@viniciocarrilhomartinez
Disse no título que o uber interage com o aplicativo porque esse motorista realmente interage com o trabalho, com a plataforma: está ligado, como se diz.
Ontem na volta da universidade, o motorista – meia idade, escolarizado, experiente no trabalho – me deu uma aula sobre o Código de segurança. Praticamente voltei quieto, e se fiquei quieto quase a viagem toda é porque estava aprendendo muito – é o único de ficar quieto, quando estou aprendendo.
São tantos detalhes sobre esse Código de segurança que vou me limitar a expressar o básico: obviamente, traz segurança ao motorista e ao passageiro. O curioso é que a maioria das pessoas detesta isso; e mais curioso ainda é que os golpes, as trapaças – de ambos os lados – são infinitas. Ou seja, devemos programar nosso aplicativo para que o Código de segurança seja automatizado – sim, qualquer usuário/a pode/deve fazer isso.
O motorista me disse que, em breve, poderemos fixar um número permanente – com o código em mente, ninguém mais precisará consultar o aplicativo no início de cada corrida. E isso é uma recomendação.
Mas, como falei, esse é o mini resumo da conversa, em que fui basicamente um bom escutador.
Teve uma outra viagem de uber, faz uns 15 dias, quando estava indo para a universidade; porém, teve um enredo bem diferente. O motorista era muito jovem, uns 30 anos no máximo. A fisionomia era de cansaço, muito cansaço, mas percebi que o tom de voz estava embargado.
No meio do caminho, não sei porque, a conversa se desviou para os problemas da vida – do tipo de problemas que todo mundo tem. Falei que ando fugindo de problemas, que tento evitar ao máximo – por exemplo, pouco interagir em grupos políticos de WhatsApp, aos quais estava habituado a militar. As tretas, como dizem os jovens, ficaram pesadas e hoje entro apenas para postar algo que eu tenha escrito, como ocorrerá com essa pequena crônica.
Aí, o motorista falou que o problema dele estava perto, mas indo para longe. Na hora, pensei que era a namorada, companheira, esposa. Em seguida ele sorriu meio amarelo e, então, lhe disse que conheço bem esse sentimento. Passei por algumas.
Resumindo, contei uma passagem que aconteceu comigo e disse que, depois de algum tempo, indo e vindo, conseguimos acertar um pouco os ponteiros. Sugeri, a partir do meu exemplo, duas coisas simples: dar um espaço para a moça, um tempo, mas perguntar todo dia como ela está. Com o passar do tempo, poderão avaliar se compensa tentar novamente ou se cada um deve seguir o seu rumo. O importante, em qualquer das hipóteses, é que manterão o respeito mútuo.
Definitivamente, não posso dar “conselhos sentimentais” a ninguém. E penso que não fiz isso, porque somente contei minha experiencia e sugeri prestar atenção no que eu fiz naquela época: espaço, tempo, atenção. Ele agradeceu e disse que é muito bom conversar com alguém que tenha experiencia de vida.
No meu caso, funcionou em parte. No entanto, a parte que funciona até hoje é muito importante, para mim e para ela.
É mais do que certo que não podemos ter tudo na vida, mas que seja de extrema qualidade o que conseguirmos forjar e manter.




