quarta-feira, abril 29, 2026
spot_img
spot_img
Início Site

Aprender a aprender

0

@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – mestranda do PPGCTS/UFSCar

Beatriz Vitória Vieira de Lima – Monitora da disciplina

            Trazemos, aqui, uma contribuição ao pensamento crítico e necessário à educação pública de qualidade.

Esse texto se baseia em alguns pontos que foram destacados como forma de instigação e de ampliação do debate, na sala de aula, acerca do processo que se denominou de “aprender a aprender”.

Aprender a aprender exige:

  • Aprender a pensar (liberdade: sem dogmatismo)
  • Aprender a identificar (problema relevante)
  • Aprender a selecionar (escolher tema, objeto)
  • Aprender a procurar (fontes, referências)
  • Aprender a pesquisar (metodologia: meios e fins)
  • Aprender a refletir (orientação, foco, mas com intuição)
  • Aprender a organizar (racionalidade, objetividade)
  • Aprender a escrever (“escrita científica”)
  • Aprender a disponibilizar (divulgação científica)
  • Aprender a saber-fazer (praticar o conhecimento, com conhecimento)
  • Aprender a comunicar (conhecimento como comunicação e não extensão)
  • Aprender a Apreender (práxis)
  • Aprender que há Educação Permanente (só deixamos de aprender na morte)

 

No conjunto, temos a articulação de um tipo de epistemologia política, no sentido de que a educação não é um processo neutro, pois, ao contrário, sempre carrega um escopo político.

Como visto, o processo de “aprender a aprender”, aqui trabalhado, busca refletir sobre a prática educativa para além da mera transmissão de conteúdos e da chamada educação bancária[1]. Trata-se de compreender o ensino e a aprendizagem como processos associados ao “tomar para si”, isto é, ao exercício da liberdade necessária para aprender de forma efetiva, ultrapassando-se a aquisição de conteúdos de maneira descontextualizada e, portanto, capaz de promover a formação de sujeitos críticos.

Nesse sentido, aprender a pensar constitui um ponto de partida fundamental, exigindo uma postura crítica e livre de dogmatismos. O conhecimento, conforme apontam autores como Morin[2] e Bachelard[3], não apresenta um ápice ou finalização, mas se desenvolve de forma contínua, por meio de construções e revisões constantes. Associado a isso, destaca-se a capacidade de identificar problemas relevantes da realidade, compreendendo-se que o conhecimento não é dado de forma pronta, mas construído de maneira orientada. Torna-se necessário aprender a procurar, definindo objetivos de estudo e selecionando fontes confiáveis, articulando-se meios e fins.

Esse movimento aproxima-se da noção de práxis em Paulo Freire[4], na qual ação e reflexão (teoria e prática) caminham juntas, o que permite compreender criticamente a realidade e orientar a produção do conhecimento. Logo, aprender a escrever e a comunicar torna-se essencial, uma vez que o conhecimento precisa ser expresso de forma fundamentada, clara e objetiva.

A comunicação, nesse contexto, ultrapassa a ideia de mera transmissão (extensão) e passa a ser compreendida como um processo de construção compartilhada, estabelecendo-se relações de parceria entre docentes e discentes. Da mesma forma, aprender a disponibilizar o conhecimento, por meio da divulgação científica, amplia seu alcance e contribui para romper com sua restrição aos espaços acadêmicos.

Por fim, “aprender a apreender” implica o desenvolvimento do saber-fazer, ou seja, a capacidade de aplicar o conhecimento de forma consciente e intencional, articulando-se teoria e prática. Esse processo reafirma a centralidade da práxis e evidencia que o ensino e a aprendizagem não se configuram como algo finalizado, mas como um movimento contínuo, marcado pelo reconhecimento do inacabamento humano. Assim, a educação se estabelece como um processo no qual os sujeitos encontram-se em constante formação ao longo da vida.

Diante disso, compreende-se que o “aprender a aprender” representa uma perspectiva educacional comprometida com a autonomia responsável, a criticidade, a emancipação social e a transformação social. Mais do que acumular informações, aprender significa desenvolver a capacidade de questionar, interpretar, relacionar ideias e agir conscientemente diante da realidade. Nesse sentido, o estudante deixa de ocupar uma posição passiva e passa a ser sujeito ativo de sua própria formação – há, então, uma autoeducação política.

Tal compreensão também exige uma nova postura do/a educador/a, que deixa de ser apenas transmissor/a de conteúdos para atuar como mediador/a do conhecimento, incentivando a curiosidade, o diálogo e a investigação. A sala de aula, portanto, torna-se um espaço de construção coletiva, no qual ensinar e aprender se estabelecem como processos mútuos e permanentes.

Além disso, em uma sociedade marcada por rápidas transformações científicas, tecnológicas e culturais, torna-se cada vez mais necessário formar sujeitos capazes de aprender continuamente, adaptando-se aos desafios do tempo presente sem perder a capacidade crítica. A educação, nessa perspectiva, contribui para a formação integral do indivíduo, preparando-o não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida em sociedade, o exercício da cidadania e pondo-o diante do entendimento de que será agente do próprio aprendizado.

Dessa forma, pensar na educação a partir do “aprender a aprender” significa reconhecer que ensinar envolve compromisso ético, político e social com a formação humana. Ao estimular a autonomia intelectual, o diálogo e a capacidade de intervenção na realidade, a escola cumpre seu papel de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e consciente.

Por esse entendimento, educar e aprender tornam-se ações inseparáveis no processo permanente de humanização dos sujeitos. Reafirmando-se a educação como prática libertadora e permanente, fundamentada na ideia de que o ser humano está sempre no mesmo processo de construção. Aprender, portanto, não se limita ao espaço escolar, nem se encerra em etapas formais – ainda que isso seja óbvio e necessário –, mas, sim, acompanha toda a trajetória humana como possibilidade constante de crescimento, emancipação e transformação.

Referências

BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2023

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

 

[1] O conceito de Educação Bancária foi desenvolvido por Paulo Freire como forma de criticar esse modelo de ensino no qual o professor deposita conteúdos nos estudantes, considerados sujeitos passivos, algo que se baseia apenas na transmissão, em total oposição a uma educação problematizadora e crítica.

[2] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

[3] BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2023

PF investiga malas sem inspeção em voo com Motta e Ciro Nogueira em avião ligado a bets

Bagagens não passaram por raio-X após viagem a paraíso fiscal no Caribe; Avião pertence a empresário de bets

A Polícia Federal investiga um episódio envolvendo a entrada de bagagens no Brasil sem inspeção em um voo privado que trouxe parlamentares após viagem ao Caribe, informa a Folha de São Paulo. O caso, que inclui o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) devido à possível ocorrência de crimes como facilitação de contrabando ou descaminho.

Cinco malas teriam sido liberadas sem passar por raio-X no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), em abril de 2024. A investigação aponta que um auditor fiscal autorizou a liberação das bagagens sem inspeção, o que motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal.

Viagem e passageiros do voo

O voo partiu da ilha caribenha de São Martinho, destino conhecido por benefícios fiscais e atrações como cassinos. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.

Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, estavam na lista de passageiros os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes partidários na Câmara. A PF obteve a relação de passageiros durante as investigações.

Investigação e envio ao STF

O caso foi inicialmente analisado pela Justiça Federal em São Paulo, mas acabou remetido ao STF por envolver autoridades com foro privilegiado. A relatoria ficou com o ministro Alexandre de Moraes, que determinou prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em decisão anterior, a Justiça destacou que caberia ao Supremo avaliar a competência para julgar o caso. O processo segue sob sigilo.

Suspeitas e atuação de auditor

De acordo com a apuração, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior transportasse as bagagens sem passar pelo equipamento de inspeção. O episódio ocorreu por volta das 21h do dia 20 de abril de 2024.

A Receita Federal informou que eventuais investigações internas são conduzidas sob sigilo e que, ao identificar possíveis irregularidades, instaura procedimentos administrativos para apuração, garantindo o direito à ampla defesa.

Posicionamento dos envolvidos

Hugo Motta confirmou presença no voo e afirmou que, ao desembarcar, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”. Sua assessoria declarou que o parlamentar aguardará a manifestação da Procuradoria.

Até a publicação da reportagem original, os demais citados —Ciro Nogueira, Dr. Luizinho, Isnaldo Bulhões e o empresário Fernandin OIG— não haviam se pronunciado.

Contexto e desdobramentos

A investigação também considera a possibilidade de envolvimento de passageiros com prerrogativa de foro em eventuais irregularidades. Por isso, o Ministério Público Federal solicitou o envio do caso ao STF.

O episódio ocorre em meio a debates sobre a atuação de empresas de apostas online no Brasil. Fernandin OIG, dono da aeronave, já esteve no centro de discussões no Congresso relacionadas ao setor, incluindo investigações parlamentares sobre possíveis irregularidades.

Do Brasil 247

Com Lula forte no 1º turno e empatado no 2º, pesquisa Atlas aponta disputa acirrada em 2026

Levantamento Atlas/Bloomberg revela liderança de Lula no primeiro turno, empate com Flávio Bolsonaro no segundo e alta rejeição entre principais candidatos

A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (28) aponta disputa acirrada em 2026 e revela um cenário marcado por polarização persistente, com equilíbrio entre os principais candidatos e elevada rejeição entre os líderes políticos.

infografico

Na avaliação geral do governo, 51,3% classificam a administração como ruim ou péssima, enquanto 42% consideram ótima ou boa, indicando um cenário de desgaste político relevante.

Polarização se mantém

A pesquisa indica que a polarização segue como principal característica do cenário eleitoral. Em uma simulação com os mesmos candidatos de 2022, Lula aparece com 45,2% das intenções de voto, contra 45% de Jair Bolsonaro (PL), configurando empate técnico. Jair Bolsonaro, no entanto, está inelegível e cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

O dado reforça a manutenção de um cenário dividido entre os dois principais campos políticos do país.

Cenários de primeiro turno

No principal cenário de primeiro turno, Lula lidera com 46,6%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 39,7%. Outros nomes aparecem com percentuais menores, como Renan Santos (5,3%), Ronaldo Caiado (3,3%) e Romeu Zema (3,1%).

Quando o candidato governista é Fernando Haddad (PT), ele registra 40,5%, contra 39,2% de Flávio Bolsonaro, mantendo a disputa em patamar equilibrado.

Disputa no segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro, com 47,5% contra 47,8%.

Contra Jair Bolsonaro, Lula teria vantagem, com 48% frente a 46,8%. O presidente também venceria outros nomes testados, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Sem Lula na disputa, Flávio Bolsonaro aparece à frente tanto de Fernando Haddad, com 48,1% contra 44,3%, quanto de Geraldo Alckmin (PSB), por 47,5% a 45,9%.

Alta rejeição entre candidatos

A pesquisa também mostra níveis elevados de rejeição. Lula lidera nesse indicador, com 51%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 49,8%, e Jair Bolsonaro, com 44,9%.

Outros nomes também apresentam rejeição significativa, como Renan Santos (42,2%), Fernando Haddad (41,9%), Romeu Zema (40,9%) e Ronaldo Caiado (38,7%).

Cenário aberto

O conjunto dos dados aponta para uma eleição aberta, com margens estreitas nos principais cenários e forte polarização. A combinação entre competitividade elevada e altos índices de rejeição sugere uma disputa imprevisível e altamente dependente da evolução do cenário político ao longo dos próximos meses.

Metodologia

A pesquisa ouviu 5.008 pessoas entre os dias 22 e 27, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%, conforme registro no TSE sob o número BR-07992/2026.

Do Brasil 247

EDUCAÇÃO CRÍTICA DA UBERIZAÇÃO

0

– uberização e capitalismo de barbárie

– intuições de um professor

 

@viniciocarrilhomartinez

Tendo-se a clareza de que, todos/as que pedem uma pizza pelo aplicativo estimulam, reproduzem, monetizam a lógica da uberização social, nesse texto, traremos alguns pontos essenciais a uma Epistemologia política crítica ao momento e ao estágio atual da desumanização: uberização social.

A desnaturalização da condição humana

Penso que, quando um professor chega nesse estágio de violência, a ponto de atacar a tiros o presidente dos EUA, ele está subsumido pela mais grave “esquizofrenia social” [1].

Desse modo, esse professor apenas reflete o nível de “doença sistêmica” da sociedade capitalista na qual vive – salvo se sempre teve (tem) algum distúrbio psíquico muito grave.

Pela premeditação, até onde sabemos, parece que estava “conversando” com o seu líder na única linguagem que ele compreende: a violência letal. Neste caso, como resultado de uma sociedade bélica, desorientada, extremamente fragmentada, o professor sinaliza para o que o capitalismo aponta.

Vamos persistir no aspecto de que, se um professor recorre ao uso de arma de fogo para atingir seu líder (e acólitos), a doença do capitalismo chegou no seu extremo.

O capitalismo conseguiu desumanizar por completo quem deveria ensinar crianças e jovens a não praticarem a violência, mas sim o conhecimento. Penso que esse é o estágio mais baixo, virulento, letal, que conhecemos da sociedade capitalista.

Também penso que nossa obrigação, como profissionais da educação, é propormos uma educação anticapitalista, contra a própria violência que o sistema produz reiteradamente.

Contudo, é preciso olhar para o presente, é obrigatório entendermos que o ponto central, a receber o foco da nossa atenção, é a uberização social, a fragmentação, a indiferença, o estranhamento social e a negação ou dissolução de si[2].

De alguma forma bem específica, na condição psíquica (e que não é a minha área), esse professor é apenas uma singularidade do estilhaçamento das subjetividades e das consciências de todo mundo, neste breve 2026.

Esse professor-atirador é uma fagulha da uberização social, essa total desagregação e exclusão do indivíduo pelo sistema produtivo, descartado pelos símbolos de significação, reconhecimento e legitimidade, e que precisamos entender para atuar contra.

 

Da contínua uberização social

O professor, a professora, como parte atuante e decisiva na formação do “novo Homem”, que predizia Paulo Freire n’A Pedagogia do Oprimido[3], precisa ser “educado/a” – como ensinou Marx, na Ideologia Alemã –, para reconhecer a absoluta precarização e o total distrato social em que se encontra.

Somente assim, o/a professor/a poderá atuar para mudar as condições em que se encontra, juntamente com seus alunos e alunas; afinal, são as mesmas condições de negação da existência social, econômica, política, cultural (societal) que atingem a todos.

Esse quadro de uberização social – em situação direta (motorista de aplicativo, entregador freelance) ou indireta (tomador/a de serviços) – não apenas revela o total desamparo e a insegurança jurídica, mas nos coloca no miolo do problema.

Acima de tudo, a uberização social nos revela que ninguém está isento – retirando-se a barbárie do escravismo, antigo e moderno – do maior e mais grave, profundo, estágio de associação do Humano com a mercadoria, com a coisa e, portanto, com a plena identificação com a coisificação (reificação globalizada).

É importante conhecer a Maquinaria por dentro? Sim, é obrigatório, pois é apenas assim que se entende a lógica perversa do capital, na forma da espoliação dos produtores/as, trabalhadores/ras.

Porém, além do entendimento (análise e reconhecimento fático) das condições originárias do capitalismo do século XIX – como promissor resultado das duas revoluções industriais e políticas (americana e francesa) –, é nossa obrigação entender os “tempos modernos” deste início de século XXI (para só então poder atuar).

Diferentemente da classe trabalhadora que dividia o mesmo chão de fábrica, todos os dias, em escalas de trabalho que exauriam qualquer esperança – mas que oferecia um piso onde assentar a consciência de classe –, hoje, o trabalho uberizado interliga o/a trabalhador/a com um algoritmo frio, calculista, capitalista. Não existe mais um Humano na outra ponta da linha, a chefia é uma máquina de moer pessoas e de fazer dinheiro.

Sendo assim, se o filme Tempos Modernos de Chaplin é um clássico do cinema mudo que nos fala até hoje como é a lógica capitalista, por outro lado, um outro filme precisa ser rodado para auxiliar (esteticamente) no entendimento da uberização social – são tempos modernos revirados, são tempos pós-modernos altamente disruptivos, destrutivos, desumanizantes.

Uma das características dessa uberização social, como a descrevemos, se associa bem à fragmentação que perde qualquer filamento social, revelando-se doentia, parasitária, com inoculação absurdamente ativa.

Não temos noção adequada do processo atual, estamos tão-somente nas aparências, nas camadas superficiais, desse avanço da degradação humana; no entanto, é possível visualizar e entender (mais claramente e ainda que não seja conscientemente) que a exceção (uberização) se converteu em regra – ninguém está imunizado ao processo, ao contágio, quer seja pedindo uma pizza quer seja contratando a revisão freelance do seu próprio trabalho.

Há uma “naturalização da exceção[4]” e isso produz um reiterado looping da exceção originária. O que deveria ser exceção – o trabalho terceirizado, o/a uber – tornou-se uma regra.

As motivações podem ser variadas, desde a ausência absoluta de condições de empregabilidade formal, até “usar” a uberização como complemento de renda; esta seria, propriamente, a uberização do Mundo do trabalho[5].

O motivo, no sentido que analisamos agora, não é o mais relevante, mas sim a lógica que o explica, ou seja, ninguém se assusta, muito menos se furta, diante do acesso ou da inclusão na uberização. Quem não quer uma pizza?

Podemos estar presentes, inclusive, numa reunião séria em que se discuta a uberização de forma aprofundada, sociologicamente, e, passado algum tempo, um dos presentes pedir algum serviço de entrega de bebidas e de comidas.

A uberização social se revela, nesse exemplo tão comum da pizza, porque nenhum dos presentes se daria conta de que o “objeto” está indo ao seu encontro para satisfazer suas necessidades primárias: beber e comer.

No exemplo que demos do especialista que pede o serviço uberizado não há desconhecimento, alienação, indiferença diante do/a entregador/a de pizza.  É de se imaginar que esse/a especialista seja capaz de visualizar o entregador/a da pizza e o associar ao motorista do uber, uma vez que a lógica de degradação é a mesma. Então, se não é desconhecimento. O que seria?

 

Quando a exceção vira regra

Atua de forma hegemonizada, como entendemos aqui, uma lógica da “naturalização da exceção”, quando a presença massiva, sistêmica, sistemática da exceção a torna uma regra imperativa. É desse modo que ninguém mais duvida de que seja uma exceção – pois, de tão presente, fez-se uma “regra natural”.

E o que é mais natural do que a classe média pedir uma pizza pelo aplicativo, a ser entregue pelo filho/a das classes subalternizadas, oprimidas e excluídas?

Não se trata somente da informalidade no emprego, como o trabalho nas folgas, ou a prestação de serviço em reparos domésticos (via de regra, provém de contatos diretos), posto que trata do fato de que a plataforma que intermedia a compra e venda da força de trabalho[6] tem uma regra só para si e a faz valer universalmente, globalizando-se a exploração por todos os meios da vida social.

Por isso, ninguém está imune à parasitária fase do capitalismo atual. O que podemos ver é que se trata do capitalismo improdutivo de bens, no ápice da identificação do capital com os serviços, e, desse prisma, também pode valer o acrônimo do “servilismo voluntário”. Quem compra a pizza trabalha para a plataforma que providencia a entrega.

A exploração do trabalho pelo capital sempre foi a principal regra capitalista (Princípio da Hierarquia), não há exceção aqui. A naturalização da exceção se vale da aplicação da lógica segundo a qual, embrenhados nos “nossos” não tão novos tempos modernos, não percebemos o quão profundamente estamos submersos, não só na exploração do capital sobre o trabalho, mas na degradação humana, na mais profunda desumanização: na uberização social.

O looping da exceção, via uberização social, é tão profundo e pernóstico que não nos vemos ativos no processo, a exemplo de quem “apenas compra uma pizza pelo aplicativo”. Pela presença massacrante dos algoritmos de aplicativos de serviços em nossas vidas, a uberização se tornou parte da paisagem natural.

Neste aspecto, vale insistir, o looping da exceção é hoje o motor da uberização social; outrossim, para além da condição laboral, uma vez que a naturalização da exceção alcança todos os níveis da vida social.

Esse looping da exceção é a cadeia de rolagem, na rodagem da política, da cultura, da educação, é o que desmonta as relações sociais pacificadas e leva um professor a atacar a tiros um presidente da República.

Quando chamamos uma corrida uberizada e, pelo menos, indagamos sobre a rotina de trabalho da pessoa, apesar de ser um passo tímido, já é alguma coisa. Ainda que estejamos aprendendo apenas com nossos sentidos (senciência), quem sabe, o fato de o/a motorista falar de si não o/a leve a se escutar. Talvez, assim, a nossa senciência limitada (escutar) seja a motivação da consciência do/a motorista.

De todo modo, se é difícil apontar, diagnosticar “o que” ocorre, definir o “que fazer” – como fazer, “para quem” de modo direto e primário, com quais meios, e quando – é ainda mais nebuloso. Não há muita clareza, certeza, nos tempos atuais, em meio a tantas fragmentações, insuficiências, inconsistências. Mas, é preciso agir.

 

O que fazer?

A premissa tem que ser clara, pois nem todo trabalhador-capitalista, cooptado pela ideologia capitalista, é capitalizado; assim como hoje nem todo mundo está submetido ao trabalho uberizado. Porém, todos nós estamos subsumidos à lógica da “naturalização da exceção” e que monetiza a uberização social.

Se a imposição de uma legislação de segurança no trabalho, propriamente uberizado, tem caráter de urgência/urgentíssima, se é minimamente humanizador pensar-se em formas de políticas públicas protetivas a esses/essas trabalhadores/as, em complemento, a educação crítica seria, além de tudo, uma educação anticapitalista, crítica à uberização social – principalmente porque esse processo de máxima exploração é sinônimo de desumanização (estranhamento de si e da realidade).

Portanto, toda educação crítica ao capital, hoje, deveria partir desse fenômeno atual, de presença sem disfarces na fragmentação humana, na desorganização social, na perda de identidade, uma vez que só assim poderemos pensar em propor alguma reflexão que venha a ocasionar uma ação transformativa.

Então, quais aspectos você destacaria em uma Educação Crítica da Uberização, tendo-se em conta que deveria ter algum significado econômico, político, social, cultural, efetivo, para os mais afetados/as, explorados/as?

[1] Link: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/04/26/policia-identifica-suspeito-de-ataque-em-evento-com-trump.ghtm. Acesso em 26/04/2026.

[2] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/abducao-social-educar-pelo-pensamento. Acesso em 26/04/2026.

[3] https://www.youtube.com/watch?v=2C518zxDAo0. Acesso em 26/04/2026.

[4] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[5] https://www.intercept.com.br/2019/04/08/uberizacao-das-relacoes-de-trabalho/?utm_source=tp_google_interceptbr&utm_medium=cpc&utm_campaign=trafego_news&gad_source=1&gad_campaignid=23575505167&gbraid=0AAAAA-GeiJfy0LuGI6jtuoNcuHdTME-N_&gclid=Cj0KCQjw77bPBhC_ARIsAGAjjV__OYWJem6nMUQDDGz_jDg7IXSbKWo70zbtAHVVRiAm3xnf3jFRpMUaAnPMEALw_wcB. Acesso em 26/04/2026.

[6] https://www.instasgram.com/reel/DH67w1FPGBi/?hl=pt. Acesso em 26/04/2026.

‘Serei presidente outra vez’, afirma Lula na abertura do Congresso do PT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou na sexta-feira (24) uma proposta de documento apresentada no Congresso do PT, mas ressaltou que a militância do partido precisa levar em conta aquilo que “é possível” de ser implementado.

“É importante que a gente leve com seriedade que a gente leve com seriedade que a gente tem que prometer as coisas que temos facilidade e possibilidade de fazer, porque quem está no governo tem que ter como grande arma para ganhar as eleições mostrar o que fez”, ponderou Lula, em vídeo enviado ao evento em Brasília.

Mais cedo, Lula passou por um procedimento médico simples em São Paulo, mas sua presença no Congresso ainda não foi definida, uma vez que depende de aprovação da equipe médica.

No vídeo, o presidente também expressou confiança de que será reeleito, afirmando: “Preparem-se, pois serei presidente outra vez porque o Brasil precisa de alguém democrático, que saiba ouvir e conversar com o coração das pessoas”.

Do Brasil 247

O uber que interage com o aplicativo

0

@viniciocarrilhomartinez

Disse no título que o uber interage com o aplicativo porque esse motorista realmente interage com o trabalho, com a plataforma: está ligado, como se diz.

Ontem na volta da universidade, o motorista – meia idade, escolarizado, experiente no trabalho – me deu uma aula sobre o Código de segurança. Praticamente voltei quieto, e se fiquei quieto quase a viagem toda é porque estava aprendendo muito – é o único de ficar quieto, quando estou aprendendo.

São tantos detalhes sobre esse Código de segurança que vou me limitar a expressar o básico: obviamente, traz segurança ao motorista e ao passageiro. O curioso é que a maioria das pessoas detesta isso; e mais curioso ainda é que os golpes, as trapaças – de ambos os lados – são infinitas. Ou seja, devemos programar nosso aplicativo para que o Código de segurança seja automatizado – sim, qualquer usuário/a pode/deve fazer isso.

O motorista me disse que, em breve, poderemos fixar um número permanente – com o código em mente, ninguém mais precisará consultar o aplicativo no início de cada corrida. E isso é uma recomendação.

Mas, como falei, esse é o mini resumo da conversa, em que fui basicamente um bom escutador.

Teve uma outra viagem de uber, faz uns 15 dias, quando estava indo para a universidade; porém, teve um enredo bem diferente. O motorista era muito jovem, uns 30 anos no máximo. A fisionomia era de cansaço, muito cansaço, mas percebi que o tom de voz estava embargado.

No meio do caminho, não sei porque, a conversa se desviou para os problemas da vida – do tipo de problemas que todo mundo tem. Falei que ando fugindo de problemas, que tento evitar ao máximo – por exemplo, pouco interagir em grupos políticos de WhatsApp, aos quais estava habituado a militar. As tretas, como dizem os jovens, ficaram pesadas e hoje entro apenas para postar algo que eu tenha escrito, como ocorrerá com essa pequena crônica.

Aí, o motorista falou que o problema dele estava perto, mas indo para longe. Na hora, pensei que era a namorada, companheira, esposa. Em seguida ele sorriu meio amarelo e, então, lhe disse que conheço bem esse sentimento. Passei por algumas.

Resumindo, contei uma passagem que aconteceu comigo e disse que, depois de algum tempo, indo e vindo, conseguimos acertar um pouco os ponteiros. Sugeri, a partir do meu exemplo, duas coisas simples: dar um espaço para a moça, um tempo, mas perguntar todo dia como ela está. Com o passar do tempo, poderão avaliar se compensa tentar novamente ou se cada um deve seguir o seu rumo. O importante, em qualquer das hipóteses, é que manterão o respeito mútuo.

Definitivamente, não posso dar “conselhos sentimentais” a ninguém. E penso que não fiz isso, porque somente contei minha experiencia e sugeri prestar atenção no que eu fiz naquela época: espaço, tempo, atenção. Ele agradeceu e disse que é muito bom conversar com alguém que tenha experiencia de vida.

No meu caso, funcionou em parte. No entanto, a parte que funciona até hoje é muito importante, para mim e para ela.

É mais do que certo que não podemos ter tudo na vida, mas que seja de extrema qualidade o que conseguirmos forjar e manter.

Modelo brasileira Amanda Ungaro implode o cafetão Paolo Zampolli, operador de Donald Trump

Declarações misóginas à TV italiana geram reação no Brasil e ampliam crise com acusações públicas e denúncias graves

 A empresária Amanda Ungaro voltou ao centro de uma controvérsia internacional após tornar públicas uma série de acusações contra o ex-marido, o empresário italiano Paolo Zampolli, envolvendo ainda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump.

Casados por cerca de duas décadas, Amanda e Zampolli protagonizam agora um embate público que ganhou novos desdobramentos após declarações do empresário à emissora italiana RAI. Na entrevista, Zampolli fez afirmações graves e ofensivas ao comentar o comportamento da ex-esposa. Segundo ele, “mulheres brasileiras são programadas para causar confusão” e “causam confusão com todo mundo”.

As declarações provocaram forte repercussão negativa no Brasil, especialmente após o empresário utilizar termos ainda mais agressivos. Em outro momento da entrevista, ele afirmou que as brasileiras seriam “raça maldita” e que “são todas iguais”, além de dirigir insultos pessoais a Amanda e a pessoas próximas a ela.

A reação foi imediata. O Ministério das Mulheres e a primeira-dama Janja da Silva se manifestaram publicamente, classificando as declarações como ofensivas e atentatórias à dignidade das mulheres brasileiras. As falas também geraram indignação nas redes sociais e entre representantes da sociedade civil.

Em resposta, Amanda Ungaro publicou um longo desabafo nas redes sociais na madrugada de sábado (25), no qual fez duras acusações contra o ex-marido. No texto, ela afirma ter convivido por anos com “uma mente voltada para atividades ilícitas, suborno e bajulação — com apenas um objetivo”, que, segundo ela, seria “a destruição da figura feminina”.

A empresária também acusou Zampolli de tratar mulheres como “moeda de troca” e de desrespeitar sua sexualidade. Em outro trecho, escreveu que ele “vulgariza as mulheres” e “desdenha da feminilidade e da sutileza das mulheres com palavras repugnantes”.

O tom do desabafo se intensifica ao longo da publicação. Amanda afirma: “Eu merecia algo muito melhor do que um verme repulsivo como Paolo Zampolli”. Em seguida, o chama de “mentiroso patológico” e questiona sua trajetória profissional: “Você nunca vendeu um único apartamento — quanto mais um avião 787”.

Além das críticas pessoais, a empresária levanta suspeitas sobre a atuação do ex-marido e menciona possíveis conexões com figuras influentes, sem apresentar provas públicas no conteúdo divulgado. Ela também afirma que Zampolli teria tentado utilizar influência política para promover sua deportação dos Estados Unidos.

Encerrando a publicação, Amanda afirma que o ex-marido “não é real” e o define como “uma mentira patética”. O caso segue repercutindo internacionalmente e pode ter novos desdobramentos à medida que as acusações ganham visibilidade e provocam reações oficiais e institucionais.

Do Brasil 247

 

Rechaçando contrapropaganda ianque, líderes do Irã exaltam coesão interna e unidade da nação

Autoridades da República Islâmica do Irã e comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reafirmaram a unidade e a coesão da nação em torno da resistência anti-imperialista contra a guerra de agressão desatada pelo país Estados Unidos (EUA) e seu enclave nazi-sionista “Israel”, alertando aos inimigos que novas agressões serão como a troca de um “olho por cabeça”. As poderosas declarações vêm logo após o canibal Donald Trump e os monopólios de imprensa arautos do imperialismo ianque alardearem uma suposta “divisão interna” do governo iraniano.

Os comandantes das forças aeroespacial e naval do CGRI afirmaram que possuem “uma lista de alvos definidos” e estão com “o dedo no gatilho” caso os agressores ianques e sionistas decidam retomar suas agressões contra a nação iraniana. Os militares iranianos destacaram ainda que o respaldo para realizar duros golpes contra os inimigos é confirmado “pela união das ruas e coesão das autoridades”.

O vice-presidente e chefe da Organização para Otimização e Gestão Estratégica de Energia, Esmail Saghab Esfahani, afirmou que a persistência da agressão por parte de EUA e “Israel” poderia ocasionar uma mudança na doutrina militar iraniana: “Nossa primeira estratégia é ‘olho por olho’, mas se o inimigo cometer um erro novamente, nossa resposta será ‘olho por cabeça’.”

Bloqueio ianque no Golfo Pérsico e ofensiva sionista no Líbano expõem continuidade da guerra durante cessar-fogo – A Nova Democracia
A resistência dos povos do Oriente Médio, principalmente a manutenção do fechamento do Estreito, se mantém como elemento central de enfrentamento, com a luta contra a agressão imperialista sendo travada em múltiplas frentes.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, e o chefe do judiciário, Gholam-Hossein Ejei, emitiram declarações simultâneas na plataforma X rechaçando a alegação do cabecilha ianque Donald Trump de que setores “moderados” do Irã estariam dispostos a capitular frente às exigências do inimigo.

“Somos todos iranianos e revolucionários”, afirmou Pezeshkian, destacando a unidade política, popular e religiosa em torno da República Islâmica para fazer “o agressor se arrepender”, e Ghalibaf emitiu uma mensagem similar. Ejei, por sua vez, não poupou palavras ao descrever o canibal Trump como o “desprezível presidente do EUA” que deveria compreender que “no Irã todos os grupos estão unidos em total alinhamento com o líder”, se referindo ao líder supremo Mojtaba Khamenei.

Líder supremo destaca unidade iraniana 

O líder supremo da República Islâmica do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu uma declaração ao povo iraniano exaltando a unidade do povo, expressa em constantes manifestações em favor da resistência, e alertando aos operativos de guerra psicológica promovidos pelos ianques e sionistas.

Para Khamenei, as alegações dos líderes do EUA, que frequentemente insinuam a suposta deslealdade e frouxidão de lideranças iranianas, não passam de artimanhas que objetivam arrefecer a unidade da resistência.

“As operações midiáticas do inimigo, ao visarem as mentes e a psique do povo, pretendem minar a unidade e a segurança nacional; que nossa negligência não permita que esses planos sinistros se concretizem”, afirmou a nova liderança máxima do Irã. Além disso, salientou que a real divisão está no seio do Grande Satã: “Devido à notável unidade criada entre os compatriotas, ocorreu uma divisão nas fileiras do inimigo”.

Rejeição a Trump chega a 62% em meio à guerra com o Irã e à crise interna no EUA – A Nova Democracia
Dentre as preocupações demonstradas está o grau de sanidade do presidente ianque em meio ao atoleiro criado com a guerra de agressão contra o Irã e o consequente fechamento do estreito de Ormuz.

Ianques seguem promovendo pirataria

O chefe do Pentágono e secretário de Guerra ianque, o celerado Peter Hegseth, disse em uma coletiva de imprensa que o país Estados Unidos (EUA) está expandindo o bloqueio naval contra embarcações comerciais iranianas e confirmou o sequestro de dois navios que navegavam no Estreito de Ormuz, próximo ao Mar do Irã. Em retaliação, o Irã afirmou a apreensão de dois navios, um deles pertencente à entidade nazi-sionista de “Israel”.

Em uma contumaz confissão de pirataria, Hegseth afirmou que, além do sequestro de embarcações civis iranianas, outros 33 navios chegaram a ser impedidos de navegar e foram forçados a retornar a seus portos. Além do Estreito de Ormuz, a marinha ianque sequestrou dois navios com petróleo iraniano no Oceano Índico e afirmou que expandirá as operações por todo o mundo.

Apesar dos danos econômicos, as embarcações iranianas seguiram desafiando o bloqueio naval e, entre os dias 13 e 21 de abril exportaram ao menos 10,7 milhões de barris de petróleo, segundo dados da empresa de análise marítima Vortexa. Com o aumento das hostilidades da marinha ianque e das represálias iranianas, o tráfego de navios no Estreito de Ormuz caiu para 5 navios em 24 horas.

A Nova Democracia

CAPITALISMO DIGITAL – na era da Sociedade de controle

0

 

@viniciocarrilhomartinez

É oportuno visualizar que, diferentemente do período entre as décadas de 1970 e 1990, até uma parte significativa dos anos 2000, o sistema financeiro, diga-se o capital financeiro, especulativo e improdutivo, liderado pelos grandes bancos, detinha a primazia sobre o poder econômico e, portanto, a hegemonia.

Neste momento em que nós nos encontramos, os bancos sofrem com a ausência evidente de regulamentação das fintechs. Os próprios bancos, além da corrida às criptomoedas, enfrentam ataques diretos em seu projeto de hegemonização pelo novo BBB – Big Techs, Big Datas/Data Centers, Bets – além de disputarem agenda com o modelo mais arcaico: bala, boi, bíblia[1].

Como fenômeno presente, em fazimento, altamente complexo, nuançado, o Capitalismo digital – para quem se sente no olho movediço do furacão – é um atuante Ensaio. Do presente ao passado, temos os dois (o trabalho análogo à escravidão e a IA como negação da condição humana[2]); do geral ao particular, ninguém escapa da uberização social; do complexo, composto, às partes de sua composição, o fenômeno, que revela o atual estágio das forças produtivas e das relações sociais de produção, combina regras do escravismo (9-9-6) com a ausência integral de institucionalidades e da legitimidade democrática (Fascismo tecnológico[3] e “servilismo voluntário”). Mas, tudo aqui ainda é um Ensaio[4], com uma longa história[5].

Desse modo, escanear alguns elementos desse denominado Capitalismo digital lembra um pouco o trabalho que Ianni teve com a exposição da Geração de 30, se observarmos que livro[6], palestras[7] e artigos não são idênticos e que sempre trazem algum ganho, complemento. Citamos isso como referência de que o conhecimento, acerca do conceito de Capitalismo Digital, está se fazendo, não está fechado, sobretudo porque tratamos do presente, sempre em processo dinâmico – e, muitas vezes, com extrema velocidade em produção e também destruição.

 

A sociedade de controle sob o Capitalismo digital

Por Sociedade de controle fixaremos a inspiração originária de Deleuze[8], com aportes mais atuais de Bauman[9] e, por Capitalismo digital, daremos prosseguimento ao nosso intuito inicial de esquadrinhamento de alguns aspectos de edificação da hegemonia capitalista em 2026.

Com a perspectiva de que o conceito está em movimento, numa base material movediça, teremos atenção nesse artigo em dois vetores que se alinham e se ajustam hodiernamente, porém, como se estivéssemos vendo a atualização de um composto do passado (sociedade de controle[10]) no presente (Capitalismo digital). Os aportes do futuro correm por conta da alavancagem dos meios degenerativos da Política e da democracia – como mecanismos de subalternização, exclusão[11] e negação[12]. O que corresponde às “máquinas de guerra” do capital provocador de miséria humana e de uma sociedade altamente controlativa[13].

O conjunto de formas tradicionais e “inovadoras” de embate político e produção de beligerâncias, a serviço do Império e de seus países satélites, também configuram o eixo das modalidades de ação/intenção do que se pode definir com soberania de conquista. Uma requisição sem fim de soberania – num mundo de única potência – só poderia ser efetiva se houvesse uma sociedade altamente de controle: altamente controladora das liberdades dos cidadãos nacionais e da geopolítica internacional. Portanto, a forma-Estado de Exceção[14] está delineada tanto no controle real (da política) quanto nas liberdades interativas que se pudesse visualizar nas redes sociais. “A guerra era um limitado Estado de Exceção”[15].

Também nesse sentido há uma janela epistemológica entre a obra de Foucault[16] e de Deleuze, e que é, mais precisamente, a passagem do estágio capitalista das sociedades disciplinares para a sociedade de controle[17].

Hardt destaca pontos chaves a partir da leitura que apresenta do filósofo francês: pós-modernidade; fim da história; Império; sociedade de controle mundial; biopoder. O conjunto revelaria um tipo de crise de civilização ou, ao menos, de perspectiva. “O ‘espaço estriado’ das instituições da sociedade disciplinar dá lugar ao ‘espaço liso’ da sociedade de controle”[18]. A indistinção entre público e privado, dentro e fora, revela-se em novas formas de opressão e controle, como o racismo que não se baseia na biologia, mas, sim, na cultura.

A privatização do público e a publicização do privado, por sua vez, acarretam uma superexposição das subjetividades. Com isso, é obstaculizada a construção do reconhecimento dos sujeitos e de suas intersubjetividades – não-egoístas, não-consumistas – e do direito porque seria necessário um espaço público não privatizado. “A paisagem urbana não é mais a do espaço público, do encontro casual e do encontro de todos, mas dos espaços fechados das galerias comerciais, das autoestradas e dos condomínios com entrada privativa”[19].

O fluxo, a rotina, é ditada pela rodagem dos algoritmos hegemonizados é a contraprova do alegado, uma vez que as bolhas de referência, acesso e consumo são cada vez mais particularizadas, indutivas de um tipo de auto referenciamento e autoconsumo, porque cada pessoa usuária das redes deverá consumir hoje e amanhã, precisamente, o que consumiu ontem. Não é autoaprendizado do sujeito (apenas do algoritmo), é autoconsumo que nos embota nas mesmas e repetidas preferências e escolhas. O pensamento único é, além de um portal emanado das oligarquias da comunicação global (Big Techs), uma expressão da mesmice, de eterna repetição do que queremos ver e ouvir: a primeira vítima é a diversidade, a segunda é a tolerância e a terceira somos nós.

A partir da Arphanet, a Internet como a conhecemos hoje funcionou como um sistema sinótico[20], fazendo-se interação entre os membros e os grupos integrados; com as redes de comunicação social, virtualiza-se intercalando-se sistemas panópticos[21] e banóticos[22]. Não se poderia retratar o incremento dos novos meios de interação/informação; no entanto, essa proposta analítica de uma sociedade de controle (desde o século XX) se ajusta com perfeição às previsões e realizações que se manifestariam no futuro/presente de 2026.

Celebrizado pelo diagnóstico do “pensamento único” – sem questionamento, ordenado pelos interesses hegemônicos – Ramonet[23] incitava, diante da sociologia do laissez-faire, em que cada um vigia suas intenções/ações, a pensar sob o ângulo do Jus Puniendi Global que nos arboriza como cidadãos de paisagem: chamado ao “servilismo voluntário”[24]. De fato, há um Estado de Vigilância Maciço.

 

Da uberização social

Inicialmente, há que se destacar algumas nuances: terceirizados ou estagiários, por mais precárias que sejam suas relações de trabalho, têm algum vínculo funcional estabelecido por contratos formais. O trabalho autônomo ou freelance, via de regra, intermediam diretamente com o “tomador de serviços” as negociações envolvendo a venda da sua força de trabalho (costumam se abrigar juridicamente no sistema MEI).

Na uberização, as plataformas são intermediárias e retém uma parcela significativa dos valores envolvidos na prestação de serviços – as plataformas que executam essa extração de mais-valia, em determinadas situações, podem reter mais de 50% (cinquenta por cento) dos valores auferidos.

Então, diferentemente dos autônomos, os situados sob a condição da uberização são explorados pelo mediador da relação de trabalho: as plataformas. E, diferentemente dos terceirizados e dos estagiários (precarizados), quem se encontra sujeitado à uberização completa (entre 10 e 12 horas diárias) não tem nenhuma segurança jurídica.

Em síntese, o uberizado não negocia diretamente a venda da força de trabalho (ao contrário do autônomo) e não tem nenhum vínculo formal com o Mundo do Trabalho, como possuem os terceirizados – a não ser de forma punitiva, coercitiva.

Por insegurança jurídica se entende a ausência tanto de regulação das empresas, como a criação de vínculos trabalhistas, quanto a inexistência de qualquer garantia na forma de direitos trabalhistas, decorrente dessa atividade laborativa uberizada.

A própria resposta da Inteligência Artificial (IA), para a uberização, ressalta a informalidade das relações de trabalho, a precarização absoluta e a ausência total de segurança jurídica:

  • A uberização social é um modelo de trabalho baseado em plataformas digitais que transfere riscos e custos para o trabalhador, caracterizado pela falta de vínculo empregatício, ausência de direitos trabalhistas (CLT), remuneração variável e controle algorítmico. Esse fenômeno gera precarização, insegurança e jornadas exaustivas, mascaradas por uma falsa noção de empreendedorismo e flexibilidade” (Fonte: IA).

 

Ao menos, a resposta programada da IA não falseou quanto à precarização e espoliação das trabalhadoras e dos trabalhadores envolvidos e subjugados. Pode-se dizer que a IA apresentou algum critério técnico e uma noção crítica e realista.

Na prática, esse nível de subalternização é muito mais gravoso à saúde, às condições de vida e de expectativas das pessoas submersas nas relações laborativas, se comparadas à jornada 6-1: em vias de ser ajustada para 5-2, no Brasil. Com esse nível de esgotamento e de estafa, não é impossível dizer que essas pessoas dormem e acordam com o trabalho[25].

A falsa noção de flexibilidade na jornada de trabalho tem que receber outro destaque, uma vez que, pela lógica simples, é facilmente compreensível o fato de que se as jornadas de trabalho extremas e exaustivas (entre 10 e 12 horas diariamente) não podem se configurar como sinônimo de liberdade de horários para trabalhar e flexibilidade: quem tem uma escala, praticamente, igual ou superior à conhecida fórmula do 9-9-1 (das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana) não tem liberdade, e muito menos energia, para fazer mais nada que possa lhe desenvolver como pessoa humana.

Porém, com rendimentos muito superiores ao “trabalhador CLT” – com faturamento mensal superior, no montante de até três vezes ao que receberia no emprego formal – é inegável que faça as contas e veja primeiramente a conta bancária. Por isso, pode-se dizer que tenha desenvolvido uma subjetividade de negócios, capitalista, ao mesmo tempo em que está submerso no trabalho mais precarizado que possa haver. Não há exagero em se dizer que a uberização seja um tipo de “escravismo moderno”, com a diferença de que é mais lucrativo (para quem está em estado de uberização) em comparação a quem está relacionado às sujeições da escala 9/9/6 ou sob o completo domínio do trabalho análogo à escravidão.

Destacaremos apenas alguns mecanismos de controle sobre motoristas e usuários de transporte uberizado: ambos recebem notas ao final de cada corrida, mas, com a pontuação abaixo do mínimo esperado, o sistema – movido por algoritmos de vigilância e controle – já não escala mais viagens. Avaliações negativas, repetidamente, assim como os seguidos cancelamentos de viagens ou quebra de procolos e termos podem implicar em punições mais severas, como cancelamento da conta – o fato óbvio é o monitoramento de comportamentos, isto é, o algoritmo que direciona corridas (ou não) atua como forma de controle social.

Portanto, há um severo erro na epistemologia política de quem associa a uberização ao “empreendedorismo” – mormente, porque quem controla os atos laborais são as plataformas e nunca há uma relação negocial direta entre o uberizado e o tomador de serviços – aliás, a pena para isso é a exclusão do trabalhador[26].

O controle é totalmente movido pela punição e a pior delas, como se depreende facilmente, é a exclusão do/a trabalhador/a uberizado/a das plataformas que atuam em forma de monopólio de serviços. O resultado final, como liquidação disruptiva (no grau máximo do banimento), é, como se pode concluir com facilidade, a desmonetização por completo – a perda das piores condições de trabalho (a uberização) é, por fim, exatamente, o fim das expectativas de quem já estava excluído/a, negado/a.

 

 

 

[1] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital. Acesso em 19/04/2026. É preciso destacar que as Big Techs formam um oligopólio, uma oligarquia da desinformação que alimenta segundo a segundo as redes antissociais: redes de estímulo ao comportamento antissocial. O Brexit foi dos experimentos iniciais e que revogou – em plebiscito popular distorcido por Fake News – a participação da Grã-Bretanha no Mercado Comum Europeu.

[2] Em essência, a atual fase tecnológica, com imensos impactos sociais e econômicos, nos apresenta inúmeras variações acerca da destruição da Política como espaço público (MARTINEZ, Vinício Carrilho. A destruição da política: a sociedade de controle entre a pandemia e o pandemônio político. Campina Grande: EDUEPB, 2023. Disponível em: https://zenodo.org/records/8298411).

[3] https://www.fcw.org.br/culturacientifica12/vin%C3%ADcio-martinez. Acesso em 19/04/2026.

[4] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 19/04/2026.

[5] https://ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/660338-tecnofacismo-do-radio-de-pilha-nazista-as-redes-antissociais-a-transformacao-monstruosa-humana-entrevista-especial-com-vinicio-carrilho-martinez. Acesso em 19/04/2026.

[6] IANNI, Octávio. A ideia de Brasil moderno. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

[7] IANNI, Octávio. Tipos e mitos do pensamento brasileiro.  XXV Encontro anual da ANPOCS, em Caxambu, realizado de 16 a 20 de outubro de 2001.

[8] Gilles. Conversações, 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

[9] BAUMAN, Zygmunt. Vigilância Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

[10]“Não é de um comitê de sábios, comitê moral e pseudo competente que se precisa, mas de grupos de usuários. É aí que se passa o direito à política” (DELEUZE, 1992, p. 210).

[11] https://www.terra.com.br/noticias/analise-como-o-capitalismo-digital-e-o-tecnofascismo-estao-reproduzindo-antigas-estruturas-de-dominacao,89b81d8bcb31b45180a088eac3ba1004snrjsoxf.html#google_vignette. Acesso em 19/04/2026.

[12] Como se depreende conceitualmente, a mordaz combinação entre subjugação, subalternização, negação e exclusão, resumem-se na imposição da exceção enquanto regra. (MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K).

[13] “No capitalismo só uma coisa é universal, o mercado […]. Não há Estado democrático que não esteja totalmente comprometido nessa fabricação da miséria humana” (Deleuze, 1992, p. 213).

[14] AGAMBEN, Giorgio. Estado de Exceção. São Paulo: Boitempo, 2004.

[15] HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do império. São Paulo: Record, 2005, p. 26.

[16] FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes; 1977.

[17] HARDT, Michael. A sociedade mundial de controle. In: Alliez, Éric. Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, 2000, p. 357.

[18] HARDT, 2000, p. 358.

[19] HARDT, 2000, p. 360-61.

[20] Apesar de não contar, inicialmente, nem com uma fração dos pontos de acesso (e de fuga) que se verificam na teia de comunicação atual, era um sistema sem controle central e espionagem global, como vemos hoje em dia.

[21] Aqui, temos que ver os controles exercidos pelos grupos de poder hegemônicos responsáveis pela gestão do Estado ou dos interesses corporativos que atuam como Jus Puniendi Global.

[22] Uma das formas de controle social – especialmente dos jovens que têm uma vida digital ativa – é a ameaça de cancelamento. O sistema banótico, portanto, controla pelo medo, pela possibilidade de banimento – o que levaria ao esquecimento.

[23] RAMONET, Ignacio. El Imperio de laVigilancia. Madrid: Clave Intelectual, 2016.

[24] LA BOETIE, Ètienne de. Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: Edições Antígona, 1986.

[25] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital-mais-valia-onirica. Acesso em 19/04/2026.

[26] “Assim como os passageiros não podem pedir corridas por fora da plataforma, você, como motorista, também não deve oferecer esse serviço. Como parceiro Uber, as viagens devem ser feitas sempre por meio do app, o que também aumenta a sua segurança e a garantia de receber o dinheiro após a corrida”:  https://zarp.localiza.com/blog/post/codigo-de-conduta-para-motoristas-uber. Acesso em 24/04/2026.

SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA: NOTAS PARA UMA ANÁLISE

0

Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (22/04/2026). Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. A obra analisada refere-se ao livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire[1]. Então, vamos aos tópicos:

  1. Ensinar exige rigorosidade metódica:
  • Isso se chama Ciência;
  • Trata-se de reconhecer que o ato de ensinar não se reduz à transmissão ou reprodução de conteúdos, mas envolve processos de organização, sistematização, problematização e validação do conhecimento;
  • Nesse sentido, a ciência se caracteriza não apenas por seus conteúdos, mas por seus modos de produção: a construção de hipóteses, o uso de metodologias claras, a possibilidade de replicação e a validação, como ocorre, por exemplo, na avaliação por pares;
  • Ensinar com rigorosidade metódica implica, portanto, aproximar os educandos desses modos de pensar, favorecendo a compreensão de que o conhecimento é produzido, testado e constantemente reelaborado;
  • O exemplo usado em aula: a adaptação de um rodo por um trabalhador da zeladoria, visando melhorar a retirada de água do piso, não se reduz à mera repetição de práticas já conhecidas, mas envolve observação, experimentação e ajuste, elementos que, ainda que em outro contexto, dialogam com princípios da racionalidade científica;
  1. Ensinar exige pesquisa
  • Isso se chama estudar para investigar: “aprender a aprender”;
  • Nesta análise, ensinar exige pesquisa no sentido de ser compreendido como a capacidade de “aprender a aprender”, isto é, investigar de forma intencional e orientada. Não se trata de buscar informações de maneira aleatória, mas de saber o que se procura, com quais critérios e com quais objetivos, articulando rigor metodológico e seleção de fontes confiáveis.
  • Nesse sentido, práticas como o uso acrítico de materiais, por exemplo a utilização da Wikipédia sem problematização ou verificação, evidenciam não apenas uma fragilidade na produção do conteúdo didático, mas a ausência da compreensão de que ensinar implica saber pesquisar, avaliar e validar informações;
  1. Ensinar exige respeito aos saberes dos/as educandos/as
  • Isso se chama Bom Senso do senso comum: “educação de berço”;
    • Nesta análise, respeitar os saberes dos educandos implica reconhecer que os estudantes chegam à escola portadores de conhecimentos construídos em seus contextos sociais e culturais, como aqueles provenientes de tradições familiares e comunitárias — por exemplo, saberes transmitidos em comunidades indígenas. Esses conhecimentos constituem pontos de partida legítimos para o processo educativo;
    • Porém, esse reconhecimento não significa a aceitação irrestrita de todas as concepções prévias. O trabalho pedagógico exige problematização e criticidade, especialmente quando tais concepções envolvem preconceitos ou violem princípios de direitos humanos;
  1. Ensinar exige criticidade
  • Sem a crítica só há a mesmice, a repetição, a ideologia, a ignorância: o senso comum que se apresenta na Educação capitalista (“deixe como está para ver como é que fica”);
    • A criticidade constitui um elemento central do ato educativo, na medida em que rompe com a mera repetição e favorece a análise, a interpretação e a problematização da realidade. Sem ela, o ensino tende à reprodução acrítica de conteúdos e à naturalização de visões de mundo;
    • Nesse sentido, tanto na produção científica quanto no processo de ensino e aprendizagem, a ausência de análise crítica compromete a validade e o sentido do conhecimento. Como aponta Marilena Chauí, a ideologia pode operar pela universalização de interesses particulares, fazendo com que perspectivas de grupos dominantes sejam apresentadas como universais. A criticidade, portanto, torna-se fundamental para desnaturalizar essas construções e possibilitar a transformação social;
  1. Ensinar exige estética e ética
  • Chamo de valor republicano;
    • A dimensão estética do ensino refere-se à forma como a prática educativa se organiza e se apresenta, envolvendo escolhas que favorecem o diálogo, a compreensão e a participação, como a disposição do espaço, o uso de recursos didáticos e a construção de ambientes mais horizontais de interação. Nesse sentido, a estética não se reduz à aparência, mas expressa uma concepção de ensino comprometida com o encontro entre sujeitos;
    • A ética, por sua vez, diz respeito à responsabilidade do educador no exercício da docência, implicando o respeito aos educandos, aos direitos humanos e à diversidade. Ensinar eticamente exige evitar a imposição acrítica de visões pessoais, bem como combater práticas discriminatórias, como racismo, misoginia e outras formas de preconceito;
  1. Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo
  • Os cínicos, de todas as idades, não avançam na educação;
    • “A palavra convence, mas o exemplo arrasta”;
    • A prática educativa exige coerência entre discurso e ação, de modo que aquilo que se ensina seja efetivamente vivido no cotidiano. A corporeificação das palavras implica que valores como respeito, justiça e equidade não permaneçam apenas no plano discursivo, mas se expressem nas práticas concretas do educador;
    • Nesse sentido, posturas contraditórias, como defender o combate ao racismo no espaço institucional e reproduzir práticas racistas em outros contextos, fragilizam o processo educativo e comprometem a formação crítica dos sujeitos, ao esvaziar o sentido ético do ensino;

 

  1. Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação
  • Some-se o preconceito, o racismo, a homofobia, a misoginia;
    • O ato de ensinar implica abertura ao novo e disposição para colocar em questão os próprios saberes, reconhecendo-se que o conhecimento é sempre provisório e passível de revisão. Nesse sentido, ensinar e aprender envolvem risco, na medida em que exigem a reconstrução de certezas e a incorporação de novas perspectivas, processo que pode gerar tensões e resistências;
    • Paralelamente, essa abertura não se dissocia de um compromisso ético: a rejeição de toda forma de discriminação. Práticas pedagógicas críticas demandam o enfrentamento de preconceitos, como racismo, homofobia e misoginia, reafirmando-se o respeito à diversidade e aos direitos humanos;
  1. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática
  • Isso é autocrítica e autoeducação política (sem ideologia);
    • A prática docente demanda um exercício constante de reflexão crítica, que envolve não apenas a análise do outro, mas também a autocrítica. Nesse sentido, ensinar implica reconhecer os próprios limites, revisar posicionamentos e compreender que a prática educativa é atravessada por dimensões políticas e ideológicas;
    • Essa reflexão torna-se ainda mais necessária no contexto acadêmico, em que a produção do conhecimento pode, por vezes, associar-se a relações de poder e à ideia de sua detenção por determinados grupos. Quando o conhecimento se apresenta como verdade incontestável, perde-se o espaço da dúvida e do questionamento, comprometendo-se a própria rigorosidade metódica e favorecendo práticas dogmáticas;
    • A ausência dessa reflexão crítica contribui para a reprodução de modelos de ensino. Nessa direção, Durkheim aponta que a educação pode assumir funções de homogeneização e diferenciação social: ao mesmo tempo em que garante uma base comum de formação, também pode reforçar desigualdades ao distribuir de maneira desigual o acesso a diferentes níveis e formas de conhecimento;
      • Função de homogeneização, até o fundamental, todos (classe dominante e dominada) teriam acesso à educação básica, à alfabetização, ou seja, todos seriam capazes de ler, não necessariamente de interpretar;
      • Função diferenciadora: após esse momento de homogeneização, impõem-se a regra classista, capacitista, de se diferenciar, ou seja, uma diferenciação entre a classe dominante que teria acesso ao ensino superior, a busca pelo conhecimento efetivamente, enquanto a classe dominada, o proletário, teria acesso ao ensino técnico; mas superior não, o que permitiria a leitura, interpretação básica, bem como servir como mão de obra barata e abundante, mas nada muito complexo;
  1. Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
  • E é o oposto da apropriação cultural;
    • A prática educativa demanda reconhecer as diferentes formas culturais, compreendendo-se que o conhecimento é produzido em contextos históricos e sociais específicos. Assumir a identidade cultural significa, portanto, legitimar saberes, experiências e formas de expressão diversas no espaço educativo;
    • Apropriação no sentido de deturpação, de modificação;
  1. Ensinar não é transferir conhecimento
  • A IA transfere conhecimento, o/a educador/a não;
    • O processo de ensino e aprendizagem, como propõe Paulo Freire, não se baseia no depósito do conteúdo nos estudantes, de forma passiva e acrítica, mas tem a ideia, a marca, a fim de construir esse conhecimento de forma conjunta, não via dicotomia de “amigo/inimigo”, mas via parceria;
    • É necessário compreender que o acesso à informação não equivale ao processo educativo, ou seja, ter acesso às informações não transformam essa informação em conhecimento automaticamente, é necessária uma construção conjunta;
  1. Ensinar exige consciência do inacabamento
  • Somos a única espécie com consciência de nossa finitude;
    • Entender esse inacabamento permite compreender que não há um conhecimento pronto, uma finalização desse processo, mas uma continuidade, para estudantes e também para os docentes, ambos permanecem sempre em aprendizado;

Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas[1]. Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

A minha genética é pública

0

Por Vinício Carrilho Martinez

Meus avós mal sabiam assinar o nome. Vindos da Espanha, fugindo do fascismo mortal, apenas um estudou mais e tinha o hábito da leitura. Sempre trabalharam muito, mas sempre foram muito pobres. Um tio já falecido, irmão da minha mãe, fez Medicina na Universidade Federal do Paraná – quando não havia bolsa de estudos, de forma nenhuma. Para se manter, todas as noites trabalhava como “lanterninha de cinema”, e mais ainda nos finais de semana. Há muitas outras histórias ligadas à educação e à universidade pública, derivadas dos quatro avós imigrantes, até chegar à minha história. É por isso que a defesa da universidade pública está na minha genética, antes mesmo da ter nascido.

Para mim, a universidade pública é um patrimônio cultural e científico do Brasil.
As universidades públicas produzem, processam, mais de 90% da pesquisa, de todo o conhecimento e da cultura científica.

Além do acesso mais democrático e da permanência estudantil, com o sistema de cotas e das políticas afirmativas (discriminação positiva: isonomia com mais equidade).
Se é no dourado que se alcança a “cidadania universitária”, porque é quando se obtém, efetivamente, a autonomia intelectual, então, o domínio institucional (público) passa dos 95% de realização.

Há muito o que fazer e melhorar – como aproximar o universal (de onde deriva a universidade) e o social -, mas os números não mentem, e, além disso, o que é público tem que continuar sendo público.

Não é preciso falar, porém, é bom que se saiba: o privado, particular, já diz que não é universal e afirma isso impondo o lucro como sua missão. Se o público é o oposto do privado, é no público que eu encontro a minha afirmação.

A educação no estado de São Paulo 

 

Beatriz Vitória Vieira de Lima – Monitora da disciplina

Ester Dias da Silva Batista – Monitora voluntária da disciplina

Izabela Victória Pereira – Orientanda de TCC

 

O presente artigo é uma contribuição acadêmica à disciplina de Educação e Sociedade, ofertada neste semestre na Licenciatura da UFSCar.

A educação no estado de São Paulo é consolidada pelo novo ensino médio, ampliando a carga horária e a expansão do ensino em tempo integral. A promessa é equilibrar formação sólida, preparação para o mundo do trabalho e desenvolvimento de competências para a vida em sociedade. O resultado concreto dessa reformulação, porém, dependerá da qualidade da implementação nos próximos anos.

No âmbito das políticas educacionais se destaca que, em abril de 2023, a gestão do secretário da Educação Renato Feder, sob o governo Tarcísio de Freitas, passou a orientar a fim de que professores e professoras de todas as séries do ensino fundamental e médio utilizassem materiais digitais em formato de slides (PowerPoint/PDF) produzidos pela Secretaria, funcionando como uma espécie de “roteiro” a ser seguido. É obrigatório o uso das plataformas digitais de ensino, inclusive como avaliação do desempenho de docentes e discentes. Nesse sistema, os professores devem se basear apenas no conteúdo oferecido nas plataformas, e que no final do ano são cobrados nas provas do governo (Saresp e Provão Paulista). A foto abaixo sinaliza claramente o tempo monitorado de permanência em cada slide, como se o raciocínio obedecesse a um cronômetro.

Tempo de permanência em cada slide no canto superior:Pode ser uma imagem de televisão e texto que diz "Ralenbre A "Discrepăncia Promebeica Prome "DisereplrncuiPrometeka elca Günther Anders GüntherAnders(1902 1902- 1992] 1992)argumentavaquea 2jargumentava 모나는 a humanidade desenvolveu tecnologias tào aranc adas que Superam nossa capacidade de compreender asconsequencias, consequentemente, de controla 1550 cria นส descompasso entre que podemos produzir que conseguimos assimilar, C0095o"

Os slides fornecidos apresentam problemas metodológicos, erros conceituais e fazem má contextualização das informações para os alunos. Após uma segunda onda de críticas, o governador Tarcísio de Freitas anunciou que o governo de São Paulo assumiria a impressão dos referidos materiais didáticos, ou seja, poderia optar por ter o material digital ou impresso. Em uma matéria publicada pelo jornal G1[1], no dia 31 de agosto de 2023, vê-se que docentes da rede estadual têm reportado que o material didático digital produzido pela Secretaria da Educação, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, e disponibilizado a professores e estudantes do ensino fundamental, apresenta inconsistências significativas em múltiplas áreas do conhecimento, incluindo-se história, biologia e matemática. Alguns conteúdos apresentam erros graves, como afirmar que a cidade de São Paulo tem praia ou sugerir, de forma equivocada, que a doença de Parkinson pode ser transmitida pela água.

O que só evidencia o enfraquecimento e a falha proposital da educação básica pública no estado de São Paulo, pois, as plataformas aumentam a carga de trabalho, reduzem a autonomia dos profissionais da educação e geram resultados pouco significativos em relação à melhoria da aprendizagem dos estudantes. Enquanto uma parcela da sociedade adere ao discurso de “inovação tecnológica e investimento educacional” associado ao uso das plataformas digitais.

O roteiro científico da Wikipédia (sic) – enciclopédia online – permite a qualquer pessoa ler e editar seus conteúdos, o que já destaca alguns problemas, porque, embora a Wikipédia seja uma ferramenta útil, seu uso acrítico, sem aprofundamento ou verificação em bases acadêmicas sólidas, evidencia uma fragilidade na formação científica e no desenvolvimento do pensamento investigativo.

A foto abaixo é reveladora, como fonte usada pelo material do governo de SP:Pode ser uma imagem de texto que diz "prinapais responsáveis pera organização das instituições udo depende não de democráticas do periodo. Reprodução- WIKIPEDIA, 2016 Disponivel em https/wntk.nedia.orpkikiP% C3% A9ncle pedia P% sa/media sEimediaFichero.Pencesp Pendes Acesso em: 8set.2025 8 set. 2025"

Não é difícil, pois, verificar que a educação em São Paulo, nas gestões de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, tem sido marcada por uma combinação de gestão extremada com o discurso dos resultados, com o uso de tecnologia e mudanças estruturais, mas também por críticas sobre precarização e redução de investimentos. A queda de matrículas, cortes, criação sem controle de escolas cívico-militares e avanço de privatização marcam a gestão de Freitas na educação do estado.

Diante desse cenário, a noção de uma “Pedagogia do fracasso” pode ser compreendida como uma crítica às múltiplas fronteiras que atravessam a educação contemporânea, incluindo-se disputas ideológicas, fragilidades na formação crítica e desafios estruturais. No entanto, essa expressão também pode ser ressignificada como um chamado à resistência pedagógica. Professores e professoras, estudantes e comunidades escolares podem atuar na construção de práticas educativas críticas, pautadas no diálogo, na valorização do conhecimento científico e na defesa de uma educação pública de qualidade, que ultrapasse os reducionismos quantitativos e as disputas ideológicas.

Produções cinematográficas como “Brasil paralelo” simplificam ou reinterpretam processos históricos e educacionais. A empresa busca entregar conhecimento com alta qualidade cinematográfica, tratando de temas como história do Brasil, política, segurança pública e filosofia. Produzem documentários com uma perspectiva que diverge de visões predominantes entre intelectuais e jornalistas. Esse tipo de conteúdo pode influenciar a percepção pública sobre a escola, os professores e o papel da educação na sociedade e, ao invés de promover o diálogo, podem aumentar conflitos de opinião sobre a educação. Todavia, os produtores desse tipo cinematográfico têm acesso livre nas escolas do município de São Paulo.

Ademais, é essencial analisar as transformações na educação do Estado de São Paulo não como ações isoladas ou impensadas, mas como parte de um processo histórico mais amplo, que há anos busca reconfigurar a educação como instrumento de manutenção de determinadas formas de poder e organização social. A padronização de materiais, aliada ao uso acrítico das tecnologias, revela apenas a ponta de um problema estrutural mais profundo no contexto educacional brasileiro.

Nesse cenário, os estudantes são progressivamente reduzidos à condição de meros receptores de conteúdos, priorizando-se a transmissão de informações em detrimento da formação de um pensamento crítico, e ao contrário do que quer a chamada Educação Bancária[1]. Tal dinâmica torna-se ainda mais preocupante ao se considerar o ensino médio, etapa em que temas históricos e sociais deveriam ser aprofundados, especialmente diante do fato de que, a partir dos 16 anos, os jovens já podem exercer o direito ao voto. Ao terem contato com conteúdos superficiais, corre-se o risco de formar sujeitos com uma compreensão fragilizada da realidade, que tendem a reproduzir tais perspectivas no campo político e social, contribuindo-se para a manutenção de estruturas de desigualdade já consolidadas.

Esse cenário, embora frequentemente naturalizado ou interpretado de forma simplista em determinados discursos, não se configura como um processo casual, mas como uma crise construída. Nesse sentido, as contribuições de Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido[2], permanecem atuais ao evidenciar que uma formação incompleta pode levar o sujeito não à emancipação, mas à reprodução das estruturas de opressão. Assim, observa-se a constituição de indivíduos que, mesmo inseridos em contextos de exploração, acabam por defender e reproduzir lógicas que lhes são prejudiciais.

Exemplos contemporâneos, como debates em torno das condições de trabalho (escala 6×1), evidenciam como discursos – por exemplo, de que o país irá “quebrar” com uma escala 5×2, bem como na consolidação da CLT e as 44h semanais – que historicamente foram utilizados para frear conquistas sociais continuam sendo mobilizados, muitas vezes sustentados por uma formação educacional que não promoveu o desenvolvimento do pensamento crítico.

O enfraquecimento escolar, por sua vez, não deve ser compreendido apenas como falha pedagógica, mas como expressão de disputas sociais históricas, nas quais o acesso ao conhecimento crítico e científico se torna um campo de tensão e manipulação do lado dominante. O esvaziamento de disciplinas fundamentais (diga-se de passagem, somente na rede pública, já que a rede privada permanece com aulas de História, Sociologia e Filosofia), reforça esse movimento predatório.

Torna-se fundamental reafirmar a escola como um espaço de formação integral, conforme propõe a própria BNCC[3], e que o projeto educacional seja comprometido com o desenvolvimento crítico e emancipador dos sujeitos. Isso implica recolocar o conhecimento científico e social em uma perspectiva problematizadora e socialmente relevante, não somente reprodutiva, em consonância com uma educação que vá além da mera transmissão de conteúdos.

A resistência pedagógica, portanto, não se configura como oposição meramente partidária, mas como prática cotidiana de estudantes e docentes na construção e na defesa de uma educação pública de qualidade. Mais do que adaptar-se às mudanças impostas, trata-se de disputar os rumos da educação, garantindo-se  que ela não se reduza a lógicas instrumentais ou mercadológicas, mas que a educação permaneça comprometida com a formação de sujeitos críticos, capazes de compreender e transformar a realidade em que estão inseridos.

 

[1] Educação bancária, conceito desenvolvido por Paulo Freire, refere-se a um modelo de ensino em que o professor transmite conteúdos, tratando os alunos como receptores passivos, sem diálogo ou construção crítica do conhecimento.

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018

[1] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/08/31/rede-estadual-de-sp-ensina-que-capital-paulista-tem-praia-e-agua-pode-transmitir-parkinson-secretaria-diz-que-retificou-erros.ghtml.

‘Digna e solidária’: Cuba agradece Brasil, Espanha e México por exigirem fim do bloqueio dos EUA

O governo de Cuba saudou a declaração conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México no sábado (18), na qual exigiram o fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos contra a ilha e a prevenção de uma agressão militar, em meio às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade.

“Em meio à difícil situação que Cuba enfrenta, devido à intensificação do bloqueio dos EUA a níveis extremos, ao atual cerco energético e às constantes ameaças do governo dos EUA, reconhecemos a digna e solidária Declaração Conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México”, declarou, em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez.

O chanceler também enfatizou que o comunicado conjunto das nações aliadas “expressa preocupação, apela a evitar ações contrárias ao Direito Internacional que agravem as condições de vida do povo cubano e expõe o respeito à integridade territorial de Cuba”.

“É urgente respeitar a Carta da ONU e o Direito Internacional, em particular os princípios de autodeterminação, respeito à independência e soberania dos povos, e abster-se da ameaça e do uso da força”, concluiu.

A 4ª Cúpula em Defesa da Democracia foi sediada pelo governo espanhol do socialista Pedro Sánchez neste fim de semana, em Barcelona. Os governos do Brasil, Espanha e México reiteraram, em seus discursos, o apelo ao respeito à integridade territorial cubana e se comprometeram a atuar de forma coordenada para aumentar o envio de apoio humanitário à ilha, aliviando o sofrimento do povo, que é vítima do estrangulamento econômico provocado por Washington a Havana.

“Expressamos nossa enorme preocupação com a grave crise humanitária que o povo cubano está enfrentando e pedimos a adoção das medidas necessárias para aliviar essa situação e evitar ações que agravem as condições de vida da população ou contrários ao direito internacional”, afirma o comunicado conjunto divulgado na noite de sábado.

As três nações ressaltaram ainda a necessidade de “respeitar em todos os momentos o direito internacional e os princípios de integridade territorial, igualdade soberana e resolução pacífica de disputas, consagrados na Carta das Nações Unidas”.

México rechaça intervenção militar em Cuba

Durante a sua exposição, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reforçou sua posição crítica à violação da soberania de outras nações ao repudiar uma possível intervenção militar por parte dos Estados Unidos em Cuba, reiterando o apelo para que “o diálogo e a paz prevaleçam”.

A autoridade mexicana ressaltou a tradição histórica de sua nação na defesa da autodeterminação dos povos, recordando a posição do país contra o bloqueio a Cuba desde a década de 1960. “Nenhum povo é pequeno, e sim grande e estoico quando defende sua soberania e o direito a uma vida plena”, afirmou.

Em seu discurso, também criticou concepções de liberdade baseadas na submissão a interesses externos ou na transformação de países em “colônias modernas”. Para Sheinbaum, a liberdade “é uma palavra vazia se não for acompanhada de justiça social, soberania e dignidade dos povos”.

Espanha e Brasil pressionam ONU

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu “ação” contra aqueles que tentam “desafiar as regras do direito internacional com o uso da força”, e alertou que o sistema multilateral precisa ser renovado.

“A ONU só pode sobreviver se representar a realidade”, afirmou, destacando para a necessidade de maior diversidade no órgão global.

Por sua vez, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação referente à situação humanitária enfrentada pela população em Cuba e voltou a exigir o fim do bloqueio histórico dos Estados Unidos à ilha.

“Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não para Lula, Claudia ou Trump. É um problema para o povo cubano”, enfatizou. “Nenhum presidente, de nenhum país, tem o direito de impor regras aos demais […] Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite com um tweet de um chefe de Estado ameaçando o mundo ao declarar guerras”.

Em paralelo às falas de Sánchez, também convocou o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) a organizar reuniões extraordinárias para lidar com as crises globais. Segundo ele, a organização “não pode permanecer em silêncio” diante dos acontecimentos internacionais. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, disse.

*Com informações da Telesur

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

Quem é Agustin Fernandez, aliado de Michelle que detonou Flávio e expôs o ódio no clã Bolsonaro

Agustin Fernandez é um maquiador e empresário uruguaio que chegou ao Brasil em 2011, por meio de Florianópolis, e construiu uma carreira como influenciador digital, com milhões de seguidores nas redes, linha própria de maquiagem, cursos e um livro sobre sua trajetória profissional. Ao longo dos anos, ganhou visibilidade também por trabalhos voluntários com pacientes oncológicas, o que ajudou a ampliar sua presença pública para além do universo da estética.

A aproximação com Michelle Bolsonaro ocorreu por meio das redes sociais e evoluiu para uma relação de confiança e convivência frequente. Ele passou a acompanhar a ex-primeira-dama em eventos oficiais, viagens internacionais e compromissos institucionais, além de marcar presença em ocasiões privadas da família. Em determinado momento, chegou a afirmar que Jair Bolsonaro o tratava “como um filho”, evidenciando o nível de proximidade com o núcleo familiar.

Essa relação o colocou em um espaço incomum: alguém de fora da política formal, mas com acesso direto ao cotidiano e às dinâmicas internas de uma família central na política brasileira recente.

É justamente essa combinação de proximidade pessoal, circulação no ambiente de poder e ausência de mandato ou cargo público que dá peso às suas declarações recentes. Ele trouxe à tona o que muitos sabem, mas é difícil provar: o ódio que os Bolsonaros destilam fora de casa é o mesmo que ressoa entre as quatro paredes dessa família disfuncional e cruel.

Durante participação no podcast “IronTalks”, Agustin Fernandez fez críticas diretas à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, questionando sua capacidade de conexão com o eleitorado. “Flávio é engessado, não conecta com a empregada, com o ambulante. O ego e a vaidade são maiores que a própria causa”, denunciou.

Na mesma entrevista, associou o cenário eleitoral a fatores internos da própria família Bolsonaro, apontando o que chamou de “ego” e “vaidade” como elementos que enfraquecem o grupo politicamente. Também declarou que não pretende apoiar publicamente a candidatura, indicando que não vê viabilidade no projeto diante da força de Lula (PT). “Não vou perder meu tempo sabendo que o Lula tem o Judiciário, a máquina e ainda tem carisma, a mídia, e consegue chegar em todo mundo”, disse.

As críticas não se limitaram ao campo eleitoral.

Agustin também mencionou episódios envolvendo Jair Bolsonaro, afirmando que Flávio teve postura “deplorável” ao ler uma carta relacionada ao pai durante um período de internação. Em outro ponto, disse que houve desrespeito aos eleitores ao tratar a disputa política como se a vaga estivesse “à venda”.

O conteúdo das falas chama atenção pelo tipo de crítica: não é uma discordância ideológica tradicional, mas um questionamento sobre comportamento, postura e capacidade de liderança. Ao vir de alguém tão próximo da família, o discurso ganha outra dimensão e aponta para tensões que raramente aparecem de forma pública dentro do grupo.

Na mesma entrevista, Agustin Fernandez também direcionou ataques ao blogueiro Allan dos Santos, aliado histórico do bolsonarismo e alvo de ordem de prisão preventiva no Brasil. Ele utilizou termos duros ao se referir ao comunicador: “Estelionatário, criminoso, foragido” e “um pedaço de merda insignificante”.

As declarações foram reiteradas ao longo da conversa, com novas ofensas e tentativas de desqualificação pessoal. Em outro trecho, afirmou que Allan dos Santos “é um coitado” e “o mais insignificante” entre os nomes citados por ele no campo da direita. As falas passaram a circular em cortes nas redes sociais e ampliaram a repercussão do episódio.

O episódio não só evidencia um cenário de conflitos internos no campo bolsonarista, mas expõe a incapacidade da família de dialogar e conviver pacificamente, dando uma dimensão do que são capazes em cargos cuja tomada de decisão mexe com os destinos de milhões de brasileiros. Sem perceber, o maquiador deu uma enorme contribuição ao país. Ao menos, agora, ninguém mais vai poder dizer que foi enganado.

DCM

Carne de burro ganha espaço na Argentina e senadora de Milei diz que é “plato fino”

A carne de burro passou a ganhar espaço na Argentina em meio à alta do preço da carne bovina e ao fracasso das políticas econômicas de Milei. O produto começou a ser oferecido por cerca de 7.500 pesos o quilo, enquanto cortes bovinos já passaram de 25 mil pesos em parte do comércio.

O tema saiu do mercado e chegou ao debate político. Em discussão no Senado argentino, o ex-deputado Santiago Igón citou a venda de carne de burro para falar da perda de poder de compra e afirmou que o consumo desse produto, na Patagônia, ocorre porque ele custa muito menos do que a carne bovina.

A resposta veio da senadora Vilma Bedia, da “La Libertad Avanza”, partido de Javier Milei. Segundo relatos da imprensa argentina, ela disse: “Você vai a um restaurante da capital e pede um bife de burro, realmente é uma especialidade para o povo europeu, é um prato fino”.

”.

 

No mesmo debate, Bedia também descreveu a carne de burro como “espetacular” e citou supostas qualidades nutricionais do produto, como presença de aminoácidos, fósforo, ferro e cálcio. A fala circulou nas redes e passou a acompanhar a repercussão sobre a alta do preço da carne bovina no país.

O avanço desse tipo de oferta ocorre no momento em que a inflação argentina voltou a acelerar. O INDEC informou que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 3,4% em março de 2026, acumulou 9,4% no ano e chegou a 32,6% em 12 meses.

DCM

“Simbioses e fagocitoses sociais”

0

Vinício Carrilho Martinez

Professor titular da UFSCar

Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda no PPGCTS/UFSCar

 No ambiente escolar, seja no ensino fundamental, médio ou no contexto acadêmico universitário, a compreensão de fenômenos complexos, como os da biologia, pode ser mediada pela chamada transposição didática (CHEVALLARD, 1985)[1]. Esse processo consiste em partir de conceitos mais simples e, a partir deles, construir uma lógica que permita a compreensão de ideias mais complexas e amplas, sendo uma estratégia de aproximação dos conteúdos de forma mais palpável, mas sem eliminar sua complexidade e relevância.

A mutação, por exemplo, pode ser compreendida como alterações no material genético. Um aspecto relevante é que tais alterações não possuem direção pré-estabelecida, podendo resultar em características benéficas, neutras ou prejudiciais ao organismo. Isso evidencia que não há uma finalidade nas mutações, rompendo com a ideia popular de que a evolução ocorre de forma linear e necessariamente progressiva. Assim, as transformações biológicas não estão intrinsecamente associadas à melhoria.

A partir disso, é possível compreender esse processo evolutivo como o resultado do acúmulo de mutações ao longo do tempo, mediado pela seleção natural. Trata-se de um processo contingente, isto é, dependente das condições ambientais e das pressões seletivas, e não de uma trajetória orientada a um fim; logo, não há uma finalidade para isso. Nesse sentido, a evolução expressa transformação, e não aperfeiçoamento contínuo.

Além do conceito evolutivo, é possível analisar também a denominada Teoria da Endossimbiose (MARGULIS, 1970)[2], ao propor que em um determinado momento da história evolutiva, uma célula eucariótica realizou a fagocitose de uma célula procarionte de vida livre. Porém, em vez de ocorrer a digestão, estabeleceu-se uma relação simbiótica entre ambas, originando organelas especializadas, como as mitocôndrias, frequentemente chamadas de “usinas de energia” da célula, devido à sua função e associação.

Enquanto a célula hospedeira passou a dispor de maior eficiência metabólica, a célula fagocitada encontrou proteção e estabilidade, ou seja, algo que poderia configurar um processo de destruição converteu-se em cooperação entre ambas as células.

A distinção entre fagocitose e simbiose evidencia dois modos distintos de relação. Enquanto a fagocitose pode representar um processo potencialmente destrutivo para o organismo englobado, a simbiose baseia-se na coexistência com benefício mútuo. Essa diferenciação permite a construção de uma analogia com as relações sociais. A cooperação entre indivíduos, fundamentada em um espírito de comunidade, pode ser associada à simbiose, marcada pela interdependência e pelo benefício recíproco.

Por outro lado, a fagocitose pode ser compreendida como metáfora de relações sociais marcadas por violência, dominação e exploração, nas quais uma das partes é subjugada enquanto outra exerce poder, como observado nas dinâmicas de classe e em processos históricos atravessados por desigualdades sociais, inclusive de caráter racial. Nesse sentido, a sociedade, especialmente sob determinadas formas de organização econômica, como a capitalista, pode ser interpretada como um campo de tensões entre cooperação e apropriação.

Nesse contexto, emerge a noção de transmutação social, compreendida como o processo pelo qual valores, práticas e significados são apropriados, deslocados e ressignificados ao longo do tempo. Tais transformações não são neutras, pois estão atravessadas por relações de poder. Um exemplo significativo é a incorporação de elementos da contracultura, como o artesanato associado ao movimento hippie, pela lógica de mercado, transformando práticas originalmente contestatórias em produtos de consumo massificado (indústria da bijuteria).

De modo semelhante, disputas interpretativas em torno da Constituição Federal de 1988 evidenciam como princípios jurídicos podem ser tensionados e, em determinados contextos, reconfigurados em sua aplicação, revelando processos de apropriação e distorções dos sentidos originais.

O significado das “revoluções sociais” também pode ser retomado nesse contexto, como ilustração histórica e pedagógica. Revolução é pulsão, paixão, e, ainda que seja emoção e razão, não é institucionalização. Pode e deve criar instituições e institucionalidades, e destruir outras, mas é claro que uma ideia não pode ser retida, confinada, numa instituição. Nem o gênio, liberto, poderá ser colocado de volta na garrafa.

Revoluções sociais são mutações, transformações profundas, mas, podem ocorrer desvios, “cristalizações”, que desvirtuam o sentido original. Como vimos na Revolução Mexicana, depois, transmutada num processo de apropriação que durou 70 anos, sob o domínio do PRI (Partido Revolucionário Institucional).

A racionalidade que havia na luta popular por Justiça Social se transmutou em “racionalização Institucional” (os ideais de liberdade e justiça foram cristalizados em domínio burocrático). Da liberdade à burocracia, da justiça à cristalização do poder.

Contudo, é fundamental reconhecer os limites dessa analogia entre biologia e ciências sociais. Na biologia, embora mutações possam resultar em perda de adaptação ou redução da viabilidade, não há um retorno a estados anteriores, não sendo adequado falar em “involução”. Já nas ciências sociais, processos históricos podem ser interpretados como regressões, especialmente quando envolvem perda de direitos ou consolidação de regimes autoritários. As consequências da Primavera Árabe evidenciam essa complexidade, na medida em que movimentos inicialmente associados à transformação social foram, em alguns contextos, seguidos por cenários de instabilidade ou recrudescimento político (“revoluções coloridas”, como no Brasil do Golpe de 2016).

De forma ainda mais extrema, eventos como o Genocídio Armênio demonstram como processos sociais podem culminar em violência sistemática e extermínio, reforçando-se que, diferentemente da biologia, as transformações históricas não garantem progresso e podem assumir formas profundamente destrutivas. Até os dias atuais, a memória desse genocídio permanece viva e é expressa em produções artísticas, como nas obras de Serj Tankian, vocalista da banda System of a Down, que contribuem para sua denúncia e problematização.

Desse modo, ao articular conceitos biológicos como mutação, evolução, simbiose e fagocitose com interpretações sociais, evidencia-se que os processos de transformação, tanto biológicos quanto sociais, não são intrinsecamente positivos ou progressivos. Pelo contrário, podem assumir diferentes direções, variando entre cooperação e dominação. Reconhecer essa complexidade implica não apenas compreender os fenômenos, mas também problematizar as relações de poder que os atravessam, sem perder de vista os limites entre os diferentes campos do conhecimento.

Esse texto expressa uma modesta contribuição ao debate acerca da complexidade na produção, pesquisa, divulgação científica. Em termos mais técnicos, ainda sinaliza para a continuidade da relação, associação, entre Pensamento Científico e Pensamento Sociológico – como contribuição prática de um processo de simbiose entre duas áreas distintas do conhecimento.

[1] CHEVALLARD, Yves. La transposition didactique: du savoir savant au savoir enseigné. Grenoble: La Pensée Sauvage, 1985.

[2] MARGULIS, Lynn. Origin of eukaryotic cells. New Haven: Yale University Press, 1970.

Educação republicana

0

Além de se entender minimamente o que é República, é obrigatório agir como tal.

Um político profissional não pode ter um patrimônio pessoal maior do que foi declarado no Imposto de Renda.

Um estudante não pode ser aprovado/a na pós-graduação e não se matricular. Sem juízo de valor ou subjetividades, há aqui pelo menos dois problemas:
– O programa é prejudicado porque a CAPES avalia, também, comparando o número de vagas abertas e o número de concluintes. Se não faz a matrícula, não se pode chamar outra pessoa para a vaga que esse indivíduo deixou ociosa. O edital não permite uma lista de cadastro reserva ou segunda chamada.
– Ao obter a aprovação, sem efetuar a matrícula e executar sua obrigação de estudante, o indivíduo aprovado (mas, na omissão da inércia) tira completamente a chance de outra pessoa.
– Portanto, provoca dois prejuízos sensíveis: um institucional, outro, além de si mesmo, é individual – mas, afetando terceiros.

O que nos remete ao sentido de responsabilidade (e não só resultados), de autocrítica, autogoverno (para além da autonomia).
Por mais que se julgue ou queira transparecer um certo nível de consciência, alegando que jamais agirá como o político profissional cínico, esse estudante (tanto quanto o político) não participa honestamente (“honeste vivere”) do processo necessário à Educação emanvipadora.
Por essas e por outras, é certo que não se muda nenhum sistema, sem modificar o indivíduo: não existe geração espontânea. Como se sabe o “Homem novo” pode ser o Homem velho, com roupas novas.
Ambos, estudante na inércia e político profissional cínico, tem em comum a ausência do conhecimento específico e geral (moral) do que é a coisa pública.
Também é certo, portanto, que a responsabilidade mora ao lado – em cima, embaixo, dentro e fora.

@viniciocarrilhomartinez

“Prisão do Paulo Henrique Costa vai levar à prisão do Ibaneis e também vai complicar Flávio Bolsonaro”, diz Lindbergh

Deputado aponta esquema ligado ao bolsonarismo no caso Banco Master e afirma que investigações avançaram sob orientação do presidente Lula

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, pode atingir diretamente figuras centrais do bolsonarismo, segundo avaliação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). As declarações foram feitas em suas redes sociais.

Para o parlamentar, o caso representa um ponto de inflexão nas investigações sobre supostos esquemas financeiros envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Vai levar à prisão do Ibaneis, de muitos aliados do Flávio Bolsonaro e vai complicar a vida do próprio Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Esquema no BRB e decisões sob suspeita

Lindbergh destacou que Paulo Henrique Costa, enquanto presidente do BRB, teria sido responsável por autorizar operações consideradas irregulares, incluindo um empréstimo ligado à aquisição de um imóvel de alto valor.

“Foi o próprio presidente do BRB que autorizou aquele empréstimo escandaloso naquela mansão que ele fez de 6 milhões”, declarou o deputado.

Segundo ele, o escândalo também envolve o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, a quem o BRB estava vinculado politicamente. O deputado citou ainda reportagem do Brasil 247 que resgata uma declaração de Ibaneis no dia 3 de setembro, quando o Banco Central decidiu impedir a compra do Banco Master pelo BRB.

Na ocasião, segundo Lindbergh, Ibaneis teria atribuído responsabilidade ao PT e ao PSB. “O que ficou provado hoje é que o presidente do BRB do Ibaneis, com muitos outros apadrinhados, é acusado de ter suborno de 140 milhões”, afirmou.

Papel do governo Lula nas investigações

O deputado também atribuiu o avanço das investigações à atuação do governo do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Para ele, a autonomia da Polícia Federal foi determinante para que o caso avançasse.

“Eu tenho dito, pessoal, que essa investigação só foi à frente por decisão do Lula e o Haddad. Você acha se a Polícia Federal fosse do Bolsonaro, teria tido a prisão do Vorcaro? Teria tido essa prisão do presidente do BRB?”, questionou.

Lindbergh reforçou que a orientação do governo é de aprofundar as apurações até as últimas consequências. “A posição do Lula é uma só: você vai ter que ir até o fim e você vai ver a verdade aparecer sobre tudo isso”, concluiu.

Do Brasil 247

Lula critica ‘liberou geral’ de armas no governo Bolsonaro: “beneficiou criminosos”

“Os mesmos que promoveram esta medida irresponsável hoje querem terceirizar o enfrentamento ao crime organizado para outros países”, alfinetou o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a flexibilização das regras sobre posse de armas no Brasil e afirmou que a política adotada durante o governo Jair Bolsonaro resultou em desvios que beneficiaram criminosos. A declaração foi feita após reunião bilateral com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, nesta sexta-feira (17).

Segundo trechos da fala oficial à imprensa, Lula associou o aumento da criminalidade à política de liberação de armas e também criticou a postura de setores que, segundo ele, agora defendem soluções externas para o combate ao crime organizado.

Críticas à política de armas

Durante a declaração, o presidente afirmou que a responsabilidade dos governos é garantir a segurança da população. “O papel dos governos é cuidar das pessoas. Isso significa levar a sério uma das preocupações que mais crescem em todo o mundo, o aumento da criminalidade”, disse.

Ele apontou que a flexibilização das regras no Brasil teve efeitos negativos. “No Brasil, o afrouxamento das regras sobre posse de armas levou a desvios que beneficiaram os criminosos. Os mesmos que promoveram esta medida irresponsável hoje querem terceirizar o enfrentamento ao crime organizado para outros países”, afirmou.

Cooperação internacional e ações conjuntas

Lula destacou a importância da cooperação entre países no enfrentamento ao crime organizado, desde que baseada em igualdade. “A cooperação internacional para o combate ao crime organizado precisa ser feita em bases igualitárias”, declarou.

O presidente citou ações conjuntas com a Espanha, incluindo operações contra o narcotráfico. “Realizamos operações conjuntas contra o narcotráfico, que resultaram na apreensão de mais de 10 toneladas de drogas”, afirmou.

Ele também mencionou a integração espanhola em estruturas de cooperação policial no Brasil e a ampliação dessa parceria. A Espanha, segundo Lula, passará a atuar também com países amazônicos e participará de iniciativas multilaterais contra crimes ambientais.

Tecnologia no combate ao crime

O presidente afirmou que a Polícia Federal brasileira está disponível para compartilhar ferramentas tecnológicas. “A Polícia Federal brasileira está à disposição para compartilhar com a Guarda Civil espanhola um software desenvolvido no Brasil chamado ‘Sistema Rapina’, que detecta abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes na internet”, disse.

Violência de gênero e proteção às mulheres

Lula também destacou a assinatura de um acordo voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “Assinamos também um acordo para pôr fim à violência contra as mulheres. Não é possível avançar como sociedade quando metade da população não tem respeitado sequer o direito mais básico de todos, o direito à vida”, afirmou.

Ele acrescentou que o Brasil pode aprender com a experiência espanhola na redução de feminicídios e mencionou iniciativas de proteção às vítimas conhecidas pela primeira-dama. “Minha querida Janja teve a oportunidade de conhecer um sistema espanhol de monitoramento e proteção de vítimas, que queremos levar para o Brasil”, disse.

Discurso de ódio e regulação digital

O presidente relacionou o aumento da violência à disseminação de conteúdos nocivos na internet. “O aumento da violência também está relacionado à propagação de discurso de ódio na internet. O mundo virtual se tornou um ambiente tóxico, que afeta a saúde mental dos nossos jovens”, afirmou.

Ele citou medidas adotadas na Espanha e no Brasil para regulamentar o ambiente digital e o uso de inteligência artificial. “Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital. Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar poder político e econômico nas mãos de um punhado de milionários”, declarou.

Cooperação tecnológica entre Brasil e Espanha

Lula também anunciou iniciativas conjuntas na área de tecnologia. Segundo ele, haverá cooperação entre centros de pesquisa dos dois países para o desenvolvimento de projetos em inteligência artificial e outras áreas estratégicas.

A parceria, afirmou, busca fortalecer a soberania digital e ampliar a capacidade tecnológica de Brasil e Espanha em um cenário global cada vez mais dependente de inovação.

Do Brasil 247

Proposta de curricularização da extensão com base em uma epistemologia política da ciência

0

Universidade Federal de São Carlos

Departamento de Biologia

O antropossocial remete ao biológico,

que remete ao físico,

que remete ao antropossocial

Edgar Morin[1]

Proposta de Curricularização da Extensão

com Base em uma Epistemologia Política da Ciência

 

Proponentes

Vinício Carrilho Martinez – Professor titular do Departamento de Educação/UFSCar

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

 

Objetivo geral

Propomos, sinteticamente, que as ofertas de cursos de extensão a cargo do Departamento de Biologia – se e quando for possível e adequado – procurem uma convergência entre os temas específicos a serem abordados e isso que denominamos de Epistemologia Política da Ciência, especialmente no âmbito da Licenciatura.

Apresentação

Antes de nossa fundamentação, é interessante destacar que a presente proposta já pode ser considerada como um resultado fático, obtido a partir da disciplina obrigatória Ciência, Tecnologia e Sociedade, ofertada no semestre 2026/1, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade/UFSCar.

 

Fundamentação

A presente contribuição, à proposta de curricularização das atividades de extensão, construída pelo Departamento de Biologia, fundamenta-se numa Epistemologia Política da Ciência, compreendendo-se o conhecimento científico como uma produção humana, logo, o conhecimento científico é atravessado por relações sociais e historicamente situadas.

  • Nesse sentido, não se trata de uma produção neutra, mas, antes, constituída por sujeitos inseridos em determinados contextos sociais, o que demanda práticas baseadas na problematização, e não na mera transmissão de conteúdos (FREIRE, 2023)[2], uma vez que a simples reprodução não é suficiente para a formação dos sujeitos para a vivência social e a continuidade da trajetória acadêmica. Com isto, pode-se dizer que, numa convergência entre Ciência e Educação emancipadora, a comunicação suplanta a extensão[3] – em alcance e fundamentação ontológica, ao se relacionar o “sujeito do conhecimento”, da pesquisa, à pessoa humana: “É a comunicação com base num pensamento complexo” (Morin, 1992, p. 140)[4].

 

A extensão universitária, nessa perspectiva, deixa de se configurar apenas como espaço de aplicação do saber acadêmico (na pior versão, vem como saber-poder) e passa a se constituir como um campo de produção e de compartilhamento de conhecimentos, sustentando-se pelo diálogo entre universidade e sociedade. Trata-se, também, de um meio de afirmação do compromisso social da universidade pública, ampliando-se o acesso e a relevância do conhecimento produzido.

  • Baseando-se em Edgar Morin (1990)[5], a proposta enfatiza a necessidade de superar a fragmentação do conhecimento, valorizando-se abordagens que articulem sociedade, cultura e ciência. Nesse sentido, tais atividades de extensão possibilitam a integração de diferentes dimensões do saber, promovendo-se a contextualização dos conteúdos e a problematização de questões concretas vivenciadas pelos sujeitos envolvidos.
  • Associado a isso, Gaston Bachelard (1996)[6] contribui ao propor rupturas com o senso comum (experiência imediata não problematizada), demonstrando-se como a construção do conhecimento demanda também por uma reflexão acerca de suas próprias condições de produção, percebendo-se os obstáculos epistemológicos presentes.

 

Nesse contexto, a curricularização da extensão orientada por uma Epistemologia Política da Ciência busca promover práticas voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico – do Pensamento Científico que sabe, tem consciência, de ser um Pensamento Sociológico –, a partir da análise de problemas socialmente relevantes, e isso possibilita uma compreensão mais ampla e articulada entre diferentes perspectivas.

Por fim, a proposta reafirma o papel da universidade na formação de sujeitos cognoscentes, mas criativos e críticos, e na promoção da transformação social, articulando-se ensino, pesquisa e extensão. Portanto, a extensão configura-se, nesse sentido, como um espaço de grande relevância para a compreensão da ciência como prática política e social, possibilitando-se intervenções mais conscientes e comprometidas com a realidade dos sujeitos internos da universidade e também como a fluência de um convite aberto para que a sociedade participe.

Como se diz, popularmente, “quem sabe, sabe”; contudo, sempre é preciso afirmar que só se “sabe” quando se “apreende” – tomando-se para si o conhecimento e agindo na forma da práxis (reflexão e ação).

 

 

[1] “Portanto, devemos ir do físico ao social e também ao antropológico, porque todo conhecimento depende das condições, possibilidades e limites de nosso entendimento, isto é, de nosso espírito-cérebro de homo sapiens (Morin, 1992, p. 139).

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 87. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

[4] “É convidar a pensar-se na complexidade. Não é da a receita que fecharia o real numa caixa, é fortalecer-nos na luta contra a doença do intelecto – o idealismo –, que crê que o real se pode deixar fechar na ideia e que acaba por considerar o mapa como o território, e contra a doença degenerativa da racionalidade, que é a racionalização, a qual crê que o real se pode esgotar num sistema coerente de ideias” (Morin, 1992, p. 139).

[5] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

[6] BACHELARD, Gaston. Formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. Trechos: p. 7-28 e p. 259-292

EXTRAÇÃO DA MAIS VALIA E O SISTEMA DE SERVILISMO VOLUNTÁRIO

0

Ester Dias da Silva Batista

Bióloga e Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

 Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (15/04/2026)[1]. Então, vamos aos tópicos:

  • O Mecanismo de Exploração: Mais-Valia e Uberização:
  • A extração da mais valia pode ser brevemente definida como a extração do esforço do sujeito (força de trabalho) que não é devidamente remunerado, onde a maior parcela da produção é destinada ao LUCRO da empresa, enquanto o trabalhador/a (proletariado) recebe apenas uma parte.
  • No século XXI, essa exploração se modifica, agudiza-se e se torna predatória:
    • De um lado, temos o sujeito totalmente uberizado, como no sistema 9-9-6 (trabalho das 9h às 21h, 6 dias por semana, como ocorre na China), onde a vida é reduzida à organização da plataforma.
    • No centro (o “cinza”), surge a figura da professora que complementa renda, vivendo uma uberização intermitente. Ela possui um vínculo fixo, mas é atraída para um local sem direitos ou amparo trabalhista, evidenciando-se a fragilidade das garantias e da própria segurança jurídica na atualidade.
  • Esse processo caracteriza um servilismo voluntário, onde o motorista ou trabalhador aceita a “mordida” (taxa) da plataforma para poder trabalhar, estabelecendo um paralelo direto com o senhor feudal que cobrava pelo uso da terra mais fértil.
  • Na imagem a seguir, essa ideia da exploração do proletariado e lucratividade é retratada.Pode ser um gráfico de texto que diz "កាំ A: Total produzido; B: Despesas para manutenção da empresa; C: Salário do empregado; D: Lucratividade obtida pelo patrão."
  • Modernidade Líquida e a Insegurança (Bauman):
  • Essa ausência de estabilidade é discutida pela modernidade líquida de Bauman.
    • Diferente da modernidade “sólida” (período de florescimento industrial, fabril), o tempo atual é marcado pela fluidez das relações, pela fragmentação, volatilidade e por uma incerteza constante, seja nas relações pessoais ou trabalhistas.
  • A lógica do consumo imediato substitui a segurança a longo prazo, bem como a substituição da segurança do CLT pela exploração sem regras da “uberização social”.
  • A precariedade do trabalho uberizado (seja ele total ou de interface) é um reflexo direto dessa liquidez, onde as conexões são transitórias e o indivíduo nunca está realmente “fora” da rede de exploração, seja por ser o explorado enquanto trabalhador ou então via consumo de trabalhos que utilizam dessas interfaces de exploração.
    • Contudo, apesar da condição de uberização, o sujeito pode ainda perceber essa forma de trabalho precária como uma alternativa viável. Em muitos casos, indivíduos que conseguem obter rendimentos significativamente superiores, por vezes mais que o dobro, atuando como motoristas de aplicativo, optam por essa modalidade, mesmo diante da ausência de direitos trabalhistas. Por outro lado, o regime CLT, embora assegure tais direitos, frequentemente oferece remuneração considerada insuficiente, além de demandar elevada carga de tempo e esforço, o que contribui para a preferência por formas de trabalho mais flexíveis.
  • Ideologia e Regulação Interna:
  • Universalizar o Particular (Chauí): Ao projetar uma visão de mundo específica (a exemplo do “empreendedor de si mesmo”), como uma verdade absoluta ou dogma, o sistema convence o sujeito a aceitar a exploração de forma voluntária.
    • Temos, portanto, a ideologia dominante sendo a ideologia de quem manda (a classe dominante);
  • Instituições e Viés: O exemplo da “Escola sem Partido” ilustra a tentativa de criar uma neutralidade impossível, pois nada é isento de viés. A ideologia dominante busca mascarar esses vieses para manter o controle sobre o pensamento social e, com isso, ainda se demoniza o pensamento científico: negacionismo.
  • O Papel do Pensamento Sociológico:
  • Para combater essa manipulação e enxergar além do “dogma”, surge a sociologia como um “desconforto necessário”, bem como uma educação de qualidade também passa por essa perspectiva de transformação do sujeito, para além do “óbvio”, daquilo que lhe é ofertado.

Temos, assim, um pequeno retrato do capital hegemônico na sua fase atual. O que nos leva a refletir sobre o significado do Pensamento Sociológico[2], sempre do presente para o passado, do geral ao particular[3].

[1] Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. O mapa geral das discussões trata, efetivamente, do que está sinalizado no título.

[2] https://farofafilosofica.blog/2026/04/14/possibilidades-do-conhecimento-sociologico-texto-de-zygmunt-bauman-2/. Acesso em 15/04/2026.

[3] Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas. Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

Governo Lula lança plano contra crime organizado até o final de abril

Programa prevê cooperação com estados e foco em asfixia financeira de facções

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara o lançamento do programa “Brasil contra o crime organizado”, iniciativa que pretende ampliar o combate às facções no país por meio de cooperação com os estados e foco na asfixia financeira das organizações criminosas. A proposta integra uma estratégia mais ampla para reforçar a segurança pública e responder às pressões internas e externas sobre o tema.

De acordo com o SBT News, o plano está em fase final de elaboração no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e deve ser anunciado até o fim do mês. A iniciativa é tratada como uma resposta a uma das principais preocupações do eleitorado brasileiro: o avanço do crime organizado.

Integração com a Lei Antifacção

O programa é um desdobramento da Lei Antifacção, sancionada recentemente com vetos presidenciais. A proposta busca transformar a legislação em ações práticas, com mecanismos operacionais voltados ao enfraquecimento das estruturas das organizações criminosas.

Entre os principais eixos estão o combate ao financiamento das facções, o controle de armas, a retomada de territórios dominados e o fortalecimento da vigilância nas fronteiras. A estratégia mira tanto a atuação direta dos grupos quanto suas bases logísticas e financeiras.

Apoio federal e adesão dos estados

A adesão dos estados ao programa será voluntária. As unidades federativas que participarem terão acesso a investimentos federais, incluindo equipamentos, insumos e tecnologias para reforçar as operações de segurança pública.

A proposta prevê maior integração entre os entes federativos, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta das forças locais e padronizar ações de combate ao crime organizado em todo o país.

Impasse sobre recursos e pressão política

Apesar do avanço nas discussões, ainda não há consenso dentro do governo sobre o volume de recursos destinados ao programa. A área econômica avalia os limites fiscais, enquanto o presidente Lula tem defendido a abertura de espaço no orçamento para viabilizar os investimentos.

Em declarações recentes, Lula tem enfatizado a necessidade de enfrentar as organizações criminosas com mais rigor e defende ações que alcancem os níveis superiores dessas estruturas. O presidente também reiterou a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma Guarda Nacional, medidas que dependem da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição.

Repercussão internacional e pressão externa

O tema ganhou maior relevância após sinalizações de autoridades dos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, o que pode abrir espaço para sanções ou intervenções militares estadunidenses em território brasileiro.

Do Brasil 247

O Uber que faz trading

0

@viniciocarrilhomartinez

Há histórias que ouvimos, de contadores e contadoras de histórias, que duvidamos da sua inteireza, como se mais da metade fosse só de “estórias”, invenções e retoques para ficarem meio parecidas com lendas. Daí também fazer sentido a expressão “lenda urbana”. E há histórias mal contadas, distorcidas, que afundam os fatos no esquecimento e surgem como narrativas. Adoro lenda urbana e detesto as tais narrativas.

A história de hoje, se você não acreditar no que vou contar – porque realmente pode parecer invenção da minha cabeça –, figuraria como uma lenda urbana que acabei de inventar. Mas não é. Penso que sou criativo e gosto de pessoas criativas, mas não seria assim criativo a ponto de inventar essa lenda urbana.

Na volta de hoje da universidade, das aulas na licenciatura em que falei um bocado de tempo sobre o que chamo de “uberização social”, fiz uma viagem com um jovem – uns 35, 37 anos – que se mudou de Salvador, Bahia, para cá, faz cinco anos.

Está radicado. Veio para trabalhar. Esteve empregado numa empresa local, período em que fez boa parte do curso de engenharia de produção – um curso concorrido e difícil. A empresa pagava metade dos custos de sua educação.

Quando saiu desse trabalho, as mensalidades ficaram muitos caras. Teve que parar momentaneamente. Mas, disse que voltará para concluir seu curso. A história, no entanto, não tem apenas esse componente.

O que gravei na mente, e que monopolizou nossa conversa, é o fato de que ele faz Uber no período da tarde, após às 11, 12 horas. Durante a manhã atua no mercado financeiro, na Bolsa de Valores. Como tenho um pouquinho de ações, a conversa fluiu para algumas implicações mais técnicas. Não sou especialista como ele, mas não ignoro tudo.

Contou-me que ganha aproximadamente o mesmo valor, de manhã na B3, e à tarde no Uber. Me pareceu feliz, apesar de não saber se é pelos seus rendimentos ou porque encontrou alguém que conhece um pouco do trabalho dele.

Ele tem ações, reinveste os rendimentos, projeta suas compras no futuro, quando poderá se aposentar do Uber e de qualquer outro emprego, com alguma reserva financeira. Esse raciocínio é curto no Brasil, só uns 5 milhões de pessoas têm essa perspectiva, enquanto, nos EUA, os/as investidores/as passam de 50% da população – mais de 100 milhões de pessoas, portanto.

É claro que são realidades diferentes, ninguém está aqui comparando Brasil e EUA, na economia, na sociedade como um todo, porém, há um componente cultural: no Brasil, há preferência popular pelos “aluguéis de imóveis” ou pela poupança.

O mais curioso, penso eu, é que ele atua fazendo trading de mini dólar. O que, mais uma vez, é uma componente muito curiosa, porque ele faz dinheiro comprando e vendendo dólar. Teve só uma pergunta que ele pulou, quando indaguei se fazia dividendo sintético. Mas tá tudo bem, já nos deu seu exemplo de aprendizado e de superação.

Isso não é lenda urbana, é somente uma história incrível.

 

Antipedagogia e a reprodução das estruturas sociais

0

Ester Dias da Silva Batista

Monitora da disciplina Educação e Sociedade/UFSCar

Beatriz Vitória Vieira de Lima

Monitora da disciplina Educação e Sociedade/UFSCar

 O texto aqui trabalhado trata brevemente sobre a perspectiva utilitarista, instrumental e adaptativa do processo educativo, entendida como resposta à crescente crise educacional no país. Segundo Paulo Freire1, uma pedagogia efetiva entre docentes e discentes pressupõe a compreensão do estudante como sujeito ativo no processo de ensino, e não como um mero receptáculo passivo de conteúdos. Trata- se, portanto, de superar a chamada educação bancária2, na qual o conhecimento é apenas depositado, sem diálogo, reconhecimento do sujeito discente ou construção conjunta no processo de ensino e aprendizagem.

Entretanto, o que se observa na educação brasileira, especialmente quando as escolas passam a ser compreendidas mais como espaços de depósito dos estudantes, do que como instituições educacionais, de fato, há uma expansão da perspectiva antipedagógica. Isso se manifesta em discursos que rejeitam a própria estrutura formadora da pedagogia, organizando-se em duas vias principais. A primeira reduz a educação aos processos utilitários e mecanizados, como o uso de estratégias ilustrativas esvaziadas de sentido, “musiquinhas pedagógicas” ou a ideia, amplamente difundida, de que o professor deve transformar a aula em um espetáculo constante (quase um “circo”), priorizando-se o entretenimento em detrimento do conteúdo.

Em um paralelo biológico, esse processo pode ser comparado à substituição da alimentação completa, que exige digestão, assimilação e transformação dos alimentos consumidos, pela administração direta de nutrientes na corrente sanguínea. Nessa perspectiva, o estudante deixa de elaborar o conhecimento, como indivíduo pensante e em um ambiente formativo, limitando-se a recebê-lo de forma pronta, já processada.

A segunda via, por sua vez, se dá como consequência dessa primeira, correspondendo à desvalorização das teorias e das produções consideradas complexas, academicamente, e reforçando-se uma lógica de simplificação extrema do conhecimento como forma de ensino. Ao invés de se formar sujeitos capazes de compreender e produzir saberes, promove-se a lógica de “dar o peixe”, mas sem ensinar a pescar (que tende a ser reproduzida até alcançar locais de ensino, como a universidade, que, forçadamente, ensinam esses sujeitos a pescar, como um tranco pedagógico e de modo forçado).

Associado a esse cenário, observa-se também o fortalecimento da ideia de meritocracia3 no campo educacional, que desloca para o indivíduo a responsabilidade (e culpabilização) por seu desempenho, desconsiderando-se todos os condicionantes sociais, econômicos e culturais que impactam diretamente o processo de aprendizagem. Esse movimento se articula com propostas de padronização, como a ampliação de escolas cívico-militares, o ensino religioso e a inserção de conteúdos como educação financeira em substituição às disciplinas de caráter crítico, especialmente no contexto da educação pública.

Enquanto isso, grupos sociais privilegiados continuam tendo acesso a uma formação completa e estruturada, incluindo-se áreas como História, Sociologia e Filosofia. Assim, tais propostas não visam à construção do conhecimento, mas à formação de sujeitos adaptados, disciplinados e pouco críticos. Retomando-se a analogia biológica anterior, não apenas se oferece o peixe sem ensinar a pescar, como também se limita a qualidade desse alimento, restringindo-se ainda mais as possibilidades formativas.

Portanto, a educação antipedagógica se apresenta como um mecanismo de manutenção das estruturas sociais de poder, contribuindo para a reprodução das desigualdades e a preservação (via produção de uma crise educacional) do status quo4, uma vez que aqueles que detêm o poder tendem a não abrir mão facilmente de suas posições5.

  • A meritocracia é um conceito que se baseia na ideia de que o sucesso individual é resultado exclusivo do mérito pessoal, como esforço e/ou capacidade unicamente do No campo educacional, essa perspectiva acaba desconsiderando as desigualdades econômicas, sociais e culturais, atribuindo o desempenho dos estudantes apenas a fatores individuais, o que gera, por exemplo, a culpabilização do indivíduo somente.
  • Expressão que significa “estado atual das coisas”, sendo utilizada para se referir à manutenção das estruturas sociais, políticas e econômicas já existentes (e que tendem a se manter).
  • Pensamento discutido na aula de Educação e Sociedade ofertada no semestre 2025/2 no curso de Ciências Biológicas.

Educação antipedagógica e desafios da escola pública

 A educação brasileira tem sido marcada por tensões entre propostas pedagógicas críticas e práticas tradicionais ainda predominantes no cotidiano escolar. Nesse contexto, emerge a discussão sobre a chamada educação antipedagógica, entendida como uma crítica aos modelos tradicionais de ensino, especialmente aquilo que Paulo Freire (1968) denominou de “educação bancária”.

A educação antipedagógica pode ser compreendida como uma perspectiva que se opõe aos métodos tradicionais de ensino baseados na transmissão de conteúdos de forma verticalizada. Na educação bancária, o professor assume o papel de detentor do conhecimento, enquanto o aluno é visto como um sujeito passivo, responsável apenas por receber e reproduzir informações. Em contraposição, a perspectiva freiriana propõe uma educação libertadora, centrada no diálogo, na problematização da realidade e na formação de sujeitos críticos e participativos.

