sexta-feira, abril 17, 2026
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Jornalistas da BBC denunciam em carta cobertura pró-Israel: quando os da Globo vão reagir?

Mais de 100 jornalistas da BBC assinaram uma carta endereçada ao diretor-geral Tim Davie denunciando decisões editoriais que favorecem o governo de Israel e limitam a liberdade de cobertura sobre o conflito com os palestinos. O documento também recebeu o apoio de outros 300 profissionais da mídia, incluindo o colunista Owen Jones. Os funcionários da emissora pedem anonimato, temendo represálias internas.

Na carta, os jornalistas acusam a direção da BBC de censurar conteúdos críticos ao governo israelense, como o documentário “Gaza: Medics Under Fire”, aprovado conforme as diretrizes editoriais, mas barrado pela chefia. Eles afirmam que a emissora está tomada pelo medo de ser vista como crítica a Israel e passou a adotar decisões com motivação política.

Os profissionais rejeitam qualquer pedido para que a BBC “tome partido”, mas pedem liberdade para reportar os fatos com transparência. Eles também denunciam a omissão da emissora sobre o envolvimento do governo britânico no fornecimento de armas usadas em ataques contra civis palestinos, assunto abordado apenas por veículos concorrentes.

Protesto de profissionais da saúde em Londres em apoio a médicos palestinos. Photo: Health Workers 4 Palestine/X]

A carta aponta o nome de Sir Robbie Gibb, conselheiro editorial da BBC, com laços com o Partido Conservador e com o jornal “Jewish Chronicle”, conhecido por publicações com teor anti-palestino. Gibb já atuou como chefe de comunicação da ex-primeira-ministra Theresa May. Para os signatários, sua presença na diretoria compromete a isenção da emissora pública.

Os jornalistas afirmam que há uma cobertura desproporcional em favor do governo israelense, com o apagamento de vozes palestinas e o tratamento desigual dado às vítimas. “Tem sido comum a BBC atuar como assessoria de imprensa do governo e das Forças Armadas de Israel”, diz o documento. A carta também denuncia que crimes de guerra e declarações de autoridades israelenses com conteúdo genocida têm sido ignorados ou minimizados pela emissora.

Nos bastidores, o clima é de revolta. Um funcionário relatou: “Nos sentimos em uma relação abusiva com a BBC, em que somos manipulados e silenciados”. Outro afirmou: “Estamos cansados dos dois pesos e duas medidas e da suspensão dos padrões editoriais. Isso destruiu qualquer ideia de imparcialidade dentro da empresa”.

Enquanto jornalistas da BBC rompem o silêncio e denunciam parcialidade e racismo anti-palestino, a questão que fica é: quando os jornalistas da Globo vão ter coragem de fazer o mesmo? A resposta é: nunca.

Diario do Centro do Mundo

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