCAR

O texto a seguir não foi confeccionado por especialistas. É uma
provocação no melhor sentido, uma vez que recupera e procura relacionar
conhecimentos mais técnicos, teóricos, com experimentações de vida pessoal
ou profissional. Também ganha destaque a sua feitura de forma livre, não-
individual e sem instrumentalização. Com esse intuito, listamos algumas
questões iniciais relacionadas à formação em Licenciatura e algumas
reflexões que já iniciamos, além de outras 40 perguntas que se
complementam.

Vejamos algumas:
● O que é Licenciatura?
É claro que se trata de uma questão complexa e, por isso
mesmo, deve ser o ponto de partida na reflexão de quem se
abriga nessa conjuntura. De todo modo, a reflexão deve estar
além das formalidades ou tecnicalidades.
● Qualquer pessoa pode cursar Licenciatura?
Se cumpridas as condições formais, sim. Contudo, qualquer
pessoa pode exercer a medicina, praticar o Direito ou a
engenharia, como profissionais? Todo mundo se dá bem criando
gatos ou cachorros?
O que podemos esperar é que cada ator social, profissional da
Educação ou em formação, formule suas reflexões, reflita sobre o nosso
arrazoado e faça da sua práxis um campo de luta política ainda mais eficaz.

1. As ementas das disciplinas são revistas ou, pelo menos, atualizadas na
sala, no início do semestre?
– A realidade, os contextos, a carga de trabalho docente e as condições em
que ocorrem são muito distintas, desiguais, pelo país afora – especialmente
para docentes que são horistas em instituições de ensino privadas, sem
estabilidade alguma. Portanto, não se pode exigir e nem esperar que se
responda positivamente. Porém, nas instituições públicas esse seria o
desejado. Neste sentido, listamos em rodapé uma reflexão que fizemos no
início de 2026 1 .

2. Qual é a principal função discente, na construção das práticas e saberes
técnicos e teóricos envolvidos na formação em Licenciatura?
– A principal função discente, pensamos, é aquilo que se pode denominar
como “estar atento e disponível”. Se buscarmos nos meios digitais,
provavelmente encontraremos como resposta mais recorrente a ideia de
“participar ativamente”. Entretanto, compreende-se a participação como uma
ação que pressupõe outra anterior: estar atento e disponível para aquilo que
está sendo trabalhado. Antes de participar, formular questionamentos ou
realizar intervenções, o indivíduo, enquanto estudante, precisa estar
disponível para que o conhecimento seja percebido, elaborado e incorporado
à sua experiência. A mobilização desses aprendizados, seja em uma
avaliação ou na vivência efetiva das práticas, constitui um momento ainda
posterior. São dimensões que nem sempre acontecem simultaneamente:
atenção/disponibilidade → participação/ação → mobilização dos
conhecimentos → aprendizagem. A função discente nessa perspectiva não se
resume à participação, mas envolve também a disposição para estar
presente, escutar, observar, elaborar e, posteriormente, mobilizar aquilo que
foi construído ao longo do processo formativo.

3. Qual é a principal função docente, na construção das práticas e saberes
técnicos e teóricos envolvidos na formação em Licenciatura?

– De modo direto, prático, inclusive noticiando tratativas pessoais, é possível
recortar em dois planos que se complementam: levar adiante a seriedade com
que se deve tratar o conhecimento (político, científico, social, ético) e as
experiências pessoais docentes e discentes. O objetivo, por óbvio, é fazer
todas as experiências intelectuais, funcionais, pessoais, ultrapassarem a
barreira do “experimentado senso comum”.

4. Pensando-se em “boas práticas“, como deve ser a relação entre
docentes e discentes?
– Não há espaço para preconceito, discriminação, soberba, ego frustrado,
Bullying. Isso já sabemos, ainda que na vida prática a falta de Educação, de
respeito (inclinando-se muitas vezes para formas de violência), não sejam
ocasionais ou exceções. Precisamos estar vigilantes quanto às macro e
microagressões 2 .

5. Qual é o conhecimento científico, teórico, educacional, ético, filosófico
que o discente almeja ao cursar as disciplinas de Licenciatura?
– Essencialmente, não sabe se grande parte dos estudantes que estão na
Licenciatura sabe porque está ali, especialmente nas Ciências da Natureza.
Pode-se ver diferenças na nota de corte entre Licenciatura e Bacharelado em
Ciências Biológicas, e muitos acabavam ingressando na Licenciatura sem
necessariamente desejarem a docência, mas sim porque “foi o que deu”. Isso
se reflete no envolvimento com as disciplinas educacionais e com projetos
como o PIBID, que muitas vezes enfrentavam dificuldade para encontrar
participantes justamente por envolverem a sala de aula. Assim, acaba-se
construindo um conhecimento científico bastante significativo, especialmente
por meio dos laboratórios e das iniciações científicas, enquanto os aspectos
educacionais, filosóficos e pedagógicos podem permanecer em segundo
plano.

6. Pensando-se em liberdade, autonomia, Emancipação, o que a
Licenciatura deveria oferecer em termos gerais e específicos?
– Esse questionamento jamais terá respostas objetivas, conclusivas, uma vez
que nos remete ao âmago da Educação. Num aspecto mais político e jurídico,
pouco explorado, temos uma contribuição não recente sobre alguns pontos, como se vê no rodapé 3 . No entanto, é preciso destacar que esse sempre foi o
maior esforço de Paulo Freire 4 , o nosso Patrono da Educação, em toda a sua
vida.

7. Docentes sem formação em pedagogia e nem licenciados, apenas
bacharéis, não deveriam receber instruções gerais das instituições?
Quais, por exemplo?
– Muitos docentes não tem a formação pedagógica necessária, tendo cursado
somente o Bacharelado. Esse não é um impeditivo, se o/a docente bacharel
se dispõe a se qualificar minimamente para atividades de ensino. De modo
prático, é muito inusual que alguma instituição de ensino, pública ou privada,
tenha demonstrado interesse em levar reflexões, diretrizes, estímulos às/aos
docentes bacharéis. São tão raros os casos que merecem destaque positivo.

8. O que podemos entender como “boas práticas“ no âmbito da Educação
e da Licenciatura, especificamente?
– Dada a diversidade cultural, social, econômica do país, entre suas próprias
regiões, é absolutamente natural que as respostas, ponderações, sejam muito
diversas. No nosso caso, movidos por uma necessidade de urgência, em
determinado momento, organizamos um pensamento básico que se encontra
no rodapé 5 .

9. Seria possível priorizar entre conhecimento científico, técnico, prático e
ético?
– Não é possível estabelecermos um corte ou recorte desse modo. O que os
nossos tempos hiper conectados, digitalizados, imediatistas nos oferecem,
por seu lado, é uma formação cada vez mais rápida, pragmática,
mercadológica, de resultados. O que desejamos, por nosso turno, é uma
formação que sempre pactue com a práxis, entre reflexão e ação, teoria e
prática, de forma criativa, investigativa, crítica.

10. O que podemos entender por Ética na formação em Licenciatura?
– Sempre é viável, desejável ou obrigatório, recorrermos um pouco aos
clássicos. Neste caso, tomemos de empréstimo que Ética provém de ethos,
do grego antigo, e nos é traduzido por Costumes. Entendendo-se como práticas sociais reiteradas, socialmente construídas, podemos associar com o princípio sociológico da Interação Social e, assim, chegaríamos a um sentido
generalista de algumas condições para a incidência e o aprofundamento de
um mínimo de sociabilidade, convivência e ajuda mútua.

11. Mais claramente, do seu ponto de vista, as disciplinas relacionam
Política e Educação?
– De modo geral, as disciplinas relacionam Política e Educação, mesmo que
de forma implícita. A disciplina de Metodologia para o Ensino de Biologia, por
exemplo, embora não tenha “política” em seu nome, atravessa questões
relacionadas às práticas e metodologias de ensino, bem como às ações
políticas que cercam a estrutura educacional. Uma instituição de ensino não
se constitui apenas por docentes e estudantes, mas também por estruturas
sociais e políticas, tornando esses aspectos indissociáveis. A própria práxis
em Paulo Freire (ação + reflexão) pode remeter a isso, a reflexão produzida
em sala de aula precisa também encontrar possibilidades de ação, inclusive
por meio das políticas públicas.

12. Como podemos definir, inicialmente, o que seria o conteúdo político da
Educação?
– Toda ação humana, por definição aristotélica – feita à base da Condição
Humana – é política, carregada de intencionalidades, propósitos e
proposições políticas. A política é aqui entendida enquanto ação formativa da
nossa espécie, pois somos os únicos animais sociais que se afirmam por
meio do “fazer-se política”: zoon politikón. A Educação, portanto, seja
libertária ou bancária, terá os mesmos registros políticos, porque toda ação
humana é política. Resta-nos saber onde estamos e para onde queremos ir.
Como ensinou Paulo Freire: “É esse o momento também em que o educador
progressista percebe que a claridade política é indispensável, necessária,
mas não suficiente, como também percebe que a competência científica é
necessária, mas igualmente não suficiente“ 6 .

13. Como podem ser descritos, mesmo que genericamente, os principais
pontos de contato entre Educação e Sociedade?

– A primeira noção a se retirar daqui é: de qual sociedade estamos tratando,
qual é a sua forma básica, quais as forças sociais e os agentes, instituições,
constructos sociais e institucionais em vigência e de maior incidência social e
política? A partir daí veremos o papel esperado e desempenhado pela
Educação no escopo da sociedade em questão. Temos um mapa, um tanto
mais complexo do que esse texto, que nos remete a questões gerais e mais
específicas 7 .

14. Há alguma disciplina que procure promover uma reflexão atual e
aprofundada acerca da Filosofia e da Sociologia, no século XXI?
– Disciplinas como Educação e Sociedade têm ou devem ter esse objetivo;
porém, é preciso destacar que nada substituirá as tradicionais (pela força dos
clássicos) Sociologia Geral e Sociologia da Educação.

15. Quais as características mais evidentes que a Licenciatura deveria
demonstrar, na formação de jovens do século XXI?
– É igualmente impossível restringir ou listar o que interessaria ou deveria
interessar, sobremaneira. Do ponto de vista sociológico, as relações postas
pelo Capitalismo digital e pela inesgotável uberização social, por certo,
ganham relevo 8 .

16. O que é Política, o que é Educação?
– Não é plausível buscarmos respostas prontas, simples. Nem a Política
(prática política na Pólis) e nem a Educação são traduzíveis de imediato,
contudo, podemos sugerir referências que buscam facilitar a compreensão
popular como associar a Política ao poder, à governança, à negociação, à
direção 9 . Da mesma forma, quantas perspectivas podem ser apontadas ou
destacadas acerca da Educação? Não há listagens, mas há remédios, guias,
nortes 10 .

17. O que é Sociedade?
– É adequado pensarmos em termos de um conjunto social complexo,
orgânico, mais ou menos organizado, em constante transformação, maior ou
menor mutação, considerando-se a forma política determinante, a cultura
prevalecente. É possível dizer-se que as sociedades modernas são contraditórias, industriais ou pós-industriais, em que se praticam formas de
exploração, expropriação capitalista mais ou menos acentuada. Neste sentido
geral e inicial é correto pensarmos que a Sociedade é composta por
comunidades, estratos, grupos, camadas e classes sociais. Para quem teve
apenas pouco contato com esse tipo de reflexão, o auxílio de um dicionário
especializado é sempre proveitoso 11 .

18. O quanto e de que modo a formação de cada pessoa envolvida nos
processos de formação em Licenciatura deve se apresentar na sala de
aula?
– Essa sempre será uma questão central, porém, nunca esperemos por
respostas ou soluções mágicas e definitivas, assim como nós estamos em
constante processo de ensino-aprendizagem. Dito isso, devemos ter clareza
meridiana que se ficarmos narrando somente nossas experiências o curso
mais se assemelharia a uma “roda de conversa”, com História de Vida (aliás,
trata-se de um método e não é exatamente sinônimo de Memorial). Não é
isso que se espera, diante de todo o conteúdo mínimo que a formação exige.
Outro ponto essencial a se indicar aqui é a obrigatória – como objetivo central
– ultrapassagem do senso comum.

19. Em tempos de total digitalização, como é que podemos, devemos pensar
o princípio da honestidade intelectual?
– Não se resume à discussão da inclusão, usos e abusos, da Inteligência
Artificial (IA) no ambiente escolar; entretanto, é certo que atualmente se usa
de modo errado, sem nenhuma consideração com a chamada honestidade
intelectual e, por derivação, assim também caminham os princípios
republicanos (da coisa pública). Não só no Brasil, mas aqui, sobretudo, em
razão de nossa formação social.

20. O projeto da Licenciatura, em si, está ajustado com as necessidades,
objetividades, subjetividades postas no século XXI?
– Questões pungentes como aquecimento global, mudanças profundas no
Mundo do Trabalho – uberização, pejotização – e nas formas acirradas da
exploração social, da força de trabalho, certamente, tem grande inflexão na
vida de todos. Salvo poucas exceções, que apenas confirmam a regra geral, não há refúgio ou formas de vida social que estejam imunes a esses
processos.

21. Os discentes são convocados para participar dos processos
institucionais que envolvem a reformulação dos cursos e da
Licenciatura?
– As estruturas burocráticas da atualidade são cada vez mais
horizontalizadas, fechadas em torno de grupos de poder – com interesses
específicos – e seguem refratárias a proposições que não sejam
mecanizadas, memorizadas desde sempre por quem cria e dita normas e
padrões. A universidade pública, ainda em 2026, tem enorme dificuldade em
lidar efetivamente com a acessibilidade, inclusão e permanência. A paridade
da universidade segue sendo um tabu, em sequência ao movimento que
redimensionou a burocracia de um meio, a um fim em si mesma.

22. Os discentes compreendem a amplitude de não participar ou participar
de forma incoerente nos processos que tratam da reformulação dos
cursos de Licenciatura?
– Possivelmente não. Assim como grande parte das pessoas não compreende
a relevância da participação política, a participação nos processos
acadêmicos também parece ser, para muitos estudantes, um grande
nevoeiro. A academia muitas vezes se apresenta como um sistema deslocado
da realidade dos estudantes e, por isso, a não participação ou a participação
incoerente nos processos decisórios acaba sendo pouco compreendida.
Quando um estudante não participa das decisões internas do seu curso, mas
posteriormente reclama da falta de recursos para determinado laboratório ou
da ausência de incentivos a uma pesquisa, também demonstra
desconhecimento sobre os próprios processos institucionais. Os centros
acadêmicos evidenciam essa contradição: há mobilização enquanto ela não
exige participação efetiva e contínua. Há um certo nível de incoerência entre
cobranças e ações com relação à participação dentro da universidade.

23. Há uma clareza sobre a condição profissional de quem faz Licenciatura?
– Ainda podemos constatar duas percepções bastante (de)marcadas sobre o
profissional da Licenciatura. De um lado, está a figura do “coitado” que ingressa em um sistema educacional considerado colapsado e sem futuro.
Muitas experiências em sala de aula só podem ser descritas preconceituosas,
referindo-se a “pibidianos/as”, (participantes do projeto PIBID), quando era
comum ouvir frases como “passou na federal, pena que escolheu ser
professora” ou “tem certeza que vai conseguir trabalhar nesse caos até se
aposentar?”. Por outro lado, quando observamos a relação com os
estudantes, especialmente no ensino fundamental, a professora muitas vezes
é colocada no lugar de “mãe” ou “tia”, associada a papéis de cuidado e
carinho. Assim, somos desvalorizadas pelo aspecto profissional e, ao mesmo
tempo, reduzidas pelo aspecto pedagógico a papéis que não correspondem à
complexidade da atuação docente.

24. Os espaços destinados à Licenciatura e ao Bacharelado são os
mesmos? Poderiam ou deveriam ser diferentes, apropriados a cada
formação específica?
– Sem contar a exigência, por exemplo, de laboratórios específicos, se são
construções teóricas distintas, então, conclusivamente, Bacharelado e
Licenciatura podem compartilhar alguns momentos, mas é claro que exigem
espaços especializados.

25. Como podemos formar licenciandos/as que sejam mais engajados/as
nas práticas pedagógicas?
– Inicialmente, seria importante compreender porque a Licenciatura ainda é
vista como demérito em muitos contextos, seja pela deterioração do sistema
de ensino, seja pela falta de reconhecimento social da Educação como
elemento fundamental para o desenvolvimento do país. O engajamento nas
práticas pedagógicas, nesse caso, precisa ser construído desde o ingresso na
universidade, por meio de projetos e oportunidades que aproximem os
estudantes da área. Em cursos como Biologia, por exemplo, a área
laboratorial costuma receber maior procura e reconhecimento, inclusive pelas
oportunidades de iniciação científica, enquanto iniciativas voltadas à
docência, como o PIBID, nem sempre possuem as mesmas condições de
financiamento. Há, portanto, um duplo movimento: os estudantes são pouco
incentivados a se aproximar da área pedagógica e, simultaneamente, ela
ainda é historicamente menos valorizada no campo acadêmico.

26. A Licenciatura pode ser obrigatória em determinados cursos ou sempre
deveria ser optativa?
– Essa também será uma questão em aberto, muitas vezes a depender dos
grupos de poder envolvidos e do corpo gestor em ação – quer sejam
instituições públicas, quer sejam privadas – ou a depender das necessidades
trazidas pelo mercado de trabalho. O ideal, por outro lado, estaria na oferta
das duas modalidades e que fossem de livre escolha discente 12 .

27. A Licenciatura deveria ser oferecida no final da formação, no início, ou
isso não importa?
– Quem já teve a experiência do acesso à Licenciatura ocorrer no início ou no
final do ciclo de formação discente, como profissionais da Educação, muito
provavelmente dirá que o impacto é muito diferente, a depender de onde seja
ofertado. Na fase final da formação discente é correto esperar por uma
maturidade maior, com experiências agregadas e que contribuam para um
melhor posicionamento no decorrer da fase final de formação em
Licenciatura.

28. Em tempos de Fake News e negacionismo, há discussões, debates,
aulas sobre Educação em Ciências?
– Atualmente é difícil afirmar, mas, no pós-pandemia, em grande parte das
disciplinas educacionais e pedagógicas, as discussões sobre negacionismo e
Fake News apareciam como um nevoeiro passageiro dentro de algumas
temáticas, mas não como questões efetivamente desenvolvidas. Em uma aula
sobre vacinas, por exemplo, o negacionismo aparecia associado ao
movimento antivacina ou, historicamente, à Revolta da Vacina, mas
geralmente como consequência ou contexto, e não como objeto de discussão.
Pouco se discutia sobre os processos de construção e propagação das Fake
News, suas razões de permanência e suas dimensões sociais e políticas. Ou
seja, o tema aparece, porém, raramente ocupa um lugar central na formação
em Educação em Ciências.

29. Os cursos de Licenciatura na área de ciência da natureza são vistos com
o mesmo status dos cursos de Bacharelado?

– Vindo de um curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e tendo convivido
com ambos os cursos por quatro anos, pode-se dizer que não. As diferenças
entre Licenciatura e Bacharelado não estão apenas na grade curricular, como
também nas condições de formação. Enquanto a Licenciatura frequentemente
apresenta uma carga horária extensa, que dificulta a participação em
laboratórios, a produção científica, publicações e atividades extracurriculares,
essas mesmas experiências são cobradas como diferenciais importantes para
a formação. Há, portanto, uma contradição entre aquilo que é exigido e as
condições oferecidas para que os estudantes possam realizar essas
atividades. Essa diferença também aparece na valorização das próprias
experiências formativas. No PIBID, por exemplo, não é incomum ouvir que a
experiência “não chegava aos pés” de uma iniciação científica. Isso evidencia
uma problemática mais ampla: a prática docente ainda é menos valorizada
dentro da própria universidade. O “só dar aula” permanece como um rastro
dessa desvalorização, embora se tenha algo que a docência não faz, é “só
dar aula”.

30. Por que, via de regra, as mulheres se dirigem mais à formação em
Licenciatura, do que os homens?
– Porque, simplificadamente, essa prática social reflete a formação social do
patriarcado: no limite está a ideia de que a criação dos filhos é tarefa
doméstica (Oikós) e cabe às mulheres a sua execução. Obviamente, trata-se
de um recorte machista, pois, as tarefas externas, políticas (Pólis) caberiam
aos homens.

31. A formação em Licenciatura é valorizada da mesma forma que a
formação em Bacharelado?
– Definitivamente não possuem o mesmo status. A desvalorização da
Educação claramente desemboca na formação em Licenciatura. Sem
contabilizarmos a inclinação do Bacharelado para atividades profissionais
“mais rentáveis”, além da ocorrência do machismo na esteira da herança
sistêmica do patriarcado, é preciso vermos a crescente automação,
digitalização dos processos educacionais. Portanto, é incrível pensarmos que
D. Pedro II teve mais clareza do que a maioria dos governantes, quanto ao
papel da Educação e da Ciência.

32. A formação oferecida nos cursos de Licenciatura em Ciências da
Natureza prepara os estudantes para lidar com os desafios concretos da
prática docente?
– No momento atual, talvez nem mesmo parte dos docentes universitários
conheça suficientemente as problemáticas e os desafios concretos da prática
docente na Educação básica. Não se diz como uma crítica individual aos
docentes, mas como reflexo de uma formação acadêmica que, muitas vezes,
leva diretamente da graduação ao mestrado, doutorado e à universidade, sem
uma experiência efetiva na escola pública. Isso pode produzir tanto
preconceitos sobre a realidade escolar quanto dificuldades para compreender
a complexidade de uma escola e de uma turma da Educação básica. Há um
certo deslocamento entre universidade pública e escola pública. Nesse
sentido, os estágios obrigatórios acabam sendo tão formativos quanto às
disciplinas teóricas. São desafios que, muitas vezes, nem mesmo os
estudantes, estando inseridos nas escolas, imaginam que poderiam existir.

33. Há uma preocupação, maior atenção, com os clássicos na atualidade, ou
somente se apresentam como realidades e tempos desconexos?
– Certamente, temos de refletir seriamente se os chamados clássicos ainda
são revisitados. Normalmente escritos, formulados em outras épocas, em
tudo díspares da modernidade atual, e em atendimento ao pensamento que
tudo deve ser facilitado, não é incomum que surjam formulações modistas,
passageiras, simplificadoras, porque não nos exigem maiores reflexões. É o
equivalente a perguntarmos se todo mundo lê ou já leu Machado de Assis.

34. Pensar algumas questões gerais relativas à Licenciatura é equivalente à
reflexão sobre a função social de professoras e de professores no
Brasil?
– Não há dúvidas quanto a essa questão: a resposta é sim. Levando-se em
séria consideração as condições ofertadas para a efetivação da formação em
Licenciatura. Além disso, deve estar no nosso horizonte de eventos as
condições de trabalho, o esforço docente, as garantias e os direitos dos
profissionais em Educação, a luta política em torno do campo da Educação.

35. O que, efetivamente, o país, as políticas públicas, os governos, os
poderes constituídos, devem ofertar para uma mudança significativa na
Educação e na formação em Licenciatura?
– Em decorrência da questão anterior, a resposta a esse questionamento
advém da visão de mundo que tenhamos. De modo direto e simplificado,
podemos pensar que a Educação Pública deve ser gratuita, de qualidade,
laica, republicana, emancipadora, em período integral, com vistas a aproximar
o Homo sapiens do Homo faber.

36. Por que a ideia de apenas “dar aula” ainda é uma expressão recorrente,
inclusive dentro da própria academia?
– Também em decorrência da questão anterior, a pergunta já traduz o que a
cultura nacional pensa sobre a Educação. A pergunta associa a Educação a
práticas de hobby, complemento de salários, vaidade intelectual. Se a
Educação fosse levada a sério no país, pelos governantes de forma geral,
esse tipo de pergunta sequer seria feita.

37. O que o país, historicamente, reserva (reservou) para os professores e
professoras?
– Como dizia o antropólogo e senador da República, Darcy Ribeiro: “a crise da
Educação não é uma crise, é um projeto”. O projeto de país herdado da
formação colonial, patriarcal, coronelista, senhorial e elitista, tem na Educação
um projeto de dominação que passa a milhares de quilômetros de distância
da Emancipação social.

38. A Licenciatura permite refletir de modo aprofundado a Educação como
luta política no bojo da luta de classes?
– A primeira questão que devemos ter em mente seria assim: todo mundo
sabe o que é luta de classes? Estamos aptos a ensinar o que é luta de
classes e a função motriz dos meios de produção na relação entre a luta de
classes? Quanto a vivenciarmos, cotidianamente, as forças e as implicações
derivadas da luta de classes, nisso não há dúvida.

39. Inspirando-se em Morin 13 e Paulo Freire, quais seriam os 10 saberes
necessários (obrigatórios) ao futuro?

– É muito difícil limitar a um número mágico, tantas são as necessidades,
entretanto, por outro lado, não é fácil escolher a primeira sugestão. Como
temáticas gerais, poderíamos pensar num alinhamento claro, estruturado,
entre a Educação e o Pensamento científico: teórico, técnico, ético, político,
emancipador. De modo elementar listaríamos disciplinas como Sociologia,
Filosofia, História, Geografia, Matemática, língua portuguesa, Ciências e
Biologia. E de forma mais diretiva podemos limitar a algumas entradas,
especialmente se tratarmos da escola pública em tempo integral, como:
Educação ambiental, Educação digital, Educação constitucional.

40. A Licenciatura no século XXI tem lugar para “tia ou professora“?
– O Paulo Freire referido na bibliografia, em rodapé 14 , não deixa dúvidas para
essa pergunta?– O Paulo Freire referido na bibliografia, em rodapé[14], não deixa dúvidas para essa pergunta?

[1] Acesso em 11/08/2026: https://ademocracia.com.br/2026/03/21/educacao-e-sociedade/.

[2] Acesso em 15/08/2026: https://diplomatique.org.br/as-microagressoes-chegam-as-universidades-brasileiras/.

[3] Acesso em 11/08/2026: https://jus.com.br/artigos/73306/dicionario-politico-juridico-da-educacao-publica.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

[5] Acesso em 11/08/2026: https://jus.com.br/pareceres/70016/orientacoes-e-boas-praticas-contra-a-censura-previa-em-sala-de-aula.

[6] FREIRE, Paulo. Política e Educação. São Paulo: Cortez, 1993, p. 54.

[7] Acesso em 11/08/2026: https://www.rehcol.com/index.php/rehcol/article/view/82.

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação crítica à uberização*: – A era do capitalismo digital e uberização social. São Carlos: KDP (https://a.co/d/0cV60SjP), 2026.

[9] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Manual de autoajuda política*: ou como ajudar você mesmo (a) na arena. Campina Grande: EDUEPB, 2022.

[10] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[11] OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

[12] – Ester: Complementando, acredito que a oferta aberta das duas modalidades fosse o ideal, dando a oportunidade de escolha, como ocorre na UFSCar. Mas me lembro de algo que ouvi de um colega de profissão antes mesmo de entrar na universidade, enquanto ainda estava em dúvida sobre qual área seguiria, Licenciatura ou Bacharelado. Em uma conversa, ele disse: “Ambos são essenciais, mas a Licenciatura tem algo a mais, ela pode formar seres humanos.” Ao final de quatro anos de curso, consegui entender o que ele quis dizer. Não se trata de melhor ou pior, mas de como a Licenciatura nos leva aos extremos: nos leva a disciplinas das 08h00 às 23h00, mas também a escolas e salas de aula em que a preocupação nem sempre era se o estudante havia feito a tarefa do dia anterior, mas o suspiro de alívio ao abraçá-lo e sentir o cheiro de amaciante em sua blusa, o que significava que ele havia conseguido tomar banho e trocar a roupa por uma limpa. Não é apenas formar profissionais; a Licenciatura também forma humanos.

[13] A título de exemplificação, indicamos uma produção de 2026, nascida das necessidades e do aprofundamento de experiências em sala de aula: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin*: São Carlos: Amazon, 2026.

[14] FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. Olho d’Água, 1997.

Petróleo na Foz do Amazonas pode reposicionar Brasil entre potências do setor

A Petrobras anunciou em 14 de agosto de 2026 que encontrou petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira. A descoberta, na bacia da Foz do Amazonas, abre uma etapa de avaliação para verificar o tamanho, a qualidade e a viabilidade econômica das reservas.

O poço fica a 175 quilômetros da costa de Oiapoque, no Amapá, e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A estatal detém 100% de participação no bloco, adquirido sob o regime de concessão, e mantém as operações de perfuração para avançar na avaliação exploratória.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a descoberta pode “reposicionar o Brasil na geopolítica global”. Ele atribuiu o resultado ao trabalho do governo em defesa da soberania energética e disse que a região pode atrair centenas de bilhões de reais em investimentos, empregos e renda, caso seu potencial se confirme.

Para David Zylbersztajn, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a incidência de óleo é uma grande notícia mesmo sem estimativa da reserva. Ele lembrou em entrevista ao Estadão que a Exxon perfurou 64 poços na porção da Margem Equatorial situada na Guiana antes de encontrar petróleo.

Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia. Foto: reprodução

Especialistas pedem cautela sobre o volume da reserva

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, disse ao Estadão que ainda não há números da Petrobras que permitam classificar a descoberta como relevante. Para ele, o anúncio evidencia a importância de o Ibama agilizar a análise de licenças ambientais para a atividade na região.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás afirmou que a confirmação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas reforça as perspectivas de produção de petróleo e gás em outras áreas do país. A entidade avaliou que uma nova fronteira no extremo Norte pode fortalecer a segurança energética brasileira no médio e no longo prazo.

Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, afirmou que o resultado reduz o risco geológico da Margem Equatorial. “Se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, aí sim podemos estar diante de uma nova fronteira capaz de ter importância estratégica para a Petrobras na próxima década”, disse.

O gestor Hugo Queiroz, da Soho Capital, estimou que a primeira produção levaria ao menos de seis a oito anos. Na avaliação dele, a área pode ajudar a Petrobras a recompor reservas e ampliar sua produção futura, enquanto a companhia poderia vender ativos em águas rasas para concentrar recursos na nova fronteira exploratória.

DCM

‘Volto do futuro e digo que é possível’, diz coordenadora de projetos do Brasil de Fato após visita à China

Modernidade com tradição, economia de mercado com planejamento estatal, investimento em educação e tecnologia. São vários os aspectos destacados pelos jornalistas entrevistados pela TV 247, que participaram do “Workshop de Mídias do Sul Global”, com uma viagem promovida pelo governo chinês para comunicadores e veículos de comunicação da América Latina.

“Chegar em um país como a China foi realmente muito impressionante e muito emocionante de ver que é possível, né? Eu volto do futuro e digo: ‘É possível’”, disse a coordenadora de projetos do Brasil de Fato, Caroline Apple, no programa Estação Sábia, comandado pela jornalista Regina Zappa.

“A viagem abriu realmente um universo novo de percepção política, cultural e de narrativas de bem-estar, de organização social. Eles não falam em cópia do modelo, mas nos inspiram a buscar os nossos caminhos. Eles já se molharam e cederam o guarda-chuva para que outros não se molhassem.”

Nesse sentido, o editor do site Outras Palavras, Antonio Martins, que esteve na China pela segunda vez, analisa o modelo chinês como um sistema híbrido. “Eu não chamaria o sistema nem de capitalismo, nem de capitalismo de Estado. É, na verdade, um sistema híbrido, no qual, num certo sentido, vigora a lei do capital, com a grande maioria de empresas privadas, onde estão 80% dos trabalhadores. No entanto, essas empresas estão submetidas a um planejamento central, com uma coordenação. O que ela vai produzir, o tom geral que ela vai seguir, um plano que depois se descentraliza.”

Ao comparar com o sistema soviético, Martins lembra a análise do economista Ladislau Dowbor, que entende o sistema anterior como um outro tipo de alienação. “Mas, no estágio em que a gente está, dizem eles [os chineses], é preciso deixar as pessoas tomarem iniciativa. É, é preciso deixar as pessoas aprenderem por conta própria a imaginar o que elas vão produzir e como elas vão ter uma renda.”

Antonio lembra também que, apesar de ter um ou outro banco privado, o sistema financeiro todo está subordinado ao Banco do Povo da China, o banco central do país. “Há um sistema bancário cuja essência é pública. Não tem rentismo na China. Não tem um trilhão de dólares como aqui no Brasil, que é riqueza social desperdiçada e capturada por uma classe parasitária.”

Os jornalistas estiveram em várias regiões, inclusive no Tibete, onde tiveram oportunidade de conhecer as mudanças ocorridas em uma das regiões mais pobres do continente, que, até 1949, vivia sob um regime feudal. Entre os projetos visitados está uma indústria para processamento de carne produzida por pastores, pequenos produtores, que podem comercializar e assim ganhar para além da criação para subsistência.

Martins destaca ainda a forma como a China tem lidado com a questão da inteligência artificial, com a mobilização do governo tanto no incentivo às startups e mobilização das universidades, não só para a utilização da tecnologia, mas para se preparar para o impacto sobre o trabalho.

A jornalista Dhayane Santos, da TV 247, conta que 35 universidades já estão pensando a inteligência artificial, mostrando o papel que investimento público tem como indutor do desenvolvimento. Santos considera que essas ações estão ligadas ao modo como a sociedade chinesa pensa o conhecimento. “Eles não têm uma atitude arrogante como gente tipo: ‘Olha como a gente é bom; olha aqui, a gente consegue fazer’. Não, a atitude era: ‘Como vocês podem contribuir para a gente melhorar ainda mais isso’”.

Com um trabalho de pesquisa sobre manifestações de espiritualidade em povos tradicionais, Apple destaca a profundidade da prática no Tibete. “A gente tem no Brasil essa miscelânea de religiões, de filosofias. Entre elas, estão muito presentes no caminho universalista as linhas do Oriente, como o budismo. Só que, por meio das lentes ocidentais, a gente peca muito aqui ao falar no orientalismo, porque pega aquilo e transforma em algo divinal, algo para fora da realidade material. E não é. A questão do budismo tibetano é intrinsecamente conectada com a política e com o bem-estar.”

Luciana Oliveira explica por que a cúpula de IA em Xangai foi histórica

Luciana Oliveira, na ChinaCorrespondente da TV 247 destaca que encontro liderado por Xi Jinping marcou o nascimento de uma nova governança global para a inteligência artificial, com participação do BRICS e adesão inicial de 29 países

A correspondente da TV 247 na China, Luciana Oliveira, afirmou que a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC 2026), realizada em Xangai, representa um marco histórico para a governança da inteligência artificial. Em análise publicada pela emissora, a jornalista destacou que o evento consolidou a liderança chinesa na formulação das regras que deverão orientar o desenvolvimento da tecnologia nas próximas décadas.

Segundo Luciana, a importância da conferência vai muito além da apresentação de novos sistemas de IA. O encontro simboliza a construção de uma nova arquitetura internacional para regulamentar a tecnologia, tendo como eixo central a cooperação entre países, a ética no uso da inteligência artificial e a proteção da soberania nacional diante do avanço das grandes plataformas tecnológicas.

Xi Jinping lidera novo movimento internacional

Na análise exibida pela TV 247, Luciana Oliveira explica que o presidente chinês Xi Jinping está conduzindo um amplo movimento de cooperação internacional para estabelecer padrões globais de regulamentação da inteligência artificial.

Segundo a jornalista, a proposta chinesa busca criar regras comuns sobre o desenvolvimento, o uso ético e o compartilhamento de sistemas de IA, oferecendo uma alternativa a modelos que concentram tecnologia e poder em poucas empresas ou países.

Até o momento, 29 países aderiram ao acordo internacional de governança da inteligência artificial apresentado durante a conferência, número que evidencia o crescente apoio à proposta liderada por Pequim.

Com informações do Brasil de Fato e Brasil 247

“Vaza daqui”: o que PMs disseram ao motorista de Haddad durante abordagem

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) relatou que seu motorista foi seguido por uma viatura da Polícia Militar depois de deixá-lo em casa, na noite da última terça (11). O petista disse que o acompanhamento ocorreu por muito tempo e de forma “ostensiva e intimidadora”.

O advogado Hélio Silveira afirmou que o motorista percebeu a aproximação da viatura na Avenida 23 de Maio, ligação entre a zona sul e a região central da capital. Ao se aproximarem do carro, os policiais apagaram as luzes, segundo o relato apresentado pela equipe de Haddad.

Por segurança, o motorista decidiu entrar em um hotel, onde havia câmeras de vigilância. Silveira contou que ele saiu do local para questionar os agentes sobre o que havia ocorrido, mas não recebeu resposta amistosa: “Vaza daqui”.

O motorista voltou ao hotel, esperou a saída da viatura e acionou a equipe de campanha. Haddad afirmou que o episódio durou cerca de 40 minutos e deixou o trabalhador abalado, pois havia três fuzis dentro do veículo policial.

 

SSP determina identificação das equipes da PM

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) determinou que a Polícia Militar identifique as equipes que passaram pela área onde o carro de campanha foi acompanhado. A pasta abriu apuração para verificar se houve desvio de conduta.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, telefonou para Haddad e pediu informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada. A secretaria afirmou que vai apurar qualquer eventual irregularidade.

Haddad e seu advogado disseram que procurariam o governo paulista e outras autoridades para esclarecer a motivação da abordagem. O ex-ministro classificou a situação como “fora do padrão” e afirmou esperar que tenha ocorrido alguma confusão.

Câmeras de segurança registraram uma viatura da PM passando pela rua antes da chegada do carro que transportava Haddad à residência, na zona sul de São Paulo. Nas imagens, o veículo do petista estaciona diante do prédio, acompanhado por um carro preto, e o então candidato entra no imóvel.
DCM

Dino denuncia “agressões e injustiças” em meio a perseguição no Maranhão

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que sua função como magistrado o obriga a suportar “agressões e injustiças” sem responder com frequência no debate público. A manifestação no Instagram ocorre durante a repercussão de uma investigação sobre uma campanha de perseguição, monitoramento e difamação contra ele e familiares no Maranhão.

“Como já tive oportunidade de esclarecer, a minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos”, escreveu Dino. Ele disse que essa limitação inclui “assistir a distorções monumentais quanto a fatos” e acompanhar “interpretações absurdas”.

A Polícia Federal realizou uma operação contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida e o ex-deputado estadual Raimundo Cutrim, delegado federal aposentado apontado como fonte do repórter. A apuração trata de suspeitas de monitoramento de Dino e de sua família e da divulgação de informações sobre a segurança do ministro.

Luís Pablo nega ter monitorado Dino e sustenta que suas reportagens se basearam em informações recebidas de uma fonte. O jornalista também criticou a decisão que autorizou as medidas contra ele e afirmou que o caso pode afetar a liberdade de imprensa e o sigilo das fontes jornalísticas.

 

Entidades de jornalistas questionam impacto da investigação

Entidades representativas de jornalistas manifestaram preocupação com a investigação. A reação se concentrou nos possíveis efeitos das medidas sobre a atividade de reportagem e a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

Dino não mencionou diretamente Luís Pablo ou Cutrim em sua publicação. O ministro vinculou sua posição ao dever de reserva imposto a integrantes da magistratura, sem comentar os detalhes da investigação conduzida pela Polícia Federal.

Antes de ingressar no STF, Dino atuou como governador do Maranhão, senador e ministro da Justiça. Ele tomou posse na Corte em fevereiro de 2024, após indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao encerrar o texto, o ministro citou sua trajetória no serviço público: “A minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa”.

O colunista Moisés Mendes escreveu sobre o caso nesta quinta-feira (13). Leia na íntegra:

Globo e ANJ defendem informante que caçava Flávio Dino

Jornalistas são cercados, ameaçados e assediados na Justiça todos os dias por poderosos fascistas em todo o Brasil. Mas não merecem notas de apoio da Associação Nacional dos Jornais e, como aconteceu na terça-feira, do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, em defesa de um vigarista que monitorava os movimentos do ministro Flávio Dino e da família dele.

Um blogueiro e influencer, operador da extrema direita, abastecido por informações de um ex-delegado bolsonarista, para que o fascismo maranhense ficasse sabendo dos passos do ministro e até dos seus seguranças. São os dois protegidos pela entidade dos jornais e pelas corporações de mídia.

Uma gangue organizada para aterrorizar Flávio Dino alega agora quebra do sigilo da fonte, por causa de busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

O caso clássico é o de Walter Delgatti Neto, que entrou no sistema de mensagens dos lavajatistas, expôs o que acontecia em Curitiba e foi condenado. Alguém sabe se alguma vez a Globo lavajatista defendeu a proteção de Delgatti como fonte?

Mas a Globo acha que, quando é para abastecer a extrema direita, esse tipo de gente pode tudo, porque jornalista às vezes rima com vigarista.

ARSENAL

Esta é a ‘fonte’ que a Associação Nacional dos Jornais e a Globo entendem que deve ser protegida, em nome das liberdades absolutas. A notícia está agora no DCM:

A Polícia Federal apreendeu 26 armas e mais de 700 munições na casa do ex-deputado estadual e delegado federal aposentado Raimundo Cutrim, de 72 anos, durante busca autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a coluna de Carlos Madeiro no UOL. Ele entrou na investigação que apura perseguição e difamação contra o ministro Flávio Dino.

O mandado alcançou Cutrim na terça-feira (11), no inquérito sobre stalking (perseguição) contra Dino. A PF chegou ao ex-parlamentar após analisar materiais recolhidos em março com o blogueiro maranhense Luís Pablo, também investigado no caso.

(Cutrim está em prisão domiciliar por coação de testemunhas e obstrução de processo no caso do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho no Maranhão, em 2022, no Maranhão, por Gilbson Cutrim. Há suspeitas de que a perseguição a Flávio Dino tenha relação com esse homicídio, já que o ex-delegado teria tentado proteger Gilbson, que é seu parente distante. Dino está cuidando de desdobramentos desse caso no STF.)

DCM

PT contesta Flávio Bolsonaro no TSE e aponta uso ilegal de deepfake

Partido afirma que vídeo com imagem e voz de Jair Bolsonaro viola regra eleitoral, mesmo identificado como conteúdo produzido por inteligência artificial

 O PT apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma manifestação na qual sustenta que o vídeo produzido por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido pela campanha de Flávio Bolsonaro, deve ser considerado ilegal mesmo com a identificação do conteúdo como uma simulação. As informações são do g1.

Protocolado na noite de quarta-feira (12), o documento rebate o argumento da defesa do candidato da extrema direita de que a irregularidade dependeria da intenção de enganar o eleitor. Para os advogados do partido, a classificação como deepfake decorre das características técnicas do material, independentemente da finalidade atribuída à produção.

“O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake. A licitude do uso é juízo normativo externo; a natureza da coisa não muda conforme o rótulo que se lhe aponha”, afirmaram os representantes do PT.

Deepfakes são conteúdos produzidos ou manipulados digitalmente para reproduzir ou alterar a imagem e a voz de uma pessoa. No processo eleitoral, o debate envolve os limites para o emprego dessa tecnologia em materiais destinados a beneficiar ou prejudicar candidaturas.

PT cita proibição prevista em resolução eleitoral

A manifestação destaca que o TSE já regulamentou o tema por meio da Resolução nº 23.732/2024, que trata da propaganda eleitoral. A norma proíbe o emprego de conteúdo sintético em áudio, vídeo ou em uma combinação dos dois formatos para criar, substituir ou modificar a imagem ou a voz de pessoas vivas, falecidas ou fictícias com finalidade eleitoral.

Segundo a equipe jurídica do PT, a divulgação institucional realizada pelo próprio tribunal após a aprovação da resolução deixou explícito o alcance da proibição.

“A comunicação institucional do Tribunal não deixou margem a dúvida sobre o que se aprovava. A notícia oficial registrou que a candidata ou candidato que usar deepfake poderá ter o registro ou o mandato cassado”, declarou a defesa do partido.

Os advogados também argumentaram que Nunes Marques, presidente e relator do processo no TSE, preservou a redação da regra durante a elaboração das resoluções destinadas a orientar as eleições deste ano.

A petição acrescenta que o tribunal não acolheu uma proposta da Academia Brasileira de Direito Eleitoral que buscava diferenciar, de maneira mais precisa, os conceitos de deepfake e inteligência artificial generativa.

“O que o parecer pede a este Juízo por via hermenêutica é, precisamente, o que o Plenário desta Corte, em sede regulamentar própria e provocado a tanto, recusou há cinco meses”, sustentou a equipe jurídica do PT.

Ministros discutem inteligência artificial nas eleições

A contestação foi apresentada às vésperas de uma reunião interna dos ministros do TSE sobre o uso de inteligência artificial no processo eleitoral. O encontro está previsto para esta quinta-feira (13), no gabinete de Nunes Marques, depois da sessão plenária marcada para as 10h.

O debate foi impulsionado pelo vídeo exibido em 25 de julho, na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. O material recorreu à inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Do Brasil 247

Emenda de vice de Flávio Bolsonaro integra lista de repasses suspeitos enviados por Dino à Polícia Federal

7 – Uma emenda parlamentar no valor de R$ 6,2 milhões destinada pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está entre os casos suspeitos apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que agora serão investigados pela Polícia Federal. A determinação para a abertura da apuração policial foi assinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que encaminhou o relatório de auditoria à corporação para verificar indícios de crimes e possíveis danos ao erário.

A auditoria do TCU mapeou uma série de irregularidades graves na execução das chamadas “emendas Pix” no país entre 2020 e 2024, calculando um prejuízo potencial ao erário de R$ 49,1 milhões. Entre os casos de maior repercussão colocados na mira da Polícia Federal está a transferência efetuada por Alfredo Gaspar para a cidade de São José da Laje (AL), município situado a 100 quilômetros de Maceió. De acordo com os técnicos do órgão de controle, o montante enviado pelo parlamentar perdeu completamente a rastreabilidade depois de ter sido seguidamente transferido entre diferentes contas bancárias da própria administração municipal.

Além do sumiço da rota do dinheiro público nas contas municipais, a fiscalização identificou a falta do relatório de gestão no sistema Transferegov, documento exigido por lei para a prestação de contas desse modelo de transferência especial.

Quando o diagnóstico do TCU foi divulgado, o deputado Alfredo Gaspar sustentou que não figura como investigado no procedimento focado no acompanhamento dos recursos públicos no município alagoano. “As emendas parlamentares foram destinadas de forma regular ao município, conforme a legislação, cabendo exclusivamente à prefeitura a execução dos recursos e a respectiva prestação de contas”, declarou na ocasião, acrescentando que “confia no trabalho dos órgãos de controle”. A prefeitura de São José da Laje foi procurada na época, mas não apresentou resposta.

Irregularidades atingem 82% das transferências auditadas

O levantamento conduzido pelo TCU revelou um quadro amplo de opacidade e falta de controle. A auditoria identificou irregularidades em 82 das 100 transferências especiais fiscalizadas — o equivalente a 82% da amostra examinada pelo tribunal. As falhas alcançaram 61 dos 74 estados e municípios auditados (82,4%), abrangendo um total de R$ 198,1 milhões em repasses examinados pelos técnicos.

O processo no Tribunal de Contas da União é relatado pelo ministro Walton Alencar Rodrigues. No último dia 31, o documento foi entregue a Flávio Dino, relator no STF da ação que versa sobre a obrigatoriedade de transparência e rastreabilidade na aplicação das emendas parlamentares ao Orçamento da União.

Em decisão proferida nesta sexta-feira, Dino destacou que os dados levantados comprovam não apenas desvios e problemas pontuais, mas também “fragilidades estruturais” na operação do sistema. De acordo com o ministro, as descobertas do TCU atestam a persistência de um “estado de inconstitucionalidade” na gestão das emendas Pix, tornando imperativa a adoção de novas regras para ajustar o repasse de verbas individuais às exigências de transparência pública.

Em razão disso, Dino assinalou o prazo de dez dias para que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos preste esclarecimentos sobre as inconsistências operacionais indicadas. A pasta deverá informar ao STF quais medidas já foram tomadas ou quais soluções técnicas precisam ser implementadas para sanar as brechas no sistema.

Desvios envolvem fraude, superfaturamento e falhas na saúde

De acordo com o parecer técnico dos auditores, o ecossistema das transferências especiais padece de “falhas de natureza sistêmica”, traduzidas em fraca rastreabilidade, falta de transparência e episódios variados de má aplicação de recursos do Estado.

O montante acumulado de prejuízo potencial — R$ 49,1 milhões — equivale a quase 25% de todo o dinheiro auditado na amostragem. Esse valor contempla prejuízos associados à ausência de rastreamento bancário, erros na execução orçamentária e falta de cumprimento físico das obras e serviços contratados.

O relatório lista as principais irregularidades constatadas no processo de fiscalização:

  • Utilização de contas bancárias inadequadas operadas como “contas de passagem”;
  • Inexistência de prestação de contas registrada na plataforma Transferegov;
  • Pagamentos efetuados sem a devida comprovação documental de despesa;
  • Alocação de verbas em finalidades estranhas ao objeto original da emenda;
  • Indícios de fraudes em processos de licitação e contratação de empresas inidôneas;
  • Práticas de superfaturamento e abandono ou inexecução de obras e serviços públicos.

A falta de transparência mostrou-se especialmente grave nos repasses voltados à área da saúde. Segundo os auditores do TCU, a ausência do relatório de gestão obrigatório no Transferegov foi verificada em 100% das prefeituras auditadas na categoria destinada à aquisição de materiais hospitalares.

O expediente de transferir o dinheiro recebido por emenda para outras contas da própria prefeitura — transformando a conta original em uma “conta de passagem” — foi um dos métodos mais apontados para obstruir o rastro das verbas. O TCU pontuou que esse tipo de manobra tende a ser reprimido nos repasses recentes, após a publicação de instrução normativa em 2024 que obriga a criação de conta bancária específica e exclusiva para cada transferência especial.

Apesar de reconhecerem que as atualizações normativas feitas a partir de 2024 trouxeram avanços no acompanhamento dos repasses, os auditores do TCU concluíram que o passivo e as fragilidades observadas na execução das emendas entre 2020 e 2024 continuam a comprometer gravemente a fiscalização e a transparência do dinheiro público no país.

O BRASIL QUER SABER AONDE ESTÁ O MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA?

OS R$ 61 MILHÕES ENVOLVIDO NO CASO “DARK HORSE”
CONTINUA SENDO UM MISTÉRIO..
O ministro do (STF) Sistema Tribunal Federal,André Mendonça está “desmoralizado” por estar atuando para blindar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As críticas ganharam força após o ministro relatar e julgar processos sensíveis que envolvem o senador, levantando debates sobre suspeitas de parcialidade. Fortes críticas e questionamentos políticos,sobre sua imparcialidade, na condução do caso banco Master/Operação”Dark Horse”.
Assimetria nas medidas judiciais: Setores da oposição e parlamentares, como o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e Glauber Braga apontam que André Mendonça utilizou “dois pesos,duas medidas”. O ministro autorizou operações de busca e apreensão contra adversários políticos do clã Bolsonaro, mas se mostra parcial nas investigações que pode levar Flávio Bolsonaro a ser condenado.
Principais Pontos da Controvérsia
  • Decisões no TSE: O ministro André Mendonça, na vice-presidência do TSE, negou pedidos para retirar do ar vídeos de Flávio Bolsonaro (produzidos com Inteligência Artificial) que associavam o Partido dos Trabalhadores (PT) a facções criminosas. Ele defendeu o princípio de mínima interferência da Justiça Eleitoral e a liberdade de expressão política. 
  • Controle de Conteúdo nas Redes: Mendonça também determinou a remoção de postagens que associavam Flávio Bolsonaro a propostas de alteração na escala de trabalho, acatando pedidos da defesa do senador. 
  • Inquéritos da Polícia Federal: O magistrado foi alvo de contestações por gerir inquéritos envolvendo figuras ligadas ao clã Bolsonaro e ao setor financeiro (como o caso do Banco Master). Críticos apontam que decisões do ministro beneficiariam o entorno do senador, enquanto a oposição questiona a suposta seletividade das apurações.
O Debate Público
As alegações de “desmoralização” institucional ou parcialidade são amplamente alimentadas por divergências ideológicas e disputas partidárias. Enquanto aliados do governo e partidos de esquerda acusam o ministro de atuar como “advogado de defesa” do clã Bolsonaro, apoiadores do senador defendem a imparcialidade técnica das decisões sob o argumento de proteção à liberdade de expressão e ao ambiente democrático de debate.

Em tempos de fake news e ideologias fascistas, obra discute ciência como pilar da sociedade

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Com base em Morin, obra discute ciência como pilar da sociedade

Professor da UFSCar lança “Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin”

Denise Britto/UFSCar – MTb 42684/SP

@de.britto

Não há nada menos racional, científico e ético do que as fake news, o negacionismo, a apropriação cultural empenhada pelas ideologias racistas e supremacistas, propriamente fascistas. A fala é do professor Vinício Carrilho Martinez, do Departamento de Educação (DEd) da UFSCar. Ele acaba de lançar a obra “Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin”, na qual destaca como o filósofo francês Edgar Morin defende o Pensamento científico como um pilar político “ou, como preferem, societal”, destaca Martinez.

A obra está disponível, em formato digital, no site da Amazon

https://share.google/6ShgDmxZycnlgPfHo

O mais novo lançamento do professor da UFSCar se debruça especificamente sobre o livro “Ciência com consciência” de Morin.  “É um chamado à consciência, como consciência de quem se põe no mundo não apenas para entendê-lo, mas também transformá-lo. Espero que o meu texto não o desaponte”, afirma autor. “O tema gerador do meu livro, se tivesse que escolher apenas um conceito, seria a prevalência necessária (ética e científica) de um Pensamento científico crítico e dialético”.

Origem do livro

O autor conta que a ideia da obra surgiu “exatamente dentro da sala de aula, da minha necessidade de estudar e montar sempre aulas novas. A todo semestre faço isso, pouco recupero ou repito dos semestres anteriores”, explicou.

O livro, conta o autor, foi arquitetado no primeiro semestre de 2026. “Começou com a preparação das aulas na disciplina obrigatória ‘Ciência, Tecnologia e Sociedade’, junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) da UFSCar. Após o término do curso, fui reler e percebi que se investisse mais tempo e cuidado poderia gerar algo mais”.

 

Homenagem em vida

Uma curiosidade, segundo o professor, é que “quando iniciamos a leitura e os debates acerca de Morin, na disciplina, ele ainda estava vivo. Morin viria a falecer, aos 104 anos, na fase final das nossas aulas. De certo modo, foi uma homenagem em vida”.

 

Segundo ele, “a escolha de Morin foi por aproximação intelectual, notadamente pelo efeito atrator que tem em mim a complexidade, a dialética e o princípio do contraditório. Atualmente, nos últimos cinco anos, tenho me dedicado mais a temas ligados à educação e, por isso, um viés do meu livro é uma espécie de convite a Morin para que converse com futuros educadores e educadoras brasileiras”.

 

Público-alvo

O trabalho foi redigido para um público específico – estudantes dos cursos de mestrado. Porém, o autor conta que tentou o cuidado de torná-lo acessível a um público vasto. “Não se trata de um livro de crônicas, então, sempre há necessidade de se levar alguma reflexão para quem visita as páginas que escrevemos. É um livro acadêmico, no entanto, foi escrito para não ser hermético”.

 

Diferencial da obra

O professor da UFSCar tem diversos livros publicados, entre eles, “Educação Crítica à Uberização” (https://www.ufscar.br/noticia?codigo=17020&id=livro-aborda-uberizacao-social-e-capitalismo-digital), “Educação para além da exceção” (https://www.ufscar.br/noticia?codigo=16825&id=professor-analisa-a-naturalizacao-da-excecao-nos-processos-historicos),

“Educação e Sociedade” ( https://www.ufscar.br/noticia?codigo=16391&id=livro-aborda-elos-entre-educacao-e-sociedade-no-brasil ) e “Educação constitucional: Educação pela Constituição de 1988″ ( https://www.ufscar.br/noticia?codigo=16314&id=livro-reforca-importancia-do-ensino-da-constituicao-na-educacao-publica). Mas qual o diferencial do novo livro em relação às demais obras lançadas pelo professor recentemente?

“Essa é sempre uma ótima indagação, pois, muitas vezes produzimos em torno de temas e objetos conhecidos por nós. Neste caso, não. Apesar de conhecer o pensamento de Morin desde quando fiz o mestrado em Educação, o livro que utilizei foi tão novo para mim quanto para os discentes do curso. Foi novidade, mais claramente no que se refere ao que entendo ser o ponto central desse trabalho de Morin, que é o que ele denomina de ‘Pensamento científico’ – e como deve prevalecer sobre o próprio conhecimento científico. É uma questão complexa que não posso resumir aqui, porém, isso nos ajuda a ver como minha produção se distingue de tudo que vinha fazendo: uberização, pressupostos da exceção, Educação e Sociedade – para referenciar as minhas últimas publicações”.

Organização do livro

A publicação “Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin”, com 108 páginas, tem uma apresentação, um prefácio e um posfácio, além de 10 capítulos.

“Os capítulos são todos centrados em Morin, especialmente no livro ‘Ciência com consciência’ (Bertrand Brasil, 1996). É um texto denso, tem traços marcantes, fundantes, brilhantes. É claro que toda obra precisa ser contextualizada e criticada, no que não se encaixa mais em nossos tempos, e completada com as necessidades e adversidades atuais. Em todo caso, como sempre falo, não é um livro para ser lido, mas, sim, estudado. Em parte, foi o que me propus na minha leitura para o curso, além de ter resgatado Morin do mergulho nas ciências exatas para confrontá-lo um pouco com as Ciências Sociais e a educação que queremos para nós”.

O livro está disponível em formato online no site da Amazon, em

https://share.google/6ShgDmxZycnlgPfHo

Contato com o professor: @viniciocarrilhomartinez

 

Educação crítica à uberização -Os novos tempos

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Vinicio Carrilho Martinez – Professor titular da UFSCAR

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCAR

Izabela Victória Pereira – Graduanda em Filosofia pela UFSCAR

 Há dois conceitos, que são fatos e fenômenos hegemônicos na atualidade: o Capitalismo digital e a uberização social. Qualquer decisão institucional ou ação política tem que passar por essa análise. Depois, enquanto esforço docente, por exemplo, nossa obrigação, além de entender melhor a nossa realidade, é pensar na proposição de uma Educação crítica a esses processos, especialmente a uberização social – uma vez que está presente na vida de todos nós, sem que tenhamos consciência disso. A uberização social, assim como o “servilismo voluntário”, é fato notório para quem pede uma pizza em casa – ou quando acessa alguma rede social.

Esses “dados” estão interligados. Uma observação essencial diz respeito à perda total de autonomia e liberdade, por quem trabalha sob alguma plataforma de uberização. Confunde-se, pelo sentido pejorativo da ideologia, uberização e empreendedorismo, e isso é um erro absurdo, uma falha total na epistemologia diante desses processos, uma vez que a pessoa uberizada perde totalmente a autonomia frente à plataforma que também atua como meio de controle social e punição.

Júdice da uberização –, quanto lucram absurdamente com a total desregulamentação como temos hoje. A margem de lucro (ou extração de mais-valia) das plataformas pode facilmente vencer a barreira de 60% (sessenta por cento) dos valores pagos em cada corrida ou entrega. Num exemplo simples, uma corrida de Uber que nos custe 10 reais destina seis reais (ou mais) para a plataforma. No caso de cancelamento de uma corrida acionada, o/a motorista de Uber – mas, somente se o/a passageiro/a assim o desejar – recebe pouco mais de três reais. Isso a depender da gentileza ou consciência de quem tomou aquela prestação de serviço uberizado, e se for mototáxi a taxa de “compensação” pelo cancelamento talvez nem chegue a um real. Essa lógica imposta pelas plataformas, todas elas, só vigora porque está listada nas prioridades hegemonizadas do “novo BBB”: Big Techs, Big Datas/Data Centers e Bets.

A maior pesquisa empírica se verifica – e ainda permanecerá por muito tempo, para quem não dirige – nas viagens de Uber, nas conversas insistentes que se tenha com essas pessoas escravizadas pela modernidade (ou pós-modernidade fragmentada). Sempre quando se pergunta sobre as condições de trabalho, destacando-se o quanto as plataformas se apropriam do trabalho delas, e sem nenhuma contrapartida, as respostas são constrangedoras. Neste sentido, um dos apêndices de um livro recém publicado traz precisamente algumas narrações de viagens pessoais e conversas: Histórias de Uber[1], na forma de crônica articulada a um evento real. Pode-se dizer que há uma pequena etnografia nessa conversação com os/as motoristas de Uber. Algumas dessas histórias narradas no livro são verdadeiras “lições de vida”.

Foi com esse espírito que, no primeiro livro de 2026, esse pequeno livro foi abordado em sala de aula, especialmente esses dois aspectos da realidade, esses dois enormes problemas sociais e econômicos que se comunicam em perfeição: o Capitalismo digital e a uberização social. Esse livro foi, literalmente, construído em sala de aula. Com a proposição do tema, de algumas intercorrências que vínhamos pensando desde 2025, e com a participação dos alunos e alunas, promovendo-se provocações na forma de pensar, pudemos encontrar pontos que ainda estavam obscuros.

Nas aulas de Licenciatura, por necessidade de explorar algumas diferenças entre o capitalismo clássico do pós revoluções industriais, do advento da chamada Maquinaria e até mesmo com referência à automação e ao Toyotismo – as células de produção, ao invés da linha de produção: o notável Fordismo dos Tempos Modernos, de Charles Chaplin – e os nossos “novos” Tempos Modernos, sempre esteve no repertório conceitual a incidência do Capitalismo de dados: a monetização a partir das redes sociais, a compra e venda de dados pessoais digitalizados. Porém, em seguida, nos deparamos com a insuficiência dessa base analítica. A massa crítica já sinalizava que o passado sempre acompanha o presente, no Brasil, e isso fomentou o ingresso do Pensamento escravista no escopo do capitalismo brasileiro – e que sempre combinou capitalismo com escravismo. Além disso, a atuação do “novo” BBB já bateu em nossa porta. Em conjunto com o setor financeiro (Bancos e fintechs), em parceria com o antigo BBB (bancadas da bíblia, do boi e da bala), a hegemonia do capital mudou de cara, hoje está assentada nas Big Techs, nas Big Datas/Data Centers e nas Bets (“o novo BBB”).

Da forma como pensamos e tentamos descrever, o livro não se dirige a um público específico, pois pode ser lido – como dizia João Ubaldo Ribeiro – por estudantes, docentes, mas também pelo motorista uberizado, pela diarista. Essa diarista que, na imensa maioria das vezes, é outra notável encarnação, reaparição do passado brasileiro e que sempre atua como fantasma do presente: a mulher negra, pobre, uberizada (oprimida), que, “com sorte”, encontrará algum abrigo no famoso “quartinho de empregada” – numa verdadeira provisão (prescrição, diria Paulo Freire) advinda diretamente da Casa Grande e tão ao gosto da nossa classe média ou do “novo rico”.

A contribuição do livro para a ciência, além de todo o exposto, está na necessidade de aproximarmos os dois conceitos básicos, se queremos uma leitura científica, não sectária ou reacionária, acerca do atual “estado de coisas”. Muitos outros aspectos poderiam, deveriam, ser somados a esse conceito (refundado) de Capitalismo digital. Porém, sem que esses mencionados componentes façam parte do corpus teórico, aí sim, não há como falarmos em termos de Ciência Social dirigida ao século XXI. Comparativamente, não há como tratar o Mundo do Trabalho, na China, sem destacar em primeiro plano a fadiga imposta pela conhecida jornada 9-9-6 (trabalho das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana). Ironicamente, ao menos partes desse inventário é copiado pelo Anarcocapitalismo de Milei, na Argentina. E o segundo conceito, que é a uberização social. Neste caso, no entanto, abre-se parênteses, pois a adjetivação de “social” tem o intuito de transcender a exploração brutalizada do Mundo do Trabalho (neoliberalismo extremado), se observarmos que o “servilismo voluntário” atinge a todos que vivem sob as bolhas digitais. Essa é a Ciência Social que se propôs a esboçar nesse pequeno livro. E que custa um dólar apenas, menos do que um café expresso.

 

Da fábrica ao algoritmo

Atualmente, a tecnologia encontra-se literalmente na palma das mãos, integrando-se quase de forma simbiótica[1]. Se, no século XX, a mecanização estava no chamado chão de fábrica, hoje ela assume novas configurações mediadas por algoritmos e sistemas automatizados, que extrapolam o ambiente produtivo. No uso de cada aplicativo gratuito, “o produto é você”.

Os algoritmos passam a influenciar decisões relacionadas ao consumo e até mesmo às oportunidades de trabalho. Em muitos processos seletivos, por exemplo, a presença e o comportamento dos candidatos nas redes sociais tornaram-se elementos relevantes na avaliação profissional, evidenciando-se como a lógica algorítmica interfere em diferentes dimensões do cotidiano.

Como mencionado, uma obra clássica que demonstra esse movimento histórico é o filme Tempos Modernos (1936)[1], de Charles Chaplin, cuja narrativa denuncia os efeitos da mecanização industrial, ao evidenciar como a organização mecanizada do trabalho o transforma em uma extensão da máquina, submetendo-o à repetição constante de movimentos e ao controle do ritmo produtivo.

Curiosamente, outra obra de mesmo nome percebe essa relação de uma forma diferente. Enquanto Chaplin evidencia os efeitos da mecanização sobre a condição humana, a canção Tempos Modernos (1982)[2], de Lulu Santos, expressa o otimismo e a expectativa a fim de que o avanço científico e tecnológico conduziria ao progresso social, à liberdade e à melhoria das condições de vida.

Essa dualidade entre o avanço científico e seus impactos sociais permite compreender como isso não ocorre, necessariamente, de forma linear. Uma ideia de que o avanço científico conduziria ao desenvolvimento tecnológico, este produziria crescimento econômico e, consequentemente, maior bem-estar social (PALACIOS et al., 2001)[1], mostra-se insuficiente quando confrontada com a realidade, especialmente ao se comparar as expectativas construídas em torno do progresso tecnológico com o atual contexto[2].

Os meios digitais, por mais inovadores que sejam, se tornaram uma forma de exploração ampliada. Se, no âmbito laboral, a exploração se manifesta pela intensificação da produtividade e pela flexibilização das relações de emprego, no ambiente digital ela alcança o tempo, os dados e as formas de interação social. A exploração deixa de restringir-se à extração da mais-valia e passa a incorporar aspectos da própria experiência humana, transformando elementos da vida privada em recursos economicamente exploráveis.

É nesse contexto cada vez mais predatório que se torna essencial uma educação capaz não apenas de apresentar aos indivíduos o contexto tecnológico, algo que, diga-se de passagem, pouco se faz necessário para uma geração que já nasce imersa nas tecnologias, mas que, sobretudo, seja capaz de problematizar o fato de que as tecnologias não são neutras, nem, por si só, emancipadoras. Para além da formação de sujeitos aptos a utilizar os meios digitais, faz-se necessária uma educação crítica que possibilite compreender e questionar as formas contemporâneas de exploração, controle e desigualdade que permeiam o desenvolvimento tecnológico. Edgar Morin, célebre filósofo da Ciência e da tecnologia, falecido recentemente, merece destaque quanto ao escopo dessa análise[1].

A ilusão do empreendedorismo

Desta forma, a uberização do trabalho nasce durante o século XXI, configurando as relações de trabalho. De forma mais flexível, o indivíduo trabalha conforme a demanda. Entretanto, o sistema vende a ideia de que o trabalhador terá sua emancipação, em que pese se torna uma moeda na relação de trabalho deteriorada. Dialogam com a lógica de estar empreendendo, no entanto, camufla-se a precarização do trabalho. Desse modo, o indivíduo imerso neste cenário não é amparado pela

legislação trabalhista (CLT), por não fazer parte do regime formal de trabalho. Sob a uberização, presta-se serviço às empresas sem atribuir-se valor à mão de obra, que por sua vez é barata: a classe trabalhadora arca com o ônus do trabalho e a transferência de riscos. Um exemplo recente dessa realidade ocorreu durante a pandemia da Covid-19, quando milhares de motoristas de aplicativos continuaram exercendo suas atividades para assegurar sua renda, apesar da elevada exposição ao vírus e da ausência de garantias trabalhistas que lhes permitissem interromper o trabalho com segurança.

Na obra Filosofia, um modo de vida (2025)[1], a filósofa Marilena Chauí apresenta-nos como os valores éticos eram enxergados no pré-capitalismo, o que antes era considerado virtuoso – o indivíduo de coragem e glória –, e, inversamente, na sociedade capitalista é a produção: trabalho e expropriação. A classe trabalhadora é integrada à perspectiva de que o trabalho o engrandece, e com o avanço do capitalismo digital semeia-se a ilusão do empreendedorismo. O que não se revela é a ausência total das garantias políticas, a contínua e acelerada venda da força de trabalho e a dependência economicamente, crônica, da plataforma extratora de mais-valia.

É possível visualizar esse controle social e o rompimento da consciência crítica dos indivíduos diante dos fatos, especialmente quando observamos o enfraquecimento da educação básica pública, subsumida numa condição em que a carga horária de disciplinas da área de ciências humanas foi reduzida, enfraquecendo-se a formação do pensamento crítico, e, de modo contrário, ao passo em que matérias inconsistentes (por exemplo, educação financeira para jovens pobres) e cursos técnicos são implementados e priorizados. A escola passa a priorizar a formação de mão de obra adaptada às exigências do mercado, em vez de promover a reflexão crítica e a capacidade dos indivíduos de compreender e questionar as estruturas sociais que os cercam.

Portanto, aqui vai uma homenagem e dedicação de agradecimento a todos que participaram, no intuito de elevarmos os marcos iniciais dessa discussão.

A referência bibliográfica, para uma leitura mais atenta, segue abaixo:

  • MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação crítica à uberização*: – A era do capitalismo digital e da uberização social. São Carlos: DP (https://a.co/d/0cV60SjP), 2026.

[1] CHAUÍ, Marilena. Filosofia, um modo de vida. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025.

[1] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1996.

[1] PALACIOS, Eduardo Marino García., et al. (orgs.). Ciencia, tecnología y sociedad: una aproximación conceptual. Madrid: Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI), 2001.

[2] Outro vínculo havido entre Ciência, tecnologia e condição social, na esteira do pensamento de Morin, está na linha de que é mais complexo explicar a dinâmica da luta de classes, hoje, do que a complexidade do universo observável. Se não houver reducionismo às formulas tradicionais, dos séculos XIX e XX, a missão não é simples, tanto quanto é custoso interpretarmos as principais atribulações entre Ciência e tecnologia na atualidade: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin*: São Carlos: Amazon, 2026. Disponível.

[1] Utiliza-se o termo simbiose para caracterizar a relação de interdependência entre os indivíduos e as tecnologias digitais, na qual as plataformas integram o cotidiano e influenciam comportamentos, ao mesmo tempo em que dependem da atividade constante dos usuários para seu funcionamento.

[1] CHAPLIN, Charles (direção). Tempos modernos. Estados Unidos: United Artists, 1936. 1 filme (87 min.), son., preto e branco.

[2] SANTOS, Lulu. Tempos modernos. In: SANTOS, Lulu. Tempos modernos. Rio de Janeiro: WEA, 1982. Disponível em: https://youtu.be/me2Xv_Np9xA?si=m3zq0l9Flxrm-TeD.

 

 

Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin

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O texto a seguir refere-se à capa do livro Ideias para uma Educação do século XXI, de Vinício Carrilho Martinez. A capa, por certo, expressa o sentido composto no livro.

            A referência correta é esta:

    1. MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin*: São Carlos: Amazon, 2026. Disponível em:

 Ciberporu

Inspirado na obra Abaporu, de Tarsila do Amaral, Ciberporu propõe uma reflexão sobre as transformações da identidade brasileira diante do avanço tecnológico. Ao reinterpretar um dos maiores ícones do modernismo nacional, a obra desloca o debate antropofágico para o contexto contemporâneo, em que natureza, cultura, tecnologia e diversidade humana se entrelaçam.

O elemento central da composição é a substituição de uma das pernas por uma prótese robótica, cujas engrenagens e mecanismos permanecem expostos. Além de representar a integração entre o humano e a máquina, esse membro mecânico estabelece um diálogo com a experiência das pessoas com deficiência, reconhecendo as tecnologias assistivas e as próteses como extensões do corpo e expressões da diversidade humana.

O corpo

O elemento central da composição é a substituição de uma das pernas por uma prótese robótica, cujas engrenagens e mecanismos permanecem expostos. Além de representar a integração entre o humano e a máquina, esse membro mecânico estabelece um diálogo com a experiência das pessoas com deficiência, reconhecendo as tecnologias assistivas e as próteses como extensões do corpo e expressões da diversidade humana. O corpo híbrido rompe com a ideia de um corpo único ou normativo e evidencia diferentes formas de existir, mover-se e ocupar o mundo.

A cabeça é substituída por um relógio marcando cinco para a meia-noite, referência ao romance Inferno, de Dan Brown. Nesse contexto, o horário simboliza a iminência de uma transformação decisiva. As sombras de outros ponteiros sugerem múltiplas temporalidades — passado, presente e futuros possíveis — indicando que diferentes caminhos permanecem em aberto.

A paleta de cores remete à bandeira brasileira. O verde, o amarelo e o azul evocam não apenas o território nacional, mas também a criatividade, a riqueza cultural e a capacidade inventiva do povo brasileiro. Ao lado da figura, o mandacaru se ergue como símbolo de resistência, adaptação e esperança, representando a força da terra brasileira e a capacidade de florescer mesmo em contextos adversos.

Ao preservar elementos visuais essenciais do Abaporu e inseri-los em uma narrativa contemporânea, Ciberporu estabelece um diálogo entre o legado modernista e os desafios do século XXI. A obra convida o espectador a refletir sobre o tempo presente e sobre o futuro que está sendo construído, sugerindo que o verdadeiro progresso depende da capacidade de integrar inovação tecnológica, inclusão, diversidade, identidade cultural e respeito às diferentes formas de ser humano.

Dra. Josana Carla Gomes da Silva

Crônica de uma vadiagem intelectual – o famoso tempo ocioso

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@viniciocarrilhomartinez

 

Nos estertores do fim de recesso escolar, o que faz o professor?

Se tem dinheiro (e juízo) pode viajar, e se não tem inventa moda.

É o caso dessa Série *Contém ironia que recolhi aqui.

Fiz uma por puro passa tempo e envie no whatsapp de algumas pessoas – acho que não gostaram muito.

Enfim, depois, perdendo parte do tempo ocioso, aumentei a lista.

Veja o que acha dessa série bombástica e me diga.

 

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta inteligente:

– por que você (no caso, eu) não é capitalista?

 

Resposta boba:

– porque não sou rico!

===

 

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta bugada:

– por que você não faz ostentação para ganhar seguidores

?Resposta tímida:

– porque livro e muleta não são rentáveis.

===

 

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta genial:

– por que você não faz apologia política?

 

Resposta estudada:

– porque prefiro ler Ciência Política.

===

 

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta esquelética:

– por que você não é mais inteligente e produz mais?

 

Resposta explorada:

– porque já faço muito além do meu contrato e porque isso não tem nada a ver com inteligência.

===

 

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta cínica:

– por que você não ganha mais dinheiro?

Resposta irônica:

– porque não sei onde encontrar essa resposta.

===

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta azarada:

– por que algumas pessoas correm atrás do prejuízo?

 

Resposta sem acreditar na pergunta:

– porque não devem ser muito inteligentes ou porque têm pressa para encontrar o azar.

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta estilosa:

– por que você tem camisa vermelha?

 

Resposta sem estilo:

– porque é minha, eu comprei e paguei.

  1. (Da série *Contém ironia)

Pergunta braba:

– por que você não vai fazer o que eu quero?

Resposta infantil:

– porque eu quero fazer outra coisa.

===

 

‘Vá à merda vocês’: candidato ao Senado, Bruno Scheid ‘sente o golpe’

O latifundiário e candidato ao Senado Bruno Scheid (PL-RO) grunhiu, em vídeo recentemente publicado em sua plataforma digital, em resposta direta à publicação do AND. “Inclusive, tem um jornaleco aí que fez uma publicação minha há uns três dias atrás, me chamando de latifundiário bolsonarista. Vá à merda vocês, pô! Tão achando que vão me intimidar?”, esbravejou Scheid em vídeo publicado nas próprias plataformas digitais. Não, Bruno. A imprensa popular e democrática não está tentando intimidá-lo.

O autoproclamado “05” da Bolsonaro, homem que faz questão de colocar “Bolsonaro” no seu sobrenome, só poderia estar se referindo à publicação ‘LCP porta fuzil em Rondônia’: tiete bolsonarista Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra, que foi ao ar em 25 de junho, pois, trata-se da única matéria que faz menção a si.

‘LCP porta fuzil em Rondônia’: tiete bolsonarista Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra – A Nova Democracia
“Vocês conhecem a LCP tão bem quanto eu”: autoproclamado “05” do clã Bolsonaro, Scheid revive sua suposta “história de superação” de 2018, chama a LCP de “facção criminosa” e prega cadeia para camponeses pobres.

Quem é mesmo Bruno Scheid?

A reportagem do AND, publicada em 25 de junho, mostrou como Scheid vem reutilizando uma suposta ação ocorrida em 2018 para atacar a luta pela terra, criminalizar a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e apresentar-se como protetor dos latifundiários de Rondônia.

Diante de uma plateia de proprietários rurais, o então pré-candidato contou que teria encontrado “15 caras encapuzados portando fuzil, pistolas, tudo que vocês possam imaginar”. Depois, declarou que pensa diariamente em como “pisar no pescoço de vagabundo como a LCP fez comigo”. Não há provas de que a LCP esteve envolvida nessa ação.

Em outros vídeos, Scheid classificou a organização camponesa como “facção criminosa”, ao arrepio da lei, e defendeu que os camponeses que lutam pela terra deveriam “puxar cadeia”. Apesar da gravidade das acusações, não apresentou nas gravações qualquer prova de que as torturas que diz ter sofrido tenham sido praticadas pela LCP.

‘Fazenda invadida pela LCP’: Braguin choraminga por ex-NorBrasil e tenta criminalizar Área Tiago Campin dos Santos – A Nova Democracia
Ex-comandante da PM-RO publicou vídeo para defender a “Operação Dominus”, falsificar o caráter da Área Tiago Campin dos Santos e tentar ligar a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) ao chamado “bando do Jed”.

Embora a história, repetida várias vezes, dê a ideia de que Scheid agora é uma “liderança ruralista”, os próprios latifundiários não reconhecem muito bem essa sua “condição”. Em 2022, o então secretário de Agricultura de Rondônia, Evandro Padovani, afirmou que Scheid não representava o setor agropecuário na Região Norte e que, apesar de atuar há 22 anos no estado, o desconhecia.

Aliás, o esquisito hábito de incluir “Bolsonaro” em seu próprio sobrenome já foi interpelado pela própria Procuradoria Regional Eleitoral; em pronunciamento, o órgão sustentou que o artifício poderia induzir o eleitor a acreditar numa relação familiar inexistente, construir artificialmente notoriedade política e configurar tentativa de fraude à legislação eleitoral. O judiciário chegou a proibir o uso e fixar multa diária de R$ 5 mil, mas a decisão foi posteriormente revogada por vícios processuais e limitações do procedimento utilizado.

Reportagem especial de AND sobre a autodefesa camponesa das áreas camponesas que hoje ocupam a ex-fazenda NorBrasil, em Rondônia.

Do curral ao Palácio do Planalto

A entrada de Scheid na política ocorreu agarrada às botas de Jair Bolsonaro, homem por quem Scheid acumula peculiar admiração. Segundo o próprio pecuarista, o episódio de 2018 chamou a atenção da campanha bolsonarista, que passou a utilizar sua história para atacar movimentos camponeses e defender o armamento dos proprietários rurais.

A partir daí, começou uma ascensão política marcada por acessos privilegiados ao antigo governo militar de Bolsonaro e generais.

Em 2022, Scheid foi apontado como um dos integrantes de um grupo que buscava contribuições de pecuaristas para impulsionar a campanha de reeleição de Bolsonaro, o que ele negou. Registros obtidos pela imprensa por meio da Lei de Acesso à Informação mostraram que ele esteve no Palácio do Planalto em 11 dias diferentes entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022, embora oficialmente só houvesse registro de três visitas.

O “05” desconhecido circulou pelo gabinete pessoal da Presidência, pelo Gabinete de Segurança Institucional e por outras dependências do Planalto. Também viajou com a comitiva presidencial entre Brasília e Porto Velho e posou ao lado de Bolsonaro “O Fraco”, Carlos, Eduardo “Bananinha” e Flávio “Rachadinha” Bolsonaro, além do general Augusto Heleno e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

‘Guerrilha em curso em Rondônia’: bolsonaristas tentam demonizar a LCP para acabar com o direito à luta pela terra – A Nova Democracia
Policial e militar bolsonaristas usam de operação do Bope que assassinou camponês em Rondônia para tentar criminalizar a LCP.

Na mesma época, uma reportagem revelou que Scheid possuía duas dívidas tributárias inscritas em dívida ativa da União, que somavam R$ 482.191,46. Questionado sobre o assunto, não respondeu e bloqueou o contato do repórter do Metrópoles. Não há confirmação pública de que essa situação permaneça inalterada atualmente.

A devoção de Scheid ao clã ganhou contornos ainda mais caricatos em 2025. Durante viagens e eventos ao lado de Jair Bolsonaro, o pecuarista passou a circular portando um distintivo com a inscrição “agente de segurança”. Scheid não é policial nem integrante de qualquer força oficial de segurança. Segundo ele, o objeto servia para “facilitar a circulação” e evitar “embaraços” durante os deslocamentos da comitiva. Afinal, aparentemente, o “05 do Bolsonaro” não era reconhecido por seus pares como tão associado a Bolsonaro quanto gostaria de ser.

Scheid também convocou manifestações pela “anistia” dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, divulgou atos em favor dos “galinhas verdes” condenados e transformou a defesa de Bolsonaro e dos chamados “presos do 8 de janeiro” numa das marcas de seus perfis públicos. Em janeiro de 2026, foi autorizado a visitar o capitão golpista na chamada Papudinha.

Editorial semanal – O terror de Bolsonaro – A Nova Democracia
No dia 1º de maio, enquanto ocorria a Marcha do Genocídio organizada pelo Governo – sim, convocada e dirigida diretamente por Bolsonaro

LCP rechaça acusações de ‘facção criminosa’

Enquanto Scheid repete acusações sem apresentar provas de que a LCP tenha praticado os crimes que afirma ter sido vítima, a organização camponesa já se pronunciou diversas vezes contra a campanha movida pela extrema direita e por agentes secretos da polícia infiltrados na falsa esquerda de que o movimento seja associado ao Comando Vermelho, “facção criminosa”, “organização terrorista” e “guerrilha”.

Em comunicado divulgado em novembro de 2025, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres afirmou categoricamente que a LCP “não é organização criminosa, muito menos terrorista”, mas uma organização “classista e combativa dos camponeses pobres do Brasil”. Segundo o movimento, seu objetivo é desenvolver a Revolução Agrária, entregar as terras dos latifúndios aos camponeses pobres e organizar a autodefesa das massas diante da violência do latifúndio e das forças policiais colocadas a seu serviço.

LCP nega que camponeses executados pela PM-RO sejam da organização e denuncia ‘queima de arquivo’ – A Nova Democracia
Liga dos Camponeses Pobres rebate versão policial publicada pela “imprensa lixo” de Rondônia e acusa ação de encobrir esquema contra camponeses da Área Tiago Campin dos Santos.

A posição tampouco surgiu agora. Em nota de maio de 2021, divulgada depois de ataques de Jair Bolsonaro à luta pela terra, a LCP rebateu a acusação de que seria contrária à propriedade privada. A organização afirmou defender os pequenos e médios proprietários e a entrega das grandes propriedades latifundiárias aos camponeses sem terra ou com pouca terra. “Somos contra a criminosa concentração de terras”, declarou.

A LCP também diferencia a pequena e média produção camponesa do latifúndio. Para a organização, os pequenos e médios camponeses são responsáveis por produzir alimentos para a população, enquanto grandes propriedades se sustentam na concentração fundiária, na grilagem, no roubo de terras públicas e na exploração do trabalho rural. Sua luta, conforme afirma, não se dirige contra qualquer produtor, como tentam fazer crer Scheid e seus companheiros de berraria, mas contra o monopólio da terra por um punhado de grandes proprietários.

LCP responde a Bolsonaro: ‘Não vão conseguir parar a luta pela terra’ – A Nova Democracia
“Para os camponeses, sobreviver significa conquistar um pedaço de terra para trabalhar. Buscam tachar essa luta como guerrilha, pois bem, se assim querem,

Em ocasiões nas quais foi responsabilizada por episódios armados concretos, a LCP também negou publicamente acusações, que considerou falsas. Em abril de 2026, por exemplo, a Comissão Nacional negou a autoria de um ataque ocorrido na antiga fazenda NorBrasil e afirmou que a atribuição imediata do caso à organização buscava “criminalizar a sagrada luta dos camponeses pobres pela terra e demonizar a LCP”.

A organização sustenta que a violência no campo parte, historicamente, dos latifundiários, de grupos de pistoleiros e de agentes policiais utilizados como segurança privada. Em sua resposta a Bolsonaro, declarou que os responsáveis pelo verdadeiro terror rural são os grandes proprietários que promovem massacres, despejos, perseguições e assassinatos contra camponeses. Ao mesmo tempo, a LCP declara que “não abre mão da sagrada autodefesa armada de massas” contra a secular violência do latifúndio.

Fonte https://anovademocracia.com.br/

PENSAMENTO GRÁTIS

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Dr. Vinicio Carrilho Martinez

@viníciocarrilhomartinez

Dra. Josana Carla Gomes da Silva – revisora

@josafotos

 

Algumas destas sugestões, orientações – quase tudo – aprendi sofrendo na vida acadêmica. Praticamente, apenas a abertura dos capítulos me foi compartilhada, porém, no final do mestrado. Então, quer dizer que sofri bastante, e sem que fosse necessário aprender sozinho. Por isso, tentarei resumir aqui. É só uma síntese, porque a orientação se dá no dia a dia, num processo. Enumerando fica mais didático:

  1. Cursem todas as disciplinas obrigatórias, o quanto antes.
  2. Façam o exame de proficiência em língua estrangeira, o quanto antes.
  3. Procurem bastante publicações, em periódicos, revistas, sites. O PPGCTS exige uma publicação A1, A2, B1 ou B2, então, tirem essa obrigação o quanto antes. Porém, nada impede que participem publicando em blogs, sites, jornais, portais e outros, pois, além de contribuir para a difusão da ciência (como ato político), ainda recheiam o Lattes. Hoje já não coloco mais no meu Lattes essas publicações, mas é possível contar mais de mil.
  4. Já são ou serão intelectuais e nenhum/a intelectual pode se furtar ao seu dever: produzir pensamento, reflexão séria e combativa ao negacionismo, à falsificação dos ideais e dos pressupostos. E isso se materializa, também, nessas publicações em outros veículos de comunicação – sobretudo, pela primazia atual da Internet e das redes sociais. Comece colocando seu objeto na sua conta do Instagram / Linkedin / ResearchGate.
  5. Conversem constantemente com orientador/a, aprimorando o diálogo acadêmico, pois a empatia será necessária, primordial, na construção daquele Pensamento científico indicado por Morin. Sem empatia, quando ocorrer distanciamento desnecessário, a pesquisa sofre, você sofre. Porque aqui também é fácil ver “como” o Pensamento científico suplanta o tradicional conhecimento científico.
  6. Quanto ao objeto, ninguém saberá melhor do que você, afinal, não é a nossa escolha – a escolha é sua. No entanto, a sugestão é para olhar, ler, ver, sentir o objeto de pesquisa em tudo, seja lá onde você estiver. Por exemplo, já utilizei muito a literatura como referência de apoio, mas também alguns filmes, como O labirinto do fauno, e o Mito do Fauno, de Goethe. Apenas cuide de referenciar corretamente.
  7. Quanto à metodologia: é difícil determinar uma. Em alguns momentos, no TCC, no mestrado, por exemplo, a organização sistematizada evita alguns dissabores – por exemplo, organizando um capítulo por vez. Pense sempre que estará escrevendo corretamente, do ponto de vista lógico, se, em tudo que escrever, houver “começo, meio e fim”. Siga esse roteiro em cada parágrafo escrito.
  8. Pode-se fazer um trabalho rizomático, ensaístico, entre a Ciência e a literatura. Isso dependerá do pensamento e do estilo de cada pessoa: no exemplo aqui, pode-se escrever todos os capítulos ao mesmo tempo. O mais importante é que a metodologia produza um trabalho científico e que não seja uma camisa de força ou violação dos interesses pessoais.
  9. Também cabe a sugestão da economia de tempo e esforços: abra 6 arquivos Word. No primeiro, escreva Introdução: coloque o resumo, a Introdução, o mapa conceitual, se houver. No segundo, intitule Referências: coloque todas que já usou efetivamente e atualize assim que acrescentar uma nova ao seu texto. Nos próximos arquivos, escreva Capítulo I, Capítulo II, Capítulo III, Capítulo IV. Às vezes, muitas vezes, estamos lendo, pensando em algo específico, mas esbarramos em outra coisa, e que pode ser útil, melhor utilizado, em um capítulo diferente do que vínhamos construindo. Vá lá no arquivo específico e deposite. Não se preocupe em alinhar o texto, apenas deposite a informação já com a referência ABNT. Será apenas depósito, a redação virá depois.
  10. Quando fizer um texto, aplique o “método da gaveta”, ou seja, deixe descansar por pelo menos uma semana, antes de fazer a última revisão e aí encontrar suas incongruências.
  11. Comece pelo Resumo, mais breve, direto ao ponto. Depois deixe pronto um resumo expandido – este você utilizará tanto em comunicações, em eventos, quanto nas considerações finais. O Resumo, bem resumido, como se diz, será o seu guia, o norte da sua pesquisa, da sua vida pelos próximos anos. Será a primeira tarefa hoje e depois será a última parte que você lerá, antes da qualificação (defesa). Porque saberá se o resumo, as suas promessas, foram atendidas no decorrer da escrita. Isso aprendi lendo Marx – que começava seus trabalhos pela conclusão, após investigar e refletir muito sobre o tema.
  12. O mestrado não exige originalidade, como ocorre no doutorado, portanto, partes dos trabalhos que venha a apresentar em eventos, artigos publicados, podem/devem ser recuperados, guardados, naqueles quatro arquivos Word (um para cada capítulo). Faça quatro capítulos, é mais dirigente e prático, garantido.
  13. Procure ler, inteirar-se sobre o seu objeto – em suas interfaces, com filmes, literatura, música, se for o caso – todos os dias. Procure ler algo sobre sua pesquisa todo dia e já desenvolva algum texto, nem que seja um parágrafo, cinco linhas, diariamente. Sim, todos os dias! No final, irá nos agradecer.
  14. A regra é: leia todo dia, pesquise todos os dias, pense no objeto e escreva todos os dias. Mesmo que sejam 20 minutos, quando a situação estiver complicada – no ônibus, no Uber, em casa, no intervalo do trabalho. Anote no bloco de notas, no notebook, no caderninho, no celular. Isso é o que chamaria de “viver o objeto”.
  15. Quando ler obras clássicas, referenciais, faça algum tipo de fichamento (segue um modelo neste rodapé[1]), digite separadamente. A ideia aqui é simples também: daqui a 20 anos, quando procurar o sentido da Emancipação em Paulo Freire, ou o que é o Pensamento científico em Morin, você terá as citações prontas, corretas, ao alcance da mão.
  16. Nunca esquecer de que fazer Ciência, pesquisa, colaborar com o pensamento racional e crítico, no Brasil, por si só, é um ato político, de resistência. É parte do nosso dever político/social e institucional retornar à sociedade o financiamento social da própria universidade.
  17. Cuide da saúde mental, o ambiente universitário é tóxico, não se apegue ao ego de quem quer que seja, vigie a própria vaidade. A ambição é natural, necessária, mas o ego deve ser domesticado.
  18. Se assegure se salvar cópias de seus documentos – rascunhos, fichamentos, capítulos/sessões, referências, vídeos, áudios, transcrições, dados –, tenha tudo salvo em pelo menos três fontes separadas. Com a pós-graduação aprendi arduamente que ter tudo salvo vale mais que ter tudo em um único aparelho, ele pode estranhar, ou simplesmente reiniciar o sistema apagando tudo: passei por isso também. Então, mande para seu e-mail, Drive, salve em pendrive, nuvem, HD externo, mas tenha sempre três bases de dados salvas.
  19. Leia mais que apenas artigos e livros para sua pesquisa, faça arte, tenha um hobby[2], cante, dance, faça academia, o que lhe aprouver, a sua saúde mental vai lhe agradecer. Participe das atividades culturais da universidade.
  20. Seja responsável com seus estudos e pesquisa, seu futuro depende apenas de você, e sua pesquisa também.
  21. Tenha, na medida do possível, amizade, camaradagem, com seu/a orientador/a; a pós-graduação é um casamento, às vezes dura 7 anos, e essa parceria é fundamental.
  22. Se atente aos prazos e deveres caso seja bolsista, leia sempre o manual do estudante ou de bolsista quando houver dúvidas.
  23. Use a IA com cuidado e parcimônia, ser pesquisador é produzir conhecimento, é ser capaz de escrever de modo autoral e individual. O uso da IA, embora permitido, legalmente a partir de 2026 deve ser especificado detalhadamente no corpo do trabalho e na metodologia, não é sensato usar ferramentas generativas para criar um texto, nem ético.
  24. Faça um mantra para você, “ler, ler, ler; escrever, escrever, escrever” porque não há Pensamento científico validável sem forte base cultural e massa crítica atuante. Use o tempo gasto com redes antissociais para exercitar o seu mantra.
  25. E por último, seja ético/a, sempre.

 

Fizemos o texto pensando no mestrado, no PPGCTS/UFSCar especificamente, no entanto, pensando bem, algumas sugestões se encaixam em vários momentos de nossas vidas.

[1] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/fichamento-pedagogia-do-oprimido.

[2] Aqui segue um exemplo: https://www.youtube.com/@MusicalizAI. Acesso em 28/07/2026.

A palhaçada de Milei no Brasil explica por que a Argentina é o país mais odiado do mundo hoje

Javier Milei veio ao Brasil para participar da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e fez exatamente o que dele se esperava: transformou um evento partidário em um espetáculo de insultos contra as instituições brasileiras.

Durante meia hora de discurso, o fascista argentino chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário”, atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, xingando-o de “lixo careca”, estimulou o público a entoar gritos de “Lula ladrão” e apresentou Flávio Bolsonaro como o único político capaz de “parar o socialismo” no país.

A cena ajuda a explicar por que a imagem internacional da Argentina sofreu um desgaste sem precedentes, num processo que ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026 e ultrapassou em muito os limites do futebol.

Milei e a seleção da Argentina estão irremediavelmente ligados num pacote de racismo, xenofobia, violência, arrogância e estupidez.

Milei é um jagunço de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu. É o primo pobre, o otário que, por ser o mais baixo da hierarquia, é capaz das piores vilanias para agradar os tios valentões — que sabem que ele é uma “basura”, mas fingem que é da turma porque suja as mãos com gosto.

A derrota merecida para a Espanha na final apenas tornou tudo mais claro. Em vez de reconhecer o clima hostil criado ao longo da competição, Milei reagiu dizendo que “o mundo verá até onde pode chegar um país cheio de argentinos”.

 

Casos de racismo envolvendo argentinos se repetem há anos em competições, especialmente na Libertadores. Em 2024, jogadores da seleção argentina entoaram cânticos discriminatórios contra atletas franceses de origem africana, provocando repercussão mundial. Mbappé foi classificado de “cometrabas” (“comedor de travestis”) e de francês “só no passaporte”.

Na final, jogadores argentinos protagonizaram episódios patéticos de antidesportividade, incluindo agressões e atitudes desrespeitosas durante a cerimônia de premiação. Os canalhas viraram as costas para os espanhóis.

A Argentina, admirada outrora por sua produção cultural, seu futebol e sua história de lutas — ainda que com figuras folclóricas como Eva Perón — passou a ser associada a um palhaço de cabelos desgrenhados e a onze maus perdedores, incluindo Lionel Messi.

Havia uma lenda segundo a qual a Argentina era o país com o maior número de psicólogos do planeta. Eis uma profissão de futuro num país quebrado não só economicamente, mas em sua alma e seu caráter.

Diario do Centro do Mundo

Ministros do TSE citam cassação e inelegibilidade após fake news de Flávio Bolsonaro contra as urnas

Declaração de senador a embaixadores faz magistrados resgatarem precedente de 2021 que puniu ataques ao sistema eleitoral

As declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em reunião com embaixadores, nas quais citou dados falsos sobre as urnas eletrônicas e levantou suspeitas sem fundamento contra o sistema eleitoral brasileiro, geraram repercussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fizeram ministros da Corte resgatarem o precedente da cassação do ex-deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR), ocorrida em 2021, informa reportagem do jornal O Globo.

Diante de uma plateia de diplomáticas e representantes estrangeiros, Flávio Bolsonaro repetiu uma informação falsa já desmentida anteriormente pelo TSE: a de que a empresa venezuelana Smartmatic teria fornecido urnas eletrônicas para o Brasil. A mesma companhia é mencionada em documentos da CIA divulgados pela gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada.

Durante o discurso, o parlamentar defendeu a linha adotada por seu pai, Jair Bolsonaro, em encontro com diplomatas realizado em 2022, no qual o ex-presidente atacou o sistema eletrônico de votação. “Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país”, disse Flávio Bolsonaro durante a reunião. Ele acrescentou: “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.

O posicionamento do pré-candidato ao Palácio do Planalto levou integrantes do TSE ouvidos reservadamente a traçarem um paralelo direto com o julgamento de Fernando Francischini, e não com a condenação de Jair Bolsonaro em 2023. Na avaliação de ministros do tribunal, a condenação de Francischini é considerada o marco da mudança de entendimento e a jurisprudência inaugural da Corte para a punição de ataques ao sistema eletrônico de votação.

Foi naquele processo que a Justiça Eleitoral passou a admitir de forma inédita que ataques deliberados às urnas poderiam configurar abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, abrindo caminho e fundamentação para decisões posteriores do tribunal.

O caso Francischini e o entendimento do TSE

O precedente recordado pelos ministros remonta a outubro de 2021, quando o TSE cassou o mandato de Fernando Francischini devido a uma transmissão ao vivo realizada no dia do segundo turno das eleições de 2018. Na ocasião, o então deputado estadual afirmou falsamente que as urnas eletrônicas estariam impedindo a computação de votos em Jair Bolsonaro e sustentou, sem apresentar provas, a existência de fraude na votação.

Por seis votos a um, o tribunal concluiu que a conduta do parlamentar representou uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político, comprometendo a normalidade e a legitimidade do pleito. Além da cassação do mandato, Francischini foi declarado inelegível pelo período de oito anos.

A decisão foi considerada histórica por se tratar da primeira condenação eleitoral motivada pela disseminação de desinformação contra o sistema eletrônico de votação. À época, o relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, afirmou em seu voto que a liberdade de expressão não protege a divulgação deliberada de fatos sabidamente inverídicos capazes de comprometer a confiança da população nas eleições, consolidando uma nova diretriz jurisprudencial na Corte.

Diferenças entre os episódios de Flávio e Jair Bolsonaro

Dois anos após o caso Francischini, essa mesma construção jurídica serviu de base para a ação que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, em razão da reunião que realizou com embaixadores estrangeiros em julho de 2022.

Apesar de guardarem pontos em comum — como o levantamento de suspeitas sobre as urnas diante de representações diplomáticas —, ministros do tribunal observam que os episódios envolvendo pai e filho possuem diferenças relevantes. No julgamento de Jair Bolsonaro, o TSE entendeu que, além da propagação de informações falsas sobre o sistema eleitoral, houve uso da estrutura da Presidência da República, uma vez que o evento ocorreu no Palácio da Alvorada, foi custeado com recursos públicos e transmitido pela emissora oficial TV Brasil, configurando abuso de poder político.

No caso de Flávio Bolsonaro, ainda não existe qualquer procedimento aberto na Justiça Eleitoral em relação ao encontro promovido nesta terça-feira. Eventuais apurações ou medidas judiciais dependeriam da provocação de partidos políticos, candidatos ou do Ministério Público Eleitoral (MPE), que podem questionar na Justiça se houve infração à legislação eleitoral ou abuso.

Discurso sobre observadores e contexto do seminário

Ao tratar do sistema de votação no evento, Flávio Bolsonaro afirmou que não estava questionando as urnas eletrônicas brasileiras, mas defendeu o envio de observadores internacionais para acompanhar o pleito no país.

“Não estou questionando o sistema de votação brasileiro. Mas gostaria que todos os países mandassem a maior quantidade possível de observadores para as nossas eleições, como sempre fazem, assim como pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e sobre como o Brasil pode ter eleições mais seguras e transparentes”, declarou o senador.

O seminário em que o parlamentar fez as declarações inverídicas sobre as urnas fez parte do ciclo “Debatendo o Brasil”, organizado pela Novo Selo Comunicação em parceria com o veículo The Brazilian Report. O encontro reuniu representantes diplomáticos e organismos internacionais de mais de 40 países, incluindo delegações dos Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Japão, Israel, Canadá, México, Paraguai e Ucrânia, além de representantes da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes.

Do Brasil 247

Sem fazer guerras, China constrói a melhor e mais moderna infraestrutura do mundo para seu povo

Enquanto os Estados Unidos destinam centenas de bilhões de reais a conflitos militares, a China amplia sua rede de rodovias, ferrovias de alta velocidade e aeroportos

Enquanto os Estados Unidos já gastaram cerca de R$ 192 bilhões na guerra contra o Irã e agora buscam autorização do Congresso para destinar mais R$ 462 bilhões à escalada militar, a China segue um caminho diametralmente oposto. Em vez de concentrar recursos em conflitos armados, Pequim continua direcionando investimentos para a construção da mais moderna infraestrutura do planeta, fortalecendo sua economia e elevando a qualidade de vida de sua população.

Os números apresentados nesta terça-feira pelo vice-ministro dos Transportes da China, Xu Chengguang, durante entrevista coletiva em Pequim, ajudam a explicar essa transformação. Ao fazer um balanço do 14º Plano Quinquenal (2021-2025), o dirigente revelou que o país ampliou sua malha de infraestrutura em ritmo sem precedentes, consolidando uma das maiores redes de transportes do mundo.

Quase 200 mil quilômetros de autoestradas

Segundo Xu Chengguang, a extensão da rede de autoestradas expressas (expressways) da China alcançou 199 mil quilômetros ao final do 14º Plano Quinquenal.

Trata-se da maior rede desse tipo no planeta. Ela conecta praticamente todas as grandes cidades chinesas e reduz drasticamente os custos logísticos, facilitando o transporte de pessoas e mercadorias em um país com dimensões continentais.

A expansão da malha rodoviária é considerada um dos pilares da estratégia chinesa para integrar regiões menos desenvolvidas ao dinamismo econômico das áreas costeiras.

Maior rede de trens de alta velocidade do mundo

Outro dado impressionante é o crescimento da ferrovia de alta velocidade.

A China já possui mais de 50 mil quilômetros de linhas ferroviárias de alta velocidade em operação, uma extensão muito superior à de qualquer outro país. A rede liga centenas de cidades e permite viagens rápidas entre os principais polos econômicos, reduzindo o tempo de deslocamento e fortalecendo o mercado interno.

Além do conforto para milhões de passageiros, o sistema tornou-se um importante instrumento de desenvolvimento regional e de redução das emissões de carbono, ao substituir parte do transporte aéreo e rodoviário.

Rede aeroportuária continua crescendo

O país também ampliou sua infraestrutura aeroportuária.

