terça-feira, setembro 8, 2026
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“Minha conversa com o Trump é muito civilizada, mas o segundo escalão toma atitudes impensáveis”, diz Lula

Ao detalhar os bastidores da recente interlocução diplomática com a Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o tom pragmático e respeitoso mantido no diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista exclusiva à Record, o mandatário brasileiro fez questão de diferenciar a postura do líder norte-americano da conduta adotada pela burocracia e pelos assessores de Washington, aos quais atribuiu decisões desproporcionais e ruídos desnecessários na relação bilateral.

O contraste entre a cúpula e a assessoria

Lula relatou ter conversado por cerca de 1 hora e 20 minutos com Donald Trump para tratar de temas cruciais da pauta econômica e geopolítica, incluindo barreiras tarifárias, minerais críticos e cooperação contra o crime organizado. Segundo o presidente brasileiro, o entendimento no nível presidencial foi produtivo e imediato, contrastando com as ações tomadas pelos escalões inferiores:

“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu às vezes tenho a impressão de que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas depois o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. E aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, nas coisas do Brasil.”

O presidente enfatizou que a soberania nacional é inegociável e rechaçou qualquer tentativa de tutela ou imposição externa.

Reação ao tarifaço e argumentos infundados

Durante a conversa com o presidente norte-americano, Lula contestou diretamente os pretextos utilizados por setores do governo dos Estados Unidos para justificar a imposição de tarifas contra as exportações brasileiras:

  • Sustentabilidade Comprovada: O mandatário apontou a redução histórica nos índices de desmatamento no Brasil, rebatendo alegações infundadas sobre a política ambiental do país.
  • Direitos Trabalhistas: Lula refutou categoricamente narrativas de que o comércio brasileiro estaria vinculado a práticas abusivas de trabalho, ressaltando sua trajetória histórica na defesa dos direitos trabalhistas.
  • Canais Diretos: Como resultado imediato da ligação com Trump, os canais de comércio exterior de ambos os governos foram acionados para uma rodada técnica de negociações, buscando reverter entraves e distorções tarifárias.

Minerais críticos: fim do modelo colonial de exportação

Além das questões tarifárias, Lula apresentou a Washington uma proposta estratégica para a exploração de terras raras e minerais críticos, estabelecendo uma clara linha vermelha: o Brasil não aceitará atuar como mero exportador de matéria-prima bruta.

“Nós entregamos um documento por escrito. Estamos dispostos a trabalhar na questão da exploração de minérios críticos e terras raras, só que desta vez a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celulares, baterias elétricas e semicondutores.”

Com essa diretriz, o presidente reiterou que a relação com os Estados Unidos deve ser orientada pelo respeito mútuo, pelo desenvolvimento industrial compartilhado e pela afirmação altiva dos interesses estratégicos do Brasil no cenário global.

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Brasil247
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