quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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Tensão interna no STF aumenta após Carnaval, dizem ministros

Crise entre ministros se agrava com investigação sobre quebra de sigilo e possível uso político de dados de magistrados

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o Carnaval e aprofundou o mal-estar entre integrantes da Corte. Ministros avaliam que os desdobramentos recentes agravaram a tensão interna, sobretudo diante da revelação de que uma reunião foi gravada e de que dados de magistrados teriam sido alvo de investigação irregular. As informações são do G1.

Segundo relato de um integrante do STF, o episódio deixou marcas profundas na relação entre os ministros. “Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, afirmou.

O foco da crise envolve a apuração conduzida pela Polícia Federal sobre possível quebra ilegal de sigilo de ministros da Corte e de seus familiares. A investigação busca esclarecer se houve acesso indevido a dados com finalidade de venda de informações ou uso político — ou ambas as hipóteses simultaneamente.

O inquérito foi instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes. No entanto, as diligências realizadas nesta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Inicialmente, todos os ministros do Supremo foram incluídos como potenciais alvos de espionagem, medida que gerou desconforto entre colegas de Moraes.

A depender dos resultados das investigações, o ambiente no STF pode se deteriorar ainda mais. Avaliações internas indicam que, caso se confirme a hipótese de uso político das informações, o impacto poderá extrapolar os limites da Corte e influenciar o cenário do ano eleitoral.

No curso das apurações, a Receita Federal informou que não foram identificadas irregularidades nos registros de dados de Paulo Gonet nem de seus familiares. O procurador-geral também constava na lista de autoridades cujos acessos seriam verificados.

Por outro lado, a Polícia Federal e a Receita já constataram que Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teve seus registros acessados indevidamente. A invasão foi realizada por um funcionário cedido à Receita Federal que atua no Rio de Janeiro.

A expectativa agora gira em torno da eventual decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a abertura de uma investigação interna para apurar o que ocorreu. Nos bastidores, ministros reconhecem que o desfecho do caso poderá ter consequências significativas para a estabilidade institucional da Corte e para o ambiente político do país.

Do Brasil 247

Envolvido no caso Banco Master, Alcolumbre resiste a pressão por impeachment de Toffoli e cita risco institucional

Presidente do Senado afirma a aliados que chance de avançar pedido é “zero” e avalia que processo abriria precedente perigoso contra ministros do STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem sinalizado a interlocutores que não pretende levar adiante os pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, mesmo diante do aumento da pressão da oposição no Congresso Nacional.

Segundo relato de aliados, Alcolumbre considera que a abertura de um processo desse tipo poderia gerar um precedente institucional arriscado e estimular novas iniciativas semelhantes contra integrantes da Corte. Nos bastidores do Legislativo, a avaliação predominante é que “não dá para descambar”, diante do impacto político e jurídico que uma decisão desse porte poderia provocar.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, que detalha o ambiente de resistência dentro do Senado em relação ao tema.Atualmente, Toffoli é alvo de dez pedidos de impeachment protocolados na Casa. O mais recente foi apresentado na semana passada pela bancada do partido Novo. Entre os requerimentos existentes, quatro tratam do caso Banco Master e foram apresentados ao longo de 2026, reforçando a mobilização de setores oposicionistas para tentar avançar com a medida.

Apesar disso, senadores ouvidos nos corredores do Congresso avaliam que o cenário tende a esfriar. Um dos fatores apontados é a retirada de Toffoli da relatoria da investigação envolvendo o Banco Master, o que, na leitura de parlamentares, pode reduzir o desgaste político e enfraquecer o discurso da oposição pela saída do ministro do STF.

Mesmo com menções ao nome de Toffoli encontradas no celular de Daniel Vorcaro, congressistas afirmam que a mudança no comando do caso deve diminuir as críticas e enfraquecer o apelo por uma punição extrema ao magistrado.

Um senador próximo a Alcolumbre avalia que a pressão contra Toffoli deve perder força com o passar do tempo, desde que não surjam novos fatos capazes de reacender o debate. A leitura é de que o ambiente político pode caminhar para uma acomodação gradual do caso.

Nos bastidores, até mesmo integrantes da oposição reconhecem que há um movimento de autoproteção entre os Poderes, embora considerem que isso ocorre dentro de certos limites institucionais. Ainda assim, o entendimento dominante é que Alcolumbre não pretende abrir espaço para que o Senado assuma um protagonismo explosivo em relação ao Supremo.

Com isso, a expectativa entre aliados do presidente da Casa é que os pedidos permaneçam parados, sem qualquer avanço formal, apesar da ofensiva crescente de setores oposicionistas.

Do Brasil 247

Um chamado à lucidez

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Profa. Dra Tainá Reis. Docente Universidade do Estado da Bahia/UNEB.

Quando a exceção deixa de ser ruptura, o extraordinário se disfarça de regra. Revisitando o golpe de Dilma Rousseff, a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023 e a guerra Israel-Gaza, Vinício Carrilho Martinez evidencia o que chamou de normalização da exceção. Práticas autoritárias se infiltram nas instituições sob o manto da legalidade. A democracia, ainda que formalmente intacta, é esvaziada por dentro, direitos se fragilizam e a violência institucional se naturaliza.

Version 1.0.0

A crítica a essa normalização da exceção se dá por um imbricado diálogo com Giorgio Agamben, Carl Schmitt, István Mészáros, Karl Marx e Hannah Arendt. Porém, mais do que um diagnóstico, o livro apresenta um horizonte de superação. É a partir de Paulo Freire que se pode pensar uma autoeducação para além da exceção, uma educação política crítica e emancipadora que tem a potência para desnaturalizar a violência e realizar uma reconstrução democrática.

Educação para além da exceção é uma obra que reflete sobre o presente e inscreve-se nele como ato de resistência intelectual. É um convite à lucidez crítica. Trata-se, justamente por desnaturalizar a violência institucional e tensionar os limites da própria institucionalidade, de um exercício de educação emancipadora.

O livro é encontrado na Amazon, neste link:
https://share.google/dfF04LEhD0gRSZV1Z

EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA EXCEÇÃO: Educação para além do capital Educação após Auschwitz, e depois de Gaza Educação Política Educação em direitos humanos Educação Constitucional (Portuguese Edition) | Amazon.com.br

Economista aponta possível fraude em pesquisa Apex Futura, que favoreceu o bolsonarismo

Pedro Menezes questiona série histórica do instituto e critica falta de critérios transparentes na cobertura de pesquisas eleitorais pela grande imprensa

O economista Pedro Menezes levantou suspeitas sobre a consistência técnica da pesquisa Apex/Futura divulgada nesta terça-feira (10), que aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, Flávio teria 48,2% das intenções de voto, enquanto Lula apareceria com 42,4%.

Foram realizadas 2.000 entrevistas entre os dias 3 e 7 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02276/2026.

Ao comentar o resultado, Menezes afirmou que há um padrão recorrente de divergência da Futura em relação ao conjunto do setor. “A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula”, escreveu.

Ele acrescenta que considera difícil sustentar tecnicamente esses resultados. “É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na mesma direção”, afirmou.

Divergência recorrente

Para o economista, o histórico da empresa em 2022 reforça a necessidade de cautela na divulgação atual. Segundo ele, a repetição de desvios na mesma direção — favorecendo candidatos bolsonaristas — deveria levar veículos de comunicação a adotar critérios editoriais mais rigorosos.

“Agora, grandes veículos divulgam que a Futura mostra Flávio na frente de Lula. O mais adequado seria ignorar ou pelo menos publicar uma ressalva já na manchete”, declarou.

Menezes também criticou a postura da imprensa brasileira diante de pesquisas eleitorais. “Nesses casos, infelizmente, a imprensa brasileira só costuma adotar critérios editoriais quando servem como pretexto pra outros interesses comerciais”, escreveu.

Falta de transparência

O economista afirmou que acompanha a cobertura de pesquisas há muitos anos e que não identifica padrões claros e públicos na escolha de levantamentos por parte dos grandes veículos.

“Desconheço um veículo que adote critérios transparentes, tecnicamente avançados e voltados apenas ao interesse público”, pontuou.

Ele sustenta que parte da mídia seleciona institutos de forma arbitrária, enquanto outros tratam todas as pesquisas igualmente, sem ponderação metodológica. “A maior parte dos grandes escolhe as pesquisas prediletas de forma arbitrária e, em geral, o resto trata todas da mesma forma pra caçar cliques”, afirmou.

Comparação internacional

Menezes citou como exemplo a experiência dos Estados Unidos após a atuação do estatístico Nate Silver, conhecido por desenvolver modelos agregadores de pesquisas com metodologia aberta.

“Um jornalista famoso chamado Nate Silver mudou a imprensa deles, que desde então dão aula: vários veículos de vários tamanhos publicam os próprios critérios editoriais e seguem a regra com rigor, muitos têm agregador com metodologia aberta e replicável”, escreveu.

Na avaliação do economista, a adoção de critérios transparentes e replicáveis elevou o padrão da cobertura eleitoral em diversos países. “Essa novidade na cobertura de pesquisas eleitorais chegou a muitos países do mundo. Ao cobrir pesquisas, infelizmente, nossa imprensa chegou a 2026 sem sair do século passado”, concluiu.

A divulgação do levantamento Apex/Futura reacende o debate sobre metodologia, transparência e responsabilidade editorial na cobertura de pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente diante do histórico recente de divergências entre diferentes institutos e dos impactos políticos dessas publicações no

Brasil 247

VIDEO BOMBÁSTICO Relato escandaloso de piloto envolvendo Rueda, Ciro Nogueira eaté ministro do STF

O relato é contundente e efetivamente explosivo. Um piloto que transportava regularmente a dupla que liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia ao PCC afirmou em depoimento à Polícia Federal que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo.

VEJA AQUI COM ÁUDIO

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Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, disse que Rueda era citado por seu chefe como o líder de um grupo que “tinha muito dinheiro que precisava gastar” na compra de aeronaves, avaliadas em dezenas de milhões de dólares.

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, diz Mattosinho na entrevista gravada em vídeo.

Rueda nega ser dono das aviões e “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito”, afirmou em nota oficial.

O presidente do União Brasil diz que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.

“A história que contei para vocês eu repeti para a Polícia Federal”, afirmou Mattosinho, na entrevista ao ICL Notícias. A reportagem teve acesso ao depoimento, prestado por ele há 17 dias no aeroporto Catarina, em São Roque (SP), antes de pedir demissão.

Mattosinho entrou na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba) em 2023 e saiu há duas semanas, depois de transportar os parentes de Beto Louco para o Uruguai na véspera da mega-operação da PF, da Receita e do Ministério Público de SP, realizada no fim de agosto, que revelou um enorme esquema de lavagem de dinheiro que inclui o uso de fundos de investimento.

O piloto afirma ter transportado ao menos 30 vezes Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são apontados como líderes do esquema que atendia ao PCC e estão foragidos da Justiça.

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco

O piloto, que se diz indignado pelo conteúdo das conversas que presenciou, procurou o ICL Notícias pela primeira vez em novembro do ano passado.

O ICL Notícias e o UOL apuraram que duas aeronaves atribuídas por Mattosinho a Rueda pertencem a fundos de investimentos que têm apenas um controlador, cujo nome não é divulgado.

Uma terceira aeronave está em nome de uma empresa registrada na periferia de Imperatriz (MA). Em entrevista, a única sócia da empresa disse desconhecer a firma e a aeronave.

Na entrevista em vídeo, Mauro Mattosinho reafirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, conforme revelou o ICL Notícias no dia 1º deste mês.

O senador nega ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco e também nega ter recebido qualquer valor. Ciro ingressou com processo contra o ICL Notícias, pedindo pagamento de indenização por danos morais.

“O senador tem direito de buscar a Justiça em uma sociedade em pleno exercício do Estado Democrático de Direito. Não o teria em caso de ditaduras, nem armadas e nem ‘de toga’. O ICL não se intimida com tentativas de assédio judicial e reafirma a qualidade de suas práticas jornalísticas”, reagiu Leandro Demori, diretor de jornalismo do ICL Notícias..

O piloto trabalhou de novembro de 2023 até o começo deste mês na empresa Táxi Aéreo Piracicaba, conhecida pela sigla TAP. Ele começou atuando como piloto de voos do Primo e depois passou a atender Beto Louco. Os dois estão foragidos da Justiça.

A TAP é administrada pelo empresário Epaminondas Chenu Madeira. O ICL Notícias teve acesso a conversas de Whatsapp entre Mattosinho e Epaminondas, em que o dono da TAP cita “Beto” e “Moha”, referindo-se a Beto Louco e Mohamed (Primo).

Mauro Caputti Matosinho e Epaminondas Chenu Madeira

“Irmão ta foda a situação Beto e Moha Velho. Eu voltando vamos trocar uma ideia. Pra nós alinhar. Mas os caras lá tão foda. Mas to carregando nas costas sozinho”, escreveu Epaminondas no dia 14 de março de 2025, às 16h50. A reportagem transcreveu a mensagem da maneira como ela foi escrita.

Procurada, a defesa de “Primo” informou que não irá se manifestar. Já o advogado de “Beto Louco”, Celso Vilardi, não retornou os contatos.

A TAP operava cinco aeronaves em 2023 e, neste ano, passou a operar dez, de acordo com Mattosinho.

Em nota, a empresa informou “desconhecer qualquer declaração atribuída a funcionário sobre aquisição de aeronaves” e atuar “em observância à lei”.  A empresa afirma que “não tinha conhecimento do envolvimento de investigados na Operação Carbono Oculto até sua deflagração”.

“Por fim, não pode fornecer informações sobre clientes ou passageiros sem autorização destes ou por requisição das autoridades competentes”, acrescentou, em nota.

Aeronaves em nome de terceiros

Mattosinho diz que Rueda viaja constantemente em jatos operados pela mesma empresa, embora ele não fosse o piloto destes voos. Era mencionado como “Ruedinha”, diminutivo de seu nome.

A vida de luxo e as polêmicas que envolvem o político foram relatadas no ano passado em reportagem do UOL.

“[Rueda] É uma pessoa que já fazia negócios com a Táxi Aéreo Piracicaba desde quando eu cheguei lá como funcionário, aproximadamente dois anos atrás. Ele já era um nome que circulava como [sendo] sócio em uma aeronave de pequeno porte”, lembra.

A aeronave à qual ele se refere é o jato bimotor Raytheon 390 Premier, matrícula PR-JRR.

De acordo com os registros da Anac, a aeronave pertence à empresa Fênix Participações, controlada pelo advogado Caio Vieira Rocha, filho do ex-ministro César Asfor Rocha; pelo ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE) e por um dono de concessionárias de Pernambuco.

Falando em nome dos sócios, Vieira Rocha negou que Rueda tenha participação na aeronave ou tenha viajado nela.

”Antonio Rueda não é proprietário da aeronave e nem sócio de nenhuma das 3 empresas sócias da aeronave”, escreveu Vieira Rocha.

Conforme registros oficiais,o jatinho foi comprado pela Fênix por US$ 2,3 milhões (R$ 13 milhões), em 2 de outubro de 2024. A transação foi feita com a RZK Empreendimentos Imobiliários, que havia adquirido a aeronave em 2014.

A RZK pertence a José Ricardo Rezek, que é doador do União Brasil, dentre outros partidos, e próximo a Antônio Rueda. Rezek estava na lista de convidados do aniversário de 50 anos do presidente da legenda  este ano. A empresa informou por meio de nota que nunca vendeu nenhuma aeronave a Rueda. “Ele jamais atuou como intermediário em qualquer compra e venda e muito menos participou das negociações. A aeronave citada foi regularmente vendida à Fênix Participações Ltda., em conformidade com todas as normas legais, devidamente registrada na Anac”, acrescentou.

Os outros três jatinhos bimotores que, segundo o piloto, teriam sido adquiridos com participação de Rueda são: um Gulfstream G200, matrícula PS-MRL; um Citation Excel, matrícula PR-LPG; e um CitationJet 2, matrícula PT-FTC.

O Gulfstream G200 e o Citation Excel pertencem a empresas controladas pela Bariloche Participações S/A, empresa com capital social de R$ 110 milhões e controlada por fundos de investimentos geridos pelo banco Genial.

Um único cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado é dono do patrimônio da Bariloche, de acordo com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Sua identidade não é divulgada em documentos públicos.

“Rueda não tem relação com a Bariloche Participações S.A., tampouco é ou foi cotista do Viena Fundo de Investimento Multimercado”, informou a assessoria do presidente do União Brasil.

A quarta aeronave citada pelo piloto, o CitationJet, está em nome da Serveg Serviços.

Localizada em imóvel da periferia de  Imperatriz (MA), a empresa tem como atividade principal criação de bovinos, mas registra atividades secundárias diversas, que vão de serviços de malote não realizados pelos Correios a limpeza, conforme cadastro na Receita Federal. A firma está em nome de Antonia Viana Silva Soares.

Procurada, ela disse que desconhece as atividades da Serveg. “Não sei o que você está falando, não”, disse ela, desligando o telefone. Em seguida, bloqueou o número de contato da reportagem.

O uso de fundos de investimento para ocultar patrimônio ou para realizar operações de lavagem de dinheiro foi uma das principais descobertas das operações recentes da PF que miraram no PCC e em empresas financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Interesse em aeronave que foi à Grécia

Mattosinho afirmou que o presidente do União Brasil tinha interesse em adquirir uma quinta aeronave, um Gulfstream de Série 550, matrícula PS-FSR, capaz de realizar viagens intercontinentais. A negociação desse modelo de luxo começa a partir de US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões). O piloto não sabe se a transação foi concretizada.

O jatinho foi colocado à venda em julho deste ano, conforme anúncio publicado nas redes sociais de uma empresa que comercializa aeronaves.

No entanto, o site da empresa informava nesta semana que ela não está mais disponível.

A aeronave está registrada em nome do agente de jogadores Luís Fernando Garcia, dono da Elenko Sports. Ele negou ao ICL Notícias que seu jatinho tenha sido vendido e que Rueda tenha realizado viagens nele.

Garcia bloqueou o contato da reportagem no aplicativo. Ele alegou que não responderia aos questionamentos por entender que se trata de negócios particulares.

Em agosto, Rueda reuniu políticos, empresários e artistas para comemorar seus 50 anos na ilha grega Mykonos, que faz parte de um arquipélago no Mar Egeu.

O site de monitoramento global de voos, Adsb Exchange, mostra que o Gulfstream viajou em 31 de julho de Brasília à região de Mykonos, na Grécia. O aniversário de Rueda foi comemorado do dia primeiro ao dia 4 de agosto na ilha.

Ainda segundo o site de monitoramento, a aeronave saiu dia 10 da região em direção ao Brasil, aparecendo próximo a Sorocaba (SP) no dia 11.

O dono da TAP enviou mensagens de Whatsapp a Mattosinhos no dia 6 de agosto, falando sobre o serviço na Grécia, aos quais também tivemos acesso. “Irmão. Tô numa correria absurda com avião lá na Grécia. Pode tocar com Brunão pfv Ta foda aqui. 2 dias varados.

“Acompanhando programação da Grécia”, escreveu Epaminondas ao funcionário.

À reportagem, Rueda disse ter viajado em voo comercial da British Airways para a Grécia, dias antes do voo identificado pela reportagem. E negou ter adquirido a aeronave citada pelo piloto.

Investigado do governo Bolsonaro

A TAP está oficialmente registrada no nome da mãe de Epaminondas Chenu Madeira. O empresário, e também piloto, no entanto, é quem toca os negócios. Ele é sócio de outras duas empresas de táxi aéreo, a ATL Airlines e a Aviação Alta.

Mattosinho afirma que pilotava o bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG, que pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Primo e Beto Louco ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas na compra de outros dois jatinhos.

Documentos públicos mostram que a ATL Airlines e a Aviação Alta são cotistas da Capri Fundo de Investimento em Participações, que tem como representante legal Rogério Garcia Peres, alvo da operação realizada pelo MP-SP contra o esquema do PCC. Ele está foragido.

Advogado, Peres é apontado pela promotoria como “administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad, sócio em postos de combustíveis”.

Ele foi nomeado em 17 de setembro de 2019 pelo Secretário Executivo do Ministério da Economia, Marcelo Pacheco dos Guaranys, para exercer o mandato de Conselheiro, representante dos Contribuintes, junto à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do ministério.

A pasta à época era chefiada por Paulo Guedes.

Segundo o MP-SP, Peres também seria o controlador da Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, também alvo da operação.

A gestora de fundos aparece como administradora do fundo Capri em um relatório de demonstração financeira de 2024, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o nome Ruby Capital Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

A reportagem apurou, no entanto, que o CNPJ registrado no documento com  este nome é o mesmo da Altinvest.

Mattosinho afirma que o nome da Ruby foi citado por Epaminondas Madeira e por um advogado da TAP, durante um diálogo que mantiveram quando o piloto apresentou sua demissão.

De acordo com o piloto, o advogado de Epaminondas afirmou que o “Ruby estava intacto”, querendo dizer que o fundo não tinha sido identificado pelas operações da PF e do MPSP, o que revelou não ser verdade já que a Altinvest foi alvo da Operação Carbono Oculto.

Conteúdo originalmente publicado em: ICL Notícias

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA na eleição

@viniciocarrilhomartinez

No caso específico das fake news na seara política, o ônus da prova está invertido: na prática, o atingido pelo áudio (supostamente feito por IA) terá que provar que não falou aquilo outro.

O correto seria o suposto calunioso ser obrigado a apresentar provas de que “o fulano falou aquilo” mesmo.

Nessa inversão, o caluniado tem que provar a inocência; o correto seria o calunioso “provar que a sua prova (o áudio malicioso) é real”.

No âmbito filosófico, mas prático (como um consequencialismo), podemos pensar que, se é correto dizer que não há determinismo tecnológico, a IA nos trouxe “determinadas condições” em que as determinações humanas talvez já não sejam (em si) assim tão determinantes. De fato, conclusivamente, como queria Marcuse “o a priori técnico é um a priori político”. Na prática, a IA já modificou as bases do “fazer-se política” e, em consequência, do fazer-se humano.

Numa leitura sociológica, também podemos pensar que: em que pese haver indícios de “redução de impactos”, como no Estado Social (década de 1920) e no Welfare State (no pós-Segunda Grande Guerra), o capitalismo é programado para a obsolescência humana – vide a acumulação primitiva – e imposição da lógica da mercadoria (D-M-D’), o que também acarretou (especialmente na fase globalizada do pós-fordismo) a crescente obsolescência da mercadoria. Pois bem, neste momento do século XXI, a IA nos colocou a difícil prova de reverter o contínuo processo da subsunção humana.

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA

 

Capa de Veja dá moral prá Lula pela primeira vez

Não é sempre que a revista Veja coloca Lula na capa positivamente. Geralmente é batendo ou em situação nada favorável. A oito meses e cinco dias das eleições, é quase que impossível Lula não ser reeleito. Todas as pesquisas indicam que ele vencerá no segundo turno.

Só vai restar um: congestionamento de candidatos aumenta divisões na direita

Movimento do PSD, de Gilberto Kassab, com o lançamento de três presidenciáveis, esquenta a briga em torno de quem será capaz de enfrentar Lula

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Na terça-feira 27, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o primeiro nome da direita a lançar candidatura a presidente da República, em abril de 2025, fez um movimento que inaugurou um novo capítulo na corrida ao Planalto. Em um gesto que surpreendeu o mundo político, anunciou que estava trocando o União Brasil pelo PSD, onde já há mais dois potenciais presidenciáveis — os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Segundo o cacique da legenda, Gilberto Kassab, o que tiver melhor condições de se viabilizar nos próximos meses será bancado pelo partido.

A mobilização mostra a tentativa de consolidar uma candidatura forte, que abarque do centro à direita, sem a influência do clã Bolsonaro — que lançou Flávio Bolsonaro (PL) — e resistente a qualquer tentativa de cooptação do lado governista. Diante do leque de opções, no entanto, há uma disputa, que já se inicia, para provar quem tem as melhores condições para avançar de fase e enfrentar Lula, com chances reais de vitória, no embate final em outubro.

O Brasil é imensamente agraciado por ter Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, reeleito por três mandatos, com trajetória política singular, um estadista versado nos princípios e na arte de governar, reconhecido, respeitado, admirado e amado em todo o país e no mundo inteiro. Lula é o maior e o melhor presidente que o Brasil já teve, seus princípios e a sua expertise em governar são exemplos a serem seguidos e adotados. Em outubro de 2026, Lula será novamente reeleito Presidente da República, completando seu quarto mandato. Como forma de reconhecimento do valor de sua pessoa e da relevância de seu trabalho, até 2020, Lula foi condecorado 36 vezes com o titulo de Doutor Honoris Causa. A sua obra pelo desenvolvimento e engrandecimento do país e a sua luta constante pelo combate da desigualdade social se tornam a sua marca indelével e imortalizadas. Com Lula o Brasil prospera e torna-se ainda maior. O Brasil tem muito que agradecer ao Presidente Lula. A vida de Lula e sua virtuosa obra serão sempre lembradas. Vitória ao governo Lula! Vitória à democracia! Que o Brasil possa superar suas mazelas e se libertar de todos os males. Vitória e paz ao nosso amado Brasil!

 

 

 

Quando o mau-caratismo vira profissão

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Ester Dias da Silva Batista

No ano de 2025, a divulgação de casas de apostas e jogos de azar, apesar das restrições legais, tornou-se cada vez mais comum nas redes sociais, especialmente em plataformas de consumo rápido, como o Instagram. A facilidade de acesso e a exposição contínua a esse “conteúdo” revelam uma distorção ética preocupante: práticas visivelmente nocivas passaram a ser socialmente interpretadas como uma profissão legitimada.

A lógica de influenciar é antiga, mas nesse contexto, foi profundamente modificada. Se antes estava associada ao compartilhamento de rotinas pessoais, nos chamados vlogs, hoje molda as decisões de consumo. Reviews, publicidades e recomendações atravessam quase tudo o que consumimos, inclusive comportamentos de risco. Assim, a divulgação de jogos de azar deixa de ser uma ação individual e passa a produzir efeitos coletivos.

Tais jogos não são neutros e configuram-se como um problema de saúde pública, sobretudo no campo da saúde mental. O vício em jogos envolve mecanismos psicológicos e biológicos semelhantes aos observados na dependência de álcool, por exemplo, podendo ser desencadeado por predisposições até então desconhecidas. Embora o discurso da auto responsabilidade seja frequentemente mobilizado, ele não dá conta da complexidade deste problema. Jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica são especialmente impactados pela exposição contínua a conteúdos que glamourizam apostas, sem alertas efetivos das consequências dessa prática.

Os relatos de famílias destruídas e casos de suicídio relacionados a apostas têm se tornado mais frequentes. Há iniciativas de denúncia que transformam o luto em ativismo, demonstrando como este problema ultrapassa o âmbito individual e atinge o aspecto social. Quando lucrar passa a ser sinônimo da exploração de fragilidades, a influência é transformada em desinfluência. Questionar esse modelo não trata-se de um moralismo, mas responsabilidade social: em que momento foi normalizado que o mau-caratismo se tornasse profissão?

Lula vence todos os adversários nos 1ª e 2ª turnos em 2026, diz nova pesquisa

O presidente Lula (PT) aparece à frente de todos os adversários nos cenários testados para 2026 em nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (29). No primeiro turno, o petista lidera nas simulações apresentadas. No segundo turno, o levantamento aponta empates técnicos, mas com Lula numericamente à frente em todos os confrontos.

Primeiro turno

No cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o principal adversário, Lula registra 39,8% das intenções de voto, contra 33,1% do senador.

Ratinho Junior (PSD) aparece com 6,5%, Ronaldo Caiado, agora no PSD, tem 3,7%, e Romeu Zema (Novo) marca 2,8%. Renan Santos (Missão) soma 1,5%, e Aldo Rebelo, 1,1%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam ou não opinaram totalizam 11,5%.

Arte com gráficos do primeiro cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Em um segundo cenário, com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como adversário, Lula aparece com 40,7% das intenções de voto. O governador de São Paulo marca 27,5%. Caiado registra 6,6%, Zema tem 4,4%, enquanto Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo somam 2% e 1,4%, respectivamente. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos chegam a 17,4%.

Arte com gráficos do segundo cenário da pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Segundo turno: empates técnicos, com Lula numericamente à frente

A pesquisa indica empates técnicos nos três cenários de segundo turno testados, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ainda assim, Lula aparece numericamente à frente em todos eles.

No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente tem 44,8%, e o senador, 42,2%. Brancos, nulos e indecisos somam 13%.

Na simulação entre Lula e Tarcísio de Freitas, Lula marca 43,9%, contra 42,5% do governador paulista. Brancos, nulos e indecisos chegam a 13,7%.

Já no cenário entre Lula e Ratinho Junior, o presidente registra 44,7%, enquanto o governador do Paraná soma 38,9%. Outros 16,4% não escolheram nenhum dos dois ou não opinaram.

O estudo ouviu 2.080 eleitores, em 160 municípios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Arte com gráficos do segundo turno apontado pela pesquisa - Metrópoles
Nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Foto: Reprodução

Caso Master: Gleisi diz que Lula foi informado por Lewandowski sobre atuação privada

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou o presidente Lula, ainda em 2024, sobre a existência de atividades privadas antes de aceitar o convite para comandar a pasta. Segundo ela, o ex-ministro deixou claro que precisaria se afastar dessas funções ao assumir o cargo.

Antes de integrar o governo, Lewandowski participou de um conselho consultivo do Banco Master, e seu escritório de advocacia manteve contrato com a instituição. O tema voltou ao centro do debate após a revelação de que um contrato de R$ 6,5 milhões foi transferido para o filho do ex-ministro quando ele assumiu o ministério.

Gleisi afirmou não enxergar impedimento na prestação de serviços anteriores ao banco e destacou que foi justamente durante a gestão dele que a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e deu início às investigações que envolvem o Master.

“Ele avisou que prestava atividades privadas, econômicas, e que ele teria que se afastar. Não sei se ele falou exatamente do Master, ele falou: “Olha, tenho que me afastar de atividades”. Ele deve ter comentado, mas isso não era impeditivo. Por que seria impeditivo?”, disse a ministra a jornalistas.

O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Na avaliação da ministra, há um esforço da oposição para associar o escândalo do Banco Master diretamente ao governo Lula. Segundo ela, esse movimento ignora o fato de que diversos personagens ligados ao caso mantêm relações com administrações e grupos políticos adversários ao Planalto.

“Fico me perguntando por que as pessoas ficam divulgando que o ministro teve contrato com o Master. Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que que isso está influenciando nas apurações que o governo está fazendo?”, questionou Gleisi, ao reiterar que Vorcaro foi preso enquanto Lewandowski chefiava o Ministério da Justiça.

A ministra também citou governos estaduais, como o do Distrito Federal, controlador do BRB, e o do Rio de Janeiro, ao mencionar investimentos de fundos de pensão no banco. Para ela, esse histórico precisa ser esclarecido pela oposição.

“A oposição também tem que explicar porque que o cunhado do dono do banco, o pastor Fabiano Zettel, foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022”, afirmou.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi alvo de operação da Polícia Federal em janeiro, quando teve o celular apreendido no Aeroporto de Guarulhos. Advogado e presidente da Moriah Asset, ele doou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio de Freitas.

Sobre a reunião fora da agenda entre Vorcaro e Lula, realizada em dezembro de 2024, Gleisi afirmou não ter participado do encontro, mas ressaltou que reuniões com representantes do mercado fazem parte da rotina presidencial. Segundo ela, a orientação do presidente sempre foi para que o governo atuasse de forma técnica e com autonomia nas investigações.

Lula faz discurso repleto de recados a Trump, cita Roosevelt e diz que só a paz interessa à América Latina

No Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, o presidente critica “investidas coloniais” e “retrocessos históricos”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira (28) um discurso com fortes mensagens políticas e geopolíticas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender que a América Latina deve rejeitar aventuras militares, disputas por zonas de influência e novas formas de dominação externa. Segundo Lula, em um mundo marcado por tensões e rupturas, a única agenda que interessa à região é a da paz, da integração e do desenvolvimento social.

A fala foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá, país que sediou, há exatamente 200 anos, o Congresso que reuniu as jovens nações latino-americanas após a independência. Lula evocou esse marco histórico para destacar que, embora daquele encontro tenham surgido princípios fundamentais do direito internacional — posteriormente incorporados à Carta da ONU —, como a solução pacífica de controvérsias e o respeito à soberania, a região enfrenta hoje um cenário de “retrocesso histórico” na integração.

Ao analisar a conjuntura regional, Lula afirmou que a breve experiência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) fracassou diante da intolerância política, impedindo a convivência entre visões distintas. Segundo ele, a América Latina volta a se apresentar fragmentada, mais voltada para interesses externos do que para projetos próprios. O presidente criticou ainda a influência de conflitos ideológicos alheios, o avanço do extremismo político e a manipulação da informação, fatores que, em sua avaliação, esvaziaram as cúpulas regionais.

Nesse contexto, Lula apontou a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), hoje a única organização que reúne todos os países da região. Segundo o presidente, o bloqueio político é tão profundo que o bloco não conseguiu sequer produzir uma declaração conjunta contra “intervenções ilegais que abalam nossa região”, nem responder de forma coordenada a desafios como a pandemia de Covid-19, o avanço do crime organizado e a crise climática.

Ao tratar do cenário internacional, Lula afirmou que a ruptura da ordem liberal, somada ao ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, expôs os limites de paradigmas tradicionais como o pan-americanismo e o bolivarianismo. Ele defendeu que a União Europeia seja observada como referência, sem ignorar as diferenças históricas, econômicas e culturais da América Latina. Foi nesse ponto que mencionou a proximidade geográfica com “a maior potência militar do mundo”, em referência aos Estados Unidos, alertando para o “recrudescimento de tentações hegemônicas”.

Lula afirmou que a história demonstra que o uso da força jamais ofereceu respostas duradouras aos problemas do continente. Para ele, “a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”. Em meio às críticas, o presidente recordou momentos em que os Estados Unidos atuaram como parceiros da região, citando o presidente Franklin D. Roosevelt e a política da boa vizinhança, que buscava substituir a intervenção militar pela diplomacia.

Ao mencionar Roosevelt, Lula destacou a defesa das chamadas “quatro liberdades fundamentais”, formuladas durante a Segunda Guerra Mundial: “liberdade de expressão”, “liberdade de culto”, “liberdade contra as privações” e “liberdade contra o medo”. Segundo o presidente brasileiro, esses princípios seguem atuais como base para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da convivência pacífica entre as nações.

Para o Brasil, afirmou Lula, “a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade”. Ele acrescentou que as únicas armas legítimas para esse enfrentamento são o investimento, a transferência tecnológica e o comércio justo e equilibrado. Nesse sentido, o presidente voltou a defender um projeto de integração regional pragmático, baseado na pluralidade de opções e na cooperação entre países.

Lula também fez um balanço de sua trajetória política e econômica, lembrando que assumiu a Presidência pela primeira vez em 2003, em meio a uma crise marcada por dívida externa elevada e forte dependência do Fundo Monetário Internacional. Segundo ele, o Brasil conseguiu promover uma ampla inclusão social, quitar dívidas, acumular reservas internacionais e encerrar seu segundo mandato com crescimento expressivo da economia.

Ao comparar aquele período com o cenário encontrado em 2023, quando voltou à Presidência, Lula afirmou que o Brasil crescia pouco, enfrentava inflação elevada e queda na produção industrial. De acordo com ele, desde então o país voltou a crescer acima de 3%, reduziu a inflação, alcançou recordes de emprego, renda e exportações e ampliou políticas de inclusão social. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza”, disse.

O presidente também criticou a lógica de exploração primária de minerais críticos e terras raras, defendendo que esses recursos só terão sentido estratégico se forem transformados nos próprios países latino-americanos, gerando empregos, renda e desenvolvimento. Para Lula, não há saída individual para os problemas históricos da região. Segundo ele, apenas um bloco econômico sólido, comprometido com o combate à fome e à desigualdade, poderá evitar que a América Latina chegue ao fim do século tão pobre quanto começou.

Leia o discurso na íntegra:

Quero começar agradecendo ao presidente-executivo da CAF, Sergio Díaz-Granados, pelo honroso convite para participar desta sessão de abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026.

Aproveito para cumprimentá-lo pela reeleição para o novo mandato à frente da CAF.

Agradeço também ao meu amigo, presidente José Raúl Mulino, pela hospitalidade com que nos recebe.

Saúdo todos os chefes de Estado e de Governo aqui presentes, os empresários, e todas as pessoas, mulheres e homens, que participam deste evento.

É muito oportuna a realização deste Fórum, em um contexto de crescentes desafios de ordem geopolítica, econômica e tecnológica para o mundo e, em especial, para América Latina e Caribe.

A escolha da cidade do Panamá para receber este evento possui um simbolismo especial.

Este é o verdadeiro ponto de união entre o Atlântico e o Pacífico.

Aqui, há exatos 200 anos, reuniu-se o Congresso Anfictiônico, em que as jovens nações americanas buscavam consolidar sua independência e definir seu lugar no mundo.

Do Congresso de 1826 surgiram muitas das ideias que encontrariam expressão no moderno direito internacional e na própria Carta das Nações Unidas.

Ideias como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a garantia da independência política, a igualdade jurídica e a integridade territorial dos Estados.

Embora tenha peso simbólico relevante, esse legado normativo e conceitual foi insuficiente para fomentar instituições regionais efetivas.

Dois séculos se passaram do Congresso do Panamá e vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração.

A breve experiência da UNASUL entre 2003 e 2014 sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes.

Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham.

As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano.

Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel.

Nossas Cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais.

Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a CELAC, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro.

A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região.

Não fomos capazes de enfrentar de forma coordenada desafios sistêmicos como a Covid-19.

Avançamos lentamente no combate ao crime organizado transnacional.

O enfrentamento do aquecimento global ainda padece de ação coletiva mais robusta e mais forte.

Esses desafios recolocam a questão do modelo do regionalismo possível para a América Latina e o Caribe.

Em um contexto global de ruptura da ordem liberal e do ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, os paradigmas endógenos ligados ao panamericanismo e ao bolivarianismo são insuficientes.

Também não podemos nos valer de modelos de integração que pouco refletem as nossas realidades.

Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais.

O peso das identidades nacionais torna inviável a curto prazo qualquer projeto de envergadura parecida com o europeu.

A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.

Falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

Diante das dificuldades de pactuar um marco teórico próprio, nossos países deveriam concentrar-se na mobilização dos trunfos inexplorados pela região para promover sua inserção competitiva na ordem global.

Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista:

(i) contamos com potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar;

(ii) possuímos variadas condições de solo e clima e avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos;

(iii) abrigamos a maior floresta tropical do planeta, mais de um 1/3 das reservas de água doce do mundo e riquíssima biodiversidade;

(iv) reunimos recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital;

(v) temos escassos contenciosos na fronteira;

(vi) somos um mercado consumidor expressivo de 660 milhões de pessoas;

(vii) não vivenciamos graves conflitos religiosos ou culturais; e

(viii) contamos com uma predominância de governos eleitos democraticamente.

A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções.

Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região.

Essa é a única doutrina que nos convém.

Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.

Minhas amigas e meus amigos,

Em um mundo envolto em turbulências, o Brasil escolheu o caminho da democracia, da paz, do multilateralismo e da integração regional.

Nossa estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica tem sido reconhecida em todo o mundo.

Nos últimos anos, o Brasil atraiu volumes recordes de capital estrangeiro.

Seguimos promovendo um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilateralmente acordadas.

Respondemos a práticas protecionistas com diálogo, firmeza e apoio a nossas empresas.

Em 2025, superamos marcas históricas de exportações e importações. Nossa corrente de comércio foi de 629 bilhões de dólares.

Isso é resultado de uma estratégia consistente de diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes.

Mostramos que um novo modelo de desenvolvimento, com inclusão e sustentabilidade, é possível.

Desde 2023, o Brasil cresceu acima da média mundial, controlou a inflação e alcançou o menor desemprego da nossa história.

Valorizamos o salário mínimo, aumentamos a renda dos trabalhadores e levamos justiça tributária a milhões de brasileiros.

Saímos mais uma vez do Mapa da Fome da FAO.

Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil. Estamos na vanguarda da economia verde.

90% da nossa matriz elétrica é renovável. Somos líderes em biocombustíveis.

Nosso “Plano de Transformação Ecológica” identificou 90 bilhões de dólares em projetos que vão impulsionar a economia verde.

Em breve, lançaremos um Mapa do Caminho para reduzir gradativamente a dependência de combustíveis fósseis.

Desde 2023, retomamos nossos esforços com a integração regional, buscando ampliar e diversificar nossos parceiros.

Concluímos os acordos entre o MERCOSUL e Cingapura e entre o MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA.

Após 26 anos de negociações, assinamos o acordo MERCOSUL-União Europeia, que abrangerá um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.

Vamos ampliar os acordos comerciais que temos com a Índia e o México.

Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos.

Adotamos marcos para negociar parceria estratégica com o Japão e preferências tarifárias com o Vietnã.

Esperamos progredir rapidamente nas negociações com Panamá, República Dominicana e El Salvador.

Vamos ainda atualizar os acordos do MERCOSUL com Colômbia e Equador.

O Brasil está avançando em ritmo acelerado na implementação de seu programa Rotas de Integração Sul-Americana.

Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos.

São dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de infovias e linhas de transmissão, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos.

A integração em infraestrutura não tem ideologia.

Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas.

Nosso Banco de Desenvolvimento, o BNDES, tem sido um parceiro essencial, mas a integração requer mais recursos e mais cooperação.

É imperativo mobilizar os bancos multilaterais e regionais — como a CAF, o FonPlata, o BID e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS — para transformar essas iniciativas em realidade.

Com projetos de geração de energia renovável, inovação e conexão digital, podemos reposicionar a América Latina e Caribe na economia internacional.

Centros de dados, beneficiamento de minerais críticos, indústria verde e bioeconomia podem contribuir para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.

Sabemos que a economia não existe no vácuo.

O mercado não é uma entidade abstrata, apartada da política e da sociedade.

Estabilidade política e social são essenciais para criar um ambiente próspero para os negócios.

A concentração de riqueza gera pobreza, fome e violência.

A América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região com maior número de feminicídios.

Segundo a CEPAL, onze mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente.

Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta e assumir a responsabilidade de acabar com a violência contra as mulheres.

Quando o povo tem dignidade e segurança a sociedade prospera.

Garantir o acesso a serviços básicos, e implementar políticas de combate à desinformação e à criminalidade são essenciais para a estabilidade e para a democracia.

Para uma integração regional duradoura e estratégica, é essencial envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada.

Sistemas de pagamentos digitais e inovadores como o PIX que fizemos no Brasil podem impulsionar o comércio regional.

Programas de cooperação entre universidades e centros de pesquisa criam laços baseados no conhecimento e na inovação.

Senhoras e senhores,

A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos.

Entre tantos corolários e doutrinas que nos foram dedicadas ao longo da história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento.

O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe.

Roosevelt também defendia que deveríamos erigir um mundo com base no que chamou de 4 liberdades fundamentais para a defesa da democracia e dos direitos humanos:

Primeiro: liberdade de expressão, em que todos possam expressar suas opiniões livremente, sem manipulação de dados e informações, como vemos hoje nas redes digitais.

Liberdade de culto: em que cada um possa professar a sua fé sem ser perseguido.

Liberdade contra as privações: em que todos tenham direito a uma vida digna, incluindo acesso a alimentação, moradia e trabalho.

E liberdade contra o medo: em que o desarmamento limitaria o recurso ao uso da força e agressões entre as nações.

Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade.

E as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado.

Minhas amigas e meus amigos,

Reconquistar a confiança na integração é uma tarefa árdua, mas necessária.

Dispomos de credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial.

Necessitamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais que articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região.

A integração regional pode e deve alimentar-se de princípios e do exame crítico de outras experiências históricas.

Mas ela será resultado da nossa capacidade de conviver com a diversidade das vontades políticas.

Essa é uma condição essencial para manter a América Latina e Caribe como zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional.

Isso dependerá da nossa inserção soberana no mundo.

Do Brasil 247

PF abre investigação sobre contratação de influenciadores para atacar o Banco Central

Inquérito apura uso de redes sociais para questionar liquidação do Banco Master e possível ação coordenada em defesa da instituição

A Polícia Federal instaurou, nesta quarta-feira (28), um inquérito para apurar a contratação de influenciadores digitais e páginas em redes sociais com o objetivo de atacar o Banco Central em favor do Banco Master. A investigação foi aberta após a produção de uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ), a partir da qual a corporação identificou indícios suficientes para a apuração formal dos fatos. As informações são da CNN Brasil.

O inquérito está sob responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). Segundo a apuração, os elementos reunidos pela Polícia Federal apontaram para a necessidade de aprofundar a investigação por meio de um procedimento policial.

De acordo com o levantamento citado pela CNN Brasil, a Polícia Federal mapeou uma sequência de publicações feitas entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano, nas quais influenciadores digitais passaram a divulgar críticas ao Banco Central. Ao menos 40 perfis foram identificados como possíveis participantes do chamado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Os perfis analisados pertencem a influenciadores de diferentes áreas, incluindo entretenimento, celebridades e, em menor número, finanças. As publicações apresentavam forte similaridade de linguagem e formato, sugerindo uma ação coordenada. Entre os principais argumentos difundidos estavam afirmações de que “pessoas comuns serão prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, que haveria “indícios de precipitação na liquidação do Master” pelo Banco Central e que “o banco foi liquidado em tempo considerado incomum”.

A reportagem também apontou que influenciadores relataram ter sido procurados, no final de 2025, por representantes de empresas de marketing digital. O contato teria como objetivo a produção de conteúdos questionando a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

Brasil 247

Consciência social e de classe

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@viniciocarrilhomartinez

O título trata, sem dúvida, da consciência de classe.

E, no caso brasileiro, é uma consciência que deve olhar para baixo e para dentro, antes de olhar para cima e para fora. Para dentro de si, de sua configuração de classe social, e para fora dos limites estreitos delineados nos interesses limitados e individualizados.

Comumente, adormecidas pelos cantos de sereia do capitalismo do enriquecimento fácil, da riqueza rápida, as pessoas olham para cima e para fora: para fora porque não querem a miséria que se impõe, para cima porque almejam o que os “ricos têm”.

Essa consciência até sabe onde está, alguns no fundo do poço, só não se entende o que a colocou ali; isolada, limitada, olha exclusivamente para si, imagina-se liberta da opressão da miséria – mas, sem os outros.

Esse efeito limitado de somente olhar para fora (das condições reais) e para cima (dos campos de poder) é compartilhado com outras classes sociais: a famosa classe média que quer ser rica, a classe dominante que almeja dominar infinitamente, as classes pobres que detestam ser pobres.

Aqui cabe uma sinalização: as classes pobres não detestam, exatamente, a miséria, a pobreza continuada, detestam o fato de que sejam assujeitados a essas condições de negação: o indivíduo lamenta estar ali e não vê que o vizinho está na mesma. Isto é, trata-se de uma consciência de quem olha somente para si, não existindo o todo que a mantém naquelas condições de negação.

Por outro lado, quando olhamos para baixo e para dentro estamos procurando, além de nós mesmos, outros que sejam semelhantes ou que estejam prostrados em condições análogas. Digamos que “olhamos para dentro da classe social”, para a classe social em suas infinitas condições, limitações e possibilidades, e, quando “olhamos para baixo”, passamos a clarear o entendimento acerca das estruturas e das condições do poder.

Assim, especificamente no caso brasileiro, o Direito à consciência social é incisivamente dirigido pela consciência de classe que é forjada por uma racial luta de classes. A expressão “racial” é péssima, porque parte da limitação (negação) que há no entendimento de que a Humanidade é dividida em raças – na essência, qualquer limitação trazida pelo “racial” é irracional, porque não há raças humanas – só há uma espécie. Porém, pior do que isso, é esse o gatilho empregado na continuidade do racismo e das proposições de eugenia. Em outras palavras, também é assim que se faz perdurar a luta de classes racista.

No conjunto, esse olhar para cima e para fora, sem, contudo, ver-se adequadamente – porque não se vê os outros –, além de um imenso e interminável individualismo, egocentrismo, ainda revela a lógica neocolonial e neoliberal que “opera as consciências por dentro”.

Numa frase, essa lógica seria assim resumida: A pior opressão é aquela que, sutilmente, o indivíduo se presenteia (banqueteia-se) com a sua abdução.

 

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Por Roberto Kuppê (*)

A Praça É Nossa

Não tem objetivo nenhum a não ser a continuação da tentativa de golpe de estado perpetrado no dia 8 de janeiro de 2023. A caminhada da insensatez liderada por Nikonha, primo de traficante, é uma afronta à Constituição e às instituições. E o pior, envolve crianças e adolescentes.

A Praça É Nossa 2

A presença de políticos e figuras públicas ao longo do trajeto também virou alvo de memes. Usuários compararam as aparições pontuais ao formato do programa “A Praça É Nossa”, destacando entradas rápidas e falas de efeito. Entre os nomes que surgiram nos registros estão o deputado federal Sargento Pincel e o senador Salsicha. O pretenso pré-candidato ao Senado Federal, Bruno Scheid (PL) também foi em meio à denúncias de cobranças por frete de avião não pago.

O PT de Rondônia

Se tem um partido que só decide após dezenas de reuniões sobre o mesmo assunto é o PT. Assim está sendo para decidir sobre as eleições deste ano. O partido tem um pré-candidato ao governo de Rondônia, Expedito Netto, mas o que estão confirmados mesmo são os pré-candidatos à deputados federais e estaduais. Netto vai ter que comer muita poeira ainda se quiser sentar na janela. Ele não tem nem 15 dias de pré-filiado. Ainda precisa ser referendado pelo presidente Lula e pelo presidente do PT, Edinho Silva. Em Rondônia ele teria quase a unanimidade. Resistência ele está encontrando com Ramon Cujui. Este é difícil de convencer. Uma reunião no Rio de Janeiro durante o Carnaval com a presença de Lula poderia ajudar. Lula será homenageado pela Escola de Samba Unidos de Niterói e deverá prestigiar o desfile no dia 15 de fevereiro na Sambodromo.

A bem da verdade

Governos de esquerda são estatizantes, ou seja, anti privatizações. A maioria das empresas públicas privatizadas as foram por governos de direita. Ao longo das décadas as rodovias federais foram privatizadas por presidentes da República de direita. Em Rondônia, a BR 364 recém concedida à iniciativa privada, está causando polêmica, sendo contestada justamente por políticos de direita, principalmente pela cobrança de pedágio considerado um dos maiores do país. É prá privatizar ou não? Ou o problema é apenas o valor do pedágio?

A bem da verdade 2

O vereador Everaldo Fogaça (PSD), de Porto Velho, participou ontem de uma caminhada sob chuva até Candeias do Jamari, em protesto contra o alto valor do pedágio. Realmente está alto porque a cobrança está sendo feita antes dos benefícios. Se a concessionária reduzisse pela metade todos ficariam satisfeitos.

A bem da verdade 3

Toda a bancada federal participou de audiências públicas em torno da concessão da BR 364, iniciada no governo Temer e intensificada no governo Bolsonaro. No entanto, apenas o senador Confúcio Moura (MDB-RO), está sendo responsabilizado só porque ele tem agido com transparência e honestidade. Já o outros parlamentares estão agindo com cara de paisagem, como se não tivessem “culpa no cartório”. Em vez de fazerem parte da caminhada contra o valor abusivo do pedágio, deputados e senadores foram caminhar contra a democracia e a favor do golpe de estado em Brasília.

Toffoli não abre mão do caso Master

A despeito da saraivada de críticas por sua atuação no caso das fraudes no Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não tem qualquer intenção de deixar a relatoria do processo ou devolvê-lo à primeira instância. Como conta Daniela Lima, Toffoli disse a colegas que vai “apanhar o que tiver que apanhar” e “conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”. Ele também divulgou uma nota elogiando a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar um pedido de deputados para afastá-lo da relatoria do caso Master, dizendo que isso “reafirma a regularidade da condução”. (UOL)

Defesa Master

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota  para defender a atuação da Corte e do ministro. No texto, ele afirma que cabe ao Supremo atuar “na regular supervisão judicial, como vem sendo feito pelo ministro relator, DIAS TOFFOLI” [em maiúsculas no original]. Toffoli vem sendo criticado desde que levou todo o caso Master para o STF e decretou sigilo máximo, seguido de decisões como mandar lacrar provas apreendidas e criticar a atuação da Polícia Federal. A revelação de negócios de seus irmãos envolvendo um resort com o cunhado e braço direito de Daniel Vorcaro, dono do Master, elevaram os questionamentos à atuação do ministro. Fachin, porém, reafirmou a autoridade de Toffoli para atuar no recesso e disse que “eventuais vícios ou irregularidades alegados” serão examinados depois pelo colegiado. (g1)

Defesa Master 2

Funcionários destacados para atender ministros do STF permaneceram por ao menos 150 dias em Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, associado ao ministro Dias Toffoli. Desde dezembro de 2022, o pagamento de diárias a esses agentes ultrapassou R$ 454 mil. Dados do TRT-2 indicam deslocamentos frequentes de equipes de segurança para a cidade, com a justificativa de prestar apoio e transporte a uma autoridade do Supremo. Os registros não identificam o ministro atendido, e o STF não comentou o caso. As viagens se concentraram em períodos de férias, recesso do Judiciário, Carnaval, julho e fim de ano. No último Ano-Novo, agentes também estiveram no local, reforçando relatos de que Toffoli segue frequentando o resort. (Folha)

Defesa Master 3

A defesa de Daniel Vorcaro negou que exista qualquer proposta ou negociação de delação premiada em curso. A declaração foi feita após a saída do advogado Walfrido Warde do caso, movimento que alimentou especulações sobre uma possível colaboração. Warde, conhecido por criticar esse tipo de acordo, teria deixado a defesa justamente por discordar da estratégia. Apesar dos rumores, a atual equipe jurídica afirma que não há tratativas com a Polícia Federal e que manterá a linha técnica da defesa. (CNN Brasil)

Defesa Master 4

Mesmo sem delação, os depoimentos de Vorcaro agitam o meio político. Segundo Aguirre Talento, da coluna de Fausto Macedo, o dono do Master afirmou à PF que tratou da abortada venda de seu banco ao Banco Regional de Brasília (BRB) diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Rocha admitiu ter ido uma vez à casa do banqueiro, mas negou ter discutido o negócio. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou. (Estadão)

Lula sobre o Master

O presidente Lula comentou, nesta sexta-feira (23), as investigações sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, em Maceió, Lula classificou o suposto esquema como um golpe bilionário.

Lula sobre o Master 2“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão, do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões, mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar é os bancos, é o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica que vai pagar, é o Itaú.”

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Pessoa com deficiência

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@viniciocarrilhomartinez

Eu tenho deficiência física, na perna esquerda, e estou nesse imenso rol que chamam de PCD – pessoa com deficiência. É mais um apelido. E como todo apelido não diz nada sobre você, aliás, apelidos relatam somente o mau gosto dos outros. Isso também me lembra das chamadas nomenclaturas: tentativas de explicações sintéticas sobre algo que via de regra levam a lugar algum. Começarei por esse PCD e depois trarei outras “nomenclaturas viciadas” por defeito catastrófico em sua origem e proposição.

Por pessoa com deficiência se entende um mar de gente – para mim infinito, como veremos –, da mais simples deficiência física às deficiências mentais e físicas das mais complexas e praticamente insolvíveis.

Antigamente, chama-se de “portadores de necessidades especiais” e, lá no passado, eu mesmo escrevi que todo mundo porta algo; poderia ser portador de Registro de nascimento (muita gente, na infinita miséria, sequer tem sinal público de sua existência) ou portador de alguma boa (ou má) intenção.

Ocorre que hoje me parece o mais óbvio, uma vez que, se todo mundo pode ser portador de alguma necessidade (por exemplo, milhares e milhões que não comem quatro refeições diárias), eu, com deficiência física, tenho uma necessidade especial que outras pessoas não tem – ou tem e fingem não ter. Tenho necessidade, por exemplo, de ter rampas de acesso ou elevadores – ao contrário das escadas que ainda encontro nas dependências do serviço público.

Pois bem, resolveram que essa terminologia não era boa e mudaram para PCD. Neste caso, particularmente, gostaria de saber qual pessoa não tem deficiência, alguma deficiência!? Gostaria de conhecer, porque um ser assim perfeito, majestoso, um anjo na Terra, é uma causa nobre. Não há ninguém assim: até o dedinho da mão esquerda será diferente, maior ou menor, do que o da mão direita (para as pessoas que têm mãos “normais”).

Outro caso emblemático (talvez o mais estapafúrdio) é daquelas “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade humana” – essa nomenclatura seria o meu politicamente, sociologicamente, correto. Esse caso, no entanto, tem uma bizarrice latente, um desvio moral observado na cultura de época e, que, em seguida, na nossa época, revoltando-se, tornou-se absolutamente hipócrita.

Lá nos cafundós da história, essa pessoa que chamei de “absolutamente desabrigada de dignidade” (porque não tem nem um cobertor) era “definida” pela cultura reinante como “indigente”. O termo já diz tudo (indigente), e não seria preciso detalhar muito o que se passava na cabeça das outras pessoas daquela época, afinal, nos bastaria pensar que, por “indigente” intui-se que se trata de alguém que não é gente. Assim, se não é gente, era (ou é) “algo” – um estorvo para as castas, classes e “mentes normais” daquele tempo.

Depois, as “pessoas absolutamente desabrigadas de dignidade” foram apelidadas de mendigos, pedintes, moradores de rua, moradores em situação de rua e, no meio disso tudo, esse politicamente correto (na ortografia apenas) chamou-os de “moradores de área livre”. Aqui me parece que a hipocrisia chegou no seu auge. Definitivamente, não sei se há algo mais perverso do que isso.

Concluindo, de volta ao topo, penso que a pior deficiência é a moral.

Alexandre de Moraes proíbe baderna liderada por arruaceiros em Brasília

Moraes proíbe “caminhada” promovida por Nikolas Ferreira em Brasília; A determinação acolhe um pedido feito pela PGR e proíbe a presença de manifestantes nas imediações da Papuda. O ministro também mencionou os atos golpistas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (23) impedir a realização de um ato bolsonarista previsto para este fim de semana em Brasília (DF).

A determinação acolhe integralmente um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e proíbe a presença e a permanência de manifestantes nas imediações da Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda, onde Jair Bolsonaro (PL) cumpre a pena de 27 anos de prisão determinada pelo STF no inquérito da trama golpista.

A decisão do STF, fundamentada em manifestação da PGR, atinge a mobilização promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que vinha reunindo apoiadores ao longo de um percurso estimado em cerca de 200 quilômetros, entre Paracatu (MG) e a capital federal. Segundo os organizadores, o ato defendia condenados por ações golpistas.

Ao analisar o caso, Moraes afirmou ter aprovado “integralmente os pedidos da Procuradoria Geral da República”. No requerimento, a PGR sustentou a necessidade de intervenção imediata para preservar a segurança do sistema prisional.

Conforme o órgão, era imprescindível a “adoção de medida cautelar de remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília– Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

Atos golpistas do 8 de Janeiro

O ministro Alexandre de Moraes também recordou os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Planalto e do Congresso, em Brasília.

“O exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de repetir os ilegais e golpistas acampamentos realizados na frente dos quartéis do Exército, para subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas, em especial o Supremo Tribunal Federal, que culminaram na tentativa de Golpe de Estado, em 8/01/2023”.

A Procuradoria também alertou que os organizadores anunciavam uma “Caminhada da Paz”, marcada para 25 de janeiro de 2026, com o objetivo de realizar um protesto ostensivo contra decisões do STF.

De acordo com a PGR, parlamentares divulgaram deslocamento até Brasília e incentivaram a adesão de outros cidadãos, afirmando que a pauta seria “justiça e liberdade” para envolvidos nos atos de insurgência de 8 de janeiro.

Alcance da decisão judicial

No despacho, Alexandre de Moraes determinou a “remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer acampamento ou indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências da Penitenciária Federal de Brasília – Complexo da Papuda, participando de possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

O ministro também autorizou medidas coercitivas em caso de descumprimento. A ordem prevê a “prisão em flagrante com base na prática de resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública, a fim de garantir a efetividade das probabilidades e a preservação da ordem pública na hipótese de resistência de indivíduos que, mesmo após intimados, insistirem em permanecer na via pública em manifestação de oposição à ordem”.

Ainda no texto, Moraes determinou a mobilização das forças de segurança locais e federais: “Determino, ainda, a imediata notificação das Secretarias de Segurança Pública, de Assuntos Penitenciários e da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para imediato cumprimento da medida, competindo especialmente à Polícia Militar do Distrito Federal a adoção de todas as providências necessárias à efetiva remoção dos referidos indivíduos do local e vigilância externa do local”.

O ministro acrescentou: “Intime-se, pessoalmente, os Secretários de Segurança Pública e de Assuntos Penitenciários e o Comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como o Diretor-Geral e o Superintendente/DF da Polícia Federal”.

Contexto das condenações

O inquérito da trama golpista resultou, até o momento, em 29 condenações anunciadas pelo STF. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais elevada, de 27 anos de reclusão. As investigações abrangem os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram depredadas, episódio inserido em uma apuração mais ampla sobre tentativa de ruptura institucional.

No julgamento específico relativo às manifestações daquele dia, a Corte condenou 1.399 pessoas. Dados divulgados em 8 de janeiro deste ano indicam que 179 indivíduos permanecem presos em decorrência dessas decisões, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva, entre elas a de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro.

Do Brasil 247 e

Ensinando a transgredir

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@viniciocarrilhomartinez

Em meios inóspitos, excludentes, violentos, transgressores da dignidade humana, é preciso transgredir.

É preciso transgredir o status quo liderado pela injustiça.

É preciso transgredir a Casa Grande que impõe a fome.

É preciso transgredir os muros imorais do racismo, da misoginia, da homofobia, da xenofobia.

É preciso transgredir a divisa da palafita que segrega pela miséria.

É preciso transgredir o capacitismo que se alimenta da meritocracia neoliberal.

É preciso transgredir a cancela que chancela mais o pasto do que o humano.

É preciso transgredir toda ordem que só projeta o progresso dos escolhidos pelo capital.

É preciso transgredir todas as mentes opacas, deturpadas, corrompidas.

É preciso transgredir todos os obstáculos, as normas negativas, os hábitos e as práticas que excluem, que tornam a dignidade inacessível, quando deveriam incluir.

É preciso transgredir, radicalmente, todas as raízes dos piores males sociais, políticos, econômicos, culturais.

É preciso transgredir tudo isso, até o dia em que não precisemos mais transgredir a opressão.

Na prática, na real, não há acessibilidade porque sequer temos a consciência mínima do que é certo e do que é errado.

Portanto, é preciso transgredir, até cansar de ler, todos os sinais de injustiça, desigualdade, preconceito, discriminação.

 

Consciência em trânsito

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@viniciocarrilhomartinez

O que transita é o que já está em movimento, é o que transita entre aqui, ali e acolá. O que leva a pensar na acessibilidade como uma via, um canal, um conjunto de meios que permitem ou facilitam o acesso e, assim, não obstruam o movimento.

Basicamente, trata-se do estar para ser e, posteriormente, do estar aqui para também ser ali.

E onde está a acessibilidade nisto?

Está em tudo, e podemos ver o básico primeiro: as classes dominantes que olham somente para si, para dentro do poder que lhes concede cada vez mais privilégios, podem acessar o que bem entender. Não lhes pertence (salvo exceções) a mobilidade decrescente na hierarquia social e econômica: “o ditado popular diz que caem ganhando, para cima”. Obviamente, as classes dominantes acessam o poder que lhes renova e assegura todos os privilégios; além disso, podem mover uma montanha para assegurar seus direitos.

Somos nós, os expurgados socialmente, economicamente, que não acessamos poderes, espaços, conteúdos, institucionalidades, serviços, condições elementares à moção da dignidade humana. Quem acessa o poder, acessa tudo que lhe garanta ainda melhores condições de acessibilidade.

No Brasil, o combo de racismo, misoginia, elitismo, capacitismo é institucional, replicante, multiplicado, e assim se molda toda a luta política em torno da luta de classes; contudo, é este um bom começo para quem se nutre do Direito à consciência.

É desse modo que a consciência de classe se põe ali fora, entretanto, para estar ali, é preciso estar aqui (dentro), conscientemente. E assim a acessibilidade é feita com conhecimento, lógica, prospecção, reflexão. A primeira ação, por derradeiro, começa em si – para, então, estar ali. O que é óbvio, pois algo somente pode vir a ser (ali) quando se sabe como é estar por aqui.

Sem o acesso ao conhecimento, não iremos com a consciência a lugar nenhum. Em tese, esse é o papel da educação, não como uma margem limitante do rio, mas, sobretudo, como o fluxo, uma correnteza que leva adiante, que faz mover, que desagua no que precisa ser feito, modificado e, desse modo, levando consigo as raízes do que impede o acesso de milhares, milhões de pessoas.

CFM quer impedir que 13 mil alunos de Medicina mal avaliados em exame nacional possam atender

Conselho discute resolução que pode impedir atuação imediata de profissionais recém-formados que não atingiram nota mínima. Advogados apontam que medida pode acabar em disputas judiciais.

Por Poliana Casemiro, g1 com informações do site Rondônia Dinâmica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que 13 mil estudantes de Medicina do último semestre que não atingirem a nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) consigam o registro profissional.

➡️ O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é uma prova anual para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino. Ao todo, 351 cursos foram avaliados e 30% estão na faixa considerada insatisfatória.

Além dos cursos, também foram avaliados os alunos do último semestre, prestes a concluírem a faculdade. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enamed, três em cada dez alunos prestes a se formarem não tiveram a nota mínima no exame.

Segundo o Conselho, isso acende um alerta sobre a qualidade da formação e o risco à população. O CFM vem articulando com o legislativo a criação de um exame próprio, que precisa ser liberado por lei, mas os projetos seguem travados.

Com a resposta do Enamed, querem publicar uma resolução exigindo que aqueles que não atingiram a nota mínima não possam ter o registro. Na prática, a medida impediria que esses profissionais atendam pacientes.

Já encaminhamos para o jurídico uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro. Eu acho que é muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender.
— José Hiran Gallo, presidente do CFM.

O Conselho informou também pediu que o Ministério da Educação forneça os dados detalhados dos alunos para que possam ter acesso à lista de nomes e desempenho.

O CFM pode impedir o médico de ter o registro?

➡️ Hoje, todo estudante de medicina ao concluir o curso tem o direito de receber o registro profissional automaticamente sem qualquer avaliação prévia. Isso é feito assim pela determinação de uma lei.

Segundo a advogada especialista em direito médico, Samantha Takahashi, o CFM não poderia criar uma resolução com regra própria que se sobreponha a lei.

Ela explica que a regulamentação exige o diploma de conclusão de curso de Medicina expedido por Instituição de Ensino Superior, registrada no Ministério da Educação, e que não há brecha que permita que o Conselho inclua novas condições.

No sistema que temos hoje, não existe uma brecha para que o conselho impeça que esses 13 mil médicos com diploma tenham o registro.
— Samantha Takahashi, advogada especialista em direito médico.

O advogado especialista em Saúde, Henderson Furst, concorda que não há base legal para que o conselho mude a regra. Mas explica que a resposta pode não ser tão simples e ficar nas mãos do judiciário.

Henderson explica que, caso o CFM insista na resolução, os alunos podem acionar a Justiça e que, na avaliação dele, é possível uma leitura favorável ao conselho porque a resolução protegeria a saúde pública.

Há uma lacuna legal. Sem uma lei que permita a prova e sabendo o judiciário que 13 mil alunos não tiveram nota mínima, isso coloca em risco a saúde da população. Isso poderia fazer com que a Justiça desse ao CFM decisão favorável em manter a resolução até que haja uma lei que permita uma avaliação.
— Henderson Furst, advogado especialista em Saúde

‘OAB da Medicina’ no Congresso

 

Atualmente, dois projetos sobre o tema estão mais avançados no Congresso, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal.

A ideia segue o modelo de exames de ordem já aplicados em outras áreas, como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), exigido de bacharéis em Direito.

➡️ O projeto que tramita no Senado Federal prevê que o exame de proficiência será realizado a todos os egressos do curso de medicina, como pré-requisito para o exercício da profissão no país.

O texto também cria instrumentos para acompanhar a formação médica:

  • estudantes do 4º ano do curso deverão fazer o Enamed, para medir a qualidade dos cursos;
  • plano de expansão da residência, com meta de alcançar, até 2035, ao menos 0,75 vaga de residência por médico formado;
  • competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar cursos de medicina.

A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em dezembro do ano passado, mas ainda precisa passar por mais um turno de votação no colegiado para a aprovação definitiva. Caso seja aprovado, o projeto seguirá para a análise dos deputados.

➡️ O projeto que tramita na Câmara dos Deputados institui o exame como requisito para o registro de médicos nos Conselhos Regionais de Medicina e para o exercício da profissão médica.

A proposta teve urgência aprovada em julho de 2025 e com isso, vai ser analisado diretamente pelo plenário da Câmara dos Deputados, sem precisar passar pelas comissões temáticas. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado em plenário, depois passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.

A proposta prevê que o exame seja aplicado de forma seriada aos estudantes de medicina. Os alunos dos 3°, 4°, 5° e 6° anos dos cursos de graduação deverão atingir a nota mínima de 60% da pontuação possível, em cada uma das provas, para aprovação.

O projeto prevê ainda a realização de provas de repescagem para aqueles que não atingirem a nota mínima.

30% dos cursos de Medicina foram mal avaliados

Mais de 100 cursos de Medicina do país foram mal avaliados no Enamed. Os cursos tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo INEP, e vão ser punidos com restrição no Fies e suspensão da abertura de novas vagas. O número foi divulgado no balanço de resultados do exame, em Brasília, nesta segunda-feira (19).

De acordo com a avaliação:

  • 🔴 24 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 1, o menor índice;
  • 🔴 83 cursos tiveram como resultado o conceito Enade 2.

De acordo com o Inep, participaram da avaliação cerca de 89 mil alunos entre aqueles que estão concluindo a faculdade e em outros semestres.

Rondônia aparece entre os estados com instituições abaixo da faixa considerada satisfatória. Quatro cursos de Medicina em funcionamento no estado foram reprovados no Enamed, de acordo com a lista divulgada pelo Inep: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (conceito 2); Afya Centro Universitário de Porto Velho (conceito 2); Faculdade Metropolitana (UNNESA), em Porto Velho (conceito 1); e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul (conceito 2).

O curso de Medicina da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) alcançou o conceito 4 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), resultado que o consolida como o melhor do estado de Rondônia e o coloca entre os cursos mais bem avaliados da Região Norte.

 

 

CONSCIÊNCIA JURÍDICA

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Por Vinício Carrilho Martinez

Antes de uma conversa sobre consciência jurídica (entre o certo e o errado), tomaremos de empréstimo uma ideia sobre Cultura Jurídica, um pouco de conhecimento (mesmo que quase intuitivo) para nos posicionarmos no quadro geral. Pensemos que todo mundo deveria saber (ao menos ter curiosidade em saber) o que é Isonomia, Igualdade, Liberdade. Correto?

Sim, correto. Porém, a maioria das pessoas não sabe.

Neste sentido inicial, podemos dizer que a maioria das pessoas tem opiniões e cria seus juízos (muito mais prejuízos, se pensarmos na distorção provocada), e que, no fundo, isso não passa de pré-conceitos: aquilo que pensamos saber, antes de conhecermos efetivamente algo ou alguém.

Há uma simetria entre o pré-conceito de quem referencia pejorativamente o Direito, a Cultura, a Consciência Jurídica e o preconceito de quem “julga pessoas com deficiência”; essa similaridade tem um nó bem dado no desconhecimento, na ignorância, na concepção superficial. Todo ato de preconceito, portanto, deriva de um pré-conceito, uma ignorância em termos de informação e de conhecimento adequados, consolidados acerca do que realmente é ou sobre alguém.

Com isto, estamos dizendo que a Consciência Jurídica (Ética, em si) tem início no acesso à realidade dos fatos e das pessoas. E ninguém acessa nada de forma superficial, por vezes grosseiramente; nós só acessamos em essência – na aparência nós tateamos e muitas vezes deturpamos.

E é esse tatear que inibe o outro verbo – a acessibilidade provém do verbo acessar, e que é um verbo de ação, efetivo, concreto, não como algo a ser concebido, postulado, mas sim a ser realizado. Quem acessa, portanto, o mundo do Direito não o faz contemplando, imaginando, supondo, pois, o faz de forma a requerer o Direito para si e, assim, tornar o Direito um meio de ação.

Trata-se aqui da famosa Luta pelo Direito, quer lutemos individualmente, quer enfrentemos o processo historicamente: um caso notório é o da luta antirracista, pelos direitos civis, na década de 1960 nos EUA. Também pensemos no reconhecido Maio de 1968, sobretudo na França, em luta pela liberdade e paridade.

No nosso caso, buscamos no Direito os meios de efetivação da acessibilidade, posto que, como vimos, é a exigência natural, imediata do verbo de ação – acessar para que o Direito se faça justiça.

O sistema de cotas, a chamada “discriminação positiva”, as ações afirmativas, as políticas públicas, as Políticas de Estado (a exemplo do SUS) e outra ações têm esse prisma: buscar o equilíbrio da balança – e que, historicamente, nunca existiu no Brasil.

Na nossa histórica luta, tratamos da transformação da isonomia, essencial por definição, em equidade: a justiça sendo realizada, de fato. Em parte, ou em conjunto a isso, o acesso à justiça tem esse princípio.

Ainda podemos visualizar nisso a Mutação Constitucional e a nossa Constituição, de 1988, acumula vários desses processos de inclusão (as apelidadas “gerações de direitos”) e que se afirmam contra a “normalização da exclusão”, em oposição à indignidade, contrariamente à degradação do espaço público.

Neste caso e em quase tudo, por fim, é fácil vermos que se trata da acessibilidade ao conhecimento, “aos estudos!” (notadamente da história), ao saber qualificado e à prática daí decorrente – acessar a práxis, sendo sujeito ativo, portanto.

O desenho universal da acessibilidade

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@viniciocarrilhomartinez

Para um entendimento mais lógico, coerente e, de certa forma, presumido, entendemos que há uma sequência de eventos para a observação inicial: a acessibilidade é a porta de entrada da inclusão e é a permanência quem assegura os efeitos básicos, imediatos, da acessibilidade. Portanto, há uma sequência lógica a ser observada: acessibilidade – inclusão – permanência. Isso é formalmente lógico.

O desenho universal da acessibilidade (ou do que promova a acessibilidade) começa assim: não é exatamente um passo após o outro; hoje, por exemplo, precisaríamos dar um pulo. Mas, seguramente, é uma rampa de acesso que permite subir degraus diante da exclusão. Sem acessibilidade, a ausência dessa rampa que aniquila a isonomia, da rampa de acesso que traz as mínimas condições de se inserir para participar, vale a regra do “cada um por si”, e, vigorando essa lógica, o vencedor da maratona é quem “dá seus pulos”.

Como vimos, a acessibilidade garante a inclusão e é dependente, ainda mais, das condições de permanência. Condições de permanência que, obviamente, devem ser edificadas (como as muitas rampas de acesso) em conjunto com os meios de inclusão. Do contrário, com acesso, mas em condições negativas, negacionistas da permanência, o caminho de volta, rápido, chama-se exclusão.

Não há pertencimento sem acessibilidade, só há banimento antes do ingresso. Não há pertencimento sem inclusão, pois vigora o entrar e prontamente sair: banimento. Não há acessibilidade e inclusão se impera o banimento (prévio ou posterior). Não há, portanto, acessibilidade e inclusão sem pertencimento. Não há, pela força da lógica, pertencimento se não se impõe a permanência. E não há inclusão se vige a exclusão (programada e presumida).

Na ampla lógica social, no âmago do viver e pensar capitalista – hoje se chama de neocolonialismo e neoliberalismo – só predomina a Lei do mais forte, de quem define quem pode e quem não pode acessar e permanecer. É a Lei do mais forte que, inclusive frequentemente, permite que alguns acessem e até permaneçam; porém, em condições indignas – isto é, tudo funciona como um convite para que se autoexcluam. É importante ter essa clareza porque a dignidade humana está no primeiro e no último estágio dos valores que permitem acessar a Condição Humana.

Este é, basicamente, o desenho universal. A acessibilidade não está limitada a uma rampa de acesso, contudo, sem esta rampa, a acessibilidade não está em lugar nenhum e, assim, também está excluída a dignidade humana. Aqui há um segundo fator, primordial e já presumido, não se acessa a Condição Humana sem acessibilidade, inclusão e permanência.

 

 

 

Direito à consciência (social)

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@viniciocarrilhomartinez

O que seria essa consciência social, com a qual muitos debatem e que as pessoas tanto falam?

Tomemos um exemplo muito elementar: estudantes que entrem 15 minutos atrasados e saiam 20 minutos antes do final das aulas e atividades, todos os dias, todas as semanas, em todos os períodos. Multiplique-se essa rotina por cinco anos.

Enquanto estudantes ficam até depois das aulas, quanto tempo e oportunidades essa pessoa furtou de si, ao se negar o acesso ao conhecimento? Será que não tem nenhuma noção do que está fazendo consigo?

Será que o indivíduo, estudante ou não, furtando-se à votação, sistematicamente, não tem noção do que faz a si e ao município, Estado ou pais? Claro que sabem, todos eles, sabem bem o que fazem ou deixam de fazer.

Então, é possível pensarmos que toda consciência é social ou não se trata de consciência, mas sim de mera informação, desinformação e até de deformação. Salvo exceções que confirmam a regra, mesmo o indivíduo mais indolente, apático, indiferente, malicioso diante dos fatos, das condições e situações, dos problemas sociais, está ciente, tem alguma “ciência”, no popular, tem “noção” do que faz ou deixa de fazer.

Pode ser que esse indivíduo não tenha profundidade alguma em qualquer análise social, contudo, tem uma mínima noção de si e do que tem à sua volta. Pode, nesse caso, não acessar níveis razoáveis de interpretação, análise, reflexão, pode, inclusive, ser incapaz de uma autocrítica, pode ser impossibilitado de acessar traços elementares do conhecimento científico, ético, filosófico e político, porém, está minimamente ciente do que quer para si (e para nós – ainda que não saiba soletrar “Nós”), e mesmo que o seu intuito seja apenas ficar indiferente e viver encostado/a nos outros.

É óbvio que esse indivíduo jamais fará alguma análise sociológica, mas sempre será/estará consciente do quanto está sendo antissocial. Esse indivíduo não sabe dizer o que é Interação Social – até porque não comunga com isso –, todavia, está ciente (inclusive zeloso) da interação que mantém com a desídia, irresponsabilidade, desleixo, e até recebimento, comunicação e comunhão com as origens e os propagadores dos males sociais.

Neste sentido, concluindo esta premissa, não associamos consciência à análise sociológica. A análise social, por mais rasteira, simplificada ou quase nula (distorcida), está presente em cada indivíduo (também chamado de “ser social” – e mesmo que não seja em nada sociável).

Já a análise sociológica, entretanto, e sem que fiquemos listados às epistemologias, Teorias Sociais, e por mais rudimentar, inicial que seja, a análise sociológica está presente – por força do estreito vínculo mantido com o objeto, que é a Interação Social – em todos os seres sociais ativos, especialmente naqueles que produzem, expandem, escalam a sociabilidade – interativa, expansiva, integrada, humanizada.

Pode-se chamar isso de sabedoria popular, conhecimento prático (ainda que parcelado, particularizado), derivado da experienciação da vida social, ou simplesmente do núcleo forte do Bom Senso que orbita o senso comum.

A acessibilidade aqui, portanto, refere-se ao verbo acessar: trata-se de acessar níveis mais responsáveis, profundos e amplos, quanto ao conhecimento, à cultura, ao que efetivamente é importante em termos de relações sociais.

Trata-se de invocar o verbo, pô-lo em ação, movimentando-se, movendo-se o acesso à consciência que se faz todos os dias, um pouco a cada experiencia, um pouco mais a cada leitura e reflexão honesta, comprometida, com os reais anseios e esforços de humanização.

Por quê Techné?

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Lucas Gama – bacharel em filosofia/UFSCar

O século XXI é marcado por diversas coisas, como a popularização da internet, a ascensão e popularização das redes sociais, o desenvolvimento de tecnologias de ponta para facilitar a vida humana, trazendo mais conforto, comodismo e facilidade. Entretanto, há algo que também marca muito o século XXI, especialmente por estar, de certo modo, atrelado aos itens anteriores, e que se comprova com a piora ou ignorância da ética e da moral.

Essa piora ou ignorância da ética e da moral não está atrelada ao desenvolvimento das coisas que temos hoje, mas está estritamente ligada à utilização das mesmas, ou melhor, da aplicação delas. A popularização da internet tinha como um dos intuitos a divulgação de informações sem que houvesse algum tipo de censura ou perseguição por meio dos veículos de notícias. A ascensão das redes sociais, por conseguinte, está atrelada à popularização da internet e o seu intuito maior era conectar pessoas distantes, retomar o contato entre familiares em lugares distintos e até trazer conexão com novas pessoas, para conhecê-las.

Como dito, a aplicação perdeu a moral; no caso da internet, os veículos de informação atuais passaram a divulgar fake news, especialmente a partir de 2016, com a ascensão do Fascismo na américa latina e nos EUA, permitindo o primeiro mandato do atual presidente dos EUA, Donald Trump, mas também permitindo o primeiro e único mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos tiveram a ajuda das fake news para se elegerem e, logicamente, contaram com as redes sociais para facilitar a divulgação – o que apresenta, novamente, a utilização das mesmas com a carência de uma ética e de uma moral social.

Todas essas tecnologias só foram possíveis por causa da techné, em especial a dos gregos, na qual vemos sua origem. Mas o que seria essa techné? Por quê estudar a techné? Por quê falar sobre ela e, o mais importante, por quê ensiná-la? Em resumo (por quê techné?): a techné é uma palavra grega que permite duas traduções: 1. Técnica e 2. Arte. As traduções não são importantes no momento, o que de fato importa é o entendimento de que a techné grega requisitava a moral para ser ela mesma e, consequentemente, levando as pessoas à virtude.

O que representa o contrário do que é visto hoje, diante de todo o exposto nos últimos dez anos. Por fim, a resposta à pergunta é simples: Porque a moral e a ética humana poderão ser destruídas, com essas atualizações tecnológicas incontroláveis, e é fundamental resgatar a techné, assim como a moral e a ética que ela resguarda.

Agora a gadaiada pira: Trump convida Lula para “Conselho da Paz” em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou oficialmente o governo brasileiro para integrar o chamado Conselho da Paz (Board of Peace), um novo organismo internacional criado para atuar na Faixa de Gaza. Na verdade, um governo fantoche, sem participação dos palestinos.

A iniciativa também inclui os presidentes do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Argentina, Javier Milei, que formariam o núcleo fundador.

Autoridades dos três países confirmaram o recebimento do convite. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o governo egípcio está analisando a proposta. Em entrevista no Cairo, ele disse que, sem o envolvimento direto de Trump na implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, será difícil que as partes envolvidas cumpram suas obrigações.

A presidência da Turquia informou que Trump enviou uma carta a Erdogan convidando-o a integrar o conselho como membro fundador. Segundo Ancara, o órgão será responsável por garantir a segurança e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.

Milei, por sua vez, confirmou o convite por meio da rede social X, afirmando que se sente honrado em participar como membro fundador e que a Argentina “trabalhará para consolidar a paz e a liberdade”.

A Casa Branca anunciou oficialmente a criação do conselho na sexta-feira. De acordo com o governo americano, o Conselho da Paz tem como objetivo colocar em prática um plano de 20 pontos voltado à paz, estabilidade e prosperidade, alinhado à Resolução 2803 (2025) do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O plano prevê uma estrutura de administração transitória para Gaza, com forte coordenação internacional.

Segundo a Casa Branca, o grupo será presidido pelo próprio Trump e contará com figuras centrais do governo e do establishment político internacional, como o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, o corrupto Tony Blair. Também foram anunciados como integrantes Marc Rowan, Ajay Banga e Robert Gabriel.

O plano inclui ainda a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), que seria liderado por Ali Sha’ath. Ele foi descrito pela Casa Branca como um líder tecnocrata responsável por restaurar serviços públicos e reconstruir instituições civis no território palestino. Segundo o comunicado oficial, o Conselho da Paz terá papel central na supervisão estratégica, na mobilização de recursos internacionais e na garantia de responsabilização.

DCM

Direito à consciência

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@viniciocarrilhomartinez

Há valores que se interligam por terem e para manterem um sentido pleno – a eficácia de que tanto nos queixamos, por não vermos “surtir efeito”: a diretriz, como em tudo, está na dignidade humana. Esse é o prisma, o valor que invade o princípio e o torna um fundamento, e tem essa condição porque, uma vez condicionado, sem esse fundamento (de ser fundamental a todo ser humano) não há sentido que se preserve e nem se anime.

Como valores que movimentam consciências e ações (práticas, portanto) a acessibilidade se espelha na inclusão e na permanência. Entende-se que, “sem acessar não há como estar e, sem estar, ninguém é, afinal, logicamente, não se pode ser sem estar”.

É esse o empuxo básico, para que, estando, ou seja, sendo incluído, haja permanência – em outras palavras, a acessibilidade inaugura as condições elementares para que se esteja, com consciência e a ação de que não haja exclusão.

Essa é a cosmovisão (visão de mundo: ampla, mas também angular, aguda) que propõe a inclusão sem a comum contrapartida da exclusão. Neste sentido, entre a consciência e a ação, forma-se uma teoria que propõe sua prática – toda teoria já congrega a ação, a prática, ou, do contrário, é mera ideologia, as tais “narrativas” que se desligam dos fatos e, muitas vezes, abonam atos que (na prática) negam a inclusão.

Em termos de acessibilidade, nessa cosmovisão (a teoria de quem vê) ou há inclusão ou há exclusão – as duas não andam na mesma equação. Porém, é impositivo que observemos a lógica: sem acessar, ninguém é incluído. Sem a acessibilidade vigora apenas a exclusão.

A mesma construção pode/deve ser verificada na economia, na política, nas relações sociais, na educação, na cultura, no próprio envolvimento e na participação consciente (propositiva) “por dentro” do Processo Civilizatório: o que abriga e obriga a direção para a ação do sujeito ativo e não meramente contemplativo.

Resumidamente, o Direito à consciência se pauta (direcionando-se ativamente) pelo pressuposto da acessibilidade, sendo guiado pela dignidade humana, e com vistas aos espaços, ambientes, lógicas e estruturas que moldam a nossa sociedade.

Na economia, por exemplo, essa teoria se fortifica com a luta política pela Justiça Social, quando, eficazmente, a propriedade privada se reveste de função social; na política, a acessibilidade é manifesta com a renovação política, com o ingresso dos jovens na arte do “fazer-se política”, pois, além de tudo, essa acessibilidade promove a rotação dos poderes com o devido combate à mistificação reinante no culto à personalidade.

Juridicamente, a acessibilidade está inserida desde o “acesso (prático, efetivo) à justiça”, quanto está no entendimento e no reconhecimento correto (ético) do “Significado das leis” – é este conjunto que inibe a formação de seres imorais (obviamente, antissociais).

Socialmente, o fundamento da acessibilidade visa atacar a desigualdade social e a própria transformação (deformação) das diferenças em desigualdades; na cultura, a acessibilidade, por óbvio, leva, sobretudo, o povo pobre, negro e oprimido para dentro do teatro, do “palco de operações” – mas, propõem-se muito mais, ao garantir a acessibilidade, a inserção efetiva, estamos dizendo que a arte e a cultura são patrimônio da Humanidade: é como acessar o interior da cultura como atores da história.

Por fim, há que se afirmar a prevalência da consciência que tenha a educação participativa, inclusiva e de boa qualidade – com acesso aos conteúdos já assegurados pela construção humana do conhecimento. Enfim, não é difícil vermos o quanto a acessibilidade é crítica – por definição.

É o “acesso” à educação envolvida com o “fazer-se política”, envolta no conhecimento científico, ético, filosófico, que se revela eficaz à consciência do Direito, da sociabilidade diversa e expansiva, diretiva da solidariedade econômica (Justiça Social), da inclusão cultural.

Isso é práxis, aquela cosmovisão capaz (ciente de sua responsabilidade: permanentemente consciente) de que não existe teoria sem prática – e nem o inverso faz sentido, quando se resume à repetição do mesmo. Também é por meio desse fluxo que a autonomia individual se transmuta (converte-se, dialeticamente) em emancipação social.

Emendas a ONGs ligadas a políticos somam R$ 105 milhões sob suspeita

Decisão de Flávio Dino no STF barra repasses e cita indícios de nepotismo e desvio de recursos públicos

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais administradas por familiares de congressistas ou por assessores, colocou sob escrutínio um volume expressivo de recursos públicos. Levantamentos apontam que ao menos R$ 105,2 milhões já haviam sido repassados a entidades agora impedidas de receber verbas por esse mecanismo.

A medida, tomada nesta semana, tem como base reportagens do jornal O Globo, que identificaram o envio de 57 emendas parlamentares a ONGs ligadas direta ou indiretamente a parlamentares, ex-assessores e aliados políticos. Segundo os dados apurados, os repasses a esse tipo de entidade cresceram de forma acelerada desde 2019, alcançando o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025.

Na decisão, Flávio Dino destacou que o cenário revela sinais consistentes de irregularidades. “Conforme evidencia a reportagem, avolumam-se indícios graves de malversação de verbas públicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privados — prática que equivale à apropriação privada do Orçamento Público, em desvio dos critérios objetivos e impessoais que devem reger a atuação estatal”, escreveu o ministro.

A proibição abrange ONGs que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau de parlamentares responsáveis pela indicação das emendas, bem como de assessores vinculados a esses congressistas. A decisão também veta a contratação ou subcontratação de empresas ligadas a esses familiares, mesmo de forma indireta, como fornecedores ou prestadores de serviço.

Um dos casos citados envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que recebeu R$ 8,5 milhões em emendas entre 2021 e 2025. A entidade foi presidida por dez anos pela ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL) e, após sua eleição para a Câmara, passou a ser comandada por sua vice. Documentos analisados apontam que parte dos recursos foi usada para pagar o aluguel de um imóvel pertencente ao marido da ex-parlamentar, Renato Viana Soares.

Ao comentar o caso, Soares afirmou: “É um imóvel que me pertence há mais de 20 anos. A Pestalozzi trabalha nesse espaço. Não tem nada de estranho que uma emenda tenha um dia pago alguns meses de aluguel. Eu não sei se tem crime nisso”. Apesar da declaração, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a operação compromete princípios como impessoalidade, moralidade e transparência na gestão dos recursos públicos. A entidade negou irregularidades e declarou estar à disposição para esclarecimentos, reforçando em nota seu “compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs”.

Outro episódio envolve o deputado Raimundo Costa (Podemos-BA), que destinou R$ 17,2 milhões à Federação dos Pescadores da Bahia (Fepesba), entidade que presidiu por sete anos. A CGU apontou potenciais conflitos de interesse, destacando vínculos entre dirigentes, empresas contratadas e o parlamentar. O atual presidente da federação, Aurelino José dos Santos, afirmou que está aberto a corrigir eventuais problemas: “Estamos à disposição para corrigir o que for necessário. Estamos sempre buscando fazer o que a legislação prevê. Caso a justiça ou a legislação definam como irregular, a gente vai corrigir”.

A investigação também alcançou o deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC), cuja emenda, originalmente destinada a eventos culturais, acabou sendo redirecionada a um hospital oftalmológico pertencente a seu pai. Auditoria identificou pagamentos por procedimentos médicos com valores muito superiores aos da tabela do SUS. Segundo a CGU, ao menos R$ 331,1 mil chegaram à clínica. Em nota, o parlamentar afirmou que a responsabilidade pelo repasse foi da prefeitura e que não houve ingerência de sua parte.

Há ainda o caso do deputado Waldenor Pereira (PT-BA), cujos recursos enviados ao governo da Bahia para festas juninas acabaram sendo repassados a uma ONG comandada por uma ex-assessora de seu gabinete. O parlamentar classificou o episódio como coincidência. “O recurso é repassado para o governo do estado, que escolhe a ONG. Possivelmente foi uma coincidência. O fato de ter trabalhado no meu mandato não impede que ela participe de alguma entidade”, declarou. Auditoria da CGU, no entanto, apontou falhas na execução dos recursos e ausência de capacidade técnica da entidade contratada.

Ao justificar a decisão, Flávio Dino afirmou que a medida busca impedir práticas de nepotismo e atos de improbidade administrativa, reforçando a necessidade de critérios objetivos e impessoais na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Do Brasil 247

Acessibilidade

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@viniciocarrilhomartinez

Tem um livro de crônicas mais antigo que fala tudo que penso para iniciar um projeto novo, bacana, com pessoas do bem e sérias quanto aos assuntos sérios. De Otto Lara Rezende, intitula-se “Um bom dia para nascer”. Todas crônicas maravilhosas que sempre saudaram a vida.

E hoje penso que é um Bom dia para nascer uma ideia que nos fortifique, fortaleça nossa humanidade, esse bem-querer que começa no básico: aquele bom dia, o obrigado, a gentileza com idosos, mulheres, crianças, pessoas com dificuldades, pessoas com alguma deficiência.

Hoje, então, é um ótimo dia para nos reunirmos em torno de uma ideia que é muito maior do que qualquer um/a de nós aqui. É a ideia da acessibilidade.

Primeiro, construímos o entendimento de que a acessibilidade é a essência, o pontapé de qualquer proposta ou iniciativa. É com a acessibilidade que haverá inclusão, participação, permanência, autonomia e emancipação.

“Sem estar” ninguém irá a lugar algum, mas, para estar, é preciso acessar. Se não posso acessar uma oportunidade, uma repartição pública, uma instância privada, evidentemente, não poderia estar.

Por isso, hoje e sempre será um Bom dia para nascer uma ideia, um projeto, algumas metas e pautas construídas para a acessibilidade. E, mais do que isso, para que haja efetivamente acessibilidade, esse esforço de construção tem que ser coletivo: um ótimo dia para representarmos o esforço coletivo pela acessibilidade.

É assim que se acessa a inteligência social, os espaços, o campo de lutas, o conhecimento que nos lastreia nessa empreitada. É assim que se acessa o Direito de ser, o direito nascido do fato básico, da situação elementar, que é o acessar “para estar”. Dos direitos fundamentais, o direito a acessar para estar, sem sombra de dúvidas, é o primeiro, anda lado a lado com a dignidade humana – essa condição que é de todo ser humano.

Essa é a luta pela acessibilidade a que me proponho, com vocês, a levar adiante.

Vamos juntos e juntas dar forças a esse coletivo?

Ex-dirigente afastada após prints contra Lula pode voltar a ocupar diretoria

O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à saída de Sabrina Góis da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança

Após ser afastada do comando temporário do Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Sabrina Góis agora é o nome mais forte para retomar a Diretoria de Infraestrutura Geocientífica (DIG). Ela já acumulava essa função técnica enquanto chefiava a entidade.

A sugestão para que ela regressasse ao posto de diretora conta com o suporte do MME, mas o veredito final cabe ao Conselho de Administração da estatal. Na última sexta-feira (9), o colegiado optou por suspender a decisão após um pedido de vistas. O objetivo dos conselheiros é esmiuçar os motivos que levaram à sua saída da presidência e as justificativas para o novo aproveitamento no cargo de confiança.

A saída de Sabrina da chefia interina, ocorrida em 12 de novembro, foi precipitada pela circulação de prints de coversas pessoais. Nessas postagens, a gestora celebrava a prisão de Lula e posava em registros fotográficos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Outro ponto que ganha destaque em Brasília são suas conexões políticas: Ela é parceira de Carlos Henrique Sobral, atual secretário de Infraestrutura no Ministério do Turismo. Sobral é conhecido por sua proximidade com figuras como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima.

Questionada sobre os novos desdobramentos, Sabrina optou pelo silêncio, enviando um recado via assessores de que não se manifestaria.

No momento, o SGB está sob a tutela de Vilmar Simões. Ele é ligado a Inácio Cavalcanti Melo, ex-presidente do órgão e antigo cônjuge da senadora Eliziane Gama. Inácio deixou o cargo após virarem alvo de denúncias que apontavam o uso indevido de verbas da estatal para arcar com luxos particulares de seus dependentes, incluindo estadias em hotéis e gastos gastronômicos.

Felipeh Campos.com

Ensino de Ciências e pensamento crítico

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Nas escolas, o ensino de Ciências é fundamental para a formação crítica e social dos estudantes, principalmente quando analisamos um país marcado pela desigualdade em diversas áreas, dentre elas no acesso ao conhecimento. Por tal razão, para além da mera transmissão de determinados conteúdos, discutida por Paulo Freire como a chamada Educação Bancária[1], modelo no qual o docente é concebido como detentor do saber e os alunos como sujeitos passivos ou meros receptáculos, o ensino de Ciências atravessa outras perspectivas, tratando para além de conteúdo, e voltando-se à prática epistemológica, analisa-se como se dá a produção destes conhecimentos, como são validados e transformados ao longo do tempo.

Nesse sentido, atuar enquanto docente ensinando ciências traz consigo um significado bem delimitado, não apenas da “transmissão”, mas de forma associada à produção do pensamento crítico, da argumentação e interpretação da realidade em que estamos inseridos, de forma racional e analítica.

Do ponto de vista epistemológico, a estrutura do conhecimento pode ser interpretada como um tipo de produção que ocorre via construção social e histórica, ou seja, o conhecimento está inserido em uma sociedade e, por sua vez, não é desvinculado desse sistema social em que está inserido; ao contrário, é produzido por sujeitos que têm determinados pensamentos e estão situados em determinados contextos econômicos, políticos e culturais.

O senso comum tende a ser baseado em experiências particulares e, quando reproduzidas por gerações, por exemplo, podem se tornar tradições que regem uma família ou comunidade.

Diferentemente do que se percebe, senso comum, o conhecimento científico é caracterizado necessariamente por uma rigorosidade de métodos sistemáticos que buscam, para além da descoberta, via observação, a criação de uma hipótese, a realização de testes (ou referenciamento histórico, filosófico) para sua validação e, caso necessário, a hipótese pode ser refutada e formulada outra para continuar analisando tal observação; formando-se, assim, o que é chamado de método científico, passível de revisão (CHALMERS, 1993)[2].

Portanto, ao ofertar o ensino de Ciências, a escola oferece aos estudantes instrumentos para compreender que o saber científico não é um conjunto de verdades absolutas ou dogmas, mas um processo dinâmico de construção e de reconstrução do conhecimento.

Nesse processo, a compreensão sobre as premissas é algo central, sendo que tais premissas podem ser caracterizadas pelo ponto de início de um raciocínio, ou seja, aqueles pressupostos e concepções que baseiam e sustentam a formulação de hipóteses e teorias no método científico. Para tanto, no ensino de Ciências, trabalhar tais premissas é um passo muito relevante para permitir aos estudantes a compreensão, para além apenas dos conteúdos isolados, de suas bases e princípios, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico, da sua autonomia para analisar outros fenômenos, podendo deduzir até mesmo que esses estudantes não aceitariam explicações acríticas, e isso consolidaria essa compreensão do método científico.

Além disso, a atuação no campo das Ciências permite também o desenvolvimento, além da compreensão dos princípios, das premissas dos conhecimentos, além de fortalecer uma argumentação racional e não baseada em achismos. Quando os estudantes lidam com o processo de analisar evidências, via observação, criar hipóteses e testar tais hipóteses, forma-se um pensamento bem delimitado, permitindo analisar diversos contextos, internos da sala de aula e também externos. Mortimer (1996)[3] também reflete sobre tal temática, quando analisa que a formação integral dos sujeitos via o ensino de Ciências deve também promover uma modificação conceitual e isso possibilitaria a construção de outros conhecimentos, por meio do confronto de ideias e desenvolvimento do pensamento efetivamente analítico.

Por sua vez, a perspectiva crítica do ensino de Ciências nasce também de um diálogo entre a cosmovisão e a epistemologia. Como citado anteriormente, esse desenvolvimento do pensamento crítico é algo que pode efetivamente ser construído, sendo que a forma como um indivíduo interpreta o mundo também é influenciada pela cultura, suas condições econômicas e, obviamente, suas experiências de vida até aquele momento.

Nesse aspecto, o conhecimento científico oferta as ferramentas para ampliar tais interpretações, e, logo, a chamada “crítica”, isto é, a compreensão de que é necessário analisar a realidade para além somente das interpretações das próprias experiências, resulta em uma miscelânea da compreensão, no encontro entre o saber científico e a realidade social vivida, sendo a escola pública um espaço privilegiado para essa mediação.

Por fim, o ensino de Ciências pressupõe também o reconhecimento da realidade como algo passível de ser conhecido e transformação, ou seja, aquilo que temos, principalmente na área científica, pode ser transitório, pois, novos estudos e detalhamentos podem gerar novas informações e conhecimentos. A ciência parte do princípio de que existe uma realidade objetiva que pode ser investigada racionalmente, e negar essa possibilidade abre espaço para o negacionismo científico, com impactos diretos na vida social. Garantir o acesso ao conhecimento científico na escola pública é, por óbvio e derradeiro, assegurar o Direito à compreensão da realidade e à participação crítica na sociedade. É parte da luta pelo Direito à consciência.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

[2] CHALMERS, A. F. O que é ciência, afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

[3] MORTIMER, E. F. Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: para onde vamos? Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 20–39, 1996.

Perfis de fofoca nas redes promovem Tarcísio com pagamentos secretos

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A revista Piauí de janeiro revela como perfis de fofoca e entretenimento nas redes sociais foram usados para promover o governo de Tarcísio de Freitas de forma disfarçada, com postagens que exaltavam medidas como a redução do IPVA para motos e a inauguração de trechos do Rodoanel.

O que parecia ser uma ação espontânea de apoio ao governador de São Paulo, no entanto, foi revelado como parte de uma estratégia de marketing político, com pagamentos feitos por empresas especializadas em influenciar nas redes sociais.

Perfis populares como @alfinetei, @fofocas, @garotxdoblog, e outros, com milhões de seguidores, publicaram conteúdos que favoreciam diretamente Tarcísio e seu governo. As postagens foram cuidadosamente criadas para destacar ações do governador, como a redução de impostos e o combate à violência de gênero, com linguagem descontraída e positiva, muitas vezes acompanhada de vídeos e fotos do próprio Tarcísio.

O caso ganhou destaque quando foi descoberto que as publicações foram patrocinadas por uma empresa chamada Submarino Lab, especializada em marketing de influência. Daniela Moura, que trabalha para a empresa, entrou em contato com representantes desses perfis de redes sociais para negociar pacotes de posts pagos em prol do governador. De acordo com a investigação, um influenciador recebeu até 20 mil reais por quatro postagens.

Tarcísio é promovido em perfil de fofoca

Embora o governo de São Paulo tenha negado qualquer envolvimento nas postagens pagas, o comportamento dos perfis de fofoca sugere que houve uma estratégia deliberada para promover a imagem de Tarcísio nas redes, sem a devida transparência.

Os posts, muitas vezes promovendo o governador como um herói e defensor da população, não indicavam que se tratavam de publicidade paga, o que configura uma violação das normas do Código de Defesa do Consumidor, que exige que conteúdos patrocinados sejam claramente identificados.

Em resposta às denúncias, o governo de São Paulo reafirmou que suas campanhas institucionais são realizadas de acordo com os princípios da legalidade, impessoalidade e eficiência, e que não houve qualquer investimento público nas postagens mencionadas.

Contudo, as evidências apontam para uma tentativa de manipular a opinião pública por meio de influenciadores digitais pagos, levantando questões sobre a ética e a legalidade do uso de perfis de fofoca para promover autoridades políticas.

Com milhões de seguidores, os perfis de entretenimento e memes no Instagram se tornaram um alvo atraente para políticos que buscam melhorar sua imagem pública. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) utilizou recursos da Secretaria de Comunicação de São Paulo para financiar a cobertura de Leo Dias em eventos da prefeitura, como uma entrevista com o prefeito durante as celebrações de Réveillon de 2024, na Avenida Paulista.

Segundo a Piauí, o valor total das publicidades pró-Nunes, veiculadas por Leo Dias com o dinheiro dos contribuintes paulistanos, foi de 837 mil reais, entre 2023 e 2024. Com a justificativa de divulgar o evento, Nunes conseguiu um espaço de destaque, comparável ao dos cantores que se apresentavam no palco.

Messias deve ser aprovado “com louvor” no Senado, dizem aliados

 O ambiente político no Senado tornou-se mais favorável à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome do advogado-geral da União passou a ser tratado com maior otimismo por aliados do governo após uma série de conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizadas desde o fim do recesso parlamentar. As informações são da CNN Brasil.

Interlocutores próximos a Messias avaliam que a articulação avançou de forma consistente e que a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado entrou em um momento de distensão. “As mensagens que chegam do entorno do presidente da República vêm no sentido de que a relação deu uma boa distensionada”, afirmou a analista.

No círculo de apoio ao indicado, a expectativa é de que o processo de aprovação transcorra sem grandes obstáculos. A expressão usada por aliados — “aprovado com louvor” — tem um significado simbólico, ligado ao perfil religioso de Messias. Evangélico, ele passou a ser visto como uma ponte potencial com parlamentares ligados a igrejas e bancadas religiosas. “Essa indicação de Jorge Messias também é um aceno do presidente Lula a essa camada da população”, explicou Isabel Mega.

Apesar do clima mais favorável no Planalto, o sentimento no Senado ainda é marcado por cautela. De acordo com a analista da CNN Brasil, muitos parlamentares preferem aguardar os próximos passos formais do processo antes de demonstrar entusiasmo. “Quando a gente vai conversar um pouco com senadores, no entanto, eles estão com uma reação um pouco mais comedida, não estão tão animados assim”, relatou.

Parte dessa postura se explica pela frustração de setores do Senado que esperavam ver o nome do senador Rodrigo Pacheco indicado para a vaga no STF. Além disso, a indefinição sobre a data da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contribui para a expectativa contida entre os congressistas.

O histórico recente do Supremo também pesa nas avaliações. André Mendonça, atual ministro da Corte e igualmente evangélico, enfrentou longa demora até ser aprovado pelo Senado. Segundo Isabel Mega, Mendonça tem atuado nos bastidores para auxiliar na construção de apoio à indicação de Messias.

A sabatina do advogado-geral da União permanece entre os temas pendentes para a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso. Embora ainda não haja data definida, a expectativa é de que o assunto integre a agenda das primeiras semanas do Congresso Nacional em 2026, quando o Senado deverá dar encaminhamento formal à indicação presidencial.

Do Brasil 247

Ingressar não é permanecer

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

A universidade pública, em sua estruturação, apresenta-se de forma fortemente relevante para o crescimento dos sujeitos que ali adentram. Por tal razão, ser um estudante no Brasil não se refere somente ao acesso ao ensino superior, mas algo que atravessa outras vertentes da vida, como a própria permanência desse indivíduo no espaço universitário, marcado principalmente pelas desigualdades.

O ingresso, para estudantes que são provenientes de escolas públicas principalmente, representa uma conquista de grande relevância, porém, também associado a essa conquista, um momento de ruptura. Apesar de o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ser estruturado como principal forma de ingresso em universidades de todo o país, na maioria das vezes, esse mesmo sistema não atua efetivamente como uma ponte entre o ensino básico e superior, uma vez que propõe requisitos, habilidades e conteúdos que nem sempre são plenamente trabalhados na trajetória escolar desses estudantes de escola pública, gerando dificuldades de acesso e permanência.

Tal processo acaba sendo evidenciado logo no ingresso da graduação, um momento de transição muito latente, em que muitos estudantes chegam à universidade e precisam lidar com mudanças muito grandes, inicialmente pela chegada em uma nova cidade: o afastamento da família, além do contato com novas práticas acadêmicas e a ausência de redes de apoio tornam a adaptação um processo complexo.

As desigualdades educacionais ainda perpassam a forma como a distribuição do chamado capital cultural é feita, ou seja, nem sempre os estudantes de algumas escolas públicas têm acesso a determinadas leituras, obras e autores amplamente cobrados na universidade, o que faz com que estudantes ingressantes se encontrem em condições desiguais, ainda que tenham superado os mesmos processos seletivos (BOURDIEU, 1998)[1].

Dessa forma, internamente, as políticas de permanência e manutenção estudantil atuam de forma muito relevante e até fundamental para possibilitar que estes estudantes consigam se manter nessa etapa da vida, dando continuidade nos estudos de forma mais viável. Entretanto, algo válido de salientar é que, apesar da importância de tais políticas e de todos os avanços conquistados, tais políticas nem sempre conseguem atender efetivamente às diferentes dimensões que acabam passando pela permanência estudantil.

Portanto, permanecer na universidade não é meramente ingressar e dar conta de todas as disciplinas da grade, mas passa pela necessidade de reconhecer as desigualdades estruturais que acompanham os estudantes desde a educação básica até este ingresso.

 

[1] BOURDIEU, Pierre. Os três estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio Mendes (org.). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 71–79.

Platamorfização da vida social

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Vinício Carrilho Martinez

@viniciocarrilhomartinez

https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88

Arlei Olavo Evaristo – doutorando PPGCTS/UFSCar

arlei@ufscar.br

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Lucas Gonçalves da Gama – licenciado em Filosofia/UFSCar

 

Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar

A ideia mais simples indica que a vida social, econômica, os registros bancários, nossa imersão cultural, a comunicação que recebemos, os nossos dados de educação e de saúde pública (os remédios que compramos), toda a nossa institucionalidade (o famoso RG, o CPF, os registros da carteira de trabalho), os e-mails de docentes de universidades federais – com sua base no Google –, e até mesmo a urna eletrônica, tudo isso passa por alguma plataforma digital.

Portanto, não estamos invisíveis, e seremos ainda mais avistados quanto mais entrarmos neste “circuito digital”. Aliás, o próprio Whatsapp emitiu um aviso para administradores de grupos ativarem um comando de privacidade, para que a IA não “pescasse” as conversas.

Isso revela a venda de nossos dados digitais (pegadas) para empresas de marketing que irão, em seguida, repassar para nós mensagens publicitárias. E há mais, no sentido de que nossos dados, estão alimentando extensas bases de dados (internacionalizadas) e, assim, estamos nos inserindo (meio gratuitamente, como “servos voluntários”, diria Bauman) numa rede, malha digital que nos vigia e controla – sempre a serviço das Big Techs, as empresas bilionárias de controle digital, como a Amazom, o Google, a Microsoft, a Meta. Nosso texto apresenta cinco leituras básicas e complementares sobre esse tema.

 

Mutação da técnica em tecnologia – Gutemberg

Os dias atuais estão imersos em tecnologias diversas, desde coisas simples como TVs, computadores e celulares até assistentes virtuais, redes sociais com algoritmos que perfilam o usuário em poucos minutos e inteligência artificial embutida em qualquer aparelho possível. Antes de termos toda essa tecnologia disponível em nossas mãos foi necessário um árduo desenvolvimento da técnica. Os gregos eram expert na técnica, especialmente por ela estar estritamente ligada à moral.

Esse aprimoramento tecnológico passou pelos gregos, os quais buscavam uma vida mais virtuosa e, por conta disso, buscaram desenvolver coisas que facilitassem suas vidas para que pudessem se dedicar ainda mais à arte e à polis. Uma lógica parecida foi aplicada por outros povos, como os romanos e seus aquedutos e, muito posteriormente algo que revolucionaria o mundo de uma forma inimaginável: a prensa de Gutenberg.

Este marco pode representar um possível momento de cisão entre a produção técnica e produção tecnológica. A produção técnica é essencialmente manual, realizada por artesãos, marceneiros, ferreiros, confeccionando peças únicas e exclusivas. Enquanto a produção tecnológica se apresenta em maior volume, como a própria prensa de Gutenberg fez para imprimir os documentos bíblicos e que, a partir do século XVII, resultaria nas revoluções industriais. Hoje, o “produto é você!”.

 

A invisibilidade dos diferentes nas redes

A prometida revolução digital não mudou as bases da vida social. As tecnologias avançaram, mas ainda servem como cenário para antigos comportamentos e decisões. Os recentes casos de violência contra mulheres mostram isso: nas redes sociais, as agressões são naturalizadas e, mesmo quando denunciadas, os comentários continuam culpabilizando as vítimas.

O desenvolvimento técnico, nesse aspecto, segue sem progresso ético. A violência de gênero funciona como uma mensagem social que expõe a vulnerabilidade das instituições e a permanência do patriarcado. Do mesmo modo, a tecnologia está longe de resolver essas falhas: ela apenas as automatiza, desmontando a ideia de neutralidade nas decisões das máquinas.

Esse horizonte também é atravessado por outro fenômeno: a troca de antigos movimentos de mobilização social por um engajamento rápido e superficial. Lutas históricas deram lugar a dinâmicas virais, marcadas mais pela busca por seguidores do que pela participação política. A cultura digital favorece essa atuação imediata e pouco reflexiva. Quando a responsabilidade social é transferida para sistemas automatizados, surge um risco essencial: não se trata de uma revolução tecnológica, mas da perda da capacidade de enfrentar problemas estruturais e reconhecer o próprio papel cidadão.

O fim do ensino de filosofia, para educação financeira.

A recente reforma do ensino médio (Lei nº 14.945/2024) representa um aprofundamento do processo de precarização do ensino público, intensificando ainda mais as desigualdades já existentes na educação brasileira.

A reforma diminui a carga horária comum, com ênfase em ciências humanas (exemplos: filosofia, história, artes e sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são matérias interdisciplinares (ex: educação financeira). A exclusão da disciplina de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação crítica como indivíduos na sociedade.

O ensino básico público foi submetido à nova reforma do ensino médio, a qual reduz a carga horária destinada às áreas de ciências humanas e biológicas, e introduz disciplinas interdisciplinares sem planejamento e estrutura adequados. Em contraste, o ensino privado, em sua maioria, mantém o modelo anterior, enquanto os vestibulares para o ensino superior permanecem inalterados. Esse contexto evidencia a reprodução de desigualdades educacionais no Brasil, na medida em que a escola pública tende a direcionar seus estudantes à inserção precoce no mercado de trabalho, ao passo que o ensino privado continua voltado à preparação para o ingresso nas universidades. Retirar o ensino de Filosofia é proposital, pois, a crítica não é interessante ao capital.

Pasteurização do trabalho humano

O cenário introduzido pela nova “revolução tecno-científica” (século XXI) nos impôs o controle algoritmo e a negação da política. Se, por um lado, o trabalho não pago realizado nas redes alimenta o capital (Big Techs),  no outro sentido  essas corporações impõe uma lógica de produção laboral, que elimina a singularidade, a crítica e a complexidade humana em favor de um produto consumível, viralizável, que o pensador venezuelano Ludovico Silva denominou como mais-valia ideológica, onde o trabalhador mesmo fora de seu ambiente de trabalho produz e valida a ideologia das classes dominantes.

A pasteurização, processo originalmente conhecido na bioquímica, como um processo térmico para eliminar os micro-organismo patogênicos, serve como uma metáfora precisa para que os algoritmos eliminem o trabalho vivo (Trabalho Humano), se prevalecendo do trabalho morto, ou seja, automatizando ao máximo as tarefas.

O trabalho perde seu sentido de classe, seus direitos sociais e trabalhistas, a criatividade humana é substituída pela repetição de fórmulas e modelos que os algoritmos determinam e com isso a reflexão crítica é sufocada. A pasteurização precariza as condições materiais da existência humana e esteriliza a ontologia do ser. É preciso reintroduzir a capacidade humana com suas falhas, imprevistos e o pensamento crítico nas engrenagens do sistema.

 

 

Mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado , a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Trabalhar para aprender: juventude, autonomia e formação para a vida

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

Determinados programas que incentivam jovens aprendizes, como o realizado pelo Banco do Brasil[1], apresentam-se como uma iniciativa de grande relevância, principalmente por atuar como uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Esses projetos permitem que jovens reconheçam o valor social do trabalho antes da vida adulta efetivamente, exercitando competências como autonomia, gestão do tempo e a convivência com regras. Nesse sentido, tais programas operam como uma forma de antecipação da independência, promovendo amadurecimento de maneira gradual e orientada, conforme previsto na legislação brasileira sobre aprendizagem profissional (BRASIL, 2000)[2].

Ao se colocar esses jovens em um ambiente de trabalho que, dentre vários outros processos, exige reflexão sobre como ocupar seu tempo e, principalmente, como usá-lo de forma consciente, a iniciativa permite que demonstrem seu potencial formativo. O trabalho, nesses aspectos, pode ser essencialmente interpretado como uma atividade mediadora da relação entre o mundo e o indivíduo, contribuindo para a construção de pertencimento e do sentido social (SAVIANI, 2007)[3]. Tal dimensão, por sua vez, é de grande relevância para tentar evitar o excesso do individualismo, que é algo normalmente associado a jovens “mimadas/os” ou ainda “egoístas”, questões essas que refletem justamente a ausência dessa participação social.

Tais percepções tornam-se ainda mais relevantes quando olhamos para o contexto atual da sociedade, que tem sido marcado e manchado pela ampliação do tempo livre de acesso aos ambientes digitais, sem controle ou supervisão, isso incentivado desde a primeira infância. A internet e as redes sociais, embora apresentem um potencial formativo, também expõem os adolescentes a conteúdos muito problemáticos, como desafios e ambientes que, por exemplo, naturalizam a violência. Informações mais recentes demonstram um aumento significativo dos índices de sofrimento emocional e psíquico, seguido de quadros mais desafiadores como automutilação e até mesmo o autoextermínio entre jovens, demonstrando-se como uma crise na saúde mental ao nível global (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021)[4].

Esses aspectos atravessam também outra percepção que tem sido amplamente divulgada nas redes sociais, que afirma que “tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos, e homens fracos criam tempos difíceis”. Apesar de ser propagandeada amplamente nas redes, essa estrutura, quase como um mantra ou um ditado popular, acaba simplificando determinados processos sociais e históricos que são muito mais complexos. Os sofrimentos psíquicos e emocionais, como a depressão, sempre existiram, mesmo que não fossem nomeados ou diagnosticados como ocorre atualmente. O avanço da ciência, especificamente na área da saúde mental, permitiu o diagnóstico e o tratamento correto, ainda que persista uma deslegitimação social desses sofrimentos.

A reflexão sobre trabalho e educação, portanto, permite compreender também uma proposta denominada politecnia soviética, desenvolvida no início do século XX, cujas bases teóricas encontram-se nas formulações de Lênin sobre a articulação entre ensino geral, trabalho produtivo e formação social do indivíduo (LENIN, 1981)[5]. Tal proposta defende uma formação integral do sujeito, articulando o trabalho intelectual, manual e a formação moral, algo que foi posteriormente sistematizado por educadores como Pistrak (2009)[6]. Nessa perspectiva, os programas de jovem aprendiz citados anteriormente podem ser entendidos como uma possibilidade de experiências que, apesar de inseridas no contexto contemporâneo, resgatam, em certa medida, o princípio do trabalho como elemento formativo.

Portanto, quando organizados eticamente e colocando o emprego em um local de formação e não apenas de sobrevivência, tais programas podem contribuir de forma muito relevante para a formação de sujeitos responsáveis e capazes de lidar com ambientes variados. Assim, pensar em jovens aprendizes é pensar também em políticas integradas de educação, trabalho e responsabilidade social. Oferecer trabalho a esses jovens de forma digna e buscando a formação é também permitir o acesso à proteção social e o desenvolvimento de pertencimento, como uma possibilidade efetivamente viável para construção de seus futuros em uma sociedade marcada por desafios cada vez mais crescentes.

[1] REGISTRO DIÁRIO. Jovem Aprendiz Banco do Brasil: veja quem pode participar, quais os benefícios, como funciona e como se inscrever. Registro Diário, 03 jan. 2026. Disponível em: https://registrodiario.com.br/noticia/6255/jovem-aprendiz-banco-do-brasil-veja-quem-pode-participar-quais-os-beneficios-como-funciona-e-como-se-inscrever. Acesso em: 04 jan. 2026.

[2] BRASIL. Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. Altera dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho, relativos à aprendizagem. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2000.

[3] SAVIANI, D. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 34, p. 152–180, 2007.

[4] WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Adolescent mental health. Geneva, 2021.

[5] LENIN, V. I. La instrucción pública. Moscou: Editorial Progreso, 1981.

[6] PISTRAK, M. M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

O alto custo da “apropriação” – traição

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Esse texto foi construído em “diálogo” no WhatsApp.

Alguém já leu Neuromancer?
Tem gente nervosa no WhatsApp, divulgando videozinho de Instagram associando o romance ao sequestro de Maduro. Deveria ter ficado quieto, mas não me contenho muito diante das ‘apropriações’, reduções, deslocamentos sem pé, nem cabeça. Maduro foi traído! Ponto.
Respondi isso aqui:

Eu li faz tempo.
É a inspiração de Matrix.
É psicodélico, chapado de ácido, estava tentando ser Baudellard – este com álcool e haxixe.

O melhor exemplo não creio que seja esse.
Penso em Ninguém escreve ao coronel, Garcia Márquez.

O pensamento bolsomítico matou a epistemologia, não há surpresas nisso.
Todo mundo lembra das “análises políticas e jurídicas” dessa trupe – notoriamente jurídicas, como no exemplo do Poder Moderador.

No entanto, vejo paralelismos, apropriações, corrupções conceituais do lado de cá da força também.

O que me reforça a consciência sobre a importância (seminal) da Educação pública de qualidade.
Não basta incluir, e isso é fundamental, se não incluirmos a qualidade (essa mesma que é destinada às “elites”).

Neuromancer com Maduro exige muita Neuromusculação para o meu gosto.
Eu não estou preparado para isso.

Tem uma academia que sou obrigado a ir, por força do contrato de trabalho: na outra não passo nem na porta.

Se valem distopias para este século XXI (se é que valem) indicaria três – além das básicas, como 1984, Amigável mundo novo:

Nós – Zamiatin
O capote – Gogol
Ralé – Gorki

(A fazenda, de Chico Buarque também; Kafka; O alienista, de Machado de Assis é obrigação)

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Por que é fundamental reeleger Lula em um momento de agressão à América do Sul

Em uma ação grave, cujos detalhes ainda suscitam inúmeras interrogações, forças dos Estados Unidos sequestraram, na calada da noite, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sua esposa, Cilia Flores, e um de seus filhos, levando-os para Nova York.

O ato unilateral, de caráter beligerante, ocorreu em meio à mais flagrante ilegalidade. Foram violadas leis, tratados e protocolos, assim como as normas dos organismos internacionais que deveriam assegurar a inviolabilidade da soberania nacional e a proteção aos chefes de Estado.

Ainda não se conhece a exata dimensão das consequências práticas dessa intervenção, realizada no mais arrogante estilo imperialista. É inevitável reconhecer, contudo, que ela revive o pior da chamada Doutrina Monroe, segundo a qual os Estados Unidos outorgam a si próprios, por uma espécie de mandato que se pretende divino, o direito de intervir, a seu bel-prazer, em qualquer país da América Latina e do Caribe.

O pretexto dessa invasão, seguida de rapto, não poderia ser mais falso. Como prova da inexistência de um motivo legítimo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu a mais uma fabricação da máquina de propaganda de guerra sediada em Washington. É de conhecimento geral que Maduro não foi capturado por envolvimento com narcotráfico ou acusações semelhantes, mas porque simbolizava a revolução bolivariana, responsável pela nacionalização das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, retirando-as do controle estadunidense. Trump, de forma explícita, busca se apropriar desse tesouro subterrâneo.

Sequestro e espoliação. A esse cenário de verdadeiro colapso se resume a ordem internacional sem leis, consagrada pela ação de Trump em Caracas. Evidentemente, este 3 de janeiro inaugura um período instável e ameaçador na fronteira do Brasil, em pleno território sul-americano e caribenho. A região torna-se alvo direto de uma ofensiva que visa desestabilizá-la, lançando-a em um contexto sem parâmetros nem limites.

O Brasil, por suas dimensões, riquezas e interesses estratégicos, encontra-se sob ameaça. O recente zigue-zague nas relações entre Washington e Brasília não inspira tranquilidade. Após o sequestro de Maduro, a reação de Lula e do Itamaraty foi exemplar. De maneira firme, o governo brasileiro repudiou a ação estadunidense e defendeu a paz e o diálogo. O Itamaraty, com rapidez, reconheceu o governo constitucional agora exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que, além de exigir a libertação de Maduro, promete dar continuidade ao ideário da revolução bolivariana.

As interrogações estendem-se, naturalmente, à possibilidade de interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil, a exemplo do que acaba de ocorrer com o país vizinho. Mais do que nunca, a nação necessitará de firmeza e capacidade de diálogo para defender suas eleições e sua soberania. Nesse contexto, ressalta-se ainda mais a importância de Lula, como estadista experiente e como candidato capaz de salvaguardar os interesses nacionais em um momento tão desafiador. O espectro do passado recente ameaça, de novo, assombrar o país. Mais do que nunca, o Brasil necessita de liderança à altura do momento. Este líder é Lula.

Brasil 247

Golpismo pós-moderno

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O Golpe de Estado, dos EUA, na Venezuela serve como indicador de alguns fatos:

*8 de Janeiro
Os Kids pretos e o GSI de lá tiveram efeito, deram resultado satisfatório ao golpismo. Lembremos que, do lado de cá, o modus operandi previa o sequestro do presidente e do vice-presidente da República e de um ministro do STF (Alexandre de Moraes). A alta traição militar na Venezuela foi exitosa, com o sequestro de Maduro e da esposa.

*Não é o Iraque
Na pressão da pressa, muitos erram na análise.
Não se criou outro Iraque na Venezuela sob ataque dos EUA, mas sim conseguiram evitar a Baía dos Porcos e Mogadício.
Ou contornaram, evitando-se até agora, (precisamente) outro Iraque e uma guerra civil interminável.

*Golpe pós-moderno
Daria pra fazer uma especulação embasada: o modelo institucional que agrada Washington é uma escatologia formada pela política de El Salvador, Equador e agora a “nova Venezuela”.
São os movimentos, o modus operandi, do Estado de exceção no século XXI – os de “melhor efeito” para os EUA.

*O ocaso da Estratocracia
Um dos grandes problemas do chavismo foi ter-se mantido fiel à Estratocracia (Estado militar), fortalecendo uma casta de elite militar.
É o modelo de Bolívar que cresceu com Chávez.
Hoje, em colaboração com os EUA, a Via Prussiana se coroou.

Segue o link de um libreto sobre o perfilamento de’A destruição da política:

https://zenodo.org/records/8298411

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez

Pesquisa Quaest: maioria dos brasileiros diz que Bolsonaro está preso por seus próprios atos – e não por perseguição

Levantamento mostra que apenas 21% veem “perseguição política” do STF, enquanto 51% afirmam que o ex-presidente “merece estar preso”

A maioria dos brasileiros (52%) avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em regime fechado — em uma sala da Superintendência da Polícia Federal — por consequência direta de atos praticados por ele próprio ou por seus familiares. Apenas 21% acreditam que a prisão ocorreu por “perseguição política” do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do ministro Alexandre de Moraes.

Os dados são de uma pesquisa Genial/Quaest realizada em dezembro com 2.004 entrevistados e foram divulgados na coluna de Mônica Bergamo.

Motivos apontados para a prisão

Entre os 52% que responsabilizam Bolsonaro e sua família pelo desfecho, a percepção predominante é de que a prisão decorreu de condutas que teriam agravado a situação do ex-presidente e levado à adoção de uma medida mais dura.

Dentro desse grupo, 32% afirmam que Bolsonaro foi preso porque “danificou a tornozeleira eletrônica” que utilizava quando estava em prisão domiciliar. Outros 16% apontam “risco de fuga para o exterior”. Já 4% acreditam que ele foi encarcerado porque seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), organizava uma vigília nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente morava — razão que teria sido apresentada oficialmente para justificar a prisão.

A divisão entre bolsonaristas e o restante do país

O levantamento também indica que a tese de “perseguição política” é minoritária no conjunto da população, mas aparece como dominante entre os entrevistados que se declaram bolsonaristas. Nesse segmento, 52% dizem acreditar que o ex-presidente foi preso por perseguição do STF.

Mesmo entre os apoiadores mais fiéis, porém, há uma parcela expressiva que discorda: 18% afirmam que Bolsonaro está preso porque violou a tornozeleira eletrônica. A pesquisa ainda mostra que os bolsonaristas são os que menos acreditam na hipótese de tentativa de fuga: apenas 2% enxergam risco de que ele buscasse sair do país, contra 16% no total da amostra.

“Merece estar preso”: maioria considera a prisão justa

Outro dado que chama atenção é a percepção sobre a legitimidade da prisão. Segundo a Genial/Quaest, 51% dos entrevistados dizem acreditar que Bolsonaro “merece estar preso”.

O índice varia de forma drástica de acordo com a preferência política: entre eleitores petistas, o percentual sobe para 91%, enquanto entre bolsonaristas cai para apenas 4%. O contraste reforça a intensidade da polarização em torno do destino do ex-presidente e do papel das instituições no caso.

Efeito político: maioria vê Bolsonaro mais fraco

A pesquisa também mediu o impacto político da prisão. Para 56% dos brasileiros, Bolsonaro ficou “mais fraco” depois de ser preso. O resultado sugere que uma parte significativa do eleitorado interpreta a detenção como fator de desgaste e perda de força política, com possíveis repercussões no futuro do bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o fato de a narrativa de “perseguição” persistir como visão majoritária entre bolsonaristas indica que o episódio tende a seguir como elemento central de mobilização do grupo, ainda que não encontre eco na maioria do país.