Nesse sentido, a educação deve possibilitar ao educando desenvolver sua capacidade de análise e intervenção no mundo, superando sua condição de alienação. A realidade das escolas públicas revela desafios significativos para a implementação de uma educação crítica7. A pressão pelo cumprimento integral do livro didático, aliada à necessidade de preparação para avaliações, muitas vezes leva professoras e professores a priorizarem a transmissão de conteúdos em detrimento de práticas reflexivas.

Essa lógica contribui para a memorização mecânica dos conteúdos, dificultando-se o desenvolvimento do pensamento crítico. A experiência em estágios em escolas públicas evidencia que, frequentemente, os professores precisam cumprir metas e prazos, o que limita a construção de práticas pedagógicas mais significativas. Além disso, observa-se o aumento do número de alunos com laudos, sem o devido acompanhamento especializado. Em muitos casos, o professor/a professora, diante das condições de trabalho e da diversidade de níveis de aprendizagem em sala, acaba adotando estratégias como a cópia de respostas ou atividades padronizadas, que não atendem às necessidades de todos os estudantes. Essa realidade evidencia os limites estruturais da escola pública para se garantir uma educação inclusiva e de qualidade.

No campo das políticas educacionais, destaca-se o Projeto VOAR, implementado na rede estadual de Ensino de São Paulo, que propõe a separação de estudantes por desempenho com o objetivo de recompor aprendizagens. Embora seus defensores argumentem que essa organização permite adequar o ritmo de ensino, críticas apontam que tal prática pode reforçar desigualdades, rotular estudantes e afetar sua autoestima. Segundo Vygotski8, a aprendizagem ocorre na interação social, especialmente entre sujeitos com diferentes níveis de desenvolvimento, indicando que turmas heterogêneas podem favorecer o aprendizado coletivo.

Outro aspecto relevante é a implementação das escolas cívico-militares que enfatizam disciplina, hierarquia e valores cívicos – como “ordem unida”, militarizada, massificada. Embora possam contribuir para a organização do ambiente escolar, tais modelos podem entrar em conflito com a proposta de educação emancipadora9 defendida por Freire, ao limitar a autonomia, o diálogo e o protagonismo dos estudantes, aproximando-se de práticas mais autoritárias e transmissivas.

A presença do ensino religioso nas escolas públicas também levanta debates importantes, sobretudo no que se refere à laicidade do Estado10 e ao respeito à diversidade cultural e religiosa. É fundamental que essa disciplina, quando ofertada, não imponha crenças, mas promova o conhecimento plural sobre diferentes tradições. A inclusão da educação financeira no currículo, conforme orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tem como objetivo preparar os estudantes para a vida prática, abordando temas como consumo consciente e planejamento. No entanto, é necessário que essa abordagem vá além de orientações técnicas, promovendo uma reflexão crítica sobre as desigualdades sociais e econômicas, evitando a responsabilização individual por questões estruturais.

Por fim, a precarização da educação pública constitui um dos principais entraves para a construção de uma escola democrática e de qualidade. A falta de investimento, os baixos salários docentes, a infraestrutura inadequada e a sobrecarga de trabalho comprometem significativamente o processo educativo. Sem condições adequadas, a escola não consegue cumprir sua função de socialização do conhecimento historicamente produzido, o que pode contribuir para a reprodução das desigualdades sociais.

Diante desse cenário, torna-se fundamental refletir sobre o papel da escola pública e das políticas educacionais na formação dos estudantes. A educação antipedagógica, ao propor uma ruptura com modelos tradicionais, oferece caminhos para uma prática mais crítica e emancipadora. No entanto, sua efetivação depende de mudanças estruturais que garantam melhores condições de ensino, valorização docente e compromisso com uma educação verdadeiramente transformadora.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970 (1ª ed. publicada no México, 1968).

  • O conceito de Educação Bancária foi desenvolvido por Paulo Freire como forma de criticar esse modelo de ensino no qual o professor deposita conteúdos nos estudantes, considerados sujeitos passivos, algo que se orienta apenas pela transmissão, em total oposição a uma educação problematizadora e crítica.

VYGOTSKI, S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008

  • Educação emancipadora é uma abordagem pedagógica crítica que visa libertar os indivíduos da opressão e da alienação, promovendo autonomia, pensamento reflexivo e consciência social.
  • Significa que o governo é neutro, não adota religião oficial, não financia cultos e garante a liberdade de crença (ou descrença) para todos os cidadãos, tratando todas as fés de forma igualitária.

REFERÊNCIAS

 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970 (1ª ed. publicada no México, 1968).

VYGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2008

PORTARIA DO SUBSECRETÁRIO, DE 3 DE FEVEREIRO DE 2026 – Institui o Projeto VOAR.

Disponível       em:

<https://deguaratingueta.educacao.sp.gov.br/portaria-do- subsecretario-de-3-de-fevereiro-de-2026-institui-o-projeto-voar-em-carater-piloto-e-por- adesao-voluntaria-com-o-objetivo-de-promover-a-reducao-das-desigualdades-educacionais- atraves-d/>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Ramagem é preso nos EUA após inclusão na lista da Interpol

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nos Estados Unidos pelo serviço de imigração norte-americano (ICE), após ser incluído na lista da Interpol a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele havia deixado o Brasil de forma clandestina antes do fim do julgamento para evitar a execução da pena.

Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos. A saída irregular ocorreu em meio ao avanço do processo no STF, que culminou na condenação do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro no início de 2026. Em janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que a solicitação havia sido encaminhada às autoridades norte-americanas. A Embaixada do Brasil em Washington já havia enviado a documentação necessária ao Departamento de Estado dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

A inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. A medida permitiu que autoridades estrangeiras pudessem localizá-lo e efetuar sua prisão fora do território brasileiro.

Aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos, estratégia que poderia dificultar o processo de extradição. No entanto, a detenção pelo ICE ocorre em meio à análise do pedido brasileiro pelas autoridades norte-americanas.

Enquanto permaneceu no exterior, Ramagem também foi alvo de sanções administrativas e políticas no Brasil. Após a cassação de seu mandato, a Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático. Além disso, por determinação do STF, foram bloqueados seus vencimentos parlamentares.

Do Brasil 247

O menino e o desenho

0

Por Vinício Carrilho

Essa narração é um pouco mais antiga, do início de 2025, quando fui para São Paulo-Capital, pela última vez. Nosso objetivo era achar passeios interessantes e, como sempre fazemos, andar pela Liberdade e conhecer algum Museu diferente – e um Shopping diferente, também.

Não chegamos exatamente no mesmo horário, então saí do hotel para encontrar a Fátima num ponto combinado. E aí começa essa nossa história, com a minha conversa com o motorista do Uber.

Como já é uma marca, começo puxando conversa sobre o clima, o trânsito – temos que lembrar sempre que são motoristas com jornadas diárias de 10 a 12 horas – e vou vendo para onde vai o diálogo. Procuro sempre enfocar nas condições de trabalhado, na tal “uberização social” (que afeta todo mundo, de um modo ou de outro), para, quem sabe, levar uma fagulha de crítica ao neoliberalismo.

Nunca falo de política, diretamente, a não ser por vias indiretas – como quando perguntei, em outra viagem, se o motorista conhecia o projeto federal de criação de Pontos de Descanso para os motoristas de Uber. E menos ainda falo sobre partidos políticos – inclusive porque, no Brasil, partido político é um caso que não se fecha na análise apurada da Ciência Política.

Pois bem, naquela última viagem a São Paulo, o motorista – de uns 35 anos – disse-me que deixou o emprego regular (com CLT), que tinha como chefe ou supervisor de logística, sua área de formação, para ser Uber. Achei estranho e perguntei o porquê. Ele contou que fez isso por causa de dinheiro, para terminar a construção de sua casa.

Disse que às vezes virava ajudante de pedreiro na construção da própria casa, junto com a esposa. Contou que, num belo dia, o filho não queria ir para a escola. A mãe disse que iria, brava. Ele disse que poderia faltar, se quisesse, mas teria que ajudar com os tijolos.

A mãe ficou irritada com ambos. Mas, o menino achou ótimo ficar com o pai naquela manhã. E foram transportar tijolos depois do café. O pai, o motorista do Uber, entrou num dos cômodos em construção e disse ao filho para lhe trazer os tijolos, de cinco em cinco. No começo era só festa. Depois de 10 minutos o menino acusou cansaço nos braços de criança. O pai disse: “mais uma hora de trabalho!”.

Por volta da hora do almoço, o pai parou tudo e mandou o menino tomar banho para comerem. Depois do almoço, o pai disse que compraria um desenho que o menino fizesse naquela tarde. E o menino fez, e ganhou 10 reais.

Em seguida, o pai (motorista) lhe disse que todo trabalho é honesto. Porém, ele viu como é difícil o trabalho de pedreiro, quando não se tem muitas oportunidades. E lhe disse que a escola poderia lhe dar aprendizados para trabalhos melhores, como o desenho, as artes, a universidade. O que se chama de trabalho vivo, na Sociologia.

Por fim, chegamos ao meu destino, a Fátima já me espera.

Antes de descer, tirei cinquenta reais da carteira e dei ao pai, para que comprasse um desenho do filho dele para mim. Iria dizer ao menino que quando me encontrasse novamente, numa viagem de Uber em São Paulo, me daria o desenho.

É uma história que me emociona toda vez que lembro.

Uma família simples, pobre, com uma imensa sabedoria que começa, caminha e termina sempre na Educação dos filhos.

Com mais pessoas como eles, o Brasil daria certo.

 

 

 

QUINTA COLUNA – uma pequena história de esquerda torpe

0

 

– ou de “analfabetização política”

@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista

– Bióloga e mestranda no PPGCTS/UFSCar

Veremos que não existe esquerda da boca pra fora.

Cabem umas poucas explicações: a parte central do texto já foi empregada em outro momento, com outros objetivos, mas sempre é bem vinda na explicação de um fenômeno – infelizmente, sempre atual.

Também é preciso dizer que a expressão “analfabetização” não existe formalmente (é até contrária à lógica), mas aqui é empregada como figura de linguagem; não é conceito sociológico e nem condição pedagógica.

Porém, a “analfabetização” insiste em ser (reaparecer) como fenômeno social e político: à direta se chama negacionismo (de tudo o que for racional e razoável), já, à esquerda, corresponde (essa é só uma faceta) à aceitação de apenas uma parcela do Processo Civilizatório – leia-se cultura, educação, civilidade, conhecimento, Pensamento científico –, enquanto faz escárnio de outras parcelas obrigatórias (pela epistemologia básica) da visão de mundo que seria corresponde à esquerda.

Em contextos semelhantes, tais perfis põem em prática o machismo doméstico – que beira à misoginia –, apregoam o antissemitismo (a guerra com o Irã é apenas uma desculpa), tanto quanto têm a xenofobia e a homofobia pela frente.

Para esses indivíduos a visão de mundo não se fechou por completo, não se alinhou no horizonte dos fatos, não há concordância conceitual. Há um estrabismo, para quem de “esquerda” se autointitular e, ao mesmo tempo, defender que os animais vivam nas ruas – remedando quem os acolha com os próprios recursos – ou, simplesmente, apregoando que sejam todos eliminados e mortos.

Em casos extremados, isso que chamamos de “Esquerda torpe”, é capaz de “criticar a condição do sistema prisional” e, concomitantemente, defender a lisura de uma “festa popular” chamada de A farra do boi – ou simplesmente não ver maldade nas rinhas de galo.

Nesse caso grave, sem aparente remédio político-jurídico (a não ser estudar), o córtex frontal não se ajusta à sensibilidade, a sinapse não encontra teoria e prática: discurso via de regra sem se expor para além das redes antissociais e tóxicas (iguais a esses perfis).

E nisso há falha grave na formação de uma visão de mundo de esquerda, se esperamos pela coerência entre as latitudes e as longitudes políticas, sociais, humanizadas. Não se é de esquerda pela metade e, exatamente por isso, é muito mais difícil entender-se assim do que sentar no sofá como um “sujeito comum de direita”.

Muitas vezes, ambos são “cidadãos de bens” – a exemplo de quando esse “ser de esquerda” mantém em sua residência o famoso “quartinho da empregada”, como reprodução do engenho e da Casa Grande urbana. Alguns desses até podem ser defensores dos direitos humanos, mas não notam os maus tratos aos animais.

Uma esquerda incapaz de ver o Bom Senso

Ainda nessa perspectiva, Gaston Bachelard (1996) discute os chamados obstáculos epistemológicos, caracterizados pela predominância da opinião e do senso comum, que dificultam a construção crítica e da produção racional do conhecimento. Nesse sentido, o autor afirma que “A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à opinião” (Bachelard, 1996, p. 18), indicando que a opinião, enquanto forma imediata de apreensão do real, não se constitui como fundamento válido para o conhecimento científico.

Logo, o senso comum, quando não submetido à crítica e à reflexão efetivas, tende a se reproduzir de maneira acrítica, reforçando-se interpretações já estabelecidas e pouco problematizadas da realidade social, como no caso da dualidade entre a crítica das condições do sistema penal, mas o divertimento e a lucratividade com rinhas de galo, por exemplo; algo que se vê em alguma parcela da esquerda atual, justamente por essa “indução do senso comum” à reprodução desassistida de análise crítica ou cognitivamente fundamentada.

Nesse sentido, o autor também afirma que: “Mesmo na mente lúcida, há zonas obscuras, cavernas onde ainda vivem sombras. Mesmo no novo homem, permanecem vestígios do homem velho.” (Bachelard, 1996, p. 10). Ou seja, mesmo no processo de construção do conhecimento científico persistem elementos do pensamento não elaborado, ligados ao senso comum, quase que intrinsecamente apegados ao sujeito, caracterizando-se a dificuldade de se expurgar tais pensamentos. Em diálogo com essa perspectiva, pode-se relacionar tal movimento à ideia freireana de “novo homem”, compreendido como sujeito crítico em processo de formação (Freire, 2022) , ao indicar que a superação do senso comum não é imediata nem linear.

A permanência de formas de pensamento pouco problematizadas (e incoerentes), por sua vez, acaba por contribuir para análises simplificadas da realidade social, como a presença de animais em situação de rua, frequentemente tratadas de maneira descontextualizada e até normalizada. Isso evidencia a tensão entre uma leitura crítica e histórica da realidade e interpretações baseadas em percepções imediatas do cotidiano – normalmente danosas e tóxicas ao ambiente e ao convívio que se espera para uma visão de mundo de esquerda.

Há muito dessa tipologia, um tipo de espécime político, incapaz, inclusive, de visualizar o “melhor do senso comum”, que podemos chamar de Bom Senso do senso comum: aquela pessoa mais simples que sabe o valor de se aplicar ao Bem e, assim, pela lógica meridiana, apartar-se do Mal.

Para efeito político e didático, veremos a seguir uma resenha retirada da leitura de A quinta coluna, pois nos parece haver a incidência clara da “analfabetização política de esquerda” e a consequente provocação de ações políticas torpes.

A quinta coluna

Madri sofreu um sítio realizado por quatro colunas de fascistas revoltosos por três anos e, além disso, de dento da cidade, outro grupo indicava os alvos que deveriam ser bombardeados: a Quinta Coluna de infratores, infiltrados, traidores e mercenários.

Os personagens centrais representam o povo espanhol – mesmo que ali apareçam como ingleses, americanos e alemães – e todos aqueles que se identificam com a democracia e a liberdade. O retrato é o do horror. Pouco restava de idealismo, nacionalismo, heroísmo. Havia apenas o vazio que corroía a humanidade. Na luta intestina pela sobrevivência, o Bem e o Mal se confundiam. Eram protagonistas desiludidos. Apegava-se à dor e à privação. Na narrativa, as falas aparecem com beligerância, de combatentes desiludidos. Para o autor, a moral da história ilustra a ausência total de “vida particular”. Se é que havia vida.

O primeiro ato já traz um diálogo inicial “educado”, mas áspero na intenção oculta, entre Dorothy e Preston, até aquele momento eram amantes – em que ela traduz o amor de ambos: “É apenas um mau hábito que adquiri” (Hemingway, 2007, p. 17). Em seguida, surge o gerente do hotel em que estão hospedados pedindo comida para sua família…A esta altura os bombardeios já haviam avançado sobre Madri – quando apareceu outro “camarada” de partido. Este camarada se faz acompanhar de uma prostituta Moura e que logo invoca com Dorothy: “Arranco os olhos, se você acha melhor do que eu” (Hemingway, 2007, p. 26). Pouco antes, a Moura estivera indignada com um cartaz que estava fixado à porta, onde se lia: “Trabalhando, não perturbe”.

Em meio a outro diálogo bastante ácido recomeçam os bombardeios. Temos uma reação de Preston e aí segue uma descrição como um aviso de morte: “Há um som como o acorde de um banjo gigantesco e um ruído que se aproxima como um trem vindo na direção da gente” (Hemingway, 2007, p. 33). Philip, o camarada que encanta Dorothy, justifica porque não vai a um abrigo: “Seguro não é bem o termo, mas quem é que se preocupa com segurança” (Hemingway, 2007, p. 36). Philip, totalmente bêbado, bate em Preston e fica com seu quarto e sua mulher. No dia seguinte não se lembra de nada, mas o gerente avisa que dois soldados o esperam. Philip, então, irrita-se porque os dois deixaram alguém fugir: “Há uma única regra quanto ao dever. A gente tem de cumpri-lo. E há somente uma coisa a respeito de ordens. ELAS TÊM DE SER OBEDECIDAS” (Hemingway, 2007, p. 51). Manda prender os dois soldados e reage com sarcasmo: “boa sorte”. É a disciplina da Razão de Estado, para a segurança, em que impera a obediência e a morte.

Em outra cena, Dorothy pede o café da manhã e responde à atendente do hotel, sobre o bombardeio da noite anterior: “Que nada! Foi até encantador” (Hemingway, 2007, p. 56). No diálogo seguinte, entre Philip e Dorothy, sobre Preston, outra vez surge o realismo sarcástico: “DOROTHY – Oh não Philip! Não se preocupe. Ele se foi para sempre. PHILIP – Frase horrível: para sempre” (Hemingway, 2007, p. 60). Depois a moça diz ao policial Philip para que procurasse ser mais sério e honesto – ao que este responde com mais cinismo e desdém: “Não me tente. Não me torne ambicioso […] Não me abra novos horizontes” (Hemingway, 2007, p. 63).

Este sentimento evasivo se acentua quando Dorothy lhe diz que mostraria aos filhos dos dois um mundo maravilhoso, após a guerra. Ele diz que o filho nunca teria visto o pai. A moça insiste e diz que ele escreveria um livro sobre guerras – mas, a resposta é um tiro fatal: “Seria um belo livro. Poderia enriquecê-lo…com ilustrações” (Hemingway, 2007, p. 65). Philip sai do quarto e Dorothy chama Petra e assegura que a criada não deveria ser tão derrotista. A camareira diz brevemente: “Não penso em política. Apenas trabalho” (Hemingway, 2007, p. 70). Era a consciência de classe possível, àquela altura dos acontecimentos.

Quando Preston reaparece há um diálogo seco e este chama o gerente para retirar Philip do seu quarto. Todavia, o gerente implora para que não chame a polícia: “Em assuntos privados, a autoridade pública dá sempre interpretação errada” (Hemingway, 2007, p. 77). Na sequência, um tipo de ajudante de ordens espera Philip que está no quarto de Dorothy e, sentado, recebe um tiro na nuca: a Quinta Coluna.

No segundo ato, Philip interroga o soldado que deixara um o suspeito fugir e, então, diz a seu próprio coronel que “não há ninguém absolutamente certo”. Philip convence o coronel a não executá-lo e o soldado agradece, mas houve que a guerra não tem favores: “Numa guerra, não se diz obrigado” (Hemingway, 2007, p. 94). O soldado é levado e os dois oficiais militares (Philip é meio policial, meio militar) conversam como é que se morre bem em uma guerra daquelas. Philip lembra ao coronel, seu próprio superior, os equívocos cometidos: “Mas, às vezes, matamos por engano, não é Antônio?” (Hemingway, 2007, p. 97). Philip também lhe revela algumas fraquezas da profissão de contraespionagem: “Gostaria de saber quem sou eu ao acordar” (Hemingway, 2007, p. 100).

De novo no bar, Philip conversa com a Moura sobre as virtudes de Dorothy e a prostituta se mostra sagaz: “Que é que você faz durante todo o tempo, nesta guerra, se ainda não sabe o que é ignorância e o que é coragem?” (Hemingway, 2007, p. 115). A guerra parece ser isso, quem engana melhor. Na continuação Dorothy chama a camareira e fica sabendo que o eletricista do hotel fora baleado durante a noite e morrera. A ajudante Petra informa-lhe que os assassinos são franco-atiradores da Quinta Coluna, que atiram a esmo. Contudo, preferem alvejar os inimigos de classe: “Se fosse eu morta, eles ficariam felizes. Pensariam que era uma pessoa a menos da classe trabalhadora” (119). O que já indica um amadurecimento da consciência de classe, se comparada à anterior análise social da própria camareira. A guerra civil revelava a crueza da luta de classes. Petra também diz que Philip é um genuíno filho da guerra: “Não digo que ele não seja um bom homem. Mas é ruim” (Hemingway, 2007, p. 123). Na guerra civil, fratricida, quando se opõem membros da mesma família, não é difícil esquecer o foco e mesmo a identidade.

Dorothy compra um casaco de pele de raposas e Philip não gosta, porque teria usado o mercado negro. Quase brigam ao falar do “moralismo” da guerra. Philip também conversa com outro camarada, Max, e se queixa amargurado do trabalho que fazem juntos. Lamenta o fato de que o soldado tenha morrido no seu quarto, em seu lugar. Max tenta confortá-lo e tem como resposta o non sense da ironia mordaz. Max responde, lembrando o significado da guerra civil espanhola: “Em suma: para que possam viver e trabalhar com dignidade, e não como escravos” (Hemingway, 2007, p. 177). Na guerra civil, irmãos escravizam irmãos.

Sequencialmente, em um posto de observação, um soldado diz a senha para outros três que se aproximam: “a vitória”. E houve a contra senha: “…é para aqueles que a merecem” (Hemingway, 2007, p. 183). Era uma senha fascista que abriria espaço para a entrada de um oficial alemão: os mercenários socorrem aos interesses de classe, em defesa do capital. À meia-noite se deflagra o bombardeio contra Madri – para confirmar, o ajudante de ordens revela que os alemães estão ali a serviço do capital internacional: “Esses marxistas filhos-da-puta! Isso vai apanhá-los em suas trincheiras” (187). Neste momento, as sentinelas são abatidas e Philip dá a ordem de rendição ao general.

De volta a Madri, no interrogatório, fica evidente que o general não os acompanhara como refém, não era o alvo principal; apenas o civil: foi fuzilado no caminho. Antes de iniciar a sessão de tortura, Philip descreve o caráter do alemão prisioneiro: “O homem é como uma fruta madura” (Hemingway, 2007, p. 196). Seria definido como um “político”. Aí se segue um breve diálogo entre invasor e torturador: “CIVIL – Jamais falarei. ANTÔNIO – Falará sim. Você vai ver…” (Hemingway, 2007, p. 198). Como resultado disso, foram presos mais de 300 inimigos-traidores da Quinta Coluna – estampados em todos os jornais, como peça publicitária.

A divulgação do feito foi tanta que o anonimato de Philip se perdera. Para se esconder seria preciso romper com Dorothy. Entretanto, Max lhe adverte: “Para nós, que já passamos por coisas terríveis, a gentileza em tudo o que for possível é de suma importância” (Hemingway, 2007, p. 211). “Há que endurecer; porém, perder a ternura jamais”. Quando Philip termina o relacionamento, ambos se ofendem, chamando-se de mercadorias e de (in)utilidades. Mantiveram uma relação utilitária, em meio a uma guerra sem utilidade social e nem integridade da condição humana.

Por óbvio que nada supera a leitura, essa abaixo:

● HEMINGWAY, Ernest. A Quinta Coluna. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

E como resultado final, como desfecho da torpeza da Quinta coluna – e da luta fratricida entre “esquerdas” na Guerra Civil espanhola –, recomendamos tanto o livro quanto o vídeo homônimo, a seguir:

● DEL TORO, Guillermo; FUNKE, Cornelia. O Labirinto do Fauno. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2019.

Portanto, vimos que não existe esquerda da boca pra fora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais um abandonado por Bolsonaro: ICE de Trump prende playboy que fugiu para os EUA após ter prisão decretada por incitação ao golpe

Esdras Jonatas dos Santos, que liderava ato em frente a quartel de BH, fugiu para a Flórida nos EUA e chegou a encenar que estaria vivendo como mendigo. Advogado vai comunicar ICE de mandado de prisão e pedir extradição ao Brasil.

sdras Jonatas dos Santos, o “playboy” bolsonarista que ficou conhecido em janeiro de 2023 por liderar atos golpistas em frente ao quartel do Exército em Belo Horizonte, foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), a polícia anti-imigratória de Donald Trump e se encontra no Centro de Detenção do Condado de Glades, na Flórida.

A informação foi revelada pelo advogado Mariel Marra, que desde 2023, encampou uma investigação para localizar, prender e extraditar Santos, e foi confirmada pela Fórum no site do ICE.

image 2026 04 11T081025.197

“Busco sua localização, prisão e deportação desde Março de 2023 para garantir a responsabilização e o cumprimento da lei, afinal, para mim ficou evidente que ele já estava preparado para fugir logo após o dia 08/01. Suspeito que ele tinha informações privilegiadas. Diferente da ampla maioria que foi presa e condenada”, afirmou Marra à Fórum.

O advogado afirma que entrará em contato com a o serviço imigratório dos EUA ainda neste sábado (11) para comunicar sobre o mandado de prisão em aberto no Brasil.

“Estou entrando em contato hoje com o ERO / ICE pra informar que o Esdras está com mandado de prisão aberto no Brasil e precisa ser deportado”, afirmou Marra, que ressalta que o bolsonarista também tem um mandado de prisão por agressão a jornalistas na capital mineira.

De playboy a “mendigo”

Considerado foragido pela Justiça de Minas Gerais desde fevereiro de 2023, quando foi emitido um mandado de prisão pela Vara de Inquéritos da capital mineira, Esdras estaria vivendo em um apart-hotel de alto padrão em Fort Lauderdale, cidade na Flórida, Estados Unidos.

No entanto, nas redes sociais ele passava uma imagem de “perseguido pela Ditadura” e fingia estar vivendo como um mendigo nos EUA.

Em vídeo divulgado nas redes em abril de 2024, Santos aparece com a barba e o cabelo compridos e o rosto sujo e chora ao dizer que está “sendo torturado com a Midia da Globo que não para de falar mentiras”.

“Eu estou aqui para dizer para vocês que estou sendo torturado devido à ditadura, ao comunismo no Brasil”, diz o playboy. Na encenação, o bolsonarista usa o filho de 7 anos para choramingar pelas decisões judiciais, que além da prisão decretaram o bloqueio das contas no nome dele.

“Eu perdi tudo para o comunismo e nessa hora estou aqui, jogado em outro país, com as contas bancárias bloqueadas e documentos bloqueados”, reclama, negando que que tenha liderado os atos golpistas em BH. “Por favor, ajude em nome de Jesus”, finaliza.

 

Entenda

Playboy bolsonarista
Considerado foragido pela Justiça de Minas Gerais desde fevereiro do mesmo ano, quando foi emitido um mandado de prisão pela Vara de Inquéritos da capital mineira, Esdras estaria vivendo em um apart-hotel de alto padrão em Fort Lauderdale, cidade na Flórida, Estados Unidos.

A descoberta foi feita pelo advogado Mariel Marra, que encampou uma investigação independente para localizar Esdras com o objetivo de defender um de seus clientes, que participou de atos antidemocráticos em Belo Horizonte e que, no dia 9 de janeiro, isto é, um dia após a invasão dos bolsonaristas aos prédios dos Três Poderes, foi preso no acampamento que estava instalado em frente ao Quartel General do Exército em Brasília.

Segundo Mariel, seu cliente teria sido atraído para uma “armadilha” de Esdras, já que o líder dos atos golpistas de BH não viajou para Brasília junto aos demais bolsonaristas que compunham o acampamento em frente ao QG do Exército da capital mineira e já estaria de malas prontas para fugir para os Estados Unidos.

Esdras Jonatas dos Santos embarcou rumo aos EUA no dia 10 de janeiro de 2023, tendo passado antes pelo Panamá. Há contra ele um mandado de prisão em aberto por, supostamente, ter incitado agressões a dois jornalistas em um ato golpista na capital mineira.

Além disso, é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo que o ministro Alexandre de Moraes, ainda em 2023, havia cancelado seu passaporte, bloqueado suas contas bancárias e aplicado multa.

Golpista

Esdras Jonatas dos Santos é empresário do ramo têxtil e ganhou fama em 6 de janeiro ao cair no choro e espernear durante operação da Guarda Civil de Belo Horizonte (MG) para desmontar o acampamento golpista que funcionava em frente a um quartel do Exército na capital mineira.

Considerado um “playboy” por, antes de janeiro de 2023, ostentar vida de luxo através das redes sociais e, depóis, ter circulado pelo acampamento golpista com um carro da marca alemã Porsche, Esdras teve sua prisão decretada pela Justiça de MG sob a acusação de ter incentivado agressões contra repórteres na mobilização golpista de BH no dia 5 de janeiro. A Polícia Civil encampou operação em 15 de janeiro daquele ano para prender o empresário, mas não o localizou.

Segundo Ramon dos Santos, que atuava como advogado do bolsonarista, Esdras havia ido para Miami, nos EUA. O defensor, entretanto, informou por meio de nota, à época, que havia deixado o caso por quebra de confiança por parte do empresário.

Revista Forum

Ex-modelo brasileira promete contar tudo sobre Melania Trump e rede de modelos de luxo nos EUA

Conexões de Donald e Melania Trump com Jeffrey Epstein podem voltar à tona com força total

A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, recentemente deportada dos Estados Unidos, afirmou que pretende expor detalhes sensíveis sobre a trajetória de Melania Trump e os bastidores de uma rede de modelos de luxo ligada a figuras poderosas no país. As declarações surgem em meio a uma escalada de tensões envolvendo o presidente Donald Trump, sua esposa e antigos aliados do mundo da moda internacional.

De acordo com relatos que circulam nas redes sociais e em bastidores políticos, Melania Trump teria iniciado sua carreira como modelo sob a intermediação de Paolo Zampolli, empresário italiano próximo de Donald Trump e figura influente no agenciamento de modelos nos anos 1990 e 2000. Zampolli também foi ex-marido de Amanda Ungaro.

A relação entre Ungaro e Zampolli terminou de forma conturbada, e há alegações de que, durante o processo de divórcio, o empresário teria recorrido à influência de Trump para acionar autoridades migratórias dos Estados Unidos, resultando na deportação da brasileira pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas).

Agora fora do país, Amanda afirma estar disposta a “contar tudo” em uma entrevista programada para este fim de semana. Segundo postagens recentes, ela promete trazer à tona informações envolvendo Melania Trump, Donald Trump, Jeffrey Epstein e o próprio Zampolli, o que pode gerar forte repercussão política e midiática.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que a recente aparição pública de Melania Trump, em uma coletiva considerada incomum por analistas, teria sido uma tentativa de antecipar ou mitigar os impactos das revelações iminentes. Interlocutores apontam temor dentro do círculo próximo ao governo de que uma “bomba” midiática esteja prestes a explodir.

O caso já mobiliza intensamente as redes sociais e amplia a pressão sobre a Casa Branca, em um momento delicado para o governo Trump no cenário internacional e doméstico.

Do Brasil 247

 

Histórias de Uber

0

@viniciocarrilhomartinez

O tema da minha aula de ontem deveria ter sido Educação anticapitalista. Era de se esperar que não fosse uma abordagem simples, tão direta ou com respostas prontas. O resultado é que nem entrei no tema.

Chamei o Uber e a moça que me levou estava quieta no início, talvez meio reticente. Dois minutos depois a conversa já ia normal. Raramente entro mudo e fico calado, só se a pessoa realmente for muito chata, antipática. E mesmo assim ainda tento. Em quase 100% (cem por cento) das vezes, puxo papo sobre a rotina, como é o trabalho.

Ela não era chata, muito pelo contrário. Foi extremamente simpática, na viagem toda – e o que mais precisamos atualmente é de simpatia, empatia, um mínimo de Interação Social – aquele algo para além da mera cortesia, das formalidades.

Ou seja, precisamos passar a barreira da civilidade fria, praticamente do “bom dia, boa tarde” – mesmo que isso esteja em desuso. Digo isso como professor de Sociologia – minha disciplina chama Educação e Sociedade.

Então, dois minutos depois de embarcado falamos do caminho até à UFSCar, eram 18 horas, de uma sexta-feira. Quase noite, um claro-escuro, lusco-fusco, meio penumbra, que nunca é adequada para se dirigir – a visão fica presa num zigue-zague entre o dia e noite, assim como todos os demais sentidos. Requer um alerta maior, portanto.

Assim fomos e da metade para o final da viagem já falávamos sobre o ritmo de trabalho dela. Foi quando me disse que também é professora e que tem dois empregos. É concursada em dois municípios. Sim, ela viaja todos os dias, ida e volta para trabalhar.

Sai de casa às 5 horas da manhã e volta às 13 horas, a fim de começar o segundo turno. O tempo de viagem dela é de aproximadamente 50 minutos – são 100 minutos deixados na estrada. E é ela a motorista, faça chuva, faça sol.

Também contou que não para de estudar, fez vários cursos de especialização – dentre eles a Educação Especial. Nesse ponto me disse que retomou esse ritmo de conhecimento aos 30 anos. Foi quando olhei pra ela – eu viajo olhando fixamente para a frente – e lhe disse, sorrindo: então você começou a trabalhar ontem. Ela riu e revelou que tem mais de 40 anos. Sem dúvida, é uma moça de muitas surpresas, porque a jovialidade é parceira da sua simpatia.

Por fim, contei essa história na sala de aula, assim que começamos. Queria compartilhar com eles essa minha aventura. A viagem durou apenas 10 minutos, mas são aquelas situações que você não esquece.

No fim, o que consegui conversar mais longamente foi sobre uma pergunta que um aluno me fez na quarta-feira, às oito horas e trinta minutos: “A moça do Uber – professora concursada duas vezes – tem seu trabalho explorado, mas é no formato de forma de mais-valia, ou segue somente o ritmo factual do ‘Servilismo Voluntário?”.

Todo mundo que está lendo esse texto pelo celular ou notebook, tendo passado pelo algoritmo de vigilância ou de encaminhamento, atua como servo voluntário – eu e você, portanto.

Qual é a educação digital que nos imuniza disso? Como sair desse Capitalismo digital, como enfrentar essa exploração aguda com conhecimento e crítica embasada? Não é tarefa fácil.

Mas, esse é outro tema, que levarei para a sala, na quarta-feira que vem. Depois conto o andamento dessa experiência de fazer educação dentro do Uber, e sempre a caminho da escola.

 

SOCIEDADE CAPITALISTA E A ESTRUTURAÇÃO EM CLASSES

0

Ester Dias da Silva Batista – Mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

            Esse texto é uma síntese elaborada nas aulas de licenciatura, como monitora voluntária na disciplina Educação e Sociedade/UFSCar (08/04/2026). Por síntese (e por óbvio), entende-se que não é a totalidade, mas sim a essência que me pareceu adequada. O mapa geral das discussões trata, efetivamente, do que está sinalizado no título. Então, vamos aos tópicos:

  • Na sociedade atual, assim como nas mais antigas, apresentam-se algumas estruturas sociais que tendem a ser mantidas e propagadas; no caso da sociedade capitalista, em sua estrutura fundamental de funcionamento, pressupõe-se duas classes, uma classe é dominante, enquanto outra(s) é (são) dominadas.
  • Essa classificação é algo que pode ser caracterizada como um fenômeno social, ou seja, é algo presente em diversas sociedades, mas não é um fenômeno humano; é uma realidade capitalista.
  • Entende-se por fenômeno social aquele que se constitui historicamente a partir das relações coletivas entre os indivíduos, sendo marcado por padrões, instituições e estruturas sociais; já o fenômeno humano é mais amplo, englobando também dimensões biológicas, psicológicas e individuais, não necessariamente vinculadas à organização social; a existência do Direito – enquanto conjunto de normas sociais e de regras jurídicas, como costumes, práticas sociais) – é um exemplo de fato social, uma vez que não há (e nem houve) nenhuma sociedade conhecida sem o acometimento do Direito – e que é, sumariamente, uma tipologia de organização social.
  • Essa organização social em classes, na sociedade capitalista, é organizada, como citado, entre uma classe dominante e outra dominada (como “classes fundamentais”);
  • A classe dominante, para Marx, é caracterizada pela burguesia, a pequena burguesia (chamada pela Marilena Chauí de classe média), e as frações da classe dominante: o 1º setor (agronegócio), o 2º setor (indústria) e os sistemas financeiros. A outra ponta revela as classes trabalhadoras, subalternizadas, tanto as tradicionais (do “chão de fábrica”) quanto às submersas na chamada “uberização social”.
    • Sendo importante destacar que esses setores não constituem classes sociais em si, mas espaços de atuação econômica nos quais essas classes se inserem.
  • A classe dominada, por sua vez, é caracterizada por Marx pelo proletariado e o lumpemproletariado (os inimpregáveis que também poderiam entrar nessa categoria, referenciando sujeitos que não conseguem, por exemplo, se recolocar no mercado de trabalho, como pessoas na terceira idade e os decretados ao desemprego, os viventes nas ruas, os famélicos).
    • Podendo-se relacionar esse grupo ao conceito de “exército industrial de reserva”, composto por indivíduos em situação de desemprego ou subemprego.
  • Nesse sistema capitalista, diferentemente do sistema de castas na Índia, por exemplo, em que não há mobilidade (não apenas por uma organização social, mas também religiosa e cultural), no sistema capitalista há a possibilidade de mobilidade social; é uma condicional que diferencia a classe social, da casta e do estamento.
    • Um indivíduo na chamada classe do proletariado pode (não que ele consiga necessariamente) alcançar ou tentar aspirar ao status de classe média, por exemplo, via uma universidade, um curso de graduação, ou seja, vemos que há essa possibilidade de mobilidade social de uma classe para outra, seja por ascensão; a sociedade capitalista se caracteriza também pelo descenso social (a crise de 29 provou isso).
  • No entanto, essa mobilidade é limitada por fatores estruturais, históricos, culturais e econômicos, não dependendo apenas do esforço individual → é necessário fugirmos da ideia meritocrática que apenas culpabiliza o sujeito e desconsidera as desigualdades sociais.
  • Essa organização pode ser compreendida a partir da dialética, em Karl Marx, na qual a relação entre classe(s) dominante(s) e classe(s) dominada(s) é marcada por contradições e conflitos, sendo essas tensões responsáveis por processos de transformação social ao longo da história – e muito raramente de modo não-violento.
  • Essa organização de dominância, das classe(s) dominante(s) para com a(s) classe(s) dominada(s), se estende não apenas para os meios econômicos e sociais, mas também culturais, institucionais, estruturais e acadêmicos.
  • Por exemplo, as chamadas marcas de grife, como Gucci, Prada ou Louis Vuitton, passam a ser reproduzidas por meio da pirataria ou de versões genéricas, que copiam a marca original e, por sua vez, popularizam o consumo pela população proletária; assim, filhos e filhas de trabalhadores passam a utilizá-las como forma de tentar se encaixar socialmente e, ao mesmo tempo, afastar-se de sua própria condição de classe.
    • A(s) classe(s) dominante(s), por outro lado, passa(m) a evitar o uso dessas marcas ou de roupas que apresentem logos muito visíveis, buscando não se assemelhar à classe proletária que agora passou a ter acesso a essas pseudo marcas.
    • Nota-se, portanto, que, apesar de não haver uma estrutura de castas que classifique determinadas classes como impuras, como ocorre na Índia, no Brasil há esse afastamento intencional: pode-se acrescentar que temos, em razão de nossa formação social, uma “luta de classes racista”.
  • Isso evidencia um processo de distinção social, no qual padrões culturais são constantemente redefinidos como forma de manutenção das diferenças entre as classes e, assim, se perpetue a desigualdade, a subordinação, a subalternização, com crescimento exponencial da “uberização social”. a autocracia de classe e racial é uma constante no Brasil, é uma marca d’água social, política, cultural.
  • Além disso, é importante pensar na ideia da organização social em que pode ocorrer ascensão ou descenso social e também no que Marilena Chauí chama de Pesadelo da classe média, essa quase aversão, relacionada ao medo de perda de posição social: medo, pavor, de se ver sob a proletarização neoliberal.
    • Simplificadamente: a classe dominante teme perder esse status, esse poder e tornar-se classe média (ruína econômica), algo que é possível, por exemplo, em uma crise econômica (vimos algo ocorrer em 2008, com a crise do subprime).
    • A classe dominada, o proletariado, busca esse lugar com as melhores condições em que a classe média se encontra, logo, e assim temos um fogo cruzado, um local onde a classe média se encontra; ocupando uma posição intermediária e contraditória entre as classes.
  • Essa organização central é também associada a um amortecedor social, uma espécie de colchão de molas que se molda conforme as demandas e o que é ofertado socialmente, seja pela exploração da classe dominante que, muitas vezes, é entendida como uma aproximação desses sujeitos da classe média com a classe dominante; fazendo com que a classe média funcione como um elemento de estabilização das tensões sociais, absorvendo conflitos e contribuindo para a manutenção da estrutura do sistema capitalista – ou, nas crises, aprofundando tais conflitos, pelo pavor do empobrecimento a classe média recupera laivos de anacronismo, sectarismo, atuando de forma retrógrada e reacionária;

 

Vale destacar ainda que essas questões estão dispostas num texto original disponibilizado, no primeiro encontro ou até antes disso, num e-mail coletivo das turmas[1].

Como última menção, é importante destacar que esse texto será disponibilizado aos/às estudantes como “retorno” para leitura futura. De forma que possam organizar um pouco mais suas anotações ou abstrações daquele encontro.

[1] https://www.rehcol.com/index.php/rehcol/article/view/82. Acesso em 10/04/2024.

Paulo Figueiredo revela como Michelle e Nikolas sabotam Flávio Bolsonaro e o papel de Eduardo

O empresário golpista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Baptista Figueiredo e aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), publicou na última terça-feira (7) um vídeo em que afirma que a ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF) “está boicotando a (pré-)candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)”, seu enteado, à presidência da República.

Ainda segundo o amigo de Eduardo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu se aliar à madrasta de Flávio e Eduardo para também boicotar o “filho Zero Um” de Jair Bolsonaro em seu intento de vencer a eleição presidencial deste ano.

Figueiredo diz que Eduardo Bolsonaro está se desgastando ao cobrar fidelidade de aliados e familiares à campanha presidencial do irmão, sem que o próprio Flávio dê o devido valor a seu gesto.

“Se o Nikolas sabota a campanha do Flávio e finge que está apoiando, o problema é do Flávio! Mas o Eduardo espera que as pessoas se engajem. E as pessoas que estão sabotando (a campanha de Flávio), como é o caso do Nikolas e da Michelle, acabam sendo expostas pelo Eduardo. Mas para quê, se o Flávio fala que é preciso esperar o tempo de cada um?”, questiona Figueiredo, radicado nos EUA e com uma dívida judicial de mais de R$ 50 milhões no Brasil. Assista ao vídeo, abaixo.

Esta é a primeira vez em que uma pessoa do círculo íntimo da família Bolsonaro acusa com todas as letras a ex-primeira-dama e terceira esposa de Jair Bolsonaro de boicotar a campanha de Flávio à presidência. Veladamente, no entanto, o racha familiar já está há tempos declarado.

Michelle tem utilizado suas redes sociais para marcar posição em favor de todos os políticos do PL que se colocam do lado contrário de seus enteados nas disputas internas do partido.

No último dia 26, por exemplo, ela publicou um vídeo em que, a um só tempo, reforçou seu apoio à deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) – que enfrentou o irmão Carlos Bolsonaro na disputa pela candidatura ao Senado por Santa Catarina – e fez rasgados elogios ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, logo depois de Paulo Figueiredo ter dito que o político “está gagá, e todas as vezes que ele abre a por** da boca, é um desastre”. Já para Eduardo Bolsonaro, Valdemar é “uma víbora, um batedor de carteira, um aproveitador de ocasião com as mãos sujas”.

Em postagem elogiosa a Valdemar da Costa Neto, Michelle, é cobrada por uma bolsonarista: “Quanto a seu apoio a Flávio, para isso você não tem tempo?” (crédito: reprodução)

Michelle se alia a Nikolas Ferreira, contra seus enteados

O deputado federal mais votado do Brasil, Nikolas Ferreira (PL-MG), é acusado por Paulo Figueiredo como outro dos sabotadores da campanha de Flávio. Enquanto o parlamentar mineiro se esquiva de apoiar abertamente e fazer campanha para Flávio, o neto do ditador o acusa de “estar em uma egotrip cada vez mais louca”. Já para Eduardo, Nikolas se tornou “uma versão caricata de si mesmo”, cujo “desrespeito pela família Bolsonaro não tem limites”.

Enquanto isso, a madrasta de Flávio e Eduardo segue em lua de mel com o deputado mineiro. No último dia 22, Michelle fez uma festa de comemoração pelo seu aniversário de 44 anos (seu marido tem 71). O evento aconteceu – é claro – em uma igreja evangélica, no Distrito Federal. Nenhum de seus enteados deu o ar da graça, mas quem fez questão de enviar um vídeo, que foi projetado no telão do templo, foi Nikolas Ferreira, que apareceu dizendo: “Tem um Deus que conhece cada sacrifício que você faz para sua família”.

Já no último domingo (5), logo depois de Eduardo Bolsonaro ter atacado o deputado federal nas redes sociais, Michelle compartilhou um vídeo de Nikolas sobre o filme “Paixão de Cristo” (2004), em que o parlamentar discorre sobre como Satanás, com toda sua fúria e maldade, se colocou contra Jesus no deserto.

Vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro em que Nikolas Ferreira discorre sobre a fúria de Satanás, publicado logo após sua briga com Eduardo Bolsonaro (crédito: divulgação)

Em meio à guerra declarada no seio de sua família e grupo político, Flávio Bolsonaro tenta acabar com as agressões mútuas feitas em público, que ele considera “angustiantes”. “Vamos olhar para frente e nos unir”, sugeriu o senador-candidato, em vídeo publicado no último dia 4

Seu apelo, ao que parece, caiu em ouvidos moucos. Em vídeo publicado na noite da última terça-feira (7), o melhor amigo de Eduardo – Paulo Figueiredo – cobrou que Flávio defenda publicamente o irmão, ou “a coisa degringola”: “Eu acho que se alguém vier difamar um irmão meu… é um erro. Daí a coisa degringola”.

DCM

Netanyahu confirma ser a maior ameaça à Paz Mundial ao desafiar Trump e manter agressões contra o Líbano

Após cessar-fogo negociado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã, premiê israelense confirma ser o inimigo número um da causa da paz

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a se colocar como um dos principais obstáculos à Paz Mundial e à estabilização do Oriente Médio ao apoiar a pausa de duas semanas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, mas deixar claro que o Líbano está fora do entendimento. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quarta-feira, em uma notícia que expõe a disposição do governo israelense de preservar a máquina de guerra mesmo diante de uma rara oportunidade diplomática.

Segundo o gabinete de Netanyahu, Israel apoia a decisão de Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, desde que Teerã abra imediatamente o estreito e interrompa ações contra os Estados Unidos, Israel e países da região. Ao mesmo tempo, porém, o governo israelense fez questão de afirmar que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano, numa sinalização de que a trégua negociada com mediação do Paquistão está longe de representar pacificação ampla no front regional.

A posição anunciada por Netanyahu escancara uma contradição explosiva. Enquanto Washington fala em desescalada e abertura de uma janela para negociações, o governo israelense preserva um flanco essencial da guerra e insiste na continuidade das operações militares em território libanês. O gesto soa como afronta direta ao esforço diplomático que resultou na suspensão temporária dos bombardeios contra o Irã.

A Reuters informou que dois integrantes da Casa Branca confirmaram anteriormente que Israel aceitou o cessar-fogo de duas semanas e suspenderia sua campanha de bombardeios contra o Irã. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o acordo, chegou a afirmar em publicação na rede X que o entendimento incluía também o fim da campanha israelense no Líbano. A declaração posterior do gabinete de Netanyahu, porém, desmonta essa expectativa e recoloca a região no terreno da instabilidade permanente.

A gravidade da decisão é ainda maior diante da devastação já imposta ao Líbano. De acordo com a própria Reuters, a ofensiva israelense no país matou ao menos 1.500 pessoas e deslocou 1,2 milhão de outras. Trata-se de uma tragédia humanitária de grande escala, agravada agora pela sinalização explícita de que Tel Aviv não pretende interromper sua ofensiva, mesmo quando uma negociação histórica entre Washington e Teerã começa a ganhar forma.

O conflito se ampliou depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade a Teerã, dois dias após o Irã ter sido atacado por Israel e pelos Estados Unidos. A resposta israelense abriu uma nova ofensiva terrestre e aérea. Ao excluir o Líbano do cessar-fogo, Netanyahu não apenas mantém viva essa frente de guerra, como também esvazia qualquer narrativa de compromisso genuíno com a paz regional.

O gabinete do premiê israelense declarou ainda apoiar os esforços dos Estados Unidos para garantir que o Irã não represente mais ameaça nuclear, de mísseis ou de “terror” aos EUA, a Israel e aos vizinhos árabes de Teerã. Acrescentou também que Washington informou Israel de que está comprometido em alcançar esses objetivos comuns nas negociações previstas. Ainda assim, o anúncio paralelo sobre o Líbano indica que, para Netanyahu, a diplomacia só vale onde não limita sua estratégia militar.

Do lado iraniano, a expectativa é de que as negociações com os Estados Unidos comecem na sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad. O simples fato de esse canal ter sido aberto já representa um movimento de peso num cenário marcado por meses de intensificação bélica. Mas a insistência de Netanyahu em manter o Líbano sob ataque lança uma sombra pesada sobre qualquer esperança de distensão mais ampla no Oriente Médio.

Ao reafirmar a continuidade das agressões contra o território libanês logo após a costura de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Netanyahu se projeta mais uma vez como agente central da escalada regional. Em vez de acompanhar a abertura diplomática, opta por preservar a guerra, aprofundar a destruição e sabotar, na prática, um raro esforço de contenção do conflito.

Do Brasil 247

Crônica do Uber

0

O uber pode não ter a mesma informação, conhecimento e consciência que eu tenho, hoje, sobre o que alguém chamou de “uberização social” – irmã gêmea do neoliberalismo: uma chaga, forma cruel de tirar suas energias e capacidades em todos os setores da vida, até sugar tudo e descapacitar por completo, pela exaustão. É praticamente uma sucção da alma.
Mas é exatamente por isso que converso com todos e todas as motoristas de aplicativo – o mesmo vale para o motoboy que trouxe a cerveja hoje. Esse, em especial, é já um chapa: digo toda vez, como se faz com criança: “tenha juízo, ande devagar na moto”. Tenho uma empatia real.

Como histórias de Uber, vou relatar minha ida e vinda de hoje. Não gosto de dirigir, mas adoro andar de carro.

Crônica do Uber I

Só consegui perguntar na volta, porque na ida o cara não parou de falar.
Inclusive, tem uma filha formada pela UFSCar e empregada na área de educação especial.

O da volta tem 22 anos, faz 50 corridas curtas por dia, tira uns 350, 400 reais diariamente.
Faz uber desde os 19 anos, das 6hs às 18hs.
Disse que não quer estudar.
Está juntando dinheiro, há três anos, pra comprar sua casa própria. No final do ano que vem. Não aplica em poupança.
Diz que o pai ensinou assim.

Crônicas do Uber II

Pra ir, era um sujeito aparentemente simples, vindo do Mato Grosso, há 24 anos, sem um centavo pra voltar – se quisesse uma passagem de volta.

Hoje, trabalha 12 horas por dia, diz que não aguenta ficar parado.
Mas, tem uma Hilux, pra fazer gincho de carros. Tinha acabado de voltar do RS.
Tem uma chácara pra lazer, casa própria também.
Outras casinhas de aluguel.
Tem três carrinhos de lanche em parceria com o cunhado.
E um “comércio” em que o irmão é gerente.

Pensei: eu sou muito desorganizado.

O lado muito negativo dessas viagens é que, infelizmente, as meninas, mulheres, acabam se tolhendo de conversar assim.
Porque estão certas em ter o triplo de cuidado.
Os caras podem entender errado, por causa do machismo, sexismo, misoginia Red Pill etc.

O lado sempre positivo, para um professor como eu, é que o diálogo é uma porta aberta, sem trancas.

@viniciocarrilhomartinez

Educação Paulista – projeto de coisificação

0

@viniciocarrilhomartinez

O governo do Estado de São Paulo irá segregar crianças e jovens entre as “melhores e piores”. Certamente, a separação colocará brancos e negros em salas distintas.

Como exemplo concreto, no centro nervoso da Educação Paulista, está um “projeto educacional” do tempo das nossas bisavós[1]. Trata-se de um projeto falangista, racista, altamente segregador e excludente.

Esse suposto projeto guarda um veneno específico, raivoso, uma mistura de elitismo empresarial (financiadores) com capacitismo e meritocracia – sempre com base na segregação e na exclusão.

Como se sabe, a exclusão é o motor da negação.

O que se nega é o conjunto de crianças e de jovens, em “proveito” de uns poucos – que serão cooptados como massa de manobra pelo capital financiador.

Se esse projeto já apresentou resultados desastrosos no passado, basta-nos projetar o seu futuro.

É a reinvenção de uma roda quebrada, quadrada, sem arco, negacionista da inclusão.

É óbvio que o objetivo é a cooptação, “dividindo para conquistar”, e assim negar o que deveria ser a guia central de toda a Educação Pública: a emancipação.

É um projeto de homogeneização que serve aos opressores, negando-se o pluralismo, a diversidade, a própria realidade que cerca a todos nós.

O resultado também virá, além do crescente negacionismo, com a intolerância e com o aumento do ódio social.

No fundo, é mais do mesmo, é uma tática das mais antigas, cheia de anacronismo e indiferença social, essa que parte da segregação, exclusão e da negação final.

O que me faz como professor, muitas vezes, duvidar da humanidade não é o fato de “governantes” pensarem em absurdos ou, simplesmente, serem néscios, mas sim o apoio que recebem de profissionais da educação. Mesmo com todos os descalabros já efetivados por tais indivíduos.

No popular, se os organizadores de tais projetos fossem avaliados hoje, estariam na 5a série F. Peçam para que faça uma redação, nos moldes do Ensino Fundamental II – mas só quem duvida.

Definitivamente, a Educação Paulista afogou num projeto fascista qualquer lampejo de Esclarecimento que um dia teve. O motor agora está na marcha a ré, ligado no reacionário, secretário, no que há de mais embrutecedor.

A Educação Paulista deveria ser impublicável, porque há poucas ações mais antipopulares, antirrepublicanas, antidemocráticas, do que essa. Expressa tão-somente o que pensam e desejam para o povo: o adestramento seletivo e implacável que se abate sobre todos os subalternos, despossuídos e oprimidos.

É um projeto profundamente racista porque, pela força da obviedade, será implacável contra o povo pobre, negro e oprimido.

Alguém lhes diga, na urna também, que não somos coisas que se separam em prateleiras. Somos pessoas, somos um fim em nós mesmos, e não meios de enriquecimento.

[1] https://www.cartacapital.com.br/opiniao/segregacao-por-desempenho-uma-velha-novidade-na-educacao-paulista/. Acesso em 05/04/2024.

Sob Bolsonaro, INSS alterou regra de consignado que impulsionou o banco Master

Mudanças feitas em 2022 permitiram expansão do Credcesta entre aposentados; contratos saltaram e operação passou a ser investigada por irregularidades

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promoveu mudanças nas regras do crédito consignado que permitiram a criação e expansão de um cartão de benefícios responsável por impulsionar o crescimento do Banco Master entre 2022 e 2025, período que antecedeu a derrocada da instituição financeira.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, uma dessas alterações ocorreu apenas 16 dias após o recebimento de um ofício do próprio banco solicitando autorização para operar o produto, chamado de cartão consignado de benefício.

A criação de normas específicas no último ano do governo Jair Bolsonaro possibilitou a ampliação das operações do Credcesta, modalidade levada ao Banco Master por Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. O produto combinava crédito consignado com serviços adicionais, como descontos em farmácias e auxílio-funeral.

Inicialmente voltado a servidores públicos estaduais e municipais, o Credcesta se expandiu para 24 estados e 176 municípios. Com a mudança nas regras do INSS, passou a atingir também aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), ampliando significativamente seu alcance.

Dados compilados pelo INSS, com base em informações da Dataprev, mostram que o número de contratos saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, evidenciando uma rápida expansão após a regulamentação.

A primeira mudança normativa ocorreu em 25 de março de 2022, quando o então presidente do INSS, José Carlos Oliveira, autorizou operações com cartão consignado de benefício, mas sem detalhar seu funcionamento. Em 7 de junho, o Banco Master solicitou formalmente a inclusão do novo produto no acordo de cooperação com o órgão.

Pouco depois, em 23 de junho, uma nova instrução normativa foi publicada com regras mais detalhadas sobre o cartão consignado, assinada pela presidente substituta do INSS, Larissa Mora. O aditivo que incluiu o Credcesta no acordo foi formalizado em 13 de julho daquele ano.

Documentos obtidos pela reportagem indicam que as regras adotadas permitiram o funcionamento do produto ainda em 2022 e sua expansão acelerada nos anos seguintes, o que, segundo a atual gestão do INSS, ocorreu de forma irregular. O acordo com o banco vigorou até 2025 e não foi renovado após suspeitas de fraudes investigadas pela Polícia Federal.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master atuou em conformidade com as normas do INSS, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

Já o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, criticou o modelo de operação do produto. “Quando se faz um [contrato de] Credcesta, ele começa com o empréstimo pessoal. Havendo margem, esse crédito pessoal migra para o crédito consignado. Na visão do INSS, isso é irregular”, disse. “Nosso aposentado e pensionista têm de assinar um crédito consignado do INSS com todas as cláusulas e informações específicas.”

Do Brasil 247

Tony Garcia entra na disputa pelo governo do Paraná e promete confronto direto com Sergio Moro

Empresário se filia ao Democracia Cristã na última hora e aposta na trajetória política e pessoal para desafiar o favorito e reabrir debates sobre a Lava Jato

A entrada do empresário Tony Garcia na disputa pelo governo do Paraná adiciona um elemento inesperado a uma corrida que já se desenhava polarizada. Em uma movimentação de última hora, Garcia oficializou sua filiação ao Democracia Cristã na noite deste sábado (04/04), horas antes do encerramento do prazo eleitoral, gesto que sinaliza tanto urgência quanto determinação.

“Este será o maior desafio da minha vida”, afirmou o empresário, que acumula décadas de atuação pública desde sua entrada na política em 1989. Ex-deputado estadual e candidato ao Senado em duas ocasiões — sempre figurando entre os nomes competitivos —, Tony retorna ao centro do debate político com uma proposta que combina memória pessoal, crítica institucional e enfrentamento direto.

O principal alvo de suas declarações é o ex-juiz e atual figura política Sergio Moro, que também desponta como um dos nomes fortes no cenário eleitoral paranaense. Tony afirma que pretende “mostrar ao eleitor quem é Moro”, resgatando episódios de sua própria trajetória que remontam ao início dos anos 2003, quando foi preso e passou a colaborar com investigações conduzidas pelo então magistrado.

Essas alegações, que incluem críticas à condução de processos judiciais e ao papel de Moro na Operação Lava Jato, fazem parte de um conjunto mais amplo de controvérsias que já foram objeto de debate público e também de decisões judiciais — como o julgamento no Supremo Tribunal Federal que declarou a parcialidade de Moro.

Ainda assim, muitas das acusações mais graves permanecem em disputa no campo político e jurídico, como o vídeo da Festa da Cueca, que mostra desembargadores do TRF-4 em encontro com garotas de programa, vídeo que foi apreendido com ajuda do então agente infiltrado e nunca usado processualmente, o que gera a suspeita de que tenha sido instrumento de chantagem e pressão.

A trajetória de Tony Garcia, por sua vez, mistura política, negócios e episódios de forte exposição midiática. Ao longo dos anos, construiu relações com figuras conhecidas do país, como Ayrton Senna, Pelé e Xuxa, além de manter vínculos sociais que ultrapassaram fronteiras, incluindo a relação de parentesco com Priscilla Presley, que foi sua cunhada e é mãe de seu sobrinho Navarone.

Esses elementos contribuem para uma biografia pouco convencional, marcada por episódios de proximidade com celebridades e momentos de grande visibilidade.

Em 2023, Garcia voltou ao noticiário ao conceder uma entrevista ao portal Brasil 247, na qual fez declarações contundentes sobre sua relação com Moro e sobre bastidores do sistema judicial. As falas repercutiram amplamente, reacendendo debates antigos e provocando reações diversas no meio político e jurídico.

Na disputa eleitoral, Garcia deve integrar uma chapa encabeçada por Aldo Rebelo, que será candidato a presidente da república e já foi presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro, compondo uma aliança que busca dialogar com diferentes espectros do eleitorado.

Ainda é cedo para prever o impacto real de sua candidatura. De um lado, pesa o fato de enfrentar um adversário que lidera pesquisas e já demonstrou seu viés autoritário, o que pode ser interpretado como um perfil fascista.

De outro, sua entrada pode reconfigurar o debate ao trazer à tona temas sensíveis e narrativas pouco exploradas.

Se conseguirá converter essa estratégia em votos, é uma incógnita. Mas uma coisa parece certa: ao retornar à arena política com esse discurso e esse histórico, Tony Garcia reposiciona-se como um elemento disruptivo na eleição paranaense — alguém que aposta no confronto direto e na força de sua própria história para tentar alterar os rumos da disputa.

 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Do Brasil 247

Estado, Poder e Desigualdade Social

0

Por Ester Dias da Silva Batista (*)

Em uma perspectiva marcada pela propagação das desigualdades sociais, bem como pela crescente precarização das relações de trabalho, observa-se a tendência de redução do sujeito a uma engrenagem da lógica capitalista. Nesse contexto, evidencia-se a naturalização de discursos que buscam justificar tais problemáticas, como o mito da meritocracia, o que reforça a necessidade de construção de ferramentas que possibilitem uma análise crítica da realidade, para além do senso comum e das bolhas sociais.

Situações cotidianas, como o crescimento da informalidade no ambiente de trabalho, associadas ao processo de uberização, revelam formas de trabalho caracterizadas pela precarização, com pouca ou nenhuma proteção trabalhista e ausência de vínculos formais, contribuindo-se fortemente para a reprodução das desigualdades estruturais. Tais processos não ocorrem de forma isolada e, sob um viés biológico, podem ser compreendidos como uma espécie de “feedback positivo”[1], no qual esse sistema desigual tende a se retroalimentar.

À medida que se expande e se aprofunda, quase como um organismo parasita, é também mascarado por discursos que naturalizam essas dinâmicas e deslocam o foco de suas causas estruturais. Assim, substitui-se uma análise centrada na lógica da lucratividade por narrativas individualizantes, que atribuem ao sujeito a responsabilidade por sua própria condição, reforçando-se a culpabilização dos trabalhadores diante de um sistema estruturalmente desigual e predatório.

Nesse sentido, o mapa conceitual aqui apresentado foi elaborado como uma ferramenta de análise e problematização dessas relações, evidenciando-se suas articulações e formas de organização no interior da sociedade. Sua construção baseia-se no mapa conceitual utilizado em aula na disciplina de Educação e Sociedade, obrigatória para o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, no semestre de 2025/2, e busca organizar e expressar a compreensão dos principais conceitos trabalhados, tomando-se como referência a proposta de organização da Sociologia Geral e Política no século XXI, desenvolvida pelo Profº Dr. Vinício Carrilho Martinez. Como se vê, o mapa foi uma apropriação destinada a uma melhor compreensão de alguns dos nossos maiores problemas:

Fonte: desenvolvida pela autora.

Buscando-se referências no campo educacional e dialogando com Paulo Freire, cuja obra Pedagogia do Oprimido[2] fundamenta a disciplina, parte-se do pressuposto de que compreender a realidade implica ir além de sua aparência imediata, reconhecendo-se os mecanismos que sustentam essa organização social (e suas problemáticas). Nesse sentido, ao apresentar como eixo central a “Lei dos Mais Fortes”, o mapa possibilita analisar como Estado, Sociedade e Capital se estruturam a partir de relações desiguais de poder, fundamentadas na hierarquia e na dominação.

Essa análise, que busca ir além da aparência imediata, fundamenta-se em uma perspectiva que compreende a sociedade como historicamente constituída por relações desiguais de poder. Nesse sentido, as configurações sociais contemporâneas não se estabelecem por processos espontâneos, como em uma analogia à geração espontânea[3], mas resultam de construções sociais, políticas e econômicas que foram produzidas e reproduzidas ao longo do tempo, visando à manutenção de determinadas estruturas de dominação. Assim, assume-se que toda leitura da realidade constitui um ato político, o que implica reconhecer que os elementos representados no mapa, como Estado, Sociedade e Capital, não são neutros, mas expressam disputas, contradições e processos de dominação.

A partir dessa perspectiva, o eixo central da “Lei dos Mais Fortes”, apresentado no mapa como princípio da hierarquia, permite entender como essas relações se organizam (e se reproduzem), estruturando-se uma sociedade marcada por desigualdades que não são ocasionais ou espontâneas, mas constitutivas de sua formação histórica. Essa noção dialoga diretamente com a discussão desenvolvida em um texto denominado As relações de uma sociedade predatória, desenvolvido na disciplina de Educação e Sociedade no semestre 2025/2, no qual se argumenta que a vida social e política se constitui a partir de relações desiguais de poder, historicamente fundamentadas na força, na dominação, na hierarquia e suas consequências nos aspectos educacionais.

A partir desse eixo central, o mapa articula três dimensões fundamentais: Estado, Sociedade e Capital; evidenciando-se suas relações. O Estado é apresentado como a instituição que exerce poder soberano em determinado território, regulando as demais instituições e a vida social, ainda que esse poder, na prática, seja frequentemente atravessado pelos interesses das classes dominantes. Tal aspecto tensiona a própria ideia de democracia, uma vez que o ideal de participação popular nem sempre se concretiza de forma efetiva.

Quando se trata da sociedade, o mapa destaca sua organização em classes sociais marcadas por relações de dominação e subordinação. Nesse sentido, a desigualdade não aparece como uma exceção, mas como um elemento estrutural do sistema capitalista, sendo constantemente reproduzida e naturalizada. Essa estrutura se articula com a perspectiva de que as relações sociais passam a ser mediadas pela mercadoria, atribuindo-se valor de troca às interações humanas e reforçando uma lógica de exploração.

O capital, por sua vez, aparece como elemento organizador dessas relações, orientado pela lógica da acumulação e da exploração se expressa tanto na divisão de classes quanto em fenômenos contemporâneos, como a precarização e a uberização do trabalho. Além disso, o mapa incorpora elementos específicos da formação social brasileira, como o mito da cordialidade e o chamado “jeitinho brasileiro”, que operam como mecanismos de manutenção dessas desigualdades, mascarando-se relações estruturais de poder e de dominação.

Dessa forma, o mapa conceitual não apenas sintetiza os principais conceitos discutidos, como também explicita as interações entre eles, evidenciando-se como Estado, Sociedade e Capital se articulam na reprodução de uma lógica social predatória, sustentada pela hierarquia e pela desigualdade.

Ao incorporar a perspectiva de Paulo Freire, é possível aprofundar a análise do mapa ao compreendermos que essas estruturas não apenas organizam a sociedade, mas também produzem formas de pensar, agir e interpretar a realidade. Elementos como o “jeitinho brasileiro” e o mito da cordialidade, destacados no mapa, podem ser entendidos como expressões do senso comum que contribuem para a naturalização das desigualdades e das relações de dominação. A educação, por sua vez, assume um papel fundamental ao possibilitar a superação dessa leitura ingênua da realidade, promovendo-se a construção de uma consciência crítica.

Portanto, o mapa pode ser compreendido não apenas como uma representação das relações sociais, mas como uma ferramenta de reflexão que permite questionar a aparente naturalidade que mascara as desigualdades e seus processos de construção. Esse movimento possibilita a passagem do senso comum ao Bom Senso, contribuindo-se para processos de emancipação dos sujeitos, na medida em que estes passam a reconhecer-se como parte dessas relações e, potencialmente, como agentes de transformação social, inclusive no âmbito das instituições de ensino, como escolas e universidades.

[1] O feedback positivo refere-se a um mecanismo biológico no qual a resposta de um sistema intensifica o estímulo inicial, promovendo-se sua continuidade e retroalimentação (GUYTON; HALL, 2017).

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 85. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

[3] A hipótese da geração espontânea refere-se à ideia de que seres vivos poderiam surgir espontaneamente a partir de matéria não viva, posteriormente refutada com o desenvolvimento da biogênese (REECE et al., 2015). No presente contexto, a analogia busca evidenciar que determinadas relações sociais não surgem de forma “espontânea”, mas são historicamente construídas e orientadas visando à manutenção de estruturas de poder.

 

(*) Ester Dias da Silva Batista  é Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

O Pato Donald – no Planeta dos macacos

0

Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

Desde ontem que penso no Planeta dos Macacos.

Quem assistiu vai se lembrar que nossos primos símios, do outro Planeta, brigavam entre si pelo controle das “narrativas”, pelo controle do poder. Os cientistas, inteligentes e sensatos, de um lado, e os militares, brucutus, do outro lado.

Não me arrisco a dizer que os cientistas terráqueos são sensatos, sinceros ou sequer inteligentes, como eram (ou são) no Planeta dos Macacos. Pelo nível apresentado em pronunciamento público de muitos, quiçá da maioria, ou por seus feitos, alguns bizarros, ficarei com o pé atrás. Aliás, para mim, PCD, ficar com o pé atrás é um pouco da rotina.

Nossos políticos e governantes, e seus assopradores de conselhos (um tipo de Papagaio de Pirata), certamente não são inteligentes e muito menos têm noção do que fazem. Os Grilos Falantes no Brasil têm ideias muito nocivas.

Tenho pensado de maneira forte sobre isso – quase sentindo, porque acordei com esse sentimento – desde os últimos pronunciamentos de Trump e das replicações nos demais poderes nos EUA. Quando vejo os comentários penso que a Terra foi invadida por reptilianos.

E aí, quando associo o Planeta dos Macacos com a nossa Terra, já vejo – em sonhos com pesadelos – que o Pato Donald está imitando Nero: o tocador de fogo. É claro que o Pato Donald é empregado do Tio Patinhas que mora em Israel, mas quem põe fogo na conexão, na lógica, na sinapse, é esse pato esquisito.

O Pato Donald pós-moderno, só faltam as luzes no cabelo, é uma personagem que faria Tarzan ter medo do inofensivo Mico Leão Dourado. Por falar nesse macaquinho, lembrei de novo do Brasil.

Entre nós, lá no passado de Machado de Assis e de Monteiro Lobato, as Saúvas – que formigas terríveis e ardilosas! – eram as inimigas da Ordem e Progresso. Hoje, as Saúvas estão mais na base da forragem. Tem alguns animais nativos que alimentam essas Saúvas vorazes.

Os animais que alimentam essas formigas, no Brasil de 2026, são também esquisitos: são meio gado, meio chifre – como se dizia no interior de antigamente –, meia sombra, meia pata de um boi de verdade.

Esse gado mirrado sonha com poses taurinas, mas, repelidos pelas cortes dominantes, esses pobres bois – meio chifre – acabam imitando ou tentando imitar (quase sem sucesso) os movimentos do Minotauro.

O que esse gado meio chifre não sabe é que o Minotauro é um touro de verdade, sem meia bomba, colocado num bom pedaço de carne humana. Por isso, sem saber como fazer qualquer conexão, o gado humanoide brasileiro se resume a seguir o Pato Donald, o Malvado.

O mundo atual não tem nem graça.

A Naturalização da Crise

0

Ester Dias da Silva Batista

Licenciada em Biologia e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

A educação ambiental exige o enfrentamento de um fenômeno latente: o negacionismo. Isso não se manifesta apenas como recusa das evidências científicas acerca das mudanças climáticas, mas também se acentua por uma naturalização dos problemas ambientais. Ao tratar eventos extremos como uma consequência inevitável do “progresso”, constrói-se uma narrativa que esvazia a responsabilidade política e social dos modos de consumo e de produção vigentes.

O negacionismo, dessa forma, atua não somente pela recusa da ciência e de suas produções, mas igualmente pela despolitização do debate ambiental, colocando-o no campo das disputas ideológicas e contribuindo para a tentativa de neutralização do papel crítico da escola.

Esse fenômeno articula-se a uma crise epistemológica ainda maior, em que as evidências científicas passam a ser relativizadas e colocadas no mesmo plano que as opiniões individuais. Com o desenvolvimento dos meios digitais, a circulação da desinformação tem fragilizado a autoridade do conhecimento científico, consequentemente diversas dúvidas e questionamentos sobre consensos já estabelecidos no meio científico acabam emergindo. Nesse cenário, a educação ambiental assume ainda a tarefa de fortalecer a compreensão acerca de como o conhecimento científico é produzido e validado.

Toda educação é, em alguma medida, um ato político; não há neutralidade na prática educativa, mas escolhas e oportunidades para se evidenciar uma realidade problemática ou se buscar a transformação de tal cenário (FREIRE, 2019)[1]. A partir dessa perspectiva, a educação ambiental não busca doutrinar os indivíduos, mas promover a interpretação crítica do mundo, possibilitando a compreensão das relações sociais, ambientais, políticas e econômicas.

Enfrentar o negacionismo, portanto, demanda avançar para além da transmissão de conteúdos, pois é clara a exigência de se problematizar a estrutura dominante de desenvolvimento, bem como reafirmar o papel formativo da escola na construção de sujeitos capazes de intervir criticamente na realidade ambiental.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 67. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

ESTADO – SOCIEDADE – CAPITAL[1]

0

 Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Esse texto imita um mapa conceitual, porém, com um aporte maior em redação e subdivisão em grandes tópicos, bem como em alguns períodos históricos distintos. Por isso reflete uma breve comparação – mais livre, intuitiva, do que se fosse numa disciplina de história – entre duas décadas díspares: entre a década de 1990 e o período ilustrado pelo ano de 2026.

  • Pela Tríade Estado – Sociedade – Capital, que organiza as relações sociais ao longo do tempo – por exemplo, a partir dos anos 1990 até os dias atuais (2026) –, é possível construir um panorama relevante e complexo com relação às questões educacionais, sociais e econômicas do país.
  • Economia:
  • Governo Collor (1990 – 1992):
    • Primeira gestão eleita direta no Brasil após a Ditadura Militar.
    • Momento de abertura econômica significativa, com a redução de barreiras à importação e maior entrada de produtos e tecnologias estrangeiras no país: a reserva de mercado destinada aos componentes informáticos também foi desativada.
    • Essa medida buscava modernizar a indústria brasileira, aumentando sua competitividade, embora também tenha exposto empresas nacionais a uma concorrência mais intensa e desleal.
  • Itamar Franco (1992 – 1995):
    • Assumiu com a missão de estabilizar a economia, sendo responsável pelo início do Plano Real.
    • Depois desse período veio o governo FHC.
  • FHC (1995 – 2003):
    • Fernando Henrique Cardoso foi Ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, responsável pela implementação do Plano Real e, devido ao seu sucesso, elegeu-se presidente em 1995 (primeira eleição).
    • FHC é também um dos principais autores da Teoria da Dependência, que explica como países periféricos têm seu desenvolvimento econômico, tecnológico e social condicionado à relação com países centrais.
    • Associado a isso, tem-se o conceito de Capitalismo Tardio, que dialoga com essa dependência estrutural no processo de desenvolvimento.
    • Durante o governo FHC (também na reeleição), houve continuidade da abertura econômica iniciada anteriormente, com maior inserção do Brasil no mercado internacional e com a entrada de tecnologias estrangeiras, contribuindo-se para a modernização da indústria nacional, mas também reforçando-se a dependência tecnológica e impondo um processo degenerativo, com elevada privatização de recursos públicos.
    • Nesse contexto, países como os Estados Unidos tiveram papel central como fornecedores de tecnologia (diferente do cenário atual, em que há maior presença da China).
    • No governo FHC, criado na USP, não houve crescimento das Universidades Públicas e nem dos Institutos Federais.
  • Atualmente (2026):
    • Atualmente essa dependência ainda se manifesta, especialmente na importação de componentes tecnológicos de países como a China.
    • Essa dinâmica evidencia como decisões e relações internacionais podem impactar diretamente a economia nacional, reforçando-se a interdependência entre países no sistema global.
  • Capital:
    • Como desdobramento mais recente dessas transformações no capitalismo, observa-se o fenômeno da uberização do trabalho, caracterizado por relações precarizadas, com menor (ou nenhuma) proteção trabalhista e ausência de vínculos formais.
    • Associado a esse contexto, chegamos à exclusão de que determinados grupos do mercado de trabalho, por vezes considerados “inimpregáveis” (definição dada por FHC), como pessoas mais velhas ou em condições de maior vulnerabilidade, acabam sendo inseridas em formas mais precarizadas de trabalho, como na chamada uberização.
    • Na relação D–D’ (dinheiro–dinheiro), o valor intrínseco é substituído pelo valor simbólico, ou seja, não há mais uma troca direta, como feito no escambo, mas sim o uso de moedas.
    • Por sua vez, as relações humanas tornam-se mediadas pela mercadoria, tudo passa a ter valor de produto, inclusive as pessoas; os produtos que consumimos atualmente, como o YouTube, apesar de gratuito, geram lucro e colocam os sujeitos no local de servilismo voluntário.
    • O servilismo voluntário é uma forma de extração dessa mais-valia, pois as propagandas são inseridas como forma de lucratividade, mesmo que a gente não pague diretamente por isso.
    • Associado a isso, há também o chamado Trabalho morto, o pãozinho, por exemplo, no qual o desgaste pessoal, individual e material para chegar nessa mercadoria, se encerra no produto, não há continuidade; todo o trabalho feito para produzir o pãozinho se finaliza ali, “morre” ali, realiza-se ali.
    • O Trabalho vivo permite continuidade; a pessoa é parte do processo, pois pressupõe o mínimo de interesse do sujeito, alguma autonomia e liberdade; há algo vivo no ciclo que se mantém.
    • Um exemplo desse Trabalho vivo pode ser visto em uma empresa. Num exemplo simples, notou-se que no banheiro feminino havia um grande uso de papel higiênico e, ao colocarem uma caixinha de sugestões para compreender o motivo, foi relatado anonimamente que esse papel era utilizado no lugar de absorventes, devido à falta de condições para adquiri-los. Quando a empresa passou a fornecer absorventes, o uso do papel voltou ao normal, evidenciando como uma mudança pode destravar benefícios permanentes.
    • Servilismo voluntário é então uma forma de extração de mais-valia, uma forma de extrair e produzir, quando o serviço não é pago, e assim acabamos sendo a mercadoria, o produto.
    • Logo, a lucratividade pressupõe exploração:
    • É possível pensar ainda no chamado poder do capital, caracterizado pelas oportunidades e possibilidades que podem ser obtidas e alcançadas quando olhamos os recursos que os sujeitos têm; por exemplo, a diferença entre a formação social, emocional, histórica e cultural entre uma criança que consegue viajar para diversos países todas as férias, enquanto uma criança periférica não tem esse acesso e, consequentemente, tem seu arcabouço cultural limitado pela ausência de recursos.
    • Percebe-se uma saída de pontos diferentes de vivência.
  • Sociedade:
    • Na educação contemporânea (2026), observa-se a persistência de desigualdades entre classes sociais, em que diferentes grupos têm acesso desigual a recursos educacionais e à formação crítica.
    • Enquanto parcelas da elite tendem a ter acesso a uma educação mais ampla e voltada ao desenvolvimento do pensamento crítico, em muitas redes públicas ocorrem mudanças curriculares que, em determinados contextos, reduzem o espaço de disciplinas como História, Filosofia e Sociologia, ao mesmo tempo em que introduzem componentes como “Projeto de Vida”, cuja implementação nem sempre se concretiza como ferramenta efetiva de formação crítica.
    • Esse cenário contribui para a manutenção de desigualdades, em que diferentes grupos sociais têm acesso desigual à produção e à sistematização do conhecimento.
    • Relacionando-se esse contexto ao pensamento de Émile Durkheim, é possível compreender as transformações nas formas de organização social e do trabalho, especialmente a transição para uma maior divisão de funções e interdependência (solidariedade orgânica).
    • No contexto dos anos 1990, observa-se ainda a influência de uma lógica produtivista e voltada à formação para o mercado de trabalho, em diálogo com reformas educacionais e econômicas de caráter neoliberal.
    • Atualmente (2026), o mundo do trabalho apresenta maior instabilidade e efemeridade, e a educação, em certa medida, acompanha essas transformações, refletindo-se em disputas sobre seu papel entre formação crítica e preparação para o mercado de trabalho.
    • Por fim, é válido salientar o chamado princípio da precaução (cautela) que orienta a tomada de decisões diante de incertezas científicas, buscando evitar riscos potenciais, enquanto o princípio da prevenção se aplica a situações em que os impactos já são conhecidos, visando impedir danos comprovados ou projetados.

[1] Esse texto reflete algumas anotações realizadas

‘Não vamos permitir que o preço da guerra chegue ao bolso do caminhoneiro e da dona de casa’, afirma Lula

Presidente anunciou fiscalização reforçada para quem aumentar preços dos combustíveis indevidamente em meio à guerra dos EUA contra o Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista à TV Record Bahia nesta quinta-feira (2), em Salvador, e prometeu agir com firmeza para proteger o poder de compra dos brasileiros diante da escalada de preços provocada pela guerra no Oriente Médio. O governo federal anunciou um conjunto de medidas que inclui fiscalização intensificada e a atuação da Polícia Federal contra distribuidoras que repassam ilegalmente os efeitos do conflito ao consumidor final. “Nós não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”, declarou o presidente.

Lula foi enfático ao detalhar as ações em curso. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar alface, feijão, arroz, milho, que vai comprar a comida do seu filho”, afirmou.

O presidente acrescentou: “Nós estamos tomando muitas medidas. Estamos com um processo de fiscalização muito sério no Brasil. Nós estamos tentando colocar a Polícia Federal para pegar quem for necessário, a Polícia Rodoviária Federal, para investigar redistribuidoras, porque tem muita gente ganhando dinheiro, roubando o povo. Porque não tinham o direito de ter aumentado, estão aumentando, e nós estamos atrás. O que eu posso te garantir é que nós faremos tudo o que estiver ao alcance do país para não permitir que a guerra do Irã chegue ao prato de comida do povo brasileiro e muito menos chegue ao tanque de combustível do caminhoneiro, que já tem dificuldade com o seu frete.”

A guerra eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã sob a alegação de que Teerã desenvolvia armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas contestou a justificativa americana, declarando não existir provas concretas de que o governo iraniano tenha produzido bombas nucleares. Uma das consequências imediatas do conflito foi o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo e ocupa posição central no sistema energético global. O preço do barril de petróleo ficou acima dos US$ 100 após o começo do conflito.

Na passagem transitava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta, além de uma quinta parte dos embarques de gás natural liquefeito e um terço do fertilizante mais utilizado no mundo. Com a passagem interditada, grandes produtores da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — viram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas.

Bolsa Família

Indagado sobre o Bolsa Família, Lula revelou sua visão de longo prazo para o programa. “O sonho que eu tenho é que um dia o povo esteja tão bem de vida que não precise mais do Bolsa Família. Esse é o objetivo. É uma política de inclusão social para favorecer as pessoas mais carentes, mas eu trabalho com a ideia de que um dia a economia estará tão bem, estaremos gerando tantos empregos, o salário estará tão bem, que ninguém precise mais do Bolsa Família. Não é nós que vamos tirar as pessoas, porque nós não vamos tirar. São as pessoas que pedirão para sair, porque, como o povo pobre e trabalhador é honesto, a hora que ele tiver dinheiro, ele não vai precisar mais de viver de favor do Estado”, disse o presidente.

Os dados reforçam esse movimento. Entre janeiro e outubro de 2025, mais de dois milhões de famílias deixaram de receber o benefício, segundo a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania. Das 2.069.776 famílias desligadas, 1.318.214 saíram pelo aumento dos ganhos domiciliares, 24.763 fizeram o desligamento voluntário e 726.799 concluíram o período na Regra de Proteção — mecanismo que permite ao beneficiário receber metade do valor do Bolsa Família por até 12 meses após superar o limite de renda. Em outubro de 2025, o programa atendeu 18,9 milhões de famílias, o menor patamar desde o início do terceiro mandato de Lula.

Inflação

Lula também destacou os avanços no controle da inflação e na renda do trabalhador. “Nós estamos hoje vivendo a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. Os preços dos alimentos tiveram mais caro em 2024, tiveram mais caro até metade em 2025, mas hoje a inflação de alimentos está baixa. As coisas estão melhorando e eu espero que continue baixando, porque nós precisamos baixar a taxa de juros e baixar o preço da comida para o povo poder comer mais, para poder comprar mais e comprar alimentos de melhor qualidade. Eu não quero que o povo fique comprando coisa de segunda. Quero que o povo compre coisa de primeira”, afirmou.

O presidente citou o programa Gás do Povo como exemplo de política complementar à elevação de renda. “Para a gente fazer as coisas acontecerem, uma coisa que podemos fazer é aumentar o salário. Quando você não pode aumentar o salário, você pode aumentar os benefícios. Por exemplo, o Gás do Povo. Nós estamos dando gás gratuito para 15 milhões de famílias nesse país”, disse Lula.

Educação

Na área de educação, Lula apresentou um conjunto de avanços obtidos a partir de 2023. Sobre a alfabetização na idade certa, o presidente destacou que o governo firmou um pacto com prefeitos e governadores para atingir 80% das crianças alfabetizadas até o segundo ano do ensino fundamental até 2030. “Em um ano e meio, nós já chegamos a 66%. Portanto, nós estamos perto de concluir a meta”, disse Lula, acrescentando que 5.565 municípios — 99,9% do total — aderiram ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

O presidente também destacou as 8,8 milhões de matrículas em Escola de Tempo Integral e os 5,6 milhões de jovens do ensino médio já beneficiados pelo programa Pé-de-Meia, iniciativa de poupança educacional voltada à permanência e conclusão escolar. “Nós temos o melhor momento de escola integral do tempo do Brasil. Ainda falta muito, mas já fizemos muito. Nós temos um processo de modernização de crianças na idade certa andando muito. Vamos chegar a 800 institutos federais nesse país. Nós herdamos 140 e vamos chegar a 800 institutos. Eu estou convencido de que nós estamos fazendo aquilo que é preciso fazer. Não há exemplo no mundo de nenhum país que deu um salto de qualidade sem antes fazer investimento em educação”, concluiu o presidente.

Energia

Lula encerrou a entrevista falando sobre a matriz energética brasileira e o papel do país como referência global em energia renovável. “Se tem uma coisa que a gente tem perspectiva de ter de sobra, é a chamada energia renovável, seja eólica, seja solar, seja biomassa, seja do hidrogênio verde. Em 2050, a Europa quer chegar a 40% de energia renovável. Hoje, o nosso país já tem 53% de energia renovável. Ou seja, nós já alcançamos hoje o que eles pretendem alcançar em 2050. E, mais importante, do ponto de vista da energia elétrica, nós temos 87% de energia renovável. Portanto, o Brasil é um modelo, é um exemplo a ser seguido”, reforçou Lula.

Do Brasil 247

A rede dos cidadãos – a Ideia de rede

0

Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

Em 2001 tivemos as torres gêmeas nos EUA, o terrorismo com desfecho trágico, para o mundo, e o início do discurso de intervenção militar em outros países: em seguida vimos o Iraque e o resultado catastrófico para o seu povo, a destruição do país e a mentira do discurso “vamos levar a democracia” se estabelecer como pré-requisito para a destruição do Oriente Médio.

Aliás, depois da Síria, agora temos o Irã: no Iraque eram as armas químicas (de fato, foram usadas contra os curdos, mas na invasão pelos EUA já não existiam) e no Irã a desculpa é o enriquecimento de urânio. O objetivo imediato, como sabemos, é o petróleo. A logística, a médio prazo, visa atingir a economia chinesa – um Império está ruindo e outro está surgindo. O alvo sempre foi a China.

Foi naquele contexto de 2001 que defendi a tese de doutorado na FEUSP, tomando “a ideia de rede” por objeto, sob a orientação da professora Maria Victoria de Mesquita Benevides. Em 2001, as assim chamadas redes sociais, como temos hoje, não existiam, nem seus arremedos – por isso, era só uma ideia de rede. O que tínhamos e cultivávamos como um alento era o princípio ativo, a própria ideia e alguns experimentos que a internet já permitia, por meio de sites ou blogs, além da experiência promissora, revolucionária, dos zapatistas em Chiapas, no México dos anos 1990.

O fenômeno se imortalizou, difundiu-se globalmente, em processo de adaptação e de aprimoramento (conhecimento) da própria forma de comunicação que se avizinhava. Toni Negri apelidou de Multidão, com poucos cliques e muita gente reunida em praça pública lutando por isonomia, equidade, justiça social, paridade. Não sei se falaram para ele ou se inventou a expressão Multidão, no entanto, é o fenômeno social precursor das Primaveras Árabes e o exato oposto das guerras híbridas e de suas revoluções coloridas: padecemos disso no Golpe de 2016.

O autor daquele final de século XX até 2001, de quando escapamos do Bug do milênio, era Pierre Lévy: ninguém lia a Estrada do futuro (1995) de Bill Gates. Que me lembre, Lévy não virou filme, mas era extremamente popular entre os jovens. A Cibercultura (1997) era seu sonho. A realidade, que se modificaria absurdamente poucos anos depois, se mostrou apenas como “O que é o Virtual” (1996), isto é, uma ideia, uma possibilidade que não teve capacidade, nem potência: virtus, virtualis.

A educação que ainda líamos falava um pouco disso, como os 7 saberes que interessam ao futuro (Morin), sem sabermos que o futuro era presente, faltando-lhe apenas saltar à frente da porta: não era Educação digital, como se propaga em 2026, era Educação com ciência e, portanto, com consciência. Ninguém faz ciência, efetivamente, sem consciência do que faz, para o que faz, com quem faz, como e onde faz. Simplesmente porque ciência é o princípio e o resultado de uma forma específica de se pensar (e agir) e tem muito mais a ver com conteúdo do que com forma, com metodologias herdadas do Renascimento, do estranhamento social, engessadas num passo a passo que nos diz o que fazer e como: ciência não é precisão, é crítica e criação; é solução prática e lógica, coerente, condizente, mas é, acima de tudo, a ação do incidental, da aleatoriedade.

Outros autores chamam isso de Serendipidade, Morin dizia da urgência de atender à Educação que se incline ao “pensamento científico sobre o conhecimento científico”. Isso é consciência, pensar cientificamente (e isso é óbvio) é pensar criticamente. Não é por acaso que o Paulo Freire de A pedagogia do oprimido nos ensina que “consciência é a consciência da consciência”.

Esse era mais ou menos aquele mundo, a luta pela Educação da ciência e da consciência. Não se falava como hoje, em termos de educação financeira, ensino religioso e escola cívico-militar. Tudo isso é o antípoda da liberdade, da autonomia, da emancipação, do sentido elementar de práxis. Essa guinada não ocorre por acaso, ao contrário, precisa ser tida como eixo da fase atual do sistema capitalista: a educação financeira cabe hoje porque há hegemonia do capital financeiro e especulativo (bancos, bolsa de valores, fintechs) e porque o neoliberalismo nos presenteou com a uberização e sua meia irmã chamada de pejotização. O que nos traz de volta para o coração desse breve século XXI, que é a digitalização da vida social.

Ninguém está imune ao colonialismo digital, pois o digital ocupou até mesmo o espaço real, sensível, passível de ser especulado por meio dos cinco sentidos. Se o virtual era o complemento do real, e Lévy nos convidava a ler o Tao të King a fim de entendermos o virtual (potência), hoje, o digital – ainda mais com o avanço da Inteligência Artificial (IA) – é o próprio real: por exemplo, não é possível garantir com fé pública as imagens enviadas da guerra Irã x EUA/Israel, tudo ou quase tudo é manipulado (ou escondido pela mídia tradicional).

A ideia de rede se mostrou a que veio, porém, deturpando-se, apropriando-se do mundo real, degradando-se a história de luta, denúncia e de resistência ao capital (desde Chiapas), e se impondo como parte essencial da hegemonia do Capitalismo digital: Bets, Big techs, Big datas/Data centers. É nesse miolo, que ainda conta com os bancos/fintechs, que se impõe a Educação financeira, pois, aí está a hegemonia do capital e a forma mais sutil de captura das subjetividades humanas. O que equivale a dizer que é o avesso do sentido elementar preconizado para a emancipação, visto que esta é obrigatoriamente social, libertária; porém, é o reino do capital especulativo, do mundo sem rédeas de moderação, em que prospera apenas a autonomia do “cada um faz o que quer” (sic) e a capacidade de especular sobre tudo: as redes antissociais estão repletas de doutores sobre o nada, de antivax, de apóstolos da destruição do conhecimento, da lógica e da coerência, da epistemologia.

Efetivamente, de lá para cá, de quando escrevi e defendi a tese “A rede dos cidadãos” para 2026, em que a IA desconhece qualquer noção mínima de responsabilidade, sendo a própria antinomia da honestidade intelectual, muito mudou e muito mais irá mudar. Antigamente, falávamos da mutação, e antes disso Kafka praticamente inventou a Metamorfose, mas hoje temos que buscar outras conexões, inclusive substituindo-se o sentido de conexão, havida na ideia de rede, pela desconexão atual, afastamento, estranhamento, antipatia social. Se antes se cuidava da inclusão, em 2026, com folgas do saber acumulado nessas duas décadas, pode-se dizer que ocorre o oposto, que é a exclusão, o banimento, o que vigora: é o reino da exceção.

Se começamos, lá em 2001, a ver o decréscimo do panóptico, hoje, temos na tela do celular – e nas hegemônicas redes antissociais – o império do banótico, das bolhas; se a ideia de rede criava o ativismo social digital (Multidão nas ruas, ocupando-se do espaço público), hoje vige o “servilismo voluntário” (desde La Boetie e de Bauman). Junto com o final do analógico também se foi a sensação da realidade e veio a fluorescência do Tecnofascismo.

Ainda é tempo, mas temos que querer e fazer, reflexão e ação (práxis) como a gente dizia feliz e sorrindo.

Funcionários da GloboNews “pediram a cabeça” de editor-chefe após PowerPoint

A redação do “Estúdio i”, da GloboNews, está vivendo uma crise interna grave após o PowerPoint que associava o presidente Lula e o PT ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A arte exibida durante o programa gerou críticas à emissora e motivou a demissão de alguns dos responsáveis.

Segundo o portal Terra, o editor-chefe Rodrigo Caruso correu risco de ser demitido após o episódio e foi alvo de pedidos por “sua cabeça”. A emissora decidiu apenas afastá-lo da atração e dar férias nos próximos dias. Ele deve ser remanejado após a volta.

A editora responsável pela arte exibida pelo “Estúdio i” foi transferida para o “Conexão GloboNews”. Dois editores foram demitidos pela arte e o compliance do canal decidiu fazer uma investigação interna por entender que o conteúdo descumpriu os princípios da empresa.

A emissora não descarta novas mudanças e demissões na equipe do programa. A investigação interna teve acesso a mensagens trocadas entre os profissionais durante a elaboração do material e descobriu que houve divergências entre o que foi solicitado e o produto final.

O PowerPoint da GloboNews. Foto: Reprodução

A relação entre Caruso e Andréia Sadi, que já vinha desgastada antes do caso, piorou após a repercussão. Ela foi detonada nas redes pelo conteúdo e foi a responsável por ler a retratação da emissora ao vivo no “Estúdio i”.

“A gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, disse a jornalista no ar.

O PowerPoint foi exibido no último dia 20 e ligava Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao PT e ao presidente Lula, mas ignorava relações do banqueiro com outras figuras, como o ex-presidente Jair Blsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central que ignorou alertas sobre a fraude, e outros aliados do Centrão.

DCM

Petrobras projeta autossuficiência em diesel no Brasil em até 5 anos

Estatal estuda ampliar produção e investimentos para atender 100% da demanda nacional de diesel diante de mudanças no mercado global

A Petrobras avalia ampliar sua atuação no mercado de combustíveis e produzir toda a demanda de diesel consumida no Brasil em até cinco anos. A possibilidade está sendo considerada no planejamento estratégico da estatal, que prevê investimentos para o próximo ciclo quinquenal, em meio a mudanças no cenário internacional do petróleo e seus efeitos sobre o abastecimento. A declaração foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante um evento em São Paulo, onde destacou que o plano original previa atingir 80% do mercado, mas está sendo revisto.

Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 70% do diesel comercializado no país, enquanto a produção nacional total cobre aproximadamente 80% do consumo interno. O restante é complementado por refinarias privadas, como a de Mataripe, operada pela Acelen, e a Ream, do grupo Atem.

Segundo Magda, o novo cenário internacional, influenciado por tensões geopolíticas como a guerra no Irã, abriu espaço para uma revisão das metas. “O nosso plano de negócios fala de um aumento de cerca de 300 mil barris por dia de diesel em 5 anos. E nós estamos revendo esse plano para ir nos perguntando se nós podemos chegar a 100% em 5 anos”, afirmou.

A executiva explicou que a companhia ainda está avaliando a viabilidade da expansão total da produção. “É uma questão que nós estamos nos fazendo. Somos capazes de fornecer nos próximos cinco anos todo o diesel que o Brasil precisa? E eu estou aguardando essa resposta; 80% nós já vemos que somos capazes”, disse.

A discussão interna sobre o tema deve começar em maio, quando a empresa dará início à elaboração do novo plano de negócios. Apesar das possibilidades de crescimento, Magda evitou detalhar se a estatal considera adquirir refinarias privadas para atingir esse objetivo. “Mataripe é uma pergunta difícil”, declarou ao ser questionada sobre o tema.

Entre as alternativas para ampliar a produção, a Petrobras avalia investimentos em suas próprias unidades. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, deve ampliar sua capacidade para produzir mais 130 mil barris diários de derivados até 2029, sendo 88 mil barris de diesel. Já a Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, pode adicionar mais 76 mil barris diários do combustível com a integração ao Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí.

Para Magda Chambriard, alcançar a autossuficiência plena no diesel pode trazer benefícios tanto para consumidores quanto para investidores. “Para o consumidor, [chegar a 100% do mercado] dará a certeza de que as volatilidades externas não os vão assombrar e, para o nosso acionista, é a garantia de [ter] um mercado que talvez seja o maior consumidor da América Latina”, afirmou.

Do Brasil 247

“Flávio é corrupto na essência”, diz profundo conhecedor do bolsonarismo

O ex-deputado federal Julian Lemos afirmou acreditar no levantamento da AtlasIntel divulgado na quarta-feira (25), que pela primeira vez aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, indicando uma possível mudança no cenário eleitoral brasileiro, conforme declarou a Diego Amorim, do PlatôBR.

Ex-aliado de Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2018, antes de romper com a família, Lemos passou a adotar posição mais próxima da centro-esquerda na Paraíba e fez críticas contundentes tanto ao bolsonarismo quanto ao atual governo.

Ao comentar uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, o ex-parlamentar afirmou que o país correria riscos estratégicos e econômicos. “Ele vai vender terras raras, tudo. Vai vender o Brasil, vai vender até o que não é dele. Flávio não é direita coisa alguma. É um Bolsonaro moderado e entreguista. Ele não sabe o que faz, mas sabe o que quer: entende a diferença? O pai é burro, ele tem um pouco mais de habilidade. E o DNA de corrupção. Ele é corrupto na essência”, declarou.

Julian Lemos também direcionou críticas ao presidente Lula e ao PT, apontando perda de capacidade de mobilização política. “Nada mais que Lula faça daqui para frente dará um voto para ele. Demoraram muito para se movimentar, perderam tempo. Nada mais chega à ponta. Pode o Lula dar uma casa a todo pobre que ele ver pela frente que ninguém liga mais. O Flávio só não ganha se algo muito negativo acontecer do lado dele”, afirmou.

Do Brasil 247

BRASIL COMUNISTA Uma crônica de Uber

0

 

@viniciocarrilhomartinez

 

Hoje, voltando da universidade, puxei conversa com um Uber venezuelano, esse motorista de aplicativo sem direito algum, sem segurança, sem esperança, sem tempo para pensar em nada que não seja o dinheiro daquele dia.

Falamos da condição asfáltica das ruas, cheias de buracos que podem travar a roda de um carro utilitário, comum. Falei que a prefeitura não cuida do povo, aumentam e implementam outros impostos (agora há um imposto para o lixo).

Nesse momento o motorista disse solenemente: “País comunista é assim!”. E colocou uma grande exclamação.

Pois bem, poderia tentar lhe explicar o que é Comunismo – depois de quatro aulas matinais –, mas a paciência do meu fígado estava acabada e, então, preferi falar do clima, da comida brasileira, das festas.

Até porque se fosse lhe explicar, creio eu, não me faria entender – não tenho vocabulário que assalte as Ciências Sociais a ponto dele entender, inclusive, as palavras que viesse a empregar.

Passado o tempo, com algumas colocações que me enviaram pelo WhatsApp – onde é muito mais fácil dizer ao outro o que fazer –, resolvi explicar a esses porta-vozes da militância alheia.

Assim, fiz uma busca muito rápida pela Inteligência Artificial – IA  e formulei uma resposta pessoal (ambas abaixo). Particularmente, penso que 98% da população não conseguem entender o que produziu a IA e mais de 99,99% não entenderiam o que pude pensar como resposta.

Isso não é arrogância, é uma clareza acerca do andamento da Educação no Brasil, sem aulas de sociologia, filosofia, história, e com excesso absoluto de tempo perdido nas redes antissociais, sem aprofundamento, sem leitura. Ainda preciso dizer que não estudo o assim chamado materialismo histórico-dialético, como objeto de pesquisa propriamente dito. Minha resposta é de memória, dos tempos da minha graduação.

Mas, o que nos diz a IA?

Apesar dos pesares, é um modelo de resposta do ensino médio ou do ensino fundamental II.

Abre aspas:

  • “O comunismo é uma ideologia política, socioeconômica e filosófica que busca criar uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada dos meios de produção e, eventualmente, sem Estado. Baseia-se na igualdade plena, onde os recursos são compartilhados (comunismo deriva de communis, “comum”), geralmente alcançado após uma transição socialista”.

Agora a minha resposta de improviso, sem consultar nenhum escrito, livro ou dicionário, apenas a memória dos tempos em que se estudava na escola:

Comunismo

A célebre frase (sentença histórica) “Proletários de todo o mundo, uni-vos!” traz a essência do Comunismo, da práxis necessária à hominização e à omnilateralidade.

Portanto, Comunismo é o Modo de produção em que a Socialização dos meios de produção impede a continuidade da principal contradição social, entre classes fundamentais, a divisão social do trabalho, a extração de mais-valia, anulando-se a separação entre o trabalho vivo e o trabalho morto, bem como institui condições materiais de existência em que não seja hegemônica a captura das subjetividades dos reais produtores sociais pelo capital.

Diante dessas duas possibilidades ou apostas, o que eu deveria fazer naquele cenário (ou melhor, o que você faria – caso conversasse com o Uber, porque 99,99% sequer olham para o condutor do carro!?): lhe explicaria o que é Comunismo ou seria mais agradável, empático, buscando pontos de convergência num diálogo?

Caso você julgue interessante, chame um Uber e lhe explique o que é Comunismo. Eu continuarei falando do clima, do quanto ele é explorado pela empresa proprietária do aplicativo. Me parece mais saudável e prático.

(ps: escrevi tantas vezes Comunismo que o motorista passaria mal).

Cidadão Honorário de Rondônia, Nelson Willians pede dinheiro a Mendonça pra pagar impostos

O Cidadão Honorário de Rondônia, advogado Nelson Wilians, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que enfrenta um cenário que classificou como “deveras calamitoso” depois de ter dinheiro e bens bloqueados no âmbito das investigações sobre a chamada farra dos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em documento enviado à Corte, ele relata ter adotado medidas de austeridade para manter o funcionamento de seu escritório e afirma acumular cerca de R$ 3,5 milhões em tributos a pagar.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça. Na solicitação, Wilians requer o desbloqueio de todas as contas bancárias e bens em seu nome e também do escritório. Como alternativa, caso a medida não seja concedida, ele pede que parte do valor congelado seja destinada ao governo federal para quitar as dívidas tributárias.

De acordo com a NW Advogados, o volume de bloqueios estaria acima do limite de cerca de R$ 28 milhões estabelecido pela Justiça. A banca afirma que a situação pode gerar consequências legais e até a rescisão imediata de contratos, já que a empresa não consegue emitir certidões necessárias para sua atuação.

No documento, o escritório sustenta que continua operando apenas após cortar gastos considerados não essenciais. Segundo a defesa, a prioridade tem sido o pagamento de salários e de fornecedores básicos, como serviços de água, energia, telefone e internet.

Apesar disso, permaneceram pendências tributárias relevantes. Entre os débitos listados estão contribuições patronais, valores retidos de funcionários e impostos federais. O detalhamento apresentado inclui:

  • CP Patronal: R$ 1.727.576,15
  • CP Segurado: R$ 718.221,49
  • IRRF: R$ 690.010,79
  • Terceiros: R$ 248.908,80
  • CSRF: R$ 133.516,20
  • Cofins: R$ 43.516,49
  • PIS: R$ 8.995,57

O escritório também menciona atrasos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), parcelas de acordos tributários e outros débitos federais e municipais registrados no sistema e-CAC, o que indica que o valor total devido pode ser maior do que o apresentado no pedido ao STF.

Na petição, a defesa argumenta que medidas de apreensão e bloqueio devem ter relação direta com o resultado do processo. Segundo o texto, quando os valores já garantem eventual ressarcimento acima do limite estabelecido, a manutenção dos bloqueios poderia representar uma espécie de punição antecipada, o que, na visão dos advogados, contrariaria princípios como a presunção de inocência e o devido processo legal.

A defesa de Wilians informou que não comentará o caso publicamente porque os autos tramitam sob sigilo de Justiça e ainda aguardam julgamento. Mesmo assim, declarou confiar na Justiça e afirmou que já apresentou nos autos provas que, segundo os advogados, demonstrariam a legalidade das atividades do cliente.

A investigação que envolve Wilians integra desdobramentos de operações da Polícia Federal voltadas a apurar suspeitas de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Em setembro, durante a Operação Cambota — uma das fases da Operação Sem Desconto — foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o advogado e preso o empresário Maurício Camisotti.

Na ocasião, agentes apreenderam obras de arte, carros esportivos e uma coleção de relógios de luxo avaliada em cerca de R$ 15 milhões. Entre as peças estavam modelos de marcas como Richard Mille e Parmigiani Fleurier, com valores que poderiam chegar a R$ 8 milhões.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram ainda que Wilians teria feito pagamentos que somam R$ 15,5 milhões a Camisotti, investigado como possível beneficiário final do esquema de descontos indevidos ligados ao INSS. O advogado nega irregularidades e sustenta sua inocência.

Folha do Estado

EDUCAÇÃO OMNILATERAL A IA e a Guerra Temporal

 

 @viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

 

Essa Guerra Temporal não é uma Viagem no Tempo, é somente a contação de histórias do passado que invertem o futuro: é pura manipulação, desconstrução do passado para garantir o Predomínio no futuro. Aliás, veja-se com atenção que, primeiro, garante-se o Predomínio, para, só depois, se assegurar o Domínio.

Agora, olhemos bem para o que hoje se chama de Inteligência Artificial (IA), digo atualmente, porque vai mudar muito e para pior. Inclusive, como já querem alguns, vai mudar de denominação. O que será não sabemos, mas como pregam os alvissareiros do amanhã não será mais Inteligência Artificial.

Contudo, para vermos onde queremos chegar, olhemos o passado:

  • A Guerra no Golfo (1991), a primeira a ser transmitida pela TV, nos impactou profundamente.
  • Igual aos filmes, vimos como a realidade se movimentou em ângulos abertos ou fechados. Com dramas reais, a única dúvida – que não nos colocamos, nem ontem, nem hoje – era (é) saber quem movimentava aquilo, quem era o diretor ou quem manipula nos dias iniciais de 2026. Pelo filtro dos nossos olhos, na Guerra do Golfo, atores e plateia eram uma coisa só. Hoje nos perguntamos se há algum filtro remanescente daquele tempo – muitas vezes temos a impressão de que não vemos mais nada.

 

Porém, com a IA atual, a própria realidade se movimentou, deslocou-se e, com ela, a nossa percepção e entendimento acerca do que é real.

Se é fato que na guerra a primeira vítima é a Verdade, agora vemos que a vítima maior é a Humanidade.

  • A Guerra EUA/Israel versus Irã, além de ser teleguiada, com o emprego maciço de tecnologias digitais, em que a IA é a Senhora da Guerra, ainda trouxe de volta o risco do emprego de armas nucleares.

 

Assim, se também é fato que não há volta – com relação à IA – então, ao menos (no mínimo), que possamos discutir e desenhar o processo e a finalidade.

É fato sim, mas é fato que, como está não pode ficar.

Aprendemos com a história (quer dizer, mais ou menos) que o intuito do Revisionismo era (é) inventar o passado e garantir o futuro. A maioria das distopias tem essa premissa.

Pois bem, imaginemos a IA atual reescrever essa mesma história, a nossa história que é alvo de todo tipo de Negacionismo.

O que aconteceria?

Bem, como dizem, o diabo tem ouvidos. Portanto, vamos escrever sem falar nada:

  • Se a chave para entendermos quem somos está na história (passado, portanto), reescrevê-la nos diria qual é o caminho certo – um tipo de presente que assegure o futuro.
  • Desse modo, refazendo a história sutilmente, a IA se apossaria rapidamente do presente.

 

Fazendo a história, sem caos generalizado, sem grandes repressões, sem milhões de mortes, a “nova dominação” – a real dominação da narrativa sobre os fatos – estaria concluída.

A IA, por fim, apresentaria qual é o grupo vencedor dessa Guerra Temporal.

E é claro, é óbvio, que Eichmann seria inocentado.

Porém, seu segundo julgamento seria realizado em Tel Aviv ou na sede da ONU.

O que podemos aprender com esse possível fato futuro (distopia)?

  • Quem domina os fatos impõe sua narrativa?
  • A narrativa vencedora impõe seus fatos?

 

Nesse tempo não distante, entre um passado atuante e um futuro-presente, alguém (a IA) poderá dizer que o Nazismo venceu a 2ª Guerra Mundial?

  • Quando olhamos para o que fizemos no passado, mas, imaginando esse futuro-presente (e olhe que é um presente bem próximo), não se sente muito bem; é como se tivéssemos perdido fragorosamente, como se não existissem alternativas[1].
  • Quando as diferenças somem, quando não vemos distancias, diferenças entre os tempos, quando se normalizam os escrutínios entre os que fizeram o que fizeram e os que farão tudo de novo, nos “novos tempos”, aquilo que os piores fizeram em seu próprio tempo, é equivalente ao tempo ter perdido sentido. Por mais que queiramos o contrário, por mais que lutemos pela não-normalização do pior de ontem[2].

 

Não gostaríamos de ver esse “fato” e menos ainda ouvir sua narrativa, e você?

(obs.: nesse tempo, só havia uma narrativa – e será que já vimos isso antes?[3])

Ou talvez houvesse um caminho, com escolhas mais acertadas, sem apego às distopias do passado e do futuro. Porém, o início de tudo obrigatoriamente teria de ser por meio de uma Educação Omnilateral. Essa escolha é um projeto integral ou não é, uma vez que a desumanização está por toda parte, à vista de quem queira ver, e, no lado oposto está um projeto que nos recupere enquanto processo de hominização. Por isso não há meio termo e nem tempo a perder.

 

EDUCAÇÃO OMNILATERAL

– Não há Educação, se não for para valer

 

Não existe Educação pela metade e malfeita, educando-se hoje e sabe quando será o próximo dia. Ou é um conjunto de valores, investimentos, instrumentos, reflexões efetivas e ações sérias, eficazes, ou é um faz de conta. Esse é o conceito básico em torno da ideia de Educação Omnilateral.

Na verdade, não é faz de conta essa “falha”, descaso, desprezo pela Educação pública. É um projeto. É um projeto político de dominação baseada na religião, nos costumes boquirrotos, hipócritas, na ausência de letramento com base em valores sociais, emancipatórios.

O falhaço da Educação é um dominus que se alimenta da ilusão, da irracionalidade, do questionamento da lógica e da coerência. É um projeto obscurantista, como crime hediondo contra a epistemologia, o raciocínio criativo e crítico e, assim, promove-se a subjugação do povo, das classes trabalhadoras.

É um projeto político de subalternização social, em que a espoliação do trabalho se afirma à medida em que cresce a indignidade das próprias condições sociais de produção, do trabalho.

Nesses momentos – ou eternos momentos, porque no Brasil raramente vimos lastros positivos na Educação – sempre se volta aos clássicos. Porque nos clássicos estão as matrizes, a origem, a originalidade. Clássicos inauguram.

No caso de hoje, cabe perfeitamente recuperar Marx e Engels, do Manifesto Comunista:

Dizeis também que destruímos as relações mais íntima ao substituirmos a educação doméstica pela educação social.

