@viníciocarrilhomartinez
“A cada escolha uma renúncia. Isso é vida” (Charlie Brown).
Isso é fato. Como 2 e 2 são 4.
Afinal, se somos capazes de escolher entre laranjas e bananas, mesmo gostando de ambas, é sinal claro de que entendemos as diferenças básicas entre as duas frutas. Por exemplo, a laranja é uma fruta cítrica e pode não fazer bem a todos.
Porém, seja qual for a escolha, laranjas ou bananas, há resultados e é preciso viver com isso. Bons ou maus.
Todo e qualquer resultado é consequência das nossas escolhas, e sobre isso não gostamos de passar.
Assim, se com a ciência não pode ser diferente, porque as escolhas dos cientistas segue a mesma lógica simples das coisas (laranjas ou bananas?), como falar de ciência sem consequência, sem resultado?
Não faz sentido – e mesmo que tal cientista não goste de laranjas ou de bananas, suas escolhas irão impor renúncias.
Por isso, sem saber das consequências, não há consciência e entendimento de como as coisas funcionam. Neste caso, o empreendimento científico pode ocorrer sem que saiba adequadamente (até de olhos vendados) o que é uma laranja e o que é uma banana. E isso não seria caótico, seria desastroso.
Desse modo, sem saber disso, das próprias regras do jogo, aquelas regras que definiram na nossa infância, é impossível saber qual é o objeto: laranjas ou bananas?
Aqui, é possível arriscar duas perguntas simples: Se não sabemos qual é o nosso objetivo, como é que faremos escolhas minimamente racionais, lógicas? Como pode haver objetivo se não temos clareza do objeto – é laranja ou banana?
Ou seja, sem consciência do que move nossas escolhas, do que se escolhe, porque se aceita outras renúncias, e depois sobre como se age a partir das escolhas (um “saber reconhecer as consequências”), não há sequer sentido no objeto – esse objeto que sempre advirá desse jogo da vida, entre escolhas e renúncias.
Sem conhecer o objeto, sem domínio dos objetivos (consequências), resta um saber vazio, sem controle das suas funções e dos significados básicos.
É um saber sem poder.
Especialmente porque não se sabe o que pode acontecer.
Portanto, sem consciência (das consequências = conhecimento do objeto) não há ciência.
Essa capacidade de jogar a partir das regras do jogo, ter consciência mínima do que fazemos – em função do que escolhemos entre bananas ou laranjas, se essas escolhas nos fazem bem ou mal –, resulta em outra capacidade: a avaliação das escolhas feitas e das suas consequências.
Isso é parte essencial da vida adulta e é claro que não se exige das crianças a mesma visão de mundo.
Mas, então, será que temos consciência das consequências das nossas escolhas (dos nossos atos)?
Se sim, podemos pensar em termos de uma “consciência da consciência”.
Mas, será que todos que se aplicam à ciência têm essa consciência acerca da sua própria consciência?
No limite das nossas vidas, estamos sempre escolhendo entre laranjas e bananas – especialmente para que não haja confusão entre alhos (atos) e bugalhos (consequências).
Entre o bem e o Mal haverá uma dialética forçada pelo imponderado, inesperado, que vem do caos.
Assim como há o mal que vem para o bem e um inferno poluído de boas intenções, “há ciências e ciências”.
Mas, esse é outro assunto.
Primeiro precisamos saber com alguma precisão o que diferencia a laranja da banana.
Nem sempre a salada de frutas é uma opção e, mesmo que seja, talvez alguém ainda tenha que retirar a laranja ou a banana…




