@viniciocarrilhomartinez
Esse é um dos temas da aula de hoje, na pós-graduação. Porém, note-se que se trata de um fenômeno social, cultural, que está presente na vida de todos nós. Não se faz distinção quando o tema em pauta é a falta de noção ou de equilíbrio ou, no seu oposto, quando prepondera uma “justa razão”.
Veremos que se alinham, num Pensamento Crítico, a necessária aparição de um determinado Pensamento Sociológico e a obrigatória atuação do Pensamento Cientifico.
Em primeiro lugar, destacamos que alguma diferença há entre o senso comum e o Bom Senso, e o que podemos fazer em relação ao primeiro, sobretudo enquanto profissionais da educação: trata-se de demover o senso comum, a mesmice, a repetição infindável.
Em consequência, em segundo lugar, há que se ressaltar que são condicionantes diferentes, até opostas e excludentes, atuando no âmbito da cultura popular – quando opomos o senso comum diante do Bom Senso. Outrossim, é preciso lembrar que o mesmo indivíduo pode oscilar entre um e outro, do senso comum ao Bom Senso e vice-versa, no decorrer do mesmo dia, no instante da mesma conversa.
Nesse escopo, pode-se trazer a ideia de que o Bom Senso tem um efeito extrator no fluxo comum e contínuo do senso comum: retirando-se do miolo parvo uma sentença de Prudência, cautela, prevenção, razoabilidade, proporcionalidade, isto é, provocando-se o destaque afirmativo da presença atuante da racionalidade (de uma “justa razão”, como se dizia no Renascimento para justificar a Razão de Estado).
Fazer atuar essa “justa razão”, diante dos fatos corriqueiros da vida social, é o principal objetivo desse “efeito extrator do senso comum”: buscar um núcleo de ponderação, de afirmação da própria Inteligência Social.
Vejamos na oposição de dois ditados populares:
- Senso comum: “Deixar como está, para ver como é que fica”.
- Bom Senso (extrator de relevância do senso comum): “A palavra convence, o exemplo arrasta”.
Também condiz com o Bom Senso afirmar que: “Quem avisa, amigo é”.
Por outro lado, pelo senso comum (da religiosidade) se diz que: “Deus ajuda a quem madruga”.
- O que é absurdamente incorreto, diante da imposição da Luta de classes racista e que se apresenta visível tanto ao indivíduo comum quanto ao Cientista Social.
- E, assim, responderá o Bom Senso (consciente da luta de classes): “Quem trabalha, não tem tempo de ganhar dinheiro”.
- E ainda que seja o mesmo Bom Senso revelador de outro fato óbvio: “Quem faz o que gosta, não se cansa”.
Por fim, nesse breve escorço conceitual, pensemos numa Provocação:
- “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
- Esse é um Exemplo de Realpolitik.
Esse último ditado popular esconde o senso comum da obediência, mesmo diante das ordens ilegais, das imposições injustas, das determinações ilegítimas.
Esconde-se neste senso comum a passividade, a quase obediência cega, e, do outro lado, normalizam-se o assédio e o abuso de poder.




