segunda-feira, maio 18, 2026
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Bolsonaro pede visita de Bruno Scheid, citado em inquérito com cheque da mãe dele

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para receber a visita de Bruno Scheid, vice-presidente do partido em Rondônia e pré-candidato ao Senado. A solicitação foi registrada pela defesa e direcionada ao ministro Alexandre de Moraes.

Os advogados argumentam que Scheid é uma das principais lideranças ligadas a Bolsonaro e mantém uma relação de amizade próxima com a família. No documento, destacam que a presença do dirigente seria relevante diante da dificuldade de Michelle Bolsonaro conciliar compromissos profissionais com os cuidados exigidos no período de prisão domiciliar.

Bruno Scheid já havia tentado visitar o ex-presidente, mas a solicitação anterior não havia sido analisada. Ele foi pré-candidato a deputado federal em 2022, mas não se elegeu. O pecuarista é apontado como responsável por captar recursos para a campanha de Bolsonaro junto ao setor ruralista.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto por decisão de Moraes, que considerou descumprimento de medidas cautelares anteriores. Entre as restrições estão uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e a proibição de acessar redes sociais, regra que ele violou ao participar por videochamada de um ato pró-anistia em 3 de agosto.

Em junho, um cheque de R$ 150 mil, emitido por Aparecida Scheid — pecuarista e mãe de Bruno — foi apreendido pela Polícia Civil em um quarto de hotel usado por Elias Rezende, atual chefe da Casa Civil de Rondônia.

O documento apareceu no inquérito conduzido pela 1ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que investiga supostas irregularidades na contratação da empresa R&A Treinamento e Consultoria Ltda. para serviços de digitalização de documentos no Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A contratação foi feita durante a gestão do governador Marcos Rocha (União Brasil). O processo já soma mais de 700 páginas e apura indícios de associação criminosa, fraude em licitação e combinação prévia em certames públicos.

Embora não ligado diretamente ao contrato sob apuração, o cheque foi anexado à investigação. Em depoimento, Aparecida Scheid disse que conheceu Elias Rezende em 2018, durante a campanha de Marcos Rocha ao governo, e que ele costumava se hospedar em sua casa em Ji-Paraná quando viajava pelo interior.

Bruno Scheid entre Eduardo e Jair Bolsonaro

Segundo ela, Rezende pediu um empréstimo para terminar a construção de uma casa em Jaru. Sensibilizada, emitiu um cheque de R$ 150 mil, pré-datado para julho de 2020. O valor nunca foi compensado, porque sua empresa enfrentava restrições cadastrais.

A empresária também declarou ter pago R$ 160 mil em móveis planejados para a casa de Rezende, quando ele chefiava a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sedam). O gasto não foi reembolsado. Pouco depois, os dois se afastaram por divergências políticas: enquanto Marcos Rocha migrou para o União Brasil, ela permaneceu próxima do grupo de Bolsonaro.

O cheque foi datado de março de 2020, quando Rezende ainda estava na Sedam, mas Aparecida afirmou que ele já estava no DER. As datas não coincidem. A polícia registrou a inconsistência, mas não estabeleceu ligação direta com o inquérito principal.

O achado, porém, levantou dúvidas entre investigadores pela soma envolvida, pelo envolvimento de uma empresária do agro com um alto funcionário público e pela relação da família Scheid com Bolsonaro.

Enquanto isso, a contratação da R&A segue sob suspeita de direcionamento e fraude, e a investigação continua reunindo elementos contra Rezende e outros servidores.

Diario do Centro do Mundo

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