E vossa educação não é também determinada pela sociedade? Pelas condições sociais em que educais vossos filhos, pela intervenção direta ou indireta da sociedade, por meio de vossas escolas? Os comunistas não inventaram a intromissão da sociedade na educação; apenas procuraram modificar seu caráter arrancando a educação da influência da classe dominante.

O palavreado burguês sobre a família e a educação, sobre os doces laços que unem a criança aos pais, torna-se cada vez mais repugnante à medida em que a grande indústria destrói todos os laços familiares dos proletários e transforma suas crianças em simples artigos de comércio, em simples instrumentos de trabalho.

Nos países mais adiantados, contudo, quase todas as seguintes medidas poderão ser postas em prática […] 10. Educação pública e gratuita a todas as crianças; abolição do trabalho das crianças nas fábricas, tal como é praticado hoje. Associação da educação com a produção material[4] (Marx & Engels, 2010, p. 55-58 – grifo nosso[5]).

 

Dizeis, então, de qual Educação estamos falando, tratando, no Brasil atual e de sempre?

Este é o sentido mais amplo de uma Educação Omnilateral, em que não separe o trabalho manual do trabalho intelectual, em que os sujeitos sejam atentos à formação integral, tanto física quanto psíquica e intelectual: no estofo de uma Educação pública, gratuita, de qualidade, laica, integral. Quando isso for obrigatório para todos os jovens e crianças, não mais haverá separação entre classe dominante e dominada.

A questão final é: queremos uma Educação Omnilateral ou nos contentamos com educação financeira, escola cívico-militar e ensino religioso?

De modo prático, a educação financeira dirigida para crianças pobres e famélicas deveria ser, imediatamente, naufragada pela educação científica – notoriamente para desarmar os gatilhos negacionistas. Nesse contexto, a defesa da educação científica relaciona-se diretamente com a busca por uma educação omnilateral, que compreenda a escola como espaço de formação integral do sujeito.

A busca por uma educação omnilateral demanda compreender a instituição de ensino como um espaço de formação integral do sujeito, como propõe o documento normativo brasileiro Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018)[6]. Assim, ultrapassar a limitada ideia de educação bancária (FREIRE, 2019)[7], demanda promover a criticidade e as capacidades cognitivas e científicas necessárias para analisar a sociedade.

Quando esse pensamento analítico é incentivado em sala de aula, amplia-se a capacidade para se enfrentar discursos negacionistas e de interpretação crítica acerca do intenso fluxo de informações presentes nos meios digitais. Logo, a valorização da educação científica reforça o papel da escola como espaço de construção coletiva do conhecimento e de diálogo com a vida e os desafios contemporâneos dos estudantes.

Na mesma toada, o ensino religioso de nada nos serve, enquanto hominização e omnilateralidade, porque – em que pese a importância cultural do nosso sincretismo – apenas nos distancia dos pressupostos éticos, filosóficos, políticos inerentes ao mundo moderno.

A escola deve ser concebida como um espaço laico. Desta maneira, em respeito à formação social do povo brasileiro e do seu sincretismo, e se assim alguns departamentos, docentes e discentes se sentirem aptos para tal, devemos elaborar e considerar o ensino religioso como uma matéria científica, em que se estudam as diferentes religiões como manifestações culturais de cada povo, comunidade e sociedade. Como forma de combater, desde a infância, a intolerância religiosa e fortalecer a omnilateralidade.

Por fim, mas sempre com a mesma envergadura, é urgente desbaratar as escolas cívico-militares, porque, por óbvio, o recrutamento obrigatório é a negação da autonomia voluntária, tanto quanto a ordem unida e o adestramento são antagônicos à emancipação. Por certo, levando-se em conta nossa história e formação social seria muito mais adequado dirigir o ensino às questões étnico-raciais do que sobressaltar-se constantemente qualquer tipo de “ordem e progresso”.

 

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Estado de Exceção e Modernidade Tardia: da dominação racional à legitimidade (anti) democrática. Tese de Doutorado em Ciências Sociais. UNESP/Marília, SP: [s.n.], 2010, 410 páginas.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c, 709 páginas. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[3] Vimos a história ter que passar pelo juízo da prova, exatamente quando o Revisionismo teve o “direito” de inverter o ônus da “sua prova”. Parece uma piada, mas é fato, que a mentira não tinha que se provar, mas sim o contrário, pois detinha o “direito da dúvida”. Veja-se o filme Negação: https://www.youtube.com/watch?v=GZAafF4r-xY. Acesso em 06/03/2026. No filme, essa exibição nos prova, ainda, que a inteligência pode efetivamente ser bastante artificial. Assim como a desinteligência que, mesmo sob o efeito das provas que deveriam ocorrer em contrário, é profundamente atemporal.

 

[4] Vale destacar a Educação implementada na forma da Politecnia, a partir de 1917, pela Revolução Russa: “14. O ensino geral e politécnico (conhecimento da teoria e da prática de todos os ramos principais da produção) gratuita e obrigatória para todas as crianças de ambos os sexos até os 16 anos; estreita ligação do estudo com o trabalho social produtivo das crianças” (LENIN, V.I. La instrucción pública. Moscú: Editorial Progreso, 1981, p. 68 – tradução livre).

[5] MARX, Karl & ENGELS, F. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010.

[6] BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

[7] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 66. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

Pressionado e isolado, Trump recua e suspende ataques ao Irã

Presidente dos Estados Unidos relatou “conversas muito boas e produtivas” com Teerã nos últimos dois dias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã avançaram em negociações para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, após dois dias de conversas classificadas por ele como produtivas. Em meio ao diálogo, Trump decidiu adiar por cinco dias uma possível ofensiva militar contra instalações energéticas iranianas, sinalizando uma tentativa de reduzir a escalada do conflito.

A declaração foi feita pelo próprio presidente em uma publicação nas redes sociais, após reuniões realizadas ao longo do fim de semana. Ele destacou que a decisão foi influenciada pelo tom das negociações em curso.

Em mensagem escrita em letras maiúsculas, Trump declarou: “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o país do Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que determinou a suspensão temporária das ações militares. “Com base no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu.

A decisão ocorre após uma escalada de tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Trump havia ameaçado lançar ataques já na noite desta segunda-feira (23) caso o Irã não permitisse a reabertura da passagem marítima.

Dias antes, o presidente havia demonstrado resistência à ideia de um cessar-fogo. “Podemos ter diálogo, mas não quero fazer um cessar-fogo”, afirmou na sexta-feira, indicando uma postura mais dura naquele momento.

A mudança de posição, agora condicionada ao avanço das negociações diplomáticas, sugere uma tentativa de abrir espaço para um acordo mais amplo que reduza o risco de confronto direto na região.

Do Brasil 247

EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

0

 

Sociedade – Estado – Capital[1]

 

Vinicio Carrilho Martinez – docente responsável

Ester Dias da Silva Batista – monitora da disciplina

O texto a seguir é uma breve aproximação à ementa da disciplina Educação e Sociedade[2]. A primeira observação é de que a ementa contém os sentidos e significados necessários para a formação acadêmica. Porém, podemos/devemos sempre olhar do presente para o passado, do geral ao particular, envolvendo-se constantemente a reflexão e a ação (práxis: mudança fundamentalista), o conhecimento e as perspectivas em sua realidade (chamado de realismo político). Nesse processo se destacam uma mistura de claro-escuro, e muitas frestas, sombras, um cinza mais constante. Além disso, como bem sabemos, o digital vai se assenhorando do analógico, da presença física, da carne-viva como descreviam alguns músicos e artistas do século XX. E neste sentido é preciso ler a ementa com o esforço de se colocar o digital num mapa conceitual, num quadro geral de inspeção – a ementa é marcada pelo século XX e vivemos, para o bem e para o mal, nos marcos do século XXI. Neste ponto vale destacar que faremos a escolha do método a contrapelo, de Benjamin[3], procurando sentidos, sentimentos, fatos, pessoas, conexões que nem sempre se destacam na luz do meio-dia: que seria o método da clareza e da objetividade. Nem sempre há transparência, iluminação sobre os fatos e atores sociais. A publicidade é pouca porque são relações políticas e o consenso não é, necessariamente um desejo compartilhado.

 Notas para uma práxis da descompressão[4]

Vejamos a ementa oficial disponibilizada pela Universidade Federal de São Carlos/UFSCar, para as licenciaturas.

Ementa[5]: Os processos históricos, sociais e culturais de formação da sociedade capitalista[6] serão explorados sob diferentes aspectos de desenvolvimento. Da revolução técnico-científica[7] à constituição das principais tendências políticas[8] e do desenvolvimento de problemas[9] e perspectivas para a sociedade. Esta disciplina se concentrará nos estudos sobre o papel das instituições educacionais, de seus agentes e da formação de novos sujeitos[10] no mundo contemporâneo[11].

Em face da ementa e da abordagem autoral que propomos, o objetivo principal é aprofundar conhecimentos aptos a uma reflexão crítica acerca das condições sistêmicas, estruturas, sistemas, dinâmicas da sociedade capitalista no século XXI[12], sobretudo, a sociedade brasileira – diante da luta de classes racista[13] –, e o possível papel desempenhado pela educação quando se objetiva a Emancipação[14] – aqui entendida enquanto descompressão (práxis)[15].

 O título geral desse texto ainda nos remete à ideia de que a Sociedade nos leva a pensar imediatamente em educação: seja (i) enquanto mecanismos de reprodução social, pacificação e controle social, ou na educação para o trabalho – não há registro antropológico de alguma sociedade que não tenha feito ou que hoje não promova alguma forma de educação para o trabalho – ou, talvez, seguindo-se a moda pós-moderna aplicada à educação financeira (para crianças pobres e famintas); seja (ii) sob a chancela de uma educação crítica, inclusiva, dirigida à liberdade, à autonomia e à emancipação (política); seja (iii) nas polarizações apresentadas entre escolarização e desescolarização ou entre ensino bancário e educação emancipadora. É preciso ter clareza de que emancipação e autonomia se articulam, aproximam-se, podem/devem andar juntas, entretanto, não apenas não são sinônimos como ocorre de se pronunciarem em termos até mesmo antitéticos, opostos, contraditórios.

Pensar é agir

Em termos de educação, é possível dizer-se que nosso objeto de trabalho é baseado, iniciado, em ideias, pensamentos, conceitos, articulações mentais, reflexões, teorias (ou ideologias). Neste sentido, que vale para todas as atividades da vida humana, pensamento é ação. De um modo ou de outro, agindo, interagindo, ou se recusando à ação, como uma forma de inação, é o pensamento quem nos guia. Outra questão a se refletir é sobre as bases materiais que gerem, impulsionam, nossas ideias e reflexões (ações). Quando temos uma obrigação para agir e o fazemos (ou não fazemos) aí está agindo um conjunto de valores, perspectivas, sonhos, objetivos, projeções, conformações sociais, culturais, políticas. Prestar socorro é uma “obrigação de fazer”, não há escapatória, e o crime praticado na recusa (inação) é chamado de “omissão de socorro”[16]. E, então, chamemos isso de ação positiva (prestar socorro se e quando necessário a qualquer pessoa) e de ação negativa (deixar de fazer, quando se é obrigado/a). No mesmo sentido apontado, deve-se entender o ditado popular quando diz: “Em briga de homem e mulher, ninguém mete a colher”. Só que aqui temos que indicar o erro grave e profundo na formulação, pois, ali estaria evidente a ocorrência de violência contra a mulher, a misoginia e talvez até mesmo a tentativa de feminicídio. Logo, a obrigação de fazer, agir, é conjunta a todos os indivíduos presentes, fazendo-se cessar de imediato as agressões (físicas, morais, étnicas) e requisitando o policiamento. A violência contra idosos, crianças, animais, obrigatoriamente, deve seguir o mesmo rito, assim como a denúncia aos órgãos competentes em caso de homofobia, racismo, misoginia, assédios morais ou sexuais. Além do que cabe a todos nós a denúncia da desigualdade, de todas as formas de discriminação, preconceito ou de privilégios (que não se confundem com prerrogativas). Isso nos remete à entropia social, uma vez que, com o aprofundamento disso, é a violência que prospera, bem como a negação dos direitos humanos, o caos e a barbárie social, a menorização da dignidade humana, e a pujança dos meios e dos mecanismos de exceção.

O agir como aprendizagem

Como viemos abordando, no âmbito educacional, a produção do trabalho no ambiente escolar, seja no Ensino Básico (Fundamental e Médio) ou no Ensino Superior (graduação e pós-graduação), ao articular pensamentos com produções mentais e reflexivas, configura-se o conhecimento como um processo efetivamente aplicado. Assim, a produção em sala de aula não se apresenta de forma neutra ou despersonalizada; ao contrário, constitui-se como uma produção humana que reflete ideias, desejos, ambições, crenças e ideologias de quem a realiza. Portanto, a educação não é neutra. A educação é política.

O próprio fato de pensarmos o conhecimento – como, por quem, onde, com quais meios, porque é feito assim e não de outro modo –, per si, notabiliza uma ação política. Todavia, desenvolve-se uma forma de entendimento (não só produção, mas também entranhamento: “trazer, tomar para si”) que nos revela uma visão de mundo: como vemos e a partir do que conseguimos ver. Portanto, “pensar o conhecimento” é uma ação política. Trata-se de transformar o conhecimento em pensamento (“autoconhecimento do conhecimento científico[17]) e isso nos indica que há uma epistemologia política.

Assim, toda educação é, em alguma medida, um ato político; não há neutralidade na prática educativa, mas escolhas e oportunidades para manter uma realidade problemática ou buscar transformá-la (FREIRE, 2019)[18]. A partir dessa perspectiva, a produção educacional atua como promotora de uma interpretação crítica do mundo, possibilitando-se a compreensão das relações existentes na sociedade.

Nesse mesmo sentido, no momento social e político atual, observa-se o avanço do negacionismo e de outras vertentes que buscam descaracterizar e reduzir a educação e as produções científicas, bem como a despolitização do debate científico, frequentemente deslocado para o campo das disputas ideológicas. Esse movimento contribui para a tentativa de neutralização do papel crítico da escola e da educação.

Percebe-se, portanto, a essencialidade, e a potência, do ambiente escolar (bem como as razões pelas quais esse o sistema educacional tende a ser tão perseguido e desvalorizado de diversas formas ao longo da história brasileira), tanto na educação básica quanto no ensino superior, porque são espaços, campos, de formação e permanência de sujeitos capazes de pensar e analisar criticamente os processos ao seu redor.

Contudo, é justamente essa capacidade crítica, produzida nessas instituições, que também alimenta o combate ao negacionismo, evidenciando-se disputas, lutas políticas constantes em torno da valorização da ciência e da educação. Nesse cenário, torna-se fundamental seguir investindo e produzindo conhecimento científico, não apenas na condição de “estudantes”, mas como cientistas e agentes ativos na construção do saber.

A última consideração a ser feita, por hora, frisa que uma ementa nunca é apenas uma ementa – sempre há rascunhos em meio ao resumo que a ementa nos apresenta. E, por muitas vezes, é para esses rascunhos, as pegadas invisíveis, as marcas embaixo do relevo, que devemos direcionar nossa atenção enquanto educadores, cientistas, pesquisadoras e pesquisadores.

[1] Podemos entender que o subtítulo fornece possibilidades de outras conexões: é óbvio que o Estado está para o Direito, mas também está para a regulação do capital (ou não). Assim como a Sociedade aspira por mais ou menos democracia. Do mesmo modo, seguindo-se essa provocação podemos pensar como o capital (hegemônico em certa época) impõem condições específicas tanto à sociedade quanto à forma política: sob o domínio econômico das Big Techs vemos um Estado-plataforma, com avanço incontrolável da exploração mais brutal da força de trabalho já praticada (da uberização ao regime conhecido como 9-9-6). Exemplos claros estão na análise das Big Techs pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e nos projetos legislativos que visam coibir o fenômeno chamado de “adultização” e de abuso contra menores. Em outra referência, no passado não distante e em parte do presente, temos a atuação do Capitalismo Monopolista de Estado e, no Brasil, especificamente, prolifera um pensamento escravista: racismo lancinante associado à exploração do trabalho análogo à escravidão.

[2] Disciplina ofertada nas licenciaturas da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

[3] BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas – Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. 3. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

[4] Propomos manter como premissa algum diferencial entre Autonomia (FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021) e Emancipação e, para tanto, uma das necessidades indica o entendimento do que é Descompressão: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[5] https://www.ded.ufscar.br/pt-br/disciplinas/educacao-e-sociedade. Acesso em 25/12/2025.

[6] Temos um vídeo aula sobre formação social brasileira e Estado: https://www.youtube.com/watch?v=s8wdN84SCdA&t=712s. Acesso em 25/12/2025.

[7] Esboçamos diferenças iniciais entre técnica e tecnologia, ao menos em três notas: 1) https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 25/12/2025. 2) https://www.fcw.org.br/culturacientifica10/vin%C3%ADcio-martinez. Acesso em 25/12/2025. 3) https://ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/660338-tecnofacismo-do-radio-de-pilha-nazista-as-redes-antissociais-a-transformacao-monstruosa-humana-entrevista-especial-com-vinicio-carrilho-martinez. Acesso em 25/12/2025.

[8] Aprofundamos essa perspectiva – que denominamos de normalização do looping da exceção – na tese do concurso de titularidade na UFSCar: MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K (709 páginas).

[9] Uma de nossas mais atuais abordagens conceituais transita pelo conceito de Capitalismo Digital, mas em outra roupagem, mais ampla do que a prevista na economia financeira: 1) https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/conceito-de-capitalismo-digital. Acesso em 25/12/2025. 2) https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/ela-pensa-a-inteligencia-desumana. Acesso em 25/12/2025. 3) https://ademocracia.com.br/2025/10/29/inteligencia-degenerativa/. Acesso em 25/12/2025.

[10] Nos referenciamos pela Pedagogia do Oprimido: FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

[11] Nossa abordagem teórica referente à disciplina Educação e Sociedade, acompanhada de mapa conceitual, encontra-se disponível: https://www.rehcol.com/index.php/rehcol/article/view/82. Acesso em 25/12/2025. Martinez, V. C. (2025). EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: SOCIEDADE – ESTADO – CAPITAL SOCIOLOGIA GERAL (E POLÍTICA). REVISTA COLOMBIANA DE CIÊNCIAS E HUMANIDADES (REHCOL), 2(4), 1–22. https://doi.org/10.5281/zenodo.17059742.

[12] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/capitalismo-digital-mais-valia-onirica. Acesso em 25/12/2025. Acesso em 26/12/2025.

[13] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/pensamento-escravista-no-seculo-xxi-exploracao-do-trabalho-e-a-hegemonica-violencia-contra-os-direitos-humanos. Acesso em 26/12/2025.

[14] https://aterraeredonda.com.br/por-uma-educacao-com-partido/. Acesso em 26/12/2025.

[15] https://aterraeredonda.com.br/socialismo-ambiental/. Acesso em 26/12/2025.

[16] Essa obrigação de fazer recai sobre todos os indivíduos presentes, sem exceção – porém, basta que haja uma única iniciativa positiva para que os demais sejam contemplados.

[17] MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1996. A primeira edição data de 1982.

[18] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 67. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

Globo fdp: Powerpoint tendencioso protege criminosos e culpabiliza Lula

GloboNews omite ligações de Nikolas Ferreira e Ciro Nogueira com Vorcaro e repete estratégia usada na Lava Jato para atacar o atual presidente

A tensão em torno das investigações sobre o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro, ganhou um novo capítulo nesta semana após acusações de parcialidade editorial contra a GloboNews. A emissora divulgou uma apresentação em PowerPoint com o objetivo de direcionar a narrativa do escândalo financeiro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que minimizou as conexões de figuras da oposição com o banqueiro

A denúncia foi veiculada por um perfil da rede social X, que classificou o material da emissora carioca como uma “manipulação canalha” da GloboNews sobre as relações de Vorcaro com o mundo político. O usuário questionou a seletividade da cobertura ao contrastar as escolhas editoriais da emissora: de um lado, a narrativa de que o presidente Lula teria pedido ao Banco Central uma análise técnica sobre o Master — e que o chefe da instituição, Gabriel Galípolo, teria encaminhado um processo de liquidação da instituição —; do outro, informações que, segundo a publicação, foram deliberadamente silenciadas.

Entre os pontos levantados destacam-se duas conexões envolvendo membros da oposição. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria apresentado um projeto de lei que, supostamente, beneficiaria a instituição financeira. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes do bolsonarismo, teria utilizado uma aeronave pertencente a Vorcaro durante sua campanha eleitoral.

O caso Banco Master tem movimentado Brasília em função da possibilidade de que Vorcaro firme um acordo de delação premiada. Caso confirmado, o empresário poderá revelar detalhes sobre os vínculos entre a instituição e agentes do poder político, o que elevou o nível de atenção de diferentes setores do espectro partidário ao desenvolvimento da crise bancária.

A polêmica sobre a cobertura da GloboNews evidencia um fenômeno recorrente no jornalismo brasileiro: a disputa pela moldura narrativa de crises financeiras com implicações políticas. Quando os fatos envolvem múltiplos atores de campos opostos, a escolha de quem aparece no centro da história — e quem fica nas margens — é, por si só, um ato editorial carregado de consequências. Nesse contexto, a seletividade no uso de dados e conexões passa a ser tão relevante quanto os próprios fatos apurados.

PowerPoint como arma política, uma estratégia que se repete

O recurso ao PowerPoint adotado pela Globo no caso Banco Master não é novidade no cenário político brasileiro — e tampouco parece casual. A mesma ferramenta foi utilizada como peça central de uma das ofensivas mais emblemáticas da história jurídica recente do país: a acusação formulada pela Operação Lava Jato contra o então ex-presidente Lula, em 2016.

Naquela ocasião, foi o Ministério Público Federal do Paraná, sob o comando do procurador Deltan Dallagnol — que atuava como coordenador do grupo de procuradores à frente das investigações — quem lançou mão da apresentação de slides para imputar ao petista o recebimento de um apartamento da construtora OAS como suposto pagamento de propina. A acusação ganhou enorme repercussão midiática, mas carecia de sustentação probatória sólida — fato que o próprio MPF-PR admitiu publicamente.

Foi o procurador Henrique Pozzobon quem verbalizou, sem rodeios, a fragilidade do material reunido contra Lula: “não teremos aqui provas cabais”, declarou, reconhecendo abertamente a ausência de evidências conclusivas para embasar as acusações que haviam sido alardeadas. A confissão, no entanto, não impediu que as consequências políticas e jurídicas recaíssem sobre o líder petista.

O desfecho do processo só viria anos depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou a suspeição do então juiz Sérgio Moro, responsável pelas condenações no âmbito da Lava Jato, o que resultou na devolução dos direitos políticos de Lula — reconhecendo, na prática, os vícios que contaminaram aquele processo desde a origem.

Delação, fraude bilionária e escândalo de bens ocultos

A transferência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal sinaliza que o empresário está em vias de fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. O movimento representa uma virada significativa em um caso que a própria PF estima ter movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em supostas fraudes financeiras.

No âmbito da investigação, os agentes federais passaram a concentrar esforços na análise minuciosa de comunicações e transferências bancárias associadas a Vorcaro e ao seu cunhado, Fabiano Zettel. O foco recai sobre possíveis repasses a figuras do mundo político e sobre irregularidades de natureza financeira que ainda estão sendo mapeadas pelos investigadores.

O histórico recente do empresário é marcado por uma série de episódios polêmicos. Um dos mais impactantes envolve a transferência de um patrimônio superior a US$ 100 milhões — montante que supera R$ 520 milhões na conversão atual — para Martha Graeff, com quem Vorcaro chegou a ser noivo. A movimentação veio à tona a partir de mensagens trocadas entre os dois, cujo conteúdo foi posteriormente encaminhado à CPI do INSS.

O mesmo material trouxe à luz outras revelações graves: registros de ameaças dirigidas tanto a jornalistas quanto a uma funcionária doméstica, além de evidências de que mais de R$ 2,2 bilhões teriam sido ocultados em uma conta bancária aberta em nome do pai do empresário. O peso dessas descobertas foi suficiente para que o Judiciário determinasse o retorno de Vorcaro ao sistema prisional.

Do Brasil 247

CPMI do INSS rejeita todas as oitivas da Igreja da Lagoinha mesmo após sucessivos requerimentos

Os dados reunidos nos requerimentos apresentados à CPMI do INSS mostram um padrão claro e controverso. Foram protocolados diversos pedidos para ouvir representantes ligados à Igreja da Lagoinha, incluindo o pastor André Valadão e estruturas associadas como o Clava Forte Bank. Apesar da quantidade de elementos citados nos relatórios, todas as solicitações de oitiva foram rejeitadas.

A repetição das negativas chama atenção porque ocorre justamente em um dos núcleos mais mencionados nos documentos de inteligência financeira. Nenhum dos pedidos avançou, mesmo com a insistência dos parlamentares responsáveis pelos requerimentos.

Os elementos que motivaram os pedidos de oitiva

Os requerimentos têm como base registros do COAF e apontamentos da Controladoria-Geral da União que identificaram movimentações consideradas atípicas e compatíveis com possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

No caso da Igreja da Lagoinha, os dados indicam proximidade com os chamados “Golden Boys” (Felipe Macedo, Américo Monte e Anderson Cordeiro) apontados como centrais nas movimentações suspeitas.

Também é destacado que, em 2024, a igreja recebeu patrocínio de Felipe Macedo para um evento de Réveillon realizado no Allianz Parque, período descrito nos documentos como o auge das irregularidades envolvendo descontos indevidos.

Outro ponto relevante envolve o Clava Forte Bank S/A, ligado a André Valadão. Há questionamentos sobre o possível papel da instituição como intermediadora ou receptora de valores oriundos das fraudes investigadas. O fato de o site da empresa ter saído do ar no mesmo dia da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também foi incluído nos elementos apresentados.

Essas conexões fundamentaram os requerimentos que pediam esclarecimentos diretos por meio de oitivas.

André Valadão, líder da Lagoinha, e Nikolas Ferreira em avião de Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

Um padrão diferente do restante da investigação

Enquanto os pedidos relacionados à Igreja da Lagoinha foram barrados integralmente, outros alvos com base em movimentações financeiras semelhantes foram incluídos nas investigações e tiveram requerimentos aceitos.

Os dados mostram, por exemplo, que a Sete Church recebeu R$ 370.338,00 de Anderson Cordeiro e mais R$ 124.000,00 de Américo Monte. A Adoração Church movimentou mais de R$ 5 milhões em sete meses. A Igreja Campo de Anotote recebeu R$ 200.000,00 antes mesmo de sua formalização oficial. Já o Ministério do Renovo aparece com movimentações superiores a R$ 500 mil, incompatíveis com a renda declarada de seu dirigente.

Mesmo diante desse conjunto amplo de informações, o caso da Lagoinha seguiu um caminho distinto dentro da comissão.

As justificativas para as rejeições

As negativas às oitivas foram atribuídas, nos debates internos, à ausência de provas conclusivas e à necessidade de priorização de outros alvos. Também foi mencionado que os requerimentos apontariam indícios, mas não elementos suficientes para convocação imediata.

No entanto, os próprios documentos utilizados nos pedidos afirmam que, considerando a natureza das atividades, vínculos operacionais e enquadramento societário, é provável que as movimentações identificadas configurem canais de circulação de valores desviados do esquema do INSS.

Essa avaliação técnica foi um dos principais argumentos para a apresentação das solicitações.

O banqueiro Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, listado como presidente da Igreja Lagoinha Belvedere na Receita Federal. Foto: reprodução

O pano de fundo financeiro das suspeitas

As investigações se conectam a falhas estruturais identificadas pela CGU no sistema de crédito consignado vinculado ao Auxílio Brasil em 2022.

O relatório aponta que mais de 3,6 milhões de contratos foram firmados em poucos meses, com movimentação de R$ 7,6 bilhões, principalmente pela Caixa. Também foram identificadas falhas na integração entre Dataprev e sistema bancário, erros na averbação de parcelas e descontos indevidos em benefícios de famílias vulneráveis.

A ausência de estudos técnicos para definição de juros e limites de comprometimento da renda agravou o cenário. Em alguns casos, os descontos chegaram a comprometer até 40% do benefício.

O ponto central da controvérsia

Dentro desse contexto, a rejeição total das oitivas ligadas à Igreja da Lagoinha se tornou um dos principais pontos de tensão na CPMI.

Os dados mostram que não se trata de um pedido isolado recusado, mas de uma sequência completa de negativas. Todas as tentativas de ouvir representantes da igreja foram barradas, mesmo com a apresentação de relatórios, registros financeiros e conexões diretas com investigados.

O resultado é que um dos núcleos mais citados nos requerimentos permanece sem esclarecimentos formais na comissão, enquanto outras frentes avançam normalmente.

Mãe de Adriano da Nóbrega, ex-assessora de Flávio é denunciada por lavar dinheiro da milícia

Uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sob acusação de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2022 durante uma operação policial na Bahia. A denúncia foi apresentada nesta quinta (19).

Segundo o MP-RJ, Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nórbrega, integrou uma rede formada por pessoas e empresas usada para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”. A investigação aponta que o grupo utilizou negócios de fachada para esconder recursos obtidos com atividades ilegais.

Raimunda trabalhou como assessora de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) entre abril de 2016 e novembro de 2018. Ela já havia sido citada no caso das chamadas “rachadinhas” investigadas pelo MP, que acabou arquivado após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam provas.

O miliciano Adriano da Nóbrega. Foto: Divulgação/Polícia Civil

De acordo com a denúncia, Adriano da Nóbrega controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em associação com o bicheiro Bernardo Bello. As apurações indicam que quatro empresas ligadas ao esquema movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões.

“Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirmou o MP.

O órgão também denunciou o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ), acusado de adquirir bens que pertenciam ao miliciano após sua morte. Segundo a Promotoria, o parlamentar e a viúva de Adriano, Julia Lotuffo, teriam conhecimento da origem ilegal dos recursos envolvidos na negociação.

Ao todo, foram apresentadas três denúncias relacionadas às atividades atribuídas ao grupo. “A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega”, informou o MP.

DCM

Congresso Nacional já teme possível delação de Vorcaro, do Master

Mudanças na defesa de Daniel Vorcaro e diálogo com STF e PF ampliam expectativa por acordo que pode atingir diversas autoridades

As expectativas sobre uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ganharam força no Congresso Nacional após movimentos recentes que indicam mudança de estratégia jurídica. Entre os fatores que impulsionaram esse cenário estão a troca na equipe de defesa e reuniões do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e com a Polícia Federal. As conversas incluíram a possibilidade de um acordo de colaboração, segundo o Metrópoles.

A hipótese de delação surge em meio ao avanço das investigações que atingem o empresário, que já é alvo de inquéritos na Polícia Federal, além de apurações conduzidas pela CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado. Parlamentares que acompanham os trabalhos afirmam que o material obtido por meio de quebras de sigilo aponta para uma suposta “infiltração” do banqueiro em diferentes esferas do poder.

De acordo com relatos de integrantes da CPMI, uma nova leva de dados armazenada em uma sala-cofre revelou registros considerados sensíveis, incluindo documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo um parlamentar, teriam caráter sigiloso. Outros congressistas afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com autoridades, incluindo ministros do STF, além de registros fotográficos em eventos sociais com figuras públicas.

O acesso ao material, que soma mais de 400 GB de dados obtidos junto à Apple, foi liberado inicialmente para parlamentares e assessores. No entanto, após suspeitas de vazamentos, o ministro André Mendonça determinou a retirada dos dados da sala-cofre. A Polícia Federal realizou a coleta do material, embora posteriormente tenha informado que parte das informações foi reinserida no sistema do Senado.

O ambiente no Congresso é de apreensão diante do alcance que uma eventual delação pode ter. Parlamentares de diferentes correntes políticas buscam se distanciar de qualquer associação com os fatos investigados. Um líder da Câmara, sob reserva, defendeu o acordo como forma de esclarecer as suspeitas. “Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.

Por outro lado, há receio de que a colaboração possa gerar instabilidade institucional. Um parlamentar do centrão avaliou que o cenário pode sair do controle. “É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.

As tratativas para uma possível delação já foram levadas tanto ao STF quanto à Polícia Federal. Ao ministro André Mendonça, o advogado José Luís Oliveira Lima apresentou o acordo como alternativa em análise. Já à PF, indicou a intenção de formalizar uma colaboração que descreveu como “séria e completa”, com disposição do cliente de fornecer todas as informações disponíveis.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal em Brasília, sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras. Ao determinar a prisão, o ministro André Mendonça apontou risco de interferência nas investigações, decisão posteriormente confirmada pela Segunda Turma do STF.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master — liquidado pelo Banco Central — pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão irregular de certificados de depósito bancário (CDBs). O Banco Central informou que a instituição descumpriu normas que regem o funcionamento das entidades do Sistema Financeiro Nacional, ampliando a gravidade do caso que agora mobiliza o Congresso Nacional.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

João Campos fecha chapa

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), deu um importante passo na sua candidatura ao governo de Pernambuco nesta quarta-feira, 18, ao fechar acordo com o senador Humberto Costa (PT) a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), para que sejam seus candidatos ao Senado. O movimento foi confirmado para VEJA por fontes ligadas aos políticos e posiciona a chapa mais à esquerda, garantindo total proximidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o pleito.

A letargia do PT

O que mais chama atenção neste momento não é o barulho das manchetes… é o silêncio.
As narrativas já estão circulando, os ruídos só aumentam e, mesmo assim, ainda falta alguém aparecer para falar com clareza ao país. Depois de tudo que o Brasil já viveu, ficar calado diante de versões e especulações não é prudência — é abrir espaço para que outros contem a história do jeito que quiserem. Em política, silêncio raramente resolve crise. Muitas vezes, só alimenta ainda mais as dúvidas.

A letargia do PT 2

Lula não vai acordar até perder a eleição, isso dá muita raiva porque ele está resistindo em ir pra cima, usar o horário nobre, lives diárias. O PT tem uma velharia lá que não se ligou na modernidade ainda.

“Greve” criminosa e política

Ninguém gosta de guerras porque provocam mortes e destruição. Mesmo longe, as guerras atingem outros países como o Brasil. Mas, mesmo não afetando direta e potencialmente os combustíveis no Brasil, alguns donos de postos de gasolina resolverem aumentar os preços. Os governadores que poderiam baixar o ICMS não o fizeram por pura politicagem. Afora isso, fake news projetam os preços até 2 reais acima do que está sendo aplicado nos postos. O resultado de tudo isso é a proposta de uma greve ilegal e imoral programada para a partir de hoje. É ilegal, portanto, os mecanismos de controle vão agir.

“Greve” criminosa e política 2

Multas serão aplicadas se interromperem estradas. Os caminhoneiros que aderirem à essa greve ilegal serão punidos com, além de multas, prejuízos de dias sem trabalhar. Muitos falirão ou terão que passar até fome. Essa é a política bolsonarista. Quanto pior, melhor.

BC corta Selic

A guerra no Oriente Médio e seu impacto sobre os preços do petróleo no mercado global fizeram com que o Banco Central mantivesse a cautela e reduzisse a taxa de juros em apenas 0,25 ponto percentual. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. A decisão marca a primeira queda dos juros desde maio de 2024 e é a primeira flexibilização monetária sob o comando de Gabriel Galípolo. No comunicado, o Banco Central justificou o corte ao afirmar que o aumento no preço do petróleo pode ter impactos inflacionários no país. A votação foi unânime. Para o futuro, não há sinalizações claras. O Copom reafirmou que os próximos passos dependerão de novas informações para aumentar a clareza sobre a “profundidade e a extensão dos conflitos” globais e para garantir a convergência da inflação para a meta. (g1)

EUA mantiveram as taxas de juros

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve foi ainda mais conservador. O Banco Central americano manteve as taxas de juros inalteradas, na faixa de 3,5% a 3,75%, pela segunda reunião consecutiva. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a decisão por lá não foi unânime. No colegiado do Fed, um dirigente votou a favor do corte de juros. Projeções atualizadas indicam divisão entre os membros: parte defende ao menos uma redução ainda neste ano, enquanto outro grupo vê manutenção das taxas ao longo de 2026. O quadro ocorre em meio à pressão inflacionária decorrente da guerra no Irã e a sinais de desaceleração do mercado de trabalho. (Axios)

Incertezas com o petróleo

A precaução dos bancos centrais brasileiros e americanos está ligada diretamente às incertezas em relação ao preço do petróleo, que nesta quarta-feira tensa fechou acima dos US$ 110. A alta se intensificou depois que Israel atingiu o campo de gás South Pars — o maior do mundo, compartilhado por Irã e Qatar — e o Irã respondeu com um ataque a um importante centro de combustíveis no território qatari, causando danos significativos. O aumento das tensões pressionou os preços do gás natural na Europa, que é altamente dependente de importações do Oriente Médio. (Wall Street Journal)

Incertezas com o petróleo 2

E a situação tende a piorar. A possibilidade de o petróleo atingir US$ 200 por barril deixou de ser considerada improvável e passou a integrar o cenário central de analistas do mercado internacional, após a escalada das agressões militares lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Trump ameaçou destruir completamente South Pars caso o país continue com os ataques à infraestrutura de energia do Qatar. (CNN)

Incertezas com o petróleo 3

Por aqui, as pressões decorrentes do aumento do preço do petróleo não se resumem à política monetária. Caminhoneiros de todo o Brasil ampliaram a pressão sobre o governo federal para que seja encontrada uma maneira de frear o aumento do diesel. Líderes da categoria dizem que só irão descartar uma paralisação nacional se o governo cumprir a promessa de encontrar uma forma de reduzir o preço do combustível. (CNN Brasil)

Incertezas com o petróleo 4

O governo federal, por sua vez, propôs aos estados que zerem o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, sendo que metade das perdas de arrecadação seria compensada pela União. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação de diesel custará R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1,5 bilhão aos estados por mês. (g1)

Incertezas com o petróleo 5

Em outro front, a Petrobras decidiu suspender o leilão de diesel previsto para esta semana e reavaliar seus estoques, em meio à volatilidade do mercado internacional. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, a medida busca evitar o risco de desabastecimento. (Globo)

Delação premiada

O novo advogado de Daniel VorcaroJosé de Oliveira Lima, procurou a Polícia Federal e o STF para sinalizar que seu cliente está disposto a negociar um acordo de delação premiada. A iniciativa ocorre após a formação de maioria na Segunda Turma do STF pela manutenção da prisão do banqueiro. Vorcaro indicou que pretende colaborar amplamente com as investigações, sem restrições quanto a possíveis implicados. O movimento busca abrir caminho para uma negociação formal com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). (Globo)

Delação premiada 2

Vorcaro, no entanto, indicou a interlocutores que não pretende envolver ministros do STF em um eventual acordo de delação premiada. A avaliação dele é de que qualquer menção a magistrados da Corte exigiria provas robustas de irregularidades, sob risco de rejeição do acordo pela PGR, pela PF ou pelo próprio Supremo. (Folha)

Prorrogação por 60 dias

E o ministro do STF André Mendonça determinou a prorrogação por 60 dias do inquérito que investiga o caso Banco Master. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, apresentado na véspera, que apontou a necessidade de novas diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos sob apuração. (g1)

Lagoinha recebeu R$ 41 milhões

O pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizou 54 transferências que somam R$ 40,9 milhões para a unidade Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, que teve suas atividades encerradas no último domingo (15). Os repasses ocorreram entre outubro de 2024 e janeiro de 2025 e constam em extratos bancários enviados à CPI do INSS.

Lagoinha recebeu R$ 41 milhões 2

De acordo com informações obtidas pela Folha, o primeiro envio no valor de R$ 2 milhões, foi feito em 17 de outubro de 2024, pouco mais de um mês após a abertura da unidade, registrada em setembro do mesmo ano. Zettel figurava como presidente da igreja no cadastro da Receita Federal e atuava como pastor voluntário até ser afastado em novembro, após a deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades ligadas ao Banco Master.

Presidente da CPI do INSS defende Lagoinha

O senador bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), negou que a Igreja Batista da Lagoinha tenha recebido dinheiro proveniente de desvios do esquema. A instituição religiosa é do pastor bolsonarista André Valadão.

Presidente da CPI do INSS defende Lagoinha  2

“Não há até o momento qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS. Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, que ele deixava separado e que estava numa ligação com o Márcio e que teve das explicações já foi convocado e eu espero que ele venha”, declarou Viana a jornalistas.

CPMI focando só no Lulinha

Enquanto isso a CPMI do INSS continua blindando os responsáveis pelo roubo bilionário e focando só no Lulinha. Os verdadeiros ladrões estão no comando da CPMI, inclusive o presidente dela.

Enquanto isso…

O Centrão trabalha para barrar a prorrogação da CPI do INSS. O Centrão quer estancar a CPI antes que ela avance sobre as ligações do Banco Master com as fraudes no INSS. (Globo)

Moro ao governo do Paraná

O senador Sergio Moro acertou sua filiação ao PL e deve disputar o governo do Paraná com apoio do partido e do senador Flávio Bolsonaro. A mudança de legenda viabiliza a candidatura, já que, no União Brasil, Moro enfrentava dificuldades para garantir espaço na eleição estadual, apesar de liderar as pesquisas no estado. (Globo)

 “Ameaça iminente”

A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou que cabe ao presidente Donald Trump definir o que constitui uma “ameaça iminente”, em meio a questionamentos sobre a justificativa da guerra contra o Irã. A declaração foi feita durante uma audiência no Senado, na qual Gabbard foi pressionada a conciliar a posição do governo com avaliações internas de inteligência que indicavam a ausência de risco imediato por parte de Teerã. Na prática, a fala transfere ao presidente a prerrogativa de interpretar ameaças à segurança nacional, tradicionalmente atribuída à comunidade de inteligência. (New York Times)

Democracia dos Estados Unidos despencou

Pedro Doria: “O relatório V-Dem 2025 traz um dado assustador: a democracia dos Estados Unidos despencou a uma velocidade nunca vista antes, ficando, pela primeira vez, abaixo da democracia brasileira. O que aconteceu com as instituições americanas?”. (Meio)

Saneamento básico

Mais da metade das 100 cidades brasileiras mais populosas investe menos de R$ 100 por pessoa anualmente em saneamento básico. É o que mostra um levantamento realizado com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024. O valor investido por 51 desses municípios fica muito abaixo dos R$ 225 necessários para garantir acesso amplo à água tratada e coleta de esgoto até 2033. A média de coleta de esgoto entre os 20 municípios mais bem colocados chega a 98,08%, ante 28,06% entre os 20 piores. Já o tratamento chega a 77,97% no primeiro grupo e 28,36% no segundo. (g1)

 Efeito estufa

As emissões brutas de gases de efeito estufa caíram 16,7% no Brasil, a segunda maior redução da série histórica, iniciada em 1990, passando de 2,576 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2023 para 2,145 bilhões de toneladas em 2024. Dados divulgados pelo Observatório do Clima mostram que as emissões líquidas, após descontar o carbono absorvido por vegetações e áreas protegidas, ficaram em 1,489 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente, queda de 22%. A melhora nos índices é associada à diminuição do desmatamento, principalmente na Amazônia e no Cerrado, ainda que o país continue entre os maiores emissores globais por desmatamento. (Um Só Planeta)

Fórmula 1

A nova temporada da Fórmula 1 está trazendo mudanças significativas nos carros, principalmente nos motores, que agora são elétricos e rodam com um “combustível sustentável avançado”. A nova gasolina da competição, também conhecida como e-fuel, é produzida com compostos sintéticos, resíduos urbanos e até restos de algas e florestas. Como a fórmula da gasolina é composta, basicamente, por carbono e hidrogênio, a ideia da versão artificial desse combustível é de separar o carbono do oxigênio e gerar hidrogênio a partir da eletrólise da água, dispensando o uso de petróleo. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Contato: rk@ademocracia.com.br
Diretor: Roberto Kuppê

Coluna Zona Franca

Fazenda propõe R$ 3 bilhões aos estados para zerar ICMS do diesel

Governo sugere isenção na importação até maio com compensação de 50% aos estados para tentar ampliar oferta e evitar desabastecimento

O Ministério da Fazenda propôs aos estados zerar o ICMS sobre a importação de diesel por tempo limitado, com compensação federal de 50% das perdas de arrecadação. A medida, que teria custo estimado de R$ 3 bilhões para a União e igual valor para os estados, foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo.

A isenção valeria até 31 de maio e teria como foco ampliar a oferta do combustível no país diante de relatos de falta em alguns estados. A proposta foi apresentada pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, em reunião virtual com secretários estaduais de Fazenda nesta quarta-feira (18).

Segundo Durigan, o impacto mensal seria de cerca de R$ 1,5 bilhão para cada lado. Os estados pediram prazo para analisar os números, e o governo federal deve formalizar o plano antes da próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), marcada para 27 de março.

Atualmente, o ICMS sobre o diesel é de R$ 1,17 por litro. Pela proposta, os estados zerariam a alíquota na importação, enquanto a União compensaria metade da renúncia por meio de subvenção. “Os estados apurariam qual é a renúncia de cada estado (…) e a gente poderia fazer uma espécie de subvenção direta”, afirmou Durigan. “A proposta é essa, para cada R$ 1,00 que o estado contribua, que a União contribua com R$ 1,00 também”, acrescentou.

O secretário destacou que cerca de 27% do diesel consumido no Brasil é importado e defendeu que qualquer mudança deve ocorrer em acordo com os estados. “Está todo mundo muito ciente do momento delicado que a gente passa no país (…) e nós estamos fazendo o melhor possível”, disse.

Apesar disso, há resistência entre os estados. Técnicos apontam risco jurídico na diferenciação entre diesel importado e nacional, além de possíveis brechas para fraudes na classificação do produto.

Durigan negou que haja discussão para zerar o ICMS de toda a cadeia de combustíveis e criticou reações antecipadas à proposta. Ele também citou que a alta do petróleo pode elevar receitas estaduais via royalties.

Na mesma reunião, os estados se comprometeram a enviar à Receita Federal listas de devedores contumazes e aprovaram acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para compartilhar, em tempo real, notas fiscais de combustíveis, reforçando a fiscalização do setor.

Do Brasil 247

Lindbergh denuncia “blindagem” a Flávio Bolsonaro e Campos Neto após decisão de Mendonça

Deputado afirma que restrição de acesso da CPMI do INSS ao celular de Vorcaro impede apuração e levanta suspeitas sobre nomes ligados ao Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a figuras políticas citadas no caso.

A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro, investigado no caso.

Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI

A decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. O ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.

Lindbergh aponta contradições e cobra investigação

Lindbergh criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.

O deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na lista”, declarou.

No vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”, disse.

Ele também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.

Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal

A decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.

Segundo Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão Parlamentar”.

Lindbergh, por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo, porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.

O parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.

Do Brasil 247

Supremo condena deputados do PL por corrupção passiva

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (17) dois deputados federais e um suplente do PL pelo crime de corrupção passiva.Por 4 votos a 0, o colegiado formou placar unânime para aceitar a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por cobrança de propina para a liberação de emendas parlamentares.

Conforme a acusação, entre janeiro e agosto de 2020, os deputados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas para o município de São José de Ribamar (MA).

O voto do relator, ministro Cristiano Zanin, prevaleceu no julgamento. Zanin disse que há provas robustas de que os acusados cometeram crime de corrupção passiva ao solicitarem o pagamento de propina ao então prefeito do município José Eudes, que denunciou o caso.

O entendimento foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

O colegiado também decidiu absolver os réus da acusação de organização criminosa.

A sessão de julgamento prossegue para a definição das penas dos condenados.

Livro de escritor brasileiro previu guerra de EUA e Israel contra o Irã?Obra de 2011 intriga leitores com profecias cumpridas

Anos depois de seu lançamento, o romance “O Pomo de Ouro”, do poeta e escritor Augusto Branco, volta a chamar a atenção de leitores e curiosos. A razão? Mais um de seus enigmáticos textos parece ter encontrado eco na realidade, desta vez no tenso cenário geopolítico do Oriente Médio.

Não é de hoje que a linha entre a ficção e a realidade se mostra tênue na obra de Augusto Branco. Publicado originalmente em 2011, O Pomo de Ouro é um thriller que mistura sociedades secretas, teorias da conspiração sobre o September 11 attacks e uma busca por um objeto místico do qual dependeria o futuro da humanidade.

Mas o que verdadeiramente intriga seus leitores, ano após ano, é a série de profecias descritas em seus capítulos que, segundo eles, vêm se materializando no noticiário global.

A mais recente profecia a ganhar destaque nas discussões online é a sétima, que teria previsto o conflito envolvendo IsraelUnited States e Iran. No capítulo intitulado “Chi Csi Stigma”, os protagonistas Eva e Henrique se deparam com versos ditados por uma entidade espiritual:

“Jacob voará com a Águia contra o Leão
para aniquilá-lo, mas o Dragão acolherá o
Leão sob suas asas e Jacob, com a Águia,
se afastará. Antes, porém, muita dor,
sangue e lágrimas”

A princípio, a mensagem cifrada poderia passar despercebida. No entanto, é no capítulo “A Sétima Profecia” que os próprios personagens oferecem a chave para a interpretação, ligando os símbolos a atores geopolíticos reais:

“A sétima profecia diz que Jacob voará com a Águia contra o Leão, mas o Dragão acolherá o Leão, e Jacob com a Águia se afastará. Mas antes de se afastarem haverá muito sangue e lágrimas. Jacob só pode ser Israel que tem o apoio dos Estados Unidos, que é a Águia. O Dragão só pode ser a China, que está pedindo o cessar fogo contra o Irã, que tem o Leão como símbolo!”

Para os leitores que acompanham a tensão no Oriente Médio, a interpretação soa familiar. O “Leão” (Irã) e “Jacob” (Israel) estão em rota de colisão, com a “Águia” (EUA) como aliada de Israel, enquanto o “Dragão” (China) atua nos bastidores da diplomacia internacional, pedindo moderação e um cessar-fogo. A descrição de “muita dor, sangue e lágrimas” antes de um possível recuo ressoa com a escalada de violência que domina as manchetes.

Um histórico de previsões polêmicas

Não é a primeira vez que Augusto Branco, que também é colunista de jornais, tem seus escritos revisitados como “profecias cumpridas”. Antes mesmo da publicação do livro, o autor já havia surpreendido seus leitores com previsões sobre o cenário político brasileiro.

Em uma coluna publicada no jornal Diário da Amazônia e no site Pensador, Branco escreveu, antes da primeira eleição de Dilma Rousseff, o seguinte enigma:

A Estrela Vermelha será louvada pelo povo
E a sacerdotisa que traz o molusco em seu brasão receberá a faixa

Mas subitamente o Sol nascente ofuscará a luz da Estrela
e o que virá em seguida será o poder de temer

Anos depois, o próprio autor decifrou o enigma em suas redes sociais, conectando os símbolos aos acontecimentos políticos. Segundo ele, a “Estrela Vermelha” era o Partido dos Trabalhadores, a “sacerdotisa” era Dilma Rousseff, o “molusco” uma referência a Luiz Inácio Lula da Silva, o “Sol nascente” ao Movimento Democrático Brasileiro (que já utilizou o símbolo em sua logomarca) e o verbo “temer” uma clara alusão a Michel Temer, que assumiu a presidência após o processo de impeachment (o Sol ofuscando a luz da Estrela).

Augusto Branco

Afinal, ficção ou realidade?

O Pomo de Ouro é, em sua essência, um romance de aventura. A trama acompanha Henrique, um Mestre Maçom que se isolou do mundo após descobrir informações perturbadoras sobre os atentados de September 11 attacks. Sua rotina de reclusão é quebrada quando a amiga Eva Cristina pede sua ajuda para decifrar um código deixado por seu pai, um arqueólogo falecido.

Juntos, eles embarcam em uma jornada para encontrar e devolver o lendário “pomo de ouro”, um objeto do qual dependeria o destino da humanidade.

Realidade ou ficção, a obra de Augusto Branco cumpre seu papel de provocar e se consolida como uma leitura obrigatória para os amantes de mistérios, conspirações e narrativas que desafiam a fronteira entre a imaginação e a realidade.

Para os interessados em tirar suas próprias conclusões, o livro está disponível para aquisição através da plataforma Clube de Autores.

https://clubedeautores.com.br/livro/o-pomo-de-ouro-2

O mercado só visa lucro!

0

@viniciocarrilhomartinez

O título é óbvio demais, é a obviedade ululante de Nelson Rodrigues. Por isso vou gastar pouquíssima tinta com esse caso.

Fiquei tentando a explicar por meio de uma analogia, que seria dita por algum professor maldoso que já tive. Ele(s) diria(m) assim: “todo ser vivo come, e faz cocô!”. Sim, teria uma exclamação e, por si, te levaria a pensar no quanto você foi esperto.

Pois bem, vamos dar um crédito a quem formulou essa “crítica”, sem a acidez de algum dos meus antigos professores.

Nesse caso, a sentença viria acompanhada de uma conclusão: “O mercado só visa lucro, por isso, a privatização de serviços essenciais não traz benefícios à população”.

Desde aquelas aulas ácidas que tive, e depois estudando bastante, eu concordo com tudo. Primeiro, “o mercado só visa lucro” (sic) porque estamos sob as regras do capitalismo e o mercado é o seu Deus; então, pela lógica, o mercado não visa o prejuízo” – a não ser que seja o prejuízo do patrimônio público, em vias de privatização.

Neste caso, em segundo lugar, é preciso dizer que nem todo serviço público atende à população. O SUS é um exemplo magnífico de prestação de serviços sociais na saúde pública. O SUS é o oposto da saúde privatizada nos EUA e que, sem planos de saúde, põe mais de 50 milhões de pessoas em estado catastrófico, à beira da rua ou da morte. Então, também concordo com a sentença completa: “O marcado só visa lucro, a privatização não é boa”.

Porém, reforço a ideia de que nem todo serviço público presta atenção nas pessoas pobres e que mais necessitam. Diria até que algumas entidades são criadas pelo Poder Público apenas para empregar os parças ou simplesmente desviar, drenar, dinheiro público. Há muitas com esse perfil.

Em todo caso, desde muito jovem fui obrigado – pela lógica e condição cognitiva – a crer, ver (= com teoria) o mercado destruindo ou privatizando o Estado – a indústria de pedágios em São Paulo conta bem essa história –, além de muitas outras vezes em que o mercado fagocitou o aparato público.

A quintessência capitalista é a obtenção de lucro e se faz isso com a exploração da força de trabalho, com a extração de mais valia, combinando-se com o desregulado comércio consumista e a consequente degradação ambiental. A fórmula econômica mágica é D-M-D’ (Marx no Capital). Hoje os nossos dados digitais também são vendidos.

Enfim, o que se apresenta como crítica severa, aguda, altamente chamativa de nossa atenção (“O mercado só visa lucro”), não passa da descoberta de uma criança de cinco anos.

 

 

 

 

 

“Lula está lidando bem com a crise do STF ao se distanciar do caso”, diz Rui Costa Pimenta

Ele afirma que postura do governo diante do escândalo envolvendo o STF é correta, mas alerta para o desgaste político da associação entre PT e Judiciário

O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está adotando a estratégia correta ao se distanciar do escândalo envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, mas alertou que o desgaste político acumulado pela proximidade entre o governo e o Judiciário pode dificultar a dissociação completa entre os dois. A avaliação foi feita em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (13), durante debate sobre o impacto político da crise institucional no cenário eleitoral brasileiro.

Segundo Rui Costa Pimenta, o governo Lula tem adotado a postura adequada ao defender que as denúncias sejam investigadas e evitar uma defesa automática do Supremo. “Eu acho que ele está lidando da melhor maneira possível. Eu vi as declarações inclusive do Edinho tomando distância do escândalo, propondo que o escândalo seja investigado”, afirmou.

Apesar disso, ele ponderou que o problema pode ir além da simples gestão da crise. Para o dirigente do PCO, o histórico recente de apoio político ao STF por parte do governo e do PT cria dificuldades para separar as duas esferas diante da opinião pública.

“Não sei se, nessa altura dos acontecimentos, isso é só um problema de administração da crise, porque é difícil dissociar o governo Lula do STF”, disse.

Associação política pode gerar desgaste

Na análise de Rui Costa Pimenta, durante os últimos anos o governo e setores do PT defenderam o Supremo como uma instituição central para a defesa da democracia, o que agora torna mais difícil evitar que o desgaste do Judiciário respingue também no governo.

“Nós temos três anos em que o governo Lula apoiou o STF em tudo que o STF fez. O PT elogiava o STF como grande baluarte da democracia”, afirmou.

Ele acrescentou que decisões controversas do tribunal também contribuíram para o desgaste institucional, citando, por exemplo, críticas à condução de processos relacionados aos atos de 8 de janeiro.

Segundo ele, esse conjunto de fatores dificulta que o governo consiga se desvincular completamente da crise.

“Mesmo com toda a negativa do governo, vai ser difícil dissociar o governo Lula do STF”, avaliou.

Escândalo do Banco Master amplia crise

Durante a entrevista, Rui Costa Pimenta também comentou o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, cuja prisão foi mantida pelo Supremo.

Para ele, o caso tende a crescer e atingir setores cada vez mais amplos da política e das instituições brasileiras.

“O caso Vorcaro vai se ampliando como uma mancha de óleo. Ele não para de crescer”, afirmou.

Na avaliação do dirigente do PCO, uma eventual delação premiada poderia ampliar ainda mais o escândalo e provocar uma crise institucional de grandes proporções.

“Se houver delação premiada, isso pode levar o escândalo a proporções inauditas. É um grande escândalo nacional que compromete as instituições”, disse.

Impacto eleitoral preocupa governo

O debate também abordou o impacto eleitoral da crise institucional. Pesquisas recentes indicam aumento da rejeição ao Judiciário e um cenário mais equilibrado nas projeções eleitorais para 2026.

Segundo Rui Costa Pimenta, a deterioração da imagem das instituições pode favorecer forças políticas de oposição que se apresentam como antissistema.

Ele citou o crescimento da direita em diversos países e afirmou que esse fenômeno também se reflete no Brasil.

“O problema é que o PT aparece como um partido do sistema, enquanto a direita tenta ocupar o espaço de crítica ao sistema político”, afirmou.

Na avaliação dele, esse cenário exige uma redefinição estratégica do campo progressista caso queira enfrentar o avanço da direita.

PT precisaria adotar posição mais combativa

Para Rui Costa Pimenta, uma das alternativas para o campo progressista seria assumir uma postura mais combativa em relação à agenda econômica e social.

Ele defendeu que o PT deveria se apresentar com propostas mais claramente voltadas à ampliação de direitos sociais e trabalhistas.

“Se o PT quiser ganhar a eleição, ele precisa aparecer como um partido mais à esquerda e antissistema”, afirmou.

Entre os pontos mencionados por ele estão a rejeição a reformas trabalhistas e previdenciárias e a defesa de políticas voltadas à ampliação dos direitos dos trabalhadores.

“Ele teria que confrontar diretamente esse programa liberal que está sendo apresentado pela direita”, disse.

Polarização política deve se intensificar

Ao final da entrevista, Rui Costa Pimenta avaliou que o ambiente político brasileiro tende a permanecer marcado por forte polarização nos próximos anos.

Segundo ele, a crise de confiança nas instituições e os escândalos políticos recorrentes alimentam a disputa entre forças políticas que tentam se apresentar como alternativas ao sistema.

“A democracia e as instituições estão muito desgastadas. Isso abre espaço para esse tipo de disputa política”, afirmou.

Apesar das dificuldades, ele reiterou que a postura atual do governo Lula diante da crise do STF é, neste momento, a mais prudente.

“O governo fez o certo ao se distanciar e defender a investigação. Defender o STF neste momento seria um verdadeiro suicídio político”, concluiu.

Do Brasil 247

A evidente psicopatia dos Bolsonaros nos pulinhos de júbilo de Flávio com o pai na UTI

No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.

Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.

Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.

O 04, Renan Bolsonaro também não está nem aí com o moribundo pai. O vereador está neste momento nos Estados Unidos com o irmão Eduardo Bolsonaro.

Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?

Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.

Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.

Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.

Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.

A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.

O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.

Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.

DCM

VÍDEO Primeira agenda de Flávio Bolsonaro repercutiu mal: dancinha inoportuna

Flávio pula e dança em palanque enquanto Bolsonaro segue internado na UTI

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, participou na tarde deste sábado (14) de um evento partidário em Ji-Paraná (RO), onde celebrou com dancinha “Noiadance”, cujo nome remete à viciados em drogas (noias), a pré-candidatura de Marcos Rogério (PL-RO) ao governo de Rondônia, enquanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, permanece internado em estado grave na UTI do Hospital DF Star, em Brasília. Flávio foi visto festejando com apoiadores e expressou confiança no futuro político do grupo.

Durante a cerimônia, que marcou o lançamento da pré-campanha de Marcos Rogério, Flávio destacou que o principal objetivo do evento era fortalecer o partido no estado e apresentar um “caminho diferente” para o Brasil. “Estamos aqui para resgatar o país das mãos sujas do PT”, declarou. O senador também afirmou que o encontro teve como foco filiações e o lançamento de pré-candidaturas, incluindo nomes ao Senado como Fernando Máximo (União Brasil-RO) e Bruno Scheid.

Flávio também comentou sobre a situação de saúde de seu pai, que segue na UTI tratando complicações de um quadro respiratório. O ex-presidente apresentou piora no quadro renal, com uma sobrecarga nos rins e possíveis indícios de insuficiência renal, mas seu estado continua estável. O senador, no entanto, reiterou a resistência do ex-presidente, mencionando que ele sempre teve uma saúde robusta. “Ele sempre teve uma saúde de ferro, por isso ele consegue atravessar essas dificuldades”, declarou Flávio.

 

O evento em Ji-Paraná faz parte do giro de Flávio pelo Brasil, com o objetivo de formar alianças políticas para as eleições de 2026. Ele enfatizou que a mobilização tem como foco construir uma chapa “com mais robustez e musculatura”, principalmente no âmbito estadual e senatorial. O PL, ao longo de sua mobilização, procura consolidar uma base forte para a eleição de governadores e senadores alinhados ao seu grupo político.

A declaração de Flávio sobre o estado de saúde de seu pai gerou reações mistas nas redes sociais. Enquanto parte dos apoiadores do senador exalta o comprometimento político do pré-candidato, outros questionam a situação da saúde de Bolsonaro e a aparente desconexão entre o quadro crítico de saúde do ex-presidente e a celebração do filho em eventos públicos. A divulgação do quadro de saúde de Bolsonaro pela equipe médica, no entanto, reflete a seriedade do momento, com os médicos monitorando sua recuperação.

 

DCM

Líbano denuncia Israel por usar glifosato como arma, e Trump declara agrotóxico como ‘essencial para segurança nacional’

0

governo do Líbano anunciou que vai apresentar uma queixa na Organização das Nações Unidas (ONU) contra Israel por causa do uso de substâncias químicas em vilarejos fronteiriços. O ataque ocorreu no dia 1º de fevereiro de 2026 e atingiu comunidades rurais. Exames de laboratório feitos em amostras de solo e água revelaram que os níveis de glifosato na região estão entre 20 e 30 vezes acima do que é permitido pelas normas internacionais.

glifosato é um herbicida que pode causar câncer e danos graves ao meio ambiente. Especialistas afirmam que o uso desse produto em áreas de conflito serve para criar uma “zona tampão” no sul do Líbano. O objetivo seria destruir plantações e matas para facilitar a vigilância militar e afastar o grupo Hezbollah. As autoridades libanesas chamam a ação de “ecocídio”, pois ela acaba com a fertilidade da terra e com a biodiversidade local.

Esse uso de substâncias químicas altamente tóxicas pelo regime israelense não é novo. Silvia Ribeiro, pesquisadora da Alianza Biodiversidad, lembra que a organização Anistia Internacional documentou o uso de fósforo pelas forças israelenses em 2023 nesta mesma região do sul do Líbano. E relaciona essa prática a uma recente ordem executiva do governo dos Estados Unidos, assinada no dia 20 de fevereiro de 2026 pelo presidente Donald Trump, que define o glifosato e o fósforo como material essencial para a segurança nacional.

A nova regra permite que agências estadunidenses ignorem burocracias para garantir a produção e o fornecimento do veneno. O governo alega que o agronegócio depende do produto para manter a produtividade.

A ordem executiva classifica o fósforo elementar e os herbicidas à base de glifosato como materiais essenciais para a segurança nacional dos Estados Unidos. Embora o decreto esteja justificado pela “necessidade de garantir a estabilidade da cadeia de suprimentos de alimentos e a produtividade agrícola do país”, movimentos populares denunciam que a real motivação é a manutenção do maquinário de guerra e o uso dessas substâncias como arma química, violando tratados internacionais sobre o tema.

“O fósforo é usado em parte para o glifosato, mas também é fornecido a duas companhias diretamente bélicas que o utilizam como fósforo branco para fazer munições”, diz Ribeiro. “Com a ordem executiva, Trump garante que se fabriquem as duas substâncias necessárias tanto para fazer glifosato quanto para o uso na guerra”, completa.

“O uso de fósforo branco no Líbano também já foi denunciado por várias organizações internacionais ou comunitárias, entre elas a Anistia Internacional, além do glifosato. Esse uso de tipo bélico está proibido pela convenção sobre o uso de certas armas convencionais”, pontua Ribeiro.

Por sua vez, o ativista alemão, integrante da ONG Coalizão contra os Perigos da Bayer, Jan Pehrke, avalia que, embora o governo dos EUA tenha justificado a “essencialidade” do glifosato com base na “necessidade de garantir a estabilidade da cadeia de abastecimento alimentar e a produtividade agrícola do país”, não há dúvidas quanto ao interesse em incorporar essas substâncias ao arsenal militar do país.

“Atualmente, o glifosato está sendo usado pelo Exército israelense no sul do Líbano para destruir terras agrícolas. O fósforo, base do glifosato, também está sendo usado neste contexto. Não foi à toa que Donald Trump descreveu o fósforo em sua ordem executiva como essencial para a ‘prontidão militar e defesa nacional’. De acordo com o Monitor de Direitos Humanos Euro-Mediterrâneo, 9 mil  hectares de terras agrícolas foram tornados inutilizáveis através de pesticidas ou seus componentes”, relata Pehrke.

Outro aspecto destacado pela pesquisadora Sílvia Ribeiro é a relação econômica de Donald Trump  com a principal empresa produtora das duas substâncias que foram objeto da ordem executiva.

“Por um lado, esta ordem tem relação com garantir os lucros da Bayer, limitando a responsabilidade que a empresa tem pelos processos judiciais nos Estados Unidos e dando-lhe total impunidade para fabricar e vender o produto. É também uma mensagem para todo o continente latino americano de que não podem restringir esta substância, que é um dos principais negócios de lucro da Bayer e de outras empresas. Neste caso, a Bayer é a beneficiada direta e vários estudos e artigos nos Estados Unidos mostraram que o lobby da Bayer levou a esta ordem”, pontua Ribeiro.

Nada novo no front

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida emitiu nota após a revelação do caso, em que condena os ataques químicos, e compara a situação ao uso do famoso “agente laranja”, substância química empregada pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã.

“O ‘agente laranja’ da vez é o glifosato, agrotóxico amplamente utilizado nas lavouras brasileiras e classificado como ‘potencialmente causador de câncer’ pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2015”, denunciou a campanha.

Sílvia Ribeiro aponta que o desenvolvimento dos agrotóxicos guardou sempre uma relação estreita com a indústria da guerra. “Muitos agrotóxicos têm uma origem bélica, ou seja, basicamente foram usados em conflitos armados e guerras para usos hostis e depois se baixou a dose para usá-los na agricultura”, lembra a pesquisadora. “O que está acontecendo é que esta relação entre os agrotóxicos e seu uso em sentido militar não é nova. Sempre houve uma relação estreita”, avalia Ribeiro.

Na mesma linha, Jan Pehrke rememora episódios históricos em que potências militares fizeram amplo uso de substâncias químicas para enfrentar seus inimigos.

“As forças armadas britânicas desenvolveram a estratégia em 1940 ao utilizar herbicidas e outros pesticidas como armas químicas. No início da década de 1950, testaram este conceito de ‘guerra herbicida’ na luta contra o movimento de libertação da Malásia. Mas foi na Guerra do Vietnã que o potencial destrutivo total desta prática militar se tornou aparente. Os Estados Unidos pulverizaram 80 milhões de litros de venenos agrícolas sobre o país. O Exército utilizou-os para desfolhar as selvas a fim de detectar os Viet Congs escondidos mais facilmente, e também utilizou os produtos químicos para destruir as plantações do inimigo”, lembra o ativista, apontando esse último episódio histórico como o principal motivador da regulação internacional sobre o uso dessas substâncias tóxicas.

“A ‘guerra herbicida’ no Vietnã levou à inclusão na Convenção sobre as Armas Químicas de um ‘Critério de Propósito Geral’, segundo o qual qualquer produto químico pode ser considerado uma arma química se for usado contra civis”, pontua Pehrke.

Glifosato é o mais consumido no Brasil

O glifosato é o agrotóxico mais utilizado nas lavouras brasileiras, sobretudo de milho e soja, respondendo por cerca de 33% do total de venenos no país em 2023. Em dezembro de 2025, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos, em ação conjunta com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), protocolou um ofício dirigido à Agência Nacional de Vigiliância Sanitária (Anvisa) solicitando a reavaliação imediata e suspensão do uso de glifosato no Brasil.

O argumento das entidades para o pedido foi a despublicação de um artigo pela revista Regulatory Toxicology and Pharmacology, utilizado pelas autoridades como referência para a liberação desse veneno no Brasil. A retratação do editorial científico veio após a imprensa britânica revelar a interferência direta de empresas farmacêuticas na elaboração do artigo, que minimizava os efeitos desse veneno.

“A revista reconheceu que este artigo teve ‘significativa influência em decisões regulatórias’. No Brasil, ele subsidiou o parecer técnico contratado pela Anvisa em 2016 e a Nota Técnica nº 12/2020, que culminaram na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 441, de 2 de dezembro de 2020, estabelecendo a manutenção do glifosato sem alteração na monografia do ingrediente ativo em relação ao seu potencial cancerígeno”, destacaram as entidades, em nota.

Sílvia Ribeiro lembra que em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou a classificação do glifosato, apontando a substância como provável cancerígeno em humanos e animais. “A partir disso, surgiram muitos outros documentos posteriores que mostram a alta toxicidade do glifosato, tanto como cancerígeno quanto como disruptor neurológico e hormonal que afeta outros órgãos”, explica.

Para a pesquisadora, já passou da hora de essa substância ser banida não só no Brasil. “Em todas as partes do mundo se deve proibir o glifosato porque é o agrotóxico usado para matar ervas mais difundido em nível global. Isto afeta não somente onde se usa nas plantas, mas também todos os cursos de água, a fauna, os microrganismos benéficos e, sobretudo, a saúde de toda a população. No Brasil, se comprovou a presença de resíduos de glifosato até no leite materno, em crianças e nas escolas, principalmente nas zonas de uso intensivo, mas também nas cidades. Com esse nível imenso de uso de glifosato, o Brasil deveria deixar de usá-lo, assim como o 2,4-D e outros que possuem toxicidades diferentes, e que são usados como armas de guerra contra a natureza, contra os cultivos e contra as pessoas”, defende Ribeiro.

Brasil de Fato

Declaração de Trump sobre fim da guerra contra o Irã derruba preços do petróleo

O valor do combustível volta a se aproximar de US$ 90 em meio à volatilidade causada pela guerra no Oriente Médio

Os preços do petróleo no mercado internacional recuaram e voltaram a se aproximar do patamar de US$ 90 por barril, em meio à reação dos investidores às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito envolvendo o Irã. O movimento ocorre em um cenário de grande volatilidade no setor de energia, marcado pela intensificação da guerra no Oriente Médio e pelas incertezas sobre a duração das hostilidades.

De acordo com informações divulgadas pelo Financial Times, os mercados reagiram após Trump afirmar que a guerra com o Irã estaria “very complete” (“muito completa”, em tradução livre). A declaração contribuiu para reduzir parte da pressão sobre os preços do petróleo, que vinham registrando fortes altas nos últimos dias devido ao receio de interrupções no abastecimento global.

Dados recentes mostram que o barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, passou a ser negociado abaixo de US$ 90 após ter alcançado níveis mais elevados durante o agravamento do conflito. A oscilação reflete o temor de que os confrontos possam afetar tanto a produção quanto o transporte de energia na região do Golfo, responsável por uma parcela relevante da oferta mundial.

Conflito pressiona mercados de energia

A guerra envolvendo o Irã e seus adversários tem provocado fortes flutuações nos mercados energéticos. Nos últimos dias, o petróleo registrou uma das maiores valorizações semanais em décadas, impulsionado principalmente pelo receio de que o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz seja interrompido. A passagem marítima é estratégica para o comércio global, já que cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo transita por essa rota.

A tensão geopolítica também afeta o mercado de gás natural e outras cadeias ligadas ao setor energético. Especialistas e autoridades internacionais alertam que eventuais ataques a infraestruturas energéticas ou dificuldades no transporte marítimo podem provocar um choque de oferta, com reflexos diretos sobre inflação, preços de combustíveis e desempenho econômico em diversas regiões do planeta.

Analistas do setor destacam que, apesar da recente retração, os valores do petróleo continuam elevados quando comparados a períodos anteriores e podem voltar a subir caso o conflito se prolongue ou atinja instalações estratégicas.

Temor de impacto global

A instabilidade no Oriente Médio também tem levado grandes economias a discutir possíveis medidas para reduzir os efeitos da crise no mercado energético. Países do G7 sinalizaram a possibilidade de liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo como forma de aliviar a pressão sobre os preços e evitar uma crise mais ampla de abastecimento.

Mesmo diante dessas iniciativas, economistas e analistas alertam que uma guerra prolongada na região pode gerar consequências econômicas relevantes, como aumento da inflação global, encarecimento dos custos de transporte e novas pressões sobre as cadeias produtivas.

Enquanto isso, investidores permanecem atentos a qualquer sinal de agravamento do conflito ou de avanço em negociações diplomáticas, fatores que seguem influenciando as oscilações no mercado internacional de energia.

Do Brasil 247

Quando dizer não pode custar a vida: quatro mulheres por dia

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Tainá Reis – Doutora em Sociologia

Vinício Carrilho Martinez – Doutor em Ciências Sociais

Todos os dias no Brasil quatro mulheres são mortas simplesmente por serem mulheres – inclusive hoje, no Dia Internacional da Mulher. O país registrou em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.568 feminicídios – o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no Código Penal, em 2015.

Diariamente nos noticiários aparecem casos de misoginia, assédio sexual, violência doméstica e feminicídio. Matérias sobre feminicídio se tornam banais, apresentadas entre a parte meteorológica e a de esportes do jornal. Mas para quem vive neste país como mulher, os crimes hediondos não são apenas estatísticas: são um lembrete constante de que a violência está perto, porque o motivo da violência é ser quem se é, uma mulher. Não se trata de um acidente raro, um acaso que tem acontecido repetidamente, pois, é parte de uma estrutura que continua operando.

Essa estrutura também aparece nos gestos cotidianos, nas piadas, nos vídeos que circulam nas redes sociais. Vamos falar sobre uma trend recente: homens simulam nos vídeos um pedido de namoro ou casamento, ajoelham-se com um olhar aparentemente apaixonado; em seguida, encenam a reação caso recebessem um “não” ao pedido, teatralizam agressões (socos, chutes, facadas ou pauladas imaginárias são representadas como resposta à recusa feminina). Esses vídeos circulam nas redes sociais como algo normal, como brincadeira e contam com milhões de visualizações[1]. Aqui há declaração óbvia de incitação ao crime e que, como é o fato em si, também é crime.

As imagens são difíceis de assistir sem produzir um misto de asco, nojo, indignação e cansaço. Isso que alguns chamam de brincadeira revela a persistência da ideia de que a vontade masculina deve se sobrepor à autonomia das mulheres. A recusa feminina é transformada em motivo de violência. Esse tipo de conteúdo está apoiado em uma cultura muito mais antiga, que tem ensinado há séculos que homens e mulheres estão em lugares sociais diferentes e tem direitos diferentes.

Desde cedo, meninos e meninas são socializados em uma lógica que naturaliza a autoridade masculina e associa as mulheres a posições de subordinação. Esse arranjo social tem sido denominado de patriarcado — um sistema no qual os homens concentram poder político, moral e simbólico, enquanto as mulheres são associadas a papéis considerados secundários ou inferiores. Esse sistema não se sustenta apenas por normas ou expectativas sociais, mantém-se também pela violência, como afirmado por autoras como Silvia Federici (2017) e Heleieth Saffioti (1995).

Então, podemos entender que a violência de gênero não é resultado de comportamentos individuais desviantes, mas de relações sociais de dominação e poder. O agressor é um indivíduo, mas a lógica que legitima a violência é coletiva, é aprendida, reproduzida e naturalizada. A lógica da misoginia é exatamente a mesma, não se trata de um sentimento individual de ódio às mulheres, mas de um sistema social que disciplina e pune aquelas que desafiam papéis tradicionais de gênero (aqueles que foram sendo ensinados aos meninos e meninas desde a infância). É uma das faces do dominus (um domínio total, como se dá na propriedade de algo).

A filósofa feminista Kate Manne (2017) afirma que mulheres que reivindicam participação política, independência financeira ou simplesmente autonomia se tornam alvo desse mecanismo de punição simbólica ou física. Isso pode ser confirmado nas investidas dos chamados red pills[2] contra figuras femininas de destaque; no tipo de perseguição sofrida por mulheres na política[3] (lembremos dos ataques misóginos dirigidos à ex-presidenta Dilma Rousseff durante o período do golpe); nos vídeos que satirizam agressões diante do “não” feminino; e, inclusive, nos altos números de feminicídio e de violência doméstica.

Ainda cabe ressaltar que a violência não atinge todas as mulheres de forma homogênea, é preciso atentar para a intersecção entre gênero, raça e classe. Mulheres negras, pobres ou pertencentes a minorias sexuais enfrentam níveis ainda mais intensos de violência e discriminação, conforme Angela Davis (2016) e Patrícia Hill Collins (2019). Essa realidade foi analisada de forma pioneira no Brasil pela intelectual e ativista Lélia González (2020).  Para a autora, a violência contra as mulheres negras deve ser compreendida conjuntamente com a história escravocrata do país.

Durante séculos, os corpos das mulheres negras foram concebidos como propriedade, submetidos à exploração econômica e sexual. Essa racionalidade escravista permanece na cultura brasileira, contribuindo para a naturalização de estereótipos e para a invisibilização do sofrimento dessas mulheres. É também uma explicação para o fato de mais da metade das vítimas de feminicídio serem mulheres negras (Brasil, 2026).

A partir dessa breve retomada sobre algumas reflexões de diferentes autoras feministas e dessa trajetória histórica do país, entende-se que o feminicídio não é apenas um problema contemporâneo. A violência contra as mulheres acompanha a própria formação social brasileira: esteve presente no período escravista, quando mulheres negras eram tratadas como objetos de trabalho e consumo sexual; passa pela lógica patriarcal do pater familias, em que a autoridade masculina (do pai ou do marido) estruturava a vida familiar e controlava a mulher branca; esteve na ação do próprio Estado, como nas torturas abomináveis especificamente cometidas contra mulheres durante a ditadura militar.

É preciso reconhecer que nos últimos anos, o Brasil avançou, no campo jurídico, no combate a essa estrutura, com a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio. Essas conquistas são passos fundamentais no reconhecimento institucional da violência de gênero. Mas os números mostram que as leis não são suficientes – aliás, 13% das mulheres assassinadas em 2025 por feminicídio tinha medidas restritivas urgentes contra os agressores. Ou seja, é preciso mais do que leis para desmontar uma estrutura que se reproduz na cultura, nas relações sociais e nas instituições.

Se entendemos o feminicídio como cristalização de uma estrutura social patriarcal e misógina, a resposta a ele também deve ser estrutural. Mais do que medidas pontuais, o enfrentamento da violência contra as mulheres exige um compromisso político duradouro, com políticas públicas permanentes e coordenação institucional – exige, enfim, uma verdadeira Política de Estado. O fato de quatro mulheres serem assassinadas todos os dias neste país apenas por serem mulheres não é um problema de segurança pública, mas um retrato de relações de poder e hierarquias patriarcais que ainda estruturam a sociedade brasileira.

Referências

Brasil. Senado Federal. Procuradoria Especial da Mulher. Feminicídios crescem 4,7% em 2025; pequenas cidades têm maiores taxas. Brasília, 5 mar. 2026. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/institucional/procuradoria/noticias/feminicidios-crescem-4-7-em-2025-pequenas-cidades-tem-maiores-taxas. Acesso em: 8 mar. 2026.

Collins, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019.

Davis, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

Federici, Silvia. Calibã e a bruxa. São Paulo: Elefante, 2017.

Gonzalez, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

Manne, Kate. Down Girl: The Logic of Misogyny. New York: Oxford University Press, 2017.

Saffiotti, Heleith. Violência de gênero. Poder e impotência. Rio de Janeiro: Revinter, 1995.

[1] Vale dizer que quando alguns vídeos foram denunciados, a Meta afirmou que eles não feriam os protocolos da empresa e por isso não seriam removidos da plataforma. Isso leva mais uma vez à discussão da necessidade de regulamentação da internet.

[2] Red pill é um termo que surge a partir do filme Matrix, uma referência a tomar a “pílula vermelha” como um despertar para uma verdade oculta. Na internet o termo tem sido usado por comunidades masculinas de caráter patriarcais, antifeministas e misóginos, que afirma ter “despertado” para a verdade sobre mulheres.

[3] Sobre violência política de gênero, consultar o documentário ELEITAS l Violência Política de Gênero, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ByyeSfF2SgA

Lindbergh pede que PGR investigue Campos Neto por “omissão dolosa” no caso Master

O deputado federal Lindbergh Farias afirmou que apresentará uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, seja investigado por “omissão dolosa” no caso envolvendo o Banco Master. A manifestação foi feita após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Lindbergh, as informações divulgadas indicam fatos “extremamente graves” relacionados à atuação do grupo investigado. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou: “A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de milícia ultraviolenta organizada para intimidar e praticar violência contra jornalistas.”

Lindbergh relembrou que, à época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havia solicitado providências formais. “À época da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em abril do ano passado, já havíamos apresentado pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República diante de indícios de irregularidades na compra do Master pelo BRB em abril de 2025”, afirmou.

Com a revelação de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, Lindbergh sustenta que há elementos adicionais a serem apurados. Ele mencionou o envolvimento de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, que teriam mantido interlocução direta e frequente com o banqueiro. Para o deputado, o cenário “sugere subordinação da autarquia reguladora aos interesses do banco para favorecer as fraudes do Master”, o que, segundo ele, reforça “a necessidade de apurar o envolvimento pessoal de Roberto Campos Neto”.

Ao anunciar a medida, o parlamentar foi direto: “Por isso, estou apresentando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por omissão dolosa na fiscalização bancária e os indícios de que norma editada durante sua gestão teria facilitado fraudes praticadas pelo Banco Master.”

Prisões e decisão do STF

A prisão de Daniel Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF). O magistrado assumiu a relatoria do caso em substituição a Dias Toffoli, que anteriormente havia decretado a prisão do banqueiro, mas depois a substituiu por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com as investigações, Vorcaro manteria uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro. Em decisão, Mendonça apontou a existência de um grupo denominado “A Turma”, descrito como “estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de pessoas”.

Entre os alvos das conversas reveladas está o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que declarou ser o destinatário das mensagens mencionadas na decisão. Em diálogos transcritos, Vorcaro afirma: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, ao que o interlocutor responde: “Vou fazer isto.” Em outra troca, o banqueiro diz: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, recebendo como resposta: “Pode? Vou olhar isso”, e confirmando em seguida: “Sim.”

Na decisão, Mendonça registrou: “A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados.”

As investigações apontam ainda para possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça. O Fundo Garantidor de Crédito estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados possam ultrapassar R$ 50 bilhões.

Diante desse contexto, Lindbergh sustenta que as revelações exigem apuração também no âmbito das responsabilidades administrativas e institucionais, motivo pelo qual decidiu acionar formalmente a PGR para que investigue a atuação de Campos Neto à frente do Banco Central durante o período mencionado.

Do Brasil 247

Gleisi cobra explicações sobre voos de Nikolas com jato de Vorcaro: “este escândalo é todo de vocês”

Ministra ressalta que campanha de 2022 usou avião vinculado a Daniel Vorcaro sem declarar contribuição ao TSE

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elevou o tom contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao comentar as revelações sobre o uso de um jato executivo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, durante a campanha presidencial de 2022.Em declaração no X, ela questionou a legalidade e a transparência das viagens realizadas em apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno .

As críticas surgem após reportagem revelar que Nikolas Ferreira utilizou um Embraer 505 Phenom 300, aeronave vinculada à empresa Prime You — grupo que à época tinha Daniel Vorcaro em seu quadro societário — para cumprir agenda eleitoral da caravana “Juventude pelo Brasil”.

A mobilização percorreu ao menos nove estados e o Distrito Federal entre 20 e 28 de outubro de 2022, com foco em regiões onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia vencido no primeiro turno.

Em manifestação contundente, Gleisi declarou:  “Quer dizer então que o deputado Nikolas fez campanha para Bolsonaro em 2022 no avião de Daniel Vorcaro, do banco Master? E a campanha nem declarou essa ‘contribuição’ ao TSE… Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fernando Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio. E esse pessoal ainda tem o cinismo de querer jogar no colo dos outros esse escândalo financeiro. Quem fechou os olhos para as falcatruas no Master foi o presidente do BC de Bolsonaro, Roberto Campos Neto. Quem comprou R$ 12 bilhões em papéis podres de Vorcaro foi o BRB do governador Ibaneis, tão bolsonarista como Nikolas. A verdade é que foi somente no governo do presidente Lula que o escândalo foi investigado e desvendado pela PF. E foi a diretoria do BC indicada por Lula que decretou a liquidação do Master. Este escândalo é todo de vocês, deputado Nikolas. A mentira e o cinismo também.”

Entenda o caso – A aeronave utilizada tem capacidade para até dez passageiros. Registros de monitoramento aéreo, com base em sinais ADS-B do transponder do avião, indicam que o jato esteve nos mesmos destinos e datas dos compromissos públicos da caravana eleitoral. Entre os locais identificados estão todas as capitais do Nordeste, além de Brasília, cidades do Vale do Jequitinhonha e do Triângulo Mineiro  Imagens divulgadas nas redes sociais à época mostraram Nikolas ao lado do pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, e de lideranças religiosas em frente à aeronave.

Em uma das publicações, a influenciadora cristã Jey Reis escreveu: “MISSÃO CUMPRIDA!!” e afirmou: “Em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares!!! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível!!! AMAMOS JESUS E AMAMOS O BRASIL!!”

No plano formal, a proprietária do jato é a empresa Prime You. A defesa de Daniel Vorcaro sustentou que a aeronave “não pertence ao banqueiro”, embora ele fosse sócio da companhia no período. Em nota, a empresa declarou: “A aeronave Embraer 505 Phenom 300 de prefixo PT-PVH opera e já operava em outubro de 2022 como taxi aéreo. Estes foram voos fretados dentro dos moldes tradicionais de uma operação de táxi aéreo do mercado. De acordo com as regras de confidencialidade que regem as operações de táxi aéreo, assim como ocorre na aviação comercial, e, também em respeito à LGPD, a empresa não divulga dados sobre os seus usuários e respectivos destinos”

Procurado, Nikolas Ferreira confirmou ter utilizado o avião, mas negou vínculo com Vorcaro ou o Banco Master. “Eu nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou o Master”, declarou.

Do Brasil 247

Acorda, BrasiI: Nikolas e pastor usaram jato ligado a Vorcaro na campanha de 2022

Aeronave da Prime You acompanhou caravana pró-Bolsonaro em nove estados e no DF durante o segundo turno das eleições

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um jato executivo vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, para cumprir agenda de campanha em favor de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, informa Malu Gaspar, do jornal O Globo. As viagens ocorreram ao longo de dez dias e abrangeram ao menos nove estados e o Distrito Federal, integrando a caravana “Juventude pelo Brasil”, organizada com o pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha.

Os deslocamentos coincidem com eventos eleitorais realizados entre 20 e 28 de outubro de 2022, em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia obtido maioria no primeiro turno. O objetivo declarado da mobilização era tentar reverter votos na reta final da disputa presidencial.

A aeronave utilizada foi um Embraer 505 Phenom 300, com capacidade para até dez passageiros. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Nikolas Ferreira ao lado do pastor Guilherme Batista, da pastora Mariel Batista e da influenciadora cristã Jey Reis diante do avião. Ao publicar uma das fotos, Jey escreveu: “MISSÃO CUMPRIDA!!”. Em outro trecho, afirmou: “Em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares!!! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível!!! AMAMOS JESUS E AMAMOS O BRASIL!!”.

O histórico de voos foi confirmado por meio da análise de sinais emitidos pelo transponder da aeronave, captados por ferramentas de monitoramento aéreo disponíveis online. Embora plataformas públicas como FlightAware e Flightradar24 não exibam os dados completos — bloqueados a pedido dos proprietários, prática comum na aviação privada —, registros de tecnologia ADS-B indicam que o jato esteve nos mesmos destinos e datas das agendas públicas da caravana.

Entre os trajetos identificados estão voos para todas as capitais do Nordeste, além de Brasília, cidades do Vale do Jequitinhonha e do Triângulo Mineiro. Em 21 de outubro, por exemplo, o avião estava em Salvador, onde Nikolas e o pastor haviam realizado evento na véspera. No mesmo dia, seguiu para Aracaju. Nos dias seguintes, o jato foi registrado em Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Teresina, São Luís e Imperatriz, acompanhando o roteiro de compromissos políticos.

Na reta final da campanha, a aeronave também decolou de Congonhas com destino a Uberlândia (MG), onde ocorreu ato com a presença de Jair Bolsonaro e do governador Romeu Zema (Novo). No dia seguinte, sinais do transponder detectaram o jato sobre o Vale do Jequitinhonha antes de aterrissar em São Paulo. Horas depois, Nikolas e Guilherme participaram de entrevista no programa Pânico, da Jovem Pan News, enquanto o pastor esteve em Brasília em evento evangélico de apoio ao então presidente.

No papel, a proprietária do jato é a empresa Prime You, grupo que detinha outras aeronaves e bens associados a Daniel Vorcaro. À época, o empresário ainda integrava o quadro societário da companhia. A sociedade foi desfeita em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação do Banco Master.

A defesa de Vorcaro sustentou que a aeronave “não pertence ao banqueiro”, embora ele fosse sócio da Prime You no período citado. Em nota, a empresa afirmou: “A aeronave Embraer 505 Phenom 300 de prefixo PT-PVH opera e já operava em outubro de 2022 como taxi aéreo. Estes foram voos fretados dentro dos moldes tradicionais de uma operação de táxi aéreo do mercado. De acordo com as regras de confidencialidade que regem as operações de táxi aéreo, assim como ocorre na aviação comercial, e, também em respeito à LGPD, a empresa não divulga dados sobre os seus usuários e respectivos destinos”.

Procurado, Nikolas Ferreira confirmou ter utilizado o Embraer 505 Phenom 300, mas afirmou desconhecer que a aeronave estivesse ligada a Vorcaro. “Eu nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou o Master”, declarou. Em nota, acrescentou: “Esclareço que o voo em questão ocorreu há 4 anos atrás, durante o segundo turno da campanha eleitoral, quando fui convidado para participar de um evento político ‘Juventude pelo Brasil’ e foi disponibilizada uma aeronave para o deslocamento. À época, não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião. Minha presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave, que posteriormente se soube tratar-se de Daniel Vocaro. Ressalto ainda que, em 2022, o nome citado não era de conhecimento público nem havia qualquer informação que levantasse qualquer tipo de alerta. Mesmo que houvesse a tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular ou que justificasse questionamento”.

A assessoria do pastor Guilherme Batista foi procurada pelo O Globo, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

Do Brasil 247

Infanticídio: sobe para 180 o número de crianças assassinadas por Trump e Netanyahu no Irã

Ataque atribuído à ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel atinge colégio feminino em Minab e hospital em Teerã, aprofundando crise regional

Subiu para cerca de 180 o número de crianças mortas no ataque contra a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan, sul do Irã. A nova atualização foi divulgada por Hossein Kermanpour, chefe de relações públicas do Ministério da Saúde iraniano, após o bombardeio ocorrido no domingo, no contexto da ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada no sábado.

Segundo informações publicadas pela Al Jazeera, com base em fontes oficiais iranianas, Kermanpour afirmou que o ataque matou “cerca de 180 crianças”. Ele também declarou que o “mesmo tipo” de míssil foi utilizado horas antes contra o Hospital Gandhi, em Teerã, ampliando o alcance da ofensiva.

A nova estimativa supera os 148 mortos inicialmente confirmados por agências estatais iranianas, como a Mizan News Agency, ligada ao Poder Judiciário do país. As autoridades consolidam os números à medida que avançam os trabalhos de resgate.

Escola atingida diretamente

De acordo com a Mizan, a escola foi atingida de forma direta durante a operação militar. O colégio feminino, localizado em Minab, ficou completamente destruído. Equipes de emergência continuam atuando na remoção de escombros e no atendimento aos feridos.

A agência estatal IRNA informou anteriormente que ao menos 63 pessoas haviam ficado feridas. Com a atualização mais recente, as autoridades indicam que o número de vítimas pode continuar crescendo, diante da gravidade dos danos estruturais e da intensidade da explosão.

Imagens divulgadas por autoridades iranianas mostram o prédio escolar reduzido a destroços. O episódio já é apontado como um dos mais letais contra civis desde o início da nova escalada militar na região.

Hospital também foi alvo

Hossein Kermanpour acrescentou que o “mesmo tipo” de míssil empregado no ataque à escola foi usado contra o Hospital Gandhi, na capital iraniana, poucas horas antes. A informação amplia as acusações de que estruturas civis estariam sendo atingidas na ofensiva.

Até o momento, não há confirmação oficial do número de vítimas no ataque ao hospital. O governo iraniano sustenta que os bombardeios fazem parte de uma operação coordenada entre Washington e Tel Aviv.

Irã denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou imagens do local e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”. A declaração reforça a denúncia formal apresentada por Teerã contra os Estados Unidos e Israel.

O episódio aprofunda a crise regional iniciada com a ofensiva militar conjunta e intensifica a pressão internacional por investigações sobre possíveis violações do direito internacional humanitário. O bombardeio contra uma escola primária feminina e contra uma unidade hospitalar coloca no centro do debate o impacto da guerra sobre civis, especialmente crianças.

A consolidação dos números pelas autoridades iranianas ainda está em curso, e novas atualizações podem alterar o balanço final de vítimas.

Do Brasil 247

“Esta noite, o mundo testemunhará o fim da arrogância dos sionistas”, afirma Aiatolá Alireza Arafi

O aiatolá Alireza Arafi foi anunciado como o comandante interino da política do Irã após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Ele prometeu uma resposta imediata à agressão de Israele e Estados Unidos.

“Agora estou assumindo o comando da política do Irã”, declarou Arafi em publicação nas redes sociais. Em seguida, afirmou: “A morte de Ali Khamenei será definitivamente vingada o mais breve possível”.

O novo dirigente também elevou o tom contra Israel ao afirmar: “Esta noite, o mundo testemunhará o fim da arrogância dos sionistas”.

O aiatolá Alireza Arafi foi escolhido como líder supremo interino do Irã e passa a comandar o processo de escolha do novo chefe máximo da República Islâmica.

“O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, afirmou o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi, em uma publicação na rede X. Segundo o comunicado, Arafi ficará à frente do país e foi eleito chefe do Conselho interino de liderança iraniano, com a tarefa de comandar o processo de escolha de um novo líder supremo.

Nascido em 1959 na cidade histórica de Meybod, na província central de Yazd, Arafi tem 67 anos e é um clérigo xiita oriundo de uma família de religiosos islâmicos. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é retratado pela mídia estatal iraniana como alguém próximo ao fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Quando ocorreu a Revolução Islâmica de 1979, Arafi tinha 21 anos e não integrou a chamada “primeira geração de revolucionários”. Seu nome ganhou maior notoriedade após a ascensão de Ali Khamenei ao posto de líder supremo, em 1989.

Do Brasil 247

VÍDEO: Lula presta homenagens às vítimas das enchentes em MG e cobra ações do governo

Neste sábado (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou homenagens às vítimas das enchentes em Minas Gerais, destacando a necessidade de respostas rápidas e eficientes às tragédias causadas pelas chuvas. Durante sua visita à região afetada, Lula ressaltou que a população tem o direito de cobrar ações efetivas do governo federal para amenizar os impactos e garantir a reconstrução das áreas destruídas.

Em um pronunciamento à imprensa, o presidente afirmou que o governo federal está mobilizado para enfrentar os desafios impostos pela calamidade, mas que as autoridades locais também precisam desempenhar um papel fundamental. “A população deve cobrar ações concretas, e nós, do governo, estamos prontos para responder com urgência”, declarou Lula, mencionando os recursos destinados à recuperação das áreas atingidas.

A tragédia nas cidades mineiras deixou um rastro de destruição, com milhares de famílias desabrigadas e perdas significativas para a economia local. Além das vítimas fatais, as inundações afetaram a infraestrutura, interrompendo estradas e deixando grande parte da população sem acesso a serviços essenciais. O governo federal anunciou a liberação de recursos emergenciais para socorro e reconstrução das áreas mais afetadas.

Em sua fala, o presidente também enfatizou a importância da união entre os níveis de governo e a sociedade para superar o momento difícil. “A solidariedade é a chave para a reconstrução. Estamos todos juntos para que essas famílias possam voltar a ter dignidade”, destacou Lula, ao lembrar das medidas que já começaram a ser implementadas para o auxílio aos desabrigados.


Deslizamento de terra em Ubá, Minas Gerais, após fortes chuvas; equipes de resgate trabalham no local.

Além das medidas de emergência, o governo de Minas Gerais, liderado por Romeu Zema (PSDB), também se comprometeu a atuar rapidamente, embora o presidente tenha apontado a necessidade de mais agilidade nas ações preventivas para evitar que tragédias como esta se repitam. O governo federal continuará a acompanhar de perto as necessidades das cidades afetadas e a trabalhar em conjunto com as autoridades estaduais.

A comoção foi grande durante a visita de Lula às áreas afetadas, com moradores expressando sua gratidão pela presença do presidente e pelas promessas de apoio imediato. “O que queremos agora são soluções, não palavras”, disse uma moradora de um dos municípios atingidos, refletindo o sentimento de muitos que perderam suas casas e bens em função das enchentes.

O governo federal também anunciou que intensificará o apoio psicológico às vítimas e promoverá ações de integração para ajudar as famílias a se reestabelecerem. “Não vamos deixar ninguém para trás. Vamos fazer tudo o que for possível para devolver a dignidade a essas pessoas”, disse o presidente.

 

Infanticídio: Trump e Netanyahu assassinaram 148 na escola de meninas no Irã

Ataque a colégio feminino em Minab eleva número de mortos para 148 e aprofunda crise após ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel

Subiu para 148 o número de mortos no ataque que atingiu a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, província de Hormozgan, no sul do Irã, segundo informações divulgadas por veículos estatais iranianos e publicadas pela Al Jazeera. O bombardeio ocorreu no contexto de uma ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada na manhã de sábado.

De acordo com a Mizan News Agency, agência oficial do Poder Judiciário do Irã, a escola foi diretamente atingida durante a operação militar. A nova atualização eleva para 148 o total de mortos, além de dezenas de feridos, após a consolidação dos números pelas autoridades iranianas.

A agência estatal IRNA informou que equipes de resgate continuam trabalhando na remoção dos escombros e no atendimento às vítimas. Anteriormente, havia sido reportado que ao menos 63 pessoas ficaram feridas. O ataque integra uma série de ações militares atribuídas por Teerã à aliança entre Washington e Tel Aviv, que vêm provocando uma escalada de violência regional.

Governo iraniano denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou uma imagem do local atingido e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”.

“Esses crimes contra o povo iraniano não ficarão sem resposta”, escreveu Araghchi em publicação na rede X.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, classificou o bombardeio como um “crime flagrante” e pediu uma ação imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Além do ataque em Minab, a agência Mehr informou que pelo menos dois estudantes morreram em outro bombardeio israelense que atingiu uma escola a leste da capital, Teerã.

Questionamentos sobre alvos militares

Reportando de Teerã, o jornalista Mohammed Vall, da Al Jazeera, afirmou que os ataques colocam em xeque as declarações de Estados Unidos e Israel de que estariam atingindo apenas alvos militares.

“Eles dizem que estão mirando apenas alvos militares e tentando punir o regime, não o povo do Irã.”

Segundo Vall, o presidente Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — havia prometido ao povo iraniano que ajuda estaria a caminho, mas os acontecimentos recentes indicam a existência de vítimas civis.

“O presidente Trump prometeu ao povo iraniano que ajuda ou apoio estavam a caminho, mas agora estamos vendo vítimas civis; isso é algo que o governo iraniano irá destacar como um caso de violação do direito internacional e uma agressão contra o povo iraniano”, afirmou.

Até o momento, não houve reação oficial imediata por parte dos Estados Unidos ou de Israel às acusações envolvendo os ataques às escolas.

Histórico recente de confrontos

A atual escalada ocorre após confrontos anteriores entre Estados Unidos e Irã, incluindo os ataques de junho de 2025, que desencadearam uma guerra de 12 dias. Naquele episódio, segundo o Ministério da Saúde e Educação Médica do Irã, milhares de civis foram mortos ou feridos, além de danos significativos à infraestrutura pública.

O ataque à escola em Minab amplia a tensão no Oriente Médio e reforça as denúncias iranianas de que civis, incluindo crianças, estão entre as principais vítimas da ofensiva militar em curso.

Do Brasil 247

Facções familiares são um desafio maior do que o vínculo com milicianos

Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro pode estar perdendo tempo e foco com a decisão de ingressar com ação na Justiça do Rio contra detratores. O filho ungido exige que o X-Twitter forneça cadastros de usuários que publicaram textos associando seu nome a milícias e milicianos.

É um direito de quem se sente injuriado, caluniado e difamado. Flávio quer processar os autores das acusações ou insinuações de que tem conexões com bandidos. Um levantamento completo, com a ficha de cada um dos detratores, pode resultar na identificação de milhares de pessoas.

Até os robôs da Inteligência Artificial podem ser enquadrados por disseminarem esses vínculos. Perguntei hoje ao Gemini, do Google: qual é a relação de Flávio Bolsonaro com as milícias?

A resposta, disponível nessa e em qualquer outra plataforma de IA, apresenta o que todo mundo sabe sobre as relações provadas de Flávio com figuras identificadas como milicianos.

Nenhum robô afirma que ele é miliciano. Mas todos falam de relações explícitas, públicas, manifestadas das mais variadas formas, inclusive com homenagem a miliciano. Ninguém homenageia quem não conhece e não admira. Adriano da Nóbrega mereceu a Medalha de Tiradentes da Assembleia do Rio porque era admirado por Flávio.

E há ainda acusações feitas pelo Ministério Público, que poucos sabem onde andam e se andam. O que ele pode dizer é que não há condenações na Justiça em casos que o envolvam com as milícias. Sim, não há. Nada até agora.

Nem com as milícias, nem com rachadinhas, nem com a compra de imóveis com dinheiro vivo, nem com lavagem de dinheiro em franquia de chocolate, nem com os desmandos e outros crimes denunciados durante a pandemia. Tudo isso aparece em buscas auxiliadas pela IA.

Mas são apenas suspeitas ou investigações inconclusas. Apenas isso. Não há nenhuma condenação em nenhum desses casos, que qualquer robô pode detalhar.

Todos os inquéritos e processos ficam pelo caminho, pelos mais variados motivos. Inclusive uma investigação, por seus vínculos com milícias, aberta pelo Conselho de Ética do Senado. Nada anda.

Então, Flávio pode se desligar desse tipo de preocupação, porque sua iniciativa apenas colocou de novo nas capas dos jornais o seu nome ao lado das palavras milícias e milicianos.

Fora isso, não há com o que se estressar. Todas as informações sobre desmandos dos Bolsonaros, de inquéritos, processos e do que circula nas redes sociais já não provocam impacto na família liderada pelo líder preso.

As pesquisas recentes provam que quaisquer questões relacionadas a valores, ética, referências morais e bom senso não interferem muito nas decisões dos eleitores decididos a votar em qualquer candidato competitivo que represente a velha direita e a nova extrema direita.

O Estadão o apresenta como moderado que busca aproximação com os gays. E em chamada de capa dessa sexta-feira sugere que escolha uma mulher para a Fazenda, para assim ficar mais feminino.

Por isso, esqueçam as milícias. Flávio deve se concentrar nos problemas internos do bolsonarismo e da própria família. E pensar no seguinte: com o quadro que se apresenta hoje, das divisões no núcleo caseiro-afetivo do bolsonarismo, se for eleito, ele não terá paz.

A maior preocupação de Flávio não é com as composições os Estados, como mostram as anotações encontradas sobre sua mesa na sede do PL em Brasília. É com as facções internas que irão desafiá-lo se for eleito.

Com Bolsonaro encarcerado, ou mesmo na clausura de uma prisão domiciliar, o bolsonarismo viverá sob rachas permanentes, além de enfrentar o aumento das chantagens eternas do centrão.

O bolsonarismo no poder terá outros desdobramentos, com o agravamento de danos nas guerras entre Flávio, Michelle, Tarcísio, Eduardo, Carluxo, Malafaia, Nikolas, Kassab, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto.

Não é nem com a grande mídia que Flávio deve se preocupar, porque Globo, Folha e Estadão vão despachar direto com o Paulo Guedes dele. São a família e seu entorno o problema.

A degradação do líder é, em estruturas de poder sob controle da família, a anunciada degradação de todo o resto. É a vida e está na arte, na literatura, no cinema.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim)

VÍDEO: Em indireta a Nikolas, Lula critica quem usa tragédia em MG para ganhar like

Durante sua visita às áreas afetadas pelas fortes chuvas em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou aqueles que, segundo ele, utilizam tragédias como esta para ganhar likes nas redes sociais. O recado foi uma indireta para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que fez vídeos em Ubá durante a tragédia.

Em seu pronunciamento, Lula afirmou que a tragédia que atingiu a zona da mata mineira causou danos significativos, deixando milhares de pessoas desabrigadas e gerando grandes perdas para a economia local. Ele reconhec

eu o esforço do governo estadual, mas reforçou a necessidade de mais agilidade nas ações preventivas, apontando que desastres como esse poderiam ser evitados com maior preparação. O governo federal já liberou recursos emergenciais para o socorro imediato e a recuperação das áreas atingidas, e continuará monitorando a situação.

O presidente também ressaltou a importância da solidariedade entre os níveis de governo e a sociedade para superar este momento difícil. Em um gesto de apoio às vítimas, Lula destacou que a união será fundamental para devolver a dignidade às famílias afetadas. “Estamos juntos para que essas famílias possam recomeçar”, afirmou, lembrando das iniciativas de apoio psicológico e integração social que estão sendo implementadas para ajudar os desabrigados a se reestabelecer.

Apesar da comoção gerada pela tragédia, com moradores expressando sua gratidão pela presença do presidente, a população cobra soluções práticas e rápidas. Em um momento de grande emoção, uma moradora expressou o sentimento de muitos: “O que queremos agora são soluções, não palavras”. O governo federal reforçou que continuará a trabalhar em conjunto com as autoridades estaduais e a sociedade para garantir uma resposta efetiva.

 

Além das medidas emergenciais, Lula também pediu que os cidadãos deixem de lado a “pirotecnia” nas redes sociais e se concentrem em ações que realmente resolvam os problemas da sociedade. Ele declarou que o governo irá desmascarar aqueles que apenas buscam criar memes ou fazer política por meio de vídeos e postagens, sem oferecer soluções reais para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas.

Em Ubá, moradores expressaram indignação após a gravação de um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em meio à crise das enchentes que devastaram a cidade. Segundo relatos, a limpeza das ruas atingidas pelas chuvas foi interrompida para que o parlamentar gravasse a mensagem, enquanto o trânsito foi fechado e equipes de segurança, incluindo o Exército e a Guarda Municipal, paralisaram suas atividades para garantir a proteção de Ferreira.

Diario do Centro do Mundo

O teatro da diplomacia estadunidense atiça a matança de civis iranianos a serviço do sionismo

Os crimes ocorrem em aberta violação à soberania nacional do Irã, da Carta das Nações Unidas, das leis e da ordem internacional atirada ao lixo

O império da morte está de volta. Lança uma nova guerra ilegal, não autorizada, assassina de inocentes, arrogante e intervencionista nos assuntos internos de outro país. O ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorrido na manhã deste sábado, foi precipitado não apenas sem qualquer provocação do lado iraniano, como, além disso, em meio a negociações diplomáticas que vinham ocorrendo entre representantes de Washington e Teerã.

É evidente que a diplomacia foi usada pelos Estados Unidos apenas como disfarce para a preparação traiçoeira deste ataque, tramado nas sombras em coordenação com o regime sionista de Israel. Entre outras vítimas, o bombardeio desferido sem aviso prévio, na manhã deste sábado, sobre áreas habitadas matou civis indiscriminadamente, entre eles mais de uma centena de meninas reunidas em aula numa escola feminina em Minab. Alvos civis, sob silêncio do mundo civilizado, estão na mira dos mísseis de precisão com o objetivo de disseminar o caos pelo medo e a dor.

Os crimes ocorrem em aberta violação à soberania nacional do Irã, da Carta das Nações Unidas, das leis e da ordem internacional atirada ao lixo. Pelas mesmas leis ignoradas, o Irã tem pleno direito a responder em autodefesa, não apenas contra alvos estadunidenses ou israelenses, mas contra todas as bases dos EUA na região, bem como contra os regimes ditatoriais do Golfo Pérsico que as hospedam.

A diplomacia estadunidense, na verdade, serviu como um biombo, uma farsa encenada apenas para ganhar tempo até que suas forças de extermínio estivessem posicionadas para iniciar o ataque, desfechado sem declaração oficial de guerra. De fato, a ofensiva pode ter começado não porque as negociações tenham fracassado, mas justamente porque os entendimentos vinham avançando e o diálogo adentrava um cenário promissor para a paz.

A traição estadunidense ocorre não contra um país, mas contra toda a lei internacional e o sistema criado pela Carta das Nações Unidas, cuja fundação proíbe agressões entre nações e se apoia na defesa de negociações pacíficas para conflitos entre países. Todas as nações são alvo do arbítrio de uma coalizão de entidades nacionais párias, agindo à margem de qualquer argumento racional ou controle legal.

Para coroar o desfile de mentiras do governo dos Estados Unidos, cai por terra definitivamente o slogan de que Donald Trump encerraria a sucessão de conflitos sem fim em que o regime de Washington se envolve ao longo de sua história, inclusive os que são realizados, como este, a serviço de Israel e do lobby sionista.

A questão é agora qual é o objetivo real desta agressão e o que Trump usará para cantar vitória e se retirar. Matar o líder supremo Ali Khamenei será suficiente, mesmo que nada mude em essência? Será que o mundo testemunhará mais uma conveniente guerra desencadeada por Washington sob um padrão de conflitos que podem durar apenas dias, mas, na verdade, não têm fim?

Conteúdo postado por:

Escalada no Irã: Pepe Escobar afirma que não haverá mudança de regime e diz que “agora vem a vingança”

Analista classifica assassinato como ataque de “decapitação”, aponta reação imediata das instituições iranianas e fala em resposta com “força máxima”

O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o assassinato do líder supremo do Irã representa um “ataque de decapitação”, mas não provocará mudança de regime nem consolidará qualquer domínio estratégico imperial. Em publicação intitulada Do martírio à vingança, ele sustenta que o mecanismo de sucessão já está em funcionamento, que a estrutura de comando permanece intacta e que a resposta iraniana será marcada por “força máxima”. A análise foi divulgada nas redes sociais do jornalista, em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.

“Ataque de decapitação” e reação institucional imediata

Escobar inicia sua postagem com a expressão:

“Ataque de decapitação.”

A formulação indica que o assassinato teria sido planejado para eliminar a liderança máxima e desorganizar o comando político-religioso do país. No entanto, segundo ele, a reação institucional foi quase instantânea.

“O Conselho de Especialistas foi convocado em minutos.”

O órgão responsável por supervisionar e nomear o líder supremo teria se reunido rapidamente, sinalizando que o sistema político iraniano permaneceu operacional apesar do impacto do ataque.

Escobar também destacou o posicionamento do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que, segundo ele, prometeu:

“força máxima” em resposta.

Sucessão garantida e comando preservado

Um dos pontos centrais da análise é a rejeição de qualquer hipótese de colapso interno. Escobar foi enfático ao afirmar:

“Mecanismo de sucessão: em vigor.”
“Estrutura de comando: em vigor.”

Para ele, a cadeia de comando do Estado iraniano permanece intacta, frustrando expectativas externas de desestabilização.

O analista também descartou de forma categórica a possibilidade de mudança de regime:

“Sem mudança de regime.”

E acrescentou:

“Domínio estratégico imperial: zero.”

A avaliação sugere que, sob sua ótica, o ataque não produzirá vantagem estratégica duradoura para potências adversárias do Irã.

“O Sul Global está observando”

Escobar ampliou o foco da análise para além do Oriente Médio, destacando o impacto geopolítico mais amplo do episódio.

“O Sul Global está observando.”

A afirmação indica que países da Ásia, África e América Latina acompanham atentamente os desdobramentos, avaliando as implicações para o equilíbrio de poder internacional.

Ele encerra a postagem com uma frase que sintetiza o clima de tensão e expectativa:

“Agora vem a vingança.”

A declaração reforça a percepção de que a resposta iraniana poderá marcar uma nova fase de confronto regional, com repercussões globais.

