terça-feira, setembro 8, 2026
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Negacionismo: O cabresto que impede a visão de uma educação de qualidade e a emancipação do indivíduo

 

 

Jonathan Martins da Silva – Licenciando em Matemática/UFSCAR

 

O presente trabalho parte da sistematização de reflexões produzidas a partir de uma atividade avaliativa, dissertativa, proposta a estudantes de graduação do curso de Matemática, elaborada com base nos conteúdos, debates e discussões desenvolvidos ao longo das aulas. A atividade teve como questão norteadora a seguinte questão: “Como a licenciatura pode corroborar com a luta política contra os processos de negação da Educação, sobretudo, se pensarmos nos ataques à ciência, à epistemologia, à cultura e ao conhecimento, além da precarização do trabalho e da uberização? Pensemos que o ideário da Educação é a constituição de sujeitos, especialmente quando se dirige à autonomia em busca da emancipação”.

A partir dessa questão, este texto toma uma das produções discentes como objeto de reflexão, buscando-se compreender os sentidos mobilizados pelo estudante em relação à temática abordada na avaliação. Nesse sentido, a produção apresentada a seguir constitui o material a partir do qual são desenvolvidas as reflexões propostas neste texto.

As redes sociais corroboram com o negacionismo criando uma bolha social para o indivíduo, a sensação de pertencimento numa certa bolha específica acarreta na disseminação de informações falsas, e essa sensação também pode levar ao idolatrismo quase religioso em figuras políticas, que usam o “conservadorismo” como máscara, pregando os “bons costumes”, costumes esses que muitas vezes tratam com desdém o rigor científico, alimentados por um algoritmo vicioso e altamente prejudicial, filtrando seu conteúdo apenas para causar conforto e cria um “cabresto” social para a verdade, onde a verdade só é verdade se me conforta. O indivíduo se isolando dessa forma nessa “armadura social tecnológica” se priva, mesmo sem saber, da sua habilidade de interpretação crítica do mundo.

Esse desfalque de indivíduos verdadeiramente “formados” para a sociedade se dá pela precarização da educação, como o exemplo de ensino do estado de São Paulo, governado pelo Tarcísio de Freitas. O novo ensino médio que o governo, na tentativa de “inovar”, usa de vários meios digitais como slides na educação – e que até podem ser um meio de democratização da informação –, no entanto, falha em encontrar fontes confiáveis, e cria um convívio de ensino vazio, onde o professor passa o conteúdo de uma forma passiva, onde não há diálogo, apenas um método “decoreba”, semelhante à educação bancária de acordo com Paulo Freire. Isso distancia-se de uma educação verdadeira onde há rigor científico, metódico, a valorização do diálogo, acessibilidade, autocrítica e coerência entre discurso e ação, e que permita uma educação de qualidade com compromisso ativo em busca da emancipação dos estudantes.

Sem essa educação, o indivíduo de classe subalterna tende à incompreensão da uberização e acaba encontrando esperanças falsas de ser um rompimento do status, que na “pejotização”, por exemplo, põe o indivíduo completamente à mercê de uma Big Tech, onde quase não há negociação, tendo-se assim um desmonte dos direitos trabalhistas. Se entregando à “inovação”, se tornando um trabalho vivo com uma ligação precária e vertical com a Big Tech, sem direitos trabalhistas, uma vítima da própria “autonomia informal”, acaba por crer que o “servilismo voluntário” é um direito da empresa, onde muitas vezes nem se sabe que ele mesmo é o produto, e que plataformas digitais são “de graça”.

A licenciatura praticada com embasamento e ideias freireanas, como a educação omnilateral, torna-se uma boa prática para combater essa precarização da educação, pautando o diálogo, o rigor científico, a acessibilidade, o embasamento humano e científico, a autocrítica e a coerência entre discurso e ação. Com esses conceitos podemos praticar a verdadeira escola, onde o indivíduo encontra ali um espaço real de formação e de colaboração como o rompimento do status quo e assim negando-se à alienação.

Desse modo, pode-se concluir que o governo e o Estado, como entidades fortes, devem garantir a cooperação em prol de uma educação omnilateral com a transposição didática e uma educação de qualidade para todos, com comprometimento total à emancipação do indivíduo e à práxis nessa era de “fetiche tecnológico“.

 

 

 

 

 

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