domingo, maio 3, 2026
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O mercado só visa lucro!

@viniciocarrilhomartinez

O título é óbvio demais, é a obviedade ululante de Nelson Rodrigues. Por isso vou gastar pouquíssima tinta com esse caso.

Fiquei tentando a explicar por meio de uma analogia, que seria dita por algum professor maldoso que já tive. Ele(s) diria(m) assim: “todo ser vivo come, e faz cocô!”. Sim, teria uma exclamação e, por si, te levaria a pensar no quanto você foi esperto.

Pois bem, vamos dar um crédito a quem formulou essa “crítica”, sem a acidez de algum dos meus antigos professores.

Nesse caso, a sentença viria acompanhada de uma conclusão: “O mercado só visa lucro, por isso, a privatização de serviços essenciais não traz benefícios à população”.

Desde aquelas aulas ácidas que tive, e depois estudando bastante, eu concordo com tudo. Primeiro, “o mercado só visa lucro” (sic) porque estamos sob as regras do capitalismo e o mercado é o seu Deus; então, pela lógica, o mercado não visa o prejuízo” – a não ser que seja o prejuízo do patrimônio público, em vias de privatização.

Neste caso, em segundo lugar, é preciso dizer que nem todo serviço público atende à população. O SUS é um exemplo magnífico de prestação de serviços sociais na saúde pública. O SUS é o oposto da saúde privatizada nos EUA e que, sem planos de saúde, põe mais de 50 milhões de pessoas em estado catastrófico, à beira da rua ou da morte. Então, também concordo com a sentença completa: “O marcado só visa lucro, a privatização não é boa”.

Porém, reforço a ideia de que nem todo serviço público presta atenção nas pessoas pobres e que mais necessitam. Diria até que algumas entidades são criadas pelo Poder Público apenas para empregar os parças ou simplesmente desviar, drenar, dinheiro público. Há muitas com esse perfil.

Em todo caso, desde muito jovem fui obrigado – pela lógica e condição cognitiva – a crer, ver (= com teoria) o mercado destruindo ou privatizando o Estado – a indústria de pedágios em São Paulo conta bem essa história –, além de muitas outras vezes em que o mercado fagocitou o aparato público.

A quintessência capitalista é a obtenção de lucro e se faz isso com a exploração da força de trabalho, com a extração de mais valia, combinando-se com o desregulado comércio consumista e a consequente degradação ambiental. A fórmula econômica mágica é D-M-D’ (Marx no Capital). Hoje os nossos dados digitais também são vendidos.

Enfim, o que se apresenta como crítica severa, aguda, altamente chamativa de nossa atenção (“O mercado só visa lucro”), não passa da descoberta de uma criança de cinco anos.

 

 

 

 

 

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