sábado, maio 30, 2026
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Netanyahu confirma ser a maior ameaça à Paz Mundial ao desafiar Trump e manter agressões contra o Líbano

Após cessar-fogo negociado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã, premiê israelense confirma ser o inimigo número um da causa da paz

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a se colocar como um dos principais obstáculos à Paz Mundial e à estabilização do Oriente Médio ao apoiar a pausa de duas semanas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, mas deixar claro que o Líbano está fora do entendimento. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quarta-feira, em uma notícia que expõe a disposição do governo israelense de preservar a máquina de guerra mesmo diante de uma rara oportunidade diplomática.

Segundo o gabinete de Netanyahu, Israel apoia a decisão de Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, desde que Teerã abra imediatamente o estreito e interrompa ações contra os Estados Unidos, Israel e países da região. Ao mesmo tempo, porém, o governo israelense fez questão de afirmar que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano, numa sinalização de que a trégua negociada com mediação do Paquistão está longe de representar pacificação ampla no front regional.

A posição anunciada por Netanyahu escancara uma contradição explosiva. Enquanto Washington fala em desescalada e abertura de uma janela para negociações, o governo israelense preserva um flanco essencial da guerra e insiste na continuidade das operações militares em território libanês. O gesto soa como afronta direta ao esforço diplomático que resultou na suspensão temporária dos bombardeios contra o Irã.

A Reuters informou que dois integrantes da Casa Branca confirmaram anteriormente que Israel aceitou o cessar-fogo de duas semanas e suspenderia sua campanha de bombardeios contra o Irã. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o acordo, chegou a afirmar em publicação na rede X que o entendimento incluía também o fim da campanha israelense no Líbano. A declaração posterior do gabinete de Netanyahu, porém, desmonta essa expectativa e recoloca a região no terreno da instabilidade permanente.

A gravidade da decisão é ainda maior diante da devastação já imposta ao Líbano. De acordo com a própria Reuters, a ofensiva israelense no país matou ao menos 1.500 pessoas e deslocou 1,2 milhão de outras. Trata-se de uma tragédia humanitária de grande escala, agravada agora pela sinalização explícita de que Tel Aviv não pretende interromper sua ofensiva, mesmo quando uma negociação histórica entre Washington e Teerã começa a ganhar forma.

O conflito se ampliou depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade a Teerã, dois dias após o Irã ter sido atacado por Israel e pelos Estados Unidos. A resposta israelense abriu uma nova ofensiva terrestre e aérea. Ao excluir o Líbano do cessar-fogo, Netanyahu não apenas mantém viva essa frente de guerra, como também esvazia qualquer narrativa de compromisso genuíno com a paz regional.

O gabinete do premiê israelense declarou ainda apoiar os esforços dos Estados Unidos para garantir que o Irã não represente mais ameaça nuclear, de mísseis ou de “terror” aos EUA, a Israel e aos vizinhos árabes de Teerã. Acrescentou também que Washington informou Israel de que está comprometido em alcançar esses objetivos comuns nas negociações previstas. Ainda assim, o anúncio paralelo sobre o Líbano indica que, para Netanyahu, a diplomacia só vale onde não limita sua estratégia militar.

Do lado iraniano, a expectativa é de que as negociações com os Estados Unidos comecem na sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad. O simples fato de esse canal ter sido aberto já representa um movimento de peso num cenário marcado por meses de intensificação bélica. Mas a insistência de Netanyahu em manter o Líbano sob ataque lança uma sombra pesada sobre qualquer esperança de distensão mais ampla no Oriente Médio.

Ao reafirmar a continuidade das agressões contra o território libanês logo após a costura de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Netanyahu se projeta mais uma vez como agente central da escalada regional. Em vez de acompanhar a abertura diplomática, opta por preservar a guerra, aprofundar a destruição e sabotar, na prática, um raro esforço de contenção do conflito.

Do Brasil 247

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