Do Brasil 247

Irã decreta 40 dias de luto e promete resposta dura contra o assassinato de Khamenei

Presidente Masoud Pezeshkian classifica morte como “grande crime”, anuncia feriado nacional e afirma que crime “jamais ficará sem resposta”

O governo do Irã decretou 40 dias de luto oficial após o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e prometeu uma resposta dura contra os responsáveis pelo crime. As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, que citou comunicado oficial da Presidência iraniana.

O presidente Masoud Pezeshkian classificou o assassinato como um “grande crime” e afirmou que o episódio marcará uma nova etapa na história do mundo islâmico e do xiismo.

“Jamais ficará sem resposta”

Em nota oficial, Pezeshkian declarou:

“Este grande crime jamais ficará sem resposta e abrirá uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo. O sangue puro deste líder de alto escalão fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionistas.”

A declaração eleva o tom contra Estados Unidos e Israel, em um momento de forte tensão regional.

O presidente iraniano também afirmou que os autores e os mandantes do assassinato irão “se arrepender” do que fizeram.

“Desta vez também, com toda a nossa força e determinação, com o apoio da nação islâmica e dos povos livres do mundo, faremos os perpetradores e comandantes deste grande crime se arrependerem.”

Feriados e mobilização nacional

Além dos 40 dias de luto, o governo iraniano decretou sete dias de feriado público. A medida reforça o caráter excepcional da crise e indica mobilização institucional e simbólica em torno da liderança do país.

O assassinato de Khamenei representa um marco histórico para o Irã e pode desencadear desdobramentos políticos e geopolíticos de grande alcance no Oriente Médio, em meio à já delicada conjuntura regional.

Do Brasil 247

Lula encaminha candidatura de Haddad ao governo de São Paulo em chapa com Marina e Simone Tebet

0

Presidente sinaliza a aliados acordo com ministro da Fazenda para liderar palanque petista no maior colégio eleitoral, enquanto PT discute nomes ao Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a ministros e aliados que encaminhou o acerto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para que ele seja o candidato ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026. A informação antecipada pelo jornalista Mario Vitor Santos, no Bom Dia 247 de 26 de fevereiro, e publicada pelo portal Metrópoles, na esteira das movimentações políticas que vêm redesenhando o tabuleiro eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

De acordo com o relato, aliados de Haddad avaliavam que a recente viagem à Índia e à Coreia do Sul, na qual o ministro acompanhou Lula, serviria como um momento de aproximação e convencimento para reduzir a resistência do ex-prefeito da capital paulista em voltar a disputar o Palácio dos Bandeirantes. A leitura no entorno do governo é de que o presidente busca consolidar um nome forte para liderar o palanque lulista em São Paulo, estado decisivo para o resultado nacional.

Haddad no centro do plano para São Paulo

Segundo a apuração divulgada, Lula considera Fernando Haddad o principal nome para comandar a estratégia eleitoral do campo governista em São Paulo. A escolha se relaciona tanto ao peso político do estado quanto à necessidade de estruturar uma candidatura competitiva contra a atual gestão paulista, num cenário em que a oposição tende a concentrar forças.

Ainda conforme a reportagem, Haddad vinha se mostrando reticente em aceitar o desafio, após ter sido derrotado no segundo turno em 2022 pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O histórico recente, somado ao ambiente de polarização e ao favoritismo atribuído ao governador por pesquisas de intenção de voto mencionadas no texto original, compõe o pano de fundo para a cautela do ministro.

Mesmo assim, a sinalização de Lula a interlocutores indica que o Planalto trabalha com a hipótese de transformar Haddad na âncora do projeto eleitoral em São Paulo. Isso significa, na prática, dar a ele o papel de liderar um palanque robusto, capaz de articular alianças e de sustentar uma campanha com densidade política no estado.

A viagem internacional como momento de articulação política

A presença de Haddad ao lado de Lula em compromissos recentes no exterior é descrita, no relato publicado, como um elemento político relevante. Aliados do ministro apostavam que a longa agenda internacional poderia ser usada para reduzir resistências e ampliar o espaço de conversa, longe da pressão cotidiana de Brasília e do noticiário doméstico.

Na lógica tradicional do poder, viagens desse tipo não funcionam apenas como cumprimento de agendas diplomáticas e econômicas. Elas também oferecem tempo e ambiente para alinhamentos internos e negociações que, muitas vezes, não amadurecem no ritmo fragmentado do dia a dia. No caso descrito, o cálculo seria o de usar a proximidade para consolidar um entendimento em torno do projeto de 2026 em São Paulo.

O movimento também sugere que, enquanto o governo administra pautas econômicas e políticas no curto prazo, setores do entorno presidencial já operam com foco na disputa eleitoral e na montagem de um desenho estratégico para o próximo ciclo.

Cenário eleitoral e o desafio contra Tarcísio de Freitas

A reportagem aponta que Tarcísio de Freitas é visto como favorito para vencer novamente o pleito, com base nas últimas pesquisas citadas no texto. Essa percepção reforça a lógica de Lula ao buscar um nome com musculatura política e reconhecimento público para uma disputa de alta complexidade.

Nesse contexto, o nome de Haddad aparece como um ativo por diferentes razões: ele já disputou o governo, tem histórico eleitoral no estado, foi prefeito da capital e hoje ocupa uma posição central na condução da política econômica do governo federal. Ao mesmo tempo, o desafio é proporcional ao tamanho do ativo: a eventual candidatura exigiria calibrar a exposição do ministro, administrar o impacto político de uma saída do comando da Fazenda e estruturar uma coligação capaz de disputar voto a voto no estado.

O Palácio dos Bandeirantes, além de ser um posto de poder regional, tem influência direta na correlação de forças nacional. Por isso, uma candidatura competitiva em São Paulo costuma ser tratada como peça-chave para qualquer projeto presidencial, seja de continuidade, seja de oposição.

Senado: PT articula composição com Tebet e Marina

Além da disputa pelo governo paulista, o texto informa que o PT articula um acordo para lançar as ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) como candidatas ao Senado por São Paulo. A hipótese, segundo a reportagem, incluiria a possibilidade de ambas mudarem de partido para a eleição, com o PSB apontado como um possível destino.

A movimentação, se confirmada, teria implicações relevantes para a engenharia de alianças. Uma chapa majoritária que combine candidatura ao governo e nomes competitivos ao Senado pode ampliar o arco de apoios, distribuir palanques e fortalecer a disputa em duas frentes que se retroalimentam: o executivo estadual e a bancada senatorial.

No caso de Simone Tebet, a reportagem ressalta um ponto sensível: por ser de Mato Grosso do Sul, ela precisaria mudar o domicílio eleitoral para concorrer em São Paulo, conforme as regras da legislação vigente. O dado é central porque, na prática, impõe um requisito burocrático e político que precisa ser resolvido com antecedência para evitar insegurança jurídica e ruídos na pré-campanha.

O texto também registra que Tebet já afirmou que deve deixar o cargo pelo menos até o dia 30 de março deste ano e que pretende ter ao menos mais uma conversa com Lula para tratar das eleições de 2026. A afirmação indica que a ministra, independentemente do desfecho, reconhece a necessidade de organizar prazos e decisões com antecedência, sobretudo diante das exigências legais e do calendário político.

O que está em jogo para 2026 em São Paulo

A sinalização de Lula sobre a candidatura de Haddad e as articulações para o Senado sugerem um esforço para montar uma frente forte em São Paulo, combinando projeção nacional, densidade eleitoral e capacidade de alianças. O estado concentra uma parcela decisiva do eleitorado brasileiro e costuma funcionar como termômetro político, com reflexos diretos na disputa presidencial e na composição do Congresso.

Ao encaminhar um nome para o governo paulista e discutir nomes ao Senado, o campo governista busca antecipar dilemas que sempre reaparecem às vésperas de eleições: quem lidera o palanque, como equilibrar interesses de partidos aliados e como maximizar competitividade num território onde a disputa costuma ser dura e intensamente nacionalizada.

Se o desenho se confirmar, a disputa paulista de 2026 tende a ser uma das mais observadas do país, tanto pelo peso do estado quanto pelo simbolismo do embate entre projetos políticos que se confrontam no plano nacional e se projetam, com força, no cenário regional.

Do Brasil 247

Haddad aceitou a missão de sair candidato ao governo de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulou a entrada do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na disputa pelo governo de São Paulo, movimento que altera o cenário eleitoral no maior colégio eleitoral do país, destacam os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo na coluna A Hora, do UOL, como adiantou Mario Vitor Santos no Bom Dia 247 desta quinta-feira (26).

A possível candidatura do petista impõe novos desafios à estratégia do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na montagem de sua chapa majoritária.Segundo a publicação, integrantes do entorno de Tarcísio avaliam, de forma reservada, que, caso optasse por disputar o Senado, Haddad estaria eleito.

Reunião define rumos da campanha em SP

Na quarta-feira (26), Haddad disse que a data de sua saída do ministério dependia de uma conversa direta com o presidente Lula e de uma viagem oficial aos Estados Unidos. O encontro entre Lula e Haddad, segundo o G1, estava previsto para esta quinta-feira ), quando o cronograma deverá ser discutido.

Lula deve viajar a Washington entre os dias 15 e 20 de março, e a possível participação de Haddad na comitiva pode influenciar o momento de sua saída. O futuro do ministro após deixar a pasta permanece indefinido, embora ele já tenha manifestado interesse em atuar na coordenação da campanha de reeleição do presidente.

Impacto direto na chapa de Tarcísio

Atualmente, a pré-candidatura ao Senado na chapa de Tarcísio é ocupada pelo deputado Guilherme Derrite (PP). No entanto, a vaga destinada ao PL ainda está em disputa, o que amplia as negociações internas e adiciona pressão ao governador.

A entrada de Haddad na corrida ao Palácio dos Bandeirantes impacta o chamado “quebra-cabeça” da composição majoritária, especialmente diante da força eleitoral atribuída ao ministro.

PL pressiona por espaço na majoritária

O PL, partido de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, reivindica não apenas a vaga ao Senado, mas também a indicação do candidato a vice-governador. O posto é atualmente ocupado por Felício Ramuth, filiado ao PSD, legenda comandada por Gilberto Kassab.

Após episódios de tensão política, Kassab precisará se reaproximar tanto de Tarcísio quanto de Ramuth para manter a atual configuração da chapa. A disputa interna evidencia a complexidade das articulações no campo governista.

Capital paulista no centro da estratégia

Para Haddad, a eventual candidatura ao governo exigirá mobilização do eleitorado simpático ao PT e à sua trajetória política. A capital paulista surge como eixo central dessa estratégia. Prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016, Haddad venceu Tarcísio na cidade na eleição estadual de 2022.

Do Brasil 247

Fundamentos civilizatórios da educação emancipadora

0

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

 O objetivo geral do texto é delinear alguns fundamentos que não podem ser questionados e abandonados por quem pensa a Educação de forma emancipadora. Para uma compreensão geral, dividimos em duas partes que se comunicam e que refletem o mesmo sentido civilizatório proposto.

Fundamentos da educação para a ciência

Pensar uma Educação que se constitua de forma emancipadora implica romper com concepções dogmáticas de ensino, historicamente consolidadas nas salas de aula e naturalizadas como mecanismos de regulação social e de perpetuação das desigualdades.

Na perspectiva da educação para a ciência, essa ruptura demanda reconhecer o conhecimento científico para além de uma concepção tecnicista, compreendendo-o como uma produção humana e historicamente situada, indissociável dos contextos políticos, sociais e econômicos nos quais é produzido, legitimado e socialmente apropriado. Não há neutralidade na produção e aplicação da ciência.

A ciência, nesse sentido, não se apresenta como uma produção descolada da experiência humana, mas como uma construção social permeada, atravessada por valores, interesses, disputas e projetos de sociedade. Reconhecer essa não-neutralidade constitui um fundamento inegociável da educação científica orientada à compreensão crítica da realidade e à formação integral do sujeito, enquanto estudante e cidadão. Reduzir o ensino de ciências à mera transmissão de conteúdos, à lógica da educação bancária (FREIRE, 2019)[1] ou ao treinamento técnico significa esvaziar seu potencial formativo e transformador, convertendo o conhecimento em instrumento de adaptação, e não de emancipação.

É essencial, portanto, que a educação científica promova a leitura crítica do mundo, articulando conceitos científicos às experiências concretas dos sujeitos e às problemáticas sociais passadas e contemporâneas. Nesse processo, os estudantes devem ser reconhecidos como sujeitos ativos na construção do conhecimento, capazes de questionar, interpretar e atribuir sentido aos saberes científicos.

Uma educação para a ciência comprometida com a emancipação afirma o compromisso ético da ciência com a vida, a justiça social e o bem comum, posicionando-se criticamente diante de usos do conhecimento que aprofundam desigualdades e exclusões sociais.

Assim, a educação científica consolida-se como fundamento essencial de um projeto civilizatório orientado pela autonomia intelectual, pela responsabilidade coletiva e pela transformação social.

 Por que ensinar a Filosofia?

 A Filosofia consiste na base de todas as ciências, de modo que todas as ciências bebem de sua lógica a partir da vinculação de todos os conhecimentos científicos terem nascido dos pensamentos filosóficos, o que proporciona reflexão sobre a existência e o pertencimento.

A Filosofia contribui para a formação crítica do sujeito ao promover, desde a educação básica, a problematização de normas, valores e práticas sociais. Para além da transmissão de conteúdos específicos, seu ensino desenvolve competências argumentativas e lógico-dedutivas, favorecendo a análise crítica da realidade e das dinâmicas de poder e opressão. Desse modo, justifica-se sua obrigatoriedade no ensino médio em razão de sua relevância formativa, reflexiva e político-social.

Diante do cenário atual na educação pública do Estado de São Paulo, há um projeto político do neoliberalismo que anula a autonomia e a emancipação na escola pública. Após a reforma do Ensino Médio aprovada em 2017, que fragiliza a educação brasileira desde sua base, a disciplina de Filosofia deixou de ser obrigatória no ensino médio e passou a integrar apenas como um item dos itinerários formativos em escolas públicas. Em contrapartida, se contradiz ao ensino privado que não adere à reforma e mantém o modelo antigo, com foco pré-vestibular. O que acaba favorecendo a desigualdade no acesso à educação no Brasil.

Assim, a reforma diminui a carga horária comum, com ênfase em ciências humanas (filosofia, história, artes e sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são matérias interdisciplinares (educação financeira). Entretanto, ocorre uma omissão entre a finalidade e os efeitos reais do projeto, substituindo-se a filosofia pela educação financeira, isso equivale a ensinar o aluno a lidar com o pouco que ganha, e jamais questionar o porquê de ganhar pouco. A exclusão da disciplina de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação crítica, como indivíduos de uma sociedade cindida, conturbada, desigual, como é a brasileira. Neste sentido, o ensino de filosofia agiria de per si como resistência e construção da práxis (reflexão e ação).

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 91. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2019.

Tensão interna no STF aumenta após Carnaval, dizem ministros

Crise entre ministros se agrava com investigação sobre quebra de sigilo e possível uso político de dados de magistrados

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o Carnaval e aprofundou o mal-estar entre integrantes da Corte. Ministros avaliam que os desdobramentos recentes agravaram a tensão interna, sobretudo diante da revelação de que uma reunião foi gravada e de que dados de magistrados teriam sido alvo de investigação irregular. As informações são do G1.

Segundo relato de um integrante do STF, o episódio deixou marcas profundas na relação entre os ministros. “Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, afirmou.

O foco da crise envolve a apuração conduzida pela Polícia Federal sobre possível quebra ilegal de sigilo de ministros da Corte e de seus familiares. A investigação busca esclarecer se houve acesso indevido a dados com finalidade de venda de informações ou uso político — ou ambas as hipóteses simultaneamente.

O inquérito foi instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes. No entanto, as diligências realizadas nesta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Inicialmente, todos os ministros do Supremo foram incluídos como potenciais alvos de espionagem, medida que gerou desconforto entre colegas de Moraes.

A depender dos resultados das investigações, o ambiente no STF pode se deteriorar ainda mais. Avaliações internas indicam que, caso se confirme a hipótese de uso político das informações, o impacto poderá extrapolar os limites da Corte e influenciar o cenário do ano eleitoral.

No curso das apurações, a Receita Federal informou que não foram identificadas irregularidades nos registros de dados de Paulo Gonet nem de seus familiares. O procurador-geral também constava na lista de autoridades cujos acessos seriam verificados.

Por outro lado, a Polícia Federal e a Receita já constataram que Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teve seus registros acessados indevidamente. A invasão foi realizada por um funcionário cedido à Receita Federal que atua no Rio de Janeiro.

A expectativa agora gira em torno da eventual decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a abertura de uma investigação interna para apurar o que ocorreu. Nos bastidores, ministros reconhecem que o desfecho do caso poderá ter consequências significativas para a estabilidade institucional da Corte e para o ambiente político do país.

Do Brasil 247

Envolvido no caso Banco Master, Alcolumbre resiste a pressão por impeachment de Toffoli e cita risco institucional

Presidente do Senado afirma a aliados que chance de avançar pedido é “zero” e avalia que processo abriria precedente perigoso contra ministros do STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem sinalizado a interlocutores que não pretende levar adiante os pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, mesmo diante do aumento da pressão da oposição no Congresso Nacional.

Segundo relato de aliados, Alcolumbre considera que a abertura de um processo desse tipo poderia gerar um precedente institucional arriscado e estimular novas iniciativas semelhantes contra integrantes da Corte. Nos bastidores do Legislativo, a avaliação predominante é que “não dá para descambar”, diante do impacto político e jurídico que uma decisão desse porte poderia provocar.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, que detalha o ambiente de resistência dentro do Senado em relação ao tema.Atualmente, Toffoli é alvo de dez pedidos de impeachment protocolados na Casa. O mais recente foi apresentado na semana passada pela bancada do partido Novo. Entre os requerimentos existentes, quatro tratam do caso Banco Master e foram apresentados ao longo de 2026, reforçando a mobilização de setores oposicionistas para tentar avançar com a medida.

Apesar disso, senadores ouvidos nos corredores do Congresso avaliam que o cenário tende a esfriar. Um dos fatores apontados é a retirada de Toffoli da relatoria da investigação envolvendo o Banco Master, o que, na leitura de parlamentares, pode reduzir o desgaste político e enfraquecer o discurso da oposição pela saída do ministro do STF.

Mesmo com menções ao nome de Toffoli encontradas no celular de Daniel Vorcaro, congressistas afirmam que a mudança no comando do caso deve diminuir as críticas e enfraquecer o apelo por uma punição extrema ao magistrado.

Um senador próximo a Alcolumbre avalia que a pressão contra Toffoli deve perder força com o passar do tempo, desde que não surjam novos fatos capazes de reacender o debate. A leitura é de que o ambiente político pode caminhar para uma acomodação gradual do caso.

Nos bastidores, até mesmo integrantes da oposição reconhecem que há um movimento de autoproteção entre os Poderes, embora considerem que isso ocorre dentro de certos limites institucionais. Ainda assim, o entendimento dominante é que Alcolumbre não pretende abrir espaço para que o Senado assuma um protagonismo explosivo em relação ao Supremo.

Com isso, a expectativa entre aliados do presidente da Casa é que os pedidos permaneçam parados, sem qualquer avanço formal, apesar da ofensiva crescente de setores oposicionistas.

Do Brasil 247

Um chamado à lucidez

0

Profa. Dra Tainá Reis. Docente Universidade do Estado da Bahia/UNEB.

Quando a exceção deixa de ser ruptura, o extraordinário se disfarça de regra. Revisitando o golpe de Dilma Rousseff, a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023 e a guerra Israel-Gaza, Vinício Carrilho Martinez evidencia o que chamou de normalização da exceção. Práticas autoritárias se infiltram nas instituições sob o manto da legalidade. A democracia, ainda que formalmente intacta, é esvaziada por dentro, direitos se fragilizam e a violência institucional se naturaliza.

Version 1.0.0

A crítica a essa normalização da exceção se dá por um imbricado diálogo com Giorgio Agamben, Carl Schmitt, István Mészáros, Karl Marx e Hannah Arendt. Porém, mais do que um diagnóstico, o livro apresenta um horizonte de superação. É a partir de Paulo Freire que se pode pensar uma autoeducação para além da exceção, uma educação política crítica e emancipadora que tem a potência para desnaturalizar a violência e realizar uma reconstrução democrática.

Educação para além da exceção é uma obra que reflete sobre o presente e inscreve-se nele como ato de resistência intelectual. É um convite à lucidez crítica. Trata-se, justamente por desnaturalizar a violência institucional e tensionar os limites da própria institucionalidade, de um exercício de educação emancipadora.

O livro é encontrado na Amazon, neste link:
https://share.google/dfF04LEhD0gRSZV1Z

EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA EXCEÇÃO: Educação para além do capital Educação após Auschwitz, e depois de Gaza Educação Política Educação em direitos humanos Educação Constitucional (Portuguese Edition) | Amazon.com.br

Economista aponta possível fraude em pesquisa Apex Futura, que favoreceu o bolsonarismo

Pedro Menezes questiona série histórica do instituto e critica falta de critérios transparentes na cobertura de pesquisas eleitorais pela grande imprensa

O economista Pedro Menezes levantou suspeitas sobre a consistência técnica da pesquisa Apex/Futura divulgada nesta terça-feira (10), que aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, Flávio teria 48,2% das intenções de voto, enquanto Lula apareceria com 42,4%.

Foram realizadas 2.000 entrevistas entre os dias 3 e 7 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02276/2026.

Ao comentar o resultado, Menezes afirmou que há um padrão recorrente de divergência da Futura em relação ao conjunto do setor. “A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula”, escreveu.

Ele acrescenta que considera difícil sustentar tecnicamente esses resultados. “É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na mesma direção”, afirmou.

Divergência recorrente

Para o economista, o histórico da empresa em 2022 reforça a necessidade de cautela na divulgação atual. Segundo ele, a repetição de desvios na mesma direção — favorecendo candidatos bolsonaristas — deveria levar veículos de comunicação a adotar critérios editoriais mais rigorosos.

“Agora, grandes veículos divulgam que a Futura mostra Flávio na frente de Lula. O mais adequado seria ignorar ou pelo menos publicar uma ressalva já na manchete”, declarou.

Menezes também criticou a postura da imprensa brasileira diante de pesquisas eleitorais. “Nesses casos, infelizmente, a imprensa brasileira só costuma adotar critérios editoriais quando servem como pretexto pra outros interesses comerciais”, escreveu.

Falta de transparência

O economista afirmou que acompanha a cobertura de pesquisas há muitos anos e que não identifica padrões claros e públicos na escolha de levantamentos por parte dos grandes veículos.

“Desconheço um veículo que adote critérios transparentes, tecnicamente avançados e voltados apenas ao interesse público”, pontuou.

Ele sustenta que parte da mídia seleciona institutos de forma arbitrária, enquanto outros tratam todas as pesquisas igualmente, sem ponderação metodológica. “A maior parte dos grandes escolhe as pesquisas prediletas de forma arbitrária e, em geral, o resto trata todas da mesma forma pra caçar cliques”, afirmou.

Comparação internacional

Menezes citou como exemplo a experiência dos Estados Unidos após a atuação do estatístico Nate Silver, conhecido por desenvolver modelos agregadores de pesquisas com metodologia aberta.

“Um jornalista famoso chamado Nate Silver mudou a imprensa deles, que desde então dão aula: vários veículos de vários tamanhos publicam os próprios critérios editoriais e seguem a regra com rigor, muitos têm agregador com metodologia aberta e replicável”, escreveu.

Na avaliação do economista, a adoção de critérios transparentes e replicáveis elevou o padrão da cobertura eleitoral em diversos países. “Essa novidade na cobertura de pesquisas eleitorais chegou a muitos países do mundo. Ao cobrir pesquisas, infelizmente, nossa imprensa chegou a 2026 sem sair do século passado”, concluiu.

A divulgação do levantamento Apex/Futura reacende o debate sobre metodologia, transparência e responsabilidade editorial na cobertura de pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente diante do histórico recente de divergências entre diferentes institutos e dos impactos políticos dessas publicações no

Brasil 247

VIDEO BOMBÁSTICO Relato escandaloso de piloto envolvendo Rueda, Ciro Nogueira eaté ministro do STF

O relato é contundente e efetivamente explosivo. Um piloto que transportava regularmente a dupla que liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia ao PCC afirmou em depoimento à Polícia Federal que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo.

VEJA AQUI COM ÁUDIO

VEJA AQUI COM ÁUDIO

Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, disse que Rueda era citado por seu chefe como o líder de um grupo que “tinha muito dinheiro que precisava gastar” na compra de aeronaves, avaliadas em dezenas de milhões de dólares.

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, diz Mattosinho na entrevista gravada em vídeo.

Rueda nega ser dono das aviões e “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito”, afirmou em nota oficial.

O presidente do União Brasil diz que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.

“A história que contei para vocês eu repeti para a Polícia Federal”, afirmou Mattosinho, na entrevista ao ICL Notícias. A reportagem teve acesso ao depoimento, prestado por ele há 17 dias no aeroporto Catarina, em São Roque (SP), antes de pedir demissão.

Mattosinho entrou na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba) em 2023 e saiu há duas semanas, depois de transportar os parentes de Beto Louco para o Uruguai na véspera da mega-operação da PF, da Receita e do Ministério Público de SP, realizada no fim de agosto, que revelou um enorme esquema de lavagem de dinheiro que inclui o uso de fundos de investimento.

O piloto afirma ter transportado ao menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são apontados como líderes do esquema que atendia ao PCC e estão foragidos da Justiça.

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco

O piloto, que se diz indignado pelo conteúdo das conversas que presenciou, procurou o ICL Notícias pela primeira vez em novembro do ano passado.

O ICL Notícias e o UOL apuraram que duas aeronaves atribuídas por Mattosinho a Rueda pertencem a fundos de investimentos que têm apenas um controlador, cujo nome não é divulgado.

Uma terceira aeronave está em nome de uma empresa registrada na periferia de Imperatriz (MA). Em entrevista, a única sócia da empresa disse desconhecer a firma e a aeronave.

Na entrevista em vídeo, Mauro Mattosinho reafirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, conforme revelou o ICL Notícias no dia 1º deste mês.

O senador nega ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco e também nega ter recebido qualquer valor. Ciro ingressou com processo contra o ICL Notícias, pedindo pagamento de indenização por danos morais.

“O senador tem direito de buscar a Justiça em uma sociedade em pleno exercício do Estado Democrático de Direito. Não o teria em caso de ditaduras, nem armadas e nem ‘de toga’. O ICL não se intimida com tentativas de assédio judicial e reafirma a qualidade de suas práticas jornalísticas”, reagiu Leandro Demori, diretor de jornalismo do ICL Notícias..

O piloto trabalhou de novembro de 2023 até o começo deste mês na empresa Táxi Aéreo Piracicaba, conhecida pela sigla TAP. Ele começou atuando como piloto de voos do Primo e depois passou a atender Beto Louco. Os dois estão foragidos da Justiça.

A TAP é administrada pelo empresário Epaminondas Chenu Madeira. O ICL Notícias teve acesso a conversas de Whatsapp entre Mattosinho e Epaminondas, em que o dono da TAP cita “Beto” e “Moha”, referindo-se a Beto Louco e Mohamed (Primo).

Mauro Caputti Matosinho e Epaminondas Chenu Madeira

“Irmão ta foda a situação Beto e Moha Velho. Eu voltando vamos trocar uma ideia. Pra nós alinhar. Mas os caras lá tão foda. Mas to carregando nas costas sozinho”, escreveu Epaminondas no dia 14 de março de 2025, às 16h50. A reportagem transcreveu a mensagem da maneira como ela foi escrita.

Procurada, a defesa de “Primo” informou que não irá se manifestar. Já o advogado de “Beto Louco”, Celso Vilardi, não retornou os contatos.

A TAP operava cinco aeronaves em 2023 e, neste ano, passou a operar dez, de acordo com Mattosinho.

Em nota, a empresa informou “desconhecer qualquer declaração atribuída a funcionário sobre aquisição de aeronaves” e atuar “em observância à lei”.  A empresa afirma que “não tinha conhecimento do envolvimento de investigados na Operação Carbono Oculto até sua deflagração”.

“Por fim, não pode fornecer informações sobre clientes ou passageiros sem autorização destes ou por requisição das autoridades competentes”, acrescentou, em nota.

Aeronaves em nome de terceiros

Mattosinho diz que Rueda viaja constantemente em jatos operados pela mesma empresa, embora ele não fosse o piloto destes voos. Era mencionado como “Ruedinha”, diminutivo de seu nome.

A vida de luxo e as polêmicas que envolvem o político foram relatadas no ano passado em reportagem do UOL.

“[Rueda] É uma pessoa que já fazia negócios com a Táxi Aéreo Piracicaba desde quando eu cheguei lá como funcionário, aproximadamente dois anos atrás. Ele já era um nome que circulava como [sendo] sócio em uma aeronave de pequeno porte”, lembra.

A aeronave à qual ele se refere é o jato bimotor Raytheon 390 Premier, matrícula PR-JRR.

De acordo com os registros da Anac, a aeronave pertence à empresa Fênix Participações, controlada pelo advogado Caio Vieira Rocha, filho do ex-ministro César Asfor Rocha; pelo ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE) e por um dono de concessionárias de Pernambuco.

Falando em nome dos sócios, Vieira Rocha negou que Rueda tenha participação na aeronave ou tenha viajado nela.

”Antonio Rueda não é proprietário da aeronave e nem sócio de nenhuma das 3 empresas sócias da aeronave”, escreveu Vieira Rocha.

Conforme registros oficiais,o jatinho foi comprado pela Fênix por US$ 2,3 milhões (R$ 13 milhões), em 2 de outubro de 2024. A transação foi feita com a RZK Empreendimentos Imobiliários, que havia adquirido a aeronave em 2014.

A RZK pertence a José Ricardo Rezek, que é doador do União Brasil, dentre outros partidos, e próximo a Antônio Rueda. Rezek estava na lista de convidados do aniversário de 50 anos do presidente da legenda  este ano. A empresa informou por meio de nota que nunca vendeu nenhuma aeronave a Rueda. “Ele jamais atuou como intermediário em qualquer compra e venda e muito menos participou das negociações. A aeronave citada foi regularmente vendida à Fênix Participações Ltda., em conformidade com todas as normas legais, devidamente registrada na Anac”, acrescentou.

Os outros três jatinhos bimotores que, segundo o piloto, teriam sido adquiridos com participação de Rueda são: um Gulfstream G200, matrícula PS-MRL; um Citation Excel, matrícula PR-LPG; e um CitationJet 2, matrícula PT-FTC.

O Gulfstream G200 e o Citation Excel pertencem a empresas controladas pela Bariloche Participações S/A, empresa com capital social de R$ 110 milhões e controlada por fundos de investimentos geridos pelo banco Genial.

Um único cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado é dono do patrimônio da Bariloche, de acordo com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Sua identidade não é divulgada em documentos públicos.

“Rueda não tem relação com a Bariloche Participações S.A., tampouco é ou foi cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado”, informou a assessoria do presidente do União Brasil.

A quarta aeronave citada pelo piloto, o CitationJet, está em nome da Serveg Serviços.

Localizada em imóvel da periferia de  Imperatriz (MA), a empresa tem como atividade principal criação de bovinos, mas registra atividades secundárias diversas, que vão de serviços de malote não realizados pelos Correios a limpeza, conforme cadastro na Receita Federal. A firma está em nome de Antonia Viana Silva Soares.

Procurada, ela disse que desconhece as atividades da Serveg. “Não sei o que você está falando, não”, disse ela, desligando o telefone. Em seguida, bloqueou o número de contato da reportagem.

O uso de fundos de investimento para ocultar patrimônio ou para realizar operações de lavagem de dinheiro foi uma das principais descobertas das operações recentes da PF que miraram no PCC e em empresas financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Interesse em aeronave que foi à Grécia

Mattosinho afirmou que o presidente do União Brasil tinha interesse em adquirir uma quinta aeronave, um Gulfstream de Série 550, matrícula PS-FSR, capaz de realizar viagens intercontinentais. A negociação desse modelo de luxo começa a partir de US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões). O piloto não sabe se a transação foi concretizada.

O jatinho foi colocado à venda em julho deste ano, conforme anúncio publicado nas redes sociais de uma empresa que comercializa aeronaves.

No entanto, o site da empresa informava nesta semana que ela não está mais disponível.

A aeronave está registrada em nome do agente de jogadores Luís Fernando Garcia, dono da Elenko Sports. Ele negou ao ICL Notícias que seu jatinho tenha sido vendido e que Rueda tenha realizado viagens nele.

Garcia bloqueou o contato da reportagem no aplicativo. Ele alegou que não responderia aos questionamentos por entender que se trata de negócios particulares.

Em agosto, Rueda reuniu políticos, empresários e artistas para comemorar seus 50 anos na ilha grega Mykonos, que faz parte de um arquipélago no Mar Egeu.

O site de monitoramento global de voos, Adsb Exchange, mostra que o Gulfstream viajou em 31 de julho de Brasília à região de Mykonos, na Grécia. O aniversário de Rueda foi comemorado do dia primeiro ao dia 4 de agosto na ilha.

Ainda segundo o site de monitoramento, a aeronave saiu dia 10 da região em direção ao Brasil, aparecendo próximo a Sorocaba (SP) no dia 11.

O dono da TAP enviou mensagens de Whatsapp a Mattosinhos no dia 6 de agosto, falando sobre o serviço na Grécia, aos quais também tivemos acesso. “Irmão. Tô numa correria absurda com avião lá na Grécia. Pode tocar com Brunão pfv Ta foda aqui. 2 dias varados.

“Acompanhando programação da Grécia”, escreveu Epaminondas ao funcionário.

À reportagem, Rueda disse ter viajado em voo comercial da British Airways para a Grécia, dias antes do voo identificado pela reportagem. E negou ter adquirido a aeronave citada pelo piloto.

Investigado do governo Bolsonaro

A TAP está oficialmente registrada no nome da mãe de Epaminondas Chenu Madeira. O empresário, e também piloto, no entanto, é quem toca os negócios. Ele é sócio de outras duas empresas de táxi aéreo, a ATL Airlines e a Aviação Alta.

Mattosinho afirma que pilotava o bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG, que pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Primo e Beto Louco ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas na compra de outros dois jatinhos.

Documentos públicos mostram que a ATL Airlines e a Aviação Alta são cotistas da Capri Fundo de Investimento em Participações, que tem como representante legal Rogério Garcia Peres, alvo da operação realizada pelo MP-SP contra o esquema do PCC. Ele está foragido.

Advogado, Peres é apontado pela promotoria como “administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad, sócio em postos de combustíveis”.

Ele foi nomeado em 17 de setembro de 2019 pelo Secretário Executivo do Ministério da Economia, Marcelo Pacheco dos Guaranys, para exercer o mandato de Conselheiro, representante dos Contribuintes, junto à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do ministério.

A pasta à época era chefiada por Paulo Guedes.

Segundo o MP-SP, Peres também seria o controlador da Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, também alvo da operação.

A gestora de fundos aparece como administradora do fundo Capri em um relatório de demonstração financeira de 2024, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o nome Ruby Capital Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

A reportagem apurou, no entanto, que o CNPJ registrado no documento com  este nome é o mesmo da Altinvest.

Mattosinho afirma que o nome da Ruby foi citado por Epaminondas Madeira e por um advogado da TAP, durante um diálogo que mantiveram quando o piloto apresentou sua demissão.

De acordo com o piloto, o advogado de Epaminondas afirmou que o “Ruby estava intacto”, querendo dizer que o fundo não tinha sido identificado pelas operações da PF e do MPSP, o que revelou não ser verdade já que a Altinvest foi alvo da Operação Carbono Oculto.

Conteúdo originalmente publicado em: ICL Notícias

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA na eleição

@viniciocarrilhomartinez

No caso específico das fake news na seara política, o ônus da prova está invertido: na prática, o atingido pelo áudio (supostamente feito por IA) terá que provar que não falou aquilo outro.

O correto seria o suposto calunioso ser obrigado a apresentar provas de que “o fulano falou aquilo” mesmo.

Nessa inversão, o caluniado tem que provar a inocência; o correto seria o calunioso “provar que a sua prova (o áudio malicioso) é real”.

No âmbito filosófico, mas prático (como um consequencialismo), podemos pensar que, se é correto dizer que não há determinismo tecnológico, a IA nos trouxe “determinadas condições” em que as determinações humanas talvez já não sejam (em si) assim tão determinantes. De fato, conclusivamente, como queria Marcuse “o a priori técnico é um a priori político”. Na prática, a IA já modificou as bases do “fazer-se política” e, em consequência, do fazer-se humano.

Numa leitura sociológica, também podemos pensar que: em que pese haver indícios de “redução de impactos”, como no Estado Social (década de 1920) e no Welfare State (no pós-Segunda Grande Guerra), o capitalismo é programado para a obsolescência humana – vide a acumulação primitiva – e imposição da lógica da mercadoria (D-M-D’), o que também acarretou (especialmente na fase globalizada do pós-fordismo) a crescente obsolescência da mercadoria. Pois bem, neste momento do século XXI, a IA nos colocou a difícil prova de reverter o contínuo processo da subsunção humana.

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA

 

Capa de Veja dá moral prá Lula pela primeira vez

Não é sempre que a revista Veja coloca Lula na capa positivamente. Geralmente é batendo ou em situação nada favorável. A oito meses e cinco dias das eleições, é quase que impossível Lula não ser reeleito. Todas as pesquisas indicam que ele vencerá no segundo turno.

Só vai restar um: congestionamento de candidatos aumenta divisões na direita

Movimento do PSD, de Gilberto Kassab, com o lançamento de três presidenciáveis, esquenta a briga em torno de quem será capaz de enfrentar Lula

Image 1 of 1

Na terça-feira 27, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o primeiro nome da direita a lançar candidatura a presidente da República, em abril de 2025, fez um movimento que inaugurou um novo capítulo na corrida ao Planalto. Em um gesto que surpreendeu o mundo político, anunciou que estava trocando o União Brasil pelo PSD, onde já há mais dois potenciais presidenciáveis — os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Segundo o cacique da legenda, Gilberto Kassab, o que tiver melhor condições de se viabilizar nos próximos meses será bancado pelo partido.

A mobilização mostra a tentativa de consolidar uma candidatura forte, que abarque do centro à direita, sem a influência do clã Bolsonaro — que lançou Flávio Bolsonaro (PL) — e resistente a qualquer tentativa de cooptação do lado governista. Diante do leque de opções, no entanto, há uma disputa, que já se inicia, para provar quem tem as melhores condições para avançar de fase e enfrentar Lula, com chances reais de vitória, no embate final em outubro.

O Brasil é imensamente agraciado por ter Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, reeleito por três mandatos, com trajetória política singular, um estadista versado nos princípios e na arte de governar, reconhecido, respeitado, admirado e amado em todo o país e no mundo inteiro. Lula é o maior e o melhor presidente que o Brasil já teve, seus princípios e a sua expertise em governar são exemplos a serem seguidos e adotados. Em outubro de 2026, Lula será novamente reeleito Presidente da República, completando seu quarto mandato. Como forma de reconhecimento do valor de sua pessoa e da relevância de seu trabalho, até 2020, Lula foi condecorado 36 vezes com o titulo de Doutor Honoris Causa. A sua obra pelo desenvolvimento e engrandecimento do país e a sua luta constante pelo combate da desigualdade social se tornam a sua marca indelével e imortalizadas. Com Lula o Brasil prospera e torna-se ainda maior. O Brasil tem muito que agradecer ao Presidente Lula. A vida de Lula e sua virtuosa obra serão sempre lembradas. Vitória ao governo Lula! Vitória à democracia! Que o Brasil possa superar suas mazelas e se libertar de todos os males. Vitória e paz ao nosso amado Brasil!

 

 

 

Quando o mau-caratismo vira profissão

0

Ester Dias da Silva Batista

No ano de 2025, a divulgação de casas de apostas e jogos de azar, apesar das restrições legais, tornou-se cada vez mais comum nas redes sociais, especialmente em plataformas de consumo rápido, como o Instagram. A facilidade de acesso e a exposição contínua a esse “conteúdo” revelam uma distorção ética preocupante: práticas visivelmente nocivas passaram a ser socialmente interpretadas como uma profissão legitimada.

A lógica de influenciar é antiga, mas nesse contexto, foi profundamente modificada. Se antes estava associada ao compartilhamento de rotinas pessoais, nos chamados vlogs, hoje molda as decisões de consumo. Reviews, publicidades e recomendações atravessam quase tudo o que consumimos, inclusive comportamentos de risco. Assim, a divulgação de jogos de azar deixa de ser uma ação individual e passa a produzir efeitos coletivos.

Tais jogos não são neutros e configuram-se como um problema de saúde pública, sobretudo no campo da saúde mental. O vício em jogos envolve mecanismos psicológicos e biológicos semelhantes aos observados na dependência de álcool, por exemplo, podendo ser desencadeado por predisposições até então desconhecidas. Embora o discurso da auto responsabilidade seja frequentemente mobilizado, ele não dá conta da complexidade deste problema. Jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica são especialmente impactados pela exposição contínua a conteúdos que glamourizam apostas, sem alertas efetivos das consequências dessa prática.

Os relatos de famílias destruídas e casos de suicídio relacionados a apostas têm se tornado mais frequentes. Há iniciativas de denúncia que transformam o luto em ativismo, demonstrando como este problema ultrapassa o âmbito individual e atinge o aspecto social. Quando lucrar passa a ser sinônimo da exploração de fragilidades, a influência é transformada em desinfluência. Questionar esse modelo não trata-se de um moralismo, mas responsabilidade social: em que momento foi normalizado que o mau-caratismo se tornasse profissão?

Lula vence todos os adversários nos 1ª e 2ª turnos em 2026, diz nova pesquisa

O presidente Lula (PT) aparece à frente de todos os adversários nos cenários testados para 2026 em nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (29). No primeiro turno, o petista lidera nas simulações apresentadas. No segundo turno, o levantamento aponta empates técnicos, mas com Lula numericamente à frente em todos os confrontos.

Primeiro turno

No cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o principal adversário, Lula registra 39,8% das intenções de voto, contra 33,1% do senador.

Ratinho Junior (PSD) aparece com 6,5%, Ronaldo Caiado, agora no PSD, tem 3,7%, e Romeu Zema (Novo) marca 2,8%. Renan Santos (Missão) soma 1,5%, e Aldo Rebelo, 1,1%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam ou não opinaram totalizam 11,5%.

Arte com gráficos do primeiro cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Em um segundo cenário, com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como adversário, Lula aparece com 40,7% das intenções de voto. O governador de São Paulo marca 27,5%. Caiado registra 6,6%, Zema tem 4,4%, enquanto Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo somam 2% e 1,4%, respectivamente. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos chegam a 17,4%.

Arte com gráficos do segundo cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Segundo turno: empates técnicos, com Lula numericamente à frente

A pesquisa indica empates técnicos nos três cenários de segundo turno testados, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ainda assim, Lula aparece numericamente à frente em todos eles.

No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente tem 44,8%, e o senador, 42,2%. Brancos, nulos e indecisos somam 13%.

Na simulação entre Lula e Tarcísio de Freitas, Lula marca 43,9%, contra 42,5% do governador paulista. Brancos, nulos e indecisos chegam a 13,7%.

Já no cenário entre Lula e Ratinho Junior, o presidente registra 44,7%, enquanto o governador do Paraná soma 38,9%. Outros 16,4% não escolheram nenhum dos dois ou não opinaram.

O estudo ouviu 2.080 eleitores, em 160 municípios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Arte com gráficos do segundo turno apontado pela pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Caso Master: Gleisi diz que Lula foi informado por Lewandowski sobre atuação privada

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou o presidente Lula, ainda em 2024, sobre a existência de atividades privadas antes de aceitar o convite para comandar a pasta. Segundo ela, o ex-ministro deixou claro que precisaria se afastar dessas funções ao assumir o cargo.

Antes de integrar o governo, Lewandowski participou de um conselho consultivo do Banco Master, e seu escritório de advocacia manteve contrato com a instituição. O tema voltou ao centro do debate após a revelação de que um contrato de R$ 6,5 milhões foi transferido para o filho do ex-ministro quando ele assumiu o ministério.

Gleisi afirmou não enxergar impedimento na prestação de serviços anteriores ao banco e destacou que foi justamente durante a gestão dele que a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e deu início às investigações que envolvem o Master.

“Ele avisou que prestava atividades privadas, econômicas, e que ele teria que se afastar. Não sei se ele falou exatamente do Master, ele falou: “Olha, tenho que me afastar de atividades”. Ele deve ter comentado, mas isso não era impeditivo. Por que seria impeditivo?”, disse a ministra a jornalistas.

O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Na avaliação da ministra, há um esforço da oposição para associar o escândalo do Banco Master diretamente ao governo Lula. Segundo ela, esse movimento ignora o fato de que diversos personagens ligados ao caso mantêm relações com administrações e grupos políticos adversários ao Planalto.

“Fico me perguntando por que as pessoas ficam divulgando que o ministro teve contrato com o Master. Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que que isso está influenciando nas apurações que o governo está fazendo?”, questionou Gleisi, ao reiterar que Vorcaro foi preso enquanto Lewandowski chefiava o Ministério da Justiça.

A ministra também citou governos estaduais, como o do Distrito Federal, controlador do BRB, e o do Rio de Janeiro, ao mencionar investimentos de fundos de pensão no banco. Para ela, esse histórico precisa ser esclarecido pela oposição.

“A oposição também tem que explicar porque que o cunhado do dono do banco, o pastor Fabiano Zettel, foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022”, afirmou.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi alvo de operação da Polícia Federal em janeiro, quando teve o celular apreendido no Aeroporto de Guarulhos. Advogado e presidente da Moriah Asset, ele doou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio de Freitas.

Sobre a reunião fora da agenda entre Vorcaro e Lula, realizada em dezembro de 2024, Gleisi afirmou não ter participado do encontro, mas ressaltou que reuniões com representantes do mercado fazem parte da rotina presidencial. Segundo ela, a orientação do presidente sempre foi para que o governo atuasse de forma técnica e com autonomia nas investigações.

Lula faz discurso repleto de recados a Trump, cita Roosevelt e diz que só a paz interessa à América Latina

No Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, o presidente critica “investidas coloniais” e “retrocessos históricos”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira (28) um discurso com fortes mensagens políticas e geopolíticas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender que a América Latina deve rejeitar aventuras militares, disputas por zonas de influência e novas formas de dominação externa. Segundo Lula, em um mundo marcado por tensões e rupturas, a única agenda que interessa à região é a da paz, da integração e do desenvolvimento social.

A fala foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá, país que sediou, há exatamente 200 anos, o Congresso que reuniu as jovens nações latino-americanas após a independência. Lula evocou esse marco histórico para destacar que, embora daquele encontro tenham surgido princípios fundamentais do direito internacional — posteriormente incorporados à Carta da ONU —, como a solução pacífica de controvérsias e o respeito à soberania, a região enfrenta hoje um cenário de “retrocesso histórico” na integração.

Ao analisar a conjuntura regional, Lula afirmou que a breve experiência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) fracassou diante da intolerância política, impedindo a convivência entre visões distintas. Segundo ele, a América Latina volta a se apresentar fragmentada, mais voltada para interesses externos do que para projetos próprios. O presidente criticou ainda a influência de conflitos ideológicos alheios, o avanço do extremismo político e a manipulação da informação, fatores que, em sua avaliação, esvaziaram as cúpulas regionais.

Nesse contexto, Lula apontou a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), hoje a única organização que reúne todos os países da região. Segundo o presidente, o bloqueio político é tão profundo que o bloco não conseguiu sequer produzir uma declaração conjunta contra “intervenções ilegais que abalam nossa região”, nem responder de forma coordenada a desafios como a pandemia de Covid-19, o avanço do crime organizado e a crise climática.

Ao tratar do cenário internacional, Lula afirmou que a ruptura da ordem liberal, somada ao ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, expôs os limites de paradigmas tradicionais como o pan-americanismo e o bolivarianismo. Ele defendeu que a União Europeia seja observada como referência, sem ignorar as diferenças históricas, econômicas e culturais da América Latina. Foi nesse ponto que mencionou a proximidade geográfica com “a maior potência militar do mundo”, em referência aos Estados Unidos, alertando para o “recrudescimento de tentações hegemônicas”.

Lula afirmou que a história demonstra que o uso da força jamais ofereceu respostas duradouras aos problemas do continente. Para ele, “a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”. Em meio às críticas, o presidente recordou momentos em que os Estados Unidos atuaram como parceiros da região, citando o presidente Franklin D. Roosevelt e a política da boa vizinhança, que buscava substituir a intervenção militar pela diplomacia.

Ao mencionar Roosevelt, Lula destacou a defesa das chamadas “quatro liberdades fundamentais”, formuladas durante a Segunda Guerra Mundial: “liberdade de expressão”, “liberdade de culto”, “liberdade contra as privações” e “liberdade contra o medo”. Segundo o presidente brasileiro, esses princípios seguem atuais como base para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da convivência pacífica entre as nações.

Para o Brasil, afirmou Lula, “a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade”. Ele acrescentou que as únicas armas legítimas para esse enfrentamento são o investimento, a transferência tecnológica e o comércio justo e equilibrado. Nesse sentido, o presidente voltou a defender um projeto de integração regional pragmático, baseado na pluralidade de opções e na cooperação entre países.

Lula também fez um balanço de sua trajetória política e econômica, lembrando que assumiu a Presidência pela primeira vez em 2003, em meio a uma crise marcada por dívida externa elevada e forte dependência do Fundo Monetário Internacional. Segundo ele, o Brasil conseguiu promover uma ampla inclusão social, quitar dívidas, acumular reservas internacionais e encerrar seu segundo mandato com crescimento expressivo da economia.

Ao comparar aquele período com o cenário encontrado em 2023, quando voltou à Presidência, Lula afirmou que o Brasil crescia pouco, enfrentava inflação elevada e queda na produção industrial. De acordo com ele, desde então o país voltou a crescer acima de 3%, reduziu a inflação, alcançou recordes de emprego, renda e exportações e ampliou políticas de inclusão social. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza”, disse.

O presidente também criticou a lógica de exploração primária de minerais críticos e terras raras, defendendo que esses recursos só terão sentido estratégico se forem transformados nos próprios países latino-americanos, gerando empregos, renda e desenvolvimento. Para Lula, não há saída individual para os problemas históricos da região. Segundo ele, apenas um bloco econômico sólido, comprometido com o combate à fome e à desigualdade, poderá evitar que a América Latina chegue ao fim do século tão pobre quanto começou.

Leia o discurso na íntegra:

Quero começar agradecendo ao presidente-executivo da CAF, Sergio Díaz-Granados, pelo honroso convite para participar desta sessão de abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026.

Aproveito para cumprimentá-lo pela reeleição para o novo mandato à frente da CAF.

Agradeço também ao meu amigo, presidente José Raúl Mulino, pela hospitalidade com que nos recebe.

Saúdo todos os chefes de Estado e de Governo aqui presentes, os empresários, e todas as pessoas, mulheres e homens, que participam deste evento.

É muito oportuna a realização deste Fórum, em um contexto de crescentes desafios de ordem geopolítica, econômica e tecnológica para o mundo e, em especial, para América Latina e Caribe.

A escolha da cidade do Panamá para receber este evento possui um simbolismo especial.

Este é o verdadeiro ponto de união entre o Atlântico e o Pacífico.

Aqui, há exatos 200 anos, reuniu-se o Congresso Anfictiônico, em que as jovens nações americanas buscavam consolidar sua independência e definir seu lugar no mundo.

Do Congresso de 1826 surgiram muitas das ideias que encontrariam expressão no moderno direito internacional e na própria Carta das Nações Unidas.

Ideias como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a garantia da independência política, a igualdade jurídica e a integridade territorial dos Estados.

Embora tenha peso simbólico relevante, esse legado normativo e conceitual foi insuficiente para fomentar instituições regionais efetivas.

Dois séculos se passaram do Congresso do Panamá e vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração.

A breve experiência da UNASUL entre 2003 e 2014 sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes.

Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham.

As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano.

Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel.

Nossas Cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais.

Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a CELAC, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro.

A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região.

Não fomos capazes de enfrentar de forma coordenada desafios sistêmicos como a Covid-19.

Avançamos lentamente no combate ao crime organizado transnacional.

O enfrentamento do aquecimento global ainda padece de ação coletiva mais robusta e mais forte.

Esses desafios recolocam a questão do modelo do regionalismo possível para a América Latina e o Caribe.

Em um contexto global de ruptura da ordem liberal e do ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, os paradigmas endógenos ligados ao panamericanismo e ao bolivarianismo são insuficientes.

Também não podemos nos valer de modelos de integração que pouco refletem as nossas realidades.

Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais.

O peso das identidades nacionais torna inviável a curto prazo qualquer projeto de envergadura parecida com o europeu.

A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.

Falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

Diante das dificuldades de pactuar um marco teórico próprio, nossos países deveriam concentrar-se na mobilização dos trunfos inexplorados pela região para promover sua inserção competitiva na ordem global.

Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista:

(i) contamos com potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar;

(ii) possuímos variadas condições de solo e clima e avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos;

(iii) abrigamos a maior floresta tropical do planeta, mais de um 1/3 das reservas de água doce do mundo e riquíssima biodiversidade;

(iv) reunimos recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital;

(v) temos escassos contenciosos na fronteira;

(vi) somos um mercado consumidor expressivo de 660 milhões de pessoas;

(vii) não vivenciamos graves conflitos religiosos ou culturais; e

(viii) contamos com uma predominância de governos eleitos democraticamente.

A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções.

Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região.

Essa é a única doutrina que nos convém.

Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.

Minhas amigas e meus amigos,

Em um mundo envolto em turbulências, o Brasil escolheu o caminho da democracia, da paz, do multilateralismo e da integração regional.

Nossa estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica tem sido reconhecida em todo o mundo.

Nos últimos anos, o Brasil atraiu volumes recordes de capital estrangeiro.

Seguimos promovendo um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilateralmente acordadas.

Respondemos a práticas protecionistas com diálogo, firmeza e apoio a nossas empresas.

Em 2025, superamos marcas históricas de exportações e importações. Nossa corrente de comércio foi de 629 bilhões de dólares.

Isso é resultado de uma estratégia consistente de diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes.

Mostramos que um novo modelo de desenvolvimento, com inclusão e sustentabilidade, é possível.

Desde 2023, o Brasil cresceu acima da média mundial, controlou a inflação e alcançou o menor desemprego da nossa história.

Valorizamos o salário mínimo, aumentamos a renda dos trabalhadores e levamos justiça tributária a milhões de brasileiros.

Saímos mais uma vez do Mapa da Fome da FAO.

Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil. Estamos na vanguarda da economia verde.

90% da nossa matriz elétrica é renovável. Somos líderes em biocombustíveis.

Nosso “Plano de Transformação Ecológica” identificou 90 bilhões de dólares em projetos que vão impulsionar a economia verde.

Em breve, lançaremos um Mapa do Caminho para reduzir gradativamente a dependência de combustíveis fósseis.

Desde 2023, retomamos nossos esforços com a integração regional, buscando ampliar e diversificar nossos parceiros.

Concluímos os acordos entre o MERCOSUL e Cingapura e entre o MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA.

Após 26 anos de negociações, assinamos o acordo MERCOSUL-União Europeia, que abrangerá um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.

Vamos ampliar os acordos comerciais que temos com a Índia e o México.

Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos.

Adotamos marcos para negociar parceria estratégica com o Japão e preferências tarifárias com o Vietnã.

Esperamos progredir rapidamente nas negociações com Panamá, República Dominicana e El Salvador.

Vamos ainda atualizar os acordos do MERCOSUL com Colômbia e Equador.

O Brasil está avançando em ritmo acelerado na implementação de seu programa Rotas de Integração Sul-Americana.

Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos.

São dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de infovias e linhas de transmissão, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos.

A integração em infraestrutura não tem ideologia.

Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas.

Nosso Banco de Desenvolvimento, o BNDES, tem sido um parceiro essencial, mas a integração requer mais recursos e mais cooperação.

É imperativo mobilizar os bancos multilaterais e regionais — como a CAF, o FonPlata, o BID e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS — para transformar essas iniciativas em realidade.

Com projetos de geração de energia renovável, inovação e conexão digital, podemos reposicionar a América Latina e Caribe na economia internacional.

Centros de dados, beneficiamento de minerais críticos, indústria verde e bioeconomia podem contribuir para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.

Sabemos que a economia não existe no vácuo.

O mercado não é uma entidade abstrata, apartada da política e da sociedade.

Estabilidade política e social são essenciais para criar um ambiente próspero para os negócios.

A concentração de riqueza gera pobreza, fome e violência.

A América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região com maior número de feminicídios.

Segundo a CEPAL, onze mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente.

Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta e assumir a responsabilidade de acabar com a violência contra as mulheres.

Quando o povo tem dignidade e segurança a sociedade prospera.

Garantir o acesso a serviços básicos, e implementar políticas de combate à desinformação e à criminalidade são essenciais para a estabilidade e para a democracia.

Para uma integração regional duradoura e estratégica, é essencial envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada.

Sistemas de pagamentos digitais e inovadores como o PIX que fizemos no Brasil podem impulsionar o comércio regional.

Programas de cooperação entre universidades e centros de pesquisa criam laços baseados no conhecimento e na inovação.

Senhoras e senhores,

A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos.

Entre tantos corolários e doutrinas que nos foram dedicadas ao longo da história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento.

O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe.

Roosevelt também defendia que deveríamos erigir um mundo com base no que chamou de 4 liberdades fundamentais para a defesa da democracia e dos direitos humanos:

Primeiro: liberdade de expressão, em que todos possam expressar suas opiniões livremente, sem manipulação de dados e informações, como vemos hoje nas redes digitais.

Liberdade de culto: em que cada um possa professar a sua fé sem ser perseguido.

Liberdade contra as privações: em que todos tenham direito a uma vida digna, incluindo acesso a alimentação, moradia e trabalho.

E liberdade contra o medo: em que o desarmamento limitaria o recurso ao uso da força e agressões entre as nações.

Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade.

E as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado.

Minhas amigas e meus amigos,

Reconquistar a confiança na integração é uma tarefa árdua, mas necessária.

Dispomos de credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial.

Necessitamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais que articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região.

A integração regional pode e deve alimentar-se de princípios e do exame crítico de outras experiências históricas.

Mas ela será resultado da nossa capacidade de conviver com a diversidade das vontades políticas.

Essa é uma condição essencial para manter a América Latina e Caribe como zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional.

Isso dependerá da nossa inserção soberana no mundo.

Do Brasil 247

PF abre investigação sobre contratação de influenciadores para atacar o Banco Central

Inquérito apura uso de redes sociais para questionar liquidação do Banco Master e possível ação coordenada em defesa da instituição

A Polícia Federal instaurou, nesta quarta-feira (28), um inquérito para apurar a contratação de influenciadores digitais e páginas em redes sociais com o objetivo de atacar o Banco Central em favor do Banco Master. A investigação foi aberta após a produção de uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ), a partir da qual a corporação identificou indícios suficientes para a apuração formal dos fatos. As informações são da CNN Brasil.

O inquérito está sob responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). Segundo a apuração, os elementos reunidos pela Polícia Federal apontaram para a necessidade de aprofundar a investigação por meio de um procedimento policial.

De acordo com o levantamento citado pela CNN Brasil, a Polícia Federal mapeou uma sequência de publicações feitas entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano, nas quais influenciadores digitais passaram a divulgar críticas ao Banco Central. Ao menos 40 perfis foram identificados como possíveis participantes do chamado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Os perfis analisados pertencem a influenciadores de diferentes áreas, incluindo entretenimento, celebridades e, em menor número, finanças. As publicações apresentavam forte similaridade de linguagem e formato, sugerindo uma ação coordenada. Entre os principais argumentos difundidos estavam afirmações de que “pessoas comuns serão prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, que haveria “indícios de precipitação na liquidação do Master” pelo Banco Central e que “o banco foi liquidado em tempo considerado incomum”.

A reportagem também apontou que influenciadores relataram ter sido procurados, no final de 2025, por representantes de empresas de marketing digital. O contato teria como objetivo a produção de conteúdos questionando a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

Brasil 247

Consciência social e de classe

0

@viniciocarrilhomartinez

O título trata, sem dúvida, da consciência de classe.

E, no caso brasileiro, é uma consciência que deve olhar para baixo e para dentro, antes de olhar para cima e para fora. Para dentro de si, de sua configuração de classe social, e para fora dos limites estreitos delineados nos interesses limitados e individualizados.

Comumente, adormecidas pelos cantos de sereia do capitalismo do enriquecimento fácil, da riqueza rápida, as pessoas olham para cima e para fora: para fora porque não querem a miséria que se impõe, para cima porque almejam o que os “ricos têm”.

Essa consciência até sabe onde está, alguns no fundo do poço, só não se entende o que a colocou ali; isolada, limitada, olha exclusivamente para si, imagina-se liberta da opressão da miséria – mas, sem os outros.

Esse efeito limitado de somente olhar para fora (das condições reais) e para cima (dos campos de poder) é compartilhado com outras classes sociais: a famosa classe média que quer ser rica, a classe dominante que almeja dominar infinitamente, as classes pobres que detestam ser pobres.

Aqui cabe uma sinalização: as classes pobres não detestam, exatamente, a miséria, a pobreza continuada, detestam o fato de que sejam assujeitados a essas condições de negação: o indivíduo lamenta estar ali e não vê que o vizinho está na mesma. Isto é, trata-se de uma consciência de quem olha somente para si, não existindo o todo que a mantém naquelas condições de negação.

Por outro lado, quando olhamos para baixo e para dentro estamos procurando, além de nós mesmos, outros que sejam semelhantes ou que estejam prostrados em condições análogas. Digamos que “olhamos para dentro da classe social”, para a classe social em suas infinitas condições, limitações e possibilidades, e, quando “olhamos para baixo”, passamos a clarear o entendimento acerca das estruturas e das condições do poder.

Assim, especificamente no caso brasileiro, o Direito à consciência social é incisivamente dirigido pela consciência de classe que é forjada por uma racial luta de classes. A expressão “racial” é péssima, porque parte da limitação (negação) que há no entendimento de que a Humanidade é dividida em raças – na essência, qualquer limitação trazida pelo “racial” é irracional, porque não há raças humanas – só há uma espécie. Porém, pior do que isso, é esse o gatilho empregado na continuidade do racismo e das proposições de eugenia. Em outras palavras, também é assim que se faz perdurar a luta de classes racista.

No conjunto, esse olhar para cima e para fora, sem, contudo, ver-se adequadamente – porque não se vê os outros –, além de um imenso e interminável individualismo, egocentrismo, ainda revela a lógica neocolonial e neoliberal que “opera as consciências por dentro”.

Numa frase, essa lógica seria assim resumida: A pior opressão é aquela que, sutilmente, o indivíduo se presenteia (banqueteia-se) com a sua abdução.

 

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Por Roberto Kuppê (*)

A Praça É Nossa

Não tem objetivo nenhum a não ser a continuação da tentativa de golpe de estado perpetrado no dia 8 de janeiro de 2023. A caminhada da insensatez liderada por Nikonha, primo de traficante, é uma afronta à Constituição e às instituições. E o pior, envolve crianças e adolescentes.

A Praça É Nossa 2

A presença de políticos e figuras públicas ao longo do trajeto também virou alvo de memes. Usuários compararam as aparições pontuais ao formato do programa “A Praça É Nossa”, destacando entradas rápidas e falas de efeito. Entre os nomes que surgiram nos registros estão o deputado federal Sargento Pincel e o senador Salsicha. O pretenso pré-candidato ao Senado Federal, Bruno Scheid (PL) também foi em meio à denúncias de cobranças por frete de avião não pago.

O PT de Rondônia

Se tem um partido que só decide após dezenas de reuniões sobre o mesmo assunto é o PT. Assim está sendo para decidir sobre as eleições deste ano. O partido tem um pré-candidato ao governo de Rondônia, Expedito Netto, mas o que estão confirmados mesmo são os pré-candidatos à deputados federais e estaduais. Netto vai ter que comer muita poeira ainda se quiser sentar na janela. Ele não tem nem 15 dias de pré-filiado. Ainda precisa ser referendado pelo presidente Lula e pelo presidente do PT, Edinho Silva. Em Rondônia ele teria quase a unanimidade. Resistência ele está encontrando com Ramon Cujui. Este é difícil de convencer. Uma reunião no Rio de Janeiro durante o Carnaval com a presença de Lula poderia ajudar. Lula será homenageado pela Escola de Samba Unidos de Niterói e deverá prestigiar o desfile no dia 15 de fevereiro na Sambodromo.

A bem da verdade

Governos de esquerda são estatizantes, ou seja, anti privatizações. A maioria das empresas públicas privatizadas as foram por governos de direita. Ao longo das décadas as rodovias federais foram privatizadas por presidentes da República de direita. Em Rondônia, a BR 364 recém concedida à iniciativa privada, está causando polêmica, sendo contestada justamente por políticos de direita, principalmente pela cobrança de pedágio considerado um dos maiores do país. É prá privatizar ou não? Ou o problema é apenas o valor do pedágio?

A bem da verdade 2

O vereador Everaldo Fogaça (PSD), de Porto Velho, participou ontem de uma caminhada sob chuva até Candeias do Jamari, em protesto contra o alto valor do pedágio. Realmente está alto porque a cobrança está sendo feita antes dos benefícios. Se a concessionária reduzisse pela metade todos ficariam satisfeitos.

A bem da verdade 3

Toda a bancada federal participou de audiências públicas em torno da concessão da BR 364, iniciada no governo Temer e intensificada no governo Bolsonaro. No entanto, apenas o senador Confúcio Moura (MDB-RO), está sendo responsabilizado só porque ele tem agido com transparência e honestidade. Já o outros parlamentares estão agindo com cara de paisagem, como se não tivessem “culpa no cartório”. Em vez de fazerem parte da caminhada contra o valor abusivo do pedágio, deputados e senadores foram caminhar contra a democracia e a favor do golpe de estado em Brasília.

Toffoli não abre mão do caso Master

A despeito da saraivada de críticas por sua atuação no caso das fraudes no Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não tem qualquer intenção de deixar a relatoria do processo ou devolvê-lo à primeira instância. Como conta Daniela Lima, Toffoli disse a colegas que vai “apanhar o que tiver que apanhar” e “conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”. Ele também divulgou uma nota elogiando a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar um pedido de deputados para afastá-lo da relatoria do caso Master, dizendo que isso “reafirma a regularidade da condução”. (UOL)

Defesa Master

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota  para defender a atuação da Corte e do ministro. No texto, ele afirma que cabe ao Supremo atuar “na regular supervisão judicial, como vem sendo feito pelo ministro relator, DIAS TOFFOLI” [em maiúsculas no original]. Toffoli vem sendo criticado desde que levou todo o caso Master para o STF e decretou sigilo máximo, seguido de decisões como mandar lacrar provas apreendidas e criticar a atuação da Polícia Federal. A revelação de negócios de seus irmãos envolvendo um resort com o cunhado e braço direito de Daniel Vorcaro, dono do Master, elevaram os questionamentos à atuação do ministro. Fachin, porém, reafirmou a autoridade de Toffoli para atuar no recesso e disse que “eventuais vícios ou irregularidades alegados” serão examinados depois pelo colegiado. (g1)

Defesa Master 2

Funcionários destacados para atender ministros do STF permaneceram por ao menos 150 dias em Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, associado ao ministro Dias Toffoli. Desde dezembro de 2022, o pagamento de diárias a esses agentes ultrapassou R$ 454 mil. Dados do TRT-2 indicam deslocamentos frequentes de equipes de segurança para a cidade, com a justificativa de prestar apoio e transporte a uma autoridade do Supremo. Os registros não identificam o ministro atendido, e o STF não comentou o caso. As viagens se concentraram em períodos de férias, recesso do Judiciário, Carnaval, julho e fim de ano. No último Ano-Novo, agentes também estiveram no local, reforçando relatos de que Toffoli segue frequentando o resort. (Folha)

Defesa Master 3

A defesa de Daniel Vorcaro negou que exista qualquer proposta ou negociação de delação premiada em curso. A declaração foi feita após a saída do advogado Walfrido Warde do caso, movimento que alimentou especulações sobre uma possível colaboração. Warde, conhecido por criticar esse tipo de acordo, teria deixado a defesa justamente por discordar da estratégia. Apesar dos rumores, a atual equipe jurídica afirma que não há tratativas com a Polícia Federal e que manterá a linha técnica da defesa. (CNN Brasil)

Defesa Master 4

Mesmo sem delação, os depoimentos de Vorcaro agitam o meio político. Segundo Aguirre Talento, da coluna de Fausto Macedo, o dono do Master afirmou à PF que tratou da abortada venda de seu banco ao Banco Regional de Brasília (BRB) diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Rocha admitiu ter ido uma vez à casa do banqueiro, mas negou ter discutido o negócio. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou. (Estadão)

Lula sobre o Master

O presidente Lula comentou, nesta sexta-feira (23), as investigações sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, em Maceió, Lula classificou o suposto esquema como um golpe bilionário.

Lula sobre o Master 2“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão, do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões, mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar é os bancos, é o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica que vai pagar, é o Itaú.”

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Pessoa com deficiência

0

@viniciocarrilhomartinez

Eu tenho deficiência física, na perna esquerda, e estou nesse imenso rol que chamam de PCD – pessoa com deficiência. É mais um apelido. E como todo apelido não diz nada sobre você, aliás, apelidos relatam somente o mau gosto dos outros. Isso também me lembra das chamadas nomenclaturas: tentativas de explicações sintéticas sobre algo que via de regra levam a lugar algum. Começarei por esse PCD e depois trarei outras “nomenclaturas viciadas” por defeito catastrófico em sua origem e proposição.

Por pessoa com deficiência se entende um mar de gente – para mim infinito, como veremos –, da mais simples deficiência física às deficiências mentais e físicas das mais complexas e praticamente insolvíveis.

Antigamente, chama-se de “portadores de necessidades especiais” e, lá no passado, eu mesmo escrevi que todo mundo porta algo; poderia ser portador de Registro de nascimento (muita gente, na infinita miséria, sequer tem sinal público de sua existência) ou portador de alguma boa (ou má) intenção.

Ocorre que hoje me parece o mais óbvio, uma vez que, se todo mundo pode ser portador de alguma necessidade (por exemplo, milhares e milhões que não comem quatro refeições diárias), eu, com deficiência física, tenho uma necessidade especial que outras pessoas não tem – ou tem e fingem não ter. Tenho necessidade, por exemplo, de ter rampas de acesso ou elevadores – ao contrário das escadas que ainda encontro nas dependências do serviço público.

Pois bem, resolveram que essa terminologia não era boa e mudaram para PCD. Neste caso, particularmente, gostaria de saber qual pessoa não tem deficiência, alguma deficiência!? Gostaria de conhecer, porque um ser assim perfeito, majestoso, um anjo na Terra, é uma causa nobre. Não há ninguém assim: até o dedinho da mão esquerda será diferente, maior ou menor, do que o da mão direita (para as pessoas que têm mãos “normais”).

Outro caso emblemático (talvez o mais estapafúrdio) é daquelas “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade humana” – essa nomenclatura seria o meu politicamente, sociologicamente, correto. Esse caso, no entanto, tem uma bizarrice latente, um desvio moral observado na cultura de época e, que, em seguida, na nossa época, revoltando-se, tornou-se absolutamente hipócrita.

Lá nos cafundós da história, essa pessoa que chamei de “absolutamente desabrigada de dignidade” (porque não tem nem um cobertor) era “definida” pela cultura reinante como “indigente”. O termo já diz tudo (indigente), e não seria preciso detalhar muito o que se passava na cabeça das outras pessoas daquela época, afinal, nos bastaria pensar que, por “indigente” intui-se que se trata de alguém que não é gente. Assim, se não é gente, era (ou é) “algo” – um estorvo para as castas, classes e “mentes normais” daquele tempo.

Depois, as “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade” foram apelidadas de mendigos, pedintes, moradores de rua, moradores em situação de rua e, no meio disso tudo, esse politicamente correto (na ortografia apenas) chamou-os de “moradores de área livre”. Aqui me parece que a hipocrisia chegou no seu auge. Definitivamente, não sei se há algo mais perverso do que isso.

Concluindo, de volta ao topo, penso que a pior deficiência é a moral.

Alexandre de Moraes proíbe baderna liderada por arruaceiros em Brasília

Moraes proíbe “caminhada” promovida por Nikolas Ferreira em Brasília; A determinação acolhe um pedido feito pela PGR e proíbe a presença de manifestantes nas imediações da Papuda. O ministro também mencionou os atos golpistas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (23) impedir a realização de um ato bolsonarista previsto para este fim de semana em Brasília (DF).

A determinação acolhe integralmente um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e proíbe a presença e a permanência de manifestantes nas imediações da Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda, onde Jair Bolsonaro (PL) cumpre a pena de 27 anos de prisão determinada pelo STF no inquérito da trama golpista.

A decisão do STF, fundamentada em manifestação da PGR, atinge a mobilização promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que vinha reunindo apoiadores ao longo de um percurso estimado em cerca de 200 quilômetros, entre Paracatu (MG) e a capital federal. Segundo os organizadores, o ato defendia condenados por ações golpistas.

Ao analisar o caso, Moraes afirmou ter aprovado “integralmente os pedidos da Procuradoria Geral da República”. No requerimento, a PGR sustentou a necessidade de intervenção imediata para preservar a segurança do sistema prisional.

Conforme o órgão, era imprescindível a “adoção de medida cautelar de remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília– Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

Atos golpistas do 8 de Janeiro

O ministro Alexandre de Moraes também recordou os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Planalto e do Congresso, em Brasília.

“O exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de repetir os ilegais e golpistas acampamentos realizados na frente dos quartéis do Exército, para subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas, em especial o Supremo Tribunal Federal, que culminaram na tentativa de Golpe de Estado, em 8/01/2023”.

A Procuradoria também alertou que os organizadores anunciavam uma “Caminhada da Paz”, marcada para 25 de janeiro de 2026, com o objetivo de realizar um protesto ostensivo contra decisões do STF.

De acordo com a PGR, parlamentares divulgaram deslocamento até Brasília e incentivaram a adesão de outros cidadãos, afirmando que a pauta seria “justiça e liberdade” para envolvidos nos atos de insurgência de 8 de janeiro.

Alcance da decisão judicial

No despacho, Alexandre de Moraes determinou a “remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer acampamento ou indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília – Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

O ministro também autorizou medidas coercitivas em caso de descumprimento. A ordem prevê a “prisão em flagrante com base na prática de resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública, a fim de garantir a efetividade das probabilidades e a preservação da ordem pública na hipótese de resistência de indivíduos que, mesmo após intimados, insistirem em permanecer na via pública em manifestação de oposição à ordem”.

Ainda no texto, Moraes determinou a mobilização das forças de segurança locais e federais: “Determino, ainda, a imediata notificação das Secretarias de Segurança Pública, de Assuntos Penitenciários e da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para imediato cumprimento da medida, competindo especialmente à Polícia Militar do Distrito Federal a adoção de todas as providências necessárias à efetiva remoção dos referidos indivíduos do local e vigilância externa do local”.

O ministro acrescentou: “Intime-se, pessoalmente, os Secretários de Segurança Pública e de Assuntos Penitenciários e o Comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como o Diretor-Geral e o Superintendente/DF da Polícia Federal”.

Contexto das condenações

O inquérito da trama golpista resultou, até o momento, em 29 condenações anunciadas pelo STF. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais elevada, de 27 anos de reclusão. As investigações abrangem os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram depredadas, episódio inserido em uma apuração mais ampla sobre tentativa de ruptura institucional.

No julgamento específico relativo às manifestações daquele dia, a Corte condenou 1.399 pessoas. Dados divulgados em 8 de janeiro deste ano indicam que 179 indivíduos permanecem presos em decorrência dessas decisões, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva, entre elas a de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro.

Do Brasil 247 e

Ensinando a transgredir

0

@viniciocarrilhomartinez

Em meios inóspitos, excludentes, violentos, transgressores da dignidade humana, é preciso transgredir.

É preciso transgredir o status quo liderado pela injustiça.

É preciso transgredir a Casa Grande que impõe a fome.

É preciso transgredir os muros imorais do racismo, da misoginia, da homofobia, da xenofobia.

É preciso transgredir a divisa da palafita que segrega pela miséria.

É preciso transgredir o capacitismo que se alimenta da meritocracia neoliberal.

É preciso transgredir a cancela que chancela mais o pasto do que o humano.

É preciso transgredir toda ordem que só projeta o progresso dos escolhidos pelo capital.

É preciso transgredir todas as mentes opacas, deturpadas, corrompidas.

É preciso transgredir todos os obstáculos, as normas negativas, os hábitos e as práticas que excluem, que tornam a dignidade inacessível, quando deveriam incluir.

É preciso transgredir, radicalmente, todas as raízes dos piores males sociais, políticos, econômicos, culturais.

É preciso transgredir tudo isso, até o dia em que não precisemos mais transgredir a opressão.

Na prática, na real, não há acessibilidade porque sequer temos a consciência mínima do que é certo e do que é errado.

Portanto, é preciso transgredir, até cansar de ler, todos os sinais de injustiça, desigualdade, preconceito, discriminação.

 

Consciência em trânsito

0

@viniciocarrilhomartinez

O que transita é o que já está em movimento, é o que transita entre aqui, ali e acolá. O que leva a pensar na acessibilidade como uma via, um canal, um conjunto de meios que permitem ou facilitam o acesso e, assim, não obstruam o movimento.

Basicamente, trata-se do estar para ser e, posteriormente, do estar aqui para também ser ali.

E onde está a acessibilidade nisto?

Está em tudo, e podemos ver o básico primeiro: as classes dominantes que olham somente para si, para dentro do poder que lhes concede cada vez mais privilégios, podem acessar o que bem entender. Não lhes pertence (salvo exceções) a mobilidade decrescente na hierarquia social e econômica: “o ditado popular diz que caem ganhando, para cima”. Obviamente, as classes dominantes acessam o poder que lhes renova e assegura todos os privilégios; além disso, podem mover uma montanha para assegurar seus direitos.

Somos nós, os expurgados socialmente, economicamente, que não acessamos poderes, espaços, conteúdos, institucionalidades, serviços, condições elementares à moção da dignidade humana. Quem acessa o poder, acessa tudo que lhe garanta ainda melhores condições de acessibilidade.

No Brasil, o combo de racismo, misoginia, elitismo, capacitismo é institucional, replicante, multiplicado, e assim se molda toda a luta política em torno da luta de classes; contudo, é este um bom começo para quem se nutre do Direito à consciência.

É desse modo que a consciência de classe se põe ali fora, entretanto, para estar ali, é preciso estar aqui (dentro), conscientemente. E assim a acessibilidade é feita com conhecimento, lógica, prospecção, reflexão. A primeira ação, por derradeiro, começa em si – para, então, estar ali. O que é óbvio, pois algo somente pode vir a ser (ali) quando se sabe como é estar por aqui.

Sem o acesso ao conhecimento, não iremos com a consciência a lugar nenhum. Em tese, esse é o papel da educação, não como uma margem limitante do rio, mas, sobretudo, como o fluxo, uma correnteza que leva adiante, que faz mover, que desagua no que precisa ser feito, modificado e, desse modo, levando consigo as raízes do que impede o acesso de milhares, milhões de pessoas.

CFM quer impedir que 13 mil alunos de Medicina mal avaliados em exame nacional possam atender

Conselho discute resolução que pode impedir atuação imediata de profissionais recém-formados que não atingiram nota mínima. Advogados apontam que medida pode acabar em disputas judiciais.

Por Poliana Casemiro, g1 com informações do site Rondônia Dinâmica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que 13 mil estudantes de Medicina do último semestre que não atingirem a nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) consigam o registro profissional.

➡️ O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma prova anual para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino. Ao todo, 351 cursos foram avaliados e 30% estão na faixa considerada insatisfatória.

Além dos cursos, também foram avaliados os alunos do último semestre, prestes a concluírem a faculdade. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enamed, três em cada dez alunos prestes a se formarem não tiveram a nota mínima no exame.

Segundo o Conselho, isso acende um alerta sobre a qualidade da formação e o risco à população. O CFM vem articulando com o legislativo a criação de um exame próprio, que precisa ser liberado por lei, mas os projetos seguem travados.

Com a resposta do Enamed, querem publicar uma resolução exigindo que aqueles que não atingiram a nota mínima não possam ter o registro. Na prática, a medida impediria que esses profissionais atendam pacientes.

Já encaminhamos para o jurídico uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro. Eu acho que é muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender.
— José Hiran Gallo, presidente do CFM.

O Conselho informou também pediu que o Ministério da Educação forneça os dados detalhados dos alunos para que possam ter acesso à lista de nomes e desempenho.

O CFM pode impedir o médico de ter o registro?

➡️ Hoje, todo estudante de medicina ao concluir o curso tem o direito de receber o registro profissional automaticamente sem qualquer avaliação prévia. Isso é feito assim pela determinação de uma lei.

Segundo a advogada especialista em direito médico, Samantha Takahashi, o CFM não poderia criar uma resolução com regra própria que se sobreponha a lei.

Ela explica que a regulamentação exige o diploma de conclusão de curso de Medicina expedido por Instituição de Ensino Superior, registrada no Ministério da Educação, e que não há brecha que permita que o Conselho inclua novas condições.

No sistema que temos hoje, não existe uma brecha para que o conselho impeça que esses 13 mil médicos com diploma tenham o registro.
— Samantha Takahashi, advogada especialista em direito médico.

O advogado especialista em Saúde, Henderson Furst, concorda que não há base legal para que o conselho mude a regra. Mas explica que a resposta pode não ser tão simples e ficar nas mãos do judiciário.

Henderson explica que, caso o CFM insista na resolução, os alunos podem acionar a Justiça e que, na avaliação dele, é possível uma leitura favorável ao conselho porque a resolução protegeria a saúde pública.

Há uma lacuna legal. Sem uma lei que permita a prova e sabendo o judiciário que 13 mil alunos não tiveram nota mínima, isso coloca em risco a saúde da população. Isso poderia fazer com que a Justiça desse ao CFM decisão favorável em manter a resolução até que haja uma lei que permita uma avaliação.
— Henderson Furst, advogado especialista em Saúde

‘OAB da Medicina’ no Congresso

 

Atualmente, dois projetos sobre o tema estão mais avançados no Congresso, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal.

A ideia segue o modelo de exames de ordem já aplicados em outras áreas, como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), exigido de bacharéis em Direito.

➡️ O projeto que tramita no Senado Federal prevê que o exame de proficiência será realizado a todos os egressos do curso de medicina, como pré-requisito para o exercício da profissão no país.

O texto também cria instrumentos para acompanhar a formação médica:

  • estudantes do 4º ano do curso deverão fazer o Enamed, para medir a qualidade dos cursos;
  • plano de expansão da residência, com meta de alcançar, até 2035, ao menos 0,75 vaga de residência por médico formado;
  • competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar cursos de medicina.

A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em dezembro do ano passado, mas ainda precisa passar por mais um turno de votação no colegiado para a aprovação definitiva. Caso seja aprovado, o projeto seguirá para a análise dos deputados.

➡️ O projeto que tramita na Câmara dos Deputados institui o exame como requisito para o registro de médicos nos Conselhos Regionais de Medicina e para o exercício da profissão médica.

A proposta teve urgência aprovada em julho de 2025 e com isso, vai ser analisado diretamente pelo plenário da Câmara dos Deputados, sem precisar passar pelas comissões temáticas. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado em plenário, depois passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.

A proposta prevê que o exame seja aplicado de forma seriada aos estudantes de medicina. Os alunos dos 3°, 4°, 5° e 6° anos dos cursos de graduação deverão atingir a nota mínima de 60% da pontuação possível, em cada uma das provas, para aprovação.

O projeto prevê ainda a realização de provas de repescagem para aqueles que não atingirem a nota mínima.

30% dos cursos de Medicina foram mal avaliados

Mais de 100 cursos de Medicina do país foram mal avaliados no Enamed. Os cursos tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo INEP, e vão ser punidos com restrição no Fies e suspensão da abertura de novas vagas. O número foi divulgado no balanço de resultados do exame, em Brasília, nesta segunda-feira (19).

De acordo com a avaliação:

  • 🔴 24 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 1, o menor índice;
  • 🔴 83 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 2.

De acordo com o Inep, participaram da avaliação cerca de 89 mil alunos entre aqueles que estão concluindo a faculdade e em outros semestres.

Rondônia aparece entre os estados com instituições abaixo da faixa considerada satisfatória. Quatro cursos de Medicina em funcionamento no estado foram reprovados no Enamed, de acordo com a lista divulgada pelo Inep: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (conceito 2); Afya Centro Universitário de Porto Velho (conceito 2); Faculdade Metropolitana (UNNESA), em Porto Velho (conceito 1); e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul (conceito 2).

O curso de Medicina da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) alcançou o conceito 4 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), resultado que o consolida como o melhor do estado de Rondônia e o coloca entre os cursos mais bem avaliados da Região Norte.

 

 

CONSCIÊNCIA JURÍDICA

0

Por Vinício Carrilho Martinez

Antes de uma conversa sobre consciência jurídica (entre o certo e o errado), tomaremos de empréstimo uma ideia sobre Cultura Jurídica, um pouco de conhecimento (mesmo que quase intuitivo) para nos posicionarmos no quadro geral. Pensemos que todo mundo deveria saber (ao menos ter curiosidade em saber) o que é Isonomia, Igualdade, Liberdade. Correto?

Sim, correto. Porém, a maioria das pessoas não sabe.

Neste sentido inicial, podemos dizer que a maioria das pessoas tem opiniões e cria seus juízos (muito mais prejuízos, se pensarmos na distorção provocada), e que, no fundo, isso não passa de pré-conceitos: aquilo que pensamos saber, antes de conhecermos efetivamente algo ou alguém.

Há uma simetria entre o pré-conceito de quem referencia pejorativamente o Direito, a Cultura, a Consciência Jurídica e o preconceito de quem “julga pessoas com deficiência”; essa similaridade tem um nó bem dado no desconhecimento, na ignorância, na concepção superficial. Todo ato de preconceito, portanto, deriva de um pré-conceito, uma ignorância em termos de informação e de conhecimento adequados, consolidados acerca do que realmente é ou sobre alguém.

Com isto, estamos dizendo que a Consciência Jurídica (Ética, em si) tem início no acesso à realidade dos fatos e das pessoas. E ninguém acessa nada de forma superficial, por vezes grosseiramente; nós só acessamos em essência – na aparência nós tateamos e muitas vezes deturpamos.

E é esse tatear que inibe o outro verbo – a acessibilidade provém do verbo acessar, e que é um verbo de ação, efetivo, concreto, não como algo a ser concebido, postulado, mas sim a ser realizado. Quem acessa, portanto, o mundo do Direito não o faz contemplando, imaginando, supondo, pois, o faz de forma a requerer o Direito para si e, assim, tornar o Direito um meio de ação.

Trata-se aqui da famosa Luta pelo Direito, quer lutemos individualmente, quer enfrentemos o processo historicamente: um caso notório é o da luta antirracista, pelos direitos civis, na década de 1960 nos EUA. Também pensemos no reconhecido Maio de 1968, sobretudo na França, em luta pela liberdade e paridade.

No nosso caso, buscamos no Direito os meios de efetivação da acessibilidade, posto que, como vimos, é a exigência natural, imediata do verbo de ação – acessar para que o Direito se faça justiça.

O sistema de cotas, a chamada “discriminação positiva”, as ações afirmativas, as políticas públicas, as Políticas de Estado (a exemplo do SUS) e outra ações têm esse prisma: buscar o equilíbrio da balança – e que, historicamente, nunca existiu no Brasil.

Na nossa histórica luta, tratamos da transformação da isonomia, essencial por definição, em equidade: a justiça sendo realizada, de fato. Em parte, ou em conjunto a isso, o acesso à justiça tem esse princípio.

Ainda podemos visualizar nisso a Mutação Constitucional e a nossa Constituição, de 1988, acumula vários desses processos de inclusão (as apelidadas “gerações de direitos”) e que se afirmam contra a “normalização da exclusão”, em oposição à indignidade, contrariamente à degradação do espaço público.

Neste caso e em quase tudo, por fim, é fácil vermos que se trata da acessibilidade ao conhecimento, “aos estudos!” (notadamente da história), ao saber qualificado e à prática daí decorrente – acessar a práxis, sendo sujeito ativo, portanto.

O desenho universal da acessibilidade

0

@viniciocarrilhomartinez

Para um entendimento mais lógico, coerente e, de certa forma, presumido, entendemos que há uma sequência de eventos para a observação inicial: a acessibilidade é a porta de entrada da inclusão e é a permanência quem assegura os efeitos básicos, imediatos, da acessibilidade. Portanto, há uma sequência lógica a ser observada: acessibilidade – inclusão – permanência. Isso é formalmente lógico.

O desenho universal da acessibilidade (ou do que promova a acessibilidade) começa assim: não é exatamente um passo após o outro; hoje, por exemplo, precisaríamos dar um pulo. Mas, seguramente, é uma rampa de acesso que permite subir degraus diante da exclusão. Sem acessibilidade, a ausência dessa rampa que aniquila a isonomia, da rampa de acesso que traz as mínimas condições de se inserir para participar, vale a regra do “cada um por si”, e, vigorando essa lógica, o vencedor da maratona é quem “dá seus pulos”.

Como vimos, a acessibilidade garante a inclusão e é dependente, ainda mais, das condições de permanência. Condições de permanência que, obviamente, devem ser edificadas (como as muitas rampas de acesso) em conjunto com os meios de inclusão. Do contrário, com acesso, mas em condições negativas, negacionistas da permanência, o caminho de volta, rápido, chama-se exclusão.

Não há pertencimento sem acessibilidade, só há banimento antes do ingresso. Não há pertencimento sem inclusão, pois vigora o entrar e prontamente sair: banimento. Não há acessibilidade e inclusão se impera o banimento (prévio ou posterior). Não há, portanto, acessibilidade e inclusão sem pertencimento. Não há, pela força da lógica, pertencimento se não se impõe a permanência. E não há inclusão se vige a exclusão (programada e presumida).

Na ampla lógica social, no âmago do viver e pensar capitalista – hoje se chama de neocolonialismo e neoliberalismo – só predomina a Lei do mais forte, de quem define quem pode e quem não pode acessar e permanecer. É a Lei do mais forte que, inclusive frequentemente, permite que alguns acessem e até permaneçam; porém, em condições indignas – isto é, tudo funciona como um convite para que se autoexcluam. É importante ter essa clareza porque a dignidade humana está no primeiro e no último estágio dos valores que permitem acessar a Condição Humana.

Este é, basicamente, o desenho universal. A acessibilidade não está limitada a uma rampa de acesso, contudo, sem esta rampa, a acessibilidade não está em lugar nenhum e, assim, também está excluída a dignidade humana. Aqui há um segundo fator, primordial e já presumido, não se acessa a Condição Humana sem acessibilidade, inclusão e permanência.

 

 

 

Direito à consciência (social)

0

@viniciocarrilhomartinez

O que seria essa consciência social, com a qual muitos debatem e que as pessoas tanto falam?

Tomemos um exemplo muito elementar: estudantes que entrem 15 minutos atrasados e saiam 20 minutos antes do final das aulas e atividades, todos os dias, todas as semanas, em todos os períodos. Multiplique-se essa rotina por cinco anos.

Enquanto estudantes ficam até depois das aulas, quanto tempo e oportunidades essa pessoa furtou de si, ao se negar o acesso ao conhecimento? Será que não tem nenhuma noção do que está fazendo consigo?

Será que o indivíduo, estudante ou não, furtando-se à votação, sistematicamente, não tem noção do que faz a si e ao município, Estado ou pais? Claro que sabem, todos eles, sabem bem o que fazem ou deixam de fazer.

Então, é possível pensarmos que toda consciência é social ou não se trata de consciência, mas sim de mera informação, desinformação e até de deformação. Salvo exceções que confirmam a regra, mesmo o indivíduo mais indolente, apático, indiferente, malicioso diante dos fatos, das condições e situações, dos problemas sociais, está ciente, tem alguma “ciência”, no popular, tem “noção” do que faz ou deixa de fazer.

Pode ser que esse indivíduo não tenha profundidade alguma em qualquer análise social, contudo, tem uma mínima noção de si e do que tem à sua volta. Pode, nesse caso, não acessar níveis razoáveis de interpretação, análise, reflexão, pode, inclusive, ser incapaz de uma autocrítica, pode ser impossibilitado de acessar traços elementares do conhecimento científico, ético, filosófico e político, porém, está minimamente ciente do que quer para si (e para nós – ainda que não saiba soletrar “Nós”), e mesmo que o seu intuito seja apenas ficar indiferente e viver encostado/a nos outros.

É óbvio que esse indivíduo jamais fará alguma análise sociológica, mas sempre será/estará consciente do quanto está sendo antissocial. Esse indivíduo não sabe dizer o que é Interação Social – até porque não comunga com isso –, todavia, está ciente (inclusive zeloso) da interação que mantém com a desídia, irresponsabilidade, desleixo, e até recebimento, comunicação e comunhão com as origens e os propagadores dos males sociais.

Neste sentido, concluindo esta premissa, não associamos consciência à análise sociológica. A análise social, por mais rasteira, simplificada ou quase nula (distorcida), está presente em cada indivíduo (também chamado de “ser social” – e mesmo que não seja em nada sociável).

Já a análise sociológica, entretanto, e sem que fiquemos listados às epistemologias, Teorias Sociais, e por mais rudimentar, inicial que seja, a análise sociológica está presente – por força do estreito vínculo mantido com o objeto, que é a Interação Social – em todos os seres sociais ativos, especialmente naqueles que produzem, expandem, escalam a sociabilidade – interativa, expansiva, integrada, humanizada.

Pode-se chamar isso de sabedoria popular, conhecimento prático (ainda que parcelado, particularizado), derivado da experienciação da vida social, ou simplesmente do núcleo forte do Bom Senso que orbita o senso comum.

A acessibilidade aqui, portanto, refere-se ao verbo acessar: trata-se de acessar níveis mais responsáveis, profundos e amplos, quanto ao conhecimento, à cultura, ao que efetivamente é importante em termos de relações sociais.

Trata-se de invocar o verbo, pô-lo em ação, movimentando-se, movendo-se o acesso à consciência que se faz todos os dias, um pouco a cada experiencia, um pouco mais a cada leitura e reflexão honesta, comprometida, com os reais anseios e esforços de humanização.

Por quê Techné?

0

Lucas Gama – bacharel em filosofia/UFSCar

O século XXI é marcado por diversas coisas, como a popularização da internet, a ascensão e popularização das redes sociais, o desenvolvimento de tecnologias de ponta para facilitar a vida humana, trazendo mais conforto, comodismo e facilidade. Entretanto, há algo que também marca muito o século XXI, especialmente por estar, de certo modo, atrelado aos itens anteriores, e que se comprova com a piora ou ignorância da ética e da moral.

Essa piora ou ignorância da ética e da moral não está atrelada ao desenvolvimento das coisas que temos hoje, mas está estritamente ligada à utilização das mesmas, ou melhor, da aplicação delas. A popularização da internet tinha como um dos intuitos a divulgação de informações sem que houvesse algum tipo de censura ou perseguição por meio dos veículos de notícias. A ascensão das redes sociais, por conseguinte, está atrelada à popularização da internet e o seu intuito maior era conectar pessoas distantes, retomar o contato entre familiares em lugares distintos e até trazer conexão com novas pessoas, para conhecê-las.

Como dito, a aplicação perdeu a moral; no caso da internet, os veículos de informação atuais passaram a divulgar fake news, especialmente a partir de 2016, com a ascensão do Fascismo na américa latina e nos EUA, permitindo o primeiro mandato do atual presidente dos EUA, Donald Trump, mas também permitindo o primeiro e único mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos tiveram a ajuda das fake news para se elegerem e, logicamente, contaram com as redes sociais para facilitar a divulgação – o que apresenta, novamente, a utilização das mesmas com a carência de uma ética e de uma moral social.

Todas essas tecnologias só foram possíveis por causa da techné, em especial a dos gregos, na qual vemos sua origem. Mas o que seria essa techné? Por quê estudar a techné? Por quê falar sobre ela e, o mais importante, por quê ensiná-la? Em resumo (por quê techné?): a techné é uma palavra grega que permite duas traduções: 1. Técnica e 2. Arte. As traduções não são importantes no momento, o que de fato importa é o entendimento de que a techné grega requisitava a moral para ser ela mesma e, consequentemente, levando as pessoas à virtude.

O que representa o contrário do que é visto hoje, diante de todo o exposto nos últimos dez anos. Por fim, a resposta à pergunta é simples: Porque a moral e a ética humana poderão ser destruídas, com essas atualizações tecnológicas incontroláveis, e é fundamental resgatar a techné, assim como a moral e a ética que ela resguarda.

Agora a gadaiada pira: Trump convida Lula para “Conselho da Paz” em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou oficialmente o governo brasileiro para integrar o chamado Conselho da Paz (Board of Peace), um novo organismo internacional criado para atuar na Faixa de Gaza. Na verdade, um governo fantoche, sem participação dos palestinos.

A iniciativa também inclui os presidentes do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Argentina, Javier Milei, que formariam o núcleo fundador.

Autoridades dos três países confirmaram o recebimento do convite. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o governo egípcio está analisando a proposta. Em entrevista no Cairo, ele disse que, sem o envolvimento direto de Trump na implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, será difícil que as partes envolvidas cumpram suas obrigações.

A presidência da Turquia informou que Trump enviou uma carta a Erdogan convidando-o a integrar o conselho como membro fundador. Segundo Ancara, o órgão será responsável por garantir a segurança e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.

Milei, por sua vez, confirmou o convite por meio da rede social X, afirmando que se sente honrado em participar como membro fundador e que a Argentina “trabalhará para consolidar a paz e a liberdade”.

A Casa Branca anunciou oficialmente a criação do conselho na sexta-feira. De acordo com o governo americano, o Conselho da Paz tem como objetivo colocar em prática um plano de 20 pontos voltado à paz, estabilidade e prosperidade, alinhado à Resolução 2803 (2025) do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O plano prevê uma estrutura de administração transitória para Gaza, com forte coordenação internacional.

Segundo a Casa Branca, o grupo será presidido pelo próprio Trump e contará com figuras centrais do governo e do establishment político internacional, como o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, o corrupto Tony Blair. Também foram anunciados como integrantes Marc Rowan, Ajay Banga e Robert Gabriel.

O plano inclui ainda a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), que seria liderado por Ali Sha’ath. Ele foi descrito pela Casa Branca como um líder tecnocrata responsável por restaurar serviços públicos e reconstruir instituições civis no território palestino. Segundo o comunicado oficial, o Conselho da Paz terá papel central na supervisão estratégica, na mobilização de recursos internacionais e na garantia de responsabilização.

DCM

Direito à consciência

0

@viniciocarrilhomartinez

Há valores que se interligam por terem e para manterem um sentido pleno – a eficácia de que tanto nos queixamos, por não vermos “surtir efeito”: a diretriz, como em tudo, está na dignidade humana. Esse é o prisma, o valor que invade o princípio e o torna um fundamento, e tem essa condição porque, uma vez condicionado, sem esse fundamento (de ser fundamental a todo ser humano) não há sentido que se preserve e nem se anime.

Como valores que movimentam consciências e ações (práticas, portanto) a acessibilidade se espelha na inclusão e na permanência. Entende-se que, “sem acessar não há como estar e, sem estar, ninguém é, afinal, logicamente, não se pode ser sem estar”.

É esse o empuxo básico, para que, estando, ou seja, sendo incluído, haja permanência – em outras palavras, a acessibilidade inaugura as condições elementares para que se esteja, com consciência e a ação de que não haja exclusão.

Essa é a cosmovisão (visão de mundo: ampla, mas também angular, aguda) que propõe a inclusão sem a comum contrapartida da exclusão. Neste sentido, entre a consciência e a ação, forma-se uma teoria que propõe sua prática – toda teoria já congrega a ação, a prática, ou, do contrário, é mera ideologia, as tais “narrativas” que se desligam dos fatos e, muitas vezes, abonam atos que (na prática) negam a inclusão.

Em termos de acessibilidade, nessa cosmovisão (a teoria de quem vê) ou há inclusão ou há exclusão – as duas não andam na mesma equação. Porém, é impositivo que observemos a lógica: sem acessar, ninguém é incluído. Sem a acessibilidade vigora apenas a exclusão.

A mesma construção pode/deve ser verificada na economia, na política, nas relações sociais, na educação, na cultura, no próprio envolvimento e na participação consciente (propositiva) “por dentro” do Processo Civilizatório: o que abriga e obriga a direção para a ação do sujeito ativo e não meramente contemplativo.

Resumidamente, o Direito à consciência se pauta (direcionando-se ativamente) pelo pressuposto da acessibilidade, sendo guiado pela dignidade humana, e com vistas aos espaços, ambientes, lógicas e estruturas que moldam a nossa sociedade.

Na economia, por exemplo, essa teoria se fortifica com a luta política pela Justiça Social, quando, eficazmente, a propriedade privada se reveste de função social; na política, a acessibilidade é manifesta com a renovação política, com o ingresso dos jovens na arte do “fazer-se política”, pois, além de tudo, essa acessibilidade promove a rotação dos poderes com o devido combate à mistificação reinante no culto à personalidade.

Juridicamente, a acessibilidade está inserida desde o “acesso (prático, efetivo) à justiça”, quanto está no entendimento e no reconhecimento correto (ético) do “Significado das leis” – é este conjunto que inibe a formação de seres imorais (obviamente, antissociais).

Socialmente, o fundamento da acessibilidade visa atacar a desigualdade social e a própria transformação (deformação) das diferenças em desigualdades; na cultura, a acessibilidade, por óbvio, leva, sobretudo, o povo pobre, negro e oprimido para dentro do teatro, do “palco de operações” – mas, propõem-se muito mais, ao garantir a acessibilidade, a inserção efetiva, estamos dizendo que a arte e a cultura são patrimônio da Humanidade: é como acessar o interior da cultura como atores da história.

Por fim, há que se afirmar a prevalência da consciência que tenha a educação participativa, inclusiva e de boa qualidade – com acesso aos conteúdos já assegurados pela construção humana do conhecimento. Enfim, não é difícil vermos o quanto a acessibilidade é crítica – por definição.

É o “acesso” à educação envolvida com o “fazer-se política”, envolta no conhecimento científico, ético, filosófico, que se revela eficaz à consciência do Direito, da sociabilidade diversa e expansiva, diretiva da solidariedade econômica (Justiça Social), da inclusão cultural.

Isso é práxis, aquela cosmovisão capaz (ciente de sua responsabilidade: permanentemente consciente) de que não existe teoria sem prática – e nem o inverso faz sentido, quando se resume à repetição do mesmo. Também é por meio desse fluxo que a autonomia individual se transmuta (converte-se, dialeticamente) em emancipação social.

Emendas a ONGs ligadas a políticos somam R$ 105 milhões sob suspeita

Decisão de Flávio Dino no STF barra repasses e cita indícios de nepotismo e desvio de recursos públicos

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais administradas por familiares de congressistas ou por assessores, colocou sob escrutínio um volume expressivo de recursos públicos. Levantamentos apontam que ao menos R$ 105,2 milhões já haviam sido repassados a entidades agora impedidas de receber verbas por esse mecanismo.

A medida, tomada nesta semana, tem como base reportagens do jornal O Globo, que identificaram o envio de 57 emendas parlamentares a ONGs ligadas direta ou indiretamente a parlamentares, ex-assessores e aliados políticos. Segundo os dados apurados, os repasses a esse tipo de entidade cresceram de forma acelerada desde 2019, alcançando o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025.

Na decisão, Flávio Dino destacou que o cenário revela sinais consistentes de irregularidades. “Conforme evidencia a reportagem, avolumam-se indícios graves de malversação de verbas públicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privados — prática que equivale à apropriação privada do Orçamento Público, em desvio dos critérios objetivos e impessoais que devem reger a atuação estatal”, escreveu o ministro.

A proibição abrange ONGs que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau de parlamentares responsáveis pela indicação das emendas, bem como de assessores vinculados a esses congressistas. A decisão também veta a contratação ou subcontratação de empresas ligadas a esses familiares, mesmo de forma indireta, como fornecedores ou prestadores de serviço.

Um dos casos citados envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que recebeu R$ 8,5 milhões em emendas entre 2021 e 2025. A entidade foi presidida por dez anos pela ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL) e, após sua eleição para a Câmara, passou a ser comandada por sua vice. Documentos analisados apontam que parte dos recursos foi usada para pagar o aluguel de um imóvel pertencente ao marido da ex-parlamentar, Renato Viana Soares.

Ao comentar o caso, Soares afirmou: “É um imóvel que me pertence há mais de 20 anos. A Pestalozzi trabalha nesse espaço. Não tem nada de estranho que uma emenda tenha um dia pago alguns meses de aluguel. Eu não sei se tem crime nisso”. Apesar da declaração, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a operação compromete princípios como impessoalidade, moralidade e transparência na gestão dos recursos públicos. A entidade negou irregularidades e declarou estar à disposição para esclarecimentos, reforçando em nota seu “compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs”.

Outro episódio envolve o deputado Raimundo Costa (Podemos-BA), que destinou R$ 17,2 milhões à Federação dos Pescadores da Bahia (Fepesba), entidade que presidiu por sete anos. A CGU apontou potenciais conflitos de interesse, destacando vínculos entre dirigentes, empresas contratadas e o parlamentar. O atual presidente da federação, Aurelino José dos Santos, afirmou que está aberto a corrigir eventuais problemas: “Estamos à disposição para corrigir o que for necessário. Estamos sempre buscando fazer o que a legislação prevê. Caso a justiça ou a legislação definam como irregular, a gente vai corrigir”.

A investigação também alcançou o deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC), cuja emenda, originalmente destinada a eventos culturais, acabou sendo redirecionada a um hospital oftalmológico pertencente a seu pai. Auditoria identificou pagamentos por procedimentos médicos com valores muito superiores aos da tabela do SUS. Segundo a CGU, ao menos R$ 331,1 mil chegaram à clínica. Em nota, o parlamentar afirmou que a responsabilidade pelo repasse foi da prefeitura e que não houve ingerência de sua parte.

Há ainda o caso do deputado Waldenor Pereira (PT-BA), cujos recursos enviados ao governo da Bahia para festas juninas acabaram sendo repassados a uma ONG comandada por uma ex-assessora de seu gabinete. O parlamentar classificou o episódio como coincidência. “O recurso é repassado para o governo do estado, que escolhe a ONG. Possivelmente foi uma coincidência. O fato de ter trabalhado no meu mandato não impede que ela participe de alguma entidade”, declarou. Auditoria da CGU, no entanto, apontou falhas na execução dos recursos e ausência de capacidade técnica da entidade contratada.

Ao justificar a decisão, Flávio Dino afirmou que a medida busca impedir práticas de nepotismo e atos de improbidade administrativa, reforçando a necessidade de critérios objetivos e impessoais na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Do Brasil 247

Acessibilidade

0

 

@viniciocarrilhomartinez

Tem um livro de crônicas mais antigo que fala tudo que penso para iniciar um projeto novo, bacana, com pessoas do bem e sérias quanto aos assuntos sérios. De Otto Lara Rezende, intitula-se “Um bom dia para nascer”. Todas crônicas maravilhosas que sempre saudaram a vida.

E hoje penso que é um Bom dia para nascer uma ideia que nos fortifique, fortaleça nossa humanidade, esse bem-querer que começa no básico: aquele bom dia, o obrigado, a gentileza com idosos, mulheres, crianças, pessoas com dificuldades, pessoas com alguma deficiência.

Hoje, então, é um ótimo dia para nos reunirmos em torno de uma ideia que é muito maior do que qualquer um/a de nós aqui. É a ideia da acessibilidade.

Primeiro, construímos o entendimento de que a acessibilidade é a essência, o pontapé de qualquer proposta ou iniciativa. É com a acessibilidade que haverá inclusão, participação, permanência, autonomia e emancipação.

“Sem estar” ninguém irá a lugar algum, mas, para estar, é preciso acessar. Se não posso acessar uma oportunidade, uma repartição pública, uma instância privada, evidentemente, não poderia estar.

Por isso, hoje e sempre será um Bom dia para nascer uma ideia, um projeto, algumas metas e pautas construídas para a acessibilidade. E, mais do que isso, para que haja efetivamente acessibilidade, esse esforço de construção tem que ser coletivo: um ótimo dia para representarmos o esforço coletivo pela acessibilidade.

É assim que se acessa a inteligência social, os espaços, o campo de lutas, o conhecimento que nos lastreia nessa empreitada. É assim que se acessa o Direito de ser, o direito nascido do fato básico, da situação elementar, que é o acessar “para estar”. Dos direitos fundamentais, o direito a acessar para estar, sem sombra de dúvidas, é o primeiro, anda lado a lado com a dignidade humana – essa condição que é de todo ser humano.

Essa é a luta pela acessibilidade a que me proponho, com vocês, a levar adiante.

Vamos juntos e juntas dar forças a esse coletivo?

Ex-dirigente afastada após prints contra Lula pode voltar a ocupar diretoria

O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à saída de Sabrina Góis da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança

Após ser afastada do comando temporário do Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Sabrina Góis agora é o nome mais forte para retomar a Diretoria de Infraestrutura Geocientífica (DIG). Ela já acumulava essa função técnica enquanto chefiava a entidade.

A sugestão para que ela regressasse ao posto de diretora conta com o suporte do MME, mas o veredito final cabe ao Conselho de Administração da estatal. Na última sexta-feira (9), o colegiado optou por suspender a decisão após um pedido de vistas. O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à sua saída da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança.

A saída de Sabrina da chefia interina, ocorrida em 12 de novembro, foi precipitada pela circulação de prints de coversas pessoais. Nessas postagens, a gestora celebrava a prisão de Lula e posava em registros fotográficos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Outro ponto que ganha destaque em Brasília são suas conexões políticas: Ela é parceira de Carlos Henrique Sobral, atual secretário de Infraestrutura no Ministério do Turismo. Sobral é conhecido por sua proximidade com figuras como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima.

Questionada sobre os novos desdobramentos, Sabrina optou pelo silêncio, enviando um recado via assessores de que não se manifestaria.

No momento, o SGB está sob a tutela de Vilmar Simões. Ele é ligado a Inácio Cavalcanti Melo, ex-presidente do órgão e antigo cônjuge da senadora Eliziane Gama. Inácio deixou o cargo após virarem alvo de denúncias que apontavam o uso indevido de verbas da estatal para arcar com luxos particulares de seus dependentes, incluindo estadias em hotéis e gastos gastronômicos.

Felipeh Campos.com

Ensino de Ciências e pensamento crítico

0

Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Nas escolas, o ensino de Ciências é fundamental para a formação crítica e social dos estudantes, principalmente quando analisamos um país marcado pela desigualdade em diversas áreas, dentre elas no acesso ao conhecimento. Por tal razão, para além da mera transmissão de determinados conteúdos, discutida por Paulo Freire como a chamada Educação Bancária[1], modelo no qual o docente é concebido como detentor do saber e os alunos como sujeitos passivos ou meros receptáculos, o ensino de Ciências atravessa outras perspectivas, tratando para além de conteúdo, e voltando-se à prática epistemológica, analisa-se como se dá a produção destes conhecimentos, como são validados e transformados ao longo do tempo.

Nesse sentido, atuar enquanto docente ensinando ciências traz consigo um significado bem delimitado, não apenas da “transmissão”, mas de forma associada à produção do pensamento crítico, da argumentação e interpretação da realidade em que estamos inseridos, de forma racional e analítica.

Do ponto de vista epistemológico, a estrutura do conhecimento pode ser interpretada como um tipo de produção que ocorre via construção social e histórica, ou seja, o conhecimento está inserido em uma sociedade e, por sua vez, não é desvinculado desse sistema social em que está inserido; ao contrário, é produzido por sujeitos que têm determinados pensamentos e estão situados em determinados contextos econômicos, políticos e culturais.

O senso comum tende a ser baseado em experiências particulares e, quando reproduzidas por gerações, por exemplo, podem se tornar tradições que regem uma família ou comunidade.

Diferentemente do que se percebe, senso comum, o conhecimento científico é caracterizado necessariamente por uma rigorosidade de métodos sistemáticos que buscam, para além da descoberta, via observação, a criação de uma hipótese, a realização de testes (ou referenciamento histórico, filosófico) para sua validação e, caso necessário, a hipótese pode ser refutada e formulada outra para continuar analisando tal observação; formando-se, assim, o que é chamado de método científico, passível de revisão (CHALMERS, 1993)[2].

Portanto, ao ofertar o ensino de Ciências, a escola oferece aos estudantes instrumentos para compreender que o saber científico não é um conjunto de verdades absolutas ou dogmas, mas um processo dinâmico de construção e de reconstrução do conhecimento.

Nesse processo, a compreensão sobre as premissas é algo central, sendo que tais premissas podem ser caracterizadas pelo ponto de início de um raciocínio, ou seja, aqueles pressupostos e concepções que baseiam e sustentam a formulação de hipóteses e teorias no método científico. Para tanto, no ensino de Ciências, trabalhar tais premissas é um passo muito relevante para permitir aos estudantes a compreensão, para além apenas dos conteúdos isolados, de suas bases e princípios, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico, da sua autonomia para analisar outros fenômenos, podendo deduzir até mesmo que esses estudantes não aceitariam explicações acríticas, e isso consolidaria essa compreensão do método científico.