Do Brasil 247

A estupidez inacreditável de comparar Watergate ao que faz Malu Gaspar

Malu Gaspar não apresentou uma única prova contra Alexandre de Moraes. O que existe são seis relatos em off e um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro do STF. Diante da expectativa por evidências, o que veio foi um artigo pedestre sobre democracias não precisarem de heróis. Isso só vale se os heróis forem Joaquim Barbosa e Sergio Moro.

O que tem sobrado, por outro lado, é uma defesa corporativa constrangedora. No UOL, Milly Lacombe atribui as críticas à jornalista a um machismo da esquerda, ignorando que discordâncias sobre método e prova não se resolvem por enquadramento identitário (há um ensaio clássico de Susan Sontag sobre o fascismo, que fala do modo como feministas novaiorquinas acolheram a nazista Leni Riefenstahl nos anos 1970).

Pedro Doria também entrou no debate com um argumento frágil, divulgado no Instagram. Disse que prova é exigência para condenação judicial, não para o jornalismo, e que há conversas entre parlamentares, juízes e procuradores que nunca chegam ao público, embora sejam de interesse coletivo.

Em seguida, recorreu ao caso Watergate para sustentar que, se fosse exigida prova desde o início, Nixon teria terminado o mandato e a investigação mais famosa do jornalismo não existiria.

Doria ressalva que isso não autoriza a publicação de qualquer coisa e lembra que o jornalismo depende de credibilidade. Sinto informar, mas autoriza, sim. Ainda assim, sugere que há seletividade ideológica quando denúncias contra “o outro lado” são aceitas com facilidade e notícias desfavoráveis ao próprio campo são tratadas como mau jornalismo.

Esse raciocínio combina má-fé com desconhecimento histórico. No escândalo Watergate, Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post, trabalharam com muito mais do que relatos de uma fonte anônima como o “Garganta Profunda”. Desde o início havia material verificável, obtido por meio de documentos públicos, registros financeiros e confirmações independentes.

Carl Bernstein e Bob Woodward – Reprodução

Os repórteres analisaram autos judiciais e registros policiais do processo contra os cinco presos no edifício Watergate, que traziam nomes, endereços, valores apreendidos e vínculos com o Comitê para a Reeleição do Presidente (CREEP).

Rastrearam cheques da campanha de Nixon depositados em contas usadas pelos invasores, com base em documentos bancários e depoimentos prestados em tribunal. Examinaram livros contábeis e recibos do CREEP que comprovavam pagamentos irregulares destinados a operações de espionagem e à compra de silêncio.

Diversas informações foram confirmadas por fontes identificadas — advogados, funcionários do comitê, ex-integrantes da campanha — e por registros oficiais, o que reduzia a dependência de um único informante. Declarações públicas da Casa Branca eram confrontadas com dados objetivos já levantados, expondo contradições de forma documentada.

As fitas da Casa Branca surgiram depois, a partir das investigações do Congresso e da Justiça. Elas reforçaram um quadro que já estava sustentado por provas documentais e financeiras reveladas pela imprensa. O trabalho inicial do Washington Post não se apoiou em boatos ou em relatos soltos, mas em fatos checáveis que, aos poucos, formaram um conjunto consistente de evidências.

Comparar esse padrão ao que foi apresentado por Malu Gaspar não é erro de avaliação: é distorção deliberada, ignorância — ou os dois juntos

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

⁠Efeito Lula: otimismo cresce e 69% esperam melhora pessoal em 2026, diz Datafolha

Uma pesquisa do Datafolha aponta crescimento do otimismo dos brasileiros para 2026, com 69% dos entrevistados afirmando que esperam melhora na situação pessoal em relação a 2025. O índice representa alta de nove pontos percentuais na comparação com o levantamento realizado no fim do ano passado e marca o maior patamar registrado no atual ciclo do governo federal.

De acordo com o instituto, 16% avaliam que a situação pessoal deve permanecer igual no próximo ano, enquanto 11% acreditam em piora. Outros 3% não souberam responder. O levantamento mostra recuperação consistente da confiança individual, após 2025 ter sido o período com menor expectativa positiva desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O otimismo também aumentou em relação ao país como um todo. Para 60% dos entrevistados, 2026 será melhor para os brasileiros em geral, ante 47% no levantamento anterior. O resultado iguala o nível observado na virada de 2022 para 2023, logo após a eleição presidencial, quando a percepção positiva sobre o futuro nacional estava em alta.

Movimentação de pessoas na rua 25 de Março, em São Paulo – Rafaela Araújo – 16.jul.25/Folhapress

A pesquisa revela diferenças relevantes entre grupos sociais. Mulheres demonstram mais confiança do que homens, assim como pessoas com menor escolaridade e renda mais baixa. Entre os que recebem até dois salários mínimos, 72% projetam melhora pessoal em 2026. No recorte regional, o Nordeste lidera o otimismo, com 75%, enquanto o Sul registra o menor índice, com 65%.

O levantamento também indica forte relação entre expectativa positiva e avaliação do governo. Entre eleitores de Lula em 2022, 78% esperam melhora pessoal em 2026. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, o percentual cai para 61%. Entre os que aprovam o governo federal, o otimismo chega a 79%, enquanto entre os que desaprovam recua para 59%.

Economistas ouvidos pela Folha associam o aumento da confiança ao desempenho recente da economia, com desemprego em mínima histórica e inflação dentro da meta, segundo dados do IBGE. Apesar da expectativa de desaceleração em 2026, analistas avaliam que o mercado de trabalho deve seguir aquecido e que programas do governo tendem a sustentar a atividade, ainda que com impacto fiscal.

Diario do Centro do Mundo

A jornalista e o juiz

Justiça não aceita “off”

Por Alex Solnik, jornalista, é autor de “O dia em que conheci Brilhante Ustra” (Geração Editorial)

Minha colega de profissão, Malu Gaspar, tem todo o direito de afirmar, sem provas, que nas conversas entre o juíz Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, houve menção ao Banco Master. O “off” é permitido nas regras do Jornalismo. Os jornalistas são protegidos pelo “segredo da fonte”.

Para a Justiça, no entanto, as regras são outras. Não há “off”, nem “segredo da fonte”. Se Malu, uma hipótese, disser a um juíz que “uma fonte” lhe passou essa informação, ele vai perguntar, primeiramente: quem foi? Mas não só isso. Para a Justiça não basta dizer que Fulano disse isso. O juíz vai perguntar: que provas o Fulano tem? Há uma gravação? Há uma mensagem de texto?

A Justiça trabalha com provas concretas. Ninguém pode ser condenado porque Fulano disse isso ou aquilo. Se não provar.

O “furo” da Malu não tem valor jurídico. Começa e termina nas páginas do jornal. Vira assunto de conversa, às vezes até brigas, não mais que isso.

De outra parte, tanto Galípolo quanto Moraes têm o direito de processar a jornalista por calúnia. E ela terá de mostrar as provas ou, se não as tiver, desmentir seu “furo” para se livrar da condenação.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

 

CAPITALISMO DIGITAL – Mais valia onírica

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@viniciocarrilhomartinez

É bem provável que muitas outras abordagens, em linhas diversas desta aqui, tenham adotado esse título ou assemelhado, a fim de esboçar essa pretensão de colocar um facho de luz em algo tão nebuloso (até metafísico, no mal sentido) como a extração, exploração da mais valia neste final de primeiro quartel do século XXI.

Até o século XX, digamos assim, a questão era mais palpável, visível, demonstrada a partir do conhecido “chão de fábrica”. Esse chão de fábrica persiste, em todos os níveis da cadeia comestiva do capital. Aliás, é a regra absoluta, aninhada no Princípio da Hierarquia, é a própria Lei do mais farte – e é uma regra, em absoluto é a exceção.

Porém, o que mudou e de modo muito assinalado foi o modelo de produção – se antes era baseado na industrialização, hoje é demandado pela financeirização, pelo capital especulativo e improdutivo. Não é segredo o crescente processo de desindustrialização de vários países, incluindo o Brasil.

Aí está a hegemonia do capital, no rentismo e na base do Capitalismo de dados (em que “o produto é você”), e nos Grupos Hegemônicos de Poder que os representam; predominantemente como pontas de lança das Bets, das Big Techs, das Big Datas/Data Centers – o novo BBB.

Assim, a regra da exploração está acentuada, por exemplo, na exploração/extenuação do trabalho digital, das trabalhadoras e dos trabalhadores expropriados de expectativas para além da sobrevivência que são escravizados nas rotinas impostas pelo novo BBB.

Mas, é preciso destacar que esta é a regra (não a exceção do capital), com a exceção diagnosticada, em outro exemplo, na “exploração do trabalho análogo à escravidão”: são os operários do chão de fábrica, da construção civil, os lavradores, as trabalhadoras residenciais resgatas todos os dias pelo Ministério Público do Trabalho, sem registro algum e muitos que sequer têm banheiro químico.

Essa condição da exploração do trabalho análogo à escravidão, sim, é a exceção, uma vez que se destaca um modo de produção anterior ao capitalismo, tão primitivo quanto a Acumulação Primitiva de Marx[1] e do Fausto[2]. Então, o que sugerimos no título?

Apontamos para outro fenômeno social, sistêmico, sistemático (societal) que deve ser somado a tudo isso; trata-se da maior e mais avassaladora captura da subjetividade pelo Capitalismo Digital[3].

Lembremo-nos de uma cena comum, que todo mundo já viu ou praticou: a pessoa acorda e corre para checar suas redes sociais (ela nem se levantou) ou a pessoa mal se deita e abre as mesmas redes sociais para “se ver”. A pessoa dorme, sonha, projeta, projeta-se, esboça sentimentos, sensações, aspirações, expectativas (tudo isso e mais), e acorda dentro da mesma bolha em que se colocou: há uma autoexclusão.

Vive-se nas bolhas e se vira as costas para o mundo real. Antigamente, era chamado de alienação; hoje pode ser entendido como captura e digitalização da subjetividade e, portanto, identificação digital “com os outros/as que sejam semelhantes a si”.

Esse deitar (mal dormir), acordar, ruminar pensamentos incompletos, minar visões de mundo já muito parciais, deitar de novo, acordar outra vez, tudo dentro do imaginário digital (cada vez menos em contato com a realidade decisiva), destilar “tudo de si” nessas redes sociais é o que chamamos de mais valia onírica: tudo, dos sonhos e das projeções, das fantasias, às dores do “mundo real”, tudo está postado, checado, sendo consumido inúmeras vezes, e cada vez mais, à medida em que aumenta o engajamento da pessoa digitalizada.

Pois bem, esse é o mundo das Big Techs: lucrar exponencialmente com a exposição dos sonhos (literalmente) de quem se expõe, vender os dados, os anúncios, anunciando planos de expansão de engajamento (você pagaria um centavo para cada clic novo feito “exclusivamente” para você).

Vejamos: nós pagamos para que essas empresas lucrem (sem risco de retorno) com as nossas aparições, no entanto, em contrapartida, nossos sonhos (com grande risco de não-retorno) alimentam o capital hegemônico.

Bauman[4] chamou de “servos voluntários” – em consonância a La Boetie[5] – os seres cada vez menos sociáveis que aceitam livremente a exploração dos seus sonhos, de toda a sua subjetividade onírica, pelas redes cada vez menos confiáveis, bem ao feitio de redes antissociais.

Portanto, uma das grandes diferenças do Capitalismo industrial para o Capitalismo de dados (componente do Capitalismo Digital) está no deslocamento da base de sua materialidade (o anterior chão de fábrica) para o interior de “cada pessoa antenada”, plugada, conectada – e vitimada pela ansiedade em ver seus dados serem comercializados sem retorno algum.

Do século XX (e parte dos anteriores) até a nossa atualidade, a materialidade em que ocorria a extração do trabalho vivo (sua confirmação mercadológica por meio do trabalho morto: na mercadoria) foi estiolada, pulverizada por cada clic que se dá pelo mundo afora: por isso “o produto é você” (nós).

Se antes eram milhões de trabalhadoras e de trabalhadores pelo mundo afora, sendo extorquidos na sua força de trabalho (no chão de fábrica), hoje são bilhões de “servos involuntários”. As bolhas de clausura (autobolhas) ainda se encarregam do desentranhamento da realidade, da dissociação que impede o acúmulo e o avanço de qualquer “consciência de classe”: primeiro porque somos voluntariamente extorquidos, segundo, porque as bolhas aprisionam e impedem qualquer vínculo significativo ao florescimento da Inteligência Social.

Com rompantes aqui e ali, e que muitas vezes não passam os limites (prescrições) de revoluções coloridas – e em que pese terem defenestrado poderes absolutistas (ali e acolá) –, de certa forma, apenas firmam ou reforçam compromissos com o propalado Capitalismo de Digital: via de regra, as insurgências se devem aos reclamos juvenis porque algumas redes foram bloqueadas pelo poder de então e, muito, muito raramente, voltam-se contra os fatores de indignidade e de indigência do povo, dos trabalhadores e das trabalhadoras sujeitadas à exploração do trabalho análogo à escravidão.

Nos habituamos rotineiramente à exceção, à normalização da exceção[6]. Não há proscrição da prescrição por que estamos limitados, estacionados, na autonomia. Não há responsabilização, nem do novo BBB, nem individuais. Não há emancipação, exatamente, porque nos limitamos à autonomia.

Outro problema grave está no tempo. “Não temos tempo”, isolamento, distanciamento (a concentração obrigatória ao pensamento), para alcançarmos mais clareza. Nós “pensamos” que as coisas são imediatas (um clic), mas a vida, as ocorrências, as transformações, não são instantâneas.

O mundo atual não reconhece mais a maturidade. Tudo é fugaz, porque “Tudo que é sólido desmancha no ar’. Mas essa história quase mais ninguém entende, decifra. Muitos ainda vão considerar como se fosse a fala de um filme de ficção, distopia pós-moderna; quando, na verdade, é o oposto – é a modernidade (em que se liga a nossa realidade) pondo fim às tradições.

Entretanto, e de todo modo, não há proscrição da prescrição porque sequer temos consciência do status de servidão conscienciosa. Não há proscrição da prescrição porque é imposta a autonomia, e que, sem auditoria, não supera a autocracia[7].

 

[1] MARX, Karl. Formações Econômicas Pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

[2] Historia del Doctor Johann Fausto – anónimo del siglo XVI. Siruela: Madri, 2003.

[3] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/conceito-de-capitalismo-digital. Acesso em 24/12/2025.

[4] BAUMAN, Zygmunt. Vigilância Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

[5] LA BOETIE, Ètienne de. Discurso sobre a servidão voluntária. Lisboa: Edições Antígona, 1986.

[6] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

Indulto de Natal

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Quando chega essa época, penso em algumas coisas:
1. Aprendi quando criança que o espiritualismo tem o princípio de que não há pena perpétua: todos podem ser Ressocializados. Mas, somente se e quando o arrependimento for eficaz e fizer parte ativa da Consciência. Há um vasto exame de Consciência. Porém, para os ingênuos basta reduzir a dosimetria.
2. Há 10% da Humanidade que não tem algum sistema moral, biológico, social, funcionando muito bem, ou está sem desenvolvimento. São os psicopatas de algum tipo, de todo tipo, exercendo cargos de liderança e de decisão na política, nos negócios, nas forças armadas, além dos manipuladores do dia a dia – são desprovidos de empatia: a psiquiatria explica bem. A nossa sorte é que, desses 10%, menos de 10% são inclinados à morte com sadismo – Maníaco do parque, Beira-mar, por exemplo.
3. Contando todas as sociedades humanas conhecidas pela história (ou atuais), nenhuma (zero ocorrência) abdicou do aprisionamento, da exoneração social, do banimento – a lembrarmos do famoso “ostracismo” na Grécia antiga e da exclusão do Homem-lobo, no antigo Direito Germânico. Por isso, é o caso de se estudar História e Antropologia (além de reler a Teoria da Pena). A dosimetria dependia (depende) da gravidade das ações, como no caso de Atentado violento contra o Estado Democrático de Direito, tentativas de golpe de Estado e outros crimes de Lesa Pátria (traição à Pátria) *em momentos de justiça histórica, o paredão é simbolizado (Cuba após 1950). O potencial de dano, o índice lesivo, é enorme e não pode ser negligenciado.
4. Enfim, de tudo isso o é que conta? Acima de tudo, conta o Bom Senso e, sendo este a nossa orientação, nos obriga a checar a mudança moral, social, cognitiva, o que no item 1 é chamado de Exame de Consciência. Sem isso, sem “arrependimento eficaz” (simbolizado na culpa de quem comete o delito, na consciência e não só na convivência), a pena não cumpre seu efeito “pedagógico” e a reincidência é a regra (quando deveria ser a exceção).
5. Nosso sistema prisional tem condições de fazer isso (avaliar com laudo e perícia a Consciência restabelecida pelo Arrependimento), e não só debater-se na contagem de dias. Aliás, essa obrigação é nossa, se quisermos “fugir” da ingenuidade (das fábulas), do não aprofundamento conceitual, da leniência ou do sectarismo.

@viniciocarrilhomartinez

Entre a norma e a prática: neurodiversidade na educação

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Ester Dias da Silva Batista

As compreensões sobre a neurodiversidade têm sido ampliadas, ao buscar práticas pedagógicas que reconheçam os diferentes modos de se desenvolver no ambiente escolar. Entretanto, historicamente, as diversidades cognitivas foram frequentemente interpretadas como desvios no percurso, resultando em práticas excludentes, buscando um tipo de “correção”, como o isolamento e a medicalização excessiva. Atualmente, apesar das dificuldades persistentes, à falta de acessibilidade em espaços educacionais e de trabalho, a neurodiversidade tem sido melhor compreendida como expressão de variações naturais da diversidade humana, e não descaminhos a serem corrigidos (ARMSTRONG, 2017) .

No aspecto escolar, essa percepção tensiona práticas pedagógicas embasadas na padronização dos modos de ensino e aprendizagem, evidenciando a necessidade de reconhecimento das diversas formas de construção do conhecimento. De forma legal, a educação inclusiva se apresenta de forma declarada como um direito educacional, especialmente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI), que normatizam para ocorrer o acesso, permanência destes estudantes e aprendizagem de todos os estudantes (BRASIL, 2008) .

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por sua vez, para além de normatizar a estrutura curricular brasileira, vem também para reforçar esse direito à aprendizagem (BRASIL, 2018) . Contudo, tais marcos, apesar de sua relevância documental, não asseguram, por si só, a efetivação de práticas inclusivas, por exemplo, pela ausência de apoio institucional e de profissionais especializados e presentes nas salas de aula. Nesse sentido, analisar a neurodiversidade na educação exige compreender sua totalidade, coletiva e estruturalmente, demandando políticas públicas efetivas, bem como condições de trabalho adequadas para os docentes e uma revisão crítica das práticas escolares, para que a diversidade deixe de ser exceção e passe a orientar o funcionamento da escola.

 

 

 

Centrão reconhece indícios de corrupção de Sóstenes Cavalcante e Jordy

Apesar do PL falar em “perseguição”, parlamentares reconhecem indícios relevantes em operação que mirou Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy

 A mais recente operação da Polícia Federal desencadeou forte reação do Partido Liberal (PL), que passou a acusar a PF e o Supremo Tribunal Federal de atuarem com motivação política. A ação, realizada nesta sexta-feira (19), atingiu parlamentares da legenda e seus assessores, provocando mobilização interna do partido e articulações junto à cúpula da Câmara dos Deputados. As informações são do G1.

Apesar do discurso público de perseguição adotado pelo PL, há reconhecimento nos bastidores de que a operação aponta indícios relevantes de irregularidades envolvendo o uso de verbas da cota parlamentar.

Um dos líderes do Centrão ouvidos pela reportagem fez uma avaliação ambígua sobre o episódio. Segundo ele, “O PL tem razão em reclamar de uma perseguição política contra seus deputados, mas, por outro lado, a operação de hoje da PF traz indícios fortes de desvio de verbas da cota parlamentar. Isso é muito ruim, os deputados do PL precisam cobrar explicações de seus assessores”.

Ainda nas primeiras horas do dia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, iniciou uma série de contatos telefônicos com deputados que integram a direção da Câmara. O objetivo foi pedir uma reação institucional do Legislativo diante da operação, que teve como alvos o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e assessores ligados aos dois parlamentares.

Outro dirigente do Centrão, também em caráter reservado, afirmou enxergar uma estratégia da Polícia Federal para pressionar o Congresso Nacional neste final de ano. Apesar disso, recomendou que assessores suspeitos sejam afastados temporariamente, ao menos até a conclusão das investigações em andamento.

O clima de tensão se intensificou porque, em um intervalo de apenas uma semana, três operações foram deflagradas contra parlamentares. No Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal, a resposta às acusações de perseguição política tem sido a de que as apurações já estavam em curso e avançaram após a identificação de indícios considerados consistentes.

Investigadores ressaltam que a PF não pode ignorar sinais de possíveis irregularidades e tem o dever legal de aprofundar as apurações. Como exemplo, lembram que, nesta mesma semana, foi realizada uma operação envolvendo o vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), reforçando o argumento de que as ações não se restringem a um único partido ou campo político.

Do Brasil 247

À NITA FREIRE-e ao professor das professoras e dos professores[1]

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Hoje temos um motivo para festejar, com a esperança de quem muito almeja esperançar, agir para transformar[2].

Hoje, homenageada, Ana Maria Araújo Freire (nossa Nita Freire), é pedagoga, Doutora em Educação (PUC/SP), educadora, escritora, foi esposa de Paulo Freire – Patrono da Educação brasileira, em um reconhecimento dado em 2012 pela então presidente Dilma Roussef. Recebeu cinco títulos Doutor Honoris Causa (doutora no caso) e escreveu dois livros em torno de Paulo Freire.

Nita Freire sempre disse que: “Homenagear Paulo é seguir com o ato de ‘esperançar”[3]. Mas, não é a “a esperança da espera de quem sempre alcança”, é a espera que antecede a ação – e a ação mais profunda e reveladora é a de quem participa da Educação emancipatória. Como ensinou Paulo Freire:

  1. Ensinar exige alegria e esperança
  2. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível
  3. Ensinar exige curiosidade
  4. Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade
  5. Ensinar exige comprometimento
  6. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo
  7. Ensinar exige liberdade e autoridade[4]

 

Esperança é o tempo determinado entre a reflexão e a práxis:

  • Em primeiro lugar, para que possamos nutrir a esperança enquanto práxis, ação transformadora da realidade social.
  • Em segundo lugar, a fim de que a prescrição (alienação) não seja mais um verbo de ação a favor da proscrição (exclusão) da imensa maioria do povo brasileiro – especialmente o povo pobre, negro e oprimido.
  • Em terceiro lugar, pensando-se enquanto Nação, para que o “atraso social” não mais se faça presente no atraso educacional, econômico, tecnológico, científico, político, cultural.
  • Por fim, em quarto lugar, e a partir de uma Utopia possível (realizável), para que coletivamente tenhamos força e esperança destinadas à construção de uma Vontade de saber teleológica (libertária e emancipadora)[5].

 

Vale frisar que a Educação quando não é libertadora, emancipatória, inclusiva (também em termos de acessibilidade), não é Educação, é anti-pedagogia, é adestramento, castração[6].

Como sempre diz Nita Freire: “Homenagear Paulo é seguir com o ato de ‘esperançar’. Precisamos deixar que o verbo venha à frente do substantivo esperança; ele pregava ação, mobilidade. Não podemos nos acomodar com o que o Brasil se transformou”.

De 2018 a 2022, o país foi refém do fascio, e, ainda que hoje esteja sob ataque direto dessas forças reacionárias, regressivas e repressivas (especialmente contra o povo pobre, negro e oprimido), e mesmo depois do 8 de janeiro de 2023, o Brasil mudou um pouco – não que tenha havido uma revolução de qualquer natureza (hoje se trocou a reflexão pela educação financeira); porém, hoje podemos esperançar.

Afinal, Educação é transformação profunda, radical, das raízes dos males sociais e das indiferenças ou comodismo das pessoas.

Prezada professora Nita Freire, não fiz um memorial para esta presença que tanto nos honra, hoje; mas, sim, lhe enderecei uma carta também. E penso que falo em nome de todas e de todos que estão ou estarão conosco nos próximos dias. Seja muito bem-vinda professora!

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ao professor das professoras e dos professores. In: SOUSA, Cidoval Morais de (coord.). Cartas a Paulo Freire: escritas por quem ousa esperançar. Campina Grande: EDUEPB, 2021a.

[2] Por meio de trabalho coletivo entre o Núcleo de Formação de Professores (NFP/UFSCar) e o canal A Ciência da CF88 (https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88),

[3] https://www.folhape.com.br/cultura/ana-maria-freire-viuva-de-paulo-freire-homenagear-paulo-e-seguir/198144/. Acesso em 19/12/2025.

[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[5] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025d. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[6] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

Nita Freire na UFSCar

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@viniciocarrilhomartinez

Em evento conjunto, o canal do Youtube A ciência da CF88 (https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88) e o Núcleo de Formação de Professores (NFP) recebem a ilustre presença de Nita Freire. Pedagoga, professora, escritora, Nita Freire conviveu com Paulo Freire por muitos anos. Doutora em Educação, seguiu a mesma trajetória de luta pela Educação, proposta pelo nosso Patrono da Educação. O evento ocorrerá amanhã, dia 19 de dezembro, a partir das 18h30, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=tzBoWZhlB5g.

Como saudação particular à nossa ilustre visita e aos organizadores do evento, trago aqui uma parte da introdução do meu último livro[1], e que conta com a inspiração sempre humanizadora de Paulo Freire.

 

Emancipação

É este o sentido mais geral de uma Educação para além da exceção, a fim de que também rompa os horizontes de que a regra na dinâmica capitalista (exploração e concentração) possa sim, em algum momento, ser a exceção na condição de vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Isto, de certa forma ainda recupera o que Walter Benjamin denominaria de verdadeiro estado de exceção, ou seja, que a regra da exceção (subordinação) fosse dirigida contra os meios, grupos e pessoas que hoje subjugam a imensa maioria. Ao invés de um Estado opressor movendo-se pelos escaninhos das exceções do capital, que o Poder Político seja dirigido contra os algozes e opressores – com toda força dos meios de exceção (opressão) disponíveis.

A decodificação leva a uma descodificação, logo, a uma autodescrição crítica (interessante pensar que cabe aqui uma autocrítica do sujeito, e não só crítica do objeto) e isto desemboca na ressignificação que, por sua vez, incorre e influi no “fazer-se política” e gradativamente no “fazer-se em política”. Seria uma forma de descrição do “pensar a si” (“consciência em si”), também como julgamento do mundo, numa consciência primária da relação sujeito/objeto. Com o distanciamento é possível “reexistenciar-se” criticamente: “…resumido por uma mulher simples do povo … “Gosto de discutir sobre isso porque vivo assim. Enquanto vivo, porém, não vejo. Agora sim, observo como ‘vivo”.

Portanto, a pedagogia (educação) é antropologia; quando é humanista reúne um logos para o humano. Essa auto-instauração conquista a forma humana e é assim que o educando conhece a dignidade das palavras escritas, principalmente trabalho, educação, política, sociedade. A autoeducação, então, é uma autodesnaturalização (notadamente, a “naturalizada” opressão de classes) e é essa consciência que será a base de uma Educação do além-limite: uma provocação às próprias limitações “naturalizadas” da sociedade de classes.

Não deixa de ser uma “dialética da práxis”, que objetiva a política ou redefine com a entrada de muitos jogadores novos. Assim como as convocações tem, por definição, ação com vocações, as provocações terão pró-vocações. Isto é parte ativa do autoconhecimento, seguida do autodesvelamento, e, de forma crítica, imposição de um outro autorreconhecimento – ao “fazer-se em política”.

Por isso, a educação congrega uma Antropologia Política, por essência, e mais ainda será se pensarmos na colaboração, na autodeclaração e automanifestação política, como co-elaboração, (co)elaborando-se mutuamente. É assim que entendemos que “o humano, humaniza-se”; dizendo a política, está dizendo-se por meio da política, ao mesmo tempo em que é atravessado pela política: “fazendo-se por meio e através da política” (para o bem e para o mal). É essa a consciência da política, do meio e de si, da política enquanto meio e relação inerente, que também se desenvolve em Direito à consciência[2] – numa filosofia política do direito fundamental à humanização.

“Tomar a palavra” – trabalho, educação, política, sociedade – é dizer-se, afirmar-se, dignamente ao mundo; pois são essas as palavras da própria condição humana. Portanto, e por fim, isto é envolver-se diretamente, criticamente, na filosofia, na sociologia e na antropologia política que se entrelaçam à Pedagogia do Oprimido, enquanto Educação política que faz interfaces com a Educação para além do capital (educação para além-limites) – uma Pedagogia do Oprimido como educação para além dos limites do capital.

Também é neste sentido que a educação para a civilidade, por certo, não permitiria que se “rezasse por uma intervenção sideral, com celulares no alto da cabeça apontando-se a luz para o céu”, nem que se cantasse o hino nacional saudando em continência um pneu.

Assim, definido o escopo do objeto, como certa revisão da vida acadêmica, não ocorre em demasia reforçarmos que esta proposição de uma Educação para além da exceção ainda se recobre de uma educação iluminista (Aufklärung)[3], contra o antissemitismo (após Auschwitz[4]) e contra o “sionismo de Estado”[5] (depois de Gaza), no sentido de que sempre será uma luta política (como proposta de educação política não-neutralizada pelo sectarismo ou neoliberalismo[6]), pela afirmação dos direitos humanos fundamentais (Carta Política de 1988[7]) e, por óbvio, como leitura crítica dos limites de qualquer proposição que não se aventura para uma educação para além do capital[8]. Afinal, trata-se de uma Luta pelo Direito fortemente imbuída e marcada (delimitada) pela luta política, em meio à luta de classes.

 

[1] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP – Amazon: São Carlos, 2025c. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[2] Do Direito à consciência como desembrutecimento do mundo: MARTINEZ, Vinício Carrilho. O direito à consciência. JusBrasil, [S.l.], 2020c. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/80577/o-direito-a-consciencia. Acesso em: 19 jan. 2024.

[3] Já desenvolvemos esta perspectiva, do direito à educação pelo esclarecimento. Com aportes na Constituição Federal de 1988 também designamos este sentido como Direito à Consciência.

[4] Abordamos este aspecto específico enquanto “educação antifascista”, no último capítulo desta publicação em livro: BEZERRA NETO, Luiz; OLIVEIRA, Elane Rodrigues de. Marxismo e Educação: contribuições para a discussão sobre o papel do Estado numa concepção marxiana. São Carlos: Pedro & João Editores, 2022, p 163-196. Disponível em: https://www.gepec.ufscar.br/publicacoes/livros-e-colecoes/livros-gepec/ebook-marxismo-e-educacao.pdf. Acesso em: 2 jan. 2024.

[5] Numa interpretação relativamente livre ou diferenciada, tomamos pelo termo sionismo de Estado não o Estado de Israel – até porque não defendemos sua supressão -, mas sim uma concepção ou ideologia muito mais ao estilo colonizadora, imperialista que se apresenta como hegemônica e pronta a expandir os territórios e confrontar diretamente a possibilidade de se efetivar a criação do Estado da Palestina: certamente, nem todos os sionistas (mesmo os que se filiam à construção/preservação da identidade nacional) são defensores da visão/ação radical e genocida praticada pelo Estado de Israel, como visto contra Gaza. Portanto, por sionismo de Estado entendemos que se trata de uma posição política assumida em razão do controle do Estado para fins de confrontação/negação da afirmação do Estado da Palestina. Por outro lado, há uma perspectiva histórica que associa o sionismo com os regimes nazifascistas: GOULÃO, José. Os laços do sionismo com o nazifascismo. PCB – Partido Comunista Brasileiro, Brasília, 2024. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/31533. Acesso em: 6 abr. 2024.

[6] Há muitas leituras possíveis e entendimento do que se presumir enquanto educação para além do capital (especialmente no recorte com o neoliberalismo) e pela descompressão (MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ensaio sobre o estado democrático de direito social: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024b. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/. Acesso em: 30 abr. 2025.): SACRAMENTO, Leonardo. A proposta educacional do capital. A Terra é Redonda, [S.l.], 2024. Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/a-proposta-educacional-do-capital/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2024-06-02. Acesso em: 2 jun. 2024.

[7] Além de uma definição do que entendemos pelo conceito de Carta Política (MARTINEZ, Vinício Carrilho. Ao professor das professoras e dos professores. In: SOUSA, Cidoval Morais de (coord.). Cartas a Paulo Freire: escritas por quem ousa esperançar. Campina Grande: EDUEPB, 2021a.), a questão nos leva a intuir pela necessidade de urgência em se propor seriamente uma Educação Constitucional.

[8] Uma leitura inicial pode ser encontrada em publicação de livro anterior, mas que se complementaria com este capítulo – no sentido de ser agora mais aprofundada e sopesada por outros parâmetros: (Bezerra Neto; Oliveira, op. cit.).

Parcerias globais e acesso a mercados marcam agenda do MIDR em Roma

O fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação de parcerias internacionais estiveram no centro da agenda institucional cumprida nesta terça-feira (16), na Itália, pela comitiva liderada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que incluiu, em Roma, a participação no seminário “Cooperativismo da Agricultura Familiar Brasileiro e a FAO”. A agenda contou com a atuação do secretário de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), Daniel Fortunato, e teve como foco o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da cooperação técnica internacional voltada ao desenvolvimento territorial e à inclusão produtiva.

Com representatividade mundial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) possui experiências de grande sucesso, especialmente na assistência técnica rural, com um trabalho robusto e reconhecido no combate à fome mundial, além de representatividade em mais de 194 países. Segundo o secretário Daniel Fortunato, a parceria com a instituição reforça as ações do MIDR para promover o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro. “Aproveitamos a oportunidade para estreitar ainda mais a relação entre o MIDR e a FAO, porque conhecemos a potência da FAO e o quanto ela pode contribuir com as Rotas de Integração Nacional. O MIDR, em cooperação com a FAO, vai avançar no desenvolvimento de produtos saudáveis e sustentáveis e também buscar apoio para a organização financeira dos projetos, especialmente no fortalecimento das chamadas finanças solidárias”, destacou.

Agricultura familiar e acesso a mercados internacionais

A agenda também incluiu o seminário “Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil: promovendo negócios internacionais sustentáveis”, realizado na Embaixada do Brasil em Roma. O evento reuniu representantes de cooperativas brasileiras, autoridades governamentais e potenciais parceiros internacionais, com o objetivo de apresentar o modelo cooperativista da agricultura familiar brasileira e ampliar oportunidades de inserção em mercados externos.

Durante o seminário, o secretário do MIDR, Daniel Fortunato, destacou o papel das cooperativas como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento regional, a geração de renda e a valorização dos territórios, além de ressaltar a importância de políticas públicas que promovam o acesso a mercados e a agregação de valor à produção da agricultura familiar.

Como parte da programação, foi realizada uma apresentação direcionada a possíveis compradores italianos, com foco no potencial de exportação de produtos das cooperativas brasileiras da agricultura familiar. A atividade incluiu ainda uma degustação de produtos, evidenciando a diversidade, a qualidade e a sustentabilidade da produção brasileira.

Diálogo com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

Ainda em Roma, a comitiva brasileira se reuniu com representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência das Nações Unidas voltada à erradicação da pobreza rural e da fome em países em desenvolvimento, por meio do financiamento de projetos agrícolas. O encontro teve como objetivo discutir o fortalecimento da cooperação institucional e solicitar apoio para a construção de novas parcerias de aporte financeiro voltadas ao fortalecimento de cooperativas da agricultura familiar no Brasil. A iniciativa busca ampliar investimentos em projetos que promovam desenvolvimento regional sustentável, inclusão produtiva e geração de renda no meio rural.

Para Carla Carneiro, embaixadora e representante permanente do Brasil junto à FAO, ao PMA e ao FIDA, em Roma, o encontro irá possibilitar grandes avanços para o desenvolvimento de produções sustentáveis. “Tenho certeza de que vamos construir muitos momentos importantes para a agricultura familiar, para a integração lavoura, pecuária e floresta, para a descarbonização e para tudo aquilo que a agricultura de pequena escala tem de melhor, incorporando inclusive os conhecimentos ancestrais da Amazônia”, destacou a embaixadora.

Fonte: Brasil 61

Relações Simbióticas

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Ester Dias da Silva Batista – Licenciada em Biologia/UFSCar

O termo simbiose, na língua portuguesa, é um substantivo feminino. No aspecto conceitual, a palavra está associada à relação de coexistência e interdependência entre elementos distintos, sejam espécies, sujeitos ou processos, com associação, e não à dissolução de uma das partes. Diferentemente de processos de apropriação, a simbiose propõe permanência duradoura (MARGULIS, 1998)[1].

Essa relação atravessa para além da biologia, passando pelo pensamento patriarcal, sistematizado na hierarquia masculina, com dominação e apropriação. O patriarcalismo, por sua vez, baseia-se em modelos binários de relacionamento, nos quais um lado ocupa posição central e o outro é subordinado, dificultando a compreensão de relações baseadas na interdependência. A simbiose, de forma oposta, busca romper essa lógica, propondo uma coexistência na qual ambos se entrelaçam na relação. Nesse sentido, pensar relações simbióticas implica questionar formas “naturais” de dominação.

A associação simbólica entre a simbiose e o feminino, portanto, baseia-se em uma construção histórica. Em sociedades construídas na lógica do patriarcalismo, o feminino foi associado a ideias de cuidado, enquanto o masculino hegemônico se organizou em torno do controle. Nesse sentido, compreender que o termo simbiose não seria masculino não se refere somente à biologia ou à gramática, mas demonstra-se como uma crítica aos modelos de pensamento que desconsideram as relações baseadas na interdependência. Desse modo, tal conceito apresenta-se como um símbolo de grande relevância, por tensionar essas lógicas, propondo formas de relação que vão além das estruturas de domínio de um termo sobre o outro.

[1] MARGULIS, Lynn. Symbiotic Planet. New York: Basic Books, 1998.

APROPRIAÇÃO

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@viniciocarrilhomartinez

Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar

Os tempos modernos, absolutamente pós-modernos, agudizaram inúmeros fatores da nossa trajetória e existência, e, por isso, preferimos chamar de Vida Social.

Um dos fenômenos mais antigos da história humana é a chamada Apropriação – inclusive há uma tipologia penal denominada de Apropriação Indébita, indevida, sem consentimento, sem pudores, como se fosse deste ou daquele o que não lhe pertence, pois, de modo simples e direto, aquilo é daquele e não deste.

Na cultura universitária, a Apropriação não se limita ao plágio, uma vez que, além do plágio, em si, há uma real transmutação dos significados, sentidos, signos originais.

O nazismo fez isso com a Suástica, retirando do seu lugar devido o signo basilar entre Brâmanes e Budistas e, assim, transmutou-o; quando antes significava vida, boa sorte, abundância, acabou ressignificada pelo Mal, e daí a Suástica (com a imagem meio invertida, distorcida) passou a destilar a morte, a dor e o sofrimento.

No sentido que apresentamos aqui, a Apropriação se define como “tomar para si”, no sentido oposto à Alienação – e que é “retirar de si”. Mas, o que vem a ser esse “tomar para si”? Basicamente, tomar para si, para nós, o que não é seu, nem meu, nem nosso.

Em momentos amplos da formação social brasileira, o Sincretismo religioso surgiu (surge) como dado ilustrativo: São Jorge e Ogum divisam a mesma divindade, por exemplo. O Sincretismo é tão ativista na nossa origem cultural que a própria miscigenação (somos um povo pardo) só é entendida em conjunto.

O Sincretismo não promoveu uma Apropriação, mas sim uma espécie de simbiose, uma troca viva que levaria a uma síntese cultural, retirando as influências culturais do seu lugar comum. A simbiose é um entrelaçamento sustentado pela coexistência contínua, pacífica, e que produz interdependência.

E, desse modo, o senso comum não se aplica aqui, afinal, não foi mera transposição ou corruptela de um por outro: Ogum e São Jorge continuam a ser quem eram e ainda são; todavia, no Brasil, um não existe sem o outro. Estão sedimentados em si, sem estarem ensimesmados (como estavam em suas origens).

Um caso clássico de Apropriação também se verificou com o Movimento Hippie, quando a produção artesanal – anticapitalista: individual, artística, voltada à subsistência e referenciando uma contracultura – foi subvertida, subsumida e monetizada na produção capitalista e em escala da Indústria de bijuterias. Ou seja, a produção artesanal, com a Aura presente em cada técnica, foi subvertida pela tecnologia marcante na lógica capitalista da mercadoria, agora na base do valor de troca e do valor de uso.

Assim, vemos no exemplo da cultura Hippie que a Apropriação não apenas desnaturalizou o evento, como ainda, profundamente, levou à sua deturpação, corrosão, disrupção.

Comparativamente, resta claro que o Sincretismo nada tem a ver com a famigerada Apropriação, quando um indivíduo, um grupo, uma instituição, um sistema, se apropriam e deturpam profundamente o significado originário do Outro. Na Apropriação não apenas se nega a origem, como se faz voltar contra essa mesma origem o resultado do que foi corrompido.

A apropriação parte da premissa (consciente ou não, e isso só importa para se estabelecer a culpa ou o dolo) de que tudo é oferta e demanda; logo, se o donatário não se identifica, nada está imune à falta de decoro, de Ética, tanto quanto tudo se subordina aos interesses da acumulação primitiva que há em cada ser social sem consciência de si e dos/as outros/as.

AUTODESCRIÇÃO Manifesto Biopolítico

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@viniciocarrilhomartinez

O que conta, efetivamente, é que foram e são momentos de afloramento da luta política, de uma Luta pelo Direito, porque invariavelmente estamos imersos, submetidos à luta de classes.

Sendo assim, já realço duas críticas de um velho amigo, que me conhece. Diz ele: “Ficou meio egóico e esqueceu do boteco”. Em minha defesa prévia, posso dizer que – e isso ocorre com todo mundo – foram momentos intensos, intensivos e muitas vezes foram momentos tensos. No entanto, com isso em mente, segue minha autodescrição direta e que é um simples Manifesto Biopolítico, em poucos aspectos:

  1. Sou de esquerda praticamente desde que nasci – ao menos desde que contraí a Pólio (paralisia infantil) aos seis meses de idade e que me afetou a perna esquerda: onde não há coincidência, por suposto, há semelhança. O cérebro acho que ficou legal e a luta contra o Império nunca cessou, assim como aumentou minha identificação com o povo pobre, negro e oprimido – e pela Palestina.
  2. Meu pai era comunista, fichado no antigo DOPS, minha mãe foi professora de língua portuguesa por 30 anos: meu irmão foi meu melhor amigo – ele é, ainda que tenha falecido. Talvez por isso não seja ateu, ainda que deteste as religiões – admiro bastante o Tao të King e o “vazio que ressignifica tudo” (é a origem do que é O virtual: virtus = potência).
  3. Acho que vem daí meu vício em pensar e escrever (agora também gravar). Isso aqui não sei se gosto muito, não. Porém, é por meio disso que expresso minha luta pela democracia, inclusão e acessibilidade, pela proscrição da prescrição, da exceção, e em favor da negação da negação (afirmação), e pela isonomia e equidade.
  4. Sou uma pessoa com deficiência física (PCD) que nunca aceitou os limites impostos, prescritos, e que só não pulou de paraquedas. Provavelmente por isso “eu amo gatos” – por sua independência, autonomia e inteligência. O que mais vejo nesses bichos é a repulsa à rejeição, e da qual sou partícipe.
  5. Sou um homem branco antirracista e antifascista – em que pese o machismo que veio de herança: o qual tento fazer um auto combate diário. Minhas avós e meus avôs vieram paupérrimos da Espanha, fugindo dos falangistas – de Franco e dos seus fascistas tardios.
  6. Sou filho da escolarização, com todos os diplomas e promoções que nem imaginava, antes de conquistar. Publiquei 26 livros.
  7. Fui escolarizado metade em escola pública e metade em escola particular, no modelo bancário, e conheci Paulo Freire apenas por vias indiretas – até que chegou 2024, quando virou uma obsessão uma certa Pedagogia do Oprimido e mesmo que faça críticas pontuais: por exemplo, exerço minha memória o dia inteiro (há memorização de conteúdos sedimentados pela ontologia e guiados pela teleologia).
  8. Nunca tive grandes problemas na escola – só conheci o bullying na vida adulta, praticado por docentes da UFSCar. Porém, isso apenas alimenta minha luta contra a discriminação e o preconceito – e a quem destilo um “capacitismo reverso”: eles nem imaginam o que significa, no entanto, tiro uma, todo dia. Faço isso desde que aprendi a operar um poderoso remédio político-jurídico: contra a canalhice e o acinte, use sem moderação o escárnio e a ironia ácida (e que é dialética, diria Ianni).
  9. Sou servidor público federal, já acostumado à estabilidade, mas que não contempla a paralisia do Poder Público.
  10.  Sou uma pessoa de métodos, a começar pelo Método do meio dia (Ortega Y Gasset – esse tive que puxar pela memória) e pelo Método a contrapelo (Benjamin); todavia, também me aplico (é da natureza) a Serendipidade e a bricolagem, a intuição, a lógica, o Bom Senso (que nem sempre está à mão), a prospecção e a provocação. Com certeza, a crítica e a criatividade estão no coração. Para uma vida, creio que está bom.

Para cada item desses poderia anexar uma publicação pessoal, de artigo, livro ou vídeo, todavia, pensei que aí perderia a graça, ficaria por demais institucionalizado, com o objetivo distorcido pelo cientificismo.

PF prende desembargador relator do caso TH Joias no TRF-2

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Operação investiga vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho no Rio de Janeiro

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (16), no Rio de Janeiro, o desembargador Macário Judice Neto, relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A detenção ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne 2, que apura o vazamento de informações sigilosas com possível favorecimento ao Comando Vermelho, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A nova fase da operação dá continuidade às investigações que, em etapa anterior, resultaram na prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.

Macário Judice Neto é o magistrado responsável por relatar o processo envolvendo TH Joias, que está preso sob acusação de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. A prisão do desembargador foi efetuada e ele se encontra sob custódia na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O magistrado havia retornado à magistratura em 2023, após um afastamento de 17 anos. À época, foi promovido ao cargo de desembargador, mesmo após um longo período fora das funções judiciais devido a denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. O primeiro afastamento ocorreu em 2005, por decisão do próprio TRF-2, no contexto de uma ação penal que investigava a suposta participação de Macário em um esquema de venda de sentenças quando atuava como juiz federal no Espírito Santo.

As investigações atuais também lançam luz sobre a atuação de pessoas próximas ao desembargador. Sua esposa, Flávia Judice, trabalhou até o início do mês passado no gabinete da diretoria-geral da Alerj. A saída ocorreu quando a apuração que envolve o ex-deputado TH Joias já estava em andamento.

A Operação Unha e Carne 2 segue em curso e mantém sob investigação possíveis conexões entre agentes públicos, o sistema de Justiça e organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.

Do Brasil 247

Lula diz que decisão sobre PL da dosimetria será tomada com foco no Brasil e no momento adequado

Presidente afirma que analisará texto aprovado pela Câmara apenas quando chegar à sua mesa e reafirma apoio a Jorge Messias para o STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só tomará uma decisão sobre o projeto de lei da dosimetria após analisar o texto aprovado pelo Congresso Nacional e garantiu que sua escolha será guiada pelo interesse do país e pela defesa da democracia. “Quando chegar na minha mão, eu vou tomar decisão. Pode ficar certo que eu tomarei a decisão que eu achar que é melhor para o Brasil”, declarou.

As declarações foram dadas em entrevista exclusiva à jornalista Marina Demori, do SBT News, gravada na última sexta-feira, antes do evento de lançamento do canal em São Paulo, e exibida no programa News Noite. Ao longo da conversa, Lula fez um balanço do terceiro ano de seu terceiro mandato, comentou a relação com o Congresso Nacional, tratou da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), falou sobre as eleições de 2026 e abordou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Balanço do governo e marcas do mandato

Ao avaliar seu governo, o presidente destacou políticas sociais e indicadores econômicos como principais marcas do período. Segundo ele, uma das medidas mais relevantes foi a ampliação da isenção do Imposto de Renda.

“A mais sagrada de toda ela foi a redução, foi a invenção de imposto de renda para as pessoas que ganham até R$ 5 mil no Brasil e também para as pessoas que ganham até R$ 7.300, que vai ter um desconto também e vai pagar menos”, afirmou.

Lula também ressaltou a retirada de 33 milhões de brasileiros do mapa da fome, reconhecida pela ONU, e programas voltados à saúde e à renda da população mais pobre. “Nós estamos terminando o terceiro ano com algumas coisas muito importantes: menor desemprego da história do Brasil, a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, a maior massa salarial do Brasil”, disse.

Entre os programas citados, o presidente mencionou a isenção na conta de luz para famílias de baixa renda e o Gás do Povo. “Vamos distribuir gás de graça para mais de 15 milhões de famílias que estão no CadÚnico”, afirmou.

Pesquisas e popularidade

Questionado sobre oscilações em pesquisas de popularidade, Lula minimizou os resultados e afirmou que os efeitos das políticas públicas levam tempo para aparecer.

“Não falta nada, falta o tempo. Quando você planta um pé de soja ou um pé de milho, ele não aparece no dia seguinte”, comparou. Segundo ele, os dois primeiros anos foram dedicados à reconstrução do país. “O ano que vem será o ano da verdade”, afirmou, ao defender que os resultados serão mais visíveis para a população.

Relação com o Congresso e reforma tributária

O presidente negou crise com o Congresso e afirmou manter boa relação com lideranças do Legislativo. “Eu sou amigo do Davi, eu sou amigo do Hugo Motta”, disse, ao comentar a relação com o presidente do Senado.

Lula destacou que o governo aprovou cerca de 99% das propostas enviadas ao Congresso, mesmo com uma base minoritária. “Eu tenho 70 deputados em 513 e nove senadores em 81. E qual é o milagre? É o milagre da democracia, da conversa”, afirmou.

Ele também ressaltou a aprovação da reforma tributária. “Há 40 anos esse país esperava uma reforma tributária e nós fizemos com esse Congresso adverso”, declarou, comparando as dificuldades do presidencialismo em diferentes democracias.

STF, Flávio Dino e independência dos Poderes

Ao comentar decisões do STF, incluindo operações relacionadas às emendas parlamentares, Lula rejeitou qualquer interferência do Executivo sobre a Corte.

“A Suprema Corte é totalmente independente e autônoma e é bom que seja assim. O presidente da República não tem e não quer ter interferência sobre os votos dos ministros”, afirmou. Ele acrescentou que investigações e decisões judiciais cabem exclusivamente ao Judiciário.

PL da dosimetria e defesa da democracia

Sobre o projeto de lei da dosimetria, aprovado pela Câmara e ainda em tramitação, Lula evitou antecipar sua decisão. “Não sei se eu vou vetar. Não conheço sequer a decisão ainda. Deixa chegar a decisão”, disse.

O presidente, no entanto, fez duras críticas a tentativas de ruptura institucional. “O cidadão que tentou dar um golpe nesse país merece ser condenado”, afirmou, ressaltando que a preservação da democracia e o respeito à autonomia dos Poderes serão critérios centrais na análise do texto.

Indicação de Jorge Messias ao STF

Lula reafirmou sua confiança na aprovação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. “Acredito que ele será o ministro da Suprema Corte aprovado pelo Senado”, declarou.

Segundo o presidente, Messias reúne competência técnica e trajetória sólida. “Eu indiquei um advogado muito competente, um advogado-geral da União extraordinário”, afirmou.

Eleições de 2026

Ao falar sobre o cenário eleitoral, Lula disse ser cedo para definições mais claras, mas demonstrou confiança na vitória do campo governista. “A única coisa que eu tenho certeza é que nós vamos ganhar as eleições pelos serviços prestados ao povo brasileiro”, afirmou.

Sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin, Lula disse que ele “será o que ele quiser”. Já sobre possíveis adversários, evitou escolher nomes. “Eu tô preparado para disputar com todos eles de uma vez só”, declarou.

Relação com Donald Trump

Lula também comentou sua relação com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e disse que mantém diálogo direto com o líder norte-americano. “Eu gosto de respeitar e gosto de ser respeitado”, afirmou.

O presidente relatou conversas sobre comércio, democracia e sanções aplicadas a autoridades brasileiras. “Nenhum ministro em lugar do mundo pode ser punido porque cumpriu a Constituição do seu país”, disse, ao relatar que pediu a Trump a revisão dessas medidas.

Segundo Lula, o diálogo tem produzido resultados. “Eu acredito no poder da palavra. A gente vai voltar à normalidade”, afirmou, demonstrando otimismo quanto às relações políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Do Brasil 247

Redução das penas do 8 de janeiro e Orçamento de 2026 dominam pauta do Congresso

Os senadores poderão votar nesta terça-feira (16) a atualização das custas judiciais da Justiça Federal (JF) e a criação de fundos especiais da JF (PL 429/2024), do Ministério Público da União (PL 1.872/2025) e da Defensoria Pública da União (PL 1.881/2025). Estão na pauta de quarta-feira (17), a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica (PL 3.824/2023) e a redução da pena para os condenados do 8 de janeiro (PL 2.162/2023). Na quinta-feira (18), o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), espera votar o Orçamento Geral da União de 2026.

Na pauta do Plenário desta terça-feira estão a atualização dos valores de custas processuais da Justiça Federal e a criação de fundos especiais da Justiça Federal, Ministério Público e da Defensoria Pública da União. Na quarta-feira, o destaque é o projeto que reduz a pena para os reús do dia 8 de janeiro com a condenação pelo crime de golpe de Estado, com pena maior de 4 a 12 anos, sem acumular com o de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A proposta ainda permite a mudança de regime após o cumprimento de 16% da pena e não mais 25%.  O vice-líder da oposição, senador Marcos Rogério, do PL de Rondônia, afirmou que o ambiente político ainda não permite a votação da anistia.  (senador Marcos Rogério) “A oposição gostaria de estar votando neste momento um projeto que tratasse da anistia porque teria um alcance muito maior e isso criaria um ambiente de pacificação para o Brasil e afastaria a injustiças que foram cometidas nesse processo. Agora, não sendo possível votar o projeto da anistia, o que é possível votar nesse momento é o projeto que reduz as penas, que é o que o Congresso pode fazer. A dosimetria vai ser estabelecida depois pelo próprio Supremo a partir dessa nova lei”.

Ainda na quarta-feira, o Plenário poderá votar a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica, que tem o objetivo de valorizar a carreira, melhorar a qualidade do ensino e garantir a formação destes profissionais.  Já na quinta-feira, o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, espera votar numa sessão do Congresso Nacional o Orçamento Geral da União de 2026, que prevê um salário mínimo de R$ 1.621 a partir de janeiro do ano que vem. (senador Randolfe Rodrigues) “Vamor ter uma peça orçamentária com responsabilidade fiscal para enfrentar os desafios, mas também para continuar investindo em segurança pública, para continuar investindo em programas sociais que têm feito o Brasil crescer. Com inflação dos alimentos em baixa, com a menor índice de desemprego da série histórica dos últimos 15 anos, com um crescimento robusto da economia em média nesses três anos de 3,5%”.

Além do Orçamento de 2026, estão na pauta do Congresso Nacional 57 vetos. Desses, 52 trancam a pauta, entre eles os que tratam das cotas raciais em concursos públicos e da classificação de Diabetes Tipo 1 como deficiência.

10 motivos para ser de esquerda

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@viniciocarrilhomartinez

  1. Porque lutamos pela Liberdade, Autonomia e Emancipação Sistêmica – com mudanças significativas, radicais, na raiz dos males sociais, econômicos, culturais, políticos, jurídicos, educacionais. Afinal, nosso Patrono da Educação é Paulo Freire.
  2. Reimplantação do Bolsa Família e o Brasil fora do mapa da fome.
  3. Cultura restabelecida, com ganhos de civilidade.
  4. Enfrentamento diplomático, político, às barreiras econômicas impostas pelos EUA.
  5. Polícia Federal atuando contra o crime organizado, sobretudo, a partir da Faria Lima.
  6. Isenção de IR para quem recebe até 5 salários mínimos. 
  7. Mesmo sofrendo achaques do Congresso Nacional, houve expansão das universidades federais. 
  8. Reposição salarial dos servidores públicos federais, embargados desde 2017.
  9. Enfrentamento e punição severa aos golpistas do 8 de janeiro. 
  10. Respeito à diversidade, ao sincretismo, às diferenças, ao pluralismo, aos anseios do povo pobre, negro e oprimido, aos indígenas e quilombolas, e com muita luta social por mais eficácia das políticas públicas – especialmente em defesa da mulher, com mais inclusão e acessibilidade, e combatendo com determinação as desigualdades, a misoginia, a homofobia, a intolerância, o desrespeito. 

Faça sua lista e distribua.

 

Reforço positivo da democracia

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Ester Dias da Silva Batista

Na madrugada do dia 10 de dezembro de 2025, enquanto o país dormia, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que previa a redução das penas para os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, bem como pela tentativa e organização do golpe de Estado (AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS, 2025) . A votação ocorreu às surdinas, longe do olhar do povo, e foi marcada por episódios de violência contra jornalistas, além do desligamento do sinal de transmissão das câmeras, comprometendo a transparência de um procedimento que deveria ser essencialmente público.

A escolha da madrugada não é um acaso. A democracia pressupõe participação popular e publicidade das decisões. Quando a população é afastada de deliberações centrais, evidencia-se o esvaziamento do sentido democrático e o funcionamento do poder em circuitos fechados. Nesse contexto, a redução das penas opera como um reforço positivo a práticas antidemocráticas. Ao diminuir as consequências políticas e sociais desses atos, reforça-se a ideia de que o golpe não é uma exceção grave, mas uma possibilidade negociável e, portanto, repetível.

A noção de banalização do mal, proposta por Hannah Arendt, ajuda a compreender esse processo: o mal se instala não pela exceção, mas pela repetição e normalização, até alcançar a indiferença (ARENDT, 1999) . Uma vez naturalizada, essa lógica tende a atravessar outras esferas, legitimando novas violências. A democracia, portanto, como revela a história brasileira, não é desarticulada apenas uma vez. Ela é esfacelada gradativamente, por decisões e madrugadas silenciosas, mas com impactos ensurdecedores que ensinam como ser antidemocrátidco não é algo tão grave ou problemático. Quando isso acontece, o maior risco não é apenas o passado que pode se repetir, mas o futuro autorizar tal repetição.

 

 

O Homem das Cavernas

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Vi, ouvi, um jurista muito transtornado, absurdado, com o PL da Dosimetria (“dose = dosagem da pena”) porque também seriam beneficiados os presos (igual a quem não está solto) que praticaram estupro ou corrupção do erário.

O PL da Dosimetria colocaria em liberdade, muito antes do tempo previsto (pela decisão condenatória), perpetradores de crimes hediondos. É fato, são crimes abomináveis, próprios do Homem das Cavernas (e obviamente não são as Cavernas de Platão), e merecem, sim, penas que os exculam do convívio social.

Mas, então, dito isso, quer dizer que o crime de Tentativa de golpe de Estado é uma infração mais branda, “leve”, do que tráfico ou corrupção em licitação pública?

Ou seja, crimes sexuais são ações abomináveis (evidentemente que são), mas, o golpe, você pode continuar tentando?

O atentado violento ao Estado Democrático de Direito é tolerável, portanto, desde que o traficante ou o corrupto continuem presos, é isso mesmo?

Pelo ângulo da lógica produzida (sic) na relatoria do PL no Senado, a Tentativa de golpe de Estado e Atentado violento contra o Estado Democrático de Direito, não sendo crimes abomináveis (tipo comum do Abominável Pé Grande), restariam atenuados na Dosimetria parlamentar brasileira, na esteira de uma contravenção – seria uma contravenção política, um “crime menor”. Isto é, nem precisariam ficar presos; afinal, não há potencial de dano significativo à sociedade.

Para esses “intérpretes”, quem tenta a abolição violenta do Estado Democrático de Direito?
Ora, são apenas os “cidadãos de bem”.

Então, que mal tem?

Essa lógica, realmente, não é desse planeta.

Vinício Carrilho Martinez

A corrupção tem lado: e não é o que o discurso moralista da direita quer que você acredite

Por: Édson Silveira
Há 20 anos a direita brasileira grita “corrupção!”, “mensalão!”, “petismo!”, “comunismo!”, como se a esquerda fosse a madrinha de todo desvio de verba já praticado no território nacional. Mas basta olhar os dados — mesmo num levantamento preliminar — para perceber que esse discurso é o maior ato de ilusionismo já visto no picadeiro político do país.
É oficial: se corrupção tivesse CPF ideológico, estaria registrado como DIREITA e CENTRO-DIREITA.
A esquerda até aparece na lista? Claro, ninguém está dizendo que é um convento franciscano.
Mas comparar o volume, a repetição e a densidade dos escândalos é como comparar um copo d’água com a pororoca.
A direita é simplesmente muito, muito melhor em produzir escândalos de corrupção.
É quase um patrimônio histórico, uma indústria, uma tradição familiar — algo que passa de geração para geração.
QUER NÚMEROS? ENTÃO SEGURA.
Nos últimos 20 anos:
• Enquanto esquerda e centro-esquerda aparecem com casos pontuais — quase sempre hiperexpostos e politizados —,
• DIREITA E CENTRO-DIREITA DOMINAM A LISTA, LIDERAM EM QUANTIDADE, EM RÉUS, EM CONDENAÇÕES E EM CRIATIVIDADE NOS ESQUEMAS.
PP, PR, PTB, PL, DEM/União e seus derivados são verdadeiras fábricas de escândalos.
Cada um em especialidades distintas: caixa dois, peculato, propina, rachadinha, esquema em ministério, esquema em prefeitura, esquema em estatal — um buffet variado para todos os gostos.
É impressionante:
onde se olha, há um político de direita ou centro-direita envolvido em corrupção — exceto, talvez, quando estão ocupados acusando a esquerda.
O CINISMO COMO ESTRATÉGIA
O mais fascinante é a habilidade que a direita tem de transformar suas próprias práticas em discurso moralista contra o outro.
É uma espécie de lavagem ideológica: eles praticam, eles acusam, eles apontam o dedo, eles sobem no carro de som…
E depois vêm os dados e mostram que os campeões nacionais da corrupção vestem azul, verde e amarelo, não vermelho.
É a velha história:
Quem mais grita “ladrão!” geralmente está tentando encobrir o barulho do cofre que está carregando.
E O CENTRO-DIREITA? AH, O CENTRO-DIREITA…
O centro-direita é aquele setor político que aparece na festa sem ser convidado, tira foto abraçado com todo mundo e depois, quando a polícia chega, finge que estava só passando pela calçada.
Mas basta olhar as condenações para descobrir que MDB, PSD, DEM/União e satélites afins são parte central da engrenagem da corrupção parlamentar.
É o famoso bloco da “governabilidade”, aquele que topa qualquer coisa — desde que o contrato esteja certo.
E quando o escândalo estoura?
Ninguém sabia. Ninguém viu. Ninguém assinou. Ninguém participou.
A direita é barulhenta na corrupção.
O centro-direita é silencioso.
Mas ambos são constantes.
E A ESQUERDA?
Sim, há casos — poucos e isolados.
Na esquerda, quando alguém erra, vira manchete internacional.
Na direita, quando alguém erra, vira rotina.
A diferença é gritante:
• Na esquerda, a corrupção gera crise interna, desgaste, punição e autocrítica.
• Na direita, gera reeleição, live comemorativa e discurso “política é assim mesmo”.
Não dá para comparar.
Não dá para colocar no mesmo saco.
Não dá para fingir simetria onde NÃO EXISTE.
A CORRUPÇÃO NO BRASIL TEM LADO — E É IMPORTANTE DIZER QUAL.
A tentativa de transformar corrupção em “problema generalizado de todos” é conveniente para quem domina a máquina que produz corrupção há décadas.
É útil para quem depende dela.
É confortável para quem lucra com ela.
Mas os dados apontam para algo cristalino:
A direita brasileira é a principal responsável pelos maiores escândalos de corrupção do parlamento.
E o centro-direita é o sócio silencioso do esquema.
A esquerda, com seus erros, está longe de ser protagonista dessa história — mas é sempre tratada como vilã principal por quem domina a narrativa e a máquina de escândalos.
RESUMO DO BRASIL
A corrupção não é um fenômeno igualitário, bilateral ou simétrico.
Ela é estruturalmente concentrada na direita — e esse fato é tão óbvio que só passa despercebido porque a própria direita grita mais alto do que os números.
Se corrupção fosse doença, a direita seria surto epidêmico.
O centro-direita seria transmissor silencioso.
A esquerda seria caso isolado.
E o povo brasileiro?
Esse continua sendo o paciente que paga a conta do hospital.
✍️ Edson Silveira — advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.

VIDEO SBT conseguiu reunir a República num ambiente de paz e distensão política

Lançamento do SBT News, em São Paulo, pode ter sido o ponto de virada da radicalização política no Brasil

O lançamento do SBT News nesta sexta-feira 12, dia em que Silvio Santos completaria 95 anos, poderia ter sido apenas a cerimônia de chegada de uma nova empresa de comunicação a um mercado já extremamente competitivo, mas teve um significado maior. Por uma coincidência astral, ocorreu poucas horas depois do anúncio de que o governo dos Estados Unidos estava eliminando suas sanções baseadas na Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, com destaque especial para o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, que era uma das autoridades presentes. Ou seja: o clima já era de celebração e distensão. No entanto, o SBT conseguiu também reunir protagonistas de campos opostos da política e eventuais adversários em 2026, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Tarcísio de Freitas, num ambiente de paz, harmonia e distensão política. “Talvez estejamos tendo aqui um ponto de virada”, disse a mim, numa das rodas de conversa, Patrícia Abravanel, uma das filhas de Sílvio Santos.

A construção do SBT News ocorreu em tempo praticamente recorde. Numa missão delegada ao ex-deputado Fábio Faria, genro de Silvio Santos casado com Patrícia, o canal foi construído em apenas 72 dias e ficará sob a liderança do experiente jornalista Leandro Cipoloni, que já havia montado a equipe da CNN Brasil. Com programação diária de 20 horas, o canal nasce com sustentabilidade financeira, depois de ter fechado cotas de patrocínio com grupos privados como JBS, Havan, EMS, TIM, Amil, BYD, BTG Pactual e Cedro Participações, e chega para disputar a atenção do público que hoje se divide entre Globonews, Jovem Pan e CNN – e também com veículos de posição política mais clara, como é o caso da TV 247. Ao subir ao palco, Fábio Faria exaltou a “simplicidade” de Silvio Santos como legado maior do fundador do SBT.

Um ambiente de distensão política

No campo da política, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu que o Brasil fortaleça pontes de diálogo entre campos opostos e debata as eventuais divergências políticas, no momento adequado – e de forma civilizada. A quem lhe perguntou, Tarcísio não escondeu que seu projeto, neste momento, é buscar a reeleição no estado de São Paulo – e não a presidência da República. “O Brasil sempre foi o país da união, do sincretismo e do diálogo”, disse ele. “Não podemos mais ver famílias se dividindo e amigos se afastando por razões políticas”. Um de seus principais aliados, Gilberto Kassab, do PSD, confirmou que o cenário predominante é de reeleição de Tarcísio em São Paulo e avaliou que após a entrada Flávio Bolsonaro na disputa, a tendência é a de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, dispute a presidência pela centro-direita.

Também presente, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pediu a ajuda do governo federal para cobrar maior responsabilidade da empresa italiana Enel, distribuidora de energia em São Paulo e responsável direta pelos apagões recentes, que deixaram milhões de pessoas sem luz na capital paulista e provocaram um caos aéreo em todo o País. Hoje, tanto Ricardo Nunes como Tarcísio de Freitas cobram do governo federal a cassação da concessão da Enel – posição que contrasta com a do governo federal.

Do lado do governo Lula, estiveram presentes o próprio presidente da República, a primeira-dama Rosângela Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado para a suprema corte, assim como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, acompanhado de seu secretário-executivo, Manoel Carlos. Pelo Supremo Tribunal Federal, além de Alexandre de Moraes, marcou presença o decano da corte, Alexandre de Moraes. Pelo Tribunal de Contas da União, marcou presença o ministro Bruno Dantas.

Antes do evento em si, o presidente Lula concedeu uma entrevista ao SBT News, sinalizando que não irá influenciar na dosimetria da pena dos condenados pelo 8 de janeiro. “Uma pessoa que tentou dar um golpe de estado neste País merece ser condenada. Mas eu não vi os detalhes do processo e não vou opinar sobre quanto tempo ele deve ficar preso”, afirmou. Fernando Haddad também confirmou que, em 2026, quer se dedicar mais à formulação do plano de governo do eventual quarto mandato de Lula. “Tudo que eu me comprometi a entregar como ministro da Fazenda foi entregue. Temos inflação na meta, crescimento, emprego recorde e estabilidade macroeconômica. A economia não será um problema no ano eleitoral”, disse ele, que também confirmou a intenção de deixar o ministério da Fazenda, mesmo sem o desejo de disputar eleições em 2026.

O novo momento da política brasileira

A presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, agradeceu a presença das autoridades no evento e indicou a inspiração da empresa para a nova iniciativa. “Estamos comprometidos a entregar um jornalismo com qualidade, responsabilidade, imparcialidade, excelência e veracidade”, afirmou, destacando que estes foram os princípios de seu pai, Silvio Santos. Em suas falas, Ricardo Nunes, Tarcísio de Freitas, Geraldo Alckmin e o presidente Lula recordaram suas memórias afetivas com Sílvio Santos. Alckmin chegou inclusive a lembrar do episódio do sequestro do empresário, quando ele, então governador de São Paulo, atuou diretamente para a sua libertação, e lembrou da frase de Silvio Santos, ainda no cativeiro, sobre o sequestrador. “É uma pessoa boa, governador, e se comprometeu a fazer uma universidade”.

No fim do evento, um Silvio Santos trazido ao palco pela inteligência artificial agradeceu a sua família pela chegada do SBT News, que estreia nesta segunda-feira, dia 15. E de todos os convidados presentes, é necessário destacar a presença de Ronaldo Fenômeno, o maior atacante da história do futebol brasileiro, pentacampeão em 2022, que distribuiu simpatia. A mim, ele disse estar muito confiante na seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, para a conquista do hexa em 2026. Numa roda de conversa, com o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, todos apostaram na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Para que isso ocorra, a equipe paulista ainda terá que superar o Cruzeiro na semifinal e Vasco ou Fluminense na grande final. Na noite de ontem, o Brasil parecia respirar ares de civilidade e normalidade institucional.

Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno
Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno(Photo: Ricardo Stuckert)

Do Brasil 247

Esquerda vai às ruas no domingo (14) contra PL da Dosimetria, que beneficia golpistas do 8 de janeiro; veja lista de atos

População é convocada a protestar contra projeto que reduz penas para Bolsonaro e demais condenados do 8 de janeiro

A população brasileira voltará às ruas neste domingo (14), em diversas capitais e cidades do país, para denunciar o que movimentos populares classificam como mais um ataque à democracia por parte do Congresso Nacional. A aprovação do chamado Projeto de Lei da Dosimetria, na madrugada da última quarta-feira (10), provocou reações imediatas. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocam manifestações em todo o país com o mote “Sem anistia para golpistas!”.

A mobilização acontece uma semana após os protestos do levante Mulheres Vivas, que reuniram milhares de pessoas em dezenas de cidades para denunciar a violência de gênero e os altos índices de feminicídio. Os organizadores dos atos deste domingo afirmam que a retomada das ruas é uma resposta direta ao Congresso e à tentativa de reduzir penas de envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Para Camila Moraes, da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude e secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), o chamado às ruas no dia 14 fecha um ciclo de retomada da mobilização popular. “Nós precisamos dar uma resposta nas ruas, assim como fizemos com os atos do dia 21 de setembro. Derrubamos a PEC da bandidagem porque fomos para a rua. Se queremos derrubar a PEC da Dosimetria, temos que nos mobilizar mais uma vez”, afirmou.

Ana Carolina Vasconcelos, da coordenação nacional do Movimento Brasil Popular, destaca que a mobilização é também um recado sobre os desafios do próximo período. “A população brasileira está de olho na dinâmica política e não aceita a forma autoritária como a extrema direita e o Centrão têm tentado implementar sua agenda no Legislativo”, afirma. Segundo ela, a organização popular será fundamental para enfrentar o avanço do neoliberalismo e construir vitórias nas eleições de 2026.

“Mais uma vez é uma tentativa da continuidade do golpe”, afirma Milton Rezende, o Miltinho, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Estão trabalhando novamente para dar um golpe parlamentar e anistiar Bolsonaro e os criminosos do 8 de janeiro.”

Segundo ele, o Congresso deveria estar discutindo pautas de interesse do povo, como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

Entenda o que está em jogo com o PL da dosimetria

O PL da Dosimetria foi aprovado pela Câmara dos Deputados às 2h26 da madrugada de quarta-feira (10), com 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção. Apresentado pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o texto altera as regras de cálculo das penas em crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Na prática, o projeto impede o acúmulo de penas para crimes correlatos e estabelece que a progressão de regime possa ocorrer após o cumprimento de apenas um sexto da pena em regime fechado. No caso de Bolsonaro, por exemplo, condenado a 27 anos e três meses, a nova regra poderia permitir a saída da prisão em pouco mais de dois anos. O texto também prevê benefícios para réus que usaram tornozeleira eletrônica e permite converter dias de trabalho em redução de pena.

Apesar de seus defensores negarem que o projeto represente uma anistia, o entendimento de juristas, parlamentares que se opõem à proposta e movimentos populares é de que se trata de uma manobra para evitar a responsabilização pelos atos de 8 de janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só tomará uma decisão sobre o veto quando o texto chegar ao Executivo, mas reiterou que Bolsonaro foi preso “porque tentou fazer uma coisa muito grave”, como atentar contra a vida de autoridades e planejar um golpe de Estado.

A sessão de votação foi marcada por episódios de violência e repressão. O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) foi retirado à força do plenário após denunciar a pauta. O sinal da TV Câmara foi cortado durante a sessão, em um episódio sem precedentes desde a redemocratização. Para os movimentos populares, isso apenas reforça a avaliação de que o Congresso atua descolado da sociedade.

O texto agora segue para o Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já indicou que pode levar o projeto diretamente ao plenário, acelerando sua tramitação.

Veja onde acontecem os atos no domingo (14)

Norte

  • Porto Velho (RO): 15h – Praça da Estrada de Ferro
  • Manaus (AM): 9h – Faixa liberada da avenida Getúlio Vargas

Nordeste

  • Fortaleza (CE): 15h – Praia de Iracema, 1750 (Espigão da Rui Barbosa)
  • João Pessoa (PB): 9h – Busto de Tamandaré
  • Recife (PE): 14h – Rua da Aurora
  • Natal (RN): 9h – Av. Roberto Freire, em frente ao Ferreira Costa
  • São Luís (MA): 9h – Largo do Carmo

Centro-Oeste

  • Brasília (DF): 9h – Concentração no Museu da República, com marcha rumo ao Congresso às 10h
  • Campo Grande (MS): 8h – Avenida Afonso Pena com 14 de Julho

Sudeste

  • São Paulo (SP): 14h – MASP (Avenida Paulista)
  • Campinas (SP): 9h – Largo do Pará (a confirmar)
  • Araçatuba (SP): 9h – Câmara Municipal
  • Botucatu (SP): 10h – Em frente à EECA
  • Ribeirão Preto (SP): 15h30 – Esplanada Pedro II
  • Rio de Janeiro (RJ): 13h – Posto 5 de Copacabana
  • Belo Horizonte (MG): 9h – Praça Raul Soares
  • Uberlândia (MG): 9h30 – Praça Clarimundo Carneiro
  • Vitória (ES): 16h – UFES

Sul

  • Porto Alegre (RS): 14h – Arcos da Redenção
  • Florianópolis (SC): 9h30 – Ponte Hercílio Luz (lado ilha)
  • Joinville (SC): 17h – Praça Nereu Ramos
  • Curitiba (PR): 14h – Boca Maldita
Editado por: Maria Teresa Cruz

PL da Dosimetria abre ‘porta do inferno’ e incentiva novos golpes, avalia cientista político

Para Paulo Ramirez, aprovação na Câmara que reduz punição de Bolsonaro ‘é um convite’ a rupturas democráticas

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez avaliou que o texto do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, aprovado pela Câmara na madrugada desta quarta-feira (10), foi construído “de uma forma a favorecer o [ex-presidente Jair] Bolsonaro (PL), os bolsonaristas, todos os mentores da trama do 8 de janeiro”. Para ele, a proposta é “uma forma de anistia” e uma tentativa de reduzir o tempo de prisão do ex-presidente, condenado e preso por tentativa de golpe. Ramirez indicou que, caso o texto avance nas demais instâncias, “a pena de Bolsonaro irá cair mais ou menos para dois anos”.

Ramirez destacou que “série de confusões” ocorrida em meio à votação ajudou a “retirar o peso da aprovação que a Câmara fez”. Ele alertou que o projeto funcionou como um sinal verde para novas rupturas. “É um convite aos cidadãos brasileiros que queiram fazer um golpe de Estado”, criticou.

Segundo o professor, o país vive “um período de uma relativização do fascismo, do autoritarismo” e a aprovação do PL reforça esse movimento. Para ele, “uma redução da pena do Bolsonaro significa dizer que a porta do inferno está aberta”.

O cientista político afirmou que, ao estabelecer punições mais brandas, o texto deixa uma brecha para “outras possibilidades de golpe estão por vir”, já que futuros golpistas poderiam prever “no máximo, presos dois, três anos, não mais que isso”.

Para ele, o relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), “mancha a sua imagem ao aderir à pressão, principalmente do [ex-presidente] Michel Temer (MDB), que também deu um golpe de Estado parlamentar contra [a ex-presidente] Dilma Rousseff (PT)”.

O professor descreveu o ambiente no Congresso como dominado por “pessoas que flertam com o fascismo”, com uma direita que busca “derrubar [o governo Lula] de todas as formas” ao obstruir propostas importantes para o país. Conforme Ramirez, esse cenário contribui para a ingovernabilidade e revela o peso das alianças feitas pelo PT com setores conservadores.

Apesar disso, ele apontou que “cada deputado que votou a favor dessa mudança na dosimetria estampará na testa a ideia de que são golpistas”, avaliando que esse será um elemento central das campanhas das eleições de 2026.

Ramirez defendeu que os partidos progressistas se reorganizem e usem a disputa de narrativas a seu favor. “Agora é o momento das esquerdas pensarem mais na campanha do PT do que na própria República”, sugeriu, destacando que pesquisas apontam Lula como “virtual vencedor”.

Brasil de Fato

São Paulo pratica a deseducação

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Izabela Victória Pereira – graduanda em Filosofia/UFSCar

De acordo com o jornal Intercept Brasil, a pressão exercida pela gestão estadual nas escolas tem provocado um ambiente de intenso adoecimento, afetando professores, professoras, diretores e até alunos. Apontam-se no noticiário as condições precárias para professores no ensino público do estado de São Paulo; após em 2024, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, implementou um sistema rigoroso de metas baseado no desempenho dos estudantes, incluindo a obrigatoriedade do uso de plataformas digitais de ensino. Segundo o jornal, o programa, desenvolvido pelo secretário de Educação Renato Feder, tinha como objetivo, teoricamente, aplicar uma abordagem inspirada em práticas de mercado para aumentar a eficiência e os resultados da educação pública. Na prática, porém, a pressão intensa tem provocado um aumento significativo de problemas de saúde entre diretores, professores e alunos, revelando um contraste entre a intenção do programa e seus efeitos reais. Alguns vieram a óbito.

Dentro da atual gestão estadual, o maior número de docentes na educação pública pertence à Categoria O, na qual existe um contrato anual com uma série de regulamentações incompreensíveis, como por exemplo a RESOLUÇÃO SEDUC Nº 97, DE 26 DE JUNHO DE 2025. Professores da Categoria O, que trabalham sob esse contrato, têm direito a até seis ausências médicas justificadas por ano, limitadas a uma por mês para não sofrerem descontos. No entanto, afastamentos por períodos maiores precisam ser comprovados com documentação específica por meio de perícia. Caso contrário, o docente estará impossibilitado de renovar seu contrato para o próximo ano ou pegar atribuições em escolas PEI.

Considerando que grande parte dos docentes da rede pública pertence à Categoria O, torna-se inviável a participação desses profissionais em greves por melhores condições de trabalho. Isso ocorre porque eles correm o risco de não serem reconduzidos no ano seguinte e, atracados, acabam sendo convocados para substituir os professores efetivos durante os períodos de paralisação.

Outro exemplo é o afastamento de docentes do Projeto Sala de Leitura. Segundo a reportagem, veiculada pelo jornal UOL, em fevereiro, uma professora do interior de São Paulo apresentou um atestado médico de sete dias, após ter sido diagnosticada com Covid-19, e mesmo assim foi afastada do projeto com a imposição do art.29 da RESOLUÇÃO SEDUC 95/2024.

Uma temática relevante, pertinente, é o uso obrigatório de plataformas digitais de ensino, inclusive como avaliação do desempenho de professores e alunos. Nessas plataformas, os professores devem se basear apenas no conteúdo oferecido digitalmente, e que no final do ano são cobrados na prova do governo Saresp e Provão Paulista, e com tempo monitorado de permanência em cada slide. Há um cronômetro indicando o tempo máximo de exposição de cada conteúdo.

Em outra matéria, publicada pelo jornal G1 dia 31 de agosto de 2023, revela-se que docentes da rede estadual têm reportado que o material didático digital produzido pela Secretaria da Educação, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, e disponibilizado a professores e estudantes do ensino fundamental, apresenta inconsistências significativas em múltiplas áreas do conhecimento, incluindo história, biologia e matemática. Diante desses relatos, alguns conteúdos apresentam erros graves, como afirmar que a cidade de São Paulo tem praia ou sugerir, de forma equivocada, que a doença de Parkinson pode ser transmitida pela água.

O que só evidencia o enfraquecimento e a falha estrutural da educação básica pública no estado de São Paulo, pois, as plataformas aumentam a carga de trabalho, reduzem a autonomia intelectual dos profissionais da educação e geram resultados pouco significativos em relação à melhoria da aprendizagem dos estudantes. Enquanto uma parcela da sociedade adere ao discurso de “inovação tecnológica e investimento educacional”, associado ao uso das plataformas digitais, a realidade comprova o oposto disso.

No final deste ano, o secretário Renato Feder implementou um procedimento de avaliação dos professores, na RESOLUÇÃO SEDUC Nº 146. É baseado em um sistema de cores semelhante a um semáforo: verde para aqueles cujo desempenho dos alunos nas plataformas digitais foi considerado alto, amarelo para desempenho intermediário e vermelho para baixo desempenho. Apenas os docentes classificados na cor verde terão pontos suficientes para escolher as escolas nas quais atuarão em 2026, e os amarelos e vermelhos poderão ser barrados por diretores.

Cabe ressaltar que esse sistema se fundamenta em plataformas digitais que apresentam inconsistências significativas, o que compromete a confiabilidade das avaliações. Além disso tudo, é óbvio, os resultados insatisfatórios dos alunos podem decorrer de múltiplos fatores, mas o modelo atribui a responsabilidade exclusivamente ao professor, restringindo sua autonomia. Some-se ainda o fato de que os profissionais classificados na cor vermelha, em especial aqueles da categoria O, correm o risco de não terem atribuição de aulas, evidenciando-se uma política que impõe penalizações severas sem considerar o contexto educativo mais amplo.

No contexto das políticas públicas de educação no Brasil, observa-se a crescente influência de empresários, fundações privadas e grandes grupos educacionais. Apesar de defenderem valores como diversidade, equidade e autonomia, essas organizações concentram-se na oferta de soluções pedagógicas padronizadas, ao mesmo tempo em que obtêm ganhos financeiros a partir das fragilidades e da precarização do sistema público de ensino. Paralelamente, a figura do professor tem sido enfraquecida por duas forças: de um lado, borbulham narrativas conservadoras que questionam sua legitimidade e, de outro, consagra-se a lógica neoliberal que precariza sua carreira, reduzindo-o a mero executor de metas.

Sabemos que o oposto disso é o que faz sentido, afinal, a autoridade do/a professor/a emerge da relação ética com os estudantes e do compromisso com a transmissão do conhecimento e a formação crítica dos indivíduos.

Referências:

https://educacao.uol.com.br/noticias/2025/10/03/professor-sala-leitura-governo-sp-dispensa.htm?utm_source=whatsapp-network&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/08/31/rede-estadual-de-sp-ensina-que-capital-paulista-tem-praia-e-agua-pode-transmitir-parkinson-secretaria-diz-que-retificou-erros.ghtml

https://www.brasildefato.com.br/2025/12/02/plataformas-obrigatorias-em-sp-servem-para-controlar-professor-e-pioram-ensino-diz-educador/

https://search.app/rqt5d

Negação da acessibilidade – Alienação ou teorética?

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@viniciocarrilhomartinez

Todos os teoréticos são infames, mas alguns são piores – porque “sabem o mínimo sobre a sua ‘consciência”, aquela que se pergunta: é um copo meio cheio ou meio vazio”? Se for meio cheio é pior, porque deveriam “saber o que fazer” – mas não fazem, porque copiam uma “meia verdade” (sendo essa, invariavelmente, uma mentira inteira). A teorética é uma ideologia vazia, imóvel.

Darei três exemplos concretos do que quero explicar:

  1. Tive um aluno de licenciatura em física (absurdamente aplicado e inteligente) com uma grande, acentuada deficiência de locomoção. Porém, ele descia do Restaurante Universitário a pé, pra assistir aula (1 km mais ou menos). A minha pergunta nesse caso é: quando esse rapaz pôde fazer um experimento no nosso “observatório intergalático”? Nunca. Eu mesmo mal cheguei a subir as escadas, imagina ele – que a formação exige.
  2. O outro exemplo é uma pergunta ainda mais simples: onde é que colocaram piso antiderrapante na UFSCar? Na minha casa tem em todos os cômodos, no corredor externo e na calçada também. Aliás, na calçada o antiderrapante é ainda mais rústico, porque não quero que ninguém escorregue num dia de chuva.
  3. Por falar em chuva, em dias abundantes não posso realizar o meu trabalho. No dia 09/12 (terça-feira) tive que faltar, porque as rampas que deveria acessar viram ondas de água, uma verdadeira aquaplanagem.

 

Falei que vou ensinar o que é acessibilidade, mas será longe dos papagaios da teorética.

Talvez até faça outro doutorado, nisso, ou me candidate à vereança.

No entanto, esse longínquo “novo” doutorado será só redundante: já fiz dois. E porque a minha teoria é a minha vida, e não preciso de teorética nenhuma para me explicar o óbvio.

E sabem qual é o óbvio ululante?

As pessoas teoréticas querem que você se lixe, junto com a acusação de que, na prática, elas negam a acessibilidade. E é por isso que nunca moveram uma palha para mudar o mínimo.

De fato, acessar o óbvio não é para qualquer pessoa.

Afinal, acessar o óbvio exige uma racionalidade, lógica, e bem mais do que a vã teorética.

 

‘Vitória do respeito ao STF’: Lindbergh celebra a cassação do mandato de Zambelli

O deputado Lindbergh Farias celebrou nesta quinta-feira (11), em publicação no X, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a cassação imediata do mandato de Carla Zambelli. Na postagem, ele afirmou: “É uma vitória do Estado de Direito, da separação de Poderes e do respeito às sentenças definitivas do Supremo Tribunal Federal”, destacando que o dispositivo aplicado foi o artigo 55, parágrafo 3°.

A decisão foi tomada após Moraes invalidar a deliberação realizada pela Câmara na quarta-feira (10). Lindbergh também escreveu: “o Plenário da Câmara não pode rever, relativizar ou descumprir efeito automático decorrente de condenação criminal”, ao comentar o despacho divulgado pela Corte.

No despacho, Moraes citou que a decisão do STF no processo criminal já havia definido os efeitos da condenação de Zambelli. O ministro destacou que não cabia nova deliberação parlamentar sobre matéria cujo resultado já estava fixado, razão pela qual o ato da Câmara foi considerado nulo.

O ministro determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, dê posse ao suplente da deputada no prazo de até 48 horas. O despacho também orienta que as áreas administrativas adotem os trâmites necessários para formalização da vacância e substituição parlamentar.

Além disso, Moraes solicitou que o ministro Flávio Dino convoque sessão do Plenário Virtual nesta sexta-feira (12) para análise do referendo da medida. A comunicação foi encaminhada à Câmara para início dos trâmites previstos pelo Supremo.

Lindbergh afirmou que seguirá acompanhando o cumprimento da decisão divulgada no sistema do STF na noite desta quinta-feira (11). O deputado registrou que a determinação passa a ser executada após confirmação formal ao Legislativo.

Diario do Centro do Mundo

Moraes invalida votação da Câmara e determina perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Ministro do STF diz que deliberação da Câmara violou a Constituição e ordena posse do suplente em até 48 horas

 A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação realizada pela Câmara dos Deputados que havia rejeitado a cassação de Carla Zambelli (PL-SP).  Segundo o G1, Moraes restabeleceu a perda do mandato após concluir que a votação da Câmara contrariou a Constituição. A parlamentar, condenada a dez anos de prisão pelo STF e presa na Itália, havia sido mantida no cargo em sessão realizada na quarta-feira (10).

Votação da Câmara é anulada

Na decisão, Moraes afirmou que o Legislativo não possui autonomia para reverter a cassação quando há condenação criminal definitiva. Para o ministro, a função da Câmara, nesses casos, restringe-se a formalizar a perda do mandato.

Ele escreveu: “Na presente hipótese, em respeito à Constituição Federal, é o Poder Judiciário quem determina a perda do mandato parlamentar condenado criminalmente com trânsito em julgado, cabendo à Mesa da Câmara dos Deputados, nos termos do §3º do artigo 55 da Constituição Federal, tão somente DECLARAR A PERDA DO MANDATO, ou seja, editar ato administrativo vinculado”.

Moraes aponta violação constitucional

O ministro classificou a deliberação do plenário que manteve a deputada no cargo como uma decisão que “ocorreu em clara violação” à Constituição. Por isso, determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficialize a perda do mandato e dê posse ao suplente em até 48 horas.

Câmara deve empossar suplente

A sessão anulada registrou 227 votos a favor da cassação e 170 contrários, além de dez abstenções. O número, contudo, não atingiu os 257 votos necessários para afastar a parlamentar, o que levou à manutenção do mandato agora invalidado pelo STF.

Do Brasil 247

Aula no Instagram

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@viniciocarrilhomartinez

Depois de quase uma década, recuperei minha conta no Instagram. Parei de usar porque meu trabalho à época tirava o pouco de tempo e de energia que tinha.
Também estacionei essas mídias porque era o começo do grande fluxo das redes antissociais.
Hoje são piores do que naquela época, mas, eu mudei um pouco.
Fiz o que tinha que fazer e, hoje, faço as mesmas coisas com um quinto do tempo. Então, tenho tempo e vontade para voltar a esse Instagram.
Como mudei, de lá pra cá, não posto meus passeios, guloseimas, roupa nova ou as bijuterias baratas da vida.
Posto o que chamei de “mini aulas digitais”. Estou numa fase progressiva de comunicação, difusão, popularização do pouco conhecimento que adquiri.
Com isso, curiosamente, voltei um pouco ao meu primeiro emprego: jornalista fazendo cobertura de cultura e educação, no Jornal da Manhã – em Marília/SP.
Hoje também não moro em Marília e não segui a carreira do jornalismo, porém, a mosca azul sempre esteve no sangue.
Enfim, meu “novo” Instagram tem esse objetivo, essa pegada oposta ao que rola nas redes antissociais.
Se quiser participar, apareça por lá!

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

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A obsolescência política (desumanização)

 Ester Dias da Silva Batista, acadêmica do curso de Biologia da UFSCar

 Como a expansão das tecnologias e inteligências artificiais, apresentadas como avanços revolucionários, coexistem com a intensificação das violências sociais, especialmente de gênero, revelando a abdicação da autonomia humana e a transformação da ação coletiva em tendências virais?

    Apesar da propagada “revolução” das tecnologias digitais, o que vemos efetivamente é a permanência das estruturas sociais, uma reprodução dos desejos e anseios vigentes, utilizando-se da tecnologia como meio de propagação dessas concepções. Nos últimos dias, os inúmeros casos de violência contra as mulheres têm demonstrado isso: nas redes, a violência é normalizada, e mesmo em publicações que buscam denunciá-la, a culpabilização da vítima permanece frequente, evidenciando-se que o avanço técnico não é acompanhado por desenvolvimento ético ou político. Como propõe Rita Segato[1], a violência de gênero é uma mensagem social, um sintoma da fragilidade das instâncias de proteção e da permanência do patriarcado. Ao mesmo tempo, a aparente neutralidade das máquinas mascara o fato de que elas apenas reproduzem decisões e omissões humanas. Por tal razão, a tecnologia não supera a falha humana, ela apenas a automatiza.

Paralelamente a isso, práticas sociais que antes mobilizavam sujeitos politicamente engajados, como as lutas estudantis históricas do Brasil, que, de fato, sabiam por quais motivos estavam lutando e não seguiam modismos apenas para ganhar curtidas, são agora substituídas por dinâmicas virais, pautadas muito mais pela busca de pertencimento ao ambiente das redes sociais, do que por movimentos efetivamente coletivos de transformação. Como observa Byung-Chul Han[2], a cultura digital estimula uma participação acelerada e pouco reflexiva, produzindo “modinhas revolucionárias” que esvaziam o sentido histórico de revolução. Nesse cenário, a delegação da responsabilidade política às máquinas não anuncia uma revolução, mas sim a obsolescência política, uma vez que as instituições se tornam incapazes de enfrentar violências estruturais e sujeitos cada vez menos conscientes de seu próprio papel histórico.

[1] SEGATO, Rita Laura. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficantes de Sueños, 2016.

[2] HAN, Byung-Chul. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018.

Conceito de Capitalismo digital

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@viniciocarrilhomartinez

Esse conceito não se fecha, é dinâmico, assim como está em permanente transformação a realidade contemporânea – entre o passado e o presente[1]. No entanto, resumidamente, devemos entender o Capitalismo digital a partir do sistema produtivo do capital que aprimora formas de extrema precarização e exploração da força de trabalho (uberização, pejotização, terceirização) em conjunto ativo com formações econômicas pré-capitalistas[2]: exploração do trabalho análoga à escravidão.

No caso brasileiro, some-se o racismo recalcitrante e, então, teremos a vigência de um Pensamento Escravista: “modernidade colonial” que coleciona o racismo e a exploração do trabalho escravo. Desde 1930[3], o Brasil conhece(u) a industrialização, o processo de substituição de importações, o Plano de Metas e a subsequente modernização tardia: hoje, a robotização é presente nas maiores indústrias instaladas no país. Porém, os níveis de desindustrialização são crescentes e alarmantes.

O que nos traz à atualidade do dominante rentismo (sistema financeiro especulativo e improdutivo de valor agregado, marcante nos trading das Bolsas de Valores[4]) e ao denominado Capitalismo de dados[5]: a platamorfização da vida social e sua intensa monetização também se desdobra na exploração digital do trabalho infantil (preconizando-se uma forçosa “adultização”).

Na ordem da manifestação política, instaladas e representadas, as Bets, as Big Techs, as Big Datas/Data centers se alinham aos Bancos (e Fintechs) e às tradicionais bancadas da bala, do boi e da bíblia. Como frações de classe, nem sempre esses interesses estão alinhados; porém, quando estão, perfilam politicamente os Grupos Hegemônicos de Poder[6].

Neste cenário, o que ainda guardamos do passado tinhoso (patrimonialismo, patriarcalismo) é a Revolução Burguesa vinda do alto (autocracia), com a vigência renovada e plenificada do racismo institucional e do capacitismo, sem a eficácia do Estado de Direito e da isonomia[7].

Em 2026, 10 anos após o Golpe de Estado de 2016[8] e depois de Pablo Marçal regurgitar o pior Tecnofascismo germinado nas redes antissociais, deveremos ter a primeira eleição comandada por IA (Inteligência Artificial), sem que se saiba o que é real ou Fake News. Como diria Mészáros[9], esse é, mais ou menos, o pico do Evereste que devemos transpor – longe da emancipação[10] e da equidade (com sobras de exceção[11]), cotidianamente, nos deleitamos cada vez mais com a subalternidade[12].

As lutas políticas do povo pobre, negro e oprimido em prol da emancipação do próprio Direito, em meio à fervorosa luta de classes racista, ainda não demonstraram poder social efetivo, mormente em termos, sobretudo, da inclusão, acessibilidade e permanência, e da edificação de um mínimo de sociabilidade e empatia: o que performaria a Sociologia essencial à Interação Social, em que as desigualdades possam ser convertidas em diferenças individuais, culturais.

Portanto, somos pardos, mas, sem fundamentação em valores socialmente dignificantes, no Princípio da Dignidade e nos direitos humanos, vemos e veremos prosperar o machismo, o assédio, a misoginia, o feminicídio.

O Brasil é pardo, sim, mas é por tudo isso que segue sendo descolorido pela branquitude do poder.

[1] GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1991.

[2] MARX, Karl. Formações Econômicas Pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

[3] IANNI, Octávio. A ideia de Brasil moderno. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

[4] É ilustrativo dessa fase do capital, com as subjetividades mergulhadas no desenraizamento e no estranhamento, a ocorrência de uma carteira denominada “Diarista investidora”: https://www.youtube.com/watch?v=jzpY_MmOaIk.

[5] SHOSHANA, Zuboff. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização de informação. In: Bruno, Fernanda et.al. Tecnopolíticas da vigilância: perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo, 2018.

[6] Nos estratos elevados do Poder Político, nos três poderes, abundam as trocas de favores, o apoio transversal aos interesses de grupos ou individuais, o nepotismo, o personalismo e a cessão de votos, numa busca infinita de benefícios e de ações transviadas, que, obviamente, maculam toda expectativa republicana quanto à gestão do poder e assim também manipulam as políticas públicas em demérito aos reais beneficiários.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ensaio sobre o estado democrático de direito social*: concepção jurídica burguesa ou socialismo na modernidade tardia? São Carlos: Pedro & João Editores, 2024b. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensaio-sobre-o-estado-democratico-de-direito-social-concepcao-juridica-burguesa-ou-socialismo-na-modernidade-tardia/.

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado – Ditadura Inconstitucional: golpe de Estado de 2016, forma-Estado, Tipologias do Estado de Exceção, nomologia da ditadura inconstitucional. Curitiba-PR : Editora CRV, 2019.

[9] MÉSZÁROS, István. A Montanha que devemos conquistar: reflexões acerca do Estado. São Paulo: Boitempo, 2015.

[10] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

[11] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital, Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, Educação Política, Educação em direitos humanos, Educação Constitucional. KDP: São Carlos, 2025. Acesso: https://a.co/d/3upl65K.

[12] DELROIO, Marcos. Gramsci e a emancipação do subalterno. São Paulo: Editora da Unesp, 2018.

Sem tempo

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@viniciocarrilhomartinez

 Sem o tempo não há dúvidas.

Sem o tempo, o vagar (no reino da pressa, na rotina das “múltiplas tarefas”), vivemos consumindo o imediato.

 Meditar sobre o que se pensa (e quer), falar pouco, ouvir mais e não dar atenção ao desnecessário ruído (às vezes só embalado por picuinhas, ego) tem sido o desafio desse século.

“Não temos tempo…”, dizem, e assim tudo é imediato e superficial.

Muita gente se vangloria desse eterno consumo de si mesmo/a.

 Na filosofia do século XX, Adorno dizia para dar “tempo ao conceito”, que é o tempo da maturidade, da reflexão que vasculha a durabilidade desse mesmo conceito. É como se o próprio tempo fosse o analista daquilo que se propôs, o árbitro mais severo.

 Talvez pela pressa mesmo, urgência de “postar” (“lacrar”, viralizar), é que tenhamos tantos “pré-conceitos” – sem análise cuidadosa, criteriosa, crítica das aparências, restam nossas superfícies e as tantas pessoas superficiais.

 E daí surgem as distorções, os pré-conceitos (“supõem-se saber algo”), as discriminações.

 Sem dúvida, a desinformação (sem tempo para saber, para o conceito) é um solo fértil para as apropriações (o desenraizamento, o estranhamento das/entre as pessoas), as dominações impuras e as desigualdades.

É possível refletir nesse breve texto ouvindo duas músicas:

 Oração ao tempo – Caetano Veloso

https://www.youtube.com/watch?v=HQap2igIhxA

Paciência – Lenine

https://www.youtube.com/watch?v=SWm1uvCRfvA 

  • AFINAL, A PACIÊNCIA TEM MUITA CIÊNCIA DENTRO DE SI
  • TANTO QUANTO A CIÊNCIA PRECISA DE CONSCIÊNCIA

Entre estar e pertencer

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Ester Dias da Silva Batista

 Dizem que a arte imita a vida e, às vezes, é justamente em filmes e séries que encontramos verdades que nos atravessam de forma inesperada. Em Uma Advogada Extraordinária (2022), uma fala da protagonista surge durante o julgamento de um caso envolvendo um jovem autista acusado de matar o irmão. No elevador, a advogada lembra que, há poucas décadas, pessoas autistas eram consideradas “indignas de viver”. Ouvir isso, sendo também uma pessoa com TEA, foi como encarar uma história que ainda ecoa: a ideia de que algumas vidas precisam provar constantemente sua “viabilidade” para serem reconhecidas como dignas.

“… mesmo há apenas 80 anos, o autismo era uma doença que não valia a pena ser vivida, mesmo há apenas 80 anos. Inclusive agora centenas de pessoas vão ler o comentário ‘não é uma perda nacional um aluno de medicina morrer e uma criança autista viver?’ e vão clicar no botão like. Esse é o peso que carregamos do nosso obstáculo”[1]

 Essa frase reverbera porque não pertence apenas à ficção — ela atravessa a experiência de muitas pessoas com TEA e outras deficiências. Apesar de conquistas importantes, a invisibilização persiste, como se fosse preciso um desempenho extraordinário para sermos considerados legítimos nos espaços que ocupamos. Na universidade, o paradoxo se aprofunda: políticas de inclusão marcam a entrada, mas se desfazem no cotidiano. Pessoas com deficiência ingressam todos os anos, mas sem acompanhamento e acolhimento, a permanência se torna frágil e, muitas vezes, solitária. Surge então um silêncio institucional que não acolhe nem sustenta trajetórias.

Essa falta de estrutura isola, porque estar dentro da universidade não significa ser visto. E é por isso que a frase da Sr. Woo continua ecoando: ela lembra que a vivência de pessoas com deficiência vai muito além do acesso físico, é sobre não precisar provar, a cada passo, a própria dignidade. Escutar essas pessoas, incluí-las na construção das políticas e romper com esse silêncio é o que transforma inclusão formal em pertencimento real.

[1] EXTRAORDINARY ATTORNEY WOO (Uma Advogada Extraordinária). Episódio 3. Direção: Yoo In-shik. Roteiro: Moon Ji-won. Coreia do Sul: AStory/Netflix, 2022. Drama televisivo.

Veja na RKTV-Luciana Bauer, ex-juíza acusa Sergio Moro: mafioso e agressor

Ex-juíza federal Luciana Bauer supera medos e traumas numa entrevista-bomba a Joaquim de Carvalho no Brasil 247, e enfim revela crimes da 13ª Vara de Curitiba. 

É escandaloso. A Lava Jato silenciou todas as vozes do Brasil com isenção, saber e autoridade pra falar. Os grandes juristas se calaram. Um projeto mafioso tão bem implantado que quem duvidava não ousava falar. A mídia corporativa mergulhou até a testa naquele esgoto, mentindo escandalosamente, louvando a dupla Moro-Dallagnoll — pegava o “dever de casa” prontinho na Vara de Curitiba, sem contestar, sem duvidar, sem investigar.

Um plano traçado pelo Departamento de Estado dos EUA com CIA para esvaziar as aspirações de soberania dos governos de esquerda, derrubar Dilma, o PT, prender Lula, emplacar a extrema direita. Todos enfiaram as mãos nesse esterco. Aécio, o PSDB, Temer, o STF. Prenderam políticos progressistas de prestígio, indiscriminadamente. Jogaram no lixo grandes nomes do empresariado. Capturaram nosso pré-sal. Destruíram as indústrias da construção, naval, a engenharia nacional. Desempregaram milhões. Enxovalharam homens íntegros, como o almirante Othon.

E os brasileiros contaminados pelo ódio caíram feito patinhos, liderados pelo pato amarelo do Skaff. Maus brasileiros, inimigos do povo. Desmontaram as grandes conquistas sociais, a CLT, os sindicatos, paralisaram obras. Fizeram tudo que convinha ao Grande Capital. Inventaram “teto de gastos”, para impedir nosso crescimento. Privatizaram o que podiam e não podiam, por dois tostões. Assaltaram o Brasil a mão desarmada à luz do dia. Inventaram o “empreendedorismo”, retirando todos os direitos dos trabalhadores, coitados, que ainda pensam que melhorou pra eles. E o plim-plim da Globo ludibriando ativamente o Brasil com suas mistificações. Pobres de nós.

O lawfare foi um processo avassalador. E, verdade seja dita, foi a MÍDIA PROGRESSISTA, um time de jornalistas valorosos, foram as instituições verdadeiramente patrióticas, como o Clube de Engenharia por exemplo, foram aqueles com responsabilidade intelectual, economistas, sociólogos, professores — a Academia — que se mantiveram em permanente resistência.

Veio o GRANDE DESASTRE. Bolsonaro, a caserna retornou ao poder, os desqualificados, os Guedes, os Salles, o evangelismo, com as Damares & Malafaias, descemos de tobogã aos infernos.

Agora os olhos se abrem. Falta a própria Justiça retirar a venda e condenar o ex-juiz Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores seus coniventes, os julgadores do TRF-4, e responsabilizar a mídia comparsa por traição à Pátria.

Assista agora na www.rktv.com.br

Do Brasil 247

Acessibilidade

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Vinício Carrilho Martinez

Pelo senso comum, pela definição provinda das coisas muito óbvias, a acessibilidade é uma das regras básicas da democracia. Sem acessibilidade, é óbvio ululante, as pessoas não são inseridas e, desse modo, excluídas, barradas no baile, não podem dançar ao som da Marselhesa – hino francês, hino da Revolução Francesa, hino da luta contra a tirania das pessoas baratas.

Sem a liberdade para se inserirem, as pessoas são tratadas como baratas indesejadas. Como pessoas de segunda categoria, as pessoas barradas são chutadas para fora, para longe – exatamente como fazemos com as baratas.

O que se esquecem os asquerosos que tentam nos impedir é que eles se postam, assim, na mais baixa menoridade moral e intelectual. Como imorais, avessos à moralidade social-inclusiva, eles se portam como as reais, as verdadeiras baratas – pelo simples fato de que as baratas não têm nenhuma moralidade: as baratas não podem invocar o Princípio da Dignidade Humana.

Como baratas imorais, as pessoas que nos excluem têm rebaixamento intelectual visível, até predizível, porque são incapazes da Interação Social, da empatia – não se enquadram no mínimo requerido de socialidade para serem vistas como “animais sociais” – essas pessoas baratas não são sociológicas. Isto é, as pessoas baratas são desprovidas da Inteligência Social e, é claro, são incapazes de se colocar no “Lugar do Outro”.

longe do Outro/a, as pessoas baratas, sem inteligência social capaz, dignificante, provam-se incapazes de pensar e de participar da moralidade humana, social e inclusiva: sendo assim, deveria ser reeducadas, reformatadas, humanizadas ou retiradas do convívio social. Devem ser educadas para serem humanas, devem ser socializadas para se libertarem (mesmo que a fórceps) da condição de inseto social.

Mas, será isso possível?

Essa pergunta foi posta ao final da Segunda Guerra Mundial, com a derrota acachapante do Nazismo – e, então, diziam: é possível desnazificar o povo alemão? A pergunta era (é) essencial uma vez que o regime do Nazismo só foi possível porque houve uma imensa adesão (identificação do povo) às teses e às ações nazistas.

O pior praticado pelo Nazismo era (é) de conhecimento popular: Hitler foi eleito ao Reichstag (nomeado como chanceler em 1933). Hitler sempre foi Hitler, nunca escondeu dos eleitores suas piores aspirações. Nunca houve povo enganado pelo Nazismo, na Alemanha.

Então, foi possível a educação para a desnazificação da Alemanha? Em parte, sim, pois a Constituição Alemã penaliza gravemente a apologia ao nazismo. Isso condiz com a percepção de que a qualidade democrática na Alemanha se modificou muito desde a experiência nazista.

Nazistas daquela época continuam sendo julgados e condenados, mesmo que tenham 90 anos de idade; apenas não são presos, por motivação humanitária. Por outro lado, a desnazificação não foi tão eficaz se pensarmos que os movimentos neonazistas crescem como pulgas e baratas na Alemanha – e no Brasil.

No nosso caso, no Brasil, que nos interessa mais de perto, agora, é possível retirar a carcaça das pessoas baratas, infestadas pela negação da Inteligência Social? Kafka, que escreveu A metamorfose, uma hiper-realista obra surreal, teria dificuldade em responder a essa pergunta.

Essa é uma pergunta que nós nos fazemos desde a Colonização – quando para cá vieram os maiores criminosos portugueses: as pessoas baratas de Portugal.

O escravismo tratou os povos negros como algo abaixo do nível das enxadas e das picaretas. A nossa miscigenação foi forçada por meio da violência indescritível e do estupro de mulheres negras e indígenas.

Portanto, nós somos o resultado disso e de outras barbáries ainda mais tenebrosas. Nós tanto somos isso que, em 2018, elegemos o Fascismo – assim como os alemães fizeram com o Nazismo em 1932.

E corremos um sério risco desse espectro do Mal Maior voltar ao poder em 2026. Há muitos/as eleitores/as, falando, agindo como pessoas baratas que negam a acessibilidade aos negros, aos pobres, às mulheres, à comunidade LGBT, às pessoas com deficiência (PCD).

O que traz outra pergunta: O que não há em comum entre as pessoas baratas negacionistas, do nosso tempo, com os laivos mais rancorosos do nazifascismo?

Lembremos ainda que, nos campos de concentração nazistas, as pessoas com deficiência também eram eliminadas. Então, o que não há em comum, entre os do passado e as “modernas pessoas baratas”?

Há o fato de que, ainda, não nos eliminam fisicamente, diretamente?

Simbolicamente, somos eliminados todos os dias.

Portanto, essa pergunta segue para você palpitar.

Eu, sinceramente, sigo bem pessimista quanto à viabilidade de uma Educação antifascista, em 2025.

Tem baratas demais por aí.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Dallagnol paga indenização a Lula

O ex-procurador da República e deputado federal cassado Deltan Dallagnol quitou o valor de R$ 146.847,13 referente à indenização devida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo episódio que ficou conhecido como “caso do PowerPoint”, relata Ancelmo Gois, do jornal O Globo. O comprovante do depósito foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo na quarta-feira (3). O pagamento encerra uma etapa do processo movido pelo presidente, após a apresentação feita por Dallagnol em 2016, quando o então procurador exibiu um slide que associava Lula a supostas irregularidades nas investigações da Operação Lava Jato — o que, mais tarde, foi classificado judicialmente como “ação abusiva e ilegal”. O valor foi depositado em nome do próprio Tribunal de Justiça de São Paulo, órgão responsável por analisar o caso e determinar a indenização. Com isso, a próxima etapa cabe à defesa de Lula, que deverá solicitar formalmente a liberação dos recursos. Do Brasil 247

Moraes na lista do Financial Times

Brasília (DF) - 10/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi apontado pelo Financial Times como um dos 25 nomes mais influentes de 2025. De acordo com o Financial Times, que reúne indicações de seus repórteres, colunistas e editores, Moraes integra a categoria “heróis”, ao lado de seis personalidades de destaque mundial. A publicação afirma que ele “tornou-se um símbolo de democracia e justiça no Brasil” em um período marcado pela fragilidade de instituições democráticas diante de líderes populistas e de extrema direita.

Senado x STF

A reação do Legislativo à liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes que dificultou o caminho para o impeachment de integrantes da corte não deve se limitar à irritação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), quer acelerar um projeto sobre os crimes de responsabilidade de autoridades como o presidente da República e os ministros do STF, substituindo a lei de 1950 cujos trechos foram considerados inconstitucionais por Gilmar. O projeto permite que partidos, sindicatos e a OAB apresentem denúncias contra autoridades e limita o prazo para que os pedidos de impeachment sejam analisados. Na quarta-feira, Gilmar determinou que só a Procuradoria-Geral da República pode pedir o impeachment dos integrantes do Supremo e elevou o número de votos necessários para que o Senado inicie o processo. (Folha)

Senado x STF 2

Alcolumbre telefonou aos ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin logo após tomar conhecimento da decisão liminar de Gilmar Mendes. As conversas foram interpretadas como uma tentativa de esfriar a crise que se instalou entre Senado e Supremo. Segundo relatos, Moraes buscou apaziguar o presidente do Senado, com quem mantém boa relação, diante do forte incômodo provocado pela decisão de Gilmar, com o qual Alcolumbre ainda não falou. (Globo)-Charge do Marcelo Martinez

Gilmar dobrou a aposta

Já Gilmar dobrou a aposta nesta quinta-feira e, de quebra, deu um “pito” em Jorge Messias, o indicado pelo presidente Lula para o Supremo. Além de negar o pedido da Advocacia-Geral da União para reconsiderar a decisão liminar, o decano afirmou que o recurso apresentado pela AGU é “incabível” e que não há motivos para alterar a liminar, considerada por ele indispensável para corrigir “um estado de coisas incompatível com o texto constitucional”. Messias, que ainda ocupa o cargo de advogado-geral da União, entrou na polêmica em busca do apoio que precisa no Senado para ter seu nome aprovado para o STF. Ao que parece, agora ganhou desafetos também na Suprema Corte. (Folha).

Enquanto isso…

O ministro Flávio Dino tomou outra decisão que afeta diretamente o Legislativo, determinando que o governo federal está proibido de receber, processar ou executar qualquer emenda parlamentar indicada pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). A ordem atinge cerca de R$ 80 milhões em emendas para o Orçamento de 2026. Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos por participação na tentativa de golpe e fugiu para os EUA, onde Eduardo Bolsonaro já vive desde o início do ano. (UOL)

Grave erro histórico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ficar longe da polêmica entre o STF e o Congresso, mas acabou entrando na briga com acusações contra os dois poderes. Lula disse que considera as emendas impositivas — de execução obrigatória — um “grave erro histórico” e criticou o peso que elas impõem ao Orçamento. Segundo ele, o mecanismo, que destina recursos definidos por parlamentares, representa um “sequestro” de 50% do orçamento da União. “Eu, sinceramente, não concordo com as emendas impositivas. Acho que o fato de o Congresso sequestrar 50% do orçamento é um grave erro histórico”, disse Lula, durante reunião do Conselhão, em Brasília. Lula também atacou a possibilidade de ministros do STF, juízes e parlamentares atuarem remotamente, inclusive votando fora do país. Para ele, a prática compromete a seriedade das decisões públicas. Segundo Lula, a ausência física de autoridades “incomoda a sociedade” e mina a confiança na democracia. (g1)

Alcolumbre x Lula

Davi Alcolumbre reagiu com irritação às declarações do presidente Lula e queixou-se diretamente a integrantes do Palácio do Planalto por telefone, durante a própria sessão do Congresso, segundo relato de parlamentares presentes. No plenário, um parlamentar acionou o secretário especial de Assuntos Parlamentares da SRI, André Ceciliano, e repassou o telefone a Alcolumbre, que questionou “que sequestro” seria esse, citando sua atuação para aprovar a LDO e ajudar o governo em ajustes fiscais ligados às estatais. Segundo aliados, a fala de Lula piorou o clima no Congresso num momento de instabilidade já agravado pela disputa em torno da indicação de Jorge Messias ao STF. (Folha)

Alcolumbre x Lula 2

Aliás, Alcolumbre admitiu que a votação da indicação de Messias vai ficar para 2026, como queria o Executivo. “Este ano, só Orçamento”, disse, irritado, a jornalistas. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também reconheceu que o assunto está adiado: “Será um debate para o próximo ano. Acho que está pacificado”, disse. (InfoMoney)

BR-319 em até 90 dias

Câmara aprovou licença ambiental impulsionada por Alcolumbre com brecha para liberar BR-319. A medida provisória que institui a LAE (Licença Ambiental Especial) foi aprovada na Câmara dos Deputados na terça-feira (2) com uma brecha para autorizar a reconstrução da polêmica rodovia BR-319 em até 90 dias. Como revelou a Folha, a LAE é impulsionada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, e acelera a análise de impactos sobre a natureza para empreendimentos que sejam classificados como estratégicos pelo governo federal —o que pode beneficiar casos de exploração de petróleo como o da bacia Foz do Amazonas. Para destruir a Amazônia Alcolumbre age rápido.

Lula criticou derrubada dos vetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a derrubada pelo Congresso de 56 dos 63 vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental e disse que os vetos pretendiam proteger o agronegócio brasileiro. Lula afirma durante reunião do Conselhão, no Palácio Itamaraty, que as pessoas que são contrárias às sugestões do governo feitas ao licenciamento “sabem que estão erradas”:-Nós vetamos para proteger o agronegócio, porque essa mesma gente que vetou, que derrubou meu veto, quando a China parar de comprar soja, quando a Europa parar de comprar soja, quando alguém parar de comprar nossa carne, quando alguém parar de comprar nosso algodão, vão falar comigo. ‘Presidente, fala com o Xi Jinping. Presidente, fala com a União Europeia. Presidente, fala com a Rússia. Presidente, fala com o não sei com quem’. Porque eles sabem que eles estão errados. Eles sabem que nós queremos que a nossa produção seja cada vez maior, mas cada vez mais sustentável e cada vez mais limpa — disse

LDO de 2026

O Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 com uma regra que força o governo a pagar 65% das emendas parlamentares até julho, um gesto feito em um ano eleitoral, quando deputados e senadores costumam mandar dinheiro para seus redutos antes da disputa local. A LDO também fixou a meta fiscal do próximo ano para um superávit de R$ 34,3 bilhões, com tolerância entre déficit zero e superávit de até R$ 68,5 bi, depois que o governo conseguiu retirar do cálculo até R$ 10 bilhões em gastos com reestruturação de estatais, sobretudo os Correios. Parlamentares ainda ampliaram o valor de referência para o fundo partidário, que deve subir cerca de R$ 150 milhões, e blindaram tanto o fundo partidário quanto o eleitoral de qualquer contingenciamento em 2026. (g1)

LDO de 2026-2

E o governo contou com um aumento das alíquotas do Imposto de Importação ao projetar R$ 14 bilhões extras de receita para 2026, valor que o Congresso incorporou ao relatório de receitas do Orçamento. A elevação depende apenas de decreto e foi estimada a partir de cenários técnicos, ainda sem lista fechada de produtos. O reforço viabilizaria a abertura de R$ 13,2 bilhões em espaço fiscal autorizados pela PEC 66 e também recompõe parte das emendas de comissão que estavam zeradas. (Valor)

Venezuela

O Departamento de Estado americano reforçou o alerta contra viagens para a Venezuela e recomendou que cidadãos americanos que já estejam no país saiam “imediatamente”. O aviso contra viagens a Caracas cita risco de “detenção injusta, tortura, terrorismo, sequestro, aplicação arbitrária de leis locais, crime, agitação civil e infraestruturas de saúde precárias”. A notificação dos EUA é feita após um alerta do presidente americano, Donald Trump, de que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado fechado. (CNN Brasil)

Papa Leão XIV libera sexo

Um documento divulgado pela Igreja Católica, com aprovação do papa Leão XIV, reconhece a “finalidade unitiva da sexualidade”, enfatizando que o sexo “não se limita a assegurar a procriação, mas contribui para enriquecer e fortalecer a união única e exclusiva” do casal. O texto admite que os cônjuges podem manter relações, mesmo sem buscar filhos, inclusive em períodos de infertilidade, “como manifestação de afeto e para salvaguardar a fidelidade mútua”. O texto, porém, condena práticas como o poliamor. (g1)

USP

A Universidade de São Paulo (USP) foi classificada como a 32ª melhor universidade do mundo, melhor posição entre as brasileiras na nova edição do Interdisciplinary Science Rankings (ISR). A classificação da Times Higher Education, em parceria com a Schmidt Science Fellows, considera a capacidade de realizar e promover a ciência interdisciplinar, que integra diferentes áreas do conhecimento. Foram analisadas 911 universidades de 94 países. A USP subiu 25 posições desde o último levantamento, quando ficou em 57º lugar. Unesp (86º), Unifesp (144º) e UFRJ (177º) são as demais instituições brasileiras no ranking. (Globo)

Apagão de professores

No ensino básico, uma projeção do Movimento Profissão Docente alerta os governos para evitar um apagão de professores nas escolas brasileiras. Segundo o levantamento, 57,5% dos profissionais das redes estaduais de ensino poderão se aposentar até 2034. O rápido envelhecimento do quadro de efetivos se deve pela redução de professores contratados nessa modalidade, dando preferência aos temporários. O estudo indica que a situação fiscal das unidades federativas exige cautela no planejamento para as próximas contratações, sendo que 92% dos estados gastam mais de 70% dos recursos do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) com salários. (Folha)

Novas Frequências

O Rio de Janeiro recebe a 15ª edição do Novas Frequências, que ocupa diferentes lugares da cidade com uma programação musical que sai do óbvio. O Solar comemora 10 anos com a maior exposição de sua história, trazendo obras de artistas como Ailton Krenak, Anna Bela Geiger e Antonio Dias. Já em São Paulo, tem aniversário de dois anos do Matiz no Viaduto do Chá, com shows do Azymuth, Nubya Garcia, Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago. O CineSesc traz diversos filmes de Jafar Panahi, enquanto a Mostra 2025 em Cena terá 21 espetáculos gratuitos em teatros da prefeitura até 21 de dezembro.

Flip 2026

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acontecerá entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, informou a organização nesta quinta-feira. As datas foram divulgadas com mais de seis meses de antecedência para facilitar o planejamento de todos os envolvidos. Nos últimos anos, a demora nos anúncios gerou queixas de editoras e problemas com preços de hospedagens. Ainda sem informações sobre mesas ou convidados, a curadoria será feita pela crítica literária Rita Palmeira, que assume o posto ocupado por Ana Lima Cecilio nas duas últimas edições. (Folha)

Israel

Os Países Baixos, Espanha, Irlanda e Eslovênia anunciaram que não participarão da próxima edição do Eurovision, depois de uma reunião das emissoras participantes ter decidido que Israel seria admitido no festival. A emissora holandesa Avrotros afirmou que “a participação nas circunstâncias atuais é incompatível com os valores públicos que são essenciais para nós”, enquanto a emissora irlandesa RTÉ classificou como “inaceitável” a participação israelense. O boicote se dá pela posição dos países em relação ao conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A Rússia está banida da competição desde o início da guerra na Ucrânia. (Deadline)

Meta na mira da União Europeia

Em mais uma investigação antitruste, a Meta entrou na mira da União Europeia novamente, agora devido à integração de ferramentas de inteligência artificial no WhatsApp. Reguladores querem entender se a nova política da empresa, que passa a valer totalmente em 2026, limita o acesso de concorrentes à plataforma e favorece o próprio sistema de IA da companhia. A investigação foi aberta após queixas de startups europeias, que dizem ter sido bloqueadas ao tentar operar assistentes dentro do aplicativo. Por isso, a UE não descarta medidas e lembra que a Meta pode ser multada em até 10% do faturamento global se for considerada culpada de abuso de posição dominante. A empresa afirma que as denúncias são infundadas e atribui os bloqueios ao aumento do tráfego causado por chatbots externos. (Reuters)

IA na aviação

O Google e a Embraer anunciaram um acordo para estudar aplicações de inteligência artificial na aviação. O memorando de entendimento prevê avaliar onde a tecnologia pode acelerar pesquisa, desenvolvimento e processos industriais dentro da fabricante brasileira, que já vem ampliando o uso de IA e digitalização em suas operações. A parceria envolve áreas como Google DeepMind e Google Cloud e mira oportunidades que vão de eficiência operacional a novos modelos de projeto e manutenção. Nos próximos meses, as duas empresas conduzem estudos conjuntos para decidir em quais frentes a cooperação avançará. (CNN Brasil)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

UFSCar nota zero

Hoje, falarei como PCD (pessoa com deficiência). No meu caso, é apenas física, ou seja, não tenho nenhuma dificuldade cognitiva. Minha Cosmovisão, como poderão ver, segue firme e forte.

Darei vários exemplos de nota zero para acessibilidade e inteligência social:
1. Temos observatório interestelar, mas não temos inteligência coletiva.
2. Temos todo tipo de máquinas, mas não temos acessibilidade. Onde há rampas, em muitas delas, você se sente escalando uma onda gigante.
3. Temos uma porção de maquiagem, mas nunca vi um aparelho desfribilador.
4. As salas de aula tem três, quatro ventiladores, mas só funciona um.
5. Porém, estamos muito bem, porque não faltam projetos para mais prédios e máquinas.
6. Como PCD, nunca, jamais fui consultado sobre acessibilidade institucional (desde 2014).

O fato gerador: teria uma defesa dia 12, no entanto, o PPGCTS não tem nenhuma (zero) sala com acessibilidade.

A resposta recebida variou entre “vire-se” e “procure fulano pra te ajudar”.
Respondi que não sou secretário e nem coordenador.
Professor é professor, secretário é secretário. Inclusive, os concursos são diferentes.

Enfim, não haverá a defesa. Reputo esses significados para muito além da desídia, da identificação “com o modo de ser bolsonarista raiz”, desse ou daquele – no caso, porque são incapazes de entender o que é PCD.

Replico essa nota à cultura institucional que não se modifica. Nada muda quanto à definição de prioridades.

E também digo isso com a autoridade moral de quem fez 30 avaliações institucionais pelo MEC. Em muitas dessas visitas, in loco, atribuí nota 3 (a mínima que poderia), porque vi com os meus olhos, senti com as minhas muletas, que as pessoas importam muito menos do que os prédios.

Aqui na UFSCar, hoje, só faltaram me dizer “dá seus pulos”.

Eu vou pular sim, daqui alguns anos pularei com uma bela Ação Civil Pública. O melhor daí por diante é que os pulos serão dados diretamente com o Ministério Público Federal.

Vinício Carrilho Martinez

 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Unha e Carne

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazar informações sigilosas sobre a Operação Zargun — ação que levou à prisão do ex-deputado estadual TH Joias por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro. A ordem de prisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também determinou o afastamento imediato de Bacellar do comando da Assembleia. Na decisão, Moraes cita “fortes indícios” de que o parlamentar atuou para obstruir investigações envolvendo o Comando Vermelho e teria influenciado ações do Executivo fluminense. Bacellar tinha ligação íntima com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL) e era apontado como seu candidato ao governo do estado em 2026, até os dois romperem recentemente. (g1)

Unha e Carne 2

Pode ser uma imagem de ‎texto que diz "‎م MO HaAH B XBRB‎"‎A PF apontou que o movimento de Cláudio Castro para afastar TH Joias da Alerj foi interpretado como uma ação coordenada para estancar danos políticos após outra operação da PF. A avaliação consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a prisão de Rodrigo Bacellar. A PF afirma que a articulação buscou “desvincular a imagem da Alerj” do parlamentar preso por ligação com o Comando Vermelho. Os investigadores sustentam que a movimentação reforça a suspeita de que o vazamento de informações sigilosas — atribuído a Bacellar — teria como objetivo proteger aliados políticos da facção. (UOL)

Ligações perigosas

É impressionante a ligação de políticos da direita com a bandidagem, falando o português correto e sem rodeios. A Polícia Federal encontrou mais de R$ 90 mil em dinheiro vivo no carro de Rodrigo Bacellar, que foi preso nesta quarta (3), suspeito de vazar informações da Operação Zargun, que ocorreu em setembro e prendeu o então parlamentar TH Joias. O traficante TH Joias tem estreita ligações com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), com Bolsonaro e com o presidente afastado e preso da Alerj, Rodrigo Bacelar. As imagens falam por si.

Ligações perigosas 2

o texto enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF descreve como o deputado teria alertado TH Jóias, orientando-o sobre a retirada de itens de interesse da apuração. Para os investigadores, essa conduta caracteriza uma “ação obstrutiva” e teria como objetivo subjacente preservar relações políticas com o Comando Vermelho, facção que exerce forte domínio territorial no estado. O documento reproduzido na decisão do ministro Alexandre de Moraes destaca que essa influência “se traduz em milhões de votos no pleito eleitoral que se avizinha”, referência direta às eleições de 2026. Bacellar foi preso na quarta-feira (3) durante a Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazar informações sigilosas e interferir no avanço da Operação Zargun.

Ligações perigosas 3

As investigações revelam que a facção ampliava seus laços institucionais por meio de articulações políticas. A prisão de TH Jóias, em setembro, já havia exposto parte dessa engrenagem. Entre os detidos na Zargun está Índio do Lixão, apontado como traficante responsável por movimentar R$ 120 milhões em cinco anos e por atuar como braço direito de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, liderança do Comando Vermelho no Complexo do Alemão. Segundo a PF, Índio era uma espécie de tesoureiro da facção e mantinha pagamentos ilícitos a policiais para garantir a proteção de integrantes do grupo.

Tropa de Elite 3

Este articulista morou por dez anos na Barra da Tijuca, Rio. Foi vizinho de milicianos, bicheiros e até de Bolsonaro. Perigo por todos os lados. Apesar de tudo, nada aconteceu de grave contra esse articulista, exceto uma tentativa de sequestro e uma retirada bancária fraudulenta. E quase presenciou a explosão de um Corolla blindado na Avenida das Américas, em 2010, que matou o filho de 17 anos do bicheiro Rogério Andrade. Cena de filme. Falando nisso, o Rio já tem material suficiente para se produzir o Tropa de Elite 3. A prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é nitroglicerina pura, roteiro de filme. Prova a infiltração do crime na política fluminense, que foi tema do Tropa de Elite 2.

