Estatal estuda ampliar produção e investimentos para atender 100% da demanda nacional de diesel diante de mudanças no mercado global
A Petrobras avalia ampliar sua atuação no mercado de combustíveis e produzir toda a demanda de diesel consumida no Brasil em até cinco anos. A possibilidade está sendo considerada no planejamento estratégico da estatal, que prevê investimentos para o próximo ciclo quinquenal, em meio a mudanças no cenário internacional do petróleo e seus efeitos sobre o abastecimento. A declaração foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante um evento em São Paulo, onde destacou que o plano original previa atingir 80% do mercado, mas está sendo revisto.
Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 70% do diesel comercializado no país, enquanto a produção nacional total cobre aproximadamente 80% do consumo interno. O restante é complementado por refinarias privadas, como a de Mataripe, operada pela Acelen, e a Ream, do grupo Atem.
Segundo Magda, o novo cenário internacional, influenciado por tensões geopolíticas como a guerra no Irã, abriu espaço para uma revisão das metas. “O nosso plano de negócios fala de um aumento de cerca de 300 mil barris por dia de diesel em 5 anos. E nós estamos revendo esse plano para ir nos perguntando se nós podemos chegar a 100% em 5 anos”, afirmou.
A executiva explicou que a companhia ainda está avaliando a viabilidade da expansão total da produção. “É uma questão que nós estamos nos fazendo. Somos capazes de fornecer nos próximos cinco anos todo o diesel que o Brasil precisa? E eu estou aguardando essa resposta; 80% nós já vemos que somos capazes”, disse.
A discussão interna sobre o tema deve começar em maio, quando a empresa dará início à elaboração do novo plano de negócios. Apesar das possibilidades de crescimento, Magda evitou detalhar se a estatal considera adquirir refinarias privadas para atingir esse objetivo. “Mataripe é uma pergunta difícil”, declarou ao ser questionada sobre o tema.
Entre as alternativas para ampliar a produção, a Petrobras avalia investimentos em suas próprias unidades. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, deve ampliar sua capacidade para produzir mais 130 mil barris diários de derivados até 2029, sendo 88 mil barris de diesel. Já a Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, pode adicionar mais 76 mil barris diários do combustível com a integração ao Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí.
Para Magda Chambriard, alcançar a autossuficiência plena no diesel pode trazer benefícios tanto para consumidores quanto para investidores. “Para o consumidor, [chegar a 100% do mercado] dará a certeza de que as volatilidades externas não os vão assombrar e, para o nosso acionista, é a garantia de [ter] um mercado que talvez seja o maior consumidor da América Latina”, afirmou.




