quarta-feira, abril 1, 2026
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VIDEO SBT conseguiu reunir a República num ambiente de paz e distensão política

Lançamento do SBT News, em São Paulo, pode ter sido o ponto de virada da radicalização política no Brasil

O lançamento do SBT News nesta sexta-feira 12, dia em que Silvio Santos completaria 95 anos, poderia ter sido apenas a cerimônia de chegada de uma nova empresa de comunicação a um mercado já extremamente competitivo, mas teve um significado maior. Por uma coincidência astral, ocorreu poucas horas depois do anúncio de que o governo dos Estados Unidos estava eliminando suas sanções baseadas na Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, com destaque especial para o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, que era uma das autoridades presentes. Ou seja: o clima já era de celebração e distensão. No entanto, o SBT conseguiu também reunir protagonistas de campos opostos da política e eventuais adversários em 2026, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Tarcísio de Freitas, num ambiente de paz, harmonia e distensão política. “Talvez estejamos tendo aqui um ponto de virada”, disse a mim, numa das rodas de conversa, Patrícia Abravanel, uma das filhas de Sílvio Santos.

A construção do SBT News ocorreu em tempo praticamente recorde. Numa missão delegada ao ex-deputado Fábio Faria, genro de Silvio Santos casado com Patrícia, o canal foi construído em apenas 72 dias e ficará sob a liderança do experiente jornalista Leandro Cipoloni, que já havia montado a equipe da CNN Brasil. Com programação diária de 20 horas, o canal nasce com sustentabilidade financeira, depois de ter fechado cotas de patrocínio com grupos privados como JBS, Havan, EMS, TIM, Amil, BYD, BTG Pactual e Cedro Participações, e chega para disputar a atenção do público que hoje se divide entre Globonews, Jovem Pan e CNN – e também com veículos de posição política mais clara, como é o caso da TV 247. Ao subir ao palco, Fábio Faria exaltou a “simplicidade” de Silvio Santos como legado maior do fundador do SBT.

Um ambiente de distensão política

No campo da política, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu que o Brasil fortaleça pontes de diálogo entre campos opostos e debata as eventuais divergências políticas, no momento adequado – e de forma civilizada. A quem lhe perguntou, Tarcísio não escondeu que seu projeto, neste momento, é buscar a reeleição no estado de São Paulo – e não a presidência da República. “O Brasil sempre foi o país da união, do sincretismo e do diálogo”, disse ele. “Não podemos mais ver famílias se dividindo e amigos se afastando por razões políticas”. Um de seus principais aliados, Gilberto Kassab, do PSD, confirmou que o cenário predominante é de reeleição de Tarcísio em São Paulo e avaliou que após a entrada Flávio Bolsonaro na disputa, a tendência é a de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, dispute a presidência pela centro-direita.

Também presente, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pediu a ajuda do governo federal para cobrar maior responsabilidade da empresa italiana Enel, distribuidora de energia em São Paulo e responsável direta pelos apagões recentes, que deixaram milhões de pessoas sem luz na capital paulista e provocaram um caos aéreo em todo o País. Hoje, tanto Ricardo Nunes como Tarcísio de Freitas cobram do governo federal a cassação da concessão da Enel – posição que contrasta com a do governo federal.

Do lado do governo Lula, estiveram presentes o próprio presidente da República, a primeira-dama Rosângela Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado para a suprema corte, assim como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, acompanhado de seu secretário-executivo, Manoel Carlos. Pelo Supremo Tribunal Federal, além de Alexandre de Moraes, marcou presença o decano da corte, Alexandre de Moraes. Pelo Tribunal de Contas da União, marcou presença o ministro Bruno Dantas.

Antes do evento em si, o presidente Lula concedeu uma entrevista ao SBT News, sinalizando que não irá influenciar na dosimetria da pena dos condenados pelo 8 de janeiro. “Uma pessoa que tentou dar um golpe de estado neste País merece ser condenada. Mas eu não vi os detalhes do processo e não vou opinar sobre quanto tempo ele deve ficar preso”, afirmou. Fernando Haddad também confirmou que, em 2026, quer se dedicar mais à formulação do plano de governo do eventual quarto mandato de Lula. “Tudo que eu me comprometi a entregar como ministro da Fazenda foi entregue. Temos inflação na meta, crescimento, emprego recorde e estabilidade macroeconômica. A economia não será um problema no ano eleitoral”, disse ele, que também confirmou a intenção de deixar o ministério da Fazenda, mesmo sem o desejo de disputar eleições em 2026.

O novo momento da política brasileira

A presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, agradeceu a presença das autoridades no evento e indicou a inspiração da empresa para a nova iniciativa. “Estamos comprometidos a entregar um jornalismo com qualidade, responsabilidade, imparcialidade, excelência e veracidade”, afirmou, destacando que estes foram os princípios de seu pai, Silvio Santos. Em suas falas, Ricardo Nunes, Tarcísio de Freitas, Geraldo Alckmin e o presidente Lula recordaram suas memórias afetivas com Sílvio Santos. Alckmin chegou inclusive a lembrar do episódio do sequestro do empresário, quando ele, então governador de São Paulo, atuou diretamente para a sua libertação, e lembrou da frase de Silvio Santos, ainda no cativeiro, sobre o sequestrador. “É uma pessoa boa, governador, e se comprometeu a fazer uma universidade”.

No fim do evento, um Silvio Santos trazido ao palco pela inteligência artificial agradeceu a sua família pela chegada do SBT News, que estreia nesta segunda-feira, dia 15. E de todos os convidados presentes, é necessário destacar a presença de Ronaldo Fenômeno, o maior atacante da história do futebol brasileiro, pentacampeão em 2022, que distribuiu simpatia. A mim, ele disse estar muito confiante na seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, para a conquista do hexa em 2026. Numa roda de conversa, com o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, todos apostaram na conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians. Para que isso ocorra, a equipe paulista ainda terá que superar o Cruzeiro na semifinal e Vasco ou Fluminense na grande final. Na noite de ontem, o Brasil parecia respirar ares de civilidade e normalidade institucional.

Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno
Três corintianos felizes: Lula, Alexandre de Moraes e Ronaldo Fenômeno(Photo: Ricardo Stuckert)

Do Brasil 247

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