Segundo o Ministério dos Transportes, a China conta atualmente com 270 aeroportos de transporte em operação, garantindo maior integração nacional e internacional.

Os investimentos fazem parte da estratégia de ampliar a conectividade entre grandes centros urbanos e cidades do interior, favorecendo o turismo, os negócios e a circulação de cargas de maior valor agregado.

O maior sistema postal do planeta

Outro destaque apresentado pelas autoridades chinesas é a consolidação do maior sistema postal do mundo, tanto em escala quanto no número de pessoas atendidas.

A rede tornou-se fundamental para sustentar o extraordinário crescimento do comércio eletrônico chinês, garantindo entregas rápidas em praticamente todo o território nacional e fortalecendo gigantes da economia digital.

A integração entre rodovias, ferrovias, aeroportos e logística postal transformou a infraestrutura em um dos principais fatores de competitividade da economia chinesa.

Investir em desenvolvimento, e não em guerras

O contraste com os Estados Unidos torna-se ainda mais evidente diante dos números recentes.

Enquanto Washington amplia seus gastos militares em meio ao conflito com o Irã, consumindo centenas de bilhões de reais em operações bélicas, a China direciona recursos para obras permanentes capazes de gerar riqueza, aumentar a produtividade e melhorar diretamente a vida de sua população.

Os resultados aparecem em indicadores concretos: quase 200 mil quilômetros de autoestradas, mais de 50 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade270 aeroportos e o maior sistema postal do planeta. Em vez de destruir infraestrutura em guerras, a estratégia chinesa tem sido construir infraestrutura para sustentar o desenvolvimento econômico, integrar seu vasto território e oferecer melhores condições de vida a mais de 1,4 bilhão de habitantes.

Indexa Pesquisas: Lula tem 41% e Flávio Bolsonaro marca 30% no primeiro turno

Terceira rodada mostra pouca oscilação, vantagem de Lula em todos os cenários de 2º turno e eleitorado decidido

A terceira rodada da pesquisa Indexa Pesquisas, divulgada nesta terça-feira (21/7), mostra estabilidade na corrida presidencial de 2026. No principal cenário de primeiro turno, Lula (PT) lidera com 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. O levantamento também indica um eleitorado com voto cada vez mais consolidado.

Na sequência, estão:

  • Ronaldo Caiado (PSD) – 6%
  • Romeu Zema (Novo) – 3%
  • Renan Santos (Missão) – 3%
  • Joaquim Barbosa (DC) – 1%
  • Augusto Cury (Avante) – 1%
  • Samara Martins (UP), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.
  • Brancos e nulos somam 8%, e 7% dos entrevistados estão indecisos ou preferiram não responder.

A série histórica da consultoria mostra poucas mudanças ao longo dos últimos três meses. Lula passou de 39% em maio para 42% em junho e 41% em julho. Flávio Bolsonaro marcou 30% em maio, subiu para 32% em junho e voltou a 30% na rodada mais recente.

Entre os demais nomes, Caiado avançou de 5% para 6%, Romeu Zema oscilou de 3% para 5% e retornou a 3%, enquanto Renan Santos permaneceu estável em 3% durante todo o período. Brancos e nulos ficaram em 8% em todas as rodadas, e os indecisos variaram entre 6% e 10%.

Segundo Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas, as variações observadas ao longo dos últimos três meses não alteraram o quadro da disputa. “As oscilações registradas entre maio, junho e julho são pequenas e não alteram a configuração da disputa, que continua concentrada em torno de Lula e Flávio Bolsonaro”.

Lula lidera todos os cenários de segundo turno

Nas quatro simulações de segundo turno testadas pela Indexa, Lula aparece à frente de todos os adversários.

Contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 46% das intenções de voto, ante 39% do senador.

Diante de Romeu Zema, vence por 46% a 32%. Contra Ronaldo Caiado, lidera por 45% a 37%. Já no confronto com Renan Santos, marca 47%, contra 27% do adversário.

Maioria afirma que já decidiu o voto

Hoje, 66% afirmam que já decidiram em quem votar para presidente. Outros 26% dizem que ainda podem mudar de candidato, enquanto 8% não souberam responder. O indicador praticamente não se alterou desde maio, quando 65% diziam ter o voto definido. Em junho, o percentual chegou a 67%.

Entre os eleitores de Lula, 77% afirmam que o voto é definitivo. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, esse índice é de 75%.

Votabilidade

O levantamento mostra que Lula e Flávio Bolsonaro concentram tanto os maiores núcleos de apoio quanto os maiores índices de rejeição. Enquanto 49% dos entrevistados afirmam que jamais votariam em Lula, esse percentual chega a 50% no caso de Flávio Bolsonaro. Os demais candidatos apresentam rejeição inferior: 35% para Ronaldo Caiado e 40% para Romeu Zema e Renan Santos.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o Brasil entre 16 e 19 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02904/2026.logo-jota

Fonte: https://www.jota.info/

Crônica sobre o direito de falar abobrinha

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@viniciocarrilhomartinez

Se para a microgeração “Zillennials” [1], entre o adulto e o jovem demais, tem uma conta que não fecha, imagine para quem tem mais tempo de vida analógica do que digital…

É o meu caso.

Não se trata exatamente da diferença ou discrepância tecnológica, eu nunca tive todos os equipamentos do passado, por exemplo, mas sim o estranhamento com a cultura gerada.

De vez em quando, talvez por masoquismo da curiosidade que parece querer comprovar seu argumento, vejo algum comentário nos chats.

Mesmo que sejam desdobrados de material jornalístico, com certa seriedade na apuração de fatos, ou científicos, sempre estará presente o show de horrores.

Essa “necessidade de exposição”, uma tentativa de sair do anonimato, do limbo social, talvez explique esse tipo de manifestação digital cheia de total ignorância, insignificância, educação básica, e, certamente, desinteresse moral em passar vergonha.

Umberto Eco, grande pensador italiano do século XX, nos dizia que antigamente a estupidez ficava na mesa de bar e, com as redes antissociais, a mesma boçalidade migrou para o Instagram e quetais.

Isso reforça a ideia de que o espaço público não existe mais, como invasão do privado, mas a exposição ao ridículo, à mentira deslavada, a adesão ao falso e à falsificação (falsidade, enfim), é algo que provoca muito estranhamento.

E digo isso vendo indivíduos da direita para a esquerda, de todas as idades, profissões, sexos, etnias e cores.

Na verdade, não suporto muito sequer escrever sobre isso.

Provavelmente seja o meu tempo de vida analógica se manifestando, porém, não sei se é somente uma questão geracional.

Como disse, não me refiro hoje às tecnologias, mas sim às pessoas – no que se tornaram, sem a presença e atuação de qualquer “freio de contenção”.

O digital e sua sociabilidade ácida, corrosiva, é esse mato alto.

Usei a expressão mato alto no sentido de se perder, sem uma ideia do que está ali, do perigo que realmente pode ameaçar.

Na infância brinquei em área rural, sítio.

Aliás, esse é um dos temas de muita saudade – se fosse escrever sobre saudade.

A fadiga digital eu também sinto.

Por outro lado, há uma Ironia da história.

Por tudo que de mais lastimável que tenha sido a pandemia, incluindo o período pós, até 2023, foi uma fase de extrema produção.

Conheci pessoas, digitalmente, que são amigas e parceiros até hoje.

Tive dias trabalhando em três períodos, em três situações remotas.

Era tudo muito estimulante, empolgante.

Agora, voltando àquele lado obscuro, na volta ao presencial, encontrei pessoas com quem convivi desde 2017 e que hoje prefiro tomar café em lugares diferentes.

Não sei muito bem se avançaram nas análises do tal “novo normal” – falei disso naquela época –, mas, sinto que perdemos algo de nós nesse retorno.

Um exemplo dessa “anormalidade” vem da Copa: um advogado de mais de 40 anos, de esquerda, sendo racista contra a Argentina, e sem pudor nenhum para expor a própria “ignorância futebolística” – no Whatsapp. Não sabe nada de futebol, nem o que é jogar entre linhas (Messi, com 40 anos, no caso), mas o advogado virou analista, especialista em xenofobia e etarista.

Esse típico comportamento também me leva a desfazer o convite para um café e qualquer tentativa de outra conversa. Como se diz, não tenho tempo, paciência e nem idade para esse tipo desviante.

Além disso, é também um ótimo case de “analfabetização”. Dia desses voltarei a esse “analfabetismo especial”, quando o indivíduo é alfabetizado, estuda, aprende e, em seguida, promove, ele próprio, uma perda significativa de sua alfabetização, dos ganhos cognitivos, morais e sociais.

É óbvio que se vê aí um retrocesso, mas não deixa de ser uma situação auto infligida. É certo, numa tipificação bem simples, que o advogado citado recebeu dos pais a educação básica, “do berçário”, para respeitar os mais velhos – ainda mais porque não é um jovenzinho. Voltarei a isso.

Enfim, estamos falando de esquerda em 2026. Exemplos da direita e de sua extremadura, então, são de arrepiar os mais finos filamentos de inteligência.

Por essas e por outras, é fácil dizer que nos falta o Direito ao Estranhamento, de achar muito sem noção a falta de Bom Senso. Além da revolta cognitiva diante de um suposto “direito de falar abobrinha”.

Será que estou viajando?

Em todo caso, se for uma viagem, garanto que é desbravando lugar inóspito, tipo uma festa estranha, com gente muito esquisita.

Então, se for viagem, é muito bom voltar bem rápido à racionalidade meridiana.

[1] https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2026/07/7464311-o-limbo-dos-zillennials.html. Acesso em 21/07/2026.

APRESENTAÇÃO Ideias para uma Educação do século XXI

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Ler Ideias para uma Educação do século XXI é como acompanhar um pensamento em movimento. Essa é uma característica da escrita do autor Vinício Carrilho Martinez, que descrevi como rizomática no prefácio de Educação e Sociedade (Martinez, 2025). Recorro novamente à formulação de Deleuze e Guatarri (1995) para falar sobre a presente publicação. O livro articula múltiplas ideias que se interconectam; não é um texto linear, mas traz diferentes ângulos de campos distintos do conhecimento que se atravessam continuamente.

A interdisciplinaridade da publicação não é um recurso metodológico apenas, mas constitui a própria condição da proposta. O caminho entre Sociologia, Filosofia, Educação, Direito, Ciência Política e História demonstra uma ruptura do autor com as fronteiras disciplinares. Se a realidade não se organiza de modo estanque, por que a análise sobre ela deveria ser confinada aos limites de uma única disciplina? Contudo, não é uma reflexão dispersa, pelo contrário. Há um eixo que organiza esse percurso: a permanente inquietação frente aos problemas do presente e a convicção de que pensar vem justamente do estabelecimento de relações entre aquilo que, à primeira vista, parecia desconectado.

Martinez conduz o leitor por uma experiência singular de elaboração do pensamento. Conceitos como ciência, pensamento, consciência, política, subjetividade, objetividade, tecnologia e educação reaparecem ao longo da obra não como repetição, mas como um deslocamento do ponto de vista anterior, incorporando novas referências. É esse o movimento que acompanhamos: não um percurso linear, mas um que parece retornar ao mesmo lugar apenas para revelar que esse “lugar” já não é o mesmo.

A noção de consciência, por exemplo, aparece em distintos momentos do livro, retornando sempre com uma ampliação de seu significado; inicialmente, é apresentada como uma exigência ética da atividade científica, para depois reaparecer como consciência histórica, epistemológica, política e crítica, sem, de modo algum, romper com o percurso anterior. Assim como os demais conceitos, não se trata de uma repetição, mas de uma redescoberta. A primeira definição de ciência, de consciência ou de educação já não pode ser lida da mesma maneira, pois o caminho percorrido lhes atribuiu novas camadas de significado.

É essa arquitetura da escrita de Vinício que permite pensar a educação sem isolá-la da política, da ciência, da história, da tecnologia e das formas contemporâneas de produção da vida social. A reflexão proposta é mais sobre as condições atuais da produção do conhecimento do que apenas sobre os rumos da educação. A ciência aparece como uma prática histórica permanentemente atravessada por disputas políticas, compromissos éticos e pelas condições institucionais de sua própria existência, nas quais sociedade, universidade e Estado ocupam papel central.

Embora tenha em Edgar Morin seu principal interlocutor, a obra ultrapassa os limites de uma leitura comentada de Ciência com consciência (Morin, 1996). O diálogo com Morin constitui o ponto de partida de um percurso intelectual autoral sobre a produção de conhecimento na contemporaneidade, mobilizando as categorias do filósofo francês para refletir sobre temas que marcam o século XXI.

A mercantilização da universidade, a financeirização da pesquisa, o predomínio da tecnociência, o avanço da inteligência artificial, o negacionismo científico, os debates sobre soberania e Estado não aparecem isoladamente, mas sim como expressões de uma mesma inquietação: qual lugar pode ocupar uma ciência comprometida com a emancipação humana em uma sociedade orientada cada vez mais pela lógica do mercado e da eficiência técnica?

O argumento que se lê nas próximas páginas é que o acúmulo de conhecimento não necessariamente representa a compreensão crítica da realidade. O conhecimento científico pode permanecer restrito à acumulação de informações, à especialização técnica ou à produção instrumental do saber. No pensamento científico, por seu turno, há outro movimento: a transformação do conhecimento em consciência crítica, da técnica em responsabilidade e da informação em capacidade de compreender historicamente a realidade. A distinção entre conhecimento científico e pensamento científico, apesar de ser um tema já tratado por autores das mais diversas áreas e orientações epistêmicas, é uma das contribuições mais instigantes do livro, pois Martinez a converte em eixo organizador de sua construção analítica.

O caráter rizomático desta obra se manifesta justamente pois cada conceito conduz a outro, cada problema abre novas possibilidades de interpretação e cada retorno amplia aquilo que parecia já compreendido. As ideias de Martinez se multiplicam em inúmeras conexões e, ao final do livro, o leitor terá participado de um exercício de construção do pensamento. Aquele que entra em Ideias para uma Educação do século XXI não é o mesmo que sai. Assim como os conceitos que atravessam a obra, também sua compreensão se desloca. É nesse retorno que se produzem novos sentidos que ampliam o horizonte da reflexão, e é aí que reside uma das maiores potências deste livro.

Tainá Reis

Doutora em Sociologia, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professora na Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

 

 

Caso Dark Horse: cresce o temor de busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro

 Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstraram forte preocupação nas últimas semanas com a possibilidade de o parlamentar se tornar alvo de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apreensão entre interlocutores do senador decorre dos desdobramentos das investigações que envolvem o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), detalha Igor Gadelha, do Metrópoles.

O temor no entorno do parlamentar se intensificou após o avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre o pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de dinheiro para financiar o filme. Há ainda a suspeita de que o patrocínio tenha sido desviado para outras finalidades.

 

A preocupação de interlocutores políticos foca no impacto de potenciais medidas cautelares, como mandados de busca e apreensão, no cenário eleitoral e nas articulações da oposição no Congresso Nacional. Além disso, o receio se estende aos efeitos de eventuais quebras de sigilo ou apreensões de dispositivos eletrônicos nas apurações em andamento perante a Suprema Corte.

Cordisburgo

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A gente nasce,
Cresce, respira…
De repente,
Se inspira.

Terra sertaneja,
Terra vermelha,
Terra rosiana,
Terra mineira.

Então surge Guimarães Rosa,
Com sua sutileza,
Retrata, com toda certeza,
Essa imensidão.

Em prosa, literatura e fantasia,
Descreve com toda a maestria
O regionalismo, o vaqueiro e sua praxe,
Viagens, paragens e filosofia.

As boiadas,
As veredas,
Natureza,
Buritizais,
Causos,
Pausas,
Fogueiras,
Poeirais.

Registros na caderneta,
Neologismos, inovações,
Momentos vivenciados,
Transformando-se em erudição.

Grande Sertão: Veredas,
Manuelzão, Miguilim,
Sagarana, Magma,
Riobaldo, Diadorim.

De lugar singular
Ao mundo transpareceu:
Gruta do Maquiné,
Academia, Casa de Leitura, Museu.

Contadores de histórias,
Embaixador do sertão,
Artesanato, bordadeiras,
Terceira idade, associação.

“Tudo se desencerra aqui”, em Cordisburgo,
Pequenina terra sertaneja,
“Trás-montanhas no meio de Minas Gerais”,
Onde Guimarães Rosa nasceu.
Ninguém esquece jamais.

Priscilla Barbosa de Carvalho Costa
31/08/2024
[20:13, 19/07/2026] Vinício Carrilho Martinez: Priscila Barbosa

Esqueça a tontería, Messi é um gênio

Por Vinício Carrilho Martinez

Messi é um gênio. Ponto.

Uma lenda dizia (diz) que Messi é autista.

Buenas, problema nenhum se fosse.

Só ocorre que não é.

Messi tem um olhar estranho e faz caras estranhas, não cumprimenta os outros jogadores etc. etc.

Buenas, Messi faz a cara de um gênio, todos os gênios são estranhos ao senso comum, comportam-se de modo “errático” aos olhos desse senso comum. E ainda bem que é assim. Já pensou se todo mundo fosse chapado na mesmice? A pedra ainda seria lascada.

Messi é só gênio mesmo. E não trocou a camiseta com outro jogador, prometida em campo, para preservar o seu rival. Teve esmero até nisso.

Muito bem, voltando ao gênio do Messi, além da absurda “inteligência futebolística” (aí precisa de um pouco mais de profundidade conceitual), tenhamos em conta que Messi é um Borges da bola.

Prefiro Garcia Márquez ao Borges, talvez pelo impacto que tive na fase meio adulta; mas, só essa comparação tiraria o ar de muita gente.

Na verdade, acho que não se comparam.

Messi é um Picasso pintando quadros de gols, assim como Pelé desenhou o arco do Heliocentrismo da Bola. Depois disso, todo mundo conheceu a circunferência da pelota.

Mas, isso é passado. Pelé foi o gênio dos gênios, e é insuperável, mas é passado.

O presente é do Messi – e se você curte ver um gênio vivo, assista aos últimos momentos do Messi em campo.

No rebote, pense no quanto a nossa educação e cultura precisam aprender com Los Hermanos e com La Pulga.

Aliás, até para apreciar o que é bom demais – coragem, força, garra do outro –, é preciso abaixar a sua bola.

O Messi abaixa a bola para ter performance. Messi, como gênio, não é performático.

Eu assistirei até o último minuto.

Sabe Deus quando irá aparecer outro gênio.

Enfim, terei o luxo de dizer que vi e curti um gênio em vida.

O resto é, bem, o resto é a nossa inveja.

 

Futebol e política (e cerveja)

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– sem fanatismo
– sem crendices

Sempre penso que é possível (e até desejável) fazermos ligações entre futebol e política. Principalmente porque estamos falando de Brasil: todo bebê já ganhou sua bolinha.
Mas, sempre com inteligência e educação, é preciso pontuar bem a rixa entre futebol e política. Nem sempre dá pra ver esse jogo na poltrona da torcida.
Por exemplo: que Neymar não agrada por suas atitudes antirrepublicanas, é fato que divide o país.
Eu acho deplorável o que fez com sua própria carreira; indubitavelmente, poderia ser um gênio da bola. Hoje é somente um ex-jogador em campo e há uns três anos já.
Outro exemplo: Messi é um gênio da bola, só não é maior porque houve um tal de Pelé. Messi passou Maradona, Messi é o segundo melhor jogador, desde que o futebol foi inventado. Mas, Messi é o antípoda político de Maradona – amigo de Fidel.
Messi é Milei assim como Neymar é bolsonarista. Note-se, porém, uma questão: a qualidade política de ambos os tornam menos craques da bola? É óbvio que não, basta ver onde e como está um e outro.
Mais um exemplo: o Brasil foi tricampeão em 1970. Quem é profissional da bola, e não é o meu caso, diz que jamais haverá outra seleção igual, no mundo todo.
Tivemos uma grandeza técnica absurda em 1982, com o gênio Telê, e não ganhamos. Teria sido o selecionado mais próximo de 1970, apesar de longe da qualidade de Pelé e companhia.
Certo.
Agora, voltemos à política, aos galhos e bugalhos da política: em 1970 havia uma terrível ditadura no país.
Algum jogador tricampeão ocupou o gramado para denunciar o AI-5?
Não, até porque não eram loucos.
A omissão ou conivência de muitos os transformam em pernas de pau?
Jamais.
Nunca mais veremos tanta qualidade num só selecionado nacional. No mundo todo.
Pelé, no último exemplo, o gênio entre os maiores craques do futebol (talvez o único gênio da bola) era pra lá de sofrível quando falava.
Esse mesmo Pelé não reconheceu filha ou filhas. Foi obrigado judicialmente.
Pelé, um homem negro, nascido muito pobre, tornado ícone mundial, nunca, jamais, levantou o punho para incitar a luta antirracista.
Aliás, quantos/as de nós teve essa coragem?
Então, e por fim, alguém torceu contra Pelé e sua trupe em 1970?
Se isso aconteceu, não passou de cinco abobados e abandonados pelo futebol.
No final das contas, penso e insisto em relacionar futebol e política (e cerveja), mas, nunca, jamais, misturar alhos e galhos com bugalhos.
Cerveja, política e futebol. Coloque na ordem que você quiser, só não esqueça da regra de ouro: “Aprecie com moderação”. Como tudo na vida…
A bola pune (Muricy Ramalho) quem joga pra torcida.
(PS: no pódio sagrado, temos um medalhista, Pelé com o ouro. Mas, a Argentina tem dois lugares: Messi com a prata e Maradona com o bronze. Temos uma medalha a menos).

Vinício Carrilho Martinez

FICHAMENTO PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

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Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar

@viniciocarrilhomartinez

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

 

A consciência é a consciência da consciência

Paulo Freire

 

Essa leitura, recortada, tem a perspectiva de uma epistemologia mais específica, que é atrelada a uma Sociologia Política da Educação. O Objetivo é destacar a Emancipação. Este fichamento é diferente em alguns aspectos – surgiu para um propósito e agora serve a outro e, por isso, há duas referências, foram utilizadas duas publicações do livro Pedagogia do Oprimido. O fichamento teve por base, originariamente, atender à necessidade de duas pesquisas de pós-doutorado em Ciência Política[1] e, agora, objetiva compor um lastro de material didático na disciplina de Educação e Sociedade. Além disso, não foi realizado por especialista em Paulo Freire, mas sim, por um cientista social.

O fichamento tem palavras-chave como título, as mesmas que orientaram o autor em suas pesquisas iniciais: as citações diretas, os recortes, não seguem a cronologia costumeira, pois estão alinhadas em relação às temáticas das palavras-chave. Procurou-se seguir a lógica da reversão, da negação à negação da negação: do “menos Homem, para o mais Homem”. Por fim, após uma longa citação acerca da ideia da Emancipação, trazemos a sugestão para que se construa um texto autoral, interpretativo e propositivo. Portanto, pode-se dizer que o fichamento é híbrido desde a origem e que foi realizado em vários momentos.

 

Nenhuma ordem opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: “Por quê”? (Freire, 1985)

 

  • Violência societal

“É que, para eles, pessoa humana são apenas eles. Os outros, estes são coisas. Para eles, há um só direito – o seu direito de viverem em paz, ante o direito de sobreviverem, que talvez nem sequer reconheçam, mas somente admitam aos oprimidos” (Freire, 1985, p. 48).

“Esta violência, como um processo, passa de geração a geração de opressores, que se vão fazendo legatários dela e formando-se no seu clima geral. Este clima cria nos opressores uma consciência fortemente possessiva. Possessiva do mundo e dos homens” (Freire, 1985. p. 48).

 

“Daí que tendam a transformar tudo o que os cerca em objetos de seu domínio. A terra os bens, a produção, a criação dos homens, os homens mesmos, o tempo em que estão os homens, tudo se reduz a objeto de seu comando” (Freire, 1985, p. 49).

  • Objetificação

“Nesta ânsia irrefreada de posse, desenvolvem em si a convicção de que lhes é possível transformar tudo em seu poder de compra. Daí a sua concepção estritamente materialista da existência. O dinheiro é a medida de todas as coisas. E o lucro, seu objetivo principal (Freire, 1985. p. 49 – grifo nosso).

 

  • Consciência indireta

“Este fatalismo, às vezes, dá a impressão, em análises superficiais, de docilidade, como caráter nacional, o que é um engano. Este fatalismo, alongado em docilidade, é fruto de uma situação histórica e sociológica e não um traço essencial da forma de ser do povo” (Freire, 1985, p. 52).

 

“Ordem’ que, frustrando-se no seu atuar, muitas vezes os leva a exercer um tipo de violência horizontal com que agridem os próprios companheiros. […] Ao agredirem seus companheiros oprimidos estarão agredindo neles, indiretamente, o opressor também ‘hospedado’ neles e nos outros. Agridem como opressores, o opressor nos oprimidos” (Freire, 1985, p. 53).

 

“Dentro dos marcos concretos em que se fazem duais é natural que descreiam de si mesmos […]. Têm uma crença difusa, mágica, na invulnerabilidade do opressor […]. Nisto reside sua ‘conivência’ com o regime opressor” (Freire, 1985, p. 54-55).

 

  • Contradição insolúvel

“Seria uma contradição se os opressores, não só defendessem, mas praticassem uma educação libertadora” (Freire, 1985, p. 43).

 

  • Da opressão

“A situação de opressão em que se ‘formam’, em que ‘realizam’ sua existência, os constitui nesta dualidade, na qual se encontram proibidos de ser” (Freire, 1985, p. 4 – grifo nosso).

 

“[…] Numa atitude em que manifestaram o seu ‘medo da liberdade’, se referem ao que chamam de ‘perigo da conscientização’. ‘A consciência crítica […dizem…] é anárquica’. Ao que outros acrescentam: ‘Não poderá a consciência crítica conduzir à desordem [?]” (Freire, 1985, p. 19).

 

“Talvez seja eu, entre os senhores, o único de origem operária. Não posso dizer que haja entendido todas as palavras que foram ditas aqui, mas uma coisa posso afirmar: cheguei a esse curso, ingênuo e, ao descobrir-me ingênuo, comecei a tornar-me crítico. Esta descoberta, contudo, nem me faz fanático, nem me dá a sensação de desmoronamento” (Freire, 1985, p. 20).

 

  • Injustiça social/moral

“A ‘ordem’ social injusta é a fonte geradora, permanente, desta ‘generosidade’ que se nutre da morte, do desalento e da miséria” (Freire, 1985, p. 31).

 

“Raros são os camponeses que, ao serem ‘promovidos’ a capatazes, não se tornam mais duros opressores de seus antigos companheiros do que o patrão mesmo” (Freire, 1985, p. 34).

 

“Nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de perder a ‘liberdade’ de oprimir” (Freire, 1985, p. 34).

 

  • Prescrição

Toda prescrição é a imposição da opção de uma consciência a outra […]. Por isto, o comportamento dos oprimidos é um comportamento prescrito” (Freire, 1985, p. 34-35 – grifo nosso).

 

“Não é ideia que se faça mito” (Freire, 1985, p. 35).

 

Querem ser, mas temem ser. São eles e ao mesmo tempo são o outro introjetado neles, como consciência opressora […] Entre seguirem prescrições ou terem opções […]. A libertação, por isto, é um parto. E um parto doloroso […]. A superação da contradição é o parto que traz ao mundo este homem novo não mais opressor; não mais oprimido, mas homem libertando-se” (Freire, 1985, p. 36 – grifo nosso).

 

Não basta saberem-se numa relação dialética com o opressor – seu contrário antagônico – descobrindo, por exemplo, que sem eles o opressor não existiria [Hegel] para estarem de fato libertados. É preciso, enfatizemos, que se entreguem à práxis libertadora […]. A solidariedade, exigindo de quem se solidariza, que “assuma” a situação de com quem se solidarizou, é uma atitude radical” (Freire, 1985, p. 37 – grifo nosso).

 

Da mesma forma como é, em uma situação concreta – a da opressão – que se instaura a contradição opressor-oprimidos, a superação desta contradição só se pode verificar objetivamente também” (Freire, 1985, p. 38 – grifo nosso).

 

“É que a realidade opressora, ao constituir-se como um quase mecanismo de absorção dos que nela se encontram, funciona como uma força de imersão das consciências” (Freire, 1985, p. 39-40 – grifo nosso).

 

“Arquivados, porque, fora da busca, fora da práxis, os homens não podem ser” (Freire, 1985, p. 66).

 

  • Sectarização

“É que a sectarização é sempre castradora, pelo fanatismo de que se nutre […]. A sectarização, porque mítica e irracional, transforma a realidade numa falsa realidade, que, assim, não pode ser mudada. Parta de quem parta, a sectarização é um obstáculo à emancipação dos homens […]. Não são raros os revolucionários que se tornam reacionários pela sectarização em que se deixam cair, ao responder à sectarização direitista” (Freire, 1985, p. 22 – grifo nosso).

 

“E esta não é a dos homens [verdade] na luta para construir o futuro, correndo o risco desta própria construção […] o homem de esquerda que se sectariza e também se encerra, é a negação de si mesmo […]. “Sofrem ambos da falta de dúvida” […]. Se a sectarização, como afirmamos, é o próprio do reacionário, a radicalização é o próprio do revolucionário” (Freire, 1985, p. 23-24 – grifo nosso).

 

  • Dialética

“É que, para ele, o aspecto subjetivo toma corpo numa unidade dialética com a dimensão objetiva da própria ideia, isto é, com os conteúdos concretos da realidade sobre a qual exerce o ato cognoscente. Subjetividade e objetividade, desta forma, se encontram naquela unidade dialética de que resulta um conhecer solidário com o atuar e este com aquele. É exatamente esta unidade dialética a que gera um atuar e um pensar certos na e sobre a realidade para transforma-la” (Freire, 1985, p. 23 – grifo nosso).

 

  • Dialogicidade

O diálogo crítico e libertador, por isso mesmo que supõe a ação, tem de ser feito com os oprimidos, qualquer que seja o grau em que esteja a luta por sua libertação” (Freire, 1985, p. 56 – grifo nosso).

 

  • Hominização

“O problema de sua humanização, apesar de sempre dever haver sido, de um ponto de vista axiológico, o seu problema central, assume, hoje, caráter de preocupação ineludível” (Freire, 1985, p. 29).

 

Mais uma vez os homens, desafiados pela dramaticidade da hora atual, se propõem, a si mesmos, como problema” (Freire, 1985, p. 29 – grifo nosso).

 

“Humanização e desumanização, dentro da história, num contexto real, concreto, objetivo, são possibilidades dos homens como seres inconclusos e conscientes de sua inconclusão” (Freire, 1985, p. 30).

“E aí está a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos – libertarem-se a si e aos opressores” (Freire, 1985, p. 31).

 

  • Ação política

“Estamos convencidos […] de que a reflexão se realmente reflexão, conduz à prática. Por outro lado, se o momento já é o da ação, esta se fará autêntica práxis se o saber dela resultante se faz objeto da reflexão crítica” (Freire, 1985, p. 57).

 

“A ação política junto aos oprimidos tem de ser, no fundo, ‘ação cultural’ para a liberdade, por isso mesmo, ação com eles” (Freire, 1985, p. 57).

 

“Não podemos esquecer que a libertação dos oprimidos é libertação de homens e não de ‘coisas” […]. Não se pode realizar com os homens pela metade” (Freire, 1985, p. 58).

 

“Há uma quase enfermidade da narração. A tônica da educação é preponderantemente esta – narrar, sempre narrar” (Freire, 1985, p. 65).

 

“Há uma quase enfermidade da narração. A tônica a educação é preponderantemente esta – narrar, sempre narrar” (Freire, 1985, p. 65).

 

“Só existe saber na invenção, na reivindicação, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros. Busca esperançosa também” (Freire, 1985, p. 66).

 

  • Práxis

“Somente na sua solidariedade, em que o subjetivo constitui com o objetivo uma unidade dialética, é possível a práxis autêntica […]. A práxis, porém, é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transforma-lo” […]. Por isto, inserção crítica e ação já são a mesma coisa (Freire, 1985, p. 40 – grifo nosso).

 

“O que lhe interessa […] é a permanência delas [pessoas] em seu estado de ‘imersão’ em que, de modo geral, se encontram impotentes em face da realidade opressora, como ‘situação limite’, que lhes parece intransponível” (Freire, 1985, p. 41).

“Mas, a ação só é humana quando, mais que um puro fazer, é um que fazer, isto é, quando também não se dicotomiza da reflexão […] ‘ativar conscientemente o desenvolvimento ulterior da experiência” (Freire, 1985, p. 42).

 

  • Pedagogia libertadora

“Somente na medida em que se descubram ‘hospedeiros’ do opressor poderão contribuir para o planejamento de sua pedagogia libertadora” (Freire, 1985, p. 32).

 

“A pedagogia do oprimido que, no fundo, é a pedagogia dos homens empenhando-se na luta por sua libertação, tem suas raízes aí […]. Os oprimidos hão de ser o exemplo para si mesmos, na luta por sua redenção” (Freire, 1985, p. 43).

 

“A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro, em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação” (Freire, 1985, p. 44).

 

“Quem inaugura a negação dos homens não são os que tiveram a sua humanidade negada, mas os que a negaram, negando também a sua. Quem inaugura a força não são os que se tornaram fracos sob a robustez dos fortes, mas os fortes que os debilitaram” (Freire, 1985, p. 45).

 

“Não haveria oprimidos, se não houvesse uma relação de violência que os conforma como violentados, numa situação objetiva de opressão” (Freire, 1985, p. 45).

 

“Os opressores, violentando e proibindo que os outros sejam, não podem igualmente ser; os oprimidos, lutando por ser, ao retirar-lhes o poder de oprimir e de esmagar, lhes restauram a humanidade que haviam perdido no uso da opressão. Por isso é que, somente os oprimidos, libertando-se, podem libertar os opressores” (Freire, 1985, p. 46).

 

  • Revolução

“Implica na revolução que, estagnando-se, volta-se contra o povo, usando o mesmo aparato burocrático, repressivo do Estado, que devia ter sido radicalmente suprimido, como tantas vezes salientou Marx” (Freire, 1985, p. 47).

 

Citando a nota de rodapé: “Implica na revolução que, estagnando-se, volta-se contra o povo, usando o mesmo aparato burocrático, repressivo do Estado, que devia ter sido radicalmente suprimido, como tantas vezes salientou Marx” (Freire, 1985, p. 47).

 

“Um ato que proíbe a restauração deste regime não pode ser comparado com o que cria e o mantém; não pode ser comparado com aquele através do qual alguns homens negam às maiorias o direito de ser […]. No momento, porém, em que o novo poder se enrijece em ‘burocracia’ dominadora, se perde a dimensão humanista da luta e já não se pode falar em libertação” (Freire, 1985, p. 47).

 

  • Educação e sociedade

“Pelo contrário, refletindo a sociedade opressora, sendo dimensão da ‘cultura do silêncio’, a ‘educação’ ‘bancária’ mantém e estimula a contradição” (Freire, 1985, p. 67).

 

“Daí que tal forma de educação implique na superação da contradição educador-educandos, de tal maneira que se façam ambos, simultaneamente, educadores e educandos” (Freire, 1985, p. 67).

 

“Como marginalizados, ‘seres fora de’ ou ‘à margem de’, a solução para eles estaria em que fossem ‘integrados’, ‘incorporados’ à sociedade sadia de onde um dia ‘partiram’, renunciando, como trânsfugas, a uma vida feliz […]. Na verdade, porém, os chamados marginalizados, que são os oprimidos, jamais estiveram fora de. Sempre estiveram dentro de. Dentro da estrutura que os transforma em ‘seres para outro” (Freire, 1985, p. 69).

 

“Por isso mesmo é que reagem, até institivamente, contra qualquer tentativa de uma educação estimulante do pensar autêntico, que não se deixa emaranhar pelas visões parciais da realidade, buscando sempre os nexos que prendem um ponto a outro, ou um problema a outro” (Freire, 1985, p. 69).

 

“Sua ação, identificando-se, desde logo, com a dos educandos, deve orientar-se no sentido da humanização de ambos […]. Sua ação deve estar infundida da profunda crença nos homens. Crença no seu poder criador” (Freire, 1985, p. 71).

 

“Sua ação, identificando-se, desde logo, com a dos educandos, deve orientar-se no sentido da humanização de ambos […]. Sua ação deve estar infundida da profunda crença nos homens. Crença no seu poder criador” (Freire, 1985, p. 71).

 

  • Alienação

“Sugere uma dicotomia inexistente homens-mundo. Homens simplesmente no mundo e não com o mundo e com os outros. Homens espectadores e não recriadores do mundo” (Freire, 1985, p. 71).

 

  • Superação

Sem esta [superação], não é possível a relação dialógica, indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do mesmo objeto cognoscível” (Freire, 1985, p. 78- grifo nosso).

 

  • Libertação

A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica na ação e na reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo […] a consciência é consciência da consciência (Freire, 1985, p. 77 – grifo nosso).

 

  • Libertação/emancipação

“Neste sentido, em si mesma, esta realidade é funcionalmente domesticadora. Libertar-se de sua força exige, indiscutivelmente, a emersão dela, a volta sobre ela” (Freire, 1985, p. 40).

 

  • Emancipação

“Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora?” (Freire, 1985, p. 32).

 

“No primeiro momento, por meio da mudança da percepção do mundo opressor por parte dos oprimidos; no segundo, pela expulsão dos mitos criados e desenvolvidos na estrutura opressora e que se preservam como aspectos míticos, na estrutura nova que surge da transformação revolucionária” (Freire, 1985, p. 44).

 

“A luta por esta reconstrução começa no auto reconhecimento de homens destruídos” (Freire, 1985, p. 60).

 

“Não podem perceber, na situação opressora em que estão, como usufrutuários, que, se ter é condição para ser, esta é uma condição necessária a todos os homens […]. Por isso tudo é que a humanização é uma ‘coisa’ que possuem como direito exclusivo, como atributo herdado. A humanização é apenas sua. A dos outros, dos seus contrários, se apresenta como subversão” (Freire, 1985, p. 49 – grifo nosso).

 

“Se a humanização dos oprimidos é subversão, a sua liberdade também o é” (Freire, 1985, p. 50).

 

“Daí que vão se apropriando, cada vez mais, da ciência também, como instrumento para suas finalidades. Da tecnologia, que usam como força indiscutível de manutenção da ‘ordem’ opressora, com a qual manipulam e esmagam. Os oprimidos como objetos, como quase ‘coisas’, não têm finalidades. As suas, são as finalidades que lhes prescrevem os opressores” (Freire, 1985, p. 50).

 

“Fazer esta adesão e considerar-se proprietário do saber revolucionário, que deve, desta maneira, ser doado ou imposto ao povo, é manter-se como era antes” (Freire, 1985, p. 51).

 

“Isto implica no reconhecimento crítico, na ‘razão’ desta situação, para que através de uma ação transformadora que incida sobre ela, se instaure uma outra” (Freire, 1985, p. 35).

 

É como homens que os oprimidos têm de lutar e não como coisas” (Freire, 1985, p. 60 – grifo nosso).

 

Os freios que os antigos oprimidos devem impor aos antigos opressores para que não voltem a oprimir não são opressão daqueles a estes […]. Por esta razão, estes freios, que são necessários, não significam, em si mesmos, que os oprimidos de ontem se tenham transformado nos opressores de hoje” (Freire, 1985, p. 46-47 – grifo nosso).

 

A seguir tentaremos indicar a construção da ideia de Emancipação, não muito bem distinta por Paulo Freire em relação à Liberdade e à Autonomia, a partir de uma longa citação do próprio autor.

 

  • A emancipação é humana e processual

Ao se instalarem na quase, senão trágica, descoberta do seu pouco saber de si, se fazem problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas respostas os levam a novas perguntas […]. Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos […]. Só o poder que nasça da liberdade dos oprimidos será suficientemente forte para libertar a ambos […]. Quem melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegaram pelo acaso, mas pela práxis de sua busca: pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela […]. Ninguém tem liberdade para ser livre; pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem […]. Daí a necessidade que se impõe de superar a situação opressora. Isso implica o reconhecimento crítico, a ‘razão’ desta situação, para que, através de uma ação transformadora que incida sobre ela, se instaure uma outra, que possibilite aquela busca do ser mais […]. Descobrem que, não sendo livres, não chegam a ser autenticamente […]. Sua luta se trava entre serem eles mesmos ou serem duplos […]. Entre seguirem prescrições ou terem opções. Entre serem espectadores ou atores […]. A libertação, por isso, é um parto. E um parto doloroso. O homem que nasce parto é um homem novo que só é viável na e pela superação da contradição opressores-oprimidos, que é a libertação de todos […]. É preciso, enfatizemos, que se entreguem à práxis libertadora […]. A solidariedade, exigindo de quem se solidariza que ‘assuma’ a situação de com quem se solidarizou, é uma atitude radical […]. Roubados na sua palavra, por isto no seu trabalho comprado, que significa a sua pessoa vendida […]. Da mesma forma como é em uma situação concreta – a da opressão – que se instaura a contradição opressor-oprimidos, a superação desta contradição só se pode verificar objetivamente também […]. Não se pode pensar em objetividade sem subjetividade. Não há uma sem a outra, que não podem ser dicotomizadas […]. A realidade social, objetiva, que não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, também não se transforma por acaso. Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na ‘inversão da práxis’, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens […]. A práxis, porém, é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo […]. Desta forma, esta superação exige a inserção crítica dos oprimidos na realidade opressora, com que, objetivando-a, simultaneamente atuam sobre ela. Por isto, inserção e ação já são a mesma coisa […]. Quanto mais as massas populares desvelam a realidade objetiva e desafiadora sobre a qual elas devem incidir sua ação transformadora, tanto mais se ‘inserem’ nela criticamente […]. De qualquer forma, o dever que Lukács reconhece ao partido revolucionário de ‘explicar às massas a sua ação’ coincide com a exigência que fazemos da inserção crítica das massas na sua realidade através da práxis, pelo fato de nenhuma realidade se transformar a si mesma. A pedagogia do oprimido que, no fundo, é a pedagogia dos homens empenhando-se na luta por sua libertação, tem suas raízes aí […]. Os oprimidos hão de ser o exemplo para si mesmos, na luta por sua redenção […] No primeiro momento, por meio da mudança da percepção do mundo opressor por parte dos oprimidos; no segundo, pela expulsão dos mitos criados e desenvolvidos na estrutura opressora e que se preservam como espectros míticos, na estrutura nova que surge da transformação revolucionária […]. Os opressores, violentando e proibindo que os outros sejam, não podem igualmente ser; os oprimidos, lutando por ser, ao retirar-lhes o poder de oprimir e de esmagar, lhes restauram a humanidade que haviam perdido no uso da opressão […]. Os oprimidos de ontem, que detêm os antigos opressores na sua ânsia de oprimir, estarão gerando, com seu ato, liberdade, na medida em que, com ele, evitam a volta do regime opressor. Um ato que proíbe a restauração deste regime não pode ser comparado com o que o cria e o mantém; não pode ser comparado com aquele através do qual alguns homens negam às maiorias o direito de ser […]. Se a humanização dos oprimidos é subversão, sua liberdade também o é […]. Os que passam têm de assumir uma forma nova de estar sendo; já não podem atuar como atuavam; já não podem permanecer como estavam sendo […] ninguém se liberta sozinho […]. Nenhuma ‘ordem’ opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: ‘Por que?’ […]. No processo revolucionário, a liderança não pode ser ‘bancária’, para depois deixar de sê-lo […]. Mas, se os homens são seres do quefazer é exatamente porque seu fazer é ação e reflexão. É práxis. É transformação do mundo […]. O que fazer é teoria e prática […]. O que não se pode realizar, na práxis revolucionária, é a divisão absurda entre a práxis da liderança e a das massas oprimidas, de forma que a destas fosse a de apenas seguir as determinações da liderança […]. Estamos convencidos de que o diálogo com as massas populares é uma exigência radical de toda revolução autêntica. Ela é revolução por isto […]. Se, na educação como situação gnosiológica[2], o ato cognoscente do sujeito educador (também educando) sobre o objeto cognoscível não morre, ou nele se esgota, porque, dialogicamente, se estende a outros sujeitos cognoscentes, de tal maneira que o objeto cognoscível se faz mediador da cognoscibilidade dos dois, na teoria da ação revolucionária se dá o mesmo […]. É que a liderança não pode pensar sem as massas, nem para elas, mas com elas […]. A revolução se gera nela como ser social e, por isto, na medida em que é ação cultural, não pode deixar de corresponder às potencialidades do ser social em que se gera […]. É que todo ser se desenvolve (ou se transforma) dentro de si mesmo, no jogo de suas contradições (Freire, 2022, p. 39-183).

 

Uma experiência pedagógica e necessária, neste momento, levaria à construção de um texto autoral, como reflexão pessoal de quem se apoderou do fichamento; se não fosse do fichamento todo, já seria muito válido refletir e escrever sobre a emancipação nesta última e mais longa citação de Paulo Freire. A chave de toda a compreensão está na passagem em que afirma que “a consciência é a consciência da consciência” (Freire, 2022, p. 94). Ou, como diz longamente Paulo Freire, trata-se de uma epistemologia política da Emancipação:

 

Os temas, em verdade, existem nos homens, em suas relações com o mundo, referidos a fatos concretos […]. A investigação temática se faz, assim, um esforço comum de consciência da realidade e de autoconsciência, que a inscreve como ponto de partida do processo educativo, ou da ação cultural de caráter libertador […]. A investigação temática, que se dá no domínio do humano e não no das coisas, não pode reduzir-se a um ato mecânico […]. Não posso investigar o pensar dos outros, referido ao mundo, se não penso. Mas, não penso autenticamente se os outros também não pensam. Simplesmente, não posso pensar pelos outros nem para os outros, nem sem os outros. A investigação do pensar do povo não pode ser feita sem o povo, mas com ele, como sujeito do seu pensar (Freire, 2022, p. 137-141).

 

Este é o convite, pensar o povo com o povo.

E você, qual pergunta faria ao povo brasileiro? O que lhe diria?

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Educação e Sociedade. São Carlos: Amazon, Ebook Kindle, 2025a. Disponível em: https://a.co/d/393SyBS.

MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025b. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[2] Como teoria do conhecimento de forma irrestrita – no sentido de Educação Permanente –, a gnosiologia não se limita ao conhecimento científico (epistemologia).

Lula lidera com folga pesquisa espontânea de 1° turno e empata com Flávio no 2°, diz Futura/Apex

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial de 2026 tanto na pesquisa espontânea quanto nos quatro cenários estimulados de primeiro turno apresentados pela Futura Inteligência em parceria com a Apex Partners. No segundo turno, Lula aparece numericamente à frente de todos os adversários testados, mas está tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL).

Divulgado nesta terça-feira (14), o levantamento ouviu 2 mil eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 7 e 11 de julho, em 697 municípios. As entrevistas foram realizadas por telefone. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam uma lista de nomes, Lula alcança 36,5% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 28,1%. A diferença entre os dois é de 8,4 pontos percentuais.

O levantamento também mostra que 18,8% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou preferiram não responder. Outros 6,2% afirmaram que votariam em branco, anulariam o voto ou não escolheriam nenhum dos nomes. Os resultados são:

  • Lula (PT): 36,5%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 28,1%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 2,1%
  • Renan Santos (Missão): 1,7%
  • Jair Bolsonaro (PL): 1,4%
  • Romeu Zema (Novo): 1,3%
  • Augusto Cury (Avante): 0,4%
  • Ratinho Júnior (PSD): 0,2%
  • Joaquim Barbosa (DC): 0,1%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 0,1%
  • Outros nomes: 3,1%
  • Ninguém, branco ou nulo: 6,2%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 18,8%

Lula lidera os quatro cenários de primeiro turno

Lula também aparece numericamente na frente em todos os cenários estimulados, nos quais os entrevistados recebem uma lista com os nomes testados. Na simulação mais ampla, o presidente registra 40,1%, diante de 36,8% de Flávio Bolsonaro.

A diferença de 3,3 pontos percentuais coloca os dois em situação de empate técnico, considerando a margem de erro. Os demais nomes aparecem com percentuais de apenas um dígito.

Cenário 1

  • Lula (PT): 40,1%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 36,8%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 5%
  • Romeu Zema (Novo): 3,7%
  • Renan Santos (Missão): 2,6%
  • Joaquim Barbosa (DC): 1,4%
  • Augusto Cury (Avante): 1,1%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 0,7%
  • Ninguém, branco ou nulo: 5,1%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 3,6%

No segundo cenário, sem Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Cabo Daciolo, Lula fica com 37,8%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 35,7%. A distância entre os dois cai para 2,1 pontos percentuais.

Sem Flávio Bolsonaro na lista, Lula amplia a liderança e chega a 42,1%. Ronaldo Caiado aparece em segundo lugar, com 16,5%, seguido por Romeu Zema, com 14%. No quarto cenário, sem Caiado, Lula tem quatro pontos de vantagem sobre Flávio.

Cenário 2 — sem Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Cabo Daciolo

  • Lula (PT): 37,8%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 35,7%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 7,9%
  • Romeu Zema (Novo): 5%
  • Renan Santos (Missão): 3,4%
  • Ninguém, branco ou nulo: 7,3%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 2,9%

Cenário 3 — sem Flávio Bolsonaro, Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Cabo Daciolo

  • Lula (PT): 42,1%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 16,5%
  • Romeu Zema (Novo): 14%
  • Renan Santos (Missão): 6%
  • Ninguém, branco ou nulo: 16,4%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 5%

Cenário 4 — sem Ronaldo Caiado, Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Cabo Daciolo

  • Lula (PT): 42,6%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 38,6%
  • Romeu Zema (Novo): 6,2%
  • Renan Santos (Missão): 3,9%
  • Ninguém, branco ou nulo: 6,3%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 2,4%

Segundo turno tem empate entre Lula e Flávio

O cenário mais apertado de segundo turno é justamente o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente registra 46,3%, enquanto o senador do PL aparece com 46,1% — uma diferença de apenas 0,2 ponto percentual.

Lula também fica tecnicamente empatado com Michelle Bolsonaro: são 46,1% para o petista e 44,3% para a ex-primeira-dama. Contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, o presidente aparece à frente por diferenças superiores à margem de erro.

Lula contra Flávio Bolsonaro

  • Lula (PT): 46,3%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 46,1%
  • Ninguém, branco ou nulo: 6,5%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 1,1%

Lula contra Michelle Bolsonaro

  • Lula (PT): 46,1%
  • Michelle Bolsonaro (PL): 44,3%
  • Ninguém, branco ou nulo: 8,1%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 1,5%

Lula contra Ronaldo Caiado

  • Lula (PT): 45,1%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 38,9%
  • Ninguém, branco ou nulo: 13,6%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 2,3%

Lula contra Romeu Zema

  • Lula (PT): 46%
  • Romeu Zema (Novo): 38,1%
  • Ninguém, branco ou nulo: 13,8%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 2,1%

Lula contra Renan Santos

  • Lula (PT): 46,4%
  • Renan Santos (Missão): 33,1%
  • Ninguém, branco ou nulo: 17,3%
  • Não sabe, não respondeu ou está indeciso: 3,2% 

Revista Forum

Fim da escala 6×1 completa dois meses parada no Senado, com resistência de Alcolumbre

O fim da escala 6×1 está travado no Senado há quase dois meses, sem previsão para o início da tramitação, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), resiste às pressões para acelerar a análise e amplia o impasse com o governo do presidente Lula (PT), segundo o Metrópoles.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos no dia 27 de maio, chegou ao Senado no dia seguinte. Desde então, o texto aguarda o despacho de Alcolumbre, etapa necessária para que seja encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A proposta reduz de 44 para 40 horas o limite da jornada semanal e garante aos trabalhadores dois dias de descanso remunerado por semana. Na prática, a mudança impede a adoção do modelo no qual o funcionário trabalha durante seis dias consecutivos e descansa apenas um.

Embora tenha obtido ampla maioria entre os deputados, a PEC encontrou um ambiente mais resistente no Senado. Além das divergências sobre o conteúdo da proposta, a tramitação passou a fazer parte das disputas políticas entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto.

Alcolumbre rejeita pressão sobre a PEC da escala 6×1

A tensão aumentou depois que o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o presidente do Senado poderia ser tratado como “inimigo” caso continuasse sem enviar a PEC para análise da CCJ.

Em resposta, Alcolumbre divulgou uma nota na qual defendeu que a definição da pauta é uma atribuição exclusiva da Presidência do Senado. O parlamentar afirmou ainda que não se submete a “ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

A declaração foi interpretada como uma reação à estratégia de setores do PT que defendem ampliar a cobrança pública sobre o Congresso. Entre as iniciativas discutidas pela legenda está a retomada da campanha “Congresso inimigo do povo”, voltada a pressionar deputados e senadores a votar propostas consideradas populares.

Dentro do governo, no entanto, há preocupação com os possíveis efeitos dessa ofensiva. Interlocutores do Planalto avaliam que o confronto direto pode deteriorar ainda mais a relação com Alcolumbre e dificultar a aprovação de outras matérias consideradas prioritárias.

Proposta é tratada como bandeira social de Lula

Aliados de Lula enxergam o fim da escala 6×1 como uma das principais bandeiras sociais para a campanha presidencial. A redução da jornada de trabalho seria apresentada como uma medida voltada à melhoria da qualidade de vida e à ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores.

A possibilidade de a proposta não avançar antes das eleições preocupa integrantes do governo e dirigentes petistas. A avaliação é que, quanto maior a demora no Senado, menores serão as chances de conclusão da votação ainda durante o calendário eleitoral.

Alcolumbre, por outro lado, tem sinalizado que não pretende conduzir uma análise acelerada. O presidente do Senado argumenta que a Casa não deve apenas “carimbar” o texto aprovado pelos deputados.

A posição defendida por ele é que a PEC passe por pelo menos uma comissão e seja submetida a um debate mais amplo. A discussão deverá envolver representantes dos trabalhadores, parlamentares e integrantes do setor produtivo.

Aliados de Alcolumbre consideram improvável que a proposta seja votada antes das eleições. A tramitação dependeria não apenas da disposição da Presidência do Senado, mas também da construção de um acordo sobre possíveis alterações no texto.

Mudanças podem obrigar PEC a retornar à Câmara

O presidente do Senado também defende mudanças no conteúdo aprovado pelos deputados. Uma das possibilidades discutidas nos bastidores é incorporar pontos de outra proposta apoiada por setores empresariais e por integrantes da oposição.

Entre as ideias mencionadas está a criação de mecanismos que permitam o pagamento com base nas horas efetivamente trabalhadas. Essa alternativa, porém, enfrenta resistência de representantes dos trabalhadores e de parlamentares favoráveis ao texto aprovado pela Câmara.

Qualquer modificação realizada pelo Senado obrigaria a PEC a retornar para nova votação entre os deputados. Como se trata de uma emenda constitucional, as duas Casas precisam aprovar exatamente o mesmo texto, em dois turnos, com o apoio de pelo menos três quintos de seus integrantes.

A eventual devolução à Câmara ampliaria o tempo necessário para a promulgação e poderia empurrar uma decisão definitiva para depois do período eleitoral.

Recesso parlamentar reduz possibilidade de votação

O calendário do Congresso também dificulta o avanço da proposta. O recesso parlamentar começa em 18 de julho e interrompe as atividades legislativas regulares.

Após a pausa, a tendência é que a presença de deputados e senadores em Brasília diminua devido às campanhas eleitorais nos estados. O esvaziamento pode impedir a realização de votações que exigem quórum elevado, como ocorre com as propostas de emenda à Constituição.

Mesmo que Alcolumbre despache a PEC para a CCJ, o texto ainda precisará passar pela escolha de um relator, pela apresentação de um parecer e pela votação no colegiado. Somente depois dessas etapas a matéria poderá ser encaminhada ao plenário do Senado.

Relação entre Alcolumbre e Planalto se deteriorou

O impasse em torno do fim da escala 6×1 se soma a outros episódios de tensão entre Alcolumbre e o governo Lula. A relação se deteriorou após a indicação e a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

O afastamento entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto teria afetado a tramitação de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo. Nesse cenário, a PEC da jornada de trabalho passou a ocupar o centro de uma disputa que combina divergências sobre o texto, pressões eleitorais e dificuldades de articulação política.

Sem o despacho de Alcolumbre, a proposta permanece formalmente parada no Senado. A proximidade do recesso e a resistência a uma votação acelerada tornam cada vez mais distante a possibilidade de aprovação do fim da escala 6×1 antes das eleições.

SANGUE POR SANGUE! Novo líder do Irã jura vingança implacável contra o terrorismo dos EUA após assassinato de Ali Khamenei

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, elevou a temperatura geopolítica ao limite neste sábado (11) ao cravar que a vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, não é apenas uma promessa, mas uma exigência irrevogável do povo iraniano. Em uma declaração contundente, publicada poucos dias após o gigantesco funeral do líder histórico assassinado por um bombardeio ordenado por Washington, Mojtaba mandou um recado direto aos algozes de seu país. Com a lista dos culpados em mãos, ele garantiu que os responsáveis pelo derramamento de sangue pagarão caro e viverão sob o terror da retaliação.

“A vingança pelo mártir do Irã é a exigência do nosso povo e, com toda a certeza, deve ser realizada. Esses criminosos, cuja lista completa — do primeiro ao último — está em nossas mãos, levarão para o túmulo o desejo de ter uma morte tranquila, em sua própria cama” — Mojtaba Khamenei.

O peso da agressão imposta pelo eixo Washington-Tel Aviv deixou marcas profundas e literais no novo líder. Desde a ofensiva militar promovida pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro, Mojtaba não foi visto em público, ausentando-se até mesmo dos quatro dias de cerimônias fúnebres que pararam o país em homenagem ao seu pai. Fontes da imprensa iraniana revelam que a reclusão tem um motivo drástico: Mojtaba teria ficado com o rosto severamente desfigurado pelas explosões dos ataques inimigos, transformando suas cicatrizes no mais novo símbolo da resistência nacional contra o imperialismo.

A promessa de retaliação assombrou o presidente Donald Trump, que reagiu com sua habitual truculência e desespero. Apavorado com os gritos das multidões iranianas exigindo sua morte durante as marchas fúnebres do aiatolá, o extremista norte-americano ameaçou destruir a nação persa, bravateando ter mil mísseis “prontos e carregados” contra o território iraniano. Mesmo sob o alvo do arsenal bélico norte-americano, o Irã mantém a soberania e rechaça qualquer submissão. Fontes diplomáticas em Teerã já avisaram que a mesa de negociações está completamente interditada: o país só voltará a conversar quando os Estados Unidos curvarem-se aos acordos firrmados, garantirem a normalização das exportações de petróleo e respeitarem o livre trânsito no Estreito de Ormuz.

Plantão Brasil

Pastor do PL que pregava a moralidade é preso por torturar bebês e animais

Foi no celular dele que a polícia encontrou o material que levou até os outros suspeitos de envolvimento nos crimes

BAGÉ (RS) — O discurso público de moralidade, a retórica religiosa e a defesa ferrenha dos valores tradicionais ruíram de forma avassaladora na cidade de Bagé, no interior do Rio Grande do Sul. Tiago Ximendes, conhecido amplamente na região como pastor evangélico e atuante como vereador suplente pelo Partido Liberal (PL), foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Por trás da fachada de “cidadão de bem” e líder comunitário, as investigações da Operação Contra Barbariem revelaram a face de um homem apontado como peça-chave em uma das redes de tortura mais cruéis e chocantes descobertas recentemente no país.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (2/7), a Operação Contra Barbariem, para cumprir 12 mandados de busca e apreensão e 9 de prisão preventiva, expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé, no âmbito de investigação que apura a suposta prática de crimes de tortura contra crianças e de maus-tratos a animais.

As medidas foram cumpridas nos municípios sul-rio-grandenses de Bagé, de Candiota e de Canoas, com o objetivo de cessar a continuidade da prática desses crimes, de identificar vítimas e de colher provas para esclarecer a dinâmica dos fatos e eventual comercialização dos registros audiovisuais.

Entre os presos está o pastor evangélico e vereador suplente do PL, Tiago Ximendes (foto), da cidade de Bagé. Foi no celular do pastor que a polícia encontrou o material que levou até os outros suspeitos de envolvimento nos crimes.

Investigam-se indícios de reiterados episódios de violência física e psicológica praticados contra vítimas em situação de vulnerabilidade, incluindo bebês, crianças e animais domésticos. Parte dos fatos investigados teria ocorrido no município de Bagé e sido registrada e compartilhada por meios digitais.

Segundo as apurações, os investigados teriam desempenhado diferentes funções na dinâmica dos fatos, incluindo a produção e o compartilhamento de registros audiovisuais relacionados às condutas sob investigação.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, prática de crimes de imposição intencional de sofrimento físico ou mental contra crianças ou adolescentes, de maus-tratos a animais e de organização criminosa. (Fonte: Polícia Federal do Rio Grande do Sul)

Michelle volta a ser alvo de ataques bolsonaristas após elogiar programa do governo Lula

TariFlávio: Flávio Bolsonaro queria sangrar o Brasil para prejudicar imagem de Lula, afirma especialista

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um ofício ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo o adiamento do tarifaço sobre produtos brasileiros em 180 dias e alegando que as tarifas poderiam beneficiar o presidente Lula (PT) em ano eleitoral.

O tarifaço estadunidense, assim como os ataques ao Pix, a revogação de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, foi estimulado pelo irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na tentativa de evitar a condenação de Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. Eduardo foi condenado pelo STF pelo crime de coação.

Para o cientista político Mateus Albuquerque, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a estratégia utilizada pela família Bolsonaro foi equivocada, mas faz sentido dentro do contexto da extrema-direita. “Ela tem um sentido interno. Flávio Bolsonaro queria sangrar o Brasil e, ao sangrar o Brasil, prejudicar a imagem do governo Lula. Esse é o cálculo. E prejudicar a imagem do governo Lula pela questão da responsabilidade do incumbente. O eleitor brasileiro, muitas vezes, tem dificuldade de atribuir culpa. Então, se a escola do bairro não funciona, a culpa é do presidente. Existem alguns estudos que mostram isso. O eleitor brasileiro ia ver a economia indo mal e, portanto, ia evitar o voto em Lula. Acho que esse era o cálculo do bolsonarismo”, explica.

Por outro lado, continua Albuquerque, o governo Donald Trump imaginou que daria para aplicar no Brasil o mesmo tipo de estratégia de “diplomacia de baioneta” que se aplicou em outros países. A avaliação, contudo, se mostrou equivocada. “Para o trumpismo, o Brasil seria um país subalternizado, com uma economia menos complexa, dependente de setores. Os dois lados estavam errados. E, no caso do Flávio Bolsonaro, ignorou-se completamente o fato de que boa parte da população brasileira não gostou dessa medida. Inclusive do empresariado e da burguesia brasileira”, destaca.

Na avaliação do cientista político, a manobra de Flávio expõe que ele compreendeu o quanto a estratégia foi equivocada. “Compreendendo que o tarifaço agora não enfraquece, mas fortalece Lula, ele está tentando conter a sangria e jogar para a frente num hipotético governo Flávio, que, segundo as pesquisas, está cada vez mais difícil de acontecer“, pondera.

Mateus Albuquerque também destaca que Flávio errou na avaliação de que poderia, eventualmente, usar o tarifaço e uma eventual negociação dele como prova de poder e influência nos EUA. “O Brasil é o país da América Latina em que a população tem a melhor visão sobre os Estados Unidos em relação a outros países. O sentimento anti-ianque é mais fraco aqui do que em outros países. Mas parece que a família Bolsonaro testou muito o limite desse sentimento. A população brasileira — que não incorre muito em ufanismo, não é muito uma característica dela — não gostou do fato de que nossos governantes estão favorecendo outro país. Isso cria um sentimento de revanchismo”, explica.

Brasil de Fato

Lula manda recado a Flávio Bolsonaro: “eu quero saber o que você fez”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas indiretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante cerimônia realizada nesta sexta-feira (3), no Palácio do Planalto, para anunciar investimentos nas áreas de educação, saúde e habitação. Sem citar nominalmente seus adversários políticos, Lula insinuou que houve promessas não cumpridas durante a campanha eleitoral de 2022 e afirmou que a disputa eleitoral de 2026 será marcada pelo confronto entre fatos e discursos.

O programa Minha Casa, Minha Vida foi retomado pelo governo federal em 2023, no início do terceiro mandato do presidente petista, após a extinção do Casa Verde e Amarela.

Em outro momento do discurso, Lula também enviou um recado indireto ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como um dos pré-candidatos da direita à Presidência da República em 2026. Sem mencionar nomes, o presidente declarou que o próximo ano eleitoral será pautado pela avaliação do histórico dos candidatos.

“2026 é o ano da verdade. Eu não quero saber o que você vai fazer, eu quero saber o que você fez”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “A gente não vai permitir que a mentira prevaleça neste país”.

Pacote de investimentos

As declarações ocorreram durante cerimônia em que o governo federal anunciou um conjunto de ações nas áreas de educação, saúde e habitação em diversos estados brasileiros. O evento foi realizado um dia antes do início do período de restrições impostas pela legislação eleitoral, conhecido como defeso eleitoral, que passa a vigorar a partir deste sábado (4), limitando a publicidade institucional e o anúncio de novas ações governamentais.

Na área da educação, foram inaugurados dez novos campi da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nos estados de São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Piauí. Segundo o governo, os investimentos somam R$ 206,6 milhões, sendo R$ 196,5 milhões provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Durante a cerimônia, Lula agradeceu aos prefeitos que colaboram com o governo federal para a expansão da rede de institutos federais.

“Tenho dito em quase todos os lugares a que vou: se o prefeito oferecer o terreno ou o prédio, todas as cidades vão ter um instituto. A razão é simples: não há outra possibilidade de o Brasil dar o salto de qualidade que todo mundo sonha se a gente não colocar a educação como prioridade do nosso governo”, declarou.

O presidente também afirmou que, em sua gestão, investimentos em educação não devem ser tratados como despesas. Segundo Lula, a palavra “gasto” é incompatível com a política educacional defendida pelo governo.

R$ 464,8 milhões para a Saúde

Na área da saúde, o governo anunciou investimentos de R$ 464,8 milhões destinados à ampliação e qualificação da rede pública em estados como Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. Os recursos serão aplicados na aquisição de equipamentos, habilitação de serviços especializados e fortalecimento do programa Agora Tem Especialistas.

Já na área habitacional, foram entregues 1.620 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal.

Revista Forum

TariFlávio: Flávio Bolsonaro queria sangrar o Brasil para prejudicar imagem de Lula, afirma especialista

‘LCP porta fuzil em Rondônia’: tiete bolsonarista Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra

‘LCP porta fuzil em Rondônia’: Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra

“Vocês conhecem a LCP tão bem quanto eu”: autoproclamado “05” do clã Bolsonaro, Scheid revive sua suposta “história de superação” de 2018, chama a LCP de “facção criminosa” e prega cadeia para camponeses pobres.

latifundiário bolsonarista Bruno Scheid (PL-RO) publicou, em 15 de junho, um vídeo em que reencena, diante de latifundiários de Rondônia, o que apresenta como o grande trauma de sua vida: uma suposta ação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), em 8 de agosto de 2018, na fazenda de sua família, em Alvorada do Oeste (RO). Segundo o valente, ele e sua esposa chegavam à propriedade às 17h30 quando teriam se deparado com “15 caras encapuzados portando fuzil, pistolas, tudo que vocês possam imaginar”.

“Vocês conhecem a LCP tão bem quanto eu. Tá aqui, ó, atuando nessa região aqui há muitos anos”, afirmou Scheid, dirigindo-se a outros latifundiários que também têm dores de cabeça com a LCP. Segundo ele, os supostos homens armados “entraram numa propriedade que eu jamais imaginei que fossem entrar”, renderam ele e sua esposa e o mantiveram “sob cárcere”.

A apresentação avançou para o dramalhão: “Ali, naquele dia, quando fizeram aquilo comigo, me mataram”. Mas a plateia de latifundiários não precisava se preocupar: “No dia 8 de agosto mataram um cara e pariram o outro no dia 9. Fui eu que tô aqui hoje”. A frase de efeito, do tipo ensaiada, foi o ápice do vídeo, divulgado nas plataformas digitais de Scheid.

O “novo” Scheid, segundo ele mesmo, acordaria diariamente pensando no que faria para “defender pessoas como vocês”, em referência aos latifundiários presentes, homens acostumados a proporcionar violência e toda sorte de ilegalidade contra posseiros em Rondônia. Logo depois, explicou como pretende defendê-los: “Como é que eu vou fazer pra pisar no pescoço de vagabundo como a LCP fez comigo?”.

‘Guerrilha em curso em Rondônia’: bolsonaristas tentam demonizar a LCP para acabar com o direito à luta pela terra – A Nova Democracia
Policial e militar bolsonaristas usam de operação do Bope que assassinou camponês em Rondônia para tentar criminalizar a LCP.

‘Cárcere de tortura, humilhação e medo’

Scheid já havia recitado o mesmo drama no Podcast Resenha Política, onde apareceu como pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL). Com mais floreios, afirmou que passou “quase 20 horas num cárcere privado” por obra da LCP.

“Ali eu sofro um cárcere privado pesado de uma história que marcou a minha vida, marcou a memória da minha família. Um cárcere de tortura, um cárcere de humilhação, um cárcere praticado com o intuito único de ferir na alma e por medo, impor medo”, afirmou. No relato, Scheid disse ter sido “amarrado, despido, torturado” e ameaçado “psicologicamente, fisicamente durante a madrugada inteira”, causando incredulidade em que ouve a estória. Disse ainda que tudo teria ocorrido diante de “funcionário, mãe, filho, esposa”.

Nas gravações, Scheid não apresenta qualquer prova de suas acusações contra a LCP, nem mesmo que tenha ocorrido tais torturas por obra de outro agente. O latifundiário, contudo, aproveitou o relato para louvar a Polícia Militar de Rondônia (PM-RO), que realizou a “reintegração de posse” e devolveu a fazenda ao bolsonarista no dia seguinte. “Graças à honrosa Polícia Militar”, disse. Para ele, a PM-RO tem “um peso para a sociedade muito grande no ponto positivo” e seria “uma das mais confiáveis do Brasil”. Há controvérsias.

‘Fazenda invadida pela LCP’: Braguin choraminga por ex-NorBrasil e tenta criminalizar Área Tiago Campin dos Santos – A Nova Democracia
Ex-comandante da PM-RO publicou vídeo para defender a “Operação Dominus”, falsificar o caráter da Área Tiago Campin dos Santos e tentar ligar a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) ao chamado “bando do Jed”.

Realmente, para latifundiários como Scheid, o serviço tenaz e subserviente das forças oficiais vem muito bem a calhar. Na Área Tiago Campin dos Santos, camponeses denunciam ameaças da PM-RO e paramilitares a soldo de latifundiários contra famílias, destruição de ponte construída coletivamente, ataques à balsa usada pelas famílias e tiros disparados para aterrorizar mulheres e crianças. Policiais de uma corporação que que aterroriza os pobres do campo também servem como seguranças privados de latifundiários como João Martins – sobrinho de “Galo Velho”, acusado formalmente de ser de uma organização criminosa para grilagem de terras no estado –, que admitiu, em entrevista ao AND, contratá-los para proteger seus patrimônios.

Ademais, o recente Tribunal Popular Contra os Crimes do Latifúndio em Rondônia, realizado em março deste ano, condenou uma série de outros delitos no estado, como a apropriação de terras públicas por fraude, violência e grilagem, além de responsabilizar coronéis da PM-RO por crimes contra camponeses. Dias depois, PF e MPF abriram investigação sobre o assassinato de oito trabalhadores rurais e lideranças camponesas, entre 2009 e 2016, bem como sobre a atuação de “milícias privadas” (paramilitares) do latifúndio no estado.

Reportagem especial de AND sobre a autodefesa camponesa das áreas camponesas que hoje ocupam a ex-fazenda NorBrasil, em Rondônia.

‘Isso é movimento social ou facção criminosa?’

Em nova rodada de assaques, a “imprensa lixo” O Observador reproduziu a gritaria do caudatário rondoniense do clã Bolsonaro, Scheid, segundo o qual a LCP “porta fuzil em Rondônia”. O bolsonarista perguntou: “Isso é movimento social?”. E respondeu ele próprio, colérico: “Isso é facção criminosa”. No mesmo berreiro, Scheid atacou os camponeses que lutam pela terra: “Mas estes vagabundos que vivem da invasão de propriedades, todos têm que é ‘puxar’ cadeia”. Irônico é que tal frase, disparada por Scheid, se levada “ao pé da letra”, conduziria à cadeia não os camponeses, mas sim os latifundiários ladrões de terras da União.

O alarido de Scheid acompanha a campanha da extrema direita latifundista para enquadrar a luta pela terra no vocabulário de “facções” e “terrorismo”. Em maio, o latifundiário Ronaldo Caiado, ex-dirigente do grupo paramilitar de extermínio União Democrática Ruralista (UDR), defendeu classificar Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas” para viabilizar o emprego permanente das Forças Armadas reacionárias na Amazônia, sem decreto de Garantia da Lei e da Ordem, enquanto a PM-RO e seus delatores (alguns dos quais da falsa esquerda oportunista) normalizam a retórica da LCP como “organização criminosa ligada ao CV”, acusando-a de não ser movimento camponês, etc., no sonho podre de destruir a organização camponesa.

‘LCP enfrenta o aparato do Estado com armas de guerra’: ex-comandante da PM-RO ressurge das cinzas para atacar camponeses – A Nova Democracia
Em nota, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP) negou a autoria do ataque de 14 de abril à sede da fazenda NorBrasil. O ataque foi “orquestrado pela extrema direita latifundiária de Rondônia, com a participação do defenestrado comandante geral da PM, o matador de pobres Coronel Braguin, ainda assim ativo nos grupos de extermínio de camponeses e pobres”, no objetivo “de criminalizar a sagrada luta dos camponeses pobres pela terra e demonizar a LCP”.

No Senado, tramitam medidas tipicamente fascistas, peças do arcabouço jurídico punitivo da contrarrevolução. Entre elas está o projeto apresentado por Eduardo Girão (Novo-CE), que dispensa a decretação de Garantia da Lei e da Ordem para mobilizar tropas contra o chamado “domínio de áreas urbanas ou rurais”, fórmula que coloca na mira ocupações camponesas, comunidades indígenas e quilombolas.

A ofensiva recebe a bênção da falsa esquerda oportunista no governo: além de declarar que “facções e milícias” praticam “terrorismo” e de afirmar que “qualquer colaboração internacional” para combatê-las será bem-vinda, o governo de Luiz Inácio (PT) propôs endurecimento penal contra grupos que supostamente “dominem territórios”. Não por acaso, serviçais do latifúndio em Rondônia, como o ex-comandante da PM-RO Régis Braguin, já tentam aplicar a mesma fórmula à LCP, acusando a organização camponesa de “controlar territórios” nas áreas tomadas do latifúndio.

‘LCP ataca fazenda com armas de guerra’, acusam PM-RO e imprensa reacionária rondoniense, em nova peça da campanha de demonização – A Nova Democracia
A LCP reafirmou, em seu último comunicado público: “Repetimos: enganam-se pensando que seus ataques vão parar a luta pela terra!

Amor platônico pelo capitão do mato

Scheid afirma que a suposta ação da LCP de 2018 foi sua porta de entrada no bolsonarismo. Segundo ele, um ex-assessor de Jair Bolsonaro entrou em contato para perguntar se o então candidato à Presidência poderia usar o caso na campanha.

“Ali nasceu o primeiro contato com o presidente Bolsonaro”, afirmou Scheid, em tom romântico, quase adolescente. Para o tiete, aquele telefonema de campanha virou uma espécie de certidão de batismo político. Desde então, ele se agarra ao episódio como quem exibe uma migalha de curiosa intimidade com o clã Bolsonaro.

Segundo ele, Bolsonaro pediu que relatasse o caso e enviasse imagens. “Ele usou isso em algumas campanhas”, vangloriou-se. Scheid diz que Bolsonaro explorava seu caso como exemplo de “superação” à violência no campo: “Esse caso aqui lá de Rondônia, esse cara aqui, quase mataram esse cara, é isso que eu defendo, que não aconteça mais”.

Bolsonaro também fez da LCP alvo de palanque. Em outubro de 2020, publicou imagens de confrontos entre camponeses e policiais em Rondônia e escreveu: “Tenho a minha opinião, qual a sua?”. A publicação serviu de senha para nova ofensiva reacionária contra a LCP. Em 1º de maio de 2021, diante de uma plateia formada por latifundiários e bois zebus, durante a abertura da 86ª ExpoZebu, voltou a atacar os camponeses pobres e a organização.

Desde então, Scheid passou a autointitular-se o “05” do clã Bolsonaro, tornou-se vice-presidente do PL em Rondônia e tenta converter sua fidelidade rastejante à família de bandidos em cacife político e eleitoral para o Senado. Recentemente, foi autorizado a visitar Bolsonaro na Papudinha, onde o ex-presidente genocida e golpista está preso, e apresenta-se como seu assessor.

Quando vieram a público os áudios e mensagens sobre as relações do clã Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Scheid apressou-se a defender seus amores. Em maio, atacou os que chamou de “oportunistas” e “falsos bolsonaristas”, acusando-os de “correr da canoa” nos momentos de crise e depois tentar “reescrever a história”. O chilique ocorreu quando o caso Master expunha as relações de Flávio “Rachadinha” Bolsonaro com Vorcaro e o financiamento milionário de uma operação de propaganda eleitoral de extrema direita para reabilitar a imagem do capitão do mato.

Extrema direita acusa LCP de ‘novo ataque armado’ e tomada de latifúndio em Rondônia – A Nova Democracia
O herdeiro do latifúndio disse que a situação na região é grave, com a morte de quatro pessoas, entre elas o “gerente” do latifúndio e um “prejuízo que passa de R$ 100 milhões”. “Eles ficam dando tiro de fuzil toda noite. A gente não dorme mais”, disse.

Batalhas do Norte fizeram latifúndio tremer

A cruzada de Scheid contra a LCP recicla a mesma gritaria que tomou conta do latifúndio em 2021, quando os camponeses das Áreas Tiago Campin dos Santos, Dois Amigos e Ademar Ferreira enfrentaram a operação de guerra “Nova Mutum”. A ofensiva foi lançada pelo governo militar de Bolsonaro e generais, por meio da Força Nacional, e pelo governo de Rondônia, com a PM-RO, contra cerca de 800 famílias que vivem e produzem nas áreas. Mais de 3 mil homens foram mobilizados para desalojar as famílias numa operação que consumiu mais de R$ 1 milhão por dia para sustentar o cerco policial e militar contra os camponeses pobres.

As forças de repressão cercaram os acampamentos, atacaram famílias, destruíram casas e lavouras e buscaram impedir o abastecimento das áreas. Os camponeses resistiram com destruição de pontes e armadilhas para impedir o avanço das tropas, promoveram resistência política, enfrentaram a operação de guerra e retomaram seus lotes. Em 27 de novembro de 2021, as famílias retornaram às áreas de onde haviam sido expulsas.

LCP nega que camponeses executados pela PM-RO sejam da organização e denuncia ‘queima de arquivo’ – A Nova Democracia
Liga dos Camponeses Pobres rebate versão policial publicada pela “imprensa lixo” de Rondônia e acusa ação de encobrir esquema contra camponeses da Área Tiago Campin dos Santos.

Em maio deste ano, a campanha contra a Área Tiago Campin dos Santos voltou a se intensificar após a execução de dois camponeses pela PM-RO nas imediações da área. A LCP afirmou que os dois “não são e nunca foram da LCP” e denunciou o caso como “queima de arquivo” ligada ao chamado “bando do Jed”, ao ex-comandante da PM-RO Régis Braguin e ao superintendente do Incra-RO, Flávio.

Já em 1º de junho, uma decisão da 2ª Unidade de Conflitos Agrários de Porto Velho suspendeu a reintegração de posse coercitiva que ameaçava cerca de 400 famílias dos Acampamentos Tiago Campin dos Santos 1 e 2. A medida foi obtida após pedido de reconsideração da Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (Abrapo), e o conflito foi remetido à Comissão Regional de Soluções Fundiárias.

LCP responde a Bolsonaro: ‘Não vão conseguir parar a luta pela terra’ – A Nova Democracia
“Para os camponeses, sobreviver significa conquistar um pedaço de terra para trabalhar. Buscam tachar essa luta como guerrilha, pois bem, se assim quere

LCP responde: ‘Não vão conseguir parar a luta pela terra’

Em maio de 2021, antes das Batalhas do Norte, a Comissão Nacional das LCP divulgou uma nota em resposta aos ataques de Bolsonaro contra a luta pela terra. O texto destacou quem são os verdadeiros responsáveis pelo terror no campo: “Terroristas são os latifundiários ladrões de terra”, que agem com bandos de pistoleiros ou utilizam “as próprias forças policiais a seu serviço”, causando “verdadeiro terror no campo, cometendo toda sorte de crimes e atrocidades, assassinando impunemente camponeses e demais lutadores do povo”.

A nota afirmou que, para os camponeses pobres, sobreviver significa conquistar um pedaço de terra para trabalhar. Reafirmou que a LCP não é contrária à pequena e média propriedade, ao contrário, defende “a entrega das terras dos latifúndios para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra”. Ao mesmo tempo, denunciou a concentração fundiária, a grilagem e o roubo de terras da União, de indígenas, posseiros e camponeses em benefício dos grandes latifundiários.

LCP emite comunicado: ‘Os paramilitares bolsonaristas estão levando sua guerra covarde ao campo, é guerra o que eles vão ter!’ – A Nova Democracia
“Nós camponeses somos os palestinos do Brasil e lutamos contra um inimigo armado até os dentes; mas assim como o Povo Palestino, nossa luta é justa e venceremos inevitavelmente! Há exatos 75 anos, o povo chinês, em mais de 27 anos de guerra popular prolongada, derrotou três grandes inimigos que pesavam sobre o povo e a nação chinesa: o imperialismo, o capitalismo burocrático e o latifúndio feudal e semifeudal. Do mesmo modo, o povo palestino e o povo brasileiro, assegurarão a sua completa libertação, mesmo que a luta cobre muito tempo para se cumprir, nossa causa triunfará inevitavelmente!”, declara a LCP
anovademocracia.com.br

Em outubro de 2024, a LCP apontou que a reação latifundiária bolsonarista organiza bandos paramilitares financiados pelo latifúndio e amparados pelo “suporte militar das PMs e Polícias Civis”. O texto recordou que a extrema direita bolsonarista criou o “Invasão Zero” depois das derrotas impostas pela LCP em Rondônia e advertiu: “Esta horda paramilitar bolsonarista está levando sua guerra covarde ao campo, é guerra que eles vão ter!”.

Mais recentemente, em novembro de 2025, a organização respondeu à mesma cantilena ventilada hoje por Scheid. Afirmou que a LCP “não é organização criminosa, muito menos terrorista”, mas “organização classista e combativa dos camponeses pobres do Brasil”. Reafirmou a luta pela Revolução Agrária, pela entrega da terra aos camponeses pobres e pela autodefesa das massas diante da violência reacionária e terrorista do velho Estado.

Moraes revoga registro de CAC e manda apreender arsenal de Bolsonaro

Alexandre de Moraes mandou apreender armas registradas em nome de Jair Bolsonaro e revogou o porte e o registro de CAC do ex-presidente. A defesa terá 48 horas para entregar o armamento à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

A decisão inclui a Glock 9 mm apreendida com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho durante uma blitz em Brasília. Bolsonaro admitiu à Polícia Civil ser dono da pistola e disse que mantinha a arma em casa porque havia “três mulheres” no imóvel onde cumpre prisão domiciliar.

A lista inclui pistolas Taurus .380 e .40, Glock 9 mm, Caracal 9 mm, Arex 9 mm e SIG Sauer 9 mm. Também aparecem carabinas/fuzis Caracal 5,56 mm e Springfield Armory 7,62 mm, além de espingardas Typhoon calibre 12 e Maestro Arms Company calibre 12.

Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Glock é o item com maior peso simbólico na lista, tratada como a escolha número um da família. Bolsonaro já havia relatado publicamente um assalto sofrido em 1995, quando era deputado federal no Rio de Janeiro, em que teve uma pistola Glock levada.

Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mas considerou incompatível a permanência de armas sob posse do ex-presidente. O ministro também advertiu que o descumprimento das cautelares pode levar à revogação do benefício e ao retorno ao regime fechado.

DCM

Lula manda recado a Flávio Bolsonaro: “eu quero saber o que você fez”

Michelle volta a ser alvo de ataques bolsonaristas após elogiar programa do governo Lula

Declaração sobre programa do MEC provocou reação de bolsonaristas e ocorre em meio à crise com Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro elogiou nesta sexta-feira (3) a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo federal, e acabou sendo alvo de críticas de apoiadores do bolsonarismo. Em publicação nas redes sociais, a ex-primeira-dama classificou a iniciativa do Ministério da Educação como um “sonho realizado”. As informações são da CNN Brasil.

Ela também afirmou que continua trabalhando por um Brasil “mais acessível” e parabenizou a comunidade envolvida com a política pública. O programa do Ministério da Educação busca assegurar a oferta, o acesso e a permanência de estudantes que utilizam a educação bilíngue para surdos.

Após a manifestação da ex-primeira-dama, parte da base bolsonarista reagiu negativamente nas redes sociais. De acordo com a apuração, deputados, senadores e outras lideranças do Partido Liberal (PL) passaram a compartilhar, em grupos de WhatsApp, uma figurinha de Michelle vestindo uma camisa do Partido dos Trabalhadores (PT).

Além disso, militantes direitistas divulgaram reportagens sobre o elogio ao programa acompanhadas de mensagens com acusações de “traidora”.

Crise interna no PL

O episódio ocorre em meio ao desgaste político entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na semana passada, a ex-primeira-dama publicou um vídeo em que afirmou ter recebido uma “punhalada” e tornou público o conflito que mantém há meses com o enteado.

Na mesma noite, Flávio respondeu às acusações de que teria desrespeitado e humilhado Michelle durante uma conversa telefônica. Em suas redes sociais, pediu desculpas publicamente à esposa de seu pai e afirmou estar “de coração aberto” para ela.

A disputa aprofundou divergências dentro do Partido Liberal, dividindo parlamentares entre apoiadores de Flávio e de Michelle. Em 30 de junho, a ex-primeira-dama anunciou sua saída do comando do PL Mulher, mantendo indefinida sua atuação no cenário interno da legenda.

Encontro com Valdemar Costa Neto

Nesta sexta-feira (3), Flávio Bolsonaro participou de um encontro com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, durante um seminário do partido realizado no Rio de Janeiro. De acordo com o jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, a conversa abordou a crise provocada pelo vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro.

Segundo a apuração, Valdemar defende uma reunião presencial entre Michelle e Flávio para tentar encerrar o impasse. No entanto, a ex-primeira-dama tem resistido à proposta.

Pastor do PL que pregava a moralidade é preso por torturar bebês e animais

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‘LCP porta fuzil em Rondônia’: tiete bolsonarista Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra

Lula risca o chão: disputa será entre quem fez e quem destruiu

Na última cerimônia de inaugurações antes da proibição legal, presidente antecipa o eixo da campanha pela reeleição

O presidente Lula transformou esta sexta-feira, último dia antes do chamado “defeso eleitoral”, que proíbe sua presença em inaugurações até o fim da campanha presidencial, em uma supercerimônia de entregas nas áreas de educação, saúde e habitação.

Lula recordou o cenário de destruição em que se encontrava o país quando assumiu novamente o governo, em 2023, destacou a retomada de investimentos, especialmente naqueles três setores, e antecipou um dos eixos fortes de sua campanha: a comparação entre quem fez e quem destruiu o país.

Diante de um telão no Palácio do Planalto, Lula comandou à distância a abertura de dez novos campi de Institutos Federais, a entrega de 1.619 unidades do Minha Casa Minha Vida, a inauguração de um hospital regional em Pernambuco, de equipamentos de oncologia no Rio de Janeiro e em São Paulo e de dezenas de ambulâncias em diversas regiões do país.

Ele lembrou os cortes de orçamentos no governo passado e o abandono de programas como a Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida, em contraste com sua retomada e com a criação do Pé de Meia e do Aqui Tem Especialistas, para ficar em poucos exemplos.

“Chegamos na hora da verdade”, disse Lula. “Nessa campanha cada um vai ser medido pelo que fez e pelo que deixou de fazer”.

Ficou claro que a campanha da reeleição não vai se limitar ao destaque dos feitos de Lula no governo. Vai reviver os pesadelos do desgoverno Bolsonaro, como a fila do osso, o desemprego, a destruição de programas sociais e, certamente, as 700 mil mortes na pandemia.

No discurso desta sexta, Lula afirmou que pelo menos metade dessas vidas poderiam ter sido poupadas se o governo anterior não tivesse “negado a vacina e negado a ciência”.

Apontar para o futuro é sempre necessário numa campanha eleitoral; é o que dizem os manuais da política. No caso brasileiro, recordar o pesadelo também é essencial. Para que não se repita

Do Brasil 247

O xadrez na minha vida

Faz muito tempo que não jogo, muito tempo, mas, penso agora que o jogo foi decisivo para ser quem sou.

Se você continuar a ler, vou te contar o início dessa parada: a minha história junto com o xadrez, que, em si, é história pura.

Não sei o que me trouxe a compulsão para escrever. Não vejo um dia ou um fato específico. Sei que às vezes é só um fardo, por exemplo, quando quero dormir e a ideia não sai da cabeça – ou quando estou conversando ou em aula e não posso parar para anotar um assunto qualquer que brotou na cabeça. Já fiz isso, algumas vezes: parei de falar e fiz uns garranchos.

Talvez o histórico da família, talvez a querida Tia Cármen (bibliotecária de formação) nos estimulando numa feliz competição para escrevermos um pequeno conto, numa tarde, em São Paulo. Talvez tudo isso junto, com algo mais.

O que me lembro, parecido nessa história “duas coisas que me educaram para a escrita”, é de uma infância doída, indo e vindo ao Hospital do Servidor Público, na capital, aos cinco anos.

Igual à história “duas coisas que me…”, foi literalmente doído, depois, quando me quebrei sozinho também.
Porém, não tive uma infância infeliz, a imaginação não permitiu. Mesmo no hospital.

Aos seis anos aprendi a jogar xadrez, com gesso até o peito. Um enfermeiro ensinou a todas as crianças daquele pavilhão, e eram muitas, essa nobre arte da logística e da conquista de território: xadrez é política e poder. Não é à toa que tem Rei, Rainha, bispo e torre – e peões. Aliás, xadrez também é luta de classes – com seus peões descartáveis.

O lado mais legal dessa história, mais criativo, muito mais, está no “como” aquele enfermeiro fazia as peças do xadrez. Cada quarto de crianças tinha seu conjunto.

Ele reutilizava, depois de totalmente higienizadas, seringas plásticas. Cortava para que se parecessem com Reis ou cavalos, Rainhas ou peões.

Por causa das idas e vindas, fui alfabetizado aos 8 anos. Mas, com tantas aventuras de Reis e Rainhas na cabeça, não percebi que o tempo tinha passado. Eu estava jogando, brincando, viajando. As crianças jogaram e brincaram, construindo seus próprios castelos imaginários e no tabuleiro.

Fui alfabetizado em dois meses, novembro e dezembro, quando estava em casa, mas com tantas histórias tudo já parecia velha companhia.

Acho que o enfermeiro enxadrista é o culpado da minha escrita.

Dedico essa breva crônica a ele, e a todos que fizeram ou fazem a vida de crianças serem uma feliz e interminável aventura.

De lá pra cá, escrevendo isso no WhatsApp, acho que posso dizer: a vida é um eterno jogo de xadrez. E nesse jogo começa a ganhar quem cuida e protege melhor os seus peões. Contra bispos, Reis e Rainhas. E assim o xadrez vira Sociologia e História.

@viniciocarrilhomartinez

Ação na PGR vai pedir atuação “célere e contundente” de André Mendonça contra Flávio Bolsonaro no caso Master

Os deputados Rogério Correia (PT-MG), vice líder do PT na Câmara, e Lindbergh Farias (PT-RJ) vão protocolar uma ação junto ao Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet pedindo que ele cobre uma atuação “célere e contundente” do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de que o senador manteve encontros recorrentes com Daniel Vorcaro.

“Há provas como mensagens, áudios e visitas ao banqueiros, além do depósito dos milhões de dólares em um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. As provas são fartas e é necessário que aja uma ação contundente e célere de André Mendonça sobre Flávio Bolsonaro, que não vimos até agora”, disse à Fórum o vice líder do PT na Câmara.

 

A análise dos governistas e de fontes da PF é que está havendo uma blindagem de Mendonça sobre o grupo político de sua origem, ligado ao clã Bolsonaro, na relatoria das ações do Caso Master.

No entanto, há um consenso de que, após a ação contra Wagner, haverá constrangimento se Mendonça for provocado e negar uma ação da PF contra Flávio Bolsonaro, visto que as provass contra o senador são muito mais contundentes e os valores, comprovadamente transferidos pelo banqueiro, bem mais vultosos.

Uma suposta negativa de Mendonça em agir contra Flávio Bolsonaro abriria espaço para um pedido de suspeição do ministro, que foi alçado à Suprema Corte por Jair Bolsonaro após substituir Sergio Moro no comando do “super” Ministério da Justiça.

Homem de confiança do ex-governo Bolsonaro, Mendonça assumiu o posto após Sergio Moro deixar o comando da pasta atirando, acusando Jair de interferência na Polícia Federal justamente para proteger o filho Flávio nas investigações do caso de corrupção das rachadinhas.

Após a briga com o clã, Moro submergiu e acabou reatando com Bolsonaro nas eleições contra Lula em 2022. A reaproximação resultou em uma nova parceria, com o ex-juiz se filiando às hostes do PL para ser candidato ao governo do Paraná com apoio de Flávio Bolsonaro.

Ataque de nervos

Neste domingo, Flávio Bolsonaro defendeu a postura de Mendonça, que vem sendo acusado de blindá-lo nas investigações, em ataque à jornalista Eliane Cantanhede, que cobrou o ministro de avalizar uma ação da Polícia Federal (PF) contra o filho “01” de Jair Bolsonaro em artigo no Estadão.

“Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo)”, disparou Flávio, que voltou a mentir dizendo que “possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”.

No entanto, o senador ignorou as novas denúncias e não se explicou sobre os diversos encontros com Vorcaro, insistindo na mentira de que só manteve contato com o banqueiro em razão do suposto patrocínio ao filme sobre o pai.

Mentiras fazem derreter nas pesquisas

Após Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial.

Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.

“Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19).

Rodovalho, que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas pelo senador sobre o caso.

Evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro é privado e para o filme não teria razões para mentir.

O bispo defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das mentiras em série.

“Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse.

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Revista Forum

Lula convoca ministros para discutir situação de Jaques Wagner e Planalto pressiona por troca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a calcular o impacto político da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Ao longo desta quinta-feira (18), Lula conversou com ministros palacianos no Palácio da Alvorada para tratar dos efeitos da nova fase da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas envolvendo o Banco Master.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, segundo a CNN Brasil, uma ala avalia que a operação prejudica a imagem do governo federal e afeta diretamente a articulação política no Senado. Esse grupo defende que Wagner seja substituído da liderança do governo na Casa. Por enquanto, porém, prevalece a avaliação de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com o parlamentar e outros aliados.

Lula falou por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta-feira, mas auxiliares afirmam que o presidente prefere aguardar uma reunião presencial antes de deliberar sobre o assunto. Como o petista terá compromissos no Sudeste nos próximos dias, o encontro deve ficar para a próxima semana.

Interlocutores do presidente dizem que o Planalto já estava preparado para responder a questionamentos sobre possíveis conexões do PT baiano com o caso Banco Master. A operação contra Wagner, no entanto, surpreendeu integrantes do governo.

Jaques Wagner e familiares foram alvos de busca e apreensão. O senador é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master. Em nota, ele nega ter atuado em favor desta ou de qualquer outra instituição financeira.

Senador Jaques Wagner. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Após a operação, o PT alinhou o discurso interno. A principal orientação é individualizar eventuais responsabilidades de Wagner ou de qualquer outro aliado citado nas investigações, tentando preservar Lula, que disputa a reeleição neste ano.

Segundo apuração da CNN, o partido pretende manter o caso Banco Master em sua comunicação política e nas redes sociais. A estratégia será destacar que Lula deve enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial e que o adversário também aparece ligado a personagens investigados no caso.

Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes petistas devem intensificar publicações sobre a visita de Flávio a Daniel Vorcaro e sobre o áudio em que o senador cobra recursos do banqueiro para o filme “Dark Horse”. O partido também deve lembrar que Flávio chamou Vorcaro de “mermão”.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner é “depositário de confiança”, mas declarou apoio às apurações sobre o Banco Master. “Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu.

O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também reforçou a “confiança” do partido em Wagner. Ele afirmou que “uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”.

DCM

Se Jaques Wagner é mesmo amigo de Lula, é ele quem tem que pedir para sair

O atual líder do governo não tem o direito de colocar em risco a reeleição do presidente Lula e o futuro do Brasil em nome de interesses pessoais

Por Leonardo Attuch

O senador Jaques Wagner tem todo o direito à presunção de inocência. Esse é um princípio fundamental do Estado Democrático de Direito e deve valer para todos, inclusive para adversários políticos. Ele deve ter o direito de se defender, de apresentar suas explicações e de demonstrar, se for o caso, que não cometeu qualquer irregularidade no episódio envolvendo o Banco Master.

Mas uma coisa é a esfera jurídica. Outra, completamente diferente, é a esfera política. E, politicamente, a permanência de Jaques Wagner como líder do governo Lula no Senado se tornou insustentável.

A operação da Polícia Federal contra Wagner e seus familiares produziu um desgaste evidente para o governo. Não apenas porque Wagner é um senador do PT. Não apenas porque é um aliado histórico de Lula. Mas porque ele ocupa uma função estratégica: como líder no Senado, fala em nome do governo, negocia com bancadas, articula votações e representa o presidente em uma das Casas mais importantes do Congresso Nacional.

Nesse cargo, não basta ser inocente. É preciso também não se tornar um problema político para o governo que se representa. E Wagner, neste momento, virou um problema político para Lula.

Se Jaques Wagner é, de fato, amigo de Lula, é ele quem deveria tomar a iniciativa de entregar o cargo de líder do governo no Senado. Não para admitir culpa. Não para abrir mão de sua defesa. Não para se submeter a uma condenação antecipada. Mas para evitar que o presidente Lula, o governo federal e o projeto político que hoje enfrenta a extrema direita sejam arrastados para uma crise que não lhes pertence.

A manutenção de Wagner na liderança virou um presente para a oposição. É tudo o que os adversários de Lula desejam: um líder do governo sob investigação, sendo obrigado a se explicar, enquanto o Planalto tenta sustentar sua articulação política no Congresso e preparar a disputa pela reeleição.

Para quem apoia Lula, como é o caso do Brasil 247, essa não pode ser uma questão pessoal. O Brasil é muito mais importante do que Jaques Wagner. A reeleição de Lula é muito mais importante do que a permanência de qualquer aliado em qualquer cargo. E a defesa do atual projeto de desenvolvimento e inclusão social não pode ficar refém da biografia de ninguém.

Wagner tem uma história relevante. Foi governador da Bahia, ministro, dirigente importante do PT e interlocutor de Lula por décadas. Mas justamente por conhecer a dimensão da responsabilidade que carrega, deveria compreender que há momentos em que o único gesto possível é sair.

Sair para preservar o governo. Sair para não criar novos constrangimentos. Sair para não dar munição diária à oposição. Sair para permitir que Lula reorganize sua liderança no Senado com alguém que não esteja no centro de uma crise policial e política.

Diante do caso Wagner, o governo Lula, é preciso reconhecer, tem um ponto importante a seu favor neste caso: a Polícia Federal atua com autonomia. Não há blindagem política. Não há interferência indevida. Não há tentativa de sufocar investigação. Isso diferencia o atual governo do antecessor, de Jair Bolsonaro, e reforça o compromisso institucional com a apuração dos fatos.

Mas justamente por isso Wagner deveria compreender que sua permanência na liderança se tornou ainda mais difícil. Se a Polícia Federal tem autonomia para investigar, o governo também precisa ter autonomia política para se proteger dos efeitos de uma investigação que atingiu seu líder no Senado.

O PT tenta, corretamente, individualizar responsabilidades. Se houver qualquer revelação envolvendo Wagner ou qualquer outro aliado, a responsabilidade deve ser de quem eventualmente praticou atos irregulares, não do presidente Lula. Mas essa estratégia só será convincente se vier acompanhada de gestos políticos claros.

Não basta dizer que o caso é individual se o investigado continua ocupando uma posição de representação direta do governo.

Também é correto lembrar que o caso Banco Master atinge fortemente o campo bolsonarista, especialmente pelas relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e pelas cobranças relacionadas ao filme Dark Horse. É legítimo que o PT explore essas conexões e mostre à sociedade onde estão as relações mais comprometedoras no escândalo. Mas isso não elimina o problema Wagner. Uma coisa não anula a outra.

Flávio Bolsonaro deve dar explicações sobre suas relações com Vorcaro. Hugo Motta deve dar explicações sobre o empréstimo de R$ 22 milhões pedido à cunhada. Mas Jaques Wagner também precisa entender que, neste momento, sua presença na liderança do governo prejudica o presidente Lula. E prejudicar Lula, neste momento histórico, significa prejudicar o Brasil.

O país vive uma disputa decisiva. De um lado, está a tentativa de reconstrução democrática, de defesa da soberania nacional, de retomada de políticas sociais e de reposicionamento do Brasil no mundo. De outro, está a extrema direita, que já demonstrou desprezo pela democracia e segue tentando voltar ao poder com Flávio Bolsonaro.

Nesse contexto, não há espaço para vaidades pessoais, apego a cargos ou argumentos baseados em amizade. Se Wagner é amigo de Lula, deve demonstrar esta amizade de forma concreta. E, neste momento, ajudar Lula significa sair com dignidade. Sair para não colocar em risco um projeto político muito maior do que ele.

O sentimento de muitos apoiadores do presidente é claro: Wagner deve entregar o cargo. Não porque esteja condenado. Não porque tenha perdido seus direitos. Mas porque a política exige responsabilidade, senso de oportunidade e capacidade de colocar o coletivo acima do interesse individual.

O Brasil é maior do que Wagner. O projeto representado pelo presidente Lula é maior do que Wagner. E a reeleição é decisiva demais para ser colocada em risco por um constrangimento que pode e deve ser resolvido com um gesto simples: pedir para sair.

Se Jaques Wagner é mesmo amigo de Lula, ele tem a obrigação de pedir para sair. pic.twitter.com/Ugsdvw3i3C

Do Brasil 247

Em proposta de delação, Vorcaro diz ter pago US$ 30 milhões a Alcolumbre

Ex-banqueiro afirma que valor teria sido depositado em conta no exterior

 O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo com as recentes revelações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso há cerca de três meses e em negociação para firmar um acordo de delação premiada. Segundo a revista Veja, a proposta cita supostas relações entre o ex-controlador da instituição financeira e figuras de destaque da política nacional e do Judiciário.

A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11). A justificativa foi de que o depoimento do ex-controlador do Banco Master não trouxe novidades à investigação nem indicou outros envolvidos nos crimes investigados.

Acusação envolve Davi Alcolumbre

De acordo com a reportagem, um dos relatos apresentados pelo ex-banqueiro envolve o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo Vorcaro, teria sido realizado um pagamento de 30 milhões de dólares ao parlamentar, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões. O ex-controlador do Banco Master afirma que o valor teria sido depositado em uma conta no exterior em troca de apoio a interesses da instituição financeira.

