A coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), divulgou nota oficial nesta sexta-feira (9) classificando como “peça eleitoral irresponsável” a reportagem de capa publicada pela revista Veja com declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A campanha afirma que a publicação veicula acusações sem respaldo probatório a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais.
“A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário”, diz o comunicado da coligação.
A nota acrescenta: “Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa”.
A matéria da revista semanal cita áudio e anexos elaborados pela defesa de Vorcaro para uma proposta de delação premiada na qual o empresário alega ter repassado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para custear despesas de um documentário sobre Lula dirigido pelo cineasta Oliver Stone, em troca de facilitação de negócios junto a fundos de pensão federais.
A própria reportagem registra que a Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou o anexo e arquivou a proposta de acordo por ausência de elementos de corroboração.
Em manifestação enviada à publicação, a PGR confirmou que todas as tratativas com Vorcaro foram intermediadas exclusivamente por advogados e que a proposta foi rejeitada, ressaltando que “não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta”.
À revista, o presidente Lula declarou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira, nem autorizou terceiros a receberem recursos de Vorcaro em seu nome”.
Vingança e contradição
Na nota de repúdio, a coordenação petista pontua que foi durante a atual gestão federal que as instituições de fiscalização atuaram para decretar a liquidação do Banco Master e determinar a prisão de Vorcaro, em março.
O texto classifica a narrativa do banqueiro como uma “tentativa de vingança” com o objetivo de obter benefícios em uma eventual troca de comando no Palácio do Planalto e blindar o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
“A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como ‘patrocínio normal’, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações. A narrativa tenta proteger Flávio Bolsonaro, citado em investigações sobre ligações e pedidos milionários ao banqueiro”, diz a nota da coligação, que anunciou a adoção de medidas judiciais contra calúnias e vazamentos seletivos.
O senador Flávio Bolsonaro e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), são alvos de inquérito formal no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o recebimento de cerca de R$ 61 milhões de Vorcaro para o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na quinta-feira (8), advogados do grupo Prerrogativas, incluindo Marco Aurélio de Carvalho, integrante da coordenação jurídica da campanha de Lula, protocolaram uma notícia de fato na Polícia Federal solicitando apuração urgente sobre suspeita de articulação entre Vorcaro e interlocutores da campanha bolsonarista.
A representação aponta indícios de tentativa de interferência no pleito eleitoral e de desvio de foco das investigações criminais sobre as fraudes financeiras do Banco Master.
Brasil de Fato




