quinta-feira, abril 23, 2026
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Direito à consciência (social)

@viniciocarrilhomartinez

O que seria essa consciência social, com a qual muitos debatem e que as pessoas tanto falam?

Tomemos um exemplo muito elementar: estudantes que entrem 15 minutos atrasados e saiam 20 minutos antes do final das aulas e atividades, todos os dias, todas as semanas, em todos os períodos. Multiplique-se essa rotina por cinco anos.

Enquanto estudantes ficam até depois das aulas, quanto tempo e oportunidades essa pessoa furtou de si, ao se negar o acesso ao conhecimento? Será que não tem nenhuma noção do que está fazendo consigo?

Será que o indivíduo, estudante ou não, furtando-se à votação, sistematicamente, não tem noção do que faz a si e ao município, Estado ou pais? Claro que sabem, todos eles, sabem bem o que fazem ou deixam de fazer.

Então, é possível pensarmos que toda consciência é social ou não se trata de consciência, mas sim de mera informação, desinformação e até de deformação. Salvo exceções que confirmam a regra, mesmo o indivíduo mais indolente, apático, indiferente, malicioso diante dos fatos, das condições e situações, dos problemas sociais, está ciente, tem alguma “ciência”, no popular, tem “noção” do que faz ou deixa de fazer.

Pode ser que esse indivíduo não tenha profundidade alguma em qualquer análise social, contudo, tem uma mínima noção de si e do que tem à sua volta. Pode, nesse caso, não acessar níveis razoáveis de interpretação, análise, reflexão, pode, inclusive, ser incapaz de uma autocrítica, pode ser impossibilitado de acessar traços elementares do conhecimento científico, ético, filosófico e político, porém, está minimamente ciente do que quer para si (e para nós – ainda que não saiba soletrar “Nós”), e mesmo que o seu intuito seja apenas ficar indiferente e viver encostado/a nos outros.

É óbvio que esse indivíduo jamais fará alguma análise sociológica, mas sempre será/estará consciente do quanto está sendo antissocial. Esse indivíduo não sabe dizer o que é Interação Social – até porque não comunga com isso –, todavia, está ciente (inclusive zeloso) da interação que mantém com a desídia, irresponsabilidade, desleixo, e até recebimento, comunicação e comunhão com as origens e os propagadores dos males sociais.

Neste sentido, concluindo esta premissa, não associamos consciência à análise sociológica. A análise social, por mais rasteira, simplificada ou quase nula (distorcida), está presente em cada indivíduo (também chamado de “ser social” – e mesmo que não seja em nada sociável).

Já a análise sociológica, entretanto, e sem que fiquemos listados às epistemologias, Teorias Sociais, e por mais rudimentar, inicial que seja, a análise sociológica está presente – por força do estreito vínculo mantido com o objeto, que é a Interação Social – em todos os seres sociais ativos, especialmente naqueles que produzem, expandem, escalam a sociabilidade – interativa, expansiva, integrada, humanizada.

Pode-se chamar isso de sabedoria popular, conhecimento prático (ainda que parcelado, particularizado), derivado da experienciação da vida social, ou simplesmente do núcleo forte do Bom Senso que orbita o senso comum.

A acessibilidade aqui, portanto, refere-se ao verbo acessar: trata-se de acessar níveis mais responsáveis, profundos e amplos, quanto ao conhecimento, à cultura, ao que efetivamente é importante em termos de relações sociais.

Trata-se de invocar o verbo, pô-lo em ação, movimentando-se, movendo-se o acesso à consciência que se faz todos os dias, um pouco a cada experiencia, um pouco mais a cada leitura e reflexão honesta, comprometida, com os reais anseios e esforços de humanização.

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