A operação, ainda de acordo com o relato, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. As alegações integram parte da proposta de colaboração apresentada às autoridades,

Judiciário também aparece nos relatos

As declarações do ex-banqueiro não se limitam ao meio político. Segundo a Veja, Vorcaro também mencionou integrantes do Judiciário que teriam recebido pagamentos milionários ou atuado em favor dos interesses do Banco Master em momentos decisivos para a instituição.

Um dos relatos menciona um suposto pagamento de R$ 15 milhões efetuado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador financeiro de transações consideradas ilegais.

O ex-banqueiro também teria prometido detalhar a atuação de outro integrante do Judiciário que, segundo ele, atuou em defesa dos interesses do banco quando a instituição enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central.

Impasse sobre a delação premiada

As revelações surgiram em meio às negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. As duas primeiras propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelos investigadores, que consideraram as informações insuficientes ou sem elementos novos relevantes para o avanço das apurações.

Os advogados de Vorcaro sustentam, porém, que algumas denúncias teriam sido descartadas sem análise adequada e afirmam possuir provas para sustentar os relatos apresentados.

STF acompanha o caso

Relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não comentou especificamente as acusações. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o magistrado tem defendido que as investigações sejam conduzidas com “independência, imparcialidade e de forma não seletiva”. A defesa de Vorcaro afirma ter levado ao Supremo questionamentos sobre a condução das negociações para a delação premiada.

Considerado um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Banco Master envolve um prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. As investigações já revelaram relações da instituição com diferentes agentes públicos e autoridades políticas, mas especialistas ressaltam que os relatos apresentados em acordos de colaboração precisam ser acompanhados de provas para produzir efeitos judiciais.

Do Brasil 247

Vai ter censura? Lula abre 10 pontos para Flávio Bolsonaro em 1° turno e vence todos no 2°, diz Quaest

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno da disputa presidencial, com 39% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em segundo lugar, com 29%.

O levantamento é o primeiro divulgado pela Quaest desde a revelação de diálogos em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa AtlasIntel, que também mediu o impacto do escândalo sobre a campanha de extrema-direita, foi censurada pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A pesquisa também ocorre depois de Flávio se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

Na rodada anterior, divulgada em maio, Lula também tinha 39%, enquanto Flávio registrava 33%. O cenário, porém, não é idêntico: em maio, a pesquisa testava 10 pré-candidatos; agora, são 13 nomes. Pela primeira vez, a Quaest incluiu o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

Depois de Lula e Flávio, aparecem o fundador do MBL, Renan Santos (Missão), e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. Aécio Neves e o ex-governador Romeu Zema (Novo) pontuam com 2% cada. Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) têm 1% cada.

Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Heró Bezerra (PRTB) não pontuaram. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 9%, ante 10% em maio. Os indecisos subiram de 5% para 10%.

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Segundo turno

Nos cenários de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente dos adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o petista marca 44%, ante 38% do senador. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 14%, e 4% estão indecisos.

Contra Zema, Lula tem 45%, diante de 35% do ex-governador. No cenário contra Caiado, o presidente também aparece com 45%, contra 35% do ex-governador de Goiás. Na simulação contra Renan Santos, Lula registra 45%, e o empresário tem 31%.

Para Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o cenário é de otimismo para o campo da esquerda. Ele avaliou as vantagens nos quatro cenários como um indicativo de que a vitória petista “é logo ali”.

A pesquisa também mediu a avaliação do governo Lula. Segundo a Quaest, 48% desaprovam a atuação do presidente, enquanto 47% aprovam. A gestão é considerada ótima ou boa por 34% dos entrevistados, regular por 26% e ruim ou péssima por 38%.

Outro fator no cenário político foi a decisão do governo estadunidense de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. As duas medidas foram criticadas por Lula.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.

O instituto também perguntou sobre a firmeza do voto. Para 63% dos entrevistados, a escolha do candidato é definitiva. Outros 36% afirmaram que ainda podem mudar de ideia até a eleição.

DCM

PT lança carta a evangélicos, critica manipulação da fé e busca ampliar diálogo com igrejas

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta segunda-feira (8), em Brasília, uma carta aberta direcionada ao público evangélico, em uma iniciativa que busca fortalecer o diálogo com igrejas e fiéis em meio ao cenário eleitoral de 2026.

O documento foi apresentado durante o 4º Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores e traz reflexões sobre temas sociais, democracia e ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende disputar a reeleição.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a carta representa um aceno especialmente a setores neopentecostais e procura aproximar valores da fé cristã de pautas defendidas pelo partido.

O texto aborda questões como combate à violência contra a mulher, defesa da democracia, proteção social e enfrentamento da desinformação. Ao mesmo tempo, evita temas que historicamente geram divergências entre parte do eleitorado evangélico e setores da esquerda, como direitos da população LGBTQIA+, questões de gênero e a descriminalização do aborto.

Em um dos trechos centrais, a carta critica o uso político da religião e faz referência a passagens bíblicas dos livros de Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro.

“Rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio”, afirma o documento.

A carta também manifesta preocupação com a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio, defendendo que a religião deve ser um instrumento de união social.

“A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum”, destaca outro trecho.

Evangélicos e política

O documento ressalta ainda que os evangélicos não constituem um grupo político homogêneo e afirma não ter a intenção de representar todas as denominações religiosas existentes no país. A proposta apresentada pelos organizadores é associar a fé cristã a pautas como justiça social, proteção das populações vulneráveis e reforma agrária.

De acordo com integrantes do núcleo evangélico petista, essas bandeiras estariam alinhadas aos ensinamentos de Jesus e à tradição evangélica.

A aproximação com o eleitorado evangélico é considerada estratégica para o PT. Nas últimas eleições presidenciais, pesquisas de intenção de voto mostraram vantagem recorrente de candidatos ligados ao campo bolsonarista entre os eleitores desse segmento religioso, tornando o grupo um dos maiores desafios eleitorais para a legenda.

Edinho Silva elogia Lula

O encontro realizado na capital federal teve como tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”. A palavra “Mishpat”, de origem hebraica, pode ser traduzida como “justiça”.

Durante o evento, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, fez elogios à relação do presidente Lula com a comunidade evangélica.

“O presidente que mais de forma efetiva respeitou a comunidade evangélica foi o presidente Lula. Nenhum presidente fez tanto para reconhecer a comunidade evangélica quanto o presidente”, declarou.

Janja critica Silas Malafaia

Também presente ao encontro, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, criticou o pastor Silas Malafaia, um dos principais apoiadores políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrante da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Ao comentar declarações feitas por Malafaia em redes sociais, Janja respondeu:

“Eu também não chamo ele [Malafaia] de pastor. Ele teve a cara de pau de ir em uma rede social e falou que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher para mim é importante.”

A manifestação ocorreu em meio às discussões sobre o papel das lideranças religiosas no debate político nacional e reforçou o tom de confronto adotado por integrantes do governo e do PT em relação a figuras influentes do campo conservador evangélico.

Estratégia para 2026

O lançamento da carta ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas visando as eleições presidenciais de 2026. Ao buscar aproximação com lideranças e fiéis evangélicos, o PT tenta reduzir resistências históricas dentro de um dos maiores grupos religiosos do país e ampliar sua presença em um segmento considerado decisivo para o resultado eleitoral.

O documento aposta em temas como democracia, solidariedade, combate à desigualdade e valorização da fé como elementos de convergência entre a atuação política do partido e parte da comunidade evangélica brasileira.

Do Brasil 247

PF deve rejeitar nova delação de Daniel Vorcaro

Polícia Federal avalia que nova proposta de Daniel Vorcaro não traz fatos inéditos e deve recusar colaboração pela segunda vez

A Polícia Federal deve rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por avaliar que os termos enviados na semana passada não acrescentam elementos relevantes à investigação. A decisão deve ser comunicada aos advogados ainda nesta semana, possivelmente nesta terça-feira (9), segundo Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Será a segunda vez, em menos de um mês, que a PF recusa uma tentativa de colaboração de Vorcaro. Em maio, a primeira proposta já havia sido considerada insuficiente pelos investigadores, que apontaram ausência de fatos novos e a omissão de informações que já eram conhecidas pelas autoridades.

Na nova tentativa, Vorcaro teria apresentado detalhes sobre situações envolvendo políticos e autoridades. Para os investigadores, no entanto, o material continuaria sem indicar novidades concretas em relação ao que já foi apurado e também não apontaria crimes atribuídos a parceiros do ex-banqueiro.

Autoridades avaliam que a estratégia de Vorcaro pode estar ligada a uma tentativa de ganhar tempo. A leitura entre integrantes da investigação é que o ex-banqueiro estaria aguardando sinais do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma eventual flexibilização das medidas impostas contra ele e seus familiares.

O tema ganha relevância em uma semana em que o Supremo deve retomar o julgamento sobre a manutenção da prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. A decisão da Corte é acompanhada de perto pela defesa e pelas autoridades envolvidas no caso.

Apesar da nova rejeição, a recusa da PF não impede que Vorcaro apresente outra proposta de colaboração no futuro. Pela legislação, investigados podem voltar às autoridades com novos termos caso tenham informações consideradas relevantes para o avanço das apurações.

Na prática, porém, integrantes da PF avaliam que a insistência em propostas sem elementos inéditos tende a ter pouco efeito sobre a situação do ex-banqueiro. Um membro da corporação afirmou que “ficar nesse vai e vem” não deve contribuir para melhorar o quadro enfrentado por Vorcaro.

A Procuradoria-Geral da República também estaria insatisfeita com os novos termos apresentados pelo dono do Banco Master. O órgão, contudo, tem adotado postura distinta da PF: em vez de recusar formalmente a delação, mantém as negociações abertas na expectativa de que a proposta seja aprimorada.

Do Brasil 247

O medo de aliados de Flávio Bolsonaro para a próxima pesquisa Quaest

A nova pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa presidencial de 2026 será divulgada a partir de quarta-feira (10) sob forte expectativa entre partidos e aliados dos principais pré-candidatos. O levantamento é tratado nos bastidores como um dos principais termômetros da corrida ao Planalto, ao lado do Datafolha, e deve medir o impacto de temas recentes sobre o cenário eleitoral.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre sexta-feira (5) e segunda-feira (8).

Segundo o Globo, a avaliação reservada entre assessores de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é de que o senador pode registrar uma ligeira queda em comparação com a rodada de maio, ainda sob efeito do novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Também há expectativa de pequena alta de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, sem alteração relevante no desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento será divulgado após as revelações sobre a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Quaest vai medir a percepção dos eleitores sobre áudios e mensagens envolvendo o senador, além da visita feita por ele à casa do banqueiro e dos repasses de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Outro tema incluído na pesquisa será o encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O instituto também perguntará sobre as medidas anunciadas pelo governo estadunidense em relação ao Brasil, incluindo a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas e a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Pela primeira vez, a Quaest testará o nome do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) entre os possíveis candidatos à Presidência. O tucano conta com apoio do PSDB e do Cidadania para uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto.

O levantamento também trará simulações de primeiro e segundo turno. Contra Lula, serão testados Flávio Bolsonaro, o empresário Renan Santos, do Missão, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

Na pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 13 de maio, Lula liderava o primeiro turno com 39% das intenções de voto. Flávio aparecia em segundo, com 33%. Caiado e Zema marcavam 4% cada, Renan Santos tinha 2%, enquanto Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP) registravam 1% cada. Aldo Rebelo (DC) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.

Na mesma rodada, 5% dos entrevistados estavam indecisos e 10% declararam voto branco, nulo ou disseram que não votariam. Em abril, Lula tinha 37%, enquanto Flávio registrava 32%, o que indicava oscilação positiva dos dois nomes na comparação mensal.

No segundo turno, Lula e Flávio apareceram tecnicamente empatados em maio. O petista marcou 42%, contra 41% do senador. Contra Zema, Lula tinha 44% a 37%. Contra Caiado, o placar era de 44% a 35%. No cenário contra Renan Santos, Lula aparecia com 45%, diante de 28% do empresário.

A nova rodada deve indicar se a crise envolvendo Vorcaro, o filme sobre Bolsonaro e as medidas de Trump contra o Brasil alteraram a disputa ou se o quadro permanece próximo ao registrado em maio. Nos bastidores, partidos aguardam os números para recalibrar discursos, alianças e estratégias de comunicação.

DCM

Flávio Bolsonaro, “irmão” de Vorcaro, faz campanha na Marcha para Jesus ao lado de André Mendonça, relator do caso Master; vídeo

Incluído na segunda proposta de acordo de delação do “irmão” Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro falou em “guerra espiritual” e classificou governo Lula como “mundo do mal”. Relator do caso Master, Mendonça pediu “sabedoria para fazer justiça a todos”.

Incluído na segunda tentativa de acordo de delação premiada do “irmão” Daniel Vorcaro, que destinou mais de 10 milhões de dólares ao clã supostamente para financiar o filme Dark Horse, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um discurso em tom de campanha ao lado do ministro André Mendonça, relator do escândalo do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira (4).

Em curto discurso, anunciado pelo bispo Estevam Hernandes – que já foi preso nos EUA e respondeu com a esposa, bispa Sônia, por crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato no Brasil -, Flávio falou sobre “guerra espiritual”, em um recado direto sobre as eleições aos milhares de evangélicos presentes no ato.

“Bom dia, São Paulo, povo abençoado de Deus. Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”, afirmou o senador, que costuma dizer que ele está com Deus e “Lula com o diabo”.

Com camisa polo da marca Lacoste, com emblema da Marcha, usada pela nata do evento, Flávio deu entrevista ao canal do Youtube que transmitia o ato.

“Eu queria muito que o meu pai tivesse com a gente aqui presente, mas vamos lutar por ele”, disse o senador, interrompido pela entrevistadora que diz que “ano que vem, se Deus quiser, a gente profetiza que o Flávio vai voltar aqui”.

“Grandes casos”

No mesmo trio elétrico com Flávio, André Mendonça também deu entrevista e foi indagado sobre “os grandes casos” que enfrenta no Supremo. O “terrivelmente evangélico” ministro indicado por Jair Bolsonaro (PL) ganhou protagonismo justamente por relatar o caso Master na corte.

“É enfrentar de um lado com serenidade, ao mesmo tempo com responsabilidade diante de Deus, e diante dos homens, crendo que Deus provê todas as coisas e pedindo a ele sabedoria para fazer justiça a todos“, respondeu.

Além deles, estavam presentes no ato o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que é alvo de denúncia sobre o elo do caso Master com a privatização da Sabesp, e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que financiou a ONG de Karina Gama, que controla a produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nova proposta de delação

Nesta quarta-feira (3), a defesa de Daniel Vorcaro apresentou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma nova proposta de delação premiada. A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso.

A nova proposta de delação premiada de Vorcaro traz personagens que não estavam presentes na primeira versão, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Outra história que estará presente na nova delação de Vorcaro é o filme “Dark Horse”, viabilizado pelo próprio banqueiro, que teria investido R$ 61 milhões na cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com informações da CNN Brasil, Vorcaro incluiu todos os detalhes das transações financeiras que fez com Flávio Bolsonaro (PL) para investir no filme “Dark Horse”.

Revista Forum

Escárnio: chefão da Marcha para Jesus admite que evento é palanque de Flávio Bolsonaro

É um escárnio. O presidente da Marcha para Jesus no Brasil, Apóstolo Estevam Hernandes, admitiu nesta quinta-feira que o maior evento evangélico do país funciona, na prática, como plataforma política para os Bolsonaros.

Ao declarar que sua “tendência natural” é apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em função do “quadro polarizado que temos hoje”, Hernandes desmontou o discurso de que a Marcha seria um espaço exclusivamente religioso.

O que há de “natural” em um líder religioso antecipar apoio a um candidato a meses da eleição? E o que a suposta “polarização” tem a ver com um evento que deveria ter caráter de fé?

Flavio Bolsonaro na Marcha para Jesus. Foto: Reprodução

A legislação eleitoral brasileira impõe limites claros ao uso de espaços de uso comum para propaganda política. Igrejas, templos e eventos religiosos não podem ser transformados em instrumentos de campanha eleitoral. A própria Justiça Eleitoral reconhece a figura do abuso de poder religioso quando a influência de lideranças de fé é utilizada para favorecer candidaturas.

Apesar disso, Flávio Bolsonaro ocupa posição de destaque na Marcha para Jesus, cercado por aliados políticos como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, deputados bolsonaristas e outras lideranças conservadoras.

 

Hernandes tentou negar o óbvio. Disse que Flávio não estaria em um “palanque político”, mas apenas participando do trio elétrico como qualquer cristão.

Ao Valor, o religioso também minimizou os questionamentos envolvendo a proximidade deFlávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirmando que cabe ao senador explicar à sociedade o que considerar conveniente.

Talvez a declaração mais reveladora tenha sido outra. Ao destacar o peso eleitoral dos evangélicos, Hernandes reconheceu que o segmento “decide eleições” e ajuda a definir posicionamentos políticos associados ao conservadorismo.

Mais uma vez, Jesus não foi convidado para a patacoada.

 

Eduardo Bolsonaro vai a julgamento no STF por articulação do tarifaço dos EUA

Oministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento a ação penal em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é réu pela acusação de promover o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras. O julgamento do caso foi marcado para terça-feira (16).

O caso será julgado pela Primeira Turma da Corte, que também é formada pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, além de Moraes, relator do processo.

Em novembro do ano passado, o STF aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apurou a atuação do ex-parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para promover o tarifaço contra as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do governo federal e de ministros da Corte. Ele responde pelo crime de coação no curso do processo.

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Antes de liberar o caso para julgamento, Alexandre de Moraes determinou a notificação do ex-deputado por edital, mas ele não foi encontrado nem indicou advogado particular.

Diante da situação, o ministro autorizou que a defesa fosse realizada pela Defensoria Pública da União (DPU).

Nas alegações finais apresentadas ao Supremo, órgão defendeu a anulação do processo e disse que Moraes não pode julgar o caso poder ter sido vítima do cancelamento de vistos e das sanções financeiras oriundas da Lei Magnitsky.

“Aqui o Julgador é, ao mesmo tempo, a principal vítima das condutas que é chamado a julgar”, disse a DPU.

De acordo com a acusação feita pela PGR, Eduardo fomentou as ações dos Estados Unidos para tentar impedir o Supremo de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista.

“Comprovou-se que o réu deliberadamente se utilizou de graves ameaças contra as autoridades responsáveis pelo julgamento da AP 2.668, algumas concretizadas, a fim de favorecer o interesse de seu pai, livrando-o de qualquer responsabilização criminal”, argumentou a procuradoria.

Revista Forum

ebcebc

Violência contra indígenas avança na Amazônia e preocupa lideranças

MANAUS (AM) – A violência contra os povos indígenas voltou a crescer no Brasil em 2024 e atingiu níveis preocupantes especialmente na Amazônia brasileira, onde conflitos territoriais, avanço de economias ilegais e expansão de organizações criminosas continuam pressionando comunidades tradicionais. Os dados constam no Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A situação motivou uma manifestação pública da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que classificou o cenário como resultado de violações estruturais de direitos e da insuficiência histórica da proteção estatal. O levantamento mostra que a taxa de homicídios de indígenas alcançou 24,6 mortes por 100 mil habitantes em 2024, crescimento de 5,1% em relação ao ano anterior.

O índice supera em 22% a taxa nacional de homicídios, estimada em 20,1 por 100 mil habitantes. Quando são incluídos os chamados homicídios ocultos, identificados por meio de técnicas de aprendizado de máquina aplicadas às Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), a taxa indígena sobe para 27,3 por 100 mil habitantes.

Embora o Brasil tenha consolidado nos últimos anos uma trajetória de redução da violência letal na população em geral, os dados indicam que os povos indígenas seguem percorrendo um caminho oposto. O Atlas aponta que a violência permanece concentrada em regiões marcadas por vulnerabilidades territoriais, presença de atividades ilegais e baixa capacidade de atuação do Estado.

Pode ser uma imagem de textoDados revelam aumento dos homicídios indígenas em áreas de conflito territorial (Reprodução/Atlas da Violência)

Amazônia concentra áreas mais críticas do País

Entre os Estados que compõem a Amazônia Legal, os indicadores mais alarmantes aparecem no Amazonas e em Roraima. No Amazonas, o número de homicídios indígenas passou de 36 para 73 casos entre 2023 e 2024. A taxa de mortalidade alcançou 47,8 mortes por 100 mil indígenas, representando aumento de 123,4% em apenas um ano.

Já Roraima registrou taxa de 172,9 homicídios por 100 mil indígenas em 2024. Apesar da redução em relação ao pico observado no ano anterior, o índice permanece como um dos mais elevados do País e coloca a população indígena local em uma situação de risco muito superior à média nacional.

A Coiab avalia que a violência observada na Amazônia não pode ser compreendida apenas pelos números de homicídios. “A violência não ocorre de forma isolada, mas integra um contexto permanente de ameaças, intimidações, perseguições e violações territoriais”, afirma a organização em sua análise jurídica do Atlas.

Segundo a entidade, comunidades indígenas vêm enfrentando impactos crescentes da presença de grupos ligados ao garimpo ilegal, à exploração ilegal de recursos naturais, ao narcotráfico e a outras atividades ilícitas que avançam sobre territórios tradicionais e áreas de fronteira.

A organização destaca que lideranças indígenas, comunicadores, vigilantes territoriais e defensores de direitos humanos estão entre os grupos mais expostos aos riscos decorrentes desse cenário. A insuficiência das ações de fiscalização e proteção em regiões remotas também contribui para ampliar a vulnerabilidade das comunidades.

“A violência praticada contra lideranças, comunidades e defensores indígenas possui relação direta com a ausência de efetiva proteção territorial e com a morosidade dos processos de demarcação de terras indígenas”, sustenta a Coiab.

A análise jurídica da entidade afirma ainda que a violência contra povos indígenas está relacionada a fatores históricos e estruturais, incluindo conflitos fundiários persistentes, expansão de economias ilegais, fortalecimento de organizações criminosas e dificuldades operacionais enfrentadas pelos órgãos responsáveis pela proteção territorial na Amazônia.
Violência contra mulheres indígenas cresceu de forma expressiva na última década (Reprodução)

Suicídios e violência contra mulheres ampliam quadro de vulnerabilidade
O Atlas da Violência também identificou um cenário preocupante relacionado à saúde mental das populações indígenas. Em 2024, a taxa de suicídio indígena chegou a 20,9 mortes por 100 mil habitantes, índice 2,7 vezes superior ao registrado para a população brasileira em geral.

Na Amazônia, o Amazonas atingiu seu maior número histórico de suicídios indígenas, com 83 registros oficiais. Os pesquisadores apontam que fatores como pressões territoriais, desestruturação de modos tradicionais de vida e processos prolongados de vulnerabilização social ajudam a compreender o agravamento do problema.

Outro aspecto destacado pelo estudo é o crescimento da violência contra mulheres indígenas. As notificações de violência sexual passaram de 115 registros em 2014 para 669 em 2024, aumento de 480% em uma década. No mesmo período, os registros de violência física cresceram de 359 para 1.330 casos.

Os dados mostram que os agressores são predominantemente parceiros íntimos das vítimas. O Atlas utiliza o conceito de interseccionalidade para demonstrar que a condição de mulher indígena reúne múltiplos fatores de vulnerabilidade relacionados ao gênero, à origem étnica e às desigualdades socioeconômicas.

A Coiab ressalta que o enfrentamento desse cenário exige respostas permanentes e articuladas entre órgãos indigenistas, instituições ambientais, forças de segurança, sistema de justiça e mecanismos de proteção aos direitos humanos. A organização também defende a participação direta dos próprios povos indígenas na formulação das estratégias de proteção territorial. “A proteção dos povos indígenas constitui obrigação constitucional e internacional do Estado brasileiro”, afirma a entidade.

Fonte:nRevista Cenarium

Eduardo Bolsonaro fala em trocar Pix por sistema dos EUA e reforça chantagem contra o Brasil

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro admitiu em um vídeo nas redes sociais que sua família está disposta a negociar o Pix para atender às exigências do governo de Donald Trump.

“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, afirmou.

A declaração foi feita após o governo dos Estados Unidos intensificar seus ataques ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Na terça-feira (2), Washington concluiu uma suposta investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos americanos.

O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que o Brasil estaria favorecendo o Pix em detrimento de empresas americanas que atuam no setor de pagamentos digitais.

“O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, diz o documento.

Os Estados Unidos também acusam o Banco Central de atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que, segundo Washington, configuraria um conflito de interesses.

“O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix”, afirma o relatório.

Entre os pontos questionados pelos americanos estão a obrigatoriedade de participação no Pix para instituições financeiras com mais de 500 mil contas e a exigência de que o sistema apareça em posição de destaque nos aplicativos bancários.

Ao defender o Zelle como referência para uma negociação com os Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro sinaliza subjugação à ofensiva de Washington contra uma das principais inovações financeiras das últimas décadas.

O Zelle é uma plataforma privada controlada por grandes bancos americanos e restrita a usuários que possuam conta bancária nos Estados Unidos. Já o Pix é uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central, disponível para toda a população e responsável por revolucionar os pagamentos eletrônicos no país.

DCM

Escândalo com Vorcaro afasta eleitores independentes de Flávio Bolsonaro

Pesquisas qualitativas da Genial/Quaest indicam perda de credibilidade do senador entre independentes e reaproximação desse eleitorado com Lula

As revelações envolvendo a relação entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocaram desgaste junto ao eleitorado independente e comprometeram uma das principais apostas da estratégia política do parlamentar para a corrida presidencial de 2026. É o que apontam pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest e obtidas com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo os levantamentos, embora o episódio não tenha alterado a dinâmica de polarização que tende a marcar a disputa presidencial, ele afetou diretamente a percepção de credibilidade de Flávio Bolsonaro entre eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. Esse segmento é considerado decisivo por especialistas em opinião pública por seu potencial de definir os rumos da eleição.

A pesquisa acompanhou, desde agosto do ano passado, um grupo fixo de 20 eleitores independentes. Além disso, foram realizados cinco grupos focais em diferentes regiões do País com participantes do mesmo perfil. Os resultados convergiram para uma mesma conclusão: as informações sobre o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro afastaram parte dos eleitores que vinham demonstrando aproximação com Flávio Bolsonaro.

Eleitores voltam a demonstrar indecisão

De acordo com os estudos, alguns entrevistados que cogitavam votar no senador como alternativa para impedir uma vitória do PT passaram a se declarar indecisos. Outros retomaram a preferência por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que mantenham críticas ao governo federal e ao próprio presidente.

Entre os participantes dos grupos qualitativos, o conteúdo do áudio em que Flávio Bolsonaro cobra pagamentos milionários de Vorcaro foi recebido com forte reprovação. Para muitos, o episódio comprometeu a imagem de renovação política que o senador buscava consolidar.

“(O áudio) foi uma bomba para mim. Só comprova que a gente precisa pensar muito antes de votar”, afirmou um eleitor independente da região Sudeste ouvido na pesquisa.

Perda da imagem de alternativa moderada

Outro entrevistado, morador de Santa Catarina, relatou que pretendia votar em Flávio Bolsonaro, mas reconsiderou sua posição após a divulgação do caso.

“No Brasil, a gente se surpreende a cada dia e tem cada vez menos certeza do que vai decidir. Quando acha que vai para um lado, surge uma notícia. A princípio eu ia votar no Flávio, mas, depois desse áudio vazado, a gente não tem mais em quem acreditar”, declarou.

O mesmo participante acrescentou que considera difícil acreditar que não exista alguma motivação adicional por trás da relação entre o senador e o banqueiro. “Não tem como defender (o Flávio)”, afirmou.

Segundo a análise da Quaest, o episódio atingiu atributos considerados fundamentais para a construção da imagem eleitoral do parlamentar, especialmente entre os independentes. A percepção de que Flávio representaria uma alternativa moderada, renovadora e antissistema perdeu força após a divulgação das informações.

Desconfiança sobre explicações dadas pelo senador

Os participantes dos grupos focais também demonstraram incômodo com a forma como o senador reagiu ao caso. Muitos citaram o fato de ele ter negado inicialmente sua relação com Daniel Vorcaro.

“Por que não falou logo sobre a relação com o Vorcaro? Então estava mentindo…”, questionou um dos entrevistados.

Uma eleitora do Paraná afirmou que o episódio prejudicou a imagem do parlamentar. “Ele já sabia que isso podia acontecer. Sabia que não estava imune.”

A visita feita por Flávio Bolsonaro ao banqueiro durante o período de prisão domiciliar também gerou questionamentos entre os participantes da pesquisa.

Visita ao banqueiro gera novas críticas

“Você não vai visitar alguém preso se não for uma pessoa próxima ou se não tiver algum negócio sólido com ela. Impacta no meu voto, sim. É mais um motivo para eu não votar nele”, declarou uma eleitora de Porto Alegre.

Para Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, a frustração foi particularmente intensa entre os eleitores que enxergavam no senador uma possibilidade de renovação política.

“Parte desse eleitor que depositou em Flávio uma esperança de renovação na política, de rompimento com práticas do que eles denominam como a velha política, ficou muito frustrada ao ouvir o áudio”, afirmou.

A pesquisadora acrescentou que o episódio alterou a forma como esse grupo compara os principais candidatos da disputa. “O episódio fez com que, para esse eleitor independente, o Flávio Bolsonaro perdesse o discurso de combate à corrupção e se igualasse a Lula nesse quesito. Com isso, o eleitor independente passou, em vez de olhar para a corrupção como algo que diferencia, a comparar as entregas e as propostas de cada candidato.”

Medidas do governo ajudam Lula

A reaproximação de parte dos independentes com Lula não ocorreu apenas em razão do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, algumas iniciativas recentes do governo federal tiveram repercussão positiva entre esse segmento.

Entre elas está o programa Desenrola 2.0, visto por muitos participantes como uma oportunidade para renegociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito. Apesar disso, alguns entrevistados argumentaram que a medida busca corrigir problemas econômicos que atribuem ao próprio governo.

A proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 também recebeu apoio expressivo entre os participantes dos grupos focais.

“A briga está feia sobre a redução da escala 6×1. Eu estava vendo uma entrevista do Flávio Bolsonaro, que eu acho que ele é contra isso, falando que vai ter desemprego. Eu acho que vai dar é mais emprego porque vai abrir mais vaga. Acho que é porque ele nunca trabalhou de CLT, então não sabe como é a vida do trabalhador”, afirmou um eleitor do Amazonas.

Escala 6×1 tem forte apelo entre independentes

Outro participante, do Rio Grande do Sul, associou diretamente o desgaste eleitoral do senador ao caso Vorcaro e ao debate sobre a jornada de trabalho.

“Eu acho que ele se queimou com o negócio da pauta da redução da escala 6×1 e com o financiamento do filme. Ele estava indo bem, mas agora ele deu uma rateada e deu liberdade para o Lula passar ele.”

Segundo Luciana Andrade, a defesa da redução da jornada semanal tem se mostrado especialmente atraente para eleitores independentes, influenciando inclusive mudanças de posicionamento político observadas durante o acompanhamento do grupo fixo realizado pela Quaest.

“O que a gente vê é uma avaliação mais pragmática desse eleitor, que busca soluções não apenas para o bolso, mas para a qualidade de vida. Uma participante que pretendia votar em Flávio no segundo turno por uma questão de renovação e mudança passou a apoiar Lula por acreditar que ele será capaz de levar adiante a redução da jornada.”

Eleitores mantêm críticas ao governo Lula

O encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também teve repercussão positiva entre parte dos entrevistados. O gesto foi interpretado como uma demonstração de pragmatismo político e de defesa dos interesses brasileiros na relação bilateral.

Apesar disso, os eleitores independentes continuam demonstrando insatisfação com diversos aspectos da atual gestão federal. A principal reclamação identificada pela pesquisa está relacionada à percepção de que as condições de vida da população não melhoraram de forma significativa durante o terceiro mandato de Lula.

“Em comparação aos dois governos anteriores, esse deixou a desejar bastante. Ele (Lula) culpa o Bolsonaro e não faz as coisas. Ele tinha que fazer, mostrar serviço. Me desapontei. Pode ser porque ele pegou o Brasil endividado, pode ser que piorou um pouco as coisas, mas deixou a desejar”, afirmou um eleitor da região Norte.

Luciana Andrade destacou que a expectativa de retomada da ascensão social observada durante os primeiros governos petistas não se concretizou para muitos brasileiros. Segundo ela, a percepção predominante é de que o aumento do custo de vida impede ganhos efetivos de bem-estar, mesmo quando há crescimento da renda.

“Especialmente os eleitores com mais de 35 anos lembram que, nos governos Lula 1 e 2, tiveram ganho de poder de compra e ascensão social. Hoje, o custo do básico consome uma parcela tão grande da renda que, mesmo quando ela aumenta, o status social não muda. A expectativa de que o Lula 3 trouxesse uma melhora de vida não se confirmou. Em todo os grupos sociais a promessa da picanha na mesa é citada. A picanha virou o símbolo dessa decepção”, concluiu.

o Brasil 247

 

 

80% dos que se manifestaram sobre o Pix veem Flávio Bolsonaro como ameaça ao sistema de pagamentos mais usado pelos brasileiros

Levantamento da Palver em grupos públicos de WhatsApp e Telegram mostra forte desgaste do pré-candidato do PL

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, é apontado como responsável por ameaças ao Pix ou pelo novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o tema que circularam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram. O dado indica forte desgaste do parlamentar em um debate que envolve o sistema de pagamentos mais usado pelos brasileiros e a política comercial do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Segundo levantamento da empresa de análise de dados Palver, divulgado pela Folha de S.Paulo, a responsabilização direta ou indireta de Flávio Bolsonaro corresponde a 81% das publicações opinativas analisadas em mais de 100 mil grupos públicos monitorados. A empresa excluiu da análise mensagens consideradas neutras, como links compartilhados sem comentários e disparos automáticos de clipping que apenas replicam notícias sobre o assunto.

O monitoramento abrangeu o período de 27 de maio a 2 de junho e está relacionado à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde o senador se reuniu com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio. Desde então, aliados do presidente Lula (PT) passaram a sustentar em redes sociais e aplicativos de mensagens que a aproximação do parlamentar com o governo norte-americano representaria uma ameaça ao Pix.

A pressão sobre Flávio se intensificou na segunda-feira (1º), quando surgiu uma nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros. A decisão final sobre a eventual imposição das taxas depende do aval de Trump. Nas redes, apoiadores de Lula passaram a tentar emplacar o termo “Tariflávio” para associar o senador à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A associação entre Flávio, Pix e tarifaço

De acordo com o levantamento da Palver, as mensagens predominantes acusam Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro de “traição à pátria” e de alinhamento a interesses estrangeiros. Parte das publicações descreve a ofensiva norte-americana como um ataque a uma conquista da população brasileira, em referência ao Pix, sistema amplamente utilizado por trabalhadores, consumidores, pequenos empreendedores e empresas.

Uma das mensagens identificadas no levantamento afirma: “Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história”. O tom das publicações críticas se aproxima do discurso adotado por Lula em manifestações públicas recentes, nas quais o presidente tem defendido o Pix e criticado pressões externas contra instrumentos de soberania econômica do Brasil.

O recorte analisado reuniu mensagens que citavam o Pix em combinação com menções a Bolsonaro, Flávio, Trump ou Estados Unidos. A Palver ressalta, no entanto, que o levantamento mede o teor das mensagens que circulam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, e não a opinião da população brasileira como um todo.

Flávio tenta conter desgaste após ameaça de novas tarifas

O episódio passou a ser visto como um revés para a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Políticos do centrão e até aliados do senador avaliam que a possibilidade de novas tarifas contra produtos brasileiros cria um problema político para o parlamentar, especialmente por ocorrer logo após sua visita aos Estados Unidos e sua reunião com Trump.

Na terça-feira (2), Flávio afirmou ter enviado uma carta ao governo Trump pedindo que os Estados Unidos não imponham tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial conduzida pelo país norte-americano. O documento foi endereçado ao secretário de Estado Marco Rubio.

Na carta, Flávio afirma que o Brasil “atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica” e que a imposição de novas tarifas “causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro”. A iniciativa foi uma tentativa de reduzir o desgaste político provocado pela associação entre sua atuação nos Estados Unidos, a ameaça ao Pix e o tarifaço contra o Brasil.

Governo Lula vê chance de evitar tarifa e ampliar desgaste do adversário

Segundo a Folha de S.Paulo, o governo brasileiro pretende manter as negociações com os Estados Unidos e avalia que ainda há chance de evitar a imposição das taxas sugeridas pelo USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Ao mesmo tempo, integrantes do governo Lula enxergam espaço para potencializar o desgaste de Flávio Bolsonaro, considerado o principal adversário do presidente nas eleições de outubro.

A decisão negativa para o Brasil ocorre em meio ao aumento da pressão do governo republicano de Donald Trump sobre o governo Lula. O movimento também acontece na esteira da decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, medida que ampliou a tensão diplomática e política entre os dois países.

Do Brasil 247

Após TariFlávio trair o Brasil e colocar o Pix em risco, Lula pode vencer no primeiro turno, apontam trackings

Levantamentos internos da oposição indicam queda de até 6 pontos do senador após tarifaço de Trump, associado ao sucesso do Pix

A campanha presidenciais já possuem novas atualizações de trackings internos que indicam uma forte queda de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Segundo informações que circulam nos bastidores, o senador teria perdido entre 4 e 6 pontos após tentar justificar o tarifaço de 25% imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros, que tem como um dos motivos principais o uso do Pix pelos brasileiros, que afeta bandeiras de cartões como Visa e Mastercard.

De acordo com esses levantamentos internos da própria oposição, com margem de variação de ±1% em relação aos dados de ontem, a associação de Flávio Bolsonaro ao ataque comercial dos Estados Unidos contra o Brasil teria se consolidado de forma negativa. O apelido “TarifLávio” teria colado no senador, e aliados já avaliam que não há, neste momento, uma estratégia capaz de reverter o desgaste.

Tarifaço de Trump atinge Flávio Bolsonaro

A crise se agravou depois que Flávio Bolsonaro tentou atribuir ao presidente Lula a responsabilidade pela tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A declaração foi vista por setores políticos como uma tentativa de defender o presidente Donald Trump, mesmo diante de uma medida que afeta empresas nacionais, exportadores e empregos no Brasil.

A situação ficou ainda mais sensível porque, entre as justificativas apresentadas pelo USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, aparece o papel do Banco Central do Brasil como regulador e operador do Pix. O órgão estadunidense classificou essa função como possível conflito de interesse, colocando o sistema de pagamentos brasileiro no centro da ofensiva comercial dos Estados Unidos.

A leitura nos bastidores é que Flávio Bolsonaro passou a ser associado não apenas ao tarifaço de Trump, mas também a uma ameaça externa contra o Pix, uma das ferramentas financeiras mais populares do país. A combinação entre ataque comercial, prejuízo potencial às empresas brasileiras e risco ao Pix teria produzido forte reação negativa contra o senador.

“TarifLávio” cola e preocupa a oposição

Segundo os trackings internos, o apelido “TarifLávio” ganhou tração e passou a sintetizar a percepção de que o senador teria ficado ao lado de Trump em uma disputa contra interesses brasileiros. A avaliação feita por integrantes da oposição é que a narrativa se espalhou rapidamente e dificultou qualquer tentativa de reposicionamento.

O desgaste atinge um ponto sensível da campanha: a imagem de Flávio Bolsonaro como pré-candidato presidencial. Ao defender que “não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas” e que “quem está sendo tarifado é o presidente Lula”, o senador acabou abrindo espaço para ataques de adversários, que passaram a acusá-lo de minimizar os efeitos econômicos da medida dos Estados Unidos.

Flávio também afirmou que a tarifa seria resultado do que chamou de “sentimento anti-americano” de Lula. Para críticos, a fala reforçou a percepção de alinhamento automático com Trump, mesmo diante de uma decisão considerada hostil aos interesses do Brasil.

Lula cresce e pode vencer no primeiro turno

Enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta queda nos trackings, Lula teria registrado crescimento entre 2 e 4 pontos, segundo as mesmas informações de bastidores. Os novos números indicariam um cenário de vitória do presidente já no primeiro turno, caso a tendência se confirme nas próximas rodadas de pesquisas.

A melhora de Lula estaria ligada à reação do governo brasileiro ao tarifaço e à defesa da soberania nacional diante da pressão dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, o presidente afirmou que está “esperando um telefonema de Trump” para tratar diretamente do tema.

“Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou Lula.

A fala reforçou a estratégia do Planalto de apresentar o presidente como líder disposto a negociar, mas sem aceitar imposições externas que prejudiquem o Brasil.

Pix vira centro da disputa política

O envolvimento do Pix nas justificativas dos Estados Unidos adicionou um novo componente à crise. O sistema, utilizado diariamente por milhões de brasileiros, tornou-se símbolo de soberania tecnológica e inclusão financeira. A simples possibilidade de o Pix ser questionado por autoridades estadunidenses provocou reação política imediata.

Para aliados de Lula, Flávio Bolsonaro acabou se colocando em uma posição politicamente vulnerável ao tentar justificar a ofensiva de Trump. A avaliação é que qualquer ataque externo ao Pix tende a ser interpretado pela população como uma ameaça direta ao cotidiano econômico dos brasileiros.

Nos bastidores da oposição, o temor é que a crise deixe de ser apenas uma disputa diplomática ou comercial e passe a ser percebida como uma escolha entre defender o Brasil ou defender Trump. Nesse cenário, o apelido “TarifLávio” funciona como síntese do problema enfrentado pelo senador.

Do Brasil 247

Sem citar Flávio Bolsonaro, Lula critica “imbecil” que tenta levar vantagem eleitoral com tarifaço

 O presidente Lula (PT) criticou, nesta quarta-feira (3), brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil com o objetivo de obter vantagem eleitoral. Sem citar Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que a tentativa de usar uma punição ao país para atingir uma candidatura à Presidência prejudica o povo brasileiro, e não o próprio presidente.

A declaração foi feita por Lula durante a abertura de uma reunião ministerial. Ao comentar a nova taxação anunciada pelos Estados Unidos contra o Brasil, o presidente disse ter sido surpreendido pela medida, já que havia discutido com Donald Trump uma agenda de negociação entre os dois países.

Lula relatou que, em reunião anterior com Trump, teve uma conversa de três horas e entregou documentos com temas que o Brasil desejava tratar com o governo norte-americano. Segundo ele, a área comercial registrou divergências entre ministros dos dois países, o que levou o presidente brasileiro a propor um prazo de 30 dias para que as equipes buscassem um entendimento.

“Na área comercial houve uma divergência entre o meu ministro com o ministro deles e eu propus ao Trump: já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás. Mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás”, afirmou Lula.

O presidente disse que a reunião ainda não havia produzido uma conclusão definitiva, o que tornou a nova taxação ainda mais inesperada para o governo brasileiro. “Essa reunião ainda não concluiu nada. Por isso nossa surpresa com a decisão de mais uma taxação com relação ao Brasil”, declarou.

Lula afirmou ter entregado quatro documentos a Trump com assuntos considerados estratégicos pelo Brasil. Entre os temas citados estão o combate ao narcotráfico, a questão comercial, o acordo envolvendo Brasil, Turquia e Irã sobre enriquecimento de urânio, além de um relatório sobre terras raras e minerais críticos.

“Eu entreguei quatro documentos ao presidente Trump dizendo os assuntos que gostaríamos de discutir com eles. Desde o combate ao narcotráfico, a questão comercial… O acordo que nós tínhamos feito com o Irã, Brasil e Turquia com relação ao enriquecimento de urânio, que é melhor que o que eles fizeram, entreguei para o Trump também. E entreguei também nosso relatório sobre terras raras e minerais críticos”, disse.

Segundo Lula, os documentos foram entregues diretamente a Trump para evitar que o conteúdo se perdesse em meio aos trâmites entre assessores. O presidente afirmou ter pedido ao norte-americano que lesse os textos por considerar os temas importantes para a relação bilateral.

“Vou lhe entregar o documento porque muitas vezes a gente faz uma conversa e esquece e muitas vezes os assessores tomam os documentos da sua mão; por isso vou entregar pessoalmente para você os quatro documentos. Leve para casa e leia, porque é muito importante para a relação com o Brasil”, relatou Lula.

O presidente disse ter deixado a reunião convencido de que Brasil e Estados Unidos estavam iniciando uma nova lógica de relacionamento. A decisão norte-americana de aplicar nova taxação, porém, foi recebida como surpresa pelo governo brasileiro.

“Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Fui pego de surpresa ontem e anteontem a decisão dele”, afirmou.

Ao tratar da repercussão interna do tarifaço, Lula criticou duramente brasileiros que, em sua avaliação, estariam estimulando o conflito com os Estados Unidos para tentar prejudicar uma candidatura presidencial.

“E mais ainda: o que é triste é que tem brasileiros fomentando essa briga, na perspectiva de que, se ele taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Um imbecil desse não percebe que o prejudicado é o povo, não é o Lula”, disse o presidente.

Lula afirmou que pedir uma punição contra o Brasil para obter ganhos eleitorais é uma atitude grave. “Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem… É de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer: em qualquer outro país do mundo e em qualquer outro momento histórico isso seria chamado de traição à pátria. É o que eles fizeram”, declarou.

O presidente também classificou como irresponsável o comportamento do grupo que, segundo ele, atua para alimentar a crise. “Não tem explicação. Não tem na sociologia explicação para o comportamento de um grupo de irresponsáveis como eles”, concluiu.

Do Brasil 247 

VÍDEO – Secretário de Trump exclui Brasil da lista de países “amigáveis”

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça (2) que o continente americano vive um momento de aproximação com Washington, mas deixou o Brasil fora da lista de países que classificou como “amigáveis”.

Durante audiência no Congresso americano, ele declarou: “É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos”.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que o presidente Lula detonou Rubio ao comentar a proposta do governo de Donald Trump de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. “Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião”, afirmou o petista.

Na audiência, Rubio também abordou a guerra no Oriente Médio e afirmou que as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam em andamento.

O programa nuclear iraniano segue sendo o principal ponto de divergência entre Washington e Teerã. Segundo Rubio, o governo iraniano concordou em discutir aspectos do tema, enquanto autoridades do país apontam que a continuidade das negociações depende do respeito ao cessar-fogo.

A audiência também foi marcada por questionamentos sobre o envolvimento dos Estados Unidos na guerra. Rubio recebeu críticas de parlamentares democratas pela condução do conflito sem autorização prévia do Congresso, embora continue contando com apoio da maior parte dos republicanos.

Nos últimos meses, alguns integrantes do Partido Republicano passaram a demonstrar preocupação com os custos financeiros da guerra e seus efeitos econômicos. O tema gerou debate às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato previstas para o segundo semestre.

DCM

Lula relembra agradecimento de Flávio Bolsonaro a Trump por ataques ao Brasil (vídeo)

Presidente afirma que aliados de Bolsonaro comemoraram tarifaço dos EUA e diz que Brasil defenderá minerais e terras raras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembrou, nesta terça-feira, (2), o agradecimento atribuído a Flávio Bolsonaro a Donald Trump no dia em que os Estados Unidos anunciaram uma taxação contra o Brasil. A declaração foi feita durante a inauguração da nova sede definitiva do campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), em Goiás.

O evento marcou a entrega de uma obra vinculada ao Novo PAC, com custo total de R$ 8,9 milhões, dos quais R$ 6,5 milhões vieram do programa federal. Segundo o IF Goiano, a nova estrutura substitui o imóvel anteriormente alugado, que custava R$ 23 mil por mês, e amplia a capacidade de atendimento da unidade.Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil respondeu às pressões do governo norte-americano por meio da diplomacia e da defesa da verdade. O presidente disse que, diferentemente dos Estados Unidos, o país não atua com instrumentos militares, mas com argumentos políticos, econômicos e institucionais.

“Como eu não tenho navio para fazer as guerras de Trump, bomba atômica ou poderio militar, a minha guerra é da verdade contra a mentira, contra as narrativas. Quando o Brasil foi taxado em 50% mandei cartas ao governo americano dizendo que eles estavam mentindo, porque eles não têm déficit com o Brasil. Quem tinha que aumentar a taxação somos nós, e não eles”, afirmou Lula.

O presidente também criticou integrantes da família Bolsonaro e afirmou que seus filhos comemoraram a taxação norte-americana contra o Brasil. Lula citou Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro ao tratar do episódio.

“O que fizeram os meninos do Bolsonaro? Um deles, que é candidato a presidente, disse em 9 de julho de 2025, no dia em que Trump taxou o Brasil: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo’. Hoje Flávio diz que não dfalou nada, mas ele está mentindo, assim como Eduardo Bolsonaro também agradeceu quando o Brasil foi taxado”, declarou.

A postagem:

Ao mencionar o tarifaço, o presidente apresentou o episódio como um ataque à economia nacional e criticou aqueles que, segundo ele, teriam celebrado a decisão do governo norte-americano.

Lula também afirmou ter mantido uma conversa de cerca de três horas com Trump. Segundo o presidente, o diálogo não contou ainda com a presença de Marco Rubio, a quem chamou de “inimigo da América Latina”. Lula disse ter usado a reunião para defender os interesses brasileiros e argumentar que as políticas do país também podem beneficiar os Estados Unidos.

Outro ponto abordado pelo presidente foi a soberania brasileira sobre minerais estratégicos, especialmente as terras raras. Lula afirmou que o país não aceitará a exploração de seus recursos naturais sem controle nacional, comparando a situação atual ao histórico de retirada de riquezas minerais do Brasil no passado.

“Não vamos permitir que levem nossos minerais e terras raras, assim como levaram nosso ouro no passado, enquanto ficamos lambendo os beiços”, afirmou Lula.

A defesa das terras raras foi apresentada pelo presidente como parte de uma estratégia de proteção dos recursos naturais e de fortalecimento da soberania nacional. Lula indicou que o Brasil deve evitar repetir ciclos históricos em que riquezas foram retiradas do país sem garantir desenvolvimento, agregação de valor e benefícios duradouros para a população.

Nova sede

A inauguração da nova sede do campus Catalão do IF Goiano também foi tratada pelo governo como uma ação de expansão da educação pública federal no interior do país. A unidade conta atualmente com 1.210 matrículas, incluindo cursos de qualificação profissional.

Com a nova estrutura, o campus teve sua tipologia ampliada de IF Campus 20/13 para IF Campus 40/26. A mudança acompanha a expansão da capacidade institucional e permite o fortalecimento das atividades de ensino, formação técnica e qualificação profissional na região.

Hoje, o campus Catalão tem 32 professores e 12 técnicos administrativos. A previsão é de contratação de mais oito docentes e 14 técnicos administrativos até o fim do ano, o que deve ampliar a capacidade de atendimento da unidade.

Do Brasil 247

Governo Lula cita “provocação da família Bolsonaro” e diz que tarifaço é “tentativa de ingerência” dos EUA no Brasil

Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o governo brasileiro afirmou que a investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil, que resultou numa proposta de taxação de 25% sobre a importação de produtos do país, foi motivada por interesses eleitorais e associou o processo a uma “tentativa de ingerência” em assuntos internos.

No comunicado, o governo do Brasil manifestou “indignação” com a conclusão preliminar anunciada pelo USTR, escritório do governo dos Estados Unidos responsável por temas comerciais, no âmbito da investigação da Seção 301 sobre supostas práticas desleais atribuídas ao Brasil.

Segundo o governo Lula, a investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 “por provocação da família Bolsonaro” e estaria ligada a movimentos de pressão externa sobre temas nacionais. A nota cita a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington e afirma que essas ações contam com o apoio de “falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”.

O texto também afirma ser “lastimável” que o diálogo construído pelo governo brasileiro com os Estados Unidos, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Donald Trump, seja prejudicado por “interesses meramente eleitorais e familiares”.

Governo defende Pix e nega justificativa para tarifas

O governo brasileiro afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país nem contra patrimônios brasileiros, como o Pix, citado nas recomendações preliminares dos Estados Unidos. A nota destaca que o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública, gratuita, operada pelo Banco Central do Brasil, com regras uniformes e participação de empresas estrangeiras, inclusive norte-americanas.

De acordo com os dados apresentados no comunicado, os Estados Unidos acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil entre 2011 e 2025, segundo estatísticas do Bureau of Economic Analysis. Apenas no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil foi de US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços, o valor chegou a US$ 40,52 bilhões.

A nota também afirma que, em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos norte-americanos importados pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada sobre produtos dos EUA foi de 3,1%.

EUA perdem participação nas exportações brasileiras

O governo brasileiro sustenta que as tarifas unilaterais, classificadas como politicamente motivadas, têm causado prejuízos à economia nacional, à geração de emprego e renda e ao papel dos Estados Unidos como parceiro comercial do Brasil.

Segundo a nota, no primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor nível da série histórica.

O comunicado informa ainda que seguem em curso negociações tarifárias entre os dois países, conforme acordado por Lula e Trump em reunião realizada em Washington no dia 7 de maio. O objetivo, segundo o governo, é buscar uma solução que leve ao encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil.

Brasil ameaça recorrer à Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro afirmou que se reserva o direito de usar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para enfrentar situações consideradas injustas contra o Estado brasileiro e sem respaldo nas regras do comércio internacional.

Apesar da reação, a nota diz que o governo ainda espera que as recomendações preliminares dos Estados Unidos não se convertam em tarifas efetivas. Ao mesmo tempo, afirma que adotará “toda e qualquer medida” para reduzir eventuais danos à economia, aos empregos e à renda da população brasileira.

No fim do comunicado, o governo defende atenção contra o que chamou de “traidores da pátria” e afirma ser necessário trabalhar “em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”.

Argumentos do Brasil na investigação

No anexo da nota, o governo apresentou um resumo dos argumentos encaminhados às autoridades norte-americanas durante reuniões técnicas com o USTR. Segundo o Brasil, a documentação enviada demonstra que a política comercial brasileira não discrimina os Estados Unidos, não prejudica o comércio norte-americano e não viola normas internacionais.

Sobre comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o governo afirmou que a legislação brasileira assegura tratamento equilibrado a empresas nacionais e estrangeiras. O texto destaca que o Brasil é um grande mercado para as big techs dos Estados Unidos e o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito norte-americanas.

Em relação a tarifas preferenciais, o governo afirmou que acordos do Mercosul com países como México e Índia não restringem o acesso de produtos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro.

Na área de combate à corrupção, o Brasil destacou que integra os principais instrumentos internacionais sobre o tema, possui estrutura legal e institucional consistente e, desde 2017, celebrou mais de trinta acordos de leniência. A nota também menciona que, em abril de 2026, o governo brasileiro apresentou ao Departamento de Estado uma proposta de enfrentamento ao crime organizado e de combate à corrupção.

O governo também afirmou que os Estados Unidos são os principais beneficiários do sistema brasileiro de propriedade intelectual, respondendo por cerca de 30% dos pedidos de patente e liderando contratos de licenciamento e cessão de ativos. Segundo a nota, os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano somaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do valor registrado em 2020.

Etanol, açúcar e desmatamento

No caso do etanol, o governo brasileiro afirmou que o Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não discriminatórias e que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis desenvolve diretrizes técnicas para a participação de produtores dos Estados Unidos.

A nota também compara as tarifas aplicadas no setor. Segundo o governo, os EUA cobram tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, enquanto o Brasil aplica 18% sobre o produto norte-americano. Em contrapartida, o açúcar brasileiro tem cota considerada reduzida, de cerca de 150 mil toneladas, e, acima desse limite, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a 80%.

Sobre desmatamento, o governo afirmou que, desde 2023, estabeleceu e vem cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O comunicado diz que o desmatamento na Amazônia Legal caiu cerca de 50% em comparação com 2022, enquanto a área queimada no país recuou cerca de 40% em 2025 frente à média do período entre 2017 e 2024.

A nota também cita dados divulgados na semana passada pelo MapBiomas, segundo os quais o desmatamento no Brasil, considerando os seis biomas, atingiu em 2025 o menor nível em sete anos.

Do Brasil 247 

‘Filhos do Bolsonaro encontraram um jeito de enriquecer: ficar amigo do Vorcaro’, diz Lula

Presidente também cita “senadores e deputados” que teriam enriquecido ao lado do ex-banqueiro e dono do Banco Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que os filhos de Jair Bolsonaro (PL) teriam enriquecido após se aproximarem de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do liquidado Banco Master.

Em declaração pública, Lula citou o Banco Master, os filhos de Bolsonaro e também parlamentares ao criticar o que classificou como uma forma de enriquecimento ligada à proximidade com Vorcaro. “Tem outra forma de ficar rico, o Banco Master encontrou uma forma de ficar rico. Os filhos do Bolsonaro encontraram um jeito de ficar rico, alguns senadores e deputados encontraram um jeito de ficar rico. O que que é? Ficar amigo de Daniel Vorcaro. Aí é fácil, mas é muito complicado roubar, porque você pode ser preso, você pode cair, você pode ser morto”, afirmou Lula.

A declaração do presidente amplia o tom político em torno do caso Banco Master e coloca Daniel Vorcaro novamente no centro do debate público. Ao mencionar filhos de Bolsonaro, senadores e deputados, Lula vinculou a crítica à relação de agentes políticos com o ex-banqueiro.

A manifestação ocorre em um contexto de forte disputa política em torno das relações entre figuras públicas e o ex-dono do Banco Master.

Do Brasil 247

Redenção

Há momentos na história em que um povo precisa reencontrar a própria voz. São momentos de esperançar. Momentos em que a esperança deixa de ser espera passiva e se transforma em ação no mundo, em compromisso coletivo com a construção de um futuro melhor. A esperança, quando se faz prática, assume seu papel na história, exercendo a humanidade por meio dos sonhos, das utopias e da ação.

Temos esperança na reeleição e e esperançamos por ela: Queremos um país que priorize o trabalhador, a dignidade, a educação, a saúde e a justiça social – acima dos interesses que tantas vezes tentam determinar os rumos da democracia, afastando-a das necessidades reais da população.

O verdadeiro patriotismo não se mede por palavras de ordem, mas pelo compromisso com a soberania nacional e com o bem-estar do povo brasileiro. Amar o Brasil é defender sua independência, sua cultura, suas riquezas e sua capacidade de decidir o próprio destino sem submissão a interesses estrangeiros. É recusar a condição de vassalo de outras nações e afirmar, com dignidade, que o futuro do país deve ser construído pelos brasileiros, para os brasileiros.

O melhor caminho que temos hoje? A reeleição como esperança para o amanhã.

Marlón Pessanha – professor da UFSCar

A epidemia de loucura da extrema direita bolsonarista

Depois de atacar vacinas, o bolsonarismo transforma uma decisão técnica da Anvisa sobre produtos Ypê em conspiração política — e revela sua fábrica de votos

A frase do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deveria ser óbvia. Mas, no Brasil intoxicado pelo bolsonarismo, até o óbvio precisa ser repetido em voz alta.

Padilha foi direto ao ponto: a acusação de perseguição política à empresa Ypê “não faz nenhum sentido”. A inspeção que encontrou irregularidades na fábrica foi feita por técnicos da Anvisa, com participação da vigilância sanitária do governo do estado de São Paulo — que não é governado pelo PT — e da prefeitura de Amparo. Além disso, o diretor da Anvisa responsável pela área que determinou a suspensão dos produtos foi indicado pelo governo Bolsonaro.

É uma questão sanitária.

A extrema direita bolsonarista quer transformá-la em perseguição lulista-petista-comunista.

É nesse ponto que o caso Ypê deixa de ser uma curiosidade grotesca das redes sociais e passa a revelar algo mais profundo: a extrema direita brasileira já não disputa apenas versões sobre a política. Ela disputa a própria realidade.

Uma bactéria vira conspiração. Uma inspeção técnica vira ataque ideológico. Um alerta sanitário vira prova de perseguição. Um detergente vira bandeira eleitoral.

Foi assim na pandemia.

Está sendo assim agora.

Da cloroquina ao detergente, o produto mudou. A loucura induzida permaneceu.

A nova epidemia

O Brasil já viveu uma epidemia de loucura política com consequências trágicas.

Durante a pandemia de Covid-19, Jair Bolsonaro, seu governo, seus parlamentares, influenciadores e militantes transformaram a maior crise sanitária do século em guerra ideológica.

Atacaram vacinas. Ridicularizaram máscaras. Sabotaram medidas de isolamento. Transformaram cloroquina em amuleto político. Espalharam a suspeita criminosa de que imunizantes produzidos com participação chinesa serviriam para inocular a morte nos brasileiros.

O resultado foi devastador. O Brasil figurou, em vários períodos de 2021, entre os países com maior número de mortes diárias por Covid-19 no mundo. A máquina de desinformação bolsonarista contribuiu, e muito, para esse desastre.

Agora, em maio de 2026, o país assiste a uma versão menor, grotesca, mas reveladora do mesmo método.

A Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização, distribuição e uso de lotes específicos de produtos da marca Ypê, incluindo lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. A medida atingiu apenas produtos com lote final 1 e foi tomada após avaliação técnica sobre falhas no processo de fabricação, controle de qualidade e garantia sanitária.

Uma decisão sanitária virou guerra cultural.

Nas redes bolsonaristas, a medida passou a ser tratada como perseguição política. O argumento era delirante: como os donos da empresa teriam feito doação à campanha de Jair Bolsonaro em 2022, a Anvisa estaria agindo para punir uma empresa “de direita”.

A realidade, para a extrema direita, é apenas matéria-prima para a mentira.

Não bebam detergente

A cena é tão absurda que parece caricatura. Mas é real.

O ministro da Saúde — médico infectologista e doutor em Saúde Pública pela Unicamp — precisou vir a público para fazer uma advertência elementar a adultos politicamente intoxicados pela máquina bolsonarista: Não bebam detergente.

Um ministro da Saúde precisou alertar pessoas para que não ingerissem produto de limpeza em vídeos de protesto contra uma decisão sanitária.

Não eram crianças desavisadas. Eram militantes políticos tentando provar, diante das câmeras, que a Anvisa, o governo, a ciência ou “os lulistas-petistas-comunistas” estariam mentindo.

Na pandemia, a cloroquina funcionava como senha de pertencimento. Não importava o que diziam médicos, pesquisadores, universidades ou hospitais. O importante era demonstrar fidelidade ao líder. Resultado: 700 mil mortos, 400 mil dos quais poderiam ser salvos da Covid se o governo Bolsonaro tivesse adquirido vacinas em tempo.

Agora, o detergente cumpre função semelhante.

Não importa se a Anvisa identificou risco em lotes específicos. Não importa se o alerta é técnico. Não importa se produtos de limpeza jamais devem ser ingeridos.

O que importa é desafiar o “sistema”, a “esquerda”, a “Anvisa”, “Lula”, “os comunistas”. Sobretudo em plena campanha eleitoral ainda em empate técnica entre Lula e o filho de Jair Bolsonaro, o 01 Flávio Bolsonaro.

A loucura não é acidente. E continua sendo método da extrema-direita bolsonarista contra a possibilidade de reeleição de Lula.

Quando o delírio vira política oficial

O caso ficou ainda mais grave quando a insanidade saiu da margem e entrou no centro do poder político.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, do PL — o partido da extrema-direita bolsonarista — gravou vídeo defendendo a Ypê, lavando louça com produtos da marca e dizendo que era preciso “acabar com essa sacanagem” contra uma empresa “100% brasileira”.

O deputado federal Fernando Máximo(PL-RO), desafiou as determinações da Anvisa e gravou vídeo incentivando o uso do produto proibido. E olha que ele é cristão, casado, defensor da família e médico cirurgião.

Não estamos falando apenas de militante anônimo em busca de curtidas. Estamos falando de uma autoridade pública, vice-prefeito da maior cidade do país, transformando uma decisão sanitária em peça de propaganda política.

A mensagem enviada à base é clara: desconfiem da Anvisa; desconfiem da fiscalização; desconfiem da ciência; fiquem do lado “dos nossos”.

É assim que o delírio deixa de ser espontâneo e passa a ser organizado.

Um órgão técnico identifica um risco. Um político sugere perseguição. Um influenciador transforma a suspeita em meme. Um militante radicaliza o gesto. Os algoritmos amplificam.

Em poucas horas, uma medida sanitária sobre lotes específicos vira conspiração comunista.

Foi assim com a Covid. Está sendo assim com o detergente.

Da loucura ao possível crime

A irresponsabilidade chegou a tal ponto que o caso saiu das redes sociais e bateu à porta da Procuradoria-Geral da República.

O deputado federal Rogério Correia, do PT de Minas Gerais, acionou a PGR para pedir investigação criminal contra o senador Cleitinho Azevedo, o deputado federal Nikolas Ferreira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o empresário Luciano Hang.

Segundo a representação, eles podem ter cometido crimes de perigo para a vida ou saúde de outrem, incitação ao crime e infração de medida sanitária preventiva ao estimular o uso e a compra de produtos atingidos por alertas sanitários da Anvisa.

A peça descreve com precisão o método bolsonarista: transformar a cautela em fraqueza, a fiscalização em perseguição e o consumo do produto em prova de identidade política.

É exatamente isso.

A extrema direita pegou uma medida sanitária preventiva e a converteu em palanque eleitoral. Pegou uma agência técnica e a apresentou como inimiga política. Pegou um alerta de saúde pública e o transformou em gesto de fidelidade ideológica.

Quando uma autoridade pública, liderança política ou figura de grande audiência digital desqualifica a Anvisa e estimula a população a ignorar alertas técnicos, ela não está apenas fazendo militância.

Está desmontando a barreira mínima de proteção coletiva que separa uma sociedade civilizada do vale-tudo da desinformação.

A loucura, agora, pode ter consequência jurídica.

O que leva milhares de pessoas a acreditar, defender e espalhar tamanha sandice?

A resposta não está apenas na ignorância. Está na captura política da realidade.

O bolsonarismo construiu, ao longo de anos, uma comunidade emocional baseada na desconfiança permanente. Contra a imprensa. Contra universidades. Contra a Ciência e cientistas. Contra o Supremo. Contra as urnas. Contra a Anvisa. Contra qualquer instituição que imponha algum limite entre a fantasia política e o mundo concreto.

Quando uma agência sanitária diz que determinado lote pode representar risco, a reação normal seria prudência.

A reação bolsonarista é outra: suspeitar de perseguição, enxergar comunismo, transformar bactéria em conspiração.

A extrema direita ensinou sua base a desconfiar de tudo que protege a vida e a confiar em tudo que confirma sua identidade política.

Foi assim na pandemia.

A vacina virou ameaça. A máscara virou submissão. A cloroquina virou coragem. O isolamento virou ditadura. A ciência virou inimiga. A morte virou estatística incômoda.

Agora, em escala menor, mas com a mesma lógica, o detergente virou novo totem da militância.

Não é apenas produto de limpeza. É prova de obediência. É ritual de pertencimento. É demonstração pública de que o militante aceita qualquer absurdo, desde que o absurdo venha embalado como desafio à esquerda, ao governo, à ciência ou ao Estado.

Escravos do absurdo

Há uma pergunta ainda mais incômoda: até onde a extrema direita bolsonarista é capaz de ir para manter milhões de pessoas aprisionadas numa realidade paralela?

A resposta já foi dada.

Foi capaz de estimular desconfiança contra vacinas. Foi capaz de sabotar medidas sanitárias. Foi capaz de transformar remédio ineficaz em símbolo de fé política. Foi capaz de tratar a morte como efeito colateral de uma guerra ideológica.

Agora, é capaz de transformar uma decisão técnica da Anvisa sobre lotes específicos de produtos de limpeza em conspiração comunista.

Não se trata apenas de ignorância.

Trata-se de dominação.

A extrema direita não quer apenas eleitores. Quer fiéis cativos. Quer pessoas treinadas para acreditar no inacreditável, repetir o absurdo, defender o indefensável e reagir como tropa sempre que o comando ideológico é acionado.

O eleitor não pode descansar. Não pode refletir. Não pode duvidar. Precisa acreditar que está sempre sob ataque: pela China, pelas vacinas, pelas urnas, pelo Supremo, pela imprensa, pela Anvisa, por Lula, pelo comunismo.

É assim que se fabricam votos cativos.

A pessoa deixa de votar por programa, salário, emprego, comida, escola, saúde ou futuro. Passa a votar por pertencimento tribal. Vota para defender “os seus” contra um inimigo imaginário.

Vota contra a realidade. Vota contra a própria proteção. Vota até contra a própria saúde.

A loucura tem função eleitoral

Nada disso acontece no vazio.

O Brasil está em plena campanha eleitoral. A extrema direita tem um candidato competitivo contra Lula. Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno.

É nesse ambiente que a loucura deixa de ser apenas espontânea e passa a ter função eleitoral.

Cada delírio compartilhado nas redes mantém a tropa mobilizada. Cada falso escândalo reforça a sensação de cerco. Cada teoria conspiratória impede que o eleitor bolsonarista olhe para os fatos concretos do país.

A política vira seita. A mentira vira identidade. O voto vira obediência.

Por isso a extrema direita precisa fabricar inimigos todos os dias. Se não há ameaça real, inventa-se uma. Se a Anvisa age tecnicamente, chama-se perseguição. Se há risco sanitário, chama-se comunismo. Se há bactéria, cria-se guerra cultural.

O objetivo não é esclarecer.

É aprisionar.

A máquina continua ligada

O episódio seria apenas ridículo se não fosse perigoso.

Mas é perigoso porque mostra que a extrema direita brasileira continua disposta a transformar qualquer assunto — até uma inspeção sanitária — em prova de fidelidade política.

Não importa se o tema é saúde pública, controle de qualidade, risco microbiológico ou proteção ao consumidor. Tudo precisa ser rebaixado à guerra entre “nós” e “eles”.

O bolsonarismo não produz apenas fake news. Produz uma forma de viver dentro da mentira.

Produz uma militância treinada para reagir antes de pensar, atacar antes de verificar, acreditar antes de saber.

O importante não é a verdade. É a sensação de pertencer a uma tropa em combate permanente.

Por isso o caso Ypê não deve ser tratado como folclore de rede social. Ele é sintoma. É miniatura de um país intoxicado por anos de negacionismo, ressentimento e guerra cultural.

A pandemia revelou o custo humano dessa máquina.

O detergente revela que a máquina continua ligada.

Da cloroquina ao detergente, o Brasil assiste à mesma epidemia: a epidemia política da loucura organizada.

E, em 2026, essa loucura tem objetivo claro: manter cativos os votos necessários para devolver a extrema direita ao Palácio do Planalto.

Do Brasil 247

Estadão aponta “baixa estatura moral” de Flávio Bolsonaro e cobra ruptura da direita com bolsonarismo

Editorial afirma que caso envolvendo Daniel Vorcaro expõe degradação ética do clã Bolsonaro e reforça necessidade de alternativa fora do bolsonarismo

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta sexta-feira um duro editorial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que o escândalo envolvendo pedidos milionários feitos ao banqueiro Daniel Vorcaro revelou a “baixa estatura moral” do parlamentar e tornou “urgente” que a direita brasileira se liberte do bolsonarismo.

No texto intitulado “O filme de terror de Flávio Bolsonaro”, o Estadão sustenta que o episódio envolvendo a tentativa de captação de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, não apenas expôs fragilidades políticas do senador, como também evidenciou uma degradação ética incompatível com alguém que pretende disputar a Presidência da República.

“O primeiro teste de estresse da campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência terminou mal”, afirma o editorial. Para o jornal, a revelação de que Flávio cobrou do banqueiro Daniel Vorcaro recursos equivalentes a US$ 24 milhões “escancarou a sua baixa estatura moral, deficiência que o torna absolutamente indigno de ser presidente da República”.

Direita “democrática” deve romper com Bolsonaro, diz jornal

O Estadão defende que o episódio sirva como ponto de inflexão para setores conservadores que ainda orbitam o bolsonarismo. Segundo o jornal, a direita precisa construir uma alternativa “séria” e comprometida com a Constituição.

“Esse episódio torna ainda mais urgente que a direita democrática se empenhe em construir uma alternativa conservadora séria, comprometida com a Constituição e com padrões mínimos de decência”, escreveu o jornal.

Na avaliação do periódico, Jair Bolsonaro e seu entorno político carregam uma trajetória marcada por “vocação antidemocrática”, além de sucessivos escândalos e da “confusão deliberada entre público e privado”.

Relação com Vorcaro amplia desgaste

O editorial destaca as conversas reveladas pelo Intercept Brasil e confirmadas pelo próprio Estadão, nas quais Flávio Bolsonaro aparece negociando diretamente com Daniel Vorcaro, banqueiro investigado pela Polícia Federal.

Segundo os documentos citados, Flávio teria solicitado US$ 24 milhões para financiar o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro, dos quais cerca de US$ 10 milhões já teriam sido pagos ao longo de 2025.

O jornal observa que o senador inicialmente negou a informação e classificou as denúncias como “mentira”, mas depois admitiu que pediu o dinheiro, alegando tratar-se de uma relação privada.

Para o Estadão, no entanto, o problema não é a natureza privada da negociação, mas a origem dos recursos.

“Pouco importa se o dinheiro era privado ou público. O busílis é a origem dos recursos”, diz o editorial.

O jornal lembra que Daniel Vorcaro é investigado pela PF por supostas fraudes financeiras envolvendo fundos de previdência de servidores públicos e operações ligadas ao Banco de Brasília (BRB).

“Irmão, estou e estarei contigo sempre”

O editorial também enfatiza o conteúdo das mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Em um dos diálogos citados, o senador escreve ao banqueiro:

“Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente.”

Segundo o Estadão, a frase demonstra uma relação de proximidade e confiança incompatível com a postura esperada de um pré-candidato à Presidência diante de um empresário investigado.

“A frase não deixa margem para dúvidas sobre a relação de proximidade, confiança e eventual ‘gratidão política’ envolvidas naquela negociação”, afirma o texto.

Contradições aprofundam suspeitas

O jornal também critica as explicações dadas por aliados bolsonaristas após a divulgação do caso. O deputado Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme “Dark Horse”, afirmou que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”.

Para o Estadão, a declaração apenas agravou as suspeitas.

“Ora, se não havia dinheiro do banqueiro na produção, para onde iria a dinheirama cobrada pelo senador?”, questiona o editorial.

Suspeitas de caixa dois e lavagem de dinheiro

Embora afirme não antecipar julgamentos, o Estadão sustenta que as circunstâncias do caso levantam suspeitas graves envolvendo possíveis crimes financeiros.

“Não cabe a este jornal antecipar julgamentos. Mas tampouco se pode condenar quem acredite que a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolva suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de caixa dois ou enriquecimento ilícito”, escreveu o jornal.

O editorial conclui afirmando que Flávio Bolsonaro ainda não apresentou explicações convincentes à sociedade e preferiu reagir “mentindo, atacando a imprensa e zombando da inteligência alheia”.

Do Brasil 247

Flávio Bolsonaro virou zumbi e Eduardo Bolsonaro entrou na mira da PF

O navio do bolsonarismo começou a afundar e o naufrágio é irreversível

Por Leonardo Attuch

O bolsonarismo entrou em sua fase terminal. O que se vê agora não é mais um projeto político em expansão, mas um agrupamento em decomposição, corroído por denúncias, disputas internas, dependência financeira obscura e crescente isolamento político. O vazamento das mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma fissura irreparável no núcleo do clã e produziu um efeito devastador: o herdeiro político escolhido por Jair Bolsonaro passou a ser visto, até mesmo entre aliados, como um cadáver eleitoral ambulante. Um zumbi político.

Mas talvez o aspecto mais explosivo dessa crise ainda esteja por vir. Uma investigação séria da Polícia Federal sobre o destino dos recursos transferidos a um fundo texano administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro provavelmente caminhará para um ponto inevitável: descobrir o destino real dos recursos movimentados no entorno do clã. E há fortes razões para supor que Eduardo Bolsonaro esteja no centro dessa engrenagem.

Nos Estados Unidos, Eduardo tem mantido uma vida de luxo e não apenas atuou sistematicamente contra os interesses nacionais como também se transformou em operador de interesses estrangeiros dentro da política brasileira. Enquanto o Brasil buscava preservar relações diplomáticas minimamente equilibradas, o filho de Jair Bolsonaro fazia campanha aberta em favor de tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Mais grave ainda: atuou politicamente para estimular sanções internacionais contra ministros do Supremo Tribunal Federal, defendendo a aplicação da chamada Lei Magnitsky – instrumento utilizado pelos EUA para punir governos e autoridades estrangeiras.

 

Trata-se de um comportamento sem precedentes na história política brasileira recente. Nunca um parlamentar nacional trabalhou de maneira tão explícita para fragilizar instituições do próprio país perante potências estrangeiras. Eduardo cruzou a fronteira da oposição política tradicional e passou a atuar como agente de sabotagem institucional, podendo ter sido financiado por Daniel Vorcaro.

A nota divulgada por Eduardo Bolsonaro, longe de encerrar a crise, ampliou as suspeitas. O texto não explica adequadamente a utilização do fundo criado por seu advogado nem esclarece o destino dos recursos arrecadados. Pior: ao mencionar que o filme Dark Horse envolvia a cessão de seus direitos de imagem, Eduardo praticamente construiu um álibi preventivo para justificar movimentações financeiras que venham a ser eventualmente descobertas.

Ou seja: em vez de afastar dúvidas, a nota parece antecipar uma linha de defesa. E isso, naturalmente, tende a aumentar o interesse investigativo sobre os mecanismos financeiros utilizados pelo entorno bolsonarista.

Enquanto isso, o desespero tomou conta dos aliados de Flávio Bolsonaro. Lideranças do Centrão e setores do mercado financeiro já começaram a discutir abertamente uma alternativa eleitoral para a direita pós-Flávio. A fórmula imaginada é unir o agronegócio ao fanatismo religioso numa chapa formada por Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro. Tereza representaria os interesses do agro e do grande capital rural. Michelle entraria como ponte com o eleitorado evangélico radicalizado. A operação revela o grau de pragmatismo – e de cinismo – das forças conservadoras brasileiras, sempre dispostas a reorganizar seus ativos eleitorais quando um projeto entra em colapso.

Mas existe um problema estrutural nessa engenharia: Jair Bolsonaro jamais confiaria plenamente nessa dupla. Porque Bolsonaro nunca enxergou a política como projeto ideológico ou partidário. Para ele, política sempre foi negócio de família. Um empreendimento patrimonial controlado pelo clã. E, nesse modelo, apenas um Bolsonaro pode ocupar o centro do poder.

É justamente aí que surge o drama de Flávio Bolsonaro. O senador vive hoje um dilema de difícil solução. Pode continuar como candidato-zumbi, e manter artificialmente uma candidatura que morreu antes de se consolidar, correndo inclusive o risco de perder o foro privilegiado – o que pode deixá-lo ainda mais vulnerável judicialmente. Ou pode desistir e contribuir, de forma definitiva, para o enterro do bolsonarismo. Nenhuma das alternativas oferece salvação.

O fato incontestável é que o navio começou a afundar. E o naufrágio é inevitável.

Confira a análise em vídeo:

 

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

Do Brasil 247

Marcelo Freixo destrói Flávio Rachadinha Vorcaro da Nóbrega Bolsonaro

Cara de pau! Foi isso que o ex-deputado federal e ex-superintendente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), disse sobre as falas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista à Globo News. Freixo destruiu o futuro ex-pre-candidato à presidência da República. Flávio Bolsonaro tem histórico de relações com milicianos, inclusive contratado familiares do chefe do crime organizado Adriano da Nóbrega que foi morto na Bahia em circunstâncias não esclarecidas. Freixo disse que Jair Bolsonaro não é herói coisa nenhuma. “Está preso porque cometeu crimes. Flávio Bolsonaro está todo enrolado e terá que explicar muitas coisas”, disse Freixo.

Durante entrevista o senador Flávio Bolsonaro acabou entregando o irmão, Eduardo Bolsonaro, ao tentar explicar na GloboNews o destino dos recursos usados para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro foram destinados a um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Segundo reportagem do Intercept Brasil, os recursos pagos por Vorcaro passaram pela empresa Entre Investimentos e Participações e pelo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas e representado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro.

Assistam ao vídeo na RKTV ou pelo YouTube.

Coluna Zona Franca

Os “novos” tempos modernos

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No primeiro livro de 2026 abordei dois aspectos da realidade, dois enormes problemas sociais e econômicos que se comunicam em perfeição: o Capitalismo digital e a uberização social.

Esse livro foi, literalmente, construído em sala de aula, nesse semestre que ainda tem metade do seu andamento pela frente. Com a proposição do tema, de algumas intercorrências que vinha pensando desde 2025, e com a participação dos alunos e alunas, promovendo provocações na forma de pensar, pude encontrar pontos que ainda estavam obscuros para mim.

Portanto, faço aqui uma homenagem e dedico um agradecimento a todos que participaram, no intuito de elevarmos os marcos iniciais dessa discussão.

Na verdade, todos os pontos entre o Capitalismo digital e a uberização permanecem obscuros, mas, hoje, conseguimos ver um pouco melhor. Nessa seara, talvez, nunca estaremos sob o Sol do meio dia – claro e límpido, como um Céu de Brigadeiro –, porém, já posicionamos nosso esforço analítico e político no meio do claro/escuro, do lusco-fusco das dezoito horas em que mal sabíamos se era dia ou noite.

Quanto ao Capitalismo digital entendo, num resumo rápido, haver a presença hegemônica do capital financeiro – com suporte no passado, do Pensamento Escravista atuante, e no presente da economia de dados (monetização digital) – e a constância dos Grupos Hegemônicos de Poder organizados em torno do antigo BBB: bancadas da bíblia, do boi, da bala.

Em relação à uberização social entendo a extrema fragmentação das relações sociais e a brutal precarização no Mundo do Trabalho. Porém, destaco uma imbricação entre a uberização, mas num sentido mais amplo.

Como real captura das subjetividades humanas pelo capital, num profundo estranhamento societal, econômico, social, cultural, político, a uberização social se ajusta perfeitamente à exploração de todos nós que circulamos pelas redes sociais – ou antissociais. Um fenômeno particular dos nossos “novos” tempos modernos conhecido como “servilismo voluntário”.

A dissolução dessas situações de aviltamento social, humano, surgem muito distantes do horizonte, uma vez que vemos atuarem as principais condições e forças do capital, em sua constituição hegemônica, isto é, são condições alçadas como impositivas e determinadas.

Tal como a consciência política de quem se encontre sob os piores tipos de exploração no trabalho, na produção intelectual e ainda na constância da imposta “compra e venda da força de trabalho”, há um campo de luta na Educação Pública que podemos/devemos explorar.

Assim, combater a propagação e a “normalização dos males” impostos pelo Capitalismo digital e pela uberização social se torna uma urgência na Educação Pública, com critérios técnicos – tal como sugerimos alguns no livro –, e um amplo campo de luta política para os/as profissionais da educação.

A uberização social, no espectro de fruto mais recente do Capitalismo digital, fortalece-se também por meio de uma efetiva “normalização da exceção” e, obviamente, sem as regras de segurança jurídica. Essa seguridade está presente nas excepcionalidades resguardas nas políticas públicas, nas Políticas de Estado (saúde e educação), nas ações afirmativas, no conjunto complexo das institucionalidades que ofertam meios de equidade e que promovem a defesa das classes trabalhadoras e a Justiça Social.

Assim, para efeito de maior efeito de clareza conceitual e também como esforço didático, recorto o livro nas sete perguntas listadas abaixo:

Educação crítica à uberização

  1. Do que trata a obra?

O livro, já nos formatos Kindle e impresso (acessível na Amazon: https://a.co/d/0cV60SjP), trata de dois conceitos, que são fatos e fenômenos hegemônicos na atualidade: o Capitalismo digital e a uberização social. O propósito, além de entender melhor a nossa realidade, é pensar na proposição de uma Educação que fosse crítica a esses processos, especialmente a uberização social – uma vez que está presente a vida de todos nós, sem que tenhamos consciência disso. A uberização social, assim como o “servilismo voluntário”, é fato notório para quem pede uma pizza em casa – ou quando acessa alguma rede social. Esses “dados” estão interligados. Uma observação essencial diz respeito à perda total de autonomia e liberdade, por quem trabalha sob alguma plataforma de uberização. Confunde-se, pelo sentido pejorativo da ideologia, uberização e empreendedorismo e isso é um erro absurdo, uma falha total na epistemologia diante desses processos, uma vez que a pessoa uberizada perde totalmente a autonomia frente à plataforma que também atua como meio de controle social.

  1. Como surgiu a ideia de fazer a obra?

Em meados de 2025, nas aulas de Licenciatura, por necessidade de explorar algumas diferenças entre o capitalismo clássico (do pós revoluções industriais, do advento da chamada Maquinaria e até mesmo com referência à automação e ao Toyotismo – as células de produção, ao invés da linha de produção (Fordismo: notável nos Tempos Modernos, de Charles Chaplin) – e os nossos “Tempos Modernos”, sempre esteve no repertório conceitual a incidência do Capitalismo de dados: a monetização a partir das redes sociais, a compra e venda de dados pessoais digitalizados. Porém, em seguida, me deparei com a insuficiência dessa base analítica. A massa crítica já sinalizava que o passado sempre acompanha o presente, no Brasil, e isso fomentou o ingresso do Pensamento escravista no escopo do capitalismo brasileiro – e que sempre combinou capitalismo com escravismo. Além disso, a atuação do “novo” BBB já bateu em nossa porta. Em conjunto com o setor financeiro (Bancos e fintechs), em parceria com o antigo BBB (bancadas da bíblia, do boi e da bala) a hegemonia do capital mudou de cara, hoje está assentada nas Big Techs, nas Big Datas/Data Centers e nas Bets (“o novo BBB”). Assim começou nossa reflexão, lá em 2025, até chegarmos em ponderações que tudo isso se combina com a uberização social e com o servilismo voluntário, em 2026 – também atuando na Licenciatura.

  1. O que podemos entender por uberização nas relações de trabalho?

Basicamente, trata-se da máxima exploração das classes trabalhadoras (agora, em parte, uberizadas) e da total insegurança jurídica: as plataformas contratantes da mão de obra uberizada não tem nenhum vínculo trabalhista, não se comprometem com nenhum direito assegurado, inclusive, constitucionalmente. É interessante lermos o artigo 7º da Constituição de 1988, na esteira dos direitos sociais fundamentais, e assim compararmos com a realidade laboral, existencial, de qualquer motorista uberizado/a ou entregador/a como mototáxi. Do ponto de vista jurídico e de quem é explorado/a (controlado/a em todos os passos), nossa observação verifica um quadro que poderíamos chamar de “escravidão moderna”. Aliás, não será coincidência a implicância regular, diária, da “exploração do trabalho em condições análogas à escravidão” – como nos diz a mesma Lei Constitucional.

  1. E como as plataformas digitais contribuem com esse cenário?

As plataformas contribuem magistralmente com esse cenário porque foram elas que redigiram ou implementaram os algoritmos que tanto servem ao controle social – no caso específico de quem está sob Júdice da uberização –, quanto lucram absurdamente com a total desregulamentação como temos hoje. A margem de lucro (ou extração de mais-valia) das plataformas pode facilmente vencer a barreira de 60% (sessenta por cento) dos valores pagos em cada corrida ou entrega. Num exemplo simples, uma corrida de Uber que nos custe 10 reais destina seis reais (ou mais) para a plataforma. No caso de cancelamento de uma corrida acionada, o/a motorista de Uber – mas, somente se o/a passageiro/a assim o desejar – recebe pouco mais de três reais. Isso a depender da gentileza ou consciência de quem tomou aquela prestação de serviço uberizado, e se for mototáxi a taxa de “compensação” pelo cancelamento talvez nem chegue a um real. Essa lógica imposta pelas plataformas, todas elas, só vigora porque está listada nas prioridades hegemonizadas do “novo BBB”: Big Techs, Big Datas/Data Centers e Bets.

 

  1. A obra possui pesquisa empírica? Se sim, qual foi objeto pesquisado?

A maior pesquisa empírica se deu – e ainda permanecerá por muito tempo, porque não dirijo – nas minhas viagens de Uber, nas conversas insistentes que tenho com essas pessoas escravizadas pela modernidade (ou pós-modernidade fragmentada). Sempre pergunto sobre as condições de trabalho, sempre destaco o quanto as plataformas se apropriam do trabalho delas, e sem nenhuma contrapartida. Aliás, um dos apêndices do livro traz precisamente algumas narrações de viagens pessoais e conversas: Histórias de Uber, na forma de crônica articulada a um evento real. Pode-se dizer que há uma pequena etnografia nessa minha conversação com os/as motoristas de Uber. Algumas dessas histórias que narrei no livro são verdadeiras “lições de vida”.

  1. A quem essa obra é direcionada?

Não há um público específico, pode ser lido – como dizia João Ubaldo Ribeiro – por estudantes, docentes, mas também pelo motorista uberizado, pela diarista. Essa diarista que, na imensa maioria das vezes, é outra notável encarnação, reaparição do passado brasileiro e sempre atua como fantasma do presente: a mulher negra, pobre, uberizada (oprimida), que, “com sorte”, encontrará algum abrigo no famoso “quartinho de empregada” – numa verdadeira provisão (prescrição, diria Paulo Freire) advinda diretamente da Casa Grande e tão ao gosto da nossa classe média.

  1. No que ela contribui para a ciência?

Além de tudo que expus, chamaria atenção para a necessidade de aproximarmos os dois conceitos básicos, se queremos uma leitura científica, não sectária ou reacionária, acerca do atual “estado de coisas”. Muitos outros aspectos poderiam, deveriam, ser somados a esse conceito (refundado) de Capitalismo digital. Porém, sem que esses mencionados componentes façam parte do nosso corpus teórico, aí sim, não há como falarmos em termos de Ciência Social dirigida ao século XXI. Comparativamente, não há como tratar o Mundo do Trabalho, na China, sem destacar em primeiro plano a fadiga imposta pela conhecida jornada 9-9-6 (trabalho das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana). Ironicamente, ao menos partes desse inventário é copiado pelo Anarcocapitalismo de Milei, na Argentina. E o segundo conceito, que é a uberização social. Neste caso, no entanto, abro parênteses, pois a adjetivação de “social” tem o intuito de transcender a exploração brutalizada do Mundo do Trabalho (neoliberalismo extremado), se observarmos que o “servilismo voluntário” atinge a todos que vivem sob as bolhas digitais. Essa é a Ciência Social que me propus a esboçar nesse pequeno livro. E que custa um dólar apenas, menos do que um café expresso.

A referência bibliográfica correta segue abaixo:

  • MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação crítica à uberização*: – A era do capitalismo digital e da uberização social. São Carlos: DP (https://a.co/d/0cV60SjP), 2026.

Fim da linha: Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Vorcaro para filme sobre Bolsonaro, diz Intercept

Mensagens, áudios e documentos obtidos pela reportagem indicam que dono do Banco Master teria bancado parte da produção internacional de “Dark Horse”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje pré-candidato à Presidência da República, negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um financiamento de 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões à época — para a produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. A revelação foi feita pelo Intercept Brasil, que obteve mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários relacionados ao caso.

Segundo a reportagem, ao menos 10,6 milhões de dólares — aproximadamente R$ 61 milhões, conforme a cotação nos períodos das transferências — teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Os recursos teriam sido destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Entre os registros obtidos pelo Intercept está uma mensagem enviada por Flávio Bolsonaro a Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador.

Vorcaro foi preso no dia seguinte, acusado de operar um esquema de fraude que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Mensagens trocadas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro

A reportagem afirma que as negociações envolveram também Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e intermediários como o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.

Flávio nega informação e chama acusação de mentira

Questionado presencialmente pelo Intercept nesta quarta-feira, 13, sobre o financiamento de Vorcaro ao filme, Flávio Bolsonaro respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, riu e deixou o local onde concedia entrevista à imprensa, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.

O senador já havia negado vínculos entre sua família, a extrema direita e o Banco Master. Ao comentar anteriormente uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”. Também afirmou: “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.

Áudio cita risco de “calote” em atores e diretor

Em setembro de 2025, segundo o Intercept, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de paralisação da produção. O senador mencionou o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.

Em outro trecho, o senador disse: “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”.

Pagamentos teriam sido feitos por empresa ligada à operação

De acordo com os documentos analisados pelo Intercept, parte do dinheiro teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP. Um comprovante de 14 de fevereiro de 2025 registra uma ordem de pagamento internacional de 2 milhões de dólares.

O fundo, segundo documentos societários citados pela reportagem, foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O corretor de imóveis Altieris Santana também aparece vinculado ao fundo.

“Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”

As mensagens mostram que, em outubro e novembro, Flávio voltou a cobrar Vorcaro sobre o andamento dos repasses. Em 7 de novembro, após enviar ao banqueiro um vídeo de visualização única, escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Que demais” e, em seguida, “Ficou perfeito”.

O Intercept informou que procurou Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Thiago Miranda, Fabiano Zettel, Paulo Calixto, Altieris Santana, Jim Caviezel, Cyrus Nowrasteh e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil. Até a publicação da reportagem, não houve respostas da maioria dos citados.

O ator Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia de Dark Horse para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial que Flávio Bolsonaro pretende disputar.

Do Brasil 247

O Bom Senso e o efeito extrator do senso comum

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@viniciocarrilhomartinez

 

Esse é um dos temas da aula de hoje, na pós-graduação. Porém, note-se que se trata de um fenômeno social, cultural, que está presente na vida de todos nós. Não se faz distinção quando o tema em pauta é a falta de noção ou de equilíbrio ou, no seu oposto, quando prepondera uma “justa razão”.

Veremos que se alinham, num Pensamento Crítico, a necessária aparição de um determinado Pensamento Sociológico e a obrigatória atuação do Pensamento Cientifico.

Em primeiro lugar, destacamos que alguma diferença há entre o senso comum e o Bom Senso, e o que podemos fazer em relação ao primeiro, sobretudo enquanto profissionais da educação: trata-se de demover o senso comum, a mesmice, a repetição infindável.

Em consequência, em segundo lugar, há que se ressaltar que são condicionantes diferentes, até opostas e excludentes, atuando no âmbito da cultura popular – quando opomos o senso comum diante do Bom Senso. Outrossim, é preciso lembrar que o mesmo indivíduo pode oscilar entre um e outro, do senso comum ao Bom Senso e vice-versa, no decorrer do mesmo dia, no instante da mesma conversa.

Nesse escopo, pode-se trazer a ideia de que o Bom Senso tem um efeito extrator no fluxo comum e contínuo do senso comum: retirando-se do miolo parvo uma sentença de Prudência, cautela, prevenção, razoabilidade, proporcionalidade, isto é, provocando-se o destaque afirmativo da presença atuante da racionalidade (de uma “justa razão”, como se dizia no Renascimento para justificar a Razão de Estado).

Fazer atuar essa “justa razão”, diante dos fatos corriqueiros da vida social, é o principal objetivo desse “efeito extrator do senso comum”: buscar um núcleo de ponderação, de afirmação da própria Inteligência Social.

Vejamos na oposição de dois ditados populares:

  • Senso comum: “Deixar como está, para ver como é que fica”.
  • Bom Senso (extrator de relevância do senso comum): “A palavra convence, o exemplo arrasta”.

Também condiz com o Bom Senso afirmar que: “Quem avisa, amigo é”.

Por outro lado, pelo senso comum (da religiosidade) se diz que: “Deus ajuda a quem madruga”.

  • O que é absurdamente incorreto, diante da imposição da Luta de classes racista e que se apresenta visível tanto ao indivíduo comum quanto ao Cientista Social.
  • E, assim, responderá o Bom Senso (consciente da luta de classes): “Quem trabalha, não tem tempo de ganhar dinheiro”.
  • E ainda que seja o mesmo Bom Senso revelador de outro fato óbvio: “Quem faz o que gosta, não se cansa”.

Por fim, nesse breve escorço conceitual, pensemos numa Provocação:

  • “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
  • Esse é um Exemplo de Realpolitik.

Esse último ditado popular esconde o senso comum da obediência, mesmo diante das ordens ilegais, das imposições injustas, das determinações ilegítimas.

Esconde-se neste senso comum a passividade, a quase obediência cega, e, do outro lado, normalizam-se o assédio e o abuso de poder.

 

Faculdade Pública

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Há um senso comum que associa Universidade Pública com “Faculdade pública”, o que não está correto. Além disso, aproveitando-se desse senso comum, é sobre a confusão que atuam os “inimigos combatentes” da Universidade Pública e da Universidade Federal, mais particularmente.

Desse modo, esse texto foi desenvolvido com o objetivo claro, direto, inequívoco, da defesa intransigente da Universidade Pública, e mais especificamente, com enfoque na identificação e afirmação da Universidade Federal – observando-se, por óbvio, que Universidade decorre do Princípio da Universalidade. E o que se universaliza é a formação de sujeitos do conhecimento capazes da luta política em defesa do mesmo conhecimento e de si e das instituições públicas que o promovem livremente, de forma democrática e republicana.

Mas, então, o que é Faculdade pública?

Não se trata aqui da “Faculdade”, como instituição que oferta cursos de graduação, e mesmo que seja regulada pelo Estado. Essa “Faculdade”, via de regra, refere-se a alguma instituição de ensino superior que não tem o lastro da Universidade Pública – e nem mesmo de um Centro Universitário.

Não é disso que tratamos, mas, tem concomitância com a capacidade humana[1], consubstanciada no poder, na legitimidade, na possibilidade efetiva de agir ou de requerer[2]. E como se forma esse ser capaz de agir, na forma de sujeito de direitos, ou melhor, enquanto seja um sujeito do conhecimento e com capacidade jurídica e técnica para se manifestar publicamente?

Da condição para ser

Se fôssemos pensar, inicialmente, numa Epistemologia Política da Educação Básica – além do sentido usual, do início da escolarização – teríamos campo para pensar muito basicamente mesmo, ou seja, aquela formação social, cultural, institucional que nos ensina alguns limites entre o certo e o errado, assim como aprendemos, nessa fase da vida, o que está dentro e o que está fora ou as diferenças entre o alto e o baixo.

Neste caso, a Educação básica teria uma lógica entre a casa e a rua, da casa para o espaço público. Isso é fundamental porque é nessa tenra idade que se forma consciência inata ao sujeito de direitos, como sujeito capaz de agir e de requerer, dotado de clarividência diante dos fatos, com leitura prévia acerca da realidade – por exemplo, isso existe, isso é inexistente. E, desse modo, podemos preliminarmente definir esse conjunto como “Faculdade pública”.

Quem tem a Faculdade pública? São os sujeitos capazes, legitimados, dotados de racionalidade avaliativa que os permite identificar objetos lícitos, por conseguinte

Da descrição básica

As denominadas condições da ação[3] requerem uma “capacidade jurídica para agir”, especialmente se considerarmos a figura do sujeito de direitos (com direitos e obrigações) em concomitância com a afirmação da condição humana – e esta requer observarmos três fontes: razão, liberdade, vontade. Na concepção moderna, valendo-se da perspectiva de uma “personalidade jurídica da natureza” – em que animais são tidos como tutelados por direitos, notadamente os que são portadores de senciência, tanto quanto rios são alçados à condição de sujeitos de direitos[4] – e do desenvolvimento tecnológico (biotecnologias, clonagem, bioética) estão em simbiose de aproximação o “sujeito ético e o sujeito de direitos”[5]. Como se vê, essas condições não dizem mais respeito unicamente à individuação do sujeito de direitos, uma vez que lhe impõe a obrigação de se adequar ao objeto estendido da própria personalidade jurídica – agora, o Humano tem que compartilhar direitos com a obrigação inequívoca de abster-se diante da possibilidade de afetar negativamente os direitos dos animais e da natureza – já se tinha essa mesma pretensão em virtude dos inamovíveis “direitos da humanidade”, consoante a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

Kant (1990) definiu o Iluminismo como a saída do ser humano do estado de não-emancipação: não-emancipação como sendo a incapacidade de fazer uso de sua razão sem recorrer a outros, condição própria do aneu logou, daquele que é tutelado[6]. Para Kant, têm-se culpa na não-emancipação quando ela não advém de falta da razão, mas sim da falta de decisão e de coragem para usar-se da própria razão sem as instruções ou ordens de outrem. Daí que a maioridade só advém com o Sapere aude! (ouse saber!): “Age sempre de maneira a tratares a humanidade em ti e nos outros sempre ao mesmo tempo como um fim e jamais como um simples meio” (segunda regra).

A capacidade moral para se entender a legitimidade

Um demonstrativo dessa reflexão está posto nas investigações de Jean Piaget. Para o educador suíço, a principal diferença entre moral e direito está no fato de que a primeira se estabelece de pessoa a pessoa e o “jurídico” nos obriga, como seres sociais, a orientar nossos sentimentos e ações a transcender em direção ao impessoal. Trata-se do próprio sentimento de pertencimento à Humanidade, como Princípio Civilizatório, de se reconhecer como membro da sociedade humana apenas se e, tão-só, quando nos reconhecemos como sujeitos de direito a partir da relação que estabelecemos com os demais sujeitos que compõem o meio social. Quando temos a maturidade intelectual e moral para entender que somos sujeitos de direitos apenas se os outros ao nosso redor têm o mesmo status jurídico, ou seja, quando superamos a primeira infância do individualismo jurídico, do egoísmo social e da menoridade moral:

A moral, assim como o direito, supõe um poder ou uma autoridade inicial, com passagem possível desta heteronomia para uma autonomia gradual e, aliás, sempre relativa. Amas repousam sobre uma construção criadora feita ao mesmo tempo de aplicação e de publicação em éditos contínuos das normas. Ambas implicam relações bilaterais imperativo-atributivas e ambas oscilam entre as relações assimétricas ou de hierarquia e as relações simétricas ou de reciprocidade […] Quando […] Gurvitch fala de “emoções-leis”, de “convicções legais” ou de “fatos normativos”, trata-se de sentimentos interindividuais […] o sentimento interindividual mais característico da vida moral é o “respeito” […] O respeito é o sentimento complexo, formado por medo e afeição combinados […] os autores que procuraram descrever as fontes do direito em termos psicológicos ou sociais […] concordam todos ao falar do “reconhecimento” dos direitos, como se o fato de “reconhecer” sua validade constituísse o essencial do respeito à lei […] para uns, é o reconhecimento que acarreta a validade de uma norma e, consequentemente, seu caráter normativo ou obrigatório, enquanto para outros é a norma dada em si mesma que desperta nas consciências o sentimento de seu reconhecimento […] a experiência jurídica imediata deveria ser interpretada não em linguagem individualista, mas em termos de relações comunitárias no sentido da “comunhão” interindividual […] não podemos viver com outra pessoa sem “reconhecer” seus direitos […] O reconhecimento é, pois, o sentimento jurídico elementar; é um “ato intuitivo” e não “refletido”, isto é, um dado e não uma construção […] Em outras palavras, uma coação bruta, que seria força pura, não reveste por si mesma um “valor jurídico” […] O que é, com efeito, uma norma fundamental que assegura sua validade primeira às normas de Estado supremas (às constituições), a não ser justamente a expressão abstrata do fato de que a sociedade “reconhece” válida a ordem jurídica reconhecida?[7]

A partir disso, temos que a conclusão de que reconhecer o direito é a essência da interação social, como reconhecimento da Humanidade.

Regras do jogo

Com o que temos que a Consciência pública decorre da capacidade moral, cognitiva e política, além da competência técnica – porquanto seja o domínio mínimo de conhecimentos universalizáveis –, exatamente, no sentido da ampliação da autonomia individual para sua transposição enquanto emancipação e que, obrigatoriamente, tem que ser pública, social, ampliando-se para além do ser individual. Então, do ponto de vista da maioridade, é obrigatório apresentar credenciais a fim de se interrogar a Universidade Pública.

Enfim e portanto, não se trata de “faculdade pública”, como alguém poderia supor, de alguma instituição confessional, municipal, de ensino – e muito menos da incapacidade moral, cognitiva, política de se atacar a Universidade Pública.