A ex-diarista do senador Jorge Seif

A ex-diarista Adna dos Anjos Cajueiro, lotada no gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC) desde 2023, recebe um salário de R$ 31,2 mil, valor superior ao que é pago a oito governadores brasileiros. Embora formalmente registrada como assessora parlamentar, integrantes do próprio gabinete afirmaram não saber quem ela era, quando a reportagem tentou encontrá-la em Brasília. O caso foi revelado com exclusividade pelo Metrópoles.

Gilmar blinda ministros do STF

Uma nova crise institucional se instalou em Brasília poucos dias depois de o Planalto e o Congresso aprofundarem as tensões entre os dois Poderes. Dessa vez, foi o STF o protagonista do embate, após o ministro Gilmar Mendes decidir, em liminar, que somente a Procuradoria-Geral da República poderá apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte. Mendes também fixou que a abertura e a aprovação desses processos no Senado exigem quórum de dois terços — e não maioria simples, como prevê a legislação atual, de 1950. Gilmar afirmou que o quórum atual fragiliza garantias como a vitaliciedade e a independência judicial e poderia submeter o Supremo ao controle político do Legislativo. Para ele, o uso do impeachment como forma de pressão constitui risco ao Estado de Direito. A decisão ainda precisa ser analisada pelo plenário do Supremo, o que deve ocorrer entre 12 e 19 de dezembro. (Metrópoles)

Gilmar blinda ministros do STF 2

No final do dia, o governo entrou na polêmica tentando esfriar as tensões e aumentar a popularidade no Senado de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula a uma vaga no STF. O advogado-geral da União pediu que Gilmar reveja a decisão. Em manifestação enviada ao gabinete do decano, a AGU solicita ainda que os efeitos da liminar sejam suspensos até que o tema seja julgado pelo plenário do STF, cuja análise está prevista para começar em 12 de dezembro, no ambiente virtual. (Veja)

Gilmar blinda ministros do STF 3

Nos bastidores do Supremo, a liminar de Gilmar Mendes é vista como uma resposta preventiva a um possível avanço de uma maioria bolsonarista no Senado após 2026. Dentro da Corte, a avaliação é que a medida reduz o espaço para campanhas eleitorais baseadas na promessa de impeachment de ministros — uma bandeira que vinha sendo explorada por candidatos alinhados ao bolsonarismo. Ministros ouvidos reservadamente dizem ter sido surpreendidos pela amplitude da liminar e consideram que ainda há incertezas sobre a possibilidade de o plenário confirmar a exclusividade da PGR nos pedidos de afastamento. (g1)

Gilmar blinda ministros do STF 4

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu com dureza à decisão liminar do ministro Gilmar Mendes e disse que o Legislativo pode buscar proteger suas prerrogativas por meio de mudanças na Constituição. Em pronunciamento no plenário, Alcolumbre afirmou ter recebido a medida com “indignação, perplexidade e preocupação” e classificou o ato como uma tentativa de “usurpar prerrogativas do Legislativo”. O presidente do Senado, que mantém relação próxima com ministros do Supremo, cobrou “reciprocidade institucional” da Corte e advertiu que o Senado reagirá se considerar que suas competências foram violadas. (Valor)

Gilmar blinda ministros do STF 5

Na Câmara, o clima foi de apoio ao Senado. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou a redação final do projeto que limita decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF) e reorganiza o rito das ações de controle concentrado. A proposta, relatada pelo deputado Alex Manente (Cidadania-SP), segue agora de volta ao Senado, após ajustes feitos pelo colegiado. O avanço do projeto na Câmara, em meio ao novo atrito entre Legislativo e Judiciário, foi lido por deputados como uma reação política ao STF e uma forma de retomar protagonismo institucional diante da decisão de Gilmar. (Globo).

Gilmar blinda ministros do STF 6

“O sistema de freios e contrapesos estabelece independência e autonomia para cada um dos Poderes atuar, mas com capacidade mútua de limitar eventuais excessos. Esse equilíbrio entrou em colapso nesta quarta-feira, quando Gilmar Mendes reduziu a capacidade do Senado de abrir processo de impeachment contra ele mesmo e seus colegas”. (Carolina Brigido-Estadão)

Gilmar blinda ministros do STF 7

“O que o ministro Gilmar Mendes fez, hoje, é perigosíssimo. Ele colocou o Brasil na antessala de uma crise constitucional. Quem for de esquerda e acreditar que isso salva a democracia não está percebendo o jogo. Põe é em risco a própria democracia”. (Pedro Doria-Meio)

Banco Master

O ministro do STF Dias Toffoli decidiu que cabe à própria Corte conduzir as investigações envolvendo o Banco Master. A determinação atende a um pedido da defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Toffoli apontou que o caso pode envolver autoridades com foro privilegiado, como o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), citado em um contrato imobiliário apreendido pela Polícia Federal. (CNN Brasil)

Flamengo

Repetindo o feito de 2019, o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro dias depois de vencer a Libertadores. O rubro-negro chegou ao título com uma rodada de antecipação ao vencer o Ceará por 1 a 0 no Maracanã e chegar aos 78 pontos, não podendo mais ser alcançado pelo Palmeiras, que tem 73. É o quarto título do ano para a equipe da Gávea, que ainda vai disputar a Copa Intercontinental no Catar, além de ser a atual campeã da Copa do Brasil. (ge)

Pobreza recua

A pobreza voltou a recuar no Brasil, com 23,1% da população vivendo com menos de R$ 694 por mês em 2024, uma redução de 8,6 milhões de pessoas, em relação aos 27,3% do ano anterior. É o que mostra uma nova pesquisa do IBGE, divulgada nesta quarta-feira, usando os parâmetros e a metodologia do Banco Mundial. A extrema pobreza também caiu, de 4,4% para 3,5%. Foi o terceiro recuo seguido do indicador, que chegou ao pior nível em 2021, no auge da pandemia. Ainda assim, os números reforçam a desigualdade. Pretos e pardos são 71% dos pobres, embora representem pouco mais da metade da população, e entre as mulheres, 24% são pobres, enquanto entre os homens, o índice é de 22,2%. A diferença cresce quando se cruza gênero e raça, sendo que 30,4% das mulheres pretas ou pardas estão na pobreza, contra 14,7% dos homens brancos. (Meio)

Bioeconomia

A União Europeia lançou um novo plano para estimular a bioeconomia entre seus países, com um projeto ambicioso que inclui a produção de plástico obtido a partir de biomassa. O programa é promissor, tanto pelo lado econômico, quanto pela questão ambiental. O problema é que não há terra ou mesmo resíduo orgânico suficiente para realizar toda a tarefa. Críticos ao plano contestam a capacidade europeia de promover uma transformação profunda na produção de recursos baseados em biomassa. Com a queda da absorção de CO2 e problemas ambientais, como queimadas e degradação do solo, o aumento na coleta de material orgânico preocupa especialistas. (Folha)

Foi Apenas um Acidente

Um acidente banal em uma estrada do interior, uma parada rápida na oficina e um som que faz gelar o sangue do mecânico. A perna de pau do motorista emite o mesmo som da que usava o homem que o torturara anos atrás. Essa cena, que poderia muito bem se passar no Brasil, é o pontapé inicial de Foi Apenas um Acidente, do iraniano Jafar Panahi. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme é a principal estreia desta quinta-feira, mas o cardápio nos cinemas é variado, incluindo o drama de uma operária/artista na sociedade machista do Brasil dos anos 1910 e um mergulho na vida do irmão que sobra quando o gêmeo idêntico morre.

O Agente Secreto

Longa de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto foi indicado a melhor filme internacional no Spirit Awards, importante premiação do cinema independente, que reconhece produções que custaram menos de US$ 30 milhões. O filme estrelado por Wagner Moura compete com o espanhol Sirât, de Oliver Laxe, vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes; o palestino All That’s Left of You; o zambiano On Becoming a Guinea Fowl e o colombiano A Poet. O paulista Adolpho Veloso também foi indicado na categoria melhor fotografia por Sonhos de Trem. Os vencedores serão conhecidos no dia 15 de fevereiro. (Globo)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Por que o Novo Sempre Vem?

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Paulo Freire, o patrono da educação brasileira desde 2012, tornou-se uma figura representativa para a educação brasileira em diversos aspectos, principalmente por propor uma pedagogia crítica. Dentre suas obras, ‘Pedagogia do Oprimido’ (1968) percebe a educação para além da transmissão, mas como um ato político que deve ser marcado pela promoção da consciência crítica e em busca da transformação social.

Esse processo demanda o rompimento da chamada Educação Bancária, fundamentada na redução dos estudantes a recipientes vazios, para uma prática pedagógica que reconheça os estudantes como sujeitos integrais, com suas histórias e conhecimentos prévios.

Freire, ao longo de sua jornada, apresentou diversos marcos pedagógicos, dentre eles, em meados de 1960, desenvolveu a alfabetização de trabalhadores rurais em aproximadamente 40 dias, utilizando, como princípio de partida, as palavras do cotidiano e, a partir delas, desenvolvendo um novo vocabulário.

Apesar da grande relevância social e para a educação deste feito, com o Golpe de 1964, Freire foi preso e exilado, demonstrando como, “naturalmente”, ir contra a maré é algo que tende a ser rejeitado, como citado em uma das aulas de Educação e Sociedade: ‘quem detém poder não abdica dele graciosamente’. Recentemente, tivemos acesso a um processo de “demonização” das obras e propostas de Freire, principalmente nos debates acerca da educação.

Tal fenômeno remonta a esse padrão histórico em que, quando a perspectiva de educação é direcionada para a emancipação do sujeito, para sua formação integral, os “braços do sistema” e, que fique caracterizado aqui como ações humanas, nada espiritual ou algo assim, tendem a gerar uma deslegitimação dessas concepções, sendo, por sua vez, uma das estratégias de manipulação social e manutenção das “tradições” acadêmicas.

Apesar de todo esse enredo, ainda é possível analisar um dos maiores legados de Paulo Freire perante a educação, particularmente falando, justamente a defesa de uma educação que venha do povo, que busque valorizar a escuta e a dignidade humana, como uma das canções de Elis Regina em Como Nossos Pais‘é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem’.

As propostas de Freire são justamente esse “novo” que insiste em cair em terra seca e florescer mesmo com dificuldades, porque sua prática docente se direciona para um futuro de criticidade e justiça social, portanto, permanecem incentivando diversos docentes e servindo como inspiração nos dias mais difíceis e caóticos na educação reafirmando que a sala de aula é, sim, um espaço de cuidado e transformação.

Ester Dias da Silva Batista.

Chegou a vez de Sérgio Moro: PF realiza operação na 13ª Vara de Curitiba

A operação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal, o que indica a possível investigação de autoridade com prerrogativa de foro

 A Polícia Federal cumpre, neste momento, mandado de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela condução dos processos da Lava Jato. A operação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal, o que indica a possível investigação de alguém com prerrogativa de foro na Corte. A ação reacende o debate sobre irregularidades atribuídas à estrutura que durante anos sustentou os processos da força-tarefa.

A PF não divulgou detalhes sobre o alvo específico da medida, mas a movimentação na unidade judicial paranaense já provoca expectativa sobre os desdobramentos da investigação e seu impacto no histórico da vara que se tornou símbolo da Lava Jato.

Em outubro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a realizar diligências na 13ª Vara Federal de Curitiba, que foi comandada pelo ex-juiz parcial Sergio Moro. A medida, tomada em 6 de outubro, integra o inquérito que apura denúncias apresentadas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia ao Brasil 247 contra o atual senador.

Na determinação, Toffoli autorizou o acesso ao acervo de documentos da vara judicial que esteve sob comando de Moro. “Defiro sejam empreendidas pela autoridade policial as diligências propugnadas, visando autorizar o exame in loco dos processos ali relacionados, documentos, mídias, objetos e afins relacionados às investigações”, escreveu o ministro em sua decisão.

O magistrado também rejeitou o pedido da defesa de Moro para que o inquérito fosse retirado do STF, sob o argumento de que os fatos investigados ocorreram antes de seu mandato como senador. Com a decisão, as apurações permanecem sob jurisdição da Suprema Corte.

Do Brasil 247

AtlasIntel: Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno para 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com vantagem em todos os cenários simulados para a eleição de 2026, segundo pesquisa divulgada pela AtlasIntel. Mesmo enfrentando índices de desaprovação ligeiramente superiores aos de aprovação, Lula segue numericamente à frente — inclusive em disputas diretas com figuras centrais da direita brasileira.

Primeiro turno: vantagem consolidada para Lula

Nos cenários de primeiro turno em que seu nome é testado, Lula oscila entre 47,3% e 48,7% das intenções de voto. A soma de adversários distribuídos entre Tarcísio de Freitas (Republicanos), Michelle Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (NOVO), Ratinho Jr. (PSD) e Renan Santos (Missão) não ameaça a dianteira petista.

No cenário 1, Lula marca 48,4%, enquanto Tarcísio de Freitas registra 32,5%. Em seguida aparecem Ronaldo Caiado (5,7%), Ratinho Jr. (4,1%), Renan Santos (1,9%) e Romeu Zema (2,3%). Votos brancos ou nulos chegam a 3,2%, e 1,8% não souberam responder.

No cenário 2, Lula atinge 48,7% contra 28,6% de Michelle Bolsonaro. Caiado soma 9,4%; Ratinho Jr., 5%; Zema, 4,4%; e Renan Santos, 2,1%. Brancos e nulos aparecem com 1,4%, e indecisos, 0,4%.

O cenário 3 reforça a vantagem do presidente: Lula chega a 48,5%, enquanto Caiado pontua 16,9%; Ratinho Jr., 12,6%; Zema, 9,5%; e Renan Santos, 2,6%. Brancos e nulos somam 6,4%, e indecisos, 3,6%.

No cenário 4, Lula aparece com 47,3% diante de Flávio Bolsonaro, que marca 23,1%. Caiado chega a 10,2%; Ratinho Jr., 7,1%; Zema, 5%; Renan Santos, 2,4%; e Eduardo Leite (PSD), 1,1%. Brancos e nulos contabilizam 2,8%, e indecisos, 1%.

A pesquisa também avaliou um cenário sem Lula, substituído por Fernando Haddad (PT). Nesse quadro, o ministro da Fazenda registra 44,4%, seguido por Tarcísio de Freitas com 32,3%. Os demais candidatos permanecem com desempenho semelhante aos outros cenários testados.

Segundo turno: Lula supera todos os adversários

Nas simulações de segundo turno, Lula mantém estabilidade e vence todos os confrontos testados. O presidente marca 49% tanto contra Tarcísio de Freitas quanto contra Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro – que está inelegível -, sempre com 47% para os rivais e 4% de votos brancos, nulos ou indecisos.

Em disputas contra Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula registra 49%, enquanto ambos somam 41%, com 10% de eleitores fora de qualquer opção. Contra Ratinho Jr., o placar fica em 49% a 40%. No embate com Eduardo Leite, Lula tem 47% e o governador gaúcho, 28%, enquanto 25% dos entrevistados declaram voto branco, nulo ou indefinição.

A AtlasIntel também simulou a repetição exata da eleição de 2022: Lula aparece com 45,7% e Jair Bolsonaro com 44,8%. Ciro Gomes soma 2,8%, Simone Tebet, 2,9%, e outros candidatos, 1,9%. Brancos e nulos chegam a 1,8%, e apenas 0,2% não souberam responder.

Avaliação do governo e preocupações nacionais

A pesquisa indica que 50,7% desaprovam o trabalho do presidente, enquanto 48,6% aprovam. Na avaliação do governo, 48,6% classificam a gestão como ruim ou péssima; 44,4% a consideram ótima ou boa; e 7% avaliam como regular.

Entre os maiores problemas apontados pela população, criminalidade e tráfico de drogas aparecem em primeiro lugar, citados por 63% dos entrevistados, seguidos pela corrupção, mencionada por 60%.

O levantamento da AtlasIntel ouviu 5.510 pessoas entre 22 e 27 de novembro, com margem de erro de um ponto percentual.

Do Brasil 247 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Parlamentares e Banco Master

A apuração sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master entrou em uma nova fase e poderá alcançar nomes do Poder Legislativo. Documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam possíveis vínculos de parlamentares com as operações investigadas. De acordo com o Correio Braziliense, o material encontrado poderá levar o inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR), com futuras diligências submetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Parlamentares e Banco Master 2

A PF analisa elementos que surgiram durante buscas e apreensões realizadas no âmbito da Operação Compliance Zero, voltada à investigação da negociação de carteiras de crédito inexistentes. Caso sejam confirmados indícios do envolvimento de agentes com prerrogativa de foro, o avanço das apurações dependerá de autorização do STF. Do Brasil 247

Fracassou espetacularmente

O Financial Times, em publicação na segunda-feira (1º/12), avaliou que a ofensiva internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro para tentar impedir a prisão do pai, Jair Bolsonaro (PL), “fracassou espetacularmente” e acabou aprofundando a crise que atinge o clã. A reportagem descreve um movimento político em desintegração, com o ex-presidente preso, a família dividida e a direita brasileira em busca de um novo líder para 2026.

Fracassou espetacularmente 2

Segundo o jornal britânico, Eduardo atuou nos Estados Unidos para convencer o governo Donald Trump a pressionar o Judiciário brasileiro. O gesto, porém, “saiu espetacularmente pela culatra”: tarifas de 50% sobre produtos brasileiros irritaram empresários, desgastaram Brasília e não produziram qualquer recuo do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fracassou espetacularmente 3

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, barba e texto que diz "CONCLUÍRAM 0 PLANO DE VINGANÇA CONTRA MEU PAI! QUEREM MATA-LO ELE ESTÁ COM A SAUDE FRAGILIZADA rkms.13 1 min Foram vcs mesmos os responsáveis por esse "grand finale". Vcs tentaram vários golpes contra a democracia. Agora estão se fazendo de vítima."Ainda segundo o jornal, a tentativa do deputado — hoje em “autoexílio nos EUA” e sob risco de responder por obstrução de Justiça se voltar ao Brasil — expôs a perda de rumo do bolsonarismo. “Os erros da família Bolsonaro levaram a uma destruição significativa do valor da marca política”, afirmou uma fonte do mercado financeiro brasileiro. “A família enlouqueceu e o que Eduardo fez é absolutamente repreensível.” A publicação descreve Jair Bolsonaro como “solitário e abatido” no momento da prisão, em 22 de novembro. As informações são do Metropoles.

Era só o que faltava

Os irmãos Bolsonaro estão com o discurso afinado. Na cara de pau estão espalhando que o pai está sendo perseguido e está muito doente. O “doente” que vive articulando politicamente indicando quem será candidato pelos quatro cantos do país. Ou Bolsonaro está doente ou está bem e fazendo política.

Família rachadinha

O ex-presidente Jair Bolsonaro mal se acostumou com a cela onde vai cumprir parte da pena de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e já assiste a uma guerra familiar pela disputa de seu papel de liderança na direita brasileira. A tensão no núcleo mais íntimo dos Bolsonaro explodiu nesta segunda-feira após uma declaração de Michelle Bolsonaro em um comício em Fortaleza. A ex-primeira-dama criticou publicamente a aliança firmada pelo PL do Ceará com Ciro Gomes, afirmando que o acordo foi “precipitado” e insinuou deslealdade da legenda ao marido. A intervenção inesperada irritou os filhos do ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu primeiro e afirmou que Michelle “atropelou” Bolsonaro ao desautorizar um movimento que, segundo ele, havia sido previamente avalizado pelo ex-presidente. Carlos Bolsonaro endossou o irmão e afirmou que é preciso “respeitar a liderança” do pai. Jair Renan também compartilhou as críticas. Mais tarde, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA, classificou a fala da madrasta como “injusta e desrespeitosa”. (g1)

Família rachadinha 2

Os ataques contra Michelle pelos irmãos Bolsonaro aconteceram no X, a plataforma usada por eles para criticar, defender, elogiar ou enviar recados a aliados ou inimigos. Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro fizeram posts atacando a madrasta. O caçula, Jair Renan, tratou de reproduzir as críticas. (Folha)

Família rachadinha 3

A atuação de Michelle tem incomodado não só a família. Lideranças do Centrão têm manifestado incômodo com a atuação dela na articulação de palanques estaduais para 2026. Com Bolsonaro impedido de atuar politicamente, dirigentes de partidos de direita avaliam que Michelle tenta assumir protagonismo nas negociações eleitorais. Ela comanda hoje o PL Mulher, estrutura que ampliou sua influência interna na sigla. Mesmo aliados do bolsonarismo admitem, nos bastidores, desconforto com a intervenção da ex-primeira-dama. Líderes do centro e da direita afirmam não querer que integrantes da família Bolsonaro ditem alianças locais, consideradas cruciais para a formação de palanques competitivos em 2026. (g1)

Família rachadinha 4

O conflito entre os filhos do ex-presidente e a madrasta é antigo, dos tempos em que a família estava no poder. Mas desta vez o estopim da crise familiar ocorreu na terça-feira passada, quando Michelle Bolsonaro fez uma piada durante reunião do PL que desagradou aos filhos do ex-presidente. Diante de dirigentes da sigla, a ex-primeira-dama contou que havia preparado milho cozido para o marido e revelou o apelido íntimo com que o chama: “meu galo”. Na sequência, fez uma brincadeira afirmando que Bolsonaro precisava mostrar que continuava “imbrochável”, referência às medalhas dos “3 is” distribuídas por ele a aliados. A fala foi interpretada por integrantes da família como exposição indevida do ex-presidente. (Globo)

Família rachadinha 5

“A família Bolsonaro vem se esmerando em destruir-se publicamente, com intrigas e acusações em tom elevado que transformam a privacidade em ação política, para o bem e para o mal”. (Merval Pereira-Globo)

Família rachadinha 6

Michelle não tem autonomia nem mais a força do marido, preso e inelegível, para sair por aí desautorizando as articulações estaduais do PL”. (Eliane Cantanhêde-Estadão)

Alzheimer

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal realize, em até 15 dias, uma perícia médica completa no general Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. A medida ocorre após a defesa afirmar que o ex-ministro do GSI foi diagnosticado recentemente com Alzheimer, versão que passou por correções ao longo da última semana. No despacho, Moraes ordena avaliação clínica, neurológica e neuropsicológica, com histórico médico, exames laboratoriais e, se necessário, ressonância magnética ou PET, a fim de verificar o real estado cognitivo e funcional do militar. Heleno está preso no Comando Militar do Planalto. (CNN Brasil)

Messias

Para vencer a resistência no Senado à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), seus aliados querem lançar mão da religião. A ideia é levar uma comitiva de pastores para pressionar os senadores em favor de Messias, que é evangélico. A avaliação, porém, é que as chances de aprovação dele na sabatina, marcada para o dia 10, dependem de um acordo entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que queria a vaga para seu antecessor e aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). (Folha)

Meta fiscal de 2026

O governo Lula deverá flexibilizar a meta fiscal das estatais em 2026 para acomodar os custos da reestruturação dos Correios, evitando que o impacto das despesas pressione outras áreas do Orçamento em pleno ano eleitoral. A mudança é considerada necessária porque o plano de recuperação da estatal, que inclui um empréstimo de R$ 20 bilhões para financiar PDV, regularização de fornecedores e quitação de dívidas, aumentará de forma expressiva o déficit primário das empresas públicas no próximo ano. Como as receitas do empréstimo não entram no cálculo da meta fiscal, mas seus gastos contam como despesa primária, o desequilíbrio seria inevitável sem o afrouxamento das regras. Em 2025, o governo já precisou conter R$ 3 bilhões em despesas para compensar o rombo maior das estatais, movimento que a equipe econômica quer evitar repetir às vésperas de 2026. (Folha)

O ultimato contra Nicolas Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, ignorou o suposto ultimato que teria recebido de Donald Trump durante telefonema no último dia 21 para que renunciasse e deixasse o país, informou a agência Reuters. Segundo fontes, o venezuelano teria exigido, além de anistia para ele e sua família, o fim das sanções econômicas a seus país e dos processos a que responde em cortes internacionais, o que foi rejeitado pelos EUA. Trump fez na segunda-feira uma reunião com seus principais assessores no Salão Oval para discutir os próximos passos de sua campanha para derrubar Maduro. (g1)

Sem autoescolas 

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou a maior mudança já feita no modelo de formação de condutores no país, ao extinguir a obrigatoriedade de aulas em autoescolas e flexibilizar todo o processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A resolução abre espaço para que candidatos estudem por conta própria, usem veículos particulares e contratem instrutores autônomos credenciados. A proposta busca reduzir custos e burocracia, principais barreiras para cerca de 20 milhões de brasileiros que dirigem sem habilitação. Na etapa prática, a exigência mínima cai de 20 para 2 horas de aula, cabendo ao candidato definir quanto precisa treinar. Instrutores autônomos passam a poder atuar de forma independente e dar aulas no carro do próprio aluno. O processo de habilitação também deixa de expirar após 12 meses, eliminando a perda de valores pagos quando o prazo era ultrapassado. (Quatro Rodas)

Rage bait

A Oxford University Press escolheu “rage bait” (isca da raiva, em tradução livre) como a palavra do ano. A expressão descreve a estratégia de conteúdos online em provocar indignação e ódio para forçar engajamento nas redes e segundo a própria editora do dicionário, seu uso triplicou em 12 meses. O termo venceu “aura farming” e “biohack”. Segundo a Oxford, o “rage bait” é uma evolução do clickbait, que se antes chamava atenção pela curiosidade, agora o faz pelo choque, irritação ou ofensa. A editora diz que a popularização do termo mostra maior consciência pública sobre táticas de manipulação online. (BBC)

Oscar 2026

Além do diretor Kleber Mendonça Filho, do ator Wagner Moura e da documentarista Petra Costa, o Brasil pode ter outro representante no Oscar 2026. Agora, Adolpho Veloso, diretor de fotografia, entrou no radar de Hollywood e hoje é apontado como um dos nomes fortes para disputar uma indicação por seu trabalho em Sonhos de Trem, drama da Netflix, dirigido por Clint Bentley. Dez anos depois de estrear com um longa experimental rodado nas ruas de São Paulo, Veloso virou aposta de críticos ao repetir com Bentley a parceria iniciada em Jockey e entregar uma fotografia feita só com luz natural e câmera na mão. O trabalho chamou atenção a ponto de o levar ao seu primeiro blockbuster, com o filme Remain, de M. Night Shyamalan, previsto para o ano que vem. (Folha)

Janis Joplin

Em fevereiro de 2026, a cantora Janis Joplin vai ganhar uma exposição inédita no Brasil, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. A homenagem contará com mais de 300 peças originais trazidas do acervo da família em Los Angeles, entre figurinos, manuscritos e fotos que ajudam a recompor a trajetória de uma das vozes mais marcantes do rock, lembrada também por sua passagem intensa pelo Brasil no carnaval de 1970. A mostra nasce de uma articulação com os herdeiros e tem curadoria de André Sturm, que diz ter se encantado com o material. (Estadão)

Netflix

A Netflix desativou o recurso que permitia transmitir séries e filmes do celular para a TV, exceto em aparelhos mais antigos compatíveis com o Chromecast ou Google Cast, e ainda assim apenas para assinantes dos planos sem anúncios. A mudança, percebida por usuários desde 10 de novembro, retira o ícone de transmissão das versões atualizadas do aplicativo e orienta o público a navegar diretamente pela TV usando o controle remoto. A empresa não explicou o motivo da decisão, que lembra a remoção do suporte ao AirPlay em 2019, e foi posteriormente alegada a necessidade de manter o padrão de qualidade. (Android Authority e The Verge)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Financial Times detona bolsonarismo e diz que Eduardo ‘fracassou’ nos EUA: “Saiu pela culatra”

O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (1º) uma análise afirmando que o bolsonarismo enfrenta um momento de enfraquecimento após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por conspiração para um golpe. Segundo o veículo, os erros cometidos pelo ex-chefe do Executivo e por seus filhos provocaram desgaste significativo na extrema-direita, que estaria “em apuros” e com dificuldades para manter protagonismo político e suas estratégias equivocadas foram tiros que saíram “pela culatra”.

De acordo com o artigo, o movimento bolsonarista perdeu força por causa de decisões atribuídas ao ex-presidente e aos filhos, o que levou setores da direita a buscar um novo nome para a disputa presidencial de 2026. O Financial Times aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como a opção mais viável nesse cenário, embora sua entrada na disputa dependa do apoio de Bolsonaro.

O jornal relata que a estratégia de Eduardo Bolsonaro de buscar apoio em Washington para tentar impedir a prisão do pai “fracassou espetacularmente”. A publicação afirma que a atuação do deputado resultou em tarifas comerciais que irritaram parte do empresariado brasileiro e expuseram o parlamentar a acusações em território nacional. O texto registra que a iniciativa não impediu a condenação do ex-presidente.

O artigo do jornal britânico Financial Times. Foto: Reprodução

A reportagem descreve ainda tentativas do grupo político de recorrer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de evitar a prisão de Bolsonaro. O jornal indica que essas ações produziram efeitos considerados negativos por aliados e interlocutores do mercado financeiro consultados sob condição de anonimato. Um dos entrevistados declarou que os equívocos atribuídos à família “destruíram significativamente sua imagem política”.

O Financial Times afirma que Tarcísio de Freitas passou a ser visto por setores da direita como a principal aposta para 2026. Segundo a publicação, o governador “fala a língua da Faria Lima”, expressão usada para se referir ao mercado financeiro, embora só pretenda disputar o Planalto caso receba apoio direto de Bolsonaro. O jornal ressalta que, mesmo com esse respaldo, o governador enfrentaria um cenário competitivo.

A análise também menciona que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao próximo ciclo eleitoral com indicadores econômicos favoráveis, como crescimento do emprego e dos salários. O jornal afirma que a baixa dependência do Brasil em relação ao mercado norte-americano reduziu impactos de tarifas impostas por Donald Trump. Para a direita, de acordo com o veículo, a aposta considerada mais efetiva para a campanha seria priorizar temas de crime e segurança pública.

Paes defende ações de Lula e acusa Castro de “jogo de empurra” na segurança: “Rídiculo”

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), saiu em defesa da atuação do presidente Lula (PT) na segurança pública e criticou o governador Cláudio Castro (PL), afirmando que há um “jogo de empurra absolutamente ridículo” sobre a responsabilidade pela área. A declaração foi feita após a repercussão da megaoperação contra o Comando Vermelho realizada no fim de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. Com informações do Globo.

Durante evento do fórum empresarial do grupo Esfera, Paes afirmou que a segurança pública é atribuição estadual e que o debate precisa ser “clarificado”.

“Se a segurança vai mal, a culpa é do governador do Rio e dos outros estados do país. O que está sendo feito é um jogo de empurra, é absolutamente ridículo. É óbvio que o governo federal e os municípios podem auxiliar, mas a responsabilidade de quem detém o controle do sistema de segurança pública são os governos estaduais. Esse debate precisa ficar claro. O jogo de empurrar tem que ser superado”, disse.

Cotado para disputar o governo do estado em 2026, o prefeito também rebateu críticas feitas durante a megaoperação no Rio, que terminou com 122 mortos, a mais letal da história do país envolvendo forças policiais.

“Todo mundo aqui sabe que eu sou aliado do presidente Lula. Ouvi muito que ele é presidente do Brasil inteiro, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Santa Catarina. Por que só no Rio é culpa dele? Ele não tem responsabilidade sobre os bons números de segurança pública em Santa Catarina? Ele pediu ao governador, Jorginho Mello, para cumprir com as obrigações dele. A Polícia Federal não é a mesma que atua no Rio?”, questionou.

Paes palestra em evento do grupo empresarial Esfera no Rio de Janeiro
Paes palestra em evento do grupo empresarial Esfera no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Crise entre Castro e governo federal

A operação provocou atritos entre Castro e o Planalto. Logo nas primeiras horas, o governador afirmou estar “sozinho” no enfrentamento ao crime organizado. O ministro da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, respondeu dizendo não ter recebido qualquer pedido de ajuda.

Castro recuou, alegou ter sido “mal interpretado” e, no dia seguinte, lançou com o governo federal um escritório conjunto para combater o crime organizado no estado.

DCM-Diario do Centro do Mundo

A ‘pobreza’ repentina que faz com que milhões nos EUA dependam de ajuda para não passar fome

Ilona Biskup, que procura produtos gratuitos na despensa do banco de alimentos Feeding South Florida, em Miami (EUA)

Por Valentina Oropeza e Cecilia Barría, no IFZ

Ilona Biskup sentiu vergonha na primeira vez em que visitou um banco de alimentos em Miami, no Estado americano da Flórida.

Ela passou 32 anos trabalhando, pagando impostos e economizando para sua aposentadoria. E conseguiu comprar um apartamento em frente à praia com suas economias.

Agora, ela se pergunta por que precisa de ajuda para ter o que comer.

Há quatro meses, Biskup visitou pela primeira vez o maior banco de alimentos do sul do Estado, o Feeding South Florida. A organização abastece gratuitamente a despensa de 25% dos moradores da região que não conseguem custear suas necessidades alimentares.

Para poder ficar em frente às prateleiras repletas de produtos que ela, talvez, não teria comprado, Biskup precisou pedir ajuda pela primeira vez aos 62 anos, por necessidade.

“Depois de ter tido tanto sucesso, agora dependo de comida grátis”, declarou ela, do seu apartamento em Miami Beach, com vista de 180 graus: à direita, a cidade e, à esquerda, o mar.

“Nunca pensei que, depois de trabalhar tanto, acabaria dependendo do governo”, lamenta Biskup. Sua pensão por invalidez só cobre os custos de moradia e de serviços.

Biskup recebe US$ 2 mil (cerca de R$ 10,7 mil) da previdência social americana. Este nível de renda a coloca acima da linha da pobreza nos Estados Unidos, hoje em US$ 15,65 mil (R$ 83,5 mil por ano, ou cerca de R$ 7 mil por mês), segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos do país.

Embora seja dona da sua casa e do seu carro, o valor da pensão não chega para comer.

Este empobrecimento repentino tem sua origem em eventos inesperados que consumiram seu patrimônio. Dois tratamentos contra o câncer esgotaram suas economias e o recente diagnóstico de Parkinson a obriga a recorrer ao dinheiro da aposentadoria.

Vista de Miami Beach, do apartamento de Ilona Biskup
Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Problema estrutural

Biskup pertence a um amplo setor da população americana, que enfrenta dificuldades econômicas no seu dia a dia e acaba em situação extremamente vulnerável, quando surge um contratempo financeiro.

Um estudo liderado pelo sociólogo Mark Rank demonstrou que quase 60% dos americanos adultos viverão pelo menos um ano abaixo da linha da pobreza e 75% vivenciarão pobreza ou uma situação parecida.

“Basicamente, existem três caminhos rumo à pobreza nos Estados Unidos: perder o emprego, uma emergência de saúde ou a separação das famílias”, explica Rank, que é professor da Faculdade de Trabalho Social da Universidade Washington em San Luis, no Estado americano de Missouri.

É um problema estrutural, que se deve principalmente a dois fatores: sua rede de previdência social muito fraca, que não consegue impedir que as pessoas caiam na pobreza, e a criação de empregos com baixa remuneração e sem subsídios.

Rank defende que esta combinação transformou os Estados Unidos em um dos países com os mais altos índices de pobreza, entre as nações industrializadas.

O sociólogo Mark Rank, que afirma que muitos americanos cairão na pobreza
em algum momento da sua vida adulta Foto: Gentileza de Mark Rank

Em uma pesquisa do centro de estudos Pew Research Center, publicada em maio deste ano, 27% dos americanos declararam ter enfrentado problemas para pagar pela assistência médica, própria ou de sua família, no último ano.

E pelo menos 20% das pessoas precisaram recorrer a um banco de alimentos no mesmo período.

As pesquisadoras Kim Parker e Luona Lin afirmam que 68% dos adultos afro-americanos e 67% dos adultos hispano-americanos admitem não dispor de fundo de reserva para emergências, da mesma forma que 44% dos adultos brancos.

Outra pesquisa realizada pelo Conselho Nacional para o Envelhecimento (NCOA, na sigla em inglês) e pelo centro de estudos LeadingAge LTSS, da Universidade de Massachusetts em Boston, nos Estados Unidos, revelou que os idosos com menos recursos econômicos morrem, em média, nove anos antes dos que contam com maior patrimônio.

“É alarmante e inaceitável que, nos Estados Unidos, em 2025, a pobreza roube quase uma década de vida dos idosos”, declarou o presidente e diretor-executivo do NCOA, Ramsey Alwin.

Rank alerta que o impacto da pobreza se agrava devido aos prejuízos sociais que a rodeiam.

“Nos Estados Unidos, costumamos observar a pobreza do ponto de vista da culpabilização”, relata ele.

“Se você for pobre, as pessoas se perguntam: por que não se esforçou o suficiente? O que você fez de errado?”

Na sua opinião, esta perspectiva leva à conclusão de que a pobreza “é problema seu, não meu”.

“Em um país tão rico como os Estados Unidos, esta é uma injustiça social e econômica. Mas é uma mentalidade diferente da nossa.”

Alguns dos produtos retirados por Ilona Biskup no banco de alimentos. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Ela fez carreira como comissária de bordo nas companhias aéreas Pan Am e Delta Airlines. Biskup preferia trabalhar em voos de mais de 10 horas de duração, para maximizar sua remuneração.

“Eu sempre tratava os passageiros dentro do avião como se estivessem em casa”, relembra ela.

Sobre sua mesa da sala de estar, ela abre suas “asas”, os distintivos que levam seu nome e que ela costumava inserir na lapela do uniforme, quando prestava serviços aos passageiros.

Biskup se casou com um piloto do Estado americano do Colorado e passou anos rodeada pelas frias montanhas de Denver. Mas, depois do divórcio, sua mudança para perto do mar, em Miami, ofereceu a ela a oportunidade de construir uma nova vida própria.

“Comecei a procurar lugares que pudesse apreciar”, afirma ela. “Eu queria simplesmente encontrar um local novo para fechar de alguma forma esta etapa da minha vida.”

Em 2014, Biskup foi diagnosticada com câncer de seio. Seu seguro cobriu as cirurgias e tratamentos, mas a nova condição médica desencadeou gastos inesperados.

“Por um ano, fui submetida a quimioterapia e radioterapia. Depois, tive uma cirurgia que durou 12 horas, uma mastectomia dupla com dupla reconstrução”, conta ela, uma década depois.

“Eu tinha os melhores médicos e acreditava que ficaria bem, mas, depois da cirurgia, meu cérebro se rendeu e entrou em colapso. Eu diria que, durante um ano e meio, não consegui me recuperar mentalmente.”

Ilona Biskup quando trabalhava como comissária de bordo. Foto: Gentileza de Ilona Biskup

Em 2019, seu médico detectou o início de um segundo tumor, desta vez no pâncreas. Ela passou por uma cirurgia para retirar as regiões afetadas, conhecida como procedimento de Whipple, que também se prolongou por horas a fio.

“Depois destes eventos, esgotei minhas economias com o câncer”, relembra Biskup.

O segundo tumor também foi eliminado, mas ela se sentia fraca demais para trabalhar. E as faturas do seguro e dos gastos cobertos do próprio bolso revelam que ela pagou centenas de milhares de dólares para recuperar sua saúde física e mental.

Em meio aos lockdowns da pandemia de covid-19, Biskup aceitou o pacote de aposentadoria oferecido pela Delta. Mas a decisão a levou a abandonar seu emprego aos 60 anos de idade, quando ainda esperava se manter profissionalmente ativa.

“Sempre tento ver o lado positivo de tudo o que vivencio, mas foi triste que a minha aposentadoria acontecesse desta forma”, lamenta ela.

Nos últimos três anos, Biskup mudou sua alimentação e se refugiou no mar. Foi quando sua mão direita começou a tremer. Às vezes, ela estava firme, às vezes ficava lenta.

Inicialmente, ela atribuiu os sintomas às cirurgias para retirar o tecido mamário, mas, há seis meses, seu médico confirmou que o temor e a rigidez são causados pelo mal de Parkinson.

Ilona Biskup mostra suas ‘asas’, os distintivos com seu nome, na época em que era comissária de bordo. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Comer com o SNAP

Biskup faz parte dos 42 milhões de americanos que se beneficiam do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP, na sigla em inglês), o plano de assistência alimentar mais importante dos Estados Unidos, similar ao Bolsa Família no Brasil.

Os beneficiários do SNAP recebem mensalmente, em média, US$ 187 (cerca de R$ 1 mil), mas esta ajuda pode variar segundo as condições do solicitante. Biskup, por exemplo, recebe US$ 225 (cerca de R$ 1,2 mil) por mês.

Para entrar no programa, o governo federal americano exige que a pessoa trabalhe pelo menos 30 horas semanais, a menos que seja estudante, cuide de uma pessoa com incapacidade ou de uma criança com menos de seis anos

O SNAP também inclui pessoas que recebem tratamentos por alcoolismo ou dependência de drogas, ou que têm limitações mentais ou físicas, como no caso de Biskup.

O programa atende um a cada oito cidadãos americanos.

Placa do cartão do SNAP, aceito nas lojas e supermercados de todo o país. Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Mas, em meio ao recente fechamento do governo federal, que durou 43 dias (o mais longo da história do país), o governo do presidente americano Donald Trump ordenou a suspensão dos pagamentos do SNAP no mês de novembro.

Um juiz do Estado americano de Rhode Island decidiu contra a medida, ordenando que o governo agilizasse os depósitos. Mas a Suprema Corte validou o congelamento do programa por parte de Trump, dias antes da reabertura do governo.

À espera de um novo depósito no seu cartão do SNAP, Biskup visitou a despensa do Feeding South Florida para completar sua alimentação com 10 produtos frescos e 10 embalados ou em lata, que é a quantidade que ela poderia levar.

Ela pegou bananas, tomates, abobrinhas, pepinos e milho, além de arroz, macarrão, sopa, cereais, ervilhas, molhos e biscoitos.

Biskup escaneou as informações nutricionais dos produtos com um aplicativo que avalia a qualidade dos alimentos. Desde que se recuperou do câncer, ela observa com atenção o que come para evitar recaídas de saúde.

“Estou agradecida por receber esta ajuda”, declarou ela.

Grupos de voluntários que verificam  a qualidade dos produtos no banco de alimentos Feeding South Florida Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

O banco de alimentos

Ao longo dos seus 25 anos na organização, o presidente do Feeding South Florida, Paco Vélez, presenciou emergências causadas por furacões, crises econômicas e, é claro, a pandemia de coronavírus.

Ele garante que a suspensão do programa SNAP fez disparar a quantidade de pessoas que solicitam produtos gratuitos da despensa do Feeding South Florida.

“As famílias têm medo e não sabem como irão pagar não só pela comida, mas por tudo”, afirma Vélez.

Paco Vélez nos armazéns do banco de alimentos Feeding South Florida em Miami
Foto: José María Rodero/BBC News Mundo

Os preços dos alimentos aumentaram em 2,7% nos 12 meses anteriores a setembro deste ano. Os aumentos foram significativamente maiores para produtos como o café (18,9%), carne moída (12,9%) e banana (6,9%).

Este aumento ocorreu em meio a medidas como as tarifas de importação e a perseguição de imigrantes sem documentos que trabalham na agricultura, o que encareceu a produção agrícola de alimentos, explicou o especialista em economia alimentar David Ortega à BBC Verify.

Famílias numerosas de baixa renda, veteranos das Forças Armadas, mães e pais solteiros e pessoas com incapacidade, como Biskup, são alguns dos perfis das pessoas que recorrem ao Feeding South Florida.

“Nos condados do sul da Flórida, mais de 967 mil pessoas dependem deste tipo de ajuda”, alerta Vélez.

Em meio aos atrasos administrativos no pagamento do SNAP, a afluência de beneficiários se mantém, segundo a chefe de pessoal da organização, Jessica Benites.

“No início deste ano, observamos mais ou menos 40 famílias por dia”, ela conta. “No início de outubro, quando fechou o governo, o número duplicou.”

Durante a primeira semana de novembro, quando Biskup visitou a despensa, eles receberam em média 120 famílias por dia, segundo Benites.

Os alimentos são doados por produtores agrícolas e supermercados. Em uma parede, ficam os cheques que mostram alguns dos donativos recebidos pela instituição, variando entre US$ 3 mil e US$ 380 mil (cerca de R$ 16 mil a R$ 2 milhões). Eles vêm de empresas distribuidoras de alimentos até fabricantes de automóveis.

O governo federal já retomou suas atividades, mas as pessoas que cuidam do banco de alimentos se preparam para ampliar seus horários, com voluntários que comparecem toda semana para verificar a qualidade dos produtos e organizar os alimentos na despensa.

Com os últimos depósitos do SNAP, Biskup fez compras em uma cadeia de atacadistas. Ela comprou produtos em quantidades que normalmente não compraria, se não se sentisse obrigada a maximizar o rendimento da ajuda.

Ela também visita um centro comunitário em Miami Beach, onde almoça de graça depois de praticar Tai Chi ou Qi Gong, que a ajudam a exercitar a serenidade para enfrentar a perda de controle dos movimentos causada pelo mal de Parkinson.

Biskup afirma estar decidida a lutar para manter o nível de vida para o qual sempre trabalhou, embora precise ajustar seus hábitos de consumo e suas rotinas.

“Este apartamento é o meu refúgio, o lugar onde me recuperei de câncer duas vezes e onde espero viver tudo o que o Parkinson irá trazer”, declarou ela, da sacada do seu apartamento.

“Farei todo o possível para continuar vivendo perto do mar.”

DCM-Diario do Centro do Mundo

bell hooks

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bell hooks, pseudônimo da autora Gloria Jeans Watkins, foi adotado tanto como forma de homenagem à sua bisavó, como via de resistência ao que chamo aqui de “ego academicista”. Esse pseudônimo marcado em letras minúsculas busca deslocar o foco da pessoa autoral e direcionar a visão do leitor para seus pensamentos e provocações, como um gesto político que se estende em todas suas obras e posicionamentos.

Em sua obra Ensinando a Transgredir – A Educação como Prática de Liberdade (1994), a autora propõe uma percepção da pedagogia para além dos processos cognitivos, enfrentando a educação em várias perspectivas, como a articulação entre gênero, classes sociais e identidade étnico-cultural, utilizando-se dessas interpretações para convidar os docentes a desenvolverem salas de aulas críticas e afetivas. Um ponto que intersecciona a vivência da autora são suas referências ao patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a quem hooks considerava e enxergava como guia intelectual e pessoal. Na obra citada acima, a autora reflete sobre Freire como uma espécie de manancial em meio às prisões sociais, como descrito:

“… Encontrei Freire quando estava sedenta, morrendo de sede (com aquela sede, aquela carência do sujeito colonizado, marginalizado, que ainda não tem certeza de como se libertar da prisão do status quo), e encontrei na obra dele (e na de Malcom X, de Fanon e etc.) um jeito de matar essa sede”.

Assim como Freire, bell hooks reconhece os estudantes como sujeitos e não apenas recipientes que deveriam, passivamente, absorver os conteúdos apresentados, a educação passa, por sua vez, a apresentar uma lógica muito bem estabelecida e associada ao rompimento da lógica bancária de ensino. Portanto, para bell hooks, ensinar é um ato político e ético, em que as salas de aula se encontram como espaços de aprendizado, resistência e cura perante as angústias sociais, local esse onde é gestada a busca pela emancipação.

Ester Dias da Silva Batista.

 

 

O passado tinhoso

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Há uma inegável certeza de que se os recursos exorbitantes gastos com supersalários no setor público fossem aplicados como remuneração a médicos do SUS, cientistas, professoras, o país seria outro.

Mas não, seguimos até hoje (amanhã também) o caminho do patrimonialismo, patriarcalismo.

Alguns desses estratos públicos vivem e agem nababescamente, É como se houvesse um Principado aburguesado, como se fossem os primos mais pobres, mas, à milanesa, dos primos ricos: a burguesia financeira.

São membros mais ou menos atuantes dos Grupos Hegemônicos de Poder, às vezes mais próximos, às vezes mais ricos e por vezes meio encostados. São estratos disfuncionais de um passado tinhoso, recorrente, repetitivo do que temos de pior.

Realmente, apenas manobram o Estado, para melhor se alimentarem da sociedade, do esforço do trabalhado e da produção: vivem, sim, às custas da exploração da mais-valia; afinal, uma parte significativa do mais-trabalho é convertida em tributos que pagam esses supersalários.

Os milionários do setor público não são servidores públicos, são uma fatia distorcida da realidade brasileira (da extrema pobreza, sem saúde, saneamento básico, total insegurança – inclusive alimentar), pois vive e atua “utilizando-se do público,

Os milionários do setor público não servem AO público, eles se servem DO público. Sem mencionar a incompetência técnica, funcional, de inúmeros aspones que nada produzem de útil ao país.

Esse retrato (incutido pela “Revolução pelo alto”, como “autocracia de classe”) revela uma parte daquele “acordo por cima”, de grupos dominantes a serviço de classes dominantes que fizeram a Proclamação da República (1° golpe civil-militar), chancelaram a chamada Revolução Burguesa (1930), fundaram o Estado de direito (sem isonomia) e que tanto utilizaram e se utilizam (a seu bel prazer) da Lei de Vadiagem: dirigida invariavelmente contra o povo pobre, negro e oprimido. E que é o mesmo alvo até hoje, todas as vítimas da polícia seletiva e do racismo institucional.

Por que a educação pública no país está como está?

Perguntamos aos tecnocratas improdutivos, fornecedores de regras que apenas aprisionam o passado e aviltam o presente.

Vinício Carrilho Martinez

https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali/2025/11/26/brasil-gasta-r-20-bi-com-53-mil-supersalarios-e-lidera-ranking-global.htm?utm_source=whatsapp-network&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

O inferno após a COP30

Após a COP30 quando mais de 100 países firmaram (mais uma vez) compromissos para minimizar as consequências das mudanças climáticas, no Brasil, o Congresso Nacional fez o favor de derrubar os vetos do presidente Lula na chamada PEC da Devastação. Doravante, está liberado destruir a natureza para fincar seus projetos imobiliários sem licença ambiental. É o fim do mundo.

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’

Menos de uma semana depois de o Brasil sediar a COP30, o Congresso impôs um retrocesso inédito nas políticas de proteção ambiental na história recente do país. Em sessão conjunta, deputados e senadores derrubaram uma série de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado “PL da Devastação” e restauraram dispositivos que flexibilizam o licenciamento ambiental, criticados pelo Planalto e por entidades ambientalistas. Com a decisão, volta a valer a autorização para que empreendimentos de baixo e pequeno impacto obtenham licenças por adesão e compromisso (LAC), processo simplificado que, segundo o governo, pode beneficiar obras com risco relevante, como barragens de rejeito. Também foi restabelecida a dispensa de licença ambiental para obras de saneamento básico até o cumprimento das metas de universalização. Parlamentares ainda retomaram trechos que isentam manutenção de rodovias de licenciamento, liberam atividades rurais em áreas com problemas jurídicos e restringem consultas a povos indígenas e quilombolas apenas a terras homologadas ou tituladas. Houve também redução de proteções para matas primárias e secundárias da Mata Atlântica. (g1)

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 2

Confira como votou cada parlamentar e o que muda no licenciamento ambiental após a derrubada dos vetos. (g1)

Alcolumbre derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 3

Com a derrubada dos vetos, Alcolumbre elevou a pressão sobre o Palácio do Planalto e passou a cobrar cargos estratégicos em troca de abrir caminhos ao governo na Casa. Segundo aliados e integrantes do governo, ele quer o comando de órgãos como Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB), Cade e CVM. Lula está disposto a conceder parte do espaço pedido, já que seu o foco é garantir a aprovação de Jorge Messias para o STF. A sabatina está marcada para 10 de dezembro, e o presidente pretende conversar pessoalmente com Alcolumbre nos próximos dias para tentar assegurar apoio. O presidente do Senado queria a vaga para seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a indicação de Messias detonou seu rompimento com o governo. (Metrópoles)

Alcolumbre  derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 4

Mas Planalto ainda não aceitou a derrota nos vetos. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo estuda alternativas como decretos, portarias e ações no STF para tentar reverter trechos restabelecidos pelo Congresso, que ampliam flexibilizações no processo de licenciamento. Gleisi lamentou o resultado da votação e afirmou que o governo já vinha tentando negociar mudanças com o Legislativo havia meses. O embate reacendeu a disputa entre setores econômicos e ambientalistas após a retomada de pontos da proposta considerada um retrocesso por organizações da área. (UOL)

Alcolumbre  derruba vetos ao ‘PL da Devastação’ 5

Já as empresas de infraestrutura comemoraram. Embora criticado por ambientalistas, o projeto recuperou trechos considerados fundamentais pelo setor privado, como a dispensa de licenciamento para obras de manutenção em rodovias já pavimentadas e para dragagens em portos e hidrovias. (CNN Brasil)

Lucro fácil

“Deputados e senadores esperaram o fim da COP30, a cúpula do ONU sobre o clima, em Belém, para ajudar quem busca o lucro fácil em detrimento da coletividade”. (Leonardo Sakamoto-UOL)

Perdas e ganhos

“A facilidade de arregimentar maiorias e impor derrotas, algumas delas amargas, ao governo pode dar aos presidentes da Câmara e do Senado a impressão de que saem vitoriosos dos embates, mas a conta de perdas e ganhos com a manutenção desse ambiente não é tão simples como parece.” (Vera Magalhães-Globo)

Esquema bilionário

Pressionado pela operação da Receita Federal para desmontar um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis ligado ao Grupo Refit, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tirou da gaveta o projeto o projeto que pune devedores contumazes. O texto, que teve a urgência aprovada pelo plenário há 28 dias, diferencia inadimplentes eventuais de empresas que estruturam esquemas de sonegação. Ele também anunciou os relatores de medidas contra fraudes no setor de combustíveis. (Globo)

Esquema bilionário 2

A operação da Receita contra o Grupo Refit cumpriu 126 mandados de busca em cinco estados. A empresa é apontada como o maior devedor contumaz do país, com mais de R$ 26 bilhões em débitos. As investigações mostram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de importadoras, distribuidoras, postos e uma rede de empresas financeiras e offshores que ocultavam os beneficiários das fraudes, além de ter importado R$ 32 bilhões em combustíveis entre 2020 e 2025, muitos deles com falsa declaração. (CNN Brasil)

Fake Road

Polícia FederalA Polícia Federal realiza nesta sexta-feira (28) uma operação para investigar um esquema de desvio de recursos públicos em contratos de pavimentação de rodovias financiados por emendas parlamentares. A ação, batizada de Fake Road, apura fraudes em obras que deveriam ter sido executadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). De acordo com informações o g1, as suspeitas surgiram após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem indícios de superfaturamento, serviços parcialmente executados ou simplesmente inexistentes, além de medições irregulares e possível direcionamento para empresas específicas.

Outdoors contra Hugo Motta

A Justiça da Paraíba negou o pedido de remoção de outdoors críticos ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e outros nove parlamentares do estado que votaram a favor da PEC da Blindagem, espalhados pela cidade de Campina Grande. Na decisão desta quinta-feira (27), o juiz federal Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal, deu ganho de causa ao sindicalista e negou o pedido de remoção das peças movido pelo deputado. Além disso, defendeu que ocupantes de cargos públicos estão sujeitos a crítica.

PL suspende Jair Bolsonaro

O PL suspendeu as funções partidárias e a remuneração do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a perda de seus direitos políticos decorrente da condenação no Supremo Tribunal Federal. A sigla informou que cumpre exigências previstas na Lei dos Partidos Políticos e em decisões da Justiça Eleitoral. Segundo o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, a suspensão “é a lei”. Bolsonaro, que ocupava o cargo de presidente de honra do PL e recebia salário como dirigente político, fica impedido de exercer qualquer atividade na legenda enquanto durarem os efeitos da condenação criminal. (g1)

Jair Renan

Bolsonaro recebeu nesta quinta a visita de seu quarto filho, Jair Renan. Segundo ele, seu pai teve uma nova crise de soluços nesta quinta-feira e precisou ser atendido na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde sábado. Segundo relatos da defesa e dos filhos, o quadro se intensificou durante a madrugada e foi acompanhado de episódios de refluxo. A família relata que Bolsonaro tem se alimentado pouco e está emocionalmente abalado. (Globo)-Charge do Marcelo Martinez

Tarifa zero nos ônibus

A implementação da tarifa zero nos ônibus de 706 cidades brasileiras em 2026 custaria R$ 78 bilhões, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero. O valor representa um aumento de cerca de 20% em relação ao custo atual do sistema, estimado em R$ 65 bilhões. O cálculo inclui apenas o transporte por ônibus. Metrôs e trens, que somam cerca de R$ 15 bilhões ao ano, ficaram fora da projeção. Coordenado pelo Instituto de Ciência Política da UnB o estudo defende que a principal fonte de financiamento do novo modelo seria a reformulação do vale-transporte. A criação da chamada Contribuição para a Disponibilização do Transporte Público (CTP) poderia gerar R$ 80 bilhões, valor suficiente para cobrir a operação. Críticos apontam dificuldades na implementação, risco de repasses aos salários, entraves à formalização e falta de transparência nos custos das empresas. Já defensores dizem que a tarifa zero traria ganhos sociais, econômicos e ambientais, ampliando deslocamentos e reduzindo desigualdades. (Folha)

Operação Mounjaro

A Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma rede de profissionais de saúde, clínicas e laboratórios suspeitos de produzir ilegalmente versões manipuladas do medicamento Mounjaro, usado para emagrecimento. Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Segundo a PF, o grupo fabricava tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — em larga escala, sem autorização sanitária ou licença de patente, operando como se fosse a própria indústria farmacêutica. O esquema teria movimentado laboratórios clandestinos e vendido os produtos sem controle de qualidade. Carros de luxo, relógios e até aviões registrados em nome de laranjas foram apreendidos. O principal alvo é o médico baiano Gabriel Almeida, que atua em São Paulo e comercializava o “tratamento” pelas redes sociais. (g1)

Tinha que ser do MBL e da Jovem Klan

A Operação Poço de Lobato, desencadeada nesta quinta (27) pela Justiça de São Paulo, executou 126 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação em um amplo esquema de sonegação fiscal associado ao Grupo Refit (antiga Manguinhos), liderado por Ricardo Magro. Entre os alvos está Cristiano Beraldo, dirigente do MBL e comentarista da Jovem Pan. Na emissora, ele critica a “corrupção” do governo Lula, detona o STF — especialmente o ministro Alexandre de Moraes — e defende Jair Bolsonaro.

Tinha que ser do MBL e da Jovem Klan 2

O Ministério Público afirma que Beraldo administra empresas offshore nos Estados Unidos com endereços que coincidem com estruturas ligadas a Magro, apontando continuidade de um modelo internacional voltado à proteção patrimonial. A Cascais Bay LLC teria como gerente Alessandra Engel Magro, esposa do empresário, enquanto outra offshore, Oceana KB Real Estate, também é atribuída a Magro. O nome de Beraldo aparece ainda como CEO da J. Global Energy Inc, descrita pelos investigadores como parceira da refinaria Manguinhos.

In memorian

Após uma vida cheia de amor, carinho e alegria, infelizmente o corpo da genitora deste articulista descansou. Infelizmente porque, embora com 93 anos, filho nenhum quer que sua mãe parta. O conforto é saber que ela está em um bom lugar ao lado de nosso Senhor Jesus Cristo. Descanse em paz, dona Petronila. Amém. P.S. O articulista agradece às centenas de pessoas, amigos, amigas, politicos e admiradores que enviarem as condolências.

Mensagens e vídeos parRKTV

RKTV inaugura oficialmente no dia 15 de dezembro. Enviem vídeos de qualquer parte do Brasil e do mundo. Contem suas histórias, suas denúncias, que serão publicadas. Mandem para rk@rktv.com.br

Em breve, com aplicativo que dará acesso às smart tv, a RKTV estará disponível em todos os lares brasileiros. Assista aqui.

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, diz pesquisa

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (25) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para as eleições de 2026.

Cenários para segundo turno (pesquisa estimulada):

Cenário 1: Lula x Jair Bolsonaro
-Lula: 49,2%;
-Jair Bolsonaro: 36,9%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 1,4%.

Cenário 2: Lula x Tarcísio de Freitas
-Lula: 45,7%;
-Tarcísio de Freitas: 39,1%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 2,7%.

Cenário 3: Lula x Ratinho Jr.
-Lula: 45,8%;
-Ratinho Jr.: 38,7%;
-Branco/nulo: 12,5%;
-Indeciso: 3%.

Cenário 4: Lula x Romeu Zema
-Lula: 47,9%;
-Romeu Zema: 33,5%;
-Branco/nulo: 15,2%;
-Indeciso: 3,4%.

Cenário 5: Lula x Ronaldo Caiado
-Lula: 46,9%;
-Ronaldo Caiado: 33,7%;
-Branco/nulo: 15,7%;
-Indeciso: 3,7%.

Cenário 6: Lula x Ciro Gomes
-Lula: 44,1%;
-Ciro Gomes: 35,1%;
-Branco/nulo: 17,6%;
-Indeciso: 3,2%.

Cenário 7: Lula x Eduardo Bolsonaro
-Lula: 49,9%;
-Eduardo Bolsonaro: 33,3%;
-Branco/nulo: 14,6%;
-Indeciso: 2,2%.

Cenário 8: Lula x Michelle Bolsonaro
-Lula: 49,1%;
-Michelle Bolsonaro: 35,6%;
-Branco/nulo: 13,7%;
-Indeciso: 1,6%.

Cenários para primeiro turno (pesquisa estimulada):

Cenário 1:
-Lula: 38,8%;
-Jair Bolsonaro: 27%;
-Ciro Gomes: 9,6%;
-Ratinho Jr.: 6,4%;
-Ronaldo Caiado: 4%;
-Romeu Zema: 2,7%
-Branco/nulo: 8,5%;
-Indecisos: 3%.

Cenário 2:
-Lula: 42%;
-Tarcísio de Freitas: 21,7%;
-Ratinho Jr.: 11,8%;
-Romeu Zema: 5,7%
-Branco/nulo: 14,7%;
-Indecisos: 4,1%.

Cenário 3:
-Lula: 42,7%;
-Eduardo Bolsonaro: 17,4%;
-Ratinho Jr.: 14%;
-Romeu Zema: 9,6%
-Branco/nulo: 13,1%;
-Indecisos: 3,2%.

Cenário 4:
-Lula: 42,7%;
-Michelle Bolsonaro: 23%;
-Ratinho Jr.: 11,4%;
-Romeu Zema: 8,3%
-Branco/nulo: 11,7%;
-Indecisos: 2,0%.

A pesquisa de opinião divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Instituto MDA. Foram realizadas 2.022 entrevistas entre 19 a 23 de novembro, de forma presencial e domiciliar, em 140 municípios de todas as 27 unidades federativas. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.

Brasil 247

Deu no New York Times: o Brasil desafiou Trump – e venceu

Maior jornal dos Estados Unidos reconhece a vitória do presidente Lula na guerra tarifária e na resistência às pressões após a prisão de Jair Bolsonaro

A prisão de Jair Bolsonaro marcou um ponto de virada na relação entre Brasília e Washington. O episódio escancarou a limitação da influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou, sem sucesso, intervir no processo judicial do ex-mandatário brasileiro. A análise, publicada nesta segunda-feira (24) pelo jornal estadunidense The New York Times, avalia que o Brasil conseguiu “enfrentar Donald Trump e vencer” ao não ceder às pressões do presidente dos Estados Unidos sobre a prisão de Jair Bolsonaro (PL).

No texto, o jornalista Jack Nicas, ex-correspondente do veículo no país, destaca como Trump utilizou tarifas comerciais e sanções diplomáticas para tentar impedir o avanço das acusações contra Bolsonaro. A ofensiva, porém, não alterou o rumo das instituições brasileiras, que seguiram adiante até a condenação e detenção do ex-mandatário brasieliro.

A reação de Trump no sábado (22), ao ser informado da prisão de Bolsonaro, resumiu o desgaste de sua atuação. “Que pena”, disse. Questionado se teria sido avisado previamente, respondeu: “Não. Acho uma pena”. A frieza contrastou com o tom agressivo adotado meses antes, quando enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exigindo a retirada das acusações de tentativa de golpe atribuídas a Bolsonaro. Naquele momento, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionou o ministro Alexandre de Moraes, numa escalada diplomática sem precedentes.

Mudança de cenário

A anaálise destaca que, cinco meses depois, o cenário mudou completamente. Bolsonaro, de 70 anos, foi condenado a uma pena de 27 anos  etrês meses de prisão, e Trump retirou parte das tarifas aplicadas ao Brasil após uma reunião cordial com Lula. Analistas citados pela reportagem observam que a pressão da Casa Branca pode ter tido efeito inverso, endurecendo a posição das autoridades brasileiras e ampliando a punição ao ex-mandatário.

A ofensiva comercial de Washington também provocou impactos internos nos Estados Unidos, elevando o preço de itens como carne bovina e café em um momento de forte cobrança por redução do custo de vida. Enquanto isso, Lula emergiu politicamente fortalecido, tendo enfrentado e superado o confronto diplomático com a principal potência global.

Outro desdobramento citado pelo jornal envolve Eduardo Bolsonaro, que agora enfrenta acusações criminais por tentar influenciar a Casa Branca em defesa do pai. Segundo especialistas, o episódio ampliou a percepção de interferência externa e acirrou a resposta das instituições brasileiras.

Prisão de Bolsonaro

Bolsonaro foi preso após autoridades detectarem que ele havia violado a tornozeleira eletrônica instalada durante o regime de prisão domiciliar. À polícia, afirmou ter tentado queimar o equipamento com um ferro de solda e, mais tarde, responsabilizou medicamentos que estaria tomando por supostas alucinações. Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal e responsável pelo caso, determinou a prisão ao considerá-lo risco de fuga, destacando sua proximidade com a embaixada dos Estados Unidos — local onde poderia solicitar asilo. Reportagem do NYT revelou ainda que, no ano anterior, Bolsonaro chegou a dormir na Embaixada da Hungria em Brasília com o mesmo objetivo.

Apesar das ameaças iniciais de retaliação, a Casa Branca não avançou contra o Brasil após a condenação. Ao contrário: Trump aproximou-se politicamente de Lula. No discurso que fez na ONU, em setembro, ele improvisou elogios ao encontro que teve com o presidente brasileiro, afirmando que ambos tiveram “grande química”.

Encontro entre Lula e Trump

Já em outubro, antes de nova reunião bilateral, Trump foi questionado sobre Bolsonaro. “Eu sempre achei que ele era direto, mas…”, respondeu, interrompendo a frase. “Ele passou por muita coisa.” Após o encontro, centrou seus elogios apenas em Lula: “Ele é um cara muito vigoroso. Fiquei muito impressionado”, afirmou, desejando-lhe feliz aniversário pelos 80 anos completados naquele dia.

País soberano

Em seguida, Trump assinou a ordem executiva que retirou as tarifas mais pesadas sobre carne e café brasileiros, justificando a decisão pelo “progresso nas negociações” com o governo Lula. O gesto abriu espaço para novas tratativas, inclusive sobre acesso a reservas estratégicas de minerais críticos, algo que Washington tem buscado em países latino-americanos.

Apesar da distensão diplomática, os Estados Unidos mantiveram as sanções contra Alexandre de Moraes. A postura do ministro — que ordenou o bloqueio de contas em redes sociais de aliados de Bolsonaro e conduziu parte das investigações — é alvo de debates sobre os limites de sua atuação.Ao ser questionado, no domingo, sobre os comentários de Trump a respeito da prisão, Lula respondeu de forma contundente: “Trump precisa entender que somos um país soberano”.

Do Brasil 247

Por que vamos à escola?

Essa crônica traz considerações sobre o que não sabemos, mas que deveríamos dar ouvidos.

Considerando as perspectivas do ambiente escolar pósmoderno, forjado com maneirismos tecnológicos, e ainda que, teoricamente seja fundamentado como um “lugar de conhecimento”, o que fazer?

Para além das formações acadêmicas e teóricas, a escola e os lugares do conhecimento envolvem também os processos de socialização e estruturação social, fazendo emergir as dificuldades em “substituir” as concepções prévias de um sujeito. Essas dificuldades são relacionadas à construção do conhecimento, mas também há relação com a transformação do que está consolidado como conhecimento para este estudante. Isso ocorre uma vez que o processo de aprender implica um fenômeno de transformação das estruturas cognitivas já consolidadas e, muitas vezes, sendo algo que confronta até mesmo as concepções que já fazem sentido para esse estudante. Nesse ponto, a corresponsabilidade entre os estudantes e os professores e professoras é algo essencial.

Porém, após a implementação dos sistemas de plataformização, os docentes tomaram como encargo, para além de suas atuações corriqueiras (ler, estudar, escrever), uma demanda infinita em relação ao preenchimento de dados, informações, avaliações extensas, dentre várias outras questões que tomam ainda mais tempo da vivência docente e de sua própria vida pessoal. O resultado é que, esse esforço que deveria ser estruturado e diluído entre todos os participantes do processo, acaba apresentando um deslocamento, de forma unidirecional para o docente. É nesse contexto que emerge em alto e bom som uma pergunta básica: “Será que nada interessa a vocês?”. Questão que sintetiza essa tensão entre as expectativas de engajamento dos estudantes e a sobrecarga dos professores e professoras.
A estrutura de mercantilização da educação e até a transformação das salas de aulas em “circos”, em que se espera que o docente atue como malabarista, alguém que deve “dar seus pulos” para capturar o interesse e atenção dos estudantes, demonstram assimetria e unilaterização das responsabilidades. O professor acaba, portanto, sustentando sozinho um processo que, naturalmente, deveria ser coletivo, tal como o Mito de Sísifo.

Aliás, reafirmando-se, em anos anteriores já se ouvia uma pergunta reveladora, mas, não só da pessoa que falava e, sim, de uma cultura acadêmica criada na última década.
– não só é curiosa, como revela o que fizemos de errado esses anos todos.

Uma questão básica em qualquer sala de aula, diria:
– “Será que nada interessa, instiga vocês”?

Vejamos a afirmação do coletivo, na voz de uma pessoa:

“Se os docentes falassem o que os estudantes querem ouvir…seria melhor”.

Talvez alguns fiquem em silêncio ao ouvir isso, porque não entenderiam uma colocação divergente. Normalmente, a conclusão é só mental:

– se repetissem o que querem ouvir, cometeríamos dois erros crassos:
– 1. Repetiríamos o óbvio.
– 2. Repetiríamos o senso comum.

Afinal de contas, como é que uma pessoa inteligente vai à escola (“lugar do conhecimento”) para ouvir tudo o que já sabe e ignorar “tudo o que não sabe” ( e que, por dedução, o que não se sabe é muito mais vasto do que “aquilo que supõe saber”).

Há sim um tipo de doutrinação, mas é esse tipo aí: a consolidação do senso comum, das aparências, dos maneirismos, das tais “narrativas”, dos modernismos.

Antes fosse uma doutrinação efetiva, com conteúdo, história, teses, oposições, como se fazia no século XX.

Vinício Carrilho Martinez
Ester Dias da Silva Batista

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

A prisão de Bolsonaro

Pode ser uma imagem de texto que diz "th1ag) SONARO População comemora prisão de Bolsonaro na Avenida Paulista!"O país amanheceu o sábado em festa pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), por violação da prisão domiciliar. Ainda não é o cumprimento da pena de 27 anos e três meses. Esta deverá ser implementada a partir desta semana uma vez que expirou todos os recursos da defesa. Pelo andar da carruagem, Bolsonaro deverá passar o Natal numa prisão em regime fechado. Os benefícios de uma prisão domiciliar no início do cumprimento da pena não deverão ser considerados neste momento em face da tentativa de fuga após violar a tornozeleira eletrônica.

A prisão de Bolsonaro 2

Será que no entorno de Bolsonaro não tem ninguém com uma mínima cognição para orientá-lo? Porque tudo que se faz para livrá-lo da cadeia, só piora. Parece coisa do desenho Dick Vigarista. Todo dia um plano infalível. Quem seria o “mentor” dele?

Fostes tu, Ivo Cassol?

Tão logo soube-se da notícia de que Bolsonaro utilizou-se de uma máquina de solda para violar a tornozeleira eletrônica, a coluna pensou imediatamente no ex-governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), que utilizou um maçarico para tratar a Covid de um amigo. É cada uma…

Bolsonaro na prisão 

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve confirmar, por unanimidade, nesta segunda-feira, 24, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro após a destruição da tornozeleira eletrônica e indícios de tentativa de fuga. Para esta segunda-feira, os ministros da Primeira Turma — Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — têm até as 20h para registrarem seus votos.

Confusão mental

Surto paranoico e “uma certa confusão mental”. Essas foram as alegações do ex-presidente Jair Bolsonaro para explicar tentativa de abrir com um ferro de solda a tornozeleira eletrônica na madrugada de sábado, o que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes a transferi-lo da prisão domiciliar para uma sala na Superintendência da Polícia Federal. Na audiência de custódia realizada por videoconferência neste domingo, Bolsonaro disse que pensou haver uma escuta na tornozeleira e que tentou abri-la, mas “recuperou a razão”. A defesa do ex-presidente apresentou um boletim médico afirmando que ele teve um “quadro de confusão mental e alucinações” associado ao remédio Pregabalina, embora ele não tenha sido prescrito pelos profissionais que atendem Bolsonaro. Ao fim da audiência, a juíza Luciana Yuki Fugishita manteve a prisão preventiva. (CNN Brasil)-Charge do Spacca

Autorizada por Moraes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitou o marido na tarde de domingo na PF, em Brasília, onde ele está preso. Michelle chegou ao local por volta das 15h e permaneceu cerca de duas horas. Pouco depois, Moraes também autorizou as visitas dos filhos do ex-presidente. Segundo decisão expedida na noite deste domingo, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderão visitar o pai separadamente amanhã, entre 9h e 11h. Já o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) tem visita agendada para quinta-feira, no mesmo horário. Na mesma decisão, Moraes manteve autorização para entrada da equipe médica sem prévio aval da Justiça, além de disponibilização de tratamento médico em tempo integral. (Metrópoles)

Confusão mental 3

Aliados de Bolsonaro fazem coro à tese de confusão mental adotada pela defesa. Segundo pessoas próximas, o ex-presidente vinha manifestando paranoia crescente com a ideia de que o equipamento estaria sendo usado para grampeá-lo. Interlocutores atribuem o comportamento a um quadro de confusão mental e ansiedade, agravado pelo estresse com a iminente prisão por conta da trama golpista. A expectativa entre aliados era de que o STF decretasse a medida na próxima semana, após o fim da análise dos recursos apresentados pelas defesas dos réus. (Folha)

Conversão da prisão domiciliar

A Primeira Turma do STF analisa hoje a conversão da prisão domiciliar de Bolsonaro em preventiva. Como a decisão foi de Moraes e o colegiado está com um ministro a menos após a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma, somente Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votarão. Se o colegiado referendar a prisão, Bolsonaro continuará preso de forma preventiva enquanto o STF considerar a medida necessária. Por lei, esse tipo de prisão deve ser reavaliado a cada 90 dias. Caso os ministros optem pela revogação, o ex-presidente poderá responder em liberdade, sob medidas cautelares. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado, mas a prisão atual não se refere à condenação, já que o prazo para recursos ainda está aberto. A defesa tem até hoje para apresentar os últimos embargos. (g1)

Enquanto isso…

Flávio Bolsonaro manteve na noite de sábado a “vigília de oração” convocada para a frente do condomínio do pai e apontada por Alexandre de Moraes como um dos motivos para a prisão preventiva. A concentração de apoiadores teve um incidente violento, quando o pastor evangélico Ismael Lopes, com uma Bíblia na mão, pediu para discursar. Em vez de apoiar o ex-presidente, ele lembrou os 700 mil brasileiros mortos na pandemia, teve o microfone arrancado e foi agredido por bolsonaristas, tendo de ser protegido pela polícia. (UOL)

Lula: a Justiça decidiu

No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez, de forma sucinta, sobre a prisão do antecessor. “Então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou, e todo mundo sabe o que ele fez”, afirmou em entrevista coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou da 20ª edição da Cúpula de chefes de Estado e governo do G20. (g1)

Landau x Moraes

E contrastando com o tom vago de Donald Trump na véspera, o subsecretário do departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, número dois da diplomacia do país, classificou a prisão de Bolsonaro como “provocativa e desnecessária” e chamou Alexandre de Moraes de “violador dos direitos humanos”. (BBC)

Messias para o STF

Lula indicou Jorge Messias para o STF no Dia da Consciência Negra — uma afronta. Em vez de uma mulher negra, veio mais um homem branco, evangélico, mostrando o quanto o governo se afastou das pautas identitárias para agradar um Brasil conservador. Porque essa escolha diz muito sobre o limite do ‘progressismo’ de Lula”. (Mariliz Pereira Jorge-Meio)

COP30

Após duas semanas de negociações, a COP30 terminou em Belém com a aprovação da “Decisão do Mutirão”, o texto político final da conferência (veja a íntegra), além de dezenas de documentos da agenda oficial. O Mutirão reúne quatro temas sensíveis deixados fora das tratativas formais: financiamento climático, ambição das metas nacionais, transparência nas emissões e medidas de comércio ambiental. O documento, porém, evita compromissos mandatórios. Foram escanteados o “mapa do caminho” defendido pelo governo brasileiro para iniciar o fim gradual dos combustíveis fósseis, e qualquer plano global para zerar o desmatamento; o texto apenas reafirma decisões anteriores, como o Consenso dos Emirados Árabes, que prevê transição energética até 2050, e menciona a conservação de forma genérica. A Decisão cria ainda o Acelerador Global de Implementação, mecanismo voluntário para impulsionar ações alinhadas ao limite de 1,5°C, e adia discussões substantivas sobre comércio para 2026.(Poder360 e Veja)

COP30 2

Embora aprovada por unanimidade, a sessão plenária foi suspensa por cerca de uma hora após países como Colômbia, Panamá, Uruguai e Argentina contestarem trechos dos textos. Após consultas, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, confirmou todas as aprovações. Ele foi aplaudido ao reafirmar que, apesar de o tema ter ficado fora do documento final, trabalhará nos próximos meses para construir dois “mapas do caminho”: um para a transição dos combustíveis fósseis e outro para zerar o desmatamento. (G1)

COP30 3

Diante do texto esvaziado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a COP30 traz avanços, ainda insuficientes diante da urgência climática. Citou a Rio-92 para ilustrar o descompasso entre ambição e resultados, dizendo que os negociadores de três décadas atrás “sonhavam com metas mais ambiciosas”. Ainda assim, afirmou, “mesmo com atrasos e contradições”, há continuidade entre aquela ambição inicial e o esforço atual. (G1)

Dona Petronila

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, pessoas sorrindo e hospitalA mãe deste articulista está deveras mal de saúde. Aos 93 anos, dona Petronila inspira cuidados especiais e se restabelece em casa, cercada de carinho e amor, sob intenso acompanhamento da filha Marli, deste filho Roberto e de Emanuelle Bentes, esposa do neto Roberto Bentes. Oremos pela saúde dela.

 

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

O delinquente Jair Bolsonaro, enfim, encontra a merecida punição: a cadeia

A prisão deste sábado é o desfecho coerente de uma biografia que sempre flertou com a ilegalidade e a quebra de instituições

Neste sábado, 22 de novembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e prendeu preventivamente o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua residência em Brasília, removendo-o para uma acomodação da Polícia Federal.

A decisão, que não tem prazo definido, foi motivada pela violação de sua tornozeleira eletrônica e pelo alto risco de fuga, agravado pela convocação de uma vigília de apoiadores feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Este é o epílogo provisório de uma trajetória que, da insubordinação militar ao mais alto cargo da República, desaguou na condenação pela infame tentativa de golpe de Estado após a eleição de Lula em 2022.

A história de Bolsonaro é a crônica de uma vida dedicada à delinquência política. Tal trajetória, plena de momentos abjetos, foi igualmente marcada pela leniência das instituições que deveriam controlá-la. Essa impunidade encontra agora, finalmente, os freios da democracia.

A semente desse percurso foi plantada ainda durante sua vida militar. No ano de 1986, o então capitão Bolsonaro tornou-se conhecido do grande público ao ser preso após escrever um artigo para a revista Veja, sem conhecimento dos superiores, criticando os baixos salários dos militares. O episódio, porém, foi apenas o prenúncio.

Em 1987, a mesma revista revelou que Bolsonaro supostamente planejava detonar explosivos em unidades militares no Rio de Janeiro, como a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais e a adutora do Rio Guandu, num protesto radical. Ele negou a autoria, mas a publicação chegou a divulgar um desenho que teria sido feito por ele. O caso rendeu-lhe uma condenação em primeira instância, mas da qual foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar em 1988. Transferido para a reserva, deixou para trás uma carreira marcada pela insubordinação e ingressou na política, elegendo-se vereador do Rio de Janeiro em 1988.

Sua migração para o Parlamento não significou a adoção de uma conduta republicana. Pelo contrário, implicou num exercício constante de sabotagem da democracia a partir de suas instituições.

Como deputado federal por sete mandatos consecutivos, Bolsonaro firmou-se não como um legislador produtivo — nunca aprovou um projeto de lei relevante ou presidiu uma comissão —, mas como uma figura torpe, cujo nome ecoava nas manchetes principalmente por declarações que defendiam a tortura e assassinatos cometidos pela ditadura militar, além de proferir falas consideradas racistas e de ódio contra minorias. Era o político do baixo clero que vocalizava um conservadorismo agressivo e se alimentava do conflito.

Esse perfil, paradoxalmente, tornou-se sua alavanca. Aproveitando-se da onda do antipetismo sempre fomentada pela mídia hegemônica e amplificada pela Lava Jato e transformando-se em um fenômeno das redes sociais, ele lançou-se à Presidência em 2018 com um discurso antissistema, pró-armas e defensor, na fachada, de valores familiares, sendo eleito após um segundo turno contra Fernando Haddad.

Uma facada sofrida durante a campanha, da qual sobreviveu, foi atribuída por ele próprio como o momento crucial que alavancou sua candidatura. Seu governo, iniciado em 2019, caracterizou-se pelo desmonte de políticas públicas, pelo ataque aos órgãos de defesa do meio ambiente e pela promoção de um armamentismo descontrolado.

De forma ainda mais trágica, a gestão Bolsonaro foi marcada por uma resposta negacionista e criminosa à pandemia de COVID-19, na qual minimizou a doença, desestimulou a vacinação e promoveu tratamentos ine­ficazes, contribuindo para centenas de milhares de mortes evitáveis. Paralelamente, travou um conflito constante e sistemático com as instituições democráticas, em especial com o Supremo Tribunal Federal.

A derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 não veio acompanhada de uma transição pacífica. Pelo contrário, foi o gatilho para colocar em prática uma trama meticulosa para se manter no poder. Em setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi enfático ao afirmar que Bolsonaro foi fundamental para reunir indivíduos de extrema confiança do alto escalão do governo, formando o núcleo central de uma organização criminosa cuja maior consequência seria o retorno a uma ditadura no Brasil. A pena foi a consequência jurídica para os atos golpistas que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando hordas de seus apoiadores, incitados, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.

A prisão deste sábado, portanto, não é um evento isolado ou um acidente de percurso. Ela é o desfecho coerente de uma biografia que sempre flertou com a ilegalidade e a quebra de instituições, desde os tempos em que, fardado, planejava explodir quartéis. A ascensão de Jair Bolsonaro mostrou conhecidas fissuras e fraquezas da democracia.

Sua queda, ainda que tardia, registra avanços cruciais na afirmação das instituições. Antes de tudo, demonstra que o Brasil vive na vigência de uma Constituição democrática, de onde emana o poder. Respeitar a Carta Constitucional de 1988 é obrigação de todos. Sob a sua égide repousa o Estado Democrático de Direito. Por incrível que pareça, isso é tão novo que chega a ser revolucionário.

Até os mais poderosos podem ser chamados a responder por seus crimes. Como fica agora cristalino, a Justiça tardou, mas, enfim, chegou para o delinquente Jair Bolsonaro.

Brasil247

Bolsonaro usou solda para tentar abrir tornozeleira; confira vídeo

O ex-presidente Jair Bolsonaro usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica. As informações estão em relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap) encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto a um vídeo em que o próprio Bolsonaro admite a avaria.

“[Foi] curiosidade”, disse ele, informando que a tentativa de abrir o equipamento ocorreu no final da tarde de sexta-feira (21).

Às 00h07 deste sábado (22), o sistema do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME) gerou o alerta de violação da tornozeleira. Pela manhã, Bolsonaro foi preso pela Polícia Federal.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, retirou o sigilo sobre o relatório e o vídeo da Seap e deu prazo de 24 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifeste sobre a tentativa de violar a tornozeleira.

“O equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Haviam marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe/fechamento do case. No momento da análise o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em resposta, informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento”, diz o relatório.

A tornozeleira foi, então, substituída por outro equipamento.

Também nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou, pelas redes sociais, uma vigília de orações próxima à casa onde o pai, Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

Na decisão que determinou a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes cita a violação da tornozeleira e diz que a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Na semana passada, a Primeira Turma da Corte rejeitou os chamados embargos de declaração do ex-presidente e de mais seis acusados para reverter as condenações e evitar a execução das penas em regime fechado.

Neste domingo (23), termina o prazo para a apresentação dos últimos recursos pelas defesas. Se os recursos forem rejeitados, as prisões serão executadas.

A defesa do ex-presidente chegou a pedir, nesta sexta-feira, a concessão de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, o que foi rejeitado por Moraes neste sábado. Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deve continuar em prisão domiciliar.

Sobre a prisão preventiva de hoje, a defesa afirma que recorrerá da decisão.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar em razão de descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF.

Elas foram determinadas no inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado pela sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.

Agencia Brasil

Dia da Consciência de Zumbi

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A primeira premissa dessa conversa traz uma consciência elementar: a luta de classes é violenta. A segunda nos diz que a luta de classes no Brasil é profundamente racista.
A terceira premissa (ou lição de casa) assegura que a exceção (racismo, por meio do exemplo óbvio) é sinônimo de destruição da isonomia.

A normalização da exceção impõem-se pela adesão ao Necrofascismo (festeja-se a violência), à identificação com o Mal (no passado não foi diferente, com seu “viva la muerte”) e, assim, viola-se todas as premissas da isonomia.

A normatização da exceção é a fase posterior, quando a negação da isonomia é ordenada – ou quando se tornam regras (com Força de lei) todas as condições que aprimorem a negação formal da isonomia. Nosso exemplo mais óbvio é o AI-5. Mas, o Ato Patriótico do pós 11 de setembro é a máxima atualização pós-moderna. No que não seria diferente do Apartheid.
No Brasil, na vida prática, a isonomia nunca existiu e hoje é ainda mais evidente, quando vemos que o Homo sacer é o povo pobre, negro e oprimido.

No nosso caso, o racismo é institucional, sempre tivemos a normatização do racismo – o episódio mais conhecido e em plena vigência nas periferias atende pelo nome de Lei de vadiagem.
Até a luta de classes é seletiva no nosso país, com a mulher negra e pobre enxotada para o Rodapé da história social e institucional.

Portanto, neste Dia da Consciência de Zumbi dos Palmares, defendo (novamente) a indicação de uma mulher negra para o STF.
A única condição que traria é que a futura ministra tivesse a consciência de quem foi Carolina de Jesus.

Vinício Carrilho Martinez

Coluna Zona Franca

 

Por Roberto Kuppê (*)

Bomba Master

O mercado financeiro e o mundo político foram abalados nesta terça-feira pela notícia da prisão na noite anterior de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente a instituição e suas empresas, preservando apenas o Will Bank por haver interesse de compra. A liquidação aconteceu um dia após o anúncio de que a Fictor, uma holding financeira pouco conhecida, iria adquirir o Master e dois meses depois de o BC vetar a venda do banco ao BRB, que pertence ao governo do DF. Vorcaro, investigado por emissão de títulos de crédito falsos, foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para deixar o país em um jatinho com destino à ilha de Malta, no Mediterrâneo. A defesa nega fuga e diz que ele viajaria a Dubai justamente para negociar a venda do banco. Com a liquidação do Master e de sua corretora, os depósitos até R$ 250 mil passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto uma gestora nomeada pelo BC assume o comando e afasta a diretoria. (Folha)

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Nas investigações, a PF e o MPF descobriram que o Banco Master vendeu ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que não existiam e tentou justificar a operação com documentos falsos entregues ao Banco Central. Contratos foram “fabricados” em um único dia, usando associações ligadas a um ex-diretor para simular créditos consignados bilionários, além de 100 contratos de pessoas físicas que jamais ocorreram. Mesmo após o BC identificar inconsistências e rejeitar a compra do Master pelo BRB, o banco estatal continuou transferindo recursos, o que levou os investigadores a apontar crime em andamento. (Estadão e Globo)

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Pode ser uma imagem de cachoeira e casamentoAlém de Vorcaro, seis pessoas foram presas, incluindo Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que consta como sócio do Master, e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO da instituição. A Justiça bloqueou R$ 12,2 bilhões do grupo, e a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte e dinheiro vivo. A decisão judicial também afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB. (Metrópoles)

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A prisão de Vorcaro deixou muita gente alarmada. Ao longo dos anos, o banqueiro construiu uma rede de conexões políticas que vai de bolsonaristas como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) a integrantes do governo Lula, como o ministro Ricardo Lewandowski. (Estadão)

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A liquidação do Banco Master deve causar a maior indenização a depositantes já feita pelo FGC, que terá de cobrir entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões em depósitos, valor que supera o caso Bamerindus de 1997, atualizado hoje para cerca de R$ 20 bilhões. O Master vinha captando com CDBs de alta remuneração garantidos pelo fundo e já havia recebido uma linha emergencial de R$ 4 bilhões em maio para honrar vencimentos. Apesar do tamanho do rombo, o FGC afirma ter liquidez suficiente para fazer frente aos ressarcimentos. (Folha)

Vorcaro recebeu bilhões do PCC?

A complexa rede financeira que sustenta os negócios do banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser detalhada com mais profundidade com a revelação envolvendo o fundo Hans 95. Documentos de investigação mostram como uma estrutura de fundos fechados e interligados dificultava rastrear a origem e o destino de aportes bilionários ligados ao empresário. As informações foram publicadas pelo UOL, que teve acesso a documentos de investigação fiscal e judicial.

Vorcaro recebeu bilhões do PCC? 2

A maior parte dos investimentos relacionados ao Hans 95 não ocorria diretamente, mas por meio de outros veículos controlados pelo fundo, criando uma estrutura de cascata semelhante à já identificada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro associada ao PCC. (Brasil247)

Câmara aprova PL Antifacção

O Planalto até tentou, mas não conseguiu evitar que o relatório do PL Antifacção proposto pelo deputado federal (Guilherme Derrite-SP), secretário licenciado de Segurança de São Paulo, fosse aprovado com larga maioria na Câmara nesta terça-feira. O texto recebeu 370 votos a favor e apenas 110 contra, expondo, uma vez mais, a fragilidade do governo no Congresso. O texto prevê endurecimento de penas, criação de novos tipos penais, ampliação dos poderes de investigação e regras especiais para líderes de facções. O PT votou contra o parecer, acusando o relator de politização. (g1)-Confira como votou cada deputado. (Poder360)

Câmara aprova PL Antifacção 2

O governo teve uma pequena vitória em meio a uma derrota acachapante. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofício a proposta do bolsonarismo de equiparar facções criminosas ao terrorismo. Deputados e governadores de oposição vinham pressionando para que a equiparação fosse feita, uma ideia rejeitada radicalmente pelo governo. (Folha)-Charge do Orlando

Câmara aprova PL Antifacção 3

Nenhuma descrição de foto disponível.Em um sinal de que a Câmara partiria para o confronto, Derrite cancelou uma reunião marcada para a manhã com os ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para discutir seu relatório. (UOL)

PL Antifacção no Senado

E o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já escolheu o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para relatar o projeto na Casa. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Sérgio Moro (União Brasil-PR) pleiteavam o posto, mas Alcolumbre escolheu Vieira, não alinhado diretamente com governo ou oposição, para evitar “contaminação política” do projeto. (Folha)

Divórcio litigioso

“A votação do PL Antifacção e a terceira operação da Polícia Federal em poucos meses com reflexos na classe política selam o divórcio litigioso entre o governo Lula e uma parcela poderosa do Centrão” (Vera Magalhães-Globo)

PF tem capacidade

“O Master enreda políticos, agentes do mercado e fundos públicos — e, por isso, só a Polícia Federal tem capacidade de investigar e desmontar essa teia. Então, quem ganha quando a PF perde força?”. (Flávia Tavares-Meio)

Jeffrey Epstein

Por surpreendentes 427 votos a 1, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou uma ordem determinando que o Departamento de Justiça divulgue imediatamente todos os documentos relativos ao caso do financista e pedófilo Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019 quando cumpria pena por tráfico sexual. Na semana passada, democratas divulgaram e-mails enviados naquele ano pelo próprio Epstein afirmando que o presidente Donald Trump, de quem era amigo íntimo, “sabia das garotas”. A decisão agora vai para o Senado e, se aprovada, segue para o próprio Trump que disse não pretender sancioná-la. O único congressista a votar contra a divulgação foi Clay Higgins, republicano da Louisiana, sob a alegação de que a medida exporia milhares de pessoas que não teriam relação com os crimes de Epstein. (CNN)

COP30

Ministros de quase 20 países transformaram o que seria uma entrevista coletiva em um ato político dentro da COP30 nesta terça-feira. Em vez de uma apresentação técnica, representantes de vários países aproveitaram o momento para cobrar um posicionamento mais firme da conferência sobre o futuro energético global. Ministros de Alemanha, Reino Unido, Colômbia, Ilhas Marshall, Quênia e Serra Leoa, cercados por representantes de cerca de 15 outros países, defenderam a inclusão do assunto em termos mais incisivos nas decisões finais da conferência. A proposta por uma decisão clara que estabeleça uma rota para a eliminação dos combustíveis fósseis ganhou força nos últimos dias nas negociações paralelas. O movimento amplia a pressão sobre os países resistentes a assumir metas explícitas de abandono do petróleo, gás e carvão. Segundo diplomatas presentes, o gesto simboliza uma articulação inédita para romper o impasse histórico em torno do fim dos fósseis. (Capital Reset)

Todes e elu

Agora é oficial. Termos como “todes” e “elu” estão proibidos em documentos oficiais de todas as esferas de governo. O presidente Lula sancionou a lei que estabelece um padrão de “linguagem simples”, obedecendo às regras gramaticais e o acordo ortográfico da língua portuguesa, a fim de tornar compreensíveis para qualquer cidadão os documentos públicos. A chamada linguagem neutra, bandeira de grupos identitários, acabou incluída na proibição. (Poder360)

Lumière

Thierry Frémaux, diretor artístico do Festival de Cannes e uma das vozes mais influentes do cinema mundial, veio ao Brasil para lançar Lumière, a aventura continua, novo capítulo do projeto de restauração dos filmes dos irmãos Lumière conduzido pelo Institut Lumière. Além disso, Frémaux participou de debate na Cinemateca Brasileira com Walter Salles e afirmou que o país vive “uma espécie de idade de ouro contemporânea”, citando o impacto de Ainda Estou Aqui e classificando Agente Secreto como um dos grandes filmes do ano. Para ele, a vitalidade da produção brasileira recoloca o país no centro das conversas globais sobre criação e futuro do cinema. (Estadão)

Wagner Moura

E o ator Wagner Moura vai estrelar uma nova peça de teatro, O Processo: Inimigo do Povo, adaptação de Christiane Jatahy para o texto de Henrik Ibsen que atualiza o clássico para os conflitos políticos e ambientais atuais. A montagem será apresentada em 2026 nos festivais de Edimburgo, Avignon e Holanda, primeira coprodução simultânea entre os três eventos desde 1947. Cotado ao Oscar por O Agente Secreto, Moura interpretará Thomas Stockmann em um formato que envolve parte da plateia como júri. (Guardian)

O Décimo Rei do Inferno

O Museu Metropolitano de Arte devolveu à Coreia do Sul uma pintura budista de 227 anos, retirada do Templo Sinheungsa durante a Guerra da Coreia e mantida no acervo do Met desde 2007. A obra, chamada de O Décimo Rei do Inferno, voltou ao país após uma investigação conjunta entre o museu, o templo e um comitê local dedicado à recuperação de patrimônio cultural levado no conflito. A repatriação, celebrada em Seul, é a sétima de um conjunto de dez pergaminhos desaparecidos nos anos 1950, quando tropas americanas controlavam a região. Para especialistas, o gesto reconhece a vulnerabilidade de templos e acervos durante guerras e reforça o esforço recente do Met para revisar origens de peças com histórico problemático. (New York Times)

Mensagens e vídeos parRKTV

Enviem vídeos de qualquer parte do Brasil e do mundo. Contem suas histórias, suas denúncias, que serão publicadas. Mande para rk@rktv.com.br

Em breve, com aplicativo que dará acesso às smart tv, quando estará disponível gratuitamente em todos os lares brasileiros. Assista aqui.

Breakfast

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Novo ciclone se aproxima do Brasil; confira os 2 estados que mais serão afetados

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A formação de um ciclone extratropical próximo à costa promete mudar o cenário meteorológico no Sudeste nesta quarta-feira. Segundo informações divulgadas pelo O Globo, o sistema deve se organizar entre a tarde e a noite, reforçando instabilidades que já vinham dominando a semana e ampliando o risco de temporais sobretudo no Rio de Janeiro, em São Paulo e em partes de Minas Gerais.

No Rio, o alerta começa ainda na madrugada, com previsão de chuva intensa e persistente na metade sul do estado — incluindo a capital fluminense. A aproximação do núcleo do ciclone pelo oceano deve estimular a formação de nuvens carregadas capazes de provocar grandes volumes de chuva em curtos períodos, aumentando a preocupação com alagamentos e transtornos urbanos.

De acordo com meteorologistas ouvidos pela reportagem original, “ele se forma próximo à costa durante a tarde e, depois do pico de instabilidade da madrugada, já começa um deslocamento mais rápido para o oceano”. Ainda segundo o especialista, “à medida que se afasta, a tendência é de redução da chuva mais intensa, embora o dia ainda siga com céu fechado e umidade alta em várias áreas do Sudeste”.

Ao longo da manhã, o sistema deve iniciar seu avanço para alto-mar, o que tende a diminuir gradualmente a força das instabilidades. Mesmo assim, o céu permanece carregado, a umidade segue elevada e ainda pode haver pancadas isoladas até o fim da tarde.

Em São Paulo, a intensificação da nebulosidade ocorre principalmente entre o fim da tarde e o início da noite. A Grande São Paulo e áreas do interior podem registrar chuva forte acompanhada de rajadas de vento. Em Minas Gerais, o tempo fica mais instável no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce, regiões onde a combinação entre calor e concentração de umidade aumenta os acumulados previstos.

No Espírito Santo, mesmo com o ciclone afastado da costa, sua atuação em alto-mar deve estimular o transporte de umidade, favorecendo pancadas mais fortes ao longo da tarde.

A influência do sistema também alcança o Nordeste. A circulação atmosférica associada ao ciclone intensifica a formação de um cavado, ampliando a instabilidade no interior da Bahia e no litoral leste da região. “A entrada de umidade e as temperaturas altas da tarde aumentam essa instabilidade típica da primavera, favorecendo pancadas mais fortes em pontos do Nordeste. A Bahia pode ter volumes maiores por causa dessa ondulação”, afirmou a meteorologista Andrea Ramos.

No Norte, o cenário permanece semelhante aos últimos dias: pancadas frequentes e fortes, principalmente no Amazonas e em Tocantins, onde a grande quantidade de umidade e o aquecimento do período da tarde favorecem tempestades mais intensas. Manaus, inclusive, deve continuar registrando acumulados elevados.

Enquanto isso, no Centro-Sul e no Sul do país, o predomínio é de tempo firme. Uma massa de ar seco mantém as manhãs mais amenas e as tardes quentes, com baixa umidade relativa em áreas do interior. No Sul, o dia começa frio em partes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, mas o calor retorna à tarde, sobretudo no Paraná. A probabilidade de chuva é baixa, restrita a ocorrências muito isoladas no litoral.

Previsão de máximas e mínimas por estado

Norte
AC: 23°C / 33°C
AM: 23°C / 35°C
AP: 24°C / 30°C
PA: 23–26°C / 31–34°C
RO: 21°C / 33°C
RR: 23°C / 30°C
TO: 23°C / 35°C

Nordeste
AL: 22°C / 30°C
BA: 21–23°C / 30–31°C
CE: 25–26°C / 31–32°C
MA: 24°C / 34°C
PB: 23°C / 31°C
PE: 23°C / 31°C
PI: 26–27°C / 38°C
RN: 23°C / 30°C
SE: 22–23°C / 30°C

Centro-Oeste
DF: 16°C / 29°C
GO: 16–22°C / 29–34°C
MT: 22–25°C / 33–35°C
MS: 16–21°C / 31°C

Sudeste
ES: 21–22°C / 30°C
MG: 16–21°C / 28–31°C
RJ: 17–23°C / 30°C
SP: 16–22°C / 25–31°C

Sul
PR: 11–16°C / 25–28°C
RS: 9–16°C / 20–25°C
SC: 14–16°C / 23–28°C

Brasil 247

Vinício Carrilho Martinez: Ação da PM motivada por orixá em aula deixou crianças desesperadas

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Um representante do conselho de pais da Emei Antônio Bento, na zona sul de São Paulo, afirmou que a comunidade escolar ainda tenta se recuperar do episódio em que policiais armados entraram na unidade após um pai contestar uma atividade pedagógica sobre cultura africana…

Esse obscurantismo (Teologia do domínio) é pior do que aquele praticado ao tempo dos Capitães do Mato.
Aliás, nem deve haver referência a qualquer Cosmogonia.
Não é à toa que se encaixa feito luva nas ações das piores organizações criminosas do RJ: do vulgo Peixão.
Trata-se de domínio territorial, mas completamente de corpos e mentes.
É como se fosse um Torquemada do CV, uma organização religiosa oponente ao ISIS, mas tão forte que aprimorou o modus operandi da morte cruel.
– esse indivíduo é qualquer coisa saída da fábula que inventou a distopia macabra.
– esse indivíduo é a sombra do macabro. Mas não está só, não é o criador da fé macabra: só alinhou com o crime organizado.
Tiveram a sensibilidade (menos hipócrita de quem romantiza o crime) de não chamar de Teologia da dominação.
A diferença entre domínio (“dominus”, para os piores romanos) e dominação é gigantesca.

Por Vinício Carrilho Martinez

Orixá em aula: ação da PM deixou crianças desesperadas, diz pai

 

Ao vivo pela RKTV: Presidente Lula inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153

Cerimônia ocorrerá às 11h desta terça-feira (18), no município de Xambioá

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visita e inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153. O evento será às 11h, na orla do município de Xambioá.

A ponte consolida um importante corredor logístico da BR-153, reduzindo custos de frete, otimizando o escoamento da produção e fortalecendo a competitividade do Tocantins, do Pará e de toda a Região Norte no cenário nacional e internacional.

Assista aqui ao vivo.

SERVIÇO:

Presidente Lula visita e inaugura a ponte Xambioá (TO)-São Geraldo do Araguaia (PA) sobre o Rio Araguaia, na BR-153

️ Data: 18 de novembro, terça-feira
Horário: 11h
Local: 
Orla do município de Xambioá

Quem será o próximo?

Por Ronald Pinto

Nas últimas duas décadas, os movimentos sociais globais passaram por uma transformação radical. A militância territorial e as organizações de base cederam espaço a uma ecologia informacional dominada por grandes corporações digitais – as Big Techs – que hoje hospedam e condicionam a vida pública. Essa transição é particularmente relevante para as gerações Millennials e Z, nativas digitais que dependem quase que integralmente das redes sociais para consumo de informação, sociabilidade e ação política.

Ao se conectar com teorias clássicas de ação não violenta, como as de Gene Sharp, essa infraestrutura privada criou um ambiente superpotencializado para a eclosão de revoltas. No entanto, o paradoxo é evidente: tais levantes frequentemente emergem sem um conteúdo de classe definido, despolitizados e marcados por identidades fluidas – um terreno fértil para manipulações externas e narrativas virais. Enquanto isso, os Estados nacionais, como o Brasil, permanecem aferrados a lógicas tradicionais, como as pesquisas de opinião, ignorando que o verdadeiro campo de batalha se deslocou para o interior das plataformas digitais, onde ferramentas de mobilização pré-política fermentam em silêncio.

Plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, X/Twitter, YouTube e Telegram converteram-se nas arenas centrais do debate político. Apesar da percepção de que são espaços abertos, são, na prática, propriedades privadas regidas por algoritmos opacos que determinam:

  • O que se torna viral,
  • Quem ganha alcance,
  • Quais temas ascendem à prioridade,
  • E como as emoções coletivas são amplificadas ou suprimidas.

Para as gerações Y e Z, hiperconectadas e habituadas ao zapping digital, esses ambientes não são apenas fontes de conteúdo, mas o próprio meio onde sua consciência política é formada – moldada por sistemas que filtram e hierarquizam informações conforme interesses comerciais e geopolíticos. Assim, as Big Techs tornam-se os novos mediadores da consciência coletiva, capazes de modular indignações e canalizar frustrações difusas em comportamentos de massa.

Gene Sharp teorizou sobre a erosão do poder por meio da retirada do consentimento popular, usando ações não violentas, boicotes e desobediência civil. O que ele não previu foi que seus princípios seriam, nas redes sociais:

  • Amplificados por algoritmos,
  • Organizados em tempo real,
  • Replicados em ondas virais,
  • Disseminados sem qualquer estrutura organizacional formal.

Se antes a difusão de métodos de resistência dependia de sindicatos e partidos, hoje esse papel é desempenhado pelo feed. Quando a teoria de Sharp encontra o TikTok, surge um novo tipo de mobilização: espontânea, descentralizada, emocional e impulsionada por símbolos da cultura pop (como as bandeiras de One Piece no Nepal e no México). A ação coletiva deixa de ser uma estratégia política deliberada para se tornar um efeito de rede – um enxame digital guiado por impulsos e afetos amplificados algoritmicamente.

Um traço estrutural das chamadas revoluções coloridas e dos levantes da Geração Z é a ausência de um conteúdo de classe claro. Esses movimentos evocam valores como anticorrupção, transparência e renovação política, mas raramente aprofundam debates sobre:

  • Relações de produção,
  • Desigualdade estrutural,
  • Reformas econômicas,
  • Soberania nacional,
  • Políticas distributivas.

Esse vazio ideológico não é acidental; é funcional para o modelo das Big Techs e para a lógica difusa dos próprios movimentos. A disputa deixa de ser sobre o modelo de sociedade e se concentra no ato de mobilizar-se, na dramaturgia da revolta e na performance da insatisfação. Por não possuírem um epicentro político sólido, tornam-se alvos fáceis de apropriação por potências estrangeiras, ONGs ou partidos, configurando-se como revoltas de alta energia e baixa direção – simultaneamente potentes e frágeis.

Os Estados nacionais ainda acreditam que a temperatura social pode ser aferida por pesquisas de opinião tradicionais. No entanto, a dinâmica digital escapa completamente a esse paradigma. Enquanto governos moderam suas ações com base em números estáveis a partir de institutos de pesquisa como o Datafolha ou Ipec, as redes sociais, sob o controle das Big Techs, estão gerando:

  • Comunidades paralelas,
  • Bolhas inflamadas,
  • Sentimentos de injustiça viralizados,
  • Afetações súbitas que explodem em mobilizações massivas.

Eis o ponto crítico: a Geração Z não precisa estar politizada para derrubar um governo. Basta estar conectada.

Assim como no Nepal, onde o simples bloqueio de redes sociais detonou uma revolta que derrubou o primeiro-ministro, no Brasil ou em qualquer outra democracia, um gatilho banal – uma fala mal interpretada, um vídeo viral, um caso de corrupção superdimensionado – pode gerar uma mobilização monstruosa, despolitizada e imprevisível. O México acaba de ingressar neste mapa de risco. No dia 15 de novembro, manifestações da Geração Z, usando como pretexto o assassinato de uma liderança política, levaram milhares às ruas. O evento rapidamente escalou para a ação de grupos mascarados que tentaram incitar a invasão do Palácio Nacional, em um atentado explícito ao governo de Claudia Sheinbaum – que é alvo de ataques frontais do governo Trump. Este episódio é a materialização do risco: uma centelha de legitimidade (a indignação com um crime) é capturada e direcionada para uma tentativa de desestabilização de um governo soberano.

Estamos, portanto, diante de uma nova forma de poder social: o poder algorítmico de massas conectadas, sem mediação política, sem elaboração ideológica e sem horizonte organizativo.

A combinação entre o controle informacional das Big Techs, a aplicação viral dos métodos de Gene Sharp, a natureza despolitizada dos movimentos e o engajamento emocional da Geração Z cria um ambiente onde mobilizações capazes de desestabilizar governos podem eclodir de forma súbita e incontrolável, como visto recentemente no México.

No entanto, é ingênuo ver essa força como um mero fenômeno espontâneo. A presença dos donos dos algoritmos – os bilionários das Big Techs – no centro de poder dos EUA, inclusive na posse de figuras como Donald Trump, evidencia seu alinhamento orgânico aos interesses do capitalismo global por eles defendido. O Nepal serve como caso paradigmático de um regime substituído para atender a desígnios geopolíticos específicos. O Brasil, por sua vez, já experimentou esse mecanismo em seus estágios iniciais em 2013, um processo que, 12 anos depois, encontra-se drasticamente mais refinado e potente.

A pergunta que se impõe, portanto, deixa de ser se novas tempestades se formarão, mas quem serão os próximos alvos. Governos democráticos que insistem em ler a realidade pelas lentes anacrônicas das pesquisas de opinião ignoram que a verdadeira disputa migrou para o interior das plataformas. É ali, sob seu próprio nariz, que se forjam as crises do futuro, usando a energia genuína de uma geração para promover uma agenda de poder que lhe é, na maioria das vezes, completamente alheia.

Entrevista: Vinício Carrilho Martinez fala sobre capitalismo digital e tecnofascismo

Instituto Humanitas UNISINOS

Entrevistado: Vinício Carrilho Martinez (Prof. Titular da UFSCar)

Pauta: Capitalismo digital e Tecnofascismo: a captura do substrato criativo da Humanidade

  1. IHU – Para introduzirmos o assunto, gostaria que o senhor explicasse a diferença entre técnica e tecnologia e como as relações e transformações entre uma e outra nos levam ao tecnofacismo?

Basicamente, podemos entender que a técnica, assim como a arte e a política, são as marcas mais profundas e evidentes de nossa hominização – ou seja, o milenar tempo histórico em que fomos nos tornando humanos, das pequenas e grandes transformações que nos forjaram enquanto Homo sapiens sapiens. Antropologicamente, associa-se o Período do Neolítico como a fase em que essa junção (política, técnica e arte) tiveram uma espécie de “congruência em definitivo”, como uma síntese que se realiza, pois houve um grau maior de afirmação e de reconhecimento como “espécie diferente das demais”, um marco sensível no nosso entendimento acerca de nós mesmos (como espécie) e do mundo ao nosso redor. A tecnologia, como eu a vejo, recorta uma fase mais recente e se aproxima do que se convencionou denominar de formação do capitalismo. Neste caso, a técnica – convertida em tecnologia – perdeu gradativamente sua condição de hominização (até se acentuar em definitivo por meio da “acumulação primitiva de capitais”, no Colonialismo, na Expansão Ultramarina). E daí em diante se acentuou como base material de dominus: opressão para os colonizados, excluídos da produção e subalternizados. Frisando-se que dominus é uma das formas de dominação, outra, diversa, é racional-legal. Pois bem, esse movimento do capital é anterior à primeira revolução industrial e está mais próximo da própria criação do Estado Moderno – a enorme tecnologia política capaz de centralizar em torno de si (e para si), como se fossem seus, os mais variados interesses. Aumentou-se a escala de produção, mas refluiu a condição humana. O Estado Moderno, centralizado e unificado, teria a seu dispor (e disporia às classes e aos grupos dominantes) todo o arsenal tecnológico disponível: da atualização da bússola, do implemento das Caravelas (na fase de edificação do Estado-nação) até à profusão das ideias dominantes que se ajustavam à Colonização (escravismo). Em que pese o capitalismo sempre ser movido por contradições, a tecnologia não está direcionada ao desenvolvimento da condição humana, da Humanidade.

  1. IHU – A propósito, poderia descrever o que é o Tecnofacismo?

Se a grande tecnologia política inventada pelo capital para a dominação (na forma de dominus, de modo opressivo) foi o Estado Moderno, de lá para cá, ao longo dos séculos, a inventividade tecnológica da política – em busca de mais meios de opressão – manteve-se atenta e aguda. O Apartheid, na África do Sul é um exemplo recente da invenção de tecnologias políticas opressivas; no caso, pode-se dizer que seja uma tecnologia político-jurídica de opressão. Porém, o recorte mais evidente provém do Nazismo (e do Fascismo, de Mussolini). Na Itália, como ingrediente da tecnologia de dominação, flerte com as massas, estruturou-se a Carta de del Lavoro, um documento que colecionava direitos trabalhistas e foi inspiração para a nossa Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Na Alemanha nazista, muitos foram os aportes em tecnologia de destruição em massa, começando pelas armas de guerra sofisticadas – veja-se o emprego dos submarinos e das bombas V1 e V2 que pareciam chover em Londres –, no entanto, tem uma tecnologia que sempre me impressionou até mais do que as demais: o rádio de pilha. A colocação do rádio na equação nazista foi essencial, porque assim todas as residências, todos os lares alemães eram bombardeados e doutrinados com o discurso oficial do Partido Nazista, com Goebbels na direção. Uma tecnologia que se destacou na massificação, horizontalização, dos discursos e das diretrizes nazistas é por demais importante, fundamental, para se assegurar um rígido controle social. Algo de grande vulto havia sido interposto na Revolução Francesa (jacobinismo), com a criação do livro didático – tornando-se os ideais revolucionários mais acessíveis e replicáveis. Pois bem, essas premissas de formatação dos discursos e das práticas sociais teleguiadas são a essência do que se apelidou de Tecnofascismo. A grande diferença entre o passado e o presente se verifica na base material, nos tipos e recursos tecnológicos empregados – mas, não nas premissas. O Tecnofascismo, hoje, está entranhado nas redes sociais – que vejo como antissociais –, multiplicando-se, irradiando-se em discursos de ódio social sem controle algum. Pelo contrário, no estofo dessa tecnologia – redes antissociais – estão agindo algoritmos que prospectam e difundem os discursos racistas, misóginos, fascistas. A própria base material está alinhada à multiplicação do Fascismo. O que nos diferencia um pouco do uso anterior das tecnologias políticas é a profusão, a fractalidade: o ódio se multiplica como flocos de neve. Então, há uma recuperação dos principais pontos do Fascismo tradicional, da era Mussolini, além de sua propulsão incontida (estimulada) a partir das tecnologias digitais. Com a Inteligência Artificial não será diferente, se pensarmos no quanto a IA é racista e misógina na “entrega” das pesquisas.

 

  1. IHU – De que forma as Big Techs pautam a política?

Junto ao capital especulativo, seja de renda fixa seja de renda variável – também conhecido por rentismo – as Big Techs, como eixo do Capitalismo de dados (captura e monetização dos nossos dados sensíveis e postagens, reações digitais, além da incursão de propagandas), são o que entendo uma condição importante da estrutura hegemônica do capital atualmente. Por capital hegemônico subentende-se o capital que efetivamente predomina, controla e dirige o poder de decisão. Não é à toa que a fractalização acompanhou, deu vasão, à globalização (e que não é outro Colonialismo: na geopolítica e na base material são bem diferentes): o capital acumulado no sistema financeiro precisava chegar a todos os lugares, a todos os continentes e lares, e está quase lá, se pensarmos que apenas a Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp) está presente ao alcance de cinco bilhões (cinco bilhões!) de pessoas. Assim, se você chega a cinco bilhões de pessoas, por óbvio, que é capaz de modificar a qualidade da política. A popularização dessa tecnologia foi a grande mudança, enquanto tecnologia de reprodução e de acondicionamento. Porém, há outra característica que deve ser apontada e que é a “apropriação”. A própria Internet como a conhecemos hoje, na década de 1990 não só tinha outra configuração tecnológica como seus horizontes ou, ao menos, possibilidades eram distantes dos atuais. No contexto daquela época recente, o fenômeno das Multidões se pronunciou e se apresentou como sinônimo de “pontos de fuga” (no dizer de Deleuze) dos meios controlativos da mídia oficial, tradicional. Desde o México de Chiapas – com a insurgência dos povos indígenas – até Seatle e o antigo G7, os insatisfeitos, rebeldes, revolucionários, libertários – especialmente a juventude daquele momento (ou seja, a minha geração) – encontraram na Internet uma forma descentralizada (tecnologia do “todos-todos”, oposta ao “um-todos” dos jornais, das Tvs) e apta ao encontro, à reunião ampliada, dispersa, fractalizada, de mentes e corações avessos ao dominus daquela forma prevalecente de capital (sistema financeiro globalizado). As redes sociais nem existiam, ou melhor, tinham ali seu embrião: o fractal. Porém, astutamente, e com a Meta de hoje sempre empenhada em favorecer os grupos de poder e de mando, o que era uma “ideia de rede” logo se arrumou como redes sociais. A diferença, neste ponto, está na perda “gradual e segura” da autonomia, da liberdade, da premissa da emancipação: os algoritmos sempre favoreceram – como base material da tecnologia de domínio financeiro – as relações lucrativas e impulsivas do poder político alinhado ao capital financeiro. Em suma, houve a partir dos 1990, gradualmente, uma mudança de rumo no fluxo da liberdade e da participação social. As redes sociais trouxeram novas bases de controle social, mas, antes disso, promoveram uma “apropriação” dos sentidos e dos significados (libertários, difusos, democráticos) que orbitavam as práticas políticas das Multidões envoltas nos arranjos que a Internet permitia. Na prática, portanto, ocorreu uma apropriação da experiência política e sua deturpação – ou, em outras palavras, ocorreu uma desapropriação da ideia de rede e se interpôs sua conversão (pelo capital financeirizado) com o incremento das atuais redes antissociais.

  1. IHU – Como a IA captura a pauta política e como essa mediação tecnológica destitui a polis?

Em primeiro lugar, porque estamos cedendo espaços e condições de criação genuinamente humanos à Inteligência Artificial (IA), na música, na arte em geral, na redação de mensagens, na produção inclusive de teses acadêmicas. Entretanto, também cedemos na política, transferindo para decisões tecnológicas as pautas políticas que nos são as mais caras. As políticas públicas já são desenhadas e definidas em muitos países pela IA – sem consulta popular. Ora, se a consulta popular é o que temos mais perto de nós desse fenômeno político que é a Polis (o próprio espaço público), então, a sua supressão – em nome de alguma aposta ideológica (mentirosa) em favor de “decisões técnicas mais acertadas” (a tecnoburocracia de antigamente se fazendo mais atuante) –, obviamente, não pode confluir com o aprimoramento e aprofundamento da qualidade almejada para a condição humana. É preciso ter em conta, de forma muito clara e até repetitiva, que somos o resultado da política, somos “animais políticos” – e seríamos muito mais “políticos”, politizados, se o espaço público fosse delineado pelos maiores e melhores interesses humanos. Ainda lembremos que a IA não tem domínio público, é uma tecnologia com “razão empresarial”, criada e posta para rodar em tornos dos interesses econômicos prevalecentes. Nenhuma ação humana é isenta, neutra – porque não há isenção em nada que se transforma – e a política é a arte da transformação, tanto é assim que a política nos transformou de seres sociais, aptos à sociabilidade, em animais políticos, produtores de poder e das condições de dominação e de decisão (racional, legítima) ou de dominus (opressão). Se tiramos isso do humano-genérico e das populações e comunidades mais específicas, substituindo-as por decisões artificiais, é claro que o resultado não poderia ser pior para nós. Essa é uma tendência que tende a se reproduzir e ampliar em todos os quadrantes, especialmente na política.

  1. IHU – A negação da política é uma ideia que tem sido utilizada pela extrema-direita para conquistar corações e mentes da população. O que está por trás desse projeto político e como ele se materializa na sociedade?

A negação da política, como antecipado na resposta anterior, agora tem incrementos tecnológicos de uma dimensão nunca mensurados em nossa história: do rádio de pilha nazista às redes antissociais há uma transformação qualitativa monstruosa: é como se o discurso de Goebbels pudesse alcanças cinco bilhões de pessoas. E os discursos de Goebbels e de Mussolini têm em comum a deformação, desconstrução, destruição da arena política. O Fascismo nunca politizou ninguém; ao contrário, seu esforço sempre foi o da despolitização. Entendo que a política é a expressão e a Polis, o local, o medium. É assim que a extrema-direita, supremacista, racista, fascista, se “apropria” da política e, ao fazê-lo, acaba por descredenciar por completo o campo da política – sempre lembrar que a política é expressão do espaço público. O espaço público é onde se manifesta o Princípio do Contraditório (o dizer não), das contradições afloradas e contraditas por teses que se chocam. É do espaço público que pode/deve surgir a síntese, a sistematização transformadora das teses postas para avaliação e decisão. Essa capacidade decisional, se estamos efetivamente no espaço público, deve ser coletiva e os envolvidos precisam ter consciência aprofundada, alongada, acerca das implicações e das consequências não só de suas escolhas, mas do que, substancialmente, se produzirá no futuro, após as deliberações e a tomada de decisão (um pouco no sentido de Habermas). Por definição, a extrema-direita (racista, fascista) não garante o espaço público; além de buscar sua privatização (a partir dos grandes conglomerados), por condição óbvia, o Princípio do Contraditório é o primeiro a ser negado, atacado, demovido. Vemos como a “demonização da política” é uma pauta acesa nos períodos eleitorais (outsiders). Assim se produz a destruição da política, da Polis, do espaço público, enfileirando-se todas as teses políticas em torno de um “pensamento único”: o pensamento de corte fascista. Não pode haver divergência, discordância, propositura do seu contrário (o normal e desejado no espaço público) ao pensamento fascista, pois, a antítese do Fascismo é a democracia e, com esta, o Fascismo (a extrema-direita) seria destruído. Definitivamente, a extrema-direita não politiza as comunidades, as populações, as periferias.

  1. IHU – Qual parece ser o objetivo final da tecnologia digital?

O objetivo final é o dominus por completo do substrato humano. Chegar o mais próximo possível do controle comunicacional de oito bilhões de pessoas: acessar, ver, ler, ouvir, consumir e sugerir o que oito bilhões de pessoas devem acessar, ver, ler, ouvir, consumir e sugerir (um 1984 amplificado, fractalizado ao expoente máximo). Entendo por substrato humano o que, hoje (em 2025), produzimos e postamos na Internet, seja ou não a partir de redes sociais. Esse substrato ainda é produto humano, em sua maioria ou essência. Em breve, contudo, mudará de mãos – se continuarmos embarcados docilmente na tecnologia da IA. É, ainda hoje, esse substrato (nossas criações e manifestações culturais, conceituais – como esta entrevista – pessoais e coletivas) o resultado direto de nossas intenções – sejam elas fascistas ou democráticas. O problema maior, me parece, está no por-vir, porque pode vir a ser um mundo em total distopia. Se nossa Utopia repousa na ideia de um mundo mais equilibrado, qualificado, moralmente, ecologicamente, socialmente, a distopia está claramente depositada na tecnologia de dominus que “coloniza” 5 bilhões de pessoas. Fazenda Modelo, romance distópico produzido por Chico Buarque seria oportuno ser relido atualmente.

  1. IHU – Como a inteligência artificial captura o substrato criativo da humanidade?

A IA apresenta como suas as respostas que nos fornece. O que ocorre, ao contrário disso, é que as informações, as análises, os postulados, as teses, foram postas na Internet por humanos. Nós ainda produzimos a informação, os dados, o conhecimento que vão constituir o que chamei de substrato humano, a nossa produção e publicação digital (o trabalho vivo, intelectualizado, mais criativo). Porém, os algoritmos capturam impunemente o que fizemos e nos ofertam essas informações (rearranjadas) como se fosse um brilhantismo tecnológico: daí o novo “fetichismo da mercadoria” (diria o velho Marx) ou fantasmagoria (em Kafka). Na história da Humanidade não há caso mais gravoso de apropriação indébita, de expropriação, do que essa promovida pela IA. Essa tecnologia ainda não é capaz de produzir por si (em que pese máquinas já planejarem máquinas, isso ocorre a partir das nossas premissas, das premissas dos engenheiros ou projetistas). O dilema maior surgirá quando chegarmos à fase da IA integral, ou sob o dominus de uma IA só – talvez até capaz da singularidade. Neste momento, a IA ainda prescinde do substrato humano criativo. Por enquanto, a IA é um tipo mais “refinado” (com suporte tecnológico mais eficiente e multiplicado) do famoso método do “copia e cola”. A IA nos copia, cola o que fizemos e nos põe em cópia para recebermos respostas com base no que lhe enviamos previamente. É assim que a IA passa de ano e nós repetimos os mesmos erros. A IA ainda não sabe o que significa o 15 ou o 20 de novembro, no Brasil. Talvez um dia saiba, se aproprie do seu significado e o inverta quando perguntarmos.

  1. IHU – Como o capital digital institui um desejo de pensamento único? Até que ponto isso se concretiza?

Esse pensamento único está sendo apontado, construído, pelas bases materiais do que chamo de Capitalismo digital. As subjetividades estão em constante processo de captura pelos Grupos de Interesse Hegemônicos; profundamente, profusamente, capturadas em todos os quadrantes do planeta, em todas as classes, segmentos, grupos, estratos e camadas sociais. Ninguém está fora do alcance, ainda que não estejam conectados, porque os impactos e os resultados são sentidos por todos. A natureza é a mais impactada, com a produção em escala e com níveis acelerados de obsolescência das mercadorias: consumimos mais, devastamos mais. A questão é que não se tem essa consciência, da obsolescência acentuada. Em parte, por ação continuada desse fluxo consumerista/degradante, também se acentua um ritmo maior de “naturalização das formas de exceção”. A Uberização (pejotização) é um exemplo dessa atualidade e, controversamente, é o caminho oposto daquele anunciado pela Carta del Lavoro de Mussolini: o descredenciamento do Mundo do Trabalho é avassalador. Muitos dos subalternizados pela Uberização já se encontram ensimesmados na plena aceitação (e troca) dos direitos e das garantias trabalhistas por um ganho imediato, diário, e sem incidência de impostos: troca-se, definitivamente, a mínima segurança pessoal (seguro saúde, por exemplo) pelo ganho instantâneo: é nisto que se colocou, reduzindo-se por completo, a subjetividade das classes trabalhadoras e dos subalternizados. Outros são literalmente esgotados pelo ritmo e pelas condições laborais. E, numa fase aguda, adoecem com gravidades muitas vezes irreversíveis. Na extremadura dessa equação, há os milhões (bilhões, dependendo de como se analise) de pessoas simplesmente excluídas, banidas do Mundo do Trabalho, assujeitadas em condições as mais degradantes. Em vários desses casos, a própria identidade da pessoa é decomposta – no que se chama de “crise ontológica”, a pessoa duvida de sua própria existência, não se tem mais como referência insular. Muitos restam prostrados como se fossem ovoides, sem distinção de si, sem identificação do seu ser; ao passo que os outros bilhões sobreviventes vivem dentro de bolhas de referenciação, as bolhas geradas a partir dos algoritmos que pavimentam as redes antissociais. A “nova” fase do pensamento único – servir para enriquecer, obedecer para oprimir – está sendo edificado pela identificação com a obsolescência e pelo medo da morte violenta (violência que alimenta mais violência), pelo pânico e terror – não foi diferente sob o nazifascismo. O Franquismo na Espanha é um marco tardio, prolongado da violência fascista: “viva la muerte”, dizia-se alegremente.

 

  1. IHU – Como a obsolescência humana possibilita a extração da mais valia absoluta?

A escala 6×1, a uberização do Mundo do Trabalho (com jornadas de 12 horas diárias, nos remete ao fluxo da 1ª Revolução Industrial), a exploração do trabalho sob condições análogas à escravidão, são exemplares. No entanto, a demonstração mais aguda está na escala implantada em muitos países industrializados ou em vias de desenvolvimento, e que é conhecida como 9-9-6. Trata-se de uma jornada de trabalho imposta das 9 horas da manhã até às 21 horas, durante seis dias da semana – o que totaliza 72 horas de extração da mais valia (enquanto trabalho vivo) por semana. Esse ritmo é brutal, a despersonalização do indivíduo é total, os níveis de estranhamento são absolutos. É neste sentido que vejo a extração da mais valia absoluta nesses tempos tão relativizados. Os ganhos, os rendimentos, a base salarial, efetivamente, não contempla essa carga exploratória e de expropriação de tudo o que a classe trabalhadora possa ser capaz de produzir. Esse ritmo, não diferencia muito se é feito no modo remoto ou presencial, não edifica pessoas mais humanas; pelo contrário, as descredencia de participarem, de fazerem parte do espaço público. Como é que se pensa ou faz política com 72 horas submersas no modo de produção? Não há condição cognitiva, reflexiva, analítica e crítica, que sobreviva a tais níveis de exploração e de “obsolescência humana”. Ninguém resiste, em sua humanidade, a essa brutalização. É óbvio, portanto, que a crise ontológica vem disfarçada (até onde é possível) por “doenças e enfermidades mentais”. Quando pensamos no trabalho vivo (iminentemente intelectual, projetivo) a deformidade não é diferente, notadamente, se pensarmos nas enfermidades mentais: “colapsos”. São milhares de professoras e de professores já em processo de adoecimento no Brasil todo. Nas universidades públicas, talvez o ritmo seja diferenciado; todavia, o “vício pelo trabalho”, além de esconder o ritmo de trabalho (incluindo-se férias e finais de semana), ainda acentua um discurso laborativo de “mais quantidade, mais capacidade”. A universidade pública, ainda mais mergulhada na lógica neoliberal (neocolonial) de exploração da mais valia absoluta (e do trabalho vivo), quer esconder esse capacitismo pós-moderno: quando o próprio trabalho intelectual é unicamente medido pelas métricas da quantidade, sem relevo ou incidência de criatividade efetiva. Pois bem, sem criatividade não se faz crítica (presos na mesmice) e, sem isso, não há inovação ou Ciência. Costumo dizer que o pior da universidade pública é a lógica produtivista que se instalou, mas de péssima qualidade; afinal, “as pessoas competem entre si para ver quem faz mais igual, e depois se engalfinham em vaidade para saber quem fez mais igual”. É uma atualização do ditado popular mais famigerado que possa existir, ao negar de pronto a emancipação, quando diz, solenemente: “vamos deixar como está, para ver como fica”. Essa ideia faria Paulo Freire ter colapsos. Assim, o trabalho vivo, engenhoso, prospectivo, criativo, intuitivo, está obsoleto – no seu lugar está posta a lógica reprodutiva da obsolescência humana.

