sexta-feira, abril 17, 2026
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Fome induzida por Israel em Gaza mata mais sete palestinos em 24h, incluindo uma criança

O diretor do Hospital al-Shifa, em Gaza, afirmou que os hospitais da região registraram sete mortes, incluindo uma criança, em decorrência de fome e desnutrição nas últimas 24 horas. Isso eleva para 169 o total de palestinos que morreram por inanição desde que Israel iniciou o genocídio contra o enclave palestino em 2023, incluindo 93 crianças.

Muitas crianças em Gaza vêm sofrendo danos colaterais decorrentes da fome proposital aplicada pelo governo israelense, como atrofia cerebral – perda de neurônios ou conexões cerebrais, resultando na redução do tamanho do cérebro.

Fontes médicas também informaram que 30 pessoas foram mortas por Israel na Faixa de Gaza somente na manhã deste sábado (2), incluindo 13 delas que buscavam ajuda humanitária. Nas últimas 24 horas, o Ministério da Saúde Palestino informa que pelo menos 98 pessoas foram mortas e 1.079 ficaram feridas em ataques israelenses, incluindo 39 pessoas que aguardavam ajuda alimentar.

Com isso, o número de mortos nos ataques desde outubro de 2023 subiu para 60.430, com 148.722 feridos. Enquanto Israel segue atacando diariamente a população, fontes médicas no norte de Gaza afirmam que 80% das ambulâncias da área foram destruídas e que militares israelenses com frequência impedem que os veículos restantes alcancem os feridos.

“Como cachorros”

Os lançamentos aéreos de ajuda alimentícia sobre Gaza deveriam representar um alívio. As grandes caixas de madeira, no entanto, se despedaçam ao atingir o solo, obrigando as pessoas a vasculhar a areia em busca de restos de comida e a raspar o que puderem do chão.

Segundo reportagem da rede Al Jazeera, os palestinos se sentem completamente humilhados com a forma com que a ajuda chega. “Somos como cães correndo atrás de um osso. Por que eles jogam coisas assim? Não queremos que eles nos ajudem dessa forma?”, disse Rana Attia, uma palestina deslocada em Gaza.

Outra palestina, Eslam al-Telbany, também deslocada pelos ataques de Israel, disse que correu atrás da ajuda que caiu do céu. “Fui e meus filhos rezaram para que eu voltasse com comida. Eles não comem nem bebem nada há dois dias. Parte meu coração que eles estejam esperando que eu os alimente”, disse se desfazendo em lágrimas.

A Faixa de Gaza sofre não só com o número ínfimo de caminhões de ajuda humanitária que Israel permite entrar na terra palestina, mas também com um vácuo de poder que permitiu a entrada de saqueadores e gangues armadas. Os criminosos se apropriam dos caminhões que chegam, acumulam a ajuda e depois revendem a um preço altíssimo, muito além da capacidade financeira da imensa maioria.

Sem trégua

Em meio à tragédia causada por Israel, o país de Benjamin Netanyahu afirma que continuará atacando “sem trégua” os palestinos, a menos que os prisioneiros israelenses sejam libertados. “Acredito que, nos próximos dias, saberemos se conseguiremos alcançar um acordo para a libertação dos nossos reféns. Em caso contrário, o combate continuará sem trégua”, afirmou o comandante do Estado-Maior do Exército israelense, tenente-general Eyal Zamir durante uma visita às tropas no território palestino, segundo um comunicado militar divulgado neste sábado.

Acredita-se que das 251 pessoas capturadas pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, 49 continuam em Gaza, incluindo 27 que foram declaradas mortas pelo Exército. O genocídio que se seguiu deixou mais de 60 mil mortos em Gaza, a maioria mulheres e crianças.

Brasil de Fato

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