Manobra busca desviar o foco dos casos Master e Dark Horse e abrir caminho para a soltura de Vorcaro em eventual governo Flávio Bolsonaro
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do grupo Prerrogativas, apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando investigação urgente sobre uma “possível articulação destinada a embaraçar as investigações do caso Banco Master e a interferir no segundo turno da eleição presidencial”. A representação aponta o envolvimento de “Daniel Bueno Vorcaro, custodiado preventivamente no Distrito Federal, os interlocutores que atuam em seu nome e pessoas vinculadas à campanha do candidato Flávio Nantes Bolsonaro, senador da República”.
A iniciativa foi motivada pela informação de que “teria sido entregue a terceiros mídia com depoimento gravado contendo imputações a adversários do candidato Flávio Bolsonaro e a integrantes do governo federal”. Segundo os advogados, “essa movimentação reclama apuração imediata, a 17 dias do segundo turno, sobre a origem e a finalidade do material e sobre eventual coordenação entre o custodiado e a campanha do candidato com quem mantém relação financeira já submetida a inquérito”.
A petição relembra que “Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026, no âmbito da Operação Compliance Zero, sob a relatoria do Ministro André Mendonça”. O documento ressalta ainda que “as duas propostas de colaboração premiada que apresentou foram rejeitadas em junho pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, ao fundamento, segundo o noticiado, de que não continham informações relevantes nem revelavam disposição de colaborar de forma significativa”. Em setembro, o empresário prestou novo depoimento e manifestou interesse em colaborar, sem acordo firmado. “Especialista ouvido pela imprensa avaliou que sua estratégia pode ser prolongar as tratativas à espera de mudanças institucionais que o favoreçam”, aponta a peça.
De acordo com o texto destinado às autoridades, a mídia entregue fora dos canais formais é um HD que traria graves acusações direcionadas a adversários de Flávio Bolsonaro e a integrantes do governo federal, incluindo ministros de Estado. Contudo, os juristas alertam que “tais imputações não encontrariam respaldo em elementos de prova e teriam sido concebidas para produzir efeito político”. Para os representantes do Prerrogativas, “esses elementos indicam uma convergência de interesses que justifica a investigação”.
Ao detalhar os riscos envolvidos, a petição destaca que “o custodiado, cujas propostas de colaboração foram recusadas por falta de conteúdo, busca agora exposição pública de longa duração no momento mais sensível da disputa presidencial”, enquanto Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno com o presidente Lula (PT) tendo como promessa o indulto ao pai, Jair Bolsonaro (PL). Os advogados explicam que “uma vitória do candidato alteraria o ambiente institucional em que se decidirá o curso das investigações do caso Master”.
A hipótese levantada pela representação indica que a entrega da gravação e a busca por espaço na televisão cumprem uma função dupla. “A primeira seria embaraçar as investigações, deslocando o foco dos repasses do ‘Dark Horse’ e das demais frentes do caso Master para imputações dirigidas a terceiros, e formar ambiente político favorável à soltura do custodiado e à impunidade dos envolvidos, entre eles o próprio candidato”, diz o texto. “A segunda seria interferir no pleito, levando ao eleitorado, nos dias que antecedem o segundo turno, acusações contra o Presidente da República candidato e ministros de seu governo, sem tempo para verificação ou resposta”, completam.
Os juristas advertem que “os fatos podem configurar, em tese: (i) embaraço a investigação de infração penal que envolva organização criminosa; (ii) imputação falsa, sob pretexto de colaboração com a Justiça, de infração penal a pessoa que se sabe inocente; (iii) divulgação, durante o período de campanha, de fatos sabidamente inverídicos em relação a candidatos e capazes de influir no eleitorado; (iv) a conduta de quem, ciente da inocência do imputado e com finalidade eleitoral, divulga o fato falsamente atribuído; e (v) denunciação caluniosa”.
Por fim, os noticiantes solicitam à Polícia Federal a apuração rigorosa sobre a existência, autoria, circunstâncias de gravação e destinatários do HD, além do levantamento dos registros de visitas dos últimos noventa dias. Pedem também a identificação dos interlocutores que procuraram as emissoras, o cotejo do material com os depoimentos oficiais de Vorcaro, a preservação dos registros de conexão e a devida comunicação ao Procurador-Geral Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal, resguardando sempre a atividade e o sigilo jornalístico.
Do Brasil 247