[1] Com significado equivalente à competência para fazer ou requerer: “Capacidade legalmente reconhecida de um sujeito de realizar um ato jurídico, seja esse sujeito uma pessoa do direito público (competência stricto sensu, relativa à criação, à aplicação ou à sanção das regras de direito) ou de direito privado (capacidade, direito, poder). ETIMOLOGIA: Do latim competentia, qualificação” (ARNAUD, André-Jean. Dicionário Enciclopédico de Teoria e de Sociologia do Direito. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, 105).

[2]FACULDADE: Derivado do latim facultas, de facul ou facilis (fácil), possui, ampla e genericamente, o significado do poder que se tem para que se faça alguma coisa, seja de ordem física ou de ordem moral. Nesta razão, em seu conceito jurídico, exprime a possibilidade de poder fazer ou agir, o que se entende ter autoridade para fazer alguma coisa ou agir de certa maneira para defesa ou aquisição de direitos, ou para o exercício de direitos” (SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 344).

[3] Objeto lícito (possibilidade jurídica do pedido), legitimidade para agir, interesse processual. O que requer, obviamente, a capacidade jurídica de agir do sujeito – e isso nos remete ao que se denominava de “plenas capacidades mentais ou cognitivas”.

[4] A primeira iniciativa legislativa é de Rondônia: https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2023/06/22/primeira-lei-no-brasil-que-da-direitos-a-um-rio-e-aprovada-em-municipio-de-roraima-na-amazonia.ghtml. Acesso em 11/05/2026.

[5] ALLAND, Denis; RIALS, Stéphane. Dicionário da Cultura Jurídica. São Paulo: Martins Fontes, 2012, p. 1712- 1716.

[6] […] é perfeitamente possível que um público a si mesmo se esclareça. Mais ainda, é quase inevitável, se para tal lhe for dada liberdade. Com efeito, sempre haverá alguns que pensam por si, mesmo entre os tutores estabelecidos da grande massa que, após terem arrojado de si o jugo da menoridade, espalharão à sua volta o espírito de uma avaliação racional do próprio valor e da vocação de cada homem para por si mesmo pensar […] um público só muito lentamente pode chegar à ilustração. Por meio de uma revolução poderá talvez levar-se a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar. Novos preconceitos, justamente como os antigos, servirão de rédeas à grande massa destituída de pensamento. Mas, para esta ilustração, nada mais se exige do que a liberdade… (KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70, 1990, p. 02).

[7] PIAGET, Jean. As relações entre a moral e o direito. In: FALCÃO, Joaquim; SOUTO, Cláudio. Sociologia & Direito. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 2001, p. 139-147.

Hugo Motta promete aprovar PEC 6×1 ainda em maio e diz que medida é “defesa da família brasileira”

Presidente da Câmara reforçou aproximação com agenda defendida pelo governo do presidente Lula

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou neste domingo, Dia das Mães, que pretende aprovar ainda em maio a chamada PEC 6×1, proposta que reduz a jornada de trabalho e amplia o tempo de descanso dos trabalhadores brasileiros. Ao defender a medida, Motta classificou a proposta como uma pauta “humana” e de “defesa da família brasileira”.

A declaração foi feita após o parlamentar compartilhar nas redes sociais o vídeo viral da jovem Maria Luísa, que emocionou milhões de brasileiros ao relatar a rotina exaustiva de sua mãe solo, que acorda às 5h da manhã para trabalhar em eventos e sustentar as filhas.

Ao comentar a repercussão do vídeo, Hugo Motta associou diretamente a realidade vivida por milhares de mães brasileiras à necessidade de mudanças nas regras da jornada de trabalho no país.

“As mães vão ter mais tempo para ficar com os filhos. É uma pauta de defesa da família brasileira”, afirmou o presidente da Câmara.

Pauta é defendida pelo governo do presidente Lula

A proposta da PEC 6×1 vem sendo impulsionada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem defendido medidas voltadas à melhoria das condições de vida dos trabalhadores brasileiros, ao fortalecimento da renda e à valorização do convívio familiar.

Nos bastidores políticos, a sinalização de Hugo Motta em favor da proposta é vista como um gesto importante de aproximação com o Palácio do Planalto. O presidente da Câmara disputa a reeleição para mais um mandato de deputado federal e busca ampliar seu diálogo com o governo Lula em torno de pautas de forte apelo social.

A defesa pública da PEC também ocorre em um momento em que o governo intensifica sua agenda voltada ao trabalho, à proteção social e à recuperação do poder de compra das famílias brasileiras.

PEC 6×1 ganha força no Congresso

A proposta conhecida como PEC 6×1 tem ganhado apoio crescente nas redes sociais e no Congresso Nacional. O texto busca alterar o modelo tradicional de jornada de trabalho, reduzindo a carga semanal e garantindo mais dias de descanso aos trabalhadores.

O debate se intensificou nos últimos meses diante do aumento das discussões sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e convivência familiar.

Ao prometer colocar a proposta em votação ainda em maio, Hugo Motta sinaliza que a Câmara pretende acelerar a tramitação de uma das pautas trabalhistas mais populares do momento.

Vídeo de Maria Luísa mobilizou o país

O vídeo compartilhado por Hugo Motta se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais durante o fim de semana do Dia das Mães. Nele, Maria Luísa relata a rotina sacrificante da mãe, que trabalha diariamente em eventos para garantir o sustento das filhas.

O depoimento provocou forte comoção nacional e reacendeu o debate sobre as condições de trabalho enfrentadas por milhões de brasileiros, especialmente mulheres e mães solo.

A publicação de Motta utilizou o episódio como exemplo concreto da necessidade de mudanças estruturais no mercado de trabalho brasileiro, conectando a emoção gerada pelo relato à discussão política sobre a PEC.

Debate sobre jornada de trabalho cresce no Brasil

Nos últimos anos, experiências internacionais de redução da jornada de trabalho têm sido acompanhadas de perto por especialistas e parlamentares brasileiros. Defensores da PEC afirmam que a medida pode aumentar a produtividade, reduzir o adoecimento mental e fortalecer os vínculos familiares.

Críticos, por outro lado, argumentam que mudanças abruptas podem gerar impacto econômico para empresas e setores produtivos.

Mesmo diante das divergências, a pauta tem conquistado amplo apoio popular nas redes sociais, sobretudo entre trabalhadores que defendem melhores condições de vida e mais tempo de convivência familiar.

Com a declaração de Hugo Motta, o tema deve ganhar ainda mais protagonismo político nas próximas semanas na Câmara dos Deputados.

Do Brasil 247

Detergente mental

@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga

 

Quando temos indivíduos lavando alimentos com detergente retirado de circulação no mercado porque contém bactérias letais, o negacionismo é absoluto. O indivíduo não nega apenas a informação relevante, ele nega qualquer informação que não esteja previamente programada em sua cabeça: a informação de que a empresa produtora de detergentes é líder de segmento, estando no mercado há décadas, é o que conta para a sua tomada de decisão.

Esse indivíduo está retido no passado, feliz com as informações inválidas que já detinha ou, talvez o pior, acredite em mensagens de outros indivíduos, iguais a ele, que produzem e divulgam informações irreais – sugerindo-se, por exemplo, que a bactéria é invenção de cientistas desocupados.

A semelhança com os que se denominavam de “autoimunes, auto vacinados”, frente ao vírus da COVID-19 não é ocasional, é linear. Não há que se esperar por uma resposta diferente se pensarmos em suscetibilidades e inclinações eleitorais. Esse indivíduo, facilmente, votará em quem o WhatsApp determinar.

É óbvio que há uma programação desde os algoritmos para que circulem determinações ideológicas favoráveis ou desfavoráveis, para este e contra aquele[1]. Esse indivíduo, nem é preciso perguntar, tem sua declaração de voto estampada na cédula do negacionismo.

Um dos problemas decorre das redes antissociais, que não apenas apartam os usuários das conexões sociais relevantes, indutoras da Interação Social, ao promover, financeiramente, os “conteúdos” digestivos da sociabilidade, como também inoculam a difusão de mensagens e postagens racistas, misóginas, fascistas.

A outra linha, que deve ser aprofundada em pesquisas e avaliações científicas, nos leva à educação praticada nessa parte inicial do século XXI. Como parte de uma engrenagem muito antiga, a educação se presta a repetir, decorar, fórmulas e construções verbais. Nada ou pouco que inspire reflexão séria, a partir de conteúdos solidificados pela humanidade por séculos, é ventilado na sala de aula.

Docentes são comemorados por seus slogans, numa mistura de animação, criando músicas para que os alunos decorem e “passem de ano ou no vestibular”. Decorar tabuada já era antiquíssimo há cinquenta anos, tanto quanto as musiquinhas que “animam o conhecimento”. Com a atenção de que são metodologias das mais antiquadas possíveis.

O ensino é inserido em uma espécie de espetacularização, aproximando a educação da lógica do consumo rápido de informações. Reduz-se, assim, a necessidade de construção reflexiva do pensamento, favorecendo a passividade, em uma dinâmica que enfraquece a autonomia crítica dos sujeitos e os acostuma à dopamina barata, em um cenário social que privilegia a reprodução de discursos e a manutenção de estruturas de subordinação intelectual.

Frente ao dinamismo tecnológico atual, com celulares que são computadores de mão – usados para tudo, menos para uma conversa efetiva, real –, aplicar essas metodologias (visando-se atender unicamente a forma, sem conteúdo algum) é pedir e esperar pelo fracasso.

Como se diz popularmente, “o mercado faz as escolhas” e, por certo, um indivíduo jovem que usa detergente contaminado com bactérias mortais para lavar alimentos têm poucas chances. Nesse caso do mercado, a seleção natural se daria a partir do mínimo de conhecimento resistente. Em alguns casos graves, como na COVID-19, o sinal é quebrado, fraco para ser percebido.

Portanto, não há exagero no título que demos: Detergente mental.

Com tantos espaços vazios entre as redes de informação e as redes neuronais, que seriam escolhidas pelas sinapses, o Bom Senso, o senso mínimo, não encontram eco. Essas mentes estão higienizadas, imunizadas diante de qualquer perigo de contágio pelo conhecimento relevante, científico, racional.

[1] https://aterraeredonda.com.br/a-fabricacao-algoritmica-da-vontade-politica/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novos_artigos&utm_term=2026-05-10. Acesso em 10/05/2026.

Farinha do mesmo saco: Flávio Bolsonaro disse que Ciro Nogueira seria seu vice ideal (vídeo)

Ciro foi alvo de operação da PF envolvendo o Caso Master

– O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista recente que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) seria seu vice ideal na chapa presidencial. Ciro foi alvo da nova etapa da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (7), em uma investigação contra fraudes envolvendo o Banco Master.

“Em relação à vice, que eu saiba que está ali, que já levantou o dedo e eu acho que tem todas as credenciais para ser, é o Ciro. Mas essa é uma decisão que se toma muito mais na frente. Aí depende da composição partidária, depende do perfil que a gente está buscando. O perfil do Ciro é um bom perfil”, afirmou.

Flavio completou destacando a lealdade de Ciro a Jair Bolsonaro. “É nordestino, é de um partido bem forte, tem ali a lealdade que ele sempre teve ao presidente Bolsonaro durante o ministério dele. Foi ministro do presidente Bolsonaro. Então, sem dúvida alguma, é o nome que está colocado”, disse.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Ciro Nogueira atuava como um “líder político” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e recebia mesadas do banqueiro que chegavam ao valor de R$ 500 mil.

7Do Brasil 247

Trump classifica reunião com Lula como “muito boa”

Presidente dos EUA classificou Lula como “muito dinâmico” e afirmou que novas reuniões irão acontecer

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em postagem nas redes sociais que sua reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Casa Branca, em Washington, foi positiva e tratou de temas como comércio, tarifas e a continuidade do diálogo bilateral entre os dois governos, segundo informações divulgadas pelo próprio líder estadunidense e pela assessora da Casa Branca, Margo Martin, nas redes sociais.

O encontro ocorreu nesta quinta-feira (7) e durou cerca de 90 minutos, três vezes mais do que o tempo inicialmente previsto. A recepção de Lula na Casa Branca foi registrada em vídeo e divulgada por Margo Martin.

Na publicação, Trump classificou Lula como “muito dinâmico” e afirmou que representantes dos dois países deverão se reunir para discutir pontos considerados centrais nas negociações.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes estão programados para se reunir para discutir determinados elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário”, escreveu Trump.

Após a reunião bilateral, Lula e Trump participaram de um almoço. Em seguida, o presidente brasileiro retornou à embaixada do Brasil em Washington.

Do Brasil 247

 

Prólogo de Marcela Schiavi abre o último livro do professor Vinício Carrilho Martinez, da UFSCar

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O prólogo de Marcela Schiavi, doutora pelo PPGCTS/UFSCar, abre o último livro do professor Vinício Carrilho Martinez, da UFSCar, EDUCAÇÃO CRÍTICA À UBERIZAÇÃO: – A era do Capitalismo digital e da Uberização social, recém postado na Amazon. Com preços muito atrativos, aborda duas questões essenciais para os dias atuais: a Educação e a uberização.

PRÓLOGO

Vivemos um tempo em que a tecnologia ocupa praticamente todos os espaços da vida cotidiana. Pedimos comida por aplicativos, trabalhamos conectados, consumimos informações em fluxo contínuo e, muitas vezes, sequer percebemos o quanto essas relações moldam nossos hábitos, nossas escolhas e até nossa forma de enxergar o mundo.
É justamente sobre esse cenário que esta obra se debruça. Ao discutir o capitalismo digital e a uberização social, Vinício Carrilho Martinez propõe uma reflexão crítica sobre as novas formas de exploração, controle e precarização que atravessam a sociedade contemporânea. Mais do que analisar plataformas ou relações de trabalho, o autor convida o leitor a pensar sobre os impactos humanos, sociais e educacionais desse modelo cada vez mais presente em nosso cotidiano.

Ao longo das páginas, conceitos teóricos se misturam a exemplos concretos, experiências pessoais e provocações necessárias. O resultado é um texto que busca dialogar com quem vive, observa ou participa — consciente ou inconscientemente — dessa lógica que transforma tempo, relações e até subjetividades em mercadoria.
Sem a pretensão de oferecer respostas definitivas, este livro propõe algo talvez mais importante: estimular a reflexão crítica sobre o presente e sobre o tipo de sociedade que estamos ajudando a construir.

No link abaixo você tem acesso direto:

https://a.co/d/0bcFpguL

Marcela Taiane Schiavi
Doutora em Ciência, Tecnologia e Sociedade

Ciência como consequência

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@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – mestranda do PPGCTS/UFSCar

O que fazer para alavancar a pesquisa, o Pensamento Científico, a inclusão, democratização e popularização da Ciência no Brasil?

Em realidade, essa pergunta não deveria ser feita, pois, em condições razoáveis, estaríamos em uma situação, num estágio de desenvolvimento da educação e do conhecimento científico, em que o óbvio não precisaria ser indagado ou dito.

Contudo, se vale uma ponderação diante do nosso atual quadro clínico de desmonte, precarização neoliberal (chamemos de “uberização da vida social”), podemos pensar que se os recursos dissolvidos em orçamento secreto, emendas parlamentares, fundo eleitoral partidário, tivessem o destino da educação e da Ciência essa pergunta estaria 90% respondida.

Como se sabe, no Brasil, a maior parte da pesquisa e da Ciência é produzida por entidades e instituições públicas, sejam estaduais sejam federais. Essa insistência, uma luta política constante, na preservação do pensamento crítico, criativo e propositivo é o próprio DNA, o sentido lapidar de quem se dedica à “construção de um saber” constitutivo, emancipatório, efetivamente societal.

Desse ponto de vista, não é incorreto afirmar que essa escolha (que envolve inúmeras renúncias) envolve dois aspectos essenciais da vida acadêmica e pessoal: a vocação e a profissão. Ninguém passa 30, 40 anos de sua vida num “campo de luta” que o rejeita e despreza; ninguém passa essas mesmas décadas sem lutar por suas condições materiais mínimas, de atuação, sobrevivência e desenvolvimento pessoal, se não houver determinação pela causa. Isso ocorre porque há forte vocação com forte senso profissional.

Podemos levar, esperar, cobrar, consequência numa atividade tão específica como a Ciência?

Para muitos, a Ciência sequer tem uma definição científica. Mas, pode vir a ter?

Digamos inicialmente que a Ciência é um processo de investigação que segue padrões ou modelos específicos (metodologia científica), com destaque para a observação, prospecção (“experimentação”), catalogação, análise (refutação ou confirmação de postulados, teorias anteriores), em que a crítica surge com a insatisfação (incerteza) diante das afirmações predominantes, sem que se anule todas as interferências externas, não cientificas, impostas pela política, economia, cultura, moral e pela própria visão de mundo do sujeito cognoscente sobre o objeto cognoscível (e que pode ser o mesmo sujeito, com “lugar de fala”). Um exemplo disso é verificável quando subsumimos com perspectiva integrada da luta de classe racista, em razão do determinismo identitário – fato amplamente previsto nas Ciências Sociais.

Portanto, como toda produção humana, a Ciência não ocorre de forma isolada, nem está isenta de interferências externas; pelo contrário, a Ciência é atravessada por dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais, além da própria visão de mundo dos sujeitos que a produzem e destinada unicamente a atender aos interesses que a patrocinam.

Desse modo, vemos que a não neutralidade da produção científica, dado que as escolhas sobre quais perspectivas serão observadas, as hipóteses formuladas, quais problemas são inventariamos para investigação e tantos outros fatores, tudo isso combinado revela o grau, o tipo, o nível de influência cambiada.

Além de se objetar qualquer pretensa neutralidade, outrossim, demonstra-se como a ação do sujeito na construção desse conhecimento é, ao mesmo tempo, relevante e impactante em sua constituição.

E, neste ponto, podemos indagar: qual é a Ciência que interessa ao Brasil?

Pensemos em três caminhos ou hipóteses já posicionadas:

A primeira, que é uma Ciência express, precisa ser uma produção científica rápida, cada vez mais rápida, que traga resultados no momento desejado – então, aquela percepção de que a Ciência é algo que demora, no sentido de gestar, é cada vez menos respeitada.

A segunda, que seria uma Ciência não necessariamente produtiva, mas que fosse responsiva às demandas da classe dominante e que é rapidamente esquecida. Por exemplo, aquele boom da polilaminina, a galera viu super, a bióloga foi chamada para vários lugares, mas o tempo para que essa pesquisa fosse realmente produzida foi muito criticado (voltando-se àquela ideia da Ciência express).

No fim, foram deixadas pra lá, substancia e pesquisadora, também porque outras coisas “tomaram o lugar”. Como se vê, o modismo consumista, descalibrado como negacionismo ou pseudociência, é uma presença constante.

Assim, chegamos à terceira possibilidade, que deveria ser a primeira, mas que é sempre relegada ao terceiro pavimento: essa perspectiva, que deveria ser nossa premissa, ensina assim: a Ciência relevante a um país é aquela que serve ao seu povo, em primeiro lugar, e, em segunda afirmação, é aquela Ciência que visa combater as desigualdades, as declarações de incapacidade de quem mais necessita de educação e de Ciência, que é o povo pobre, negro e oprimido.

 

1° de Maio pelo fim da 6×1 – É hora de apostar na mobilização

FENAJ e Sindicatos convocam jornalistas à luta contra a pejotização e pela revogação da Lei do “Multimídia

Está na ordem do dia uma reivindicação da classe trabalhadora que pode significar uma vitória histórica e de grandes proporções: o fim da escala 6×1, com redução da jornada e sem redução salarial. Se aprovada, essa mudança vai trazer uma conquista direta para quem ganha menos no país. Será também uma conquista para todas as trabalhadoras e trabalhadores ao estabelecer condições mais positivas que vão elevar os patamares praticados no mercado de trabalho.

Jornalistas profissionais, de acordo com a CLT, têm jornada 6×1. Mesmo nos casos em que as empresas empregam o 6º dia semanal para organizar escalas de plantão aos finais de semana, em que a carga de sábado é usada para cobrir horas extras ou redistribuída pelos outros 5 dias da semana.

Se for aprovado, por exemplo, o Projeto de Lei enviado pelo governo Lula, a mudança na escala deve trazer uma readequação da jornada semanal com base na manutenção da jornada diária já prevista em lei. Isso significa que jornalistas com jornada de cinco horas diárias passariam a cumprir 25 horas semanais em vez de 30, enquanto aqueles com jornada de sete horas diárias (sendo duas horas extras) teriam carga de 35 horas semanais em vez de 42 – sem redução salarial. São especificidades da nossa categoria que o movimento sindical de jornalistas vai atuar para garantir, caso a escala seja reduzida.

O primeiro passo é ajudar a construir uma grande mobilização pelo fim da escala 6×1, seja por meio do PL 1838/2026, do presidente Lula, ou da PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Sabemos os interesses que são representados pela maioria do Congresso Nacional. É este Congresso que aprovou a Reforma Trabalhista e a PEC da Reforma da Previdência. As elites econômicas vão cobrar seus representantes que não deixem o fim da escala passar. Não aceitaremos, a hora é de avançar a favor do povo!

Ao mesmo tempo, jornalistas precisam ficar alertas a eventuais ataques à nossa jornada especial ou ao esvaziamento dos avanços propostos ao buscar jornadas diárias mais extensas. Este é um intuito recorrente das empresas de comunicação. Lembremos que a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) acompanhou e comemorou a aprovação da criação da Lei do Profissional Multimídia, cujo um dos efeitos mais diretos é o de contornar a jornada especial legal de jornalistas e radialistas.

Por isso, é hora de toda a categoria de jornalistas profissionais brasileiros estar atenta, forte e presente nas manifestações de 1° de maio. A FENAJ orienta seus 31 sindicatos filiados e se somarem e convocarem os trabalhadores e trabalhadoras de sua base.

NÃO À PEJOTIZAÇÃO
Também em pauta está outro tema central para toda a classe trabalhadora brasileira, o combate à “pejotização”, ou seja, a fraude trabalhista pela qual empregadores negam direitos trabalhistas e pisos salariais aos seus empregados.

O tema, que está em julgamento em uma ação com repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, representa um risco real de pôr abaixo o conjunto das proteções e garantias legais, ao legitimar que trabalhadores possam atuar sem contrato de trabalho (substituído por um “contrato de prestação de serviços”). Poderá ser criada uma porta pela qual as relações de trabalho passarão ao largo da CLT, das Convenções Coletivas e da Justiça Trabalhista, tudo isso com eventual aval do judiciário.

Por isso, a FENAJ reforça nesse 1° de maio o alerta ao conjunto do movimento sindical e renova, ainda, a luta pela revogação das reformas trabalhista, da Previdência e da Lei das Terceirizações (arcabouço legal que, apesar de não ter legalizado as pejotizações, criou confusão e a “desculpa” ideal para generalização da prática).

REVOGAÇÃO DA LEI DO MULTIMÍDIA
A FENAJ orienta seus sindicatos, ainda, a levarem para as manifestações de 1° de maio a bandeira da revogação da Lei nº 15.325/2026, que regulamenta a chamada profissão de “multimídia” e representa uma ameaça direta às garantias legais, às condições de trabalho e à própria identidade profissional de jornalistas, radialistas e outras categorias.

Jornalistas estão em campanha nacional pela revogação total ou parcial desta lei. A Fenaj tem realizado discussões com o Governo Federal, via Ministério do Trabalho e Emprego, e com membros do Congresso Nacional. Neste 1° de maio, é hora desta campanha ganhar as ruas de todo país.

Por tudo isso, por muito mais, todos às manifestações do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora!

Gleisi atribui derrota do governo a senadores que se sentem ameaçados por investigações

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal gerou forte reação política. Para a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), a decisão, que contou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, privou o Brasil de uma “pessoa muito qualificada para ser ministro do STF” e representa um risco sobre a votação do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria.

“Mais do que uma injustiça contra Jorge Messias, os 42 senadores que rejeitaram seu nome privaram o país de uma pessoa muito qualificada para ser ministro do STF”, afirmou a parlamentar na rede social X, antigo Twitter.

Ainda segundo a parlamentar, o resultado da votação no Senado é fruto de “um grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado. Votação que amanhã se preparam para repetir na derrubada do veto do presidente Lula na redução/anistia das penas dos condenados pelo golpe.”

Por fim, afirmou que o movimento político observado na votação tem impacto mais amplo no país: “uma aliança vergonhosa que se volta contra o governo, mas é realmente contra a justiça, a democracia e o país.”

A votação no plenário do Senado Federal impôs derrota à indicação de Jorge Messias, que precisava de ao menos 41 votos favoráveis para ser aprovado ao STF. O placar final foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, interrompendo a indicação do atual advogado-geral da União ao Supremo.

Antes disso, Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com 16 votos favoráveis, mas não conseguiu manter o apoio no plenário.

Do Brasil

Saberes necessários à prática educativa

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Ester Dias da Silva Batista – Monitora voluntária da disciplina

 A prática educativa, para Paulo Freire[1], insere-se em contextos que ultrapassam o campo pedagógico, envolvendo dimensões históricas, sociais, políticas e acadêmicas. Nesse sentido, a educação não se apresenta como neutra ou descolada da realidade, mas como uma prática situada, produzida por sujeitos igualmente inseridos em contextos sociais e, portanto, atravessados por estruturas também não neutras.

Diante disso, Freire propõe 29 saberes que orientam a prática educativa, iniciando-se pela compreensão de que ensinar exige rigorosidade metódica e pesquisa. Tais aspectos partem da ideia de que o ato de ensinar, assim como no campo científico, vai muito além da mera transmissão de conteúdos, recusando a chamada educação bancária[2]. O ensino envolve não apenas a transmissão para sujeitos passivos, mas processos de organização, problematização e validação do conhecimento, tal como ocorre na produção científica.

Ensinar implica proporcionar aos estudantes não apenas o acesso aos conteúdos, mas a compreensão de que o conhecimento não surge de forma espontânea, sendo construído, testado, elaborado e reelaborado ao longo do tempo. Nesse sentido, Gaston Bachelard[3] propõe que a compreensão do caráter inacabado da ciência permite seu constante desenvolvimento, uma vez que não há um limite ou “ápice” do conhecimento, mas um processo contínuo de construção e reconstrução.

De forma semelhante, ensinar exige também pesquisa, compreendida como a capacidade de “aprender a aprender”, isto é, investigar de maneira intencional, com critérios e objetivos definidos, em oposição ao uso acrítico de informações e materiais no contexto educativo.

Além disso, a prática docente demanda o respeito aos saberes dos educandos e das educandas. Isso não significa a aceitação irrestrita de concepções equivocadas, mas a utilização do bom senso na análise do senso comum. Não se trata de aceitar passivamente os conhecimentos oriundos das experiências cotidianas dos estudantes, mas de compreender que esses sujeitos são históricos e que tais saberes, como aqueles transmitidos em contextos familiares e culturais, são socialmente construídos e devem ser considerados no processo educativo.

Esse reconhecimento, no entanto, não implica sua aceitação irrestrita, mas sua problematização à luz da criticidade, elemento central no pensamento freireano. Sem a capacidade crítica, o ensino tende à repetição e à naturalização de ideologias, comprometendo-se a compreensão da realidade. Nesse processo, articulam-se também as dimensões estética e ética da educação, que dizem respeito tanto à forma como o ensino se organiza, favorecendo o diálogo e a participação, quanto à responsabilidade do educador em promover práticas comprometidas com o respeito à diversidade e aos direitos humanos.

Ensinar exige também coerência entre o discurso do docente e sua prática, expressa na corporeificação das palavras pelo exemplo. Nesse sentido, torna-se incoerente que um docente proponha discussões relacionadas à luta antirracista e, ao mesmo tempo, reproduza práticas racistas em outros contextos. Associado a isso, ensinar demanda abertura ao risco e ao novo, o que implica a rejeição de toda forma de discriminação e preconceito. A prática educativa exige ainda reflexão crítica constante sobre si mesma, por meio da autocrítica, reconhecendo-se seus limites e seu caráter político, evitando, assim, a reprodução de modelos dogmáticos e acríticos.

Nessa perspectiva, destaca-se também a necessidade de reconhecimento da identidade cultural dos sujeitos, bem como a compreensão de que educar não significa transferir conhecimento, mas construí-lo de forma coletiva e dialógica, visando à emancipação dos estudantes. Ademais, exige-se a consciência do inacabamento humano, reafirmando-se a educação como um processo contínuo, no qual educadores e educandos permanecem em constante formação.

Tal condição articula-se à compreensão dos sujeitos como seres não neutros, assim como os conhecimentos e as ciências, uma vez que são histórica, social e culturalmente situados, sendo, portanto, condicionados, mas não determinados. No campo da biologia, observa-se como essa noção pode ser mal interpretada por meio do determinismo biológico[4], perspectiva que desconsidera as dimensões históricas, sociais e políticas e reduz o desenvolvimento humano a fatores biológicos, resultando em análises reducionistas.

Nesse contexto, o respeito à autonomia dos educandos torna-se central, entendida como um processo construído na prática, que envolve responsabilidade, criticidade e relações de parceria. A autonomia, nesse horizonte, articula-se à emancipação, compreendida como a superação coletiva das formas de alienação e opressão.

Além disso, ensinar exige bom senso, humildade e compromisso com os educandos e com os próprios educadores, estabelecendo-se uma relação de parceria, e não de oposição. Essa perspectiva implica compreender o ensino como um processo no qual todos ensinam e aprendem em diferentes níveis. O bom senso, nesse contexto, consiste em ultrapassar o senso comum acrítico, questionando ideias naturalizadas, enquanto a humildade permite ao docente reconhecer seus limites e potencialidades.

O processo de apreensão da realidade torna-se, portanto, essencial, sendo compreendido não como mera recepção de informações, mas como um movimento ativo de construção do conhecimento, que articula experiência e reflexão e se posiciona criticamente diante de visões negacionistas.

Por fim, Freire afirma que ensinar exige, além dos saberes discutidos, esperança e a convicção de que a mudança é possível, não como uma expectativa passiva, mas como um compromisso ativo com a transformação da realidade. Nesse sentido, a esperança não se reduz à espera, mas ao “esperançar”, verbo entendido como ação voltada à transformação social. Assim, o ensino se afirma como uma especificidade humana, marcada pela intencionalidade, pela linguagem e pela reflexão crítica.

Exige, ainda, competência profissional, generosidade e comprometimento, articulando-se à compreensão de que a educação é uma forma de intervenção no mundo, que demanda liberdade[5] com responsabilidade, tomada consciente de decisões, escuta atenta, reconhecimento de sua não neutralidade e disponibilidade para o diálogo. Trata-se, portanto, de uma prática ética, política e profundamente humana, que envolve também o querer bem aos educandos, reafirmando-se o vínculo afetivo como parte constitutiva do processo educativo.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[2] O conceito de Educação Bancária foi desenvolvido por Paulo Freire como forma de criticar esse modelo de ensino no qual o professor deposita conteúdos nos estudantes, considerados sujeitos passivos, algo que se baseia apenas na transmissão, em total oposição a uma educação problematizadora e crítica.

[3] BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Tradução: Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

[4] O determinismo biológico refere-se a concepção na qual comportamentos e capacidades humanas seriam determinados exclusivamente por fatores genéticos, desconsiderando a influência dos contextos históricos, sociais e culturais (GOULD, 1991).

[5] HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

Aprender a aprender

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@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – mestranda do PPGCTS/UFSCar

Beatriz Vitória Vieira de Lima – Monitora da disciplina

            Trazemos, aqui, uma contribuição ao pensamento crítico e necessário à educação pública de qualidade.

Esse texto se baseia em alguns pontos que foram destacados como forma de instigação e de ampliação do debate, na sala de aula, acerca do processo que se denominou de “aprender a aprender”.

Aprender a aprender exige:

  • Aprender a pensar (liberdade: sem dogmatismo)
  • Aprender a identificar (problema relevante)
  • Aprender a selecionar (escolher tema, objeto)
  • Aprender a procurar (fontes, referências)
  • Aprender a pesquisar (metodologia: meios e fins)
  • Aprender a refletir (orientação, foco, mas com intuição)
  • Aprender a organizar (racionalidade, objetividade)
  • Aprender a escrever (“escrita científica”)
  • Aprender a disponibilizar (divulgação científica)
  • Aprender a saber-fazer (praticar o conhecimento, com conhecimento)
  • Aprender a comunicar (conhecimento como comunicação e não extensão)
  • Aprender a Apreender (práxis)
  • Aprender que há Educação Permanente (só deixamos de aprender na morte)

 

No conjunto, temos a articulação de um tipo de epistemologia política, no sentido de que a educação não é um processo neutro, pois, ao contrário, sempre carrega um escopo político.

Como visto, o processo de “aprender a aprender”, aqui trabalhado, busca refletir sobre a prática educativa para além da mera transmissão de conteúdos e da chamada educação bancária[1]. Trata-se de compreender o ensino e a aprendizagem como processos associados ao “tomar para si”, isto é, ao exercício da liberdade necessária para aprender de forma efetiva, ultrapassando-se a aquisição de conteúdos de maneira descontextualizada e, portanto, capaz de promover a formação de sujeitos críticos.

Nesse sentido, aprender a pensar constitui um ponto de partida fundamental, exigindo uma postura crítica e livre de dogmatismos. O conhecimento, conforme apontam autores como Morin[2] e Bachelard[3], não apresenta um ápice ou finalização, mas se desenvolve de forma contínua, por meio de construções e revisões constantes. Associado a isso, destaca-se a capacidade de identificar problemas relevantes da realidade, compreendendo-se que o conhecimento não é dado de forma pronta, mas construído de maneira orientada. Torna-se necessário aprender a procurar, definindo objetivos de estudo e selecionando fontes confiáveis, articulando-se meios e fins.

Esse movimento aproxima-se da noção de práxis em Paulo Freire[4], na qual ação e reflexão (teoria e prática) caminham juntas, o que permite compreender criticamente a realidade e orientar a produção do conhecimento. Logo, aprender a escrever e a comunicar torna-se essencial, uma vez que o conhecimento precisa ser expresso de forma fundamentada, clara e objetiva.

A comunicação, nesse contexto, ultrapassa a ideia de mera transmissão (extensão) e passa a ser compreendida como um processo de construção compartilhada, estabelecendo-se relações de parceria entre docentes e discentes. Da mesma forma, aprender a disponibilizar o conhecimento, por meio da divulgação científica, amplia seu alcance e contribui para romper com sua restrição aos espaços acadêmicos.

Por fim, “aprender a apreender” implica o desenvolvimento do saber-fazer, ou seja, a capacidade de aplicar o conhecimento de forma consciente e intencional, articulando-se teoria e prática. Esse processo reafirma a centralidade da práxis e evidencia que o ensino e a aprendizagem não se configuram como algo finalizado, mas como um movimento contínuo, marcado pelo reconhecimento do inacabamento humano. Assim, a educação se estabelece como um processo no qual os sujeitos encontram-se em constante formação ao longo da vida.

Diante disso, compreende-se que o “aprender a aprender” representa uma perspectiva educacional comprometida com a autonomia responsável, a criticidade, a emancipação social e a transformação social. Mais do que acumular informações, aprender significa desenvolver a capacidade de questionar, interpretar, relacionar ideias e agir conscientemente diante da realidade. Nesse sentido, o estudante deixa de ocupar uma posição passiva e passa a ser sujeito ativo de sua própria formação – há, então, uma autoeducação política.

Tal compreensão também exige uma nova postura do/a educador/a, que deixa de ser apenas transmissor/a de conteúdos para atuar como mediador/a do conhecimento, incentivando a curiosidade, o diálogo e a investigação. A sala de aula, portanto, torna-se um espaço de construção coletiva, no qual ensinar e aprender se estabelecem como processos mútuos e permanentes.

Além disso, em uma sociedade marcada por rápidas transformações científicas, tecnológicas e culturais, torna-se cada vez mais necessário formar sujeitos capazes de aprender continuamente, adaptando-se aos desafios do tempo presente sem perder a capacidade crítica. A educação, nessa perspectiva, contribui para a formação integral do indivíduo, preparando-o não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida em sociedade, o exercício da cidadania e pondo-o diante do entendimento de que será agente do próprio aprendizado.

Dessa forma, pensar na educação a partir do “aprender a aprender” significa reconhecer que ensinar envolve compromisso ético, político e social com a formação humana. Ao estimular a autonomia intelectual, o diálogo e a capacidade de intervenção na realidade, a escola cumpre seu papel de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e consciente.

Por esse entendimento, educar e aprender tornam-se ações inseparáveis no processo permanente de humanização dos sujeitos. Reafirmando-se a educação como prática libertadora e permanente, fundamentada na ideia de que o ser humano está sempre no mesmo processo de construção. Aprender, portanto, não se limita ao espaço escolar, nem se encerra em etapas formais – ainda que isso seja óbvio e necessário –, mas, sim, acompanha toda a trajetória humana como possibilidade constante de crescimento, emancipação e transformação.

Referências

BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2023

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

 

[1] O conceito de Educação Bancária foi desenvolvido por Paulo Freire como forma de criticar esse modelo de ensino no qual o professor deposita conteúdos nos estudantes, considerados sujeitos passivos, algo que se baseia apenas na transmissão, em total oposição a uma educação problematizadora e crítica.

[2] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

[3] BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2023

PF investiga malas sem inspeção em voo com Motta e Ciro Nogueira em avião ligado a bets

Bagagens não passaram por raio-X após viagem a paraíso fiscal no Caribe; Avião pertence a empresário de bets

A Polícia Federal investiga um episódio envolvendo a entrada de bagagens no Brasil sem inspeção em um voo privado que trouxe parlamentares após viagem ao Caribe, informa a Folha de São Paulo. O caso, que inclui o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) devido à possível ocorrência de crimes como facilitação de contrabando ou descaminho.

Cinco malas teriam sido liberadas sem passar por raio-X no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), em abril de 2024. A investigação aponta que um auditor fiscal autorizou a liberação das bagagens sem inspeção, o que motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal.

Viagem e passageiros do voo

O voo partiu da ilha caribenha de São Martinho, destino conhecido por benefícios fiscais e atrações como cassinos. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.

Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, estavam na lista de passageiros os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes partidários na Câmara. A PF obteve a relação de passageiros durante as investigações.

Investigação e envio ao STF

O caso foi inicialmente analisado pela Justiça Federal em São Paulo, mas acabou remetido ao STF por envolver autoridades com foro privilegiado. A relatoria ficou com o ministro Alexandre de Moraes, que determinou prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em decisão anterior, a Justiça destacou que caberia ao Supremo avaliar a competência para julgar o caso. O processo segue sob sigilo.

Suspeitas e atuação de auditor

De acordo com a apuração, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior transportasse as bagagens sem passar pelo equipamento de inspeção. O episódio ocorreu por volta das 21h do dia 20 de abril de 2024.

A Receita Federal informou que eventuais investigações internas são conduzidas sob sigilo e que, ao identificar possíveis irregularidades, instaura procedimentos administrativos para apuração, garantindo o direito à ampla defesa.

Posicionamento dos envolvidos

Hugo Motta confirmou presença no voo e afirmou que, ao desembarcar, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”. Sua assessoria declarou que o parlamentar aguardará a manifestação da Procuradoria.

Até a publicação da reportagem original, os demais citados —Ciro Nogueira, Dr. Luizinho, Isnaldo Bulhões e o empresário Fernandin OIG— não haviam se pronunciado.

Contexto e desdobramentos

A investigação também considera a possibilidade de envolvimento de passageiros com prerrogativa de foro em eventuais irregularidades. Por isso, o Ministério Público Federal solicitou o envio do caso ao STF.

O episódio ocorre em meio a debates sobre a atuação de empresas de apostas online no Brasil. Fernandin OIG, dono da aeronave, já esteve no centro de discussões no Congresso relacionadas ao setor, incluindo investigações parlamentares sobre possíveis irregularidades.

Do Brasil 247

Com Lula forte no 1º turno e empatado no 2º, pesquisa Atlas aponta disputa acirrada em 2026

Levantamento Atlas/Bloomberg revela liderança de Lula no primeiro turno, empate com Flávio Bolsonaro no segundo e alta rejeição entre principais candidatos

A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (28) aponta disputa acirrada em 2026 e revela um cenário marcado por polarização persistente, com equilíbrio entre os principais candidatos e elevada rejeição entre os líderes políticos.

infografico

Na avaliação geral do governo, 51,3% classificam a administração como ruim ou péssima, enquanto 42% consideram ótima ou boa, indicando um cenário de desgaste político relevante.

Polarização se mantém

A pesquisa indica que a polarização segue como principal característica do cenário eleitoral. Em uma simulação com os mesmos candidatos de 2022, Lula aparece com 45,2% das intenções de voto, contra 45% de Jair Bolsonaro (PL), configurando empate técnico. Jair Bolsonaro, no entanto, está inelegível e cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

O dado reforça a manutenção de um cenário dividido entre os dois principais campos políticos do país.

Cenários de primeiro turno

No principal cenário de primeiro turno, Lula lidera com 46,6%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 39,7%. Outros nomes aparecem com percentuais menores, como Renan Santos (5,3%), Ronaldo Caiado (3,3%) e Romeu Zema (3,1%).

Quando o candidato governista é Fernando Haddad (PT), ele registra 40,5%, contra 39,2% de Flávio Bolsonaro, mantendo a disputa em patamar equilibrado.

Disputa no segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro, com 47,5% contra 47,8%.

Contra Jair Bolsonaro, Lula teria vantagem, com 48% frente a 46,8%. O presidente também venceria outros nomes testados, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Sem Lula na disputa, Flávio Bolsonaro aparece à frente tanto de Fernando Haddad, com 48,1% contra 44,3%, quanto de Geraldo Alckmin (PSB), por 47,5% a 45,9%.

Alta rejeição entre candidatos

A pesquisa também mostra níveis elevados de rejeição. Lula lidera nesse indicador, com 51%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 49,8%, e Jair Bolsonaro, com 44,9%.

Outros nomes também apresentam rejeição significativa, como Renan Santos (42,2%), Fernando Haddad (41,9%), Romeu Zema (40,9%) e Ronaldo Caiado (38,7%).

Cenário aberto

O conjunto dos dados aponta para uma eleição aberta, com margens estreitas nos principais cenários e forte polarização. A combinação entre competitividade elevada e altos índices de rejeição sugere uma disputa imprevisível e altamente dependente da evolução do cenário político ao longo dos próximos meses.

Metodologia

A pesquisa ouviu 5.008 pessoas entre os dias 22 e 27, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%, conforme registro no TSE sob o número BR-07992/2026.

Do Brasil 247

EDUCAÇÃO CRÍTICA DA UBERIZAÇÃO

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– uberização e capitalismo de barbárie

– intuições de um professor

 

@viniciocarrilhomartinez

Tendo-se a clareza de que, todos/as que pedem uma pizza pelo aplicativo estimulam, reproduzem, monetizam a lógica da uberização social, nesse texto, traremos alguns pontos essenciais a uma Epistemologia política crítica ao momento e ao estágio atual da desumanização: uberização social.

A desnaturalização da condição humana

Penso que, quando um professor chega nesse estágio de violência, a ponto de atacar a tiros o presidente dos EUA, ele está subsumido pela mais grave “esquizofrenia social” [1].

Desse modo, esse professor apenas reflete o nível de “doença sistêmica” da sociedade capitalista na qual vive – salvo se sempre teve (tem) algum distúrbio psíquico muito grave.

Pela premeditação, até onde sabemos, parece que estava “conversando” com o seu líder na única linguagem que ele compreende: a violência letal. Neste caso, como resultado de uma sociedade bélica, desorientada, extremamente fragmentada, o professor sinaliza para o que o capitalismo aponta.

Vamos persistir no aspecto de que, se um professor recorre ao uso de arma de fogo para atingir seu líder (e acólitos), a doença do capitalismo chegou no seu extremo.

O capitalismo conseguiu desumanizar por completo quem deveria ensinar crianças e jovens a não praticarem a violência, mas sim o conhecimento. Penso que esse é o estágio mais baixo, virulento, letal, que conhecemos da sociedade capitalista.

Também penso que nossa obrigação, como profissionais da educação, é propormos uma educação anticapitalista, contra a própria violência que o sistema produz reiteradamente.

Contudo, é preciso olhar para o presente, é obrigatório entendermos que o ponto central, a receber o foco da nossa atenção, é a uberização social, a fragmentação, a indiferença, o estranhamento social e a negação ou dissolução de si[2].

De alguma forma bem específica, na condição psíquica (e que não é a minha área), esse professor é apenas uma singularidade do estilhaçamento das subjetividades e das consciências de todo mundo, neste breve 2026.

Esse professor-atirador é uma fagulha da uberização social, essa total desagregação e exclusão do indivíduo pelo sistema produtivo, descartado pelos símbolos de significação, reconhecimento e legitimidade, e que precisamos entender para atuar contra.

 

Da contínua uberização social

O professor, a professora, como parte atuante e decisiva na formação do “novo Homem”, que predizia Paulo Freire n’A Pedagogia do Oprimido[3], precisa ser “educado/a” – como ensinou Marx, na Ideologia Alemã –, para reconhecer a absoluta precarização e o total distrato social em que se encontra.

Somente assim, o/a professor/a poderá atuar para mudar as condições em que se encontra, juntamente com seus alunos e alunas; afinal, são as mesmas condições de negação da existência social, econômica, política, cultural (societal) que atingem a todos.

Esse quadro de uberização social – em situação direta (motorista de aplicativo, entregador freelance) ou indireta (tomador/a de serviços) – não apenas revela o total desamparo e a insegurança jurídica, mas nos coloca no miolo do problema.

Acima de tudo, a uberização social nos revela que ninguém está isento – retirando-se a barbárie do escravismo, antigo e moderno – do maior e mais grave, profundo, estágio de associação do Humano com a mercadoria, com a coisa e, portanto, com a plena identificação com a coisificação (reificação globalizada).

É importante conhecer a Maquinaria por dentro? Sim, é obrigatório, pois é apenas assim que se entende a lógica perversa do capital, na forma da espoliação dos produtores/as, trabalhadores/ras.

Porém, além do entendimento (análise e reconhecimento fático) das condições originárias do capitalismo do século XIX – como promissor resultado das duas revoluções industriais e políticas (americana e francesa) –, é nossa obrigação entender os “tempos modernos” deste início de século XXI (para só então poder atuar).

Diferentemente da classe trabalhadora que dividia o mesmo chão de fábrica, todos os dias, em escalas de trabalho que exauriam qualquer esperança – mas que oferecia um piso onde assentar a consciência de classe –, hoje, o trabalho uberizado interliga o/a trabalhador/a com um algoritmo frio, calculista, capitalista. Não existe mais um Humano na outra ponta da linha, a chefia é uma máquina de moer pessoas e de fazer dinheiro.

Sendo assim, se o filme Tempos Modernos de Chaplin é um clássico do cinema mudo que nos fala até hoje como é a lógica capitalista, por outro lado, um outro filme precisa ser rodado para auxiliar (esteticamente) no entendimento da uberização social – são tempos modernos revirados, são tempos pós-modernos altamente disruptivos, destrutivos, desumanizantes.

Uma das características dessa uberização social, como a descrevemos, se associa bem à fragmentação que perde qualquer filamento social, revelando-se doentia, parasitária, com inoculação absurdamente ativa.

Não temos noção adequada do processo atual, estamos tão-somente nas aparências, nas camadas superficiais, desse avanço da degradação humana; no entanto, é possível visualizar e entender (mais claramente e ainda que não seja conscientemente) que a exceção (uberização) se converteu em regra – ninguém está imunizado ao processo, ao contágio, quer seja pedindo uma pizza quer seja contratando a revisão freelance do seu próprio trabalho.

Há uma “naturalização da exceção[4]” e isso produz um reiterado looping da exceção originária. O que deveria ser exceção – o trabalho terceirizado, o/a uber – tornou-se uma regra.

As motivações podem ser variadas, desde a ausência absoluta de condições de empregabilidade formal, até “usar” a uberização como complemento de renda; esta seria, propriamente, a uberização do Mundo do trabalho[5].

O motivo, no sentido que analisamos agora, não é o mais relevante, mas sim a lógica que o explica, ou seja, ninguém se assusta, muito menos se furta, diante do acesso ou da inclusão na uberização. Quem não quer uma pizza?

Podemos estar presentes, inclusive, numa reunião séria em que se discuta a uberização de forma aprofundada, sociologicamente, e, passado algum tempo, um dos presentes pedir algum serviço de entrega de bebidas e de comidas.

A uberização social se revela, nesse exemplo tão comum da pizza, porque nenhum dos presentes se daria conta de que o “objeto” está indo ao seu encontro para satisfazer suas necessidades primárias: beber e comer.

No exemplo que demos do especialista que pede o serviço uberizado não há desconhecimento, alienação, indiferença diante do/a entregador/a de pizza.  É de se imaginar que esse/a especialista seja capaz de visualizar o entregador/a da pizza e o associar ao motorista do uber, uma vez que a lógica de degradação é a mesma. Então, se não é desconhecimento. O que seria?

 

Quando a exceção vira regra

Atua de forma hegemonizada, como entendemos aqui, uma lógica da “naturalização da exceção”, quando a presença massiva, sistêmica, sistemática da exceção a torna uma regra imperativa. É desse modo que ninguém mais duvida de que seja uma exceção – pois, de tão presente, fez-se uma “regra natural”.

E o que é mais natural do que a classe média pedir uma pizza pelo aplicativo, a ser entregue pelo filho/a das classes subalternizadas, oprimidas e excluídas?

Não se trata somente da informalidade no emprego, como o trabalho nas folgas, ou a prestação de serviço em reparos domésticos (via de regra, provém de contatos diretos), posto que trata do fato de que a plataforma que intermedia a compra e venda da força de trabalho[6] tem uma regra só para si e a faz valer universalmente, globalizando-se a exploração por todos os meios da vida social.

Por isso, ninguém está imune à parasitária fase do capitalismo atual. O que podemos ver é que se trata do capitalismo improdutivo de bens, no ápice da identificação do capital com os serviços, e, desse prisma, também pode valer o acrônimo do “servilismo voluntário”. Quem compra a pizza trabalha para a plataforma que providencia a entrega.

A exploração do trabalho pelo capital sempre foi a principal regra capitalista (Princípio da Hierarquia), não há exceção aqui. A naturalização da exceção se vale da aplicação da lógica segundo a qual, embrenhados nos “nossos” não tão novos tempos modernos, não percebemos o quão profundamente estamos submersos, não só na exploração do capital sobre o trabalho, mas na degradação humana, na mais profunda desumanização: na uberização social.

O looping da exceção, via uberização social, é tão profundo e pernóstico que não nos vemos ativos no processo, a exemplo de quem “apenas compra uma pizza pelo aplicativo”. Pela presença massacrante dos algoritmos de aplicativos de serviços em nossas vidas, a uberização se tornou parte da paisagem natural.

Neste aspecto, vale insistir, o looping da exceção é hoje o motor da uberização social; outrossim, para além da condição laboral, uma vez que a naturalização da exceção alcança todos os níveis da vida social.

Esse looping da exceção é a cadeia de rolagem, na rodagem da política, da cultura, da educação, é o que desmonta as relações sociais pacificadas e leva um professor a atacar a tiros um presidente da República.

Quando chamamos uma corrida uberizada e, pelo menos, indagamos sobre a rotina de trabalho da pessoa, apesar de ser um passo tímido, já é alguma coisa. Ainda que estejamos aprendendo apenas com nossos sentidos (senciência), quem sabe, o fato de o/a motorista falar de si não o/a leve a se escutar. Talvez, assim, a nossa senciência limitada (escutar) seja a motivação da consciência do/a motorista.

De todo modo, se é difícil apontar, diagnosticar “o que” ocorre, definir o “que fazer” – como fazer, “para quem” de modo direto e primário, com quais meios, e quando – é ainda mais nebuloso. Não há muita clareza, certeza, nos tempos atuais, em meio a tantas fragmentações, insuficiências, inconsistências. Mas, é preciso agir.

 

O que fazer?

A premissa tem que ser clara, pois nem todo trabalhador-capitalista, cooptado pela ideologia capitalista, é capitalizado; assim como hoje nem todo mundo está submetido ao trabalho uberizado. Porém, todos nós estamos subsumidos à lógica da “naturalização da exceção” e que monetiza a uberização social.

Se a imposição de uma legislação de segurança no trabalho, propriamente uberizado, tem caráter de urgência/urgentíssima, se é minimamente humanizador pensar-se em formas de políticas públicas protetivas a esses/essas trabalhadores/as, em complemento, a educação crítica seria, além de tudo, uma educação anticapitalista, crítica à uberização social – principalmente porque esse processo de máxima exploração é sinônimo de desumanização (estranhamento de si e da realidade).

Portanto, toda educação crítica ao capital, hoje, deveria partir desse fenômeno atual, de presença sem disfarces na fragmentação humana, na desorganização social, na perda de identidade, uma vez que só assim poderemos pensar em propor alguma reflexão que venha a ocasionar uma ação transformativa.

Então, quais aspectos você destacaria em uma Educação Crítica da Uberização, tendo-se em conta que deveria ter algum significado econômico, político, social, cultural, efetivo, para os mais afetados/as, explorados/as?

[1] Link: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/04/26/policia-identifica-suspeito-de-ataque-em-evento-com-trump.ghtm. Acesso em 26/04/2026.

[2] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/abducao-social-educar-pelo-pensamento. Acesso em 26/04/2026.

[3] https://www.youtube.com/watch?v=2C518zxDAo0. Acesso em 26/04/2026.

[4] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[5] https://www.intercept.com.br/2019/04/08/uberizacao-das-relacoes-de-trabalho/?utm_source=tp_google_interceptbr&utm_medium=cpc&utm_campaign=trafego_news&gad_source=1&gad_campaignid=23575505167&gbraid=0AAAAA-GeiJfy0LuGI6jtuoNcuHdTME-N_&gclid=Cj0KCQjw77bPBhC_ARIsAGAjjV__OYWJem6nMUQDDGz_jDg7IXSbKWo70zbtAHVVRiAm3xnf3jFRpMUaAnPMEALw_wcB. Acesso em 26/04/2026.

[6] https://www.instasgram.com/reel/DH67w1FPGBi/?hl=pt. Acesso em 26/04/2026.

‘Serei presidente outra vez’, afirma Lula na abertura do Congresso do PT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou na sexta-feira (24) uma proposta de documento apresentada no Congresso do PT, mas ressaltou que a militância do partido precisa levar em conta aquilo que “é possível” de ser implementado.

“É importante que a gente leve com seriedade que a gente leve com seriedade que a gente tem que prometer as coisas que temos facilidade e possibilidade de fazer, porque quem está no governo tem que ter como grande arma para ganhar as eleições mostrar o que fez”, ponderou Lula, em vídeo enviado ao evento em Brasília.

Mais cedo, Lula passou por um procedimento médico simples em São Paulo, mas sua presença no Congresso ainda não foi definida, uma vez que depende de aprovação da equipe médica.

No vídeo, o presidente também expressou confiança de que será reeleito, afirmando: “Preparem-se, pois serei presidente outra vez porque o Brasil precisa de alguém democrático, que saiba ouvir e conversar com o coração das pessoas”.

Do Brasil 247

O uber que interage com o aplicativo

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@viniciocarrilhomartinez

Disse no título que o uber interage com o aplicativo porque esse motorista realmente interage com o trabalho, com a plataforma: está ligado, como se diz.

Ontem na volta da universidade, o motorista – meia idade, escolarizado, experiente no trabalho – me deu uma aula sobre o Código de segurança. Praticamente voltei quieto, e se fiquei quieto quase a viagem toda é porque estava aprendendo muito – é o único de ficar quieto, quando estou aprendendo.

São tantos detalhes sobre esse Código de segurança que vou me limitar a expressar o básico: obviamente, traz segurança ao motorista e ao passageiro. O curioso é que a maioria das pessoas detesta isso; e mais curioso ainda é que os golpes, as trapaças – de ambos os lados – são infinitas. Ou seja, devemos programar nosso aplicativo para que o Código de segurança seja automatizado – sim, qualquer usuário/a pode/deve fazer isso.

O motorista me disse que, em breve, poderemos fixar um número permanente – com o código em mente, ninguém mais precisará consultar o aplicativo no início de cada corrida. E isso é uma recomendação.

Mas, como falei, esse é o mini resumo da conversa, em que fui basicamente um bom escutador.

Teve uma outra viagem de uber, faz uns 15 dias, quando estava indo para a universidade; porém, teve um enredo bem diferente. O motorista era muito jovem, uns 30 anos no máximo. A fisionomia era de cansaço, muito cansaço, mas percebi que o tom de voz estava embargado.

No meio do caminho, não sei porque, a conversa se desviou para os problemas da vida – do tipo de problemas que todo mundo tem. Falei que ando fugindo de problemas, que tento evitar ao máximo – por exemplo, pouco interagir em grupos políticos de WhatsApp, aos quais estava habituado a militar. As tretas, como dizem os jovens, ficaram pesadas e hoje entro apenas para postar algo que eu tenha escrito, como ocorrerá com essa pequena crônica.

Aí, o motorista falou que o problema dele estava perto, mas indo para longe. Na hora, pensei que era a namorada, companheira, esposa. Em seguida ele sorriu meio amarelo e, então, lhe disse que conheço bem esse sentimento. Passei por algumas.

Resumindo, contei uma passagem que aconteceu comigo e disse que, depois de algum tempo, indo e vindo, conseguimos acertar um pouco os ponteiros. Sugeri, a partir do meu exemplo, duas coisas simples: dar um espaço para a moça, um tempo, mas perguntar todo dia como ela está. Com o passar do tempo, poderão avaliar se compensa tentar novamente ou se cada um deve seguir o seu rumo. O importante, em qualquer das hipóteses, é que manterão o respeito mútuo.

Definitivamente, não posso dar “conselhos sentimentais” a ninguém. E penso que não fiz isso, porque somente contei minha experiencia e sugeri prestar atenção no que eu fiz naquela época: espaço, tempo, atenção. Ele agradeceu e disse que é muito bom conversar com alguém que tenha experiencia de vida.

No meu caso, funcionou em parte. No entanto, a parte que funciona até hoje é muito importante, para mim e para ela.

É mais do que certo que não podemos ter tudo na vida, mas que seja de extrema qualidade o que conseguirmos forjar e manter.

Modelo brasileira Amanda Ungaro implode o cafetão Paolo Zampolli, operador de Donald Trump

Declarações misóginas à TV italiana geram reação no Brasil e ampliam crise com acusações públicas e denúncias graves

 A empresária Amanda Ungaro voltou ao centro de uma controvérsia internacional após tornar públicas uma série de acusações contra o ex-marido, o empresário italiano Paolo Zampolli, envolvendo ainda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump.

Casados por cerca de duas décadas, Amanda e Zampolli protagonizam agora um embate público que ganhou novos desdobramentos após declarações do empresário à emissora italiana RAI. Na entrevista, Zampolli fez afirmações graves e ofensivas ao comentar o comportamento da ex-esposa. Segundo ele, “mulheres brasileiras são programadas para causar confusão” e “causam confusão com todo mundo”.

As declarações provocaram forte repercussão negativa no Brasil, especialmente após o empresário utilizar termos ainda mais agressivos. Em outro momento da entrevista, ele afirmou que as brasileiras seriam “raça maldita” e que “são todas iguais”, além de dirigir insultos pessoais a Amanda e a pessoas próximas a ela.

A reação foi imediata. O Ministério das Mulheres e a primeira-dama Janja da Silva se manifestaram publicamente, classificando as declarações como ofensivas e atentatórias à dignidade das mulheres brasileiras. As falas também geraram indignação nas redes sociais e entre representantes da sociedade civil.

Em resposta, Amanda Ungaro publicou um longo desabafo nas redes sociais na madrugada de sábado (25), no qual fez duras acusações contra o ex-marido. No texto, ela afirma ter convivido por anos com “uma mente voltada para atividades ilícitas, suborno e bajulação — com apenas um objetivo”, que, segundo ela, seria “a destruição da figura feminina”.

A empresária também acusou Zampolli de tratar mulheres como “moeda de troca” e de desrespeitar sua sexualidade. Em outro trecho, escreveu que ele “vulgariza as mulheres” e “desdenha da feminilidade e da sutileza das mulheres com palavras repugnantes”.

O tom do desabafo se intensifica ao longo da publicação. Amanda afirma: “Eu merecia algo muito melhor do que um verme repulsivo como Paolo Zampolli”. Em seguida, o chama de “mentiroso patológico” e questiona sua trajetória profissional: “Você nunca vendeu um único apartamento — quanto mais um avião 787”.

Além das críticas pessoais, a empresária levanta suspeitas sobre a atuação do ex-marido e menciona possíveis conexões com figuras influentes, sem apresentar provas públicas no conteúdo divulgado. Ela também afirma que Zampolli teria tentado utilizar influência política para promover sua deportação dos Estados Unidos.

Encerrando a publicação, Amanda afirma que o ex-marido “não é real” e o define como “uma mentira patética”. O caso segue repercutindo internacionalmente e pode ter novos desdobramentos à medida que as acusações ganham visibilidade e provocam reações oficiais e institucionais.

Do Brasil 247

 

Rechaçando contrapropaganda ianque, líderes do Irã exaltam coesão interna e unidade da nação

Autoridades da República Islâmica do Irã e comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reafirmaram a unidade e a coesão da nação em torno da resistência anti-imperialista contra a guerra de agressão desatada pelo país Estados Unidos (EUA) e seu enclave nazi-sionista “Israel”, alertando aos inimigos que novas agressões serão como a troca de um “olho por cabeça”. As poderosas declarações vêm logo após o canibal Donald Trump e os monopólios de imprensa arautos do imperialismo ianque alardearem uma suposta “divisão interna” do governo iraniano.

Os comandantes das forças aeroespacial e naval do CGRI afirmaram que possuem “uma lista de alvos definidos” e estão com “o dedo no gatilho” caso os agressores ianques e sionistas decidam retomar suas agressões contra a nação iraniana. Os militares iranianos destacaram ainda que o respaldo para realizar duros golpes contra os inimigos é confirmado “pela união das ruas e coesão das autoridades”.

O vice-presidente e chefe da Organização para Otimização e Gestão Estratégica de Energia, Esmail Saghab Esfahani, afirmou que a persistência da agressão por parte de EUA e “Israel” poderia ocasionar uma mudança na doutrina militar iraniana: “Nossa primeira estratégia é ‘olho por olho’, mas se o inimigo cometer um erro novamente, nossa resposta será ‘olho por cabeça’.”

Bloqueio ianque no Golfo Pérsico e ofensiva sionista no Líbano expõem continuidade da guerra durante cessar-fogo – A Nova Democracia
A resistência dos povos do Oriente Médio, principalmente a manutenção do fechamento do Estreito, se mantém como elemento central de enfrentamento, com a luta contra a agressão imperialista sendo travada em múltiplas frentes.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, e o chefe do judiciário, Gholam-Hossein Ejei, emitiram declarações simultâneas na plataforma X rechaçando a alegação do cabecilha ianque Donald Trump de que setores “moderados” do Irã estariam dispostos a capitular frente às exigências do inimigo.

“Somos todos iranianos e revolucionários”, afirmou Pezeshkian, destacando a unidade política, popular e religiosa em torno da República Islâmica para fazer “o agressor se arrepender”, e Ghalibaf emitiu uma mensagem similar. Ejei, por sua vez, não poupou palavras ao descrever o canibal Trump como o “desprezível presidente do EUA” que deveria compreender que “no Irã todos os grupos estão unidos em total alinhamento com o líder”, se referindo ao líder supremo Mojtaba Khamenei.

Líder supremo destaca unidade iraniana 

O líder supremo da República Islâmica do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu uma declaração ao povo iraniano exaltando a unidade do povo, expressa em constantes manifestações em favor da resistência, e alertando aos operativos de guerra psicológica promovidos pelos ianques e sionistas.

Para Khamenei, as alegações dos líderes do EUA, que frequentemente insinuam a suposta deslealdade e frouxidão de lideranças iranianas, não passam de artimanhas que objetivam arrefecer a unidade da resistência.

“As operações midiáticas do inimigo, ao visarem as mentes e a psique do povo, pretendem minar a unidade e a segurança nacional; que nossa negligência não permita que esses planos sinistros se concretizem”, afirmou a nova liderança máxima do Irã. Além disso, salientou que a real divisão está no seio do Grande Satã: “Devido à notável unidade criada entre os compatriotas, ocorreu uma divisão nas fileiras do inimigo”.

Rejeição a Trump chega a 62% em meio à guerra com o Irã e à crise interna no EUA – A Nova Democracia
Dentre as preocupações demonstradas está o grau de sanidade do presidente ianque em meio ao atoleiro criado com a guerra de agressão contra o Irã e o consequente fechamento do estreito de Ormuz.

Ianques seguem promovendo pirataria

O chefe do Pentágono e secretário de Guerra ianque, o celerado Peter Hegseth, disse em uma coletiva de imprensa que o país Estados Unidos (EUA) está expandindo o bloqueio naval contra embarcações comerciais iranianas e confirmou o sequestro de dois navios que navegavam no Estreito de Ormuz, próximo ao Mar do Irã. Em retaliação, o Irã afirmou a apreensão de dois navios, um deles pertencente à entidade nazi-sionista de “Israel”.

Em uma contumaz confissão de pirataria, Hegseth afirmou que, além do sequestro de embarcações civis iranianas, outros 33 navios chegaram a ser impedidos de navegar e foram forçados a retornar a seus portos. Além do Estreito de Ormuz, a marinha ianque sequestrou dois navios com petróleo iraniano no Oceano Índico e afirmou que expandirá as operações por todo o mundo.

Apesar dos danos econômicos, as embarcações iranianas seguiram desafiando o bloqueio naval e, entre os dias 13 e 21 de abril exportaram ao menos 10,7 milhões de barris de petróleo, segundo dados da empresa de análise marítima Vortexa. Com o aumento das hostilidades da marinha ianque e das represálias iranianas, o tráfego de navios no Estreito de Ormuz caiu para 5 navios em 24 horas.

A Nova Democracia

CAPITALISMO DIGITAL – na era da Sociedade de controle

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@viniciocarrilhomartinez

É oportuno visualizar que, diferentemente do período entre as décadas de 1970 e 1990, até uma parte significativa dos anos 2000, o sistema financeiro, diga-se o capital financeiro, especulativo e improdutivo, liderado pelos grandes bancos, detinha a primazia sobre o poder econômico e, portanto, a hegemonia.

Neste momento em que nós nos encontramos, os bancos sofrem com a ausência evidente de regulamentação das fintechs. Os próprios bancos, além da corrida às criptomoedas, enfrentam ataques diretos em seu projeto de hegemonização pelo novo BBB – Big Techs, Big Datas/Data Centers, Bets – além de disputarem agenda com o modelo mais arcaico: bala, boi, bíblia[1].

Como fenômeno presente, em fazimento, altamente complexo, nuançado, o Capitalismo digital – para quem se sente no olho movediço do furacão – é um atuante Ensaio. Do presente ao passado, temos os dois (o trabalho análogo à escravidão e a IA como negação da condição humana[2]); do geral ao particular, ninguém escapa da uberização social; do complexo, composto, às partes de sua composição, o fenômeno, que revela o atual estágio das forças produtivas e das relações sociais de produção, combina regras do escravismo (9-9-6) com a ausência integral de institucionalidades e da legitimidade democrática (Fascismo tecnológico[3] e “servilismo voluntário”). Mas, tudo aqui ainda é um Ensaio[4], com uma longa história[5].

Desse modo, escanear alguns elementos desse denominado Capitalismo digital lembra um pouco o trabalho que Ianni teve com a exposição da Geração de 30, se observarmos que livro[6], palestras[7] e artigos não são idênticos e que sempre trazem algum ganho, complemento. Citamos isso como referência de que o conhecimento, acerca do conceito de Capitalismo Digital, está se fazendo, não está fechado, sobretudo porque tratamos do presente, sempre em processo dinâmico – e, muitas vezes, com extrema velocidade em produção e também destruição.

 

A sociedade de controle sob o Capitalismo digital

Por Sociedade de controle fixaremos a inspiração originária de Deleuze[8], com aportes mais atuais de Bauman[9] e, por Capitalismo digital, daremos prosseguimento ao nosso intuito inicial de esquadrinhamento de alguns aspectos de edificação da hegemonia capitalista em 2026.

Com a perspectiva de que o conceito está em movimento, numa base material movediça, teremos atenção nesse artigo em dois vetores que se alinham e se ajustam hodiernamente, porém, como se estivéssemos vendo a atualização de um composto do passado (sociedade de controle[10]) no presente (Capitalismo digital). Os aportes do futuro correm por conta da alavancagem dos meios degenerativos da Política e da democracia – como mecanismos de subalternização, exclusão[11] e negação[12]. O que corresponde às “máquinas de guerra” do capital provocador de miséria humana e de uma sociedade altamente controlativa[13].

O conjunto de formas tradicionais e “inovadoras” de embate político e produção de beligerâncias, a serviço do Império e de seus países satélites, também configuram o eixo das modalidades de ação/intenção do que se pode definir com soberania de conquista. Uma requisição sem fim de soberania – num mundo de única potência – só poderia ser efetiva se houvesse uma sociedade altamente de controle: altamente controladora das liberdades dos cidadãos nacionais e da geopolítica internacional. Portanto, a forma-Estado de Exceção[14] está delineada tanto no controle real (da política) quanto nas liberdades interativas que se pudesse visualizar nas redes sociais. “A guerra era um limitado Estado de Exceção”[15].

Também nesse sentido há uma janela epistemológica entre a obra de Foucault[16] e de Deleuze, e que é, mais precisamente, a passagem do estágio capitalista das sociedades disciplinares para a sociedade de controle[17].

Hardt destaca pontos chaves a partir da leitura que apresenta do filósofo francês: pós-modernidade; fim da história; Império; sociedade de controle mundial; biopoder. O conjunto revelaria um tipo de crise de civilização ou, ao menos, de perspectiva. “O ‘espaço estriado’ das instituições da sociedade disciplinar dá lugar ao ‘espaço liso’ da sociedade de controle”[18]. A indistinção entre público e privado, dentro e fora, revela-se em novas formas de opressão e controle, como o racismo que não se baseia na biologia, mas, sim, na cultura.

A privatização do público e a publicização do privado, por sua vez, acarretam uma superexposição das subjetividades. Com isso, é obstaculizada a construção do reconhecimento dos sujeitos e de suas intersubjetividades – não-egoístas, não-consumistas – e do direito porque seria necessário um espaço público não privatizado. “A paisagem urbana não é mais a do espaço público, do encontro casual e do encontro de todos, mas dos espaços fechados das galerias comerciais, das autoestradas e dos condomínios com entrada privativa”[19].

O fluxo, a rotina, é ditada pela rodagem dos algoritmos hegemonizados é a contraprova do alegado, uma vez que as bolhas de referência, acesso e consumo são cada vez mais particularizadas, indutivas de um tipo de auto referenciamento e autoconsumo, porque cada pessoa usuária das redes deverá consumir hoje e amanhã, precisamente, o que consumiu ontem. Não é autoaprendizado do sujeito (apenas do algoritmo), é autoconsumo que nos embota nas mesmas e repetidas preferências e escolhas. O pensamento único é, além de um portal emanado das oligarquias da comunicação global (Big Techs), uma expressão da mesmice, de eterna repetição do que queremos ver e ouvir: a primeira vítima é a diversidade, a segunda é a tolerância e a terceira somos nós.

A partir da Arphanet, a Internet como a conhecemos hoje funcionou como um sistema sinótico[20], fazendo-se interação entre os membros e os grupos integrados; com as redes de comunicação social, virtualiza-se intercalando-se sistemas panópticos[21] e banóticos[22]. Não se poderia retratar o incremento dos novos meios de interação/informação; no entanto, essa proposta analítica de uma sociedade de controle (desde o século XX) se ajusta com perfeição às previsões e realizações que se manifestariam no futuro/presente de 2026.

Celebrizado pelo diagnóstico do “pensamento único” – sem questionamento, ordenado pelos interesses hegemônicos – Ramonet[23] incitava, diante da sociologia do laissez-faire, em que cada um vigia suas intenções/ações, a pensar sob o ângulo do Jus Puniendi Global que nos arboriza como cidadãos de paisagem: chamado ao “servilismo voluntário”[24]. De fato, há um Estado de Vigilância Maciço.

 

Da uberização social

Inicialmente, há que se destacar algumas nuances: terceirizados ou estagiários, por mais precárias que sejam suas relações de trabalho, têm algum vínculo funcional estabelecido por contratos formais. O trabalho autônomo ou freelance, via de regra, intermediam diretamente com o “tomador de serviços” as negociações envolvendo a venda da sua força de trabalho (costumam se abrigar juridicamente no sistema MEI).

Na uberização, as plataformas são intermediárias e retém uma parcela significativa dos valores envolvidos na prestação de serviços – as plataformas que executam essa extração de mais-valia, em determinadas situações, podem reter mais de 50% (cinquenta por cento) dos valores auferidos.

Então, diferentemente dos autônomos, os situados sob a condição da uberização são explorados pelo mediador da relação de trabalho: as plataformas. E, diferentemente dos terceirizados e dos estagiários (precarizados), quem se encontra sujeitado à uberização completa (entre 10 e 12 horas diárias) não tem nenhuma segurança jurídica.

Em síntese, o uberizado não negocia diretamente a venda da força de trabalho (ao contrário do autônomo) e não tem nenhum vínculo formal com o Mundo do Trabalho, como possuem os terceirizados – a não ser de forma punitiva, coercitiva.

Por insegurança jurídica se entende a ausência tanto de regulação das empresas, como a criação de vínculos trabalhistas, quanto a inexistência de qualquer garantia na forma de direitos trabalhistas, decorrente dessa atividade laborativa uberizada.

A própria resposta da Inteligência Artificial (IA), para a uberização, ressalta a informalidade das relações de trabalho, a precarização absoluta e a ausência total de segurança jurídica:

  • A uberização social é um modelo de trabalho baseado em plataformas digitais que transfere riscos e custos para o trabalhador, caracterizado pela falta de vínculo empregatício, ausência de direitos trabalhistas (CLT), remuneração variável e controle algorítmico. Esse fenômeno gera precarização, insegurança e jornadas exaustivas, mascaradas por uma falsa noção de empreendedorismo e flexibilidade” (Fonte: IA).

 

Ao menos, a resposta programada da IA não falseou quanto à precarização e espoliação das trabalhadoras e dos trabalhadores envolvidos e subjugados. Pode-se dizer que a IA apresentou algum critério técnico e uma noção crítica e realista.

Na prática, esse nível de subalternização é muito mais gravoso à saúde, às condições de vida e de expectativas das pessoas submersas nas relações laborativas, se comparadas à jornada 6-1: em vias de ser ajustada para 5-2, no Brasil. Com esse nível de esgotamento e de estafa, não é impossível dizer que essas pessoas dormem e acordam com o trabalho[25].

A falsa noção de flexibilidade na jornada de trabalho tem que receber outro destaque, uma vez que, pela lógica simples, é facilmente compreensível o fato de que se as jornadas de trabalho extremas e exaustivas (entre 10 e 12 horas diariamente) não podem se configurar como sinônimo de liberdade de horários para trabalhar e flexibilidade: quem tem uma escala, praticamente, igual ou superior à conhecida fórmula do 9-9-1 (das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana) não tem liberdade, e muito menos energia, para fazer mais nada que possa lhe desenvolver como pessoa humana.

Porém, com rendimentos muito superiores ao “trabalhador CLT” – com faturamento mensal superior, no montante de até três vezes ao que receberia no emprego formal – é inegável que faça as contas e veja primeiramente a conta bancária. Por isso, pode-se dizer que tenha desenvolvido uma subjetividade de negócios, capitalista, ao mesmo tempo em que está submerso no trabalho mais precarizado que possa haver. Não há exagero em se dizer que a uberização seja um tipo de “escravismo moderno”, com a diferença de que é mais lucrativo (para quem está em estado de uberização) em comparação a quem está relacionado às sujeições da escala 9/9/6 ou sob o completo domínio do trabalho análogo à escravidão.

Destacaremos apenas alguns mecanismos de controle sobre motoristas e usuários de transporte uberizado: ambos recebem notas ao final de cada corrida, mas, com a pontuação abaixo do mínimo esperado, o sistema – movido por algoritmos de vigilância e controle – já não escala mais viagens. Avaliações negativas, repetidamente, assim como os seguidos cancelamentos de viagens ou quebra de procolos e termos podem implicar em punições mais severas, como cancelamento da conta – o fato óbvio é o monitoramento de comportamentos, isto é, o algoritmo que direciona corridas (ou não) atua como forma de controle social.

Portanto, há um severo erro na epistemologia política de quem associa a uberização ao “empreendedorismo” – mormente, porque quem controla os atos laborais são as plataformas e nunca há uma relação negocial direta entre o uberizado e o tomador de serviços – aliás, a pena para isso é a exclusão do trabalhador[26].

O controle é totalmente movido pela punição e a pior delas, como se depreende facilmente, é a exclusão do/a trabalhador/a uberizado/a das plataformas que atuam em forma de monopólio de serviços. O resultado final, como liquidação disruptiva (no grau máximo do banimento), é, como se pode concluir com facilidade, a desmonetização por completo – a perda das piores condições de trabalho (a uberização) é, por fim, exatamente, o fim das expectativas de quem já estava excluído/a, negado/a.

 

 

 

[1] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital. Acesso em 19/04/2026. É preciso destacar que as Big Techs formam um oligopólio, uma oligarquia da desinformação que alimenta segundo a segundo as redes antissociais: redes de estímulo ao comportamento antissocial. O Brexit foi dos experimentos iniciais e que revogou – em plebiscito popular distorcido por Fake News – a participação da Grã-Bretanha no Mercado Comum Europeu.

[2] Em essência, a atual fase tecnológica, com imensos impactos sociais e econômicos, nos apresenta inúmeras variações acerca da destruição da Política como espaço público (MARTINEZ, Vinício Carrilho. A destruição da política: a sociedade de controle entre a pandemia e o pandemônio político. Campina Grande: EDUEPB, 2023. Disponível em: https://zenodo.org/records/8298411).

[3] https://www.fcw.org.br/culturacientifica12/vin%C3%ADcio-martinez. Acesso em 19/04/2026.

[4] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 19/04/2026.

[5] https://ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/660338-tecnofacismo-do-radio-de-pilha-nazista-as-redes-antissociais-a-transformacao-monstruosa-humana-entrevista-especial-com-vinicio-carrilho-martinez. Acesso em 19/04/2026.

[6] IANNI, Octávio. A ideia de Brasil moderno. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

[7] IANNI, Octávio. Tipos e mitos do pensamento brasileiro.  XXV Encontro anual da ANPOCS, em Caxambu, realizado de 16 a 20 de outubro de 2001.

[8] Gilles. Conversações, 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

[9] BAUMAN, Zygmunt. Vigilância Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

[10]“Não é de um comitê de sábios, comitê moral e pseudo competente que se precisa, mas de grupos de usuários. É aí que se passa o direito à política” (DELEUZE, 1992, p. 210).

[11] https://www.terra.com.br/noticias/analise-como-o-capitalismo-digital-e-o-tecnofascismo-estao-reproduzindo-antigas-estruturas-de-dominacao,89b81d8bcb31b45180a088eac3ba1004snrjsoxf.html#google_vignette. Acesso em 19/04/2026.

[12] Como se depreende conceitualmente, a mordaz combinação entre subjugação, subalternização, negação e exclusão, resumem-se na imposição da exceção enquanto regra. (MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K).

[13] “No capitalismo só uma coisa é universal, o mercado […]. Não há Estado democrático que não esteja totalmente comprometido nessa fabricação da miséria humana” (Deleuze, 1992, p. 213).

[14] AGAMBEN, Giorgio. Estado de Exceção. São Paulo: Boitempo, 2004.

[15] HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do império. São Paulo: Record, 2005, p. 26.

[16] FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes; 1977.

[17] HARDT, Michael. A sociedade mundial de controle. In: Alliez, Éric. Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, 2000, p. 357.

[18] HARDT, 2000, p. 358.

[19] HARDT, 2000, p. 360-61.

[20] Apesar de não contar, inicialmente, nem com uma fração dos pontos de acesso (e de fuga) que se verificam na teia de comunicação atual, era um sistema sem controle central e espionagem global, como vemos hoje em dia.

[21] Aqui, temos que ver os controles exercidos pelos grupos de poder hegemônicos responsáveis pela gestão do Estado ou dos interesses corporativos que atuam como Jus Puniendi Global.

[22] Uma das formas de controle social – especialmente dos jovens que têm uma vida digital ativa – é a ameaça de cancelamento. O sistema banótico, portanto, controla pelo medo, pela possibilidade de banimento – o que levaria ao esquecimento.

[23] RAMONET, Ignacio. El Imperio de laVigilancia. Madrid: Clave Intelectual, 2016.

[24] LA BOETIE, Ètienne de. Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: Edições Antígona, 1986.

[25] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital-mais-valia-onirica. Acesso em 19/04/2026.

[26] “Assim como os passageiros não podem pedir corridas por fora da plataforma, você, como motorista, também não deve oferecer esse serviço. Como parceiro Uber, as viagens devem ser feitas sempre por meio do app, o que também aumenta a sua segurança e a garantia de receber o dinheiro após a corrida”:  https://zarp.localiza.com/blog/post/codigo-de-conduta-para-motoristas-uber. Acesso em 24/04/2026.

SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA: NOTAS PARA UMA ANÁLISE

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Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (22/04/2026). Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. A obra analisada refere-se ao livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire[1]. Então, vamos aos tópicos:

  1. Ensinar exige rigorosidade metódica:
  • Isso se chama Ciência;
  • Trata-se de reconhecer que o ato de ensinar não se reduz à transmissão ou reprodução de conteúdos, mas envolve processos de organização, sistematização, problematização e validação do conhecimento;
  • Nesse sentido, a ciência se caracteriza não apenas por seus conteúdos, mas por seus modos de produção: a construção de hipóteses, o uso de metodologias claras, a possibilidade de replicação e a validação, como ocorre, por exemplo, na avaliação por pares;
  • Ensinar com rigorosidade metódica implica, portanto, aproximar os educandos desses modos de pensar, favorecendo a compreensão de que o conhecimento é produzido, testado e constantemente reelaborado;
  • O exemplo usado em aula: a adaptação de um rodo por um trabalhador da zeladoria, visando melhorar a retirada de água do piso, não se reduz à mera repetição de práticas já conhecidas, mas envolve observação, experimentação e ajuste, elementos que, ainda que em outro contexto, dialogam com princípios da racionalidade científica;
  1. Ensinar exige pesquisa
  • Isso se chama estudar para investigar: “aprender a aprender”;
  • Nesta análise, ensinar exige pesquisa no sentido de ser compreendido como a capacidade de “aprender a aprender”, isto é, investigar de forma intencional e orientada. Não se trata de buscar informações de maneira aleatória, mas de saber o que se procura, com quais critérios e com quais objetivos, articulando rigor metodológico e seleção de fontes confiáveis.
  • Nesse sentido, práticas como o uso acrítico de materiais, por exemplo a utilização da Wikipédia sem problematização ou verificação, evidenciam não apenas uma fragilidade na produção do conteúdo didático, mas a ausência da compreensão de que ensinar implica saber pesquisar, avaliar e validar informações;
  1. Ensinar exige respeito aos saberes dos/as educandos/as
  • Isso se chama Bom Senso do senso comum: “educação de berço”;
    • Nesta análise, respeitar os saberes dos educandos implica reconhecer que os estudantes chegam à escola portadores de conhecimentos construídos em seus contextos sociais e culturais, como aqueles provenientes de tradições familiares e comunitárias — por exemplo, saberes transmitidos em comunidades indígenas. Esses conhecimentos constituem pontos de partida legítimos para o processo educativo;
    • Porém, esse reconhecimento não significa a aceitação irrestrita de todas as concepções prévias. O trabalho pedagógico exige problematização e criticidade, especialmente quando tais concepções envolvem preconceitos ou violem princípios de direitos humanos;
  1. Ensinar exige criticidade
  • Sem a crítica só há a mesmice, a repetição, a ideologia, a ignorância: o senso comum que se apresenta na Educação capitalista (“deixe como está para ver como é que fica”);
    • A criticidade constitui um elemento central do ato educativo, na medida em que rompe com a mera repetição e favorece a análise, a interpretação e a problematização da realidade. Sem ela, o ensino tende à reprodução acrítica de conteúdos e à naturalização de visões de mundo;
    • Nesse sentido, tanto na produção científica quanto no processo de ensino e aprendizagem, a ausência de análise crítica compromete a validade e o sentido do conhecimento. Como aponta Marilena Chauí, a ideologia pode operar pela universalização de interesses particulares, fazendo com que perspectivas de grupos dominantes sejam apresentadas como universais. A criticidade, portanto, torna-se fundamental para desnaturalizar essas construções e possibilitar a transformação social;
  1. Ensinar exige estética e ética
  • Chamo de valor republicano;
    • A dimensão estética do ensino refere-se à forma como a prática educativa se organiza e se apresenta, envolvendo escolhas que favorecem o diálogo, a compreensão e a participação, como a disposição do espaço, o uso de recursos didáticos e a construção de ambientes mais horizontais de interação. Nesse sentido, a estética não se reduz à aparência, mas expressa uma concepção de ensino comprometida com o encontro entre sujeitos;
    • A ética, por sua vez, diz respeito à responsabilidade do educador no exercício da docência, implicando o respeito aos educandos, aos direitos humanos e à diversidade. Ensinar eticamente exige evitar a imposição acrítica de visões pessoais, bem como combater práticas discriminatórias, como racismo, misoginia e outras formas de preconceito;
  1. Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo
  • Os cínicos, de todas as idades, não avançam na educação;
    • “A palavra convence, mas o exemplo arrasta”;
    • A prática educativa exige coerência entre discurso e ação, de modo que aquilo que se ensina seja efetivamente vivido no cotidiano. A corporeificação das palavras implica que valores como respeito, justiça e equidade não permaneçam apenas no plano discursivo, mas se expressem nas práticas concretas do educador;
    • Nesse sentido, posturas contraditórias, como defender o combate ao racismo no espaço institucional e reproduzir práticas racistas em outros contextos, fragilizam o processo educativo e comprometem a formação crítica dos sujeitos, ao esvaziar o sentido ético do ensino;

 

  1. Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação
  • Some-se o preconceito, o racismo, a homofobia, a misoginia;
    • O ato de ensinar implica abertura ao novo e disposição para colocar em questão os próprios saberes, reconhecendo-se que o conhecimento é sempre provisório e passível de revisão. Nesse sentido, ensinar e aprender envolvem risco, na medida em que exigem a reconstrução de certezas e a incorporação de novas perspectivas, processo que pode gerar tensões e resistências;
    • Paralelamente, essa abertura não se dissocia de um compromisso ético: a rejeição de toda forma de discriminação. Práticas pedagógicas críticas demandam o enfrentamento de preconceitos, como racismo, homofobia e misoginia, reafirmando-se o respeito à diversidade e aos direitos humanos;
  1. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática
  • Isso é autocrítica e autoeducação política (sem ideologia);
    • A prática docente demanda um exercício constante de reflexão crítica, que envolve não apenas a análise do outro, mas também a autocrítica. Nesse sentido, ensinar implica reconhecer os próprios limites, revisar posicionamentos e compreender que a prática educativa é atravessada por dimensões políticas e ideológicas;
    • Essa reflexão torna-se ainda mais necessária no contexto acadêmico, em que a produção do conhecimento pode, por vezes, associar-se a relações de poder e à ideia de sua detenção por determinados grupos. Quando o conhecimento se apresenta como verdade incontestável, perde-se o espaço da dúvida e do questionamento, comprometendo-se a própria rigorosidade metódica e favorecendo práticas dogmáticas;
    • A ausência dessa reflexão crítica contribui para a reprodução de modelos de ensino. Nessa direção, Durkheim aponta que a educação pode assumir funções de homogeneização e diferenciação social: ao mesmo tempo em que garante uma base comum de formação, também pode reforçar desigualdades ao distribuir de maneira desigual o acesso a diferentes níveis e formas de conhecimento;
      • Função de homogeneização, até o fundamental, todos (classe dominante e dominada) teriam acesso à educação básica, à alfabetização, ou seja, todos seriam capazes de ler, não necessariamente de interpretar;
      • Função diferenciadora: após esse momento de homogeneização, impõem-se a regra classista, capacitista, de se diferenciar, ou seja, uma diferenciação entre a classe dominante que teria acesso ao ensino superior, a busca pelo conhecimento efetivamente, enquanto a classe dominada, o proletário, teria acesso ao ensino técnico; mas superior não, o que permitiria a leitura, interpretação básica, bem como servir como mão de obra barata e abundante, mas nada muito complexo;
  1. Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
  • E é o oposto da apropriação cultural;
    • A prática educativa demanda reconhecer as diferentes formas culturais, compreendendo-se que o conhecimento é produzido em contextos históricos e sociais específicos. Assumir a identidade cultural significa, portanto, legitimar saberes, experiências e formas de expressão diversas no espaço educativo;
    • Apropriação no sentido de deturpação, de modificação;
  1. Ensinar não é transferir conhecimento
  • A IA transfere conhecimento, o/a educador/a não;
    • O processo de ensino e aprendizagem, como propõe Paulo Freire, não se baseia no depósito do conteúdo nos estudantes, de forma passiva e acrítica, mas tem a ideia, a marca, a fim de construir esse conhecimento de forma conjunta, não via dicotomia de “amigo/inimigo”, mas via parceria;
    • É necessário compreender que o acesso à informação não equivale ao processo educativo, ou seja, ter acesso às informações não transformam essa informação em conhecimento automaticamente, é necessária uma construção conjunta;
  1. Ensinar exige consciência do inacabamento
  • Somos a única espécie com consciência de nossa finitude;
    • Entender esse inacabamento permite compreender que não há um conhecimento pronto, uma finalização desse processo, mas uma continuidade, para estudantes e também para os docentes, ambos permanecem sempre em aprendizado;

Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas[1]. Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

A minha genética é pública

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Por Vinício Carrilho Martinez

Meus avós mal sabiam assinar o nome. Vindos da Espanha, fugindo do fascismo mortal, apenas um estudou mais e tinha o hábito da leitura. Sempre trabalharam muito, mas sempre foram muito pobres. Um tio já falecido, irmão da minha mãe, fez Medicina na Universidade Federal do Paraná – quando não havia bolsa de estudos, de forma nenhuma. Para se manter, todas as noites trabalhava como “lanterninha de cinema”, e mais ainda nos finais de semana. Há muitas outras histórias ligadas à educação e à universidade pública, derivadas dos quatro avós imigrantes, até chegar à minha história. É por isso que a defesa da universidade pública está na minha genética, antes mesmo da ter nascido.

Para mim, a universidade pública é um patrimônio cultural e científico do Brasil.
As universidades públicas produzem, processam, mais de 90% da pesquisa, de todo o conhecimento e da cultura científica.

Além do acesso mais democrático e da permanência estudantil, com o sistema de cotas e das políticas afirmativas (discriminação positiva: isonomia com mais equidade).
Se é no dourado que se alcança a “cidadania universitária”, porque é quando se obtém, efetivamente, a autonomia intelectual, então, o domínio institucional (público) passa dos 95% de realização.

Há muito o que fazer e melhorar – como aproximar o universal (de onde deriva a universidade) e o social -, mas os números não mentem, e, além disso, o que é público tem que continuar sendo público.

Não é preciso falar, porém, é bom que se saiba: o privado, particular, já diz que não é universal e afirma isso impondo o lucro como sua missão. Se o público é o oposto do privado, é no público que eu encontro a minha afirmação.

A educação no estado de São Paulo 

 

Beatriz Vitória Vieira de Lima – Monitora da disciplina

Ester Dias da Silva Batista – Monitora voluntária da disciplina

Izabela Victória Pereira – Orientanda de TCC

 

O presente artigo é uma contribuição acadêmica à disciplina de Educação e Sociedade, ofertada neste semestre na Licenciatura da UFSCar.

A educação no estado de São Paulo é consolidada pelo novo ensino médio, ampliando a carga horária e a expansão do ensino em tempo integral. A promessa é equilibrar formação sólida, preparação para o mundo do trabalho e desenvolvimento de competências para a vida em sociedade. O resultado concreto dessa reformulação, porém, dependerá da qualidade da implementação nos próximos anos.

No âmbito das políticas educacionais se destaca que, em abril de 2023, a gestão do secretário da Educação Renato Feder, sob o governo Tarcísio de Freitas, passou a orientar a fim de que professores e professoras de todas as séries do ensino fundamental e médio utilizassem materiais digitais em formato de slides (PowerPoint/PDF) produzidos pela Secretaria, funcionando como uma espécie de “roteiro” a ser seguido. É obrigatório o uso das plataformas digitais de ensino, inclusive como avaliação do desempenho de docentes e discentes. Nesse sistema, os professores devem se basear apenas no conteúdo oferecido nas plataformas, e que no final do ano são cobrados nas provas do governo (Saresp e Provão Paulista). A foto abaixo sinaliza claramente o tempo monitorado de permanência em cada slide, como se o raciocínio obedecesse a um cronômetro.

Tempo de permanência em cada slide no canto superior:Pode ser uma imagem de televisão e texto que diz "Ralenbre A "Discrepăncia Promebeica Prome "DisereplrncuiPrometeka elca Günther Anders GüntherAnders(1902 1902- 1992] 1992)argumentavaquea 2jargumentava 모나는 a humanidade desenvolveu tecnologias tào aranc adas que Superam nossa capacidade de compreender asconsequencias, consequentemente, de controla 1550 cria นส descompasso entre que podemos produzir que conseguimos assimilar, C0095o"

Os slides fornecidos apresentam problemas metodológicos, erros conceituais e fazem má contextualização das informações para os alunos. Após uma segunda onda de críticas, o governador Tarcísio de Freitas anunciou que o governo de São Paulo assumiria a impressão dos referidos materiais didáticos, ou seja, poderia optar por ter o material digital ou impresso. Em uma matéria publicada pelo jornal G1[1], no dia 31 de agosto de 2023, vê-se que docentes da rede estadual têm reportado que o material didático digital produzido pela Secretaria da Educação, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, e disponibilizado a professores e estudantes do ensino fundamental, apresenta inconsistências significativas em múltiplas áreas do conhecimento, incluindo-se história, biologia e matemática. Alguns conteúdos apresentam erros graves, como afirmar que a cidade de São Paulo tem praia ou sugerir, de forma equivocada, que a doença de Parkinson pode ser transmitida pela água.

O que só evidencia o enfraquecimento e a falha proposital da educação básica pública no estado de São Paulo, pois, as plataformas aumentam a carga de trabalho, reduzem a autonomia dos profissionais da educação e geram resultados pouco significativos em relação à melhoria da aprendizagem dos estudantes. Enquanto uma parcela da sociedade adere ao discurso de “inovação tecnológica e investimento educacional” associado ao uso das plataformas digitais.

O roteiro científico da Wikipédia (sic) – enciclopédia online – permite a qualquer pessoa ler e editar seus conteúdos, o que já destaca alguns problemas, porque, embora a Wikipédia seja uma ferramenta útil, seu uso acrítico, sem aprofundamento ou verificação em bases acadêmicas sólidas, evidencia uma fragilidade na formação científica e no desenvolvimento do pensamento investigativo.

A foto abaixo é reveladora, como fonte usada pelo material do governo de SP:Pode ser uma imagem de texto que diz "prinapais responsáveis pera organização das instituições udo depende não de democráticas do periodo. Reprodução- WIKIPEDIA, 2016 Disponivel em https/wntk.nedia.orpkikiP% C3% A9ncle pedia P% sa/media sEimediaFichero.Pencesp Pendes Acesso em: 8set.2025 8 set. 2025"

Não é difícil, pois, verificar que a educação em São Paulo, nas gestões de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, tem sido marcada por uma combinação de gestão extremada com o discurso dos resultados, com o uso de tecnologia e mudanças estruturais, mas também por críticas sobre precarização e redução de investimentos. A queda de matrículas, cortes, criação sem controle de escolas cívico-militares e avanço de privatização marcam a gestão de Freitas na educação do estado.

Diante desse cenário, a noção de uma “Pedagogia do fracasso” pode ser compreendida como uma crítica às múltiplas fronteiras que atravessam a educação contemporânea, incluindo-se disputas ideológicas, fragilidades na formação crítica e desafios estruturais. No entanto, essa expressão também pode ser ressignificada como um chamado à resistência pedagógica. Professores e professoras, estudantes e comunidades escolares podem atuar na construção de práticas educativas críticas, pautadas no diálogo, na valorização do conhecimento científico e na defesa de uma educação pública de qualidade, que ultrapasse os reducionismos quantitativos e as disputas ideológicas.

Produções cinematográficas como “Brasil paralelo” simplificam ou reinterpretam processos históricos e educacionais. A empresa busca entregar conhecimento com alta qualidade cinematográfica, tratando de temas como história do Brasil, política, segurança pública e filosofia. Produzem documentários com uma perspectiva que diverge de visões predominantes entre intelectuais e jornalistas. Esse tipo de conteúdo pode influenciar a percepção pública sobre a escola, os professores e o papel da educação na sociedade e, ao invés de promover o diálogo, podem aumentar conflitos de opinião sobre a educação. Todavia, os produtores desse tipo cinematográfico têm acesso livre nas escolas do município de São Paulo.

Ademais, é essencial analisar as transformações na educação do Estado de São Paulo não como ações isoladas ou impensadas, mas como parte de um processo histórico mais amplo, que há anos busca reconfigurar a educação como instrumento de manutenção de determinadas formas de poder e organização social. A padronização de materiais, aliada ao uso acrítico das tecnologias, revela apenas a ponta de um problema estrutural mais profundo no contexto educacional brasileiro.

Nesse cenário, os estudantes são progressivamente reduzidos à condição de meros receptores de conteúdos, priorizando-se a transmissão de informações em detrimento da formação de um pensamento crítico, e ao contrário do que quer a chamada Educação Bancária[1]. Tal dinâmica torna-se ainda mais preocupante ao se considerar o ensino médio, etapa em que temas históricos e sociais deveriam ser aprofundados, especialmente diante do fato de que, a partir dos 16 anos, os jovens já podem exercer o direito ao voto. Ao terem contato com conteúdos superficiais, corre-se o risco de formar sujeitos com uma compreensão fragilizada da realidade, que tendem a reproduzir tais perspectivas no campo político e social, contribuindo-se para a manutenção de estruturas de desigualdade já consolidadas.

Esse cenário, embora frequentemente naturalizado ou interpretado de forma simplista em determinados discursos, não se configura como um processo casual, mas como uma crise construída. Nesse sentido, as contribuições de Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido[2], permanecem atuais ao evidenciar que uma formação incompleta pode levar o sujeito não à emancipação, mas à reprodução das estruturas de opressão. Assim, observa-se a constituição de indivíduos que, mesmo inseridos em contextos de exploração, acabam por defender e reproduzir lógicas que lhes são prejudiciais.

Exemplos contemporâneos, como debates em torno das condições de trabalho (escala 6×1), evidenciam como discursos – por exemplo, de que o país irá “quebrar” com uma escala 5×2, bem como na consolidação da CLT e as 44h semanais – que historicamente foram utilizados para frear conquistas sociais continuam sendo mobilizados, muitas vezes sustentados por uma formação educacional que não promoveu o desenvolvimento do pensamento crítico.

O enfraquecimento escolar, por sua vez, não deve ser compreendido apenas como falha pedagógica, mas como expressão de disputas sociais históricas, nas quais o acesso ao conhecimento crítico e científico se torna um campo de tensão e manipulação do lado dominante. O esvaziamento de disciplinas fundamentais (diga-se de passagem, somente na rede pública, já que a rede privada permanece com aulas de História, Sociologia e Filosofia), reforça esse movimento predatório.

Torna-se fundamental reafirmar a escola como um espaço de formação integral, conforme propõe a própria BNCC[3], e que o projeto educacional seja comprometido com o desenvolvimento crítico e emancipador dos sujeitos. Isso implica recolocar o conhecimento científico e social em uma perspectiva problematizadora e socialmente relevante, não somente reprodutiva, em consonância com uma educação que vá além da mera transmissão de conteúdos.

A resistência pedagógica, portanto, não se configura como oposição meramente partidária, mas como prática cotidiana de estudantes e docentes na construção e na defesa de uma educação pública de qualidade. Mais do que adaptar-se às mudanças impostas, trata-se de disputar os rumos da educação, garantindo-se  que ela não se reduza a lógicas instrumentais ou mercadológicas, mas que a educação permaneça comprometida com a formação de sujeitos críticos, capazes de compreender e transformar a realidade em que estão inseridos.

 

[1] Educação bancária, conceito desenvolvido por Paulo Freire, refere-se a um modelo de ensino em que o professor transmite conteúdos, tratando os alunos como receptores passivos, sem diálogo ou construção crítica do conhecimento.

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018

[1] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/08/31/rede-estadual-de-sp-ensina-que-capital-paulista-tem-praia-e-agua-pode-transmitir-parkinson-secretaria-diz-que-retificou-erros.ghtml.

‘Digna e solidária’: Cuba agradece Brasil, Espanha e México por exigirem fim do bloqueio dos EUA

O governo de Cuba saudou a declaração conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México no sábado (18), na qual exigiram o fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos contra a ilha e a prevenção de uma agressão militar, em meio às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade.

“Em meio à difícil situação que Cuba enfrenta, devido à intensificação do bloqueio dos EUA a níveis extremos, ao atual cerco energético e às constantes ameaças do governo dos EUA, reconhecemos a digna e solidária Declaração Conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México”, declarou, em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez.

O chanceler também enfatizou que o comunicado conjunto das nações aliadas “expressa preocupação, apela a evitar ações contrárias ao Direito Internacional que agravem as condições de vida do povo cubano e expõe o respeito à integridade territorial de Cuba”.

“É urgente respeitar a Carta da ONU e o Direito Internacional, em particular os princípios de autodeterminação, respeito à independência e soberania dos povos, e abster-se da ameaça e do uso da força”, concluiu.

A 4ª Cúpula em Defesa da Democracia foi sediada pelo governo espanhol do socialista Pedro Sánchez neste fim de semana, em Barcelona. Os governos do Brasil, Espanha e México reiteraram, em seus discursos, o apelo ao respeito à integridade territorial cubana e se comprometeram a atuar de forma coordenada para aumentar o envio de apoio humanitário à ilha, aliviando o sofrimento do povo, que é vítima do estrangulamento econômico provocado por Washington a Havana.

“Expressamos nossa enorme preocupação com a grave crise humanitária que o povo cubano está enfrentando e pedimos a adoção das medidas necessárias para aliviar essa situação e evitar ações que agravem as condições de vida da população ou contrários ao direito internacional”, afirma o comunicado conjunto divulgado na noite de sábado.

As três nações ressaltaram ainda a necessidade de “respeitar em todos os momentos o direito internacional e os princípios de integridade territorial, igualdade soberana e resolução pacífica de disputas, consagrados na Carta das Nações Unidas”.

México rechaça intervenção militar em Cuba

Durante a sua exposição, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reforçou sua posição crítica à violação da soberania de outras nações ao repudiar uma possível intervenção militar por parte dos Estados Unidos em Cuba, reiterando o apelo para que “o diálogo e a paz prevaleçam”.

A autoridade mexicana ressaltou a tradição histórica de sua nação na defesa da autodeterminação dos povos, recordando a posição do país contra o bloqueio a Cuba desde a década de 1960. “Nenhum povo é pequeno, e sim grande e estoico quando defende sua soberania e o direito a uma vida plena”, afirmou.

Em seu discurso, também criticou concepções de liberdade baseadas na submissão a interesses externos ou na transformação de países em “colônias modernas”. Para Sheinbaum, a liberdade “é uma palavra vazia se não for acompanhada de justiça social, soberania e dignidade dos povos”.