Além disso, a atuação no campo das Ciências permite também o desenvolvimento, além da compreensão dos princípios, das premissas dos conhecimentos, além de fortalecer uma argumentação racional e não baseada em achismos. Quando os estudantes lidam com o processo de analisar evidências, via observação, criar hipóteses e testar tais hipóteses, forma-se um pensamento bem delimitado, permitindo analisar diversos contextos, internos da sala de aula e também externos. Mortimer (1996)[3] também reflete sobre tal temática, quando analisa que a formação integral dos sujeitos via o ensino de Ciências deve também promover uma modificação conceitual e isso possibilitaria a construção de outros conhecimentos, por meio do confronto de ideias e desenvolvimento do pensamento efetivamente analítico.

Por sua vez, a perspectiva crítica do ensino de Ciências nasce também de um diálogo entre a cosmovisão e a epistemologia. Como citado anteriormente, esse desenvolvimento do pensamento crítico é algo que pode efetivamente ser construído, sendo que a forma como um indivíduo interpreta o mundo também é influenciada pela cultura, suas condições econômicas e, obviamente, suas experiências de vida até aquele momento.

Nesse aspecto, o conhecimento científico oferta as ferramentas para ampliar tais interpretações, e, logo, a chamada “crítica”, isto é, a compreensão de que é necessário analisar a realidade para além somente das interpretações das próprias experiências, resulta em uma miscelânea da compreensão, no encontro entre o saber científico e a realidade social vivida, sendo a escola pública um espaço privilegiado para essa mediação.

Por fim, o ensino de Ciências pressupõe também o reconhecimento da realidade como algo passível de ser conhecido e transformação, ou seja, aquilo que temos, principalmente na área científica, pode ser transitório, pois, novos estudos e detalhamentos podem gerar novas informações e conhecimentos. A ciência parte do princípio de que existe uma realidade objetiva que pode ser investigada racionalmente, e negar essa possibilidade abre espaço para o negacionismo científico, com impactos diretos na vida social. Garantir o acesso ao conhecimento científico na escola pública é, por óbvio e derradeiro, assegurar o Direito à compreensão da realidade e à participação crítica na sociedade. É parte da luta pelo Direito à consciência.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

[2] CHALMERS, A. F. O que é ciência, afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

[3] MORTIMER, E. F. Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: para onde vamos? Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 20–39, 1996.

Perfis de fofoca nas redes promovem Tarcísio com pagamentos secretos

0

A revista Piauí de janeiro revela como perfis de fofoca e entretenimento nas redes sociais foram usados para promover o governo de Tarcísio de Freitas de forma disfarçada, com postagens que exaltavam medidas como a redução do IPVA para motos e a inauguração de trechos do Rodoanel.

O que parecia ser uma ação espontânea de apoio ao governador de São Paulo, no entanto, foi revelado como parte de uma estratégia de marketing político, com pagamentos feitos por empresas especializadas em influenciar nas redes sociais.

Perfis populares como @alfinetei, @fofocas, @garotxdoblog, e outros, com milhões de seguidores, publicaram conteúdos que favoreciam diretamente Tarcísio e seu governo. As postagens foram cuidadosamente criadas para destacar ações do governador, como a redução de impostos e o combate à violência de gênero, com linguagem descontraída e positiva, muitas vezes acompanhada de vídeos e fotos do próprio Tarcísio.

O caso ganhou destaque quando foi descoberto que as publicações foram patrocinadas por uma empresa chamada Submarino Lab, especializada em marketing de influência. Daniela Moura, que trabalha para a empresa, entrou em contato com representantes desses perfis de redes sociais para negociar pacotes de posts pagos em prol do governador. De acordo com a investigação, um influenciador recebeu até 20 mil reais por quatro postagens.

Tarcísio é promovido em perfil de fofoca

Embora o governo de São Paulo tenha negado qualquer envolvimento nas postagens pagas, o comportamento dos perfis de fofoca sugere que houve uma estratégia deliberada para promover a imagem de Tarcísio nas redes, sem a devida transparência.

Os posts, muitas vezes promovendo o governador como um herói e defensor da população, não indicavam que se tratavam de publicidade paga, o que configura uma violação das normas do Código de Defesa do Consumidor, que exige que conteúdos patrocinados sejam claramente identificados.

Em resposta às denúncias, o governo de São Paulo reafirmou que suas campanhas institucionais são realizadas de acordo com os princípios da legalidade, impessoalidade e eficiência, e que não houve qualquer investimento público nas postagens mencionadas.

Contudo, as evidências apontam para uma tentativa de manipular a opinião pública por meio de influenciadores digitais pagos, levantando questões sobre a ética e a legalidade do uso de perfis de fofoca para promover autoridades políticas.

Com milhões de seguidores, os perfis de entretenimento e memes no Instagram se tornaram um alvo atraente para políticos que buscam melhorar sua imagem pública. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) utilizou recursos da Secretaria de Comunicação de São Paulo para financiar a cobertura de Leo Dias em eventos da prefeitura, como uma entrevista com o prefeito durante as celebrações de Réveillon de 2024, na Avenida Paulista.

Segundo a Piauí, o valor total das publicidades pró-Nunes, veiculadas por Leo Dias com o dinheiro dos contribuintes paulistanos, foi de 837 mil reais, entre 2023 e 2024. Com a justificativa de divulgar o evento, Nunes conseguiu um espaço de destaque, comparável ao dos cantores que se apresentavam no palco.

Messias deve ser aprovado “com louvor” no Senado, dizem aliados

 O ambiente político no Senado tornou-se mais favorável à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome do advogado-geral da União passou a ser tratado com maior otimismo por aliados do governo após uma série de conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizadas desde o fim do recesso parlamentar. As informações são da CNN Brasil.

Interlocutores próximos a Messias avaliam que a articulação avançou de forma consistente e que a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado entrou em um momento de distensão. “As mensagens que chegam do entorno do presidente da República vêm no sentido de que a relação deu uma boa distensionada”, afirmou a analista.

No círculo de apoio ao indicado, a expectativa é de que o processo de aprovação transcorra sem grandes obstáculos. A expressão usada por aliados — “aprovado com louvor” — tem um significado simbólico, ligado ao perfil religioso de Messias. Evangélico, ele passou a ser visto como uma ponte potencial com parlamentares ligados a igrejas e bancadas religiosas. “Essa indicação de Jorge Messias também é um aceno do presidente Lula a essa camada da população”, explicou Isabel Mega.

Apesar do clima mais favorável no Planalto, o sentimento no Senado ainda é marcado por cautela. De acordo com a analista da CNN Brasil, muitos parlamentares preferem aguardar os próximos passos formais do processo antes de demonstrar entusiasmo. “Quando a gente vai conversar um pouco com senadores, no entanto, eles estão com uma reação um pouco mais comedida, não estão tão animados assim”, relatou.

Parte dessa postura se explica pela frustração de setores do Senado que esperavam ver o nome do senador Rodrigo Pacheco indicado para a vaga no STF. Além disso, a indefinição sobre a data da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contribui para a expectativa contida entre os congressistas.

O histórico recente do Supremo também pesa nas avaliações. André Mendonça, atual ministro da Corte e igualmente evangélico, enfrentou longa demora até ser aprovado pelo Senado. Segundo Isabel Mega, Mendonça tem atuado nos bastidores para auxiliar na construção de apoio à indicação de Messias.

A sabatina do advogado-geral da União permanece entre os temas pendentes para a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso. Embora ainda não haja data definida, a expectativa é de que o assunto integre a agenda das primeiras semanas do Congresso Nacional em 2026, quando o Senado deverá dar encaminhamento formal à indicação presidencial.

Do Brasil 247

Ingressar não é permanecer

0

Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

A universidade pública, em sua estruturação, apresenta-se de forma fortemente relevante para o crescimento dos sujeitos que ali adentram. Por tal razão, ser um estudante no Brasil não se refere somente ao acesso ao ensino superior, mas algo que atravessa outras vertentes da vida, como a própria permanência desse indivíduo no espaço universitário, marcado principalmente pelas desigualdades.

O ingresso, para estudantes que são provenientes de escolas públicas principalmente, representa uma conquista de grande relevância, porém, também associado a essa conquista, um momento de ruptura. Apesar de o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ser estruturado como principal forma de ingresso em universidades de todo o país, na maioria das vezes, esse mesmo sistema não atua efetivamente como uma ponte entre o ensino básico e superior, uma vez que propõe requisitos, habilidades e conteúdos que nem sempre são plenamente trabalhados na trajetória escolar desses estudantes de escola pública, gerando dificuldades de acesso e permanência.

Tal processo acaba sendo evidenciado logo no ingresso da graduação, um momento de transição muito latente, em que muitos estudantes chegam à universidade e precisam lidar com mudanças muito grandes, inicialmente pela chegada em uma nova cidade: o afastamento da família, além do contato com novas práticas acadêmicas e a ausência de redes de apoio tornam a adaptação um processo complexo.

As desigualdades educacionais ainda perpassam a forma como a distribuição do chamado capital cultural é feita, ou seja, nem sempre os estudantes de algumas escolas públicas têm acesso a determinadas leituras, obras e autores amplamente cobrados na universidade, o que faz com que estudantes ingressantes se encontrem em condições desiguais, ainda que tenham superado os mesmos processos seletivos (BOURDIEU, 1998)[1].

Dessa forma, internamente, as políticas de permanência e manutenção estudantil atuam de forma muito relevante e até fundamental para possibilitar que estes estudantes consigam se manter nessa etapa da vida, dando continuidade nos estudos de forma mais viável. Entretanto, algo válido de salientar é que, apesar da importância de tais políticas e de todos os avanços conquistados, tais políticas nem sempre conseguem atender efetivamente às diferentes dimensões que acabam passando pela permanência estudantil.

Portanto, permanecer na universidade não é meramente ingressar e dar conta de todas as disciplinas da grade, mas passa pela necessidade de reconhecer as desigualdades estruturais que acompanham os estudantes desde a educação básica até este ingresso.

 

[1] BOURDIEU, Pierre. Os três estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio Mendes (org.). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 71–79.

Platamorfização da vida social

0

Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88

Arlei Olavo Evaristo – doutorando PPGCTS/UFSCar

arlei@ufscar.br

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Lucas Gonçalves da Gama – licenciado em Filosofia/UFSCar

 

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

A ideia mais simples indica que a vida social, econômica, os registros bancários, nossa imersão cultural, a comunicação que recebemos, os nossos dados de educação e de saúde pública (os remédios que compramos), toda a nossa institucionalidade (o famoso RG, o CPF, os registros da carteira de trabalho), os e-mails de docentes de universidades federais – com sua base no Google –, e até mesmo a urna eletrônica, tudo isso passa por alguma plataforma digital.

Portanto, não estamos invisíveis, e seremos ainda mais avistados quanto mais entrarmos neste “circuito digital”. Aliás, o próprio Whatsapp emitiu um aviso para administradores de grupos ativarem um comando de privacidade, para que a IA não “pescasse” as conversas.

Isso revela a venda de nossos dados digitais (pegadas) para empresas de marketing que irão, em seguida, repassar para nós mensagens publicitárias. E há mais, no sentido de que nossos dados, estão alimentando extensas bases de dados (internacionalizadas) e, assim, estamos nos inserindo (meio gratuitamente, como “servos voluntários”, diria Bauman) numa rede, malha digital que nos vigia e controla – sempre a serviço das Big Techs, as empresas bilionárias de controle digital, como a Amazom, o Google, a Microsoft, a Meta. Nosso texto apresenta cinco leituras básicas e complementares sobre esse tema.

 

Mutação da técnica em tecnologia – Gutemberg

Os dias atuais estão imersos em tecnologias diversas, desde coisas simples como TVs, computadores e celulares até assistentes virtuais, redes sociais com algoritmos que perfilam o usuário em poucos minutos e inteligência artificial embutida em qualquer aparelho possível. Antes de termos toda essa tecnologia disponível em nossas mãos foi necessário um árduo desenvolvimento da técnica. Os gregos eram expert na técnica, especialmente por ela estar estritamente ligada à moral.

Esse aprimoramento tecnológico passou pelos gregos, os quais buscavam uma vida mais virtuosa e, por conta disso, buscaram desenvolver coisas que facilitassem suas vidas para que pudessem se dedicar ainda mais à arte e à polis. Uma lógica parecida foi aplicada por outros povos, como os romanos e seus aquedutos e, muito posteriormente algo que revolucionaria o mundo de uma forma inimaginável: a prensa de Gutenberg.

Este marco pode representar um possível momento de cisão entre a produção técnica e produção tecnológica. A produção técnica é essencialmente manual, realizada por artesãos, marceneiros, ferreiros, confeccionando peças únicas e exclusivas. Enquanto a produção tecnológica se apresenta em maior volume, como a própria prensa de Gutenberg fez para imprimir os documentos bíblicos e que, a partir do século XVII, resultaria nas revoluções industriais. Hoje, o “produto é você!”.

 

A invisibilidade dos diferentes nas redes

A prometida revolução digital não mudou as bases da vida social. As tecnologias avançaram, mas ainda servem como cenário para antigos comportamentos e decisões. Os recentes casos de violência contra mulheres mostram isso: nas redes sociais, as agressões são naturalizadas e, mesmo quando denunciadas, os comentários continuam culpabilizando as vítimas.

O desenvolvimento técnico, nesse aspecto, segue sem progresso ético. A violência de gênero funciona como uma mensagem social que expõe a vulnerabilidade das instituições e a permanência do patriarcado. Do mesmo modo, a tecnologia está longe de resolver essas falhas: ela apenas as automatiza, desmontando a ideia de neutralidade nas decisões das máquinas.

Esse horizonte também é atravessado por outro fenômeno: a troca de antigos movimentos de mobilização social por um engajamento rápido e superficial. Lutas históricas deram lugar a dinâmicas virais, marcadas mais pela busca por seguidores do que pela participação política. A cultura digital favorece essa atuação imediata e pouco reflexiva. Quando a responsabilidade social é transferida para sistemas automatizados, surge um risco essencial: não se trata de uma revolução tecnológica, mas da perda da capacidade de enfrentar problemas estruturais e reconhecer o próprio papel cidadão.

O fim do ensino de filosofia, para educação financeira.

A recente reforma do ensino médio (Lei nº 14.945/2024) representa um aprofundamento do processo de precarização do ensino público, intensificando ainda mais as desigualdades já existentes na educação brasileira.

A reforma diminui a carga horária comum, com ênfase em ciências humanas (exemplos: filosofia, história, artes e sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são matérias interdisciplinares (ex: educação financeira). A exclusão da disciplina de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação crítica como indivíduos na sociedade.

O ensino básico público foi submetido à nova reforma do ensino médio, a qual reduz a carga horária destinada às áreas de ciências humanas e biológicas, e introduz disciplinas interdisciplinares sem planejamento e estrutura adequados. Em contraste, o ensino privado, em sua maioria, mantém o modelo anterior, enquanto os vestibulares para o ensino superior permanecem inalterados. Esse contexto evidencia a reprodução de desigualdades educacionais no Brasil, na medida em que a escola pública tende a direcionar seus estudantes à inserção precoce no mercado de trabalho, ao passo que o ensino privado continua voltado à preparação para o ingresso nas universidades. Retirar o ensino de Filosofia é proposital, pois, a crítica não é interessante ao capital.

Pasteurização do trabalho humano

O cenário introduzido pela nova “revolução tecno-científica” (século XXI) nos impôs o controle algoritmo e a negação da política. Se, por um lado, o trabalho não pago realizado nas redes alimenta o capital (Big Techs),  no outro sentido  essas corporações impõe uma lógica de produção laboral, que elimina a singularidade, a crítica e a complexidade humana em favor de um produto consumível, viralizável, que o pensador venezuelano Ludovico Silva denominou como mais-valia ideológica, onde o trabalhador mesmo fora de seu ambiente de trabalho produz e valida a ideologia das classes dominantes.

A pasteurização, processo originalmente conhecido na bioquímica, como um processo térmico para eliminar os micro-organismo patogênicos, serve como uma metáfora precisa para que os algoritmos eliminem o trabalho vivo (Trabalho Humano), se prevalecendo do trabalho morto, ou seja, automatizando ao máximo as tarefas.

O trabalho perde seu sentido de classe, seus direitos sociais e trabalhistas, a criatividade humana é substituída pela repetição de fórmulas e modelos que os algoritmos determinam e com isso a reflexão crítica é sufocada. A pasteurização precariza as condições materiais da existência humana e esteriliza a ontologia do ser. É preciso reintroduzir a capacidade humana com suas falhas, imprevistos e o pensamento crítico nas engrenagens do sistema.

 

 

Mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado , a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Trabalhar para aprender: juventude, autonomia e formação para a vida

0

Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Determinados programas que incentivam jovens aprendizes, como o realizado pelo Banco do Brasil[1], apresentam-se como uma iniciativa de grande relevância, principalmente por atuar como uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Esses projetos permitem que jovens reconheçam o valor social do trabalho antes da vida adulta efetivamente, exercitando competências como autonomia, gestão do tempo e a convivência com regras. Nesse sentido, tais programas operam como uma forma de antecipação da independência, promovendo amadurecimento de maneira gradual e orientada, conforme previsto na legislação brasileira sobre aprendizagem profissional (BRASIL, 2000)[2].

Ao se colocar esses jovens em um ambiente de trabalho que, dentre vários outros processos, exige reflexão sobre como ocupar seu tempo e, principalmente, como usá-lo de forma consciente, a iniciativa permite que demonstrem seu potencial formativo. O trabalho, nesses aspectos, pode ser essencialmente interpretado como uma atividade mediadora da relação entre o mundo e o indivíduo, contribuindo para a construção de pertencimento e do sentido social (SAVIANI, 2007)[3]. Tal dimensão, por sua vez, é de grande relevância para tentar evitar o excesso do individualismo, que é algo normalmente associado a jovens “mimadas/os” ou ainda “egoístas”, questões essas que refletem justamente a ausência dessa participação social.

Tais percepções tornam-se ainda mais relevantes quando olhamos para o contexto atual da sociedade, que tem sido marcado e manchado pela ampliação do tempo livre de acesso aos ambientes digitais, sem controle ou supervisão, isso incentivado desde a primeira infância. A internet e as redes sociais, embora apresentem um potencial formativo, também expõem os adolescentes a conteúdos muito problemáticos, como desafios e ambientes que, por exemplo, naturalizam a violência. Informações mais recentes demonstram um aumento significativo dos índices de sofrimento emocional e psíquico, seguido de quadros mais desafiadores como automutilação e até mesmo o autoextermínio entre jovens, demonstrando-se como uma crise na saúde mental ao nível global (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021)[4].

Esses aspectos atravessam também outra percepção que tem sido amplamente divulgada nas redes sociais, que afirma que “tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos, e homens fracos criam tempos difíceis”. Apesar de ser propagandeada amplamente nas redes, essa estrutura, quase como um mantra ou um ditado popular, acaba simplificando determinados processos sociais e históricos que são muito mais complexos. Os sofrimentos psíquicos e emocionais, como a depressão, sempre existiram, mesmo que não fossem nomeados ou diagnosticados como ocorre atualmente. O avanço da ciência, especificamente na área da saúde mental, permitiu o diagnóstico e o tratamento correto, ainda que persista uma deslegitimação social desses sofrimentos.

A reflexão sobre trabalho e educação, portanto, permite compreender também uma proposta denominada politecnia soviética, desenvolvida no início do século XX, cujas bases teóricas encontram-se nas formulações de Lênin sobre a articulação entre ensino geral, trabalho produtivo e formação social do indivíduo (LENIN, 1981)[5]. Tal proposta defende uma formação integral do sujeito, articulando o trabalho intelectual, manual e a formação moral, algo que foi posteriormente sistematizado por educadores como Pistrak (2009)[6]. Nessa perspectiva, os programas de jovem aprendiz citados anteriormente podem ser entendidos como uma possibilidade de experiências que, apesar de inseridas no contexto contemporâneo, resgatam, em certa medida, o princípio do trabalho como elemento formativo.

Portanto, quando organizados eticamente e colocando o emprego em um local de formação e não apenas de sobrevivência, tais programas podem contribuir de forma muito relevante para a formação de sujeitos responsáveis e capazes de lidar com ambientes variados. Assim, pensar em jovens aprendizes é pensar também em políticas integradas de educação, trabalho e responsabilidade social. Oferecer trabalho a esses jovens de forma digna e buscando a formação é também permitir o acesso à proteção social e o desenvolvimento de pertencimento, como uma possibilidade efetivamente viável para construção de seus futuros em uma sociedade marcada por desafios cada vez mais crescentes.

[1] REGISTRO DIÁRIO. Jovem Aprendiz Banco do Brasil: veja quem pode participar, quais os benefícios, como funciona e como se inscrever. Registro Diário, 03 jan. 2026. Disponível em: https://registrodiario.com.br/noticia/6255/jovem-aprendiz-banco-do-brasil-veja-quem-pode-participar-quais-os-beneficios-como-funciona-e-como-se-inscrever. Acesso em: 04 jan. 2026.

[2] BRASIL. Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. Altera dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho, relativos à aprendizagem. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2000.

[3] SAVIANI, D. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 34, p. 152–180, 2007.

[4] WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Adolescent mental health. Geneva, 2021.

[5] LENIN, V. I. La instrucción pública. Moscou: Editorial Progreso, 1981.

[6] PISTRAK, M. M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

O alto custo da “apropriação” – traição

0

Esse texto foi construído em “diálogo” no WhatsApp.

Alguém já leu Neuromancer?
Tem gente nervosa no WhatsApp, divulgando videozinho de Instagram associando o romance ao sequestro de Maduro. Deveria ter ficado quieto, mas não me contenho muito diante das ‘apropriações’, reduções, deslocamentos sem pé, nem cabeça. Maduro foi traído! Ponto.
Respondi isso aqui:

Eu li faz tempo.
É a inspiração de Matrix.
É psicodélico, chapado de ácido, estava tentando ser Baudellard – este com álcool e haxixe.

O melhor exemplo não creio que seja esse.
Penso em Ninguém escreve ao coronel, Garcia Márquez.

O pensamento bolsomítico matou a epistemologia, não há surpresas nisso.
Todo mundo lembra das “análises políticas e jurídicas” dessa trupe – notoriamente jurídicas, como no exemplo do Poder Moderador.

No entanto, vejo paralelismos, apropriações, corrupções conceituais do lado de cá da força também.

O que me reforça a consciência sobre a importância (seminal) da Educação pública de qualidade.
Não basta incluir, e isso é fundamental, se não incluirmos a qualidade (essa mesma que é destinada às “elites”).

Neuromancer com Maduro exige muita Neuromusculação para o meu gosto.
Eu não estou preparado para isso.

Tem uma academia que sou obrigado a ir, por força do contrato de trabalho: na outra não passo nem na porta.

Se valem distopias para este século XXI (se é que valem) indicaria três – além das básicas, como 1984, Amigável mundo novo:

Nós – Zamiatin
O capote – Gogol
Ralé – Gorki

(A fazenda, de Chico Buarque também; Kafka; O alienista, de Machado de Assis é obrigação)

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Por que é fundamental reeleger Lula em um momento de agressão à América do Sul

Em uma ação grave, cujos detalhes ainda suscitam inúmeras interrogações, forças dos Estados Unidos sequestraram, na calada da noite, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sua esposa, Cilia Flores, e um de seus filhos, levando-os para Nova York.

O ato unilateral, de caráter beligerante, ocorreu em meio à mais flagrante ilegalidade. Foram violadas leis, tratados e protocolos, assim como as normas dos organismos internacionais que deveriam assegurar a inviolabilidade da soberania nacional e a proteção aos chefes de Estado.

Ainda não se conhece a exata dimensão das consequências práticas dessa intervenção, realizada no mais arrogante estilo imperialista. É inevitável reconhecer, contudo, que ela revive o pior da chamada Doutrina Monroe, segundo a qual os Estados Unidos outorgam a si próprios, por uma espécie de mandato que se pretende divino, o direito de intervir, a seu bel-prazer, em qualquer país da América Latina e do Caribe.

O pretexto dessa invasão, seguida de rapto, não poderia ser mais falso. Como prova da inexistência de um motivo legítimo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu a mais uma fabricação da máquina de propaganda de guerra sediada em Washington. É de conhecimento geral que Maduro não foi capturado por envolvimento com narcotráfico ou acusações semelhantes, mas porque simbolizava a revolução bolivariana, responsável pela nacionalização das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, retirando-as do controle estadunidense. Trump, de forma explícita, busca se apropriar desse tesouro subterrâneo.

Sequestro e espoliação. A esse cenário de verdadeiro colapso se resume a ordem internacional sem leis, consagrada pela ação de Trump em Caracas. Evidentemente, este 3 de janeiro inaugura um período instável e ameaçador na fronteira do Brasil, em pleno território sul-americano e caribenho. A região torna-se alvo direto de uma ofensiva que visa desestabilizá-la, lançando-a em um contexto sem parâmetros nem limites.

O Brasil, por suas dimensões, riquezas e interesses estratégicos, encontra-se sob ameaça. O recente zigue-zague nas relações entre Washington e Brasília não inspira tranquilidade. Após o sequestro de Maduro, a reação de Lula e do Itamaraty foi exemplar. De maneira firme, o governo brasileiro repudiou a ação estadunidense e defendeu a paz e o diálogo. O Itamaraty, com rapidez, reconheceu o governo constitucional agora exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que, além de exigir a libertação de Maduro, promete dar continuidade ao ideário da revolução bolivariana.

As interrogações estendem-se, naturalmente, à possibilidade de interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil, a exemplo do que acaba de ocorrer com o país vizinho. Mais do que nunca, a nação necessitará de firmeza e capacidade de diálogo para defender suas eleições e sua soberania. Nesse contexto, ressalta-se ainda mais a importância de Lula, como estadista experiente e como candidato capaz de salvaguardar os interesses nacionais em um momento tão desafiador. O espectro do passado recente ameaça, de novo, assombrar o país. Mais do que nunca, o Brasil necessita de liderança à altura do momento. Este líder é Lula.

Brasil 247

Golpismo pós-moderno

0

O Golpe de Estado, dos EUA, na Venezuela serve como indicador de alguns fatos:

*8 de Janeiro
Os Kids pretos e o GSI de lá tiveram efeito, deram resultado satisfatório ao golpismo. Lembremos que, do lado de cá, o modus operandi previa o sequestro do presidente e do vice-presidente da República e de um ministro do STF (Alexandre de Moraes). A alta traição militar na Venezuela foi exitosa, com o sequestro de Maduro e da esposa.

*Não é o Iraque
Na pressão da pressa, muitos erram na análise.
Não se criou outro Iraque na Venezuela sob ataque dos EUA, mas sim conseguiram evitar a Baía dos Porcos e Mogadício.
Ou contornaram, evitando-se até agora, (precisamente) outro Iraque e uma guerra civil interminável.

*Golpe pós-moderno
Daria pra fazer uma especulação embasada: o modelo institucional que agrada Washington é uma escatologia formada pela política de El Salvador, Equador e agora a “nova Venezuela”.
São os movimentos, o modus operandi, do Estado de exceção no século XXI – os de “melhor efeito” para os EUA.

*O ocaso da Estratocracia
Um dos grandes problemas do chavismo foi ter-se mantido fiel à Estratocracia (Estado militar), fortalecendo uma casta de elite militar.
É o modelo de Bolívar que cresceu com Chávez.
Hoje, em colaboração com os EUA, a Via Prussiana se coroou.

Segue o link de um libreto sobre o perfilamento de’A destruição da política:

https://zenodo.org/records/8298411

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Pesquisa Quaest: maioria dos brasileiros diz que Bolsonaro está preso por seus próprios atos – e não por perseguição

Levantamento mostra que apenas 21% veem “perseguição política” do STF, enquanto 51% afirmam que o ex-presidente “merece estar preso”

A maioria dos brasileiros (52%) avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em regime fechado — em uma sala da Superintendência da Polícia Federal — por consequência direta de atos praticados por ele próprio ou por seus familiares. Apenas 21% acreditam que a prisão ocorreu por “perseguição política” do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do ministro Alexandre de Moraes.

Os dados são de uma pesquisa Genial/Quaest realizada em dezembro com 2.004 entrevistados e foram divulgados na coluna de Mônica Bergamo.

Motivos apontados para a prisão

Entre os 52% que responsabilizam Bolsonaro e sua família pelo desfecho, a percepção predominante é de que a prisão decorreu de condutas que teriam agravado a situação do ex-presidente e levado à adoção de uma medida mais dura.

Dentro desse grupo, 32% afirmam que Bolsonaro foi preso porque “danificou a tornozeleira eletrônica” que utilizava quando estava em prisão domiciliar. Outros 16% apontam “risco de fuga para o exterior”. Já 4% acreditam que ele foi encarcerado porque seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), organizava uma vigília nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente morava — razão que teria sido apresentada oficialmente para justificar a prisão.

A divisão entre bolsonaristas e o restante do país

O levantamento também indica que a tese de “perseguição política” é minoritária no conjunto da população, mas aparece como dominante entre os entrevistados que se declaram bolsonaristas. Nesse segmento, 52% dizem acreditar que o ex-presidente foi preso por perseguição do STF.

Mesmo entre os apoiadores mais fiéis, porém, há uma parcela expressiva que discorda: 18% afirmam que Bolsonaro está preso porque violou a tornozeleira eletrônica. A pesquisa ainda mostra que os bolsonaristas são os que menos acreditam na hipótese de tentativa de fuga: apenas 2% enxergam risco de que ele buscasse sair do país, contra 16% no total da amostra.

“Merece estar preso”: maioria considera a prisão justa

Outro dado que chama atenção é a percepção sobre a legitimidade da prisão. Segundo a Genial/Quaest, 51% dos entrevistados dizem acreditar que Bolsonaro “merece estar preso”.

O índice varia de forma drástica de acordo com a preferência política: entre eleitores petistas, o percentual sobe para 91%, enquanto entre bolsonaristas cai para apenas 4%. O contraste reforça a intensidade da polarização em torno do destino do ex-presidente e do papel das instituições no caso.

Efeito político: maioria vê Bolsonaro mais fraco

A pesquisa também mediu o impacto político da prisão. Para 56% dos brasileiros, Bolsonaro ficou “mais fraco” depois de ser preso. O resultado sugere que uma parte significativa do eleitorado interpreta a detenção como fator de desgaste e perda de força política, com possíveis repercussões no futuro do bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o fato de a narrativa de “perseguição” persistir como visão majoritária entre bolsonaristas indica que o episódio tende a seguir como elemento central de mobilização do grupo, ainda que não encontre eco na maioria do país.

Do Brasil 247

A estupidez inacreditável de comparar Watergate ao que faz Malu Gaspar

Malu Gaspar não apresentou uma única prova contra Alexandre de Moraes. O que existe são seis relatos em off e um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro do STF. Diante da expectativa por evidências, o que veio foi um artigo pedestre sobre democracias não precisarem de heróis. Isso só vale se os heróis forem Joaquim Barbosa e Sergio Moro.

O que tem sobrado, por outro lado, é uma defesa corporativa constrangedora. No UOL, Milly Lacombe atribui as críticas à jornalista a um machismo da esquerda, ignorando que discordâncias sobre método e prova não se resolvem por enquadramento identitário (há um ensaio clássico de Susan Sontag sobre o fascismo, que fala do modo como feministas novaiorquinas acolheram a nazista Leni Riefenstahl nos anos 1970).

Pedro Doria também entrou no debate com um argumento frágil, divulgado no Instagram. Disse que prova é exigência para condenação judicial, não para o jornalismo, e que há conversas entre parlamentares, juízes e procuradores que nunca chegam ao público, embora sejam de interesse coletivo.

Em seguida, recorreu ao caso Watergate para sustentar que, se fosse exigida prova desde o início, Nixon teria terminado o mandato e a investigação mais famosa do jornalismo não existiria.

Doria ressalva que isso não autoriza a publicação de qualquer coisa e lembra que o jornalismo depende de credibilidade. Sinto informar, mas autoriza, sim. Ainda assim, sugere que há seletividade ideológica quando denúncias contra “o outro lado” são aceitas com facilidade e notícias desfavoráveis ao próprio campo são tratadas como mau jornalismo.

Esse raciocínio combina má-fé com desconhecimento histórico. No escândalo Watergate, Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post, trabalharam com muito mais do que relatos de uma fonte anônima como o “Garganta Profunda”. Desde o início havia material verificável, obtido por meio de documentos públicos, registros financeiros e confirmações independentes.

Carl Bernstein e Bob Woodward – Reprodução

Os repórteres analisaram autos judiciais e registros policiais do processo contra os cinco presos no edifício Watergate, que traziam nomes, endereços, valores apreendidos e vínculos com o Comitê para a Reeleição do Presidente (CREEP).

Rastrearam cheques da campanha de Nixon depositados em contas usadas pelos invasores, com base em documentos bancários e depoimentos prestados em tribunal. Examinaram livros contábeis e recibos do CREEP que comprovavam pagamentos irregulares destinados a operações de espionagem e à compra de silêncio.

Diversas informações foram confirmadas por fontes identificadas — advogados, funcionários do comitê, ex-integrantes da campanha — e por registros oficiais, o que reduzia a dependência de um único informante. Declarações públicas da Casa Branca eram confrontadas com dados objetivos já levantados, expondo contradições de forma documentada.

As fitas da Casa Branca surgiram depois, a partir das investigações do Congresso e da Justiça. Elas reforçaram um quadro que já estava sustentado por provas documentais e financeiras reveladas pela imprensa. O trabalho inicial do Washington Post não se apoiou em boatos ou em relatos soltos, mas em fatos checáveis que, aos poucos, formaram um conjunto consistente de evidências.

Comparar esse padrão ao que foi apresentado por Malu Gaspar não é erro de avaliação: é distorção deliberada, ignorância — ou os dois juntos

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

⁠Efeito Lula: otimismo cresce e 69% esperam melhora pessoal em 2026, diz Datafolha

Uma pesquisa do Datafolha aponta crescimento do otimismo dos brasileiros para 2026, com 69% dos entrevistados afirmando que esperam melhora na situação pessoal em relação a 2025. O índice representa alta de nove pontos percentuais na comparação com o levantamento realizado no fim do ano passado e marca o maior patamar registrado no atual ciclo do governo federal.

De acordo com o instituto, 16% avaliam que a situação pessoal deve permanecer igual no próximo ano, enquanto 11% acreditam em piora. Outros 3% não souberam responder. O levantamento mostra recuperação consistente da confiança individual, após 2025 ter sido o período com menor expectativa positiva desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O otimismo também aumentou em relação ao país como um todo. Para 60% dos entrevistados, 2026 será melhor para os brasileiros em geral, ante 47% no levantamento anterior. O resultado iguala o nível observado na virada de 2022 para 2023, logo após a eleição presidencial, quando a percepção positiva sobre o futuro nacional estava em alta.

Movimentação de pessoas na rua 25 de Março, em São Paulo – Rafaela Araújo – 16.jul.25/Folhapress

A pesquisa revela diferenças relevantes entre grupos sociais. Mulheres demonstram mais confiança do que homens, assim como pessoas com menor escolaridade e renda mais baixa. Entre os que recebem até dois salários mínimos, 72% projetam melhora pessoal em 2026. No recorte regional, o Nordeste lidera o otimismo, com 75%, enquanto o Sul registra o menor índice, com 65%.

O levantamento também indica forte relação entre expectativa positiva e avaliação do governo. Entre eleitores de Lula em 2022, 78% esperam melhora pessoal em 2026. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, o percentual cai para 61%. Entre os que aprovam o governo federal, o otimismo chega a 79%, enquanto entre os que desaprovam recua para 59%.

Economistas ouvidos pela Folha associam o aumento da confiança ao desempenho recente da economia, com desemprego em mínima histórica e inflação dentro da meta, segundo dados do IBGE. Apesar da expectativa de desaceleração em 2026, analistas avaliam que o mercado de trabalho deve seguir aquecido e que programas do governo tendem a sustentar a atividade, ainda que com impacto fiscal.

Diario do Centro do Mundo

A jornalista e o juiz

Justiça não aceita “off”

Por Alex Solnik, jornalista, é autor de “O dia em que conheci Brilhante Ustra” (Geração Editorial)

Minha colega de profissão, Malu Gaspar, tem todo o direito de afirmar, sem provas, que nas conversas entre o juíz Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, houve menção ao Banco Master. O “off” é permitido nas regras do Jornalismo. Os jornalistas são protegidos pelo “segredo da fonte”.

Para a Justiça, no entanto, as regras são outras. Não há “off”, nem “segredo da fonte”. Se Malu, uma hipótese, disser a um juíz que “uma fonte” lhe passou essa informação, ele vai perguntar, primeiramente: quem foi? Mas não só isso. Para a Justiça não basta dizer que Fulano disse isso. O juíz vai perguntar: que provas o Fulano tem? Há uma gravação? Há uma mensagem de texto?

A Justiça trabalha com provas concretas. Ninguém pode ser condenado porque Fulano disse isso ou aquilo. Se não provar.

O “furo” da Malu não tem valor jurídico. Começa e termina nas páginas do jornal. Vira assunto de conversa, às vezes até brigas, não mais que isso.

De outra parte, tanto Galípolo quanto Moraes têm o direito de processar a jornalista por calúnia. E ela terá de mostrar as provas ou, se não as tiver, desmentir seu “furo” para se livrar da condenação.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

 

CAPITALISMO DIGITAL – Mais valia onírica

0

@viniciocarrilhomartinez

É bem provável que muitas outras abordagens, em linhas diversas desta aqui, tenham adotado esse título ou assemelhado, a fim de esboçar essa pretensão de colocar um facho de luz em algo tão nebuloso (até metafísico, no mal sentido) como a extração, exploração da mais valia neste final de primeiro quartel do século XXI.

Até o século XX, digamos assim, a questão era mais palpável, visível, demonstrada a partir do conhecido “chão de fábrica”. Esse chão de fábrica persiste, em todos os níveis da cadeia comestiva do capital. Aliás, é a regra absoluta, aninhada no Princípio da Hierarquia, é a própria Lei do mais farte – e é uma regra, em absoluto é a exceção.

Porém, o que mudou e de modo muito assinalado foi o modelo de produção – se antes era baseado na industrialização, hoje é demandado pela financeirização, pelo capital especulativo e improdutivo. Não é segredo o crescente processo de desindustrialização de vários países, incluindo o Brasil.

Aí está a hegemonia do capital, no rentismo e na base do Capitalismo de dados (em que “o produto é você”), e nos Grupos Hegemônicos de Poder que os representam; predominantemente como pontas de lança das Bets, das Big Techs, das Big Datas/Data Centers – o novo BBB.

Assim, a regra da exploração está acentuada, por exemplo, na exploração/extenuação do trabalho digital, das trabalhadoras e dos trabalhadores expropriados de expectativas para além da sobrevivência que são escravizados nas rotinas impostas pelo novo BBB.

Mas, é preciso destacar que esta é a regra (não a exceção do capital), com a exceção diagnosticada, em outro exemplo, na “exploração do trabalho análogo à escravidão”: são os operários do chão de fábrica, da construção civil, os lavradores, as trabalhadoras residenciais resgatas todos os dias pelo Ministério Público do Trabalho, sem registro algum e muitos que sequer têm banheiro químico.

Essa condição da exploração do trabalho análogo à escravidão, sim, é a exceção, uma vez que se destaca um modo de produção anterior ao capitalismo, tão primitivo quanto a Acumulação Primitiva de Marx[1] e do Fausto[2]. Então, o que sugerimos no título?

Apontamos para outro fenômeno social, sistêmico, sistemático (societal) que deve ser somado a tudo isso; trata-se da maior e mais avassaladora captura da subjetividade pelo Capitalismo Digital[3].

Lembremo-nos de uma cena comum, que todo mundo já viu ou praticou: a pessoa acorda e corre para checar suas redes sociais (ela nem se levantou) ou a pessoa mal se deita e abre as mesmas redes sociais para “se ver”. A pessoa dorme, sonha, projeta, projeta-se, esboça sentimentos, sensações, aspirações, expectativas (tudo isso e mais), e acorda dentro da mesma bolha em que se colocou: há uma autoexclusão.

Vive-se nas bolhas e se vira as costas para o mundo real. Antigamente, era chamado de alienação; hoje pode ser entendido como captura e digitalização da subjetividade e, portanto, identificação digital “com os outros/as que sejam semelhantes a si”.

Esse deitar (mal dormir), acordar, ruminar pensamentos incompletos, minar visões de mundo já muito parciais, deitar de novo, acordar outra vez, tudo dentro do imaginário digital (cada vez menos em contato com a realidade decisiva), destilar “tudo de si” nessas redes sociais é o que chamamos de mais valia onírica: tudo, dos sonhos e das projeções, das fantasias, às dores do “mundo real”, tudo está postado, checado, sendo consumido inúmeras vezes, e cada vez mais, à medida em que aumenta o engajamento da pessoa digitalizada.

Pois bem, esse é o mundo das Big Techs: lucrar exponencialmente com a exposição dos sonhos (literalmente) de quem se expõe, vender os dados, os anúncios, anunciando planos de expansão de engajamento (você pagaria um centavo para cada clic novo feito “exclusivamente” para você).

Vejamos: nós pagamos para que essas empresas lucrem (sem risco de retorno) com as nossas aparições, no entanto, em contrapartida, nossos sonhos (com grande risco de não-retorno) alimentam o capital hegemônico.

Bauman[4] chamou de “servos voluntários” – em consonância a La Boetie[5] – os seres cada vez menos sociáveis que aceitam livremente a exploração dos seus sonhos, de toda a sua subjetividade onírica, pelas redes cada vez menos confiáveis, bem ao feitio de redes antissociais.

Portanto, uma das grandes diferenças do Capitalismo industrial para o Capitalismo de dados (componente do Capitalismo Digital) está no deslocamento da base de sua materialidade (o anterior chão de fábrica) para o interior de “cada pessoa antenada”, plugada, conectada – e vitimada pela ansiedade em ver seus dados serem comercializados sem retorno algum.

Do século XX (e parte dos anteriores) até a nossa atualidade, a materialidade em que ocorria a extração do trabalho vivo (sua confirmação mercadológica por meio do trabalho morto: na mercadoria) foi estiolada, pulverizada por cada clic que se dá pelo mundo afora: por isso “o produto é você” (nós).

Se antes eram milhões de trabalhadoras e de trabalhadores pelo mundo afora, sendo extorquidos na sua força de trabalho (no chão de fábrica), hoje são bilhões de “servos involuntários”. As bolhas de clausura (autobolhas) ainda se encarregam do desentranhamento da realidade, da dissociação que impede o acúmulo e o avanço de qualquer “consciência de classe”: primeiro porque somos voluntariamente extorquidos, segundo, porque as bolhas aprisionam e impedem qualquer vínculo significativo ao florescimento da Inteligência Social.

Com rompantes aqui e ali, e que muitas vezes não passam os limites (prescrições) de revoluções coloridas – e em que pese terem defenestrado poderes absolutistas (ali e acolá) –, de certa forma, apenas firmam ou reforçam compromissos com o propalado Capitalismo de Digital: via de regra, as insurgências se devem aos reclamos juvenis porque algumas redes foram bloqueadas pelo poder de então e, muito, muito raramente, voltam-se contra os fatores de indignidade e de indigência do povo, dos trabalhadores e das trabalhadoras sujeitadas à exploração do trabalho análogo à escravidão.

Nos habituamos rotineiramente à exceção, à normalização da exceção[6]. Não há proscrição da prescrição por que estamos limitados, estacionados, na autonomia. Não há responsabilização, nem do novo BBB, nem individuais. Não há emancipação, exatamente, porque nos limitamos à autonomia.

Outro problema grave está no tempo. “Não temos tempo”, isolamento, distanciamento (a concentração obrigatória ao pensamento), para alcançarmos mais clareza. Nós “pensamos” que as coisas são imediatas (um clic), mas a vida, as ocorrências, as transformações, não são instantâneas.

O mundo atual não reconhece mais a maturidade. Tudo é fugaz, porque “Tudo que é sólido desmancha no ar’. Mas essa história quase mais ninguém entende, decifra. Muitos ainda vão considerar como se fosse a fala de um filme de ficção, distopia pós-moderna; quando, na verdade, é o oposto – é a modernidade (em que se liga a nossa realidade) pondo fim às tradições.

Entretanto, e de todo modo, não há proscrição da prescrição porque sequer temos consciência do status de servidão conscienciosa. Não há proscrição da prescrição porque é imposta a autonomia, e que, sem auditoria, não supera a autocracia[7].

 

[1] MARX, Karl. Formações Econômicas Pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

[2] Historia del Doctor Johann Fausto – anónimo del siglo XVI. Siruela: Madri, 2003.

[3] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/conceito-de-capitalismo-digital. Acesso em 24/12/2025.

[4] BAUMAN, Zygmunt. Vigilância Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

[5] LA BOETIE, Ètienne de. Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: Edições Antígona, 1986.

[6] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

Indulto de Natal

0

Quando chega essa época, penso em algumas coisas:
1. Aprendi quando criança que o espiritualismo tem o princípio de que não há pena perpétua: todos podem ser Ressocializados. Mas, somente se e quando o arrependimento for eficaz e fizer parte ativa da Consciência. Há um vasto exame de Consciência. Porém, para os ingênuos basta reduzir a dosimetria.
2. Há 10% da Humanidade que não tem algum sistema moral, biológico, social, funcionando muito bem, ou está sem desenvolvimento. São os psicopatas de algum tipo, de todo tipo, exercendo cargos de liderança e de decisão na política, nos negócios, nas forças armadas, além dos manipuladores do dia a dia – são desprovidos de empatia: a psiquiatria explica bem. A nossa sorte é que, desses 10%, menos de 10% são inclinados à morte com sadismo – Maníaco do parque, Beira-mar, por exemplo.
3. Contando todas as sociedades humanas conhecidas pela história (ou atuais), nenhuma (zero ocorrência) abdicou do aprisionamento, da exoneração social, do banimento – a lembrarmos do famoso “ostracismo” na Grécia antiga e da exclusão do Homem-lobo, no antigo Direito Germânico. Por isso, é o caso de se estudar História e Antropologia (além de reler a Teoria da Pena). A dosimetria dependia (depende) da gravidade das ações, como no caso de Atentado violento contra o Estado Democrático de Direito, tentativas de golpe de Estado e outros crimes de Lesa Pátria (traição à Pátria) *em momentos de justiça histórica, o paredão é simbolizado (Cuba após 1950). O potencial de dano, o índice lesivo, é enorme e não pode ser negligenciado.
4. Enfim, de tudo isso o é que conta? Acima de tudo, conta o Bom Senso e, sendo este a nossa orientação, nos obriga a checar a mudança moral, social, cognitiva, o que no item 1 é chamado de Exame de Consciência. Sem isso, sem “arrependimento eficaz” (simbolizado na culpa de quem comete o delito, na consciência e não só na convivência), a pena não cumpre seu efeito “pedagógico” e a reincidência é a regra (quando deveria ser a exceção).
5. Nosso sistema prisional tem condições de fazer isso (avaliar com laudo e perícia a Consciência restabelecida pelo Arrependimento), e não só debater-se na contagem de dias. Aliás, essa obrigação é nossa, se quisermos “fugir” da ingenuidade (das fábulas), do não aprofundamento conceitual, da leniência ou do sectarismo.

@viniciocarrilhomartinez

Entre a norma e a prática: neurodiversidade na educação

0

Ester Dias da Silva Batista

As compreensões sobre a neurodiversidade têm sido ampliadas, ao buscar práticas pedagógicas que reconheçam os diferentes modos de se desenvolver no ambiente escolar. Entretanto, historicamente, as diversidades cognitivas foram frequentemente interpretadas como desvios no percurso, resultando em práticas excludentes, buscando um tipo de “correção”, como o isolamento e a medicalização excessiva. Atualmente, apesar das dificuldades persistentes, à falta de acessibilidade em espaços educacionais e de trabalho, a neurodiversidade tem sido melhor compreendida como expressão de variações naturais da diversidade humana, e não descaminhos a serem corrigidos (ARMSTRONG, 2017) .

No aspecto escolar, essa percepção tensiona práticas pedagógicas embasadas na padronização dos modos de ensino e aprendizagem, evidenciando a necessidade de reconhecimento das diversas formas de construção do conhecimento. De forma legal, a educação inclusiva se apresenta de forma declarada como um direito educacional, especialmente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI), que normatizam para ocorrer o acesso, permanência destes estudantes e aprendizagem de todos os estudantes (BRASIL, 2008) .

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por sua vez, para além de normatizar a estrutura curricular brasileira, vem também para reforçar esse direito à aprendizagem (BRASIL, 2018) . Contudo, tais marcos, apesar de sua relevância documental, não asseguram, por si só, a efetivação de práticas inclusivas, por exemplo, pela ausência de apoio institucional e de profissionais especializados e presentes nas salas de aula. Nesse sentido, analisar a neurodiversidade na educação exige compreender sua totalidade, coletiva e estruturalmente, demandando políticas públicas efetivas, bem como condições de trabalho adequadas para os docentes e uma revisão crítica das práticas escolares, para que a diversidade deixe de ser exceção e passe a orientar o funcionamento da escola.

 

 

 

Centrão reconhece indícios de corrupção de Sóstenes Cavalcante e Jordy

Apesar do PL falar em “perseguição”, parlamentares reconhecem indícios relevantes em operação que mirou Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy

 A mais recente operação da Polícia Federal desencadeou forte reação do Partido Liberal (PL), que passou a acusar a PF e o Supremo Tribunal Federal de atuarem com motivação política. A ação, realizada nesta sexta-feira (19), atingiu parlamentares da legenda e seus assessores, provocando mobilização interna do partido e articulações junto à cúpula da Câmara dos Deputados. As informações são do G1.

Apesar do discurso público de perseguição adotado pelo PL, há reconhecimento nos bastidores de que a operação aponta indícios relevantes de irregularidades envolvendo o uso de verbas da cota parlamentar.

Um dos líderes do Centrão ouvidos pela reportagem fez uma avaliação ambígua sobre o episódio. Segundo ele, “O PL tem razão em reclamar de uma perseguição política contra seus deputados, mas, por outro lado, a operação de hoje da PF traz indícios fortes de desvio de verbas da cota parlamentar. Isso é muito ruim, os deputados do PL precisam cobrar explicações de seus assessores”.

Ainda nas primeiras horas do dia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, iniciou uma série de contatos telefônicos com deputados que integram a direção da Câmara. O objetivo foi pedir uma reação institucional do Legislativo diante da operação, que teve como alvos o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e assessores ligados aos dois parlamentares.

Outro dirigente do Centrão, também em caráter reservado, afirmou enxergar uma estratégia da Polícia Federal para pressionar o Congresso Nacional neste final de ano. Apesar disso, recomendou que assessores suspeitos sejam afastados temporariamente, ao menos até a conclusão das investigações em andamento.

O clima de tensão se intensificou porque, em um intervalo de apenas uma semana, três operações foram deflagradas contra parlamentares. No Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal, a resposta às acusações de perseguição política tem sido a de que as apurações já estavam em curso e avançaram após a identificação de indícios considerados consistentes.

Investigadores ressaltam que a PF não pode ignorar sinais de possíveis irregularidades e tem o dever legal de aprofundar as apurações. Como exemplo, lembram que, nesta mesma semana, foi realizada uma operação envolvendo o vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), reforçando o argumento de que as ações não se restringem a um único partido ou campo político.

Do Brasil 247

À NITA FREIRE-e ao professor das professoras e dos professores[1]

0

 

Hoje temos um motivo para festejar, com a esperança de quem muito almeja esperançar, agir para transformar[2].

Hoje, homenageada, Ana Maria Araújo Freire (nossa Nita Freire), é pedagoga, Doutora em Educação (PUC/SP), educadora, escritora, foi esposa de Paulo Freire – Patrono da Educação brasileira, em um reconhecimento dado em 2012 pela então presidente Dilma Roussef. Recebeu cinco títulos Doutor Honoris Causa (doutora no caso) e escreveu dois livros em torno de Paulo Freire.

Nita Freire sempre disse que: “Homenagear Paulo é seguir com o ato de ‘esperançar”[3]. Mas, não é a “a esperança da espera de quem sempre alcança”, é a espera que antecede a ação – e a ação mais profunda e reveladora é a de quem participa da Educação emancipatória. Como ensinou Paulo Freire:

  1. Ensinar exige alegria e esperança
  2. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível
  3. Ensinar exige curiosidade
  4. Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade
  5. Ensinar exige comprometimento
  6. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo
  7. Ensinar exige liberdade e autoridade[4]

 

Esperança é o tempo determinado entre a reflexão e a práxis:

  • Em primeiro lugar, para que possamos nutrir a esperança enquanto práxis, ação transformadora da realidade social.
  • Em segundo lugar, a fim de que a prescrição (alienação) não seja mais um verbo de ação a favor da proscrição (exclusão) da imensa maioria do povo brasileiro – especialmente o povo pobre, negro e oprimido.
  • Em terceiro lugar, pensando-se enquanto Nação, para que o “atraso social” não mais se faça presente no atraso educacional, econômico, tecnológico, científico, político, cultural.
  • Por fim, em quarto lugar, e a partir de uma Utopia possível (realizável), para que coletivamente tenhamos força e esperança destinadas à construção de uma Vontade de saber teleológica (libertária e emancipadora)[5].

 

Vale frisar que a Educação quando não é libertadora, emancipatória, inclusiva (também em termos de acessibilidade), não é Educação, é anti-pedagogia, é adestramento, castração[6].

Como sempre diz Nita Freire: “Homenagear Paulo é seguir com o ato de ‘esperançar’. Precisamos deixar que o verbo venha à frente do substantivo esperança; ele pregava ação, mobilidade. Não podemos nos acomodar com o que o Brasil se transformou”.

De 2018 a 2022, o país foi refém do fascio, e, ainda que hoje esteja sob ataque direto dessas forças reacionárias, regressivas e repressivas (especialmente contra o povo pobre, negro e oprimido), e mesmo depois do 8 de janeiro de 2023, o Brasil mudou um pouco – não que tenha havido uma revolução de qualquer natureza (hoje se trocou a reflexão pela educação financeira); porém, hoje podemos esperançar.

Afinal, Educação é transformação profunda, radical, das raízes dos males sociais e das indiferenças ou comodismo das pessoas.

Prezada professora Nita Freire, não fiz um memorial para esta presença que tanto nos honra, hoje; mas, sim, lhe enderecei uma carta também. E penso que falo em nome de todas e de todos que estão ou estarão conosco nos próximos dias. Seja muito bem-vinda professora!

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ao professor das professoras e dos professores. In: SOUSA, Cidoval Morais de (coord.). Cartas a Paulo Freire: escritas por quem ousa esperançar. Campina Grande: EDUEPB, 2021a.

[2] Por meio de trabalho coletivo entre o Núcleo de Formação de Professores (NFP/UFSCar) e o canal A Ciência da CF88 (https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88),

[3] https://www.folhape.com.br/cultura/ana-maria-freire-viuva-de-paulo-freire-homenagear-paulo-e-seguir/198144/. Acesso em 19/12/2025.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[5] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[6] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

Nita Freire na UFSCar

0

@viniciocarrilhomartinez

Em evento conjunto, o canal do Youtube A ciência da CF88 (https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88) e o Núcleo de Formação de Professores (NFP) recebem a ilustre presença de Nita Freire. Pedagoga, professora, escritora, Nita Freire conviveu com Paulo Freire por muitos anos. Doutora em Educação, seguiu a mesma trajetória de luta pela Educação, proposta pelo nosso Patrono da Educação. O evento ocorrerá amanhã, dia 19 de dezembro, a partir das 18h30, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=tzBoWZhlB5g.

Como saudação particular à nossa ilustre visita e aos organizadores do evento, trago aqui uma parte da introdução do meu último livro[1], e que conta com a inspiração sempre humanizadora de Paulo Freire.

 

Emancipação

É este o sentido mais geral de uma Educação para além da exceção, a fim de que também rompa os horizontes de que a regra na dinâmica capitalista (exploração e concentração) possa sim, em algum momento, ser a exceção na condição de vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Isto, de certa forma ainda recupera o que Walter Benjamin denominaria de verdadeiro estado de exceção, ou seja, que a regra da exceção (subordinação) fosse dirigida contra os meios, grupos e pessoas que hoje subjugam a imensa maioria. Ao invés de um Estado opressor movendo-se pelos escaninhos das exceções do capital, que o Poder Político seja dirigido contra os algozes e opressores – com toda força dos meios de exceção (opressão) disponíveis.

A decodificação leva a uma descodificação, logo, a uma autodescrição crítica (interessante pensar que cabe aqui uma autocrítica do sujeito, e não só crítica do objeto) e isto desemboca na ressignificação que, por sua vez, incorre e influi no “fazer-se política” e gradativamente no “fazer-se em política”. Seria uma forma de descrição do “pensar a si” (“consciência em si”), também como julgamento do mundo, numa consciência primária da relação sujeito/objeto. Com o distanciamento é possível “reexistenciar-se” criticamente: “…resumido por uma mulher simples do povo … “Gosto de discutir sobre isso porque vivo assim. Enquanto vivo, porém, não vejo. Agora sim, observo como ‘vivo”.

Portanto, a pedagogia (educação) é antropologia; quando é humanista reúne um logos para o humano. Essa auto-instauração conquista a forma humana e é assim que o educando conhece a dignidade das palavras escritas, principalmente trabalho, educação, política, sociedade. A autoeducação, então, é uma autodesnaturalização (notadamente, a “naturalizada” opressão de classes) e é essa consciência que será a base de uma Educação do além-limite: uma provocação às próprias limitações “naturalizadas” da sociedade de classes.

Não deixa de ser uma “dialética da práxis”, que objetiva a política ou redefine com a entrada de muitos jogadores novos. Assim como as convocações tem, por definição, ação com vocações, as provocações terão pró-vocações. Isto é parte ativa do autoconhecimento, seguida do autodesvelamento, e, de forma crítica, imposição de um outro autorreconhecimento – ao “fazer-se em política”.

Por isso, a educação congrega uma Antropologia Política, por essência, e mais ainda será se pensarmos na colaboração, na autodeclaração e automanifestação política, como co-elaboração, (co)elaborando-se mutuamente. É assim que entendemos que “o humano, humaniza-se”; dizendo a política, está dizendo-se por meio da política, ao mesmo tempo em que é atravessado pela política: “fazendo-se por meio e através da política” (para o bem e para o mal). É essa a consciência da política, do meio e de si, da política enquanto meio e relação inerente, que também se desenvolve em Direito à consciência[2] – numa filosofia política do direito fundamental à humanização.

“Tomar a palavra” – trabalho, educação, política, sociedade – é dizer-se, afirmar-se, dignamente ao mundo; pois são essas as palavras da própria condição humana. Portanto, e por fim, isto é envolver-se diretamente, criticamente, na filosofia, na sociologia e na antropologia política que se entrelaçam à Pedagogia do Oprimido, enquanto Educação política que faz interfaces com a Educação para além do capital (educação para além-limites) – uma Pedagogia do Oprimido como educação para além dos limites do capital.

Também é neste sentido que a educação para a civilidade, por certo, não permitiria que se “rezasse por uma intervenção sideral, com celulares no alto da cabeça apontando-se a luz para o céu”, nem que se cantasse o hino nacional saudando em continência um pneu.

Assim, definido o escopo do objeto, como certa revisão da vida acadêmica, não ocorre em demasia reforçarmos que esta proposição de uma Educação para além da exceção ainda se recobre de uma educação iluminista (Aufklärung)[3], contra o antissemitismo (após Auschwitz[4]) e contra o “sionismo de Estado”[5] (depois de Gaza), no sentido de que sempre será uma luta política (como proposta de educação política não-neutralizada pelo sectarismo ou neoliberalismo[6]), pela afirmação dos direitos humanos fundamentais (Carta Política de 1988[7]) e, por óbvio, como leitura crítica dos limites de qualquer proposição que não se aventura para uma educação para além do capital[8]. Afinal, trata-se de uma Luta pelo Direito fortemente imbuída e marcada (delimitada) pela luta política, em meio à luta de classes.

 

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[2] Do Direito à consciência como desembrutecimento do mundo: MARTINEZ, Vinício Carrilho. O direito à consciência. JusBrasil, [S.l.], 2020c. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/80577/o-direito-a-consciencia. Acesso em: 19 jan. 2024.

[3] Já desenvolvemos esta perspectiva, do direito à educação pelo esclarecimento. Com aportes na Constituição Federal de 1988 também designamos este sentido como Direito à Consciência.

[4] Abordamos este aspecto específico enquanto “educação antifascista”, no último capítulo desta publicação em livro: BEZERRA NETO, Luiz; OLIVEIRA, Elane Rodrigues de. Marxismo e Educação: contribuições para a discussão sobre o papel do Estado numa concepção marxiana. São Carlos: Pedro & João Editores, 2022, p 163-196. Disponível em: https://www.gepec.ufscar.br/publicacoes/livros-e-colecoes/livros-gepec/ebook-marxismo-e-educacao.pdf. Acesso em: 2 jan. 2024.

[5] Numa interpretação relativamente livre ou diferenciada, tomamos pelo termo sionismo de Estado não o Estado de Israel – até porque não defendemos sua supressão -, mas sim uma concepção ou ideologia muito mais ao estilo colonizadora, imperialista que se apresenta como hegemônica e pronta a expandir os territórios e confrontar diretamente a possibilidade de se efetivar a criação do Estado da Palestina: certamente, nem todos os sionistas (mesmo os que se filiam à construção/preservação da identidade nacional) são defensores da visão/ação radical e genocida praticada pelo Estado de Israel, como visto contra Gaza. Portanto, por sionismo de Estado entendemos que se trata de uma posição política assumida em razão do controle do Estado para fins de confrontação/negação da afirmação do Estado da Palestina. Por outro lado, há uma perspectiva histórica que associa o sionismo com os regimes nazifascistas: GOULÃO, José. Os laços do sionismo com o nazifascismo. PCB – Partido Comunista Brasileiro, Brasília, 2024. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/31533. Acesso em: 6 abr. 2024.

[6] Há muitas leituras possíveis e entendimento do que se presumir enquanto educação para além do capital (especialmente no recorte com o neoliberalismo) e pela descompressão (MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ensaio sobre o estado democrático de direito social: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024b. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/. Acesso em: 30 abr. 2025.): SACRAMENTO, Leonardo. A proposta educacional do capital. A Terra é Redonda, [S.l.], 2024. Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/a-proposta-educacional-do-capital/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2024-06-02. Acesso em: 2 jun. 2024.

[7] Além de uma definição do que entendemos pelo conceito de Carta Política (MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ao professor das professoras e dos professores. In: SOUSA, Cidoval Morais de (coord.). Cartas a Paulo Freire: escritas por quem ousa esperançar. Campina Grande: EDUEPB, 2021a.), a questão nos leva a intuir pela necessidade de urgência em se propor seriamente uma Educação Constitucional.

[8] Uma leitura inicial pode ser encontrada em publicação de livro anterior, mas que se complementaria com este capítulo – no sentido de ser agora mais aprofundada e sopesada por outros parâmetros: (Bezerra Neto; Oliveira, op. cit.).

Parcerias globais e acesso a mercados marcam agenda do MIDR em Roma

O fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação de parcerias internacionais estiveram no centro da agenda institucional cumprida nesta terça-feira (16), na Itália, pela comitiva liderada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que incluiu, em Roma, a participação no seminário “Cooperativismo da Agricultura Familiar Brasileiro e a FAO”. A agenda contou com a atuação do secretário de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), Daniel Fortunato, e teve como foco o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da cooperação técnica internacional voltada ao desenvolvimento territorial e à inclusão produtiva.

Com representatividade mundial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) possui experiências de grande sucesso, especialmente na assistência técnica rural, com um trabalho robusto e reconhecido no combate à fome mundial, além de representatividade em mais de 194 países. Segundo o secretário Daniel Fortunato, a parceria com a instituição reforça as ações do MIDR para promover o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro. “Aproveitamos a oportunidade para estreitar ainda mais a relação entre o MIDR e a FAO, porque conhecemos a potência da FAO e o quanto ela pode contribuir com as Rotas de Integração Nacional. O MIDR, em cooperação com a FAO, vai avançar no desenvolvimento de produtos saudáveis e sustentáveis e também buscar apoio para a organização financeira dos projetos, especialmente no fortalecimento das chamadas finanças solidárias”, destacou.

Agricultura familiar e acesso a mercados internacionais

A agenda também incluiu o seminário “Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil: promovendo negócios internacionais sustentáveis”, realizado na Embaixada do Brasil em Roma. O evento reuniu representantes de cooperativas brasileiras, autoridades governamentais e potenciais parceiros internacionais, com o objetivo de apresentar o modelo cooperativista da agricultura familiar brasileira e ampliar oportunidades de inserção em mercados externos.

Durante o seminário, o secretário do MIDR, Daniel Fortunato, destacou o papel das cooperativas como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento regional, a geração de renda e a valorização dos territórios, além de ressaltar a importância de políticas públicas que promovam o acesso a mercados e a agregação de valor à produção da agricultura familiar.

Como parte da programação, foi realizada uma apresentação direcionada a possíveis compradores italianos, com foco no potencial de exportação de produtos das cooperativas brasileiras da agricultura familiar. A atividade incluiu ainda uma degustação de produtos, evidenciando a diversidade, a qualidade e a sustentabilidade da produção brasileira.

Diálogo com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

Ainda em Roma, a comitiva brasileira se reuniu com representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência das Nações Unidas voltada à erradicação da pobreza rural e da fome em países em desenvolvimento, por meio do financiamento de projetos agrícolas. O encontro teve como objetivo discutir o fortalecimento da cooperação institucional e solicitar apoio para a construção de novas parcerias de aporte financeiro voltadas ao fortalecimento de cooperativas da agricultura familiar no Brasil. A iniciativa busca ampliar investimentos em projetos que promovam desenvolvimento regional sustentável, inclusão produtiva e geração de renda no meio rural.

Para Carla Carneiro, embaixadora e representante permanente do Brasil junto à FAO, ao PMA e ao FIDA, em Roma, o encontro irá possibilitar grandes avanços para o desenvolvimento de produções sustentáveis. “Tenho certeza de que vamos construir muitos momentos importantes para a agricultura familiar, para a integração lavoura, pecuária e floresta, para a descarbonização e para tudo aquilo que a agricultura de pequena escala tem de melhor, incorporando inclusive os conhecimentos ancestrais da Amazônia”, destacou a embaixadora.

Fonte: Brasil 61

Relações Simbióticas

0

Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

O termo simbiose, na língua portuguesa, é um substantivo feminino. No aspecto conceitual, a palavra está associada à relação de coexistência e interdependência entre elementos distintos, sejam espécies, sujeitos ou processos, com associação, e não à dissolução de uma das partes. Diferentemente de processos de apropriação, a simbiose propõe permanência duradoura (MARGULIS, 1998)[1].

Essa relação atravessa para além da biologia, passando pelo pensamento patriarcal, sistematizado na hierarquia masculina, com dominação e apropriação. O patriarcalismo, por sua vez, baseia-se em modelos binários de relacionamento, nos quais um lado ocupa posição central e o outro é subordinado, dificultando a compreensão de relações baseadas na interdependência. A simbiose, de forma oposta, busca romper essa lógica, propondo uma coexistência na qual ambos se entrelaçam na relação. Nesse sentido, pensar relações simbióticas implica questionar formas “naturais” de dominação.

A associação simbólica entre a simbiose e o feminino, portanto, baseia-se em uma construção histórica. Em sociedades construídas na lógica do patriarcalismo, o feminino foi associado a ideias de cuidado, enquanto o masculino hegemônico se organizou em torno do controle. Nesse sentido, compreender que o termo simbiose não seria masculino não se refere somente à biologia ou à gramática, mas demonstra-se como uma crítica aos modelos de pensamento que desconsideram as relações baseadas na interdependência. Desse modo, tal conceito apresenta-se como um símbolo de grande relevância, por tensionar essas lógicas, propondo formas de relação que vão além das estruturas de domínio de um termo sobre o outro.

[1] MARGULIS, Lynn. Symbiotic Planet. New York: Basic Books, 1998.

APROPRIAÇÃO

0

 

@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Os tempos modernos, absolutamente pós-modernos, agudizaram inúmeros fatores da nossa trajetória e existência, e, por isso, preferimos chamar de Vida Social.

Um dos fenômenos mais antigos da história humana é a chamada Apropriação – inclusive há uma tipologia penal denominada de Apropriação Indébita, indevida, sem consentimento, sem pudores, como se fosse deste ou daquele o que não lhe pertence, pois, de modo simples e direto, aquilo é daquele e não deste.

Na cultura universitária, a Apropriação não se limita ao plágio, uma vez que, além do plágio, em si, há uma real transmutação dos significados, sentidos, signos originais.

O nazismo fez isso com a Suástica, retirando do seu lugar devido o signo basilar entre Brâmanes e Budistas e, assim, transmutou-o; quando antes significava vida, boa sorte, abundância, acabou ressignificada pelo Mal, e daí a Suástica (com a imagem meio invertida, distorcida) passou a destilar a morte, a dor e o sofrimento.

No sentido que apresentamos aqui, a Apropriação se define como “tomar para si”, no sentido oposto à Alienação – e que é “retirar de si”. Mas, o que vem a ser esse “tomar para si”? Basicamente, tomar para si, para nós, o que não é seu, nem meu, nem nosso.

Em momentos amplos da formação social brasileira, o Sincretismo religioso surgiu (surge) como dado ilustrativo: São Jorge e Ogum divisam a mesma divindade, por exemplo. O Sincretismo é tão ativista na nossa origem cultural que a própria miscigenação (somos um povo pardo) só é entendida em conjunto.

O Sincretismo não promoveu uma Apropriação, mas sim uma espécie de simbiose, uma troca viva que levaria a uma síntese cultural, retirando as influências culturais do seu lugar comum. A simbiose é um entrelaçamento sustentado pela coexistência contínua, pacífica, e que produz interdependência.

E, desse modo, o senso comum não se aplica aqui, afinal, não foi mera transposição ou corruptela de um por outro: Ogum e São Jorge continuam a ser quem eram e ainda são; todavia, no Brasil, um não existe sem o outro. Estão sedimentados em si, sem estarem ensimesmados (como estavam em suas origens).

Um caso clássico de Apropriação também se verificou com o Movimento Hippie, quando a produção artesanal – anticapitalista: individual, artística, voltada à subsistência e referenciando uma contracultura – foi subvertida, subsumida e monetizada na produção capitalista e em escala da Indústria de bijuterias. Ou seja, a produção artesanal, com a Aura presente em cada técnica, foi subvertida pela tecnologia marcante na lógica capitalista da mercadoria, agora na base do valor de troca e do valor de uso.

Assim, vemos no exemplo da cultura Hippie que a Apropriação não apenas desnaturalizou o evento, como ainda, profundamente, levou à sua deturpação, corrosão, disrupção.

Comparativamente, resta claro que o Sincretismo nada tem a ver com a famigerada Apropriação, quando um indivíduo, um grupo, uma instituição, um sistema, se apropriam e deturpam profundamente o significado originário do Outro. Na Apropriação não apenas se nega a origem, como se faz voltar contra essa mesma origem o resultado do que foi corrompido.

A apropriação parte da premissa (consciente ou não, e isso só importa para se estabelecer a culpa ou o dolo) de que tudo é oferta e demanda; logo, se o donatário não se identifica, nada está imune à falta de decoro, de Ética, tanto quanto tudo se subordina aos interesses da acumulação primitiva que há em cada ser social sem consciência de si e dos/as outros/as.

AUTODESCRIÇÃO Manifesto Biopolítico

0

@viniciocarrilhomartinez

O que conta, efetivamente, é que foram e são momentos de afloramento da luta política, de uma Luta pelo Direito, porque invariavelmente estamos imersos, submetidos à luta de classes.

Sendo assim, já realço duas críticas de um velho amigo, que me conhece. Diz ele: “Ficou meio egóico e esqueceu do boteco”. Em minha defesa prévia, posso dizer que – e isso ocorre com todo mundo – foram momentos intensos, intensivos e muitas vezes foram momentos tensos. No entanto, com isso em mente, segue minha autodescrição direta e que é um simples Manifesto Biopolítico, em poucos aspectos:

  1. Sou de esquerda praticamente desde que nasci – ao menos desde que contraí a Pólio (paralisia infantil) aos seis meses de idade e que me afetou a perna esquerda: onde não há coincidência, por suposto, há semelhança. O cérebro acho que ficou legal e a luta contra o Império nunca cessou, assim como aumentou minha identificação com o povo pobre, negro e oprimido – e pela Palestina.
  2. Meu pai era comunista, fichado no antigo DOPS, minha mãe foi professora de língua portuguesa por 30 anos: meu irmão foi meu melhor amigo – ele é, ainda que tenha falecido. Talvez por isso não seja ateu, ainda que deteste as religiões – admiro bastante o Tao të King e o “vazio que ressignifica tudo” (é a origem do que é O virtual: virtus = potência).
  3. Acho que vem daí meu vício em pensar e escrever (agora também gravar). Isso aqui não sei se gosto muito, não. Porém, é por meio disso que expresso minha luta pela democracia, inclusão e acessibilidade, pela proscrição da prescrição, da exceção, e em favor da negação da negação (afirmação), e pela isonomia e equidade.
  4. Sou uma pessoa com deficiência física (PCD) que nunca aceitou os limites impostos, prescritos, e que só não pulou de paraquedas. Provavelmente por isso “eu amo gatos” – por sua independência, autonomia e inteligência. O que mais vejo nesses bichos é a repulsa à rejeição, e da qual sou partícipe.
  5. Sou um homem branco antirracista e antifascista – em que pese o machismo que veio de herança: o qual tento fazer um auto combate diário. Minhas avós e meus avôs vieram paupérrimos da Espanha, fugindo dos falangistas – de Franco e dos seus fascistas tardios.
  6. Sou filho da escolarização, com todos os diplomas e promoções que nem imaginava, antes de conquistar. Publiquei 26 livros.
  7. Fui escolarizado metade em escola pública e metade em escola particular, no modelo bancário, e conheci Paulo Freire apenas por vias indiretas – até que chegou 2024, quando virou uma obsessão uma certa Pedagogia do Oprimido e mesmo que faça críticas pontuais: por exemplo, exerço minha memória o dia inteiro (há memorização de conteúdos sedimentados pela ontologia e guiados pela teleologia).
  8. Nunca tive grandes problemas na escola – só conheci o bullying na vida adulta, praticado por docentes da UFSCar. Porém, isso apenas alimenta minha luta contra a discriminação e o preconceito – e a quem destilo um “capacitismo reverso”: eles nem imaginam o que significa, no entanto, tiro uma, todo dia. Faço isso desde que aprendi a operar um poderoso remédio político-jurídico: contra a canalhice e o acinte, use sem moderação o escárnio e a ironia ácida (e que é dialética, diria Ianni).
  9. Sou servidor público federal, já acostumado à estabilidade, mas que não contempla a paralisia do Poder Público.
  10.  Sou uma pessoa de métodos, a começar pelo Método do meio dia (Ortega Y Gasset – esse tive que puxar pela memória) e pelo Método a contrapelo (Benjamin); todavia, também me aplico (é da natureza) a Serendipidade e a bricolagem, a intuição, a lógica, o Bom Senso (que nem sempre está à mão), a prospecção e a provocação. Com certeza, a crítica e a criatividade estão no coração. Para uma vida, creio que está bom.

Para cada item desses poderia anexar uma publicação pessoal, de artigo, livro ou vídeo, todavia, pensei que aí perderia a graça, ficaria por demais institucionalizado, com o objetivo distorcido pelo cientificismo.

PF prende desembargador relator do caso TH Joias no TRF-2

0

Operação investiga vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho no Rio de Janeiro

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (16), no Rio de Janeiro, o desembargador Macário Judice Neto, relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A detenção ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne 2, que apura o vazamento de informações sigilosas com possível favorecimento ao Comando Vermelho, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A nova fase da operação dá continuidade às investigações que, em etapa anterior, resultaram na prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.

Macário Judice Neto é o magistrado responsável por relatar o processo envolvendo TH Joias, que está preso sob acusação de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. A prisão do desembargador foi efetuada e ele se encontra sob custódia na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O magistrado havia retornado à magistratura em 2023, após um afastamento de 17 anos. À época, foi promovido ao cargo de desembargador, mesmo após um longo período fora das funções judiciais devido a denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. O primeiro afastamento ocorreu em 2005, por decisão do próprio TRF-2, no contexto de uma ação penal que investigava a suposta participação de Macário em um esquema de venda de sentenças quando atuava como juiz federal no Espírito Santo.

As investigações atuais também lançam luz sobre a atuação de pessoas próximas ao desembargador. Sua esposa, Flávia Judice, trabalhou até o início do mês passado no gabinete da diretoria-geral da Alerj. A saída ocorreu quando a apuração que envolve o ex-deputado TH Joias já estava em andamento.

A Operação Unha e Carne 2 segue em curso e mantém sob investigação possíveis conexões entre agentes públicos, o sistema de Justiça e organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.

Do Brasil 247

Lula diz que decisão sobre PL da dosimetria será tomada com foco no Brasil e no momento adequado

Presidente afirma que analisará texto aprovado pela Câmara apenas quando chegar à sua mesa e reafirma apoio a Jorge Messias para o STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só tomará uma decisão sobre o projeto de lei da dosimetria após analisar o texto aprovado pelo Congresso Nacional e garantiu que sua escolha será guiada pelo interesse do país e pela defesa da democracia. “Quando chegar na minha mão, eu vou tomar decisão. Pode ficar certo que eu tomarei a decisão que eu achar que é melhor para o Brasil”, declarou.

As declarações foram dadas em entrevista exclusiva à jornalista Marina Demori, do SBT News, gravada na última sexta-feira, antes do evento de lançamento do canal em São Paulo, e exibida no programa News Noite. Ao longo da conversa, Lula fez um balanço do terceiro ano de seu terceiro mandato, comentou a relação com o Congresso Nacional, tratou da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), falou sobre as eleições de 2026 e abordou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Balanço do governo e marcas do mandato

Ao avaliar seu governo, o presidente destacou políticas sociais e indicadores econômicos como principais marcas do período. Segundo ele, uma das medidas mais relevantes foi a ampliação da isenção do Imposto de Renda.

“A mais sagrada de toda ela foi a redução, foi a invenção de imposto de renda para as pessoas que ganham até R$ 5 mil no Brasil e também para as pessoas que ganham até R$ 7.300, que vai ter um desconto também e vai pagar menos”, afirmou.

Lula também ressaltou a retirada de 33 milhões de brasileiros do mapa da fome, reconhecida pela ONU, e programas voltados à saúde e à renda da população mais pobre. “Nós estamos terminando o terceiro ano com algumas coisas muito importantes: menor desemprego da história do Brasil, a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, a maior massa salarial do Brasil”, disse.

Entre os programas citados, o presidente mencionou a isenção na conta de luz para famílias de baixa renda e o Gás do Povo. “Vamos distribuir gás de graça para mais de 15 milhões de famílias que estão no CadÚnico”, afirmou.

Pesquisas e popularidade

Questionado sobre oscilações em pesquisas de popularidade, Lula minimizou os resultados e afirmou que os efeitos das políticas públicas levam tempo para aparecer.

“Não falta nada, falta o tempo. Quando você planta um pé de soja ou um pé de milho, ele não aparece no dia seguinte”, comparou. Segundo ele, os dois primeiros anos foram dedicados à reconstrução do país. “O ano que vem será o ano da verdade”, afirmou, ao defender que os resultados serão mais visíveis para a população.

Relação com o Congresso e reforma tributária

O presidente negou crise com o Congresso e afirmou manter boa relação com lideranças do Legislativo. “Eu sou amigo do Davi, eu sou amigo do Hugo Motta”, disse, ao comentar a relação com o presidente do Senado.

Lula destacou que o governo aprovou cerca de 99% das propostas enviadas ao Congresso, mesmo com uma base minoritária. “Eu tenho 70 deputados em 513 e nove senadores em 81. E qual é o milagre? É o milagre da democracia, da conversa”, afirmou.

Ele também ressaltou a aprovação da reforma tributária. “Há 40 anos esse país esperava uma reforma tributária e nós fizemos com esse Congresso adverso”, declarou, comparando as dificuldades do presidencialismo em diferentes democracias.

STF, Flávio Dino e independência dos Poderes

Ao comentar decisões do STF, incluindo operações relacionadas às emendas parlamentares, Lula rejeitou qualquer interferência do Executivo sobre a Corte.

“A Suprema Corte é totalmente independente e autônoma e é bom que seja assim. O presidente da República não tem e não quer ter interferência sobre os votos dos ministros”, afirmou. Ele acrescentou que investigações e decisões judiciais cabem exclusivamente ao Judiciário.

PL da dosimetria e defesa da democracia

Sobre o projeto de lei da dosimetria, aprovado pela Câmara e ainda em tramitação, Lula evitou antecipar sua decisão. “Não sei se eu vou vetar. Não conheço sequer a decisão ainda. Deixa chegar a decisão”, disse.

O presidente, no entanto, fez duras críticas a tentativas de ruptura institucional. “O cidadão que tentou dar um golpe nesse país merece ser condenado”, afirmou, ressaltando que a preservação da democracia e o respeito à autonomia dos Poderes serão critérios centrais na análise do texto.

Indicação de Jorge Messias ao STF

Lula reafirmou sua confiança na aprovação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. “Acredito que ele será o ministro da Suprema Corte aprovado pelo Senado”, declarou.

Segundo o presidente, Messias reúne competência técnica e trajetória sólida. “Eu indiquei um advogado muito competente, um advogado-geral da União extraordinário”, afirmou.

Eleições de 2026

Ao falar sobre o cenário eleitoral, Lula disse ser cedo para definições mais claras, mas demonstrou confiança na vitória do campo governista. “A única coisa que eu tenho certeza é que nós vamos ganhar as eleições pelos serviços prestados ao povo brasileiro”, afirmou.

Sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin, Lula disse que ele “será o que ele quiser”. Já sobre possíveis adversários, evitou escolher nomes. “Eu tô preparado para disputar com todos eles de uma vez só”, declarou.

Relação com Donald Trump

Lula também comentou sua relação com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e disse que mantém diálogo direto com o líder norte-americano. “Eu gosto de respeitar e gosto de ser respeitado”, afirmou.

O presidente relatou conversas sobre comércio, democracia e sanções aplicadas a autoridades brasileiras. “Nenhum ministro em lugar do mundo pode ser punido porque cumpriu a Constituição do seu país”, disse, ao relatar que pediu a Trump a revisão dessas medidas.

Segundo Lula, o diálogo tem produzido resultados. “Eu acredito no poder da palavra. A gente vai voltar à normalidade”, afirmou, demonstrando otimismo quanto às relações políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Do Brasil 247

Redução das penas do 8 de janeiro e Orçamento de 2026 dominam pauta do Congresso

Os senadores poderão votar nesta terça-feira (16) a atualização das custas judiciais da Justiça Federal (JF) e a criação de fundos especiais da JF (PL 429/2024), do Ministério Público da União (PL 1.872/2025) e da Defensoria Pública da União (PL 1.881/2025). Estão na pauta de quarta-feira (17), a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica (PL 3.824/2023) e a redução da pena para os condenados do 8 de janeiro (PL 2.162/2023). Na quinta-feira (18), o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), espera votar o Orçamento Geral da União de 2026.

Na pauta do Plenário desta terça-feira estão a atualização dos valores de custas processuais da Justiça Federal e a criação de fundos especiais da Justiça Federal, Ministério Público e da Defensoria Pública da União. Na quarta-feira, o destaque é o projeto que reduz a pena para os reús do dia 8 de janeiro com a condenação pelo crime de golpe de Estado, com pena maior de 4 a 12 anos, sem acumular com o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A proposta ainda permite a mudança de regime após o cumprimento de 16% da pena e não mais 25%.  O vice-líder da oposição, senador Marcos Rogério, do PL de Rondônia, afirmou que o ambiente político ainda não permite a votação da anistia.  (senador Marcos Rogério) “A oposição gostaria de estar votando neste momento um projeto que tratasse da anistia porque teria um alcance muito maior e isso criaria um ambiente de pacificação para o Brasil e afastaria a injustiças que foram cometidas nesse processo. Agora, não sendo possível votar o projeto da anistia, o que é possível votar nesse momento é o projeto que reduz as penas, que é o que o Congresso pode fazer. A dosimetria vai ser estabelecida depois pelo próprio Supremo a partir dessa nova lei”.

Ainda na quarta-feira, o Plenário poderá votar a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica, que tem o objetivo de valorizar a carreira, melhorar a qualidade do ensino e garantir a formação destes profissionais.  Já na quinta-feira, o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, espera votar numa sessão do Congresso Nacional o Orçamento Geral da União de 2026, que prevê um salário mínimo de R$ 1.621 a partir de janeiro do ano que vem. (senador Randolfe Rodrigues) “Vamor ter uma peça orçamentária com responsabilidade fiscal para enfrentar os desafios, mas também para continuar investindo em segurança pública, para continuar investindo em programas sociais que têm feito o Brasil crescer. Com inflação dos alimentos em baixa, com a menor índice de desemprego da série histórica dos últimos 15 anos, com um crescimento robusto da economia em média nesses três anos de 3,5%”.

Além do Orçamento de 2026, estão na pauta do Congresso Nacional 57 vetos. Desses, 52 trancam a pauta, entre eles os que tratam das cotas raciais em concursos públicos e da classificação de Diabetes Tipo 1 como deficiência.

10 motivos para ser de esquerda

0

@viniciocarrilhomartinez

  1. Porque lutamos pela Liberdade, Autonomia e Emancipação Sistêmica – com mudanças significativas, radicais, na raiz dos males sociais, econômicos, culturais, políticos, jurídicos, educacionais. Afinal, nosso Patrono da Educação é Paulo Freire.
  2. Reimplantação do Bolsa Família e o Brasil fora do mapa da fome.
  3. Cultura restabelecida, com ganhos de civilidade.
  4. Enfrentamento diplomático, político, às barreiras econômicas impostas pelos EUA.
  5. Polícia Federal atuando contra o crime organizado, sobretudo, a partir da Faria Lima.
  6. Isenção de IR para quem recebe até 5 salários mínimos. 
  7. Mesmo sofrendo achaques do Congresso Nacional, houve expansão das universidades federais. 
  8. Reposição salarial dos servidores públicos federais, embargados desde 2017.
  9. Enfrentamento e punição severa aos golpistas do 8 de janeiro. 
  10. Respeito à diversidade, ao sincretismo, às diferenças, ao pluralismo, aos anseios do povo pobre, negro e oprimido, aos indígenas e quilombolas, e com muita luta social por mais eficácia das políticas públicas – especialmente em defesa da mulher, com mais inclusão e acessibilidade, e combatendo com determinação as desigualdades, a misoginia, a homofobia, a intolerância, o desrespeito. 

Faça sua lista e distribua.

 

Reforço positivo da democracia

0

Ester Dias da Silva Batista

Na madrugada do dia 10 de dezembro de 2025, enquanto o país dormia, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que previa a redução das penas para os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, bem como pela tentativa e organização do golpe de Estado (AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS, 2025) . A votação ocorreu às surdinas, longe do olhar do povo, e foi marcada por episódios de violência contra jornalistas, além do desligamento do sinal de transmissão das câmeras, comprometendo a transparência de um procedimento que deveria ser essencialmente público.

A escolha da madrugada não é um acaso. A democracia pressupõe participação popular e publicidade das decisões. Quando a população é afastada de deliberações centrais, evidencia-se o esvaziamento do sentido democrático e o funcionamento do poder em circuitos fechados. Nesse contexto, a redução das penas opera como um reforço positivo a práticas antidemocráticas. Ao diminuir as consequências políticas e sociais desses atos, reforça-se a ideia de que o golpe não é uma exceção grave, mas uma possibilidade negociável e, portanto, repetível.

A noção de banalização do mal, proposta por Hannah Arendt, ajuda a compreender esse processo: o mal se instala não pela exceção, mas pela repetição e normalização, até alcançar a indiferença (ARENDT, 1999) . Uma vez naturalizada, essa lógica tende a atravessar outras esferas, legitimando novas violências. A democracia, portanto, como revela a história brasileira, não é desarticulada apenas uma vez. Ela é esfacelada gradativamente, por decisões e madrugadas silenciosas, mas com impactos ensurdecedores que ensinam como ser antidemocrátidco não é algo tão grave ou problemático. Quando isso acontece, o maior risco não é apenas o passado que pode se repetir, mas o futuro autorizar tal repetição.

 

 

O Homem das Cavernas

0

Vi, ouvi, um jurista muito transtornado, absurdado, com o PL da Dosimetria (“dose = dosagem da pena”) porque também seriam beneficiados os presos (igual a quem não está solto) que praticaram estupro ou corrupção do erário.

O PL da Dosimetria colocaria em liberdade, muito antes do tempo previsto (pela decisão condenatória), perpetradores de crimes hediondos. É fato, são crimes abomináveis, próprios do Homem das Cavernas (e obviamente não são as Cavernas de Platão), e merecem, sim, penas que os exculam do convívio social.

Mas, então, dito isso, quer dizer que o crime de Tentativa de golpe de Estado é uma infração mais branda, “leve”, do que tráfico ou corrupção em licitação pública?

Ou seja, crimes sexuais são ações abomináveis (evidentemente que são), mas, o golpe, você pode continuar tentando?

O atentado violento ao Estado Democrático de Direito é tolerável, portanto, desde que o traficante ou o corrupto continuem presos, é isso mesmo?

Pelo ângulo da lógica produzida (sic) na relatoria do PL no Senado, a Tentativa de golpe de Estado e Atentado violento contra o Estado Democrático de Direito, não sendo crimes abomináveis (tipo comum do Abominável Pé Grande), restariam atenuados na Dosimetria parlamentar brasileira, na esteira de uma contravenção – seria uma contravenção política, um “crime menor”. Isto é, nem precisariam ficar presos; afinal, não há potencial de dano significativo à sociedade.

Para esses “intérpretes”, quem tenta a abolição violenta do Estado Democrático de Direito?
Ora, são apenas os “cidadãos de bem”.

Então, que mal tem?

Essa lógica, realmente, não é desse planeta.

Vinício Carrilho Martinez

A corrupção tem lado: e não é o que o discurso moralista da direita quer que você acredite

Por: Édson Silveira
Há 20 anos a direita brasileira grita “corrupção!”, “mensalão!”, “petismo!”, “comunismo!”, como se a esquerda fosse a madrinha de todo desvio de verba já praticado no território nacional. Mas basta olhar os dados — mesmo num levantamento preliminar — para perceber que esse discurso é o maior ato de ilusionismo já visto no picadeiro político do país.
É oficial: se corrupção tivesse CPF ideológico, estaria registrado como DIREITA e CENTRO-DIREITA.
A esquerda até aparece na lista? Claro, ninguém está dizendo que é um convento franciscano.
Mas comparar o volume, a repetição e a densidade dos escândalos é como comparar um copo d’água com a pororoca.
A direita é simplesmente muito, muito melhor em produzir escândalos de corrupção.
É quase um patrimônio histórico, uma indústria, uma tradição familiar — algo que passa de geração para geração.
QUER NÚMEROS? ENTÃO SEGURA.
Nos últimos 20 anos:
• Enquanto esquerda e centro-esquerda aparecem com casos pontuais — quase sempre hiperexpostos e politizados —,
• DIREITA E CENTRO-DIREITA DOMINAM A LISTA, LIDERAM EM QUANTIDADE, EM RÉUS, EM CONDENAÇÕES E EM CRIATIVIDADE NOS ESQUEMAS.
PP, PR, PTB, PL, DEM/União e seus derivados são verdadeiras fábricas de escândalos.
Cada um em especialidades distintas: caixa dois, peculato, propina, rachadinha, esquema em ministério, esquema em prefeitura, esquema em estatal — um buffet variado para todos os gostos.
É impressionante:
onde se olha, há um político de direita ou centro-direita envolvido em corrupção — exceto, talvez, quando estão ocupados acusando a esquerda.
O CINISMO COMO ESTRATÉGIA
O mais fascinante é a habilidade que a direita tem de transformar suas próprias práticas em discurso moralista contra o outro.
É uma espécie de lavagem ideológica: eles praticam, eles acusam, eles apontam o dedo, eles sobem no carro de som…
E depois vêm os dados e mostram que os campeões nacionais da corrupção vestem azul, verde e amarelo, não vermelho.
É a velha história:
Quem mais grita “ladrão!” geralmente está tentando encobrir o barulho do cofre que está carregando.
E O CENTRO-DIREITA? AH, O CENTRO-DIREITA…
O centro-direita é aquele setor político que aparece na festa sem ser convidado, tira foto abraçado com todo mundo e depois, quando a polícia chega, finge que estava só passando pela calçada.
Mas basta olhar as condenações para descobrir que MDB, PSD, DEM/União e satélites afins são parte central da engrenagem da corrupção parlamentar.
É o famoso bloco da “governabilidade”, aquele que topa qualquer coisa — desde que o contrato esteja certo.
E quando o escândalo estoura?
Ninguém sabia. Ninguém viu. Ninguém assinou. Ninguém participou.
A direita é barulhenta na corrupção.
O centro-direita é silencioso.
Mas ambos são constantes.
E A ESQUERDA?
Sim, há casos — poucos e isolados.
Na esquerda, quando alguém erra, vira manchete internacional.
Na direita, quando alguém erra, vira rotina.
A diferença é gritante:
• Na esquerda, a corrupção gera crise interna, desgaste, punição e autocrítica.
• Na direita, gera reeleição, live comemorativa e discurso “política é assim mesmo”.
Não dá para comparar.
Não dá para colocar no mesmo saco.
Não dá para fingir simetria onde NÃO EXISTE.
A CORRUPÇÃO NO BRASIL TEM LADO — E É IMPORTANTE DIZER QUAL.
A tentativa de transformar corrupção em “problema generalizado de todos” é conveniente para quem domina a máquina que produz corrupção há décadas.
É útil para quem depende dela.
É confortável para quem lucra com ela.
Mas os dados apontam para algo cristalino:
A direita brasileira é a principal responsável pelos maiores escândalos de corrupção do parlamento.
E o centro-direita é o sócio silencioso do esquema.
A esquerda, com seus erros, está longe de ser protagonista dessa história — mas é sempre tratada como vilã principal por quem domina a narrativa e a máquina de escândalos.
RESUMO DO BRASIL
A corrupção não é um fenômeno igualitário, bilateral ou simétrico.
Ela é estruturalmente concentrada na direita — e esse fato é tão óbvio que só passa despercebido porque a própria direita grita mais alto do que os números.
Se corrupção fosse doença, a direita seria surto epidêmico.
O centro-direita seria transmissor silencioso.
A esquerda seria caso isolado.
E o povo brasileiro?
Esse continua sendo o paciente que paga a conta do hospital.
✍️ Edson Silveira — advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.

VIDEO SBT conseguiu reunir a República num ambiente de paz e distensão política

Lançamento do SBT News, em São Paulo, pode ter sido o ponto de virada da radicalização política no Brasil

O lançamento do SBT News nesta sexta-feira 12, dia em que Silvio Santos completaria 95 anos, poderia ter sido apenas a cerimônia de chegada de uma nova empresa de comunicação a um mercado já extremamente competitivo, mas teve um significado maior. Por uma coincidência astral, ocorreu poucas horas depois do anúncio de que o governo dos Estados Unidos estava eliminando suas sanções baseadas na Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, com destaque especial para o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, que era uma das autoridades presentes. Ou seja: o clima já era de celebração e distensão. No entanto, o SBT conseguiu também reunir protagonistas de campos opostos da política e eventuais adversários em 2026, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Tarcísio de Freitas, num ambiente de paz, harmonia e distensão política. “Talvez estejamos tendo aqui um ponto de virada”, disse a mim, numa das rodas de conversa, Patrícia Abravanel, uma das filhas de Sílvio Santos.

A construção do SBT News ocorreu em tempo praticamente recorde. Numa missão delegada ao ex-deputado Fábio Faria, genro de Silvio Santos casado com Patrícia, o canal foi construído em apenas 72 dias e ficará sob a liderança do experiente jornalista Leandro Cipoloni, que já havia montado a equipe da CNN Brasil. Com programação diária de 20 horas, o canal nasce com sustentabilidade financeira, depois de ter fechado cotas de patrocínio com grupos privados como JBS, Havan, EMS, TIM, Amil, BYD, BTG Pactual e Cedro Participações, e chega para disputar a atenção do público que hoje se divide entre Globonews, Jovem Pan e CNN – e também com veículos de posição política mais clara, como é o caso da TV 247. Ao subir ao palco, Fábio Faria exaltou a “simplicidade” de Silvio Santos como legado maior do fundador do SBT.

Um ambiente de distensão política

No campo da política, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu que o Brasil fortaleça pontes de diálogo entre campos opostos e debata as eventuais divergências políticas, no momento adequado – e de forma civilizada. A quem lhe perguntou, Tarcísio não escondeu que seu projeto, neste momento, é buscar a reeleição no estado de São Paulo – e não a presidência da República. “O Brasil sempre foi o país da união, do sincretismo e do diálogo”, disse ele. “Não podemos mais ver famílias se dividindo e amigos se afastando por razões políticas”. Um de seus principais aliados, Gilberto Kassab, do PSD, confirmou que o cenário predominante é de reeleição de Tarcísio em São Paulo e avaliou que após a entrada Flávio Bolsonaro na disputa, a tendência é a de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, dispute a presidência pela centro-direita.

Também presente, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pediu a ajuda do governo federal para cobrar maior responsabilidade da empresa italiana Enel, distribuidora de energia em São Paulo e responsável direta pelos apagões recentes, que deixaram milhões de pessoas sem luz na capital paulista e provocaram um caos aéreo em todo o País. Hoje, tanto Ricardo Nunes como Tarcísio de Freitas cobram do governo federal a cassação da concessão da Enel – posição que contrasta com a do governo federal.

Do lado do governo Lula, estiveram presentes o próprio presidente da República, a primeira-dama Rosângela Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado para a suprema corte, assim como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, acompanhado de seu secretário-executivo, Manoel Carlos. Pelo Supremo Tribunal Federal, além de Alexandre de Moraes, marcou presença o decano da corte, Alexandre de Moraes. Pelo Tribunal de Contas da União, marcou presença o ministro Bruno Dantas.

Antes do evento em si, o presidente Lula concedeu uma entrevista ao SBT News, sinalizando que não irá influenciar na dosimetria da pena dos condenados pelo 8 de janeiro. “Uma pessoa que tentou dar um golpe de estado neste País merece ser condenada. Mas eu não vi os detalhes do processo e não vou opinar sobre quanto tempo ele deve ficar preso”, afirmou. Fernando Haddad também confirmou que, em 2026, quer se dedicar mais à formulação do plano de governo do eventual quarto mandato de Lula. “Tudo que eu me comprometi a entregar como ministro da Fazenda foi entregue. Temos inflação na meta, crescimento, emprego recorde e estabilidade macroeconômica. A economia não será um problema no ano eleitoral”, disse ele, que também confirmou a intenção de deixar o ministério da Fazenda, mesmo sem o desejo de disputar eleições em 2026.

O novo momento da política brasileira

A presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, agradeceu a presença das autoridades no evento e indicou a inspiração da empresa para a nova iniciativa. “Estamos comprometidos a entregar um jornalismo com qualidade, responsabilidade, imparcialidade, excelência e veracidade”, afirmou, destacando que estes foram os princípios de seu pai, Silvio Santos. Em suas falas, Ricardo Nunes, Tarcísio de Freitas, Geraldo Alckmin e o presidente Lula recordaram suas memórias afetivas com Sílvio Santos. Alckmin chegou inclusive a lembrar do episódio do sequestro do empresário, quando ele, então governador de São Paulo, atuou diretamente para a sua libertação, e lembrou da frase de Silvio Santos, ainda no cativeiro, sobre o sequestrador. “É uma pessoa boa, governador, e se comprometeu a fazer uma universidade”.

No fim do evento, um Silvio Santos trazido ao palco pela inteligência artificial agradeceu a sua família pela chegada do SBT News, que estreia nesta segunda-feira, dia 15. E de todos os convidados presentes, é necessário destacar a presença de Ronaldo Fenômeno, o maior atacante da história do futebol brasileiro, pentacampeão em 2022, que distribuiu simpatia. A mim, ele disse estar muito confiante na seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, para a conquista do hexa em 2026. Numa roda de conversa, com o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, todos apostaram na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Para que isso ocorra, a equipe paulista ainda terá que superar o Cruzeiro na semifinal e Vasco ou Fluminense na grande final. Na noite de ontem, o Brasil parecia respirar ares de civilidade e normalidade institucional.

Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno
Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno(Photo: Ricardo Stuckert)

Do Brasil 247

Esquerda vai às ruas no domingo (14) contra PL da Dosimetria, que beneficia golpistas do 8 de janeiro; veja lista de atos

População é convocada a protestar contra projeto que reduz penas para Bolsonaro e demais condenados do 8 de janeiro

A população brasileira voltará às ruas neste domingo (14), em diversas capitais e cidades do país, para denunciar o que movimentos populares classificam como mais um ataque à democracia por parte do Congresso Nacional. A aprovação do chamado Projeto de Lei da Dosimetria, na madrugada da última quarta-feira (10), provocou reações imediatas. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocam manifestações em todo o país com o mote “Sem anistia para golpistas!”.

A mobilização acontece uma semana após os protestos do levante Mulheres Vivas, que reuniram milhares de pessoas em dezenas de cidades para denunciar a violência de gênero e os altos índices de feminicídio. Os organizadores dos atos deste domingo afirmam que a retomada das ruas é uma resposta direta ao Congresso e à tentativa de reduzir penas de envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Para Camila Moraes, da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude e secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), o chamado às ruas no dia 14 fecha um ciclo de retomada da mobilização popular. “Nós precisamos dar uma resposta nas ruas, assim como fizemos com os atos do dia 21 de setembro. Derrubamos a PEC da bandidagem porque fomos para a rua. Se queremos derrubar a PEC da Dosimetria, temos que nos mobilizar mais uma vez”, afirmou.

Ana Carolina Vasconcelos, da coordenação nacional do Movimento Brasil Popular, destaca que a mobilização é também um recado sobre os desafios do próximo período. “A população brasileira está de olho na dinâmica política e não aceita a forma autoritária como a extrema direita e o Centrão têm tentado implementar sua agenda no Legislativo”, afirma. Segundo ela, a organização popular será fundamental para enfrentar o avanço do neoliberalismo e construir vitórias nas eleições de 2026.

“Mais uma vez é uma tentativa da continuidade do golpe”, afirma Milton Rezende, o Miltinho, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Estão trabalhando novamente para dar um golpe parlamentar e anistiar Bolsonaro e os criminosos do 8 de janeiro.”

Segundo ele, o Congresso deveria estar discutindo pautas de interesse do povo, como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

Entenda o que está em jogo com o PL da dosimetria

O PL da Dosimetria foi aprovado pela Câmara dos Deputados às 2h26 da madrugada de quarta-feira (10), com 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção. Apresentado pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o texto altera as regras de cálculo das penas em crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Na prática, o projeto impede o acúmulo de penas para crimes correlatos e estabelece que a progressão de regime possa ocorrer após o cumprimento de apenas um sexto da pena em regime fechado. No caso de Bolsonaro, por exemplo, condenado a 27 anos e três meses, a nova regra poderia permitir a saída da prisão em pouco mais de dois anos. O texto também prevê benefícios para réus que usaram tornozeleira eletrônica e permite converter dias de trabalho em redução de pena.

Apesar de seus defensores negarem que o projeto represente uma anistia, o entendimento de juristas, parlamentares que se opõem à proposta e movimentos populares é de que se trata de uma manobra para evitar a responsabilização pelos atos de 8 de janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só tomará uma decisão sobre o veto quando o texto chegar ao Executivo, mas reiterou que Bolsonaro foi preso “porque tentou fazer uma coisa muito grave”, como atentar contra a vida de autoridades e planejar um golpe de Estado.

A sessão de votação foi marcada por episódios de violência e repressão. O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) foi retirado à força do plenário após denunciar a pauta. O sinal da TV Câmara foi cortado durante a sessão, em um episódio sem precedentes desde a redemocratização. Para os movimentos populares, isso apenas reforça a avaliação de que o Congresso atua descolado da sociedade.

O texto agora segue para o Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já indicou que pode levar o projeto diretamente ao plenário, acelerando sua tramitação.

Veja onde acontecem os atos no domingo (14)

Norte

  • Porto Velho (RO): 15h – Praça da Estrada de Ferro
  • Manaus (AM): 9h – Faixa liberada da avenida Getúlio Vargas

Nordeste

  • Fortaleza (CE): 15h – Praia de Iracema, 1750 (Espigão da Rui Barbosa)
  • João Pessoa (PB): 9h – Busto de Tamandaré
  • Recife (PE): 14h – Rua da Aurora
  • Natal (RN): 9h – Av. Roberto Freire, em frente ao Ferreira Costa
  • São Luís (MA): 9h – Largo do Carmo

Centro-Oeste

  • Brasília (DF): 9h – Concentração no Museu da República, com marcha rumo ao Congresso às 10h
  • Campo Grande (MS): 8h – Avenida Afonso Pena com 14 de Julho

Sudeste

  • São Paulo (SP): 14h – MASP (Avenida Paulista)
  • Campinas (SP): 9h – Largo do Pará (a confirmar)
  • Araçatuba (SP): 9h – Câmara Municipal
  • Botucatu (SP): 10h – Em frente à EECA
  • Ribeirão Preto (SP): 15h30 – Esplanada Pedro II
  • Rio de Janeiro (RJ): 13h – Posto 5 de Copacabana
  • Belo Horizonte (MG): 9h – Praça Raul Soares
  • Uberlândia (MG): 9h30 – Praça Clarimundo Carneiro
  • Vitória (ES): 16h – UFES

Sul

  • Porto Alegre (RS): 14h – Arcos da Redenção
  • Florianópolis (SC): 9h30 – Ponte Hercílio Luz (lado ilha)
  • Joinville (SC): 17h – Praça Nereu Ramos
  • Curitiba (PR): 14h – Boca Maldita
Editado por: Maria Teresa Cruz

PL da Dosimetria abre ‘porta do inferno’ e incentiva novos golpes, avalia cientista político

Para Paulo Ramirez, aprovação na Câmara que reduz punição de Bolsonaro ‘é um convite’ a rupturas democráticas

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez avaliou que o texto do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, aprovado pela Câmara na madrugada desta quarta-feira (10), foi construído “de uma forma a favorecer o [ex-presidente Jair] Bolsonaro (PL), os bolsonaristas, todos os mentores da trama do 8 de janeiro”. Para ele, a proposta é “uma forma de anistia” e uma tentativa de reduzir o tempo de prisão do ex-presidente, condenado e preso por tentativa de golpe. Ramirez indicou que, caso o texto avance nas demais instâncias, “a pena de Bolsonaro irá cair mais ou menos para dois anos”.

Ramirez destacou que “série de confusões” ocorrida em meio à votação ajudou a “retirar o peso da aprovação que a Câmara fez”. Ele alertou que o projeto funcionou como um sinal verde para novas rupturas. “É um convite aos cidadãos brasileiros que queiram fazer um golpe de Estado”, criticou.

Segundo o professor, o país vive “um período de uma relativização do fascismo, do autoritarismo” e a aprovação do PL reforça esse movimento. Para ele, “uma redução da pena do Bolsonaro significa dizer que a porta do inferno está aberta”.

O cientista político afirmou que, ao estabelecer punições mais brandas, o texto deixa uma brecha para “outras possibilidades de golpe estão por vir”, já que futuros golpistas poderiam prever “no máximo, presos dois, três anos, não mais que isso”.

Para ele, o relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), “mancha a sua imagem ao aderir à pressão, principalmente do [ex-presidente] Michel Temer (MDB), que também deu um golpe de Estado parlamentar contra [a ex-presidente] Dilma Rousseff (PT)”.

O professor descreveu o ambiente no Congresso como dominado por “pessoas que flertam com o fascismo”, com uma direita que busca “derrubar [o governo Lula] de todas as formas” ao obstruir propostas importantes para o país. Conforme Ramirez, esse cenário contribui para a ingovernabilidade e revela o peso das alianças feitas pelo PT com setores conservadores.

Apesar disso, ele apontou que “cada deputado que votou a favor dessa mudança na dosimetria estampará na testa a ideia de que são golpistas”, avaliando que esse será um elemento central das campanhas das eleições de 2026.

Ramirez defendeu que os partidos progressistas se reorganizem e usem a disputa de narrativas a seu favor. “Agora é o momento das esquerdas pensarem mais na campanha do PT do que na própria República”, sugeriu, destacando que pesquisas apontam Lula como “virtual vencedor”.

Brasil de Fato

São Paulo pratica a deseducação

0

Izabela Victória Pereira – graduanda em Filosofia/UFSCar

De acordo com o jornal Intercept Brasil, a pressão exercida pela gestão estadual nas escolas tem provocado um ambiente de intenso adoecimento, afetando professores, professoras, diretores e até alunos. Apontam-se no noticiário as condições precárias para professores no ensino público do estado de São Paulo; após em 2024, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, implementou um sistema rigoroso de metas baseado no desempenho dos estudantes, incluindo a obrigatoriedade do uso de plataformas digitais de ensino. Segundo o jornal, o programa, desenvolvido pelo secretário de Educação Renato Feder, tinha como objetivo, teoricamente, aplicar uma abordagem inspirada em práticas de mercado para aumentar a eficiência e os resultados da educação pública. Na prática, porém, a pressão intensa tem provocado um aumento significativo de problemas de saúde entre diretores, professores e alunos, revelando um contraste entre a intenção do programa e seus efeitos reais. Alguns vieram a óbito.

Dentro da atual gestão estadual, o maior número de docentes na educação pública pertence à Categoria O, na qual existe um contrato anual com uma série de regulamentações incompreensíveis, como por exemplo a RESOLUÇÃO SEDUC Nº 97, DE 26 DE JUNHO DE 2025. Professores da Categoria O, que trabalham sob esse contrato, têm direito a até seis ausências médicas justificadas por ano, limitadas a uma por mês para não sofrerem descontos. No entanto, afastamentos por períodos maiores precisam ser comprovados com documentação específica por meio de perícia. Caso contrário, o docente estará impossibilitado de renovar seu contrato para o próximo ano ou pegar atribuições em escolas PEI.

Considerando que grande parte dos docentes da rede pública pertence à Categoria O, torna-se inviável a participação desses profissionais em greves por melhores condições de trabalho. Isso ocorre porque eles correm o risco de não serem reconduzidos no ano seguinte e, atracados, acabam sendo convocados para substituir os professores efetivos durante os períodos de paralisação.

Outro exemplo é o afastamento de docentes do Projeto Sala de Leitura. Segundo a reportagem, veiculada pelo jornal UOL, em fevereiro, uma professora do interior de São Paulo apresentou um atestado médico de sete dias, após ter sido diagnosticada com Covid-19, e mesmo assim foi afastada do projeto com a imposição do art.29 da RESOLUÇÃO SEDUC 95/2024.

Uma temática relevante, pertinente, é o uso obrigatório de plataformas digitais de ensino, inclusive como avaliação do desempenho de professores e alunos. Nessas plataformas, os professores devem se basear apenas no conteúdo oferecido digitalmente, e que no final do ano são cobrados na prova do governo Saresp e Provão Paulista, e com tempo monitorado de permanência em cada slide. Há um cronômetro indicando o tempo máximo de exposição de cada conteúdo.

Em outra matéria, publicada pelo jornal G1 dia 31 de agosto de 2023, revela-se que docentes da rede estadual têm reportado que o material didático digital produzido pela Secretaria da Educação, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, e disponibilizado a professores e estudantes do ensino fundamental, apresenta inconsistências significativas em múltiplas áreas do conhecimento, incluindo história, biologia e matemática. Diante desses relatos, alguns conteúdos apresentam erros graves, como afirmar que a cidade de São Paulo tem praia ou sugerir, de forma equivocada, que a doença de Parkinson pode ser transmitida pela água.

O que só evidencia o enfraquecimento e a falha estrutural da educação básica pública no estado de São Paulo, pois, as plataformas aumentam a carga de trabalho, reduzem a autonomia intelectual dos profissionais da educação e geram resultados pouco significativos em relação à melhoria da aprendizagem dos estudantes. Enquanto uma parcela da sociedade adere ao discurso de “inovação tecnológica e investimento educacional”, associado ao uso das plataformas digitais, a realidade comprova o oposto disso.

No final deste ano, o secretário Renato Feder implementou um procedimento de avaliação dos professores, na RESOLUÇÃO SEDUC Nº 146. É baseado em um sistema de cores semelhante a um semáforo: verde para aqueles cujo desempenho dos alunos nas plataformas digitais foi considerado alto, amarelo para desempenho intermediário e vermelho para baixo desempenho. Apenas os docentes classificados na cor verde terão pontos suficientes para escolher as escolas nas quais atuarão em 2026, e os amarelos e vermelhos poderão ser barrados por diretores.

Cabe ressaltar que esse sistema se fundamenta em plataformas digitais que apresentam inconsistências significativas, o que compromete a confiabilidade das avaliações. Além disso tudo, é óbvio, os resultados insatisfatórios dos alunos podem decorrer de múltiplos fatores, mas o modelo atribui a responsabilidade exclusivamente ao professor, restringindo sua autonomia. Some-se ainda o fato de que os profissionais classificados na cor vermelha, em especial aqueles da categoria O, correm o risco de não terem atribuição de aulas, evidenciando-se uma política que impõe penalizações severas sem considerar o contexto educativo mais amplo.

No contexto das políticas públicas de educação no Brasil, observa-se a crescente influência de empresários, fundações privadas e grandes grupos educacionais. Apesar de defenderem valores como diversidade, equidade e autonomia, essas organizações concentram-se na oferta de soluções pedagógicas padronizadas, ao mesmo tempo em que obtêm ganhos financeiros a partir das fragilidades e da precarização do sistema público de ensino. Paralelamente, a figura do professor tem sido enfraquecida por duas forças: de um lado, borbulham narrativas conservadoras que questionam sua legitimidade e, de outro, consagra-se a lógica neoliberal que precariza sua carreira, reduzindo-o a mero executor de metas.

