@viniciocarrilhomartinez
Como ensinou o velho Marx, começarei pela conclusão e você entenderá o porquê. Então, concluindo inicialmente, digo que: A autonomia não atribui a ninguém o direito de propor, planejar, instigar ou agir contra a Emancipação.
Vamos ao tema: Ano eleitoral costuma ser conturbado e criativo. Em eleições como esta que temos agora não falta fogo no parquinho. Nesses períodos vemos de tudo, como a candidatura à prefeitura do Macaco Tião, no Rio de Janeiro de 1988. Tivemos por tempo demais o “rouba, mas faz”. Além de um Padre Kelvin, Kelson, ou algo do tipo. Quando via isso, Leonel Brizola, grande líder nacional, dizia que “estamos de tangas”.
Quando o povo olha para essas figuras, além do deboche obrigatório, pensa que há adoradores do poder. E o povo está certo nisso, assim como há pessoas viciadas em dinheiro, sexo, holofotes e no alimento diário do Narciso. Eu sou viciado em escrever e é por isso que às duas da manhã estou aqui.
Nessa “eleição do poder” de 2026 – mesmo passando anos luz de distância do Poder Constituinte Originário –, temos muitas questões em aberto e em jogo. Por exemplo as ameaças graves à soberania nacional e à própria democracia: há um grupo, na polarização inevitável, profundamente alinhado aos movimentos golpistas do 8 de janeiro de 2023. É fácil saber qual é.
O que me leva a pensar no “direito de voto”. Ainda que alguns símios contrários ao Macaco Tião preguem o fim do voto livre, fazendo uso da democracia que lhes resta, tentarei pensar em situações mais saudáveis. Não chamo mais de burrice crônica, agora apelidei de Negacionismo cognitivo.
Sem grandes análises históricas ou jurídicas sobre o direito ao voto livre, que faria facilmente, quero destacar uma confusão média que vemos em pessoas medianas. É a confusão entre Autonomia e Emancipação.
Para o raciocínio mediano, Autonomia, neste caso, explica-se por votar em quem quiser ou nem votar (abstenção). Também não vou explicar as diferenças que cabem entre abstenção e voto válido (regular, nulo ou branco); porém, a Autonomia, vista desse modo, pode ser a simples negação da requerida Autonomia. Pense que há candidatos, ao menos um, loucos para golpear e decretar o fim da democracia e dessa mesma autonomia eleitoral.
Autonomia não é fazer, deixar de fazer, falar, postar o que der na cabeça, sem nenhuma noção. Aliás, deveria ser crime falar e postar asneira – se é Fake News é, sim, crime – e o mesmo candidato a que me referi é expert em fazer isso. A família inteira, bem dizendo, é especialista em mentiras grosseiras.
Pois bem, Autonomia é participar ativamente (quer dizer, conscientemente) de um processo de autorregulação, uma vez que Autonomia vem do grego, “auto + nomos” (norma), “ato de atribuir normas a si mesmo”, desde que essas normas não acabem consigo e com os outros – como temos na Argentina. Neste caso, deveria ser crime hediondo pregar nos púlpitos da ignorância.
Já a Emancipação é muito mais complexa e radical. Veja-se que jamais seremos emancipados enquanto não obtivermos independência financeira. E isso é o básico, o essencial. A essência da Emancipação, por seu turno, passa longe desse inicial e essencial diagnóstico.
Quando tenho que falar sobre tais assuntos, ensinar sobre isso – o tempo de exposição não é o mesmo dessa crônica, é óbvio –, uso de exemplos. Particularmente, não vejo Autonomia no “trabalho uberizado” – ninguém é dono do seu tempo, se a plataforma é dona da sua sobrevivência –, como vejo a Emancipação real, maiúscula, em atividades desenvolvidas por pessoas ligadas à Cruz Vermelha, ao Greenpeace ou aos Médicos Sem Fronteiras.
Como está dito aí, a Emancipação está além das fronteiras, dos egos, dos interesses imediatos e mesquinhos. A Emancipação está para além da divisão política, das classes sociais. A Emancipação está para a Humanidade, assim como a Autonomia (se bem entendida como autorregulação) está para o indivíduo, para o exercício do direito ao voto livre que não ameace a democracia.
Então, sem pedir o seu voto, penso que não é difícil saber em quem irei votar.