Espanha e Brasil pressionam ONU

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu “ação” contra aqueles que tentam “desafiar as regras do direito internacional com o uso da força”, e alertou que o sistema multilateral precisa ser renovado.

“A ONU só pode sobreviver se representar a realidade”, afirmou, destacando para a necessidade de maior diversidade no órgão global.

Por sua vez, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação referente à situação humanitária enfrentada pela população em Cuba e voltou a exigir o fim do bloqueio histórico dos Estados Unidos à ilha.

“Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não para Lula, Claudia ou Trump. É um problema para o povo cubano”, enfatizou. “Nenhum presidente, de nenhum país, tem o direito de impor regras aos demais […] Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite com um tweet de um chefe de Estado ameaçando o mundo ao declarar guerras”.

Em paralelo às falas de Sánchez, também convocou o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) a organizar reuniões extraordinárias para lidar com as crises globais. Segundo ele, a organização “não pode permanecer em silêncio” diante dos acontecimentos internacionais. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, disse.

*Com informações da Telesur

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

Quem é Agustin Fernandez, aliado de Michelle que detonou Flávio e expôs o ódio no clã Bolsonaro

Agustin Fernandez é um maquiador e empresário uruguaio que chegou ao Brasil em 2011, por meio de Florianópolis, e construiu uma carreira como influenciador digital, com milhões de seguidores nas redes, linha própria de maquiagem, cursos e um livro sobre sua trajetória profissional. Ao longo dos anos, ganhou visibilidade também por trabalhos voluntários com pacientes oncológicas, o que ajudou a ampliar sua presença pública para além do universo da estética.

A aproximação com Michelle Bolsonaro ocorreu por meio das redes sociais e evoluiu para uma relação de confiança e convivência frequente. Ele passou a acompanhar a ex-primeira-dama em eventos oficiais, viagens internacionais e compromissos institucionais, além de marcar presença em ocasiões privadas da família. Em determinado momento, chegou a afirmar que Jair Bolsonaro o tratava “como um filho”, evidenciando o nível de proximidade com o núcleo familiar.

Essa relação o colocou em um espaço incomum: alguém de fora da política formal, mas com acesso direto ao cotidiano e às dinâmicas internas de uma família central na política brasileira recente.

É justamente essa combinação de proximidade pessoal, circulação no ambiente de poder e ausência de mandato ou cargo público que dá peso às suas declarações recentes. Ele trouxe à tona o que muitos sabem, mas é difícil provar: o ódio que os Bolsonaros destilam fora de casa é o mesmo que ressoa entre as quatro paredes dessa família disfuncional e cruel.

Durante participação no podcast “IronTalks”, Agustin Fernandez fez críticas diretas à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, questionando sua capacidade de conexão com o eleitorado. “Flávio é engessado, não conecta com a empregada, com o ambulante. O ego e a vaidade são maiores que a própria causa”, denunciou.

Na mesma entrevista, associou o cenário eleitoral a fatores internos da própria família Bolsonaro, apontando o que chamou de “ego” e “vaidade” como elementos que enfraquecem o grupo politicamente. Também declarou que não pretende apoiar publicamente a candidatura, indicando que não vê viabilidade no projeto diante da força de Lula (PT). “Não vou perder meu tempo sabendo que o Lula tem o Judiciário, a máquina e ainda tem carisma, a mídia, e consegue chegar em todo mundo”, disse.

As críticas não se limitaram ao campo eleitoral.

Agustin também mencionou episódios envolvendo Jair Bolsonaro, afirmando que Flávio teve postura “deplorável” ao ler uma carta relacionada ao pai durante um período de internação. Em outro ponto, disse que houve desrespeito aos eleitores ao tratar a disputa política como se a vaga estivesse “à venda”.

O conteúdo das falas chama atenção pelo tipo de crítica: não é uma discordância ideológica tradicional, mas um questionamento sobre comportamento, postura e capacidade de liderança. Ao vir de alguém tão próximo da família, o discurso ganha outra dimensão e aponta para tensões que raramente aparecem de forma pública dentro do grupo.

Na mesma entrevista, Agustin Fernandez também direcionou ataques ao blogueiro Allan dos Santos, aliado histórico do bolsonarismo e alvo de ordem de prisão preventiva no Brasil. Ele utilizou termos duros ao se referir ao comunicador: “Estelionatário, criminoso, foragido” e “um pedaço de merda insignificante”.

As declarações foram reiteradas ao longo da conversa, com novas ofensas e tentativas de desqualificação pessoal. Em outro trecho, afirmou que Allan dos Santos “é um coitado” e “o mais insignificante” entre os nomes citados por ele no campo da direita. As falas passaram a circular em cortes nas redes sociais e ampliaram a repercussão do episódio.

O episódio não só evidencia um cenário de conflitos internos no campo bolsonarista, mas expõe a incapacidade da família de dialogar e conviver pacificamente, dando uma dimensão do que são capazes em cargos cuja tomada de decisão mexe com os destinos de milhões de brasileiros. Sem perceber, o maquiador deu uma enorme contribuição ao país. Ao menos, agora, ninguém mais vai poder dizer que foi enganado.

DCM

Carne de burro ganha espaço na Argentina e senadora de Milei diz que é “plato fino”

A carne de burro passou a ganhar espaço na Argentina em meio à alta do preço da carne bovina e ao fracasso das políticas econômicas de Milei. O produto começou a ser oferecido por cerca de 7.500 pesos o quilo, enquanto cortes bovinos já passaram de 25 mil pesos em parte do comércio.

O tema saiu do mercado e chegou ao debate político. Em discussão no Senado argentino, o ex-deputado Santiago Igón citou a venda de carne de burro para falar da perda de poder de compra e afirmou que o consumo desse produto, na Patagônia, ocorre porque ele custa muito menos do que a carne bovina.

A resposta veio da senadora Vilma Bedia, da “La Libertad Avanza”, partido de Javier Milei. Segundo relatos da imprensa argentina, ela disse: “Você vai a um restaurante da capital e pede um bife de burro, realmente é uma especialidade para o povo europeu, é um prato fino”.

”.

 

No mesmo debate, Bedia também descreveu a carne de burro como “espetacular” e citou supostas qualidades nutricionais do produto, como presença de aminoácidos, fósforo, ferro e cálcio. A fala circulou nas redes e passou a acompanhar a repercussão sobre a alta do preço da carne bovina no país.

O avanço desse tipo de oferta ocorre no momento em que a inflação argentina voltou a acelerar. O INDEC informou que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 3,4% em março de 2026, acumulou 9,4% no ano e chegou a 32,6% em 12 meses.

DCM

“Simbioses e fagocitoses sociais”

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Vinício Carrilho Martinez

Professor titular da UFSCar

Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda no PPGCTS/UFSCar

 No ambiente escolar, seja no ensino fundamental, médio ou no contexto acadêmico universitário, a compreensão de fenômenos complexos, como os da biologia, pode ser mediada pela chamada transposição didática (CHEVALLARD, 1985)[1]. Esse processo consiste em partir de conceitos mais simples e, a partir deles, construir uma lógica que permita a compreensão de ideias mais complexas e amplas, sendo uma estratégia de aproximação dos conteúdos de forma mais palpável, mas sem eliminar sua complexidade e relevância.

A mutação, por exemplo, pode ser compreendida como alterações no material genético. Um aspecto relevante é que tais alterações não possuem direção pré-estabelecida, podendo resultar em características benéficas, neutras ou prejudiciais ao organismo. Isso evidencia que não há uma finalidade nas mutações, rompendo com a ideia popular de que a evolução ocorre de forma linear e necessariamente progressiva. Assim, as transformações biológicas não estão intrinsecamente associadas à melhoria.

A partir disso, é possível compreender esse processo evolutivo como o resultado do acúmulo de mutações ao longo do tempo, mediado pela seleção natural. Trata-se de um processo contingente, isto é, dependente das condições ambientais e das pressões seletivas, e não de uma trajetória orientada a um fim; logo, não há uma finalidade para isso. Nesse sentido, a evolução expressa transformação, e não aperfeiçoamento contínuo.

Além do conceito evolutivo, é possível analisar também a denominada Teoria da Endossimbiose (MARGULIS, 1970)[2], ao propor que em um determinado momento da história evolutiva, uma célula eucariótica realizou a fagocitose de uma célula procarionte de vida livre. Porém, em vez de ocorrer a digestão, estabeleceu-se uma relação simbiótica entre ambas, originando organelas especializadas, como as mitocôndrias, frequentemente chamadas de “usinas de energia” da célula, devido à sua função e associação.

Enquanto a célula hospedeira passou a dispor de maior eficiência metabólica, a célula fagocitada encontrou proteção e estabilidade, ou seja, algo que poderia configurar um processo de destruição converteu-se em cooperação entre ambas as células.

A distinção entre fagocitose e simbiose evidencia dois modos distintos de relação. Enquanto a fagocitose pode representar um processo potencialmente destrutivo para o organismo englobado, a simbiose baseia-se na coexistência com benefício mútuo. Essa diferenciação permite a construção de uma analogia com as relações sociais. A cooperação entre indivíduos, fundamentada em um espírito de comunidade, pode ser associada à simbiose, marcada pela interdependência e pelo benefício recíproco.

Por outro lado, a fagocitose pode ser compreendida como metáfora de relações sociais marcadas por violência, dominação e exploração, nas quais uma das partes é subjugada enquanto outra exerce poder, como observado nas dinâmicas de classe e em processos históricos atravessados por desigualdades sociais, inclusive de caráter racial. Nesse sentido, a sociedade, especialmente sob determinadas formas de organização econômica, como a capitalista, pode ser interpretada como um campo de tensões entre cooperação e apropriação.

Nesse contexto, emerge a noção de transmutação social, compreendida como o processo pelo qual valores, práticas e significados são apropriados, deslocados e ressignificados ao longo do tempo. Tais transformações não são neutras, pois estão atravessadas por relações de poder. Um exemplo significativo é a incorporação de elementos da contracultura, como o artesanato associado ao movimento hippie, pela lógica de mercado, transformando práticas originalmente contestatórias em produtos de consumo massificado (indústria da bijuteria).

De modo semelhante, disputas interpretativas em torno da Constituição Federal de 1988 evidenciam como princípios jurídicos podem ser tensionados e, em determinados contextos, reconfigurados em sua aplicação, revelando processos de apropriação e distorções dos sentidos originais.

O significado das “revoluções sociais” também pode ser retomado nesse contexto, como ilustração histórica e pedagógica. Revolução é pulsão, paixão, e, ainda que seja emoção e razão, não é institucionalização. Pode e deve criar instituições e institucionalidades, e destruir outras, mas é claro que uma ideia não pode ser retida, confinada, numa instituição. Nem o gênio, liberto, poderá ser colocado de volta na garrafa.

Revoluções sociais são mutações, transformações profundas, mas, podem ocorrer desvios, “cristalizações”, que desvirtuam o sentido original. Como vimos na Revolução Mexicana, depois, transmutada num processo de apropriação que durou 70 anos, sob o domínio do PRI (Partido Revolucionário Institucional).

A racionalidade que havia na luta popular por Justiça Social se transmutou em “racionalização Institucional” (os ideais de liberdade e justiça foram cristalizados em domínio burocrático). Da liberdade à burocracia, da justiça à cristalização do poder.

Contudo, é fundamental reconhecer os limites dessa analogia entre biologia e ciências sociais. Na biologia, embora mutações possam resultar em perda de adaptação ou redução da viabilidade, não há um retorno a estados anteriores, não sendo adequado falar em “involução”. Já nas ciências sociais, processos históricos podem ser interpretados como regressões, especialmente quando envolvem perda de direitos ou consolidação de regimes autoritários. As consequências da Primavera Árabe evidenciam essa complexidade, na medida em que movimentos inicialmente associados à transformação social foram, em alguns contextos, seguidos por cenários de instabilidade ou recrudescimento político (“revoluções coloridas”, como no Brasil do Golpe de 2016).

De forma ainda mais extrema, eventos como o Genocídio Armênio demonstram como processos sociais podem culminar em violência sistemática e extermínio, reforçando-se que, diferentemente da biologia, as transformações históricas não garantem progresso e podem assumir formas profundamente destrutivas. Até os dias atuais, a memória desse genocídio permanece viva e é expressa em produções artísticas, como nas obras de Serj Tankian, vocalista da banda System of a Down, que contribuem para sua denúncia e problematização.

Desse modo, ao articular conceitos biológicos como mutação, evolução, simbiose e fagocitose com interpretações sociais, evidencia-se que os processos de transformação, tanto biológicos quanto sociais, não são intrinsecamente positivos ou progressivos. Pelo contrário, podem assumir diferentes direções, variando entre cooperação e dominação. Reconhecer essa complexidade implica não apenas compreender os fenômenos, mas também problematizar as relações de poder que os atravessam, sem perder de vista os limites entre os diferentes campos do conhecimento.

Esse texto expressa uma modesta contribuição ao debate acerca da complexidade na produção, pesquisa, divulgação científica. Em termos mais técnicos, ainda sinaliza para a continuidade da relação, associação, entre Pensamento Científico e Pensamento Sociológico – como contribuição prática de um processo de simbiose entre duas áreas distintas do conhecimento.

[1] CHEVALLARD, Yves. La transposition didactique: du savoir savant au savoir enseigné. Grenoble: La Pensée Sauvage, 1985.

[2] MARGULIS, Lynn. Origin of eukaryotic cells. New Haven: Yale University Press, 1970.

Educação republicana

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Além de se entender minimamente o que é República, é obrigatório agir como tal.

Um político profissional não pode ter um patrimônio pessoal maior do que foi declarado no Imposto de Renda.

Um estudante não pode ser aprovado/a na pós-graduação e não se matricular. Sem juízo de valor ou subjetividades, há aqui pelo menos dois problemas:
– O programa é prejudicado porque a CAPES avalia, também, comparando o número de vagas abertas e o número de concluintes. Se não faz a matrícula, não se pode chamar outra pessoa para a vaga que esse indivíduo deixou ociosa. O edital não permite uma lista de cadastro reserva ou segunda chamada.
– Ao obter a aprovação, sem efetuar a matrícula e executar sua obrigação de estudante, o indivíduo aprovado (mas, na omissão da inércia) tira completamente a chance de outra pessoa.
– Portanto, provoca dois prejuízos sensíveis: um institucional, outro, além de si mesmo, é individual – mas, afetando terceiros.

O que nos remete ao sentido de responsabilidade (e não só resultados), de autocrítica, autogoverno (para além da autonomia).
Por mais que se julgue ou queira transparecer um certo nível de consciência, alegando que jamais agirá como o político profissional cínico, esse estudante (tanto quanto o político) não participa honestamente (“honeste vivere”) do processo necessário à Educação emanvipadora.
Por essas e por outras, é certo que não se muda nenhum sistema, sem modificar o indivíduo: não existe geração espontânea. Como se sabe o “Homem novo” pode ser o Homem velho, com roupas novas.
Ambos, estudante na inércia e político profissional cínico, tem em comum a ausência do conhecimento específico e geral (moral) do que é a coisa pública.
Também é certo, portanto, que a responsabilidade mora ao lado – em cima, embaixo, dentro e fora.

@viniciocarrilhomartinez

“Prisão do Paulo Henrique Costa vai levar à prisão do Ibaneis e também vai complicar Flávio Bolsonaro”, diz Lindbergh

Deputado aponta esquema ligado ao bolsonarismo no caso Banco Master e afirma que investigações avançaram sob orientação do presidente Lula

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, pode atingir diretamente figuras centrais do bolsonarismo, segundo avaliação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). As declarações foram feitas em suas redes sociais.

Para o parlamentar, o caso representa um ponto de inflexão nas investigações sobre supostos esquemas financeiros envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Vai levar à prisão do Ibaneis, de muitos aliados do Flávio Bolsonaro e vai complicar a vida do próprio Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Esquema no BRB e decisões sob suspeita

Lindbergh destacou que Paulo Henrique Costa, enquanto presidente do BRB, teria sido responsável por autorizar operações consideradas irregulares, incluindo um empréstimo ligado à aquisição de um imóvel de alto valor.

“Foi o próprio presidente do BRB que autorizou aquele empréstimo escandaloso naquela mansão que ele fez de 6 milhões”, declarou o deputado.

Segundo ele, o escândalo também envolve o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, a quem o BRB estava vinculado politicamente. O deputado citou ainda reportagem do Brasil 247 que resgata uma declaração de Ibaneis no dia 3 de setembro, quando o Banco Central decidiu impedir a compra do Banco Master pelo BRB.

Na ocasião, segundo Lindbergh, Ibaneis teria atribuído responsabilidade ao PT e ao PSB. “O que ficou provado hoje é que o presidente do BRB do Ibaneis, com muitos outros apadrinhados, é acusado de ter suborno de 140 milhões”, afirmou.

Papel do governo Lula nas investigações

O deputado também atribuiu o avanço das investigações à atuação do governo do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Para ele, a autonomia da Polícia Federal foi determinante para que o caso avançasse.

“Eu tenho dito, pessoal, que essa investigação só foi à frente por decisão do Lula e o Haddad. Você acha se a Polícia Federal fosse do Bolsonaro, teria tido a prisão do Vorcaro? Teria tido essa prisão do presidente do BRB?”, questionou.

Lindbergh reforçou que a orientação do governo é de aprofundar as apurações até as últimas consequências. “A posição do Lula é uma só: você vai ter que ir até o fim e você vai ver a verdade aparecer sobre tudo isso”, concluiu.

Do Brasil 247

Lula critica ‘liberou geral’ de armas no governo Bolsonaro: “beneficiou criminosos”

“Os mesmos que promoveram esta medida irresponsável hoje querem terceirizar o enfrentamento ao crime organizado para outros países”, alfinetou o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a flexibilização das regras sobre posse de armas no Brasil e afirmou que a política adotada durante o governo Jair Bolsonaro resultou em desvios que beneficiaram criminosos. A declaração foi feita após reunião bilateral com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, nesta sexta-feira (17).

Segundo trechos da fala oficial à imprensa, Lula associou o aumento da criminalidade à política de liberação de armas e também criticou a postura de setores que, segundo ele, agora defendem soluções externas para o combate ao crime organizado.

Críticas à política de armas

Durante a declaração, o presidente afirmou que a responsabilidade dos governos é garantir a segurança da população. “O papel dos governos é cuidar das pessoas. Isso significa levar a sério uma das preocupações que mais crescem em todo o mundo, o aumento da criminalidade”, disse.

Ele apontou que a flexibilização das regras no Brasil teve efeitos negativos. “No Brasil, o afrouxamento das regras sobre posse de armas levou a desvios que beneficiaram os criminosos. Os mesmos que promoveram esta medida irresponsável hoje querem terceirizar o enfrentamento ao crime organizado para outros países”, afirmou.

Cooperação internacional e ações conjuntas

Lula destacou a importância da cooperação entre países no enfrentamento ao crime organizado, desde que baseada em igualdade. “A cooperação internacional para o combate ao crime organizado precisa ser feita em bases igualitárias”, declarou.

O presidente citou ações conjuntas com a Espanha, incluindo operações contra o narcotráfico. “Realizamos operações conjuntas contra o narcotráfico, que resultaram na apreensão de mais de 10 toneladas de drogas”, afirmou.

Ele também mencionou a integração espanhola em estruturas de cooperação policial no Brasil e a ampliação dessa parceria. A Espanha, segundo Lula, passará a atuar também com países amazônicos e participará de iniciativas multilaterais contra crimes ambientais.

Tecnologia no combate ao crime

O presidente afirmou que a Polícia Federal brasileira está disponível para compartilhar ferramentas tecnológicas. “A Polícia Federal brasileira está à disposição para compartilhar com a Guarda Civil espanhola um software desenvolvido no Brasil chamado ‘Sistema Rapina’, que detecta abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes na internet”, disse.

Violência de gênero e proteção às mulheres

Lula também destacou a assinatura de um acordo voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “Assinamos também um acordo para pôr fim à violência contra as mulheres. Não é possível avançar como sociedade quando metade da população não tem respeitado sequer o direito mais básico de todos, o direito à vida”, afirmou.

Ele acrescentou que o Brasil pode aprender com a experiência espanhola na redução de feminicídios e mencionou iniciativas de proteção às vítimas conhecidas pela primeira-dama. “Minha querida Janja teve a oportunidade de conhecer um sistema espanhol de monitoramento e proteção de vítimas, que queremos levar para o Brasil”, disse.

Discurso de ódio e regulação digital

O presidente relacionou o aumento da violência à disseminação de conteúdos nocivos na internet. “O aumento da violência também está relacionado à propagação de discurso de ódio na internet. O mundo virtual se tornou um ambiente tóxico, que afeta a saúde mental dos nossos jovens”, afirmou.

Ele citou medidas adotadas na Espanha e no Brasil para regulamentar o ambiente digital e o uso de inteligência artificial. “Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital. Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar poder político e econômico nas mãos de um punhado de milionários”, declarou.

Cooperação tecnológica entre Brasil e Espanha

Lula também anunciou iniciativas conjuntas na área de tecnologia. Segundo ele, haverá cooperação entre centros de pesquisa dos dois países para o desenvolvimento de projetos em inteligência artificial e outras áreas estratégicas.

A parceria, afirmou, busca fortalecer a soberania digital e ampliar a capacidade tecnológica de Brasil e Espanha em um cenário global cada vez mais dependente de inovação.

Do Brasil 247

Proposta de curricularização da extensão com base em uma epistemologia política da ciência

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Universidade Federal de São Carlos

Departamento de Biologia

O antropossocial remete ao biológico,

que remete ao físico,

que remete ao antropossocial

Edgar Morin[1]

Proposta de Curricularização da Extensão

com Base em uma Epistemologia Política da Ciência

 

Proponentes

Vinício Carrilho Martinez – Professor titular do Departamento de Educação/UFSCar

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

 

Objetivo geral

Propomos, sinteticamente, que as ofertas de cursos de extensão a cargo do Departamento de Biologia – se e quando for possível e adequado – procurem uma convergência entre os temas específicos a serem abordados e isso que denominamos de Epistemologia Política da Ciência, especialmente no âmbito da Licenciatura.

Apresentação

Antes de nossa fundamentação, é interessante destacar que a presente proposta já pode ser considerada como um resultado fático, obtido a partir da disciplina obrigatória Ciência, Tecnologia e Sociedade, ofertada no semestre 2026/1, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade/UFSCar.

 

Fundamentação

A presente contribuição, à proposta de curricularização das atividades de extensão, construída pelo Departamento de Biologia, fundamenta-se numa Epistemologia Política da Ciência, compreendendo-se o conhecimento científico como uma produção humana, logo, o conhecimento científico é atravessado por relações sociais e historicamente situadas.

  • Nesse sentido, não se trata de uma produção neutra, mas, antes, constituída por sujeitos inseridos em determinados contextos sociais, o que demanda práticas baseadas na problematização, e não na mera transmissão de conteúdos (FREIRE, 2023)[2], uma vez que a simples reprodução não é suficiente para a formação dos sujeitos para a vivência social e a continuidade da trajetória acadêmica. Com isto, pode-se dizer que, numa convergência entre Ciência e Educação emancipadora, a comunicação suplanta a extensão[3] – em alcance e fundamentação ontológica, ao se relacionar o “sujeito do conhecimento”, da pesquisa, à pessoa humana: “É a comunicação com base num pensamento complexo” (Morin, 1992, p. 140)[4].

 

A extensão universitária, nessa perspectiva, deixa de se configurar apenas como espaço de aplicação do saber acadêmico (na pior versão, vem como saber-poder) e passa a se constituir como um campo de produção e de compartilhamento de conhecimentos, sustentando-se pelo diálogo entre universidade e sociedade. Trata-se, também, de um meio de afirmação do compromisso social da universidade pública, ampliando-se o acesso e a relevância do conhecimento produzido.

  • Baseando-se em Edgar Morin (1990)[5], a proposta enfatiza a necessidade de superar a fragmentação do conhecimento, valorizando-se abordagens que articulem sociedade, cultura e ciência. Nesse sentido, tais atividades de extensão possibilitam a integração de diferentes dimensões do saber, promovendo-se a contextualização dos conteúdos e a problematização de questões concretas vivenciadas pelos sujeitos envolvidos.
  • Associado a isso, Gaston Bachelard (1996)[6] contribui ao propor rupturas com o senso comum (experiência imediata não problematizada), demonstrando-se como a construção do conhecimento demanda também por uma reflexão acerca de suas próprias condições de produção, percebendo-se os obstáculos epistemológicos presentes.

 

Nesse contexto, a curricularização da extensão orientada por uma Epistemologia Política da Ciência busca promover práticas voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico – do Pensamento Científico que sabe, tem consciência, de ser um Pensamento Sociológico –, a partir da análise de problemas socialmente relevantes, e isso possibilita uma compreensão mais ampla e articulada entre diferentes perspectivas.

Por fim, a proposta reafirma o papel da universidade na formação de sujeitos cognoscentes, mas criativos e críticos, e na promoção da transformação social, articulando-se ensino, pesquisa e extensão. Portanto, a extensão configura-se, nesse sentido, como um espaço de grande relevância para a compreensão da ciência como prática política e social, possibilitando-se intervenções mais conscientes e comprometidas com a realidade dos sujeitos internos da universidade e também como a fluência de um convite aberto para que a sociedade participe.

Como se diz, popularmente, “quem sabe, sabe”; contudo, sempre é preciso afirmar que só se “sabe” quando se “apreende” – tomando-se para si o conhecimento e agindo na forma da práxis (reflexão e ação).

 

 

[1] “Portanto, devemos ir do físico ao social e também ao antropológico, porque todo conhecimento depende das condições, possibilidades e limites de nosso entendimento, isto é, de nosso espírito-cérebro de homo sapiens (Morin, 1992, p. 139).

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

[4] “É convidar a pensar-se na complexidade. Não é da a receita que fecharia o real numa caixa, é fortalecer-nos na luta contra a doença do intelecto – o idealismo –, que crê que o real se pode deixar fechar na ideia e que acaba por considerar o mapa como o território, e contra a doença degenerativa da racionalidade, que é a racionalização, a qual crê que o real se pode esgotar num sistema coerente de ideias” (Morin, 1992, p. 139).

[5] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

[6] BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. Trechos: p. 7-28 e p. 259-292

EXTRAÇÃO DA MAIS VALIA E O SISTEMA DE SERVILISMO VOLUNTÁRIO

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Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

 Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (15/04/2026)[1]. Então, vamos aos tópicos:

  • O Mecanismo de Exploração: Mais-Valia e Uberização:
  • A extração da mais valia pode ser brevemente definida como a extração do esforço do sujeito (força de trabalho) que não é devidamente remunerado, onde a maior parcela da produção é destinada ao LUCRO da empresa, enquanto o trabalhador/a (proletariado) recebe apenas uma parte.
  • No século XXI, essa exploração se modifica, agudiza-se e se torna predatória:
    • De um lado, temos o sujeito totalmente uberizado, como no sistema 9-9-6 (trabalho das 9h às 21h, 6 dias por semana, como ocorre na China), onde a vida é reduzida à organização da plataforma.
    • No centro (o “cinza”), surge a figura da professora que complementa renda, vivendo uma uberização intermitente. Ela possui um vínculo fixo, mas é atraída para um local sem direitos ou amparo trabalhista, evidenciando-se a fragilidade das garantias e da própria segurança jurídica na atualidade.
  • Esse processo caracteriza um servilismo voluntário, onde o motorista ou trabalhador aceita a “mordida” (taxa) da plataforma para poder trabalhar, estabelecendo um paralelo direto com o senhor feudal que cobrava pelo uso da terra mais fértil.
  • Na imagem a seguir, essa ideia da exploração do proletariado e lucratividade é retratada.Pode ser um gráfico de texto que diz "កាំ A: Total produzido; B: Despesas para manutenção da empresa; C: Salário do empregado; D: Lucratividade obtida pelo patrão."
  • Modernidade Líquida e a Insegurança (Bauman):
  • Essa ausência de estabilidade é discutida pela modernidade líquida de Bauman.
    • Diferente da modernidade “sólida” (período de florescimento industrial, fabril), o tempo atual é marcado pela fluidez das relações, pela fragmentação, volatilidade e por uma incerteza constante, seja nas relações pessoais ou trabalhistas.
  • A lógica do consumo imediato substitui a segurança a longo prazo, bem como a substituição da segurança do CLT pela exploração sem regras da “uberização social”.
  • A precariedade do trabalho uberizado (seja ele total ou de interface) é um reflexo direto dessa liquidez, onde as conexões são transitórias e o indivíduo nunca está realmente “fora” da rede de exploração, seja por ser o explorado enquanto trabalhador ou então via consumo de trabalhos que utilizam dessas interfaces de exploração.
    • Contudo, apesar da condição de uberização, o sujeito pode ainda perceber essa forma de trabalho precária como uma alternativa viável. Em muitos casos, indivíduos que conseguem obter rendimentos significativamente superiores, por vezes mais que o dobro, atuando como motoristas de aplicativo, optam por essa modalidade, mesmo diante da ausência de direitos trabalhistas. Por outro lado, o regime CLT, embora assegure tais direitos, frequentemente oferece remuneração considerada insuficiente, além de demandar elevada carga de tempo e esforço, o que contribui para a preferência por formas de trabalho mais flexíveis.
  • Ideologia e Regulação Interna:
  • Universalizar o Particular (Chauí): Ao projetar uma visão de mundo específica (a exemplo do “empreendedor de si mesmo”), como uma verdade absoluta ou dogma, o sistema convence o sujeito a aceitar a exploração de forma voluntária.
    • Temos, portanto, a ideologia dominante sendo a ideologia de quem manda (a classe dominante);
  • Instituições e Viés: O exemplo da “Escola sem Partido” ilustra a tentativa de criar uma neutralidade impossível, pois nada é isento de viés. A ideologia dominante busca mascarar esses vieses para manter o controle sobre o pensamento social e, com isso, ainda se demoniza o pensamento científico: negacionismo.
  • O Papel do Pensamento Sociológico:
  • Para combater essa manipulação e enxergar além do “dogma”, surge a sociologia como um “desconforto necessário”, bem como uma educação de qualidade também passa por essa perspectiva de transformação do sujeito, para além do “óbvio”, daquilo que lhe é ofertado.

Temos, assim, um pequeno retrato do capital hegemônico na sua fase atual. O que nos leva a refletir sobre o significado do Pensamento Sociológico[2], sempre do presente para o passado, do geral ao particular[3].

[1] Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. O mapa geral das discussões trata, efetivamente, do que está sinalizado no título.

[2] https://farofafilosofica.blog/2026/04/14/possibilidades-do-conhecimento-sociologico-texto-de-zygmunt-bauman-2/. Acesso em 15/04/2026.

[3] Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas. Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

Governo Lula lança plano contra crime organizado até o final de abril

Programa prevê cooperação com estados e foco em asfixia financeira de facções

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara o lançamento do programa “Brasil contra o crime organizado”, iniciativa que pretende ampliar o combate às facções no país por meio de cooperação com os estados e foco na asfixia financeira das organizações criminosas. A proposta integra uma estratégia mais ampla para reforçar a segurança pública e responder às pressões internas e externas sobre o tema.

De acordo com o SBT News, o plano está em fase final de elaboração no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e deve ser anunciado até o fim do mês. A iniciativa é tratada como uma resposta a uma das principais preocupações do eleitorado brasileiro: o avanço do crime organizado.

Integração com a Lei Antifacção

O programa é um desdobramento da Lei Antifacção, sancionada recentemente com vetos presidenciais. A proposta busca transformar a legislação em ações práticas, com mecanismos operacionais voltados ao enfraquecimento das estruturas das organizações criminosas.

Entre os principais eixos estão o combate ao financiamento das facções, o controle de armas, a retomada de territórios dominados e o fortalecimento da vigilância nas fronteiras. A estratégia mira tanto a atuação direta dos grupos quanto suas bases logísticas e financeiras.

Apoio federal e adesão dos estados

A adesão dos estados ao programa será voluntária. As unidades federativas que participarem terão acesso a investimentos federais, incluindo equipamentos, insumos e tecnologias para reforçar as operações de segurança pública.

A proposta prevê maior integração entre os entes federativos, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta das forças locais e padronizar ações de combate ao crime organizado em todo o país.

Impasse sobre recursos e pressão política

Apesar do avanço nas discussões, ainda não há consenso dentro do governo sobre o volume de recursos destinados ao programa. A área econômica avalia os limites fiscais, enquanto o presidente Lula tem defendido a abertura de espaço no orçamento para viabilizar os investimentos.

Em declarações recentes, Lula tem enfatizado a necessidade de enfrentar as organizações criminosas com mais rigor e defende ações que alcancem os níveis superiores dessas estruturas. O presidente também reiterou a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma Guarda Nacional, medidas que dependem da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição.

Repercussão internacional e pressão externa

O tema ganhou maior relevância após sinalizações de autoridades dos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, o que pode abrir espaço para sanções ou intervenções militares estadunidenses em território brasileiro.

Do Brasil 247

O Uber que faz trading

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@viniciocarrilhomartinez

Há histórias que ouvimos, de contadores e contadoras de histórias, que duvidamos da sua inteireza, como se mais da metade fosse só de “estórias”, invenções e retoques para ficarem meio parecidas com lendas. Daí também fazer sentido a expressão “lenda urbana”. E há histórias mal contadas, distorcidas, que afundam os fatos no esquecimento e surgem como narrativas. Adoro lenda urbana e detesto as tais narrativas.

A história de hoje, se você não acreditar no que vou contar – porque realmente pode parecer invenção da minha cabeça –, figuraria como uma lenda urbana que acabei de inventar. Mas não é. Penso que sou criativo e gosto de pessoas criativas, mas não seria assim criativo a ponto de inventar essa lenda urbana.

Na volta de hoje da universidade, das aulas na licenciatura em que falei um bocado de tempo sobre o que chamo de “uberização social”, fiz uma viagem com um jovem – uns 35, 37 anos – que se mudou de Salvador, Bahia, para cá, faz cinco anos.

Está radicado. Veio para trabalhar. Esteve empregado numa empresa local, período em que fez boa parte do curso de engenharia de produção – um curso concorrido e difícil. A empresa pagava metade dos custos de sua educação.

Quando saiu desse trabalho, as mensalidades ficaram muitos caras. Teve que parar momentaneamente. Mas, disse que voltará para concluir seu curso. A história, no entanto, não tem apenas esse componente.

O que gravei na mente, e que monopolizou nossa conversa, é o fato de que ele faz Uber no período da tarde, após às 11, 12 horas. Durante a manhã atua no mercado financeiro, na Bolsa de Valores. Como tenho um pouquinho de ações, a conversa fluiu para algumas implicações mais técnicas. Não sou especialista como ele, mas não ignoro tudo.

Contou-me que ganha aproximadamente o mesmo valor, de manhã na B3, e à tarde no Uber. Me pareceu feliz, apesar de não saber se é pelos seus rendimentos ou porque encontrou alguém que conhece um pouco do trabalho dele.

Ele tem ações, reinveste os rendimentos, projeta suas compras no futuro, quando poderá se aposentar do Uber e de qualquer outro emprego, com alguma reserva financeira. Esse raciocínio é curto no Brasil, só uns 5 milhões de pessoas têm essa perspectiva, enquanto, nos EUA, os/as investidores/as passam de 50% da população – mais de 100 milhões de pessoas, portanto.

É claro que são realidades diferentes, ninguém está aqui comparando Brasil e EUA, na economia, na sociedade como um todo, porém, há um componente cultural: no Brasil, há preferência popular pelos “aluguéis de imóveis” ou pela poupança.

O mais curioso, penso eu, é que ele atua fazendo trading de mini dólar. O que, mais uma vez, é uma componente muito curiosa, porque ele faz dinheiro comprando e vendendo dólar. Teve só uma pergunta que ele pulou, quando indaguei se fazia dividendo sintético. Mas tá tudo bem, já nos deu seu exemplo de aprendizado e de superação.

Isso não é lenda urbana, é somente uma história incrível.

 

Antipedagogia e a reprodução das estruturas sociais

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Ester Dias da Silva Batista

Monitora da disciplina Educação e Sociedade/UFSCar

Beatriz Vitória Vieira de Lima

Monitora da disciplina Educação e Sociedade/UFSCar

 O texto aqui trabalhado trata brevemente sobre a perspectiva utilitarista, instrumental e adaptativa do processo educativo, entendida como resposta à crescente crise educacional no país. Segundo Paulo Freire1, uma pedagogia efetiva entre docentes e discentes pressupõe a compreensão do estudante como sujeito ativo no processo de ensino, e não como um mero receptáculo passivo de conteúdos. Trata- se, portanto, de superar a chamada educação bancária2, na qual o conhecimento é apenas depositado, sem diálogo, reconhecimento do sujeito discente ou construção conjunta no processo de ensino e aprendizagem.

Entretanto, o que se observa na educação brasileira, especialmente quando as escolas passam a ser compreendidas mais como espaços de depósito dos estudantes, do que como instituições educacionais, de fato, há uma expansão da perspectiva antipedagógica. Isso se manifesta em discursos que rejeitam a própria estrutura formadora da pedagogia, organizando-se em duas vias principais. A primeira reduz a educação aos processos utilitários e mecanizados, como o uso de estratégias ilustrativas esvaziadas de sentido, “musiquinhas pedagógicas” ou a ideia, amplamente difundida, de que o professor deve transformar a aula em um espetáculo constante (quase um “circo”), priorizando-se o entretenimento em detrimento do conteúdo.

Em um paralelo biológico, esse processo pode ser comparado à substituição da alimentação completa, que exige digestão, assimilação e transformação dos alimentos consumidos, pela administração direta de nutrientes na corrente sanguínea. Nessa perspectiva, o estudante deixa de elaborar o conhecimento, como indivíduo pensante e em um ambiente formativo, limitando-se a recebê-lo de forma pronta, já processada.

A segunda via, por sua vez, se dá como consequência dessa primeira, correspondendo à desvalorização das teorias e das produções consideradas complexas, academicamente, e reforçando-se uma lógica de simplificação extrema do conhecimento como forma de ensino. Ao invés de se formar sujeitos capazes de compreender e produzir saberes, promove-se a lógica de “dar o peixe”, mas sem ensinar a pescar (que tende a ser reproduzida até alcançar locais de ensino, como a universidade, que, forçadamente, ensinam esses sujeitos a pescar, como um tranco pedagógico e de modo forçado).

Associado a esse cenário, observa-se também o fortalecimento da ideia de meritocracia3 no campo educacional, que desloca para o indivíduo a responsabilidade (e culpabilização) por seu desempenho, desconsiderando-se todos os condicionantes sociais, econômicos e culturais que impactam diretamente o processo de aprendizagem. Esse movimento se articula com propostas de padronização, como a ampliação de escolas cívico-militares, o ensino religioso e a inserção de conteúdos como educação financeira em substituição às disciplinas de caráter crítico, especialmente no contexto da educação pública.

Enquanto isso, grupos sociais privilegiados continuam tendo acesso a uma formação completa e estruturada, incluindo-se áreas como História, Sociologia e Filosofia. Assim, tais propostas não visam à construção do conhecimento, mas à formação de sujeitos adaptados, disciplinados e pouco críticos. Retomando-se a analogia biológica anterior, não apenas se oferece o peixe sem ensinar a pescar, como também se limita a qualidade desse alimento, restringindo-se ainda mais as possibilidades formativas.

Portanto, a educação antipedagógica se apresenta como um mecanismo de manutenção das estruturas sociais de poder, contribuindo para a reprodução das desigualdades e a preservação (via produção de uma crise educacional) do status quo4, uma vez que aqueles que detêm o poder tendem a não abrir mão facilmente de suas posições5.

  • A meritocracia é um conceito que se baseia na ideia de que o sucesso individual é resultado exclusivo do mérito pessoal, como esforço e/ou capacidade unicamente do No campo educacional, essa perspectiva acaba desconsiderando as desigualdades econômicas, sociais e culturais, atribuindo o desempenho dos estudantes apenas a fatores individuais, o que gera, por exemplo, a culpabilização do indivíduo somente.
  • Expressão que significa “estado atual das coisas”, sendo utilizada para se referir à manutenção das estruturas sociais, políticas e econômicas já existentes (e que tendem a se manter).
  • Pensamento discutido na aula de Educação e Sociedade ofertada no semestre 2025/2 no curso de Ciências Biológicas.

Educação antipedagógica e desafios da escola pública

 A educação brasileira tem sido marcada por tensões entre propostas pedagógicas críticas e práticas tradicionais ainda predominantes no cotidiano escolar. Nesse contexto, emerge a discussão sobre a chamada educação antipedagógica, entendida como uma crítica aos modelos tradicionais de ensino, especialmente aquilo que Paulo Freire (1968) denominou de “educação bancária”.

A educação antipedagógica pode ser compreendida como uma perspectiva que se opõe aos métodos tradicionais de ensino baseados na transmissão de conteúdos de forma verticalizada. Na educação bancária, o professor assume o papel de detentor do conhecimento, enquanto o aluno é visto como um sujeito passivo, responsável apenas por receber e reproduzir informações. Em contraposição, a perspectiva freiriana propõe uma educação libertadora, centrada no diálogo, na problematização da realidade e na formação de sujeitos críticos e participativos.

Nesse sentido, a educação deve possibilitar ao educando desenvolver sua capacidade de análise e intervenção no mundo, superando sua condição de alienação. A realidade das escolas públicas revela desafios significativos para a implementação de uma educação crítica7. A pressão pelo cumprimento integral do livro didático, aliada à necessidade de preparação para avaliações, muitas vezes leva professoras e professores a priorizarem a transmissão de conteúdos em detrimento de práticas reflexivas.

Essa lógica contribui para a memorização mecânica dos conteúdos, dificultando-se o desenvolvimento do pensamento crítico. A experiência em estágios em escolas públicas evidencia que, frequentemente, os professores precisam cumprir metas e prazos, o que limita a construção de práticas pedagógicas mais significativas. Além disso, observa-se o aumento do número de alunos com laudos, sem o devido acompanhamento especializado. Em muitos casos, o professor/a professora, diante das condições de trabalho e da diversidade de níveis de aprendizagem em sala, acaba adotando estratégias como a cópia de respostas ou atividades padronizadas, que não atendem às necessidades de todos os estudantes. Essa realidade evidencia os limites estruturais da escola pública para se garantir uma educação inclusiva e de qualidade.

No campo das políticas educacionais, destaca-se o Projeto VOAR, implementado na rede estadual de Ensino de São Paulo, que propõe a separação de estudantes por desempenho com o objetivo de recompor aprendizagens. Embora seus defensores argumentem que essa organização permite adequar o ritmo de ensino, críticas apontam que tal prática pode reforçar desigualdades, rotular estudantes e afetar sua autoestima. Segundo Vygotski8, a aprendizagem ocorre na interação social, especialmente entre sujeitos com diferentes níveis de desenvolvimento, indicando que turmas heterogêneas podem favorecer o aprendizado coletivo.

Outro aspecto relevante é a implementação das escolas cívico-militares que enfatizam disciplina, hierarquia e valores cívicos – como “ordem unida”, militarizada, massificada. Embora possam contribuir para a organização do ambiente escolar, tais modelos podem entrar em conflito com a proposta de educação emancipadora9 defendida por Freire, ao limitar a autonomia, o diálogo e o protagonismo dos estudantes, aproximando-se de práticas mais autoritárias e transmissivas.

A presença do ensino religioso nas escolas públicas também levanta debates importantes, sobretudo no que se refere à laicidade do Estado10 e ao respeito à diversidade cultural e religiosa. É fundamental que essa disciplina, quando ofertada, não imponha crenças, mas promova o conhecimento plural sobre diferentes tradições. A inclusão da educação financeira no currículo, conforme orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tem como objetivo preparar os estudantes para a vida prática, abordando temas como consumo consciente e planejamento. No entanto, é necessário que essa abordagem vá além de orientações técnicas, promovendo uma reflexão crítica sobre as desigualdades sociais e econômicas, evitando a responsabilização individual por questões estruturais.

Por fim, a precarização da educação pública constitui um dos principais entraves para a construção de uma escola democrática e de qualidade. A falta de investimento, os baixos salários docentes, a infraestrutura inadequada e a sobrecarga de trabalho comprometem significativamente o processo educativo. Sem condições adequadas, a escola não consegue cumprir sua função de socialização do conhecimento historicamente produzido, o que pode contribuir para a reprodução das desigualdades sociais.

Diante desse cenário, torna-se fundamental refletir sobre o papel da escola pública e das políticas educacionais na formação dos estudantes. A educação antipedagógica, ao propor uma ruptura com modelos tradicionais, oferece caminhos para uma prática mais crítica e emancipadora. No entanto, sua efetivação depende de mudanças estruturais que garantam melhores condições de ensino, valorização docente e compromisso com uma educação verdadeiramente transformadora.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970 (1ª ed. publicada no México, 1968).

  • O conceito de Educação Bancária foi desenvolvido por Paulo Freire como forma de criticar esse modelo de ensino no qual o professor deposita conteúdos nos estudantes, considerados sujeitos passivos, algo que se orienta apenas pela transmissão, em total oposição a uma educação problematizadora e crítica.

VYGOTSKI, S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008

  • Educação emancipadora é uma abordagem pedagógica crítica que visa libertar os indivíduos da opressão e da alienação, promovendo autonomia, pensamento reflexivo e consciência social.
  • Significa que o governo é neutro, não adota religião oficial, não financia cultos e garante a liberdade de crença (ou descrença) para todos os cidadãos, tratando todas as fés de forma igualitária.

REFERÊNCIAS

 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970 (1ª ed. publicada no México, 1968).

VYGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008

PORTARIA DO SUBSECRETÁRIO, DE 3 DE FEVEREIRO DE 2026 – Institui o Projeto VOAR.

Disponível       em:

<https://deguaratingueta.educacao.sp.gov.br/portaria-do- subsecretario-de-3-de-fevereiro-de-2026-institui-o-projeto-voar-em-carater-piloto-e-por- adesao-voluntaria-com-o-objetivo-de-promover-a-reducao-das-desigualdades-educacionais- atraves-d/>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Ramagem é preso nos EUA após inclusão na lista da Interpol

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nos Estados Unidos pelo serviço de imigração norte-americano (ICE), após ser incluído na lista da Interpol a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele havia deixado o Brasil de forma clandestina antes do fim do julgamento para evitar a execução da pena.

Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos. A saída irregular ocorreu em meio ao avanço do processo no STF, que culminou na condenação do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro no início de 2026. Em janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que a solicitação havia sido encaminhada às autoridades norte-americanas. A Embaixada do Brasil em Washington já havia enviado a documentação necessária ao Departamento de Estado dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

A inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. A medida permitiu que autoridades estrangeiras pudessem localizá-lo e efetuar sua prisão fora do território brasileiro.

Aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos, estratégia que poderia dificultar o processo de extradição. No entanto, a detenção pelo ICE ocorre em meio à análise do pedido brasileiro pelas autoridades norte-americanas.

Enquanto permaneceu no exterior, Ramagem também foi alvo de sanções administrativas e políticas no Brasil. Após a cassação de seu mandato, a Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático. Além disso, por determinação do STF, foram bloqueados seus vencimentos parlamentares.

Do Brasil 247

O menino e o desenho

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Por Vinício Carrilho

Essa narração é um pouco mais antiga, do início de 2025, quando fui para São Paulo-Capital, pela última vez. Nosso objetivo era achar passeios interessantes e, como sempre fazemos, andar pela Liberdade e conhecer algum Museu diferente – e um Shopping diferente, também.

Não chegamos exatamente no mesmo horário, então saí do hotel para encontrar a Fátima num ponto combinado. E aí começa essa nossa história, com a minha conversa com o motorista do Uber.

Como já é uma marca, começo puxando conversa sobre o clima, o trânsito – temos que lembrar sempre que são motoristas com jornadas diárias de 10 a 12 horas – e vou vendo para onde vai o diálogo. Procuro sempre enfocar nas condições de trabalhado, na tal “uberização social” (que afeta todo mundo, de um modo ou de outro), para, quem sabe, levar uma fagulha de crítica ao neoliberalismo.

Nunca falo de política, diretamente, a não ser por vias indiretas – como quando perguntei, em outra viagem, se o motorista conhecia o projeto federal de criação de Pontos de Descanso para os motoristas de Uber. E menos ainda falo sobre partidos políticos – inclusive porque, no Brasil, partido político é um caso que não se fecha na análise apurada da Ciência Política.

Pois bem, naquela última viagem a São Paulo, o motorista – de uns 35 anos – disse-me que deixou o emprego regular (com CLT), que tinha como chefe ou supervisor de logística, sua área de formação, para ser Uber. Achei estranho e perguntei o porquê. Ele contou que fez isso por causa de dinheiro, para terminar a construção de sua casa.

Disse que às vezes virava ajudante de pedreiro na construção da própria casa, junto com a esposa. Contou que, num belo dia, o filho não queria ir para a escola. A mãe disse que iria, brava. Ele disse que poderia faltar, se quisesse, mas teria que ajudar com os tijolos.

A mãe ficou irritada com ambos. Mas, o menino achou ótimo ficar com o pai naquela manhã. E foram transportar tijolos depois do café. O pai, o motorista do Uber, entrou num dos cômodos em construção e disse ao filho para lhe trazer os tijolos, de cinco em cinco. No começo era só festa. Depois de 10 minutos o menino acusou cansaço nos braços de criança. O pai disse: “mais uma hora de trabalho!”.

Por volta da hora do almoço, o pai parou tudo e mandou o menino tomar banho para comerem. Depois do almoço, o pai disse que compraria um desenho que o menino fizesse naquela tarde. E o menino fez, e ganhou 10 reais.

Em seguida, o pai (motorista) lhe disse que todo trabalho é honesto. Porém, ele viu como é difícil o trabalho de pedreiro, quando não se tem muitas oportunidades. E lhe disse que a escola poderia lhe dar aprendizados para trabalhos melhores, como o desenho, as artes, a universidade. O que se chama de trabalho vivo, na Sociologia.

Por fim, chegamos ao meu destino, a Fátima já me espera.

Antes de descer, tirei cinquenta reais da carteira e dei ao pai, para que comprasse um desenho do filho dele para mim. Iria dizer ao menino que quando me encontrasse novamente, numa viagem de Uber em São Paulo, me daria o desenho.

É uma história que me emociona toda vez que lembro.

Uma família simples, pobre, com uma imensa sabedoria que começa, caminha e termina sempre na Educação dos filhos.

Com mais pessoas como eles, o Brasil daria certo.

 

 

 

QUINTA COLUNA – uma pequena história de esquerda torpe

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– ou de “analfabetização política”

@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista

– Bióloga e mestranda no PPGCTS/UFSCar

Veremos que não existe esquerda da boca pra fora.

Cabem umas poucas explicações: a parte central do texto já foi empregada em outro momento, com outros objetivos, mas sempre é bem vinda na explicação de um fenômeno – infelizmente, sempre atual.

Também é preciso dizer que a expressão “analfabetização” não existe formalmente (é até contrária à lógica), mas aqui é empregada como figura de linguagem; não é conceito sociológico e nem condição pedagógica.

Porém, a “analfabetização” insiste em ser (reaparecer) como fenômeno social e político: à direta se chama negacionismo (de tudo o que for racional e razoável), já, à esquerda, corresponde (essa é só uma faceta) à aceitação de apenas uma parcela do Processo Civilizatório – leia-se cultura, educação, civilidade, conhecimento, Pensamento científico –, enquanto faz escárnio de outras parcelas obrigatórias (pela epistemologia básica) da visão de mundo que seria corresponde à esquerda.

Em contextos semelhantes, tais perfis põem em prática o machismo doméstico – que beira à misoginia –, apregoam o antissemitismo (a guerra com o Irã é apenas uma desculpa), tanto quanto têm a xenofobia e a homofobia pela frente.

Para esses indivíduos a visão de mundo não se fechou por completo, não se alinhou no horizonte dos fatos, não há concordância conceitual. Há um estrabismo, para quem de “esquerda” se autointitular e, ao mesmo tempo, defender que os animais vivam nas ruas – remedando quem os acolha com os próprios recursos – ou, simplesmente, apregoando que sejam todos eliminados e mortos.

Em casos extremados, isso que chamamos de “Esquerda torpe”, é capaz de “criticar a condição do sistema prisional” e, concomitantemente, defender a lisura de uma “festa popular” chamada de A farra do boi – ou simplesmente não ver maldade nas rinhas de galo.

Nesse caso grave, sem aparente remédio político-jurídico (a não ser estudar), o córtex frontal não se ajusta à sensibilidade, a sinapse não encontra teoria e prática: discurso via de regra sem se expor para além das redes antissociais e tóxicas (iguais a esses perfis).

E nisso há falha grave na formação de uma visão de mundo de esquerda, se esperamos pela coerência entre as latitudes e as longitudes políticas, sociais, humanizadas. Não se é de esquerda pela metade e, exatamente por isso, é muito mais difícil entender-se assim do que sentar no sofá como um “sujeito comum de direita”.

Muitas vezes, ambos são “cidadãos de bens” – a exemplo de quando esse “ser de esquerda” mantém em sua residência o famoso “quartinho da empregada”, como reprodução do engenho e da Casa Grande urbana. Alguns desses até podem ser defensores dos direitos humanos, mas não notam os maus tratos aos animais.

Uma esquerda incapaz de ver o Bom Senso

Ainda nessa perspectiva, Gaston Bachelard (1996) discute os chamados obstáculos epistemológicos, caracterizados pela predominância da opinião e do senso comum, que dificultam a construção crítica e da produção racional do conhecimento. Nesse sentido, o autor afirma que “A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à opinião” (Bachelard, 1996, p. 18), indicando que a opinião, enquanto forma imediata de apreensão do real, não se constitui como fundamento válido para o conhecimento científico.

Logo, o senso comum, quando não submetido à crítica e à reflexão efetivas, tende a se reproduzir de maneira acrítica, reforçando-se interpretações já estabelecidas e pouco problematizadas da realidade social, como no caso da dualidade entre a crítica das condições do sistema penal, mas o divertimento e a lucratividade com rinhas de galo, por exemplo; algo que se vê em alguma parcela da esquerda atual, justamente por essa “indução do senso comum” à reprodução desassistida de análise crítica ou cognitivamente fundamentada.

Nesse sentido, o autor também afirma que: “Mesmo na mente lúcida, há zonas obscuras, cavernas onde ainda vivem sombras. Mesmo no novo homem, permanecem vestígios do homem velho.” (Bachelard, 1996, p. 10). Ou seja, mesmo no processo de construção do conhecimento científico persistem elementos do pensamento não elaborado, ligados ao senso comum, quase que intrinsecamente apegados ao sujeito, caracterizando-se a dificuldade de se expurgar tais pensamentos. Em diálogo com essa perspectiva, pode-se relacionar tal movimento à ideia freireana de “novo homem”, compreendido como sujeito crítico em processo de formação (Freire, 2022) , ao indicar que a superação do senso comum não é imediata nem linear.

A permanência de formas de pensamento pouco problematizadas (e incoerentes), por sua vez, acaba por contribuir para análises simplificadas da realidade social, como a presença de animais em situação de rua, frequentemente tratadas de maneira descontextualizada e até normalizada. Isso evidencia a tensão entre uma leitura crítica e histórica da realidade e interpretações baseadas em percepções imediatas do cotidiano – normalmente danosas e tóxicas ao ambiente e ao convívio que se espera para uma visão de mundo de esquerda.

Há muito dessa tipologia, um tipo de espécime político, incapaz, inclusive, de visualizar o “melhor do senso comum”, que podemos chamar de Bom Senso do senso comum: aquela pessoa mais simples que sabe o valor de se aplicar ao Bem e, assim, pela lógica meridiana, apartar-se do Mal.

Para efeito político e didático, veremos a seguir uma resenha retirada da leitura de A quinta coluna, pois nos parece haver a incidência clara da “analfabetização política de esquerda” e a consequente provocação de ações políticas torpes.

A quinta coluna

Madri sofreu um sítio realizado por quatro colunas de fascistas revoltosos por três anos e, além disso, de dento da cidade, outro grupo indicava os alvos que deveriam ser bombardeados: a Quinta Coluna de infratores, infiltrados, traidores e mercenários.

Os personagens centrais representam o povo espanhol – mesmo que ali apareçam como ingleses, americanos e alemães – e todos aqueles que se identificam com a democracia e a liberdade. O retrato é o do horror. Pouco restava de idealismo, nacionalismo, heroísmo. Havia apenas o vazio que corroía a humanidade. Na luta intestina pela sobrevivência, o Bem e o Mal se confundiam. Eram protagonistas desiludidos. Apegava-se à dor e à privação. Na narrativa, as falas aparecem com beligerância, de combatentes desiludidos. Para o autor, a moral da história ilustra a ausência total de “vida particular”. Se é que havia vida.

O primeiro ato já traz um diálogo inicial “educado”, mas áspero na intenção oculta, entre Dorothy e Preston, até aquele momento eram amantes – em que ela traduz o amor de ambos: “É apenas um mau hábito que adquiri” (Hemingway, 2007, p. 17). Em seguida, surge o gerente do hotel em que estão hospedados pedindo comida para sua família…A esta altura os bombardeios já haviam avançado sobre Madri – quando apareceu outro “camarada” de partido. Este camarada se faz acompanhar de uma prostituta Moura e que logo invoca com Dorothy: “Arranco os olhos, se você acha melhor do que eu” (Hemingway, 2007, p. 26). Pouco antes, a Moura estivera indignada com um cartaz que estava fixado à porta, onde se lia: “Trabalhando, não perturbe”.

Em meio a outro diálogo bastante ácido recomeçam os bombardeios. Temos uma reação de Preston e aí segue uma descrição como um aviso de morte: “Há um som como o acorde de um banjo gigantesco e um ruído que se aproxima como um trem vindo na direção da gente” (Hemingway, 2007, p. 33). Philip, o camarada que encanta Dorothy, justifica porque não vai a um abrigo: “Seguro não é bem o termo, mas quem é que se preocupa com segurança” (Hemingway, 2007, p. 36). Philip, totalmente bêbado, bate em Preston e fica com seu quarto e sua mulher. No dia seguinte não se lembra de nada, mas o gerente avisa que dois soldados o esperam. Philip, então, irrita-se porque os dois deixaram alguém fugir: “Há uma única regra quanto ao dever. A gente tem de cumpri-lo. E há somente uma coisa a respeito de ordens. ELAS TÊM DE SER OBEDECIDAS” (Hemingway, 2007, p. 51). Manda prender os dois soldados e reage com sarcasmo: “boa sorte”. É a disciplina da Razão de Estado, para a segurança, em que impera a obediência e a morte.

Em outra cena, Dorothy pede o café da manhã e responde à atendente do hotel, sobre o bombardeio da noite anterior: “Que nada! Foi até encantador” (Hemingway, 2007, p. 56). No diálogo seguinte, entre Philip e Dorothy, sobre Preston, outra vez surge o realismo sarcástico: “DOROTHY – Oh não Philip! Não se preocupe. Ele se foi para sempre. PHILIP – Frase horrível: para sempre” (Hemingway, 2007, p. 60). Depois a moça diz ao policial Philip para que procurasse ser mais sério e honesto – ao que este responde com mais cinismo e desdém: “Não me tente. Não me torne ambicioso […] Não me abra novos horizontes” (Hemingway, 2007, p. 63).

Este sentimento evasivo se acentua quando Dorothy lhe diz que mostraria aos filhos dos dois um mundo maravilhoso, após a guerra. Ele diz que o filho nunca teria visto o pai. A moça insiste e diz que ele escreveria um livro sobre guerras – mas, a resposta é um tiro fatal: “Seria um belo livro. Poderia enriquecê-lo…com ilustrações” (Hemingway, 2007, p. 65). Philip sai do quarto e Dorothy chama Petra e assegura que a criada não deveria ser tão derrotista. A camareira diz brevemente: “Não penso em política. Apenas trabalho” (Hemingway, 2007, p. 70). Era a consciência de classe possível, àquela altura dos acontecimentos.

Quando Preston reaparece há um diálogo seco e este chama o gerente para retirar Philip do seu quarto. Todavia, o gerente implora para que não chame a polícia: “Em assuntos privados, a autoridade pública dá sempre interpretação errada” (Hemingway, 2007, p. 77). Na sequência, um tipo de ajudante de ordens espera Philip que está no quarto de Dorothy e, sentado, recebe um tiro na nuca: a Quinta Coluna.

No segundo ato, Philip interroga o soldado que deixara um o suspeito fugir e, então, diz a seu próprio coronel que “não há ninguém absolutamente certo”. Philip convence o coronel a não executá-lo e o soldado agradece, mas houve que a guerra não tem favores: “Numa guerra, não se diz obrigado” (Hemingway, 2007, p. 94). O soldado é levado e os dois oficiais militares (Philip é meio policial, meio militar) conversam como é que se morre bem em uma guerra daquelas. Philip lembra ao coronel, seu próprio superior, os equívocos cometidos: “Mas, às vezes, matamos por engano, não é Antônio?” (Hemingway, 2007, p. 97). Philip também lhe revela algumas fraquezas da profissão de contraespionagem: “Gostaria de saber quem sou eu ao acordar” (Hemingway, 2007, p. 100).

De novo no bar, Philip conversa com a Moura sobre as virtudes de Dorothy e a prostituta se mostra sagaz: “Que é que você faz durante todo o tempo, nesta guerra, se ainda não sabe o que é ignorância e o que é coragem?” (Hemingway, 2007, p. 115). A guerra parece ser isso, quem engana melhor. Na continuação Dorothy chama a camareira e fica sabendo que o eletricista do hotel fora baleado durante a noite e morrera. A ajudante Petra informa-lhe que os assassinos são franco-atiradores da Quinta Coluna, que atiram a esmo. Contudo, preferem alvejar os inimigos de classe: “Se fosse eu morta, eles ficariam felizes. Pensariam que era uma pessoa a menos da classe trabalhadora” (119). O que já indica um amadurecimento da consciência de classe, se comparada à anterior análise social da própria camareira. A guerra civil revelava a crueza da luta de classes. Petra também diz que Philip é um genuíno filho da guerra: “Não digo que ele não seja um bom homem. Mas é ruim” (Hemingway, 2007, p. 123). Na guerra civil, fratricida, quando se opõem membros da mesma família, não é difícil esquecer o foco e mesmo a identidade.

Dorothy compra um casaco de pele de raposas e Philip não gosta, porque teria usado o mercado negro. Quase brigam ao falar do “moralismo” da guerra. Philip também conversa com outro camarada, Max, e se queixa amargurado do trabalho que fazem juntos. Lamenta o fato de que o soldado tenha morrido no seu quarto, em seu lugar. Max tenta confortá-lo e tem como resposta o non sense da ironia mordaz. Max responde, lembrando o significado da guerra civil espanhola: “Em suma: para que possam viver e trabalhar com dignidade, e não como escravos” (Hemingway, 2007, p. 177). Na guerra civil, irmãos escravizam irmãos.

Sequencialmente, em um posto de observação, um soldado diz a senha para outros três que se aproximam: “a vitória”. E houve a contra senha: “…é para aqueles que a merecem” (Hemingway, 2007, p. 183). Era uma senha fascista que abriria espaço para a entrada de um oficial alemão: os mercenários socorrem aos interesses de classe, em defesa do capital. À meia-noite se deflagra o bombardeio contra Madri – para confirmar, o ajudante de ordens revela que os alemães estão ali a serviço do capital internacional: “Esses marxistas filhos-da-puta! Isso vai apanhá-los em suas trincheiras” (187). Neste momento, as sentinelas são abatidas e Philip dá a ordem de rendição ao general.

De volta a Madri, no interrogatório, fica evidente que o general não os acompanhara como refém, não era o alvo principal; apenas o civil: foi fuzilado no caminho. Antes de iniciar a sessão de tortura, Philip descreve o caráter do alemão prisioneiro: “O homem é como uma fruta madura” (Hemingway, 2007, p. 196). Seria definido como um “político”. Aí se segue um breve diálogo entre invasor e torturador: “CIVIL – Jamais falarei. ANTÔNIO – Falará sim. Você vai ver…” (Hemingway, 2007, p. 198). Como resultado disso, foram presos mais de 300 inimigos-traidores da Quinta Coluna – estampados em todos os jornais, como peça publicitária.

A divulgação do feito foi tanta que o anonimato de Philip se perdera. Para se esconder seria preciso romper com Dorothy. Entretanto, Max lhe adverte: “Para nós, que já passamos por coisas terríveis, a gentileza em tudo o que for possível é de suma importância” (Hemingway, 2007, p. 211). “Há que endurecer; porém, perder a ternura jamais”. Quando Philip termina o relacionamento, ambos se ofendem, chamando-se de mercadorias e de (in)utilidades. Mantiveram uma relação utilitária, em meio a uma guerra sem utilidade social e nem integridade da condição humana.

Por óbvio que nada supera a leitura, essa abaixo:

● HEMINGWAY, Ernest. A Quinta Coluna. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

E como resultado final, como desfecho da torpeza da Quinta coluna – e da luta fratricida entre “esquerdas” na Guerra Civil espanhola –, recomendamos tanto o livro quanto o vídeo homônimo, a seguir:

● DEL TORO, Guillermo; FUNKE, Cornelia. O Labirinto do Fauno. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2019.

Portanto, vimos que não existe esquerda da boca pra fora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais um abandonado por Bolsonaro: ICE de Trump prende playboy que fugiu para os EUA após ter prisão decretada por incitação ao golpe

Esdras Jonatas dos Santos, que liderava ato em frente a quartel de BH, fugiu para a Flórida nos EUA e chegou a encenar que estaria vivendo como mendigo. Advogado vai comunicar ICE de mandado de prisão e pedir extradição ao Brasil.

sdras Jonatas dos Santos, o “playboy” bolsonarista que ficou conhecido em janeiro de 2023 por liderar atos golpistas em frente ao quartel do Exército em Belo Horizonte, foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), a polícia anti-imigratória de Donald Trump e se encontra no Centro de Detenção do Condado de Glades, na Flórida.

A informação foi revelada pelo advogado Mariel Marra, que desde 2023, encampou uma investigação para localizar, prender e extraditar Santos, e foi confirmada pela Fórum no site do ICE.

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“Busco sua localização, prisão e deportação desde Março de 2023 para garantir a responsabilização e o cumprimento da lei, afinal, para mim ficou evidente que ele já estava preparado para fugir logo após o dia 08/01. Suspeito que ele tinha informações privilegiadas. Diferente da ampla maioria que foi presa e condenada”, afirmou Marra à Fórum.

O advogado afirma que entrará em contato com a o serviço imigratório dos EUA ainda neste sábado (11) para comunicar sobre o mandado de prisão em aberto no Brasil.

“Estou entrando em contato hoje com o ERO / ICE pra informar que o Esdras está com mandado de prisão aberto no Brasil e precisa ser deportado”, afirmou Marra, que ressalta que o bolsonarista também tem um mandado de prisão por agressão a jornalistas na capital mineira.

De playboy a “mendigo”

Considerado foragido pela Justiça de Minas Gerais desde fevereiro de 2023, quando foi emitido um mandado de prisão pela Vara de Inquéritos da capital mineira, Esdras estaria vivendo em um apart-hotel de alto padrão em Fort Lauderdale, cidade na Flórida, Estados Unidos.

No entanto, nas redes sociais ele passava uma imagem de “perseguido pela Ditadura” e fingia estar vivendo como um mendigo nos EUA.

Em vídeo divulgado nas redes em abril de 2024, Santos aparece com a barba e o cabelo compridos e o rosto sujo e chora ao dizer que está “sendo torturado com a Midia da Globo que não para de falar mentiras”.

“Eu estou aqui para dizer para vocês que estou sendo torturado devido à ditadura, ao comunismo no Brasil”, diz o playboy. Na encenação, o bolsonarista usa o filho de 7 anos para choramingar pelas decisões judiciais, que além da prisão decretaram o bloqueio das contas no nome dele.

“Eu perdi tudo para o comunismo e nessa hora estou aqui, jogado em outro país, com as contas bancárias bloqueadas e documentos bloqueados”, reclama, negando que que tenha liderado os atos golpistas em BH. “Por favor, ajude em nome de Jesus”, finaliza.

 

Entenda

Playboy bolsonarista
Considerado foragido pela Justiça de Minas Gerais desde fevereiro do mesmo ano, quando foi emitido um mandado de prisão pela Vara de Inquéritos da capital mineira, Esdras estaria vivendo em um apart-hotel de alto padrão em Fort Lauderdale, cidade na Flórida, Estados Unidos.

A descoberta foi feita pelo advogado Mariel Marra, que encampou uma investigação independente para localizar Esdras com o objetivo de defender um de seus clientes, que participou de atos antidemocráticos em Belo Horizonte e que, no dia 9 de janeiro, isto é, um dia após a invasão dos bolsonaristas aos prédios dos Três Poderes, foi preso no acampamento que estava instalado em frente ao Quartel General do Exército em Brasília.

Segundo Mariel, seu cliente teria sido atraído para uma “armadilha” de Esdras, já que o líder dos atos golpistas de BH não viajou para Brasília junto aos demais bolsonaristas que compunham o acampamento em frente ao QG do Exército da capital mineira e já estaria de malas prontas para fugir para os Estados Unidos.

Esdras Jonatas dos Santos embarcou rumo aos EUA no dia 10 de janeiro de 2023, tendo passado antes pelo Panamá. Há contra ele um mandado de prisão em aberto por, supostamente, ter incitado agressões a dois jornalistas em um ato golpista na capital mineira.

Além disso, é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo que o ministro Alexandre de Moraes, ainda em 2023, havia cancelado seu passaporte, bloqueado suas contas bancárias e aplicado multa.

Golpista

Esdras Jonatas dos Santos é empresário do ramo têxtil e ganhou fama em 6 de janeiro ao cair no choro e espernear durante operação da Guarda Civil de Belo Horizonte (MG) para desmontar o acampamento golpista que funcionava em frente a um quartel do Exército na capital mineira.

Considerado um “playboy” por, antes de janeiro de 2023, ostentar vida de luxo através das redes sociais e, depóis, ter circulado pelo acampamento golpista com um carro da marca alemã Porsche, Esdras teve sua prisão decretada pela Justiça de MG sob a acusação de ter incentivado agressões contra repórteres na mobilização golpista de BH no dia 5 de janeiro. A Polícia Civil encampou operação em 15 de janeiro daquele ano para prender o empresário, mas não o localizou.

Segundo Ramon dos Santos, que atuava como advogado do bolsonarista, Esdras havia ido para Miami, nos EUA. O defensor, entretanto, informou por meio de nota, à época, que havia deixado o caso por quebra de confiança por parte do empresário.

Revista Forum

Ex-modelo brasileira promete contar tudo sobre Melania Trump e rede de modelos de luxo nos EUA

Conexões de Donald e Melania Trump com Jeffrey Epstein podem voltar à tona com força total

A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, recentemente deportada dos Estados Unidos, afirmou que pretende expor detalhes sensíveis sobre a trajetória de Melania Trump e os bastidores de uma rede de modelos de luxo ligada a figuras poderosas no país. As declarações surgem em meio a uma escalada de tensões envolvendo o presidente Donald Trump, sua esposa e antigos aliados do mundo da moda internacional.

De acordo com relatos que circulam nas redes sociais e em bastidores políticos, Melania Trump teria iniciado sua carreira como modelo sob a intermediação de Paolo Zampolli, empresário italiano próximo de Donald Trump e figura influente no agenciamento de modelos nos anos 1990 e 2000. Zampolli também foi ex-marido de Amanda Ungaro.

A relação entre Ungaro e Zampolli terminou de forma conturbada, e há alegações de que, durante o processo de divórcio, o empresário teria recorrido à influência de Trump para acionar autoridades migratórias dos Estados Unidos, resultando na deportação da brasileira pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas).

Agora fora do país, Amanda afirma estar disposta a “contar tudo” em uma entrevista programada para este fim de semana. Segundo postagens recentes, ela promete trazer à tona informações envolvendo Melania Trump, Donald Trump, Jeffrey Epstein e o próprio Zampolli, o que pode gerar forte repercussão política e midiática.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que a recente aparição pública de Melania Trump, em uma coletiva considerada incomum por analistas, teria sido uma tentativa de antecipar ou mitigar os impactos das revelações iminentes. Interlocutores apontam temor dentro do círculo próximo ao governo de que uma “bomba” midiática esteja prestes a explodir.

O caso já mobiliza intensamente as redes sociais e amplia a pressão sobre a Casa Branca, em um momento delicado para o governo Trump no cenário internacional e doméstico.

Do Brasil 247

 

Histórias de Uber

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@viniciocarrilhomartinez

O tema da minha aula de ontem deveria ter sido Educação anticapitalista. Era de se esperar que não fosse uma abordagem simples, tão direta ou com respostas prontas. O resultado é que nem entrei no tema.

Chamei o Uber e a moça que me levou estava quieta no início, talvez meio reticente. Dois minutos depois a conversa já ia normal. Raramente entro mudo e fico calado, só se a pessoa realmente for muito chata, antipática. E mesmo assim ainda tento. Em quase 100% (cem por cento) das vezes, puxo papo sobre a rotina, como é o trabalho.

Ela não era chata, muito pelo contrário. Foi extremamente simpática, na viagem toda – e o que mais precisamos atualmente é de simpatia, empatia, um mínimo de Interação Social – aquele algo para além da mera cortesia, das formalidades.

Ou seja, precisamos passar a barreira da civilidade fria, praticamente do “bom dia, boa tarde” – mesmo que isso esteja em desuso. Digo isso como professor de Sociologia – minha disciplina chama Educação e Sociedade.

Então, dois minutos depois de embarcado falamos do caminho até à UFSCar, eram 18 horas, de uma sexta-feira. Quase noite, um claro-escuro, lusco-fusco, meio penumbra, que nunca é adequada para se dirigir – a visão fica presa num zigue-zague entre o dia e noite, assim como todos os demais sentidos. Requer um alerta maior, portanto.

Assim fomos e da metade para o final da viagem já falávamos sobre o ritmo de trabalho dela. Foi quando me disse que também é professora e que tem dois empregos. É concursada em dois municípios. Sim, ela viaja todos os dias, ida e volta para trabalhar.

Sai de casa às 5 horas da manhã e volta às 13 horas, a fim de começar o segundo turno. O tempo de viagem dela é de aproximadamente 50 minutos – são 100 minutos deixados na estrada. E é ela a motorista, faça chuva, faça sol.

Também contou que não para de estudar, fez vários cursos de especialização – dentre eles a Educação Especial. Nesse ponto me disse que retomou esse ritmo de conhecimento aos 30 anos. Foi quando olhei pra ela – eu viajo olhando fixamente para a frente – e lhe disse, sorrindo: então você começou a trabalhar ontem. Ela riu e revelou que tem mais de 40 anos. Sem dúvida, é uma moça de muitas surpresas, porque a jovialidade é parceira da sua simpatia.

Por fim, contei essa história na sala de aula, assim que começamos. Queria compartilhar com eles essa minha aventura. A viagem durou apenas 10 minutos, mas são aquelas situações que você não esquece.

No fim, o que consegui conversar mais longamente foi sobre uma pergunta que um aluno me fez na quarta-feira, às oito horas e trinta minutos: “A moça do Uber – professora concursada duas vezes – tem seu trabalho explorado, mas é no formato de forma de mais-valia, ou segue somente o ritmo factual do ‘Servilismo Voluntário?”.

Todo mundo que está lendo esse texto pelo celular ou notebook, tendo passado pelo algoritmo de vigilância ou de encaminhamento, atua como servo voluntário – eu e você, portanto.

Qual é a educação digital que nos imuniza disso? Como sair desse Capitalismo digital, como enfrentar essa exploração aguda com conhecimento e crítica embasada? Não é tarefa fácil.

Mas, esse é outro tema, que levarei para a sala, na quarta-feira que vem. Depois conto o andamento dessa experiência de fazer educação dentro do Uber, e sempre a caminho da escola.

 

SOCIEDADE CAPITALISTA E A ESTRUTURAÇÃO EM CLASSES

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Ester Dias da Silva Batista – Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

            Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (08/04/2026). Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. O mapa geral das discussões trata, efetivamente, do que está sinalizado no título. Então, vamos aos tópicos:

  • Na sociedade atual, assim como nas mais antigas, apresentam-se algumas estruturas sociais que tendem a ser mantidas e propagadas; no caso da sociedade capitalista, em sua estrutura fundamental de funcionamento, pressupõe-se duas classes, uma classe é dominante, enquanto outra(s) é (são) dominadas.
  • Essa classificação é algo que pode ser caracterizada como um fenômeno social, ou seja, é algo presente em diversas sociedades, mas não é um fenômeno humano; é uma realidade capitalista.
  • Entende-se por fenômeno social aquele que se constitui historicamente a partir das relações coletivas entre os indivíduos, sendo marcado por padrões, instituições e estruturas sociais; já o fenômeno humano é mais amplo, englobando também dimensões biológicas, psicológicas e individuais, não necessariamente vinculadas à organização social; a existência do Direito – enquanto conjunto de normas sociais e de regras jurídicas, como costumes, práticas sociais) – é um exemplo de fato social, uma vez que não há (e nem houve) nenhuma sociedade conhecida sem o acometimento do Direito – e que é, sumariamente, uma tipologia de organização social.
  • Essa organização social em classes, na sociedade capitalista, é organizada, como citado, entre uma classe dominante e outra dominada (como “classes fundamentais”);
  • A classe dominante, para Marx, é caracterizada pela burguesia, a pequena burguesia (chamada pela Marilena Chauí de classe média), e as frações da classe dominante: o 1º setor (agronegócio), o 2º setor (indústria) e os sistemas financeiros. A outra ponta revela as classes trabalhadoras, subalternizadas, tanto as tradicionais (do “chão de fábrica”) quanto às submersas na chamada “uberização social”.
    • Sendo importante destacar que esses setores não constituem classes sociais em si, mas espaços de atuação econômica nos quais essas classes se inserem.
  • A classe dominada, por sua vez, é caracterizada por Marx pelo proletariado e o lumpemproletariado (os inimpregáveis que também poderiam entrar nessa categoria, referenciando sujeitos que não conseguem, por exemplo, se recolocar no mercado de trabalho, como pessoas na terceira idade e os decretados ao desemprego, os viventes nas ruas, os famélicos).
    • Podendo-se relacionar esse grupo ao conceito de “exército industrial de reserva”, composto por indivíduos em situação de desemprego ou subemprego.
  • Nesse sistema capitalista, diferentemente do sistema de castas na Índia, por exemplo, em que não há mobilidade (não apenas por uma organização social, mas também religiosa e cultural), no sistema capitalista há a possibilidade de mobilidade social; é uma condicional que diferencia a classe social, da casta e do estamento.
    • Um indivíduo na chamada classe do proletariado pode (não que ele consiga necessariamente) alcançar ou tentar aspirar ao status de classe média, por exemplo, via uma universidade, um curso de graduação, ou seja, vemos que há essa possibilidade de mobilidade social de uma classe para outra, seja por ascensão; a sociedade capitalista se caracteriza também pelo descenso social (a crise de 29 provou isso).
  • No entanto, essa mobilidade é limitada por fatores estruturais, históricos, culturais e econômicos, não dependendo apenas do esforço individual → é necessário fugirmos da ideia meritocrática que apenas culpabiliza o sujeito e desconsidera as desigualdades sociais.
  • Essa organização pode ser compreendida a partir da dialética, em Karl Marx, na qual a relação entre classe(s) dominante(s) e classe(s) dominada(s) é marcada por contradições e conflitos, sendo essas tensões responsáveis por processos de transformação social ao longo da história – e muito raramente de modo não-violento.
  • Essa organização de dominância, das classe(s) dominante(s) para com a(s) classe(s) dominada(s), se estende não apenas para os meios econômicos e sociais, mas também culturais, institucionais, estruturais e acadêmicos.
  • Por exemplo, as chamadas marcas de grife, como Gucci, Prada ou Louis Vuitton, passam a ser reproduzidas por meio da pirataria ou de versões genéricas, que copiam a marca original e, por sua vez, popularizam o consumo pela população proletária; assim, filhos e filhas de trabalhadores passam a utilizá-las como forma de tentar se encaixar socialmente e, ao mesmo tempo, afastar-se de sua própria condição de classe.
    • A(s) classe(s) dominante(s), por outro lado, passa(m) a evitar o uso dessas marcas ou de roupas que apresentem logos muito visíveis, buscando não se assemelhar à classe proletária que agora passou a ter acesso a essas pseudo marcas.
    • Nota-se, portanto, que, apesar de não haver uma estrutura de castas que classifique determinadas classes como impuras, como ocorre na Índia, no Brasil há esse afastamento intencional: pode-se acrescentar que temos, em razão de nossa formação social, uma “luta de classes racista”.
  • Isso evidencia um processo de distinção social, no qual padrões culturais são constantemente redefinidos como forma de manutenção das diferenças entre as classes e, assim, se perpetue a desigualdade, a subordinação, a subalternização, com crescimento exponencial da “uberização social”. a autocracia de classe e racial é uma constante no Brasil, é uma marca d’água social, política, cultural.
  • Além disso, é importante pensar na ideia da organização social em que pode ocorrer ascensão ou descenso social e também no que Marilena Chauí chama de Pesadelo da classe média, essa quase aversão, relacionada ao medo de perda de posição social: medo, pavor, de se ver sob a proletarização neoliberal.
    • Simplificadamente: a classe dominante teme perder esse status, esse poder e tornar-se classe média (ruína econômica), algo que é possível, por exemplo, em uma crise econômica (vimos algo ocorrer em 2008, com a crise do subprime).
    • A classe dominada, o proletariado, busca esse lugar com as melhores condições em que a classe média se encontra, logo, e assim temos um fogo cruzado, um local onde a classe média se encontra; ocupando uma posição intermediária e contraditória entre as classes.
  • Essa organização central é também associada a um amortecedor social, uma espécie de colchão de molas que se molda conforme as demandas e o que é ofertado socialmente, seja pela exploração da classe dominante que, muitas vezes, é entendida como uma aproximação desses sujeitos da classe média com a classe dominante; fazendo com que a classe média funcione como um elemento de estabilização das tensões sociais, absorvendo conflitos e contribuindo para a manutenção da estrutura do sistema capitalista – ou, nas crises, aprofundando tais conflitos, pelo pavor do empobrecimento a classe média recupera laivos de anacronismo, sectarismo, atuando de forma retrógrada e reacionária;

 

Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas[1].

Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

[1] https://www.rehcol.com/index.php/rehcol/article/view/82. Acesso em 10/04/2024.

Paulo Figueiredo revela como Michelle e Nikolas sabotam Flávio Bolsonaro e o papel de Eduardo

O empresário golpista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Baptista Figueiredo e aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), publicou na última terça-feira (7) um vídeo em que afirma que a ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF) “está boicotando a (pré-)candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)”, seu enteado, à presidência da República.

Ainda segundo o amigo de Eduardo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu se aliar à madrasta de Flávio e Eduardo para também boicotar o “filho Zero Um” de Jair Bolsonaro em seu intento de vencer a eleição presidencial deste ano.

Figueiredo diz que Eduardo Bolsonaro está se desgastando ao cobrar fidelidade de aliados e familiares à campanha presidencial do irmão, sem que o próprio Flávio dê o devido valor a seu gesto.

“Se o Nikolas sabota a campanha do Flávio e finge que está apoiando, o problema é do Flávio! Mas o Eduardo espera que as pessoas se engajem. E as pessoas que estão sabotando (a campanha de Flávio), como é o caso do Nikolas e da Michelle, acabam sendo expostas pelo Eduardo. Mas para quê, se o Flávio fala que é preciso esperar o tempo de cada um?”, questiona Figueiredo, radicado nos EUA e com uma dívida judicial de mais de R$ 50 milhões no Brasil. Assista ao vídeo, abaixo.

Esta é a primeira vez em que uma pessoa do círculo íntimo da família Bolsonaro acusa com todas as letras a ex-primeira-dama e terceira esposa de Jair Bolsonaro de boicotar a campanha de Flávio à presidência. Veladamente, no entanto, o racha familiar já está há tempos declarado.

Michelle tem utilizado suas redes sociais para marcar posição em favor de todos os políticos do PL que se colocam do lado contrário de seus enteados nas disputas internas do partido.

No último dia 26, por exemplo, ela publicou um vídeo em que, a um só tempo, reforçou seu apoio à deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) – que enfrentou o irmão Carlos Bolsonaro na disputa pela candidatura ao Senado por Santa Catarina – e fez rasgados elogios ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, logo depois de Paulo Figueiredo ter dito que o político “está gagá, e todas as vezes que ele abre a por** da boca, é um desastre”. Já para Eduardo Bolsonaro, Valdemar é “uma víbora, um batedor de carteira, um aproveitador de ocasião com as mãos sujas”.

Em postagem elogiosa a Valdemar da Costa Neto, Michelle, é cobrada por uma bolsonarista: “Quanto a seu apoio a Flávio, para isso você não tem tempo?” (crédito: reprodução)

Michelle se alia a Nikolas Ferreira, contra seus enteados

O deputado federal mais votado do Brasil, Nikolas Ferreira (PL-MG), é acusado por Paulo Figueiredo como outro dos sabotadores da campanha de Flávio. Enquanto o parlamentar mineiro se esquiva de apoiar abertamente e fazer campanha para Flávio, o neto do ditador o acusa de “estar em uma egotrip cada vez mais louca”. Já para Eduardo, Nikolas se tornou “uma versão caricata de si mesmo”, cujo “desrespeito pela família Bolsonaro não tem limites”.

Enquanto isso, a madrasta de Flávio e Eduardo segue em lua de mel com o deputado mineiro. No último dia 22, Michelle fez uma festa de comemoração pelo seu aniversário de 44 anos (seu marido tem 71). O evento aconteceu – é claro – em uma igreja evangélica, no Distrito Federal. Nenhum de seus enteados deu o ar da graça, mas quem fez questão de enviar um vídeo, que foi projetado no telão do templo, foi Nikolas Ferreira, que apareceu dizendo: “Tem um Deus que conhece cada sacrifício que você faz para sua família”.

Já no último domingo (5), logo depois de Eduardo Bolsonaro ter atacado o deputado federal nas redes sociais, Michelle compartilhou um vídeo de Nikolas sobre o filme “Paixão de Cristo” (2004), em que o parlamentar discorre sobre como Satanás, com toda sua fúria e maldade, se colocou contra Jesus no deserto.

Vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro em que Nikolas Ferreira discorre sobre a fúria de Satanás, publicado logo após sua briga com Eduardo Bolsonaro (crédito: divulgação)

Em meio à guerra declarada no seio de sua família e grupo político, Flávio Bolsonaro tenta acabar com as agressões mútuas feitas em público, que ele considera “angustiantes”. “Vamos olhar para frente e nos unir”, sugeriu o senador-candidato, em vídeo publicado no último dia 4

Seu apelo, ao que parece, caiu em ouvidos moucos. Em vídeo publicado na noite da última terça-feira (7), o melhor amigo de Eduardo – Paulo Figueiredo – cobrou que Flávio defenda publicamente o irmão, ou “a coisa degringola”: “Eu acho que se alguém vier difamar um irmão meu… é um erro. Daí a coisa degringola”.

DCM

Netanyahu confirma ser a maior ameaça à Paz Mundial ao desafiar Trump e manter agressões contra o Líbano

Após cessar-fogo negociado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã, premiê israelense confirma ser o inimigo número um da causa da paz

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a se colocar como um dos principais obstáculos à Paz Mundial e à estabilização do Oriente Médio ao apoiar a pausa de duas semanas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, mas deixar claro que o Líbano está fora do entendimento. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quarta-feira, em uma notícia que expõe a disposição do governo israelense de preservar a máquina de guerra mesmo diante de uma rara oportunidade diplomática.

Segundo o gabinete de Netanyahu, Israel apoia a decisão de Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, desde que Teerã abra imediatamente o estreito e interrompa ações contra os Estados Unidos, Israel e países da região. Ao mesmo tempo, porém, o governo israelense fez questão de afirmar que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano, numa sinalização de que a trégua negociada com mediação do Paquistão está longe de representar pacificação ampla no front regional.

A posição anunciada por Netanyahu escancara uma contradição explosiva. Enquanto Washington fala em desescalada e abertura de uma janela para negociações, o governo israelense preserva um flanco essencial da guerra e insiste na continuidade das operações militares em território libanês. O gesto soa como afronta direta ao esforço diplomático que resultou na suspensão temporária dos bombardeios contra o Irã.

A Reuters informou que dois integrantes da Casa Branca confirmaram anteriormente que Israel aceitou o cessar-fogo de duas semanas e suspenderia sua campanha de bombardeios contra o Irã. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o acordo, chegou a afirmar em publicação na rede X que o entendimento incluía também o fim da campanha israelense no Líbano. A declaração posterior do gabinete de Netanyahu, porém, desmonta essa expectativa e recoloca a região no terreno da instabilidade permanente.

A gravidade da decisão é ainda maior diante da devastação já imposta ao Líbano. De acordo com a própria Reuters, a ofensiva israelense no país matou ao menos 1.500 pessoas e deslocou 1,2 milhão de outras. Trata-se de uma tragédia humanitária de grande escala, agravada agora pela sinalização explícita de que Tel Aviv não pretende interromper sua ofensiva, mesmo quando uma negociação histórica entre Washington e Teerã começa a ganhar forma.

O conflito se ampliou depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade a Teerã, dois dias após o Irã ter sido atacado por Israel e pelos Estados Unidos. A resposta israelense abriu uma nova ofensiva terrestre e aérea. Ao excluir o Líbano do cessar-fogo, Netanyahu não apenas mantém viva essa frente de guerra, como também esvazia qualquer narrativa de compromisso genuíno com a paz regional.

O gabinete do premiê israelense declarou ainda apoiar os esforços dos Estados Unidos para garantir que o Irã não represente mais ameaça nuclear, de mísseis ou de “terror” aos EUA, a Israel e aos vizinhos árabes de Teerã. Acrescentou também que Washington informou Israel de que está comprometido em alcançar esses objetivos comuns nas negociações previstas. Ainda assim, o anúncio paralelo sobre o Líbano indica que, para Netanyahu, a diplomacia só vale onde não limita sua estratégia militar.

Do lado iraniano, a expectativa é de que as negociações com os Estados Unidos comecem na sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad. O simples fato de esse canal ter sido aberto já representa um movimento de peso num cenário marcado por meses de intensificação bélica. Mas a insistência de Netanyahu em manter o Líbano sob ataque lança uma sombra pesada sobre qualquer esperança de distensão mais ampla no Oriente Médio.

Ao reafirmar a continuidade das agressões contra o território libanês logo após a costura de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Netanyahu se projeta mais uma vez como agente central da escalada regional. Em vez de acompanhar a abertura diplomática, opta por preservar a guerra, aprofundar a destruição e sabotar, na prática, um raro esforço de contenção do conflito.

Do Brasil 247

Crônica do Uber

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O uber pode não ter a mesma informação, conhecimento e consciência que eu tenho, hoje, sobre o que alguém chamou de “uberização social” – irmã gêmea do neoliberalismo: uma chaga, forma cruel de tirar suas energias e capacidades em todos os setores da vida, até sugar tudo e descapacitar por completo, pela exaustão. É praticamente uma sucção da alma.
Mas é exatamente por isso que converso com todos e todas as motoristas de aplicativo – o mesmo vale para o motoboy que trouxe a cerveja hoje. Esse, em especial, é já um chapa: digo toda vez, como se faz com criança: “tenha juízo, ande devagar na moto”. Tenho uma empatia real.

Como histórias de Uber, vou relatar minha ida e vinda de hoje. Não gosto de dirigir, mas adoro andar de carro.

Crônica do Uber I

Só consegui perguntar na volta, porque na ida o cara não parou de falar.
Inclusive, tem uma filha formada pela UFSCar e empregada na área de educação especial.

O da volta tem 22 anos, faz 50 corridas curtas por dia, tira uns 350, 400 reais diariamente.
Faz uber desde os 19 anos, das 6hs às 18hs.
Disse que não quer estudar.
Está juntando dinheiro, há três anos, pra comprar sua casa própria. No final do ano que vem. Não aplica em poupança.
Diz que o pai ensinou assim.

Crônicas do Uber II

Pra ir, era um sujeito aparentemente simples, vindo do Mato Grosso, há 24 anos, sem um centavo pra voltar – se quisesse uma passagem de volta.

Hoje, trabalha 12 horas por dia, diz que não aguenta ficar parado.
Mas, tem uma Hilux, pra fazer gincho de carros. Tinha acabado de voltar do RS.
Tem uma chácara pra lazer, casa própria também.
Outras casinhas de aluguel.
Tem três carrinhos de lanche em parceria com o cunhado.
E um “comércio” em que o irmão é gerente.

Pensei: eu sou muito desorganizado.

O lado muito negativo dessas viagens é que, infelizmente, as meninas, mulheres, acabam se tolhendo de conversar assim.
Porque estão certas em ter o triplo de cuidado.
Os caras podem entender errado, por causa do machismo, sexismo, misoginia Red Pill etc.

O lado sempre positivo, para um professor como eu, é que o diálogo é uma porta aberta, sem trancas.

@viniciocarrilhomartinez

Educação Paulista – projeto de coisificação

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@viniciocarrilhomartinez

O governo do Estado de São Paulo irá segregar crianças e jovens entre as “melhores e piores”. Certamente, a separação colocará brancos e negros em salas distintas.

Como exemplo concreto, no centro nervoso da Educação Paulista, está um “projeto educacional” do tempo das nossas bisavós[1]. Trata-se de um projeto falangista, racista, altamente segregador e excludente.

Esse suposto projeto guarda um veneno específico, raivoso, uma mistura de elitismo empresarial (financiadores) com capacitismo e meritocracia – sempre com base na segregação e na exclusão.

Como se sabe, a exclusão é o motor da negação.

O que se nega é o conjunto de crianças e de jovens, em “proveito” de uns poucos – que serão cooptados como massa de manobra pelo capital financiador.

Se esse projeto já apresentou resultados desastrosos no passado, basta-nos projetar o seu futuro.

É a reinvenção de uma roda quebrada, quadrada, sem arco, negacionista da inclusão.

É óbvio que o objetivo é a cooptação, “dividindo para conquistar”, e assim negar o que deveria ser a guia central de toda a Educação Pública: a emancipação.

É um projeto de homogeneização que serve aos opressores, negando-se o pluralismo, a diversidade, a própria realidade que cerca a todos nós.

O resultado também virá, além do crescente negacionismo, com a intolerância e com o aumento do ódio social.

No fundo, é mais do mesmo, é uma tática das mais antigas, cheia de anacronismo e indiferença social, essa que parte da segregação, exclusão e da negação final.

O que me faz como professor, muitas vezes, duvidar da humanidade não é o fato de “governantes” pensarem em absurdos ou, simplesmente, serem néscios, mas sim o apoio que recebem de profissionais da educação. Mesmo com todos os descalabros já efetivados por tais indivíduos.

No popular, se os organizadores de tais projetos fossem avaliados hoje, estariam na 5a série F. Peçam para que faça uma redação, nos moldes do Ensino Fundamental II – mas só quem duvida.

Definitivamente, a Educação Paulista afogou num projeto fascista qualquer lampejo de Esclarecimento que um dia teve. O motor agora está na marcha a ré, ligado no reacionário, secretário, no que há de mais embrutecedor.

A Educação Paulista deveria ser impublicável, porque há poucas ações mais antipopulares, antirrepublicanas, antidemocráticas, do que essa. Expressa tão-somente o que pensam e desejam para o povo: o adestramento seletivo e implacável que se abate sobre todos os subalternos, despossuídos e oprimidos.

É um projeto profundamente racista porque, pela força da obviedade, será implacável contra o povo pobre, negro e oprimido.

Alguém lhes diga, na urna também, que não somos coisas que se separam em prateleiras. Somos pessoas, somos um fim em nós mesmos, e não meios de enriquecimento.

[1] https://www.cartacapital.com.br/opiniao/segregacao-por-desempenho-uma-velha-novidade-na-educacao-paulista/. Acesso em 05/04/2024.

Sob Bolsonaro, INSS alterou regra de consignado que impulsionou o banco Master

Mudanças feitas em 2022 permitiram expansão do Credcesta entre aposentados; contratos saltaram e operação passou a ser investigada por irregularidades

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promoveu mudanças nas regras do crédito consignado que permitiram a criação e expansão de um cartão de benefícios responsável por impulsionar o crescimento do Banco Master entre 2022 e 2025, período que antecedeu a derrocada da instituição financeira.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, uma dessas alterações ocorreu apenas 16 dias após o recebimento de um ofício do próprio banco solicitando autorização para operar o produto, chamado de cartão consignado de benefício.

A criação de normas específicas no último ano do governo Jair Bolsonaro possibilitou a ampliação das operações do Credcesta, modalidade levada ao Banco Master por Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. O produto combinava crédito consignado com serviços adicionais, como descontos em farmácias e auxílio-funeral.

Inicialmente voltado a servidores públicos estaduais e municipais, o Credcesta se expandiu para 24 estados e 176 municípios. Com a mudança nas regras do INSS, passou a atingir também aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), ampliando significativamente seu alcance.

Dados compilados pelo INSS, com base em informações da Dataprev, mostram que o número de contratos saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, evidenciando uma rápida expansão após a regulamentação.

A primeira mudança normativa ocorreu em 25 de março de 2022, quando o então presidente do INSS, José Carlos Oliveira, autorizou operações com cartão consignado de benefício, mas sem detalhar seu funcionamento. Em 7 de junho, o Banco Master solicitou formalmente a inclusão do novo produto no acordo de cooperação com o órgão.

Pouco depois, em 23 de junho, uma nova instrução normativa foi publicada com regras mais detalhadas sobre o cartão consignado, assinada pela presidente substituta do INSS, Larissa Mora. O aditivo que incluiu o Credcesta no acordo foi formalizado em 13 de julho daquele ano.

Documentos obtidos pela reportagem indicam que as regras adotadas permitiram o funcionamento do produto ainda em 2022 e sua expansão acelerada nos anos seguintes, o que, segundo a atual gestão do INSS, ocorreu de forma irregular. O acordo com o banco vigorou até 2025 e não foi renovado após suspeitas de fraudes investigadas pela Polícia Federal.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master atuou em conformidade com as normas do INSS, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

Já o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, criticou o modelo de operação do produto. “Quando se faz um [contrato de] Credcesta, ele começa com o empréstimo pessoal. Havendo margem, esse crédito pessoal migra para o crédito consignado. Na visão do INSS, isso é irregular”, disse. “Nosso aposentado e pensionista têm de assinar um crédito consignado do INSS com todas as cláusulas e informações específicas.”

Do Brasil 247

Tony Garcia entra na disputa pelo governo do Paraná e promete confronto direto com Sergio Moro

Empresário se filia ao Democracia Cristã na última hora e aposta na trajetória política e pessoal para desafiar o favorito e reabrir debates sobre a Lava Jato

A entrada do empresário Tony Garcia na disputa pelo governo do Paraná adiciona um elemento inesperado a uma corrida que já se desenhava polarizada. Em uma movimentação de última hora, Garcia oficializou sua filiação ao Democracia Cristã na noite deste sábado (04/04), horas antes do encerramento do prazo eleitoral, gesto que sinaliza tanto urgência quanto determinação.

“Este será o maior desafio da minha vida”, afirmou o empresário, que acumula décadas de atuação pública desde sua entrada na política em 1989. Ex-deputado estadual e candidato ao Senado em duas ocasiões — sempre figurando entre os nomes competitivos —, Tony retorna ao centro do debate político com uma proposta que combina memória pessoal, crítica institucional e enfrentamento direto.

O principal alvo de suas declarações é o ex-juiz e atual figura política Sergio Moro, que também desponta como um dos nomes fortes no cenário eleitoral paranaense. Tony afirma que pretende “mostrar ao eleitor quem é Moro”, resgatando episódios de sua própria trajetória que remontam ao início dos anos 2003, quando foi preso e passou a colaborar com investigações conduzidas pelo então magistrado.

Essas alegações, que incluem críticas à condução de processos judiciais e ao papel de Moro na Operação Lava Jato, fazem parte de um conjunto mais amplo de controvérsias que já foram objeto de debate público e também de decisões judiciais — como o julgamento no Supremo Tribunal Federal que declarou a parcialidade de Moro.

Ainda assim, muitas das acusações mais graves permanecem em disputa no campo político e jurídico, como o vídeo da Festa da Cueca, que mostra desembargadores do TRF-4 em encontro com garotas de programa, vídeo que foi apreendido com ajuda do então agente infiltrado e nunca usado processualmente, o que gera a suspeita de que tenha sido instrumento de chantagem e pressão.

A trajetória de Tony Garcia, por sua vez, mistura política, negócios e episódios de forte exposição midiática. Ao longo dos anos, construiu relações com figuras conhecidas do país, como Ayrton Senna, Pelé e Xuxa, além de manter vínculos sociais que ultrapassaram fronteiras, incluindo a relação de parentesco com Priscilla Presley, que foi sua cunhada e é mãe de seu sobrinho Navarone.

Esses elementos contribuem para uma biografia pouco convencional, marcada por episódios de proximidade com celebridades e momentos de grande visibilidade.

Em 2023, Garcia voltou ao noticiário ao conceder uma entrevista ao portal Brasil 247, na qual fez declarações contundentes sobre sua relação com Moro e sobre bastidores do sistema judicial. As falas repercutiram amplamente, reacendendo debates antigos e provocando reações diversas no meio político e jurídico.

Na disputa eleitoral, Garcia deve integrar uma chapa encabeçada por Aldo Rebelo, que será candidato a presidente da república e já foi presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro, compondo uma aliança que busca dialogar com diferentes espectros do eleitorado.

Ainda é cedo para prever o impacto real de sua candidatura. De um lado, pesa o fato de enfrentar um adversário que lidera pesquisas e já demonstrou seu viés autoritário, o que pode ser interpretado como um perfil fascista.

De outro, sua entrada pode reconfigurar o debate ao trazer à tona temas sensíveis e narrativas pouco exploradas.

Se conseguirá converter essa estratégia em votos, é uma incógnita. Mas uma coisa parece certa: ao retornar à arena política com esse discurso e esse histórico, Tony Garcia reposiciona-se como um elemento disruptivo na eleição paranaense — alguém que aposta no confronto direto e na força de sua própria história para tentar alterar os rumos da disputa.

 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Do Brasil 247

Estado, Poder e Desigualdade Social

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Por Ester Dias da Silva Batista (*)

Em uma perspectiva marcada pela propagação das desigualdades sociais, bem como pela crescente precarização das relações de trabalho, observa-se a tendência de redução do sujeito a uma engrenagem da lógica capitalista. Nesse contexto, evidencia-se a naturalização de discursos que buscam justificar tais problemáticas, como o mito da meritocracia, o que reforça a necessidade de construção de ferramentas que possibilitem uma análise crítica da realidade, para além do senso comum e das bolhas sociais.

Situações cotidianas, como o crescimento da informalidade no ambiente de trabalho, associadas ao processo de uberização, revelam formas de trabalho caracterizadas pela precarização, com pouca ou nenhuma proteção trabalhista e ausência de vínculos formais, contribuindo-se fortemente para a reprodução das desigualdades estruturais. Tais processos não ocorrem de forma isolada e, sob um viés biológico, podem ser compreendidos como uma espécie de “feedback positivo”[1], no qual esse sistema desigual tende a se retroalimentar.

À medida que se expande e se aprofunda, quase como um organismo parasita, é também mascarado por discursos que naturalizam essas dinâmicas e deslocam o foco de suas causas estruturais. Assim, substitui-se uma análise centrada na lógica da lucratividade por narrativas individualizantes, que atribuem ao sujeito a responsabilidade por sua própria condição, reforçando-se a culpabilização dos trabalhadores diante de um sistema estruturalmente desigual e predatório.

