sexta-feira, fevereiro 6, 2026
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Ser antirracista exige emancipação

Para pensar uma educação de cunho emancipatório e antirracista, é preciso, em primeiro plano, voltar-se para o ato de “ser professor”. Isto é, é necessário analisar quais são os princípios que guiam a prática do docente: se sua opção é pela prática democrática (e, por conseguinte, antirracista e emancipativa) ou pela perpetuação da opressão das camadas populares. Se a escolha for por reconhecer o dever crítico, o docente deve voltar-se ao que Freire (1996, p.26) intitula de “rigorosidade metódica”.

Esse conceito freiriano relaciona-se diretamente com o “pensar certo” (Freire, 1996, p.27), ou seja, um docente que “‘pensa certo” é um profissional que instiga em seus educandos a crítica e a reflexão entre os conhecimentos programáticos – disciplinas escolares – e a realidade e que se vive. Portanto, um professor que vise a emancipação de seus educandos estimula a auto educação política, na qual os alunos se veem como sujeitos capacitados para atuar em sociedade, tornando-se “animais políticos” que rompem com a opressão diariamente.

É importante ressaltar que a figura do docente não deve ser encarada como uma espécie de “super heroi” que liberta os oprimidos e resolverá todos os problemas da sociedade; mas sim como um facilitador do processo ensino-aprendizagem, oferecendo ferramentas para  efetiva descompressão.

Além disso, um educador que luta contra a opressão deve-se guiar pela ética e estética antirracista. Esses dois elementos devem estar presentes na prática do educador democrático que se compromete não somente de ensinar os conhecimentos científicos e seculares, mas também de alimentar sua atuação em sala de aula com princípios morais como igualdade, honestidade e integridade. É exatamente nessa ideia que a educação antirracista deve se encaixar: ao apresentar para os educandos uma moral humanizada é possível guiá-los à crítica e a reflexão sobre a sociedade, podendo romper efetivamente com imaginários antirracistas.

Segundo Freire (1967) apenas a palavra, ou seja, a denúncia de algo – nesse caso, o racismo – não é suficiente para uma aprendizagem significativa que possa caminhar na direção da descompressão; também, é preciso fazer uma anunciação, anunciar quais as possibilidades de ação antirracista. Um exemplo é a escolha dos livros de literatura infantil:  muitas vezes eles somente retratam personagens brancas de olhos azuis. Para sair desse estereótipo que retrata somente uma parcela da população, é preciso que o professor opte por trazer em sala de aula leituras diversas que representam pessoas não-brancas, indígenas, entre outros.

Afinal, ao instigar os educandos para sua emancipação é preciso que eles dotem-se de liberdade ética e moral: escolher e praticar o antirracismo, não por medo de punições, mas por verdadeira formação moral e autônoma.

por Letícia Hyppólito

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

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