segunda-feira, maio 18, 2026
spot_img
spot_img

Cidadão Honorário de Rondônia, Nelson Willians pede dinheiro a Mendonça pra pagar impostos

O Cidadão Honorário de Rondônia, advogado Nelson Wilians, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que enfrenta um cenário que classificou como “deveras calamitoso” depois de ter dinheiro e bens bloqueados no âmbito das investigações sobre a chamada farra dos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em documento enviado à Corte, ele relata ter adotado medidas de austeridade para manter o funcionamento de seu escritório e afirma acumular cerca de R$ 3,5 milhões em tributos a pagar.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça. Na solicitação, Wilians requer o desbloqueio de todas as contas bancárias e bens em seu nome e também do escritório. Como alternativa, caso a medida não seja concedida, ele pede que parte do valor congelado seja destinada ao governo federal para quitar as dívidas tributárias.

De acordo com a NW Advogados, o volume de bloqueios estaria acima do limite de cerca de R$ 28 milhões estabelecido pela Justiça. A banca afirma que a situação pode gerar consequências legais e até a rescisão imediata de contratos, já que a empresa não consegue emitir certidões necessárias para sua atuação.

No documento, o escritório sustenta que continua operando apenas após cortar gastos considerados não essenciais. Segundo a defesa, a prioridade tem sido o pagamento de salários e de fornecedores básicos, como serviços de água, energia, telefone e internet.

Apesar disso, permaneceram pendências tributárias relevantes. Entre os débitos listados estão contribuições patronais, valores retidos de funcionários e impostos federais. O detalhamento apresentado inclui:

  • CP Patronal: R$ 1.727.576,15
  • CP Segurado: R$ 718.221,49
  • IRRF: R$ 690.010,79
  • Terceiros: R$ 248.908,80
  • CSRF: R$ 133.516,20
  • Cofins: R$ 43.516,49
  • PIS: R$ 8.995,57

O escritório também menciona atrasos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), parcelas de acordos tributários e outros débitos federais e municipais registrados no sistema e-CAC, o que indica que o valor total devido pode ser maior do que o apresentado no pedido ao STF.

Na petição, a defesa argumenta que medidas de apreensão e bloqueio devem ter relação direta com o resultado do processo. Segundo o texto, quando os valores já garantem eventual ressarcimento acima do limite estabelecido, a manutenção dos bloqueios poderia representar uma espécie de punição antecipada, o que, na visão dos advogados, contrariaria princípios como a presunção de inocência e o devido processo legal.

A defesa de Wilians informou que não comentará o caso publicamente porque os autos tramitam sob sigilo de Justiça e ainda aguardam julgamento. Mesmo assim, declarou confiar na Justiça e afirmou que já apresentou nos autos provas que, segundo os advogados, demonstrariam a legalidade das atividades do cliente.

A investigação que envolve Wilians integra desdobramentos de operações da Polícia Federal voltadas a apurar suspeitas de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Em setembro, durante a Operação Cambota — uma das fases da Operação Sem Desconto — foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o advogado e preso o empresário Maurício Camisotti.

Na ocasião, agentes apreenderam obras de arte, carros esportivos e uma coleção de relógios de luxo avaliada em cerca de R$ 15 milhões. Entre as peças estavam modelos de marcas como Richard Mille e Parmigiani Fleurier, com valores que poderiam chegar a R$ 8 milhões.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram ainda que Wilians teria feito pagamentos que somam R$ 15,5 milhões a Camisotti, investigado como possível beneficiário final do esquema de descontos indevidos ligados ao INSS. O advogado nega irregularidades e sustenta sua inocência.

Folha do Estado

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

A epidemia de loucura da extrema direita bolsonarista

Depois de atacar vacinas, o bolsonarismo transforma uma decisão técnica da Anvisa sobre produtos Ypê em conspiração política — e revela sua fábrica de...

Estadão aponta “baixa estatura moral” de Flávio Bolsonaro e cobra ruptura da direita com bolsonarismo

Editorial afirma que caso envolvendo Daniel Vorcaro expõe degradação ética do clã Bolsonaro e reforça necessidade de alternativa fora do bolsonarismo O jornal O Estado...

Flávio Bolsonaro virou zumbi e Eduardo Bolsonaro entrou na mira da PF

O navio do bolsonarismo começou a afundar e o naufrágio é irreversível Por Leonardo Attuch O bolsonarismo entrou em sua fase terminal. O que se vê...

Marcelo Freixo destrói Flávio Rachadinha Vorcaro da Nóbrega Bolsonaro

Cara de pau! Foi isso que o ex-deputado federal e ex-superintendente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), disse sobre as falas do senador Flávio Bolsonaro...

Os “novos” tempos modernos

No primeiro livro de 2026 abordei dois aspectos da realidade, dois enormes problemas sociais e econômicos que se comunicam em perfeição: o Capitalismo digital...