– sem fanatismo
– sem crendices
Sempre penso que é possível (e até desejável) fazermos ligações entre futebol e política. Principalmente porque estamos falando de Brasil: todo bebê já ganhou sua bolinha.
Mas, sempre com inteligência e educação, é preciso pontuar bem a rixa entre futebol e política. Nem sempre dá pra ver esse jogo na poltrona da torcida.
Por exemplo: que Neymar não agrada por suas atitudes antirrepublicanas, é fato que divide o país.
Eu acho deplorável o que fez com sua própria carreira; indubitavelmente, poderia ser um gênio da bola. Hoje é somente um ex-jogador em campo e há uns três anos já.
Outro exemplo: Messi é um gênio da bola, só não é maior porque houve um tal de Pelé. Messi passou Maradona, Messi é o segundo melhor jogador, desde que o futebol foi inventado. Mas, Messi é o antípoda político de Maradona – amigo de Fidel.
Messi é Milei assim como Neymar é bolsonarista. Note-se, porém, uma questão: a qualidade política de ambos os tornam menos craques da bola? É óbvio que não, basta ver onde e como está um e outro.
Mais um exemplo: o Brasil foi tricampeão em 1970. Quem é profissional da bola, e não é o meu caso, diz que jamais haverá outra seleção igual, no mundo todo.
Tivemos uma grandeza técnica absurda em 1982, com o gênio Telê, e não ganhamos. Teria sido o selecionado mais próximo de 1970, apesar de longe da qualidade de Pelé e companhia.
Certo.
Agora, voltemos à política, aos galhos e bugalhos da política: em 1970 havia uma terrível ditadura no país.
Algum jogador tricampeão ocupou o gramado para denunciar o AI-5?
Não, até porque não eram loucos.
A omissão ou conivência de muitos os transformam em pernas de pau?
Jamais.
Nunca mais veremos tanta qualidade num só selecionado nacional. No mundo todo.
Pelé, no último exemplo, o gênio entre os maiores craques do futebol (talvez o único gênio da bola) era pra lá de sofrível quando falava.
Esse mesmo Pelé não reconheceu filha ou filhas. Foi obrigado judicialmente.
Pelé, um homem negro, nascido muito pobre, tornado ícone mundial, nunca, jamais, levantou o punho para incitar a luta antirracista.
Aliás, quantos/as de nós teve essa coragem?
Então, e por fim, alguém torceu contra Pelé e sua trupe em 1970?
Se isso aconteceu, não passou de cinco abobados e abandonados pelo futebol.
No final das contas, penso e insisto em relacionar futebol e política (e cerveja), mas, nunca, jamais, misturar alhos e galhos com bugalhos.
Cerveja, política e futebol. Coloque na ordem que você quiser, só não esqueça da regra de ouro: “Aprecie com moderação”. Como tudo na vida…
A bola pune (Muricy Ramalho) quem joga pra torcida.
(PS: no pódio sagrado, temos um medalhista, Pelé com o ouro. Mas, a Argentina tem dois lugares: Messi com a prata e Maradona com o bronze. Temos uma medalha a menos).
Vinício Carrilho Martinez




