Escrevo mais uma vez, depois da carta do livro. Livro, aliás, que teve uma repercussão enorme. Mais de cem cartas foram-lhe enviadas, do Brasil inteiro. Dessa vez quero dizer que fiz uma carta aos meus futuros colegas de profissão, professoras e professores que cuidarão desse país muito em breve.
Estou com eles agora, na sala de aula. Pedi para que comentassem aquelas poucas linhas que escrevi para eles na semana passada. Lhe envio uma cópia para que também possa ver como me estimula até hoje e para que saiba que esses novos e novas colegas também estão exercitando a tão difícil tarefa de combinar Liberdade, Autonomia e Emancipação.
Hoje estamos numa situação muito complexa, no mundo e no Brasil. E a cada dia me convenço mais de que a Emancipação é uma conquista que só se mantém com muita responsabilidade.
Me lembrei de que, quando era quase criança, meu pai deu uma cópia da chave de casa para mim e meu irmão. Meu pai nos confiou a própria segurança. Essa experiência durou muito pouco. Na primeira semana já chegamos de madrugada. Naquela época a vida era diferente, não fizemos nenhuma bobagem. Mas, mostramos claramente a nossa irresponsabilidade. Meu pai pegou a chave de volta. Voltamos ao estágio de quase crianças. Tivemos nossa independência e autonomia depois dos 17, 18 anos. Ninguém teve que explicar nada, era óbvio.
Contei isso porque sempre me recordo de que a Autonomia, tão cara aos jovens, é uma conquista. Toda conquista precisa mostrar seus méritos, seu direito à autonomia, sua responsabilidade integral pelos atos.
Talvez construam hoje, aqui na sala, uma ponderação semelhante a essa que te envio. Talvez sejam muito mais criativos, até porque o sonho acompanha a juventude. São os jovens que nos provam que a ilusão não é saudável, mas que a desilusão é muito pior. A desilusão é letal.
Felizmente, eles e elas têm consciência dessas implicações, tem esperança de modificar as desigualdades e as imposições opressivas. Nosso trabalho na Educação é exigente, tem barreiras e desafios enormes, porém, você sabe melhor do que qualquer pessoa que a transformação virá. Nossa missão é acompanhar, a vontade é deles. Como me lembraram na última conversa, antes de hoje, o parto é dolorido porque é um renascer.
O Renascimento histórico, você conhece bem, exigiu esforços monumentais da Humanidade. Assim é conosco, nascer de novo é um parto doloroso.
Talvez seja isso que consagre uma espécie de superação individual e social, “das novas mulheres e dos novos homens”, esse esforço, a energia, essa força e a clareza desse nosso renascimento contínuo. Veja como estamos indo. Trouxe aqui somente uma breve lembrança, desse longo caminho que nos aponta o sentido da nossa Liberdade.
Darei outro alô, em breve.
Uma ótima semana.
@viniciocarrilhomartinez




