terça-feira, agosto 25, 2026
spot_img
spot_img

Consciência em trânsito

@viniciocarrilhomartinez

O que transita é o que já está em movimento, é o que transita entre aqui, ali e acolá. O que leva a pensar na acessibilidade como uma via, um canal, um conjunto de meios que permitem ou facilitam o acesso e, assim, não obstruam o movimento.

Basicamente, trata-se do estar para ser e, posteriormente, do estar aqui para também ser ali.

E onde está a acessibilidade nisto?

Está em tudo, e podemos ver o básico primeiro: as classes dominantes que olham somente para si, para dentro do poder que lhes concede cada vez mais privilégios, podem acessar o que bem entender. Não lhes pertence (salvo exceções) a mobilidade decrescente na hierarquia social e econômica: “o ditado popular diz que caem ganhando, para cima”. Obviamente, as classes dominantes acessam o poder que lhes renova e assegura todos os privilégios; além disso, podem mover uma montanha para assegurar seus direitos.

Somos nós, os expurgados socialmente, economicamente, que não acessamos poderes, espaços, conteúdos, institucionalidades, serviços, condições elementares à moção da dignidade humana. Quem acessa o poder, acessa tudo que lhe garanta ainda melhores condições de acessibilidade.

No Brasil, o combo de racismo, misoginia, elitismo, capacitismo é institucional, replicante, multiplicado, e assim se molda toda a luta política em torno da luta de classes; contudo, é este um bom começo para quem se nutre do Direito à consciência.

É desse modo que a consciência de classe se põe ali fora, entretanto, para estar ali, é preciso estar aqui (dentro), conscientemente. E assim a acessibilidade é feita com conhecimento, lógica, prospecção, reflexão. A primeira ação, por derradeiro, começa em si – para, então, estar ali. O que é óbvio, pois algo somente pode vir a ser (ali) quando se sabe como é estar por aqui.

Sem o acesso ao conhecimento, não iremos com a consciência a lugar nenhum. Em tese, esse é o papel da educação, não como uma margem limitante do rio, mas, sobretudo, como o fluxo, uma correnteza que leva adiante, que faz mover, que desagua no que precisa ser feito, modificado e, desse modo, levando consigo as raízes do que impede o acesso de milhares, milhões de pessoas.

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

Lula mantém liderança na pesquisa BTG/Nexus, com 41%, contra 37% de Flávio Bolsonaro

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na disputa pela Presidência da República, segundo nova rodada da pesquisa BTG/Nexus divulgada...

“Minha conversa com o Trump é muito civilizada, mas o segundo escalão toma atitudes impensáveis”, diz Lula

Ao detalhar os bastidores da recente interlocução diplomática com a Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o tom pragmático e...

Ideologia da Opressão – a negação do pensamento inclusivo

@viniciocarrilhomartinez A ideologia tem muitos significados, e um deles se confirma como um pensamento intrusivo e inconclusivo. Como intruso, esse pensamento vem sendo depositado há...

“Mas, você só dá aula?”: a invisibilização do trabalho docente

Por Ester Dias da Silva Batista Bióloga e mestranda pelo PPGCTS/UFSCAR  Não é incomum que, ao recordar a trajetória escolar, uma pessoa mencione um professor...

O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL SOCIAL SENSÍVEL À POLÍTICA

Fichamento comentado Pedagogia do Oprimido Vinício Carrilho Martinez – Professor Titular da UFSCar @viniciocarrilhomartinez FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022. “A consciência é...