Este é o título do próximo livro de Vinício Carrilho Martinez, professor da UFSCar/SP, em fase de lançamento previsto ainda em novembro. Abaixo, você pode ler o Posfácio, de Marcela T. Schiavi. Em breve estará disponível na Amazon.
POSFÁCIO
Este texto não pretendeu oferecer respostas definitivas. Talvez porque, ao tratar da consciência, do senso comum e do Bom Senso, qualquer tentativa de conclusão absoluta acabaria contrariando o próprio movimento que se procurou apresentar.
Escrever sobre o Bom Senso é, de certa forma, colocar o próprio pensamento diante do espelho. É perguntar se aquilo que consideramos razoável é, de fato, resultado de reflexão ou apenas aquilo que aprendemos a repetir. É perguntar quanto de nossas certezas é conhecimento e quanto é costume, convenção ou conformismo.
Talvez seja essa a principal inquietação que permanece depois destas páginas: a consciência não é um lugar em que finalmente chegamos. Ela se constrói, se transforma, se contradiz e pode, inclusive, reconhecer que estava errada. E talvez seja justamente essa possibilidade de reconhecer o erro que nos permita continuar pensando.
O Bom Senso, nesse sentido, não pode ser confundido com a certeza de estar certo. Ele exige atenção, prudência e disposição para rever aquilo que parecia evidente. Exige também reconhecer os limites do próprio conhecimento e compreender que ninguém pensa fora do mundo, da história e das condições que o constituem.
Por isso, este texto termina, mas a questão permanece. Talvez tenha de permanecer.
Se a consciência é capaz de voltar-se sobre si mesma, então ainda será possível perguntar: o que estamos fazendo com aquilo que sabemos? O que fazemos com aquilo que não sabemos? E, principalmente, quanto de Bom Senso há em nossas próprias certezas?
Talvez o melhor fechamento seja não fechar.
Continuar pensando pode ser, afinal, uma das formas mais simples — e mais difíceis — de exercer a consciência.
Marcela T. Schiavi
Doutora em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS/UFSCar




