quinta-feira, outubro 15, 2026
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Turistas israelenses enfrentam hostilidade na Europa em meio à crise humanitária em Gaza

A ofensiva militar de Israel em Gaza, que já dura quase dois anos e deixou mais de 60 mil mortos, está provocando repercussões diretas contra cidadãos israelenses fora do país. Relatos de hostilidade e episódios de discriminação contra turistas israelenses têm se multiplicado na Europa, especialmente após a divulgação de imagens de fome extrema e desnutrição infantil no território palestino. Os protestos contra a presença de israelenses, antes isolados, tornaram-se frequentes em destinos turísticos como Grécia, Espanha, Itália e Áustria.

Na Grécia, manifestantes tentaram impedir o desembarque de cerca de 1.500 passageiros israelenses do cruzeiro Crown Iris na ilha de Creta. A polícia usou spray de pimenta para conter os protestos, que incluíam faixas com dizeres como “Palestina livre” e “Parem o genocídio”. Incidentes semelhantes ocorreram em Rodes e Siros, onde manifestantes bloquearam portos e confrontaram turistas. Em resposta, o governo grego prometeu repressão mais dura contra ações que violem a liberdade de circulação.

Além dos protestos organizados, há relatos de discriminação em estabelecimentos comerciais. Em Nápoles, na Itália, um casal israelense acusou a dona de um restaurante de expulsá-los por serem israelenses. Na Espanha, o dono de um restaurante em Vigo expulsou turistas gritando “Viva a Palestina livre” e foi alvo de investigação policial. Casos semelhantes foram registrados na Áustria, onde músicos e casais israelenses disseram ter sido hostilizados por falarem hebraico ou informarem sua nacionalidade.

A crescente rejeição está relacionada ao agravamento da crise humanitária em Gaza. Organizações humanitárias internacionais e até grupos israelenses passaram a usar o termo “genocídio” para descrever a situação, enquanto países discutem o reconhecimento formal do Estado palestino. Internamente, figuras políticas como o opositor Yair Lapid alertam que Israel pode enfrentar sanções e isolamento diplomático, com reflexos diretos sobre sua população.

Palestinos com alimentos após ajuda humanitária; mais de 130 pessoas morreram de fome em Gaza
Imagem: Dawoud Abu Alkas/Reuters

As tensões já afetam o turismo. Agências israelenses relatam mudanças nas preferências dos viajantes, com crescimento de reservas para destinos vistos como mais seguros, como Praga, Budapeste, Dubai e Tailândia. A procura por locais com menor histórico de protestos pró-Palestina aumentou cerca de 15% a 23% em comparação com anos anteriores, segundo o portal israelense YNews.

Enquanto a ofensiva em Gaza continua e os apelos por cessar-fogo se intensificam, a hostilidade contra turistas israelenses reflete uma nova face do impacto internacional do conflito. Além da diplomacia, o desgaste se faz sentir no cotidiano de cidadãos comuns, cuja nacionalidade tem se tornado motivo de confrontos em locais turísticos antes considerados neutros.

Diario do Centro do Mundo

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