Pensamentos pensantes para pensarmos sobre ““o que é Ciência!?””
Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar
Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar
Trouxemos aqui alguns pensamentos pensantes sobre o que é, o que não deveria ser, e sobre o que pode vir-a-ser a Ciência, desde que a gente saiba minimamente o que é esta Ciência e também saibamos o que não queremos ser (cobaias bípedes). Colocamos em numeração para efeito dramático:
- Carl Sagan, astrônomo, físico reconhecido mundialmente, foi mais cientista publicando centenas de artigos ou agindo como divulgador científico e autor de ficção?
- Miguel Nicolelis (médico), um dos maiores cientistas brasileiros, é mais cientista quando trata do fracasso dos implantes cerebrais (que ele próprio foi precursor) ou quando analisa a falência da economia dos EUA e a hegemonia das Big Techs?
- Quem fez mais pela Ciência, D. Pedro II (século XIX) ou o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (“príncipe da sociologia”), que não abriu uma vaga sequer em universidades federais?
- Quem se aplica mais à Ciência do Direito, o jurista, desembargador, ministro de corte superior, que decide com uma Hermenêutica que só existe a partir da violação dos Princípios Gerais do Direito ou o Seu Zé quando afirma que “alguma coisa não está certa, naquilo que está errado”?
- Quem até agora explicou melhor os perigos sociais, políticos, humanos da Inteligência Artificial, o ficcionista Isac Asimov (Eu Robô) ou os magos do Vale do Silício?
- Quem compreende melhor a Ciência, o engenheiro que construiu uma rampa de acesso ou o cadeirante que não consegue acessar a rampa que o engenheiro construiu?
- Quem foi mais cientista, o Einstein da Bomba Atômica ou o Einstein escrevendo sobre política (O poder nu) e atormentando consigo mesmo?
- Quem conecta melhor a Ciência com consciência (Morin), o voluntarioso do Médicos sem fronteiras (ou Cruz Vermelha) ou os médicos que inundaram os EUA de dependentes químicos (opioides)?
- Quem separa melhor Ciência de ideologia, a filosofia que entende do que se trata com a “generalização do particular” ou o pseudocientista coach das redes sociais?
- Quem promove mais a Ciência, o estudante estudioso, que faz da reflexão a sua ação, ou o docente que faz do ego o porta-voz das citações?
- Quem produz Ciência, o biólogo ateu quando testa cosméticos humanos, em animais (cães Beagles escalpelados), ou o teólogo ao interpretar Atos 2-44, 45 (o comunismo bíblico)?
- Qual seria a melhor Ciência Social, aquela que vê o século XXI pelo para-brisa do século XIX ou aquela que põe o mesmo século XIX no retrovisor do século XXI?
- Quanta Ciência foi necessária para escrever o livro “Ciência Assassina” e o quanto tem de científico numa cadeira elétrica?
- Por que as “melhores escolas de filosofia” do Brasil não ensinam Filosofia Africana ou Filosofia Indígena (Krenak)?
- Por que grandes gênios da matemática decoraram a tabuada e não conseguem explicar, até hoje, que a multiplicação é o resultado da adição?
- Por que grandes cientistas despejam tanto senso comum em áreas ou Ciências das quais são ignorantes?
- Por que especialistas renomados (assim se dizem) não têm o menor Bom Senso dentro de casa ou diante de sua inacessível bancada?
- Como é que um médico(a) de universidade pública pode ser contrário ao ensino público e atacar o SUS?
- Se a Ciência é mesmo qualitativa, de uma suposta “melhor qualidade do conhecimento”, por que a Ciência é vendida aos montes, como fast-food?
20 Se a Ciência requer investimentos, aprofundamento, revisão e superação (do status quo) como explicar que cientistas sejam as pessoas menos criativas do mundo?
21 Se é verdade que “mentes jovens têm ideias novas”, como explicar que jovens cientistas (man)tenham ideias mais envelhecidas, do que têm os mais velhos?
*Não é verdade que sectarismo rima com fundamentalismo?
22 Se a Ciência positivista diz que só podem haver sujeito X objeto, então, cientistas não podem ser sujeitos de si mesmos?
*objetos do mercado são todos os dias.
23 Como é que se aplica inovação em Ciência (apesar da óbvia redundância), se é impossível explicar a Ciência que o GPT fez para nós?
*Será que não tem gato por lebre?
24 Qual é (ou pode ser) a definição científica de Ciência?
25 O que é Ciência, afinal? E o que poderia/deveria ser?
Portanto, a partir dos questionamentos sobre o que a Ciência é e o que deveria ser, verificamos que a prática científica tem sido legitimada quase exclusivamente por sua finalidade utilitária e aplicabilidade econômica. Se a Ciência é, em sua essência, uma elaboração humana fundada na investigação e na reflexão, por outro lado, a lógica mercantil a reduziu a uma engrenagem de consumo, vendida aos montes como fast-food.
Nesse processo, o tempo da criação e da revisão crítica é sufocado pela exigência da produtividade imediata, fazendo-se com que os pesquisadores deixem de ser sujeitos do próprio saber para se tornarem meros objetos do mercado. Não há Ciência sem crítica e a crítica, por óbvio, é sempre criativa.
Então, é fácil perceber que o fazer científico, desconectado do seu tempo de gestação e maturação crítica (o coração da produção científica), passa a ser encarado como improdutivo e desprovido do estatuto de trabalho real.
*O melhor exemplo vem das “opiniões” sobre a Ciência Política