Nesse sentido, o mapa conceitual aqui apresentado foi elaborado como uma ferramenta de análise e problematização dessas relações, evidenciando-se suas articulações e formas de organização no interior da sociedade. Sua construção baseia-se no mapa conceitual utilizado em aula na disciplina de Educação e Sociedade, obrigatória para o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, no semestre de 2025/2, e busca organizar e expressar a compreensão dos principais conceitos trabalhados, tomando-se como referência a proposta de organização da Sociologia Geral e Política no século XXI, desenvolvida pelo Profº Dr. Vinício Carrilho Martinez. Como se vê, o mapa foi uma apropriação destinada a uma melhor compreensão de alguns dos nossos maiores problemas:

Fonte: desenvolvida pela autora.

Buscando-se referências no campo educacional e dialogando com Paulo Freire, cuja obra Pedagogia do Oprimido[2] fundamenta a disciplina, parte-se do pressuposto de que compreender a realidade implica ir além de sua aparência imediata, reconhecendo-se os mecanismos que sustentam essa organização social (e suas problemáticas). Nesse sentido, ao apresentar como eixo central a “Lei dos Mais Fortes”, o mapa possibilita analisar como Estado, Sociedade e Capital se estruturam a partir de relações desiguais de poder, fundamentadas na hierarquia e na dominação.

Essa análise, que busca ir além da aparência imediata, fundamenta-se em uma perspectiva que compreende a sociedade como historicamente constituída por relações desiguais de poder. Nesse sentido, as configurações sociais contemporâneas não se estabelecem por processos espontâneos, como em uma analogia à geração espontânea[3], mas resultam de construções sociais, políticas e econômicas que foram produzidas e reproduzidas ao longo do tempo, visando à manutenção de determinadas estruturas de dominação. Assim, assume-se que toda leitura da realidade constitui um ato político, o que implica reconhecer que os elementos representados no mapa, como Estado, Sociedade e Capital, não são neutros, mas expressam disputas, contradições e processos de dominação.

A partir dessa perspectiva, o eixo central da “Lei dos Mais Fortes”, apresentado no mapa como princípio da hierarquia, permite entender como essas relações se organizam (e se reproduzem), estruturando-se uma sociedade marcada por desigualdades que não são ocasionais ou espontâneas, mas constitutivas de sua formação histórica. Essa noção dialoga diretamente com a discussão desenvolvida em um texto denominado As relações de uma sociedade predatória, desenvolvido na disciplina de Educação e Sociedade no semestre 2025/2, no qual se argumenta que a vida social e política se constitui a partir de relações desiguais de poder, historicamente fundamentadas na força, na dominação, na hierarquia e suas consequências nos aspectos educacionais.

A partir desse eixo central, o mapa articula três dimensões fundamentais: Estado, Sociedade e Capital; evidenciando-se suas relações. O Estado é apresentado como a instituição que exerce poder soberano em determinado território, regulando as demais instituições e a vida social, ainda que esse poder, na prática, seja frequentemente atravessado pelos interesses das classes dominantes. Tal aspecto tensiona a própria ideia de democracia, uma vez que o ideal de participação popular nem sempre se concretiza de forma efetiva.

Quando se trata da sociedade, o mapa destaca sua organização em classes sociais marcadas por relações de dominação e subordinação. Nesse sentido, a desigualdade não aparece como uma exceção, mas como um elemento estrutural do sistema capitalista, sendo constantemente reproduzida e naturalizada. Essa estrutura se articula com a perspectiva de que as relações sociais passam a ser mediadas pela mercadoria, atribuindo-se valor de troca às interações humanas e reforçando uma lógica de exploração.

O capital, por sua vez, aparece como elemento organizador dessas relações, orientado pela lógica da acumulação e da exploração se expressa tanto na divisão de classes quanto em fenômenos contemporâneos, como a precarização e a uberização do trabalho. Além disso, o mapa incorpora elementos específicos da formação social brasileira, como o mito da cordialidade e o chamado “jeitinho brasileiro”, que operam como mecanismos de manutenção dessas desigualdades, mascarando-se relações estruturais de poder e de dominação.

Dessa forma, o mapa conceitual não apenas sintetiza os principais conceitos discutidos, como também explicita as interações entre eles, evidenciando-se como Estado, Sociedade e Capital se articulam na reprodução de uma lógica social predatória, sustentada pela hierarquia e pela desigualdade.

Ao incorporar a perspectiva de Paulo Freire, é possível aprofundar a análise do mapa ao compreendermos que essas estruturas não apenas organizam a sociedade, mas também produzem formas de pensar, agir e interpretar a realidade. Elementos como o “jeitinho brasileiro” e o mito da cordialidade, destacados no mapa, podem ser entendidos como expressões do senso comum que contribuem para a naturalização das desigualdades e das relações de dominação. A educação, por sua vez, assume um papel fundamental ao possibilitar a superação dessa leitura ingênua da realidade, promovendo-se a construção de uma consciência crítica.

Portanto, o mapa pode ser compreendido não apenas como uma representação das relações sociais, mas como uma ferramenta de reflexão que permite questionar a aparente naturalidade que mascara as desigualdades e seus processos de construção. Esse movimento possibilita a passagem do senso comum ao Bom Senso, contribuindo-se para processos de emancipação dos sujeitos, na medida em que estes passam a reconhecer-se como parte dessas relações e, potencialmente, como agentes de transformação social, inclusive no âmbito das instituições de ensino, como escolas e universidades.

[1] O feedback positivo refere-se a um mecanismo biológico no qual a resposta de um sistema intensifica o estímulo inicial, promovendo-se sua continuidade e retroalimentação (GUYTON; HALL, 2017).

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 85. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] A hipótese da geração espontânea refere-se à ideia de que seres vivos poderiam surgir espontaneamente a partir de matéria não viva, posteriormente refutada com o desenvolvimento da biogênese (REECE et al., 2015). No presente contexto, a analogia busca evidenciar que determinadas relações sociais não surgem de forma “espontânea”, mas são historicamente construídas e orientadas visando à manutenção de estruturas de poder.

 

(*) Ester Dias da Silva Batista  é Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

O Pato Donald – no Planeta dos macacos

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Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

Desde ontem que penso no Planeta dos Macacos.

Quem assistiu vai se lembrar que nossos primos símios, do outro Planeta, brigavam entre si pelo controle das “narrativas”, pelo controle do poder. Os cientistas, inteligentes e sensatos, de um lado, e os militares, brucutus, do outro lado.

Não me arrisco a dizer que os cientistas terráqueos são sensatos, sinceros ou sequer inteligentes, como eram (ou são) no Planeta dos Macacos. Pelo nível apresentado em pronunciamento público de muitos, quiçá da maioria, ou por seus feitos, alguns bizarros, ficarei com o pé atrás. Aliás, para mim, PCD, ficar com o pé atrás é um pouco da rotina.

Nossos políticos e governantes, e seus assopradores de conselhos (um tipo de Papagaio de Pirata), certamente não são inteligentes e muito menos têm noção do que fazem. Os Grilos Falantes no Brasil têm ideias muito nocivas.

Tenho pensado de maneira forte sobre isso – quase sentindo, porque acordei com esse sentimento – desde os últimos pronunciamentos de Trump e das replicações nos demais poderes nos EUA. Quando vejo os comentários penso que a Terra foi invadida por reptilianos.

E aí, quando associo o Planeta dos Macacos com a nossa Terra, já vejo – em sonhos com pesadelos – que o Pato Donald está imitando Nero: o tocador de fogo. É claro que o Pato Donald é empregado do Tio Patinhas que mora em Israel, mas quem põe fogo na conexão, na lógica, na sinapse, é esse pato esquisito.

O Pato Donald pós-moderno, só faltam as luzes no cabelo, é uma personagem que faria Tarzan ter medo do inofensivo Mico Leão Dourado. Por falar nesse macaquinho, lembrei de novo do Brasil.

Entre nós, lá no passado de Machado de Assis e de Monteiro Lobato, as Saúvas – que formigas terríveis e ardilosas! – eram as inimigas da Ordem e Progresso. Hoje, as Saúvas estão mais na base da forragem. Tem alguns animais nativos que alimentam essas Saúvas vorazes.

Os animais que alimentam essas formigas, no Brasil de 2026, são também esquisitos: são meio gado, meio chifre – como se dizia no interior de antigamente –, meia sombra, meia pata de um boi de verdade.

Esse gado mirrado sonha com poses taurinas, mas, repelidos pelas cortes dominantes, esses pobres bois – meio chifre – acabam imitando ou tentando imitar (quase sem sucesso) os movimentos do Minotauro.

O que esse gado meio chifre não sabe é que o Minotauro é um touro de verdade, sem meia bomba, colocado num bom pedaço de carne humana. Por isso, sem saber como fazer qualquer conexão, o gado humanoide brasileiro se resume a seguir o Pato Donald, o Malvado.

O mundo atual não tem nem graça.

A Naturalização da Crise

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Ester Dias da Silva Batista

Licenciada em Biologia e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

A educação ambiental exige o enfrentamento de um fenômeno latente: o negacionismo. Isso não se manifesta apenas como recusa das evidências científicas acerca das mudanças climáticas, mas também se acentua por uma naturalização dos problemas ambientais. Ao tratar eventos extremos como uma consequência inevitável do “progresso”, constrói-se uma narrativa que esvazia a responsabilidade política e social dos modos de consumo e de produção vigentes.

O negacionismo, dessa forma, atua não somente pela recusa da ciência e de suas produções, mas igualmente pela despolitização do debate ambiental, colocando-o no campo das disputas ideológicas e contribuindo para a tentativa de neutralização do papel crítico da escola.

Esse fenômeno articula-se a uma crise epistemológica ainda maior, em que as evidências científicas passam a ser relativizadas e colocadas no mesmo plano que as opiniões individuais. Com o desenvolvimento dos meios digitais, a circulação da desinformação tem fragilizado a autoridade do conhecimento científico, consequentemente diversas dúvidas e questionamentos sobre consensos já estabelecidos no meio científico acabam emergindo. Nesse cenário, a educação ambiental assume ainda a tarefa de fortalecer a compreensão acerca de como o conhecimento científico é produzido e validado.

Toda educação é, em alguma medida, um ato político; não há neutralidade na prática educativa, mas escolhas e oportunidades para se evidenciar uma realidade problemática ou se buscar a transformação de tal cenário (FREIRE, 2019)[1]. A partir dessa perspectiva, a educação ambiental não busca doutrinar os indivíduos, mas promover a interpretação crítica do mundo, possibilitando a compreensão das relações sociais, ambientais, políticas e econômicas.

Enfrentar o negacionismo, portanto, demanda avançar para além da transmissão de conteúdos, pois é clara a exigência de se problematizar a estrutura dominante de desenvolvimento, bem como reafirmar o papel formativo da escola na construção de sujeitos capazes de intervir criticamente na realidade ambiental.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 67. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

ESTADO – SOCIEDADE – CAPITAL[1]

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 Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Esse texto imita um mapa conceitual, porém, com um aporte maior em redação e subdivisão em grandes tópicos, bem como em alguns períodos históricos distintos. Por isso reflete uma breve comparação – mais livre, intuitiva, do que se fosse numa disciplina de história – entre duas décadas díspares: entre a década de 1990 e o período ilustrado pelo ano de 2026.

  • Pela Tríade Estado – Sociedade – Capital, que organiza as relações sociais ao longo do tempo – por exemplo, a partir dos anos 1990 até os dias atuais (2026) –, é possível construir um panorama relevante e complexo com relação às questões educacionais, sociais e econômicas do país.
  • Economia:
  • Governo Collor (1990 – 1992):
    • Primeira gestão eleita direta no Brasil após a Ditadura Militar.
    • Momento de abertura econômica significativa, com a redução de barreiras à importação e maior entrada de produtos e tecnologias estrangeiras no país: a reserva de mercado destinada aos componentes informáticos também foi desativada.
    • Essa medida buscava modernizar a indústria brasileira, aumentando sua competitividade, embora também tenha exposto empresas nacionais a uma concorrência mais intensa e desleal.
  • Itamar Franco (1992 – 1995):
    • Assumiu com a missão de estabilizar a economia, sendo responsável pelo início do Plano Real.
    • Depois desse período veio o governo FHC.
  • FHC (1995 – 2003):
    • Fernando Henrique Cardoso foi Ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, responsável pela implementação do Plano Real e, devido ao seu sucesso, elegeu-se presidente em 1995 (primeira eleição).
    • FHC é também um dos principais autores da Teoria da Dependência, que explica como países periféricos têm seu desenvolvimento econômico, tecnológico e social condicionado à relação com países centrais.
    • Associado a isso, tem-se o conceito de Capitalismo Tardio, que dialoga com essa dependência estrutural no processo de desenvolvimento.
    • Durante o governo FHC (também na reeleição), houve continuidade da abertura econômica iniciada anteriormente, com maior inserção do Brasil no mercado internacional e com a entrada de tecnologias estrangeiras, contribuindo-se para a modernização da indústria nacional, mas também reforçando-se a dependência tecnológica e impondo um processo degenerativo, com elevada privatização de recursos públicos.
    • Nesse contexto, países como os Estados Unidos tiveram papel central como fornecedores de tecnologia (diferente do cenário atual, em que há maior presença da China).
    • No governo FHC, criado na USP, não houve crescimento das Universidades Públicas e nem dos Institutos Federais.
  • Atualmente (2026):
    • Atualmente essa dependência ainda se manifesta, especialmente na importação de componentes tecnológicos de países como a China.
    • Essa dinâmica evidencia como decisões e relações internacionais podem impactar diretamente a economia nacional, reforçando-se a interdependência entre países no sistema global.
  • Capital:
    • Como desdobramento mais recente dessas transformações no capitalismo, observa-se o fenômeno da uberização do trabalho, caracterizado por relações precarizadas, com menor (ou nenhuma) proteção trabalhista e ausência de vínculos formais.
    • Associado a esse contexto, chegamos à exclusão de que determinados grupos do mercado de trabalho, por vezes considerados “inimpregáveis” (definição dada por FHC), como pessoas mais velhas ou em condições de maior vulnerabilidade, acabam sendo inseridas em formas mais precarizadas de trabalho, como na chamada uberização.
    • Na relação D–D’ (dinheiro–dinheiro), o valor intrínseco é substituído pelo valor simbólico, ou seja, não há mais uma troca direta, como feito no escambo, mas sim o uso de moedas.
    • Por sua vez, as relações humanas tornam-se mediadas pela mercadoria, tudo passa a ter valor de produto, inclusive as pessoas; os produtos que consumimos atualmente, como o YouTube, apesar de gratuito, geram lucro e colocam os sujeitos no local de servilismo voluntário.
    • O servilismo voluntário é uma forma de extração dessa mais-valia, pois as propagandas são inseridas como forma de lucratividade, mesmo que a gente não pague diretamente por isso.
    • Associado a isso, há também o chamado Trabalho morto, o pãozinho, por exemplo, no qual o desgaste pessoal, individual e material para chegar nessa mercadoria, se encerra no produto, não há continuidade; todo o trabalho feito para produzir o pãozinho se finaliza ali, “morre” ali, realiza-se ali.
    • O Trabalho vivo permite continuidade; a pessoa é parte do processo, pois pressupõe o mínimo de interesse do sujeito, alguma autonomia e liberdade; há algo vivo no ciclo que se mantém.
    • Um exemplo desse Trabalho vivo pode ser visto em uma empresa. Num exemplo simples, notou-se que no banheiro feminino havia um grande uso de papel higiênico e, ao colocarem uma caixinha de sugestões para compreender o motivo, foi relatado anonimamente que esse papel era utilizado no lugar de absorventes, devido à falta de condições para adquiri-los. Quando a empresa passou a fornecer absorventes, o uso do papel voltou ao normal, evidenciando como uma mudança pode destravar benefícios permanentes.
    • Servilismo voluntário é então uma forma de extração de mais-valia, uma forma de extrair e produzir, quando o serviço não é pago, e assim acabamos sendo a mercadoria, o produto.
    • Logo, a lucratividade pressupõe exploração:
    • É possível pensar ainda no chamado poder do capital, caracterizado pelas oportunidades e possibilidades que podem ser obtidas e alcançadas quando olhamos os recursos que os sujeitos têm; por exemplo, a diferença entre a formação social, emocional, histórica e cultural entre uma criança que consegue viajar para diversos países todas as férias, enquanto uma criança periférica não tem esse acesso e, consequentemente, tem seu arcabouço cultural limitado pela ausência de recursos.
    • Percebe-se uma saída de pontos diferentes de vivência.
  • Sociedade:
    • Na educação contemporânea (2026), observa-se a persistência de desigualdades entre classes sociais, em que diferentes grupos têm acesso desigual a recursos educacionais e à formação crítica.
    • Enquanto parcelas da elite tendem a ter acesso a uma educação mais ampla e voltada ao desenvolvimento do pensamento crítico, em muitas redes públicas ocorrem mudanças curriculares que, em determinados contextos, reduzem o espaço de disciplinas como História, Filosofia e Sociologia, ao mesmo tempo em que introduzem componentes como “Projeto de Vida”, cuja implementação nem sempre se concretiza como ferramenta efetiva de formação crítica.
    • Esse cenário contribui para a manutenção de desigualdades, em que diferentes grupos sociais têm acesso desigual à produção e à sistematização do conhecimento.
    • Relacionando-se esse contexto ao pensamento de Émile Durkheim, é possível compreender as transformações nas formas de organização social e do trabalho, especialmente a transição para uma maior divisão de funções e interdependência (solidariedade orgânica).
    • No contexto dos anos 1990, observa-se ainda a influência de uma lógica produtivista e voltada à formação para o mercado de trabalho, em diálogo com reformas educacionais e econômicas de caráter neoliberal.
    • Atualmente (2026), o mundo do trabalho apresenta maior instabilidade e efemeridade, e a educação, em certa medida, acompanha essas transformações, refletindo-se em disputas sobre seu papel entre formação crítica e preparação para o mercado de trabalho.
    • Por fim, é válido salientar o chamado princípio da precaução (cautela) que orienta a tomada de decisões diante de incertezas científicas, buscando evitar riscos potenciais, enquanto o princípio da prevenção se aplica a situações em que os impactos já são conhecidos, visando impedir danos comprovados ou projetados.

[1] Esse texto reflete algumas anotações realizadas

‘Não vamos permitir que o preço da guerra chegue ao bolso do caminhoneiro e da dona de casa’, afirma Lula

Presidente anunciou fiscalização reforçada para quem aumentar preços dos combustíveis indevidamente em meio à guerra dos EUA contra o Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista à TV Record Bahia nesta quinta-feira (2), em Salvador, e prometeu agir com firmeza para proteger o poder de compra dos brasileiros diante da escalada de preços provocada pela guerra no Oriente Médio. O governo federal anunciou um conjunto de medidas que inclui fiscalização intensificada e a atuação da Polícia Federal contra distribuidoras que repassam ilegalmente os efeitos do conflito ao consumidor final. “Nós não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”, declarou o presidente.

Lula foi enfático ao detalhar as ações em curso. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar alface, feijão, arroz, milho, que vai comprar a comida do seu filho”, afirmou.

O presidente acrescentou: “Nós estamos tomando muitas medidas. Estamos com um processo de fiscalização muito sério no Brasil. Nós estamos tentando colocar a Polícia Federal para pegar quem for necessário, a Polícia Rodoviária Federal, para investigar redistribuidoras, porque tem muita gente ganhando dinheiro, roubando o povo. Porque não tinham o direito de ter aumentado, estão aumentando, e nós estamos atrás. O que eu posso te garantir é que nós faremos tudo o que estiver ao alcance do país para não permitir que a guerra do Irã chegue ao prato de comida do povo brasileiro e muito menos chegue ao tanque de combustível do caminhoneiro, que já tem dificuldade com o seu frete.”

A guerra eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã sob a alegação de que Teerã desenvolvia armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas contestou a justificativa americana, declarando não existir provas concretas de que o governo iraniano tenha produzido bombas nucleares. Uma das consequências imediatas do conflito foi o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo e ocupa posição central no sistema energético global. O preço do barril de petróleo ficou acima dos US$ 100 após o começo do conflito.

Na passagem transitava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta, além de uma quinta parte dos embarques de gás natural liquefeito e um terço do fertilizante mais utilizado no mundo. Com a passagem interditada, grandes produtores da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — viram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas.

Bolsa Família

Indagado sobre o Bolsa Família, Lula revelou sua visão de longo prazo para o programa. “O sonho que eu tenho é que um dia o povo esteja tão bem de vida que não precise mais do Bolsa Família. Esse é o objetivo. É uma política de inclusão social para favorecer as pessoas mais carentes, mas eu trabalho com a ideia de que um dia a economia estará tão bem, estaremos gerando tantos empregos, o salário estará tão bem, que ninguém precise mais do Bolsa Família. Não é nós que vamos tirar as pessoas, porque nós não vamos tirar. São as pessoas que pedirão para sair, porque, como o povo pobre e trabalhador é honesto, a hora que ele tiver dinheiro, ele não vai precisar mais de viver de favor do Estado”, disse o presidente.

Os dados reforçam esse movimento. Entre janeiro e outubro de 2025, mais de dois milhões de famílias deixaram de receber o benefício, segundo a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania. Das 2.069.776 famílias desligadas, 1.318.214 saíram pelo aumento dos ganhos domiciliares, 24.763 fizeram o desligamento voluntário e 726.799 concluíram o período na Regra de Proteção — mecanismo que permite ao beneficiário receber metade do valor do Bolsa Família por até 12 meses após superar o limite de renda. Em outubro de 2025, o programa atendeu 18,9 milhões de famílias, o menor patamar desde o início do terceiro mandato de Lula.

Inflação

Lula também destacou os avanços no controle da inflação e na renda do trabalhador. “Nós estamos hoje vivendo a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. Os preços dos alimentos tiveram mais caro em 2024, tiveram mais caro até metade em 2025, mas hoje a inflação de alimentos está baixa. As coisas estão melhorando e eu espero que continue baixando, porque nós precisamos baixar a taxa de juros e baixar o preço da comida para o povo poder comer mais, para poder comprar mais e comprar alimentos de melhor qualidade. Eu não quero que o povo fique comprando coisa de segunda. Quero que o povo compre coisa de primeira”, afirmou.

O presidente citou o programa Gás do Povo como exemplo de política complementar à elevação de renda. “Para a gente fazer as coisas acontecerem, uma coisa que podemos fazer é aumentar o salário. Quando você não pode aumentar o salário, você pode aumentar os benefícios. Por exemplo, o Gás do Povo. Nós estamos dando gás gratuito para 15 milhões de famílias nesse país”, disse Lula.

Educação

Na área de educação, Lula apresentou um conjunto de avanços obtidos a partir de 2023. Sobre a alfabetização na idade certa, o presidente destacou que o governo firmou um pacto com prefeitos e governadores para atingir 80% das crianças alfabetizadas até o segundo ano do ensino fundamental até 2030. “Em um ano e meio, nós já chegamos a 66%. Portanto, nós estamos perto de concluir a meta”, disse Lula, acrescentando que 5.565 municípios — 99,9% do total — aderiram ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

O presidente também destacou as 8,8 milhões de matrículas em Escola de Tempo Integral e os 5,6 milhões de jovens do ensino médio já beneficiados pelo programa Pé-de-Meia, iniciativa de poupança educacional voltada à permanência e conclusão escolar. “Nós temos o melhor momento de escola integral do tempo do Brasil. Ainda falta muito, mas já fizemos muito. Nós temos um processo de modernização de crianças na idade certa andando muito. Vamos chegar a 800 institutos federais nesse país. Nós herdamos 140 e vamos chegar a 800 institutos. Eu estou convencido de que nós estamos fazendo aquilo que é preciso fazer. Não há exemplo no mundo de nenhum país que deu um salto de qualidade sem antes fazer investimento em educação”, concluiu o presidente.

Energia

Lula encerrou a entrevista falando sobre a matriz energética brasileira e o papel do país como referência global em energia renovável. “Se tem uma coisa que a gente tem perspectiva de ter de sobra, é a chamada energia renovável, seja eólica, seja solar, seja biomassa, seja do hidrogênio verde. Em 2050, a Europa quer chegar a 40% de energia renovável. Hoje, o nosso país já tem 53% de energia renovável. Ou seja, nós já alcançamos hoje o que eles pretendem alcançar em 2050. E, mais importante, do ponto de vista da energia elétrica, nós temos 87% de energia renovável. Portanto, o Brasil é um modelo, é um exemplo a ser seguido”, reforçou Lula.

Do Brasil 247

A rede dos cidadãos – a Ideia de rede

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Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

Em 2001 tivemos as torres gêmeas nos EUA, o terrorismo com desfecho trágico, para o mundo, e o início do discurso de intervenção militar em outros países: em seguida vimos o Iraque e o resultado catastrófico para o seu povo, a destruição do país e a mentira do discurso “vamos levar a democracia” se estabelecer como pré-requisito para a destruição do Oriente Médio.

Aliás, depois da Síria, agora temos o Irã: no Iraque eram as armas químicas (de fato, foram usadas contra os curdos, mas na invasão pelos EUA já não existiam) e no Irã a desculpa é o enriquecimento de urânio. O objetivo imediato, como sabemos, é o petróleo. A logística, a médio prazo, visa atingir a economia chinesa – um Império está ruindo e outro está surgindo. O alvo sempre foi a China.

Foi naquele contexto de 2001 que defendi a tese de doutorado na FEUSP, tomando “a ideia de rede” por objeto, sob a orientação da professora Maria Victoria de Mesquita Benevides. Em 2001, as assim chamadas redes sociais, como temos hoje, não existiam, nem seus arremedos – por isso, era só uma ideia de rede. O que tínhamos e cultivávamos como um alento era o princípio ativo, a própria ideia e alguns experimentos que a internet já permitia, por meio de sites ou blogs, além da experiência promissora, revolucionária, dos zapatistas em Chiapas, no México dos anos 1990.

O fenômeno se imortalizou, difundiu-se globalmente, em processo de adaptação e de aprimoramento (conhecimento) da própria forma de comunicação que se avizinhava. Toni Negri apelidou de Multidão, com poucos cliques e muita gente reunida em praça pública lutando por isonomia, equidade, justiça social, paridade. Não sei se falaram para ele ou se inventou a expressão Multidão, no entanto, é o fenômeno social precursor das Primaveras Árabes e o exato oposto das guerras híbridas e de suas revoluções coloridas: padecemos disso no Golpe de 2016.

O autor daquele final de século XX até 2001, de quando escapamos do Bug do milênio, era Pierre Lévy: ninguém lia a Estrada do futuro (1995) de Bill Gates. Que me lembre, Lévy não virou filme, mas era extremamente popular entre os jovens. A Cibercultura (1997) era seu sonho. A realidade, que se modificaria absurdamente poucos anos depois, se mostrou apenas como “O que é o Virtual” (1996), isto é, uma ideia, uma possibilidade que não teve capacidade, nem potência: virtus, virtualis.

A educação que ainda líamos falava um pouco disso, como os 7 saberes que interessam ao futuro (Morin), sem sabermos que o futuro era presente, faltando-lhe apenas saltar à frente da porta: não era Educação digital, como se propaga em 2026, era Educação com ciência e, portanto, com consciência. Ninguém faz ciência, efetivamente, sem consciência do que faz, para o que faz, com quem faz, como e onde faz. Simplesmente porque ciência é o princípio e o resultado de uma forma específica de se pensar (e agir) e tem muito mais a ver com conteúdo do que com forma, com metodologias herdadas do Renascimento, do estranhamento social, engessadas num passo a passo que nos diz o que fazer e como: ciência não é precisão, é crítica e criação; é solução prática e lógica, coerente, condizente, mas é, acima de tudo, a ação do incidental, da aleatoriedade.

Outros autores chamam isso de Serendipidade, Morin dizia da urgência de atender à Educação que se incline ao “pensamento científico sobre o conhecimento científico”. Isso é consciência, pensar cientificamente (e isso é óbvio) é pensar criticamente. Não é por acaso que o Paulo Freire de A pedagogia do oprimido nos ensina que “consciência é a consciência da consciência”.

Esse era mais ou menos aquele mundo, a luta pela Educação da ciência e da consciência. Não se falava como hoje, em termos de educação financeira, ensino religioso e escola cívico-militar. Tudo isso é o antípoda da liberdade, da autonomia, da emancipação, do sentido elementar de práxis. Essa guinada não ocorre por acaso, ao contrário, precisa ser tida como eixo da fase atual do sistema capitalista: a educação financeira cabe hoje porque há hegemonia do capital financeiro e especulativo (bancos, bolsa de valores, fintechs) e porque o neoliberalismo nos presenteou com a uberização e sua meia irmã chamada de pejotização. O que nos traz de volta para o coração desse breve século XXI, que é a digitalização da vida social.

Ninguém está imune ao colonialismo digital, pois o digital ocupou até mesmo o espaço real, sensível, passível de ser especulado por meio dos cinco sentidos. Se o virtual era o complemento do real, e Lévy nos convidava a ler o Tao të King a fim de entendermos o virtual (potência), hoje, o digital – ainda mais com o avanço da Inteligência Artificial (IA) – é o próprio real: por exemplo, não é possível garantir com fé pública as imagens enviadas da guerra Irã x EUA/Israel, tudo ou quase tudo é manipulado (ou escondido pela mídia tradicional).

A ideia de rede se mostrou a que veio, porém, deturpando-se, apropriando-se do mundo real, degradando-se a história de luta, denúncia e de resistência ao capital (desde Chiapas), e se impondo como parte essencial da hegemonia do Capitalismo digital: Bets, Big techs, Big datas/Data centers. É nesse miolo, que ainda conta com os bancos/fintechs, que se impõe a Educação financeira, pois, aí está a hegemonia do capital e a forma mais sutil de captura das subjetividades humanas. O que equivale a dizer que é o avesso do sentido elementar preconizado para a emancipação, visto que esta é obrigatoriamente social, libertária; porém, é o reino do capital especulativo, do mundo sem rédeas de moderação, em que prospera apenas a autonomia do “cada um faz o que quer” (sic) e a capacidade de especular sobre tudo: as redes antissociais estão repletas de doutores sobre o nada, de antivax, de apóstolos da destruição do conhecimento, da lógica e da coerência, da epistemologia.

Efetivamente, de lá para cá, de quando escrevi e defendi a tese “A rede dos cidadãos” para 2026, em que a IA desconhece qualquer noção mínima de responsabilidade, sendo a própria antinomia da honestidade intelectual, muito mudou e muito mais irá mudar. Antigamente, falávamos da mutação, e antes disso Kafka praticamente inventou a Metamorfose, mas hoje temos que buscar outras conexões, inclusive substituindo-se o sentido de conexão, havida na ideia de rede, pela desconexão atual, afastamento, estranhamento, antipatia social. Se antes se cuidava da inclusão, em 2026, com folgas do saber acumulado nessas duas décadas, pode-se dizer que ocorre o oposto, que é a exclusão, o banimento, o que vigora: é o reino da exceção.

Se começamos, lá em 2001, a ver o decréscimo do panóptico, hoje, temos na tela do celular – e nas hegemônicas redes antissociais – o império do banótico, das bolhas; se a ideia de rede criava o ativismo social digital (Multidão nas ruas, ocupando-se do espaço público), hoje vige o “servilismo voluntário” (desde La Boetie e de Bauman). Junto com o final do analógico também se foi a sensação da realidade e veio a fluorescência do Tecnofascismo.

Ainda é tempo, mas temos que querer e fazer, reflexão e ação (práxis) como a gente dizia feliz e sorrindo.

Funcionários da GloboNews “pediram a cabeça” de editor-chefe após PowerPoint

A redação do “Estúdio i”, da GloboNews, está vivendo uma crise interna grave após o PowerPoint que associava o presidente Lula e o PT ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A arte exibida durante o programa gerou críticas à emissora e motivou a demissão de alguns dos responsáveis.

Segundo o portal Terra, o editor-chefe Rodrigo Caruso correu risco de ser demitido após o episódio e foi alvo de pedidos por “sua cabeça”. A emissora decidiu apenas afastá-lo da atração e dar férias nos próximos dias. Ele deve ser remanejado após a volta.

A editora responsável pela arte exibida pelo “Estúdio i” foi transferida para o “Conexão GloboNews”. Dois editores foram demitidos pela arte e o compliance do canal decidiu fazer uma investigação interna por entender que o conteúdo descumpriu os princípios da empresa.

A emissora não descarta novas mudanças e demissões na equipe do programa. A investigação interna teve acesso a mensagens trocadas entre os profissionais durante a elaboração do material e descobriu que houve divergências entre o que foi solicitado e o produto final.

O PowerPoint da GloboNews. Foto: Reprodução

A relação entre Caruso e Andréia Sadi, que já vinha desgastada antes do caso, piorou após a repercussão. Ela foi detonada nas redes pelo conteúdo e foi a responsável por ler a retratação da emissora ao vivo no “Estúdio i”.

“A gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, disse a jornalista no ar.

O PowerPoint foi exibido no último dia 20 e ligava Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao PT e ao presidente Lula, mas ignorava relações do banqueiro com outras figuras, como o ex-presidente Jair Blsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central que ignorou alertas sobre a fraude, e outros aliados do Centrão.

DCM

Petrobras projeta autossuficiência em diesel no Brasil em até 5 anos

Estatal estuda ampliar produção e investimentos para atender 100% da demanda nacional de diesel diante de mudanças no mercado global

A Petrobras avalia ampliar sua atuação no mercado de combustíveis e produzir toda a demanda de diesel consumida no Brasil em até cinco anos. A possibilidade está sendo considerada no planejamento estratégico da estatal, que prevê investimentos para o próximo ciclo quinquenal, em meio a mudanças no cenário internacional do petróleo e seus efeitos sobre o abastecimento. A declaração foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante um evento em São Paulo, onde destacou que o plano original previa atingir 80% do mercado, mas está sendo revisto.

Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 70% do diesel comercializado no país, enquanto a produção nacional total cobre aproximadamente 80% do consumo interno. O restante é complementado por refinarias privadas, como a de Mataripe, operada pela Acelen, e a Ream, do grupo Atem.

Segundo Magda, o novo cenário internacional, influenciado por tensões geopolíticas como a guerra no Irã, abriu espaço para uma revisão das metas. “O nosso plano de negócios fala de um aumento de cerca de 300 mil barris por dia de diesel em 5 anos. E nós estamos revendo esse plano para ir nos perguntando se nós podemos chegar a 100% em 5 anos”, afirmou.

A executiva explicou que a companhia ainda está avaliando a viabilidade da expansão total da produção. “É uma questão que nós estamos nos fazendo. Somos capazes de fornecer nos próximos cinco anos todo o diesel que o Brasil precisa? E eu estou aguardando essa resposta; 80% nós já vemos que somos capazes”, disse.

A discussão interna sobre o tema deve começar em maio, quando a empresa dará início à elaboração do novo plano de negócios. Apesar das possibilidades de crescimento, Magda evitou detalhar se a estatal considera adquirir refinarias privadas para atingir esse objetivo. “Mataripe é uma pergunta difícil”, declarou ao ser questionada sobre o tema.

Entre as alternativas para ampliar a produção, a Petrobras avalia investimentos em suas próprias unidades. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, deve ampliar sua capacidade para produzir mais 130 mil barris diários de derivados até 2029, sendo 88 mil barris de diesel. Já a Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, pode adicionar mais 76 mil barris diários do combustível com a integração ao Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí.

Para Magda Chambriard, alcançar a autossuficiência plena no diesel pode trazer benefícios tanto para consumidores quanto para investidores. “Para o consumidor, [chegar a 100% do mercado] dará a certeza de que as volatilidades externas não os vão assombrar e, para o nosso acionista, é a garantia de [ter] um mercado que talvez seja o maior consumidor da América Latina”, afirmou.

Do Brasil 247

“Flávio é corrupto na essência”, diz profundo conhecedor do bolsonarismo

O ex-deputado federal Julian Lemos afirmou acreditar no levantamento da AtlasIntel divulgado na quarta-feira (25), que pela primeira vez aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, indicando uma possível mudança no cenário eleitoral brasileiro, conforme declarou a Diego Amorim, do PlatôBR.

Ex-aliado de Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2018, antes de romper com a família, Lemos passou a adotar posição mais próxima da centro-esquerda na Paraíba e fez críticas contundentes tanto ao bolsonarismo quanto ao atual governo.

Ao comentar uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, o ex-parlamentar afirmou que o país correria riscos estratégicos e econômicos. “Ele vai vender terras raras, tudo. Vai vender o Brasil, vai vender até o que não é dele. Flávio não é direita coisa alguma. É um Bolsonaro moderado e entreguista. Ele não sabe o que faz, mas sabe o que quer: entende a diferença? O pai é burro, ele tem um pouco mais de habilidade. E o DNA de corrupção. Ele é corrupto na essência”, declarou.

Julian Lemos também direcionou críticas ao presidente Lula e ao PT, apontando perda de capacidade de mobilização política. “Nada mais que Lula faça daqui para frente dará um voto para ele. Demoraram muito para se movimentar, perderam tempo. Nada mais chega à ponta. Pode o Lula dar uma casa a todo pobre que ele ver pela frente que ninguém liga mais. O Flávio só não ganha se algo muito negativo acontecer do lado dele”, afirmou.

Do Brasil 247

BRASIL COMUNISTA Uma crônica de Uber

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@viniciocarrilhomartinez

 

Hoje, voltando da universidade, puxei conversa com um Uber venezuelano, esse motorista de aplicativo sem direito algum, sem segurança, sem esperança, sem tempo para pensar em nada que não seja o dinheiro daquele dia.

Falamos da condição asfáltica das ruas, cheias de buracos que podem travar a roda de um carro utilitário, comum. Falei que a prefeitura não cuida do povo, aumentam e implementam outros impostos (agora há um imposto para o lixo).

Nesse momento o motorista disse solenemente: “País comunista é assim!”. E colocou uma grande exclamação.

Pois bem, poderia tentar lhe explicar o que é Comunismo – depois de quatro aulas matinais –, mas a paciência do meu fígado estava acabada e, então, preferi falar do clima, da comida brasileira, das festas.

Até porque se fosse lhe explicar, creio eu, não me faria entender – não tenho vocabulário que assalte as Ciências Sociais a ponto dele entender, inclusive, as palavras que viesse a empregar.

Passado o tempo, com algumas colocações que me enviaram pelo WhatsApp – onde é muito mais fácil dizer ao outro o que fazer –, resolvi explicar a esses porta-vozes da militância alheia.

Assim, fiz uma busca muito rápida pela Inteligência Artificial – IA  e formulei uma resposta pessoal (ambas abaixo). Particularmente, penso que 98% da população não conseguem entender o que produziu a IA e mais de 99,99% não entenderiam o que pude pensar como resposta.

Isso não é arrogância, é uma clareza acerca do andamento da Educação no Brasil, sem aulas de sociologia, filosofia, história, e com excesso absoluto de tempo perdido nas redes antissociais, sem aprofundamento, sem leitura. Ainda preciso dizer que não estudo o assim chamado materialismo histórico-dialético, como objeto de pesquisa propriamente dito. Minha resposta é de memória, dos tempos da minha graduação.

Mas, o que nos diz a IA?

Apesar dos pesares, é um modelo de resposta do ensino médio ou do ensino fundamental II.

Abre aspas:

  • “O comunismo é uma ideologia política, socioeconômica e filosófica que busca criar uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada dos meios de produção e, eventualmente, sem Estado. Baseia-se na igualdade plena, onde os recursos são compartilhados (comunismo deriva de communis, “comum”), geralmente alcançado após uma transição socialista”.

Agora a minha resposta de improviso, sem consultar nenhum escrito, livro ou dicionário, apenas a memória dos tempos em que se estudava na escola:

Comunismo

A célebre frase (sentença histórica) “Proletários de todo o mundo, uni-vos!” traz a essência do Comunismo, da práxis necessária à hominização e à omnilateralidade.

Portanto, Comunismo é o Modo de produção em que a Socialização dos meios de produção impede a continuidade da principal contradição social, entre classes fundamentais, a divisão social do trabalho, a extração de mais-valia, anulando-se a separação entre o trabalho vivo e o trabalho morto, bem como institui condições materiais de existência em que não seja hegemônica a captura das subjetividades dos reais produtores sociais pelo capital.

Diante dessas duas possibilidades ou apostas, o que eu deveria fazer naquele cenário (ou melhor, o que você faria – caso conversasse com o Uber, porque 99,99% sequer olham para o condutor do carro!?): lhe explicaria o que é Comunismo ou seria mais agradável, empático, buscando pontos de convergência num diálogo?

Caso você julgue interessante, chame um Uber e lhe explique o que é Comunismo. Eu continuarei falando do clima, do quanto ele é explorado pela empresa proprietária do aplicativo. Me parece mais saudável e prático.

(ps: escrevi tantas vezes Comunismo que o motorista passaria mal).

Cidadão Honorário de Rondônia, Nelson Willians pede dinheiro a Mendonça pra pagar impostos

O Cidadão Honorário de Rondônia, advogado Nelson Wilians, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que enfrenta um cenário que classificou como “deveras calamitoso” depois de ter dinheiro e bens bloqueados no âmbito das investigações sobre a chamada farra dos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em documento enviado à Corte, ele relata ter adotado medidas de austeridade para manter o funcionamento de seu escritório e afirma acumular cerca de R$ 3,5 milhões em tributos a pagar.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça. Na solicitação, Wilians requer o desbloqueio de todas as contas bancárias e bens em seu nome e também do escritório. Como alternativa, caso a medida não seja concedida, ele pede que parte do valor congelado seja destinada ao governo federal para quitar as dívidas tributárias.

De acordo com a NW Advogados, o volume de bloqueios estaria acima do limite de cerca de R$ 28 milhões estabelecido pela Justiça. A banca afirma que a situação pode gerar consequências legais e até a rescisão imediata de contratos, já que a empresa não consegue emitir certidões necessárias para sua atuação.

No documento, o escritório sustenta que continua operando apenas após cortar gastos considerados não essenciais. Segundo a defesa, a prioridade tem sido o pagamento de salários e de fornecedores básicos, como serviços de água, energia, telefone e internet.

Apesar disso, permaneceram pendências tributárias relevantes. Entre os débitos listados estão contribuições patronais, valores retidos de funcionários e impostos federais. O detalhamento apresentado inclui:

  • CP Patronal: R$ 1.727.576,15
  • CP Segurado: R$ 718.221,49
  • IRRF: R$ 690.010,79
  • Terceiros: R$ 248.908,80
  • CSRF: R$ 133.516,20
  • Cofins: R$ 43.516,49
  • PIS: R$ 8.995,57

O escritório também menciona atrasos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), parcelas de acordos tributários e outros débitos federais e municipais registrados no sistema e-CAC, o que indica que o valor total devido pode ser maior do que o apresentado no pedido ao STF.

Na petição, a defesa argumenta que medidas de apreensão e bloqueio devem ter relação direta com o resultado do processo. Segundo o texto, quando os valores já garantem eventual ressarcimento acima do limite estabelecido, a manutenção dos bloqueios poderia representar uma espécie de punição antecipada, o que, na visão dos advogados, contrariaria princípios como a presunção de inocência e o devido processo legal.

A defesa de Wilians informou que não comentará o caso publicamente porque os autos tramitam sob sigilo de Justiça e ainda aguardam julgamento. Mesmo assim, declarou confiar na Justiça e afirmou que já apresentou nos autos provas que, segundo os advogados, demonstrariam a legalidade das atividades do cliente.

A investigação que envolve Wilians integra desdobramentos de operações da Polícia Federal voltadas a apurar suspeitas de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Em setembro, durante a Operação Cambota — uma das fases da Operação Sem Desconto — foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o advogado e preso o empresário Maurício Camisotti.

Na ocasião, agentes apreenderam obras de arte, carros esportivos e uma coleção de relógios de luxo avaliada em cerca de R$ 15 milhões. Entre as peças estavam modelos de marcas como Richard Mille e Parmigiani Fleurier, com valores que poderiam chegar a R$ 8 milhões.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram ainda que Wilians teria feito pagamentos que somam R$ 15,5 milhões a Camisotti, investigado como possível beneficiário final do esquema de descontos indevidos ligados ao INSS. O advogado nega irregularidades e sustenta sua inocência.

Folha do Estado

EDUCAÇÃO OMNILATERAL A IA e a Guerra Temporal

 

 @viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

 

Essa Guerra Temporal não é uma Viagem no Tempo, é somente a contação de histórias do passado que invertem o futuro: é pura manipulação, desconstrução do passado para garantir o Predomínio no futuro. Aliás, veja-se com atenção que, primeiro, garante-se o Predomínio, para, só depois, se assegurar o Domínio.

Agora, olhemos bem para o que hoje se chama de Inteligência Artificial (IA), digo atualmente, porque vai mudar muito e para pior. Inclusive, como já querem alguns, vai mudar de denominação. O que será não sabemos, mas como pregam os alvissareiros do amanhã não será mais Inteligência Artificial.

Contudo, para vermos onde queremos chegar, olhemos o passado:

  • A Guerra no Golfo (1991), a primeira a ser transmitida pela TV, nos impactou profundamente.
  • Igual aos filmes, vimos como a realidade se movimentou em ângulos abertos ou fechados. Com dramas reais, a única dúvida – que não nos colocamos, nem ontem, nem hoje – era (é) saber quem movimentava aquilo, quem era o diretor ou quem manipula nos dias iniciais de 2026. Pelo filtro dos nossos olhos, na Guerra do Golfo, atores e plateia eram uma coisa só. Hoje nos perguntamos se há algum filtro remanescente daquele tempo – muitas vezes temos a impressão de que não vemos mais nada.

 

Porém, com a IA atual, a própria realidade se movimentou, deslocou-se e, com ela, a nossa percepção e entendimento acerca do que é real.

Se é fato que na guerra a primeira vítima é a Verdade, agora vemos que a vítima maior é a Humanidade.

  • A Guerra EUA/Israel versus Irã, além de ser teleguiada, com o emprego maciço de tecnologias digitais, em que a IA é a Senhora da Guerra, ainda trouxe de volta o risco do emprego de armas nucleares.

 

Assim, se também é fato que não há volta – com relação à IA – então, ao menos (no mínimo), que possamos discutir e desenhar o processo e a finalidade.

É fato sim, mas é fato que, como está não pode ficar.

Aprendemos com a história (quer dizer, mais ou menos) que o intuito do Revisionismo era (é) inventar o passado e garantir o futuro. A maioria das distopias tem essa premissa.

Pois bem, imaginemos a IA atual reescrever essa mesma história, a nossa história que é alvo de todo tipo de Negacionismo.

O que aconteceria?

Bem, como dizem, o diabo tem ouvidos. Portanto, vamos escrever sem falar nada:

  • Se a chave para entendermos quem somos está na história (passado, portanto), reescrevê-la nos diria qual é o caminho certo – um tipo de presente que assegure o futuro.
  • Desse modo, refazendo a história sutilmente, a IA se apossaria rapidamente do presente.

 

Fazendo a história, sem caos generalizado, sem grandes repressões, sem milhões de mortes, a “nova dominação” – a real dominação da narrativa sobre os fatos – estaria concluída.

A IA, por fim, apresentaria qual é o grupo vencedor dessa Guerra Temporal.

E é claro, é óbvio, que Eichmann seria inocentado.

Porém, seu segundo julgamento seria realizado em Tel Aviv ou na sede da ONU.

O que podemos aprender com esse possível fato futuro (distopia)?

  • Quem domina os fatos impõe sua narrativa?
  • A narrativa vencedora impõe seus fatos?

 

Nesse tempo não distante, entre um passado atuante e um futuro-presente, alguém (a IA) poderá dizer que o Nazismo venceu a 2ª Guerra Mundial?

  • Quando olhamos para o que fizemos no passado, mas, imaginando esse futuro-presente (e olhe que é um presente bem próximo), não se sente muito bem; é como se tivéssemos perdido fragorosamente, como se não existissem alternativas[1].
  • Quando as diferenças somem, quando não vemos distancias, diferenças entre os tempos, quando se normalizam os escrutínios entre os que fizeram o que fizeram e os que farão tudo de novo, nos “novos tempos”, aquilo que os piores fizeram em seu próprio tempo, é equivalente ao tempo ter perdido sentido. Por mais que queiramos o contrário, por mais que lutemos pela não-normalização do pior de ontem[2].

 

Não gostaríamos de ver esse “fato” e menos ainda ouvir sua narrativa, e você?

(obs.: nesse tempo, só havia uma narrativa – e será que já vimos isso antes?[3])

Ou talvez houvesse um caminho, com escolhas mais acertadas, sem apego às distopias do passado e do futuro. Porém, o início de tudo obrigatoriamente teria de ser por meio de uma Educação Omnilateral. Essa escolha é um projeto integral ou não é, uma vez que a desumanização está por toda parte, à vista de quem queira ver, e, no lado oposto está um projeto que nos recupere enquanto processo de hominização. Por isso não há meio termo e nem tempo a perder.

 

EDUCAÇÃO OMNILATERAL

– Não há Educação, se não for para valer

 

Não existe Educação pela metade e malfeita, educando-se hoje e sabe quando será o próximo dia. Ou é um conjunto de valores, investimentos, instrumentos, reflexões efetivas e ações sérias, eficazes, ou é um faz de conta. Esse é o conceito básico em torno da ideia de Educação Omnilateral.

Na verdade, não é faz de conta essa “falha”, descaso, desprezo pela Educação pública. É um projeto. É um projeto político de dominação baseada na religião, nos costumes boquirrotos, hipócritas, na ausência de letramento com base em valores sociais, emancipatórios.

O falhaço da Educação é um dominus que se alimenta da ilusão, da irracionalidade, do questionamento da lógica e da coerência. É um projeto obscurantista, como crime hediondo contra a epistemologia, o raciocínio criativo e crítico e, assim, promove-se a subjugação do povo, das classes trabalhadoras.

É um projeto político de subalternização social, em que a espoliação do trabalho se afirma à medida em que cresce a indignidade das próprias condições sociais de produção, do trabalho.

Nesses momentos – ou eternos momentos, porque no Brasil raramente vimos lastros positivos na Educação – sempre se volta aos clássicos. Porque nos clássicos estão as matrizes, a origem, a originalidade. Clássicos inauguram.

No caso de hoje, cabe perfeitamente recuperar Marx e Engels, do Manifesto Comunista:

Dizeis também que destruímos as relações mais íntima ao substituirmos a educação doméstica pela educação social.

E vossa educação não é também determinada pela sociedade? Pelas condições sociais em que educais vossos filhos, pela intervenção direta ou indireta da sociedade, por meio de vossas escolas? Os comunistas não inventaram a intromissão da sociedade na educação; apenas procuraram modificar seu caráter arrancando a educação da influência da classe dominante.

O palavreado burguês sobre a família e a educação, sobre os doces laços que unem a criança aos pais, torna-se cada vez mais repugnante à medida em que a grande indústria destrói todos os laços familiares dos proletários e transforma suas crianças em simples artigos de comércio, em simples instrumentos de trabalho.

Nos países mais adiantados, contudo, quase todas as seguintes medidas poderão ser postas em prática […] 10. Educação pública e gratuita a todas as crianças; abolição do trabalho das crianças nas fábricas, tal como é praticado hoje. Associação da educação com a produção material[4] (Marx & Engels, 2010, p. 55-58 – grifo nosso[5]).

 

Dizeis, então, de qual Educação estamos falando, tratando, no Brasil atual e de sempre?

Este é o sentido mais amplo de uma Educação Omnilateral, em que não separe o trabalho manual do trabalho intelectual, em que os sujeitos sejam atentos à formação integral, tanto física quanto psíquica e intelectual: no estofo de uma Educação pública, gratuita, de qualidade, laica, integral. Quando isso for obrigatório para todos os jovens e crianças, não mais haverá separação entre classe dominante e dominada.

A questão final é: queremos uma Educação Omnilateral ou nos contentamos com educação financeira, escola cívico-militar e ensino religioso?

De modo prático, a educação financeira dirigida para crianças pobres e famélicas deveria ser, imediatamente, naufragada pela educação científica – notoriamente para desarmar os gatilhos negacionistas. Nesse contexto, a defesa da educação científica relaciona-se diretamente com a busca por uma educação omnilateral, que compreenda a escola como espaço de formação integral do sujeito.

A busca por uma educação omnilateral demanda compreender a instituição de ensino como um espaço de formação integral do sujeito, como propõe o documento normativo brasileiro Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018)[6]. Assim, ultrapassar a limitada ideia de educação bancária (FREIRE, 2019)[7], demanda promover a criticidade e as capacidades cognitivas e científicas necessárias para analisar a sociedade.

Quando esse pensamento analítico é incentivado em sala de aula, amplia-se a capacidade para se enfrentar discursos negacionistas e de interpretação crítica acerca do intenso fluxo de informações presentes nos meios digitais. Logo, a valorização da educação científica reforça o papel da escola como espaço de construção coletiva do conhecimento e de diálogo com a vida e os desafios contemporâneos dos estudantes.

Na mesma toada, o ensino religioso de nada nos serve, enquanto hominização e omnilateralidade, porque – em que pese a importância cultural do nosso sincretismo – apenas nos distancia dos pressupostos éticos, filosóficos, políticos inerentes ao mundo moderno.

A escola deve ser concebida como um espaço laico. Desta maneira, em respeito à formação social do povo brasileiro e do seu sincretismo, e se assim alguns departamentos, docentes e discentes se sentirem aptos para tal, devemos elaborar e considerar o ensino religioso como uma matéria científica, em que se estudam as diferentes religiões como manifestações culturais de cada povo, comunidade e sociedade. Como forma de combater, desde a infância, a intolerância religiosa e fortalecer a omnilateralidade.

Por fim, mas sempre com a mesma envergadura, é urgente desbaratar as escolas cívico-militares, porque, por óbvio, o recrutamento obrigatório é a negação da autonomia voluntária, tanto quanto a ordem unida e o adestramento são antagônicos à emancipação. Por certo, levando-se em conta nossa história e formação social seria muito mais adequado dirigir o ensino às questões étnico-raciais do que sobressaltar-se constantemente qualquer tipo de “ordem e progresso”.

 

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Estado de Exceção e Modernidade Tardia: da dominação racional à legitimidade (anti) democrática. Tese de Doutorado em Ciências Sociais. UNESP/Marília, SP: [s.n.], 2010, 410 páginas.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[3] Vimos a história ter que passar pelo juízo da prova, exatamente quando o Revisionismo teve o “direito” de inverter o ônus da “sua prova”. Parece uma piada, mas é fato, que a mentira não tinha que se provar, mas sim o contrário, pois detinha o “direito da dúvida”. Veja-se o filme Negação: https://www.youtube.com/watch?v=GZAafF4r-xY. Acesso em 06/03/2026. No filme, essa exibição nos prova, ainda, que a inteligência pode efetivamente ser bastante artificial. Assim como a desinteligência que, mesmo sob o efeito das provas que deveriam ocorrer em contrário, é profundamente atemporal.

 

[4] Vale destacar a Educação implementada na forma da Politecnia, a partir de 1917, pela Revolução Russa: “14. O ensino geral e politécnico (conhecimento da teoria e da prática de todos os ramos principais da produção) gratuita e obrigatória para todas as crianças de ambos os sexos até os 16 anos; estreita ligação do estudo com o trabalho social produtivo das crianças” (LENIN, V.I. La instrucción pública. Moscú: Editorial Progreso, 1981, p. 68 – tradução livre).

[5] MARX, Karl & ENGELS, F. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010.

[6] BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

[7] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 66. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

Pressionado e isolado, Trump recua e suspende ataques ao Irã

Presidente dos Estados Unidos relatou “conversas muito boas e produtivas” com Teerã nos últimos dois dias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã avançaram em negociações para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, após dois dias de conversas classificadas por ele como produtivas. Em meio ao diálogo, Trump decidiu adiar por cinco dias uma possível ofensiva militar contra instalações energéticas iranianas, sinalizando uma tentativa de reduzir a escalada do conflito.

A declaração foi feita pelo próprio presidente em uma publicação nas redes sociais, após reuniões realizadas ao longo do fim de semana. Ele destacou que a decisão foi influenciada pelo tom das negociações em curso.

Em mensagem escrita em letras maiúsculas, Trump declarou: “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o país do Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que determinou a suspensão temporária das ações militares. “Com base no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu.

A decisão ocorre após uma escalada de tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Trump havia ameaçado lançar ataques já na noite desta segunda-feira (23) caso o Irã não permitisse a reabertura da passagem marítima.

Dias antes, o presidente havia demonstrado resistência à ideia de um cessar-fogo. “Podemos ter diálogo, mas não quero fazer um cessar-fogo”, afirmou na sexta-feira, indicando uma postura mais dura naquele momento.

A mudança de posição, agora condicionada ao avanço das negociações diplomáticas, sugere uma tentativa de abrir espaço para um acordo mais amplo que reduza o risco de confronto direto na região.

Do Brasil 247

EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

0

 

Sociedade – Estado – Capital[1]

 

Vinicio Carrilho Martinez – docente responsável

Ester Dias da Silva Batista – monitora da disciplina

O texto a seguir é uma breve aproximação à ementa da disciplina Educação e Sociedade[2]. A primeira observação é de que a ementa contém os sentidos e significados necessários para a formação acadêmica. Porém, podemos/devemos sempre olhar do presente para o passado, do geral ao particular, envolvendo-se constantemente a reflexão e a ação (práxis: mudança fundamentalista), o conhecimento e as perspectivas em sua realidade (chamado de realismo político). Nesse processo se destacam uma mistura de claro-escuro, e muitas frestas, sombras, um cinza mais constante. Além disso, como bem sabemos, o digital vai se assenhorando do analógico, da presença física, da carne-viva como descreviam alguns músicos e artistas do século XX. E neste sentido é preciso ler a ementa com o esforço de se colocar o digital num mapa conceitual, num quadro geral de inspeção – a ementa é marcada pelo século XX e vivemos, para o bem e para o mal, nos marcos do século XXI. Neste ponto vale destacar que faremos a escolha do método a contrapelo, de Benjamin[3], procurando sentidos, sentimentos, fatos, pessoas, conexões que nem sempre se destacam na luz do meio-dia: que seria o método da clareza e da objetividade. Nem sempre há transparência, iluminação sobre os fatos e atores sociais. A publicidade é pouca porque são relações políticas e o consenso não é, necessariamente um desejo compartilhado.

 Notas para uma práxis da descompressão[4]

Vejamos a ementa oficial disponibilizada pela Universidade Federal de São Carlos/UFSCar, para as licenciaturas.

Ementa[5]: Os processos históricos, sociais e culturais de formação da sociedade capitalista[6] serão explorados sob diferentes aspectos de desenvolvimento. Da revolução técnico-científica[7] à constituição das principais tendências políticas[8] e do desenvolvimento de problemas[9] e perspectivas para a sociedade. Esta disciplina se concentrará nos estudos sobre o papel das instituições educacionais, de seus agentes e da formação de novos sujeitos[10] no mundo contemporâneo[11].

Em face da ementa e da abordagem autoral que propomos, o objetivo principal é aprofundar conhecimentos aptos a uma reflexão crítica acerca das condições sistêmicas, estruturas, sistemas, dinâmicas da sociedade capitalista no século XXI[12], sobretudo, a sociedade brasileira – diante da luta de classes racista[13] –, e o possível papel desempenhado pela educação quando se objetiva a Emancipação[14] – aqui entendida enquanto descompressão (práxis)[15].

 O título geral desse texto ainda nos remete à ideia de que a Sociedade nos leva a pensar imediatamente em educação: seja (i) enquanto mecanismos de reprodução social, pacificação e controle social, ou na educação para o trabalho – não há registro antropológico de alguma sociedade que não tenha feito ou que hoje não promova alguma forma de educação para o trabalho – ou, talvez, seguindo-se a moda pós-moderna aplicada à educação financeira (para crianças pobres e famintas); seja (ii) sob a chancela de uma educação crítica, inclusiva, dirigida à liberdade, à autonomia e à emancipação (política); seja (iii) nas polarizações apresentadas entre escolarização e desescolarização ou entre ensino bancário e educação emancipadora. É preciso ter clareza de que emancipação e autonomia se articulam, aproximam-se, podem/devem andar juntas, entretanto, não apenas não são sinônimos como ocorre de se pronunciarem em termos até mesmo antitéticos, opostos, contraditórios.

Pensar é agir

Em termos de educação, é possível dizer-se que nosso objeto de trabalho é baseado, iniciado, em ideias, pensamentos, conceitos, articulações mentais, reflexões, teorias (ou ideologias). Neste sentido, que vale para todas as atividades da vida humana, pensamento é ação. De um modo ou de outro, agindo, interagindo, ou se recusando à ação, como uma forma de inação, é o pensamento quem nos guia. Outra questão a se refletir é sobre as bases materiais que gerem, impulsionam, nossas ideias e reflexões (ações). Quando temos uma obrigação para agir e o fazemos (ou não fazemos) aí está agindo um conjunto de valores, perspectivas, sonhos, objetivos, projeções, conformações sociais, culturais, políticas. Prestar socorro é uma “obrigação de fazer”, não há escapatória, e o crime praticado na recusa (inação) é chamado de “omissão de socorro”[16]. E, então, chamemos isso de ação positiva (prestar socorro se e quando necessário a qualquer pessoa) e de ação negativa (deixar de fazer, quando se é obrigado/a). No mesmo sentido apontado, deve-se entender o ditado popular quando diz: “Em briga de homem e mulher, ninguém mete a colher”. Só que aqui temos que indicar o erro grave e profundo na formulação, pois, ali estaria evidente a ocorrência de violência contra a mulher, a misoginia e talvez até mesmo a tentativa de feminicídio. Logo, a obrigação de fazer, agir, é conjunta a todos os indivíduos presentes, fazendo-se cessar de imediato as agressões (físicas, morais, étnicas) e requisitando o policiamento. A violência contra idosos, crianças, animais, obrigatoriamente, deve seguir o mesmo rito, assim como a denúncia aos órgãos competentes em caso de homofobia, racismo, misoginia, assédios morais ou sexuais. Além do que cabe a todos nós a denúncia da desigualdade, de todas as formas de discriminação, preconceito ou de privilégios (que não se confundem com prerrogativas). Isso nos remete à entropia social, uma vez que, com o aprofundamento disso, é a violência que prospera, bem como a negação dos direitos humanos, o caos e a barbárie social, a menorização da dignidade humana, e a pujança dos meios e dos mecanismos de exceção.

O agir como aprendizagem

Como viemos abordando, no âmbito educacional, a produção do trabalho no ambiente escolar, seja no Ensino Básico (Fundamental e Médio) ou no Ensino Superior (graduação e pós-graduação), ao articular pensamentos com produções mentais e reflexivas, configura-se o conhecimento como um processo efetivamente aplicado. Assim, a produção em sala de aula não se apresenta de forma neutra ou despersonalizada; ao contrário, constitui-se como uma produção humana que reflete ideias, desejos, ambições, crenças e ideologias de quem a realiza. Portanto, a educação não é neutra. A educação é política.

O próprio fato de pensarmos o conhecimento – como, por quem, onde, com quais meios, porque é feito assim e não de outro modo –, per si, notabiliza uma ação política. Todavia, desenvolve-se uma forma de entendimento (não só produção, mas também entranhamento: “trazer, tomar para si”) que nos revela uma visão de mundo: como vemos e a partir do que conseguimos ver. Portanto, “pensar o conhecimento” é uma ação política. Trata-se de transformar o conhecimento em pensamento (“autoconhecimento do conhecimento científico[17]) e isso nos indica que há uma epistemologia política.

Assim, toda educação é, em alguma medida, um ato político; não há neutralidade na prática educativa, mas escolhas e oportunidades para manter uma realidade problemática ou buscar transformá-la (FREIRE, 2019)[18]. A partir dessa perspectiva, a produção educacional atua como promotora de uma interpretação crítica do mundo, possibilitando-se a compreensão das relações existentes na sociedade.

Nesse mesmo sentido, no momento social e político atual, observa-se o avanço do negacionismo e de outras vertentes que buscam descaracterizar e reduzir a educação e as produções científicas, bem como a despolitização do debate científico, frequentemente deslocado para o campo das disputas ideológicas. Esse movimento contribui para a tentativa de neutralização do papel crítico da escola e da educação.

Percebe-se, portanto, a essencialidade, e a potência, do ambiente escolar (bem como as razões pelas quais esse o sistema educacional tende a ser tão perseguido e desvalorizado de diversas formas ao longo da história brasileira), tanto na educação básica quanto no ensino superior, porque são espaços, campos, de formação e permanência de sujeitos capazes de pensar e analisar criticamente os processos ao seu redor.

Contudo, é justamente essa capacidade crítica, produzida nessas instituições, que também alimenta o combate ao negacionismo, evidenciando-se disputas, lutas políticas constantes em torno da valorização da ciência e da educação. Nesse cenário, torna-se fundamental seguir investindo e produzindo conhecimento científico, não apenas na condição de “estudantes”, mas como cientistas e agentes ativos na construção do saber.

A última consideração a ser feita, por hora, frisa que uma ementa nunca é apenas uma ementa – sempre há rascunhos em meio ao resumo que a ementa nos apresenta. E, por muitas vezes, é para esses rascunhos, as pegadas invisíveis, as marcas embaixo do relevo, que devemos direcionar nossa atenção enquanto educadores, cientistas, pesquisadoras e pesquisadores.

[1] Podemos entender que o subtítulo fornece possibilidades de outras conexões: é óbvio que o Estado está para o Direito, mas também está para a regulação do capital (ou não). Assim como a Sociedade aspira por mais ou menos democracia. Do mesmo modo, seguindo-se essa provocação podemos pensar como o capital (hegemônico em certa época) impõem condições específicas tanto à sociedade quanto à forma política: sob o domínio econômico das Big Techs vemos um Estado-plataforma, com avanço incontrolável da exploração mais brutal da força de trabalho já praticada (da uberização ao regime conhecido como 9-9-6). Exemplos claros estão na análise das Big Techs pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e nos projetos legislativos que visam coibir o fenômeno chamado de “adultização” e de abuso contra menores. Em outra referência, no passado não distante e em parte do presente, temos a atuação do Capitalismo Monopolista de Estado e, no Brasil, especificamente, prolifera um pensamento escravista: racismo lancinante associado à exploração do trabalho análogo à escravidão.

[2] Disciplina ofertada nas licenciaturas da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

[3] BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas – Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. 3. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

[4] Propomos manter como premissa algum diferencial entre Autonomia (FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021) e Emancipação e, para tanto, uma das necessidades indica o entendimento do que é Descompressão: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[5] https://www.ded.ufscar.br/pt-br/disciplinas/educacao-e-sociedade. Acesso em 25/12/2025.

[6] Temos um vídeo aula sobre formação social brasileira e Estado: https://www.youtube.com/watch?v=s8wdN84SCdA&t=712s. Acesso em 25/12/2025.

[7] Esboçamos diferenças iniciais entre técnica e tecnologia, ao menos em três notas: 1) https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 25/12/2025. 2) https://www.fcw.org.br/culturacientifica10/vin%C3%ADcio-martinez. Acesso em 25/12/2025. 3) https://ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/660338-tecnofacismo-do-radio-de-pilha-nazista-as-redes-antissociais-a-transformacao-monstruosa-humana-entrevista-especial-com-vinicio-carrilho-martinez. Acesso em 25/12/2025.

[8] Aprofundamos essa perspectiva – que denominamos de normalização do looping da exceção – na tese do concurso de titularidade na UFSCar: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K (709 páginas).

[9] Uma de nossas mais atuais abordagens conceituais transita pelo conceito de Capitalismo Digital, mas em outra roupagem, mais ampla do que a prevista na economia financeira: 1) https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/conceito-de-capitalismo-digital. Acesso em 25/12/2025. 2) https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/ela-pensa-a-inteligencia-desumana. Acesso em 25/12/2025. 3) https://ademocracia.com.br/2025/10/29/inteligencia-degenerativa/. Acesso em 25/12/2025.

[10] Nos referenciamos pela Pedagogia do Oprimido: FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

[11] Nossa abordagem teórica referente à disciplina Educação e Sociedade, acompanhada de mapa conceitual, encontra-se disponível: https://www.rehcol.com/index.php/rehcol/article/view/82. Acesso em 25/12/2025. Martinez, V. C. (2025). EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: SOCIEDADE – ESTADO – CAPITAL SOCIOLOGIA GERAL (E POLÍTICA). REVISTA COLOMBIANA DE CIÊNCIAS E HUMANIDADES (REHCOL), 2(4), 1–22. https://doi.org/10.5281/zenodo.17059742.

[12] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital-mais-valia-onirica. Acesso em 25/12/2025. Acesso em 26/12/2025.

[13] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/pensamento-escravista-no-seculo-xxi-exploracao-do-trabalho-e-a-hegemonica-violencia-contra-os-direitos-humanos. Acesso em 26/12/2025.

[14] https://aterraeredonda.com.br/por-uma-educacao-com-partido/. Acesso em 26/12/2025.

[15] https://aterraeredonda.com.br/socialismo-ambiental/. Acesso em 26/12/2025.

[16] Essa obrigação de fazer recai sobre todos os indivíduos presentes, sem exceção – porém, basta que haja uma única iniciativa positiva para que os demais sejam contemplados.

[17] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1996. A primeira edição data de 1982.

[18] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 67. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

Globo fdp: Powerpoint tendencioso protege criminosos e culpabiliza Lula

GloboNews omite ligações de Nikolas Ferreira e Ciro Nogueira com Vorcaro e repete estratégia usada na Lava Jato para atacar o atual presidente

A tensão em torno das investigações sobre o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro, ganhou um novo capítulo nesta semana após acusações de parcialidade editorial contra a GloboNews. A emissora divulgou uma apresentação em PowerPoint com o objetivo de direcionar a narrativa do escândalo financeiro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que minimizou as conexões de figuras da oposição com o banqueiro

A denúncia foi veiculada por um perfil da rede social X, que classificou o material da emissora carioca como uma “manipulação canalha” da GloboNews sobre as relações de Vorcaro com o mundo político. O usuário questionou a seletividade da cobertura ao contrastar as escolhas editoriais da emissora: de um lado, a narrativa de que o presidente Lula teria pedido ao Banco Central uma análise técnica sobre o Master — e que o chefe da instituição, Gabriel Galípolo, teria encaminhado um processo de liquidação da instituição —; do outro, informações que, segundo a publicação, foram deliberadamente silenciadas.

Entre os pontos levantados destacam-se duas conexões envolvendo membros da oposição. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria apresentado um projeto de lei que, supostamente, beneficiaria a instituição financeira. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes do bolsonarismo, teria utilizado uma aeronave pertencente a Vorcaro durante sua campanha eleitoral.

O caso Banco Master tem movimentado Brasília em função da possibilidade de que Vorcaro firme um acordo de delação premiada. Caso confirmado, o empresário poderá revelar detalhes sobre os vínculos entre a instituição e agentes do poder político, o que elevou o nível de atenção de diferentes setores do espectro partidário ao desenvolvimento da crise bancária.

A polêmica sobre a cobertura da GloboNews evidencia um fenômeno recorrente no jornalismo brasileiro: a disputa pela moldura narrativa de crises financeiras com implicações políticas. Quando os fatos envolvem múltiplos atores de campos opostos, a escolha de quem aparece no centro da história — e quem fica nas margens — é, por si só, um ato editorial carregado de consequências. Nesse contexto, a seletividade no uso de dados e conexões passa a ser tão relevante quanto os próprios fatos apurados.

PowerPoint como arma política, uma estratégia que se repete

O recurso ao PowerPoint adotado pela Globo no caso Banco Master não é novidade no cenário político brasileiro — e tampouco parece casual. A mesma ferramenta foi utilizada como peça central de uma das ofensivas mais emblemáticas da história jurídica recente do país: a acusação formulada pela Operação Lava Jato contra o então ex-presidente Lula, em 2016.

Naquela ocasião, foi o Ministério Público Federal do Paraná, sob o comando do procurador Deltan Dallagnol — que atuava como coordenador do grupo de procuradores à frente das investigações — quem lançou mão da apresentação de slides para imputar ao petista o recebimento de um apartamento da construtora OAS como suposto pagamento de propina. A acusação ganhou enorme repercussão midiática, mas carecia de sustentação probatória sólida — fato que o próprio MPF-PR admitiu publicamente.

Foi o procurador Henrique Pozzobon quem verbalizou, sem rodeios, a fragilidade do material reunido contra Lula: “não teremos aqui provas cabais”, declarou, reconhecendo abertamente a ausência de evidências conclusivas para embasar as acusações que haviam sido alardeadas. A confissão, no entanto, não impediu que as consequências políticas e jurídicas recaíssem sobre o líder petista.

O desfecho do processo só viria anos depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou a suspeição do então juiz Sérgio Moro, responsável pelas condenações no âmbito da Lava Jato, o que resultou na devolução dos direitos políticos de Lula — reconhecendo, na prática, os vícios que contaminaram aquele processo desde a origem.

Delação, fraude bilionária e escândalo de bens ocultos

A transferência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal sinaliza que o empresário está em vias de fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. O movimento representa uma virada significativa em um caso que a própria PF estima ter movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em supostas fraudes financeiras.

No âmbito da investigação, os agentes federais passaram a concentrar esforços na análise minuciosa de comunicações e transferências bancárias associadas a Vorcaro e ao seu cunhado, Fabiano Zettel. O foco recai sobre possíveis repasses a figuras do mundo político e sobre irregularidades de natureza financeira que ainda estão sendo mapeadas pelos investigadores.

O histórico recente do empresário é marcado por uma série de episódios polêmicos. Um dos mais impactantes envolve a transferência de um patrimônio superior a US$ 100 milhões — montante que supera R$ 520 milhões na conversão atual — para Martha Graeff, com quem Vorcaro chegou a ser noivo. A movimentação veio à tona a partir de mensagens trocadas entre os dois, cujo conteúdo foi posteriormente encaminhado à CPI do INSS.

O mesmo material trouxe à luz outras revelações graves: registros de ameaças dirigidas tanto a jornalistas quanto a uma funcionária doméstica, além de evidências de que mais de R$ 2,2 bilhões teriam sido ocultados em uma conta bancária aberta em nome do pai do empresário. O peso dessas descobertas foi suficiente para que o Judiciário determinasse o retorno de Vorcaro ao sistema prisional.

Do Brasil 247

CPMI do INSS rejeita todas as oitivas da Igreja da Lagoinha mesmo após sucessivos requerimentos

Os dados reunidos nos requerimentos apresentados à CPMI do INSS mostram um padrão claro e controverso. Foram protocolados diversos pedidos para ouvir representantes ligados à Igreja da Lagoinha, incluindo o pastor André Valadão e estruturas associadas como o Clava Forte Bank. Apesar da quantidade de elementos citados nos relatórios, todas as solicitações de oitiva foram rejeitadas.

A repetição das negativas chama atenção porque ocorre justamente em um dos núcleos mais mencionados nos documentos de inteligência financeira. Nenhum dos pedidos avançou, mesmo com a insistência dos parlamentares responsáveis pelos requerimentos.

Os elementos que motivaram os pedidos de oitiva

Os requerimentos têm como base registros do COAF e apontamentos da Controladoria-Geral da União que identificaram movimentações consideradas atípicas e compatíveis com possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

No caso da Igreja da Lagoinha, os dados indicam proximidade com os chamados “Golden Boys” (Felipe Macedo, Américo Monte e Anderson Cordeiro) apontados como centrais nas movimentações suspeitas.

Também é destacado que, em 2024, a igreja recebeu patrocínio de Felipe Macedo para um evento de Réveillon realizado no Allianz Parque, período descrito nos documentos como o auge das irregularidades envolvendo descontos indevidos.

Outro ponto relevante envolve o Clava Forte Bank S/A, ligado a André Valadão. Há questionamentos sobre o possível papel da instituição como intermediadora ou receptora de valores oriundos das fraudes investigadas. O fato de o site da empresa ter saído do ar no mesmo dia da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também foi incluído nos elementos apresentados.

Essas conexões fundamentaram os requerimentos que pediam esclarecimentos diretos por meio de oitivas.

André Valadão, líder da Lagoinha, e Nikolas Ferreira em avião de Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

Um padrão diferente do restante da investigação

Enquanto os pedidos relacionados à Igreja da Lagoinha foram barrados integralmente, outros alvos com base em movimentações financeiras semelhantes foram incluídos nas investigações e tiveram requerimentos aceitos.

Os dados mostram, por exemplo, que a Sete Church recebeu R$ 370.338,00 de Anderson Cordeiro e mais R$ 124.000,00 de Américo Monte. A Adoração Church movimentou mais de R$ 5 milhões em sete meses. A Igreja Campo de Anotote recebeu R$ 200.000,00 antes mesmo de sua formalização oficial. Já o Ministério do Renovo aparece com movimentações superiores a R$ 500 mil, incompatíveis com a renda declarada de seu dirigente.

Mesmo diante desse conjunto amplo de informações, o caso da Lagoinha seguiu um caminho distinto dentro da comissão.

As justificativas para as rejeições

As negativas às oitivas foram atribuídas, nos debates internos, à ausência de provas conclusivas e à necessidade de priorização de outros alvos. Também foi mencionado que os requerimentos apontariam indícios, mas não elementos suficientes para convocação imediata.

No entanto, os próprios documentos utilizados nos pedidos afirmam que, considerando a natureza das atividades, vínculos operacionais e enquadramento societário, é provável que as movimentações identificadas configurem canais de circulação de valores desviados do esquema do INSS.

Essa avaliação técnica foi um dos principais argumentos para a apresentação das solicitações.

O banqueiro Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, listado como presidente da Igreja Lagoinha Belvedere na Receita Federal. Foto: reprodução

O pano de fundo financeiro das suspeitas

As investigações se conectam a falhas estruturais identificadas pela CGU no sistema de crédito consignado vinculado ao Auxílio Brasil em 2022.

O relatório aponta que mais de 3,6 milhões de contratos foram firmados em poucos meses, com movimentação de R$ 7,6 bilhões, principalmente pela Caixa. Também foram identificadas falhas na integração entre Dataprev e sistema bancário, erros na averbação de parcelas e descontos indevidos em benefícios de famílias vulneráveis.

A ausência de estudos técnicos para definição de juros e limites de comprometimento da renda agravou o cenário. Em alguns casos, os descontos chegaram a comprometer até 40% do benefício.

O ponto central da controvérsia

Dentro desse contexto, a rejeição total das oitivas ligadas à Igreja da Lagoinha se tornou um dos principais pontos de tensão na CPMI.

Os dados mostram que não se trata de um pedido isolado recusado, mas de uma sequência completa de negativas. Todas as tentativas de ouvir representantes da igreja foram barradas, mesmo com a apresentação de relatórios, registros financeiros e conexões diretas com investigados.

O resultado é que um dos núcleos mais citados nos requerimentos permanece sem esclarecimentos formais na comissão, enquanto outras frentes avançam normalmente.

Mãe de Adriano da Nóbrega, ex-assessora de Flávio é denunciada por lavar dinheiro da milícia

Uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sob acusação de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2022 durante uma operação policial na Bahia. A denúncia foi apresentada nesta quinta (19).

Segundo o MP-RJ, Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nórbrega, integrou uma rede formada por pessoas e empresas usada para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”. A investigação aponta que o grupo utilizou negócios de fachada para esconder recursos obtidos com atividades ilegais.

Raimunda trabalhou como assessora de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) entre abril de 2016 e novembro de 2018. Ela já havia sido citada no caso das chamadas “rachadinhas” investigadas pelo MP, que acabou arquivado após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam provas.

O miliciano Adriano da Nóbrega. Foto: Divulgação/Polícia Civil

De acordo com a denúncia, Adriano da Nóbrega controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em associação com o bicheiro Bernardo Bello. As apurações indicam que quatro empresas ligadas ao esquema movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões.

“Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirmou o MP.

O órgão também denunciou o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ), acusado de adquirir bens que pertenciam ao miliciano após sua morte. Segundo a Promotoria, o parlamentar e a viúva de Adriano, Julia Lotuffo, teriam conhecimento da origem ilegal dos recursos envolvidos na negociação.

Ao todo, foram apresentadas três denúncias relacionadas às atividades atribuídas ao grupo. “A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega”, informou o MP.

DCM

Congresso Nacional já teme possível delação de Vorcaro, do Master

Mudanças na defesa de Daniel Vorcaro e diálogo com STF e PF ampliam expectativa por acordo que pode atingir diversas autoridades

As expectativas sobre uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ganharam força no Congresso Nacional após movimentos recentes que indicam mudança de estratégia jurídica. Entre os fatores que impulsionaram esse cenário estão a troca na equipe de defesa e reuniões do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e com a Polícia Federal. As conversas incluíram a possibilidade de um acordo de colaboração, segundo o Metrópoles.

A hipótese de delação surge em meio ao avanço das investigações que atingem o empresário, que já é alvo de inquéritos na Polícia Federal, além de apurações conduzidas pela CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado. Parlamentares que acompanham os trabalhos afirmam que o material obtido por meio de quebras de sigilo aponta para uma suposta “infiltração” do banqueiro em diferentes esferas do poder.

De acordo com relatos de integrantes da CPMI, uma nova leva de dados armazenada em uma sala-cofre revelou registros considerados sensíveis, incluindo documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo um parlamentar, teriam caráter sigiloso. Outros congressistas afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com autoridades, incluindo ministros do STF, além de registros fotográficos em eventos sociais com figuras públicas.

O acesso ao material, que soma mais de 400 GB de dados obtidos junto à Apple, foi liberado inicialmente para parlamentares e assessores. No entanto, após suspeitas de vazamentos, o ministro André Mendonça determinou a retirada dos dados da sala-cofre. A Polícia Federal realizou a coleta do material, embora posteriormente tenha informado que parte das informações foi reinserida no sistema do Senado.

O ambiente no Congresso é de apreensão diante do alcance que uma eventual delação pode ter. Parlamentares de diferentes correntes políticas buscam se distanciar de qualquer associação com os fatos investigados. Um líder da Câmara, sob reserva, defendeu o acordo como forma de esclarecer as suspeitas. “Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.

Por outro lado, há receio de que a colaboração possa gerar instabilidade institucional. Um parlamentar do centrão avaliou que o cenário pode sair do controle. “É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.

As tratativas para uma possível delação já foram levadas tanto ao STF quanto à Polícia Federal. Ao ministro André Mendonça, o advogado José Luís Oliveira Lima apresentou o acordo como alternativa em análise. Já à PF, indicou a intenção de formalizar uma colaboração que descreveu como “séria e completa”, com disposição do cliente de fornecer todas as informações disponíveis.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal em Brasília, sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras. Ao determinar a prisão, o ministro André Mendonça apontou risco de interferência nas investigações, decisão posteriormente confirmada pela Segunda Turma do STF.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master — liquidado pelo Banco Central — pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão irregular de certificados de depósito bancário (CDBs). O Banco Central informou que a instituição descumpriu normas que regem o funcionamento das entidades do Sistema Financeiro Nacional, ampliando a gravidade do caso que agora mobiliza o Congresso Nacional.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

João Campos fecha chapa

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), deu um importante passo na sua candidatura ao governo de Pernambuco nesta quarta-feira, 18, ao fechar acordo com o senador Humberto Costa (PT) a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), para que sejam seus candidatos ao Senado. O movimento foi confirmado para VEJA por fontes ligadas aos políticos e posiciona a chapa mais à esquerda, garantindo total proximidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o pleito.

A letargia do PT

O que mais chama atenção neste momento não é o barulho das manchetes… é o silêncio.
As narrativas já estão circulando, os ruídos só aumentam e, mesmo assim, ainda falta alguém aparecer para falar com clareza ao país. Depois de tudo que o Brasil já viveu, ficar calado diante de versões e especulações não é prudência — é abrir espaço para que outros contem a história do jeito que quiserem. Em política, silêncio raramente resolve crise. Muitas vezes, só alimenta ainda mais as dúvidas.

A letargia do PT 2

Lula não vai acordar até perder a eleição, isso dá muita raiva porque ele está resistindo em ir pra cima, usar o horário nobre, lives diárias. O PT tem uma velharia lá que não se ligou na modernidade ainda.

“Greve” criminosa e política

Ninguém gosta de guerras porque provocam mortes e destruição. Mesmo longe, as guerras atingem outros países como o Brasil. Mas, mesmo não afetando direta e potencialmente os combustíveis no Brasil, alguns donos de postos de gasolina resolverem aumentar os preços. Os governadores que poderiam baixar o ICMS não o fizeram por pura politicagem. Afora isso, fake news projetam os preços até 2 reais acima do que está sendo aplicado nos postos. O resultado de tudo isso é a proposta de uma greve ilegal e imoral programada para a partir de hoje. É ilegal, portanto, os mecanismos de controle vão agir.

“Greve” criminosa e política 2

Multas serão aplicadas se interromperem estradas. Os caminhoneiros que aderirem à essa greve ilegal serão punidos com, além de multas, prejuízos de dias sem trabalhar. Muitos falirão ou terão que passar até fome. Essa é a política bolsonarista. Quanto pior, melhor.

BC corta Selic

A guerra no Oriente Médio e seu impacto sobre os preços do petróleo no mercado global fizeram com que o Banco Central mantivesse a cautela e reduzisse a taxa de juros em apenas 0,25 ponto percentual. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. A decisão marca a primeira queda dos juros desde maio de 2024 e é a primeira flexibilização monetária sob o comando de Gabriel Galípolo. No comunicado, o Banco Central justificou o corte ao afirmar que o aumento no preço do petróleo pode ter impactos inflacionários no país. A votação foi unânime. Para o futuro, não há sinalizações claras. O Copom reafirmou que os próximos passos dependerão de novas informações para aumentar a clareza sobre a “profundidade e a extensão dos conflitos” globais e para garantir a convergência da inflação para a meta. (g1)

EUA mantiveram as taxas de juros

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve foi ainda mais conservador. O Banco Central americano manteve as taxas de juros inalteradas, na faixa de 3,5% a 3,75%, pela segunda reunião consecutiva. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a decisão por lá não foi unânime. No colegiado do Fed, um dirigente votou a favor do corte de juros. Projeções atualizadas indicam divisão entre os membros: parte defende ao menos uma redução ainda neste ano, enquanto outro grupo vê manutenção das taxas ao longo de 2026. O quadro ocorre em meio à pressão inflacionária decorrente da guerra no Irã e a sinais de desaceleração do mercado de trabalho. (Axios)

Incertezas com o petróleo

A precaução dos bancos centrais brasileiros e americanos está ligada diretamente às incertezas em relação ao preço do petróleo, que nesta quarta-feira tensa fechou acima dos US$ 110. A alta se intensificou depois que Israel atingiu o campo de gás South Pars — o maior do mundo, compartilhado por Irã e Qatar — e o Irã respondeu com um ataque a um importante centro de combustíveis no território qatari, causando danos significativos. O aumento das tensões pressionou os preços do gás natural na Europa, que é altamente dependente de importações do Oriente Médio. (Wall Street Journal)

Incertezas com o petróleo 2

E a situação tende a piorar. A possibilidade de o petróleo atingir US$ 200 por barril deixou de ser considerada improvável e passou a integrar o cenário central de analistas do mercado internacional, após a escalada das agressões militares lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Trump ameaçou destruir completamente South Pars caso o país continue com os ataques à infraestrutura de energia do Qatar. (CNN)

Incertezas com o petróleo 3

Por aqui, as pressões decorrentes do aumento do preço do petróleo não se resumem à política monetária. Caminhoneiros de todo o Brasil ampliaram a pressão sobre o governo federal para que seja encontrada uma maneira de frear o aumento do diesel. Líderes da categoria dizem que só irão descartar uma paralisação nacional se o governo cumprir a promessa de encontrar uma forma de reduzir o preço do combustível. (CNN Brasil)

Incertezas com o petróleo 4

O governo federal, por sua vez, propôs aos estados que zerem o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, sendo que metade das perdas de arrecadação seria compensada pela União. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação de diesel custará R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1,5 bilhão aos estados por mês. (g1)

Incertezas com o petróleo 5

Em outro front, a Petrobras decidiu suspender o leilão de diesel previsto para esta semana e reavaliar seus estoques, em meio à volatilidade do mercado internacional. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, a medida busca evitar o risco de desabastecimento. (Globo)

Delação premiada

O novo advogado de Daniel VorcaroJosé de Oliveira Lima, procurou a Polícia Federal e o STF para sinalizar que seu cliente está disposto a negociar um acordo de delação premiada. A iniciativa ocorre após a formação de maioria na Segunda Turma do STF pela manutenção da prisão do banqueiro. Vorcaro indicou que pretende colaborar amplamente com as investigações, sem restrições quanto a possíveis implicados. O movimento busca abrir caminho para uma negociação formal com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). (Globo)

Delação premiada 2

Vorcaro, no entanto, indicou a interlocutores que não pretende envolver ministros do STF em um eventual acordo de delação premiada. A avaliação dele é de que qualquer menção a magistrados da Corte exigiria provas robustas de irregularidades, sob risco de rejeição do acordo pela PGR, pela PF ou pelo próprio Supremo. (Folha)

Prorrogação por 60 dias

E o ministro do STF André Mendonça determinou a prorrogação por 60 dias do inquérito que investiga o caso Banco Master. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, apresentado na véspera, que apontou a necessidade de novas diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos sob apuração. (g1)

Lagoinha recebeu R$ 41 milhões

O pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizou 54 transferências que somam R$ 40,9 milhões para a unidade Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, que teve suas atividades encerradas no último domingo (15). Os repasses ocorreram entre outubro de 2024 e janeiro de 2025 e constam em extratos bancários enviados à CPI do INSS.

Lagoinha recebeu R$ 41 milhões 2

De acordo com informações obtidas pela Folha, o primeiro envio no valor de R$ 2 milhões, foi feito em 17 de outubro de 2024, pouco mais de um mês após a abertura da unidade, registrada em setembro do mesmo ano. Zettel figurava como presidente da igreja no cadastro da Receita Federal e atuava como pastor voluntário até ser afastado em novembro, após a deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades ligadas ao Banco Master.

Presidente da CPI do INSS defende Lagoinha

O senador bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), negou que a Igreja Batista da Lagoinha tenha recebido dinheiro proveniente de desvios do esquema. A instituição religiosa é do pastor bolsonarista André Valadão.

Presidente da CPI do INSS defende Lagoinha  2

“Não há até o momento qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS. Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, que ele deixava separado e que estava numa ligação com o Márcio e que teve das explicações já foi convocado e eu espero que ele venha”, declarou Viana a jornalistas.

CPMI focando só no Lulinha

Enquanto isso a CPMI do INSS continua blindando os responsáveis pelo roubo bilionário e focando só no Lulinha. Os verdadeiros ladrões estão no comando da CPMI, inclusive o presidente dela.

Enquanto isso…

O Centrão trabalha para barrar a prorrogação da CPI do INSS. O Centrão quer estancar a CPI antes que ela avance sobre as ligações do Banco Master com as fraudes no INSS. (Globo)

Moro ao governo do Paraná

O senador Sergio Moro acertou sua filiação ao PL e deve disputar o governo do Paraná com apoio do partido e do senador Flávio Bolsonaro. A mudança de legenda viabiliza a candidatura, já que, no União Brasil, Moro enfrentava dificuldades para garantir espaço na eleição estadual, apesar de liderar as pesquisas no estado. (Globo)

 “Ameaça iminente”

A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou que cabe ao presidente Donald Trump definir o que constitui uma “ameaça iminente”, em meio a questionamentos sobre a justificativa da guerra contra o Irã. A declaração foi feita durante uma audiência no Senado, na qual Gabbard foi pressionada a conciliar a posição do governo com avaliações internas de inteligência que indicavam a ausência de risco imediato por parte de Teerã. Na prática, a fala transfere ao presidente a prerrogativa de interpretar ameaças à segurança nacional, tradicionalmente atribuída à comunidade de inteligência. (New York Times)

Democracia dos Estados Unidos despencou

Pedro Doria: “O relatório V-Dem 2025 traz um dado assustador: a democracia dos Estados Unidos despencou a uma velocidade nunca vista antes, ficando, pela primeira vez, abaixo da democracia brasileira. O que aconteceu com as instituições americanas?”. (Meio)

Saneamento básico

Mais da metade das 100 cidades brasileiras mais populosas investe menos de R$ 100 por pessoa anualmente em saneamento básico. É o que mostra um levantamento realizado com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024. O valor investido por 51 desses municípios fica muito abaixo dos R$ 225 necessários para garantir acesso amplo à água tratada e coleta de esgoto até 2033. A média de coleta de esgoto entre os 20 municípios mais bem colocados chega a 98,08%, ante 28,06% entre os 20 piores. Já o tratamento chega a 77,97% no primeiro grupo e 28,36% no segundo. (g1)

 Efeito estufa

As emissões brutas de gases de efeito estufa caíram 16,7% no Brasil, a segunda maior redução da série histórica, iniciada em 1990, passando de 2,576 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2023 para 2,145 bilhões de toneladas em 2024. Dados divulgados pelo Observatório do Clima mostram que as emissões líquidas, após descontar o carbono absorvido por vegetações e áreas protegidas, ficaram em 1,489 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente, queda de 22%. A melhora nos índices é associada à diminuição do desmatamento, principalmente na Amazônia e no Cerrado, ainda que o país continue entre os maiores emissores globais por desmatamento. (Um Só Planeta)

Fórmula 1

A nova temporada da Fórmula 1 está trazendo mudanças significativas nos carros, principalmente nos motores, que agora são elétricos e rodam com um “combustível sustentável avançado”. A nova gasolina da competição, também conhecida como e-fuel, é produzida com compostos sintéticos, resíduos urbanos e até restos de algas e florestas. Como a fórmula da gasolina é composta, basicamente, por carbono e hidrogênio, a ideia da versão artificial desse combustível é de separar o carbono do oxigênio e gerar hidrogênio a partir da eletrólise da água, dispensando o uso de petróleo. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Contato: rk@ademocracia.com.br
Diretor: Roberto Kuppê

Coluna Zona Franca

Fazenda propõe R$ 3 bilhões aos estados para zerar ICMS do diesel

Governo sugere isenção na importação até maio com compensação de 50% aos estados para tentar ampliar oferta e evitar desabastecimento

O Ministério da Fazenda propôs aos estados zerar o ICMS sobre a importação de diesel por tempo limitado, com compensação federal de 50% das perdas de arrecadação. A medida, que teria custo estimado de R$ 3 bilhões para a União e igual valor para os estados, foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo.

A isenção valeria até 31 de maio e teria como foco ampliar a oferta do combustível no país diante de relatos de falta em alguns estados. A proposta foi apresentada pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, em reunião virtual com secretários estaduais de Fazenda nesta quarta-feira (18).

Segundo Durigan, o impacto mensal seria de cerca de R$ 1,5 bilhão para cada lado. Os estados pediram prazo para analisar os números, e o governo federal deve formalizar o plano antes da próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), marcada para 27 de março.

Atualmente, o ICMS sobre o diesel é de R$ 1,17 por litro. Pela proposta, os estados zerariam a alíquota na importação, enquanto a União compensaria metade da renúncia por meio de subvenção. “Os estados apurariam qual é a renúncia de cada estado (…) e a gente poderia fazer uma espécie de subvenção direta”, afirmou Durigan. “A proposta é essa, para cada R$ 1,00 que o estado contribua, que a União contribua com R$ 1,00 também”, acrescentou.

O secretário destacou que cerca de 27% do diesel consumido no Brasil é importado e defendeu que qualquer mudança deve ocorrer em acordo com os estados. “Está todo mundo muito ciente do momento delicado que a gente passa no país (…) e nós estamos fazendo o melhor possível”, disse.

Apesar disso, há resistência entre os estados. Técnicos apontam risco jurídico na diferenciação entre diesel importado e nacional, além de possíveis brechas para fraudes na classificação do produto.

Durigan negou que haja discussão para zerar o ICMS de toda a cadeia de combustíveis e criticou reações antecipadas à proposta. Ele também citou que a alta do petróleo pode elevar receitas estaduais via royalties.

Na mesma reunião, os estados se comprometeram a enviar à Receita Federal listas de devedores contumazes e aprovaram acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para compartilhar, em tempo real, notas fiscais de combustíveis, reforçando a fiscalização do setor.

Do Brasil 247

Lindbergh denuncia “blindagem” a Flávio Bolsonaro e Campos Neto após decisão de Mendonça

Deputado afirma que restrição de acesso da CPMI do INSS ao celular de Vorcaro impede apuração e levanta suspeitas sobre nomes ligados ao Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a figuras políticas citadas no caso.

A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro, investigado no caso.

Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI

A decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. O ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.

Lindbergh aponta contradições e cobra investigação

Lindbergh criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.

O deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na lista”, declarou.

No vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”, disse.

Ele também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.

Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal

A decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.

Segundo Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão Parlamentar”.

Lindbergh, por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo, porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.

O parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.

Do Brasil 247

Supremo condena deputados do PL por corrupção passiva

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (17) dois deputados federais e um suplente do PL pelo crime de corrupção passiva.Por 4 votos a 0, o colegiado formou placar unânime para aceitar a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por cobrança de propina para a liberação de emendas parlamentares.

Conforme a acusação, entre janeiro e agosto de 2020, os deputados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas para o município de São José de Ribamar (MA).

O voto do relator, ministro Cristiano Zanin, prevaleceu no julgamento. Zanin disse que há provas robustas de que os acusados cometeram crime de corrupção passiva ao solicitarem o pagamento de propina ao então prefeito do município José Eudes, que denunciou o caso.

O entendimento foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

O colegiado também decidiu absolver os réus da acusação de organização criminosa.

A sessão de julgamento prossegue para a definição das penas dos condenados.

Livro de escritor brasileiro previu guerra de EUA e Israel contra o Irã?Obra de 2011 intriga leitores com profecias cumpridas

Anos depois de seu lançamento, o romance “O Pomo de Ouro”, do poeta e escritor Augusto Branco, volta a chamar a atenção de leitores e curiosos. A razão? Mais um de seus enigmáticos textos parece ter encontrado eco na realidade, desta vez no tenso cenário geopolítico do Oriente Médio.

Não é de hoje que a linha entre a ficção e a realidade se mostra tênue na obra de Augusto Branco. Publicado originalmente em 2011, O Pomo de Ouro é um thriller que mistura sociedades secretas, teorias da conspiração sobre o September 11 attacks e uma busca por um objeto místico do qual dependeria o futuro da humanidade.

Mas o que verdadeiramente intriga seus leitores, ano após ano, é a série de profecias descritas em seus capítulos que, segundo eles, vêm se materializando no noticiário global.

A mais recente profecia a ganhar destaque nas discussões online é a sétima, que teria previsto o conflito envolvendo IsraelUnited States e Iran. No capítulo intitulado “Chi Csi Stigma”, os protagonistas Eva e Henrique se deparam com versos ditados por uma entidade espiritual:

“Jacob voará com a Águia contra o Leão
para aniquilá-lo, mas o Dragão acolherá o
Leão sob suas asas e Jacob, com a Águia,
se afastará. Antes, porém, muita dor,
sangue e lágrimas”

A princípio, a mensagem cifrada poderia passar despercebida. No entanto, é no capítulo “A Sétima Profecia” que os próprios personagens oferecem a chave para a interpretação, ligando os símbolos a atores geopolíticos reais:

“A sétima profecia diz que Jacob voará com a Águia contra o Leão, mas o Dragão acolherá o Leão, e Jacob com a Águia se afastará. Mas antes de se afastarem haverá muito sangue e lágrimas. Jacob só pode ser Israel que tem o apoio dos Estados Unidos, que é a Águia. O Dragão só pode ser a China, que está pedindo o cessar fogo contra o Irã, que tem o Leão como símbolo!”

Para os leitores que acompanham a tensão no Oriente Médio, a interpretação soa familiar. O “Leão” (Irã) e “Jacob” (Israel) estão em rota de colisão, com a “Águia” (EUA) como aliada de Israel, enquanto o “Dragão” (China) atua nos bastidores da diplomacia internacional, pedindo moderação e um cessar-fogo. A descrição de “muita dor, sangue e lágrimas” antes de um possível recuo ressoa com a escalada de violência que domina as manchetes.

Um histórico de previsões polêmicas

Não é a primeira vez que Augusto Branco, que também é colunista de jornais, tem seus escritos revisitados como “profecias cumpridas”. Antes mesmo da publicação do livro, o autor já havia surpreendido seus leitores com previsões sobre o cenário político brasileiro.

Em uma coluna publicada no jornal Diário da Amazônia e no site Pensador, Branco escreveu, antes da primeira eleição de Dilma Rousseff, o seguinte enigma:

A Estrela Vermelha será louvada pelo povo
E a sacerdotisa que traz o molusco em seu brasão receberá a faixa

Mas subitamente o Sol nascente ofuscará a luz da Estrela
e o que virá em seguida será o poder de temer

Anos depois, o próprio autor decifrou o enigma em suas redes sociais, conectando os símbolos aos acontecimentos políticos. Segundo ele, a “Estrela Vermelha” era o Partido dos Trabalhadores, a “sacerdotisa” era Dilma Rousseff, o “molusco” uma referência a Luiz Inácio Lula da Silva, o “Sol nascente” ao Movimento Democrático Brasileiro (que já utilizou o símbolo em sua logomarca) e o verbo “temer” uma clara alusão a Michel Temer, que assumiu a presidência após o processo de impeachment (o Sol ofuscando a luz da Estrela).

Augusto Branco

Afinal, ficção ou realidade?

O Pomo de Ouro é, em sua essência, um romance de aventura. A trama acompanha Henrique, um Mestre Maçom que se isolou do mundo após descobrir informações perturbadoras sobre os atentados de September 11 attacks. Sua rotina de reclusão é quebrada quando a amiga Eva Cristina pede sua ajuda para decifrar um código deixado por seu pai, um arqueólogo falecido.

Juntos, eles embarcam em uma jornada para encontrar e devolver o lendário “pomo de ouro”, um objeto do qual dependeria o destino da humanidade.

Realidade ou ficção, a obra de Augusto Branco cumpre seu papel de provocar e se consolida como uma leitura obrigatória para os amantes de mistérios, conspirações e narrativas que desafiam a fronteira entre a imaginação e a realidade.

Para os interessados em tirar suas próprias conclusões, o livro está disponível para aquisição através da plataforma Clube de Autores.

https://clubedeautores.com.br/livro/o-pomo-de-ouro-2

O mercado só visa lucro!

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@viniciocarrilhomartinez

O título é óbvio demais, é a obviedade ululante de Nelson Rodrigues. Por isso vou gastar pouquíssima tinta com esse caso.

Fiquei tentando a explicar por meio de uma analogia, que seria dita por algum professor maldoso que já tive. Ele(s) diria(m) assim: “todo ser vivo come, e faz cocô!”. Sim, teria uma exclamação e, por si, te levaria a pensar no quanto você foi esperto.

Pois bem, vamos dar um crédito a quem formulou essa “crítica”, sem a acidez de algum dos meus antigos professores.

Nesse caso, a sentença viria acompanhada de uma conclusão: “O mercado só visa lucro, por isso, a privatização de serviços essenciais não traz benefícios à população”.

Desde aquelas aulas ácidas que tive, e depois estudando bastante, eu concordo com tudo. Primeiro, “o mercado só visa lucro” (sic) porque estamos sob as regras do capitalismo e o mercado é o seu Deus; então, pela lógica, o mercado não visa o prejuízo” – a não ser que seja o prejuízo do patrimônio público, em vias de privatização.

