quarta-feira, junho 10, 2026
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‘Digna e solidária’: Cuba agradece Brasil, Espanha e México por exigirem fim do bloqueio dos EUA

O governo de Cuba saudou a declaração conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México no sábado (18), na qual exigiram o fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos contra a ilha e a prevenção de uma agressão militar, em meio às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade.

“Em meio à difícil situação que Cuba enfrenta, devido à intensificação do bloqueio dos EUA a níveis extremos, ao atual cerco energético e às constantes ameaças do governo dos EUA, reconhecemos a digna e solidária Declaração Conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México”, declarou, em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez.

O chanceler também enfatizou que o comunicado conjunto das nações aliadas “expressa preocupação, apela a evitar ações contrárias ao Direito Internacional que agravem as condições de vida do povo cubano e expõe o respeito à integridade territorial de Cuba”.

“É urgente respeitar a Carta da ONU e o Direito Internacional, em particular os princípios de autodeterminação, respeito à independência e soberania dos povos, e abster-se da ameaça e do uso da força”, concluiu.

A 4ª Cúpula em Defesa da Democracia foi sediada pelo governo espanhol do socialista Pedro Sánchez neste fim de semana, em Barcelona. Os governos do Brasil, Espanha e México reiteraram, em seus discursos, o apelo ao respeito à integridade territorial cubana e se comprometeram a atuar de forma coordenada para aumentar o envio de apoio humanitário à ilha, aliviando o sofrimento do povo, que é vítima do estrangulamento econômico provocado por Washington a Havana.

“Expressamos nossa enorme preocupação com a grave crise humanitária que o povo cubano está enfrentando e pedimos a adoção das medidas necessárias para aliviar essa situação e evitar ações que agravem as condições de vida da população ou contrários ao direito internacional”, afirma o comunicado conjunto divulgado na noite de sábado.

As três nações ressaltaram ainda a necessidade de “respeitar em todos os momentos o direito internacional e os princípios de integridade territorial, igualdade soberana e resolução pacífica de disputas, consagrados na Carta das Nações Unidas”.

México rechaça intervenção militar em Cuba

Durante a sua exposição, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reforçou sua posição crítica à violação da soberania de outras nações ao repudiar uma possível intervenção militar por parte dos Estados Unidos em Cuba, reiterando o apelo para que “o diálogo e a paz prevaleçam”.

A autoridade mexicana ressaltou a tradição histórica de sua nação na defesa da autodeterminação dos povos, recordando a posição do país contra o bloqueio a Cuba desde a década de 1960. “Nenhum povo é pequeno, e sim grande e estoico quando defende sua soberania e o direito a uma vida plena”, afirmou.

Em seu discurso, também criticou concepções de liberdade baseadas na submissão a interesses externos ou na transformação de países em “colônias modernas”. Para Sheinbaum, a liberdade “é uma palavra vazia se não for acompanhada de justiça social, soberania e dignidade dos povos”.

Espanha e Brasil pressionam ONU

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu “ação” contra aqueles que tentam “desafiar as regras do direito internacional com o uso da força”, e alertou que o sistema multilateral precisa ser renovado.

“A ONU só pode sobreviver se representar a realidade”, afirmou, destacando para a necessidade de maior diversidade no órgão global.

Por sua vez, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação referente à situação humanitária enfrentada pela população em Cuba e voltou a exigir o fim do bloqueio histórico dos Estados Unidos à ilha.

“Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não para Lula, Claudia ou Trump. É um problema para o povo cubano”, enfatizou. “Nenhum presidente, de nenhum país, tem o direito de impor regras aos demais […] Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite com um tweet de um chefe de Estado ameaçando o mundo ao declarar guerras”.

Em paralelo às falas de Sánchez, também convocou o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) a organizar reuniões extraordinárias para lidar com as crises globais. Segundo ele, a organização “não pode permanecer em silêncio” diante dos acontecimentos internacionais. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, disse.

*Com informações da Telesur

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi
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