segunda-feira, outubro 19, 2026
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Hang é investigado por assédio eleitoral após discurso defendendo escala 6×1

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma Notícia de Fato para investigar uma possível prática de assédio eleitoral após receber uma gravação de Luciano Hang, dono da Havan e apoiador de Jair Bolsonaro, falando a funcionários da rede sobre a proposta de fim da escala 6×1. O encontro ocorreu em uma loja de Caldas Novas, em Goiás.

No vídeo, Hang afirma que a mudança na jornada elevaria os custos trabalhistas, reduziria o poder de compra dos empregados e os levaria a procurar outra fonte de renda. Ao atacar a proposta, ele a chama de “estelionato eleitoral” e associa o debate à disputa pelo voto dos trabalhadores nas eleições de outubro.

O MPT tomou conhecimento da gravação na segunda-feira (31) e determinou a abertura do procedimento. O órgão informou que a apuração ainda está na fase inicial e não divulgou outros elementos sobre o caso.

Em sua fala, o empresário calcula que o custo de mão de obra da Havan poderia subir 15% se a proposta avançar. “Se você ganhar a mesma coisa e os produtos vão subir 10 a 15%, vocês vão ter um poder de compra menor”, disse aos trabalhadores.

 

Hang disse que empregados teriam de buscar outra ocupação

Hang afirmou que os funcionários teriam de procurar “outro emprego” caso não pudessem trabalhar mais de cinco dias por semana na empresa. Ele também mencionou a hipótese de um “subemprego”, sem registro em carteira e sem direitos como 13º salário e férias.

A fala ocorreu às vésperas da votação, nesta quarta-feira (02), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso. A medida integra as bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

A defesa de Hang não respondeu ao pedido de manifestação. A Havan e o empresário já enfrentaram decisões da Justiça do Trabalho por episódios ligados à influência política sobre empregados durante as eleições de 2018.

Em janeiro de 2024, a Justiça do Trabalho de Santa Catarina condenou Hang e a Havan por assédio eleitoral naquele episódio e fixou R$ 1 milhão por dano moral coletivo, além de R$ 1 mil para cada empregado que tinha vínculo com a empresa até 1º de outubro de 2018. Mais recentemente, em fevereiro de 2025, a Havan recorreu de uma condenação que determinou indenização de R$ 5.960 a uma funcionária de uma unidade em Jacareí, no interior paulista.

DCM

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