Neste caso, em segundo lugar, é preciso dizer que nem todo serviço público atende à população. O SUS é um exemplo magnífico de prestação de serviços sociais na saúde pública. O SUS é o oposto da saúde privatizada nos EUA e que, sem planos de saúde, põe mais de 50 milhões de pessoas em estado catastrófico, à beira da rua ou da morte. Então, também concordo com a sentença completa: “O marcado só visa lucro, a privatização não é boa”.

Porém, reforço a ideia de que nem todo serviço público presta atenção nas pessoas pobres e que mais necessitam. Diria até que algumas entidades são criadas pelo Poder Público apenas para empregar os parças ou simplesmente desviar, drenar, dinheiro público. Há muitas com esse perfil.

Em todo caso, desde muito jovem fui obrigado – pela lógica e condição cognitiva – a crer, ver (= com teoria) o mercado destruindo ou privatizando o Estado – a indústria de pedágios em São Paulo conta bem essa história –, além de muitas outras vezes em que o mercado fagocitou o aparato público.

A quintessência capitalista é a obtenção de lucro e se faz isso com a exploração da força de trabalho, com a extração de mais valia, combinando-se com o desregulado comércio consumista e a consequente degradação ambiental. A fórmula econômica mágica é D-M-D’ (Marx no Capital). Hoje os nossos dados digitais também são vendidos.

Enfim, o que se apresenta como crítica severa, aguda, altamente chamativa de nossa atenção (“O mercado só visa lucro”), não passa da descoberta de uma criança de cinco anos.

 

 

 

 

 

“Lula está lidando bem com a crise do STF ao se distanciar do caso”, diz Rui Costa Pimenta

Ele afirma que postura do governo diante do escândalo envolvendo o STF é correta, mas alerta para o desgaste político da associação entre PT e Judiciário

O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está adotando a estratégia correta ao se distanciar do escândalo envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, mas alertou que o desgaste político acumulado pela proximidade entre o governo e o Judiciário pode dificultar a dissociação completa entre os dois. A avaliação foi feita em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (13), durante debate sobre o impacto político da crise institucional no cenário eleitoral brasileiro.

Segundo Rui Costa Pimenta, o governo Lula tem adotado a postura adequada ao defender que as denúncias sejam investigadas e evitar uma defesa automática do Supremo. “Eu acho que ele está lidando da melhor maneira possível. Eu vi as declarações inclusive do Edinho tomando distância do escândalo, propondo que o escândalo seja investigado”, afirmou.

Apesar disso, ele ponderou que o problema pode ir além da simples gestão da crise. Para o dirigente do PCO, o histórico recente de apoio político ao STF por parte do governo e do PT cria dificuldades para separar as duas esferas diante da opinião pública.

“Não sei se, nessa altura dos acontecimentos, isso é só um problema de administração da crise, porque é difícil dissociar o governo Lula do STF”, disse.

Associação política pode gerar desgaste

Na análise de Rui Costa Pimenta, durante os últimos anos o governo e setores do PT defenderam o Supremo como uma instituição central para a defesa da democracia, o que agora torna mais difícil evitar que o desgaste do Judiciário respingue também no governo.

“Nós temos três anos em que o governo Lula apoiou o STF em tudo que o STF fez. O PT elogiava o STF como grande baluarte da democracia”, afirmou.

Ele acrescentou que decisões controversas do tribunal também contribuíram para o desgaste institucional, citando, por exemplo, críticas à condução de processos relacionados aos atos de 8 de janeiro.

Segundo ele, esse conjunto de fatores dificulta que o governo consiga se desvincular completamente da crise.

“Mesmo com toda a negativa do governo, vai ser difícil dissociar o governo Lula do STF”, avaliou.

Escândalo do Banco Master amplia crise

Durante a entrevista, Rui Costa Pimenta também comentou o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, cuja prisão foi mantida pelo Supremo.

Para ele, o caso tende a crescer e atingir setores cada vez mais amplos da política e das instituições brasileiras.

“O caso Vorcaro vai se ampliando como uma mancha de óleo. Ele não para de crescer”, afirmou.

Na avaliação do dirigente do PCO, uma eventual delação premiada poderia ampliar ainda mais o escândalo e provocar uma crise institucional de grandes proporções.

“Se houver delação premiada, isso pode levar o escândalo a proporções inauditas. É um grande escândalo nacional que compromete as instituições”, disse.

Impacto eleitoral preocupa governo

O debate também abordou o impacto eleitoral da crise institucional. Pesquisas recentes indicam aumento da rejeição ao Judiciário e um cenário mais equilibrado nas projeções eleitorais para 2026.

Segundo Rui Costa Pimenta, a deterioração da imagem das instituições pode favorecer forças políticas de oposição que se apresentam como antissistema.

Ele citou o crescimento da direita em diversos países e afirmou que esse fenômeno também se reflete no Brasil.

“O problema é que o PT aparece como um partido do sistema, enquanto a direita tenta ocupar o espaço de crítica ao sistema político”, afirmou.

Na avaliação dele, esse cenário exige uma redefinição estratégica do campo progressista caso queira enfrentar o avanço da direita.

PT precisaria adotar posição mais combativa

Para Rui Costa Pimenta, uma das alternativas para o campo progressista seria assumir uma postura mais combativa em relação à agenda econômica e social.

Ele defendeu que o PT deveria se apresentar com propostas mais claramente voltadas à ampliação de direitos sociais e trabalhistas.

“Se o PT quiser ganhar a eleição, ele precisa aparecer como um partido mais à esquerda e antissistema”, afirmou.

Entre os pontos mencionados por ele estão a rejeição a reformas trabalhistas e previdenciárias e a defesa de políticas voltadas à ampliação dos direitos dos trabalhadores.

“Ele teria que confrontar diretamente esse programa liberal que está sendo apresentado pela direita”, disse.

Polarização política deve se intensificar

Ao final da entrevista, Rui Costa Pimenta avaliou que o ambiente político brasileiro tende a permanecer marcado por forte polarização nos próximos anos.

Segundo ele, a crise de confiança nas instituições e os escândalos políticos recorrentes alimentam a disputa entre forças políticas que tentam se apresentar como alternativas ao sistema.

“A democracia e as instituições estão muito desgastadas. Isso abre espaço para esse tipo de disputa política”, afirmou.

Apesar das dificuldades, ele reiterou que a postura atual do governo Lula diante da crise do STF é, neste momento, a mais prudente.

“O governo fez o certo ao se distanciar e defender a investigação. Defender o STF neste momento seria um verdadeiro suicídio político”, concluiu.

Do Brasil 247

A evidente psicopatia dos Bolsonaros nos pulinhos de júbilo de Flávio com o pai na UTI

No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.

Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.

Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.

O 04, Renan Bolsonaro também não está nem aí com o moribundo pai. O vereador está neste momento nos Estados Unidos com o irmão Eduardo Bolsonaro.

Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?

Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.

Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.

Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.

Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.

A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.

O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.

Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.

DCM

VÍDEO Primeira agenda de Flávio Bolsonaro repercutiu mal: dancinha inoportuna

Flávio pula e dança em palanque enquanto Bolsonaro segue internado na UTI

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, participou na tarde deste sábado (14) de um evento partidário em Ji-Paraná (RO), onde celebrou com dancinha “Noiadance”, cujo nome remete à viciados em drogas (noias), a pré-candidatura de Marcos Rogério (PL-RO) ao governo de Rondônia, enquanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, permanece internado em estado grave na UTI do Hospital DF Star, em Brasília. Flávio foi visto festejando com apoiadores e expressou confiança no futuro político do grupo.

Durante a cerimônia, que marcou o lançamento da pré-campanha de Marcos Rogério, Flávio destacou que o principal objetivo do evento era fortalecer o partido no estado e apresentar um “caminho diferente” para o Brasil. “Estamos aqui para resgatar o país das mãos sujas do PT”, declarou. O senador também afirmou que o encontro teve como foco filiações e o lançamento de pré-candidaturas, incluindo nomes ao Senado como Fernando Máximo (União Brasil-RO) e Bruno Scheid.

Flávio também comentou sobre a situação de saúde de seu pai, que segue na UTI tratando complicações de um quadro respiratório. O ex-presidente apresentou piora no quadro renal, com uma sobrecarga nos rins e possíveis indícios de insuficiência renal, mas seu estado continua estável. O senador, no entanto, reiterou a resistência do ex-presidente, mencionando que ele sempre teve uma saúde robusta. “Ele sempre teve uma saúde de ferro, por isso ele consegue atravessar essas dificuldades”, declarou Flávio.

 

O evento em Ji-Paraná faz parte do giro de Flávio pelo Brasil, com o objetivo de formar alianças políticas para as eleições de 2026. Ele enfatizou que a mobilização tem como foco construir uma chapa “com mais robustez e musculatura”, principalmente no âmbito estadual e senatorial. O PL, ao longo de sua mobilização, procura consolidar uma base forte para a eleição de governadores e senadores alinhados ao seu grupo político.

A declaração de Flávio sobre o estado de saúde de seu pai gerou reações mistas nas redes sociais. Enquanto parte dos apoiadores do senador exalta o comprometimento político do pré-candidato, outros questionam a situação da saúde de Bolsonaro e a aparente desconexão entre o quadro crítico de saúde do ex-presidente e a celebração do filho em eventos públicos. A divulgação do quadro de saúde de Bolsonaro pela equipe médica, no entanto, reflete a seriedade do momento, com os médicos monitorando sua recuperação.

 

DCM

Líbano denuncia Israel por usar glifosato como arma, e Trump declara agrotóxico como ‘essencial para segurança nacional’

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governo do Líbano anunciou que vai apresentar uma queixa na Organização das Nações Unidas (ONU) contra Israel por causa do uso de substâncias químicas em vilarejos fronteiriços. O ataque ocorreu no dia 1º de fevereiro de 2026 e atingiu comunidades rurais. Exames de laboratório feitos em amostras de solo e água revelaram que os níveis de glifosato na região estão entre 20 e 30 vezes acima do que é permitido pelas normas internacionais.

glifosato é um herbicida que pode causar câncer e danos graves ao meio ambiente. Especialistas afirmam que o uso desse produto em áreas de conflito serve para criar uma “zona tampão” no sul do Líbano. O objetivo seria destruir plantações e matas para facilitar a vigilância militar e afastar o grupo Hezbollah. As autoridades libanesas chamam a ação de “ecocídio”, pois ela acaba com a fertilidade da terra e com a biodiversidade local.

Esse uso de substâncias químicas altamente tóxicas pelo regime israelense não é novo. Silvia Ribeiro, pesquisadora da Alianza Biodiversidad, lembra que a organização Anistia Internacional documentou o uso de fósforo pelas forças israelenses em 2023 nesta mesma região do sul do Líbano. E relaciona essa prática a uma recente ordem executiva do governo dos Estados Unidos, assinada no dia 20 de fevereiro de 2026 pelo presidente Donald Trump, que define o glifosato e o fósforo como material essencial para a segurança nacional.

A nova regra permite que agências estadunidenses ignorem burocracias para garantir a produção e o fornecimento do veneno. O governo alega que o agronegócio depende do produto para manter a produtividade.

A ordem executiva classifica o fósforo elementar e os herbicidas à base de glifosato como materiais essenciais para a segurança nacional dos Estados Unidos. Embora o decreto esteja justificado pela “necessidade de garantir a estabilidade da cadeia de suprimentos de alimentos e a produtividade agrícola do país”, movimentos populares denunciam que a real motivação é a manutenção do maquinário de guerra e o uso dessas substâncias como arma química, violando tratados internacionais sobre o tema.

“O fósforo é usado em parte para o glifosato, mas também é fornecido a duas companhias diretamente bélicas que o utilizam como fósforo branco para fazer munições”, diz Ribeiro. “Com a ordem executiva, Trump garante que se fabriquem as duas substâncias necessárias tanto para fazer glifosato quanto para o uso na guerra”, completa.

“O uso de fósforo branco no Líbano também já foi denunciado por várias organizações internacionais ou comunitárias, entre elas a Anistia Internacional, além do glifosato. Esse uso de tipo bélico está proibido pela convenção sobre o uso de certas armas convencionais”, pontua Ribeiro.

Por sua vez, o ativista alemão, integrante da ONG Coalizão contra os Perigos da Bayer, Jan Pehrke, avalia que, embora o governo dos EUA tenha justificado a “essencialidade” do glifosato com base na “necessidade de garantir a estabilidade da cadeia de abastecimento alimentar e a produtividade agrícola do país”, não há dúvidas quanto ao interesse em incorporar essas substâncias ao arsenal militar do país.

“Atualmente, o glifosato está sendo usado pelo Exército israelense no sul do Líbano para destruir terras agrícolas. O fósforo, base do glifosato, também está sendo usado neste contexto. Não foi à toa que Donald Trump descreveu o fósforo em sua ordem executiva como essencial para a ‘prontidão militar e defesa nacional’. De acordo com o Monitor de Direitos Humanos Euro-Mediterrâneo, 9 mil  hectares de terras agrícolas foram tornados inutilizáveis através de pesticidas ou seus componentes”, relata Pehrke.

Outro aspecto destacado pela pesquisadora Sílvia Ribeiro é a relação econômica de Donald Trump  com a principal empresa produtora das duas substâncias que foram objeto da ordem executiva.

“Por um lado, esta ordem tem relação com garantir os lucros da Bayer, limitando a responsabilidade que a empresa tem pelos processos judiciais nos Estados Unidos e dando-lhe total impunidade para fabricar e vender o produto. É também uma mensagem para todo o continente latino americano de que não podem restringir esta substância, que é um dos principais negócios de lucro da Bayer e de outras empresas. Neste caso, a Bayer é a beneficiada direta e vários estudos e artigos nos Estados Unidos mostraram que o lobby da Bayer levou a esta ordem”, pontua Ribeiro.

Nada novo no front

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida emitiu nota após a revelação do caso, em que condena os ataques químicos, e compara a situação ao uso do famoso “agente laranja”, substância química empregada pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã.

“O ‘agente laranja’ da vez é o glifosato, agrotóxico amplamente utilizado nas lavouras brasileiras e classificado como ‘potencialmente causador de câncer’ pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2015”, denunciou a campanha.

Sílvia Ribeiro aponta que o desenvolvimento dos agrotóxicos guardou sempre uma relação estreita com a indústria da guerra. “Muitos agrotóxicos têm uma origem bélica, ou seja, basicamente foram usados em conflitos armados e guerras para usos hostis e depois se baixou a dose para usá-los na agricultura”, lembra a pesquisadora. “O que está acontecendo é que esta relação entre os agrotóxicos e seu uso em sentido militar não é nova. Sempre houve uma relação estreita”, avalia Ribeiro.

Na mesma linha, Jan Pehrke rememora episódios históricos em que potências militares fizeram amplo uso de substâncias químicas para enfrentar seus inimigos.

“As forças armadas britânicas desenvolveram a estratégia em 1940 ao utilizar herbicidas e outros pesticidas como armas químicas. No início da década de 1950, testaram este conceito de ‘guerra herbicida’ na luta contra o movimento de libertação da Malásia. Mas foi na Guerra do Vietnã que o potencial destrutivo total desta prática militar se tornou aparente. Os Estados Unidos pulverizaram 80 milhões de litros de venenos agrícolas sobre o país. O Exército utilizou-os para desfolhar as selvas a fim de detectar os Viet Congs escondidos mais facilmente, e também utilizou os produtos químicos para destruir as plantações do inimigo”, lembra o ativista, apontando esse último episódio histórico como o principal motivador da regulação internacional sobre o uso dessas substâncias tóxicas.

“A ‘guerra herbicida’ no Vietnã levou à inclusão na Convenção sobre as Armas Químicas de um ‘Critério de Propósito Geral’, segundo o qual qualquer produto químico pode ser considerado uma arma química se for usado contra civis”, pontua Pehrke.

Glifosato é o mais consumido no Brasil

O glifosato é o agrotóxico mais utilizado nas lavouras brasileiras, sobretudo de milho e soja, respondendo por cerca de 33% do total de venenos no país em 2023. Em dezembro de 2025, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos, em ação conjunta com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), protocolou um ofício dirigido à Agência Nacional de Vigiliância Sanitária (Anvisa) solicitando a reavaliação imediata e suspensão do uso de glifosato no Brasil.

O argumento das entidades para o pedido foi a despublicação de um artigo pela revista Regulatory Toxicology and Pharmacology, utilizado pelas autoridades como referência para a liberação desse veneno no Brasil. A retratação do editorial científico veio após a imprensa britânica revelar a interferência direta de empresas farmacêuticas na elaboração do artigo, que minimizava os efeitos desse veneno.

“A revista reconheceu que este artigo teve ‘significativa influência em decisões regulatórias’. No Brasil, ele subsidiou o parecer técnico contratado pela Anvisa em 2016 e a Nota Técnica nº 12/2020, que culminaram na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 441, de 2 de dezembro de 2020, estabelecendo a manutenção do glifosato sem alteração na monografia do ingrediente ativo em relação ao seu potencial cancerígeno”, destacaram as entidades, em nota.

Sílvia Ribeiro lembra que em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou a classificação do glifosato, apontando a substância como provável cancerígeno em humanos e animais. “A partir disso, surgiram muitos outros documentos posteriores que mostram a alta toxicidade do glifosato, tanto como cancerígeno quanto como disruptor neurológico e hormonal que afeta outros órgãos”, explica.

Para a pesquisadora, já passou da hora de essa substância ser banida não só no Brasil. “Em todas as partes do mundo se deve proibir o glifosato porque é o agrotóxico usado para matar ervas mais difundido em nível global. Isto afeta não somente onde se usa nas plantas, mas também todos os cursos de água, a fauna, os microrganismos benéficos e, sobretudo, a saúde de toda a população. No Brasil, se comprovou a presença de resíduos de glifosato até no leite materno, em crianças e nas escolas, principalmente nas zonas de uso intensivo, mas também nas cidades. Com esse nível imenso de uso de glifosato, o Brasil deveria deixar de usá-lo, assim como o 2,4-D e outros que possuem toxicidades diferentes, e que são usados como armas de guerra contra a natureza, contra os cultivos e contra as pessoas”, defende Ribeiro.

Brasil de Fato

Declaração de Trump sobre fim da guerra contra o Irã derruba preços do petróleo

O valor do combustível volta a se aproximar de US$ 90 em meio à volatilidade causada pela guerra no Oriente Médio

Os preços do petróleo no mercado internacional recuaram e voltaram a se aproximar do patamar de US$ 90 por barril, em meio à reação dos investidores às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito envolvendo o Irã. O movimento ocorre em um cenário de grande volatilidade no setor de energia, marcado pela intensificação da guerra no Oriente Médio e pelas incertezas sobre a duração das hostilidades.

De acordo com informações divulgadas pelo Financial Times, os mercados reagiram após Trump afirmar que a guerra com o Irã estaria “very complete” (“muito completa”, em tradução livre). A declaração contribuiu para reduzir parte da pressão sobre os preços do petróleo, que vinham registrando fortes altas nos últimos dias devido ao receio de interrupções no abastecimento global.

Dados recentes mostram que o barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, passou a ser negociado abaixo de US$ 90 após ter alcançado níveis mais elevados durante o agravamento do conflito. A oscilação reflete o temor de que os confrontos possam afetar tanto a produção quanto o transporte de energia na região do Golfo, responsável por uma parcela relevante da oferta mundial.

Conflito pressiona mercados de energia

A guerra envolvendo o Irã e seus adversários tem provocado fortes flutuações nos mercados energéticos. Nos últimos dias, o petróleo registrou uma das maiores valorizações semanais em décadas, impulsionado principalmente pelo receio de que o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz seja interrompido. A passagem marítima é estratégica para o comércio global, já que cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo transita por essa rota.

A tensão geopolítica também afeta o mercado de gás natural e outras cadeias ligadas ao setor energético. Especialistas e autoridades internacionais alertam que eventuais ataques a infraestruturas energéticas ou dificuldades no transporte marítimo podem provocar um choque de oferta, com reflexos diretos sobre inflação, preços de combustíveis e desempenho econômico em diversas regiões do planeta.

Analistas do setor destacam que, apesar da recente retração, os valores do petróleo continuam elevados quando comparados a períodos anteriores e podem voltar a subir caso o conflito se prolongue ou atinja instalações estratégicas.

Temor de impacto global

A instabilidade no Oriente Médio também tem levado grandes economias a discutir possíveis medidas para reduzir os efeitos da crise no mercado energético. Países do G7 sinalizaram a possibilidade de liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo como forma de aliviar a pressão sobre os preços e evitar uma crise mais ampla de abastecimento.

Mesmo diante dessas iniciativas, economistas e analistas alertam que uma guerra prolongada na região pode gerar consequências econômicas relevantes, como aumento da inflação global, encarecimento dos custos de transporte e novas pressões sobre as cadeias produtivas.

Enquanto isso, investidores permanecem atentos a qualquer sinal de agravamento do conflito ou de avanço em negociações diplomáticas, fatores que seguem influenciando as oscilações no mercado internacional de energia.

Do Brasil 247

Quando dizer não pode custar a vida: quatro mulheres por dia

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Tainá Reis – Doutora em Sociologia

Vinício Carrilho Martinez – Doutor em Ciências Sociais

Todos os dias no Brasil quatro mulheres são mortas simplesmente por serem mulheres – inclusive hoje, no Dia Internacional da Mulher. O país registrou em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.568 feminicídios – o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no Código Penal, em 2015.

Diariamente nos noticiários aparecem casos de misoginia, assédio sexual, violência doméstica e feminicídio. Matérias sobre feminicídio se tornam banais, apresentadas entre a parte meteorológica e a de esportes do jornal. Mas para quem vive neste país como mulher, os crimes hediondos não são apenas estatísticas: são um lembrete constante de que a violência está perto, porque o motivo da violência é ser quem se é, uma mulher. Não se trata de um acidente raro, um acaso que tem acontecido repetidamente, pois, é parte de uma estrutura que continua operando.

Essa estrutura também aparece nos gestos cotidianos, nas piadas, nos vídeos que circulam nas redes sociais. Vamos falar sobre uma trend recente: homens simulam nos vídeos um pedido de namoro ou casamento, ajoelham-se com um olhar aparentemente apaixonado; em seguida, encenam a reação caso recebessem um “não” ao pedido, teatralizam agressões (socos, chutes, facadas ou pauladas imaginárias são representadas como resposta à recusa feminina). Esses vídeos circulam nas redes sociais como algo normal, como brincadeira e contam com milhões de visualizações[1]. Aqui há declaração óbvia de incitação ao crime e que, como é o fato em si, também é crime.

As imagens são difíceis de assistir sem produzir um misto de asco, nojo, indignação e cansaço. Isso que alguns chamam de brincadeira revela a persistência da ideia de que a vontade masculina deve se sobrepor à autonomia das mulheres. A recusa feminina é transformada em motivo de violência. Esse tipo de conteúdo está apoiado em uma cultura muito mais antiga, que tem ensinado há séculos que homens e mulheres estão em lugares sociais diferentes e tem direitos diferentes.

Desde cedo, meninos e meninas são socializados em uma lógica que naturaliza a autoridade masculina e associa as mulheres a posições de subordinação. Esse arranjo social tem sido denominado de patriarcado — um sistema no qual os homens concentram poder político, moral e simbólico, enquanto as mulheres são associadas a papéis considerados secundários ou inferiores. Esse sistema não se sustenta apenas por normas ou expectativas sociais, mantém-se também pela violência, como afirmado por autoras como Silvia Federici (2017) e Heleieth Saffioti (1995).

Então, podemos entender que a violência de gênero não é resultado de comportamentos individuais desviantes, mas de relações sociais de dominação e poder. O agressor é um indivíduo, mas a lógica que legitima a violência é coletiva, é aprendida, reproduzida e naturalizada. A lógica da misoginia é exatamente a mesma, não se trata de um sentimento individual de ódio às mulheres, mas de um sistema social que disciplina e pune aquelas que desafiam papéis tradicionais de gênero (aqueles que foram sendo ensinados aos meninos e meninas desde a infância). É uma das faces do dominus (um domínio total, como se dá na propriedade de algo).

A filósofa feminista Kate Manne (2017) afirma que mulheres que reivindicam participação política, independência financeira ou simplesmente autonomia se tornam alvo desse mecanismo de punição simbólica ou física. Isso pode ser confirmado nas investidas dos chamados red pills[2] contra figuras femininas de destaque; no tipo de perseguição sofrida por mulheres na política[3] (lembremos dos ataques misóginos dirigidos à ex-presidenta Dilma Rousseff durante o período do golpe); nos vídeos que satirizam agressões diante do “não” feminino; e, inclusive, nos altos números de feminicídio e de violência doméstica.

Ainda cabe ressaltar que a violência não atinge todas as mulheres de forma homogênea, é preciso atentar para a intersecção entre gênero, raça e classe. Mulheres negras, pobres ou pertencentes a minorias sexuais enfrentam níveis ainda mais intensos de violência e discriminação, conforme Angela Davis (2016) e Patrícia Hill Collins (2019). Essa realidade foi analisada de forma pioneira no Brasil pela intelectual e ativista Lélia González (2020).  Para a autora, a violência contra as mulheres negras deve ser compreendida conjuntamente com a história escravocrata do país.

Durante séculos, os corpos das mulheres negras foram concebidos como propriedade, submetidos à exploração econômica e sexual. Essa racionalidade escravista permanece na cultura brasileira, contribuindo para a naturalização de estereótipos e para a invisibilização do sofrimento dessas mulheres. É também uma explicação para o fato de mais da metade das vítimas de feminicídio serem mulheres negras (Brasil, 2026).

A partir dessa breve retomada sobre algumas reflexões de diferentes autoras feministas e dessa trajetória histórica do país, entende-se que o feminicídio não é apenas um problema contemporâneo. A violência contra as mulheres acompanha a própria formação social brasileira: esteve presente no período escravista, quando mulheres negras eram tratadas como objetos de trabalho e consumo sexual; passa pela lógica patriarcal do pater familias, em que a autoridade masculina (do pai ou do marido) estruturava a vida familiar e controlava a mulher branca; esteve na ação do próprio Estado, como nas torturas abomináveis especificamente cometidas contra mulheres durante a ditadura militar.

É preciso reconhecer que nos últimos anos, o Brasil avançou, no campo jurídico, no combate a essa estrutura, com a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio. Essas conquistas são passos fundamentais no reconhecimento institucional da violência de gênero. Mas os números mostram que as leis não são suficientes – aliás, 13% das mulheres assassinadas em 2025 por feminicídio tinha medidas restritivas urgentes contra os agressores. Ou seja, é preciso mais do que leis para desmontar uma estrutura que se reproduz na cultura, nas relações sociais e nas instituições.

Se entendemos o feminicídio como cristalização de uma estrutura social patriarcal e misógina, a resposta a ele também deve ser estrutural. Mais do que medidas pontuais, o enfrentamento da violência contra as mulheres exige um compromisso político duradouro, com políticas públicas permanentes e coordenação institucional – exige, enfim, uma verdadeira Política de Estado. O fato de quatro mulheres serem assassinadas todos os dias neste país apenas por serem mulheres não é um problema de segurança pública, mas um retrato de relações de poder e hierarquias patriarcais que ainda estruturam a sociedade brasileira.

Referências

Brasil. Senado Federal. Procuradoria Especial da Mulher. Feminicídios crescem 4,7% em 2025; pequenas cidades têm maiores taxas. Brasília, 5 mar. 2026. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/institucional/procuradoria/noticias/feminicidios-crescem-4-7-em-2025-pequenas-cidades-tem-maiores-taxas. Acesso em: 8 mar. 2026.

Collins, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019.

Davis, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

Federici, Silvia. Calibã e a bruxa. São Paulo: Elefante, 2017.

Gonzalez, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

Manne, Kate. Down Girl: The Logic of Misogyny. New York: Oxford University Press, 2017.

Saffiotti, Heleith. Violência de gênero. Poder e impotência. Rio de Janeiro: Revinter, 1995.

[1] Vale dizer que quando alguns vídeos foram denunciados, a Meta afirmou que eles não feriam os protocolos da empresa e por isso não seriam removidos da plataforma. Isso leva mais uma vez à discussão da necessidade de regulamentação da internet.

[2] Red pill é um termo que surge a partir do filme Matrix, uma referência a tomar a “pílula vermelha” como um despertar para uma verdade oculta. Na internet o termo tem sido usado por comunidades masculinas de caráter patriarcais, antifeministas e misóginos, que afirma ter “despertado” para a verdade sobre mulheres.

[3] Sobre violência política de gênero, consultar o documentário ELEITAS l Violência Política de Gênero, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ByyeSfF2SgA

Lindbergh pede que PGR investigue Campos Neto por “omissão dolosa” no caso Master

O deputado federal Lindbergh Farias afirmou que apresentará uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, seja investigado por “omissão dolosa” no caso envolvendo o Banco Master. A manifestação foi feita após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Lindbergh, as informações divulgadas indicam fatos “extremamente graves” relacionados à atuação do grupo investigado. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou: “A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de milícia ultraviolenta organizada para intimidar e praticar violência contra jornalistas.”

Lindbergh relembrou que, à época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havia solicitado providências formais. “À época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havíamos apresentado pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República diante de indícios de irregularidades na compra do Master pelo BRB em abril de 2025”, afirmou.

Com a revelação de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, Lindbergh sustenta que há elementos adicionais a serem apurados. Ele mencionou o envolvimento de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, que teriam mantido interlocução direta e frequente com o banqueiro. Para o deputado, o cenário “sugere subordinação da autarquia reguladora aos interesses do banco para favorecer as fraudes do Master”, o que, segundo ele, reforça “a necessidade de apurar o envolvimento pessoal de Roberto Campos Neto”.

Ao anunciar a medida, o parlamentar foi direto: “Por isso, estou apresentando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por omissão dolosa na fiscalização bancária e os indícios de que norma editada durante sua gestão teria facilitado fraudes praticadas pelo Banco Master.”

Prisões e decisão do STF

A prisão de Daniel Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF). O magistrado assumiu a relatoria do caso em substituição a Dias Toffoli, que anteriormente havia decretado a prisão do banqueiro, mas depois a substituiu por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com as investigações, Vorcaro manteria uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro. Em decisão, Mendonça apontou a existência de um grupo denominado “A Turma”, descrito como “estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de pessoas”.

Entre os alvos das conversas reveladas está o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que declarou ser o destinatário das mensagens mencionadas na decisão. Em diálogos transcritos, Vorcaro afirma: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, ao que o interlocutor responde: “Vou fazer isto.” Em outra troca, o banqueiro diz: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, recebendo como resposta: “Pode? Vou olhar isso”, e confirmando em seguida: “Sim.”

Na decisão, Mendonça registrou: “A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados.”

As investigações apontam ainda para possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça. O Fundo Garantidor de Crédito estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados possam ultrapassar R$ 50 bilhões.

Diante desse contexto, Lindbergh sustenta que as revelações exigem apuração também no âmbito das responsabilidades administrativas e institucionais, motivo pelo qual decidiu acionar formalmente a PGR para que investigue a atuação de Campos Neto à frente do Banco Central durante o período mencionado.

Do Brasil 247

Gleisi cobra explicações sobre voos de Nikolas com jato de Vorcaro: “este escândalo é todo de vocês”

Ministra ressalta que campanha de 2022 usou avião vinculado a Daniel Vorcaro sem declarar contribuição ao TSE

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elevou o tom contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao comentar as revelações sobre o uso de um jato executivo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, durante a campanha presidencial de 2022.Em declaração no X, ela questionou a legalidade e a transparência das viagens realizadas em apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno .

As críticas surgem após reportagem revelar que Nikolas Ferreira utilizou um Embraer 505 Phenom 300, aeronave vinculada à empresa Prime You — grupo que à época tinha Daniel Vorcaro em seu quadro societário — para cumprir agenda eleitoral da caravana “Juventude pelo Brasil”.

A mobilização percorreu ao menos nove estados e o Distrito Federal entre 20 e 28 de outubro de 2022, com foco em regiões onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia vencido no primeiro turno.

Em manifestação contundente, Gleisi declarou:  “Quer dizer então que o deputado Nikolas fez campanha para Bolsonaro em 2022 no avião de Daniel Vorcaro, do banco Master? E a campanha nem declarou essa ‘contribuição’ ao TSE… Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fernando Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio. E esse pessoal ainda tem o cinismo de querer jogar no colo dos outros esse escândalo financeiro. Quem fechou os olhos para as falcatruas no Master foi o presidente do BC de Bolsonaro, Roberto Campos Neto. Quem comprou R$ 12 bilhões em papéis podres de Vorcaro foi o BRB do governador Ibaneis, tão bolsonarista como Nikolas. A verdade é que foi somente no governo do presidente Lula que o escândalo foi investigado e desvendado pela PF. E foi a diretoria do BC indicada por Lula que decretou a liquidação do Master. Este escândalo é todo de vocês, deputado Nikolas. A mentira e o cinismo também.”

Entenda o caso – A aeronave utilizada tem capacidade para até dez passageiros. Registros de monitoramento aéreo, com base em sinais ADS-B do transponder do avião, indicam que o jato esteve nos mesmos destinos e datas dos compromissos públicos da caravana eleitoral. Entre os locais identificados estão todas as capitais do Nordeste, além de Brasília, cidades do Vale do Jequitinhonha e do Triângulo Mineiro  Imagens divulgadas nas redes sociais à época mostraram Nikolas ao lado do pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, e de lideranças religiosas em frente à aeronave.

Em uma das publicações, a influenciadora cristã Jey Reis escreveu: “MISSÃO CUMPRIDA!!” e afirmou: “Em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares!!! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível!!! AMAMOS JESUS E AMAMOS O BRASIL!!”

No plano formal, a proprietária do jato é a empresa Prime You. A defesa de Daniel Vorcaro sustentou que a aeronave “não pertence ao banqueiro”, embora ele fosse sócio da companhia no período. Em nota, a empresa declarou: “A aeronave Embraer 505 Phenom 300 de prefixo PT-PVH opera e já operava em outubro de 2022 como taxi aéreo. Estes foram voos fretados dentro dos moldes tradicionais de uma operação de táxi aéreo do mercado. De acordo com as regras de confidencialidade que regem as operações de táxi aéreo, assim como ocorre na aviação comercial, e, também em respeito à LGPD, a empresa não divulga dados sobre os seus usuários e respectivos destinos”

Procurado, Nikolas Ferreira confirmou ter utilizado o avião, mas negou vínculo com Vorcaro ou o Banco Master. “Eu nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou o Master”, declarou.

Do Brasil 247

Acorda, BrasiI: Nikolas e pastor usaram jato ligado a Vorcaro na campanha de 2022

Aeronave da Prime You acompanhou caravana pró-Bolsonaro em nove estados e no DF durante o segundo turno das eleições

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um jato executivo vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, para cumprir agenda de campanha em favor de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, informa Malu Gaspar, do jornal O Globo. As viagens ocorreram ao longo de dez dias e abrangeram ao menos nove estados e o Distrito Federal, integrando a caravana “Juventude pelo Brasil”, organizada com o pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha.

Os deslocamentos coincidem com eventos eleitorais realizados entre 20 e 28 de outubro de 2022, em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia obtido maioria no primeiro turno. O objetivo declarado da mobilização era tentar reverter votos na reta final da disputa presidencial.

A aeronave utilizada foi um Embraer 505 Phenom 300, com capacidade para até dez passageiros. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Nikolas Ferreira ao lado do pastor Guilherme Batista, da pastora Mariel Batista e da influenciadora cristã Jey Reis diante do avião. Ao publicar uma das fotos, Jey escreveu: “MISSÃO CUMPRIDA!!”. Em outro trecho, afirmou: “Em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares!!! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível!!! AMAMOS JESUS E AMAMOS O BRASIL!!”.

O histórico de voos foi confirmado por meio da análise de sinais emitidos pelo transponder da aeronave, captados por ferramentas de monitoramento aéreo disponíveis online. Embora plataformas públicas como FlightAware e Flightradar24 não exibam os dados completos — bloqueados a pedido dos proprietários, prática comum na aviação privada —, registros de tecnologia ADS-B indicam que o jato esteve nos mesmos destinos e datas das agendas públicas da caravana.

Entre os trajetos identificados estão voos para todas as capitais do Nordeste, além de Brasília, cidades do Vale do Jequitinhonha e do Triângulo Mineiro. Em 21 de outubro, por exemplo, o avião estava em Salvador, onde Nikolas e o pastor haviam realizado evento na véspera. No mesmo dia, seguiu para Aracaju. Nos dias seguintes, o jato foi registrado em Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Teresina, São Luís e Imperatriz, acompanhando o roteiro de compromissos políticos.

Na reta final da campanha, a aeronave também decolou de Congonhas com destino a Uberlândia (MG), onde ocorreu ato com a presença de Jair Bolsonaro e do governador Romeu Zema (Novo). No dia seguinte, sinais do transponder detectaram o jato sobre o Vale do Jequitinhonha antes de aterrissar em São Paulo. Horas depois, Nikolas e Guilherme participaram de entrevista no programa Pânico, da Jovem Pan News, enquanto o pastor esteve em Brasília em evento evangélico de apoio ao então presidente.

No papel, a proprietária do jato é a empresa Prime You, grupo que detinha outras aeronaves e bens associados a Daniel Vorcaro. À época, o empresário ainda integrava o quadro societário da companhia. A sociedade foi desfeita em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação do Banco Master.

A defesa de Vorcaro sustentou que a aeronave “não pertence ao banqueiro”, embora ele fosse sócio da Prime You no período citado. Em nota, a empresa afirmou: “A aeronave Embraer 505 Phenom 300 de prefixo PT-PVH opera e já operava em outubro de 2022 como taxi aéreo. Estes foram voos fretados dentro dos moldes tradicionais de uma operação de táxi aéreo do mercado. De acordo com as regras de confidencialidade que regem as operações de táxi aéreo, assim como ocorre na aviação comercial, e, também em respeito à LGPD, a empresa não divulga dados sobre os seus usuários e respectivos destinos”.

Procurado, Nikolas Ferreira confirmou ter utilizado o Embraer 505 Phenom 300, mas afirmou desconhecer que a aeronave estivesse ligada a Vorcaro. “Eu nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou o Master”, declarou. Em nota, acrescentou: “Esclareço que o voo em questão ocorreu há 4 anos atrás, durante o segundo turno da campanha eleitoral, quando fui convidado para participar de um evento político ‘Juventude pelo Brasil’ e foi disponibilizada uma aeronave para o deslocamento. À época, não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião. Minha presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave, que posteriormente se soube tratar-se de Daniel Vocaro. Ressalto ainda que, em 2022, o nome citado não era de conhecimento público nem havia qualquer informação que levantasse qualquer tipo de alerta. Mesmo que houvesse a tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular ou que justificasse questionamento”.

A assessoria do pastor Guilherme Batista foi procurada pelo O Globo, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

Do Brasil 247

Infanticídio: sobe para 180 o número de crianças assassinadas por Trump e Netanyahu no Irã

Ataque atribuído à ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel atinge colégio feminino em Minab e hospital em Teerã, aprofundando crise regional

Subiu para cerca de 180 o número de crianças mortas no ataque contra a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan, sul do Irã. A nova atualização foi divulgada por Hossein Kermanpour, chefe de relações públicas do Ministério da Saúde iraniano, após o bombardeio ocorrido no domingo, no contexto da ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada no sábado.

Segundo informações publicadas pela Al Jazeera, com base em fontes oficiais iranianas, Kermanpour afirmou que o ataque matou “cerca de 180 crianças”. Ele também declarou que o “mesmo tipo” de míssil foi utilizado horas antes contra o Hospital Gandhi, em Teerã, ampliando o alcance da ofensiva.

A nova estimativa supera os 148 mortos inicialmente confirmados por agências estatais iranianas, como a Mizan News Agency, ligada ao Poder Judiciário do país. As autoridades consolidam os números à medida que avançam os trabalhos de resgate.

Escola atingida diretamente

De acordo com a Mizan, a escola foi atingida de forma direta durante a operação militar. O colégio feminino, localizado em Minab, ficou completamente destruído. Equipes de emergência continuam atuando na remoção de escombros e no atendimento aos feridos.

A agência estatal IRNA informou anteriormente que ao menos 63 pessoas haviam ficado feridas. Com a atualização mais recente, as autoridades indicam que o número de vítimas pode continuar crescendo, diante da gravidade dos danos estruturais e da intensidade da explosão.

Imagens divulgadas por autoridades iranianas mostram o prédio escolar reduzido a destroços. O episódio já é apontado como um dos mais letais contra civis desde o início da nova escalada militar na região.

Hospital também foi alvo

Hossein Kermanpour acrescentou que o “mesmo tipo” de míssil empregado no ataque à escola foi usado contra o Hospital Gandhi, na capital iraniana, poucas horas antes. A informação amplia as acusações de que estruturas civis estariam sendo atingidas na ofensiva.

Até o momento, não há confirmação oficial do número de vítimas no ataque ao hospital. O governo iraniano sustenta que os bombardeios fazem parte de uma operação coordenada entre Washington e Tel Aviv.

Irã denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou imagens do local e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”. A declaração reforça a denúncia formal apresentada por Teerã contra os Estados Unidos e Israel.

O episódio aprofunda a crise regional iniciada com a ofensiva militar conjunta e intensifica a pressão internacional por investigações sobre possíveis violações do direito internacional humanitário. O bombardeio contra uma escola primária feminina e contra uma unidade hospitalar coloca no centro do debate o impacto da guerra sobre civis, especialmente crianças.

A consolidação dos números pelas autoridades iranianas ainda está em curso, e novas atualizações podem alterar o balanço final de vítimas.

Do Brasil 247

“Esta noite, o mundo testemunhará o fim da arrogância dos sionistas”, afirma Aiatolá Alireza Arafi

O aiatolá Alireza Arafi foi anunciado como o comandante interino da política do Irã após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Ele prometeu uma resposta imediata à agressão de Israele e Estados Unidos.

“Agora estou assumindo o comando da política do Irã”, declarou Arafi em publicação nas redes sociais. Em seguida, afirmou: “A morte de Ali Khamenei será definitivamente vingada o mais breve possível”.

O novo dirigente também elevou o tom contra Israel ao afirmar: “Esta noite, o mundo testemunhará o fim da arrogância dos sionistas”.

O aiatolá Alireza Arafi foi escolhido como líder supremo interino do Irã e passa a comandar o processo de escolha do novo chefe máximo da República Islâmica.

“O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, afirmou o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi, em uma publicação na rede X. Segundo o comunicado, Arafi ficará à frente do país e foi eleito chefe do Conselho interino de liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo.

Nascido em 1959 na cidade histórica de Meybod, na província central de Yazd, Arafi tem 67 anos e é um clérigo xiita oriundo de uma família de religiosos islâmicos. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é retratado pela mídia estatal iraniana como alguém próximo ao fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Quando ocorreu a Revolução Islâmica de 1979, Arafi tinha 21 anos e não integrou a chamada “primeira geração de revolucionários”. Seu nome ganhou maior notoriedade após a ascensão de Ali Khamenei ao posto de líder supremo, em 1989.

Do Brasil 247

VÍDEO: Lula presta homenagens às vítimas das enchentes em MG e cobra ações do governo

Neste sábado (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou homenagens às vítimas das enchentes em Minas Gerais, destacando a necessidade de respostas rápidas e eficientes às tragédias causadas pelas chuvas. Durante sua visita à região afetada, Lula ressaltou que a população tem o direito de cobrar ações efetivas do governo federal para amenizar os impactos e garantir a reconstrução das áreas destruídas.

Em um pronunciamento à imprensa, o presidente afirmou que o governo federal está mobilizado para enfrentar os desafios impostos pela calamidade, mas que as autoridades locais também precisam desempenhar um papel fundamental. “A população deve cobrar ações concretas, e nós, do governo, estamos prontos para responder com urgência”, declarou Lula, mencionando os recursos destinados à recuperação das áreas atingidas.

A tragédia nas cidades mineiras deixou um rastro de destruição, com milhares de famílias desabrigadas e perdas significativas para a economia local. Além das vítimas fatais, as inundações afetaram a infraestrutura, interrompendo estradas e deixando grande parte da população sem acesso a serviços essenciais. O governo federal anunciou a liberação de recursos emergenciais para socorro e reconstrução das áreas mais afetadas.

Em sua fala, o presidente também enfatizou a importância da união entre os níveis de governo e a sociedade para superar o momento difícil. “A solidariedade é a chave para a reconstrução. Estamos todos juntos para que essas famílias possam voltar a ter dignidade”, destacou Lula, ao lembrar das medidas que já começaram a ser implementadas para o auxílio aos desabrigados.


Deslizamento de terra em Ubá, Minas Gerais, após fortes chuvas; equipes de resgate trabalham no local.

Além das medidas de emergência, o governo de Minas Gerais, liderado por Romeu Zema (PSDB), também se comprometeu a atuar rapidamente, embora o presidente tenha apontado a necessidade de mais agilidade nas ações preventivas para evitar que tragédias como esta se repitam. O governo federal continuará a acompanhar de perto as necessidades das cidades afetadas e a trabalhar em conjunto com as autoridades estaduais.

A comoção foi grande durante a visita de Lula às áreas afetadas, com moradores expressando sua gratidão pela presença do presidente e pelas promessas de apoio imediato. “O que queremos agora são soluções, não palavras”, disse uma moradora de um dos municípios atingidos, refletindo o sentimento de muitos que perderam suas casas e bens em função das enchentes.

O governo federal também anunciou que intensificará o apoio psicológico às vítimas e promoverá ações de integração para ajudar as famílias a se reestabelecerem. “Não vamos deixar ninguém para trás. Vamos fazer tudo o que for possível para devolver a dignidade a essas pessoas”, disse o presidente.

 

Infanticídio: Trump e Netanyahu assassinaram 148 na escola de meninas no Irã

Ataque a colégio feminino em Minab eleva número de mortos para 148 e aprofunda crise após ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel

Subiu para 148 o número de mortos no ataque que atingiu a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, província de Hormozgan, no sul do Irã, segundo informações divulgadas por veículos estatais iranianos e publicadas pela Al Jazeera. O bombardeio ocorreu no contexto de uma ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada na manhã de sábado.

De acordo com a Mizan News Agency, agência oficial do Poder Judiciário do Irã, a escola foi diretamente atingida durante a operação militar. A nova atualização eleva para 148 o total de mortos, além de dezenas de feridos, após a consolidação dos números pelas autoridades iranianas.

A agência estatal IRNA informou que equipes de resgate continuam trabalhando na remoção dos escombros e no atendimento às vítimas. Anteriormente, havia sido reportado que ao menos 63 pessoas ficaram feridas. O ataque integra uma série de ações militares atribuídas por Teerã à aliança entre Washington e Tel Aviv, que vêm provocando uma escalada de violência regional.

Governo iraniano denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou uma imagem do local atingido e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”.

“Esses crimes contra o povo iraniano não ficarão sem resposta”, escreveu Araghchi em publicação na rede X.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, classificou o bombardeio como um “crime flagrante” e pediu uma ação imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Além do ataque em Minab, a agência Mehr informou que pelo menos dois estudantes morreram em outro bombardeio israelense que atingiu uma escola a leste da capital, Teerã.

Questionamentos sobre alvos militares

Reportando de Teerã, o jornalista Mohammed Vall, da Al Jazeera, afirmou que os ataques colocam em xeque as declarações de Estados Unidos e Israel de que estariam atingindo apenas alvos militares.

“Eles dizem que estão mirando apenas alvos militares e tentando punir o regime, não o povo do Irã.”

Segundo Vall, o presidente Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — havia prometido ao povo iraniano que ajuda estaria a caminho, mas os acontecimentos recentes indicam a existência de vítimas civis.

“O presidente Trump prometeu ao povo iraniano que ajuda ou apoio estavam a caminho, mas agora estamos vendo vítimas civis; isso é algo que o governo iraniano irá destacar como um caso de violação do direito internacional e uma agressão contra o povo iraniano”, afirmou.

Até o momento, não houve reação oficial imediata por parte dos Estados Unidos ou de Israel às acusações envolvendo os ataques às escolas.

Histórico recente de confrontos

A atual escalada ocorre após confrontos anteriores entre Estados Unidos e Irã, incluindo os ataques de junho de 2025, que desencadearam uma guerra de 12 dias. Naquele episódio, segundo o Ministério da Saúde e Educação Médica do Irã, milhares de civis foram mortos ou feridos, além de danos significativos à infraestrutura pública.

O ataque à escola em Minab amplia a tensão no Oriente Médio e reforça as denúncias iranianas de que civis, incluindo crianças, estão entre as principais vítimas da ofensiva militar em curso.

Do Brasil 247

Facções familiares são um desafio maior do que o vínculo com milicianos

Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro pode estar perdendo tempo e foco com a decisão de ingressar com ação na Justiça do Rio contra detratores. O filho ungido exige que o X-Twitter forneça cadastros de usuários que publicaram textos associando seu nome a milícias e milicianos.

É um direito de quem se sente injuriado, caluniado e difamado. Flávio quer processar os autores das acusações ou insinuações de que tem conexões com bandidos. Um levantamento completo, com a ficha de cada um dos detratores, pode resultar na identificação de milhares de pessoas.

Até os robôs da Inteligência Artificial podem ser enquadrados por disseminarem esses vínculos. Perguntei hoje ao Gemini, do Google: qual é a relação de Flávio Bolsonaro com as milícias?

A resposta, disponível nessa e em qualquer outra plataforma de IA, apresenta o que todo mundo sabe sobre as relações provadas de Flávio com figuras identificadas como milicianos.

Nenhum robô afirma que ele é miliciano. Mas todos falam de relações explícitas, públicas, manifestadas das mais variadas formas, inclusive com homenagem a miliciano. Ninguém homenageia quem não conhece e não admira. Adriano da Nóbrega mereceu a Medalha de Tiradentes da Assembleia do Rio porque era admirado por Flávio.

E há ainda acusações feitas pelo Ministério Público, que poucos sabem onde andam e se andam. O que ele pode dizer é que não há condenações na Justiça em casos que o envolvam com as milícias. Sim, não há. Nada até agora.

Nem com as milícias, nem com rachadinhas, nem com a compra de imóveis com dinheiro vivo, nem com lavagem de dinheiro em franquia de chocolate, nem com os desmandos e outros crimes denunciados durante a pandemia. Tudo isso aparece em buscas auxiliadas pela IA.

Mas são apenas suspeitas ou investigações inconclusas. Apenas isso. Não há nenhuma condenação em nenhum desses casos, que qualquer robô pode detalhar.

Todos os inquéritos e processos ficam pelo caminho, pelos mais variados motivos. Inclusive uma investigação, por seus vínculos com milícias, aberta pelo Conselho de Ética do Senado. Nada anda.

Então, Flávio pode se desligar desse tipo de preocupação, porque sua iniciativa apenas colocou de novo nas capas dos jornais o seu nome ao lado das palavras milícias e milicianos.

Fora isso, não há com o que se estressar. Todas as informações sobre desmandos dos Bolsonaros, de inquéritos, processos e do que circula nas redes sociais já não provocam impacto na família liderada pelo líder preso.

As pesquisas recentes provam que quaisquer questões relacionadas a valores, ética, referências morais e bom senso não interferem muito nas decisões dos eleitores decididos a votar em qualquer candidato competitivo que represente a velha direita e a nova extrema direita.

O Estadão o apresenta como moderado que busca aproximação com os gays. E em chamada de capa dessa sexta-feira sugere que escolha uma mulher para a Fazenda, para assim ficar mais feminino.

Por isso, esqueçam as milícias. Flávio deve se concentrar nos problemas internos do bolsonarismo e da própria família. E pensar no seguinte: com o quadro que se apresenta hoje, das divisões no núcleo caseiro-afetivo do bolsonarismo, se for eleito, ele não terá paz.

A maior preocupação de Flávio não é com as composições os Estados, como mostram as anotações encontradas sobre sua mesa na sede do PL em Brasília. É com as facções internas que irão desafiá-lo se for eleito.

Com Bolsonaro encarcerado, ou mesmo na clausura de uma prisão domiciliar, o bolsonarismo viverá sob rachas permanentes, além de enfrentar o aumento das chantagens eternas do centrão.

O bolsonarismo no poder terá outros desdobramentos, com o agravamento de danos nas guerras entre Flávio, Michelle, Tarcísio, Eduardo, Carluxo, Malafaia, Nikolas, Kassab, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto.

Não é nem com a grande mídia que Flávio deve se preocupar, porque Globo, Folha e Estadão vão despachar direto com o Paulo Guedes dele. São a família e seu entorno o problema.

A degradação do líder é, em estruturas de poder sob controle da família, a anunciada degradação de todo o resto. É a vida e está na arte, na literatura, no cinema.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim)

VÍDEO: Em indireta a Nikolas, Lula critica quem usa tragédia em MG para ganhar like

Durante sua visita às áreas afetadas pelas fortes chuvas em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou aqueles que, segundo ele, utilizam tragédias como esta para ganhar likes nas redes sociais. O recado foi uma indireta para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que fez vídeos em Ubá durante a tragédia.

Em seu pronunciamento, Lula afirmou que a tragédia que atingiu a zona da mata mineira causou danos significativos, deixando milhares de pessoas desabrigadas e gerando grandes perdas para a economia local. Ele reconhec

eu o esforço do governo estadual, mas reforçou a necessidade de mais agilidade nas ações preventivas, apontando que desastres como esse poderiam ser evitados com maior preparação. O governo federal já liberou recursos emergenciais para o socorro imediato e a recuperação das áreas atingidas, e continuará monitorando a situação.

O presidente também ressaltou a importância da solidariedade entre os níveis de governo e a sociedade para superar este momento difícil. Em um gesto de apoio às vítimas, Lula destacou que a união será fundamental para devolver a dignidade às famílias afetadas. “Estamos juntos para que essas famílias possam recomeçar”, afirmou, lembrando das iniciativas de apoio psicológico e integração social que estão sendo implementadas para ajudar os desabrigados a se reestabelecer.

Apesar da comoção gerada pela tragédia, com moradores expressando sua gratidão pela presença do presidente, a população cobra soluções práticas e rápidas. Em um momento de grande emoção, uma moradora expressou o sentimento de muitos: “O que queremos agora são soluções, não palavras”. O governo federal reforçou que continuará a trabalhar em conjunto com as autoridades estaduais e a sociedade para garantir uma resposta efetiva.

 

Além das medidas emergenciais, Lula também pediu que os cidadãos deixem de lado a “pirotecnia” nas redes sociais e se concentrem em ações que realmente resolvam os problemas da sociedade. Ele declarou que o governo irá desmascarar aqueles que apenas buscam criar memes ou fazer política por meio de vídeos e postagens, sem oferecer soluções reais para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas.

Em Ubá, moradores expressaram indignação após a gravação de um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em meio à crise das enchentes que devastaram a cidade. Segundo relatos, a limpeza das ruas atingidas pelas chuvas foi interrompida para que o parlamentar gravasse a mensagem, enquanto o trânsito foi fechado e equipes de segurança, incluindo o Exército e a Guarda Municipal, paralisaram suas atividades para garantir a proteção de Ferreira.

Diario do Centro do Mundo

O teatro da diplomacia estadunidense atiça a matança de civis iranianos a serviço do sionismo

Os crimes ocorrem em aberta violação à soberania nacional do Irã, da Carta das Nações Unidas, das leis e da ordem internacional atirada ao lixo

O império da morte está de volta. Lança uma nova guerra ilegal, não autorizada, assassina de inocentes, arrogante e intervencionista nos assuntos internos de outro país. O ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorrido na manhã deste sábado, foi precipitado não apenas sem qualquer provocação do lado iraniano, como, além disso, em meio a negociações diplomáticas que vinham ocorrendo entre representantes de Washington e Teerã.

É evidente que a diplomacia foi usada pelos Estados Unidos apenas como disfarce para a preparação traiçoeira deste ataque, tramado nas sombras em coordenação com o regime sionista de Israel. Entre outras vítimas, o bombardeio desferido sem aviso prévio, na manhã deste sábado, sobre áreas habitadas matou civis indiscriminadamente, entre eles mais de uma centena de meninas reunidas em aula numa escola feminina em Minab. Alvos civis, sob silêncio do mundo civilizado, estão na mira dos mísseis de precisão com o objetivo de disseminar o caos pelo medo e a dor.

Os crimes ocorrem em aberta violação à soberania nacional do Irã, da Carta das Nações Unidas, das leis e da ordem internacional atirada ao lixo. Pelas mesmas leis ignoradas, o Irã tem pleno direito a responder em autodefesa, não apenas contra alvos estadunidenses ou israelenses, mas contra todas as bases dos EUA na região, bem como contra os regimes ditatoriais do Golfo Pérsico que as hospedam.

A diplomacia estadunidense, na verdade, serviu como um biombo, uma farsa encenada apenas para ganhar tempo até que suas forças de extermínio estivessem posicionadas para iniciar o ataque, desfechado sem declaração oficial de guerra. De fato, a ofensiva pode ter começado não porque as negociações tenham fracassado, mas justamente porque os entendimentos vinham avançando e o diálogo adentrava um cenário promissor para a paz.

A traição estadunidense ocorre não contra um país, mas contra toda a lei internacional e o sistema criado pela Carta das Nações Unidas, cuja fundação proíbe agressões entre nações e se apoia na defesa de negociações pacíficas para conflitos entre países. Todas as nações são alvo do arbítrio de uma coalizão de entidades nacionais párias, agindo à margem de qualquer argumento racional ou controle legal.

Para coroar o desfile de mentiras do governo dos Estados Unidos, cai por terra definitivamente o slogan de que Donald Trump encerraria a sucessão de conflitos sem fim em que o regime de Washington se envolve ao longo de sua história, inclusive os que são realizados, como este, a serviço de Israel e do lobby sionista.

A questão é agora qual é o objetivo real desta agressão e o que Trump usará para cantar vitória e se retirar. Matar o líder supremo Ali Khamenei será suficiente, mesmo que nada mude em essência? Será que o mundo testemunhará mais uma conveniente guerra desencadeada por Washington sob um padrão de conflitos que podem durar apenas dias, mas, na verdade, não têm fim?

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Escalada no Irã: Pepe Escobar afirma que não haverá mudança de regime e diz que “agora vem a vingança”

Analista classifica assassinato como ataque de “decapitação”, aponta reação imediata das instituições iranianas e fala em resposta com “força máxima”

O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o assassinato do líder supremo do Irã representa um “ataque de decapitação”, mas não provocará mudança de regime nem consolidará qualquer domínio estratégico imperial. Em publicação intitulada Do martírio à vingança, ele sustenta que o mecanismo de sucessão já está em funcionamento, que a estrutura de comando permanece intacta e que a resposta iraniana será marcada por “força máxima”. A análise foi divulgada nas redes sociais do jornalista, em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.

“Ataque de decapitação” e reação institucional imediata

Escobar inicia sua postagem com a expressão:

“Ataque de decapitação.”

A formulação indica que o assassinato teria sido planejado para eliminar a liderança máxima e desorganizar o comando político-religioso do país. No entanto, segundo ele, a reação institucional foi quase instantânea.

“O Conselho de Especialistas foi convocado em minutos.”

O órgão responsável por supervisionar e nomear o líder supremo teria se reunido rapidamente, sinalizando que o sistema político iraniano permaneceu operacional apesar do impacto do ataque.

Escobar também destacou o posicionamento do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que, segundo ele, prometeu:

“força máxima” em resposta.

Sucessão garantida e comando preservado

Um dos pontos centrais da análise é a rejeição de qualquer hipótese de colapso interno. Escobar foi enfático ao afirmar:

“Mecanismo de sucessão: em vigor.”
“Estrutura de comando: em vigor.”

Para ele, a cadeia de comando do Estado iraniano permanece intacta, frustrando expectativas externas de desestabilização.

O analista também descartou de forma categórica a possibilidade de mudança de regime:

“Sem mudança de regime.”

E acrescentou:

“Domínio estratégico imperial: zero.”

A avaliação sugere que, sob sua ótica, o ataque não produzirá vantagem estratégica duradoura para potências adversárias do Irã.

“O Sul Global está observando”

Escobar ampliou o foco da análise para além do Oriente Médio, destacando o impacto geopolítico mais amplo do episódio.

“O Sul Global está observando.”

A afirmação indica que países da Ásia, África e América Latina acompanham atentamente os desdobramentos, avaliando as implicações para o equilíbrio de poder internacional.

Ele encerra a postagem com uma frase que sintetiza o clima de tensão e expectativa:

“Agora vem a vingança.”

A declaração reforça a percepção de que a resposta iraniana poderá marcar uma nova fase de confronto regional, com repercussões globais.

Do Brasil 247

Irã decreta 40 dias de luto e promete resposta dura contra o assassinato de Khamenei

Presidente Masoud Pezeshkian classifica morte como “grande crime”, anuncia feriado nacional e afirma que crime “jamais ficará sem resposta”

O governo do Irã decretou 40 dias de luto oficial após o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e prometeu uma resposta dura contra os responsáveis pelo crime. As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, que citou comunicado oficial da Presidência iraniana.

O presidente Masoud Pezeshkian classificou o assassinato como um “grande crime” e afirmou que o episódio marcará uma nova etapa na história do mundo islâmico e do xiismo.

“Jamais ficará sem resposta”

Em nota oficial, Pezeshkian declarou:

“Este grande crime jamais ficará sem resposta e abrirá uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo. O sangue puro deste líder de alto escalão fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionistas.”

A declaração eleva o tom contra Estados Unidos e Israel, em um momento de forte tensão regional.

O presidente iraniano também afirmou que os autores e os mandantes do assassinato irão “se arrepender” do que fizeram.

“Desta vez também, com toda a nossa força e determinação, com o apoio da nação islâmica e dos povos livres do mundo, faremos os perpetradores e comandantes deste grande crime se arrependerem.”

Feriados e mobilização nacional

Além dos 40 dias de luto, o governo iraniano decretou sete dias de feriado público. A medida reforça o caráter excepcional da crise e indica mobilização institucional e simbólica em torno da liderança do país.

O assassinato de Khamenei representa um marco histórico para o Irã e pode desencadear desdobramentos políticos e geopolíticos de grande alcance no Oriente Médio, em meio à já delicada conjuntura regional.

Do Brasil 247

Lula encaminha candidatura de Haddad ao governo de São Paulo em chapa com Marina e Simone Tebet

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Presidente sinaliza a aliados acordo com ministro da Fazenda para liderar palanque petista no maior colégio eleitoral, enquanto PT discute nomes ao Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a ministros e aliados que encaminhou o acerto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para que ele seja o candidato ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026. A informação antecipada pelo jornalista Mario Vitor Santos, no Bom Dia 247 de 26 de fevereiro, e publicada pelo portal Metrópoles, na esteira das movimentações políticas que vêm redesenhando o tabuleiro eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

De acordo com o relato, aliados de Haddad avaliavam que a recente viagem à Índia e à Coreia do Sul, na qual o ministro acompanhou Lula, serviria como um momento de aproximação e convencimento para reduzir a resistência do ex-prefeito da capital paulista em voltar a disputar o Palácio dos Bandeirantes. A leitura no entorno do governo é de que o presidente busca consolidar um nome forte para liderar o palanque lulista em São Paulo, estado decisivo para o resultado nacional.

Haddad no centro do plano para São Paulo

Segundo a apuração divulgada, Lula considera Fernando Haddad o principal nome para comandar a estratégia eleitoral do campo governista em São Paulo. A escolha se relaciona tanto ao peso político do estado quanto à necessidade de estruturar uma candidatura competitiva contra a atual gestão paulista, num cenário em que a oposição tende a concentrar forças.

Ainda conforme a reportagem, Haddad vinha se mostrando reticente em aceitar o desafio, após ter sido derrotado no segundo turno em 2022 pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O histórico recente, somado ao ambiente de polarização e ao favoritismo atribuído ao governador por pesquisas de intenção de voto mencionadas no texto original, compõe o pano de fundo para a cautela do ministro.

Mesmo assim, a sinalização de Lula a interlocutores indica que o Planalto trabalha com a hipótese de transformar Haddad na âncora do projeto eleitoral em São Paulo. Isso significa, na prática, dar a ele o papel de liderar um palanque robusto, capaz de articular alianças e de sustentar uma campanha com densidade política no estado.

A viagem internacional como momento de articulação política

A presença de Haddad ao lado de Lula em compromissos recentes no exterior é descrita, no relato publicado, como um elemento político relevante. Aliados do ministro apostavam que a longa agenda internacional poderia ser usada para reduzir resistências e ampliar o espaço de conversa, longe da pressão cotidiana de Brasília e do noticiário doméstico.

Na lógica tradicional do poder, viagens desse tipo não funcionam apenas como cumprimento de agendas diplomáticas e econômicas. Elas também oferecem tempo e ambiente para alinhamentos internos e negociações que, muitas vezes, não amadurecem no ritmo fragmentado do dia a dia. No caso descrito, o cálculo seria o de usar a proximidade para consolidar um entendimento em torno do projeto de 2026 em São Paulo.

O movimento também sugere que, enquanto o governo administra pautas econômicas e políticas no curto prazo, setores do entorno presidencial já operam com foco na disputa eleitoral e na montagem de um desenho estratégico para o próximo ciclo.

Cenário eleitoral e o desafio contra Tarcísio de Freitas

A reportagem aponta que Tarcísio de Freitas é visto como favorito para vencer novamente o pleito, com base nas últimas pesquisas citadas no texto. Essa percepção reforça a lógica de Lula ao buscar um nome com musculatura política e reconhecimento público para uma disputa de alta complexidade.

Nesse contexto, o nome de Haddad aparece como um ativo por diferentes razões: ele já disputou o governo, tem histórico eleitoral no estado, foi prefeito da capital e hoje ocupa uma posição central na condução da política econômica do governo federal. Ao mesmo tempo, o desafio é proporcional ao tamanho do ativo: a eventual candidatura exigiria calibrar a exposição do ministro, administrar o impacto político de uma saída do comando da Fazenda e estruturar uma coligação capaz de disputar voto a voto no estado.

O Palácio dos Bandeirantes, além de ser um posto de poder regional, tem influência direta na correlação de forças nacional. Por isso, uma candidatura competitiva em São Paulo costuma ser tratada como peça-chave para qualquer projeto presidencial, seja de continuidade, seja de oposição.

Senado: PT articula composição com Tebet e Marina

Além da disputa pelo governo paulista, o texto informa que o PT articula um acordo para lançar as ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) como candidatas ao Senado por São Paulo. A hipótese, segundo a reportagem, incluiria a possibilidade de ambas mudarem de partido para a eleição, com o PSB apontado como um possível destino.

A movimentação, se confirmada, teria implicações relevantes para a engenharia de alianças. Uma chapa majoritária que combine candidatura ao governo e nomes competitivos ao Senado pode ampliar o arco de apoios, distribuir palanques e fortalecer a disputa em duas frentes que se retroalimentam: o executivo estadual e a bancada senatorial.

No caso de Simone Tebet, a reportagem ressalta um ponto sensível: por ser de Mato Grosso do Sul, ela precisaria mudar o domicílio eleitoral para concorrer em São Paulo, conforme as regras da legislação vigente. O dado é central porque, na prática, impõe um requisito burocrático e político que precisa ser resolvido com antecedência para evitar insegurança jurídica e ruídos na pré-campanha.

O texto também registra que Tebet já afirmou que deve deixar o cargo pelo menos até o dia 30 de março deste ano e que pretende ter ao menos mais uma conversa com Lula para tratar das eleições de 2026. A afirmação indica que a ministra, independentemente do desfecho, reconhece a necessidade de organizar prazos e decisões com antecedência, sobretudo diante das exigências legais e do calendário político.

O que está em jogo para 2026 em São Paulo

A sinalização de Lula sobre a candidatura de Haddad e as articulações para o Senado sugerem um esforço para montar uma frente forte em São Paulo, combinando projeção nacional, densidade eleitoral e capacidade de alianças. O estado concentra uma parcela decisiva do eleitorado brasileiro e costuma funcionar como termômetro político, com reflexos diretos na disputa presidencial e na composição do Congresso.

Ao encaminhar um nome para o governo paulista e discutir nomes ao Senado, o campo governista busca antecipar dilemas que sempre reaparecem às vésperas de eleições: quem lidera o palanque, como equilibrar interesses de partidos aliados e como maximizar competitividade num território onde a disputa costuma ser dura e intensamente nacionalizada.

Se o desenho se confirmar, a disputa paulista de 2026 tende a ser uma das mais observadas do país, tanto pelo peso do estado quanto pelo simbolismo do embate entre projetos políticos que se confrontam no plano nacional e se projetam, com força, no cenário regional.

Do Brasil 247

Haddad aceitou a missão de sair candidato ao governo de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulou a entrada do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na disputa pelo governo de São Paulo, movimento que altera o cenário eleitoral no maior colégio eleitoral do país, destacam os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo na coluna A Hora, do UOL, como adiantou Mario Vitor Santos no Bom Dia 247 desta quinta-feira (26).

A possível candidatura do petista impõe novos desafios à estratégia do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na montagem de sua chapa majoritária.Segundo a publicação, integrantes do entorno de Tarcísio avaliam, de forma reservada, que, caso optasse por disputar o Senado, Haddad estaria eleito.

Reunião define rumos da campanha em SP

Na quarta-feira (26), Haddad disse que a data de sua saída do ministério dependia de uma conversa direta com o presidente Lula e de uma viagem oficial aos Estados Unidos. O encontro entre Lula e Haddad, segundo o G1, estava previsto para esta quinta-feira ), quando o cronograma deverá ser discutido.

Lula deve viajar a Washington entre os dias 15 e 20 de março, e a possível participação de Haddad na comitiva pode influenciar o momento de sua saída. O futuro do ministro após deixar a pasta permanece indefinido, embora ele já tenha manifestado interesse em atuar na coordenação da campanha de reeleição do presidente.

Impacto direto na chapa de Tarcísio

Atualmente, a pré-candidatura ao Senado na chapa de Tarcísio é ocupada pelo deputado Guilherme Derrite (PP). No entanto, a vaga destinada ao PL ainda está em disputa, o que amplia as negociações internas e adiciona pressão ao governador.

A entrada de Haddad na corrida ao Palácio dos Bandeirantes impacta o chamado “quebra-cabeça” da composição majoritária, especialmente diante da força eleitoral atribuída ao ministro.

PL pressiona por espaço na majoritária

O PL, partido de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, reivindica não apenas a vaga ao Senado, mas também a indicação do candidato a vice-governador. O posto é atualmente ocupado por Felício Ramuth, filiado ao PSD, legenda comandada por Gilberto Kassab.

Após episódios de tensão política, Kassab precisará se reaproximar tanto de Tarcísio quanto de Ramuth para manter a atual configuração da chapa. A disputa interna evidencia a complexidade das articulações no campo governista.

Capital paulista no centro da estratégia

Para Haddad, a eventual candidatura ao governo exigirá mobilização do eleitorado simpático ao PT e à sua trajetória política. A capital paulista surge como eixo central dessa estratégia. Prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016, Haddad venceu Tarcísio na cidade na eleição estadual de 2022.

Do Brasil 247

Fundamentos civilizatórios da educação emancipadora

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Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

 O objetivo geral do texto é delinear alguns fundamentos que não podem ser questionados e abandonados por quem pensa a Educação de forma emancipadora. Para uma compreensão geral, dividimos em duas partes que se comunicam e que refletem o mesmo sentido civilizatório proposto.

Fundamentos da educação para a ciência

Pensar uma Educação que se constitua de forma emancipadora implica romper com concepções dogmáticas de ensino, historicamente consolidadas nas salas de aula e naturalizadas como mecanismos de regulação social e de perpetuação das desigualdades.

Na perspectiva da educação para a ciência, essa ruptura demanda reconhecer o conhecimento científico para além de uma concepção tecnicista, compreendendo-o como uma produção humana e historicamente situada, indissociável dos contextos políticos, sociais e econômicos nos quais é produzido, legitimado e socialmente apropriado. Não há neutralidade na produção e aplicação da ciência.

A ciência, nesse sentido, não se apresenta como uma produção descolada da experiência humana, mas como uma construção social permeada, atravessada por valores, interesses, disputas e projetos de sociedade. Reconhecer essa não-neutralidade constitui um fundamento inegociável da educação científica orientada à compreensão crítica da realidade e à formação integral do sujeito, enquanto estudante e cidadão. Reduzir o ensino de ciências à mera transmissão de conteúdos, à lógica da educação bancária (FREIRE, 2019)[1] ou ao treinamento técnico significa esvaziar seu potencial formativo e transformador, convertendo o conhecimento em instrumento de adaptação, e não de emancipação.

É essencial, portanto, que a educação científica promova a leitura crítica do mundo, articulando conceitos científicos às experiências concretas dos sujeitos e às problemáticas sociais passadas e contemporâneas. Nesse processo, os estudantes devem ser reconhecidos como sujeitos ativos na construção do conhecimento, capazes de questionar, interpretar e atribuir sentido aos saberes científicos.

Uma educação para a ciência comprometida com a emancipação afirma o compromisso ético da ciência com a vida, a justiça social e o bem comum, posicionando-se criticamente diante de usos do conhecimento que aprofundam desigualdades e exclusões sociais.

Assim, a educação científica consolida-se como fundamento essencial de um projeto civilizatório orientado pela autonomia intelectual, pela responsabilidade coletiva e pela transformação social.

 Por que ensinar a Filosofia?

 A Filosofia consiste na base de todas as ciências, de modo que todas as ciências bebem de sua lógica a partir da vinculação de todos os conhecimentos científicos terem nascido dos pensamentos filosóficos, o que proporciona reflexão sobre a existência e o pertencimento.

A Filosofia contribui para a formação crítica do sujeito ao promover, desde a educação básica, a problematização de normas, valores e práticas sociais. Para além da transmissão de conteúdos específicos, seu ensino desenvolve competências argumentativas e lógico-dedutivas, favorecendo a análise crítica da realidade e das dinâmicas de poder e opressão. Desse modo, justifica-se sua obrigatoriedade no ensino médio em razão de sua relevância formativa, reflexiva e político-social.

Diante do cenário atual na educação pública do Estado de São Paulo, há um projeto político do neoliberalismo que anula a autonomia e a emancipação na escola pública. Após a reforma do Ensino Médio aprovada em 2017, que fragiliza a educação brasileira desde sua base, a disciplina de Filosofia deixou de ser obrigatória no ensino médio e passou a integrar apenas como um item dos itinerários formativos em escolas públicas. Em contrapartida, se contradiz ao ensino privado que não adere à reforma e mantém o modelo antigo, com foco pré-vestibular. O que acaba favorecendo a desigualdade no acesso à educação no Brasil.

Assim, a reforma diminui a carga horária comum, com ênfase em ciências humanas (filosofia, história, artes e sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são matérias interdisciplinares (educação financeira). Entretanto, ocorre uma omissão entre a finalidade e os efeitos reais do projeto, substituindo-se a filosofia pela educação financeira, isso equivale a ensinar o aluno a lidar com o pouco que ganha, e jamais questionar o porquê de ganhar pouco. A exclusão da disciplina de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação crítica, como indivíduos de uma sociedade cindida, conturbada, desigual, como é a brasileira. Neste sentido, o ensino de filosofia agiria de per si como resistência e construção da práxis (reflexão e ação).

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 91. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2019.

Tensão interna no STF aumenta após Carnaval, dizem ministros

Crise entre ministros se agrava com investigação sobre quebra de sigilo e possível uso político de dados de magistrados

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o Carnaval e aprofundou o mal-estar entre integrantes da Corte. Ministros avaliam que os desdobramentos recentes agravaram a tensão interna, sobretudo diante da revelação de que uma reunião foi gravada e de que dados de magistrados teriam sido alvo de investigação irregular. As informações são do G1.

Segundo relato de um integrante do STF, o episódio deixou marcas profundas na relação entre os ministros. “Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, afirmou.

O foco da crise envolve a apuração conduzida pela Polícia Federal sobre possível quebra ilegal de sigilo de ministros da Corte e de seus familiares. A investigação busca esclarecer se houve acesso indevido a dados com finalidade de venda de informações ou uso político — ou ambas as hipóteses simultaneamente.

O inquérito foi instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes. No entanto, as diligências realizadas nesta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Inicialmente, todos os ministros do Supremo foram incluídos como potenciais alvos de espionagem, medida que gerou desconforto entre colegas de Moraes.

A depender dos resultados das investigações, o ambiente no STF pode se deteriorar ainda mais. Avaliações internas indicam que, caso se confirme a hipótese de uso político das informações, o impacto poderá extrapolar os limites da Corte e influenciar o cenário do ano eleitoral.

No curso das apurações, a Receita Federal informou que não foram identificadas irregularidades nos registros de dados de Paulo Gonet nem de seus familiares. O procurador-geral também constava na lista de autoridades cujos acessos seriam verificados.

Por outro lado, a Polícia Federal e a Receita já constataram que Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teve seus registros acessados indevidamente. A invasão foi realizada por um funcionário cedido à Receita Federal que atua no Rio de Janeiro.

A expectativa agora gira em torno da eventual decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a abertura de uma investigação interna para apurar o que ocorreu. Nos bastidores, ministros reconhecem que o desfecho do caso poderá ter consequências significativas para a estabilidade institucional da Corte e para o ambiente político do país.

Do Brasil 247

Envolvido no caso Banco Master, Alcolumbre resiste a pressão por impeachment de Toffoli e cita risco institucional

Presidente do Senado afirma a aliados que chance de avançar pedido é “zero” e avalia que processo abriria precedente perigoso contra ministros do STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem sinalizado a interlocutores que não pretende levar adiante os pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, mesmo diante do aumento da pressão da oposição no Congresso Nacional.

Segundo relato de aliados, Alcolumbre considera que a abertura de um processo desse tipo poderia gerar um precedente institucional arriscado e estimular novas iniciativas semelhantes contra integrantes da Corte. Nos bastidores do Legislativo, a avaliação predominante é que “não dá para descambar”, diante do impacto político e jurídico que uma decisão desse porte poderia provocar.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, que detalha o ambiente de resistência dentro do Senado em relação ao tema.Atualmente, Toffoli é alvo de dez pedidos de impeachment protocolados na Casa. O mais recente foi apresentado na semana passada pela bancada do partido Novo. Entre os requerimentos existentes, quatro tratam do caso Banco Master e foram apresentados ao longo de 2026, reforçando a mobilização de setores oposicionistas para tentar avançar com a medida.

Apesar disso, senadores ouvidos nos corredores do Congresso avaliam que o cenário tende a esfriar. Um dos fatores apontados é a retirada de Toffoli da relatoria da investigação envolvendo o Banco Master, o que, na leitura de parlamentares, pode reduzir o desgaste político e enfraquecer o discurso da oposição pela saída do ministro do STF.

Mesmo com menções ao nome de Toffoli encontradas no celular de Daniel Vorcaro, congressistas afirmam que a mudança no comando do caso deve diminuir as críticas e enfraquecer o apelo por uma punição extrema ao magistrado.

Um senador próximo a Alcolumbre avalia que a pressão contra Toffoli deve perder força com o passar do tempo, desde que não surjam novos fatos capazes de reacender o debate. A leitura é de que o ambiente político pode caminhar para uma acomodação gradual do caso.

Nos bastidores, até mesmo integrantes da oposição reconhecem que há um movimento de autoproteção entre os Poderes, embora considerem que isso ocorre dentro de certos limites institucionais. Ainda assim, o entendimento dominante é que Alcolumbre não pretende abrir espaço para que o Senado assuma um protagonismo explosivo em relação ao Supremo.

Com isso, a expectativa entre aliados do presidente da Casa é que os pedidos permaneçam parados, sem qualquer avanço formal, apesar da ofensiva crescente de setores oposicionistas.

Do Brasil 247

Um chamado à lucidez

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Profa. Dra Tainá Reis. Docente Universidade do Estado da Bahia/UNEB.

Quando a exceção deixa de ser ruptura, o extraordinário se disfarça de regra. Revisitando o golpe de Dilma Rousseff, a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023 e a guerra Israel-Gaza, Vinício Carrilho Martinez evidencia o que chamou de normalização da exceção. Práticas autoritárias se infiltram nas instituições sob o manto da legalidade. A democracia, ainda que formalmente intacta, é esvaziada por dentro, direitos se fragilizam e a violência institucional se naturaliza.

Version 1.0.0

A crítica a essa normalização da exceção se dá por um imbricado diálogo com Giorgio Agamben, Carl Schmitt, István Mészáros, Karl Marx e Hannah Arendt. Porém, mais do que um diagnóstico, o livro apresenta um horizonte de superação. É a partir de Paulo Freire que se pode pensar uma autoeducação para além da exceção, uma educação política crítica e emancipadora que tem a potência para desnaturalizar a violência e realizar uma reconstrução democrática.

Educação para além da exceção é uma obra que reflete sobre o presente e inscreve-se nele como ato de resistência intelectual. É um convite à lucidez crítica. Trata-se, justamente por desnaturalizar a violência institucional e tensionar os limites da própria institucionalidade, de um exercício de educação emancipadora.

O livro é encontrado na Amazon, neste link:
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EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA EXCEÇÃO: Educação para além do capital Educação após Auschwitz, e depois de Gaza Educação Política Educação em direitos humanos Educação Constitucional (Portuguese Edition) | Amazon.com.br

Economista aponta possível fraude em pesquisa Apex Futura, que favoreceu o bolsonarismo

Pedro Menezes questiona série histórica do instituto e critica falta de critérios transparentes na cobertura de pesquisas eleitorais pela grande imprensa

O economista Pedro Menezes levantou suspeitas sobre a consistência técnica da pesquisa Apex/Futura divulgada nesta terça-feira (10), que aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, Flávio teria 48,2% das intenções de voto, enquanto Lula apareceria com 42,4%.

Foram realizadas 2.000 entrevistas entre os dias 3 e 7 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02276/2026.

Ao comentar o resultado, Menezes afirmou que há um padrão recorrente de divergência da Futura em relação ao conjunto do setor. “A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula”, escreveu.

Ele acrescenta que considera difícil sustentar tecnicamente esses resultados. “É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na mesma direção”, afirmou.

Divergência recorrente

Para o economista, o histórico da empresa em 2022 reforça a necessidade de cautela na divulgação atual. Segundo ele, a repetição de desvios na mesma direção — favorecendo candidatos bolsonaristas — deveria levar veículos de comunicação a adotar critérios editoriais mais rigorosos.

“Agora, grandes veículos divulgam que a Futura mostra Flávio na frente de Lula. O mais adequado seria ignorar ou pelo menos publicar uma ressalva já na manchete”, declarou.

Menezes também criticou a postura da imprensa brasileira diante de pesquisas eleitorais. “Nesses casos, infelizmente, a imprensa brasileira só costuma adotar critérios editoriais quando servem como pretexto pra outros interesses comerciais”, escreveu.

Falta de transparência

O economista afirmou que acompanha a cobertura de pesquisas há muitos anos e que não identifica padrões claros e públicos na escolha de levantamentos por parte dos grandes veículos.

“Desconheço um veículo que adote critérios transparentes, tecnicamente avançados e voltados apenas ao interesse público”, pontuou.

Ele sustenta que parte da mídia seleciona institutos de forma arbitrária, enquanto outros tratam todas as pesquisas igualmente, sem ponderação metodológica. “A maior parte dos grandes escolhe as pesquisas prediletas de forma arbitrária e, em geral, o resto trata todas da mesma forma pra caçar cliques”, afirmou.

Comparação internacional

Menezes citou como exemplo a experiência dos Estados Unidos após a atuação do estatístico Nate Silver, conhecido por desenvolver modelos agregadores de pesquisas com metodologia aberta.

“Um jornalista famoso chamado Nate Silver mudou a imprensa deles, que desde então dão aula: vários veículos de vários tamanhos publicam os próprios critérios editoriais e seguem a regra com rigor, muitos têm agregador com metodologia aberta e replicável”, escreveu.

Na avaliação do economista, a adoção de critérios transparentes e replicáveis elevou o padrão da cobertura eleitoral em diversos países. “Essa novidade na cobertura de pesquisas eleitorais chegou a muitos países do mundo. Ao cobrir pesquisas, infelizmente, nossa imprensa chegou a 2026 sem sair do século passado”, concluiu.

A divulgação do levantamento Apex/Futura reacende o debate sobre metodologia, transparência e responsabilidade editorial na cobertura de pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente diante do histórico recente de divergências entre diferentes institutos e dos impactos políticos dessas publicações no

Brasil 247

VIDEO BOMBÁSTICO Relato escandaloso de piloto envolvendo Rueda, Ciro Nogueira eaté ministro do STF

O relato é contundente e efetivamente explosivo. Um piloto que transportava regularmente a dupla que liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia ao PCC afirmou em depoimento à Polícia Federal que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo.

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Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, disse que Rueda era citado por seu chefe como o líder de um grupo que “tinha muito dinheiro que precisava gastar” na compra de aeronaves, avaliadas em dezenas de milhões de dólares.

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, diz Mattosinho na entrevista gravada em vídeo.

Rueda nega ser dono das aviões e “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito”, afirmou em nota oficial.

O presidente do União Brasil diz que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.

“A história que contei para vocês eu repeti para a Polícia Federal”, afirmou Mattosinho, na entrevista ao ICL Notícias. A reportagem teve acesso ao depoimento, prestado por ele há 17 dias no aeroporto Catarina, em São Roque (SP), antes de pedir demissão.

Mattosinho entrou na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba) em 2023 e saiu há duas semanas, depois de transportar os parentes de Beto Louco para o Uruguai na véspera da mega-operação da PF, da Receita e do Ministério Público de SP, realizada no fim de agosto, que revelou um enorme esquema de lavagem de dinheiro que inclui o uso de fundos de investimento.

O piloto afirma ter transportado ao menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são apontados como líderes do esquema que atendia ao PCC e estão foragidos da Justiça.

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco

O piloto, que se diz indignado pelo conteúdo das conversas que presenciou, procurou o ICL Notícias pela primeira vez em novembro do ano passado.

O ICL Notícias e o UOL apuraram que duas aeronaves atribuídas por Mattosinho a Rueda pertencem a fundos de investimentos que têm apenas um controlador, cujo nome não é divulgado.

Uma terceira aeronave está em nome de uma empresa registrada na periferia de Imperatriz (MA). Em entrevista, a única sócia da empresa disse desconhecer a firma e a aeronave.

Na entrevista em vídeo, Mauro Mattosinho reafirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, conforme revelou o ICL Notícias no dia 1º deste mês.

O senador nega ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco e também nega ter recebido qualquer valor. Ciro ingressou com processo contra o ICL Notícias, pedindo pagamento de indenização por danos morais.

“O senador tem direito de buscar a Justiça em uma sociedade em pleno exercício do Estado Democrático de Direito. Não o teria em caso de ditaduras, nem armadas e nem ‘de toga’. O ICL não se intimida com tentativas de assédio judicial e reafirma a qualidade de suas práticas jornalísticas”, reagiu Leandro Demori, diretor de jornalismo do ICL Notícias..

O piloto trabalhou de novembro de 2023 até o começo deste mês na empresa Táxi Aéreo Piracicaba, conhecida pela sigla TAP. Ele começou atuando como piloto de voos do Primo e depois passou a atender Beto Louco. Os dois estão foragidos da Justiça.

A TAP é administrada pelo empresário Epaminondas Chenu Madeira. O ICL Notícias teve acesso a conversas de Whatsapp entre Mattosinho e Epaminondas, em que o dono da TAP cita “Beto” e “Moha”, referindo-se a Beto Louco e Mohamed (Primo).

Mauro Caputti Matosinho e Epaminondas Chenu Madeira

“Irmão ta foda a situação Beto e Moha Velho. Eu voltando vamos trocar uma ideia. Pra nós alinhar. Mas os caras lá tão foda. Mas to carregando nas costas sozinho”, escreveu Epaminondas no dia 14 de março de 2025, às 16h50. A reportagem transcreveu a mensagem da maneira como ela foi escrita.

Procurada, a defesa de “Primo” informou que não irá se manifestar. Já o advogado de “Beto Louco”, Celso Vilardi, não retornou os contatos.

A TAP operava cinco aeronaves em 2023 e, neste ano, passou a operar dez, de acordo com Mattosinho.

Em nota, a empresa informou “desconhecer qualquer declaração atribuída a funcionário sobre aquisição de aeronaves” e atuar “em observância à lei”.  A empresa afirma que “não tinha conhecimento do envolvimento de investigados na Operação Carbono Oculto até sua deflagração”.

“Por fim, não pode fornecer informações sobre clientes ou passageiros sem autorização destes ou por requisição das autoridades competentes”, acrescentou, em nota.

Aeronaves em nome de terceiros

Mattosinho diz que Rueda viaja constantemente em jatos operados pela mesma empresa, embora ele não fosse o piloto destes voos. Era mencionado como “Ruedinha”, diminutivo de seu nome.

A vida de luxo e as polêmicas que envolvem o político foram relatadas no ano passado em reportagem do UOL.

“[Rueda] É uma pessoa que já fazia negócios com a Táxi Aéreo Piracicaba desde quando eu cheguei lá como funcionário, aproximadamente dois anos atrás. Ele já era um nome que circulava como [sendo] sócio em uma aeronave de pequeno porte”, lembra.

A aeronave à qual ele se refere é o jato bimotor Raytheon 390 Premier, matrícula PR-JRR.

De acordo com os registros da Anac, a aeronave pertence à empresa Fênix Participações, controlada pelo advogado Caio Vieira Rocha, filho do ex-ministro César Asfor Rocha; pelo ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE) e por um dono de concessionárias de Pernambuco.

Falando em nome dos sócios, Vieira Rocha negou que Rueda tenha participação na aeronave ou tenha viajado nela.

”Antonio Rueda não é proprietário da aeronave e nem sócio de nenhuma das 3 empresas sócias da aeronave”, escreveu Vieira Rocha.

Conforme registros oficiais,o jatinho foi comprado pela Fênix por US$ 2,3 milhões (R$ 13 milhões), em 2 de outubro de 2024. A transação foi feita com a RZK Empreendimentos Imobiliários, que havia adquirido a aeronave em 2014.

A RZK pertence a José Ricardo Rezek, que é doador do União Brasil, dentre outros partidos, e próximo a Antônio Rueda. Rezek estava na lista de convidados do aniversário de 50 anos do presidente da legenda  este ano. A empresa informou por meio de nota que nunca vendeu nenhuma aeronave a Rueda. “Ele jamais atuou como intermediário em qualquer compra e venda e muito menos participou das negociações. A aeronave citada foi regularmente vendida à Fênix Participações Ltda., em conformidade com todas as normas legais, devidamente registrada na Anac”, acrescentou.

Os outros três jatinhos bimotores que, segundo o piloto, teriam sido adquiridos com participação de Rueda são: um Gulfstream G200, matrícula PS-MRL; um Citation Excel, matrícula PR-LPG; e um CitationJet 2, matrícula PT-FTC.

O Gulfstream G200 e o Citation Excel pertencem a empresas controladas pela Bariloche Participações S/A, empresa com capital social de R$ 110 milhões e controlada por fundos de investimentos geridos pelo banco Genial.

Um único cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado é dono do patrimônio da Bariloche, de acordo com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Sua identidade não é divulgada em documentos públicos.

“Rueda não tem relação com a Bariloche Participações S.A., tampouco é ou foi cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado”, informou a assessoria do presidente do União Brasil.

A quarta aeronave citada pelo piloto, o CitationJet, está em nome da Serveg Serviços.

Localizada em imóvel da periferia de  Imperatriz (MA), a empresa tem como atividade principal criação de bovinos, mas registra atividades secundárias diversas, que vão de serviços de malote não realizados pelos Correios a limpeza, conforme cadastro na Receita Federal. A firma está em nome de Antonia Viana Silva Soares.

Procurada, ela disse que desconhece as atividades da Serveg. “Não sei o que você está falando, não”, disse ela, desligando o telefone. Em seguida, bloqueou o número de contato da reportagem.

O uso de fundos de investimento para ocultar patrimônio ou para realizar operações de lavagem de dinheiro foi uma das principais descobertas das operações recentes da PF que miraram no PCC e em empresas financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Interesse em aeronave que foi à Grécia

Mattosinho afirmou que o presidente do União Brasil tinha interesse em adquirir uma quinta aeronave, um Gulfstream de Série 550, matrícula PS-FSR, capaz de realizar viagens intercontinentais. A negociação desse modelo de luxo começa a partir de US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões). O piloto não sabe se a transação foi concretizada.

O jatinho foi colocado à venda em julho deste ano, conforme anúncio publicado nas redes sociais de uma empresa que comercializa aeronaves.

No entanto, o site da empresa informava nesta semana que ela não está mais disponível.

A aeronave está registrada em nome do agente de jogadores Luís Fernando Garcia, dono da Elenko Sports. Ele negou ao ICL Notícias que seu jatinho tenha sido vendido e que Rueda tenha realizado viagens nele.

Garcia bloqueou o contato da reportagem no aplicativo. Ele alegou que não responderia aos questionamentos por entender que se trata de negócios particulares.

Em agosto, Rueda reuniu políticos, empresários e artistas para comemorar seus 50 anos na ilha grega Mykonos, que faz parte de um arquipélago no Mar Egeu.

O site de monitoramento global de voos, Adsb Exchange, mostra que o Gulfstream viajou em 31 de julho de Brasília à região de Mykonos, na Grécia. O aniversário de Rueda foi comemorado do dia primeiro ao dia 4 de agosto na ilha.

Ainda segundo o site de monitoramento, a aeronave saiu dia 10 da região em direção ao Brasil, aparecendo próximo a Sorocaba (SP) no dia 11.

O dono da TAP enviou mensagens de Whatsapp a Mattosinhos no dia 6 de agosto, falando sobre o serviço na Grécia, aos quais também tivemos acesso. “Irmão. Tô numa correria absurda com avião lá na Grécia. Pode tocar com Brunão pfv Ta foda aqui. 2 dias varados.

“Acompanhando programação da Grécia”, escreveu Epaminondas ao funcionário.

À reportagem, Rueda disse ter viajado em voo comercial da British Airways para a Grécia, dias antes do voo identificado pela reportagem. E negou ter adquirido a aeronave citada pelo piloto.

Investigado do governo Bolsonaro

A TAP está oficialmente registrada no nome da mãe de Epaminondas Chenu Madeira. O empresário, e também piloto, no entanto, é quem toca os negócios. Ele é sócio de outras duas empresas de táxi aéreo, a ATL Airlines e a Aviação Alta.

Mattosinho afirma que pilotava o bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG, que pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Primo e Beto Louco ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas na compra de outros dois jatinhos.

Documentos públicos mostram que a ATL Airlines e a Aviação Alta são cotistas da Capri Fundo de Investimento em Participações, que tem como representante legal Rogério Garcia Peres, alvo da operação realizada pelo MP-SP contra o esquema do PCC. Ele está foragido.

Advogado, Peres é apontado pela promotoria como “administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad, sócio em postos de combustíveis”.

Ele foi nomeado em 17 de setembro de 2019 pelo Secretário Executivo do Ministério da Economia, Marcelo Pacheco dos Guaranys, para exercer o mandato de Conselheiro, representante dos Contribuintes, junto à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do ministério.

A pasta à época era chefiada por Paulo Guedes.

Segundo o MP-SP, Peres também seria o controlador da Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, também alvo da operação.

A gestora de fundos aparece como administradora do fundo Capri em um relatório de demonstração financeira de 2024, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o nome Ruby Capital Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

A reportagem apurou, no entanto, que o CNPJ registrado no documento com  este nome é o mesmo da Altinvest.

Mattosinho afirma que o nome da Ruby foi citado por Epaminondas Madeira e por um advogado da TAP, durante um diálogo que mantiveram quando o piloto apresentou sua demissão.

De acordo com o piloto, o advogado de Epaminondas afirmou que o “Ruby estava intacto”, querendo dizer que o fundo não tinha sido identificado pelas operações da PF e do MPSP, o que revelou não ser verdade já que a Altinvest foi alvo da Operação Carbono Oculto.

Conteúdo originalmente publicado em: ICL Notícias

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA na eleição

@viniciocarrilhomartinez

No caso específico das fake news na seara política, o ônus da prova está invertido: na prática, o atingido pelo áudio (supostamente feito por IA) terá que provar que não falou aquilo outro.

O correto seria o suposto calunioso ser obrigado a apresentar provas de que “o fulano falou aquilo” mesmo.

Nessa inversão, o caluniado tem que provar a inocência; o correto seria o calunioso “provar que a sua prova (o áudio malicioso) é real”.

No âmbito filosófico, mas prático (como um consequencialismo), podemos pensar que, se é correto dizer que não há determinismo tecnológico, a IA nos trouxe “determinadas condições” em que as determinações humanas talvez já não sejam (em si) assim tão determinantes. De fato, conclusivamente, como queria Marcuse “o a priori técnico é um a priori político”. Na prática, a IA já modificou as bases do “fazer-se política” e, em consequência, do fazer-se humano.

Numa leitura sociológica, também podemos pensar que: em que pese haver indícios de “redução de impactos”, como no Estado Social (década de 1920) e no Welfare State (no pós-Segunda Grande Guerra), o capitalismo é programado para a obsolescência humana – vide a acumulação primitiva – e imposição da lógica da mercadoria (D-M-D’), o que também acarretou (especialmente na fase globalizada do pós-fordismo) a crescente obsolescência da mercadoria. Pois bem, neste momento do século XXI, a IA nos colocou a difícil prova de reverter o contínuo processo da subsunção humana.

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA

 

Capa de Veja dá moral prá Lula pela primeira vez

Não é sempre que a revista Veja coloca Lula na capa positivamente. Geralmente é batendo ou em situação nada favorável. A oito meses e cinco dias das eleições, é quase que impossível Lula não ser reeleito. Todas as pesquisas indicam que ele vencerá no segundo turno.

Só vai restar um: congestionamento de candidatos aumenta divisões na direita

Movimento do PSD, de Gilberto Kassab, com o lançamento de três presidenciáveis, esquenta a briga em torno de quem será capaz de enfrentar Lula

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Na terça-feira 27, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o primeiro nome da direita a lançar candidatura a presidente da República, em abril de 2025, fez um movimento que inaugurou um novo capítulo na corrida ao Planalto. Em um gesto que surpreendeu o mundo político, anunciou que estava trocando o União Brasil pelo PSD, onde já há mais dois potenciais presidenciáveis — os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Segundo o cacique da legenda, Gilberto Kassab, o que tiver melhor condições de se viabilizar nos próximos meses será bancado pelo partido.

A mobilização mostra a tentativa de consolidar uma candidatura forte, que abarque do centro à direita, sem a influência do clã Bolsonaro — que lançou Flávio Bolsonaro (PL) — e resistente a qualquer tentativa de cooptação do lado governista. Diante do leque de opções, no entanto, há uma disputa, que já se inicia, para provar quem tem as melhores condições para avançar de fase e enfrentar Lula, com chances reais de vitória, no embate final em outubro.

O Brasil é imensamente agraciado por ter Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, reeleito por três mandatos, com trajetória política singular, um estadista versado nos princípios e na arte de governar, reconhecido, respeitado, admirado e amado em todo o país e no mundo inteiro. Lula é o maior e o melhor presidente que o Brasil já teve, seus princípios e a sua expertise em governar são exemplos a serem seguidos e adotados. Em outubro de 2026, Lula será novamente reeleito Presidente da República, completando seu quarto mandato. Como forma de reconhecimento do valor de sua pessoa e da relevância de seu trabalho, até 2020, Lula foi condecorado 36 vezes com o titulo de Doutor Honoris Causa. A sua obra pelo desenvolvimento e engrandecimento do país e a sua luta constante pelo combate da desigualdade social se tornam a sua marca indelével e imortalizadas. Com Lula o Brasil prospera e torna-se ainda maior. O Brasil tem muito que agradecer ao Presidente Lula. A vida de Lula e sua virtuosa obra serão sempre lembradas. Vitória ao governo Lula! Vitória à democracia! Que o Brasil possa superar suas mazelas e se libertar de todos os males. Vitória e paz ao nosso amado Brasil!

 

 

 

Quando o mau-caratismo vira profissão

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Ester Dias da Silva Batista

No ano de 2025, a divulgação de casas de apostas e jogos de azar, apesar das restrições legais, tornou-se cada vez mais comum nas redes sociais, especialmente em plataformas de consumo rápido, como o Instagram. A facilidade de acesso e a exposição contínua a esse “conteúdo” revelam uma distorção ética preocupante: práticas visivelmente nocivas passaram a ser socialmente interpretadas como uma profissão legitimada.

A lógica de influenciar é antiga, mas nesse contexto, foi profundamente modificada. Se antes estava associada ao compartilhamento de rotinas pessoais, nos chamados vlogs, hoje molda as decisões de consumo. Reviews, publicidades e recomendações atravessam quase tudo o que consumimos, inclusive comportamentos de risco. Assim, a divulgação de jogos de azar deixa de ser uma ação individual e passa a produzir efeitos coletivos.

Tais jogos não são neutros e configuram-se como um problema de saúde pública, sobretudo no campo da saúde mental. O vício em jogos envolve mecanismos psicológicos e biológicos semelhantes aos observados na dependência de álcool, por exemplo, podendo ser desencadeado por predisposições até então desconhecidas. Embora o discurso da auto responsabilidade seja frequentemente mobilizado, ele não dá conta da complexidade deste problema. Jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica são especialmente impactados pela exposição contínua a conteúdos que glamourizam apostas, sem alertas efetivos das consequências dessa prática.

Os relatos de famílias destruídas e casos de suicídio relacionados a apostas têm se tornado mais frequentes. Há iniciativas de denúncia que transformam o luto em ativismo, demonstrando como este problema ultrapassa o âmbito individual e atinge o aspecto social. Quando lucrar passa a ser sinônimo da exploração de fragilidades, a influência é transformada em desinfluência. Questionar esse modelo não trata-se de um moralismo, mas responsabilidade social: em que momento foi normalizado que o mau-caratismo se tornasse profissão?

Lula vence todos os adversários nos 1ª e 2ª turnos em 2026, diz nova pesquisa

O presidente Lula (PT) aparece à frente de todos os adversários nos cenários testados para 2026 em nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (29). No primeiro turno, o petista lidera nas simulações apresentadas. No segundo turno, o levantamento aponta empates técnicos, mas com Lula numericamente à frente em todos os confrontos.

Primeiro turno

No cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o principal adversário, Lula registra 39,8% das intenções de voto, contra 33,1% do senador.

Ratinho Junior (PSD) aparece com 6,5%, Ronaldo Caiado, agora no PSD, tem 3,7%, e Romeu Zema (Novo) marca 2,8%. Renan Santos (Missão) soma 1,5%, e Aldo Rebelo, 1,1%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam ou não opinaram totalizam 11,5%.

Arte com gráficos do primeiro cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Em um segundo cenário, com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como adversário, Lula aparece com 40,7% das intenções de voto. O governador de São Paulo marca 27,5%. Caiado registra 6,6%, Zema tem 4,4%, enquanto Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo somam 2% e 1,4%, respectivamente. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos chegam a 17,4%.

Arte com gráficos do segundo cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Segundo turno: empates técnicos, com Lula numericamente à frente

A pesquisa indica empates técnicos nos três cenários de segundo turno testados, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ainda assim, Lula aparece numericamente à frente em todos eles.

No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente tem 44,8%, e o senador, 42,2%. Brancos, nulos e indecisos somam 13%.

Na simulação entre Lula e Tarcísio de Freitas, Lula marca 43,9%, contra 42,5% do governador paulista. Brancos, nulos e indecisos chegam a 13,7%.

Já no cenário entre Lula e Ratinho Junior, o presidente registra 44,7%, enquanto o governador do Paraná soma 38,9%. Outros 16,4% não escolheram nenhum dos dois ou não opinaram.

