segunda-feira, maio 18, 2026
spot_img
spot_img

Globo fdp: Powerpoint tendencioso protege criminosos e culpabiliza Lula

GloboNews omite ligações de Nikolas Ferreira e Ciro Nogueira com Vorcaro e repete estratégia usada na Lava Jato para atacar o atual presidente

A tensão em torno das investigações sobre o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro, ganhou um novo capítulo nesta semana após acusações de parcialidade editorial contra a GloboNews. A emissora divulgou uma apresentação em PowerPoint com o objetivo de direcionar a narrativa do escândalo financeiro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que minimizou as conexões de figuras da oposição com o banqueiro

A denúncia foi veiculada por um perfil da rede social X, que classificou o material da emissora carioca como uma “manipulação canalha” da GloboNews sobre as relações de Vorcaro com o mundo político. O usuário questionou a seletividade da cobertura ao contrastar as escolhas editoriais da emissora: de um lado, a narrativa de que o presidente Lula teria pedido ao Banco Central uma análise técnica sobre o Master — e que o chefe da instituição, Gabriel Galípolo, teria encaminhado um processo de liquidação da instituição —; do outro, informações que, segundo a publicação, foram deliberadamente silenciadas.

Entre os pontos levantados destacam-se duas conexões envolvendo membros da oposição. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria apresentado um projeto de lei que, supostamente, beneficiaria a instituição financeira. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes do bolsonarismo, teria utilizado uma aeronave pertencente a Vorcaro durante sua campanha eleitoral.

O caso Banco Master tem movimentado Brasília em função da possibilidade de que Vorcaro firme um acordo de delação premiada. Caso confirmado, o empresário poderá revelar detalhes sobre os vínculos entre a instituição e agentes do poder político, o que elevou o nível de atenção de diferentes setores do espectro partidário ao desenvolvimento da crise bancária.

A polêmica sobre a cobertura da GloboNews evidencia um fenômeno recorrente no jornalismo brasileiro: a disputa pela moldura narrativa de crises financeiras com implicações políticas. Quando os fatos envolvem múltiplos atores de campos opostos, a escolha de quem aparece no centro da história — e quem fica nas margens — é, por si só, um ato editorial carregado de consequências. Nesse contexto, a seletividade no uso de dados e conexões passa a ser tão relevante quanto os próprios fatos apurados.

PowerPoint como arma política, uma estratégia que se repete

O recurso ao PowerPoint adotado pela Globo no caso Banco Master não é novidade no cenário político brasileiro — e tampouco parece casual. A mesma ferramenta foi utilizada como peça central de uma das ofensivas mais emblemáticas da história jurídica recente do país: a acusação formulada pela Operação Lava Jato contra o então ex-presidente Lula, em 2016.

Naquela ocasião, foi o Ministério Público Federal do Paraná, sob o comando do procurador Deltan Dallagnol — que atuava como coordenador do grupo de procuradores à frente das investigações — quem lançou mão da apresentação de slides para imputar ao petista o recebimento de um apartamento da construtora OAS como suposto pagamento de propina. A acusação ganhou enorme repercussão midiática, mas carecia de sustentação probatória sólida — fato que o próprio MPF-PR admitiu publicamente.

Foi o procurador Henrique Pozzobon quem verbalizou, sem rodeios, a fragilidade do material reunido contra Lula: “não teremos aqui provas cabais”, declarou, reconhecendo abertamente a ausência de evidências conclusivas para embasar as acusações que haviam sido alardeadas. A confissão, no entanto, não impediu que as consequências políticas e jurídicas recaíssem sobre o líder petista.

O desfecho do processo só viria anos depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou a suspeição do então juiz Sérgio Moro, responsável pelas condenações no âmbito da Lava Jato, o que resultou na devolução dos direitos políticos de Lula — reconhecendo, na prática, os vícios que contaminaram aquele processo desde a origem.

Delação, fraude bilionária e escândalo de bens ocultos

A transferência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal sinaliza que o empresário está em vias de fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. O movimento representa uma virada significativa em um caso que a própria PF estima ter movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em supostas fraudes financeiras.

No âmbito da investigação, os agentes federais passaram a concentrar esforços na análise minuciosa de comunicações e transferências bancárias associadas a Vorcaro e ao seu cunhado, Fabiano Zettel. O foco recai sobre possíveis repasses a figuras do mundo político e sobre irregularidades de natureza financeira que ainda estão sendo mapeadas pelos investigadores.

O histórico recente do empresário é marcado por uma série de episódios polêmicos. Um dos mais impactantes envolve a transferência de um patrimônio superior a US$ 100 milhões — montante que supera R$ 520 milhões na conversão atual — para Martha Graeff, com quem Vorcaro chegou a ser noivo. A movimentação veio à tona a partir de mensagens trocadas entre os dois, cujo conteúdo foi posteriormente encaminhado à CPI do INSS.

O mesmo material trouxe à luz outras revelações graves: registros de ameaças dirigidas tanto a jornalistas quanto a uma funcionária doméstica, além de evidências de que mais de R$ 2,2 bilhões teriam sido ocultados em uma conta bancária aberta em nome do pai do empresário. O peso dessas descobertas foi suficiente para que o Judiciário determinasse o retorno de Vorcaro ao sistema prisional.

Do Brasil 247

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

A epidemia de loucura da extrema direita bolsonarista

Depois de atacar vacinas, o bolsonarismo transforma uma decisão técnica da Anvisa sobre produtos Ypê em conspiração política — e revela sua fábrica de...

Estadão aponta “baixa estatura moral” de Flávio Bolsonaro e cobra ruptura da direita com bolsonarismo

Editorial afirma que caso envolvendo Daniel Vorcaro expõe degradação ética do clã Bolsonaro e reforça necessidade de alternativa fora do bolsonarismo O jornal O Estado...

Flávio Bolsonaro virou zumbi e Eduardo Bolsonaro entrou na mira da PF

O navio do bolsonarismo começou a afundar e o naufrágio é irreversível Por Leonardo Attuch O bolsonarismo entrou em sua fase terminal. O que se vê...

Marcelo Freixo destrói Flávio Rachadinha Vorcaro da Nóbrega Bolsonaro

Cara de pau! Foi isso que o ex-deputado federal e ex-superintendente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), disse sobre as falas do senador Flávio Bolsonaro...

Os “novos” tempos modernos

No primeiro livro de 2026 abordei dois aspectos da realidade, dois enormes problemas sociais e econômicos que se comunicam em perfeição: o Capitalismo digital...