quarta-feira, setembro 23, 2026
spot_img
spot_img

Negacionismo cognitivo

@viníciocarrilhomartinez

Todo mundo é cheio de opiniões; porém, os sábios guardam as suas para si, pois, têm receio, verdadeiro tormento, de falarem bobagem.

As opiniões podem ou não ser benvindas. Se são honestas e dispostas a colaborar – sem recair na ingenuidade, idealismo ou sectarismo – sempre podem ser apreciadas.

De outro modo, se são opiniões conexas ao senso comum – quase sempre eivado de discriminação, preconceito, indisposição à diversidade física, cultural, social – então, devem ser silenciadas.

Emitir opinião, sem fundamento lógico, histórico, científico, sociológico ou filosófico (não sendo elitista, capacitista), é apenas uma das roupagens da desinformação, outra forma de Fake News, e sempre garante uma aposta na ideologia racial ou dominante. Também chamaremos isso de Negacionismo cognitivo.

Vejamos duas análises ou abordagens:

Sobre o que é racismo, o que se pode entender, como combater, é algo comum a todo mundo e assim devemos participar do debate. Inclusive para “se ver melhor”, na práxis futura.

  • Porém, um homem branco (como eu) não tem a mínima legitimidade para avaliar se tal feito e contexto foi racista (ou não).

 

Do mesmo modo, todo mundo deve se envolver no debate sobre acessibilidade, inclusão e permanência, especialmente, no sentido do aprendizado e das reflexões seguintes.

  • No entanto, ninguém que não tenha deficiência (PCD), como eu, poderá emitir parecer sobre uma situação ser ou não inacessível e excludente.

 

É somente pela lógica quebrada das opiniões não embasadas (fantasiosas) e das ideologias que se voltam contra a obviedade que negamos os fatos, a realidade, “o que está na nossa cara”, e, assim, também explicamos um certo Negacionismo cognitivo – que é a pior forma de negação do raciocínio lógico-dedutivo.

Essas imagens e seus dizeres nos dizem que as coisas, as situações, as pessoas em suas ocorrências, os processos, têm um sentido e esse sentido precisa ser visualizado, pensado, refletido, diante da lógica mais simples.

Assim, fica o convite para que se reveja as inscrições nas fotografias.

 Afinal,

Como haver inclusão sem acessibilidade?

É óbvio, não há permanência sem inclusão.

Mas, como entrarei numa sala, se as portas estão trancadas?

A criança de 12 anos tem a resposta.

Se a permanência é o trânsito e o trâmite, a acessibilidade é a premissa.

É preciso “só” de boa vontade para abrir o sistema – trancado por dentro?

Isso é acessibilidade, inclusão e permanência.

Não podemos dar trégua ao negacionismo cognitivo.

Então, como entrar no ambiente – necessário ao nosso desenvolvimento – se quem trancou a porta não quer abrir?

 

 

 

 

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

A difícil tolerância – ou fácil intolerância

Tem reações, comportamentos ou gestuais, que são típicos. Vou pelo exemplo: chamei um Uber para voltar do shopping. Apesar de ser o santuário do...

Negacionismo cognitivo

@viníciocarrilhomartinez Todo mundo é cheio de opiniões; porém, os sábios guardam as suas para si, pois, têm receio, verdadeiro tormento, de falarem bobagem. As opiniões podem...

Sob aplausos na ONU, Lula dispara recado a Trump: “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Durante discurso proferido nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, o presidente...

Cuidadosamente

@viniciocarrilhomartinez (cuidadoso) Cuidar - é obvio, vem de amar   Só escolhemos quem amar - onde se insiste em desandar   Não existe cientista do amor - mas, sim, - da dor   Há arquitetos da...

Pesquisa aponta STF e clã Bolsonaro como os mais desgastados pelo caso Master

Levantamento indica maior impacto na imagem do Supremo e do clã Bolsonaro entre os eleitores entrevistados O Supremo Tribunal Federal (STF) e o clã Bolsonaro...