Profa. Dra Tainá Reis. Docente Universidade do Estado da Bahia/UNEB.
Quando a exceção deixa de ser ruptura, o extraordinário se disfarça de regra. Revisitando o golpe de Dilma Rousseff, a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023 e a guerra Israel-Gaza, Vinício Carrilho Martinez evidencia o que chamou de normalização da exceção. Práticas autoritárias se infiltram nas instituições sob o manto da legalidade. A democracia, ainda que formalmente intacta, é esvaziada por dentro, direitos se fragilizam e a violência institucional se naturaliza.

A crítica a essa normalização da exceção se dá por um imbricado diálogo com Giorgio Agamben, Carl Schmitt, István Mészáros, Karl Marx e Hannah Arendt. Porém, mais do que um diagnóstico, o livro apresenta um horizonte de superação. É a partir de Paulo Freire que se pode pensar uma autoeducação para além da exceção, uma educação política crítica e emancipadora que tem a potência para desnaturalizar a violência e realizar uma reconstrução democrática.
Educação para além da exceção é uma obra que reflete sobre o presente e inscreve-se nele como ato de resistência intelectual. É um convite à lucidez crítica. Trata-se, justamente por desnaturalizar a violência institucional e tensionar os limites da própria institucionalidade, de um exercício de educação emancipadora.
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