@viniciocarrilhomartinez
Minha mãe não era a Maria
Era Dalva
(Uma professora muito alva)
A primeira que tive
– Da primeira lição que vi
(sem sequer um olho se abrir)
Maria era a tia
– da inteligência para todo dia
Maria foi tia, amada
– uma das mulheres mais inteligentes que conheci
Mariquinha é super mãe
– é mãe da Fátima
(mas que adotei, sem pensar)
O coração não pensa
É como bolo, que cresce pra nos alimentar
Para quem não sabe,
– para mim,
Mariquinha é Maria
– e quem não sabe, não sobe
Mariquinha é do Aracati
– onde sempre estive, e sempre me envolvi
Maria não é minha mãe
– é amiga do coração
– das Minas, dos amores Gerais
(mundo das mulheres mais cordiais)
Maria não é mãe
– é filha, de uma mãe de coração
(de Ester Delveaux)
Outra mãe que adotei nesse Brasil de imensidão
Outra Maria também adotei
– Benevides
(e que nunca olvides)
– para sua vida apenas convides
De quantas Marias é feito esse país
– o meu mundo é cheio
Para as Marias, o amor não é um meio
Mas, em tudo, há um meio de se ver
(e mesmo sem querer, o amor tem que se envolver)
Carolina MARIA de Jesus
– não está no seu Quarto de despejo
Quantas ainda são?
– quantas Carolinas, quantas Marias…
– não é, nunca foi o nosso desejo
Assim vão as Marias inominadas
– pelo Brasil não são amadas
Mas, na nossa ironia sem fim
– é a Maria que sempre roga por mim
MARIA de Jesus
– ainda acha que não rima com luz?