  1. IHU – Sob qual aspecto o trabalho infantil digital e a servidão voluntária às Big Techs podem ser vistos como “escravismo digital”?

Todos que participam de alguma perna da engenhoca da comunicação e da platamorfização digital o faz na condição de “servo voluntário” (na expressão de Bauman), posto que até mesmo nossas intenções passam pela captura da subjetividade e de sua apropriação indébita, ilegal e imoral. Veja-se o exemplo simples do Gmail, praticamente obrigatório (irrefutável) nas universidades, centros e institutos de pesquisa – toda a pesquisa nacional, a Ciência, o conhecimento, tudo passa pelo Gmail. E o que é o Gmail? É a principal porta de entrada no substrato acadêmico pela empresa que o disponibiliza (Google). Isso já é amplamente sabido. O que ainda não mensuramos adequadamente se refere à exploração do trabalho infantil nas redes antissociais – e que é altamente lucrativo para pais, mães, responsáveis. Induzidas por mais consumo, glamour (com os coleguinhas), as crianças são manipuladas por seus gestores: não fazem a mínima ideia da lucratividade envolvida em “suas brincadeiras” digitais. Não podemos esquecer, nunca, que a exploração do trabalho é abjeto, uma das piores formas de opressão, e seja no aspecto digital seja no “mundo real” (físico) – e a exploração do trabalho infantil nem encontra adjetivos à altura de sua malícia. Para além disso ainda há o fenômeno da adultização, que é a transformação de crianças em objetos sexuais. A somatória dessas atribuições digitais poderiam ser o miolo desse escravismo digital, uma vez que estamos todos submetidos à essa era de exploração e de pensamento único. Não há uma criança, jovem ou adulto que não passe ou não receba os efeitos do mundo digital: quando utilizamos o aplicativo de bancos ou de qualquer empresa estamos trabalhando para ela. A suposta “comodidade”, na acessibilidade digital, é uma máscara que esconde o desmantelamento da rede de trabalhadores e o aumento do nosso trabalho, pessoal, em busca de serviços ou informações pelas quais estamos pagando. Então, trabalhamos de graça, e felizes, certos de nossa comodidade. Esse poderia ser o resumo da mentalidade submetida, subsumida ao escravismo digital.

  1. IHU – Quais são as consequências da captura da polis pela IA? Após a despolitização, qual será o futuro da Humanidade?

Bem, o futuro da Humanidade será o que nós decidirmos. O problema é “o agora”, o “como” e sobre “o que” estamos decidindo para nós mesmos. Bilionários constroem bunkers em toda parte do mundo, mas para que? Lá dentro de suas cavernas bilionárias teriam alguns anos, até décadas de sobrevida – frente às possíveis catástrofes que eles produziram –, mas, e depois, quando e se abrissem a jaula pós-moderna que fizeram para se guardar de sua distopia, o que devem encontrar do lado de fora? Imaginemos que alguns humanos tenham sobrevivido, que alguns animais tenham restado, qual será o nível de humanidade que verão aqui fora, o que restará do conhecimento, da tecnologia e da Ciência que ajudaram a destruir? Com certeza, o barbarismo não será menor do que esse Fascismo que estão plantando todos os dias, todas as horas. Por isso chamei a atenção para o presente, para o aqui e agora. O que podemos fazer a partir de agora, individualmente, coletivamente, em face dos devaneios e das distopias que nos são apresentadas todos os dias? O que temos feito, com quem, quando? É obvio que as articulações entre nossos posicionamentos e ações individuais devem/precisam estar alinhadas ao que pensamos e almejamos em termos coletivos, propriamente humanos. Portanto, a expansão da reflexão e da ação ambiental, de sua preservação e recuperação, penso, deve ser imediata, pondo-se como a principal cautela a nos mover daqui por diante. O que mais podemos fazer? Podemos nos alinhar com petições políticas que descredenciem as pautas fascistas, de imediato, porém, também as pautas niilistas, egoístas, hedonistas, desprovidas de conteúdo social (Interação), devem ser denunciadas, analisadas e combatidas. Digo combatidas porque estamos mergulhados numa luta política, em meio à Luta de classes racista, e, em cheio, no mundo construído por distopias que desafiam os piores pesadelos dos mais notáveis escritores de distopia…

  1. IHU – Diante de uma sociedade já bastante estruturada sob a égide do capitalismo digital, quais saídas vislumbra para um futuro para além do imperativo tecnocientífico e tecnofascista?

No cômputo geral, há um esgotamento do “modelo humano”: esgotamos o espaço público, o Mundo do Trabalho, as condições mínimas da dignidade humana, esgotamos os recursos naturais, esgotamos nossa indignação e esgotamos a paciência da Natureza conosco. Elevamos a “dominação da natureza” às últimas consequências, afirmamos as teses de Bacon elevadas à décima potência. Nunca o “saber é poder” foi tão claro e evidente, todavia, trata-se de um “saber manipular” os Homens e massacrar com mais veemência o nosso isolado Planeta. Nunca a Humanidade se colocou um desafio como esse (parafraseando Marx), porque é um desafio para agora, com todas as forças humanas, políticas, morais, tecnológicas que temos à nossa disposição. O problema é que não temos essa disposição de frear o ritmo exploratório, de limitar e controlar o nível do próprio desenvolvimento tecnológico, a começar pela IA (descontrolada) enquanto a Humanidade segue enlouquecida para consumir. Se um dia chegássemos perto dessa consciência, competência ampliada – o que minha Utopia não permite visualizar – alguns dos sentidos mais inaugurais da articulação humana seriam resgatados: a política voltaria a ser humana e “hominizada”, a tecnologia seria vista como o antigo manejo técnico, a arte seria dirigida pela condição humana. O que fazer? De modo bem específico, penso que os aportes qualificados na educação e na cultura, de forma a descolonizar o Estado Laico, a afirmar a formação política dos estudantes, em termos de serem ávidos consumidores de uma educação de qualidade, inclusiva, democrática, emancipadora, ainda é o remédio que precisamos enquanto Povo brasileiro – destacando-se, (re)construindo-se nossa diversidade social, cultural, política, nosso sincretismo.

  1. IHU – Deseja acrescentar algo?

Quero acrescentar mais quatro questões, propostas por estudantes de vários cursos de graduação da UFSCar e que se ligam perfeitamente ao que viemos analisando.

  • IHU – Como a obsolescência humana possibilita a extração da mais valia?

Com a obsolescência humana, o trabalhador torna-se facilmente substituível e desqualificado, o que o deixa mais vulnerável ao aumento de sua exploração, já que ele, o trabalhador, adquire o pensamento de que não possui poder suficiente para exigir melhores condições e corre o risco de ser substituído a qualquer momento. É possível visualizar que essa construção é enfraquecida desde sua base diante do atual projeto neoliberal na educação pública brasileira. Onde a carga horária de disciplinas da área de ciências humanas foram reduzidas, enfraquecendo a formação do pensamento crítico, ao passo que matérias inconsistentes (por exemplo educação financeira) e cursos técnicos são implementados e priorizados. Enquanto o ensino privado continua com o itinerário antigo e com foco pré-vestibular. Um exemplo desse resultado é o capitalismo digital presente na plataforma Uber, o trabalhador é visto apenas como um número no algoritmo (intencionalmente), podendo ser desligado a qualquer momento no impasse que outra pessoa aceite a trabalhar por menos. A obsolescência humana cria essa instabilidade e insegurança no trabalhador, reforçando a estrutura contemporânea de extração da mais valia absoluta.

Izabela Victória Pereira

  • IHU – como a IA interfere no processo criativo?

A criação de novas ferramentas, seja motivada pelo lucro, seja motiva pela necessidade, ou por alguma contingência, faz parte da natureza humana. Estar no mundo é também mudar o mundo. Esse é o modo como os homens, em geral, opera. De forma nenhuma a natureza humana é reduzida a esse ordinário princípio objetivo, a dialética tem maior fundamento para explicar tal natureza. No entanto, há padrões que permanecem. A técnica é um exemplo. Com o capitalismo digital cada vez mais disseminado, o mundo está sobre o poder das novas tecnologias de comunicação e operação. O atual momento exprime uma nova revolução tecnológica, marcada pelo advento das IA (inteligência artificial) e IAG (inteligência artificial generativa). A partir de um prompt é possível pesquisar criar ou copiar algo. O problema está mais sobre a cópia do que sobre a pesquisa e a criação, pois a utilização dessas ferramentas para pesquisar é legitima, para criação idem, mas, quando utilizada para copiar ideias sem que haja permissão do criador, é abominável para sociedade e para a arte. A cópia de estilos artísticos foi notória quando houve a reação do estúdio Ghibli. A onda de imagens nas plataformas e rede sociais com a estética desse estúdio gerou revolta no estúdio, pois não houve permissão por parte dos criadores.

João P. Magalhães

  • IHU – Discuta como diferentes formas de obsolescência humana são produzidas na sociedade contemporânea, articulando tecnologia, trabalho e corpo.

A obsolescência humana na sociedade atual pode se manifestar por meio de diferentes processos, seja nos meios tecnológicos, de trabalho ou ainda nos corpos e em suas expressões sociais, tornando tais estruturas cada vez mais descartáveis e distantes da humanização. Nesse aspecto, a uberização, bem como o sistema chinês 9-9-6 (sujeito de desempenho – Byung-Chul Han), tem reduzido os trabalhadores a condições somente de sobrevivência. É válido salientar ainda o tópico ‘sobrevivência’ do sujeito, isto é, a vida não se traduz em experiências ou desenvolvimento, mas em suportar jornadas exaustivas que acabam por reforçar o princípio de que, uma vez esgotada a capacidade produtiva, de vender sua mão de obra, o indivíduo pode ser facilmente substituído. Outro ponto de grande relevância refere-se na forma como as Big Techs, associado ao avanço da inteligência artificial (IA), tem tomado para si o substrato criativo humano, como os recentes debates envolvendo dubladores, que se movimentaram amplamente para manter suas funções na dublagem de filmes e séries, visto que as IAs não teriam as capacidade humanas necessárias para transmitir anseios, emoções e todos aspectos necessários em produções artísticas. Isso mostra como as IAs tendem padronizar formas de criação em meras performances, isso tudo com uma promessa de eficiência e maior escala de produção. Por fim, mas sendo, particularmente, uma das principais formas de demonstrar a obsolescência dos corpos, se expressa também como o corpo feminino sempre apresentou esse marco de tornar-se obsolescente em dado momento, especificamente durante e após a menopausa. Esse processo é frequentemente compreendido (ou melhor, apresenta uma grande falta de compreensão) como um “ponto final” na vida de mulheres, isso porque, na visão biológica, que associa a sistematização feminina como a capacidade de gerar proles, de se reproduzir, quando isso não ocorre mais, a mulher torna-se um “objeto fora do prazo de validade”. Essa visão, para além da biologia, pode ser visualizada também de diversas formas, dentre elas as várias obras intituladas por Vênus, como ‘O Nascimento de Vênus’ (Sandro Botticelli), mais anteriormente, no período pré-histórico, a escultura ‘Vênus’ ou, por fim, a ‘Vênus de Milo’. Todas essas obras se apresentam nuas, com seios fartos e quadris largos, demonstrando como esse aspecto reprodutivo é essencial para afirmar a feminilidade em sua capacidade de “parir” e amamentar suas crias. Por sua vez, a falta de estudos, investimentos e políticas que ampliem a qualidade de vida após esse período evidencia como as mulheres são vistas como obsoletas não apenas no mercado de trabalho, mas também em esferas afetivas, sociais e relacionais. Ressalto aqui, portanto, que o corpo feminino, para além de tantas batalhas e sofrimentos, enfrenta também uma dupla obsolescência: produtiva e existencial. Esses eixos são articulados de modo a manter a lógica vigente, que busca a exploração acima do indivíduo ali presente, sendo a obsolescência humana, portanto, não é apenas tecnológica ou econômica, mas profundamente social, cultural e política.

Ester Dias S. Batista

  • IHU – Quais seriam as novas necessidades dos seres humanos que proporcionou essa mudança tecnológica?

Para explicar a diferença entre técnica e tecnologia de forma completa é interessante voltarmos aos gregos. Eles chamavam a técnica de techné. O termo grego é mais amplo, porém vamos nos ater apenas na questão da técnica. De modo geral a técnica é um conhecimento utilizado para a produção de objetos ou construções. Esse conhecimento, para os gregos deve ter uma forma de ser atestado (ou comprovado), seja por meio de um certificado nos dias atuais ou de indicações daquele produtor com relação à sua produção, como por exemplo o carpinteiro ou o arquiteto. Esse conhecimento requer, consequentemente uma habilidade para realizá-lo e também pode ser ensinado. A tecnologia está relacionada a técnica, ainda que sejam coisas diferentes. Enquanto a técnica produz algo, a tecnologia pode ser produzida por meio da técnica. Normalmente com o intuito de melhorar processos, ferramentas e a própria vida do ser humano. A forma como concebemos a tecnologia difere bastante do que seria para os gregos, mas o intuito continua sendo o mesmo, apenas com a evolução dos seres humanos e suas necessidades.

Lucas Gama

 

Assista na RKTV: ex-morador de rua lança trilogia e sonha em entrar para o Guinness Book

A RKTV apresenta a incrível história de Léo Motta, ex-viciado e ex-morador de rua. O programa Sem Censura o entrevistou. Após viver um tempo em situação de rua, ele transformou sua trajetória de vida por meio da arte e da literatura. Com três livros lançados, agora ele busca reconhecimento no Guinness Book como a primeira pessoa que esteve em situação de rua a alcançar esse feito.

Leo Motta encontrou na literatura um recomeço, transformando sua história em livro. “Há vida depois das marquises” é uma trilogia escrita entre os anos 2019 a 2024.

Na juventude e parte da fase adulta, Motta foi dependente químico e viveu mais de um ano nas ruas do Rio de Janeiro. No entanto, quando tudo parecia sem perspectiva, a vida deu uma reviravolta. Em 2017, aceitou ajuda, foi internado e acolhido por uma instituição, abandonou o vício e começou a trabalhar.

Em 2019, conseguiu, por meio de campanha de arrecadação virtual, publicar o seu primeiro livro. Nele retrata sua história desde quando chegou às ruas até a sua saída. No mesmo ano, foi convidado para palestrar e lançar a obra na Bienal do Livro no Rio.

Depois de 38 anos, conheceu seu pai, encontro que ocorreu na fila de autógrafo da primeira obra, fato que está descrito no segundo livro. Em 2021, publicou o “Há vida depois das marquises: sonhos” e também foi convidado para o evento. Escreveu o último livro da série em 2024, lançado na Bienal deste ano, e quer entrar para o Guinness Book como o primeiro ex-morador de rua a produzir uma trilogia literária.

“Sou um homem que carrega uma história que começou triste, mas que não impediu de um dia se encontrar com um final feliz. Um homem que superou todas as dores e transformou tudo isso numa luta pela dignidade, igualdade, respeito e inclusão de uma causa que vivi”, comentou em entrevista.

O escritor continua inspirando e ajudando quem ainda luta para recomeçar. “Eu voltei para a rua desde o primeiro dia que saí dela, mas voltei para ajudar. Quando lancei um livro na Bienal, muita gente entrou em contato comigo, querendo me ajudar. Mas eu não precisava de ajuda. Eu já tinha um endereço, eu já tinha uma fonte de renda, mas eu precisava ajudar quem ficou”, destacou.

Além de criar projetos sociais e culturais, atualmente, atua na Secretaria de Assistência Social do Rio de Janeiro com o “Super-ação” e “Menina, Moça, Mulher“.

O primeiro projeto acontece por meio de palestras motivacionais e rodas de conversas com pessoas em situações de rua, incentivando a escrita de poesia. Na Bienal do Livro do Rio de 2025, realizou um sarau poético com o grupo. Em dezembro, está prevista a estreia da primeira revista de poesia de população de rua do Brasil. “Menina, Moça, Mulher” oferece cursos gratuitos e atendimento médico, além de disponibilizar livros para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Ainda este ano, realizou a primeira edição do “Literatura na rua” e distribuiu cerca de 30 livros para pessoas em situação de rua.

Assista  aqui. RKTV 

Em 2022, Há vida depois das marquises originou um documentário que também está disponível na RKTV.

Ataque da seleção funciona e Ancelotti deve seguir por esse caminho

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Por Vinício Carrilho Martinez

O que mais admiro no Casa Grande é a inteligência, com a qual ele define os demais jogadores e que é chamada de “inteligência futebolística”, de leitura e de aplicação tática.
Talvez, só talvez, o que o PCB (o histórico, o fundador, em 1922) traduzia como tática e estratégia.
Em suma, tudo o que não temos para análise de conjuntura (como rola o jogo) e o que fazer com a bola e, o principal, como jogar sem a bola.
Futebol é cultura e política, sempre foi. Da fundação do Fluminese na luta contra o racismo (a história do pó de arroz), passando pela copa de 1970 (a seleção dirigida primeiramente por um comuna de carteirinha), até a Democracia Corinthiana – na qual o Casão foi pioneiro, junto com o mago Sócrates (um médico nas horas vagas).
Dá pra sacar o nível dos caras, né não?
Além disso, esse recorte nos dá uma boa base para avaliarmos a infeliz “cultura neymala” atual.
Há uma ofensa cognitiva, se olharmos do passado ao presente.
E o tanto de história que jogamos fora, por sermos determinados como um “povo sem memória” (sem educação, sem noção, sem conhecimento).
Temos talento, disso ninguém duvida.

https://share.google/jwrJf1CTsrcDUCANt

The Fake Judge, Falso Juiz

A RKTV.COM.BR está exibindo o documentário “The fake judge”, uma versão fantasiosa bem ao gosto de bolsonaristas. A História de uma Nação nas Mãos de um Psicopata (The Fake Judge, no título original), é como o jornalista português Sérgio Tavares intitulou seu documentário. A promessa do título é clara e perturbadora: apresentar um retrato psicológico de um juiz. No caso, o ministro Alexandre de Moraes.

Assista aqui

Efeito Lula: desemprego chega a 5,6%, menor patamar da história

A taxa de desocupação no Brasil registrou 5,6% no terceiro trimestre de 2025, o menor índice desde o início da série histórica em 2012. O levantamento revela um quadro de estabilidade no mercado de trabalho, com pequenas variações entre os estados e redução no número de pessoas em busca de emprego.

De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a desocupação caiu em apenas duas das 27 unidades da federação na comparação com o trimestre anterior, permanecendo estável nas demais. Pernambuco (10,0%), Amapá (8,7%) e Bahia (8,5%) lideraram as maiores taxas de desemprego, enquanto Santa Catarina e Mato Grosso registraram as menores, ambas com 2,3%

Os resultados incorporam a reponderação da série histórica da PNAD Contínua, ajustada com base nas Projeções de População divulgadas em 2024, que já incluem os dados do Censo Demográfico de 2022.

Redução da desocupação em todas as faixas

Os dados mostram que os quatro grupos de tempo de procura por trabalho tiveram retração no número de desocupados em relação ao terceiro trimestre de 2024. Duas faixas atingiram níveis mínimos da série histórica: pessoas que buscam emprego entre um mês e menos de um ano (3,1 milhões) e aquelas com procura entre um e dois anos (666 mil). Entre os que procuram há menos de um mês (1,1 milhão) e há dois anos ou mais (1,2 milhão), os níveis são os menores desde 2015. No grupo de busca prolongada, o recuo chegou a 17,8%.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o comportamento do trimestre está alinhado às movimentações típicas do mercado. “A taxa de desocupação diminuiu devido a um aumento marginal, não significativo, da ocupação e esse aumento promoveu a diminuição do tempo de procura”, explicou.

Desemprego entre mulheres continua superior ao dos homens

O levantamento aponta que a taxa de desocupação entre as mulheres permanece acima da média nacional, alcançando 6,9%, enquanto entre os homens ficou em 4,5%. O recorte por cor ou raça mostra que brancos estão abaixo da média (4,4%), enquanto pretos (6,9%) e pardos (6,3%) apresentam índices mais altos.

A escolaridade também influencia os resultados: pessoas com ensino médio incompleto registraram a taxa mais elevada (9,8%). Entre aqueles com nível superior incompleto, a taxa chegou a 5,8%, quase o dobro da observada para quem concluiu o ensino superior (3,0%).

Informalidade permanece estável e registra extremos entre os estados

A informalidade atingiu 37,8% dos trabalhadores do país no período. Maranhão (57,0%), Pará (56,5%) e Piauí (52,7%) exibiram os índices mais altos, enquanto Santa Catarina (24,9%) e o Distrito Federal (26,9%) mantiveram os menores patamares.

Kratochwill destaca que o indicador manteve estabilidade em relação ao trimestre anterior. Ele observa que houve queda de 130 mil trabalhadores sem carteira nos serviços domésticos, compensada pelo aumento de 111 mil trabalhadores informais no setor público. “Outro ponto importante é a relação da informalidade com a baixa escolaridade e baixo rendimento médio da região, o que é marcante nesses estados de maior informalidade”, afirmou.

Entre os empregados do setor privado, 74,4% tinham carteira assinada. Santa Catarina liderou com 88%, seguida por São Paulo (82,8%). No Maranhão, apenas 51,9% dos trabalhadores tinham registro formal.

A proporção de trabalhadores por conta própria foi de 25,3%, com destaques para Maranhão (33,1%) e Pará (29,9%).

Rendimento cresce no Sul e Centro-Oeste

O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.507, estável em relação ao trimestre anterior e superior aos R$ 3.373 registrados no mesmo período de 2024. Sul e Centro-Oeste foram as únicas regiões com aumento significativo, ultrapassando R$ 4 mil de média.

A massa de rendimento real habitual somou R$ 354,6 bilhões, com maior peso no Sudeste (R$ 176 bilhões), maior valor da série.

Metodologia 

A PNAD Contínua é a principal ferramenta de monitoramento da força de trabalho no Brasil. A pesquisa mobiliza cerca de dois mil entrevistadores, alcançando 211 mil domicílios por trimestre. Após a adoção temporária de entrevistas por telefone durante a pandemia, o levantamento voltou à coleta presencial em julho de 2021.

Do Brasil 247

Oruam ironiza foto de Júlia Zanatta com armas: “Se eu postar é apologia ao crime”

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O rapper Oruam reagiu nesta quinta-feira (13) a uma foto divulgada pela deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). Na imagem, a parlamentar aparece sentada em um trono cercado por fuzis. Ao comentar o post no X, o artista escreveu: “Se eu postar umas foto dessa é apologia ao crime”. A publicação da bolsonarista foi feita na terça-feira (11).

A deputada publicou a foto com a legenda “Game of Santa Catarina”, em referência à série “Game of Thrones”. A postagem está relacionada à disputa interna do PL catarinense pela candidatura ao Senado em 2026 e ao peso da influência da família Bolsonaro no estado.

 

Zanatta é uma das personagens do impasse regional que também envolve os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na semana anterior, ela declarou apoio à candidatura do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado por Santa Catarina, movimento que contrariou parte da direção estadual da legenda.

De acordo com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), o partido teria compromisso prévio para apoiar Caroline de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC) em eventual coligação. A entrada do nome do filho do inelegível foi citado como motivo de desconforto dentro do PL local.

A foto da deputada gerou repercussão negativa entre usuários das redes sociais. Nos comentários da publicação, internautas compararam a parlamentar a criminosos posando com fuzis. A reação ampliou o alcance do post ao longo do dia.

Oruam, cujo nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, reúne milhões de ouvintes nas plataformas. Ele é filho de Marcinho VP. O rapper foi preso no último 22 de julho após tentar impedir a Polícia Civil do Rio de Janeiro de cumprir mandado de busca contra um adolescente em sua casa.

O músico responde por tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, e cumpre medidas cautelares, como comparecimento mensal à Justiça e proibição de acessar áreas consideradas de risco.

Diario do Centro do Mundo

Soberania(s)

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Vinício Carrilho Martinez

Soberano é quem decide sobre o

Estado de Exceção Permanente

Carl Schmitt

A essência da soberania é

a luta por autoconservação do Estado

 

Para um único Estado não existem soberanias (múltiplas), como se fossem frações, partes ou pedaços da soberania, e se a adjetivamos (“soberania financeira”, soberania popular) é unicamente para obtermos um reforço didático, exemplificativo – a fim de que seu entendimento seja facilitado.

A soberania é inegociável, não há hipótese racional, razoável, fora dessa definição. A soberania é essencial ao estabelecimento e manutenção do Estado: não existe Estado sem soberania e essa sentença explica grandemente o que é a Razão de Estado (a própria justificativa, a razão para a existência do Poder Político unificado).

Assim, o Estado é considerado como a instituição superior e que se mantém a partir de uma firme aliança com o Povo (independente, autodeterminado) em seu território. O próprio Estado independente é delimitado enquanto Povo, território e soberania. Portanto, é o Estado quem assegura o Direito, a legitimidade, a institucionalidade e a atribuição das políticas públicas. Sendo assim, a soberania é um elemento fundamental, fundante.

Não se diz de um “poder de comandar”, porque, neste caso, seria uma capacidade de dividir o comando, “mandar com”, isto é, um poder de mandar com alguém não é um poder soberano, mas sim repartido. Vemos uma demonstração “organicista” do poder repartido na figura estilizada de um indivíduo humano (“poderoso”) em meio a um grupo social.

Desse prisma, o poder soberano é inegociável: “não há barganha por meia soberania”; indivisível: “não há direito de secessão”; inalienável: “não se abre mão[1]”; inesgotável: “não há previsão de término”; ilimitado: “sem-limites na sua defesa”. Então, a soberania se resume (não que se limite) ao “poder de vida e de morte”. A soberania ocorre quando o príncipe, imperador, soberano ou mesmo o governante (no nosso seria o Congresso Nacional) ou general (na ditadura) editam o Direito por intermédio do Estado.

É desse elemental que decorre, em um exemplo, a distinção funcional do Poder Legislativo, ou seja, a função primeira que é a legislar: criar leis. A outra função do Legislativo é fiscalizadora dos demais poderes – especialmente o Poder Executivo. É o que se define como Soberania Legislativa: a capacidade legisferante, legítima, do Legislativo (como poder do Estado soberano) promulgar o Direito que deve regrar o próprio Estado, a sociedade, o Povo, a economia, a política, a cultura e o controle social. A soberania é a essência, e também vemos isso quando dizemos que não cabe o uso do superlativo, pois, ou o Estado é soberano ou não é Estado. Não existe Estado soberaníssimo[2].

Sem soberania não há independência, liberdade, autodeterminação. E um povo que não é soberano é subjugado, controlado, dominado. Inclusive, no Brasil, precisamos de uma normativa clara e rígida a fim de se punir severamente quem age em desfavor da nossa soberania[3].

 

Ação contra a Razão de Estado

Antigamente se chamava de “crime de Lesa Pátria”. É fácil de entender porque o atentado à soberania territorial (soberania nacional) implica, diretamente, em lesar a Pátria toda, todos nós. Os atos terroristas do 8 de janeiro de 2023, além de atentarem contra o Estado (as instituições republicanas) e o Direito democrático, e, em consonância a isso, visaram desconstruir a soberania popular[4] – em ações que remontam a 2014 (Aécio Neves, derrotado por Dilma Roussef)[5] e ressurgem em 2022, com questionamentos evasivos (caluniosos) contra as urnas eletrônicas e todo o sistema eleitoral.

 

Soberania digital

Com a soberania digital não há que ser diferente – lembremos dos ataques à urnas eletrônicas como uma cortina de fumaça para desestabilizar o sistema eleitoral e colocar em dúvida a lisura sobre o resultado das urnas eletrônicas.

Afinal, o real e o virtual (digital) são as duas faces da mesma moeda: votamos presencialmente, mas a transmissão e contabilização dos votos são digitalizadas. Quando digito essa resposta no WhatsApp, durante uma viagem de ônibus, sou o mesmo professor Vinício que estará em sala de aula tratando desse tema. A pessoa é a mesma, o discurso será idêntico, o que muda é o momento e o suporte: remoto ou presencial.

A responsabilidade, a busca por clareza e exatidão nas informações (da análise conceitual) tanto está na digitação quanto na minha presença física na universidade. Aliás, se alguém me perguntasse agora o que tanto escrevo, lhe diria que “estou defendendo nossa soberania”. Até mostraria a resposta. Por esse exemplo é fácil perceber como o real e o virtual se entrelaçam. Então, a soberania digital não pode ser questionada – pois seria o equivalente de se questionar a soberania territorial do Estado brasileiro.

Neste aspecto, nós já temos tipificado no Código Penal o atentado violento contra o Estado Democrático de Direito. São penas duras, como deve ser a resposta do Judiciário contra quem age para anular a eficácia da Constituição Federal de 1988 e violentar as instituições republicanas e democráticas.

O crime contra a soberania nacional (digital ou territorial) tem previsão somente no Código Militar – e aí os escrutínios são outros. Nesse caso há uma mudança de status, se a legislação é Militar[6] ou civil. No entanto, como vemos, não há mudança de status quando desmarcamos a soberania territorial ou digital.

Se alguém atinge os principais setores, funções, organismos, repartições (os próprios poderes legitimamente constituídos), seja presencialmente seja remotamente, o crime contra a soberania estará estabelecido. A depender do que ocorra (o crime), o atentado digital poderá ser sentido e desdobrado em escala ainda maior, com mais danos, até numa escala difusa. As ações contra a soberania nacional orquestradas por brasileiros desde os EUA, especialmente visando “quebrar o Banco do Brasil”, é um fato contumaz: o Banco do Brasil foi fundado em 1808, é anterior às instituições republicanas e nasceu com o intuito de fomentar a economia nacional – isto é, antecedendo-se à própria independência do país, é parte essencial da história do nosso Estado-nação. Vemos, então, que ataques cibernéticos usando canais criminosos em redes sociais, contra o principal banco (público) do sistema financeiro, podem ser muito piores do que o 8 de janeiro de 2023 (por pior que tenha sido).

Em um paralelo institucional, iniciativas como a Nuvem de Governo[7] reforçam nossa segurança. Neste caso, é importante destacar que a segurança digital está em linha com a soberania. Se a segurança da nossa conta bancária, assim como a segurança em termos de privacidade dos nossos dados digitais, é inquestionável a todos nós, imaginemos a segurança relativa às políticas públicas e às Políticas de Estado, como os recursos da saúde pública e os assuntos correlatos à segurança nacional.

Numa outra ponta, podemos dizer assim, está a dependência que a imensa maioria dos países tem em relação às Big Techs. Depois do tarifaço advindo dos EUA, ainda tivemos o ameaço de exclusão do Brasil quanto ao acesso de serviços de geolocalização. Isso exemplifica como é necessário avançarmos em termos de produção de tecnologia nacional, com muita Ciência, pesquisa e inovação. Em boa parte, esse é (ou deveria ser) o aporte mais significativo da universidade pública.

Hoje, de forma emergencial, precisamos de marcos regulatórios eficientes quanto ao controle normativo das Big Techs em território nacional – houve já uma sinalização do Supremo Tribunal Federal (STF) ao modificar o entendimento de artigos do nosso Marco Civil da Internet[8], constituindo responsabilidades jurídicas às empresas de hospedagem digital. Porém, é preciso muito mais do que isso. Sem partir do zero, ou inventar a roda, é necessário pensarmos o papel da universidade pública na produção da Ciência, do conhecimento, da tecnologia, que sirvam aos interesses sociais e não somente se curve aos próprios interesses de seus estratos dominantes ou das frações de classe hegemônicas.

Numa expressão, é possível dizer que as Big Techs mais lucram e ampliam sua margem de poder quanto mais negam o Iluminismo (e por mais que deva ser criticado em muitos pontos). O que alimenta o Capitalismo de dados no bojo do Capitalismo digital, a capacidade de monetização dos discursos, não é a democracia, a cidadania, os direitos humanos, o Processo Civilizatório desenhado na Constituição Federal de 1988, mas, sim, o obscurantismo. Chegamos a um ponto, e nisto seguimos a longa jornada de nossa pouco enfrentada Luta de classes racista, que a sociopatia tem a total empatia dos algoritmos e dos indivíduos – o que, por si, autoriza o apelido de redes antissociais.

 

Pano de fundo: Capitalismo digital

Ao contrário do que querem os pós-modernos, por mais que a subjetividade e a consciência estejam massacradas, estioladas, a luta de classes está acesa – retumbante em cenários mais excludentes da vida, como nas grandes periferias, a luta de classes tem uma balística especial: a guerra civil, campal, que aniquila pobres, negros, crianças, idosos, mulheres, trabalhadores todos os dias. Olhar para isso, enfrentar problemas que Carolina de Jesus (a escritora negra, marginalizada, que estudou até a terceira série do antigo primário) viveu e descreveu, é um começo obrigatório para olhar e entender o Brasil: sem esse entendimento correto pouco mudaremos. Poderíamos exemplificar aqui sob a forma da soberania alimentar.

Parafraseando Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido (criticado por pessoas que nunca o leram), o que para o povo (pobre, negro e oprimido) significa liberdade, autonomia (autoeducação, autogoverno) e emancipação, para o nosso país se qualifica como independência, autodeterminação: não há soberania sem independência, liberdade, autodeterminação, como bem destacou o Constituinte de 1988, no artigo 3º, incisos I, III, IV, V da Constituição Federal de 1988 (Cf88[9]). Se tivermos nossa educação pública devotada a isso, a encarar o passado que nos assombra com o trabalho escravo e a exaustão laboral, nosso caminho, nossa resposta social, coletiva, jamais será autoritária diante de qualquer dilema que se apresente.

Hoje, estamos submersos na lógica do Capitalismo digital, teleguiado pelo Tecnofascismo, e as universidades públicas, centros de pesquisa, institutos federais – salvo exceções – estão submetidos ao mesmo fluxo de poder, do capital especulativo e da desumanização. A distância da universidade aos anseios da população, da sociedade, não poderia ser maior. Enquanto alguns lutam para que Paulo Freire permaneça como Patrono da Educação – enfrentando todo tipo de negacionismo, sectarismo (inclusive de uma parte da esquerda), a direção oficial do país encomenda a compra de kits de robótica para escolas do sertão brasileiro ou faz engasgar toda pessoa lúcida com a tal “educação financeira”: ensinando crianças famintas a guardarem um real para o seu futuro financeiro. O que uma criança sem presente, negado em todas as perspectivas, pensa para o seu futuro – criar um robô que a tire daquela miséria e opressão?

Nós estamos em uma encruzilhada, cercados por contradições, entre o futuro negado e o presente mal vivido. Como é que a universidade se opõe a isso? Salvo exceções, não se opõe – está subsumida ao capital financeiro e à moda política pós-moderna. Como a universidade poderia se opor a isso? Primeiramente, chamando a sociedade para dentro dos seus muros, sem medo de ver seus quartéis ameaçados, e depois organizar projetos que contemplem a realidade nacional. A universidade precisa sair da bolha, do castelo de marfim.

Um exemplo apenas: os cursos de extensão que deveriam ser ofertados para toda a população, gratuitamente, não apenas são dirigidos aos próprios estudantes como começam a ser cobrados quando são publicizados. Salvos exceções, não apenas o Uber teve sua “subjetividade subsumida pelas excrescências do Capitalismo digital”, pois, os doutores e doutoras também. Essa é a regra, a exceção é a resistência pela crítica, criatividade e inovação de verdade: colocar duas linhas num algoritmo não traz inovação nenhuma, especialmente se a lógica capitalista, fascista, racista, permanecer.

Esse contexto pode ser entendido como Capitalismo digital em sua fase de Tecnofascismo. Por Capitalismo digital vejo a financeirização em hegemonia, com o chamado rentismo (que inclui o Estado brasileiro como beneficiário de rendimentos e de dividendos) em concomitância com o que se chamou de Capitalismo de dados – esse modelo de monetização pelas plataformas digitais e de comercialização dos nossos dados sensíveis; contudo, no caso brasileiro, temos que acrescentar os efeitos da Luta de classes racista (que abate, sobretudo, o povo pobre, negro e oprimido), ou seja, na soma-zero da dignidade humana, precisamos somar o racismo e a exploração do trabalho em condições análogas à escravidão. E num particular do mundo pós-moderno, ainda estamos assolados pela já denunciada “adultização” e exploração do trabalho infantil nas redes antissociais. Neste sentido, vivemos entre o passado e o presente (com futuro bem ameaçado), entre o capitalismo financeirizado e a exploração de formas atávicas, pré-capitalistas.

A hegemonia pertence ao Capitalismo digital, mas o trabalho escravo escancara os jornais todos os dias. O Tecnofascismo é, num muito breve resumo, a insurgência e “nova” sedimentação dos insumos corrosivos do Fascismo tradicional nos “tempos modernos”: aquela vocalização do Mal, do auge do Nazismo, hoje se espraiou por meio da fractalidade. Neste caso, pode-se dizer que este Mal (fascista, racista, misógino, elitista, capacitista, homofóbico) se expande incrivelmente pelas redes antissociais. Dizia-se, antigamente (creio que Umberto Eco) que a estupidez e o obscurantismo ficavam na mesa de bar, na sujeira lavada das Tabernas; entretanto, com o impulsionamento dos algoritmos (que servem a empresas igualmente de laivo fascista) a base técnica é direcionada a expandir o discurso de ódio, a estupidez, a insensatez, o pior nível do senso comum abarrotado de preconceitos (ignorância conceitual) e de discriminação.

As condicionantes impostas pela realidade nua e crua observadas na atual fase da Luta de classes racista nos impelem a observar com atenção redobrada que as fragilidades sociais, as extremas desigualdades, as contradições econômicas aviltantes, são venenos atuando nas correntes e vias principais da soberania, uma vez que atingem toda a sociedade e, por óbvio, atingem frontalmente o Estado nacional.

 

Soberanias convergentes: contradições e paradoxos

Com todas as contradições presentes (explorar carbono na Foz do Amazonas), a COP30 indica como o Brasil está “sequestrando” a agenda mundial. Mesmo que seja uma grande contradição, além de tudo é a soberania energética nacional que se reafirma: a Petrobrás é o símbolo da nação: gigante, poderosa, soberana no seu segmento. Vale a pena rever Monteiro Lobato neste ponto. Portanto, estamos tratando de soberania energética. Também não é difícil de se apostar na certeza de que vamos ganhar o grande prêmio com o projeto TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre)[10].

Outro exemplo do quanto a soberania é definitiva na segurança de um Povo está pausado no reconhecimento internacional para se afirmar o Estado da Palestina, inclusive com o reconhecimento brasileiro. Porém, não se falou mais na “possível soberania” daquele território. Ao mesmo tempo, a guerra Israel X Gaza, além de perdurar, não encaminhou o assunto.

 

Resumidamente

 

Portanto, e por fim, são essas as principais características da soberania:

  • Poder acima dos outros: poder supremo e uno.
  • Não admite superlativo.
  • Não é um poder temporal – não tem data de validade

 

No passado remoto, o Príncipe faria tudo para manter o Estado unido, hoje é o governante. Na defesa da Razão de Estado, o soberano deve manter a unidade e organicidade do Poder Público. Todo Estado soberano é um Estado regulador da moral pública, como Estado Interventor na cultura. Alguns são mais, outros menos. Em suma, o Estado soberano é centralizado (voltado para seus próprios problemas, com um único poder central), centralizador (exerce-se pela força centrípeta), unificado (uno, indivisível) e apto (com recursos morais e materiais) a manter a unidade e a força do Poder Político. Por isso a soberania é inegociável.

 

[1] Porto Rico pode ser apontado como uma exceção, quando abdicou de sua soberania territorial, política, institucional, para se tornar um Estado-membro dos EUA.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado: metamorfoses do Estado Moderno. São Paulo: Scortecci, 2013.

[3] Da formação do Estado Moderno, até à modernidade contemporânea, também decorre a perspectiva de que o Estado deveria conhecer alguns limites quanto à projeção do Poder Político – o que se convencionou chamar de Teoria da Autolimitação do Estado: “…o Estado nos aparece como um duplo Estado em que o príncipe e as Cortes têm cada uma seus funcionários particulares, tribunais e até exército e embaixadores” (JELLINEK, Georg. Teoria General del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000, p. 309-310). O próprio Estado Moderno seria um tipo ideal, uma vez que se pode ver diferenças exorbitantes se tomarmos exemplos históricos para efeito de comparação. De todo modo, o conceito de tipo ideal foi emprestado do jurista Jellinek. Na versão clássica de Zippelius, corresponde ao Estado de Direito: “a obrigação de criar e manter determinadas instituições públicas” (ZIPPELIUS, Reinhold. Teoria Geral do Estado. 3ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, p. 377).

[4] “O único modo de tornar possível o exercício da soberania popular é a atribuição ao maior número de cidadãos do direito de participar direta e indiretamente na tomada das decisões coletivas […] O melhor remédio contra o abuso de poder sob qualquer forma – mesmo que “melhor” não queira realmente dizer nem ótimo nem infalível – é a participação direta ou indireta dos cidadãos, do maior número de cidadãos, na formação das leis. Sob esse aspecto, os direitos políticos são um complemento natural dos direitos de liberdade e dos direitos civis, ou, para usar as conhecidas expressões tornadas célebres por Jellinek (1851-1911), os iura activae civitatis constituem a melhor salvaguarda que num regime não fundado sobre a soberania popular depende unicamente do direito natural de resistência à opressão” (BOBBIO, Norberto. Liberalismo e democracia. São Paulo: Brasiliense; 1990, p. 43-44).

[5] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado – Ditadura Inconstitucional: golpe de Estado de 2016, forma-Estado, Tipologias do Estado de Exceção, nomologia da ditadura inconstitucional. Curitiba-PR: Editora CRV, 2019. O Golpe de Estado aconteceria em 2016.

[6] Em caso de guerra, a CF88 admite a pena capital.

[7] É muito interessante observar que se apelidou de Nuvem “soberana” de Governo, aproximando-se a soberania (do status que é inerente ao Estado) à gestão governamental. Aqui ocorre uma dupla aproximação, em forma de associação: entre governo e Estado, e entre soberania e segurança (digital): https://www.gov.br/governodigital/pt-br/infraestrutura-nacional-de-dados/ambiente-tecnologico/nuvem/nuvem-de-governo. Acesso em 13/11/2025.

[8] https://www.conjur.com.br/2025-nov-07/supremo-publica-acordao-de-julgamento-sobre-marco-civil-da-internet/. Acesso em 13/11/2025.

[9] Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I – independência nacional;

II – prevalência dos direitos humanos;

III – autodeterminação dos povos;

IV – não-intervenção;

V – igualdade entre os Estados;

VI – defesa da paz;

VII – solução pacífica dos conflitos;

VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X – concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

[10] https://share.google/QtB71iGrlorkoqnjI. Acesso em 13/11/2025.

Direitos no INSS que todo diabético deveria conhecer

Descubra quais são os direitos dos diabéticos no INSS em 2025, quem tem direito ao auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou BPC/LOAS, e como solicitar corretamente cada benefício.

Continue a leitura para entender:

Quem tem diabetes tem direito a algum benefício do INSS?

Quais são os tipos de diabetes reconhecidos e como é feito o diagnóstico?

Quais benefícios previdenciários podem ser concedidos ao diabético?

Quais documentos são necessários para solicitar o benefício?

O que fazer se o INSS negar o pedido?

Quem tem diabetes tem direito a algum benefício do INSS?
Sim. Pessoas com diabetes podem ter direito a benefícios previdenciários, desde que comprovem incapacidade total ou parcial para o trabalho. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concede amparo a esses segurados conforme os critérios da Lei nº 8.213 3 333 3/1991, que regula os benefícios por incapacidade no Regime Geral de Previdência Social.

Entre os principais direitos estão:

Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária);

Aposentadoria por invalidez (benefício por incapacidade permanente);

BPC/LOAS, quando a pessoa com diabetes não contribui para o INSS, mas vive em situação de vulnerabilidade.

Em todos os casos, a perícia médica do INSS é obrigatória para comprovar a incapacidade laboral.

Quais são os tipos de diabetes e como é feito o diagnóstico?
Diabetes tipo 1
Costuma surgir na infância ou adolescência, quando o pâncreas deixa de produzir insulina. O tratamento exige aplicação diária, acompanhamento médico e controle rigoroso da glicemia.

Diabetes tipo 2
Mais comum em adultos, caracteriza-se pela resistência à insulina. Os sintomas evoluem lentamente e, quando não controlados, podem gerar complicações graves, como neuropatias, amputações, insuficiência renal e perda da visão.

Diagnóstico médico
O diagnóstico é confirmado por exames como:

Glicemia em jejum;

Teste oral de tolerância à glicose;

Hemoglobina glicada (HbA1c).

O laudo médico e esses exames são essenciais para fundamentar o pedido administrativo junto ao INSS.

Quais benefícios o INSS concede a pessoas com diabetes?
1. Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária)
Concedido ao segurado que fica incapacitado temporariamente para o trabalho.

Requisitos:

Ter contribuído ao INSS por pelo menos 12 meses;

Apresentar laudos médicos recentes;

Comprovar que a diabetes impossibilita o exercício das atividades laborais.

O pedido deve ser feito após 16 dias de afastamento, e o benefício pode ser prorrogado conforme avaliação da perícia.

2. Aposentadoria por invalidez (benefício por incapacidade permanente)
É devida quando a incapacidade é total e definitiva.

Critérios principais:

Comprovação médica de incapacidade permanente;

12 meses de contribuição mínima (salvo casos de acidente ou doenças graves de início súbito);

Aprovação em perícia médica do INSS.

O valor do benefício é calculado conforme a média dos salários de contribuição, sendo 60% da média, acrescido de 2% por ano adicional de contribuição acima de 15 anos (mulheres) ou 20 anos (homens).

Nos casos em que a doença causa complicações graves e irreversíveis, o benefício pode alcançar 100% da média salarial.

3. BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada)
Destinado a pessoas com deficiência ou idosos de baixa renda que nunca contribuíram ao INSS.

Requisitos:

Renda familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo;

Comprovação da limitação funcional causada pela diabetes;

Está com dúvidas sobre seus direitos
Receba orientações iniciais e entenda o que fazer no seu caso.
Solicitar orientação
Diagnóstico médico e laudos atualizados.

Embora o BPC não gere 13º salário nem pensão por morte, é uma importante medida de amparo social.

Quais documentos são necessários para solicitar o benefício?
Ao solicitar o benefício no Meu INSS, o segurado deve reunir:

Documento de identidade e CPF;

Comprovante de contribuições ao INSS (quando houver);

Laudos médicos atualizados, emitidos por profissional especialista;

Exames laboratoriais (glicemia, hemoglobina glicada, etc.);

Receitas médicas, prontuários e relatórios hospitalares.

A ausência de documentação completa é uma das principais causas de indeferimento de pedidos no INSS.

Como solicitar o benefício do INSS por diabetes?
O procedimento é inteiramente digital. O passo a passo é o seguinte:

Acesse o site ou aplicativo Meu INSS https://meu.inss.gov.br/#/login;

Faça login com sua conta gov.br;

Clique em “Agendamentos/Solicitações”;

Escolha o benefício desejado (Auxílio-doença, Aposentadoria por Invalidez ou BPC/LOAS);

Preencha as informações solicitadas e anexe todos os documentos médicos;

Acompanhe o andamento da solicitação pelo próprio sistema.

O segurado deve comparecer à perícia médica na data agendada. Caso falte ou não apresente os documentos corretos, o pedido será indeferido.

O que fazer se o INSS negar o pedido?
A negativa do benefício não encerra o direito do segurado. As alternativas são:

Reconsideração: solicitar nova análise no próprio Meu INSS;

Complementação de documentos: incluir novos exames ou laudos;

Recurso administrativo: apresentar recurso formal à Junta de Recursos do INSS;

Ação judicial: quando o indeferimento persistir, é possível recorrer ao Poder Judiciário, com apoio de advogado especializado em Direito Previdenciário.

Segundo o art. 57, § 6º, da Lei nº 8.213/91, o segurado pode pleitear judicialmente o reconhecimento de incapacidade se o laudo pericial administrativo for insuficiente ou incongruente com as provas médicas apresentadas.

Conclusão
Ter diabetes não garante automaticamente o direito a um benefício do INSS, mas possibilita o acesso a importantes amparos previdenciários quando há incapacidade para o trabalho. O auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez e o BPC/LOAS são as principais formas de proteção, desde que cumpridos os requisitos legais.

Para evitar erros e aumentar as chances de aprovação, é fundamental apresentar documentação médica completa e, se necessário, contar com orientação jurídica especializada.

Se você leu este artigo até aqui, significa que gostaria de uma análise individual do seu caso para maiores esclarecimentos. O contato do nosso escritório está disponível no banner abaixo para você entrar solicitar o seu diagnóstico.

SOBRE O AUTOR:

O Dr. Miquéias Martins é advogado especialista em Direito da Saúde, atuando na defesa dos direitos de pacientes e segurados para garantir o acesso a cirurgias, medicamentos e tratamentos essenciais à saúde e à dignidade dos cidadãos brasileiros.

Clique aqui  para ser atendido

Pode ser uma imagem de texto que diz "M MARTINS MIQUÉIAS ADVOCACIA ESPECIALIZADA EM DIREITO À SAÚDE"

Do Jusbrasil

STJ enterra a era do print de WhatsApp como prova penal

O Superior Tribunal de Justiça, no HC 1.036.370/2025, sob relatoria do ministro Joel Ilan Paciornik, anulou uma condenação por entender que prints de conversas de WhatsApp não constituem prova digital válida quando ausentes os protocolos técnicos de preservação da cadeia de custódia.

A decisao, de setembro de 2025, marca um divisor de águas no Direito Processual Penal brasileiro.

O STJ foi enfático: “a ausência de documentação mínima e da adoção das práticas necessárias para garantir a integridade do conteúdo torna a prova inadmissível.” ( AgRg nos EDcl no AREsp 2.342.908/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, STJ)

O Tribunal reafirmou que não basta capturar imagens de tela. É indispensável comprovar:

A integridade dos dados (por meio de hash);
A auditabilidade dos procedimentos;
A documentação da cadeia de custódia;
O uso de métodos reprodutíveis e justificáveis, conforme a ISO/IEC 27037:2013.
O ministro Paciornik destacou que o Estado tem o ônus de provar a confiabilidade da prova, e não o acusado. Em suas palavras, “no processo penal, a atividade estatal é o objeto do controle de legalidade, e não o parâmetro do controle.”

O acórdão ainda faz um diálogo entre o processo penal e o civil, lembrando o art. 422, § 1º do CPC, segundo o qual imagens digitais impugnadas exigem autenticação eletrônica ou perícia.

Se o processo civil já exige esse cuidado, com mais razão o processo penal, onde está em jogo a liberdade humana.

Comentário final: A decisão impõe uma mudança cultural: prova digital é ciência, não improviso.

Síntese: O STJ consolidou o entendimento de que provas digitais sem hash, sem registro técnico e sem cadeia de custódia não valem no processo penal.

A era do “print de WhatsApp” como prova auto evidente chegou ao fim.Referência:

STJ, Habeas Corpus 1.036.370/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 5ª Turma, julgado em setembro de 2025.

Precedentes: AgRg nos EDcl no AREsp 2.342.908/MG e AgRg no RHC 143.169/RJ.

Leia sobre o tema:

Prova digital comprometida pela simples alteração da data no dispositivo apreendido

STJ anula condenação por ausência de integralidade da prova digital

Temístocles Telmo: Doutor e Mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Pós-Graduado lato senso em Direito Penal. Coronel veterano da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Com 38 anos de experiência de atuação na Segurança Pública. Professor de Direito Criminal na PUC-Assunção. Advogado e membro da Comissão de Segurança Pública da 100ª Subseção do Ipiranga da OAB São Paulo. Em 2023, coordenou os Conselhos Comunitários de Segurança da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e foi Secretário de Segurança de Santo André (2024-2025). É autor, coautor e organizador de 16 livros, com destaque para Vizinhança Solidária. Além de escritor e articulista, também se dedica à poesia.

Do Jusbrasil

 

Web Summit Lisboa 2025: ApexBrasil e Sebrae impulsionam startups nacionais em um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação

O Brasil participa de um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação: o Web Summit Lisboa 2025. Coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a delegação brasileira conta com mais de 370 startups e empresas inovadoras de todas as regiões do país.

A iniciativa foi desenvolvida com a parceria Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Iniciado no último dia 10, a edição 2025 do evento vai até esta quinta-feira (13), na capital portuguesa. A expectativa é de que o público chegue a mais de 70 mil pessoas.

Na última segunda-feira (10), as duas entidades realizaram o “Seminário de Internacionalização”. O encontro reuniu mais de 500 participantes da delegação brasileira. Na ocasião, foram discutidos os desafios e oportunidades da internacionalização de startups nacionais, abordando temas como apoios institucionais à expansão global, fundos e investimentos em startups, ambientes de negócios e incentivos à inovação em Portugal.

A programação contou com a presença do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana. Em clima de COP30 no Brasil, ele destacou que a inovação também precisa ter um caráter sustentável, já que, atualmente, o desenvolvimento econômico também depende de uma agenda verde.

“Inovando a gente também ajuda a vencer a crise climática. Certamente tem muita gente aqui que está trabalhando nessa que eu chamo Era dos Serviços, procurando implementar serviços que ajudam o planeta a ficar melhor, a vida, a sociedade ficar melhor, a economia ficar melhor. Isso tem tudo a ver com sustentabilidade, isso tem tudo a ver com os novos tempos que nós vivemos para que a gente possa deixar de lado a ameaça à vida no planeta”, disse.

Também estiveram presentes no evento o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro; o cônsul do Brasil em Lisboa, embaixador Alessandro Candeas; o diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro; o gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Lisboa, Paulo Matheus; o gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Bruxelas, Alex Figueiredo; a gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil, Maria Paula Velloso; entre outros nomes.

Empresas inovadoras no Brasil

Dados do levantamento do Observatório Sebrae Startups revelam que, em agosto deste ano, o Brasil registrou mais de 20 mil empresas inovadoras ativas. No período de um ano, o aumento foi de 30%. Além dessa tendência de alta, o cenário nacional mostra uma distribuição cada vez mais pulverizada e dinâmica.

O Sudeste é a região brasileira que possui o maior número de empresas inovadoras, com 35,8% do total. O Nordeste aparece com aproximadamente 24,7% das startups ativas. Na sequência está a Região Sul, com cerca de 20,7%. O Centro-Oeste, com cerca de 9,5%, e o Norte, com 9,2%, completam o panorama.

Além disso, segundo o estudo Startup Ecosystem Index 2025, existem mais de 150 milhões de startups no mundo. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com cerca de 1,1 milhão (1.148.296). Em seguida está a Índia, com 493,5 mil (493.582). O Brasil aparece na 27ª posição. Os dados mostram que todos os dias são fundadas no mundo, em média, 137 mil startups.

Programação da Web Summit 2025

O Web Summit 2025 conta com uma agenda diversificada, desde a realização de seminários e palestras a lançamentos, pitch sessions, debates, reuniões de negócios, encontros com lideranças internacionais, entre outras ações.

O Pavilhão Brasil fica situado na MEO Arena – principal espaço de visibilidade institucional e comercial das startups nacionais – com uma agenda voltada à geração de negócios, promoção de soluções tecnológicas e articulação estratégica, com investidores e parceiros de vários países.

No geral, a delegação brasileira representa mais de 30 setores, com destaque para HealthTech, EdTech, FinTech, MarTech, DeepTech e Agritech. Do total de companhias inovadoras presentes, 151 foram selecionadas pela ApexBrasil e pelo Sebrae. Vale destacar que mais de 120 empresas apoiadas pela ApexBrasil participaram do evento pela primeira vez.

Videocast

A ApexBrasil também apresentou uma nova edição do ApexPod em Movimento. Trata-se de uma versão itinerante do podcast oficial da entidade. O programa foi gravado diretamente do Pavilhão Brasil e apresentou conversas com empreendedores, especialistas e investidores que participam diretamente da evolução da inovação brasileira em todo o mundo.

Nesta edição, o videocast destacou o Brasil como protagonista no cenário internacional de inovação. No caso, foram exploradas temáticas relacionadas ao avanço da tecnologia nas diferentes regiões do país – com foco especial no Nordeste brasileiro.

Fonte: Brasil 61

Assessor de Kassab deixa governo Tarcísio após ser alvo de operação da PF

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Um assessor de Gilberto Kassab, secretário de Governo da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu demissão nesta quarta-feira (12) após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em licitações de prefeituras do interior paulista, segundo informações da Folha de S.Paulo.

O ex-prefeito de Limeira, Mário Botion. Foto: Divulgação

O ex-prefeito de Limeira, Mário Botion (PSD), ocupava desde julho o cargo de diretor de Convênios no escritório regional de Campinas da Secretaria de Governo, responsável pela intermediação de repasses entre o Estado e os municípios.

A ação, batizada de Operação Coffee Break, foi realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e apura desvios de verbas da área da Educação. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Botion e em uma empresa de sua propriedade, em Limeira, no interior de São Paulo.

Segundo a CGU, o esquema envolvia empresas fornecedoras de material didático localizadas em Sumaré e Hortolândia, com contratos superfaturados e indícios de corrupção. Ao todo, 50 mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo e Paraná, além do Distrito Federal.

Em um dos endereços investigados, os policiais apreenderam R$ 2,1 milhões em espécie. A PF afirmou que os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em nota, a Secretaria de Governo confirmou que Mário Botion pediu demissão após a operação e informou que ele “não exercia funções estratégicas” na estrutura da pasta. Kassab, que comanda a Secretaria de Governo da gestão Tarcísio de Freitas, ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.

A Polícia Federal não detalhou se as suspeitas estão ligadas ao período em que Botion foi prefeito de Limeira, entre 2017 e 2024, ou à sua atuação como diretor regional. Segundo informações da CGU, o esquema utilizava contratos educacionais como fachada para desvio de verbas, com indícios de superfaturamento e tráfico de influência.

Botion também responde a dois processos por improbidade administrativa em São Paulo, ainda sem decisões condenatórias. A reportagem tentou contato com o ex-prefeito, mas não obteve resposta. O caso está sob sigilo, segundo a PF.

Socialismo Ambiental – crônica ambiental de uma viagem

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Por Vinício Carrilho

 

Na volta da Bienal de Arte Moderna, em São Paulo, na minha frente vinham um vovozinho e sua filha.

Coincidente, na chegada ao nosso destino, fui fumar no mesmo local em que eles estavam. Aí o vovozinho (pai da senhora) disse que iria ao banheiro. A filha apontou o caminho reto, mas ele ia se desviando.

Então falei para ela ir, que olharia suas malas. Ela demorou para se decidir, dizendo que era teimoso, que fazia tudo sozinho. E me contou que em dezembro será um senhor centenário (100 anos!).

É vovozinho mesmo, mas não usa nem bengala de apoio.

Passado esse tempinho, a filha foi ao seu encontro para redireciona-lo e voltou rápido, depois, ele veio sozinho.

Lembrei dessa história espantosa porque ontem estava vendo um podcast sobre mercado financeiro e o apresentador, falando sobre a necessidade de uma previdência (que logo não será mais pública, por causa do golpe de 2016, do Temer: uberização, pejotização), disse que a Humanidade chegará aos 150 anos: a “nova” medicina fará isso. Tomou o cuidado de não dizer que será tão rápido.

Olhando a COP30, um marco sensível neste momento de negacionismo global[1], pensei que, para chegarmos aos supostos 150 anos, primeiro, as atuais gerações terão que salvar o planeta do esgotamento (com muita consciência, convicção, Ciência e tecnologia – principalmente energética) e, somente em seguida, essas gerações futuras poderiam herdar uma Terra apta à Regeneração: porém, sendo um processo, a práxis se inicia hoje. Ou começamos hoje ou não haverá amanhã algum para ser regenerado. Se nada fizermos individualmente e coletivamente (organizadamente) as provas desleixadas, inerciais pela nossa inépcia e indolência, por certo, serão a contraprova das expiações futuras e próximas.

Essa regeneração que vislumbramos na crônica é óbvia, na forma da sobrevivência humana, e será uma Revolução ambiental – com a diferença de que não será nos moldes da Revolução Francesa e jacobina. Também é óbvio que “nada muda per si”, o sistema de produção atualizado pelo fractal não é uma entidade aleatória, metafísica, abstrata.

Por mais que o sistema produtivo hegemônico do Capitalismo digital tenha algoritmos reconditamente fascistas[2], fantasmagóricos, em seu funcionamento há uma lógica funcional de dupla face: a pulsão de morte do modelo político fascista e a pulsão exploratória e consumerista.

Ou seja, sem a ação humana, a práxis decidida (reflexão e ação) de cada um/a o sistema, obviamente, manterá em funcionamento suas fantasmagorias. Em suma: a regeneração humana e planetária tem data limite para iniciar e a data no meu calendário diz que é hoje.

Essas futuras gerações, se tudo isso ocorrer, seriam muito mais equilibradas, conscientes, menos consumistas, niilistas e hedonistas. Também pensei que será um tipo de prelúdio socialista, se houver vida por aqui. E o mais curioso é que será um reencontro com o “Socialismo utópico”.

Na verdade, será um Socialismo Ambiental, natural, imposto pela lógica mais simples – a lógica do “deixe viver”, oposta ao sentido atual do “deixe fazer, deixe passar”. Se houver vida na Terra até lá, veremos triunfar a real Ciência Natural, capaz de reverter o processo de destruição planetária em curso e, ao fazer isso, anular o próprio modelo capitalista em andamento: destrutivo, corrosivo, corrompido.

Será um Socialismo Ambiental com seu escopo numa Ciência Natural e naturalmente humanizada em sua premissa e em seus princípios, com uma meta clara: salvar a Humanidade enquanto regenera o planeta desgastado, abusado, estiolado. Neste sentido, será um Bellum Organum – prontos para a guerra pela Ética; do belo, justo e honesto – e, assim, será o oposto do sentido primário, colonizador, destrutivo, do Novum Organun[3].

Afinal, se a metade da população mundial (ou menos do que isso) que mais consome e polui, e contribui com a degradação ambiental, mudar sua retina para além do hedonismo, egoísmo, da impulsividade planejada para o consumo do aqui e agora, se menos da metade mudar esse curso em si, é óbvio, que a quantidade estará mudando a qualidade – a qualidade presente nas atuais relações sociais, econômicas, ambientais, culturais.

Por fim, a viagem de volta, o vovozinho no ônibus, me remeteram ao artigo 225 da CF88 (Constituição Federal de 1988)[4]: essa história do Socialismo Ambiental (Estado ambiental[5]) está lá. É a própria história do planeta Terra em regeneração.

Há um pouco de idealismo nisso, porém, é fundamental sabermos que não se trata aqui de uma mera suposição, especulação, um desejo infundado (honesto, mas infundado em condições reais), não é uma premissa “ideológica”, um vir-a-ser sem possibilidades concretas.

Não, esse Socialismo Ambiental (utópico, sem dúvida) que contamos na crônica de uma viagem de volta da Bienal de Arte Moderna, na verdade, a seguirmos a lógica da sobrevivência (a única lógica ofertada atualmente), é a única saída viável. Ou nos regeneramos (mudando a cada um, cada contexto cada realidade) ou não teremos condições de alterar o sistema corrosivo vigente, desse nível de capitalismo altamente predatório e, só mudando-o (na transformação de nossa própria aceitação, identificação: hábitos, costumes), nós teremos alguma chance de mudar os sinais planetários absolutamente negativos que temos à frente.

No fluxo corrente, no nosso dia a dia, vamos do esgotamento dos recursos naturais ao que será um insuportável aquecimento global. Então, a questão é muito prática e urgente, sem que mudemos por exemplo a obsolescência da mercadoria (a exemplo do crescente e incontrolado troca-troca de celulares e de roupas e de sapatos) nós nos esgotaremos muito rapidamente: parece que dessa vez a Humanidade se colocou um problema muito difícil de resolver.

Além do mais, isso quer dizer que o idealismo é provido de ideias, que o idealismo provém de ideias e, se não temos ideias, o nosso problema é ainda mais grave –, pois, o nosso problema não seria apenas o distinto e específico problema que temos pela frente, mas, sobretudo, o fato de não termos a mínima ideia de como enfrenta-lo.

Então, a ausência de ideias implica em derrota certa e declarada. Como ensinou Kant: “Sapere aude”. Ouse saber, procure saber, procure por ideias mais equilibradas e viáveis (do ponto de vista conceitual, lógico – eco-lógico[6]). Procuremos por ideais exequíveis, emancipatórios[7] – isso é fazer política realista, notadamente a política ambiental, social, moral.

[1] E também uma contradição ou paradoxo, porque a Petrobrás muito em breve estará explorando óleo na Foz do rio Amazonas – o paradoxo se acentua porque a empresa retrata um símbolo nacional e a nossa soberania energética.

[2] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 12/11/225.

[3] BACON, Francis. Novum Organum & Nova Atlântida. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2005.

[4] CAPÍTULO VI

DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

  • 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;         (Regulamento)

II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;         (Regulamento)   (Regulamento)  (Regulamento)   (Regulamento)

III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;         (Regulamento)

IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;         (Regulamento)

V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;         (Regulamento)

VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.         (Regulamento)

VIII – manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis destinados ao consumo final, na forma de lei complementar, a fim de assegurar-lhes tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir diferencial competitivo em relação a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam a alínea “b” do inciso I e o inciso IV do caput do art. 195 e o art. 239 e ao imposto a que se refere o inciso II do caput do art. 155 desta Constituição.   (Incluído pela Emenda Constitucional nº 123, de 2022)

VIII – manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis e para o hidrogênio de baixa emissão de carbono, na forma de lei complementar, a fim de assegurar-lhes tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir diferencial competitivo em relação a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam o art. 195, I, “b”, IV e V, e o art. 239 e aos impostos a que se referem os arts. 155, II, e 156-A.        (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)

  • 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
  • 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
  • 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.         (Regulamento) (Regulamento)
  • 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
  • 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
  • 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos.         (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017). Acesso em 12/11/2025.

[5] CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Estado de Direito. Lisboa: Gradiva, 1999.

[6] GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, São Paulo: Papirus, 1991.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

Segurança freia popularidade de Lula

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu interrompida sua ascensão de quatro meses consecutivos. Segundo pesquisa Genial/Quaest (íntegra) divulgada agora há pouco, a avaliação positiva de Lula recuou de 48% para 47%, enquanto a reprovação avançou na mesma medida, de 49% para 50%. Embora dentro da margem de erro, a variação quebrou uma tendência constante de recuperação da popularidade do presidente, iniciada em junho. A mudança no humor do eleitorado está ligada ao tema da segurança pública. As entrevistas foram feitas após a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, e da fala de Lula classificando traficantes como “vítimas dos usuários” — rejeitada por 81% dos entrevistados, inclusive pela maioria entre lulistas. Já a operação, que deixou 121 mortos, foi aprovada por 67%. A violência segue como principal preocupação nacional, saltando de 30% para 38%. “Se o tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor do Lula, a pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, avalia o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest. (Meio)

Gestão Derrite: alta letalidade

A passagem de Guilherme Derrite pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ficou marcada por um paradoxo: enquanto o governo estadual exibe a queda de homicídios como prova de eficiência, a violência policial atingiu recordes e a criminalidade se sofisticou em áreas de alto poder aquisitivo. Em 2022, último ano da gestão João Doria/Rodrigo Garcia, 421 pessoas morreram em decorrência de ações policiais. Com Derrite no comando, o número subiu para 504 em 2023 e 813 em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As operações Escudo e Verão, ambas no litoral paulista, concentram boa parte dessas mortes e foram denunciadas por uso excessivo da força e execuções sumárias. (Diario do Centro do Mundo)

 Lei antifacção

Mesmo com o Planalto enfraquecido na área da segurança, o relator do projeto de lei antifacção, o deputado e secretário licenciado de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), não resistiu às pressões. Após um dia inteiro de reuniões e idas e vindas, ele anunciou que vai manter as prerrogativas da Polícia Federal no combate ao crime organizado e retirar do seu parecer(íntegra) as mudanças previstas na Lei Antiterrorismo. Derrite, porém, não deu o braço a torcer. “O que você chama de recuo, eu chamo de estratégia. Estratégia para punir o crime organizado no Brasil”, afirmou aos jornalistas. (Meio)

Derrota do Derrite

A proposta inicial de Derrite foi criticada por todos os lados: pela PF, pelo Planalto e até mesmo pelo principal nome no combate ao PCC no país, o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya. Ele critica o trecho que determina que investigações de crimes cometidos por organizações criminosas equiparadas ao terrorismo fiquem sob responsabilidade da Polícia Civil, com controle externo do Ministério Público. Para o especialista, essa formulação afasta o MP das apurações. “A Constituição já atribuiu ao Ministério Público o controle externo das polícias, não era necessário que uma lei ordinária repetisse isso. Ao meu sentir, mantém o MP fora das investigações”, afirmou. (Estadão)

Votação ainda hoje

Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende colocar em votação ainda hoje o projeto do Marco Legal da Segurança Pública contra o Crime Organizado. Segundo ele, o objetivo é buscar “convergência” entre os parlamentares antes da deliberação em plenário. “No processo legislativo, temos que ter a capacidade de buscar convergência, principalmente para os grandes temas”, disse Motta, o responsável, em última instância, pela escolha de Guilherme Derrite para a relatoria do texto. (CNN Brasil)

Tiro no pé

Guilherme Derrite e Hugo Motta em entrevista coletivaIntegrantes do governo Lula e parlamentares da base consideraram um “tiro no pé” da direita a tentativa de reduzir as competências da Polícia Federal (PF) no relatório inicial do deputado Guilherme Derrite sobre o projeto de lei antifacção, uma das principais apostas do Executivo para a segurança pública. Segundo a Folha de S.Paulo, auxiliares do presidente avaliam que, após dias de desgaste político em meio à crise na segurança — intensificada pela operação no Rio de Janeiro no fim de outubro —, a proposta de Derrite acabou abrindo espaço para o Planalto retomar a iniciativa no debate público.  (Brasil247)

Não é normal o cidadão portar um fuzil

Pode ser uma imagem de texto que diz "G16"Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (11), o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, comentou a respeito do impasse do projeto de lei 5.582/2025, que regulamenta a investigação contra facções criminosas. O parlamentar defende a criação de um tratamento jurídico diferenciado para quem participa nas atividades dessas organizações, em especial as envolvidas em controle territorial. “É um assunto que angústia a população e precisa ser tratado com responsabilidade. Não podemos permitir no Brasil áreas territoriais controladas por quem não é o Estado. Não é normal o cidadão portar um fuzil e não ter tratamento desigual por algum capítulo da lei”, disse Lira. (Congresso em Foco)

Saúde de Jair Bolsonaro

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que desconhece o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, por isso, não pode afirmar se o Complexo Penitenciário da Papuda tem condições de recebê-lo caso o Supremo Tribunal Federal (STF) determine o cumprimento da pena no local. “As condições do presídio eu conheço, e nós temos condições físicas. Agora, não conheço a saúde do ex-presidente. Não vou saber se ele tem condições de viver em presídio e com a alimentação que tem lá”, disse Ibaneis. O governador afirmou ainda que o Governo do Distrito Federal cumprirá qualquer decisão judicial. (Metrópoles)

100 dias em prisão domiciliar

Condenado pelo STF, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e é provável que passe algum tempo em uma carceragem. Mas nem por isso a direita radical deixará tão cedo de influenciar o campo conservador e a política brasileira. Essa é a avaliação do cientista político Sérgio Fausto, diretor geral da Fundação FHC.

Porta-aviões Gerald R. Ford

A maior e mais avançada arma de guerra da Marinha dos Estados Unidos, o porta-aviões Gerald R. Ford, entrou no Caribe nesta terça-feira, ampliando a capacidade americana de atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas ou alvos em território venezuelano, enquanto o governo Trump avalia novas ações militares para tentar derrubar o presidente Nicolás Maduro. (New York Times)

COP30

Um grupo de 12 organizações ambientais e humanitárias pediu ao primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que o país anuncie ainda na COP30 um investimento de pelo menos US$ 2,5 bilhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Na carta, as entidades defendem que o aporte seja divulgado durante a Cúpula do Clima para pressionar outros países, como China, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, a lançar outras contribuições. Os autores também ressaltam que a Alemanha poderia até se igualar à Noruega ao destinar US$ 3 bilhões ao fundo criado pelo Brasil para financiar a preservação nos países em desenvolvimento. (Folha)

Mudanças climáticas

Pesquisa da Quaest divulgada nesta terça-feira aponta que 94% dos brasileiros dizem já ter sentido ao menos um efeito das mudanças climáticas onde moram. As ondas de calor são o principal ponto de percepção, sendo relatadas por 69% dos entrevistados. Outros 42% citaram as secas prolongadas. Três em cada quatro pessoas ouvidas afirmam estar preocupadas com mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, caiu a parcela dos brasileiros contrários à exploração de petróleo na Margem Equatorial, e subiu a de favoráveis. Os apoiadores da exploração foram de 26% em outubro para 42% na semana passada, enquanto as reprovações passaram, de 70% em outubro, para 49%. (g1)-Charge Negacionistas de Orlando

Mudanças climáticas 2

Pois é… Um estudo publicado na revista científica Nature Sustainability no mês passado questiona o papel da indústria do petróleo como financiador da transição energética como argumento para ampliar a produção de combustíveis fósseis. O levantamento do Instituto de Ciência Ambiental e Tecnologia da Universidade Autônoma de Barcelona indica que apenas 20% entre 250 petroleiras pesquisadas têm projetos de energias renováveis em operação, o equivalente a 0,1% de sua produção de energia primária. (Folha)

Mudanças climáticas 3

Aliás, a Folha teve acesso à lista de credenciados a partir de indicação do Brasil para a COP30. O país apontou 3.805 pessoas para receber crachás para a conferência climática, incluindo integrantes do governo federal, governos e órgãos públicos locais e enviados do terceiro setor e da sociedade civil organizada. Também aparecem na listagem representantes de organizações e empresas de setores poluentes, como instituições do petróleo, mineração e gigantes do agronegócio. (Folha)

Ar-condicionado e refrigeradores

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado na COP30, revela que o uso global de equipamentos de ar-condicionado e refrigeradores pode triplicar até 2050, pressionando o sistema elétrico e as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa. O documento mostra que o aumento das ondas de calor extremas faz crescer a demanda por resfriamento, o que deve fazer com que a capacidade instalada no setor salte de 22 para 68 terawatts até o meio do século. (UOL)

COP32

Enquanto Austrália e Turquia disputam a sede da COP31, do ano que vem, Adis Abeba, na Etiópia, foi confirmada como a casa da COP32 em 2027. (UOL)

 Braskem faz acordo

A Braskem anunciou um acordo com o estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações pelo desmoronamento do solo em Maceió, causado pela extração de sal-gema desenvolvida pela empresa. Milhares de imóveis tiveram a estrutura comprometida e mais de 60 mil pessoas foram impedidas de morar nos bairros afetados, por questões de segurança. A indenização será paga ao longo de dez anos, sendo que R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo a companhia. (Agência Brasil)

TCU investiga Chrisóstomo

Mais trabalho para o advogado Nelson Canedo! O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu que a corte “apure com rigor” nepotismo no gabinete do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO). Conforme revelou a coluna, o parlamentar de Rondônia empregou a companheira, a cunhada e dois concunhados. Mais de R$ 2,1 milhões já saíram dos cofres da Câmara dos Deputados para bancar as remunerações deles.

O gabinete do Coronel Chrisóstomo

TCU investiga Chrisóstomo 2

O TCU informou à coluna, nesta terça-feira (11/11), ter abero um processo a partir da representação do Ministério Público. O MP-TCU descreve que a exoneração dos contratados não exime o parlamentar e os envolvidos “de responderem pelos atos praticados” em razão do uso “indevido de recursos públicos”. O deputado informou à coluna ter exonerado os familiares um dia após ser questionado sobre a situação. (Coluna do Tácio Lorran-Metropoles)

RKTV experimental

Pode ser uma imagem de televisão, sala de redação e texto que diz "RKTV τν"Está no ar em caráter experimental a RKTV, que retorna após 15 anos. A logomarca é a mesma de 2007, mas o formato acompanha a evolução da Internet. Em breve a RKTV também estará compatível nas smart TV, quando estiver operando no sistema Android. Por enquanto a RKTV não terá programação própria, mas a previsão é de que a partir de dezembro quando será oficialmente inaugurada, a webtv produzirá alguns programas jornalísticos, artísticos e podcast. Para ver a RKTV clique aqui.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

EFMM: uma tragédia sobre trilhos

Documentário conta pormenores da saga que foi a construção de uma estrada de ferro na Amazônia que iniciou no século 19 e terminou no século 20, ceifando a vida de milhares de trabalhadores, dentre eles brasileiros, ingleses, espanhóis, portugueses e até norte-americanos. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi construída, em três fases, de 1871 a 1912, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, com 366 km de extensão.
A ferrovia foi um desafio monumental e que acabou sendo um feito desastroso.

Sua execução levou mais de 40 anos para ser concluida, e levou a morte de mais de 8 mil pessoas. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi uma das principais obrigações do Brasil no Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 com a Bolívia. O tratado permitiu ao Brasil incorporar o território do Acre e, em contrapartida, o país se comprometeu a construir a ferrovia para garantir à Bolívia o acesso ao Oceano Atlântico, permitindo o escoamento de seus produtos. O tratado previa também a construção de uma ponte binacional entre o Brasil e a Bolívia, que está em fase de pré-construção em Guajara-Mirim.

Assista aqui EFMM, uma tragédia sobre trilhos: RKTV

 

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

Kids Pretos

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (11) o julgamento de dez réus acusados de envolvimento na trama golpista que tentou impedir a posse do presidente Lula. Segundo a PGR, os acusados integram o chamado “núcleo 3”, formado majoritariamente por militares e agentes de segurança que teriam planejado ações contra autoridades e instituições da República.

Kids Pretos 2

O grupo é apontado como responsável por monitoramentos, elaboração de estratégias e tentativas de coação para provocar o caos social. A PGR sustenta que os integrantes participaram do planejamento do chamado “Plano Punhal Verde e Amarelo”, que previa ataques e até o assassinato do então presidente eleito Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. (Diario do Centro do Mundo)

 

Chrisostomo pode dançar

Parece que o deputado federal coronel Chrisostomo (PL-RO) será cassado, se depender do advogado de Rondônia, Caetano NetoChrisostomo vai dançar YMCA no ostracismo por nomear parentes no gabinete. Membros do PL na Câmara Federal, o partido já discute sobre expulsão do parlamentar. De acordo com Caetano Neto, o parlamentar transformou o gabinete em “reunião de familiares” quando nomeou parentes. E pior, cita o causídico, “Dep. Chrisóstomo além do crime de nepotismo, contratar parentes, cometeu também, crime de Improbidade Administrativa uma vez que incidiu no enriquecimento ilícito. devendo responder ação correspondente para ressarcimento aos cofres públicos dos valores pagos aos familiares ilegalmente, hoje, em valores atualizados, cifras podem ultrapassar R$ 3 milhões de reais.

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Chrisostomo pode dançar 2

O advogado vai entregar também ao deputado líder da bancada do PL na Câmara Federal, Dep. Sóstenes Cavalcante, pedido para que Chrisóstomo seja destituído de todas as Comissões que participa pelo PL e ainda, seja apresentado junto à Comissão de Ética do Partido pedido de expulsão do parlamentar. Em Rondônia, aponta Caetano, caso Crisóstomo permaneça no partido, todos os seus candidatos para os cargos nas próximas eleições, sofrerão revés eleitoral.

                               Os “patriotas”…

Pode ser uma imagem de texto que diz "BRICS Monica Seixas @MonicaSeixas ESCÂNDALO! Hugo Motta e Tarcísio de Freitas se uniram para blindar o crime organizado: indicaram Derrite como relator do PL Antifacção, e ele quer retirar a Polícia Federal de investigações como a que revelou a ligação da Faria Lima com o PCC. Compartillhe ao máximo!"É impressionante a falta de vergonha desses bolsonaristas que, na cara de pau, continuam querendo blindar a bandidagem no Brasil. Pior, querem substituir a nossa Polícia Federal pela CIA e FBI norte-americanos. Ou seja, querem acabar com a soberania brasileira, além de proteger o PCC e o Comando Vermelho.

PL antifacção

O relator na Câmara do chamado PL antifacção, Guilherme Derrite (PP-SP), não resistiu às críticas e, como conta Andreia Sadi, desistiu de exigir pedido dos governos estaduais para a ação da Polícia Federal contra organizações criminosas. Em nota divulgada na noite de segunda-feira, Derrite, que está licenciado do cargo de secretário de Segurança de São Paulo, disse ter ouvido “diversas sugestões de parlamentares, magistrados, membros do Ministério Público, advogados e agentes de segurança” e alterado o texto para que a PF atue “de forma cooperativa” com as forças estaduais “sempre que os fatos investigados envolverem matérias de sua competência constitucional ou legal”. (g1)

PL antifacção 2

Antes do recuo de Derrite, a PF e a Receita Federal haviam divulgado notas demonstrando preocupação com as restrições propostas pelo relator. Segundo a PF, o texto enfraquecia o “papel histórico da corporação” em investigações de longo alcance. Já a Receita destacou que depende da PF para “atacar e desestabilizar a estrutura de financiamento das organizações criminosas” e que essas operações não poderiam ser “condicionadas à autorização local”. (g1 e Meio)

PL antifacção 3

Já o Planalto tem trabalhado para retomar o texto original elaborado pelo Ministério da Justiça. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta um encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para expor a preocupação do governo com o avanço da proposta. Em paralelo, o governo subiu o tom contra as alterações de Derrite e passou a classificar as mudanças de “blindagem a bandidos”. (Globo)

Suspensão imediata

Enquanto isso, ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a “suspensão imediata” do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra as famílias que retiraram corpos na mata após a operação mais letal do país. Moraes também determinou que o governo do Rio preserve as imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais. (UOL)

COP30 começa com críticas a guerras

A política deu o tom na abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) nesta segunda-feira, em Belém. Em seu discurso mais enfático até agora na capital paraense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu com as formalidades da Cúpula de Líderes da semana passada e fez ataques a potências que não enviaram representantes de alto nível, sem citar diretamente os EUA e a China. Também criticou nações que financiam ou travam guerras. “Se os homens que fazem guerra estivessem aqui, perceberiam que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para enfrentar um problema que mata do que gastar US$ 2,7 trilhões com guerras, como fizeram no ano passado”, afirmou. (g1)

Cortar as emissões de CO2

Já o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Simon Stiell, enfatizou a necessidade de cortar as emissões de CO2 na atmosfera, antes mesmo de os países entregarem as promessas firmadas em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, em inglês). “Nenhuma nação tem como arcar com isso enquanto desastres climáticos começam a impor prejuízos de dois dígitos na percentagem do PIB dos países”, declarou. (Globo)

Donald Trump x COP30

Dos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump não citou Lula, mas criticou as obras de infraestrutura que foram feitas em Belém para a Conferência do Clima. Em sua rede social, a Social Truth, Trump disse que as obras foram um escândalo. “Eles destruíram a Floresta Amazônica no Brasil para a construção de uma rodovia de quatro faixas para que ambientalistas pudessem viajar”, escreveu. (Estadão)

Califórnia na COP30

No Brasil, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, líder emergente do Partido Democrata, criticou a ausência de seu país na conferência e afirmou que os EUA sofrem hoje com um “vácuo de liderança” na agenda climática. Ele participou de um simpósio sobre mercados e sustentabilidade em São Paulo e desembarca em Belém hoje. “A razão pela qual estou aqui é pela ausência de liderança vinda dos Estados Unidos. Esse vácuo é, francamente, de cair o queixo”, afirmou. (CNN Brasil)

Metas climáticas

O primeiro dia oficial da COP30 atingiu a marca de 111 metas climáticas entregues por países membros. O total representa 71% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo a plataforma Climate Watch. O número teve um salto nesta segunda-feira, após a inclusão dos 27 países da União Europeia na lista. Determinadas pelo Acordo de Paris, as NDCs precisam ser atualizadas pelos 195 signatários a cada cinco anos, mas a maioria não cumpriu o prazo, mesmo sendo estendido, de fevereiro para setembro. (Folha)

Acordos do clima

Um documento assinado por 51 relatores especiais da ONU pede a implementação urgente e eficaz dos acordos do clima de forma justa e inclusiva. O texto de sete páginas afirma que a credibilidade da COP30 depende do sucesso de alcançar um resultado significativo para atenuar os problemas climáticos. A declaração também ressalta a necessidade de “limitar a presença de lobistas de combustíveis fósseis na COP” e “assegurar transparência, participação pública e diálogo significativo com a sociedade civil”. (Folha)

Margem Equatorial

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reagiu às críticas ao início das pesquisas que a Petrobras faz na costa amazônica, conhecida como Margem Equatorial, na busca de novas reservas de petróleo e gás. Segundo ele, o petróleo brasileiro tem menor concentração de carbono e, portanto, gera menos emissões do que o de outros países. “O petróleo brasileiro é menos emissor. Encerrar as refinarias pioraria a condição ambiental do planeta”, disse. (Globo)

Crise climática

Enquanto isso, um novo relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), também lançado nesta segunda, revela que a crise climática obrigou 250 milhões de pessoas a deixarem suas casas na última década, uma média de 70 mil por dia. De acordo com o estudo, os refugiados são afetados por fatores como a elevação do nível do mar e o calor extremo enfrentado nos países que os abrigam após fugirem de conflitos. Somente em 2024, pessoas nas 15 maiores concentrações de refugiados do mundo experienciaram cem dias de calor extremo. (Folha)

 Direito constitucional

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira, um recurso solicitando a revogação de um precedente histórico que garantiu o direito constitucional ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O pedido foi feito por Kim Davis, ex-escrivã do condado de Kentucky, que se recusou a emitir certidões de casamento após a decisão do tribunal no caso Obergefell v. Hodges, permitindo a união de casais homoafetivos. Com a derrota, Davis vai enfrentar uma série de processos, devendo pagar centenas de milhares de dólares em indenizações e honorários advocatícios. (CNN)

Mauro Vieira no Canadá

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já deixou a COP30 e embarcou para o Canadá, onde participará ainda hoje de uma reunião ministerial do G7, grupo que reúne as maiores economias do mundo. Além da relevância do encontro pelo peso político dos participantes, a viagem pode abrir espaço para uma nova reunião bilateral com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que também estará presente. A conversa ainda não foi oficialmente confirmada pelas diplomacias dos dois países, mas, diante da presença de ambos no mesmo evento, o Itamaraty trabalha com a expectativa de um novo encontro para dar continuidade às negociações sobre o tarifaço. (Valor)

O Agente Secreto

Representante do Brasil no Oscar, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, estreou na liderança da bilheteria nacional, arrecadando R$ 6,6 milhões no fim de semana. De acordo com dados da ComScore, o filme foi visto por 273 mil pessoas nos cinemas do país entre quinta-feira e domingo. O longa brasileiro deixou para trás o também estreante no país Predador: Terras Selvagens, que ficou em segundo lugar, com R$ 5,7 milhões em bilheteria. Em exibição há quatro semanas, O Telefone Preto 2 ficou em terceiro lugar, com R$ 1,8 milhão e um público de 84 mil pessoas. (g1)

Musical Jeca

Baseado no álbum Refazenda, de Gilberto Gil, o musical Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar está em cartaz até o próximo dia 23 no Sesc Consolação, em São Paulo, pelo Grupo 59 de Teatro. O espetáculo foi montado após uma ampla pesquisa sobre a trilogia “Re” (dos discos Refazenda, Refavela e Realce), lançada por Gil entre 1975 e 1979. Os outros dois álbuns também darão origem a peças teatrais. Acompanhando as idas e voltas de Jeca à sua terra natal, encontrando a família, o velho abacateiro da cidade e suas próprias origens, a peça tem direção de Kleber Montanheiro, com texto de Lucas Moura da Conceição e poemas cênicos de Marcelino Freire. (Folha)

Limite de idade

O Brasil vai impor limite de idade para o acesso de crianças e adolescentes a redes sociais, aplicativos de mensagem, chatbots de IA e outros serviços digitais. A partir de março de 2026, plataformas só poderão ser usadas por menores com autorização dos pais, conforme nova regra coordenada pelo Ministério da Justiça. A classificação etária passa a ser obrigatória e segundo o documento oficial, o WhatsApp será recomendado a partir de 12 anos, chatbots generativos, como o ChatGPT, a partir de 14, redes sociais, de 16, e ferramentas com manipulação de imagem e conteúdo adulto, só para maiores de 18. Essas mudanças serão ancoradas na nova versão do Guia da Classificação Indicativa, que pela primeira vez inclui o critério de “interatividade”. As empresas terão prazo para se adaptar, e o governo ainda definirá como será feita a verificação da idade. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Perguntas para o Brasil de hoje – Há bom senso no mundo atual?

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Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular/UFSCar

 

  1. Ao relacionar o “Bom Senso” ao senso crítico, o Senhor sugere uma educação baseada na reflexão ética e social. Como essa concepção dialoga com o projeto de uma educação libertadora e com os ideais de bell hooks, Paulo Freire e outros pensadores críticos da América Latina?

Exatamente, o Bom Senso (como capacidade humana de agir de forma ponderada, equilibrada, diante dos fatos e do ato de aprendizagem), por força da lógica, torna-se, ao longo da experiência no Mundo da Vida, uma reflexão prática (uma sabedoria popular[1]), também intuitiva (com liberdade, muita criatividade[2] e crítica), e, por isso, se de fato há uma constância no equilíbrio entre tomar decisões razoáveis (racionais, como meio, medium,  de equilíbrio nas ações), com ponderação, análise acerca das implicações e das responsabilidades futuras – projetando-se possíveis consequências, “antecipando-se por dedução”, aplicando-se o modo da prevenção, precaução (teleologia) –, acaba por se converter em senso crítico; afinal, não se faz tudo ao bel prazer, na toada das impulsões ou das paixões irrefletidas. Requer-se Prudência, em uma palavra. Não há senso crítico que se desligue da Prudência – e isso vemos até mesmo no Maquiavel, d’O Príncipe: “vertú contra furore” (ao tomar para si, na conclusão final, um poema de Petrarca). Isso é fundamental, é a premissa do educador que observa a partir da premissa da liberdade, da autonomia e da emancipação. No entanto, vejo como fundamento (um tanto perdido) a noção de implicações (presentes e futuras) e as consequências advindas (a responsabilização por ações). A práxis (reflexão e ação), um tipo de conversão do Bom Senso em senso crítico (com apoio em Gramsci[3] também, refutando-se o sectarismo, ultrapassando-se o senso comum: o “vai da valsa”), não pode prescindir desse conjunto de elementos, dessa base conceitual[4]. Aliás, essa é uma das grandes diferenças entre práticas sociais e práxis. E isso, por sua vez, nos reforça (como obrigação) a necessidade do estudo, da leitura, a fim de que a reflexão tenha um prisma de sustentação (racionalidade) filosófica, sociológica, científica, política. Em suma, nesse contexto, a autoeducação se torna obrigatória e, assim, todos/as se transformam e, ao se transformarem, modificam o seu entorno. Essa práxis que parte da liberdade (e que sendo feita na luta pela sobrevivência é, obviamente, política) se materializa na mudança social, política, econômica, cultural, societal.

 

  1. Quais seriam, hoje, as principais formas de “adestramento” presentes na educação pública e privada — e como a dialética propositiva pode ajudar a superá-las?

 

Em uma frase, entendo por Dialética Propositiva a reflexão e a ação do/a educador/a que visa a metamorfose do senso comum (e do empiriocriticismo) em Bom Senso – tomando-se este por uma equivalência do senso crítico. Sob esse prisma, temos hoje no Brasil a vigência (violência) de uma enorme contradição, uma incongruência, excrescência que desafia toda luta política que já travamos contra os séculos de domínio excludente. Enquanto as instituições privadas, especialmente as escolas particulares de ensino fundamental e médio, mantém e reforçam o ensino de Ciências, filosofia (identificar pressupostos, imperativos e propor hipóteses) e sociologia (identificar e analisar desafios, antagonismos e contradições fundamentais[5]), a rede pública aniquila na prática esses conteúdos – insere “rotatórias de vida” (tipo: “O que rola por aí”) e uma suposta Robótica. As chamadas “elites” mantém filosofia e sociologia (e Ciências) porque ensinam seus filhos e filhas a pensarem e, pensando, a se ajustarem ao comando social. As elites ensinam sua prole a ser classe dominante e, por óbvio, ninguém domina nada se não for pensando adequadamente, racionalmente, em profundidade. O pior adestramento me parece ser esse, uma adesão (plena identificação com o Capitalismo digital[6]: rentismo e capitalismo de dados), pois, nós somos a mercadoria na gôndola de plena oferta. Como é que se oferta Educação financeira para crianças e jovens pobres, negros e oprimidos – na base da economia de um real –, se muitos vão à escola em busca da alimentação que lhes falta em casa[7]? Como é que se insere disciplinas como Robótica em comunidades absolutamente carentes, desprovidas do próprio Estado, marginalizadas, ou nas regiões do interior profundo e no sertão distante? Não faz sentido algum, a não ser uma pela ótica da adesão, subsunção, identificação com a exclusão de milhões de brasileiras e de brasileiros. Por óbvio, seria muito mais adequado termos conteúdos específicos (quer dizer, avalizados por cientistas críticos e não aderentes à comodidade pós-moderna) sobre Educação digital – debatendo, mostrando, os perigos representados pelas redes antissociais: desumanizantes e que conferem a “adultização” e o discurso de ódio – e Educação ambiental; todavia, devotando-se essa à reflexão analítica que vise mudanças profundas e estruturais no país, a começar pela “cultura agro”. De modo mais profundo, seria insurgente, urgentemente necessária, uma Educação para além do capital, após Auschwitz e depois de Gaza[8].

 

  1. O senhor propõe uma Ciência com consCiência social, fundada na participação popular. Que caminhos práticos podem fortalecer a presença dos movimentos sociais e das vozes populares na produção científica e na gestão educacional brasileira?

 

Em uma pequena frase também, na premissa da resposta diria que a universidade precisa sair do castelo de areia em que se encontra: frágil e traiçoeiro, como a areia movediça. De modo mais amplo, penso no sentido de que a práxis real, humana, é um processo de conhecimento (social), autoconhecimento (autoeducação), reconhecimento (institucional) e, portanto, de afirmação da humanidade que há em cada ser social. Quando se procura a raiz do humano se verifica a capacidade de se fazer política ou, em outras palavras, encontra-se o “fazer-se política”. Essa passagem, metamorfose (desbloqueio) do ser social[9] (homo sociologicus) em “animal político” não apenas nos remete aos resultados políticos imediatos –típicos do “realismo político”, como dominação, domínio, poder, capacidade decisional – como, sobretudo, traz a implicação ou obrigação de vermos o nosso “insumo” primal, primeiro. Qual seja: a raiz, a radicalidade política que há em todos nós, porque nós nos fizemos enquanto Humanidade, precisamente, fazendo política. Não seríamos “insumos da Humanidade” sem esse “fazer-se política”, essa é a nossa história (ontologia). É isso que somos, seres sociais que se transformam em animais políticos (forçosamente) fazendo política e, ao fazê-la, fazendo-nos politicamente. Esse é o eixo da hominização, ao longo do enorme, milenar Processo Civilizatório.

 

  1. O senhor enfatiza a necessidade de “proposição efetiva, não o apaziguamento”. Como essa atitude propositiva pode orientar o trabalho do GEMINIAL em pesquisa, militância e políticas públicas de educação?

 

Numa leitura geral, propositiva, parto da premissa de que a Ciência, o pensamento científico (de fato) somente se verifica por meio da insatisfação, da curiosidade e da criatividade que desembocam na capacidade cognitiva crítica (antigamente, chamava-se de Massa Crítica). Ao contrário disso só vemos um “copiar, colar”, a mera repetição, aquele decoreba da mesmice que cola em discursos pomposos, mas, absolutamente inúteis. Chama-se de “cultura balofa”, capaz de falar várias línguas – menos a língua do povo. Costumo dizer com acidez, sarcasmo, que, a pior coisa da universidade (mormente a pública) é ver “as pessoas correndo para fazer tudo igual e, depois, competindo entre si para ver quem fez mais igual”. Se não há insatisfação e curiosidade não há crítica, pois há só conformismo com o óbvio – e, obviamente, não há Ciência conformista. Se quisesse dizer de outro modo diria que devemos partir do óbvio (é claro, por suposta racionalidade e para não inventar a roda ou desafiar a lógica com desatino), porém, essa assertiva é igualmente óbvia. O grande desafio de toda pessoa que se articula, minimamente, com a instância de necessidade do Bom Senso é não se contentar com as obviedades, pôr-se o desafio de ir além, de ver para além da fumaça espessa ou rala da realidade que se nos apresenta. Se isto é uma condição humana, de crescimento, de aprofundamento, amadurecimento (Bom Senso), o que mais dizer, esperar da universidade, do/a cientista, do/a pesquisador/a? Se é uma condição óbvia de todos que superam o senso comum, a pasmaceira do “copia e cola”, de quem busca sua própria liberdade e autonomia (da identidade em contato com a emancipação – que só pode ser social, amplificada), é mais uma vez óbvio que não se faz Ciência de outro modo. Essa é a nossa obrigação principal, precípua: pensar além do mesmo, além do “fazer tudo igual e competir para ver quem fez mais igual do que os demais”. Se não fosse a enorme curiosidade, a impulsividade em solucionar problemas, dilemas, necessidades elementares, não teríamos sequer inventado a energia elétrica, quanto mais os antibióticos e as vacinas. Sem a crítica necessária ao status quo, à pasmaceira do conhecimento estabelecido como “campo de luta” dos estratos funcionais e das frações de classe dominante que habitam a universidade pública, ainda estaríamos enfurnados no fundo da caverna de Platão. Além disso, dois pontos têm me chamado a atenção. São convergentes em erros conceituais e no senso comum:

  1. Tornou-se lucrativo dizer que: “A extrema direita politizou as periferias”. Se dissesse “colonizou” estaria correto, pois a soberania legislativa pertence ao crime organizado, às seitas e ao Necrofascismo[10]. O que contradiz, obviamente, ao mínimo senso de espaço público. Portanto, não há política nessa Polis colonizada pelo barbarismo. A Política como esteio do Princípio do Contraditório requer a liberdade para se construir como emancipação individual e social – bem longe do jugo e da opressão.
  2. Em consonância a isso, diz-se solenemente (“academicamente”) que: “Toda educação é política”. Esse é o tipo de senso comum mais comum que podemos encontrar (e, portanto, é muito difícil de superar). Definitivamente, a educação só é política quando nos remete à liberdade, autonomia e emancipação. Conceitualmente, a educação politiza por meio do “fazer-se política” e jamais quando negamos a Política (o espaço público). Isso implica em práxis (reflexão e ação), no fazer-se político quando se está estudando e fazendo, atuando politicamente, no âmago da ação política. Então, será que toda “educação” tem esse fim, esse objetivo da politização enquanto humanização? Arendt sabia disso, os gregos nos ensinaram, mas foi, sobretudo, o longo processo de hominização que nos forjou assim enquanto humanidade. O que reprime, atordoa os sentidos, entorpece os sentimentos, o que adestra, por óbvio, não educa. Por certo, temos que saltar fora desse pensamento robótico que se espalhou a partir das agências de fomento – que identificam a “inovação” com o acréscimo de duas linhas em algoritmos e que nem dominamos – e dos interesses hegemônicos, predominantes no atual estágio do Capitalismo digital.

[1] É impossível desgostar e não notar a ironia transformadora em alguns cordéis: LIMA, João Ferreira de. Proezas de João Grilo. Fortaleza-CE: Academia Brasileira de Cordel: Ban Gráfica, 2002.

[2] A bricolagem é uma das suas mais notórias demonstrações, sendo uma encantadora arte da vida, solucionadora de necessidades e propositora de soluções e de alternativas criativas.

[3] GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Org. Carlos Nelson Coutinho). Volume II. Os intelectuais: o Princípio Educativo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

[4] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[5] Engana-se redondamente quem supõe que as classes dominantes não estudam e não ensinam para sua prole o que é a luta de classes – inclusive porque fazem parte de uma classe fundamental do Capitalismo digital, orbitando cada uma de suas frações. E aqui se afunila o paradoxo, porque governos progressistas se esquivam da obviedade capitalista, negando-se a ofertar na prática o direito à educação, notadamente para o povo pobre, negro e oprimido – e mais ainda se entendermos que não há educação sem liberdade, autonomia, consciência, responsabilidade (individual e social) e emancipação. Não se pode negar o “direito ao pensamento” criativo, propositivo, crítico.

[6] https://aterraeredonda.com.br/ensaio-sobre-capitalismo-digital-e-tecnofascismo/. Acesso em 10/11/2025.

[7] CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014, p. 43. Qual Educação capitalista poderia subverter a realidade corrosiva das tantas Carolinas de Jesus ainda mantidas no Mundo do Trabalho sob condições análogas à escravidão?

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital; Educação após Auschwiz, e depois de Gaza; Educação em Direitos Humanos; Educação Constitucional. 499 p. 2025. Tese (Título de Professor Titular) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025.

[9] É preciso sempre ter em mente que há muitos animais sociais (dotados, inclusive, de algum esforço consciente: senciência), todavia, apenas nós humanos somos “animais políticos”.

[10] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Necrofascismo: Fascismo Nacional, necropolítica, licantropia política, genocídio político. Curitiba: Brazil Publishing, 2022.

Extrema direita associa tornado no Paraná à COP30 e PT: ‘Faz o L’

MANAUS (AM) – Usuários da internet identificados com os atributos da extrema direita associaram, neste sábado, 8, por meio das redes sociais, o ciclone que atingiu o Estado do Paraná ao Partido dos Trabalhadores e à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. A tempestade deixou pelo menos seis mortos e mais de 400 pessoas feridas no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR).

Em uma das publicações, um perfil afirmou que a tempestade trata-se de uma “manipulação climática feita pela elite global” para, segundo o usuário, seguir “com interesses pervertidos para continuar com o discurso político de mudanças climáticas. Conforme a mensagem publicada no X (ex-Twitter), “eles precisam do caos para justificar a COP30”, evento climático que começa na próxima segunda-feira, 10. Veja publicação:

Internauta questiona tornado no Paraná (Reprodução/X)

Outro internauta, identificado como “A Catraca”, também relacionou o fenômeno ao governo federal. Ele questionou os seguidores se “não era estranho que primeiro o clima destruiu o Rio Grande do Sul, onde o PT tenta dominar faz tempo, e depois começa a destruir o Paraná, Estado em que o partido também está se enraizando aos poucos”. A menção ao Estado gaúcho ocorre um ano após as enchentes que devastaram cidades inteiras em 2024. Veja publicação:

Internauta questiona relação do PT com eventos climáticos (Reproduçã/X)

As publicações, sem base cientifica, vão de encontro com o posicionamento do pesquisador Bruno Brezenski. O especialista afirma que os fenômenos recentes indicam uma possível relação com as mudanças climáticas globais e que episódios como o ocorrido no Paraná tendem a se tornar mais frequentes e intensos com o aumento das temperaturas médias do planeta.

“As alterações no clima já estão demonstrando seu grau de destruição, isso com a Terra tendo +1,5ºC de elevação térmica. Para a maioria dos cientistas, no ritmo atual de emissões, iremos chegar em 2035 nos +2,0ºC, e nessa temperatura estamos falando de catástrofe generalizada. Está indo muito rápido [as mudanças climáticas], mais rápido do que todos os estudos de dez anos atrás. Os cientistas estão alarmados com a velocidade em que progride o colapso dos sistemas climáticos”, afirmou.

O pesquisador detalhou ainda que fenômenos como o registrado no Paraná não são incomuns no Brasil, mas que a intensidade observada em Rio Bonito do Iguaçu é atípica. Bruno Brezenski explicou, no entanto, que estudos científicos apontam a possibilidade de formação de um corredor de tornados de grande intensidade entre os Estados de Santa Catarina e Paraná.

“A ciência vem avisando sobre a possibilidade de o Brasil ter um corredor de tornados de grande intensidade entre Santa Catarina e Paraná. Com o aumento da temperatura média, há mais energia para acelerar e perturbar as tempestades, e como removeram a vegetação da região para colocar pasto e monoculturas, essas áreas ficaram com pista perfeita para tornados. Não só o Brasil como vários países estão em risco, isso porque alguns eventos podem deixar zonas gigantescas inabitáveis”, explicou.

Tornado
Local de destruição após passagem de tornado no Paraná (Reprodução/Atento News)

Nessa sexta-feira, 7, moradores do município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, viveram um dia de terror, após fortes ventos devastarem a cidade deixando um rastro de destruição e mortes. De acordo com a Defesa Civil estadual, seis pessoas morreram e 432 ficaram feridas. Casas foram destelhadas, postes e árvores caíram, e boa parte da zona urbana ficou sem energia elétrica. A prefeitura decretou situação de emergência.

Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e voluntários locais trabalharam durante toda a noite no resgate e atendimento das vítimas. A força dos ventos surpreendeu até mesmo meteorologistas, que ainda investigam se o fenômeno foi um ciclone extratropical, um microexplosão atmosférica ou um tornado de pequena escala, comum em situações de instabilidade severa.

Previsão do tempo

A previsão do tempo para os próximos dias ainda indica instabilidade na região Sul, e autoridades alertam para o risco de novos temporais. Em meio ao luto e à destruição, a tragédia no interior do Paraná deixa um alerta claro. Os eventos extremos já não são previsões distantes, mas uma realidade com a qual o Brasil precisa aprender a lidar com responsabilidade e ciência.

Revista Cenarium

STF mantém, em decisão unânime, condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram manter a condenação ex-presidente Jair Bolsonaro e mais seis réus na ação penal da trama golpista.

Com placar de 4 votos a 0, o colegiado rejeitou os chamados embargos de declaração, recursos que foram protocolados pelas defesas dos condenados para evitar a execução das penas em regime fechado.

Os votos foram proferidos pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Luiz Fux não votou. No mês passado, o ministro mudou para a Segunda Turma da Corte após votar pela absolvição de Bolsonaro.

Com os quatro votos proferidos, o julgamento virtual está encerrado.

Prisão

A partir de agora, caberá a Alexandre de Moraes decidir quando Bolsonaro e os demais réus serão presos. 

A medida deverá ocorrer após o ministro declarar o trânsito em julgado da ação penal, ou seja, o fim do processo e da possibilidade de recorrer. Não há prazo para a decisão.

A princípio, Bolsonaro e outros réus não têm direito a um novo recurso para levar o caso para o plenário. Contudo, as defesas podem insistir na tentativa de apresentá-lo.

Para conseguir que o caso fosse julgado novamente pelo pleno, os acusados precisavam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, placar mínimo de 3 votos a 2. Nesse caso, os embargos infringentes poderiam ser protocolados contra a decisão.  No dia 11 de setembro, o placar pela condenação foi de 4 votos a 1.

Atualmente, o ex-presidente está em prisão domiciliar em função das investigações do inquérito sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

Se a prisão for decretada por Moraes, o ex-presidente iniciará o cumprimento da pena definitiva pela ação penal do golpe no presídio da Papuda, em Brasília, ou em uma sala especial na Polícia Federal.

Os demais condenados são militares e delegados da Polícia Federal e poderão cumprir as penas em quartéis das Forças Armadas ou em alas especiais da própria Papuda.

Diante do estado de saúde de Bolsonaro, a defesa também poderá solicitar que o ex-presidente seja mantido em prisão domiciliar, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor.

Condenado pelo Supremo em um dos processos da Operação Lava Jato, Collor foi mandado para um presídio em Maceió, mas ganhou o direito de cumprir a pena em casa, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, por motivos de saúde.

Condenados

Além de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, também tiveram os recursos negados:

Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid assinou delação premiada durante as investigações e não recorreu da condenação. Ele já cumpre a pena em regime aberto e tirou a tornozeleira eletrônica.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

Perdeu, Mané 

Em um recado das urnas para Donald Trump, o Partido Democrata saiu amplamente vitorioso nas eleições locais de terça-feira. A conquista mais expressiva foi de Zohran Mamdani, que, aos 34, será o primeiro prefeito muçulmano e socialista de Nova York. Foi uma derrota para Trump, que ameaçou cortar verbas federais para a cidade, caso ele fosse eleito, e também para a cúpula democrata, que preferia o ex-governador Andrew Cuomo — derrotado na convenção por Mamdani, ele concorreu como independente. Mas a vitória democrata não se limitou à Big Apple. Nas duas eleições estaduais, Mikie Sherrill e Abigail Spanberger tiraram os republicanos dos governos de Nova Jersey e da Virgínia. Ambas, porém, adotaram uma estratégia oposta à de Mamdani, afastando-se das pautas de esquerda. E a Califórnia, tradicional reduto democrata, aprovou um redesenho nos distritos eleitorais, o que deve dar ao partido mais cinco cadeiras no Congresso nas eleições legislativas de 2026. (AP)

Extrema direita acusa LCP

Um vídeo circulando nas redes sociais hoje mostra a visão aérea de pessoas correndo em um latifúndio e as imagens do breu noturno com barulhos de tiros disparados ao fundo. Segundo a imprensa policial “Alô Thanos”, são registros do último ataque feito pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) no dia 1° de outubro contra o latifúndio “NorBrasil”, em Nova-Mutum Paraná, Rondônia. O latifundiário local é investigado por vários esquemas de grilagem, colaboração com mercenários, fraude e manipulação do Judiciário.

Extrema direita acusa LCP 2

O latifúndio “NorBrasil” pertence a Antônio Martins, apelidado na região de “Galo Velho”. Há anos, os camponeses pobres acusam o latifundiário de envolvimento em uma série de esquemas irregulares e defendem a distribuição de suas terras, e tem tido sucesso na comprovação. Galo Velho, por sua vez, tenta desorganizar a resistência camponesa, mas fracassa.

Extrema direita acusa LCP 3

Segundo um relatório do “Mapa de Conflitos”, Antônio Martins é o “maior grileiro” do estado de Rondônia e usa de empresas para viabilizar a grilagem de terras públicas rondonienses. O observatório também acusa o latifundiário de atacar os camponeses pobres e causar graves impactos ao meio natural, como desmatamento, erosão do solo, queimadas e poluição de rios.

Extrema direita acusa LCP 4

Em 2020, o Ministério Público Federal (MPF) acusou Antônio Martins de ser o líder de uma organização criminosa que conseguiu lucrar mais de R$ 330 milhões por meio da grilagem de terras e fraudes no estado de Rondônia entre 2011 e 2015.

PF investigará ‘matança’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma investigação independente sobre a atuação policial na megaoperação que deixou 121 mortos no Rio, com a participação de legistas da Polícia Federal (PF) para apurar as circunstâncias das mortes. “É importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, disse o presidente. Lula está em Belém (PA) para cumprir agendas da COP30, e, em entrevista à Associated Press e à Reuters, se referiu à operação como uma “matança”. “O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas, do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa.” As falas marcam a primeira crítica direta do presidente ao episódio. Na semana passada, ele havia se limitado a defender o combate ao crime organizado, sem confrontar a atuação do governo fluminense ou das forças de segurança estaduais. (g1)

PF investigará ‘matança’ 2

Não demorou para a oposição reagir. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, criticou o presidente por não citar os policiais mortos. Já o senador Ciro Nogueira (PP) retomou uma fala recente do petista — de que traficantes seriam “vítimas de usuários” — para atacá-lo nas redes. “Lula prova de novo que acha que os traficantes são vítimas. Presidente, houve matança sim: os bandidos mataram 4 policiais e atiraram em vários outros”, escreveu. (Folha)

PF investigará ‘matança’ 3

Horas depois da entrevista, a conta oficial de Lula no X reafirmou que o governo atua para “quebrar a espinha dorsal” do tráfico e do crime organizado, com foco nas “cabeças do crime”.  Lula reforça que seu governo retirou do crime organizado bilhões de reais e que a Polícia Federal (PF) aumentou drasticamente o número de suas operações, bem como a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A mensagem manteve o tom do Planalto, ao reiterar a aposta em inteligência e integração das forças de segurança, e alinhou esse discurso às propostas já enviadas ao Congresso, como a PEC da Segurança e o projeto de Lei Antifacção. Em Brasília, aliados disseram não ver mudança no discurso do presidente. (Valor)

CPI do Crime Organizado

Mas o Planalto teve uma vitória importante no debate sobre segurança pública. Por seis votos a cinco, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente da CPI do Crime Organizado, derrotando o nome da oposição, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RJ), que ficou com a vice-presidência, após acordo. Contarato, que já divergiu do PT em temas de segurança, prometeu independência. A CPI vai investigar a estrutura e a expansão de milícias e facções como o Comando Vermelho e o PCC por 120 dias, prorrogáveis por mais 60. O relator será Alessandro Vieira (MDB-ES), autor do requerimento e nome de consenso entre governo e oposição. (UOL-Charge do Orlando)

CPI do Crime Organizado 2

Pode ser uma imagem de texto que diz "DIVULGAR DIVUI D- GAR FEIRA lgarfeira @div @divulgarfeira @divulgarfeira @divulga "TÁ TUDO DOMINADO" METADE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO TEM LIGAÇÃO COM O CRIME, APONTA PF"Já aprovado, o plano de trabalho da CPI prevê convites a ministros e 11 governadores, entre eles Tarcísio de Freitas (SP) e Cláudio Castro (RJ). Vieira dividiu a apuração em nove eixos e quer priorizar a convocação de autoridades com “conhecimento profundo” sobre o avanço das facções e milícias. (Veja)

CPI do Crime Organizado 3

“Sem gritaria, com divergências e debate. A primeira sessão da CPI do Crime Organizado no Senado até pareceu uma aula de política feita por adultos — uma amostra do que Brasília pode ser quando não é assaltada pelo bolsonarismo. Vai ser sempre assim? Difícil”. (Flávia Tavares-YouTube)

Enquanto isso, na Câmara…

o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Paulo Azi (União), adiou para hoje a votação do projeto que equipara facções a grupos terroristas, antes prevista para ontem. O recuo ocorreu após pressão do governo, que tenta emplacar seu próprio texto — o projeto de lei “antifacção”, enviado na semana passada. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) atuou pessoalmente na articulação. A proposta em análise é do deputado Danilo Forte (União), relatada por Nikolas Ferreira (PL), e é uma das bandeiras do bolsonarismo no Congresso. (Globo)

Sob pressão

Cláudio Castro está sob pressão também no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde é julgado por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022. A relatora do caso, Isabel Gallotti, votou pela cassação e a inelegibilidade dele Castro e do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil) e a realização de novas eleições. No entanto, após o voto dela, o julgamento foi adiado por pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira e deve voltar à pauta nas próximas semanas. (g1)

Missão

E o MBL agora tem um partido para chamar de seu. O TSE aprovou a criação do Missão, que usará o número 14 nas urnas. A legenda apresentou mais de 577 mil assinaturas válidas e diretórios em nove estados, o mínimo exigido por lei. No estatuto, defende responsabilidade fiscal, endurecimento das leis penais e industrialização do Nordeste. (Globo)

 Cela especial na Papuda

Pode ser uma imagem de texto que diz "VARA DE EXECUÇÃO PENAL INFORMA AO STF QUE CELA PARA BOLSONARO ESTÁ PRONTA *BEM VINDO B17!"O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deve autorizar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma cela especial na Papuda, em Brasília. Com paredes brancas, ar-condicionado e televisão, o espaço já foi vistoriado e aprovado pelo magistrado, segundo a coluna de Paulo CapelliBolsonaro segue cumprindo prisão domiciliar, mas aliados acreditam que o STF deve determinar a mudança ainda na próxima semana, após a análise dos embargos da defesa. A avaliação entre ministros, no entanto, é que o ex-presidente deve permanecer pouco tempo no presídio, antes de voltar ao regime domiciliar por razões médicas. (Metróples)

Licença-paternidade

A Câmara dos Deputados aprovou de forma simbólica um projeto de lei que amplia gradualmente de cinco para 20 dias a licença-paternidade para trabalhadores do regime CLT. O benefício deve começar a partir de 2027, com um período de transição. Serão concedidos dez dias no primeiro ano da lei, acrescentando cinco dias a cada ano até chegar ao limite de 20 dias. O projeto também prevê a criação de um salário-paternidade no INSS com as mesmas regras do salário-maternidade e garantia de estabilidade no emprego por 30 dias depois do retorno. O texto segue para o Senado. (UOL)

Nomes mais populares

O IBGE divulgou nesta terça-feira a lista de nomes mais populares do Brasil. Maria está no topo como o mais comum, usado por mais de 12 milhões de pessoas — ou 6% da população. José vem em segundo, com 5 milhões de pessoas, ou 2,5% dos brasileiros, seguido por Ana, com quase 4 milhões (1,9%). Maria e José já eram os mais populares em 2010. Pela primeira vez, o IBGE também revelou os sobrenomes mais comuns do país. Silva é o líder do ranking, com 34 milhões, ou 17% da população, seguido por Santos (21,4 milhões, 10,5%) e Oliveira (21,3 milhões). A lista também conta com nomes usados por apenas 20 pessoas, entre eles, Abao, Ezulina e Laurineth. (g1)

Efeito estufa

As promessas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa avançaram pouco e o planeta vai exceder a meta de aquecimento de 1,5°C em relação à era pré-industrial (1850-1900), reconheceu um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Mesmo com os acordos firmados no Acordo de Paris, o mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, podendo chegar a 2,8°C antes de 2100, caso as nações não cumpram o que já foi prometido. (Globo)

Origem Verificada

A Anatel anunciou que, a partir de 15 de novembro, empresas de telecomunicações que façam mais de 500 mil chamadas por mês terão de identificar essas ligações usando a tecnologia Origem Verificada, após o órgão negar pedido de prorrogação do prazo. A medida vem junto à revogação da obrigatoriedade do prefixo “0303” para telemarketing ativo, com o regulador justificando que o novo sistema, que mostra nome e logomarca, é mais eficaz no combate a fraudes. (Folha)

Ação contra a Meta

E a OAB-RJ entrou com uma ação civil pública contra a Meta por considerar que o WhatsApp apresenta uma “falha sistêmica” ao não desvincular imediatamente contas de números de telefone cancelados. Segundo a entidade, a demora cria uma janela de até 180 dias em que golpistas podem se apropriar de contas antigas e ter acesso a mensagens e grupos via Wi-Fi, o que violaria a privacidade dos antigos usuários e facilitaria fraudes. (UOL)

Apple Watch

O WhatsApp lançou nesta terça um aplicativo próprio para Apple Watch, que permite ler mensagens completas, gravar e enviar áudios, reagir a conversas e receber chamadas diretamente no relógio. É a primeira vez que o app de mensagens funciona de forma nativa no watchOS, sem depender diretamente do iPhone. A novidade exige um modelo a partir do Apple Watch Series 4 com sistema atualizado para o watchOS 10. (TechCrunch)

Doutor Honoris Causa

Bob Dylan aceitou o título de Doutor Honoris Causa oferecido pela Berklee College of Music, uma das faculdades de música mais conceituadas do mundo, em Boston, nos Estados Unidos. Em comunicado, a instituição reconheceu a “influência extraordinária de Dylan na música moderna” e seu “compromisso de uma vida inteira com a exploração criativa”. O músico já havia recebido a mesma honraria das universidades de St. Andrews, na Escócia, em 2004, e de Princeton, em 1970. Não há planos para que Dylan compareça a nenhuma cerimônia de titulação, mas a escola está organizando um concerto-tributo nesta quarta-feira. (Rolling Stone)

O trumpista invejoso

O deputado Sargento Pincel que dançou, rebolou e saltitou ao som do hit gay YMCA, do Village People nos Estados Unidos, criticou o fato da primeira dama Janja Lula da Silva, dançar carimbó, música típica do Pará. É muita inveja e tremenda falta de patriotismo. Não merece retornar em 2026 à bancada federal de Rondônia. Em tempo. A coluna não é homofóbica e respeita as preferências do parlamentar.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

 

Coluna Zona Franca

Lula promete “quebrar a espinha dorsal” do crime organizado no Brasil

Presidente também defendeu o PL antifacção, enviado ao Congresso Nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta terça-feira (4) um enfrentamento contundente ao crime organizado no país e afirmou que seu governo vem aumentando radicalmente as operações de combate às facções.

“O Governo do Brasil está atuando para quebrar a espinha dorsal do tráfico de drogas e do crime organizado. Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime — quem financia e comanda as facções”, escreveu o presidente Lula no X.

Na postagem, o presidente Lula reforça que seu governo retirou do crime organizado bilhões de reais e que a Polícia Federal (PF) aumentou drasticamente o número de suas operações, bem como a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O presidente Lula destacou as ações de inteligência integrada entre os países da região e também defendeu o Projeto de Lei (PL) contra facções criminosas, o PL Antifacção. Segundo ele, o texto “moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios”.

“Essas medidas completam o ciclo da segurança: investigação mais eficaz, integração institucional e base legal sólida — uma combinação que consolida o enfrentamento ao crime no Brasil”, conclui o presidente.

As declarações surgem uma semana após a chacina policial no Rio de Janeiro, que deixou ao menos 121 mortos e teve como alvo declarado a facção criminosa Comando Vermelho.

Por @LulaOficial, no X: O Governo do Brasil está atuando para quebrar a espinha dorsal do tráfico de drogas e do crime organizado. Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime — quem financia e comanda as facções.

Desde 2023, as ações do Governo já retiraram R$ 19,8 bilhões das mãos de criminosos, o maior prejuízo já imposto ao crime, enfraquecendo lideranças e redes financeiras.

O número de operações da Polícia Federal cresceu 80% desde 2022, saltando de 1.875 para 3.393 em 2024. Em 2025, já são 2.922 até outubro.

Nas rodovias, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 850 toneladas de drogas em 2024 — recorde histórico.

A inteligência e a integração também avançaram. Em setembro, inauguramos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI) — iniciativa inédita entre nove países da Pan-Amazônia e nove estados brasileiros, para combater tráfico, garimpo ilegal e crimes ambientais.

Para sustentar esses avanços, o Governo enviou ao Congresso o PL Antifacção, que endurece as penas e asfixia financeiramente as facções; e a PEC da Segurança Pública, que moderniza e integra as forças policiais, incorpora as Guardas Municipais e garante recursos permanentes para estados e municípios.

Essas medidas completam o ciclo da segurança: investigação mais eficaz, integração institucional e base legal sólida — uma combinação que consolida o enfrentamento ao crime no Brasil.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*) 

“Narcoterrorismo” 

Em meio ao avanço da oposição na pauta da segurança pública, o governo Lula intensificou as articulações para impedir uma derrota política no Congresso. O Palácio do Planalto tenta adiar a votação do projeto que equipara facções criminosas a grupos terroristas, marcada para esta terça-feira (5) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, enquanto aposta no próprio “projeto de lei antifacção”, apresentado como alternativa institucional à proposta da direita.

“Narcoterrorismo”  2

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou a segunda-feira (4) em ligação com deputados da base e do centro, tentando convencer parlamentares a barrar a sessão. Profissionais da área de inteligência brasileira estão preocupados com as pressões do governo dos Estados Unidos e de setores nacionais para que o crime organizado seja enquadrado como terrorismo. A medida, segundo especialistas, poderia abrir brechas para graves consequências geopolíticas e até justificar intervenções estrangeiras em território brasileiro.

“Narcoterrorismo”  3

Segundo Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem expandido o conceito de “narcoterrorismo” para legitimar ações militares no Caribe e no Pacífico Oriental. Essa retórica, usada para sustentar ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, vem acompanhada de um expressivo aparato militar americano na região.

“Narcoterrorismo”  4

Nos últimos meses, Trump também intensificou críticas aos governos da Venezuela e da Colômbia, e já declarou publicamente não descartar o uso da força militar contra Caracas. Especialistas ouvidos pela reportagem da CNN alertam que, caso o Brasil altere sua legislação para equiparar crime organizado a terrorismo, tal mudança poderia ser usada como argumento para uma futura ação militar norte-americana, sob o pretexto de que o país não teria capacidade de conter ameaças à segurança dos EUA. (Do Brasil 247)

Desgaste com CPMI

Como quase sempre ocorre com eventos de grande impacto na opinião pública, o Congresso tenta assumir um papel de protagonismo diante dos grandes problemas nacionais. Na esteira da operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio na última semana, o Senado instala na manhã de hoje a CPI do Crime Organizado. Oficialmente, a missão é mapear a estrutura e a expansão de facções e milícias no país — incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), mas a expectativa é de que a CPI seja mais um palco de disputas acirradas entre governo e oposição. O senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais antigo entre os indicados para o colegiado, conduzirá a abertura dos trabalhos. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que deu origem à CPI, deve assumir a relatoria — consenso informal já construído entre líderes. Ao todo, serão 11 senadores titulares e 11 suplentes, com prazo inicial de 120 dias para investigar o modus operandi das organizações criminosas, suas fontes de financiamento e seu avanço territorial. (g1)

Desgaste com CPMI 2

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e textoO Palácio do Planalto avalia que a CPI do Crime Organizado pode representar um desgaste maior para o governo Lula do que a CPMI que investiga irregularidades em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. O temor no governo é de que a oposição use o tema da segurança pública como principal bandeira política até as eleições de 2026. Nos bastidores, petistas admitem preocupação: a avaliação é que, se o debate público ficar restrito à segurança, o governo tende a perder terreno na narrativa, já que historicamente o tema favorece a direita. Observando essas fotos, é fácil identificar quem incentiva a criminalidade no Brasil. (CNN Brasil)

Castro é a favor da intervenção dos EUA

Engraçado o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). É contra a PEC da Segurança, é contra a intervenção federal na segurança pública (GLO), mas é a favor da intervenção dos Estados Unidos. Na foto, Cláudio Castro com TH Joias, deputado estadual do PL-RJ, maior fornecedor de armas para traficantes do Rio de Janeiro. Está preso! Em 8 de setembro, a 1ª Seção Especializada do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do ex-deputado. Segundo a investigação, TH Jóias fazia lavagem de dinheiro e vivia em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca (RJ).

