@viniciocarrilhomartinez
O que conta, efetivamente, é que foram e são momentos de afloramento da luta política, de uma Luta pelo Direito, porque invariavelmente estamos imersos, submetidos à luta de classes.
Sendo assim, já realço duas críticas de um velho amigo, que me conhece. Diz ele: “Ficou meio egóico e esqueceu do boteco”. Em minha defesa prévia, posso dizer que – e isso ocorre com todo mundo – foram momentos intensos, intensivos e muitas vezes foram momentos tensos. No entanto, com isso em mente, segue minha autodescrição direta e que é um simples Manifesto Biopolítico, em poucos aspectos:
- Sou de esquerda praticamente desde que nasci – ao menos desde que contraí a Pólio (paralisia infantil) aos seis meses de idade e que me afetou a perna esquerda: onde não há coincidência, por suposto, há semelhança. O cérebro acho que ficou legal e a luta contra o Império nunca cessou, assim como aumentou minha identificação com o povo pobre, negro e oprimido – e pela Palestina.
- Meu pai era comunista, fichado no antigo DOPS, minha mãe foi professora de língua portuguesa por 30 anos: meu irmão foi meu melhor amigo – ele é, ainda que tenha falecido. Talvez por isso não seja ateu, ainda que deteste as religiões – admiro bastante o Tao të King e o “vazio que ressignifica tudo” (é a origem do que é O virtual: virtus = potência).
- Acho que vem daí meu vício em pensar e escrever (agora também gravar). Isso aqui não sei se gosto muito, não. Porém, é por meio disso que expresso minha luta pela democracia, inclusão e acessibilidade, pela proscrição da prescrição, da exceção, e em favor da negação da negação (afirmação), e pela isonomia e equidade.
- Sou uma pessoa com deficiência física (PCD) que nunca aceitou os limites impostos, prescritos, e que só não pulou de paraquedas. Provavelmente por isso “eu amo gatos” – por sua independência, autonomia e inteligência. O que mais vejo nesses bichos é a repulsa à rejeição, e da qual sou partícipe.
- Sou um homem branco antirracista e antifascista – em que pese o machismo que veio de herança: o qual tento fazer um auto combate diário. Minhas avós e meus avôs vieram paupérrimos da Espanha, fugindo dos falangistas – de Franco e dos seus fascistas tardios.
- Sou filho da escolarização, com todos os diplomas e promoções que nem imaginava, antes de conquistar. Publiquei 26 livros.
- Fui escolarizado metade em escola pública e metade em escola particular, no modelo bancário, e conheci Paulo Freire apenas por vias indiretas – até que chegou 2024, quando virou uma obsessão uma certa Pedagogia do Oprimido e mesmo que faça críticas pontuais: por exemplo, exerço minha memória o dia inteiro (há memorização de conteúdos sedimentados pela ontologia e guiados pela teleologia).
- Nunca tive grandes problemas na escola – só conheci o bullying na vida adulta, praticado por docentes da UFSCar. Porém, isso apenas alimenta minha luta contra a discriminação e o preconceito – e a quem destilo um “capacitismo reverso”: eles nem imaginam o que significa, no entanto, tiro uma, todo dia. Faço isso desde que aprendi a operar um poderoso remédio político-jurídico: contra a canalhice e o acinte, use sem moderação o escárnio e a ironia ácida (e que é dialética, diria Ianni).
- Sou servidor público federal, já acostumado à estabilidade, mas que não contempla a paralisia do Poder Público.
- Sou uma pessoa de métodos, a começar pelo Método do meio dia (Ortega Y Gasset – esse tive que puxar pela memória) e pelo Método a contrapelo (Benjamin); todavia, também me aplico (é da natureza) a Serendipidade e a bricolagem, a intuição, a lógica, o Bom Senso (que nem sempre está à mão), a prospecção e a provocação. Com certeza, a crítica e a criatividade estão no coração. Para uma vida, creio que está bom.
Para cada item desses poderia anexar uma publicação pessoal, de artigo, livro ou vídeo, todavia, pensei que aí perderia a graça, ficaria por demais institucionalizado, com o objetivo distorcido pelo cientificismo.




