sexta-feira, outubro 9, 2026
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Chantagem de Trump deve ter como resposta a prisão imediata de Bolsonaro

Por  Kiko Nogueira

 

O anúncio feito por Donald Trump de que irá taxar todos os produtos brasileiros em 50% não é apenas um ataque comercial. É uma declaração política explícita de apoio a Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado e outros crimes graves contra a democracia.

O motivo da sanção, segundo o próprio Trump, é a atuação do STF contra Bolsonaro. Em outras palavras: um presidente estrangeiro está usando o poder econômico dos EUA para interferir diretamente no processo judicial de um criminoso confesso no Brasil.

Diante disso, a permanência de Jair Bolsonaro em liberdade se torna insustentável. Quando um ex-presidente, já inelegível e investigado, vira centro de articulações internacionais que envolvem pressões econômicas contra o próprio país para livrá-lo da Justiça, não há mais dúvidas: Bolsonaro age como um conspirador ativo contra o Estado brasileiro. E conspiradores com acesso a redes internacionais e apoio de chefes de Estado não devem ter liberdade para seguir atuando.

Como se não bastasse, Eduardo Bolsonaro — deputado federal e igualmente investigado na trama golpista — está nos Estados Unidos no momento em que Trump eleva o tom contra o STF e impõe a tarifa punitiva ao Brasil. O roteiro é claro: pai e filho estão mobilizando aliados externos contra instituições nacionais. Isso é cooperação internacional para obstrução de justiça, um dos fundamentos que justificam prisão preventiva imediata, tanto para Jair quanto para Eduardo Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República já dispõem de todos os elementos: tentativa de golpe, uso de fake news, milícias digitais, articulação com o exterior e, agora, sabotagem econômica de um aliado estrangeiro. Esperar mais é abrir margem para que o ex-presidente continue utilizando sua rede para ameaçar a soberania e desestabilizar o país. A prisão de Bolsonaro deixou de ser uma questão de justiça: tornou-se uma necessidade institucional urgente. O Brasil não pode aceitar ser chantageado por Trump a serviço de um golpista.

Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.
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