Um pouco do que vi nessa eleição:
– Não tivemos um Outsider.
– Houve, sim, uma abstenção recorde, anti establishment, como “voto antissistema” (não é tão substancial, mas pode nos impor a derrota – penso que na Argentina foi decisivo e aqui poderá ser, no cômputo final)
– Vencemos a luta digital, mas somente no último round, com Janones e o exército de 11 milhões. Talvez tarde demais.
– Enfrentamos forças reacionárias globais, como a Meta, cuja meta é o avanço sem controle do Capitalismo Digital.
– A Quinta Coluna – os crimes contra a Soberania Nacional – teve impacto, reflexos na subjetividade que alimenta o Complexo de Vira Latas.
– Ganhamos margem importante na região Norte (Amazonas, por exemplo), mas perdemos votos significativos no Nordeste (por causa dos escândalos regionais variados).
– Lula não foi bem nos dois debates; na melhor hipótese, empatou.
– Mas, o que vi de fundamental foi a identificação de 50 milhões de brasileiros e brasileiras com o Fascismo, o Mal Maior, ativando o Pensamento Pescravista, a destruição da democracia e dos direitos sociais: a Síndrome de Estocolmo segue em adoração ao Capitão do Mato.
– Nessa junção esquizoide entre desesperança, Viralatismo, e por força da lógica mordaz da Luta de classes, o pobre virou à direita na esquina do desastre. Seu guia é o desalento trazido do passado funesto pelo revigorado Capitão do Mato: marca d’água da formação social brasileira, como uma unção pós-moderna do patriarcalismo com o rentismo improdutivo.
– Por fim, assim como deveria acontecer com cada pessoa com equilíbrio moral e emocional, todas as vezes em que se projetam o desalento, a apatia (“cancelamento”), a raiva (dos antigos amigos), é fundamental fazer uma única pergunta: Onde e porque erramos tanto assim?
– Na vida do sujeito adulto (de fato) e na relação política, sem Autocrítica, estaremos condenados eternamente à repetição dos erros e sob os escombros da condição de menoridade. Possivelmente seja esta a diferença essencial entre a Autonomia (neoliberal) e a Emancipação do sujeito (o Humano Genérico).
Vinício Carrilho Martinez




