quarta-feira, fevereiro 11, 2026
spot_img
spot_img

Economista aponta possível fraude em pesquisa Apex Futura, que favoreceu o bolsonarismo

Pedro Menezes questiona série histórica do instituto e critica falta de critérios transparentes na cobertura de pesquisas eleitorais pela grande imprensa

O economista Pedro Menezes levantou suspeitas sobre a consistência técnica da pesquisa Apex/Futura divulgada nesta terça-feira (10), que aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, Flávio teria 48,2% das intenções de voto, enquanto Lula apareceria com 42,4%.

Foram realizadas 2.000 entrevistas entre os dias 3 e 7 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02276/2026.

Ao comentar o resultado, Menezes afirmou que há um padrão recorrente de divergência da Futura em relação ao conjunto do setor. “A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula”, escreveu.

Ele acrescenta que considera difícil sustentar tecnicamente esses resultados. “É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na mesma direção”, afirmou.

Divergência recorrente

Para o economista, o histórico da empresa em 2022 reforça a necessidade de cautela na divulgação atual. Segundo ele, a repetição de desvios na mesma direção — favorecendo candidatos bolsonaristas — deveria levar veículos de comunicação a adotar critérios editoriais mais rigorosos.

“Agora, grandes veículos divulgam que a Futura mostra Flávio na frente de Lula. O mais adequado seria ignorar ou pelo menos publicar uma ressalva já na manchete”, declarou.

Menezes também criticou a postura da imprensa brasileira diante de pesquisas eleitorais. “Nesses casos, infelizmente, a imprensa brasileira só costuma adotar critérios editoriais quando servem como pretexto pra outros interesses comerciais”, escreveu.

Falta de transparência

O economista afirmou que acompanha a cobertura de pesquisas há muitos anos e que não identifica padrões claros e públicos na escolha de levantamentos por parte dos grandes veículos.

“Desconheço um veículo que adote critérios transparentes, tecnicamente avançados e voltados apenas ao interesse público”, pontuou.

Ele sustenta que parte da mídia seleciona institutos de forma arbitrária, enquanto outros tratam todas as pesquisas igualmente, sem ponderação metodológica. “A maior parte dos grandes escolhe as pesquisas prediletas de forma arbitrária e, em geral, o resto trata todas da mesma forma pra caçar cliques”, afirmou.

Comparação internacional

Menezes citou como exemplo a experiência dos Estados Unidos após a atuação do estatístico Nate Silver, conhecido por desenvolver modelos agregadores de pesquisas com metodologia aberta.

“Um jornalista famoso chamado Nate Silver mudou a imprensa deles, que desde então dão aula: vários veículos de vários tamanhos publicam os próprios critérios editoriais e seguem a regra com rigor, muitos têm agregador com metodologia aberta e replicável”, escreveu.

Na avaliação do economista, a adoção de critérios transparentes e replicáveis elevou o padrão da cobertura eleitoral em diversos países. “Essa novidade na cobertura de pesquisas eleitorais chegou a muitos países do mundo. Ao cobrir pesquisas, infelizmente, nossa imprensa chegou a 2026 sem sair do século passado”, concluiu.

A divulgação do levantamento Apex/Futura reacende o debate sobre metodologia, transparência e responsabilidade editorial na cobertura de pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente diante do histórico recente de divergências entre diferentes institutos e dos impactos políticos dessas publicações no

Brasil 247

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

Economista aponta possível fraude em pesquisa Apex Futura, que favoreceu o bolsonarismo

Pedro Menezes questiona série histórica do instituto e critica falta de critérios transparentes na cobertura de pesquisas eleitorais pela grande imprensa O economista Pedro Menezes...

VIDEO BOMBÁSTICO Relato escandaloso de piloto envolvendo Rueda, Ciro Nogueira eaté ministro do STF

O relato é contundente e efetivamente explosivo. Um piloto que transportava regularmente a dupla que liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia...

Perícia inconclusiva de áudio de candidato expõe desafio da IA na eleição

@viniciocarrilhomartinez No caso específico das fake news na seara política, o ônus da prova está invertido: na prática, o atingido pelo áudio (supostamente feito por...

Capa de Veja dá moral prá Lula pela primeira vez

Não é sempre que a revista Veja coloca Lula na capa positivamente. Geralmente é batendo ou em situação nada favorável. A oito meses e...

Quando o mau-caratismo vira profissão

Ester Dias da Silva Batista No ano de 2025, a divulgação de casas de apostas e jogos de azar, apesar das restrições legais, tornou-se cada...