sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Empresários brasileiros ajudaram a pavimentar aceno de Trump a Lula

Grandes empresários brasileiros desempenharam um papel central para reduzir as tensões entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e abrir espaço para o gesto de aproximação feito pelo republicano ao petista durante a Assembleia-Geral da ONU. A reportagem foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (23). Segundo o jornal, os dois líderes devem se reunir na próxima semana.

De acordo com interlocutores que acompanharam as negociações, empresas como Embraer — da qual o governo brasileiro é acionista — e JBS, controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, foram decisivas para fortalecer dentro da administração Trump o grupo que defende uma relação bilateral voltada ao comércio, em vez de pressões políticas. Esse bloco tem representantes no Escritório de Comércio dos EUA, chefiado por Jamieson Greer, e no Departamento de Comércio, sob comando de Howard Lutnick. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também manifestou preocupação com os impactos que sanções contra bancos brasileiros poderiam causar ao sistema financeiro.

Disputa interna no governo Trump

A postura defendida pelos empresários e por setores ligados ao comércio se contrapôs à linha dura de integrantes do Departamento de Estado e do ex-assessor Jason Miller, que defendem condicionar a relação bilateral ao julgamento de Jair Bolsonaro, visto por eles como peça-chave. Esse grupo pressionava por uma estratégia de máxima hostilidade em relação ao Brasil.

Nos encontros com autoridades americanas, representantes do empresariado brasileiro apresentaram argumentos de impacto direto no cotidiano dos EUA. O principal deles foi que sobretaxas sobre produtos brasileiros, como café e carne, encareceriam a vida dos consumidores americanos. Também ressaltaram que medidas punitivas poderiam, paradoxalmente, fortalecer politicamente Lula — resultado oposto ao que desejava Washington. Outro ponto colocado foi a impossibilidade de reabilitar politicamente Bolsonaro, já que o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente mesmo diante das pressões vindas dos EUA.

Missões empresariais em Washington

Na semana de 11 de setembro, uma comitiva de peso esteve em Washington para tratar das tarifas. Participaram Joesley Batista, João Camargo (presidente do conselho da Esfera Brasil) e Carlos Sanchez, da EMS, entre outros. Eles se reuniram com parlamentares republicanos, como Maria Elvira Salazar — deputada próxima do secretário de Estado Marco Rubio —, além de integrantes da equipe de Trump. O grupo também manteve encontro com Susie Willes, chefe de gabinete e uma das assessoras mais próximas do presidente americano.

Poucos dias antes, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia realizado conversas no Departamento de Comércio e no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), além de encontro com o vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Em paralelo, empresários acionaram escritórios de lobby em Washington para ampliar o alcance das tratativas.

Resultados práticos e sinal de aproximação

A pressão do setor privado e a atuação diplomática do governo Lula mostraram efeito quando Trump anunciou, em 22 de setembro, uma nova rodada de sanções contra o Brasil. Embora nomes como Viviane Barci — esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes — e o advogado-geral da União, Jorge Messias, tenham sido incluídos na lista de punições, não houve imposição de novas tarifas comerciais. Pelo contrário, há expectativa de que a carne brasileira seja incluída na lista de isenções do tarifaço de 50%.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, essa reabertura de canais permitiu discutir um contato direto entre Lula e Trump. O presidente dos Estados Unidos chegou a sinalizar em agosto a possibilidade de uma ligação telefônica, mas o Planalto optou por aguardar a Assembleia-Geral da ONU. O encontro rápido entre os dois em Nova York, ainda que de menos de um minuto, levou ao agendamento de uma reunião virtual para a próxima semana. Caso se confirme, será o primeiro diálogo formal entre Lula e Trump e pode redesenhar a negociação sobre as sobretaxas impostas aos produtos brasileiros.

Do Brasil 247

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