Resposta ao STF

Enquanto a oposição e o Planalto se preparam para uma batalha no Senado, o governo do Rio de Janeiro enviou sua resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a megaoperação realizada na capital fluminense há uma semana. No documento, a gestão de Cláudio Castro (PL) afirma que o “nível de força” empregado pelas forças de segurança foi “compatível” com as ameaças enfrentadas durante a ação. O relator da ADPF das Favelas, ministro Alexandre de Moraes, esteve no Rio nesta segunda-feira e se encontrou pessoalmente com o governador. (Metrópoles)

Julgamento antecipado

A Primeira Turma do STF antecipou do dia 21 para o próximo dia 14 o início do julgamento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por crime de coação. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o parlamentar e o blogueiro Paulo Figueiredo atuam nos Estados Unidos para constranger o Judiciário Brasileiro e impedir a condenação de envolvido na trama golpista de 2022. (CNN Brasil)

O delator

Enquanto isso, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e uma das figuras centrais nas investigações sobre a trama golpista, deu um passo simbólico na sua lenta transição de delator a réu em liberdade vigiada. A tornozeleira eletrônica que controlava seus movimentos foi retirada, após o STF concluir seu julgamento e fixar a pena definitiva de dois anos de prisão em regime aberto. Cid segue proibido de deixar sua residência à noite e nos fins de semana, não pode usar redes sociais, portar armas ou manter contato com investigados e condenados no mesmo caso. (g1)

Trump em campanha

Donald Trump entrou na campanha para as eleições municipais de hoje em Nova York e o fez a seu modo truculento. Em postagem na sua rede Truth Social, o presidente ameaçou cortar recursos federais para a cidade caso o candidato democrata e assumidamente socialista Zohran Mamdani seja eleito. “Se o candidato comunista Mamdani vencer, é muito improvável que eu contribua com fundos federais, além do mínimo obrigatório, para minha amada primeira cidade”, escreveu. O democrata, que enfrenta resistência na cúpula do próprio partido, lidera as pesquisas à frente do ex-governador Andrew Cuomo, que concorre como independente após perder para Mamdani na convenção do Partido Democrata. Com o republicano Curtis Sliwa muito atrás na disputa, Trump declarou publicamente apoio a Cuomo. (Guardian)

GLO em Belém do Pará

O governo federal publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Belém do Pará durante a realização da COP30, que ocorre entre 10 e 21 de novembro. A medida dá poder de polícia às Forças Armadas até o dia 23, podendo prender ou abordar cidadãos em atividades consideradas suspeitas, incluindo ações de segurança nas usinas hidrelétricas de Belo Monte, em Altamira, e de Tucuruí. A GLO havia sido solicitada pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). (UOL)

GLO em Belém do Pará 2

De acordo com o texto, a GLO também serve para a Cúpula de Líderes, que acontece nesta quinta e sexta-feira. A Ação prevê 8 mil militares na capital paraense em locais onde são realizados serviços essenciais, como portos, subestações de energia e o Aeroporto Internacional Val-de-Cans, além do perímetro externo de segurança do Parque da Cidade, onde serão instalados os pavilhões da Green Zone e da Blue Zone da Cúpula do Clima da ONU. (CNN Brasil)

Trump não vai à COP30

O presidente americano Donald Trump, além de não ir para Belém, não vai enviar representantes de alto nível para a COP30, disse um funcionário da Casa Branca às agências de notícias AFP e Reuters, em condição de anonimato. A ausência de Trump já era aguardada, mas esperava-se que alguma delegação fosse enviada para as negociações técnicas. Apesar de ser um país de enorme relevância, a ausência americana é interpretada como positiva por analistas. Por ser baseada em consenso entre os países, a presença de Trump ou seus representantes poderia travar negociações sobre metas e financiamento de ações climáticas. (g1)

Redução de gases do efeito estufa

O Brasil teve a segunda maior redução nas emissões de gases do efeito estufa de 2023 para 2024, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), projeto independente que monitora as emissões brasileiras com alto detalhamento. Foram 2,15 bilhões de toneladas de CO2 emitidos em 2024 contra 2,58 bilhões no ano anterior, uma queda de 16,7%. A redução foi a mais acentuada desde 2009, puxada pelo combate ao desmatamento, enquanto outros setores, como agropecuária, indústria e energia, ficaram estáveis ou tiveram aumentos. (Globo)

Redução de gases do efeito estufa 2

Apesar dos números positivos nas emissões de gases, o recuo não será suficiente para o país atingir sua meta climática de 2025. A promessa do governo brasileiro em relação ao Acordo de Paris era de limitar as emissões líquidas a 1,32 tonelada em 2025. Mas o SEEG estima que o país termine o ano lançando 1,44 tonelada na atmosfera, ultrapassando a meta em 9%. Os pesquisadores afirmam que o governo Lula não conseguiu recuperar o aumento da poluição na administração de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022. (Folha)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

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Coluna Zona Franca

Coluna Zona Franca

(*) Roberto Kuppê

Maduro com “dias contados”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma entrevista exibida no domingo (2) que acredita que os dias de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela estão contados, mas minimizou os temores de uma guerra iminente contra o país da América do Sul. Trump fez a declaração em uma entrevista ao canal CBS no momento em que os Estados Unidos enviam militares e navios ao Caribe, onde executaram vários ataques contra supostas embarcações que atuam no tráfico de drogas, ações que provocaram dezenas de mortes. “Duvido. Não acredito”, respondeu Trump ao programa “60 Minutes” ao ser questionado se os Estados Unidos entrariam em guerra contra a Venezuela. (Revista Forum)

PEC da Segurança

A maioria dos entrevistados pela pesquisa Genial/Quaest é favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada em abril pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O levantamento, divulgado pelo jornal O Globo, mostra que 52% dos moradores do Rio de Janeiro apoiam a proposta, enquanto 29% são contrários e 19% não souberam ou preferiram não responder. Os números indicam tanto aprovação quanto desconhecimento da população sobre o conteúdo do projeto.

PEC da Segurança 2

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "OPERAÇÃO FEDERAL CONTRA o PCC OPERAÇÃO N RIO DE JANEIRO Planejada e integrada: PF, PRF e estados atuaram juntos Guiada por inteligência: foco em finanças e logística do crime Altamente letal: mortes de pessoas e policiais Sem integração: polícias agiram isoladas, sem apoio federal Sem mortes: ação precisa e Mal planejada: pouca clareza sobre alvos e estratégia segura Atingiu o comando:re redes e bens do crime desarticulados Com coordenação e responsabilidade:resultad resultado seguro pra população Gerou medo e desconfiança: comunidades em pânico Resultado trágico:a α operação mais letal da história do estado"A PEC busca fortalecer a atuação da União na formulação de políticas de segurança pública, criando corregedorias e ouvidorias autônomas, além de ampliar as atribuições da Polícia Rodoviária Federal. O texto altera dispositivos da Constituição Federal para ampliar a competência do governo federal e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), atualmente regulamentado por lei ordinária, como parte da Constituição — a exemplo do que ocorre com o SUS e o Sistema Nacional de Educação.

PEC da Segurança 3

Elaborada há mais de 18 meses, a proposta passou por ajustes internos antes de ser enviada ao Congresso Nacional. Em abril, o texto foi encaminhado à Câmara dos Deputados e está sob relatoria do deputado Mendonça Filho (União-PE). O parlamentar, porém, minimizou a cobrança por pressa na tramitação, mesmo após a operação policial mais letal do Rio de Janeiro. (Brasil247)

                                Consórcio da Paz-Spacca

Quem são os culpados pela criminalidade?

Pode ser uma imagem de texto que diz "o MILICIANO ARMOU TRAFICANTES POR 4 ANOS E DIZ QUE A CULPA DA VIOLÊNCIA NO RJ É DO LULA o ESTADO DO RJ É GOVERNADO POR BOLSONARISTAS HÁ MAIS DE 20 ANOS"Este articulista lembra como se fosse hoje a previsão da esquerda sobre a liberação de armas durante o governo Bolsonaro. Parlamentares contra o armamento previram que as armas liberadas “legalmente” iriam acabar nas mãos dos bandidos. Deu a lógica. Até armas de uso exclusivo das Forças Armadas estão nas mãos de criminosos.

 

Operação Farsa

Embora pareça legal e essencial, a Operação Retenção teve o único objetivo de viralizar, como viralizou. De um dia para o outro, o insípido, inodoro e incolor governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), passou a ser o novo herói do bolsonarismo. Criou um fato político e se deu bem. Está cotado até para presidente da República, sendo comparado ao presidente de El Salvador, Bukele, mesmo que o verdadeiro objetivo da operação não tenha sido alcançado. Não foi mesmo. Mataram peixes miúdos e muitos inocentes. Por conta disso deverá ser penalizado muito em breve. Porque os policiais não foram cumprir mandados. Foram matar. E mataram.

Bolsonaro na Papuda

Enquanto STF avalia recursos, Papuda prepara espaço para prisão de BolsonaroRumores sobre uma possível ordem do Supremo Tribunal Federal para determinar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro na Papuda causaram preocupação no núcleo político e familiar do ex-mandatário neste domingo (2). A versão que circula entre bolsonaristas aponta que a detenção duraria pelo menos 15 dias antes de eventual cumprimento em regime domiciliar. Com informações do Lauro Jardim, no Globo.

Bolsonaro na Papuda 2

O Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reservou uma área para receber o ex-presidente. A estrutura fica no mesmo bloco utilizado anteriormente por deputados, doleiros e empresários que passaram pelo local. A medida foi organizada antes da conclusão da análise de recursos relacionados ao caso. Com informações da Veja.

Lula na defensiva

Após uma sequência de boas notícias que freou e reverteu a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo voltou a ficar na defensiva diante da ação policial contra o Comando Vermelho que deixou 121 mortos — incluindo quatro agentes — nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A operação policial e o apoio popular a ela reunificaram o discurso da direita em torno do governador Cláudio Castro (PL) e tiraram dos holofotes temas como a relação com os Estados Unidos e a isenção do Imposto de Renda para os mais pobres, nos quais o governo federal vinha surfando. Na contramão do discurso tradicional da esquerda, Lula evitou criticar abertamente a ação e não usou expressões como “chacina” ou “massacre”. O cuidado foi tanto que, como conta Lauro Jardim, declaração de 138 palavras do presidente na noite de quarta-feira levou horas para ser concluída e teve diversas versões. (Folha e Globo)

Lula na defensiva 2

A cautela do Planalto encontra explicação nas pesquisas que mostram o apoio à ação policial no Rio, a despeito do morticínio. Segundo dados do Datafolha divulgados no sábado, 57% dos moradores do Rio concordam com a declaração de Castro segundo a qual a operação “foi um sucesso” (38% concordam totalmente e 18% concordam em parte), enquanto 27% discordaram totalmente do governador e 12% discordaram parcialmente. No domingo, pesquisa Genial/Quaest (íntegra) mostrou que 64% dos fluminenses aprovam a ação da polícia, contra 27% que desaprovam. Segundo a mesma pesquisa, a aprovação de Cláudio Castro saltou de 43% em agosto para 53% em outubro. A reprovação variou de 41% para 40%, dentro da margem de erro. Já a desaprovação do governo Lula no Estado do Rio foi de 62% para 64%, também dentro da margem. (g1)

Combate ao crime organizado

Buscando mostrar ação na segurança, Lula assinou na sexta-feira o projeto que altera o combate ao crime organizado. O texto, que será enviado ao Congresso, prevê prisão de 30 anos para integrantes de facções e permite a infiltração de policiais em empresas suspeitas de lavar dinheiro do crime. (UOL)

Alexandre de Moraes

Enquanto isso… O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu ordem para que o governo do Rio preserve toda a documentação sobre a operação, incluindo perícias, e dê aceso à Defensoria Pública. Moraes vai ao Rio hoje para se reunir com Castro e a cúpula da segurança do estado para avaliar a operação. (Poder360)

Comando Vermelho

As comunidades sob domínio do Comando Vermelho no Rio deixaram de ser simplesmente bases para, a exemplo do que acontece nas áreas de milícia, tornarem-se fontes de renda. Moradores são extorquidos com taxas sobre gás, transporte, internet e diversos outros. Sob ameaça, comerciantes são forçados a fazer “doações” de cestas básicas que, em seguida, os criminosos vendem à população. (Estadão)

Gritando por desespero

“Parte de quem aplaudiu não está vibrando por ideologia, está gritando por desespero. Foi uma chacina, sim. Mas, se queremos mudar o resultado, precisa entender por que tanta gente enxerga naquele tipo de barbárie um alívio momentâneo”. (Mariliz Pereira Jorge-Meio)

Universidade indígena

Em visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, no Pará, o presidente Lula prometeu criar uma universidade indígena com sede em Brasília. Em tom de brincadeira, Lula disse que vai criar o programa “minha oca, minha vida”. Focado na pauta ambiental, o presidente está visitando comunidades na Amazônia nos dias que antecedem a Cúpula de Líderes e a COP30. No sábado, Lula inaugurou a ampliação no porto e no aeroporto de Belém, e disse que muitas pessoas foram contra a escolha da cidade para sediar a COP30, mas agora estava entregando a infraestrutura necessária. (UOL)

Vacinação

O número de bebês e crianças menores de cinco anos que morreram por doenças evitáveis pela vacinação teve um novo salto no Brasil em 2024, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Ministério da Saúde. No ano passado foram 48 óbitos classificados nessa categoria, um crescimento pelo terceiro ano consecutivo. Em comparação a 2021, quando foram registradas 15 mortes nessa mesma faixa etária, houve uma alta de 220% — o que coincide com um período de queda das coberturas vacinais. Houve uma recente recuperação desses índices, mas ainda abaixo das metas. Detalhe: em 2020 e 2021, por causa do uso de máscaras e isolamento social, todas as doenças de transmissão respiratória registraram queda de casos e mortes. A principal responsável pelas mortes infantis foi a coqueluche, doença que não matava crianças desde 2021, e que pode ser prevenida com a vacinação. As demais doenças também possuem vacinas gratuitas disponibilizadas nos postos de saúde do Brasil. Aqui o calendário completo do SUS. (UOL)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

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Coluna Zona Franca

O massacre no Rio

Por Frei Betto

Houve um tempo em que o Rio de Janeiro era qualificado de “Cidade Maravilhosa”. Hoje, o apelido soa como ironia amarga diante das chamas que consumiram quase cem ônibus, das ruas sitiadas e do medo que paralisou milhões de pessoas.

O Comando Vermelho disseminou o terror, e o Estado respondeu com o mesmo idioma da barbárie: balas, cerco e corpos espalhados. Ao fim, cento e vinte e uma vidas se perderam, entre elas, quatro policiais mortos. Nenhum dos mortos consta na denúncia do Ministério Público do Rio que motivou a operação.

Até a noite de sexta, 109 corpos haviam sido identificados. A maioria pertencia a foragidos e integrantes do CV vindos de outros estados: 78 tinham passagens por tráfico, roubo e assassinato; 43 tinham mandados de prisão; 39 eram de outros estados. Trinta mortos identificados não tinham sequer passagem pela polícia. Todos, culpados ou não, foram tragados pelo mesmo vendaval de violência que reduz a cidade a zona de guerra. A Gaza dos trópicos!

Essas mortes não começaram no dia da chacina. Começaram há décadas, quando o abandono foi oficializado como política pública. Começaram quando se privatizou o direito à paz e se terceirizou a segurança às facções. Começaram quando o Estado trocou o cuidado pela guerra, a escola pela prisão, o diálogo pelo fuzil.

Pode ser uma imagem de texto que diz "o MILICIANO ARMOU TRAFICANTES POR 4 ANOS E DIZ QUE A CULPA DA VIOLÊNCIA NO RJ É DO LULA o ESTADO DO RJ É GOVERNADO POR BOLSONARISTAS HÁ MAIS DE 20 ANOS"O narcotráfico não brota do nada. Nasce onde o Estado nunca plantou esperança. Cresce na ausência de políticas públicas, floresce entre muros rachados e becos sem saneamento, alimenta-se da desigualdade e da humilhação. As facções são o espelho deformado do capitalismo brasileiro: hierárquico, violento, sedento de lucro e controle. O traficante é o empresário da ruína, e o consumidor dos bairros ricos seu investidor invisível.

Não há o que celebrar. Uma operação que termina com 121 mortos não é vitória, é derrota civilizatória. O Estado não pode combater o crime reproduzindo sua lógica. A cada incursão policial em que a favela é tratada como campo inimigo, a distância entre o poder público e o povo aumenta. Não se constrói paz sobre o chão ensanguentado da periferia.

O narcotráfico é, sim, um flagelo. E cresce onde o Estado nunca chegou com segurança aos moradores e políticas públicas. As 1.900 favelas cariocas sofrem a insuficiência de escolas, saneamento, transporte, cultura, atividades esportivas, emprego e perspectiva de vida. As facções ocupam o vazio deixado por décadas de omissão governamental. São o espelho perverso de um sistema que exclui, humilha e depois criminaliza os excluídos. O traficante, muitas vezes, é o produto final de uma política que trocou direitos por fuzis e políticas sociais por operações midiáticas.

A violência virou rotina, e a brutalidade se institucionalizou. O governo fala em “ação de segurança”, mas que segurança há em metralhar comunidades inteiras? A segurança pública, no Rio, virou gestão de cadáveres. A cada chacina, repete-se o mesmo roteiro: promessas de “investigação rigorosa”, notas frias de gabinete e o silêncio que cobre a cidade quando as câmeras da mídia vão embora.

Estudiosos do tema são unânimes em admitir que não se destrói facção com fuzil, e sim com políticas públicas. A guerra às drogas fracassa porque não é um combate às drogas, é guerra aos pobres. A cada morte, a favela se torna ainda mais vulnerável, o tráfico se reorganiza, e o ciclo recomeça. O verdadeiro inimigo não é o jovem armado, mas a ausência de Estado que o empurrou para isso.

O Rio, sitiado e queimado, assiste ao colapso de suas maiores riquezas, como o turismo, a beleza da paisagem, o bom humor do carioca. Nenhuma cidade sobrevive quando a morte se torna rotina e a injustiça persiste. Beleza somente não põe mesa, e o cartão-postal desbota diante da dor.

Mas há quem resista. Mães que enterram filhos e ainda erguem faixas nas praças. Cidadãos que filmam, denunciam, documentam. Gente que, entre o medo e o luto, ainda acredita na vida. São esses os guardiões do Rio que resta, o Rio que não se rende.
Os 121 mortos não são apenas números. São o espelho de um país que perdeu o rumo, confunde justiça com vingança, e segurança com extermínio. O Brasil precisa escolher: continuar contabilizando corpos tombados pela violência urbana ou finalmente governar para a vida de todos.

Só haverá paz quando o Estado for presença de direitos, não de morte. Só haverá futuro quando a favela deixar de ser território inimigo. Só haverá Rio de Janeiro de novo quando a cidade se lembrar de que é feita de gente, e gente não é descartável.

Por quem choram as mães dos jovens assassinados? Choram ao ver sonhos desfeitos pela letalidade policial e pelo equívoco de se buscar na criminalidade a escalada para uma vida melhor. Choram sobretudo por um país que perdeu o senso de justiça.

O axioma “bandido bom é bandido morto” significa barbárie travestida de justiça. Ele nega o Estado de Direito, despreza a dignidade humana e substitui a lei e os direitos por vingança. Ao defender o assassinato em vez de reabilitação e combate às causas do tráfico de drogas e de armas, esse pensamento fortalece a violência que diz combater e fragiliza a própria sociedade civilizada.

Em escalada de conflito por terra no MS, Guarani-Kaiowá falam em suicídio coletivo

Missão do governo federal tenta mediar conflito e evitar tragédia em área reivindicada por indígenas e cercada por fazendas no Mato Grosso do Sul; organizações relatam violência policial e ataques químicos de agrotóxicos contra Guarani-Kaiowá

O ALERTA de um possível suicídio coletivo em uma comunidade Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, levou o governo federal a intervir em um dos conflitos fundiários mais antigos e violentos do país. Os indígenas reivindicam a área ocupada (“retomada”) Guyraroká, no município de Caarapó, também cobiçada por produtores rurais.

Em 16 de outubro, a tropa de choque da PM (Polícia Militar) escoltou tratores de fazendeiros para o replantio e usou balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os indígenas. Segundo lideranças, nove pessoas teriam ficado feridas, entre elas um adolescente de 14 anos atingido na cabeça, e três mulheres grávidas teriam passado mal por causa da fumaça. Nove dias depois, os indígenas ocuparam e incendiaram a sede da fazenda onde ocorreu o conflito.

Após a escalada da violência, o diretor do departamento de mediação conflitos do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Leador Machado, contou à Repórter Brasil que  lideranças indígenas e um ancião de 106 anos manifestaram a disposição de morrer na terra, caso a polícia voltasse a agir na área.

O caso está no radar de representantes da Comissão Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, ligada ao MDA, que passaram esta semana visitando comunidades indígenas e se reunindo com representantes das forças de segurança pública do governo sul-mato-grossense. “Eles estão no limite. São um povo triste, acuado, que insinua a possibilidade de sucídio coletivo”, afirma Machado. “Para eles, morrer é lançar a semente de novas retomadas”, completa.

A fala dos indígenas aos representantes do governo federal remeteu à carta de 2012 da comunidade Pyelito Kue. O documento assinado pelos Guarani-Kaiowá gerou comoção ao pedir que a Justiça decretasse a “morte coletiva” em vez do despejo. “Já perdemos a esperança de sobreviver dignamente. Queremos ser enterrados junto aos nossos antepassados”, escreveram os indígenas na ocasião.

O missionário Matias Rempel, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que acompanha os moradores de Guyraroká, explica que as falas sobre morte coletiva expressam o desespero de comunidades historicamente confinadas. “O que eles observam ao lado deles é o agronegócio destruindo o resto da mata, envenenando com agrotóxicos a água, a fauna e a flora de uma terra sagrada”, descreve.

“Não é uma ameaça, é a forma de eles dizerem que não suportam mais viver sem o tekoha, o território sagrado. É o mesmo sentimento da carta de 2012, quando pediram para morrer na terra dos antepassados. É a tradução do esgotamento”, acrescenta Rempel.

O documento foi interpretado à época como uma ameaça de suicídio coletivo, mas o Cimi esclareceu que se tratava de uma expressão de resistência. A carta ganhou repercussão internacional e expôs a violência enfrentada pelos Guarani-Kaiowá há mais de um século.

Desde o início dos anos 2000, o povo Guarani-Kaiowá sofre com confinamento, ataques químicos com pulverização de agrotóxicos e violência armada. A situação levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos a emitir, em 2019, uma medida cautelar exigindo que o Estado brasileiro protegesse a vida e a integridade física da comunidade de Guyraroká.

As famílias vivem em barracos de lona, sem água potável nem assistência médica regular. Para as lideranças, a permanência no tekoha é uma forma de continuar existindo. Como disse um dos anciãos à comissão, “se for para morrer, que seja na terra onde estão enterrados os antepassados”.

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) Marco Antônio Delfino, que atua na região há mais de 15 anos, enxerga o conflito como resultado direto da falta de demarcação das terras. “O problema de fundo é a omissão fundiária. Os agrotóxicos, a violência policial e o desespero são sintomas. A terra continua sendo o centro do conflito”, explica.

Segundo ele, a demarcação de Guyraroká foi reconhecida em 2004 e anulada em 2014. Desde então, o processo está parado. “São áreas de extrema tensão. Em 2006, dois policiais civis morreram em Passo Piraju (outra área de retomada), e até hoje o trauma influencia a forma como a segurança pública age ali. Mas não há solução sem a devolução da terra tradicional”, afirma.

Ataques aos indígenas se acirraram em outubro

Uma das indígenas relatou ao Cimi que, em 16 de outubro, “os policiais vinham com tudo, chamando a gente de cachorro, de bicho”. Outro indígena disse ao conselho indigenista: “Um de nós talvez precise morrer para conquistar a terra. Em Nhanderu Marangatu foi assim. Se tiver que ser assim no Guyraroká, morro pra deixar a morada dos nossos antigos pros meus filhos”. Dias depois, a Justiça autorizou novamente a presença da PM na área, o que reacendeu o temor de novos confrontos.

Em 25 de outubro, a comunidade ocupou e incendiou a sede da Fazenda Ipuitã. Segundo relatório elaborado por autoridades públicas e acessado pela Aty Guasu, a assembleia representativa do povo Guarani-Kaiowá, a entrada dos indígenas na sede da fazenda teria sido motivada por um sequestro de uma jovem de 17 anos e pela suspeita de abuso sexual cometido por homens armados que circulavam na área.

Indígena ferida na retomada de após ação da Polícia Militar, na retomada de Guyraroká. Ao fundo, os barracos destruídos (Foto: Lídia Farias/Cimi)
Indígena ferida na retomada de após ação da Polícia Militar, na retomada de Guyraroká. Ao fundo, os barracos destruídos (Foto: Lídia Farias/Cimi)

A comunidade relatou que a indígena foi levada em uma caminhonete branca por indivíduos mascarados e encontrada horas depois, em estado de choque. Os indígenas afirmam que só permaneceram na fazenda para proteger a jovem e evitar a volta do grupo armado até a chegada da Força Nacional.

Segundo Machado, o governo do estado insistia em manter a Polícia Militar na área, amparado por decisão judicial. “O governo estava irredutível, dizendo que havia uma decisão judicial a ser cumprida, no sentido de manter a PM no local. Mas conseguimos inverter essa decisão junto ao Tribunal Regional Federal. Agora a Força Nacional é que deve permanecer na área”, diz.

Com o aumento da tensão, o Ministério dos Povos Indígenas pressionou para que o governo federal enviasse a comissão para intermediar as negociações.

Após o incêndio na fazenda, o governador Eduardo Riedel (PP) divulgou nota determinando “rigorosa investigação e punição dos responsáveis” e acusando “organizações de aliciamento e manipulação” de indígenas.

Antes de chegar ao governo, em 2013, quando presidia a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do MS), Riedel foi um dos organizadores do Leilão da Resistência, que arrecadou cerca de R$ 640 mil para financiar a reação de fazendeiros contra as retomadas indígenas.

Comissão negociou zona de amortecimento para pulverização de agrotóxicos

Machado relatou que, além da retirada da PM, a missão tenta definir uma zona de amortecimento para pulverização de agrotóxicos. “Estamos estabelecendo uma zona de segurança para que não se pulverize tão próximo às casas e à escola”, detalha.

Os agrotóxicos são uma das principais causas de tensão na região. Em Guyraroká, indígenas relatam que aviões e tratores pulverizam veneno nas lavouras vizinhas, atingindo casas, roças e até a escola.

Moradores afirmam que o produto cai sobre alimentos e na merenda escolar, provocando sintomas de intoxicação como febre, vômito e falta de ar. Um estudo realizado entre 2021 e 2022 identificou 20 tipos diferentes de substâncias químicas na água da comunidade, boa parte delas proibida na União Europeia.

O conflito se concentra na Terra Indígena Guyraroká, em Caarapó, reconhecida pela Funai em 2004 com 11,4 mil hectares, mas cuja demarcação foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dez anos depois. Desde então, cerca de 200 Guarani e Kaiowá vivem em uma área de 50 hectares cercada por plantações de soja, milho e cana de açúcar.

A área é vizinha da Fazenda Ipuitã, de 1.361 hectares, alvo de ação civil pública do MPF por pulverização de agrotóxicos em área próxima à comunidade.

O MPF pediu que fosse imposta uma distância mínima de 250 metros para pulverizações, mas a Justiça Federal de Dourados negou o pedido em 2020, alegando que a medida “inutilizaria consideravelmente a propriedade rural” e não teria base legal.

Procurados, o advogado dos fazendeiros não respondeu às perguntas enviadas. O espaço segue aberto caso desejem se manifestarem.

A retomada da TI Guyraroká sofre sofrendo ataques constantes desde o final de setembro (Foto: Renato Santana/Cimi)
A retomada da TI Guyraroká sofre sofrendo ataques constantes desde o final de setembro (Foto: Renato Santana/Cimi)

Comissão tenta negociar uma trégua

“A ideia é que as retomadas dos indígenas não avancem até que o governo federal e o STF consigam negociar a questão da demarcação”, afirma Leador Machado. Ele diz ainda que vai buscar uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação sobre Guyraroká e com o presidente do STF, Edson Fachin.

A comissão federal comunicou às lideranças indígenas a decisão judicial que suspendeu a presença da PM e autoriza a permanência da Força Nacional. “Pedimos uma trégua no processo de retomadas e reafirmamos o compromisso do governo federal de buscar uma solução negociada. O que queremos é evitar uma tragédia”, explica Machado.

Segundo ele, uma portaria será publicada nos próximos dias para formalizar os encaminhamentos da comissão, com prazo de 180 dias para a conclusão das medidas. Integram a comitiva que esteve no Mato Grosso do Sul os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Povos Indígenas, Saúde, Secretaria-Geral da Presidência e Direitos Humanos, além da Funai, Polícia Federal, o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério Público Federal.

Reporter Brasil

Sociedade doente: operação mais letal da história do RJ é aprovada por 64% dos fluminenses

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Neste sábado (1º) uma nova pesquisa, agora divulgada pelo instituto Genial/Quaest apontou que 64% dos moradores do Rio de Janeiro aprovam a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada. A ação, conduzida pelas polícias Civil e Militar, foi a mais letal da história do estado, deixando 121 mortos, entre eles quatro agentes de segurança.

O levantamento, feito entre os dias 30 e 31 de outubro, entrevistou 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, residentes em diferentes regiões do estado. As entrevistas foram presenciais e domiciliares. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais e grau de confiança de 95%.

O episódio teve grande repercussão: 98% dos entrevistados disseram conhecer a operação. Apesar da alta letalidade, apenas 27% da população declarou desaprovação à ação. Outros 6% afirmaram não ter opinião formada, e 3% preferiram não responder.

Entre os participantes, 73% acreditam que a polícia deve repetir operações semelhantes em outras favelas e comunidades. O apoio é mais forte entre os homens, com 85%, enquanto entre as mulheres o índice chega a 62%. O levantamento também mostrou que 79% dos homens e 51% das mulheres aprovaram a intervenção.

Policiais durante a ação no Complexo da Penha, na Vila Cruzeiro (RJ). Foto: Fabiano Rocha /O Globo

A faixa etária com maior aprovação foi a de 31 a 50 anos, com 68% de apoio, seguida pelos jovens de 16 a 30 anos, com 65%. Entre os maiores de 51 anos, 58% concordaram com a ação, embora este grupo concentre o maior índice de desaprovação, com 29%.

O nível de renda também influenciou as opiniões. Pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos foram as que mais apoiaram a operação (69%), seguidas pelos que recebem até dois salários (58%). Já entre os que ganham acima de cinco salários mínimos, o apoio ficou em 63%, mas a desaprovação foi mais alta, alcançando 36%.

Na divisão por escolaridade, o maior índice de aprovação veio do grupo com ensino fundamental (67%), seguido dos que possuem ensino médio (66%). Entre os entrevistados com ensino superior, o apoio foi menor, de 59%, enquanto a rejeição atingiu 39%.

A pesquisa ainda revelou diferenças conforme o posicionamento político. Bolsonaristas e direitistas não bolsonaristas apresentaram quase unanimidade na aprovação, com 93% e 92%, respectivamente. Entre os eleitores do presidente Lula, apenas 35% apoiaram a ação, e 59% a reprovaram. Entre os independentes, 61% aprovou e 24% não. Para 58% dos entrevistados, a operação foi bem-sucedida, enquanto 32% a consideraram um fracasso.

DCM

Jamil Chade-Entidade denuncia ‘graves falhas’ na investigação da operação no Rio

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Por Jamil Chade, Colunista do UOL, em Genebra

A entidade Human Right Watch denuncia “graves falhas na investigação da operação policial mais letal do Rio de Janeiro”. Num comunicado, os especialistas de uma das entidades de maior prestígio internacional no setor de direitos humanos apontam que a polícia do Rio de Janeiro não adotou medidas investigatórias cruciais para determinar as circunstâncias da morte das pelo menos 121 pessoas, incluindo quatro policiais.

“A polícia não preservou o local dos tiroteios para análise, uma medida muito importante para determinar as circunstâncias das mortes”, afirmou a entidade.

Um perito do Rio de Janeiro disse à Human Rights Watch que, pelo que sabe, não houve perícia em nenhuma das mortes. Um promotor disse que o Ministério Público está aguardando a confirmação disso, mas que também é esse o seu entendimento.

“As famílias das pessoas mortas na operação de 28 de outubro, incluindo as dos policiais, merecem saber as circunstâncias da morte de seus entes queridos”, disse César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil. “Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas.”

O secretário da polícia militar disse em uma coletiva de imprensa que a polícia havia empurrado os membros do grupo criminoso em direção à área de mata, que a polícia sabia que eles usavam como rota de fuga. No topo dos morros, a unidade de elite da polícia militar, o BOPE, havia estabelecido o que o secretário descreveu como um “muro”, com agentes esperando pelos supostos membros da facção em fuga… – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2025/11/01/entidade-denuncia-graves-falhas-na-investigacao-da-operacao-no-rio.htm?fbclid=PAQ0xDSwNy-29leHRuA2FlbQIxMQABp-GDlqC7USK41zh3cAij5VHRD7hVxB3tbAZeaP5-ak1pErOAAaTN0040FnIR_aem_eM81XyBs6PBKq-WBNtAOpQ&cmpid=copiaecola

A entidade questiona a versão do governo do estado. “Uma moradora disse à imprensa que seu filho lhe enviou sua localização e disse que queria se entregar, mas tinha medo de que a polícia o matasse. Seu corpo foi encontrado mais tarde na área de mata”, afirmou.

O perito disse acreditar que os policiais recuperaram as armas que estavam nas mãos das pessoas mortas no local e foram embora.

O alerta da entidade é de que foram encontradas na área de mata importantes evidências sem proteção, incluindo manchas de sangue, cápsulas de balas e roupas.

“Reconhecemos as dificuldades inerentes a uma área de mata, mas causa estranheza a ausência de controle sobre o isolamento do local”, disse o procurador-geral do estado do Rio de Janeiro.

O secretário de polícia civil, chefe da força estadual encarregada de investigar crime, disse que abriu uma investigação sobre os moradores que removeram os corpos por possível adulteração de provas e os acusou de tirar as roupas dos mortos.

“No entanto, os moradores só conseguiram chegar aos corpos porque a polícia não protegeu o local do tiroteio”, disse a Human Rights Watch.

Segundo o comunicado, o perito consultado pela Human Rights Watch constatou que os delegados não enviaram os peritos criminais, que no Rio de Janeiro são parte da polícia civil, para realizar a análise do local. “A análise da cena do crime deve ser realizada mesmo que um corpo tenha sido removido, pois pode haver provas adicionais no local”, explicou.

Além disso, os peritos criminais não foram enviados à praça para onde os moradores haviam removido dezenas de corpos, disse o perito. “Essa foi uma importante falha adicional da investigação”, afirmou a Human Rights Watch.

A entidade defende que peritos criminais deveriam ter ido na praça para tirar fotos e coletar provas, incluindo amostras de resíduos de pólvora, que podem revelar se a pessoa disparou uma arma. Esses resíduos se perdem com o manuseio do corpo, por exemplo, durante o transporte.

A entidade aponta que peritos legistas estão realizando necropsias, mas há preocupações com a limitação de pessoal e infraestrutura, além do subinvestimento crônico na perícia do estado.

A organização, que é uma das maiores referências no mundo em termos de defesa de direitos humanos, destacou como a Defensoria Pública afirmou que a polícia civil não permitiu que defensores estivessem presentes durante as necropsias.

“Algumas organizações da sociedade civil, incluindo a Human Rights Watch, solicitaram ao procurador-geral do Rio de Janeiro, em 30 de outubro, que garantisse a presença de um representante das vítimas nas autópsias. Isso não foi feito”, lamentou.

Armas sem controle

Outro problema, segunda a entidade, se refere ao armazenamento das armas apreendidas, cerca de 118 delas.

“As armas deveriam ter sido mantidas em uma cadeia de custódia rigorosa, em sacos lacrados, e enviadas para a perícia para análise de impressões digitais e balística. No entanto, a polícia civil apresentou as armas à imprensa. E reportagens de televisão mostram policiais e até mesmo repórteres manuseando armas e outros equipamentos apreendidos sem luvas”, alertou.

Investigação independente

A entidade defende que órgãos independentes investiguem a atuação das forças de ordem. Em uma sentença de 2017 sobre um caso no Rio de Janeiro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos ordenou que o Brasil garantisse que os abusos policiais fossem investigados por “um órgão independente e diferente da força pública envolvida no incidente… assistido por pessoal policial, técnico criminalístico e administrativo alheio ao órgão de segurança à qual pertença o possível acusado ou acusados”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Ministério Público deve conduzir as investigações sempre que houver “suspeita” do envolvimento de agentes dos órgãos de segurança pública na prática de crime doloso contra a vida.

O STF também ordenou que a polícia do Rio de Janeiro utilizasse câmeras corporais. Mas o secretário da polícia militar disse aos repórteres que as baterias podem ter acabado durante a operação e que “as imagens podem ter sido perdidas”.

“As autoridades brasileiras devem garantir uma investigação rápida, completa e independente de cada uma das mortes, bem como das decisões e do planejamento que levaram a uma operação tão desastrosa”, disse Muñoz. “O caso também mostra a necessidade urgente de o governador do Rio de Janeiro apresentar um projeto de lei para separar a perícia da polícia civil e investir em análises forenses independentes e de alta qualidade, que são uma parte fundamental de qualquer investigação criminal, não apenas em casos de mortes causadas pela polícia”, completou.

Fonte: Noticias.uol

Clube do tiro: Consórcio da Paz deveria ter Netanyahu como patrono

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Por Moisés Mendes

Foi batizado como Consórcio da Paz a aglomeração de governadores de extrema direita em apoio ao colega chefe da chacina no Rio.

Um consórcio que apoia uma matança e tem paz no nome. É o que antigamente se chamava de escárnio.

Só falta chamarem a venezuelana Maria Corina Machado para ser a madrinha e Benjamin Netanyahu para ser o patrono.

Um Consórcio do Paz de armamentistas, que que teve como primeira iniciativa oferecer tropas para que Cláudio Castro, se for preciso, ordene mais uma matança em outra favela.

O Consórcio começa com Jorginho Mello (PL-SC), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Eduardo Riedel (PSDB-MS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) — que participou virtualmente — e Celina Leão (PP-DF), vice-governadora do Distrito Federal.

Zema resumiu a posição dos consorciados na reunião de quinta-feira no Rio: “O que vimos foi planejamento e eficiência. Não ouvi falar de inocente morto, e sim de uma das maiores apreensões de armas e prisões da história. Isso mostra que é possível fazer segurança pública com resultado e responsabilidade”.

Esse pessoal muito responsável tenta reorganizar a velha direita e o novo fascismo em torno de uma chacina como marketing macabro para 2026. Todos exaltam a matança como método. É o Consórcio dos Traficantes da Morte.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

Vinicio Carrilho Martinez concede entrevista à Fundação Conrado Wessel sobre capitalismo digital e tecnofascismo

O professor da UFSCAR(Universidade de São Carlos),  Vinício Carrilho Martinez, autor do artigo “Necropolítica e luta de classes no Rio de Janeiro- O fim do Estado“,  concedeu entrevista à Heitor Shimizu, da Fundação Conrado Wessel, sobre Capitalismo digital e Tecnofascismo.  Heitor Shimizu é jornalista, editor-chefe da Revista FCW Cultura Científica e coordenador do Setor On-line da Fapesp.

Cúpula dos Povos: MAB reforça debate sobre transição energética justa e popular

O Movimento está inserido nos seis eixos de discussão da Cúpula, mas prioriza de forma especial o terceiro, que pauta a transição energética

Uma das principais pautas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) nos últimos anos é a luta por uma transição energética justa, popular e inclusiva, tema que será destaque no Eixo 3 da Cúpula dos Povos. O evento, que acontece em Belém (PA) em paralelo à COP30, propõe organizar suas reflexões e propostas a partir de seis eixos.

Em permanente disputa, o conceito de transição energética se tornou uma boa maquiagem aos interesses contraditórios do capital, e tem sido cada vez mais usado para anunciar a substituição de fontes de combustíveis fósseis – como petróleo e carvão – por opções mais limpas e renováveis. Acontece que, à primeira vista, o discurso pode soar bonito, mas não alcança questões fundamentais às populações atingidas e submete sempre os interesses públicos ao interesse privado.

Para o MAB, não é possível fazer uma transição energética justa e popular no Brasil sem uma mudança radical da política energética. Dalila Calisto, integrante da coordenação do movimento, explica que esta transição não pode ser apenas tecnológica, mas social.

“Não adianta mudar a fonte e não discutir pra quê está sendo produzida a energia e quem se apropriará dela. Nesse sentido, uma transição justa e popular significa mudar o modelo energético, redefinindo o papel do Estado e das empresas estrangeiras que, há anos, têm se apropriado da riqueza produzida pelos trabalhadores no setor elétrico. Não podemos admitir uma transição que penalize os trabalhadores e as populações mais vulneráveis, como mulheres e crianças, comunidades ribeirinhas e povos tradicionais”.

A participação do MAB na construção e debate deste terceiro eixo da Cúpula dos Povos é também parte da luta contra o desmonte da legislação ambiental que testemunhamos no Brasil, que tanto ameaça o cumprimento da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB). Neste processo de reafirmar conquistas e apresentar suas pautas, os atingidos defendem a construção de um fundo permanente para as populações atingidas e acreditam que “é justo e necessário que as populações, que há décadas são violadas pelo Estado Brasileiro e pelas empresas transnacionais, tenham direito à reparação justa”.

Nas atividades do eixo 3 da Cúpula dos Povos, o MAB aponta as contradições desse modelo que não serve ao povo, propondo uma transição justa que considere os interesses das classes trabalhadoras e das comunidades populares, urbanas e rurais, com os processos decisórios na mão do povo. Na Cúpula, o MAB levará “a denúncia de que a transição energética proposta pelas transnacionais se apresenta como solução para descarbonização, mas interessa ao capital porque amplia novas frentes de acumulação. No capitalismo, não há mudança tecnológica que não vise extrair mais valor”, alerta Dalila.

“É necessário disputar as ideias

A afirmação é de Fabíola Antezana, do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE). Para ela, o capital gerou o problema da crise climática e agora apresenta o que considera serem as respostas necessárias para sair dela. “É um jogo de ganha-ganha pelo capital”, afirma.

O risco, segundo ela, é que muitos não conseguem fazer a leitura dessa realidade e podem se deixar convencer pelas falas soluções apresentadas – para as quais a COP30 parece ser espaço privilegiado. Por isso, a urgência é que se faça uma leitura crítica da realidade, mesmo durante a COP e a Cúpula, para que “a partir da contradição, possamos formar lideranças capazes de atuar em prol de uma nova forma de transição justa, popular e inclusiva”.

Os eixos de debate na Cúpula


Foto: Marcelo Aguilar / MAB


Foto: Amanda Paulino / MAB

O Movimento dos Atingidos por Barragens deve levar à Cúpula dos Povos cerca de 1.000 atingidos do Brasil, que se somam aos 200 delegados do IV Encontro Internacional de Comunidades Atingidas por Barragens e Crise Climática. Para os dias de evento em Belém, as 1.099 organizações que compõem a Cúpula articulam uma agenda ampla, dividida em seis eixos centrais. Eles sintetizam o projeto político coletivo e constituem uma agenda de luta dos povos ao redor do mundo.

O primeiro eixo da Cúpula dos Povos pauta a luta em defesa dos territórios e dos direitos dos povos das águas, rios, mares, mangues, florestas, da cidade e do campo. O segundo propõe o enfrentamento a grandes projetos do agronegócio, garantindo reparação histórica, o combate ao racismo ambiental, às falsas soluções e ao poder corporativo. O terceiro, aprofundado neste texto, exige uma transição energética justa e popular, enquanto o quarto eixo reforça a luta contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos.

No eixo cinco, a Cúpula pauta as periferias urbanas e o enfrentamento à crise climática nas grandes cidades. E, por fim, no sexto, debate o feminismo popular e a resistência das mulheres nos territórios, também a partir do seu protagonismo nas lutas socioambientais.

Nas próximas semanas, você acompanha no site do MAB as matérias que aprofundam as propostas de debates em cada um dos seis eixos da Cúpula dos Povos.

Coluna Zona Franca

(*) Roberto Kuppê

A necropolítica

E a direita bolsonarista, diante do fracasso das investidas contra o governo Lula nos Estados Unidos, adotou a matança indiscriminada de pessoas para subsidiar a campanha eleitoral de 2026. Quanto mais corpos empilhados, mais votos. Nesse sentido, o professor universitário da UFSCar (Universidade de São Carlos), Vinício Carrilho Martinez, autor do artigo “Necropolítica e luta de classes no Rio de Janeiro- O fim do Estado“, fez uma análise para lá de pertinente. Segundo o professor, “a extrema direita, fascista, racista, matou 130 pessoas no RJ para começar sua campanha de 2026. Usaram marketing para estruturar essa reunião de governadores”.

A necropolítica 2

Pode ser uma imagem de texto que diz "A CHACINA foi eleitoreira. *Lula aparece liderando as pesquisas. *Do nada uma operação acontece no Rio. *Morrem mais de 130 pessoas. Acusam o Lula de omissão. *Governadores de direita oferecem ajuda policial ao Governador do Rio."“O intercept também destaca a quantidade de comentários de populares festejando a chacina. Desse modo, a pauta do tarifaço foi substituída pela política de morte planejada pelo Estado. Neste momento, a narrativa fascista, racista e extremamente letal é predominante. Essa chacina vai render muito com os governadores nazis e mostram que o encontro de Lula com Trump saiu de cena. No lugar do tarifaço entraram o discurso e a prática da política que só gera morte. Tanto é assim que todos os líderes do CV procurados conseguiram fugir: a operação vazou horas antes para o comando do tráfico. É claro que muita água vai passar debaixo da ponte do esgoto político, porém, o contragolpe fascista foi dado: vão esticar ao máximo essa política da morte”, segue a análise Vinício Carrilho Martinez.

A necropolítica 3

O governo Cláudio Castro em nada difere do ex-governo Bolsonaro. Enquanto o governo Lula trabalha pelo bem estar da população, Bolsonaro e Cláudio Castro celebram a morte. Durante a pandemia, em vez de lutar pelo povo, Bolsonaro preferiu uma frase que marcou a administração dele: “Eu não sou coveiro”. Já, Castro é adepto de que “bandido bom é bandido morto”.

Consórcio da discórdia

O governador Cláudio Castro não está nem um pouco interessado em aceitar a ajuda do governo federal, mesmo dizendo que sim. Na verdade, a chacina comandada por ele faz parte da campanha dele ao Senado Federal. Pode ser uma imagem de texto que diz "Esses são os governadores que fizeram a carta contra a PEC da segurança pública São vampiros, precisam do Junyuc MV pobre e preto para sobreviver! 冬"Dois dias depois da operação policial mais letal da história do Brasil, Cláudio Castro anunciou a criação de um “consórcio da paz” com governadores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A iniciativa, apresentada no Palácio Guanabara, busca, segundo os governadores, integrar ações e compartilhar estrutura entre estados no combate ao crime organizado. O encontro, marcado por críticas ao governo Lula (PT) e à PEC da Segurança Pública, reuniu Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Riedel (PP-MS) e a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP). Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) participou por vídeo; Ratinho Jr. (PSD-PR) alegou compromissos e não compareceu. Castro afirmou que o consórcio terá sede no Rio e funcionará com compartilhamento de inteligência, equipamentos e efetivos. O governador associou a iniciativa a uma defesa da “autonomia dos estados” e criticou normas federais que regulam o uso da força policial. Governadores aliados aproveitaram o encontro para criticar o governo federal e defender atuação mais dura contra facções. Caiado associou o avanço do crime organizado no Rio à ADPF das Favelas, decisão do STF que restringiu operações policiais na pandemia, e classificou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como tentativa da União de retirar poder dos estados. (Globo)

União dos governadores x Lula

“A união dos governadores na pauta da segurança pública deu fôlego à direita e é motivo de preocupação para o Planalto. A operação policial no Rio reorganiza o grupo político para 2026 e consegue tirar foco de Jair Bolsonaro”. (Roseann Kennedy-Estadão)

Carbono Oculto

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "Quando os ricos fazem a guerra, são os pobres que morrem. Nenhum bandido importante no Brasil mora em uma favela. O Estado engana a população ao concentrar o combate ao crime nas comunidades pobres, enquanto os verdadeiros chefes das facções estão infiltrados em setores econômicos e institucionais. As operações policiais ostensivas realizadas no Rio de Janeiro são "desinteligentes". A única consequência é o pânico na população humilde e trabalhadora. E isso não é culpa da polícia. Ela acaba sendo usada por maus gestores, que inclusive expõem as vidas dos próprios policiais. Ricardo Balestreri, ex-secretário nacional de Segurança Pública"

Ex-secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri reconhece que as facções criminosas exercem ‘poder tirânico’ sobre largas porções do território do Rio, mas afirma que o poder público vem se escorando somente numa lógica de combate, sem dar sequência a iniciativas que poderiam levar à retomada efetiva de territórios. Balestreri enfatiza que combater o crime organizado ‘apenas na favela é enganar a população’. Ele cita como exemplo a operação Carbono Oculto, que mostrou a arrecadação bilionária em setores formais da economia. (O Globo)

PEC da Segurança

A despeito da ação dos governadores, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a PEC da Segurança Pública deve ser votada na comissão especial no início de dezembro. Segundo ele, o relator apresentou um cronograma prevendo a conclusão das audiências públicas e a apreciação do texto na primeira semana do mês. A megaoperação no Rio, que deixou mais de 100 mortos nesta semana, reacendeu o debate sobre a proposta. O relator, Mendonça Filho (União Brasil-PE), afirmou que não há entraves e que deve apresentar uma nova versão do texto na segunda quinzena de novembro. Aprovada na CCJ em julho, a PEC é uma das prioridades do ministro Lewandowski e do governo Lula. (Metrópoles)

PEC da Segurança 2

Integrantes do Executivo intensificaram a campanha em prol da PEC como uma das principais ações para combater o avanço das facções criminosas no país. Desde que foi formulada pela gestão de Lewandowski, há mais de 18 meses, a PEC superou divergências dentro do próprio governo, mas segue combatida pela oposição. (Globo)

Operação Contenção vazada

As forças de segurança do Rio de Janeiro tinham conhecimento de que a Operação Contenção, que acabou como a mais letal da história do Rio, tinha sido vazada quatro horas antes do início da incursão nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. É o que mostra um documento obtido pela Folha. Um registro de ocorrência produzido pelos agentes relata que cerca de 20 homens em motos entraram em confronto com policiais militares em um dos acessos dos conglomerados de favela por volta de 1h de terça. Dois deles foram baleados e encaminhados ao hospital, onde morreram. Antes, os dois teriam se identificado como chefes do Comando Vermelho no Espírito Santo e afirmado aos PMs que estavam fugindo, ao saberem que haveria a operação. Em entrevista, o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, negou que houve vazamento. (Folha)

Operação Contenção vazada 2

Um vídeo de drone gravado pela polícia mostra o momento em que criminosos fortemente armados se reuniam no alto do Complexo da Penha, antes de fugirem pela mata. As imagens registram 23 homens armados, alguns com roupas camufladas ou com uniformes semelhantes aos dos agentes, o que dificulta a identificação. Em outro momento é possível ver 83 criminosos armados fugindo. A investigação aponta que chefes do tráfico de outros estados, como Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas e Pará, estão entre os integrantes do CV flagrados pela câmera. A investigação que levou à ação da polícia também usou vídeos e mensagens interceptados de aplicativos detalhando a atuação do CV nas comunidades. Além da hierarquia da facção, o material traz ordens para torturas de rivais e moradores e favorecimento a policiais. (g1)

CPI do Crime Organizado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, determinou a instalação na próxima terça-feira (4) da CPI do Crime Organizado (RQS 470/2025). Em resposta à operação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, Davi declarou que “é hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro”. De iniciativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a comissão vai investigar o modus operandi, a expansão e o funcionamento de milícias e facções criminosas. O senador Marcos Rogério (PL-RO) espera que a CPI se volte para a atuação desses grupos para além do tráfico de drogas e armas.

Alexandre de Moraes no Rio

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai ao Rio na próxima segunda-feira para se reunir pessoalmente com o governador Cláudio Castro sobre a operação da polícia. A visita ocorre no âmbito da ADPF das Favelas, ação do STF que acompanha a letalidade policial no estado. A expectativa no STF é que a viagem sirva para cobrar o cumprimento das diretrizes já fixadas pela Corte para operações policiais no Rio, além de avaliar eventuais medidas adicionais. O ministro quer que o governo estadual apresente informações completas sobre a ação, como a justificativa formal para o uso da força, o número de agentes mobilizados, os armamentos utilizados e o total de mortos, feridos e detidos. Moraes também requereu detalhes sobre perícia, uso de câmeras corporais, assistência às vítimas e medidas de responsabilização por abusos. (Globo)

Lewandowski

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que o governo federal vai enviar peritos da Polícia Federal para auxiliar o IML carioca na necropsia dos mais de 120 mortos na operação policial nos complexos do Alemão e da Penha. Lewandowski classificou como o primeiro “resultado concreto” do escritório emergencial criado pelo governo federal e pelo governo do Rio. “Vamos enviar 20 peritos da Polícia Federal especializados não só em necropsias, mas também em balística e exames de DNA”, afirmou o ministro. “Já falei com o governador Cláudio Castro, e esse contingente será enviado imediatamente. Há profissionais da PF no Rio que vão se apresentar, e o secretário de Segurança Pública está formalizando o pedido. Esse já é um primeiro resultado.” Além dos peritos da PF, Lewandowski disse que a Força Nacional deverá enviar de 10 a 20 especialistas adicionais, conforme a demanda. (g1)

Direitos Humanos

Em reunião com familiares dos mortos na operação e representantes das comunidades, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, prometeu que o governo federal vai encomendar uma perícia independente para apurar os óbitos. A ministra afirma que “a perícia no local está muito prejudicada” e classifica a ação policial como “um fracasso, uma tragédia, um horror inominável”. Macaé afirma que o combate ao crime organizado deve começar pela cúpula. “Não adianta chegar em nossas comunidades expondo crianças, pessoas idosas e com deficiência a esse pavor”, conclui. (Poder360)

Otoni de Paula

Já o deputado federal e pastor Otoni de Paula (MDB-RJ) acusou o governador Cláudio Castro (PL-RJ) de ter autorizado execuções na operação policial realizada na terça-feira nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo Otoni, os policiais agiram com “liberdade para executar”, amparados por uma suposta orientação do governo estadual. Ele classificou a estratégia de levar confrontos para a mata da Serra da Misericórdia como “muro da morte”. E o líder do Comando Vermelho, Marcinho VP, recorreu ao STF para tentar liberar uma entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, da Record. A Justiça Federal de Campo Grande havia negado o pedido, alegando risco de sensacionalismo e falta de interesse público. A defesa de VP argumenta censura prévia. O caso será analisado pelo ministro Flávio Dino, que recebeu pedido de urgência. (Folha)

Estarrecedor

Pode ser uma imagem de textoMetade da ALERJ e 70 deputados federais têm envolvimento com o crime organizado, diz a PF. De acordo com agentes que participam da apuração, há indícios de que organizações criminosas se expandiram a partir da Alerj, alcançando órgãos do governo estadual, municipal e até setores do Judiciário. “Está tudo muito ramificado, por isso, não há interesse em nenhuma das pontas para que as investigações avancem”, disse um dos policiais. Outro investigador acrescentou: “O que temos visto é que há muito, mas muito dinheiro em jogo, com corrupção disseminada.”

Estarrecedor 2

Não por acaso, muitos policiais se referem à Assembleia do Rio como “a casa institucionalizada do crime”, onde as leis são feitas para atender, sobretudo, aos interesses das organizações comandadas por bandidos. “As demandas da população em geral ficam em quinto plano, pois não rendem dinheiro”, diz um agente que mergulhou no assunto.

Estarrecedor 3

A coluna consultou o Chatgpt que confirmou a informação: A informação de que “metade da ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) tem envolvimento com o crime organizado” foi, de fato, apontada pela Polícia Federal (PF) com base em dados levantados durante as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Vários veículos de imprensa noticiaram essa conclusão da PF em março de 2024 (e novamente em outubro de 2025, em republicações). 

Ofensiva contra mentiras de bolsonaristas

O presidente Lula (PT) determinou que seus ministros entrem em campo nas redes sociais para desmontar, ponto a ponto, as narrativas que tentam vincular o Palácio do Planalto à operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro nesta semana. A ordem é clara: confrontar diretamente o governador Cláudio Castro e aliados bolsonaristas que, segundo o Planalto, formam um complô para jogar a responsabilidade em relação ao massacre sobre governo federal, sendo que tal natureza de atividade policial, pela Constituição, é atribuição exclusiva do estado.

Ofensiva contra mentiras de bolsonaristas 2

Lula cobrou que a mensagem chegue ao cidadão comum de forma cristalina: o governo federal nunca foi solicitado formalmente para atuar na segurança fluminense. Ou seja, não houve pedido, não houve colaboração, portanto, não houve omissão. Aliás, houve, sim, foi uma tentativa de manipulação. A estratégia será massiva nas plataformas digitais, onde o PT já identificou que 45% dos comentários sobre a operação policial aprovam a ação, embora no próprio Rio a rejeição predomine entre a população. (Revista Forum)

Confúcio cobra união contra o crime organizado

Em pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (29), o senador Confúcio Moura (MDB-RO) alertou para a crise da segurança pública no país. Ele afirmou que a falta de integração entre as forças do Estado compromete a capacidade de enfrentar o crime organizado, que tem expandido a atuação em diferentes regiões do Brasil. — É como se estivéssemos em um jogo desigual: eles com a tecnologia e nós com a burocracia. Basta olhar o que está acontecendo agora no Rio de Janeiro, em outros estados da Federação e em várias outras regiões do país. O Comando Vermelho se expandiu como rede empresarial, estruturada, conectada, com ramificações interestaduais e até internacionais. O crime age com coordenação e inteligência financeira, movimentando valores vultosos, que o Estado, por incrível que pareça, ainda não consegue rastrear com eficiência — disse.

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O senador defendeu a integração entre escolas, forças de segurança e comunidade local. Também afirmou que apenas uma política de Estado séria e permanente poderá reverter o quadro atual. Para ele, é urgente reconstruir os laços de proteção que garantem que a educação seja prioridade nacional.— A quem dirijo o meu discurso? Eu o dirijo a todos. Eu o dirijo à sociedade brasileira, porque a sociedade, de fora para dentro, pode ser um fator decisivo de rebeldia e de indignação. Chegou a hora de a sociedade protestar ativamente, para que as crianças sejam protegidas e as escolas defendidas — declarou.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Necropolítica e luta de classes no Rio de Janeiro- O fim do Estado

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 Vinício Carrilho Martinez

 A chacina ou o massacre – como se queira chamar – levados a cabo pelas forças policiais do Rio de Janeiro, a mando do Governador do Estado, no dia 28 de outubro, pode e deve ser visto como crime e atrocidade do Poder Público. Contudo, deve ser avaliado com lentes multifocais – especialmente para sairmos um pouco do senso comum, da luta ideológica em torno das narrativas ideológicas e da luta eleitoral que já se pronunciou.

O que já se sabe, com certeza, é que se ultrapassou o número de mortos do Carandiru, em São Paulo. O episódio paulista foi de tão extremada gravidade que impulsionou a geração do PCC, e que hoje já atua no formato de máfia. A operação deflagrada na Faria Lima, em busca de lavagem de dinheiro no centro econômico do país, é suficiente para esclarecer o que é o modelo de máfia.

Enquanto o CV investe em disputa e controle territorial, com muito armamento pesado e confronto direito com rivais do crime organizado e a própria polícia, o PCC em São Paulo é hegemônico – isto quer dizer que, sem “inimigos” aptos em seu território, o PCC evita o confronto direto.

No modelo de máfia, o PCC emprega seus recursos menos em armas do que em fundos e empresas listadas na Bolsa de Valores, por exemplo. Além disso, o PCC investe em inversão de capitais, como na aquisição (ou roubo) de lojas de marca, postos de gasolina, empresas diversas, propriedades rurais e até mesmo em usinas alcooleiras. Talvez venham dessas usinas as mortes por metanol mais recentes.

Em parte, isso explica porque as ações e os confrontos entre o CV e as forças policiais geram chacinas como essa, porque outras facções criminosas também disputam o controle territorial.

Do que decorre uma outra parte da análise: o Estado perdeu essa luta ou guerra faz muito tempo. A origem do alegado “problema geográfico” – presente no RJ e ausente em SP – remonta ao recorte da luta de classes no Rio de Janeiro, quando as elites dominantes empurraram forçosamente as populações pobres, sobretudo, negros recém libertos, para os morros. Assim, as elites se apossaram em definitivo do centro territorial e das regiões mais privilegiadas, com acesso às melhores praias e belezas naturais.

O Estado perdeu essa guerra quando iniciou uma batalha feroz pela criminalização do povo pobre, negro e oprimido. Quando, no plano nacional, mantinha-se o famigerado “crime de vadiagem” – tipologia que jamais alcançou os filhos das tais elites, por mais que fossem ociosos e desapegados de qualquer responsabilidade social.

O crime de vadiagem, por óbvio, sempre vitimou (vitima) os pobres que não tinham (tem) empregos fixos e regulares. Uma outra amostragem disso se verifica quando o policiamento exige que a pessoa apresente sua carteira de trabalho: o documento indicaria que aquele indivíduo, se tivesse registro, não seria um “vadio” (hoje a polícia chama de “vagabundo”). Em tempos digitais, a polícia logo apreende o celular.

É óbvio que isso exemplifica o racismo institucional, uma vez que nunca se pede a carteira de trabalho para os filhos brancos das elites. Mas, além disso, nos esclarece que a luta de classes no Brasil tem que ser vista a partir das condições raciais, propriamente racistas. Só podemos entender a dinâmica do capital por meio desse recorte racista. Tanto é assim que impera, inclusive economicamente, um Pensamento Escravista – sendo formado pela junção do racismo exuberante (institucional, social) e a exploração do trabalho análogo à escravidão[1].

Isso colabora para entendermos essas ações tão letais do Poder Público: há uma perspectiva profundamente elitista e racista. Lembrando-se que esse modus operandi policial não é exclusividade do Rio de Janeiro, posto que é operado em maior ou menor escala, igualmente, em São Paulo, na Bahia, em Goiás, no Ceará e em outros Estados brasileiros. Definitivamente, no Brasil, a luta de classes se alimenta do ódio social, racial, misógino, homofóbico, pedófilo, elitista e fascista[2].

O que se denominou, teoricamente, de Necropolítica – muitas vezes com imprecisão conceitual[3] –, no Brasil, pela leitura das Ciências Sociais se define como uma ferrenha, intestina, luta de classes racista. Não se costuma enveredar muito por esse caminho (como desbravou Florestan Fernandes) porque quando se trata de luta de classes – para além da morbidade deste ou daquele agente público às voltas com suas chacinas – a questão é remetida para o “depois do epifenômeno”, para aquilo que só se vê sob o uso do “método a contrapelos”.

Com essa leitura a contrapelos, outro fator para nossa análise que se desdobra desse morticínio no Rio de Janeiro (mais de 134 pessoas, em menos de 15 horas de confronto[4]) nos revela uma guerra civil[5] – em curso há muito tempo. Há muitas provas que cabem nesta avaliação da luta de classes racista que se amotinou enquanto guerra civil: os armamentos de guerra, os indescritíveis níveis de violência e crueldade, a letalidade programada, o tratamento brutal e específico dado aos “inimigos”, o recorte absurdamente evidente entre brancos e negros (não-brancos) e ricos e pobres.

Porém, o aspecto que se destaca no miolo disso tudo e nos traz de volta ao Estado é identificado como a perda da soberania legislativa, por parte do Poder Público[6]: quem define as regras e suas exceções nas comunidades, morros e favelas ocupadas e controladas pelo crime organizado não é o Estado Democrático de Direito[7]. As regras que vigem sob a Lei do mais forte, sob a orquestração do crime organizado, são as que definimos democraticamente como exceções, privações, destituições, abusos e corrupções do sentido público.

É muito fácil perceber que quem diz o que é certo e errado, o que pode ou não pode ser feito, é o crime organizado, ou seja, as regras de organização do poder, as normas de convivência social não são definidas pelo Estado, mas sim pelas facções e grupos organizados para o cometimento dos piores crimes (hediondos, assim como são hediondas as chacinas públicas). Neste caso, a conclusão é simples: soberania legislativa[8] mudou de mãos.

É óbvio, portanto, que desse modo o “poder decisional” – e que inclui o direito de vida e morte – não tem mais os limites legais, constitucionais[9], não mais se reconhece como público, não se valida como legitimamente constituído e, a partir daí, passa a reinar a Lei do mais forte (neste caso, a lei do capital que abastece e oxigena o crime organizado).

Desse modo, já concluindo, dizemos que, com isso, o Estado perde por completo o domínio territorial, a soberania territorial e simbólica naquelas áreas. Não são apenas “rivais” do Estado os que decidem contra a vida daquelas pessoas todos os dias, com seus fuzis de guerra, são definitivamente inimigos do Estado. No entanto, note-se, sem glamour nenhum, que os inimigos do Estado são abertamente os inimigos daquelas populações – usem ou não fardamentos[10], usem ou não gravatas.

Possivelmente já esteja claro nesta análise, entretanto, destaquemos que não há pendores para esse tipo de morticínio estatal e muito menos para a ação dos mais violentos grupos e organizações criminosas que colonizam as comunidades pobres do Rio de Janeiro e de qualquer localidade brasileira[11] – quem busca glamour na Lei do mais forte capital criminoso veja o que é o conhecido Tribunal do Crime.

Afinal de contas, são os reféns da violência estatal e da brutalização imposta pelo crime organizado quem sofre diretamente com essa mudança radical da soberania territorial e legislativa. São os que mais sofrem, os atingidos de uma forma ou de outra, os que, provavelmente, não terão a oportunidade de ler esse texto, assim como seus filhos e filhas estão proibidos de irem à escola.

Sob o escrutínio da Lei do mais forte, do capital que pertence aos grupos e às organizações criminosas, não se encontram os Princípios Gerais do Direito, os direitos humanos e sequer se pronuncia a dignidade humana[12].

No nosso caso, o pior está em pensar que as mortandades vão continuar a ocorrer, com mais ou menos vítimas, porque a guerra civil no meio da luta de classes racista está só no alvorecer pós-moderno. O Estado aplaudirá sua própria barbárie por muito tempo ainda[13].

 

 

[1]  Nas suas múltiplas formas: trabalho propriamente escravo (vide o Rock in Rio de 2025), uberização, precarização absoluta do Mundo do Trabalho (pejotização, exploração de terceirizados e estagiários, mormente no setor público), expropriação do trabalho infantil, adultização. Essas formações sociais de organização pós-modernas (neoliberais, neocoloniais), em conluio com as formas pré-capitalistas de organização e de expropriação da força de trabalho, mostram que o Brasil vive os dilemas do século XXI associados a restos históricos do período colonial: o futuro é sempre incerto. Certeza mesmo nós temos é de que o presente é o passado presente (MARX, Karl. Formações Econômicas Pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991).

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Fascismo Nacional – Necrofascismo. Curitiba: Brazil Publishing, 2020.

[3] A contabilização de um milhão de presos no Brasil, por óbvio, em si já credencia o funcionamento do sistema panóptico de exclusão, encarceramento e punição social e racista; porém, não está legalizado o Apartheid – e isso traz uma atenção quanto aos conceitos (MBEMBE, Achile. Necropolítica. São Paulo: N1 Edições, 2018). No mesmo sentido, apesar do encarceramento social e racial, extensivo e massivo (uma fábrica de repressão racista), o sistema panóptico do Estado Penal não está plenamente ajuizado no país – o que nos leva a outro cuidado conceitual (LOIC, Wacquant. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Revan, 2003).

[4] Apurar e responsabilizar os agentes e as autoridades públicas pelos homicídios é uma obrigação pública e, se condenados, devem receber as penas mais severas que o suporte legal do Estado Democrático de Direito permitir. Entretanto, o fato mais mórbido, por sua vez, é que, enquanto miolo político e ideológico (cultural) da luta de classes racista, sequestrado pelas elites incultas, o Estado brasileiro é programado para a repetição desses mesmos crimes sociais e raciais. Veremos morbidades como essa muitas vezes.

[5] Eufemisticamente se chama a guerra civil de “guerras assimétricas de rua”; no entanto, isso produz o mesmo efeito escapista (ideologia farsesca) de quando se referencia o trabalho escravo por seu apelido: “exploração do trabalho análogo à escravidão”. Quando, na prática, se não são apenas modismos são ideologias farsescas – no Brasil são modismos mórbidos.

[6] Na versão clássica de Zippelius, corresponde ao Estado de Direito: “a obrigação de criar e manter determinadas instituições públicas” (ZIPPELIUS, Reinhold. Teoria Geral do Estado. 3ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, p. 377).

[7] CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 4. ed. Lisboa-Portugal: Almedina, 1990.

[8] “a Constituição designa o conjunto de normas jurídicas que definem os órgãos supremos do Estado, determinam a forma de sua criação, sua relação recíproca e seu âmbito de atuação, como também fixam a posição do indivíduo em relação ao poder do Estado” (PEÑA, Guilherme. Direito Constitucional – Teoria da Constituição. Rio de Janeiro: Lumem Júris, 2003, p. 61).

[9] JELLINEK, Georg. Teoria General del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000.

[10] Aliás, neste cenário de guerra civil, muitos associados às organizações criminosas utilizam “coletes táticos”, como se fossem membros integrantes de forças militares regulares.

[11] Cabe sempre lembrar que “é crime a advocacia do crime”: uma coisa é defender pessoas associadas, outra bem diferente é defender essas organizações.

[12] LUÑO, Antonio Enrique Pérez. Derechos humanos, Estado de Derecho y Constitucion. (8ª ed.). Madrid : Editorial Tecnos, 2003.

[13] Após minuto de silêncio, deputados aplaudem morte de “bandidos” no RJ: https://share.google/hwQWWfDTjK5hh4qMX. Acesso em 30/10/2025.

Mãe espera há dois dias na porta do IML para ver corpo do filho, resgatado em região de mata no Complexo da Penha

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No pátio do Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, uma mãe segura firme a camisa preta que trouxe do Espírito Santo. É a mesma que pretende usar para cobrir o corpo do filho, ainda não liberado. Fabiana Martins está há mais de 48 horas em frente ao prédio, esperando para ver Fabian Alves Martins, de 22 anos, um dos 117 mortos na operação mais letal da história do Rio , ocorrida nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital. O cadáver dele foi um dos retirados da região de mata conhecida como Vacaria. Segundo as autoridades de segurança cariocas, todos os mortos tinham envolvimento com o tráfico de drogas.

— Meu filho deve estar em decomposição e não me deixam vê-lo. Estou aqui desde ontem. Só queremos levar ele para casa — disse Fabiana, com a voz embargada.

A família viajou de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo, para o Rio assim que recebeu fotos e vídeos do corpo de Fabian. Segundo os parentes, o jovem foi morto com um tiro na nuca.

— O mal dele era ser muito fiel aos amigos. Eu não conheço esses amigos dele. Mas o Fabian era bobo, trabalhava, e a nossa família não precisa de dinheiro. Não somos ricos, mas também não precisávamos de nada — contou a mãe.

Fabian morava com os pais no Espírito Santo e trabalhava com forro de PVC na empresa Divilar Decorações, no estado capixaba. De acordo com parentes, ele tinha vindo ao Rio para visitar amigos e a namorada, que mora na Penha.

— Muito trabalhador, ele fazia de tudo naquela empresa. Aqui, conheceu a namorada e uns amigos que a gente nem sabe quem são, disse Eduardo, colega de trabalho do jovem.

Ao lado do marido, Marcelo Martins, e da filha, Fabiana tenta respostas. Mas, segundo ela, o processo de reconhecimento e liberação dos corpos é lento e confuso.

— Meu filho está aqui já tem dois dias e ninguém nem deixa a gente reconhecer. Queremos levar ele pra casa, desabafou Marcelo.

Em frente ao IML, Fabiana se ajoelha por um instante e segura a camisa do filho contra o peito.

— Meu filho está pelado aí. Eu trouxe essa camisa para ele. Ele é meu filho! — gritou, chorando.

A mãe afirma ter recebido fotos e vídeos que mostram o corpo de Fabian entre os mortos levados para a praça da Penha na quarta-feira. Ela diz que o filho apresentava perfurações nas mãos e um tiro na nuca.

— Isso não é coisa de policial. Policial dá tiro na perna, não faz isso. Ele foi esfaqueado, deve ter sido pelos criminosos que estavam lá — disse.

Um representante do IML informou à família que o processo de reconhecimento pode levar até sete dias, devido ao estado dos corpos e à complexidade da operação.

33 dos 113 presos vieram de outros estados

 

De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, pelo menos 33 dos 113 presos durante a operação são de outros estados. Só para o Pará, a Justiça expediu cerca de 30 mandados de prisão.

A ação, que deixou 121 mortos — entre eles quatro policiais — foi planejada por cerca de 60 dias e teve como um dos diferenciais o chamado “muro do Bope”, estrutura que bloqueou as rotas de fuga pela mata entre as comunidades do Alemão e da Penha.

— Antes dessa operação, até o final de setembro, só a Polícia Civil havia apreendido 449 lideranças de fora do estado em cerca de um ano, fora a Polícia Militar, que também prendeu centenas — afirmou Curi.

Segundo ele, o dado reforça que parte dos integrantes do Comando Vermelho no Rio veio de fora do estado para reforçar a atuação da facção na capital.

Os números da operação

  • 118 armas apreendidas, sendo 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver
  • 14 artefatos explosivos apreendidos
  • 113 presos
  • 10 adolescentes apreendidos
  • quatro policiais mortos
  • 13 policiais feridos
  • 117 pessoas mortas, todas apontadas como suspeitas de tráfico pela polícia

Extra Globo

Mortes começaram antes de operação em favelas no Rio, mostra documento

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As forças de segurança do Rio de Janeiro sabiam que a operação policial realizada na terça (28) havia vazado horas antes de sua execução. Um documento obtido pela Folha de S.Paulo mostra que, por volta da 1h da manhã, quatro horas antes do início oficial da incursão nos complexos do Alemão e da Penha, policiais já haviam se envolvido em confrontos armados com criminosos alertados sobre a ação.

Naquele momento, cerca de 20 homens em motocicletas entraram em confronto com agentes em um dos acessos aos conglomerados de favela. Dois deles foram atingidos e morreram posteriormente no Hospital Salgado Filho. O episódio, segundo os próprios registros policiais, foi o primeiro indício de que o plano da operação havia sido comprometido.

De acordo com o documento, os policiais militares realizavam patrulhamento de rotina na Estrada Ademar Bibiano, em Del Castilho, quando se depararam com o grupo de motociclistas saindo do Complexo do Alemão. Ao perceberem a viatura, os suspeitos fugiram em direção à Avenida Itaoca, disparando contra os agentes.

O confronto se estendeu até as imediações da estação de Bonsucesso, da SuperVia. No local, três policiais, um subtenente e dois sargentos, revidaram com 25 disparos de fuzil. “Após estabilização do terreno, os PMs fizeram um 360º e localizaram os referidos homens baleados/feridos, sendo que um portava um fuzil Taurus T4 cal 5.56 e o outro uma pistola Glock 9mm, além de três granadas caseiras”, diz o registro.

Os policiais afirmaram que os dois feridos “ainda apresentavam sinais vitais” e foram levados ao hospital, onde morreram. Eles ainda não haviam sido identificados até a publicação do documento. Antes de morrer, ambos se apresentaram como chefes do Comando Vermelho no Espírito Santo.

Corpos de homens que morreram durante operação no Rio de Janeiro. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

“Vale ressaltar que os criminosos informaram que eram oriundos do Espírito Santo, onde eram lideranças da facção Comando Vermelho daquela unidade da federação. Disseram também que estavam saindo do Cpx [complexo] do Alemão, por conta da informação vazada de que haveria operação policial nas comunidades daquele complexo”, registraram os agentes.

Mesmo após saber do vazamento, as forças de segurança mantiveram a operação, que começou por volta das 6h. A ação, batizada de “Operação Contenção”, reuniu cerca de 2.500 policiais e terminou como a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 121 mortos, segundo dados do governo do estado.

Inicialmente, o governo Cláudio Castro (PL) havia divulgado o número de 64 mortos. Moradores, no entanto, relataram desde cedo que dezenas de corpos foram retirados de áreas de mata e levados a uma praça no Complexo da Penha. As imagens circularam nas redes sociais, pressionando o governo a revisar os números.

A Secretaria de Segurança atualizou o balanço para 121 mortos, incluindo quatro policiais. O governo afirma que todos os mortos, exceto os agentes, eram suspeitos de envolvimento com o tráfico.

Diario do Centro do Mundo

Leia também:

Testemunhas denunciam execuções e torturas no Rio: “carnificina”

Coluna Zona Franca,,,,,,,,, Foi um massacre o que ocorreu na última terça-feira na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. 2500 policiais não foram cumprir nenhum mandado judicial. Foram cumprir várias sentenças de pena de morte. 2500 policiais não entraram na comunidade para conversar. Entraram para matar!

Coluna Zona Franca

 

Testemunhas denunciam execuções e torturas no Rio: “carnificina”

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Operação Contenção contabiliza 121 mortos

operação policial realizada nesta terça-feira (28) contra o tráfico de drogas nos complexos da Penha e do Alemão, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, foi marcada por execuções e torturas e classificadas como carnificina por moradores, parentes dos mortos e pela Associação de Moradores do Parque Proletário da Penha.

A reportagem da Agência Brasil esteve no local e entrevistou testemunhas que tentaram socorrer as vítimas nas primeiras horas ou ajudaram na remoção dos corpos. Segundo a contagem oficial do governo do estado, são ao menos 119 vítimas. É a operação mais letal da história da capital fluminense.

Para impedir a fuga dos suspeitos, a estratégia das polícias foi invadir as comunidades e montar “um muro” com agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), bloqueando a fuga pelo alto da mata que circunda as duas comunidades. No local, segundo os relatos, se deu o confronto mais violento, com sinais de tortura e execução de dezenas de corpos resgatados e dispostos na manhã de hoje em frente à associação comunitária, na Praça São Lucas, na localidade conhecida por Vila Cruzeiro.

” A gente ouviu os gritos e pedidos de socorro e subiu para ajudar. Eu moro perto. Entrei na mata 3h da manhã.”, contou um morador. O homem, de 25 anos, que preferiu não se identificar, contou que, naquele momento, a polícia ainda estava no local e tentou impedir a ajuda.

“Eles não paravam de dar tiro, tacar bomba de gás [lacrimogêneo] e, em muitos momentos, a gente teve que se proteger. Eles dando tiro, a gente se escondendo no meio dos corpos para prosseguir”, relatou.

A testemunha esteve, mais cedo, no Instituto Médico-Legal (IML) para tentar liberar o corpo de um primo, morto na operação. Na tentativa de socorro, o homem revelou que o cenário na mata era desolador.

“A gente encontrou muitos mortos sem camisa, fuzilados, com mãos e dedos decepados e também decapitados. Eu vi bem uma cabeça que estava entre os galhos de uma árvore e o corpo jogado no chão”, disse.

Ele mostrou à reportagem o vídeo da vítima encontrada nessas condições, identificada como Ravel. Fotógrafos que estiveram na área mais cedo também encontraram vítimas mortas com a cabeça cortada por faca.

Segundo a testemunha, os moradores que participaram do resgate acessaram ainda celulares encontrados no local ou receberam áudios das vítimas contando que tinham se rendido, antes da execução, contrariando a versão do governo do estado de que os mortos foram vitimados em confronto.

“Vocês viram os vídeos dos meninos saindo do bunker, ontem, se entregando? Eles não são um terço dos que se entregaram. Teve gente que pediu perdão, se ajoelhou, jogou os fuzis, mas foi morta”.

O presidente da associação comunitária de Parque Proletário, Erivelton Vidal Correa, em entrevista na sede da entidade, na Penha, confirmou o depoimento da testemunha ouvida pela Agência Brasil e disse que desde às 19h da noite de terça, as famílias tentavam subir a mata para ajudar as vítimas. Ele avaliou que, se o socorro tivesse chegado antes, possivelmente, o número de mortos poderia ter sido menor.

A entidade chegou a levar seis baleados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, ontem, mas eles chegaram mortos à unidade.

“Retiramos um total de 80 corpos da área conhecida como Mata da Pedreira, com o nosso sistema, nossa mão de obra. Pedimos aos moradores que trouxessem lençóis, toalha, canga, o que tivessem, para ajudar com as remoções”, contou Correa.

Tortura

O presidente da associação também confirmou os sinais de tortura e execuções: “Muitos corpos deformados, com perfurações no rosto, perfurações de faca, cortes de digitais, dois corpos decapitados, a maioria dos corpos não tinha face, essa era a condição”. Entre eles, o de dois irmãos manauaras. “Eles foram mortos abraçados com um tiro na cara cada um e tiveram as digitais cortadas”.

Segundo Correa, durante todo o período de 11 anos que esteve na associação da Penha, nunca tinha se deparado com cenário tão violento. “Foi uma arbitrariedade muito grande. A gente sabe que o Estado tem que trabalhar, mas trabalhar direito, o que aconteceu aqui foi um genocídio, uma carnificina”, disse.

“Eu não estou aqui para falar das escolhas de vida de cada um. Não estou aqui para falar nem mal, nem bem, da polícia ou do tráfico. Agora, todos os corpos que nós pegamos ali, antes, eles estavam vivos nas mãos deles [da polícia]. Eles podiam prender, mas não, mataram e largaram no mato”.

Essa é a mesma opinião de Paula*, uma moradora que acompanhou a chegada dos corpos à sede da associação. “Foi um esculacho desnecessário. Se eles [polícia] vieram para fazer busca e apreensão, tinham que ter feito, e não matar a facada, tirar a cabeça, além dos policiais, os que estavam aqui também têm família, mãe, pai, esposa, filhos. E foram encontrados neste estado”, disse.

Entre as vítimas, além de suspeitos de tráfico de drogas, Vidal Correa denuncia que há moradores.

“São pessoas daquela região, que a gente chama de ‘lá de trás’ e que criavam cavalos. Eles vão no mato buscar comida para os animais. Então, infelizmente, estavam no momento errado, na hora errada e sofreram perdendo a vida”, denunciou. “Esperamos que isso seja esclarecido”, completou. Hoje mesmo o IML começou o reconhecimento e liberou os primeiros corpos para enterro.

Perguntado sobre a razão de a polícia ter optado por deixar as vítimas mortas no local e até impedido o socorro, Vidal acredita que a opção foi para não gerar provas. “Se levassem para o hospital ou chamado a delegacia, ia comprovar o genocídio. Era mais conveniente largar para trás”, completou.

Agência Brasil também ouviu o dono de uma agência funerária que atua na comunidade há 22 anos. Fernando Argivaes coordenou um grupo de seis pessoas que ajudou no resgate e deu o mesmo relato: “O estado dos corpos é precário. Foi uma verdadeira chacina, uma carnificina”, disse. Eles encontraram pessoas mortas na mata, entre as pedras e chegaram a usar uma escada de eletricista. “Os corpos ficaram lá no meio do mato, na pedreira, gente que foi executada no local, pela maneira que foi, não foi auto de resistência (em confronto). Estavam escondidos e foram executados quando encontrados.

Foi Fernando que chegou ao corpo dos dois irmãos de Manaus mortos abraçados e fez a remoção. Ele informou que haverá o traslado dos mortos, assim que houver a liberação pelo IML. A maior parte dos corpos deve ser liberada somente amanhã (30), a partir da identificação pela Polícia Civil.

Mães de mortos também questionaram a operação e denunciaram execuções de rendidos. “Está ouvindo os tiros?”, pergunta Elizângela Silva à reportagem, enquanto exibe um vídeo de celular gravado de dentro da mata. “Eles estavam vivos quando a gente tentou subir a mata e a polícia jogou tiro contra nós”. Ela é vizinha da mãe de uma das vítimas. “O menino pediu ajuda de manhã: ‘mãe, me ajuda, pelo amor de Deus’, mas chegou de noite, eles pegaram e mataram todos que estavam lá”. Outras mães também denunciaram arbitrariedade contra jovens que já tinham se rendido.

Operação Contenção

A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, deixou 119 mortos, sendo 115 civis e quatro policiais, de acordo com o último balanço. O governo do estado considerou a operação “um sucesso” e afirmou que as pessoas mortas reagiram com violência à operação, e aqueles que se entregaram foram presos. No total, foram feitas 113 prisões.

A operação contou com um efetivo de 2,5 mil policiais e é a maior realizada no estado nos últimos 15 anos. Os confrontos e as ações de retaliação de criminosos geraram pânico em toda a cidade, com intenso tiroteio, fechando as principais vias, escolas, comércios e postos de saúde.

Na coletiva de imprensa, durante a tarde, na Cidade de Polícia, o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, disse que os policiais seguiram as normas vigentes e que os desvios serão apurados. “O que as famílias falam, reclamam, denunciam, claro que são objeto de declarações junto às delegacias e foram instalados inquéritos para apurar esses confrontos, mas deixando claro que em todos esses inquéritos os polícias são vítimas, autores são os criminosos”, declarou, negando as execuções.

* Nome fictício para preservar a identidade da vítima.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

Massacre na favela

Pode ser uma imagem de texto que diz "o QUE ACONTECEU NO COMPLEXO DO ALEMÃO E DA PENHA TEM NOME: CHACINA!"É disso que se trata. Foi um massacre o que ocorreu na última terça-feira na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. 2500 policiais não foram cumprir nenhum mandado judicial. Foram cumprir várias sentenças de pena de morte. 2500 policiais não entraram na comunidade para conversar. Entraram para matar! No Brasil só existe pena de morte para bandidos pés de chinelo. Cláudio Castro (PL), líder maior da necropolítica no Brasil, comandou a operação policial mais letal, cruel e desastrosa já realizada no Rio de Janeiro.

Massacre na favela 2

Moradores do Complexo do Alemão relataram momentos de terror e revolta após a ação, que deixou mais de 120 mortos, segundo estimativas. Entre as vozes que se destacaram está a de Tharsiellen Teixeira, moradora da comunidade, que expressou profunda indignação com a situação. Segundo ela, corpos foram encontrados pela própria população, sem que tivessem sido contabilizados oficialmente pelas forças de segurança.

Massacre na favela 3

De acordo com relatos de moradoras que falaram com a reportagem e aparecem em vídeos divulgados nas redes sociais, policiais não tentaram prender suspeitos que teriam se rendido, mas sim entraram na comunidade para “destruir famílias”, preferindo, segundo elas, “tirar as vidas” dos homens que encontravam pela frente. As mulheres também acusam os agentes de deixarem os mortos sem documentos, mochilas, roupas e telefones, o que, segundo elas, dificulta o reconhecimento e o contato com as famílias das vítimas.

Massacre na favela 4

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "yago yagoravel ravel Amigos NGP 868 FP"Este é Yago Ravel, 19. Foi encontrado morto decapitado. O corpo de um lado, cabeça pendurada numa árvore. Que crime hediondo teria cometido um jovem de apenas 19 anos para receber uma pena de morte medieval, tendo a cabeça decapitada? Este articulista considera o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tão cruel quanto o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Massacre na favela 5

“Arrancaram a cabeça do meu sobrinho e colocaram numa árvore. Deixaram o corpo do meu sobrinho em um lado e a cabeça em outro. Agora eu te pergunto: se isso é um policiamento treinado para uma operação?”, disse a cuidadora de idosos e manicure Beatriz Cristina Dias Nolasco, moradora do Complexo do Alemão, enquanto aguardava para fazer o reconhecimento do corpo do sobrinho. Para Yago Ravel ser morto desta maneira, só pode ter sido colocado de joelhos e um policial ter passado a faca no pescoço dele, como se costuma fazer no mundo árabe. Segundo a tia, Yago era mototaxista e tinha uma filha de 2 anos e, segundo ela, não morava no morro do Alemão. Ele havia ido até lá para visitar a avó e desapareceu após tentar retornar para a casa da mãe, no momento em que a operação começou.

Mais que no Massacre do Carandiru

O que parecia ser apenas mais um capítulo brutal da crescente violência do Rio de Janeiro se transformou em um momento histórico da brutalidade policial no Brasil. Quando o dia nasceu, mais corpos começaram a ser retirados das regiões de mata no entorno dos complexos do Alemão e da Penha, áreas da Zona Norte carioca controladas pelo Comando Vermelho. Ao final da manhã, dezenas de cadáveres aguardavam, enfileirados, para serem recolhidos ao Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. Quando a noite finalmente caiu sobre a Baía da Guanabara já se contavam 121 mortes, incluindo quatro agentes que participaram da mais violenta operação policial da história do Brasil. Até essa semana, policiais só haviam matado mais no Massacre do Carandiru, quando 111 homens foram mortos em uma operação policial no antigo presídio da região Norte de São Paulo, em 1992. Os números, no entanto, não são definitivos e não há ainda dados concretos que comprovem que as vítimas eram, de fato, criminosos, de acordo com a defensoria pública do Rio. A estimativa é de que o número de vítimas pode passar de 130 pessoas. (UOL)

Cláudio Castro comemorou

Pode ser uma imagem de texto que diz "Esses são os governadores que fizeram a carta contra a PEC da E! segurança pública 3)"Independentemente do choque causado pela matança na Zona Norte carioca e das denúncias de abusos policiais desta terça-feira, o governador do Rio, Cláudio Castro, comemorou o resultado obtido pela operação que deixou 119 pessoas mortas. “De vítimas lá só tivemos os policiais”, disse o governador, eleito na esteira da onda bolsonarista de 2018 que pregava uma ação mais violenta contra os criminosos das favelas cariocas. Castro deu a declaração em um encontro com governadores de direita por videoconferência. Entre eles estavam os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); e Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil). (Globo)

Ricardo Lewandowski

Ainda sem saber exatamente como reagir, o governo federal enviou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para se encontrar com Castro. Depois de uma reunião no Palácio Guanabara, Lewandowski e Castro anunciaram a criação de um Escritório Emergencial de Combate ao Crime Organizado no estado. O núcleo será coordenado pelo secretário de Segurança, Victor Santos, e terá atuação conjunta entre forças estaduais e federais. O encontro discutiu ações contra o Comando Vermelho, além do uso do termo “narcoterrorismo” pelo governo fluminense e da possibilidade de solicitar uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — algo que Castro disse não considerar necessário no momento. “O objetivo é tomar decisões rápidas, sem criar uma estrutura burocrática, até que a crise seja superada”, disse o ministro. Ele afirmou também que o escritório servirá como um embrião da PEC da Segurança Pública, que ainda será votada no Congresso. (g1)

Ricardo Lewandowski 2

Para conter o ódio do governador Cláudio Castro contra a população pobre e negra das favelas do Rio de Janeiro, o governo Lula está fazendo uma intervenção branca na segurança pública do estado. É necessário que se afaste peremptoriamente o governador Cláudio Castro de suas funções. Que haja intervenção geral no governo do Rio de Janeiro.

Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governador Cláudio Castro, apresente informações detalhadas sobre a operação policial desta terça-feira nos complexos do Alemão e da Penha. Moraes assumiu a relatoria do caso de forma interina, já que o processo, anteriormente conduzido por Luís Roberto Barroso, está temporariamente sem relator. A ordem foi expedida no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que trata da letalidade policial no Rio de Janeiro. Embora o STF já tenha reconhecido parte do plano estadual de redução de mortes em ações policiais, a Corte impôs uma série de medidas estruturais e permanentes ao governo fluminense para controle da violência policial. (Estadão)

Andrei Passos

Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, admitiu nesta quarta-feira que a PM do Rio consultou a corporação sobre a possibilidade dos federais participarem da operação, mas a avaliação foi que não caberia a entrada da PF. “A partir da análise do planejamento operacional, nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse”, afirmou. O presidente Lula ficou irritado com a declaração de Rodrigues, mas decidiu não se pronunciar sobre a operação policial no Rio para evitar acirrar a disputa política e porque, como informa Vera Magalhães, pesquisas internas apontam apoio popular à ação da polícia. (Globo)

CPI do Crime Organizado 

E a crise carioca também virou o assunto principal em Brasília. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não perdeu tempo e já anunciou que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado será instalada na semana que vem. A decisão ocorre um dia após a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos. “Determinei a instalação da CPI do Crime Organizado para a próxima terça-feira, em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE)”, afirmou Alcolumbre em nota oficial. Segundo ele, a comissão terá como objetivo investigar a estrutura, a expansão e o funcionamento de facções criminosas e milícias no país. “É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, completou. (g1)

    Não falha!

Pode ser uma imagem de texto que diz "Bolsonaro Armou os traficantes. o MILICIANO ARMOU TRAFICANTES POR 4 ANOS E DIZ QUE A CULPA DA VIOLÊNCIA NO RJ É DO LULA o ESTADO DO RJ É GOVERNADO POR BOLSONARISTAS HÁ MAIS DE 20 ANOS"Alguém “surpreso”? Informação da Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, no programa “O Assunto” com a Natura Nery. A maioria dos fuzis apreendidos com os bandidos são o 5.56 e o 7.62, que foram autorizadas para compra para os civis pela lei de armamento do desgoverno Bolsonaro, ou seja, armas desviadas por CACs para o crime organizado. A medida só fortaleceu o crime.

Pedido de prisão

Comissão de Direitos Humanos da Câmara envia à PGR pedido de prisão preventiva do governador do Rio, Cláudio Castro, em razão da operação que deixou mais de 130 mortos.

Governo Lula lança vídeo detonando chacina no Rio

Após anunciar, nesta quarta-feira (29), uma parceria com o governo do Rio de Janeiro para instalar um escritório emergencial de enfrentamento ao crime organizado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na noite de quarta-feira (29), um vídeo em que critica a operação policial comandada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que deixou mais de 120 mortos na última terça (28).

“Mais inteligência e menos sangue”

O vídeo, intitulado “Explicando a operação policial no Rio de Janeiro com… inteligência”, reconhece o medo da população diante do crime organizado, mas argumenta que matar criminosos não resolve o problema. Em tom pedagógico, o governo afirma que o crime “destrói famílias, oprime moradores e espalha drogas e violências nas cidades”, mas ressalta que “matar 120 pessoas não adianta nada. Mesmo se forem todos bandidos, amanhã tem outros 120 fazendo o trabalho”. Com tom irônico, o vídeo acrescenta que é preciso “mirar na cabeça, mas não de pessoas”, explicando que o combate eficaz deve atacar “o cérebro e o coração” das organizações criminosas. Como exemplo, menciona uma operação do Ministério Público e da Receita Federal, realizada em agosto, contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

“Combate ao crime, para funcionar, precisa de mais inteligência e menos sangue”, conclui o vídeo.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Educação e Sociedade: Sociologia Política da Educação

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O leitor terá a seguir apresentação do mais recente livro de Vinício Carrilho Martinez, professor titular da Universidade Federal de São Carlos. Acessível no link abaixo, na versão impressa e digital – ao preço de um dólar:

MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

APRESENTAÇÃO – Sociologia Política da Educação

Educação, política e emancipação social; a articulação entre esses três é o cerne deste livro. Trabalho intelectual de grande fôlego, esta obra constata que vivemos sob a constante ameaça de um Estado de Exceção normalizado, no qual a aparência de democracia oculta práticas excludentes e autoritárias. A despeito das potencialidades da Constituição Federal de 1988, o autor afirma que a democracia brasileira permanecerá incompleta e vulnerável enquanto não houver uma autoeducação das massas exploradas, que desdobre em uma revolução cultural.

Resultado de pesquisa de pós-doutorado do autor Vinício Carrilho Martinez, a reflexão apresentada nas páginas a seguir recupera a essencialidade da consciência crítica e coletiva prevista por Paulo Freire – uma autoeducação voltada à descompressão, concepção basilar desta obra. Como sinalizado no prólogo pelo supervisor da pesquisa, Prof. Marcos Del Roio (UNESP/Marília-SP), o livro transita entre a Filosofia da Educação e a Filosofia do Direito.

Martinez apresenta desde o início o problema que será o fio condutor do livro: a tensão entre autonomia e institucionalidade. Dentro de uma estrutura em que a institucionalidade é mantida pelo Estado com a limitação da liberdade, a autonomia é condição para a humanização. O que se propõe é um olhar dialético sobre esse paradoxo, argumento apresentado na Introdução da obra. É central, desde já, o papel da autoeducação política como instrumento de libertação: contra as estruturas externas e objetivas de opressão e contra o opressor interno que cada um carrega dentro de si. A descompressão é um movimento paralelamente social e subjetivo.

A Parte I – Da dinâmica e dos processos investigativos, traz o questionamento: “Se toda regra tem uma exceção, qual a regra da exceção?”. À luz dessa questão, Martinez afirma que no Brasil contemporâneo o Estado de Exceção tem se configurado como um modo recorrente de governar, a exemplo do golpe sofrido pela presidenta Dilma Roussef em 2016 e a tentativa de golpe de Estado de 08 de janeiro de 2023 – expressões da exceção mascarada, dissimulada de legalidade. O contraponto é uma educação para descompressão – antirracista, antifascista e constitucional. Inspirada na educação libertadora de Paulo Freire, uma educação orientada à justiça social, à igualdade e à equidade, um caminho para a negação da negação, que recuse a “normalização da exceção”.

Os capítulos seguintes da Parte I dialogam fortemente com Freire, tanto em Pedagogia do Oprimido quanto em Pedagogia da Autonomia. Assim, a educação como prática de liberdade, que promove a transição da ingenuidade à criticidade, se contrapõe à prática de dominação característica da educação bancária. A autoeducação política proposta por Martinez é um processo histórico e coletivo, asserção que se sustenta na máxima freireana de que “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Na mesma via, retoma-se o “medo à liberdade” para aprofundar a ideia de uma educação para além da exceção.

Na seção Da Institucionalidade o autor discute a questão da legitimidade: institucionalidade e normalização são distintos, a primeira pode ser tanto instrumento de dominação quanto de justiça, dependendo de quem a exerce e em nome de quais juízos. Não são nas elites nem nas burocracias de Estado que se encontrará essa legitimidade, nem nas novas formas de dominação capitalista (uberização, precarização das relações sociais) que reproduzem o Estado de Exceção (sob aparência de normalidade democrática). Aqui a potência do livro de Vinício Carrilho Martinez: a reflexão teórica até então apresentada conduz à constatação de que é nas classes subalternas, nos sujeitos oprimidos que lutam pela própria descompressão, que se encontrará a legitimidade.

A Parte II – A insubmissão: o desejo incontrolável pela liberdade traz outro tronco de autores para debater as possibilidades de resistência e emancipação. Inspirado na hegemonia proposta por Gramsci, Martinez defende que a luta pela descompressão passa, acima de tudo, por uma organização política e revolução cultural que corporifique o povo – negro, pobre, oprimido – em torno de um projeto político. O eixo nesta parte do livro é a constituição de uma nova subjetividade política; é a síntese do sentido político da obra como um todo: só com auto-organização, consciência crítica e práxis que se alcançará a emancipação. Nesse processo, a educação é o próprio campo de batalha da transformação social (simbólico e material).

O que o leitor tem diante de si é uma escrita densa, as vezes ensaística, mas sempre firmemente compromissada ética e politicamente com os grupos subalternos. O conceito de autoeducação política para a descompressão proposto por Vinício Carrilho Martinez carrega sua originalidade na integração entre as dimensões estruturais, institucionais e subjetivas da opressão. Ainda, a crítica à “normalização da exceção” possibilita uma análise incisiva da democracia contemporânea.

Em Sociologia Política da Educação desvela-se a permanência do Estado de Exceção como regra. O diagnóstico central do autor ilumina, dentre tantos outros casos, a chacina no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que ocorreu em outubro de 2025. O massacre foi justificado como “combate ao crime”, o extermínio entendido como rotina administrativa e a violência do Estado contra corpos negros e pobres naturalizada. É a legitimação da morte sob a forma da lei, a normalização da exceção, que Martinez denuncia e propõe enfrentar a partir da educação política e da consciência crítica. Portanto, esta obra não é apenas um tratado teórico, mas um apelo ético à resistência e à reconstrução da democracia a partir das margens.

Boa leitura.

Tainá Reis.

Doutora em Sociologia.

Docente da Universidade do Estado da Bahia

CPI do Crime Organizado será instalada na terça-feira, informa Davi

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que a CPI do Crime Organizado será instalada na terça-feira (4). Segundo Davi, a decisão foi tomada em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), proponente da comissão.

Por meio de suas redes sociais, Davi lembrou que a CPI vai apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções. Na visão do presidente, “é hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”.

A decisão de Davi vem no encalço de uma operação das Polícias Militar e Civil nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, nessa terça-feira (28), como forma de enfrentamento de grupos do crime organizado. O governo do estado informou mais de 100 prisões e 119 mortos na operação.

PEC da Segurança

O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou o governo federal, que, segundo ele, não teria atendido a pedidos do governo do Rio de Janeiro para a operação. Na visão do senador, não é a PEC da Segurança (PEC 18/2025) que vai resolver o problema, pois a proposta daria uma espécie de domínio para o governo federal. A proposta foi entregue ao Congresso Nacional em abril e aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Rogério Marinho disse que o presidente Lula tem “uma visão bizarra” sobre segurança pública que “tem muito mais a ver com a proteção aos criminosos” e com “o desprezo pelos direitos da sociedade brasileira”.

— O que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma ponta de iceberg. Nós lamentamos a letalidade, que morram tantas pessoas. Mas você imaginar que vai imaginar que vai chegar em territórios faccionados para prender líderes, não vai acontecer — registrou Marinho.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou o que chamou de falta de política de Estado. Ele disse achar difícil que a PEC da Segurança Pública seja aprovada da forma como foi enviada pelo governo, pois o que “o governo quer é criar uma polícia deles”.

— A gente precisa tomar muito cuidado. O tráfico está tomando conta por falta de política pública — declarou.

Terror

Por outro lado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirmou que a operação policial no Rio de Janeiro, que ela classificou como a mais letal da história, mostra a necessidade de aprovação urgente da PEC da Segurança. Pelo X (antigo Twitter), a senadora registrou que “trabalhadoras e trabalhadores moram nas favelas e vivem aterrorizados com o crime organizado e a atuação das milícias”.  Na opinião da senadora, “garantir a vida e a segurança deve ser interesse de todos. A morte e o terror jamais devem ser banalizados”.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também foi a X para dizer que a população do Rio não pode ser refém de um terror que se disfarça de “combate ao crime”. De acordo com o senador, “enquanto a segurança colapsa, o governo estadual se esconde em discursos políticos, falhando mais uma vez com quem mais precisa de proteção”.

Fonte: Agência Senado

Inteligência degenerativa

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Por Vinício Carrilho Martinez

Em algum momento da história, mais ou menos recente, surgiu uma espécie de teoria – um teorema, sem uma exata verificação dos fatos – ou ideologia, mas não era empregada no sentido antagônico à verdade, um apanhado de ideias viscerais (militância incontrolada pela razão), e, sim, correspondia a uma visão de mundo, uma cosmovisão e, por isso, mantinha uma boa dose de idealismo (não se refere aqui à ingenuidade): um conjunto de ideias positivas, mas com uma base significativa de ideal inalcançado. Esse ideário dizia algo como: “a tecnologia deve estar a serviço da Humanidade”. Era (ou é) mais uma expectativa do que uma fantasia. Pois bem, esse é o grande problema, porque nem a tecnologia está postada, destinada, a produzir o bem à humanidade, como, menos ainda, está a ciência que a chancela.

A primeira parte dessa questão deveria ser tomada a partir da distinção entre técnica e tecnologia: a imensa maioria das análises acerca dos impactos sociais provocados pela tecnologia confunde, (propositalmente?), as duas construções humanas. O distanciamento basilar está na essência histórica, ontológica, que cada uma dessas composições congrega:

  • A técnica sempre foi aliada da Humanidade, aliás, sem a invenção da técnica (ou descoberta – como no caso do manejo do fogo) não estaríamos aqui agora falando sobre isso. A Humanidade como a conhecemos, o Homo sapiens sapiens (o humano que sabe ser capaz de pensar a si, ao contexto e aos seus próprios pensamentos) é produto milenar da junção (sem hierarquia) entre técnica, arte e política[1]. Entendendo-se a política como o “fazer-se política”, pois se faz política e é feito/a por ela, concomitantemente[2]. A técnica, neste contexto inaugural (já não era primal, em relação à Humanidade), estava presente tanto na produção de artifícios quanto de artefatos. A invenção ou o aprimoramento, diversificação do manejo e uso martelo é um caso emblemático, pois sua empunhadura implica em fazer uso de ferramenta de trabalho e produção, assim como pode ser uma arma perigosa, ou, ainda, um objeto esportivo (lembremos do arremesso de martelo nas Olímpiadas e que, de fato, reproduzem antigos gestos de arremesso de pesos na arte da guerra[3]). Agora, se o jogarmos nas Fossas Marianas, por mais estiloso e funcional que possa ser, o martelo perderá todo o seu significado. De qualquer modo, para o bem ou para o mal (guerra), esse artefato (e a produção técnica envolvida) sempre esteve sob a condução humana. Não se tratava apenas de consciência sobre o uso, mas, sobretudo, de conhecimento técnico (algo semelhante aos domínios dos antigos artesãos, para exemplificar). Esse pode ser o recorte que traz clara distinção acerca do próprio conceito de tecnologia.
  • Na técnica, o controle do processo é humano, na tecnologia, gradativamente, acentuadamente, o controle humano vai se esvaindo. O que antes implicava na autonomia e na possibilidade de emancipação dos produtores, trabalhadores, artesãos, mestres de oficina, passa a ser alienado (retirado do controle humano) por meio a imposição das sucessivas formas de substituição da técnica por algum nível de automação, replicação, reprodução. Isso desde o mais incipiente substituto do domínio sobre o conhecimento técnico, até as fases atuais e agudas de total alienação humana do processo produtivo: o Homo faber[4] é o tipo conclusivo dessa imagem de perda do controle da produção do conhecimento técnico que projetamos. Uma forma de ilustração disso estaria na comparação entre a prensa de Gutemberg e o chat GPT. É óbvio que ninguém se imagina produzindo e imprimindo seus registros numa prensa do século XV; porém, o que se esquecem de nos dizer é que, Gutemberg tinha pleno domínio sobre seu conhecimento técnico (e assim fazia política), ao passo que a Inteligência Artificial “pensa por nós”: sabemos que não se dá desse modo, mas a título de comparação é ilustrativo[5].

 

Desse modo, a maior diferença entre técnica e tecnologia está na arquitetura da autonomia e da possível emancipação humana (sob a técnica) e, inversamente, na afirmação hegemônica da alienação e perda de controle humano (com a hegemonia tecnológica). E com isso temos a primeira conclusão antecipada: ao contrário do que queria crer o ideário que listamos no início, a tecnologia jamais teve o propósito da satisfação humana. A tecnologia é um produto do capitalismo, assim como se deu com as Caravelas do Colonialismo. É certo que o aprimoramento da bússola se deu nesta fase inicial do sistema capitalista, no entanto, quando a bússola passou a ser empregada com a finalidade de expandir o capital, ela, a bússola, deixou de ser uma mera bússola (artefato técnico), à medida em que transformava em instrumento capitalista: extrator da condição humana – muito amplificado, como sabemos, pelo escravismo que se seguiu à Expansão Ultramarina.

As atualidades tecnológicas, mormente motivadas pelo fascínio com a Inteligência Artificial – apelidada falsamente (ideologia farsesca) de “inteligência generativa”, de algo capaz de gerar alguma coisa[6] – é, na expressão mais correta, uma tecnologia degenerativa. Nós simplesmente abdicamos de sermos humanos, transferindo-lhe tarefas que são inerentes à condição humana[7] – quer dizer, é condição sine qua non ao fazer-se humano. Disso resulta a abdicação mais plena do “fazer-se política”. Como é que se pode aventar cidadania, capacidade cognitiva aplicada à política (emancipação), autonomia (capacidade de decisão) se transferimos o “fazer-se política” para uma inteligência degenerativa das essenciais condicionantes humanas[8]?

É precisamente o caso da Albânia[9], ao entronizar pela primeira vez na história da degradação humana uma Primeira Ministra de IA. Então, é chegada a hora em que a IA já recebeu o passaporte da produção artística, do manejo econômico[10], do controle sobre o conhecimento técnico (máquinas projetam máquinas) e, por fim, agora lhe transferimos a capacidade decisional. Isto quer dizer que abdicamos, espontaneamente, do exercício do poder, pois, em síntese, o poder equivale à capacidade de decidir – e nisto se avoluma a ideia da emancipação: quem decide o que, quando, porque, para quem (contra quem), de que como?

Se é outrem quem tem essas normativas – incluindo-se a soberania legislativa: quem define o que é exceção e o que é regra –, por óbvio, jogamos à crítica roedora dos ratos qualquer lapso de emancipação. Nosso esforço pela desumanização nunca foi tão volumoso e assertivo: estamos conseguindo!

[1] LÉVI-STRAUSS, C.  O Pensamento Selvagem. Campinas, SP: Papirus, 1989.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação e Sociedade*: Sociologia Política da Educação. São Carlos: Amazon, 2025. Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0FXSXHN7R.

[3] LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.

[4] Não parece ser à toa, mera casualidade, que Gramsci associou a emancipação, a libertação e afirmação humana à simetria entre o pensamento e a ação, o saber e o fazer, como ligação substantiva que é a primazia do “saber-fazer”. O intelectual orgânico é o humano emancipado, plenamente constituído em sua humanidade, livre dos parcelamentos e das asfixias controlativas do sistema produtivo, pois, o grifo vai para a junção entre o Homo fazer e o Homo sapiens: “Não há atividade humana da qual se possa excluir toda intervenção intelectual, não se pode separar o homo faber do homo sapiens. Em suma, todo homem, fora de sua profissão, desenvolve uma atividade intelectual qualquer, ou seja, é um “filósofo”, um artista, um homem de gosto, participa de uma concepção de mundo, possui uma linha consciente de conduta moral, contribui assim para manter ou para modificar uma concepção do mundo, isto é, para suscitar novas maneiras de pensar” (GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. V. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 52-3).

[5] No ritmo atual do Capitalismo digital e do ponto de vista conceitual, metodológico, faz tempo que somos capazes de produzir decupagens impressionantes, todavia, foi na mesma velocidade que perdemos a habilidade da serendipidade e da bricolagem.

[6] Por enquanto a IA não gera nada, ela apenas se apropria do nosso esforço, trabalho e engenho postados na Internet. Promove o pior tipo de apropriação possível (como apropriação indébita), do que não lhe pertence, fazendo uma síntese, buscando nosso extrato humano, e colocando à venda (para nós) o que nós fizemos e lhe transmitimos gratuitamente.

[7] “Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação […] A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especialmente a condição – não apenas a conditio sine qua non, mas a conditio per quam – de toda vida política. Assim, o idioma dos romanos – talvez o povo mais político que conhecemos – empregava como sinônimas as expressões <viver> e <estar entre os homens> (inter homines esse), ou <morrer> e <deixar de estar entre os homens> (inter homines esse desinere)” (ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991, p. 15).

[8] “Portanto, o que constitui propriamente o cidadão, sua qualidade verdadeiramente característica, é o direito de voto nas Assembleias e de participação no exercício do poder público em sua pátria” (ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 36).

[9] https://canaltech.com.br/inteligencia-artificial/diella-1a-ministra-de-ia-do-mundo-esta-gravida-de-83-filhos-anuncia-albania/. Acesso em 29/10/2025.

[10] https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2706j8lzlo. Essa demanda do Bot milionário faz relembrar um dos robôs de Asimov, n’O homem bicentenário, quando se põe numa súplica exasperante por se humanizar: “Podia ser livre, mas no fundo tinha um programa muito minucioso em relação ao seu comportamento com as pessoas humanas e só ousava avançar com passos bem tímidos; retrocedia meses quando encontrava franca desaprovação. Nem todos aceitavam a liberdade de Andrew. Era incapaz de ficar ressentido com isso e no entanto sentia certa dificuldade no seu processo de raciocínio quando pensava no assunto” (ASIMOV, Isaac. O homem bicentenário. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 31). Ao contrário de nós, que fazemos tudo ao nosso alcance para nos desumanizarmos: “Nos tempos modernos, metaforicamente, a IA corresponde mais a Hall, Exterminador do Futuro, Blade Runner, do que aos Tempos Modernos: Chaplin é o perfeito desenho do início do século XX, da industrialização incipiente advinda da 2ª Revolução Industrial e que, obviamente, não poderia espelhar a automação que se faria nos 50 anos seguintes” (MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital; Educação após Auschwiz, e depois de Gaza; Educação em Direitos Humanos; Educação Constitucional. 499 p. 2025. Tese [Título de Professor Titular] – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025, p. 250).

Sobe para 134 o número de mortos em chacina policial no Rio

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Os próprios moradores retiraram ao menos 50 corpos de uma região de mata

O número de mortos na operação policial no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, subiu para 134 após moradores encontrarem dezenas de corpos em uma área de mata na manhã desta quarta-feira (29). A ação, considerada a mais letal da história do estado, foi realizada um dia antes e deixou a comunidade em estado de choque.

De acordo com a advogada Flávia Fróes, que acompanhou a remoção dos corpos deixados pela chacina do governo Cláudio Castro (PL), muitos apresentavam sinais de execução. “Alguns deles têm marcas de tiros na nuca, facadas nas costas e ferimentos nas pernas”, relatou à Folha.

A defensora classificou a ação policial como “o maior massacre da história do Rio de Janeiro” e defendeu a intervenção de peritos internacionais. “A situação exige a presença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou.

O cenário descrito pelos moradores é de horror. Um dos corpos estava sem cabeça, cuja parte foi trazida em uma sacola. Um homem que ajudava na remoção gritou: “é um de cabelo vermelho”, enquanto segurava o corpo que ainda tinha as mãos fechadas, agarradas à grama.

 

Crianças participaram da retirada das vítimas, incluindo um menino de cerca de nove anos. Uma mulher gritava em desespero: “polícia assassina, cadê meu filho?”.

“Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, declarou em entrevista ao G1 o ativista Raull Santiago, que ajudou no resgate.

Segundo ele, os corpos levados à praça não estão na contagem oficial dos 64 mortos divulgada pelo governo estadual. Caso sejam confirmadas as novas mortes, o total de vítimas pode ultrapassar 100.

O governo do Rio havia informado que 60 criminosos e quatro policiais morreram durante a operação, mas o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, reconheceu que os corpos encontrados na Praça São Lucas não constam da lista oficial. “Haverá uma perícia para confirmar se há relação entre essas mortes e a operação”, disse.

O traslado dos corpos, segundo os moradores, teve o objetivo de facilitar o reconhecimento por familiares. Ao amanhecer, mulheres choravam e se abraçavam diante dos cadáveres enfileirados.

 

“Meu filho”, gritava uma delas ao reconhecer o corpo. Em meio a fotógrafos e cinegrafistas, as imagens revelaram um cenário descrito por testemunhas como “uma cena que entra para a história de terror do Brasil”.

A Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento das vítimas será feito no prédio do Detran, ao lado do Instituto Médico-Legal (IML), a partir das 8h. Durante esse período, o acesso ao IML será restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, responsáveis pelos exames periciais. As necropsias de casos sem relação com a operação serão realizadas no IML de Niterói.

Mais cedo, moradores também levaram seis corpos em uma Kombi até o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. O veículo chegou em alta velocidade, deixou os corpos na entrada e saiu rapidamente do local.

De acordo com informações publicadas pela Agenda do Poder, os próprios moradores retiraram ao menos 50 corpos da mata, localizada na Serra da Misericórdia, epicentro dos confrontos. Fontes ouvidas pela publicação afirmam que o número de mortos pode ultrapassar 100, enquanto os dados oficiais do governo estadual ainda registram 64 óbitos confirmados. Os corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada João Lucas, uma das principais vias da região.

Segundo testemunhas, ainda há vítimas na localidade conhecida como Vacaria, outro ponto de intensos tiroteios durante a operação. O ativista Raull Santiago, que ajudou nas buscas e na retirada dos corpos, relatou nas redes sociais a dimensão da tragédia. “Mais lonas foram esticadas para dar conta dos corpos que estão sendo encontrados”, escreveu, ao publicar uma imagem mostrando a cena desoladora na comunidade.

Quatro policiais estão entre as vítimas fatais, e outros nove ficaram feridos. As autoridades afirmam que a operação tinha como alvo o cumprimento de cem mandados de prisão contra integrantes do crime organizado, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho nas ruas. O Disque Denúncia anunciou uma recompensa de R$ 100 mil por informações sobre o paradeiro do criminoso — o maior valor oferecido desde o caso de Fernandinho Beira-Mar, preso em 2001.

A repercussão do episódio gerou forte reação política e institucional. A Defensoria Pública denunciou supostas violações de direitos humanos e abusos cometidos durante a operação. O governo federal decidiu enviar uma comitiva ao Rio para discutir medidas de segurança pública, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocar uma reunião de emergência com a cúpula ministerial. Já a Câmara dos Deputados antecipou a votação da PEC da Segurança, diante da escalada da violência.

O governador Cláudio Castro solicitou o envio de dez líderes de facções presos para penitenciárias de segurança máxima, pedido que foi atendido pelo governo federal.

No cenário internacional, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com a operação. “Estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro”, afirmou a entidade em comunicado publicado nas redes sociais. A Human Rights Watch também condenou a ação, defendendo uma mudança estrutural na política de segurança do estado. “O Rio precisa de uma nova política de segurança pública, que pare de estimular confrontos que vitimizam moradores e policiais”, declarou a organização.

Do Brasil 247 e  DCM

Coluna Zona Franca

PEC da Segurança

Dos mesmos diretores de “Obrigado Trump, pela reeleição de Lula”, vem aí, “Obrigado Cláudio Castro, pela aprovação relâmpago da PEC da Segurança”. É o que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (União Brasil-UPr), disse após o evento catastrófico no Rio de Janeiro. Assim que chegar às mãos dele, a PEC da Segurança será pautada imediatamente.

PEC da Segurança 2

Governadores da direita, inclusive o governador do Rio de Janeiro, são contra essa PEC por, segundo eles, interferirem nas atribuições do governo estadual. Hipócritas. No primeiro momento de aflição, o primeiro ente que eles chamam é o governo federal. Não há como excluir o governo federal das ações contra o crime organizado.

Rio de mortes

Até para o Rio de Janeiro, tão acostumado com a violência cotidiana que volta e meia faz lembrar uma guerra, a operação policial desta terça-feira contra o Comando Vermelho foi um choque. Nunca na história a entrada da polícia nas favelas deixou tantos mortos e nunca a reação do crime organizado atingiu tantos pontos da cidade ao mesmo tempo. Ao todo, 64 pessoas foram mortas, outras 80 estão presas. Pelo menos quatro policiais perderam a vida nos confrontos. Diversas pessoas foram baleadas em meio aos confrontos, sendo 15 policiais e ao menos três moradores. A ação, resultado de um ano de investigações de acordo com as forças de segurança do Rio, mobilizou 2.500 agentes, além do Ministério Público, que, oficialmente, cumpriam mandados de busca e apreensão, visando desarticular lideranças do Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão. Em resposta, os criminosos utilizaram drones para atacar a megaoperação. Mais de cem linhas de ônibus tiveram itinerários alterados, vias expressas foram interditadas e aulas foram canceladas por conta da violência. (UOL)

Rio de mortes 2

A Operação Contenção apreendeu 96 fuzis, segundo balanço parcial das autoridades, chegando à marca de 686 em 2025, um novo recorde anual no estado. Na semana passada, o Instituto de Segurança Pública (ISP) já havia registrado a marca de 593 fuzis apreendidos entre janeiro e setembro deste ano, o maior número da série histórica do ISP, iniciada em 2007. (g1) Charge do Orlando

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Cálculos do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), apontam que a megaoperação na Zona Norte do Rio foi a mais letal do estado até hoje, superando uma operação no Jacarezinho, em maio de 2021, que causou 28 óbitos. Aliás, os morros da Penha e do Alemão são os mais afetados por ações mortais da polícia. Em 2022, duas operações mataram 23 pessoas na Penha, em maio, e outras 17 no Alemão em julho, além de outras 19 em junho de 2007. (CNN Brasil)

Rio de mortes 4

A ação policial se assemelha a uma guerra civil até na tática. Além de drones e ambulâncias do grupamento de Salvamento e Resgate, os agentes contavam com 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição. Já os traficantes usaram drones para lançar granadas contra equipes das forças especiais da Core e do Bope, além de armamento pesado, como fuzis. Veja em gráficos como foi a megaoperação desta terça-feira. (Globo)

Cláudio Castro mentiu

Pode ser uma imagem de texto que diz "METRÓPOLES "Não preciso que ninguém entre com polícia nova no Rio", diz governador "Eu não preciso que ninguém entre com polícia nova no Rio. A minha polícia está estruturada. Eu preciso que os outros entes façam a sua parte para que 0 meu trabalho dê resultado", declarou Castro em entrevista ao Metrópoles, nesta quarta feira (12/3). MENTIROSO!!! NÃO QuIS AJUDA DO MINISTERIO DA JUSTIÇA m00"Enquanto os corpos ainda estavam sendo recolhidos das ruas e vielas das favelas da Zona Norte, uma outra guerra se desenrolava entre o Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio, e o Palácio do Planalto. Diante do caos causado pela operação policial, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), tentou repassar a responsabilidade para o governo federal. De acordo com Castro, Brasília não quis apoiar a operação ao se negar a enviar blindados para apoiar a invasão das áreas comandadas pelo CV. Desmentido tanto pelo Ministério da Defesa quanto pelo Ministério da Justiça, o governador alegou ter sido mal interpretado. Em telefonema para a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, Castro disse que não disse o que disse na coletiva de imprensa. “Gleisi, quem está falando isso não ouviu minha fala”, disse ele à ministra. (Globo)

Cláudio Castro mentiu 2

Pode ser uma imagem de texto que diz "o RIO DE JANEIRO TEM: 1 governador do PL 3 senadores do PL 10 Dep. Federais do PL 18 Dep. Estaduais do PL Mas eles querem que você acredite que a Culpa é do P"O disse-me-disse do governador carioca, amplamente divulgado nas redes sociais da extrema direita, não parece ter convencido Brasília. Coube ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, as críticas mais intensas a Cláudio Castro. De acordo com o ministro, Castro deve tomar uma posição concreta sobre suas responsabilidades. “Se ele sentir que não tem condições, ele tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal”, afirmou o ministro. Em ambos os casos, o Rio passaria por uma intervenção federal, como ocorreu sob o governo Michel Temer, quando o general Braga Netto assumiu a segurança do Rio em 2018. (Folha)

Cláudio Castro mentiu 3

Depois dos bate-bocas virtuais o governo federal decidiu agir de forma institucional enviando uma comitiva até o Rio para discutir a questão da segurança. A decisão foi tomada após uma reunião de aproximadamente duas horas no Palácio do Planalto, convocada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin. A delegação deve incluir Lewandowski; o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa; e o diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad. O Palácio do Planalto pretende estabelecer linhas de atuação conjunta e formular uma resposta política e operacional para a atual crise na segurança fluminense. Integrantes do governo avaliam ainda que o cenário pode fortalecer o debate da PEC da Segurança no Congresso. (CNN Brasil)

                                    Culpa do eleitor

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "Esse é o governador do RJ Cláudio Castro (PL) junto com TH Joias, preso por fornecer as armas do Comando Vermelho. A Operação Desastrosa de hoje, que que causou dezenas de mortes e deixou O povo sitiado, é um teatro macabro de um governador aliado de traficante, desesperado pela baixa popularidade. ጠ O' BAHaИ a tubek adidas"Boa parte da culpa pela criminalidade no Rio de Janeiro é do eleitor que vota em representantes do crime organizado. A Assembleia Legislativa e a Câmara dos Vereadores do Rio estão cheias de políticos bandidos eleitos pelo povo pobre favelado. Os bandidos não deixam candidatos de bem fazer campanhas nas comunidades. Exemplo disso é a prisão recente de um deputado estadual do PL que foi preso. Amiguinho de Cláudio Castro.

                                   Cadáveres na rua

Comunidade amanhece no Rio com corpos mortos em fileira após o assasinato de 64 pessoas pelas forças policiais do RJ - 29/10/2025O Rio de Janeiro amanheceu nesta quarta-feira (29), após a megaoperação policial que massacrou ao menos 100 pessoas em comunidades pobres, com fileiras intermináveis de corpos de pessoas assassinadas pelas forças policiais do estado, nas ruas. O ato é um aparente protesto contra a brutalidade policial e a violência de Estado, de acordo com a mídia. Segundo a CNN Brasil, moradores se reuniram em torno de uma fila de corpos estendidos em uma lona na Praça da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O jornal O Globo informou nesta quarta-feira que a população do Rio levou os corpos de 40 cidadãos assassinados pelo governador Cláudio Castro (PL) para a praça pública.  Testemunhas afirmam ao portal Metrópoles que alguns corpos apresentam marcas de tiros, perfurações por faca nas costas e ferimentos nas pernas. Do Brasil247.

Popularidade na lona

“Com a popularidade na lona e o futuro político incerto, Cláudio Castro renovou a aposta no bangue-bangue. Na legenda do vídeo que festejou a matança, ele emulou Donald Trump ao falar em ‘narcoterrorismo’ e prometeu continuar ‘enfrentando de frente (sic) os vagabundos’”. (Bernardo Mello Franco-Globo)

Chuva de verão

“A violência no Rio parece uma chuva de verão. Quando engrossa, as pessoas evitam sair de casa para não ficarem presas num alagamento, mas depois a vida volta ao normal. Pouca gente faz de conta que se importa com a parte esquecida pela sociedade, aquela que mais sofre com o abandono e a insegurança. Todos à espera de que a chuva passe, os corpos sejam recolhidos e o sangue seque”. (Mariliz Pereira Jorge-Folha)

Frase desastrosa

Lula vive um dos melhores momentos de imagem do seu governo — e justamente com quem menos se esperava: Donald Trump. Mas uma frase desastrosa sobre traficantes serem vítimas de usuários de drogas revela a urgência de Lula se atualizar no assunto segurança pública. E a megaoperação do Rio reforça como esse tema vai ser, de longe, o mais importante da disputa eleitoral. A análise de Flávia Tavares no Cá entre Nós. (YouTube)

 

Derrota de Donald Trump

Por 52 votos a 48, o Senado dos EUA derrubou a emergência econômica nacional determinada pelo presidente Donald Trump para impor uma tarifa de 40% sobre centenas de produtos brasileiros. Somando os 10% das chamadas “tarifas recíprocas” anunciadas em abril, a sobretaxa total do Brasil chega a 50% atualmente. A decisão dos parlamentares não significa, porém, uma mudança nessas tarifas: para ter esse efeito, a resolução precisaria ser votada pela Câmara, o que não deverá acontecer. No entendimento da maioria dos senadores, o presidente Trump extrapolou seus poderes constitucionais ao sobretaxar o Brasil. (UOL)

Emendas de comissão

Com o ano eleitoral à porta e precisando aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, o governo cedeu à pressão do Congresso e destravou a liberação das emendas de comissão. De acordo com o Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), o valor pago passou de R$ 391 milhões na sexta-feira para R$ 1,013 bilhão nesta segunda-feira — um salto de 159%. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia cobrado pessoalmente do presidente Lula o estabelecimento de um calendário de liberação dessas emendas, diante das reclamações de parlamentares. (Globo)

Estados Unidos contra tráfico de drogas

Os Estados Unidos intensificaram sua campanha militar contra embarcações acusadas de tráfico de drogas no litoral da América Central e do Sul, com novos ataques nesta que deixaram 14 mortos, informou o secretário de Defesa, Pete Hegseth. As ações, realizadas na segunda-feira em águas internacionais, elevaram para 57 o número de mortos desde setembro, quando a operação foi iniciada. Segundo autoridades militares americanas, três ataques atingiram quatro barcos no Pacífico Oriental, em rotas conhecidas do narcotráfico. O governo Trump tem deslocado progressivamente o foco das operações do Caribe — próximo à Venezuela — para o Pacífico, perto da Colômbia. O Pentágono também confirmou que bombardeiros estratégicos B-1 e B-52 voaram recentemente em espaço aéreo internacional próximo ao território venezuelano, em demonstrações de força contra o governo de Nicolás Maduro. (New York Times)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Lewandowski: ou Castro assume sua responsabilidade ou pede GLO

Ministro da Justiça cobra ação do governador do Rio e diz que o Estado “será engolido pelo crime” se nada for feito

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (28) que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, precisa “assumir as suas responsabilidades” diante da crise de segurança pública que se agrava no estado. Caso contrário, deve admitir que perdeu o controle e solicitar formalmente uma intervenção federal, um estado de sítio ou a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

De acordo com reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Lewandowski declarou que, se o governador não conseguir enfrentar o avanço do crime organizado, “tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal”. O ministro advertiu: “Ou ele faz isso, se não conseguir enfrentar, ou vai ser engolido pelo crime.”

Lewandowski destacou que medidas como a intervenção ou a GLO são “excepcionais e gravíssimas”, pois “substituem a legalidade ordinária pela legalidade extraordinária”. Ainda assim, reforçou que o ideal seria que o próprio governo estadual conseguisse restabelecer a ordem. Segundo ele, o que ocorre atualmente no Rio é “uma loucura”. “Guerra civil e força bruta não acabam com o crime organizado. O combate ao crime se faz com inteligência, planejamento e integração”, afirmou.

Como exemplo de ação eficaz, o ministro citou a Operação Carbono Oculto, conduzida em São Paulo, que contou com a cooperação entre a Polícia Federal, a Polícia Militar paulista, o Ministério Público Federal e a Receita Federal. “Ninguém morreu e a organização criminosa foi debelada”, disse. “É assim que se combate o crime organizado.”

Em resposta às críticas de Cláudio Castro, que tentou responsabilizar o governo federal pela escalada da violência, Lewandowski rebateu afirmando que o governador “nunca fez qualquer pedido formal” de apoio com tropas federais, blindados ou agentes de segurança. “Ele tenta jogar a culpa nos outros, mas nunca formalizou esse tipo de solicitação”, afirmou o ministro.

O Ministério da Justiça informou, em nota, que o ministro se reuniu com Castro em fevereiro, quando ofereceu dez vagas em presídios federais para o envio de lideranças criminosas do Rio. O comunicado também destacou que todos os pedidos oficiais feitos pelo governo fluminense foram atendidos.

Os dados apresentados pela pasta indicam que, em 2025, foram realizadas 178 operações da Polícia Federal no estado, sendo 24 voltadas ao tráfico de drogas e armas. Essas ações resultaram em 210 prisões e na apreensão de dez toneladas de entorpecentes e 190 armas de fogo, incluindo 17 fuzis. O Rio de Janeiro também recebeu R$ 288 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública desde 2019, dos quais R$ 157 milhões já foram executados.

Lewandowski lembrou ainda que Castro se opôs à PEC da Segurança, proposta que visa integrar de forma mais ampla as forças federais e estaduais. Para o ministro, essa resistência demonstra a falta de disposição do governo fluminense em fortalecer o enfrentamento conjunto ao crime organizado.

Do Brasil 247 e

Megaoperação com mais de 60 mortos no RJ revela insistência em modelo ineficiente de segurança; ação vitimiza população e policiais sem desarticular de forma sustentável as organizações

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A operação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, já é considerada a mais letal da história do estado, com 64 mortos, incluindo quatro agentes de segurança. A ação, batizada de Operação Contenção, envolveu cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de cumprir mais de cem mandados de prisão contra traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV).

Segundo o governo, durante os confrontos, suspeitos teriam reagido com tiros, barricadas em chamas e o uso de drones para lançar explosivos. Colunas de fumaça foram vistas de diversos pontos da cidade em imagens divulgadas na internet. O número de mortos supera as vítimas das operações anteriores mais sangrentas do Rio: a do Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 mortos, e a da Vila Cruzeiro, em maio de 2022, que resultou em 24 óbitos.

