segunda-feira, junho 8, 2026
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Lavrov diz que Terceira Guerra Mundial já está em curso e culpa o Ocidente por desestabilização global

Chanceler russo acusa Europa e EUA de manterem hegemonia pela força e cita pragmatismo do presidente Donald Trump diante de elites europeias submissas

O chanceler russo Serguei Lavrov declarou que a “terceira guerra mundial já está em curso”, responsabilizando o Ocidente por uma série de agressões militares e econômicas que, segundo ele, têm desestabilizado o planeta. As declarações foram feitas durante o fórum “Território de Significados”, em encontro com jovens e veteranos da operação militar russa na Ucrânia. As falas foram reproduzidas pelo canal APT no YouTube.

Lavrov fez uma longa retrospectiva de intervenções militares lideradas pelos países ocidentais, começando pela guerra contra a Iugoslávia, em 1999, passando pelas invasões do Iraque, destruição da Líbia e ataques à Síria. Segundo ele, todas essas operações abriram caminho para um estado permanente de instabilidade no Oriente Médio e demonstram o que classifica como a incapacidade do Ocidente de aceitar um mundo multipolar.

“Agora, muitos analistas dizem que a terceira guerra mundial já começou em uma nova forma. Tudo começou com a agressão do Ocidente contra a Iugoslávia, depois o Iraque, a Líbia e a Síria”, afirmou Lavrov.

Europa sob domínio dos EUA

O chanceler criticou duramente a submissão da União Europeia aos Estados Unidos, afirmando que o novo acordo comercial e energético fechado com o governo do presidente Donald Trump favorecerá exclusivamente Washington e provocará desindustrialização e crise social na Europa.

“A Europa está orgulhosa de um acordo em que pagará mais caro pela energia americana e abrirá mão de investimentos em seu próprio território. Enquanto isso, os EUA exportarão produtos sem tarifas e receberão centenas de bilhões de euros em investimentos”, disse Lavrov.

Para ele, a política europeia hoje se resume a “servir como bucha de canhão” contra a Rússia, enquanto aceita prejuízos econômicos profundos. Ele ainda criticou a decisão do chanceler alemão de transformar a Alemanha novamente na maior potência militar da Europa, comparando o discurso atual aos períodos que antecederam as duas guerras mundiais.Crítica às sanções e ao “neocolonialismo”

Lavrov afirmou que os mecanismos internacionais criados após a Segunda Guerra Mundial, como ONU, FMI e Banco Mundial, são usados pelo Ocidente para manter posições de poder e “travar o avanço do mundo multipolar”. Ele defendeu o fortalecimento de blocos alternativos como BRICS, Organização para Cooperação de Xangai e União Africana, que, segundo ele, representam “a maioria global”.

“O Ocidente não aceita perder sua hegemonia e tenta preservá-la por meio de guerras, sanções e tarifas. Mas o processo histórico de multipolaridade é inevitável”, declarou o chanceler.

Durante a sessão de perguntas e respostas, Lavrov ressaltou que a Rússia busca garantir segurança e soberania e que o país não tem interesse em conquistas territoriais, mas sim em proteger populações russas historicamente residentes nas regiões em disputa.

Aproximação com Trump e isolamento europeu

Ao longo de sua fala, Lavrov demonstrou respeito pragmático pelo presidente Donald Trump, destacando sua postura voltada a interesses econômicos e negociações diretas, em contraste com a política de confronto militar que atribuiu ao ex-presidente Joe Biden e às elites europeias.

“Trump não quer guerras. Ele age com base no bom senso e nos interesses de negócio dos Estados Unidos, ao contrário de Biden e das elites europeias, que só falam em derrotar a Rússia”, disse Lavrov.

Para o chanceler, a Rússia está disposta a manter diálogo com qualquer país, inclusive europeus, mas não aceitará cessar-fogo unilateral nem abrirá mão das exigências de segurança estratégica. Assista:

 

Do Brasil 247

 

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