sexta-feira, junho 5, 2026
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80% dos que se manifestaram sobre o Pix veem Flávio Bolsonaro como ameaça ao sistema de pagamentos mais usado pelos brasileiros

Levantamento da Palver em grupos públicos de WhatsApp e Telegram mostra forte desgaste do pré-candidato do PL

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, é apontado como responsável por ameaças ao Pix ou pelo novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o tema que circularam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram. O dado indica forte desgaste do parlamentar em um debate que envolve o sistema de pagamentos mais usado pelos brasileiros e a política comercial do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Segundo levantamento da empresa de análise de dados Palver, divulgado pela Folha de S.Paulo, a responsabilização direta ou indireta de Flávio Bolsonaro corresponde a 81% das publicações opinativas analisadas em mais de 100 mil grupos públicos monitorados. A empresa excluiu da análise mensagens consideradas neutras, como links compartilhados sem comentários e disparos automáticos de clipping que apenas replicam notícias sobre o assunto.

O monitoramento abrangeu o período de 27 de maio a 2 de junho e está relacionado à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde o senador se reuniu com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio. Desde então, aliados do presidente Lula (PT) passaram a sustentar em redes sociais e aplicativos de mensagens que a aproximação do parlamentar com o governo norte-americano representaria uma ameaça ao Pix.

A pressão sobre Flávio se intensificou na segunda-feira (1º), quando surgiu uma nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros. A decisão final sobre a eventual imposição das taxas depende do aval de Trump. Nas redes, apoiadores de Lula passaram a tentar emplacar o termo “Tariflávio” para associar o senador à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A associação entre Flávio, Pix e tarifaço

De acordo com o levantamento da Palver, as mensagens predominantes acusam Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro de “traição à pátria” e de alinhamento a interesses estrangeiros. Parte das publicações descreve a ofensiva norte-americana como um ataque a uma conquista da população brasileira, em referência ao Pix, sistema amplamente utilizado por trabalhadores, consumidores, pequenos empreendedores e empresas.

Uma das mensagens identificadas no levantamento afirma: “Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história”. O tom das publicações críticas se aproxima do discurso adotado por Lula em manifestações públicas recentes, nas quais o presidente tem defendido o Pix e criticado pressões externas contra instrumentos de soberania econômica do Brasil.

O recorte analisado reuniu mensagens que citavam o Pix em combinação com menções a Bolsonaro, Flávio, Trump ou Estados Unidos. A Palver ressalta, no entanto, que o levantamento mede o teor das mensagens que circulam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, e não a opinião da população brasileira como um todo.

Flávio tenta conter desgaste após ameaça de novas tarifas

O episódio passou a ser visto como um revés para a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Políticos do centrão e até aliados do senador avaliam que a possibilidade de novas tarifas contra produtos brasileiros cria um problema político para o parlamentar, especialmente por ocorrer logo após sua visita aos Estados Unidos e sua reunião com Trump.

Na terça-feira (2), Flávio afirmou ter enviado uma carta ao governo Trump pedindo que os Estados Unidos não imponham tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial conduzida pelo país norte-americano. O documento foi endereçado ao secretário de Estado Marco Rubio.

Na carta, Flávio afirma que o Brasil “atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica” e que a imposição de novas tarifas “causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro”. A iniciativa foi uma tentativa de reduzir o desgaste político provocado pela associação entre sua atuação nos Estados Unidos, a ameaça ao Pix e o tarifaço contra o Brasil.

Governo Lula vê chance de evitar tarifa e ampliar desgaste do adversário

Segundo a Folha de S.Paulo, o governo brasileiro pretende manter as negociações com os Estados Unidos e avalia que ainda há chance de evitar a imposição das taxas sugeridas pelo USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Ao mesmo tempo, integrantes do governo Lula enxergam espaço para potencializar o desgaste de Flávio Bolsonaro, considerado o principal adversário do presidente nas eleições de outubro.

A decisão negativa para o Brasil ocorre em meio ao aumento da pressão do governo republicano de Donald Trump sobre o governo Lula. O movimento também acontece na esteira da decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, medida que ampliou a tensão diplomática e política entre os dois países.

Do Brasil 247

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