De acordo com o balanço parcial, até o momento 64 suspeitos foram mortos, incluindo três de outros estados (Bahia e Espírito Santo), e quatro agentes de segurança, dois policiais civis e dois militares. Um delegado permanece em estado gravíssimo. Além disso, de acordo com a ONG Voz das Comunidades, três civis foram feridos por balas perdidas: um homem em situação de rua, uma mulher em uma academia e um trabalhador de um ferro-velho.

Em publicação nas redes sociais, moradores do complexos da Penha e Alemão divulgaram imagens da destruição de casas. No Complexo da Penha, 17 escolas tiveram as aulas interrompidas. No Alemão, 28 escolas foram impactadas pela operação.

Moradores relataram abordagens violentas durante a operação. De acordo com publicação da página “A voz das Comunidades” violações de direitos seguem causando medo e revolta dos moradores.

Policiais também realizaram 81 prisões até o momento, com cinco detidos sendo feridos e internados sob custódia no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. As apreensões incluem 31 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas.

Durante operação policial, o Comando Vermelho ordenou o fechamento de comércio e usou lixeiras incendiadas para bloquear as vias | Fernando Frazão/Agência Brasil

Crítica a Lula e STF

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), usou a operação desta terça-feira para criticar tanto o governo federal quanto o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista, Castro afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou três pedidos de ajuda das Forças Armadas em operações anteriores no estado, incluindo a requisição de blindados para combater o tráfico de drogas nos morros cariocas.

“Não temos auxílio nem de blindados nem de nenhum agente das forças federais, nem de segurança nem de defesa. É o Rio de Janeiro completamente sozinho nessa operação e estamos fazendo a maior operação da história do Rio de Janeiro”, afirmou o governador.

Castro também criticou duramente a Arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 635, mais conhecida como “ADPF das Favelas”, na qual o STF restringiu, desde a pandemia, as operações policiais nas comunidades, autorizando-as apenas em casos urgentes. Segundo o governador, essa medida tem facilitado a ação de traficantes de outros estados, que teriam se deslocado para o Rio aproveitando-se da limitação imposta pela Corte.

A “ADPF das Favelas” foi classificada por Castro como uma herança “maldita”, e ele acusou o STF de criar um ambiente que favorece a criminalidade. “São filhotes da ADPF. A realidade que vemos agora é fruto dessa decisão do Supremo”, afirmou o governador.

Castro concluiu suas declarações destacando que a Operação Contenção foi fundamental para enfrentar os grandes traficantes e suas barricadas, após cinco anos de dificuldades impostas pela decisão do STF.

Ele também criticou a ausência de apoio das forças de segurança federais e do Ministério da Defesa, ressaltando que, mesmo sem ajuda, as forças de segurança do Rio continuam realizando operações.

Em  nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que “tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional no Estado, em apoio aos órgãos de segurança pública federal e estadual”.

Em coletiva de imprensa, o ministro Ricardo Lewandowski disse que não recebeu pedido de auxílio para a operação desta terça-feira e se colocou à disposição do estado do Rio para colaborar com a coibição do crime organizado.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), afirmou que o município “não vai ficar refém de grupos criminosos que buscam espalhar medo pelas ruas da cidade”.

Ele disse que todos os órgãos municipais foram orientados a manter o funcionamento normal das atividades e que devem prestar assistência à população em caso de necessidades até o fim do expediente.

Paes disse ainda que permanece no Centro de Operações acompanhando as medidas de segurança e que a prefeitura continuará agindo “com autoridade, com comando e com firmeza”.

Nota do Instituto Sou da Paz

Ação vitimiza população e policiais sem desarticular de forma sustentável as organizações criminosas

O Instituto Sou da Paz lamenta e repudia a megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, uma tragédia sob todos os enfoques. Até o momento, soma-se mais de 64 pessoas mortas, dentre elas quatro policiais, o que faz com que essa seja a operação mais violenta da história recente. Sabemos que a situação no Rio de Janeiro é extremamente complexa e um desafio enorme para as instituições de segurança pública, mas enfrentar o crime organizado com operações de ocupação massiva nas suas áreas de domínio territorial não tem trazido resultados sustentáveis, sendo  uma lógica ineficiente e comprovadamente letal para a população.

Esse tipo de estratégia não ataca os elos centrais do crime organizado, não rompe as rotas do tráfico de drogas para países europeus, não desmonta seus mecanismos de lavagem de dinheiro ou de abastecimento de armas. Além disso, gera um acirrado fogo cruzado em áreas densamente habitadas, colocando em risco direto a vida de centenas de milhares de pessoas, em especial da população de baixa renda e predominantemente negra.

Sabemos que o domínio territorial do crime organizado é inaceitável, que ele também violenta as populações dessas regiões e que são brutais as imagens do seu poderio bélico. No entanto, precisamos de estratégias do poder público compatíveis com os deveres estatais de proteção da sua população e de suas polícias e de respeito aos direitos fundamentais. Não é possível endossar uma política de atuação bélica cujo resultado é a morte de mais de 60 pessoas. O Brasil não está em guerra e aqui não existe pena de morte.

O Instituto Sou da Paz tem reforçado a necessidade de robustecer a prevenção e o enfrentamento qualificado do tráfico de armas que alimenta o potencial ofensivo do crime. Esse poderio bélico, com armas de uso militar e drones lança-granadas, mostra a gravidade da situação, mas não são novidades. Operações como esta demonstram os resultados tangíveis de anos em que essa temática não foi priorizada. É urgente reconhecer a centralidade do tema e investir em equipes especializadas no âmbito federal e estadual para lidar com esse desafios, com análises de dados e integração para desarticular as rotas de tráfico de produção ilegal de armas.

Além dos parâmetros legais gerais, a ADPF 635 trouxe parâmetros específicos para a preparação e a mitigação de riscos de operações policiais em territórios como esses. É necessário que haja uma apuração rigorosa com a devida participação do Ministério Público e de outras entidades para identificar responsabilidades individuais e coletivas diante dos resultados desastrosos desta operação. A mentalidade bélica que está sendo recorrentemente empregada no Rio de Janeiro, inclusive com ressurgimento de gratificações por “bravura”, é ineficiente e é uma agressão contra toda a população desses territórios e contra os policiais colocados nessa linha de frente. O enfrentamento real do crime organizado e do domínio territorial ilegal depende muito mais de investigações profundas e do planejamento de operações focadas do que de tiroteios massivos.

Instituto Sou da Paz

Confiança do empresário industrial sobe em 21 setores, mas cenário de pessimismo ainda prevalece, aponta CNI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) Setorial aumentou em 21 setores, em outubro, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar desse resultado, o indicador não reverte o quadro de pessimismo na indústria do país. Isso porque, mesmo com essas altas, somente cinco segmentos ultrapassaram a linha de 50 pontos, que indica um estado de confiança. É o que explica o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

“A maioria dos recortes ainda continuam mostrando falta de confiança por conta da perda que foi se acumulando em meses anteriores. Então, todos os portes de empresa ainda mostram falta de confiança, assim como 24 dos 29 setores industriais pesquisados e em 4 das 5 regiões brasileiras, todos ainda mostram falta de confiança, apesar da melhora registrada em outubro”, destaca.

Confira o cenário por setor:

  • Farmoquímicos e farmacêuticos – 56,7 pontos;
  • Serviços especializados para a construção – 54,9 pontos;
  • Extração de minerais não-metálicos – 54,2 pontos;
  • Manutenção e reparação – 51,7 pontos.
  • Perfumaria, limpeza e higiene pessoal – 50,9 pontos.

Outros 24 setores ficaram abaixo da marca de 50 pontos. Os segmentos menos confiantes são os seguintes:

  • Metalurgia – 41,5 pontos;
  • Calçados e suas partes – 43,4 pontos;
  • Couros e artefatos de couro – 43,4 pontos;
  • Madeira – 44 pontos.

Ainda de acordo com o levantamento, houve queda em oito setores neste mês. Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, entre os principais fatores que contribuem para essa falta de confiança do empresariado da indústria estão os níveis atuais das taxas de juros no país.

“A taxa de juros continua impactando o nível de atividade econômica, está desacelerando a economia brasileira e, como consequência, acaba impactando o nível de consumo e de produção e a indústria acaba sentindo esse impacto, não apenas pelo custo de captação do crédito, mas também pela diminuição da demanda de produtos industrializados. O nível menor de consumo exige menos produção e, consequentemente, acaba impactando e onerando a indústria brasileira”, considera.

Cenário por porte de empresa

A confiança das pequenas indústrias voltou a subir depois de quatro meses. O ICEI referente às empresas desse porte teve elevação de um ponto, o que aumentou a pontuação para 46,7. O resultado interrompeu uma queda de quatro meses consecutivos. Mesmo assim, os empresários continuam sem confiança, uma vez que o indicador segue abaixo da linha de 50 pontos.

Em relação às médias empresas, houve aumento no índice pela segunda vez seguida. Dessa vez, a alta também foi de um ponto, atingindo 47,9 pontos, porém, ainda longe do patamar de confiança.

Já quanto às grandes indústrias, o indicador registrou salto de 1,4 ponto, passando de 47,2 pontos para 48,6 pontos. De todos os portes analisados, essa categoria de empresa se encontra em um nível mais próximo de reverter o cenário de falta de confiança.

Confiança do empresário industrial por região

Os dados apresentados pela CNI também revelam que o ICEI ainda chegou a subir em três das cinco regiões do país. No Sul do Brasil, houve alta de 1,3 ponto, para 45,1 pontos.

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MIDR e CNI avançam em parceria para fortalecer Complexo Econômico-Industrial da Saúde

No Sudeste brasileiro, por sua vez, o aumento foi de 1,5 ponto, alcançando 46,8 pontos. Vale destacar que os resultados não foram suficientes para recuperar a confiança dos empresários dessas duas regiões. Já no Nordeste, o indicador subiu 0,6 ponto, atingindo 52,1 pontos, superando o patamar mínimo de otimismo.

O Centro-Oeste contou com o pior dos resultados em outubro, ao registrar um recuo de 1,2 ponto, levando o indicador a cair para 49,6 pontos. No Norte, a queda foi de 1,1 ponto, para 46,8 pontos, o que aprofundou a falta de confiança na região.

O ICEI Setorial

Para esta edição do ICEI Setorial, a CNI consultou 1.741 empresas. Desse total, 712 são de pequeno porte; 625 de médio porte; e 404 de grande porte. As análises foram feitas entre 1º e 10 de outubro de 2025.

Fonte: Brasil 61

Pensamento Escravista no Brasil atual

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Vinício Carrilho Martinez[1]

Esse texto foi pensado como contribuição pessoal ao Fórum Rondoniense de Direitos Humanos – FORO DH, na fala dirigida por mim na mesa Enfrentamento das Violações e Retrocessos, no dia 27 de outubro. E nada me parece mais natural, uma obrigação, do que começar pela nossa Constituição Federal de 1988.

A Constituição Federal de 1988 (CF88) é uma Carta Política[2] e traz como objetivo a construção de uma sociedade justa e solidária, com a erradicação da pobreza e da marginalização. E uma forma de se alcançar esse fundamento se dá pelo fomento que reduza as desigualdades sociais e regionais, como se vê no artigo 3º:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

 

A premissa dessa construção social, humana e epistemológica está ajuizada no balizamento e na busca da dignidade humana, afirmada no artigo 1º da CF88 e enquanto fundamento do próprio Estado e do Direito:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;

II – a cidadania;

III – a dignidade da pessoa humana;

IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V – o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

 

No artigo 4º da CF88 novamente o Estado é obrigado a se orientar pelos mais nobres valores, como na afirmação dos direitos humanos (inciso II) e no repúdio a qualquer forma de racismo (de onde se prolonga enquanto xenofobia no inciso VIII):

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I – independência nacional;

II – prevalência dos direitos humanos;

III – autodeterminação dos povos;

IV – não-intervenção;

V – igualdade entre os Estados;

VI – defesa da paz;

VII – solução pacífica dos conflitos;

VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X – concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

 

Por isso, logo no artigo 5º da CF88 vemos a criminalização do racismo, da forma mais grave que o nosso constituinte permitiu:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

 

Isto se congrega, no mesmo artigo 5º da CF88, sob a proteção constitucional de que direitos e liberdades fundamentais não sejam transtornadas:

LI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

 

Desse modo, o artigo 5º da CF88 também assinalou que a prática de racismo está vedada de receber graça ou anistia:

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

 

Sendo, como vimos, o racismo definido na pena de crimes graves.

Pois bem, nossa premissa inicial é a de que a busca prática pela redução da desigualdade social e regional, com vistas à garantia efetiva da dignidade humana, objetiva-se, também, pelo combate institucional ao crime hediondo do racismo – notadamente quando se observa a ocorrência de racismo institucional[3].

É a dignidade humana que corresponde à configuração epistemológica dos direitos humanos, em seus princípios básicos, e isso nos remete a um escopo, um sentido bem mais amplo, com base na inclusão e diversidade. Alguns desses princípios e pressupostos são:

  • Inviolabilidade: os direitos humanos não podem ser violados em estrutura, especialmente pelo Estado, porque este deveria zelar por sua organicidade e integridade.
  • Imprescritibilidade: ainda que sejam vistos em gerações sucessivas de direitos, garantias e liberdades, os direitos humanos não se perdem ao longo da luta política que os constituiu.
  • Efetividade: como são dotados de garantias constitucionais, constituem-se em direitos que requerem eficácia imediata, plena, tendo o Poder Público o poder-dever de zelar por sua consubstanciação.
  • Interdependência: na condição de super princípios, os direitos humanos são fundamentais por definição, não se excluem, exigindo-se a convivialidade harmônica e a observação de sua estrutura funcional.
  • Complementariedade: os direitos humanos (fundamentais) visam atingir objetivos e valores constitucionais democráticos, exigindo-se complementação legal dentro da própria natureza histórica que move sua condição de gerações de direitos. Por isso, não há que se falar em níveis ou graus de importância entre os seus princípios e marcos regulatórios.

 

A isto, some-se a condição de que os direitos humanos são:

Naturais, porque, ligados à condição humana, independem de legislação própria e específica, uma vez que se guia pela dignidade humana. É óbvio que não nos referimos a nenhum arremedo de Direito Natural – portanto, são direitos postulares que decorrem da nossa condição humana, do fato inescapável de sermos humanos;

Indivisíveis, porque têm que ser conquistados e preservados em todos os campos, integralmente;

Essencialmente Públicos, uma vez que, para sua garantia, é necessária uma intervenção pública, do Estado e, sendo públicos, são reclamáveis;

→ e, como são Reclamáveis, pode-se exigir a garantia de autoridades competentes, a qualquer tempo.

 

Finalizando-se este apontamento, observa-se que é esse o arcabouço teórico que nos desafia, hoje, sob o chamado Relativismo cultural e o Fascismo Nacional, isto é, a discussão sobre o embate entre o universal e o histórico (cultural), principalmente porque a Universalidade rege o respeito ao indivíduo em sua integridade física, psíquica, social.

Enfim, quem dirá o que é desumano, o que afeta a integridade física e psíquica, social, o que é Ético, suportável e condizente com a Emancipação, é a própria consciência que a Humanidade guarda e promove de si. Certamente, não podem ser as hostes de poder.

 

A dor do Outro (da Outra)

O que nos remete diretamente ao título (tema base desta fala), pois o Pensamento Escravista – que se reitera e se reproduz diariamente no país – é uma espécie de clone desajustado no tempo e no espaço de duas ocorrências sociais bárbaras, e que se projetam como “cultura”. São essas duas ocorrências a própria prática ou instigação do racismo e a exploração do trabalho mantido sob condições análogas à escravidão[4]. Esses são os dois componentes básicos do que denominamos de Pensamento Escravista.

Portanto, na primeira conclusão antecipada, podemos visualizar que o país apresenta duas grandezas de problemas: o capitalismo tem um fluxo aviltante e crescente com a terceirização dos postos de trabalho, inclusive no setor público (com cada vez mais estagiários e substitutos, em evidente precarização laboral), e com a uberização e pejotização; em dimensão complementar, vemos regularmente os casos de trabalho análogo à escravidão, as manifestações racistas e até mesmo a exploração do trabalho infantil em redes sociais (adultização).

Nesse paralelo, as tipificações derivadas de nossa formação social se manifestam com vigor: há muitos “quartos de despejo” espalhados pelo país todo, com milhares, milhões, de pessoas vivendo suas “vidas secas[5]”: “ – Mamãe, vende eu para a Dona Julita, porque lá tem comida gostosa[6].

E é obvio que essas condições refletem os níveis de desigualdade social, cultural, ao mesmo tempo em que tornam evidentes a desigualdade regional e os níveis de exploração social, ambiental, entre as regiões, as culturas, as comunidades e etnias[7] que compõem a cultura nacional.

Neste sentido, ainda se intui desde já o quanto esta realidade segue sendo um desafio para a consecução constitucional, mormente no que se refere ao pressuposto básico e elementar, que é não só a garantia legal, mas, sobretudo, a efetivação do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. De onde ainda provém a certeza de que o problema não é de ordem constitucional, uma vez que, nomologicamente, não há cognição que aponte problemas ou deslizes na edificação legal do referido preceito constitucional da dignidade humana.

Sob essa condição do Pensamento Escravista, o aviltante negacionismo constitucional nos impõe as consequências de seus dois polos, combinando-se o passado e o presente em avançados níveis, em insuportáveis estágios de expropriação: sob o capitalismo de barbárie, a uberização é mais do que simbólica, aponta-se como agudo estágio de fragmentação individual e social do pós-modernismo do século XXI; com rebotes do passado de antanho, amarrado no colonialismo e no escravismo pré-capitalista, tanto o racismo quanto a exploração do trabalho em condições análogas à escravidão ainda têm impactos econômicos. Conseguimos, portanto, combinar (novamente) as formações econômicas pré-capitalistas com o mais avançado (extremado) capitalismo neoliberal. Passado e presente são expostos na mesma folhinha do calendário caseiro e diário.

 

Das violações e retrocessos

De 1988 para cá tivemos muitos avanços e retrocessos também. Seria fatigável listar esse caminho, porém, o Golpe de Estado de 2016[8], assim como as batalhas campais travadas pela Revolução Colorida de 2013/14, são marcos dos retrocessos, violações e desafios que nos cabem enfrentar ainda hoje.

Ao golpe de 2016 seguiu-se um ataque gigantesco às classes trabalhadoras, a partir da reforma trabalhista – a primeira da história mundial a não consagrar nenhum direito e garantia –, da terceirização, vimos crescer exponencialmente a pejotização e a uberização: são os destaques da total precarização do Mundo do Trabalho.

As situações são incontáveis, mas nós vimos a Lava Jato (desmontada depois por nulidade absoluta de legitimidade), mudar o curso do rio de uma eleição nacional, tivemos um reitor de universidade federal cometendo suicídio num shopping popular por não aguentar a sevícia, os abusos, a tortura psicológica da prisão absolutamente ilegal, vimos em forma deplorável a recusa e a demora na compra vacinas da COVID-19 – que levou a óbito pelo menos 300 mil pessoas, em 2020 e depois (no total morreram 700 mil pessoas no Brasil) –, ainda nos deparamos com um agente de segurança pública ao fuzilar outro servidor da segurança, na casa do aniversariante, porque fora considerado “inimigo político”; além dos policiais rodoviários federais que fizeram uma câmara de gás lacrimogêneo, na viatura policial, matando uma pessoa detida, algemada e em surto psicótico.

Ao longo desse período também vimos (e vemos) um Banco Central direcionado, unicamente, aos interesses maiores do capital hegemônico – que é o rentismo improdutivo, especulativo, financeirizado – e, novamente, com ataques severos dirigidos ao povo negro, pobre e oprimido. Em uma das declarações formais, inclusive, o atual presidente do BC afirmou que: “A inflação está incontida por excesso de geração de empregos”. Ou seja, estava ali nos dizendo que a política monetária se concentraria em aumentar o desemprego, a desvalia, a imposição de necessidades primárias, a fome, a desesperança e a angústia.

É óbvio que a inflação corrói a expectativa de vida dos mais necessitados, porque atinge diretamente a cesta básica, o preço dos aluguéis, o custo de vida de forma geral – isso nunca esteve em discussão. O fato é que, se uma instituição como essa do Banco Central – aliás, o mais severo do mundo, na atualidade – é incapaz de verificar outros caminhos, outras alternativas, que não sejam apenas asfixiar o povo com dor e fome, então, é mais republicano que seja encerrada ou reduzida a mera consultoria. Com o custeio atual, sem mencionar o custo social, não é salutar mantermos seu status institucional: uma instituição pública, autônoma, não pode se justificar às custas da miséria social. E isto porque estamos falando em um momento de tentativa de afirmação das mínimas condições democráticas e de elevação dos níveis mínimos de sociabilidade, de Interação Social. Depois de todos esses anos sombrios, o país sairia do Mapa da fome.

A democracia, como todos sabem, é um direito humano – conforme o artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Também sabemos, mais por experiência (intuição: reflexão) do que por estudos teóricos, que a democracia não se limita ao voto, e ainda que o sufrágio universal seja uma constante essencial da soberania popular. Sabemos que a democracia requer aportes, investimentos, constructos sociais, econômicos, culturais, ambientais (acima de tudo), na saúde e na educação pública. Ou temos isto ou o “encantamento”, o canto da sereia é a guia para regimes desumanos, autoritários, excludentes.

Foi esse contexto que presenciamos a partir de 2017, com a entronização no poder central em 2019. Já a partir de 2017, 2018 se pronunciaram as investidas contra as universidades públicas, com o objetivo de enfraquecer a resistência institucional. O Judiciário foi o alvo seguinte, em especial a Justiça Eleitoral.

Em 2019, perto de 40 núcleos, conferências, centros voltados aos direitos humanos, destinados a pensar e refletir políticas públicas, foram desativados. O primeiro ato institucional, após a diplomação presidencial, foi precisamente essa desabilitação de 40 instituições organizadas publicamente para a manutenção e avanço de políticas públicas de inclusão da diversidade social e cultural.

Em 2022, não apenas as populações indígenas estavam sob fogo cerrado[9], como se tramou arduamente contra todas as instituições republicanas e democráticas – esteve em curso uma operação militar que previa o sequestro (e presumível assassinato) de ministro do STF.

Ainda no passado recente, de 2022, tivemos um ápice na trama golpista, esta que está sob Júdice no Supremo Tribunal Federal (STF), e já em vias de expedição da ordem de pena/prisão de seu mandatário.

No famoso 8 de janeiro de 2023, tentou-se em trama golpista civil-militar a tomada da Praça dos Três Poderes, na tentativa de se invocar as forças armadas a atuarem como Poder Moderador (sic). O artigo 142 da CF88 jamais poderá ser utilizado fora, além, contra o escopo constitucional democrático. Mas, tentaram.

Com milhares de condenações, alguns dos apenados aceitaram a reconversão penal, a persecução penal, em troca do cumprimento da pena em regime fechado, contudo – vejamos a ironia se instalar –, teriam que participar ativamente de cursos de direitos humanos, democracia e cidadania. Outros, determinados no prosseguimento do pensamento fascista[10] (que é insumo do Pensamento Escravista), com ativos incansáveis de identificação plena ao golpismo e negação da dignidade humana, recusaram-se a reformatar seu substrato desumano, negacionista, segregador, racista, misógino, e, assim, presos permanecem.

Com atenção, é fácil de se ver que os ataques, violações, negações, obstruções à Justiça Social, aos direitos humanos, à dignidade humana, à cidadania e à democracia, não têm limites, sua energia não se esgota. Para entendermos isto com mais visibilidade nos basta olhar pela porta, pela janela, vendo desfilar a brutal luta de classes, os pedintes, os sufocados pelo capital improdutivo, os famélicos, as apanhadoras de reciclagem – como foi Carolina de Jesus.

Os subalternos, os amassados e engolidos pela pior forma de concentração de renda da história do capital mundial – este fluxo é enfrentando, um pouco, no Brasil –, nos acendem o alerta da prevenção, da atenção constante, diante das ameaças presentes e futuras. E também nos impõe a certeza e a obrigação de resistirmos, nos muitos campos de batalha (cada um/a a seu modo), sempre divisando a liberdade, a defesa das garantias constitucionais, a aceitação, afirmação e promoção dos direitos humanos.

Nos cabe refletir e pôr em ação – como anúncio e não apenas denúncia, como ensinou Paulo Freire – que “ninguém se liberta sozinho”, mas também “ninguém liberta ninguém”. É um esforço, um trabalho contínuo, complexo e coletivo. Por isso é práxis, é altamente mobilizador, político, emancipador[11].

Penso, resumindo, que este é o nosso compromisso de vida: lutar pela defesa, aceitação, participação no aprofundamento dos direitos humanos. Notadamente porque, está dito já, mas não custa repetir, são direitos que nos cabem pela natureza de sermos humanos.

Isto é “fazer-se política”, fazendo-se política à medida em que se aprofunda o próprio nível de politização dos indivíduos, dos grupos, das camadas sociais e populares, das associações trabalhistas e sindicais, ou seja, fazer política enquanto se está fazendo(-se) politicamente por meio do agir na política. A política não é só partidária, institucional, formal, pois, antes de tudo, é um fazer-se à mão.

Outras maneiras de ação, concluindo, podem ser judiciais, com a provocação de Conselhos, do Ministério Público, das secretarias e de seus gestores. Apenas a título exemplificativo, narramos um caso particular (dentre muitos) com bom uso do Direito de petição (aquele administrativo e gratuito):

Art. 5º, XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

  1. a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder (Art. 5º, XXXIV, a, da CR/88)

 

A demanda era para que se disponibilizasse uma vaga reservada para PCDs, próxima à garagem residencial. O pedido foi acolhido, o custo foi zero, porque nesse instituto qualquer cidadão/cidadã é legitimado para agir, como se fosse um requerimento pessoal de prestação de serviços.

Isto também é “fazer-se política”, conforme avançamos na defesa e na promoção dos direitos humanos.

 

 

 

 

 

 

[1] Doutor em Ciências Sociais, é Professor Titular da UFSCar.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. O CONCEITO DE CARTA POLÍTICA NA CF/88: freios político-jurídicos ao Estado de não-Direito. Pesquisa de Pós-Doutorado em Ciências Jurídicas. Paraná: Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, 2019b.

[3] https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2025/10/16/professora-negra-e-aprovada-em-concurso-mas-usp-anula-apos-contestacao.htm. Acesso em 16/10/2025.

[4] https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/10/15/idosa-e-resgatada-apos-25-anos-em-trabalho-analogo-a-escravidao-em-mg.htm. Acesso em 16/10/2025.

[5] RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 91. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Record, 2003.

[6] CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014, p. 42.

[7] https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/03/21/indigenas-resgatados-de-trabalho-escravo-em-pedreira-bebiam-mesma-agua-que-galinhas-e-so-comiam-arroz-diz-mpt.ghtml. Acesso em 16/10/2025.

[8] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Teorias do Estado – Ditadura Inconstitucional: golpe de Estado de 2016, forma-Estado, Tipologias do Estado de Exceção, nomologia da ditadura inconstitucional. Curitiba-PR: Editora CRV, 2019.

[9] As populações indígenas ainda estão em algumas regiões controladas e ameaçadas de extermínio por garimpeiros, traficantes, organizações criminosas, latifundiários, posseiros ilegais.

[10] MARTINEZ, Vinício Carrilho.  Necrofascismo: Fascismo Nacional, necropolítica, licantropia política, genocídio político. Curitiba: Brazil Publishing, 2022.

[11] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Educação e Sociedade. São Carlos: Amazon, Ebook Kindle, 2025a. Disponível em: https://a.co/d/393SyBS.

Casa Branca publica foto de Lula e Trump: ‘grande honra estar com o presidente do Brasil’

Líderes se reuniram neste domingo (26), durante Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A Casa Branca postou neste domingo (26), uma foto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimentando o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois líderes se encontraram durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

“É uma grande honra estar com o presidente do Brasil. Acho que conseguiremos fechar bons negócios para ambos os países. Sempre tivemos um bom relacionamento — e acho que continuará assim”, disse o presidente, segundo publicação da Casa Branca em suas redes sociais.

Essa foi a primeira vez que os líderes se encontraram oficialmente para conversar sobre as tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras. Antes disso, Trump e Lula chegaram a falar por telefone e se encontraram brevemente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.

Em entrevista a jornalistas após a reunião, o ministro das relações exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que o encontro foi positivo, e reiterou que Lula voltou a pedir a suspensão das tarifas durante o período de negociação.

“Trump declarou que dará instruções à sua equipe para começar um processo de negociação bilateral”, afirmou.

A expectativa do governo brasileiro era de um encontro entre as equipes ainda na noite deste domingo, no horário da Malásia, segundo o chanceler Mauro Vieira. Houve, entretanto, uma conversa por telefone entre ele e Jamieson Greer, e o encontro ficou para a manhã de segunda-feira (27).

“Nós esperamos em pouco tempo agora, em algumas semanas, concluir uma negociação bilateral que trate de cada um dos setores da atual tributação americana ao Brasil”, completou Vieira, reiterando que os representantes brasileiros devem pedir que as tarifas sejam suspensas durante o período de negociação.

Vieira também informou que os líderes estabeleceram a necessidade de uma visita recíproca.

“O presidente Trump quer ir ao Brasil e o presidente Lula aceitou também, disse que irá com prazer aos Estados Unidos no futuro”, disse o chanceler.

Falas sobre Bolsonaro

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que os presidentes não abordaram diretamente a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a reunião.

“O que o presidente Lula usou como exemplo é a injustiça da aplicação da Lei Magnitsky contra algumas autoridades do STF [Supremo Tribunal Federal] e o quão injusta é a aplicação dessa lei sobre esses ministros porque repeitou-se o devido processo legal e não há nenhuma perseguição política ou jurídica”, afirmou o secretário.

Durante entrevista a jornalistas mais cedo, feita antes da reunião, Trump disse que se sente mal pelo que Bolsonaro passou no Brasil.

“Eu sempre gostei dele. Eu me sinto muito mal sobre o que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era um cara honesto, mas ele passou por muita coisa”, afirmou o republicano.

Interlocução com a Venezuela

Segundo Vieira, o presidente Lula também teria abordado a situação entre os EUA e a Venezuela, tendo se prontificado a ser um contato de comunicação entre a Venezuela e os Estados Unidos.

“O presidente Lula disse que a América do Sul é uma região de paz e se prontificou a ser interlocutor, como foi no passado, com a Venezuela, para se buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países”, disse o chanceler.

“[Lula também disse] que o Brasil estará sempre disposto a atuar como elemento da paz e do entendimento, o que sempre foi a tradição do Brasil e continuará sendo”, completou.

Lula e Trump se encontram na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula e Trump se encontram na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Do G1

Ensaio sobre Capitalismo digital e Tecnofascismo

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Vinício Carrilho Martinez[1]

 Veremos um pouco da junção entre os termos que compõem o conjunto do título, e, mais do que um conceito para cada um deles, buscamos ressaltar algumas das suas articulações – sendo que nem todas são assim tão recentes. Entretanto, iniciamos com um teste.

O que é Tecnofascismo?

Fizemos um teste, perguntando para a Inteligência Artificial (IA) o que esse termo significa ou implica. A resposta obtida é essa que segue abaixo:

  • “Tecnofascismo é um conceito que descreve o uso de tecnologias modernas, especialmente as digitais e de inteligência artificial, para atingir objetivos autoritários e de supressão política. É uma forma de autoritarismo na qual o poder político se funde com o poder das grandes empresas de tecnologia (Big Tech), resultando em um controle social e repressão mais eficientes”.

Nisso está correta a resposta? Sim, se não buscamos uma real condição cognitiva humana, isso bastaria. Todavia, se nosso objetivo é entender o conceito em si e sua manifestação singular na fase hegemônica do Capitalismo digital, então, a resposta é simplista, fenomenológica.

Pelo prisma de uma reflexão crítica e criativa da própria tecnologia aliançada com os termos políticos atuais, e por dentro do conceito (e isso não está na resposta), podemos visualizar um conjunto tecnológico que tem por premissa a “destruição da Política”[2]. O pressuposto é, precisamente, anular os espaços públicos em que a Política possa ser manifesta e assim sair fortalecida (Política maiúscula, porque é sinônimo de humanização).

Nesse esforço de desumanização está um conjunto tecnológico que nasceu para se ajustar ao que podemos chamar de Capitalismo digital: o resultado de uma somatória entre o rentismo (capitalismo especulativo e improdutivo, Estado rentista), o capitalismo de dados (monetização de views, geração de influencers monetizados à esquerda e à direta do espectro político) e a platamorfização da política ou, para ser mais preciso, a insurgência de um verdadeiro Estado-plataforma: as Big Techs dirigem as pautas políticas, além de monetizar o discurso que lhe convém.

Entre a técnica e a tecnologia

A partir da ideia, lógica, da “destruição da Política”, deve-se acrescentar o elemento da transformação da técnica em tecnologia. A técnica sempre esteve associada ao longo processo de hominização e o chamado Período do Neolítico é o ponto forte, o ponto da guinada na curva, pois foi quando incrementamos a associação criativa e indissolúvel entre arte, técnica e política: muito tempo depois, os gregos denominaram de techné (leia-se “tecné”).

Por sua vez, a tecnologia como a entendemos hoje em dia – é claro que substitui tarefas na vida comum e profissional – também é o ponto de outra inflexão: primeiro, gradativamente, as revoluções industriais criaram um maquinismo em substituição ao emprego maciço da força de trabalho manual (do tear mecânico ao motor de combustão).

Anteriormente, o Renascimento já havia trazido muita “racionalidade” ao “novo mundo” de expansão do capital: da Rota da Seda ao Mecanismo de Hobbes, Galileu. Sem dúvida, aqui temos um marco significativo da apropriação da técnica e a sua substituição pela tecnologia. Não apenas a perda do domínio humano na fabricação (o que se verá decisivamente na maquinaria descrita por Marx) estava pronunciada, como a imposição de valores e de domínios técnicos/tecnológicos por Grupos de Poder Hegemônicos seria o guia a partir de então. A “técnica” não só não mais serviria à Humanidade, desalinhando-se com a hominização, como, acima de tudo, seria empregada pela Expansão Ultramarina e imporia o Colonialismo e o escravismo.

Na fase seguinte, com o sistema produtivo fortalecido pelo Mecanicismo, chegamos ao funcionalismo. O que correspondeu ao capitalismo industrial do século passado (do Capitalismo Monopolista de Estado) numa fase insular e, na sequência do século XX, vimos a Internet ser criada como projeto militar (a Arpanet da Guerra-Fria dos anos 1950).

Com base em todos esses suportes, deu-se a imposição/captura do trabalho vivo e a expansão da mais valia relativa: o início do ápice da apropriação do raciocínio humano em prol da produção de capitais. No século passado, em compasso com a prevalência da “solidariedade orgânica” (do funcionalismo capitalista de Durkheim), vimos afirmar-se como hegemônico o Taylorismo: separação e superação do trabalho manual.

De meados do século XX para cá se pronunciaram a automação e a robotização, a pejotização, como indícios do “desligamento formal do mundo do trabalho”.

A Ideia de rede foi vista nos idos de 1990, quando as redes sociais (uma ideia muito incipiente, porque as redes nem existiam) tiveram empregos realmente políticos, politizados: de Chiapas, no México, a Seatle, do entorno do G-7 daquela época à Primavera Árabe.

Hoje temos as Guerras Híbridas, coordenadas a partir de ataques cibernéticos, redes antissociais, e das Revoluções Coloridas[3]: a total manipulação das massas por interesses os mais escusos. O nosso 8 de janeiro, posterior ao povo aquartelado no 7 de setembro de 2022, é indicador da propagação desenfreada nas redes antissociais dos discursos de ódio, antidemocráticos, e do avistamento de Golpe de Estado.

A uberização só é possível graças aos aplicativos digitais e é a cara do século atual, mas seus primeiros passos estão alinhados no passado[4] – como indicador da prevalência, hegemonia absoluta, das relações de produção digitalizadas pelo fim da formalidade: isso se patenteou como regra, no Brasil, com a “reforma trabalhista” de 2017, provocadora da total informalidade do Mundo do trabalho. O trabalho formal já é exceção no país.

Liquidação pós-moderna da sociabilidade

A cada passo desse avantajado e incontrolado avanço tecnológico, é claro, cederam o Mundo do trabalho e a política onde se realizava. No contexto atual, o que diferencia a exploração do trabalho infantil em fábricas de 3º Mundo com a exploração do trabalho infantil de crianças por seus pais, no ambiente digital?

Se fosse apenas pelo aspecto jurídico não haveria diferença. Como se trata da forma predominante e hegemônica de produção do capitalismo volátil, digital, então, há um glamour e um encantamento com a “inteligência dessas crianças”. E nada se faz criminalmente.

Seria o caso de se visualizar um escravismo moderno, combinando-se formas de exploração do trabalho anteriores ao capitalismo com novas formações ou adaptações das formações econômicas antigas (servidão, escravismo), anteriores aos meios e suportes capitalistas modernos. Neste sentido, tanto estão presentes a exploração do trabalho infantil (no ambiente virtual ou não[5]) quanto o trabalho mantido em “condições análogas à escravidão”, além do racismo que retroalimenta um tipo de Pensamento Escravista.

No entanto, além dessas condições e formações econômicas anteriores ao capitalismo, é predominante uma “servidão voluntária[6]” (usuários que abastecem, gratuitamente, a monetização das redes sociais) e, dentro desse tipo em especial, deve-se agregar a “exploração digital do trabalho infantil” (monetização da adultização). Essas duas formas e condições – trabalho infantil digital e servidão voluntária (muitas vezes seguidores, consumidores do mesmo trabalho infantil nas redes) – podem ser vistas como rastros de um “escravismo digital”.

O que também facilita nossa compreensão acerca dessa fase predominante das redes antissociais (destruição da Política), pois, qual é a sociabilidade almejada para crianças exploradas economicamente por seus pais ou responsáveis?

A conclusão parcial é que se a técnica foi essencial ao tripé do longo Processo Civilizatório (hominização com arte, política e técnica), ao contrário disso, a tecnologia digital (a partir da platamorfização, mas desde a Arpanet) está para a destruição da Política. E por isso a tecnologia atual tem por pressuposto a desumanização – um dos principais traços e resultados do Fascismo clássico[7].

Ciência e conhecimento

Se antigamente se podia dizer que toda técnica é política, atualmente, podemos concluir que a tecnologia predominante é desumanizadora – simplesmente porque não converge com os interesses da Humanidade, estando submersa nos hegemônicos interesses do Capitalismo digital.

No âmbito da produção do conhecimento, quer dizer, da produção científica, não somente estamos ameaçados pela tomada de decisão pelas máquinas – o algoritmo, por exemplo, que define a “melhor” política pública – como o pior está chegando. Estamos, efetivamente, substituindo a capacidade cognitiva pelo emprego aprimorado do mais famoso método digital do copiar/colar.

Universidades, pelo mundo todo, já estão regulamentando o uso da Inteligência Artificial nos trabalhos acadêmicos, especialmente na pós-graduação. É um sinal dos tempos, é claro, dos tempos em que se discute a necessidade de alguma originalidade no pensamento humano. Se é a “máquina” quem traz as respostas mais adequadas a quem “bem” formula suas questões, de quem será a tese de doutorado, da IA ou do ser que lhe perguntou?

O que é tese de doutorado, se o argumento da tese (resposta a uma suposta indagação original de pesquisa humana) é produzido pelo algoritmo? A melhor tese será aquela que “melhor” aplicar o método digital do copiar/colar?

Será que a IA fará Ciência para si mesma? E nós, que abdicamos da capacidade analítica, seremos seus replicadores num futuro próximo? Ou será que esse futuro já chegou?

E como é que vamos avaliar a “pessoalidade”, a autenticidade, a originalidade de um trabalho de reflexão – se os argumentos e a reflexão provêm da lógica da máquina?

Mesmo que o trabalho de juntar os cacos de IA (copiar/colar) sejam de algum “indivíduo pesquisador” (obrigatoriamente entre aspas), o trabalho não será dele, “indivíduo pesquisador”. Mas sim de uma máquina de algoritmos.

É provável que num futuro próximo isso que aqui descrevemos seja considerado obsoleto.

É provável que prevaleça o teorema de que a IA recupera, resume, rearticula, o conhecimento da Humanidade sobre um tema específico e o apresenta como um “substrato da Humanidade”. E vão dizer que o “pensamento da Humanidade” (esse substrato da Humanidade que será alçado a um novo “pressuposto da Humanidade”) é muito superior ao de qualquer indivíduo, tomado isoladamente. Também vão dizer que não há problema nisso, porque o “substrato da Humanidade” não é mais um simples teorema, mas sim um princípio e que, enquanto princípio (que já é um pressuposto) deve se sobrepor ao anterior e original “princípio da pessoalidade”, autenticidade (singularidade se pensarmos na IA).

Ora, esse tal pressuposto já é uníssono e nós o vemos agir em todos os algoritmos, na universidade e nos bancos (sobretudo, os bancos digitais).

Neste momento, a conclusão antecipada é que poderia chocar um pouco, pois é esse o pressuposto do Tecnofascismo: em nome de um suposto princípio universal (a IA como ferramenta que captura o “substrato da humanidade” e o converte em pressuposto) nós legitimamos a sobreposição do pensamento de máquina em detrimento da nossa massa crítica: máquinas já projetam máquinas e nós ficamos fora da equação.

Nesse andar em que chegamos, o edifício humano não só é considerado inferior em raciocínio, como se legitima uma forma de “Pensamento Único”[8]: essa tal captura do substrato criativo da Humanidade.

E isso também já é voz corrente, afinal, quem não se encanta (igual sereia) com a superioridade tecnológica da Inteligência Artificial?

O Pensamento Único (por óbvio, é totalitário) torna o humano obsoleto, superado, ultrapassado pela própria tecnologia que inventou. Do final do século passado à primeira década deste, o Pensamento Único era associado à imposição de uma “única tese” a ser seguida a partir do Império, com regime totalitário: as guerras davam conta de que isto acontecesse.

E não é essa criatura quem domina e dá ritmo ao capitalismo digital (D-D’), em que a exaustão física e mental é sinônimo de “novo escravismo”?

Já é essa obsolescência humana que dá as diretrizes de fórmulas de exploração da mais-valia, como vemos no tal 9-9-6. Olhando para as intermináveis horas trabalhadas pode-se pensar (sentir) que está em vigor a imposição da extração da mais valia absoluta – e de forma absolutizada pela exaustão.

A mais valia relativa (incremento tecnológico que aumenta a produção), desde o taylorismo, parecia ser o mote predominante. No entanto, nós já passamos o Rubicão. Não é apenas disso que se trata, mas sim da desumanização como princípio e a apropriação (manipulação, deturpação) dos próprios princípios que vieram construindo a nossa capacidade laborativa, artística, cognitiva, política.

Despolitização continuada pela desumanização

Outra forma de se descrever essa notável diferença entre técnica e tecnologia está no fato de que a técnica é um produto humano (assim como é um fator da hominização), empreendido enquanto “conhecimento técnico” associado ao Mundo do trabalho e da produção – a noção de “vivência”, “experiência pessoal”, é definitiva para se entender essa relação entre o conhecimento técnico e artístico (de determinado indivíduo) e o humano (do conjunto da classe trabalhadora).

Ao passo que a tecnologia reflete o desprendimento (desfazimento) do “fazer-se humano” enquanto ela se reproduz de acordo com as necessidades do Capitalismo digital dos nossos tempos. A “inteligência da máquina que projeta máquinas” é apenas um degrau, até chegarmos na ponta do iceberg: a IA provedora de nossa síntese, capaz de se afirmar hegemonicamente ao extrair e se apropriar do “pressuposto da Humanidade” (da apropriação indébita do nosso substrato).

Com isso também vemos que foram desligados o “fazer-se humano”, do conhecimento técnico, artístico e do trabalho, e o “fazer-se política”, uma vez que a projeção política prevalecente advém da “inteligência da máquina” – na escolha e definição da “melhor” pauta política. Nada poderia ser mais corrosivo, desumanizador, do que retirar o conhecimento técnico e a política do centro do Processo Civilizatório.

Não apenas a Polis (a Política do espaço público) foi destronada, como foi destituída a capacidade cognitiva fundamental e inerente à projeção da política como parte e arte do “fazer-se humano”.

Se as pautas políticas são projetadas pela IA, obviamente, significa que não somos seus projetores. A IA é nossa provedora.

Sob esse domínio da IA na formulação dos pressupostos assentados no pensamento científico – como dominus e não dominação –, à Humanidade restará, literalmente, unicamente, os lampejos do “trabalho morto”, repetitivo, embrutecedor. E isso, é óbvio, impõe doravante uma “matriz ética”: o sofisticado método do copiar/colar que sustenta a IA tende a nos considerar obsoletos em nossa mais singular condição criativa e, portanto, crítica.

Portanto, não é difícil perceber como isso tudo caminha para um “Pensamento Único”: com a tecnologia no comando das decisões mais importantes da Humanidade. A mecanização e a robotização são fases anteriores, no entanto, são evidentes constatações de um caminho que viria desembocar na atual patente da tecnologia destrutiva da Política.

Em termos correlatos, resta patente a conclusão parcial de que a despolitização é continuada pela desumanização.

A IA e o “novo” dominus

Em suma, trazemos uma amostragem final, um resumo simplificado do Tecnofascismo, e que poderia ser assim apresentado:

  • A substituição da técnica, como humanização, pelo fetichismo da tecnologia é parte integrante (base material) da projeção do capital de exploração, desde o antigo Colonialismo. Hoje, entretanto, nos domínios do Capitalismo digital (neocolonialismo) é o reflexo hegemônico da desumanização, da exploração mais aguda e da consequente desumanização e despolitização.

 

As redes antissociais são apenas um elo no amplo roteiro do Capitalismo digital, que é uma somatória do presente com o passado, do rentismo à monetização digital (exponenciação do discurso antipolítica), e passando pela exploração do pensamento escravista atualizado: a uberização acelerada, sendo associada ao racismo e à exploração do trabalho análogo à escravidão (de adultos ou de crianças). A “adultização infantil” concorre com a infantilização dos mais velhos.

Se dissermos, por fim, que o Tecnofascismo (como tecnologia fascista) é uma espécie de alavanca de todos os processos e ferramentas anteriores colocadas à disposição da “destruição da Política” – sendo esta uma tese humana – não haverá exagero em concluirmos que o exceptio (a exceção/exclusão) é uma base atuante do Tecnofascismo. Portanto, quando indagamos à Inteligência Artificial o que é Tecnofascismo, por força da obviedade, a resposta não nos dirá que devemos investir numa Educação para além da exceção[9].

[1] Professor titular da Universidade Federal de São Carlos.

[2] MARTINEZ, Vinício Carrilho. A destruição da política: a sociedade de controle entre a pandemia e o pandemônio político. Campina Grande: EDUEPB, 2023. Disponível em: https://zenodo.org/records/8298411.

[3] Cada caso é um caso e este, assim como outros, precisa ser analisado em profundidade para se ter uma apreciação mais precisa; no entanto, é exemplificativo – tivemos um paralelo a isto em 2013: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2025/10/14/entenda-a-crise-em-madagascar-impulsionada-pela-geracao-z.htm. Acesso em 16/10/2025.

[4] Não é à toa que também se previu ali o fim do Estado Moderno – o que não aconteceu e nem irá, ao menos tão cedo não irá.

[5] https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/10/camara-aprova-aumento-de-pena-para-pedofilos-e-regras-para-influenciadores-mirins.shtml. Acesso em 16/10/2025.

[6] BAUMAN, Zygmunt. Vigilância Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

[7] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Necrofascismo: Fascismo Nacional, necropolítica, licantropia política, genocídio político. Curitiba: Brazil Publishing, 2022.

[8] RAMONET, Ignácio. O Pensamento único. Publicado no original em francês no Le Monde Diplomatique. Traduzido por Jaerson Lucas Bezerra. Janeiro de 1995.

[9] MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Educação para além da exceção*: Educação para além do capital; Educação após Auschwiz, e depois de Gaza; Educação em Direitos Humanos; Educação Constitucional. 499 p. 2025. Tese (Título de Professor Titular) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025.

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Encontro histórico

Trump se rendeu ao Brasil e, consequentemente, ao Lula. O encontro saiu melhor do que o que se esperava. Foi excelente. O presidente dos Estados Unidos fez elogios e deixou um recado claro aos bolsonaristas: “Tenho muito respeito pelo seu presidente e pelo Brasil, e acho que eles estão indo muito bem”. Na véspera do seu aniversário de 80 anos, Lula mostra, mais uma vez, como age um estadista que defende os interesses do seu país e do seu povo. É o fim de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a reeleição de Lula no primeiro turno.

Encontro histórico 2

O encontro de Lula e Trump na Malásia mostra o tamanho do líder brasileiro para o mundo. Lula abriu portas para que os impasses criados pelos bolsonaristas sejam esclarecidos e resolvidos o mais rápido possível. O sorriso do Trump mostrou ao mundo que o caminho sempre é o diálogo.

Encontro histórico 3

 Durante encontro oficial na Malásia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acredita na possibilidade de firmar “bons acordos” comerciais com o Brasil após uma série de desentendimentos bilaterais. A reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo, marcou o primeiro diálogo formal entre os dois líderes desde a imposição de tarifas punitivas norte-americanas a produtos brasileiros. As informações são da agência Bloomberg.

Encontro histórico 4

Trump disse que os dois países “se dão muito bem” e que pretende concluir rapidamente um acordo comercial. “Devemos ser capazes de fazer bons negócios para ambos os países”, declarou. Segundo ele, as negociações serão conduzidas por sua equipe econômica, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Bolsonaro é página virada

Bolsonaro só deu prejuízo aos Estados Unidos. Bilhões de dólares! Por conta disso, Trump botou o tema Bolsonaro fora dos assuntos tratados com Lula. Trump reconheceu que não conseguiria interferir no processo judicial de Bolsonaro e que sua tentativa de protege-lo da prisão e garantir que ele pudesse disputar eleições fracassou. Ou seja, Lula venceu o homem mais poderoso do mundo.

Visitas recíprocas

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou que os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Lula estabeleceram a necessidade de visitas recíprocas entre os dois países. “O presidente Trump quer ir ao Brasil, e o presidente Lula aceitou também, disse que irá com prazer aos Estados Unidos no futuro”, disse o chanceler.

Lula foi “vítima de perseguição”

A reunião teve momentos de descontração e também de interesse pessoal do líder estadunidense pela trajetória política do brasileiro. Segundo Felipe Frazão, do Estadão, integrantes da comitiva do governo afirmaram que Trump perguntou sobre o período em que Lula ficou preso durante a Operação Lava Jato e chegou a classificá-lo como vítima de “perseguição”. O petista respondeu que passou 580 dias na prisão.

O que Trump falou sobre Bolsonaro

Donald Trump elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Eu sempre gostei dele, eu sempre gostei dele… Eu me sinto muito mal sobre o que ocorreu com ele. Eu sempre pensei que ele era um cara direito, mas ele tem passado por várias coisas”, afirmou Trump. Questionado por uma repórter se colocaria benefícios a Bolsonaro como termos na negociação, o presidente respondeu que não seria “da sua conta”. Metropoles.

Lula pós Trump

Ao que tudo indica, após o encontro hiper mega ultra positivo com Trump (sempre o amei, rs), as pesquisas pró-Lula vão explodir. Simplesmente a popularidade de Lula vai subir tanto que a reeleição dele no primeiro turno é inevitável. A oposição vai ter que mudar de estratégia, pois a tentativa de golpe usando Trump, falhou. Para o bem do Brasil. Em tempo, o mau pressentimento deste articulista não se confirmou. Graças à Deus.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Trump prevê “bons acordos” com o Brasil e Lula afirma que “não há razão para conflito”

Presidente dos EUA e presidente brasileiro se encontraram na Malásia e prometeram encerrar disputas comerciais e retomar cooperação econômica

Durante encontro oficial na Malásia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acredita na possibilidade de firmar “bons acordos” comerciais com o Brasil após uma série de desentendimentos bilaterais. A reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo, marcou o primeiro diálogo formal entre os dois líderes desde a imposição de tarifas punitivas norte-americanas a produtos brasileiros. As informações são da agência Bloomberg.

Trump disse que os dois países “se dão muito bem” e que pretende concluir rapidamente um acordo comercial. “Devemos ser capazes de fazer bons negócios para ambos os países”, declarou. Segundo ele, as negociações serão conduzidas por sua equipe econômica, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Lula também demonstrou otimismo em relação ao futuro das relações bilaterais. “Acredito que poderemos anunciar boas notícias”, afirmou o presidente, acrescentando que “não há razão para qualquer tipo de conflito entre o Brasil e os Estados Unidos”. O líder brasileiro levou uma pauta escrita em inglês para a reunião e encerrou as perguntas da imprensa alegando limitação de tempo.

Primeira reunião após meses de tensão

O encontro foi o primeiro entre Trump e Lula desde o acirramento das tensões comerciais iniciado em julho, quando Washington impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras de café e carne. Na ocasião, Trump havia tentado impedir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Suprema Corte, o que agravou a crise diplomática. Além das tarifas, o governo norte-americano aplicou sanções e restrições de visto a autoridades e familiares brasileiros.

Questionado sobre a situação de Bolsonaro, Trump declarou sentir-se “muito mal” pelo aliado, mas evitou comentar se o tema faria parte das conversas. “Isso não é da sua conta”, respondeu a um repórter.

Retomada das negociações e temas em pauta

Após meses de relações congeladas, os diálogos entre Brasil e Estados Unidos foram retomados no mês passado, quando Trump e Lula se encontraram brevemente durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A partir desse contato, os dois governos decidiram reabrir canais de negociação.

Segundo a Bloomberg, as tratativas devem abordar temas como tarifas e sanções, práticas comerciais investigadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA, regulação de empresas de mídia social norte-americanas no Brasil e políticas para o setor de etanol.

Brasília tem preparado relatórios de base sobre diferentes assuntos relevantes para as discussões, como regulação digital, data centers e minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo — atrás apenas da China — e Lula já indicou disposição para discutir oportunidades de cooperação nesse setor estratégico, fundamental para veículos elétricos, sistemas de armas e equipamentos médicos.

Questão venezuelana

Outro tema que pode entrar na pauta é a situação da Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos afirmaram ter interceptado embarcações que transportavam drogas a partir do país vizinho, o que gerou especulações sobre uma possível ação militar. Embora o Brasil tenha evitado envolvimento direto, Lula já havia alertado Trump, em conversa telefônica anterior, que um conflito armado na América do Sul seria “devastador para a região”.

Trump, por sua vez, afirmou que estaria disposto a tratar do assunto “caso Lula desejasse”, mas disse não prever discussões específicas sobre o tema.

O encontro na Malásia é visto como um passo importante para restaurar a cooperação entre as duas maiores economias das Américas, abrindo caminho para uma possível reaproximação após meses de tensão comercial e diplomática.

Do Brasil 247

Trump sinaliza reduzir tarifas “nas circunstâncias certas” e Lula fala em “otimismo”

A bordo do Air Force One, a caminho de Kuala Lumpur, Trump sinalizou que deve encontrar Lula, que já está na Malásia. “Vamos colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução”, disse o brasileiro.

A caminho de Kuala Lumpur, na Malásia, onde participa da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), o presidente dos EUA, Donald Trump, falou sobre a reunião com Lula, que deve ocorrer neste domingo (26), e sinalizou que pode reduzir as tarifas de até 50% aos produtos brasileiros que entram nos EUA.

Em conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, na madrugada deste sábado (26), Trump foi indagado se encontrará Lula no país asiático.

“Acho que vamos nos encontrar, sim. Nós nos encontramos nas Nações Unidas brevemente”, respondeu, reclamando novamente de ter o teleprompter desligado durante seu discurso.

Em seguida, perguntado se estaria aberto a reduzir as tarifas ao Brasil, o presidente dos EUA, respondeu positivamente. “Sim, sob as circunstâncias certas, com certeza”, disse, sem detalhar quais seriam essas circunstâncias.

Brasil de Fato

Na Malásia, Lula recebe título de Doutor Honoris Causa: ‘Reconhecimento ao povo brasileiro’

Neste sábado (25), o presidente Lula (PT) recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional e Sul Global concedido pela Universidade Nacional da Malásia (UKM).

“A minha trajetória remete à história de superação de milhões de compatriotas. Este título é, também, um merecido reconhecimento ao povo brasileiro”, disse o presidente, na cerimônia de concessão do título, realizada no Hotel Shangri-La, em Kuala Lumpur, capital do país.

A homenagem reconhece a trajetória política de Lula e sua atuação no campo da inclusão social, do combate à fome e da cooperação internacional. A cerimônia de outorga foi presidida por Tuanku Muhriz, reitor da universidade e sultão do estado de Negeri Sembilan.

Em seu discurso, Lula agradeceu a homenagem e reforçou a intenção brasileira de fortalecimento da cooperação entre os países do Sul Global, afirmando que é necessário “interromper os mecanismos que sustentam, há séculos, o financiamento do mundo desenvolvido às custas das economias emergentes e em desenvolvimento”.

“Recebo o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional da Malásia não como um ponto de chegada, mas como um estímulo a continuar lutando por um mundo mais justo, sustentável e solidário. Um mundo em que os países do Sul Global tenham voz”, disse Lula, em seu discurso de agradecimento. Ao longo de sua trajetória, Lula recebeu mais de 30 títulos de Doutor Honoris Causa, honraria concedida por universidades a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação.

O presidente viajou à Malásia para participar da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e da 20ª Cúpula do Leste da Ásia. Esta é a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro é convidado a participar de uma Cúpula da Asean. Esta é, também, a primeira visita oficial de um chefe de Estado brasileiro ao país em 30 anos.

Na visita, Lula assinou sete acordos de cooperação entre os países, para trocas de experiências nas áreas da tecnologia, ciência, semicondutores, inovação e agropecuária.

‘A COP da verdade’

Na cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa, Lula lembrou da proximidade da COP30, a Conferência das Partes que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará. Na declaração do presidente, esta será ‘a COP da verdade’.

“Será o momento de superar a ganância extrativista e agir com base na ciência. Menos de 70 países apresentaram novas metas nacionalmente determinadas de redução de emissões de gases de efeito estufa (NDCs). Dentre os maiores poluidores, apenas 14 países cumpriram com o seu dever de casa”, ressaltou o presidente.

As NDCs representam os esforços de cada país para reduzir as emissões de gases poluentes e adaptar-se aos impactos da mudança do clima. “Tudo indica que, mesmo que as atuais NDCs sejam cumpridas, o planeta ultrapassará o limite de 1.5 grau de aumento da temperatura do planeta”, disse o presidente, que alertou para responsabilidade dos países ricos com o futuro do planeta. “Na busca por lucros ilimitados, muitos se esquecem de cuidar do planeta Terra”, disse.

Cavalo de Troia

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Por Vinício Carrilho Martinez

  • “Mas o povo não está interessado nas eleições, que é cavalo de Troia que aparece de quatro em quatro anos” [1].

 

Lendo assim, apenas esse recorte, podemos ter a impressão de que Carolina de Jesus pregava uma antipolítica. Entretanto, sua vida toda de resistência, insistência para viver, sobreviver, foi um dos mais belos e grandiosos atos políticos de nossa história social.

Quando se avalia a política oficial, institucional, poucos são os momentos em que os discursos, promessas, propostas inexequíveis (populistas, oportunistas) para o povo, não surtiram efeitos de um enfeitado Cavalo de Troia. É para isso que ela chama a nossa atenção: esqueçam o palavrório, o falatório – sempre vazios de significados populares – e olhem a realidade. Nem político, desse tipo profissionalizado, combate a fome do povo com papo furado.

Não lhe interessava, em nada lhe convinha, esse falar e não fazer, até porque o seu fazer era recolher papelão e metais velhos nas ruas de São Paulo, capital, vender e assim comprar algum alimento para os filhos. O seu fazer era driblar a fome, a morte; o seu dizer era de que isso não era humano, era injusto e indigente. O seu falar era pela dignidade humana; o seu fazer era uma luta diária contra a miséria e a “mentira política”.

O conceito que não aprendera na escola pública, porque sequer concluiu o ensino fundamental de hoje, lhe dizia no âmago de mulher negra, pobre e oprimida, e mãe, que a “vida é insolvível”. Não se compra a dignidade humana com um milheiro de tijolos, em ano eleitoral.

Essa questão mais política é fundamental, pois a lógica econômica, institucional, societal, de produção de Carolinas de Jesus nunca teve descanso no país. Quantas Carolinas de Jesus existem hoje no Brasil? Algumas até enriqueceram[2], a original, não.

Por fim, é sempre necessário recolocar a crítica ao sistema representativo, porque a baixa adesão e as críticas mais ácidas – muitas vezes retidas na fenomenologia, no senso comum dos fatos – são os principais indicadores da erosão da própria democracia. Com ironia excessiva (ou cinismo), tais avaliações raramente pertencem ao tempo do anúncio, da oferta de proposições alternativas e reparadoras ao sistema democrático como um todo. E quando isto ocorre, perdemos todos nós, toda a sociedade brasileira – a nossa história é cheia de situações, momentos assim.

[1] CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014, p. 43.

[2] https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2025/10/21/empresaria-lixao.htm. Acesso em 21/10/2025.

Flávio Bolsonaro pede ataque dos Estados Unidos ao Brasil

O senador defendeu o envio de embarcações norte-americanas ao Rio de Janeiro com o suposto objetivo de combater o tráfico de drogas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu nesta quinta-feira (23) que os Estados Unidos ataquem barcos supostamente com drogas no estado do Rio de Janeiro. O parlamentar respondeu a um post do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciando um ataque a embarcações no Oceano Pacífico.

“Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu Flávio na rede social X.

O filho de Jair Bolsonaro (PL) publicou o post em um contexto no qual os EUA fizeram dois ataques a embarcações no Oceano Pacífico em menos de 48 horas.

Veja agora o post de Pete Hegseth:

“Sob a direção do Presidente Trump, o Departamento de Guerra realizou mais um ataque cinético letal contra uma embarcação operada por uma Organização Terrorista Designada (DTO). Mais uma vez, os terroristas, agora falecidos, estavam envolvidos no narcotráfico no Pacífico Oriental.

Nossa inteligência sabia que a embarcação estava envolvida no contrabando ilícito de narcóticos, transitava por uma rota conhecida de narcotráfico e transportava entorpecentes. Três narcoterroristas estavam a bordo da embarcação durante o ataque, realizado em águas internacionais. Todos os três terroristas foram mortos e nenhuma força americana ficou ferida neste ataque.

Esses ataques continuarão, dia após dia. Não se trata apenas de traficantes de drogas — são narcoterroristas trazendo morte e destruição às nossas cidades. Esses DTOs são a “Al-Qaeda” do nosso hemisfério e não escaparão da justiça. Nós os encontraremos e os mataremos, até que a ameaça ao povo americano seja extinta”.

Contexto

Os ataques fazem parte de uma ofensiva do governo Donald Trump (EUA), que, há pouco mais de um mês, anunciou o deslocamento de militares para a região do Caribe, próxima à América do Sul. Inicialmente, Washington declarou como justificativa o combate ao chamado narcoterrorismo.

Washington anunciou uma recompensa de até US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) para quem fornecer informações que levem à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

presidente Trump instruiu a CIA e o Pentágono a adotarem medidas mais agressivas contra o atual governante venezuelano.

O chefe da Casa Branca resolveu acusar o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, de ligação com o narcotráfico. Trump suspendeu o pagamento de subsídios ao país sul-americano.

líder colombiano repudiou as acusações e afirmou que as denúncias de Trump foram motivadas pela recusa de Bogotá em apoiar uma ofensiva militar contra a Venezuela.

EUA e a trama golpista

Outro fator que se insere no contexto da postagem feita pelo senador é a tentativa de intervenção dos EUA no julgamento da trama golpista conduzido pelo Supremo Tribunal Federal. O STF condenou Jair Bolsonaro (PL) de pelo menos 15 réus.

O presidente Trump mencionou o inquérito do plano golpista como justificativa para sanções contra o Brasil, entre elas o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA, e a suspensão de vistos de ministros do STF para o território norte-americano.

Tendo como base a postagem de Flávio Bolsonaro, os EUA usariam alegações de combate ao tráfico como uma tentativa de interferir no Brasil.

No âmbito das sanções, o chefe da Casa Branca assinou o decreto do tarifaço em 30 de julho, antes da condenação de Bolsonaro. Em 11 de setembro, o STF condenou o político da extrema direita brasileira a 27 anos de prisão.

Caso Eduardo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou em 22 de setembro uma denúncia contra o deputado Eduardo Bolsonaro.

Segundo o órgão, o parlamentar manteve articulações com o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, com o intuito de pressionar economicamente o Brasil em razão das investigações sobre a tentativa de golpe atribuída a Jair Bolsonaro.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

Lula vai disputar quarto mandato

Não que ainda houvesse muita dúvida. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, em viagem à Indonésia, que vai tentar a reeleição em 2026 e disputar seu quarto mandato. A declaração foi feita durante discurso realizado em Jacarta. “Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil. Então, estou lhe dizendo que ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas estou preparado para disputar outras eleições”, disse Lula ao colega Prabowo Subianto. Mais adiante, ao falar da possibilidade de ser reeleito, Lula afirmou que, em um eventual novo mandato, não vai ser “o presidente da República que está pensando na sua reeleição, vou ser o presidente que vai estar pensando em governar o país por quatro anos e deixá-lo tinindo, tinindo”.  “Eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que eu estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. E vou disputar um quarto mandato no Brasil”, disse Lula.

Lula vai disputar quarto mandato 2

A viagem de Lula à Ásia tem como próxima parada Kuala Lumpur, na Malásia, para participar da cúpula da Asean, a Associação das Nações do Sudeste Asiático, onde está previsto que ele se encontre com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo. (Folha)

Ministro rondoniense

E Rondônia poderá ter seu primeiro ministro do STF, genuinamente nascido no estado. Com o adiamento da indicação de Jorge Messias, cresce a possibilidade do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ser o escolhido por Lula quando retornar da Ásia. A indicação de Pacheco que nasceu em Porto Velho, seria um pedido do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Pacheco é também forte candidato ao governo de Minas Gerais.

Extradição de Carla Zambelli

Enquanto isso, dois ícones do bolsonarismo tiveram uma quarta-feira de emoções opostas. O Ministério Público da Itália deu aval ao pedido de extradição para o Brasil da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma desde julho. A parlamentar, que tem dupla cidadania, fugiu para a Itália após ser condenada no Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por ter ordenado um ataque hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em agosto, ela sofreu uma nova condenação na Corte, a cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo. A defesa de Zambelli minimizou o parecer da procuradoria italiana dizendo ser esse o “papel do Ministério Público” e reclamou por não ter acesso a esses documentos. A decisão final sobre a extradição será tomada pelo Ministério da Justiça da Itália. (UOL)

Cassação arquivada 

Já Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado que está desde fevereiro nos EUA articulando por sanções ao Brasil, viu o Conselho de Ética da Câmara decidir, por 11 votos a 7, arquivar uma ação movida pelo PT que poderia levar a sua cassação. Segundo o relator do caso, deputado Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), “é legítimo que qualquer parlamentar possa se manifestar em território nacional ou estrangeiro”. Já o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), disse que vai recorrer ao Plenário. (CNN Brasil)

Pedido atendido 

Pode ser uma imagem de ‎texto que diz "‎ENQUANTO ISSO NA PRIMEIRA TURMA.. MINISTRO FUX, VOSSA EXCELÊNCIA ESTÁ DIFERENTE só MUDEI o PENTEADO, MINISTRO DINO SHuan صرر‎"‎O pedido de Fux para migrar da Primeira para a Segunda Turma foi atendido pelo presidente Edson Fachin e envolve um movimento que agrada aos bolsonaristas mais que seu voto vencido para absolver o ex-presidente, conta Andreia Sadi. Fux é relator do recurso de Jair Bolsonaro contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível por abuso de poder. Caso leve o processo consigo para a Segunda Turma, é mais provável que consiga maioria para atender ao pedido, já que dois dos outros quatro integrantes do colegiado, os ministros Nunes Marques e André Mendonça, foram indicação de Bolsonaro. (g1)

Pedido atendido  2

Mesmo com possível rearranjo interno, ministros avaliam que, em temas sensíveis, o plenário continuará a concentrar decisões de maior impacto, contexto em que o grupo alinhado a Moraes mantém vantagem numérica.

Política em prisão domiciliar

Ao contrário do que andam falando, Bolsonaro não está “morrendo aos poucos”. Depois de o STF publicar o acórdão do julgamento que o condenou por tentar dar um golpe de Estado e enquanto aguarda os últimos passos do processo, Bolsonaro segue fazendo política em prisão domiciliar. Sua obsessão é formar, nas eleições do ano que vem, uma maioria de aliados no Senado, onde se decide o eventual impeachment de ministros do Supremo. (Estadão)

Projeto AntiFacção

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, apresentou o Projeto AntiFacção, pacote do governo federal de combate ao crime organizado para lidar diretamente com organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Entre as alterações na legislação atual, o projeto cria uma modalidade qualificada do crime de envolvimento com facções, facilita a ação contra empresas usadas pelo crime e regula a gravação de conversas entre criminosos e seus advogados na prisão. As penas para todas as atividades ligadas a facções, do simples pertencimento aos homicídios encomendados, são aumentadas. E as autoridades poderão infiltrar policiais e colaboradores dentro das quadrilhas. O texto está em análise pela Casa Civil que o encaminhará ao Congresso. (g1)

                         Deus, Pátria e Família

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "A mulher da foto é Cíntia Chagas: bolsonarista e conservadora. o homem é seu marido, Deputado bolsonarista Lucas Bove do PL/SP. Ela é influenciadora e prega que mulheres devem ser submissas ao marido. Ela se manifestava totalmente contra a Lei Maria da Penha. Agora levou uma surra do marido e recorreu a quê? À Lei Maria da Penha. A vida é irônica, né? @tania.soaresd"Casada com o deputado estadual ultra bolsonarista Lucas Bove (PL-SP), a influenciadora de direita Cíntia Chagas foi vítima de violência doméstica, separou-se e seguiu nas redes com sua pregação conservadora. Provocada por Mariliz Pereira Jorge, ela reconheceu no feminismo que tanto combatia a origem das leis que a protegeram. E ainda participou de uma conversa aberta com a futura candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila.  (Meio)

Trump X Putin

Depois de impor um acordo de paz ainda incerto a Israel e ao Hamas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direciona agora sua atenção à Rússia, e ele não está feliz. Nesta quarta-feira, Trump cancelou o encontro que teria com Vladimir Putin para tratar da guerra na Ucrânia e disse que “está na hora” de impor novas sanções a Moscou. Dias atrás, após uma longa conversa telefônica, Trump pretendia se encontrar com Putin em Budapeste, na Hungria, mas depois se irritou com o ritmo lento das negociações de paz. “Cada vez que falo com Putin, temos uma ótima conversa, mas depois não se vai a lugar algum”, reclamou. (CNN)

5 mil mísseis

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que seu país tem 5 mil mísseis antiaéreos portáteis de fabricação russa para se defender do que chamou de ameaça militar dos EUA, que enviaram ao Mar do Caribe navios de guerra, submarinos, milhares de militares e aeronaves — incluindo helicópteros parte dos Night Stalkers, grupo de elite que atuou na morte de Bin Laden. Desde 2 de setembro, as forças norte-americanas estão bombardeando barcos que classificam como “narcoterroristas”. (g1)

5 mil mísseis 2

Forças dos EUA destruíram a oitava embarcação que supostamente transportaria drogas para o país. Diferentemente dos ataques anteriores, que aconteceram no Caribe, o barco foi atingido no Oceano Pacífico. De acordo com o secretário de Defesa (rebatizado “de Guerra”), Pete Hegseth, duas pessoas morreram, elevando para 34 o número de vítimas fatais da política de ataque a navios de supostos traficantes. (AP)

António Guterres

A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial (1850-1900) nos próximos anos não será alcançada. Foi o que disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma reunião na Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra, na Suíça, um mês antes da COP30, em Belém do Pará. Com a permanência do alto consumo de petróleo, gás e carvão globalmente, muitos climatologistas admitem que esse limite, estabelecido no Acordo de Paris, será atingido antes do final da década. De acordo com o observatório europeu Copernicus, a temperatura média do planeta já é 1,4°C mais alta do que na era pré-industrial. (g1)

                                      Ninho da morte

Brasília (DF), 22/10/2025 - Dez adolescentes mortos no incêndio do Ninho do Urubu, sede do time do Flamengo. Arte/Agência BrasilO Ministério Público do Rio de Janeiro vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de absolver sete réus envolvidos no incêndio no Ninho do Urubu, que matou dez jovens e deixou outros três feridos em 2019. Entre os réus acusados de incêndio culposo e lesão grave estão Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do Flamengo; Marcelo Maia de Sá, ex-diretor adjunto de patrimônio; e Edson Colman, sócio da empresa que cuidava da manutenção de aparelhos de ar-condicionado, onde o fogo começou. Na época, 26 adolescentes dormiam em contêineres dentro do centro de treinamento do Flamengo, quando ocorreu a tragédia. (CNN Brasil)

 Transporte e hospedagem

Nenhuma descrição de foto disponível.

O Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$ 156 milhões anuais para ampliar o acesso à radioterapia para pacientes do SUS que precisam se deslocar para o tratamento. A pasta estima que 704 mil novos diagnósticos de câncer são identificados por ano, com a radioterapia sendo indicada em 60% dos casos. Além dos atendimentos, o recurso vai custear transporte e hospedagem de pacientes que chegam a percorrer 144,6 km, em média, para o tratamento. (Folha)

Breakfast

 

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Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Coluna Zona Franca

Contagem regressiva

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou oficialmente a decisão que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A divulgação do acórdão marca o início do prazo de cinco dias para que as defesas apresentem os chamados embargos de declaração, recurso usado para apontar eventuais contradições ou omissões na sentença.  A prisão de Bolsonaro e dos demais condenados só ocorrerá após o trânsito em julgado — ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso. (Brasil247)

Fux pede para trocar de turma

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira sete acusados de integrar o núcleo de desinformação que atuou para desacreditar o sistema eleitoral e preparar terreno para uma tentativa de golpe de Estado. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino votaram pela condenação dos réus pelos crimes de tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa e incitação ao crime. Segundo Moraes, relator do caso, os acusados participaram de um esquema coordenado para atacar a Justiça Eleitoral e disseminar desinformação. “É uma falácia criminosa dizer que ataques à democracia são liberdade de expressão”, afirmou o ministro. Entre os réus estão o ex-major Ailton Barros, o engenheiro Carlos Rocha, e o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida. O ministro Luiz Fux mais uma vez abriu divergência e votou pela absolvição de todos os réus. Segundo ele, não haveria elementos suficientes para condenar os réus pelos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro afirmou ainda que não há conexão entre os eventos relacionados ao processo eleitoral, ao chamado “Plano Punhal Verde e Amarelo” e aos ataques de 8 de janeiro. (CNN Brasil)

Fux pede para trocar de turma 2

Com o clima para lá de azedo na Primeira Turma do STF após seu voto confuso, gigantesco e agressivo em relação aos colegas no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)Fux pediu para sair. Em carta ao presidente do Supremo, Edson Fachin, ele solicitou ser transferido para a vaga que o ex-ministro Luís Roberto Barroso ocupava na Segunda Turma. Por lá Fux também teria desafetos, como o decano da Corte, Gilmar Mendes, mas contaria com o apoio de Kássio Nunes Marques e André Mendonça, nomeados no governo Bolsonaro. (g1)

Fux pede para trocar de turma 3

O ministro Luiz Fux pretende continuar participando dos julgamentos ligados à trama golpista de 2022, inclusive da análise dos recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Com informações de Malu Gaspar. A decisão final caberá ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, com quem Fux pretende “construir uma solução” que permita sua continuidade nesses processos. A movimentação de Fux foi motivada pela vaga aberta na Segunda Turma após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que encerrou suas atividades no tribunal na última sexta-feira (17). O ministro quer ocupar o lugar deixado por Barroso, mas sem se afastar dos casos relativos aos núcleos da trama golpista, atualmente sob análise da Primeira Turma. (Diario do Centro do Mundo)

Valdemar Costa Neto

Enquanto isso… Alexandre de Moraes decidiu reabrir a investigação contra o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de participação na tentativa de golpe de Estado de 2022. A decisão foi tomada após o ministro defender, em seu voto, a retomada das apurações sobre o papel de Valdemar nos crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, acompanhado pela maioria dos colegas da Primeira Turma, à exceção de Fux. Mais cedo, Moraes havia afirmado que, se Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), fosse condenado, as investigações contra Costa Neto deveriam ser reabertas. O IVL foi contratado pelo PL para produzir relatórios que questionaram, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas. (Metrópoles)

Uma mulher no STF, por favor-Orlando

 

Guilherme Boulos senador 

Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a Secretaria-Geral da Presidência, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) pode nem deixar a cadeira na Esplanada esquentar. O PSOL não desistiu de tê-lo concorrendo a um novo cargo nas próximas eleições — para isso, no entanto, o prazo máximo para deixar o governo é abril do ano que vem. Segundo interlocutores do partido, o cenário não está tão definido assim. O novo ministro foi o deputado federal mais votado de São Paulo em 2022, superando nomes como Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, ambos do PL, e é considerado um nome forte nas urnas. “Pela liderança política que exerce, Boulos seria um excelente nome para a disputa eleitoral do ano que vem, em especial para o Senado”, disse a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi. (Veja)

Guilherme Boulos senador 2

O presidente nomeou Guilherme Boulos ministro e tirou da corrida eleitoral um dos maiores puxadores de votos da esquerda. Mas há um cálculo por trás: Boulos entra no governo pra mobilizar as ruas, pressionar o Congresso e tentar reconquistar o novo trabalhador — o motoboy, o entregador, o autônomo — que o PT nunca conseguiu representar. É um movimento ousado. Mas é também um risco num momento em que a esquerda precisa, mais do que nunca, fazer bancada no Congresso. A análise de Flávia Tavares no Cá entre Nós. (YouTube)

Frei Chico

A juíza Ana Luiza Madeiro Cruz Eserian, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), deu cinco dias para que plataformas de redes sociais retirem do ar pelo menos 14 postagens que reproduzem um vídeo associando José Ferreira da Silva, o Frei Chico, ao esquema de descontos ilegais a aposentados. O irmão do presidente Lula é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), uma das entidades apontadas como suspeitas, mas seu nome não consta entre os investigados. (Estadão)

Museu Casa Darcy Ribeiro

“Se você hoje o tem em mãos, é porque venci.” A frase marca a coragem de Darcy Ribeiro, que fugiu da UTI para concluir O Povo Brasileiro em sua casa de praia, em Maricá. Hoje, esse refúgio de criação se tornou o Museu Casa Darcy Ribeiro, construído pela Prefeitura de Maricá por meio da CODEMAR e sob gestão do Instituto Circomum. Com projeto de Oscar Niemeyer e curadoria de Gringo Cardia, o museu mantém viva a inquietação de Darcy com exposições e experiências interativas. Foi nesse cenário inspirador que Pedro Doria e Yasmim Restum gravaram a série Quem é o Brasileiro?, uma parceria do Meio com o Museu Casa Darcy Ribeiro. Assista no canal do YouTube e planeje sua visita em casadarcyribeiro.org.br.

Foz do Amazonas

Não demorou sequer um dia para a Petrobras iniciar as perfurações por petróleo na Foz do Amazonas. Em ofício enviado pela estatal ao Ibama ainda nesta terça-feira a Petrobras informou que já iniciou os trabalhos de prospecção. Fontes próximas ao processo afirmam que, desde agosto, a sonda de perfuração já estava posicionada na área, realizando simulações de emergência exigidas pelo licenciamento. A licença concedida pelo Ibama à Petrobras determina que seja feito um relatório anual com uma nova modelagem de dispersão de petróleo no oceano, que simula o vazamento em caso de acidentes. Esta é uma das 34 condicionantes para a atividade da petroleira no bloco 59, localizado a 175 km da costa do Amapá. Em nota, o instituto ambiental afirma que as modelagens foram validadas e a solicitação “visa avaliar a aderência dos resultados decorrentes da utilização das novas bases aos já aprovados durante o licenciamento”. Ambientalistas criticam que uma nova versão não tenha sido entregue antes da autorização de exploração. (Folha)

Foz do Amazonas 2

A autorização do Ibama teve ampla repercussão pública nos meios digitais, envolvendo ambientalistas, órgãos reguladores e a Petrobras. De acordo com nova pesquisa da Quaest (íntegra), a maioria das 20 mil menções sobre a licença foram neutras ou informativas (63%), enquanto 27% foram negativas e 10%, positivas. (Meio)

Restauração da visão

Pesquisadores restauraram, pela primeira vez, parte da visão de pessoas com atrofia geográfica com um implante protético de retina. A doença, relacionada à idade, causa cegueira quando as células no centro da retina começam a morrer, deixando uma mancha preta no centro da visão. O estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine mostra que 27 dos 32 participantes voltaram a ler com suas retinas artificiais. A prótese é um chip sem fio tão fino quanto uma folha de filme plástico, que atua com uma câmera acoplada a um par de óculos, que captura as imagens e as projeta no implante. (Globo)

Caramelo

Considerado “patrimônio nacional” pela internet, o cachorro caramelo faz sucesso até mesmo nos filmes dentro e fora do Brasil. Lançado no último dia 8, o filme da Netflix Caramelo, protagonizado por Rafael Vitti, já é o mais visto em língua não inglesa da plataforma no mundo. O longa atualmente soma mais de 15 milhões de visualizações, estando entre os dez mais vistos em 90 países, como Canadá, França, Alemanha, México, Coreia do Sul e Japão. Na trama, Pedro, um cozinheiro em ascensão, conhece Caramelo, depois que o cão aparece no restaurante, causando uma enorme confusão. (Folha)

Museu do Louvre

Apesar do valor inestimável para a História francesa, a perda financeira do roubo das joias da coroa no museu do Louvre, no domingo, foi estimada em cerca de € 88 milhões. Enquanto a polícia procura pelos criminosos, o presidente e diretor do museu, Laurence des Cars, deve responder a perguntas do comitê de cultura do parlamento nesta quarta-feira. Ele será questionado sobre a velocidade com que os ladrões conseguiram arrombar uma janela do primeiro andar, a qualidade das vitrines que abrigam as joias e a aparente falta de uma unidade de resposta rápida para deter os ladrões. (Guardian)

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Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

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Coluna Zona Franca

Lógica reversa da liberdade absoluta

Vinício Carrilho Martinez

Esse pequeno texto é uma tentativa de diálogo com o liberalismo de baixa reflexão ou com o inconsequente neoliberalismo em que as Luzes são ausentes. Não nos referimos aqui ao sentido economicista.

Inicialmente, para esse neoliberalismo sem Luzes, podemos dizer que a “Liberdade absoluta” é igual à liberdade total, como se diz no popular é “fazer qualquer tudo, fazer coisa e não dar em nada”.

A vida real, prática, no entanto, nos prova que não é assim: as ações têm resultados e consequências. Os resultados, inclusive, podem sair ao contrário do que gostaríamos e, é bastante óbvio, as consequências podem ser ainda mais desastrosas.

Afinal, não há, nem haverá, nenhum lugar na Terra (e na nossa história) em que não se cobrem responsabilidades, quer sejam morais, quer sejam sociais, políticas e jurídicas. Sempre haverá uma condição, uma força heterodoxa (impositiva) atuando sobre nós – quer tenhamos atuado mais ativamente no estabelecimento dessas “regras” ou não, ou seja, quer sejam regras e condições mais legítimas (socialmente) quer sejam o resultado impositivo de algum poder monocrático estabelecido (exterior e até autocrático).

O direito penal, especialmente, tem uma lógica reversa: a liberdade é absoluta, porém, o próprio indivíduo pode não agir, a fim de que sua liberdade não seja ainda mais reprimida.

  • Todo mundo é livre pra matar e roubar.
  • A lei não proíbe diretamente (só na lógica reversa, quando a pessoa não faz por medo das implicações de seu ato).

 

O fato que resulta dessa “liberdade de matar e roubar” é a questão.

Porque a lei pune tais atos com a pena de restrição da liberdade.

A lei diz “pena de tanto a tanto”, e se o indivíduo não quer ser preso, então, não comete o crime. Essa é a lógica reversa: é como se a lei dissesse “não faça, porque se fizer vou te punir”.

Assim, o medo de receber a pena de restrição da liberdade inibe a “liberdade de matar e roubar”, por exemplo.

A lei também não proíbe a tentativa de golpe de Estado ou abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entretanto, resguarda penitências e uma severa punição: a prisão.

Há ainda pessoas que se julgam no direito de “exercerem livremente” a defesa do cometimento de crimes, incitando, defendendo, divulgando atos criminosos. Esses indivíduos se veem “livres” para agir assim porque supõem que a liberdade seja mesmo absoluta. O crime que cometem é o de apologia ao crime, com previsão de penalidades, é óbvio.

Nesses casos, estará em curso a coação, um “aviso” constante, a presença valorativa exterior e anterior a todos nós – dizendo “faça”, “não faça”. Para quem duvida e desafia esses avisos e alertas, a coação se converte em coerção, ou seja, na ação da punibilidade[1].

Desse modo, na lógica reversa é como se a lei proibisse o ato criminoso. Porque impõe a pena e a pessoa restringe sua liberdade (mitiga, não faz, não age), exatamente, por medo de sofrer uma restrição da sua liberdade (prisão) ainda mais grave.

Portanto, na nossa cabeça funciona como um alerta: não faça, porque será punido. O receio da fofoca teria esse mesmo sentido inibidor – como se o status quo nos advertisse.

Em todos esses sentidos é manifesta a coerção, aquele “aviso” que não foi seguido por quem desabona as consequências e, daí, passa a funcionar uma “ação que coage”, constrange. Apesar de certa redundância, a coerção equivale à “ação capaz de se impor” e obrigar.

Por fim, é possível dizer que, de certo modo, a liberdade é absoluta. O X da equação é o resultado impondo consequências. A maioria de nós sabe perfeitamente disso, pensa assim, mas sempre há quem desafie a lógica.

 

[1] Alguns desse avisos, “sinais”, por certo, podem e devem ser questionados, como ocorre com apregoações absurdamente conservadoras, reacionárias ou atentatórias à democracia, aos direitos humanos, à dignidade humana. No entanto, sempre surgirão alguns “novos” limites a ocupar e disciplinar o espaço anteriormente dirigido por práticas sociais que já deixamos repousar no passado – ou que insistem em permanecer, como o racismo, a misoginia, a intolerância, a pregação do ódio social, a desigualdade social e regional, a exploração do trabalho análoga à escravidão, a imperante uberização e pejotização. Todavia, uma vez que ganhemos espaços dignificantes às classes sociais subalternas, às classes trabalhadoras, esses novos parâmetros não poderão se basear em “liberdades absolutas” que façam naufragar a dignidade humana. A resistência imporá barreiras sociais e políticas, bem como juridicamente deverá prevalecer o Princípio do não-retrocesso moral/social: foi com muita luta e resistência que se impôs o fim à escravidão, para em seguida se afirma o direito de greve e aos direitos civis. Um exemplo seria a descriminalização do uso da maconha, para fins medicinais ou recreativos. O mesmo aspecto pode ser visto em dezenas, centenas de casos: a instituição do direito ao divórcio é um exemplo. Num movimento semelhante, é possível vermos que o fim da tipificação penal também se alinha com uma rota progressiva do Direito: o adultério foi considerado crime por muitos anos, e deixou de ser. A prática da eutanásia é criminalizada no Brasil, porém, não é mais no Uruguai e isso nos traz ao propósito “evolutivo” do Direito. No sentido amplo, uma parte significativa das Ciências Sociais tem sua inscrição num certo tipo de darwinismo social – veja-se as “gerações de direitos humanos”; entretanto, a história é repleta de idas e vindas, no sentido de que não há “evolução continuada” e de que os retrocessos podem ser avassaladores: o Estado Islâmico é caso lapidar dessa dialética negativa. A história também nos revela que Direito e Moral não falam a mesma língua, num corte epistemológico muito evidente se compararmos o Código de Hamurabi com o notório Direito Romano, em que a técnica se “separaria” do certo e do errado derivados da imposição religiosa. O Positivismo Jurídico viria nessa mesma direção, dirimindo-se qualquer noção estranha ao Direito: a subsunção deveria fazer essa função, ao “retirar” o fato de suas circunstâncias e o aproximar, de certa forma justapor, ao tipo penal e assim lhe atribui uma pena ou não. Desse modo, o fato (autoria) seria analisado mediante seu “encaixe” no tipo penal, e nenhuma circunstância exterior deveria “contaminar” essa análise. Como se sabe, as avaliações não se dão exatamente desse modo, e nos bastaria avaliar que há circunstâncias atenuantes (agir em legítima defesa) ou ainda mais incriminadoras (premeditação). Esta separação, no entanto, se considerada fria demais, pode revelar um direito nazista; tanto quanto, ao se buscar uma reaproximação, iremos encontrar o oportunismo ou o obscurantismo legislativo: tivemos recentemente uma tentativa de se punir mais severamente a vítima de estupro que fizesse aborto, do que em relação ao ato de violência sexual (a vítima teria uma pena maior do que a do estuprador). O que seria atentatório a qualquer noção mínima de justiça. Mas, o fato de existir uma tentativa desse gênero – assim como a que prevê uma “autorregulamentação ambiental” para quem promove o desmatamento – já nos indica que uma suposta Moral não só é manejada a serviço de interesses escusos como produz verdadeiros atentados ao Direito que já se provara progressivo. A existência e perseverante aplicação da pena de antecipação da morte em alguns países, com múltiplos métodos, e a sua vedação em muitos outros (como no Brasil) nos indica que essa luta humanitária (“evolutiva”) do Direito é uma constante no momento presente. Sob as “gerações dos direitos humanos”, a transformação da perspectiva dos direitos individuais (à propriedade, por exemplo) em direitos individuais homogêneos – acessibilidade, desenho universal – denota, mais uma vez, que é uma luta progressiva, um tipo de dialética que tende a transfigurar o individual no coletivo; aliás, há muito se tem a primazia do Princípio da prevalência do interesse público sobre o privado. O fator aqui em destaque seria sua efetividade (ou não).

“O Brasil do futuro será melhor que o Brasil do presente”, diz Lula

O presidente anunciou a destinação de R$ 108 milhões para apoiar até 500 cursinhos populares em todo o país

Em um encontro marcado por discursos de incentivo e promessas de investimento em educação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (18) de um evento em São Bernardo do Campo (SP), no Ginásio Adib Moysés Dib, diante de milhares de estudantes da Rede de Cursinhos Populares (CPOP). O ato celebrou a assinatura do termo de compromisso para o edital que prevê a expansão da rede em 2026.

Lula anunciou a destinação de R$ 108 milhões para apoiar até 500 cursinhos populares em todo o país, reforçando o compromisso de ampliar as oportunidades de acesso ao ensino superior para jovens em situação de vulnerabilidade social.

Lula: “O Brasil do futuro será melhor do que o Brasil do presente”

Diante da plateia formada por estudantes que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o presidente fez um apelo direto à juventude. “O Brasil do futuro será melhor do que o Brasil do presente. Ninguém na idade de vocês tem o direito de desistir. Por mais que se tenha dificuldade em casa, por mais que se tenha dificuldade financeira, por mais que às vezes as coisas não andem bem, não há possibilidade de vocês, na idade de vocês, desistirem”, afirmou Lula.

Em outro momento, o presidente reforçou a importância da determinação: “O que faz a vida valer a pena de verdade é a gente ter um objetivo. É a gente ter uma causa e a gente perseguir. Não desistam nunca. O destino somos nós quem traçamos. Sejam o que vocês quiserem. E nós estaremos aqui para dar sustentação a vocês.”

Estrutura do programa

Instituída pelo Decreto nº 12.410/2025, a Rede Nacional de Cursinhos Populares tem como objetivo fortalecer cursinhos pré-vestibulares comunitários e oferecer suporte técnico e financeiro para a preparação de estudantes da rede pública. Além de orientações específicas para o Enem, o programa busca ampliar a participação de jovens negros, indígenas e de famílias de baixa renda no ensino superior.

O edital a ser lançado em dezembro prevê até 500 cursinhos financiados em 2026, ampliando a rede que atualmente já apoia 384 unidades em diferentes regiões do país. No primeiro ciclo, o programa beneficiou mais de 12 mil estudantes, com recursos de R$ 74 milhões.

Apoio ministerial

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que a iniciativa marca uma virada de página. “Essa rede de cursinhos populares já existiu, mas não tinha o apoio do poder público. Foi o presidente Lula que, através de um decreto, criou a Rede de Cursinhos Populares em todo o país. Hoje, 384 cursinhos populares estão sendo apoiados pelo MEC. E vamos chegar a 500 cursinhos CPOP em todo o Brasil. A educação é o único caminho transformador para a sociedade brasileira”, afirmou.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recordou conquistas de sua gestão no MEC entre 2005 e 2012, ressaltando o impacto do Programa Universidade para Todos (Prouni) e da lei de cotas. “Na comparação com o que esse país era 20 anos atrás, vocês tiveram muitas conquistas. Em 2004, nasceu o Prouni, que permitiu acesso às pessoas que não entravam na universidade pública. Já são 4 milhões de brasileiros diplomados pelo programa”, disse Haddad.Ele também relembrou a expansão universitária conduzida no primeiro governo Lula.

“Em 2005, o presidente Lula decidiu fazer a maior expansão da história da universidade pública, com 126 novos campi. Além disso, reservamos 50% das vagas para alunos de escola pública, distribuídas entre brancos e negros de acordo com a proporção de cada estado. O negro ia entrar sim numa universidade pública”, frisou.

Educação como motor de desenvolvimento

No discurso, Lula ressaltou que a educação é condição essencial para o crescimento econômico e social do Brasil. “Este país nunca levou a sério a educação para o povo pobre. Não existe nenhum país do mundo que se desenvolveu sem antes investir na educação. Nós não queremos ser apenas exportador de soja, milho ou minério de ferro. A gente quer exportar conhecimento, inteligência, valor agregado, produzido pela nossa capacidade”, afirmou o presidente.

Brasil 247

Collor pode ir para presídio se não justificar tornozeleira a Moraes

Ex-presidente tem cinco dias para explicar a ministro por que aparelho utilizado por ele em prisão domiciliar ficou desligado por dois dias em maio.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Fernando Collor de Mello explique, em até cinco dias, o desligamento da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-senador. Collor cumpre prisão domiciliar em Maceió (AL) desde abril deste ano, após ser condenado pelo Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro no caso da BR Distribuidora.

Na decisão, Moraes foi enfático: se a defesa não apresentar uma justificativa plausível para o descumprimento da medida cautelar, poderá determinar a transferência de Collor para um presídio comum.

“Intimem-se os advogados regularmente constituídos por Fernando Affonso Collor de Mello para prestarem esclarecimentos, no prazo máximo de cinco dias, sobre o descumprimento da medida cautelar imposta, sob pena de decretação da prisão”, escreveu o ministro.

O alerta foi emitido após a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas, responsável pelo monitoramento do equipamento, informar ao STF que a tornozeleira ficou sem bateria nos dias 2 e 3 de maio deste ano.

Moraes também cobrou explicações da secretaria estadual sobre o motivo de o fato ter sido comunicado apenas cinco meses depois. O órgão terá 48 horas para enviar uma resposta ao Supremo.

Prisão domiciliar e condenação

Collor foi condenado pelo STF em 2023, por participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Segundo a denúncia, entre 2010 e 2014, ele recebeu cerca de R$ 20 milhões em propina em troca de indicações políticas feitas quando presidia o PTB.

Após o trânsito em julgado da condenação, o ex-presidente começou a cumprir pena em abril de 2025. A defesa conseguiu converter a prisão em domiciliar, alegando que Collor, de 75 anos, sofre de doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

O episódio envolvendo o desligamento da tornozeleira reacendeu a discussão sobre o regime de cumprimento da pena do ex-presidente. Caso não haja justificativa técnica ou médica para a falha no monitoramento, Moraes pode determinar a revogação da prisão domiciliar, fazendo com que Collor seja transferido para o sistema prisional comum. A decisão reforça o tom de rigor adotado pelo ministro em casos de descumprimento de medidas judiciais.

Congresso em Foco

 

Brasil e China trocam experiências sobre desenvolvimento regional e transformação digital

Em um movimento que reforça a parceria entre Brasil e China na busca por um desenvolvimento regional mais inclusivo e sustentável, especialistas dos dois países participaram, nesta sexta-feira (17), do evento “Transformação digital, erradicação da pobreza e governança urbana centrada nas pessoas”, realizado na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em Brasília.

O encontro é um dos desdobramentos do Memorando de Entendimento assinado entre o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China, Wang Changlin. O acordo estabelece novas bases de cooperação em políticas públicas de desenvolvimento regional e consolida o compromisso firmado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping de elevar as relações bilaterais ao patamar de Comunidade Brasil–China de Futuro Compartilhado para um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável.

Durante o evento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) apresentou o Programa Cidades Intermediadoras, como estratégia para o combate às desigualdades regionais e o fortalecimento de territórios com menor dinamismo econômico.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIDR, João Mendes, a parceria reforça o papel estratégico da cooperação internacional na redução das desigualdades territoriais e na promoção de um crescimento mais equilibrado. “O Brasil e a China compartilham desafios e oportunidades semelhantes no enfrentamento das desigualdades regionais. Neste contexto, a cooperação bilateral representa uma oportunidade estratégica para o intercâmbio de experiências, conhecimentos técnicos e boas práticas em políticas públicas voltadas à inclusão territorial e ao desenvolvimento sustentável”, destacou o diretor.

Áreas prioritárias do acordo

O Memorando de Entendimento (MOU) define áreas prioritárias de colaboração entre os dois países, com foco em ações que fortaleçam o desenvolvimento regional e a inovação. Entre os temas de interesse comum estão:

  • fortalecimento da cooperação subnacional;
  • incentivo a práticas de inovação regional;
  • otimização da distribuição de atividades produtivas;
  • governança ecológica de biomas e bacias hidrográficas; e
  • realização de Seminários Brasil–China sobre Políticas Regionais.

O documento também prevê a realização de estudos de caso, visitas técnicas e capacitações conjuntas, envolvendo regiões e províncias representativas de ambos os países, com o objetivo de compartilhar experiências e soluções inovadoras para o desenvolvimento regional. ”Nos últimos meses, temos estreitado cada vez mais essa relação, inclusive com a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países, com a presença do ministro Waldez e do secretário Daniel na China. Um dos temas que mais despertam o interesse do governo chinês é compreender como o Brasil enfrenta as desigualdades, tanto no contexto urbano quanto em escalas mais amplas, como a sub-regional e a macrorregional”, afirmou João Mendes.

Programa Cidades Intermediadoras

O Programa Cidades Intermediadoras para o Desenvolvimento Regional, coordenado pelo MIDR, busca promover a articulação em rede das cidades que exercem papel intermediador no território, conectando populações a bens e serviços públicos.

A iniciativa tem como meta reduzir a concentração populacional nas grandes metrópoles e fomentar o desenvolvimento econômico e social em regiões subnacionais. A atuação do MIDR se dará por meio da identificação de vetores de desenvolvimento e da ampliação da infraestrutura urbana e econômica, estimulando a geração de emprego e renda e o acesso a políticas públicas.

Fonte: Brasil 61

O que não se vende

O que não se vende, da gente pobre, é o fio de esperança

Por Vinício Carrilho Martinez

Para Carolina de Jesus não se expurga a fome, a angústia de ver os filhos passando todas as necessidades. Porém, mesmo naquele quarto despejado, e jamais desejado, não se vende e nem se perde a alegria de estar viva.

Ali, um dia de fome é assim – e traz uma conta muito dura:

  • “Fiz a comida. Achei bonito a gordura frigindo na panela. Que espetáculo deslumbrante! As crianças sorrindo vendo a comida ferver. Ainda mais quando é arroz e feijão, é um dia de festa para eles.
  • Vejam só. Até o feijão nos esqueceu. Não está ao alcance dos infelizes que estão no quarto de despejo. Quem não nos desprezou foi o fubá. Mas as crianças não gostam de fubá.
  • O céu é belo, digno de contemplar porque as nuvens vagueiam e formam paisagens deslumbrantes. As brisas suaves perpassam conduzindo os perfumes das flores. E o astro rei sempre pontual para despontar-se e recluir-se. As aves percorrem o espaço demonstrando contentamento. A noite surgem as estrelas cintilantes para adornar o céu azul. Há várias coisas belas no mundo que não é possível descrever. Só uma coisa nos entristece: os preços, quando vamos fazer compras. Ofusca todas as belezas que existe.
  • A Thereza irmã da Meyri bebeu soda…Tem dois filhos, um de 4 anos e outro de 9 meses”[1].

Quando se lê isso com o coração na boca, o que não se vende é o lugar do Outro, da Outra. É o sentimento comum a quem consegue ver as pessoas comuns, aquelas que comumente passam pelas piores necessidades da vida.

[1] CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014, p. 43.

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*) 

Dois pilantras na Casa Branca

Barrados no baile. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o golpista Paulo Figueiredo tentaram sabotar o encontro do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao irem ao Departamento de Estado na última quarta-feira (15), mas acabaram “chutados” de lá. A informação é da jornalista Maria Cristina Fernandes. (Diario do Centro do Mundo)

Dois pilantras na Casa Branca 2

“O relato que se tem é que os dois chegaram lá e foi uma passagem fugidia, porque disseram para eles: ‘Olha, mudou a agenda, mudaram as prioridades. Por causa da China, a gente está precisando do Brasil’. E puseram os dois para correr”, disse Maria Cristina durante o Central GloboNews.

Dois pilantras na Casa Branca 3

O comunicado oficial classificou como “positiva” a conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio, em Washington. O encontro entre os dois, que durou pouco mais de uma hora, serviu para reabrir o diálogo de alto nível entre os dois países. As equipes concordaram em iniciar tratativas para um futuro encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, ainda sem data definida.

Lula habilidoso

O presidente Lula é realmente um político muito sábio. Estrategista que só. Ao levar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (União Brasil-PB), ele deixou o bolsonarista sem ação para reagir à fala de Lula contra a péssima qualidade dos deputados federais. Motta foi vaiado e Lula bastante aplaudido. (Charge do Marcelo Martinez)

É o pior mesmo

Falando em péssima qualidade, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) é uma unanimidade. É o pior dos piores parlamentares que a Câmara Federal já recebeu.
Já se envolveu em diversas polêmicas por acusações vazias contra o sistema eleitoral e o Judiciário, é a figura central de um suposto esquema criminoso cujo objetivo seria desviar verbas parlamentares. É defensor da PEC da Bandidagem e foi recentemente liberado de investigação do STF pelos seus comparsas, digo, colegas parlamentares.

Vieira e Rubio

O tão esperado encontro entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acabou tratando mais das preparações para o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump do que de discussões práticas acerca do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. Desde que Trump decidiu sancionar o país, esta foi a primeira reunião entre representantes de alto escalão dos dois governos. De acordo com Mauro Vieira, o encontro durou mais de uma hora e, na maior parte do tempo, os dois estiveram acompanhados de assessores técnicos. Rubio e Vieira, no entanto, ficaram sozinhos por cerca de 20 minutos. O chanceler brasileiro afirmou que as conversas foram “produtivas” e disse que Lula e Trump devem se encontrar pessoalmente em novembro. (Metrópoles)

Vieira e Rubio 2

Havia uma grande expectativa por parte da comitiva brasileira sobre como seria o tratamento dispensado ao chanceler Mauro Vieira por Marco Rubio, um dos assessores de Trump com fortes ligações com o movimento Maga, base de apoio do presidente americano. Ao longo dos últimos meses Rubio tem sido especialmente vocal nas críticas ao governo brasileiro e aos rumos do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. O encontro entre os dois foi “extremamente cordial”, segundo relatos de assessores que participaram da reunião. Temas práticos sobre negociações a respeito do tarifaço acabaram ficando fora da pauta, mas houve o acordo de que técnicos dos dois países vão analisar as questões para levar à mesa de negociações. (g1)

Terras raras

Um dos temas que entrarão na pauta de negociações entre Brasil e Estados Unidos são as chamadas terras raras, um conjunto de 17 minerais fundamentais para o processo de transição energética. No Ministério de Minas e Energia, técnicos já preparam estudos para municiar o presidente Lula durante as negociações que devem ocorrer daqui para frente. Nesta quinta-feira, Lula participou da primeira reunião do Conselho Nacional de Política Mineral, comandado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. (CNN Brasil)

 Frei Chico

Por 19 votos a 11, os aliados do governo barraram os requerimentos que pediam a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, na CPMI do INSS. Ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), apontado pela Polícia Federal como uma das entidades que mais lucraram com os descontos indevidos em benefícios previdenciários — esquema que teria desviado cerca de R$ 6 bilhões, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). Apesar de o Sindnapi estar no centro do escândalo, Frei Chico não é, até o momento, alvo das investigações. Na semana passada, o presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, afirmou à comissão que a atuação do irmão de Lula sempre foi política, não administrativa. (Meio)

Gilmar Mendes X Luiz Fux

Às vésperas do anúncio do nome que irá ocupar a vaga deixada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso, o clima esquentou na Corte. Mais uma vez os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux entraram em atrito. Em meio a uma discussão acalorada na sala de lanches ao lado do plenário, Gilmar chamou o colega de “figura lamentável” e disse que ele “precisa de terapia para superar traumas”, segundo testemunhas. O desentendimento teria começado quando Gilmar criticou o voto de Fux no julgamento sobre a tentativa de golpe, em que o ministro divergiu da maioria e absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Irritado, Fux rebateu que o colega não tinha legitimidade para comentar sua decisão, já que não integra a Primeira Turma, responsável pelo caso. Procurados, Gilmar e Fux preferiram não se manifestar. (Globo)

Sessão cancelada

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cancelou a sessão conjunta do Congresso Nacional que ocorreria nesta quinta-feira para analisar os vetos do presidente Lula à proposta que altera as regras de licenciamento ambiental. Segundo Alcolumbre, o adiamento atendeu a um pedido da liderança do governo no Congresso. Ainda não há nova data para a votação. O governo tenta ganhar tempo e evitar que o Legislativo derrube os vetos, o que poderia enfraquecer as normas ambientais às vésperas da COP30 — a conferência da ONU sobre clima, marcada para novembro, no Pará. A proposta aprovada pelos parlamentares é classificada por ambientalistas como o “PL da Devastação”. O texto flexibiliza o licenciamento de obras e empreendimentos, incluindo a possibilidade de autodeclaração para atividades com médio potencial poluidor, como barragens de rejeitos. Em agosto, Lula vetou 63 trechos do projeto. (g1)

Trump x Venezuela

Um dia após Donald Trump autorizar a CIA a realizar operações letais em solo venezuelano, o almirante Alvin Holsey, responsável pelo comando militar das operações dos Estados Unidos nas Américas Central e do Sul, anunciou que deixará o cargo. Holsey chefiava o Comando Sul das Forças Armadas (U.S. Southern Command), órgão que supervisiona todas as operações militares na região. Sob sua direção, o Pentágono mobilizou cerca de 10 mil militares no Caribe em uma operação descrita oficialmente como uma missão de combate ao narcotráfico e ao terrorismo. A saída do almirante ocorre menos de um ano após assumir o posto — um mandato que normalmente dura três anos — e no auge da maior operação de seus 37 anos de carreira. As razões para sua saída não foram esclarecidas. No entanto, segundo fontes no governo americano, Holsey teria expressado preocupações com a natureza da missão e com os ataques a barcos supostamente ligados ao tráfico. (New York Times)

Efeito estufa

Cumprir os atuais compromissos firmados pelos países para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pode evitar 57 dias extras de calor extremo por ano, em comparação às previsões climáticas do planeta sem o Acordo de Paris. É o que revela um relatório da Atribuição Climática Global (WWA, em inglês) e da Climate Central, divulgado nesta quinta-feira. Atualmente, o calor causa meio milhão de mortes por ano, além de o aumento das temperaturas ameaçar ecossistemas críticos, como os recifes de corais nos oceanos. O estudo aponta um ganho de 0,3°C nos termômetros desde a adoção do Acordo de Paris e 11 dias extras de calor extremo por ano. (DW)

Papel de fibras vegetais

Cientistas brasileiros desenvolveram um papel feito a partir de fibras vegetais e látex natural capaz de substituir o plástico em embalagens. O produto é reciclável e biodegradável, enquanto combina resistência mecânica, impermeabilidade e ação antibacteriana. O material, criado por pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia em parceria com Unicamp e UFABC, é produzido a partir da interação eletrostática entre nanocelulose catiônica, extraída do bagaço da cana-de-açúcar, e látex natural da seringueira. Quando combinados, os componentes formam camadas que dão resistência e estabilidade ao papel. (g1)

Dinossauro argentino

Uma espécie desconhecida de dinossauro, que viveu há cerca de 230 milhões de anos, foi descoberta pela equipe de paleontologia do instituto científico estatal Conicet, na Argentina. O fóssil foi localizado na província de La Rioja, a 3 mil metros acima do nível do mar. A espécie de pescoço longo foi batizada de Huayracursor jaguensis em um artigo na revista Nature. Os pesquisadores afirmam que a espécie remonta ao período Triássico Superior, quando surgiram os primeiros dinossauros e os ancestrais dos mamíferos. Quando adulto, o animal teria mais de 1,5 metro de comprimento e pesaria 18 quilos. (Folha)

Paul “Ace” Frehley

Ace Frehley, guitarrista original do Kiss, em 1979O rock está triste. Morreu nesta quinta-feira, aos 74 anos, Paul “Ace” Frehley, guitarrista-solo fundador do Kiss (Spotify), onde usava a maquiagem de “homem do espaço”. Frehley tinha 21 anos quando, graças a um anúncio de jornal, uniu-se a Paul Stanley (vocal e guitarra), Gene Simmons (vocal e baixo) e Peter Criss (bateria e vocal) no Kiss, que três anos depois se tornaria uma das bandas de maior sucesso do rock. Mas um certo instinto autodestrutivo, somado a álcool e drogas, sempre o acompanharam, envolvendo-se em diversos acidentes de carro ao longo da vida. Compôs algumas canções clássicas do Kiss e seu disco solo de 1978 foi considerado o melhor entre os dos colegas. Deixou a banda em 1982, tirou a maquiagem e engrenou uma carreira solo (Spotify) que, embora tenha rendido bons álbuns, não repetiu o sucesso do Kiss, ao qual retornou entre 1996 e 2001. Segundo a família, Ace morreu em casa, devido a complicações por uma queda há um mês. (Variety)

Uber

Nos Estados Unidos, a Uber começou a testar um novo modelo em que motoristas e entregadores podem realizar microtarefas para treinar modelos de IA, desde gravar áudio, capturar imagens, até traduzir documentos e ganhar pequenas quantias em troca. A empresa também está reformulando o aplicativo para dar mais tempo para motoristas aceitarem viagens, mostrar mapas de calor de demanda e simplificar entregas múltiplas. As mudanças fazem parte da estratégia da Uber de se tornar uma plataforma de “trabalho flexível”. (The Verge)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Governo Trump exalta “avanço” e diálogo “muito positivo” entre Vieira e Rubio

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou, nesta quinta-feira (16), um comunicado destacando as conversas “muito positivas” e o “caminho de trabalho para o avanço” nas relações Brasília-Washington.

A declaração foi publicada pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, após o encontro, nesta quinta-feira, do chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado daquele país, Marco Rubio, na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA.

“Hoje, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Representante de Comércio dos Estados Unidos Jamieson Greer se reuniram com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e tiveram conversas muito positivas sobre comércio e questões bilaterais em andamento. O Secretário Rubio, o Embaixador Greer e o Ministro das Relações Exteriores Vieira concordaram em colaborar e conduzir discussões em várias frentes no futuro imediato, estabelecendo um caminho de trabalho para o avanço. Ambas as partes também concordaram em trabalhar juntas para agendar uma reunião entre o Presidente Trump e o Presidente Lula na primeira oportunidade possível”, diz a “Declaração Conjunta do Secretário de Estado Marco Rubio, Representante de Comércio dos Estados Unidos Jamieson Greer e Ministro das Relações Exteriores do Brasil Mauro Vieira”.

Mais cedo, Vieira confirmou a jornalistas que as equipes técnicas devem começar a negociar “em breve” medidas para tentar reverter as tarifas unilaterais de 50% aplicadas por Washington desde agosto contra produtos nacionais.

Do Brasil 247

 

Lula indica Jorge Messias para suceder Barroso no STF

O presidente Lula decidiu indicar o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada por cinco auxiliares e aliados do petista

Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o anúncio oficial deve ser feito nas próximas horas. Com a escolha, Messias será submetido a uma sabatina no Senado, etapa obrigatória antes da nomeação. A Casa analisará sua trajetória jurídica e decidirá se aprova o nome para o Supremo.

A tendência é que o governo trabalhe para garantir uma votação tranquila, já que ele mantém bom trânsito entre parlamentares de diferentes partidos. Entre os nomes avaliados estavam o advogado-geral da União, Bruno Dantas, e a ministra do TCU, Ana Arraes, mas Messias era considerado o favorito desde o início do processo, por sua relação direta com o presidente e sua atuação em pautas estratégicas do governo.

A escolha também tem forte apoio do PT e de setores jurídicos ligados ao partido. Messias é visto como um aliado leal e técnico, com experiência na administração pública. Barroso se aposentou antecipadamente aos 67 anos, embora pudesse permanecer na Corte até os 75.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Messias tem 45 anos e poderá ficar na Corte até 2055, pelas regras atuais. Ele é procurador da Fazenda Nacional concursado desde 2007 e tua como ministro da AGU desde janeiro de 2023. Antes, foi subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência durante o governo de Dilma Rousseff.

O escolhido por Lula esteve em um encontro com o presidente Lula e lideranças evangélicas na tarde desta quinta (16). Participaram do evento, além do presidente e do ministro da AGU, o bispo Samuel Ferreira, da Igreja Assembleia de Deus Madureira; a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais; e o deputado federal Cezinha Madureira (PSD-SP).

O presidente já havia sinalizado, na última terça (14), que Messias seria o escolhido. Na ocasião, ele participou de um jantar com os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além de membros do governo, como Ricardo Lewandowski e Rui Costa.

Para auxiliares, o petista decidiu não levá-lo ao jantar para “preservá-lo” e a percepção foi de que ele já havia “batido o martelo” na data.

Diario do Centro do Mundo

Coluna Zona Franca

Lula tem razão

 

Horas após o presidente Lula dizer que o atual Congresso Nacional é um dos piores eleito nas últimas eleições, a Câmara Federal aprova a suspensão do processo contra o pior deputado da casa, Gustavo Geyer (PL-GO), acusado de diversos crimes.

Brasil, China e o SUS

Pode ser uma imagem de hospital e textoO governo brasileiro firmou, em Pequim, na terça-feira (14), um Memorando de Entendimento (MoU) com a biofarmacêutica chinesa Gan & Lee Pharmaceuticals e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para desenvolver pesquisas e ampliar a oferta de tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme relatado pela Agência Gov, o foco está em terapias para câncer, obesidade, diabetes e doenças autoimunes. O MoU foi assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que enfatizou a importância da iniciativa.

Brasil, China e o SUS 2

Beijing, 14/10/2025 - Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conhece hospital inteligente de Beijing. O ministro cumpre missão oficial para tratar de parcerias estratégicas entre os países, como a criação de hospitais inteligentes no SUS. Brasil possui acordos bilaterais sobre vacinas, medicamentos e equipamentos com a China. Foto: Beijing Tiantan Hospital/DivulgaçãoA saúde na China é diferente de tudo que se já viu! Padilha ficou encantado com a tecnologia no seu último grau empregada nos hospitais chineses. Alexandre Padilha visitou o hospital inteligente universitário Tiantan, localizado em Beijing. Ohospital inteligente caracteriza-se por acompanhar e oferecer assistência ao paciente após internação ou consulta, com uso de tecnologias avançadas.

Brasil, China e o SUS 3

No Brasil, oInstituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil) tem um projeto de instalar uma unidade em São Paulo, com previsão de funcionar a partir do final de 2027. A expectativa é o primeiro hospital público inteligente do Brasil oferecer 800 leitos para casos de emergência de adultos e crianças nas áreas de neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras urgências. O governo solicitou financiamento ao Banco de Desenvolvimento dos Brics para a construção do hospital semelhante aos modelos da China e da Índia. A instituição deve retornar sobre o pedido até o fim deste ano.

Trump autoriza ações contra Maduro

Os Estados Unidos parecem estar cada vez mais próximos de realizar uma intervenção militar na Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro e o regime chavista que controla o país há 26 anos. De acordo com o New York Times, a CIA recebeu autorização formal do presidente Donald Trump para preparar e realizar ações secretas na Venezuela com o objetivo de promover uma mudança de regime no país. Isso inclui assassinar quem a Casa Branca considere inimigo, como o próprio Maduro. As ações podem ocorrer com o apoio das Forças Armadas. Cerca de 10 mil soldados americanos foram deslocados para a região e estão embarcados em oito navios de guerra e um submarino nuclear estacionados nos limites das águas territoriais venezuelanas. (New York Times)

Trump autoriza ações contra Maduro 2

Horas após a CIA receber a autorização da Casa Branca, Trump afirmou que os ataques contra alvos venezuelanos podem passar a ser terrestres. Até o momento, os Estados Unidos têm tido como alvo pequenas embarcações que Trump acusa, sem oferecer provas, de estarem transportando drogas. Cinco barcos foram destruídos, matando cerca de 30 pessoas. “Nós estamos claramente agora olhando para o continente, porque o mar já está sob controle”, disse o presidente americano em conversa com repórteres na Casa Branca. (Politico)

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A presença militar americana na costa venezuelana é a maior desde que o país invadiu o Panamá, em 1989, para depor o presidente Daniel Ortega, na época também acusado pelos EUA de ser um narcotraficante. Além das nove embarcações que circundam a costa venezuelana, desta vez os Estados Unidos também enviaram caças de ataque F-35B, aviões de transporte como o C-17, além de drones Reaper, que ficaram conhecidos por seus ataques letais no Afeganistão e no Iraque. (Wall Street Journal)

Trump autoriza ações contra Maduro 4

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz, a venezuelana María Corina Machado elogiou a política americana para seu país em entrevista à âncora da CNN, Christiane Amanpour, e afirmou que Trump merece ser o escolhido pelo Comitê Norueguês no próximo ano. “Trump entendeu que a Venezuela está no coração das Américas e que Maduro transformou nosso país em uma ameaça real à segurança nacional dos Estados Unidos”, disse ela. (CNN)

Hamas sem corpo de israelenses

O Hamas declarou que já não tem em seu poder nenhum corpo de israelenses mortos após o ataque de 7 de outubro de 2023. Ao todo, o grupo palestino devolveu os restos mortais de oito pessoas. O governo israelense confirmou a identidade de seis corpos, rejeitou um e ainda não tem resposta sobre um oitavo, que passa por testes de reconhecimento. De acordo com o Hamas, os demais corpos estariam sob os escombros de prédios e túneis destruídos pelas tropas israelenses. A inteligência de Israel, no entanto, afirma que o grupo palestino mantém em seu poder mais corpos do que admite. (Times of Israel)

Israel pode atacar Gaza

Em Washington, o presidente Donald Trump afirmou que Israel pode voltar a atacar Gaza de forma violenta se o Hamas não mantiver os termos do cessar-fogo assinado na segunda-feira. “Israel pode atacar a qualquer momento, basta que eu diga para eles atacarem”, disse Trump. (Haaretz)

Brasil x Estados Unidos

O Brasil dá mais um passo hoje na tentativa de distensionar as relações com os Estados Unidos. O chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, farão o primeiro encontro de alto nível entre os dois países para discutir o tarifaço imposto pelos EUA. Depois de ser elogiado novamente por Donald Trump na terça-feira, o presidente Lula retribuiu o gesto em evento no Rio. “Eu comecei a falar o que eu deveria falar. Aí, não pintou química, pintou uma indústria petroquímica. Amanhã [quinta], vamos ter uma conversa de negociação, e eu estou dizendo isso para vocês porque a relação humana é química”, disse o presidente. (UOL)

Brasil x Estados Unidos 2

A expectativa do Itamaraty é de que a conversa entre Vieira e Rubio seja marcada pelo início efetivo das negociações envolvendo as tarifas e as sanções que os EUA aplicaram às autoridades brasileiras. No entanto, não há garantias de que isso ocorrerá. Há o temor de que Rubio opte por deixar essas questões em segundo plano para tratar do planejamento do provável encontro que Trump e Lula terão no final do mês, na Ásia. (g1)

Brasil x Estados Unidos 3

No caminho entre Vieira e Rubio também há empecilhos conhecidos pelo Brasil. Nesta quarta-feira, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo estiveram no Departamento de Estado, em Washington. Os dois estão, desde o início do ano, fazendo lobby para que o governo americano pressione o Brasil a anular o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Rubio é próximo do movimento conservador que serve como base de apoio de Trump, o MAGA. (CNN Brasil)

Jorge Messias

Lula soltou o verbo nesta quarta-feira. Em conversa com seus principais aliados, o presidente confirmou o que muita gente já dava como certo: o advogado-geral da União, Jorge Messias, deve ser o escolhido para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. A expectativa é de que Lula faça o anúncio até sexta-feira. Nesta quarta, ele assinou a aposentadoria de Barroso, que deixa o STF neste sábado. No Rio, o presidente utilizou um evento em homenagem ao Dia do Professor para criticar o Congresso diante do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Falando diretamente com Motta, Lula disse que o Congresso “nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora”. (Folha)

Vetos à lei de licenciamento ambiental

Diante da ameaça do Congresso de derrubar hoje seus vetos à lei de licenciamento ambiental, o presidente Lula publicou nesta quarta-feira um decreto facilitando a Licença Ambiental Especial (LAE). Esse tipo de licença autoriza obras estratégicas, mesmo com “significativa degradação do meio ambiente”. O gesto é um aceno ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que quer a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, já defendida pelo próprio Lula. (g1)

Marcelo Xavier foi condenado

Falando em meio ambiente, Marcelo Xavier, que presidiu a Funai no governo Bolsonaro, foi condenado pela Justiça Federal do Amazonas a dez anos de prisão. Ele era acusado de perseguir servidores e indígenas para liberação do Linhão de Tucuruí, uma linha de transmissão de energia que atravessa a terra indígena Waimiri Atroari. (Globo)

Eutanásia legalizada 

O Senado do Uruguai aprovou, nesta quarta-feira, um projeto de lei que legaliza a eutanásia. Para ter acesso ao procedimento, pacientes devem ser maiores de idade, cidadãos ou residentes, mentalmente aptos, e enfrentar uma doença incurável em fase terminal ou que cause sofrimento insuportável. Com oposição da Igreja Católica e de organizações civis, o projeto, que tem apoio de 62% dos uruguaios, segue agora para a sanção do presidente Yamandú Orsi, que já manifestou apoio à causa. (g1)

 Concentração de dióxido

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório, nesta quarta-feira, alertando que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera registrou em 2024 o maior aumento desde o início das medições modernas em 1957. De acordo com a entidade, os novos recordes foram alcançados pelos três principais gases do efeito estufa: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. As atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, e o aumento de incêndios florestais foram os principais responsáveis, causando elevação de temperatura a longo prazo. (g1)

 Concentração de dióxido 2

Aliás, as árvores da floresta tropical australiana se tornaram as primeiras no mundo a deixar de ser um sumidouro de carbono e se tornar uma fonte de emissões devido às temperaturas cada vez mais extremas e às condições mais secas. Segundo um estudo publicado na revista Nature, a mudança começou há cerca de 25 anos, quando mais árvores começaram a morrer e liberar os gases, enquanto o crescimento de novos exemplares, que absorvem carbono, tornou-se insuficiente. (Guardian)

35 anos da morte de Olavo Pires

E hoje completa 35 anos da morte do senador Olavo Pires (PTB-RO), brutalmente assassinado durante o segundo turno das eleições de 1990. Parece que foi ontem. Este articulista trabalhava na campanha e apresentaria ao candidato um estudo sobre as rádios do interior do estado no dia seguinte. Tudo terminou às 20h do dia 16 de outubro. Três décadas e meia depois, a Polícia ainda não revelou quem foram os reais mandantes do crime que já prescreveu. Muitos envolvidos direta ou indiretamente já morreram. Quem sabe quem mandou matar não fala ou não já morreu.

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A história do assassinato do senador Olavo envolve personagens como Romeu Tuma (PTB-SP) e Valdir Raupp (PMDB-RO), o ex-governador de Rondônia Oswaldo Piana, o então ministro da Justiça, Bernardo Cabral, outros políticos, empresários e uma rede de criminosos.

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As investigações passaram por denúncias de ligações do senador com narcotráfico, suspeitas contra adversários políticos e nenhuma solução. Quando morreu, Olavo Pires pertencia ao PTB e exercia o primeiro mandato de senador depois de quatro anos como deputado.

35 anos da morte de Olavo Pires 4

Na verdade (opinião deste articulista), o brutal assassinato do senador Olavo Pires foi mal investigado. Não houve real empenho nem da polícia local, nem da Polícia Federal, já que crime envolveu um senador da República. Crime federal! Testemunhas chaves jamais foram ouvidas. Fizeram vistas grossas para provas e evidências, deixando o crime prescrever.

                                       Ponte binacional

Pode ser uma imagem de estudando, televisão, mapa, sala de redação e textoSerá amanhã em Guajara-Mirim, o evento “Unindo Povos, Construindo Futuro”, promovido pelo senador Confúcio Moura (MDB–RO), às 14h, no auditório da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ponto de partida para a construção da tão esperada Ponte Binacional entre Brasil e Bolívia. Mais do que uma obra de engenharia, a ponte representa um marco de integração entre dois países e o início de um novo ciclo de desenvolvimento para Rondônia e para toda a região de fronteira. O encontro vai reunir autoridades brasileiras e bolivianas, especialistas e representantes de instituições para discutir os impactos econômicos, sociais e estruturais da construção.

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

“Dono” das contas da Prefeitura, Santander abandona o Centro Financeiro e fica com uma agência só

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Santander fechou quase todas as suas agências no Centro Financeiro, deixando apenas uma agência na Avenida Rio Branco, bem na esquina com a Presidente Vargas

Todos têm acompanhado o grande esforço da Prefeitura do Rio de Janeiro na recuperação do Centro da Cidade do Rio, seja através do ambicioso Porto Maravilha, ou dos seus planos Reviver Centro, 1 e 2. Foram concedidos inúmeros incentivos para fazer com que mais empresários, pequenos e grandes, apostem na região, que já ganhou, no mercado imobiliário, por exemplo, o lançamento de mais de 13 mil apartamentos, que vêm sendo vendidos como um relâmpago, por valores que chegam a R$ 15.000 por cada metro quadrado construído. São muitas iniciativas para dar um novo fôlego à região que se reforça como ponto turístico, de entretenimento e de boemia, além de tornar-se novamente bairro residencial, e sem contar com o constante retorno de grandes empresas, que vêm consumindo os escritórios vagos. Em julho de 2022 o Banco Santander ganhou a licitação renovando a parceria para gerir os pagamentos de salário dos 193 mil servidores da cidade até 2027, mas no que tange à revitalização do Centro, não parece querer ajudar muito. Segundo informações, o Banco vai fechar agora sua agência no Edifício De Paoli, na Nilo Peçanha.

O banco espanhol vem fechando loja atrás de loja no Centro do Rio. Muitas delas de sua própria propriedade – como as lojas da Presidente Vargas 100, Assembléia 31, Marechal Câmara 160, entre outras – e outras alugadas a proprietários diversos como Rio Branco 115, o que, no caso, pareceria mais compreensível. Atualmente, depois de anos fechando lojas na região – algumas das quais ficam vazias por anos, pagando valores de condomínio por vezes estratosféricos – o número de agências bancárias na região Central foi bastante reduzido, em que pese a região central do Rio de Janeiro ter, segundo dados da Aliança Centro Rio – uma espécie de associação que reúne grandes empresas da região – cerca de 60 mil CNPJs ativos, e mais de 500 mil profissionais empregados com carteira assinada. O faturamento da região é de aproximadamente R$ 560 bilhões anuais, cifra que corresponde a 32% do faturamento de toda a capital fluminense.

O Santander, porém, foi além: fechou quase todas as suas agências no Centro Financeiro, deixando apenas uma agência na Avenida Rio Branco, bem na esquina com a Presidente Vargas. De resto, manteve uma pequena agência na área de Comércio Popular, a Saara, e a agência dentro do complexo da própria Prefeitura, que é obrigada a manter por força da licitação que ganhou para gerir bilhões de recursos da cidade. De resto, deram uma banana pra região, tentando forçar – num local onde ainda há muitos saques, depósitos em caixa eletrônico, e pessoas de escolaridade baixa que têm dificuldade de fazer a gestão online – a operação via apps. Mas os empresários da região reclamam da falta de acesso aos gerentes, que agora, completamente assoberbados, não conseguem dar conta de atender todos os telefonemas, emails e demandas. Conversamos em off com três funcionários do banco, que reclamam da dificuldade de atender às demandas dos bares, restaurantes, escritórios e empresas pequenas e médias da região, que ainda tem um grande polo de materiais de construção e elétrico, e comércios de roupas, acessórios e também advogados.

