Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar
Ester Dias da Silva Batista – Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCar
Izabela Victória Pereira – Orientanda de TCC/Filosofia/UFSCar
Esses pombinhos urbanos, que rondam praças, as nossas casas e outros espaços urbanos são inofensivos enquanto animais. Contudo, podem transmitir piolhos ou outras zoonoses.
É interessante lembrar que, no Brasil, os pombos não têm predador natural. É um espécime invasor que veio com as Caravelas portuguesas lá pelos idos do século XVI.
Há muitas variedades, como essa pequena que se vê nas fotos. O filhote no ninho da garagem e com a mãe no vaso, praticamente do tamanho dela, quase alçando voo para construir uma vida independente.
Os animais de forma geral – essa pombinha doméstica, em especial – trazem a lição da Independência. Nos trazem à memória as lições de nossas avós e mães, de que devemos ter o maior cuidado com filhas e filhos, mas, uma atenção absoluta à ideia de que “devemos criar para o mundo lá fora”. Esse filhote logo terá um caminho próprio, com desafios e incertezas pela frente, porém, terá Independência para sobreviver mais um dia.
O que lembra a outra lição, já antecipada. Os pombos são a marca d’água da nossa Colonização; todavia, lembrando-nos de não apenas uma espécie invasora, e, sim, duas. Um é um animal, em si, inofensivo, e outro aqui aportou com apetite voraz de dominação e predação. Os portugueses aqui desembarcaram unicamente para conquistar e extrair o máximo possível e logo depois trouxeram a Escravidão, e todos os males sociais e humanos que possamos imaginar.
A Colonização passou, o Brasil se viu independente. As consequências não, pois, o racismo e a exploração do trabalho em condições análogas à escravidão permanecem como memória viva, traduzida em duráveis ações criminosas. Na constituição da nossa Modernidade Tardia, os piores males tardam a serem removidos das práticas sociais.
E isto nos leva à terceira lição possível para o dia de hoje: o sempre atual e atualizado Complexo de Vira-latas. Assim como a cor parda, nosso símbolo da “miscigenação natural” aparece nos cães, amorosamente, chamados de Caramelos. Em parte, a resposta da cultura nacional à Colonização foi o Caramelo. Contra as misérias humanas da Colonização, dê-lhe um Caramelo bem nacional – diz o povo consciente.
Por fim, e que não se confunda jamais o Complexo de Vira-latas com o lendário Caramelo, há espécimes políticas brasileiras carreando o fim da nossa Independência. Como um retrocesso imoral absoluto, em gestos indisfarçáveis de submissão a “novos” colonizadores, ainda mais vorazes – por riquezas, biodiversidade, minerais raros –, nossos atuais vira-latas complexados rezam para a bandeira dos EUA.
Essa reza lembra as piores características dos portugueses colonizadores, e mais, lembra que os povos tradicionais, os indígenas daquele tempo, não se renderam, não foram escravizados. Assim como muitos negros e negras que fugiram das senzalas, que lutaram e morreram em torno de Zumbi dos Palmares.
Sempre desafiamos a Colonização, com exceção dos complexados pelo viralatismo, do passado e do presente, porque sempre defendemos a vida – ao contrário de quem age para constranger ou aniquilar a Soberania Nacional.
Por fim, na última lição, sem olvidar dos piores males impostos no longo percurso da miscigenação – estupro e violência de barbárie total – pensemos, por um instante, que, assim como os Quilombos e os quilombolas, nossa história e cultura é de luta e de resistência.
Pensemos, no curso desta última lição, que os nossos pombos, os caramelos, o povo pardo – aliado do povo pobre, negro e oprimido (isso é um conceito sociológico) – sempre defendeu e defenderá nossa Liberdade e Soberania.
Quando for votar, daqui uma semana, lembre de quem defende a nossa Bandeira e de quem reza até hoje para o colonizador. A coisa é tão brava que alguns rezam até para pneus, pedindo por uma intervenção galática.
Do lado de cá, continuaremos a lutar por Liberdade, Independência, Soberania e Emancipação do povo, esse povo que trabalha de sol a sol, o povo pobre, negro e pardo, oprimido, e que mais sofre no dia-a-dia. É o povo quem paga a conta dos golpistas e entreguistas.




