O texto a seguir refere-se à capa do livro Ideias para uma Educação do século XXI, de Vinício Carrilho Martinez. A capa, por certo, expressa o sentido composto no livro.
A referência correta é esta:
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- MARTINEZ, Vinício Carrilho. *Ideias para uma Educação do século XXI: Edgar Morin*: São Carlos: Amazon, 2026. Disponível em:
Ciberporu
Inspirado na obra Abaporu, de Tarsila do Amaral, Ciberporu propõe uma reflexão sobre as transformações da identidade brasileira diante do avanço tecnológico. Ao reinterpretar um dos maiores ícones do modernismo nacional, a obra desloca o debate antropofágico para o contexto contemporâneo, em que natureza, cultura, tecnologia e diversidade humana se entrelaçam.
O elemento central da composição é a substituição de uma das pernas por uma prótese robótica, cujas engrenagens e mecanismos permanecem expostos. Além de representar a integração entre o humano e a máquina, esse membro mecânico estabelece um diálogo com a experiência das pessoas com deficiência, reconhecendo as tecnologias assistivas e as próteses como extensões do corpo e expressões da diversidade humana.
O corpo
O elemento central da composição é a substituição de uma das pernas por uma prótese robótica, cujas engrenagens e mecanismos permanecem expostos. Além de representar a integração entre o humano e a máquina, esse membro mecânico estabelece um diálogo com a experiência das pessoas com deficiência, reconhecendo as tecnologias assistivas e as próteses como extensões do corpo e expressões da diversidade humana. O corpo híbrido rompe com a ideia de um corpo único ou normativo e evidencia diferentes formas de existir, mover-se e ocupar o mundo.
A cabeça é substituída por um relógio marcando cinco para a meia-noite, referência ao romance Inferno, de Dan Brown. Nesse contexto, o horário simboliza a iminência de uma transformação decisiva. As sombras de outros ponteiros sugerem múltiplas temporalidades — passado, presente e futuros possíveis — indicando que diferentes caminhos permanecem em aberto.
A paleta de cores remete à bandeira brasileira. O verde, o amarelo e o azul evocam não apenas o território nacional, mas também a criatividade, a riqueza cultural e a capacidade inventiva do povo brasileiro. Ao lado da figura, o mandacaru se ergue como símbolo de resistência, adaptação e esperança, representando a força da terra brasileira e a capacidade de florescer mesmo em contextos adversos.
Ao preservar elementos visuais essenciais do Abaporu e inseri-los em uma narrativa contemporânea, Ciberporu estabelece um diálogo entre o legado modernista e os desafios do século XXI. A obra convida o espectador a refletir sobre o tempo presente e sobre o futuro que está sendo construído, sugerindo que o verdadeiro progresso depende da capacidade de integrar inovação tecnológica, inclusão, diversidade, identidade cultural e respeito às diferentes formas de ser humano.
Dra. Josana Carla Gomes da Silva




