terça-feira, março 3, 2026
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Planalto vê semana vitoriosa, com participação histórica de Lula na ONU e aceno de Trump

Governo destaca defesa da soberania e aproximação, sem concessões, com Donald Trump, presidente dos EUA

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera “vitoriosa” a participação do presidente na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York. De acordo com integrantes do Palácio do Planalto, o discurso do chefe do Executivo brasileiro foi recebido de forma positiva por líderes internacionais, especialmente pela ênfase na soberania nacional.

Segundo o Metrópoles, a análise interna é de que esta foi a participação mais bem-sucedida de Lula em suas dez presenças na Assembleia da ONU. O discurso de abertura foi marcado por críticas ao enfraquecimento do multilateralismo, à violência contra civis em conflitos e por uma defesa contundente do combate à pobreza global.

Defesa do multilateralismo e críticas a Israel

Na tribuna da ONU, Lula destacou que o sistema de comércio multilateral sofreu retrocessos e criticou medidas unilaterais que, em suas palavras, “transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida”. Ele também condenou as ações militares de Israel na Faixa de Gaza:

“Absolutamente nada justifica o genocídio em curso em Gaza. […] Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente”, declarou.

Aproximação com Trump sem concessões

Apesar do tom firme adotado, Lula recebeu um gesto de abertura de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, que o convidou para um encontro. O republicano comentou:

“Tivemos, pelo menos por uns 39 segundos, uma química excelente. É um bom sinal. Na verdade, concordamos em nos encontrar na semana que vem. Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos”.No Planalto, a avaliação é que a aproximação com Washington não exige concessões unilaterais. Lula, por sua vez, afirmou que não existem temas proibidos na mesa de negociações, mas ressaltou que a democracia e a soberania do Brasil são inegociáveis.

Tarifas e Lei da Reciprocidade

O encontro ocorre em meio a tensões comerciais. Trump impôs tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros, medida que justificou como resposta ao que chamou de “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para reagir, Lula sinalizou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes em resposta a sanções ou barreiras comerciais impostas por outros países.

Próximos passos

Embora Trump tenha mencionado que a reunião com Lula ocorreria já na próxima semana, auxiliares do Planalto tratam o cenário com cautela. A expectativa em Brasília é que o primeiro contato seja realizado por telefone, enquanto um encontro presencial poderá ser agendado posteriormente, conforme a evolução das conversas bilaterais.

Brasil 247

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