quarta-feira, setembro 9, 2026
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bell hooks

bell hooks, pseudônimo da autora Gloria Jeans Watkins, foi adotado tanto como forma de homenagem à sua bisavó, como via de resistência ao que chamo aqui de “ego academicista”. Esse pseudônimo marcado em letras minúsculas busca deslocar o foco da pessoa autoral e direcionar a visão do leitor para seus pensamentos e provocações, como um gesto político que se estende em todas suas obras e posicionamentos.

Em sua obra Ensinando a Transgredir – A Educação como Prática de Liberdade (1994), a autora propõe uma percepção da pedagogia para além dos processos cognitivos, enfrentando a educação em várias perspectivas, como a articulação entre gênero, classes sociais e identidade étnico-cultural, utilizando-se dessas interpretações para convidar os docentes a desenvolverem salas de aulas críticas e afetivas. Um ponto que intersecciona a vivência da autora são suas referências ao patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a quem hooks considerava e enxergava como guia intelectual e pessoal. Na obra citada acima, a autora reflete sobre Freire como uma espécie de manancial em meio às prisões sociais, como descrito:

“… Encontrei Freire quando estava sedenta, morrendo de sede (com aquela sede, aquela carência do sujeito colonizado, marginalizado, que ainda não tem certeza de como se libertar da prisão do status quo), e encontrei na obra dele (e na de Malcom X, de Fanon e etc.) um jeito de matar essa sede”.

Assim como Freire, bell hooks reconhece os estudantes como sujeitos e não apenas recipientes que deveriam, passivamente, absorver os conteúdos apresentados, a educação passa, por sua vez, a apresentar uma lógica muito bem estabelecida e associada ao rompimento da lógica bancária de ensino. Portanto, para bell hooks, ensinar é um ato político e ético, em que as salas de aula se encontram como espaços de aprendizado, resistência e cura perante as angústias sociais, local esse onde é gestada a busca pela emancipação.

Ester Dias da Silva Batista.

 

 

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