Por Vinício Carrilho Martinez
Meus avós mal sabiam assinar o nome. Vindos da Espanha, fugindo do fascismo mortal, apenas um estudou mais e tinha o hábito da leitura. Sempre trabalharam muito, mas sempre foram muito pobres. Um tio já falecido, irmão da minha mãe, fez Medicina na Universidade Federal do Paraná – quando não havia bolsa de estudos, de forma nenhuma. Para se manter, todas as noites trabalhava como “lanterninha de cinema”, e mais ainda nos finais de semana. Há muitas outras histórias ligadas à educação e à universidade pública, derivadas dos quatro avós imigrantes, até chegar à minha história. É por isso que a defesa da universidade pública está na minha genética, antes mesmo da ter nascido.
Para mim, a universidade pública é um patrimônio cultural e científico do Brasil.
As universidades públicas produzem, processam, mais de 90% da pesquisa, de todo o conhecimento e da cultura científica.
Além do acesso mais democrático e da permanência estudantil, com o sistema de cotas e das políticas afirmativas (discriminação positiva: isonomia com mais equidade).
Se é no dourado que se alcança a “cidadania universitária”, porque é quando se obtém, efetivamente, a autonomia intelectual, então, o domínio institucional (público) passa dos 95% de realização.
Há muito o que fazer e melhorar – como aproximar o universal (de onde deriva a universidade) e o social -, mas os números não mentem, e, além disso, o que é público tem que continuar sendo público.
Não é preciso falar, porém, é bom que se saiba: o privado, particular, já diz que não é universal e afirma isso impondo o lucro como sua missão. Se o público é o oposto do privado, é no público que eu encontro a minha afirmação.