Sabemos que o oposto disso é o que faz sentido, afinal, a autoridade do/a professor/a emerge da relação ética com os estudantes e do compromisso com a transmissão do conhecimento e a formação crítica dos indivíduos.

Referências:

https://educacao.uol.com.br/noticias/2025/10/03/professor-sala-leitura-governo-sp-dispensa.htm?utm_source=whatsapp-network&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/08/31/rede-estadual-de-sp-ensina-que-capital-paulista-tem-praia-e-agua-pode-transmitir-parkinson-secretaria-diz-que-retificou-erros.ghtml

https://www.brasildefato.com.br/2025/12/02/plataformas-obrigatorias-em-sp-servem-para-controlar-professor-e-pioram-ensino-diz-educador/

https://search.app/rqt5d

Negação da acessibilidade – Alienação ou teorética?

0

@viniciocarrilhomartinez

Todos os teoréticos são infames, mas alguns são piores – porque “sabem o mínimo sobre a sua ‘consciência”, aquela que se pergunta: é um copo meio cheio ou meio vazio”? Se for meio cheio é pior, porque deveriam “saber o que fazer” – mas não fazem, porque copiam uma “meia verdade” (sendo essa, invariavelmente, uma mentira inteira). A teorética é uma ideologia vazia, imóvel.

Darei três exemplos concretos do que quero explicar:

  1. Tive um aluno de licenciatura em física (absurdamente aplicado e inteligente) com uma grande, acentuada deficiência de locomoção. Porém, ele descia do Restaurante Universitário a pé, pra assistir aula (1 km mais ou menos). A minha pergunta nesse caso é: quando esse rapaz pôde fazer um experimento no nosso “observatório intergalático”? Nunca. Eu mesmo mal cheguei a subir as escadas, imagina ele – que a formação exige.
  2. O outro exemplo é uma pergunta ainda mais simples: onde é que colocaram piso antiderrapante na UFSCar? Na minha casa tem em todos os cômodos, no corredor externo e na calçada também. Aliás, na calçada o antiderrapante é ainda mais rústico, porque não quero que ninguém escorregue num dia de chuva.
  3. Por falar em chuva, em dias abundantes não posso realizar o meu trabalho. No dia 09/12 (terça-feira) tive que faltar, porque as rampas que deveria acessar viram ondas de água, uma verdadeira aquaplanagem.

 

Falei que vou ensinar o que é acessibilidade, mas será longe dos papagaios da teorética.

Talvez até faça outro doutorado, nisso, ou me candidate à vereança.

No entanto, esse longínquo “novo” doutorado será só redundante: já fiz dois. E porque a minha teoria é a minha vida, e não preciso de teorética nenhuma para me explicar o óbvio.

E sabem qual é o óbvio ululante?

As pessoas teoréticas querem que você se lixe, junto com a acusação de que, na prática, elas negam a acessibilidade. E é por isso que nunca moveram uma palha para mudar o mínimo.

De fato, acessar o óbvio não é para qualquer pessoa.

Afinal, acessar o óbvio exige uma racionalidade, lógica, e bem mais do que a vã teorética.

 

‘Vitória do respeito ao STF’: Lindbergh celebra a cassação do mandato de Zambelli

O deputado Lindbergh Farias celebrou nesta quinta-feira (11), em publicação no X, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a cassação imediata do mandato de Carla Zambelli. Na postagem, ele afirmou: “É uma vitória do Estado de Direito, da separação de Poderes e do respeito às sentenças definitivas do Supremo Tribunal Federal”, destacando que o dispositivo aplicado foi o artigo 55, parágrafo 3°.

A decisão foi tomada após Moraes invalidar a deliberação realizada pela Câmara na quarta-feira (10). Lindbergh também escreveu: “o Plenário da Câmara não pode rever, relativizar ou descumprir efeito automático decorrente de condenação criminal”, ao comentar o despacho divulgado pela Corte.

No despacho, Moraes citou que a decisão do STF no processo criminal já havia definido os efeitos da condenação de Zambelli. O ministro destacou que não cabia nova deliberação parlamentar sobre matéria cujo resultado já estava fixado, razão pela qual o ato da Câmara foi considerado nulo.

O ministro determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, dê posse ao suplente da deputada no prazo de até 48 horas. O despacho também orienta que as áreas administrativas adotem os trâmites necessários para formalização da vacância e substituição parlamentar.

Além disso, Moraes solicitou que o ministro Flávio Dino convoque sessão do Plenário Virtual nesta sexta-feira (12) para análise do referendo da medida. A comunicação foi encaminhada à Câmara para início dos trâmites previstos pelo Supremo.

Lindbergh afirmou que seguirá acompanhando o cumprimento da decisão divulgada no sistema do STF na noite desta quinta-feira (11). O deputado registrou que a determinação passa a ser executada após confirmação formal ao Legislativo.

Diario do Centro do Mundo

Moraes invalida votação da Câmara e determina perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Ministro do STF diz que deliberação da Câmara violou a Constituição e ordena posse do suplente em até 48 horas

 A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação realizada pela Câmara dos Deputados que havia rejeitado a cassação de Carla Zambelli (PL-SP).  Segundo o G1, Moraes restabeleceu a perda do mandato após concluir que a votação da Câmara contrariou a Constituição. A parlamentar, condenada a dez anos de prisão pelo STF e presa na Itália, havia sido mantida no cargo em sessão realizada na quarta-feira (10).

Votação da Câmara é anulada

Na decisão, Moraes afirmou que o Legislativo não possui autonomia para reverter a cassação quando há condenação criminal definitiva. Para o ministro, a função da Câmara, nesses casos, restringe-se a formalizar a perda do mandato.

Ele escreveu: “Na presente hipótese, em respeito à Constituição Federal, é o Poder Judiciário quem determina a perda do mandato parlamentar condenado criminalmente com trânsito em julgado, cabendo à Mesa da Câmara dos Deputados, nos termos do §3º do artigo 55 da Constituição Federal, tão somente DECLARAR A PERDA DO MANDATO, ou seja, editar ato administrativo vinculado”.

Moraes aponta violação constitucional

O ministro classificou a deliberação do plenário que manteve a deputada no cargo como uma decisão que “ocorreu em clara violação” à Constituição. Por isso, determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficialize a perda do mandato e dê posse ao suplente em até 48 horas.

Câmara deve empossar suplente

A sessão anulada registrou 227 votos a favor da cassação e 170 contrários, além de dez abstenções. O número, contudo, não atingiu os 257 votos necessários para afastar a parlamentar, o que levou à manutenção do mandato agora invalidado pelo STF.

Do Brasil 247

Aula no Instagram

0

@viniciocarrilhomartinez

Depois de quase uma década, recuperei minha conta no Instagram. Parei de usar porque meu trabalho à época tirava o pouco de tempo e de energia que tinha.
Também estacionei essas mídias porque era o começo do grande fluxo das redes antissociais.
Hoje são piores do que naquela época, mas, eu mudei um pouco.
Fiz o que tinha que fazer e, hoje, faço as mesmas coisas com um quinto do tempo. Então, tenho tempo e vontade para voltar a esse Instagram.
Como mudei, de lá pra cá, não posto meus passeios, guloseimas, roupa nova ou as bijuterias baratas da vida.
Posto o que chamei de “mini aulas digitais”. Estou numa fase progressiva de comunicação, difusão, popularização do pouco conhecimento que adquiri.
Com isso, curiosamente, voltei um pouco ao meu primeiro emprego: jornalista fazendo cobertura de cultura e educação, no Jornal da Manhã – em Marília/SP.
Hoje também não moro em Marília e não segui a carreira do jornalismo, porém, a mosca azul sempre esteve no sangue.
Enfim, meu “novo” Instagram tem esse objetivo, essa pegada oposta ao que rola nas redes antissociais.
Se quiser participar, apareça por lá!

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

0

A obsolescência política (desumanização)

 Ester Dias da Silva Batista, acadêmica do curso de Biologia da UFSCar

 Como a expansão das tecnologias e inteligências artificiais, apresentadas como avanços revolucionários, coexistem com a intensificação das violências sociais, especialmente de gênero, revelando a abdicação da autonomia humana e a transformação da ação coletiva em tendências virais?

    Apesar da propagada “revolução” das tecnologias digitais, o que vemos efetivamente é a permanência das estruturas sociais, uma reprodução dos desejos e anseios vigentes, utilizando-se da tecnologia como meio de propagação dessas concepções. Nos últimos dias, os inúmeros casos de violência contra as mulheres têm demonstrado isso: nas redes, a violência é normalizada, e mesmo em publicações que buscam denunciá-la, a culpabilização da vítima permanece frequente, evidenciando-se que o avanço técnico não é acompanhado por desenvolvimento ético ou político. Como propõe Rita Segato[1], a violência de gênero é uma mensagem social, um sintoma da fragilidade das instâncias de proteção e da permanência do patriarcado. Ao mesmo tempo, a aparente neutralidade das máquinas mascara o fato de que elas apenas reproduzem decisões e omissões humanas. Por tal razão, a tecnologia não supera a falha humana, ela apenas a automatiza.

Paralelamente a isso, práticas sociais que antes mobilizavam sujeitos politicamente engajados, como as lutas estudantis históricas do Brasil, que, de fato, sabiam por quais motivos estavam lutando e não seguiam modismos apenas para ganhar curtidas, são agora substituídas por dinâmicas virais, pautadas muito mais pela busca de pertencimento ao ambiente das redes sociais, do que por movimentos efetivamente coletivos de transformação. Como observa Byung-Chul Han[2], a cultura digital estimula uma participação acelerada e pouco reflexiva, produzindo “modinhas revolucionárias” que esvaziam o sentido histórico de revolução. Nesse cenário, a delegação da responsabilidade política às máquinas não anuncia uma revolução, mas sim a obsolescência política, uma vez que as instituições se tornam incapazes de enfrentar violências estruturais e sujeitos cada vez menos conscientes de seu próprio papel histórico.

[1] SEGATO, Rita Laura. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficantes de Sueños, 2016.

[2] HAN, Byung-Chul. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018.

Conceito de Capitalismo digital

0

@viniciocarrilhomartinez

Esse conceito não se fecha, é dinâmico, assim como está em permanente transformação a realidade contemporânea – entre o passado e o presente[1]. No entanto, resumidamente, devemos entender o Capitalismo digital a partir do sistema produtivo do capital que aprimora formas de extrema precarização e exploração da força de trabalho (uberização, pejotização, terceirização) em conjunto ativo com formações econômicas pré-capitalistas[2]: exploração do trabalho análoga à escravidão.

No caso brasileiro, some-se o racismo recalcitrante e, então, teremos a vigência de um Pensamento Escravista: “modernidade colonial” que coleciona o racismo e a exploração do trabalho escravo. Desde 1930[3], o Brasil conhece(u) a industrialização, o processo de substituição de importações, o Plano de Metas e a subsequente modernização tardia: hoje, a robotização é presente nas maiores indústrias instaladas no país. Porém, os níveis de desindustrialização são crescentes e alarmantes.

O que nos traz à atualidade do dominante rentismo (sistema financeiro especulativo e improdutivo de valor agregado, marcante nos trading das Bolsas de Valores[4]) e ao denominado Capitalismo de dados[5]: a platamorfização da vida social e sua intensa monetização também se desdobra na exploração digital do trabalho infantil (preconizando-se uma forçosa “adultização”).

Na ordem da manifestação política, instaladas e representadas, as Bets, as Big Techs, as Big Datas/Data centers se alinham aos Bancos (e Fintechs) e às tradicionais bancadas da bala, do boi e da bíblia. Como frações de classe, nem sempre esses interesses estão alinhados; porém, quando estão, perfilam politicamente os Grupos Hegemônicos de Poder[6].

Neste cenário, o que ainda guardamos do passado tinhoso (patrimonialismo, patriarcalismo) é a Revolução Burguesa vinda do alto (autocracia), com a vigência renovada e plenificada do racismo institucional e do capacitismo, sem a eficácia do Estado de Direito e da isonomia[7].

Em 2026, 10 anos após o Golpe de Estado de 2016[8] e depois de Pablo Marçal regurgitar o pior Tecnofascismo germinado nas redes antissociais, deveremos ter a primeira eleição comandada por IA (Inteligência Artificial), sem que se saiba o que é real ou Fake News. Como diria Mészáros[9], esse é, mais ou menos, o pico do Evereste que devemos transpor – longe da emancipação[10] e da equidade (com sobras de exceção[11]), cotidianamente, nos deleitamos cada vez mais com a subalternidade[12].

As lutas políticas do povo pobre, negro e oprimido em prol da emancipação do próprio Direito, em meio à fervorosa luta de classes racista, ainda não demonstraram poder social efetivo, mormente em termos, sobretudo, da inclusão, acessibilidade e permanência, e da edificação de um mínimo de sociabilidade e empatia: o que performaria a Sociologia essencial à Interação Social, em que as desigualdades possam ser convertidas em diferenças individuais, culturais.

Portanto, somos pardos, mas, sem fundamentação em valores socialmente dignificantes, no Princípio da Dignidade e nos direitos humanos, vemos e veremos prosperar o machismo, o assédio, a misoginia, o feminicídio.

O Brasil é pardo, sim, mas é por tudo isso que segue sendo descolorido pela branquitude do poder.

[1] GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1991.

[2] MARX, Karl. Formações Econômicas Pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

[3] IANNI, Octávio. A ideia de Brasil moderno. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

[4] É ilustrativo dessa fase do capital, com as subjetividades mergulhadas no desenraizamento e no estranhamento, a ocorrência de uma carteira denominada “Diarista investidora”: https://www.youtube.com/watch?v=jzpY_MmOaIk.

[5] SHOSHANA, Zuboff. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização de informação. In: Bruno, Fernanda et.al. Tecnopolíticas da vigilância: perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo, 2018.

[6] Nos estratos elevados do Poder Político, nos três poderes, abundam as trocas de favores, o apoio transversal aos interesses de grupos ou individuais, o nepotismo, o personalismo e a cessão de votos, numa busca infinita de benefícios e de ações transviadas, que, obviamente, maculam toda expectativa republicana quanto à gestão do poder e assim também manipulam as políticas públicas em demérito aos reais beneficiários.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ensaio sobre o estado democrático de direito social*: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024b. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/.

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado – Ditadura Inconstitucional: golpe de Estado de 2016, forma-Estado, Tipologias do Estado de Exceção, nomologia da ditadura inconstitucional. Curitiba-PR : Editora CRV, 2019.

[9] MÉSZÁROS, István. A Montanha que devemos conquistar: reflexões acerca do Estado. São Paulo: Boitempo, 2015.

[10] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

[11] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP: São Carlos, 2025. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[12] DELROIO, Marcos. Gramsci e a emancipação do subalterno. São Paulo: Editora da Unesp, 2018.

Sem tempo

0

@viniciocarrilhomartinez

 Sem o tempo não há dúvidas.

Sem o tempo, o vagar (no reino da pressa, na rotina das “múltiplas tarefas”), vivemos consumindo o imediato.

 Meditar sobre o que se pensa (e quer), falar pouco, ouvir mais e não dar atenção ao desnecessário ruído (às vezes só embalado por picuinhas, ego) tem sido o desafio desse século.

“Não temos tempo…”, dizem, e assim tudo é imediato e superficial.

Muita gente se vangloria desse eterno consumo de si mesmo/a.

 Na filosofia do século XX, Adorno dizia para dar “tempo ao conceito”, que é o tempo da maturidade, da reflexão que vasculha a durabilidade desse mesmo conceito. É como se o próprio tempo fosse o analista daquilo que se propôs, o árbitro mais severo.

 Talvez pela pressa mesmo, urgência de “postar” (“lacrar”, viralizar), é que tenhamos tantos “pré-conceitos” – sem análise cuidadosa, criteriosa, crítica das aparências, restam nossas superfícies e as tantas pessoas superficiais.

 E daí surgem as distorções, os pré-conceitos (“supõem-se saber algo”), as discriminações.

 Sem dúvida, a desinformação (sem tempo para saber, para o conceito) é um solo fértil para as apropriações (o desenraizamento, o estranhamento das/entre as pessoas), as dominações impuras e as desigualdades.

É possível refletir nesse breve texto ouvindo duas músicas:

 Oração ao tempo – Caetano Veloso

https://www.youtube.com/watch?v=HQap2igIhxA

Paciência – Lenine

https://www.youtube.com/watch?v=SWm1uvCRfvA 

  • AFINAL, A PACIÊNCIA TEM MUITA CIÊNCIA DENTRO DE SI
  • TANTO QUANTO A CIÊNCIA PRECISA DE CONSCIÊNCIA

Entre estar e pertencer

0

Ester Dias da Silva Batista

 Dizem que a arte imita a vida e, às vezes, é justamente em filmes e séries que encontramos verdades que nos atravessam de forma inesperada. Em Uma Advogada Extraordinária (2022), uma fala da protagonista surge durante o julgamento de um caso envolvendo um jovem autista acusado de matar o irmão. No elevador, a advogada lembra que, há poucas décadas, pessoas autistas eram consideradas “indignas de viver”. Ouvir isso, sendo também uma pessoa com TEA, foi como encarar uma história que ainda ecoa: a ideia de que algumas vidas precisam provar constantemente sua “viabilidade” para serem reconhecidas como dignas.

“… mesmo há apenas 80 anos, o autismo era uma doença que não valia a pena ser vivida, mesmo há apenas 80 anos. Inclusive agora centenas de pessoas vão ler o comentário ‘não é uma perda nacional um aluno de medicina morrer e uma criança autista viver?’ e vão clicar no botão like. Esse é o peso que carregamos do nosso obstáculo”[1]

 Essa frase reverbera porque não pertence apenas à ficção — ela atravessa a experiência de muitas pessoas com TEA e outras deficiências. Apesar de conquistas importantes, a invisibilização persiste, como se fosse preciso um desempenho extraordinário para sermos considerados legítimos nos espaços que ocupamos. Na universidade, o paradoxo se aprofunda: políticas de inclusão marcam a entrada, mas se desfazem no cotidiano. Pessoas com deficiência ingressam todos os anos, mas sem acompanhamento e acolhimento, a permanência se torna frágil e, muitas vezes, solitária. Surge então um silêncio institucional que não acolhe nem sustenta trajetórias.

Essa falta de estrutura isola, porque estar dentro da universidade não significa ser visto. E é por isso que a frase da Sr. Woo continua ecoando: ela lembra que a vivência de pessoas com deficiência vai muito além do acesso físico, é sobre não precisar provar, a cada passo, a própria dignidade. Escutar essas pessoas, incluí-las na construção das políticas e romper com esse silêncio é o que transforma inclusão formal em pertencimento real.

[1] EXTRAORDINARY ATTORNEY WOO (Uma Advogada Extraordinária). Episódio 3. Direção: Yoo In-shik. Roteiro: Moon Ji-won. Coreia do Sul: AStory/Netflix, 2022. Drama televisivo.

Veja na RKTV-Luciana Bauer, ex-juíza acusa Sergio Moro: mafioso e agressor

Ex-juíza federal Luciana Bauer supera medos e traumas numa entrevista-bomba a Joaquim de Carvalho no Brasil 247, e enfim revela crimes da 13ª Vara de Curitiba. 

É escandaloso. A Lava Jato silenciou todas as vozes do Brasil com isenção, saber e autoridade pra falar. Os grandes juristas se calaram. Um projeto mafioso tão bem implantado que quem duvidava não ousava falar. A mídia corporativa mergulhou até a testa naquele esgoto, mentindo escandalosamente, louvando a dupla Moro-Dallagnoll — pegava o “dever de casa” prontinho na Vara de Curitiba, sem contestar, sem duvidar, sem investigar.

Um plano traçado pelo Departamento de Estado dos EUA com CIA para esvaziar as aspirações de soberania dos governos de esquerda, derrubar Dilma, o PT, prender Lula, emplacar a extrema direita. Todos enfiaram as mãos nesse esterco. Aécio, o PSDB, Temer, o STF. Prenderam políticos progressistas de prestígio, indiscriminadamente. Jogaram no lixo grandes nomes do empresariado. Capturaram nosso pré-sal. Destruíram as indústrias da construção, naval, a engenharia nacional. Desempregaram milhões. Enxovalharam homens íntegros, como o almirante Othon.

E os brasileiros contaminados pelo ódio caíram feito patinhos, liderados pelo pato amarelo do Skaff. Maus brasileiros, inimigos do povo. Desmontaram as grandes conquistas sociais, a CLT, os sindicatos, paralisaram obras. Fizeram tudo que convinha ao Grande Capital. Inventaram “teto de gastos”, para impedir nosso crescimento. Privatizaram o que podiam e não podiam, por dois tostões. Assaltaram o Brasil a mão desarmada à luz do dia. Inventaram o “empreendedorismo”, retirando todos os direitos dos trabalhadores, coitados, que ainda pensam que melhorou pra eles. E o plim-plim da Globo ludibriando ativamente o Brasil com suas mistificações. Pobres de nós.

O lawfare foi um processo avassalador. E, verdade seja dita, foi a MÍDIA PROGRESSISTA, um time de jornalistas valorosos, foram as instituições verdadeiramente patrióticas, como o Clube de Engenharia por exemplo, foram aqueles com responsabilidade intelectual, economistas, sociólogos, professores — a Academia — que se mantiveram em permanente resistência.

Veio o GRANDE DESASTRE. Bolsonaro, a caserna retornou ao poder, os desqualificados, os Guedes, os Salles, o evangelismo, com as Damares & Malafaias, descemos de tobogã aos infernos.

Agora os olhos se abrem. Falta a própria Justiça retirar a venda e condenar o ex-juiz Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores seus coniventes, os julgadores do TRF-4, e responsabilizar a mídia comparsa por traição à Pátria.

Assista agora na www.rktv.com.br

Do Brasil 247

Acessibilidade

0

Vinício Carrilho Martinez

Pelo senso comum, pela definição provinda das coisas muito óbvias, a acessibilidade é uma das regras básicas da democracia. Sem acessibilidade, é óbvio ululante, as pessoas não são inseridas e, desse modo, excluídas, barradas no baile, não podem dançar ao som da Marselhesa – hino francês, hino da Revolução Francesa, hino da luta contra a tirania das pessoas baratas.

Sem a liberdade para se inserirem, as pessoas são tratadas como baratas indesejadas. Como pessoas de segunda categoria, as pessoas barradas são chutadas para fora, para longe – exatamente como fazemos com as baratas.

O que se esquecem os asquerosos que tentam nos impedir é que eles se postam, assim, na mais baixa menoridade moral e intelectual. Como imorais, avessos à moralidade social-inclusiva, eles se portam como as reais, as verdadeiras baratas – pelo simples fato de que as baratas não têm nenhuma moralidade: as baratas não podem invocar o Princípio da Dignidade Humana.

Como baratas imorais, as pessoas que nos excluem têm rebaixamento intelectual visível, até predizível, porque são incapazes da Interação Social, da empatia – não se enquadram no mínimo requerido de socialidade para serem vistas como “animais sociais” – essas pessoas baratas não são sociológicas. Isto é, as pessoas baratas são desprovidas da Inteligência Social e, é claro, são incapazes de se colocar no “Lugar do Outro”.

longe do Outro/a, as pessoas baratas, sem inteligência social capaz, dignificante, provam-se incapazes de pensar e de participar da moralidade humana, social e inclusiva: sendo assim, deveria ser reeducadas, reformatadas, humanizadas ou retiradas do convívio social. Devem ser educadas para serem humanas, devem ser socializadas para se libertarem (mesmo que a fórceps) da condição de inseto social.

Mas, será isso possível?

Essa pergunta foi posta ao final da Segunda Guerra Mundial, com a derrota acachapante do Nazismo – e, então, diziam: é possível desnazificar o povo alemão? A pergunta era (é) essencial uma vez que o regime do Nazismo só foi possível porque houve uma imensa adesão (identificação do povo) às teses e às ações nazistas.

O pior praticado pelo Nazismo era (é) de conhecimento popular: Hitler foi eleito ao Reichstag (nomeado como chanceler em 1933). Hitler sempre foi Hitler, nunca escondeu dos eleitores suas piores aspirações. Nunca houve povo enganado pelo Nazismo, na Alemanha.

Então, foi possível a educação para a desnazificação da Alemanha? Em parte, sim, pois a Constituição Alemã penaliza gravemente a apologia ao nazismo. Isso condiz com a percepção de que a qualidade democrática na Alemanha se modificou muito desde a experiência nazista.

Nazistas daquela época continuam sendo julgados e condenados, mesmo que tenham 90 anos de idade; apenas não são presos, por motivação humanitária. Por outro lado, a desnazificação não foi tão eficaz se pensarmos que os movimentos neonazistas crescem como pulgas e baratas na Alemanha – e no Brasil.

No nosso caso, no Brasil, que nos interessa mais de perto, agora, é possível retirar a carcaça das pessoas baratas, infestadas pela negação da Inteligência Social? Kafka, que escreveu A metamorfose, uma hiper-realista obra surreal, teria dificuldade em responder a essa pergunta.

Essa é uma pergunta que nós nos fazemos desde a Colonização – quando para cá vieram os maiores criminosos portugueses: as pessoas baratas de Portugal.

O escravismo tratou os povos negros como algo abaixo do nível das enxadas e das picaretas. A nossa miscigenação foi forçada por meio da violência indescritível e do estupro de mulheres negras e indígenas.

Portanto, nós somos o resultado disso e de outras barbáries ainda mais tenebrosas. Nós tanto somos isso que, em 2018, elegemos o Fascismo – assim como os alemães fizeram com o Nazismo em 1932.

E corremos um sério risco desse espectro do Mal Maior voltar ao poder em 2026. Há muitos/as eleitores/as, falando, agindo como pessoas baratas que negam a acessibilidade aos negros, aos pobres, às mulheres, à comunidade LGBT, às pessoas com deficiência (PCD).

O que traz outra pergunta: O que não há em comum entre as pessoas baratas negacionistas, do nosso tempo, com os laivos mais rancorosos do nazifascismo?

Lembremos ainda que, nos campos de concentração nazistas, as pessoas com deficiência também eram eliminadas. Então, o que não há em comum, entre os do passado e as “modernas pessoas baratas”?

Há o fato de que, ainda, não nos eliminam fisicamente, diretamente?

Simbolicamente, somos eliminados todos os dias.

Portanto, essa pergunta segue para você palpitar.

Eu, sinceramente, sigo bem pessimista quanto à viabilidade de uma Educação antifascista, em 2025.

Tem baratas demais por aí.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Dallagnol paga indenização a Lula

O ex-procurador da República e deputado federal cassado Deltan Dallagnol quitou o valor de R$ 146.847,13 referente à indenização devida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo episódio que ficou conhecido como “caso do PowerPoint”, relata Ancelmo Gois, do jornal O Globo. O comprovante do depósito foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo na quarta-feira (3). O pagamento encerra uma etapa do processo movido pelo presidente, após a apresentação feita por Dallagnol em 2016, quando o então procurador exibiu um slide que associava Lula a supostas irregularidades nas investigações da Operação Lava Jato — o que, mais tarde, foi classificado judicialmente como “ação abusiva e ilegal”. O valor foi depositado em nome do próprio Tribunal de Justiça de São Paulo, órgão responsável por analisar o caso e determinar a indenização. Com isso, a próxima etapa cabe à defesa de Lula, que deverá solicitar formalmente a liberação dos recursos. Do Brasil 247

Moraes na lista do Financial Times

Brasília (DF) - 10/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi apontado pelo Financial Times como um dos 25 nomes mais influentes de 2025. De acordo com o Financial Times, que reúne indicações de seus repórteres, colunistas e editores, Moraes integra a categoria “heróis”, ao lado de seis personalidades de destaque mundial. A publicação afirma que ele “tornou-se um símbolo de democracia e justiça no Brasil” em um período marcado pela fragilidade de instituições democráticas diante de líderes populistas e de extrema direita.

Senado x STF

A reação do Legislativo à liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes que dificultou o caminho para o impeachment de integrantes da corte não deve se limitar à irritação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), quer acelerar um projeto sobre os crimes de responsabilidade de autoridades como o presidente da República e os ministros do STF, substituindo a lei de 1950 cujos trechos foram considerados inconstitucionais por Gilmar. O projeto permite que partidos, sindicatos e a OAB apresentem denúncias contra autoridades e limita o prazo para que os pedidos de impeachment sejam analisados. Na quarta-feira, Gilmar determinou que só a Procuradoria-Geral da República pode pedir o impeachment dos integrantes do Supremo e elevou o número de votos necessários para que o Senado inicie o processo. (Folha)

Senado x STF 2

Alcolumbre telefonou aos ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin logo após tomar conhecimento da decisão liminar de Gilmar Mendes. As conversas foram interpretadas como uma tentativa de esfriar a crise que se instalou entre Senado e Supremo. Segundo relatos, Moraes buscou apaziguar o presidente do Senado, com quem mantém boa relação, diante do forte incômodo provocado pela decisão de Gilmar, com o qual Alcolumbre ainda não falou. (Globo)-Charge do Marcelo Martinez

Gilmar dobrou a aposta

Já Gilmar dobrou a aposta nesta quinta-feira e, de quebra, deu um “pito” em Jorge Messias, o indicado pelo presidente Lula para o Supremo. Além de negar o pedido da Advocacia-Geral da União para reconsiderar a decisão liminar, o decano afirmou que o recurso apresentado pela AGU é “incabível” e que não há motivos para alterar a liminar, considerada por ele indispensável para corrigir “um estado de coisas incompatível com o texto constitucional”. Messias, que ainda ocupa o cargo de advogado-geral da União, entrou na polêmica em busca do apoio que precisa no Senado para ter seu nome aprovado para o STF. Ao que parece, agora ganhou desafetos também na Suprema Corte. (Folha).

Enquanto isso…

O ministro Flávio Dino tomou outra decisão que afeta diretamente o Legislativo, determinando que o governo federal está proibido de receber, processar ou executar qualquer emenda parlamentar indicada pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). A ordem atinge cerca de R$ 80 milhões em emendas para o Orçamento de 2026. Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos por participação na tentativa de golpe e fugiu para os EUA, onde Eduardo Bolsonaro já vive desde o início do ano. (UOL)

Grave erro histórico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ficar longe da polêmica entre o STF e o Congresso, mas acabou entrando na briga com acusações contra os dois poderes. Lula disse que considera as emendas impositivas — de execução obrigatória — um “grave erro histórico” e criticou o peso que elas impõem ao Orçamento. Segundo ele, o mecanismo, que destina recursos definidos por parlamentares, representa um “sequestro” de 50% do orçamento da União. “Eu, sinceramente, não concordo com as emendas impositivas. Acho que o fato de o Congresso sequestrar 50% do orçamento é um grave erro histórico”, disse Lula, durante reunião do Conselhão, em Brasília. Lula também atacou a possibilidade de ministros do STF, juízes e parlamentares atuarem remotamente, inclusive votando fora do país. Para ele, a prática compromete a seriedade das decisões públicas. Segundo Lula, a ausência física de autoridades “incomoda a sociedade” e mina a confiança na democracia. (g1)

Alcolumbre x Lula

Davi Alcolumbre reagiu com irritação às declarações do presidente Lula e queixou-se diretamente a integrantes do Palácio do Planalto por telefone, durante a própria sessão do Congresso, segundo relato de parlamentares presentes. No plenário, um parlamentar acionou o secretário especial de Assuntos Parlamentares da SRI, André Ceciliano, e repassou o telefone a Alcolumbre, que questionou “que sequestro” seria esse, citando sua atuação para aprovar a LDO e ajudar o governo em ajustes fiscais ligados às estatais. Segundo aliados, a fala de Lula piorou o clima no Congresso num momento de instabilidade já agravado pela disputa em torno da indicação de Jorge Messias ao STF. (Folha)

Alcolumbre x Lula 2

Aliás, Alcolumbre admitiu que a votação da indicação de Messias vai ficar para 2026, como queria o Executivo. “Este ano, só Orçamento”, disse, irritado, a jornalistas. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também reconheceu que o assunto está adiado: “Será um debate para o próximo ano. Acho que está pacificado”, disse. (InfoMoney)

BR-319 em até 90 dias

Câmara aprovou licença ambiental impulsionada por Alcolumbre com brecha para liberar BR-319. A medida provisória que institui a LAE (Licença Ambiental Especial) foi aprovada na Câmara dos Deputados na terça-feira (2) com uma brecha para autorizar a reconstrução da polêmica rodovia BR-319 em até 90 dias. Como revelou a Folha, a LAE é impulsionada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, e acelera a análise de impactos sobre a natureza para empreendimentos que sejam classificados como estratégicos pelo governo federal —o que pode beneficiar casos de exploração de petróleo como o da bacia Foz do Amazonas. Para destruir a Amazônia Alcolumbre age rápido.

Lula criticou derrubada dos vetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a derrubada pelo Congresso de 56 dos 63 vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental e disse que os vetos pretendiam proteger o agronegócio brasileiro. Lula afirma durante reunião do Conselhão, no Palácio Itamaraty, que as pessoas que são contrárias às sugestões do governo feitas ao licenciamento “sabem que estão erradas”:-Nós vetamos para proteger o agronegócio, porque essa mesma gente que vetou, que derrubou meu veto, quando a China parar de comprar soja, quando a Europa parar de comprar soja, quando alguém parar de comprar nossa carne, quando alguém parar de comprar nosso algodão, vão falar comigo. ‘Presidente, fala com o Xi Jinping. Presidente, fala com a União Europeia. Presidente, fala com a Rússia. Presidente, fala com o não sei com quem’. Porque eles sabem que eles estão errados. Eles sabem que nós queremos que a nossa produção seja cada vez maior, mas cada vez mais sustentável e cada vez mais limpa — disse

LDO de 2026

O Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 com uma regra que força o governo a pagar 65% das emendas parlamentares até julho, um gesto feito em um ano eleitoral, quando deputados e senadores costumam mandar dinheiro para seus redutos antes da disputa local. A LDO também fixou a meta fiscal do próximo ano para um superávit de R$ 34,3 bilhões, com tolerância entre déficit zero e superávit de até R$ 68,5 bi, depois que o governo conseguiu retirar do cálculo até R$ 10 bilhões em gastos com reestruturação de estatais, sobretudo os Correios. Parlamentares ainda ampliaram o valor de referência para o fundo partidário, que deve subir cerca de R$ 150 milhões, e blindaram tanto o fundo partidário quanto o eleitoral de qualquer contingenciamento em 2026. (g1)

LDO de 2026-2

E o governo contou com um aumento das alíquotas do Imposto de Importação ao projetar R$ 14 bilhões extras de receita para 2026, valor que o Congresso incorporou ao relatório de receitas do Orçamento. A elevação depende apenas de decreto e foi estimada a partir de cenários técnicos, ainda sem lista fechada de produtos. O reforço viabilizaria a abertura de R$ 13,2 bilhões em espaço fiscal autorizados pela PEC 66 e também recompõe parte das emendas de comissão que estavam zeradas. (Valor)

Venezuela

O Departamento de Estado americano reforçou o alerta contra viagens para a Venezuela e recomendou que cidadãos americanos que já estejam no país saiam “imediatamente”. O aviso contra viagens a Caracas cita risco de “detenção injusta, tortura, terrorismo, sequestro, aplicação arbitrária de leis locais, crime, agitação civil e infraestruturas de saúde precárias”. A notificação dos EUA é feita após um alerta do presidente americano, Donald Trump, de que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado fechado. (CNN Brasil)

Papa Leão XIV libera sexo

Um documento divulgado pela Igreja Católica, com aprovação do papa Leão XIV, reconhece a “finalidade unitiva da sexualidade”, enfatizando que o sexo “não se limita a assegurar a procriação, mas contribui para enriquecer e fortalecer a união única e exclusiva” do casal. O texto admite que os cônjuges podem manter relações, mesmo sem buscar filhos, inclusive em períodos de infertilidade, “como manifestação de afeto e para salvaguardar a fidelidade mútua”. O texto, porém, condena práticas como o poliamor. (g1)

USP

A Universidade de São Paulo (USP) foi classificada como a 32ª melhor universidade do mundo, melhor posição entre as brasileiras na nova edição do Interdisciplinary Science Rankings (ISR). A classificação da Times Higher Education, em parceria com a Schmidt Science Fellows, considera a capacidade de realizar e promover a ciência interdisciplinar, que integra diferentes áreas do conhecimento. Foram analisadas 911 universidades de 94 países. A USP subiu 25 posições desde o último levantamento, quando ficou em 57º lugar. Unesp (86º), Unifesp (144º) e UFRJ (177º) são as demais instituições brasileiras no ranking. (Globo)

Apagão de professores

No ensino básico, uma projeção do Movimento Profissão Docente alerta os governos para evitar um apagão de professores nas escolas brasileiras. Segundo o levantamento, 57,5% dos profissionais das redes estaduais de ensino poderão se aposentar até 2034. O rápido envelhecimento do quadro de efetivos se deve pela redução de professores contratados nessa modalidade, dando preferência aos temporários. O estudo indica que a situação fiscal das unidades federativas exige cautela no planejamento para as próximas contratações, sendo que 92% dos estados gastam mais de 70% dos recursos do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) com salários. (Folha)

Novas Frequências

O Rio de Janeiro recebe a 15ª edição do Novas Frequências, que ocupa diferentes lugares da cidade com uma programação musical que sai do óbvio. O Solar comemora 10 anos com a maior exposição de sua história, trazendo obras de artistas como Ailton Krenak, Anna Bela Geiger e Antonio Dias. Já em São Paulo, tem aniversário de dois anos do Matiz no Viaduto do Chá, com shows do Azymuth, Nubya Garcia, Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago. O CineSesc traz diversos filmes de Jafar Panahi, enquanto a Mostra 2025 em Cena terá 21 espetáculos gratuitos em teatros da prefeitura até 21 de dezembro.

Flip 2026

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acontecerá entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, informou a organização nesta quinta-feira. As datas foram divulgadas com mais de seis meses de antecedência para facilitar o planejamento de todos os envolvidos. Nos últimos anos, a demora nos anúncios gerou queixas de editoras e problemas com preços de hospedagens. Ainda sem informações sobre mesas ou convidados, a curadoria será feita pela crítica literária Rita Palmeira, que assume o posto ocupado por Ana Lima Cecilio nas duas últimas edições. (Folha)

Israel

Os Países Baixos, Espanha, Irlanda e Eslovênia anunciaram que não participarão da próxima edição do Eurovision, depois de uma reunião das emissoras participantes ter decidido que Israel seria admitido no festival. A emissora holandesa Avrotros afirmou que “a participação nas circunstâncias atuais é incompatível com os valores públicos que são essenciais para nós”, enquanto a emissora irlandesa RTÉ classificou como “inaceitável” a participação israelense. O boicote se dá pela posição dos países em relação ao conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A Rússia está banida da competição desde o início da guerra na Ucrânia. (Deadline)

Meta na mira da União Europeia

Em mais uma investigação antitruste, a Meta entrou na mira da União Europeia novamente, agora devido à integração de ferramentas de inteligência artificial no WhatsApp. Reguladores querem entender se a nova política da empresa, que passa a valer totalmente em 2026, limita o acesso de concorrentes à plataforma e favorece o próprio sistema de IA da companhia. A investigação foi aberta após queixas de startups europeias, que dizem ter sido bloqueadas ao tentar operar assistentes dentro do aplicativo. Por isso, a UE não descarta medidas e lembra que a Meta pode ser multada em até 10% do faturamento global se for considerada culpada de abuso de posição dominante. A empresa afirma que as denúncias são infundadas e atribui os bloqueios ao aumento do tráfego causado por chatbots externos. (Reuters)

IA na aviação

O Google e a Embraer anunciaram um acordo para estudar aplicações de inteligência artificial na aviação. O memorando de entendimento prevê avaliar onde a tecnologia pode acelerar pesquisa, desenvolvimento e processos industriais dentro da fabricante brasileira, que já vem ampliando o uso de IA e digitalização em suas operações. A parceria envolve áreas como Google DeepMind e Google Cloud e mira oportunidades que vão de eficiência operacional a novos modelos de projeto e manutenção. Nos próximos meses, as duas empresas conduzem estudos conjuntos para decidir em quais frentes a cooperação avançará. (CNN Brasil)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

UFSCar nota zero

Hoje, falarei como PCD (pessoa com deficiência). No meu caso, é apenas física, ou seja, não tenho nenhuma dificuldade cognitiva. Minha Cosmovisão, como poderão ver, segue firme e forte.

Darei vários exemplos de nota zero para acessibilidade e inteligência social:
1. Temos observatório interestelar, mas não temos inteligência coletiva.
2. Temos todo tipo de máquinas, mas não temos acessibilidade. Onde há rampas, em muitas delas, você se sente escalando uma onda gigante.
3. Temos uma porção de maquiagem, mas nunca vi um aparelho desfribilador.
4. As salas de aula tem três, quatro ventiladores, mas só funciona um.
5. Porém, estamos muito bem, porque não faltam projetos para mais prédios e máquinas.
6. Como PCD, nunca, jamais fui consultado sobre acessibilidade institucional (desde 2014).

O fato gerador: teria uma defesa dia 12, no entanto, o PPGCTS não tem nenhuma (zero) sala com acessibilidade.

A resposta recebida variou entre “vire-se” e “procure fulano pra te ajudar”.
Respondi que não sou secretário e nem coordenador.
Professor é professor, secretário é secretário. Inclusive, os concursos são diferentes.

Enfim, não haverá a defesa. Reputo esses significados para muito além da desídia, da identificação “com o modo de ser bolsonarista raiz”, desse ou daquele – no caso, porque são incapazes de entender o que é PCD.

Replico essa nota à cultura institucional que não se modifica. Nada muda quanto à definição de prioridades.

E também digo isso com a autoridade moral de quem fez 30 avaliações institucionais pelo MEC. Em muitas dessas visitas, in loco, atribuí nota 3 (a mínima que poderia), porque vi com os meus olhos, senti com as minhas muletas, que as pessoas importam muito menos do que os prédios.

Aqui na UFSCar, hoje, só faltaram me dizer “dá seus pulos”.

Eu vou pular sim, daqui alguns anos pularei com uma bela Ação Civil Pública. O melhor daí por diante é que os pulos serão dados diretamente com o Ministério Público Federal.

Vinício Carrilho Martinez

 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Unha e Carne

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazar informações sigilosas sobre a Operação Zargun — ação que levou à prisão do ex-deputado estadual TH Joias por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro. A ordem de prisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também determinou o afastamento imediato de Bacellar do comando da Assembleia. Na decisão, Moraes cita “fortes indícios” de que o parlamentar atuou para obstruir investigações envolvendo o Comando Vermelho e teria influenciado ações do Executivo fluminense. Bacellar tinha ligação íntima com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL) e era apontado como seu candidato ao governo do estado em 2026, até os dois romperem recentemente. (g1)

Unha e Carne 2

Pode ser uma imagem de ‎texto que diz "‎م MO HaAH B XBRB‎"‎A PF apontou que o movimento de Cláudio Castro para afastar TH Joias da Alerj foi interpretado como uma ação coordenada para estancar danos políticos após outra operação da PF. A avaliação consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a prisão de Rodrigo Bacellar. A PF afirma que a articulação buscou “desvincular a imagem da Alerj” do parlamentar preso por ligação com o Comando Vermelho. Os investigadores sustentam que a movimentação reforça a suspeita de que o vazamento de informações sigilosas — atribuído a Bacellar — teria como objetivo proteger aliados políticos da facção. (UOL)

Ligações perigosas

É impressionante a ligação de políticos da direita com a bandidagem, falando o português correto e sem rodeios. A Polícia Federal encontrou mais de R$ 90 mil em dinheiro vivo no carro de Rodrigo Bacellar, que foi preso nesta quarta (3), suspeito de vazar informações da Operação Zargun, que ocorreu em setembro e prendeu o então parlamentar TH Joias. O traficante TH Joias tem estreita ligações com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), com Bolsonaro e com o presidente afastado e preso da Alerj, Rodrigo Bacelar. As imagens falam por si.

Ligações perigosas 2

o texto enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF descreve como o deputado teria alertado TH Jóias, orientando-o sobre a retirada de itens de interesse da apuração. Para os investigadores, essa conduta caracteriza uma “ação obstrutiva” e teria como objetivo subjacente preservar relações políticas com o Comando Vermelho, facção que exerce forte domínio territorial no estado. O documento reproduzido na decisão do ministro Alexandre de Moraes destaca que essa influência “se traduz em milhões de votos no pleito eleitoral que se avizinha”, referência direta às eleições de 2026. Bacellar foi preso na quarta-feira (3) durante a Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazar informações sigilosas e interferir no avanço da Operação Zargun.

Ligações perigosas 3

As investigações revelam que a facção ampliava seus laços institucionais por meio de articulações políticas. A prisão de TH Jóias, em setembro, já havia exposto parte dessa engrenagem. Entre os detidos na Zargun está Índio do Lixão, apontado como traficante responsável por movimentar R$ 120 milhões em cinco anos e por atuar como braço direito de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, liderança do Comando Vermelho no Complexo do Alemão. Segundo a PF, Índio era uma espécie de tesoureiro da facção e mantinha pagamentos ilícitos a policiais para garantir a proteção de integrantes do grupo.

Tropa de Elite 3

Este articulista morou por dez anos na Barra da Tijuca, Rio. Foi vizinho de milicianos, bicheiros e até de Bolsonaro. Perigo por todos os lados. Apesar de tudo, nada aconteceu de grave contra esse articulista, exceto uma tentativa de sequestro e uma retirada bancária fraudulenta. E quase presenciou a explosão de um Corolla blindado na Avenida das Américas, em 2010, que matou o filho de 17 anos do bicheiro Rogério Andrade. Cena de filme. Falando nisso, o Rio já tem material suficiente para se produzir o Tropa de Elite 3. A prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é nitroglicerina pura, roteiro de filme. Prova a infiltração do crime na política fluminense, que foi tema do Tropa de Elite 2.

A ex-diarista do senador Jorge Seif

A ex-diarista Adna dos Anjos Cajueiro, lotada no gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC) desde 2023, recebe um salário de R$ 31,2 mil, valor superior ao que é pago a oito governadores brasileiros. Embora formalmente registrada como assessora parlamentar, integrantes do próprio gabinete afirmaram não saber quem ela era, quando a reportagem tentou encontrá-la em Brasília. O caso foi revelado com exclusividade pelo Metrópoles.

Gilmar blinda ministros do STF

Uma nova crise institucional se instalou em Brasília poucos dias depois de o Planalto e o Congresso aprofundarem as tensões entre os dois Poderes. Dessa vez, foi o STF o protagonista do embate, após o ministro Gilmar Mendes decidir, em liminar, que somente a Procuradoria-Geral da República poderá apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte. Mendes também fixou que a abertura e a aprovação desses processos no Senado exigem quórum de dois terços — e não maioria simples, como prevê a legislação atual, de 1950. Gilmar afirmou que o quórum atual fragiliza garantias como a vitaliciedade e a independência judicial e poderia submeter o Supremo ao controle político do Legislativo. Para ele, o uso do impeachment como forma de pressão constitui risco ao Estado de Direito. A decisão ainda precisa ser analisada pelo plenário do Supremo, o que deve ocorrer entre 12 e 19 de dezembro. (Metrópoles)

Gilmar blinda ministros do STF 2

No final do dia, o governo entrou na polêmica tentando esfriar as tensões e aumentar a popularidade no Senado de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula a uma vaga no STF. O advogado-geral da União pediu que Gilmar reveja a decisão. Em manifestação enviada ao gabinete do decano, a AGU solicita ainda que os efeitos da liminar sejam suspensos até que o tema seja julgado pelo plenário do STF, cuja análise está prevista para começar em 12 de dezembro, no ambiente virtual. (Veja)

Gilmar blinda ministros do STF 3

Nos bastidores do Supremo, a liminar de Gilmar Mendes é vista como uma resposta preventiva a um possível avanço de uma maioria bolsonarista no Senado após 2026. Dentro da Corte, a avaliação é que a medida reduz o espaço para campanhas eleitorais baseadas na promessa de impeachment de ministros — uma bandeira que vinha sendo explorada por candidatos alinhados ao bolsonarismo. Ministros ouvidos reservadamente dizem ter sido surpreendidos pela amplitude da liminar e consideram que ainda há incertezas sobre a possibilidade de o plenário confirmar a exclusividade da PGR nos pedidos de afastamento. (g1)

Gilmar blinda ministros do STF 4

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu com dureza à decisão liminar do ministro Gilmar Mendes e disse que o Legislativo pode buscar proteger suas prerrogativas por meio de mudanças na Constituição. Em pronunciamento no plenário, Alcolumbre afirmou ter recebido a medida com “indignação, perplexidade e preocupação” e classificou o ato como uma tentativa de “usurpar prerrogativas do Legislativo”. O presidente do Senado, que mantém relação próxima com ministros do Supremo, cobrou “reciprocidade institucional” da Corte e advertiu que o Senado reagirá se considerar que suas competências foram violadas. (Valor)

Gilmar blinda ministros do STF 5

Na Câmara, o clima foi de apoio ao Senado. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou a redação final do projeto que limita decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF) e reorganiza o rito das ações de controle concentrado. A proposta, relatada pelo deputado Alex Manente (Cidadania-SP), segue agora de volta ao Senado, após ajustes feitos pelo colegiado. O avanço do projeto na Câmara, em meio ao novo atrito entre Legislativo e Judiciário, foi lido por deputados como uma reação política ao STF e uma forma de retomar protagonismo institucional diante da decisão de Gilmar. (Globo).

Gilmar blinda ministros do STF 6

“O sistema de freios e contrapesos estabelece independência e autonomia para cada um dos Poderes atuar, mas com capacidade mútua de limitar eventuais excessos. Esse equilíbrio entrou em colapso nesta quarta-feira, quando Gilmar Mendes reduziu a capacidade do Senado de abrir processo de impeachment contra ele mesmo e seus colegas”. (Carolina Brigido-Estadão)

Gilmar blinda ministros do STF 7

“O que o ministro Gilmar Mendes fez, hoje, é perigosíssimo. Ele colocou o Brasil na antessala de uma crise constitucional. Quem for de esquerda e acreditar que isso salva a democracia não está percebendo o jogo. Põe é em risco a própria democracia”. (Pedro Doria-Meio)

Banco Master

O ministro do STF Dias Toffoli decidiu que cabe à própria Corte conduzir as investigações envolvendo o Banco Master. A determinação atende a um pedido da defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Toffoli apontou que o caso pode envolver autoridades com foro privilegiado, como o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), citado em um contrato imobiliário apreendido pela Polícia Federal. (CNN Brasil)

Flamengo

Repetindo o feito de 2019, o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro dias depois de vencer a Libertadores. O rubro-negro chegou ao título com uma rodada de antecipação ao vencer o Ceará por 1 a 0 no Maracanã e chegar aos 78 pontos, não podendo mais ser alcançado pelo Palmeiras, que tem 73. É o quarto título do ano para a equipe da Gávea, que ainda vai disputar a Copa Intercontinental no Catar, além de ser a atual campeã da Copa do Brasil. (ge)

Pobreza recua

A pobreza voltou a recuar no Brasil, com 23,1% da população vivendo com menos de R$ 694 por mês em 2024, uma redução de 8,6 milhões de pessoas, em relação aos 27,3% do ano anterior. É o que mostra uma nova pesquisa do IBGE, divulgada nesta quarta-feira, usando os parâmetros e a metodologia do Banco Mundial. A extrema pobreza também caiu, de 4,4% para 3,5%. Foi o terceiro recuo seguido do indicador, que chegou ao pior nível em 2021, no auge da pandemia. Ainda assim, os números reforçam a desigualdade. Pretos e pardos são 71% dos pobres, embora representem pouco mais da metade da população, e entre as mulheres, 24% são pobres, enquanto entre os homens, o índice é de 22,2%. A diferença cresce quando se cruza gênero e raça, sendo que 30,4% das mulheres pretas ou pardas estão na pobreza, contra 14,7% dos homens brancos. (Meio)

Bioeconomia

A União Europeia lançou um novo plano para estimular a bioeconomia entre seus países, com um projeto ambicioso que inclui a produção de plástico obtido a partir de biomassa. O programa é promissor, tanto pelo lado econômico, quanto pela questão ambiental. O problema é que não há terra ou mesmo resíduo orgânico suficiente para realizar toda a tarefa. Críticos ao plano contestam a capacidade europeia de promover uma transformação profunda na produção de recursos baseados em biomassa. Com a queda da absorção de CO2 e problemas ambientais, como queimadas e degradação do solo, o aumento na coleta de material orgânico preocupa especialistas. (Folha)

Foi Apenas um Acidente

Um acidente banal em uma estrada do interior, uma parada rápida na oficina e um som que faz gelar o sangue do mecânico. A perna de pau do motorista emite o mesmo som da que usava o homem que o torturara anos atrás. Essa cena, que poderia muito bem se passar no Brasil, é o pontapé inicial de Foi Apenas um Acidente, do iraniano Jafar Panahi. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme é a principal estreia desta quinta-feira, mas o cardápio nos cinemas é variado, incluindo o drama de uma operária/artista na sociedade machista do Brasil dos anos 1910 e um mergulho na vida do irmão que sobra quando o gêmeo idêntico morre.

O Agente Secreto

Longa de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto foi indicado a melhor filme internacional no Spirit Awards, importante premiação do cinema independente, que reconhece produções que custaram menos de US$ 30 milhões. O filme estrelado por Wagner Moura compete com o espanhol Sirât, de Oliver Laxe, vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes; o palestino All That’s Left of You; o zambiano On Becoming a Guinea Fowl e o colombiano A Poet. O paulista Adolpho Veloso também foi indicado na categoria melhor fotografia por Sonhos de Trem. Os vencedores serão conhecidos no dia 15 de fevereiro. (Globo)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Por que o Novo Sempre Vem?

0

Paulo Freire, o patrono da educação brasileira desde 2012, tornou-se uma figura representativa para a educação brasileira em diversos aspectos, principalmente por propor uma pedagogia crítica. Dentre suas obras, ‘Pedagogia do Oprimido’ (1968) percebe a educação para além da transmissão, mas como um ato político que deve ser marcado pela promoção da consciência crítica e em busca da transformação social.

Esse processo demanda o rompimento da chamada Educação Bancária, fundamentada na redução dos estudantes a recipientes vazios, para uma prática pedagógica que reconheça os estudantes como sujeitos integrais, com suas histórias e conhecimentos prévios.

Freire, ao longo de sua jornada, apresentou diversos marcos pedagógicos, dentre eles, em meados de 1960, desenvolveu a alfabetização de trabalhadores rurais em aproximadamente 40 dias, utilizando, como princípio de partida, as palavras do cotidiano e, a partir delas, desenvolvendo um novo vocabulário.

Apesar da grande relevância social e para a educação deste feito, com o Golpe de 1964, Freire foi preso e exilado, demonstrando como, “naturalmente”, ir contra a maré é algo que tende a ser rejeitado, como citado em uma das aulas de Educação e Sociedade: ‘quem detém poder não abdica dele graciosamente’. Recentemente, tivemos acesso a um processo de “demonização” das obras e propostas de Freire, principalmente nos debates acerca da educação.

Tal fenômeno remonta a esse padrão histórico em que, quando a perspectiva de educação é direcionada para a emancipação do sujeito, para sua formação integral, os “braços do sistema” e, que fique caracterizado aqui como ações humanas, nada espiritual ou algo assim, tendem a gerar uma deslegitimação dessas concepções, sendo, por sua vez, uma das estratégias de manipulação social e manutenção das “tradições” acadêmicas.

Apesar de todo esse enredo, ainda é possível analisar um dos maiores legados de Paulo Freire perante a educação, particularmente falando, justamente a defesa de uma educação que venha do povo, que busque valorizar a escuta e a dignidade humana, como uma das canções de Elis Regina em Como Nossos Pais‘é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem’.

As propostas de Freire são justamente esse “novo” que insiste em cair em terra seca e florescer mesmo com dificuldades, porque sua prática docente se direciona para um futuro de criticidade e justiça social, portanto, permanecem incentivando diversos docentes e servindo como inspiração nos dias mais difíceis e caóticos na educação reafirmando que a sala de aula é, sim, um espaço de cuidado e transformação.

Ester Dias da Silva Batista.

Chegou a vez de Sérgio Moro: PF realiza operação na 13ª Vara de Curitiba

A operação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal, o que indica a possível investigação de autoridade com prerrogativa de foro

 A Polícia Federal cumpre, neste momento, mandado de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela condução dos processos da Lava Jato. A operação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal, o que indica a possível investigação de alguém com prerrogativa de foro na Corte. A ação reacende o debate sobre irregularidades atribuídas à estrutura que durante anos sustentou os processos da força-tarefa.

A PF não divulgou detalhes sobre o alvo específico da medida, mas a movimentação na unidade judicial paranaense já provoca expectativa sobre os desdobramentos da investigação e seu impacto no histórico da vara que se tornou símbolo da Lava Jato.

Em outubro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a realizar diligências na 13ª Vara Federal de Curitiba, que foi comandada pelo ex-juiz parcial Sergio Moro. A medida, tomada em 6 de outubro, integra o inquérito que apura denúncias apresentadas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia ao Brasil 247 contra o atual senador.

Na determinação, Toffoli autorizou o acesso ao acervo de documentos da vara judicial que esteve sob comando de Moro. “Defiro sejam empreendidas pela autoridade policial as diligências propugnadas, visando autorizar o exame in loco dos processos ali relacionados, documentos, mídias, objetos e afins relacionados às investigações”, escreveu o ministro em sua decisão.

O magistrado também rejeitou o pedido da defesa de Moro para que o inquérito fosse retirado do STF, sob o argumento de que os fatos investigados ocorreram antes de seu mandato como senador. Com a decisão, as apurações permanecem sob jurisdição da Suprema Corte.

Do Brasil 247

AtlasIntel: Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno para 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com vantagem em todos os cenários simulados para a eleição de 2026, segundo pesquisa divulgada pela AtlasIntel. Mesmo enfrentando índices de desaprovação ligeiramente superiores aos de aprovação, Lula segue numericamente à frente — inclusive em disputas diretas com figuras centrais da direita brasileira.

Primeiro turno: vantagem consolidada para Lula

Nos cenários de primeiro turno em que seu nome é testado, Lula oscila entre 47,3% e 48,7% das intenções de voto. A soma de adversários distribuídos entre Tarcísio de Freitas (Republicanos), Michelle Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (NOVO), Ratinho Jr. (PSD) e Renan Santos (Missão) não ameaça a dianteira petista.

No cenário 1, Lula marca 48,4%, enquanto Tarcísio de Freitas registra 32,5%. Em seguida aparecem Ronaldo Caiado (5,7%), Ratinho Jr. (4,1%), Renan Santos (1,9%) e Romeu Zema (2,3%). Votos brancos ou nulos chegam a 3,2%, e 1,8% não souberam responder.

No cenário 2, Lula atinge 48,7% contra 28,6% de Michelle Bolsonaro. Caiado soma 9,4%; Ratinho Jr., 5%; Zema, 4,4%; e Renan Santos, 2,1%. Brancos e nulos aparecem com 1,4%, e indecisos, 0,4%.

O cenário 3 reforça a vantagem do presidente: Lula chega a 48,5%, enquanto Caiado pontua 16,9%; Ratinho Jr., 12,6%; Zema, 9,5%; e Renan Santos, 2,6%. Brancos e nulos somam 6,4%, e indecisos, 3,6%.

No cenário 4, Lula aparece com 47,3% diante de Flávio Bolsonaro, que marca 23,1%. Caiado chega a 10,2%; Ratinho Jr., 7,1%; Zema, 5%; Renan Santos, 2,4%; e Eduardo Leite (PSD), 1,1%. Brancos e nulos contabilizam 2,8%, e indecisos, 1%.

A pesquisa também avaliou um cenário sem Lula, substituído por Fernando Haddad (PT). Nesse quadro, o ministro da Fazenda registra 44,4%, seguido por Tarcísio de Freitas com 32,3%. Os demais candidatos permanecem com desempenho semelhante aos outros cenários testados.

Segundo turno: Lula supera todos os adversários

Nas simulações de segundo turno, Lula mantém estabilidade e vence todos os confrontos testados. O presidente marca 49% tanto contra Tarcísio de Freitas quanto contra Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro – que está inelegível -, sempre com 47% para os rivais e 4% de votos brancos, nulos ou indecisos.

Em disputas contra Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula registra 49%, enquanto ambos somam 41%, com 10% de eleitores fora de qualquer opção. Contra Ratinho Jr., o placar fica em 49% a 40%. No embate com Eduardo Leite, Lula tem 47% e o governador gaúcho, 28%, enquanto 25% dos entrevistados declaram voto branco, nulo ou indefinição.

A AtlasIntel também simulou a repetição exata da eleição de 2022: Lula aparece com 45,7% e Jair Bolsonaro com 44,8%. Ciro Gomes soma 2,8%, Simone Tebet, 2,9%, e outros candidatos, 1,9%. Brancos e nulos chegam a 1,8%, e apenas 0,2% não souberam responder.

Avaliação do governo e preocupações nacionais

A pesquisa indica que 50,7% desaprovam o trabalho do presidente, enquanto 48,6% aprovam. Na avaliação do governo, 48,6% classificam a gestão como ruim ou péssima; 44,4% a consideram ótima ou boa; e 7% avaliam como regular.

Entre os maiores problemas apontados pela população, criminalidade e tráfico de drogas aparecem em primeiro lugar, citados por 63% dos entrevistados, seguidos pela corrupção, mencionada por 60%.

O levantamento da AtlasIntel ouviu 5.510 pessoas entre 22 e 27 de novembro, com margem de erro de um ponto percentual.

Do Brasil 247 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Parlamentares e Banco Master

A apuração sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master entrou em uma nova fase e poderá alcançar nomes do Poder Legislativo. Documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam possíveis vínculos de parlamentares com as operações investigadas. De acordo com o Correio Braziliense, o material encontrado poderá levar o inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR), com futuras diligências submetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Parlamentares e Banco Master 2

A PF analisa elementos que surgiram durante buscas e apreensões realizadas no âmbito da Operação Compliance Zero, voltada à investigação da negociação de carteiras de crédito inexistentes. Caso sejam confirmados indícios do envolvimento de agentes com prerrogativa de foro, o avanço das apurações dependerá de autorização do STF. Do Brasil 247

Fracassou espetacularmente

O Financial Times, em publicação na segunda-feira (1º/12), avaliou que a ofensiva internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro para tentar impedir a prisão do pai, Jair Bolsonaro (PL), “fracassou espetacularmente” e acabou aprofundando a crise que atinge o clã. A reportagem descreve um movimento político em desintegração, com o ex-presidente preso, a família dividida e a direita brasileira em busca de um novo líder para 2026.

Fracassou espetacularmente 2

Segundo o jornal britânico, Eduardo atuou nos Estados Unidos para convencer o governo Donald Trump a pressionar o Judiciário brasileiro. O gesto, porém, “saiu espetacularmente pela culatra”: tarifas de 50% sobre produtos brasileiros irritaram empresários, desgastaram Brasília e não produziram qualquer recuo do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fracassou espetacularmente 3

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, barba e texto que diz "CONCLUÍRAM 0 PLANO DE VINGANÇA CONTRA MEU PAI! QUEREM MATA-LO ELE ESTÁ COM A SAUDE FRAGILIZADA rkms.13 1 min Foram vcs mesmos os responsáveis por esse "grand finale". Vcs tentaram vários golpes contra a democracia. Agora estão se fazendo de vítima."Ainda segundo o jornal, a tentativa do deputado — hoje em “autoexílio nos EUA” e sob risco de responder por obstrução de Justiça se voltar ao Brasil — expôs a perda de rumo do bolsonarismo. “Os erros da família Bolsonaro levaram a uma destruição significativa do valor da marca política”, afirmou uma fonte do mercado financeiro brasileiro. “A família enlouqueceu e o que Eduardo fez é absolutamente repreensível.” A publicação descreve Jair Bolsonaro como “solitário e abatido” no momento da prisão, em 22 de novembro. As informações são do Metropoles.

Era só o que faltava

Os irmãos Bolsonaro estão com o discurso afinado. Na cara de pau estão espalhando que o pai está sendo perseguido e está muito doente. O “doente” que vive articulando politicamente indicando quem será candidato pelos quatro cantos do país. Ou Bolsonaro está doente ou está bem e fazendo política.

Família rachadinha

O ex-presidente Jair Bolsonaro mal se acostumou com a cela onde vai cumprir parte da pena de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e já assiste a uma guerra familiar pela disputa de seu papel de liderança na direita brasileira. A tensão no núcleo mais íntimo dos Bolsonaro explodiu nesta segunda-feira após uma declaração de Michelle Bolsonaro em um comício em Fortaleza. A ex-primeira-dama criticou publicamente a aliança firmada pelo PL do Ceará com Ciro Gomes, afirmando que o acordo foi “precipitado” e insinuou deslealdade da legenda ao marido. A intervenção inesperada irritou os filhos do ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu primeiro e afirmou que Michelle “atropelou” Bolsonaro ao desautorizar um movimento que, segundo ele, havia sido previamente avalizado pelo ex-presidente. Carlos Bolsonaro endossou o irmão e afirmou que é preciso “respeitar a liderança” do pai. Jair Renan também compartilhou as críticas. Mais tarde, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA, classificou a fala da madrasta como “injusta e desrespeitosa”. (g1)

Família rachadinha 2

Os ataques contra Michelle pelos irmãos Bolsonaro aconteceram no X, a plataforma usada por eles para criticar, defender, elogiar ou enviar recados a aliados ou inimigos. Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro fizeram posts atacando a madrasta. O caçula, Jair Renan, tratou de reproduzir as críticas. (Folha)

Família rachadinha 3

A atuação de Michelle tem incomodado não só a família. Lideranças do Centrão têm manifestado incômodo com a atuação dela na articulação de palanques estaduais para 2026. Com Bolsonaro impedido de atuar politicamente, dirigentes de partidos de direita avaliam que Michelle tenta assumir protagonismo nas negociações eleitorais. Ela comanda hoje o PL Mulher, estrutura que ampliou sua influência interna na sigla. Mesmo aliados do bolsonarismo admitem, nos bastidores, desconforto com a intervenção da ex-primeira-dama. Líderes do centro e da direita afirmam não querer que integrantes da família Bolsonaro ditem alianças locais, consideradas cruciais para a formação de palanques competitivos em 2026. (g1)

Família rachadinha 4

O conflito entre os filhos do ex-presidente e a madrasta é antigo, dos tempos em que a família estava no poder. Mas desta vez o estopim da crise familiar ocorreu na terça-feira passada, quando Michelle Bolsonaro fez uma piada durante reunião do PL que desagradou aos filhos do ex-presidente. Diante de dirigentes da sigla, a ex-primeira-dama contou que havia preparado milho cozido para o marido e revelou o apelido íntimo com que o chama: “meu galo”. Na sequência, fez uma brincadeira afirmando que Bolsonaro precisava mostrar que continuava “imbrochável”, referência às medalhas dos “3 is” distribuídas por ele a aliados. A fala foi interpretada por integrantes da família como exposição indevida do ex-presidente. (Globo)

Família rachadinha 5

“A família Bolsonaro vem se esmerando em destruir-se publicamente, com intrigas e acusações em tom elevado que transformam a privacidade em ação política, para o bem e para o mal”. (Merval Pereira-Globo)

Família rachadinha 6

Michelle não tem autonomia nem mais a força do marido, preso e inelegível, para sair por aí desautorizando as articulações estaduais do PL”. (Eliane Cantanhêde-Estadão)

Alzheimer

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal realize, em até 15 dias, uma perícia médica completa no general Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. A medida ocorre após a defesa afirmar que o ex-ministro do GSI foi diagnosticado recentemente com Alzheimer, versão que passou por correções ao longo da última semana. No despacho, Moraes ordena avaliação clínica, neurológica e neuropsicológica, com histórico médico, exames laboratoriais e, se necessário, ressonância magnética ou PET, a fim de verificar o real estado cognitivo e funcional do militar. Heleno está preso no Comando Militar do Planalto. (CNN Brasil)

Messias

Para vencer a resistência no Senado à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), seus aliados querem lançar mão da religião. A ideia é levar uma comitiva de pastores para pressionar os senadores em favor de Messias, que é evangélico. A avaliação, porém, é que as chances de aprovação dele na sabatina, marcada para o dia 10, dependem de um acordo entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que queria a vaga para seu antecessor e aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). (Folha)

Meta fiscal de 2026

O governo Lula deverá flexibilizar a meta fiscal das estatais em 2026 para acomodar os custos da reestruturação dos Correios, evitando que o impacto das despesas pressione outras áreas do Orçamento em pleno ano eleitoral. A mudança é considerada necessária porque o plano de recuperação da estatal, que inclui um empréstimo de R$ 20 bilhões para financiar PDV, regularização de fornecedores e quitação de dívidas, aumentará de forma expressiva o déficit primário das empresas públicas no próximo ano. Como as receitas do empréstimo não entram no cálculo da meta fiscal, mas seus gastos contam como despesa primária, o desequilíbrio seria inevitável sem o afrouxamento das regras. Em 2025, o governo já precisou conter R$ 3 bilhões em despesas para compensar o rombo maior das estatais, movimento que a equipe econômica quer evitar repetir às vésperas de 2026. (Folha)

O ultimato contra Nicolas Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, ignorou o suposto ultimato que teria recebido de Donald Trump durante telefonema no último dia 21 para que renunciasse e deixasse o país, informou a agência Reuters. Segundo fontes, o venezuelano teria exigido, além de anistia para ele e sua família, o fim das sanções econômicas a seus país e dos processos a que responde em cortes internacionais, o que foi rejeitado pelos EUA. Trump fez na segunda-feira uma reunião com seus principais assessores no Salão Oval para discutir os próximos passos de sua campanha para derrubar Maduro. (g1)

Sem autoescolas 

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou a maior mudança já feita no modelo de formação de condutores no país, ao extinguir a obrigatoriedade de aulas em autoescolas e flexibilizar todo o processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A resolução abre espaço para que candidatos estudem por conta própria, usem veículos particulares e contratem instrutores autônomos credenciados. A proposta busca reduzir custos e burocracia, principais barreiras para cerca de 20 milhões de brasileiros que dirigem sem habilitação. Na etapa prática, a exigência mínima cai de 20 para 2 horas de aula, cabendo ao candidato definir quanto precisa treinar. Instrutores autônomos passam a poder atuar de forma independente e dar aulas no carro do próprio aluno. O processo de habilitação também deixa de expirar após 12 meses, eliminando a perda de valores pagos quando o prazo era ultrapassado. (Quatro Rodas)

Rage bait

A Oxford University Press escolheu “rage bait” (isca da raiva, em tradução livre) como a palavra do ano. A expressão descreve a estratégia de conteúdos online em provocar indignação e ódio para forçar engajamento nas redes e segundo a própria editora do dicionário, seu uso triplicou em 12 meses. O termo venceu “aura farming” e “biohack”. Segundo a Oxford, o “rage bait” é uma evolução do clickbait, que se antes chamava atenção pela curiosidade, agora o faz pelo choque, irritação ou ofensa. A editora diz que a popularização do termo mostra maior consciência pública sobre táticas de manipulação online. (BBC)

Oscar 2026

Além do diretor Kleber Mendonça Filho, do ator Wagner Moura e da documentarista Petra Costa, o Brasil pode ter outro representante no Oscar 2026. Agora, Adolpho Veloso, diretor de fotografia, entrou no radar de Hollywood e hoje é apontado como um dos nomes fortes para disputar uma indicação por seu trabalho em Sonhos de Trem, drama da Netflix, dirigido por Clint Bentley. Dez anos depois de estrear com um longa experimental rodado nas ruas de São Paulo, Veloso virou aposta de críticos ao repetir com Bentley a parceria iniciada em Jockey e entregar uma fotografia feita só com luz natural e câmera na mão. O trabalho chamou atenção a ponto de o levar ao seu primeiro blockbuster, com o filme Remain, de M. Night Shyamalan, previsto para o ano que vem. (Folha)

Janis Joplin

Em fevereiro de 2026, a cantora Janis Joplin vai ganhar uma exposição inédita no Brasil, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. A homenagem contará com mais de 300 peças originais trazidas do acervo da família em Los Angeles, entre figurinos, manuscritos e fotos que ajudam a recompor a trajetória de uma das vozes mais marcantes do rock, lembrada também por sua passagem intensa pelo Brasil no carnaval de 1970. A mostra nasce de uma articulação com os herdeiros e tem curadoria de André Sturm, que diz ter se encantado com o material. (Estadão)

Netflix

A Netflix desativou o recurso que permitia transmitir séries e filmes do celular para a TV, exceto em aparelhos mais antigos compatíveis com o Chromecast ou Google Cast, e ainda assim apenas para assinantes dos planos sem anúncios. A mudança, percebida por usuários desde 10 de novembro, retira o ícone de transmissão das versões atualizadas do aplicativo e orienta o público a navegar diretamente pela TV usando o controle remoto. A empresa não explicou o motivo da decisão, que lembra a remoção do suporte ao AirPlay em 2019, e foi posteriormente alegada a necessidade de manter o padrão de qualidade. (Android Authority e The Verge)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Financial Times detona bolsonarismo e diz que Eduardo ‘fracassou’ nos EUA: “Saiu pela culatra”

O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (1º) uma análise afirmando que o bolsonarismo enfrenta um momento de enfraquecimento após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por conspiração para um golpe. Segundo o veículo, os erros cometidos pelo ex-chefe do Executivo e por seus filhos provocaram desgaste significativo na extrema-direita, que estaria “em apuros” e com dificuldades para manter protagonismo político e suas estratégias equivocadas foram tiros que saíram “pela culatra”.

De acordo com o artigo, o movimento bolsonarista perdeu força por causa de decisões atribuídas ao ex-presidente e aos filhos, o que levou setores da direita a buscar um novo nome para a disputa presidencial de 2026. O Financial Times aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como a opção mais viável nesse cenário, embora sua entrada na disputa dependa do apoio de Bolsonaro.

O jornal relata que a estratégia de Eduardo Bolsonaro de buscar apoio em Washington para tentar impedir a prisão do pai “fracassou espetacularmente”. A publicação afirma que a atuação do deputado resultou em tarifas comerciais que irritaram parte do empresariado brasileiro e expuseram o parlamentar a acusações em território nacional. O texto registra que a iniciativa não impediu a condenação do ex-presidente.

O artigo do jornal britânico Financial Times. Foto: Reprodução

A reportagem descreve ainda tentativas do grupo político de recorrer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de evitar a prisão de Bolsonaro. O jornal indica que essas ações produziram efeitos considerados negativos por aliados e interlocutores do mercado financeiro consultados sob condição de anonimato. Um dos entrevistados declarou que os equívocos atribuídos à família “destruíram significativamente sua imagem política”.

O Financial Times afirma que Tarcísio de Freitas passou a ser visto por setores da direita como a principal aposta para 2026. Segundo a publicação, o governador “fala a língua da Faria Lima”, expressão usada para se referir ao mercado financeiro, embora só pretenda disputar o Planalto caso receba apoio direto de Bolsonaro. O jornal ressalta que, mesmo com esse respaldo, o governador enfrentaria um cenário competitivo.

A análise também menciona que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao próximo ciclo eleitoral com indicadores econômicos favoráveis, como crescimento do emprego e dos salários. O jornal afirma que a baixa dependência do Brasil em relação ao mercado norte-americano reduziu impactos de tarifas impostas por Donald Trump. Para a direita, de acordo com o veículo, a aposta considerada mais efetiva para a campanha seria priorizar temas de crime e segurança pública.

Paes defende ações de Lula e acusa Castro de “jogo de empurra” na segurança: “Rídiculo”

0

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), saiu em defesa da atuação do presidente Lula (PT) na segurança pública e criticou o governador Cláudio Castro (PL), afirmando que há um “jogo de empurra absolutamente ridículo” sobre a responsabilidade pela área. A declaração foi feita após a repercussão da megaoperação contra o Comando Vermelho realizada no fim de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. Com informações do Globo.

Durante evento do fórum empresarial do grupo Esfera, Paes afirmou que a segurança pública é atribuição estadual e que o debate precisa ser “clarificado”.

“Se a segurança vai mal, a culpa é do governador do Rio e dos outros estados do país. O que está sendo feito é um jogo de empurra, é absolutamente ridículo. É óbvio que o governo federal e os municípios podem auxiliar, mas a responsabilidade de quem detém o controle do sistema de segurança pública são os governos estaduais. Esse debate precisa ficar claro. O jogo de empurrar tem que ser superado”, disse.

Cotado para disputar o governo do estado em 2026, o prefeito também rebateu críticas feitas durante a megaoperação no Rio, que terminou com 122 mortos, a mais letal da história do país envolvendo forças policiais.

“Todo mundo aqui sabe que eu sou aliado do presidente Lula. Ouvi muito que ele é presidente do Brasil inteiro, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Santa Catarina. Por que só no Rio é culpa dele? Ele não tem responsabilidade sobre os bons números de segurança pública em Santa Catarina? Ele pediu ao governador, Jorginho Mello, para cumprir com as obrigações dele. A Polícia Federal não é a mesma que atua no Rio?”, questionou.

Paes palestra em evento do grupo empresarial Esfera no Rio de Janeiro
Paes palestra em evento do grupo empresarial Esfera no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Crise entre Castro e governo federal

A operação provocou atritos entre Castro e o Planalto. Logo nas primeiras horas, o governador afirmou estar “sozinho” no enfrentamento ao crime organizado. O ministro da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, respondeu dizendo não ter recebido qualquer pedido de ajuda.

Castro recuou, alegou ter sido “mal interpretado” e, no dia seguinte, lançou com o governo federal um escritório conjunto para combater o crime organizado no estado.

DCM-Diario do Centro do Mundo

A ‘pobreza’ repentina que faz com que milhões nos EUA dependam de ajuda para não passar fome

Ilona Biskup, que procura produtos gratuitos na despensa do banco de alimentos Feeding South Florida, em Miami (EUA)

Por Valentina Oropeza e Cecilia Barría, no IFZ

Ilona Biskup sentiu vergonha na primeira vez em que visitou um banco de alimentos em Miami, no Estado americano da Flórida.

Ela passou 32 anos trabalhando, pagando impostos e economizando para sua aposentadoria. E conseguiu comprar um apartamento em frente à praia com suas economias.

Agora, ela se pergunta por que precisa de ajuda para ter o que comer.

Há quatro meses, Biskup visitou pela primeira vez o maior banco de alimentos do sul do Estado, o Feeding South Florida. A organização abastece gratuitamente a despensa de 25% dos moradores da região que não conseguem custear suas necessidades alimentares.

Para poder ficar em frente às prateleiras repletas de produtos que ela, talvez, não teria comprado, Biskup precisou pedir ajuda pela primeira vez aos 62 anos, por necessidade.

“Depois de ter tido tanto sucesso, agora dependo de comida grátis”, declarou ela, do seu apartamento em Miami Beach, com vista de 180 graus: à direita, a cidade e, à esquerda, o mar.

“Nunca pensei que, depois de trabalhar tanto, acabaria dependendo do governo”, lamenta Biskup. Sua pensão por invalidez só cobre os custos de moradia e de serviços.

Biskup recebe US$ 2 mil (cerca de R$ 10,7 mil) da previdência social americana. Este nível de renda a coloca acima da linha da pobreza nos Estados Unidos, hoje em US$ 15,65 mil (R$ 83,5 mil por ano, ou cerca de R$ 7 mil por mês), segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos do país.

Embora seja dona da sua casa e do seu carro, o valor da pensão não chega para comer.

Este empobrecimento repentino tem sua origem em eventos inesperados que consumiram seu patrimônio. Dois tratamentos contra o câncer esgotaram suas economias e o recente diagnóstico de Parkinson a obriga a recorrer ao dinheiro da aposentadoria.

Vista de Miami Beach, do apartamento de Ilona Biskup
Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Problema estrutural

Biskup pertence a um amplo setor da população americana, que enfrenta dificuldades econômicas no seu dia a dia e acaba em situação extremamente vulnerável, quando surge um contratempo financeiro.

Um estudo liderado pelo sociólogo Mark Rank demonstrou que quase 60% dos americanos adultos viverão pelo menos um ano abaixo da linha da pobreza e 75% vivenciarão pobreza ou uma situação parecida.

“Basicamente, existem três caminhos rumo à pobreza nos Estados Unidos: perder o emprego, uma emergência de saúde ou a separação das famílias”, explica Rank, que é professor da Faculdade de Trabalho Social da Universidade Washington em San Luis, no Estado americano de Missouri.

É um problema estrutural, que se deve principalmente a dois fatores: sua rede de previdência social muito fraca, que não consegue impedir que as pessoas caiam na pobreza, e a criação de empregos com baixa remuneração e sem subsídios.

Rank defende que esta combinação transformou os Estados Unidos em um dos países com os mais altos índices de pobreza, entre as nações industrializadas.

O sociólogo Mark Rank, que afirma que muitos americanos cairão na pobreza
em algum momento da sua vida adulta Foto: Gentileza de Mark Rank

Em uma pesquisa do centro de estudos Pew Research Center, publicada em maio deste ano, 27% dos americanos declararam ter enfrentado problemas para pagar pela assistência médica, própria ou de sua família, no último ano.

E pelo menos 20% das pessoas precisaram recorrer a um banco de alimentos no mesmo período.

As pesquisadoras Kim Parker e Luona Lin afirmam que 68% dos adultos afro-americanos e 67% dos adultos hispano-americanos admitem não dispor de fundo de reserva para emergências, da mesma forma que 44% dos adultos brancos.

Outra pesquisa realizada pelo Conselho Nacional para o Envelhecimento (NCOA, na sigla em inglês) e pelo centro de estudos LeadingAge LTSS, da Universidade de Massachusetts em Boston, nos Estados Unidos, revelou que os idosos com menos recursos econômicos morrem, em média, nove anos antes dos que contam com maior patrimônio.

“É alarmante e inaceitável que, nos Estados Unidos, em 2025, a pobreza roube quase uma década de vida dos idosos”, declarou o presidente e diretor-executivo do NCOA, Ramsey Alwin.

Rank alerta que o impacto da pobreza se agrava devido aos prejuízos sociais que a rodeiam.

“Nos Estados Unidos, costumamos observar a pobreza do ponto de vista da culpabilização”, relata ele.

“Se você for pobre, as pessoas se perguntam: por que não se esforçou o suficiente? O que você fez de errado?”

Na sua opinião, esta perspectiva leva à conclusão de que a pobreza “é problema seu, não meu”.

“Em um país tão rico como os Estados Unidos, esta é uma injustiça social e econômica. Mas é uma mentalidade diferente da nossa.”

Alguns dos produtos retirados por Ilona Biskup no banco de alimentos. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Ela fez carreira como comissária de bordo nas companhias aéreas Pan Am e Delta Airlines. Biskup preferia trabalhar em voos de mais de 10 horas de duração, para maximizar sua remuneração.

“Eu sempre tratava os passageiros dentro do avião como se estivessem em casa”, relembra ela.

Sobre sua mesa da sala de estar, ela abre suas “asas”, os distintivos que levam seu nome e que ela costumava inserir na lapela do uniforme, quando prestava serviços aos passageiros.

Biskup se casou com um piloto do Estado americano do Colorado e passou anos rodeada pelas frias montanhas de Denver. Mas, depois do divórcio, sua mudança para perto do mar, em Miami, ofereceu a ela a oportunidade de construir uma nova vida própria.

“Comecei a procurar lugares que pudesse apreciar”, afirma ela. “Eu queria simplesmente encontrar um local novo para fechar de alguma forma esta etapa da minha vida.”

Em 2014, Biskup foi diagnosticada com câncer de seio. Seu seguro cobriu as cirurgias e tratamentos, mas a nova condição médica desencadeou gastos inesperados.

“Por um ano, fui submetida a quimioterapia e radioterapia. Depois, tive uma cirurgia que durou 12 horas, uma mastectomia dupla com dupla reconstrução”, conta ela, uma década depois.

“Eu tinha os melhores médicos e acreditava que ficaria bem, mas, depois da cirurgia, meu cérebro se rendeu e entrou em colapso. Eu diria que, durante um ano e meio, não consegui me recuperar mentalmente.”

Ilona Biskup quando trabalhava como comissária de bordo. Foto: Gentileza de Ilona Biskup

Em 2019, seu médico detectou o início de um segundo tumor, desta vez no pâncreas. Ela passou por uma cirurgia para retirar as regiões afetadas, conhecida como procedimento de Whipple, que também se prolongou por horas a fio.

“Depois destes eventos, esgotei minhas economias com o câncer”, relembra Biskup.

O segundo tumor também foi eliminado, mas ela se sentia fraca demais para trabalhar. E as faturas do seguro e dos gastos cobertos do próprio bolso revelam que ela pagou centenas de milhares de dólares para recuperar sua saúde física e mental.

Em meio aos lockdowns da pandemia de covid-19, Biskup aceitou o pacote de aposentadoria oferecido pela Delta. Mas a decisão a levou a abandonar seu emprego aos 60 anos de idade, quando ainda esperava se manter profissionalmente ativa.

“Sempre tento ver o lado positivo de tudo o que vivencio, mas foi triste que a minha aposentadoria acontecesse desta forma”, lamenta ela.

Nos últimos três anos, Biskup mudou sua alimentação e se refugiou no mar. Foi quando sua mão direita começou a tremer. Às vezes, ela estava firme, às vezes ficava lenta.

Inicialmente, ela atribuiu os sintomas às cirurgias para retirar o tecido mamário, mas, há seis meses, seu médico confirmou que o temor e a rigidez são causados pelo mal de Parkinson.

Ilona Biskup mostra suas ‘asas’, os distintivos com seu nome, na época em que era comissária de bordo. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Comer com o SNAP

Biskup faz parte dos 42 milhões de americanos que se beneficiam do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP, na sigla em inglês), o plano de assistência alimentar mais importante dos Estados Unidos, similar ao Bolsa Família no Brasil.

Os beneficiários do SNAP recebem mensalmente, em média, US$ 187 (cerca de R$ 1 mil), mas esta ajuda pode variar segundo as condições do solicitante. Biskup, por exemplo, recebe US$ 225 (cerca de R$ 1,2 mil) por mês.

Para entrar no programa, o governo federal americano exige que a pessoa trabalhe pelo menos 30 horas semanais, a menos que seja estudante, cuide de uma pessoa com incapacidade ou de uma criança com menos de seis anos

O SNAP também inclui pessoas que recebem tratamentos por alcoolismo ou dependência de drogas, ou que têm limitações mentais ou físicas, como no caso de Biskup.

O programa atende um a cada oito cidadãos americanos.

Placa do cartão do SNAP, aceito nas lojas e supermercados de todo o país. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Mas, em meio ao recente fechamento do governo federal, que durou 43 dias (o mais longo da história do país), o governo do presidente americano Donald Trump ordenou a suspensão dos pagamentos do SNAP no mês de novembro.

Um juiz do Estado americano de Rhode Island decidiu contra a medida, ordenando que o governo agilizasse os depósitos. Mas a Suprema Corte validou o congelamento do programa por parte de Trump, dias antes da reabertura do governo.

À espera de um novo depósito no seu cartão do SNAP, Biskup visitou a despensa do Feeding South Florida para completar sua alimentação com 10 produtos frescos e 10 embalados ou em lata, que é a quantidade que ela poderia levar.

Ela pegou bananas, tomates, abobrinhas, pepinos e milho, além de arroz, macarrão, sopa, cereais, ervilhas, molhos e biscoitos.

Biskup escaneou as informações nutricionais dos produtos com um aplicativo que avalia a qualidade dos alimentos. Desde que se recuperou do câncer, ela observa com atenção o que come para evitar recaídas de saúde.

“Estou agradecida por receber esta ajuda”, declarou ela.

Grupos de voluntários que verificam  a qualidade dos produtos no banco de alimentos Feeding South Florida Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

O banco de alimentos

Ao longo dos seus 25 anos na organização, o presidente do Feeding South Florida, Paco Vélez, presenciou emergências causadas por furacões, crises econômicas e, é claro, a pandemia de coronavírus.

Ele garante que a suspensão do programa SNAP fez disparar a quantidade de pessoas que solicitam produtos gratuitos da despensa do Feeding South Florida.

“As famílias têm medo e não sabem como irão pagar não só pela comida, mas por tudo”, afirma Vélez.

Paco Vélez nos armazéns do banco de alimentos Feeding South Florida em Miami
Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Os preços dos alimentos aumentaram em 2,7% nos 12 meses anteriores a setembro deste ano. Os aumentos foram significativamente maiores para produtos como o café (18,9%), carne moída (12,9%) e banana (6,9%).

Este aumento ocorreu em meio a medidas como as tarifas de importação e a perseguição de imigrantes sem documentos que trabalham na agricultura, o que encareceu a produção agrícola de alimentos, explicou o especialista em economia alimentar David Ortega à BBC Verify.

Famílias numerosas de baixa renda, veteranos das Forças Armadas, mães e pais solteiros e pessoas com incapacidade, como Biskup, são alguns dos perfis das pessoas que recorrem ao Feeding South Florida.

“Nos condados do sul da Flórida, mais de 967 mil pessoas dependem deste tipo de ajuda”, alerta Vélez.

Em meio aos atrasos administrativos no pagamento do SNAP, a afluência de beneficiários se mantém, segundo a chefe de pessoal da organização, Jessica Benites.

“No início deste ano, observamos mais ou menos 40 famílias por dia”, ela conta. “No início de outubro, quando fechou o governo, o número duplicou.”

Durante a primeira semana de novembro, quando Biskup visitou a despensa, eles receberam em média 120 famílias por dia, segundo Benites.

Os alimentos são doados por produtores agrícolas e supermercados. Em uma parede, ficam os cheques que mostram alguns dos donativos recebidos pela instituição, variando entre US$ 3 mil e US$ 380 mil (cerca de R$ 16 mil a R$ 2 milhões). Eles vêm de empresas distribuidoras de alimentos até fabricantes de automóveis.

O governo federal já retomou suas atividades, mas as pessoas que cuidam do banco de alimentos se preparam para ampliar seus horários, com voluntários que comparecem toda semana para verificar a qualidade dos produtos e organizar os alimentos na despensa.

Com os últimos depósitos do SNAP, Biskup fez compras em uma cadeia de atacadistas. Ela comprou produtos em quantidades que normalmente não compraria, se não se sentisse obrigada a maximizar o rendimento da ajuda.

Ela também visita um centro comunitário em Miami Beach, onde almoça de graça depois de praticar Tai Chi ou Qi Gong, que a ajudam a exercitar a serenidade para enfrentar a perda de controle dos movimentos causada pelo mal de Parkinson.

Biskup afirma estar decidida a lutar para manter o nível de vida para o qual sempre trabalhou, embora precise ajustar seus hábitos de consumo e suas rotinas.

“Este apartamento é o meu refúgio, o lugar onde me recuperei de câncer duas vezes e onde espero viver tudo o que o Parkinson irá trazer”, declarou ela, da sacada do seu apartamento.

“Farei todo o possível para continuar vivendo perto do mar.”

DCM-Diario do Centro do Mundo

bell hooks

0

bell hooks, pseudônimo da autora Gloria Jeans Watkins, foi adotado tanto como forma de homenagem à sua bisavó, como via de resistência ao que chamo aqui de “ego academicista”. Esse pseudônimo marcado em letras minúsculas busca deslocar o foco da pessoa autoral e direcionar a visão do leitor para seus pensamentos e provocações, como um gesto político que se estende em todas suas obras e posicionamentos.

Em sua obra Ensinando a Transgredir – A Educação como Prática de Liberdade (1994), a autora propõe uma percepção da pedagogia para além dos processos cognitivos, enfrentando a educação em várias perspectivas, como a articulação entre gênero, classes sociais e identidade étnico-cultural, utilizando-se dessas interpretações para convidar os docentes a desenvolverem salas de aulas críticas e afetivas. Um ponto que intersecciona a vivência da autora são suas referências ao patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a quem hooks considerava e enxergava como guia intelectual e pessoal. Na obra citada acima, a autora reflete sobre Freire como uma espécie de manancial em meio às prisões sociais, como descrito:

“… Encontrei Freire quando estava sedenta, morrendo de sede (com aquela sede, aquela carência do sujeito colonizado, marginalizado, que ainda não tem certeza de como se libertar da prisão do status quo), e encontrei na obra dele (e na de Malcom X, de Fanon e etc.) um jeito de matar essa sede”.

Assim como Freire, bell hooks reconhece os estudantes como sujeitos e não apenas recipientes que deveriam, passivamente, absorver os conteúdos apresentados, a educação passa, por sua vez, a apresentar uma lógica muito bem estabelecida e associada ao rompimento da lógica bancária de ensino. Portanto, para bell hooks, ensinar é um ato político e ético, em que as salas de aula se encontram como espaços de aprendizado, resistência e cura perante as angústias sociais, local esse onde é gestada a busca pela emancipação.

Ester Dias da Silva Batista.

 

 

O passado tinhoso

0

Há uma inegável certeza de que se os recursos exorbitantes gastos com supersalários no setor público fossem aplicados como remuneração a médicos do SUS, cientistas, professoras, o país seria outro.

Mas não, seguimos até hoje (amanhã também) o caminho do patrimonialismo, patriarcalismo.

Alguns desses estratos públicos vivem e agem nababescamente, É como se houvesse um Principado aburguesado, como se fossem os primos mais pobres, mas, à milanesa, dos primos ricos: a burguesia financeira.

São membros mais ou menos atuantes dos Grupos Hegemônicos de Poder, às vezes mais próximos, às vezes mais ricos e por vezes meio encostados. São estratos disfuncionais de um passado tinhoso, recorrente, repetitivo do que temos de pior.

Realmente, apenas manobram o Estado, para melhor se alimentarem da sociedade, do esforço do trabalhado e da produção: vivem, sim, às custas da exploração da mais-valia; afinal, uma parte significativa do mais-trabalho é convertida em tributos que pagam esses supersalários.

Os milionários do setor público não são servidores públicos, são uma fatia distorcida da realidade brasileira (da extrema pobreza, sem saúde, saneamento básico, total insegurança – inclusive alimentar), pois vive e atua “utilizando-se do público,

Os milionários do setor público não servem AO público, eles se servem DO público. Sem mencionar a incompetência técnica, funcional, de inúmeros aspones que nada produzem de útil ao país.

Esse retrato (incutido pela “Revolução pelo alto”, como “autocracia de classe”) revela uma parte daquele “acordo por cima”, de grupos dominantes a serviço de classes dominantes que fizeram a Proclamação da República (1° golpe civil-militar), chancelaram a chamada Revolução Burguesa (1930), fundaram o Estado de direito (sem isonomia) e que tanto utilizaram e se utilizam (a seu bel prazer) da Lei de Vadiagem: dirigida invariavelmente contra o povo pobre, negro e oprimido. E que é o mesmo alvo até hoje, todas as vítimas da polícia seletiva e do racismo institucional.

Por que a educação pública no país está como está?

Perguntamos aos tecnocratas improdutivos, fornecedores de regras que apenas aprisionam o passado e aviltam o presente.

Vinício Carrilho Martinez

https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali/2025/11/26/brasil-gasta-r-20-bi-com-53-mil-supersalarios-e-lidera-ranking-global.htm?utm_source=whatsapp-network&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

O inferno após a COP30

Após a COP30 quando mais de 100 países firmaram (mais uma vez) compromissos para minimizar as consequências das mudanças climáticas, no Brasil, o Congresso Nacional fez o favor de derrubar os vetos do presidente Lula na chamada PEC da Devastação. Doravante, está liberado destruir a natureza para fincar seus projetos imobiliários sem licença ambiental. É o fim do mundo.

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’

Menos de uma semana depois de o Brasil sediar a COP30, o Congresso impôs um retrocesso inédito nas políticas de proteção ambiental na história recente do país. Em sessão conjunta, deputados e senadores derrubaram uma série de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado “PL da Devastação” e restauraram dispositivos que flexibilizam o licenciamento ambiental, criticados pelo Planalto e por entidades ambientalistas. Com a decisão, volta a valer a autorização para que empreendimentos de baixo e pequeno impacto obtenham licenças por adesão e compromisso (LAC), processo simplificado que, segundo o governo, pode beneficiar obras com risco relevante, como barragens de rejeito. Também foi restabelecida a dispensa de licença ambiental para obras de saneamento básico até o cumprimento das metas de universalização. Parlamentares ainda retomaram trechos que isentam manutenção de rodovias de licenciamento, liberam atividades rurais em áreas com problemas jurídicos e restringem consultas a povos indígenas e quilombolas apenas a terras homologadas ou tituladas. Houve também redução de proteções para matas primárias e secundárias da Mata Atlântica. (g1)

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 2

Confira como votou cada parlamentar e o que muda no licenciamento ambiental após a derrubada dos vetos. (g1)

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 3

Com a derrubada dos vetos, Alcolumbre elevou a pressão sobre o Palácio do Planalto e passou a cobrar cargos estratégicos em troca de abrir caminhos ao governo na Casa. Segundo aliados e integrantes do governo, ele quer o comando de órgãos como Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB), Cade e CVM. Lula está disposto a conceder parte do espaço pedido, já que seu o foco é garantir a aprovação de Jorge Messias para o STF. A sabatina está marcada para 10 de dezembro, e o presidente pretende conversar pessoalmente com Alcolumbre nos próximos dias para tentar assegurar apoio. O presidente do Senado queria a vaga para seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a indicação de Messias detonou seu rompimento com o governo. (Metrópoles)

Alcolumbre  derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 4

Mas Planalto ainda não aceitou a derrota nos vetos. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo estuda alternativas como decretos, portarias e ações no STF para tentar reverter trechos restabelecidos pelo Congresso, que ampliam flexibilizações no processo de licenciamento. Gleisi lamentou o resultado da votação e afirmou que o governo já vinha tentando negociar mudanças com o Legislativo havia meses. O embate reacendeu a disputa entre setores econômicos e ambientalistas após a retomada de pontos da proposta considerada um retrocesso por organizações da área. (UOL)

Alcolumbre  derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 5

Já as empresas de infraestrutura comemoraram. Embora criticado por ambientalistas, o projeto recuperou trechos considerados fundamentais pelo setor privado, como a dispensa de licenciamento para obras de manutenção em rodovias já pavimentadas e para dragagens em portos e hidrovias. (CNN Brasil)

Lucro fácil

“Deputados e senadores esperaram o fim da COP30, a cúpula do ONU sobre o clima, em Belém, para ajudar quem busca o lucro fácil em detrimento da coletividade”. (Leonardo Sakamoto-UOL)

Perdas e ganhos

“A facilidade de arregimentar maiorias e impor derrotas, algumas delas amargas, ao governo pode dar aos presidentes da Câmara e do Senado a impressão de que saem vitoriosos dos embates, mas a conta de perdas e ganhos com a manutenção desse ambiente não é tão simples como parece.” (Vera Magalhães-Globo)

Esquema bilionário

Pressionado pela operação da Receita Federal para desmontar um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis ligado ao Grupo Refit, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tirou da gaveta o projeto o projeto que pune devedores contumazes. O texto, que teve a urgência aprovada pelo plenário há 28 dias, diferencia inadimplentes eventuais de empresas que estruturam esquemas de sonegação. Ele também anunciou os relatores de medidas contra fraudes no setor de combustíveis. (Globo)

Esquema bilionário 2

A operação da Receita contra o Grupo Refit cumpriu 126 mandados de busca em cinco estados. A empresa é apontada como o maior devedor contumaz do país, com mais de R$ 26 bilhões em débitos. As investigações mostram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de importadoras, distribuidoras, postos e uma rede de empresas financeiras e offshores que ocultavam os beneficiários das fraudes, além de ter importado R$ 32 bilhões em combustíveis entre 2020 e 2025, muitos deles com falsa declaração. (CNN Brasil)

Fake Road

Polícia FederalA Polícia Federal realiza nesta sexta-feira (28) uma operação para investigar um esquema de desvio de recursos públicos em contratos de pavimentação de rodovias financiados por emendas parlamentares. A ação, batizada de Fake Road, apura fraudes em obras que deveriam ter sido executadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). De acordo com informações o g1, as suspeitas surgiram após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem indícios de superfaturamento, serviços parcialmente executados ou simplesmente inexistentes, além de medições irregulares e possível direcionamento para empresas específicas.

Outdoors contra Hugo Motta

A Justiça da Paraíba negou o pedido de remoção de outdoors críticos ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e outros nove parlamentares do estado que votaram a favor da PEC da Blindagem, espalhados pela cidade de Campina Grande. Na decisão desta quinta-feira (27), o juiz federal Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal, deu ganho de causa ao sindicalista e negou o pedido de remoção das peças movido pelo deputado. Além disso, defendeu que ocupantes de cargos públicos estão sujeitos a crítica.

PL suspende Jair Bolsonaro

O PL suspendeu as funções partidárias e a remuneração do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a perda de seus direitos políticos decorrente da condenação no Supremo Tribunal Federal. A sigla informou que cumpre exigências previstas na Lei dos Partidos Políticos e em decisões da Justiça Eleitoral. Segundo o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, a suspensão “é a lei”. Bolsonaro, que ocupava o cargo de presidente de honra do PL e recebia salário como dirigente político, fica impedido de exercer qualquer atividade na legenda enquanto durarem os efeitos da condenação criminal. (g1)

Jair Renan

Bolsonaro recebeu nesta quinta a visita de seu quarto filho, Jair Renan. Segundo ele, seu pai teve uma nova crise de soluços nesta quinta-feira e precisou ser atendido na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde sábado. Segundo relatos da defesa e dos filhos, o quadro se intensificou durante a madrugada e foi acompanhado de episódios de refluxo. A família relata que Bolsonaro tem se alimentado pouco e está emocionalmente abalado. (Globo)-Charge do Marcelo Martinez

Tarifa zero nos ônibus

A implementação da tarifa zero nos ônibus de 706 cidades brasileiras em 2026 custaria R$ 78 bilhões, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero. O valor representa um aumento de cerca de 20% em relação ao custo atual do sistema, estimado em R$ 65 bilhões. O cálculo inclui apenas o transporte por ônibus. Metrôs e trens, que somam cerca de R$ 15 bilhões ao ano, ficaram fora da projeção. Coordenado pelo Instituto de Ciência Política da UnB o estudo defende que a principal fonte de financiamento do novo modelo seria a reformulação do vale-transporte. A criação da chamada Contribuição para a Disponibilização do Transporte Público (CTP) poderia gerar R$ 80 bilhões, valor suficiente para cobrir a operação. Críticos apontam dificuldades na implementação, risco de repasses aos salários, entraves à formalização e falta de transparência nos custos das empresas. Já defensores dizem que a tarifa zero traria ganhos sociais, econômicos e ambientais, ampliando deslocamentos e reduzindo desigualdades. (Folha)

Operação Mounjaro

A Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma rede de profissionais de saúde, clínicas e laboratórios suspeitos de produzir ilegalmente versões manipuladas do medicamento Mounjaro, usado para emagrecimento. Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Segundo a PF, o grupo fabricava tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — em larga escala, sem autorização sanitária ou licença de patente, operando como se fosse a própria indústria farmacêutica. O esquema teria movimentado laboratórios clandestinos e vendido os produtos sem controle de qualidade. Carros de luxo, relógios e até aviões registrados em nome de laranjas foram apreendidos. O principal alvo é o médico baiano Gabriel Almeida, que atua em São Paulo e comercializava o “tratamento” pelas redes sociais. (g1)

Tinha que ser do MBL e da Jovem Klan

A Operação Poço de Lobato, desencadeada nesta quinta (27) pela Justiça de São Paulo, executou 126 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação em um amplo esquema de sonegação fiscal associado ao Grupo Refit (antiga Manguinhos), liderado por Ricardo Magro. Entre os alvos está Cristiano Beraldo, dirigente do MBL e comentarista da Jovem Pan. Na emissora, ele critica a “corrupção” do governo Lula, detona o STF — especialmente o ministro Alexandre de Moraes — e defende Jair Bolsonaro.

Tinha que ser do MBL e da Jovem Klan 2

O Ministério Público afirma que Beraldo administra empresas offshore nos Estados Unidos com endereços que coincidem com estruturas ligadas a Magro, apontando continuidade de um modelo internacional voltado à proteção patrimonial. A Cascais Bay LLC teria como gerente Alessandra Engel Magro, esposa do empresário, enquanto outra offshore, Oceana KB Real Estate, também é atribuída a Magro. O nome de Beraldo aparece ainda como CEO da J. Global Energy Inc, descrita pelos investigadores como parceira da refinaria Manguinhos.

In memorian

Após uma vida cheia de amor, carinho e alegria, infelizmente o corpo da genitora deste articulista descansou. Infelizmente porque, embora com 93 anos, filho nenhum quer que sua mãe parta. O conforto é saber que ela está em um bom lugar ao lado de nosso Senhor Jesus Cristo. Descanse em paz, dona Petronila. Amém. P.S. O articulista agradece às centenas de pessoas, amigos, amigas, politicos e admiradores que enviarem as condolências.

Mensagens e vídeos parRKTV

RKTV inaugura oficialmente no dia 15 de dezembro. Enviem vídeos de qualquer parte do Brasil e do mundo. Contem suas histórias, suas denúncias, que serão publicadas. Mandem para rk@rktv.com.br

Em breve, com aplicativo que dará acesso às smart tv, a RKTV estará disponível em todos os lares brasileiros. Assista aqui.

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, diz pesquisa

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (25) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para as eleições de 2026.

Cenários para segundo turno (pesquisa estimulada):

Cenário 1: Lula x Jair Bolsonaro
-Lula: 49,2%;
-Jair Bolsonaro: 36,9%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 1,4%.

Cenário 2: Lula x Tarcísio de Freitas
-Lula: 45,7%;
-Tarcísio de Freitas: 39,1%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 2,7%.

Cenário 3: Lula x Ratinho Jr.
-Lula: 45,8%;
-Ratinho Jr.: 38,7%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 3%.

Cenário 4: Lula x Romeu Zema
-Lula: 47,9%;
-Romeu Zema: 33,5%;
-Branco/nulo: 15,2%;
-Indeciso: 3,4%.

Cenário 5: Lula x Ronaldo Caiado
-Lula: 46,9%;
-Ronaldo Caiado: 33,7%;
-Branco/nulo: 15,7%;
-Indeciso: 3,7%.

Cenário 6: Lula x Ciro Gomes
-Lula: 44,1%;
-Ciro Gomes: 35,1%;
-Branco/nulo: 17,6%;
-Indeciso: 3,2%.

Cenário 7: Lula x Eduardo Bolsonaro
-Lula: 49,9%;
-Eduardo Bolsonaro: 33,3%;
-Branco/nulo: 14,6%;
-Indeciso: 2,2%.

Cenário 8: Lula x Michelle Bolsonaro
-Lula: 49,1%;
-Michelle Bolsonaro: 35,6%;
-Branco/nulo: 13,7%;
-Indeciso: 1,6%.

Cenários para primeiro turno (pesquisa estimulada):

Cenário 1:
-Lula: 38,8%;
-Jair Bolsonaro: 27%;
-Ciro Gomes: 9,6%;
-Ratinho Jr.: 6,4%;
-Ronaldo Caiado: 4%;
-Romeu Zema: 2,7%
-Branco/nulo: 8,5%;
-Indecisos: 3%.

Cenário 2:
-Lula: 42%;
-Tarcísio de Freitas: 21,7%;
-Ratinho Jr.: 11,8%;
-Romeu Zema: 5,7%
-Branco/nulo: 14,7%;
-Indecisos: 4,1%.

Cenário 3:
-Lula: 42,7%;
-Eduardo Bolsonaro: 17,4%;
-Ratinho Jr.: 14%;
-Romeu Zema: 9,6%
-Branco/nulo: 13,1%;
-Indecisos: 3,2%.

Cenário 4:
-Lula: 42,7%;
-Michelle Bolsonaro: 23%;
-Ratinho Jr.: 11,4%;
-Romeu Zema: 8,3%
-Branco/nulo: 11,7%;
-Indecisos: 2,0%.

A pesquisa de opinião divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Instituto MDA. Foram realizadas 2.022 entrevistas entre 19 a 23 de novembro, de forma presencial e domiciliar, em 140 municípios de todas as 27 unidades federativas. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.

Brasil 247

Deu no New York Times: o Brasil desafiou Trump – e venceu

Maior jornal dos Estados Unidos reconhece a vitória do presidente Lula na guerra tarifária e na resistência às pressões após a prisão de Jair Bolsonaro

A prisão de Jair Bolsonaro marcou um ponto de virada na relação entre Brasília e Washington. O episódio escancarou a limitação da influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou, sem sucesso, intervir no processo judicial do ex-mandatário brasileiro. A análise, publicada nesta segunda-feira (24) pelo jornal estadunidense The New York Times, avalia que o Brasil conseguiu “enfrentar Donald Trump e vencer” ao não ceder às pressões do presidente dos Estados Unidos sobre a prisão de Jair Bolsonaro (PL).

No texto, o jornalista Jack Nicas, ex-correspondente do veículo no país, destaca como Trump utilizou tarifas comerciais e sanções diplomáticas para tentar impedir o avanço das acusações contra Bolsonaro. A ofensiva, porém, não alterou o rumo das instituições brasileiras, que seguiram adiante até a condenação e detenção do ex-mandatário brasieliro.

A reação de Trump no sábado (22), ao ser informado da prisão de Bolsonaro, resumiu o desgaste de sua atuação. “Que pena”, disse. Questionado se teria sido avisado previamente, respondeu: “Não. Acho uma pena”. A frieza contrastou com o tom agressivo adotado meses antes, quando enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exigindo a retirada das acusações de tentativa de golpe atribuídas a Bolsonaro. Naquele momento, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionou o ministro Alexandre de Moraes, numa escalada diplomática sem precedentes.

Mudança de cenário

A anaálise destaca que, cinco meses depois, o cenário mudou completamente. Bolsonaro, de 70 anos, foi condenado a uma pena de 27 anos  etrês meses de prisão, e Trump retirou parte das tarifas aplicadas ao Brasil após uma reunião cordial com Lula. Analistas citados pela reportagem observam que a pressão da Casa Branca pode ter tido efeito inverso, endurecendo a posição das autoridades brasileiras e ampliando a punição ao ex-mandatário.

A ofensiva comercial de Washington também provocou impactos internos nos Estados Unidos, elevando o preço de itens como carne bovina e café em um momento de forte cobrança por redução do custo de vida. Enquanto isso, Lula emergiu politicamente fortalecido, tendo enfrentado e superado o confronto diplomático com a principal potência global.

Outro desdobramento citado pelo jornal envolve Eduardo Bolsonaro, que agora enfrenta acusações criminais por tentar influenciar a Casa Branca em defesa do pai. Segundo especialistas, o episódio ampliou a percepção de interferência externa e acirrou a resposta das instituições brasileiras.

Prisão de Bolsonaro

Bolsonaro foi preso após autoridades detectarem que ele havia violado a tornozeleira eletrônica instalada durante o regime de prisão domiciliar. À polícia, afirmou ter tentado queimar o equipamento com um ferro de solda e, mais tarde, responsabilizou medicamentos que estaria tomando por supostas alucinações. Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal e responsável pelo caso, determinou a prisão ao considerá-lo risco de fuga, destacando sua proximidade com a embaixada dos Estados Unidos — local onde poderia solicitar asilo. Reportagem do NYT revelou ainda que, no ano anterior, Bolsonaro chegou a dormir na Embaixada da Hungria em Brasília com o mesmo objetivo.

Apesar das ameaças iniciais de retaliação, a Casa Branca não avançou contra o Brasil após a condenação. Ao contrário: Trump aproximou-se politicamente de Lula. No discurso que fez na ONU, em setembro, ele improvisou elogios ao encontro que teve com o presidente brasileiro, afirmando que ambos tiveram “grande química”.

Encontro entre Lula e Trump

Já em outubro, antes de nova reunião bilateral, Trump foi questionado sobre Bolsonaro. “Eu sempre achei que ele era direto, mas…”, respondeu, interrompendo a frase. “Ele passou por muita coisa.” Após o encontro, centrou seus elogios apenas em Lula: “Ele é um cara muito vigoroso. Fiquei muito impressionado”, afirmou, desejando-lhe feliz aniversário pelos 80 anos completados naquele dia.

País soberano

Em seguida, Trump assinou a ordem executiva que retirou as tarifas mais pesadas sobre carne e café brasileiros, justificando a decisão pelo “progresso nas negociações” com o governo Lula. O gesto abriu espaço para novas tratativas, inclusive sobre acesso a reservas estratégicas de minerais críticos, algo que Washington tem buscado em países latino-americanos.

Apesar da distensão diplomática, os Estados Unidos mantiveram as sanções contra Alexandre de Moraes. A postura do ministro — que ordenou o bloqueio de contas em redes sociais de aliados de Bolsonaro e conduziu parte das investigações — é alvo de debates sobre os limites de sua atuação.Ao ser questionado, no domingo, sobre os comentários de Trump a respeito da prisão, Lula respondeu de forma contundente: “Trump precisa entender que somos um país soberano”.

Do Brasil 247

Por que vamos à escola?

Essa crônica traz considerações sobre o que não sabemos, mas que deveríamos dar ouvidos.

Considerando as perspectivas do ambiente escolar pósmoderno, forjado com maneirismos tecnológicos, e ainda que, teoricamente seja fundamentado como um “lugar de conhecimento”, o que fazer?