Luiz Amaral trabalha num grande hospital da região. Demorou 11 dias pra conseguir sacar um cheque no Banco. Avisava, e chegava no Banco e o valor reservado nunca estava pronto. “Tive que ir a Zona Sul pra sacar o valor, depois de mais de uma semana. De cada 20 ligações que fazia pelo telefone, atendiam 1. É um inferno, e não dá pra ficar saindo da Avenida Churchill e andar até a Presidente Vargas várias vezes por dia. Isso é um absurdo!”. Para Heloisa Barboza, o problema se agrava quando a pessoa tem que ir ao Banco fazer alguma coisa: “Ninguém atende o telefone nessa agência. Os atendentes lá dizem que estão com pouco pessoal, e os gerentes nem conseguem conhecer seus clientes de carteira. Eu precisei resgatar um cheque que voltou e demorei meses. O cliente tinha feito uma enorme compra de sapatos, mas só queria pagar se eu devolvesse o cheque. Demorei semanas. Parece que os bancos querem passar pra nós o ônus de ser Banco, mas o bônus querem todinho pra eles“, dispara.

Procurado, o banco enviou a seguinte nota: “O Santander informa que o encerramento das atividades da agência localizada à Av. Nilo Peçanha, 50, no Rio de Janeiro, faz parte da reestruturação da rede de atendimento, acompanhando a mudança de comportamento dos clientes, que já realizam quase a totalidade de suas operações remotamente, por meio dos canais digitais. Clientes Santander podem continuar utilizando os serviços normalmente via aplicativo, internet banking, telefone, chat, além das demais lojas da rede física do Banco. Saques e depósitos, entre outras transações, podem ser realizados também nos terminais da rede Banco24Horas. O time de especialistas do Banco também segue visitando clientes-empresa in loco“.

Diario do Rio

MPF obtém decisão no TRF-1 que reafirma competência da Justiça Federal para julgar ação sobre queimadas na Amazônia

Tribunal acolheu recurso do Ministério Público Federal, reconhecendo o interesse da União e o impacto regional e nacional da poluição atmosférica

Por unanimidade, a 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reconheceu a competência da Justiça Federal para processar e julgar uma Ação Civil Pública (ACP) sobre danos ambientais e à saúde da população causados por queimadas na Amazônia. A decisão acolheu recurso interposto pelo Ministério Público Federal (MPF), reformando a sentença anterior que havia declinado da competência para a Justiça Estadual.

A ACP foi ajuizada pelo MPF contra o Estado de Rondônia e o Município de Porto Velho, visando compeli-los a adotar medidas destinadas à prevenção e ao combate às queimadas. Na ação, o órgão destaca que os incêndios geram danos expressivos à saúde da população e ao meio ambiente. O valor da causa é de R$ 100 milhôes.

O cerne da controvérsia residia na definição do juízo competente, e o MPF sustentou no recurso que a questão transcende os limites de Rondônia, possuindo repercussão regional e nacional, uma vez que os efeitos da poluição atmosférica atingem outros entes federativos. Esse cenário configura a legitimidade de atuação da União no polo passivo do feito, o que atrai, consequentemente, a competência para a Justiça Federal.

A decisão está fundamentada em dispositivos constitucionais e legais, como o art. 109, I, da Constituição Federal, e a Lei Complementar nº 140/2011, que estabelecem a competência da União em casos de impactos ambientais que ultrapassem os limites de um único Estado. O direito ao ambiente ecologicamente equilibrado (art. 225, CRFB) e o direito à saúde (art. 196, CRFB) foram citados como prerrogativas indisponíveis que impõem a máxima efetividade das normas constitucionais.

Número do processo: 1038378-03.2024.4.01.0000

“A fome é uma escolha política”, diz Lula

Em um artigo publicado em veículos de 12 países, o presidente Lula alerta para a relação entre fome, desigualdade e crise climática

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a fome não é fruto do acaso, mas sim consequência de escolhas políticas e econômicas. Em artigo publicado em veículos internacionais como Infobae (Argentina), Al Jazeera (Qatar), El País (Espanha), La Repubblica (Itália), The Independent (Reino Unido), entre outros, o mandatário brasileiro afirmou que a desigualdade global e a crise climática estão diretamente ligadas à perpetuação da insegurança alimentar.

Segundo Lula, “a fome não é uma condição natural da humanidade, nem é uma tragédia inevitável: ela é fruto de escolhas de governos e de sistemas econômicos que optaram por fechar os olhos para as desigualdades”. O texto critica o contraste entre a concentração de riqueza de 3 mil bilionários — que detêm 14,6% do PIB global — e os 673 milhões de pessoas sem acesso adequado à alimentação.

Crítica aos gastos militares e à inércia internacional

O presidente destacou que, em 2024, o mundo registrou o maior aumento em despesas militares desde o fim da Guerra Fria, atingindo US$ 2,7 trilhões. Enquanto isso, as nações mais ricas não cumpriram a meta de investir 0,7% de seus PIBs em políticas de desenvolvimento nos países pobres. Para Lula, trata-se de uma contradição que mantém viva a fome no planeta.

Ele também defendeu reformas no sistema de governança global, afirmando que os mecanismos multilaterais criados após a Segunda Guerra Mundial já não são capazes de responder aos desafios atuais, agravados pelas mudanças climáticas.

Brasil no G20 e avanços internos

Lula ressaltou como marco histórico a inclusão da taxação dos super-ricos na declaração final da cúpula do G20, realizada em novembro de 2024, sob presidência brasileira. No plano doméstico, afirmou que o Congresso está prestes a aprovar uma regra que estabelece tributação mínima sobre as maiores rendas, ao mesmo tempo em que isenta milhões de brasileiros de baixa renda.

O presidente também destacou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já reúne 200 membros, incluindo 103 países e 97 organizações. Segundo ele, o objetivo é não apenas trocar experiências, mas mobilizar recursos e pressionar governos por compromissos concretos.

Políticas sociais e impacto no Brasil

De acordo com dados oficiais citados por Lula, desde o início de 2023, 26,5 milhões de brasileiros deixaram a condição de fome, e o país saiu novamente do Mapa da Fome da FAO. Entre as medidas adotadas estão a ampliação do programa de transferência de renda, que hoje alcança 20 milhões de famílias; o reforço da alimentação escolar, que beneficia 40 milhões de estudantes; a compra pública de alimentos de pequenos agricultores; e o aumento do fornecimento gratuito de gás e eletricidade para famílias de baixa renda.

“As políticas só se sustentam em um ambiente econômico favorável. Quando há emprego e quando há renda, a fome perde sua força”, afirmou o presidente, lembrando que o Brasil alcançou os menores índices históricos de desemprego e desigualdade de renda per capita.

Desafio climático e COP30

Lula ainda relacionou a luta contra a fome ao combate à crise climática. O Brasil, que sediará a COP30 em Belém no próximo mês, pretende aprovar uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, ressaltando os impactos desiguais do aquecimento global sobre populações vulneráveis.

Em sua viagem a Roma nesta semana, o presidente levou a mesma mensagem ao Fórum Mundial da Alimentação e ao Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome. “A humanidade, que criou o veneno da fome contra ela mesma, também é capaz de produzir o seu antídoto”, concluiu.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Lula em Roma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “excelente” a audiência com o papa Leão XIV, realizada nesta segunda-feira (13) no Vaticano. Ao lado da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, Lula destacou que a reunião abordou religião, fé, Brasil e os grandes desafios globais. “Eu e a Janja tivemos um excelente encontro com sua Santidade, o papa Leão XIV, no Vaticano. Conversamos sobre religião, fé, o Brasil e os imensos desafios que temos que enfrentar no mundo”, afirmou o presidente em declaração pública sobre a visita.

Lula em Roma 2

Lula aproveitou o encontro para parabenizar o pontífice pela publicação da Exortação Apostólica Dilexi Te. Segundo ele, o texto reafirma a mensagem de que a fé não pode ser separada do compromisso com os mais pobres.“Parabenizei o Santo Padre pela Exortação Apostólica Dilexi Te e a sua mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que precisa ser lido e praticado por todos”, declarou.

Lula em Roma 3

A comitiva do presidente conta com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), além de auxiliares. (g1)

Brasil fora do Mapa da Fome

Na audiência, Lula mencionou sua participação no Fórum Mundial da Alimentação da FAO, realizado em Roma, e ressaltou os resultados recentes do país no combate à fome. “Falei ao Papa sobre minha participação hoje no encontro da FAO e como em dois anos e meio tiramos pela segunda vez o Brasil do Mapa da Fome. E, agora, estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, afirmou.

Segurança alimentar

O percentual de famílias que vivem com insegurança alimentar grave caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% no ano passado, com a saída de 2,2 milhões de lares dessa condição. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados na sexta-feira pelo IBGE. Também aumentou a proporção de domicílios em segurança alimentar de 72,4% para 75,8% no mesmo período. Em que pese a fome ter diminuído, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, com Norte (37,7%) e Nordeste (34,8%) entre as regiões mais afetadas. (IBGE)

Hamas liberta reféns

Pouco mais de dois anos depois dos atentados de 7 de outubro de 2023, o grupo terrorista Hamas não mantém mais qualquer refém israelense na Faixa de Gaza, com a libertação nesta madrugada dos 20 cativos que ainda estavam vivos. Os corpos dos 28 israelenses que morreram no cativeiro devem ser entregues ainda nesta segunda-feira. Os reféns vivos foram entregues à Cruz Vermelha em dois grupos de sete e 13 pessoas e repassados às Forças Armadas de Israel. As primeiras imagens dos libertos conversando por celular com suas famílias emocionaram o país. Em contrapartida, 1.300 palestinos dever deixar nesta segunda-feira prisões israelenses, entre eles 250 militantes do Hamas na Cisjordânia, mas pelo menos sete destes devem ser deportados. A libertação dos reféns e o repatriamento dos corpos são resultado do acordo de cessar-fogo imposto pelo presidente dos Estados Unidos na semana passada e aprovado tanto pelo Hamas quanto pelo Knesset, Parlamento de Israel. (Times of Israel)

Trump em Israel

Ao mesmo tempo em que os reféns eram libertados, Trump desembarcou em Israel com uma recepção de herói nacional tanto por parte de autoridades quanto de manifestantes nas ruas. Ao chegar ao Knesset, onde discursou, o presidente escreveu uma mensagem no livro de visitas dizendo: “Esta é minha grande honra — um grande e belo dia. Um novo começo”. Ele também afirmou aos jornalistas que a guerra em Gaza estava “oficialmente encerrada”, uma posição que não é compartilhada pelo primeiro-ministro israelenses, Benjamin NetanyahuTrump segue hoje ainda para o Egito, onde participa de uma conferência de paz. (CNN)

A batalha para Netanyahu

A volta dos reféns e o provável fim da guerra na Faixa de Gaza dá início a uma nova batalha para Netanyahu: o controle da narrativa sobre os atentados de 7 de outubro, o conflito no território palestino e seu encerramento. Em luta permanente pela própria sobrevivência política, o premiê deve tentar se eximir da responsabilidade pelos ataques do Hamas e reivindicar vitória no conflito, mesmo com o plano e paz tendo sido obra (e pressão) de Trump. (Haaretz)

Jorge Messias favorito

Anunciada na quinta-feira, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso antecipar uma aposentadoria abriu uma guerra pela vaga na Corte. A cúpula do Judiciário vê o advogado-geral da União, Jorge Messias, como favorito, por conta de sua proximidade com o presidente Lula. No Senado, onde a indicação tem de ser aprovada, porém, a preferência recai sobre o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Enquanto isso, setores da sociedade querem que Lula use a oportunidade para aumentar a representatividade no Supremo. O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, defendeu a indicação de uma mulher — desde a aposentadoria de Rosa Weber, em setembro de 2023, Cármen Lúcia é a única representante feminina no tribunal. (Folha)

Jorge Messias favorito 2

E os bolsonaristas já traçam estratégias para tentar barrar a eventual indicação de Messias, conta Malu Gaspar. Uma delas é bombardear as redes com o áudio em que a ex-presidente Dilma Rousseff dizia que “Bessias” iria levar a Lula sua nomeação para um ministério, a fim de evitar sua prisão. A medida foi barrada na época pelo ministro do STF Gilmar Mendes. (Globo)

 ECA Digital

O governo Lula dará na próxima semana o primeiro passo para definir como será feita a verificação de idade na internet, um dos pontos centrais do ECA Digital. A lei obriga plataformas a criarem mecanismos para proteger crianças e adolescentes, impedindo o acesso a conteúdo impróprio. O Ministério da Justiça vai abrir consulta pública com três métodos propostos: o uso de documento digital, carteira de identidade digital e provas de conhecimento zero, modelo criptográfico que confirma a idade sem revelar dados pessoais. A verificação etária será obrigatória em todos os serviços digitais, do YouTube ao OnlyFans, mas precisa respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados. (UOL)

Breakfast

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(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

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Coluna Zona Franca

PERSPECTIVAS FRUSTRANTES

Enquanto o preço do leite cai até R$ 0,50 por litro nas mãos do produtor, valores nas prateleiras seguem estáveis; cenário pressiona pequenos produtores, desvaloriza propriedades rurais e expõe falhas na cadeia de comercialização. A cadeia produtiva do leite no Brasil, especialmente no segmento da pequena produção, vive mais um capítulo de profunda instabilidade econômica.

É por essas e que os pequenos produtores de leite partem em aventuras para atividades de riscos ainda maiores.
Veja bem se este valor corresponde ao custo operacional remunerando o imenso capital que se emprega para produzir leite.
Esse povo não sabe fazer contas?
Vamos lá, para produzir 100 litros de leite são necessários:
1. 10 vacas com 10/l em média;
2. 5 hectares de terras mais produção de silagens;
3. Manutenção com cercas, estruturas, energia elétrica, medicamentos etc;
4. Pelo.menos 5h diárias de mão de.obras.

Calculamos o custo:
* 10 vacas = r$100.000,00
* 5 ha de terras = r$250.000,00
* Produção de silagens em 1ha = 10.000,00
* Manutenção com cerca, energia elétrica, medicamentos e mão de obras r$4.000,00 x 12 meses.

Somando tudo o capital, mais custos operacionais ultrapassam r$400,000,00 ao ano.
Assim o produtor terá uma renda bruta de 63000,00 ao ano. Descontando os custos operacionais da ordem de r$58,000,00.

Sobram apenas r$5.000,00 para investimento/ano. Algo em torno 1% de toda a movimentação.

Pode ser uma imagem de texto

É ou não é para desistir ???
Quero ver qual o economista que justifique a atividade neste contexto…

O pessoal não compreende os parâmetros que devem ser utilizados para formação do preço do litro de leite…
Daí o cartel de laticínios deita e rola tripudiando sobre os produtores.

Agora vai aparecer alguem pra me contestar… tô só vendo!

Por Ciro Andrade
Urupá-RO
10.10.25

DESONRA À NOBEL

Quando o engenheiro sueco Alfred Nobel resolveu deixar seu legado, foi para tornar-se em
prêmios à pessoas que contribuíram com feitos de grandeza em benefício do bem da
humanidade, em diferentes áreas do conhecimento.

Dentre elas, estão a física, química e a paz. Portanto, nenhuma dessas tem relação com feitos que valorizam a violência, a fome, a morte ou segregação humana.

Para ser agraciado com o legado do engenheiro Nobel, é preciso ter notória ação no sentido
mais positivo e construtivo em favor do bem viver e bem estar das pessoas ou de um povo.
Então, a escolha de Maria Corina Machado como Nobel da Paz foi uma distorção da realidade.

O sinal de concordância com a barbárie desencadeada contra a comunidade palestina. Essa
moça afirmou reiteradas vezes que tem preferência pelo primeiro-ministro iaraelense. Que tem preferência pela política de domínio e usurpação executada pelos EUA.
Corina com o Nobel da Paz estaria no mesmo grau de concordância com o assassinato dos
mais de 6 milhões de judeus pelos atos de Hitler.

Conceder Nobel da Paz a esta moça seria voto de crédito aos nebulosos tempos da ditadura
no Brasil. Espero com toda sinceridade, que o governo brasileiro se manifeste afirmando ser contrário a esta indicação, sob pena de pensar que dentre as boas coisas da vida não está a luta pela dignidade humana.

Quem concedeu o título a Corina são os mesmos que financiam o massacre contra mulhere  crianças e idosos palestinos. E assim, a hipocrisia floresce e valoriza os frutos da maldade como compensação, aguçando ainda mais a desgraça planetária.

Por Ciro Andrade
Urupá-RO
12.10.25

Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Barroso elogia governo Lula

O ministro Luís Roberto Barroso deixará o STF semana que vem. Em entrevista à Folha de S.PauloBarroso passou à limpo sua trajetória na mais alta Corte do país, falou de seu voto que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à prisão, os abusos da operação Lava Jato e saiu em defesa da democracia. Barroso afirmou que não se arrepende de seu voto por ocasião da Lava Jato, que acabou por levar Lula à prisão, mas admite que os movimentos do ex-juiz Sérgio Moro e sua equipe terminaram por colocar a operação em descrédito. “Efetivamente, muita gente, que eu acho que merecia, foi presa. Mas, olhando a operação hoje, eu identifico que havia uma certa obsessão pelo ex-presidente Lula que se manifestou em erros muito claros. Ela revelou um país feio e desonesto. Mas, em algum momento, se perdeu nos excessos e terminou se politizando”, criticou.

Barroso elogia governo Lula 2

Barroso afirmou que, ao analisar os governos a partir da redemocratização, de Collor até Lula 3, houve avanços inéditos sob o atual mandatário na realidade brasileira. “Nós melhoramos em tudo. E os governos Lula foram, objetivamente, os que tiveram os melhores indicadores. Sou juiz, e juiz não deve ter preferências políticas. Mas este é um fato”, disse.

Barroso elogia governo Lula 3

Ao definir o petista como “uma pessoa agradável e carismática” conta que até mesmo a sogra, que não era simpática ao líder, mudou de ideia ao conhecê-lo. “Minha sogra, que é holandesa, não tinha muita simpatia por ele. Mas, em dez minutos, Lula arrumou uma fã apaixonada.”

Barroso vice de Lula?

A coluna aposta uma dose de vodka com metanol de Tarcísio que o ministro Barroso será candidato a vice-presidente de Lula em 2026. Nessa configuração, Alckmin será candidato ao governo de São Paulo e Haddad ao Senado Federal. A conferir.

Messias ganha força

Em Brasília, o advogado-geral da União, Jorge Messias, tem se destacado por reunir dois traços pouco comuns na cúpula do governo: a confiança direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a identidade evangélica declarada. O nome do ministro voltou a ser cogitado nos bastidores do Planalto para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, na última quinta-feira (9). Com informações do Globo.

Messias ganha força 2

A possível indicação reacendeu articulações entre alas religiosas e políticas. Messias, membro da Igreja Batista Cristã de Brasília desde 2016, é visto como figura capaz de dialogar com grupos progressistas e conservadores do meio evangélico. Se for confirmado, o governo Lula colocará na Corte, pela primeira vez, dois ministros evangélicos — Messias e André Mendonça, este último indicado por Jair Bolsonaro e identificado com a extrema-direita.

Lula destaca operações da PF

O presidente Lula passou a incorporar de forma mais enfática o combate à criminalidade em suas declarações públicas, em um momento marcado por operações de grande porte da Polícia Federal. Em recentes discursos, Lula destacou ações contra o PCC e contra redes de exploração sexual infantil, alinhando-se a uma demanda crescente da sociedade pela ampliação da segurança.

Lula destaca operações da PF 2

Na última quarta-feira, após uma megaoperação conjunta com 16 estados contra a exploração sexual infantil, o presidente afirmou: “O que não falta é gente safada nesse país para fazer coisa errada. Essa gente tem que ir para a cadeia”. Em agosto, ao comentar ação contra o PCC, classificou a iniciativa como “a maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história até aqui”.

Lula destaca operações da PF 3

De acordo com o jornal O Globo, a guinada de Lula no discurso ocorre num contexto em que a violência desponta como a maior preocupação nacional. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana aponta que 31% dos brasileiros veem a segurança como o principal problema do país — o índice mais elevado em um ano. Entre os eleitores que se identificam como lulistas, o número é ainda maior, chegando a 36%. (Do Brasil 247)

As frotas de Nelson Wilians

Pode ser uma imagem de helicóptero e texto que diz "มี w N O helicóptero de 41 milhões de reais A PF confiscou uma aeronave italiana que o advogado Nelson Wilians havia transferido meses atrás para sua mulher"As frotas terrestre, aérea e marítima do advogado Nelson Wilians eram exibidas com destaque em seus perfis do TikTok e do Instagram, e serviam para dar lustro à imagem de profissional rico e bem-sucedido diante de seus 3,2 milhões de seguidores. Desde que se tornou investigado pela suspeita de lavar dinheiro desviado do escândalo de corrupção do INSS, essas mesmas joias motorizadas só lhe dão dor de cabeça. A última delas é o helicóptero modelo Airbus EC130 e prefixo PS-REH, que foi sua durante cinco meses.

As frotas de Nelson Wilians 2

A aeronave, em outros tempos presente em contexto de glamour e ostentação, foi exibida no telão de uma sessão da CPI do INSS, que investiga o roubo bilionário de contas de aposentados e pensionistas, na segunda (6). O senador Marcos Rogério (PL-RO) questionava Fernando Cavalcanti, por muitos anos sócio de Nelson Wilians, e disse: “Esse helicóptero tem uma história.” E começou então a apresentar uma série de slides para contá-la.

As frotas de Nelson Wilians 3

No inquérito sobre a roubalheira dos aposentados e pensionistas, o Supremo Tribunal Federal, em decisão do ministro André Mendonça, atendeu a PF e bloqueou esses 28,1 milhões de reais de Nelson Wilians, 24,1 milhões de reais de Cavalcanti e mais de 539,6 milhões de reais de Maurício Camisotti, suas empresas, seus filhos e sua esposa, Cecília Montalvão Simões.

Lula 2026

Se não fosse o combate à corrupção desencadeada pelo governo Lula, o roubo nas aposentadorias e outros desvios de recursos públicos não seriam levados à público. É por isso que a direita corrupta não quer a reeleição de Lula. “Nos tempos de Bolsonaro era mais fácil roubar e ninguém era punido”.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

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Coluna Zona Franca Especial de Domingo

Mamãe, vende eu

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“ – Mamãe, vende eu para a Dona Julita, porque lá tem comida
gostosa”.

Não se lê uma frase como essa impunemente. Por mais que a leitura do
livro revele uma autora muito diferente de nós – que lemos e que escrevemos
esse relato –, uma pessoa que ria da vida com fome do espírito das letras, que
matava a angústia e a fome do corpo lendo e escrevendo, que não se
resignava ao sofrimento, por mais que o livro mostre uma pessoa forte, em
busca da vida em meio à lástima, mais alegre do que triste (até nisso diferente
de nós), não há como ler a descrição da filha pedir comida, sem se abalar.

Se há algum sentimento dentro de quem lê, se não é um ato mecânico,
se quem lê tem algum sintoma de interação e de empatia, há que se comover
com a fome de uma criança pobre e faminta. Talvez se possa ler esse texto
que escrevemos de forma mecânica, sem muito entusiasmo – o que é
compreensível –, porém, a leitura dessa frase, se não se vai ler o livro todo,
não pode ser uma confissão de nossa frieza emocional e social.

Que se pense o mais básico, o mais simples de se entender, afinal, qual
criança pediria à própria mãe para ser vendida a fim de que pudesse comer?
Não se trata apenas do retrato de uma criança pobre, de uma criança famélica,
sem noção correta, consciente, do que veio pedir à mãe. Isso é certo, mas a
honestidade da mãe que não a vendeu e a sinceridade da menina deveriam
bastar para que nos comovêssemos.

Quem lê isso tem a certeza de que as crianças pobres e famintas não
têm um dia para si. Para milhões de crianças nessa situação não existe Dia
das Crianças, porque todo dia é dia de fome e de sofrimento. Sempre serão
dias contra as crianças.

O que nos faz pensar o tanto que nossa sociedade está anestesiada,
historicamente dormente, indiferente aos que passam fome e todo tipo de
desalento, quanto vemos as chamadas as vorazes elites, muito mais do que
famintas, para alimentar seu capital.

Nem se trata aqui da corrupção que corrói a cultura, a esperança, a
confiança no ser humano, uma vez que isso seria considerado
“excessivamente acadêmico”. Não, nem falemos da corrupção que, como
formigas insaciáveis, cortam todas as folhas que poderiam levar alguma seiva
de verdade e vida.

Não falemos de quantas crianças morrem de fome ou de doenças – até
não muito complexas – porque não há profissionais de saúde, remédios,
equipamentos, vacinas, prevenções suficientes em suas regiões. Não falemos
disso…

Falemos dessa criança que queria ser vendida para ter o que comer.
Falemos que não é um livro de ficção, um romance inventado pela cabeça de
alguém com tempo de escrever; falemos que é mais do que um livro, é um
diário. Trata-se de um registro efetivo, realista, com as impressões registradas
a partir dos sentimentos e das vivências daquelas pessoas. A história desse
povo brasileiro não é romanceada, não é uma crônica, não, não é nada disso.
É somente a descrição da dor.

Falemos que nenhuma criança deveria ter um dia assim.
Falemos que todas as crianças merecem um Dia das Crianças que as
alimente de fato.

Falemos que toda criança tem o direito de não sofrer por abandono,
violência, abuso, fome, vítima da maldade ou da corrupção pública.
É um direito humano das crianças não terem um faminto Dia das
Crianças, a não ser que estivessem famintas de vontade de brincar.

Se houve incômodo nesta leitura, assim como ainda fico abalado com o
livro, que é um diário da dor pessoal e social, digo que é ótimo – digo que
poderemos, juntos, comemorar o óbvio. O óbvio é sentir a dor do outro, da
outra.

Por fim, se você puder ler esse relato que fiz de mim mesmo no dia 12,
domingo, no Dia das Crianças – e se ainda indicar para alguém como nós dois
–, aí, sim, teremos saído um pouco dessa obviedade que se transformou a vida
moderna deste país indiferente às pessoas.

CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São
Paulo: Ática, 2014, p. 42.

Coluna Zona Franca

Por Roberto Kuppê (*)

María Corina Machado

Com uma crítica dura ao regime de Nicolas Maduro, o Comitê Nobel da Noruega concedeu o Nobel da Paz de 2025 a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, por seu “trabalho incansável promovendo os direitos democráticos do povo da Venezuela”. De acordo com o Comitê, o país latino-americano passou de “uma nação próspera e relativamente democrática para um regime brutal e autoritário”, responsável hoje por uma grave crise econômica e humanitária, com a oposição sendo reprimida por meio de prisões, perseguição judicial e eleições fraudadas. María Corina, diz o documento, tem sido uma figura-chave, capaz de unificar as diferentes correntes de resistência ao governo de Maduro. A escolha da venezuelana foi também uma crítica à onda de retrocessos na democracia em diversas partes do mundo. “Democracia é uma precondição para uma paz duradoura. Entretanto, vivemos num mundo onde a democracia está em retrocesso, onde mais e mais regimes autoritários desafiam as regras e recorrem à violência”, diz o comunicado do Comitê Nobel. (The Nobel Prize)

María Corina Machado 2

Aos 58 anos recém-completados, María Corina Machado é engenheira, filha de uma família rica do setor de siderurgia e faz oposição ao governo da Venezuela desde os tempos de Hugo Chavez por meio da ONG Súmate, que fundou. Antes criticada pela resistência em negociar com o governo, ela assumiu a liderança da resistência ao regime de Maduro e tentou enfrentá-lo nas eleições de 2024, mas teve a candidatura barrada pela Justiça, alinhada. Apoiou então Edmundo González, derrotado em um pleito cujos documentos de votação jamais foram apresentados. Alvo de ameaças após a eleição, ela passou cinco meses sem aparecer em público e chegou a ser presa no início deste ano ao participar de um comício, libertada horas depois. Apesar disso, não deixou o país e segue como principal voz da oposição. (Estadão)

Vergonha! 

O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) se manifestou de forma contundente nesta sexta-feira (10) sobre a escolha de María Corina Machado como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Em uma postagem nas redes sociais, Braga expressou sua indignação e acusou a opositora venezuelana de apoiar ações imperialistas que, segundo ele, ameaçam a soberania da Venezuela. Para o parlamentar, o prêmio foi concedido a alguém que, ao invés de promover a paz, defende a guerra contra seu próprio país.

Notória golpista

O jornalista Breno Altman se manifestou de forma veemente sobre a escolha de María Corina Machado como laureada do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Em uma postagem nas redes sociais, Altman chamou a premiação de “aberração” e acusou a opositora venezuelana de ser uma “notória golpista”, comparando-a a Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para o jornalista, a concessão do prêmio à líder da oposição venezuelana é uma evidência das conexões entre liberais, imperialismo e neofascismo, além de uma afronta à soberania latino-americana.

María Corina é rejeitada

A escolha de María Corina Machado para o Prêmio Nobel da Paz de 2025 ocorre em meio a uma forte rejeição popular na Venezuela. Segundo um estudo divulgado pela empresa Datanálisis no último dia 22 de setembro, 64,6% dos venezuelanos desaprovam a atuação da líder da oposição de extrema direita, especialmente em relação à sua postura frente ao processo de negociação nacional. A pesquisa evidencia um descompasso crescente entre Machado e a população venezuelana, com a maior parte dos entrevistados classificando seu papel político de forma negativa.

O protetor das bets

Pode ser uma imagem de texto que diz "O OPOVO QUE PAGUE A CONTA Tarcísio pressionou deputados a boicotarem MP das bets"O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi bastante criticado por ter feito campanha contra a taxação dos milionários, banqueiros, fintechs e bets. Por sabotar a MP (Medida Provisória) do IOF (1303 de 2025), o governador Tarcísio de Freitas vai receber o Troféu Amigo do Tigrinho.

O protetor das bets 2

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou em seu perfil no X (antigo Twitter) que Tarcísio de Freitas é “o candidato dos bilionários, das bets e dos golpistas”. As bets são meios por onde o PCC lava dinheiro do crime organizado.

 

Cessar-fogo em Gaza

Após horas de uma reunião tensa com todos os ministros do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Israel aceitou oficialmente na madrugada de hoje os termos do acordo de cessar-fogo e libertação dos reféns que ainda estão sob o poder do Hamas em Gaza. A “primeira fase” do acordo, que pode colocar fim à guerra que já dura dois anos, será implementada imediatamente, com o fim dos combates, a retirada das tropas israelenses de parte do enclave palestino e o início dos preparativos para a libertação dos reféns e de cerca de dois mil prisioneiros palestinos. O acordo entre as duas partes será assinado no Egito, e o presidente americano Donald Trump disse que tentará participar da cerimônia. Os 20 reféns que ainda estão vivos devem começar a chegar a Israel já na próxima segunda-feira. Os corpos de outros 28 reféns que morreram no cativeiro ainda não têm data para serem totalmente recuperados. (Times of Israel)

Cessar-fogo em Gaza 2

Mais cedo, o negociador-chefe do Hamas, Khalil al-Hayya, já havia afirmado que os Estados Unidos deram garantias ao grupo palestino de que a guerra contra Israel seria encerrada de forma definitiva após a assinatura do acordo. Logo depois, o presidente americano confirmou, de certa forma, a informação de al-Hayya, ao afirmar que nenhum palestino seria forçado a deixar Gaza. “É exatamente o contrário, ninguém será obrigado a sair. Esse é um grande plano de paz, apoiado por todos”, disse Trump no Salão Oval da Casa Branca. (France 24)

Cessar-fogo em Gaza 3

Apesar do otimismo com o cessar-fogo e o possível fim da guerra, que deixou 1,2 mil israelenses e quase 70 mil palestinos mortos, ainda existem uma série de dúvidas sobre como outros itens do acordo serão implementados. Até agora, o Hamas não confirmou se concorda em entregar suas armas a Israel, e ainda não há uma decisão clara sobre como — e por quem — Gaza será controlada após a retirada das tropas israelenses. (Al Jazeera)

Cessar-fogo em Gaza 4

Uma das questões mais sensíveis do acordo é a exigência do Hamas de que líderes históricos do grupo, alguns deles condenados à prisão perpétua, sejam libertados. De acordo com fontes do governo israelense alguns dos nomes incluídos na lista do Hamas estão fora de cogitação. (CBC)

Dina Boluarte deposta

 

O Congresso do Peru depôs, na madrugada desta sexta-feira, a presidente Dina Boluarte, de 63 anos, diante de uma grave crise de segurança no país. Como o cargo de vice está vago, o chefe do Parlamento, José Jerí, assumiu interinamente a presidência. O Peru tem eleições gerais marcadas para abril de 2026. (Globo)

Barroso aposentado

O ministro Luís Roberto Barroso, que até o mês passado presidia o Supremo Tribunal Federal, anunciou que vai se aposentar antecipadamente, oito anos antes da aposentadoria compulsória, hoje fixada aos 75 anos de idade. O ministro tem 67 anos e passou os últimos 12 no Supremo. Em um discurso emocionado, interrompido várias vezes pelas lágrimas, Barroso afirmou sentir orgulho de sua contribuição ao país e disse que sentirá falta do dia a dia na Corte. “Sinto que agora é hora de seguir outros rumos, nem sequer os tenho bem definidos, mas não tenho apego ao poder e gostaria de viver um pouco mais da vida que me resta, sem a exposição pública”, declarou. Barroso deve permanecer mais alguns dias no STF, mas informou que a sessão desta quinta-feira foi a última de que participou como ministro. (CNN Brasil)

Barroso aposentado 2

Barroso participou ativamente de julgamentos importantes nos 12 anos em que esteve no STF. Foi relator de decisões de grande impacto social, como a validação das cotas raciais no serviço público, a garantia de transporte gratuito nas eleições e a adoção de medidas de proteção a povos indígenas durante a pandemia de Covid-19. (Globo)

Barroso aposentado 3

A saída antecipada de Barroso deve abrir uma disputa acirrada em Brasília para tentar influenciar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na escolha do novo ministro — ou ministra — do STF. A preferência do presidente recai sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, respaldado por praticamente todas as alas do PT. Mas no STF e em parte do Senado o nome favorito é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que deve ter como principal articulador o ministro Alexandre de Moraes. Também é citado como possível candidato o ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas. A interlocutores, Lula afirmou que pretende escolher o sucessor de Barroso assim que retornar da viagem que fará à Ásia no fim deste mês. (g1)

Fomepizol

O Brasil recebeu nesta quinta-feira um lote com 2.500 ampolas de fomepizol, principal antídoto para o tratamento de intoxicações por metanol, adquirido pelo Ministério da Saúde. Cerca de 1.500 ampolas serão distribuídas imediatamente, 288 delas apenas para São Paulo, estado mais afetado. Outras mil unidades ficarão guardadas em estoque. No Rio Grande do Sul, quatro casos suspeitos de intoxicação por metanol estão em apuração, segundo informações do governo gaúcho. Uma quinta ocorrência foi descartada após exames complementares. (Folha e Correio Braziliense)

Deep web

Segundo levantamento da Kaspersky, vídeos falsos com rosto e voz clonados, que no ano passado custavam até US$ 20 mil na deep web, agora são oferecidos por US$ 50. Clonagens de voz sozinhas saem por apenas US$ 30. Mesmo sem garantia de funcionamento, esses serviços que utilizam inteligência artificial prometem ajustar timbre, emoção e sincronia labial para enganar com mais precisão. Essa maior oferta preocupa autoridades e a Polícia Civil de São Paulo, que recomenda atender ligações em silêncio e bloquear números desconhecidos. (UOL)

Tesla sob investigação

A Tesla está novamente sob investigação nos Estados Unidos, pois a agência de segurança viária NHTSA abriu um novo inquérito sobre mais de 2,8 milhões de veículos equipados com o software de direção autônoma FSD, após 58 incidentes de trânsito envolvendo o sistema, incluindo 14 colisões e 23 feridos. Os relatos envolvem carros da Tesla avançando o sinal vermelho e entrando na contramão ao ignorar placas de sentido proibido. (The Verge)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Coluna Zona Franca

                           Lula lidera todos os cenários

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno nas eleições presidenciais de 2026, mostra uma nova pesquisa de intenções de voto divulgada há pouco pela Genial/Quaest. Nos oito cenários testados para o primeiro turno, o presidente aparece à frente de todos os seus potenciais adversários. O ex-presidente Jair Bolsonaro (26%), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (21%) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (18%) são os nomes mais competitivos contra Lula no primeiro turno. Em todos os cenários de segundo turno, Lula mantém vantagem confortável. Suas intenções de voto variam entre 41% e 47%, e nenhum adversário reduz a diferença para menos de um dígito. (Meio)

 

Bichos escrotos

A Câmara dos Deputados derrubou, nesta quarta-feira (8), a medida provisória (MP) que previa o aumento de tributos e tinha como objetivo ampliar a arrecadação federal. A proposta nem chegou a ser analisada no mérito (conteúdo) da proposta. Antes disso, a maioria dos parlamentares — liderados por partidos do Centrão — aprovou a retirada da MP da pauta. O placar foi de 251 votos a 193. A medida provisória precisava ser votada pela Câmara e pelo Senado até esta quarta-feira para continuar em vigor, pois perde a validade nesta quinta (9). A Medida Provisória 1303 trata da tributação de investimentos financeiros, apostas e ativos virtuais.  Propunha a tributação de fundos exclusivos, apostas esportivas e criptoativos, além de regras mais rígidas para investimentos de alta renda e investidores estrangeiros. Confira como votou cada deputado. (UOL)

Bichos escrotos 2

Enquanto a Faria Lima comemorava, o governo lamentava a derrota. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou o dia no Congresso tentando reverter a iminente derrota. “Hoje ficou claro que a pequena parcela muito rica do país não admite que seus privilégios sejam tocados. Não querem pagar impostos como a maioria dos cidadãos”, disse ela. Mais cedo, já prevendo a derrota na Câmara, o presidente Lula classificou o fim da validade da MP como uma “pobreza de espírito” do Congresso. (g1)

Uma homenagem especial a todos os deputados federais que votaram contra o Brasil e contra a população brasileira.

Vitória do Tigrinho

“Independentemente do diagnóstico para a rejeição da MP, não há dúvida de que as bets saíram ganhando. O Tigrinho permanece firme e forte. Hoje, não há páreo para ele em Brasília.” (Malu Gaspar-Globo)

Israel e Hamas em paz

Após meses de impasse, Israel e o Hamas chegaram a um acordo para a libertação de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos — um avanço há muito aguardado que pode abrir caminho para o fim da guerra de dois anos na Faixa de Gaza. O presidente Donald Trump, que atuou como mediador do entendimento, anunciou o acordo em suas redes sociais, afirmando que ambas as partes aceitaram a primeira fase de seu plano, que inclui a retirada das tropas israelenses até uma linha previamente acordada. Catar, que participou das negociações, e o próprio Hamas também confirmaram, em comunicados separados, que o acordo permitirá a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Os detalhes do pacto ainda não foram divulgados, incluindo o cronograma e os termos exatos da troca, além da localização precisa da linha de retirada. “Este é um GRANDE dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas e para os Estados Unidos da América. Agradecemos aos mediadores do Catar, Egito e Turquia, que trabalharam conosco para tornar este evento histórico e sem precedentes possível”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. (New York Times)

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Horas depois da postagem de Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que convocará o gabinete de governo ainda hoje para aprovar o acordo de cessar-fogo em Gaza e a libertação de reféns. “Um grande dia para Israel. Amanhã convocarei o governo para aprovar o acordo e trazer todos os nossos preciosos reféns de volta para casa”, escreveu no X. A votação do acordo está prevista para o meio-dia (hora de Brasília). (Haaretz)

Israel e Hamas em paz 3

A expectativa é de que o cessar-fogo tenha início ainda hoje. Assim que as batalhas forem suspensas, o Hamas poderá recolher os corpos dos reféns mortos para que sejam devolvidos a Israel posteriormente. Atualmente, 48 reféns permanecem em Gaza, dos quais 20 são considerados vivos, de acordo com as informações repassadas às partes envolvidas. De acordo com esses negociadores, há a expectativa de que os reféns que ainda estão vivos possam voltar a Israel neste próximo sábado ou domingo. Haveria uma chance remota de que alguns deles possam ser libertados ainda hoje. (Times of Israel)

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Enquanto cidadãos israelenses foram às ruas comemorar o anúncio do acordo e a expectativa de libertação dos reféns, o líder da oposição Yair Lapid defendeu que Trump receba o Nobel da Paz, que vai ser anunciado na sexta-feira. “Não há ninguém que mereça tanto esse prêmio e a gratidão eterna do povo de Israel”, disse. (Times of Israel)

Israel e Hamas em paz 5

O governo israelense, no entanto, avalia que o Hamas pode não conseguir encontrar e devolver todos os corpos dos reféns mortos em Gaza. As autoridades israelenses acreditam que o grupo palestino não sabe a localização exata ou não tem meios para recuperar os restos mortais de parte dos 28 reféns mortos que permanecem em Gaza. A estimativa é de que o número de corpos desaparecidos varia entre 7 e 15. As estimativas se baseiam em relatórios de inteligência israelense e em mensagens trocadas com o Hamas e mediadores internacionais durante sucessivas rodadas de negociação. (CNN)

Metanol

A crise das contaminações por metanol levou o Ministério da Justiça a determinar a suspensão da venda de destilados nas principais plataformas de comércio eletrônico. O Ministério notificou as plataformas Shopee, Enjoei, Mercado Livre, Amazon Brasil, Magazine Luiza, Casas Bahia, Americanas, Zé Delivery e Carrefour para que suspendam a venda de bebidas destiladas em seus sites e aplicativos. A determinação inclui a retirada temporária de anúncios e produtos e a revisão dos mecanismos internos de controle. As empresas também devem retirar os anúncios de lacres, tampas, selos e garrafas não colecionáveis, itens frequentemente usados em esquemas de falsificação de bebidas e vendidos livremente na internet. As plataformas terão 24 horas, a partir da notificação, para se adequar. (Globo)

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O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo afirma que o metanol encontrado em bebidas apreendidas no estado foi adicionado, não sendo resultado do processo natural de destilação. De acordo com o último balanço divulgado na terça-feira pelo governo estadual, o total de casos confirmados de intoxicação chegou a 18, incluindo três mortes, e outros 158 estão em investigação, entre eles, sete óbitos. (Metrópoles)

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Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de n

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Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

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Na Quaest só dá Lula

Decididamente a popularidade de Lula mudou da água pro vinho (obrigado, Eduardo Bolsonaro). Graças ao “apoio” de Trump, o presidente Lula está cada vez mais perto da reeleição. Se a um ano das eleições ele já mostra vitalidade, imagina quando estiver próxima a campanha eleitoral. A coluna já havia antecipado que a taxação esdrúxula contra o Brasil seria tiro de bazuca nos pés dos Estados Unidos e que essa ação levaria à reeleição de Lula. E parece que vai ser no primeiro turno. A conferir.

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A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (8) aponta que a aprovação e a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltaram a se igualar após nove meses de diferença entre os dois indicadores. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, revela que 48% dos entrevistados aprovam a atual gestão, enquanto 49% desaprovam.

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Segundo o g1, esta é a primeira vez desde janeiro de 2025 que há equilíbrio entre os índices. No início do ano, 49% reprovavam o governo e 47% aprovavam. Desde então, os números oscilaram, com pico negativo em maio, quando a desaprovação alcançou 57% contra 40% de aprovação. O resultado atual representa o melhor desempenho de Lula em 2025.

                                    Lula saiu mais forte

Quase metade dos brasileiros avalia que o presidente Lula saiu politicamente fortalecido após o encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, durante a Assembleia Geral da ONU. O levantamento foi feito antes da videoconferência entre os dois líderes, realizada na última segunda-feira (6). Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados afirmam que Lula ficou “mais forte” após a aproximação com Trump, enquanto 27% acreditam que ele saiu “mais fraco”. Outros 10% dizem que sua posição política permaneceu a mesma, e 14% não souberam responder.

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Pesquisa Genial/Quaest. Foto: Reprodução

Entre os que se identificam com a esquerda, a percepção positiva é majoritária: 78% dos lulistas e 75% dos eleitores de esquerda dizem que o petista ganhou força. Já entre bolsonaristas e eleitores de direita, 51% e 48%, respectivamente, consideram que Lula perdeu força. Entre os que não têm posição ideológica definida, 44% afirmam que o presidente se fortaleceu.

Expectativas sobre a relação entre Lula e Trump

A pesquisa também revela que 51% dos brasileiros acreditam que Lula e Trump “vão se dar bem” ao iniciarem uma relação mais próxima. Outros 36% avaliam que o relacionamento será conflituoso, e 13% não souberam opinar. Além disso, 65% defendem que Lula mantenha uma postura amigável em relação ao republicano, enquanto 25% preferem uma postura “mais dura”.

Discurso na ONU e próximos passos

O levantamento aponta ainda que 52% dos entrevistados consideraram bom o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, contra 34% que o classificaram como ruim. No pronunciamento, o presidente afirmou que as instituições brasileiras estão “sob um ataque sem precedentes” de nações estrangeiras e reforçou: “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.”

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Pesquisa Genial/Quaest. Foto: Reprodução

Durante a conversa com Trump, que durou cerca de 30 minutos, Lula pediu o fim da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e o encerramento das sanções impostas a autoridades do país. O americano elogiou o telefonema e disse ter sido um “ótimo diálogo”. Entre os entrevistados, 46% acreditam que Lula deve buscar um novo encontro com Trump em breve, enquanto 44% preferem uma postura mais cautelosa.

Era sol que me faltava

Para bagunçar a disputa pelas duas vagas de senador da República pelo estado de Rondônia, acaba de mudar o domicílio eleitoral para Ariquemes, o ex-deputado federal Cabo Daciolo (Republicanos). Entre polêmico e caricato, Cabo Daciolo pode até não se eleger (mais provável), mas vai dar trabalho.

Aprovada MP alternativa ao IOF

Foi por pouco. A medida provisória que redefine a tributação sobre investimentos e apostas foi aprovada na comissão mista do Congresso por apenas um voto de diferença, após uma série de concessões do governo. O texto precisa ser aprovado pelos plenários da Câmara e do Senado ainda hoje para não perder a validade. Entre os principais recuos, o governo manteve a isenção para uma série de títulos considerados estratégicos para o financiamento da economia, como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs. Também foram preservadas as regras atuais dos fundos imobiliários e do Fiagro, mantendo isenções sobre rendimentos e ganhos de capital. No caso das apostas esportivas, o governo desistiu de elevar a contribuição das operadoras de 12% para 18%, e incluiu dispositivos para regularização de ativos não declarados no exterior, com cobrança de 15% de imposto e 15% de multa. A MP também eleva de 9% para 15% a CSLL das fintechs, uma das medidas que permaneceu no texto, e prevê medidas de compensação fiscal com potencial de arrecadação revisado para R$ 17 bilhões, abaixo dos R$ 20 bilhões inicialmente projetados. O relator Carlos Zarattini (PT-SP) chegou a estimar R$ 35 bilhões entre arrecadação e redução de despesas, mas reconheceu que as concessões foram necessárias para viabilizar a aprovação. (UOL e Folha)

Aprovada MP alternativa ao IOF 2

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estava confiante de que a proposta seria aprovada no Congresso após os diversos recuos do governo. Haddad reconheceu que as alterações na MP reduzirão em R$ 3 bilhões a arrecadação prevista para o ano que vem. No entanto, o ministro afirmou que a perda será compensada pela tributação retroativa de 30% sobre empresas de apostas. O texto estabelece que a base de cálculo será o valor do ativo em reais em 31 de dezembro de 2024, com cobrança de 15% de Imposto de Renda e multa de 100% sobre o valor apurado. (Valor)

Derrota da oposição bolsonarista

A aprovação da MP do IOF não foi a única derrota da oposição bolsonarista. A pesquisa Genial/Quaest de outubro divulgada agora há pouco trouxe notícias ainda mais amargas para o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o levantamento, 44% dos brasileiros são contra um projeto que anistie Bolsonaro e os responsáveis pelos atos golpistas após as eleições de 2022. O levantamento mostra que a rejeição a um projeto de lei que reveja as penas dos condenados, como ficou conhecido o PL da dosimetria, enfrenta ainda mais rejeição popular, com 52% dos ouvidos afirmando que as penas foram justas. A pesquisa também mostrou que a avaliação do governo Lula segue crescendo, com 48% de aprovação e 49% de desaprovação. Um cenário bem diferente de seis meses atrás, quando o governo Lula era aprovado por apenas 40% da população. (Meio)

Flopou de verde amarelo

Sem apoio no Congresso e com a Casa Branca se afastando cada vez mais de Jair Bolsonaro, aliados do ex-presidente foram às ruas nesta terça para pedir a votação do PL da Anistia. Em Brasília, o pastor Silas Malafaia, ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, tentou mobilizar apoio popular, mas teve pouco sucesso. No Congresso, o projeto de lei que previa a redução das penas também perde força. Segundo parlamentares, na melhor das hipóteses, a pena de Bolsonaro poderia ser reduzida de 27 anos para 21 anos. (Folha)

Boas notícias

Já o Planalto vive um raro momentos de boas notícias. Depois de aprovar por unanimidade na Câmara o projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, a expectativa do governo é de que o texto passará sem sobressaltos no Senado. Nesta terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), escolheu o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para ser o relator do projeto na Casa. Aliado de longa data do governo, Renan disse acreditar que em 30 dias o texto será enviado para a sanção do presidente Lula. (g1)

Renan X Arthur Lira 

Mas a indicação de Renan foi mal recebida na Câmara, revela o Painel, por conta de suas críticas ao projeto aprovado pelos deputados. O pano de fundo seria a política alagoana, já que o texto foi relatado na Câmara por Arthur Lira (PP-AL), adversário figadal do senador. (Folha)

Dudu no mundo da lua

O Zero Três parece se mover num tabuleiro em que só ele ainda acredita que está jogando. Ele coleciona distâncias — do Congresso, do PL, dos aliados e, agora, até de Donald Trump. A direita está em guerra interna: Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira, Tarcísio e Michelle Bolsonaro disputam o rumo do bolsonarismo enquanto Eduardo tenta manter viva a chama ideológica de Olavo de Carvalho — mas, no fim, em escala nacional, pode estar falando sozinho. A análise de Flávia Tavares no Cá entre Nós. (YouTube)

Precipício econômico

Um dia após o presidente Javier Milei subir em um palco de Buenos Aires para apresentar seus dotes musicais, a Argentina parece ter dado mais um passo em direção a um precipício econômico. Sob forte ataque especulativo, o país decidiu colocar os poucos dólares que tem em caixa na tentativa de segurar a desvalorização do Peso. A estimativa é de que o Banco Central do país não disponha mais do que US$ 700 milhões em reservas líquidas, volume considerado crítico para um país que depende de moeda estrangeira para importar combustíveis, pagar dívidas e estabilizar o câmbio. (InfoMoney)

Darcy Ribeiro

Quem é o brasileiro? A pergunta que moveu Darcy Ribeiro, antropólogo e grande defensor de um Brasil justo e plural, continua viva à beira-mar, em Cordeirinho. No Museu Casa Darcy Ribeiro, construído pela Prefeitura de Maricá, por meio da CODEMAR e sob gestão do Instituto Circomum, sua obra ganha forma. Com projeto de Oscar Niemeyer e curadoria de Gringo Cardia, o espaço oferece exposições interativas e atividades que convidam o visitante a revisitar suas raízes. Foi lá que Pedro Doria e Yasmim Restum filmaram Quem é o Brasileiro?, nova série de vídeos do Meio em parceria com a Casa Darcy Ribeiro. Assista ao episódio de estreia em no YouTube e planeje sua visita em casadarcyribeiro.org.br.

Metanol

Antídoto mais eficaz do que o etanol farmacêutico para tratar intoxicação por metanol, o fomepizol deve chegar ao Brasil ainda nesta semana, mas não será vendido em farmácias, informou a representante da farmacêutica japonesa responsável por fornecer o medicamento ao Brasil. De uso estritamente hospitalar, 2.500 ampolas do fármaco serão importadas dos Estados Unidos em caráter emergencial e outras 100 unidades chegam como doação da empresa, com distribuição pelo Ministério da Saúde. O envio ainda depende de trâmites burocráticos. (g1)

Metanol 2

Após o Ministério da Saúde descartar uma intoxicação por metanol pelo rapper Hungria, o cantor divulgou um novo exame que demonstra concentração tóxica para o produto químico no organismo. A equipe de Hungria disse aguardar os exames de contraprova. A pasta informou que não recebeu qualquer resultado oficial do teste. (Metrópoles)

Metanol 3

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse que a Polícia Federal investiga se as bebidas alcoólicas foram adulteradas com o metanol abandonado após uma operação contra a infiltração do crime organizado em postos de combustíveis e no setor financeiro. A PF não descarta nenhuma hipótese, incluindo associação criminosa, apesar de não mencionar suspeita contra alguma facção específica. (Folha)

Bicho escroto

Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), preferiu brincar com a situação, ao dizer que não conhece bem as marcas de bebidas adulteradas por não consumi-las. “No dia em que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar. Ainda bem que ainda não chegaram nesse ponto. E a minha é normal [com açúcar]”, disse, após encontro com representantes dos principais fabricantes de bebidas do país. Diante da má repercussão, ele mais tarde se desculpou. (g1), com charge de Orlando.

Prêmio Jabuti 2025

Cerimônia da 66ª edição do Prêmio Jabuti será em novembroA Câmara Brasileira do Livro divulgou a lista dos cinco finalistas de cada uma das 23 categorias do Prêmio Jabuti 2025 com uma forte predominância masculina. Todos os indicados à categoria de romance literário, umas das mais prestigiadas, são homens: Alberto Mussa, Chico Buarque, Jeferson Tenório, Marcelino Freire e Tony Bellotto. Também não há mulheres concorrendo a romancista estreante, crônica e negócios. A cerimônia de premiação ocorre no próximo dia 27 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em comemoração ao título da cidade como Capital Mundial do Livro pela Unesco. Ana Maria Machado será a personalidade literária homenageada da noite. (Folha)

Tiny Desk Concert

A primeira edição brasileira do programa Tiny Desk Concert estreia nesta quarta-feira com apresentação do piseiro de João Gomes. A gravação reuniu cerca de 40 pessoas no escritório do Google, em São Paulo, no dia 22 de setembro. O repertório incluiu os sucessos Dengo, Meu Pedaço de Pecado e Eu Tenho a Senha, música que o tornou conhecido nacionalmente em 2021. A equipe do Tiny Desk Brasil gravou outros nove shows para duas temporadas do programa, que terá cinco episódios cada. Os próximos convidados ainda não foram divulgados. A versão americana do programa já contou com nomes como Adele, Usher, Justin Bieber, Dua Lipa e Milton Nascimento. (g1)

 

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Lula amplia apoio popular e recupera confiança, aponta pesquisa Genial/Quaest

Nova sondagem mostra alta na aprovação do governo e redução da rejeição, com avanços em todas as regiões do país

A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer e atingiu novo patamar, de acordo com pesquisa Genial/Quaest realizada entre 2 e 5 de outubro de 2025. O levantamento, divulgado com exclusividade pelo Blog do Esmael, indica que 48% dos brasileiros avaliam positivamente a gestão, contra 49% que desaprovam e 3% que não souberam ou preferiram não responder.

Segundo o Blog do Esmael, os números confirmam uma recuperação consistente da popularidade presidencial, após meses de instabilidade entre o fim de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Em relação à pesquisa anterior, de 18 de setembro, a aprovação subiu dois pontos percentuais, enquanto a desaprovação caiu na mesma proporção, reduzindo a diferença ao menor nível do ano.

Crescimento sustentado por economia e políticas sociais

A sondagem ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios brasileiros e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais. Entre os destaques, a aprovação ao governo é mais elevada entre mulheres, nordestinos e beneficiários do Bolsa Família — neste último grupo, o índice supera 70%.

Especialistas avaliam que a retomada de programas sociais, o reajuste do salário mínimo, a queda no preço dos alimentos e novas políticas habitacionais tiveram impacto direto na melhora da imagem presidencial. Além disso, a percepção de que a economia voltou a apresentar sinais de recuperação, com ampliação do crédito e redução do desemprego, fortaleceu a confiança no governo.

Apoio em diferentes regiões e segmentos políticos

O Nordeste permanece como principal reduto lulista, mas também foram registradas oscilações positivas no Sul e redução da rejeição no Sudeste. O estudo ainda mostra que Lula mantém ampla maioria entre eleitores de esquerda e simpatizantes históricos, mas também avança entre os que não se identificam com nenhum campo político específico.

Esse movimento, segundo a análise, estaria ligado ao tom mais conciliador adotado pelo presidente nas últimas semanas, em meio a disputas políticas com a oposição de extrema direita e críticas da mídia tradicional.

Capital político

A pesquisa reforça a ideia de que Lula recupera seu capital político com base no fortalecimento das políticas sociais e no diálogo institucional. Para especialistas, o atual cenário indica que o governo atravessa uma fase de estabilidade, com respaldo popular crescente mesmo diante de ataques da velha mídia e da oposição.

O levantamento da Genial/Quaest sinaliza que, ao reconectar-se com sua base histórica e ampliar a confiança junto a setores indecisos, o presidente consegue consolidar uma retomada de imagem e apoio político em um momento estratégico de sua gestão.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Neguinho da Beija-Flor é do PL 

O sambista Neguinho da Beija-Flor, um dos maiores nomes do carnaval carioca, está sendo cotado pelo PT para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro em 2026. O detalhe curioso é que o intérprete, símbolo da Beija-Flor de Nilópolis, é filiado desde 2013 ao PL — partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo certidão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sua filiação à legenda consta como “regular”. Com informações do blog de Ancelmo Gois, do Globo.

Caos na extrema-direita

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou neste domingo (5) que a direita brasileira vive um momento de caos e desunião, marcado por disputas internas e ausência de um projeto nacional. A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais, analisando o embate entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador Ciro Nogueira. De acordo com o ministro, a “ofensiva resposta de Caiado a Ciro Nogueira mostra a divisão da direita bolsonarista”. Segundo Renan Filho, os projetos pessoais dos que se imaginam sucessores do presidente Lula — como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior e o próprio Caiado — “se chocam e revelam o óbvio: nenhum deles tem projeto nacional”. (Do Brasil 247)

Caos na extrema-direita 2

“Parece um grupo abatido por uma mesma síndrome: a Bolsonaro-dependência”, escreveu o ministro, numa crítica direta à incapacidade do campo conservador de se renovar fora da sombra do ex-presidente. Renan Filho destacou que a ascensão do presidente Lula, impulsionada por medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a defesa da justiça tributária e a reafirmação da soberania nacional, intensificou o desespero entre os adversários. (Do Brasil 247)

Sargento Pincel

Por essa o deputado federal coronel Chrisostomo (PL-RO) não esperava. O falastrão finalmente recebeu um apelido que pegou: Sargento Pincel! Na semana passada ele tentou lacrar na CPMI do INSS e se deu mal. Ao tentar confrontar o ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Chris recebeu uma resposta que gerou gargalhadas. No lado direito da foto, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) racha de rir. Risos.

Crise do metanol

A crise de intoxicações por metanol, já com 209 casos investigados e 16 confirmados, expôs a vulnerabilidade da cadeia de bebidas alcoólicas no Brasil. O descarte irregular de garrafas, vendidas até por R$ 1 na internet, alimenta a falsificação e a produção clandestina. Falhas de fiscalização e a atuação de distribuidores “paralelos” também ampliam o risco, já que muitos bares compram produtos sem nota fiscal, atraídos por preços muito abaixo do mercado. O setor ilícito de bebidas movimenta R$ 62 bilhões por ano no país. (Globo)

AGU notifica Meta

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou no domingo a Meta para que a plataforma tome medidas imediatas de bloqueio e remoção de conteúdos e grupos que promovem a venda ilegal de garrafas, lacres, tampas e rótulos de bebidas alcoólicas. A notificação foi feita por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD). (Metrópoles)

Metanol in Rio

Enquanto o Rio de Janeiro investiga uma primeira suspeita de intoxicação por metanol, a prefeitura carioca apreendeu 401 garrafas de bebidas destiladas de ambulantes ilegais nas praias das zonas Sul e Sudoeste. A ação fez parte da Operação Verão, realizada de sexta-feira a domingo. (Globo)

Alexandre Padilha

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou no sábado de uma videochamada com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representantes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que apresentaram tecnologias que detectam metanol em bebidas: um canudo que muda de cor em contato com a substância e um laser infravermelho. (Correio Braziliense)

Hungria

O rapper Hungria, de 34 anos, recebeu alta médica no domingo, após ser internado na última quinta-feira no hospital DF Star, em Brasília. Ainda não se sabe se Hungria foi, de fato, intoxicado por metanol ao consumir bebidas adulteradas. O resultado dos exames deve ser divulgado nos próximos dias. (Infomoney)

Um drink para o inferno
Orlando Pedroso

Enem dos concursos

O Concurso Nacional Unificado (CNU), também conhecido como “Enem dos concursos”, começou a edição de 2025 no domingo e levou 760 mil candidatos a disputarem 3.652 vagas em 32 órgãos do governo federal. A avaliação é o maior concurso público do país e é feita em duas etapas. A primeira, a prova objetiva aplicada nesse domingo, terá resultado divulgado em 12 de novembro. Quem for aprovado nessa fase fará a prova discursiva no dia 7 de dezembro de 2025. Para a segunda etapa, serão convocados nove candidatos por cada vaga. Os resultados finais do CNU serão publicados no início do próximo ano. (Agência Brasil)

Nobel de Medicina

O prêmio Nobel de Medicina de 2025 foi para os americanos Mary Brunkow e Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakagushi por suas pesquisas sobre imunotolerância periférica, mecanismo pelo qual o sistema imunológico é impedido de atacar o próprio organismo. A escolha foi anunciada ao vivo nesta manhã pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, responsável pela premiação. Este foi o primeiro Nobel de 2025. Amanhã, às 6h45, horário de Brasília, será divulgado o Nobel de Física; na quarta-feira, no mesmo horário, será a vez de Química. O Nobel de Literatura será anunciado às 8h de quinta-feira, e o cobiçado Nobel da Paz será conhecido às 6h de sexta. A lista termina na segunda-feira, às 6h45, como no prêmio para Ciências Econômicas. (The Nobel Prize)

Gaza

Nesta terça-feira, a guerra em Gaza completa dois anos. A proposta de Donald Trump para finalizar o conflito já foi aceita por Israel, segundo publicação do presidente americano na sua rede Truth Social. Trump disse que o Hamas será “completamente obliterado” se não entregar o poder em Gaza no pós-guerra e que a proposta dele é um “ótimo acordo para Israel e para todo o mundo árabe”. O Hamas declarou no domingo que quer alcançar um acordo e começar a troca de prisioneiros imediatamente. Na noite de sábado, manifestações em Tel Aviv e Jerusalém pediram o fim do conflito. O plano dos Estados Unidos prevê um governo internacional temporário, que seria chamado de Conselho de Paz, chefiado e presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair. Apesar das negociações, as bombas continuaram atingindo Gaza, e o porta-voz da Defesa Civil local informou que 57 pessoas morreram nos bombardeios de sábado. (g1)

Trump X Democratas

Em solo americano, a batalha entre Trump e os estados liderados pelos democratas se intensificou no fim de semana. Uma juíza federal do Oregon ordenou a suspensão do plano do presidente de enviar tropas federais para a cidade de Portland, e a Casa Branca bancou a ida de centenas de membros da Guarda Nacional para Chicago, no Michigan. Ambas as cidades têm sido cenários de protestos contra as autoridades federais que estão implementando a agenda anti-imigração de Trump. O governo encara essas manifestações como “violentas, realizadas por terroristas domésticos”. (CNN Brasil)

Caiado X Ciro Nogueira

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), reagiu após ser excluído por Ciro Nogueira (PP-PI) da lista de presidenciáveis apoiados por Jair Bolsonaro para 2026. Em entrevista, o senador citou apenas Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Jr. (PR) como nomes da direita. Caiado criticou a postura de Nogueira, acusando-o de “ansiedade vergonhosa” para se viabilizar como vice de Tarcísio e chamou o senador de “inexpressivo”. (UOL)

Contraponto

Um grupo de ativistas brasileiros passou dez dias nos EUA para contrapor a narrativa que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vem construindo há meses junto a aliados no governo americano. Em missão organizada pelo Washington Brazil Office (WBO), a comitiva cumpriu uma agenda de encontros em Nova York e Washington e reuniu 19 organizações. A socióloga Gisele Agnelli, que integrou a missão como porta-voz da Rede pela Soberania — coalizão criada após a ofensiva de Trump —, diz ter levado “a indignação da sociedade civil com os ataques americanos ao Brasil”. (Valor)

Alexandre Frota cassado 

O ex-deputado federal Alexandre Frota, que era vereador na cidade de Cotia, São Paulo, teve o mandato cassado pela Câmara Municipal da cidade. Frota, do PDT, foi condenado em um processo por calúnia e difamação movido pelo ex-deputado federal Jean Wyllys, na época PSOL e hoje filiado ao PT. Em abril de 2017, Frota publicou em suas redes uma foto de Wyllys atribuindo-lhe a frase: “A pedofilia é uma prática normal em diversas espécies de animal (sic), anormal é o seu preconceito”. Na ação judicial, ficou provado que a frase jamais foi dita por Wyllys. (Folha)

Toni Garrido

O cantor Toni Garrido provocou polêmica na noite de sábado, durante o programa Altas Horas, ao alterar a letra de Girassol (Spotify), lançada há 25 anos, quando ele liderava o Cidade Negra. No trecho “Já que pra ser homem tem que ter / a grandeza de um menino, de um menino”, Toni cantou “de uma menina, de uma menina”. Segundo o artista, ele passou a considerar a letra “hétero machista top, horrível”, mas fãs reagiram nas redes, afirmando que Toni segue “uma militância errada” e ironizando que deveria trocar o título da canção para “margarida”, embora outros defendessem a inclusão do elemento feminino. Seus antigos colegas no Cidade Negra, coautores da música, ainda não se manifestaram. (Globo)

“Diddy”

Sean “Diddy” Combs recebeu a sentença de quatro anos e dois meses de prisão, na última sexta-feira, depois de ser considerado culpado em duas acusações de transporte para fins de prostituição. Ele já cumpriu 12 meses de prisão, que contam para sua pena. No julgamento, Combs foi absolvido de acusações mais graves, como tráfico sexual e conspiração para extorsão. Além dos 50 meses de prisão, o cantor e produtor também deve pagar uma multa de US$ 500 mil e cumprir cinco anos de liberdade supervisionada. Os promotores federais haviam solicitado uma pena de 11 anos de reclusão, enquanto a defesa pedia apenas 14 meses. (Variety)

Supercomputador

O Brasil tem agora um novo supercomputador, seis vezes mais rápido no processamento de dados, que promete ampliar a precisão do prognóstico do clima. A máquina indica a hora e o minuto em que os eventos climáticos devem ocorrer. Essa tecnologia será usada para antecipar desastres e orientar decisões em setores como energia, agricultura e saúde. O equipamento foi adquirido em 2024, com um investimento de R$ 200 milhões, e está em fase de testes no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), em Cachoeira Paulista, município de São Paulo. (g1)

Supercomputador 2

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, disse acreditar que os data centers gigantes poderão ser construídos no espaço dentro de 10 a 20 anos. Em evento na Itália, ele pontuou que a demanda crescente por inteligência artificial e computação em nuvem tornará inevitável buscar alternativas à infraestrutura terrestre, limitada por custos e energia. No espaço, segundo Bezos, data centers teriam acesso ilimitado à energia solar, sem nuvens ou clima, e poderiam se tornar mais baratos do que os da Terra em algumas décadas. O bilionário reconhece os desafios de manutenção e lançamentos de foguetes, mas os vê como obstáculos superáveis, inserindo a ideia no movimento mais amplo da industrialização espacial. (Techzine)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

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Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Rueda pediu pagamentos de R$ 600 mil para jato que PF apura ser dele

Pagamentos foram da seguradora de Luciano Bivar para aeronave citada em investigação da PF

No fim de 2022, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, demandou três pagamentos de R$ 200 mil cada para custear voos em um jatinho Cessna Citation Excel. A aeronave, avaliada em R$ 23,9 milhões, é uma das quatro que a Polícia Federal (PF) investiga se seriam de Rueda, embora estejam registradas em nome de terceiros.

O jato Cessna Citation PR-LPGA aeronave em questão é o jato Cessna Citation modelo XL-560, de matrícula PR-LPG. A coluna teve acesso aos recibos e comprovantes de transferências eletrônicas (TED) dos pagamentos.

Trata-se da primeira ligação documental entre Rueda e o avião. Os três repasses foram feitos em agosto, setembro e outubro de 2022, durante as eleições gerais daquele ano.

Os valores foram pagos pela Excelsior Seguros, empresa do deputado Luciano Bivar (União-PE), à empresa Rico Taxi Aéreo, de Manaus, que operava o jato à época.

Naquele momento, Bivar havia confiado a Rueda o controle do partido e de seus negócios. Os dois romperam e hoje são inimigos declarados.

Procurado, Bivar confirmou a emissão das notas fiscais e disse que não comenta mais sobre Rueda, a quem chama de “mentiroso contumaz”. Rueda não se manifestou. Os pagamentos eram solicitados à sra. Silvânia, secretária de Bivar.

A coluna enviou as notas fiscais à Rico Táxi Aéreo, que afirmou não comentar. “As informações de nossos clientes, incluindo detalhes sobre voos realizados, são de natureza confidencial e sigilosa” (leia mais abaixo).

Segundo relatos de cinco pessoas à coluna, Rueda dizia que o avião era de sua propriedade em sociedade com o empresário Alessandro Bronze, de Manaus, e o utilizava para reuniões partidárias. Bronze, que era o dono formal do jato PR-LPG na época, nega ter sociedade com Rueda na aeronave.

Bronze se aproximou de Rueda em 2021. Foi encarregado de convencê-lo a apoiar a reeleição do governador do Amazonas, Wilson Lima. Após encontros frequentes em São Paulo, Rueda retirou o apoio do partido à candidatura de Amazonino Mendes e entregou a sigla no estado ao grupo de Wilson Lima.

Com influência nas áreas de portos, educação e saúde no governo de Lima, Bronze se tornou um dos aliados mais próximos de Rueda.

Como mostrou a coluna, o Cessna Citation PR-LPG é uma das quatro aeronaves investigadas pela PF no âmbito da Operação Tank, deflagrada em 28 de agosto, que apura a possível infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Os pagamentos foram feitos pela Excelsior Seguros, de Bivar, à Rico Táxi Aéreo, uma das principais empresas de aviação privada do Amazonas. Uma das notas fiscais menciona a matrícula PR-LPG da aeronave; as outras duas citam apenas o modelo (Cessna Citation XL).

De acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o jato pertencia, no fim de 2022, a Alessandro Bronze, por meio da empresa DCBR Participações LTDA, e também a Francisco Willame Santiago, empresário dono de uma rede de farmácias em Fortaleza (CE).

De julho de 2022 a março deste ano, o Cessna Citation PR-LPG foi operado pela Rico Táxi Aéreo. O aluguel básico pago pela operadora era de R$ 60 mil mensais.

Em março, Bronze e Santiago venderam a aeronave à empresa Magic Aviation, presidida pelo contador Bruno Ferreira Vicente de Queiroz. Como mostrou a coluna, Queiroz também é responsável por outra empresa que controla uma aeronave usada por Rueda.

Ainda em março, o Cessna Citation deixou a gestão da Rico e passou a ser operado pela Transportes Aéreos Piracicaba (TAP) – sem relação com a companhia aérea portuguesa.

A partir da TAP, o jato entrou na mira da PF. Em depoimento, o ex-piloto da empresa Mauro Caputti Mattosinho relatou que seu ex-chefe, Epaminondas Chenu, mencionava Rueda como chefe de um grupo que “tinha muito dinheiro e precisava gastar” na compra de aeronaves.

Procurada novamente, a Rico reiterou que não comentaria. “A proteção dos dados e da privacidade de quem utiliza nossos serviços é prioridade fundamental para nossa empresa. Por essa razão, não estamos autorizados a divulgar ou confirmar quaisquer informações sobre nossos serviços”, afirmou.

Alessandro Bronze disse que nunca foi sócio de Rueda em aeronaves. “Comprei em um processo judicial, no qual a aeronave estava bloqueada, e depois foi vendida. Nunca fui sócio dele”, declarou.

Metropoles

A fome também é professora

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O Brasil tem um presidente que passou fome – eleito pela terceira vez – e que teima em tentar tirar o país do mapa da fome. Poderíamos pensar em José Mujica, no Uruguai, também.

A história se mostrou verdadeira para Carolina de Jesus, em Quarto de despejo, quando ela nos avisava desse fato nos anos 1950:

“O que eu aviso aos pretendentes à política, é que o povo não tolera fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la”.

“O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora”.

“Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças” (p. 29).

Mas a história do Brasil seria impiedosa na página seguinte, afinal, pouco mudou no dia 13 de maio:

“Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia em que comemoramos a libertação dos escravos”.

“A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro vou comprar arroz e linguiça” (p. 30).

O que dói na alma dos conscientes é a conclusão desse 13 de maio:

“A Vera voltou a pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetáculo”.

“Era 9 horas da noite quando comemos”.

E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!” (p. 32).

Não é todo dia que temos esperança, alegrias, recompensas de qualquer natureza. Muitas vezes somos apenas despejados do mundo das atenções.

“O mundo das aves deve ser melhor do que dos favelados, que deitam e não dormem porque deitam-se sem comer”.

“Eu estou começando a perder o interesse pela existência. Começo a revoltar. E a minha revolta é justa” (p. 35).

O que salvou Carolina de Jesus foi ela mesma:

Todos têm um ideal. O meu é gostar de ler” (p.26).

Todos os secretários de educação, ministros, deveriam ser obrigados a ler sobre o Brasil. Começando por este:

CAROLINA Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.

Operação Papai Noel: ex-chefe de gabinete tinha que devolver R$ 25 mil todo mês em Rondônia

De acordo com a denúncia protocolada no Ministério Público, o dinheiro era entregue ao marido da parlamentar

Fontes do blog Entrelinhas dizem que uma operação deve acontecer a qualquer momento, e que nos corredores do poder todo mundo já sabe da rachadinha

A ex-chefe de gabinete de uma parlamentar denunciou ao Ministério Público de Rondônia um esquema de rachadinha. Na verdade, é uma rachadona. O contracheque mostra uma remuneração líquida de R$ 29.243,81, e na denúncia a ex-servidora disse que era obrigada a devolver R$ 25 mil ao marido da parlamentar, todo mês.

A ex-chefe de gabinete denunciou que precisava devolver R$ 25 mil todo mês

Há mais coisas na denúncia apresentada ao MPE. Consta, também, que o marido da parlamentar usa o gabinete como uma espécie de escritório. Ele é advogado e atende clientes no local. Parece que ela mistura o interesse público com o privado.

Há mais coisas. O marido da parlamentar daria coices igual a um cavalo xucro. A falta de educação com os servidores do gabinete seria uma das suas principais características.

A ex-chefe de gabinete teria dito no MPE que era ameaçada pelo marido da parlamentar se atrasasse o repasse do dinheiro da rachadona. E ela tinha que trazer em dinheiro. Nada de transferência bancária, para não deixar rastros.

 

A equipe do Entrelinhas não conseguiu cópia das provas que ela apresentou ao Ministério Público, porque o assunto se espalhou e no gabinete o povo está assustado. Nos corredores, tudo mundo sabe o que está acontecendo.

Alguns dizem que a parlamentar vai fugir para a Bolívia, mas outros garantem que ela é muita cara de pau e vai ficar apresentando desculpas esfarrapadas.

Abaixo, o contracheque.

Juiz dá cinco dias para Ratinho se retratar sobre acusações contra Chico Buarque

O cantor e compositor Chico Buarque abriu um processo contra o apresentador Ratinho após declarações feitas em seu programa de rádio, em setembro, nas quais sugeriu que artistas com posição política progressista, como Chico Buarque e Caetano Veloso, se beneficiariam de recursos da Lei Rouanet.

A coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo informa que o juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, determinou que Ratinho, além do youtuber Thiago Asmar (do canal Pilhado) e da suplente de vereadora de Teresina Samantha Cavalca (PP), têm cinco dias para apresentar provas das acusações ou se retratar publicamente. Caso não o façam, poderão responder por crime de desobediência.

Declarações e repercussão

Em 15 de setembro, durante transmissão na Massa FM, rádio de sua propriedade, Ratinho afirmou:

“Rico de esquerda é fácil. Chico Buarque ser de esquerda é fácil. Bebe champanhe, come caviar. O Caetano Veloso ser de esquerda é fácil, come caviar, mora no Rio de Janeiro, pega dinheiro da Lei Rouanet, aí é fácil”.

A fala viralizou dias depois, quando Chico e Caetano participaram de um grande ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, contra a PEC da Blindagem e contra a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.

Ação judicial

Na ação, Chico pede indenização de R$ 50 mil de cada réu. Os advogados João Tancredo e Maria Isabel Tancredo sustentam que as declarações configuram “desinformação” e ferem a honra do cantor:

“Chico jamais recebeu qualquer dinheiro oriundo de verba pública, de qualquer natureza. (…) Não existe o direito de mentir – em especial para violar a honra e ferir a reputação de terceiros”, diz o texto protocolado na Justiça.

Até o fechamento da matéria, Ratinho e Thiago Asmar não haviam se manifestado. Já Samantha Cavalca declarou que não tinha conhecimento da ação:

“Estou à disposição para esclarecer tudo o que for necessário ao Poder Judiciário. O compositor de ‘Cálice’ tá querendo me calar? Típico da esquerda caviar que se diz a favor da democracia e adora censurar quem não pensa como eles.”

Protestos no Rio e em outras capitais

O ato em Copacabana reuniu Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, que dividiram o palco com Ivan Lins, Paulinho da Viola, Frejat, Lenine, Geraldo Azevedo, Jorge Vercillo, Maria Gadú, Marina Sena e o conjunto Os Garotin. Entre as músicas interpretadas, Chico cantou “Cálice” ao lado de Gil, além de “Samba do Grande Amor” em trio com Djavan.

Enquanto isso, outras manifestações contra a PEC ocorreram em cidades como Salvador, Brasília e Belo Horizonte, com a participação de artistas como Wagner Moura, Daniela Mercury, Chico César e Fernanda Takai.

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Do Brasil 247

“Isenção do IR beneficia 187 milhões de brasileiros”, diz ministro Wellington Dias

Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, medida é um “passo largo para menos desigualdade” e terá impacto direto no índice de Gini

A aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda foi celebrada pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Em declaração pública, o ministro destacou que a medida vai beneficiar diretamente cerca de 187 milhões de brasileiros, especialmente trabalhadores de baixa e média renda.

“Quem ganha até 5 mil reais, e é claro, beneficia diretamente cerca de 87% do povo brasileiro. Estou falando de professores, falando de empregados do setor privado, pequenos autônomos, pequenos negócios, alguns executivos, ou seja, tendo a isenção até 7 mil reais tem desconto e até 5 mil reais isento de Imposto de Renda, projeto que traz menos desigualdade”, afirmou o ministro.

Dias ressaltou que a iniciativa do governo, conduzida pelo presidente Lula e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, representa um marco no combate às desigualdades no país. “Essa iniciativa do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad é também colocar o Brasil ao lado do povo, para um Brasil que é uma grande potência, país com capacidade de crescimento extraordinária, mas um país com muita desigualdade. E aqui é passo largo para menos desigualdade, junto com o povo do Bolsa Família, do Cadastro Único, que estão saindo da pobreza para o trabalho, para os pequenos negócios”, disse.

O ministro reforçou ainda que o impacto da isenção será sentido de forma imediata nos indicadores sociais e econômicos do país. “É passo largo para menos desigualdade. Você vai ver já nas medições do índice Gini”, declarou.

 

Do Brasil 247

Música preta

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Não é contra brancos
– só não é de brancos
– é Música preta

É o rock não branco
– é blues
– é jazz

Cabem brancos e pretos
– mss, não é Música branca

É Música preta da África

É rock sem colonizador
– branco
– ou amortizado

É rock de preto
– emancipador
(Emancipa a dor)

Mas, cante branco ou preto
– só um se eterniza
(É o não colonizador)

Deixe essa dor
– desvalor

Veja o amor
Em cores
– são muitos amores

(Uma música preta não é contra brancos, só não é de brancos, porque é uma música preta)

(Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. E pra isso acontecer, obrigatoriamente, precisa ter uma relação não-branca)

Vinício Carrilho Martinez

O Bom Senso do senso comum

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Sem nenhum trocadilho, diremos que é fato, realidade à vista, verdade eloquente, “prova provada”, que o senso comum carrega como seus o fatalismo, o dogmatismo e uma certa (bastante anunciada) irracionalidade.

Há uma expressão popular que serve como luva para exemplificar isso e nos diz assim – como recomendação magnânima, cheia de entusiasmo: “Vamos deixar como está, para ver como fica”. Desse modo, não há muita escapatória, pois “tudo será como antes, no quartel de Abrantes”.

Não há escapatória porque não há divergência, e quando é imóvel o Princípio do Contraditório (a liberdade de contradizer) não há possibilidades, rupturas. Tudo fica inerte frente à apatia e ao imobilismo.

Seria, portanto, o mais básico senso comum, o próprio “senso comum do senso comum”. O dogma (na forma da coação irresistível), neste caso, atende à convocação da total indiferença e aceitação acrítica e inerte de um estado de coisas, sempre se motivando pelo desprezo às alternativas.

Por outro lado, em um sentido reverso, contraditório, observamos o que as pessoas comuns chamam de “sabedoria popular”. É como se ocorresse um aprendizado em cascata, em virtude de não se duvidar (obviamente) da lógica que dirige a correspondência entre os fatos, as atitudes e as consequências (igualmente presumíveis e esperadas).

Nesta linha de observação do óbvio é por onde se modela a “sabedoria popular” ou, como dissemos no título, é o caminho por onde transita (e se comunica) o Bom Senso do senso comum. E há uma expressão popular poderosa, em clareza, para nos guiar neste trânsito, quando assegura que: “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.

Essa “sabedoria popular” (Bom Senso do senso comum) não está reivindicando para si o dogma presente em alguma suposta Lei de Eterno Retorno (tipo: “aqui se faz, aqui se paga”), mas sim, está clamando a fim de que nossa consciência também transite, para ser irrigada pelo Princípio da Isonomia; afinal, Chico é tão humano quanto Francisco.

Em decorrência dessa pressuposição bastante óbvia, indubitável (Chico e Francisco são humanos), ainda podemos justapor outro baluarte da lógica humanista: o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. Não há razão sustentável, suportável do “ponto de vista humano” para que Chico e Francisco sejam tratados como seres tão distintos a ponto de apenas um conhecer a igualdade e a dignidade.

Se Chico e Francisco são desiguais por motivação econômica, social, política, então, também recomenda a lógica do senso comum, que se aplique a equidade. Que se desentorte a balança da Justiça, que Chico e Francisco tenham as mesmas condições. De outro modo só haverá injustiça.

Indo um pouco mais além, ainda podemos encontrar dois princípios num só cursor: logo no início do caput, o começo do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 assevera que “todos são iguais perante a lei…”. Pois bem, a sabedoria popular veria que temos aí um notável combo, “dois em um”, uma síntese em que estão perfeitamente alinhados os dois princípios essenciais à vida comum na seara pública. Vejamos que afirmar que “todos são iguais” implica na igualdade, na isonomia que ressaltamos (Chico e Francisco são iguais em humanidade); e, em complemento, conclui-se (“perante a lei”) com o Princípio da Legalidade.

Isso também nos conforta, porque o Bom Senso do senso comum é o que deveria nos guiar como pressuposto da lógica comum e da mais simples Ética de convivência. E o povo brasileiro é notável quando se trata de conviver e sobreviver mesmo aterrado nas piores dificuldades, obstáculos e contradições. No Brasil, em muitos momentos, sobreviver já era (é) símbolo e sintoma da mais forte resistência política e popular.

O senso comum do bom senso

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Vinício Carrilho Martinez

Inicialmente, digamos que o Bom Senso é o senso comum em um bom andamento, num rumo lógico, presumível e deduzível.

O senso comum também nos diz que é possível fazer do limão (um problema azedo), uma bela limonada. De fato, é verdade. Esse texto é uma demonstração desse acerto.

Mas, então, seria possível reunir na mesma frase o senso comum e o Bom Senso, sem separá-los? Seria possível essa junção, sem que haja uma distinção entre os termos, ou melhor, a fim de que se complementem e construam um “novo” sentido, com outro significado complementar e que dependa (esse significado “novo”), exatamente, dessa junção em uma nova formulação?

Vejamos o que já sabemos:

  • Por senso comum, comumente, entendemos algo superficial, “comum” às primeiras impressões, comum às ponderações imediatas, sem agregar reflexões ou valores substantivos. Algo semelhante aos ditados populares (não todos), aos dizeres costumeiros do dia-a-dia e sem profundidade.
  • Já o Bom Senso, é o que pensamos ou queremos, deveria ser um pensamento – ou conjunto de pensamentos – para além do imediatismo, que não fosse um moto-contínuo, um simples reflexo ou reprodução sistemática daquilo que fazemos e, sequer, pensamos ao fazer.

 

Assim, o senso comum seria algo parecido com respostas prontas, automatizadas, e o Bom Senso nos remete a um pensamento mais investigativo, alinhado com nossos próprios pensamentos mais introspectivos (reflexões) e ações. Portanto, seria uma forma posterior (superior) daquele pensamento inicial, meio autônomo, obediente às necessidades ou de acordo com a prontidão do dia-a-dia – o Bom Senso seria mais analítico, reflexivo, investigativo. Mais ou menos comum a quem prefere colher provas e não somente evidências.

Então, se se parecem com expressões que não podem ser associadas, se (aparentemente) são bastante repelentes – e antes disso, se são expressões que nos impelem a pensar que o Bom Senso seria uma superação, transformação do senso comum –, como associar ambas num só contexto, num outro sentido um tanto inusual, não tão comum assim?

Este outro sentido – e veremos que é apenas a partir dele que o Bom Senso pode ser analisado – nos diz, precisamente, que, antes de tudo, de qualquer pretensão analítica, crítica, propositiva, é preciso, necessário (como uma fase obrigatória do pensamento lógico-dedutivo) vermos, pensarmos e retermos o que é óbvio.

No nosso caso, esse óbvio – antes de qualquer criticidade pretendida – nos diz (com toda a força pretendida pelo Bom Senso) que devemos observar com a máxima atenção “o senso comum do Bom Senso”. E qual seria esse “senso comum do Bom Senso”?

É aquele imperativo lógico (racional) que nos orienta a não cometer tantos erros, a não “resolver” um malfeito com o Mal Maior, a prestarmos atenção redobrada aos detalhes efetivamente significativos.

Num português claro, o “senso comum do Bom Senso” nos recomenda pensar duas vezes antes de agir, a preferir se calar e a não se pronunciar ou opinar sobre fatos acerca dos quais não temos domínio das informações relevantes.

Em suma, o “senso comum do Bom Senso” nos recomenda a não propor ou fazer besteiras.

Porém, neste momento, curiosamente, já teríamos uma reviravolta, um salto qualitativo no andar das coisas, pois, já não se falaria mais em “senso comum do Bom Senso”, mas sim de um “Bom Senso do senso crítico”: o Bom Senso que é o senso comum (a atenção ao óbvio) aplicado de modo crítico.

A partir desse prisma da ultrapassagem ou transformação do senso comum, em uma reflexão que não se desvincula dos fatos, das obviedades e da lógica aplicada a tudo, estaríamos pensando, refletindo, que as diferenças (sempre salutares) não podem ser confundidas com as desigualdades – sendo essas as condicionantes da realidade brasileira que necessitam com urgência de profunda transformação, com a melhor resolução possível.

Isto demonstraria, traria, o resultado de um pensamento crítico já posto em ação e sempre observado, reavaliado, pelo Bom Senso. Por sua vez, todo esse percurso, movimento de transformação, e não deixa de ser bastante óbvio, pertence ao mundo do senso comum.

Num princípio técnico, teórico, corresponderia a dizermos que “quem pode o mais, pode o menos”. Ou é obrigado, pela lógica, a isso.

O exemplo concreto é o da pessoa adulta, emancipada, capaz de trabalhar e de produzir, e que, em sendo assim, apta a cuidar de si, “pode o mais”; dessa forma, portanto, é essa pessoa obrigada a “cuidar do menos” (entre aspas), isto é, a zelar e cuidar de idosos ou crianças que estejam sob os seus cuidados.

Num último exercício concreto, podemos ver o senso comum dizer assim: tudo deve ser presumível e deduzível, ou seja, se a pessoa diz que vai para o Norte, presume-se que se alinhe corretamente em direção ao Norte e, logo, deduz-se, coerentemente, que tomou a direção oposta de quem vai para o Sul. Enquanto o Bom Senso nos alerta para não tomarmos “o dito pelo não dito”; afinal, ali na frente, esta mesma pessoa pode dar meia-volta e, sem que você veja, rumar para o Sul. Por fim, o senso crítico irá cravar que as situações, as ocorrências, as próprias pessoas e seus comportamentos não são uma via reta, sempre há idas e vindas nesse “caminho tortuoso” que é a Vida Comum do Homem Médio. De tudo o que vemos ou supomos saber, pouco ou quase nada, é preto e branco.

A foto esquecida do trabalhador amarrado em uma carvoaria do Maranhão e o elo com a Toyota

Relatórios oficiais, notas fiscais e entrevistas revelam a conexão entre um trabalhador agredido em carvoaria do Maranhão e um grupo siderúrgico que já forneceu ferro-gusa a plantas industriais nos Estados Unidos da maior fabricante de carros do mundo: a Toyota

DO MARANHÃO — Era madrugada quando Davi* voltou ao alojamento da carvoaria onde trabalhava, em Mirador, no interior do Maranhão. Na folga, bebeu em um bar nas proximidades da Terra Indígena Cana Brava e voltou alterado. Derrubou cadeiras, fez barulho, acordou os demais trabalhadores, inclusive o encarregado.

O que se seguiu foi brutal.

“Ele [o gerente da carvoaria] arriou um murro na cara do rapaz, bateu a cabeça dele contra a pilastra e começou a espancá-lo com um cabo de vassoura”, descreve um trabalhador que afirma ter testemunhado a cena.

O agressor teria então amarrado as mãos de Davi por trás das costas e o imobilizado diante dos colegas. Depois disso, teria fotografado a vítima e passado a exibir as imagens como prova de autoridade. “Ele dizia que ali era do jeito dele ou não era”, conta a testemunha.

Os retratos e os depoimentos estão registrados no relatório da Operação nº 216, realizada por auditores fiscais do Ministério do Trabalho em julho de 2021, na área rural de Mirador. Ao fim da inspeção, 11 trabalhadores foram resgatados de condições análogas às de escravo.

Depois daquele episódio, o gerente teria inclusive percorrido outras carvoarias, “mostrando as imagens e intimidando os trabalhadores com palavras ameaçadoras”, de acordo com declarações de outros funcionários citadas no relatório dos auditores fiscais.

O responsável pelo negócio, segundo o MTE, seria Sirlei Martins Amaral, o “Ferinha” — incluído diversas vezes na chamada Lista Suja do trabalho escravo, cadastro oficial do governo federal que torna públicos os dados de empregadores responsabilizados por auditores fiscais.

A cena de violência, o clima de medo e a rotina de exaustão nos fornos de carvão, narrados no relatório dos fiscais do governo federal, revelam mais do que violência pontual. Fazem parte de uma cadeia produtiva conectada ao mercado internacional e à maior fabricante de automóveis do mundo: a Toyota.

A montadora japonesa vendeu 10,8 milhões de carros em 2024, uma leve queda em relação ao ano anterior, mas suficiente para manter pelo quinto ano consecutivo o título de maior fabricante de automóveis do mundo, superando a alemã Volkswagen.

 

Entre as carvoarias de Ferinha e a multinacional japonesa está a Viena, siderúrgica com uma planta industrial em Sete Lagoas (MG) e outra em Açailândia, no oeste do Maranhão. A empresa é a maior compradora de carvão vegetal da região — inclusive o produzido no estabelecimento onde ocorreu o caso registrado em fotografia. A denúncia da agressão foi formalmente encaminhada à polícia e ao Ministério Público, mas não chegou a ser investigada.

Repórter Brasil percorreu essa parte da Amazônia para contar a história de Davi, o trabalhador fotografado espancado e amarrado, e ligar os pontos das conexões comerciais internacionais reveladas pela imagem esquecida em um relatório de 177 páginas.

Carvoaria na área rural de Grajaú, no Maranhão. Reportagem mostra a história de um trabalhador amarrado e espancado em uma carvoaria, que fornece carvão para a Siderúrgica Viena, em Açailândia. Casos de trabalho análogo à escravidão são recorrentes entre os fornecedores da Viena, que é investigada pelo Ministério Público do Trabalho. A Viena é uma das fornecedores de gusa para indústrias da Europa e Estados Unidos, incluindo uma fábrica da Toyota nos EUA. Foto de João Laet / Repórter Brasil
Carvoaria na área rural de Grajaú, no Maranhão. Trabalhadores são cotidianamente expostos a altas temperaturas e a contato com fuligem, em jornadas extenuantes (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Siderúrgica brasileira exportou ferro-gusa para a Toyota nos Estados Unidos

Ao pisar em uma carvoaria, no centro-sul do Maranhão, em poucos minutos, os olhos arderam com a fumaça. A fuligem cobria o chão e os rostos dos trabalhadores. Um deles, com o corpo enegrecido pelo carvão, definiu: “É trabalho duro. Mas é o que tem por aqui”.

O carvão produzido nos empreendimentos associados a Ferinha abasteciam a Viena Siderúrgica. Situada no polo industrial de Açailândia, a unidade é uma das 40 maiores do Brasil. A usina utiliza o carvão vegetal para transformar o minério de ferro em ferro-gusa, uma liga metálica com várias aplicações, inclusive na indústria automotiva. Segundo a própria Viena, 80% da produção da empresa têm como destino o mercado norte-americano.

Foto da siderurgica Viena, em Açailândia. Reportagem mostra a história de um trabalhador amarrado e espancado em uma carvoaria, que fornece carvão para a Siderúrgica Viena, em Açailândia. Casos de trabalho análogo à escravidão são recorrentes entre os fornecedores da Viena, que é investigada pelo Ministério Público do Trabalho. A Viena é uma das fornecedores de gusa para indústrias da Europa e Estados Unidos, incluindo uma fábrica da Toyota nos EUA. Foto de João Laet / Repórter Brasil
Vista aérea da siderúrgica Viena, em Açailândia, Maranhão (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Repórter Brasil consultou informações oficiais alfandegárias e portuárias. Os dados mostram que a Toyota dos Estados Unidos aparece entre os clientes da Viena.

Ao menos quatro embarques, totalizando 8 mil toneladas de ferro-gusa produzidos pela siderúrgica, foram consignados à montadora, de fevereiro a setembro de 2022. As vendas ocorreram no ano seguinte ao episódio fotografado na carvoaria.

A Repórter Brasil questionou a Viena sobre a origem das cargas exportadas para a Toyota dos Estados Unidos: Sete Lagoas ou Açailândia. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa disse que não poderia revelar a informação porque “os acordos comerciais da siderúrgica com clientes ou ex-clientes são confidenciais”.

Mapa do Ferro-gusa na Amazônia
(Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil)

O que dizem os envolvidos no caso

Em nota, a assessoria da montadora japonesa no Brasil diz que “suas operações são independentes de outras unidades da Toyota ao redor do mundo e, portanto, não possui ingerência sobre o quadro de fornecedores da Toyota Motor North America (TMNA)”. Procurada diversas vezes, a Toyota dos Estados Unidos chegou a pedir uma extensão de prazo para se manifestar, mas não respondeu às perguntas enviadas pela Repórter Brasil.

Já a Viena Siderúrgica afirma que “repudia qualquer prática de exploração de trabalhadores e não compactua com fornecedores que descumpram a legislação”. A empresa destaca que a relação comercial com unidades ligadas a Sirlei Martins Amaral ocorreu “apenas com plantas licenciadas pelos órgãos competentes” e que, tão logo tomou conhecimento das fiscalizações, descredenciou os fornecedores.

Também em nota, a defesa de Sirlei Martins Amaral, o Ferinha, sustenta que o cliente “nunca compactuou com tais práticas” e que “não há qualquer condenação criminal contra o Sr. Amaral”. O texto informa ainda que a carvoaria autuada pelos auditores fiscais, onde o trabalhador foi espancado e amarrado, teria sido desativada. Outros trechos da nota dos advogados serão citados ao longo da reportagem.

Os posicionamentos da Toyota, da Viena e dos advogados de Ferinha podem ser lidos na íntegra neste link.

Sediada em Açailândia, a siderúrgica Viena afirma ter descredenciada o fornecedor de carvão autuado por fiscais do Ministério do Trabalho (Foto: João Laet/Repórter Brasil)
Sediada em Açailândia, a siderúrgica Viena afirma ter descredenciado o fornecedor de carvão autuado por fiscais do Ministério do Trabalho (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

MPT discute Termo de Ajustamento de Conduta com siderúrgica

A estrutura montada por Ferinha para operar suas carvoarias no Maranhão era deliberadamente complexa, de acordo com um relatório do MPT (Ministério Público do Trabalho).

Várias empresas funcionariam em sincronia. Elas seriam diferentes apenas no papel: cada uma com CNPJ e endereço próprios. Na prática, porém, contariam com os mesmos trabalhadores, os mesmos encarregados, a mesma madeira e os mesmos fornos.

“Constatei, por meio dos relatos de trabalhadores e encarregados, que toda a produção do Ferinha era destinada à siderúrgica Viena”, afirma o procurador do MPT, Luciano Aragão Santos.

Santos conduziu uma investigação sobre trabalho análogo ao de escravo em carvoarias no Maranhão que resultou na abertura de um inquérito contra a Viena. Além dos depoimentos, o caso reúne notas fiscais e recibos que comprovam a relação comercial entre as carvoarias e a empresa.

Minério transportado por ferrovia da Vale é misturado com carvão vegetal para dar origem ao ferro-gusa, liga metálica com diversas aplicações (Foto: João Laet/Repórter Brasil)
Minério transportado por ferrovia da Vale é misturado com carvão vegetal para dar origem ao ferro-gusa, liga metálica com diversas aplicações (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Segundo o procurador, a Viena exercia controle sobre a qualidade do carvão produzido e também fixava os preços de compra. Santos participou de diversas forças-tarefa em propriedades ligadas a Ferinha, onde teria constatado trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas e condições degradantes — o que, segundo o artigo 149 do Código Penal brasileiro, pode caracterizar uma situação de trabalho análogo à escravidão.

O Ministério Público do Trabalho propôs à siderúrgica um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), em fase final de negociação. Entre as medidas sugeridas no acordo, está a adoção de diligência em direitos humanos — processo pelo qual a empresa deve identificar, prevenir e corrigir riscos de violações, como o trabalho escravo, em sua cadeia produtiva. O TAC também prevê a reparação econômica das vítimas já identificadas, além da implementação de mecanismos eficazes de rastreamento da produção de carvão.

Apesar de não submeterem seus próprios empregados diretos a violações trabalhistas, as siderúrgicas “lucram e tiram proveito da superexploração do trabalho humano em carvoarias que produzem os insumos necessários à sua atividade”, escreveu Santos no relatório de investigação – parte do projeto Reação em Cadeia do MPT.

Ferinha é um nome conhecido entre auditores fiscais e procuradores do trabalho. Em pelo menos sete operações desde 2015, ele aparece vinculado a carvoarias denunciadas por trabalho escravo, ausência de equipamentos de proteção individual, alojamentos insalubres e jornadas exaustivas.

Diante da reincidência, ficou preso menos de um mês, a pedido do Ministério Público Federal, em novembro de 2022. Sua defesa conseguiu converter a prisão preventiva em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Quatro meses depois, o juiz federal de Balsas (MA) Cláudio Cezar Cavalcantes revogou as medidas e determinou a retirada do equipamento. O processo foi arquivado em agosto de 2023.

Ao todo, quatro empresas das quais Ferinha foi sócio acumulam 19 autuações por infrações ambientais, aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). Somam R$ 37,7 milhões em multas, relacionadas a desmatamento ilegal e uso de madeira nativa sem licença.

Em nota, a defesa de Ferinha afirma que a prisão preventiva de 2022 foi revogada e que o processo acabou arquivado “justamente por inexistirem provas que sustentam a acusação”. Também argumenta que as multas ambientais aplicadas pelo Ibama estão em fase recursal e não configuram condenações definitivas.

Ferinha continua com dois CNPJs de carvoarias ativos: uma em Araguatins (TO) e outra em Grajaú (MA), segundo a Receita Federal. Outras seis carvoarias constam da base de dados da Receita, mas são consideradas inaptas.

Paisagem da cidade de Açailândia, próximo a comunidade Pequiá de Baixo. Reportagem mostra a história de um trabalhador amarrado e espancado em uma carvoaria, que fornece carvão para a Siderúrgica Viena, em Açailândia. Casos de trabalho análogo à escravidão são recorrentes entre os fornecedores da Viena, que é investigada pelo Ministério Público do Trabalho. A Viena é uma das fornecedores de gusa para indústrias da Europa e Estados Unidos, incluindo uma fábrica da Toyota nos EUA. Foto de João Laet / Repórter Brasil
Quatro empresas das quais Ferinha foi sócio acumulam 19 autuações e R$ 37,7 milhões em multas por infrações ambientais, aplicadas pelo Ibama (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Ferinha e suas empresas já foram incluídos na chamada Lista Suja do trabalho escravo em pelo menos cinco oportunidades — a última foi em abril deste ano. Os dados dos empregadores são incluídos após defesa em duas instâncias administrativas. Apesar de não gerar bloqueios comerciais ou financeiros de forma automática, o cadastro do governo federal tem sido usado por bancos e empresas para fins de gerenciamento de risco.

Os advogados afirmam que a inclusão de Ferinha na Lista Suja está sendo contestada na Justiça, “pois viola direitos fundamentais, notadamente o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência”.

‘A siderúrgica dita as regras’

No papel, a Siderúrgica Viena é somente uma compradora do carvão vegetal. Mas os relatórios de fiscalização e a investigação do Ministério Público do Trabalho apontam para outra direção: a siderúrgica agiria como se fosse a dona de fato das carvoarias.

Segundo o MPT, técnicos da usina visitam os fornos, determinam o padrão de qualidade do carvão, aplicam multas em caso de “munha” (pó) excessiva e cobram metas de produtividade. Quando algo foge ao padrão, enviam notificações diretamente a Ferinha. “Eles mandam em tudo. Até no jeito de empilhar a tora”, relatou um encarregado ouvido pela fiscalização.

Segundo relatório do MPT, Viena exercia controle sobre a qualidade do carvão produzido e também fixava os preços de compra (Foto: João Laet/Repórter Brasil)
Segundo relatório do MPT, Viena exercia controle sobre a qualidade do carvão produzido e também fixava os preços de compra (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Notas fiscais obtidas pela fiscalização e incluídas no relatório do MPT comprovam a ligação direta entre os fornos de Ferinha e a linha de produção da Viena. “Em todas as carvoarias em que eu fiz resgate (de trabalhadores em condições análogas às de escravo), a Viena está na ponta da cadeia”, afirma o auditor fiscal do Trabalho Ivano Sampaio.

O ferro-gusa produzido pela Viena tem como insumo o minério de ferro extraído das minas da Vale em Carajás, no sudeste do Pará. A Viena, assim como todas as plantas industriais do pólo siderúrgico da região, também depende da estrada de ferro e do porto de São Luís (MA), ambos operados pela mineradora.

Em 2007, a companhia chegou a suspender temporariamente o fornecimento de minério a quatro usinas por descumprimento de normas ambientais e trabalhistas, mas a Viena não foi afetada.

Procurada, a assessoria de imprensa da Vale respondeu em nota que “as relações comerciais estabelecidas entre as partes são regidas por cláusulas contratuais que contemplam claros compromissos no que se refere aos direitos humanos”. O texto afirma ainda que “o descumprimento comprovado de tais obrigações resultará na rescisão motivada dos contratos”. Leia aqui a íntegra da nota da Vale.

Reportagem mostra a história de um trabalhador amarrado e espancado em uma carvoaria, que fornece carvão para a Siderúrgica Viena, em Açailândia. Casos de trabalho análogo à escravidão são recorrentes entre os fornecedores da Viena, que é investigada pelo Ministério Público do Trabalho. A Viena é uma das fornecedores de gusa para indústrias da Europa e Estados Unidos, incluindo uma fábrica da Toyota nos EUA. Foto de João Laet / Repórter Brasil
Ferro-gusa produzido pela Viena no Maranhão tem como insumo o minério extraído das minas da Vale em Carajás, no Pará (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

‘À noite tem perigo de cobra pegar’

A Repórter Brasil esteve em duas carvoarias no centro-sul do Maranhão, região onde ficava a unidade de Ferinha em que foi tirada a foto de Davi. A estrada de terra estreita e esburacada dá acesso a áreas isoladas no meio da mata, onde baterias de fornos circulares queimam sem parar.

O cheiro de carvão impregna o ar. A fuligem cobre o chão e todas as estruturas. Os trabalhadores que operam os fornos têm os rostos cobertos de poeira preta. Usam botas, capacetes mal ajambrados nas cabeças, calças rasgadas e camisas molhadas de suor. Dormem em alojamentos improvisados, a poucos metros das chamas e perto da fumaça e da fuligem.

A produção segue o mesmo ciclo: toras de madeira nativa, cortadas em áreas abertas para pastagem ou plantio de soja, são transportadas em carroças (chamadas de cambonas) até os fornos. Empilhadas à mão, são queimadas e depois resfriadas, peneiradas e ensacadas. Cada trabalhador é responsável por diversas etapas.

“O maior risco é a fumaça nos olhos da gente. À noite também tem perigo de cobra pegar. Eu vou sempre com uma lanternazinha, mas é um perigo”, conta José Vagner Coelho Souza, de 53 anos, um dos milhares de trabalhadores já resgatados por auditores fiscais do governo federal de condições análogas às de escravo no Maranhão.

Souza é morador de um distrito na zona rural de Grajaú. Foi encontrado pela fiscalização trabalhando em jornada exaustiva, sem descanso. Começava o turno antes das cinco da manhã e seguia até depois da meia-noite, cuidando dos fornos. “A gente trabalha na esperança de juntar um dinheirinho, mas é só engano”, afirma.

A fala de Souza ecoa nas estatísticas. O Maranhão é o terceiro estado com maior número de operações de resgate de trabalhadores de condições análogas às de escravo no Brasil — foram 251 fiscalizações desde 1995, somando 3.799 pessoas resgatadas.

“O maior risco é a fumaça nos olhos da gente. À noite também tem perigo de cobra pegar. Eu vou sempre com uma lanternazinha, mas é um perigo”, diz um trabalhador de uma carvoaria no Maranhão (Foto: João Laet/Repórter Brasil)
“O maior risco é a fumaça nos olhos da gente”, diz um trabalhador de uma carvoaria no Maranhão (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Boa parte dos casos está ligado à cadeia do carvão vegetal. Os fornos seguem sendo reerguidos, ainda que as empresas mudem de nome. Os trabalhadores, muitas vezes os mesmos, voltam poucos meses depois do resgate.

“O que a gente consegue perceber é que, geralmente, as pessoas que são colocadas nessa posição, ou que são submetidas a essas condições, são pessoas que vêm de uma vulnerabilidade social muito grande”, afirma​ a advogada Morgana Meirelles, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Carmem Bascarán, em Açailândia.

“É um ciclo perverso. São resgatados e, meses depois, o mesmo trabalhador retorna. Sem educação, sem assistência, sem inserção produtiva. É a omissão do Estado que empurra de volta para a mesma exploração”, complementa.

A reincidência também aflige o agente da CPT (Comissão Pastoral da Terra) Raniere da Conceição. “As comunidades não têm garantia de permanência no campo. Sem política fundiária, migram ou acabam aceitando essas condições degradantes. Isso não é escolha. É ausência de opção”​, avalia.

A informalidade é comum. A cada denúncia, parte dos trabalhadores some no mato. Em uma das operações, um trabalhador relatou ter sido orientado pelo chefe a se esconder ao ver o carro da fiscalização: “Mandou a gente correr e voltar só depois que eles fossem embora.”

“A cadeia é global. O impacto é local. E quem consome esse produto também precisa entender que está comprando algo produzido com sofrimento e violação de direitos”, afirma o coordenador da ONG Justiça nos Trilhos, Mikael Carvalho, que vive em Açailândia.

Ferrovia de Carajás, que transporta o ferro gusa até o porto do Maranhão. Reportagem mostra a história de um trabalhador amarrado e espancado em uma carvoaria, que fornece carvão para a Siderúrgica Viena, em Açailândia. Casos de trabalho análogo à escravidão são recorrentes entre os fornecedores da Viena, que é investigada pelo Ministério Público do Trabalho. A Viena é uma das fornecedores de gusa para indústrias da Europa e Estados Unidos, incluindo uma fábrica da Toyota nos EUA. Foto de João Laet / Repórter Brasil
Estrada de Ferro Carajás, da Vale, transporta o ferro-gusa até o porto de São Luís, no Maranhão, de onde é exportado para diversos países (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

“Olha isso… A situação que fizeram com meu filho”

Repórter Brasil localizou os pais de Davi, o trabalhador espancado e fotografado, em um sítio na zona rural de Grajaú. Vivem em uma casa simples de madeira, cercada por roça e árvores, às margens do rio Grajaú. O pai carrega no rosto os traços de quem também foi carbonizador. Trabalhou por dezoito meses em fornos, como aqueles operados pelo filho. Conhece o calor da queima do carvão.

“Ele nunca falou muito. Mas eu sou ciente do que aconteceu. Ele tem medo de contar”, diz. O filho, segundo ele, ainda trabalha em carvoarias da região. Recusou-se a conceder entrevista. Disse para os pais que prefere esquecer.

A mãe soube da agressão, mas nunca tinha visto a imagem. Quando a reportagem mostrou a foto de Davi amarrado pelas costas, ela silenciou por segundos antes de falar: “Olha isso… A situação que fizeram com meu filho”, disse com a voz embargada pelo choro.

MPT propôs um Termo Ajustamento de Conduta à Viena. Medidas preveem que a empresa deve identificar, prevenir e corrigir riscos de violações em fornecedores (Foto: João Laet/Repórter Brasil)
MPT propôs um Termo Ajustamento de Conduta à Viena. Medidas preveem que a empresa identifique, previna e corrija riscos de violações em fornecedores (Foto: João Laet/Repórter Brasil)

Os pais tentaram convencer o filho a deixar o trabalho nas carvoarias. Ofereceram moradia, apoio, uma nova tentativa. Mas ele preferiu ficar. O medo, dizem, é maior que a vontade. “Ele está calado. Mas, se quiser correr atrás, eu apoio. É meu filho”, diz o pai.

A agressão a Davi nunca foi formalmente denunciada à Justiça e ficou registrada apenas no relatório da fiscalização trabalhista. A empresa não comunicou o fato. O encarregado foi afastado, mas a carvoaria seguiu produzindo.

A Viena continuou vendendo ferro-gusa para a maior fabricante de automóveis do mundo, a Toyota.

Quatro anos depois da agressão fotografada, Davi voltou a ser resgatado em uma operação do Ministério do Trabalho — desta vez entre 49 trabalhadores em condições análogas à de escravidão em outra carvoaria, no município de Benedito Leite, sul do Maranhão.

*o nome verdadeiro do trabalhador foi ocultado para preservar sua identidade

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O que é Educação para além da exceção[1]

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Vinício Carrilho Martinez

O que podemos entender por Educação para além da exceção?

Como nos disse Paulo Freire acerca da autonomia e da emancipação, trata-se de um “que fazer”, uma intencionalidade a partir de uma realidade: “… é esclarecer e iluminar a ação, de um lado, quanto à sua relação com os dados objetivos que a provocam; de outro, no que diz respeito às finalidades da própria ação”[2].

Entendemos que se trata de um conjunto de ações, medidas, técnicas, conhecimentos, estratégias, interações, mudanças individuais e sociais, que:

  • Desnaturalizem o “apreço” individual, social, político, cultural, institucional pelos meios, mecanismos, lógicas e estruturas baseadas na exceção (e exclusão) e que possam aprimorar as excepcionalidades inclusivas necessárias (discrímen).
  • Revigorem, orientem ou até mesmo controlem “anormalidades, exceções desumanizadoras” na arena política[3], social, cultural, institucional. Sem contar que se espelha um paradoxo entre realidade e falsificação dos fatos, com os aportes crescentes em Fake News e que isto nos impõem, cada vez mais, investir em conteúdo, capacidade de reflexão crítica, como suportes de uma Educação científica, filosófica, sociológica.
  • Que nos ensine as principais diferenças entre liberdade (responsabilidade), autonomia (com auditoria, para não desembocar na autocracia) e a própria emancipação (um ato de reconhecimento coletivo, com independência e afirmação)[4].
  • Aprimorem o conhecimento técnico e político, teórico e conceitual, no tocante à verificação de diferenciações que são essenciais, não-superficiais, como verificamos na distância prática e operacional entre a exceção e a excepcionalidade.
    • É perfeitamente possível e necessário algum aprofundamento quanto à Institucionalidade que proteja o Estado Democrático de Direito e exclua o Estado de Exceção. Em relação às assim denominadas técnicas de Estado, será que invariavelmente a mesma Institucionalidade se aplica a ambos os tipos de Estado?
    • O exemplo mais simples se refere ao próprio looping da exceção, pois mesmo que se considere (incorretamente) o prolongamento de uma medida de exceção (intervenção federal, GLO e outras) essa prorrogação obedecerá aos critérios normativos democráticos ditados na Constituição Federal de 1988, ao passo que – a exemplo de El Salvador –, no Estado de Exceção (descompromissado constitucionalmente) a negação da normalidade decorre puramente de outra exceção e não da regra democrática balizadora de sua necessidade e oportunidade.
  • Consigam dissuadir, em graus de diferenciação substancial, legalidade e legitimidade.
  • Jamais consintam com “a ‘normalização’ de tramas para qualquer arquitetura de golpe”.
  • Sejam capazes de apreender, muito mais na prática do que no âmbito escolar, que os princípios gerais são muito mais óbvios do que decantam as inúmeras declarações, visto que estão na vida social – e ainda que não se comuniquem de maneira muito republicana.
  • Constituam uma vontade política (“fazer-se política”) tanto quanto fortaleçam a vontade constitucional[5].
  • Não permitam uma apropriação das “quatro linhas da Constituição” a fim de se promover a violência social, a tortura, os negacionismos, as irracionalidades sociais e culturais, que tentem militarizar a sociedade e destruir o Estado Laico.

 

É claro o fato de que, o que está além do normal é excepcional, o que está além ou aquém da regra é exceção. Toda excepcionalidade é uma exceção, mas a excepcionalidade não é uma “exceção à regra”.

Também entendemos que se trata de uma educação antirracista, antifascista. Ou, sumariamente, retomando um breve receituário, entendemos que é nossa obrigação enquanto educadores e educadoras:

  • Não naturalizar, normalizar, a imposição de qualquer Princípio de hierarquização – ainda que, em alguns casos, seja esse princípio uma excepcionalidade, por ocorrência de alguma relação de necessidade.
  • Analisar, compreender, difundir a essência da Constituição Federal de 1988 (cláusulas pétreas), na formação de uma Educação Constitucional lastreada na compreensão do Estado Democrático de Direito e na defesa dos direitos fundamentais[6].
  • Propor a civilidade, enfatizar a educação antifascista, antirracista, como fomento da educação que favoreça a inclusão, a autonomia, a participação política.

 

Trata-se, assim, de uma Educação para além da exceção e da não aceitação de normalidade dessa exceção. Pelo contrário, entende-a como anormalidade, que não pode se concretizar como simples fato de aceitação ou adesão – nem nas ações políticas, nem nas subjetividades. Uma Educação que rompe, extrapola, os limites do capital; que, na atualidade, não se condiciona à condição disruptiva da própria Política.  Uma Educação que reflita, afinal, criticamente sobre a “normalização da exceção”. O desenho é de uma Educação Política após Auschwitz – não esquecendo, certamente, do “holocausto palestino” produzido pelo Estado Sionista de Israel. É, então, uma Educação após Auschwitz, e também depois de Gaza; portanto, pode ser vista como uma Educação em direitos humanos.

É com esse intuito que frisamos a necessidade a Educação para além do capital, em concomitância à Educação em direitos humanos. Do mesmo modo enfatizamos a urgência de uma Sociologia Política da Educação que combata a “normalização da exceção” – de certa forma sem precedentes –, e, assim, veja-se mais claramente vislumbres de uma Educação para além da exceção. Daí a importância de vermos um pouco do Estado Moderno atual, e de Brasil, com o intuito mais específico de ressaltarmos características que dificultam nossa própria compreensão do que seja a “normalização da exceção” e, obviamente, nos distanciam (em certo efeito da dissonância com os fatos) do objetivo central que é a Educação para além da exceção. Isto se reforça mediante a possibilidade efetiva de uma “normalização da exceção”: a própria permanência do Estado de Exceção no século XXI. O que nos traz de volta o “o que fazer”.

Desse modo, uma das questões mais prementes, assustadoramente atualizadas enquanto forma de naturalização da exceção, refere-se à aceitação, integração e convivência com a violência. Numa metáfora é como se vivêssemos em meio às cavernas, numa “luta de todos contra todos” e contra si mesmos, impondo-nos com naturalidade os campos de morte. No exemplo do Congresso Nacional, que considera “normal” crianças conviverem em estandes de tiros, vemos essa clareza política – um natural tirocínio congressual brasileiro, no ápice negativo da inteligência social[7].

Nossos exemplos, no entanto, vêm de fora. Com essas observações, percebemos com clareza meridiana que já subimos vários degraus na escala da Banalização do Mal (Fascismo recalcitrante): da naturalização das exceções (toda regra é feita para ser violada, por narrativas e ações políticas) à totalidade da naturalização da excrescência letal[8].

Temos que considerar o culto à violência – bem posicionado no coração do Fascismo – quando investigamos e tratamos do ensino militar (ou militarizado) no interior da escola pública. O conjunto nos interpela no sentido da ordem unida para servir e combater, mas combater quem, o povo brasileiro?

Além disso, como característica brasileira, de certo modo, há uma corrida dos ratos que se aninha no miolo do Estado Rentista – a versão pós-moderna do Estado Burguês, e que o configura de maneira muito diversa daquela desenhada nos séculos precedentes. No país dos juros altos (renda fixa), quando estes caem, a manada volta para a bolsa (renda variável) e compra os mesmos papéis que vendeu (barato), com ágio de 40, 50, 100%. A especulação não começa na B3, ela termina na bolsa de valores. Aliás, a Bolsa de valores tem seus próprios papéis, à venda no mercado (ticket B3SA3).

Esses componentes são oportunos manter em vista, especialmente, quando avançamos um pouco nas referências críticas à educação financeira na escola pública. Como explicar que o Estado Rentista é o maior beneficiário da especulação financeira? E que, avesso aos direitos sociais – como seria favorável, se fosse um Estado Social –, é o rentismo quem paga as maiores políticas públicas?

É sob essas premissas que insistimos em uma reorientação de conteúdo para algumas abordagens na escola pública, no sentido expresso de que devemos educar (e aprender) a estranhar as formas de exceção, e mais decisivamente a fim de que as exceções não sejam tratadas com naturalidade, como se, de fato, o correto, o regular, o “normal”, fosse crer que a “exceção é a regra”.

Por óbvio que não é, uma vez que é a exceção à lógica, ao pressuposto, ou seja, à regularidade e, assim, a exceção deve ser abordada como a última possibilidade e sempre de acordo com a legitimidade avocada a fim de se agir de “forma não-regular”[9].

A exceção não é, propriamente, irregular porque é, em geral, prevista na própria regra; porém, daí não se conclui que a exceção possa/deva adquirir o lugar, o espaço de proeminência da mesma regra que a guia. Efetivamente, a exceção é uma deformidade da regra e que orbita algum sentido da regra, e assim deve ser entendida, aplicada, como último recurso legítimo de ação prática.

De forma alguma a exceção pode ser “normalizada”, como se o “novo normal” recaísse na aceitação, adesão à “normalização da exceção”. A regra contém e acomoda, molda a exceção, e essa é a regra construída pela dominação racional legal[10]; contudo, subvertemos até mesmo esse paradigma da sociedade moderna construindo uma racionalidade (uma compreensão dos pressupostos e dos fatos) em que “a exceção predomina e submete a regra”. Por isso, há o predomínio (como dominus) das exceções no campo da normalidade, da regularidade. A previsibilidade passou a ser ditada pelas exceções.

Por mais paradoxal que seja, é desse modo que podemos entender porque vigoram os discursos sociais/políticos afirmativos de que “o direito de liberdade supõe, inclusive (ou especialmente), a possibilidade de se defender o fim da liberdade” – ou, em seu complemento, o uso/abusivo da democracia preconizando-se a limitação ou o fim da mesma democracia que assegurou o direito de tecer críticas à democracia.

Neste mesmo sentido corrosivo dos significados, os instrumentos hegemônicos de poder, a grande mídia e as Fake News constroem ou asseguram uma compreensão corrosiva, disruptiva, em que as emergências sociais/ambientais – via de regra passíveis de serem enfrentadas por meio do Estado de Emergência Ambiental (um conjunto que, evidentemente, acomoda-se nos preceitos legítimos do Estado Ambiental) – sejam tratados corriqueiramente como se o aludido Estado de Emergência pudesse ser instrumentalizado para fins de restrição incontida de direitos políticos[11].

Isto é, em face do uso disruptivo da lógica de legitimação, o remédio jurídico com fins a sustentar os níveis mínimos de sociabilidade e condições de vida acaba por ser manipulado sob a forma de instrumento autoritário, autocrático, antagônico à própria inteligência social que deveria guarnecer. Não haveria exagero, portanto, na afirmação de que, com a normalização da exceção, a concepção, a racionalidade, envolta na dominação racional-legal se subverteu (ou chegou ao ápice preditivo?) no instrumento de controle social disjuntivo de sociabilidade: da dominação racional-legal à prevalência do dominus (o poder que se exercia sobre o Homo sacer ora se exerce sobre o Homem Médio em sua Vida Comum: ambos alienados, cada um a seu tempo, das “condições normais do animal político”).

É certo que este conteúdo é relativamente disperso e de não-muito fácil apreensão; no entanto, como possibilidade real de se averiguar e avaliar o quão é prejudicial a adesão simplificada às “regras da exceção” é necessário que seja explorado na educação pública.

Foi com este intuito, resumidamente, que abordamos a necessidade de se romper a lógica opressiva do sistema rentista – ainda que o Estado brasileiro seja o principal beneficiário, com extensão das políticas públicas assim financiadas –, indicando-nos a necessidade de sermos atentos e atuantes na preservação e aprofundamento dos direitos humanos fundamentais.

Esta lógica, que em nada é simples – apesar de seus efeitos serem corriqueiros – está no miolo do desafio de se (e)levar a discussão proposta de uma Educação para além da exceção, e que contribuímos de forma mais direta sob a forma de uma Educação antissionista e atenta, sobremaneira, ao antissemitismo: visto que ambas andam ladeadas no século XXI. Esses parâmetros seguem nossa definição de uma Educação após Auschwitz, e depois de Gaza. Por fim, toda a discussão foi laureada com uma perspectiva em especial da exceção, a do Estado de Exceção, que por tendência tende a ser normalizado como instrumento abusivo/disruptivo da Política, sob a alegação de um suposto controle social. Essas são as formas de exceções que entendemos mais visíveis e mais atuantes no plano social, político, cultural, e menos especulativas ou filosóficas.

De certo modo, nosso esforço aqui resumido nem mesmo se adequaria a uma construção conceitual, mormente se observarmos como procedeu Agamben[12]. Indicamos algumas bases diretivas do “que fazer”, em termos de edificação ou aprimoramento de uma Educação depois de Gaza, momento em que também retomamos alguns lastros conceituais sobre a clássica Educação Política. Por fim, retornamos ao princípio ativo do “fazer-se política” – portanto, não apenas como “remédio político-jurídico” – e com o objetivo destacado de combater a “naturalização da exceção” e aprimorar a perspectiva da Consciência que é a consciência acerca da consciência política – e isto, em Paulo Freire[13], por óbvio, corresponde à autoconsciência, autocrítica, autogoverno, autogestão.

Quando lembramos que o 8 de janeiro de 2023 foi um marco simbólico na luta pela democracia, reforçamos a certeza na necessidade de uma Educação Política vinculada à luta pelos direitos de cidadania e de combate a todas as formas de exceção, racistas e de cunho fascista.

De modo muito claro, a Educação para além da exceção envolveria a obrigação moral/social de aprofundarmos os conteúdos sobre a democracia, a cidadania, os direitos humanos fundamentais, precipuamente, para que golpes, quarteladas, motins e insurgências civis e militares contra o Estado Democrático de Direito não fossem aceitas com anuência e passividade. Por mais que haja limites cruéis na realidade brasileira racista, misógina, excludente, não é com a abolição da natureza jurídica (dignidade humana) do Estado Democrático de Direito que traremos pacificação social, Justiça Social, legitimidade do controle social.

Em linha paralela, desde antes de 2016, aprendemos no Brasil que aquilo que se denominava como campo fértil para o florescimento da Inteligência Coletiva – mais ainda se pensarmos na educação dos jovens – sucumbiu diante das redes antissociais abertas ao autoritarismo e à autocracia. Portanto, nada mais distante da Inteligência Coletiva do que as atuais redes antissociais – a própria ideia de rede, como embrionária de uma cidadania e democracia virtual não passa de um sonho esquecido[14] pelos algoritmos de manipulação da vontade popular.

Quando pensamos que, em 2018, o Fascismo foi guindado ao poder por meio do voto, temos outra certeza: o quanto precisamos avançar em todas as frentes de Educação para além da exceção – visto que, culturalmente, a exceptio nas formas mais brutais de exclusão tornou-se regra pela via eleitoral. O uso extensivo das redes antissociais e das Fake News não conheceu trégua e isso nos reforça a consciência de que a educação digital precisa incorporar os conteúdos da exceção (as sutilezas que confirmam a exceção como regra). As discussões em torno do assim chamado Estado-plataforma, como atualização pós-moderna do Estado Burguês, é outra clareza conceitual que não pode ser desprezada neste quarto de século XXI.

Desse modo, retomamos a Educação para além da exceção, especialmente quando a exceção se encontra entranhada na própria regra que deveria aboli-la ou ao menos servir-lhe de controle rígido e efetivo. Juridicamente, já tivemos o alcance do “crime de vadiagem”, num país imerso em pobreza e negação de direitos fundamentais como coroamento de institucionalidades de uma República que só prestava contas aos antigos senhores de escravos. Hoje, temos a “imposição legal” da uberização, terceirização massiva, pejotização que, na prática, remoeram em desuso o art. 7º da Constituição Federal de 1988. Portanto, neste sentido amplo, o pensamento escravista continua ditando fortemente as regras, e não só a partir do Golpe de Estado de 2016, e é neste sentido que concluiremos nossas premissas da Educação para além da exceção, a fim de que, ao menos como vir a ser, a justiça histórica faça parte da consciência política dos jovens, mais ainda porque um dia terão o próprio condão da história. E esse é o nosso manifesto, por uma Educação para além da exceção e para que a justiça histórica, notadamente contra o pensamento escravista, não seja somente uma justiça poética.

 

[1] Esse texto corresponde a algumas passagens da conclusão, um tipo de memorial apresentado na defesa de tese de titularidade na UFSCar/SP, no dia 30/07/2025: https://www.youtube.com/live/LTTzeX_TfWw.

[2] Freire, op. cit., 1985, p. 42 – grifo nosso.

[3] BRIGIDO, Carolina. TSE vai exigir de campanhas declaração sobre uso de inteligência artificial. UOL, São Paulo, 26 fev. 2024. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/carolina-brigido/2024/02/26/tse-vai-exigir-de-campanhas-declaracao-sobre-uso-de-inteligencia-artificial.htm. Acesso em: 26 fev. 2024.

[4] No entanto, há uma diferença de estágio: a autonomia está para a liberdade, tanto quanto a emancipação está para a independência.

[5] “Vê-se, pois, que a realização da democracia é proporcional ao grau de efetivação dos valores encampados pelos princípios constitucionais e ao nível da seriedade com o qual a Constituição venha a ser tratada. Não basta aos governantes e às pessoas, em geral, em uma democracia, a mera vontade de poder; é indispensável que tenham efetiva vontade de constituição, consoante ensina Konrad Hesse” (GOMES, Sérgio Alves. Hermenêutica Jurídica e Constituição no Estado de Direito Democrático. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 26).

[6] “Portanto, para que a Constituição mantenha a sua validade, a aplicação de fato de suas normas, dois elementos são fundamentais: a força política e o fim político. Esses elementos concorrem para a obtenção da aprovação das normas escritas e a eleição dos fins políticos que mantêm e completam a base de sustentação adequada das diversas forças políticas que atuam na comunidade por ela organizada” (COSTA, Maria Isabel Pereira da. Jurisdição Constitucional no Estado Democrático de Direito. Porto Alegre: Síntese, 2003, p. 69).

[7] PEREIRA, Felipe. Deputados adiam votação de proposta para vetar crianças em clubes de tiro. UOL, São Paulo, 21 dez. 2023. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/12/21/comissao-da-camara-rejeita-projeto-que-proibe-pratica-de-tiros-por-criancas.htm. Acesso em: 22 dez. 2023.

[8] ITAQUERA EM NOTÍCIAS. Alunos naturalizam sons de tiros em escola nos EUA ao lado de campo de disparos. Itaquera em Notícias, [S.l.], 2024. Disponível em: https://itaqueraemnoticias.com.br/noticia/66836/alunos-naturalizam-sons-de-tiros-em-escola-nos-eua-ao-lado-de-campo-de-disparos. Acesso em: 22 dez. 2023.

[9] Daí a diferenciação fulcral entre exceção/exclusão (exceptio, faschio) e excepcionalidade (discrímen: políticas de inclusão).

