terça-feira, outubro 13, 2026
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PELÚCIA NACIONAL

Ornitorrinco Capitalista e Escravista

 Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

Aquático – país de costas grandes, mas desertificado

  • Apesar da grande disponibilidade de água doce no país, o acesso a saneamento básico, à água potável e à alimentação adequada ainda é muito desigual.

Mamífero – certamente, estamos longe do ápice da evolução

  • O agronegócio produz alimentos aos montes para exportação, mas alimenta o próprio povo a conta-gotas, aos poros quase que literalmente.

Alimenta por poros – poros de desenvolvimento e da desigualdade

  • Aquilo que é produzido no país nem sempre chega efetivamente à população; basta pensar, por exemplo, na produção de alimentos voltada à exportação.

Ovíparo – sempre há o risco de voltarmos ao mapa da fome (ausência da placenta social)

  • O problema não é apenas produzir; é criar as condições para que aquilo que é produzido nutra, proteja e sustente a população. Sustentabilidade social e ambiental.

Venenoso – há venenos na realidade e toxinas na ideologia

  • O veneno social nem sempre se desfaz. O racismo estrutural, por exemplo, permanece incrustado na sociedade brasileira e atravessa diferentes gerações. Portanto, não basta não ser racista, é obrigatório ser antirracista.

Bico de pato – nossa geolocalização indica os caminhos da submissão

  • Há capacidade para percepção, mas nem sempre é utilizado efetivamente.

Patas de lontra – não somos “fofos animais sociais”

  • O tal mito da cordialidade: a “fofura” do brasileiro muitas vezes esconde mazelas profundas, racismo, machismo, misoginia e tantas outras desigualdades. O próprio bordão “Deus, Pátria, Família e Liberdade” nos permite perguntar: qual Deus, qual pátria, qual família e qual liberdade? Só Deus sabe.

Cauda de castor – muitas vezes leme e mastro estão quebrados

  • Esse leme já estava alterado e completamente “perdido” quando o território ainda era ocupado pelos povos originários. Então vieram os portugueses, com o tal “erro” no caminho das Índias, e “descobriram” o Brasil. De lá para cá, foi ocupação, destruição, violação de corpos e extrações de pessoas e de riquezas nacionais. Pouco do que foi explorado aqui permaneceu no Brasil.

Depósito de melanina – o pardo é imbatível, assim como o caramelo

  • As questões relacionadas ao “depósito de melanina” do próprio povo brasileiro ainda são uma grande questão. Quem é negro ou pardo? Quais violências atingem pessoas “negras retintas” que podem não atingir pessoas pardas da mesma maneira? E, ao mesmo tempo, diante de uma pessoa não negra, o pardo pode ser racializado como negro e, consequentemente, estar sujeito ao racismo.

Eletrorreceptores – a percepção além dos olhos, mas que não garante acessibilidade para todos

  • Ter a capacidade de captar pequenas alterações no ambiente não garante acessibilidade, inclusão e permanência social.-

Endêmico da Austrália – há coisas no Brasil que são apenas do Brasil, seja para bem ou para o mal

  • O “jeitinho brasileiro” demonstra isso: somos capazes de encontrar saídas para problemáticas sociais enormes, mas a mesma lógica pode aparecer em situações de desvio de dinheiro, uso de recursos públicos para benefício pessoal e outras práticas que mostram como essa característica pode ser ambígua. A toxina ideológica nos “ensinou” que é normal haver a “privatização do público”.
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