Para além das formações acadêmicas e teóricas, a escola e os lugares do conhecimento envolvem também os processos de socialização e estruturação social, fazendo emergir as dificuldades em “substituir” as concepções prévias de um sujeito. Essas dificuldades são relacionadas à construção do conhecimento, mas também há relação com a transformação do que está consolidado como conhecimento para este estudante. Isso ocorre uma vez que o processo de aprender implica um fenômeno de transformação das estruturas cognitivas já consolidadas e, muitas vezes, sendo algo que confronta até mesmo as concepções que já fazem sentido para esse estudante. Nesse ponto, a corresponsabilidade entre os estudantes e os professores e professoras é algo essencial.

Porém, após a implementação dos sistemas de plataformização, os docentes tomaram como encargo, para além de suas atuações corriqueiras (ler, estudar, escrever), uma demanda infinita em relação ao preenchimento de dados, informações, avaliações extensas, dentre várias outras questões que tomam ainda mais tempo da vivência docente e de sua própria vida pessoal. O resultado é que, esse esforço que deveria ser estruturado e diluído entre todos os participantes do processo, acaba apresentando um deslocamento, de forma unidirecional para o docente. É nesse contexto que emerge em alto e bom som uma pergunta básica: “Será que nada interessa a vocês?”. Questão que sintetiza essa tensão entre as expectativas de engajamento dos estudantes e a sobrecarga dos professores e professoras.
A estrutura de mercantilização da educação e até a transformação das salas de aulas em “circos”, em que se espera que o docente atue como malabarista, alguém que deve “dar seus pulos” para capturar o interesse e atenção dos estudantes, demonstram assimetria e unilaterização das responsabilidades. O professor acaba, portanto, sustentando sozinho um processo que, naturalmente, deveria ser coletivo, tal como o Mito de Sísifo.

Aliás, reafirmando-se, em anos anteriores já se ouvia uma pergunta reveladora, mas, não só da pessoa que falava e, sim, de uma cultura acadêmica criada na última década.
– não só é curiosa, como revela o que fizemos de errado esses anos todos.

Uma questão básica em qualquer sala de aula, diria:
– “Será que nada interessa, instiga vocês”?

Vejamos a afirmação do coletivo, na voz de uma pessoa:

“Se os docentes falassem o que os estudantes querem ouvir…seria melhor”.

Talvez alguns fiquem em silêncio ao ouvir isso, porque não entenderiam uma colocação divergente. Normalmente, a conclusão é só mental:

– se repetissem o que querem ouvir, cometeríamos dois erros crassos:
– 1. Repetiríamos o óbvio.
– 2. Repetiríamos o senso comum.

Afinal de contas, como é que uma pessoa inteligente vai à escola (“lugar do conhecimento”) para ouvir tudo o que já sabe e ignorar “tudo o que não sabe” ( e que, por dedução, o que não se sabe é muito mais vasto do que “aquilo que supõe saber”).

Há sim um tipo de doutrinação, mas é esse tipo aí: a consolidação do senso comum, das aparências, dos maneirismos, das tais “narrativas”, dos modernismos.

Antes fosse uma doutrinação efetiva, com conteúdo, história, teses, oposições, como se fazia no século XX.

Vinício Carrilho Martinez
Ester Dias da Silva Batista

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

A prisão de Bolsonaro

Pode ser uma imagem de texto que diz "th1ag) SONARO População comemora prisão de Bolsonaro na Avenida Paulista!"O país amanheceu o sábado em festa pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), por violação da prisão domiciliar. Ainda não é o cumprimento da pena de 27 anos e três meses. Esta deverá ser implementada a partir desta semana uma vez que expirou todos os recursos da defesa. Pelo andar da carruagem, Bolsonaro deverá passar o Natal numa prisão em regime fechado. Os benefícios de uma prisão domiciliar no início do cumprimento da pena não deverão ser considerados neste momento em face da tentativa de fuga após violar a tornozeleira eletrônica.

A prisão de Bolsonaro 2

Será que no entorno de Bolsonaro não tem ninguém com uma mínima cognição para orientá-lo? Porque tudo que se faz para livrá-lo da cadeia, só piora. Parece coisa do desenho Dick Vigarista. Todo dia um plano infalível. Quem seria o “mentor” dele?

Fostes tu, Ivo Cassol?

Tão logo soube-se da notícia de que Bolsonaro utilizou-se de uma máquina de solda para violar a tornozeleira eletrônica, a coluna pensou imediatamente no ex-governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), que utilizou um maçarico para tratar a Covid de um amigo. É cada uma…

Bolsonaro na prisão 

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve confirmar, por unanimidade, nesta segunda-feira, 24, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro após a destruição da tornozeleira eletrônica e indícios de tentativa de fuga. Para esta segunda-feira, os ministros da Primeira Turma — Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — têm até as 20h para registrarem seus votos.

Confusão mental

Surto paranoico e “uma certa confusão mental”. Essas foram as alegações do ex-presidente Jair Bolsonaro para explicar tentativa de abrir com um ferro de solda a tornozeleira eletrônica na madrugada de sábado, o que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes a transferi-lo da prisão domiciliar para uma sala na Superintendência da Polícia Federal. Na audiência de custódia realizada por videoconferência neste domingo, Bolsonaro disse que pensou haver uma escuta na tornozeleira e que tentou abri-la, mas “recuperou a razão”. A defesa do ex-presidente apresentou um boletim médico afirmando que ele teve um “quadro de confusão mental e alucinações” associado ao remédio Pregabalina, embora ele não tenha sido prescrito pelos profissionais que atendem Bolsonaro. Ao fim da audiência, a juíza Luciana Yuki Fugishita manteve a prisão preventiva. (CNN Brasil)-Charge do Spacca

Autorizada por Moraes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitou o marido na tarde de domingo na PF, em Brasília, onde ele está preso. Michelle chegou ao local por volta das 15h e permaneceu cerca de duas horas. Pouco depois, Moraes também autorizou as visitas dos filhos do ex-presidente. Segundo decisão expedida na noite deste domingo, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderão visitar o pai separadamente amanhã, entre 9h e 11h. Já o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) tem visita agendada para quinta-feira, no mesmo horário. Na mesma decisão, Moraes manteve autorização para entrada da equipe médica sem prévio aval da Justiça, além de disponibilização de tratamento médico em tempo integral. (Metrópoles)

Confusão mental 3

Aliados de Bolsonaro fazem coro à tese de confusão mental adotada pela defesa. Segundo pessoas próximas, o ex-presidente vinha manifestando paranoia crescente com a ideia de que o equipamento estaria sendo usado para grampeá-lo. Interlocutores atribuem o comportamento a um quadro de confusão mental e ansiedade, agravado pelo estresse com a iminente prisão por conta da trama golpista. A expectativa entre aliados era de que o STF decretasse a medida na próxima semana, após o fim da análise dos recursos apresentados pelas defesas dos réus. (Folha)

Conversão da prisão domiciliar

A Primeira Turma do STF analisa hoje a conversão da prisão domiciliar de Bolsonaro em preventiva. Como a decisão foi de Moraes e o colegiado está com um ministro a menos após a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma, somente Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votarão. Se o colegiado referendar a prisão, Bolsonaro continuará preso de forma preventiva enquanto o STF considerar a medida necessária. Por lei, esse tipo de prisão deve ser reavaliado a cada 90 dias. Caso os ministros optem pela revogação, o ex-presidente poderá responder em liberdade, sob medidas cautelares. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado, mas a prisão atual não se refere à condenação, já que o prazo para recursos ainda está aberto. A defesa tem até hoje para apresentar os últimos embargos. (g1)

Enquanto isso…

Flávio Bolsonaro manteve na noite de sábado a “vigília de oração” convocada para a frente do condomínio do pai e apontada por Alexandre de Moraes como um dos motivos para a prisão preventiva. A concentração de apoiadores teve um incidente violento, quando o pastor evangélico Ismael Lopes, com uma Bíblia na mão, pediu para discursar. Em vez de apoiar o ex-presidente, ele lembrou os 700 mil brasileiros mortos na pandemia, teve o microfone arrancado e foi agredido por bolsonaristas, tendo de ser protegido pela polícia. (UOL)

Lula: a Justiça decidiu

No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez, de forma sucinta, sobre a prisão do antecessor. “Então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou, e todo mundo sabe o que ele fez”, afirmou em entrevista coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou da 20ª edição da Cúpula de chefes de Estado e governo do G20. (g1)

Landau x Moraes

E contrastando com o tom vago de Donald Trump na véspera, o subsecretário do departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, número dois da diplomacia do país, classificou a prisão de Bolsonaro como “provocativa e desnecessária” e chamou Alexandre de Moraes de “violador dos direitos humanos”. (BBC)

Messias para o STF

Lula indicou Jorge Messias para o STF no Dia da Consciência Negra — uma afronta. Em vez de uma mulher negra, veio mais um homem branco, evangélico, mostrando o quanto o governo se afastou das pautas identitárias para agradar um Brasil conservador. Porque essa escolha diz muito sobre o limite do ‘progressismo’ de Lula”. (Mariliz Pereira Jorge-Meio)

COP30

Após duas semanas de negociações, a COP30 terminou em Belém com a aprovação da “Decisão do Mutirão”, o texto político final da conferência (veja a íntegra), além de dezenas de documentos da agenda oficial. O Mutirão reúne quatro temas sensíveis deixados fora das tratativas formais: financiamento climático, ambição das metas nacionais, transparência nas emissões e medidas de comércio ambiental. O documento, porém, evita compromissos mandatórios. Foram escanteados o “mapa do caminho” defendido pelo governo brasileiro para iniciar o fim gradual dos combustíveis fósseis, e qualquer plano global para zerar o desmatamento; o texto apenas reafirma decisões anteriores, como o Consenso dos Emirados Árabes, que prevê transição energética até 2050, e menciona a conservação de forma genérica. A Decisão cria ainda o Acelerador Global de Implementação, mecanismo voluntário para impulsionar ações alinhadas ao limite de 1,5°C, e adia discussões substantivas sobre comércio para 2026.(Poder360 e Veja)

COP30 2

Embora aprovada por unanimidade, a sessão plenária foi suspensa por cerca de uma hora após países como Colômbia, Panamá, Uruguai e Argentina contestarem trechos dos textos. Após consultas, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, confirmou todas as aprovações. Ele foi aplaudido ao reafirmar que, apesar de o tema ter ficado fora do documento final, trabalhará nos próximos meses para construir dois “mapas do caminho”: um para a transição dos combustíveis fósseis e outro para zerar o desmatamento. (G1)

COP30 3

Diante do texto esvaziado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a COP30 traz avanços, ainda insuficientes diante da urgência climática. Citou a Rio-92 para ilustrar o descompasso entre ambição e resultados, dizendo que os negociadores de três décadas atrás “sonhavam com metas mais ambiciosas”. Ainda assim, afirmou, “mesmo com atrasos e contradições”, há continuidade entre aquela ambição inicial e o esforço atual. (G1)

Dona Petronila

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, pessoas sorrindo e hospitalA mãe deste articulista está deveras mal de saúde. Aos 93 anos, dona Petronila inspira cuidados especiais e se restabelece em casa, cercada de carinho e amor, sob intenso acompanhamento da filha Marli, deste filho Roberto e de Emanuelle Bentes, esposa do neto Roberto Bentes. Oremos pela saúde dela.

 

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

O delinquente Jair Bolsonaro, enfim, encontra a merecida punição: a cadeia

A prisão deste sábado é o desfecho coerente de uma biografia que sempre flertou com a ilegalidade e a quebra de instituições

Neste sábado, 22 de novembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e prendeu preventivamente o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua residência em Brasília, removendo-o para uma acomodação da Polícia Federal.

A decisão, que não tem prazo definido, foi motivada pela violação de sua tornozeleira eletrônica e pelo alto risco de fuga, agravado pela convocação de uma vigília de apoiadores feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Este é o epílogo provisório de uma trajetória que, da insubordinação militar ao mais alto cargo da República, desaguou na condenação pela infame tentativa de golpe de Estado após a eleição de Lula em 2022.

A história de Bolsonaro é a crônica de uma vida dedicada à delinquência política. Tal trajetória, plena de momentos abjetos, foi igualmente marcada pela leniência das instituições que deveriam controlá-la. Essa impunidade encontra agora, finalmente, os freios da democracia.

A semente desse percurso foi plantada ainda durante sua vida militar. No ano de 1986, o então capitão Bolsonaro tornou-se conhecido do grande público ao ser preso após escrever um artigo para a revista Veja, sem conhecimento dos superiores, criticando os baixos salários dos militares. O episódio, porém, foi apenas o prenúncio.

Em 1987, a mesma revista revelou que Bolsonaro supostamente planejava detonar explosivos em unidades militares no Rio de Janeiro, como a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais e a adutora do Rio Guandu, num protesto radical. Ele negou a autoria, mas a publicação chegou a divulgar um desenho que teria sido feito por ele. O caso rendeu-lhe uma condenação em primeira instância, mas da qual foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar em 1988. Transferido para a reserva, deixou para trás uma carreira marcada pela insubordinação e ingressou na política, elegendo-se vereador do Rio de Janeiro em 1988.

Sua migração para o Parlamento não significou a adoção de uma conduta republicana. Pelo contrário, implicou num exercício constante de sabotagem da democracia a partir de suas instituições.

Como deputado federal por sete mandatos consecutivos, Bolsonaro firmou-se não como um legislador produtivo — nunca aprovou um projeto de lei relevante ou presidiu uma comissão —, mas como uma figura torpe, cujo nome ecoava nas manchetes principalmente por declarações que defendiam a tortura e assassinatos cometidos pela ditadura militar, além de proferir falas consideradas racistas e de ódio contra minorias. Era o político do baixo clero que vocalizava um conservadorismo agressivo e se alimentava do conflito.

Esse perfil, paradoxalmente, tornou-se sua alavanca. Aproveitando-se da onda do antipetismo sempre fomentada pela mídia hegemônica e amplificada pela Lava Jato e transformando-se em um fenômeno das redes sociais, ele lançou-se à Presidência em 2018 com um discurso antissistema, pró-armas e defensor, na fachada, de valores familiares, sendo eleito após um segundo turno contra Fernando Haddad.

Uma facada sofrida durante a campanha, da qual sobreviveu, foi atribuída por ele próprio como o momento crucial que alavancou sua candidatura. Seu governo, iniciado em 2019, caracterizou-se pelo desmonte de políticas públicas, pelo ataque aos órgãos de defesa do meio ambiente e pela promoção de um armamentismo descontrolado.

De forma ainda mais trágica, a gestão Bolsonaro foi marcada por uma resposta negacionista e criminosa à pandemia de COVID-19, na qual minimizou a doença, desestimulou a vacinação e promoveu tratamentos ine­ficazes, contribuindo para centenas de milhares de mortes evitáveis. Paralelamente, travou um conflito constante e sistemático com as instituições democráticas, em especial com o Supremo Tribunal Federal.

A derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 não veio acompanhada de uma transição pacífica. Pelo contrário, foi o gatilho para colocar em prática uma trama meticulosa para se manter no poder. Em setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi enfático ao afirmar que Bolsonaro foi fundamental para reunir indivíduos de extrema confiança do alto escalão do governo, formando o núcleo central de uma organização criminosa cuja maior consequência seria o retorno a uma ditadura no Brasil. A pena foi a consequência jurídica para os atos golpistas que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando hordas de seus apoiadores, incitados, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.

A prisão deste sábado, portanto, não é um evento isolado ou um acidente de percurso. Ela é o desfecho coerente de uma biografia que sempre flertou com a ilegalidade e a quebra de instituições, desde os tempos em que, fardado, planejava explodir quartéis. A ascensão de Jair Bolsonaro mostrou conhecidas fissuras e fraquezas da democracia.

Sua queda, ainda que tardia, registra avanços cruciais na afirmação das instituições. Antes de tudo, demonstra que o Brasil vive na vigência de uma Constituição democrática, de onde emana o poder. Respeitar a Carta Constitucional de 1988 é obrigação de todos. Sob a sua égide repousa o Estado Democrático de Direito. Por incrível que pareça, isso é tão novo que chega a ser revolucionário.

Até os mais poderosos podem ser chamados a responder por seus crimes. Como fica agora cristalino, a Justiça tardou, mas, enfim, chegou para o delinquente Jair Bolsonaro.

Brasil247

Bolsonaro usou solda para tentar abrir tornozeleira; confira vídeo

O ex-presidente Jair Bolsonaro usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica. As informações estão em relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap) encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto a um vídeo em que o próprio Bolsonaro admite a avaria.

“[Foi] curiosidade”, disse ele, informando que a tentativa de abrir o equipamento ocorreu no final da tarde de sexta-feira (21).

Às 00h07 deste sábado (22), o sistema do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME) gerou o alerta de violação da tornozeleira. Pela manhã, Bolsonaro foi preso pela Polícia Federal.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, retirou o sigilo sobre o relatório e o vídeo da Seap e deu prazo de 24 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifeste sobre a tentativa de violar a tornozeleira.

“O equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Haviam marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe/fechamento do case. No momento da análise o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em resposta, informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento”, diz o relatório.

A tornozeleira foi, então, substituída por outro equipamento.

Também nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou, pelas redes sociais, uma vigília de orações próxima à casa onde o pai, Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

Na decisão que determinou a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes cita a violação da tornozeleira e diz que a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Na semana passada, a Primeira Turma da Corte rejeitou os chamados embargos de declaração do ex-presidente e de mais seis acusados para reverter as condenações e evitar a execução das penas em regime fechado.

Neste domingo (23), termina o prazo para a apresentação dos últimos recursos pelas defesas. Se os recursos forem rejeitados, as prisões serão executadas.

A defesa do ex-presidente chegou a pedir, nesta sexta-feira, a concessão de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, o que foi rejeitado por Moraes neste sábado. Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deve continuar em prisão domiciliar.

Sobre a prisão preventiva de hoje, a defesa afirma que recorrerá da decisão.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar em razão de descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF.

Elas foram determinadas no inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado pela sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.

Agencia Brasil

Dia da Consciência de Zumbi

0

A primeira premissa dessa conversa traz uma consciência elementar: a luta de classes é violenta. A segunda nos diz que a luta de classes no Brasil é profundamente racista.
A terceira premissa (ou lição de casa) assegura que a exceção (racismo, por meio do exemplo óbvio) é sinônimo de destruição da isonomia.

A normalização da exceção impõem-se pela adesão ao Necrofascismo (festeja-se a violência), à identificação com o Mal (no passado não foi diferente, com seu “viva la muerte”) e, assim, viola-se todas as premissas da isonomia.

A normatização da exceção é a fase posterior, quando a negação da isonomia é ordenada – ou quando se tornam regras (com Força de lei) todas as condições que aprimorem a negação formal da isonomia. Nosso exemplo mais óbvio é o AI-5. Mas, o Ato Patriótico do pós 11 de setembro é a máxima atualização pós-moderna. No que não seria diferente do Apartheid.
No Brasil, na vida prática, a isonomia nunca existiu e hoje é ainda mais evidente, quando vemos que o Homo sacer é o povo pobre, negro e oprimido.

No nosso caso, o racismo é institucional, sempre tivemos a normatização do racismo – o episódio mais conhecido e em plena vigência nas periferias atende pelo nome de Lei de vadiagem.
Até a luta de classes é seletiva no nosso país, com a mulher negra e pobre enxotada para o Rodapé da história social e institucional.

Portanto, neste Dia da Consciência de Zumbi dos Palmares, defendo (novamente) a indicação de uma mulher negra para o STF.
A única condição que traria é que a futura ministra tivesse a consciência de quem foi Carolina de Jesus.

Vinício Carrilho Martinez

Coluna Zona Franca

 

Por Roberto Kuppê (*)

Bomba Master

O mercado financeiro e o mundo político foram abalados nesta terça-feira pela notícia da prisão na noite anterior de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente a instituição e suas empresas, preservando apenas o Will Bank por haver interesse de compra. A liquidação aconteceu um dia após o anúncio de que a Fictor, uma holding financeira pouco conhecida, iria adquirir o Master e dois meses depois de o BC vetar a venda do banco ao BRB, que pertence ao governo do DF. Vorcaro, investigado por emissão de títulos de crédito falsos, foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para deixar o país em um jatinho com destino à ilha de Malta, no Mediterrâneo. A defesa nega fuga e diz que ele viajaria a Dubai justamente para negociar a venda do banco. Com a liquidação do Master e de sua corretora, os depósitos até R$ 250 mil passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto uma gestora nomeada pelo BC assume o comando e afasta a diretoria. (Folha)

Bomba Master 2

Nas investigações, a PF e o MPF descobriram que o Banco Master vendeu ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que não existiam e tentou justificar a operação com documentos falsos entregues ao Banco Central. Contratos foram “fabricados” em um único dia, usando associações ligadas a um ex-diretor para simular créditos consignados bilionários, além de 100 contratos de pessoas físicas que jamais ocorreram. Mesmo após o BC identificar inconsistências e rejeitar a compra do Master pelo BRB, o banco estatal continuou transferindo recursos, o que levou os investigadores a apontar crime em andamento. (Estadão e Globo)

Bomba Master 3

Pode ser uma imagem de cachoeira e casamentoAlém de Vorcaro, seis pessoas foram presas, incluindo Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que consta como sócio do Master, e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO da instituição. A Justiça bloqueou R$ 12,2 bilhões do grupo, e a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte e dinheiro vivo. A decisão judicial também afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB. (Metrópoles)

Bomba Master 4

A prisão de Vorcaro deixou muita gente alarmada. Ao longo dos anos, o banqueiro construiu uma rede de conexões políticas que vai de bolsonaristas como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) a integrantes do governo Lula, como o ministro Ricardo Lewandowski. (Estadão)

Bomba Master 5

A liquidação do Banco Master deve causar a maior indenização a depositantes já feita pelo FGC, que terá de cobrir entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões em depósitos, valor que supera o caso Bamerindus de 1997, atualizado hoje para cerca de R$ 20 bilhões. O Master vinha captando com CDBs de alta remuneração garantidos pelo fundo e já havia recebido uma linha emergencial de R$ 4 bilhões em maio para honrar vencimentos. Apesar do tamanho do rombo, o FGC afirma ter liquidez suficiente para fazer frente aos ressarcimentos. (Folha)

Vorcaro recebeu bilhões do PCC?

A complexa rede financeira que sustenta os negócios do banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser detalhada com mais profundidade com a revelação envolvendo o fundo Hans 95. Documentos de investigação mostram como uma estrutura de fundos fechados e interligados dificultava rastrear a origem e o destino de aportes bilionários ligados ao empresário. As informações foram publicadas pelo UOL, que teve acesso a documentos de investigação fiscal e judicial.

Vorcaro recebeu bilhões do PCC? 2

A maior parte dos investimentos relacionados ao Hans 95 não ocorria diretamente, mas por meio de outros veículos controlados pelo fundo, criando uma estrutura de cascata semelhante à já identificada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro associada ao PCC. (Brasil247)

Câmara aprova PL Antifacção

O Planalto até tentou, mas não conseguiu evitar que o relatório do PL Antifacção proposto pelo deputado federal (Guilherme Derrite-SP), secretário licenciado de Segurança de São Paulo, fosse aprovado com larga maioria na Câmara nesta terça-feira. O texto recebeu 370 votos a favor e apenas 110 contra, expondo, uma vez mais, a fragilidade do governo no Congresso. O texto prevê endurecimento de penas, criação de novos tipos penais, ampliação dos poderes de investigação e regras especiais para líderes de facções. O PT votou contra o parecer, acusando o relator de politização. (g1)-Confira como votou cada deputado. (Poder360)

Câmara aprova PL Antifacção 2

O governo teve uma pequena vitória em meio a uma derrota acachapante. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofício a proposta do bolsonarismo de equiparar facções criminosas ao terrorismo. Deputados e governadores de oposição vinham pressionando para que a equiparação fosse feita, uma ideia rejeitada radicalmente pelo governo. (Folha)-Charge do Orlando

Câmara aprova PL Antifacção 3

Nenhuma descrição de foto disponível.Em um sinal de que a Câmara partiria para o confronto, Derrite cancelou uma reunião marcada para a manhã com os ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para discutir seu relatório. (UOL)

PL Antifacção no Senado

E o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já escolheu o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para relatar o projeto na Casa. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Sérgio Moro (União Brasil-PR) pleiteavam o posto, mas Alcolumbre escolheu Vieira, não alinhado diretamente com governo ou oposição, para evitar “contaminação política” do projeto. (Folha)

Divórcio litigioso

“A votação do PL Antifacção e a terceira operação da Polícia Federal em poucos meses com reflexos na classe política selam o divórcio litigioso entre o governo Lula e uma parcela poderosa do Centrão” (Vera Magalhães-Globo)

PF tem capacidade

“O Master enreda políticos, agentes do mercado e fundos públicos — e, por isso, só a Polícia Federal tem capacidade de investigar e desmontar essa teia. Então, quem ganha quando a PF perde força?”. (Flávia Tavares-Meio)

Jeffrey Epstein

Por surpreendentes 427 votos a 1, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou uma ordem determinando que o Departamento de Justiça divulgue imediatamente todos os documentos relativos ao caso do financista e pedófilo Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019 quando cumpria pena por tráfico sexual. Na semana passada, democratas divulgaram e-mails enviados naquele ano pelo próprio Epstein afirmando que o presidente Donald Trump, de quem era amigo íntimo, “sabia das garotas”. A decisão agora vai para o Senado e, se aprovada, segue para o próprio Trump que disse não pretender sancioná-la. O único congressista a votar contra a divulgação foi Clay Higgins, republicano da Louisiana, sob a alegação de que a medida exporia milhares de pessoas que não teriam relação com os crimes de Epstein. (CNN)

COP30

Ministros de quase 20 países transformaram o que seria uma entrevista coletiva em um ato político dentro da COP30 nesta terça-feira. Em vez de uma apresentação técnica, representantes de vários países aproveitaram o momento para cobrar um posicionamento mais firme da conferência sobre o futuro energético global. Ministros de Alemanha, Reino Unido, Colômbia, Ilhas Marshall, Quênia e Serra Leoa, cercados por representantes de cerca de 15 outros países, defenderam a inclusão do assunto em termos mais incisivos nas decisões finais da conferência. A proposta por uma decisão clara que estabeleça uma rota para a eliminação dos combustíveis fósseis ganhou força nos últimos dias nas negociações paralelas. O movimento amplia a pressão sobre os países resistentes a assumir metas explícitas de abandono do petróleo, gás e carvão. Segundo diplomatas presentes, o gesto simboliza uma articulação inédita para romper o impasse histórico em torno do fim dos fósseis. (Capital Reset)

Todes e elu

Agora é oficial. Termos como “todes” e “elu” estão proibidos em documentos oficiais de todas as esferas de governo. O presidente Lula sancionou a lei que estabelece um padrão de “linguagem simples”, obedecendo às regras gramaticais e o acordo ortográfico da língua portuguesa, a fim de tornar compreensíveis para qualquer cidadão os documentos públicos. A chamada linguagem neutra, bandeira de grupos identitários, acabou incluída na proibição. (Poder360)

Lumière

Thierry Frémaux, diretor artístico do Festival de Cannes e uma das vozes mais influentes do cinema mundial, veio ao Brasil para lançar Lumière, a aventura continua, novo capítulo do projeto de restauração dos filmes dos irmãos Lumière conduzido pelo Institut Lumière. Além disso, Frémaux participou de debate na Cinemateca Brasileira com Walter Salles e afirmou que o país vive “uma espécie de idade de ouro contemporânea”, citando o impacto de Ainda Estou Aqui e classificando Agente Secreto como um dos grandes filmes do ano. Para ele, a vitalidade da produção brasileira recoloca o país no centro das conversas globais sobre criação e futuro do cinema. (Estadão)

Wagner Moura

E o ator Wagner Moura vai estrelar uma nova peça de teatro, O Processo: Inimigo do Povo, adaptação de Christiane Jatahy para o texto de Henrik Ibsen que atualiza o clássico para os conflitos políticos e ambientais atuais. A montagem será apresentada em 2026 nos festivais de Edimburgo, Avignon e Holanda, primeira coprodução simultânea entre os três eventos desde 1947. Cotado ao Oscar por O Agente Secreto, Moura interpretará Thomas Stockmann em um formato que envolve parte da plateia como júri. (Guardian)

O Décimo Rei do Inferno

O Museu Metropolitano de Arte devolveu à Coreia do Sul uma pintura budista de 227 anos, retirada do Templo Sinheungsa durante a Guerra da Coreia e mantida no acervo do Met desde 2007. A obra, chamada de O Décimo Rei do Inferno, voltou ao país após uma investigação conjunta entre o museu, o templo e um comitê local dedicado à recuperação de patrimônio cultural levado no conflito. A repatriação, celebrada em Seul, é a sétima de um conjunto de dez pergaminhos desaparecidos nos anos 1950, quando tropas americanas controlavam a região. Para especialistas, o gesto reconhece a vulnerabilidade de templos e acervos durante guerras e reforça o esforço recente do Met para revisar origens de peças com histórico problemático. (New York Times)

Mensagens e vídeos parRKTV

Enviem vídeos de qualquer parte do Brasil e do mundo. Contem suas histórias, suas denúncias, que serão publicadas. Mande para rk@rktv.com.br

Em breve, com aplicativo que dará acesso às smart tv, quando estará disponível gratuitamente em todos os lares brasileiros. Assista aqui.

Breakfast

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Novo ciclone se aproxima do Brasil; confira os 2 estados que mais serão afetados

0

A formação de um ciclone extratropical próximo à costa promete mudar o cenário meteorológico no Sudeste nesta quarta-feira. Segundo informações divulgadas pelo O Globo, o sistema deve se organizar entre a tarde e a noite, reforçando instabilidades que já vinham dominando a semana e ampliando o risco de temporais sobretudo no Rio de Janeiro, em São Paulo e em partes de Minas Gerais.

No Rio, o alerta começa ainda na madrugada, com previsão de chuva intensa e persistente na metade sul do estado — incluindo a capital fluminense. A aproximação do núcleo do ciclone pelo oceano deve estimular a formação de nuvens carregadas capazes de provocar grandes volumes de chuva em curtos períodos, aumentando a preocupação com alagamentos e transtornos urbanos.

De acordo com meteorologistas ouvidos pela reportagem original, “ele se forma próximo à costa durante a tarde e, depois do pico de instabilidade da madrugada, já começa um deslocamento mais rápido para o oceano”. Ainda segundo o especialista, “à medida que se afasta, a tendência é de redução da chuva mais intensa, embora o dia ainda siga com céu fechado e umidade alta em várias áreas do Sudeste”.

Ao longo da manhã, o sistema deve iniciar seu avanço para alto-mar, o que tende a diminuir gradualmente a força das instabilidades. Mesmo assim, o céu permanece carregado, a umidade segue elevada e ainda pode haver pancadas isoladas até o fim da tarde.

Em São Paulo, a intensificação da nebulosidade ocorre principalmente entre o fim da tarde e o início da noite. A Grande São Paulo e áreas do interior podem registrar chuva forte acompanhada de rajadas de vento. Em Minas Gerais, o tempo fica mais instável no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce, regiões onde a combinação entre calor e concentração de umidade aumenta os acumulados previstos.

No Espírito Santo, mesmo com o ciclone afastado da costa, sua atuação em alto-mar deve estimular o transporte de umidade, favorecendo pancadas mais fortes ao longo da tarde.

A influência do sistema também alcança o Nordeste. A circulação atmosférica associada ao ciclone intensifica a formação de um cavado, ampliando a instabilidade no interior da Bahia e no litoral leste da região. “A entrada de umidade e as temperaturas altas da tarde aumentam essa instabilidade típica da primavera, favorecendo pancadas mais fortes em pontos do Nordeste. A Bahia pode ter volumes maiores por causa dessa ondulação”, afirmou a meteorologista Andrea Ramos.

No Norte, o cenário permanece semelhante aos últimos dias: pancadas frequentes e fortes, principalmente no Amazonas e em Tocantins, onde a grande quantidade de umidade e o aquecimento do período da tarde favorecem tempestades mais intensas. Manaus, inclusive, deve continuar registrando acumulados elevados.

Enquanto isso, no Centro-Sul e no Sul do país, o predomínio é de tempo firme. Uma massa de ar seco mantém as manhãs mais amenas e as tardes quentes, com baixa umidade relativa em áreas do interior. No Sul, o dia começa frio em partes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, mas o calor retorna à tarde, sobretudo no Paraná. A probabilidade de chuva é baixa, restrita a ocorrências muito isoladas no litoral.

Previsão de máximas e mínimas por estado

Norte
AC: 23°C / 33°C
AM: 23°C / 35°C
AP: 24°C / 30°C
PA: 23–26°C / 31–34°C
RO: 21°C / 33°C
RR: 23°C / 30°C
TO: 23°C / 35°C

Nordeste
AL: 22°C / 30°C
BA: 21–23°C / 30–31°C
CE: 25–26°C / 31–32°C
MA: 24°C / 34°C
PB: 23°C / 31°C
PE: 23°C / 31°C
PI: 26–27°C / 38°C
RN: 23°C / 30°C
SE: 22–23°C / 30°C

Centro-Oeste
DF: 16°C / 29°C
GO: 16–22°C / 29–34°C
MT: 22–25°C / 33–35°C
MS: 16–21°C / 31°C

Sudeste
ES: 21–22°C / 30°C
MG: 16–21°C / 28–31°C
RJ: 17–23°C / 30°C
SP: 16–22°C / 25–31°C

Sul
PR: 11–16°C / 25–28°C
RS: 9–16°C / 20–25°C
SC: 14–16°C / 23–28°C

Brasil 247

Vinício Carrilho Martinez: Ação da PM motivada por orixá em aula deixou crianças desesperadas

0

Um representante do conselho de pais da Emei Antônio Bento, na zona sul de São Paulo, afirmou que a comunidade escolar ainda tenta se recuperar do episódio em que policiais armados entraram na unidade após um pai contestar uma atividade pedagógica sobre cultura africana…

Esse obscurantismo (Teologia do domínio) é pior do que aquele praticado ao tempo dos Capitães do Mato.
Aliás, nem deve haver referência a qualquer Cosmogonia.
Não é à toa que se encaixa feito luva nas ações das piores organizações criminosas do RJ: do vulgo Peixão.
Trata-se de domínio territorial, mas completamente de corpos e mentes.
É como se fosse um Torquemada do CV, uma organização religiosa oponente ao ISIS, mas tão forte que aprimorou o modus operandi da morte cruel.
– esse indivíduo é qualquer coisa saída da fábula que inventou a distopia macabra.
– esse indivíduo é a sombra do macabro. Mas não está só, não é o criador da fé macabra: só alinhou com o crime organizado.
Tiveram a sensibilidade (menos hipócrita de quem romantiza o crime) de não chamar de Teologia da dominação.
A diferença entre domínio (“dominus”, para os piores romanos) e dominação é gigantesca.

Por Vinício Carrilho Martinez

Orixá em aula: ação da PM deixou crianças desesperadas, diz pai

 

Ao vivo pela RKTV: Presidente Lula inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153

Cerimônia ocorrerá às 11h desta terça-feira (18), no município de Xambioá

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visita e inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153. O evento será às 11h, na orla do município de Xambioá.

A ponte consolida um importante corredor logístico da BR-153, reduzindo custos de frete, otimizando o escoamento da produção e fortalecendo a competitividade do Tocantins, do Pará e de toda a Região Norte no cenário nacional e internacional.

Assista aqui ao vivo.

SERVIÇO:

Presidente Lula visita e inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153

️ Data: 18 de novembro, terça-feira
Horário: 11h
Local: 
Orla do município de Xambioá

Quem será o próximo?

Por Ronald Pinto

Nas últimas duas décadas, os movimentos sociais globais passaram por uma transformação radical. A militância territorial e as organizações de base cederam espaço a uma ecologia informacional dominada por grandes corporações digitais – as Big Techs – que hoje hospedam e condicionam a vida pública. Essa transição é particularmente relevante para as gerações Millennials e Z, nativas digitais que dependem quase que integralmente das redes sociais para consumo de informação, sociabilidade e ação política.

Ao se conectar com teorias clássicas de ação não violenta, como as de Gene Sharp, essa infraestrutura privada criou um ambiente superpotencializado para a eclosão de revoltas. No entanto, o paradoxo é evidente: tais levantes frequentemente emergem sem um conteúdo de classe definido, despolitizados e marcados por identidades fluidas – um terreno fértil para manipulações externas e narrativas virais. Enquanto isso, os Estados nacionais, como o Brasil, permanecem aferrados a lógicas tradicionais, como as pesquisas de opinião, ignorando que o verdadeiro campo de batalha se deslocou para o interior das plataformas digitais, onde ferramentas de mobilização pré-política fermentam em silêncio.

Plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, X/Twitter, YouTube e Telegram converteram-se nas arenas centrais do debate político. Apesar da percepção de que são espaços abertos, são, na prática, propriedades privadas regidas por algoritmos opacos que determinam:

  • O que se torna viral,
  • Quem ganha alcance,
  • Quais temas ascendem à prioridade,
  • E como as emoções coletivas são amplificadas ou suprimidas.

Para as gerações Y e Z, hiperconectadas e habituadas ao zapping digital, esses ambientes não são apenas fontes de conteúdo, mas o próprio meio onde sua consciência política é formada – moldada por sistemas que filtram e hierarquizam informações conforme interesses comerciais e geopolíticos. Assim, as Big Techs tornam-se os novos mediadores da consciência coletiva, capazes de modular indignações e canalizar frustrações difusas em comportamentos de massa.

Gene Sharp teorizou sobre a erosão do poder por meio da retirada do consentimento popular, usando ações não violentas, boicotes e desobediência civil. O que ele não previu foi que seus princípios seriam, nas redes sociais:

  • Amplificados por algoritmos,
  • Organizados em tempo real,
  • Replicados em ondas virais,
  • Disseminados sem qualquer estrutura organizacional formal.

Se antes a difusão de métodos de resistência dependia de sindicatos e partidos, hoje esse papel é desempenhado pelo feed. Quando a teoria de Sharp encontra o TikTok, surge um novo tipo de mobilização: espontânea, descentralizada, emocional e impulsionada por símbolos da cultura pop (como as bandeiras de One Piece no Nepal e no México). A ação coletiva deixa de ser uma estratégia política deliberada para se tornar um efeito de rede – um enxame digital guiado por impulsos e afetos amplificados algoritmicamente.

Um traço estrutural das chamadas revoluções coloridas e dos levantes da Geração Z é a ausência de um conteúdo de classe claro. Esses movimentos evocam valores como anticorrupção, transparência e renovação política, mas raramente aprofundam debates sobre:

  • Relações de produção,
  • Desigualdade estrutural,
  • Reformas econômicas,
  • Soberania nacional,
  • Políticas distributivas.

Esse vazio ideológico não é acidental; é funcional para o modelo das Big Techs e para a lógica difusa dos próprios movimentos. A disputa deixa de ser sobre o modelo de sociedade e se concentra no ato de mobilizar-se, na dramaturgia da revolta e na performance da insatisfação. Por não possuírem um epicentro político sólido, tornam-se alvos fáceis de apropriação por potências estrangeiras, ONGs ou partidos, configurando-se como revoltas de alta energia e baixa direção – simultaneamente potentes e frágeis.

Os Estados nacionais ainda acreditam que a temperatura social pode ser aferida por pesquisas de opinião tradicionais. No entanto, a dinâmica digital escapa completamente a esse paradigma. Enquanto governos moderam suas ações com base em números estáveis a partir de institutos de pesquisa como o Datafolha ou Ipec, as redes sociais, sob o controle das Big Techs, estão gerando:

  • Comunidades paralelas,
  • Bolhas inflamadas,
  • Sentimentos de injustiça viralizados,
  • Afetações súbitas que explodem em mobilizações massivas.

Eis o ponto crítico: a Geração Z não precisa estar politizada para derrubar um governo. Basta estar conectada.

Assim como no Nepal, onde o simples bloqueio de redes sociais detonou uma revolta que derrubou o primeiro-ministro, no Brasil ou em qualquer outra democracia, um gatilho banal – uma fala mal interpretada, um vídeo viral, um caso de corrupção superdimensionado – pode gerar uma mobilização monstruosa, despolitizada e imprevisível. O México acaba de ingressar neste mapa de risco. No dia 15 de novembro, manifestações da Geração Z, usando como pretexto o assassinato de uma liderança política, levaram milhares às ruas. O evento rapidamente escalou para a ação de grupos mascarados que tentaram incitar a invasão do Palácio Nacional, em um atentado explícito ao governo de Claudia Sheinbaum – que é alvo de ataques frontais do governo Trump. Este episódio é a materialização do risco: uma centelha de legitimidade (a indignação com um crime) é capturada e direcionada para uma tentativa de desestabilização de um governo soberano.

Estamos, portanto, diante de uma nova forma de poder social: o poder algorítmico de massas conectadas, sem mediação política, sem elaboração ideológica e sem horizonte organizativo.

A combinação entre o controle informacional das Big Techs, a aplicação viral dos métodos de Gene Sharp, a natureza despolitizada dos movimentos e o engajamento emocional da Geração Z cria um ambiente onde mobilizações capazes de desestabilizar governos podem eclodir de forma súbita e incontrolável, como visto recentemente no México.

No entanto, é ingênuo ver essa força como um mero fenômeno espontâneo. A presença dos donos dos algoritmos – os bilionários das Big Techs – no centro de poder dos EUA, inclusive na posse de figuras como Donald Trump, evidencia seu alinhamento orgânico aos interesses do capitalismo global por eles defendido. O Nepal serve como caso paradigmático de um regime substituído para atender a desígnios geopolíticos específicos. O Brasil, por sua vez, já experimentou esse mecanismo em seus estágios iniciais em 2013, um processo que, 12 anos depois, encontra-se drasticamente mais refinado e potente.

A pergunta que se impõe, portanto, deixa de ser se novas tempestades se formarão, mas quem serão os próximos alvos. Governos democráticos que insistem em ler a realidade pelas lentes anacrônicas das pesquisas de opinião ignoram que a verdadeira disputa migrou para o interior das plataformas. É ali, sob seu próprio nariz, que se forjam as crises do futuro, usando a energia genuína de uma geração para promover uma agenda de poder que lhe é, na maioria das vezes, completamente alheia.

Entrevista: Vinício Carrilho Martinez fala sobre capitalismo digital e tecnofascismo

Instituto Humanitas UNISINOS

Entrevistado: Vinício Carrilho Martinez (Prof. Titular da UFSCar)

Pauta: Capitalismo digital e Tecnofascismo: a captura do substrato criativo da Humanidade

  1. IHU – Para introduzirmos o assunto, gostaria que o senhor explicasse a diferença entre técnica e tecnologia e como as relações e transformações entre uma e outra nos levam ao tecnofacismo?

Basicamente, podemos entender que a técnica, assim como a arte e a política, são as marcas mais profundas e evidentes de nossa hominização – ou seja, o milenar tempo histórico em que fomos nos tornando humanos, das pequenas e grandes transformações que nos forjaram enquanto Homo sapiens sapiens. Antropologicamente, associa-se o Período do Neolítico como a fase em que essa junção (política, técnica e arte) tiveram uma espécie de “congruência em definitivo”, como uma síntese que se realiza, pois houve um grau maior de afirmação e de reconhecimento como “espécie diferente das demais”, um marco sensível no nosso entendimento acerca de nós mesmos (como espécie) e do mundo ao nosso redor. A tecnologia, como eu a vejo, recorta uma fase mais recente e se aproxima do que se convencionou denominar de formação do capitalismo. Neste caso, a técnica – convertida em tecnologia – perdeu gradativamente sua condição de hominização (até se acentuar em definitivo por meio da “acumulação primitiva de capitais”, no Colonialismo, na Expansão Ultramarina). E daí em diante se acentuou como base material de dominus: opressão para os colonizados, excluídos da produção e subalternizados. Frisando-se que dominus é uma das formas de dominação, outra, diversa, é racional-legal. Pois bem, esse movimento do capital é anterior à primeira revolução industrial e está mais próximo da própria criação do Estado Moderno – a enorme tecnologia política capaz de centralizar em torno de si (e para si), como se fossem seus, os mais variados interesses. Aumentou-se a escala de produção, mas refluiu a condição humana. O Estado Moderno, centralizado e unificado, teria a seu dispor (e disporia às classes e aos grupos dominantes) todo o arsenal tecnológico disponível: da atualização da bússola, do implemento das Caravelas (na fase de edificação do Estado-nação) até à profusão das ideias dominantes que se ajustavam à Colonização (escravismo). Em que pese o capitalismo sempre ser movido por contradições, a tecnologia não está direcionada ao desenvolvimento da condição humana, da Humanidade.

  1. IHU – A propósito, poderia descrever o que é o Tecnofacismo?

Se a grande tecnologia política inventada pelo capital para a dominação (na forma de dominus, de modo opressivo) foi o Estado Moderno, de lá para cá, ao longo dos séculos, a inventividade tecnológica da política – em busca de mais meios de opressão – manteve-se atenta e aguda. O Apartheid, na África do Sul é um exemplo recente da invenção de tecnologias políticas opressivas; no caso, pode-se dizer que seja uma tecnologia político-jurídica de opressão. Porém, o recorte mais evidente provém do Nazismo (e do Fascismo, de Mussolini). Na Itália, como ingrediente da tecnologia de dominação, flerte com as massas, estruturou-se a Carta de del Lavoro, um documento que colecionava direitos trabalhistas e foi inspiração para a nossa Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Na Alemanha nazista, muitos foram os aportes em tecnologia de destruição em massa, começando pelas armas de guerra sofisticadas – veja-se o emprego dos submarinos e das bombas V1 e V2 que pareciam chover em Londres –, no entanto, tem uma tecnologia que sempre me impressionou até mais do que as demais: o rádio de pilha. A colocação do rádio na equação nazista foi essencial, porque assim todas as residências, todos os lares alemães eram bombardeados e doutrinados com o discurso oficial do Partido Nazista, com Goebbels na direção. Uma tecnologia que se destacou na massificação, horizontalização, dos discursos e das diretrizes nazistas é por demais importante, fundamental, para se assegurar um rígido controle social. Algo de grande vulto havia sido interposto na Revolução Francesa (jacobinismo), com a criação do livro didático – tornando-se os ideais revolucionários mais acessíveis e replicáveis. Pois bem, essas premissas de formatação dos discursos e das práticas sociais teleguiadas são a essência do que se apelidou de Tecnofascismo. A grande diferença entre o passado e o presente se verifica na base material, nos tipos e recursos tecnológicos empregados – mas, não nas premissas. O Tecnofascismo, hoje, está entranhado nas redes sociais – que vejo como antissociais –, multiplicando-se, irradiando-se em discursos de ódio social sem controle algum. Pelo contrário, no estofo dessa tecnologia – redes antissociais – estão agindo algoritmos que prospectam e difundem os discursos racistas, misóginos, fascistas. A própria base material está alinhada à multiplicação do Fascismo. O que nos diferencia um pouco do uso anterior das tecnologias políticas é a profusão, a fractalidade: o ódio se multiplica como flocos de neve. Então, há uma recuperação dos principais pontos do Fascismo tradicional, da era Mussolini, além de sua propulsão incontida (estimulada) a partir das tecnologias digitais. Com a Inteligência Artificial não será diferente, se pensarmos no quanto a IA é racista e misógina na “entrega” das pesquisas.

 

  1. IHU – De que forma as Big Techs pautam a política?

Junto ao capital especulativo, seja de renda fixa seja de renda variável – também conhecido por rentismo – as Big Techs, como eixo do Capitalismo de dados (captura e monetização dos nossos dados sensíveis e postagens, reações digitais, além da incursão de propagandas), são o que entendo uma condição importante da estrutura hegemônica do capital atualmente. Por capital hegemônico subentende-se o capital que efetivamente predomina, controla e dirige o poder de decisão. Não é à toa que a fractalização acompanhou, deu vasão, à globalização (e que não é outro Colonialismo: na geopolítica e na base material são bem diferentes): o capital acumulado no sistema financeiro precisava chegar a todos os lugares, a todos os continentes e lares, e está quase lá, se pensarmos que apenas a Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp) está presente ao alcance de cinco bilhões (cinco bilhões!) de pessoas. Assim, se você chega a cinco bilhões de pessoas, por óbvio, que é capaz de modificar a qualidade da política. A popularização dessa tecnologia foi a grande mudança, enquanto tecnologia de reprodução e de acondicionamento. Porém, há outra característica que deve ser apontada e que é a “apropriação”. A própria Internet como a conhecemos hoje, na década de 1990 não só tinha outra configuração tecnológica como seus horizontes ou, ao menos, possibilidades eram distantes dos atuais. No contexto daquela época recente, o fenômeno das Multidões se pronunciou e se apresentou como sinônimo de “pontos de fuga” (no dizer de Deleuze) dos meios controlativos da mídia oficial, tradicional. Desde o México de Chiapas – com a insurgência dos povos indígenas – até Seatle e o antigo G7, os insatisfeitos, rebeldes, revolucionários, libertários – especialmente a juventude daquele momento (ou seja, a minha geração) – encontraram na Internet uma forma descentralizada (tecnologia do “todos-todos”, oposta ao “um-todos” dos jornais, das Tvs) e apta ao encontro, à reunião ampliada, dispersa, fractalizada, de mentes e corações avessos ao dominus daquela forma prevalecente de capital (sistema financeiro globalizado). As redes sociais nem existiam, ou melhor, tinham ali seu embrião: o fractal. Porém, astutamente, e com a Meta de hoje sempre empenhada em favorecer os grupos de poder e de mando, o que era uma “ideia de rede” logo se arrumou como redes sociais. A diferença, neste ponto, está na perda “gradual e segura” da autonomia, da liberdade, da premissa da emancipação: os algoritmos sempre favoreceram – como base material da tecnologia de domínio financeiro – as relações lucrativas e impulsivas do poder político alinhado ao capital financeiro. Em suma, houve a partir dos 1990, gradualmente, uma mudança de rumo no fluxo da liberdade e da participação social. As redes sociais trouxeram novas bases de controle social, mas, antes disso, promoveram uma “apropriação” dos sentidos e dos significados (libertários, difusos, democráticos) que orbitavam as práticas políticas das Multidões envoltas nos arranjos que a Internet permitia. Na prática, portanto, ocorreu uma apropriação da experiência política e sua deturpação – ou, em outras palavras, ocorreu uma desapropriação da ideia de rede e se interpôs sua conversão (pelo capital financeirizado) com o incremento das atuais redes antissociais.

  1. IHU – Como a IA captura a pauta política e como essa mediação tecnológica destitui a polis?

Em primeiro lugar, porque estamos cedendo espaços e condições de criação genuinamente humanos à Inteligência Artificial (IA), na música, na arte em geral, na redação de mensagens, na produção inclusive de teses acadêmicas. Entretanto, também cedemos na política, transferindo para decisões tecnológicas as pautas políticas que nos são as mais caras. As políticas públicas já são desenhadas e definidas em muitos países pela IA – sem consulta popular. Ora, se a consulta popular é o que temos mais perto de nós desse fenômeno político que é a Polis (o próprio espaço público), então, a sua supressão – em nome de alguma aposta ideológica (mentirosa) em favor de “decisões técnicas mais acertadas” (a tecnoburocracia de antigamente se fazendo mais atuante) –, obviamente, não pode confluir com o aprimoramento e aprofundamento da qualidade almejada para a condição humana. É preciso ter em conta, de forma muito clara e até repetitiva, que somos o resultado da política, somos “animais políticos” – e seríamos muito mais “políticos”, politizados, se o espaço público fosse delineado pelos maiores e melhores interesses humanos. Ainda lembremos que a IA não tem domínio público, é uma tecnologia com “razão empresarial”, criada e posta para rodar em tornos dos interesses econômicos prevalecentes. Nenhuma ação humana é isenta, neutra – porque não há isenção em nada que se transforma – e a política é a arte da transformação, tanto é assim que a política nos transformou de seres sociais, aptos à sociabilidade, em animais políticos, produtores de poder e das condições de dominação e de decisão (racional, legítima) ou de dominus (opressão). Se tiramos isso do humano-genérico e das populações e comunidades mais específicas, substituindo-as por decisões artificiais, é claro que o resultado não poderia ser pior para nós. Essa é uma tendência que tende a se reproduzir e ampliar em todos os quadrantes, especialmente na política.

  1. IHU – A negação da política é uma ideia que tem sido utilizada pela extrema-direita para conquistar corações e mentes da população. O que está por trás desse projeto político e como ele se materializa na sociedade?

A negação da política, como antecipado na resposta anterior, agora tem incrementos tecnológicos de uma dimensão nunca mensurados em nossa história: do rádio de pilha nazista às redes antissociais há uma transformação qualitativa monstruosa: é como se o discurso de Goebbels pudesse alcanças cinco bilhões de pessoas. E os discursos de Goebbels e de Mussolini têm em comum a deformação, desconstrução, destruição da arena política. O Fascismo nunca politizou ninguém; ao contrário, seu esforço sempre foi o da despolitização. Entendo que a política é a expressão e a Polis, o local, o medium. É assim que a extrema-direita, supremacista, racista, fascista, se “apropria” da política e, ao fazê-lo, acaba por descredenciar por completo o campo da política – sempre lembrar que a política é expressão do espaço público. O espaço público é onde se manifesta o Princípio do Contraditório (o dizer não), das contradições afloradas e contraditas por teses que se chocam. É do espaço público que pode/deve surgir a síntese, a sistematização transformadora das teses postas para avaliação e decisão. Essa capacidade decisional, se estamos efetivamente no espaço público, deve ser coletiva e os envolvidos precisam ter consciência aprofundada, alongada, acerca das implicações e das consequências não só de suas escolhas, mas do que, substancialmente, se produzirá no futuro, após as deliberações e a tomada de decisão (um pouco no sentido de Habermas). Por definição, a extrema-direita (racista, fascista) não garante o espaço público; além de buscar sua privatização (a partir dos grandes conglomerados), por condição óbvia, o Princípio do Contraditório é o primeiro a ser negado, atacado, demovido. Vemos como a “demonização da política” é uma pauta acesa nos períodos eleitorais (outsiders). Assim se produz a destruição da política, da Polis, do espaço público, enfileirando-se todas as teses políticas em torno de um “pensamento único”: o pensamento de corte fascista. Não pode haver divergência, discordância, propositura do seu contrário (o normal e desejado no espaço público) ao pensamento fascista, pois, a antítese do Fascismo é a democracia e, com esta, o Fascismo (a extrema-direita) seria destruído. Definitivamente, a extrema-direita não politiza as comunidades, as populações, as periferias.

  1. IHU – Qual parece ser o objetivo final da tecnologia digital?

O objetivo final é o dominus por completo do substrato humano. Chegar o mais próximo possível do controle comunicacional de oito bilhões de pessoas: acessar, ver, ler, ouvir, consumir e sugerir o que oito bilhões de pessoas devem acessar, ver, ler, ouvir, consumir e sugerir (um 1984 amplificado, fractalizado ao expoente máximo). Entendo por substrato humano o que, hoje (em 2025), produzimos e postamos na Internet, seja ou não a partir de redes sociais. Esse substrato ainda é produto humano, em sua maioria ou essência. Em breve, contudo, mudará de mãos – se continuarmos embarcados docilmente na tecnologia da IA. É, ainda hoje, esse substrato (nossas criações e manifestações culturais, conceituais – como esta entrevista – pessoais e coletivas) o resultado direto de nossas intenções – sejam elas fascistas ou democráticas. O problema maior, me parece, está no por-vir, porque pode vir a ser um mundo em total distopia. Se nossa Utopia repousa na ideia de um mundo mais equilibrado, qualificado, moralmente, ecologicamente, socialmente, a distopia está claramente depositada na tecnologia de dominus que “coloniza” 5 bilhões de pessoas. Fazenda Modelo, romance distópico produzido por Chico Buarque seria oportuno ser relido atualmente.

  1. IHU – Como a inteligência artificial captura o substrato criativo da humanidade?

A IA apresenta como suas as respostas que nos fornece. O que ocorre, ao contrário disso, é que as informações, as análises, os postulados, as teses, foram postas na Internet por humanos. Nós ainda produzimos a informação, os dados, o conhecimento que vão constituir o que chamei de substrato humano, a nossa produção e publicação digital (o trabalho vivo, intelectualizado, mais criativo). Porém, os algoritmos capturam impunemente o que fizemos e nos ofertam essas informações (rearranjadas) como se fosse um brilhantismo tecnológico: daí o novo “fetichismo da mercadoria” (diria o velho Marx) ou fantasmagoria (em Kafka). Na história da Humanidade não há caso mais gravoso de apropriação indébita, de expropriação, do que essa promovida pela IA. Essa tecnologia ainda não é capaz de produzir por si (em que pese máquinas já planejarem máquinas, isso ocorre a partir das nossas premissas, das premissas dos engenheiros ou projetistas). O dilema maior surgirá quando chegarmos à fase da IA integral, ou sob o dominus de uma IA só – talvez até capaz da singularidade. Neste momento, a IA ainda prescinde do substrato humano criativo. Por enquanto, a IA é um tipo mais “refinado” (com suporte tecnológico mais eficiente e multiplicado) do famoso método do “copia e cola”. A IA nos copia, cola o que fizemos e nos põe em cópia para recebermos respostas com base no que lhe enviamos previamente. É assim que a IA passa de ano e nós repetimos os mesmos erros. A IA ainda não sabe o que significa o 15 ou o 20 de novembro, no Brasil. Talvez um dia saiba, se aproprie do seu significado e o inverta quando perguntarmos.

  1. IHU – Como o capital digital institui um desejo de pensamento único? Até que ponto isso se concretiza?

Esse pensamento único está sendo apontado, construído, pelas bases materiais do que chamo de Capitalismo digital. As subjetividades estão em constante processo de captura pelos Grupos de Interesse Hegemônicos; profundamente, profusamente, capturadas em todos os quadrantes do planeta, em todas as classes, segmentos, grupos, estratos e camadas sociais. Ninguém está fora do alcance, ainda que não estejam conectados, porque os impactos e os resultados são sentidos por todos. A natureza é a mais impactada, com a produção em escala e com níveis acelerados de obsolescência das mercadorias: consumimos mais, devastamos mais. A questão é que não se tem essa consciência, da obsolescência acentuada. Em parte, por ação continuada desse fluxo consumerista/degradante, também se acentua um ritmo maior de “naturalização das formas de exceção”. A Uberização (pejotização) é um exemplo dessa atualidade e, controversamente, é o caminho oposto daquele anunciado pela Carta del Lavoro de Mussolini: o descredenciamento do Mundo do Trabalho é avassalador. Muitos dos subalternizados pela Uberização já se encontram ensimesmados na plena aceitação (e troca) dos direitos e das garantias trabalhistas por um ganho imediato, diário, e sem incidência de impostos: troca-se, definitivamente, a mínima segurança pessoal (seguro saúde, por exemplo) pelo ganho instantâneo: é nisto que se colocou, reduzindo-se por completo, a subjetividade das classes trabalhadoras e dos subalternizados. Outros são literalmente esgotados pelo ritmo e pelas condições laborais. E, numa fase aguda, adoecem com gravidades muitas vezes irreversíveis. Na extremadura dessa equação, há os milhões (bilhões, dependendo de como se analise) de pessoas simplesmente excluídas, banidas do Mundo do Trabalho, assujeitadas em condições as mais degradantes. Em vários desses casos, a própria identidade da pessoa é decomposta – no que se chama de “crise ontológica”, a pessoa duvida de sua própria existência, não se tem mais como referência insular. Muitos restam prostrados como se fossem ovoides, sem distinção de si, sem identificação do seu ser; ao passo que os outros bilhões sobreviventes vivem dentro de bolhas de referenciação, as bolhas geradas a partir dos algoritmos que pavimentam as redes antissociais. A “nova” fase do pensamento único – servir para enriquecer, obedecer para oprimir – está sendo edificado pela identificação com a obsolescência e pelo medo da morte violenta (violência que alimenta mais violência), pelo pânico e terror – não foi diferente sob o nazifascismo. O Franquismo na Espanha é um marco tardio, prolongado da violência fascista: “viva la muerte”, dizia-se alegremente.

 

  1. IHU – Como a obsolescência humana possibilita a extração da mais valia absoluta?

A escala 6×1, a uberização do Mundo do Trabalho (com jornadas de 12 horas diárias, nos remete ao fluxo da 1ª Revolução Industrial), a exploração do trabalho sob condições análogas à escravidão, são exemplares. No entanto, a demonstração mais aguda está na escala implantada em muitos países industrializados ou em vias de desenvolvimento, e que é conhecida como 9-9-6. Trata-se de uma jornada de trabalho imposta das 9 horas da manhã até às 21 horas, durante seis dias da semana – o que totaliza 72 horas de extração da mais valia (enquanto trabalho vivo) por semana. Esse ritmo é brutal, a despersonalização do indivíduo é total, os níveis de estranhamento são absolutos. É neste sentido que vejo a extração da mais valia absoluta nesses tempos tão relativizados. Os ganhos, os rendimentos, a base salarial, efetivamente, não contempla essa carga exploratória e de expropriação de tudo o que a classe trabalhadora possa ser capaz de produzir. Esse ritmo, não diferencia muito se é feito no modo remoto ou presencial, não edifica pessoas mais humanas; pelo contrário, as descredencia de participarem, de fazerem parte do espaço público. Como é que se pensa ou faz política com 72 horas submersas no modo de produção? Não há condição cognitiva, reflexiva, analítica e crítica, que sobreviva a tais níveis de exploração e de “obsolescência humana”. Ninguém resiste, em sua humanidade, a essa brutalização. É óbvio, portanto, que a crise ontológica vem disfarçada (até onde é possível) por “doenças e enfermidades mentais”. Quando pensamos no trabalho vivo (iminentemente intelectual, projetivo) a deformidade não é diferente, notadamente, se pensarmos nas enfermidades mentais: “colapsos”. São milhares de professoras e de professores já em processo de adoecimento no Brasil todo. Nas universidades públicas, talvez o ritmo seja diferenciado; todavia, o “vício pelo trabalho”, além de esconder o ritmo de trabalho (incluindo-se férias e finais de semana), ainda acentua um discurso laborativo de “mais quantidade, mais capacidade”. A universidade pública, ainda mais mergulhada na lógica neoliberal (neocolonial) de exploração da mais valia absoluta (e do trabalho vivo), quer esconder esse capacitismo pós-moderno: quando o próprio trabalho intelectual é unicamente medido pelas métricas da quantidade, sem relevo ou incidência de criatividade efetiva. Pois bem, sem criatividade não se faz crítica (presos na mesmice) e, sem isso, não há inovação ou Ciência. Costumo dizer que o pior da universidade pública é a lógica produtivista que se instalou, mas de péssima qualidade; afinal, “as pessoas competem entre si para ver quem faz mais igual, e depois se engalfinham em vaidade para saber quem fez mais igual”. É uma atualização do ditado popular mais famigerado que possa existir, ao negar de pronto a emancipação, quando diz, solenemente: “vamos deixar como está, para ver como fica”. Essa ideia faria Paulo Freire ter colapsos. Assim, o trabalho vivo, engenhoso, prospectivo, criativo, intuitivo, está obsoleto – no seu lugar está posta a lógica reprodutiva da obsolescência humana.

  1. IHU – Sob qual aspecto o trabalho infantil digital e a servidão voluntária às Big Techs podem ser vistos como “escravismo digital”?

Todos que participam de alguma perna da engenhoca da comunicação e da platamorfização digital o faz na condição de “servo voluntário” (na expressão de Bauman), posto que até mesmo nossas intenções passam pela captura da subjetividade e de sua apropriação indébita, ilegal e imoral. Veja-se o exemplo simples do Gmail, praticamente obrigatório (irrefutável) nas universidades, centros e institutos de pesquisa – toda a pesquisa nacional, a Ciência, o conhecimento, tudo passa pelo Gmail. E o que é o Gmail? É a principal porta de entrada no substrato acadêmico pela empresa que o disponibiliza (Google). Isso já é amplamente sabido. O que ainda não mensuramos adequadamente se refere à exploração do trabalho infantil nas redes antissociais – e que é altamente lucrativo para pais, mães, responsáveis. Induzidas por mais consumo, glamour (com os coleguinhas), as crianças são manipuladas por seus gestores: não fazem a mínima ideia da lucratividade envolvida em “suas brincadeiras” digitais. Não podemos esquecer, nunca, que a exploração do trabalho é abjeto, uma das piores formas de opressão, e seja no aspecto digital seja no “mundo real” (físico) – e a exploração do trabalho infantil nem encontra adjetivos à altura de sua malícia. Para além disso ainda há o fenômeno da adultização, que é a transformação de crianças em objetos sexuais. A somatória dessas atribuições digitais poderiam ser o miolo desse escravismo digital, uma vez que estamos todos submetidos à essa era de exploração e de pensamento único. Não há uma criança, jovem ou adulto que não passe ou não receba os efeitos do mundo digital: quando utilizamos o aplicativo de bancos ou de qualquer empresa estamos trabalhando para ela. A suposta “comodidade”, na acessibilidade digital, é uma máscara que esconde o desmantelamento da rede de trabalhadores e o aumento do nosso trabalho, pessoal, em busca de serviços ou informações pelas quais estamos pagando. Então, trabalhamos de graça, e felizes, certos de nossa comodidade. Esse poderia ser o resumo da mentalidade submetida, subsumida ao escravismo digital.

  1. IHU – Quais são as consequências da captura da polis pela IA? Após a despolitização, qual será o futuro da Humanidade?

Bem, o futuro da Humanidade será o que nós decidirmos. O problema é “o agora”, o “como” e sobre “o que” estamos decidindo para nós mesmos. Bilionários constroem bunkers em toda parte do mundo, mas para que? Lá dentro de suas cavernas bilionárias teriam alguns anos, até décadas de sobrevida – frente às possíveis catástrofes que eles produziram –, mas, e depois, quando e se abrissem a jaula pós-moderna que fizeram para se guardar de sua distopia, o que devem encontrar do lado de fora? Imaginemos que alguns humanos tenham sobrevivido, que alguns animais tenham restado, qual será o nível de humanidade que verão aqui fora, o que restará do conhecimento, da tecnologia e da Ciência que ajudaram a destruir? Com certeza, o barbarismo não será menor do que esse Fascismo que estão plantando todos os dias, todas as horas. Por isso chamei a atenção para o presente, para o aqui e agora. O que podemos fazer a partir de agora, individualmente, coletivamente, em face dos devaneios e das distopias que nos são apresentadas todos os dias? O que temos feito, com quem, quando? É obvio que as articulações entre nossos posicionamentos e ações individuais devem/precisam estar alinhadas ao que pensamos e almejamos em termos coletivos, propriamente humanos. Portanto, a expansão da reflexão e da ação ambiental, de sua preservação e recuperação, penso, deve ser imediata, pondo-se como a principal cautela a nos mover daqui por diante. O que mais podemos fazer? Podemos nos alinhar com petições políticas que descredenciem as pautas fascistas, de imediato, porém, também as pautas niilistas, egoístas, hedonistas, desprovidas de conteúdo social (Interação), devem ser denunciadas, analisadas e combatidas. Digo combatidas porque estamos mergulhados numa luta política, em meio à Luta de classes racista, e, em cheio, no mundo construído por distopias que desafiam os piores pesadelos dos mais notáveis escritores de distopia…

  1. IHU – Diante de uma sociedade já bastante estruturada sob a égide do capitalismo digital, quais saídas vislumbra para um futuro para além do imperativo tecnocientífico e tecnofascista?

No cômputo geral, há um esgotamento do “modelo humano”: esgotamos o espaço público, o Mundo do Trabalho, as condições mínimas da dignidade humana, esgotamos os recursos naturais, esgotamos nossa indignação e esgotamos a paciência da Natureza conosco. Elevamos a “dominação da natureza” às últimas consequências, afirmamos as teses de Bacon elevadas à décima potência. Nunca o “saber é poder” foi tão claro e evidente, todavia, trata-se de um “saber manipular” os Homens e massacrar com mais veemência o nosso isolado Planeta. Nunca a Humanidade se colocou um desafio como esse (parafraseando Marx), porque é um desafio para agora, com todas as forças humanas, políticas, morais, tecnológicas que temos à nossa disposição. O problema é que não temos essa disposição de frear o ritmo exploratório, de limitar e controlar o nível do próprio desenvolvimento tecnológico, a começar pela IA (descontrolada) enquanto a Humanidade segue enlouquecida para consumir. Se um dia chegássemos perto dessa consciência, competência ampliada – o que minha Utopia não permite visualizar – alguns dos sentidos mais inaugurais da articulação humana seriam resgatados: a política voltaria a ser humana e “hominizada”, a tecnologia seria vista como o antigo manejo técnico, a arte seria dirigida pela condição humana. O que fazer? De modo bem específico, penso que os aportes qualificados na educação e na cultura, de forma a descolonizar o Estado Laico, a afirmar a formação política dos estudantes, em termos de serem ávidos consumidores de uma educação de qualidade, inclusiva, democrática, emancipadora, ainda é o remédio que precisamos enquanto Povo brasileiro – destacando-se, (re)construindo-se nossa diversidade social, cultural, política, nosso sincretismo.

  1. IHU – Deseja acrescentar algo?

Quero acrescentar mais quatro questões, propostas por estudantes de vários cursos de graduação da UFSCar e que se ligam perfeitamente ao que viemos analisando.

  • IHU – Como a obsolescência humana possibilita a extração da mais valia?

Com a obsolescência humana, o trabalhador torna-se facilmente substituível e desqualificado, o que o deixa mais vulnerável ao aumento de sua exploração, já que ele, o trabalhador, adquire o pensamento de que não possui poder suficiente para exigir melhores condições e corre o risco de ser substituído a qualquer momento. É possível visualizar que essa construção é enfraquecida desde sua base diante do atual projeto neoliberal na educação pública brasileira. Onde a carga horária de disciplinas da área de ciências humanas foram reduzidas, enfraquecendo a formação do pensamento crítico, ao passo que matérias inconsistentes (por exemplo educação financeira) e cursos técnicos são implementados e priorizados. Enquanto o ensino privado continua com o itinerário antigo e com foco pré-vestibular. Um exemplo desse resultado é o capitalismo digital presente na plataforma Uber, o trabalhador é visto apenas como um número no algoritmo (intencionalmente), podendo ser desligado a qualquer momento no impasse que outra pessoa aceite a trabalhar por menos. A obsolescência humana cria essa instabilidade e insegurança no trabalhador, reforçando a estrutura contemporânea de extração da mais valia absoluta.

Izabela Victória Pereira

  • IHU – como a IA interfere no processo criativo?

A criação de novas ferramentas, seja motivada pelo lucro, seja motiva pela necessidade, ou por alguma contingência, faz parte da natureza humana. Estar no mundo é também mudar o mundo. Esse é o modo como os homens, em geral, opera. De forma nenhuma a natureza humana é reduzida a esse ordinário princípio objetivo, a dialética tem maior fundamento para explicar tal natureza. No entanto, há padrões que permanecem. A técnica é um exemplo. Com o capitalismo digital cada vez mais disseminado, o mundo está sobre o poder das novas tecnologias de comunicação e operação. O atual momento exprime uma nova revolução tecnológica, marcada pelo advento das IA (inteligência artificial) e IAG (inteligência artificial generativa). A partir de um prompt é possível pesquisar criar ou copiar algo. O problema está mais sobre a cópia do que sobre a pesquisa e a criação, pois a utilização dessas ferramentas para pesquisar é legitima, para criação idem, mas, quando utilizada para copiar ideias sem que haja permissão do criador, é abominável para sociedade e para a arte. A cópia de estilos artísticos foi notória quando houve a reação do estúdio Ghibli. A onda de imagens nas plataformas e rede sociais com a estética desse estúdio gerou revolta no estúdio, pois não houve permissão por parte dos criadores.

João P. Magalhães

  • IHU – Discuta como diferentes formas de obsolescência humana são produzidas na sociedade contemporânea, articulando tecnologia, trabalho e corpo.

A obsolescência humana na sociedade atual pode se manifestar por meio de diferentes processos, seja nos meios tecnológicos, de trabalho ou ainda nos corpos e em suas expressões sociais, tornando tais estruturas cada vez mais descartáveis e distantes da humanização. Nesse aspecto, a uberização, bem como o sistema chinês 9-9-6 (sujeito de desempenho – Byung-Chul Han), tem reduzido os trabalhadores a condições somente de sobrevivência. É válido salientar ainda o tópico ‘sobrevivência’ do sujeito, isto é, a vida não se traduz em experiências ou desenvolvimento, mas em suportar jornadas exaustivas que acabam por reforçar o princípio de que, uma vez esgotada a capacidade produtiva, de vender sua mão de obra, o indivíduo pode ser facilmente substituído. Outro ponto de grande relevância refere-se na forma como as Big Techs, associado ao avanço da inteligência artificial (IA), tem tomado para si o substrato criativo humano, como os recentes debates envolvendo dubladores, que se movimentaram amplamente para manter suas funções na dublagem de filmes e séries, visto que as IAs não teriam as capacidade humanas necessárias para transmitir anseios, emoções e todos aspectos necessários em produções artísticas. Isso mostra como as IAs tendem padronizar formas de criação em meras performances, isso tudo com uma promessa de eficiência e maior escala de produção. Por fim, mas sendo, particularmente, uma das principais formas de demonstrar a obsolescência dos corpos, se expressa também como o corpo feminino sempre apresentou esse marco de tornar-se obsolescente em dado momento, especificamente durante e após a menopausa. Esse processo é frequentemente compreendido (ou melhor, apresenta uma grande falta de compreensão) como um “ponto final” na vida de mulheres, isso porque, na visão biológica, que associa a sistematização feminina como a capacidade de gerar proles, de se reproduzir, quando isso não ocorre mais, a mulher torna-se um “objeto fora do prazo de validade”. Essa visão, para além da biologia, pode ser visualizada também de diversas formas, dentre elas as várias obras intituladas por Vênus, como ‘O Nascimento de Vênus’ (Sandro Botticelli), mais anteriormente, no período pré-histórico, a escultura ‘Vênus’ ou, por fim, a ‘Vênus de Milo’. Todas essas obras se apresentam nuas, com seios fartos e quadris largos, demonstrando como esse aspecto reprodutivo é essencial para afirmar a feminilidade em sua capacidade de “parir” e amamentar suas crias. Por sua vez, a falta de estudos, investimentos e políticas que ampliem a qualidade de vida após esse período evidencia como as mulheres são vistas como obsoletas não apenas no mercado de trabalho, mas também em esferas afetivas, sociais e relacionais. Ressalto aqui, portanto, que o corpo feminino, para além de tantas batalhas e sofrimentos, enfrenta também uma dupla obsolescência: produtiva e existencial. Esses eixos são articulados de modo a manter a lógica vigente, que busca a exploração acima do indivíduo ali presente, sendo a obsolescência humana, portanto, não é apenas tecnológica ou econômica, mas profundamente social, cultural e política.

Ester Dias S. Batista

  • IHU – Quais seriam as novas necessidades dos seres humanos que proporcionou essa mudança tecnológica?

Para explicar a diferença entre técnica e tecnologia de forma completa é interessante voltarmos aos gregos. Eles chamavam a técnica de techné. O termo grego é mais amplo, porém vamos nos ater apenas na questão da técnica. De modo geral a técnica é um conhecimento utilizado para a produção de objetos ou construções. Esse conhecimento, para os gregos deve ter uma forma de ser atestado (ou comprovado), seja por meio de um certificado nos dias atuais ou de indicações daquele produtor com relação à sua produção, como por exemplo o carpinteiro ou o arquiteto. Esse conhecimento requer, consequentemente uma habilidade para realizá-lo e também pode ser ensinado. A tecnologia está relacionada a técnica, ainda que sejam coisas diferentes. Enquanto a técnica produz algo, a tecnologia pode ser produzida por meio da técnica. Normalmente com o intuito de melhorar processos, ferramentas e a própria vida do ser humano. A forma como concebemos a tecnologia difere bastante do que seria para os gregos, mas o intuito continua sendo o mesmo, apenas com a evolução dos seres humanos e suas necessidades.

Lucas Gama

 

Assista na RKTV: ex-morador de rua lança trilogia e sonha em entrar para o Guinness Book

A RKTV apresenta a incrível história de Léo Motta, ex-viciado e ex-morador de rua. O programa Sem Censura o entrevistou. Após viver um tempo em situação de rua, ele transformou sua trajetória de vida por meio da arte e da literatura. Com três livros lançados, agora ele busca reconhecimento no Guinness Book como a primeira pessoa que esteve em situação de rua a alcançar esse feito.

Leo Motta encontrou na literatura um recomeço, transformando sua história em livro. “Há vida depois das marquises” é uma trilogia escrita entre os anos 2019 a 2024.

Na juventude e parte da fase adulta, Motta foi dependente químico e viveu mais de um ano nas ruas do Rio de Janeiro. No entanto, quando tudo parecia sem perspectiva, a vida deu uma reviravolta. Em 2017, aceitou ajuda, foi internado e acolhido por uma instituição, abandonou o vício e começou a trabalhar.

Em 2019, conseguiu, por meio de campanha de arrecadação virtual, publicar o seu primeiro livro. Nele retrata sua história desde quando chegou às ruas até a sua saída. No mesmo ano, foi convidado para palestrar e lançar a obra na Bienal do Livro no Rio.

Depois de 38 anos, conheceu seu pai, encontro que ocorreu na fila de autógrafo da primeira obra, fato que está descrito no segundo livro. Em 2021, publicou o “Há vida depois das marquises: sonhos” e também foi convidado para o evento. Escreveu o último livro da série em 2024, lançado na Bienal deste ano, e quer entrar para o Guinness Book como o primeiro ex-morador de rua a produzir uma trilogia literária.

“Sou um homem que carrega uma história que começou triste, mas que não impediu de um dia se encontrar com um final feliz. Um homem que superou todas as dores e transformou tudo isso numa luta pela dignidade, igualdade, respeito e inclusão de uma causa que vivi”, comentou em entrevista.

O escritor continua inspirando e ajudando quem ainda luta para recomeçar. “Eu voltei para a rua desde o primeiro dia que saí dela, mas voltei para ajudar. Quando lancei um livro na Bienal, muita gente entrou em contato comigo, querendo me ajudar. Mas eu não precisava de ajuda. Eu já tinha um endereço, eu já tinha uma fonte de renda, mas eu precisava ajudar quem ficou”, destacou.

Além de criar projetos sociais e culturais, atualmente, atua na Secretaria de Assistência Social do Rio de Janeiro com o “Super-ação” e “Menina, Moça, Mulher“.

O primeiro projeto acontece por meio de palestras motivacionais e rodas de conversas com pessoas em situações de rua, incentivando a escrita de poesia. Na Bienal do Livro do Rio de 2025, realizou um sarau poético com o grupo. Em dezembro, está prevista a estreia da primeira revista de poesia de população de rua do Brasil. “Menina, Moça, Mulher” oferece cursos gratuitos e atendimento médico, além de disponibilizar livros para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Ainda este ano, realizou a primeira edição do “Literatura na rua” e distribuiu cerca de 30 livros para pessoas em situação de rua.

Assista  aqui. RKTV 

Em 2022, Há vida depois das marquises originou um documentário que também está disponível na RKTV.

Ataque da seleção funciona e Ancelotti deve seguir por esse caminho

0

Por Vinício Carrilho Martinez

O que mais admiro no Casa Grande é a inteligência, com a qual ele define os demais jogadores e que é chamada de “inteligência futebolística”, de leitura e de aplicação tática.
Talvez, só talvez, o que o PCB (o histórico, o fundador, em 1922) traduzia como tática e estratégia.
Em suma, tudo o que não temos para análise de conjuntura (como rola o jogo) e o que fazer com a bola e, o principal, como jogar sem a bola.
Futebol é cultura e política, sempre foi. Da fundação do Fluminese na luta contra o racismo (a história do pó de arroz), passando pela copa de 1970 (a seleção dirigida primeiramente por um comuna de carteirinha), até a Democracia Corinthiana – na qual o Casão foi pioneiro, junto com o mago Sócrates (um médico nas horas vagas).
Dá pra sacar o nível dos caras, né não?
Além disso, esse recorte nos dá uma boa base para avaliarmos a infeliz “cultura neymala” atual.
Há uma ofensa cognitiva, se olharmos do passado ao presente.
E o tanto de história que jogamos fora, por sermos determinados como um “povo sem memória” (sem educação, sem noção, sem conhecimento).
Temos talento, disso ninguém duvida.

https://share.google/jwrJf1CTsrcDUCANt

The Fake Judge, Falso Juiz

A RKTV.COM.BR está exibindo o documentário “The fake judge”, uma versão fantasiosa bem ao gosto de bolsonaristas. A História de uma Nação nas Mãos de um Psicopata (The Fake Judge, no título original), é como o jornalista português Sérgio Tavares intitulou seu documentário. A promessa do título é clara e perturbadora: apresentar um retrato psicológico de um juiz. No caso, o ministro Alexandre de Moraes.

Assista aqui

Efeito Lula: desemprego chega a 5,6%, menor patamar da história

A taxa de desocupação no Brasil registrou 5,6% no terceiro trimestre de 2025, o menor índice desde o início da série histórica em 2012. O levantamento revela um quadro de estabilidade no mercado de trabalho, com pequenas variações entre os estados e redução no número de pessoas em busca de emprego.

De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a desocupação caiu em apenas duas das 27 unidades da federação na comparação com o trimestre anterior, permanecendo estável nas demais. Pernambuco (10,0%), Amapá (8,7%) e Bahia (8,5%) lideraram as maiores taxas de desemprego, enquanto Santa Catarina e Mato Grosso registraram as menores, ambas com 2,3%

Os resultados incorporam a reponderação da série histórica da PNAD Contínua, ajustada com base nas Projeções de População divulgadas em 2024, que já incluem os dados do Censo Demográfico de 2022.

Redução da desocupação em todas as faixas

Os dados mostram que os quatro grupos de tempo de procura por trabalho tiveram retração no número de desocupados em relação ao terceiro trimestre de 2024. Duas faixas atingiram níveis mínimos da série histórica: pessoas que buscam emprego entre um mês e menos de um ano (3,1 milhões) e aquelas com procura entre um e dois anos (666 mil). Entre os que procuram há menos de um mês (1,1 milhão) e há dois anos ou mais (1,2 milhão), os níveis são os menores desde 2015. No grupo de busca prolongada, o recuo chegou a 17,8%.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o comportamento do trimestre está alinhado às movimentações típicas do mercado. “A taxa de desocupação diminuiu devido a um aumento marginal, não significativo, da ocupação e esse aumento promoveu a diminuição do tempo de procura”, explicou.

Desemprego entre mulheres continua superior ao dos homens

O levantamento aponta que a taxa de desocupação entre as mulheres permanece acima da média nacional, alcançando 6,9%, enquanto entre os homens ficou em 4,5%. O recorte por cor ou raça mostra que brancos estão abaixo da média (4,4%), enquanto pretos (6,9%) e pardos (6,3%) apresentam índices mais altos.

A escolaridade também influencia os resultados: pessoas com ensino médio incompleto registraram a taxa mais elevada (9,8%). Entre aqueles com nível superior incompleto, a taxa chegou a 5,8%, quase o dobro da observada para quem concluiu o ensino superior (3,0%).

Informalidade permanece estável e registra extremos entre os estados

A informalidade atingiu 37,8% dos trabalhadores do país no período. Maranhão (57,0%), Pará (56,5%) e Piauí (52,7%) exibiram os índices mais altos, enquanto Santa Catarina (24,9%) e o Distrito Federal (26,9%) mantiveram os menores patamares.

Kratochwill destaca que o indicador manteve estabilidade em relação ao trimestre anterior. Ele observa que houve queda de 130 mil trabalhadores sem carteira nos serviços domésticos, compensada pelo aumento de 111 mil trabalhadores informais no setor público. “Outro ponto importante é a relação da informalidade com a baixa escolaridade e baixo rendimento médio da região, o que é marcante nesses estados de maior informalidade”, afirmou.

Entre os empregados do setor privado, 74,4% tinham carteira assinada. Santa Catarina liderou com 88%, seguida por São Paulo (82,8%). No Maranhão, apenas 51,9% dos trabalhadores tinham registro formal.

A proporção de trabalhadores por conta própria foi de 25,3%, com destaques para Maranhão (33,1%) e Pará (29,9%).

Rendimento cresce no Sul e Centro-Oeste

O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.507, estável em relação ao trimestre anterior e superior aos R$ 3.373 registrados no mesmo período de 2024. Sul e Centro-Oeste foram as únicas regiões com aumento significativo, ultrapassando R$ 4 mil de média.

A massa de rendimento real habitual somou R$ 354,6 bilhões, com maior peso no Sudeste (R$ 176 bilhões), maior valor da série.

Metodologia 

A PNAD Contínua é a principal ferramenta de monitoramento da força de trabalho no Brasil. A pesquisa mobiliza cerca de dois mil entrevistadores, alcançando 211 mil domicílios por trimestre. Após a adoção temporária de entrevistas por telefone durante a pandemia, o levantamento voltou à coleta presencial em julho de 2021.

Do Brasil 247

Oruam ironiza foto de Júlia Zanatta com armas: “Se eu postar é apologia ao crime”

0

O rapper Oruam reagiu nesta quinta-feira (13) a uma foto divulgada pela deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). Na imagem, a parlamentar aparece sentada em um trono cercado por fuzis. Ao comentar o post no X, o artista escreveu: “Se eu postar umas foto dessa é apologia ao crime”. A publicação da bolsonarista foi feita na terça-feira (11).

A deputada publicou a foto com a legenda “Game of Santa Catarina”, em referência à série “Game of Thrones”. A postagem está relacionada à disputa interna do PL catarinense pela candidatura ao Senado em 2026 e ao peso da influência da família Bolsonaro no estado.

 

Zanatta é uma das personagens do impasse regional que também envolve os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na semana anterior, ela declarou apoio à candidatura do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado por Santa Catarina, movimento que contrariou parte da direção estadual da legenda.

De acordo com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), o partido teria compromisso prévio para apoiar Caroline de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC) em eventual coligação. A entrada do nome do filho do inelegível foi citado como motivo de desconforto dentro do PL local.

A foto da deputada gerou repercussão negativa entre usuários das redes sociais. Nos comentários da publicação, internautas compararam a parlamentar a criminosos posando com fuzis. A reação ampliou o alcance do post ao longo do dia.

Oruam, cujo nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, reúne milhões de ouvintes nas plataformas. Ele é filho de Marcinho VP. O rapper foi preso no último 22 de julho após tentar impedir a Polícia Civil do Rio de Janeiro de cumprir mandado de busca contra um adolescente em sua casa.

O músico responde por tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, e cumpre medidas cautelares, como comparecimento mensal à Justiça e proibição de acessar áreas consideradas de risco.

Diario do Centro do Mundo

Soberania(s)

0

Vinício Carrilho Martinez

Soberano é quem decide sobre o

Estado de Exceção Permanente

Carl Schmitt

A essência da soberania é

a luta por autoconservação do Estado

 

Para um único Estado não existem soberanias (múltiplas), como se fossem frações, partes ou pedaços da soberania, e se a adjetivamos (“soberania financeira”, soberania popular) é unicamente para obtermos um reforço didático, exemplificativo – a fim de que seu entendimento seja facilitado.

A soberania é inegociável, não há hipótese racional, razoável, fora dessa definição. A soberania é essencial ao estabelecimento e manutenção do Estado: não existe Estado sem soberania e essa sentença explica grandemente o que é a Razão de Estado (a própria justificativa, a razão para a existência do Poder Político unificado).

Assim, o Estado é considerado como a instituição superior e que se mantém a partir de uma firme aliança com o Povo (independente, autodeterminado) em seu território. O próprio Estado independente é delimitado enquanto Povo, território e soberania. Portanto, é o Estado quem assegura o Direito, a legitimidade, a institucionalidade e a atribuição das políticas públicas. Sendo assim, a soberania é um elemento fundamental, fundante.

Não se diz de um “poder de comandar”, porque, neste caso, seria uma capacidade de dividir o comando, “mandar com”, isto é, um poder de mandar com alguém não é um poder soberano, mas sim repartido. Vemos uma demonstração “organicista” do poder repartido na figura estilizada de um indivíduo humano (“poderoso”) em meio a um grupo social.

Desse prisma, o poder soberano é inegociável: “não há barganha por meia soberania”; indivisível: “não há direito de secessão”; inalienável: “não se abre mão[1]”; inesgotável: “não há previsão de término”; ilimitado: “sem-limites na sua defesa”. Então, a soberania se resume (não que se limite) ao “poder de vida e de morte”. A soberania ocorre quando o príncipe, imperador, soberano ou mesmo o governante (no nosso seria o Congresso Nacional) ou general (na ditadura) editam o Direito por intermédio do Estado.

É desse elemental que decorre, em um exemplo, a distinção funcional do Poder Legislativo, ou seja, a função primeira que é a legislar: criar leis. A outra função do Legislativo é fiscalizadora dos demais poderes – especialmente o Poder Executivo. É o que se define como Soberania Legislativa: a capacidade legisferante, legítima, do Legislativo (como poder do Estado soberano) promulgar o Direito que deve regrar o próprio Estado, a sociedade, o Povo, a economia, a política, a cultura e o controle social. A soberania é a essência, e também vemos isso quando dizemos que não cabe o uso do superlativo, pois, ou o Estado é soberano ou não é Estado. Não existe Estado soberaníssimo[2].

Sem soberania não há independência, liberdade, autodeterminação. E um povo que não é soberano é subjugado, controlado, dominado. Inclusive, no Brasil, precisamos de uma normativa clara e rígida a fim de se punir severamente quem age em desfavor da nossa soberania[3].

 

Ação contra a Razão de Estado

Antigamente se chamava de “crime de Lesa Pátria”. É fácil de entender porque o atentado à soberania territorial (soberania nacional) implica, diretamente, em lesar a Pátria toda, todos nós. Os atos terroristas do 8 de janeiro de 2023, além de atentarem contra o Estado (as instituições republicanas) e o Direito democrático, e, em consonância a isso, visaram desconstruir a soberania popular[4] – em ações que remontam a 2014 (Aécio Neves, derrotado por Dilma Roussef)[5] e ressurgem em 2022, com questionamentos evasivos (caluniosos) contra as urnas eletrônicas e todo o sistema eleitoral.

 

Soberania digital

Com a soberania digital não há que ser diferente – lembremos dos ataques à urnas eletrônicas como uma cortina de fumaça para desestabilizar o sistema eleitoral e colocar em dúvida a lisura sobre o resultado das urnas eletrônicas.

Afinal, o real e o virtual (digital) são as duas faces da mesma moeda: votamos presencialmente, mas a transmissão e contabilização dos votos são digitalizadas. Quando digito essa resposta no WhatsApp, durante uma viagem de ônibus, sou o mesmo professor Vinício que estará em sala de aula tratando desse tema. A pessoa é a mesma, o discurso será idêntico, o que muda é o momento e o suporte: remoto ou presencial.

A responsabilidade, a busca por clareza e exatidão nas informações (da análise conceitual) tanto está na digitação quanto na minha presença física na universidade. Aliás, se alguém me perguntasse agora o que tanto escrevo, lhe diria que “estou defendendo nossa soberania”. Até mostraria a resposta. Por esse exemplo é fácil perceber como o real e o virtual se entrelaçam. Então, a soberania digital não pode ser questionada – pois seria o equivalente de se questionar a soberania territorial do Estado brasileiro.

Neste aspecto, nós já temos tipificado no Código Penal o atentado violento contra o Estado Democrático de Direito. São penas duras, como deve ser a resposta do Judiciário contra quem age para anular a eficácia da Constituição Federal de 1988 e violentar as instituições republicanas e democráticas.

O crime contra a soberania nacional (digital ou territorial) tem previsão somente no Código Militar – e aí os escrutínios são outros. Nesse caso há uma mudança de status, se a legislação é Militar[6] ou civil. No entanto, como vemos, não há mudança de status quando desmarcamos a soberania territorial ou digital.

Se alguém atinge os principais setores, funções, organismos, repartições (os próprios poderes legitimamente constituídos), seja presencialmente seja remotamente, o crime contra a soberania estará estabelecido. A depender do que ocorra (o crime), o atentado digital poderá ser sentido e desdobrado em escala ainda maior, com mais danos, até numa escala difusa. As ações contra a soberania nacional orquestradas por brasileiros desde os EUA, especialmente visando “quebrar o Banco do Brasil”, é um fato contumaz: o Banco do Brasil foi fundado em 1808, é anterior às instituições republicanas e nasceu com o intuito de fomentar a economia nacional – isto é, antecedendo-se à própria independência do país, é parte essencial da história do nosso Estado-nação. Vemos, então, que ataques cibernéticos usando canais criminosos em redes sociais, contra o principal banco (público) do sistema financeiro, podem ser muito piores do que o 8 de janeiro de 2023 (por pior que tenha sido).

Em um paralelo institucional, iniciativas como a Nuvem de Governo[7] reforçam nossa segurança. Neste caso, é importante destacar que a segurança digital está em linha com a soberania. Se a segurança da nossa conta bancária, assim como a segurança em termos de privacidade dos nossos dados digitais, é inquestionável a todos nós, imaginemos a segurança relativa às políticas públicas e às Políticas de Estado, como os recursos da saúde pública e os assuntos correlatos à segurança nacional.

Numa outra ponta, podemos dizer assim, está a dependência que a imensa maioria dos países tem em relação às Big Techs. Depois do tarifaço advindo dos EUA, ainda tivemos o ameaço de exclusão do Brasil quanto ao acesso de serviços de geolocalização. Isso exemplifica como é necessário avançarmos em termos de produção de tecnologia nacional, com muita Ciência, pesquisa e inovação. Em boa parte, esse é (ou deveria ser) o aporte mais significativo da universidade pública.

Hoje, de forma emergencial, precisamos de marcos regulatórios eficientes quanto ao controle normativo das Big Techs em território nacional – houve já uma sinalização do Supremo Tribunal Federal (STF) ao modificar o entendimento de artigos do nosso Marco Civil da Internet[8], constituindo responsabilidades jurídicas às empresas de hospedagem digital. Porém, é preciso muito mais do que isso. Sem partir do zero, ou inventar a roda, é necessário pensarmos o papel da universidade pública na produção da Ciência, do conhecimento, da tecnologia, que sirvam aos interesses sociais e não somente se curve aos próprios interesses de seus estratos dominantes ou das frações de classe hegemônicas.

Numa expressão, é possível dizer que as Big Techs mais lucram e ampliam sua margem de poder quanto mais negam o Iluminismo (e por mais que deva ser criticado em muitos pontos). O que alimenta o Capitalismo de dados no bojo do Capitalismo digital, a capacidade de monetização dos discursos, não é a democracia, a cidadania, os direitos humanos, o Processo Civilizatório desenhado na Constituição Federal de 1988, mas, sim, o obscurantismo. Chegamos a um ponto, e nisto seguimos a longa jornada de nossa pouco enfrentada Luta de classes racista, que a sociopatia tem a total empatia dos algoritmos e dos indivíduos – o que, por si, autoriza o apelido de redes antissociais.

 

Pano de fundo: Capitalismo digital

Ao contrário do que querem os pós-modernos, por mais que a subjetividade e a consciência estejam massacradas, estioladas, a luta de classes está acesa – retumbante em cenários mais excludentes da vida, como nas grandes periferias, a luta de classes tem uma balística especial: a guerra civil, campal, que aniquila pobres, negros, crianças, idosos, mulheres, trabalhadores todos os dias. Olhar para isso, enfrentar problemas que Carolina de Jesus (a escritora negra, marginalizada, que estudou até a terceira série do antigo primário) viveu e descreveu, é um começo obrigatório para olhar e entender o Brasil: sem esse entendimento correto pouco mudaremos. Poderíamos exemplificar aqui sob a forma da soberania alimentar.

Parafraseando Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido (criticado por pessoas que nunca o leram), o que para o povo (pobre, negro e oprimido) significa liberdade, autonomia (autoeducação, autogoverno) e emancipação, para o nosso país se qualifica como independência, autodeterminação: não há soberania sem independência, liberdade, autodeterminação, como bem destacou o Constituinte de 1988, no artigo 3º, incisos I, III, IV, V da Constituição Federal de 1988 (Cf88[9]). Se tivermos nossa educação pública devotada a isso, a encarar o passado que nos assombra com o trabalho escravo e a exaustão laboral, nosso caminho, nossa resposta social, coletiva, jamais será autoritária diante de qualquer dilema que se apresente.

Hoje, estamos submersos na lógica do Capitalismo digital, teleguiado pelo Tecnofascismo, e as universidades públicas, centros de pesquisa, institutos federais – salvo exceções – estão submetidos ao mesmo fluxo de poder, do capital especulativo e da desumanização. A distância da universidade aos anseios da população, da sociedade, não poderia ser maior. Enquanto alguns lutam para que Paulo Freire permaneça como Patrono da Educação – enfrentando todo tipo de negacionismo, sectarismo (inclusive de uma parte da esquerda), a direção oficial do país encomenda a compra de kits de robótica para escolas do sertão brasileiro ou faz engasgar toda pessoa lúcida com a tal “educação financeira”: ensinando crianças famintas a guardarem um real para o seu futuro financeiro. O que uma criança sem presente, negado em todas as perspectivas, pensa para o seu futuro – criar um robô que a tire daquela miséria e opressão?

Nós estamos em uma encruzilhada, cercados por contradições, entre o futuro negado e o presente mal vivido. Como é que a universidade se opõe a isso? Salvo exceções, não se opõe – está subsumida ao capital financeiro e à moda política pós-moderna. Como a universidade poderia se opor a isso? Primeiramente, chamando a sociedade para dentro dos seus muros, sem medo de ver seus quartéis ameaçados, e depois organizar projetos que contemplem a realidade nacional. A universidade precisa sair da bolha, do castelo de marfim.

Um exemplo apenas: os cursos de extensão que deveriam ser ofertados para toda a população, gratuitamente, não apenas são dirigidos aos próprios estudantes como começam a ser cobrados quando são publicizados. Salvos exceções, não apenas o Uber teve sua “subjetividade subsumida pelas excrescências do Capitalismo digital”, pois, os doutores e doutoras também. Essa é a regra, a exceção é a resistência pela crítica, criatividade e inovação de verdade: colocar duas linhas num algoritmo não traz inovação nenhuma, especialmente se a lógica capitalista, fascista, racista, permanecer.

Esse contexto pode ser entendido como Capitalismo digital em sua fase de Tecnofascismo. Por Capitalismo digital vejo a financeirização em hegemonia, com o chamado rentismo (que inclui o Estado brasileiro como beneficiário de rendimentos e de dividendos) em concomitância com o que se chamou de Capitalismo de dados – esse modelo de monetização pelas plataformas digitais e de comercialização dos nossos dados sensíveis; contudo, no caso brasileiro, temos que acrescentar os efeitos da Luta de classes racista (que abate, sobretudo, o povo pobre, negro e oprimido), ou seja, na soma-zero da dignidade humana, precisamos somar o racismo e a exploração do trabalho em condições análogas à escravidão. E num particular do mundo pós-moderno, ainda estamos assolados pela já denunciada “adultização” e exploração do trabalho infantil nas redes antissociais. Neste sentido, vivemos entre o passado e o presente (com futuro bem ameaçado), entre o capitalismo financeirizado e a exploração de formas atávicas, pré-capitalistas.

A hegemonia pertence ao Capitalismo digital, mas o trabalho escravo escancara os jornais todos os dias. O Tecnofascismo é, num muito breve resumo, a insurgência e “nova” sedimentação dos insumos corrosivos do Fascismo tradicional nos “tempos modernos”: aquela vocalização do Mal, do auge do Nazismo, hoje se espraiou por meio da fractalidade. Neste caso, pode-se dizer que este Mal (fascista, racista, misógino, elitista, capacitista, homofóbico) se expande incrivelmente pelas redes antissociais. Dizia-se, antigamente (creio que Umberto Eco) que a estupidez e o obscurantismo ficavam na mesa de bar, na sujeira lavada das Tabernas; entretanto, com o impulsionamento dos algoritmos (que servem a empresas igualmente de laivo fascista) a base técnica é direcionada a expandir o discurso de ódio, a estupidez, a insensatez, o pior nível do senso comum abarrotado de preconceitos (ignorância conceitual) e de discriminação.

As condicionantes impostas pela realidade nua e crua observadas na atual fase da Luta de classes racista nos impelem a observar com atenção redobrada que as fragilidades sociais, as extremas desigualdades, as contradições econômicas aviltantes, são venenos atuando nas correntes e vias principais da soberania, uma vez que atingem toda a sociedade e, por óbvio, atingem frontalmente o Estado nacional.

 

Soberanias convergentes: contradições e paradoxos

Com todas as contradições presentes (explorar carbono na Foz do Amazonas), a COP30 indica como o Brasil está “sequestrando” a agenda mundial. Mesmo que seja uma grande contradição, além de tudo é a soberania energética nacional que se reafirma: a Petrobrás é o símbolo da nação: gigante, poderosa, soberana no seu segmento. Vale a pena rever Monteiro Lobato neste ponto. Portanto, estamos tratando de soberania energética. Também não é difícil de se apostar na certeza de que vamos ganhar o grande prêmio com o projeto TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre)[10].

Outro exemplo do quanto a soberania é definitiva na segurança de um Povo está pausado no reconhecimento internacional para se afirmar o Estado da Palestina, inclusive com o reconhecimento brasileiro. Porém, não se falou mais na “possível soberania” daquele território. Ao mesmo tempo, a guerra Israel X Gaza, além de perdurar, não encaminhou o assunto.

 

Resumidamente

 

Portanto, e por fim, são essas as principais características da soberania:

  • Poder acima dos outros: poder supremo e uno.
  • Não admite superlativo.
  • Não é um poder temporal – não tem data de validade

 

No passado remoto, o Príncipe faria tudo para manter o Estado unido, hoje é o governante. Na defesa da Razão de Estado, o soberano deve manter a unidade e organicidade do Poder Público. Todo Estado soberano é um Estado regulador da moral pública, como Estado Interventor na cultura. Alguns são mais, outros menos. Em suma, o Estado soberano é centralizado (voltado para seus próprios problemas, com um único poder central), centralizador (exerce-se pela força centrípeta), unificado (uno, indivisível) e apto (com recursos morais e materiais) a manter a unidade e a força do Poder Político. Por isso a soberania é inegociável.

 

[1] Porto Rico pode ser apontado como uma exceção, quando abdicou de sua soberania territorial, política, institucional, para se tornar um Estado-membro dos EUA.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado: metamorfoses do Estado Moderno. São Paulo: Scortecci, 2013.

[3] Da formação do Estado Moderno, até à modernidade contemporânea, também decorre a perspectiva de que o Estado deveria conhecer alguns limites quanto à projeção do Poder Político – o que se convencionou chamar de Teoria da Autolimitação do Estado: “…o Estado nos aparece como um duplo Estado em que o príncipe e as Cortes têm cada uma seus funcionários particulares, tribunais e até exército e embaixadores” (JELLINEK, Georg. Teoria General del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000, p. 309-310). O próprio Estado Moderno seria um tipo ideal, uma vez que se pode ver diferenças exorbitantes se tomarmos exemplos históricos para efeito de comparação. De todo modo, o conceito de tipo ideal foi emprestado do jurista Jellinek. Na versão clássica de Zippelius, corresponde ao Estado de Direito: “a obrigação de criar e manter determinadas instituições públicas” (ZIPPELIUS, Reinhold. Teoria Geral do Estado. 3ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, p. 377).

[4] “O único modo de tornar possível o exercício da soberania popular é a atribuição ao maior número de cidadãos do direito de participar direta e indiretamente na tomada das decisões coletivas […] O melhor remédio contra o abuso de poder sob qualquer forma – mesmo que “melhor” não queira realmente dizer nem ótimo nem infalível – é a participação direta ou indireta dos cidadãos, do maior número de cidadãos, na formação das leis. Sob esse aspecto, os direitos políticos são um complemento natural dos direitos de liberdade e dos direitos civis, ou, para usar as conhecidas expressões tornadas célebres por Jellinek (1851-1911), os iura activae civitatis constituem a melhor salvaguarda que num regime não fundado sobre a soberania popular depende unicamente do direito natural de resistência à opressão” (BOBBIO, Norberto. Liberalismo e democracia. São Paulo: Brasiliense; 1990, p. 43-44).

[5] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado – Ditadura Inconstitucional: golpe de Estado de 2016, forma-Estado, Tipologias do Estado de Exceção, nomologia da ditadura inconstitucional. Curitiba-PR: Editora CRV, 2019. O Golpe de Estado aconteceria em 2016.

[6] Em caso de guerra, a CF88 admite a pena capital.

[7] É muito interessante observar que se apelidou de Nuvem “soberana” de Governo, aproximando-se a soberania (do status que é inerente ao Estado) à gestão governamental. Aqui ocorre uma dupla aproximação, em forma de associação: entre governo e Estado, e entre soberania e segurança (digital): https://www.gov.br/governodigital/pt-br/infraestrutura-nacional-de-dados/ambiente-tecnologico/nuvem/nuvem-de-governo. Acesso em 13/11/2025.

[8] https://www.conjur.com.br/2025-nov-07/supremo-publica-acordao-de-julgamento-sobre-marco-civil-da-internet/. Acesso em 13/11/2025.

[9] Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I – independência nacional;

II – prevalência dos direitos humanos;

III – autodeterminação dos povos;

IV – não-intervenção;

V – igualdade entre os Estados;

VI – defesa da paz;

VII – solução pacífica dos conflitos;

VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X – concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

[10] https://share.google/QtB71iGrlorkoqnjI. Acesso em 13/11/2025.

Direitos no INSS que todo diabético deveria conhecer

Descubra quais são os direitos dos diabéticos no INSS em 2025, quem tem direito ao auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou BPC/LOAS, e como solicitar corretamente cada benefício.

Continue a leitura para entender:

Quem tem diabetes tem direito a algum benefício do INSS?

Quais são os tipos de diabetes reconhecidos e como é feito o diagnóstico?

Quais benefícios previdenciários podem ser concedidos ao diabético?

Quais documentos são necessários para solicitar o benefício?

O que fazer se o INSS negar o pedido?

Quem tem diabetes tem direito a algum benefício do INSS?
Sim. Pessoas com diabetes podem ter direito a benefícios previdenciários, desde que comprovem incapacidade total ou parcial para o trabalho. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concede amparo a esses segurados conforme os critérios da Lei nº 8.213 3 333 3/1991, que regula os benefícios por incapacidade no Regime Geral de Previdência Social.

Entre os principais direitos estão:

Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária);

Aposentadoria por invalidez (benefício por incapacidade permanente);

BPC/LOAS, quando a pessoa com diabetes não contribui para o INSS, mas vive em situação de vulnerabilidade.

Em todos os casos, a perícia médica do INSS é obrigatória para comprovar a incapacidade laboral.

Quais são os tipos de diabetes e como é feito o diagnóstico?
Diabetes tipo 1
Costuma surgir na infância ou adolescência, quando o pâncreas deixa de produzir insulina. O tratamento exige aplicação diária, acompanhamento médico e controle rigoroso da glicemia.

Diabetes tipo 2
Mais comum em adultos, caracteriza-se pela resistência à insulina. Os sintomas evoluem lentamente e, quando não controlados, podem gerar complicações graves, como neuropatias, amputações, insuficiência renal e perda da visão.

Diagnóstico médico
O diagnóstico é confirmado por exames como:

Glicemia em jejum;

Teste oral de tolerância à glicose;

Hemoglobina glicada (HbA1c).

O laudo médico e esses exames são essenciais para fundamentar o pedido administrativo junto ao INSS.

Quais benefícios o INSS concede a pessoas com diabetes?
1. Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária)
Concedido ao segurado que fica incapacitado temporariamente para o trabalho.

Requisitos:

Ter contribuído ao INSS por pelo menos 12 meses;

Apresentar laudos médicos recentes;

Comprovar que a diabetes impossibilita o exercício das atividades laborais.

O pedido deve ser feito após 16 dias de afastamento, e o benefício pode ser prorrogado conforme avaliação da perícia.

2. Aposentadoria por invalidez (benefício por incapacidade permanente)
É devida quando a incapacidade é total e definitiva.

Critérios principais:

Comprovação médica de incapacidade permanente;

12 meses de contribuição mínima (salvo casos de acidente ou doenças graves de início súbito);

Aprovação em perícia médica do INSS.

O valor do benefício é calculado conforme a média dos salários de contribuição, sendo 60% da média, acrescido de 2% por ano adicional de contribuição acima de 15 anos (mulheres) ou 20 anos (homens).

Nos casos em que a doença causa complicações graves e irreversíveis, o benefício pode alcançar 100% da média salarial.

3. BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada)
Destinado a pessoas com deficiência ou idosos de baixa renda que nunca contribuíram ao INSS.

Requisitos:

Renda familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo;

Comprovação da limitação funcional causada pela diabetes;

Está com dúvidas sobre seus direitos
Receba orientações iniciais e entenda o que fazer no seu caso.
Solicitar orientação
Diagnóstico médico e laudos atualizados.

Embora o BPC não gere 13º salário nem pensão por morte, é uma importante medida de amparo social.

Quais documentos são necessários para solicitar o benefício?
Ao solicitar o benefício no Meu INSS, o segurado deve reunir:

Documento de identidade e CPF;

Comprovante de contribuições ao INSS (quando houver);

Laudos médicos atualizados, emitidos por profissional especialista;

Exames laboratoriais (glicemia, hemoglobina glicada, etc.);

Receitas médicas, prontuários e relatórios hospitalares.

A ausência de documentação completa é uma das principais causas de indeferimento de pedidos no INSS.

Como solicitar o benefício do INSS por diabetes?
O procedimento é inteiramente digital. O passo a passo é o seguinte:

Acesse o site ou aplicativo Meu INSS https://meu.inss.gov.br/#/login;

Faça login com sua conta gov.br;

Clique em “Agendamentos/Solicitações”;

Escolha o benefício desejado (Auxílio-doença, Aposentadoria por Invalidez ou BPC/LOAS);

Preencha as informações solicitadas e anexe todos os documentos médicos;

Acompanhe o andamento da solicitação pelo próprio sistema.

O segurado deve comparecer à perícia médica na data agendada. Caso falte ou não apresente os documentos corretos, o pedido será indeferido.

O que fazer se o INSS negar o pedido?
A negativa do benefício não encerra o direito do segurado. As alternativas são:

Reconsideração: solicitar nova análise no próprio Meu INSS;

Complementação de documentos: incluir novos exames ou laudos;

Recurso administrativo: apresentar recurso formal à Junta de Recursos do INSS;

Ação judicial: quando o indeferimento persistir, é possível recorrer ao Poder Judiciário, com apoio de advogado especializado em Direito Previdenciário.

Segundo o art. 57, § 6º, da Lei nº 8.213/91, o segurado pode pleitear judicialmente o reconhecimento de incapacidade se o laudo pericial administrativo for insuficiente ou incongruente com as provas médicas apresentadas.

Conclusão
Ter diabetes não garante automaticamente o direito a um benefício do INSS, mas possibilita o acesso a importantes amparos previdenciários quando há incapacidade para o trabalho. O auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez e o BPC/LOAS são as principais formas de proteção, desde que cumpridos os requisitos legais.

Para evitar erros e aumentar as chances de aprovação, é fundamental apresentar documentação médica completa e, se necessário, contar com orientação jurídica especializada.

Se você leu este artigo até aqui, significa que gostaria de uma análise individual do seu caso para maiores esclarecimentos. O contato do nosso escritório está disponível no banner abaixo para você entrar solicitar o seu diagnóstico.

SOBRE O AUTOR:

O Dr. Miquéias Martins é advogado especialista em Direito da Saúde, atuando na defesa dos direitos de pacientes e segurados para garantir o acesso a cirurgias, medicamentos e tratamentos essenciais à saúde e à dignidade dos cidadãos brasileiros.

Clique aqui  para ser atendido

Pode ser uma imagem de texto que diz "M MARTINS MIQUÉIAS ADVOCACIA ESPECIALIZADA EM DIREITO À SAÚDE"

Do Jusbrasil

STJ enterra a era do print de WhatsApp como prova penal

O Superior Tribunal de Justiça, no HC 1.036.370/2025, sob relatoria do ministro Joel Ilan Paciornik, anulou uma condenação por entender que prints de conversas de WhatsApp não constituem prova digital válida quando ausentes os protocolos técnicos de preservação da cadeia de custódia.

A decisao, de setembro de 2025, marca um divisor de águas no Direito Processual Penal brasileiro.

O STJ foi enfático: “a ausência de documentação mínima e da adoção das práticas necessárias para garantir a integridade do conteúdo torna a prova inadmissível.” ( AgRg nos EDcl no AREsp 2.342.908/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, STJ)

O Tribunal reafirmou que não basta capturar imagens de tela. É indispensável comprovar:

A integridade dos dados (por meio de hash);
A auditabilidade dos procedimentos;
A documentação da cadeia de custódia;
O uso de métodos reprodutíveis e justificáveis, conforme a ISO/IEC 27037:2013.
O ministro Paciornik destacou que o Estado tem o ônus de provar a confiabilidade da prova, e não o acusado. Em suas palavras, “no processo penal, a atividade estatal é o objeto do controle de legalidade, e não o parâmetro do controle.”

O acórdão ainda faz um diálogo entre o processo penal e o civil, lembrando o art. 422, § 1º do CPC, segundo o qual imagens digitais impugnadas exigem autenticação eletrônica ou perícia.

Se o processo civil já exige esse cuidado, com mais razão o processo penal, onde está em jogo a liberdade humana.

Comentário final: A decisão impõe uma mudança cultural: prova digital é ciência, não improviso.

Síntese: O STJ consolidou o entendimento de que provas digitais sem hash, sem registro técnico e sem cadeia de custódia não valem no processo penal.

