Após evento Bruno Scheid cai na festa regada a tudo o que os evangélicos se abstém
No palanque, Deus, valores e discursos inflamados. Depois do evento, pessoas de roupas de banho, cerveja, cigarros e piscina. A comemoração de integrantes do grupo de Bruno Scheid, após o ato com Nikolas Ferreira em Ji-Paraná (RO), oferece um contraste que a propaganda eleitoral dificilmente escolheria para seus melhores vídeos.
Segundo informações e registros em vídeo reunidos, integrantes do grupo seguiram para uma confraternização em um clube depois da mobilização. O ambieunte de festa acrescenta outro cenário à narrativa de exaltação religiosa que acompanhou o encontro político.
É preciso colocar a questão no lugar certo: ninguém perde o direito de professar sua fé porque participa de uma festa, toma cerveja ou entra numa piscina. Tampouco o comportamento de apoiadores pode ser automaticamente atribuído ao candidato. A discussão relevante é sobre a régua moral que se apresenta ao público e sobre a disposição de aplicá-la com a mesma intensidade dentro do próprio grupo.
Quando uma campanha associa sua imagem à defesa dos valores cristãos, precisa aceitar perguntas sobre a coerência dessa apresentação. Sobretudo quando a linguagem religiosa ajuda a construir a impressão de que determinado lado da disputa representa uma virtude que faltaria aos demais. A fé merece respeito; a pretensão de monopolizá-la merece contestação.
O eleitor que compareceu ao evento por suas crenças e expectativas merece uma comunicação honesta. Não deve ser levado a confundir entusiasmo político com aprovação divina, nem identidade religiosa com garantia.




