terça-feira, outubro 13, 2026
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Pensamentos pensantes para pensarmos sobre “o que é Ciência!?”

Pensamentos pensantes para pensarmos sobre ““o que é Ciência!?””

 

Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar

Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar

 

Trouxemos aqui alguns pensamentos pensantes sobre o que é, o que não deveria ser, e sobre o que pode vir-a-ser a Ciência, desde que a gente saiba minimamente o que é esta Ciência e também saibamos o que não queremos ser (cobaias bípedes). Colocamos em numeração para efeito dramático:

 

  1. Carl Sagan, astrônomo, físico reconhecido mundialmente, foi mais cientista publicando centenas de artigos ou agindo como divulgador científico e autor de ficção?
  2. Miguel Nicolelis (médico), um dos maiores cientistas brasileiros, é mais cientista quando trata do fracasso dos implantes cerebrais (que ele próprio foi precursor) ou quando analisa a falência da economia dos EUA e a hegemonia das Big Techs?
  3. Quem fez mais pela Ciência, D. Pedro II (século XIX) ou o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (“príncipe da sociologia”), que não abriu uma vaga sequer em universidades federais?
  4. Quem se aplica mais à Ciência do Direito, o jurista, desembargador, ministro de corte superior, que decide com uma Hermenêutica que só existe a partir da violação dos Princípios Gerais do Direito ou o Seu Zé quando afirma que “alguma coisa não está certa, naquilo que está errado”?
  5. Quem até agora explicou melhor os perigos sociais, políticos, humanos da Inteligência Artificial, o ficcionista Isac Asimov (Eu Robô) ou os magos do Vale do Silício?
  6. Quem compreende melhor a Ciência, o engenheiro que construiu uma rampa de acesso ou o cadeirante que não consegue acessar a rampa que o engenheiro construiu?
  7. Quem foi mais cientista, o Einstein da Bomba Atômica ou o Einstein escrevendo sobre política (O poder nu) e atormentando consigo mesmo?
  8. Quem conecta melhor a Ciência com consciência (Morin), o voluntarioso do Médicos sem fronteiras (ou Cruz Vermelha) ou os médicos que inundaram os EUA de dependentes químicos (opioides)?
  9. Quem separa melhor Ciência de ideologia, a filosofia que entende do que se trata com a “generalização do particular” ou o pseudocientista coach das redes sociais?
  10. Quem promove mais a Ciência, o estudante estudioso, que faz da reflexão a sua ação, ou o docente que faz do ego o porta-voz das citações?
  11. Quem produz Ciência, o biólogo ateu quando testa cosméticos humanos, em animais (cães Beagles escalpelados), ou o teólogo ao interpretar Atos 2-44, 45 (o comunismo bíblico)?
  12. Qual seria a melhor Ciência Social, aquela que vê o século XXI pelo para-brisa do século XIX ou aquela que põe o mesmo século XIX no retrovisor do século XXI?
  13. Quanta Ciência foi necessária para escrever o livro “Ciência Assassina” e o quanto tem de científico numa cadeira elétrica?
  14. Por que as “melhores escolas de filosofia” do Brasil não ensinam Filosofia Africana ou Filosofia Indígena (Krenak)?
  15. Por que grandes gênios da matemática decoraram a tabuada e não conseguem explicar, até hoje, que a multiplicação é o resultado da adição?
  16. Por que grandes cientistas despejam tanto senso comum em áreas ou Ciências das quais são ignorantes?
  17. Por que especialistas renomados (assim se dizem) não têm o menor Bom Senso dentro de casa ou diante de sua inacessível bancada?
  18. Como é que um médico(a) de universidade pública pode ser contrário ao ensino público e atacar o SUS?
  19. Se a Ciência é mesmo qualitativa, de uma suposta “melhor qualidade do conhecimento”, por que a Ciência é vendida aos montes, como fast-food?

20 Se a Ciência requer investimentos, aprofundamento, revisão e superação (do status quo) como explicar que cientistas sejam as pessoas menos criativas do mundo?

21 Se é verdade que “mentes jovens têm ideias novas”, como explicar que jovens cientistas (man)tenham ideias mais envelhecidas, do que têm os mais velhos?

*Não é verdade que sectarismo rima com fundamentalismo?

 

22 Se a Ciência positivista diz que só podem haver sujeito X objeto, então, cientistas não podem ser sujeitos de si mesmos?

*objetos do mercado são todos os dias.

23 Como é que se aplica inovação em Ciência (apesar da óbvia redundância), se é impossível explicar a Ciência que o GPT fez para nós?

*Será que não tem gato por lebre?

24 Qual é (ou pode ser) a definição científica de Ciência?

25 O que é Ciência, afinal? E o que poderia/deveria ser?

Portanto, a partir dos questionamentos sobre o que a Ciência é e o que deveria ser, verificamos que a prática científica tem sido legitimada quase exclusivamente por sua finalidade utilitária e aplicabilidade econômica. Se a Ciência é, em sua essência, uma elaboração humana fundada na investigação e na reflexão, por outro lado, a lógica mercantil a reduziu a uma engrenagem de consumo, vendida aos montes como fast-food.

Nesse processo, o tempo da criação e da revisão crítica é sufocado pela exigência da produtividade imediata, fazendo-se com que os pesquisadores deixem de ser sujeitos do próprio saber para se tornarem meros objetos do mercado. Não há Ciência sem crítica e a crítica, por óbvio, é sempre criativa.

Então, é fácil perceber que o fazer científico, desconectado do seu tempo de gestação e maturação crítica (o coração da produção científica), passa a ser encarado como improdutivo e desprovido do estatuto de trabalho real.

*O melhor exemplo vem das “opiniões” sobre a Ciência Política

 

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