quarta-feira, abril 1, 2026
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A corrupção tem lado: e não é o que o discurso moralista da direita quer que você acredite

Por: Édson Silveira
Há 20 anos a direita brasileira grita “corrupção!”, “mensalão!”, “petismo!”, “comunismo!”, como se a esquerda fosse a madrinha de todo desvio de verba já praticado no território nacional. Mas basta olhar os dados — mesmo num levantamento preliminar — para perceber que esse discurso é o maior ato de ilusionismo já visto no picadeiro político do país.
É oficial: se corrupção tivesse CPF ideológico, estaria registrado como DIREITA e CENTRO-DIREITA.
A esquerda até aparece na lista? Claro, ninguém está dizendo que é um convento franciscano.
Mas comparar o volume, a repetição e a densidade dos escândalos é como comparar um copo d’água com a pororoca.
A direita é simplesmente muito, muito melhor em produzir escândalos de corrupção.
É quase um patrimônio histórico, uma indústria, uma tradição familiar — algo que passa de geração para geração.
QUER NÚMEROS? ENTÃO SEGURA.
Nos últimos 20 anos:
• Enquanto esquerda e centro-esquerda aparecem com casos pontuais — quase sempre hiperexpostos e politizados —,
• DIREITA E CENTRO-DIREITA DOMINAM A LISTA, LIDERAM EM QUANTIDADE, EM RÉUS, EM CONDENAÇÕES E EM CRIATIVIDADE NOS ESQUEMAS.
PP, PR, PTB, PL, DEM/União e seus derivados são verdadeiras fábricas de escândalos.
Cada um em especialidades distintas: caixa dois, peculato, propina, rachadinha, esquema em ministério, esquema em prefeitura, esquema em estatal — um buffet variado para todos os gostos.
É impressionante:
onde se olha, há um político de direita ou centro-direita envolvido em corrupção — exceto, talvez, quando estão ocupados acusando a esquerda.
O CINISMO COMO ESTRATÉGIA
O mais fascinante é a habilidade que a direita tem de transformar suas próprias práticas em discurso moralista contra o outro.
É uma espécie de lavagem ideológica: eles praticam, eles acusam, eles apontam o dedo, eles sobem no carro de som…
E depois vêm os dados e mostram que os campeões nacionais da corrupção vestem azul, verde e amarelo, não vermelho.
É a velha história:
Quem mais grita “ladrão!” geralmente está tentando encobrir o barulho do cofre que está carregando.
E O CENTRO-DIREITA? AH, O CENTRO-DIREITA…
O centro-direita é aquele setor político que aparece na festa sem ser convidado, tira foto abraçado com todo mundo e depois, quando a polícia chega, finge que estava só passando pela calçada.
Mas basta olhar as condenações para descobrir que MDB, PSD, DEM/União e satélites afins são parte central da engrenagem da corrupção parlamentar.
É o famoso bloco da “governabilidade”, aquele que topa qualquer coisa — desde que o contrato esteja certo.
E quando o escândalo estoura?
Ninguém sabia. Ninguém viu. Ninguém assinou. Ninguém participou.
A direita é barulhenta na corrupção.
O centro-direita é silencioso.
Mas ambos são constantes.
E A ESQUERDA?
Sim, há casos — poucos e isolados.
Na esquerda, quando alguém erra, vira manchete internacional.
Na direita, quando alguém erra, vira rotina.
A diferença é gritante:
• Na esquerda, a corrupção gera crise interna, desgaste, punição e autocrítica.
• Na direita, gera reeleição, live comemorativa e discurso “política é assim mesmo”.
Não dá para comparar.
Não dá para colocar no mesmo saco.
Não dá para fingir simetria onde NÃO EXISTE.
A CORRUPÇÃO NO BRASIL TEM LADO — E É IMPORTANTE DIZER QUAL.
A tentativa de transformar corrupção em “problema generalizado de todos” é conveniente para quem domina a máquina que produz corrupção há décadas.
É útil para quem depende dela.
É confortável para quem lucra com ela.
Mas os dados apontam para algo cristalino:
A direita brasileira é a principal responsável pelos maiores escândalos de corrupção do parlamento.
E o centro-direita é o sócio silencioso do esquema.
A esquerda, com seus erros, está longe de ser protagonista dessa história — mas é sempre tratada como vilã principal por quem domina a narrativa e a máquina de escândalos.
RESUMO DO BRASIL
A corrupção não é um fenômeno igualitário, bilateral ou simétrico.
Ela é estruturalmente concentrada na direita — e esse fato é tão óbvio que só passa despercebido porque a própria direita grita mais alto do que os números.
Se corrupção fosse doença, a direita seria surto epidêmico.
O centro-direita seria transmissor silencioso.
A esquerda seria caso isolado.
E o povo brasileiro?
Esse continua sendo o paciente que paga a conta do hospital.
✍️ Edson Silveira — advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.
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