[10] MARTINEZ, Vinício Carrilho. Estado de Exceção e Modernidade Tardia: da dominação racional à legitimidade (anti) democrática. Tese de Doutorado em Ciências Sociais. UNESP/Marília, SP: [s.n.], 2010, 410 páginas.

[11] Não é incomum que o Estado de Emergência Ambiental se converta em Estado de Emergência Política – sempre aleando-se “razões humanitárias”.

[12] AGAMBEN, Giorgio. Estado de Exceção. São Paulo: Boitempo, 2004.

[13] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

[14] MARTINEZ, Vinício Carrilho. A rede dos cidadãos: a política na Internet. 2001. Tese (Doutorado em Educação)- Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), São Paulo, 2001.

Lula celebra 95 anos do MEC com caminhada e alfineta Bolsonaro

Prestes a completar 80 anos, presidente ironizou motociatas de seu antecessor e dedicou medalha simbólica a educadores.

O presidente Lula (PT) participou, na manhã deste domingo (28), da Corrida e Caminhada MEC 95 anos, realizada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O evento reuniu cerca de 6 mil participantes e marcou as comemorações pelo aniversário do Ministério da Educação (MEC). Durante o percurso de 3 km, que fez ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva e de ministros de Estado, Lula aproveitou para alfinetar o ex-presidente Jair Bolsonaro ao destacar a importância da educação como instrumento de soberania nacional.

“Não tem motociata, não tem pornochanchada, tem caminhada. Caminhada de educadores”, ironizou Lula, em referência às motociatas promovidas por Bolsonaro durante seu governo. O presidente completará 80 anos em 27 de outubro.

 

Educação como soberania nacional

No discurso ao final do trajeto, o presidente reforçou a defesa da educação como fundamento da soberania brasileira:

“Nós temos consciência que é através da educação, da creche à universidade, da alfabetização ao curso de engenharia, que a gente vai tornar o Brasil soberano, para nunca mais ninguém dar palpite sobre o Brasil.”

A fala foi ecoada dias depois do pronunciamento de Lula na Assembleia Geral da ONU, quando também destacou a soberania nacional, e após uma breve conversa com o presidente norte-americano Donald Trump.

Medalha simbólica para educadores

Após completar a caminhada, Lula dedicou a medalha de participação a todos os profissionais da educação:

“São medalhas para todos os professores de todos os graus de ensino nessa República Federativa do Brasil. Professores e professoras, funcionários das escolas que trabalham dia e noite para que a gente possa sair do analfabetismo que a gente encontrou nesse país, com praticamente 68% da população com o ensino fundamental mal concluído.”

Ele acrescentou que a transformação do país não pode se limitar à área econômica: “A nossa revolução é muito grande. Ela não é só na comida, não é só no emprego, não é só no salário. Ela tem que ser na educação”.

Evento coletivo

A corrida e caminhada foi uma iniciativa dos próprios trabalhadores do MEC, que participaram de uma pesquisa interna para definir como desejavam comemorar o aniversário da pasta. Além do percurso de 3 km para caminhada, também houve provas de 5 km e 10 km para corredores amadores e paratletas.

Participaram do ato, além de Lula e Janja, os ministros Camilo Santana (Educação), Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Também estiveram presentes o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do PT, Edinho Silva, entre outras lideranças governistas.

Congresso em Foco

EDUCAÇÃO PARA A EMANCIPAÇÃO

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Por Vinicio Carrilho

– e para a autonomia

Este texto tem um formato diferente, com o uso de poucas notas de rodapé e com as questões sob debate demarcadas como títulos entre uma citação direta e outra. Na verdade, pela lógica simples, a educação para a autonomia exige a emancipação. Sob o judice da opressão ninguém é livre, ninguém toma decisão alguma – como vemos numa aproximação simples ao suposto ao termo:

1. EMANCIPAÇÃO – retirar o jugo

2. EMANCIPAÇÃO POLÍTICA – participar de instâncias de decisão

A lógica, então, nos exige ter na emancipação o ponto de partida, a essencialidade da ação, pois, sob a opressão, não há formas legítimas de regulação, normalização (normatização), dominação. Sob a opressão vigora a prescrição. Neste sentido, a Autoeducação Política para a descompressão nos exige a proscrição de todas as formas autoritárias, autocráticas, de negação da emancipação e da autonomia. Em seu livro Peda9gogia da Autonomia, Paulo Freire (2021) nos confere, logo pelo índice, 29 lições básicas de quem se aventura pela educação não-opressiva, ou seja, que seja devotado/a à descompressão das pessoas. Para efeito didático, vamos listar o índice para em seguida promovermos um diálogo com o livro, publicado em 1996.

1. Ensinar exige rigorosidade metódica

2. Ensinar exige pesquisa

3. Ensinar exige respeito aos saberes dos/as educandos/as

4. Ensinar exige criticidade

5. Ensinar exige estética e ética

6. Ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo

7. Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação

8. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática

9. Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural

10. Ensinar não é transferir conhecimento

11. Ensinar exige consciência do inacabamento

12. Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado

13. Ensinar exige respeito à autonomia do ser do/a educando/a

14. Ensinar exige Bom Senso

15. Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos/as educadores/as

16. Ensinar exige apreensão da realidade

17. Ensinar exige alegria e esperança

18. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível

19. Ensinar exige curiosidade

20. Ensinar é uma especificidade humana

21. Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade

22. Ensinar exige comprometimento

23. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo

24. Ensinar exige liberdade e autoridade

25. Ensinar exige tomada consciente de decisões

26. Ensinar exige saber escutar

27. Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica

28. Ensinar exige disponibilidade para o diálogo

29. Ensinar exige querer bem aos/às educandos/as

Não devemos nos escusar, esquecer, sermos complacentes com a negação dessas ações:

Formação científica, correção ética, respeito aos outros, coerência, capacidade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusa-lo do que não fez, são obrigações a cujo cumprimento devemos humildade, mas perseverantemente, nos dedicar .

Lembrando que neste livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire considera já instituída (filosoficamente) a lição compromissada no seu Pedagogia do Oprimido (Freire, 2022). Daí, portanto, falar em autonomia, como se a emancipação fosse um “dado filosófico” reconhecido, aceito, ou ao menos já estivesse compreensível. Esta é, por assim dizer, a consciência primária que precisamos reter se entendemos que a educação é um processo de reflexão e de ação (práxis) – como educação crítica para a práxis, e que, por sua vez, é composta de reflexão e de ação.

O alerta que se fazia no final do século XX, para as investidas do capital no próprio discurso da autonomia, mostraram-se proféticos: do individualismo à dessocialização – em que se fratura até mesmo a consciência primária –, hoje, sob a batuta das redes antissociais, da total precarização do trabalho (uberização), o nível da consciência se parece com o “cada um por si, e salve-se quem puder”. Naturalizou-se a desumanização, como fluxo da “naturalização da exceção”, sem mais combater, inversamente, as práticas da desumanização, exploração: o que nos obriga celeremente a uma Educação para além da exceção. E quando, na verdade, requeria-se emancipação e autonomia para se fortalecer a interação social: “Para tal, o saber-fazer da autorreflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitados, permanentemente, podem nos ajudar a fazer a necessária leitura crítica das verdadeiras causas da degradação humana e da razão de ser do discurso fatalista da globalização .

A revolta e a indignação contra a negação da dignidade humana não podem justificar qualquer forma de sectarismo e de terrorismo.

Daí a crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia. Daí o tom de raiva, legítima raiva, que envolve o meu discurso quando me refiro às injustiças a que são submetidos os esfarrapados do mundo […] O meu ponto de vista é o dos “condenados da Terra”, o dos excluídos. .

A Ética condena o materialismo ingênuo, o dogmatismo, a incoerência (Debrun, 2001), o farisaísmo, o sectarismo, a hipocrisia, tanto quanto combate o cinismo, oportunismo, golpismo.

E é no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõem a responsabilidade.

A crítica é “natural”, não tem limitação se for honesta (também gentil). Lembrando-se que não se debate com fascistas, mas sempre sobre o Fascismo.

De uma coisa qualquer texto necessita: que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa e criativa.

Só ensina quem aprende, pois, quem forma se reforma.

É preciso que […] desde os começos do processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma, ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado […] Não há docência sem discência […] Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender […] É por isso que, do ponto de vista gramatical, o verbo ensinar é um verbo transitivo relativo. Verbo que pede um objeto direto – alguma coisa – e um objeto indireto – a alguém […] Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar .

O “objeto” ensinado leva consigo o sujeito – que aprende, porque apreende.

Neste caso, é a força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeita, que supera os efeitos negativos do falso ensinar. Esta é uma das significativas vantagens dos seres humanos – a de se terem tornado capazes de ir mais além de seus condicionantes .

Ensinar exige rigorosidade metódica.

Educadores/as progressistas precisam estudar, inclusive o que é democracia.

Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis […] nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, apreendido pelos educandos .

O intelectualismo e o papagaio de piratas recitador nada agregam ao sentido do mundo a ser transformado.

O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando-se ao texto, temeroso de arriscar-se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando-as de memória […] Fala bonito de dialética mas pensa mecanicistamente. Pensa errado. É como se os livros todos a cuja leitura dedica tempo farto nada devessem ter com a realidade de seu mundo .

Não se faz Ciência sem afrontar o paradigma – só reprodutivismo.

Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho e de “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã […] Ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente .

Ensinar exige pesquisa.

Se não há Ciência sem crítica, é óbvio, não pode haver Ciência sem pesquisa. Não há conhecimento sem pesquisa, não há educação sem pesquisa.

Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo […] Pensar certo, em termos críticos, é uma exigência que os momentos do ciclo gnosiológico vão pondo à curiosidade que, tornando-se mais e mais metodicamente rigorosa, transita da ingenuidade para o que venho chamando “curiosidade epistemológica” […] Pensar certo, do ponto de vista do professor, tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação quanto o respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando.

Ensinar exige respeito aos saberes dos/as educandos/as .

Por isso mesmo pensar certo coloca ao professor ou, mais amplamente, à escola, o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os das classes populares, chegam a ela – saberes socialmente construídos na prática comunitária –, mas, também, como há mais de trinta anos venho sugerindo, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino dos conteúdos […] É pergunta de subversivo, dizem certos defensores da democracia. Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? .

Ensinar exige criticidade.

A criticidade se desenvolve com a curiosidade e essa é provocadora da criatividade. Elementos esses que, por sua vez, juntam-se ao método da Intuição.

A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta, faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos .

Trata-se da curiosidade crítica de quem procura o sentido não-legitimado, para muda-lo, significado espalhado pelo mundo dos tempos pós-modernos do século XXI, mas sem se ver domesticado pela globalização dos meios tecnológicos que promovem a fuga do humano (desumanização). Como se dizia antigamente, a curiosidade crítica nos protege do “fetiche tecnológico” – que não deixa de ser um adiantado “fetiche da mercadoria”.

Curiosidade com que podemos nos defender de “irracionalismos” decorrentes do ou produzidos por certo excesso de “racionalidade” de nosso tempo altamente tecnologizado […] é consideração de que, de um lado, não diviniza a tecnologia, mas, de outro, não a diaboliza .

Desse modo, vê-se que o contrário/antagônico ao positivismo (ou sectarismo) não é o subjetivismo, é a subjetividade que não cede aos ameaços ou negações provindas de todas as formas de prescrição (negação ou afirmação da exceção). O contrário do positivismo que segrega sujeito e objeto – objetificando-se o saber-fazer – é a proscrição da prescrição na fase em que se alinham o saber-fazer e o “fazer-se política”. A atenção maior, primordial, neste caso, seria atentarmos para o fato de que sem emancipação não há autonomia responsável, integral – e sem isso somos condenados a todas as formas obscuras de opressão, exclusão, exceção.

Na metáfora da submersão à emersão, a emancipação subjetiva é aquela que corresponde à Autoeducação política para a descompressão, enquanto atua o indivíduo que se reconhece como sujeito da história, ao ser apresentado à história feita e sendo feita, e ao fazê-la, enquanto faz parte. É interessante notar que a história, enquanto passado, é presente, uma vez que as condições reais de existência são dadas, tanto quanto podem ser modificadas.

Portanto, como sujeito da história – de sua história, tanto quanto lhe é possível ser –, o sujeito da Autoeducação política para a descompressão é parte e é um agente atuante da transformação.

É dessa passagem da imersão à emersão, do senso comum ao Bom Senso (senso crítico), que o indivíduo – muitas vezes isolado na sua própria negação – vai gradativamente “tomando para si” a compreensão, o entendimento dos fatos, das situações, das causas e dos efeitos, e os transformando em conhecimento: vemos aqui, ainda, a transformação das informações parceladas (até então) do meio, de si, dos demais, em conhecimento de si e dos outros (da realidade).

É esse conhecimento que será posto à prova, no realismo político, ao se defrontar este sujeito com o indivíduo que agora não quer mais ser, bem como diante das condições objetivas que passam a ser parte da luta que empreende, a fim de se confrontar a compressão individual, social, política, moral, econômica, cultural, ambiental (societal), e, nesta mesma luta política, almejar a emancipação subjetiva e objetiva. Nesta fase, é possível visualizar como o sujeito transplanta o indivíduo (que fora, e como espelho de muitos que ainda são), ao passo em que labora e revoluciona o Bom Senso em senso crítico (aplicado a si, na autocrítica, e na realidade objetiva).

Não é difícil perceber que essa práxis (reflexão/ação) também comporta dois movimentos, duas parcelas justapostas, entre a subjetividade e as condições objetivas.

Quando se dissociam emancipação e autonomia, autônomo é o Uber e o consumidor dedicado ao clique do celular, por exemplo. Porém, não são emancipados em nada, um não tem direito algum, o outro consome por compulsão.

Referências

Debrun, Michel. Gramsci: filosofia, política e Bom Senso. Campinas/SP, Editora da Unicamp, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

OLIVEIRA, Edna Castro. Prefácio. In: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

Planalto vê semana vitoriosa, com participação histórica de Lula na ONU e aceno de Trump

Governo destaca defesa da soberania e aproximação, sem concessões, com Donald Trump, presidente dos EUA

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera “vitoriosa” a participação do presidente na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York. De acordo com integrantes do Palácio do Planalto, o discurso do chefe do Executivo brasileiro foi recebido de forma positiva por líderes internacionais, especialmente pela ênfase na soberania nacional.

Segundo o Metrópoles, a análise interna é de que esta foi a participação mais bem-sucedida de Lula em suas dez presenças na Assembleia da ONU. O discurso de abertura foi marcado por críticas ao enfraquecimento do multilateralismo, à violência contra civis em conflitos e por uma defesa contundente do combate à pobreza global.

Defesa do multilateralismo e críticas a Israel

Na tribuna da ONU, Lula destacou que o sistema de comércio multilateral sofreu retrocessos e criticou medidas unilaterais que, em suas palavras, “transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida”. Ele também condenou as ações militares de Israel na Faixa de Gaza:

“Absolutamente nada justifica o genocídio em curso em Gaza. […] Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente”, declarou.

Aproximação com Trump sem concessões

Apesar do tom firme adotado, Lula recebeu um gesto de abertura de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, que o convidou para um encontro. O republicano comentou:

“Tivemos, pelo menos por uns 39 segundos, uma química excelente. É um bom sinal. Na verdade, concordamos em nos encontrar na semana que vem. Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos”.No Planalto, a avaliação é que a aproximação com Washington não exige concessões unilaterais. Lula, por sua vez, afirmou que não existem temas proibidos na mesa de negociações, mas ressaltou que a democracia e a soberania do Brasil são inegociáveis.

Tarifas e Lei da Reciprocidade

O encontro ocorre em meio a tensões comerciais. Trump impôs tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros, medida que justificou como resposta ao que chamou de “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para reagir, Lula sinalizou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes em resposta a sanções ou barreiras comerciais impostas por outros países.

Próximos passos

Embora Trump tenha mencionado que a reunião com Lula ocorreria já na próxima semana, auxiliares do Planalto tratam o cenário com cautela. A expectativa em Brasília é que o primeiro contato seja realizado por telefone, enquanto um encontro presencial poderá ser agendado posteriormente, conforme a evolução das conversas bilaterais.

Brasil 247

Coluna Zona Franca

Aprovação do governo Lula

As manobras no Parlamento para tentar blindar deputados e senadores de investigações e, de alguma forma, anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro estão fortalecendo a aprovação popular do governo do presidente Lula. Neste mês de setembro, o governo teve a aprovação de 50% dos brasileiros, de acordo com levantamento do instituto Pulso Brasil/Ipespe divulgado nesta quinta-feira. O índice ultrapassa, pela primeira vez no ano, a desaprovação, que caiu para 48%. A pesquisa ouviu 2.500 pessoas entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e foi capaz de captar os impactos da aprovação, na Câmara, da PEC da Blindagem e da aprovação da urgência do PL da Anistia. Em julho, a rejeição ao governo era maioria, com 51%. O estudo ainda não captou a repercussão da troca de afagos entre Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU. Enquanto o Planalto ganhou fôlego, o Congresso saiu arranhado: sete em cada dez brasileiros desaprovam a atuação da Câmara. O Senado, por sua vez, manteve índices relativamente estáveis: 26% de aprovação e 59% de reprovação. (Valor)

Renan Filho com 59%

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "RENAN FILHO com 59%"Quem está voando faltando um ano para as eleições de 2026 é o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL). Renan Filho estaria praticamente isolado na corrida pelo governo de Alagoas. A recente pesquisa do Real Time Big Data reforça a leitura de que Renan Filho surge como o candidato mais forte ao governo de Alagoas, caso decida entrar na disputa. Para o estrategista político Ricardinho Santa Ritta, o ex-governador tem uma condição rara: é o único nome que não tem nada a perder. Segundo Santa Ritta, o campo governista concentra-se inteiramente em torno dele, o que confirma ainda mais a certeza de candidatura: “O lado do governo, para manter o status que tem somente um nome: Renan Filho. Isso confirma ainda mais que ele será candidato”, resume.

 Renan Filho com 59% 2

Outro ponto destacado é a rejeição. Renan aparece como o menos rejeitado entre todos os possíveis candidato, considerada uma surpresa positiva: “Ele lidera todas as intenções de voto, sempre próximo dos 50%. É um nome consolidado. E, tendo a menor rejeição, é o favoritíssimo.” No Senado, o senador Renan Calheiros também mantém vantagem em todos os cenários. Apenas em uma eventual candidatura de JHC à Casa Alta ele apareceria atrás. Mesmo assim, Santa Ritta avalia que o favoritismo do senador se mantém porque, nesse caso, Renan Filho estaria praticamente isolado na corrida pelo governo, concentrando a força eleitoral da família na própria campanha e liberando apoios ao pai. A candidatura de Renan Filho ao governo reforçaria ainda mais as chances da reeleição de Renan Calheiros ao Senado, consolidando um cenário de força inédita do grupo político. (Fonte: Blog de Edivaldo  Junior)

Reunião de Lula e Trump

Antes do encontro histórico na Assembleia-Geral da ONU, no dia 23 de setembro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump já tinham suas equipes em contato. Segundo revelou o Estadão, diplomatas e ministros dos dois países conduziram reuniões secretas para pavimentar a aproximação entre Brasil e Estados Unidos, contrariando a narrativa oficial de um encontro “de surpresa”.

Reunião de Lula e Trump 2

De acordo com a apuração, a operação diplomática envolveu diretamente o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em 11 de setembro, Alckmin conversou por videoconferência com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA. Poucos dias depois, Vieira recebeu no Rio de Janeiro Richard Grenell, enviado especial da Casa Branca, em encontro sem registros oficiais.

Reunião de Lula e Trump 3

As negociações, realizadas em sigilo absoluto, sofreram tentativas de sabotagem de grupos bolsonaristas nos EUA, liderados pelo deputado Eduardo Bolsonaro em articulação com o movimento MAGA. Apesar da pressão, ambos os governos mantiveram a linha de diálogo, conscientes de que a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, a 27 anos de prisão, havia mudado o cenário político.

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Na sede da ONU, Trump chegou mais cedo e acompanhou o discurso de Lula em defesa da soberania nacional. Minutos depois, os dois se cruzaram em uma sala reservada e trocaram cumprimentos. “Encontrei Lula e nos abraçamos. Eu gostei dele, e ele gostou de mim. Vamos nos encontrar na semana que vem”, declarou Trump após o encontro, em tom cordial, ainda que tenha reiterado críticas à condenação de Bolsonaro.

Reunião de Lula e Trump 5

Apesar das promessas de um encontro na próxima semana, até agora as equipes diplomáticas de Brasil e Estados Unidos ainda não definiram uma data ou mesmo a pauta de uma conversa entre Lula e Trump. A expectativa era de que a chancelaria dos dois países iniciasse tratativas imediatamente após o encontro cordial entre os dois presidentes, mas até esta quinta-feira não houve qualquer contato. Apesar do otimismo no Planalto, o Itamaraty tem recomendado cautela e lembrado que Trump é imprevisível e que o gesto de aproximação não pode ser aceito “pelo valor de face”. A expectativa dos diplomatas brasileiros é de que as tratativas comecem a andar o mais rápido possível, para que a conversa ocorra, de fato, na próxima semana. (g1)

Encontros-Marcelo Martinez

 

Deu no que deu

Pode ser uma imagem de ‎2 pessoas e ‎texto que diz "‎LILIE Mônica Berga... @monicabergamo Bolsonaro pede que Eduardo feche a boca para não prejudicá-lo, mas filho intensifica ataques: 4 @dilulas ل J@dilula6 "VTNC SEU INGRATO DO CARALHO! Me fudendo aqui! Vc ainda te ajuda a se fuder لهى‎"‎‎Logo no primeiro dia em que Trump anunciou a taxação sobre o Brasil, a mando de Eduardo Bolsonaro, esta coluna sacramentou: Trump (Bolsonaro) acaba de reeleger Lula no primeiro turno. A coluna também prevê a “expulsão” de Eduardo Bolsonaro dos Estados Unidos. Pois bem. Lula, graças à Trump, recuperou a popularidade e caminha prá reeleição. E Eduardo Bolsonaro está vivendo a pior fase da vida dele, desacreditado, fora do Brasil sem poder voltar e, sendo calado pelo pai, que só se prejudicou com essa traição à Pátria. Chega a dar pena ver o filho de Bolsonaro insistindo em sanções contra o Brasil, mesmo com Trump se declarando apaixonado por Lula.

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Eduardo Bolsonaro decidiu dobrar a aposta. Em um encontro em Miami com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o deputado afirmou que sua atuação para que o governo de Donald Trump aplique sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras só vai aumentar caso o Congresso aprove um projeto que não conceda anistia absoluta ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo estava acompanhado do blogueiro Paulo Figueiredo, seu parceiro na articulação junto a autoridades americanas. (Globo)

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No Congresso, líderes do Centrão demonstram irritação com Eduardo Bolsonaro e avaliam que o deputado pode implodir o acordo em construção para reduzir as penas dos condenados pelos atos golpistas. No X, o filho 03 de Bolsonaro disse estar disposto a ir às últimas consequências para garantir a anistia ao pai. “Será vitória ou vingança, mas não haverá submissão”, escreveu. (g1)

Deu no que deu 4

O Centrão não é o único irritado. Segundo Malu Gaspar, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, tem pedido a interlocutores que o visitam para convencerem Eduardo a baixar o tom da beligerância. Seu maior temor é que a troca de farpas entre o filho e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, faça o partido afrouxar o empenho pela anistia e inviabilize a inclusão de um nome da família na chapa presidencial para o ano que vem. (Globo)

Não vai, não

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, chapéu e texto que diz "MAKE ΑΝΖΔΗΟ GREAT AGAIN AMERICA"A coluna já havia previsto há semanas que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deixaria uma reeleição certa para uma aventura rumo ao Palácio do Planalto. Ele é bolsonarista mas não é bobo. Em condições normais, ninguém vence Lula. Se o presidente estiver bem de saúde, será candidato e será reeleito.

Não vai, não 2

Tarcísio de Freitas tem dito em conversas reservadas que não pretende disputar a Presidência da República em 2026. Segundo interlocutores, ele demonstra forte convicção de que ficará fora da corrida presidencial diante de um cenário de fragmentação da direita. A avaliação de Tarcísio é que a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação das sanções aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil contribuiu para dividir ainda mais o campo conservador. Ele tem atribuído a essa movimentação a recuperação da aprovação do presidente Lula, que até junho enfrentava desgaste e queda de popularidade.

Câmara desiste de votar anistia

O futuro do projeto de lei da anistia, que busca reduzir as penas de condenados por atos golpistas, parece estar subindo no telhado. O relator da proposta, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), reconheceu que a votação, antes prevista para a próxima terça-feira, dificilmente ocorrerá. Desde que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou a PEC da Blindagem e a proposta foi arquivada de vez pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), os esforços de Paulinho em buscar consenso no Parlamento não têm tido muito sucesso. A indefinição cresceu ainda mais depois do cancelamento de uma reunião marcada com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Alcolumbre. Oficialmente, a ausência foi justificada por um compromisso de Alcolumbre com o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso. Nos bastidores, porém, está claro que o clima entre os dois presidentes azedou de vez depois que a PEC da Blindagem, aprovada com folga na Câmara na semana anterior, foi sumariamente enterrada no Senado. Paulinho, por sua vez, tenta recompor apoio. Ele prevê encontros com PSD e PCdoB e negocia com o Senado para aproximar o texto do entendimento do Supremo. Mesmo assim, a proposta, apresentada como uma “anistia restrita”, segue sem base consolidada e enfrenta resistências para avançar no Congresso. (CNN Brasil)

Alcolumbre X Hugo Motta 

Apesar de ter se sentido traído por Alcolumbre e visto seu poder ser ainda mais enfraquecido como presidente da Câmara, Hugo Motta tratou de minimizar a derrota que amargou nesta semana com o arquivamento da PEC da Blindagem no Senado. Publicamente, o deputado paraibano disse respeitar o presidente do Senado e afirmou ser normal que as duas casas discordem em algumas pautas. “Bola pra frente. A Câmara cumpriu seu papel, aprovou a PEC, e o Senado entendeu que ela não deveria seguir. Vivemos em um sistema bicameral, e cabe respeitar a decisão”, disse Motta. Segundo o presidente da Câmara, ainda não há clima definido para a votação. “Preciso de mais tempo para entender o sentimento da Casa. O relator não conversou com todos os partidos, e eu também não dialoguei com todos os líderes”, afirmou. (g1)

Alcolumbre X Hugo Motta 2

Hugo Motta, no entanto, disse que o impasse em torno do projeto de anistia, também conhecido como o PL da Dosimetria, não terá impacto sobre a votação da reforma do Imposto de Renda, prevista para a próxima quarta-feira. A proposta amplia a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e é uma das prioridades do governo neste semestre. A hipótese de ligação entre os dois temas surgiu após declarações de Paulinho da Força, que, após reunião com a bancada do PT, sugeriu que a análise do projeto de anistia poderia influenciar o calendário da reforma do IR. Motta refutou a leitura: “Garanto a pauta do IR para quarta-feira. Não há vinculação dessa pauta com nenhuma outra. A matéria está madura”, disse. (Valor)

TikTok nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva que aprova um acordo para manter o TikTok nos Estados Unidos, em uma transação avaliada em US$ 14 bilhões, segundo o vice-presidente JD Vance. Os termos, que ainda precisam ser aprovados pela China, incluem uma nova joint venture, que supervisionará os negócios do TikTok nos EUA, com a ByteDance mantendo menos de 20% de participação. Oracle, Silver Lake e o fundo de investimento MGX, sediado em Abu Dhabi, serão os principais investidores, controlando uma participação de aproximadamente 45% da companhia. Trump afirma que o presidente chinês, Xi Jinping, deu sinal verde para o acordo. (CNBC)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

CPMI do INSS pede prisão preventiva e quebra de sigilo de Nelson Wilians, Cidadão Honorário de Rondônia

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aprovou, nesta quarta-feira (25) a quebra de sigilo e o pedido de prisão preventiva do advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues.

Alvo de operação da PF (Polícia Federal), Wilians já teve pedido de prisão feito pela corporação, mas a solicitação não foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O pedido aprovado pela comissão agora deverá ser encaminhado à Corte.

Em 12 de setembro, Wilians foi alvo de buscas e apreensões da PF, em São Paulo, como parte da investigação que apura fraudes no INSS.

Ele prestou depoimento à CPMI na semana passada. Em sua oitiva, se recusou a fazer o compromisso de dizer a verdade e não respondeu a maioria das perguntas dos parlamentares. Ele negou ter qualquer relação com o esquema de fraudes em benefícios.

A comissão aprovou nesta manhã a quebra do sigilo bancário e fiscal de Wilians, além de pedidos de RIFs (relatórios de inteligência financeira) ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Outros requerimentos também foram votados, dentre eles a convocação de pessoas ligadas a associações e empresas que estariam envolvidas no esquema de fraudes do INSS. Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) foi alvo de sete requerimentos.

Também foi convocado José Laudenor, empresário apontado como sócio do ex-ministro José Carlos Oliveira. Servidor de carreira do INSS, o ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) foi ouvido na CPMI em 11 de setembro.

Outro requerimento que recebeu aval dos congressistas foi uma solicitação ao presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Ricardo Andrade Saadi, para o envio do relatório completo de análise financeira da Operação Sem Desconto, da PF.

Projeto de lei

O colegiado também debateu uma minuta de projeto de lei, que ainda será formalmente apresentado no Senado. Ainda não há, porém, consenso sobre o texto e a votação desse item deve ser realizada posteriormente.

A proposta reforça a autonomia da CPMI e esclarece que as investigações das comissões de inquérito não estão subordinadas às apurações conduzidas pelo Judiciário e pelo Ministério Público.

Também estabelece que a comissão poderá recorrer “contra decisões judiciais, inclusive monocráticas prolatadas em sede de habeas corpus e mandado de segurança”.

O projeto foi sugerido após a insatisfação dos parlamentares com decisões de ministros do STF que garantiram habeas corpus para testemunhas convocadas pela CPMI.

Pelo texto, quando pessoa intimada que não comparecer “sem justo motivo”, a comissão poderá requisitar diretamente à autoridade policial ou ao órgão de Polícia Legislativa sua condução coercitiva.

Se a falta não for justificada, o depoente estará sujeito ao pagamento de multa no valor de um a dez salários mínimos, a critério do presidente da CPI, além da responsabilização pelo pagamento das custas da diligência e de outras sanções civis e penais.

A multa ainda poderá ser majorada em até dez vezes, “a depender da capacidade econômica do depoente”

CNN BR

Coluna Zona Franca

Ficha Limpa

A Lei da Ficha Limpa e os tratados internacionaisSó temos tres dias para impedir que a Ficha Limpa seja destruída! O presidente Lula tem apenas até segunda-feira para vetar ou sancionar o texto. Não podemos permitir esse absurdo! O Projeto que pode antecipar a volta de corruptos ao poder foi aprovado no Senado. Agora, a decisão está com o presidente Lula. Temos poucos dias e precisamos pressionar o presidente agora pedindo que ele honre o legado da Lei da Ficha Limpa e vete integralmente esse absurdo. Veta, Lula. A Ficha Limpa foi uma das maiores conquistas do povo brasileiro: 2 milhões de nós fizemos a nossa voz valer contra a corrupção e outros crimes cometidos por políticos. Não podemos deixar que esse mal que nos ronda ameace a nossa democracia mais uma vez. Juntos, podemos dar um recado claro ao Congresso e aos oportunistas.

Ficha Limpa 2

PROTEJAM A FICHA LIMPA Os nossos parlamentares estão perdendo qualquer vergonha na cara. O Senado aprovou o projeto que pode alterar a Lei da Ficha Limpa, fazendo com que políticos condenados por corrupção, envolvimento com crime organizado e até golpes de Estado possam voltar ao poder mais rápido. Parlamentares fizeram uma verdadeira campanha pela aprovação deste projeto, provavelmente pensando em se beneficiarem no futuro. Mas se agirmos rápido e formos muitos, demonstraremos ao presidente Lula que ele tem o apoio popular de que precisa para vetar esse atraso. No último final de semana, nós, brasileiros, fomos em massa às ruas contra a bandidagem. Agora, vamos continuar mostrando que estamos do lado da justiça e da transparência.

Chantagem

Melhor exemplo de chantagem não há. O relator do projeto da anistia, Paulinho da Força (SSD-SP) , afirmou que se a proposta de perdão aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro não for votada na próxima terça-feira (30), o texto que amplia a isenção do Imposto de Renda corre risco de não ser votado na quarta-feira (1º). A manifestação ocorreu após reunião com a bancada do PT na Câmara. “Ainda tenho uma série de conversas, ainda vou acertar isso com o presidente Hugo Motta de votação. Mas tudo levar a crer que o texto será votado na terça. Acho, inclusive, que se não votar não votamos IR”, disse a jornalistas.

Senado enterra PEC da Blindagem

Ainda sob o impacto das manifestações populares que tomaram as principais capitais do país no domingo, o Senado Federal enterrou de vez a chamada PEC da Blindagem. O texto, aprovado com folga na Câmara dos Deputados há uma semana, foi rejeitado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ainda havia a expectativa de que a proposta fosse ao plenário para votação, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), descartou essa possibilidade, afirmando que o regimento da Casa não permitia tal situação e poderia abrir precedentes perigosos. Com isso, Alcolumbre simplesmente arquivou o projeto e frustrou, ao menos por enquanto, o desejo dos muitos parlamentares que apoiaram a PEC em ter a prerrogativa de permitir ou não que o STF investigue deputados e senadores acusados de ações criminosas. “Cumprimos o que manda o regimento, sem atropelos, sem disse me disse, sem invenções”, disse o presidente do Senado. Ao final, a proposta, para lá de polêmica, morreu no colo da Câmara e, em especial, do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de seu padrinho no cargo, Arthur Lira (PP-AL). (g1)

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Com a derrota praticamente decretada de véspera, senadores do PL ainda tentaram encontrar um jeitinho para salvar algum ponto da PEC. Sérgio Moro (PL-PR) apresentou uma proposta de substituição do texto original, mas foi derrotado. Ao final, todos os senadores do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro deram o braço a torcer e votaram para que a PEC fosse rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, derrubando assim a proposta apoiada pelos 83 deputados do partido na Câmara que haviam aprovado o texto. (UOL)

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Na Câmara, conta Vera Magalhães, há um clima de revolta, com Alcolumbre sendo acusado de traição. Segundo deputados, o senador participou das costurar para aprovar PEC vinculada à transformação da anistia aos golpistas condenados pelo STF em redução das penas. Agora, dizem, deixa o ônus das medidas impopulares com a Câmara, que promete “dar o troco” em projetos que chegarem do Senado. (Globo)

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Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "c G Derrotamos a PEC DA BLINDAGEM!"Sem velório, a PEC da Bandidagem foi enterrada ontem. E um dos vencedores foi o senador Confúcio Moura. Ele foi o único parlamentar de Rondônia a se posicionar contra, sendo criticado por bolsonaristas rondonienses. Sem medo de ser alvo de ataques, Confúcio Moura manteve firme e venceu. “Hoje foi um dia histórico no Senado: sepultamos de vez a proposta que tentava aumentar privilégios e dificultar a ação da Justiça contra parlamentares. Defendi desde o início que a política precisa de transparência e responsabilidade, não de blindagem. Vitória da democracia, vitória do povo brasileiro“.

Tarcísio apoia anistia de Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esperou a chamada PEC da Blindagem estar morta para criticar a proposta, que teve como um dos principais artífices na Câmara deputados de seu próprio partido. Tarcísio afirmou que a PEC era uma “distorção” e que as manifestações de domingo eram reflexo da desconexão do Congresso com a população. O governador, no entanto, evitou apontar o projeto de lei que prevê a anistia do ex-presidente Bolsonaro como fonte de insatisfação popular. “Sempre acreditei que o projeto de lei (da anistia) pode representar aquilo que a gente espera: uma paz dialogada”, disse ele. (Valor)

Tarcísio ou Michelle?

Tarcísio segue trabalhando para ser o candidato da oposição nas eleições de 2026 e espera ser ungido como o sucessor de Bolsonaro, mesmo diante dos conflitos internos no clã. De acordo com interlocutores do ex-presidente e do governador, líderes do PP e do União Brasil teriam fechado um acordo para que Bolsonaro declare apoio a Tarcísio na corrida presidencial. A tarefa, porém, não é simples. Nesta terça-feira, Eduardo Bolsonaro se declarou candidato à Presidência caso seu pai não possa concorrer no ano que vem. Horas depois, a esposa do ex-presidente, Michelle, concedeu uma entrevista ao jornal inglês The Telegraph, dizendo que, “se for a vontade de Deus”, ela pode ser a candidata conservadora contra o presidente Lula em 2026. (Metrópoles e The Telegraph)

Presidente EAD

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro quer ser o primeiro presidente EAD da história do Brasil. Dudu ainda acha que tem salvação. Não tem. Será condenado e preso por atentar no exterior contra as instituições brasileiras. Se colocar os pés no Brasil será preso.

A terra é redonda

Zanin e MoroUma prova de que os filósofos estavam certos e os bolsonaristas errados. A terra é mesmo redonda. E em filmes e novelas, tudo é possível, mas na política a ficção fica no chinelo. Há sete anos Lula estava preso, Sérgio Moro era o juiz e o advogado de defesa, era Cristiano Zanin. Agora Lula é presidente e Zanin é o ministro quem vai julgar Sérgio Moro.

A terra é redonda 2

A 1ª Turma do STF vai julgar, a partir de 3 de outubro, os embargos de declaração apresentados pelo senador Sergio Moro em ação penal por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, marcou o início do julgamento em sessão virtual. O colegiado é presidido atualmente pelo ministro Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente Lula que defendeu o petista em processos nos quais Moro atuou como juiz durante a Operação Lava Jato. Dois dias antes do início do julgamento, Zanin passará a presidência da 1ª Turma para o ministro Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, que também já teve embates com Moro no passado. (Metropoles)

Lula e Trump

Em meio a tensões diplomáticas com Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende se reunir o mais breve possível com o presidente americano Donald Trump para tentar encerrar o mal-estar entre Brasil e Estados Unidos. O petista destacou que, como as duas maiores economias do continente, é preciso encontrar uma pacificação e disse estar “otimista” quanto a uma aproximação com o presidente dos EUA. “Se somos as duas maiores economias e os dois maiores países do continente, não há por que viver em conflito”, disse Lula em uma entrevista coletiva na sede da ONU. Foi a primeira manifestação do presidente brasileiro desde o encontro que teve com Trump na véspera, nos bastidores da Assembleia Geral. Lula disse ter concordado com o presidente americano sobre os dois terem tido uma boa química quando se abraçaram. “Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. Fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós.” Lula afirmou esperar uma conversa “civilizada”, sem espaço para brincadeiras, e garantiu que tratará Trump com o respeito que merece como presidente dos Estados Unidos, na expectativa de receber o mesmo tratamento. Ele também disse estar disposto a discutir qualquer tema colocado pelo republicano: “Não tem limite a nossa conversa. Vamos colocar na mesa tudo o que precisar ser discutido.” (CNN Brasil)

Lula e Trump 2

Na melhor das hipóteses para Bolsonaro, Trump conversará com Lula e nada acontecerá. Porque piorar, não vai piorar. Mesmo que os americanos imponham mais sanções, isso já estava na conta de todo mundo. Agora, se Trump melhorar só um pouquinho a relação com o Brasil, Bolsonaro se ferra muito. Porque, hoje, o único aliado real que o ex-presidente tem é Donald Trump. Se perdê-lo, acabou. A análise é de Pedro Doria. (YouTube)

O bode na sala

Muitos estão criticando Lula por já não ter aproveitado e conversado de vez com Trump nos Estados Unidos. Calma, calabreso. Quem colocou o bode na sala foi Trump. A pressa é dele. Foram os Estados Unidos os mais prejudicados com a taxação. Ele que tire o bode da sala. Lula está a cavaleiro nesse imbróglio.

Lula e Zelensky

Imagem colorida mostra Lula e Zelensky - MetrópolesLula usou o dia para finalmente se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em um muito adiado encontro entre os dois presidentes. Zelensky saiu da reunião animado e afirmou que Lula demonstrou disposição de “fazer tudo ao seu alcance” para aproximar Kiev de um cessar-fogo. “É bom que haja sinais do Brasil, do presidente e de sua equipe, de que apoiam, antes de tudo, a paz para o povo ucraniano”, disse o presidente da Ucrânia. O aceno ocorre um dia depois de Lula reiterar na ONU que não há saída militar para o conflito e defender a diplomacia como caminho para a paz entre Rússia e Ucrânia. (Globo)

Eduardo Bolsonaro sendo cobrado

Enquanto tenta minimizar a aproximação entre os presidentes Donald Trump e LulaEduardo Bolsonaro (PL-RJ) está sendo cobrado pela Câmara dos Deputados por quatro faltas injustificadas em março deste ano, quando ele já estava nos Estados Unidos. Ao todo, Eduardo deve R$ 13,9 mil porque faltou às sessões antes de pedir a licença sem remuneração. Como não pagou, a Câmara iniciou os procedimentos para incluir o parlamentar no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Segundo a Câmara, ele também poderá ser inscrito posteriormente na Dívida Ativa da União. (g1)

Paracetamol e Tylenol 

Donald Trump resolveu transformar o paracetamol no novo vilão da vez. Ao associar o uso do Tylenol na gravidez ao aumento do autismo — sem provas científicas —, espalhou pânico entre gestantes e alimentou grupos negacionistas. Antes a culpa era da vacina, agora é do analgésico mais seguro indicado por médicos no mundo todo. O resultado? Mulheres assombradas pela dor e pelo medo, enquanto políticos fazem da ciência um palanque. Confira a opinião de Mariliz Pereira Jorge no programa De Tédio a Gente Não Morre. (YouTube)

Consumo de álcool entre adolescentes

Uma pesquisa da Unifesp, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, indica um crescimento no consumo de álcool entre adolescentes e do número de brasileiros que enfrentam um transtorno por uso abusivo. Após cair quase pela metade o percentual de adolescentes com algum transtorno alcoólico, chegando a 4,6% em 2012, o índice voltou a subir em 2023, atingindo 5,7%. A cerveja é a bebida mais associada a consumo de risco e transtorno por uso de álcool. Na população em geral, a queda no consumo foi de 5,2 pontos percentuais. O levantamento foi feito com 16.608 participantes de 14 anos ou mais de todas as regiões do país. (g1)

Celulares nas escolas

Após a proibição dos celulares nas escolas, 78% dos alunos relataram maior interação presencial com amigos e 75% disseram sentir menor pressão para estarem online, segundo uma pesquisa realizada por um centro de estudos de Stanford. O levantamento mostra ainda que 41% perceberam menos brigas ou mensagens maldosas na internet entre alunos. Os professores também notaram diferença, sendo que 63% deles relatam melhora no comportamento dos alunos e 74% dizem que os jovens têm prestado mais atenção nas aulas. Mas a implementação ainda é um desafio no Ensino Médio, no qual 55% disseram usar o telefone escondido e 47% afirmam que ignoram o banimento. (Globo)

Quem é o político de Rondônia?

A pergunta que não quer calar. Quem é o parlamentar federal de Rondônia (temos 11) que está envolvido com a Rueda Linhas Aéreas? O nome do presidente nacional do União Brasil, o advogado Antonio Rueda, apareceu nas apurações da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Carbono Oculto. A investigação mira infiltrações em setores estratégicos da economia, incluindo combustíveis, finanças e transporte aéreo. Fontes do Blog Entrelinhas contaram que Rueda teria comprado três dos cinco aviões da TAP em nome de um político de Rondônia. A Polícia Federal apura se o financiamento das aeronaves está sendo paga com dinheiro do PCC. Um político de Rondônia teria emprestado o nome para Rueda financiar os aviões em troca de poder político.

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Quem é o político de Rondônia o testa de ferro da Rueda Linhas Aéreas?

O nome do presidente nacional do União Brasil, o advogado Antonio Rueda, apareceu nas apurações da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Carbono Oculto. A investigação mira infiltrações em setores estratégicos da economia, incluindo combustíveis, finanças e transporte aéreo.

Fontes do Blog Entrelinhas explicaram que Rueda teria comprado três dos cinco aviões da TAP em nome de um político de Rondônia. A Polícia Federal apura se o financiamento das aeronaves está sendo paga com dinheiro do PCC. O político de Rondônia, que pode ser considerado um político profissional, nunca mexeu com pó nem com crime organizado. Ele teria emprestado o nome para Rueda financiar os aviões em troca de poder político.

Segundo depoimento prestado pelo piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhou na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), Rueda seria sócio oculto da companhia, usada em diversas ocasiões por figuras envolvidas nas operações investigadas. O piloto afirmou que o dono da TAP, Epaminondas Chenu, mencionava que o dirigente partidário liderava um grupo “com muito dinheiro que precisava gastar” na compra de aeronaves.

Aviões avaliados em mais de R$ 60 milhões

De acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ao menos quatro aeronaves estariam vinculadas a Rueda, embora registradas em nome de terceiros. Juntas, elas somam valor superior a R$ 60,4 milhões.

Estrutura empresarial e supostos laranjas

Os documentos revelam que parte das aeronaves passou por empresas ligadas a Bruno Queiroz, contador de 37 anos, natural de Fortaleza e residente em São Paulo. Ele figura como dirigente de companhias como a Magic Aviation, a Bariloche Participações S.A. (com capital social de R$ 110 milhões) e a Rovaniemi Participações S.A.

Todas as aeronaves atribuídas a Rueda são operadas pela Transportes Aéreos Piracicaba (TAP), empresa também usada por Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, investigado em operações ligadas a organizações criminosas.

Uso político e suspeitas de financiamento

O Blog Entrelinhas revelou que Rueda teria adquirido três das cinco aeronaves da TAP em nome de políticos de Rondônia, que teriam “emprestado o nome” para formalizar a compra em troca de influência política. A Polícia Federal investiga se o financiamento das aeronaves foi realizado com recursos de origem suspeita.

A suspeita se intensificou após dois chefes da facção investigada terem escapado em aviões da TAP, e também por indícios de que empresas de transporte terrestre em Rondônia poderiam estar sendo usadas para movimentações financeiras suspeitas.

Defesa

Antonio Rueda negou qualquer envolvimento com o caso. Em nota, declarou:

“Meu nome foi suscitado em um contexto absolutamente infundado. Estou sendo vítima de uma campanha difamatória.”

O presidente do União Brasil afirmou ainda que tomará medidas judiciais para resguardar sua imagem.

Próximos passos

Até o momento, a única referência direta a Rueda consta no depoimento do piloto Mattosinho. A PF avalia se abrirá uma nova frente de investigação contra o dirigente partidário, caso surjam evidências adicionais sobre sua participação nas operações societárias e financeiras relacionadas ao transporte aéreo.

Fonte: Rondoniaovivo.com e Blog Entrelinhas

Empresários brasileiros ajudaram a pavimentar aceno de Trump a Lula

Grandes empresários brasileiros desempenharam um papel central para reduzir as tensões entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e abrir espaço para o gesto de aproximação feito pelo republicano ao petista durante a Assembleia-Geral da ONU. A reportagem foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (23). Segundo o jornal, os dois líderes devem se reunir na próxima semana.

De acordo com interlocutores que acompanharam as negociações, empresas como Embraer — da qual o governo brasileiro é acionista — e JBS, controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, foram decisivas para fortalecer dentro da administração Trump o grupo que defende uma relação bilateral voltada ao comércio, em vez de pressões políticas. Esse bloco tem representantes no Escritório de Comércio dos EUA, chefiado por Jamieson Greer, e no Departamento de Comércio, sob comando de Howard Lutnick. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também manifestou preocupação com os impactos que sanções contra bancos brasileiros poderiam causar ao sistema financeiro.

Disputa interna no governo Trump

A postura defendida pelos empresários e por setores ligados ao comércio se contrapôs à linha dura de integrantes do Departamento de Estado e do ex-assessor Jason Miller, que defendem condicionar a relação bilateral ao julgamento de Jair Bolsonaro, visto por eles como peça-chave. Esse grupo pressionava por uma estratégia de máxima hostilidade em relação ao Brasil.

Nos encontros com autoridades americanas, representantes do empresariado brasileiro apresentaram argumentos de impacto direto no cotidiano dos EUA. O principal deles foi que sobretaxas sobre produtos brasileiros, como café e carne, encareceriam a vida dos consumidores americanos. Também ressaltaram que medidas punitivas poderiam, paradoxalmente, fortalecer politicamente Lula — resultado oposto ao que desejava Washington. Outro ponto colocado foi a impossibilidade de reabilitar politicamente Bolsonaro, já que o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente mesmo diante das pressões vindas dos EUA.

Missões empresariais em Washington

Na semana de 11 de setembro, uma comitiva de peso esteve em Washington para tratar das tarifas. Participaram Joesley Batista, João Camargo (presidente do conselho da Esfera Brasil) e Carlos Sanchez, da EMS, entre outros. Eles se reuniram com parlamentares republicanos, como Maria Elvira Salazar — deputada próxima do secretário de Estado Marco Rubio —, além de integrantes da equipe de Trump. O grupo também manteve encontro com Susie Willes, chefe de gabinete e uma das assessoras mais próximas do presidente americano.

Poucos dias antes, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia realizado conversas no Departamento de Comércio e no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), além de encontro com o vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Em paralelo, empresários acionaram escritórios de lobby em Washington para ampliar o alcance das tratativas.

Resultados práticos e sinal de aproximação

A pressão do setor privado e a atuação diplomática do governo Lula mostraram efeito quando Trump anunciou, em 22 de setembro, uma nova rodada de sanções contra o Brasil. Embora nomes como Viviane Barci — esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes — e o advogado-geral da União, Jorge Messias, tenham sido incluídos na lista de punições, não houve imposição de novas tarifas comerciais. Pelo contrário, há expectativa de que a carne brasileira seja incluída na lista de isenções do tarifaço de 50%.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, essa reabertura de canais permitiu discutir um contato direto entre Lula e Trump. O presidente dos Estados Unidos chegou a sinalizar em agosto a possibilidade de uma ligação telefônica, mas o Planalto optou por aguardar a Assembleia-Geral da ONU. O encontro rápido entre os dois em Nova York, ainda que de menos de um minuto, levou ao agendamento de uma reunião virtual para a próxima semana. Caso se confirme, será o primeiro diálogo formal entre Lula e Trump e pode redesenhar a negociação sobre as sobretaxas impostas aos produtos brasileiros.

Do Brasil 247

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

Trump perdeu

Sim. Trump perdeu e Lula venceu (mais uma). Doravante, Lula tem que se preparar para receber o troféu “Chefe de Estado do Ano”, das mãos do perdedor. Não temais, Lula. Trump sentiu e cedeu. Os Estados Unidos perderam muito com o tarifaço contra o Brasil. A pressão foi grande sobre ele. Pior de tudo é ter que engolir em seco o fato de ter sido enganado por Eduardo Bolsonaro. Resta ao chefe de estado dos EUA banir o traidor da Pátria brasileira.

Trump em ‘química’ com Lula

A inesperada demonstração de afeto do presidente americano Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pegou de surpresa tanto a Casa Branca quanto o Planalto. A expectativa entre assessores palacianos e diplomatas era de que Lula e Trump trocassem apenas um frio aperto de mão nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, aberta pelo brasileiro e seguida pelo discurso do americano. Mas o abraço, seguido de um convite para conversar na próxima semana, foi uma demonstração de aproximação muito maior do que esperava o mais otimista dos diplomatas brasileiros. Após o fim do discurso de Trump, funcionários dos dois governos iniciaram imediatamente as negociações para a conversa. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, disse que muito provavelmente Trump e Lula vão conversar por telefone ou videoconferência. Vieira confirmou que Lula enviou um convite para que Trump venha à COP 30 em novembro. O que ele não disse, no entanto, é que o Itamaraty e assessores de Lula preferem que o encontro não seja presencial, por temerem que o presidente americano possa constranger o presidente brasileiro, como fez com os mandatários da Ucrânia e da África do Sul no Salão Oval da Casa Branca. (CNN Brasil)

Trump em ‘química’ com Lula 2

A reação de Trump ao encontrar Lula após o discurso do brasileiro na abertura da Assembleia Geral da ONU surpreendeu também integrantes da diplomacia americana. Eles ficaram ainda mais surpresos ao ouvir o presidente americano elogiando Lula durante seu discurso, de forma improvisada. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Robertson, disse que nada disso estava programado. “Foi tudo espontâneo, não estava planejado”, afirmou. (g1)

Trump em ‘química’ com Lula 3

A aproximação entre Trump e Lula, após meses de troca de farpas, acusações e sanções aplicadas por Washington, é resultado também dos esforços de empresários brasileiros e americanos que defendem uma relação mais pragmática entre os dois países. De acordo com interlocutores que trabalham pela reaproximação, empresas como a Embraer e a JBS, que têm operações nos Estados Unidos, ajudaram a abrir o caminho para o abraço desta terça-feira. Eles encontraram apoio no Departamento de Comércio e no Tesouro americano, órgãos preocupados com os impactos do tarifaço imposto ao Brasil na economia dos EUA. (Folha)

O estadista

Na ONU, Lula falou como estadista: defendeu a democracia, a soberania brasileira, condenou o massacre em Gaza e foi aplaudido cinco vezes. Trump, no mesmo palco, improvisou ataques, ironizou a ONU, citou o Brasil com condescendência e reafirmou tarifas duras. Aos 80 anos, a organização virou palco de um contraste histórico entre multilateralismo e autoritarismo, avalia Flávia Tavares na coluna Cá Entre Nós. (YouTube)

O estadista 2

No discurso em que elogiou Lula, Trump não citou uma só vez o nome de Jair Bolsonaro, para desespero dos apoiadores do ex-presidente, que esperavam que as pressões americanas pudessem resultar em uma anistia. Para piorar, nesta terça-feira o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para ser o líder da minoria, em mais uma tentativa de salvar o mandato do filho de Jair Bolsonaro. Logo depois, o Conselho de Ética da Câmara instaurou um processo que pode levar à cassação de Eduardo por conta de sua atuação junto a autoridades americanas para sancionar o Brasil e autoridades brasileiras, como o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por coação, Eduardo Bolsonaro segue sendo procurado por oficiais de Justiça para ser intimado. (Globo)

Bolsonaristas sentem o golpe

Apesar do esforço de setores da direita em minimizar o gesto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fez um aceno público a Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na ONU, a avaliação entre lideranças bolsonaristas é de que o episódio fortaleceu o presidente brasileiro. A informação foi revelada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo aliados de Jair Bolsonaro, Lula conseguiu sair como o grande vencedor do embate com o governo norte-americano ao demonstrar serenidade e firmeza política. Já Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que vinham articulando sanções contra o Brasil, aparecem como os maiores derrotados nesse cenário. (Do Brasil 247)

Arrebentou o Eduardo

Uma liderança bolsonarista ouvida pela Folha foi categórica: caso Lula avance em um acordo comercial com Trump, “arrebenta de vez o Eduardo”. O raciocínio é de que o presidente brasileiro soube usar a narrativa da perseguição, reforçar o discurso da soberania nacional e se beneficiar do aumento da tensão política nos Estados Unidos.

Ah, coitado

Eduardo Bolsonaro escolheu justamente esta terça-feira, nada auspiciosa para sua família, para declarar que, se seu pai não puder concorrer às eleições de 2026, ele será o candidato à Presidência da República em nome do clã. “Eu sou, na impossibilidade de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República; por isso que o sistema corre e se apressa para tentar me condenar em algum colegiado, que seja na Primeira Turma do STF, para tentar me deixar inelegível”, disse ele, dos Estados Unidos. (Metrópoles)

PEC da Blindagem

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta terça-feira parecer contra a PEC da Blindagem, proposta que condiciona a abertura de processos criminais contra deputados e senadores à autorização do Congresso. No relatório, o parlamentar classificou o texto como inconstitucional e disse que ele abre caminho para a impunidade de políticos eleitos. “A medida que se apresenta como defesa do Parlamento, na verdade mina sua legitimidade, transformando-o em refúgio para criminosos de toda ordem”, escreveu Vieira. A proposta foi aprovada na Câmara e está em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com votação prevista para hoje. (Estadão)

PEC da Blindagem 2

Senadores da oposição ainda tentam salvar a chamada PEC da Blindagem, que, ao que tudo indica, será enterrada pelo Senado. O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) apresentou uma emenda para alterar o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada na Câmara. A sugestão protocolada por Moro prevê que a Câmara dos Deputados e o Senado só precisariam autorizar investigações quando se tratar de crimes contra a honra ou de acusações relacionadas exclusivamente a opiniões, palavras e votos de parlamentares. (Valor)

Guilherme Boulos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nomear o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência, em substituição a Márcio Macêdo (PT). A mudança será oficializada após a viagem de Lula aos Estados Unidos, segundo interlocutores do governo. Lula comunicou a decisão a ministros e dirigentes petistas no fim de semana. Macêdo deve deixar o cargo para disputar uma vaga de deputado federal em 2026, com apoio do PT de Sergipe. (Folha)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Consciência é a consciência da consciência

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Vinício Carrilho Martinez

Ao contrário da “bancária”, a educação problematizadora, respondendo à essência do ser da consciência, que é a sua intencionalidade, nega os comunicados e existencia a comunicação. Identifica-se com o próprio da consciência que é sempre ser consciência de, não apenas quando se intenciona a objetos, mas também quando se volta sobre si mesma […] Cisão em que a consciência é consciência de consciência […] Como situação gnosiológica, em que o objeto cognoscível, em lugar de ser término do ato cognoscente de um sujeito, é o mediatizador de sujeitos cognoscentes, educador, de um lado, educandos de outro, a educação problematizadora coloca, desde logo, a exigência da superação da contradição educador-educandos (Freire, 2022, p. 94 – grifo nosso)[1].

A hominização, o processo de formação da humanidade não é somente uma reunião de conhecimentos, saberes, técnicas, fabricações (apesar de serem essenciais), mas, sim, de uma somatória de tudo isso com a capacidade de pensar isso tudo: gnosiologia, epistemologia. “Quais são as condições em que se dá a construção do conhecimento” – os estágios do conhecimento por meio do próprio processo de construção desse mesmo conhecimento –, e fazendo-se uso do raciocínio lógico-dedutivo. Refere-se mais ao como, porém, a consciência sempre é preditiva dos fins, dos objetivos. Hoje, somos mergulhados e performados pela tecnologia, sem, no entanto, sabermos efetivamente que a técnica é que é embrionária, como origem e essencialidade do Humano, assim como a política.

Desse modo, a consciência, em si, não explica muito. Pode-se ter consciência do crime, do abuso e até de sua apologia. O criminoso contumaz tem consciência de seus atos. Uma vez que está ciente dos seus atos. Por isso é preciso uma “consciência da consciência”, ou seja, ser e estar ciente (pensar, refletir) sobre o que se faz. Todavia, isso também não é suficiente, pois, os psicopatas são conscientes dos seus atos e do engenho necessário para cometê-los: escolhem os meios os com precisão racional. A premeditação desses atos equivaleria a “serem conscientes do que fazem para realizarem suas intenções”. Os nazistas são um exemplo claro. A maioria desses tipos, inclusive, tem consciência da responsabilidade dos seus atos: o crime de pistolagem é um tipo desses, até porque esses indivíduos se orgulham dos feitos e se vangloriam nas confissões. O que nos leva a pensar que a “consciência da consciência, que sabe ser consciente” deve estar depositada no início do processo, no “como” se faz essa construção, e nos fins: nos porquês, nos objetivos. Não seria exatamente uma adequação entre meios e fins e sim uma previsão processual de como chegar a um resultado consensual e satisfatório.

A construção do processo de conhecimento da “consciência que é ciente de sua consciência” deve reunir metodologia (como fazer?), gnosiologia (em que condições se dá a cognição?), epistemologia (conhecimento construído para que?) e, o mais importante, a teleologia: o horizonte do humanismo, da dignidade humana. Daí a dificuldade em se transformar o senso comum em Bom Senso[2].

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.

[2] Fizemos uma ficha de leitura com base nesse texto de Paulo Freire, para uso na graduação, em licenciaturas. O espaço em branco sugere que cada um/a faça sua reflexão (Autoeducação).

Trump anuncia encontro com Lula na semana que vem

Presidente dos EUA elogiou o presidente brasileiro e disse ter conversado com Lula: “química excelente”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao anunciar nesta terça-feira (23), durante seu discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que terá um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana. O mandatário norte-americano disse ter trocado rápidas palavras com Lula antes de entrar no plenário e relatou que a conversa foi marcada por uma “química excelente”.

“Encontrei o líder do Brasil ao entrar aqui e nós nos abraçamos. As pessoas ficaram surpresas. Conversamos por cerca de 20 segundos e concordamos em nos reunir na próxima semana. Ele parece um homem muito agradável, e eu gosto dele e ele gosta de mim. Foi uma química excelente, um bom sinal”, afirmou Trump, arrancando comentários nos corredores da ONU.

Um raro elogio em meio a críticas

Apesar do tom elogioso, Trump não poupou críticas ao Brasil em outros trechos de seu pronunciamento. Segundo ele, o país “vai mal e continuará indo mal se não trabalhar em conjunto com os Estados Unidos”. O presidente americano mencionou tarifas impostas contra produtos brasileiros, justificando-as como defesa da soberania e da economia norte-americana.

“No passado, o Brasil tarifou nosso país de forma muito injusta. Por isso, temos tarifas de volta. Como presidente, defendo a soberania e os direitos dos cidadãos americanos. Lamento dizer que o Brasil está indo mal e vai continuar indo mal. Eles só irão bem se trabalharem conosco”, declarou.

Autoexaltação e ataques à ONU

O discurso de Trump, que durou mais de 40 minutos — muito acima do limite de 15 minutos estabelecido pela organização —, começou com uma série de autoelogios à sua gestão. O presidente afirmou que os Estados Unidos vivem uma “idade dourada” sob sua liderança, com economia em recuperação e recordes nos mercados financeiros.

Ele também ironizou a própria ONU, reclamando do teleprompter e questionando o papel da instituição. “O que é a ONU? Para o que serve? Só vejo cartas com palavras fortes que não resolvem guerras. São palavras vazias”, disse.

Questões globais: guerras, Palestina e Rússia

Trump se atribuiu o mérito de “ter encerrado sete guerras”, em referência a conflitos na Ásia e no Oriente Médio, e lamentou que a ONU não tivesse cumprido esse papel. Também criticou países que reconheceram recentemente o Estado palestino, alegando que tal decisão significaria “premiar o Hamas” pelos ataques de outubro de 2023.

Sobre a guerra na Ucrânia, acusou países da OTAN de financiarem indiretamente a Rússia ao manterem a importação de energia e commodities russas. “Estão comprando petróleo e gás da Rússia enquanto lutam contra a Rússia. É embaraçoso”, disse, prometendo novas tarifas caso não haja acordo de paz.

Imigração, América Latina e mudança climática

Como em discursos anteriores, Trump concentrou ataques à imigração, afirmando que a Europa está sendo “invadida” por imigrantes ilegais e acusando a ONU de “financiar invasões”. “Seus países estão indo para o inferno”, disparou.

Na América Latina, voltou a prometer medidas contra a Venezuela, dizendo que vai “acabar com as redes de tráfico lideradas por Nicolás Maduro”.

O presidente também atacou frontalmente a agenda climática da ONU, chamando as energias renováveis de “piada” e negando a gravidade da crise climática. “Se não se afastarem da falácia da energia verde, seus países vão falhar. A catástrofe do clima é falsa”, disse.

Expectativa para encontro com Lula

O anúncio do encontro entre Trump e Lula adiciona um novo elemento à relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, marcada por tensões recentes em torno de tarifas, comércio e soberania. Embora o presidente norte-americano tenha feito críticas duras ao Brasil, o tom conciliador ao mencionar a conversa com Lula sugere uma tentativa de aproximação política.

Diplomatas brasileiros presentes em Nova York avaliam que a reunião poderá abrir espaço para negociações comerciais e, eventualmente, para um redesenho do diálogo entre os dois países. Até o momento, o Palácio do Planalto não confirmou oficialmente a data e o local do encontro.

Com elogios inesperados, críticas contundentes e promessas de ajustes econômicos, Trump conseguiu colocar a relação com o Brasil no centro do debate internacional e aumentou a expectativa sobre os desdobramentos da reunião com Lula na próxima semana.

Do Brasil 247

Na ONU, Lula afirma que Israel comete um genocídio contra o povo palestino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou, nesta segunda-feira (22), a qualificar a guerra de Israel contra a Palestina como um “genocídio”, desta vez diante de uma série de líderes mundiais, durante uma sessão das Nações Unidas sobre a questão nos territórios ocupados, em Nova York, nos EUA.

Em seu discurso, Lula defendeu a chamada solução de dois Estados e afirmou que o conflito é o maior símbolo dos desafios atuais enfrentados pelo sistema multilateral.

Nesse sentido, Lula defendeu uma ampliação dos poderes da Assembleia Geral das Nações Unidas e criticou o que chamou de “tirania do veto” no Conselho de Segurança.

Lula também reforçou o caráter ilegal da ocupação dos territórios palestinos por Israel, criticou a “limpeza étnica assistida em tempo real” e pediu o “empoderamento” da Autoridade Palestina.

O presidente ainda criticou duramente o movimento palestino Hamas pelos “atos terroristas” cometidos em 7 de outubro de 2023, após os quais Israel lançou uma “injustificável” resposta militar, segundo Lula.

“Não há palavra mais adequada do que genocídio”, disse Lula, ao referir-se às ações de Israel, acrescentando que “tanto Israel quanto Palestina têm o direito de existir”.

Brasil 247

Padaria Iracema é investigada por elo com PCC e multada por 14 infrações trabalhistas

Auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego identificaram violações como jornadas sem descanso, horas extras excessivas e salários diferentes para a mesma função. MPSP aponta que Padaria Iracema faz parte de esquema para lavagem de dinheiro de facção paulista

Ponto conhecido de frequentadores de Santa Cecília e Barra Funda, bairros centrais da capital paulista, a Padaria Iracema causou espanto entre clientes ao ter seu nome mencionado como uma possível lavanderia de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). O caso veio à tona na Operação Carbono Oculto, deflagrada no final de agosto.

Os problemas associados à padaria, que conta com cerca de 160 funcionários e funciona 24 horas por dia, não param por aí. Entre janeiro e maio deste ano, o estabelecimento foi alvo de uma ampla fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

A operação constatou uma gama de irregularidades, como horas extras acima do limite permitido, expedientes aos domingos sem as devidas folgas e pagamento de salários diferentes para pessoas com as mesmas funções. No total, 14 autos de infração foram lavrados pelos auditores fiscais.

A relação com o PCC é apontada pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) no âmbito da Carbono Oculto, realizada em conjunto com autoridades federais. O inquérito revela a infiltração do crime organizado em toda a cadeia de produção e adulteração de combustíveis, além de fraudes fiscais e uso de fintechs e empresas de outros setores, como padarias, para ocultação de patrimônio ilegal.

Oito meses antes, auditores fiscais do Ministério do Trabalho já tinham a impressão de que algo estranho acontecia na Iracema. “O silêncio dos trabalhadores no momento da fiscalização é algo normal, mas nos corredores a gente sentiu um clima um pouco árido, um pouco pesado, um pouco diferente do que a gente encontrava normalmente nas empresas”, disse à Repórter Brasil um dos auditores fiscais.

Padaria tem como sócia moradora de Sergipe que recebe Bolsa Família

No total, a fiscalização gerou 14 autos de infração por violações trabalhistas. Para os auditores, isso demonstra um “diagnóstico de condições graves”.

Os documentos obtidos pela Repórter Brasil são referentes a dois CNPJs vinculados à padaria: Iracema da Angélica Pães e Doces Ltda. e Confeitaria e Rotisseria Iracema Ltda.

Desde 2023, ambas têm como sócia Maria Edenize Gomes, moradora de Santo Amaro de Brotas, em Sergipe. O município tem pouco mais de 11 mil habitantes, segundo o Censo de 2022. A mulher é vizinha de outra pessoa já apontada em operações anteriores como agente de ocultação de bens do PCC. Para os investigadores da Operação Carbono Oculto, Maria é uma possível “laranja”.

Também em 2023, o empresário Tharek Majide Bannout, um dos principais alvos da operação e dono de várias empresas de combustíveis ligadas ao PCC, segundo o MP, abriu um CNPJ no mesmo endereço da padaria, com nome semelhante ao do estabelecimento: Nova Iracema Pães e Doces Ltda.

Apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta indícios de Maria Edenize Gomes seria "laranja" para ocultação de propriedade (Imagem: Reprodução)
Apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta indícios de Maria Edenize Gomes seria “laranja” para ocultação de propriedade (Imagem: Reprodução)

Em consulta ao Portal da Transparência do governo federal, a Repórter Brasil identificou pelo número do CPF de Maria Edenize Gomes benefícios sociais atrelados ao seu nome, como Bolsa Família (desde 2013), Auxílio Brasil (2021-2023) e Auxílio Emergencial (2020-2021).

Para os investigadores, o perfil de Maria Edenize Gomes é incompatível com o de uma sócia de um empreendimento  com cerca de 160 funcionários. Seu nome aparece também ligado a outras empresas. A reportagem tentou contato com Maria Edenize Gomes, mas até a publicação desta matéria ela não havia sido localizada.

Repórter Brasil apurou com fontes do MTE e do MPSP que o fato de a fiscalização trabalhista e a investigação criminal terem ocorrido no mesmo ano foi uma coincidência.

O nome de Maria Edenize Gomes aparece em cadastro oficial do governo federal de benefícios sociais; perfil destoa de sócia de estabelecimento com mais de uma centena de empregados (Imagem: Reprodução)
O nome de Maria Edenize Gomes aparece em cadastro oficial do governo federal de benefícios sociais; perfil destoa de sócia de estabelecimento com mais de uma centena de empregados (Imagem: Reprodução)

A abertura de vários CNPJs dificulta a fiscalização, tanto para o MPSP quanto para os auditores.  “Ficaria um rastro de débitos trabalhistas, que não poderiam ser cobrados nunca, à medida que eles fossem desativando os CNPJs”, explicou um auditor.

A estimativa é de que a padaria terá de pagar cerca de R$ 200 mil em encargos trabalhistas, somando os débitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e multas em relação aos dois CNPJs alvo da fiscalização.

Em um dos casos, já houve uma condenação em âmbito administrativo no dia 20 de maio referente a um dos CNPJs, já que a padaria não apresentou defesa. O estabelecimento deixou de entregar documentos pedidos pela Superintendência Regional do Trabalho e não regularizou o pagamento de FGTS e rescisões.

A reportagem verificou que os demais processos administrativos, abertos para cada um dos 14 autos de infração, estão em andamento na Secretaria de Inspeção do Trabalho. A Repórter Brasil procurou a padaria por número de WhatsApp, mas o funcionário que respondeu a mensagem disse não saber quem poderia representá-la.

Em documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Maria Edenize Gomes aparece como sócia e administradora da padaria Iracema (Imagem: Reprodução)
Em documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Maria Edenize Gomes aparece como sócia e administradora da padaria Iracema (Imagem: Reprodução)

Alta rotatividade de funcionários chamou atenção de auditores fiscais

De acordo com um dos autos, a padaria apresentava grande rotatividade de funcionários. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, ocorreram 292 demissões. A maioria dos dispensados (72%) tinha um ano de empresa e foram desligados sem justa causa. As multas rescisórias, no entanto, não chegaram a ser pagas. Para os auditores, esse é um indício de “assédio estrutural”.

No momento das inspeções, a padaria informava ter de 158 a 161 trabalhadores. Pela análise do sistema de pontos eletrônicos, a fiscalização apontou que funcionários estavam fazendo hora extra acima das duas horas a mais permitidas por lei, sem qualquer justificativa, e sem descanso semanal remunerado. Uma funcionária chegou a trabalhar 12 dias diretos, sem folga.

Os auditores identificaram um homem que trabalhou nove domingos seguidos e uma mulher que atuou por sete sequenciais, entre janeiro e março, o que desrespeita a regra de revezamento de escala quinzenal

No caso de trabalhadoras que eram mães, também foram constatadas irregularidades. Uma funcionária que havia retornado da licença maternidade em dezembro de 2024 não contava com os dois descansos especiais de meia hora durante a jornada para amamentar o filho. O auto de infração informa que não foi constatado local adequado para amamentação nem pagamento de auxílio-creche.

Além disso, os auditores apontam que a padaria não tinha plano de carreira ou de cargos e salários que fosse transparente e com informações objetivas, já que havia diferença de remuneração entre pessoas que atuavam na mesma função. Em entrevistas por meio de formulário eletrônico e anônimo, a maioria dos empregados respondeu que não sabia como funcionava a escalação dos cargos nem os critérios de promoção.

Os autos mostram ainda que não havia comissão interna para prevenir acidentes de trabalhos, nem campanhas para combater o assédio sexual e outras formas de violência.

Apesar dos problemas, a fiscalização não chegou a interditar a padaria. Durante as visitas, não verificou situação de grave e iminente risco aos funcionários.

Repórter Brasil procurou o Ministério Público do Trabalho para saber se alguma ação foi impetrada em relação às infrações, mas não houve retorno.

Também pedimos entrevista ao MPSP, mas a assessoria do órgão disse que os promotores responsáveis pela Operação Carbono Oculto não estão dando entrevistas, já que o processo corre sob segredo de justiça.

Repórter Brasil

NÃO É MENOR: ANDI e organizações parceiras lançam campanha para combater termo que estigmatiza crianças e adolescentes

Brasília, 22 de setembro de 2025 — A ANDI – Comunicação e Direitos, em parceria com o Coletivo Colo, tendo ainda a colaboração de Abej, Abraji, FENAJ, Jeduca e SBPJor, lança a campanha #NãoÉMenor, uma iniciativa nacional para desconstruir o uso inadequado do termo “menor” na mídia, em espaços públicos e no cotidiano ao se referir a crianças e adolescentes. A palavra, além de incorreta, carrega uma herança histórica de estigmatização e criminalização da infância e juventude no Brasil, que contraria a doutrina da proteção integral consagrada pela Constituição Federal e prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“A linguagem que usamos revela e molda nossa visão sobre infância e adolescência. Abandonar termos que estigmatizam é um gesto simples — mas essencial — para garantir que meninos e meninas sejam reconhecidos e protegidos como sujeitos de direitos”, assinala Miriam Pragita, diretora-executiva da ANDI.

O objetivo da campanha é conscientizar jornalistas, comunicadores, educadores, estudantes e famílias sobre os impactos negativos do termo e estimular a adoção de uma linguagem mais respeitosa com as crianças e adolescentes e alinhada à legislação brasileira.

Uma herança do passado que precisa ser superada

O emprego do termo “menor” traz como resquício o antigo Código de Menores, que institucionalizou respostas punitivas e classificatórias a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A Constituição Federal de 1988 e a promulgação do ECA, em vigor desde 1990, romperam com essa lógica e instituíram a doutrina da proteção integral, reconhecendo esse grupo como sujeitos de direitos, cidadãos plenos e pessoas em desenvolvimento, com prioridade absoluta de proteção por parte da família, da sociedade e do Estado.

Apesar disso, o uso persistente do termo pela imprensa, no discurso público e na linguagem cotidiana continua a reforçar preconceitos, desumanizando meninos e meninas e alimentando estigmas sociais; naturaliza violações e contribui para a redução de direitos — impactando percepção pública, decisões institucionais e práticas cotidianas.

Linguagem que respeita e inclui, comunicação que transforma

A substituição de “menor” por termos precisos e respeitosos é simples e necessária. A língua portuguesa dispõe de opções que respeitam a individualidade e a dignidade das pessoas com menos de 18 anos e que alinham a comunicação à proteção legal prevista no ECA. Recomenda-se o uso de palavras como criança, adolescente, menino, menina, jovem, estudante, conforme o contexto.

A escolha da palavra certa impacta percepções e resulta diretamente na forma como políticas públicas, coberturas jornalísticas e relações sociais tratam as realidades de crianças e adolescentes. Uma linguagem cuidadosa contribui para a autoestima, a visibilidade e a efetivação dos direitos de meninos e meninas.

“Convocamos a imprensa, educadores e toda a sociedade a adotar práticas comunicacionais que respeitem a dignidade das crianças e dos adolescentes. Revisar títulos e optar por termos corretos é uma contribuição concreta para a garantia de direitos”, afirma Ana Potyara, diretora administrativa-financeira da ANDI.

Convite à adesão

A ANDI e as entidades parceiras Abej, Abraji, Coletivo Colo, FENAJ, Jeduca e SBPJor convidam profissionais da imprensa, comunicadores, estudantes de comunicação e direito, educadores, formadores de opinião, famílias e toda a sociedade civil a aderir à campanha #NãoÉMenor.

Ao adotar termos corretos, difundir a mensagem e abrir espaços de debate — além de ações práticas como compartilhar conteúdos, aplicar o selo oficial e produzir materiais de divulgação — cada pessoa e instituição contribui para transformar práticas jornalísticas, comunicacionais e sociais que ainda reproduzem estigmas.

Sua participação é essencial para que essa mudança de linguagem reverbere em políticas públicas, nas rotinas das redações e práticas jornalísticas e nos demais ambientes comunicacionais, fortalecendo o respeito e a proteção às crianças e aos adolescentes.

Palavras importam. Respeito também. Vamos juntos mudar essa história!

Para conhecer mais sobre a campanha e acessar os materiais, visite: http://bit.ly/NÃOÉMENOR

A campanha é uma iniciativa da ANDI, em parceria com o Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil (Colo), e apoio estratégico da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

Sobre a ANDI
A ANDI é uma organização da sociedade civil com mais de 30 anos de atuação em defesa dos direitos da infância e da adolescência, com foco em comunicação, mídia e políticas públicas. Dedicada à promoção de uma comunicação responsável sobre crianças e adolescentes, articula jornalistas, pesquisadores, organizações e poderes públicos para promover coberturas e práticas mais éticas, inclusivas e alinhadas aos direitos humanos.

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

Motta admite desgaste político

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrentou no domingo (21) manifestações massivas, as maiores em mais de uma década, contra a direita e o centrão em diversas capitais do país. Segundo a coluna da jornalista Daniela Lima, do UOL, apesar da pressão popular, aliados afirmam que Motta tentou transmitir tranquilidade. Segundo interlocutores, ele já havia admitido que pagaria um “preço público” pelas decisões tomadas na Casa.

Desgaste calculado em prol da base interna

Na reunião de líderes que definiu a votação da PEC da Blindagem e da urgência do projeto de anistia, Motta deixou claro que sabia das críticas. “É o que a maioria quer? Eu pago o preço, mas preciso que depois a Casa ande, que funcione, que tenha uma pauta que fale pra fora”, relatou um auxiliar.

João Pessoa pede não-reeleição de Motta

Na capital paraibana, João Pessoa, onde está a principal base eleitoral do parlamentar, os manifestantes foram diretos: pediram sua não-reeleição. Para um amigo próximo, a reação já reflete o clima de pré-campanha. “É preciso entender que entramos numa dinâmica já de pré-eleição, né?”, disse. O aliado ainda destacou que Motta constrói seu projeto político na Paraíba em aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Do Brasil 247)

A força das manifestações

As gigantescas manifestações realizadas neste domingo (21) em diversas cidades brasileiras marcaram, segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, uma “data histórica” para a luta social no país. Em declaração, Edinho afirmou que a mobilização popular deu visibilidade à indignação do povo brasileiro e deixou claro que a política precisa se reconectar com as demandas reais da sociedade. “O Congresso Nacional tem que pautar: a isenção do imposto de renda para os trabalhadores assalariados, a redução da jornada de trabalho, a segurança pública, debater medidas para o fim das filas na saúde pública, a universalização da educação integral e a tarifa zero para o transporte público”, disse.

A força das manifestações 2

Pode ser uma imagem de 5 pessoas, clarinete, violão, trompete e multidãoCom apoio de artistas, a esquerda mobilizou milhares de pessoas em atos em São Paulo e no Rio de Janeiro contra a anistia e a PEC da Blindagem, neste domingo (21). As manifestações foram impulsionadas pela presença de artistas, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan e Gilberto Gil, no Rio de Janeiro, e Daniela Mercury e Wagner Moura, em Salvador.

A força das manifestações 3

No trio na orla da Praia de Copacabana, Chico e Gil cantaram juntos a música “Cálice”, lançada em 1978 e que se tornou um hino da oposição à então vigente ditadura militar. Na Bahia, Daniela Mercury disse que a anistia a condenados pelo 8 de Janeiro e casos correlatos e a PEC da Blindagem geram “constrangimento e indignação”, enquanto Wagner Moura foi aplaudido em meio a um coro de “sem anistia” após dizer que a “extrema direita não se cria” no estado. Os atos deste domingo também tiveram destaques para pautas de interesse do governo Lula (PT), como o projeto de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para Pessoas Físicas (IRPF).

Anistia light-Spacca

 

A força das manifestações 4

“Hoje, nas ruas do Brasil, nós estamos decretando que a PEC da Bandidagem está enterrada. Mais do que isso: é uma virada de jogo para a gente impor nossas pautas, [como] a isenção do Imposto de Renda, a PEC [pelo fim da escala] 6×1”, afirmou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), em ato em Brasília. “Nós vamos apresentar exigências. Essa mobilização é um recado para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)”, declarou o também deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), antes de discursar em ato em São Paulo. (Do Brasil 247)

A força das manifestações 5

Uma das imagens mais marcantes do ato na Avenida Paulista foi a abertura de uma imensa bandeira do Brasil pela multidão, em contraponto à bandeira dos Estados Unidos estendida pelos bolsonarista no mesmo local há duas semana. (Poder360)

Votação da PEC da Bandidagem

Em meio aos protestos, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou à GloboNews que pretende pautar a votação da PEC na próxima reunião do colegiado, prevista para quarta-feira. “[Vou pautar] para sepultar de vez esse assunto no Senado”, disse. O relator da proposta, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), já disse que seu parecer será pela rejeição da PEC que busca proteger parlamentares contra a abertura de processos penais no Supremo Tribunal Federal (STF). (g1)

Votação da PEC da Bandidagem 2

Reforçando a previsão de Alencar, um levantamento do Globo indica que a PEC não deve passar nem mesmo da CCJ. Dos 27 integrantes do colegiado, 17 responderam que votarão contra, ante três a favor. Outros sete não quiseram antecipar a posição. Ainda que a proposta chegasse ao plenário, o levantamento aponta que seria derrubada, já que 46 dos 81 senadores se declaram contrários à medida. Seis afirmam ser favoráveis, outros seis disseram ainda não saber como votarão e os demais não responderam. (Globo)

Engajamento

Nas redes sociais e aplicativos de mensagens, as manifestações da esquerda ultrapassaram o engajamento dos atos de 7 de setembro convocados pelo bolsonarismo. Segundo monitoramento em tempo real realizado pela Palver, a cada 100 mil mensagens trocadas, cerca de 865 faziam referência ao protesto do dia 21, contra 724 durante as mobilizações da direita duas semanas antes. O levantamento mostrou ainda que figuras do governo não tiveram protagonismo entre as mensagens trocadas. (Folha)

Aliados de Jair Bolsonaro se assustaram

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "ንዮሔበአቲቲትች AMTONIDACAVERNA DACAVERNA Bela Megale @fonahang(feat. Exclusivo para assinantes Tamanho de manifestações contra PEC da Blindagem e anistia assusta bolsonaristas Por Bela Megale 21/09/2025 18h03 Atualizado agora"“A ordem é minimizar, mas, em reservado, aliados de Jair Bolsonaro — de dentro e de fora do Congresso — afirmam que se assustaram com o tamanho das manifestações deste domingo”. (Bela Megale-Globo)

Aliados de Jair Bolsonaro se assustaram 2

“A ideia de atrelar a tramitação da anistia à blindagem foi, nas palavras de um aliado de Bolsonaro, um tiro no pé, pois deixou de herança o desgaste de tentar aprovar duas medidas amplamente impopulares, além do carimbo de que a direita patrocinou o movimento de blindagem a parlamentares.” (Andréia Sadi-g1)

                             

Lula in Nova York

O presidente Lula desembarcou neste domingo em Nova York, onde vai discursar na abertura do debate de líderes da Assembleia Geral ONU, na terça-feira. Esta é a primeira viagem de Lula aos EUA desde que o presidente americano, Donald Trump, impôs uma sobretaxa de 50% para entrada de produtos brasileiros no país. No discurso, Lula deve abordar temas como soberania, democracia, multilateralismo, mudanças climáticas e a guerra em Gaza. (g1)

Estado palestino

A situação de Gaza, aliás, deve ser um dos pontos centrais do encontro. Neste domingo, véspera da reunião anual, Grã-Bretanha, Canadá e Austrália reconheceram formalmente o estado palestino, aumentando a pressão sobre Israel para aliviar a crise humanitária na região e colocando três grandes aliados americanos em desacordo com o governo Trump. Mais tarde, Portugal também confirmou seu reconhecimento da Palestina. A França, que também já anunciou a intenção, prometeu votar pelo reconhecimento na ONU esta semana, juntando-se a cerca de 150 membros do órgão que já fizeram o mesmo. (New York Times)

Charlie Kirk

Seguidores de Charlie Kirk e líderes conservadores lotaram o State Farm, em Glendale, Arizona, para o funeral do influenciador assassinado. Usando gravatas vermelhas, estampas de bandeiras e todo tipo de produtos MAGA, dezenas de milhares de apoiadores formaram fila na entrada antes mesmo do sol nascer. Oradores religiosos e políticos – incluindo o presidente americano Donald Trump e o vice JD Vance – discursaram para a multidão. Celebridades conservadoras também se juntaram à multidão que vibrava e chorava, em um evento que visava celebrar Kirk e insuflar um movimento político em seu nome. (NYT)

Erosão costeira 

Pode ser uma imagem de água e praiaO Brasil perdeu cerca de 15% da faixa de areia em praias nos últimos 30 anos. O principal motivo para a redução é a erosão costeira – um processo natural que tem sido agravado pelas mudanças climáticas provocadas pela ação humana. O excesso de construções nas orlas atrapalha o equilíbrio do mar, que muda a quantidade de bancos de areia que produz, fazendo com que a praia perca sua capacidade de se recuperar. A faixa de areia atua como barreira natural contra o avanço do oceano. Sem ela, aumenta o risco de inundações. Na foto deste articulista, a erosão derruba muro de contenção na praia da Sereia, no litoral norte de Alagoas.  (g1)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Educação Política[1]

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 Vinício Carrilho Martinez (*)

Inicialmente é preciso desatacar que o Bom Senso é acionado pelo adjetivo “bom” e que “tem as qualidades adequadas à sua natureza ou função’: ‘benévolo, bondoso, benigno’ – abonado, abono, bonificação”[2]: ao passo que o senso comum remete a um senso apenas “comum”, trivial.

A consciência primária do senso comum (praticamente limitada à socialização primária: “o que aprendemos em casa, na infância”) nos leva a tomar água quando temos sede, mas a consciência em estágio superior (uma consciência acerca da própria consciência) nos inclina a tomar água mesmo sem sede: no âmago do Bom Senso, o conhecimento adverte que isso evita problemas renais.

Também é possível dizer que, enquanto o senso comum se aplica ao pré-conceito (o “dado-dado”, em sua superfície), aquilo que desconhecemos (o que pesamos que sabemos, antes de sabermos), o que está posto antes (pré) e que antecede ao conhecimento (o conceito em si), o Bom Senso nos exigiria exatamente o contrário, isto é, um aprendizado, uma superação, o aprofundamento (desvelamento das aparências), a busca pela substância (essência ou conceito). Estaríamos passando do juízo de valor (pré-conceito) ao juízo de realidade (conceitual por definição).

A superação de um, em outro, formaria as referências da Massa Crítica, e, se o processo se intensifica, com o amadurecimento, aprofundamento, da análise crítica, seja sobre as relações sociais, seja em virtude da reavaliação, do cenário político, econômico, revendo-se o próprio “fazer-se política”, o indivíduo se transforma em sujeito (da passividade à militância) e, concomitantemente, às mudanças constituídas em sua realidade. É o que se denomina de senso crítico.

Em outra exemplificação, o senso comum nos recomenda não avançar diante do sinal vermelho, seja no trânsito seja numa relação ou no saldo da conta bancária; no entanto, o Bom Senso nos diz para avançarmos um sinal vermelho se estivermos num cruzamento, numa madrugada, em local ermo, e sem nenhum veículo à frente. Como nos ensinou Paulo Freire:

Na verdade, a curiosidade ingênua que, “desarmada”, está associada ao saber do senso comum, é a mesma curiosidade que, criticizando-se, aproxima-se de forma cada vez mais metodicamente rigorosa do objeto cognoscível, se torna curiosidade epistemológica. Muda de qualidade mas não de essência[3].

 

Sem um objetivo crítico (ponto de partida do senso crítico), o objeto criticizavel nunca será cognoscível, posto que não avançaremos na sua análise, no entendimento que nos (e)leve à condição de superação do nível auferido pela Massa Crítica (racionalidade, conhecimento, lógica) – ou seja, sem o conhecimento que, obviamente, já configure a própria implicação do senso comum superado na forma do Bom Senso, não há Massa Crítica.

A passagem do senso comum ao Bom Senso exigira um certo nível de distinção, de verificação da realidade, da essência, uma “superação”, ou, de modo semelhante, podemos dizer que enquanto o “aprender” está para o senso comum (em sua superação), o “apreender[4]” (apropriar-se, tornar orgânico) está para o Bom Senso. Por isso o Bom Senso estaria para a práxis (reflexão/ação), enquanto o senso comum estaria, digamos, para as práticas sociais e seus costumes.

Se há ou deve haver um “saber-fazer” em cada atividade artística, laborativa, prática, política, sob o Bom Senso que se espera de uma consciência que ultrapassou os níveis primários (praticamente reativos), o mesmo “saber-fazer” será condicionado à nossa capacidade de apreensão: tomando tal conhecimento para nós, internalizando-o, será um princípio ativo dali em diante[5].

Esta é a ideia de apreender, ser ou tornar orgânico, no plano individual, ao passo que, para a classe social, exige-se uma consciência amplificada por toda a classe social, como uma forma de sustentar um substrato comum e generalizado. Esta passagem do individual à classe social tanto exemplifica a grandeza da superação exigida, quanto permite que vejamos a Autoeducação Política em andamento.

Se o senso comum nos diz que é preciso lutar sempre por nossos direitos, o Bom Senso nos inclina a lutar pelos direitos sociais, trabalhistas, pelo meio ambiente e assim, de algum modo, nos ligarmos a movimentos sociais que partilham do Princípio Civilizatório. Do mesmo modo, o Bom Senso nos leva a refletir quando devemos avançar, parar e até recuar, no cenário político.

Marx e Engels[6] trariam a superação da consciência de classe em si em razão da necessária e obrigatória “consciência de classe para si”. O Bom Senso nos demonstraria que agir em conjunto nos traria melhor sorte no resultado – e quanto maior o conjunto (do mutirão à multidão) melhor. No senso comum popular equivale a dizer que “andorinha sozinha não faz verão”.

Pensemos agora num aspecto mais prosaico: senso comum é aprender com os próprios erros. Correto? E Bom Senso seria aprender com os erros dos outros, evitando-se que fossem seus, nossos, meus erros.

Se sou criança e coloco o dedo na tomada e tomo choque, o lógico seria aprender com o que fiz de errado e não fazer mais; porém, posso me antecipar e apenas observar outra criança fazer isso e ver que não gostou da experiência: se usasse o Bom Senso (aprender com os erros dos outros) não passaria por tal situação – mesmo que tivesse curiosidade.

Quando adultos, podemos aprender com os outros (apreender uma valiosa lição) e assim nos distanciamos dos erros alheios, que, aliás, podem ocasionar punições mais severas, como na culpa (involuntária, mas predizível) e no dolo (intencional). As penas aqui são diferentes, maiores para o dolo.

O Bom Senso se anteciparia ou diminuiria o impacto da autocrítica, pois que evitaríamos alguns erros. Afinal, aprender com os erros dos outros tem uma forte ligação com a prudência, cautela ou prevenção. O que é uma virtude individual, tanto quanto é política e jurídica – podendo ser institucional.

No âmbito jurídico, por exemplo, há legislações de proteção de dados e de Inteligência Artificial, regulatórias de questões tecnológicas e que não trazem conceitos técnicos específicos, uma vez que a tecnologia avança muito rápido. Procura-se atentar mais especificamente aos Princípios Jurídicos, pensando na prevenção (proteção dos dados, meio ambiente) antes que o ilícito se instale.

Se fosse possível antecipar uma breve conclusão, diria que o senso comum está para a “consciência de classe em si”, enquanto o Bom Senso está para a “consciência de classe para si”.

A consciência de classe limitada, inicial, forjada pela experimentação empírica, prefigurada pela experiência local de um determinado “chão de fábrica” (pouco mais do que prescritiva), transforma-se em consciência de classe ampliada, orgânica, comunicando-se amplamente com outras “consciências de classe de um chão de fábrica específico”. É esta passagem que nos leva, enquanto classe social, a rejeitar as formas de sujeição, objetificação (coisificação) e, portanto, permite-nos negar, combater, anular (proscrever, banir) a opressão: também por isso seria uma “proscrição da prescrição”[7].

É como se disséssemos que a consciência de classe se amplia, metamorfoseia-se em sua substância política, reflexiva, propositiva, indo ao encontro do humano genérico. A quantidade crescente de chãos de fábrica, mas ainda isolados, muda de substância e se sintetiza em outra qualidade política, organizacional.

Historicamente, ao menos até o século XX, da consciência de classe limítrofe se encaminhou politicamente a uma consciência de classe ampliada (se comparada ao século XIX). No século XXI (precarização total, uberização) houve uma redução nessa amplitude, no âmbito da identificação política de classe e, portanto, uma retração na expansão da consciência de classe dos subalternos: suportando-se níveis semelhantes ao escravismo, além da coabitação com o proselitismo da expressão “trabalho análogo à escravidão”. Quem sente a pauperização ou a escravização não a sente pela metade – ou metaforicamente –, mas sim em sua plenitude.

Esta análise acerca da “consciência de classe para si” expressaria uma abordagem do tema sob a ação do senso crítico: ainda que limitada pelo objetivo desse texto, é uma análise muito superior à consciência primária, rarefeita na socialização primária e também é superior à consciência de classe em si.

Podemos avançar com uma síntese que traria o senso comum limitado aos afazeres, à sobrevivência[8]. Sob a ação do senso crítico, o saber-fazer não mais estaria distante do “fazer-se política” e esta combinação entre conhecimento, investigação, reflexão/ação (práxis) transformaria não só o indivíduo (a “mônada isolada”, uberizada) como (ainda mais) a realidade opressiva que assim o conforma. Se este fluxo de aprofundamento do conhecimento e da ação se evidencia, mesmo em tempos mais acirrados no embate político, ideológico, em que prosperam as distopias, é possível verificarmos a transformação da massa bruta em Massa Crítica.

Nós nos politizamos à medida em que agimos politicamente nos vários sentidos e segmentos que formam nossas vidas. O “fazer-se política”, no bojo do senso crítico, exige o amadurecimento intelectual, a fim de que a análise política não seja desvirtuada, mutilada pelo fundamentalismo, sectarismo, ou limitada ao “agir por agir”. Neste último caso, as consequências são ainda mais graves, pois, um dos motes do Fascismo é exatamente esse: “a ação pela ação”.

Em outras palavras, a práxis que serve à emancipação é acondicionada por dupla força: reflexão (investigação, estudo, aprendizagem conceitual) e ação (radical, revolucionária das piores raízes sociais que prescrevem a sujeição). Somente a práxis (reflexão/ação) pode proscrever a prescrição.

Portanto, senso comum é aprender com nossos próprios erros, nos tornando mais preparados para o que possa advir de nossa caminhada. E Bom Senso é aprender com os erros dos outros, para não se passar pelos mesmos problemas, dissabores (apreender). Cada um a seu modo, o senso comum sendo restrito e imediatista, os dois sentidos nos trazem sabedoria e conhecimento.

Em muitas circunstâncias, o senso comum nos recomenda a “deixar como está, para ver como é que fica”; entretanto, como diz o ditado popular (Bom Senso), do interior do Piauí, “a desgraça do pau verde é ter o seco encostado. Vem o fogo, dá no seco e deixa o verde sapecado”. É a sabedoria popular alertando para os cuidados em termos companhias inadequadas.

Uma das definições mais aceitas sobre o que é política – quais seus elementos de constituição, seus meios e fins – nos remete à ideia de decisão. Desse modo, faz política quem decide.

Sem emancipação e autonomia (bem como a fruição da liberdade) é fácil admitir que não se decide sobre nada – apenas segue-se um protocolo ou ordens alheias, ditas superiores, seguindo-se a heteronomia.

Ora, a obediência à hierarquia e a imposição por meio da heteronomia anulam ou retraem, precisamente, a autonomia – porque não se age em virtude das próprias regras ou se está sob regras nas quais não se teve grande “envolvimento e participação política” nos momentos de seu feitio e realização.

Neste sentido ainda deveríamos acrescentar a consciência política, dos próprios atos e acerca do objeto a ser deliberado, da configuração de forças políticas que gerem o coletivo em que se vota ou delibera, e, é claro, das finalidades políticas propostas: os objetivos que se encontram no interior do objeto de deliberação política.

Do ponto de vista da principiologia política, acenam – neste amplo cenário – os princípios da racionalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade. E o consequencialismo, isto é, as consequências políticas, individuais e coletivas, vindouras de tais decisões, advém do próprio exercício da autonomia naquele momento.

Afinal, só age com autonomia (que não seja limitada ao exercício do “direito de propriedade”, da liberdade sem limitações) quem não se opõe à emancipação (livre da subjugação, do fanatismo, do irracionalismo, do negacionismo).

E, ainda neste segmento, comporta dizer que essa racionalidade política se aplica de modo prático à avaliação dos próprios atos e dos movimentos políticos (partidos políticos, agremiações, associações, organismos coletivos) em que se esteja envolvido (daí a obrigação do “envolvimento político”). Tais escolhas políticas nos conduziriam ao Bom Senso, à avaliação política razoável (racionalidade política) sobre a realidade política e a aplicação prática dessa mesma racionalidade empregada (razoabilidade, proporcionalidade). Este entendimento político pode corresponder à responsabilidade política (a partir das consequências políticas predizíveis).

O “envolvimento político” é condizente com a ideia de participação política. Envolver-se para participar: há uma pequena/grande diferença neste caso, uma vez que alguns indivíduos participam desde o início com experiência política e consciência, mesmo (ou sobretudo) em situações políticas novas, e outros se apresentam em estágio inicial de sua aprendizagem política.

Essas considerações permitem visualizar a “maturidade política” existente (ou não). Tanto quanto a restrição ou a ampliação da análise racional acerca da política, do seu funcionamento mais específico, de uma Sociologia Política, a capacidade de elaborar ou de apreender significados políticos, tudo isso nos remete à consciência política – enquanto reflexão política e práxis (transformação política). Por isso, alguns/algumas têm mais clareza política (outro elemento da lógica política) e outros/outras seguem atuantes a ideologias, aparências, visões deturpadas da seara política em que estejam envolvido/as.

Neste momento em que já chegamos, ainda que muitas referências sejam ausentes ou estejam apenas mencionadas, temos como tratar da “participação política”. É claro que fascistas, nazistas, racistas também participam e ativamente da política. No entanto, não é disso que tratamos aqui, uma vez que a racionalidade constante no Bom Senso (de quem assim age e decide de forma emancipada) tem por pressuposto e consequência a emancipação política e a dignidade humana. Esta é a única ação política validável: confluente à condição humana, ao “fazer-se política” em virtude da emancipação, e este é o ponto central, posto que a emancipação é superposta e muito superior à autonomia (que pode ser do tipo pós-moderno: fragmentação política, desconexão política).

Dito de outro modo, podemos advertir que se há, portanto, fruição da emancipação, então, está em vigor a dignidade humana: libertária, autonomista, emancipatória. Por isso, a guia da participação e da ação política é a dignidade humana. Pois, a dignidade humana condiciona, porquanto seja o pressuposto da condição humana, a própria emancipação. A dignidade humana é o fim, a emancipação é o meio. Este é o prisma da Educação para além da exceção.

A participação política que tratamos aqui, já subentendida claramente, visa a emancipação e tem por fundamento a condição humana, o respeito integral aos Direitos Humanos, aos direitos fundamentais, à Constituição Federal de 1988, ao Estado Democrático de Direito (República, federação e democracia). Fora desse escopo, como dito, não se reconhece a emancipação e somente se visualiza uma “participação política” distorcida, corrompida, dissociada da socialização, interação social.

O que tratamos, inclusive como Princípio da Participação Política, tem fundamentos políticos e pressupostos humanistas bem diferentes. É claro que não cabe idealismo, ingenuidade, proselitismo de militância adstrita à conquista de simpatia ou de poder político.

Trata-se, como restou claro desde o início, que a emancipação é o chão firme (mesmo que também seja uma bússola política, moral), por onde se enfileira a autonomia (ação e decisão) e sob as condições políticas em que a dignidade humana é uma busca racional. Ou é assim, em que pese a realidade política seja catastrófica, ou há sucumbência (destruição política) mediante a negação da própria Política (Polis).

Agora seguindo maiúscula, a Política se impõe, porque, no espaço público em que estamos e nos constituímos, realisticamente, nossas ações, reflexões políticas e decisões políticas não podem negar os direitos de participação política de quem mais queira intervir se e quando apresentarem-se dentro do mesmo prisma da dignidade humana. As posições políticas, as visões de mundo, as seleções políticas e as escolhas impostas podem e devem variar (pluralismo político), porém, nunca será móvel a certeza do caminho e do objetivo final: a emancipação política e a negação da exceção embrutecedora.

Assim, por fim, podemos/devemos pensar que em todo lugar, todos os dias, a qualquer hora – individualmente ou coletivamente –, nós temos a obrigação política e moral (bússola moral constitutiva da dignidade humana) de aplicarmos os princípios da realidade política, do envolvimento político e da participação política consequente, racional, sobre os fins e meios que sejam de inteiro valor humano.

Isto é realismo político, não é fantasia, é a racionalidade política alinhada com a Utopia – o desejo de construção de novos patamares das atividades e das relações políticas. É uma tática política, que também implica em avaliar e retroceder, para melhor avançar – ou primeiro recuperar, garantir ou consolidar, para, em seguida, novamente, requerer, fazer-se a luta política, expandir e aprofundar.

No cálculo político – selecionar, escolher, aplicar os meios aos fins –, a estratégia política deve equacionar a racionalidade aplicada à adequação política de meios (validáveis pela Ética, sendo justos) e fins: universais, justificados no universo da dignidade humana. O que é tolerável, o fanatismo religioso ou a promoção de formas de sociabilidade política livres, justas, igualitárias?

A convivialidade política, ainda mais quando envolta na sobrevivência política coletiva, da democracia, tem uma única opção: escolher de forma inquestionável a tolerância política que exclua todas as formas de intolerância política, fanatismo, obscurantismo (aplicando-se o sistema do banótico: banimento). Isso nos leva ao início: racionalidade, razoabilidade, proporcionalidade, em que se tem como objetivo claro a dignidade humana. E também à ideia de que, em face da prevalência da dignidade humana, o banimento político não só é viável, como é uma imposição lógica.

Se o senso comum acerta ao dizer que “a cada escolha há uma renúncia”, é preciso ter a clareza meridiana do Bom Senso, no sentido de que escolhas pelo viés do fanatismo, obscurantismo, negacionismo, Fascismo, impõem a renúncia da humanidade e da própria racionalidade. E a esses e a essas nós demos impor a exclusão política (a suspensão dos direitos políticos é um exemplo da constitucionalidade política emancipatória).

[1] Esse texto reúne os apêndices E e F, da tese de titularidade defendida na UFSCar, em 30/07/2025, com o amplo tema da Educação para além da exceção.

[2] CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro, Lexikon, 2010.

[3] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

[4] “Trazer para si”.

[5] FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler – em três artigos que se completam. São Paulo: Editora Autores Associados, 1986.

[6] MARX, Karl. Manuscritos económico-filosóficos. Lisboa: Edições 70, 1989.

[7] Tornando-se proscritas (banidas) as prescrições (determinações) das formas opressivas de nossas vidas.

[8] O senso comum está para a consciência primária, assim como o Bom Senso está para a “consciência da consciência” e, por sua vez, o senso crítico nos explicaria que a “consciência é a consciência da consciência”.

(*) Vinício Carrilho Martinez

Protestos contra PEC da Blindagem tomam ruas neste domingo

Mobilizações organizadas por frentes de esquerda devem reunir milhares em 33 cidades neste domingo (21).

Movimentos sociais de esquerda convocaram manifestações em todo o país para este domingo (21), em reação à aprovação da chamada PEC da Blindagem e à tramitação em regime de urgência do projeto da anistia no Congresso Nacional.

Os atos, organizados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao Psol e ao PT, devem ocorrer em pelo menos 33 cidades, incluindo 22 capitais. Entre os grupos envolvidos estão o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).

 

A convocação acontece em meio a uma forte reação popular contra deputados que votaram a favor da PEC, medida criticada por muitos como um enfraquecimento da transparência. Internautas têm cobrado representantes e condenam a proposta como contrária ao interesse do povo.

Os parlamentares que apoiaram a medida alegam que a decisão fez parte de um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), numa tentativa de barrar o avanço do projeto de anistia. No entanto, no dia seguinte, a urgência para a votação da proposta foi aprovada.

As mobilizações também contarão com apresentações artísticas. No Rio de Janeiro, a manifestação será na praia de Copacabana, a partir das 14h, e contará com um show gratuito de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Também sobem ao palco Djavan, Marina Sena, Maria Gadú e o grupo Os Garotin.

As mobilizações ocorrem em resposta à proposta que dificulta o avanço de processos criminais contra deputados e senadores, e prevê votações secretas sobre autorizações da Justiça.

Além do Rio, atos estão programados em outras capitais do país. Em Salvador, Daniela Mercury se apresenta durante a manifestação, enquanto Simone é a atração confirmada em Maceió. Em São Paulo, a concentração ocorrerá no MASP, na avenida Paulista, no mesmo horário.

Veja onde acontecem as manifestações:

Norte

 

  • Manaus (AM): Av. Getúlio Vargas, às 8h
  • Macapá (AP): Teatro das Bacabeiras, às 16h
  • Belém (PA): Praça da República, às 9h
  • Porto Velho (RO): Complexo Madeira Mamoré, às 16h

Nordeste

 

  • Maceió (AL): Sete Coqueiros, na praia do Pajuçara, às 9h
  • Salvador (BA): Morro do Cristo, às 9h
  • Fortaleza (CE): Estátua de Iracema Guardiã, às 15h30
  • João Pessoa (PB): Busto do Tamandaré, às 9h
  • Recife (PE): Rua da Aurora, às 14h
  • Natal (RN): Ferreira Costa, às 9h
  • Aracaju (SE): Praia da Cinelândia, às 16h

Centro-Oeste

 

  • Brasília (DF): Museu Nacional, às 9h
  • Goiânia (GO): Praça Universitária, às 16h
  • Campo Grande (MS): 14 de Julho com Afonso Pena, às 8h
  • Cuiabá (MT): Praça Alencastro, às 14h

Sudeste

  • Vitória (ES): Assembleia Legislativa, às 15h
  • Belo Horizonte (MG): Praça Raul Soares, às 9h
  • Alfenas (MG): Praça do Coliseu, às 10h
  • Juiz de Fora (MG): Praça da Estação, às 10h
  • Serra do Cipó (MG): Praça Santana do Riacho, às 10h
  • Uberaba (MG): Feira da Abadia, às 10h30
  • Uberlândia (MG): Feira Livre do Bairro Luizote, às 9h
  • Rio de Janeiro (RJ): Posto 5 de Copacabana, às 14h
  • São Paulo (SP): MASP, às 14h
  • Bauru (SP): Vitória Régia, às 16h
  • Ribeirão Preto (SP): Praça Spadoni, às 15h30
  • Santos (SP): Praça da Cidadania, às 16h

Sul

  • Curitiba (PR): Boca Maldita, às 14h
  • Porto Alegre (RS): Redenção, às 14h
  • Florianópolis (SC): Ponte Hercílio Luz, às 13h
  • Itajaí (SC): Praça do Centro de Eventos, às 14h
  • Jaraguá do Sul (SC): Praça da Meia Luz, às 14h
  • Joinville (SC): Praça da Bandeira, às 14h

Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque irão se apresentar em ato no Rio de Janeiro contra a PEC da Bandidagem

Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque irão se apresentar em ato no Rio de Janeiro contra a PEC da Bandidagem

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Neste domingo (21), a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, será palco de um ato histórico que reúne alguns dos maiores nomes da música popular brasileira.
Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e outros artistas se apresentam juntos em protesto contra a PEC da Blindagem, apelidada de “PEC da Bandidagem”, e contra o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O evento começa às 14h, no Posto 5, e contará com apresentações musicais em um trio elétrico.
Pode ser uma imagem de ‎3 pessoas, instrumento musical e ‎texto que diz "‎RIO DE JANEIRO NAS RUAS גגם MUSICAL CONFIRMADO حيدسيد SEM ANISTIA I/|/ PEC DA BANDIDAGEM NÃO CONFIRMADO CHICO BUARQUE CONFIRMADO ETAN VELOSO CONFIRMADO GILBERTO GIL‎"‎‎A PEC da Blindagem, já aprovada na Câmara, dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares e traz de volta o voto secreto em casos de autorização para julgamento. A medida representa um retrocesso e enfraquece a responsabilização política.
Já o projeto de anistia busca perdoar os envolvidos nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, um grave risco para a democracia.
O protesto no Rio faz parte de uma onda nacional, com atos programados em diversas capitais, como São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Rio Grande do Norte, Porto Velho e Manaus, ampliando o alcance da manifestação.
Com a união de quatro lendas da música brasileira, o ato-show em Copacabana promete marcar a história como um grito coletivo em defesa da democracia e contra a impunidade.
Porto Velho
Em sintonia com as mobilizações nacionais, o PT de Porto Velho convoca a militância, os movimentos sociais e toda a população a participar do ato público “Povo nas Ruas contra a Anistia!”, que será realizado no domingo, dia 21/09, às 16h, na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "MANIFESTAÇÃO CONTRA A PEC DA BLINDAGEM E SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS 16h 21/09 COMPLEXO MADEIRA MAMORÉ PT Com ComoPT,PortoVelho o PT, Porto Velho volta α sorrir. Siga: @ptpvhoficial"

Quatro ministros votam para que só STF autorize buscas no Congresso

Moraes, Gilmar e Dino acompanham Zanin; medida se estende a apartamentos funcionais.

“Ainda que a investigação não tenha como alvo direto o parlamentar, a apreensão de documentos, ou aparelhos eletrônicos dentro do Congresso, ou em imóvel funcional de parlamentar repercute, mesmo que indiretamente, sobre o desempenho da atividade parlamentar”, afirma Zanin no relatório.

Para o ministro, embora as competências do STF não se estendam aos servidores do Congresso, trata-se do “local de trabalho ou de moradia de autoridades detentoras de foro especial”. O voto, segundo ele, delibera para “proteger não a pessoa em si, mas a função pública que ela exerce”.

Moraes concordou: “Com isso não se pretende o estabelecimento de prerrogativa de foro em favor de locais ou bens determinados, mas tão-somente o absoluto respeito ao princípio do juíz natural e ao devido processo legal”. Gilmar Mendes e Flávio Dino não publicaram seus votos.

Demais ministros podem se manifestar até a próxima sexta-feira (26). O julgamento forma maioria se outros dois magistrados acompanharem Zanin.

Leia a íntegra do voto do relator.

Congresso em Foco

Deputado nega, mas aparece entre apoiadores da PEC da Blindagem

Mauro Benevides (PDT-CE) afirma em vídeo que rejeitou a proposta, mas dados oficiais mostram que ele só se opôs à votação secreta.

Apesar de ter afirmado nas redes sociais que votou contra a PEC 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem, o deputado Mauro Benevides (PDT-CE) apoiou a proposta no Plenário. O parlamentar, na verdade, se posicionou contra apenas o dispositivo que previa votação secreta para autorizar a abertura de processos contra deputados e senadores.

“A verdade sobre a PEC da Blindagem é que votei contra. O que existiu, objetivamente, foi que, na primeira versão, havia apenas a garantia de fala na tribuna e a vedação de interferência do Supremo Tribunal Federal nas críticas feitas por parlamentares, além da exclusão de crimes hediondos, inafiançáveis, tirando tudo. (…) Portanto, nós votamos contra. Eu e mais 131 deputados votamos contra, apesar de ela ter sido aprovada com 311 votos”, justificou Benevides em vídeo publicado na quarta-feira (17).

 

 

Apesar da declaração, o nome de Mauro Benevides aparece entre os 344 deputados que, na noite de terça-feira (16), votaram a favor da proposta principal, que condiciona a abertura de ações penais contra parlamentares à autorização das duas Casas do Congresso.

O ponto rejeitado pelo deputado foi a tentativa de incluir, no texto, a exigência de votação secreta para essa autorização. Essa medida acabou derrubada por falta de quórum: recebeu 296 votos, mas eram necessários 308 para sua aprovação.

Registros de votação do deputado Mauro Benevides sobre a PEC da Blindagem.

Registros de votação do deputado Mauro Benevides sobre a PEC da Blindagem.Reprodução/Câmara dos Deputados

Em vídeo, Pedro Campos diz que errou ao apoiar PEC da Blindagem

 

O deputado do PSB afirmou ter tentado barrar pontos abusivos da PEC, mas admitiu fracasso de estratégia do partido.

O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) se posicionou publicamente sobre a votação da PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados na terça-feira (16) em dois turnos, com o apoio de 353 parlamentares, incluindo o dele.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o deputado explicou que desde a aprovação vem recebendo inúmeras mensagens de apoiadores questionando seu voto, o que, segundo o deputado motivou a escolha de tornar pública sua justificativa.

 

 

“Nos últimos dias, tenho recebido milhares de mensagens de pessoas questionando minha posição sobre a PEC da Blindagem. Em respeito aos meus eleitores e a todos os brasileiros, especialmente aqueles que acompanham e confiam no nosso trabalho, decidi vir aqui expor, de forma simples e direta, qual é a minha posição”, declarou.

O parlamentar afirmou que a bancada do PSB tentou retirar pontos considerados excessivos do texto, mas a dinâmica da votação acabou alterando a estratégia. “Tentamos retirado da PEC absurdos como a Polícia Federal precisar de autorização para investigar parlamentares ou para realizar busca e apreensão. E, além disso, caminhávamos para derrotar a anistia. A votação da PEC foi iniciada com essa discussão ainda em andamento”, afirmou.

Ele explicou que, como líder da bancada, optou por apoiar o adiamento do debate em busca de tempo para negociação.

“Por isso, como líder da bancada, ouvindo os parlamentares, decidimos votar pelo aviamento da discussão para ganhar tempo. E também, contra o voto secreto, contra o foro privilegiado para presidente nacional e partido. Nos demais pontos, a bancada votou dividido. Eu, junto com a maioria, votamos a favor. Numa tentativa de manter abertas pontes para que fosse derrubada a anistia e para que a pauta do governo, a pauta do povo brasileiro, avançasse aqui nessa Casa”, explicou Campos.

No entanto, o deputado admitiu que a estratégia fracassou: “A PEC passou do jeito que nós não queríamos, inclusive com a manobra para voltar o voto secreto que nós já tínhamos derrubado em votação. Por isso, tenho a humildade em reconhecer que não escolhemos o melhor caminho e saímos derrotados.”

O parlamentar informou ainda que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar o resultado. “Na votação da PEC e na votação da anistia, pela forma como foi conduzida a manobra na PEC e a votação da anistia, eu estou entrando com o mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal para que anule a votação e a manobra que foi feita para a volta do voto secreto.”

Campos também disse compreender as críticas que recebeu de seus eleitores e reafirmou seu compromisso com a transparência: “Quero reforçar que todas as críticas que eu recebi são legítimas. Até porque o meu compromisso é com o povo brasileiro. E é assim que a gente tem conduzido o nosso mandato. Foi assim quando eu votei pela prisão de Chiquinho Brazão, pela continuidade do julgamento de Ramagem e de Bolsonaro e em todas as vezes que as pautas importantes para o povo brasileiro foram votadas aqui no Plenário da Câmara. Nós vamos seguir assim, com humildade, com coragem.”

Congresso em Foco

Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

“Projeto de lei da dosimetria”: a anistia que tem os golpistas Temer e Aécio como padrinhos

O nome oficial é Projeto de Lei da Dosimetria, mas ninguém tem o direito de se enganar: trata-se de uma manobra para anistiar Jair Bolsonaro e os demais condenados por atos golpistas. O eufemismo esconde o verdadeiro objetivo — apagar crimes de 8 de janeiro e reabilitar politicamente os responsáveis pela tentativa de golpe. Michel Temer assumiu o papel de fiador dessa articulação. O ex-presidente, conhecido por sua “habilidade” em operar nos bastidores, aconselhou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), a procurar o STF e o governo Lula em busca de um grande acordo nacional. Motta confirmou a conversa e ainda tratou Temer como “um grande conselheiro” e homem “comprometido com a pacificação do Brasil”. (Diario do Centro do Mundo)

Anistia ampla está superada

Os bolsonaristas mais aguerridos já esperavam, mas não esconderam a decepção ao verem o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) ser escolhido como relator do projeto de lei que prevê anistia aos condenados pelos atos golpistas que se seguiram às eleições de 2022. Como previsto pelas alas menos radicais do Centrão, que apoiaram a aprovação do requerimento de urgência, Paulinho descartou uma anistia ampla e irrestrita, como consta no PL original do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), afirmando que a ideia “estava superada”, e disse que só apresentará uma nova proposta quando conseguir consenso no Congresso. Ele também afirmou estar aberto a conversar com o Supremo Tribunal Federal (STF) se houver, em suas palavras, algum atrito no decorrer da elaboração do texto. “Quero fazer um relatório que possa tentar agradar a todos. Como agradar a todos não é simples, vou buscar agradar a maioria e pacificar o país”, disse. O deputado foi escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por seu bom trânsito entre diferentes correntes no Congresso e, em especial, pela relação pessoal com o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em diferentes momentos, Paulinho rasgou elogios a Moraes, a quem classificou como um “defensor da democracia”. (Globo)

Anistia ampla está superada 2

É exatamente essa relação pessoal entre Paulinho e Moraes que gera desconfiança entre os bolsonaristas. Apesar de ainda não fazerem ataques públicos à escolha, deputados do PL afirmaram que tentarão convencer Paulinho a incluir uma anistia ampla a todos os condenados pelos atos, principalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nós vamos ver se a Câmara vai decidir votar uma anistia que não é anistia ou se ela realmente quer pacificar o Brasil”, disse o deputado Zé Trovão (PL-SC), afirmando que os bolsonaristas irão lutar pela anistia a Bolsonaro. Líderes do PL têm rejeitado a ideia de apenas reduzir as penas dos condenados. Pelas redes sociais, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o Legislativo não pode reduzir penas de condenados. “A redução de pena é atribuição exclusiva do Poder Judiciário”, publicou. (Folha)

Anistia ampla está superada 3

Paulinho começou articulações abertamente tão logo assumiu a relatoria. Na noite de quinta-feira, ele se reuniu com o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) na casa de Temer, e os três conversaram por vídeo com Motta. Após o encontro, o ex-presidente reforçou a mudança de foco para o tamanho das penas e ressaltou o diálogo. “Evidentemente, já conversamos um pouco aqui, é de comum acordo com o STF, com o Executivo, numa espécie de pacto republicano, digamos assim, especialmente com esta denominação de PL da Dosimetria, portanto uma nova dosagem das penas. Acho que pode produzir um resultado muito positivo”, disse Temer. (Poder360)

PEC da Blindagem

Enquanto a Câmara se mobiliza para discutir o projeto de lei sobre a anistia dos envolvidos na trama golpista, no Senado as atenções estão voltadas para a PEC da Blindagem, aprovado com folga em dois turnos esta semana. Ao contrário do que aconteceu na Câmara, que votou a proposta a toque de caixa, no Senado o projeto terá sua tramitação em ritmo normal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou a PEC diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após a Câmara enviar o texto. Alcolumbre tem demonstrado incômodo com o processo acelerado imposto por Hugo Motta. A interlocutores, ele disse que o presidente da Câmara só o procurou três horas após a aprovação do texto e não consultou os senadores a respeito da proposta para lá de polêmica de blindar os parlamentares de investigações criminais. “Motta agiu sozinho”, diz um senador próximo a Alcolumbre. (g1)

PEC da Blindagem 2

A polêmica sobre a PEC da Blindagem atravessou a Praça dos Três Poderes e chegou ao STF. Após ação protocolada pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), o ministro Dias Toffoli determinou que a Câmara explique os trâmites que levaram à aprovação relâmpago da proposta de emenda à Constituição. Kim Kataguiri solicita ao Supremo a suspensão da tramitação da PEC no Parlamento por meio de liminar. Dias Toffoli deu prazo de 10 dias para manifestação da Câmara e só deve se pronunciar após receber as explicações. (CNN Brasil)

PEC da Blindagem 3

E o presidente Lula criticou abertamente a aprovação da PEC da Blindagem, dizendo que não é “uma coisa séria”. “Nós temos de garantir prerrogativa de vida para o povo”, disse, em discurso em evento do Novo PAC no Palácio do Planalto. Lula teria ficado constrangido com os votos de deputados petistas em favor da PEC. (UOL)

Nobres colegas

Marcelo Martinez

União Brasil

Após ajudar a aplicar duas derrotas acachapantes ao Planalto nesta semana, o União Brasil decidiu antecipar sua saída do governo federal, prevista originalmente para o final do mês. O partido determinou que todos os integrantes com cargos na Esplanada deixem o Executivo em até 24 horas, sob pena de punição. A decisão teria sido motivada por informações de que a Polícia Federal estaria investigando indícios de que o presidente do União, Antonio Rueda, seria dono oculto de jatos executivos usados para transportar empresários ligados ao PCC. Em nota, a executiva do partido afirmou que “causa profunda estranheza que essas inverdades venham a público justamente poucos dias após a determinação oficial de afastamento de filiados do União Brasil de cargos ocupados no governo federal”. (Metrópoles)

Visto para Alexandre Padilha

Depois de muito suspense, os Estados Unidos finalmente concederam visto de entrada para que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participe de reuniões sobre saúde que acontecem em paralelo à Assembleia Geral da ONU, programada para começar no próximo dia 23. Padilha teve seu visto de turista cancelado pela Casa Branca por conta de seu envolvimento no Programa Mais Médicos, iniciado há mais de uma década. Havia temor de que Washington não concedesse o visto ao ministro, o que contraria os acordos internacionais firmados desde a criação da ONU, em 1947. O visto, no entanto, veio com restrições severas de movimentação. O ministro só poderá se deslocar entre seu hotel e a sede da ONU, e poderá caminhar a uma distância máxima de cinco quarteirões de onde estiver hospedado. (Globo)

Derrubar o tarifaço de 50%

Enquanto isso, nos Estados Unidos, um grupo de senadores Democratas e Republicanos apresentou projeto de lei para derrubar o tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump. O projeto será analisado e votado pelo Senado. Os parlamentares afirmam que a decisão de Trump é ilegal e contribui para o aumento da inflação no país. “Uma guerra comercial com o Brasil aumentaria os custos para os americanos, prejudicaria as economias americana e brasileira e aproximaria o Brasil da China”, disseram os senadores em comunicado conjunto. (Estadão)

Pré-hipertensão

Uma nova diretriz elaborada por três sociedades médicas passa a enquadrar como pré-hipertensão a pressão arterial entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9. O documento foi divulgado nesta quinta-feira no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia pelas Sociedades Brasileiras de Cardiologia (SBC), Nefrologia (SBN) e Hipertensão (SBH). A reclassificação tem como objetivo reforçar a prevenção antes que a doença se instale no paciente. Os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e até receitar medicamentos, dependendo do risco. A diretriz acompanha o padrão europeu divulgado em 2024. (CNN Brasil)

O Cidadão Honorário

Versão brasileira, Herbert Richers. Numa distribuição ALE Filmes. Mais uma superprodução do anedotário da política rondoniense. O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Alex Redano ( Republicanos), concedeu no mês passado, o título de Cidadão Honorário para o ilustre e milionário advogado paranaense, Nelson Wilians, fundador e CEO do NWADV, o que é considerado o maior escritório de advocacia da América Latina. Conhecido pelo seu estilo de vida luxuoso e pelo livro “Loucura, Não”, ele se tornou uma figura pública influente, mas também foi alvo de investigações da Polícia Federal e do COAF por movimentar R$ 4,3 bilhões em transações atípicas, supostamente ligadas a fraudes no INSS. 

O Cidadão Honorário 2

De testemunha a suspeito, confira como foi o depoimento de Nelson Wilians na CPMI do INSSUm exemplo de sucesso profissional. Só que não. Sob o fantástico patrimônio avaliado em bilhões, esconde possíveis envolvimentos em desvios de recursos da aposentadoria de velhinhos junto ao INSS. Ontem ele foi ouvido pela CPMI do INSS, mas nada falou. Não respondeu a praticamente nenhuma pergunta, ancorado em habeas corpus dado pelo ministro Nunes Marques, do STF, e na garantia constitucional de não produzir provas contra si mesmo. O silêncio dele aumentou as suspeitas sobre seu envolvimento no escândalo de bilhões.

O Cidadão Honorário 3

Até 2020, conforme apurou a Polícia Federal, o escritório de Willians tinha um contrato com a Geap (plano de saúde especializado em servidores públicos). Até abril daquele ano, houve uma movimentação atípica de R$ 16 milhões, conforme detectou o Coaf. Em seguida, o INSS firmou um acordo com a Ambec, uma das entidades que mais desviou recursos. “Nesse momento, o diretor de Benefícios, que firmou o acordo, era José Carlos Oliveira. E a Ambec tem um salto de 3 para 650 mil associados no intervalo de um ano. E consta que nesse período o escritório de Willians advogava para a Ambec”. Nelson Willians foi apoiador de primeira hora da candidatura de Jair Bolsonaro, em 2018, inclusive assinando manifesto a favor do agora condenado por tentativa de golpe de estado.

Cleitinho X Willians

Nenhuma descrição de foto disponível.O senador Cleitinho (Republicanos-MG), não poupou críticas ao advogado. Mesmo sendo bolsonarista, Cleitinho botou Nelson Wilians contra a parede. Cleitinho fez um apelo pessoal a Wilians para que respondesse diretamente sobre a origem lícita de seu vasto patrimônio, pedindo um “sim ou não” e criticando o STF por não ter permitido a prisão do advogado. Cleitinho exibiu imagens de carros de luxo e a presença de Wilians com o ministro Zanin (STF), sugerindo que Wilians “está fazendo todo mundo aqui [CPMI] de bobo”. O senador Marcos Rogério (PL-RO), que faz parte da CPMI do INSS, nada perguntou.

Rogério Correia X Nelson Wilians

Nenhuma descrição de foto disponível.O senador Rogério Correia (PT-MG), enfatizou que Nelson Wilians tem muitas relações políticas, que poderiam blindá-lo de denúncias. “Deu até um fusca de colecionador ao governador do DF, Ibaneis Rocha. Até Bia Kicis e o senador Izalci, ambos do PL-DF, retiraram o requerimento para ouvir o advogado”, disse Correia.

Chrisostomo X Nelson Wilians

Nenhuma descrição de foto disponível.Até o ultra bolsonarista trumpista deputado coronel Chrisostomo (PL-RO), tirou uma casquinha. “O senhor Nelson Wilians, famoso por expor sua vida de luxo nas redes sociais, amigo e sócio de Maurício Camisotti, suspeitos de realizar entre eles transações no valor R$ 4,3 bilhões, zombou desta CPMI ao vir com deboche! Aposentados foram roubados com este dinheiro!!!!

Perguntinha

Será que algum deputado estadual de Rondônia vai propor a revogação do título de Cidadão Honorário ao advogado Nelson Wilians?

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Indústria alagoana se conecta ao futuro com Jornada Nacional de Inovação em Maceió

A Jornada Nacional de Inovação da Indústria, iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), desembarca em Maceió (AL), na próxima terça-feira (23). O evento reunirá lideranças locais para debater a transição ecológica e digital, com foco em soluções regionais capazes de alcançar escala nacional.

O encontro será realizado na Casa da Indústria Napoleão Barbosa, no bairro do Farol. Até março de 2026, a Jornada passará pelas 27 Unidades da Federação e será concluída no 11º Congresso de Inovação da Indústria, em São Paulo.

Para o assessor de Sustentabilidade Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), Júlio Zorzal, o evento é estratégico: “Alagoas será um dos primeiros estados do Nordeste a receber a Jornada Nacional de Inovação da Indústria. A Jornada conecta empresas, startups, universidades, governos e investidores, fortalecendo o ecossistema de inovação de Alagoas e preparando o estado para a economia do futuro”, destaca Zorzal.

Jornada Nacional de Inovação da Indústria: etapa de Maceió

A programação contará com painéis sobre os desafios e oportunidades da indústria alagoana, com a participação de empresas como Nosso Mangue, Cooperativa Pindorama, Veolia/Braskem (na área de transição ecológica) e Hand Talk, Telesil e Solar Coca-Cola (em transformação digital).

Também serão realizados workshops sobre acesso a recursos financeiros para inovação, com orientações sobre editais, linhas de financiamento e estratégias para estruturar projetos em empresas de diferentes portes.

A Jornada Nacional de Inovação está percorrendo o Brasil em busca das melhores práticas em soluções tecnológicas e sustentáveis, que serão apresentadas no Congresso Nacional de Inovação, em março de 2026, em São Paulo. A agenda completa dos eventos pode ser conferida no site oficial.

Fonte: Brasil 61