A era do “print de WhatsApp” como prova auto evidente chegou ao fim.Referência:

STJ, Habeas Corpus 1.036.370/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 5ª Turma, julgado em setembro de 2025.

Precedentes: AgRg nos EDcl no AREsp 2.342.908/MG e AgRg no RHC 143.169/RJ.

Leia sobre o tema:

Prova digital comprometida pela simples alteração da data no dispositivo apreendido

STJ anula condenação por ausência de integralidade da prova digital

Temístocles Telmo: Doutor e Mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Pós-Graduado lato senso em Direito Penal. Coronel veterano da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Com 38 anos de experiência de atuação na Segurança Pública. Professor de Direito Criminal na PUC-Assunção. Advogado e membro da Comissão de Segurança Pública da 100ª Subseção do Ipiranga da OAB São Paulo. Em 2023, coordenou os Conselhos Comunitários de Segurança da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e foi Secretário de Segurança de Santo André (2024-2025). É autor, coautor e organizador de 16 livros, com destaque para Vizinhança Solidária. Além de escritor e articulista, também se dedica à poesia.

Do Jusbrasil

 

Web Summit Lisboa 2025: ApexBrasil e Sebrae impulsionam startups nacionais em um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação

O Brasil participa de um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação: o Web Summit Lisboa 2025. Coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a delegação brasileira conta com mais de 370 startups e empresas inovadoras de todas as regiões do país.

A iniciativa foi desenvolvida com a parceria Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Iniciado no último dia 10, a edição 2025 do evento vai até esta quinta-feira (13), na capital portuguesa. A expectativa é de que o público chegue a mais de 70 mil pessoas.

Na última segunda-feira (10), as duas entidades realizaram o “Seminário de Internacionalização”. O encontro reuniu mais de 500 participantes da delegação brasileira. Na ocasião, foram discutidos os desafios e oportunidades da internacionalização de startups nacionais, abordando temas como apoios institucionais à expansão global, fundos e investimentos em startups, ambientes de negócios e incentivos à inovação em Portugal.

A programação contou com a presença do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana. Em clima de COP30 no Brasil, ele destacou que a inovação também precisa ter um caráter sustentável, já que, atualmente, o desenvolvimento econômico também depende de uma agenda verde.

“Inovando a gente também ajuda a vencer a crise climática. Certamente tem muita gente aqui que está trabalhando nessa que eu chamo Era dos Serviços, procurando implementar serviços que ajudam o planeta a ficar melhor, a vida, a sociedade ficar melhor, a economia ficar melhor. Isso tem tudo a ver com sustentabilidade, isso tem tudo a ver com os novos tempos que nós vivemos para que a gente possa deixar de lado a ameaça à vida no planeta”, disse.

Também estiveram presentes no evento o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro; o cônsul do Brasil em Lisboa, embaixador Alessandro Candeas; o diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro; o gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Lisboa, Paulo Matheus; o gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Bruxelas, Alex Figueiredo; a gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil, Maria Paula Velloso; entre outros nomes.

Empresas inovadoras no Brasil

Dados do levantamento do Observatório Sebrae Startups revelam que, em agosto deste ano, o Brasil registrou mais de 20 mil empresas inovadoras ativas. No período de um ano, o aumento foi de 30%. Além dessa tendência de alta, o cenário nacional mostra uma distribuição cada vez mais pulverizada e dinâmica.

O Sudeste é a região brasileira que possui o maior número de empresas inovadoras, com 35,8% do total. O Nordeste aparece com aproximadamente 24,7% das startups ativas. Na sequência está a Região Sul, com cerca de 20,7%. O Centro-Oeste, com cerca de 9,5%, e o Norte, com 9,2%, completam o panorama.

Além disso, segundo o estudo Startup Ecosystem Index 2025, existem mais de 150 milhões de startups no mundo. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com cerca de 1,1 milhão (1.148.296). Em seguida está a Índia, com 493,5 mil (493.582). O Brasil aparece na 27ª posição. Os dados mostram que todos os dias são fundadas no mundo, em média, 137 mil startups.

Programação da Web Summit 2025

O Web Summit 2025 conta com uma agenda diversificada, desde a realização de seminários e palestras a lançamentos, pitch sessions, debates, reuniões de negócios, encontros com lideranças internacionais, entre outras ações.

O Pavilhão Brasil fica situado na MEO Arena – principal espaço de visibilidade institucional e comercial das startups nacionais – com uma agenda voltada à geração de negócios, promoção de soluções tecnológicas e articulação estratégica, com investidores e parceiros de vários países.

No geral, a delegação brasileira representa mais de 30 setores, com destaque para HealthTech, EdTech, FinTech, MarTech, DeepTech e Agritech. Do total de companhias inovadoras presentes, 151 foram selecionadas pela ApexBrasil e pelo Sebrae. Vale destacar que mais de 120 empresas apoiadas pela ApexBrasil participaram do evento pela primeira vez.

Videocast

A ApexBrasil também apresentou uma nova edição do ApexPod em Movimento. Trata-se de uma versão itinerante do podcast oficial da entidade. O programa foi gravado diretamente do Pavilhão Brasil e apresentou conversas com empreendedores, especialistas e investidores que participam diretamente da evolução da inovação brasileira em todo o mundo.

Nesta edição, o videocast destacou o Brasil como protagonista no cenário internacional de inovação. No caso, foram exploradas temáticas relacionadas ao avanço da tecnologia nas diferentes regiões do país – com foco especial no Nordeste brasileiro.

Fonte: Brasil 61

Assessor de Kassab deixa governo Tarcísio após ser alvo de operação da PF

0

Um assessor de Gilberto Kassab, secretário de Governo da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu demissão nesta quarta-feira (12) após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em licitações de prefeituras do interior paulista, segundo informações da Folha de S.Paulo.

O ex-prefeito de Limeira, Mário Botion. Foto: Divulgação

O ex-prefeito de Limeira, Mário Botion (PSD), ocupava desde julho o cargo de diretor de Convênios no escritório regional de Campinas da Secretaria de Governo, responsável pela intermediação de repasses entre o Estado e os municípios.

A ação, batizada de Operação Coffee Break, foi realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e apura desvios de verbas da área da Educação. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Botion e em uma empresa de sua propriedade, em Limeira, no interior de São Paulo.

Segundo a CGU, o esquema envolvia empresas fornecedoras de material didático localizadas em Sumaré e Hortolândia, com contratos superfaturados e indícios de corrupção. Ao todo, 50 mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo e Paraná, além do Distrito Federal.

Em um dos endereços investigados, os policiais apreenderam R$ 2,1 milhões em espécie. A PF afirmou que os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em nota, a Secretaria de Governo confirmou que Mário Botion pediu demissão após a operação e informou que ele “não exercia funções estratégicas” na estrutura da pasta. Kassab, que comanda a Secretaria de Governo da gestão Tarcísio de Freitas, ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.

A Polícia Federal não detalhou se as suspeitas estão ligadas ao período em que Botion foi prefeito de Limeira, entre 2017 e 2024, ou à sua atuação como diretor regional. Segundo informações da CGU, o esquema utilizava contratos educacionais como fachada para desvio de verbas, com indícios de superfaturamento e tráfico de influência.

Botion também responde a dois processos por improbidade administrativa em São Paulo, ainda sem decisões condenatórias. A reportagem tentou contato com o ex-prefeito, mas não obteve resposta. O caso está sob sigilo, segundo a PF.

Socialismo Ambiental – crônica ambiental de uma viagem

0

Por Vinício Carrilho

 

Na volta da Bienal de Arte Moderna, em São Paulo, na minha frente vinham um vovozinho e sua filha.

Coincidente, na chegada ao nosso destino, fui fumar no mesmo local em que eles estavam. Aí o vovozinho (pai da senhora) disse que iria ao banheiro. A filha apontou o caminho reto, mas ele ia se desviando.

Então falei para ela ir, que olharia suas malas. Ela demorou para se decidir, dizendo que era teimoso, que fazia tudo sozinho. E me contou que em dezembro será um senhor centenário (100 anos!).

É vovozinho mesmo, mas não usa nem bengala de apoio.

Passado esse tempinho, a filha foi ao seu encontro para redireciona-lo e voltou rápido, depois, ele veio sozinho.

Lembrei dessa história espantosa porque ontem estava vendo um podcast sobre mercado financeiro e o apresentador, falando sobre a necessidade de uma previdência (que logo não será mais pública, por causa do golpe de 2016, do Temer: uberização, pejotização), disse que a Humanidade chegará aos 150 anos: a “nova” medicina fará isso. Tomou o cuidado de não dizer que será tão rápido.

Olhando a COP30, um marco sensível neste momento de negacionismo global[1], pensei que, para chegarmos aos supostos 150 anos, primeiro, as atuais gerações terão que salvar o planeta do esgotamento (com muita consciência, convicção, Ciência e tecnologia – principalmente energética) e, somente em seguida, essas gerações futuras poderiam herdar uma Terra apta à Regeneração: porém, sendo um processo, a práxis se inicia hoje. Ou começamos hoje ou não haverá amanhã algum para ser regenerado. Se nada fizermos individualmente e coletivamente (organizadamente) as provas desleixadas, inerciais pela nossa inépcia e indolência, por certo, serão a contraprova das expiações futuras e próximas.

Essa regeneração que vislumbramos na crônica é óbvia, na forma da sobrevivência humana, e será uma Revolução ambiental – com a diferença de que não será nos moldes da Revolução Francesa e jacobina. Também é óbvio que “nada muda per si”, o sistema de produção atualizado pelo fractal não é uma entidade aleatória, metafísica, abstrata.

Por mais que o sistema produtivo hegemônico do Capitalismo digital tenha algoritmos reconditamente fascistas[2], fantasmagóricos, em seu funcionamento há uma lógica funcional de dupla face: a pulsão de morte do modelo político fascista e a pulsão exploratória e consumerista.

Ou seja, sem a ação humana, a práxis decidida (reflexão e ação) de cada um/a o sistema, obviamente, manterá em funcionamento suas fantasmagorias. Em suma: a regeneração humana e planetária tem data limite para iniciar e a data no meu calendário diz que é hoje.

Essas futuras gerações, se tudo isso ocorrer, seriam muito mais equilibradas, conscientes, menos consumistas, niilistas e hedonistas. Também pensei que será um tipo de prelúdio socialista, se houver vida por aqui. E o mais curioso é que será um reencontro com o “Socialismo utópico”.

Na verdade, será um Socialismo Ambiental, natural, imposto pela lógica mais simples – a lógica do “deixe viver”, oposta ao sentido atual do “deixe fazer, deixe passar”. Se houver vida na Terra até lá, veremos triunfar a real Ciência Natural, capaz de reverter o processo de destruição planetária em curso e, ao fazer isso, anular o próprio modelo capitalista em andamento: destrutivo, corrosivo, corrompido.

Será um Socialismo Ambiental com seu escopo numa Ciência Natural e naturalmente humanizada em sua premissa e em seus princípios, com uma meta clara: salvar a Humanidade enquanto regenera o planeta desgastado, abusado, estiolado. Neste sentido, será um Bellum Organum – prontos para a guerra pela Ética; do belo, justo e honesto – e, assim, será o oposto do sentido primário, colonizador, destrutivo, do Novum Organun[3].

Afinal, se a metade da população mundial (ou menos do que isso) que mais consome e polui, e contribui com a degradação ambiental, mudar sua retina para além do hedonismo, egoísmo, da impulsividade planejada para o consumo do aqui e agora, se menos da metade mudar esse curso em si, é óbvio, que a quantidade estará mudando a qualidade – a qualidade presente nas atuais relações sociais, econômicas, ambientais, culturais.

Por fim, a viagem de volta, o vovozinho no ônibus, me remeteram ao artigo 225 da CF88 (Constituição Federal de 1988)[4]: essa história do Socialismo Ambiental (Estado ambiental[5]) está lá. É a própria história do planeta Terra em regeneração.

Há um pouco de idealismo nisso, porém, é fundamental sabermos que não se trata aqui de uma mera suposição, especulação, um desejo infundado (honesto, mas infundado em condições reais), não é uma premissa “ideológica”, um vir-a-ser sem possibilidades concretas.

Não, esse Socialismo Ambiental (utópico, sem dúvida) que contamos na crônica de uma viagem de volta da Bienal de Arte Moderna, na verdade, a seguirmos a lógica da sobrevivência (a única lógica ofertada atualmente), é a única saída viável. Ou nos regeneramos (mudando a cada um, cada contexto cada realidade) ou não teremos condições de alterar o sistema corrosivo vigente, desse nível de capitalismo altamente predatório e, só mudando-o (na transformação de nossa própria aceitação, identificação: hábitos, costumes), nós teremos alguma chance de mudar os sinais planetários absolutamente negativos que temos à frente.

No fluxo corrente, no nosso dia a dia, vamos do esgotamento dos recursos naturais ao que será um insuportável aquecimento global. Então, a questão é muito prática e urgente, sem que mudemos por exemplo a obsolescência da mercadoria (a exemplo do crescente e incontrolado troca-troca de celulares e de roupas e de sapatos) nós nos esgotaremos muito rapidamente: parece que dessa vez a Humanidade se colocou um problema muito difícil de resolver.

Além do mais, isso quer dizer que o idealismo é provido de ideias, que o idealismo provém de ideias e, se não temos ideias, o nosso problema é ainda mais grave –, pois, o nosso problema não seria apenas o distinto e específico problema que temos pela frente, mas, sobretudo, o fato de não termos a mínima ideia de como enfrenta-lo.

Então, a ausência de ideias implica em derrota certa e declarada. Como ensinou Kant: “Sapere aude”. Ouse saber, procure saber, procure por ideias mais equilibradas e viáveis (do ponto de vista conceitual, lógico – eco-lógico[6]). Procuremos por ideais exequíveis, emancipatórios[7] – isso é fazer política realista, notadamente a política ambiental, social, moral.

[1] E também uma contradição ou paradoxo, porque a Petrobrás muito em breve estará explorando óleo na Foz do rio Amazonas – o paradoxo se acentua porque a empresa retrata um símbolo nacional e a nossa soberania energética.

[2] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 12/11/225.

[3] BACON, Francis. Novum Organum & Nova Atlântida. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2005.

[4] CAPÍTULO VI

DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

  • 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;         (Regulamento)

II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;         (Regulamento)   (Regulamento)  (Regulamento)   (Regulamento)

III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;         (Regulamento)

IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;         (Regulamento)

V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;         (Regulamento)

VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.         (Regulamento)

VIII – manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis destinados ao consumo final, na forma de lei complementar, a fim de assegurar-lhes tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir diferencial competitivo em relação a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam a alínea “b” do inciso I e o inciso IV do caput do art. 195 e o art. 239 e ao imposto a que se refere o inciso II do caput do art. 155 desta Constituição.   (Incluído pela Emenda Constitucional nº 123, de 2022)

VIII – manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis e para o hidrogênio de baixa emissão de carbono, na forma de lei complementar, a fim de assegurar-lhes tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir diferencial competitivo em relação a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam o art. 195, I, “b”, IV e V, e o art. 239 e aos impostos a que se referem os arts. 155, II, e 156-A.        (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)

  • 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
  • 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
  • 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.         (Regulamento) (Regulamento)
  • 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
  • 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
  • 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos.         (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017). Acesso em 12/11/2025.

[5] CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Estado de Direito. Lisboa: Gradiva, 1999.

[6] GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, São Paulo: Papirus, 1991.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Segurança freia popularidade de Lula

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu interrompida sua ascensão de quatro meses consecutivos. Segundo pesquisa Genial/Quaest (íntegra) divulgada agora há pouco, a avaliação positiva de Lula recuou de 48% para 47%, enquanto a reprovação avançou na mesma medida, de 49% para 50%. Embora dentro da margem de erro, a variação quebrou uma tendência constante de recuperação da popularidade do presidente, iniciada em junho. A mudança no humor do eleitorado está ligada ao tema da segurança pública. As entrevistas foram feitas após a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, e da fala de Lula classificando traficantes como “vítimas dos usuários” — rejeitada por 81% dos entrevistados, inclusive pela maioria entre lulistas. Já a operação, que deixou 121 mortos, foi aprovada por 67%. A violência segue como principal preocupação nacional, saltando de 30% para 38%. “Se o tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor do Lula, a pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, avalia o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest. (Meio)

Gestão Derrite: alta letalidade

A passagem de Guilherme Derrite pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ficou marcada por um paradoxo: enquanto o governo estadual exibe a queda de homicídios como prova de eficiência, a violência policial atingiu recordes e a criminalidade se sofisticou em áreas de alto poder aquisitivo. Em 2022, último ano da gestão João Doria/Rodrigo Garcia, 421 pessoas morreram em decorrência de ações policiais. Com Derrite no comando, o número subiu para 504 em 2023 e 813 em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As operações Escudo e Verão, ambas no litoral paulista, concentram boa parte dessas mortes e foram denunciadas por uso excessivo da força e execuções sumárias. (Diario do Centro do Mundo)

 Lei antifacção

Mesmo com o Planalto enfraquecido na área da segurança, o relator do projeto de lei antifacção, o deputado e secretário licenciado de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), não resistiu às pressões. Após um dia inteiro de reuniões e idas e vindas, ele anunciou que vai manter as prerrogativas da Polícia Federal no combate ao crime organizado e retirar do seu parecer(íntegra) as mudanças previstas na Lei Antiterrorismo. Derrite, porém, não deu o braço a torcer. “O que você chama de recuo, eu chamo de estratégia. Estratégia para punir o crime organizado no Brasil”, afirmou aos jornalistas. (Meio)

Derrota do Derrite

A proposta inicial de Derrite foi criticada por todos os lados: pela PF, pelo Planalto e até mesmo pelo principal nome no combate ao PCC no país, o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya. Ele critica o trecho que determina que investigações de crimes cometidos por organizações criminosas equiparadas ao terrorismo fiquem sob responsabilidade da Polícia Civil, com controle externo do Ministério Público. Para o especialista, essa formulação afasta o MP das apurações. “A Constituição já atribuiu ao Ministério Público o controle externo das polícias, não era necessário que uma lei ordinária repetisse isso. Ao meu sentir, mantém o MP fora das investigações”, afirmou. (Estadão)

Votação ainda hoje

Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende colocar em votação ainda hoje o projeto do Marco Legal da Segurança Pública contra o Crime Organizado. Segundo ele, o objetivo é buscar “convergência” entre os parlamentares antes da deliberação em plenário. “No processo legislativo, temos que ter a capacidade de buscar convergência, principalmente para os grandes temas”, disse Motta, o responsável, em última instância, pela escolha de Guilherme Derrite para a relatoria do texto. (CNN Brasil)

Tiro no pé

Guilherme Derrite e Hugo Motta em entrevista coletivaIntegrantes do governo Lula e parlamentares da base consideraram um “tiro no pé” da direita a tentativa de reduzir as competências da Polícia Federal (PF) no relatório inicial do deputado Guilherme Derrite sobre o projeto de lei antifacção, uma das principais apostas do Executivo para a segurança pública. Segundo a Folha de S.Paulo, auxiliares do presidente avaliam que, após dias de desgaste político em meio à crise na segurança — intensificada pela operação no Rio de Janeiro no fim de outubro —, a proposta de Derrite acabou abrindo espaço para o Planalto retomar a iniciativa no debate público.  (Brasil247)

Não é normal o cidadão portar um fuzil

Pode ser uma imagem de texto que diz "G16"Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (11), o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, comentou a respeito do impasse do projeto de lei 5.582/2025, que regulamenta a investigação contra facções criminosas. O parlamentar defende a criação de um tratamento jurídico diferenciado para quem participa nas atividades dessas organizações, em especial as envolvidas em controle territorial. “É um assunto que angústia a população e precisa ser tratado com responsabilidade. Não podemos permitir no Brasil áreas territoriais controladas por quem não é o Estado. Não é normal o cidadão portar um fuzil e não ter tratamento desigual por algum capítulo da lei”, disse Lira. (Congresso em Foco)

Saúde de Jair Bolsonaro

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que desconhece o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, por isso, não pode afirmar se o Complexo Penitenciário da Papuda tem condições de recebê-lo caso o Supremo Tribunal Federal (STF) determine o cumprimento da pena no local. “As condições do presídio eu conheço, e nós temos condições físicas. Agora, não conheço a saúde do ex-presidente. Não vou saber se ele tem condições de viver em presídio e com a alimentação que tem lá”, disse Ibaneis. O governador afirmou ainda que o Governo do Distrito Federal cumprirá qualquer decisão judicial. (Metrópoles)

100 dias em prisão domiciliar

Condenado pelo STF, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e é provável que passe algum tempo em uma carceragem. Mas nem por isso a direita radical deixará tão cedo de influenciar o campo conservador e a política brasileira. Essa é a avaliação do cientista político Sérgio Fausto, diretor geral da Fundação FHC.

Porta-aviões Gerald R. Ford

A maior e mais avançada arma de guerra da Marinha dos Estados Unidos, o porta-aviões Gerald R. Ford, entrou no Caribe nesta terça-feira, ampliando a capacidade americana de atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas ou alvos em território venezuelano, enquanto o governo Trump avalia novas ações militares para tentar derrubar o presidente Nicolás Maduro. (New York Times)

COP30

Um grupo de 12 organizações ambientais e humanitárias pediu ao primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que o país anuncie ainda na COP30 um investimento de pelo menos US$ 2,5 bilhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Na carta, as entidades defendem que o aporte seja divulgado durante a Cúpula do Clima para pressionar outros países, como China, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, a lançar outras contribuições. Os autores também ressaltam que a Alemanha poderia até se igualar à Noruega ao destinar US$ 3 bilhões ao fundo criado pelo Brasil para financiar a preservação nos países em desenvolvimento. (Folha)

Mudanças climáticas

Pesquisa da Quaest divulgada nesta terça-feira aponta que 94% dos brasileiros dizem já ter sentido ao menos um efeito das mudanças climáticas onde moram. As ondas de calor são o principal ponto de percepção, sendo relatadas por 69% dos entrevistados. Outros 42% citaram as secas prolongadas. Três em cada quatro pessoas ouvidas afirmam estar preocupadas com mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, caiu a parcela dos brasileiros contrários à exploração de petróleo na Margem Equatorial, e subiu a de favoráveis. Os apoiadores da exploração foram de 26% em outubro para 42% na semana passada, enquanto as reprovações passaram, de 70% em outubro, para 49%. (g1)-Charge Negacionistas de Orlando

Mudanças climáticas 2

Pois é… Um estudo publicado na revista científica Nature Sustainability no mês passado questiona o papel da indústria do petróleo como financiador da transição energética como argumento para ampliar a produção de combustíveis fósseis. O levantamento do Instituto de Ciência Ambiental e Tecnologia da Universidade Autônoma de Barcelona indica que apenas 20% entre 250 petroleiras pesquisadas têm projetos de energias renováveis em operação, o equivalente a 0,1% de sua produção de energia primária. (Folha)

Mudanças climáticas 3

Aliás, a Folha teve acesso à lista de credenciados a partir de indicação do Brasil para a COP30. O país apontou 3.805 pessoas para receber crachás para a conferência climática, incluindo integrantes do governo federal, governos e órgãos públicos locais e enviados do terceiro setor e da sociedade civil organizada. Também aparecem na listagem representantes de organizações e empresas de setores poluentes, como instituições do petróleo, mineração e gigantes do agronegócio. (Folha)

Ar-condicionado e refrigeradores

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado na COP30, revela que o uso global de equipamentos de ar-condicionado e refrigeradores pode triplicar até 2050, pressionando o sistema elétrico e as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa. O documento mostra que o aumento das ondas de calor extremas faz crescer a demanda por resfriamento, o que deve fazer com que a capacidade instalada no setor salte de 22 para 68 terawatts até o meio do século. (UOL)

COP32

Enquanto Austrália e Turquia disputam a sede da COP31, do ano que vem, Adis Abeba, na Etiópia, foi confirmada como a casa da COP32 em 2027. (UOL)

 Braskem faz acordo

A Braskem anunciou um acordo com o estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações pelo desmoronamento do solo em Maceió, causado pela extração de sal-gema desenvolvida pela empresa. Milhares de imóveis tiveram a estrutura comprometida e mais de 60 mil pessoas foram impedidas de morar nos bairros afetados, por questões de segurança. A indenização será paga ao longo de dez anos, sendo que R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo a companhia. (Agência Brasil)

TCU investiga Chrisóstomo

Mais trabalho para o advogado Nelson Canedo! O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu que a corte “apure com rigor” nepotismo no gabinete do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO). Conforme revelou a coluna, o parlamentar de Rondônia empregou a companheira, a cunhada e dois concunhados. Mais de R$ 2,1 milhões já saíram dos cofres da Câmara dos Deputados para bancar as remunerações deles.

O gabinete do Coronel Chrisóstomo

TCU investiga Chrisóstomo 2

O TCU informou à coluna, nesta terça-feira (11/11), ter abero um processo a partir da representação do Ministério Público. O MP-TCU descreve que a exoneração dos contratados não exime o parlamentar e os envolvidos “de responderem pelos atos praticados” em razão do uso “indevido de recursos públicos”. O deputado informou à coluna ter exonerado os familiares um dia após ser questionado sobre a situação. (Coluna do Tácio Lorran-Metropoles)

RKTV experimental

Pode ser uma imagem de televisão, sala de redação e texto que diz "RKTV τν"Está no ar em caráter experimental a RKTV, que retorna após 15 anos. A logomarca é a mesma de 2007, mas o formato acompanha a evolução da Internet. Em breve a RKTV também estará compatível nas smart TV, quando estiver operando no sistema Android. Por enquanto a RKTV não terá programação própria, mas a previsão é de que a partir de dezembro quando será oficialmente inaugurada, a webtv produzirá alguns programas jornalísticos, artísticos e podcast. Para ver a RKTV clique aqui.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

EFMM: uma tragédia sobre trilhos

Documentário conta pormenores da saga que foi a construção de uma estrada de ferro na Amazônia que iniciou no século 19 e terminou no século 20, ceifando a vida de milhares de trabalhadores, dentre eles brasileiros, ingleses, espanhóis, portugueses e até norte-americanos. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi construída, em três fases, de 1871 a 1912, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, com 366 km de extensão.
A ferrovia foi um desafio monumental e que acabou sendo um feito desastroso.

Sua execução levou mais de 40 anos para ser concluida, e levou a morte de mais de 8 mil pessoas. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi uma das principais obrigações do Brasil no Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 com a Bolívia. O tratado permitiu ao Brasil incorporar o território do Acre e, em contrapartida, o país se comprometeu a construir a ferrovia para garantir à Bolívia o acesso ao Oceano Atlântico, permitindo o escoamento de seus produtos. O tratado previa também a construção de uma ponte binacional entre o Brasil e a Bolívia, que está em fase de pré-construção em Guajara-Mirim.

Assista aqui EFMM, uma tragédia sobre trilhos: RKTV

 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

Kids Pretos

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (11) o julgamento de dez réus acusados de envolvimento na trama golpista que tentou impedir a posse do presidente Lula. Segundo a PGR, os acusados integram o chamado “núcleo 3”, formado majoritariamente por militares e agentes de segurança que teriam planejado ações contra autoridades e instituições da República.

Kids Pretos 2

O grupo é apontado como responsável por monitoramentos, elaboração de estratégias e tentativas de coação para provocar o caos social. A PGR sustenta que os integrantes participaram do planejamento do chamado “Plano Punhal Verde e Amarelo”, que previa ataques e até o assassinato do então presidente eleito Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. (Diario do Centro do Mundo)

 

Chrisostomo pode dançar

Parece que o deputado federal coronel Chrisostomo (PL-RO) será cassado, se depender do advogado de Rondônia, Caetano NetoChrisostomo vai dançar YMCA no ostracismo por nomear parentes no gabinete. Membros do PL na Câmara Federal, o partido já discute sobre expulsão do parlamentar. De acordo com Caetano Neto, o parlamentar transformou o gabinete em “reunião de familiares” quando nomeou parentes. E pior, cita o causídico, “Dep. Chrisóstomo além do crime de nepotismo, contratar parentes, cometeu também, crime de Improbidade Administrativa uma vez que incidiu no enriquecimento ilícito. devendo responder ação correspondente para ressarcimento aos cofres públicos dos valores pagos aos familiares ilegalmente, hoje, em valores atualizados, cifras podem ultrapassar R$ 3 milhões de reais.

Pode ser uma imagem de texto

Chrisostomo pode dançar 2

O advogado vai entregar também ao deputado líder da bancada do PL na Câmara Federal, Dep. Sóstenes Cavalcante, pedido para que Chrisóstomo seja destituído de todas as Comissões que participa pelo PL e ainda, seja apresentado junto à Comissão de Ética do Partido pedido de expulsão do parlamentar. Em Rondônia, aponta Caetano, caso Crisóstomo permaneça no partido, todos os seus candidatos para os cargos nas próximas eleições, sofrerão revés eleitoral.

                               Os “patriotas”…

Pode ser uma imagem de texto que diz "BRICS Monica Seixas @MonicaSeixas ESCÂNDALO! Hugo Motta e Tarcísio de Freitas se uniram para blindar o crime organizado: indicaram Derrite como relator do PL Antifacção, e ele quer retirar a Polícia Federal de investigações como a que revelou a ligação da Faria Lima com o PCC. Compartillhe ao máximo!"É impressionante a falta de vergonha desses bolsonaristas que, na cara de pau, continuam querendo blindar a bandidagem no Brasil. Pior, querem substituir a nossa Polícia Federal pela CIA e FBI norte-americanos. Ou seja, querem acabar com a soberania brasileira, além de proteger o PCC e o Comando Vermelho.

PL antifacção

O relator na Câmara do chamado PL antifacção, Guilherme Derrite (PP-SP), não resistiu às críticas e, como conta Andreia Sadi, desistiu de exigir pedido dos governos estaduais para a ação da Polícia Federal contra organizações criminosas. Em nota divulgada na noite de segunda-feira, Derrite, que está licenciado do cargo de secretário de Segurança de São Paulo, disse ter ouvido “diversas sugestões de parlamentares, magistrados, membros do Ministério Público, advogados e agentes de segurança” e alterado o texto para que a PF atue “de forma cooperativa” com as forças estaduais “sempre que os fatos investigados envolverem matérias de sua competência constitucional ou legal”. (g1)

PL antifacção 2

Antes do recuo de Derrite, a PF e a Receita Federal haviam divulgado notas demonstrando preocupação com as restrições propostas pelo relator. Segundo a PF, o texto enfraquecia o “papel histórico da corporação” em investigações de longo alcance. Já a Receita destacou que depende da PF para “atacar e desestabilizar a estrutura de financiamento das organizações criminosas” e que essas operações não poderiam ser “condicionadas à autorização local”. (g1 e Meio)

PL antifacção 3

Já o Planalto tem trabalhado para retomar o texto original elaborado pelo Ministério da Justiça. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta um encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para expor a preocupação do governo com o avanço da proposta. Em paralelo, o governo subiu o tom contra as alterações de Derrite e passou a classificar as mudanças de “blindagem a bandidos”. (Globo)

Suspensão imediata

Enquanto isso, ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a “suspensão imediata” do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra as famílias que retiraram corpos na mata após a operação mais letal do país. Moraes também determinou que o governo do Rio preserve as imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais. (UOL)

COP30 começa com críticas a guerras

A política deu o tom na abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) nesta segunda-feira, em Belém. Em seu discurso mais enfático até agora na capital paraense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu com as formalidades da Cúpula de Líderes da semana passada e fez ataques a potências que não enviaram representantes de alto nível, sem citar diretamente os EUA e a China. Também criticou nações que financiam ou travam guerras. “Se os homens que fazem guerra estivessem aqui, perceberiam que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para enfrentar um problema que mata do que gastar US$ 2,7 trilhões com guerras, como fizeram no ano passado”, afirmou. (g1)

Cortar as emissões de CO2

Já o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Simon Stiell, enfatizou a necessidade de cortar as emissões de CO2 na atmosfera, antes mesmo de os países entregarem as promessas firmadas em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, em inglês). “Nenhuma nação tem como arcar com isso enquanto desastres climáticos começam a impor prejuízos de dois dígitos na percentagem do PIB dos países”, declarou. (Globo)

Donald Trump x COP30

Dos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump não citou Lula, mas criticou as obras de infraestrutura que foram feitas em Belém para a Conferência do Clima. Em sua rede social, a Social Truth, Trump disse que as obras foram um escândalo. “Eles destruíram a Floresta Amazônica no Brasil para a construção de uma rodovia de quatro faixas para que ambientalistas pudessem viajar”, escreveu. (Estadão)

Califórnia na COP30

No Brasil, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, líder emergente do Partido Democrata, criticou a ausência de seu país na conferência e afirmou que os EUA sofrem hoje com um “vácuo de liderança” na agenda climática. Ele participou de um simpósio sobre mercados e sustentabilidade em São Paulo e desembarca em Belém hoje. “A razão pela qual estou aqui é pela ausência de liderança vinda dos Estados Unidos. Esse vácuo é, francamente, de cair o queixo”, afirmou. (CNN Brasil)

Metas climáticas

O primeiro dia oficial da COP30 atingiu a marca de 111 metas climáticas entregues por países membros. O total representa 71% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo a plataforma Climate Watch. O número teve um salto nesta segunda-feira, após a inclusão dos 27 países da União Europeia na lista. Determinadas pelo Acordo de Paris, as NDCs precisam ser atualizadas pelos 195 signatários a cada cinco anos, mas a maioria não cumpriu o prazo, mesmo sendo estendido, de fevereiro para setembro. (Folha)

Acordos do clima

Um documento assinado por 51 relatores especiais da ONU pede a implementação urgente e eficaz dos acordos do clima de forma justa e inclusiva. O texto de sete páginas afirma que a credibilidade da COP30 depende do sucesso de alcançar um resultado significativo para atenuar os problemas climáticos. A declaração também ressalta a necessidade de “limitar a presença de lobistas de combustíveis fósseis na COP” e “assegurar transparência, participação pública e diálogo significativo com a sociedade civil”. (Folha)

Margem Equatorial

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reagiu às críticas ao início das pesquisas que a Petrobras faz na costa amazônica, conhecida como Margem Equatorial, na busca de novas reservas de petróleo e gás. Segundo ele, o petróleo brasileiro tem menor concentração de carbono e, portanto, gera menos emissões do que o de outros países. “O petróleo brasileiro é menos emissor. Encerrar as refinarias pioraria a condição ambiental do planeta”, disse. (Globo)

Crise climática

Enquanto isso, um novo relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), também lançado nesta segunda, revela que a crise climática obrigou 250 milhões de pessoas a deixarem suas casas na última década, uma média de 70 mil por dia. De acordo com o estudo, os refugiados são afetados por fatores como a elevação do nível do mar e o calor extremo enfrentado nos países que os abrigam após fugirem de conflitos. Somente em 2024, pessoas nas 15 maiores concentrações de refugiados do mundo experienciaram cem dias de calor extremo. (Folha)

 Direito constitucional

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira, um recurso solicitando a revogação de um precedente histórico que garantiu o direito constitucional ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O pedido foi feito por Kim Davis, ex-escrivã do condado de Kentucky, que se recusou a emitir certidões de casamento após a decisão do tribunal no caso Obergefell v. Hodges, permitindo a união de casais homoafetivos. Com a derrota, Davis vai enfrentar uma série de processos, devendo pagar centenas de milhares de dólares em indenizações e honorários advocatícios. (CNN)

Mauro Vieira no Canadá

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já deixou a COP30 e embarcou para o Canadá, onde participará ainda hoje de uma reunião ministerial do G7, grupo que reúne as maiores economias do mundo. Além da relevância do encontro pelo peso político dos participantes, a viagem pode abrir espaço para uma nova reunião bilateral com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que também estará presente. A conversa ainda não foi oficialmente confirmada pelas diplomacias dos dois países, mas, diante da presença de ambos no mesmo evento, o Itamaraty trabalha com a expectativa de um novo encontro para dar continuidade às negociações sobre o tarifaço. (Valor)

O Agente Secreto

Representante do Brasil no Oscar, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, estreou na liderança da bilheteria nacional, arrecadando R$ 6,6 milhões no fim de semana. De acordo com dados da ComScore, o filme foi visto por 273 mil pessoas nos cinemas do país entre quinta-feira e domingo. O longa brasileiro deixou para trás o também estreante no país Predador: Terras Selvagens, que ficou em segundo lugar, com R$ 5,7 milhões em bilheteria. Em exibição há quatro semanas, O Telefone Preto 2 ficou em terceiro lugar, com R$ 1,8 milhão e um público de 84 mil pessoas. (g1)

Musical Jeca

Baseado no álbum Refazenda, de Gilberto Gil, o musical Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar está em cartaz até o próximo dia 23 no Sesc Consolação, em São Paulo, pelo Grupo 59 de Teatro. O espetáculo foi montado após uma ampla pesquisa sobre a trilogia “Re” (dos discos Refazenda, Refavela e Realce), lançada por Gil entre 1975 e 1979. Os outros dois álbuns também darão origem a peças teatrais. Acompanhando as idas e voltas de Jeca à sua terra natal, encontrando a família, o velho abacateiro da cidade e suas próprias origens, a peça tem direção de Kleber Montanheiro, com texto de Lucas Moura da Conceição e poemas cênicos de Marcelino Freire. (Folha)

Limite de idade

O Brasil vai impor limite de idade para o acesso de crianças e adolescentes a redes sociais, aplicativos de mensagem, chatbots de IA e outros serviços digitais. A partir de março de 2026, plataformas só poderão ser usadas por menores com autorização dos pais, conforme nova regra coordenada pelo Ministério da Justiça. A classificação etária passa a ser obrigatória e segundo o documento oficial, o WhatsApp será recomendado a partir de 12 anos, chatbots generativos, como o ChatGPT, a partir de 14, redes sociais, de 16, e ferramentas com manipulação de imagem e conteúdo adulto, só para maiores de 18. Essas mudanças serão ancoradas na nova versão do Guia da Classificação Indicativa, que pela primeira vez inclui o critério de “interatividade”. As empresas terão prazo para se adaptar, e o governo ainda definirá como será feita a verificação da idade. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Perguntas para o Brasil de hoje – Há bom senso no mundo atual?

0

Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular/UFSCar

 

  1. Ao relacionar o “Bom Senso” ao senso crítico, o Senhor sugere uma educação baseada na reflexão ética e social. Como essa concepção dialoga com o projeto de uma educação libertadora e com os ideais de bell hooks, Paulo Freire e outros pensadores críticos da América Latina?

Exatamente, o Bom Senso (como capacidade humana de agir de forma ponderada, equilibrada, diante dos fatos e do ato de aprendizagem), por força da lógica, torna-se, ao longo da experiência no Mundo da Vida, uma reflexão prática (uma sabedoria popular[1]), também intuitiva (com liberdade, muita criatividade[2] e crítica), e, por isso, se de fato há uma constância no equilíbrio entre tomar decisões razoáveis (racionais, como meio, medium,  de equilíbrio nas ações), com ponderação, análise acerca das implicações e das responsabilidades futuras – projetando-se possíveis consequências, “antecipando-se por dedução”, aplicando-se o modo da prevenção, precaução (teleologia) –, acaba por se converter em senso crítico; afinal, não se faz tudo ao bel prazer, na toada das impulsões ou das paixões irrefletidas. Requer-se Prudência, em uma palavra. Não há senso crítico que se desligue da Prudência – e isso vemos até mesmo no Maquiavel, d’O Príncipe: “vertú contra furore” (ao tomar para si, na conclusão final, um poema de Petrarca). Isso é fundamental, é a premissa do educador que observa a partir da premissa da liberdade, da autonomia e da emancipação. No entanto, vejo como fundamento (um tanto perdido) a noção de implicações (presentes e futuras) e as consequências advindas (a responsabilização por ações). A práxis (reflexão e ação), um tipo de conversão do Bom Senso em senso crítico (com apoio em Gramsci[3] também, refutando-se o sectarismo, ultrapassando-se o senso comum: o “vai da valsa”), não pode prescindir desse conjunto de elementos, dessa base conceitual[4]. Aliás, essa é uma das grandes diferenças entre práticas sociais e práxis. E isso, por sua vez, nos reforça (como obrigação) a necessidade do estudo, da leitura, a fim de que a reflexão tenha um prisma de sustentação (racionalidade) filosófica, sociológica, científica, política. Em suma, nesse contexto, a autoeducação se torna obrigatória e, assim, todos/as se transformam e, ao se transformarem, modificam o seu entorno. Essa práxis que parte da liberdade (e que sendo feita na luta pela sobrevivência é, obviamente, política) se materializa na mudança social, política, econômica, cultural, societal.

 

  1. Quais seriam, hoje, as principais formas de “adestramento” presentes na educação pública e privada — e como a dialética propositiva pode ajudar a superá-las?

 

Em uma frase, entendo por Dialética Propositiva a reflexão e a ação do/a educador/a que visa a metamorfose do senso comum (e do empiriocriticismo) em Bom Senso – tomando-se este por uma equivalência do senso crítico. Sob esse prisma, temos hoje no Brasil a vigência (violência) de uma enorme contradição, uma incongruência, excrescência que desafia toda luta política que já travamos contra os séculos de domínio excludente. Enquanto as instituições privadas, especialmente as escolas particulares de ensino fundamental e médio, mantém e reforçam o ensino de Ciências, filosofia (identificar pressupostos, imperativos e propor hipóteses) e sociologia (identificar e analisar desafios, antagonismos e contradições fundamentais[5]), a rede pública aniquila na prática esses conteúdos – insere “rotatórias de vida” (tipo: “O que rola por aí”) e uma suposta Robótica. As chamadas “elites” mantém filosofia e sociologia (e Ciências) porque ensinam seus filhos e filhas a pensarem e, pensando, a se ajustarem ao comando social. As elites ensinam sua prole a ser classe dominante e, por óbvio, ninguém domina nada se não for pensando adequadamente, racionalmente, em profundidade. O pior adestramento me parece ser esse, uma adesão (plena identificação com o Capitalismo digital[6]: rentismo e capitalismo de dados), pois, nós somos a mercadoria na gôndola de plena oferta. Como é que se oferta Educação financeira para crianças e jovens pobres, negros e oprimidos – na base da economia de um real –, se muitos vão à escola em busca da alimentação que lhes falta em casa[7]? Como é que se insere disciplinas como Robótica em comunidades absolutamente carentes, desprovidas do próprio Estado, marginalizadas, ou nas regiões do interior profundo e no sertão distante? Não faz sentido algum, a não ser uma pela ótica da adesão, subsunção, identificação com a exclusão de milhões de brasileiras e de brasileiros. Por óbvio, seria muito mais adequado termos conteúdos específicos (quer dizer, avalizados por cientistas críticos e não aderentes à comodidade pós-moderna) sobre Educação digital – debatendo, mostrando, os perigos representados pelas redes antissociais: desumanizantes e que conferem a “adultização” e o discurso de ódio – e Educação ambiental; todavia, devotando-se essa à reflexão analítica que vise mudanças profundas e estruturais no país, a começar pela “cultura agro”. De modo mais profundo, seria insurgente, urgentemente necessária, uma Educação para além do capital, após Auschwitz e depois de Gaza[8].

 

  1. O senhor propõe uma Ciência com consCiência social, fundada na participação popular. Que caminhos práticos podem fortalecer a presença dos movimentos sociais e das vozes populares na produção científica e na gestão educacional brasileira?

 

Em uma pequena frase também, na premissa da resposta diria que a universidade precisa sair do castelo de areia em que se encontra: frágil e traiçoeiro, como a areia movediça. De modo mais amplo, penso no sentido de que a práxis real, humana, é um processo de conhecimento (social), autoconhecimento (autoeducação), reconhecimento (institucional) e, portanto, de afirmação da humanidade que há em cada ser social. Quando se procura a raiz do humano se verifica a capacidade de se fazer política ou, em outras palavras, encontra-se o “fazer-se política”. Essa passagem, metamorfose (desbloqueio) do ser social[9] (homo sociologicus) em “animal político” não apenas nos remete aos resultados políticos imediatos –típicos do “realismo político”, como dominação, domínio, poder, capacidade decisional – como, sobretudo, traz a implicação ou obrigação de vermos o nosso “insumo” primal, primeiro. Qual seja: a raiz, a radicalidade política que há em todos nós, porque nós nos fizemos enquanto Humanidade, precisamente, fazendo política. Não seríamos “insumos da Humanidade” sem esse “fazer-se política”, essa é a nossa história (ontologia). É isso que somos, seres sociais que se transformam em animais políticos (forçosamente) fazendo política e, ao fazê-la, fazendo-nos politicamente. Esse é o eixo da hominização, ao longo do enorme, milenar Processo Civilizatório.

 

  1. O senhor enfatiza a necessidade de “proposição efetiva, não o apaziguamento”. Como essa atitude propositiva pode orientar o trabalho do GEMINIAL em pesquisa, militância e políticas públicas de educação?

 

Numa leitura geral, propositiva, parto da premissa de que a Ciência, o pensamento científico (de fato) somente se verifica por meio da insatisfação, da curiosidade e da criatividade que desembocam na capacidade cognitiva crítica (antigamente, chamava-se de Massa Crítica). Ao contrário disso só vemos um “copiar, colar”, a mera repetição, aquele decoreba da mesmice que cola em discursos pomposos, mas, absolutamente inúteis. Chama-se de “cultura balofa”, capaz de falar várias línguas – menos a língua do povo. Costumo dizer com acidez, sarcasmo, que, a pior coisa da universidade (mormente a pública) é ver “as pessoas correndo para fazer tudo igual e, depois, competindo entre si para ver quem fez mais igual”. Se não há insatisfação e curiosidade não há crítica, pois há só conformismo com o óbvio – e, obviamente, não há Ciência conformista. Se quisesse dizer de outro modo diria que devemos partir do óbvio (é claro, por suposta racionalidade e para não inventar a roda ou desafiar a lógica com desatino), porém, essa assertiva é igualmente óbvia. O grande desafio de toda pessoa que se articula, minimamente, com a instância de necessidade do Bom Senso é não se contentar com as obviedades, pôr-se o desafio de ir além, de ver para além da fumaça espessa ou rala da realidade que se nos apresenta. Se isto é uma condição humana, de crescimento, de aprofundamento, amadurecimento (Bom Senso), o que mais dizer, esperar da universidade, do/a cientista, do/a pesquisador/a? Se é uma condição óbvia de todos que superam o senso comum, a pasmaceira do “copia e cola”, de quem busca sua própria liberdade e autonomia (da identidade em contato com a emancipação – que só pode ser social, amplificada), é mais uma vez óbvio que não se faz Ciência de outro modo. Essa é a nossa obrigação principal, precípua: pensar além do mesmo, além do “fazer tudo igual e competir para ver quem fez mais igual do que os demais”. Se não fosse a enorme curiosidade, a impulsividade em solucionar problemas, dilemas, necessidades elementares, não teríamos sequer inventado a energia elétrica, quanto mais os antibióticos e as vacinas. Sem a crítica necessária ao status quo, à pasmaceira do conhecimento estabelecido como “campo de luta” dos estratos funcionais e das frações de classe dominante que habitam a universidade pública, ainda estaríamos enfurnados no fundo da caverna de Platão. Além disso, dois pontos têm me chamado a atenção. São convergentes em erros conceituais e no senso comum:

  1. Tornou-se lucrativo dizer que: “A extrema direita politizou as periferias”. Se dissesse “colonizou” estaria correto, pois a soberania legislativa pertence ao crime organizado, às seitas e ao Necrofascismo[10]. O que contradiz, obviamente, ao mínimo senso de espaço público. Portanto, não há política nessa Polis colonizada pelo barbarismo. A Política como esteio do Princípio do Contraditório requer a liberdade para se construir como emancipação individual e social – bem longe do jugo e da opressão.
  2. Em consonância a isso, diz-se solenemente (“academicamente”) que: “Toda educação é política”. Esse é o tipo de senso comum mais comum que podemos encontrar (e, portanto, é muito difícil de superar). Definitivamente, a educação só é política quando nos remete à liberdade, autonomia e emancipação. Conceitualmente, a educação politiza por meio do “fazer-se política” e jamais quando negamos a Política (o espaço público). Isso implica em práxis (reflexão e ação), no fazer-se político quando se está estudando e fazendo, atuando politicamente, no âmago da ação política. Então, será que toda “educação” tem esse fim, esse objetivo da politização enquanto humanização? Arendt sabia disso, os gregos nos ensinaram, mas foi, sobretudo, o longo processo de hominização que nos forjou assim enquanto humanidade. O que reprime, atordoa os sentidos, entorpece os sentimentos, o que adestra, por óbvio, não educa. Por certo, temos que saltar fora desse pensamento robótico que se espalhou a partir das agências de fomento – que identificam a “inovação” com o acréscimo de duas linhas em algoritmos e que nem dominamos – e dos interesses hegemônicos, predominantes no atual estágio do Capitalismo digital.

[1] É impossível desgostar e não notar a ironia transformadora em alguns cordéis: LIMA, João Ferreira de. Proezas de João Grilo. Fortaleza-CE: Academia Brasileira de Cordel: Ban Gráfica, 2002.

[2] A bricolagem é uma das suas mais notórias demonstrações, sendo uma encantadora arte da vida, solucionadora de necessidades e propositora de soluções e de alternativas criativas.

[3] GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Org. Carlos Nelson Coutinho). Volume II. Os intelectuais: o Princípio Educativo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

[4] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[5] Engana-se redondamente quem supõe que as classes dominantes não estudam e não ensinam para sua prole o que é a luta de classes – inclusive porque fazem parte de uma classe fundamental do Capitalismo digital, orbitando cada uma de suas frações. E aqui se afunila o paradoxo, porque governos progressistas se esquivam da obviedade capitalista, negando-se a ofertar na prática o direito à educação, notadamente para o povo pobre, negro e oprimido – e mais ainda se entendermos que não há educação sem liberdade, autonomia, consciência, responsabilidade (individual e social) e emancipação. Não se pode negar o “direito ao pensamento” criativo, propositivo, crítico.

[6] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 10/11/2025.

[7] CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014, p. 43. Qual Educação capitalista poderia subverter a realidade corrosiva das tantas Carolinas de Jesus ainda mantidas no Mundo do Trabalho sob condições análogas à escravidão?

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital; Educação após Auschwiz, e depois de Gaza; Educação em Direitos Humanos; Educação Constitucional. 499 p. 2025. Tese (Título de Professor Titular) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025.

[9] É preciso sempre ter em mente que há muitos animais sociais (dotados, inclusive, de algum esforço consciente: senciência), todavia, apenas nós humanos somos “animais políticos”.

[10] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Necrofascismo: Fascismo Nacional, necropolítica, licantropia política, genocídio político. Curitiba: Brazil Publishing, 2022.

Extrema direita associa tornado no Paraná à COP30 e PT: ‘Faz o L’

MANAUS (AM) – Usuários da internet identificados com os atributos da extrema direita associaram, neste sábado, 8, por meio das redes sociais, o ciclone que atingiu o Estado do Paraná ao Partido dos Trabalhadores e à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. A tempestade deixou pelo menos seis mortos e mais de 400 pessoas feridas no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR).

Em uma das publicações, um perfil afirmou que a tempestade trata-se de uma “manipulação climática feita pela elite global” para, segundo o usuário, seguir “com interesses pervertidos para continuar com o discurso político de mudanças climáticas. Conforme a mensagem publicada no X (ex-Twitter), “eles precisam do caos para justificar a COP30”, evento climático que começa na próxima segunda-feira, 10. Veja publicação:

Internauta questiona tornado no Paraná (Reprodução/X)

Outro internauta, identificado como “A Catraca”, também relacionou o fenômeno ao governo federal. Ele questionou os seguidores se “não era estranho que primeiro o clima destruiu o Rio Grande do Sul, onde o PT tenta dominar faz tempo, e depois começa a destruir o Paraná, Estado em que o partido também está se enraizando aos poucos”. A menção ao Estado gaúcho ocorre um ano após as enchentes que devastaram cidades inteiras em 2024. Veja publicação:

Internauta questiona relação do PT com eventos climáticos (Reproduçã/X)

As publicações, sem base cientifica, vão de encontro com o posicionamento do pesquisador Bruno Brezenski. O especialista afirma que os fenômenos recentes indicam uma possível relação com as mudanças climáticas globais e que episódios como o ocorrido no Paraná tendem a se tornar mais frequentes e intensos com o aumento das temperaturas médias do planeta.

“As alterações no clima já estão demonstrando seu grau de destruição, isso com a Terra tendo +1,5ºC de elevação térmica. Para a maioria dos cientistas, no ritmo atual de emissões, iremos chegar em 2035 nos +2,0ºC, e nessa temperatura estamos falando de catástrofe generalizada. Está indo muito rápido [as mudanças climáticas], mais rápido do que todos os estudos de dez anos atrás. Os cientistas estão alarmados com a velocidade em que progride o colapso dos sistemas climáticos”, afirmou.

O pesquisador detalhou ainda que fenômenos como o registrado no Paraná não são incomuns no Brasil, mas que a intensidade observada em Rio Bonito do Iguaçu é atípica. Bruno Brezenski explicou, no entanto, que estudos científicos apontam a possibilidade de formação de um corredor de tornados de grande intensidade entre os Estados de Santa Catarina e Paraná.

“A ciência vem avisando sobre a possibilidade de o Brasil ter um corredor de tornados de grande intensidade entre Santa Catarina e Paraná. Com o aumento da temperatura média, há mais energia para acelerar e perturbar as tempestades, e como removeram a vegetação da região para colocar pasto e monoculturas, essas áreas ficaram com pista perfeita para tornados. Não só o Brasil como vários países estão em risco, isso porque alguns eventos podem deixar zonas gigantescas inabitáveis”, explicou.

Tornado
Local de destruição após passagem de tornado no Paraná (Reprodução/Atento News)

Nessa sexta-feira, 7, moradores do município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, viveram um dia de terror, após fortes ventos devastarem a cidade deixando um rastro de destruição e mortes. De acordo com a Defesa Civil estadual, seis pessoas morreram e 432 ficaram feridas. Casas foram destelhadas, postes e árvores caíram, e boa parte da zona urbana ficou sem energia elétrica. A prefeitura decretou situação de emergência.

Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e voluntários locais trabalharam durante toda a noite no resgate e atendimento das vítimas. A força dos ventos surpreendeu até mesmo meteorologistas, que ainda investigam se o fenômeno foi um ciclone extratropical, um microexplosão atmosférica ou um tornado de pequena escala, comum em situações de instabilidade severa.

Previsão do tempo

A previsão do tempo para os próximos dias ainda indica instabilidade na região Sul, e autoridades alertam para o risco de novos temporais. Em meio ao luto e à destruição, a tragédia no interior do Paraná deixa um alerta claro. Os eventos extremos já não são previsões distantes, mas uma realidade com a qual o Brasil precisa aprender a lidar com responsabilidade e ciência.

Revista Cenarium

STF mantém, em decisão unânime, condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram manter a condenação ex-presidente Jair Bolsonaro e mais seis réus na ação penal da trama golpista.

Com placar de 4 votos a 0, o colegiado rejeitou os chamados embargos de declaração, recursos que foram protocolados pelas defesas dos condenados para evitar a execução das penas em regime fechado.

Os votos foram proferidos pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Luiz Fux não votou. No mês passado, o ministro mudou para a Segunda Turma da Corte após votar pela absolvição de Bolsonaro.

Com os quatro votos proferidos, o julgamento virtual está encerrado.

Prisão

A partir de agora, caberá a Alexandre de Moraes decidir quando Bolsonaro e os demais réus serão presos. 

A medida deverá ocorrer após o ministro declarar o trânsito em julgado da ação penal, ou seja, o fim do processo e da possibilidade de recorrer. Não há prazo para a decisão.

A princípio, Bolsonaro e outros réus não têm direito a um novo recurso para levar o caso para o plenário. Contudo, as defesas podem insistir na tentativa de apresentá-lo.

Para conseguir que o caso fosse julgado novamente pelo pleno, os acusados precisavam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, placar mínimo de 3 votos a 2. Nesse caso, os embargos infringentes poderiam ser protocolados contra a decisão.  No dia 11 de setembro, o placar pela condenação foi de 4 votos a 1.

Atualmente, o ex-presidente está em prisão domiciliar em função das investigações do inquérito sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

Se a prisão for decretada por Moraes, o ex-presidente iniciará o cumprimento da pena definitiva pela ação penal do golpe no presídio da Papuda, em Brasília, ou em uma sala especial na Polícia Federal.

Os demais condenados são militares e delegados da Polícia Federal e poderão cumprir as penas em quartéis das Forças Armadas ou em alas especiais da própria Papuda.

Diante do estado de saúde de Bolsonaro, a defesa também poderá solicitar que o ex-presidente seja mantido em prisão domiciliar, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor.

Condenado pelo Supremo em um dos processos da Operação Lava Jato, Collor foi mandado para um presídio em Maceió, mas ganhou o direito de cumprir a pena em casa, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, por motivos de saúde.

Condenados

Além de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, também tiveram os recursos negados:

Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid assinou delação premiada durante as investigações e não recorreu da condenação. Ele já cumpre a pena em regime aberto e tirou a tornozeleira eletrônica.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

Perdeu, Mané 

Em um recado das urnas para Donald Trump, o Partido Democrata saiu amplamente vitorioso nas eleições locais de terça-feira. A conquista mais expressiva foi de Zohran Mamdani, que, aos 34, será o primeiro prefeito muçulmano e socialista de Nova York. Foi uma derrota para Trump, que ameaçou cortar verbas federais para a cidade, caso ele fosse eleito, e também para a cúpula democrata, que preferia o ex-governador Andrew Cuomo — derrotado na convenção por Mamdani, ele concorreu como independente. Mas a vitória democrata não se limitou à Big Apple. Nas duas eleições estaduais, Mikie Sherrill e Abigail Spanberger tiraram os republicanos dos governos de Nova Jersey e da Virgínia. Ambas, porém, adotaram uma estratégia oposta à de Mamdani, afastando-se das pautas de esquerda. E a Califórnia, tradicional reduto democrata, aprovou um redesenho nos distritos eleitorais, o que deve dar ao partido mais cinco cadeiras no Congresso nas eleições legislativas de 2026. (AP)

Extrema direita acusa LCP

Um vídeo circulando nas redes sociais hoje mostra a visão aérea de pessoas correndo em um latifúndio e as imagens do breu noturno com barulhos de tiros disparados ao fundo. Segundo a imprensa policial “Alô Thanos”, são registros do último ataque feito pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no dia 1° de outubro contra o latifúndio “NorBrasil”, em Nova-Mutum Paraná, Rondônia. O latifundiário local é investigado por vários esquemas de grilagem, colaboração com mercenários, fraude e manipulação do Judiciário.

Extrema direita acusa LCP 2

O latifúndio “NorBrasil” pertence a Antônio Martins, apelidado na região de “Galo Velho”. Há anos, os camponeses pobres acusam o latifundiário de envolvimento em uma série de esquemas irregulares e defendem a distribuição de suas terras, e tem tido sucesso na comprovação. Galo Velho, por sua vez, tenta desorganizar a resistência camponesa, mas fracassa.

Extrema direita acusa LCP 3

Segundo um relatório do “Mapa de Conflitos”, Antônio Martins é o “maior grileiro” do estado de Rondônia e usa de empresas para viabilizar a grilagem de terras públicas rondonienses. O observatório também acusa o latifundiário de atacar os camponeses pobres e causar graves impactos ao meio natural, como desmatamento, erosão do solo, queimadas e poluição de rios.

Extrema direita acusa LCP 4

Em 2020, o Ministério Público Federal (MPF) acusou Antônio Martins de ser o líder de uma organização criminosa que conseguiu lucrar mais de R$ 330 milhões por meio da grilagem de terras e fraudes no estado de Rondônia entre 2011 e 2015.

PF investigará ‘matança’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma investigação independente sobre a atuação policial na megaoperação que deixou 121 mortos no Rio, com a participação de legistas da Polícia Federal (PF) para apurar as circunstâncias das mortes. “É importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, disse o presidente. Lula está em Belém (PA) para cumprir agendas da COP30, e, em entrevista à Associated Press e à Reuters, se referiu à operação como uma “matança”. “O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas, do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa.” As falas marcam a primeira crítica direta do presidente ao episódio. Na semana passada, ele havia se limitado a defender o combate ao crime organizado, sem confrontar a atuação do governo fluminense ou das forças de segurança estaduais. (g1)

PF investigará ‘matança’ 2

Não demorou para a oposição reagir. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, criticou o presidente por não citar os policiais mortos. Já o senador Ciro Nogueira (PP) retomou uma fala recente do petista — de que traficantes seriam “vítimas de usuários” — para atacá-lo nas redes. “Lula prova de novo que acha que os traficantes são vítimas. Presidente, houve matança sim: os bandidos mataram 4 policiais e atiraram em vários outros”, escreveu. (Folha)

PF investigará ‘matança’ 3

Horas depois da entrevista, a conta oficial de Lula no X reafirmou que o governo atua para “quebrar a espinha dorsal” do tráfico e do crime organizado, com foco nas “cabeças do crime”.  Lula reforça que seu governo retirou do crime organizado bilhões de reais e que a Polícia Federal (PF) aumentou drasticamente o número de suas operações, bem como a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A mensagem manteve o tom do Planalto, ao reiterar a aposta em inteligência e integração das forças de segurança, e alinhou esse discurso às propostas já enviadas ao Congresso, como a PEC da Segurança e o projeto de Lei Antifacção. Em Brasília, aliados disseram não ver mudança no discurso do presidente. (Valor)

CPI do Crime Organizado

Mas o Planalto teve uma vitória importante no debate sobre segurança pública. Por seis votos a cinco, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente da CPI do Crime Organizado, derrotando o nome da oposição, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RJ), que ficou com a vice-presidência, após acordo. Contarato, que já divergiu do PT em temas de segurança, prometeu independência. A CPI vai investigar a estrutura e a expansão de milícias e facções como o Comando Vermelho e o PCC por 120 dias, prorrogáveis por mais 60. O relator será Alessandro Vieira (MDB-ES), autor do requerimento e nome de consenso entre governo e oposição. (UOL-Charge do Orlando)

CPI do Crime Organizado 2

Pode ser uma imagem de texto que diz "DIVULGAR DIVUI D- GAR FEIRA lgarfeira @div @divulgarfeira @divulgarfeira @divulga "TÁ TUDO DOMINADO" METADE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO TEM LIGAÇÃO COM O CRIME, APONTA PF"Já aprovado, o plano de trabalho da CPI prevê convites a ministros e 11 governadores, entre eles Tarcísio de Freitas (SP) e Cláudio Castro (RJ). Vieira dividiu a apuração em nove eixos e quer priorizar a convocação de autoridades com “conhecimento profundo” sobre o avanço das facções e milícias. (Veja)

CPI do Crime Organizado 3

“Sem gritaria, com divergências e debate. A primeira sessão da CPI do Crime Organizado no Senado até pareceu uma aula de política feita por adultos — uma amostra do que Brasília pode ser quando não é assaltada pelo bolsonarismo. Vai ser sempre assim? Difícil”. (Flávia Tavares-YouTube)

Enquanto isso, na Câmara…

o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Paulo Azi (União), adiou para hoje a votação do projeto que equipara facções a grupos terroristas, antes prevista para ontem. O recuo ocorreu após pressão do governo, que tenta emplacar seu próprio texto — o projeto de lei “antifacção”, enviado na semana passada. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) atuou pessoalmente na articulação. A proposta em análise é do deputado Danilo Forte (União), relatada por Nikolas Ferreira (PL), e é uma das bandeiras do bolsonarismo no Congresso. (Globo)

Sob pressão

Cláudio Castro está sob pressão também no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde é julgado por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022. A relatora do caso, Isabel Gallotti, votou pela cassação e a inelegibilidade dele Castro e do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil) e a realização de novas eleições. No entanto, após o voto dela, o julgamento foi adiado por pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira e deve voltar à pauta nas próximas semanas. (g1)

Missão

E o MBL agora tem um partido para chamar de seu. O TSE aprovou a criação do Missão, que usará o número 14 nas urnas. A legenda apresentou mais de 577 mil assinaturas válidas e diretórios em nove estados, o mínimo exigido por lei. No estatuto, defende responsabilidade fiscal, endurecimento das leis penais e industrialização do Nordeste. (Globo)

 Cela especial na Papuda

Pode ser uma imagem de texto que diz "VARA DE EXECUÇÃO PENAL INFORMA AO STF QUE CELA PARA BOLSONARO ESTÁ PRONTA *BEM VINDO B17!"O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deve autorizar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma cela especial na Papuda, em Brasília. Com paredes brancas, ar-condicionado e televisão, o espaço já foi vistoriado e aprovado pelo magistrado, segundo a coluna de Paulo CapelliBolsonaro segue cumprindo prisão domiciliar, mas aliados acreditam que o STF deve determinar a mudança ainda na próxima semana, após a análise dos embargos da defesa. A avaliação entre ministros, no entanto, é que o ex-presidente deve permanecer pouco tempo no presídio, antes de voltar ao regime domiciliar por razões médicas. (Metróples)

Licença-paternidade

A Câmara dos Deputados aprovou de forma simbólica um projeto de lei que amplia gradualmente de cinco para 20 dias a licença-paternidade para trabalhadores do regime CLT. O benefício deve começar a partir de 2027, com um período de transição. Serão concedidos dez dias no primeiro ano da lei, acrescentando cinco dias a cada ano até chegar ao limite de 20 dias. O projeto também prevê a criação de um salário-paternidade no INSS com as mesmas regras do salário-maternidade e garantia de estabilidade no emprego por 30 dias depois do retorno. O texto segue para o Senado. (UOL)

Nomes mais populares

O IBGE divulgou nesta terça-feira a lista de nomes mais populares do Brasil. Maria está no topo como o mais comum, usado por mais de 12 milhões de pessoas — ou 6% da população. José vem em segundo, com 5 milhões de pessoas, ou 2,5% dos brasileiros, seguido por Ana, com quase 4 milhões (1,9%). Maria e José já eram os mais populares em 2010. Pela primeira vez, o IBGE também revelou os sobrenomes mais comuns do país. Silva é o líder do ranking, com 34 milhões, ou 17% da população, seguido por Santos (21,4 milhões, 10,5%) e Oliveira (21,3 milhões). A lista também conta com nomes usados por apenas 20 pessoas, entre eles, Abao, Ezulina e Laurineth. (g1)

Efeito estufa

As promessas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa avançaram pouco e o planeta vai exceder a meta de aquecimento de 1,5°C em relação à era pré-industrial (1850-1900), reconheceu um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Mesmo com os acordos firmados no Acordo de Paris, o mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, podendo chegar a 2,8°C antes de 2100, caso as nações não cumpram o que já foi prometido. (Globo)

Origem Verificada

A Anatel anunciou que, a partir de 15 de novembro, empresas de telecomunicações que façam mais de 500 mil chamadas por mês terão de identificar essas ligações usando a tecnologia Origem Verificada, após o órgão negar pedido de prorrogação do prazo. A medida vem junto à revogação da obrigatoriedade do prefixo “0303” para telemarketing ativo, com o regulador justificando que o novo sistema, que mostra nome e logomarca, é mais eficaz no combate a fraudes. (Folha)

Ação contra a Meta

E a OAB-RJ entrou com uma ação civil pública contra a Meta por considerar que o WhatsApp apresenta uma “falha sistêmica” ao não desvincular imediatamente contas de números de telefone cancelados. Segundo a entidade, a demora cria uma janela de até 180 dias em que golpistas podem se apropriar de contas antigas e ter acesso a mensagens e grupos via Wi-Fi, o que violaria a privacidade dos antigos usuários e facilitaria fraudes. (UOL)

Apple Watch

O WhatsApp lançou nesta terça um aplicativo próprio para Apple Watch, que permite ler mensagens completas, gravar e enviar áudios, reagir a conversas e receber chamadas diretamente no relógio. É a primeira vez que o app de mensagens funciona de forma nativa no watchOS, sem depender diretamente do iPhone. A novidade exige um modelo a partir do Apple Watch Series 4 com sistema atualizado para o watchOS 10. (TechCrunch)

Doutor Honoris Causa

Bob Dylan aceitou o título de Doutor Honoris Causa oferecido pela Berklee College of Music, uma das faculdades de música mais conceituadas do mundo, em Boston, nos Estados Unidos. Em comunicado, a instituição reconheceu a “influência extraordinária de Dylan na música moderna” e seu “compromisso de uma vida inteira com a exploração criativa”. O músico já havia recebido a mesma honraria das universidades de St. Andrews, na Escócia, em 2004, e de Princeton, em 1970. Não há planos para que Dylan compareça a nenhuma cerimônia de titulação, mas a escola está organizando um concerto-tributo nesta quarta-feira. (Rolling Stone)

O trumpista invejoso

O deputado Sargento Pincel que dançou, rebolou e saltitou ao som do hit gay YMCA, do Village People nos Estados Unidos, criticou o fato da primeira dama Janja Lula da Silva, dançar carimbó, música típica do Pará. É muita inveja e tremenda falta de patriotismo. Não merece retornar em 2026 à bancada federal de Rondônia. Em tempo. A coluna não é homofóbica e respeita as preferências do parlamentar.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

 

Coluna Zona Franca

Lula promete “quebrar a espinha dorsal” do crime organizado no Brasil

Presidente também defendeu o PL antifacção, enviado ao Congresso Nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta terça-feira (4) um enfrentamento contundente ao crime organizado no país e afirmou que seu governo vem aumentando radicalmente as operações de combate às facções.

“O Governo do Brasil está atuando para quebrar a espinha dorsal do tráfico de drogas e do crime organizado. Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime — quem financia e comanda as facções”, escreveu o presidente Lula no X.

Na postagem, o presidente Lula reforça que seu governo retirou do crime organizado bilhões de reais e que a Polícia Federal (PF) aumentou drasticamente o número de suas operações, bem como a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O presidente Lula destacou as ações de inteligência integrada entre os países da região e também defendeu o Projeto de Lei (PL) contra facções criminosas, o PL Antifacção. Segundo ele, o texto “moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios”.

“Essas medidas completam o ciclo da segurança: investigação mais eficaz, integração institucional e base legal sólida — uma combinação que consolida o enfrentamento ao crime no Brasil”, conclui o presidente.

As declarações surgem uma semana após a chacina policial no Rio de Janeiro, que deixou ao menos 121 mortos e teve como alvo declarado a facção criminosa Comando Vermelho.

Por @LulaOficial, no X: O Governo do Brasil está atuando para quebrar a espinha dorsal do tráfico de drogas e do crime organizado. Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime — quem financia e comanda as facções.

Desde 2023, as ações do Governo já retiraram R$ 19,8 bilhões das mãos de criminosos, o maior prejuízo já imposto ao crime, enfraquecendo lideranças e redes financeiras.

O número de operações da Polícia Federal cresceu 80% desde 2022, saltando de 1.875 para 3.393 em 2024. Em 2025, já são 2.922 até outubro.

Nas rodovias, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 850 toneladas de drogas em 2024 — recorde histórico.

A inteligência e a integração também avançaram. Em setembro, inauguramos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI) — iniciativa inédita entre nove países da Pan-Amazônia e nove estados brasileiros, para combater tráfico, garimpo ilegal e crimes ambientais.

Para sustentar esses avanços, o Governo enviou ao Congresso o PL Antifacção, que endurece as penas e asfixia financeiramente as facções; e a PEC da Segurança Pública, que moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios.

Essas medidas completam o ciclo da segurança: investigação mais eficaz, integração institucional e base legal sólida — uma combinação que consolida o enfrentamento ao crime no Brasil.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

“Narcoterrorismo” 

Em meio ao avanço da oposição na pauta da segurança pública, o governo Lula intensificou as articulações para impedir uma derrota política no Congresso. O Palácio do Planalto tenta adiar a votação do projeto que equipara facções criminosas a grupos terroristas, marcada para esta terça-feira (5) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, enquanto aposta no próprio “projeto de lei antifacção”, apresentado como alternativa institucional à proposta da direita.

“Narcoterrorismo”  2

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou a segunda-feira (4) em ligação com deputados da base e do centro, tentando convencer parlamentares a barrar a sessão. Profissionais da área de inteligência brasileira estão preocupados com as pressões do governo dos Estados Unidos e de setores nacionais para que o crime organizado seja enquadrado como terrorismo. A medida, segundo especialistas, poderia abrir brechas para graves consequências geopolíticas e até justificar intervenções estrangeiras em território brasileiro.

“Narcoterrorismo”  3

Segundo Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem expandido o conceito de “narcoterrorismo” para legitimar ações militares no Caribe e no Pacífico Oriental. Essa retórica, usada para sustentar ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, vem acompanhada de um expressivo aparato militar americano na região.

“Narcoterrorismo”  4

Nos últimos meses, Trump também intensificou críticas aos governos da Venezuela e da Colômbia, e já declarou publicamente não descartar o uso da força militar contra Caracas. Especialistas ouvidos pela reportagem da CNN alertam que, caso o Brasil altere sua legislação para equiparar crime organizado a terrorismo, tal mudança poderia ser usada como argumento para uma futura ação militar norte-americana, sob o pretexto de que o país não teria capacidade de conter ameaças à segurança dos EUA. (Do Brasil 247)

Desgaste com CPMI

Como quase sempre ocorre com eventos de grande impacto na opinião pública, o Congresso tenta assumir um papel de protagonismo diante dos grandes problemas nacionais. Na esteira da operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio na última semana, o Senado instala na manhã de hoje a CPI do Crime Organizado. Oficialmente, a missão é mapear a estrutura e a expansão de facções e milícias no país — incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), mas a expectativa é de que a CPI seja mais um palco de disputas acirradas entre governo e oposição. O senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais antigo entre os indicados para o colegiado, conduzirá a abertura dos trabalhos. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que deu origem à CPI, deve assumir a relatoria — consenso informal já construído entre líderes. Ao todo, serão 11 senadores titulares e 11 suplentes, com prazo inicial de 120 dias para investigar o modus operandi das organizações criminosas, suas fontes de financiamento e seu avanço territorial. (g1)

Desgaste com CPMI 2

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e textoO Palácio do Planalto avalia que a CPI do Crime Organizado pode representar um desgaste maior para o governo Lula do que a CPMI que investiga irregularidades em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. O temor no governo é de que a oposição use o tema da segurança pública como principal bandeira política até as eleições de 2026. Nos bastidores, petistas admitem preocupação: a avaliação é que, se o debate público ficar restrito à segurança, o governo tende a perder terreno na narrativa, já que historicamente o tema favorece a direita. Observando essas fotos, é fácil identificar quem incentiva a criminalidade no Brasil. (CNN Brasil)

Castro é a favor da intervenção dos EUA

Engraçado o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). É contra a PEC da Segurança, é contra a intervenção federal na segurança pública (GLO), mas é a favor da intervenção dos Estados Unidos. Na foto, Cláudio Castro com TH Joias, deputado estadual do PL-RJ, maior fornecedor de armas para traficantes do Rio de Janeiro. Está preso! Em 8 de setembro, a 1ª Seção Especializada do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do ex-deputado. Segundo a investigação, TH Jóias fazia lavagem de dinheiro e vivia em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca (RJ).

Resposta ao STF

Enquanto a oposição e o Planalto se preparam para uma batalha no Senado, o governo do Rio de Janeiro enviou sua resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a megaoperação realizada na capital fluminense há uma semana. No documento, a gestão de Cláudio Castro (PL) afirma que o “nível de força” empregado pelas forças de segurança foi “compatível” com as ameaças enfrentadas durante a ação. O relator da ADPF das Favelas, ministro Alexandre de Moraes, esteve no Rio nesta segunda-feira e se encontrou pessoalmente com o governador. (Metrópoles)

Julgamento antecipado

A Primeira Turma do STF antecipou do dia 21 para o próximo dia 14 o início do julgamento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por crime de coação. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o parlamentar e o blogueiro Paulo Figueiredo atuam nos Estados Unidos para constranger o Judiciário Brasileiro e impedir a condenação de envolvido na trama golpista de 2022. (CNN Brasil)

O delator

Enquanto isso, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e uma das figuras centrais nas investigações sobre a trama golpista, deu um passo simbólico na sua lenta transição de delator a réu em liberdade vigiada. A tornozeleira eletrônica que controlava seus movimentos foi retirada, após o STF concluir seu julgamento e fixar a pena definitiva de dois anos de prisão em regime aberto. Cid segue proibido de deixar sua residência à noite e nos fins de semana, não pode usar redes sociais, portar armas ou manter contato com investigados e condenados no mesmo caso. (g1)

Trump em campanha

Donald Trump entrou na campanha para as eleições municipais de hoje em Nova York e o fez a seu modo truculento. Em postagem na sua rede Truth Social, o presidente ameaçou cortar recursos federais para a cidade caso o candidato democrata e assumidamente socialista Zohran Mamdani seja eleito. “Se o candidato comunista Mamdani vencer, é muito improvável que eu contribua com fundos federais, além do mínimo obrigatório, para minha amada primeira cidade”, escreveu. O democrata, que enfrenta resistência na cúpula do próprio partido, lidera as pesquisas à frente do ex-governador Andrew Cuomo, que concorre como independente após perder para Mamdani na convenção do Partido Democrata. Com o republicano Curtis Sliwa muito atrás na disputa, Trump declarou publicamente apoio a Cuomo. (Guardian)

GLO em Belém do Pará

O governo federal publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Belém do Pará durante a realização da COP30, que ocorre entre 10 e 21 de novembro. A medida dá poder de polícia às Forças Armadas até o dia 23, podendo prender ou abordar cidadãos em atividades consideradas suspeitas, incluindo ações de segurança nas usinas hidrelétricas de Belo Monte, em Altamira, e de Tucuruí. A GLO havia sido solicitada pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). (UOL)

GLO em Belém do Pará 2

De acordo com o texto, a GLO também serve para a Cúpula de Líderes, que acontece nesta quinta e sexta-feira. A Ação prevê 8 mil militares na capital paraense em locais onde são realizados serviços essenciais, como portos, subestações de energia e o Aeroporto Internacional Val-de-Cans, além do perímetro externo de segurança do Parque da Cidade, onde serão instalados os pavilhões da Green Zone e da Blue Zone da Cúpula do Clima da ONU. (CNN Brasil)

Trump não vai à COP30

O presidente americano Donald Trump, além de não ir para Belém, não vai enviar representantes de alto nível para a COP30, disse um funcionário da Casa Branca às agências de notícias AFP e Reuters, em condição de anonimato. A ausência de Trump já era aguardada, mas esperava-se que alguma delegação fosse enviada para as negociações técnicas. Apesar de ser um país de enorme relevância, a ausência americana é interpretada como positiva por analistas. Por ser baseada em consenso entre os países, a presença de Trump ou seus representantes poderia travar negociações sobre metas e financiamento de ações climáticas. (g1)

Redução de gases do efeito estufa

O Brasil teve a segunda maior redução nas emissões de gases do efeito estufa de 2023 para 2024, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), projeto independente que monitora as emissões brasileiras com alto detalhamento. Foram 2,15 bilhões de toneladas de CO2 emitidos em 2024 contra 2,58 bilhões no ano anterior, uma queda de 16,7%. A redução foi a mais acentuada desde 2009, puxada pelo combate ao desmatamento, enquanto outros setores, como agropecuária, indústria e energia, ficaram estáveis ou tiveram aumentos. (Globo)

Redução de gases do efeito estufa 2

Apesar dos números positivos nas emissões de gases, o recuo não será suficiente para o país atingir sua meta climática de 2025. A promessa do governo brasileiro em relação ao Acordo de Paris era de limitar as emissões líquidas a 1,32 tonelada em 2025. Mas o SEEG estima que o país termine o ano lançando 1,44 tonelada na atmosfera, ultrapassando a meta em 9%. Os pesquisadores afirmam que o governo Lula não conseguiu recuperar o aumento da poluição na administração de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022. (Folha)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Coluna Zona Franca

(*) Roberto Kuppê

Maduro com “dias contados”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma entrevista exibida no domingo (2) que acredita que os dias de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela estão contados, mas minimizou os temores de uma guerra iminente contra o país da América do Sul. Trump fez a declaração em uma entrevista ao canal CBS no momento em que os Estados Unidos enviam militares e navios ao Caribe, onde executaram vários ataques contra supostas embarcações que atuam no tráfico de drogas, ações que provocaram dezenas de mortes. “Duvido. Não acredito”, respondeu Trump ao programa “60 Minutes” ao ser questionado se os Estados Unidos entrariam em guerra contra a Venezuela. (Revista Forum)

PEC da Segurança

A maioria dos entrevistados pela pesquisa Genial/Quaest é favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada em abril pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O levantamento, divulgado pelo jornal O Globo, mostra que 52% dos moradores do Rio de Janeiro apoiam a proposta, enquanto 29% são contrários e 19% não souberam ou preferiram não responder. Os números indicam tanto aprovação quanto desconhecimento da população sobre o conteúdo do projeto.

PEC da Segurança 2

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "OPERAÇÃO FEDERAL CONTRA o PCC OPERAÇÃO N RIO DE JANEIRO Planejada e integrada: PF, PRF e estados atuaram juntos Guiada por inteligência: foco em finanças e logística do crime Altamente letal: mortes de pessoas e policiais Sem integração: polícias agiram isoladas, sem apoio federal Sem mortes: ação precisa e Mal planejada: pouca clareza sobre alvos e estratégia segura Atingiu o comando:re redes e bens do crime desarticulados Com coordenação e responsabilidade:resultad resultado seguro pra população Gerou medo e desconfiança: comunidades em pânico Resultado trágico:a α operação mais letal da história do estado"A PEC busca fortalecer a atuação da União na formulação de políticas de segurança pública, criando corregedorias e ouvidorias autônomas, além de ampliar as atribuições da Polícia Rodoviária Federal. O texto altera dispositivos da Constituição Federal para ampliar a competência do governo federal e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), atualmente regulamentado por lei ordinária, como parte da Constituição — a exemplo do que ocorre com o SUS e o Sistema Nacional de Educação.

PEC da Segurança 3

Elaborada há mais de 18 meses, a proposta passou por ajustes internos antes de ser enviada ao Congresso Nacional. Em abril, o texto foi encaminhado à Câmara dos Deputados e está sob relatoria do deputado Mendonça Filho (União-PE). O parlamentar, porém, minimizou a cobrança por pressa na tramitação, mesmo após a operação policial mais letal do Rio de Janeiro. (Brasil247)

                                Consórcio da Paz-Spacca

Quem são os culpados pela criminalidade?

Pode ser uma imagem de texto que diz "o MILICIANO ARMOU TRAFICANTES POR 4 ANOS E DIZ QUE A CULPA DA VIOLÊNCIA NO RJ É DO LULA o ESTADO DO RJ É GOVERNADO POR BOLSONARISTAS HÁ MAIS DE 20 ANOS"Este articulista lembra como se fosse hoje a previsão da esquerda sobre a liberação de armas durante o governo Bolsonaro. Parlamentares contra o armamento previram que as armas liberadas “legalmente” iriam acabar nas mãos dos bandidos. Deu a lógica. Até armas de uso exclusivo das Forças Armadas estão nas mãos de criminosos.

 

Operação Farsa

Embora pareça legal e essencial, a Operação Retenção teve o único objetivo de viralizar, como viralizou. De um dia para o outro, o insípido, inodoro e incolor governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), passou a ser o novo herói do bolsonarismo. Criou um fato político e se deu bem. Está cotado até para presidente da República, sendo comparado ao presidente de El Salvador, Bukele, mesmo que o verdadeiro objetivo da operação não tenha sido alcançado. Não foi mesmo. Mataram peixes miúdos e muitos inocentes. Por conta disso deverá ser penalizado muito em breve. Porque os policiais não foram cumprir mandados. Foram matar. E mataram.

Bolsonaro na Papuda

Enquanto STF avalia recursos, Papuda prepara espaço para prisão de BolsonaroRumores sobre uma possível ordem do Supremo Tribunal Federal para determinar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro na Papuda causaram preocupação no núcleo político e familiar do ex-mandatário neste domingo (2). A versão que circula entre bolsonaristas aponta que a detenção duraria pelo menos 15 dias antes de eventual cumprimento em regime domiciliar. Com informações do Lauro Jardim, no Globo.

Bolsonaro na Papuda 2

O Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reservou uma área para receber o ex-presidente. A estrutura fica no mesmo bloco utilizado anteriormente por deputados, doleiros e empresários que passaram pelo local. A medida foi organizada antes da conclusão da análise de recursos relacionados ao caso. Com informações da Veja.

Lula na defensiva

Após uma sequência de boas notícias que freou e reverteu a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo voltou a ficar na defensiva diante da ação policial contra o Comando Vermelho que deixou 121 mortos — incluindo quatro agentes — nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A operação policial e o apoio popular a ela reunificaram o discurso da direita em torno do governador Cláudio Castro (PL) e tiraram dos holofotes temas como a relação com os Estados Unidos e a isenção do Imposto de Renda para os mais pobres, nos quais o governo federal vinha surfando. Na contramão do discurso tradicional da esquerda, Lula evitou criticar abertamente a ação e não usou expressões como “chacina” ou “massacre”. O cuidado foi tanto que, como conta Lauro Jardim, declaração de 138 palavras do presidente na noite de quarta-feira levou horas para ser concluída e teve diversas versões. (Folha e Globo)

Lula na defensiva 2

A cautela do Planalto encontra explicação nas pesquisas que mostram o apoio à ação policial no Rio, a despeito do morticínio. Segundo dados do Datafolha divulgados no sábado, 57% dos moradores do Rio concordam com a declaração de Castro segundo a qual a operação “foi um sucesso” (38% concordam totalmente e 18% concordam em parte), enquanto 27% discordaram totalmente do governador e 12% discordaram parcialmente. No domingo, pesquisa Genial/Quaest (íntegra) mostrou que 64% dos fluminenses aprovam a ação da polícia, contra 27% que desaprovam. Segundo a mesma pesquisa, a aprovação de Cláudio Castro saltou de 43% em agosto para 53% em outubro. A reprovação variou de 41% para 40%, dentro da margem de erro. Já a desaprovação do governo Lula no Estado do Rio foi de 62% para 64%, também dentro da margem. (g1)

Combate ao crime organizado

Buscando mostrar ação na segurança, Lula assinou na sexta-feira o projeto que altera o combate ao crime organizado. O texto, que será enviado ao Congresso, prevê prisão de 30 anos para integrantes de facções e permite a infiltração de policiais em empresas suspeitas de lavar dinheiro do crime. (UOL)

Alexandre de Moraes

Enquanto isso… O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu ordem para que o governo do Rio preserve toda a documentação sobre a operação, incluindo perícias, e dê aceso à Defensoria Pública. Moraes vai ao Rio hoje para se reunir com Castro e a cúpula da segurança do estado para avaliar a operação. (Poder360)

Comando Vermelho

As comunidades sob domínio do Comando Vermelho no Rio deixaram de ser simplesmente bases para, a exemplo do que acontece nas áreas de milícia, tornarem-se fontes de renda. Moradores são extorquidos com taxas sobre gás, transporte, internet e diversos outros. Sob ameaça, comerciantes são forçados a fazer “doações” de cestas básicas que, em seguida, os criminosos vendem à população. (Estadão)

Gritando por desespero

“Parte de quem aplaudiu não está vibrando por ideologia, está gritando por desespero. Foi uma chacina, sim. Mas, se queremos mudar o resultado, precisa entender por que tanta gente enxerga naquele tipo de barbárie um alívio momentâneo”. (Mariliz Pereira Jorge-Meio)

Universidade indígena

Em visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, no Pará, o presidente Lula prometeu criar uma universidade indígena com sede em Brasília. Em tom de brincadeira, Lula disse que vai criar o programa “minha oca, minha vida”. Focado na pauta ambiental, o presidente está visitando comunidades na Amazônia nos dias que antecedem a Cúpula de Líderes e a COP30. No sábado, Lula inaugurou a ampliação no porto e no aeroporto de Belém, e disse que muitas pessoas foram contra a escolha da cidade para sediar a COP30, mas agora estava entregando a infraestrutura necessária. (UOL)

Vacinação

O número de bebês e crianças menores de cinco anos que morreram por doenças evitáveis pela vacinação teve um novo salto no Brasil em 2024, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Ministério da Saúde. No ano passado foram 48 óbitos classificados nessa categoria, um crescimento pelo terceiro ano consecutivo. Em comparação a 2021, quando foram registradas 15 mortes nessa mesma faixa etária, houve uma alta de 220% — o que coincide com um período de queda das coberturas vacinais. Houve uma recente recuperação desses índices, mas ainda abaixo das metas. Detalhe: em 2020 e 2021, por causa do uso de máscaras e isolamento social, todas as doenças de transmissão respiratória registraram queda de casos e mortes. A principal responsável pelas mortes infantis foi a coqueluche, doença que não matava crianças desde 2021, e que pode ser prevenida com a vacinação. As demais doenças também possuem vacinas gratuitas disponibilizadas nos postos de saúde do Brasil. Aqui o calendário completo do SUS. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

O massacre no Rio

Por Frei Betto

Houve um tempo em que o Rio de Janeiro era qualificado de “Cidade Maravilhosa”. Hoje, o apelido soa como ironia amarga diante das chamas que consumiram quase cem ônibus, das ruas sitiadas e do medo que paralisou milhões de pessoas.

O Comando Vermelho disseminou o terror, e o Estado respondeu com o mesmo idioma da barbárie: balas, cerco e corpos espalhados. Ao fim, cento e vinte e uma vidas se perderam, entre elas, quatro policiais mortos. Nenhum dos mortos consta na denúncia do Ministério Público do Rio que motivou a operação.

Até a noite de sexta, 109 corpos haviam sido identificados. A maioria pertencia a foragidos e integrantes do CV vindos de outros estados: 78 tinham passagens por tráfico, roubo e assassinato; 43 tinham mandados de prisão; 39 eram de outros estados. Trinta mortos identificados não tinham sequer passagem pela polícia. Todos, culpados ou não, foram tragados pelo mesmo vendaval de violência que reduz a cidade a zona de guerra. A Gaza dos trópicos!

Essas mortes não começaram no dia da chacina. Começaram há décadas, quando o abandono foi oficializado como política pública. Começaram quando se privatizou o direito à paz e se terceirizou a segurança às facções. Começaram quando o Estado trocou o cuidado pela guerra, a escola pela prisão, o diálogo pelo fuzil.

Pode ser uma imagem de texto que diz "o MILICIANO ARMOU TRAFICANTES POR 4 ANOS E DIZ QUE A CULPA DA VIOLÊNCIA NO RJ É DO LULA o ESTADO DO RJ É GOVERNADO POR BOLSONARISTAS HÁ MAIS DE 20 ANOS"O narcotráfico não brota do nada. Nasce onde o Estado nunca plantou esperança. Cresce na ausência de políticas públicas, floresce entre muros rachados e becos sem saneamento, alimenta-se da desigualdade e da humilhação. As facções são o espelho deformado do capitalismo brasileiro: hierárquico, violento, sedento de lucro e controle. O traficante é o empresário da ruína, e o consumidor dos bairros ricos seu investidor invisível.

Não há o que celebrar. Uma operação que termina com 121 mortos não é vitória, é derrota civilizatória. O Estado não pode combater o crime reproduzindo sua lógica. A cada incursão policial em que a favela é tratada como campo inimigo, a distância entre o poder público e o povo aumenta. Não se constrói paz sobre o chão ensanguentado da periferia.

O narcotráfico é, sim, um flagelo. E cresce onde o Estado nunca chegou com segurança aos moradores e políticas públicas. As 1.900 favelas cariocas sofrem a insuficiência de escolas, saneamento, transporte, cultura, atividades esportivas, emprego e perspectiva de vida. As facções ocupam o vazio deixado por décadas de omissão governamental. São o espelho perverso de um sistema que exclui, humilha e depois criminaliza os excluídos. O traficante, muitas vezes, é o produto final de uma política que trocou direitos por fuzis e políticas sociais por operações midiáticas.

A violência virou rotina, e a brutalidade se institucionalizou. O governo fala em “ação de segurança”, mas que segurança há em metralhar comunidades inteiras? A segurança pública, no Rio, virou gestão de cadáveres. A cada chacina, repete-se o mesmo roteiro: promessas de “investigação rigorosa”, notas frias de gabinete e o silêncio que cobre a cidade quando as câmeras da mídia vão embora.

Estudiosos do tema são unânimes em admitir que não se destrói facção com fuzil, e sim com políticas públicas. A guerra às drogas fracassa porque não é um combate às drogas, é guerra aos pobres. A cada morte, a favela se torna ainda mais vulnerável, o tráfico se reorganiza, e o ciclo recomeça. O verdadeiro inimigo não é o jovem armado, mas a ausência de Estado que o empurrou para isso.

O Rio, sitiado e queimado, assiste ao colapso de suas maiores riquezas, como o turismo, a beleza da paisagem, o bom humor do carioca. Nenhuma cidade sobrevive quando a morte se torna rotina e a injustiça persiste. Beleza somente não põe mesa, e o cartão-postal desbota diante da dor.

Mas há quem resista. Mães que enterram filhos e ainda erguem faixas nas praças. Cidadãos que filmam, denunciam, documentam. Gente que, entre o medo e o luto, ainda acredita na vida. São esses os guardiões do Rio que resta, o Rio que não se rende.
Os 121 mortos não são apenas números. São o espelho de um país que perdeu o rumo, confunde justiça com vingança, e segurança com extermínio. O Brasil precisa escolher: continuar contabilizando corpos tombados pela violência urbana ou finalmente governar para a vida de todos.

Só haverá paz quando o Estado for presença de direitos, não de morte. Só haverá futuro quando a favela deixar de ser território inimigo. Só haverá Rio de Janeiro de novo quando a cidade se lembrar de que é feita de gente, e gente não é descartável.

Por quem choram as mães dos jovens assassinados? Choram ao ver sonhos desfeitos pela letalidade policial e pelo equívoco de se buscar na criminalidade a escalada para uma vida melhor. Choram sobretudo por um país que perdeu o senso de justiça.

O axioma “bandido bom é bandido morto” significa barbárie travestida de justiça. Ele nega o Estado de Direito, despreza a dignidade humana e substitui a lei e os direitos por vingança. Ao defender o assassinato em vez de reabilitação e combate às causas do tráfico de drogas e de armas, esse pensamento fortalece a violência que diz combater e fragiliza a própria sociedade civilizada.

Em escalada de conflito por terra no MS, Guarani-Kaiowá falam em suicídio coletivo

Missão do governo federal tenta mediar conflito e evitar tragédia em área reivindicada por indígenas e cercada por fazendas no Mato Grosso do Sul; organizações relatam violência policial e ataques químicos de agrotóxicos contra Guarani-Kaiowá

O ALERTA de um possível suicídio coletivo em uma comunidade Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, levou o governo federal a intervir em um dos conflitos fundiários mais antigos e violentos do país. Os indígenas reivindicam a área ocupada (“retomada”) Guyraroká, no município de Caarapó, também cobiçada por produtores rurais.

Em 16 de outubro, a tropa de choque da PM (Polícia Militar) escoltou tratores de fazendeiros para o replantio e usou balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os indígenas. Segundo lideranças, nove pessoas teriam ficado feridas, entre elas um adolescente de 14 anos atingido na cabeça, e três mulheres grávidas teriam passado mal por causa da fumaça. Nove dias depois, os indígenas ocuparam e incendiaram a sede da fazenda onde ocorreu o conflito.

Após a escalada da violência, o diretor do departamento de mediação conflitos do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Leador Machado, contou à Repórter Brasil que  lideranças indígenas e um ancião de 106 anos manifestaram a disposição de morrer na terra, caso a polícia voltasse a agir na área.

O caso está no radar de representantes da Comissão Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, ligada ao MDA, que passaram esta semana visitando comunidades indígenas e se reunindo com representantes das forças de segurança pública do governo sul-mato-grossense. “Eles estão no limite. São um povo triste, acuado, que insinua a possibilidade de sucídio coletivo”, afirma Machado. “Para eles, morrer é lançar a semente de novas retomadas”, completa.

A fala dos indígenas aos representantes do governo federal remeteu à carta de 2012 da comunidade Pyelito Kue. O documento assinado pelos Guarani-Kaiowá gerou comoção ao pedir que a Justiça decretasse a “morte coletiva” em vez do despejo. “Já perdemos a esperança de sobreviver dignamente. Queremos ser enterrados junto aos nossos antepassados”, escreveram os indígenas na ocasião.

O missionário Matias Rempel, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que acompanha os moradores de Guyraroká, explica que as falas sobre morte coletiva expressam o desespero de comunidades historicamente confinadas. “O que eles observam ao lado deles é o agronegócio destruindo o resto da mata, envenenando com agrotóxicos a água, a fauna e a flora de uma terra sagrada”, descreve.

“Não é uma ameaça, é a forma de eles dizerem que não suportam mais viver sem o tekoha, o território sagrado. É o mesmo sentimento da carta de 2012, quando pediram para morrer na terra dos antepassados. É a tradução do esgotamento”, acrescenta Rempel.

O documento foi interpretado à época como uma ameaça de suicídio coletivo, mas o Cimi esclareceu que se tratava de uma expressão de resistência. A carta ganhou repercussão internacional e expôs a violência enfrentada pelos Guarani-Kaiowá há mais de um século.

Desde o início dos anos 2000, o povo Guarani-Kaiowá sofre com confinamento, ataques químicos com pulverização de agrotóxicos e violência armada. A situação levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos a emitir, em 2019, uma medida cautelar exigindo que o Estado brasileiro protegesse a vida e a integridade física da comunidade de Guyraroká.

As famílias vivem em barracos de lona, sem água potável nem assistência médica regular. Para as lideranças, a permanência no tekoha é uma forma de continuar existindo. Como disse um dos anciãos à comissão, “se for para morrer, que seja na terra onde estão enterrados os antepassados”.

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) Marco Antônio Delfino, que atua na região há mais de 15 anos, enxerga o conflito como resultado direto da falta de demarcação das terras. “O problema de fundo é a omissão fundiária. Os agrotóxicos, a violência policial e o desespero são sintomas. A terra continua sendo o centro do conflito”, explica.

Segundo ele, a demarcação de Guyraroká foi reconhecida em 2004 e anulada em 2014. Desde então, o processo está parado. “São áreas de extrema tensão. Em 2006, dois policiais civis morreram em Passo Piraju (outra área de retomada), e até hoje o trauma influencia a forma como a segurança pública age ali. Mas não há solução sem a devolução da terra tradicional”, afirma.

Ataques aos indígenas se acirraram em outubro

Uma das indígenas relatou ao Cimi que, em 16 de outubro, “os policiais vinham com tudo, chamando a gente de cachorro, de bicho”. Outro indígena disse ao conselho indigenista: “Um de nós talvez precise morrer para conquistar a terra. Em Nhanderu Marangatu foi assim. Se tiver que ser assim no Guyraroká, morro pra deixar a morada dos nossos antigos pros meus filhos”. Dias depois, a Justiça autorizou novamente a presença da PM na área, o que reacendeu o temor de novos confrontos.

Em 25 de outubro, a comunidade ocupou e incendiou a sede da Fazenda Ipuitã. Segundo relatório elaborado por autoridades públicas e acessado pela Aty Guasu, a assembleia representativa do povo Guarani-Kaiowá, a entrada dos indígenas na sede da fazenda teria sido motivada por um sequestro de uma jovem de 17 anos e pela suspeita de abuso sexual cometido por homens armados que circulavam na área.

Indígena ferida na retomada de após ação da Polícia Militar, na retomada de Guyraroká. Ao fundo, os barracos destruídos (Foto: Lídia Farias/Cimi)
Indígena ferida na retomada de após ação da Polícia Militar, na retomada de Guyraroká. Ao fundo, os barracos destruídos (Foto: Lídia Farias/Cimi)

A comunidade relatou que a indígena foi levada em uma caminhonete branca por indivíduos mascarados e encontrada horas depois, em estado de choque. Os indígenas afirmam que só permaneceram na fazenda para proteger a jovem e evitar a volta do grupo armado até a chegada da Força Nacional.

Segundo Machado, o governo do estado insistia em manter a Polícia Militar na área, amparado por decisão judicial. “O governo estava irredutível, dizendo que havia uma decisão judicial a ser cumprida, no sentido de manter a PM no local. Mas conseguimos inverter essa decisão junto ao Tribunal Regional Federal. Agora a Força Nacional é que deve permanecer na área”, diz.

Com o aumento da tensão, o Ministério dos Povos Indígenas pressionou para que o governo federal enviasse a comissão para intermediar as negociações.

Após o incêndio na fazenda, o governador Eduardo Riedel (PP) divulgou nota determinando “rigorosa investigação e punição dos responsáveis” e acusando “organizações de aliciamento e manipulação” de indígenas.

Antes de chegar ao governo, em 2013, quando presidia a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do MS), Riedel foi um dos organizadores do Leilão da Resistência, que arrecadou cerca de R$ 640 mil para financiar a reação de fazendeiros contra as retomadas indígenas.

Comissão negociou zona de amortecimento para pulverização de agrotóxicos

Machado relatou que, além da retirada da PM, a missão tenta definir uma zona de amortecimento para pulverização de agrotóxicos. “Estamos estabelecendo uma zona de segurança para que não se pulverize tão próximo às casas e à escola”, detalha.

Os agrotóxicos são uma das principais causas de tensão na região. Em Guyraroká, indígenas relatam que aviões e tratores pulverizam veneno nas lavouras vizinhas, atingindo casas, roças e até a escola.

Moradores afirmam que o produto cai sobre alimentos e na merenda escolar, provocando sintomas de intoxicação como febre, vômito e falta de ar. Um estudo realizado entre 2021 e 2022 identificou 20 tipos diferentes de substâncias químicas na água da comunidade, boa parte delas proibida na União Europeia.

O conflito se concentra na Terra Indígena Guyraroká, em Caarapó, reconhecida pela Funai em 2004 com 11,4 mil hectares, mas cuja demarcação foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dez anos depois. Desde então, cerca de 200 Guarani e Kaiowá vivem em uma área de 50 hectares cercada por plantações de soja, milho e cana de açúcar.

A área é vizinha da Fazenda Ipuitã, de 1.361 hectares, alvo de ação civil pública do MPF por pulverização de agrotóxicos em área próxima à comunidade.

O MPF pediu que fosse imposta uma distância mínima de 250 metros para pulverizações, mas a Justiça Federal de Dourados negou o pedido em 2020, alegando que a medida “inutilizaria consideravelmente a propriedade rural” e não teria base legal.

Procurados, o advogado dos fazendeiros não respondeu às perguntas enviadas. O espaço segue aberto caso desejem se manifestarem.

A retomada da TI Guyraroká sofre sofrendo ataques constantes desde o final de setembro (Foto: Renato Santana/Cimi)
A retomada da TI Guyraroká sofre sofrendo ataques constantes desde o final de setembro (Foto: Renato Santana/Cimi)

Comissão tenta negociar uma trégua

“A ideia é que as retomadas dos indígenas não avancem até que o governo federal e o STF consigam negociar a questão da demarcação”, afirma Leador Machado. Ele diz ainda que vai buscar uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação sobre Guyraroká e com o presidente do STF, Edson Fachin.

A comissão federal comunicou às lideranças indígenas a decisão judicial que suspendeu a presença da PM e autoriza a permanência da Força Nacional. “Pedimos uma trégua no processo de retomadas e reafirmamos o compromisso do governo federal de buscar uma solução negociada. O que queremos é evitar uma tragédia”, explica Machado.

Segundo ele, uma portaria será publicada nos próximos dias para formalizar os encaminhamentos da comissão, com prazo de 180 dias para a conclusão das medidas. Integram a comitiva que esteve no Mato Grosso do Sul os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Povos Indígenas, Saúde, Secretaria-Geral da Presidência e Direitos Humanos, além da Funai, Polícia Federal, o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério Público Federal.

Reporter Brasil

Sociedade doente: operação mais letal da história do RJ é aprovada por 64% dos fluminenses

0

Neste sábado (1º) uma nova pesquisa, agora divulgada pelo instituto Genial/Quaest apontou que 64% dos moradores do Rio de Janeiro aprovam a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada. A ação, conduzida pelas polícias Civil e Militar, foi a mais letal da história do estado, deixando 121 mortos, entre eles quatro agentes de segurança.

O levantamento, feito entre os dias 30 e 31 de outubro, entrevistou 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, residentes em diferentes regiões do estado. As entrevistas foram presenciais e domiciliares. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais e grau de confiança de 95%.

O episódio teve grande repercussão: 98% dos entrevistados disseram conhecer a operação. Apesar da alta letalidade, apenas 27% da população declarou desaprovação à ação. Outros 6% afirmaram não ter opinião formada, e 3% preferiram não responder.

Entre os participantes, 73% acreditam que a polícia deve repetir operações semelhantes em outras favelas e comunidades. O apoio é mais forte entre os homens, com 85%, enquanto entre as mulheres o índice chega a 62%. O levantamento também mostrou que 79% dos homens e 51% das mulheres aprovaram a intervenção.

Policiais durante a ação no Complexo da Penha, na Vila Cruzeiro (RJ). Foto: Fabiano Rocha /O Globo

A faixa etária com maior aprovação foi a de 31 a 50 anos, com 68% de apoio, seguida pelos jovens de 16 a 30 anos, com 65%. Entre os maiores de 51 anos, 58% concordaram com a ação, embora este grupo concentre o maior índice de desaprovação, com 29%.

O nível de renda também influenciou as opiniões. Pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos foram as que mais apoiaram a operação (69%), seguidas pelos que recebem até dois salários (58%). Já entre os que ganham acima de cinco salários mínimos, o apoio ficou em 63%, mas a desaprovação foi mais alta, alcançando 36%.

Na divisão por escolaridade, o maior índice de aprovação veio do grupo com ensino fundamental (67%), seguido dos que possuem ensino médio (66%). Entre os entrevistados com ensino superior, o apoio foi menor, de 59%, enquanto a rejeição atingiu 39%.

A pesquisa ainda revelou diferenças conforme o posicionamento político. Bolsonaristas e direitistas não bolsonaristas apresentaram quase unanimidade na aprovação, com 93% e 92%, respectivamente. Entre os eleitores do presidente Lula, apenas 35% apoiaram a ação, e 59% a reprovaram. Entre os independentes, 61% aprovou e 24% não. Para 58% dos entrevistados, a operação foi bem-sucedida, enquanto 32% a consideraram um fracasso.

DCM

Jamil Chade-Entidade denuncia ‘graves falhas’ na investigação da operação no Rio

0

Por Jamil Chade, Colunista do UOL, em Genebra

A entidade Human Right Watch denuncia “graves falhas na investigação da operação policial mais letal do Rio de Janeiro”. Num comunicado, os especialistas de uma das entidades de maior prestígio internacional no setor de direitos humanos apontam que a polícia do Rio de Janeiro não adotou medidas investigatórias cruciais para determinar as circunstâncias da morte das pelo menos 121 pessoas, incluindo quatro policiais.

“A polícia não preservou o local dos tiroteios para análise, uma medida muito importante para determinar as circunstâncias das mortes”, afirmou a entidade.

Um perito do Rio de Janeiro disse à Human Rights Watch que, pelo que sabe, não houve perícia em nenhuma das mortes. Um promotor disse que o Ministério Público está aguardando a confirmação disso, mas que também é esse o seu entendimento.

“As famílias das pessoas mortas na operação de 28 de outubro, incluindo as dos policiais, merecem saber as circunstâncias da morte de seus entes queridos”, disse César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil. “Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas.”

O secretário da polícia militar disse em uma coletiva de imprensa que a polícia havia empurrado os membros do grupo criminoso em direção à área de mata, que a polícia sabia que eles usavam como rota de fuga. No topo dos morros, a unidade de elite da polícia militar, o BOPE, havia estabelecido o que o secretário descreveu como um “muro”, com agentes esperando pelos supostos membros da facção em fuga… – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2025/11/01/entidade-denuncia-graves-falhas-na-investigacao-da-operacao-no-rio.htm?fbclid=PAQ0xDSwNy-29leHRuA2FlbQIxMQABp-GDlqC7USK41zh3cAij5VHRD7hVxB3tbAZeaP5-ak1pErOAAaTN0040FnIR_aem_eM81XyBs6PBKq-WBNtAOpQ&cmpid=copiaecola

A entidade questiona a versão do governo do estado. “Uma moradora disse à imprensa que seu filho lhe enviou sua localização e disse que queria se entregar, mas tinha medo de que a polícia o matasse. Seu corpo foi encontrado mais tarde na área de mata”, afirmou.

O perito disse acreditar que os policiais recuperaram as armas que estavam nas mãos das pessoas mortas no local e foram embora.

O alerta da entidade é de que foram encontradas na área de mata importantes evidências sem proteção, incluindo manchas de sangue, cápsulas de balas e roupas.

“Reconhecemos as dificuldades inerentes a uma área de mata, mas causa estranheza a ausência de controle sobre o isolamento do local”, disse o procurador-geral do estado do Rio de Janeiro.

O secretário de polícia civil, chefe da força estadual encarregada de investigar crime, disse que abriu uma investigação sobre os moradores que removeram os corpos por possível adulteração de provas e os acusou de tirar as roupas dos mortos.

“No entanto, os moradores só conseguiram chegar aos corpos porque a polícia não protegeu o local do tiroteio”, disse a Human Rights Watch.

Segundo o comunicado, o perito consultado pela Human Rights Watch constatou que os delegados não enviaram os peritos criminais, que no Rio de Janeiro são parte da polícia civil, para realizar a análise do local. “A análise da cena do crime deve ser realizada mesmo que um corpo tenha sido removido, pois pode haver provas adicionais no local”, explicou.

Além disso, os peritos criminais não foram enviados à praça para onde os moradores haviam removido dezenas de corpos, disse o perito. “Essa foi uma importante falha adicional da investigação”, afirmou a Human Rights Watch.

A entidade defende que peritos criminais deveriam ter ido na praça para tirar fotos e coletar provas, incluindo amostras de resíduos de pólvora, que podem revelar se a pessoa disparou uma arma. Esses resíduos se perdem com o manuseio do corpo, por exemplo, durante o transporte.

A entidade aponta que peritos legistas estão realizando necropsias, mas há preocupações com a limitação de pessoal e infraestrutura, além do subinvestimento crônico na perícia do estado.

A organização, que é uma das maiores referências no mundo em termos de defesa de direitos humanos, destacou como a Defensoria Pública afirmou que a polícia civil não permitiu que defensores estivessem presentes durante as necropsias.

“Algumas organizações da sociedade civil, incluindo a Human Rights Watch, solicitaram ao procurador-geral do Rio de Janeiro, em 30 de outubro, que garantisse a presença de um representante das vítimas nas autópsias. Isso não foi feito”, lamentou.

Armas sem controle

Outro problema, segunda a entidade, se refere ao armazenamento das armas apreendidas, cerca de 118 delas.

“As armas deveriam ter sido mantidas em uma cadeia de custódia rigorosa, em sacos lacrados, e enviadas para a perícia para análise de impressões digitais e balística. No entanto, a polícia civil apresentou as armas à imprensa. E reportagens de televisão mostram policiais e até mesmo repórteres manuseando armas e outros equipamentos apreendidos sem luvas”, alertou.

Investigação independente

A entidade defende que órgãos independentes investiguem a atuação das forças de ordem. Em uma sentença de 2017 sobre um caso no Rio de Janeiro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos ordenou que o Brasil garantisse que os abusos policiais fossem investigados por “um órgão independente e diferente da força pública envolvida no incidente… assistido por pessoal policial, técnico criminalístico e administrativo alheio ao órgão de segurança à qual pertença o possível acusado ou acusados”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Ministério Público deve conduzir as investigações sempre que houver “suspeita” do envolvimento de agentes dos órgãos de segurança pública na prática de crime doloso contra a vida.

O STF também ordenou que a polícia do Rio de Janeiro utilizasse câmeras corporais. Mas o secretário da polícia militar disse aos repórteres que as baterias podem ter acabado durante a operação e que “as imagens podem ter sido perdidas”.

“As autoridades brasileiras devem garantir uma investigação rápida, completa e independente de cada uma das mortes, bem como das decisões e do planejamento que levaram a uma operação tão desastrosa”, disse Muñoz. “O caso também mostra a necessidade urgente de o governador do Rio de Janeiro apresentar um projeto de lei para separar a perícia da polícia civil e investir em análises forenses independentes e de alta qualidade, que são uma parte fundamental de qualquer investigação criminal, não apenas em casos de mortes causadas pela polícia”, completou.

Fonte: Noticias.uol

Clube do tiro: Consórcio da Paz deveria ter Netanyahu como patrono

0

Por Moisés Mendes

Foi batizado como Consórcio da Paz a aglomeração de governadores de extrema direita em apoio ao colega chefe da chacina no Rio.

Um consórcio que apoia uma matança e tem paz no nome. É o que antigamente se chamava de escárnio.

Só falta chamarem a venezuelana Maria Corina Machado para ser a madrinha e Benjamin Netanyahu para ser o patrono.

Um Consórcio do Paz de armamentistas, que que teve como primeira iniciativa oferecer tropas para que Cláudio Castro, se for preciso, ordene mais uma matança em outra favela.

O Consórcio começa com Jorginho Mello (PL-SC), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Eduardo Riedel (PSDB-MS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) — que participou virtualmente — e Celina Leão (PP-DF), vice-governadora do Distrito Federal.

Zema resumiu a posição dos consorciados na reunião de quinta-feira no Rio: “O que vimos foi planejamento e eficiência. Não ouvi falar de inocente morto, e sim de uma das maiores apreensões de armas e prisões da história. Isso mostra que é possível fazer segurança pública com resultado e responsabilidade”.

Esse pessoal muito responsável tenta reorganizar a velha direita e o novo fascismo em torno de uma chacina como marketing macabro para 2026. Todos exaltam a matança como método. É o Consórcio dos Traficantes da Morte.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/