quinta-feira, outubro 15, 2026
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Após nova ofensiva trumpista, governo Lula acusa EUA de ataque à soberania do país

O governo brasileiro reagiu neste sábado (9) a declarações de autoridades americanas que, sem citar nomes, fizeram referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As manifestações partiram do vice-secretário do Departamento de Estado, Christopher Landau, e da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Em postagens publicadas no X, as autoridades americanas afirmaram que “um juiz” teria “usurpado o poder” da Corte. O Executivo classificou as declarações como “um novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que derrotou uma tentativa de golpe de Estado”. A nota reforça que o Brasil “não se curvará a pressões, venha de onde vierem”.

A mensagem divulgada pela embaixada, em português, é semelhante à de Landau e está vinculada a ela na rede social. O Itamaraty declarou que as afirmações do vice-secretário americano são “falsas”. As postagens foram feitas um dia após a convocação do encarregado de Negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para dar explicações sobre outra nota com ameaças a aliados de Moraes.

 

Atualmente, Escobar é o principal representante dos Estados Unidos no Brasil, já que o presidente Donald Trump ainda não nomeou um novo embaixador para o posto. A última representante, Elizabeth Frawley Bagley, deixou a função após a posse de Trump.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se manifestou nas redes sociais. Ela classificou a declaração de Landau como “arrogante” e “gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade”. Gleisi criticou ainda a família Bolsonaro, citando “chantagem de Trump” e o “motim bolsonarista” pela anistia.

 

As publicações de Landau e da embaixada ressaltam a importância da separação de poderes e afirmam que “não significa nada” se um deles puder intimidar os demais. O texto acusa um único ministro do STF de “usurpar poder ditatorial” e de prejudicar a relação entre Brasil e Estados Unidos, mencionando tentativas de aplicar a lei brasileira em território americano.

A mensagem também descreve a situação como “sem precedentes e anômala” e questiona se há registro na história de um juiz “não eleito” que tenha assumido o controle do destino de uma nação. Segundo os autores, “o usurpador se reveste do Estado de Direito, enquanto os demais poderes afirmam estar impotentes para reagir”.

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos incluiu Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala. O Itamaraty reafirmou que seguirá defendendo a soberania e as instituições brasileiras em qualquer foro internacional.

Diario do Centro do Mundo

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