quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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Lewandowski: ou Castro assume sua responsabilidade ou pede GLO

Ministro da Justiça cobra ação do governador do Rio e diz que o Estado “será engolido pelo crime” se nada for feito

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (28) que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, precisa “assumir as suas responsabilidades” diante da crise de segurança pública que se agrava no estado. Caso contrário, deve admitir que perdeu o controle e solicitar formalmente uma intervenção federal, um estado de sítio ou a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

De acordo com reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Lewandowski declarou que, se o governador não conseguir enfrentar o avanço do crime organizado, “tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal”. O ministro advertiu: “Ou ele faz isso, se não conseguir enfrentar, ou vai ser engolido pelo crime.”

Lewandowski destacou que medidas como a intervenção ou a GLO são “excepcionais e gravíssimas”, pois “substituem a legalidade ordinária pela legalidade extraordinária”. Ainda assim, reforçou que o ideal seria que o próprio governo estadual conseguisse restabelecer a ordem. Segundo ele, o que ocorre atualmente no Rio é “uma loucura”. “Guerra civil e força bruta não acabam com o crime organizado. O combate ao crime se faz com inteligência, planejamento e integração”, afirmou.

Como exemplo de ação eficaz, o ministro citou a Operação Carbono Oculto, conduzida em São Paulo, que contou com a cooperação entre a Polícia Federal, a Polícia Militar paulista, o Ministério Público Federal e a Receita Federal. “Ninguém morreu e a organização criminosa foi debelada”, disse. “É assim que se combate o crime organizado.”

Em resposta às críticas de Cláudio Castro, que tentou responsabilizar o governo federal pela escalada da violência, Lewandowski rebateu afirmando que o governador “nunca fez qualquer pedido formal” de apoio com tropas federais, blindados ou agentes de segurança. “Ele tenta jogar a culpa nos outros, mas nunca formalizou esse tipo de solicitação”, afirmou o ministro.

O Ministério da Justiça informou, em nota, que o ministro se reuniu com Castro em fevereiro, quando ofereceu dez vagas em presídios federais para o envio de lideranças criminosas do Rio. O comunicado também destacou que todos os pedidos oficiais feitos pelo governo fluminense foram atendidos.

Os dados apresentados pela pasta indicam que, em 2025, foram realizadas 178 operações da Polícia Federal no estado, sendo 24 voltadas ao tráfico de drogas e armas. Essas ações resultaram em 210 prisões e na apreensão de dez toneladas de entorpecentes e 190 armas de fogo, incluindo 17 fuzis. O Rio de Janeiro também recebeu R$ 288 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública desde 2019, dos quais R$ 157 milhões já foram executados.

Lewandowski lembrou ainda que Castro se opôs à PEC da Segurança, proposta que visa integrar de forma mais ampla as forças federais e estaduais. Para o ministro, essa resistência demonstra a falta de disposição do governo fluminense em fortalecer o enfrentamento conjunto ao crime organizado.

Do Brasil 247 e

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