O estudo ouviu 2.080 eleitores, em 160 municípios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Arte com gráficos do segundo turno apontado pela pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Caso Master: Gleisi diz que Lula foi informado por Lewandowski sobre atuação privada

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou o presidente Lula, ainda em 2024, sobre a existência de atividades privadas antes de aceitar o convite para comandar a pasta. Segundo ela, o ex-ministro deixou claro que precisaria se afastar dessas funções ao assumir o cargo.

Antes de integrar o governo, Lewandowski participou de um conselho consultivo do Banco Master, e seu escritório de advocacia manteve contrato com a instituição. O tema voltou ao centro do debate após a revelação de que um contrato de R$ 6,5 milhões foi transferido para o filho do ex-ministro quando ele assumiu o ministério.

Gleisi afirmou não enxergar impedimento na prestação de serviços anteriores ao banco e destacou que foi justamente durante a gestão dele que a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e deu início às investigações que envolvem o Master.

“Ele avisou que prestava atividades privadas, econômicas, e que ele teria que se afastar. Não sei se ele falou exatamente do Master, ele falou: “Olha, tenho que me afastar de atividades”. Ele deve ter comentado, mas isso não era impeditivo. Por que seria impeditivo?”, disse a ministra a jornalistas.

O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Na avaliação da ministra, há um esforço da oposição para associar o escândalo do Banco Master diretamente ao governo Lula. Segundo ela, esse movimento ignora o fato de que diversos personagens ligados ao caso mantêm relações com administrações e grupos políticos adversários ao Planalto.

“Fico me perguntando por que as pessoas ficam divulgando que o ministro teve contrato com o Master. Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que que isso está influenciando nas apurações que o governo está fazendo?”, questionou Gleisi, ao reiterar que Vorcaro foi preso enquanto Lewandowski chefiava o Ministério da Justiça.

A ministra também citou governos estaduais, como o do Distrito Federal, controlador do BRB, e o do Rio de Janeiro, ao mencionar investimentos de fundos de pensão no banco. Para ela, esse histórico precisa ser esclarecido pela oposição.

“A oposição também tem que explicar porque que o cunhado do dono do banco, o pastor Fabiano Zettel, foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022”, afirmou.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi alvo de operação da Polícia Federal em janeiro, quando teve o celular apreendido no Aeroporto de Guarulhos. Advogado e presidente da Moriah Asset, ele doou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio de Freitas.

Sobre a reunião fora da agenda entre Vorcaro e Lula, realizada em dezembro de 2024, Gleisi afirmou não ter participado do encontro, mas ressaltou que reuniões com representantes do mercado fazem parte da rotina presidencial. Segundo ela, a orientação do presidente sempre foi para que o governo atuasse de forma técnica e com autonomia nas investigações.

Lula faz discurso repleto de recados a Trump, cita Roosevelt e diz que só a paz interessa à América Latina

No Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, o presidente critica “investidas coloniais” e “retrocessos históricos”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira (28) um discurso com fortes mensagens políticas e geopolíticas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender que a América Latina deve rejeitar aventuras militares, disputas por zonas de influência e novas formas de dominação externa. Segundo Lula, em um mundo marcado por tensões e rupturas, a única agenda que interessa à região é a da paz, da integração e do desenvolvimento social.

A fala foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá, país que sediou, há exatamente 200 anos, o Congresso que reuniu as jovens nações latino-americanas após a independência. Lula evocou esse marco histórico para destacar que, embora daquele encontro tenham surgido princípios fundamentais do direito internacional — posteriormente incorporados à Carta da ONU —, como a solução pacífica de controvérsias e o respeito à soberania, a região enfrenta hoje um cenário de “retrocesso histórico” na integração.

Ao analisar a conjuntura regional, Lula afirmou que a breve experiência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) fracassou diante da intolerância política, impedindo a convivência entre visões distintas. Segundo ele, a América Latina volta a se apresentar fragmentada, mais voltada para interesses externos do que para projetos próprios. O presidente criticou ainda a influência de conflitos ideológicos alheios, o avanço do extremismo político e a manipulação da informação, fatores que, em sua avaliação, esvaziaram as cúpulas regionais.

Nesse contexto, Lula apontou a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), hoje a única organização que reúne todos os países da região. Segundo o presidente, o bloqueio político é tão profundo que o bloco não conseguiu sequer produzir uma declaração conjunta contra “intervenções ilegais que abalam nossa região”, nem responder de forma coordenada a desafios como a pandemia de Covid-19, o avanço do crime organizado e a crise climática.

Ao tratar do cenário internacional, Lula afirmou que a ruptura da ordem liberal, somada ao ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, expôs os limites de paradigmas tradicionais como o pan-americanismo e o bolivarianismo. Ele defendeu que a União Europeia seja observada como referência, sem ignorar as diferenças históricas, econômicas e culturais da América Latina. Foi nesse ponto que mencionou a proximidade geográfica com “a maior potência militar do mundo”, em referência aos Estados Unidos, alertando para o “recrudescimento de tentações hegemônicas”.

Lula afirmou que a história demonstra que o uso da força jamais ofereceu respostas duradouras aos problemas do continente. Para ele, “a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”. Em meio às críticas, o presidente recordou momentos em que os Estados Unidos atuaram como parceiros da região, citando o presidente Franklin D. Roosevelt e a política da boa vizinhança, que buscava substituir a intervenção militar pela diplomacia.

Ao mencionar Roosevelt, Lula destacou a defesa das chamadas “quatro liberdades fundamentais”, formuladas durante a Segunda Guerra Mundial: “liberdade de expressão”, “liberdade de culto”, “liberdade contra as privações” e “liberdade contra o medo”. Segundo o presidente brasileiro, esses princípios seguem atuais como base para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da convivência pacífica entre as nações.

Para o Brasil, afirmou Lula, “a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade”. Ele acrescentou que as únicas armas legítimas para esse enfrentamento são o investimento, a transferência tecnológica e o comércio justo e equilibrado. Nesse sentido, o presidente voltou a defender um projeto de integração regional pragmático, baseado na pluralidade de opções e na cooperação entre países.

Lula também fez um balanço de sua trajetória política e econômica, lembrando que assumiu a Presidência pela primeira vez em 2003, em meio a uma crise marcada por dívida externa elevada e forte dependência do Fundo Monetário Internacional. Segundo ele, o Brasil conseguiu promover uma ampla inclusão social, quitar dívidas, acumular reservas internacionais e encerrar seu segundo mandato com crescimento expressivo da economia.

Ao comparar aquele período com o cenário encontrado em 2023, quando voltou à Presidência, Lula afirmou que o Brasil crescia pouco, enfrentava inflação elevada e queda na produção industrial. De acordo com ele, desde então o país voltou a crescer acima de 3%, reduziu a inflação, alcançou recordes de emprego, renda e exportações e ampliou políticas de inclusão social. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza”, disse.

O presidente também criticou a lógica de exploração primária de minerais críticos e terras raras, defendendo que esses recursos só terão sentido estratégico se forem transformados nos próprios países latino-americanos, gerando empregos, renda e desenvolvimento. Para Lula, não há saída individual para os problemas históricos da região. Segundo ele, apenas um bloco econômico sólido, comprometido com o combate à fome e à desigualdade, poderá evitar que a América Latina chegue ao fim do século tão pobre quanto começou.

Leia o discurso na íntegra:

Quero começar agradecendo ao presidente-executivo da CAF, Sergio Díaz-Granados, pelo honroso convite para participar desta sessão de abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026.

Aproveito para cumprimentá-lo pela reeleição para o novo mandato à frente da CAF.

Agradeço também ao meu amigo, presidente José Raúl Mulino, pela hospitalidade com que nos recebe.

Saúdo todos os chefes de Estado e de Governo aqui presentes, os empresários, e todas as pessoas, mulheres e homens, que participam deste evento.

É muito oportuna a realização deste Fórum, em um contexto de crescentes desafios de ordem geopolítica, econômica e tecnológica para o mundo e, em especial, para América Latina e Caribe.

A escolha da cidade do Panamá para receber este evento possui um simbolismo especial.

Este é o verdadeiro ponto de união entre o Atlântico e o Pacífico.

Aqui, há exatos 200 anos, reuniu-se o Congresso Anfictiônico, em que as jovens nações americanas buscavam consolidar sua independência e definir seu lugar no mundo.

Do Congresso de 1826 surgiram muitas das ideias que encontrariam expressão no moderno direito internacional e na própria Carta das Nações Unidas.

Ideias como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a garantia da independência política, a igualdade jurídica e a integridade territorial dos Estados.

Embora tenha peso simbólico relevante, esse legado normativo e conceitual foi insuficiente para fomentar instituições regionais efetivas.

Dois séculos se passaram do Congresso do Panamá e vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração.

A breve experiência da UNASUL entre 2003 e 2014 sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes.

Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham.

As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano.

Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel.

Nossas Cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais.

Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a CELAC, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro.

A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região.

Não fomos capazes de enfrentar de forma coordenada desafios sistêmicos como a Covid-19.

Avançamos lentamente no combate ao crime organizado transnacional.

O enfrentamento do aquecimento global ainda padece de ação coletiva mais robusta e mais forte.

Esses desafios recolocam a questão do modelo do regionalismo possível para a América Latina e o Caribe.

Em um contexto global de ruptura da ordem liberal e do ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, os paradigmas endógenos ligados ao panamericanismo e ao bolivarianismo são insuficientes.

Também não podemos nos valer de modelos de integração que pouco refletem as nossas realidades.

Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais.

O peso das identidades nacionais torna inviável a curto prazo qualquer projeto de envergadura parecida com o europeu.

A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.

Falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

Diante das dificuldades de pactuar um marco teórico próprio, nossos países deveriam concentrar-se na mobilização dos trunfos inexplorados pela região para promover sua inserção competitiva na ordem global.

Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista:

(i) contamos com potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar;

(ii) possuímos variadas condições de solo e clima e avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos;

(iii) abrigamos a maior floresta tropical do planeta, mais de um 1/3 das reservas de água doce do mundo e riquíssima biodiversidade;

(iv) reunimos recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital;

(v) temos escassos contenciosos na fronteira;

(vi) somos um mercado consumidor expressivo de 660 milhões de pessoas;

(vii) não vivenciamos graves conflitos religiosos ou culturais; e

(viii) contamos com uma predominância de governos eleitos democraticamente.

A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções.

Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região.

Essa é a única doutrina que nos convém.

Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.

Minhas amigas e meus amigos,

Em um mundo envolto em turbulências, o Brasil escolheu o caminho da democracia, da paz, do multilateralismo e da integração regional.

Nossa estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica tem sido reconhecida em todo o mundo.

Nos últimos anos, o Brasil atraiu volumes recordes de capital estrangeiro.

Seguimos promovendo um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilateralmente acordadas.

Respondemos a práticas protecionistas com diálogo, firmeza e apoio a nossas empresas.

Em 2025, superamos marcas históricas de exportações e importações. Nossa corrente de comércio foi de 629 bilhões de dólares.

Isso é resultado de uma estratégia consistente de diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes.

Mostramos que um novo modelo de desenvolvimento, com inclusão e sustentabilidade, é possível.

Desde 2023, o Brasil cresceu acima da média mundial, controlou a inflação e alcançou o menor desemprego da nossa história.

Valorizamos o salário mínimo, aumentamos a renda dos trabalhadores e levamos justiça tributária a milhões de brasileiros.

Saímos mais uma vez do Mapa da Fome da FAO.

Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil. Estamos na vanguarda da economia verde.

90% da nossa matriz elétrica é renovável. Somos líderes em biocombustíveis.

Nosso “Plano de Transformação Ecológica” identificou 90 bilhões de dólares em projetos que vão impulsionar a economia verde.

Em breve, lançaremos um Mapa do Caminho para reduzir gradativamente a dependência de combustíveis fósseis.

Desde 2023, retomamos nossos esforços com a integração regional, buscando ampliar e diversificar nossos parceiros.

Concluímos os acordos entre o MERCOSUL e Cingapura e entre o MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA.

Após 26 anos de negociações, assinamos o acordo MERCOSUL-União Europeia, que abrangerá um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.

Vamos ampliar os acordos comerciais que temos com a Índia e o México.

Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos.

Adotamos marcos para negociar parceria estratégica com o Japão e preferências tarifárias com o Vietnã.

Esperamos progredir rapidamente nas negociações com Panamá, República Dominicana e El Salvador.

Vamos ainda atualizar os acordos do MERCOSUL com Colômbia e Equador.

O Brasil está avançando em ritmo acelerado na implementação de seu programa Rotas de Integração Sul-Americana.

Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos.

São dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de infovias e linhas de transmissão, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos.

A integração em infraestrutura não tem ideologia.

Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas.

Nosso Banco de Desenvolvimento, o BNDES, tem sido um parceiro essencial, mas a integração requer mais recursos e mais cooperação.

É imperativo mobilizar os bancos multilaterais e regionais — como a CAF, o FonPlata, o BID e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS — para transformar essas iniciativas em realidade.

Com projetos de geração de energia renovável, inovação e conexão digital, podemos reposicionar a América Latina e Caribe na economia internacional.

Centros de dados, beneficiamento de minerais críticos, indústria verde e bioeconomia podem contribuir para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.

Sabemos que a economia não existe no vácuo.

O mercado não é uma entidade abstrata, apartada da política e da sociedade.

Estabilidade política e social são essenciais para criar um ambiente próspero para os negócios.

A concentração de riqueza gera pobreza, fome e violência.

A América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região com maior número de feminicídios.

Segundo a CEPAL, onze mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente.

Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta e assumir a responsabilidade de acabar com a violência contra as mulheres.

Quando o povo tem dignidade e segurança a sociedade prospera.

Garantir o acesso a serviços básicos, e implementar políticas de combate à desinformação e à criminalidade são essenciais para a estabilidade e para a democracia.

Para uma integração regional duradoura e estratégica, é essencial envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada.

Sistemas de pagamentos digitais e inovadores como o PIX que fizemos no Brasil podem impulsionar o comércio regional.

Programas de cooperação entre universidades e centros de pesquisa criam laços baseados no conhecimento e na inovação.

Senhoras e senhores,

A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos.

Entre tantos corolários e doutrinas que nos foram dedicadas ao longo da história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento.

O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe.

Roosevelt também defendia que deveríamos erigir um mundo com base no que chamou de 4 liberdades fundamentais para a defesa da democracia e dos direitos humanos:

Primeiro: liberdade de expressão, em que todos possam expressar suas opiniões livremente, sem manipulação de dados e informações, como vemos hoje nas redes digitais.

Liberdade de culto: em que cada um possa professar a sua fé sem ser perseguido.

Liberdade contra as privações: em que todos tenham direito a uma vida digna, incluindo acesso a alimentação, moradia e trabalho.

E liberdade contra o medo: em que o desarmamento limitaria o recurso ao uso da força e agressões entre as nações.

Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade.

E as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado.

Minhas amigas e meus amigos,

Reconquistar a confiança na integração é uma tarefa árdua, mas necessária.

Dispomos de credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial.

Necessitamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais que articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região.

A integração regional pode e deve alimentar-se de princípios e do exame crítico de outras experiências históricas.

Mas ela será resultado da nossa capacidade de conviver com a diversidade das vontades políticas.

Essa é uma condição essencial para manter a América Latina e Caribe como zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional.

Isso dependerá da nossa inserção soberana no mundo.

Do Brasil 247

PF abre investigação sobre contratação de influenciadores para atacar o Banco Central

Inquérito apura uso de redes sociais para questionar liquidação do Banco Master e possível ação coordenada em defesa da instituição

A Polícia Federal instaurou, nesta quarta-feira (28), um inquérito para apurar a contratação de influenciadores digitais e páginas em redes sociais com o objetivo de atacar o Banco Central em favor do Banco Master. A investigação foi aberta após a produção de uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ), a partir da qual a corporação identificou indícios suficientes para a apuração formal dos fatos. As informações são da CNN Brasil.

O inquérito está sob responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). Segundo a apuração, os elementos reunidos pela Polícia Federal apontaram para a necessidade de aprofundar a investigação por meio de um procedimento policial.

De acordo com o levantamento citado pela CNN Brasil, a Polícia Federal mapeou uma sequência de publicações feitas entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano, nas quais influenciadores digitais passaram a divulgar críticas ao Banco Central. Ao menos 40 perfis foram identificados como possíveis participantes do chamado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Os perfis analisados pertencem a influenciadores de diferentes áreas, incluindo entretenimento, celebridades e, em menor número, finanças. As publicações apresentavam forte similaridade de linguagem e formato, sugerindo uma ação coordenada. Entre os principais argumentos difundidos estavam afirmações de que “pessoas comuns serão prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, que haveria “indícios de precipitação na liquidação do Master” pelo Banco Central e que “o banco foi liquidado em tempo considerado incomum”.

A reportagem também apontou que influenciadores relataram ter sido procurados, no final de 2025, por representantes de empresas de marketing digital. O contato teria como objetivo a produção de conteúdos questionando a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

Brasil 247

Consciência social e de classe

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@viniciocarrilhomartinez

O título trata, sem dúvida, da consciência de classe.

E, no caso brasileiro, é uma consciência que deve olhar para baixo e para dentro, antes de olhar para cima e para fora. Para dentro de si, de sua configuração de classe social, e para fora dos limites estreitos delineados nos interesses limitados e individualizados.

Comumente, adormecidas pelos cantos de sereia do capitalismo do enriquecimento fácil, da riqueza rápida, as pessoas olham para cima e para fora: para fora porque não querem a miséria que se impõe, para cima porque almejam o que os “ricos têm”.

Essa consciência até sabe onde está, alguns no fundo do poço, só não se entende o que a colocou ali; isolada, limitada, olha exclusivamente para si, imagina-se liberta da opressão da miséria – mas, sem os outros.

Esse efeito limitado de somente olhar para fora (das condições reais) e para cima (dos campos de poder) é compartilhado com outras classes sociais: a famosa classe média que quer ser rica, a classe dominante que almeja dominar infinitamente, as classes pobres que detestam ser pobres.

Aqui cabe uma sinalização: as classes pobres não detestam, exatamente, a miséria, a pobreza continuada, detestam o fato de que sejam assujeitados a essas condições de negação: o indivíduo lamenta estar ali e não vê que o vizinho está na mesma. Isto é, trata-se de uma consciência de quem olha somente para si, não existindo o todo que a mantém naquelas condições de negação.

Por outro lado, quando olhamos para baixo e para dentro estamos procurando, além de nós mesmos, outros que sejam semelhantes ou que estejam prostrados em condições análogas. Digamos que “olhamos para dentro da classe social”, para a classe social em suas infinitas condições, limitações e possibilidades, e, quando “olhamos para baixo”, passamos a clarear o entendimento acerca das estruturas e das condições do poder.

Assim, especificamente no caso brasileiro, o Direito à consciência social é incisivamente dirigido pela consciência de classe que é forjada por uma racial luta de classes. A expressão “racial” é péssima, porque parte da limitação (negação) que há no entendimento de que a Humanidade é dividida em raças – na essência, qualquer limitação trazida pelo “racial” é irracional, porque não há raças humanas – só há uma espécie. Porém, pior do que isso, é esse o gatilho empregado na continuidade do racismo e das proposições de eugenia. Em outras palavras, também é assim que se faz perdurar a luta de classes racista.

No conjunto, esse olhar para cima e para fora, sem, contudo, ver-se adequadamente – porque não se vê os outros –, além de um imenso e interminável individualismo, egocentrismo, ainda revela a lógica neocolonial e neoliberal que “opera as consciências por dentro”.

Numa frase, essa lógica seria assim resumida: A pior opressão é aquela que, sutilmente, o indivíduo se presenteia (banqueteia-se) com a sua abdução.

 

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Por Roberto Kuppê (*)

A Praça É Nossa

Não tem objetivo nenhum a não ser a continuação da tentativa de golpe de estado perpetrado no dia 8 de janeiro de 2023. A caminhada da insensatez liderada por Nikonha, primo de traficante, é uma afronta à Constituição e às instituições. E o pior, envolve crianças e adolescentes.

A Praça É Nossa 2

A presença de políticos e figuras públicas ao longo do trajeto também virou alvo de memes. Usuários compararam as aparições pontuais ao formato do programa “A Praça É Nossa”, destacando entradas rápidas e falas de efeito. Entre os nomes que surgiram nos registros estão o deputado federal Sargento Pincel e o senador Salsicha. O pretenso pré-candidato ao Senado Federal, Bruno Scheid (PL) também foi em meio à denúncias de cobranças por frete de avião não pago.

O PT de Rondônia

Se tem um partido que só decide após dezenas de reuniões sobre o mesmo assunto é o PT. Assim está sendo para decidir sobre as eleições deste ano. O partido tem um pré-candidato ao governo de Rondônia, Expedito Netto, mas o que estão confirmados mesmo são os pré-candidatos à deputados federais e estaduais. Netto vai ter que comer muita poeira ainda se quiser sentar na janela. Ele não tem nem 15 dias de pré-filiado. Ainda precisa ser referendado pelo presidente Lula e pelo presidente do PT, Edinho Silva. Em Rondônia ele teria quase a unanimidade. Resistência ele está encontrando com Ramon Cujui. Este é difícil de convencer. Uma reunião no Rio de Janeiro durante o Carnaval com a presença de Lula poderia ajudar. Lula será homenageado pela Escola de Samba Unidos de Niterói e deverá prestigiar o desfile no dia 15 de fevereiro na Sambodromo.

A bem da verdade

Governos de esquerda são estatizantes, ou seja, anti privatizações. A maioria das empresas públicas privatizadas as foram por governos de direita. Ao longo das décadas as rodovias federais foram privatizadas por presidentes da República de direita. Em Rondônia, a BR 364 recém concedida à iniciativa privada, está causando polêmica, sendo contestada justamente por políticos de direita, principalmente pela cobrança de pedágio considerado um dos maiores do país. É prá privatizar ou não? Ou o problema é apenas o valor do pedágio?

A bem da verdade 2

O vereador Everaldo Fogaça (PSD), de Porto Velho, participou ontem de uma caminhada sob chuva até Candeias do Jamari, em protesto contra o alto valor do pedágio. Realmente está alto porque a cobrança está sendo feita antes dos benefícios. Se a concessionária reduzisse pela metade todos ficariam satisfeitos.

A bem da verdade 3

Toda a bancada federal participou de audiências públicas em torno da concessão da BR 364, iniciada no governo Temer e intensificada no governo Bolsonaro. No entanto, apenas o senador Confúcio Moura (MDB-RO), está sendo responsabilizado só porque ele tem agido com transparência e honestidade. Já o outros parlamentares estão agindo com cara de paisagem, como se não tivessem “culpa no cartório”. Em vez de fazerem parte da caminhada contra o valor abusivo do pedágio, deputados e senadores foram caminhar contra a democracia e a favor do golpe de estado em Brasília.

Toffoli não abre mão do caso Master

A despeito da saraivada de críticas por sua atuação no caso das fraudes no Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não tem qualquer intenção de deixar a relatoria do processo ou devolvê-lo à primeira instância. Como conta Daniela Lima, Toffoli disse a colegas que vai “apanhar o que tiver que apanhar” e “conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”. Ele também divulgou uma nota elogiando a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar um pedido de deputados para afastá-lo da relatoria do caso Master, dizendo que isso “reafirma a regularidade da condução”. (UOL)

Defesa Master

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota  para defender a atuação da Corte e do ministro. No texto, ele afirma que cabe ao Supremo atuar “na regular supervisão judicial, como vem sendo feito pelo ministro relator, DIAS TOFFOLI” [em maiúsculas no original]. Toffoli vem sendo criticado desde que levou todo o caso Master para o STF e decretou sigilo máximo, seguido de decisões como mandar lacrar provas apreendidas e criticar a atuação da Polícia Federal. A revelação de negócios de seus irmãos envolvendo um resort com o cunhado e braço direito de Daniel Vorcaro, dono do Master, elevaram os questionamentos à atuação do ministro. Fachin, porém, reafirmou a autoridade de Toffoli para atuar no recesso e disse que “eventuais vícios ou irregularidades alegados” serão examinados depois pelo colegiado. (g1)

Defesa Master 2

Funcionários destacados para atender ministros do STF permaneceram por ao menos 150 dias em Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, associado ao ministro Dias Toffoli. Desde dezembro de 2022, o pagamento de diárias a esses agentes ultrapassou R$ 454 mil. Dados do TRT-2 indicam deslocamentos frequentes de equipes de segurança para a cidade, com a justificativa de prestar apoio e transporte a uma autoridade do Supremo. Os registros não identificam o ministro atendido, e o STF não comentou o caso. As viagens se concentraram em períodos de férias, recesso do Judiciário, Carnaval, julho e fim de ano. No último Ano-Novo, agentes também estiveram no local, reforçando relatos de que Toffoli segue frequentando o resort. (Folha)

Defesa Master 3

A defesa de Daniel Vorcaro negou que exista qualquer proposta ou negociação de delação premiada em curso. A declaração foi feita após a saída do advogado Walfrido Warde do caso, movimento que alimentou especulações sobre uma possível colaboração. Warde, conhecido por criticar esse tipo de acordo, teria deixado a defesa justamente por discordar da estratégia. Apesar dos rumores, a atual equipe jurídica afirma que não há tratativas com a Polícia Federal e que manterá a linha técnica da defesa. (CNN Brasil)

Defesa Master 4

Mesmo sem delação, os depoimentos de Vorcaro agitam o meio político. Segundo Aguirre Talento, da coluna de Fausto Macedo, o dono do Master afirmou à PF que tratou da abortada venda de seu banco ao Banco Regional de Brasília (BRB) diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Rocha admitiu ter ido uma vez à casa do banqueiro, mas negou ter discutido o negócio. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou. (Estadão)

Lula sobre o Master

O presidente Lula comentou, nesta sexta-feira (23), as investigações sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, em Maceió, Lula classificou o suposto esquema como um golpe bilionário.

Lula sobre o Master 2“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão, do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões, mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar é os bancos, é o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica que vai pagar, é o Itaú.”

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Pessoa com deficiência

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@viniciocarrilhomartinez

Eu tenho deficiência física, na perna esquerda, e estou nesse imenso rol que chamam de PCD – pessoa com deficiência. É mais um apelido. E como todo apelido não diz nada sobre você, aliás, apelidos relatam somente o mau gosto dos outros. Isso também me lembra das chamadas nomenclaturas: tentativas de explicações sintéticas sobre algo que via de regra levam a lugar algum. Começarei por esse PCD e depois trarei outras “nomenclaturas viciadas” por defeito catastrófico em sua origem e proposição.

Por pessoa com deficiência se entende um mar de gente – para mim infinito, como veremos –, da mais simples deficiência física às deficiências mentais e físicas das mais complexas e praticamente insolvíveis.

Antigamente, chama-se de “portadores de necessidades especiais” e, lá no passado, eu mesmo escrevi que todo mundo porta algo; poderia ser portador de Registro de nascimento (muita gente, na infinita miséria, sequer tem sinal público de sua existência) ou portador de alguma boa (ou má) intenção.

Ocorre que hoje me parece o mais óbvio, uma vez que, se todo mundo pode ser portador de alguma necessidade (por exemplo, milhares e milhões que não comem quatro refeições diárias), eu, com deficiência física, tenho uma necessidade especial que outras pessoas não tem – ou tem e fingem não ter. Tenho necessidade, por exemplo, de ter rampas de acesso ou elevadores – ao contrário das escadas que ainda encontro nas dependências do serviço público.

Pois bem, resolveram que essa terminologia não era boa e mudaram para PCD. Neste caso, particularmente, gostaria de saber qual pessoa não tem deficiência, alguma deficiência!? Gostaria de conhecer, porque um ser assim perfeito, majestoso, um anjo na Terra, é uma causa nobre. Não há ninguém assim: até o dedinho da mão esquerda será diferente, maior ou menor, do que o da mão direita (para as pessoas que têm mãos “normais”).

Outro caso emblemático (talvez o mais estapafúrdio) é daquelas “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade humana” – essa nomenclatura seria o meu politicamente, sociologicamente, correto. Esse caso, no entanto, tem uma bizarrice latente, um desvio moral observado na cultura de época e, que, em seguida, na nossa época, revoltando-se, tornou-se absolutamente hipócrita.

Lá nos cafundós da história, essa pessoa que chamei de “absolutamente desabrigada de dignidade” (porque não tem nem um cobertor) era “definida” pela cultura reinante como “indigente”. O termo já diz tudo (indigente), e não seria preciso detalhar muito o que se passava na cabeça das outras pessoas daquela época, afinal, nos bastaria pensar que, por “indigente” intui-se que se trata de alguém que não é gente. Assim, se não é gente, era (ou é) “algo” – um estorvo para as castas, classes e “mentes normais” daquele tempo.

Depois, as “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade” foram apelidadas de mendigos, pedintes, moradores de rua, moradores em situação de rua e, no meio disso tudo, esse politicamente correto (na ortografia apenas) chamou-os de “moradores de área livre”. Aqui me parece que a hipocrisia chegou no seu auge. Definitivamente, não sei se há algo mais perverso do que isso.

Concluindo, de volta ao topo, penso que a pior deficiência é a moral.

Alexandre de Moraes proíbe baderna liderada por arruaceiros em Brasília

Moraes proíbe “caminhada” promovida por Nikolas Ferreira em Brasília; A determinação acolhe um pedido feito pela PGR e proíbe a presença de manifestantes nas imediações da Papuda. O ministro também mencionou os atos golpistas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (23) impedir a realização de um ato bolsonarista previsto para este fim de semana em Brasília (DF).

A determinação acolhe integralmente um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e proíbe a presença e a permanência de manifestantes nas imediações da Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda, onde Jair Bolsonaro (PL) cumpre a pena de 27 anos de prisão determinada pelo STF no inquérito da trama golpista.

A decisão do STF, fundamentada em manifestação da PGR, atinge a mobilização promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que vinha reunindo apoiadores ao longo de um percurso estimado em cerca de 200 quilômetros, entre Paracatu (MG) e a capital federal. Segundo os organizadores, o ato defendia condenados por ações golpistas.

Ao analisar o caso, Moraes afirmou ter aprovado “integralmente os pedidos da Procuradoria Geral da República”. No requerimento, a PGR sustentou a necessidade de intervenção imediata para preservar a segurança do sistema prisional.

Conforme o órgão, era imprescindível a “adoção de medida cautelar de remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília– Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

Atos golpistas do 8 de Janeiro

O ministro Alexandre de Moraes também recordou os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Planalto e do Congresso, em Brasília.

“O exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de repetir os ilegais e golpistas acampamentos realizados na frente dos quartéis do Exército, para subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas, em especial o Supremo Tribunal Federal, que culminaram na tentativa de Golpe de Estado, em 8/01/2023”.

A Procuradoria também alertou que os organizadores anunciavam uma “Caminhada da Paz”, marcada para 25 de janeiro de 2026, com o objetivo de realizar um protesto ostensivo contra decisões do STF.

De acordo com a PGR, parlamentares divulgaram deslocamento até Brasília e incentivaram a adesão de outros cidadãos, afirmando que a pauta seria “justiça e liberdade” para envolvidos nos atos de insurgência de 8 de janeiro.

Alcance da decisão judicial

No despacho, Alexandre de Moraes determinou a “remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer acampamento ou indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília – Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

O ministro também autorizou medidas coercitivas em caso de descumprimento. A ordem prevê a “prisão em flagrante com base na prática de resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública, a fim de garantir a efetividade das probabilidades e a preservação da ordem pública na hipótese de resistência de indivíduos que, mesmo após intimados, insistirem em permanecer na via pública em manifestação de oposição à ordem”.

Ainda no texto, Moraes determinou a mobilização das forças de segurança locais e federais: “Determino, ainda, a imediata notificação das Secretarias de Segurança Pública, de Assuntos Penitenciários e da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para imediato cumprimento da medida, competindo especialmente à Polícia Militar do Distrito Federal a adoção de todas as providências necessárias à efetiva remoção dos referidos indivíduos do local e vigilância externa do local”.

O ministro acrescentou: “Intime-se, pessoalmente, os Secretários de Segurança Pública e de Assuntos Penitenciários e o Comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como o Diretor-Geral e o Superintendente/DF da Polícia Federal”.

Contexto das condenações

O inquérito da trama golpista resultou, até o momento, em 29 condenações anunciadas pelo STF. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais elevada, de 27 anos de reclusão. As investigações abrangem os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram depredadas, episódio inserido em uma apuração mais ampla sobre tentativa de ruptura institucional.

No julgamento específico relativo às manifestações daquele dia, a Corte condenou 1.399 pessoas. Dados divulgados em 8 de janeiro deste ano indicam que 179 indivíduos permanecem presos em decorrência dessas decisões, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva, entre elas a de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro.

Do Brasil 247 e

Ensinando a transgredir

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@viniciocarrilhomartinez

Em meios inóspitos, excludentes, violentos, transgressores da dignidade humana, é preciso transgredir.

É preciso transgredir o status quo liderado pela injustiça.

É preciso transgredir a Casa Grande que impõe a fome.

É preciso transgredir os muros imorais do racismo, da misoginia, da homofobia, da xenofobia.

É preciso transgredir a divisa da palafita que segrega pela miséria.

É preciso transgredir o capacitismo que se alimenta da meritocracia neoliberal.

É preciso transgredir a cancela que chancela mais o pasto do que o humano.

É preciso transgredir toda ordem que só projeta o progresso dos escolhidos pelo capital.

É preciso transgredir todas as mentes opacas, deturpadas, corrompidas.

É preciso transgredir todos os obstáculos, as normas negativas, os hábitos e as práticas que excluem, que tornam a dignidade inacessível, quando deveriam incluir.

É preciso transgredir, radicalmente, todas as raízes dos piores males sociais, políticos, econômicos, culturais.

É preciso transgredir tudo isso, até o dia em que não precisemos mais transgredir a opressão.

Na prática, na real, não há acessibilidade porque sequer temos a consciência mínima do que é certo e do que é errado.

Portanto, é preciso transgredir, até cansar de ler, todos os sinais de injustiça, desigualdade, preconceito, discriminação.

 

Consciência em trânsito

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@viniciocarrilhomartinez

O que transita é o que já está em movimento, é o que transita entre aqui, ali e acolá. O que leva a pensar na acessibilidade como uma via, um canal, um conjunto de meios que permitem ou facilitam o acesso e, assim, não obstruam o movimento.

Basicamente, trata-se do estar para ser e, posteriormente, do estar aqui para também ser ali.

E onde está a acessibilidade nisto?

Está em tudo, e podemos ver o básico primeiro: as classes dominantes que olham somente para si, para dentro do poder que lhes concede cada vez mais privilégios, podem acessar o que bem entender. Não lhes pertence (salvo exceções) a mobilidade decrescente na hierarquia social e econômica: “o ditado popular diz que caem ganhando, para cima”. Obviamente, as classes dominantes acessam o poder que lhes renova e assegura todos os privilégios; além disso, podem mover uma montanha para assegurar seus direitos.

Somos nós, os expurgados socialmente, economicamente, que não acessamos poderes, espaços, conteúdos, institucionalidades, serviços, condições elementares à moção da dignidade humana. Quem acessa o poder, acessa tudo que lhe garanta ainda melhores condições de acessibilidade.

No Brasil, o combo de racismo, misoginia, elitismo, capacitismo é institucional, replicante, multiplicado, e assim se molda toda a luta política em torno da luta de classes; contudo, é este um bom começo para quem se nutre do Direito à consciência.

É desse modo que a consciência de classe se põe ali fora, entretanto, para estar ali, é preciso estar aqui (dentro), conscientemente. E assim a acessibilidade é feita com conhecimento, lógica, prospecção, reflexão. A primeira ação, por derradeiro, começa em si – para, então, estar ali. O que é óbvio, pois algo somente pode vir a ser (ali) quando se sabe como é estar por aqui.

Sem o acesso ao conhecimento, não iremos com a consciência a lugar nenhum. Em tese, esse é o papel da educação, não como uma margem limitante do rio, mas, sobretudo, como o fluxo, uma correnteza que leva adiante, que faz mover, que desagua no que precisa ser feito, modificado e, desse modo, levando consigo as raízes do que impede o acesso de milhares, milhões de pessoas.

CFM quer impedir que 13 mil alunos de Medicina mal avaliados em exame nacional possam atender

Conselho discute resolução que pode impedir atuação imediata de profissionais recém-formados que não atingiram nota mínima. Advogados apontam que medida pode acabar em disputas judiciais.

Por Poliana Casemiro, g1 com informações do site Rondônia Dinâmica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que 13 mil estudantes de Medicina do último semestre que não atingirem a nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) consigam o registro profissional.

➡️ O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma prova anual para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino. Ao todo, 351 cursos foram avaliados e 30% estão na faixa considerada insatisfatória.

Além dos cursos, também foram avaliados os alunos do último semestre, prestes a concluírem a faculdade. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enamed, três em cada dez alunos prestes a se formarem não tiveram a nota mínima no exame.

Segundo o Conselho, isso acende um alerta sobre a qualidade da formação e o risco à população. O CFM vem articulando com o legislativo a criação de um exame próprio, que precisa ser liberado por lei, mas os projetos seguem travados.

Com a resposta do Enamed, querem publicar uma resolução exigindo que aqueles que não atingiram a nota mínima não possam ter o registro. Na prática, a medida impediria que esses profissionais atendam pacientes.

Já encaminhamos para o jurídico uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro. Eu acho que é muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender.
— José Hiran Gallo, presidente do CFM.

O Conselho informou também pediu que o Ministério da Educação forneça os dados detalhados dos alunos para que possam ter acesso à lista de nomes e desempenho.

O CFM pode impedir o médico de ter o registro?

➡️ Hoje, todo estudante de medicina ao concluir o curso tem o direito de receber o registro profissional automaticamente sem qualquer avaliação prévia. Isso é feito assim pela determinação de uma lei.

Segundo a advogada especialista em direito médico, Samantha Takahashi, o CFM não poderia criar uma resolução com regra própria que se sobreponha a lei.

Ela explica que a regulamentação exige o diploma de conclusão de curso de Medicina expedido por Instituição de Ensino Superior, registrada no Ministério da Educação, e que não há brecha que permita que o Conselho inclua novas condições.

No sistema que temos hoje, não existe uma brecha para que o conselho impeça que esses 13 mil médicos com diploma tenham o registro.
— Samantha Takahashi, advogada especialista em direito médico.

O advogado especialista em Saúde, Henderson Furst, concorda que não há base legal para que o conselho mude a regra. Mas explica que a resposta pode não ser tão simples e ficar nas mãos do judiciário.

Henderson explica que, caso o CFM insista na resolução, os alunos podem acionar a Justiça e que, na avaliação dele, é possível uma leitura favorável ao conselho porque a resolução protegeria a saúde pública.

Há uma lacuna legal. Sem uma lei que permita a prova e sabendo o judiciário que 13 mil alunos não tiveram nota mínima, isso coloca em risco a saúde da população. Isso poderia fazer com que a Justiça desse ao CFM decisão favorável em manter a resolução até que haja uma lei que permita uma avaliação.
— Henderson Furst, advogado especialista em Saúde

‘OAB da Medicina’ no Congresso

 

Atualmente, dois projetos sobre o tema estão mais avançados no Congresso, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal.

A ideia segue o modelo de exames de ordem já aplicados em outras áreas, como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), exigido de bacharéis em Direito.

➡️ O projeto que tramita no Senado Federal prevê que o exame de proficiência será realizado a todos os egressos do curso de medicina, como pré-requisito para o exercício da profissão no país.

O texto também cria instrumentos para acompanhar a formação médica:

  • estudantes do 4º ano do curso deverão fazer o Enamed, para medir a qualidade dos cursos;
  • plano de expansão da residência, com meta de alcançar, até 2035, ao menos 0,75 vaga de residência por médico formado;
  • competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar cursos de medicina.

A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em dezembro do ano passado, mas ainda precisa passar por mais um turno de votação no colegiado para a aprovação definitiva. Caso seja aprovado, o projeto seguirá para a análise dos deputados.

➡️ O projeto que tramita na Câmara dos Deputados institui o exame como requisito para o registro de médicos nos Conselhos Regionais de Medicina e para o exercício da profissão médica.

A proposta teve urgência aprovada em julho de 2025 e com isso, vai ser analisado diretamente pelo plenário da Câmara dos Deputados, sem precisar passar pelas comissões temáticas. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado em plenário, depois passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.

A proposta prevê que o exame seja aplicado de forma seriada aos estudantes de medicina. Os alunos dos 3°, 4°, 5° e 6° anos dos cursos de graduação deverão atingir a nota mínima de 60% da pontuação possível, em cada uma das provas, para aprovação.

O projeto prevê ainda a realização de provas de repescagem para aqueles que não atingirem a nota mínima.

30% dos cursos de Medicina foram mal avaliados

Mais de 100 cursos de Medicina do país foram mal avaliados no Enamed. Os cursos tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo INEP, e vão ser punidos com restrição no Fies e suspensão da abertura de novas vagas. O número foi divulgado no balanço de resultados do exame, em Brasília, nesta segunda-feira (19).

De acordo com a avaliação:

  • 🔴 24 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 1, o menor índice;
  • 🔴 83 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 2.

De acordo com o Inep, participaram da avaliação cerca de 89 mil alunos entre aqueles que estão concluindo a faculdade e em outros semestres.

Rondônia aparece entre os estados com instituições abaixo da faixa considerada satisfatória. Quatro cursos de Medicina em funcionamento no estado foram reprovados no Enamed, de acordo com a lista divulgada pelo Inep: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (conceito 2); Afya Centro Universitário de Porto Velho (conceito 2); Faculdade Metropolitana (UNNESA), em Porto Velho (conceito 1); e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul (conceito 2).

O curso de Medicina da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) alcançou o conceito 4 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), resultado que o consolida como o melhor do estado de Rondônia e o coloca entre os cursos mais bem avaliados da Região Norte.

 

 

CONSCIÊNCIA JURÍDICA

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Por Vinício Carrilho Martinez

Antes de uma conversa sobre consciência jurídica (entre o certo e o errado), tomaremos de empréstimo uma ideia sobre Cultura Jurídica, um pouco de conhecimento (mesmo que quase intuitivo) para nos posicionarmos no quadro geral. Pensemos que todo mundo deveria saber (ao menos ter curiosidade em saber) o que é Isonomia, Igualdade, Liberdade. Correto?

Sim, correto. Porém, a maioria das pessoas não sabe.

Neste sentido inicial, podemos dizer que a maioria das pessoas tem opiniões e cria seus juízos (muito mais prejuízos, se pensarmos na distorção provocada), e que, no fundo, isso não passa de pré-conceitos: aquilo que pensamos saber, antes de conhecermos efetivamente algo ou alguém.

Há uma simetria entre o pré-conceito de quem referencia pejorativamente o Direito, a Cultura, a Consciência Jurídica e o preconceito de quem “julga pessoas com deficiência”; essa similaridade tem um nó bem dado no desconhecimento, na ignorância, na concepção superficial. Todo ato de preconceito, portanto, deriva de um pré-conceito, uma ignorância em termos de informação e de conhecimento adequados, consolidados acerca do que realmente é ou sobre alguém.

Com isto, estamos dizendo que a Consciência Jurídica (Ética, em si) tem início no acesso à realidade dos fatos e das pessoas. E ninguém acessa nada de forma superficial, por vezes grosseiramente; nós só acessamos em essência – na aparência nós tateamos e muitas vezes deturpamos.

E é esse tatear que inibe o outro verbo – a acessibilidade provém do verbo acessar, e que é um verbo de ação, efetivo, concreto, não como algo a ser concebido, postulado, mas sim a ser realizado. Quem acessa, portanto, o mundo do Direito não o faz contemplando, imaginando, supondo, pois, o faz de forma a requerer o Direito para si e, assim, tornar o Direito um meio de ação.

Trata-se aqui da famosa Luta pelo Direito, quer lutemos individualmente, quer enfrentemos o processo historicamente: um caso notório é o da luta antirracista, pelos direitos civis, na década de 1960 nos EUA. Também pensemos no reconhecido Maio de 1968, sobretudo na França, em luta pela liberdade e paridade.

No nosso caso, buscamos no Direito os meios de efetivação da acessibilidade, posto que, como vimos, é a exigência natural, imediata do verbo de ação – acessar para que o Direito se faça justiça.

O sistema de cotas, a chamada “discriminação positiva”, as ações afirmativas, as políticas públicas, as Políticas de Estado (a exemplo do SUS) e outra ações têm esse prisma: buscar o equilíbrio da balança – e que, historicamente, nunca existiu no Brasil.

Na nossa histórica luta, tratamos da transformação da isonomia, essencial por definição, em equidade: a justiça sendo realizada, de fato. Em parte, ou em conjunto a isso, o acesso à justiça tem esse princípio.

Ainda podemos visualizar nisso a Mutação Constitucional e a nossa Constituição, de 1988, acumula vários desses processos de inclusão (as apelidadas “gerações de direitos”) e que se afirmam contra a “normalização da exclusão”, em oposição à indignidade, contrariamente à degradação do espaço público.

Neste caso e em quase tudo, por fim, é fácil vermos que se trata da acessibilidade ao conhecimento, “aos estudos!” (notadamente da história), ao saber qualificado e à prática daí decorrente – acessar a práxis, sendo sujeito ativo, portanto.

O desenho universal da acessibilidade

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@viniciocarrilhomartinez

Para um entendimento mais lógico, coerente e, de certa forma, presumido, entendemos que há uma sequência de eventos para a observação inicial: a acessibilidade é a porta de entrada da inclusão e é a permanência quem assegura os efeitos básicos, imediatos, da acessibilidade. Portanto, há uma sequência lógica a ser observada: acessibilidade – inclusão – permanência. Isso é formalmente lógico.

O desenho universal da acessibilidade (ou do que promova a acessibilidade) começa assim: não é exatamente um passo após o outro; hoje, por exemplo, precisaríamos dar um pulo. Mas, seguramente, é uma rampa de acesso que permite subir degraus diante da exclusão. Sem acessibilidade, a ausência dessa rampa que aniquila a isonomia, da rampa de acesso que traz as mínimas condições de se inserir para participar, vale a regra do “cada um por si”, e, vigorando essa lógica, o vencedor da maratona é quem “dá seus pulos”.

Como vimos, a acessibilidade garante a inclusão e é dependente, ainda mais, das condições de permanência. Condições de permanência que, obviamente, devem ser edificadas (como as muitas rampas de acesso) em conjunto com os meios de inclusão. Do contrário, com acesso, mas em condições negativas, negacionistas da permanência, o caminho de volta, rápido, chama-se exclusão.

Não há pertencimento sem acessibilidade, só há banimento antes do ingresso. Não há pertencimento sem inclusão, pois vigora o entrar e prontamente sair: banimento. Não há acessibilidade e inclusão se impera o banimento (prévio ou posterior). Não há, portanto, acessibilidade e inclusão sem pertencimento. Não há, pela força da lógica, pertencimento se não se impõe a permanência. E não há inclusão se vige a exclusão (programada e presumida).

Na ampla lógica social, no âmago do viver e pensar capitalista – hoje se chama de neocolonialismo e neoliberalismo – só predomina a Lei do mais forte, de quem define quem pode e quem não pode acessar e permanecer. É a Lei do mais forte que, inclusive frequentemente, permite que alguns acessem e até permaneçam; porém, em condições indignas – isto é, tudo funciona como um convite para que se autoexcluam. É importante ter essa clareza porque a dignidade humana está no primeiro e no último estágio dos valores que permitem acessar a Condição Humana.

Este é, basicamente, o desenho universal. A acessibilidade não está limitada a uma rampa de acesso, contudo, sem esta rampa, a acessibilidade não está em lugar nenhum e, assim, também está excluída a dignidade humana. Aqui há um segundo fator, primordial e já presumido, não se acessa a Condição Humana sem acessibilidade, inclusão e permanência.

 

 

 

Direito à consciência (social)

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@viniciocarrilhomartinez

O que seria essa consciência social, com a qual muitos debatem e que as pessoas tanto falam?

Tomemos um exemplo muito elementar: estudantes que entrem 15 minutos atrasados e saiam 20 minutos antes do final das aulas e atividades, todos os dias, todas as semanas, em todos os períodos. Multiplique-se essa rotina por cinco anos.

Enquanto estudantes ficam até depois das aulas, quanto tempo e oportunidades essa pessoa furtou de si, ao se negar o acesso ao conhecimento? Será que não tem nenhuma noção do que está fazendo consigo?

Será que o indivíduo, estudante ou não, furtando-se à votação, sistematicamente, não tem noção do que faz a si e ao município, Estado ou pais? Claro que sabem, todos eles, sabem bem o que fazem ou deixam de fazer.

Então, é possível pensarmos que toda consciência é social ou não se trata de consciência, mas sim de mera informação, desinformação e até de deformação. Salvo exceções que confirmam a regra, mesmo o indivíduo mais indolente, apático, indiferente, malicioso diante dos fatos, das condições e situações, dos problemas sociais, está ciente, tem alguma “ciência”, no popular, tem “noção” do que faz ou deixa de fazer.

Pode ser que esse indivíduo não tenha profundidade alguma em qualquer análise social, contudo, tem uma mínima noção de si e do que tem à sua volta. Pode, nesse caso, não acessar níveis razoáveis de interpretação, análise, reflexão, pode, inclusive, ser incapaz de uma autocrítica, pode ser impossibilitado de acessar traços elementares do conhecimento científico, ético, filosófico e político, porém, está minimamente ciente do que quer para si (e para nós – ainda que não saiba soletrar “Nós”), e mesmo que o seu intuito seja apenas ficar indiferente e viver encostado/a nos outros.

É óbvio que esse indivíduo jamais fará alguma análise sociológica, mas sempre será/estará consciente do quanto está sendo antissocial. Esse indivíduo não sabe dizer o que é Interação Social – até porque não comunga com isso –, todavia, está ciente (inclusive zeloso) da interação que mantém com a desídia, irresponsabilidade, desleixo, e até recebimento, comunicação e comunhão com as origens e os propagadores dos males sociais.

Neste sentido, concluindo esta premissa, não associamos consciência à análise sociológica. A análise social, por mais rasteira, simplificada ou quase nula (distorcida), está presente em cada indivíduo (também chamado de “ser social” – e mesmo que não seja em nada sociável).

Já a análise sociológica, entretanto, e sem que fiquemos listados às epistemologias, Teorias Sociais, e por mais rudimentar, inicial que seja, a análise sociológica está presente – por força do estreito vínculo mantido com o objeto, que é a Interação Social – em todos os seres sociais ativos, especialmente naqueles que produzem, expandem, escalam a sociabilidade – interativa, expansiva, integrada, humanizada.

Pode-se chamar isso de sabedoria popular, conhecimento prático (ainda que parcelado, particularizado), derivado da experienciação da vida social, ou simplesmente do núcleo forte do Bom Senso que orbita o senso comum.

A acessibilidade aqui, portanto, refere-se ao verbo acessar: trata-se de acessar níveis mais responsáveis, profundos e amplos, quanto ao conhecimento, à cultura, ao que efetivamente é importante em termos de relações sociais.

Trata-se de invocar o verbo, pô-lo em ação, movimentando-se, movendo-se o acesso à consciência que se faz todos os dias, um pouco a cada experiencia, um pouco mais a cada leitura e reflexão honesta, comprometida, com os reais anseios e esforços de humanização.

Por quê Techné?

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Lucas Gama – bacharel em filosofia/UFSCar

O século XXI é marcado por diversas coisas, como a popularização da internet, a ascensão e popularização das redes sociais, o desenvolvimento de tecnologias de ponta para facilitar a vida humana, trazendo mais conforto, comodismo e facilidade. Entretanto, há algo que também marca muito o século XXI, especialmente por estar, de certo modo, atrelado aos itens anteriores, e que se comprova com a piora ou ignorância da ética e da moral.

Essa piora ou ignorância da ética e da moral não está atrelada ao desenvolvimento das coisas que temos hoje, mas está estritamente ligada à utilização das mesmas, ou melhor, da aplicação delas. A popularização da internet tinha como um dos intuitos a divulgação de informações sem que houvesse algum tipo de censura ou perseguição por meio dos veículos de notícias. A ascensão das redes sociais, por conseguinte, está atrelada à popularização da internet e o seu intuito maior era conectar pessoas distantes, retomar o contato entre familiares em lugares distintos e até trazer conexão com novas pessoas, para conhecê-las.

Como dito, a aplicação perdeu a moral; no caso da internet, os veículos de informação atuais passaram a divulgar fake news, especialmente a partir de 2016, com a ascensão do Fascismo na américa latina e nos EUA, permitindo o primeiro mandato do atual presidente dos EUA, Donald Trump, mas também permitindo o primeiro e único mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos tiveram a ajuda das fake news para se elegerem e, logicamente, contaram com as redes sociais para facilitar a divulgação – o que apresenta, novamente, a utilização das mesmas com a carência de uma ética e de uma moral social.

Todas essas tecnologias só foram possíveis por causa da techné, em especial a dos gregos, na qual vemos sua origem. Mas o que seria essa techné? Por quê estudar a techné? Por quê falar sobre ela e, o mais importante, por quê ensiná-la? Em resumo (por quê techné?): a techné é uma palavra grega que permite duas traduções: 1. Técnica e 2. Arte. As traduções não são importantes no momento, o que de fato importa é o entendimento de que a techné grega requisitava a moral para ser ela mesma e, consequentemente, levando as pessoas à virtude.

O que representa o contrário do que é visto hoje, diante de todo o exposto nos últimos dez anos. Por fim, a resposta à pergunta é simples: Porque a moral e a ética humana poderão ser destruídas, com essas atualizações tecnológicas incontroláveis, e é fundamental resgatar a techné, assim como a moral e a ética que ela resguarda.

Agora a gadaiada pira: Trump convida Lula para “Conselho da Paz” em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou oficialmente o governo brasileiro para integrar o chamado Conselho da Paz (Board of Peace), um novo organismo internacional criado para atuar na Faixa de Gaza. Na verdade, um governo fantoche, sem participação dos palestinos.

A iniciativa também inclui os presidentes do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Argentina, Javier Milei, que formariam o núcleo fundador.

Autoridades dos três países confirmaram o recebimento do convite. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o governo egípcio está analisando a proposta. Em entrevista no Cairo, ele disse que, sem o envolvimento direto de Trump na implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, será difícil que as partes envolvidas cumpram suas obrigações.

A presidência da Turquia informou que Trump enviou uma carta a Erdogan convidando-o a integrar o conselho como membro fundador. Segundo Ancara, o órgão será responsável por garantir a segurança e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.

Milei, por sua vez, confirmou o convite por meio da rede social X, afirmando que se sente honrado em participar como membro fundador e que a Argentina “trabalhará para consolidar a paz e a liberdade”.

A Casa Branca anunciou oficialmente a criação do conselho na sexta-feira. De acordo com o governo americano, o Conselho da Paz tem como objetivo colocar em prática um plano de 20 pontos voltado à paz, estabilidade e prosperidade, alinhado à Resolução 2803 (2025) do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O plano prevê uma estrutura de administração transitória para Gaza, com forte coordenação internacional.

Segundo a Casa Branca, o grupo será presidido pelo próprio Trump e contará com figuras centrais do governo e do establishment político internacional, como o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, o corrupto Tony Blair. Também foram anunciados como integrantes Marc Rowan, Ajay Banga e Robert Gabriel.

O plano inclui ainda a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), que seria liderado por Ali Sha’ath. Ele foi descrito pela Casa Branca como um líder tecnocrata responsável por restaurar serviços públicos e reconstruir instituições civis no território palestino. Segundo o comunicado oficial, o Conselho da Paz terá papel central na supervisão estratégica, na mobilização de recursos internacionais e na garantia de responsabilização.

DCM

Direito à consciência

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@viniciocarrilhomartinez

Há valores que se interligam por terem e para manterem um sentido pleno – a eficácia de que tanto nos queixamos, por não vermos “surtir efeito”: a diretriz, como em tudo, está na dignidade humana. Esse é o prisma, o valor que invade o princípio e o torna um fundamento, e tem essa condição porque, uma vez condicionado, sem esse fundamento (de ser fundamental a todo ser humano) não há sentido que se preserve e nem se anime.

Como valores que movimentam consciências e ações (práticas, portanto) a acessibilidade se espelha na inclusão e na permanência. Entende-se que, “sem acessar não há como estar e, sem estar, ninguém é, afinal, logicamente, não se pode ser sem estar”.

É esse o empuxo básico, para que, estando, ou seja, sendo incluído, haja permanência – em outras palavras, a acessibilidade inaugura as condições elementares para que se esteja, com consciência e a ação de que não haja exclusão.

Essa é a cosmovisão (visão de mundo: ampla, mas também angular, aguda) que propõe a inclusão sem a comum contrapartida da exclusão. Neste sentido, entre a consciência e a ação, forma-se uma teoria que propõe sua prática – toda teoria já congrega a ação, a prática, ou, do contrário, é mera ideologia, as tais “narrativas” que se desligam dos fatos e, muitas vezes, abonam atos que (na prática) negam a inclusão.

Em termos de acessibilidade, nessa cosmovisão (a teoria de quem vê) ou há inclusão ou há exclusão – as duas não andam na mesma equação. Porém, é impositivo que observemos a lógica: sem acessar, ninguém é incluído. Sem a acessibilidade vigora apenas a exclusão.

A mesma construção pode/deve ser verificada na economia, na política, nas relações sociais, na educação, na cultura, no próprio envolvimento e na participação consciente (propositiva) “por dentro” do Processo Civilizatório: o que abriga e obriga a direção para a ação do sujeito ativo e não meramente contemplativo.

Resumidamente, o Direito à consciência se pauta (direcionando-se ativamente) pelo pressuposto da acessibilidade, sendo guiado pela dignidade humana, e com vistas aos espaços, ambientes, lógicas e estruturas que moldam a nossa sociedade.

Na economia, por exemplo, essa teoria se fortifica com a luta política pela Justiça Social, quando, eficazmente, a propriedade privada se reveste de função social; na política, a acessibilidade é manifesta com a renovação política, com o ingresso dos jovens na arte do “fazer-se política”, pois, além de tudo, essa acessibilidade promove a rotação dos poderes com o devido combate à mistificação reinante no culto à personalidade.

Juridicamente, a acessibilidade está inserida desde o “acesso (prático, efetivo) à justiça”, quanto está no entendimento e no reconhecimento correto (ético) do “Significado das leis” – é este conjunto que inibe a formação de seres imorais (obviamente, antissociais).

Socialmente, o fundamento da acessibilidade visa atacar a desigualdade social e a própria transformação (deformação) das diferenças em desigualdades; na cultura, a acessibilidade, por óbvio, leva, sobretudo, o povo pobre, negro e oprimido para dentro do teatro, do “palco de operações” – mas, propõem-se muito mais, ao garantir a acessibilidade, a inserção efetiva, estamos dizendo que a arte e a cultura são patrimônio da Humanidade: é como acessar o interior da cultura como atores da história.

Por fim, há que se afirmar a prevalência da consciência que tenha a educação participativa, inclusiva e de boa qualidade – com acesso aos conteúdos já assegurados pela construção humana do conhecimento. Enfim, não é difícil vermos o quanto a acessibilidade é crítica – por definição.

É o “acesso” à educação envolvida com o “fazer-se política”, envolta no conhecimento científico, ético, filosófico, que se revela eficaz à consciência do Direito, da sociabilidade diversa e expansiva, diretiva da solidariedade econômica (Justiça Social), da inclusão cultural.

Isso é práxis, aquela cosmovisão capaz (ciente de sua responsabilidade: permanentemente consciente) de que não existe teoria sem prática – e nem o inverso faz sentido, quando se resume à repetição do mesmo. Também é por meio desse fluxo que a autonomia individual se transmuta (converte-se, dialeticamente) em emancipação social.

Emendas a ONGs ligadas a políticos somam R$ 105 milhões sob suspeita

Decisão de Flávio Dino no STF barra repasses e cita indícios de nepotismo e desvio de recursos públicos

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais administradas por familiares de congressistas ou por assessores, colocou sob escrutínio um volume expressivo de recursos públicos. Levantamentos apontam que ao menos R$ 105,2 milhões já haviam sido repassados a entidades agora impedidas de receber verbas por esse mecanismo.

A medida, tomada nesta semana, tem como base reportagens do jornal O Globo, que identificaram o envio de 57 emendas parlamentares a ONGs ligadas direta ou indiretamente a parlamentares, ex-assessores e aliados políticos. Segundo os dados apurados, os repasses a esse tipo de entidade cresceram de forma acelerada desde 2019, alcançando o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025.

Na decisão, Flávio Dino destacou que o cenário revela sinais consistentes de irregularidades. “Conforme evidencia a reportagem, avolumam-se indícios graves de malversação de verbas públicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privados — prática que equivale à apropriação privada do Orçamento Público, em desvio dos critérios objetivos e impessoais que devem reger a atuação estatal”, escreveu o ministro.

A proibição abrange ONGs que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau de parlamentares responsáveis pela indicação das emendas, bem como de assessores vinculados a esses congressistas. A decisão também veta a contratação ou subcontratação de empresas ligadas a esses familiares, mesmo de forma indireta, como fornecedores ou prestadores de serviço.

Um dos casos citados envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que recebeu R$ 8,5 milhões em emendas entre 2021 e 2025. A entidade foi presidida por dez anos pela ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL) e, após sua eleição para a Câmara, passou a ser comandada por sua vice. Documentos analisados apontam que parte dos recursos foi usada para pagar o aluguel de um imóvel pertencente ao marido da ex-parlamentar, Renato Viana Soares.

Ao comentar o caso, Soares afirmou: “É um imóvel que me pertence há mais de 20 anos. A Pestalozzi trabalha nesse espaço. Não tem nada de estranho que uma emenda tenha um dia pago alguns meses de aluguel. Eu não sei se tem crime nisso”. Apesar da declaração, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a operação compromete princípios como impessoalidade, moralidade e transparência na gestão dos recursos públicos. A entidade negou irregularidades e declarou estar à disposição para esclarecimentos, reforçando em nota seu “compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs”.

Outro episódio envolve o deputado Raimundo Costa (Podemos-BA), que destinou R$ 17,2 milhões à Federação dos Pescadores da Bahia (Fepesba), entidade que presidiu por sete anos. A CGU apontou potenciais conflitos de interesse, destacando vínculos entre dirigentes, empresas contratadas e o parlamentar. O atual presidente da federação, Aurelino José dos Santos, afirmou que está aberto a corrigir eventuais problemas: “Estamos à disposição para corrigir o que for necessário. Estamos sempre buscando fazer o que a legislação prevê. Caso a justiça ou a legislação definam como irregular, a gente vai corrigir”.

A investigação também alcançou o deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC), cuja emenda, originalmente destinada a eventos culturais, acabou sendo redirecionada a um hospital oftalmológico pertencente a seu pai. Auditoria identificou pagamentos por procedimentos médicos com valores muito superiores aos da tabela do SUS. Segundo a CGU, ao menos R$ 331,1 mil chegaram à clínica. Em nota, o parlamentar afirmou que a responsabilidade pelo repasse foi da prefeitura e que não houve ingerência de sua parte.

Há ainda o caso do deputado Waldenor Pereira (PT-BA), cujos recursos enviados ao governo da Bahia para festas juninas acabaram sendo repassados a uma ONG comandada por uma ex-assessora de seu gabinete. O parlamentar classificou o episódio como coincidência. “O recurso é repassado para o governo do estado, que escolhe a ONG. Possivelmente foi uma coincidência. O fato de ter trabalhado no meu mandato não impede que ela participe de alguma entidade”, declarou. Auditoria da CGU, no entanto, apontou falhas na execução dos recursos e ausência de capacidade técnica da entidade contratada.

Ao justificar a decisão, Flávio Dino afirmou que a medida busca impedir práticas de nepotismo e atos de improbidade administrativa, reforçando a necessidade de critérios objetivos e impessoais na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Do Brasil 247

Acessibilidade

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@viniciocarrilhomartinez

Tem um livro de crônicas mais antigo que fala tudo que penso para iniciar um projeto novo, bacana, com pessoas do bem e sérias quanto aos assuntos sérios. De Otto Lara Rezende, intitula-se “Um bom dia para nascer”. Todas crônicas maravilhosas que sempre saudaram a vida.

E hoje penso que é um Bom dia para nascer uma ideia que nos fortifique, fortaleça nossa humanidade, esse bem-querer que começa no básico: aquele bom dia, o obrigado, a gentileza com idosos, mulheres, crianças, pessoas com dificuldades, pessoas com alguma deficiência.

Hoje, então, é um ótimo dia para nos reunirmos em torno de uma ideia que é muito maior do que qualquer um/a de nós aqui. É a ideia da acessibilidade.

Primeiro, construímos o entendimento de que a acessibilidade é a essência, o pontapé de qualquer proposta ou iniciativa. É com a acessibilidade que haverá inclusão, participação, permanência, autonomia e emancipação.

“Sem estar” ninguém irá a lugar algum, mas, para estar, é preciso acessar. Se não posso acessar uma oportunidade, uma repartição pública, uma instância privada, evidentemente, não poderia estar.

Por isso, hoje e sempre será um Bom dia para nascer uma ideia, um projeto, algumas metas e pautas construídas para a acessibilidade. E, mais do que isso, para que haja efetivamente acessibilidade, esse esforço de construção tem que ser coletivo: um ótimo dia para representarmos o esforço coletivo pela acessibilidade.

É assim que se acessa a inteligência social, os espaços, o campo de lutas, o conhecimento que nos lastreia nessa empreitada. É assim que se acessa o Direito de ser, o direito nascido do fato básico, da situação elementar, que é o acessar “para estar”. Dos direitos fundamentais, o direito a acessar para estar, sem sombra de dúvidas, é o primeiro, anda lado a lado com a dignidade humana – essa condição que é de todo ser humano.

Essa é a luta pela acessibilidade a que me proponho, com vocês, a levar adiante.

Vamos juntos e juntas dar forças a esse coletivo?

Ex-dirigente afastada após prints contra Lula pode voltar a ocupar diretoria

O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à saída de Sabrina Góis da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança

Após ser afastada do comando temporário do Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Sabrina Góis agora é o nome mais forte para retomar a Diretoria de Infraestrutura Geocientífica (DIG). Ela já acumulava essa função técnica enquanto chefiava a entidade.

A sugestão para que ela regressasse ao posto de diretora conta com o suporte do MME, mas o veredito final cabe ao Conselho de Administração da estatal. Na última sexta-feira (9), o colegiado optou por suspender a decisão após um pedido de vistas. O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à sua saída da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança.

A saída de Sabrina da chefia interina, ocorrida em 12 de novembro, foi precipitada pela circulação de prints de coversas pessoais. Nessas postagens, a gestora celebrava a prisão de Lula e posava em registros fotográficos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Outro ponto que ganha destaque em Brasília são suas conexões políticas: Ela é parceira de Carlos Henrique Sobral, atual secretário de Infraestrutura no Ministério do Turismo. Sobral é conhecido por sua proximidade com figuras como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima.

Questionada sobre os novos desdobramentos, Sabrina optou pelo silêncio, enviando um recado via assessores de que não se manifestaria.

No momento, o SGB está sob a tutela de Vilmar Simões. Ele é ligado a Inácio Cavalcanti Melo, ex-presidente do órgão e antigo cônjuge da senadora Eliziane Gama. Inácio deixou o cargo após virarem alvo de denúncias que apontavam o uso indevido de verbas da estatal para arcar com luxos particulares de seus dependentes, incluindo estadias em hotéis e gastos gastronômicos.

Felipeh Campos.com

Ensino de Ciências e pensamento crítico

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Nas escolas, o ensino de Ciências é fundamental para a formação crítica e social dos estudantes, principalmente quando analisamos um país marcado pela desigualdade em diversas áreas, dentre elas no acesso ao conhecimento. Por tal razão, para além da mera transmissão de determinados conteúdos, discutida por Paulo Freire como a chamada Educação Bancária[1], modelo no qual o docente é concebido como detentor do saber e os alunos como sujeitos passivos ou meros receptáculos, o ensino de Ciências atravessa outras perspectivas, tratando para além de conteúdo, e voltando-se à prática epistemológica, analisa-se como se dá a produção destes conhecimentos, como são validados e transformados ao longo do tempo.

Nesse sentido, atuar enquanto docente ensinando ciências traz consigo um significado bem delimitado, não apenas da “transmissão”, mas de forma associada à produção do pensamento crítico, da argumentação e interpretação da realidade em que estamos inseridos, de forma racional e analítica.

Do ponto de vista epistemológico, a estrutura do conhecimento pode ser interpretada como um tipo de produção que ocorre via construção social e histórica, ou seja, o conhecimento está inserido em uma sociedade e, por sua vez, não é desvinculado desse sistema social em que está inserido; ao contrário, é produzido por sujeitos que têm determinados pensamentos e estão situados em determinados contextos econômicos, políticos e culturais.

O senso comum tende a ser baseado em experiências particulares e, quando reproduzidas por gerações, por exemplo, podem se tornar tradições que regem uma família ou comunidade.

Diferentemente do que se percebe, senso comum, o conhecimento científico é caracterizado necessariamente por uma rigorosidade de métodos sistemáticos que buscam, para além da descoberta, via observação, a criação de uma hipótese, a realização de testes (ou referenciamento histórico, filosófico) para sua validação e, caso necessário, a hipótese pode ser refutada e formulada outra para continuar analisando tal observação; formando-se, assim, o que é chamado de método científico, passível de revisão (CHALMERS, 1993)[2].

Portanto, ao ofertar o ensino de Ciências, a escola oferece aos estudantes instrumentos para compreender que o saber científico não é um conjunto de verdades absolutas ou dogmas, mas um processo dinâmico de construção e de reconstrução do conhecimento.

Nesse processo, a compreensão sobre as premissas é algo central, sendo que tais premissas podem ser caracterizadas pelo ponto de início de um raciocínio, ou seja, aqueles pressupostos e concepções que baseiam e sustentam a formulação de hipóteses e teorias no método científico. Para tanto, no ensino de Ciências, trabalhar tais premissas é um passo muito relevante para permitir aos estudantes a compreensão, para além apenas dos conteúdos isolados, de suas bases e princípios, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico, da sua autonomia para analisar outros fenômenos, podendo deduzir até mesmo que esses estudantes não aceitariam explicações acríticas, e isso consolidaria essa compreensão do método científico.

Além disso, a atuação no campo das Ciências permite também o desenvolvimento, além da compreensão dos princípios, das premissas dos conhecimentos, além de fortalecer uma argumentação racional e não baseada em achismos. Quando os estudantes lidam com o processo de analisar evidências, via observação, criar hipóteses e testar tais hipóteses, forma-se um pensamento bem delimitado, permitindo analisar diversos contextos, internos da sala de aula e também externos. Mortimer (1996)[3] também reflete sobre tal temática, quando analisa que a formação integral dos sujeitos via o ensino de Ciências deve também promover uma modificação conceitual e isso possibilitaria a construção de outros conhecimentos, por meio do confronto de ideias e desenvolvimento do pensamento efetivamente analítico.

Por sua vez, a perspectiva crítica do ensino de Ciências nasce também de um diálogo entre a cosmovisão e a epistemologia. Como citado anteriormente, esse desenvolvimento do pensamento crítico é algo que pode efetivamente ser construído, sendo que a forma como um indivíduo interpreta o mundo também é influenciada pela cultura, suas condições econômicas e, obviamente, suas experiências de vida até aquele momento.

Nesse aspecto, o conhecimento científico oferta as ferramentas para ampliar tais interpretações, e, logo, a chamada “crítica”, isto é, a compreensão de que é necessário analisar a realidade para além somente das interpretações das próprias experiências, resulta em uma miscelânea da compreensão, no encontro entre o saber científico e a realidade social vivida, sendo a escola pública um espaço privilegiado para essa mediação.

Por fim, o ensino de Ciências pressupõe também o reconhecimento da realidade como algo passível de ser conhecido e transformação, ou seja, aquilo que temos, principalmente na área científica, pode ser transitório, pois, novos estudos e detalhamentos podem gerar novas informações e conhecimentos. A ciência parte do princípio de que existe uma realidade objetiva que pode ser investigada racionalmente, e negar essa possibilidade abre espaço para o negacionismo científico, com impactos diretos na vida social. Garantir o acesso ao conhecimento científico na escola pública é, por óbvio e derradeiro, assegurar o Direito à compreensão da realidade e à participação crítica na sociedade. É parte da luta pelo Direito à consciência.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

[2] CHALMERS, A. F. O que é ciência, afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

[3] MORTIMER, E. F. Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: para onde vamos? Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 20–39, 1996.

Perfis de fofoca nas redes promovem Tarcísio com pagamentos secretos

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A revista Piauí de janeiro revela como perfis de fofoca e entretenimento nas redes sociais foram usados para promover o governo de Tarcísio de Freitas de forma disfarçada, com postagens que exaltavam medidas como a redução do IPVA para motos e a inauguração de trechos do Rodoanel.

O que parecia ser uma ação espontânea de apoio ao governador de São Paulo, no entanto, foi revelado como parte de uma estratégia de marketing político, com pagamentos feitos por empresas especializadas em influenciar nas redes sociais.

Perfis populares como @alfinetei, @fofocas, @garotxdoblog, e outros, com milhões de seguidores, publicaram conteúdos que favoreciam diretamente Tarcísio e seu governo. As postagens foram cuidadosamente criadas para destacar ações do governador, como a redução de impostos e o combate à violência de gênero, com linguagem descontraída e positiva, muitas vezes acompanhada de vídeos e fotos do próprio Tarcísio.

O caso ganhou destaque quando foi descoberto que as publicações foram patrocinadas por uma empresa chamada Submarino Lab, especializada em marketing de influência. Daniela Moura, que trabalha para a empresa, entrou em contato com representantes desses perfis de redes sociais para negociar pacotes de posts pagos em prol do governador. De acordo com a investigação, um influenciador recebeu até 20 mil reais por quatro postagens.

Tarcísio é promovido em perfil de fofoca

Embora o governo de São Paulo tenha negado qualquer envolvimento nas postagens pagas, o comportamento dos perfis de fofoca sugere que houve uma estratégia deliberada para promover a imagem de Tarcísio nas redes, sem a devida transparência.

Os posts, muitas vezes promovendo o governador como um herói e defensor da população, não indicavam que se tratavam de publicidade paga, o que configura uma violação das normas do Código de Defesa do Consumidor, que exige que conteúdos patrocinados sejam claramente identificados.

Em resposta às denúncias, o governo de São Paulo reafirmou que suas campanhas institucionais são realizadas de acordo com os princípios da legalidade, impessoalidade e eficiência, e que não houve qualquer investimento público nas postagens mencionadas.

Contudo, as evidências apontam para uma tentativa de manipular a opinião pública por meio de influenciadores digitais pagos, levantando questões sobre a ética e a legalidade do uso de perfis de fofoca para promover autoridades políticas.

Com milhões de seguidores, os perfis de entretenimento e memes no Instagram se tornaram um alvo atraente para políticos que buscam melhorar sua imagem pública. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) utilizou recursos da Secretaria de Comunicação de São Paulo para financiar a cobertura de Leo Dias em eventos da prefeitura, como uma entrevista com o prefeito durante as celebrações de Réveillon de 2024, na Avenida Paulista.

Segundo a Piauí, o valor total das publicidades pró-Nunes, veiculadas por Leo Dias com o dinheiro dos contribuintes paulistanos, foi de 837 mil reais, entre 2023 e 2024. Com a justificativa de divulgar o evento, Nunes conseguiu um espaço de destaque, comparável ao dos cantores que se apresentavam no palco.

Messias deve ser aprovado “com louvor” no Senado, dizem aliados

 O ambiente político no Senado tornou-se mais favorável à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome do advogado-geral da União passou a ser tratado com maior otimismo por aliados do governo após uma série de conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizadas desde o fim do recesso parlamentar. As informações são da CNN Brasil.

Interlocutores próximos a Messias avaliam que a articulação avançou de forma consistente e que a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado entrou em um momento de distensão. “As mensagens que chegam do entorno do presidente da República vêm no sentido de que a relação deu uma boa distensionada”, afirmou a analista.

No círculo de apoio ao indicado, a expectativa é de que o processo de aprovação transcorra sem grandes obstáculos. A expressão usada por aliados — “aprovado com louvor” — tem um significado simbólico, ligado ao perfil religioso de Messias. Evangélico, ele passou a ser visto como uma ponte potencial com parlamentares ligados a igrejas e bancadas religiosas. “Essa indicação de Jorge Messias também é um aceno do presidente Lula a essa camada da população”, explicou Isabel Mega.

Apesar do clima mais favorável no Planalto, o sentimento no Senado ainda é marcado por cautela. De acordo com a analista da CNN Brasil, muitos parlamentares preferem aguardar os próximos passos formais do processo antes de demonstrar entusiasmo. “Quando a gente vai conversar um pouco com senadores, no entanto, eles estão com uma reação um pouco mais comedida, não estão tão animados assim”, relatou.

Parte dessa postura se explica pela frustração de setores do Senado que esperavam ver o nome do senador Rodrigo Pacheco indicado para a vaga no STF. Além disso, a indefinição sobre a data da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contribui para a expectativa contida entre os congressistas.

O histórico recente do Supremo também pesa nas avaliações. André Mendonça, atual ministro da Corte e igualmente evangélico, enfrentou longa demora até ser aprovado pelo Senado. Segundo Isabel Mega, Mendonça tem atuado nos bastidores para auxiliar na construção de apoio à indicação de Messias.

A sabatina do advogado-geral da União permanece entre os temas pendentes para a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso. Embora ainda não haja data definida, a expectativa é de que o assunto integre a agenda das primeiras semanas do Congresso Nacional em 2026, quando o Senado deverá dar encaminhamento formal à indicação presidencial.

Do Brasil 247

Ingressar não é permanecer

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

A universidade pública, em sua estruturação, apresenta-se de forma fortemente relevante para o crescimento dos sujeitos que ali adentram. Por tal razão, ser um estudante no Brasil não se refere somente ao acesso ao ensino superior, mas algo que atravessa outras vertentes da vida, como a própria permanência desse indivíduo no espaço universitário, marcado principalmente pelas desigualdades.

O ingresso, para estudantes que são provenientes de escolas públicas principalmente, representa uma conquista de grande relevância, porém, também associado a essa conquista, um momento de ruptura. Apesar de o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ser estruturado como principal forma de ingresso em universidades de todo o país, na maioria das vezes, esse mesmo sistema não atua efetivamente como uma ponte entre o ensino básico e superior, uma vez que propõe requisitos, habilidades e conteúdos que nem sempre são plenamente trabalhados na trajetória escolar desses estudantes de escola pública, gerando dificuldades de acesso e permanência.

Tal processo acaba sendo evidenciado logo no ingresso da graduação, um momento de transição muito latente, em que muitos estudantes chegam à universidade e precisam lidar com mudanças muito grandes, inicialmente pela chegada em uma nova cidade: o afastamento da família, além do contato com novas práticas acadêmicas e a ausência de redes de apoio tornam a adaptação um processo complexo.

As desigualdades educacionais ainda perpassam a forma como a distribuição do chamado capital cultural é feita, ou seja, nem sempre os estudantes de algumas escolas públicas têm acesso a determinadas leituras, obras e autores amplamente cobrados na universidade, o que faz com que estudantes ingressantes se encontrem em condições desiguais, ainda que tenham superado os mesmos processos seletivos (BOURDIEU, 1998)[1].

Dessa forma, internamente, as políticas de permanência e manutenção estudantil atuam de forma muito relevante e até fundamental para possibilitar que estes estudantes consigam se manter nessa etapa da vida, dando continuidade nos estudos de forma mais viável. Entretanto, algo válido de salientar é que, apesar da importância de tais políticas e de todos os avanços conquistados, tais políticas nem sempre conseguem atender efetivamente às diferentes dimensões que acabam passando pela permanência estudantil.

Portanto, permanecer na universidade não é meramente ingressar e dar conta de todas as disciplinas da grade, mas passa pela necessidade de reconhecer as desigualdades estruturais que acompanham os estudantes desde a educação básica até este ingresso.

 

[1] BOURDIEU, Pierre. Os três estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio Mendes (org.). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 71–79.

Platamorfização da vida social

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Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88

Arlei Olavo Evaristo – doutorando PPGCTS/UFSCar

arlei@ufscar.br

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Lucas Gonçalves da Gama – licenciado em Filosofia/UFSCar

 

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

A ideia mais simples indica que a vida social, econômica, os registros bancários, nossa imersão cultural, a comunicação que recebemos, os nossos dados de educação e de saúde pública (os remédios que compramos), toda a nossa institucionalidade (o famoso RG, o CPF, os registros da carteira de trabalho), os e-mails de docentes de universidades federais – com sua base no Google –, e até mesmo a urna eletrônica, tudo isso passa por alguma plataforma digital.

Portanto, não estamos invisíveis, e seremos ainda mais avistados quanto mais entrarmos neste “circuito digital”. Aliás, o próprio Whatsapp emitiu um aviso para administradores de grupos ativarem um comando de privacidade, para que a IA não “pescasse” as conversas.

Isso revela a venda de nossos dados digitais (pegadas) para empresas de marketing que irão, em seguida, repassar para nós mensagens publicitárias. E há mais, no sentido de que nossos dados, estão alimentando extensas bases de dados (internacionalizadas) e, assim, estamos nos inserindo (meio gratuitamente, como “servos voluntários”, diria Bauman) numa rede, malha digital que nos vigia e controla – sempre a serviço das Big Techs, as empresas bilionárias de controle digital, como a Amazom, o Google, a Microsoft, a Meta. Nosso texto apresenta cinco leituras básicas e complementares sobre esse tema.

 

Mutação da técnica em tecnologia – Gutemberg

Os dias atuais estão imersos em tecnologias diversas, desde coisas simples como TVs, computadores e celulares até assistentes virtuais, redes sociais com algoritmos que perfilam o usuário em poucos minutos e inteligência artificial embutida em qualquer aparelho possível. Antes de termos toda essa tecnologia disponível em nossas mãos foi necessário um árduo desenvolvimento da técnica. Os gregos eram expert na técnica, especialmente por ela estar estritamente ligada à moral.

Esse aprimoramento tecnológico passou pelos gregos, os quais buscavam uma vida mais virtuosa e, por conta disso, buscaram desenvolver coisas que facilitassem suas vidas para que pudessem se dedicar ainda mais à arte e à polis. Uma lógica parecida foi aplicada por outros povos, como os romanos e seus aquedutos e, muito posteriormente algo que revolucionaria o mundo de uma forma inimaginável: a prensa de Gutenberg.

Este marco pode representar um possível momento de cisão entre a produção técnica e produção tecnológica. A produção técnica é essencialmente manual, realizada por artesãos, marceneiros, ferreiros, confeccionando peças únicas e exclusivas. Enquanto a produção tecnológica se apresenta em maior volume, como a própria prensa de Gutenberg fez para imprimir os documentos bíblicos e que, a partir do século XVII, resultaria nas revoluções industriais. Hoje, o “produto é você!”.

 

A invisibilidade dos diferentes nas redes

A prometida revolução digital não mudou as bases da vida social. As tecnologias avançaram, mas ainda servem como cenário para antigos comportamentos e decisões. Os recentes casos de violência contra mulheres mostram isso: nas redes sociais, as agressões são naturalizadas e, mesmo quando denunciadas, os comentários continuam culpabilizando as vítimas.

O desenvolvimento técnico, nesse aspecto, segue sem progresso ético. A violência de gênero funciona como uma mensagem social que expõe a vulnerabilidade das instituições e a permanência do patriarcado. Do mesmo modo, a tecnologia está longe de resolver essas falhas: ela apenas as automatiza, desmontando a ideia de neutralidade nas decisões das máquinas.

Esse horizonte também é atravessado por outro fenômeno: a troca de antigos movimentos de mobilização social por um engajamento rápido e superficial. Lutas históricas deram lugar a dinâmicas virais, marcadas mais pela busca por seguidores do que pela participação política. A cultura digital favorece essa atuação imediata e pouco reflexiva. Quando a responsabilidade social é transferida para sistemas automatizados, surge um risco essencial: não se trata de uma revolução tecnológica, mas da perda da capacidade de enfrentar problemas estruturais e reconhecer o próprio papel cidadão.

O fim do ensino de filosofia, para educação financeira.

A recente reforma do ensino médio (Lei nº 14.945/2024) representa um aprofundamento do processo de precarização do ensino público, intensificando ainda mais as desigualdades já existentes na educação brasileira.

A reforma diminui a carga horária comum, com ênfase em ciências humanas (exemplos: filosofia, história, artes e sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são matérias interdisciplinares (ex: educação financeira). A exclusão da disciplina de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação crítica como indivíduos na sociedade.

O ensino básico público foi submetido à nova reforma do ensino médio, a qual reduz a carga horária destinada às áreas de ciências humanas e biológicas, e introduz disciplinas interdisciplinares sem planejamento e estrutura adequados. Em contraste, o ensino privado, em sua maioria, mantém o modelo anterior, enquanto os vestibulares para o ensino superior permanecem inalterados. Esse contexto evidencia a reprodução de desigualdades educacionais no Brasil, na medida em que a escola pública tende a direcionar seus estudantes à inserção precoce no mercado de trabalho, ao passo que o ensino privado continua voltado à preparação para o ingresso nas universidades. Retirar o ensino de Filosofia é proposital, pois, a crítica não é interessante ao capital.

Pasteurização do trabalho humano

O cenário introduzido pela nova “revolução tecno-científica” (século XXI) nos impôs o controle algoritmo e a negação da política. Se, por um lado, o trabalho não pago realizado nas redes alimenta o capital (Big Techs),  no outro sentido  essas corporações impõe uma lógica de produção laboral, que elimina a singularidade, a crítica e a complexidade humana em favor de um produto consumível, viralizável, que o pensador venezuelano Ludovico Silva denominou como mais-valia ideológica, onde o trabalhador mesmo fora de seu ambiente de trabalho produz e valida a ideologia das classes dominantes.

A pasteurização, processo originalmente conhecido na bioquímica, como um processo térmico para eliminar os micro-organismo patogênicos, serve como uma metáfora precisa para que os algoritmos eliminem o trabalho vivo (Trabalho Humano), se prevalecendo do trabalho morto, ou seja, automatizando ao máximo as tarefas.

O trabalho perde seu sentido de classe, seus direitos sociais e trabalhistas, a criatividade humana é substituída pela repetição de fórmulas e modelos que os algoritmos determinam e com isso a reflexão crítica é sufocada. A pasteurização precariza as condições materiais da existência humana e esteriliza a ontologia do ser. É preciso reintroduzir a capacidade humana com suas falhas, imprevistos e o pensamento crítico nas engrenagens do sistema.

 

 

Mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado , a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Trabalhar para aprender: juventude, autonomia e formação para a vida

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Determinados programas que incentivam jovens aprendizes, como o realizado pelo Banco do Brasil[1], apresentam-se como uma iniciativa de grande relevância, principalmente por atuar como uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Esses projetos permitem que jovens reconheçam o valor social do trabalho antes da vida adulta efetivamente, exercitando competências como autonomia, gestão do tempo e a convivência com regras. Nesse sentido, tais programas operam como uma forma de antecipação da independência, promovendo amadurecimento de maneira gradual e orientada, conforme previsto na legislação brasileira sobre aprendizagem profissional (BRASIL, 2000)[2].

Ao se colocar esses jovens em um ambiente de trabalho que, dentre vários outros processos, exige reflexão sobre como ocupar seu tempo e, principalmente, como usá-lo de forma consciente, a iniciativa permite que demonstrem seu potencial formativo. O trabalho, nesses aspectos, pode ser essencialmente interpretado como uma atividade mediadora da relação entre o mundo e o indivíduo, contribuindo para a construção de pertencimento e do sentido social (SAVIANI, 2007)[3]. Tal dimensão, por sua vez, é de grande relevância para tentar evitar o excesso do individualismo, que é algo normalmente associado a jovens “mimadas/os” ou ainda “egoístas”, questões essas que refletem justamente a ausência dessa participação social.

Tais percepções tornam-se ainda mais relevantes quando olhamos para o contexto atual da sociedade, que tem sido marcado e manchado pela ampliação do tempo livre de acesso aos ambientes digitais, sem controle ou supervisão, isso incentivado desde a primeira infância. A internet e as redes sociais, embora apresentem um potencial formativo, também expõem os adolescentes a conteúdos muito problemáticos, como desafios e ambientes que, por exemplo, naturalizam a violência. Informações mais recentes demonstram um aumento significativo dos índices de sofrimento emocional e psíquico, seguido de quadros mais desafiadores como automutilação e até mesmo o autoextermínio entre jovens, demonstrando-se como uma crise na saúde mental ao nível global (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021)[4].

Esses aspectos atravessam também outra percepção que tem sido amplamente divulgada nas redes sociais, que afirma que “tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos, e homens fracos criam tempos difíceis”. Apesar de ser propagandeada amplamente nas redes, essa estrutura, quase como um mantra ou um ditado popular, acaba simplificando determinados processos sociais e históricos que são muito mais complexos. Os sofrimentos psíquicos e emocionais, como a depressão, sempre existiram, mesmo que não fossem nomeados ou diagnosticados como ocorre atualmente. O avanço da ciência, especificamente na área da saúde mental, permitiu o diagnóstico e o tratamento correto, ainda que persista uma deslegitimação social desses sofrimentos.

A reflexão sobre trabalho e educação, portanto, permite compreender também uma proposta denominada politecnia soviética, desenvolvida no início do século XX, cujas bases teóricas encontram-se nas formulações de Lênin sobre a articulação entre ensino geral, trabalho produtivo e formação social do indivíduo (LENIN, 1981)[5]. Tal proposta defende uma formação integral do sujeito, articulando o trabalho intelectual, manual e a formação moral, algo que foi posteriormente sistematizado por educadores como Pistrak (2009)[6]. Nessa perspectiva, os programas de jovem aprendiz citados anteriormente podem ser entendidos como uma possibilidade de experiências que, apesar de inseridas no contexto contemporâneo, resgatam, em certa medida, o princípio do trabalho como elemento formativo.

Portanto, quando organizados eticamente e colocando o emprego em um local de formação e não apenas de sobrevivência, tais programas podem contribuir de forma muito relevante para a formação de sujeitos responsáveis e capazes de lidar com ambientes variados. Assim, pensar em jovens aprendizes é pensar também em políticas integradas de educação, trabalho e responsabilidade social. Oferecer trabalho a esses jovens de forma digna e buscando a formação é também permitir o acesso à proteção social e o desenvolvimento de pertencimento, como uma possibilidade efetivamente viável para construção de seus futuros em uma sociedade marcada por desafios cada vez mais crescentes.

[1] REGISTRO DIÁRIO. Jovem Aprendiz Banco do Brasil: veja quem pode participar, quais os benefícios, como funciona e como se inscrever. Registro Diário, 03 jan. 2026. Disponível em: https://registrodiario.com.br/noticia/6255/jovem-aprendiz-banco-do-brasil-veja-quem-pode-participar-quais-os-beneficios-como-funciona-e-como-se-inscrever. Acesso em: 04 jan. 2026.

[2] BRASIL. Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. Altera dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho, relativos à aprendizagem. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2000.

[3] SAVIANI, D. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 34, p. 152–180, 2007.

[4] WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Adolescent mental health. Geneva, 2021.

[5] LENIN, V. I. La instrucción pública. Moscou: Editorial Progreso, 1981.

[6] PISTRAK, M. M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

O alto custo da “apropriação” – traição

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Esse texto foi construído em “diálogo” no WhatsApp.

Alguém já leu Neuromancer?
Tem gente nervosa no WhatsApp, divulgando videozinho de Instagram associando o romance ao sequestro de Maduro. Deveria ter ficado quieto, mas não me contenho muito diante das ‘apropriações’, reduções, deslocamentos sem pé, nem cabeça. Maduro foi traído! Ponto.
Respondi isso aqui:

Eu li faz tempo.
É a inspiração de Matrix.
É psicodélico, chapado de ácido, estava tentando ser Baudellard – este com álcool e haxixe.

O melhor exemplo não creio que seja esse.
Penso em Ninguém escreve ao coronel, Garcia Márquez.

O pensamento bolsomítico matou a epistemologia, não há surpresas nisso.
Todo mundo lembra das “análises políticas e jurídicas” dessa trupe – notoriamente jurídicas, como no exemplo do Poder Moderador.

No entanto, vejo paralelismos, apropriações, corrupções conceituais do lado de cá da força também.

O que me reforça a consciência sobre a importância (seminal) da Educação pública de qualidade.
Não basta incluir, e isso é fundamental, se não incluirmos a qualidade (essa mesma que é destinada às “elites”).

Neuromancer com Maduro exige muita Neuromusculação para o meu gosto.
Eu não estou preparado para isso.

Tem uma academia que sou obrigado a ir, por força do contrato de trabalho: na outra não passo nem na porta.

Se valem distopias para este século XXI (se é que valem) indicaria três – além das básicas, como 1984, Amigável mundo novo:

Nós – Zamiatin
O capote – Gogol
Ralé – Gorki

(A fazenda, de Chico Buarque também; Kafka; O alienista, de Machado de Assis é obrigação)

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Por que é fundamental reeleger Lula em um momento de agressão à América do Sul

Em uma ação grave, cujos detalhes ainda suscitam inúmeras interrogações, forças dos Estados Unidos sequestraram, na calada da noite, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sua esposa, Cilia Flores, e um de seus filhos, levando-os para Nova York.

O ato unilateral, de caráter beligerante, ocorreu em meio à mais flagrante ilegalidade. Foram violadas leis, tratados e protocolos, assim como as normas dos organismos internacionais que deveriam assegurar a inviolabilidade da soberania nacional e a proteção aos chefes de Estado.

Ainda não se conhece a exata dimensão das consequências práticas dessa intervenção, realizada no mais arrogante estilo imperialista. É inevitável reconhecer, contudo, que ela revive o pior da chamada Doutrina Monroe, segundo a qual os Estados Unidos outorgam a si próprios, por uma espécie de mandato que se pretende divino, o direito de intervir, a seu bel-prazer, em qualquer país da América Latina e do Caribe.

O pretexto dessa invasão, seguida de rapto, não poderia ser mais falso. Como prova da inexistência de um motivo legítimo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu a mais uma fabricação da máquina de propaganda de guerra sediada em Washington. É de conhecimento geral que Maduro não foi capturado por envolvimento com narcotráfico ou acusações semelhantes, mas porque simbolizava a revolução bolivariana, responsável pela nacionalização das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, retirando-as do controle estadunidense. Trump, de forma explícita, busca se apropriar desse tesouro subterrâneo.

Sequestro e espoliação. A esse cenário de verdadeiro colapso se resume a ordem internacional sem leis, consagrada pela ação de Trump em Caracas. Evidentemente, este 3 de janeiro inaugura um período instável e ameaçador na fronteira do Brasil, em pleno território sul-americano e caribenho. A região torna-se alvo direto de uma ofensiva que visa desestabilizá-la, lançando-a em um contexto sem parâmetros nem limites.

O Brasil, por suas dimensões, riquezas e interesses estratégicos, encontra-se sob ameaça. O recente zigue-zague nas relações entre Washington e Brasília não inspira tranquilidade. Após o sequestro de Maduro, a reação de Lula e do Itamaraty foi exemplar. De maneira firme, o governo brasileiro repudiou a ação estadunidense e defendeu a paz e o diálogo. O Itamaraty, com rapidez, reconheceu o governo constitucional agora exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que, além de exigir a libertação de Maduro, promete dar continuidade ao ideário da revolução bolivariana.

As interrogações estendem-se, naturalmente, à possibilidade de interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil, a exemplo do que acaba de ocorrer com o país vizinho. Mais do que nunca, a nação necessitará de firmeza e capacidade de diálogo para defender suas eleições e sua soberania. Nesse contexto, ressalta-se ainda mais a importância de Lula, como estadista experiente e como candidato capaz de salvaguardar os interesses nacionais em um momento tão desafiador. O espectro do passado recente ameaça, de novo, assombrar o país. Mais do que nunca, o Brasil necessita de liderança à altura do momento. Este líder é Lula.

Brasil 247

Golpismo pós-moderno

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O Golpe de Estado, dos EUA, na Venezuela serve como indicador de alguns fatos:

*8 de Janeiro
Os Kids pretos e o GSI de lá tiveram efeito, deram resultado satisfatório ao golpismo. Lembremos que, do lado de cá, o modus operandi previa o sequestro do presidente e do vice-presidente da República e de um ministro do STF (Alexandre de Moraes). A alta traição militar na Venezuela foi exitosa, com o sequestro de Maduro e da esposa.

*Não é o Iraque
Na pressão da pressa, muitos erram na análise.
Não se criou outro Iraque na Venezuela sob ataque dos EUA, mas sim conseguiram evitar a Baía dos Porcos e Mogadício.
Ou contornaram, evitando-se até agora, (precisamente) outro Iraque e uma guerra civil interminável.

*Golpe pós-moderno
Daria pra fazer uma especulação embasada: o modelo institucional que agrada Washington é uma escatologia formada pela política de El Salvador, Equador e agora a “nova Venezuela”.
São os movimentos, o modus operandi, do Estado de exceção no século XXI – os de “melhor efeito” para os EUA.

*O ocaso da Estratocracia
Um dos grandes problemas do chavismo foi ter-se mantido fiel à Estratocracia (Estado militar), fortalecendo uma casta de elite militar.
É o modelo de Bolívar que cresceu com Chávez.
Hoje, em colaboração com os EUA, a Via Prussiana se coroou.

Segue o link de um libreto sobre o perfilamento de’A destruição da política:

https://zenodo.org/records/8298411

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Pesquisa Quaest: maioria dos brasileiros diz que Bolsonaro está preso por seus próprios atos – e não por perseguição

Levantamento mostra que apenas 21% veem “perseguição política” do STF, enquanto 51% afirmam que o ex-presidente “merece estar preso”

A maioria dos brasileiros (52%) avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em regime fechado — em uma sala da Superintendência da Polícia Federal — por consequência direta de atos praticados por ele próprio ou por seus familiares. Apenas 21% acreditam que a prisão ocorreu por “perseguição política” do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do ministro Alexandre de Moraes.

Os dados são de uma pesquisa Genial/Quaest realizada em dezembro com 2.004 entrevistados e foram divulgados na coluna de Mônica Bergamo.

Motivos apontados para a prisão

Entre os 52% que responsabilizam Bolsonaro e sua família pelo desfecho, a percepção predominante é de que a prisão decorreu de condutas que teriam agravado a situação do ex-presidente e levado à adoção de uma medida mais dura.

Dentro desse grupo, 32% afirmam que Bolsonaro foi preso porque “danificou a tornozeleira eletrônica” que utilizava quando estava em prisão domiciliar. Outros 16% apontam “risco de fuga para o exterior”. Já 4% acreditam que ele foi encarcerado porque seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), organizava uma vigília nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente morava — razão que teria sido apresentada oficialmente para justificar a prisão.

A divisão entre bolsonaristas e o restante do país

O levantamento também indica que a tese de “perseguição política” é minoritária no conjunto da população, mas aparece como dominante entre os entrevistados que se declaram bolsonaristas. Nesse segmento, 52% dizem acreditar que o ex-presidente foi preso por perseguição do STF.

Mesmo entre os apoiadores mais fiéis, porém, há uma parcela expressiva que discorda: 18% afirmam que Bolsonaro está preso porque violou a tornozeleira eletrônica. A pesquisa ainda mostra que os bolsonaristas são os que menos acreditam na hipótese de tentativa de fuga: apenas 2% enxergam risco de que ele buscasse sair do país, contra 16% no total da amostra.

“Merece estar preso”: maioria considera a prisão justa

Outro dado que chama atenção é a percepção sobre a legitimidade da prisão. Segundo a Genial/Quaest, 51% dos entrevistados dizem acreditar que Bolsonaro “merece estar preso”.

O índice varia de forma drástica de acordo com a preferência política: entre eleitores petistas, o percentual sobe para 91%, enquanto entre bolsonaristas cai para apenas 4%. O contraste reforça a intensidade da polarização em torno do destino do ex-presidente e do papel das instituições no caso.

Efeito político: maioria vê Bolsonaro mais fraco

A pesquisa também mediu o impacto político da prisão. Para 56% dos brasileiros, Bolsonaro ficou “mais fraco” depois de ser preso. O resultado sugere que uma parte significativa do eleitorado interpreta a detenção como fator de desgaste e perda de força política, com possíveis repercussões no futuro do bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o fato de a narrativa de “perseguição” persistir como visão majoritária entre bolsonaristas indica que o episódio tende a seguir como elemento central de mobilização do grupo, ainda que não encontre eco na maioria do país.

Do Brasil 247

A estupidez inacreditável de comparar Watergate ao que faz Malu Gaspar

Malu Gaspar não apresentou uma única prova contra Alexandre de Moraes. O que existe são seis relatos em off e um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro do STF. Diante da expectativa por evidências, o que veio foi um artigo pedestre sobre democracias não precisarem de heróis. Isso só vale se os heróis forem Joaquim Barbosa e Sergio Moro.

O que tem sobrado, por outro lado, é uma defesa corporativa constrangedora. No UOL, Milly Lacombe atribui as críticas à jornalista a um machismo da esquerda, ignorando que discordâncias sobre método e prova não se resolvem por enquadramento identitário (há um ensaio clássico de Susan Sontag sobre o fascismo, que fala do modo como feministas novaiorquinas acolheram a nazista Leni Riefenstahl nos anos 1970).

Pedro Doria também entrou no debate com um argumento frágil, divulgado no Instagram. Disse que prova é exigência para condenação judicial, não para o jornalismo, e que há conversas entre parlamentares, juízes e procuradores que nunca chegam ao público, embora sejam de interesse coletivo.

Em seguida, recorreu ao caso Watergate para sustentar que, se fosse exigida prova desde o início, Nixon teria terminado o mandato e a investigação mais famosa do jornalismo não existiria.

Doria ressalva que isso não autoriza a publicação de qualquer coisa e lembra que o jornalismo depende de credibilidade. Sinto informar, mas autoriza, sim. Ainda assim, sugere que há seletividade ideológica quando denúncias contra “o outro lado” são aceitas com facilidade e notícias desfavoráveis ao próprio campo são tratadas como mau jornalismo.

Esse raciocínio combina má-fé com desconhecimento histórico. No escândalo Watergate, Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post, trabalharam com muito mais do que relatos de uma fonte anônima como o “Garganta Profunda”. Desde o início havia material verificável, obtido por meio de documentos públicos, registros financeiros e confirmações independentes.

Carl Bernstein e Bob Woodward – Reprodução

Os repórteres analisaram autos judiciais e registros policiais do processo contra os cinco presos no edifício Watergate, que traziam nomes, endereços, valores apreendidos e vínculos com o Comitê para a Reeleição do Presidente (CREEP).

Rastrearam cheques da campanha de Nixon depositados em contas usadas pelos invasores, com base em documentos bancários e depoimentos prestados em tribunal. Examinaram livros contábeis e recibos do CREEP que comprovavam pagamentos irregulares destinados a operações de espionagem e à compra de silêncio.

Diversas informações foram confirmadas por fontes identificadas — advogados, funcionários do comitê, ex-integrantes da campanha — e por registros oficiais, o que reduzia a dependência de um único informante. Declarações públicas da Casa Branca eram confrontadas com dados objetivos já levantados, expondo contradições de forma documentada.

As fitas da Casa Branca surgiram depois, a partir das investigações do Congresso e da Justiça. Elas reforçaram um quadro que já estava sustentado por provas documentais e financeiras reveladas pela imprensa. O trabalho inicial do Washington Post não se apoiou em boatos ou em relatos soltos, mas em fatos checáveis que, aos poucos, formaram um conjunto consistente de evidências.

Comparar esse padrão ao que foi apresentado por Malu Gaspar não é erro de avaliação: é distorção deliberada, ignorância — ou os dois juntos

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.